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TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO

Gabinete do Ministro-Corregedor Bruno Dantas


CPAD – Portaria-TCU 77/2021

TC 015.974/2021-9 (Sigiloso)
Natureza: Administrativo
Interessado: Alexandre Figueiredo Costa Silva
Marques, AUFC, mat. 7655-4.
Sumário Processo administrativo disciplinar.
Relatório da Comissão. Infração ao disposto no art.
116, I, II, III, VIII e IX, da Lei 8.112/1990.
Conclusão. Responsabilidade. Proposta de aplicação
da penalidade de suspensão por 45 dias, podendo ser
convertida em multa.

À Senhora Chefe de Gabinete da Corregedoria do Tribunal de Contas da União.

A Comissão de Processo Administrativo Disciplinar constituída pela Portaria-TCU


77/2021, publicada no BTCU 108, de 11 de junho de 2021, incumbida de apurar as possíveis
irregularidades referentes aos atos e fatos descritos no TC 015.974/2021-9, vem apresentar o
respectivo

RELATÓRIO FINAL

2. Trata-se de processo administrativo disciplinar instaurado em obediência à Portaria-TCU


77, de 11 de junho de 2021 (peça 8), em atenção ao Despacho de lavra do Ministro-Corregedor, Bruno
Dantas, solicitando providências da Presidência do Tribunal acerca da divulgação, por parte do
Presidente da República, Jair Bolsonaro, de que o Tribunal de Contas da União (TCU) teria produzido
relatório concluindo que cerca de 50% das mortes causadas por Covid-19 no ano de 2020 teriam
ocorrido por outros fatores, que não o Coronavírus, o que representaria um superdimensionamento do
número de óbitos no Brasil (peça 4).
3. A equipe da Corregedoria teve acesso ao documento que embasou a notícia (peça 1) e, por
meio de checagem de autoria, constatou que ele tinha sido elaborado pelo Auditor Federal de Controle
Externo Alexandre Figueiredo Costa Silva Marques.

I – DOS FATOS
4. Em 31/05/2021, o servidor acusado produziu documento intitulado “Da supernotificação
de óbitos causados por Covid”, pelo qual colocava em dúvida o número oficial de óbitos decorrente da
Covid-19 no ano de 2020.
5. Na mesma data, por meio da Plataforma Teams, o mencionado documento foi submetido à
apreciação da equipe de fiscalização da qual o AUFC Alexandre Figueiredo era o supervisor, com
intuito de verificar se o assunto deveria ser objeto da fiscalização (peça 84, p. 15).

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6. Após breve discussão com a coordenadora da fiscalização, restou por ela ponderado que,
para haver uma suposta supernotificação dos óbitos decorrentes da Covid-19, seria necessário o
conluio de diversos agentes, razão pela qual a hipótese deveria antes ser analisada como eventual
proposta de melhoria na fase de planejamento. No entanto, o assunto não chegou a prosperar no âmbito
da fiscalização (peça 84, p. 16).
7. Em 6/6/2021, o acusado repassou ao seu pai, via aplicativo WhatsApp, o mencionado
documento, em formato word, com alguns ajustes complementares, quando comparado ao arquivo
originalmente disponibilizado para a equipe de fiscalização.
8. No dia 7/6/2021, o Presidente da República, Jair Bolsonaro, afirmou que o Tribunal de
Contas da União questionara o número de óbitos ocorrido em 2020 por Covid-19. Para melhor
compreensão do assunto, transcreve-se a fala de Sua Excelência1:
Não é meu, é do tal do Tribunal de Contas da União, questionando o número de óbitos no ano
passado por Covid. E ali, o relatório final, não é conclusivo, mas em torno de 50% dos óbitos por
Covid no ano passado não foram por Covid, segundo o Tribunal de Contas da União. Esse relatório
saiu há alguns dias, logicamente que a imprensa não vai divulgar, nós vamos divulgar hoje aqui. Já
passei pro...eu tenho três jornalistas, não vou falar o nome deles que eu converso, só três que eu
converso, que são pessoas sérias, né, e já passei para eles e devo divulgar hoje à tarde. E como é do
Tribunal de Contas da União ninguém queira me criticar por causa disso. Isso aí muita gente
suspeitava, muitos vídeos vocês viram no WhatsApp etc., de pessoas reclamando que o ente
querido não faleceu daquilo. Muito bem fundamentado, tá bem claro, né. Só jornalista não vai
entender, o resto todo mundo vai entender (...)
9. Conforme destacado pelo Ministro Bruno Dantas em seu despacho acostado à peça 4 dos
autos, a notícia surpreendeu ministros e servidores desta Casa. Diante dessa situação, Sua Excelência
perguntou aos relatores dos processos relacionados ao combate à pandemia no âmbito deste Tribunal,
Ministros Benjamin Zymler e Vital do Rêgo, acerca da possibilidade da existência de tal relatório2.
10. Ambos os ministros refutaram a possibilidade de qualquer deliberação do Tribunal nesse
sentido, bem como informaram que não haveria nos autos que relataram qualquer documento que
sugerisse tal conclusão.
11. A notícia teve grande repercussão na imprensa, exigindo da Presidência do TCU a
divulgação, no mesmo dia, de nota de esclarecimento com o seguinte teor3:
O TCU esclarece que não há informações em relatórios do tribunal que apontem que “em torno de
50% dos óbitos por Covid no ano passado não foram por Covid”, conforme afirmação do
Presidente Jair Bolsonaro divulgada nesta segunda-feira (7/6).
O TCU reforça que não é o autor de documento que circula na imprensa e nas redes sociais
intitulado "Da possível supernotificação de óbitos causados por Covid-19 no Brasil".
O documento refere-se a uma análise pessoal de um servidor do Tribunal compartilhada para
discussão e não consta de quaisquer processos oficiais desta Casa, seja como informações de
suporte, relatório de auditoria ou manifestação do Tribunal. Ressalta-se, ainda, que as questões
veiculadas no referido documento não encontram respaldo em nenhuma fiscalização do TCU.
Será instaurado procedimento interno para apurar se houve alguma inadequação de conduta

1 Vídeo de domínio público, facilmente encontrado na internet. Entre outros sítios eletrônicos, o vídeo pode ser acessado
pelo seguinte endereço: https://noticias.r7.com/jr-na-tv/videos/tcu-desmente-jair-bolsonaro-sobre-a-existencia-de-
relatorios-com-dados-de-mortes-por-covid-19-07062021 (acessado em 23/7/2021, às 17h15).
2 Os ministros Benjamin Zymler e Vital do Rego atuaram, respectivamente, como relatores do Quinto e do Sexto Ciclos de

Acompanhamento das Ações do Ministério da Saúde no âmbito do Coopera - Programa especial de atuação no
enfrentamento à crise da Covid 19.
3 Disponível em https://portal.tcu.gov.br/imprensa/noticias/nota-de-esclarecimento-mortes-por-covid-19.htm, acessado em

23/7/2021, às 17h40.

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funcional no caso.
12. Consoante apontado no último parágrafo da nota de esclarecimento, a Presidência do
Tribunal emitiu a Portaria-TCU 77/2021, de 11/6/2021, que constitui Comissão de Processo
Administrativo Disciplinar para apurar o presente caso (peça 8).

II – DA INSTRUÇÃO PROCESSUAL
13. Constituída a comissão, com fundamento no art. 151 da Lei 8.112/1990, iniciou-se o
inquérito administrativo, obedecendo-se aos princípios do contraditório e da ampla defesa, conforme
estabelece o art. 153 do mesmo diploma legal.
14. Nesse sentido, após a instalação da comissão e início do trabalho, Ata 01 (peça 15), foi
feita a notificação prévia do servidor acusado, informando-lhe que lhe seria facultado (peça 22):
a. acompanhar, pessoalmente ou por procurador devidamente constituído, ter vista dos
autos, arrolar e reinquirir testemunhas, produzir provas e contraprovas e formular quesitos
quando se tratar de prova pericial, nos termos do art. 156 da Lei 8.112, de 11 de dezembro
de 1990;
b. apresentar o rol de testemunhas a serem ouvidas, indicando-se a pertinência do seu
testemunho com os fatos tratados nos autos;
c. produzir provas tidas como indispensáveis à elucidação dos referidos fatos; e
d. consultar, via Plataforma SharePoint, todas as peças dos autos.
15. Por meio de mensagens eletrônicas, o servidor acusou o recebimento da notificação (peça
24) e, em seguida, comunicou a esta Comissão Processante que o Dr. Sávio de Faria Caram Zuquim,
OAB/DF 9.191, iria representá-lo no processo.
16. O Dr. Sávio de Faria Caram Zuquim requereu, inicialmente, à Comissão que fossem
levantadas, com apoio da Secretaria de Infraestrutura de Tecnologia – Setic e/ou Secretaria de
Engenharia e de Serviços de Apoio – Senge, as seguintes informações com relação ao documento tido
como “relatório”, produzido pelo acusado (peça 57), solicitando também que o AUFC Marcelo Chaves
Aragão fosse ouvido como testemunha de defesa:
a. perícia técnica que indique as propriedades pessoais do arquivo, identifique seu
criador, seu editor, o software utilizado, a marca, modelo e nome do computador no qual
foi produzido.
b. o meio pelo qual foi disponibilizado à equipe de Auditores;
c. a data e horário em que foi disponibilizado pela primeira vez à equipe de Auditores.
d. transcrever e transportar para estes autos todas as “conversas” entre a equipe de
Auditores e o acusado que tenham por objeto o documento em questão.
17. A fim de atender ao pleito acima, esta Comissão Processante encaminhou à Setic o
Memorando 11/CPAD – Portaria-TCU 77/2021, de 30/6/2021, requerendo as informações solicitadas.
18. Em atenção à informação requisitada por meio da alínea “d” do item 16 acima, esta
Comissão juntou aos autos cópia das conversas contidas no chat referente à equipe “Acompanhamento
COVID SecexSaúde”, de 18/2/2021 e 1º/6/2021, da Plataforma Microsoft Teams (peças 84-88). As
demais informações referenciadas no item 16 acima constam no documento juntado à peça 92.
19. Além do AUFC Marcelo Chaves Aragão, indicado pelo servidor acusado, foram arroladas
as seguintes testemunhas por deliberação desta Comissão, contida na Ata 2, de 18/6/2021 (peça 26):

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Tiago Modesto Carneiro Costa, matr. 6583-8, Secretário de Controle Externo de Orientação, Métodos,
Informações e Inteligência para o Controle Externo e o Combate à Corrupção – Soma; Cristiane Maria
Costa Pereira Coutinho, matr. 5627-8; Alexandre Francisco Leite de Assis, matr. 10201-6, Guillermo
Manrique Ferreira; matr. 9481-1; e Jefferson Pinheiro Silva, matr. 7598-1, todos da Secretaria de
Controle Externo da Saúde - SecexSaúde e membros da fiscalização da qual o acusado era o
supervisor; Vinícius Augusto Guimarães, matr. 8927-3, Diretor do acusado na SecexSaúde; e Ivan
Alberto Mancini Pires, matr. 6564-1, Diretor do acusado na Secretaria de Controle Externo da São
Paulo.
20. Com amparo no art. 8º da Portaria-Correg 10/2020, publicada no BTCU 152, de 12 de
agosto de 2020, todas as audiências ocorreram de forma online, por meio da Plataforma “Microsoft
Teams”, tendo sido acompanhadas pelo servidor acusado e por dois advogados por ele indicados, os
Drs. Sávio de Faria Caram Zuquim, OAB/DF 9.191, e José Carlos de Matos, OAB-DF 10446. As atas
3 a 10 contêm os links que dão acesso integral aos depoimentos das testemunhas (peças 76 a 83).
21. Importa ressaltar que constam dos autos os documentos compartilhados pela CPI da
Pandemia, contendo cópia digital do documento 1480 daquela Comissão, referente à transferência de
sigilo telefônico do servidor acusado (peças 102 a 117).
22. Em 28/7/2021, foi realizado o interrogatório do AUFC Alexandre Figueiredo Costa Silva
Marques, que contou com a presença dos mesmos advogados citados no item 20 acima. A ata 12
contém o link que dá acesso integral ao interrogatório (peça 118).
23. Na mesma data, por meio da Ata 13, esta Comissão decidiu por encerrar a instrução
processual e promover a indiciação do AFUC Alexandre Figueiredo Costa Silva Marques pelas razões
de fato e de direito expostas no termo de indiciação, bem como efetuar sua citação para apresentar
defesa escrita (peça 119).

III – DA INDICIAÇÃO
24. O Termo de Indiciação descreveu minuciosamente, em juízo provisório, a irregularidade
identificada, especificando a conduta do servidor, os dispositivos violados, as provas e a análise de
culpabilidade (peça 120). A seguir, transcrevem-se os principais pontos do mencionado termo:
II – DA IRREGULARIDADE
11. CONDUTA: repassar à pessoa estranha à equipe de fiscalização, às chefias e aos respectivos
relatores documento intitulado “Da supernotificação de óbitos causados por Covid”, contendo tese
não acolhida pela equipe de fiscalização da qual o servidor era o supervisor, assumindo o risco de
que o referido documento fosse utilizado de forma indevida e ilegítima como posicionamento
oficial da instituição a que serve, comprometendo a imagem e a honorabilidade do Tribunal de
Contas da União, dos seus ministros e do seu corpo técnico, cujas condutas devem se pautar pela
independência e isenção, não se sujeitando a ingerências externas, sejam políticas, ideológicas ou
econômicas.
12. DISPOSITIVOS VIOLADOS:
Lei 8.112/1990
Art. 116. São deveres do servidor:
I - exercer com zelo e dedicação as atribuições do cargo;
II - ser leal às instituições a que servir;
III - observar as normas legais e regulamentares;
(...)

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VIII - guardar sigilo sobre assunto da repartição;


IX - manter conduta compatível com a moralidade administrativa;

Lei 8.443/1992
Art. 86. São obrigações do servidor que exerce funções específicas de controle externo no
Tribunal de Contas da União:
I - manter, no desempenho de suas tarefas, atitude de independência, serenidade e
imparcialidade;
(...)
IV - guardar sigilo sobre dados e informações obtidos em decorrência do exercício de suas
funções e pertinentes aos assuntos sob sua fiscalização, utilizando-os, exclusivamente, para a
elaboração de pareceres e relatórios destinados à chefia imediata.

Resolução-TCU 256/2009
Art. 6º Ao servidor do Tribunal de Contas da União é condenável a prática de qualquer ato
que atente contra a honra e a dignidade de sua função pública, os compromissos éticos
assumidos neste Código e os valores institucionais, sendo-lhe vedado, ainda:
(...)
VIII – divulgar ou facilitar a divulgação, por qualquer meio, de informações sigilosas obtidas
por qualquer forma em razão do cargo ou função e, ainda, de relatórios, instruções e
informações constantes em processos cujo objeto ainda não tenha sido apreciado, sem prévia
autorização da autoridade competente;

NORMAS DE AUDITORIA DO TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO


INTEGRIDADE
39. A integridade dos auditores estabelece confiança e representa a base para a
confiabilidade em seu julgamento. Para sustentar a confiança pública, a conduta dos
auditores deve ser irrepreensível e estar acima de qualquer suspeita, o que exige a condução
dos trabalhos com uma atitude objetiva, baseada em fatos, não partidária, e não
ideológica em relação às entidades auditadas e aos usuários de seus relatórios. As partes
interessadas, de maneira geral, esperam dos auditores uma atitude honesta, sincera e
construtiva.
40. No cumprimento de suas responsabilidades profissionais, os auditores podem se
deparar com interesses conflitantes de gestores de entidades, de autoridades
governamentais e de outros possíveis interessados e, em virtude disso, sofrer pressões
para violar princípios éticos e, de forma inadequada, conseguir ganho pessoal ou
organizacional. Agindo com integridade, os auditores conseguirão lidar com as pressões,
priorizando suas responsabilidades para com o interesse público. Tomar decisões
consistentes com o interesse público da entidade, do programa ou da atividade auditada
é uma parte importante do princípio da integridade.
(...)
45. A posição de auditor, as informações e os recursos públicos só devem ser utilizados para
fins oficiais, e não inadequadamente para ganho pessoal ou de uma forma contrária à lei
ou que prejudique os legítimos interesses da entidade auditada ou do Tribunal. Abusar da
posição de auditor para obter ganho pessoal viola responsabilidades fundamentais do

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profissional de auditoria.
(...)
47. A credibilidade de uma auditoria pode ser prejudicada pela utilização inadequada
de informações relevantes, obtidas no exercício profissional, em benefício de interesses
financeiros pessoais, de parentes ou de organizações em que o auditor tenha qualquer tipo de
interesse.
(...)
60. Auditores não devem revelar a terceiros dados e informações obtidos no processo de
auditoria, seja oralmente ou por escrito, exceto para cumprir as responsabilidades legais ou
de outra natureza que correspondam a atribuições legais do Tribunal. (grifos constam do
Termo de Indiciação)
13. PROVAS: depoimentos das testemunhas arroladas no processo, transferência de sigilo das
ferramentas institucionais utilizadas pelo acusado no âmbito deste Tribunal, manifestação da Setic
solicitada pelo próprio acusado, compartilhamento de provas realizada pela CPI da Pandemia e, por
fim, o interrogatório do próprio acusado, confirmando que produziu o documento intitulado “Da
supernotificação de óbitos causados por Covid” e que o repassou para o seu pai, consoante
transcrição a seguir (link mencionado à peça 118, aos sete minutos e oito segundos):
- É fato notório, noticiado por diversos veículos de imprensa, que o documento produzido
por você foi repassado ao seu pai, que o repassou ao Presidente Bolsonaro. Você confirma
esta informação?
- Eu confirmo sim.
14. CULPABILIDADE: não foram verificadas quaisquer excludentes de culpabilidade.
15. Pelo exposto, presentes a materialidade, a antijuridicidade, a conduta reprovável e a
culpabilidade do AUFC Alexandre Figueiredo Costa Silva Marques, esta comissão o indicia pelo
cometimento das infrações capituladas no art. 116, incisos I, II, III, VIII e IX, da Lei 8.112/1990.
25. Em 29/07/2021, o AUFC Alexandre Figueiredo Costa Silva Marques foi citado para
apresentar defesa escrita, no prazo de dez dias (peça 121). Na mesma data, o seu advogado acusou o
recebimento da citação (peça 122).
26. O servidor apresentou sua defesa em 9 de agosto de 2021 (peça 130), subscrita por seus
advogados e estruturada da seguinte maneira:
i) Fatos (p. 1-2);
ii) Preliminar de Mérito (p. 3-8);
iii) Do Mérito (p. 8-9);
iv) Os testemunhos afastam a hipótese acusatória (p. 10-22);
vi) Conclusão e Pedidos (p. 22).
27. A seguir, são apresentados de forma resumida os argumentos trazidos em sede de defesa,
seguidos da respectiva análise.

IV – DA DEFESA
IV.1 – Da síntese da defesa
28. Na primeira parte de sua defesa, o servidor indiciado apresenta os fatos que o levaram a
responder a este processo administrativo disciplinar. Nessa fase, foi apresentado, essencialmente,
resumo do termo de indiciação, que, por já ter sido transcrito acima, deixamos de reproduzi-lo.

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29. O argumento trazido nesta parte da defesa que convém ser citado diz respeito à utilização
da terminologia “documento” no termo de indiciação. Para melhor compreensão, transcreve-se o
seguinte trecho da peça de defesa (peça 130, p. 2):
Dessa assertiva, de logo, chamamos a atenção da terminologia “documento” dado ao texto, eis que
nodal à uma melhor compreensão do havido e de existência, ou não, de possibilidade de atração
tipológica, na forma do indiciamento.
30. Na sequência, a defesa apresenta a Preliminar de Mérito.
31. Sobre o tema, alega que o indiciamento se deu a despeito de ter sido comprovado que: i) o
servidor teria sempre agido de forma técnica e apartidária na condução de suas funções; ii) o servidor
teria elevadas qualidades de comprometimento, dedicação e condutas exemplares, tanto pessoal,
quanto profissional; iii) o arrazoado em questão não conteria informações sigilosas ou restritas e foi
elaborado no exercício regular de suas funções e em ambiente de indicação de hipótese que poderia ou
não se constituir conteúdo a compor a matriz de planejamento ao escopo da fiscalização; iv) por ser
hipótese de investigação que não foi acolhida pelo grupo nem agregada à matriz de conteúdo a ser
verificado, o arrazoado não fez e não fazia parte de processo de fiscalização, não constituindo, por
isso, conteúdo ao escopo da atividade, ou seja, sendo, portanto, descartável de pronto como hipótese a
não ser considerada, formalmente, então, seria um não documento e, menos ainda, oficial; v) não
haveria qualquer indicação de que o servidor teria violado a moralidade administrativa; e vi) haveria a
falta de dolo em causar constrangimentos a quem quer que fosse (peça 130, p. 3).
32. Em seguida, argumenta que, apesar de a advertência ser a pena mais branda e de seu
registro ser cancelado após o decurso de três anos de efetivo exercício, ela se mostra demasiada para
quem sempre zelou por sua carreira e teve, como consequência, registros imaculados. Acrescenta que
menos razão ainda teria eventual suspensão por violação à moralidade administrativa (peça 130, p. 3).
33. Menciona, em seguida, que o adequado juízo de apuração de responsabilidade em sede
disciplinar reclama a identificação e a prova do elemento subjetivo, nos termos da jurisprudência das
cortes de justiça do país (peça 130, p. 4).
34. Acrescenta que o Direito Sancionatório Administrativo compartilha dos mesmos princípios
do Direito Penal, notadamente o devido processo legal, o contraditório, a ampla defesa, a tipicidade, a
culpabilidade, a presunção de inocência e a existência de provas produzidas em contraditório a ensejar
um juízo sancionatório (peça 130, p. 4).
35. Argumenta que, para configurar conduta punível, é necessária a perquirição do elemento
volitivo do agente, uma vez que não se pode confundir ilegalidade com improbidade, pois a
improbidade é ilegalidade tipificada e qualificada pelo elemento subjetivo da conduta do agente (peça
130, p. 5).
36. Assevera que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça ressalta a má-fé como
elemento subjetivo necessário para a composição da conduta punível, sob o fundamento de que este
elemento volitivo é premissa do ato ilegal e ímprobo e a ilegalidade só adquire o status de improbidade
quando a conduta antijurídica fere os princípios constitucionais da administração pública, coadjuvados
pela má-intenção do servidor (peça 130, p. 7).
37. Por fim, argumenta que:
a única alegação que aparentemente dá suporte às conclusões da Comissão é a de que o Indiciado,
mostrar a seu pai conteúdo de um estudo que ele havia produzido e que tinha sido objeto de
discussão no seu Grupo de Trabalho e, diga-se, não foi acolhido ou incorporado como tema ou
conteúdo do trabalho e, por seu pai, sem seu conhecimento ou previsibilidade de conhecer, teria
violado as disposições dos incisos I, II, III, VIII e IX, da Lei 8.112/1990 (peça 130, p. 7). (grifos
constam no original)

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38. No tópico seguinte, Do Mérito, em síntese, a defesa alega que:


i) o termo de indiciamento deveria ter provado que o AUFC Alexandre Figueiredo Costa
Silva Marques assumiu o risco de que o documento por ele repassado a seu pai pudesse ter sido
utilizado de forma indevida como posicionamento oficial da Instituição e que isso poderia
comprometer a imagem e a honorabilidade do Tribunal de Contas da União, dos seus Ministros e do
seu corpo técnico em evidente teoria do domínio do fato em âmbito administrativo (peça 130, p. 8);
ii) as provas permitem, tão somente, concluir que o servidor indiciado partilhou o texto
com seu pai, após não ser sido aproveitado como objeto de estudo, ou constituir elemento da matriz de
planejamento da equipe de trabalho, porquanto fora descartado de pronto, não sendo agregado, a
qualquer título, ao escopo do trabalho e, por isso, não sendo documento para qualquer efeito, menos
ainda, oficial (peça 130, p. 8);
iii) não seria exigível prever que seu pai repassaria o texto, partilhado tão somente para
discussão entre ambos, ao Presidente da República e, mais ainda, se o indiciado teria a previsibilidade
de que o Presidente da República, desvirtuando a natureza do texto e do conteúdo, o divulgasse como
se fosse documento Oficial do TCU a subsidiar o raciocínio negacionista que tanto propala (peça 130,
p. 8);
iv) se não era exigível a previsibilidade da conduta que denotaria juízo de culpa -
negligência, imprudência ou imperícia -, menos ainda, a hipótese de dolo, fosse genérico, específico ou
eventual, pois, para tanto, seria necessário ter o domínio da totalidade dos fatos, ou seja, de toda a
cadeia causal, inclusive o desvirtuamento efetivado pelo Presidente da República (peça 130, p. 9);
v) no exercício regular de suas funções regimentalmente estabelecidas, em fase preliminar
de levantamento de hipótese que constituiriam conteúdo da Matriz de Planejamento ao escopo da
Fiscalização a ser efetivada, o indiciado apresentou hipótese, unicamente a provocar um debate no seio
da equipe trabalho da qual era supervisor, construída a partir de repositórios de dados públicos na
internet (peça 130, p. 9).
39. O tópico seguinte foi denominado: Os Testemunhos Afastam a Hipótese Acusatória.
40. A defesa divide este tópico em duas partes. Na primeira, trata da natureza do documento
produzido pelo servidor indiciado e de sua conduta profissional. Na segunda, trata da forma como o
documento foi enviado para o seu pai e de sua divulgação pelo Presidente da República.
41. De início, a defesa menciona que a testemunha Cristiane Maria Costa Pereira,
Coordenadora da Fiscalização, afirmou que o documento produzido pelo indiciado: i) “não era
documento, não era um papel de trabalho”; ii) “não seria documento, pois estaria fora do escopo do
trabalho”; e iii) “o texto não compôs o processo nem foi inserido em qualquer arquivo, pois não
acolhida a hipótese, sendo apenas um conteúdo trazido para discussão” (peça 130, p. 10).
42. Ademais, informa que a mesma testemunha defendeu inexistir “qualquer viés político na
conduta do indiciado” (peça 130, p. 11).
43. Em seguida, defende que as outras testemunhas indicaram “que o texto não era documento
e não foi incorporado em qualquer arquivo como tal, não tendo qualquer caráter de oficial e, menos,
ainda, de documento público e, menos ainda, que teria sido conduzido com viés político ou ideológico,
ao contrário” (peça 130, p. 12).
44. Após, assevera que a testemunha Guillermo Manrique Ferreira, membro da equipe de
fiscalização, além de ratificar as informações acima, revelou que os dados contidos no texto não eram
dados sigilosos, nem foram retirados de fontes sigilosas (peça 130, p. 12).

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45. Ressalta que a testemunha Ivan Alberto Mancini Pires, seu ex-diretor na Secex-SP, revelou
“o compromisso do Indiciado com padrão técnico e regulamentar de suas funções, revelando que o
mesmo não se conduziu com qualquer viés ideológico ou político” (peça 130, p. 12).
46. Arremata o seu pensamento em relação à natureza do documento e à conduta do servidor
indiciado com o seguinte parágrafo:
À toda evidência, todos os testemunhos indicam no sentido da regularidade procedimental do atuar
do Indiciado, ganhando relevo inclusive a sua dedicação e respeito às normas e procedimentos
adotados no âmbito da equipe de trabalho e em todas as suas atividades funcionais, não possuindo
o atuar qualquer aspectos que denotassem viés ideológico ou político, menos, ainda, ação
deliberada, ou mesmo previsível, no sentido de externar o conteúdo do texto que, como
demonstrado, não alcançou o caráter de documento e/ou documento oficial ou sigiloso, mas, tão
somente um conteúdo hipotético não acolhido no âmbito do grupo de trabalho. (peça 130, p. 14)
47. Na segunda parte deste tópico, a defesa assevera que “a realidade provada nos autos é que
ao indiciado não era previsível e, muito menos, desejada e, menos ainda, controlada ou dominada por
si, pois isso exigiria um domínio dos fatos que ele não possuía” (peça 130, p. 15).
48. Afirma que o indiciado ficou absolutamente constrangido com o ocorrido, “pois jamais
tomaria qualquer atitude que ferisse seus deveres funcionais, ou constrangesse seus colegas servidores,
muito menos os Ministros do Tribunal” (peça 130, p. 15).
49. Menciona que, logo após o ocorrido, o servidor procurou sua chefia para esclarecer os
fatos e desculpar-se pelo erro e constrangimento involuntariamente causados (peça 130, p. 15).
50. Defende que, “ante a imprevisibilidade do conduzir do seu Pai que alimentou o ato do
Presidente da República, não há de subsistir a imputação e muito menos as subsunções nos tipos
indicados no ato de indiciamento, quais sejam: incisos I, II, III, VIII e IX do Art. 116 da Lei
8.112/1990” (peça 130, p. 16).
51. Em seguida, passa a tratar de cada um dos tipos imputados nos mencionados incisos.
52. Em relação ao inciso I – Exercer com zelo e dedicação as atribuições do cargo, importante
transcrever o seguinte trecho (peça 130, p. 16)
(...) o tipo está diretamente relacionado ao exercício das atribuições do Cargo, por isso, como bem
assentado por Marcello Caetano no seu Manual de Direito Administrativo, o zelo ali tutelado
guarda relação direta com as atribuições do cargo, não indo além delas, ou seja, está jungida à
necessidade de se obter lealdade e eficiência na prestação de serviço.
Evidente que o conjunto probatório, mormente os testemunhos colhidos e o interrogatório do
Indiciado, indicam pleno respeito ao comando aludido, realçando que a posição que ocupava na
equipe de coordenador era em razão do zelo, competência e eficiência com que se dedicava ao
exercício de suas atribuições.
53. Quanto ao inciso II – Ser leal às instituições a que servir, conclui o seu pensamento com o
seguinte parágrafo (peça 130, p. 17):
(...) Isso, porque, conforme se extrai dos testemunhos, tinha e tem o Indiciado uma perfeita
identificação com os seus deveres legais, respeitando as relações de hierarquia funcional e
cumprindo os seus deveres com esmero e eficiência, não sendo, por isso, lhe oponível o tipo
inscrito no Inciso II do Art. 116 da Lei 8112/90.
54. Sobre o inciso VIII – Guardar sigilo sobre assunto da repartição, trouxe os seguintes
argumentos (peça 130, p. 17-8):

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(...) Consoante demonstrado, mormente pela prova testemunhal ao início indicada, o texto, por não
ter assumido caráter de documento e, menos ainda, documento oficial, não possui essa
característica de sigiloso ou em segredo, na forma do exigido pelo tipo.
(...)
Na espécie, à toda evidência, mormente ante o conjunto probatório, o texto por ele produzido teve
por subsídios dados públicos e não dados em segredo ou sigilosos e/ou oficiais, que teria acessado
em razão de suas funções.
Ou seja, o servidor tem o dever do sigilo se estiver obrigado a guardar o segredo ou, quando, em
virtude de obediência devida, não for autorizado por seu superior hierárquico a prestar declarações
sobre tal fato, devendo manter-se fiel ao seu dever de não divulgação de fatos oficiais, o que,
conforme demonstrado pelo conjunto probatório, inocorreu. Não sendo, por isso, também,
subsumível à sua conduta o tipo inscrito no inciso VII, do Art. 116, da Lei 8.112/90.
55. Em relação ao inciso IX – Manter conduta compatível com a moralidade administrativa,
eis os principais pontos da defesa (peça 130, p. 20-2):
(...) Aos olhos do Supremo Tribunal Federal o princípio da moralidade administrativa tem como
essência a boa-fé, a lealdade e a honestidade com a coisa pública, mas em análise vinculada ao
desvio de finalidade e de poder, ou ainda considerando a moralidade como elemento da legalidade.
Ou seja, parte significativa dos julgados entende que o malferimento do princípio deve ser
analisado no caso concreto, em conjunto com os elementos subjetivos e a observância à lealdade e
boa-fé com a coisa pública, desvio de poder ou de finalidade.
No caso em exame restou amplamente comprovado que a conduta do servidor não contém os
elementos de má-fé, deslealdade ou desonestidade com a coisa pública, desvio de poder ou de
finalidade e tampouco resultou em lesão ao erário ou enriquecimento ilícito, o que conduz à
inaplicação do art. 116, inciso IX.
(...)
Para sua caracterização, como dito anteriormente e consagrado pela jurisprudência, é essencial a
demonstração do elemento volitivo doloso, cuja inexistência é patente ante os elementos colhidos
na instrução e necessariamente afasta qualquer vício na conduta do Indiciado que permitisse a
imputação de cometimento de ato desidioso. O resultado não foi pretendido pelo Indiciado, não
estando, portanto, configurado o dolo.
(...)
Ante o todo provado, repetimos, a bem da verdade e da adequada justiça, diferentemente do
afirmado no Termo de Indiciação, o servidor não tinha como antever o resultado de sua conduta,
não tinha sequer previsibilidade, eis que havia conversado com seu pai no ambiente mais íntimo
possível a uma pessoa, que é seu círculo familiar, e jamais poderia imaginar que a conversa
ultrapassaria aqueles muros.
56. O último tópico da defesa trata da Conclusão e Pedidos.
57. Nessa parte, o servidor indiciado defende que “todo o imbróglio ocorreu em razão da
distorção e publicidade que terceiros deram às suas notas, regular e legalmente produzidas e à ausência
de animus de comprometer a imagem e a honorabilidade do Tribunal de Contas da União, seus
Ministros e seu corpo técnico, ou de causar constrangimentos a quem quer que seja. Sem animus, não
há conduta típica capaz de impor qualquer penalidade administrativa” (peça 130, p. 22).
58. Por fim, requer que esta Comissão o considere inocente e, por conseguinte, não lhe aplique
qualquer penalidade (peça 130, p. 22)

IV.2 – Da análise da defesa

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59. Primeiramente, há que se revelar que esta Comissão se baseou na doutrina e em manuais
de órgãos públicos de referência em matéria disciplinar para descrever a conduta do AUFC Alexandre
Figueiredo Costa Silva Marques e o correspondente enquadramento infracional.
60. Nesse sentido, vale rememorar a conduta pela qual o acusado está sendo responsabilizado
no âmbito administrativo-disciplinar, consoante se extrai do termo de indiciação elaborado por esta
comissão:
“CONDUTA: repassar à pessoa estranha à equipe de fiscalização, às chefias e aos respectivos
relatores documento intitulado “Da supernotificação de óbitos causados por Covid”, contendo
tese não acolhida pela equipe de fiscalização da qual o servidor era o supervisor, assumindo o
risco de que o referido documento fosse utilizado de forma indevida e ilegítima como
posicionamento oficial da instituição a que serve, comprometendo a imagem e a honorabilidade do
Tribunal de Contas da União (...)” (grifos acrescidos).
61. A teoria da responsabilização adotada pelo Tribunal de Contas da União para julgar os seus
jurisdicionados leva em consideração a figura do homem médio, consoante farta jurisprudência desta
Corte, conforme pesquisa feita na base de jurisprudência, contemplando apenas o ano de 2021 e
decisões do Plenário, que apontou os seguintes acórdãos: 1624/2021 (Ministro Raimundo Carreiro),
1485/2021 (Ministro Raimundo Carreiro), 711/2021 (Ministro Augusto Nardes), 536/2021 (Ministro
Raimundo Carreiro), 505/2021 (Ministro-Substituto Marcos Bemquerer Costa), 447/2021 (Ministro
Benjamin Zymler) e 121/2021 (Ministro Bruno Dantas).
62. Acerca da figura do homem médio, ante a clareza com que o assunto foi abordado,
transcreve-se trecho do voto condutor do Acórdão 33/2005-Plenário, de relatoria do Ministro
Benjamin Zymler:
(...) 19. Ao analisar a existência de culpa, em qualquer uma de suas modalidades, adotarei como
parâmetro para comparação a conduta esperada de um homem médio, diligente e probo - o
equivalente ao princípio romano do bonus pater familiae. Ressalto ser pacífica a assimilação desse
princípio pelo direito pátrio, tanto que, na época em que ocorreram os fatos ora sob exame, ele
estava insculpido nos arts. 1.300 e 1.301 do Código Civil, no art. 153 da Lei das Sociedades
Anônimas e no art. 142 do Código Comercial.
20. Desse princípio decorre que o agente público deverá agir como se estivesse cuidando dos seus
próprios negócios, respondendo pelos danos que vier a causar em decorrência de condutas
desidiosas ou temerárias. Assim, nas palavras de José Aguiar Dias, “a culpa pode ser entendida
como a falta de diligência na observância da norma de conduta, isto é, o desprezo, por parte do
agente, do esforço necessário para observá-la, com resultado não objetivado, mas previsível, desde
que o agente se detivesse na consideração das consequências eventuais de sua atitude.” (Da
Responsabilidade Civil. 6ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 1979) grifos acrescidos
63. Como se vê, ao julgar os gestores públicos, esta Corte de Contas espera que tais agentes
tenham condutas diligentes, a fim de que não cometam atos que possam ter resultado não almejado,
mas previsível ante as circunstâncias fáticas que o circundam. De modo similar, com muito mais
propriedade, deve ser a conduta de seus auditores.
64. Com efeito, conforme entendimento preconizado pelo Supremo Tribunal Federal, com
base em parábola do imperador romano Caio Júlio César e sua mulher, “o agente público não só tem
que ser honesto e probo, mas tem que mostrar que possui tal qualidade. Como a mulher de César” (cf.
RE 160.381/SP, Relator Ministro Marco Aurélio, in DJ 12/8/1994).
65. No caso concreto, restou apurado dos elementos constantes dos autos (depoimentos
testemunhais e interrogatório) que o acusado, de forma livre e consciente, repassou a pessoa estranha à
equipe de fiscalização, às chefias e aos respectivos relatores do processo de fiscalização documento
por ele produzido e intitulado “Da supernotificação de óbitos causados por Covid”, contendo tese

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submetida à equipe de fiscalização da qual era o supervisor e que ao final não foi acolhida. Inconteste,
portanto, a autoria da conduta imputada ao acusado.
66. Desse modo, diversamente do apontado pela defesa, não há que se falar em aplicação da
teoria do domínio do fato para que haja a sua apenação, uma vez que a referida teoria, criada por
Welzel e aprimorada por Roxin, está relacionada ao concurso de pessoas e define como autor aquele
que tem o domínio da própria ação típica, aquele que domina a vontade de outra pessoa e aquele que
tem o domínio funcional do fato.
67. No caso, a sua responsabilização decorre do fato de que, sem o concurso de quaisquer
outros agentes, o acusado repassou a terceiro que não guardava vínculo com o Tribunal documento
intitulado “Da supernotificação de óbitos causados por Covid”, contendo tese não acolhida pela equipe
de fiscalização da qual o servidor era o supervisor. O resultado advindo da conduta praticada, ainda
que não tenha sido o pretendido pelo autor, não se confunde com a conduta ilícita que lhe foi imputada
e somente poderá ser utilizada, se for o caso, para eventual gradação da penalidade a ser aplicada.
68. No que diz respeito ao elemento subjetivo da conduta imputada, não há dúvida de que o
AUFC Alexandre Figueiredo Costa Silva Marques agiu com dolo, ainda que eventual, uma vez que,
voluntariamente, de forma consciente, quis repassar o documento para o seu pai, sem se importar com
o resultado que a sua conduta poderia produzir.
69. Acerca do dolo eventual, Capez4 nos apresenta a seguinte lição:
Dolo indireto ou indeterminado: o agente não quer diretamente o resultado, mas aceita a
possibilidade de produzi-lo (dolo eventual), ou não se importa em produzir este ou aquele resultado
(dolo alternativo). (...) No dolo eventual, conforme já dissemos, o sujeito prevê o resultado e,
embora não o queira propriamente atingi-lo, pouco se importa com a sua ocorrência (‘eu não quero,
mas se acontecer, para mim tudo bem, não é por causa deste risco que vou parar de praticar minha
conduta – não quero, mas também não me importo com a sua ocorrência’) É o caso do motorista
que se conduz em velocidade incompatível com o local e realizando manobras arriscadas. Mesmo
prevendo que pode perder o controle do veículo, atropelar e matar alguém, não se importa, pois é
melhor correr este risco, do que interromper o prazer de dirigir (não quero, mas se acontecer tanto
faz).
Nelson Hungria lembra a fórmula de Frank para explicar o dolo eventual: “seja como for, dê no que
der, em qualquer caso não deixo de agir”.
70. Mesmo que fosse desconfigurado o dolo, o que não é o caso, o Manual de Processo
Administrativo da Controladoria-Geral da União5 assevera que as infrações enquadradas nos ilícitos
disciplinares previstos nos artigos 116 ou 117, incisos I a VIII, XVII a XIX, da Lei 8.112/1990, são
passíveis de punição, ainda que tenham sido praticadas na forma culposa.
71. Nessa mesma linha, leciona Carvalho6:
Em certos tipos disciplinares, a transgressão funcional está constatada pela mera culpa (embora
possam resultar também de dolo em algumas hipóteses), como, ilustrativamente, no caso do
descumprimento de alguns dos deveres do art. 116, da Lei nº 8.112/90, como o de deixar de exercer
com zelo e dedicação as atribuições do cargo (inciso I); não observar as normas legais e
regulamentares (inciso III); deixar de atender com presteza ao público em geral, prestando as
informações requeridas, ressalvadas as protegidas por sigilo, à expedição de certidões requeridas
para defesa de direito ou esclarecimento de situações de interesse pessoal e às requisições para a

4 CAPEZ, Fernando. Curso de Direito Penal: parte geral: volume 1 – 6ª ed. rev. e atual. São Paulo: Saraiva, 2003. p. 188.
5 BRASIL. Controladoria Geral da União. Manual de Processo Administrativo Disciplinar. 2019. p. 295.
6 CARVALHO, Antônio Carlos Alencar. Manual de Processo Administrativo Disciplinar e Sindicância: à luz da

jurisprudência dos tribunais e da casuística da Administração Pública. Belo Horizonte: Fórum, 2019, p. 1.174).

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defesa da Fazenda Pública (inciso V, “a”, “b” e “c”); não zelar, por negligência, pela economia do
material e a conservação do patrimônio público (inciso VII), dentre outras.
72. Uma vez que a falta cometida pelo indiciado Alexandre Figueiredo Costa Silva Marques
será enquadrada, conforme veremos a seguir, apenas em incisos do art. 116, a conduta culposa, por si
só, já se mostraria suficiente para a configuração do desvio funcional.
73. Quanto à previsibilidade do resultado da conduta que lhe foi imputada, restou apurado por
esta comissão que o acusado tinha conhecimento prévio da existência de laços pessoais entre o seu pai,
destinatário do documento repassado, e o Presidente da República, conforme transcrição literal de seu
interrogatório (link mencionado à peça 118, os números à frente dos trechos transcritos referem-se ao tempo de
gravação):
19:00: Foi noticiado na imprensa que o seu pai é amigo de turma do presidente Bolsonaro, você
confirma essa informação?
19:07: Eu confirmo. Eles fizeram a Academia Militar das Agulhas Negras juntos.
19:12: Como foi a indicação de seu pai para gerência da Petrobras?
19:17: O meu pai só me informou que ele foi indicado para aquela gerência de Inteligência e
Segurança Corporativa... ele, meu pai, desde que saiu do Exército, ele foi para a reserva em 98, ele
sempre atuou nessa área de segurança corporativa e inteligência. Ele passou por um processo
seletivo interno da Petrobras... de avaliação de currículo, entrevistas com diretores com RH, o que
eu sei é isso. Mas a indicação foi feita pelo presidente da República. (grifo nosso)
20:00: Como se deu a sua indicação para a diretoria do BNDES?
20:05: Isso tem mais de 2 anos, foi em 2019. Meu pai conversando, porque assim como eu falei,
sempre teve uma relação de amizade muito boa de conversa e de amizade, estava tendo aquela
transição da diretoria, saindo o Joaquim Levy e ia entrar Gustavo Montezano. E aí nessa transição
meu pai me perguntou. Ele considerava que eu tinha o perfil adequado para exercer aquele cargo de
diretor de compliance, porque pela nossa experiência profissional mesmo como auditor do TCU e
me perguntou se eu tinha interesse nessa vaga, eu falei que tinha interesse, porque seria uma
experiência profissional que agregaria bastante para mim... conhecer melhor a administração
pública por dentro. Para até que depois quando retornasse ao TCU, contribuir até melhor para a
missão institucional de aperfeiçoamento da administração pública e, em função dessa minha
concordância, digamos assim, ele encaminhou o meu currículo ao presidente da República,
como eu falei, ele tem esse contato, por terem sido colegas na Aman, e o presidente da
República encaminhou meu currículo ao então recém nomeado presidente do BNDES, Gustavo
Montezano. (grifo nosso)
74. Desse modo, ao repassar o documento para o seu pai, consoante, repita-se, admitido pelo
servidor em seu interrogatório, era bastante previsível que tal documentação poderia chegar até o
Presidente da República e que ele, o Presidente da República, poderia fazer uso indevido da
informação, como, de fato, ocorreu.
75. Agrava a situação o fato de que é público e notório que o Presidente da República, em
determinado momento, questionou e vem, reiteradamente, questionando o número de óbitos causado
pela Covid-19 no Brasil, conforme reconhecido pela própria defesa, ao mencionar que o documento
poderia “subsidiar o raciocínio negacionista que [o Presidente da República] tanto propala” (peça 130,
p. 8).
76. Não é razoável acreditar que um auditor do Tribunal de Contas da União, com vasta
experiência profissional, possuindo formação jurídica e de oficial da Marinha do Brasil, tenha
repassado documento contendo tema tão sensível a pessoa com tamanha proximidade do Presidente da
República, sem que tenha feito uma análise de risco de suas ações, o que é trivial para qualquer
auditor.

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77. Também não é razoável acreditar que, dadas as tensões políticas que circundam a questão
da Covid-19 no Brasil, o seu pai não iria levar o referido documento ao conhecimento do Presidente da
República e este, por sua vez, não iria utilizá-lo de alguma forma, dado o seu posicionamento público
relativamente ao tema objeto do documento produzido.
78. Por fim, é bastante plausível que a menção feita pelo Presidente da República no sentido de
o referido documento se tratar de um relatório ou posicionamento oficial oriundo do Tribunal de
Contas da União se deveu ao fato de ter sido o acusado, um auditor do Tribunal de Contas da União, a
pessoa que o produziu e o repassou, e o seu pai, pessoa que de alguma forma fazia parte do círculo de
confiança do Chefe do Poder Executivo, aquele que levou ao seu conhecimento.
79. Vale dizer, agindo da forma que agiu, não há dúvida de que, no caso concreto, o acusado,
repassando a terceiro documento elaborado em razão e no exercício do cargo de Auditor Federal de
Controle Externo do TCU passível de ser editado, também assumiu o risco de que alguém poderia
utilizar dessa informação como sendo um posicionamento oficial desta Corte de Contas, como de fato
acabou ocorrendo.
80. Importante registrar, nesse sentido, que a necessidade de se colocar apartado de disputas
político-partidária é tão cara à conduta dos servidores do Tribunal de Contas da União, que o tema foi
positivado no art. 3º da Res. 226/2009-TCU, que aprova o Código de Ética de seus servidores:
Art. 3º São princípios e valores fundamentais a serem observados pelos servidores do Tribunal de
Contas da União no exercício do seu cargo ou função:
(...)
VII – a neutralidade político-partidária, religiosa e ideológica; (grifos acrescidos)
81. Passamos agora à análise da tipificação da conduta imputada ao acusado.
82. O art. 116 da Lei 8.112/1990, ao trazer os deveres do servidor, enumera o que o agente
público está obrigado a fazer ou a deixar de fazer ao desempenhar um cargo público.
83. Por sua vez, o art. 86 da Lei 8.443/1992, Lei Orgânica do TCU, dispõe, em seu inciso I,
que é obrigação do servidor que exerce funções específicas de controle externo no Tribunal de Contas
da União manter, no desempenho de suas tarefas, atitude de independência, serenidade e
imparcialidade.
84. Ao repassar o documento para o seu pai, que possui forte ligação com o Presidente Jair
Bolsonaro, consoante apontado pelo servidor em seu interrogatório, o AUFC Alexandre Figueiredo
deixou de desempenhar suas tarefas com atitude de independência e imparcialidade.
85. Por conseguinte, deixou de exercer com zelo e dedicação as atribuições do cargo, bem
como de ser leal à instituição a que serve e de observar as normas legais e regulamentares e, ainda, de
guardar sigilo sobre assunto da repartição, desrespeitando o art. 116, incisos I, II, III, VIII e IX, da Lei
8.112/1990, que estabelece os deveres a que estão obrigados os servidores públicos.
86. O Manual de Processo Administrativo da Controladoria-Geral da União7 apresenta
minuciosa análise das hipóteses previstas nos incisos do art. 116 da Lei 8.112/1990, com objetivo de
auxiliar o aplicador do direito no enquadramento da conduta do servidor faltoso.
87. Em relação ao inciso I – exercer com zelo e dedicação as atribuições do cargo –, convém
transcrever o seguinte trecho8:
(...) Ressalte-se que não é necessário que o servidor habitualmente exerça de forma desleixada suas
atribuições para a caracterização de ofensa ao dever acima descrito, uma vez que a infração se

7 Op. cit., p. 202 e ss.


8 Ibidem, p. 203.

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perfaz com conduta única, ainda que nos assentamentos funcionais do servidor constem elogios
ou menções honrosas. (grifo acrescido)
88. Dessa forma, a despeito de o servidor, conforme será tratado no tópico dos antecedentes
funcionais, possuir atividade profissional pregressa, até então, irretocável, essa condição, por si só, não
é capaz de afastar a irregularidade prevista no inciso I do artigo 116 da Lei 8.112/1990.
89. Acerca do inciso II – ser leal às instituições a que servir –, destaca-se a seguinte
passagem9:
(...) Do mesmo modo, este enquadramento veda a utilização indevida da imagem institucional
quando desvinculada de interesse genuinamente público e afeto às atividades do órgão ou entidade
a qual representa.
90. No caso em análise, é certo que o servidor acusado não almejou, diretamente, utilizar
indevidamente a imagem do TCU, mas, ao repassar ao seu pai o documento intitulado “Da
supernotificação de óbitos causados por Covid”, contendo tese não acolhida pela equipe de
fiscalização da qual o servidor era o supervisor, assumiu o risco de que o referido documento fosse
utilizado de forma indevida e ilegítima como posicionamento oficial da instituição, como, de fato,
ocorreu.
91. Acerca da terminologia “documento” contida no termo de indiciação, a defesa tenta
desqualificá-la sob o argumento de que o texto compartilhado com o seu pai não foi aproveitado como
objeto de estudo, tampouco serviu de elemento da matriz de planejamento da equipe de trabalho,
porquanto fora descartado de pronto, não tendo sido agregado, a qualquer título, ao escopo do trabalho
e, por isso, não poderia ser chamado de documento para qualquer efeito, menos ainda, oficial.
92. O fato de o documento intitulado “Da supernotificação de óbitos causados por Covid” não
ter sido incorporado ao processo não é capaz de dissociá-lo do objeto do trabalho. Ele foi produzido
em razão do cargo e no exercício dele e, ainda, no decorrer e precipuamente em virtude da fiscalização
na qual o indiciado era supervisor, tendo sido submetido à discussão da equipe de fiscalização, em
31/5/2021, por intermédio da plataforma Microsoft Teams (peça 84, p.15). Assim, independentemente
de ser peça do processo ou não, o mencionado documento possui, inegavelmente, natureza de papéis
de trabalho de auditoria.
93. A Norma de Auditoria deste Tribunal trata o tema da seguinte maneira10:
(...) 110. Os papéis de trabalho constituem a documentação que evidencia todo o trabalho
desenvolvido pelo auditor, contendo registro de todas as informações utilizadas, das verificações a
que procedeu e das conclusões a que chegou, independentemente da forma, do meio físico ou das
características intrínsecas ou extrínsecas.
(...)
112. Consideram-se papéis de trabalho aqueles preparados pelo auditor, pelo auditado ou por
terceiros, tais como, planilhas, formulários, questionários preenchidos, fotografias, arquivos de
dados, de vídeo ou de áudio, ofícios, memorandos, portarias, documentos originais ou cópias de
contratos ou de termos de convênios, confirmações externas, programas de auditoria e registros de
sua execução em qualquer meio, físico ou eletrônico, como matrizes de planejamento, de achados e
de responsabilização.
(...)
114. Os auditores devem manter a necessária cautela no manuseio de papéis de trabalho,
especialmente com documentos extraídos de sistemas informatizados, gravações de reuniões ou de
entrevistas e com exibição, gravação e transmissão de dados em meios eletrônicos, para evitar que

9 Ibidem, p. 203.
10 BRASIL, Tribunal de Contas da União. Normas de Auditoria do Tribunal de Contas da União. 2020, p. 32-3.

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pessoas não autorizadas venham a ter ciência do conteúdo neles contidos ou a sua utilização de
forma danosa ao interesse público
94. Dessa forma, não obstante o nome que se queira atribuir ao mencionado documento, por
esse ter sido produzido no âmbito e em virtude da fiscalização na qual o indiciado era o supervisor e
ter sido apresentado para debate pela equipe de fiscalização do Tribunal, era exigido e necessário que
houvesse o devido zelo com o trato da matéria, especialmente de não o revelar a terceiros. Ainda mais
se for levado em consideração que a tese nele contida havia sido rechaçada pela coordenadora do
trabalho naquela oportunidade, consoante se verifica da leitura da conversa extraída da Plataforma
Microsoft Teams entre a equipe de auditores e o acusado (peça 84, p. 15-16).
95. O caráter oficial do documento é cristalino, pois ele foi produzido em razão das atribuições
do cargo e em razão da função que o acusado exercia durante a fiscalização. Não há, em hipótese
alguma, como dissociá-lo da fiscalização ocorrida.
96. A despeito de o documento ter sido rechaçado pela coordenadora da equipe, ficou assente
nas conversas da equipe pelo Teams que a matéria poderia ser analisada em trabalho futuro no âmbito
de outro ciclo de fiscalização, o que reforça a ideia de que deveria ter havido o zelo necessário no
resguardo de seu teor.
97. Em relação ao inciso III - observar as normas legais e regulamentares – do art. 116 da Lei
8.112/1990, transcreve-se o seguinte trecho do Manual de Processo Administrativo da Controladoria-
Geral da União11:
(...) O dever descrito no inciso III do art. 116 da Lei nº 8.112/90 implica observância de qualquer
norma jurídica, seja constitucional, legal ou infralegal. Assim, é possível aplicar penalidade
disciplinar a servidor que tenha descumprido lei, regulamento, decreto, regimento, portaria,
instrução, resolução, ordem de serviço, bem como decisões e interpretações vinculantes e
princípios neles inscritos. Dessa forma, a comissão deve indicar, no indiciamento, qual norma teria
sido descumprida pelo servidor, a fim de lhe garantir o pleno exercício do direito à ampla defesa.
98. Ao desrespeitar os comandos contidos na Norma de Auditoria do Tribunal de Contas da
União, conforme elucidado no termo de indiciação, o AUFC Alexandre Figueiredo Costa Silva
Marques feriu o art. 116, inciso III, da Lei 8.112/1990. A conduta também infringiu o art. 86 da Lei
8.443/1992, conforme já mencionado anteriormente.
99. Em relação ao inciso VIII – guardar sigilo sobre assunto da repartição –, destaca-se mais
um trecho do Manual da CGU12:
Na lição de Léo da Silva Alves:
Guardar sigilo, como está nos estatutos, tem o sentido de evitar que os servidores espalhem
informações em prejuízo à segurança e à regularidade dos serviços. Aqui, o agente não está
atendendo ao interesse objetivo de um cidadão, mas levando gratuitamente informações a terceiros,
muitas vezes comprometendo a eficácia de ações públicas (ALVES, Léo da Silva. Curso de
Processo Disciplinar, Brasília, Cebrad, 2008. p 86)
100. Para esse inciso, reiteram-se as mesmas observações feitas quando da análise do inciso II.
101. Diante das análises acima, não há como dissociar as infrações contidas nos dispositivos
acima mencionados com a descrita no inciso IX do art. 116 da Lei 8.112/1990: “manter conduta
compatível com a moralidade administrativa”.
102. Nas palavras de Di Pietro, é antiga a “distinção entre Moral e Direito, ambos representados
por círculos concêntricos, sendo o maior correspondente à moral e, o menor, ao direito”13.

11 Op. cit., p. 203.


12 Ibidem, p. 207.

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103. Assim, tendo sido atingido o princípio da legalidade, mais severamente foi o da
moralidade. Nesse sentido, cumpre transcrever as lições de Garcia e Alves14:
(...) Sob outra ótica, constata-se que os atos dissonantes do princípio da legalidade, regra geral,
sempre importarão em violação à moralidade administrativa, concebida como o regramento
extraído da disciplina interna da administração.
104. Ainda sobre a moralidade administrativa, o trecho abaixo transcrito do mesmo autor
amolda-se bem a situação em apreço15:
(...) Ao valorar os elementos delineadores da moralidade administrativa, é defeso ao agente
público direcionar seu obrar por critérios de ordem ideológica ou de estrita subjetividade. Ao
interpretar e aplicar a norma, deve o agente considerar os valores norteadores do sistema jurídico,
ainda que se apresentem dissonantes de sua visão pessoal. Assumindo espontaneamente o ônus de
gestor da coisa pública, tem o agente o dever de agir em harmonia com as finalidades
institucionais próprias do órgão que ocupa, o que demonstra que o conceito de moralidade
administrativa tem índole eminentemente ideológica. (grifos acrescidos)
105. Agir de acordo com a moralidade administrativa é mais do que apenas agir com os valores
da sociedade em geral, é necessário agir de acordo com os valores defendidos nos corredores da
instituição.
106. Sobre o tema, mais uma vez vale transcrever as lições de Garcia e Alves16:
(...) Enquanto a moral comum consubstancia o conjunto de valores ordinários entre os membros de
determinada coletividade, possuindo maior generalidade e abstração, a moral administrativa toma
como parâmetro os valores subjacentes à atividade estatal.
107. Nesse sentido, desde as primeiras lições dos cursos de formação dos auditores do TCU, é
ensinado que os assuntos tratados no âmbito das fiscalizações devem ficar restrito aos muros da Corte
de Contas. Mas não é somente nos bancos dos cursos de formação que esses valores são repassados
aos auditores do TCU. O Manual de Auditoria do Tribunal, conforme já reproduzido acima, traz
exatamente esses conceitos em seus parágrafos 39, 40, 45, 47 e 60.
108. As alegações trazidas pela defesa no sentido de que o documento não possuía viés político
é irrelevante para o presente processo e não tem o condão de excluir a sua culpabilidade. Mesmo que o
indiciado não tivesse diretamente a intenção de que a matéria não fosse tratada de forma política, sua
conduta, sem qualquer análise de risco quanto ao resultado que dela poderia advir, provocou a
utilização imediata de sua hipótese pelo Presidente da República, que publicamente já defendera a
possibilidade de haver uma suposta supernotificação dos óbitos ocorridos pela Covid-19 no Brasil.
109. Assim, não há como sustentar que o resultado havido seria absolutamente imprevisível por
parte do acusado. Este, porquanto, de forma livre e espontânea, repassou irregularmente documento
editável, versando sobre temática de interesse do Chefe do Poder Executivo, ao seu pai, mesmo
sabendo que ele gozava de certa proximidade com Sua Excelência, ao ponto de trocarem mensagens
diretamente por meio de WhatsApp.
110. O fato de o servidor ser um bom profissional, como alegado pela defesa, será abordado no
tópico dos antecedentes funcionais e será sopesado na dosimetria da pena a ser aplicada.
111. Por fim, uma vez que a defesa cita a necessidade de dolo para configurar a improbidade
administrativa, cumpre esclarecer que, em momento algum do termo de indiciação, foi feita referência

13 Di Pietro, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. 19ª ed. São Paulo: Atlas, 2006. p. 91-2.
14 Garcia, Emerson e Alves, Rogério Pacheco. Improbidade Administrativa. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2006, p.
15 Ibidem, p. 76.
16 Ibidem, p. 77.

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à Lei de Improbidade Administrativa para enquadramento da conduta ora analisada, cuja configuração,
inclusive, poderia levar à aplicação da pena de demissão ao servidor.

V – DOS ANTECEDENTES DO INDICIADO


112. O AUFC Alexandre Figueiredo Costa Silva Marques tomou posse no TCU em 24/1/2008.
A sua lotação inicial foi na antiga Seproc, passando depois pelas unidades do Tribunal no Estado do
Rio de Janeiro (2009 a 2013) e São Paulo (2013 a 2019). Por último, o servidor esteve lotado na
SecexSaúde de 2019 até o mês de março do corrente ano, quando sua lotação foi alterada para a
Secretaria de Orientação, Métodos, Informações e Inteligência para o Controle Externo e o Combate à
Corrupção – Soma (peça 19).
113. No mês de março de 2021, foi selecionado para exercer a função de Supervisor no Núcleo
de Supervisão para o Aprimoramento das Atividades de Controle Externo.
114. As testemunhas destacaram as qualidades técnicas e profissionais do acusado,
especialmente na área saúde, a exemplo do depoimento do seu ex-Diretor Vinicius Augusto Guimarães
à peça 77 e do Secretário da SecexSaúde, Marcelo Chaves de Aragão à peça 79.
115. Mais recentemente, o acusado fora escolhido um dos servidores destaque da SecexSaúde
(peça 95). Consta também nos seus assentamentos funcionais registro de elogio por parte de então
Secretário da SecexSaúde por trabalho realizado sobre o Sistema Único de Saúde (SUS), o qual foi
publicado no BTCU Administrativo 70, de 15/4/2020. De outra parte, não há registro de penalidade
funcional cometida pelo servidor (peça 20).

VI – DA CIRCUNSTÂNCIA AGRAVANTE
Da repercussão do fato
116. A repercussão negativa do fato foi enorme, sendo destaque em diversos meios de
comunicação, incluindo rádio, televisão, mídia digital, mídia impressa e redes sociais, conforme alguns
exemplos colacionados à peça 21, uma vez que o documento produzido pelo indiciado fora utilizado
pelo Presidente da República para contestar o número oficial de mortes por Covid-19 no ano de 2020,
atribuindo-o equivocadamente ao TCU.
117. Em contrapartida, a repercussão da notícia exigiu pronta resposta desta Casa no sentido
produzir nota de esclarecimento dos fatos, conforme detalhado no item 11 deste relatório. Embora
tenha havido o imediato desmentido por parte da Presidência do TCU, o fato teve o potencial de
provocar uma crise institucional entre a Corte e o Poder Executivo, com graves constrangimentos para
todos os integrantes desta Casa, sejam eles autoridades ou servidores. Isso se torna ainda mais grave
em momento tão sensível para o país, em virtude da intensa polarização política ora vivida, inclusive
quando a matéria trata da pandemia e das centenas de milhares de famílias enlutadas em decorrência
das mortes causadas pela Covid-19 e das pessoas que têm que tratar e conviver com as sequelas da
doença.
118. Ademais, a repercussão negativa desse fato poderia colocar em dúvida e gerar
desconfiança junto a sociedade brasileira na forma de atuação deste Tribunal, que, diga-se de
passagem, é reconhecido pela capacidade de seu corpo técnico, bem como pela atuação imparcial,
formal e parcimoniosa de todos aqueles que laboram no TCU.
119. Isto sem falar no potencial do fato de gerar desconfiança e desinformação na sociedade
brasileira, com a utilização indevida e ilegítima do nome do TCU, para colocar em dúvida justamente a
parte mais dolorosa da pandemia, que é o número de óbitos dela decorrente.

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120. Tamanha foi a repercussão do fato que o servidor foi convocado para depor na CPI da
Pandemia, consoante o requerimento acostado à peça 2, novamente com desnecessária exposição deste
Tribunal junto ao Poder Legislativo e à sociedade brasileira.

VII- DA CIRCUNSTÂNCIA ATENUANTE


– Da possibilidade da hipótese apresentada no documento produzido pelo acusado
121. Embora a metodologia e os números da hipótese constantes do documento elaborado
pelo acusado, inclusive a própria oportunidade e conveniência de sua apresentação para a equipe,
sejam altamente discutíveis do ponto de vista estatístico e metodológico, a produção do documento,
por si só, não infringiu norma de auditoria do Tribunal. A fiscalização estava na fase final de
consolidação da matriz de planejamento, momento ainda passível para a apresentação de hipóteses e
questões de auditoria pelos membros das equipes de fiscalização, bem como pelos coordenador e
supervisor. Esse fato, inclusive, reforça o caráter oficial do documento produzido pelo indiciado.

VIII – CONCLUSÃO
122. O art. 22, § 2º, da LINDB estabelece que “na aplicação de sanções, serão consideradas a
natureza e a gravidade da infração cometida, os danos que dela provierem para a administração
pública, as circunstâncias agravantes ou atenuantes e os antecedentes do agente”.
123. Os elementos trazidos aos autos demonstraram que a conduta do AUFC Alexandre
Figueiredo Costa Silva Marques constituiu infração ao art. 116, incisos, I, II, III, VIII e IX, da Lei
8.112/1990.
124. Ao repassar o documento intitulado “Da supernotificação de óbitos causados por Covid”
para o seu pai, mesmo sabendo que ele possuía e ainda possui vínculo com o Presidente da República
Jair Bolsonaro, o servidor, de forma previsível, assumiu o risco de que o documento poderia ser
utilizado, de forma política, como um posicionamento oficial do Tribunal de Contas da União em
momento bastante sensível para o país.
125. A despeito de a conduta do servidor ter sido considerada dolosa, ainda que indiretamente,
por ser tratar de dolo eventual, foi demonstrado que os tipos previstos nos incisos acima mencionados
do art. 116 da Lei 8.112/1990 também admitiriam a modalidade culposa para a sua apenação.
126. No tocante à pena a ser aplicada, tem-se, em princípio, que a infração aos incisos do art.
116 da Lei 8.112/1990 poderia conduzir à aplicação da pena de advertência prevista no art. 127, inciso
I, da mesma lei. Ocorre que o art. 129, fine, do Estatuto dos Servidores Públicos ressalva que esse seria
o tratamento a ser dado na hipótese de o caso não justificar a imposição de penalidade mais grave.
127. Essa interpretação é corroborada pela doutrina, a exemplo da lição de Alencar Carvalho17:
(...)
É que, em certos casos de violação de dever funcional com característica de pronunciada gravidade
e merecida censura, nos quais a aplicabilidade da penalidade mais leve de advertência se afigura
muito branda e incapaz de representar efetivo desestímulo à conduta infrativa, o legislador buscou
evitar que o poder punitivo da Administração Pública incorresse em frouxidão e ineficácia em seu
propósito de, por meio do sentimento vigoroso da apenação, recuperar o procedimento desregrado
do servidor transgressor, infligindo ao infrator o peso da sanção como meio de impor a ordem no
seio do funcionalismo e de corrigir a maneira indesejada de atuação do funcionário punido.

17CARVALHO, Alencar. Manual de processo administrativo disciplinar e sindicância, 7ª ed. Belo Horizonte: Fórum.
2021.

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(...)
Mas o legislador previu, expressamente, que, se a autoridade administrativa entendesse justificável
pena mais grave na hipótese (art. 129, fine, Lei nº 8.112/90), poderia aplicar suspensão em vez de
simples advertência, o que serve de meio de conferir eficácia ao regime disciplinar do
funcionalismo, o qual poderia cair no descrédito se algumas condutas mais censuráveis não
pudessem ser punidas com penalidade mais rígida que a singela advertência, insista-se.
128. O mesmo entendimento é adotado pelo Supremo Tribunal Federal quando julgou o
RMS/DF 24.635 de relatoria da Ministra Ellen Gracie, conforme teor da seguinte ementa:
MANDADO DE SEGURANÇA. ADMINISTRATIVO. SERVIDOR PÚBLICO. LEI 8.112/90.
PENALIDADES. 1. Desde que se justifique a imposição de pena mais grave, nos casos de
inobservância de dever funcional, é cabível a pena de suspensão (art. 129 da Lei 8.112/90). 2.
Decisão fundamentada de autoridade administrativa que avaliou a falta cometida. 3. Recurso
improvido.
129. No caso concreto, além de o indiciado ter infringido vários incisos do art. 116 da Lei
8.443/1990 e o art. 86, inciso IV, da Lei Orgânica do TCU, a repercussão amplamente negativa do fato
para o Tribunal de Contas da União, conforme demonstrado no presente relatório, indica a aplicação
da pena de suspensão, nos termos do art. 127, inciso II, da mesma lei.
130. Assim, sopesando-se, então, a natureza e a gravidade da infração, os danos que advieram à
imagem do Tribunal em decorrência da repercussão negativa do fato, as circunstâncias atenuante e
agravante e os antecedentes funcionais do servidor, traçados nas linhas anteriores deste Relatório, esta
Comissão considera que deve ser aplicada, com fundamento no art. 129 da Lei 8.112/1990, fine, a
penalidade de SUSPENSÃO, por 45 (quarenta e cinco) dias, ao AUFC Alexandre Figueiredo Costa
Silva Marques, podendo, com base no art. 130, § 2º, da mesma lei, a referida pena ser convertida em
multa, tendo em vista o fato de o servidor encontrar-se afastado cautelarmente do seu cargo por prazo
superior ao da pena sugerida.

IX – DO ENCAMINHAMENTO
131. Encerrados os trabalhos, a Comissão de Processo Administrativo Disciplinar submete à
apreciação de Vossa Senhoria os autos do presente processo, com o oportuno encaminhamento à
Secretária de Gestão de Pessoas, nos termos preconizados no art. 166 da Lei 8.112/1990 e no art. 3º,
inciso III, da Resolução-TCU 272/2015, com a proposta de:
i) considerar que o AUFC Alexandre Figueiredo Costa Silva Marques, matr. 7655-4,
incorreu no descumprimento do disposto no art. 116, incisos I, II, III, VIII e IX, da Lei 8.112/1990;
ii) com fundamento nos arts. 127, inciso II, e art. 129 da Lei 8.112/1990, aplicar-lhe a
penalidade de SUSPENSÃO por 45 (quarenta e cinco) dias, podendo, com base no art. 130, § 2º, da
mesma lei, ser convertida em multa.

Brasília, 23 de agosto de 2021.

Assinado eletronicamente
MARCIO ANDRÉ SANTOS DE ALBUQUERQUE
Presidente da Comissão

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Assinado eletronicamente
FREDERICO JULIO GOEPFERT JUNIOR
Vogal/Secretário

Assinado eletronicamente
PEDRO RICARDO APOLINÁRIO DE OLIVEIRA
Vogal

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