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A Terapia Cognitivo-Comportamental em detalhes


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Sumário
INTRODUÇÃO ................................................................................................................................ 2 1

O MODELO COGNITIVO ................................................................................................................ 3


PENSAMENTOS AUTOMÁTICOS ................................................................................................... 3
PENSAMENTOS X EMOÇÃO .......................................................................................................... 5
O QUE SÃO AS CRENÇAS E COMO SE FORMAM? ........................................................................ 7
COMO A TCC ATUA? ................................................................................................................... 11
METAS E AVALIAÇÃO INICIAL ..................................................................................................... 12
ESTRUTURA DAS SESSÕES .......................................................................................................... 13
PERGUNTAS FREQUENTES .......................................................................................................... 15

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INTRODUÇÃO

Depois de lançarmos os vídeos sobre Terapia Cognitiva em nosso canal


YouTube.com/falcoriccivideos, percebemos como os estudantes e profissionais
de psicologia estão mais interessados por essa ótima linha de terapia. É uma
Teoria relativamente nova no país e apesar de apresentar ótimos resultados, ser
muito estudada/pesquisada, é pouquíssima discutida nas universidades. Com o
intuito de aumentar o conhecimento das pessoas na Terapia Cognitiva, estamos
lançando também este e-book.

Meu nome é Diego Falco, sou psicólogo especialista em terapia cognitivo-


comportamental e cofundador da Falco & Ricci Qualidade de vida e do canal
citado acima. Espero que consiga aproveitar o conteúdo deste e-book, se
interessar pela teoria e cogitar se aprofundar nela. Boa leitura.

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O MODELO COGNITIVO

A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é definida como uma psicoterapia


baseada no Modelo Cognitivo, onde a maneira que as pessoas interpretam as
situações, está mais relacionada com a reação delas (emocional, 3

comportamental e fisiológica) do que a situação em si.

PENSAMENTOS AUTOMÁTICOS

Quando passamos por qualquer situação, temos pensamentos sobre ela,


chamados de Pensamentos Automáticos. Esses pensamentos são
involuntários, rápidos e muitas vezes não nos damos conta deles. Eles podem
vir em formas de frases como “não vou conseguir fazer isso” ou imagens como
imaginar as pessoas da sala rindo da sua cara. São justamente esses
pensamentos, que causam na gente, nossas Reações.

Quando as pessoas estão com dificuldades psicológicas, elas frequentemente


não veem as situações claramente. Assim, acabam tendo pensamentos
automáticos DISFUNCIONAIS. Com Pensamentos Disfuncionais, as reações
serão sempre, também, Disfuncionais. Causando sofrimento emocional,

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comportamentos que mantêm ou pioram o problema e prejuízos em uma, ou
várias áreas da vida (Profissional, Pessoal e Social)

Normalmente, não estamos acostumados a identificar nossos pensamentos.


Quando percebemos que algo está acontecendo, nós percebemos mudanças
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em nosso humor, em nosso corpo (reações fisiológicas) e comportamento.

Na TCC, o cliente é auxiliado a identificar os pensamentos que aparecem na


sua mente antes das suas reações, avaliar eles e responde-los de maneira
mais funcional, e assim, ter reações mais funcionais e saudáveis.

A TCC se permite, além de técnicas cognitivas, utilizar técnicas psicoterápicas


de várias outras modalidades que possam ajudar o cliente no seu modelo
cognitivo. Alguns exemplos são técnicas do psicodrama como roleplay e
dramatizações, e da análise do comportamento como os experimentos
comportamentais.

No combate aos transtornos, a TCC se mostrou eficaz, através de inúmeras


pesquisas, no combate à depressão, ansiedade generalizada, ansiedade social,
transtorno de pânico, Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC), transtorno de
estresse pós-traumático, abuso de substâncias, transtornos alimentares,
problemas relacionais de casal e família, e muitas outras dificuldades.

Juntamente com medicação, há pesquisas que demonstram que a TCC ajuda


também clientes com esquizofrenia e bipolaridade.

Apesar da TCC não conseguir curar doenças como câncer e outras doenças de
origem biológicas, ela pode ajudar o cliente enfermo tornar a sua vida menos
sofrida e com mais qualidade.

Um objetivo comum da TCC é que o cliente aprenda em terapia a lidar com suas
dificuldades e pensamentos disfuncionais e leve isso para vida após o
tratamento. Se tornando assim seu próprio terapeuta.

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PENSAMENTOS X EMOÇÃO

Como dito anteriormente, a TCC busca identificar os Pensamentos que causam


as Emoções, os Comportamentos e as Respostas Fisiológicas. Quando não se
tem o costume de identificar os pensamentos, muitas vezes eles podem ser 5

confundidos com as emoções e vice-versa.

Pensamentos são ideias, normalmente expressados com várias palavras.

Ex:

“Eu não consigo fazer nada certo”

“Eu nunca vou melhorar”

“As pessoas podem me julgar”

Emoções são sentimentos, que podem ser expressos com uma única
palavra.

Ex:

Triste/Chateado

Ansioso/Preocupado

Raivoso/Irritado

Enciumado/Invejoso

Culpado

Envergonhado

Algumas vezes quando clientes são questionados sobre como eles se sentiram
em determinada situação, eles dão um pensamento ao invés de uma emoção.

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Ex:

“Eu senti que foi injusto” – Isso, na verdade é um pensamento que pode ser “Isso
é injusto”. Baseado nesse pensamento se questiona então como o cliente se
sentiu emocionalmente. E desta maneira se ensina a identificação correta dos
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pensamentos e emoções.

Os pensamentos automáticos podem acontecer frente a um evento específico


que está acontecendo no momento, podem vir depois de se refletir sobre uma
situação passada ou depois de pensar em um evento futuro.

Há ainda, a possibilidade de pensamentos disfuncionais aparecerem ao se julgar


qualquer parte do modelo cognitivo como os pensamentos, sentimentos e
comportamentos.

Ex:

“Não deveria estar pensando assim.” –> Raiva

“Não posso mais me sentir assim, nunca vou melhorar?” –> Tristeza

“Não consigo controlar meu comportamento.” –> Tristeza

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O QUE SÃO AS CRENÇAS E COMO SE FORMAM?

As Crenças Centrais são os entendimentos mais básicos das pessoas sobre elas
mesmas, sobre o mundo, outras pessoas e o futuro. Quando as pessoas
apresentam condições psicológicas significativas, suas crenças tendem a ser 7

disfuncionais, negativas, rígidas e generalizantes.

Essas crenças são formadas durante o nosso desenvolvimento. Elas se formam


baseadas no modo que nossos pais e familiares levam a vida, na nossa
educação em casa e na escola, e no nosso convívio com outras pessoas como
amigos e desconhecidos.

As experiências que vivemos ou deixamos de viver, assim como os traumas que


podemos ter durante nosso desenvolvimento, ajudam na formação de nossas
crenças centrais.

São justamente essas crenças que atuam, que geram, nossos pensamentos
sobre uma determinada situação. E por conta disso, podemos ter pessoas
reagindo de maneiras completamente diferentes diante de uma mesma situação.

Apesar que algumas pessoas possam ter crenças parecidas sobre algo, por
conta de que cada um tem uma história e desenvolvimento únicos, nenhuma
pessoa terá todas as crenças iguais.

As crenças podem causar grande sofrimento para as pessoas, elas lidam com
isso desenvolvendo suposições e regras para viver, para justificar as suas
crenças. Com isso, desenvolvem estratégias compensatórias (comportamentos)
para diminuir o encontro com essas crenças.

Se um cliente tem uma crença, por exemplo, de ser um fracasso, ele pode
desenvolver suposições de “Se eu falhar nas minhas tarefas, isso prova que sou
fracassado” e assim desenvolver comportamentos perfeccionistas para como
“tenho de fazer tudo perfeito, assim ninguém saberá que eu sou um fracassado”.

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Outro Ex:

As crenças, podem ser divididas em 3 categorias ou esquemas: Desamparo,


Desamor e Desvalor.

Quando as pessoas têm crenças de desamparo, elas podem pensar que são
incapazes de conseguir fazer as coisas, incapazes de protegerem a si mesmas
(emocionalmente ou fisicamente) ou incapazes comparadas a outras pessoas.

“Sou incapaz” “Não tenho jeito” “Não faço nada direito” “Sou vulnerável” “sou
indefeso” “sou fraco” “não tenho controle” “sou um fracasso” “não sou bom como
os outros”

Na crença de desamor, elas acreditam que há algo nelas que dificulta a


habilidade delas de receber amor e intimidade que elas querem das outras
pessoas.

“Não me encaixo” “Sou desinteressante” “Não sou amável”

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E na crença de desvalor, elas acreditam que são moralmente ruins, que há algo
dentro delas que é simplesmente terrível.

“Sou mal” “Eu não presto” “Sou ruim” “Sou tóxico” “Sou um perigo para os outros”

Como dito anteriormente, as crenças também podem ser sobre as outras


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pessoas, o mundo de maneira em geral e o futuro.

“As mulheres são todas ruins” “o mundo é um lugar muito perigoso e incerto” “O
futuro será muito ruim”

Agora vamos exemplificar pela figura abaixo como em uma mesma situação,
pessoas podem responder de maneiras completamente diferentes.

Baseado nesse exemplo:

A primeira pessoa tem um comportamento de ligar para outras pessoas para


saber se aconteceu algo com o amigo que cancelou e provavelmente teve os
sintomas fisiológicos da ansiedade como taquicardia e sudorese. A crença dessa
pessoa sobre o mundo é de que o mundo é incerto e perigoso e que sempre que
as pessoas desmarcam compromissos em cima da hora é por que algo sério
aconteceu.

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A segunda pode depois de sentir raiva ficar sem falar com o amigo e afetar a
amizade dela. Ela considera que pessoas que fazem isso são sem educação e
que é um desrespeito, pois “isso não se faz”.

A terceira estava cansada, mas por ter combinado o jantar, não quis desmarcar.
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Não considerou nada ruim sobre a situação, remarcou com o amigo para outro
dia e se sentiu aliviada por poder então descansar.

A quarta tem uma crença de que ela não é muito amável e que os outros não
gostam dela. Assim, quando desmarcam algo, ela “comprova” isso, pois “quando
as pessoas desmarcam compromissos é porque não gostam das pessoas que
marcaram”, fica então triste e chora.

Assim, espero que tenha ficado um pouco mais claro como nossas crenças
podem influenciar a maneira que enxergamos as situações e assim causar
reações diversas.

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COMO A TCC ATUA?

A TCC trabalha em cima do Modelo Cognitivo.

Ela atua em cima das crenças começando pelos pensamentos automáticos (que
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são mais flexíveis que as crenças) através de uma Restruturação Cognitiva.
Isso é feito com técnicas cognitivas e comportamentais para se colocar “em
teste” os pensamentos e crenças.

Depois disso, pensamentos alternativos são cogitados e colocados em prática


para a validação deles e seus efeitos – normalmente efeitos mais funcionais.

Muitas vezes, para se lidar com alguns pensamentos e emoções disfuncionais


ou quando um pensamento que por hora pareça disfuncional, mas, na verdade
se demonstra verdadeiro, são necessárias técnicas um pouco mais ativas para
melhora sintomática dos problemas e condições.

Quando isso acontece, a TCC entra na Resolução de Problemas, que, ao


contrário da restruturação, não busca a flexibilização dos pensamentos e
crenças per se, mas sim, descobrir uma melhor maneira de lidar com os
pensamentos, as emoções e comportamentos, para diminuir o sofrimento e
melhorar a qualidade de vida.

Isso pode ser feito com auxílio de técnicas comportamentais como mudança de
comportamento, de rotina, do ambiente, técnicas de relaxamento, de regulação
emocional entre outras.

Adquirir uma melhor habilidade de resolução de problemas, pode também ajudar


na flexibilização de algumas crenças e pensamentos. Como, por exemplo
crenças de incapacidade.

Ex: “Não consigo controlar minha ansiedade” – técnica de respiração relaxada


para uma regulação emocional, controlar a ansiedade (resolver um problema).
Assim, entender que isso sim é possível (restruturação cognitiva) – “Eu consigo
controlar minha ansiedade quando faço esse exercício” (Pensamento
alternativo)

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Podemos então trabalhar em qualquer parte do modelo cognitivo (Situação,
Pensamento, Reações). Temos apenas de tomar cuidado com o trabalho em
cima das Situações (mudança ambiental, evitação, etc.) para não manter ou
aumentar os pensamentos disfuncionais. Isso pode acontecer quando a
mudança da situação se torna um comportamento de segurança. O controle 12

ambiental é muito utilizado (de maneira eficiente) para controle de peso.

METAS E AVALIAÇÃO INICIAL

Antes de se começar as sessões propriamente, é necessário ser estabelecido


Metas que o cliente gostaria de alcançar.

Para isso, as áreas mais importantes da vida do cliente devem ser avaliadas
(Família, Afetiva, Profissional/Acadêmica, Saúde física e mental,
Espiritualidade, Hobbies, Social/Amizade, Financeiro e Justiça social)
juntamente com o que ele gostaria de atingir, seja em cada área, seja em apenas
uma área.

O dia típico do cliente também é avaliado para ajudar o cliente a perceber o que
ele poderia estar fazendo DE MAIS e DE MENOS no seu dia a dia.

Com tudo isso, se questiona então o que o cliente gostaria que fosse diferente
em sua vida e suas metas para o tratamento.

Ao invés de aceitar metas muito abrangentes como “Quero ser feliz”, o terapeuta
deve ajudar o cliente a estabelecer metas específicas com perguntas como “Se
você fosse mais feliz, como seria sua vida?”. O realismo das metas deve também
ser avaliado.

Aprender um idioma novo em 1 mês pode não ser muito realista, além de causar
grande frustração no cliente. Todas as metas devem passar por um critério de
realismo e prioridade para que se possa focar no que é mais urgente primeiro.

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ESTRUTURA DAS SESSÕES

Um grande diferencial da TCC é como as suas sessões são estruturadas para


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um melhor aproveitamento do tempo. Todas as sessões possuem um
começo, meio e fim.

As sessões duram em média de 50 a 60 minutos e normalmente acontecem uma


vez por semana podendo haver alterações em casos específicos.

No começo da sessão acontece os cumprimentos e se decide de maneira


colaborativa o que vai ser discutido pelo resto da sessão, coletando informações
importantes e estabelecendo uma agenda.

Isso é feito primeiramente checando o Humor atual do cliente e durante a


semana que passou, seja através dos inventários de Beck, seja por questionários
ou escalas mais simples como “de 0 a 10, como está sua ansiedade nessa
semana?”. Para as escalas de 0 a 10 é importante estabelecer um parâmetro,
definindo o que 10 significa e o que 0 significa para o cliente.

Uma ponte entre as sessões é feita em seguida para saber se aconteceu algo
durante a semana que o cliente acha importante o terapeuta saber (tanto
acontecimentos negativos, quanto positivos). Também se avalia se durante a
próxima semana irá acontecer algo que seria interessante ser discutido.

Com tudo isso, são avaliados os assuntos mais importantes para o cliente
naquela semana e também tópicos que o terapeuta ache importante discutir se
baseando na meta da terapia e no modelo cognitivo do cliente. Definido isso, a
agenda da sessão é estabelecida.

O plano de ação (antiga tarefa de casa) da sessão anterior é então revisado. O


cliente é questionado sobre o que ele conseguiu fazer, o que ele aprendeu e se
há algo que ele fez que seria produtivo continuar fazendo.

No meio da sessão um item da agenda é selecionado e mais dados são


coletados sobre esse item, principalmente dados para se formar o Modelo
cognitivo do evento.

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Há então um planejamento de uma estratégia e a implementação dela. Essa
estratégia pode ser algo feito na sessão como um questionamento de
pensamentos ou ser necessário ser feito durante a semana como um
experimento comportamental.

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Se faz uma avaliação da efetividade da estratégia escolhida, da importância dela,
dos pensamentos disfuncionais que o cliente pode ter a respeito da estratégia
(no caso de ser algo para ser feito entre as sessões) e pensamentos alternativos
sobre o evento discutido. Há então uma revisão do que foi discutido e aprendido
até o momento.

Tudo isso é muito importante que seja registrado tanto pelo cliente quanto pelo
terapeuta para que seja discutido futuramente, para se firmar os pensamentos
alternativos sobre os eventos que causavam pensamentos disfuncionais e sirva
de apoio para os planos de ação do cliente.

Um Plano de Ação é então desenvolvido junto ao cliente sobre o que e como


fazer entre a sessão atual e a próxima.

No final da sessão é solicitado um feedback sobre a sessão e se há algo


diferente que poderia ter sido feito. Um resumo da sessão é discutido, assim
como o Plano de Ação, se é possível fazer e quais dificuldades poderiam
atrapalhar o cliente de completa-lo e como lidar com elas.

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PERGUNTAS FREQUENTES

Depois de detalhar como a Terapia Cognitiva Comportamental funciona e suas


bases teóricas, para finalizar, vamos responder algumas perguntas frequentes
sobre a Terapia Cognitiva. 15

Como a TCC trabalha a Autoestima?

Várias pessoas já me perguntaram como a TCC ajuda na autoestima dos


clientes. A resposta mais simples é: a autoestima é formada baseada na crença
do indivíduo sobre ele mesmo.

Dependendo de como é essa crença sobre ele mesmo, ele pode então ter uma
autoestima boa “sou capaz de fazer isso...” “se me falarem o que não quero ouvir
vou conseguir superar e não é tão relevante assim” ou uma autoestima ruim “Eu
nunca vou conseguir fazer isso como os outros” “e se eles pensarem isso/aquilo
de mim? Nunca conseguiria lidar com isso”.

Na crença disfuncional sobre si mesmo, ele pode achar que os outros vão ver
quem ele realmente é e julgá-lo por isso.

O cliente com baixa autoestima usa então estratégias para evitar situações que
ele se sinta exposto. Evita sair, falar com o sexo oposto, mostrar suas opiniões
para não ser rejeitado e comprovar sua crença de ser menos. Ou tem outras
estratégias como seduzir os outros para mostrar que não é feio e conseguir a
atenção deles.

Então, as estratégias podem ser de evitação ou de mascarar (afirmando para si


mesmos que eles não possuem baixa autoestima). Nas duas possibilidades o
sofrimento permanece.

A TCC trabalha então em cima dos pensamentos disfuncionais sobre si mesmo,


sobre os outros e também nos comportamentos compensatórios que acabam
mantendo a crença.

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Mas como que vai curar depressão em dois meses? É muito superficial.

A Terapia Cognitiva recebe críticas de outras bases teóricas. E essa pergunta é


muito comumente feita por essas pessoas. Essa crítica só acontece por não se
ter um devido conhecimento da base teórica da TCC.
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A TCC não cura depressão ou qualquer outro transtorno em dois meses. O que
acontece é que através de seu método mais ativo e colaborativo ela consegue
melhorar os sintomas dos transtornos em um curto tempo através de técnicas de
regulação emocional, mudança de comportamento e questionamentos eficientes
de pensamentos.

Depois que os sintomas estão mais controlados e os pensamentos mais


flexibilizados, o cliente consegue se sentir mais seguro e mais apto para
enfrentar seu transtorno em seu dia a dia e também começar o questionamento
de sua crença central que é a BASE de seu transtorno.

Isso leva mais tempo e não há um número definido de sessões para acontecer,
varia de cliente para cliente. Depois de flexibilizada a crença central ligada ao
seu transtorno, ele fica então preparado para enfrentar suas possíveis recaídas.

É importante falar que não há cura para depressão, ansiedade e afins. Nenhuma
terapia proporciona isso. O que se faz é deixar o cliente mais apto para evitar
e/ou lidar com os transtornos.

Há pessoas que tem facilidade de tocar violão certo? De cozinhar, com aparelhos
eletrônicos, etc. Isso quer dizer que uma pessoa sem essa habilidade e facilidade
não pode aprender? NÃO. Pode levar mais tempo e ser mais difícil, mas ela pode
SIM aprender essas habilidades.

Todos nós ficamos tristes e ansiosos uma hora ou outra durante nossa vida. Só
que assim como algumas pessoas possuem habilidades que outras não
possuem, algumas acabam tendo uma ansiedade exagerada ou ficando mais
deprimidos. A habilidade de enfrentar esses transtornos, pode ser aprendida e a
maneira de enxergar as coisas, as crenças, pode ser alterada.

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Tempo de terapia?

Muitos profissionais falam de 12 a 24 sessões em casos de terapia cognitiva


padrão. Mesmo assim, não se pode definir exatamente o tempo da terapia, pois
há muitos fatores que influenciam como a aliança terapêutica, a motivação do
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cliente, as metas do cliente e a intensidade do transtorno.

Como já dito anteriormente, o objetivo é que o cliente se torne seu próprio


terapeuta e não fique de certa maneira dependente. Na parte final da terapia, as
sessões são espaçadas (de 15 em 15 dias depois de mês em mês) para que o
cliente consiga lidar com suas situações mais independentemente e enfim,
terminar o tratamento.

Nunca posso mudar a agenda da sessão?

A agenda da sessão pode ser alterada com assuntos que surgem durante outros
se o cliente e/ou o terapeuta achar que é um assunto mais importante para ser
discutido naquele momento.

Nas duas opções, se discute colaborativamente se é possível fazer essa


mudança de assunto ou de tópico e se coloca o assunto anterior em espera para
se sobrar tempo, ou para uma próxima sessão.

Qual a diferença da TCC para a Psicanálise?

Primeiramente é importante falar que nem todo Psicanalista é psicólogo e nem


todo psicólogo atende usando como base a terapia psicanalítica.

É importante notar também que profissionais de psicologia não precisam ter


formação em nenhuma teoria específica para fazer o uso de tal. Só não é
permitido o uso da nomenclatura de especialista sem se ter uma formação em
tal especialidade.

Na questão da formação, a psicanálise é a que mais se diferencia de todas as


outras teorias psicológicas. Qualquer pessoa com curso superior pode se tornar
um Psicanalista, mas muitas escolas de psicanálise (se não todas) entendem
que para se tornar um psicanalista, há a necessidade de o profissional passar
por uma análise com outro psicanalista. Não é regulamentada em nenhum país,
sendo reconhecida aqui como uma profissão livre.

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Na TCC, a maioria dos cursos de especialização limita-se a profissionais da área
de medicina e psicologia. Em algumas exceções, profissionais da área de
assistência social e terapia ocupacional, também são aceitos. É considerado
uma Especialização regulamentada pelo MEC.

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Na teoria, a Psicanálise foi concebida por Freud e tem como suas duas maiores
descobertas o Inconsciente e a sexualidade infantil. Depois de Freud surgiram
diversas linhas diferentes dentro da própria psicanálise (Jungiana, Lacaniana,
Kleiniana, Bioniana e outras) que usam algumas teorias em comum, mas
divergindo em outras. Então há muitas variações. E até mesmo dentro da
Psicanálise há brigas entre teóricos.

Na clássica de Freud, o método de tratamento dos transtornos é através da


análise pela associação livre. O terapeuta deve então atender as 4 regras
fundamentais da psicanálise (regra fundamental, abstinência, neutralidade e
atenção flutuante) e se acredita que a formação dos transtornos se dá em
traumas da infância, fases do desenvolvimento psíquico mal resolvidas ou
incapacidade de se resolver de maneira saudável o complexo de édipo.

Na TCC, como já dito anteriormente, os transtornos se formam se baseando nas


crenças desenvolvidas sobre si, o mundo e o futuro durante o desenvolvimento
e com experiências tardias.

Qual a diferença da TCC para o Behaviorismo?

É chamado hoje de terapia analítico comportamental ou Análise do


comportamento. E também possui diversos teóricos.

No Behaviorismo clássico a teoria regente é a do Estímulo e Resposta, onde há


sempre um estímulo que causa uma resposta, no caso um comportamento. Um
estímulo específico causa uma resposta específica.

No Neobehaviorismo mediacional houve a adição do Organismo entre o estímulo


e a resposta. Então há o estímulo, esse estímulo passa por processos internos
do organismo e então acontece a resposta. Com essa nova formulação,
conseguiu-se ver que sendo cada organismo único, o mesmo estímulo não

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causaria a mesma resposta em pessoas diferentes e começou a se pensar que
todo comportamento visa um objetivo a ser alcançado.

No Behaviorismo radical há o estímulo e a resposta. A capacidade de o estímulo


repetir a mesma resposta futuramente (condicionamento) depende se houve um
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reforçamento (positivo ou negativo) que aumenta essa capacidade ou uma
punição (positiva ou negativa) que diminui ou cessa ela.

Na Terapia Cognitiva há o pensamento entre o estímulo (situação) e a resposta


(reações), onde é a interpretação do estímulo que causa uma resposta, no caso
uma emoção e um comportamento. Assim, um estímulo específico não sempre
causa a mesma resposta, pois depende da interpretação, do pensamento do
sujeito.

E o Coaching?

O profissional de Coach, assim como o psicanalista, não precisa ser da área de


psicologia ou medicina. Ele ajuda o seu Coachee a despertar seu potencial para
que este conquiste tudo o que deseja. Basicamente ele usa técnicas de diversas
áreas e ciências para ajudar seu cliente conseguir o resultado que ele precisa e
quer.

A diferença do Coach para o terapeuta cognitivo comportamental é que o


Terapeuta pode também ajudar o cliente a atingir suas metas através de técnicas
variadas e de maneira ativa, mas nem todo Coach pode fazer o trabalho de um
terapeuta, pois não tem formação para lidar com transtornos de ansiedade,
depressão, e outras condições psicológicas.

Essas comparações foram feitas baseadas na minha memória, em conversa com


outros profissionais e sites como IBC Coaching, Ordem nacional dos
psicanalistas e Sociedade Paulista de Psicanálise. Se estiver equivocado em
alguma comparação, por favor me corrijam sobre a teoria nos comentários.

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