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PLANOS DE MANEJO FLORESTAL SUSTENTADO

Apesar de ser considerado como um avanço na legislação brasileira referente à


conservação dos recursos naturais da região amazônica, o Plano de Manejo Florestal
Sustentado não tem conseguido atingir os objetivos propostos, que englobam os aspectos
ecológicos, sociais, institucionais, técnicos, administrativos e econômicos concernentes a
uma floresta. Segundo TOMASELLI (op. cit.), Manejo Florestal Sustentado é a condução
de um povoamento florestal, aproveitando apenas aquilo que ele é capaz de produzir, ao
longo de um determinado período de tempo, sem comprometer a sua estrutura natural e o
seu capital inicial. Desta conceituação é possível deduzir tanto as necessidades, quanto
as dificuldades operacionais decorrentes, em todos os aspectos apontados. É possível,
entretanto, verificar que os aspectos apontados referem-se especialmente aos problemas
relativos à oferta. Pelo lado da demanda, pode-se, simultaneamente aos investimentos
necessários ao enfrentamento dos problemas de oferta, considerar-se um aspecto
cultural, com incentivos a novos padrões de consumo - e portanto, novos padrões de
produção e comercialização - direcionados para a sustentabilidade do setor. Enfim,
enfrentar o problema também pelo lado da demanda, pode levar a uma economia de
tempo, importante para um melhor equacionamento de incertezas e dificuldades
operacionais do presente.

TOMASELLI (1995) realizou avaliação da situação geral dos Planos de Manejo


do Estado de Mato Grosso, baseando-se nas informações levantadas nos Planos de
Manejo protocolados no Estado (IBAMA) desde 1981. Dessa forma, a situação geral
levantada no Estado de Mato Grosso mostra que existiam 69 projetos em análise, na
Superintendência, por ocasião do levantamento dos dados. Dos 1.035 projetos
protocolados (até setembro/94), que totalizavam uma área de 1.756.294ha, foram
aprovados 498, totalizando 726.137ha autorizados para serem manejados. Isso reflete
que 48% dos planos protocolados foram aprovados, correspondendo a 41% da área total
pretendida. (Quadro 022)

Um aspecto importante, levantado em FUNATURA/ITTO (no prelo), é que o


Plano de Manejo não tem conseguido controlar a exploração florestal em nível de
espécies, refletindo existência de problemas no âmbito da fiscalização.

FERNANDES (1992), ao se referir ao Município de Juruena, onde se localiza o


maior Plano de Manejo em área contínua já protocolado e aprovado no Estado de Mato
Grosso, com área de 25.000,00ha coloca que, apesar disso, a região ainda é carente de
uma exploração racional de seu potencial madeireiro. Geralmente, as árvores são
derrubadas e extraídas sem o mínimo cuidado com a preservação do estoque
remanescente, de forma desordenada e com um mínimo de tecnologia e
acompanhamento técnico. Dessa forma, o referido autor aponta a urgência na adoção de
medidas técnicas mais adequadas à exploração racional, bem como no incremento da
fiscalização por parte dos órgãos competentes, visando assegurar a manutenção do
estoque madeireiro ao longo do tempo.

TOMASELLI (op. cit.) realizou a avaliação de cinco planos de manejo aprovados


pelo IBAMA, considerando-os como “Estudos de Caso”, visando fornecer subsídios para
uma análise mais aprofundada sobre a maneira pela qual vêm sendo conduzidos os
planos de manejo no Estado de Mato Grosso. Esses estudos de caso foram avaliados
quanto à elaboração e execução dos planos. A partir dessa análise, o autor concluiu que
os responsáveis técnicos vêem o plano de manejo como uma maneira de se explorar uma
determinada área legalmente, com autorização do IBAMA; não há uma preocupação com
a análise econômica, visando viabilizar ou não a execução do plano, a apresentação dos
custos é extremamente superficial, sendo que em todos os planos avaliados, nenhum faz
menção à possibilidade de uso múltiplo da floresta. Além disso, nota-se na análise dos
planos de manejo uma deficiência técnica, no que diz respeito às propostas para
minimização dos impactos ambientais.

Deve-se salientar, que a visão de grande parte dos madeireiros é a de propor


um plano de manejo apenas para se beneficiar da isenção da reposição florestal, sendo
que, na prática, a extração seletiva é que vem predominando como sistema de exploração
florestal. Um dos principais fatores que contribui para o não cumprimento da Lei é a
insuficiente fiscalização por parte do órgão competente (IBAMA).

A preocupação com a situação atual dos planos de manejo que vêm sendo
realizados nos países tropicais, fez com que a Organização Internacional de Madeiras
Tropicais - OIMT promovesse um painel, reunindo especialistas para a formulação de
métodos viáveis para definição de critérios de mensuração do Manejo Sustentado de
Florestas Tropicais, publicando um documento (OIMT, 1992) onde é apresentada uma
definição revista de manejo sustentado, juntamente com a lista provisória de critérios e
possíveis indicadores para a sustentabilidade, tanto em nível nacional como em nível de
Unidade de Manejo Florestal. Para este último, foram apresentados os seguintes
critérios: garantia de recursos, continuidade da produção madeireira, conservação da flora
e fauna, nível aceitável de impacto ambiental, benefícios sócio-econômicos e
planejamento e adaptação à experiência. Para cada critério, tem-se uma relação de
exemplos de indicadores.

MATRICARDI (1991) cita que, em 1987, quando o Plano de Manejo passou a


ser exigido por lei, foram protocolados aproximadamente 370 projetos na
Superintendência Estadual do IBAMA. Daquela data para cá, este número tem decrescido
em cerca de 100 projetos ao ano, até chegar a 65, em 1990 e apenas 1, em 1991 (até o
mês de abril). A manutenção das florestas, mesmo as remanescentes da exploração,
significa, juntamente com o reflorestamento, a possibilidade de assegurar sustentabilidade
ao setor madeireiro do Estado, bem como a manutenção de seus benefícios sociais.