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R E D A Ç ÕE S

F U VE ST 2020
TURMA LXIX

MEDICINA FMRP-USP
NOTA: 41
A ciência como ferramenta no mundo contemporâneo

O desenvolvimento da ciência fez-se presente na humanidade desde a Antiguidade. Dito


isso, aponta-se que, na Grécia Antiga, os pré-socráticos utilizavam métodos empíricos e científicos
para elaborar teorias, tal como o Teorema de Thales e o Teorema de Pitágoras, ambos utilizados
hodiernamente. Desde então, é possível perceber que estudos científicos compõem importante parte
da vida social, tal que, na Contemporaneidade, as ciências humanas, exatas e da natureza unem-se
em prol do benefício da sociedade. Então, afirma-se que, no período vigente, o papel da ciência é de
colaborar para o desenvolvimento do globo, seja como ferramenta de análise ou de construção.
A priori, nota-se que as ciências humanas têm papel de estudar a sociedade e as relações
humanas. Diante disso, aponta-se que Emilie Durkheim, considerado o fundador da sociologia,
estudou conceitos como anomia e solidariedade orgânica, ou seja, diagnosticou, a partir da análise
do comportamento humano coletivo, características que se referem à ausência de sentido (anomia) e
às formas de relacionamento interdependente na Modernidade (solidariedade orgânica). A partir
disso, percebe-se que o estudo da sociedade permite analisar aspectos positivos e negativos da
humanidade, tal que demonstra que o papel das ciências humanas no mundo contemporâneo é de
diagnosticar problemas – como a anomia – e propor alternativas que buscam melhorias no convívio
social – como a solidariedade orgânica -, ou seja, apresentam papel de ferramenta de análise.
A posteriori, as ciências exatas e da natureza têm papel primordial na evolução técnica do
globo. Assim, cita-se a III Revolução Industrial como evento marcante para a tecnologia, tal que o
desenvolvimento de aparatos que permitiram a ampliação dos meios de transportes e comunicações
foi atingida graças ao apoio de teorias científicas, as quais culminaram em conhecimento necessário
para a concretização de tal marco. Outrossim, aponta-se que esse evento é demasiado importante
para o mundo contemporâneo regido pela Globalização, no qual o aumento de fluxos dentre todas
as regiões do globo foi permitido pelo acúmulo de técnicas da III Revolução Industrial. Sendo
assim, infere-se que a ciência é uma ferramenta que constrói teorias para promover o
desenvolvimento da humanidade.
Portanto, em vista dos argumentos supracitados, conclui-se que o papel da ciência no mundo
contemporâneo é de ferramenta para culminar no progresso humano. Destarte, as ciências humanas
permitem análise da sociedade, diagnóstico de problemas e proposição de soluções que buscam
melhorar o convívio social. Já as ciências exatas e da natureza permitem evolução técnica e
somatório de condições que resultam em desenvolvimento da humanidade. Dessa forma, todas as
áreas da ciência unem-se em prol do benefício da sociedade.
NOTA: 40
Ciência no século XXI: conhecimento e democracia

As sociedades de hiperconsumo do século XXI são, segundo Gilles Lipovetsky, marcadas


pela mercantilização da felicidade, de modo que o consumo de roupas ou calçados, por exemplo,
atua como uma verdadeira pílula de felicidade. Nesse contexto, os indivíduos estão sujeitos a um
processo de imbecilização - o qual causa a privação do saber crítico e o desprezo pela ciência, visto
que eles são não servem à lógica esquizofrênica do consumismo e do individualismo. Trata-se,
conforme afirma Carl Sagan, de uma civilização global em que elementos fundamentais - como a
educação, a medicina e a própria democracia - dependem da ciência, a qual é, todavia,
profundamente incompreendida. Assim, o papel da ciência no mundo contemporâneo é o de conter
o avanço nefasto da ignorância e o de proteger os regimes democráticos.
A ignorância, sobretudo por meio das redes sociais, adquire uma enorme capilaridade no
tecido social. Não por acaso, segundo Alicia Kowaltowski, as pessoas utilizam produtos derivados
do conhecimento científico, como celulares e computadores, a fim de, paradoxalmente, negar a
ciência. A expansão do movimento antivacina é um exemplo notório dessa contradição absurda, em
que a recusa em se vacina provoca efeitos devastadores - como a reaparição do sarampo em 2019.
Desse modo, a ciência serve o papel de combater a disseminação da ignorância, de forma a auxiliar
na reconstrução do saber crítico nas sociedades de hiperconsumo do século XXI.
Além disso, segundo Eric Hobsbawn, a ausência de lastro no conhecimento histórico
permite o revisionismo oportunista e, portanto, a ascensão de tecnocracias. A título de exemplo, a
eleição de Jair Bolsonaro - o qual demonstra profundo desprezo pelas ciências humanas -, permitiu
o avanço da mineração e do garimpo ilegal em reservas indígenas Yanomamis. Isso é uma flagrante
violação de direitos humanos, visto que há a danificação irreparável de um patrimônio material e
imaterial fundamental a essas populações. Assim, a ciência possuí o papel de preservar o
conhecimento, de modo a impedir a ruína dos regimes democráticos de direito.
O papel da ciência no mundo contemporâneo é, pois, o de combater a alienação provocada
pelo hiperconsumismo e o de defender as democracias liberais. De fato, a ciência deve prevenir o
esfacelamento dos elementos que alçaram a modernidade ao progresso: o conhecimento e a
democracia.
NOTA: 38

Drummond, antirrosas e utopias

O homem sempre buscou - busca - a verdade: o surgimento das religiões comprova que
precisamos de algo em que acreditar. É a ciência, atualmente, que nos permite sonhar e persistir
rumo às utopias. Entretanto, se serve ao nosso progresso, também serve a nossa destruição: a
"antirrosa atômica", metáfora de Vinicius de Moraes para a bomba atômica que atingiu Hiroshima,
nos permite conferir um papel ambíguo às ciências, as quais, ao mesmo tempo, levam-nos da
realidade aos sonhos, das utopias às distopias.
Nessa linha de raciocínio, Drummond de Andrade, no poema "A Ingaia Ciência",
tacitamente revela tal ambiguidade: a maturidade, para o eu-lírico, tem seus benefícios, entretanto, o
conhecimento que a acompanha torna o homem infeliz. De fato, se a ciência é uma das ferramentas
que aproxima o homem da verdade, também é a que toca em nuances como a morte, tabu que o
assombra desde sempre. Em "A Máquina do Mundo", também de Drummond, o eu-lírico deixa
clara sua aversão à verdade "fácil" ao negar o conhecimento oferecido pela Máquina, a mesma
verdade também é relativizada em "A Relíquia", de Eça de Queirós, quando Jesus é confrontado por
Pilatos.
A busca pela verdade, entretanto, atrelada à ciência, é uma geradora de utopias, as quais
mantém o homem rumo ao progresso: saber que é possível atingir a felicidade, o prazer eterno de
um mundo justo, faz com que a sociedade funcione como funciona atualmente. Buscamos
recompensas por nossas ações, e é fato que a ciência oferece algo a se objetivar - o que varia de
pessoa para pessoa. De utopia à distopia, entretanto, basta bem menos que a troca de prefixos:
armas nucleares, sistemas de tortura e teorias eugenistas sempre foram embasados na ciência, o que
a confere um poder capaz de submeter o próprio homem.
Desse modo, a ciência, no mundo contemporâneo, exerce papeis ambíguos: ainda que
permita ao homem sonhar, também permite que ele se destrua e destrua aos outros. A rosa "sem cor,
sem perfume, sem rosa, sem nada" simboliza não só o poder que as ciências conferem ao ser, mas
também a multiplicidade de horrores que podem causar.
NOTA: 43
Alicerce sólido, edifício frágil

Importante vanguarda do século XX, o futurismo foi marcado por obras artísticas que
exaltavam a tecnologia, que trouxe elementos como a grandiosidade e a velocidade, os quais
encantaram os olhos humanos e se tornaram essenciais para o funcionamento da sociedade. Quanto
a isso, as cores vibrantes e o dinamismo das pinturas futuristas mostram a ciência que é exterior aos
indivíduos, os quais, até hoje, vivem sem uma compreensão interna e plena do conhecimento
científico, cujo papel é, portanto, bastante discutível.
O avanço da ciência mostrou-se evidente nas Revoluções Industriais, pelas quais grande
parte do mundo passou, e resultou no progressivo aumento da presença da tecnologia na rotina e no
modo de vida do ser humano. Como consequência, diversas práticas do século XXI dependem do
desenvolvimento técnico, o que pode ser visto, então, como o alicerce do grande edifício que vem
se construindo: a sociedade contemporânea. No entanto, grande parte desse prédio humano carece
de informação, a liga que seria essencial para o sucesso da edificação do corpo social. Em outras
palavras, embora rodeada pela tecnologia possibilitada pelo avanço científico, a população
encontra-se distante do conhecimento baseado na pesquisa e na comprovação, necessário para
preencher os fragmentos que fragilizam essa estrutura em construção.
Ademais, o conhecimento que nasceu restrito a uma elite intelectual continua sendo usado
para marginalizar a maioria da população. Como ilustração, a universalização da internet tem
trazido a falsa sensação de democratização do conhecimento, ao agilizar e facilitar o acesso à
informação. No entanto, constantemente bombardeados por notícias e dados e influenciados pelo
imediatismo das relações atuais, os usuários de sites e aplicativos despreocupam-se quanto à
veracidade e à fonte das informações, o que contribui para a propagação de discursos superficiais,
limitando o campo de influência do embasamento científico e da comprovação, de modo a
aprofundar o abismo entre o saber e a ignorância. Dessa forma, sobre a sólida base da ciência e
como próprio resultado de seu avanço, constrói-se uma estrutura fragilizada pela inexistência de
raizes que conectem a população à cultura da descoberta.
Sendo assim, somente o alicerce científico não é suficiente para manter a estrutura do
mundo contemporâneo. Carente de mecanismos que enraizem o conhecimento em si, os blocos
humanos são frágeis. O grande edifício construído pelo Homem tende a ceder, se a liga de cultura
não for democratizada e usada para a libertação do povo em relação à ignorância.
NOTA: 39.5
A instrumentalização do saber científico

O Iluminismo, ocorrido na Idade Moderna, foi uma corrente que se destacou ao indicar a
razão científica como essencial ao desenvolvimento humano. Os intelectuais de destaque da época,
como Carnot, Rousseau e Kepler, pertenciam à aristocracia e compreendiam a ciência simplesmente
como um passatempo. Na época contemporânea, contudo, o saber tomou outra dimensão, tornando-
se muito mais vinculado à detenção do poder e ao controle das massas.
A obra inglesa Fahrenheit 451 aborda um cenário distópico, no qual os bombeiros são
encarregados de queimar todas as obras literárias existentes. Desse modo, o governo despótico
controla o conhecimento científico e, consequentemente, a população. A ciência passa a exercer a
função de mecanismo de controle das massas e da dinâmica comportamental. O sociólogo francês
Michel Foucault aponta esse fenômeno em que as organizações governamentais exercem seu poder
através de manobras de controle populacional, científico e comportamental. Foucault denominou
como biopoder tal submissão de um sujeito ou grupo a determinado saber científico.
De tal modo, o biopoder sustenta a ideia de que “saber é poder”, o que implica em que o
controla da ciência está atrelado ao poder. Desse modo, muitos discursos se conceituam na dialética
erística, de Arthur Schopenhauer, na qual o objetivo da argumentação é vencer o debate e, assim,
controlar a razão, mesmo que o indivíduo faça uso recorrente de falácias e falsos argumentos
científicos. Essa técnica aparece, contemporaneamente, em discursos de movimentos terra-planistas
e anti-vacinas. Tais ideias arriscam o desenvolvimento científico e especialmente a saúde pública.
O saber científico recebeu diferentes concepções no decorrer da história: já foi visto como
heresia, na Idade Média, e como salvação na Idade Moderna. No mundo contemporâneo, assume
papel central na política e sociedade. A ciência passa a ser mecanismo de controle do poder e das
massas. Portanto, a máxima “saber é poder”, em uma sociedade contemporânea, é válida apenas
quando “controlar o saber é poder”.
NOTA: 45
O decifrar do caos

"O caos é uma ordem por decifrar". O trecho extraído do romance "O Homem Duplicado",
de José Saramago, explicita a compreenssão da dinamicidade caótica na qual os processos
mundanos decorrem. Decerto, em consonância com a epígrafe, o saber científico auxilia a
percepção dos fenômenos globais por intermédio da análise objetiva da realidade hodierna. Dessa
forma, o papel da ciência perpetua o entendimento acerca dos valores inerentes à condição humana
que, por conseguinte, são integrados aos elementos humanistas culturais que edificam os sistemas
democráticos no mundo contemporâneo.
A priori, a autonomia cognitiva propiciada pela difusão dos saberes científicos liberais
corrobora um pensamento crítico concernente aos acontecimentos atuais. Nessa conjuntura, a obra
literária "1984", de Georg Orwell, expõe uma distopia em que o controle das ciências pelo
Ministério da Verdade - órgão estatal especializado em distorcer o conhecimento- integrado à
educação escolar propicia cidadãos acríticos que aceitam as decisões arbitrárias do governo
orwelliano. Assim, ao mitigar essa realidade de opressão social, as ciências instigam a liberdade de
expressão no século XXI.
Outrossim, o estudo científico acerca das ideologias obsoletas, propulsoras de
desigualdades, que permeiam o mundo contemporâneo colabora a progressão democrática das
sociedades vigentes. Sob tal óptica, a filósofa alemã Hannah Arendt conceitua a "banalização do
mal" como a naturalização de paradigmas retrógrados -sociais e econômicos- na cognição humana
com o intuito de perpetuar violências simbólicas promotoras da manutenção de lógicas de poder
segregacionistas. Dessa maneira, os ideais e as tecnologias elucidados pela ciência auxiliam a
compreenssão de desigualdades- como o racismo e a pobreza- contestadas por manifestações em
prol do bem-estar social.
Destarte, entre a autonomia psicológica e o esclarecimento de ideologias, as ciências
propiciam um entendimento no que tange ao valores intrínsecos à humanidade liberal. Ademais, a
proliferação de ideais de liberdade e a organização de manifestações sociais são características
relacionadas ao papel científico na contemporaneidade. Portanto, o decifrar do caos perpetua a
ordem democrática no mundo hodierno.
NOTA: 38.5
A bota da manipulação

“Se você quer formar uma imagem do futuro, imagine uma bota pisoteando um rosto
humano — para sempre.” Essa passagem, do livro “1984”, de George Orwell, retrata a busca
incessante pelo poder e pela dominação naquela sociedade distópica. Analogamente ao que o livro
narra, vive-se, hoje, um retrocesso — caracterizado pela ascensão do conservadorismo e pelo
esvaziamento dos valores humanistas —, no qual se observa paulatino descalabro da função da
ciência em relação ao que se desenhou originalmente. Hoje, dialeticamente, a ciência vem se
tornando instrumento de dominação de acordo com as manipulações estabelecidas pelos detentores
do poder e é, por conseguinte, desvalorizada.
Tais detentores do poder, como as forças mercantis e o próprio governo, através da ideologia
e da manipulação das massas, promovem, sob o olhar dos indivíduos, a desvalorização da ciência.
Concomitante a isso, alimentam-na como instrumento de dominação — assim como no livro
“1984”. Como se vê, depende-se cada vez mais da ciência. Nesse cenário, evidencia-se a
onipresença da ciência e da tecnologia na vida das pessoas, que não mais se desvinculam, em uma
relação que apresenta caráter dialético.
Toda dinâmica do universo é regida por relações dialéticas — ou seja, pela
complementariedade entre facetas que se opõem. A ascensão da ciência, que promove, entre outros
fatores, avanços tecnológicos, na contemporaneidade, não é diferente. De fato, facilita o cotidiano e
permite melhor compreensão dos fenômenos. No entanto, ao ser delineada de acordo com o
interesse de poucos, a ciência se torna mecanismo de controle, através do qual as pessoas são
levadas a se fechar aos deleites dos processos naturais da vida — o que se relaciona à narrativa de
George Orwell, em que o Estado totalitário controla àquilo que os indivíduos têm acesso — e a se
afastar do desenvolvimento científico. Nessa direção, o interesse pela ciência míngua e ela se torna,
ainda, rejeitada, de acordo com interesses conservadores.
Como se vê, é evidente que a ciência, atrelada ao atual momento de retrocesso vivido, se
encontra controlada por poucos, poderosos, de acordo com seus interesses. Dessa forma, para se
evitar que o futuro se concretize, de fato, como uma bota a pisotear um rosto humano, devido à
manipulação por meio do poder e da dominação, deve-se promover uma educação adaptada aos
novos tempos, visando à retomada do ímpeto inicial dos desenvolvimentos científicos e do interesse
pela ciência, findando a atual rejeição a ela estabelecida.
NOTA: 38.5
A ciência e o anti-intelectualismo

O desenvolvimento tecnológico e sua influência no mundo. Essa foi uma das pautas
estudadas pelo geógrafo brasileiro Milton Santos. Se em um primeiro momento predominava o
meio natural e as pessoas se submetiam aos ciclos da natureza, a ciência e a tecnologia mudaram
essa relação. Dessa forma, o desenvolvimento de técnicas cada vez mais avançadas permitiu que a
humanidade e a natureza exercessem igual influência (meio técnico) e até que a humanidade
dominasse a natureza, como na atualidade. Observando-se a vida no meio técnico-científico-
informacional, pode-se afirmar que essa depende completamente da ciência e de sua tecnologia.
Entretanto, na contemporaneidade, a ciência vem perdendo força, devido ao fortalecimento de um
movimento anti-intelectualista.
Primeiramente, é preciso caracterizar o contexto atual quanto à dependência da ciência.
Após séculos de exaltação contínua do conhecimento científico, fato este que se iniciou com o
Renascimento Cultural no século XIV e perdura até hoje, diversas tecnologias foram desenvolvidas.
Dentre essas encontram-se meios de transporte e comunicação extremamente eficientes que
permitem que a humanidade domine o meio natural. Por isso, pôde-se afirmar que, atualmente, a
humanidade depende dos produtos da ciência para realizar desde tarefas simples, como cozinhar, até
tarefas complexas, como viajar dezenas de milhares de quilômetros. É preciso ressaltar que umas
das tecnologias mais influentes na pós-modernidade são as redes sociais, que atuam como meio de
contato entre as pessoas, podendo ser utilizada para convocar protestos, como observado na
Primavera Árabe, e como um mecanismo de difusão de informações.
Entretanto, mesmo em um contexto de dependência direta da ciência, essa vem perdendo
influência na sociedade atual. Tal fato é causado pelo fortalecimento de um movimento anti-
intelectualista, marcado pela valorização e afirmação de opiniões pessoais sobre pesquisas e fatos
científicos. O surgimento desse está diretamente relacionado às redes sociais. Isso porque essas
permitem a divulgação em massa de notícias e informações que nem sempre são verdadeiras.
Todavia, como defendeu Leandro Karnal, quando bombardeado por informações, os indivíduos
tendem a legitimar aquelas que são favoráveis a seus pontos de vista pré-existentes. Tal fato leva à
formação de um cenário no qual opiniões pessoais são consideradas como verdades absolutas,
mesmo quando combatidas pela ciência, o que enfraquece essa. Um exemplo desse fenômeno foi o
discurso do atual presidente Jair Bolsonaro acerca do nazismo. Isso se deve ao fato de que as
opiniões pessoais do presidente, e a presença de “comunismo” no nome do partido de Hitler, foram
suficientes para que ele afirmasse que o nazismo era de esquerda, mantendo seu posicionamento
mesmo quando contrariado por pesquisadores de totalitarismo.
Em suma, pôde-se afirmar que a sociedade atual é dependente da ciência em diversos
aspectos da vida. Contudo, mesmo nesse contexto, há um atual enfraquecimento dessa, causada
pelo fortalecimento de um movimento anti-intelectualista.
NOTA: 33.5

A ciência no mundo atual

A ciência é o princípio da civilização. Desde a Revolução Agrícola, de milhares de anos


atrás, até a física moderna de Albert Eisntein e sua incrível teoria da relatividade o conhecimento
cientifico se liga ao progresso. Nesse sentido, levanta-se o questionamento sobre o papel da ciência
no mundo contemporâneo. Dentro dessa perspectiva, é possível identificar duas funções
fundamentais, a sustentação da sociedade e o aumento da qualidade de vida.
Primeiramente, entende-se que a ciência é a base para a construção do conjunto social. isso
porque toda a estrutura civilizatória, como a política, a agricultura, a industria e a educação são
derivadas do avanço da ciência e apenas se mantêm funcionando através de conhecimento cientifico
em constante transformação. Prova disso é a Revolução Verde, a qual ao unir avanço do saber a
tecnologia constata as falhas da teoria de Tomas Maltus, que afirmava o crescimento populacional
em PG e a produção de alimentos em PA, ao produzir modificações na produtividade suficientes
para elevar o estoque acima do comum. sem esses avanços Maltus provaria-se verdadeiro e a fome
provocaria caos na sociedade e mortes humanas. Com isso, é visível que os progressos no campo
das ciências são as estruturas que sustentam a sociedade.
Além disso, vê-se que a vida humana tem melhorado graças ao conhecimento. As vacinas,
os antibióticos, a higiene pessoal e o sistema de esgoto são avanços que aumentaram a expectativa
de vida e ajudaram na qualidade desta. Recentes pesquisas da Faculdade de Medicina de Rio Preto
(Famerp) criaram vacinas contra a doença viral, dengue, que é fatal nos casos hemorrágicos e tem
sofrido modificações constantes cada vez mais fatais. Já no sertão nordestino, pesquisas para
dessalinizar a água estão em andamento, uma vez que a seca nesse local é um problema que impacta
negativamente a vida do sertanejo. Esses exemplos são apenas uma pequena mostra do grande
impacto da ciência na qualidade de vida do homem contemporâneo.
Portanto, faz-se notável que o conhecimento possibilita a manutenção da grande estrutura
social, a qual o homem está inserido, assim como torna a vida mais satisfatória. Dessa forma,
entende-se que assim como a Revolução Agrícola e a teoria da relatividade, novas formas de
conhecimento virão para preencher mais o papel da ciência no mundo.
NOTA: 44.5
Tecnologia: a faca de dois gumes

Até meados do século XX, o racionalismo e a ciência eram considerados fatores essenciais
para uma sociedade ser considerada civilizada. Com o final da ll Guerra Mundial, em 1945, no
entanto, quando a bomba pairou sobre a cidade de Hiroshima, a tecnologia passou a ser questionada
quanto aos benefícios e malefícios que ela causa ao homem. De fato, a ciência no mundo
contemporâneo tem o papel de garantir conforto e facilidades à vida humana; mas, utilizada de
forma irresponsável e irracional, ela pode gerar sérios problemas à sociedade, ao meio ambiente e
ao saber.
É inegável que o desenvolvimento científico contribuiu para elevar a qualidade de vida do
homem moderno. As ciências médicas, por exemplo, possibilitaram a contenção de diversas
epidemias, como a da gripe suína e da ebola, o que poupou a vida de diversos indivíduos, fato que
não ocorreu quando a peste negra assolou a Europa no século XlV. Além disso, diversos produtos,
como automóveis e aparelhos eletrodomésticos, surgiram para facilitar e agilizar as atividades mais
simples do cotidiano. Vale ressaltar, entretanto, que grande parte dessas tecnologias são produzidas
a partir da superexploração de recursos naturais e seu descarte contribui para a geração de lixo
urbano nas grandes cidades. Assim, do mesmo modo que a ciência desenvolveu essas tecnologias
no passado, hoje, por meio de pesquisas e estudos ecológicos, ela deve criar novos produtos e
formas de produção mais sustentáveis, visando à diminuição dos impactos negativos provocados
por ela.
Outro ramo importante para o qual a ciência contribuiu foi o comunicação. Com a
Revolução Técnico-Científica Informacional, o mundo se viu inteiramente interconectado, o que
contribuiu positivamente para o debate de ideias e a liberdade de expressão, direitos das
democracias atuais. A fluidez da informação no meio digital, contudo, favoreceu a proliferação de
"fake-news" e pesquisas pseudocientíficas, que ao invés de contribuírem para a difusão do
conhecimento, o deturpam e o distorcem. Exemplo disso é o crescimento de movimentos
antivacina, após ser divulgado falaciosamente na "internet" que vacinas causam autismo. Desse
modo, a ciência tem o papel de garantir o conhecimento básico à população e impedir que
questionamentos irracionais sejam difundidos.
A ciência possui, pois, ação ambígua no mundo contemporâneo. De um lado, ela resolve
problemas cotidianos e facilita a vida humana. De outro, ela, paradoxalmente, contribui para a
destruição do mundo e do conhecimento. Logo, a menos que utilizemos a ciência com
responsabilidade, continuaremos a segurar a faca de dois gumes que é a tecnologia.
NOTA: 43
Sociedade Científica

O saber científico é construído a partir de comprovações. Para isso, utiliza a observação, o


raciocínio e os experimentos. O objetivo disso é fundamentar o conhecimento em bases sólidas, a
fim de fugir de dogmatismos e tornar possível que as descobertas possam ser utilizadas pela
sociedade. Hoje, tudo se relaciona com a ciência, desde as coisas mais simples, como a folha de
papel, até as mais avançadas, como as naves espaciais. Contudo, ela não é compreendida por todos
e as suas próprias tecnologias digitais auxiliam na sua rejeição. Assim, o papel de criticar e inovar
exercidos pela ciência continua, mas é necessário que ultrapasse as barreiras acadêmicas e atinja a
sociedade.
Para o filósofo iluminista René Descartes, a ciência deve ter um método rigoroso de
questionamento constante. No entanto, hoje, a existência de diversos algoritmos no meio digital cria
bolhas que isolam os indivíduos em suas próprias ideias. Isso, porque esses mecanismos analisam
os padrões de busca e navegação de seus usuários, selecionando, por meio disso, o que será exibido
para essas pessoas. Dessa forma, a sociedade vai perdendo sua criticidade, pois deixa de entrar em
contato com diferentes visões de mundo. Nesse sentido, apesar da ciência estar em praticamente
tudo, os seus próprios frutos, como a internet, atenuam o pilar de sua existência, o questionamento.
Logo, a sociedade atual está cada vez mais alheia ao pensamento científico.
Como decorrência disso, os movimentos anticiência ganham forças, já que as pessoas estão
perdendo seu filtro crítico. Prova disso é o movimento terraplanista, que nega a esfericidade da
Terra. Sem métodos científicos para sustentar suas ideias, seus adeptos negam os experimentos de
Keppler, Galileu e Newton, que se dedicaram a observar e provar seus argumentos. Por conta da
falta de conhecimento dos métodos e da importância da ciência, esses movimentos ganham força,
uma vez que criam falsas verdades, originadas pela falta de questionamento e de criticidade para
lidar com ideias falsas, também típicas do meio virtual.
Nessa análise, se a ciência fundamenta tecnologias que auxiliam na sua própria rejeição, ela
estaria se direcionando para um caminho autodestrutivo. Isso se justifica pelo fato dela não incluir a
sociedade, apenas fornece a esta as suas inovações, como se as tecnologias fossem dissociadas da
ciência. Dessa maneira, o papel da ciência não deve se limitar às inovações, mas também assumir a
responsabilidade de incluir as pessoas em seu meio, tornando-as críticas. Com isso, a ciência não
deve apenas compreender, mas também ser compreendida, para que suas criações não se voltem
contra ela.
Portanto, o papel da ciência, hoje, é de incluir a sociedade em sua função crítica e inovadora.
Sem isso, ela estaria caminhando em uma trilha que a direcionaria ao seu fim.
NOTA: 40
Kant jamais poderia imaginar o que a razão e o desejado “Esclarecimento” seriam capazes
de conquistar. Com eles, a ciência e o desenvolvimento tecnológico produziram, entre outros,
máquinas, transgênicos e internet, fazendo com que a humanidade atingisse mais do que filmes de
ficção conseguiram projetar. A ciência passou, dessa forma, a ocupar todos os lugares do cotidiano
de forma a melhorar a qualidade de vida do ser humano. Apesar dessa realidade, e dos bens que o
desenvolvimento científico trouxe, a sociedade, hoje, vive o paradoxo de, ao mesmo tempo, ter
satélites e terra planistas; ter provas do aquecimento global e negadores de sua existência. Ora, se
aquele que é fruto do esclarecimento e responsável por tantos benefícios, é negada, talvez, o papel
da ciência seja lutar contra essa escuridão.
Cabe avaliar, inicialmente, que a ciência, no seu percurso do desenvolvimento tecnológico,
sempre manteve seus conhecimentos compreensíveis a parcelas restritas da humanidade. Isso
significa dizer que a complexidade de seus processos não era explicada de forma acessível a
população em geral. Exemplo disso são os centros acadêmicos em que até lordes ocuparam, como
Lorde Kelvin. Nesse sentido, mesmo que nesses centrosfera a física mais precisa estivesse sendo
estudada, fora deles, para as pessoas comuns, explicar a esfericidade da Terra seria algo
extremamente complexo.
Em função desse processo mútuo de esclarecimento para alguns e escuridão para outros,
nem mesmo os avanços obtidos pela ciência foram suficientes para que a sociedade confiasse nela.
O fato é que aquilo que é estranho à alguém, torna-se fonte de desconfiança e de descrédito, como
nas palavras de Drummond, uma ingaia ciência, ou seja, uma ciência inútil, apesar das respostas
obtidas. Dessa maneira, o papel do desenvolvimento científico de melhorar a qualidade de vida do
ser humano perdeu o seu reconhecimento pela sociedade.
Por isso, como Kant, a ciência deve buscar a razão e o “Esclarecimento”, mas não apenas
para o desenvolvimento, e sim também para tirar da escuridão quem a nega, tornando-se acessível
como nunca fora. Afinal, para terra planistas e negacionistas do aquecimento global, falta-lhes a
explicação clara e evidente que só a ciência pode lhes fornecer.
NOTA: 48
Engrenagens do Motor

Em “A máquina do Mundo”, o poeta Carlos Drummond de Andrade recita como essa


máquina, que apareceu no meio de um caminho pedregoso, é essencial para a resolução das
questões e das dúvidas humanas. Sabe-se que, para a sociedade, essa máquina é a ciência. Foi a
ciência, por intermédio da cartografia, que garantiu a ocorrência das Grandes Navegações. Foi a
ciência, por meio da termodinâmica, que garantiu a ocorrência das Revoluções Industriais. E a
ciência que, hoje, soluciona as dúvidas humanas e garante a sobrevivência da população.
Concomitantemente, entretanto, há indivíduos que a negam, fogem da máquina do mundo e
questionam: qual o papel da ciência na contemporaneidade?
Sem a ciência, no século XV, o continente americano permaneceria isolado dos demais. Sem
a ciência, no século XIX, a população não teria acesso às ferrovias. Ao longo dos séculos, o
desenvolvimento tecnológico cumpriu um papel crucial no progresso humano, visto que foram as
suas engrenagens que permitiram o deslocamento do motor da história. A Globalização e a
integração promovida, o desenvolvimento médico-sanitário e a Revolução Técnico-Científica
Informacional são apenas algumas das conquistas que essa máquina do mundo trouxe na
contemporaneidade. Porém, e se a sociedade ignorasse essa máquina? O infindável e pedregoso
caminho enfrentado por Drummond seria novamente uma realidade e todo o progresso alcançado
com o motor da história estaria a milhares de quilômetros de distância. A ciência é essencial para
que haja o desenvolvimento humano, cujas peças são os componentes do motor da história.
Ainda há, todavia, indivíduos questionando atualmente a veracidade desse progresso.
Simultaneamente à pesquisa de células-tronco para o transplante de órgãos, a eficácia das vacinas é
questionada. Simultaneamente à construção de satélites visando à exploração de sistemas solares
distintos, a esfericidade da Terra é duvidada. A ciência, que sana as dúvidas da sociedade, tornou-se,
para alguns, o objeto de dúvida. Enquanto, para a população feudal europeia do século X, o
desconhecido é amedrontador, atualmente o superconhecimento é que assusta a sociedade. O que se
tinha como truísmo é indagado e a máquina do mundo, para esses indivíduos, não é a engrenagem
do motor da história, mas sim uma arma que prejudicará a população. E é por meio dessa
perspectiva retrógrada que o papel da ciência de progresso e de aprimoramento humanos é
suprimido atualmente, pois o seu valor é banalizado, sucateado e, muitas vezes, ignorados devido à
influência dessas pessoas questionadoras. Logo, na contemporaneidade, a ciência não recebe muitas
vezes o seu devido valor.
A sociedade, há séculos, aceitou entrar nessa máquina do mundo de Drummond. Máquina
essa que garantiu o deslocamento do motor da história e, consequentemente, do progresso humano.
Sem ela, a integração humana e o desenvolvimento da saúde e da tecnologia atuais seriam apenas
ilusões presentes em apenas mais um poema análogo ao de “A Máquina do Mundo”. Contudo, há
indivíduos que questionam a ciência e desejam negar seu papel. Desejam transformar a máquina em
uma pseudo-arma. Desejam jogar o motor da história no ferro-velho. E, assim, desejam voltar a
caminhar na travessia pedregosa e infindável da ignorância.
NOTA: 48.5
Instagram existiria sem Nagazaki e Hiroshima?

No conto machadiano “Ideias de canário”, um pássaro, com atributos humanos, acredita que
o mundo se resume a uma loja de Belchior, e “todo o resto é ilusão e mentira”. Assim como o
canário saiu da gaiola, o homem, ao utilizar-se da ciência para compreender o mundo e melhorar
suas condições de vida, também expande o seu horizonte. No entanto, a utilização da ciência nem
sempre é só de expansão, mas também é retração.
Numa análise de expansão, isto é, benéfica da ciência entende-se que o homem, por meio
dela, consegue explicar grande parte da realidade, de modo que o mundo não se resuma à
“achismos” de aves presas em gaiolas. Isso é feito por meio da análise, investigação e
experimentação do mundo em diferentes campos de atuação, como História, Biologia, Física e
outros. Assim, é possível explicar tanto como as plantas fazem fotossíntese, mas também o motivo
pelo qual as pirâmides do Egito foram construídas. A partir dessas descobertas, além da ampliação
do conhecimento que adquirimos sobre o mundo, há a possibilidade da criação de ferramentas que
nos auxiliam a comunicar (celulares computadores), locomover-se (carros, aviões, trens),interagir
com os outros (Instagram, Facebook), produzir alimentos de forma produtiva (transgenia, adubos,
fertilizantes). Nesse sentido, há a expansão do que entendemos sobre o mundo e da sua possível
utilização através da ciência.
Todavia, a ciência também adquire uma conotação de retração, ou seja, negativa, quando é
utilizada pelo homem para aprisionar outros em gaiolas, ou até mesmo para destruir seus mundos.
Nessa perspectiva, movimentos “antivacina” e “terraplanistas” inserem-se na tentativa de utilizar a
própria ciência contra si mesma, a fim de que, por meio do aprisionamento de indivíduos em gaiola,
onde é dito que a terra é plana e vacina provoca autismo, seja possível usufruir financeiramente ,
como ocorreu nos EUA, em que um médico, aliado a indústrias farmacêuticas, disse que a vacina
era precurssora do autismo, para impedir que as pessoas as utilizassem e, com isso, aumentasse a
procura por medicamentos genéricos. Além disso, em casos extremos, a ciência também é utilizada
para destruir mundos, como ocorreu, por exemplo, em Hiroshima E Nagazaki que tiveram suas
populações devastadas, através das bombas atômicas, ou melhor, das inovações científicas, em
nome de uma guerra.
De acordo com Aristóteles no livro “Ética a Nicômaco “, uma ação virtuosa é aquela que se
situa na mediana entre dois extremos, isto é, entre a falta e o exagero. Nesse sentido, o homem, ao
utilizar-se da ciência, precisa buscar o equilíbrio entre a falta da ciência e o excesso de sua
utilização, para que o papel dessa seja libertar os homens de suas gaiolas sem que nesse ato eles se
espatifem numa asa de um avião.
NOTA: 36

Redescobrindo o passado

O filme "O garoto que descobriu o vento" , baseado em fatos reais, conta a história de um
menino que realiza um avanço incrível para sua vila, inventa um moinho de vento. Para muitos esse
feito pode parecer banal e até ultrapassado, a final, vivemos atualmente em uma sociedade repleta
de avanços tecnológicos, fazendo com que esqueçam-se que a vida nem sempre foi dessa maneira.
A ciência é o que proporciona, em todos os seus campos de atuação, o conforto e a praticidade que
desfrutamos, sendo a base para praticamente todas as atividades no mundo moderno.
Apesar disso, com a passagem dos tempo e das gerações, chegamos a um ponto em que a
maioria dos jovens e adultos não sabe como era a vida à 50 anos, e as gerações que cresceram
beneficiadas por todos os avanços científicos, começam a esquecer-se de sua importância no
cotidiano. A banalização de descobertas seculares vem levando a descrença, e a ciência, que desde o
Renascimento tem simbolizado a libertação para o homem, para a ser duvidosa, enquanto opniões
sem fundamento tomam lugar como verdades absolutas, sem espaço para discussão.
Deste modo, assim como o apresentado pelo sociólogo Habermas, nossa sociedade ainda
não atingiu o uso pleno da razão e a resolução de conflitos pelo método dialógico, por meio de
debates, e mais do que isso, tem presenciado o ressurgimento de teorias infundamentadas e que já
haviam sido superadas, como a terraplanista. Esses fatos mostram um caminhar no sentido da
ignorância, em um tempo no qual a maioria busca saber apenas como as coisas podem ser úteis para
si e a curiosidade pela descoberta vem gradualmente se perdendo.
Entretanto, a ciência não perdeu sua importância, as pessoas é que tornaram-se incrédulas e
autoritárias, assim, é necessário que a sociedade, assim como o garoto do filme citado, encontre seu
novo "moinho de vento" e possa redespertar para a importância de todas as descobertas tecnológicas
do passado. Com isso a ciência, que é um dos alicerces do mundo contemporâneo, poderá voltar a
crescer e exercer seu papel de esclarecimento e desenvolvimento para o homem pós-moderno,
deixando de lado teorias e ideias retrógradas.
NOTA: 43.33
Renascimento e desmistificação

Com condições sociais e políticas propícias para a construção do saber racional, as cidades
de Gênova e Veneza - maiores expoentes do renascimento europeu - apresentaram muitos
pensadores que contribuíram para o avanço científico no período, como Leonardo da Vinci, que
através da experimentação e observação da natureza desenvolveu importantes ideias sobre o
funcionamento da anatomia humana. Tal ímpeto pelo conhecimento, demonstrado por Leonardo,
também está presente na sociedade científica atual que, com a ascensão de ideias anticientificistas,
procura demonstrar o papel que a ciência tem no mundo contemporâneo.
A partir da Revolução Industrial Inglesa, o desenvolvimento de tecnologias se deu de forma
exponencial até os dias atuais. Inteligência artificial e “internet das coisas”, por exemplo, são alguns
dos instrumentos que estão sendo desenvolvidos na atualidade para facilitar a vida da população,
que gera avanços em grande parte das áreas do saber - como na medicina - e dinamiza as relações
sociais. Nesse sentido, a ciência na atualidade tem o objetivo de gerar uma melhor qualidade de
vida para as pessoas através dos avanços tecnológicos e do saber.
Concomitantemente à Revolução Industrial, o desenvolvimento da “Máquina de Gutenberg”
também teve papel importante na sociedade e está em consonância com um dos paradigmas da
ciência, que é a busca pelo espalhamento do saber científico - uma vez que ela disseminou as
primeiras cópias de enciclopédias de forma eficaz. Assim, a ciência na atualidade não só busca uma
melhora na qualidade de vida das pessoas, mas também busca disseminar o conhecimento factual e
concreto para a população.
Ainda, um dos importantes objetivos do saber científico contemporâneo são a
desmistificação de ideias infundadas e o esclarecimento com base empírica - defendidos desde os
filósofos iluministas. Contudo, o crescimento do anticientificismo, como no terraplanismo ou nos
movimentos antivacinas, caracteriza-se como uma afronta aos preceitos científicos, dado que
compartilham ideias falsas, sem base concreta e aprofundam a ignorância humana.
Enfim, o papel da ciência no mundo contemporâneo - que remonta ao Renascimento e
iluminismo europeu - é o esclarecimento e a propagação de ideias racionais, a busca por melhorar a
qualidade de vida da população e a desmistificação da ignorância. Nesse viés, a ascensão do
anticientificismo - evidenciado pelo terraplanismo e movimentos antivacina - é um golpe no saber
racional e empírico, que é substituído por “achismos” que expressam a subjetividade pessoal.
NOTA: 42.5

A era do meio técnico-científco-informacional-irracional

A contemporaneidade é marcada pela influência das tecnologias no cotidiano da


humanidade, as quais atingiram um alto grau de complexidade ,sobretudo, na rapidez do
compartilhamento de informações, tornando-se a era dos meios técnicos-científicos-informacionais.
Nesse contexto, a ciência, como impulsionadora de novas tecnologias, adquire função essencial
para a atual sociedade, dado que o ser humano é cada vez mais dependente das produções
tecnológicas. Todavia, a presença de indivíduos que contestam a ciência é marcante na atualidade,
prejudicando pesquisas e divulgações científicas em diversas áreas da saúde e geografia, por
exemplo, que seriam de grande importância para a sociedade.
Em uma primeira análise, o sociólogo Antonio Candido, em seu texto “Direito à literatura”,
afirma que em comparação a eras passadas o ser humano atingiu o máximo de racionalidade técnica
e o máximo de irracionalidade de pensamento. Nessa perspectiva, a grande disponibilidade de
ferramentas tecnológicas capazes de facilitar as ações humanas denota a incapacidade individual de
utilizar essas ferramentas para o bem-estar social. Tal fato é evidente na ascensão do movimento
anti-vacina que defende a não aplicação de vacinas, mesmo que elas sejam comprovadamente
eficientes no combate à doenças, implicando, assim, no reaparecimento de doenças já erradicadas,
como, no caso do Brasil, o sarampo.
Ademais, o filósofo Jean Paul-Sartre defende que a humanidade é condenada à liberdade e,
consequentemente, é responsável por seus atos. Em analogia ao pensamento de Sartre, na
atualidade, o indivíduo é livre para escolher crer ou não na ciência e nos seus resultados para a
sociedade, todavia, há a responsabilidade com as consequências dessa escolha. Isso ocorre, por
exemplo, nas críticas às pesquisas que advertem sobre as ações antrópicas no meio ambiente, em
que há a liberdade de crítica ou não a elas, porém as responsabilidades das alterações climáticas
provenientes das alterações no meio ambiente alertadas pelos cientistas devem ser arcadas pelos
críticos.
Conclui-se, portanto, que a contemporaneidade marcada pelo meio técnico-científico-
informacional denota o papel primordial da ciência. Contudo, as produções científicas são
contestadas por muitos indivíduos, seja pela sua irracionalidade de pensamento, seja pela presença
ou não da responsabilidade.

   
NOTA: 37.5
A previsão de Harari

O período conhecido com Renascimento foi o florescer do pensamento racionalista e


antropocêntrico, rompendo com teorias que tentavam explicar fenômenos de maneira superficial ou
religiosa. Em contraste, o anticientificismo hodierno cresce de maneira assustadora, negando teses
consolidadas ao basear-se em misticismo ou conspiracionismo. Nesse contexto, o papel da ciência
no mundo contemporâneo é de alicerce de uma sociedade que se alimenta da tecnologia, além de
ser a instituição responsável pela guarda do rigor metodológico que discute as questões centrais
para comprovação de uma hipótese.
A priori, as relações humanas ocorrem atualmente com significativa influência tecnológica.
Nesse sentido, o escritor israelense Harari –autor do best-seller “21 Lições para o século XXI” -
descreve em sua obra o domínio quase que completo do uso da inteligência artificial em todas as
áreas, substituindo cargos laborais e algumas vezes, o contato humano até o final do século. Isto
posto, a crescente participação de ferramentas desenvolvidas em virtude do avanço do
conhecimento científico faz deste um pilar da sociedade moderna. Nota-se, portanto, a pesquisa
como agente promovedor de conexão e funcionamento coeso da civilização.
A posteriori, a ciência é o único meio de descredibilizar teorias absurdas que surgem
ocasionalmente, sejam elas com algum propósito ou não. Sob tal ótica, o pensador e cientista Karl
Popper foi um dos responsáveis pela discussão acerca do método de verificação da integridade
científica, adaptando-o para que suas conclusões sejam verdadeiramente aceitáveis. Com efeito, a
verdade científica pode dissolver ideias que buscam, através da irracionalidade humana, promover
sua ideologia ou conquistar notoriedade. Logo, visualiza-se que a ciência defende o homem da
manipulação alheia.
Em suma, tanto alimentar as redes tecnológicas que mediam as interações humanas quanto
verificar a veracidade de teses constituem o papel da ciência no mundo contemporâneo. Destarte, a
ciência auxilia na manutenção da ordem de uma sociedade saudável. Assim, a previsão de Harari
será concretizada positivamente se a ciência receber seu devido valor.
NOTA: 43
A ciência é a luz dos povos

O papel da ciência para o progresso da humanidade já era reconhecido pelos empiristas no


Século XVIII, mas, hoje, sua importância é ainda maior, diante dos discursos negacionistas que
ressaltam a ignorância e oprimem o conhecimento humano. Na contemporaneidade, a ciência é um
elemento de emancipação do homem e age como ferramenta de poder geopolítico aos países, sendo
subestimada por uns e temida por outros.
É notável que o conhecimento científico permite ao indivíduo a compreensão do mundo em
que vive e de suas potencialidades, desenvolvendo, a partir de então, seu pensamento crítico, que o
emancipa das opressões. Esse fenômeno é nomeado por Kant como a conquista da maioridade, e
permite a constante evolução das sociedades. Um exemplo disso é a criação de produtos para uso
espacial no Século XX e sua posterior utilização no cotidiano social, facilitando a rotina das
pessoas.
No contexto geopolítico também há a emancipação dos países. A ciência relacionada à
pesquisa e ao desenvolvimento impulsiona o país ao status de desenvolvido na atual Divisão
Internacional do Trabalho por exportar conhecimento e tecnologia aos outros. Além disso, as
descobertas científicas garantem poder de barganha, aos países que as detêm, em relações
diplomáticas entre os Estados, seja pelo poderio bélico ou econômico deles. Têm-se como exemplo
a Coreia do Norte, que investe em arsenal nuclear para ganhar facilidades no diálogo entre
potências como os Estados Unidos.
Essa característica revolucionária da ciência gera animosidade por parte de líderes que
almejam a alienação popular para a prática da opressão. No século XXI, a ciência luta
constantemente contra ataques a ela, como a disseminação de fake news, que questionam e atenuam
o valor da verdade, e como o corte de incentivo à pesquisa em universidades, o que cria uma
sociedade ignorante e alienada.
A ciência assume papel libertário e emancipador no mundo contemporâneo. Sua prática é
vital para o desenvolvimento das relações humanas e para o combate à dominação entre Estados e
indivíduos. O período de trevas que ela enfrenta deve ser combatido e, dessa forma, o conhecimento
vigorará sobre a ignorância.
NOTA: 45
A faísca que rege a mudança

Em 2019, o Governo Federal brasileiro realizou uma série de cortes financeiros nas
universidades do país, alegando que a educação não era a prioridade das verbas públicas. No
entanto, tal ação se mostra insipiente e perigosa, pois torna deficitária a formação científica, a qual,
no mundo contemporâneo, é eminente, já que, além de proporcionar avanços que alavancam a
qualidade de vida, contribui para a preponderância da verdade e para a manutenção da integridade
crítica da sociedade.
A princípio, a ciência tem um papel fundamental por impedir a disseminação de falácias.
Isso pode ser visto pela corrente filosófica do Empirismo, cujo princípio se baseia na defesa da
experimentação para a comprovação do saber, impedindo, logo, que pensamento subjetivos se
tornem verdades incontestáveis e que superstições e opiniões superem a legitimidade da ciência,
algo que possibilita a manutenção da integridade social, pois ela possui as reais respostas para
questões relevantes como saúde e política. Dessa forma, nota-se a importância do saber na
modernidade, pois ela vive, de acordo com a Sociologia, a era da “Pós-Verdade”, em que crenças
individuais têm, paulatinamente, superando o factual, gerando, por exemplo, movimentos contrários
às vacinações, e evidenciando, com isso, a necessidade da educação para conter tal era, que coloca
em risco a população.
Ademais, a ciência também possui o papel de instigar o saber, o que impede a alienação
social. Tal fenômeno foi muito presente no século XVII com a Revolução Científica, na qual a
divulgação de teorias, como as da gravitação de Kepler, instigou a curiosidade e a criticidade da
sociedade, levando-a a negar e a enfrentar os opressores dogmas católicos do período.
Analogamente, em 1968, durante as corridas armamentista e aeroespacial da Guerra Fria, que
impulsionaram a formação do conhecimento, um grupo de estudantes parisienses se mobilizou para
questionar regras sociais arcaicas, alavancando um grande movimento no país, que aglutinou
também as reivindicações trabalhistas. Com isso, a ciência, além de proporcionar tecnologias,
possui um grande papel social na alteração de padrões opressores e exploradores, sendo, assim, a
faísca que rege a mudança.
Portanto, a ciência se mostra indispensável no mundo contemporâneo, em virtude de seu
papel na formação de inovações, na validação dos fatos e, principalmente, no impulso à
racionalidade e ao questionamento. Dessa maneira, a ação do governo brasileiro assume um caráter
extremamente perigoso ao não considerar a educação como prioridade, sacrificando, com isso, a
integridade física e crítica da população, e mantendo-a na escuridão da opressão, longe do fogo do
desenvolvimento.
NOTA: 44.5
Por entre a obscuridade do desconhecido e a estagnação histórica: a ciência

Ainda na Idade Antiga, a civilização grega, a fim de desvencilhar-se da irracionalidade das


explicações mitológicas, desenvolver a Filosofia, Ciência que deu origem às outras formas de
conhecimento, deixando como legado para a humanidade os primórdios da metodologia científica.
Assim como as sociedades da antiguidade utilizaram-se do saber racional para permitir a
sobrevivência e a compreensão dos fenômenos, o gênero humano, desde os tempos remotos até à
contemporaneidade, depende historicamente da tecnologia e do exercício científico, sendo a
construção de grande parte do passado resultado do desenvolvimento da ciência. Muito embora essa
forma de saber seja de crucial importância para a civilização, observa-se na contemporaneidade um
movimento “obscurantista” de negação da ciência, destituindo-lhe seu fundamental papel facilitador
da vida cotidiana e de orientação da atividade humana, restando à sociedade tão somente o
retrocesso e o desconhecimento.
Presente historicamente na vivência em sociedade, o desenvolvimento científico é fruto de
uma busca constante não só pela sobrevivência humana, mas, principalmente, pela necessidade de
superar dilemas e de proporcionar qualidade de vida, resultando na contemporaneidade globalizada,
realidade na qual a tecnologia é um pilar imprescindível. A esse respeito, o geógrafo brasileiro
Milton Santos, ao conceituar a “Revolução Técnico-Científico-Informacional”, refletiu acerca da
crucialidade da ciência para os níveis de desenvolvimento socioeconômicos que marcam o presente
e a necessidade da tecnologia para a facilitação de fluxos , sejam eles materiais ou imateriais, sendo
a produção científica, portanto, ferramenta que sustenta o presente e permite a progressão para o
futuro. Dessa forma, uma vez que o cotidiano contemporâneo e toda historicidade humana são
marcados pelo saber produzido pela ciência, não reconhece-lo é negar a própria realidade e a busca
pelo desenvolvimento progressista.
Além de marcar a temporalidade histórica, sobretudo a contemporaneidade, a ciência norteia
a ação coletiva ao desvendar o desconhecido e explicar impasses presentes. Nesse sentido, o
“obscutantismo”, que preza pelo repúdio aos conhecimentos científicos – como à vacina, ao formato
terrestre, ao aquecimento global-, atenta contra a metodologia racional e a capacidade reflexiva
humana, apresentada pelo filósofo polonês Zygmunt Bauman como elementar para uma sociedade
que busca a superação de dilemas que a aflingem. É, assim, através da ciência que o indivíduo,
circundado por um presente de desconhecimento e por um universo de difícil compreensão,
encontra respostas para, enfim, explicar a si próprio e o seu meio.
Diante dessa contemporaneidade que tem seu progresso dificultado pelo não reconhecimento
do papel da ciência, é relegado à sociedade o obscurantismo do desconhecimento que permeava as
civilizações da antiguidade. Ao passo, por fim, em que a humanidade relutar pela ignorância da
negação dessa forma de saber, que não só facilita e constrói a vida cotidiana, bem como orienta o
homem contemporâneo, a vida em coletividade estará fadada à estagnação.
NOTA: 40

Ciência elitizada e sociedade capitalista

É certo que a relação entre sociedade e ciência é moldada a partir da relação entre política e
economia de cada período histórico. Enquanto a Europa Medieval, religiosa e agrária, negava e
combatia o saber científico os Árabes, urbanos e comerciais, desenvolviam todos os campos da
ciência. Nesse Viés, a tendência contemporânea de reduzir o papel da ciência às elites e aos
interesses econômicos se relaciona com a estrutura social, política e econômica que avança hoje em
escala global.
Primeiro, é preciso analisar a tendência mundial de ascensão de políticas e líderes
dogmáticos e superficiais quanto à importância da cultura, arte e ciência. Tanto no Brasil quanto nos
Estados Unidos a liderança está com partidos conservadores que promovem a manutenção dos
privilégios elitistas e dissimulam a necessidade pela democratização do acesso à educação. Nesse
sentido, o conhecimento científico se perpetua como monopólio das elites, as quais acessam esse
conhecimento de maneira privada. Esses fatores se somam distanciando as massas da ciência e
isolando a população.
Segundo, e como consequência, aumenta-se a distância da integração entre sociedade geral e
ciência. Acerca disso, os polos desenvolvedores de tecnologia criam novos produtos e impulsionam
o consumo alimentando o Sistema Capitalista. Esses frutos são consumidos de forma passiva pela
população, que usufrui da ciência sem retê-la. Como resultado, a sociedade cria aversão por aquilo
que não compreende, sendo cada vez mais alienada por essa aspiral excludente. O papel da ciência
passa a ser o de consumo e não o de integração à realidade e a cultura
Em suma, o espaço que o conhecimento científico possui depende da agenda política de
cada Estado e sociedade. Na atualidade, o sucesso do capital é priorizado frente à democratização
do saber. Os governos conservadores intensificam a alienação da população em relação a seu papel,
este por sua vez parece limitado ao de consumidor passivo.
NOTA: 44.5
Ciência: progresso e manipulação

Durante séculos, os avanços científicos foram considerados sinônimos de progresso.


Entretanto, recentemente percebeu-se que a mesma tecnologia responsável pelo desenvolvimento da
eletricidade e pela melhora nos procedimentos médicos, os quais aumentaram a qualidade de vida
da população, foi a base de grandes mazelas sociais, como a bomba atômica, que gerou muita morte
e destruição. Nesse contexto, fica-se evidente como o mundo contemporâneo tornou-se dependente
da ciência, mas como grande parte da população não a compreende, abre-se espaço para a
ignorância e a manipulação social.
Em um mundo cada vez mais influenciado pela tecnologia, em que o conhecimento mostra-
se muito acessível, por meio da internet, a população encontra-se, paradoxalmente, na menoridade
kantiana. Dessa forma, por mais que seja fácil buscar o conhecimento, as pessoas não o procuram,
consequência de uma realidade em que grande parte dos trabalhos humanos, como até mesmo
pensar, já são realizados por máquinas. Diante dessa disseminação da ignorância, a ciência começa
a ser utilizada de forma negativa, como para espalhar “fake news”, fato que chega até mesmo a
prejudicar a medicina, já que notícias erradas sobre vacinação foram uma das principais causas da
volta de doenças já erradicadas. Assim sendo, a ciência mostra seu lado retrógrado, o qual contribui
para a menoridade do ser humano.
Nesse cenário, a sociedade pode ser facilmente manipulada por quem entende de tecnologia,
seja intimidando pelo fato de possuir bombas atômicas, como os Estados Unidos fazem, seja pela
compra de informações pessoais de usuários em redes sociais, dentre outras maneiras. O ponto é
que com a ignorância da população somada às facilidades tecnológicas, as pessoas podem ser
manipuladas, como na última eleição americana, em que o presidente Donald Trump fez uso de
“fake news” para ser eleito. Dessa forma, mostra-se como a ciência pode ser utilizada a favor dos
poderosos, não somente para o desenvolvimento do país, mas também para a manipulação e a
destruição.
Infere-se, portanto, que o papel da ciência no mundo contemporâneo é tanto positivo, pela
criação da eletricidade por exemplo, quanto negativo, sendo causa de grandes mazelas sociais. Isto
posto, evidencia-se a necessidade da população de compreender a tecnologia, com a finalidade de
evitar manipulações e atingir a maioridade kantiana, levando a humanidade ao progresso.
NOTA: 34.5
A Ciência e o Obscurantismo

Em 2019, o Governo Federal, presidido por Jair Bolsonaro, realizou discursos ataques à
educação, especialmente através do corte de verbas. Esse corte interrompeu o pagamento de
diversos pesquisadores e prejudicou milhares de estudos. Nesse sentido, a ciência tem sido
desacreditada devido ao avanço do obscurantismo, o que impacta em seu papel de transformação
social e desenvolvimento da medicina.
Primeiramente, para Immanuel Kant, o movimento iluminista representava a emancipação
do homem, que teria deixado sua menoridade, a idade das trevas, através da ciência e do livre
pensamento. Analogamente, no mundo atual, as ciências humanas têm um papel de transformar a
sociedade ao investigar as relações de poder e contribuir para a emancipação do proletariado. No
entanto, esse fenômeno representa uma ameaça à elite conservadora, que fomenta o anti-iluminismo
a fim de manter a alienação e consequentemente, seu poder. Dessa forma, uma das funções da
ciência no mundo contemporâneo é transformar e emancipar a sociedade.
Além disso, outro papel da ciência é a melhoria da saúde humana. Esse desenvolvimento da
medicina se dá por meio de pesquisas científicas, como a realizada pela Universidade Estadual de
São Paulo, que executou, com sucesso, um novo tratamento para o câncer. Em contrapartida, com o
descrédito causado pelo obscurantismo, o movimento anti-vacina cresce e provoca surtos de
doenças, como o de sarampo no estado de São Paulo. Desse modo, a ciência é imprescindível para a
saúde humana, já que, quando negada, doenças graves ressurgem, quando incentivada, novos
tratamentos são criados.
Em suma, a ascensão de governos conservadores, como o Bolsonaro no Brasil, reflete o
obscurantismo que permeia o mundo atual. Consequentemente, o fortalecimento do anti-iluminismo
faz com que grande parte da sociedade permaneça em sua menoridade e sofra com o retorno de
doenças, já que a ciência é impedida de realizar seus principais papéis no mundo contemporâneo: a
transformação social e o desenvolvimento da medicina.
NOTA: 38
A Volta De João E Maria

Na história infantil “João e Maria”, tais personagens, movidos pela inocência e


irracionalidade típicas de crianças, são levados a uma armadilha por parte de uma Bruxa, que os
prende e pretendia mata-los. No entanto, por sorte, conseguem escapar da antagonista e sobrevivem.
De maneira semelhante ao imaginário das crianças do enredo, nota-se, em um contexto
contemporâneo, que a humanidade tende a guiar-se instintivamente, o que aumenta a possibilidade
de que ela também caia em uma armadilha de uma Bruxa. Dessa forma, entende-se que a ciência,
dado a sua racionalidade, atua como um adulto que dá conselhos e rejeita informações falsas,
desenvolvendo assim uma mentalidade mais madura na atual sociedade “infantilizada”.
Essa infantilização pode ser notada a partir de determinadas atitudes irracionais. A
campanhas pela volta da eleição em cédulas de papel, por exemplo, corresponde a esse tipo de ação,
dado que rejeita a urna eletrônica, produto de tecnologias diretamente ligadas a ciência, em nome de
um método que remonta períodos de vigência de currais eleitorais e inúmeras fraudes nesse meio,
como foi na Primeira República. A partir disso, fica nítido que a ciência deve tomar uma posição
que, por meio de fatos e estudos, comprove o anacronismo de certas atitudes e preferencias da
comunidade, que promovem um verdadeiro atraso na presente conjuntura, atuando assim de forma a
expandir um esclarecimento acerta de muitos assuntos.
A necessidade desse esclarecimento em questão ocorre pelo que a cientista política Hannah
Arendt classifica como “banalidade do mal”. Tal conceito se baseia no fato de que a sociedade, por
vezes, é responsável pela normatização de diversas ideias que a corrompem. Tais ideias, na forma
de “fake news”,por exemplo, de maneira recorrente, terminam por minar descobertas científicas,
produzindo mais atrasos e prejuízos aos indivíduos. Um caso que ilustra tal conceito é a
comunidade “anti vacina”, que, ao atropelar várias verdades referendadas pela ciência, disseminam
ideias sem comprovação nenhuma. Enxerga-se, então, que a ciência também deve assumir um papel
combativo com relação a tais ideias por meio da manutenção do incentivo a descobertas que, cada
vez mais, comprovem pontos a seu favor.
Portanto, conclui-se que, no mundo contemporâneo, a ciência recebe o papel de desenvolver
um amadurecimento intelectual nos homens, além de esclarecer tais indivíduos por meio de novas
descobertas e até mesmo assumindo uma postura combativa a fim de impedir a volta de uma
“mentalidade João e Maria”, responsável por fazer com que, assim como os personagens, a
sociedade caia em inúmeras armadilhas.
NOTA: 36.5

Nebulosidade

No século 18, os filósofos iluministas Diderot e D’Alembert, chamados enciclopedistas,


objetivavam a democratização do acesso ao conhecimento através da sua compilação e distribuição
na forma de enciclopédias. Séculos depois, a Internet tem cumprido bem uma função análoga na
atualidade, deixando usuários e informações a um clique de distância. Paradoxalmente à ampliação
desse acesso à ciência, percebe-se sua negação através da disseminação de inverdades, permitindo
afirmar que o papel da ciência no mundo contemporâneo é a quebra de mitos.
Em primeiro lugar, a emancipação humana está intimamente ligada à ciência. Para
Immanuel Kant, o homem só alcança a “maioridade” quando faz uso da razão sem o auxílio de
“tutores”. Ou seja, o indivíduo que busca conhecimento por si próprio possui autonomia intelectual
e dificilmente é enganado por outros. Entretanto, mesmo nos dias de hoje, são vistas posturas
semelhantes às do período medieval, em que pessoas pouco escolarizadas são manipuladas por
líderes religiosos mal intencionados, que, por exemplo, vendem artigos supostamente milagrosos
para a cura de doenças.
Em segundo lugar, convém ressaltar também a preservação da vida que a ciência representa.
Tome-se como exemplo a criação de vacinas no século 20, importantes fármacos geradores de
imunidade no combate a muitas enfermidades. Contudo, a divulgação nas redes sociais, como
Whatsapp, de um estudo falso por um médico que alegou que as vacinas provocam autismo em
crianças impactou na redução da cobertura vacinal no mundo todo, inclusive no Brasil, trazendo de
volta doenças extintas perigosas como o sarampo. Assim, é corroborado o pensamento de Carl
Sagan sobre o caráter destrutivo da ignorância, urgindo conscientização.
Fica claro, portanto, que o papel da ciência no mundo contemporâneo é o combate aos
mitos, sejam eles fatos ou pessoas. Ao representarem nebulosos riscos à autonomia e até à vida
humana, torna-se fundamental a clareza que só o conhecimento oferece. Dessa forma, será possível,
mais que democratizar – como visado pelos enciclopedistas -, vislumbrar a real valorização da
ciência.
NOTA: 39.5
Entre a maioridade e melhores condições de vida

De acordo com Oscar Sala, profissional da área de humanidades, apenas em sociedades que
apresentam clima cultura de impulso à curiosidade e amor a descobertas a ciência pode florescer.
Analisando-se a realidade brasileira, observa-se que esse cenário de florescimento não é propiciado,
uma vez que a ascensão de movimentos negacionistas – que repudiam ideias científicas
consolidadas, tal como as vacinas – ilustra uma comum rejeição ao conhecimento científico, o que
cria uma conjuntura de avanço da ignorância. Diante desse cenário, tem-se que, de fato, a ciência
possui um papel indispensável no mundo contemporâneo, pois permite a maioridade e promove
melhorias na qualidade de vida.
Decerto, a ciência permite a maioridade. Tal noção, criada pelo filósofo Immanuel Kant,
corresponde à habilidade do ser humano de pensar por si próprio, de modo autônomo, o que é
obtida pelo estudo. Prova dessa potencialidade é a obra Mayombe, do angolano Pepetela, na qual,
em meio a guerra de independência pela Angola, o comandante Sem Medo, em uma das passagens,
estimula um dos guerrilheiros a estudar, pois assim este conseguiria obter sua maioridade – o que,
em um contexto macro, alude metonimicamente, à independência cultural e intelectual do país em
formação. Portanto, a ciência possui grande importância na atualidade, pois o estudo é um
instrumento de obtenção da maioridade.
Ademais, a ciência também promove melhorias na qualidade de vida. Essa fomentação
ocorre, pois muitos são os projetos científicos destinados à descoberta de conhecimentos que
acarretem melhores condições para a sobrevivência humana. Um exemplo de como esses estudos
podem propiciar tal cenário foi a descoberta da penincilina, antibiótico que revolucionou o
tratamento de infecções bacterianas e salvou milhares de vidas. Dessa forma, à luz do essencial
papel da ciência na promoção de melhorias na qualidade de vida da população humana, o
conhecimento científico, realmente, possui indiscutível relevância.
Em suma, levando-se em conta a atual conjuntura de avanço da ignorância, denota-se que a
ciência possui um papel indispensável no mundo contemporâneo. Assim sendo, a permissão para a
obtenção da maioridade, como observado na obra Mayombe, ilustra essa importância. Além dessa
autonomia, tal papel essencial também justifica-se pela promoção de melhorias na qualidade de
vida, a exemplo da descoberta da penincilina, fatores estes que explicitam a função basal da ciência
na contemporaneidade.
NOTA: 45

Anticientificismo: construção de muros e cavernas

“Nas grandes cidades do pequeno dia-a-dia/o medo nos leva a tudo, sobretudo à fantasia/
então erguemos muros”. Na música “Muros e Grades”, da banda Engenheiros do Hawaii, o medo
constante que permeia a sociedade contemporânea é cantado como motivo para a construção de
muros concretos e abstratos, como, por exemplo, aquele que afasta a ciência e seus desdobramentos
da população. Nesse contexto, o anticientificismo se apresenta como fruto da dificuldade humana
de entender que a ciência é composta de verdades transitórias, o que esmaece seu papel no mundo
contemporâneo, permitindo, sobretudo, a dissolução do Estado democrático.
Primeiramente, o descrédito a ciência é resultado do apego humano a suas crenças pessoais.
Nesse sentido, o método científico é um mecanismo para averiguar hipóteses a fim de garantir teses
sólidas, apartidárias e reprodutíveis. Para tanto, o filósofo Karl Popper estabeleceu o conceito de
falseabilidade, o qual define que uma hipótese só pode ser levantada se houver a possibilidade de
ser refutada. Com isso, no meio acadêmico, a todo instante teorias são reformuladas, aperfeiçoadas
ou dissolvidas, como atesta o modelo heliocêntrico de Ptolomeu, o qual foi revisado e aperfeiçoado
por Kepler. Contudo, estudar e compreender a transitoriedade das verdades científicas não é
simples, o que impele indivíduos a se apegarem a suas crenças e opiniões que, por vezes, são
imutáveis. Uma analogia disso é o Mito da Caverna de Platão, no qual pessoas estão acorrentadas
nas sombras - preconceitos e crenças -, mas, quando uma delas se liberta e conta sobre as luzes de
fora da caverna - o conhecimento -, matam-na, visto que é cômodo se apegar a suas crenças
pessoais. Assim, com o anticientificismo resultante do apego a percepções pessoais, dificulta-se o
entendimento do papel da ciência no mundo atual, aumentando a altura do muro entre ela e a
população.
Em decorrência do descrédito à ciência, o Estado democrático se fragiliza. Nessa
perspectiva, o filósofo Michel Foucault definiu episteme como o conjunto de pressupostos e
preconceitos de determinada época, o qual é alicerce para entender o que se entende como verdade,
já que, para o filósofo, esta é construção histórica. Desse modo, epistemes pautadas por
pressupostos autoritários produzem verdades arbitrárias, decididas por percepções dos governantes.
Stálin, por exemplo, por não acreditar na teoria de Darwin, adotou, como ditador da URSS, medidas
agrícolas que levaram à fome milhares de camponeses e à perda de capital por parte do Estado.
Portanto, consolidar uma episteme baseada na ciência impede que governos adotem políticas
públicas baseadas em percepções pessoais e construam verdades úteis e arbitrárias que possam
prejudicar a população. Ou seja, o papel chave da ciência se constrói ao ser aplicada socialmente,
impedindo a prática de governos autoritários, garantindo o bem-estar da população e, por isso, a
sustentação do Estado de direito.
Em síntese, o papel da ciência no mundo contemporâneo é, sobretudo, de garantir a
qualidade de vida e o progresso, desconstruindo verdades utilitárias que sustentam políticas
públicas ideológicas. O Estado democrático, no entanto, para ser assegurado, necessita de uma
episteme baseada na ciência, o que se torna gradativamente mais difícil em uma sociedade que se
agarra em suas crenças pessoais, como o fazem as pessoas do Mito da Caverna de Platão, e
descredita o método científico. Assim, enquanto se solidifica, no mundo contemporâneo, uma
episteme anticientificista, o medo se difunde, os muros se acirram, as opiniões e crenças ganham
força e o Estado de direito se desfaz, abrindo o espaço para regimes totalitários e suas respectivas
verdades.

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