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EXCELENTÍSSIMO(A) SENHOR(A) DOUTOR(A) JUIZ(A) DE DIREITO DA ___ª

VARA DA FAZENDA PÚBLICA-SP.

XXXX , brasileiro, solteiro, portador da cédula de


identidade R.G. nº ........... SSP/SP, CPF nº ........... (doc. 01), residente e domiciliado à
XXX............. Sã o Paulo/SP, através da Defensora Pú blica infra-assinada, dispensada
da apresentaçã o de instrumento de mandato, pelo artigo 128, XI, da Lei
Complementar Federal 80/94, vem, com fundamento no artigo 37, §6 da
Constituiçã o Federal, propor a presente

AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS E MATERIAIS

em face do ESTADO DE SÃO PAULO, pessoa jurídica de direito pú blico interno,


com sede no Palá cio do Governo, à Av. Morumbi, 4.500, Sã o Paulo/SP, CEP: 05698-
900, a ser citado na pessoa do Procurador Geral do Estado Dr. Elival da Silva

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Ramos, à Rua Pamplona, 227, 17º andar, Jardim Paulista, Sã o Paulo/SP, CEP:
01405-902, pelos motivos de fato e de direito abaixo expostos.

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I. DOS FATOS

No dia xx de xxx de 2011, XXX compareceu ao Nú cleo


Especializado de Cidadania e Direitos Humanos da Defensoria Pú blica do Estado de
Sã o Paulo, a fim de relatar o episó dio de agressã o a que foi submetido seu filho,
entã o adolescente, e solicitar deste ó rgã o assistência jurídica, para a tomada das
providências cabíveis (doc. 03)

Trata-se de XXX, que, conforme narrou seu genitor, no


dia xxx de xxx de 2011, na Rua xxxx, na cidade de xxxx, acompanhado do amigo
XXXX, pedalava sua bicicleta, quando uma viatura policial – de placa X – para fazê-
lo parar, colidiu propositalmente. Dois policiais teriam entã o descido e agredido
com severidade o adolescente ainda caído, chutando-lhe as costelas de forma
reiterada e perguntando-lhe o suposto dia de saída da “FEBEM”. Antes de partir, os
agentes policiais teriam ainda causado danos à s bicicletas de ambos os
adolescentes (doc. 04). XXXX, testemunha ocular dos acontecimentos, confirma a
narrativa (doc. 05)

Diante das alegaçõ es, foi instaurado o Procedimento


Administrativo NCDH nº xxx , para melhor avaliar as circunstâ ncias do caso.

No caso presente, foram apresentados como elementos


probató rios – constantes dos autos do P.A. NCDH nº xxx (doc. 06) - có pias de
receituá rios médicos (doc. 07) com prescriçõ es de medicamentos anti-
inflamató rios e analgésicos, geralmente utilizados por ocasiã o de trauma
(Cetoprofeno); o Boletim de Ocorrência x , do 2º Distrito Policial de ......, que noticia
a agressã o e a registra como lesã o corporal (doc. 12); o registro do atendimento de
XXX no Hospital , no dia xxx (doc. 09); bem como a ficha do paciente junto ao
Hospital (doc. 11), na qual consta, como diagnó stico, agressã o física; consta
também o relató rio médico de nº (doc. 10), no qual se relata o fato de ter sido
vítima de agressã o e se descreve seu estado clínico; e, por fim, um exame
radiográ fico, no qual se verifica fraturas em três costelas (doc. 15).
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Paciente refere ter sido agredido na sexta-feira e mantém dor. Ao
exame: dor à palpação de 8º, 9º e 10º espaços intercostais, linha
axilar anterior à esquerda; dor à palpação e mobilização de
articulação temporomandibular à esquerda e dor à palpação
de região patelar à esquerda com edema peripatelar.
(Descrição do exame clínico, registrado à folha 33 do Procedimento
Administrativo NCDH 46/2011 - doc. 11 em anexo)

Consta dos autos, por fim, o inquérito policial instaurado


(doc. 13), no qual depuseram de maneira coerente e harmô nica XXXX, XXX e XXXX.

Quanto a estes dois, confirmaram os fatos inicialmente


narrados por XXXX, acrescentando detalhes acerca da abordagem. Segundo XXX, os
policiais, quando saíram da viatura, traziam armas em punho e as apontavam
para sua cabeça; pisaram, em seguida, sobre a sua cabeça e chutaram suas
costelas. Depois, pediram que levantasse, ficasse de costas, com as mã os na
cabeça, enquanto lhe perguntaram de forma agressiva se e quando havia saído
da FEBEM. Como, na sequência, pessoas começaram a aparecer no logradouro, os
agentes policiais teriam saído rapidamente, mas nã o sem antes rasgarem os pneus
das bicicletas (doc. 04). O depoimento de XXXX, que em tudo se assemelha ao de
XXX, encontra-se também em anexo (doc. 05).

Foi feita ainda uma denú ncia perante a Corregedoria da


Polícia Militar, em decorrência da qual foi instaurada a Investigaçã o Preliminar nº
Esta, no entanto, restou arquivada, por nã o ter sido possível identificar a viatura,
tampouco os policiais (doc. 14).

XXX, agora plenamente capaz e sentindo-se profundamente


prejudicado, por conta dos ferimentos que sofreu, das dores que sentiu por mais de
seis meses em decorrência da agressã o, das contusõ es que lhe comprometeram
treinos e um teste de futebol (XXX é futebolista), do constrangimento e do
sofrimento que lhe foram impostos, intenta obter do Estado o reparo que lhe cabe.

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Afinal, para além do arbitrá rio dano causado a sua bicicleta, há o acosso, a
humilhaçã o, a intimidaçã o e a violência, também arbitrá rias.

II. DO DIREITO

1. PRELIMINAR: DA VERDADEIRA NATUREZA DO ATO DE VIOLÊNCIA


PRATICADO PELOS AGENTES DO ESTADO

Trata-se, como dito na breve descriçã o acima, de um


adolescente, abordado por policiais militares no exercício de suas funçõ es, que,
sem que houvesse qualquer circunstâ ncia justificadora, sem interpelá -lo, sem
sequer solicitarem a apresentaçã o de documentos, usaram de violência e ameaça,
ao agredi-lo com pisadas sobre a sua cabeça, chutes em suas costelas, apontar-lhe
uma arma à cabeça e danificar-lhe a bicicleta. Um adolescente e, portanto,
indivíduo em formaçã o é, em tese, digno de proteçã o integral e de atençã o
prioritá ria do poder pú blico, pela vulnerabilidade em que se encontra nesta fase de
desenvolvimento (artigos 3º e 4º da lei 8.069, de 13 de julho de 1990).

Art. 3º A criança e o adolescente gozam de todos os direitos


fundamentais inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da
proteção integral de que trata esta Lei, assegurando-se-lhes,
por lei ou por outros meios, todas as oportunidades e
facilidades, a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico,
mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade
e de dignidade.

Art. 4º É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e


do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a
efetivação dos direitos referentes à vida, à saú de, à
alimentaçã o, à educaçã o, ao esporte, ao lazer, à profissionalizaçã o,
à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência
familiar e comunitária.

A este, no entanto, coube a tortura. Embora registrados


como lesã o corporal (doc. 12), os fatos narrados por XXX, XXX e XXX se subsumem,
de maneira clara e em consonância com o princípio da especialidade, ao artigo

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1º, inciso I e II, da Lei 9.455 de 1997. Nã o se trata, nesse caso, de mera lesã o
corporal. Trata-se de uma lesã o corporal qualificada por sua severidade e pela
severidade do sofrimento imposto – o qual, no solo social em que se encontra
XXX e, em se tratando de adolescente acossado por policiais militares armados que
o supunham egresso do sistema de internaçã o, envolvia o temor pela pró pria vida
(doc. 05) -, pelos agentes, pelo propó sito de intimidaçã o e pela situaçã o de
vulnerabilidade em que se encontrava a vítima.

Art. 1º Constitui crime de tortura:

I - constranger alguém com emprego de violência ou grave


ameaça, causando-lhe sofrimento físico ou mental:

a) com o fim de obter informação, declaração ou confissão da


vítima ou de terceira pessoa;

b) para provocar açã o ou omissã o de natureza criminosa;

c) em razã o de discriminaçã o racial ou religiosa;

II - submeter alguém, sob sua guarda, poder ou autoridade,


com emprego de violência ou grave ameaça, a intenso
sofrimento físico ou mental, como forma de aplicar castigo
pessoal ou medida de caráter preventivo.

Pena - reclusã o, de dois a oito anos.

(...)

§ 2º Aquele que se omite em face dessas condutas, quando


tinha o dever de evitá-las ou apurá-las, incorre na pena de
detenção de um a quatro anos.

§ 3º Se resulta lesã o corporal de natureza grave ou gravíssima, a


pena é de reclusã o de quatro a dez anos; se resulta morte, a
reclusã o é de oito a dezesseis anos.

§ 4º Aumenta-se a pena de um sexto até um terço:

I - se o crime é cometido por agente público;

II – se o crime é cometido contra criança, gestante, portador


de deficiência, adolescente ou maior de 60 (sessenta) anos;

(...)

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Conforme elucida a jurisprudência da Corte Europeia de
Direitos Humanos, já consolidada no que concerne ao crime de tortura e à sua
repressã o, a caracterizaçã o deste crime, em diferenciaçã o ao de lesã o corporal,
envolve um nível determinado de severidade da agressã o, o qual, por sua vez, é
relativo e considera as circunstâ ncias do caso, a duraçã o do tratamento, seus
efeitos físicos e psicoló gicos, o sexo e a idade da vítima.1 Reitere-se: um
adolescente, ameaçado mediante uso de arma, agredido imotivadamente com
pisadas em sua cabeça e chutes em suas costelas – que resultaram ademais em
fratura (docs. 11 e 15), humilhado em via pú blica.

Nã o restam dú vidas acerca da gravidade do ato e de sua


repercussã o, tampouco da situaçã o de vulnerabilidade em que se encontrava XXXX
diante de seu agressor: uma autoridade armada.

Ainda que restassem, no entanto, o artigo 1º da Convençã o


das Naçõ es Unidas contra a tortura e outros tratamentos ou penas cruéis,
desumanos e degradantes de 1948 (CAT), já ratificada pelo Brasil e, portanto,
incorporada ao arcabouço jurídico pá trio, estabelece uma definiçã o
internacionalmente aceita dos atos que constituem “tortura”. Embora seja mais
restrita que a tipificada no Brasil, a disposiçã o nos serve, por demonstrar que o
caso presente se situa naquilo que se chama zona de certeza da norma: é um caso
típico das prá ticas que se quer abolir.

Artigo 1º - Para fins da presente Convençã o, o termo tortura"


designa qualquer ato pelo qual dores ou sofrimentos agudos,
físicos ou mentais, sã o infligidos intencionalmente a uma
pessoa a fim de obter, dela ou de terceira pessoa, informações ou
confissões; de castigá-la por ato que ela ou terceira pessoa
tenha cometido ou seja suspeita de ter cometido; de intimidar
ou coagir esta pessoa ou outras pessoas; ou por qualquer
motivo baseado em discriminação de qualquer natureza;
quando tais dores ou sofrimentos sã o infligidos por um
funcionário público ou outra pessoa no exercício de funções

1
Corte Europeia de Direitos Humanos. Caso Tekin v. Turkey, julgamento de 09 de junho de 1998,
pp. 1517-18, §§ 52 e 53.
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públicas, ou por sua instigaçã o, ou com o seu consentimento ou
aquiescência. Nã o se considerará como tortura as dores ou
sofrimentos que sejam consequência unicamente de sançõ es
legítimas, ou que sejam inerentes a tais sançõ es ou delas
decorram.

Logo, de acordo com os fatos narrados, o delito de tortura


parece plenamente verificado. Nã o é, entretanto, a persecuçã o penal o que intenta
o cidadã o lesado. Há o temor pela represá lia, nã o foi possível identificar os agentes
policiais na ocasiã o, nem foi capaz a Polícia Militar de identificar a viatura a partir
da placa anotada pelas vítimas. O que move o XXX é a reparaçã o, e a reparaçã o
adequada, nesse caso, deve considerar a gravidade do delito de que foi vítima.

Afinal, trata-se de uma prá tica internacionalmente


repudiada e proibida em inú meros tratados, dos quais o Brasil é parte e é parte
comprometida a saná -la de seu territó rio – vide o artigo 2º e 13º da Convençã o
contra a Tortura e Outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou
Degradantes (ONU / 1989).

A título de exemplo do compromisso, assumido interna e


internacionalmente, cabe mençã o à nossa Constituiçã o Federal (artigo 5º, incisos
III e XLIII) e à Lei 9455/97, que o tipifica. Quanto aos diplomas internacionais, há
desde a aclamada Declaraçã o Universal dos Direitos Humanos (ONU / 1948) 2,,
passando pelo Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos (ONU / 1966) 3, até
chegar, mais recentemente, na Convençã o Contra a Tortura e Outros Tratamentos
ou Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes (ONU / 1989) – todos ratificados pelo
Brasil. Tais documentos determinam de forma progressiva a vedaçã o da tortura e
culminam com a previsã o do dever de adotar medidas para o enfrentamento do
problema.
2
Artigo V - Ninguém será submetido a tortura, nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou
degradante.
3
Artigo 7º - Ninguém poderá ser submetido à tortura, nem a penas ou tratamentos cruéis,
desumanos ou degradantes. Será proibido, sobretudo, submeter uma pessoa, sem seu livre
consentimento, a experiências médicas ou científicas.
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Convenção Contra a Tortura e Outros Tratamentos ou Penas
Cruéis, Desumanos ou Degradantes

Artigo 2º - Cada Estado tomará medidas eficazes de cará ter


legislativo, administrativo, judicial ou de outra natureza, a fim de
impedir a prá tica de atos de tortura em qualquer territó rio sob
sua jurisdiçã o.

Artigo 13 - Cada Estado-parte assegurará , a qualquer pessoa que


alegue ter sido submetida a tortura em qualquer territó rio sob sua
jurisdiçã o, o direito de apresentar queixa perante as autoridades
competentes do referido Estado, que procederã o imediatamente e
com imparcialidade ao exame do seu caso. Serã o tomadas
medidas para assegurar a proteçã o dos queixosos e das
testemunhas contra qualquer mau tratamento ou intimidaçã o, em
consequência da queixa apresentada ou do depoimento prestado.

Assim sendo, é esta preliminar para dar nome aos fatos por
que se pede reparaçã o e para trazer à tona o compromisso assumido pelo Brasil,
no que concerne à sua aboliçã o. Um compromisso, aliá s, que revela o
reconhecimento de sua ilicitude, de sua imoralidade, de sua incompatibilidade com
um Estado Democrá tico de Direito – o que levou também à sua tipificaçã o como
crime contra a humanidade no Estatuto de Roma (artigo 7º, letra f). Isso posto,
decorre que reparar a vítima de uma tal violaçã o - tendo a ela dado causa, por
meio de um de seus agentes – é um ó bvio imperativo da coerência.

2. DA RESPONSABILIDADE OBJETIVA DO ESTADO

Do que consta, XXX foi vítima de açã o ilegal e excessiva


perpetrada por agentes policiais do Estado de Sã o Paulo, fardados e conduzindo
uma viatura policial. O ato é, portanto, ilícito, criminoso e contraria preceitos
fundamentais da ordem jurídica interna e internacional.
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No entanto, nã o sã o só as normas que visam a proibir a
tortura e as que estabelecem o direito de todo o cidadã o à integridade física e
psíquica que estã o em confronto com o comportamento verificado. Refiro-me à Lei
nº 4.898/65, que define os limites da atuaçã o regular, ao determinar em seu art. 3º,
letras “a” e “i”, ser abuso qualquer ato atentató rio da liberdade de locomoçã o e da
incolumidade física do indivíduo. Também preceitua o art. 4º, “b”, da mencionada,
que se trata de abuso submeter pessoa sob sua guarda ou custó dia a vexame ou
constrangimento nã o autorizado em lei. Afinal, ao policial militar nã o sã o
concedidos poderes amplos e irrestritos, mas, ao contrá rio, sua atuaçã o deve
observar a legalidade e os demais princípios da administraçã o pú blica, no
desenvolvimento da atividade de polícia ostensiva e de preservaçã o da ordem
pú blica (artigo 144, §5º da Constituiçã o Federal). Ora, a abordagem a que XXX foi
submetido foi violenta, vexató ria, desproporcional. Logo, foi abusiva e - como
evidência de falta de justa motivaçã o – dela nã o resultou nenhuma providência
regular.

Trata-se, portanto, a partir de todas as perspectivas


possíveis, de ato ilícito, nã o abarcado – pela desnecessidade e excesso – nas
hipó teses excludentes de ilicitude do artigo 188 do Có digo Civil. Trata-se de
descumprimento de dever legal e nã o de seu estrito cumprimento.

Art. 186. Aquele que por açã o ou omissã o voluntá ria, negligência
ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que
exclusivamente moral, comete ato ilícito.

Art. 188. Nã o constituem atos ilícitos:


I - os praticados em legítima defesa ou no exercício regular de um
direito reconhecido;
II - a deterioraçã o ou destruiçã o da coisa alheia, ou a lesã o a
pessoa, a fim de remover perigo iminente.
Pará grafo ú nico. No caso do inciso II, o ato será legítimo somente
quando as circunstâ ncias o tornarem absolutamente necessá rio,
nã o excedendo os limites do indispensá vel para a remoçã o do
perigo.

Da conduta irregular, ou seja, do ato ilícito, resultaram danos


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gravíssimos, acerca dos quais se discorrerá adiante em detalhe.

Diante dos danos, da ilicitude demonstrada, e do claro nexo


causal existente entre o ato de violência e o sofrimento físico e psíquico
experimentado por Augusto, é clara a incidência da norma do artigo 37, § 6º da
Constituiçã o Federal, segundo o qual:

“As pessoas de direito público e as de direito privado prestadoras de


serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nesta
qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso
contra o responsável nos casos de dolo e culpa”.

Como o ordena o texto constitucional e o artigo 927, §ú nico,


do Có digo Civil, deve o Estado de Sã o Paulo, de quem os policiais sã o longa
manus, responder pelos atos praticados por seus agentes, no exercício da funçã o
pú blica que lhes incumbiu, por terem causado prejuízo a terceiro. Essa
responsabilidade, segundo entendimento doutriná rio e jurisdicional pacífico, é
objetiva, de forma que o ente pú blico nã o se exime do dever de indenizar caso o
agente causador nã o tenha agido com dolo ou culpa – razã o por que é indiferente
para o provimento desta que nã o tenham sido identificados os policiais envolvidos
na investigaçã o militar, nem haja sentença transitada em julgado em sede criminal.
A Constituiçã o Federal é clara ao plasmar a responsabilizaçã o estatal objetiva, sem
perquiriçõ es sobre o animus estatal ou de seus agentes.

No plano da responsabilidade objetiva do direito brasileiro, o


dano ressarcível tanto resulta de um ato doloso ou culposo do
agente público como, também, de ato que, embora não
culposo ou revelador de falha da máquina administrativa ou
do serviço, tenha-se caracterizado como injusto para o
particular, como lesivo ao seu direito subjetivo.4

Numa digressã o mais ampla, uma das justificativas para tal

4
Cahali, Yussef Said. Responsabilidade civil do Estado. 3. Ed. Sã o Paulo: Editora Revista dos
Tribunais, 2007.
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previsã o reside no fato de que o ente pú blico deve assegurar aos particulares a
garantia de que os riscos advindos do exercício de serviços pú blicos ou do poder
de polícia sejam imputados ao pró prio Estado, e nã o aos cidadã os. Em outras
palavras, se ao exercer suas atribuiçõ es, ao selecionar um contingente policial, ao
armá -lo, possibilitando-lhe a atuaçã o, ao conferir-lhe autoridade, o Estado cria e
oferece risco aos particulares, deve também garantir que os prejuízos serã o
ressarcidos. É esse o fundamento da denominada Teoria do Risco Administrativo.

Transportando essas premissas para o presente caso,


conclui-se que o poder de polícia exercido por agentes do Estado, que agiram em
nome deste, culminou com a violaçã o de direitos subjetivos de XXX, por meio dos
atos de tortura praticados. Logo, é dever do ente pú blico indenizar os danos
materiais e morais daí decorrentes.

Ainda que nã o seja esse o entendimento ora esposado, ou


seja, ainda que se quisesse perscrutar a disposiçã o subjetiva dos agentes, seria
caso de indenizar o cidadã o lesado. Isso, porque já se verificou a existência de um
dever legal descumprido, por açã o de agentes do Estado, que, conforme a narraçã o
coerente e bastante de XXXX e a testemunha XXX, cometeram em sua abordagem
excesso, por meio de violência, ameaça, intimidaçã o, num contexto em que nã o foi
constatada resistência, ou qualquer oposiçã o (ao que serve de evidência a ausência
de providências regulares).

Aliá s, quanto à possível contestaçã o das abundantes provas


coligidas, tem-se, também advindo da jurisprudência da Corte Europeia de Direitos
Humanos, que a presunçã o de inocência nã o exime o Estado de reparaçã o, diante
de uma alegaçã o de tortura; embora possa eximir o agente da puniçã o, em funçã o
do princípio da presunçã o de inocência. O Estado, naquela Corte, e de maneira
progressiva também em outras jurisdiçõ es, é visto, por força dos tratados
assinados e do compromisso assumido contra a tortura, como titular do dever de
apontar causas plausíveis para as lesõ es sofridas no período em que uma pessoa
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permaneça sob sua guarda e responsabilidade. Nesse sentido, o excerto abaixo,
reafirma que havendo indícios de tortura e maus-tratos cabe à s autoridades
pú blicas oferecer explicaçã o alternativa. Em esta nã o havendo, prevalece a versã o
do ofendido.5
Por exemplo, a Corte Europeia de Direitos Humanos tem afirmado
que ‘quando um indivíduo é levado em custódia em boas
condições de saúde, mas se encontra ferido no momento da
liberação, é incumbência do Estado oferecer uma explicação
plausível sobre a causa dos ferimentos’. A presunçã o que as
lesõ es sofridas por um detento sã o resultado de tortura ou outra
forma proibida de maus tratos pode ser afastada se existe uma
explicaçã o alternativa plausível, mas cabe à s autoridades e aos
supostos perpetradores demonstrarem de forma convincente que
as alegaçõ es sã o infundadas.6

Voltando ao excesso, ensina Jú lio Fabbrini Mirabete que o


“excesso pode ser doloso, hipó tese em que o sujeito, apó s iniciar sua conduta conforme o
direito, extrapola seus limites de conduta, querendo um resultado antijurídico
desnecessá rio ou nã o autorizado legalmente. Excluída a descriminante quanto a esse
resultado, responderá o agente por crime doloso pelo evento causado no excesso. Assim,
aquele que, podendo apenas ferir, mata a vítima, responderá por homicídio; o que podia
evitar a agressã o através das vias de fato e causou lesã o responderá por esta”.7 Ora, se,
nesse caso, foi inicialmente legítima a abordagem, logo deixou de sê-lo por obra da
intimidaçã o consciente e desejada, assim como nã o poderiam deixar de serem os chutes,
5
Corte Europeia de Direitos Humanos. Caso Ribitsch v. Á ustria, julgamento de 04 de dezembro de
1995, §34: “Nã o se contesta que as lesõ es Sr. Ribitsch foram causadas durante o período de
detençã o, que era de todo o modo ilegal, sob custó dia da polícia, mantido sob seu controle. A
absolviçã o do policial Markl no processo penal num tribunal vinculado ao princípio da presunçã o
de inocência nã o absolve a Á ustria da sua responsabilidade no â mbito da Convençã o. O Governo,
portanto, era obrigado a fornecer uma explicaçã o plausível de como os ferimentos do recorrente
foram causados. Mas o Governo nã o fez mais do que se referir ao resultado do processo penal
interno, onde o alto padrã o de prova necessá ria para assegurar uma condenaçã o penal nã o foi
encontrado para ter sido satisfeita. (...) Com base em todo o material apresentado, o Tribunal
conclui nã o ter o Governo provado satisfatoriamente que as lesõ es do peticioná rio nã o foram
causadas - inteiramente, principalmente, ou em parte - pelo tratamento que ele sofreu enquanto
estava sob custó dia policial”.
6
FOLEY, Conor. Protegendo os brasileiros contra a tortura: Um manual para Juízes, Promotores,
Defensores Pú blicos e Advogados, 1ª ed., Brasília: IBAHRI, Ministério das Relaçõ es Exteriores
Britâ nico e Embaixada Britânica no Brasil, 2011, p. 76.
7
MIRABETE, Jú lio Fabrini. Manual de Direito Penal: parte especial, arts. 121 a 234 do CP, 26ª
ediçã o, Sã o Paulo, Atlas, 2009.

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as perguntas agressivas, as pisadas, que tiveram como vítima um adolescente deitado ao
chã o e desarmado.

Trata-se, sim, conforme a narraçã o do caso, de excesso doloso no


cumprimento do dever legal – ainda que nã o seja possível a identificaçã o do indivíduo que
o praticou. Os policiais extrapolaram os limites de uma açã o regular, como evidencia o
texto da Lei nº 4.898/65, acima referido, e alcançaram um resultado absolutamente
antijurídico e desnecessá rio.

Está evidenciado, portanto, que é dever do Estado indenizar o


requerente pelos prejuízos, de ordem material e moral, causados pelos policiais militares
que agiram em seu nome.

3. DOS DANOS E DO QUANTUM DO RESSARCIMENTO

Gostaria de uma indenização do Estado, tendo em vista que trincou


três costelas, sentia muita falta de ar, deslocou o maxilar – sente
dores até hoje – teve o cotovelo machucado. Com essa abordagem,
teve diversas contusões e por isso perdeu o ano escolar- por nã o
conseguir permanecer sentado por muito tempo-, um teste de
futebol no Clube da Portuguesa e está há seis meses sem treinar,
devido às lesões causadas pelos agentes do Estado (Depoimento de
Augusto, à folha 55 do PA NCDH anexo).

A absurda situaçã o a que foi exposto o peticioná rio, já que nã o


pô de ser evitada, merece reparo pelos danos sofridos, conforme disposto no artigo 5º,
inciso V, da Constituiçã o Federal:

Art. 5º Todos sã o iguais perante a lei, sem distinçã o de qualquer


natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros
residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade,
à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo,


além da indenizaçã o por dano material, moral ou à imagem;

Para a aferiçã o do quantum a título de dano material, a


legislaçã o ordiná ria estipula que deva ser composto daquilo que foi perdido. No
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cá lculo, devem ser considerados os gastos tidos pelo requerente com o conserto da
bicicleta, cujo pneu – preço aproximado de R$ 150,00 8 - foi rasgado pelos policiais.

Augusto era um adolescente que tinha já uma carreira de


futebolista iniciada, além dos estudos regulares. Ambas as atividades foram,
entretanto, interrompidas - nã o pode treinar, perdeu testes, repetiu o ano escolar.

Tais fatos, somados à narrativa dos acontecimentos em si


torna evidente a existência de danos morais. Afinal, a agressã o em via pú blica, sem
qualquer possibilidade de autodefesa, envolveu humilhaçã o, intimidaçã o,
incriminaçã o, lesã o corporal, revolta e, certamente, a sensaçã o de impotência de
nã o poder reivindicar o seu direito claro, diante de uma autoridade nã o razoá vel.
Aliá s, seus efeitos perduram, na sensaçã o de injustiça e vulnerabilidade.

(...) todo fato resultante de um ato contrá rio ao Direito, que afete
de alguma forma a integridade psíquica do indivíduo,
provocando-lhe a infelicidade, transitória ou não no tempo,
no plano jurídico, é um dano moral puro. É certo que os
exemplos mais comuns de dano moral puro sã o identificados pela
dor ou sofrimento experimentado pelo indivíduo. Assim, são
os decorrentes da perda de um ente querido, da mutilação, da
lesão física, da desonra, da humilhação, da depressão, da
angústia.9

Ademais, a configuraçã o de tortura e a sua devida reparaçã o


prescindem de laudo que ateste serem – necessariamente - graves as lesõ es
sofridas. Como decidiu o Tribunal de Justiça do Estado de Sã o Paulo num
semelhante caso de tortura perpetrada por agentes policiais, o ato de violência
abusiva, o ato de tortura, é, em si, apto a ensejar a reparaçã o, embora sejam as
repercussõ es físicas e psicoló gicas também importantes no arbítrio de seu valor.

8
Disponível em: <http://www.buscape.com.br/pneu-para-bicicleta.html>
9
ARRUDA, Augusto F.M. Ferraz de. Dano moral puro ou psíquico. Sã o Paulo: Editora Juarez de
Oliveira,1999, p.29.
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Pouco importa, também, que ao autor tenha sido impingida
lesão corporal leve, a par do resultado do exame de corpo de
delito. Leve, grave ou gravíssima, as provas evidenciam que o
autor nã o tentou fugir e foi agredido quando já se encontrava
deitado no chã o e algemado. O abuso de autoridade é
inequívoco, confirmando ainda mais a obrigaçã o do Estado de
reparar os danos causados por seus agentes, posto que é de sua
exclusiva responsabilidade o recrutamento de pessoas para o
efetivo.
(Apelaçã o 0011475-08.2009.8.26.0302 TJSP, Relator: Ferraz de
Arruda, 13º Câ mara de Direito Pú blico, Data do Julgamento:
28/11/2012, Data de Publicaçã o: 04/12/2012, p. 14-15)

Embora nã o haja tal laudo, há provas nos autos que atestam


a fratura das costelas, as lesõ es na articulaçã o temporomandibular, edemas no
joelho e suas repercussõ es na vida de Augusto. O que deve ser considerado na
estimativa do valor da reparaçã o a ser concedida.

Pois bem, no tocante à quantificaçã o, em que pese a


dificuldade de aferir-se e parametrizar o valor da dor e degradaçã o, a doutrina e a
jurisprudência têm apontado balizas, tais como capacidade econô mica das partes e
o imperativo de compensaçã o da vítima e de desestímulo ao responsá vel. Nesse
sentido, corrobora Carlos Alberto Bittar a argumentaçã o aqui esposada, o que,
diante das particularidades do caso em tela, leva-nos à s conclusõ es apresentadas
em seguida.

(...) a reparaçã o de danos morais exerce funçã o diversa daquela


dos danos materiais. Enquanto estes se voltam para a
recomposiçã o do patrimô nio ofendido, através da aplicaçã o da
fó rmula danos emergentes e lucros cessantes (Có digo Civil de
1916, art. 1.059), aqueles procuram oferecer compensaçã o ao
lesado, para atenuaçã o do sofrimento havido. De outra parte,
quanto ao lesante, objetiva a reparaçã o impingir-lhe sançã o, a fim
de que nã o volte a praticar atos lesivos à personalidade de
outrem.10

10
BITTAR, Carlos Alberto. Reparação civil por danos morais: a questão da fixação do valor. Tribuna
da Magistratura: Informativo da Associaçã o Paulista de Magistrados - Caderno de Doutrina, Sã o
Paulo, jul. 1996, p. 35.
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Quanto à capacidade econô mica, em que pese de um lado
tratar-se de requerente com renda mensal em torno 1,5 salá rio mínimo, estar-se-á
responsabilizando o Estado de Sã o Paulo, o mais rico da federaçã o e o 2º
orçamento brasileiro, ficando atrá s somente da Uniã o Federal, com orçamento
para 2013 no valor aproximado de R$ 173,1 bilhõ es, dos quais R$ 15.604.907.591
estã o destinados para segurança pú blica e especificamente R$ 10.795.956.421
para a polícia militar.11 Ora, a tortura e a letalidade policial em Sã o Paulo vêm se
tornando tema diá rio de notícia e mote de reivindicaçõ es populares, de modo que
urge uma tomada de providências pelo Estado e de uma postura clara de
desestímulo de tais condutas, por meio do Judiciá rio Paulista, comprometido por
força da lei e com o fim da tortura.

O combate à tortura exige que magistrados e promotores


manejem com destreza tanto o escudo quanto a espada da lei. O
escudo que eles devem proporcionar consiste em respeitar as
salvaguardas nacionais e internacionais destinadas a proteger as
pessoas que se encontram nas mã os dos responsá veis pela
aplicaçã o da lei, de modo a impedir que elas sejam submetidas a
tortura e a maus tratos semelhantes e proibidos. A espada que
eles devem brandir consiste em responsabilizar aqueles que
perpetram tais atos pela violaçã o da lei.12

Considerando, portanto, a grande capacidade econô mica do


Estado de Sã o Paulo, a gravidade da conduta dos agentes estatais, a sua
repercussã o no entã o adolescente, e, por fim, o parâ metro oferecido em caso
aná logo - qual seja o Recurso Especial nº 487749, oriundo do Estado do Rio Grande
do Sul e relatado pela Ministra Eliana Calmon - entende-se por adequada quantia
nã o inferior a 200 salá rios mínimos, a título de indenizaçã o por danos morais.

11
Disponível em: < http://www.planejamento.sp.gov.br/noti_anexo/files/Lei_14925_de_28-12-
12.pdf >.
12
FOLEY, Conor. Protegendo os brasileiros contra a tortura: Um manual para Juízes, Promotores,
Defensores Públicos e Advogados, 1ª ed., Brasília: IBAHRI, Ministério das Relaçõ es Exteriores
Britâ nico e Embaixada Britânica no Brasil, 2011.

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PROCESSUAL CIVIL – INDENIZAÇÃ O POR DANO MORAL –
INAPLICABILIDADE DA SÚ MULA 7/STJ – VALORAÇÃ O DAS
CIRCUNSTÂ NCIAS FÁ TICAS DELINEADAS SOBERANAMENTE
PELA INSTÂ NCIA ORDINÁ RIA – TORTURA COMETIDA POR
POLICIAIS CIVIS.
1. Nã o incidência da sú mula 7/STJ a hipó tese em comento, por nã o
se tratar de reexame do contexto fá tico-probató rio e sim de sua
valoraçã o.
2. Cabe ao Superior Tribunal de Justiça o controle do valor fixado a
título de indenizaçã o por dano moral, que nã o pode ser ínfimo ou
abusivo, diante das peculiaridades de cada caso, mas sim
proporcional à dú plice funçã o deste intuito: reparaçã o do dano,
buscando minimizar a dor da vítima, e puniçã o do ofensor, para
que nã o volte a reincidir.
3. Quantia de 200 (duzentos) salários-mínimos, fixada pela
sentença e confirmada pelo Tribunal Estadual, que se
apresenta razoável, diante da grave situação fática descrita
nos autos, consubstanciada na tortura praticada por policiais
civis.
4. Recurso especial improvido.

Deste modo, requer-se:

- A quantia de R$ 150,00, como do dano causado aos bens do requerente (um


pneu de bicicleta).

- 200 salá rios mínimos em indenizaçã o por danos morais a XXX.

Posto isso, é a presente açã o indenizató ria para requerer que seja paga
quantia nã o inferior a 200 salá rios mínimos paulistas, mais R$ 150,00 em
indenizaçã o pelos danos infligidos a XXXX por policiais militares deste Estado.

III. PEDIDOS

Por todo o exposto, requer o autor:

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a. A concessã o dos benefícios da Justiça Gratuita, tendo em vista
a declaraçã o de situaçã o financeira anexa, nos termos do art. 3º da Lei
1.060/50;
b. A citaçã o do réu, na pessoa do Procurador Geral do Estado de
Sã o Paulo, para, querendo, apresentar contestaçã o no prazo legal;
c. O julgamento totalmente procedente da açã o para que seja o
réu condenado ao pagamento do equivalente a 200 salá rios mínimos
paulistas, ou seja, R$151.000,00 (cento e cinqü enta e um mil reais), como
forma de reparaçã o dos danos morais sofridos, e, como reparaçã o dos
danos materiais sofridos, R$150,00 (cento e cinqü enta reais);
d. A condenaçã o nas verbas de sucumbências, sendo os
honorá rios revertidos para o Fundo Especial da Escola Superior da
Defensoria Pú blica do Estado de Sã o Paulo;
e. A intimaçã o pessoal da Defensoria Pú blica de todos os atos do
processo, bem como a observâ ncia da contagem em dobro de todos os atos
processuais, com fundamento no art. 128, inciso I, da Lei Complementar
Federal 80/94;
f.A juntada dos documentos que acompanham esta inicial.

Atribui-se à causa o valor de R$ 151.150,00 (cento e cinqü enta e um mil,


cento e cinqü enta reais).

Termos em que pede deferimento.


Sã o Paulo, data.

Defensor(a) Pú blico(a)

Unidade de XXXXXXXXXXX
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Rol de documentos:

Doc. 01 – RG e CPF de XXX;


Doc. 02 – Ficha de avaliaç ã o da situaç ã o econô mico-financeira;
Doc. 03 – Termo de declaraç õ es de XXX;
Doc. 04 – Termo de Declaraç õ es de XXX;
Doc. 05 – Termo de declaraç õ es de XXX;
Docs. 06 – Portaria de Abertura do P.A. NCDH 046/2011;
Doc. 07 – Receitu á rios Mé dicos datados de 16.08.2011;
Docs. 08, 09, 10 – Declaraç ã o de Comparecimento ao Hospital Municipal;
Ficha de atendimento do Hospital Municipal; Relat ó rio Mé dico nº, de, junto
ao Hospital Municipal;
Doc. 11 – Ficha de atendimento nº, do Hospital;
Doc. 12 – B.O. nº;
Doc. 13 – C ó pia do Inqu é rito Policial (incluindo as declaraç õ es de XXX,
XXXX, XXX em esfera policial);
Doc. 14 – Relat ó rio da Investigaç ã o preliminar junto à Corregedoria da
Polícia Militar;
Doc. 15 – Chapa fotogr á fica da radiografia de XXXX.

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