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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR MINISTRO CORREGEDOR DO CONSELHO

NACIONAL DE JUSTIÇA

O xxxxxxxxxxxxxx da Defensoria Pública do Estado de São Paulo,


criado pela Lei Complementar Estadual de Sã o Paulo nº 988, de 09 de janeiro de 2006,
por seus ó rgã os de execuçã o infra-assinados, vem, a presença de Vossa Excelência, nos
termos do artigo 103-B, §4º, inciso III da Constituiçã o Federal, e artigos 67 e 78 do
Regimento Interno, apresentar REPRESENTAÇÃO POR EXCESSO DE PRAZO, contra o
Juízo da vara criminal da comarca de Taboã o da Serra, Estado de Sã o Paulo, e
RECLAMAÇÃO DISCIPLINAR, contra os Juízes Dra. FLÁ VIA CASTELLAR OLIVERIO,
antiga juíza titular, Dr. NELSON RICARDO CASALLEIRO, juiz substituto que oficiou por
algum tempo naquela vara, e Dr. GUILHERME LOPES ALVES LAMAS, atual juiz titular,
bem como contra os diretores do cartó rio da vara desde 2009, em razã o do processo
crime nº 0009125-33.2008.8.26.0609 ter ficado “parado”, sem qualquer impulso oficial,
desde 01 de abril de 2009 até 02 de julho de 2013, conforme será exposto.

LEGITIMIDADE

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Inicialmente é necessá rio demonstrarmos o interesse deste
xxxxxxxxxxxxx na formulaçã o desta representaçã o e reclamaçã o, bem como deixar
assentado quem sã o os reclamados.

De acordo com o artigo 78 do Regimento Interno, somente poderá


representar por excesso de prazo aquele que demonstrar “interesse legítimo”. In verbis:

Art. 78. A representaçã o contra magistrado, por excesso injustificado de


prazo, para a prá tica de ato de sua competência jurisdicional ou
administrativa, poderá ser formulada por qualquer pessoa com
interesse legítimo,

É o caso do xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx da Defensoria Pú blica do Estado


de Sã o Paulo.

No dia 08 de março de 2013, compareceu ao atendimento deste Nú cleo


a Sra. xxxxxxxxxxxxxxxxx, que conforme demonstraremos a seguir, também foi vítima do
crime de extorsã o apurado nos autos acima referidos.

Relatou, entre outros fatos, de que havia sido vítima, junto com seu
companheiro, xxxxxxxxxxxxxxxxxxxx, de um crime de extorsã o praticado por policiais
em 2008 e que, embora tivesse prestado depoimentos algumas vezes na delegacia,
jamais havia comparecido em juízo. Pedia, em suma, que prestá ssemos assistência
jurídica integral e gratuita a ela, concretizando nossa missã o constitucional (artigo 134
da Constituiçã o Federal).

A partir daí passamos a acompanhar o processo-crime, o qual, para


nossa surpresa, sequer tinha audiência designada.

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Recentemente, aliá s, protocolizamos petiçã o requerendo nossa
admissã o como assistente da acusaçã o no referido processo.

Assim, estando este Nú cleo Especializado prestando assistência jurídica


à xxxxxxxxx e à xxxxxxxxxxxxxx, vítimas de extorsã o apurada nos autos do processo-
crime mencionado, funcionando, inclusive, como assistente da acusaçã o, dú vida nã o há
que o Nú cleo Especializado de Cidadania e Direitos Humanos da Defensoria Pú blica tem
“interesse legítimo” na formulaçã o desta representaçã o/reclamaçã o.

Por outro lado, deixemos bem claro quem sã o os reclamados.

Com relaçã o ao excesso de prazo, a representaçã o é contra o Juízo da


vara criminal da comarca de Taboã o da Serra/SP.

Já com relaçã o à reclamaçã o disciplinar, algumas consideraçõ es devem


ser feitas.

Conforme será demonstrado, a reclamaçã o solicita a apuraçã o de


responsabilidades funcionais em razã o de um processo-crime ter ficado parado, sem
qualquer andamento entre 01 de abril de 2009 e 02 de julho de 2013.

Todos os juízes e diretores do cartó rio que passaram por lá neste


período sã o, em tese, reclamados.

Quando do início do processo, a Dra. xxxxxxxxxxx era a titular da vara.


Foi ela quem recebeu a denú ncia e deu impulso ao processo por longo período.

Aliá s, o ú ltimo andamento do processado foi praticado por ela em 01 de


abril de 2009.

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Nã o se sabe se depois desta data permaneceu lotada naquela vara
criminal, por isso, é ela uma das reclamadas.

O atual juiz titular é o Dr. xxxxxxxxxxxxx. Segundo informaçã o do


cartó rio, titularizou-se em 2012. Por isso, é também um dos reclamados.

Além deles, todos os demais juízes que por lá oficiaram neste período
de dormitaçã o dos autos também devem ser investigado. É exemplo, o Dr.
xxxxxxxxxxxxxxxx, juiz substituto que despachou nos autos em 30 de junho de 2011 (fl.
509).

Também devem ter suas condutas funcionais analisadas os


diretores do cartó rio que exerceram a funçã o no período, eis que sã o eles que deveriam
controlar o andamento dos processos, impedindo que os autos ficassem parados. Nesse
sentido é que determinam as normas de serviço da Corregedoria Geral da Justiça 1:

90. Nenhum processo deverá permanecer paralisado em cartó rio,


além dos prazos legais ou fixados; tampouco deverã o ficar sem
andamento por mais de 30 (trinta) dias, no aguardo de diligências
(informaçõ es, respostas a ofícios ou requisiçõ es, providências das
partes etc.). Nessas ú ltimas hipó teses, cumprirá ser feita
conclusã o ao juiz, para as providências cabíveis.

FATOS E FUNDAMENTOS JURÍDICOS

Segundo apurado, no dia 13 de agosto de 2008, na Rua Benedito


Marcelino Braga, Jardim Sã o Judas, na cidade de Taboã o da Serra, Estado de Sã o Paulo,

1
Provimento nº 50/89. Disponível em:
http://www.tjsp.jus.br/Download/ConhecaTJSP/NormasJudiciais/NSCGJTomoI.pdf

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os policiais xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx, junto com mais dois indivíduos nã o
identificados, constrangeram xxxxxxxxxxxxxxxxxxx, mediante grave ameaça, com
emprego de arma de fogo, e com o intuito de obterem para si indevida vantagem
econô mica, a fazer a entrega a eles da quantia de R$ 6.000,00 (seis mil reais), para evitar
que fosse preso sob a alegaçã o de trá fico de entorpecentes.

Presos em flagrante pela Corregedoria Geral da Polícia Civil na data dos


fatos, foram denunciados pelo Ministério Pú blico em 16 de setembro do mesmo ano.

Segundo a denú ncia, xxxxxxxxxxxxxxxx estavam utilizando-se de um


telefô nico pú blico quando uma viatura da polícia civil surgiu com os réus, os quais
detiveram e algemaram Rogério.

Os policiais, entã o, passaram a exigir R$ 10.000,00 (dez mil reais), sob


pena de levarem-no para Delegacia e acusarem-no de trá fico de drogas. Apó s
negociaçã o, ficou acordado um valor de R$ 6.000,00 (seis mil reais).

Rogério ligou para xxxxxxxxxxxx, sua companheira, pedindo o dinheiro.


xxxxxxxxxxxxxxxx conseguiu arrecadar R$ 1.000,00 (mil reais) e entregou aos réus, os
quais liberaram Rogério, sob a promessa do restante ser pago em alguns dias.

Dias depois, os policiais ligaram para Rogério cobrando o dinheiro,


ameaçando-o, momento em que ele acionou a Corregedoria, sendo orientado a manter
em curso a negociaçã o.

Marcaram, entã o, a entrega do dinheiro para o dia 27 de agosto, em


local previamente definido. Policiais da Corregedoria monitoraram a entrega, e apó s a
tradiçã o, deram voz de prisã o aos réus.

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Em 19 de setembro de 2008 a denú ncia foi recebida pela reclamada
xxxxxxxxxxxx, titular da vara à época (fl. 193).

De lá para cá , o processo praticamente nã o “andou”.

Em resumo, temos que:


- foi apresentada defesa inicial de Norberto e Alfredo, em 04 de outubro
de 2008 (fls. 265/291);
- foi apresentada defesa inicial de Carlos, em 08 de outubro de 2008 (fls.
295/308);
- Carlos foi citado em 24 de outubro de 2008 (fls. 311);
- foi apresentada nova defesa inicial de Alfredo, em 04 de novembro de
2008 (fls. 377/378);
- foi apresentada petiçã o em nome de Elias, em 02 de dezembro de
2008 (fls. 381/386);
- certidã o da nã o localizaçã o de Alfredo e Norberto, datada de 16 de
dezembro de 2008 (fl. 455);
- despacho determinando a intimação do réu Elias para constituir
novo defensor, datado de 01 de abril de 2009 (fl. 472);
- certidã o da intimaçã o de Alfredo e Norberto, datada de 29 de junho de
2009 (fl. 490);
- devoluçã o de carta precató ria em 06 de julho de 2009 (fl. 493);
- juntada de petiçã o (pedindo o arbitramento de honorá rios para
advogado dativo), datada de 10 de fevereiro de 2011 (fl. 507);
- juntada de petiçã o do Nú cleo Especializado da Defensoria Pú blica
pedindo carga dos autos para có pias, datada de 17 de junho de 2013 (fl. 510)
- expedida carta precatória em 03 de julho de 2013, a qual havia
sido determinada à fl. 472 em 01 de abril de 2009 (fl. 519).

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Vejam Excelentíssimos Ministros. Após mais de CINCO ANOS DO
RECEBIMENTO DA DENÚNCIA, SEQUER FOI DESIGNADA AUDIÊNCIA DE
INSTRUÇÃO.

Nã o há como justificar a demora.

Veja-se que o processo vinha tramitando, embora de maneira bastante


lenta, até 06 de julho de 2009, quando o juízo da 17ª vara criminal da comarca de Sã o
Paulo devolveu carta precató ria ao juízo da vara criminal de Taboã o da Serra (fl. 493).

Apó s a devoluçã o os autos ficaram literalmente parados até 03 de julho


de 2013.

Neste período de quatro anos nenhum ato processual foi praticado nos
autos.

Houve, neste período de quatro anos, apenas duas juntadas.

Uma em 10 de fevereiro de 2011, ou seja, um ano e sete meses depois


do ú ltimo andamento, de uma petiçã o do antigo advogado dativo do réu Alfredo,
substituído por outro particular, pedindo o arbitramento de seus honorá rios. Em razã o
disso, em 19 de junho de 2011 os autos foram conclusos para o juiz substituto, o qual
despachou: “nada a prover tendo em vista o cancelamento da nomeaçã o de fls. 464.
Cumpra-se fls. 472”.

À s fls. 472 havia despacho da reclamada xxxxxxxxxxxxxxxx, datado de


01 de abril de 2009, determinando a intimaçã o do réu Elias para constituir novo
Defensor.

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Contudo, nã o foi a intimaçã o providenciada naquela época. Por isso, o
juiz substituto reiterou o despacho de fl. 472. Novamente, entretanto, a intimaçã o ao réu
Elias nã o foi providenciada pela serventia.

A segunda juntada, datada de 17 de junho de 2013, refere-se a um ofício


expedido por este Nú cleo Especializado solicitando có pia integral dos autos.

Novamente os autos subiram para conclusã o, tendo o reclamado


xxxxxxxxxxxx, juiz titular da vara desde 2012, permitido a carga dos autos para có pias.
Além disso, despachou: “cumpra-se, de imediato, fl. 472” (fl. 517).

Somente apó s o pedido da Defensoria Pú blica é que finalmente foi


providenciado o mandado de intimaçã o do réu Elias, acostado à fl. 519 dos autos, datado
de 02 de julho de 2013.

Nobres Conselheiros.

Apó s a determinaçã o datada de 01 de abril de 2009 (fl. 472) da entã o


juíza titular, a reclamada xxxxxxxxxxxxxxx, para que o réu Elias fosse intimado para
constituir novo advogado, os autos ficaram parados, sem qualquer tramitaçã o, até o dia
02 de julho de 2013 (fl. 519), quando foi expedido mandado de intimaçã o para o réu
Elias.

Foram 4 (quatro) anos e 3 (três) meses para se expedir um


mandado de intimação!!!!!!

E pior: durante todo este período os autos ficaram dormitando em


algum escaninho do cartório, sem que fosse lembrado.

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Algo completamente inaceitá vel para qualquer tipo de processo, ainda
mais no caso concreto em aná lise em que estamos diante de crime praticado por agentes
de segurança do Estado.

À Constituiçã o Federal foi incluído no artigo 5º, pela Emenda


Constitucional nº 45/2004, o inciso LXXVIII, prevendo como direito fundamental de
todos os cidadã os a razoá vel duraçã o do processo. In verbis:

Artigo 5º, LXXVIII - a todos, no â mbito judicial e administrativo, sã o


assegurados a razoá vel duraçã o do processo e os meios que garantam a
celeridade de sua tramitaçã o

Há muito tempo a duraçã o do processo que apura o crime de que foram


vítimas Rogério e Rosani extrapolou o razoá vel. Já faz mais de cinco anos e um mês que
os fatos ocorreram.

Contudo, o que é mais grave, e, por isso, levamos o caso à


conhecimento de Vossas Excelências, é o fato do processo ter ficado 4 (quatro)
anos e 3 (três) meses sem nenhum andamento.

Por ó bvio alguém deve ser responsabilizado por isso. Seja a reclamada,
antiga juíza titular da vara, seja o reclamado, atual titular desde 2012, seja algum juiz
substituto que por lá passou e sequer despachou nos autos, ou o diretor do cartó rio,
possivelmente responsá vel pelo controle do andamento dos processos.

Repetimos. Alguém precisa ser exemplarmente punido. Até mesmo para


que nã o paire dú vidas acerca da honestidade e lisura dos membros e funcioná rios do
Poder Judiciá rio, eis que fatalmente o caso será repercutido pela imprensa.

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Sendo assim, tendo permanecido os autos dormitando no cartó rio
por mais de quatro anos, sem qualquer impulso oficial 2, solicitamos providencias no
sentido de se verificar se houve a prá tica de alguma infraçã o disciplinar por parte dos
Juízes que atuaram na vara criminal da comarca de Taboã o da Serra no período, bem
como dos serventuá rios, especialmente dos diretores do ofício que exerceram a funçã o
no período.

Ademais, nos termos do §5º do artigo 78 do regimento interno, tendo


em vista que restou caracterizado “grave atraso” no processo, solicitamos seja o caso
submetido ao plená rio deste Egrégio Conselho, com proposta de realizaçã o de correiçã o,
nos termos do artigo 54 e seguintes do mesmo regimento.

PEDIDO

Diante de todo o exposto, solicitamos o processamento da presente


reclamaçã o, a fim de que sejam apuradas as responsabilidades funcionais dos
envolvidos, com a instauraçã o de sindicâ ncia ou de processo administrativo disciplinar,
nos termos do artigo 8º, inciso III do regimento Interno.

Outrossim, caracterizado “grave atraso” no processo, nos termos do §5º


do artigo 78 do regimento Interno, solicitamos, seja proposta por Vossa Excelência a
realizaçã o de correiçã o na vara criminal de Taboã o da Serra/SP, nos termos do artigo 8º,
inciso IV e artigos 54 e seguintes do Regimento Interno, submetendo-se ao plená rio.

Para demonstraçã o do alegado, requer a produçã o de todos os meios de


prova em direito admitidos. Segue em anexo có pia integral dos autos do processo-crime
nº xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx.
2
Violando-se, assim, o artigo 251, primeira parte do Código de Processo Penal. In verbis: “Art. 251.  Ao juiz
incumbirá prover à regularidade do processo e manter a ordem no curso dos respectivos atos, podendo, para tal
fim, requisitar a força pública.”

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De Sã o Paulo para Brasília, xxxxxxxxxx.

Defensor(a) Pú blico(a)
Unidade de XXXXXXXXX

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