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UNIVERSIDADE DE GUARULHOS

PSICOLOGIA

DIANA MARTINS DA SILVA DE MORAIS


FERNANDA ORTIZ FERREIRA LEITE
GABRIEL GUIMARÃES PEREIRA PARENTE
PRISCILA BARROS BARONI
PRISCYLLA BEZERRA SILVESTRE
REBECA RODRIGUES DE S. TOMAZ
TIAGO HENRIQUE VIEIRA DOS SANTOS
VITOR AUGUSTO NASCIMENTO COTTA
YARA TEIXEIRA RIBEIRO

AS FACES DA VIOLÊNCIA SOB O OLHAR DA PSICOLOGIA SOCIAL

Guarulhos
2020
DIANA MARTINS DA SILVA DE MORAIS – 28291803
FERNANDA ORTIZ FERREIRA LEITE – 28289778
GABRIEL GUIMARÃES PEREIRA PARENTE – 28289233
PRISCILA BARROS BARONI – 28288524
PRISCYLLA BEZERRA SILVESTRE – 28292803
REBECA RODRIGUES DE S. TOMAZ – 28289057
TIAGO HENRIQUE VIEIRA DOS SANTOS – 28289042
VITOR AUGUSTO NASCIMENTO COTTA – 28288034
YARA TEIXEIRA RIBEIRO – 28277359

AS FACES DA VIOLÊNCIA SOB O OLHAR DA PSICOLOGIA SOCIAL

Trabalho de pesquisa referente à


disciplina Psicologia Social
apresentado à professora
Alessandra C. R. Chrisostomo
como parte integrante da nota de
avaliação 1 do segundo semestre
do curso de Psicologia na
Universidade Guarulhos - UNG.

Guarulhos
2020
SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO.....................................................................................................5

2. O QUE É VIOLÊNCIA..........................................................................................6
2.1 Formas de violência..........................................................................8
2.2 Determinantes de violência............................................................11
2.2.1 A desigualdade social..........................................................11
2.2.2 Naturalização da violência...................................................12
2.2.3 Insegurança coletiva e o medo social..................................12
2.2.4 Certeza da impunidade........................................................13
2.2.5 Consumismo........................................................................13
2.2.6 Tráfico internacional de drogas e armas.............................13
2.3 Prejuízos causados pela violência................................................14

3. AS FACES DA VIOLÊNCIA..............................................................................16
3.1 Preconceito......................................................................................16
3.2 Violência doméstica........................................................................16
3.3 Violência no trânsito.......................................................................17
3.4 Violência urbana..............................................................................17
3.4.1 A Criminologia e o menor infrator........................................18
3.5 Violência psicológica......................................................................20
3.6 Suicídio............................................................................................20

4. A VIOLÊNCIA EM NÚMEROS..........................................................................22
4.1 Homicídios e feminicídios..............................................................22
4.2 Violência no trânsito......................................................................26
4.3 Violência em relação a gênero e opção sexual............................27
4.4 Violência psicológica em adolescentes........................................29

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS...............................................................................30

6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS..................................................................31
LISTA DE FIGURAS

Figura 1 – Desigualdade social......................................................................12

Figura 2 – Atlas da violência 2020..................................................................24

Figura 3 – Atlas da violência 2020..................................................................24

Figura 4 – Taxa de homicídio 2008-2018.......................................................25

Figura 5 – Taxa de homicídio de crianças e adolescentes..........................25

Figura 6 – Violência no trânsito......................................................................27

Figura 7 – Comparativo de denúncias 2017..................................................28

Figura 8 – Comparativo de denúncias 2018..................................................28


5

1. INTRODUÇÃO

Analisando a linha do tempo desde a Pré-História, é possível notar que


nas mais diferentes culturas um elemento sempre esteve presente: a violência.
Seja por meio da caça para sobrevivência, de guerras para conquistar poder ou
simplesmente entretenimento popular, os homens sempre cultivaram hábitos
que expressassem sua agressividade. Isso porque, segundo grandes
estudiosos e teorias, esse instinto agressivo é natural do ser humano, bem
como os instintos considerados positivos.
No entanto, conforme foi se construindo a sociedade até esta a qual hoje
pertencemos, muitas concepções morais e éticas de convívio e civilização
foram estabelecidas. Dessa forma, o homem passou a canalizar seus instintos
agressivos realizando atividades aceitáveis pela sociedade. Quando isso não
ocorre, porém, temos a manifestação da violência.
Esse fenômeno tão antigo e tão atual é marcado por características
próprias, como afirmam Bock, Teixeira e Furtado (2008),
A violência é o uso desejado da agressividade, com fins
destrutivos. Há sempre uma intencionalidade no agente de
violência. A violência é planejada [...]; portanto, tem uma
racionalidade. E implica sempre em uma relação assimétrica,
ou seja, há uma relação de poder em que alguém tem o poder
sobre o outro, que está submetido, subjugado. Há sempre um
prejuízo – físico, psíquico, social – para a vítima da violência.

Sendo assim, podemos entender que é de extrema e urgente


importância a discussão sobre esta temática, visto que o aparecimento desse
fenômeno aumenta a cada dia, tornando-se algo frequente e parte de nossa
sociedade. Porém não deve ser considerado algo normal, tampouco natural,
quando se pensa nos inúmeros e horrendos casos de agressão física, verbal,
moral, psicológica, homicídios, feminicídios e suicídios.
Dito isso, o presente trabalho tem por sumo objetivo explorar a violência
sob o olhar da Psicologia Social, pontuando as suas expressões,
determinantes e prejuízos, além de caracterizar as suas inúmeras faces. Por
último, serão abordados alguns dos dados estatísticos mais relevantes sobre a
violência no atual contexto sociocultural.
6

2. O QUE É VIOLÊNCIA
Falar de violência é um tema totalmente complexo, a abordagem dela se
dá em vários níveis e com visões diferentes, que podem ter amplos sentidos,
elementos e posições teóricas, portanto uma área de estudo não é suficiente
para tratar desse tema, essa problemática. As suas múltiplas formas referem-
se aos tipos de manifestações decorrentes dos comportamentos dos indivíduos
e suas relações em seus meio sociais, que estão presentes em todo o mundo.
A violência se abrange desde as ideologias políticas explícitas como o
terrorismo, até as formas mais sutis e silenciosas, mas não menos presentes e
que fazem estragos enormes. Não é possível falar de violência como um dado
ou coisa qualquer.
A violência pode ser algo que ocorre naturalmente, ou seja, do qual
ninguém está livre e que pode ocorrer a qualquer momento, em qualquer lugar,
sem que alguém se dê conta. Ou ela pode ser também “artificial”, quando
ocorre pelo excesso de força de uns sobre os outros.
A origem do termo violência, do latim violentia, expressa o ato de violar a
si próprio e também a outrem. No entanto, temos uma menção do termo como
sendo algo fora da nossa realidade, conforme descreve Jayme Paviani (2016)
Além disso, o termo parece indicar algo fora do estado natural,
algo ligado à força, ao ímpeto, ao comportamento deliberado
que produz danos físicos tais como: ferimentos, tortura, morte
ou danos psíquicos, que produz humilhações, ameaças,
ofensas. Dito de modo mais filosófico, a prática da violência
expressa atos contrários à liberdade e à vontade de alguém e
reside nisso sua dimensão moral e ética.

Alguns estudiosos conceituam a violência como um sintoma de mal estar


na sociedade, ou como maus-tratos verbais, psicológicos, emocionais, físicos,
estimulando intolerâncias, havendo preconceitos aliados a práticas repressivas,
que acabam por desenvolver certo medo social e insegurança coletiva.
Quando falamos da conceituação da violência devemos considerar a
diferença entre conflitos e agressões, sendo que os maus-tratos acabam por
ser uma estratégia de resolução de problemas que trazem muitos danos aos
envolvidos e também à sociedade. A Organização Mundial da Saúde (OMS)
7

considera que há relação clara entre a intenção do indivíduo que apresenta ou


se envolve num comportamento violento e ato de ação praticada.
A violência é compreendida como um problema de saúde e política
públicas, conforme pode ser definido por Minayo (1998): “Qualquer ação
intencional, perpetrada por indivíduo, grupo, instituição, classes ou nações,
dirigida a outrem, que cause prejuízos, danos físicos, sociais, psicológicos e
(ou) espirituais”. Já para Santos (1996)
A violência configura-se como um dispositivo de controle aberto
e contínuo, ou seja, a relação social caracterizada pelo uso real
ou virtual da coerção, que impede o reconhecimento do outro,
pessoa, classe, gênero ou raça, mediante o uso da força ou da
coerção, provocando algum tipo de dano, configurando o
oposto das possibilidades da sociedade democrática
contemporânea.

Segundo, ainda, a visão do psicanalista Jurandir Freire Costa (apud Bock,


Teixeira e Furtado, 2001, p. 439)
A violência é aquela situação na qual o indivíduo foi submetido
a uma coerção e a um desprazer absolutamente desnecessário
ao crescimento, desenvolvimento e manutenção de seu bem-
estar físico, psíquico e social.

Podemos identificar que existem várias teorias para a compreensão


desse fenômeno da violência conforme citado pelos autores, mas é importante
refletir que a violência e suas formas são como um centro gerador de danos
para todos, para várias áreas, para a sociedade, para a nação, para o planeta
de forma geral. Existem várias problemáticas, sendo que a falta de
entendimento no convívio social é a primeira delas, inclusive comparando o
indivíduo humano com um animal, visto que, pela a busca do bem estar
próprio, fere a outrem e modifica toda a estrutura de uma sociedade, causando
preconceitos, desordens, tirando o direito de escolhas e sobrevivência. Criam-
se ideologias de todas as formas, sem mesmo notar que todos têm o mesmo
direito de ir e vir, e acima de tudo de viver. Essa questão será somente política,
ou somente da saúde pública, ou ainda do próprio ser humano?
Podemos entender que a violência é uma criação humana. Observando
a História desde os períodos antigos, os homens já se confrontavam com
8

rivalidade por busca de poder político e religioso, e que nos dias atuais com
conceitos mais renovados vivemos no nosso dia a dia a violência em todos os
lugares. O que de fato sabemos é que ela existe e é uma questão que precisa
ser analisada com certo cuidado e atenção por vários órgãos envolvidos, pela
sociedade de forma geral e pelas ciências sociais políticas. Por tal motivo, esse
tema já é abordado por várias áreas como a Antropologia, Filosofia, Psicologia,
Psicanálise, Teologia, pelo Direito e pela Biologia, e todas elas procuram
buscar a totalidade desse assunto. No entanto, é importante refletir sobre a
seguinte questão: será que um dia conseguiremos sanar todos os problemas
relacionados à violência? Será que a humanidade conseguirá viver em
harmonia e com respeito uns aos outros, suas ideias, escolhas políticas,
religiosas, sexuais e, sobretudo, seu direito de viver?

2.1 Formas de violência


A conceituação da violência é uma temática tão ampla que se há uma
dificuldade de abranger a classificação de todas as suas formas, essa
classificação depende de determinados critérios escolhidos, das evidências
empíricas, da forma de combatê-la, e de demais modalidades. A tipologia pode
ser útil para conseguirmos analisar as suas modalidades.
Conforme Jayme Paviani (2016), entre as formas de violência, é possível
mencionar a violência provocada e a gratuita, a real e a simbólica, a
sistemática e a não sistemática, a objetiva e a subjetiva, a legitimada, a
permanente e a transitória. A enumeração dessas formas é atualmente
problemática. Na realidade, essa relação apenas tem um objetivo didático, isto
é, a possibilidade de ver melhor o fenômeno. Assim, temos a guerra, a
revolução, o terrorismo, o genocídio, o assassinato, o crime organizado, a
violência urbana, a violência contra a criança, contra o adolescente, contra a
mulher; o estupro, o assédio sexual, o bullying, o vandalismo. Também
podemos acrescentar a corrupção como forma de violência e seus derivados
como nepotismo, propina, extorsão, tráfico de influência e outras modalidades.
Existem também formas classificadas como violência estrutural e
violência institucional, sendo a primeira que diz respeito às mais diferentes
formas de manutenção das desigualdades sociais, culturais, de gênero, etárias
e étnicas que produzem a miséria, a fome, as várias formas de submissão e
exploração de umas pessoas pelas outras. E a segunda abrange as
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instituições, sobretudo por meio de suas regras, normas de funcionamento e


relações burocráticas e políticas, reproduzindo as estruturas sociais injustas,
causadoras de revoltas e insatisfação.
Dessa forma, serão descritas algumas das formas de violência mais
mencionadas em nossa sociedade nos dias atuais:
 Violência física – ação ou omissão que coloque em risco ou cause
danos à integridade física de uma pessoa;
 Violência intrafamiliar – acontece dentro de casa ou unidade
doméstica e geralmente é praticada por um membro da família que viva com a
vítima. As agressões domésticas incluem abuso físico, sexual e psicológico, a
negligência e o abandono;
 Violência moral – ação destinada a caluniar, difamar ou injuriar a
honra ou a reputação da outrem;
 Violência patrimonial – ato de violência que implique dano, perda,
subtração, destruição ou retenção de objetos, documentos pessoais, bens e
valores;
 Violência psicológica – ação ou omissão destinada a degradar ou
controlar as ações, comportamentos, crenças e decisões de outra pessoa por
meio de intimidação, manipulação, ameaça direta ou indireta, humilhação,
isolamento ou qualquer outra conduta que implique prejuízo à saúde
psicológica, à autodeterminação ou ao desenvolvimento pessoal;
 Violência sexual – ação que obriga uma pessoa a manter contato
sexual, físico ou verbal, ou a participar de outras relações sexuais com uso da
força, intimidação, coerção, chantagem, suborno, manipulação, ameaça ou
qualquer outro mecanismo que anule ou limite a vontade pessoal. Considera-se
como violência sexual também o fato de o agressor obrigar a vítima a realizar
alguns desses atos com terceiros.
Diante de todas essas manifestações, pode-se inferir que o fenômeno
social da violência causa impactos imensuráveis e danosos na vida dos
indivíduos, trazendo um caos para toda a sociedade. Fato este perceptível nos
grandes centros urbanos, que têm sido palcos de constantes cenas de
violência, das quais a maioria da população já participou como atores-vítimas
ou atores-espectadores. Tal realidade acarreta uma postura de incômoda
desconfiança, medo e insegurança nas pessoas.
10

Por último, pode-se trazer o pensamento de Bock, Teixeira e Furtado


(2019) de que as diferentes formas de violência que constituem o tecido social
produzem sua naturalização, e um efeito disso que também se caracteriza
como outra expressão dela é a indiferença frente ao sofrimento. Essa
indiferença retira do outro seu estatuto de humanidade.
No entanto, deve-se mencionar, ainda, que é necessário o estudo da
agressividade, seguido da transgressão e indisciplina, para melhor
compreensão das formas de violência, já que a agressão está relacionada com
as atividades de imaginação, de pensamentos, de ações verbais e não verbais,
e também pode se manifestar pela ironia e pela omissão de ajuda. Ou seja, a
agressividade não se caracteriza exclusivamente pela humilhação,
constrangimento ou destruição do outro, isto é, pela ação verbal e física no
mundo. Em uma visão diferente, Bock, Teixeira e Furtado falam que o aspecto
destrutivo da agressividade é o causador da violência:
A agressividade é um aspecto positivo na constituição do
sujeito e a destrutividade é um dos seus referentes, ou seja,
que a violência se ancora na agressividade, ou melhor, no
aspecto destrutivo da agressividade (2019).

Por sua vez, a transgressão é o fato da violação causada pelo não


cumprimento das regras instituídas pelos grupos na sociedade, o que é visto
como falta de respeito. Considerando que a indisciplina é um exemplo da
transgressão, ela está associada à violência ou à tendência ao comportamento
violento.
Pode-se dizer que as teorias são necessárias para o entendimento, para
análise, descrição e interpretação dos fenômenos da violência. Elas podem ser
científicas, que são inúmeras e mesmo dentro de uma única área de
conhecimento podem surgir diferentes teorias, que podem se identificar
também como teorias sociológicas, filosóficas, psicológicas, psicanalíticas,
biológicas, jurídicas entre outras. E Jayme Paviani (2016) menciona ainda que
“há as teorias psicofísicas que afirmam que substâncias químicas ou elementos
psicológicos, drogas, punições, ódio, stress estão na origem da violência”.
Nesse campo, dezenas de teorias específicas podem descrever e analisar a
origem e as situações de violência.
11

Para Freud, a violência é inerente ao ser humano, ela é necessária na


medida em que o instinto de agressividade, de morte, está em equilíbrio com o
instinto de vida, para assegurar a preservação do indivíduo e da espécie.
Hanna Arendt (1985) diz que a “indiferença é a forma de violência mais
cruel, porque tira do outro o estatuto da humanidade”.
As diversas formas de violência aplicam-se ao comportamento, das
estruturas organizadas e institucionalizadas da família, como aos sistemas
políticos que conduzem opressão de grupos, classes, nações e indivíduos, as
quais são negadas conquistas da sociedade, tornando-as mais vulneráveis que
outros ao sofrimento e à morte.

2.2 Determinantes de violência


A violência abrange todos os atos de violação dos direitos: civis
(liberdade, privacidade, proteção igualitária), sociais (saúde, educação,
segurança, habitação), econômicos (emprego e salário), culturais
(manifestação da própria cultura) e políticos (participação política, voto).
São muitos os fatores que determinam a violência e não existe um fator
único que possa definir todos os fatores.

2.2.1 A desigualdade social


Chamada também de desigualdade econômica, é um problema social
presente em todos os países do mundo. Ela decorre, principalmente, da má
distribuição de renda e da falta de investimento na área social, como educação
e saúde. Desta maneira, a maioria da população fica a mercê de uma minoria
que detém os recursos, o que gera as desigualdades. A desigualdade social
traz fome, desnutrição, mortalidade infantil, aumento das taxas de desemprego,
marginalização de parte da sociedade, atraso no progresso da economia do
país, aumento dos índices de violência e criminalidade.
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Figura 1 – Desigualdade social: do lado


esquerdo vemos parte da Favela de
Paraisópolis, em São Paulo, e do lado direito
um dos vários condomínios de luxo da região
do Morumbi.

Fonte: Fernandes (2019)

2.2.2 Naturalização da violência


Em todas as mídias assistimos ao crescimento da violência entre jovens,
marcadamente entre os rapazes, fenômeno visível infelizmente nas escolas
atualmente, pois envolve não apenas as rixas entre eles mesmos, mas também
contra as garotas (aos poucos igualmente incrementando suas desavenças) e
inclusive professores. Isso abrange todas as classes sociais, e nos referimos à
verdadeira banalização da violência nas várias esferas das relações
comunitárias, que aparentemente subsidiam uma “naturalização”, ou seja,
representações que legitimam tais comportamentos, com o individualismo,
consumismo e uma verdadeira competição sobre quem é mais forte ou
descolado, que promovem enfraquecimento do respeito pelo outro.
A naturalização da violência permeia toda a sociedade, extrapolando
classes sociais, etárias e etnias e está associada à própria construção de
identidade.

2.2.3 Insegurança coletiva e o medo social


O aumento da insegurança cidadã não somente reflete os problemas de
desintegração social, mas também reforça essa desintegração: enfraquece
laços e sentimentos de pertença à comunidade ou à sociedade e debilita
também as normas de confiança e reciprocidade próprias de uma cultura cívica
(Hopenhayn, 2002, apud Rosa et al, 2012).
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Como a violência geralmente está associada à ação dos que vem de


fora – os outros, os estrangeiros (Zaluar et al, 1994, apud Rosa et al, 2012) –,
os sentimentos de medo e insegurança que dela decorrem alimentam. Como
por exemplo, a insegurança da sociedade frente aos migrantes que podem
disputar vagas no mercado de trabalho, ocupar um espaço que acreditam ser
único e exclusivo dos habitantes do país. Com isso, favorece-se o
fortalecimento de preconceito em relação aos grupos sociais, formando uma
mentalidade repressiva que justifica a prática de violência.

2.2.4 Certeza da impunidade


A certeza da impunidade leva ao aumento da criminalidade, ninguém
duvida e é a maior causa da insegurança pública na qual vivemos. Impunidade
que resulta da extrema complacência de nossa lei penal, que em diversos de
seus dispositivos favorece os autores de ilícitos, de sorte a nos obrigar a
permanecermos presos em condomínios fechados, com muros altos e cercas
elétricas, para que os delinquentes permaneçam soltos nas ruas da cidade,
fazendo o que bem entendem, e com isso trazendo como estímulo a prática da
violência.

2.2.5 Consumismo
É a compulsão que leva as pessoas a comprar, de forma ilimitada e sem
necessidade, bens, mercadorias e/ou serviços. Elas se deixam influenciar
excessivamente pela mídia, o que é comum em um sistema dominado pelas
preocupações de ordem material, na qual os apelos do capitalismo cavam
fundo na mente humana. Elas atuam muitas vezes movidas por distúrbios
emocionais e psicológicos, ou por motivações socioeconômicas, como uma
espécie de compensação pela frieza do convívio social, pela carência
financeira, por uma autoestima deteriorada, e por tantas outras razões. O
resultado dessa atitude impulsiva é geralmente o endividamento crescente,
então o indivíduo assume uma sobrecarga de trabalho, na tentativa de eliminar
as dívidas, consequentemente é submetido a um regime de exploração no
trabalho, novamente se vê emocionalmente frágil e se torna propenso de novo
ao consumismo feroz.

2.2.6 Tráfico internacional de drogas e armas


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Essa atividade é um fenômeno que já nos acompanha há certo tempo.


Desde o início dos anos 80 presenciamos a escalada de crimes relacionados à
comercialização clandestina da droga e armas, além do consumo desenfreado
e da verdadeira economia paralela que o tráfico foi capaz de gerar neste tempo
todo.
Turnos de 8 a 15 horas de trabalho, incluindo horário noturno. Salários
compostos por comissão em relação às mercadorias vendidas. Exposição à
violência policial e ao crime. Essas são algumas das características do trabalho
no tráfico a que estão expostos de adolescentes no mundo. E a cada dia mais
crianças e adolescentes são envolvidos nesse mercado, violando os direitos da
infância.

2.3 Prejuízos causados pela violência


O fenômeno da violência sempre deixa marcas profundas. Suas formas
no ato violento têm um efeito não apenas no indivíduo, mas atingem o corpo
através de lesões ou provocam sintomas psicológicos, psicossomático e
também irrompem prejuízos coletivos.
A repercussão e a reprodução da violência retroalimentam o seu ciclo, o
indivíduo não é o único a ser lesado ou violentado, esses atos causam também
transtornos sociais que atingem famílias, comunidade, toda a sociedade e até
mesmo toda uma nação.
Os prejuízos causados pelas situações adversas da violência são
diversos e podem ser humanos, materiais, ecológicos, entre outros.
Desencadeiam várias respostas, que podem ser adaptativas (ou seja, que
permitem ao organismo adaptar-se ou conformar-se) ou aquelas que pode
expor a riscos maiores. O determinante referente ao comportamento que será o
grau de vulnerabilidade do sujeito perante os eventos.
Alguns estudos apontam as consequências danosa das relações e atos
violentos, ou das omissões, mesmo quando são fatais, geram muitos danos a
saúde, causam traumas, sequelas, incapacidade temporária ou permanente,
provocam sofrimentos físicos e emocionais, frequentemente associados,
levando à necessidade de atendimento médico. Esses atos também afetam o
rendimento escolar, profissional, adaptação social, alterações na saúde mental
e a possibilidade de desenvolverem distúrbios psicológicos e a alterações
comportamentais e até mesmo suicídios.
15

Adolescentes e crianças são bem mais vulneráveis, há consequências


deletérias para seu desenvolvimento físico, neurológico, intelectual e
emocional, causado pela vitimização, comprometendo seu futuro como pessoa
e cidadão, que acabam por si gerando traumas e alterando todo o curso do
desenvolvimento. Bock, Teixeira e Furtado colocam que
É importante considerar que no caso do agressor, o agente da
violência (uma pessoa, grupo, setor da população ou país), sua
ação também revela um prejuízo, é algo grave que ocorre no
tecido social do indivíduo. (2019).

Isso significa que as consequências danosas não são somente na


individualidade de cada ser, mas que podem ocorrer em todas as áreas e
afetam a vida de todos de uma forma ampla.
Temos também a violência que gera os danos ambientais. Gustavo Lima
(2010) em seu artigo “violência e meio ambiente” menciona sobre a
agressividade destrutiva dos seres humanos e sues reflexos sintomáticos no
meio ambiente e no meio social:
É clara nessa escalada de destrutividade a ação agressiva
humana, manifesta em diversas formas de impactos
socioambientais. O desmatamento, o desaparecimento de
espécies vegetais e animais, a contaminação das águas, do ar
e dos solos, a desertificação territorial, as mudanças no
equilíbrio climático, as guerras, a exploração neocolonial, a
violência urbana, a miséria e a opulência crônicas, o excesso e
escassez de consumo, o desemprego estrutural, a dominação
racial e de gênero, as múltiplas formas de exploração entre
seres humanos e não‐humanos são sintomas de situações
conflituosas e degradantes que permeiam a vida dos indivíduos
e sociedades contemporaneamente. 

É necessário que a situação de violência enunciada seja acolhida, qualificada e


tratada com respeito, ética e sigilo. Sendo a violência um problema com sérias
consequências para a saúde, ela é uma situação que extrapola esta esfera e
continua sendo uma situação de vida, com toda a complexidade que isto
implica.
16

3. AS FACES DA VIOLÊNCIA
O termo "violência" está em constante ligação com certos ocorridos. Por
exemplo: guerras, o preconceito, a intolerância, entre outras causas. A
Psicologia enxerga a violência como um "aspecto sombrio da produção
humana". Portanto, para a Psicologia é necessária a compreensão do sujeito e
ao que levou o mesmo a cometer tais atos.
Dessa forma, as principais faces da violência sob o olhar da Psicologia
Social serão detalhadas a seguir.

3.1 Preconceito
Primeiramente precisamos entender o conceito da palavra que consiste
em duas partes diferentes: pré, que dá a ideia de anterior, primeira; e conceito
que significa aquilo que se entende ou que se compreende sobre algo. É uma
expressão que estimula a repreensão de um indivíduo ou grupos para com
outro indivíduo ou outros grupos. O preconceito e a rejeição andam juntos na
formação de uma opinião precipitada sobre religião, política, etnias, orientações
sexuais e de gênero.

3.2 Violência doméstica

É um tipo de violência que segue um padrão, visto que muitas vezes


ocorre no ambiente domiciliar e entre cônjuges, muito conhecido por casos de
violência contra a mulher, crianças e idosos, mas também existem casos
causados contra homens.
 Mulheres: é muito comum acontecer pelo fato da mulher estar
envolvida em um relacionamento no qual o seu cônjuge não confia plenamente
ou pelo simples fato de já conviver com um relacionamento abusivo e não ver
condições de sair, em muitos casos esse tipo de violência resulta na morte da
mulher.
 Crianças: com crianças pode-se dizer que existem dois tipos de
violência, a doméstica e o abuso infantil. No caso da violência doméstica, na
maioria das vezes os pais ou responsáveis acreditam que o abuso é aceitável e
justificável, pois entende-se que eles passaram por algo semelhante e
sobreviveram.
17

 Idosos: já com idosos em sua grande maioria esse tipo de violência


ocorre por pessoas que estão ligadas diretamente aos idosos – filhos, netos,
genros, noras. Pode-se dizer que os tipos de violência mais comuns exercidos
são os de agressões físicas e psicológicas.

3.3 Violência no trânsito


Com certa frequência é possível notar o costume de pessoas no trânsito
contestando e/ou julgando atitudes alheias e não se atentando para a sua
própria. Pode-se dizer que temos alguns tipos de reações mediante a mesma
situação. Um exemplo é quando outro motorista comete delitos e um indivíduo
apresenta comportamento violento ao reagir a tal situação.
Hoje a violência no trânsito é considerada a 3° maior causa de morte no
mundo. Muitas pessoas morrem por não respeitarem as sinalizações no
trânsito, por não fazerem as manutenções necessárias em seus veículos e
também por falta de sinalizações em algumas vias. Vale ressaltar que nesse
tipo de violência existe também a embriaguez, que, sobretudo entre os jovens,
apresenta grande proporção. Uma tentativa de diminuir esses dados foi a
criação da Lei seca 11.705/2008, porém a violência no trânsito ainda está muito
presente em nossa sociedade.

3.4 Violência urbana


Existem dados que apontam o aumento da violência urbana em alguns
setores da sociedade. As zonas urbanas entram em conflito por desigualdade
social, tráfico de drogas, aumento de imigrantes no país e circulação de armas
de fogo.
 Desigualdade social: quando falamos de desigualdade social,
estamos tratando de um assunto bem delicado para a sociedade no âmbito de
violência urbana, afinal os homicídios concentram-se em áreas mais pobres e
atingem muito mais a população carente. Pode-se também observar que
juntamente com isso vem a descriminação das áreas nobres referente às áreas
mais carentes, pela diferença de renda.
 Tráfico de Drogas: o tráfico de drogas de acordo com o Fórum
Brasileiro de Segurança Pública é um dos grandes responsáveis pelo aumento
da violência urbana com a disputa entre facções. Podemos dizer que com essa
briga por território cada vez mais as facções têm recrutado menores para
18

ingressarem a sua vida no crime, isso ocorre por conta da condição financeira
desses menores, além da existência de uma fragilidade familiar, que acarreta
no fenômeno chamado de “delinquência juvenil”.
 Aumento de imigrantes no país: a entrada de muitos imigrantes em
nosso país também tem sido um dos fatores preponderantes para o aumento
da violência urbana, afinal esse aumento demanda em uma explosão
populacional que vem acompanhada do aumento da violência. Um exemplo
disso é o que ocorre no estado do Pará, que por conta da construção de uma
usina teve um aumento populacional em um curto espaço de tempo, sem que o
estado e suas cidades pudessem se preparar para o aumento de demanda,
resultando num elevado índice de violência a nível nacional.

3.4.1 A Criminologia e o menor infrator


A Criminologia é uma ciência plural, ou seja, envolve a biologia, a
psicologia e sociologia para avaliar o homem criminoso e a criminalidade,
utilizando-se de fatores exógenos (externos) e endógenos (internos) para
chegar à formação do caráter de tal indivíduo.
Visto isso, algumas questões devem ser levantadas: é possível explicar
todas as causas que levam ao delito e à violência? O Direito Penal Brasileiro
em seu caráter coercitivo tem as formas necessárias para prevenir e controlar o
fenômeno da criminalidade na sociedade? A criminalidade é inerente ao ser
humano?
O problema da violência não surgiu do dia pra noite, esta problemática
assola o mundo há séculos, independente de medidas preventivas que sejam
aplicadas com o passar do tempo. O ser humano sofre influência do meio em
que vive, seja criança, adolescente ou adulto, além do ciclo familiar, o meio
forma a personalidade e caráter, definindo a forma de pensar e de se relacionar
com as pessoas. Dessa forma, a carga biológica inerente a cada um não é um
fator predominante para incidência em comportamentos antissociais, há todo
um conjunto que propicia as ações.
Para se entender o contexto social em que o menor está inserido, faz-se
necessário analisar esta ciência humana que é a criminologia, pois envolve
diversos fatores. O aumento do ingresso de crianças no mundo do crime é
assustador, visto que as periferias de grandes e pequenas cidades têm um alto
19

índice de marginalidade, pois ainda faltam condições dignas e decentes de vida


para grande parte da população.
A criança e o adolescente que se encontram à margem da sociedade,
têm uma realidade diferente das demais em outros ambientes ou que
possamos acompanhar pelas redes sociais, não entendem o porquê de
viverem naquela situação, qual a razão de não possuírem as mesmas
oportunidades, o motivo de terem a família desestruturada. Buscam meios de
conseguir as mesmas oportunidades e acesso a bens de consumo e assim,
acabam enveredando pelo mundo do crime, para dessa forma ganhar dinheiro
e poder comprar os bens de consumo tão sonhados e reforçados pela
sociedade. Nada justifica o cometimento de um crime, mas aqui podemos ver
que há um gatilho para a prática do delito, a saber, o infortúnio é o gerador, a
razão de viverem essa realidade. Acreditam que é o comum, o normal, que só
dessa forma poderão crescer na vida. Assim, vemos que são os mais diversos
fatores criminógenos que produzem um delinquente, um caráter mal formado.
Pesquisas recentes mostram que a incidência da marginalidade em
pessoas que sofreram algum tipo de violência familiar é de 5 para 1, ou seja,
cinco vezes mais do que aqueles que tiveram infância e adolescência
consideradas normais.
Pode-se dizer que sempre haverá reprodução da violência sofrida? Não
necessariamente, mas a falta de oportunidade, a exclusão e as más condições
direcionam este indivíduo desde cedo a produzir seu próprio sustento, o desvia
para o mundo do crime, talvez iniciando por pequenos furtos, seguido de roubo,
tráfico e homicídios, tornando a situação cada vez mais crítica.
No período de formação de caráter, sabemos que as crianças costumam
se espelhar nas pessoas de seu convívio. A família, hoje, está bastante
degradada, e a cada dia vemos notícias de abuso familiar, maus tratos,
diversas formas de violência, alcoolismo e uso de drogas no lar. Esse tipo de
atitude propicia relações tumultuadas e é o gatilho para o cometimento de
delitos.
A sociedade influencia o indivíduo de acordo com suas necessidades e
exigências. Essa dicotomia entre eles é e sempre foi fundamental para o
processo de civilização, por buscar melhores condições de vida, todo indivíduo
tenta ir se adequando às novas exigências e se deixa influenciar por diversas
situações, às vezes procurando vantagens para si e tendo uma postura
20

egoísta. Para o antropólogo Ralph Linton, por exemplo, a sociedade é a


unidade principal, aquela onde os seres humanos vivem como membros de
grupos mais ou menos organizados, e não o indivíduo. Com isso vemos que o
ser humano passou a ser apenas um objeto e a sociedade a determinadora de
suas ações.
Portanto vemos que a grande influência da sociedade exercida sobre o
indivíduo torna-se cada vez mais relevante, dando-se através dos diversos
canais de televisão e das redes sociais, esta última como a maior
determinadora de consumismos e propagadora de tendências.

3.5 Violência psicológica


Formas de danos emocionais, afetando a autoestima e o
desenvolvimento social do indivíduo. Causa medo, dependência emocional e
outros sintomas. O bullying é um dos exemplos mais referentes neste quesito,
pois é uma relação de desigual poder onde o agente exerce autoridade sobre a
vítima, causando sobre ela danos emocionais e não danos físicos. Esse tipo de
violência faz com que a vítima em muitos casos precise de tratamento
psicológico para superar o trauma causado. Os casos mais comuns de
violência psicológica ocorrem na escola (bullying), contra a mulher
(relacionamento abusivo) e no trabalho.
Existe uma lei federal que define violência psicológica como crime de
tortura, a Lei 9.455/97, com pena prevista de reclusão de dois a oito anos, que
prevê que quem constrange alguém a prestar informação ou declaração, sob
ameaça ou violência, que resulte em um sofrimento físico ou mental, comete
crime de tortura. É importante ressaltar que essa lei não fica restringida apenas
para agressões que podem causar danos físicos, mas abrange também a
violência que pode causar sofrimento mental ou psicológico.

3.6 Suicídio
O suicídio pode ser considerado a maior das violências, pois é cometida
pela própria vítima contra ela mesma. Além disso, na maioria dos casos a
vítima já carrega um histórico considerável de violência psicológica, física,
sexual ou um conjunto dessas. A permanência constante dessas agressões e o
não tratamento psicológico desse indivíduo pode acarretar uma série de
patologias, aumentando a chance do suicídio.
21

De alguns anos para cá, o mês de Setembro tem sido dedicado à


conscientização contra o suicídio, porém muitos comemoram e falam sobre o
assunto sem saber do que se trata. Em 1994, um adolescente chamado Mike
Emme cometeu suicídio nos Estados Unidos, um jovem de personalidade
amorosa simplesmente abriu mão da vida, sua paixão era o seu carro, um
Mustang que ele mesmo reformou e pintou de amarelo, rodeado de amigos e
de sua família, mas ninguém percebeu ou notou sinais de que ele pretendia
cometer tal ato.
Em seu funeral seus amigos montaram uma cesta de cartões e fitas
amarelas com a mensagem “se precisar, peça ajuda” e desde então teve início
um grande movimento em prol da vida. Diversos jovens abraçaram essa causa
e a fita foi escolhida como símbolo de um programa de ajuda a pensamentos
suicidas. Em 2003, a OMS (Organização Mundial da Saúde) instituiu o dia 10
de Setembro como o Dia Mundial da Prevenção do Suicídio e a cor amarelo foi
escolhida para representar esse evento.
No Brasil, essa data chegou no ano de 2015 através de um projeto do
CVV (Centro de Valorização à Vida), em parceria com o CFM (Conselho
Federal de Medicina) e o ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria), com o
objetivo de trazer para a sociedade um tema que durante muito tempo era
desapercebido em nosso meio. Afinal, o suicídio não escolhe classe, cor,
condição social ou religião, mas está presente em toda a sociedade e pode
apresentar comportamentos comuns em determinadas circunstâncias como
perdas pessoais, traumas, abuso físico ou sexual, abuso mental, perturbações
mentais como depressão ou esquizofrenia, entre outros.
É importante ressaltar que quando falamos em prevenir tais atos, a
atenção em alguns fatores pode ajudar a identificar aspectos que podem levar
um indivíduo a cometer suicídio, como falar sobre o desejo de se suicidar (isso
não é chamar atenção), distúrbio de sono, mau humor, irritabilidade, criar
método estipulado (tudo em sua hora e lugar), assistir filmes e/ou ler livros
sobre morte regularmente e desconfiança excessiva. Tudo isso pode ser um
indicativo de alguém que pretende cometer suicídio.
A abordagem psicológica foca na prevenção da saúde mental, porque ao
invés de uma verdadeira intenção de morrer, a tentativa do suicídio é muita das
vezes como um grito de socorro, como alguém que já não enxerga mais
nenhuma saída, como um desejo de fuga. A maioria das pessoas que tentam e
22

não conseguem de primeira sempre vão buscar em outro momento uma nova
oportunidade. Atualmente no Brasil, o CVV disponibiliza uma linha telefônica
24hs para aqueles que passam por qualquer desejo assim para que liguem e
obtenham ajuda, estão 24hs por dia com os ouvidos e olhos atentos a todo e
qualquer contato referente ao suicídio.

4. A VIOLÊNCIA EM NÚMEROS
4.1 Homicídios e feminicídios
Toda violência traz danos, seja ela física, psicológica, moral, patrimonial
ou sexual, e dentre todas as violências citadas anteriormente, há uma que vem
se destacando nos últimos anos, ganhando destaque em noticiários, jornais e
até nos assuntos cotidianos: a violência contra a mulher. Em uma matéria
escrita por Barbara Câmara (2020), sobre uma pesquisa feita em 2019 no
Nudem (Núcleo de Enfrentamento à Violência contra a Mulher), localizado no
Ceará, de 573 mulheres, 562 relataram passar/ter passado por algum tipo de
violência. O resultado mostrou que a violência psicológica é mais frequente,
estando a física em segundo lugar (relatada por 414 mulheres).
A maior parte dessas vítimas de agressão física também sofre
violência psicológica, mas não percebe. Só quando estão no
atendimento, em que a psicóloga ou assistente social pergunta
se ela sofre algum tipo de ameaça, se foi humilhada ou teve
seus hábitos controlados, aí elas vão percebendo o que
sofreram (Jeritza Braga, defensora pública, supervisora do
Nudem, 2020).

Sobre violência doméstica, em 1995 o Ministério da Saúde mostrou que


10% das vitimas de homicídios eram crianças de 0 a 9 anos ou mulheres com
mais de 10 anos de idade. Na década de 1985-1995 esse número cresceu para
65% e 88%, e em 2013, o Brasil estava em 5° lugar no ranking como o país
onde mais se matam mulheres:
Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), em
2013 o Brasil já ocupava o 5º lugar, num ranking de 83 países
onde mais se matam mulheres. São 4,8 homicídios por 100 mil
mulheres, em que quase 30% dos crimes ocorrem nos
domicílios. Além disso, uma pesquisa do Data Senado (2013)
revelou que 1 em cada 5 brasileiras assumiu que já foi vítima
23

de violência doméstica e familiar provocada por um homem. Os


resultados da Fundação Perseu Abramo, com base em estudo
realizado em 2010, também reforçam esses dados – para se
ter uma ideia, a cada 2 minutos 5 mulheres são violentamente
agredidas (Instituto Maria da Penha).

De acordo com os dados do Atlas da Violência (site de estatísticas


disponibilizado pelo Governo), em 2018 ocorreram 4.519 assassinatos de
mulheres (uma mulher assassinada a cada duas horas), 68% delas negras. Em
relação às vitimas jovens, tivemos 30.873 mortes, sendo 53,3% do total de
vitimas. É importante ressaltar o predomínio de vítimas negras. Pelas
pesquisas feitas pelo G1, cerca de 75% das mulheres assassinadas no
primeiro semestre deste ano no Brasil são negras, com os seguintes dados:
Dos 889 homicídios com a raça informada, 650 (73%) foram
cometidos contra mulheres negras; no caso dos feminicídios,
as mulheres negras representam 60% do total (198 dos 333
crimes em que a raça está disponível); já nos casos de lesão
corporal, as negras compõem 51% das vítimas em que a raça
é informada; o percentual das mulheres negras vítimas de
estupro é de 52% (1.814 de 3.472 registros) (Monitor da
Violência, G1, 2020).

A violência por questões raciais também está ganhando poder de


divulgação na mídia, recentemente mostrando protestos feitos contra o
racismo, dentro e fora do país, como o movimento mundial durante o período
de pandemia do vírus Covid-19 “Vidas negras importam”, protestando pela
morte do Americano George Floyd, nos Estados Unidos em 25 de maio de
2020 e o adolescente João Pedro Mattos Pinto, que morreu no dia 18 de maio
durante uma operação policial no Rio de Janeiro, casos de homicídios por
preconceito racial.
Assim como as mulheres negras estão em liderança como vitimas do
feminicídio, o Atlas da Violência também confirma a ocorrência de 57.956
homicídios no Brasil em 2018, com um total de 628.595 pessoas assassinadas
entre 2008 e 2018, sendo 91,8% homens com idade entre 15 e 19 anos
estando na liderança na porcentagem de homicídios (48,4%) e risco de ser
vítima por raça/cor é de 74% para homens negros. Com isso, no 75,7% dos
24

assassinatos foram de pessoas negras, levando uma taxa de 37,8% por 100
mil habitantes, enquanto entre os não negros a taxa foi de 13,9%. Entre os
Estados com taxa de homicídio mais elevadas, estão: Roraima (RR) 71,8%;
Ceará (CE) 54%; Pará (PA) 53,2%; Rio Grande do Norte (RN) 52,5%; Amapá
(AP) 51,4%. Os gráficos a seguir, de 2018, mostram a comparação de
homicídio crescente de homens e mulheres negros e não negros.

Figura 2 – Atlas da Violência 2020

Fonte: IBGE/Diretoria de Pesquisas. Coordenação de População e


Indicadores Sociais. Gerência de Estudos e Análises da Dinâmica
Demográfica e MS/SVS/CGIAE Sistema de Informações sobre
Mortalidade – SIM (2020).

Figura 3 - Atlas da Violência 2020

Fonte: IBGE/Diretoria de Pesquisas. Coordenação de População e


Indicadores Sociais. Gerência de Estudos e Análises da Dinâmica
Demográfica e MS/SVS/CGIAE Sistema de Informações sobre
Mortalidade – SIM (2020).
25

Figura 4 - Taxa de homicídio 2008-2018

Fonte: MS/SVS/CGIAE - Sistema de Informações sobre


Mortalidade – SI (2020).

Figura 5 - Taxa de homicídio de crianças e adolescentes

Fonte: IBGE/Diretoria de Pesquisas. Coordenação de População


e Indicadores Sociais. Gerência de Estudos e Análises da
Dinâmica Demográfica e MS/SVS/CGIAE Sistema de
Informações sobre Mortalidade – SIM (2020).
26

4.2 Violência no trânsito


Relatado pela Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina, no
site da Jusbrasil com fontes em World Health Organization, a violência no
trânsito é a terceira maior causa de mortes não apenas no Brasil, mas no
mundo, ficando atrás apenas das doenças cardíacas e câncer. Isso porque
70% dos jovens dirigem após beber. O álcool é um inibidor do sistema
nervoso central que impede estímulos e, consequentemente, reflexos ao
volante, além de mudar a resposta aos riscos. Acaba-se dirigindo mais rápido,
com menos cuidado. De todos os acidentes, há uma média de 50% causados
pelo uso do álcool. Por mais que o Ministério da Saúde tenha começado com
propagandas e o governo com novas regras de trânsito mais severas que as
anteriores, ainda temos uma porcentagem considerável: 15,1 mil motociclistas
morreram no Brasil em 2012. Este é o grupo que mais morre no trânsito.
O crescimento do número de mortes, principalmente de
homens (três quartos dos mortos são do sexo masculino) entre
20 e 39 anos de idade (62% dos mortos estão nessa faixa
etária), no auge de sua força produtiva, é muito superior ao de
motocicletas na frota nacional de veículos, que não é pequeno
(Senado.gov, 2012).

Dados do Artigo “As Múltiplas faces da violência no Brasil”, escrito por


Leonarda Musumeci IE/UFRJ, diz que o Distrito Federal detinha em 1995 o
maior índice de óbitos causados por acidentes de transporte (43 por cem mil
habitantes), seguido de Santa Catarina (37 por cem mil), Roraima (34) e
Paraná (32). Nesse mesmo ano, segundo dados do Departamento Nacional de
Trânsito, houve 255.537 acidentes com vítimas no país como um todo, 28%
dos quais atropelamentos e o restante colisões, choques, tombamentos e
capotagens; o número total de vítimas chegou a 346.623, sendo 7,4% fatais.
Em 1996, de acordo com dados do SEADE, houve só no estado de São Paulo
100.200 vítimas de acidentes de veículos, sendo 4,5% fatais.
27

Figura 6 - Violência no Trânsito

Fonte: As múltiplas faces da violência no Brasil IE/UFRJ


(2011).

4.3 Violência em relação a gênero e opção sexual


Apesar de pronúncias, debates e programas de conscientização sobre
ideologia de gênero, o preconceito ainda existe, e por mais que as taxas
estejam diminuindo ano após ano, os números continuam altos. Dados de
2015 e 2017 revelam que, a cada hora um LGBTQ+ sofre violência física no
Brasil, sendo 46% das vitimas transexuais ou travestis. De acordo com uma
pesquisa baseada nos dados do Sistema Único de Saúde (SUS), realizada
pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), secretarias de Atenção Primária em
Saúde e de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde,  Instituto Federal do
Rio Grande do Sul (IFRS) e pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul
(UFRGS), reportada por Alexandre Putti (2020), mostrando também que foram
notificadas 22 violências por dia durante o período prescrito.
No canal de denuncia “Disque 100”, os olhos são voltados para a
violência física, visto que, de acordo com a ONG Grupo Gay da Bahia (GGB),
juntamente com o site de informações Uol, a cada 16 horas uma pessoa
inserida no grupo LBGTQ+ é morta no Brasil. Com dados da CIDH (Comissão
Interamericana de Direitos Humanos), entre 2013 e 2014 foram registrados
28

aproximadamente 770 casos de violência contra pessoas LGBT na América


Latina, sendo 594 pessoas foram assassinadas.
Os gráficos abaixo comparam os dados dos anos de 2017 e 2018,
mostrando que os casos de violência psicológica são os mais frequentes,
seguindo com discriminação e violência física, até homicídio.

Figura 7 - Comparativo de denúncias 2017

Fonte: FGV (2018).

Figura 8 - Comparativo de denúncias 2018

Fonte: FGV (2018).


29

4.4 Violência psicológica em adolescentes


Considerada a mais difícil de ser detectada, tratando-se de jovens e
adolescentes, é comum que a violência psicológica esteja inserida ao ambiente
familiar e escolar, mesmo que sem intenção ou conhecimento dos familiares e
profissionais da educação. Partindo desse pressuposto, foi desenvolvido um
estudo na Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da USP durante
quatro meses, com 218 estudantes, com idades entre 14 e 18 anos do Ensino
Médio de uma escola pública de São Paulo, com intuito de investigar o grau de
exposição à violência, a relação dos mesmos com variáveis sociodemográficas
e identificaram a ocorrência de outros tipos de violência, buscando ter
informações sobre quem era o agressor e o contexto/local.
Com resultados em mãos, a pesquisa apontou que, 96,3% dos
estudantes sofreram violência psicológica, 34,9% violência física, 7,3% sexual
e 2,8% negligência. Mais de 90% dos adolescentes que sofreram violência
física, sexual e negligência sofreram também violência psicológica na
modalidade leve e moderada, mostrando que a violência psicológica está
presente em grande parte dos casos de violência. Para maiores informações
detalhadas, 94,5% dos alunos foram expostos à violência na sua forma leve e
moderada, 1,8% severa e apenas 3,7% dos adolescentes entrevistados
relataram nunca terem passado pela violência psicológica, de acordo com o
formato e processo de pesquisa.
30

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Por fim, pode-se concluir que a violência tem invadido todas as áreas da
vida humana, portanto é necessário deixar de considerar violência
exclusivamente como a prática de delitos criminosos. Muitas vezes caímos no
erro de rotular a violência, sem nos dar conta de que ela está inserida em
tantos outros contextos que não a criminalidade, e que, direta ou indiretamente,
nós mesmos fazemos parte desse fenômeno e dessas estatísticas.
Afinal, somos seres sociais e dependemos de nossas relações. A
agressividade não deixa de ser uma comunicação com o mundo externo, pelo
contrário, quase sempre é também um pedido de ajuda. Cabe a nós enxergar o
outro simplesmente como um ser humano, passível de erros, mas com todo o
direito de receber atenção, ajuda e amor. A propósito, talvez essa seja a
melhor maneira de se combater a violência.
A realização deste trabalho de pesquisa contribuiu demasiadamente
para cada um de nós. É indiscutível a riqueza de conhecimento agregada, a
associação de novas ideias e a amplitude da compreensão que temos sobre a
humanidade.
Reconhecemos e gratificamos a oportunidade de realizar o trabalho.
Esperamos, com este, contribuir para o conhecimento científico e para a
construção pessoal de cada um que será alcançado, assim como foi para nós
envolvidos.
Ademais, ressaltamos que a violência talvez nunca chegue a sua
ausência. Contudo, enquanto sociedade sempre teremos um refúgio, seja pela
manifestação da caridade, ou pela realização de atividades produtivas. Para o
filósofo Fernando Savater (apud Bock, Teixeira e Furtado, 2008)
Essa é a finalidade da ética – ter uma vida boa. E ter uma
vida boa implica considerar o mundo da natureza, dos objetos,
dos outros homens e o meu próprio corpo e o meu mundo
interno. Ter uma vida boa implica uma ética de
responsabilidade para com o mundo, os outros e eu mesmo;
uma ética de solidariedade com o outro próximo e com o outro
anônimo; uma ética da tolerância com a diferença e os
diferentes; uma ética que permita o compromisso radical com o
bem-estar do ser humano e uma crítica contundente a todas as
condições que retiram de homens e mulheres a sua dignidade.
31

6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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1985.

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no trânsito é a terceira maior causa de mortes no mundo. JusBrasil, 2012.
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BOCK, A. M. B.; TEIXEIRA, M. de L. T. & FURTADO, O. Psicologias. São


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