Você está na página 1de 15

CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

Por Eduardo Vinícius Campos Pereira

PRIMEIRA PARTE – A profissão de fé


-Primeira Sessão “Eu Creio” – “Nós Cremos”

CAPITULO I – O Homem é “capaz” de Deus


A fé é a resposta do homem a Deus que se revela e a ele se doa,
trazendo, ao mesmo tempo, uma luz superabundante ao homem em
busca do sentido ultimo de sua vida. (26)

O desejo de Deus está inscrito no coração do homem, visto que o


homem é criado por Deus e para Deus. Deus não cessa de atrair
o homem a si e somente em Deus o homem há de encontrar a
verdade e a felicidade que não cessa de procurar. (27)
Através da história podemos notar que existe no Homem um desejo de felicidade e de
eternidade, e esse desejo foi colocado por Deus para que pudéssemos ir a ele, esse
desejo nos ajuda na busca por Deus.
É possível que o homem chegue ao conhecimento de Deus pelo uso da razão, pois a
fé não se opõe a razão. O homem pode chegar ao conhecimento de Deus através de
duas vias: o mundo material e a pessoa humana.

O mundo: A partir do movimento e do devir, da contingência, da


ordem e da beleza do mundo, pode chegar-se ao conhecimento de
Deu: como origem e fim do universo. (32)

O homem: Com a sua abertura à verdade e à beleza, com o seu


sentido do bem moral, com a sua liberdade e a voz da sua
consciência, com a sua ânsia de infinito e de felicidade, o homem
interroga-se sobre a existência de Deus. Nestas aberturas, ele
detecta sinais da sua alma espiritual. «Gérmen de eternidade que
traz em si mesmo, irredutível à simples matéria» (10), a sua alma só
em Deus pode ter origem. (33)
A Santa Igreja atesta que Deus é o princípio e o fim de todas as coisas, e que através
da luz da razão o homem consegue chegar até o conhecimento de Deus. Algumas
pessoas se negam a essa prática, por medo, revolta contra o mal no mundo ou pelo
fato de terem que deixar suas práticas antigas e seguir os mandamentos de Deus, os
motivos podem ser variados. Mas mesmo que o homem não busque a Deus, este por
sua vez não deixa de busca-lo, pois ele é Amor.
Através da criação podemos ver certa semelhança de Deus em toda a criação,
contudo de forma mais perfeita no homem que é criado a imagem e semelhança do
Criador. «Porque a grandeza e a beleza das criaturas conduzem, por analogia, à
contemplação do seu Autor» (Sb 13, 5).

Resumindo:
44. O homem é, por natureza e vocação, um ser religioso. Vindo de Deus e
caminhando para Deus, o homem não vive uma vida plenamente humana
senão na medida em que livremente viver a sua relação com Deus.

45. O homem foi feito para viver em comunhão com Deus, em quem encontra
a sua felicidade: «Quando eu estiver todo em Ti, não mais haverá tristeza nem
angústia; inteiramente repleta de Ti, a minha vida será vida plena»(18).

46. Quando escuta a mensagem das criaturas e a voz da sua consciência, o


homem pode alcançar a certeza da existência de Deus, causa e fim de tudo.

47. A Igreja ensina que o Deus único e verdadeiro, nosso Criador e Senhor;
pode ser conhecido com certeza pelas suas obras, graças à luz natural da
razão humana (19).

48. Nós podemos realmente falar de Deus partindo das múltiplas perfeições
das criaturas, semelhanças de Deus infinitamente perfeito, ainda que a nossa
linguagem limitada não consiga esgotar o mistério.

49. «A criatura sem o Criador esvai-se» (20). Por isso, os crentes sentem-se
pressionados pelo amor de Cristo a levar a luz do Deus vivo aos que O
ignoram ou rejeitam.

CAPITULO II – Deus vem ao encontro do homem.


Por uma vontade absolutamente livre, Deus revela-Se e dá-Se ao
homem. E fá-lo revelando o seu mistério, o desígnio benevolente
que, desde toda a eternidade, estabeleceu em Cristo, em favor de
todos os homens. Revela plenamente o seu desígnio, enviando o
seu Filho bem-amado, nosso Senhor Jesus Cristo, e o Espírito
Santo. (50)

ARTIGO 1
A revelação de Deus

I. Deus Suum revelat « benevolum consilium »

51. «Aprouve a Deus, na sua sabedoria e bondade, revelar-Se a Si


mesmo e dar a conhecer o mistério da sua vontade, segundo o qual
os homens, por meio de Cristo, Verbo encarnado, têm acesso ao Pai
no Espírito Santo e se tomam participantes da natureza divina»
51 « Placuit Deo pro Sua bonitate et sapientia Seipsum revelare et
notum facere sacramentum voluntatis Suae, quo homines per
Christum, Verbum carnem factum, in Spiritu Sancto accessum
habent ad Patrem et divinae naturae consortes efficiuntur ».22

Deus se revela gradualmente aos homens, possibilitando assim que pudessem


conhece-lo e ama-lo mais plenamente.
Ao se revelar Deus possibilita que o homem responda ao seu chamado. A
revelação tem seu ponto culminante na Encarnação do Verbo.

II. Revelationis periodi

Deus começa a se revelar aos nossos primeiros pais, depois da queda


prometeu a redenção e salvação a eles. A revelação não foi interrompida com
o pecado de nossos pais.
-A aliança com Noé, exprime o princípio da economia divina para com as
“nações”
-Deus elege Abraão, para congregar a humanidade dispersa, Deus elegeu
Abraão, o chamando. O povo originado de Abraão será o depositário da
promessa feita aos patriarcas, o povo escolhido.
-Deus forma seu povo Israel, Deus formou seu povo salvando da escravidão do
Egito, por intermédio de Moisés deu a sua Lei, para que o conhecessem, e o
servissem como o único Deus vivo e verdadeiro.

III. Christus Iesus « mediator simul et plenitudo totius Revelationis »

“Deus tudo disse no seu verbo” Sto. Irineu de Lyon


Outrora Deus nos falou muitas vezes, por último enviou seu Verbo que nos
disse tudo, não restando mais nada para ser revelado; e pedir que o Senhor
nos conceda visões ou revelações seria um tremenda insensatez e ofensa a
Deus

66. «Portanto, a economia cristã, como nova e definitiva aliança,


jamais passará, e já não se há de esperar nenhuma nova revelação
pública antes da gloriosa manifestação de nosso Senhor Jesus
Cristo»(34). No entanto, apesar de a Revelação já estar completa,
ainda não está plenamente explicitada. E está reservado à fé cristã
apreender gradualmente todo o seu alcance, no decorrer dos séculos.
66 « Oeconomia ergo christiana, utpote Foedus Novum et
definitivum, numquam praeteribit, et nulla iam nova Revelatio publica
expectanda est ante gloriosam manifestationem Domini nostri Iesu
Christi ».54 Attamen, quamquam Revelatio est completa, plene
explanata non est; fidei manet christianae, saeculorum decursu,
omnem eius amplitudinem gradatim intelligere.

No decorrer da história houveram algumas revelações privadas, porém estas


não têm intenção de melhorar nem completar a revelação de Cristo, mas vem
para nos ajudar a vive-la melhor. Cabe ao Magistério discernir e acolher tais
revelações.
A fé cristã não pode aceitar “revelações” que pretendam ultrapassar ou corrigir
a Revelação da qual Cristo é a perfeição.
Resumindo:

68. Por amor, Deus revelou-Se e deu-Se ao homem. Dá assim uma


resposta definitiva e superabundante às questões que o homem se
põe a si próprio sobre o sentido e o fim da sua vida.

69. Deus revelou-Se ao homem, comunicando-lhe gradualmente o


seu próprio mistério, por ações e por palavras.

70. Além do testemunho que dá de Si mesmo através das coisas


criadas, Deus manifestou-Se a Si próprio aos nossos primeiros pais.
Falou-lhes e, depois da queda, prometeu-lhes a salvação (35) e
ofereceu-lhes a sua aliança.

71. Deus concluiu com Noé uma aliança eterna entre Si e todos os


seres vivos (36). Essa aliança durará enquanto durar o mundo.

72. Deus escolheu Abraão e concluiu uma aliança com ele e os seus


descendentes. Fez deles o seu povo, ao qual revelou a sua Lei
por meio de Moisés. E preparou-o, pelos profetas, a acolher a
salvação destinada a toda a humanidade.

73. Deus revelou-Se plenamente enviando o seu próprio Filho, no


qual estabeleceu a sua aliança para sempre. O Filho é a Palavra
definitiva do Pai, de modo que, depois d'Ele, não haverá outra
Revelação.

ARTIGO 2
A transmissão da revelação divina

« omnes homines vult salvos fieri et ad agnitionem veritatis venire » (1 Tim 2,4)

É preciso que Cristo seja revelado a todos, para que a Revelação chegue até
os confins do mundo.
Com a morte do último apostolo termina a revelação.

I. De Traditione apostolica

75. «Cristo Senhor, em quem toda a revelação do Deus altíssimo se


consuma, tendo cumprido e promulgado pessoalmente o Evangelho
antes prometido pelos profetas, mandou aos Apóstolos que o
pregassem a todos, como fonte de toda a verdade salutar e de toda a
disciplina de costumes, comunicando-lhes assim os dons divinos»
A transmissão do Evangelho:
ORALMENTE: Pelos apóstolos que através da pregação oral, por exemplos e
ações, transmitiram aquilo que receberam de Cristo.
POR ESCRITO: Os apóstolos e varões apostólicos, sob inspiração do Espirito
Santo, puseram por escrito a mensagem da salvação.
Para que se conservasse inalterado e vivo na Igreja, os Apóstolos deixaram
seus sucessores (Bispos) o dever de salvaguarda-los.

78. A transmissão viva é realizada pelo Espirito Santo, e é chamada de


Tradição, sendo distinta da Sagrada Escritura, porém intimamente ligada a ela.
Pela Tradição, «a Igreja, na sua doutrina, vida e culto, perpetua e transmite a
todas as gerações tudo aquilo que ela é e tudo em que acredita». Os
ensinamentos dos Santos Padres, é testemunha da tradição, que se difundem
na pratica e na vida da Igreja. Lex orandi et Lex Credenti

79. Assim, a comunicação que o Pai fez de Si próprio, pelo seu Verbo,


no Espírito Santo, continua presente e ativa na Igreja: «Deus, que
outrora falou, dialoga sem interrupção com a esposa do seu amado
Filho; e o Espírito Santo – por quem ressoa a voz do Evangelho na
Igreja, e, pela Igreja, no mundo – introduz os crentes na verdade plena
e faz com que a palavra de Cristo neles habite em toda a sua riqueza»
79 Sic communicatio Sui Ipsius, quam Pater per Suum Verbum in
Spiritu Sancto effecit, praesens atque activa permanet in Ecclesia: «
Deus, qui olim locutus est, sine intermissione cum dilecti Filii Sui
Sponsa colloquitur et Spiritus Sanctus, per quem viva vox Evangelii
in Ecclesia, et per ipsam in mundo resonat, credentes in omnem
veritatem inducit, verbumque Christi in eis abundanter inhabitare facit
»

II. De relatione inter Traditionem et sacram Scripturam

Tanto a Sagrada Tradição quanto as Sagradas Escrituras “estão intimamente


unidas, tendo ambas a mesma fonte de origem e formam um só todo e tendem
para o mesmo fim” DV 9.
A Sagrada Escritura é a Palavra de Deus que foi regida sob moção do Espirito
Santo.
A Sagrada Tradição transmite integralmente aos sucessores dos Apóstolos a
Palavra de Deus confiada a Cristo Senhor e pelo Espirito Santo aos Apóstolos.
A certeza da Igreja não deriva exclusivamente das Sagradas Escrituras, mas
de ambas, que devem ser igualmente aceitas e veneradas.
A Tradição que referimos é aquela dos Apóstolos que transmitiram os
ensinamentos e exemplos de Jesus e o receberam pelo Espirito Santo.
Existe uma diferença entre Tradição e tradições, Tradição é aquele que vem desde os Apostolos
até os dias atuais, já as traições surgem ao longo do tempo e podem ser mantidas, observadas ou até
mesmo abandonadas

III. De interpretatione depositi fidei


84. ‘Depositum fidei’ é constituído de Tradição e Sagradas Escrituras, foi
confiada aos Apóstolos para que guardem e transmitam a outros. Ficando
confiado ao Magistério a função da transmissão da fé verdadeira. Cabe aos
fiéis receberem com amor e docilidade tudo aquilo que lhes é transmitido, como
se fossem do próprio Cristo

86. «Todavia, este Magistério não está acima da Palavra de Deus,


mas sim ao seu serviço, ensinando apenas o que foi transmitido,
enquanto, por mandato divino e com a assistência do Espírito Santo, a
ouve piamente, a guarda religiosamente e a expõe fielmente, haurindo
deste depósito único da fé tudo quanto propõe à fé como divinamente
revelado»
86 « Quod quidem Magisterium non supra Verbum Dei est, sed
eidem ministrat, docens nonnisi quod traditum est, quatenus illud, ex
divino mandato et Spiritu Sancto assistente, pie audit, sancte
custodit et fideliter exponit, ac ea omnia ex hoc uno fidei deposito
haurit quae tamquam divinitus revelata credenda proponit ».

O Sagrado Magistério tem autoridade que recebeu de Cristo para proclamar


dogmas que são verdades irrevogáveis da fé. [“Os dogmas são luzes no
caminho de nossa fé que o iluminam e tornam seguro” (89)]
Todos os fiéis recebem a unção do Espirito Santo que os instrui e conduz a
verdade em sua totalidade.
Todos temos o senso sobrenatural da fé e por isso não podemos nos enganar.
É justamente esse senso que faz com que os fiéis aderem as verdades
reveladas pelos santos e pelo magistério.
Com ajuda do Espirito da Verdade temos que crescer na fé e na sua
compreensão:
-Pela contemplação e pelo estudo
-Pela intima compreensão que os fiéis desfrutam das coisas espirituais
-As palavras divinas crescem junto com que as lê
-Pela pregação

95. «É claro, portanto, que a sagrada Tradição, a Sagrada Escritura e


o Magistério da Igreja, segundo um sapientíssimo desígnio de Deus,
estão de tal maneira ligados e conjuntos, que nenhum pode subsistir
sem os outros e, todos juntos, cada um a seu modo, sob a acção do
mesmo Espírito Santo, contribuem eficazmente para a salvação das
almas»
95 « Patet igitur sacram Traditionem, sacram Scripturam et
Ecclesiae Magisterium, iuxta sapientissimum Dei consilium, ita inter
se connecti et consociari, ut unum sine aliis non consistat, omniaque
simul, singula suo modo sub actione unius Spiritus Sancti, ad
animarum salutem efficaciter conferant ».

Resumindo:

96. O que Cristo confiou aos Apóstolos, estes o transmitiram, pela sua
pregação e por escrito, sob a inspiração do Espírito Santo, a todas as
gerações, até à vinda gloriosa de Cristo.

97. «A sagrada Tradição e a Sagrada Escritura constituem um único


depósito sagrado da Palavra de Deus» (66), no qual, como num
espelho, a Igreja peregrina contempla Deus, fonte de todas as suas
riquezas.

98. «Na sua doutrina, vida e culto, a Igreja perpetua e transmite a


todas as gerações tudo aquilo que ela é, tudo aquilo em que
acredita» (67).

99. Graças ao sentido sobrenatural da fé, o povo de Deus, no seu


todo, não cessa de acolher o dom da Revelação divina, de nele
penetrar mais profundamente e de viver dele mais plenamente.

100. O encargo de interpretar autenticamente a Palavra de Deus foi


confiado unicamente ao Magistério da Igreja, ao Papa e aos bispos
em comunhão com ele.

ARTIGO 3
A Sagrada Escritura

I. Christus – Unicum sacrae Scripturae Verbum

«Nos livros sagrados, com efeito, o Pai que está nos Céus vem
amorosamente ao encontro dos seus filhos, a conversar com eles»
(104)
Deus em sua bondade se revelou aos homens, através da sua
palavra, o Verbo que se fez carne. Deus pronuncia uma só palavra o
seu Verbo. A igreja venera as Divinas Escrituras como também venera
o Corpo de Cristo, apresenta os fiéis o Pão da Vida na mesa da
Palavra e do Corpo de Cristo. Não são apenas palavra.

II. De inspiratione et veritate sacrae Scripturae

Deus é o único autor das Sagradas Escrituras, que sob inspiração do Espirito
Santo revela a verdade.
Deus utilizou de autores humanos para redação dos livros sagrados, que sob
inspiração do Espirito Santo redigiram de forma que tudo aquilo é verdade, e
que foi escrito da forma que Deus quis. por isso mesmo se deve acreditar
que os livros da Escritura ensinam com certeza, fielmente e sem erro,
a verdade que Deus quis que fosse consignada nas sagradas Letras
em ordem à nossa salvação (107)
108. No entanto, a fé cristã não é uma «religião do Livro». O
Cristianismo é a religião da «Palavra» de Deus, «não duma palavra
escrita e muda, mas do Verbo encarnado e vivo» (78). Para que não
sejam letra morta, é preciso que Cristo, Palavra eterna do Deus vivo,
pelo Espírito Santo, nos abra o espírito à inteligência das Escrituras
(79).
108 Fides tamen christiana quaedam « religio Libri » non est.
Christianismus religio est « Verbi » Dei: Verbi quidem quod est « non
verbum scriptum et mutum, sed Verbum incarnatum et vivum
98
».  Necessarium est Christum, aeternum Dei viventis Verbum, per
Spiritum Sanctum nobis aperire sensum, ut intelligamus
Scripturas,99 ne illae quasi littera mortua permaneant.

III. Spiritus Sanctus Scripturae interpres

Na Sagrada Escritura Deus fala aos homens à maneira dos homens, contudo
para a fiel interpretação destes livros é preciso que estejamos atentos aquilo
que Deus quis realmente falar e aquilo que os autores escreveram, é preciso
levar em conta o período que foi escrito, a cultura, os tipos de textos, tudo isso.
E o mais importante, para que não se transforme em “letra morta” é preciso da
ajuda daquele que foi o inspirador dos livros o Espirito Santo, tanto para sua
leitura quanto para interpretação.
O CV II indica 3 critérios para a interpretação das Escrituras:

1 Prestar grande atenção «ao conteúdo e à unidade de toda a


Escritura
2 Ler a Escritura na «tradição viva de toda a Igreja». Segundo uma
sentença dos Padres, «Sacra Scriptura principalius est in corde
Ecclesiae quam in materialibus instrumentis scripta» – «A Sagrada
Escritura está escrita no coração da Igreja, mais do que em
instrumentos materiais»
3 Estar atento «à analogia da fé»
Podemos dividir as Escrituras em dois sentidos: literal e espiritual (alegórico,
moral, analógico)

116. O sentido literal. É o expresso pelas palavras da Escritura e


descoberto pela exegese segundo as regras da recta interpretação.
«Omnes sensus (sc. Sacrae Scripturae) fundentur super litteralem» –
«Todos os sentidos (da Sagrada Escritura) se fundamentam no literal»
(90).

117. O sentido espiritual. Graças à unidade do desígnio de Deus, não


só o texto da Escritura, mas também as realidades e acontecimentos
de que fala, podem ser sinais.

1. O sentido alegórico. Podemos adquirir uma compreensão mais


profunda dos acontecimentos, reconhecendo o seu significado em
Cristo: por exemplo, a travessia do Mar Vermelho é um sinal da vitória
de Cristo e, assim, do Baptismo (91).

2. O sentido moral. Os acontecimentos referidos na Escritura podem


conduzir-nos a um comportamento justo. Foram escritos «para nossa
instrução» (1 Cor 10, 11) (92).

3. O sentido anagógico. Podemos ver realidades e acontecimentos no


seu significado eterno, o qual nos conduz (em grego: «anagoge») em
direcção à nossa Pátria. Assim, a Igreja terrestre é sinal da Jerusalém
celeste (93).

118. Um dístico medieval resume a significação dos quatro sentidos:

«Littera gesta docet, quid credas allegoria.


Moralis quid agas, quo tendas anagogia».
«A letra ensina-te os factos (passados), a alegoria o que deves crer,
 a moral o que deves fazer, a anagogia para onde deves tender» (94).

É importante que os exegetas se esforcem para compreender e transmitir cada


vez melhor as mensagens do evangelho, mas lembrando que estão sujeitos a
juízo da Igreja, está que por sua vez é a que exerce o divino ministério e
mandato de guardar e interpretar a Palavra de Deus.

«Ego vero Evangelio non crederem, nisi me catholicae Ecclesiae


commoveret auctoritas» – «Quanto a mim, não acreditaria no
Evangelho se não me movesse a isso a autoridade da Igreja católica»

IV. De Scripturarum canone


120 Traditio apostolica Ecclesiam discernere fecit quaenam scripta
in Sacrorum Librorum adnumeranda essent elencho.  117 Hic integer
elenchus « canon » Scripturarum appellatur. Pro Vetere Testamento
46 implicat scripta (45, si Ieremias et Lamentationes simul
adnumerantur) et 27 pro Novo.  118 Sunt vero:

O Antigo Testamento é parte indispensável da Sagrada Escritura, seus livros


são inspirados e conta a divina pedagogia do amor salvífico de Deus, nele
consta o mistério da salvação

«A Palavra de Deus, que é força de Deus para salvação de quem


acredita, apresenta-se e manifesta o seu poder dum modo eminente
nos escritos do Novo Testamento» (DV, 17: AAS 58 (1966) 826
O objetivo do Novo Testamento é Jesus Cristo, seus atos, ensinamentos,
paixão e glorificação, e também o início de sua Igreja. São os evangelhos o
coração de todas as Escrituras
A formação dos Evangelhos:
1-A vida e o ensinamento de Jesus
2-A tradição oral
3-Os evangelhos escritos

«Não há doutrina melhor, mais preciosa e esplêndida do que o texto


do Evangelho. Vede e retende o que nosso Senhor e Mestre, Cristo,
ensinou pelas suas palavras e realizou pelos seus actos» (105)
Existe uma unidade entre o Antigo e Novo Testamento, por isso este adagio
antigo: o Novo Testamento está escondido no Antigo, ao passo que o Antigo é
desvendado no Novo. (Novum in Vetere latet et in Novo vetus patet)
Por isso o Antigo Testamento deve ser lido a Luz de Cristo morto e
Ressuscitado, assim como o Novo dever ser lido a luz do Antigo.

V. De sacra Scriptura in Ecclesiae vita

«É tão grande a força e a virtude da Palavra de Deus, que ela se torna


para a Igreja apoio e vigor e, para os filhos da Igreja, solidez da fé,
alimento da alma, fonte pura e perene de vida espiritual» (111). É
necessário que «os fiéis tenham largo acesso à Sagrada Escritura»
(112).

« Tanta autem Verbo Dei vis ac virtus inest, ut Ecclesiae sustentaculum ac


vigor, et Ecclesiae filiis fidei robur, animae cibus, vitae spiritualis fons purus et
perennis exstet ». 131 « Christifidelibus aditus ad sacram Scripturam late pateat
oportet ». 132
O estudo da Sagrada Escritura é ponto principal dos estudos teologiocos, é
dela que temos que nos notrir salutarmente e santamente

133. A Igreja «exorta com ardor e insistência todos os fiéis [...] a que
aprendam "a sublime ciência de Jesus Cristo" (Fl. 3, 8) na leitura
frequente da Sagrada Escritura. Porque "a ignorância das Escrituras é
ignorância de Cristo"» (114).
133 Ecclesia « christifideles omnes [...] vehementer peculiariterque
exhortatur, ut frequenti divinarum Scripturarum lectione "eminentem
scientiam Iesu Christi" (Phil 3,8) ediscant. "Ignoratio enim
Scripturarum ignoratio Christi est" ».  134

Resumindo:

134. Omnis Scriptura divina unus liber est, et ille unus liber Christus
est, «quia omnis Scriptura divina de Christo loquitur; et omnis
Scriptura divina in Christo impletur» – Toda a Escritura divina é um só
livro, e esse livro único é Cristo, «porque toda a Escritura divina fala
de Cristo e toda a Escritura divina se cumpre em Cristo» (115).

135. «As Sagradas Escrituras contêm a Palavra de Deus; e, pelo facto


de serem inspiradas, são verdadeiramente a Palavra de Deus» (116).

136. Deus é o autor da Sagrada Escritura, ao inspirar os seus autores


humanos: age neles e por eles. E assim nos dá a garantia de que os
seus escritos ensinam, sem erro, a verdade da salvação (117).

137. A interpretação das Escrituras inspiradas deve, antes de mais


nada, estar atenta ao que Deus quer revelar, por meio dos autores
sagrados, para nossa salvação. O que vem do Espírito não é
plenamente entendido senão pela acção do Espírito (118).

138.  A Igreja recebe e venera, como inspirados, os 46 livros do


Antigo e os 27 do Novo Testamento.

139. Os quatro evangelhos ocupam um lugar central, dado que Jesus


Cristo é o seu centro.

140. A unidade dos dois Testamentos deriva da unidade do plano de


Deus e da sua Revelação. O Antigo Testamento prepara o Novo, ao
passo que o Novo dá cumprimento ao Antigo. Os dois esclarecem-se
mutuamente; ambos são verdadeira Palavra de Deus.

141. «A Igreja sempre venerou as Divinas Escrituras, tal como o


próprio Corpo do Senhor» (119) ambos alimentam e regem toda a
vida cristã. «A vossa Palavra é farol para os meus passos e luz para
os meus caminhos» (Sl 119, 105)(120).

 CAPITULO III – A resposta do homem a Deus

Deus revelou-se ao homem, e desta revelação espera a resposta


individual e livre de cada um de nós para aderirmos a fé.

143. Pela fé, o homem submete completamente a Deus a inteligência


e a vontade; com todo o seu ser, o homem dá assentimento a Deus
revelador (2). A Sagrada Escritura chama «obediência da fé» a esta
resposta do homem a Deus revelador (3).

143 Per fidem homo suum intellectum suamque voluntatem Deo plene submittit. Homo
ex toto quod est, Deo revelanti suum praebet assensum. 142 Haec responsio hominis
Deo revelanti « oboeditio fidei » a sacra appellatur Scriptura. 143

-Na Bíblia vemos dois exemplos de grandiosa fé, a primeira é Abraão


nosso pai na fé, que acreditou na promessa; a segunda é a Virgem
Maria, que aceitou e se entregou totalmente a Deus, acreditando que
Ele vai realizar tudo aquilo que prometeu

154. O ato de fé só é possível pela graça e pelos auxílios interiores do Espírito


Santo. Mas não é menos verdade que crer é um ato autenticamente
humano. Não é contrário nem à liberdade nem à inteligência do homem
confiar em Deus e aderir às verdades por Ele reveladas

-O homem é livre para responder a esse chamado de Deus em seu coração,


ter fé é um ato tanto da inteligência quanto da vontade e por isso é algo
voluntário.

-É preciso ter fé para obtermos as promessas de Cristo, sabemos que a fé é


Dom gratuito de Deus

166. … Não posso crer sem ser amparado pela fé dos outros, e pela minha fé
contribuo também para amparar os outros na fé.

-Não existe uma fé solitária, ninguém recebe de si mesmo a fé, mas é


passada por alguém, ou melhor pela Igreja. O catecismo faz o jogo de
palavras, Eu creio, uma fé pessoal e Nós cremos é a fé da Igreja, de todos os
batizado.
A fé não está nas formulas, mas numa Pessoa, Jesus Cristo, e nas
realidades reveladas por Ele a humanidade, onde pela fé podemos
experimentar cada uma delas.

Santo Irineu de Lyon, afirma como é incrível que em mesmo tendo o


cristianismo se espalhado pelo mundo, mesmo assim parece que ecoa
a uma só voz a fé e doutrina do catolicismo.

Resumindo:

176. A fé é uma adesão pessoal, do homem todo, a Deus que Se


revela. Comporta uma adesão da inteligência e da vontade à
Revelação que Deus fez de Si mesmo, pelas suas ações e palavras.

177. «Crer» tem, pois, uma dupla referência: à pessoa e à verdade; à


verdade, pela confiança na pessoa que a atesta.

178. Não devermos crer em mais ninguém senão em Deus, Pai, Filho


e Espírito Santo.

179.  A fé é um dom sobrenatural de Deus. Para crer, o homem tem


necessidade dos auxílios interiores do Espírito Santo.

180. «Crer» é um acto humano, consciente e livre, que está de acordo


com a dignidade da pessoa humana.

181. «Crer» é um acto eclesial. A fé da Igreja precede, gera, suporta e


nutre a nossa fé. A Igreja é a Mãe de todos os crentes. «Ninguém
pode ter a Deus por Pai, se não tiver a Igreja por Mãe» (55).

182. «Nós cremos em tudo quanto está contido na Palavra de Deus,


escrita ou transmitida, e que a Igreja propõe à nossa fé como
divinamente revelado» (56).

183. A fé é necessária para a salvação. O próprio Senhor o afirma:


«Quem acreditar e for baptizado salvar-se-á, mas quem não acreditar
será condenado» (Mc 16, 16).

184. «A fé é um antegozo do conhecimento que nos tornará felizes na


vida futura» (57).

-Segunda Sessão A profissão de fé cristã os símbolos da fé

«Esta síntese da fé não foi feita segundo as opiniões humanas: mas recolheu-
se de toda a Escritura o que nela há de mais importante, para apresentar na
integra aquilo e só aquilo que a fé ensina. E, tal como a semente de mostarda
contém, num pequeno grão, numerosos ramos, do mesmo modo este
resumo da fé encerra em algumas palavras todo o conhecimento da
verdadeira piedade contido no Antigo e no Novo Testamento» ²

CAPITULO I – Creio em Deus Pai


198. A nossa profissão de fé começa por Deus, porque Deus é «o Primeiro e o
Último» (Is 44, 6), o Princípio e o Fim de tudo. O Credo começa por Deus Pai,
porque o Pai é a Primeira Pessoa divina da Santíssima Trindade; o nosso
Símbolo começa pela criação do céu e da terra, porque a criação é o princípio
e o fundamento de todas as obras de Deus.
Artigo 1 “Creio em Deus Pai Todo-Poderoso, criador do céu e da terra”
I. Creio em um só Deus
No credo niceno, já começamos professando a fé na unicidade de Deus, creio
em um só Deus... Ele é o unico Senhor como afirmou no antigo testamento e
ratificou com Jesus.
II. Deus revela seu nome
Deus se revela ao seu povo, dizendo-lhes seu nome, sua identidade; YHWH
“EU SOU AQUELE QUE É” “EU SOU AQUELE QUE SOU” “EU SOU QUEM SOU”;
um nome misterioso, mas que revela muito sobre Deus e sua fidelidade ao
povo, mesmo nós sendo infieis ele permanece fiel; Deus tem um nome
inefavel,.
213. [...] Deus é a plenitude do Ser e de toda a perfeição, sem princípio nem
fim. Enquanto todas as criaturas d'Ele receberam todo o ser e o ter, só Ele é o
seu próprio Ser, e Ele é por Si mesmo tudo o que Ele é.
III. Deus, “aquele que é”, é verdade e amor
DEUS é melhor do que tudo aquilo que podemos pensar dele. Deus é suma
bondade, ele é a Verdade e o Amor.

216. A verdade de Deus é a sua sabedoria, que comanda toda a ordem da


criação e governo do mundo (15). Só Deus que, sozinho, criou o céu e a terra
(16) pode dar o conhecimento verdadeiro de todas as coisas criadas na sua
relação com Ele (17).

217. Deus é igualmente verdadeiro quando Se revela: todo o ensinamento que


vem de Deus é «doutrina de verdade» (Ml 2, 6). Quando Ele enviar o seu
Filho ao mundo, será «para dar testemunho da verdade» (Jo 18, 37):
«Sabemos [...] que veio o Filho de Deus e nos deu entendimento para
conhecermos o Verdadeiro» (1 Jo 5, 20) (18).

Deus ama seu povo verdadeiramente, de modo perfeito, superior ao amor de


uma mãe pelo filho, ao ponto de superar todas as infidelidades do povo,
entregou seu único filho.

221. São João irá ainda mais longe, ao afirmar: «Deus é Amor» (1 Jo 4, 8, 16):
a própria essência de Deus é Amor. Ao enviar, na plenitude dos tempos, o
seu Filho único e o Espírito de Amor, Deus revela o seu segredo mais íntimo
": Ele próprio é eternamente permuta de amor: Pai, Filho e Espírito Santo; e
destinou-nos a tomar parte nessa comunhão.

IV. O alcance da fé no Deus único

Embora não saibamos o que Deus quer, temos a certeza de que é o melhor
para nós

Crer em Deus implica diversas consequencias: É conhecer a grandeza e a


majestade de Deus; viver em acção de graças; conhecer a unidade e a
verdadeira dignidade de todos os homens; fazer bom uso das coisas criadas;
ter confiança em Deus, em todas as circunstâncias.

Resumindo:

Resumindo:

228. «Escuta, Israel! O Senhor; nosso Deus, é o único Senhor...» (Dt 6, 4; Mc


12, 29). «O ser supremo tem necessariamente de ser único, isto é, sem igual.
[...] Se Deus não for único, não é Deus» (31).

229. A fé em Deus leva-nos a voltarmo-nos só para Ele, como a nossa


primeira origem e o nosso último fim, e a nada Lhe preferir ou por nada O
substituir:

230. Deus, ao revelar-Se, continua mistério inefável: «Se O compreendesses,


não seria Deus» (32).

231. O Deus da nossa fé revelou-Se como Aquele que é: deu-Se a conhecer


como «cheio de misericórdia e fidelidade» (Ex 34, 6). O seu próprio Ser é
verdade e amor.

Você também pode gostar