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INSTITUTO DE GESTÃO EM TECNOLOGIA DA

INFORMAÇÃO – IGTI
MBA EM INTELIGÊNCIA DE NEGÓCIOS

SERGIO LIMA BEHRENS

DASHBOARD DE APOIO ÀS TOMADAS DE DECISÃO EM


OPERADORAS DE PLANOS DE SAÚDE BASEADO EM
BUSINESS INTELLIGENCE UTILIZANDO A FERRAMENTA
QLIKVIEW

Salvador
2015
SERGIO LIMA BEHRENS

DASHBOARD DE APOIO ÀS TOMADAS DE DECISÃO


EM OPERADORAS DE PLANOS DE SAÚDE BASEADO
EM BUSINESS INTELLIGENCE UTILIZANDO A
FERRAMENTA QLIKVIEW

Trabalho de Conclusão de Curso


submetido ao Instituto de Gestão em
Tecnologia da Informação – IGTI como
parte dos requisitos necessários para a
obtenção do MBA em Inteligência de
Negócios.

Orientador: Éder Frances Oliveira.

Salvador
2015
“Nunca imites ninguém. Que a tua produção
seja como um novo fenômeno da natureza.”

Leonardo da Vinci
SERGIO LIMA BEHRENS

DASHBOARD DE APOIO ÀS TOMADAS DE DECISÃO EM


OPERADORAS DE PLANOS DE SAÚDE BASEADO EM
BUSINESS INTELLIGENCE UTILIZANDO A
FERRAMENTA QLIKVIEW

Este Trabalho de Conclusão de Curso foi julgado adequado à obtenção do


MBA em Inteligência de Negócios e aprovada em sua forma final pelo Instituto
de Gestão em Tecnologia da Informação - IGTI.

Salvador – BA, 05 de outubro de 2015.

________________________________________
Sergio Lima Behrens
Bacharel em Sistemas de Informação pela Faculdade de Tecnologia e
Ciências, 2015.

_________________________________________
Éder Frances Oliveira
Orientador e Docente do Instituto de Gestão em Tecnologia da Informação
Graduado em Tecnologia em Processamento de Dados pela UNA, 2001.
Especialização em Tópicos Avançados de TI pela Inforium., 2010.
Mestrando em Sistemas de Informação e Gestão do Conhecimento – FUMEC
Certificação Product Onwer e SCRUM Master pela Scrum Alliance.
Dedico este trabalho à minha esposa,
Cleise Carvalho Behrens, que a cinco
anos tem me apoiado e impulsionado a
planejar meu futuro, ensinando-me a
não ter medo de começar pequeno e
visualizar as vitórias que me aguardam.
AGRADECIMENTOS

Primeiramente agradeço a Deus, este ser não compreendido por nós


seres humanos, mas presente em todos os dias de minha vida. A Ele seja toda
glória, todo louvor e toda majestade para sempre.

Agradeço ao corpo docente do IGTI por esta maravilhosa caminhada de


aprendizado e crescimento contínuo.

Ao mestre Haroldo Peon que diariamente tem me mostrado o caminho a


ser trilhado para uma carreira bem sucedida. Grato por todos os conselhos,
dicas, abertura de visão e de mentalidade.

Agradeço ao time do Grupo SH Brasil, minha segunda faculdade, onde


aprendo diariamente a lidar com diversos tipos de problemas e como
solucioná-los de forma produtiva.

À meu pai, que me ensinou como viver neste mundo sem ser
massacrado, me passando conhecimentos da vida como ela é, sem máscaras.
Obrigado por seu bom humor, que levo como minha marca e qualidade,
herdada de um homem bom, prestativo e de coração enorme.

À minha mãe, mulher temente à Deus, que levantava de madrugada


para buscar sustento para nossa casa em momentos de dificuldade.
RESUMO

Em negócios de alto risco, como operadoras de planos de saúde, é


extremamente indispensável a utilização de um sistema que utilize dados dos
atendimentos e de receita e os transforme em conhecimento que será utilizado
como apoio às tomadas de decisão da alta gestão. Neste tipo de negócio, toda
decisão é importante e deve ser fundamentada em dados corretos e fidedignos
à realidade, pois não se consegue controlar gastos com doenças, apenas
prevenir ou controlar o mal uso do plano. Um beneficiário com câncer pode, em
apenas um mês, possuir uma conta médica de milhões de reais. Isto é um
acontecimento imprevisível. Uma ferramenta de Business Intelligence é a
melhor indicação para a criação de um dashboard que traga para a gestão
gráficos, relatórios e resumos com, no máximo, um dia de atraso para que
decisões sejam tomadas praticamente em tempo real. Como todos os
principais indicadores administrativos e técnicos devem ser monitorados
através desta ferramenta, e qualquer erro analítico pode ser desastroso, a
ferramenta a ser utilizada deve estar de acordo com os requisitos de
usabilidade, fazendo dele uma ferramenta simples de se “ler” e interpretar.
Após uma pesquisa e avaliação de alguns critérios, a ferramenta escolhida
entre as sete principais do mercado é o Qlikview, da empresa QlikTech.
Veremos que após a implantação do dashboard, os resultados obtidos são
muito interessantes, pois relatórios complexos podem ser gerados em poucos
segundos, fornecendo velocidade nas decisões e poupando tempo de trabalho
precioso à área administrativa.

PALAVRAS-CHAVE: Inteligência de negócios. Tomada de decisão. Plano de


saúde.
ABSTRACT

In high-risk business, such as health insurance providers, the use of a system


that uses data from attendances and revenue and turn them into knowledge
that will be used as support of senior management decision-making is
extremely essential. In this type of business, every decision is important and
should be based on correct data and trust to reality, because it can not control
spending diseases, only prevent or control the misuse of the plan. A beneficiary
with cancer can, in just one month, has a medical bill of millions of dollars. This
is an unpredictable event. A Business Intelligence tool is the best indication for
creating a dashboard that brings the graphical management reports and
summaries with a maximum of one day late for decisions to be taken in near
real time. Like all major administrative and technical indicators should be
monitored through this tool, and any analytical error can be disastrous, the tool
to be used must comply with the usability requirements, making it a simple tool
to "read" and interpret. Researching and evaluating a number of criteria, the tool
of choice among the seven main market is QlikView, from QlikTech company.
We will see that after the dashboard deployment, the results are very interesting
because complex reports can be generated within seconds, providing speed in
decisions and saving valuable work time to the administrative area.

KEYWORDS: Business intelligence. Decision taking. Health insurance.


LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

ASP Active Server Pages


BI Business Intelligence
CRM Customer Relationship Management
DW Data Warehouse
ERP Enterprise Resource Planning
ETL Extract, Transform, Load
HOLAP Hybrid On Line Analytical Processing
HTML HyperText Markup Language
KPI Key Performance Indicator
OLAP On Line Analytical Processing
OS Ordem de Serviço
PDF Portable Document Format
ROI Return On Investment
ROLAP Relational On Line Analytical Processing
SAP Systems, Applications and Products in Data Processing
SQL Structured Query Language
LISTA DE IMAGENS

Figura 1 – Quadrante Mágico do Gartner Group ............................. 26


Figura 2 – Representação da Tecnologia In-Memory do Qlikview .. 27
Figura 3 - Estrutura interna do Qlikview ........................................... 29
Figura 4 – Representação da conectividade no Qlikview ................ 30
Figura 5 - Editor de script do Qlikview ............................................. 31
Figura 6 - Estrutura das tabelas já carregadas no Qlikview com
seus relacionamentos ....................................................................... 37
Figura 7 - Visão geral do painel de controle .................................... 39
Figura 8 – Gráfico tipo linha com dados de vidas ativas ................. 40
Figura 9 – Gráficos de rede própria, percentual de sinistro e
percentual em emergência, além de dados sobre vida, quarentena
e gastos em internação .................................................................... 41
Figura 10 – Gráfico tipo barra com dados de 42
receita .......................
Figura 11 – Gráfico tipo barra com dados de sinistro ...................... 43
Figura 12 – Gráficos do tipo termômetro indicando consultas e
exames por beneficiário, exames por consulta e percentual de
consultas em pronto-socorro ............................................................ 43
Figura 13 – Gráfico tipo barra com dados de gastos ....................... 44
Figura 14 – Gráfico tipo tabela de pacientes crônicos ..................... 45
Figura 15 – Gráficos tipo termômetro com dados de consultas,
exames, internações e crônicos sobre total ..................................... 46
Figura 16 – Gráfico tipo linha com informações de ticket médio da
receita e de gastos ........................................................................... 47
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO............................................................................ 11
1.1 Delimitação do tema.................................................................... 12
1.2 Problema..................................................................................... 12
1.3 Hipótese...................................................................................... 12
1.4 Objetivos Gerais.......................................................................... 12
1.5 Objetivos Específicos.................................................................. 12
1.6 Justificativa.................................................................................. 13
1.7 Metodologia................................................................................. 13
2 CONCEITOS............................................................................... 14
2.1 Dados, informação e conhecimento............................................ 14
2.2 Business Intelligence................................................................... 15
3 PROJETO TÉCNICO.................................................................. 18
3.1 Escolha da ferramenta de BI....................................................... 18
3.2 Controles necessários para o negócio........................................ 18
3.3 Qlikview....................................................................................... 26
3.3.1 Vantagens do Qlikview................................................................ 26
3.3.2 Desvantagens do Qlikview.......................................................... 29
3.3.3 Testes realizados com a ferramenta........................................... 30
4 DESENVOLVIMENTO DA VISÃO DE BI................................... 31
4.1 Fonte de dados........................................................................... 31
4.2 Script de carga de dados............................................................ 32
4.3 Criação do Front-end.................................................................. 36
4.4 Filtros de seleção........................................................................ 38
5 RESULTADOS OBTIDOS.......................................................... 46
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS........................................................ 47
7 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS........................................... 48
11

1 Introdução

Em nosso mundo globalizado e altamente dinâmico, os erros estão cada


vez menos suportáveis. Uma única decisão incorreta por parte dos altos
gestores de uma organização pode trazer impactos negativos e até mesmo a
falência ou fechamento de unidades. Empresas tidas como sólidas podem cair
em ruínas somente por uma escolha mal realizada de um fornecedor ou de
uma matéria-prima.

O aumento da concorrência, equiparação de preços e nivelamento da


qualidade dos produtos fazem com que as decisões necessitem de agilidade e
assertividade em praticamente 100% dos processos gerenciáveis. Ter
informações em tempo real ou com o mínimo de “delay” é um fator chave para
o sucesso de organizações, isto quer dizer que para um gestor tomar decisões
assertivas é necessário saber naquele exato momento se o valor de seus
produtos está adequado, se o fornecedor está entregando no prazo
determinado, se os funcionários estão com o desempenho dentro do esperado
ou se a empresa está tendo resultados positivos ou está em declínio.

Quando tratamos de operadoras de planos de saúde, que é nosso objeto


de estudo, existe um agravante. Um comércio pode aumentar ou reduzir o
preço de sua mercadoria quando necessário de acordo com os preços de seus
fornecedores. Se o fornecedor aumenta o preço do tomate de R$ 0,30 para R$
0,35, este aumento será repassado para os clientes do supermercado, que, a
princípio, não terá prejuízos. Em operadoras de planos de saúde, não existe o
controle sobre as doenças que seus beneficiários terão. Uma internação de
emergência de um beneficiário pode, em um único dia, ter valores superiores a
um milhão de reais. Diante desta situação, como a tecnologia pode ajudar
gestores de plano de saúde a controlar os gastos, diminuir riscos e ter
rentabilidade para manter o negócio funcionando? A resposta é Business
Intelligence. Veremos como este conceito foi implantando na operadora
Nordeste Saúde e quais as mudanças ocorridas após serem criadas as visões
de BI de acordo com a necessidade dos gestores do plano.
12

1.1 Delimitação do tema

Utilização de técnicas e ferramentas de Business Intelligence para a


criação de um dashboard como apoio às tomadas de decisão em operadoras
de planos de saúde brasileiros, utilizando como referência indicadores já
utilizados atualmente nessas operadoras.

1.2 Problema

Diante deste cenário descrito, seria possível utilizar técnicas de Business


Intelligence para obter informações em tempo real e centralizadas, agilizando o
processo de tomada de decisão em operadoras de planos de saúde? Sendo
possível, torna-se necessária uma ferramenta adequada para que as
informações sejam representadas de forma lúdica, com alertas, gráficos e
recursos que tornem a análise das informações simples e objetiva e faça com
que as decisões sejam tomadas de uma forma assertiva.

1.3 Hipótese

Com organização dos dados de forma a trazer informações referentes


aos indicadores necessários para controle e utilizando técnicas de Business
Intelligence, é possível criar um painel que maximize os resultados e reduza os
custos de operadoras de planos de saúde.

1.4 Objetivos Gerais

Identificar uma solução ao problema que utiliza Business Intelligence


como suporte.

1.5 Objetivos Específicos

Levantamento das principais ferramentas de Business Intelligence


existentes no mercado;

Definição da ferramenta a ser utilizada na solução (Escolhida a partir do


levantamento efetuado);

Elaboração e execução de Estudo de Caso;

Análise dos resultados obtidos;


13

1.6 Justificativa

Este é um trabalho sobre Business Intelligence que procura demonstrar


a importância da implantação de uma ferramenta como apoio nas tomadas de
decisão em média e alta gestão.

Sendo as operadoras de planos de saúde um negócio de alto risco,


primeiramente por não existirem controles sobre os maiores gastos dos
beneficiários, visto que os motivos destes são internações e doenças crônicas,
torna-se necessária uma forma de acompanhamento diário dos principais
indicadores da operadora. A falta de atenção para com estes indicadores
inevitavelmente fará os lucros caírem e tornará o negócio insustentável.

A proposta deste trabalho é demonstrar que a criação de um dashboard


de página única, de fácil entendimento, com gráficos e cores que identifiquem
um indicador com valores abaixo dos aceitáveis, com carga de dados em D-1
(dia anterior ao atual, ou seja, ontem) para que as estratégias do negócio não
sejam baseadas apenas em dados históricos, mas em dados recentes, não
somente é possível, como imprescindível para as operadoras que desejam
continuar no mercado com a vantagem de ter informações reais e não apenas
intuitivas.

1.7 Metodologia

Neste trabalho foram realizadas pesquisas em sites especializados que


determinam a escolha do aplicativo a ser utilizado, que foi o Qlikview, onde
serão realizados testes quantitativos e qualitativos de desempenho no
aplicativo com uma carga de 20 milhões de registros para evidenciar o tempo
de respostas a relatórios complexos.

Serão selecionados os indicadores mais importantes, levantados através


de entrevista com a gestão de operadora de plano de saúde Nordeste Saúde.
As metas e limites dos indicadores serão elencados através de pesquisa no
site da Agência Nacional de Saúde através do site http://www.ans.org.br.
14

2 Conceitos

2.1 Dados, Informação e Conhecimento

Não podemos escrever nada sobre Business Intelligence se não


tratarmos de alguns conceitos e definições importantes. Primeiramente é
necessário compreender o que são dados, informação e conhecimento.
Vejamos a definição de dado:

“DADO: Elemento, princípio ou quantidade


conhecida que serve de base à solução de um
problema. Ponto de partida em que assenta uma
discussão. Princípio ou base para se entrar no
conhecimento de algum assunto.” - Michaelis
Moderno Dicionário da Língua Portuguesa,
2012.

Dados por si só não transmitem efetivamente nenhuma informação


relevante para a estratégia de uma organização. Tomemos como exemplo o
negócio “Mercearia”. Digamos que nesta mercearia recebemos o seguinte dado
do sistema de caixa: “Um tomate foi vendido”. Este dado não nos revela nada
que ajude a mercearia a sobreviver e melhorar, aumentar seus lucros, reduzir
os custos, diminuir as perdas. Um dado é apenas um elemento, ou a menor
parte, de um determinado problema.

Quando pegamos este dado e aplicamos uma observação por um


determinado tempo e afirmamos que, por exemplo, na mercearia em um mês
foram vendidos 2.000 tomates, agora possuímos uma informação que pode ser
relevante para o negócio. Este é o dado tratado de alguma forma. Vejamos a
definição da palavra informação:

“INFORMAÇÃO: Ato ou efeito de informar.


Transmissão de notícias. Comunicação. Ação de
informar-se. Instrução, ensinamento. Transmissão
de conhecimentos. Indagação. Opinião sobre o
procedimento de alguém. Parecer técnico dado
por uma repartição ou funcionário. Investigação.
Inquérito.” - Michaelis Moderno Dicionário da
Língua Portuguesa, 2012.

Como uma informação pode se transformar em conhecimento?


Simplesmente quando, pela informação, atribuímos uma prática a ela. Quem
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tem conhecimento das leis de um país (informação), deve cumpri-la (prática).


Vejamos a definição da palavra conhecimento:

“CONHECIMENTO: Ato ou efeito de


conhecer. Faculdade de conhecer. Ideia, noção;
informação, notícia. Saber, instrução, perícia.” -
Michaelis Moderno Dicionário da Língua
Portuguesa, 2012.

Se a mercearia utilizada como exemplo possui a informação da


quantidade de tomates que vende por mês, o proprietário sabe que não pode
comprar mais que 2.000 de seus fornecedores, pois o risco de ter uma perda
por apodrecimento da fruta é alto. Ele possui o conhecimento de que
quantidade deve comprar pela informação que possui, que é constituída pela
contagem de tomates vendidos (dado).

O professor Jerônimo Lima, em uma aula da matéria Introdução à


Gestão do Conhecimento listou as características destes três conceitos,
conforme tabela a seguir.

CARACTERÍSTICAS DE DADOS, INFORMAÇÃO E CONHECIMENTO


Dado  Simples observação do estado do mundo;
 Facilmente estruturado;
 Facilmente obtido por máquinas;
 Frequentemente quantificados;
 Facilmente transferíveis.
Informação  Dados dotados de relevância e propósitos;
 Requer unidade de análise;
 Exige consenso em relação ao significado;
 Exige a necessariamente a medição humana.
Conhecimento  Informação valiosa da mente humana;
 Inclui reflexão, síntese, contexto;
 De difícil estruturação;
 De difícil captura em máquinas;
 Frequentemente tácito;
 De difícil transferência.

Com estes conceitos em nossa mente, aprenderemos na próxima seção


o que é Business Intelligence e seguindo o exemplo da mercearia,
perceberemos que com ele podemos ter o conhecimento dos dias que mais
são vendidos os tomates e aqueles em que eles são vendidos em pouca
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quantidade e a partir deste conhecimento, decidir quais os dias de entrega dos


fornecedores, na quantidade correta.

2.2 Business Intelligence

Tendo a informação sobre a diferença entre dado, informação e


conhecimento, passemos agora a compreender o que significa Business
Intelligence. O termo, que é traduzido como Inteligência de Negócios, foi criado
pelo Gartner Group e seu conceito surgiu na década de 80. Ele não é uma
ferramenta, um aplicativo ou relatórios organizados, ele é um conceito.
Segundo o Gartner Group, Business Intelligence “é o processo de transformar
dados em informação e, em seguida, transformá-la em conhecimento”.

Os tempos mudaram e a tecnologia teve um espantoso crescimento em


poucos anos. As empresas na década de 90 passaram a adquirir, digamos que
quase compulsivamente, sistemas CRM, ERP, Fluxo de Caixa, Controle de
Estoque, Controle de Recursos Humanos, dentre muitos outros sistemas
gerenciais. As informações passaram a ser guardadas em formato digital, não
mais em papel, onde o nível de controle beirava ao crítico, quando existia. A
partir deste momento, empresas passaram a ter um interesse no potencial das
análises de suas informações, que geralmente eram contidas em DW. Os
empresários estavam ávidos para descobrir o que todos os dados guardados
revelavam sobre suas empresas para que tomassem decisões acertadas e
rápidas. É para isto que o Business Intelligence existe: para transformar dados
em informações, informações em conhecimentos, e conhecimentos em
decisões acertadas no melhor tempo possível. Através do BI é possível
conhecer a rentabilidade de produtos, o desempenho da equipe de trabalho,
identificar nichos de mercado, acompanhar a sazonalidade, criar e acompanhar
indicadores e cruzar todas estas informações para análise dos fatores críticos
de negócios.

Uma pesquisa realizada pelo Gartner Group revelou que 64% das
empresas entrevistadas investem ou planejam investir em BI, e menos de 8%
das empresas já possuem esta tecnologia implantada. Este é um número
relativamente baixo, pois muitas empresas que possuem uma solução BI
implantada não sabem aproveitar todo o potencial e conhecimento que este
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processo possa trazer. A boa notícia é que o número de vagas para


profissionais desta área demonstra que o Business Intelligence, juntamente
com suas variantes, como Business Discovery e Big Data, está em crescimento
contínuo.

Para empresas que desejam estar à frente da concorrência, é


necessário implantar uma ferramenta de BI, para que a organização passe a
ter domínio sobre o conhecimento interno e sobre o conhecimento dos seus
concorrentes. Os gestores transformarão este conhecimento fornecido pelo BI
em decisões estratégicas. Se analisarmos mais profundamente o conceito do
Business Intelligence e extraindo a tecnologia como conhecemos hoje,
percebemos que ele é utilizado há milhares de anos por povos do oriente, que
analisavam informações da natureza, cruzavam os dados e tomavam decisões
a partir destas informações. A tomada de decisão é o produto final do BI.
18

3 Projeto Técnico

O projeto para gerenciamento estratégico e apoio na tomada de


decisões da operadora de plano de saúde é a criação de um dashboard
objetivo, claro, em única tela e que possua filtros de seleção indicados pela
gestão, que veremos adiante em outro capítulo e controles também indicados
pela alta gestão. Através deste dashboard, com apenas uma “leitura” simples, a
alta e média gerência terão informações suficientes e fidedignas à realidade
para tomar decisões assertivas.

3.1 Controles necessários para o Negócio

As operadoras de planos de saúde possuem diversos indicadores,


metas e KPIs que precisam ser analisados em frequência diária, pois a cada
dia os números podem alterar drasticamente. Para este projeto técnico, a
operadora de planos de saúde determinou que seria imprescindível que os
indicadores abaixo fossem visualizados:

 Controle de vidas ativas


 Percentual dentro da Rede própria
 Sinistralidade
 Percentual de atendimentos em emergência
 Receita
 Consulta por beneficiário
 Exames por beneficiário
 Exames por consulta
 Percentual de consultas em OS
 Percentual e valor do sinistro de pacientes crônicos
 Percentual de consultas sobre total
 Percentual de exames sobre total
 Percentual de internações sobre total
 % Crônicos sobre total
 Ticket Médio

3.2 Escolha da ferramenta de BI

Existem diversas ferramentas de BI no mercado que auxiliam no


processo decisório. Escolher uma delas é uma tarefa não muito fácil pois cada
ferramenta possui seus pontos positivos e negativos e em muitos casos, um
ponto negativo pode não ser importante para um determinado projeto.
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Ferramentas como Cognos, Microstrategy, Hyperion, Business Objects, Oracle


e SAP estão a cada dia sendo prospectadas pelas empresas como soluções de
Business Intelligence.

Por existir inúmeras ferramentas para criação de dashboard e relatórios


com técnicas de Business Intelligence e nem todas possuem versão freeware
ou versão de teste, a metodologia utilizada para a escolha da ferramenta
adequada ao projeto foi através de pesquisas em sites especializados e em
literaturas do ramo.

Os estudantes da Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio),


Thays Sá, Alessandra Mateus, Massao Iwanaga, Alessandro Ribeiro, Tatiana
Escovedo, Rubens N. Melo elaboraram um estudo comparativo com as
principais características de cada ferramenta intitulado “Uma Análise
Comparativa entre as Ferramentas OLAP como Apoio a Soluções de BI nas
Empresas”. Eles utilizaram uma classificação com escala que vai de MR (Muito
Ruim) a MB (Muito Bom). São elas:

 “Muito bom” ou “MB” – Quando o recurso funciona de forma eficiente,


superando as expectativas de funcionamento esperada.
 “Bom” ou “B” – Quando o recurso funciona de forma adequada e
esperada.
 “Regular” ou “RE” – Quando o recurso funciona de forma mediana.
 “Ruim” ou “R” – Quando o recurso não segue um padrão adequado.
 “Muito Ruim” ou “MR” – Quando o recurso é ausente ou funciona de
forma precária, podendo levar a falhas.
 “N/E” – Não Encontrado, de Fonte Não Confiável ou Não Aplicável

Foram analisadas sete ferramentas OLAP com oito critérios de avaliação, e


estes critérios foram divididos em subcritérios. Os critérios e subcritérios
elegidos foram:

1. Básicos: São avaliadas características consideradas básicas para


qualquer ferramenta OLAP

1.1. Desempenho: avalia se a ferramenta tem uma boa performance ao


processar consultas com um alto volume de dados.
20

1.2. Consultas ad hoc OLAP: avalia se a ferramenta permite ao usuário


ter a liberdade de definir consultas que acredita ser melhor em um dado
contexto;

1.3. Arquitetura: avalia se a solução implementa arquiteturas OLAP que


possuem alta escalabilidade, como por exemplo, ROLAP ou HOLAP;

1.4. Plataforma: avalia se a ferramenta pode ser executada nos sistemas


operacionais mais difundidos, como Windows, Linux e UNIX.

1.5. Suporte Técnico/Documentação: avalia o nível de qualidade da


documentação e suporte técnico oferecido pela ferramenta.

2. Relatórios: Usabilidades dos relatórios e gráficos

2.1. Agendamento: avalia se a ferramenta permite o agendamento de


relatórios.

2.2. Dashboards: avalia se a ferramenta possibilita a criação de painéis.

2.3. Recursos de navegação: avalia se a ferramenta oferece suporte


para a geração de relatórios com recursos do tipo Drills, Slice and Dice,
etc.;

2.4. Exportação para outros formatos: avalia se a ferramenta dispõe de


recursos de exportação para formatos como PDF, HTML e ODT (para
permitir futuramente a integração com ferramentas livres).

3. Funcionalidades Web: Disponibilidade da Empresa via Web para suporte

3.1. Fóruns: avalia se a ferramenta possui fóruns/blogs em quantidade


razoável que forneçam informações relevantes.

3.2. Help On-line: avalia se a ferramenta possui o recurso de ajuda on-


line.

3.3. Suporte a dispositivos móveis: avalia se a ferramenta suporta o uso


de dispositivos móveis como IPad’s, iPhone e BlackBerry por exemplo.

4. Simulação de Cenários: Análises feitas com a interação do usuário


21

4.1. Simulação What If: avalia se a ferramenta possui o recurso de


simulação de cenários hipotéticos, exibindo-os através de gráficos e
dados.

4.2. Análise Preditiva: avalia se a ferramenta disponibiliza o recurso de


utilizar os dados para prever tendências futuras e padrões de
comportamento.

5. Usabilidade: Ponto de vista do usuário para utilização da ferramenta

5.1. Facilidade de uso: indica o quão fácil é para o usuário leigo


identificar suas funcionalidades, onde encontrá-las e como executá-las;

5.2. Atratividade: avalia o grau em que a ferramenta possui uma


interface amigável e atrativa;

5.3. Interface personalizável: identifica se a ferramenta permite


customizações de interface para atender, por exemplo, a padrões
gráficos e visuais do cliente.

6. Produto: Licenças e posicionamento da empresa no mercado

6.1. Custo: avalia o custo para a compra da licença da ferramenta;

6.2. Amadurecimento do produto: visa analisar o nível de consolidação e


estabilidade da ferramenta;

6.3. Mercado: indica o porte das empresas usuárias do produto.

7. Ferramenta de Planejamento: Modo de distribuição dos relatórios

7.1. Carregamento de dados de diferentes fontes: avalia a possibilidade


de integração da solução com fontes de dados heterogêneas.

7.2. Integração com Office: avalia a possibilidade de integração da


solução com as ferramentas do Office, que são comumente usadas pela
maioria dos usuários.

8. Política de Segurança: Segurança dos dados

8.1. Perfil de usuário: verifica se a ferramenta permite que o


administrador defina níveis hierárquicos para os usuários do sistema;
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8.2. Log de Auditoria: avalia se a ferramenta permite que as empresas


auditem as interações do usuário, mantendo logs no nível do sistema
para fornecer visibilidade sobre quem está acessando o quê e quando.

Abaixo estão as análises realizadas através de pesquisas bibliográfica,


estudos de casos e participação em fóruns especializados.

Avaliação dos Subcritérios do Critério Básico


Ferramenta 1.1 1.2 1.3 1.4 1.5
Cognos B MB MB MB MB
MicroStrategy B MB MB MB MB
Business Objects RE MB MB MB MB
SAS MB B MB N/E B
Oracle BI B B B MB RE
Qlikview B B N/E N/E R
Pentaho RE B MB MB MR

Avaliação dos Subcritérios do Critério Relatório


Ferramenta 2.1 2.2 2.3 2.4
Cognos B MR MB MB
MicroStrategy N/E R MB MB
Business Objects B MB MB B
SAS B R MR B
Oracle BI B RE B R
Qlikview N/E B MB R
Pentaho N/E B B MB

Avaliação dos Subcritérios de Funcionalidades web e simulação de


cenários
Ferramenta 3.2 3.2 3.3 4.1 4.2
Cognos RE B N/E RE RE
MicroStrategy B MB MB RE B
Business Objects B MB MB RE RE
SAS B B N/E N/E MB
Oracle BI RE B N/E R R
Qlikview B B MB MR MR
Pentaho B RE N/E N/E RE

Avaliação dos Subcritérios do Usabilidade


Ferramenta 5.1 5.2 5.3
Cognos R R RE
MicroStrategy RE RE B
23

Business Objects B B MB
SAS R R B
Oracle BI B B RE
Qlikview MB MB MB
Pentaho RE RE MB

Avaliação dos Subcritérios de Produto


Ferramenta Custo 6.2 Mercado
Cognos Muito Alto MB Grandes empresas
MicroStrategy Muito Alto MB Grandes empresas
Business Objects Baixo* MB Grandes empresas
SAS Alto B Médias e grandes empresas
Oracle BI Muito Alto B Pequenas, médias e grandes
empresas
Qlikview Baixo B Pequenas, médias e grandes
empresas
Pentaho Não possui RE Médias e grandes empresas

Avaliação dos Subcritérios de Ferramentas de


Planejamento e Políticas de Segurança
Ferramenta 7.1 7.2 8.1 8.2
Cognos RE B R RE
MicroStrategy MB MB MB N/E
Business Objects RE B MB MB
SAS B MB B B
Oracle BI RE RE MB B
Qlikview MB MR MB MB
Pentaho B R MB B

Ao se levar em consideração custo-benefício, duas dessas ferramentas


se destacaram: Pentaho e Qlikview. Apesar da ferramenta Pentaho ser
opensource, a curva de aprendizado é maior e a forma de desenvolvimento de
gráficos é mais complexa que na ferramenta Qlikview.

Além da avaliação acima, um dos parâmetros que foram decisivos na


escolha da solução de BI foi o relatório “Magic Quadrant for Business
Intelligence” do Gartner Group. Ele é um relatório anual sobre o mercado de
Business Intelligence e reflete as inovações e as mudanças que ocorrem no
mercado. Neste relatório é criado uma matriz com quatro quadrantes, onde na
horizontal é avaliada a visão da empresa em termos de inovação tecnológica e
24

abrangência sobre as necessidades do mercado e na vertical o relatório traz o


quanto as empresas tem habilidade de executar, implantar o que prometem.
Em seu blog, Felipe Rampinelli explica o que representam os quatro
quadrantes:

Leaders (superior-direito): as empresas que aparecem neste espaço


são consideradas líderes de mercado por apresentarem a melhor visão
tecnológica, com um portfólio mais completo e ampla capacidade de executar o
que prometem.

Challengers (superior-esquerdo): são players importantes de


mercado, provavelmente com uma boa participação de mercado proporcionada
pela boa capacidade de execução, mas que estão atrás dos líderes em termos
de abrangência e inovação.

Visionaries (inferior-direito): neste quadrante aparecem as empresas


que têm aspectos fortes de inovação e visão abrangente de mercado, mas que
na prática as suas ferramentas ainda não conseguem entregar o que se
propõem.

Niche Players (inferior-esquerdo): aqui ficam as empresas que


atendem nichos de mercado, por diversos motivos. Não espere soluções que
atendam toda e qualquer empresa, mas provavelmente em seus segmentos
são extremamente fortes e consistentes.

Podemos verificar abaixo que no ano de 2015 a solução Qlik continua


como uma das empresas líderes do mercado de BI e com as vantagens que
serão listadas, foi a escolha ideal para este e para futuros projetos.
25

Figura 1 – Quadrante Mágico do Gartner Group

3.3 Qlikview

O Qlikview é um aplicativo exclusivo e patenteado e tornou-se uma


poderosa e surpreendente ferramenta de Business Intelligence e Business
Discovery.

3.3.1 Vantagens do Qlikview

Dados em memória

Quando se abre um arquivo criado no Qlikview, todos os dados são


alocados em memória para que possam ser utilizados para criação de
26

dashboards, gráficos, relatórios, etc. Ele é o único aplicativo de BI que utiliza


memória associativa. Isto fornece uma enorme vantagem para este aplicativo
em relação aos aos concorrentes, pois o problema com lentidão de acesso a
mídias físicas é completamente sanado. Esta tecnologia permite o cruzamento
de informações sem a necessidade de acionamento da TI. A empresa QWay é
especializada em Business Intelligence através do Qlikview, e em seu site
afirma que “O QlikView opera inteiramente em memória podendo combinar
dados de diversas fontes com o melhor desempenho, independentemente de
onde estas fontes executarem suas atividades, se pode ser acessado, o
QlikView lê”. O acesso é praticamente instantâneo.

Figura 2 – Representação da Tecnologia In-Memory do Qlikview

Facilidade de desenvolvimento

O aplicativo possui linguagem de script própria, muito rica e com


centenas de funções para auxiliar o desenvolvedor a transformar os dados
carregados da fonte. A área gráfica é intuitiva e simples de ser criada, bastando
escolher corretamente a dimensão e expressão.

Liberdade para os usuários


27

Este aplicativo foi criado com foco no usuário, elevando o Business


Intelligence para Business Discovery, onde o próprio usuário tem a liberdade
de manipular os gráficos, efetuar pesquisa associativa e descobrir dados sobre
a empresa que nem ele mesmo sabia.

ETL e DW próprios

ETL é o processo responsável por extrair dados de diversas fontes


(Extraction). Transformar, limpar e adequar os dados destas fontes em algo útil
para o projeto (Transformation); e por fim, carregar estes dados transformados
em uma outra base de dados (Loading), (NOGARE, 2014). Muitas ferramentas
de BI não possuem ferramenta ETL integrada, ou até mesmo necessitam de
outros aplicativos para esta demanda, porém o Qlikview possui ETL próprio,
isto quer dizer que o desenvolvedor pode conectar em diversas fontes,
transformar os dados e efetuar carga diretamente para a visão ou para um
arquivo de banco de dados próprio do Qlikview, que é outra vantagem
importantíssima sobre os concorrentes.

Em outros aplicativos de Business Intelligence é necessário criar um


DW, que segundo Carlos Barbieri, em seu livro BI2 – Business Intelligence:
Modelagem e Qualidade, são estruturas especiais de armazenamento com o
objetivo de montar uma base de recursos informacionais capaz de sustentar a
camada de inteligência da empresa e possível de ser aplicada aos seus
negócios, ou seja, um armazém de dados com informações organizadas de
forma a facilitar o processo analítico. A criação de uma DW faz com que o
custo do projeto aumente consideravelmente, porém utilizando o Qlikview não
é necessário criar um DW, visto que ele possui banco de dados próprio com os
dados já transformados através do processo de ETL próprio. Tudo isto é
executado de forma muito simples e rápida.
28

Figura 3 - Estrutura interna do Qlikview

Conectividade

Podemos conectar diversas fontes de dados ao Qlikview, como por


exemplo SQL Server, Oracle, MySQL, PostgreSQL, planilhas Excel, arquivos
texto e até mesmo endereço de sites para gerar visões de BI.

Figura 4 – Representação da conectividade no Qlikview

Mobilidade
29

Além de todas as vantagens descritas nos tópicos anteriores, o Qlikview


possui versões mobile e pode ser acessado de qualquer dispositivo conectado
à internet. Em uma sociedade altamente competitiva, é indispensável que um
gestor, mesmo em viagem, possa tomar decisões estratégicas à distância.

3.3.2 Desvantagens do Qlikview

Nenhuma ferramenta é perfeita, cada uma possui seus prós e contras,


qualidades e dificuldades. O Qlikview não é uma exceção, porém até mesmo
uma busca no site de busca Google com a expressão “pontos negativos do
Qlikview” nos traz resultados subjetivos, muitas vezes sem ligação com o
objetivo de demonstrar quais as dificuldades a ferramenta nos traz. Alguns
resultados negativos podem ser listados:

 QlikTech, dona do Qlikview não possui uma estratégia de expansão além


do que ela oferece, não possuindo uma visão clara sobre seu futuro;
 Gerenciamento de metadados limitado;
 Em sua plataforma, há uma incompletude de habilidades de BI essenciais
como: modelagem preditiva, maior integração com o Microsoft Office, etc;
 Implementação está se tornando cara para necessidades que requeiram
maior número de usuários.

3.3.3 Testes realizados com a ferramenta

Para confirmar a performance da ferramenta escolhida, foram efetuados


testes de execução onde foi importada uma carga de dados de 20 milhões de
registros e criados relatórios específicos. Foram adicionados filtros de seleção
a fim de obter relatórios operacionais, com o máximo de detalhes possíveis. O
processamento das informações é praticamente instantâneo devido à
tecnologia patenteada InMemory. Após a execução dos testes em ambiente de
desenvolvimento, confirmou-se que a ferramenta ideal para os projetos do
Grupo SH Brasil é a Qlikview, da empresa Qliktech.
30

4 Desenvolvimento da visão de BI

4.1 Fonte de dados

O primeiro passo para desenvolver uma visão de BI, seja um relatório


operacional ou um dashboard é verificar que tabelas do banco de dados,
planilhas do Excel ou arquivo texto que serão utilizadas no projeto. O Qlikview
aceita diversas fontes de dados, conforme relatado nas vantagens do aplicativo
no item 3.3.1. Em nosso caso, a operadora Nordeste Saúde possui um sistema
legado, criado em sua maior parte na linguagem ASP, contendo alguns
módulos em C# ASP.net, com banco de dados SQL Server 2008. Este projeto
utilizará apenas as tabelas principais do banco de dados, que são:

Tabela Conteúdo
beneficiario Tabela contendo os usuários do plano de saúde. Eles são
responsáveis pelos gastos dentro da operadora. Quanto
mais eles gastam, menor o lucro e consequentemente,
maior o risco para o negócio. Estes gastos precisam ser
controlados de alguma forma, e o dashboard ajudará a
compreender algumas situações.
cliente Esta é a tabela contendo as empresas que contratam os
serviços da operadora. Todo beneficiário possui relação
com uma empresa, que possui uma relação com a
operadora. Destas empresas a operadora obtém os
recursos financeiros para se manter. Existe uma
negociação para cada empresa, portanto a relação lucro por
custo devem ser analisados empresa por empresa.
autoriza Toda solicitação de um beneficiário é registrada nesta
tabela. Ela é a solicitação global de um beneficiário e possui
um número de identificação único.
autoriza2 Esta tabela possui os itens da autoriza. Se um beneficiário
solicita 15 exames à operadora, ela registra a autorização e
insere os 15 exames na tabela autoriza2, onde nem sempre
todas as solicitações são autorizadas, tudo depende das
regras de negócio, contrato com a empresa, limitações
médicas, entre outros parâmetros.
demografia Esta tabela é imprescindível para trazer algumas
informações importantes para o negócio, pois ela contém a
quantidade de vidas ativas na operadora por mês e ano.
Quando buscamos informações históricas onde são
envolvidos os beneficiários de determinado mês e ano, os
dados desta tabela são utilizadas.
cred Esta tabela traz os credenciados, ou as empresas
responsáveis pelos atendimentos dos beneficiários, de
acordo com a especialidade que possuem. Através do
cadastro de beneficiário nesta tabela, possuímos a
31

informação se o mesmo faz parte de uma rede externa ou


se faz parte da rede interna, que são as clínicas do Grupo
SH Brasil.
faturamento Nesta tabela constam todos os pagamentos efetivados
pelas empresas contratantes. Através destes dados, temos
a relação de receita x despesas da operadora.

4.2 Script de carga de dados

Como foi citado anteriormente, o Qlikview possui ferramenta de ETL


interno e DW próprio, o que reduz o custo com aplicativos externos e banco de
dados. Após definir quais dados serão utilizados no projeto, é necessário criar
um script no Qlikview para que estes dados sejam importados para o software.
Este é o primeiro e mais importante passo na construção de uma visão de BI
no Qlikview. Se a carga de dados não utilizar os comandos corretos, todo o
projeto perde a confiabilidade, visto que trará resultados diferentes da
realidade.

Ao utilizar a tecla de atalho CTRL + E você tem acesso ao Editor de


script, onde poderá inserir toda a programação necessária para a criação da
visão de BI. Abaixo você pode ver esta tela e suas opções:

Figura 5 - Editor de script do Qlikview

Por uma questão de segurança da informação, não podemos listar todos


os comandos utilizados na carga desta visão de BI, portanto, como auxílio aos
desenvolvedores que desejam trabalhar com o aplicativo, traremos a estrutura
32

básica do script para carga de dados e seus principais comandos, que auxiliam
no desenvolvimento e sucesso do projeto:

//CONFIGURAÇÕES GERAIS:
SET ThousandSep='.';
SET DecimalSep=',';
SET MoneyThousandSep='.';
SET MoneyDecimalSep=',';
SET MoneyFormat='R$ #.##0,00;-R$ #.##0,00';
SET TimeFormat='hh:mm:ss';
SET DateFormat='DD/MM/YYYY';
SET TimestampFormat='DD/MM/YYYY hh:mm:ss[.fff]';
SET MonthNames='Jan;Fev;Mar;Abr;Mai;Jun;Jul;Ago;Set;Out;Nov;Dez';
SET DayNames='Seg;Ter;Qua;Qui;Sex;Sáb;Dom';

//STRING DE CONEXÃO:
OLEDB CONNECT32 TO [Provider=SQLOLEDB.1;Persist Security Info=True;User ID=biupdate;Initial
Catalog=NORDESTE;Data Source=10.189.199.7;Use Procedure for Prepare=1;Auto
Translate=True;Packet Size=4096;Workstation ID=DISCOVERY2;Use Encryption for Data=False;Tag with
column collation when possible=False] (XPassword is CAXReaBOELYIXSBICLaEDDC);

//CARGA DE TABELA:
NOME_DA_TABELA_NO_QLIKVIEW:
LOAD
COMANDOS DE CARGA
SQL
COMANDOS SQL REALIZADOS NO BANCO

//GRAVANDO OS DADOS DA TABELA EM ARQUIVO DE BANCO DE DADOS DO QLIKVIEW;


STORE NOME_DA_TABELA_NO_QLIKVIEW INTO NOME_DA_TABELA_NO_QLIKVIEW.qvd;

//GERA AS DIMENSÕES DE CALENDARIO:


Calendario:
LOAD data,
day(data) as [Dia],
month(data) as [Mês],
year(data) as [Ano],
date(MonthsStart(data,'mm/yyyy')) as [Mês/Ano],
ceil(Month(data)/3)&'º Trim' as [Trimestre],
ceil(Month(data)/4)&'º Quad' as [Quadrimestre],
QuarterName(data) as [Quad/Ano],
ceil(Month(data)/6)&'º Sem' as [Semestre]
Resident NOME_DA_TABELA_NO_QLIKVIEW;

O comando SQL utilizado no script é sempre o SELECT. Não é


permitido no Qlikview comandos que alterem a base de dados, que não
INSERT, UPDATE ou DELETE. Esta não é a função de um aplicativo de
Business Intelligence.

Os comandos de carga tratam os dados trazidos pelo comando SQL. O


Qlikview possui uma linguagem de script própria com centenas de funções para
agregação, aritméticas, de tratamento de string, manipulação de datas e muitas
outras. Abaixo trazemos uma tabela de funções utilizadas para o projeto:

Tabela de funções utilizadas no projeto


Função Descrição Exemplo
33

Hash128 Retorna um hash de 128 bits dos Hash128 (Região, Ano,


valores combinados de entrada da Mês)
expressão. O resultado é um
caractere.
If Os três parâmetros, condição, If(Valor>=0, 'OK', 'Alarme' )
então e senão são expressões. O
primeiro, condição, é interpretado
logicamente. Os dois restantes,
então e senão, podem ser de
qualquer tipo. De preferência,
devem ser do mesmo tipo. Se a
condição for verdadeira, a função
retornará o valor da expressão
então. Se a condição for falsa, a
função retornará o valor da
expressão senão.
Left Subcaracter do caracter s. O Left('abcdef',3) retorna
resultado é um caracter que 'abc'.
consiste nos primeiros n
caracteres de s.
Upper Força o uso de maiúsculas para Upper('abcD') retorna
todos os dados na expressão. 'ABCD'.
IsNull Retornará -1 (verdadeiro) se expr IsNull(expressão)
retornar NULL; caso contrário,
retornará 0 (falso).
AddMonth Retorna a data que ocorre n AddMonths('29/03/2015',3)
s meses após a datainicial ou, se n retorna '29/06/2015'
for negativo, a data que ocorre n
meses antes da datainicial.
MakeDate Retorna uma data calculada a MakeDate(2015) retorna
partir do ano AAAA, do mês MM e 01/01/2015
do dia DD.

Se nenhum mês for indicado, 1 de


janeiro será assumido.

Se nenhum dia for indicado, 1 (o


primeiro) será assumido.
Age Retorna a idade no momento da Age(‘14/05/1977’, Now())
data/hora (em anos completados) de retorna 37 sendo hoje
alguém nascido na 29/03/2015.
data_de_nascimento.
Now Retorna uma data/hora atual do Now()
relógio do sistema.
Floor Arredondamento de x para baixo até Floor(2.6 ) retorna 2
o múltiplo mais próximo de base com Floor(3.88 , 0.1 ) retorna
um deslocamento de offset. O 3.8
resultado é um número.

Num A função Num formata a expressão Num(3458.325, 0.0)


34

numericamente, de acordo com o retorna 3458.3


caractere apresentado como código
de formato.
Date Formata a expressão como uma Date(expressão)
data, de acordo com o caractere
apresentado como código de
formato. Se o código de formato
não estiver especificado, será
usado o formato de data definido
no sistema operacional.
Day Dia. Retorna um inteiro que Day('29/03/2015') retorna
representa o dia quando a fração
29.
de expressão é interpretada como
data de acordo com a
interpretação numérica padrão.
Month Retorna caracteres de texto que Month('29/03/2015')
representam o mês quando a
retorna 3.
fração de expr é interpretada
como data, mas pode ser
formatado como um número.
Year Retorna um inteiro que representa Year('29/03/2015') retorna
o ano quando a fração de
2015.
expressão é interpretada como
data de acordo com a
interpretação numérica padrão.

Após a realização da carga de dados através do script, podemos


visualizar as tabelas e seus relacionamentos. Estes relacionamentos são
criados de duas formas: através de nomes iguais dos campos das tabelas ou
utilizando a função Hash, que cria uma chave composta de um ou mais
campos. Para acessar o visualizador de tabelas pode-se utilizar o atalho CTRL
+ T ou clicar no menu Arquivo, Visualizador de tabela.
35

Figura 6 - Estrutura das tabelas já carregadas no Qlikview com seus relacionamentos

A partir desta fase, pode-se iniciar o desenvolvimento do front-end


contendo os filtros e gráficos necessários para as análises.

4.3 Criação do Front-end

O desenvolvimento da parte visual no Qlikview é uma tarefa fácil e


intuitiva. Seu assistente de criação de gráfico, que pode ser acessado no menu
Ferramentas / Assistente de Gráfico Rápido facilita o trabalho do
desenvolvedor. Em apenas quatro passos pode-se criar gráficos de diversos
tipos. Vejamos abaixo os quatro passos do assistente:

Passo 1 – Selecionar o tipo de gráfico. Nesta tela o desenvolvedor pode


selecionar entre os Gráfico de Barras, Gráfico de Linhas, Gráfico de Pizza,
Tabela Simples, Tabela Dinâmica e Gráfico de Mostrador.

Passo 2 – Definir as dimensões. A menos que tenha selecionado o


Gráfico de mostrador no primeiro passo, você verá a página Definir Dimensão.
Essa página é automaticamente pulada para gráficos de medidor porque eles
normalmente não têm dimensões. Selecione uma ou mais dimensões nas
caixas de verificação. As dimensões definem os valores para cálculo das
expressões do gráfico. Voltando para o nosso exemplo da mercearia, o produto
seria uma dimensão. Para nosso estudo de caso, o cliente seria uma
dimensão.
36

Passo 3 – Definir a expressão. As expressões definem os valores


calculados nos gráficos. Expressões no Qlikview podem variar de curtas e
simples a longas e complexas. Esta página permite escolher entre três
expressões de base muito comuns ou que se digite a sua própria expressão.
Abaixo as expressões que podem ser selecionadas:

Sum – Essa opção traz a soma numérica de um campo, por exemplo,


sum(valor_do_produto), que traz a soma dos valores de acordo com a
dimensão informada.

Average – Essa opção traz a média numérica de um campo, por


exemplo, avg(valor_do_produto).

Count – Essa opção traz o número de valores de um campo, por


exemplo, count(produto).

Custom – Podemos utilizar esta opção de expressão se desejarmos


digitar diretamente nossa própria expressão.

Depois de finalizar o assistente, você pode alterar a expressão e/ou


incluir mais expressões a qualquer momento, no diálogo Propriedades do
Gráfico.

Passo 4 – Definir o formato do gráfico. Esse quarto passo no assistente


nos permite ajustar o formato do gráfico. Uma vez que as definições de formato
variam entre os tipos de gráficos, o conteúdo da página será diferente
dependendo do tipo de gráfico que selecionar no passo 1 do assistente.

Após a criação dos gráficos necessários e organização visual dos


mesmos, foi criado um dashboard com nove áreas contendo os resultados para
análise e mais uma área superior com os filtros que podem ser utilizados pelo
usuário.
37

Figura 7 - Visão geral do painel de controle

4.4 Filtros de seleção

Filtros de seleção são caixas de seleção onde o usuário pode informar


parâmetros de busca e visualizar o resultado para esta busca. Listamos abaixo
os filtros de seleção solicitados pela alta gerência do negócio. Ao selecionar
qualquer filtro, todos os gráficos são alterados instantaneamente para que o
usuário verifique as informações para aquela seleção. São eles:

 Ano – Seleciona o ano-base para análise. Se por exemplo,


selecionarmos o ano de 2014, todos os cálculos do dashboard
trarão como base o ano de 2014 e o restante das opções de ano
serão desconsideradas.
 Mês – Seleciona o mês-base para análise. Este filtro não depende
da seleção do ano, apesar de ser lógico selecionar o ano e depois
o mês, porém para algumas análises pode ser interessante ter
ideia do que acontece em determinado mês independente do ano.
38

 Classificação – Neste filtro podemos selecionar a classificação


das empresas mediante o percentual de sinistro. São quatro
classificações: A (empresas com sinistro até 65%), B (sinistro
entre 65 e 75%), C (sinistro entre 75 e 85%) e D (sinistro acima
de 85%).
 Situação Cliente – Este filtro traz as opções de clientes ativos,
suspensos ou inativos). Geralmente os clientes ativos são os
alvos das análises.
 Categoria – Categoria empresarial dos clientes.
 Cliente – Filtro que lista os clientes para uma análise mais
detalhada.
 Situação Beneficiário – Este filtro nos dá opção de beneficiários
ativos ou inativos. Mais uma vez, o alvo das análises são os
beneficiários ativos.

Área 1

Figura 8 – Gráfico tipo linha com dados de vidas ativas

O número de vidas ativas na operadora é um dos maiores indicadores e


deve ser observado com cautela, pois nem sempre um número alto de vidas
significa lucro certo. Devem ser levados em consideração a categoria e o
segmento das empresas. Uma empresa do segmento rodoviário, onde os
funcionários trabalham por turno e possuem flexibilidade de horário tende a
39

utilizar muito mais o plano de saúde que uma indústria, onde os funcionários
não estão localizados próximo do centro da cidade.

Área 2

Figura 9 – Gráficos de rede própria, percentual de sinistro e percentual em emergência, além


de dados sobre vida, quarentena e gastos em internação

Quando uma operadora de plano de saúde faz parte de um grupo que


possui unidades de atendimento como hospitais, clínicas e maternidade, o
percentual de atendimentos dentro da rede própria é um indicador importante e
não pode deixar de ser levado em consideração. Quanto mais atendimentos
dentro da rede própria, melhor para a operadora, pois os custos são
controlados, o lucro é maior, outro negócio do grupo é beneficiado e os
procedimentos são minimizados. Em credenciados externos, as solicitações
médicas serão atendidas e muitas não possuem necessidade.

Outro indicador desta área é o percentual de sinistro, que é o valor do


Sinistro (despesas com o beneficiário) dividido pela Receita (valores que a
operadora recebe das empresas). Tudo na operadora gira em torno do sinistro.
Quanto menor o sinistro, maior a lucratividade. Muitas decisões são tomadas
em torno deste controle.

Os atendimentos de emergência possuem alto valor e devem ser


monitorados, visto que muitos beneficiários utilizam a emergência para fraldes
e para obter atestados. Se o número de atendimentos em emergência
40

aumenta, o sinistro aumenta, trazendo prejuízo para o negócio e para as


empresas-clientes.

Nesta área ainda visualizamos em forma de texto o percentual de


beneficiários em quarentena, que são beneficiários com alto sinistro dentro da
operadora e que possuem o cadastro sinalizado para que os mesmos só
possam efetuar novas solicitações através de contato telefônico.

O total de vidas desta área são os beneficiários ativos atualmente,


independente de valores históricos da tabela de demografia. Por último
podemos ver a informação do percentual de gastos através de atendimento de
internação.

Área 3

Figura 10 – Gráfico tipo barra com dados de receita

Esta área traz a Receita em gráfico de barras com as dimensões ano,


mês, trimestre, quadrimestre e semestre de forma rotativa. Como podemos ver
no título do gráfico, o valor deve ser multiplicado por mil para encontrar o valor
em reais.

Área 4
41

Figura 11 – Gráfico tipo barra com dados de sinistro

Esta área traz o percentual de sinistro, assim como na área 2, porém


aqui visualizamos os dados historicamente. A dimensão é um calendário
rotativo, possuindo ano, mês, trimestre, quadrimestre e semestre. O cálculo da
Sinistralidade (que é o percentual do sinistro) é o valor dos gastos dividido pela
receita.

Área 5

Figura 12 – Gráficos do tipo termômetro indicando consultas e exames por beneficiário,


exames por consulta e percentual de consultas em pronto-socorro
42

Nesta área encontramos diversos indicadores importantes para o


negócio, todos em formato de mostrador e com alertas. Caso algum indicador
ultrapasse o valor-limite, o mesmo passa a ter a cor vermelha. Este é um ótimo
recurso visual e ajuda muito a alertar aos gestores sobre um indicador fora da
normalidade. Os indicadores desta área são:

 Consultas por beneficiário – encontrado através da divisão do número


de consultas pelo número de beneficiários da demografia.
 Exames por beneficiários – encontrado através da divisão do número de
exames pelo número de beneficiários da demografia.
 Exames por consulta – encontrado através da divisão do número de
exames pelo número de consultas. Este indicador é relevante pois pode-
se investigar médicos que estão pedindo exames além do suficiente.
 Percentual de consulta em pronto-socorro – este indicador informa
quanto de valor está sendo gasto em atendimentos de emergência.

Área 6

Figura 13 – Gráfico tipo barra com dados de gastos

Esta área traz os gastos dos beneficiários em gráfico de barras com as


dimensões ano, mês, trimestre, quadrimestre e semestre de forma rotativa.
Como podemos ver no título do gráfico, o valor deve ser multiplicado por mil
43

para encontrar o valor em reais. Este indicador por si só não é tão relevante,
pois depende da receita do negócio.

Área 7

Figura 14 – Gráfico tipo tabela de pacientes crônicos

Esta área mostra um gráfico de tabela simples com a contagem de


beneficiários com doenças crônicas e o valor das autorizações do mesmo.
Nesta tela podemos ver que existem 2083 beneficiários com um gasto de
quase 14 milhões de reais. O custo desses beneficiários é altíssimo em relação
aos outros beneficiários, porém é um controle que não se consegue atuar com
efetividade, apenas prevenir ou atuar o mais cedo possível para que o custo
seja menor e a o beneficiário possua menor risco de morte.

Área 8
44

Figura 15 – Gráficos tipo termômetro com dados de consultas, exames, internações e crônicos
sobre total

Mais uma área do dashboard com diversos indicadores agrupados. Ao


contrário da área 5, aqui os cálculos são realizados tendo como divisor o valor
total dos gastos.

 Consultas sobre total – encontrado através da divisão do valor gasto


com consultas pelo valor total de gastos.
 Exames sobre total – encontrado através da divisão do valor gasto com
exames pelo valor total de gastos.
 Internações sobre total – encontrado através da divisão do valor gasto
com internações pelo valor total de gastos.
 Percentual de crônicos sobre total – encontrado através da divisão do
valor gasto com os beneficiários com doenças crônicas pelo valor total
de gastos.

Área 9
45

Figura 16 – Gráfico tipo linha com informações de ticket médio da receita e de gastos

Esta tela possui dois indicadores agregados, sendo estes o ticket da


receita e o ticket do gasto. O cálculo utilizado para este gráfico é a divisão do
valor total do gasto ou da receita pelo número de beneficiários. Quanto maior o
ticket da receita e menor o ticket do gasto, maior o lucro para o negócio.
Podemos visualizar que no mês 08/2014 o ticket do gasto superou o da receita,
indicando que houve prejuízo nas contas neste mês.
46

5 Resultados obtidos

Antes da implantação do dashboard as informações necessárias


poderiam demorar entre 16 a 32 horas úteis para chegar até as mãos dos
solicitantes. Em casos de relatórios complexos, como relatório de crônicos em
relação à procedimentos de alta complexidade, este prazo poderia demorar até
15 dias úteis para ser entregue.

Quando o relatório envolvia outros sistemas e informações associativas,


seria necessário criar um novo sistema trazendo informações de banco de
dados diferentes, relacionando os campos, e gerando os relatórios conforme
solicitação. Devido ao custo-benefício, estes relatórios geralmente são
desconsiderados e os indicadores esquecidos.

Por não haver controle em todas as áreas do negócio, não existia lista
de maiores utilizadores do plano, clientes com alta utilização e taxa de
sinistralidade, controle de quarentena, dentre outros. Enquanto os gestores
analisam superficialmente os indicadores, existe o risco (alto) de uma falsa
prosperidade.

Como teste, solicitamos aos coordenadores da área comercial que


criassem um relatório com o ticket médio dos beneficiários das empresas com
sinistro acima de 65% e abaixo de 75% dos seis primeiros meses do ano de
2014. Através do sistema não foi possível obter esta informação. No
dashboard, a informação foi gerada em 4 minutos, incluindo o tempo de login,
seleção dos filtros e geração do relatório.

Com este resultado e economia, concluímos o desenvolvimento deste


dashboard.
47

6 Considerações finais
As empresas que instalam processos e ferramentas de BI tornam-se
altamente dependentes destas ferramentas tanto pela fidelidade das
informações (visto que através destas ferramentas muitos erros de entrada de
dados são descobertos e ajustados) quanto pela velocidade em que estas
informações são disponibilizadas aos usuários. Agilidade é uma palavra
desejada por diretores, presidentes e CEOs de praticamente 100% das
empresas comprometidas com resultados, principalmente em operadoras de
planos de saúde, onde os riscos são considerados grandes.

O Qlikview com sua tecnologia patenteada e registrada como Business


Discovery vai além de simples relatórios e realmente cumpre o que promete,
que é dar respostas às perguntas que ainda não foram realizadas, antecipando
ações e medidas preventivas e minimizando a possibilidade de ações de
recuperação de recursos e ajustes de sobrevivência da organização. O ROI da
ferramenta é muito rápido e o investimento vale cada centavo. Em momentos
de crise nenhuma empresa deve se dar ao o luxo de viver da sorte ou de
intuições da alta gerência. É preciso trabalhar com fatos em números,
previsões acertadas e decisões assertivas. Qualquer caminho que se tome
deve ser o que leva à um futuro com resultados considerados ótimos, pois as
organizações com resultados medíocres estão fadados a fecharem suas portas
e o aplicativo Qlikview está no topo dos softwares que realmente podem
auxiliar a alta gerência a monitorar seus dados visualmente e fazê-los tomar as
decisões certas no momento certo.

A empresa Grupo SH Brasil está altamente satisfeita com o desempenho


e a agilidade na apresentação visual das informações através do aplicativo
Qlikview. A operadora hoje possui dados nunca analisados anteriormente
devido à grande dificuldade em organizar as informações e relacionar os dados
de sistemas diferentes com velocidade aceitável. Devido a este desempenho,
existem diversos projetos futuros para as outros negócios do grupo, como
controle de leitos, controle de vacinas, exibição de indicadores da TI, controle
de equipamentos, compra de suprimentos, entre outros. Investir em BI é
investir no futuro, adquirir experiência e obter dados relevantes para a tomada
de decisão.
48

7 Referências bibliográficas

Michaelis Moderno Dicionário da Língua Portuguesa, Editora


Melhoramentos, 2012.

NOGARE, Diego. Do banco de dados relacional à tomada de decisão


[livro eletrônico]. Edição 1. São Paulo: Editora B2U, 2014.

BARBIERI, Carlos. BI2 [recurso eletrônico]: Business Intelligence:


Modelagem e Qualidade. Edição 1. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011.

Referências digitais

IT4Biz. O que é Business Intelligence. Disponível em


<http://www.it4biz.com.br/novosite/comunidade/open-source-business-
intelligence/o-que-e-business-intelligence/>. Acesso em 30 mai 2015.

Blog da DDS. Como analisar o Quadrante Mágico do Gartner para


tomada de decisões. Disponível em
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