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Série Van Wylen conteúdo

BORGNAKKE
11 Série Van Wylen 1
Mistura de Gases

· SONNTAG
Introdução e Comentários

12 BORGNAKKE Preliminares

· SONNTAG
Relações Termodinâmicas
2

· SONNTAG
13 FUNDAMENTOS DA ra
dução d
BORGNAKKE Propriedades de uma

a
t
Substância Pura

NA
E DIÇ
Reações Químicas ÃO

TERMODINAMICA

CA
A M E RI

3
14 TEXTO
INTEGRAL A Primeira Lei da Termodinâmica
Introdução ao Equilíbrio de Fases e Equação da Energia
e ao Equilíbrio Químico

4
15
FUNDAMENTOS DA
A obra Fundamentos da Termodinâmica, em sua oitava edição, reafirma sua Análise Energética para um

FUNDAMENTOS DA
TERMODINAMICA
Escoamento Compressível importância como literatura de referência para o estudo da termodinâmica sob a Volume de Controle
C
perspectiva da engenharia. Sua adoção pelas melhores escolas de engenharia do
Apêndice A

TERMODINAMICA
mundo se deve a sua qualidade e sua capacidade de renovação.
5
M

Propriedades Gerais
Y

A Segunda Lei da Termodinâmica


CM
As principais características da oitava edição são:
Apêndice B
MY

CY

Propriedades Termodinâmicas
• Aplicações na engenharia, relacionadas ao assunto de cada capítulo, que procuram deixar 6
CMY mais clara a importância da termodinâmica na atividade do engenheiro. Entropia
K

Apêndice C • Questões conceituais ao longo do texto, para provocar reflexões e melhorar a assimilação
Calor Específico de Gás Ideal dos conceitos. 7
Segunda Lei da Termodinâmica
Houve uma reorganização dos capítulos e todo o conteúdo foi revisto e complementado pelos Aplicada a Volumes de Controle
Apêndice D autores. Vale destacar a ênfase dada às aplicações com os fluidos refrigerantes dióxido de
Equações de Estado carbono e R-410a, este último em substituição ao já abolido R-22.
8
Apêndice E adução d Exergia
r


Figuras

a
t
2ª edição brasileira 9
Sistemas de Potência e

NA
E DIÇ
Respostas para Refrigeração – com Mudança
ÃO

CA
Problemas A M E RI
de Fase

selecionados
10
TEXTO Sistemas de Potência e
Índice Refrigeração – Fluidos de

Remissivo
INTEGRAL Trabalhos Gasosos
Prefácio 1

SÉRIE VAN WYLEN

Fundamentos da
Termodinâmica
Tradução da 8ª edição norte-americana

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2 Fundamentos da Termodinâmica

Tradução

Prof. Dr. Roberto de Aguiar Peixoto

Prof. Dr. Marcello Nitz

Prof. Dr. Marco Antonio Soares de Paiva

Prof. Dr. José Alberto Domingues Rodrigues

Prof. Dr. Efraim Cekinski

Prof. Dr. Antônio Luiz Pacífico

Prof. Dr. Celso Argachoy

Prof. MSc. Joseph Saab

Prof. MSc. João Carlos Coelho

Prof. MSc. Arivaldo Antonio Rios Esteves

Prof. MSc. Clayton Barcelos Zabeu

Instituto Mauá de Tecnologia – IMT


Escola Politécnica da USP

Coordenação e Revisão Técnica


Prof. Dr. Roberto de Aguiar Peixoto
Instituto Mauá de Tecnologia – IMT

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Prefácio 3

SÉRIE VAN WYLEN

Fundamentos da
Termodinâmica
Tradução da 8ª edição norte-americana

Claus Borgnakke
Richard E. Sonntag
University of Michigan

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Título original
Fundamentals of Thermodynamics
A 8ª edição em língua inglesa foi publicada por JOHN WILEY & SONS, INC.
© 2013 by John Wiley & Sons, Inc.

Fundamentos da Termodinâmica
© 2013 Editora Edgard Blücher Ltda.
2ª reimpressão – 2016
1ª edição digital – 2018

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)


Angélica Ilacqua CRB-8/7057

Rua Pedroso Alvarenga, 1245, 4º andar Borgnakke, Claus


04531-934 – São Paulo – SP – Brasil Fundamentos da termodinâmica [livro eletrônico] / Claus
Tel.: 55 11 3078-5366 Borgnakke, Richard E. Sonntag; coordenação e tradução de
contato@blucher.com.br Roberto de Aguiar Peixoto. – São Paulo: Blucher, 2018.
www.blucher.com.br
(Série Van Wylen)
730 p. ; PDF.

Segundo o Novo Acordo Ortográfico, conforme 5. ed.


do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, Tradução da 8ª edição norte-americana
Academia Brasileira de Letras, março de 2009.
ISBN 978-85-212-0793-1 (e-book)
Título original: Fundamentals of Thermodynamics

1. Termodinâmica – engenharia I. Título II. Sonntag,


Richard E. III. Peixoto, Roberto de Aguiar IV. Série

É proibida a reprodução total ou parcial por quaisquer


meios sem autorização escrita da editora. 13-0856 CDD 621.4021

Todos os direitos reservados pela Editora Edgard Blücher Ltda.


Índices para catálogo sistemático:
1. Termodinâmica

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Prefácio 5

Prefácio

Nesta oitava edição, os objetivos básicos das edições anteriores foram mantidos:
• apresentar um tratamento abrangente e rigoroso da termodinâmica
clássica, mantendo uma perspectiva do ponto de vista da engenharia e,
fazendo isso;
• preparar a base para subsequentes estudos em áreas como mecânica dos
fluidos, transferência de calor e termodinâmica estatística, e, também;
• preparar o estudante para o uso efetivo da termodinâmica na prática da
engenharia.

Nossa apresentação é deliberadamente voltada aos estudantes. Novos con­


ceitos e definições são apresentados no contexto em que são, em princípio, re­
levantes em uma progressão natural. O capítulo inicial foi reorganizado com
uma breve introdução, seguida pelas primeiras propriedades termodinâmicas a
serem definidas que são aquelas que podem ser prontamente medidas: pressão,
volume específico e temperatura. No Capítulo 2, são introduzidas tabelas de
propriedades termodinâmicas, mas apenas as que são relativas a essas proprie­
dades mensuráveis. Energia interna e entalpia são apresentadas, relacionadas
à primeira lei; entropia, à segunda lei, e as funções de Helmholtz e Gibbs são
apresentadas no capítulo sobre relações termodinâmicas. Muitos exemplos ex­
traídos do mundo real foram incluídos neste livro para ajudar o aluno a enten­
der a termodinâmica, e os problemas apresentados ao final de cada capítulo
foram cuidadosamente sequenciados para que se relacionassem com o assunto,
e estão agrupados e identificados dessa forma. Principalmente os primeiros ca­
pítulos apresentam um elevado número de exemplos, ilustrações e problemas.
Em todo o livro são incluídos resumos ao final de cada capítulo, seguidos de um
conjunto de problemas de fixação conceitual e estudo que serão de grande valia
para os estudantes.
Esta é a primeira edição que preparo sem as importantes observações do
meu colega e coautor, o saudoso Professor Richard E. Sonntag, que contribuiu
de forma substancial para as versões anteriores deste livro. Eu sou grato pela
colaboração e pelas discussões frutíferas que tive com meu amigo e colega de

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6 Fundamentos da Termodinâmica

confiança, com quem tive o privilégio de trabalhar preensão de por que a energia interna e a entalpia
ao longo das três últimas décadas. O Professor podem variar de forma não linear com a tempera­
Sonntag compartilhou generosamente o seu vas­ tura, resultando em calores específicos variáveis.
to conhecimento e experiência, relacionados com Energias potencial e cinética macroscópicas são
o nosso trabalho mútuo, em edições anteriores adicionadas à energia interna para a contabiliza­
deste livro e em diversos projetos de pesquisa, ção da energia total. A primeira lei da termodinâ­
na orientação de estudantes de doutoramento e na mica que, muitas vezes, é considerada como um
execução de várias tarefas profissionais no nosso sinônimo da equação da energia, é mostrada como
departamento. Em honra às muitas contribuições uma consequência natural da equação da energia
do meu colega, o Professor Sonntag ainda aparece aplicada a um processo cíclico. Nesse caso, a apre­
como um coautor desta edição. sentação atual é baseada na física moderna, em
vez de no desenvolvimento histórico apresentado
em edições anteriores.
NOVAS CARACTERÍSTICAS DESTA Após a discussão sobre o armazenamento de
EDIÇÃO energia, o lado esquerdo da equação da energia, os
termos de transferência, calor e trabalho são ava­
Reorganização dos Capítulos e Revisões liados, de modo que a apresentação toda se tornou
A introdução e os primeiros cinco capítulos da sé­ menor do que em edições anteriores. Isso permite
tima edição foram totalmente reorganizados. Uma que menos tempo seja gasto no material utilizado
introdução mais concisa nos levou à descrição, no para preparação da apresentação da aplicação da
novo Capítulo 1, de alguns conceitos fundamen­ equação da energia em sistemas reais.
tais da física, propriedades termodinâmicas e uni­ Todas as equações de balanço de massa, quan­
dades. No desenvolvimento das ferramentas para tidade de movimento, energia e entropia seguem o
a análise termodinâmica, a ordem de apresentação mesmo formato para mostrar a uniformidade dos
das edições anteriores foi mantida, de modo que o princípios básicos e tornar o conceito como algo
comportamento das substâncias puras é apresen­ a ser compreendido e não meramente memoriza­
tado no Capítulo 2, com uma ligeira expansão e do. Esta é também a razão para o uso dos nomes
separação da descrição dos comportamentos das equação da energia e equação da entropia para
fases sólido, líquido e gás. Novas figuras e explica­ a primeira e segunda leis da termodinâmica, pa-
ções foram adicionadas para mostrar a região de ra salientar que são válidas universalmente, não
gás ideal como comportamento limite para vapor apenas no campo da termodinâmica, mas se apli­
com baixa densidade. cam a todas as situações e campos de estudo, sem
A discussão sobre trabalho e calor agora é in­ exceções. Evidentemente, casos especiais reque­
cluída no Capítulo 3, junto com a equação da ener­ rem extensões de tratamento de questões não
gia, para ressaltar que calor e trabalho são termos abrangidas neste texto, como efeitos de tensão
referentes à transferência de energia, explicando superficial em gotas ou líquidos em pequenos po­
como a energia de uma determinada massa em um ros, relatividade e processos nucleares, para citar
local pode ser alterada em decorrência da transfe­ algumas.
rência de energia para ou de uma massa em outra A equação da energia aplicada a um volume
localização. A equação da energia é apresentada ini­ de controle é apresentada da mesma forma que
cialmente para uma massa de controle (volume de nas edições anteriores, com a adição de uma seção
controle) como: sobre dispositivos de múltiplos escoamentos. No­
vamente, isto ocorre para reforçar aos alunos que
alteração no armazenamento de energia = trans­
a análise é feita aplicando-se os princípios básicos
ferência líquida de energia (entrada – saída)
aos sistemas sob análise. Isso significa que a forma
Em seguida, o capítulo discute o armazena­ matemática das leis gerais se baseia nos diagramas
mento de energia a partir das várias energias in­ e figuras do sistema, e a análise a ser realizada não
ternas, associadas com a massa e a sua estrutura, é uma questão de encontrar uma fórmula adequa­
para melhor compreender como a energia é real­ da no texto.
mente armazenada. Isso também ajuda na com­

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Prefácio 7

Para mostrar o aspecto geral da equação da do conteúdo do curso ou na preparação para exa­
entropia, um pequeno exemplo é apresentado no mes, na medida contendo uma apresentação com­
Capítulo 6, com a aplicação das equações da ener­ pleta, de forma condensada.
gia e da entropia a motores térmicos e bombas de
calor. Isso demonstra que a apresentação histórica
da segunda lei no Capítulo 5 pode ser totalmente Conjunto ampliado de exemplos. Esse docu­
substituída pela postulação da equação da entro­ mento inclui uma coleção de exemplos adicio­
pia e da existência da escala absoluta de tempe­ nais para que os alunos estudem. Esses exemplos
ratura. A partir das leis gerais básicas são apre­ apresentam soluções um pouco mais detalhadas
sentadas as eficiências do ciclo de Carnot e o fato que as apresentadas para os exemplos contidos no
de que os dispositivos reais têm menor eficiência. livro e, portanto, são excelentes para o estudo in­
Além disso, o sentido da transferência de calor de dividual. Há cerca de oito problemas em unidades
um corpo a uma temperatura mais alta para um do SI para cada capítulo, cobrindo a maior parte do
de menor temperatura é previsto pela equação da material dos capítulos.
entropia, em virtude da exigência de uma geração
de entropia positiva. Esses são exemplos que mos­
tram a aplicação de leis gerais para casos específi­ Notas sobre como fazer. As perguntas mais
cos e melhoram a compreensão dos assuntos pelo frequentes estão listadas para cada conjunto
aluno. de assuntos do livro, com respostas detalhadas.
Exemplos:
Os outros capítulos também foram atualizados
de modo a melhorar a compreensão do aluno. A Como posso encontrar um determinado esta­
palavra disponibilidade foi substituída por exer- do para R-410a nas tabelas da Seção B?
gia, como um conceito geral, embora não esteja Como posso fazer uma interpolação linear?
estritamente de acordo com a definição original.
Devo usar energia interna (u) ou entalpia (h)
Os capítulos sobre ciclos foram ampliados, adi­
na equação da energia?
cionando-se alguns detalhes para determinados
ciclos e algumas questões para integrar a teoria Quando posso utilizar a lei dos gases perfeitos?
às aplicações com sistemas reais nas indústrias. O
mesmo ocorre no Capítulo 13 com a apresentação
sobre combustão, de forma a ressaltar a compreen­ Material do instrutor. O material para os ins­
são da física básica do fenômeno, que pode não ser trutores abrange ementas típicas e trabalhos ex­
evidente na definição abstrata de termos como a traclasse para um primeiro e um segundo curso
entalpia de combustão. em termodinâmica. Além disso, são apresentados
exemplos de dois exames parciais de uma hora e
um exame final de duas horas para cursos padrões
Material disponível na web de Termodinâmica I e Termodinâmica II.
Novos documentos estarão disponíveis no site da
Editora Willey, em inglês, para o livro (www.wiley.
com). O material descrito a seguir estará acessível
CARACTERÍSTICAS CONTINUADAS DA
para os alunos, com material adicional reservado 7ª EDIÇÃO
para os instrutores do curso.
Questões Conceituais nos Capítulos
As questões conceituais, ao longo dos capítulos,
Notas de termodinâmica clássica. Um conjun­ são formuladas após as principais seções para que
to resumido de notas abrangendo a análise termo­ o aluno possa refletir sobre o material apresenta­
dinâmica básica com as leis gerais (equações da do. São questões que servem para uma autoavalia­
continuidade, energia e entropia) e algumas das ção ou para que o instrutor ressalte os conceitos
leis específicas, tais como equações para determi­ apresentados para facilitar o seu entendimento
nados dispositivos e equações de processo. Esse pelos alunos.
material é útil para que os alunos façam a revisão

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8 Fundamentos da Termodinâmica

Aplicações na Engenharia ao Final dos Problemas para Estudo


Capítulos O número de problemas oferecidos como prática
A última seção ao final de cada capítulo, que cha­ de aprendizado foi ampliado, sendo agora mais de
mamos aplicações na engenharia, foi revisada com 2800, com mais de 700 problemas novos ou mo­
uma atualização das figuras e alguns exemplos dificados. É apresentado um grande número de
adicionais. Essas seções apresentam material in­ problemas introdutórios para cobrir todos os as­
teressante com exemplos informativos, de como pectos do material do capítulo. Além disso, os pro­
o assunto do capítulo em questão é aplicado na blemas foram divididos por assunto para facilitar
engenharia. A maioria desses itens não apresenta a seleção, de acordo com o material estudado. Em
nenhum material com equações ou desdobramen­ muitas seções, os problemas apresentados ao fi­
tos teóricos, mas contém figuras e explicações so­ nal são relacionados com processos e equipamen­
bre alguns sistemas físicos reais em que o material tos industriais e os problemas mais abrangentes
de tal capítulo é relevante para a análise e projeto são apresentados ao final, como problemas para
da engenharia. Nossa intenção foi manter esses revisão.
itens curtos e não tentamos explicar todos os de­
talhes sobre os dispositivos que são apresentados,
de modo que o leitor terá uma percepção geral da Tabelas
ideia, em um tempo relativamente pequeno. Foram mantidas as tabelas de substância da edi­
ção anterior, com o refrigerante R-410A, que
substituiu o R-22, e o dióxido de carbono, que
Resumos ao Final dos Capítulos
é um refrigerante natural. Várias novas substân­
Os resumos incluídos, ao final dos capítulos, pro­ cias foram incluídas no software. As tabelas de
porcionam uma breve revisão dos principais con­ gases ideais foram impressas em base mássica
ceitos tratados no capítulo, com as palavras-chave assim como em base molar, para atender ao seu
em evidência. Para melhorar ainda mais o resumo uso em base mássica no início do texto, e em base
listamos o conjunto de habilidades que o aluno molar nos capítulos sobre combustão e equilíbrio
deve ter desenvolvido, após ter estudado o capí­ químico.
tulo. Tais habilidades podem ser testadas com os
problemas conceituais juntamente com os proble­
mas para estudo. Software Incluído
Esta edição inclui acesso ao software CATT3
estendido, disponível gratuitamente no site da
Conceitos e Fórmulas Principais
editora, www.blucher.com.br, que inclui várias
Conceitos e Fórmulas principais foram incluídos substâncias adicionais além daquelas incluídas
como referência ao final de cada capítulo. nas tabelas impressas no Apêndice B. O conjunto
atual de substâncias para as quais o software pode
construir tabelas completas são:
Problemas Conceituais
Água
Os problemas conceituais, ao final de cada seção
principal, servem como uma rápida revisão do ma­ Fluidos Refrigerantes:
terial apresentado. Esses problemas são selecio­ R-11, 12, 13, 14, 21, 22, 23, 113, 114, 123, 134a,
nados para que sejam breves e direcionados a um 152a, 404A, 407C, 410a, 500, 502, 507A e C318
conceito muito específico. Um aluno pode respon­
der a todas essas perguntas para avaliar seu ní­ Fluidos criogênicos:
vel de entendimento e determinar se é necessário Amônia, argônio, etano, etileno, isobutano, meta­
que se aprofunde em algum dos assuntos. Esses no, neônio, nitrogênio, oxigênio e propano
problemas também podem fazer parte de tarefas
Gases Ideais:
e trabalhos, juntamente com os outros problemas
para estudo. ar, CO2, CO, N, N2, NO, NO2, H, H2, H2O, O, O2, OH

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Prefácio 9

Alguns deles estão impressos no livreto Ther- AGRADECIMENTOS


mo-dynamic and Transport Properties, Claus
Borgnakke e Richard E. Sonntag, John Wiley and Agradeço as sugestões, os conselhos e o encora­
Sons, 1997. Além das propriedades das subs­ jamento de muitos colegas, tanto da Universida­
tâncias que acabamos de mencionar, o software de de Michigan como de outros locais. Essa aju­
pode também construir a carta psicrométrica e da nos foi muito útil durante a elaboração desta
os diagramas de compressibilidade e diagramas edição, assim como nas edições anteriores. Tanto
generalizados usando a equação de Lee-Kessler os alunos de graduação como os de pós-graduação
modificada para se ter maior precisão com o fa­ foram muito importantes, uma vez que suas per­
tor acêntrico. O software também pode traçar um guntas perspicazes fizeram com que, várias vezes,
número limitado de processos nos diagramas T-s reescrevesse ou reavaliasse certa parte do texto
e log P-log v, oferecendo as curvas do processo ou, ainda, tentasse desenvolver uma maneira me­
real em vez dos esboços apresentados ao longo do lhor de apresentar o material de forma a respon­
texto. der antecipadamente a essas perguntas ou evitar
tais dificuldades. Finalmente o encorajamento de
minha esposa e familiares foi essencial, tornando
FLEXIBILIDADE NA COBERTURA E o tempo que passei escrevendo agradável e pra­
ESCOPO zeroso, apesar da pressão do projeto. Gostaria de
fazer um agradecimento especial a vários colegas
O livro procura cobrir, de forma muito abrangen­ de outras instituições que revisaram as edições
te, o conteúdo básico da termodinâmica clássica. anteriores do livro e, também, forneceram dados
Acreditamos que o livro proporcione preparo ade­ para as revisões. Alguns dos revisores são:
quado para o estudo da aplicação da termodinâmi­
ca nas várias áreas profissionais, assim como para
o estudo de tópicos mais avançados da termodi­
Ruhul Amin, Montana State University
nâmica, como aqueles relacionados a materiais,
fenômenos de superfície, plasmas e criogenia. Sa­ Edward E. Anderson, Texas Tech University
be-se que várias escolas oferecem um único curso Cory Berkland, University of Kansas
de introdução à termodinâmica para todos os de­
partamentos, e tentamos cobrir os tópicos que os Eugene Brown, Virginia Polytechnic
vários departamentos gostariam de ter incluídos. Institute and State University
Entretanto, uma vez que prerrequisitos, objetivos Sung Kwon Cho, University of Pittsburgh
específicos, duração e base de preparo dos alunos
Sarah Codd, Montana State University
variam consideravelmente nos cursos específicos,
o material está organizado, especialmente nos úl­ Ram Devireddy, Louisiana State University
timos capítulos, visando proporcionar muita flexi­
Fokion Egolfopoulos, University of
bilidade na quantidade de material que pode ser
Southern California
tratado.
Harry Hardee, New Mexico State University
O livro abrange mais material do que o neces­
sário para uma sequência de dois cursos semes­ Hong Huang, Wright State University
trais, oferecendo flexibilidade para escolhas sobre Satish Ketkar, Wayne State University
cobertura de determinados tópicos. Os instruto­
res podem visitar o site da editora em www.wiley. Boris Khusid, New Jersey Institute of
com/college/borgnakke para obter informações e Technology
sugestões sobre possíveis estruturas para o curso Joseph F. Kmec, Purdue University
e programações, além de material adicional, refe­
Roy W. Knight, Auburn University
rido como material web, que será atualizado para
incluir as erratas atuais para o livro. Daniela Mainardi, Louisiana Tech University
Randall Manteufel, University of Texas, San
Antonio

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10 Fundamentos da Termodinâmica

Harry J. Sauer, Jr., Missouri University of Gostaria também de dar as boas-vindas à nos­
Science and Technology sa nova editora, Linda Ratts, e agradecê-la pelo
encorajamento e ajuda durante a elaboração desta
J. A. Sekhar, University of Cincinnati
edição.
Ahned Soliman, University of North Caroli-
Espero que este livro contribua para o ensino
na, Charlotte
efetivo da termodinâmica aos alunos que encon­
Reza Toossi, California State University, tram desafios e oportunidades muito significativos
Long Beach durante suas carreiras profissionais. Os comentá­
Thomas Twardowski, Widener University rios, as críticas e as sugestões serão muito apre­
ciados e podem ser enviados para o meu endereço
Etim U. Ubong, Kettering University claus@umich.edu.
Yanhua Wu, Wright State University
Walter Yuen, University of California, San- CLAUS BORGNAKKE
ta Barbara
Ann Arbor, Michigan
Julho de 2012

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Prefácio 11

Prefácio à Edição
Brasileira

Este livro, 8a edição da série Van Wylen, em homenagem a um dos principais


autores das primeiras edições, é um dos livros mais importantes para o ensino
de Termodinâmica. Ao longo dos anos e das suas várias edições, o livro tem con­
tribuído para a formação de estudantes, nos princípios básicos desta ciência, e
de engenheiros, para atuarem nos desafios da área de engenharia térmica.
Na presente edição, foram mantidas e aperfeiçoadas as seguintes seções
introduzidas na penúltima edição:
• Questões conceituais ao longo do texto, para provocar alguma reflexão
e melhorar a assimilação dos conceitos.
• Aplicações na Engenharia, relacionadas ao assunto do capítulo, que
procuram deixar mais clara a importância da Termodinâmica na ativida­
de do engenheiro.

O capítulo sobre escoamentos compressíveis, que havia sido retirado e vol­


tou na edição anterior, foi mantido, e os problemas propostos, ao final de cada
capítulo, foram revisados pelo autor, com a remoção e a inclusão de problemas.
Os exemplos e os problemas no sistema inglês de unidades não foram incluídos
nessa tradução – a exemplo da 7a edição –, considerando que eles são simila­
res aos apresentados no Sistema Internacional e, por isso, não houve perda de
informações.
Os capítulos Reações Químicas, Introdução ao Equilíbrio de Fases e ao
Equilíbrio Químico e Escoamento Compressível, que na edição anterior esta­
vam disponíveis, para cópia, no site da Editora Blucher (www.blucher.com.br),
com o material dos Apêndices, agora fazem parte da versão impressa. No site
da Editora Blucher o aluno poderá obter o aplicativo computacional CATT3. O
software permite a construção de tabelas de propriedades termodinâmicas, de
cartas psicrométricas e diagramas de compressibilidade, T-s e P-log v.
A tradução foi realizada por uma equipe de professores do Instituto Mauá
de Tecnologia, que se empenhou em manter a elevada qualidade dos trabalhos
anteriormente realizados.

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12 Fundamentos da Termodinâmica

Com a busca constante de aperfeiçoamento do texto, realizada ao longo das


várias edições, a leitura da presente edição é bastante agradável, sem perder o
rigor nos conceitos; e a apresentação dos diversos exemplos e das aplicações na
Engenharia ajuda no seu entendimento.
A seguir, são feitas algumas considerações resumidas sobre o contexto
energético atual, julgadas importantes para dar ao estudante uma dimensão na
qual o estudo e o uso da Termodinâmica se inserem, e, dessa forma, motivá-lo
ainda mais no estudo deste livro.
A energia é um dos principais recursos utilizados pela sociedade moderna.
Em todos os processos de produção, tanto no setor industrial como no de servi­
ços, a energia tem uma participação fundamental. A Termodinâmica é conhecida
como a ciência da energia e, por isso, é uma área do conhecimento fundamental
para o equacionamento e a solução das necessidades de energia da humanidade.
Os processos de conversão e uso de energia são fundamentais para o funcio­
namento da sociedade, por outro lado, representam uma das principais fontes
de poluição nos dias atuais. Na avaliação de alternativas que minimizem ou eli­
minem esses impactos, o uso dos conceitos e as ferramentas da Termodinâmica
é fundamental. A poluição do ar nas cidades e o grande desafio ambiental do
nosso século: o aquecimento global e as mudanças climáticas; relacionam-se
majoritariamente com a emissão de poluentes atmosféricos e dióxido carbônico,
bem como de outros gases do efeito estufa, originados principalmente na quei­
ma de combustíveis fósseis, utilizados na geração termoelétrica, no transporte
e em processos industriais. Esses setores utilizam sistemas de conversão de
energia, que são objetos de estudos da Termodinâmica. Além disso, sistemas de
conversão de energia para refrigeração e condicionamento de ar cooperam para
a destruição da camada de ozônio e o aquecimento global, pelo uso de fluidos
refrigerantes HCFCs e HFCs. Novos fluidos refrigerantes estão sendo desenvol­
vidos e avaliados. Nesse contexto, a Termodinâmica tem um papel importante.
Outro aspecto marcante do cenário atual é a ampliação significativa do uso
de fontes alternativas e renováveis na produção de energia. O crescimento eco­
nômico sustentável e o incremento da qualidade de vida de todos os habitantes
do planeta só podem ser possíveis com o desenvolvimento e o emprego de novas
tecnologias de conversão de energia, assim como do uso racional e eficiente dos
recursos energéticos convencionais.
Nesse sentido, vale ressaltar o aumento da disponibilidade de gás natural
que, muito embora seja um combustível fóssil – não renovável –, cria possibili­
dades crescentes de geração descentralizada de energia elétrica e de geração de
energia elétrica combinada (cogeração) com aquecimento e resfriamento – uma
tecnologia que eleva a eficiência geral dos processos de conversão e promove a
diversificação da oferta de energia elétrica.
Por fim e como sempre, cabe mencionar que sugestões e contribuições para
sanar problemas ocorridos nesta tradução e colaborar para uma nova edição
melhorada são muito bem-vindas e podem ser enviadas ao coordenador de tra­
dução dessa edição.
Prof. Dr. Roberto de Aguiar Peixoto
robertopeixoto@maua.br

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Conteúdo 13

Conteúdo

1 Introdução e Comentários Preliminares, 21


1.1 O Sistema Termodinâmico e o Volume de Controle, 23
1.2 Pontos de Vista Macroscópico e Microscópico, 24
1.3 Estado e Propriedades de uma Substância, 25
1.4 Processos e Ciclos, 26
1.5 Unidades de Massa, Comprimento, Tempo e Força, 26
1.6 Volume Específico e Massa Específica, 29
1.7 Pressão, 31
1.8 Energia, 34
1.9 Igualdade de Temperatura, 37
1.10 A Lei Zero da Termodinâmica, 37
1.11 Escalas de Temperatura, 38
10.12 Aplicações na Engenharia, 39
Resumo, 41
Problemas, 43

2 Propriedades de uma Substância Pura, 53


2.1 A Substância Pura, 54
2.2 As Fronteiras das Fases, 54
2.3 A superfície P-v-T, 57
2.4 Tabelas de Propriedades Termodinâmicas, 60
2.5 Os Estados Bifásicos, 61
2.6 Os Estados Líquido e Sólido, 62
2.7 Os Estados de Vapor Superaquecido, 63
2.8 Os Estados de Gás Ideal, 65
2.9 O Fator de Compressibilidade, 69
2.10 Equações de Estado, 72
2.11 Tabelas Computadorizadas, 72
2.12 Aplicações na Engenharia, 73
Resumo, 75
Problemas, 76

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14 Fundamentos da Termodinâmica

3 A Primeira Lei da Termodinâmica e Equação da Energia, 89


3.1 A Equação da Energia, 90
3.2 A Primeira Lei da Termodinâmica, 92
3.3 A Definição de Trabalho, 92
3.4 Trabalho Realizado na Fronteira Móvel de um Sistema Compressível Simples, 96
3.5 Definição de Calor, 102
3.6 Modos de Transferência de Calor, 103
3.7 Energia Interna − Uma Propriedade Termodinâmica, 105
3.8 Análise de Problemas e Técnica de Solução, 106
3.9 A Propriedade Termodinâmica Entalpia, 111
3.10 Calores Específicos a Volume e a Pressão Constantes, 114
3.11 A Energia Interna, Entalpia e Calor Específico de Gases Ideais, 115
3.12 Sistemas Gerais que Envolvem Trabalho, 121
3.13 Conservação de Massa, 122
3.14 Aplicações na Engenharia, 124
Resumo, 129
Problemas, 132

4 Análise Energética para um Volume de Controle, 157


4.1 Conservação de Massa e o Volume de Controle, 157
4.2 A Equação da Energia para um Volume de Controle, 159
4.3 O Processo em Regime Permanente, 161
4.4 Exemplos de Processos em Regime Permanente, 163
4.5 Dispositivos com Múltiplos Fluxos, 172
4.6 O Processo em Regime Transiente, 173
4.7 Aplicações na Engenharia, 177
Resumo, 181
Problemas, 183

5 A Segunda Lei da Termodinâmica, 203


5.1 Motores Térmicos e Refrigeradores, 204
5.2 A Segunda Lei da Termodinâmica, 208
5.3 O Processo Reversível, 211
5.4 Fatores que Tornam um Processo Irreversível, 212
5.5 O Ciclo de Carnot, 214
5.6 Dois Teoremas Relativos ao Rendimento Térmico do Ciclo de Carnot, 216
5.7 A Escala Termodinâmica de Temperatura, 217
5.8 A Escala de Temperatura de Gás Ideal, 217
5.9 Máquinas Reais e Ideais, 220
5.10 Aplicações na Engenharia, 223
Resumo, 225
Problemas, 227

6 Entropia, 241
6.1 Desigualdade de Clausius, 242
6.2 Entropia – Uma Propriedade do Sistema, 244
6.3 A Entropia para uma Substância Pura, 245

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Conteúdo 15

6.4 Variação de Entropia em Processos Reversíveis, 247


6.5 Duas Relações Termodinâmicas Importantes, 251
6.6 Variação de Entropia em um Sólido ou Líquido, 251
6.7 Variação de Entropia em um Gás Ideal, 252
6.8 Processo Politrópico Reversível para um Gás Ideal, 255
6.9 Variação de Entropia do Sistema Durante um Processo Irreversível, 258
6.10 Geração de Entropia e Equação da Entropia, 259
6.11 Princípio de Aumento de Entropia, 261
6.12 Equação da Taxa de Variação de Entropia, 263
6.13 Comentários Gerais sobre Entropia e Caos, 267
Resumo, 268
Problemas, 270

7 Segunda Lei da Termodinâmica Aplicada a Volumes de Controle, 291


7.1 A Segunda Lei da Termodinâmica para um Volume de Controle, 291
7.2 O Processo em Regime Permanente e o Processo em Regime Transiente, 293
7.3 O Processo Reversível em Regime Permanente para Escoamento Simples, 299
7.4 Princípio do Aumento da Entropia para um Volume de Controle, 302
7.5 Aplicações na Engenharia – Eficiência, 304
7.6 Resumo da Análise de Volume de Controle, 309
Resumo, 310
Problemas, 312

8 Exergia, 335
8.1 Exergia, Trabalho Reversível e Irreversibilidade, 335
8.2 Exergia e Eficiência Baseada na Segunda Lei da Termodinâmica, 344
8.3 Equação do Balanço de Exergia, 350
8.4 Aplicações na Engenharia, 353
Resumo, 354
Problemas, 356

9 Sistemas de Potência e Refrigeração – com Mudança de Fase, 369


9.1 Introdução aos Ciclos de Potência, 370
9.2 O Ciclo Rankine, 371
9.3 Efeitos da Pressão e da Temperatura no Ciclo Rankine, 374
9.4 O Ciclo com Reaquecimento, 377
9.5 O Ciclo Regenerativo e Aquecedores de Água de Alimentação, 378
9.6 Afastamento dos Ciclos Reais em Relação aos Ciclos Ideais, 384
9.7 Cogeração e outras Configurações, 386
9.8 Introdução aos Sistemas de Refrigeração, 389
9.9 Ciclo de Refrigeração por Compressão de Vapor, 389
9.10 Fluidos de Trabalho para Sistemas de Refrigeração por Compressão de Vapor, 391
9.11 Afastamento do Ciclo de Refrigeração Real de Compressão de Vapor em Relação ao Ciclo
Ideal, 393
9.12 Configurações de Ciclos de Refrigeração, 394
9.13 O Ciclo de Refrigeração por Absorção, 396
Resumo, 397
Problemas, 399

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16 Fundamentos da Termodinâmica

10 Sistemas de Potência e Refrigeração – Fluidos de Trabalhos Gasosos, 419


10.1 Ciclos Padrão a Ar, 419
10.2 O Ciclo Brayton, 420
10.3 O Ciclo Simples de Turbina a Gás com Regenerador, 425
10.4 Configurações do Ciclo de Turbina a Gás para Centrais de Potência, 427
10.5 O Ciclo Padrão a Ar para Propulsão a Jato, 430
10.6 O Ciclo Padrão de Refrigeração a Ar, 433
10.7 Ciclos de Potência dos Motores com Pistão, 435
10.8 O Ciclo Otto, 436
10.9 O Ciclo Diesel, 440
10.10 O Ciclo Stirling, 442
10.11 Os Ciclos Atkinson e Miller, 442
10.12 Ciclos Combinados de Potência e Refrigeração, 444
Resumo, 446
Problemas, 448

11 Mistura de Gases, 463


11.1 Considerações Gerais e Misturas de Gases Ideais, 463
11.2 Um Modelo Simplificado para Misturas de Gás-Vapor, 469
11.3 A Primeira Lei Aplicada a Misturas de Gás-Vapor, 472
11.4 O Processo de Saturação Adiabática, 474
11.5 Aplicações na Engenharia – Temperaturas de Bulbo Úmido e de Bulbo Seco e a Carta
Psicrométrica, 475
Resumo, 479
Problemas, 481

12 Relações Termodinâmicas, 499


12.1 A Equação de Clapeyron, 500
12.2 Relações Matemáticas para Fase Homogênea, 502
12.3 As Relações de Maxwell, 503
12.4 Algumas Relações Termodinâmicas Envolvendo Entalpia, Energia Interna e Entropia, 505
12.5 Expansividade Volumétrica e Compressibilidades Isotérmica e Adiabática, 509
12.6 O Comportamento dos Gases Reais e as Equações de Estado, 510
12.7 O Diagrama Generalizado para Variações de Entalpia a Temperatura Constante, 514
12.8 O Diagrama Generalizado para Variações de Entropia a Temperatura Constante, 516
12.9 Relações de Propriedades para Misturas, 518
12.10 Modelos de Substâncias Pseudopuras para Misturas Gasosas Reais, 521
12.11 Aplicações na Engenharia – Tabelas de Propriedades Termodinâmicas, 524
Resumo, 527
Problemas, 529

13 Reações Químicas, 543


13.1 Combustíveis, 543
13.2 O Processo de Combustão, 546
13.3 Entalpia de Formação, 553
13.4 Aplicação da Primeira Lei em Sistemas Reagentes, 554
13.5 Entalpia, Energia Interna de Combustão e Calor de Reação, 558

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Conteúdo 17

13.6 Temperatura Adiabática de Chama, 559


13.7 Terceira Lei da Termodinâmica e Entropia Absoluta, 564
13.8 Aplicação da Segunda Lei em Sistemas Reagentes, 565
13.9 Células de Combustível, 568
13.10 Aplicações na Engenharia, 571
Resumo, 575
Problemas, 577

14 Introdução ao Equilíbrio de Fases e ao Equilíbrio Químico, 593


14.1 Condições para o Equilíbrio, 593
14.2 Equilíbrio entre Duas Fases de uma Substância Pura, 595
14.3 Equilíbrio Metaestável, 597
14.4 Equilíbrio Químico, 598
14.5 Reações Simultâneas, 605
14.6 Gaseificação de Carvão, 608
14.7 Ionização, 608
14.8 Aplicações na Engenharia, 610
Resumo, 612
Problemas, 613

15 Escoamento Compressível, 623


15.1 Propriedades de Estagnação, 624
15.2 A Equação da Conservação de Quantidade de Movimento para um Volume de Controle, 625
15.3 Forças que Atuam sobre uma Superfície de Controle, 627
15.4 Escoamento Unidimensional, Adiabático e em Regime Permanente de um Fluido
Incompressível em um Bocal, 628
15.5 Velocidade do Som em um Gás Ideal, 630
15.6 Escoamento Unidimensional, em Regime Permanente, Adiabático e Reversível de um Gás
Ideal em Bocais, 632
15.7 Descarga de um Gás Ideal em um Bocal Isotrópico, 634
15.8 Choque Normal no Escoamento de um Gás Ideal em um Bocal, 637
15.9 Coeficientes do Bocal e do Difusor, 641
15.10 Bocais e Orifícios como Medidores de Vazão, 643
Resumo, 646
Problemas, 651

Apêndice A – Propriedades Gerais, 659

Apêndice B – Propriedades Termodinâmicas, 675

Apêndice C – Calor Específico de Gás Ideal, 708

Apêndice D – Equações de Estado, 710

Apêndice E – Figuras, 715

Índice Remissivo, 725

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18 Fundamentos da Termodinâmica

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Conteúdo 19

Símbolos

a aceleração
A área
a, A função de Helmholtz específica e função de Helmholtz total
AC relação ar-combustível
Bs módulo adiabático
BT módulo isotérmico
c velocidade do som
c fração mássica
CA relação combustível-ar
C D coeficiente de descarga
C p calor específico a pressão constante
C v calor específico a volume constante
Cp0 calor específico a pressão constante e pressão zero
Cv0 calor específico a volume constante e pressão zero
COP coeficiente de desempenho (o mesmo que β)
e, E energia específica e energia total
EC energia cinética
EP energia potencial
F força
FEM força eletromotriz
g aceleração da gravidade
g, G função de Gibbs específica e função de Gibbs total
h, H entalpia específica e entalpia total
i corrente elétrica
I irreversibilidade
J fator de proporcionalidade entre as unidades de trabalho e de calor
k relação entre calores específicos: Cp /Cv
K constante de equilíbrio
L comprimento
m massa
m· vazão mássica
M massa molecular
M número de Mach
n número de mols
n expoente politrópico
P pressão
PC Poder Calorífico

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20 Fundamentos da Termodinâmica

Pi pressão parcial do componente i numa β T compressibilidade isotérmica


mistura δ massa específica adimensional ρ/ρc
Pr pressão reduzida P/Pc η eficiência ou rendimento
Pr pressão relativa (utilizada nas tabelas de µ potencial químico
gás) µ J coeficiente de Joule – Thomson
q, Q calor transferido por unidade de massa e ν coeficiente estequiométrico
calor transferido total ρ massa específica
·
Q taxa de transferência de calor τ variável adimensional de temperatura T/Tc
QH, QL transferência de calor num corpo a alta τ 0 variável adimensional de temperatura
temperatura e num corpo a baixa tempe­ 1–Tr
ratura; o sinal é determinado no contexto Φ relação de equivalência
R constante do gás f umidade relativa
RC relação de compressão φ, Φ disponibilidade de um sistema ou exergia

R constante universal dos gases y disponibilidade associada a um processo
s, S entropia específica e entropia total em regime permanente
Sger geração de entropia ω fator acêntrico
S·ger taxa de geração de entropia ω umidade absoluta
t tempo
T temperatura Subscritos
Tr temperatura reduzida T/Tc c propriedade no ponto crítico
u, U energia interna específica e energia inter­ e estado de uma substância que entra no
na total volume de controle
v, V volume específico e volume total f formação
v r volume específico relativo (utilizado nas s propriedade do sólido saturado
tabelas de gás) sl diferença entre as propriedades, de líqui­
V velocidade do saturado e a de sólido saturado
w, W trabalho específico (por unidade de mas­ iv diferença de propriedades, entre a de
sa) e trabalho total vapor saturado e a de sólido saturado
·
W potência (trabalho por unidade de tempo) l propriedade do líquido saturado
wrev trabalho reversível entre dois estados lv diferença de propriedades, entre a de
x título vapor saturado e a de líquido saturado
y fração molar na fase vapor r propriedade reduzida
y fração de extração s processo isotrópico
Z cota s propriedade de uma substância que sai do
Z fator de compressibilidade volume de controle
Z carga elétrica 0 propriedade do ambiente
0 propriedade de estagnação
Letras Manuscritas v propriedade do vapor saturado
 potencial elétrico v.c. volume de controle
 tensão superficial
 tensão Sobrescritos
_ a barra sobre o símbolo indica uma pro­
Letras Gregas priedade em base molar (a barra indica
α volume residual propriedade molar parcial quando aplica­
α função de Helmoltz adimensional a/RT da sobre V, H, S, U, A e G)
α P expansividade volumétrica ° propriedade na condição do estado padrão
β coeficiente de desempenho de um refrige­ * gás ideal
rador (mesmo que COP) * propriedade na seção mínima de um bocal
β ′ coeficiente de desempenho de uma bom­ irr irreversível
ba de calor (mesmo que COP) r gás real
β S compressibilidade adiabática rev reversível

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Introdução e Comentários Preliminares 21

Introdução e
Comentários
Preliminares
O campo da termodinâmica se relaciona com a ciência da energia, com foco
em armazenamento e processos de conversão de energia. Neste livro, estudare-
1
mos os efeitos em substâncias diferentes, cujas massas podem ser submetidas
a aquecimento/resfriamento ou a compressão/expansão volumétrica. Durante
tais processos, estamos transferindo energia para ou de um sistema (massa),
que terá uma mudança nas suas condições que são expressas por propriedades
como temperatura, pressão e volume. Usamos vários processos semelhantes a
esse em nossas vidas diárias; por exemplo, aquecemos água para fazer café ou
chá, ou a resfriamos em um refrigerador para produzir água gelada ou pedras
de gelo em um congelador. Na natureza, a água evapora de oceanos e lagos e se
mistura com ar no qual o vento pode transportá-la, e mais tarde pode deixar o
ar, na forma de chuva (água líquida) ou neve (água sólida). Como estudamos
esses processos em detalhe, enfocaremos situações que são fisicamente simples
e, ainda, típicas de situações da vida real na indústria ou na natureza.
Descrevendo os processos envolvidos, podemos apresentar equipamentos
ou sistemas complexos — por exemplo, uma central elétrica simples a vapor
que é o sistema básico que gera grande parte da nossa potência elétrica. Uma
central elétrica que queima carvão e produz potência elétrica e água quente
para aquecimento distrital é mostrada na Figura 1.1. O carvão é transportado
por um navio, e as tubulações de aquecimento distrital são localizadas em túneis
subterrâneos e, dessa forma, não são visíveis. Uma descrição mais técnica e um
melhor entendimento é obtido a partir do esquema simples da central elétrica,
como mostrado na Figura 1.2. Nesse esquema são apresentadas as várias saídas
da planta como potência elétrica fornecida à rede, água quente para aquecimen-
to distrital, escória de carvão queimado, e outros materiais como cinza e gesso;
a última saída é de um escoamento de gases de exaustão deixando a planta pela
chaminé.
Outro conjunto de processos fazem parte do refrigerador que usamos para
resfriar alimentos ou para produzir um escoamento de fluido a temperaturas
muito baixas para uma cirurgia criogênica, na qual o congelamento do tecido
causa um mínimo sangramento. Um esquema simples de um sistema desse tipo
é mostrado na Figura 1.3. O mesmo sistema pode, também, funcionar como
um condicionador de ar com o duplo objetivo de resfriamento de um edifício

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22 Fundamentos da Termodinâmica

Calor para o ambiente

Vapor “alta” 2
temperatura Condensador

Trabalho 3 Líquido

Compressor Válvula de
expansão ou
Evaporador tubo capilar

Vapor “baixa” 1 4 Líquido “frio”


temperatura + vapor
Calor do espaço
refrigerado

Figura 1.3
Esquema de um refrigerador.

no verão e aquecimento no inverno; neste último


modo de uso, é também chamado bomba de calor.
Considerando aplicações móveis, podemos desen-
volver modelos simples para motores a gasolina e
diesel, normalmente utilizados para transporte, e
Figura 1.1
Central termoelétrica Esbjerg, Dinamarca. (Cortesia Dong turbinas a gás, motores a jato dos aviões, em que o
Energy A/S, Denmark.) baixo peso e volume são de grande preocupação.

Produtos de combustão

Tambor
de vapor Turbina Gerador elétrico
(tubulão)
Silo de
carvão

Chaminé Sistema de
distribuição
Óleo elétrico

Lavador Despoeirador
de Moedor
gases de carvão
Calcário Bomba
Cinza Trocador
Sistema de
volante Cinza de calor
resfriamento
Ar fundida (aquecimento
distrital)

Figura 1.2
Esquema de uma central termoelétrica a vapor.

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Introdução e Comentários Preliminares 23

Esses são apenas alguns exemplos de sistemas co- trole que seja fechada para escoamento de massa,
nhecidos que a teoria da termodinâmica nos per- a fim de que não possa haver saída ou entrada de
mite analisar. Uma vez que conhecemos e enten- massa no volume controle, o objeto de análise é
demos a teoria, vamos ser capazes de estender a chamado sistema (massa de controle), conten-
análise para outros casos com os quais podemos do a mesma quantidade de matéria em todos os
não estar tão familiarizados. momentos.
Além da descrição de processos básicos e sis- Ao considerar o gás contido no cilindro mos-
temas, a abrangência da termodinâmica é amplia- trado na Figura 1.4, colocando uma superfície de
da de modo a tratar situações especiais como ar controle ao seu redor, reconhecemos isso como
úmido atmosférico, que é uma mistura de gases, um sistema. Se um bico de Bunsen é colocado
e a queima de combustíveis para uso na queima sob o cilindro, a temperatura do gás aumentará e
de carvão, óleo ou gás natural, que é um processo o êmbolo se elevará. Quando o êmbolo se eleva,
de conversão química e de energia utilizado em a fronteira do sistema também muda. Posterior-
quase todos os dispositivos de geração de potên- mente, veremos que calor e trabalho cruzam a
cia. São conhecidas muitas outras extensões da fronteira do sistema durante esse processo, mas
termodinâmica básica, as quais podem ser estuda- a matéria que compõe o sistema pode ser sempre
das em textos especializados. Uma vez que todos identificada e permanece a mesma.
os processos que os engenheiros tratam têm um
Um sistema isolado é aquele que não é influen-
impacto sobre o meio ambiente, devemos estar
ciado, de forma alguma, pelas vizinhanças, ou seja,
conscientes das maneiras pelas quais podemos
calor e trabalho não cruzam a fronteira do sistema.
otimizar a utilização dos nossos recursos naturais
Em um caso mais típico, a análise termodinâmica
e produzir a mínima quantidade de consequências
deve ser realizada para equipamentos como, por
negativas para o nosso meio ambiente. Por esta
exemplo, um compressor de ar que apresenta um
razão, em uma análise moderna, é importante o
escoamento de massa para dentro e para fora do
tratamento dos ganhos de eficiência em processos
equipamento, mostrado na Figura 1.5. O sistema
e dispositivos e é necessário conhecimento para
real inclui, possivelmente, um tanque de arma-
completa apreciação de engenharia sobre o fun-
zenamento, mostrado posteriormente na Figura
cionamento do sistema e seu desempenho.
1.20. O procedimento seguido em tal análise con-
Antes de considerar a aplicação da teoria, va- siste em especificar um volume de controle que
mos abordar alguns conceitos básicos e definições envolva o compressor com uma superfície que é
para a nossa análise e rever alguns aspectos da fí- chamada superfície de controle. Note que massa
sica e da química que serão necessários. e quantidade de movimento, assim como calor e
trabalho, podem ser transportados através da su-
perfície de controle.
1.1 O SISTEMA TERMODINÂMICO E O Assim, no caso mais geral, uma superfície de
VOLUME DE CONTROLE controle define um volume de controle no qual
podem ocorrer escoamentos de massa de entra-
Um sistema termodinâmico é um dispositivo ou
conjunto de dispositivos que contém uma quan-
tidade de matéria que está sendo estudada. Para Pesos
uma definição mais precisa, um volume de contro-
P0
le é escolhido de tal modo que contenha a maté-
Êmbolo
ria e os dispositivos dentro de uma superfície de g
controle. Tudo externo ao volume de controle é a
Fronteira
vizinhança, com a separação proporcionada pela do sistema
superfície de controle. A superfície pode ser aber- Gás

ta ou fechada para escoamentos de massa, e pode


ter fluxos de energia em termos de transferência
de calor e de trabalho. As fronteiras podem ser Figura 1.4
móveis ou fixas. No caso de uma superfície de con- Exemplo de sistema.

termodinamica 01.indd 23 15/10/14 14:36


24 Fundamentos da Termodinâmica

Calor Assim, para descrever completamente o com-


portamento desse sistema, sob o ponto de vista
Superfície Descarga microscópico, é necessário lidar com, pelo menos,
de controle de ar a alta 6 × 1020 equações. Essa tarefa seria árdua, mesmo
Compressor pressão
Admissão se tivéssemos um computador moderno de grande
de ar a baixa de ar
pressão Trabalho capacidade. Entretanto, dispomos de duas abor-
dagens diversas que reduzem significativamente o
número de variáveis necessárias para especificar
Motor o problema e, desse modo, facilitam sua solução.
Uma dessas abordagens é a estatística que, basea­
Figura 1.5
Exemplo de um volume de controle.
da na teoria da probabilidade e em considerações
estatísticas, opera com os valores “médios” das
partículas que estamos considerando. Isso é, usu-
da e saída, com a definição de sistema sendo um almente, feito em conjunto com um modelo do
caso especial sem a ocorrência de escoamentos átomo sob consideração. Essa forma é a utilizada
de massa de entrada e saída. Dessa forma, o sis- nas disciplinas conhecidas como teoria cinética e
tema contém uma quantidade de massa fixa sem mecânica estatística.
variar no tempo, o que explica a sua denomina-
A outra forma de abordar o problema redu-
ção. A formulação geral da análise será tratada
zindo o número de variáveis e facilitando a sua
detalhadamente no Capítulo 4. Deve-se observar
solução é a baseada no ponto de vista da termo-
que os termos sistema fechado (massa fixa) e sis-
dinâmica clássica macroscópica. Como o termo
tema aberto (envolvendo escoamento de massa),
macroscópico sugere, estamos interessados nos
às vezes, são usados para fazer a distinção. Aqui
efeitos gerais ou médios de várias moléculas.
usamos o termo sistema para uma descrição mais
Além disso, esses efeitos podem ser percebidos
geral e pouco específica de uma massa, dispositi-
por nossos sentidos e medidos por instrumentos.
vo ou combinação de dispositivos que são, então,
Na realidade, o que percebemos e medimos é a
mais bem definidos quando um volume de contro-
influência média temporal de muitas moléculas.
le é selecionado. O procedimento que será adota-
Por exemplo, consideremos a pressão que um gás
do nas apresentações da primeira e da segunda lei
exerce sobre as paredes de um recipiente. Essa
da termodinâmica é o de primeiro formular as leis
pressão resulta da mudança na quantidade de mo-
para um sistema e depois efetuar as transforma-
vimento das moléculas quando colidem com as
ções necessárias para torná-las adequadas a volu-
paredes. Entretanto, sob o ponto de vista macros-
mes de controle.
cópico, não estamos interessados na ação isolada
de uma molécula, mas na força média, em relação
ao tempo, que atua sobre certa área e que pode
1.2 PONTOS DE VISTA MACROSCÓPI- ser medida com um manômetro. De fato, essas
CO E MICROSCÓPICO observações macroscópicas são completamente
independentes de nossas premissas a respeito da
Uma investigação sobre o comportamento de um
natureza da matéria.
sistema pode ser feita sob os pontos de vista ma-
croscópico ou microscópico. Vamos descrever bre- Ainda que a teoria e o desenvolvimento ado-
vemente o problema que teríamos se descrevêsse- tados neste livro sejam apresentados sob o ponto
mos um sistema sob o ponto de vista microscópico. de vista macroscópico, serão incluídas algumas
Suponhamos que o sistema seja constituído por observações suplementares sobre o significado
um gás monoatômico, a pressão e temperatura at- da perspectiva microscópica como um auxílio ao
mosféricas, contido em um cubo com aresta igual a entendimento dos processos físicos envolvidos.
25 mm. Esse sistema contém cerca de 1020 átomos. Outro livro desta série, Introduction to thermo-
Para descrever a posição de cada átomo devem ser dynamics: classical and statistical, de R. E.
especificadas três coordenadas e, para descrever a Sonntag e G. J. Van Wylen, apresenta um trata-
velocidade de cada átomo, são necessárias as três mento da termodinâmica, sob o ponto de vista mi-
componentes do vetor velocidade. croscópico e estatístico.

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Introdução e Comentários Preliminares 25

Devem ser feitas algumas observações em re- qual o sistema chegou ao estado considerado. Do
lação à consideração de meio contínuo. Em geral, mesmo modo, o estado é especificado ou descrito
sempre tratamos de volumes que são muito maio- pelas propriedades. Mais tarde, consideraremos o
res que as dimensões moleculares e trabalhamos número de propriedades independentes que uma
com escalas de tempo que são muito maiores substância pode ter, ou seja, o número mínimo de
quando comparadas com as frequências de coli- propriedades que devemos especificar para deter-
sões intermoleculares. Dessa forma, trataremos minar o estado de uma substância.
com sistemas que contêm um grande número de
As propriedades termodinâmicas podem ser
moléculas que interagem com altíssima frequência
divididas em duas classes gerais, as intensivas e
durante nosso período de observação e, portanto,
as extensivas. Uma propriedade intensiva é inde-
percebemos o sistema como uma simples massa
pendente da massa e o valor de uma propriedade
uniformemente distribuída no volume chamado
extensiva varia diretamente com a massa. Assim,
meio contínuo. Esse conceito é, naturalmente,
se uma quantidade de matéria, em um dado es-
apenas uma hipótese conveniente que não é váli-
tado, é dividida em duas partes iguais, cada par-
da quando o caminho médio livre das moléculas se
te apresentará o mesmo valor das propriedades
aproxima da ordem de grandeza das dimensões do
intensivas e a metade do valor das propriedades
recipiente que está sendo analisado. Por exemplo,
extensivas da massa original. Como exemplos de
a hipótese de meio contínuo normalmente não é
propriedades intensivas podemos citar a tempera-
adequada nas situações encontradas na tecnolo-
tura, a pressão e a massa específica. A massa e o
gia do alto-vácuo. Apesar disso, a premissa de um
volume total são exemplos de propriedades exten-
meio contínuo é válida e conveniente em vários
sivas. As propriedades extensivas por unidade de
trabalhos de engenharia e consistente com o pon-
massa, tal como o volume específico, são proprie-
to de vista macroscópico.
dades intensivas.
Frequentemente nos referimos não apenas
1.3 ESTADO E PROPRIEDADES DE às propriedades de uma substância, mas também
UMA SUBSTÂNCIA às propriedades de um sistema. Isso implica, ne-
cessariamente, que o valor da propriedade tem sig-
Se considerarmos uma dada massa de água, reco- nificância para todo o sistema, o que por sua vez
nhecemos que ela pode existir em várias formas. Se implica no que é chamado equilíbrio. Por exemplo,
ela é inicialmente líquida pode-se tornar vapor, de- se o gás que constitui o sistema mostrado na Figu-
pois de aquecida, ou sólida, quando resfriada. Uma ra 1.4 estiver em equilíbrio térmico, a temperatura
fase é definida como uma quantidade de matéria será a mesma em todo o gás e podemos falar que
totalmente homogênea. Quando mais de uma fase a temperatura é uma propriedade do sistema. Po-
coexistem, estas se separam, entre si, pelas fron- demos, também, considerar o equilíbrio mecânico,
teiras das fases. Em cada fase a substância pode que está relacionado com a pressão. Se um sistema
existir a várias pressões e temperaturas ou, usan- estiver em equilíbrio mecânico, não haverá a ten-
do a terminologia da termodinâmica, em vários es- dência de a pressão, em qualquer ponto, variar com
tados. O estado pode ser identificado ou descrito o tempo, desde que o sistema permaneça isolado
por certas propriedades macroscópicas observá- do meio exterior. Existe uma variação de pressão
veis; algumas das mais familiares são: temperatura, no gás com a altura, em virtude da influência do
pressão e massa específica. Outras propriedades campo gravitacional, embora, sob as condições de
serão apresentadas nos capítulos posteriores. Cada equilíbrio, não haja tendência de que a pressão va-
uma das propriedades de uma substância, em um rie em qualquer ponto. Por outro lado, na maioria
dado estado, apresenta somente um determinado dos problemas termodinâmicos, essa variação de
valor e essas propriedades têm sempre o mesmo pressão com a altura é tão pequena que pode ser
valor para um dado estado, independentemente desprezada. O equilíbrio químico também é impor-
da forma pela qual a substância chegou a ele. De tante e será considerado no Capítulo 14. Quando
fato, uma propriedade pode ser definida como uma um sistema está em equilíbrio, em relação a todas
quantidade que depende do estado do sistema e é as possíveis mudanças de estado, dizemos que o
independente do caminho (ou seja, a história) pelo sistema está em equilíbrio termodinâmico.

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26 Fundamentos da Termodinâmica

1.4 PROCESSOS E CICLOS tadores. Este seria um processo de não equilíbrio,


e o sistema não atingiria o equilíbrio em nenhum
Quando o valor de pelo menos uma propriedade momento durante a mudança de estado.
de um sistema é alterado, dizemos que ocorreu
Para os processos de não equilíbrio, estare-
uma mudança de estado. Por exemplo, quando um
mos limitados a uma descrição do sistema antes de
dos pesos posicionados sobre o pistão mostrado
ocorrer o processo e, após sua ocorrência, quando
na Figura 1.6 é removido, este se eleva e ocorre
o equilíbrio é restabelecido. Não estaremos habili-
uma mudança de estado, pois a pressão decresce
tados a especificar cada estado pelo qual o sistema
e o volume específico aumenta. O caminho defini-
passa, tampouco a velocidade com que o proces-
do pela sucessão de estados que o sistema percor-
so ocorre. Entretanto, como veremos mais tarde,
re é chamado processo.
poderemos descrever certos efeitos globais que
Consideremos o equilíbrio do sistema quando ocorrem durante o processo.
ocorre uma mudança de estado. No instante em
Vários processos são caracterizados pelo fato
que o peso é removido do pistão na Figura 1.6, o
de que uma propriedade se mantém constante.
equilíbrio mecânico deixa de existir, resultando no
O prefixo iso é usado para tal. Um processo iso-
movimento do pistão para cima, até que o equilí-
térmico é um processo a temperatura constante;
brio mecânico seja restabelecido. A pergunta que
um processo isobárico é um processo a pressão
se impõe é a seguinte: Uma vez que as proprie-
constante e um processo isocórico é um processo
dades descrevem o estado de um sistema apenas
a volume constante.
quando ele está em equilíbrio, como poderemos
descrever os estados de um sistema durante um Quando um sistema, em um dado estado ini-
processo, se o processo real só ocorre quando não cial, passa por certo número de mudanças de es-
existe equilíbrio? Um passo para respondermos a tado, ou processos, e finalmente retorna ao esta-
essa pergunta consiste na definição de um proces- do inicial, dizemos que o sistema realiza um ciclo.
so ideal, chamado processo de quase-equilíbrio. Dessa forma, no final de um ciclo, todas as pro-
Um processo de quase-equilíbrio é aquele em que priedades apresentam os mesmos valores iniciais.
o desvio do equilíbrio termodinâmico é infinitesi- O vapor (água) que circula em uma instalação ter-
mal e todos os estados pelos quais o sistema passa moelétrica a vapor executa um ciclo.
durante o processo podem ser considerados como Deve ser feita uma distinção entre um ciclo
estados de equilíbrio. Muitos dos processos reais termodinâmico, descrito anteriormente, e um ci-
podem ser modelados, com boa precisão, como clo mecânico. Um motor de combustão interna de
processos de quase-equilíbrio. Se os pesos sobre quatro tempos executa um ciclo mecânico a cada
o pistão da Figura 1.6 são pequenos, e forem reti- duas rotações. Entretanto, o fluido de trabalho
rados um a um, o processo pode ser considerado não percorre um ciclo termodinâmico no motor,
como de quase equilíbrio. Por outro lado, se todos uma vez que o ar e o combustível reagem e, trans-
os pesos fossem removidos simultaneamente, o formados em produtos de combustão, são descar-
êmbolo se elevaria rapidamente até atingir os limi- regados na atmosfera. Neste livro, o termo ciclo se
referirá a um ciclo termodinâmico a menos que se
designe o contrário.
Pesos
P0

Êmbolo g 1.5 UNIDADES DE MASSA, COMPRI-


Fronteira MENTO, TEMPO E FORÇA
do sistema
Gás Uma vez que estamos considerando as proprieda-
des termodinâmicas sob o ponto de vista macros-
cópico, só lidaremos com quantidades que possam
ser medidas e contadas direta ou indiretamente.
Figura 1.6
Exemplo de um processo de quase-equilíbrio em um Dessa forma, a observância das unidades. Nas se-
sistema. ções seguintes, deste capítulo, definiremos cer-

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Introdução e Comentários Preliminares 27

tas propriedades termodinâmicas e as unidades foi o “Protótipo Internacional do Metro”, que é a


básicas. Nesta seção, será enfatizada a diferença distância, sob certas condições preestabelecidas,
existente entre massa e força pois, para alguns es- entre duas marcas usinadas em uma barra de pla-
tudantes, este é um assunto de difícil assimilação. tina-irídio. Essa barra está guardada no Escritó-
Força, massa, comprimento e tempo são re- rio Internacional de Pesos e Medidas, em Sevres,
lacionados pela segunda lei de Newton. Essa lei França. Atualmente, a CGPM adota outra defini-
estabelece que a força que atua sobre um corpo é ção mais precisa para o metro em termos da velo-
proporcional ao produto da massa do corpo pela cidade da luz (que é uma constante fixa). O metro
aceleração na direção da força. é o comprimento da trajetória percorrida pela luz
no vácuo durante o intervalo de tempo de 1/299
F α ma 792 458 do segundo.

O conceito de tempo está bem estabelecido. No sistema de unidades SI, a unidade de mas-
A unidade básica de tempo é o segundo (s), que sa é o quilograma (kg). Conforme adotado pela
no passado foi definido em função do dia solar, o primeira CGPM em 1889, e ratificado em 1901, o
intervalo de tempo necessário para a Terra com- quilograma corresponde à massa de um determi-
pletar uma rotação completa em relação ao Sol. nado cilindro de platina-irídio, mantido sob con-
Como esse período varia com a estação do ano, dições preestabelecidas no Escritório Internacio-
adota-se um valor médio anual denominado dia nal de Pesos e Medidas. Uma unidade associada,
solar médio. Assim, o segundo solar médio vale frequentemente utilizada em termodinâmica, é o
1/86 400 do dia solar médio. Em 1967, a Confe- mol, definido como a quantidade de substância
rência Geral de Pesos e Medidas (CGPM) adotou que contém tantas partículas elementares quan-
a seguinte definição de segundo: o segundo é o to existem átomos em 0,012 kg de carbono-12.
tempo necessário para a ocorrência de 9 192 631 Essas partículas elementares devem ser especifi-
770 ciclos do ressonador que utiliza um feixe de cadas, podendo ser átomos, moléculas, elétrons,
átomos de césio-133. íons ou outras partículas ou grupos específicos.
Por exemplo, um mol de oxigênio diatômico, que
Para intervalos de tempo com ordem de gran- tem um peso molecular de 32 (comparado a 12
deza muito diferentes da unidade, os prefixos mili, para o carbono), tem uma massa de 0,032 kg. O
micro, nano e pico podem ser utilizados (veja a mol é usualmente chamado grama-mol, porque
Tabela 1.1). Para períodos maiores de tempo, as corresponde a uma quantidade da substância, em
unidades usadas frequentemente, são o minuto gramas, numericamente igual ao peso molecular.
(min), a hora (h) e o dia (dia). Ressaltamos que Neste livro, quando utilizado o sistema SI, será
os prefixos da Tabela 1.1 são também utilizados preferido o uso do quilomol (kmol), que corres-
com várias outras unidades. ponde à quantidade da substância, em quilogra-
mas, numericamente igual ao peso molecular.
O sistema de unidades mais utilizado no mun-
Tabela 1.1 do atualmente é o Sistema Internacional de Me-
Prefixos das unidades do SI
didas, comumente referido como SI (da denomi-
Fator Prefixo Símbolo Fator Prefixo Símbolo nação francesa Système International d’Unités).
Nesse sistema, segundo, metro e quilograma são
1012 tera T 10–3 mili m
as unidades básicas para tempo, comprimento e
109 giga G 10–6 micro µ massa, respectivamente, e a unidade de força é de-
106 mega M 10–9 nano n
finida a partir da segunda lei de Newton. A força,
nesse sistema, não é um conceito independente.
103 quilo k 10–12 pico p Portanto, não é necessário usar uma constante de
proporcionalidade e podemos exprimir a segunda
lei de Newton pela igualdade:
O conceito de comprimento também está bem
estabelecido. A unidade básica de comprimento é F = ma (1.1)
o metro (m) e por muitos anos o padrão adotado

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28 Fundamentos da Termodinâmica

A unidade de força é o Newton (N), que, por que é o fator necessário para os propósitos de
definição, é a força necessária para acelerar uma conversão de unidades e consistência. Ressalte-se
massa de 1 quilograma à razão de 1 metro por que devemos ser cuidadosos, distinguindo entre
segundo: lbm e lbf e não usamos o termo libra isolado.
1 N = 1 kg m/s2 O termo peso é frequentemente associado a
um corpo e, às vezes, é confundido com massa. A
Deve-se observar que as unidades SI que de- palavra peso é usada corretamente apenas quando
rivam de nomes próprios são representadas por está associada a força. Quando dizemos que um
letras maiúsculas; as outras são representadas corpo pesa certo valor, isso significa que essa é a
por letras minúsculas. O litro (L) é uma exceção. força com que o corpo é atraído pela Terra (ou por
O sistema de unidades tradicionalmente utili- algum outro corpo), ou seja, o peso é igual ao pro-
zado na Inglaterra e nos Estados Unidos é o Inglês duto da massa do corpo pela aceleração local da
de Engenharia. Nesse sistema, a unidade de tempo gravidade. A massa de uma substância permanece
é o segundo, que já foi discutido anteriormente. A constante variando-se a sua altitude, porém, o seu
unidade básica de comprimento é o pé (ft) que, peso varia com a altitude.
atualmente, é definido em função do metro como:
1 ft = 0,3048 m
EXEMPLO 1.1
A polegada (in) é definida em termos do pé
Qual é o peso de um corpo que apresenta
por:
massa igual a um quilograma em um local,
12 in. = 1 ft em que a aceleração local da gravidade vale
9,75 m/s2?
A unidade de massa no Sistema Inglês é a li-
bra-massa (lbm). Originalmente, o padrão dessa
grandeza era a massa de um cilindro de platina que Solução:
estava guardado na Torre de Londres. Atual­mente,
O peso é a força que atua sobre o corpo.
é definida em função do quilograma como:
Aplicando-se a segunda lei de Newton,
1 lbm = 0,453 592 37 kg F = mg = 1 kg × 9,75 m/s2 × [1 N s2/kg m] =
Uma unidade relacionada é a libra-mol = 9,75 N
(lbmol) que é a quantidade de matéria, em libras-
-massa, numericamente igual à massa molecular
dessa substância. É muito importante distinguir
libra-mol de mol (grama-mol).
No Sistema Inglês, o conceito de força é es- QUESTÕES CONCEITUAIS
tabelecido como uma quantidade independente e
a unidade de força é definida como a força, com a. Crie um volume de controle ao redor da
a qual a libra-massa padrão é atraída pela Terra turbina central de geração a vapor da Figu-
em um local onde a aceleração da gravidade é pa- ra 1.2 e liste os fluxos de massa e energia
drão. Essa aceleração é medida em um local ao existentes.
nível do mar e 45° de latitude, assumindo o valor
b. Adote um volume de controle que englobe
de 9 806 65 m/s2 ou 32,1740 ft/s2 é definida como
o refrigerador de sua casa, indique onde
unidade de força e é designada como libra-força.
estão os componentes apresentados na Fi-
Observe que agora temos definições arbitrárias e
gura 1.3 e mostre todas as interações de
independentes para força, massa, comprimento e
energia.
tempo. Então, pela segunda lei de Newton, pode-
mos escrever:
1 lbf = 32,174 lbm ft/s2

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Introdução e Comentários Preliminares 29

1.6 VOLUME ESPECÍFICO E MASSA δV


δm
ESPECÍFICA
O volume específico de uma substância é definido
como o volume ocupado pela unidade de massa
e é designado pelo símbolo v. A massa especí-
fica de uma substância é definida como a mas-
v
sa associada à unidade de volume. Desse modo,
a massa específica é igual ao inverso do volume
específico. A massa específica é designada pelo
símbolo ρ. Observe que essas duas propriedades
são intensivas.
O volume específico de um sistema em um δV δV
campo gravitacional pode variar de ponto para
ponto. Por exemplo, considerando-se a atmosfe- Figura 1.7
Limite do contínuo para o volume específico.
ra como um sistema, o volume específico aumenta
com a elevação. Dessa forma, a definição de volu-
me específico deve envolver o valor da proprieda- Neste livro, o volume específico e a massa es-
de da substância em um ponto de um sistema. pecífica serão dados em base mássica ou molar.
Consideremos um pequeno volume δV de um Um traço sobre o símbolo (letra minúscula) será
sistema, e designemos a massa contida neste δV usado para designar a propriedade na base mo-
como δm. O volume específico é definido pela lar. Assim v– designará o volume específico molar
relação. e r– a massa específica molar. A unidade de volu-
me específico, no sistema SI, é m3/kg em3/mol (ou
δV m3/kmol na base molar) e a de massa específica é
ν = lim
δ V →δ V δm kg/m3 e mol/m3 (ou kmol/m3 na base molar).
em que δV′ é o menor volume no qual o sistema Embora a unidade de volume no sistema de
pode ser considerado como um meio contínuo. Vo- unidades SI seja o metro cúbico, uma unidade
lumes menores do que δV′ nos levam a questionar de volume comumente usada é o litro (L), que é
onde se concentra a matéria. Compreendemos, um nome especial dado a um volume correspon-
então, que ela não se distribui uniformemente, dente a 0,001 m3, ou seja, 1 L = 10–3 m3. A Figura
mas se concentra em partículas tais como molécu- 1.8 apresenta as faixas de variação dos valores das
las, átomos, elétrons etc. A representação dessa massas específicas dos sólidos, dos líquidos e dos
situação é mostrada no gráfico da Figura 1.7, em gases. As Tabelas A.3, A.4 e A.5 apresentam valo-
que, na situação-limite de volume nulo, o volume res de massa específica para algumas substâncias
específico pode ser infinito (caso em que o volu- no estado sólido, no líquido e no gasoso.
me considerado não contém qualquer matéria)
ou muito pequeno (o volume contém parte de um
núcleo).
Assim, em um dado sistema, podemos falar de
volume específico ou massa específica em um pon-
to do sistema e reconhecemos que essas proprie-
dades podem variar com a elevação. Entretanto,
em sua maioria, os sistemas que consideraremos
são relativamente pequenos e a mudança no volu-
me específico com a elevação não é significativa.
Nesse caso, podemos falar de um valor do volu-
me específico ou da massa específica para todo o
sistema.

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30 Fundamentos da Termodinâmica

Gases Sólidos
Gases Ar Fibras Madeira Al Chumbo
sob vácuo atm.
Tecido Poeira
de algodão de gelo Ag Au

Líquidos

Propano Água Hg

10–2 10–1 100 101 102 103 104


Massa específica [kg/m3]

Figura 1.8
Densidade de substâncias comuns.

EXEMPLO 1.2
O recipiente mostrado na Figura 1.9, com A massa total de mistura é
volume interno de 1 m3, contém 0,12 m3 de
mtotal = mgranito + mareia + mágua + mar =
granito, 0,15 m3 de areia e 0,2 m3 de água lí-
= 755,0 kg
quida a 25 °C. O restante do volume interno
do recipiente (0,53 m3) é ocupado por ar, que Assim, o volume específico médio e a massa
apresenta massa específica igual a 1,15 kg/m3. específica média da mistura são iguais a
Determine o volume específico médio e a v = Vtotal/mtotal = 1 m3/755,0 kg =
massa específica média da mistura contida no = 0,001 325 m3/kg
recipiente.
ρ = mtotal/Vtotal = 755,0 kg/1 m3 = 755,0 kg/m3

Solução:
As definições de volume específico e massa
específica são:
v = V/m e ρ = m/V = 1/v
A determinação das massas dos constituintes
da mistura pode ser feita utilizando os valores Ar

de massa específica apresentados nas Tabelas


A.3 e A.4 do Apêndice A. Desse modo,
mgranito = ρgranitoVgranito = 2 750 kg/m3 ×
0,12 m3 = 330,0 kg
Figura 1.9
mareia = ρareiaVareia =1 500 kg/m3 × Esboço para o Exemplo 1.2.
0,15 m3 = 225,0 kg
mágua = ρáguaVágua = 997 kg/m3 × 0,2 m3 =
199,4 kg Comentário:
É enganoso incluir a massa de ar nos cálcu-
mar = ρarVar =1,15 kg/m3 × 0,53 m3 = 0,6 kg
los, uma vez que ele está separado do resto
da massa.

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Introdução e Comentários Preliminares 31

1 bar = 105 Pa = 0,1 MPa


QUESTÕES CONCEITUAIS
e a atmosfera padrão é definida por
c. No Mar Morto as pessoas flutuam mais fa- 1 atm = 101 325 Pa = 14,696 lbf/in.2
cilmente que em um lago comum. Por que
isso ocorre? e é ligeiramente maior que o bar.
d. A massa específica da água líquida é Neste livro, normalmente utilizaremos como
ρ = 1 008 – T/2 [kg/m3] com T em °C. Se unidades de pressão as unidades do SI, o pascal e
a temperatura se elevar, o que acontece os seus múltiplos (o quilopascal e o megapascal).
com a massa específica e com o volume O bar será frequentemente utilizado nos exemplos
específico? e nos problemas, porém a unidade atmosfera não
será usada, exceto na especificação de determina-
dos pontos de referência.
1.7 PRESSÃO Considere o gás contido no conjunto cilindro-
-pistão móvel indicado na Figura 1.10. A pressão
Normalmente, falamos de pressão quando lidamos exercida pelo gás em todas as fronteiras do sistema
com líquidos e gases e falamos de tensão quando é a mesma desde que admitamos que o gás esteja
tratamos dos sólidos. A pressão em um ponto de em um estado de equilíbrio. O valor dessa pressão
um fluido em repouso é igual em todas as direções é fixado pelo módulo da força externa que atua no
e definimos a pressão como a componente normal pistão, porque é necessário que exista equilíbrio
da força por unidade de área. Mais especificamen- de forças para que o pistão permaneça estacioná-
te: seja δA uma área pequena e δA′ a menor área rio. Assim, nessa condição, o produto da pressão
sobre a qual ainda podemos considerar o fluido no gás pela área do pistão móvel precisa ser igual
como um meio contínuo. Se δFn é a componente à força externa. Agora, se alterarmos o módulo
normal da força sobre δA, definimos a pressão, P, da força externa, o valor da pressão no gás preci-
como: sará se ajustar. Note que esse ajuste é alcançado
δ Fn a partir do movimento do pistão de modo que se
P= lim estabeleça o balanço de forças no novo estado de
δ A →δ A δA
equilíbrio. Outro exemplo interessante é: admita
em que δA tem um significado análogo ao estabe- que o gás no cilindro seja aquecido por um corpo
lecido para δV, na definição do volume específico, externo e que a força externa seja constante. Esse
que referencia a Figura 1.7. A pressão P em um processo tenderia a aumentar a pressão no gás se
ponto de um fluido em equilíbrio é a mesma em o volume do sistema fosse constante. Entretanto,
todas as direções. Em um fluido viscoso em mo- o pistão se moverá de tal modo que a pressão per-
vimento, a mudança no estado de tensão com a manecerá constante e igual à pressão imposta pela
orientação passa a ser importante. Essas conside- força externa que atua no pistão.
rações fogem ao escopo deste livro e considerare-
mos a pressão apenas em termos de um fluido em
equilíbrio.
A unidade de pressão no Sistema Internacio-
nal é o pascal (Pa) e corresponde à força de 1
newton agindo em uma área de um metro quadra-
do. Isto é,
1 Pa = 1 N/m2 Gás
Fext
P
Há duas outras unidades, que não fazem parte
do SI, mas são largamente utilizadas.
Uma delas é o bar Figura 1.10
Equilíbrio de forças em uma fronteira móvel.

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32 Fundamentos da Termodinâmica

A pressão absoluta é utilizada na maioria das


EXEMPLO 1.3 análises termodinâmicas. Entretanto, em sua
A Figura 1.11 mostra um conjunto cilindro- maioria, os manômetros de pressão e de vácuo
-pistão utilizado em um sistema hidráulico. indicam a diferença entre a pressão absoluta e a
O diâmetro do cilindro (D) é igual a 0,1 m atmosférica, diferença esta chamada de pressão
e a massa do conjunto pistão-haste é 25 kg. manométrica ou efetiva. Isto está mostrado, gra-
O diâmetro da haste é 0,01 m e a pressão ficamente, na Figura 1.12 e os exemplos a seguir
atmosférica (P0) é 101 kPa. Sabendo que ilustram os princípios envolvidos. As pressões,
o conjunto cilindro-pistão está em equilí- abaixo da atmosférica e ligeiramente acima, e as
brio e que a pressão no fluido hidráulico é diferenças de pressão (por exemplo, através de
250 kPa, determine o módulo da força que um orifício em um tubo) são medidas frequente-
é exercida, na direção vertical e no sentido mente com um manômetro que utiliza água, mer-
descendente, sobre a haste. cúrio, álcool ou óleo como fluido manométrico.
Considere a coluna de fluido com altura H, medi-
Solução:
da acima do ponto B, mostrada na Figura 1.13. A
Considerando que o conjunto cilindro-pis- força que atua na base desta coluna é
tão está em equilíbrio estático e que as for-
ças atuam na direção vertical, Patm A + mg = Patm A + ρAHg

Fvert = ma = 0 em que m é a massa de fluido contido na coluna,


A é a área da seção transversal da coluna e r é
Pcil Acil – P0(Acil – Ahaste) – F – mPg
a massa específica do fluido na coluna. Essa for-
Assim, a força aplicada na haste é ça deve ser balanceada por outra força vertical e
com sentido para cima que é dada por PBA. Deste
F = Pcil Acil – P0(Acil – Ahaste) – mPg
modo,
As áreas são iguais a:
PB = patm + ρHg
π
Acil = π r = π D /4 = 0,12 m 2 = 0,007 854 m 2
2 2
4 Os pontos A e B estão localizados em se-
π ções que apresentam mesma elevação. Assim, as
Ahaste = π r 2 = π D 2 /4 = 0,012 m 2 = 0,000 078 54 m 2 pressões nos pontos A e B são iguais. Se a mas-
4
e o módulo da força que atua na haste é
P
F = (250 × 103) 7,854 ×10−3 – (101 × 103)
× (7,854 × 10−3 – 7,854 × 10−5 ) – 25 × 9,81 Pabs,1
= 1 963,5 – 785,3 – 245,3 = 932,9 N
Manômetro comum
Observe que foi preciso converter kPa em ∆ P = Pabs,1 – Patm
Pa para obter a unidade N.
Patm

Manômetro de vácuo
F ∆ P = Patm – Pabs,2
Ahaste Pabs,2
P0

Barômetro lê a
pressão atmosférica
Pcil

O
Figura 1.11
Esboço para o Exemplo 1.3. Figura 1.12
Ilustração dos termos utilizados em medidas de pressão.

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Introdução e Comentários Preliminares 33

Patm = P0
EXEMPLO 1.5
Um manômetro de mercúrio é utilizado para
Fluído
medir a pressão no recipiente mostrado na
H
P g Figura 1.13. O mercúrio apresenta massa
específica igual a 13 590 kg/m3. A diferen-
A B ça entre as alturas das colunas foi medida
e é igual a 0,24 m. Determine a pressão no
recipiente.

Figura 1.13
Exemplo de medição de pressão com uma coluna de Solução:
líquido.
O manômetro mede a pressão relativa, ou
seja, a diferença entre a pressão no reci-
piente e a pressão atmosférica. Deste modo,
sa específica do fluido contido no reservatório for
da Equação 1.2,
pequena em relação à massa específica do fluido
manométrico, temos que a pressão no reservató- ∆P = Pmanométrico = ρHg = 13 590 kg/m3 ×
rio é muito próxima de PA. Nessa condição, a pres- 0,24 m × 9,807 m/s2
são manométrica do fluido contido no reservatório
é dada por ∆P = 31 985 Pa = 31,985 kPa = 0,316 atm

∆P = P – Patm = ρHg (1.2) A pressão absoluta no recipiente é dada por

Neste livro, para distinguir a pressão absoluta ∆PA = Precipiente = PB = ∆P + Patm


da pressão efetiva, o termo pascal irá se referir
sempre à pressão absoluta. A pressão efetiva será Assim, precisamos conhecer o valor da
indicada apropriadamente. pressão atmosférica, que é medida com um
barômetro, para determinar o valor da pres-
Considere agora o barômetro usado para medir são absoluta no recipiente. Se admitirmos
pressão atmosférica, como mostrado na Figura 1.14. que a pressão atmosférica é igual a 750 mm
Como a condição acima do fluido (normalmente Hg, a pressão absoluta no recipiente é
mercúrio) da coluna é muito próxima do vácuo ab-
soluto, a altura de fluido na coluna indica a pressão Precipiente = ∆P + Patm = 31 985 Pa +
atmosférica, pela utilização da Equação 1.2: 13 590 kg/m3 × 0,750 × 9,807 m/s2 =
31 985 + 99 954 = 131 940 Pa = 1,302 atm
Patm = rgH0 (1.3)

EXEMPLO 1.4
Um barômetro de mercúrio está em uma P≈0
sala a 25 °C e tem uma coluna de 750 mm
de altura. Qual é a pressão atmosférica em
kPa?
H0

Solução: Patm g
A massa específica do mercúrio a 25 °C é
obtida na Tabela A.4, do Apêndice. Ela vale
13 534 kg/m3. Usando a Equação 1.3,
Patm = ρgH0 = 13 534 kg/m3 × 9,807 m/s2 ×
× 0,750 m/1000 = 99,54 kg/m3 kPa Figura 1.14
Barômetro.

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34 Fundamentos da Termodinâmica

EXEMPLO 1.6
O tanque esférico mostrado na Figura 1.15 Solução:
apresenta diâmetro igual a 7,5 m e é utilizado
A Tabela A4 do Apêndice fornece os valores
para armazenar fluidos. Determine a pressão
das massas específicas dos líquidos.
no fundo do tanque considerando que:
ρgasolina = 750 kg/m3; ρR-134a = 1 206 kg/m3
a. O tanque contém gasolina líquida a 25 °C e a
pressão na superfície livre do líquido é 101 kPa. A diferença de pressão, em razão da ação da
gravidade, pode ser calculada com a Equação
b. O fluido armazenado no tanque é o refrige-
1.2. Assim,
rante R-134a e a pressão na superfície livre do
líquido é 1 MPa. ∆P = ρgH
A pressão no fundo do tanque é
P = Ptopo + ∆P
Quando o tanque contém gasolina,
P = 101 × 103 + 750 × 9,81 × 7,5 =
H
= 156 181 Pa = 156,2 kPa
Quando o tanque contém o fluido refrigerante
R-134a,
P = 1,0 × 106 + 1 206 × 9,81 × 7,5 =
Figura 1.15
Tanque do Exemplo 1.6. = 1,0887 × 106 Pa = 1 089 kPa

Se a massa específica for variável, devemos 1.8 ENERGIA


considerar a Equação 1.2 na forma diferencial,
dP = −ρgdh Uma quantidade de massa macroscópica pode
possuir energia na forma de energia interna, ine-
incluindo o sinal, de forma que a pressão diminui rente a sua estrutura interna, energia cinética, em
com o aumento da altura. Desta forma, a equação decorrência de seu movimento e energia potência
de diferenças finitas é l, associada às forças externas que atuam sobre
H ela. A energia total pode ser escrita como:
0
ρg dh
P = P0 − ∫ 
(1.4)
E = Interna + Cinética + Potência l = U + EC + EP
com o valor da pressão P0 na cota zero.
e a energia total especifica é:
e = E/m = u + ec + ep = u + ½ V2 + gz (1.5)
QUESTÕES CONCEITUAIS
onde a energia cinética é considerada como a
e. O manômetro de um sistema de enchimen-
energia de movimento translacional e a energia
to de pneu de automóvel indica 195 kPa;
potência l considera a força gravitacional constan-
qual é a pressão no interior do pneu?
te. Se a massa apresenta rotação, devemos adicio-
f. Pode-se sempre desprezar o correspon- nar o termo da energia cinética rotacional (½ω2).
dente ao fluido que está acima do ponto A energia interna na escala macroscópica tem um
A na Figura 1.13? Quais circunstâncias in- conjunto de energias similares associado com o
fluenciam esse aspecto? movimento microscópico das moléculas indivi­
g. Um manômetro em U tem a coluna da es- duais. Podemos então escrever
querda conectada a uma caixa com pres-
são de 110 kPa e a da direita, aberta. Qual u = uext molécula+ utranslação molécula
dos lados tem a maior coluna de fluido? + uint molécula  (1.6)

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Introdução e Comentários Preliminares 35

EXEMPLO 1.7
Um conjunto cilindro-pistão, com área de seção A pressão interna no pistão inferior é
transversal igual a 0,01 m2, está conectado, por P1 = P0 + F1/A1 = 100 kPa + 25 KN/0,01 =
meio de uma linha hidráulica, a outro conjun- 2 600 kPa
to cilindro-pistão que apresenta área da seção
A Equação 1.2 pode ser utilizada para calcular
transversal igual a 0,05 m2. A massa específica
a pressão que atua na superfície inferior do pis-
do fluido hidráulico que preenche tanto as câ-
tão grande. Desse modo,
maras dos conjuntos quanto a linha é igual a
900 kg/m3 e a superfície inferior do pistão com P2 = P1 – ρgH = 2 600 kPa × 103 – 900 kg/m3 ×
diâmetro grande está posicionada 6 m acima do 9,81 m/s2 × 6 m = 2,547 × 106 Pa = 2547 kPa
eixo do pistão com diâmetro pequeno. O braço O balanço de forças no pistão grande nos
telescópico e as cestas presentes no caminhão fornece
esboçado na Figura 1.16 são acionados por esse F 2 + P 0A 2 = P 2 A 2
sistema. Admitindo que a pressão atmosférica F2 = (P2 – P0)A2 = (2 547 – 100) kPa ×
é de 100 kPa e que a força líquida, que atua no 0,05 m2 = 122,4 kN
pistão, com diâmetro pequeno é 25 kN, deter-
mine o módulo da força que atua no pistão com
diâmetro grande.

Solução:
Podemos admitir que as pressões interna e ex-
F2
terna que atuam no pistão inferior são constan-
tes porque é pequeno. Lembre que a pressão
é constante em um plano horizontal quando o
meio fluido está estagnado. Se também consi-
P2
derarmos que as áreas das seções transversais
das hastes são pequenas, o balanço de forças H
no pistão pequeno resulta em F1
P1
F1 + P0 A1 = P1 A1
Figura 1.16
Esboço para o Exemplo 1.7.

como a soma da energia potêncial, em razão das ragem, a menos que colidam e o primeiro termo se
forças intermoleculares, a energia cinética trans- torna próximo de zero. Esse é o limite que temos
lacional da molécula e a energia associada com a quando consideramos uma substância como um
estrutura interna molecular e atômica. gás ideal, como será abordado no Capítulo 2.
Sem entrar em detalhes, nos damos conta de A energia translacional depende apenas da
que existe uma diferença entre as forças inter- massa e da velocidade do centro de massa das mo-
moleculares. Assim, o primeiro termo da energia léculas, considerando que o último termo da ener-
para uma configuração em que as moléculas estão gia depende da estrutura detalhada. De um modo
muito próximas, como em um sólido ou um líquido geral, podemos escrever a energia como
(alta massa específica), contrasta com a situação
de um gás como o ar, no qual a distância entre as uint molécula = upotêncial + urotacional
moléculas é grande (baixa massa específica). No + uvibração + uátomos (1.7)
limite de um gás com muito baixa massa específi-
ca, as moléculas estão tão distantes que não inte-

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36 Fundamentos da Termodinâmica

z molécula pode se movimentar. Para uma molécula


diatômica, como a do oxigênio, f = 6, em que três
dos graus de liberdade referem-se ao movimento
global da molécula nas direções, x, y e z, e dois ao
movimento de rotação. A razão pela qual existem
y apenas dois graus de liberdade para o movimento
de rotação fica evidente na Figura 1.17, em que
a origem do sistema de coordenadas fica no cen-
x tro de gravidade da molécula e o eixo y ao longo
do eixo que liga os dois núcleos. A molécula terá,
Figura 1.17 então, um grande momento de inércia em relação
Sistema de coordenadas para uma molécula diatônica. aos eixos x e z, o que não ocorre em relação ao
eixo y. O sexto grau de liberdade da molécula é
o da energia vibracional, relacionado à deforma-
Para ilustrar a energia potêncial associada ção da ligação entre os átomos no eixo y.
com as forças intermoleculares, considere uma
Em moléculas mais complexas, como a da
molécula de oxigênio de dois átomos, como mos-
água (H2O), existem graus vibracionais adicionais,
trado na Figura 1.17. Se queremos separar os dois
conforme representado na Figura 1.18, em que
átomos, exercemos uma força e, assim, fazemos
fica evidente a existência de três graus de liber-
algum trabalho sobre o sistema, como explicado
dade vibracionais. Como é possível existir ainda
no Capítulo 3. A quantidade de trabalho é igual à
três modos de energia rotacional, resulta um total
energia potêncial associada com os dois átomos,
de nove graus de liberdade (f = 9): três translacio-
que são mantidos juntos na molécula de oxigênio.
nais, três rotacionais e três vibracionais.
Considere um gás monoatômico simples como
A maioria das moléculas mais complexas,
o hélio em que cada molécula é constituída por
como as poliatômicas, tem estrutura tridimen-
um átomo de hélio. Cada átomo de hélio possui
sional e múltiplos modos vibracionais, cada um
energia eletrônica, resultado do momento angu-
deles contribuindo para o armazenamento de ener-
lar orbital dos elétrons e do momento angular dos
gia, o que eleva o número de graus de liberdade.
elétrons que rotacionam sobre seus próprios ei-
O Apêndice C, escrito para aqueles que desejam
xos (spin). A energia eletrônica é normalmente
conhecer mais sobre o comportamento molecular
muito pequena quando comparada com a energia
das substâncias, apresenta informações adicionais
cinética molecular. (Os átomos também possuem
sobre os modos de armazenamento de energia nas
energia nuclear que, excetuando os casos nos
moléculas e, também, como essa energia pode ser
quais ocorre reação nuclear, é constante. Nesta
estimada.
análise, não estamos nos preocupando com esse
tipo de reação.) Quando consideramos moléculas
complexas, como as constituídas por dois ou três
O O
átomos, outros fatores devem ser considerados.
Juntamente com a energia eletrônica, as molécu-
las podem rotacionar em relação ao eixo que passa H H H H

sobre o seu centro de massa e, desse modo, apre-


sentar energia rotacional. Além disso, os átomos
podem vibrar e, assim, apresentar energia vibra-
cional. Em algumas situações, pode ocorrer o aco- O

plamento entre os modos de vibrar e rotacionar.


H H
Para avaliar a energia de uma molécula, cos-
tuma-se fazer uso do número de graus de liber-
dade f, desses modos de energia. Para uma mo- Figura 1.18
lécula monoatômica, como a do gás hélio, f = 3, Os três principais modos de vibração para a molécula de
representando as três direções x, y e z nas quais a H2O.

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Introdução e Comentários Preliminares 37

aprendemos que, ao colocarmos um corpo quen-


te em contato com um corpo frio, o corpo quen-
te esfria e o corpo frio aquece. Se esses corpos
Vapor H 2O
permanecerem em contato por algum tempo, eles
parecerão ter o mesmo grau de aquecimento ou
resfriamento. Entretanto, reconhecemos também
que a nossa sensação não é muito precisa. Algu-
Líquido H 2O
mas vezes, corpos frios podem parecer quentes e
corpos de materiais diferentes, que estão à mes-
Calor ma temperatura, parecem estar a temperaturas
diferentes.
Em razão dessas dificuldades para definir
temperatura, definimos igualdade de temperatu-
Figura 1.19 ra. Consideremos dois blocos de cobre, um quente
Calor transferido para água.
e outro frio, cada um em contato com um termô-
metro de mercúrio. Se esses dois blocos de cobre
são colocados em contato térmico, observamos
A Figura 1.19 mostra um recipiente que con- que a resistência elétrica do bloco quente decres-
tém água e que está sendo “aquecida” (a transfe- ce com o tempo e que a do bloco frio cresce com
rência de calor é para a água). A temperatura do o tempo. Após certo período, nenhuma mudança
líquido e do vapor aumentará durante esse pro- na resistência é observada. De forma semelhante,
cesso e, ao final, todo o líquido terá se transforma- quando os blocos são colocados em contato tér-
do em vapor. Do ponto de vista macroscópico, es- mico, o comprimento de um dos lados do bloco
tamos preocupados somente com a quantidade de quente decresce com o tempo, enquanto o do blo-
calor que está sendo transferida e com a mudança co frio cresce com o tempo. Após certo período,
das propriedades, tais como temperatura, pressão nenhuma mudança nos comprimentos dos blocos
e quantidade de energia que a água contém (em é observada. A coluna de mercúrio do termômetro
relação a algum referencial), detectadas a cada no corpo quente cai e no corpo frio se eleva, mas
instante. Assim, questões sobre como a molécu- após certo tempo nenhuma mudança nas alturas
la de água acumula energia não nos interessa. Do das colunas de mercúrio é observada. Podemos di-
ponto de vista microscópico, estamos preocupa- zer, portanto, que dois corpos possuem igualdade
dos em descrever como a energia é acumulada nas de temperatura se não apresentarem alterações,
moléculas. Poderíamos até estar interessados em em qualquer propriedade mensurável, quando co-
desenvolver um modelo de molécula que pudesse locados em contato térmico.
prever a quantidade de energia necessária para al-
terar a temperatura de certo valor. A abordagem
utilizada neste livro é a clássica macroscópica e
não nos preocuparemos com questões microscó- 1.10 A LEI ZERO DA TERMODINÂMICA
picas. Mas sempre é bom lembrar que a perspec- Consideremos agora os mesmos blocos de cobre e,
tiva microscópica pode ser útil no entendimento também, outro termômetro. Coloquemos em con-
de alguns conceitos básicos, como foi no caso da tato térmico o termômetro com um dos blocos, até
energia. que a igualdade de temperatura seja estabelecida,
e, então, o removamos. Coloquemos, então, o ter-
mômetro em contato com o segundo bloco de co-
1.9 IGUALDADE DE TEMPERATURA bre. Suponhamos que não ocorra mudança no nível
de mercúrio do termômetro durante essa opera-
Embora a temperatura seja uma propriedade mui-
ção. Podemos dizer que os dois blocos estão em
to familiar, é difícil encontrar uma definição exata
equilíbrio térmico com o termômetro dado.
para ela. Estamos acostumados à noção de tempe-
ratura, antes de mais nada, pela sensação de calor A lei zero da termodinâmica estabelece que,
ou frio quando tocamos um objeto. Além disso, quando dois corpos têm igualdade de temperatu-

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38 Fundamentos da Termodinâmica

ra com um terceiro corpo, eles terão igualdade de Os aspectos importantes dessa nova escala são
temperatura entre si. Isso nos parece muito ób- o ponto fixo único e a definição da magnitude do
vio porque estamos familiarizados com essa ex- grau. O ponto triplo da água recebe o valor 0,01 °C.
periência. Entretanto, como essa afirmação não é Nessa escala, o ponto de vaporização normal da
derivada de outras leis e como precede as forma- água determinado experimentalmente é 100,00 °C.
lizações da primeira e da segunda lei da termodi- Assim, há uma concordância essencial entre a es-
nâmica, na apresentação lógica da termodinâmi- cala velha de temperatura e a nova.
ca, é chamada lei zero da termodinâmica. Essa lei
Deve-se observar que ainda não consideramos
constitui a base para a medição da temperatura,
uma escala absoluta de temperatura. A possibili-
porque podemos colocar números no termômetro
dade de tal escala surge da segunda lei da termo-
de mercúrio e, sempre que um corpo tiver igual-
dinâmica e será discutida no Capítulo 5. Com base
dade de temperatura com o termômetro, podere-
na segunda lei da termodinâmica, podemos definir
mos dizer que o corpo apresenta a temperatura
uma escala de temperatura que é independente da
lida no termômetro. O problema permanece, en-
substância termométrica. Essa escala absoluta é
tretanto, em relacionar as temperaturas lidas em
usualmente referida como escala termodinâmica
diferentes termômetros de mercúrio ou as obti-
de temperatura. Entretanto, é difícil operar dire-
das por meio de diferentes aparelhos de medida
tamente nessa escala. Por esse motivo foi adotada
de temperatura, tais como pares termoelétricos e
a Escala Internacional de Temperatura que é uma
termômetros de resistência. Isso sugere a neces-
aproximação muito boa da escala termodinâmica e
sidade de uma escala padrão para as medidas de
é de fácil utilização.
temperatura.
A escala absoluta relacionada à escala Cel-
sius é chamada escala Kelvin (em honra a William
1.11 ESCALAS DE TEMPERATURA Thompson, 1824-1907, que é também conhecido
como Lord Kelvin) e indicada por K (sem o símbo-
A escala utilizada para medir temperatura no sis- lo de grau). A relação entre essas escalas é
tema de unidades SI é a Celsius, cujo símbolo é
°C. Anteriormente foi chamada escala centígrada, K = °C + 273,15 (1.8)
mas agora tem esta denominação em honra ao as- Em 1967, a CGPM definiu o kelvin como
trônomo sueco Anders Celsius (1701-1744) que a 1/273,16 da temperatura no ponto triplo da água
idealizou. e a escala Celsius passou a ser definida por essa
Até 1954, esta escala era baseada em dois equação.
pontos fixos, facilmente reprodutíveis, o pon- Várias escalas empíricas de temperatura têm
to de fusão do gelo e o de vaporização da água. sido utilizadas nos últimos 70 anos para propiciar
A temperatura de fusão do gelo é definida como a a calibração de instrumentos e normalizar as me-
temperatura de uma mistura de gelo e água, que dições de temperatura. A Escala Internacional de
está em equilíbrio com ar saturado à pressão de Temperatura de 1990 (ITS-90) é a mais recente
1,0 atm (0,101 325 MPa). A temperatura de vapo- dessas e é baseada em um conjunto de pontos fixos
rização da água é a temperatura em que a água e facilmente reprodutíveis, que receberam valores
o vapor se encontram em equilíbrio à pressão de numéricos de temperatura definidos, e em certas
1 atm. Esses dois pontos, na escala Celsius, rece- fórmulas que relacionam as temperaturas às lei-
biam os valores 0 e 100. turas de determinados instrumentos de medição
Na Décima Conferência de Pesos e Medidas, de temperatura (para que seja possível efetuar a
em 1954, a escala Celsius foi redefinida em função interpolação entre os pontos fixos). Não apresen-
de um único ponto fixo e da escala de tempera- taremos mais detalhes da ITS-90 neste texto, mas
tura do gás ideal. O ponto fixo é o ponto triplo da é importante ressaltar que essa escala fornece um
água (o estado em que as fases sólida, líquida e modo prático de efetuar medidas que fornecem
vapor coexistem em equilíbrio). A magnitude do resultados coerentes com a escala termodinâmica
grau é definida em função da escala de temperatu- de temperatura.
ra do gás ideal (que será discutida no Capítulo 5).

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Introdução e Comentários Preliminares 39

1.12 APLICAÇÕES NA ENGENHARIA


Quando lidamos com materiais para transportá-los
ou comercializá-los, temos de especificar a quan-
tidade; o que, muitas vezes, é feito pelo volume
ou pela massa total. No caso de substâncias com
massa específica razoavelmente bem definida, po-
demos usar ambas as medidas. Por exemplo, água,
gasolina, óleo, gás natural, e muitos itens alimen-
tares são exemplos comuns de materiais para os
quais usamos volume para exprimir a quantida-
de. Outros exemplos são as quantidades de ouro,
carvão, e itens alimentares em que usamos massa
para quantificar. Para armazenar ou transportar
materiais, muitas vezes precisamos saber ambas Figura 1.20
Compressor de ar com cilindro de armazenamento. (© zilli/
as medidas (massa e volume) para sermos capazes iStockphoto)
de dimensionar o equipamento adequadamente.
A grandeza pressão é usada em controle de Quando a borboleta do sistema de admissão
processos e na imposição de condições limites de ar do motor de um veículo é fechada (Figura
(segurança). Na maioria das vezes, utiliza-se a 1.23), diminuindo o fluxo de ar, ela cria um vácuo
pressão manométrica. Para exemplificar o uso da atrás de si que é medido por um manômetro, o
grandeza, considere um tanque de armazenamen-
qual envia um sinal para a central de controle do
to dotado de um indicador de pressão para indicar
veículo. A menor pressão absoluta (maior vácuo)
quão cheio ele está. Ele pode conter também uma
ocorre quando se tira completamente a pressão do
válvula de segurança, que se abre e deixa mate-
acelerador e a maior pressão quando o motorista o
rial escapar do tanque quando a pressão atinge um
abaixa completamente (exigindo a máxima acele-
valor máximo preestabelecido. Um cilindro de ar
ração do veículo).
com compressor montado sobre ele é apresentado
na Figura 1.20; por ser um equipamento portátil, Um diferencial de pressão pode ser utilizado
é utilizado para acionar ferramentas pneumáticas. para medir indiretamente a velocidade de esco-
Um manômetro ativará um contato elétrico1 para amento de um fluido, como mostrado esquema-
ligar o compressor quando a pressão atingir certo ticamente na Figura 1.24 (este efeito você pode
limite inferior, e o desligará quando a pressão atin- sentir quando estende sua mão para fora de um
gir certo limite superior. veículo em movimento; na face voltada para frente
Os manômetros apresentados na Figura 1.21 do veí­culo a pressão é maior que na face oposta,
são conectados aos bicos dos pneus. Alguns ma-
nômetros têm um indicador digital. A pressão no
interior dos pneus é importante, por questões de 3
2.5
segurança e durabilidade dos pneus. Com pres- 3.5
sões muito baixas os pneus deformam muito e po- 2 40
30 50
dem superaquecer; com pressões muito elevadas 60 4
1.5
20
os pneus têm desgaste excessivo no centro.
10

Na Figura 1.22, é mostrada uma válvula de


0.5

segurança com mola. Um sistema de aperto pode


regular a compressão da mola para que a válvu-
la abra em pressões mais baixas ou mais eleva-
das. Esse tipo de válvula é utilizado em sistemas
pneumáticos.
Figura 1.21
1 O conjunto manômetro mais um contator elétrico recebe a desig- Manômetro para calibração da pressão de pneus
nação de pressostato (N.T.). automotivos.

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40 Fundamentos da Termodinâmica

Linha para o
retardamento do vácuo

Ar para
o motor Borboleta

Linha para o
avanço do vácuo

Batente

Borboleta
Saída de fluido

Trava da
borboleta

Figura 1.23
Figura 1.22 Dispositivo para regulagem da vazão de ar de admissão
Desenho esquemático de uma válvula de segurança.
em um motor automotivo.

resultando em uma força líquida que tenta empur- A Figura 1.25 mostra um barômetro aneroide
rar sua mão para trás). A análise de engenharia utilizado para medir a pressão absoluta do ar am-
de tal processo é desenvolvida e apresentada no biente, a qual é importante na predição de condi-
Capítulo 7. Em um jet ski, um pequeno tubo tem ções climáticas. Ele consiste em uma lâmina fina
um de seus extremos voltado para frente, medin- metálica ou de um fole que expande ou contrai
do a pressão mais elevada, que ocorre por causa com a pressão atmosférica. A leitura é feita por
do movimento relativo entre ele e a água. O outro um ponteiro de deslocamento ou por meio da va-
extremo transmite um sinal de pressão que é utili- riação da capacitância elétrica que ocorre pelo
zado por um velocímetro. distanciamento de duas lâminas.

Manômetro

∆P
1010 102
0
00
10
Pressão estática 760
10

0
75 77
30
990

0
1040
740

780
980

1050
730

790

Fluxo 70
0
97

0
10

72 0
60

710
0
96 94
950 0

Pressão estática + dinâmica

Figura 1.24 Figura 1.25


Esquema de sistema de medição da velocidade de um fluido. Barômetro aneroide.

termodinamica 01.indd 40 15/10/14 14:36


Introdução e Comentários Preliminares 41

Inúmeros tipos de dispositivos são utili-


zados para medir temperatura. Talvez o mais
comum seja o de vidro, no qual o líquido
em seu interior é normalmente o mercúrio.
Uma vez que a massa específica do líquido
diminui com a elevação da temperatura, isso
provoca a elevação da altura do líquido na
coluna. Outros líquidos são também utiliza-
dos em tal tipo de termômetro, dependendo
da faixa de temperatura de trabalho.
Termopar Termopar Termopar Termopar Temopar
Dois tipos de dispositivos usualmente com capa com junta
com capa soldado com junta
utilizados para medir temperatura são o ter- de proteção de proteção na capa de exposta para exposta
mopar e a termistor. Exemplos de termopa- e com fios proteção resposta
isolados da rápida
res são mostrados na Figura 1.26. Um ter- capa
mopar consiste na junção (solda em uma das
pontas) de dois metais diferentes. As pontas Figura 1.26
soltas se estiverem em uma temperatura Termopares.
diferente da junção soldada, apresentarão
diferença de potencial proporcional à diferença de (como será discutido no Capítulo 5) pode também
temperatura. Se as pontas soltas estiverem coloca- ser utilizado para determinar a temperatura por
das em um banho de temperatura conhecida (por meio de uma série de medidas de pressão.
exemplo, gelo fundente), o sistema pode ser cali-
brado e a diferença de potencial ser uma indicação
da temperatura da junta soldada. Vários pares de RESUMO
metais podem ser utilizados, dependendo da faixa
de temperatura em que o termopar será utilizado. Neste capítulo definimos o sistema termodinâmico
O tamanho da junta2 deve ser o mínimo possível como um volume de controle, que para uma massa
para diminuir o tempo de resposta do instrumento. fixada é um sistema (massa de controle). Tal sis-
tema pode ser isolado, não ocorrendo transferên-
Termistores são componentes que mudam sua
cias de massa, quantidade de movimento e ener-
resistência elétrica de acordo com a temperatura.
gia com as vizinhanças. O sistema também pode
Se uma corrente elétrica conhecida passa por um
ser designado como aberto ou fechado, conforme
termistor, a tensão nos seus terminais será propor-
possa existir ou não fluxo de massa pela fronteira.
cional à resistência elétrica. Há formas de amplifi-
Quando há uma variação de qualquer propriedade
car tal sinal e esse componente pode ser assim uti-
da substância que está sendo analisada, o estado
lizado para, em função da medida de tensão, indicar
termodinâmico é alterado e ocorre um processo.
uma medida de temperatura. Medidas de tempera-
Quando uma substância, em um dado estado ini-
tura de elevada precisão são feitas de maneira simi-
cial, passa por mudanças de estado, ou processos
lar, utilizando-se um termômetro de resistência de
e, finalmente, retorna ao estado inicial, dizemos
platina. Para medir temperaturas muito elevadas,
que executa um ciclo.
utiliza-se a intensidade da radiação com compri-
mento de onda na faixa do visível. As unidades básicas de propriedades termodi-
nâmicas e físicas foram mencionadas e as tabelas
É possível também medir temperatura in-
do Apêndice A apresentam seus valores. As pro-
diretamente por meio de medidas de pressão.
priedades termodinâmicas massa específica ρ, o
Se a pressão de vapor (discutida no Capítulo 2)
volume específico v, a pressão P e a temperatura T
é conhecida de forma precisa como uma função
foram introduzidas junto com suas respectivas uni-
da temperatura, então ela pode ser utilizada para
dades. As propriedades foram classificadas como
indicar o valor de temperatura. Em certas condi-
intensivas e extensivas. As propriedades intensivas
ções, um termômetro de gás de volume constante
independem da massa (como o volume específico
2 E mesmo o diâmetro dos fios do termopar. (N.T.) v) e as extensivas são proporcionais à massa (como

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42 Fundamentos da Termodinâmica

o volume total V). Os estudantes devem estar fa- • Saber que a energia pode ser transferida.
miliarizados com outros conceitos básicos da física,
• Reconhecer a diferença entre as propriedades
como por exemplo: o de força, F, de velocidade, V,
intensivas (v e ρ) e as extensivas (V e m).
e de aceleração a. O cálculo da variação de pressão
nas colunas de fluido foi realizado com a aplicação • Aplicar um balanço de forças em um sistema e
da segunda lei de Newton. Essa avaliação é funda- relacioná-lo à pressão.
mental para compreender a medição de pressões • Identificar a diferença entre os significados
absolutas e relativas com barômetros e manôme- das pressões relativas e das absolutas.
tros. As escalas de temperatura normais e absolu-
tas também foram apresentadas neste capítulo. • Entender o funcionamento dos manômetros e
barômetros e calcular as variações de pressão,
Após estudar o material deste capítulo, você P, e as pressões absolutas, P.
deve ser capaz de:
• Conhecer a diferença entre as escalas de tem-
• Fazer um esquema para iniciar a análise do peratura (normal e absoluta).
processo que deseja estudar, identificar se
existem fluxos de massa na fronteira escolhida • Conhecer as ordens de grandeza das proprie-
e definir se a situação deve ser analisada com dades abordadas (v, ρ, P e T).
um sistema ou um volume de controle.
• Conhecer o significado físico das propriedades Ao longo do texto, será realizada uma repeti-
P, T, v e ρ e suas unidades básicas. ção e um reforço dos conceitos abordados neste
• Saber utilizar a tabela de conversão de unida- capítulo. As propriedades termodinâmicas serão
des que está disponível no Apêndice A. reanalisadas no Capítulo 2; e a transferência de
energia, nas formas de trabalho e calor, e a energia
• Saber que a energia é acumulada, em nível mo- interna serão novamente abordadas no Capítulo 3
lecular, em diversos modos. junto com suas aplicações.

CONCEITOS E EQUAÇÕES PRINCIPAIS


Volume de controle: Região sobre a qual nossa atenção é dirigida.
F
Definição da pressão: P= (limite matemático para A infinitesimal)
A
V
Volume específico: ν =
m
m
Massa específica: ρ= (Tabelas. A.3, A.4 e A.5)
V
Variação de pressão estática: DP = ρgH = – ∫ rg dh
(H é a altura da coluna de fluido, g é uma aceleração e ρ é a massa
específica do fluido)
Temperatura absoluta: K = °C + 273,15

1
Energia total específica: e = u + V 2 + gz
2
Unidades: Tabela A.1 do Apêndice

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Introdução e Comentários Preliminares 43

Conceitos da Física
Segunda lei de Newton: F = ma
d 2 x dV
Aceleração: a= =
dt 2 dt
dx
Velocidade: V=
dt

PROBLEMAS CONCEITUAIS
1.1 Considere toda a central de potência mos- massa específica e do volume específico da
trada na Figura 1.1 como um volume de água nas três fases.
controle e faça uma lista com os fluxos de
1.8 Qual é a massa aproximada de 1 L de gaso-
massa e energia de entrada e saída. Existe
lina? E a do hélio em um balão a T0 e P0?
acumulação de energia no volume de con-
trole? Tenha cuidado ao identificar o que 1.9 Você consegue levantar 1 m3 de água
está dentro e o que está fora do volume de líquida?
controle. 1.10 Um refrigerador doméstico tem quatro pés
1.2 Englobe o refrigerador da Figura 1.3 com ajustáveis. Qual é a característica desses
um volume de controle. Identifique os flu- pés que pode garantir que eles não marca-
xos de massa de ar externo e mostre onde rão o piso?
você tem uma significativa transferência de 1.11 A pressão no fundo de uma piscina é bem
calor e onde há variação no armazenamen- distribuída. Suponha que uma placa de fer-
to de energia. ro fundido esteja apoiada no solo. A pres-
1.3 Classifique a lista formada por: P, F, V, v, ρ, são abaixo dele é bem distribuída?
T, a, m, L, t e V em três grupos, de acordo 1.12 O que determina, fisicamente, a variação
com as seguintes características: proprie- da pressão atmosférica com a altitude?
dades intensivas, propriedades extensivas
e o não propriedades. 1.13 Dois mergulhadores descem a uma profun-
didade de 20 m. Um deles se encaminha
1.4 Um recipiente contendo água líquida é co- para baixo de um superpetroleiro e o outro
locado em um congelador e é resfriado de fica distante dele. Qual deles é submetido à
20 °C para –5 °C. Identifique o(s) fluxo(s) maior pressão?
de energia e a acumulação de energia de-
tectados no processo e explique as mudan- 1.14 Um manômetro com água indica um equi-
ças que ocorrem. valente a Pamb/20. Qual é a diferença de al-
tura das colunas de líquido?
1.5 A massa específica das fibras, dos isola-
mentos térmicos, das espumas isolantes e 1.15 A pressão tem de ser uniforme para que
do algodão é pequena. Por que isso ocorre? exista equilíbrio em um sistema?

1.6 A massa específica é a única medida de 1.16 Um esquiador aquático não afunda muito
como a massa é distribuída em um volume? na água se a velocidade é relativamente
O valor da massa específica pode variar de alta. O que diferencia essa situação daque-
um ponto para outro? la em que os cálculos são feitos consideran-
do fluido parado?
1.7 A água pode ser encontrada na natureza
em três fases diferentes: sólida, líquida 1.17 Qual é a mínima temperatura possível?
e vapor. Indique a ordem de grandeza da Forneça o resultado em graus Celsius e em
Kelvin.

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44 Fundamentos da Termodinâmica

1.18 Converta a equação para a massa específi- 1.20 Qual é a principal diferença entre a energia
ca da água, apresentada na questão concei- cinética macroscópica de um movimento
tual “d”, para que ela opere com a tempera- de ar (vento) versus energia cinética mi-
tura expressa em Kelvin. croscópica das moléculas individuais? Qual
delas você pode sentir com a mão?
1.19 Um termômetro que indica a temperatura
por uma coluna de líquido tem um bulbo 1.21 Como se pode descrever a energia de liga-
com grande volume de líquido. Qual é a ra- ção entre os três átomos em uma molécula
zão disso? de água. Dica: imagine o que deve aconte-
cer para criar três átomos separados.

PROBLEMAS PARA ESTUDO


Propriedades e Unidades 1.28 A variação da aceleração da gravidade, g,
com a altura, z, pode ser aproximada por
1.22 Uma maçã apresenta, respectivamente,
g = 9,807 − 3,32 × 10−6 z, em que a altura
massa e volume iguais a 60 g e 75 cm3 quan-
está em metros e a aceleração em m/s2. De-
do está em um refrigerador a 8 °C. Qual é
termine a variação percentual do valor da
a massa específica da maçã? Faça uma lista
aceleração da gravidade que ocorre entre a
que apresente duas propriedades extensi-
altura nula e a altura de 11 000 m.
vas e três propriedades intensivas da maçã
no estado fornecido. 1.29 Um modelo de automóvel é solto em um
plano inclinado. A força na direção do mo-
1.23 Um kgf é o peso de um kg no campo gravita-
vimento apresenta módulo igual a um déci-
cional padrão. Qual é o peso de 1 kg em N?
mo daquele da força gravitacional padrão
1.24 Um cilindro de aço, que inicialmente está (veja o Problema 1.26). Determine a acele-
evacuado, é carregado com 5 kg de oxigê- ração no modelo, sabendo que sua massa é
nio e 7 kg de nitrogênio. Determine, nessa igual a 2 500 kg.
condição, o número de kmols contidos no
1.30 Um automóvel se desloca a 60 km/h. Su-
cilindro.
ponha que ele seja imobilizado em 5 s por
1.25 Um cilindro de aço, com massa igual a 4 kg, meio de uma desaceleração constante. Sa-
contém 4 litros de água líquida a 25 °C e bendo que a massa do conjunto automó-
100 kPa. Determine a massa total e o volu- vel-motorista é 2075 kg, determine o mó-
me do sistema. Apresente duas proprieda- dulo da força necessária para imobilizar o
des extensivas e três propriedades intensi- conjunto.
vas da água no estado fornecido.
1.31 Um automóvel com massa de 1 500 kg se
1.26 A aceleração “normal” da gravidade (no ní- desloca a 20 km/h. Sabendo que ele é ace-
vel do mar e a 45° de latitude) é 9,806 65 lerado até 75 km/h, com uma aceleração
m/s2. Qual é a força necessária para manter constante e igual a 4 m/s2, determine a for-
imobilizada uma massa de 2 kg nesse cam- ça e o tempo necessários para a ocorrência
po gravitacional? Calcule a massa de outro desse movimento.
corpo, localizado nesse local, sabendo que
1.32 A aceleração da gravidade na superfície da
é necessária uma força de 1 N para que o
Lua é aproximadamente igual a 1/6 daquela
corpo permaneça em equilíbrio.
referente à superfície da Terra. Uma mas-
1.27 Um pistão de alumínio de 2,5 kg está sub- sa de 5 kg é “pesada” em uma balança de
metido à aceleração “normal” da gravidade, braço na superfície da Lua. Qual é a leitu-
quando é aplicada uma força vertical as- ra esperada? Se a pesagem fosse efetuada
cendente de 25 N. Determine a aceleração em uma balança de mola, calibrada corre-
do pistão. tamente em um ponto em que a acelera-

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Introdução e Comentários Preliminares 45

ção da gravidade é normal (ver Problema conjunto com uma aceleração que é duas
1.26), que leitura seria obtida? vezes a aceleração da gravidade?
1.33 O elevador de um hotel tem uma mas- 1.40 Um reservatório estanque e com volume
sa de 750 kg, e carrega seis pessoas com de 5 m3 contém 900 kg de granito (massa
uma massa total de 450 kg. Qual a força específica de 2 400 kg/m3) e ar (massa es-
necessária no cabo para que o elevador te- pecífica de 1,15 kg/m3). Determine a massa
nha uma aceleração de 1 m/s2 no sentido de ar e o volume específico médio.
ascendente? 1.41 Um tanque apresenta duas partições sepa-
1.34 Uma das pessoas, no problema anterior, radas por uma membrana. A partição A con-
pesa 80 kg. Qual o peso que essa pessoa sen- tém 1 kg de ar e apresenta volume igual a
te quando o elevador começa a se mover? 0,5 m3. O volume da partição B é 0,75 m3 e
esta contém ar com massa específica igual a
1.35 Um recipiente de aço, que apresenta massa
0,8 kg/m3. A membrana é rompida e o ar atin-
igual a 12 kg, contém 1,75 kmols de propa-
ge um estado uniforme. Determine a massa
no na fase líquida. Qual é a força necessária
específica do ar no estado final do processo.
para movimentá-lo com aceleração de 3 m/s2
na direção horizontal? 1.42 Um quilograma de oxigênio diatômico
(massa molecular igual a 32) está contido
1.36 Uma caçamba contendo concreto, com mas- num tanque que apresenta volume de 500 L.
sa total igual a 700 kg, é movimentado por Calcule o volume específico do oxigênio na
um guindaste. Sabendo que a aceleração base mássica e na molar.
da caçamba, em relação ao chão, é 2 m/s2,
determine a força realizada pelo guindaste.
Admita que a aceleração local da gravidade Pressão
apresente módulo igual a 9,5 m/s2. 1.43 Um elefante de massa 5 000 kg tem uma
área de seção transversal em cada pata
igual a 0,02 m2. Admitindo uma distribui-
Volume Específico ção homogênea, qual é a pressão sob suas
1.37 Um reservatório estanque e com volume patas?
de 1 m3 contém uma mistura obtida com
400 kg de granito, 200 kg de areia seca e Psaída
0,2 m3 de água líquida a 25 °C. Utilizando
as propriedades apresentadas nas Tabelas
A.3 e A.4, determine o volume específico A válvula
médio e a massa específica média da mistu-
ra contida no reservatório. Desconsidere a Pcil
presença do ar no reservatório.
1.38 Uma central de potência separa CO2 dos
gases de exaustão da planta. O CO2 é então FIGURA P1.44
comprimido para uma condição em que a 1.44 A área da seção transversal da válvula do
massa específica é de 110 kg/m3 e armaze- cilindro mostrado na Figura P1.44 é igual a
nado em uma jazida de carvão inexplorá- 11 cm2. Determine a força necessária para
vel, que contém em seus poros um volume abrir a válvula, sabendo que a pressão no
de vazios de 100 000 m3. Determine a mas- cilindro é 735 kPa e que a pressão externa
sa de CO2 que pode ser armazenada. é 99 kPa.
1.39 Um tanque de aço, com massa igual a 15 kg, 1.45 O diâmetro do pistão de um macaco hidráu-
armazena 300 L de gasolina que apresen- lico é igual a 200 mm. Determine a pressão
ta massa específica de 800 kg/m3. Qual é no cilindro para que o pistão levante uma
a força necessária para movimentar esse massa de 740 kg.

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46 Fundamentos da Termodinâmica

1.46 A pressão máxima no fluido utilizado em um pectivamente, iguais a 100 m2 e 1 000 kg.
macaco hidráulico é 0,5 MPa. Sabendo que o Qual é a pressão mínima necessária (vá-
macaco deve levantar um corpo com massa cuo) para que isso ocorra? Admita que o
de 850 kg, determine o diâmetro do conjun- teto estivesse simplesmente apoiado.
to cilindro-pistão que movimenta o corpo. 1.53 Um projétil de canhão, com diâmetro de
1.47 Uma sala de laboratório está sob um vácuo 0,15 m e massa de 5 kg, pode ser modelado
de 0,1 kPa. Qual é a força com que uma por- como um pistão instalado em um cilindro.
ta de 2 m por 1 m é puxada para dentro? A pressão gerada pela combustão da pól-
vora na parte traseira do projétil pode ser
1.48 Um conjunto cilindro-pistão vertical apre-
considerada como igual a 7 MPa. Determi-
senta diâmetro igual a 125 mm e contém
ne a aceleração do projétil, sabendo que o
fluido hidráulico. A pressão atmosférica é canhão aponta na horizontal.
igual a 1 bar. Determine a massa do pistão
sabendo que a pressão no fluido é igual a 1.54 Refaça o problema anterior, admitindo que
1 500 kPa. Admita que a aceleração da gra- o ângulo formado pelo cano do canhão e a
vidade seja a “normal”. horizontal é igual a 40 graus.
1.49 Uma pessoa de 75 kg tem uma área de con- 1.55 O cilindro de aço mostrado na Figura P1.55
tato com o chão de 0,05 m2 quando está apresenta área da seção transversal igual a
usando botas. Vamos supor que ela deseja 1,5 m2. Sabendo que a pressão na superfí-
caminhar sobre a neve que pode suportar cie livre da gasolina é 101 kPa, determine a
3 kPa; adicionais, qual deveria ser a área pressão na superfície inferior da camada de
total dos seus sapatos de neve? água.
P0
1.50 Um conjunto cilindro-pistão apresenta
área da seção transversal igual a 0,01 m2. A Ar
massa do pistão é 100 kg e está apoiado nos
esbarros mostrados na Figura P1.50. Se a
1m Gasolina
pressão no ambiente for igual a 100 kPa, 2,5 m
qual deve ser a mínima pressão na água
para que o pistão se mova?
P0 0,5 m Água
g FIGURA P1.55

1.56 Uma boia submarina é ancorada no mar


com um cabo, apresentando uma massa to-
Água
tal de 250 kg. Determine o volume da boia
para que o cabo a mantenha submersa com
FIGURA P1.50 uma força de 1 000 N.
1.51 A diferença entre as pressões no corredor 1.57 A pressão ao nível do mar é 1 025 mbar.
e na sala de um laboratório, provocada pela Suponha que você mergulhe a 15 m de pro-
ação de um grande ventilador, foi medi- fundidade e depois escale uma montanha
da com um manômetro de coluna d’água. com 250 m de elevação. Admitindo que a
Sabendo que a altura da coluna de líquido massa específica da água é 1 000 kg/m3 e a
medida foi igual a 0,1 m, determine o mó- do ar é 1,18 kg/m3, determine as pressões
dulo da força líquida que atua na porta que que você sente nesses dois locais.
separa o laboratório do corredor. Admita
1.58 Determine a pressão no fundo de um tan-
que a altura e a largura da porta são, res-
que que apresenta 5 m de profundidade
pectivamente, iguais a 1,9 m e 1,1 m.
e cuja superfície livre está exposta a uma
1.52 Um tornado arrancou o teto horizontal de pressão de 101 kPa. Considere que o tan-
um galpão. A área e o peso do teto são, res- que esteja armazenando os seguintes líqui-

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Introdução e Comentários Preliminares 47

dos: (a) água a 20 °C; (b) glicerina a 25 °C; 1.63 Admita que a massa específica do ar na at-
e (c) gasolina a 25 °C? mosfera é constante e igual a 1,15 kg/m3 e
que a pressão no nível do mar é 101 kPa.
1.59 O tanque sem tampa mostrado na Figura
Qual é a pressão absoluta detectada por
P1.59 é construído com aço e apresenta
um piloto de balão que voa a 2000 m acima
massa igual a 10 toneladas. A área da seção
do nível do mar.
transversal e a altura do tanque são iguais
a 3 m2 e 16 m. Determine a quantidade 1.64 A pressão padrão na atmosfera em um local
de concreto que pode ser introduzida no com elevação (H) acima do nível do mar
tanque para que este flutue no oceano do pode ser correlacionado como P = P0 (1 –
modo indicado na figura. H/L)5,26 com L = 44 300 m. Com a pressão
ao nível do mar local P0 em 101 kPa, qual é
Ar a pressão a 10 000 m de elevação?
1.65 A altura da coluna de mercúrio em um ba-
rômetro é 725 mm. A temperatura é tal que
Oceano
10 m a massa específica do mercúrio vale 13 550
Concreto kg/m3. Calcule a pressão no ambiente.
1.66 Um manômetro montado em um recipien-
FIGURA P1.59 te indica 1,25 MPa e um barômetro local
1.60 Um conjunto cilindro-pistão, com área de indica 0,96 bar. Calcule a pressão interna
seção transversal igual a 15 cm2, contém absoluta no recipiente.
um gás. Sabendo que a massa do pistão é 1.67 Qual é a ΔP medida por um manômetro em
5 kg e que o conjunto está montado em U que indica uma diferença de níveis de
uma centrífuga que proporciona uma ace- mercúrio de 1 m?
leração de 25 m/s2, calcule a pressão no
gás. Admita que o valor da pressão atmos- 1.68 Uma das extremidades de um manômetro em
férica seja o normal. U está conectada a uma tubulação e a outra
está exposta ao ambiente (Patm = 101 kPa).
1.61 Um cilindro que apresenta área de seção A diferença entre as alturas das colunas de
transversal A contém água líquida, com fluido manométrico é 30 mm e a altura da
massa específica ρ, até a altura H. O cilin- coluna adjacente à tubulação é maior do que
dro apresenta um pistão inferior que pode a outra. Sabendo que a massa específica do
ser movido pela ação do ar comprimido fluido manométrico é 925 kg/m3, determine a
(veja a Figura P1.61). Deduza a equação pressão absoluta no interior da tubulação.
para a pressão do ar em função de h.
1.69 Qual é a diferença de pressão entre o topo
H e base de uma coluna de ar atmosférico de
10 m de altura?
g 1.70 A altura da coluna de mercúrio em um ba-
rômetro é 760 mm quando está posiciona-
do junto ao chão e 735 mm, quando o equi-
pamento está instalado na cobertura de
h um edifício. Determine a altura do edifício,
admitindo que a massa específica do ar é
Ar
constante e igual a 1,15 kg/m3.
FIGURA P1.61
1.71 O medidor de pressão acoplado a um tan-
que de ar indica 75 kPa, quando o mergu-
Manômetros e Barômetros lhador está nadando a uma profundidade
1.62 Um sensor está a 16 m de profundidade em de 10 m no oceano. Determine a profundi-
um lago. Qual é a pressão absoluta nessa dade de mergulho em que a pressão indica-
profundidade? da é nula. O que significa essa situação?

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48 Fundamentos da Termodinâmica

1.72 Um submarino de pesquisa deve submergir Qual é a pressão relativa? Se o ramo direito
até a profundidade de 1200 m. Admitindo do manômetro for inclinado do modo in-
que a massa específica da água do mar é dicado na Figura P 1.77 (o ângulo entre o
constante e igual a 1 020 kg/m3, determine ramo direito e a horizontal é 30º) e supon-
a pressão que atua na superfície externa do do a mesma diferença de pressão, qual será
casco do submarino na profundidade máxi- o novo comprimento da coluna?
ma de mergulho.
1.78 Um manômetro está instalado em uma tu-
1.73 Um submarino mantém a pressão interna bulação de transporte de óleo leve do modo
de 101 kPa e submerge a uma profundi- indicado na Figura P1.78. Considerando os
dade de 240 m, em que a massa específica valores indicados na figura, determine a
média é de 1 030 kg/m3. Qual é a diferença pressão absoluta no escoamento de óleo.
de pressão entre o interior e a superfície P0 = 101 kPa
externa do submarino?
1.74 Um barômetro que apresenta imprecisão
de medida igual a 1 mbar (0,001 bar) foi 0,7 m
utilizado para medir a pressão atmosfé- Óleo
0,3 m
rica no nível do chão e na cobertura de Água
0,1 m
um edifício alto. Determine a incerteza no
valor da altura do prédio calculada a par-
FIGURA P1.78
tir dos valores das pressões atmosféricas
medidas. 1.79 Um manômetro U que utiliza um fluido mano-
métrico com massa específica de 900 kg/m3
1.75 A pressão absoluta em um tanque é igual a apresenta uma diferença de 200 mm no nível
115 kPa e a pressão ambiente vale 97 kPa. das colunas. Qual é a diferença de pressão
Se um manômetro em U, que utiliza mer- medida? Se a diferença de pressão se manti-
cúrio (ρ = 13 550 kg/m3) como fluido baro- vesse inalterada, qual seria o novo desnível,
métrico, for utilizado para medir o vácuo, caso o fluido fosse mudado para mercúrio
qual será a diferença entre as alturas das de massa específica 13 600 kg/m3?
colunas de mercúrio?
1.80 O conjunto formado pelos cilindros e tu-
1.76 O medidor de pressão absoluta acoplado a bulação com válvula, mostrado na Figura
um tanque indica que a pressão no gás con- P1.80, contém água (ρ = 1 000 kg/m3). As
tido no tanque é 135 kPa. Gostaríamos de áreas das seções transversais dos cilindros
utilizar um manômetro em U e água líqui- A e B são respectivamente iguais a 0,1 e 0,25
da como fluido manométrico para medir a m2. A massa d’água no cilindro A é 100 kg,
pressão relativa no gás. Considerando que enquanto a de B é 500 kg. Admitindo que
a pressão atmosférica seja igual a 101 kPa, h seja igual a 1 m, calcule a pressão no flui-
determine a diferença entre as alturas das do em cada seção da válvula. Se abrirmos a
colunas de água no manômetro. válvula e esperarmos o equilíbrio, qual será
1.77 A diferença de altura das colunas de água a pressão na válvula?
(ρ = 1 000 kg/m3) em um manômetro em U P0
é igual a 0,25 m.
P0
B g

h
L

h A

30∞

FIGURA P1.77 FIGURA P1.80

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Introdução e Comentários Preliminares 49

1.81 A Figura P1.81 mostra dois conjuntos cilin- Energia e Temperatura


dro-pistão conectados por uma tubulação.
1.84 Um elevador leva quatro pessoas, cuja mas-
Os conjuntos A e B contêm um gás e as
sa total é de 300 kg, a altura de 25 m em
áreas das seções transversais são respec-
um prédio. Explique o que acontece com
tivamente iguais a 75 e 25 cm2. A massa
relação à transferência de energia e ener-
do pistão do conjunto A é igual a 25 kg, a
gia armazenada.
pressão ambiente é 100 kPa e o valor da
aceleração da gravidade é o normal. Cal- 1.85 Um carro se desloca a 75 km/h; a sua mas-
cule, nessas condições, a massa do pistão sa, incluindo pessoas, é de 3200 kg. Quanta
do conjunto B, de modo que nenhum dos energia cinética o carro tem?
pistões fique apoiado nas superfícies infe- 1.86 Um pacote de 52 kg é levado até o topo de
riores dos cilindros. uma prateleira em um armazém que está
P0 4 m acima do piso térreo. Qual o aumento
da energia potêncial do pacote?
P0 1.87 Um automóvel de massa 1 775 kg desloca-
g -se com velocidade de 100 km/h. Determi-
B ne a energia cinética. Qual a altura que o
A carro pode ser levantado no campo gravita-
cional padrão para ter uma energia potên-
cial é igual à energia cinética?

1.88 Uma molécula de oxigênio com massa mo =


FIGURA P1.81 32 × 1,66 × 10-27 kg se move com uma
velocidade de 240 m/s. Qual é a energia
1.82 Reconsidere o arranjo analisado no Proble- cinética da molécula? Qual a temperatura
ma 1.81. Admita que as massas dos pistões correspondente a essa energia cinética,
sejam desprezíveis e que uma força pontual considerando que tem de ser igual a (3/2 )
de 250 N empurra o pistão A para baixo. kT, onde k é constante de Boltzmans e T é
Nessas condições, determine o valor da a temperatura absoluta em Kelvin?
força adicional que deve atuar no pistão
B para que não se detecte qualquer movi- 1.89 Qual é o valor da temperatura absoluta (em
mento no arranjo. Kelvin) equivalente a –5 °C?
1.83 Um dispositivo experimental (Figura 1.90 A zona de conforto humana está entre 18 e
P1.83) está localizado em um local em 24 °C. Qual é a faixa de variação em Kelvin?
que a temperatura vale 5 ºC e g = 9,5 m/s2. Qual é a mudança relativa máxima da baixa
O fluxo de ar nesse dispositivo é medido, à alta temperatura?
determinando-se a queda de pressão no 1.91 Uma coluna de mercúrio é usada para me-
escoamento através de um orifício, por dir uma diferença de pressão de 100 kPa
meio de um manômetro de mercúrio (veja em um aparelho colocado ao ar livre. Nesse
o Problema 1.91). Determine o valor da local, a temperatura mínima no inverno é
queda de pressão em kPa quando a dife- −15 °C e a máxima no verão é 35 °C. Qual
rença de nível no manômetro for igual a será a diferença entre a altura da coluna
200 mm. de mercúrio no verão e aquela referente
ao inverno, quando estiver sendo medida
Ar a diferença de pressão indicada? Admita
aceleração da gravidade “normal” e que a
massa específica do mercúrio varie com a
g temperatura de acordo com
ρHg = 13 595 − 2,5 T (kg/m3)
FIGURA P1.83 com T em °C.

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50 Fundamentos da Termodinâmica

1.92 Os termômetros de mercúrio indicam a Lago


Lago
temperatura pela medida da expansão vo-
lumétrica de uma massa fixa de mercúrio 6
6mm
líquido. A expansão volumétrica é em vir-
Corte
Corte lateral
lateral
tude de variação da massa específica do
mercúrio com a temperatura (veja o Pro-
Lago
Lago
blema 21.91). Determine a variação per-
centual do volume ocupado pelo mercúrio
quando a temperatura varia de 10 °C para
20 °C. 5
5mm
1.93 A massa específica da água líquida é calcu- Vista
Vista superior
superior
lada por: ρ = 1 008 – T/2 [kg/m3]; T em °C. FIGURA P1.97
Se a temperatura se eleva em 10 °C, qual é
1.98 O reservatório d’água de uma cidade é
a elevação da espessura de uma lâmina de
pressurizado com ar a 125 kPa e está mos-
água de 1 m?
trado na Figura P1.98. A superfície livre do
1.94 Elabore uma equação para a conversão de líquido está situada a 25 m do nível do solo.
temperaturas de °F para °C. Utilize como Admitindo que a massa específica da água
base as temperaturas dos pontos de soli- é igual a 1 000 kg/m3 e que o valor da ace-
dificação e de vaporização da água. Faça o leração da gravidade é o normal, calcule a
mesmo para as escalas Rankine e Kelvin. pressão mínima necessária para o abasteci-
1.95 A temperatura do ar na atmosfera cai com mento do reservatório.
o aumento da altitude. Uma equação que
fornece o valor local médio da temperatura
absoluta do ar na atmosfera é Tatm = 288 −
6,5 × 10−3 z, em que z é a altitude em me-
tros. Qual é a temperatura média do ar em H
um ponto localizado em uma altitude de g
12 000 m. Forneça seu resultado em graus
Celsius e em Kelvin.

FIGURA P1.98
Problemas para Revisão
1.99 Considere uma tubulação vertical para a
1.96 Repita o Problema 1.83 supondo que o flui- distribuição de água em um prédio alto,
do que escoa no dispositivo é água (ρ = conforme mostrado na Figura P1.99.
1 000 kg/m3). Observe que você não pode A pressão da água em um ponto situado a
desprezar os efeitos das duas colunas desi- 5 m abaixo do nível da rua é 600 kPa. Deter-
guais de água. mine qual deve ser o aumento de pressão
1.97 A profundidade do lago esboçado na Figura promovido pela bomba hidráulica acoplada
P1.97 é igual a 6 m e a comporta vertical à tubulação para garantir que a pressão em
apresenta altura e largura respectivamente um ponto situado a 150 m acima do nível
iguais a 6 m e 5 m. Determine os módulos da rua seja igual a 200 kPa.
das forças horizontais que atuam nas su-
perfícies verticais da comporta em razão
da água e do ar.

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Introdução e Comentários Preliminares 51

Último piso
1.101 O diâmetro do pistão mostrado na Figu-
ra P1.101 é 100 mm e sua massa é 5 kg.
A mola é linear e não atua sobre o pistão
enquanto estiver encostado na superfície
inferior do cilindro. No estado mostrado
150 m
na figura, o volume da câmara é 0,4 L e a
pressão é 400 kPa. Quando a válvula de ali-
Solo
mentação de ar é aberta, o pistão sobe 20
mm. Admitindo que a pressão atmosférica
5m
seja igual a 100 kPa, calcule a pressão no ar
Alimentação
de água Bomba nessa nova situação.

FIGURA P1.99

1.100 A Figura P1.100 mostra um pistão especial P0


montado entre as câmaras A e B. A câma- g Linha
ra B contém um gás, enquanto a A contém de ar
óleo hidráulico a 500 kPa. Sabendo que a comprimido

massa do pistão é 25 kg, calcule a pressão Ar


do gás no cilindro B.

B
FIGURA P1.101

DB = 25 mm
P0 = 100 kPa g

DA = 100 mm
Bomba
A

FIGURA P1.100

PROBLEMAS ABERTOS, PROJETOS E APLICAÇÃO DE COMPUTADORES


1.102 Escreva um programa de computador que barômetro de mercúrio (Veja Problema
faça uma tabela de correspondência entre 1.70). Os dados de entrada são a altura da
°C, °F, K e R, na faixa de −50 °C a 100 °C, coluna e a temperatura do ambiente e as
utilizando um intervalo de 10 °C. saídas são a pressão (kPa) e a leitura corri-
gida a 20 °C.
1.103 Represente graficamente a pressão atmos-
férica em função da altitude (0-20 000 m) 1.106 Faça uma relação dos métodos utilizados,
em um local em que a pressão no solo a direta ou indiretamente, para medir a mas-
500 m de altitude é de 100 kPa. Use a varia- sa dos corpos. Investigue as faixas de utili-
ção apresentada no Problema 1.64. zação e as precisões que podem ser obtidas
nas medições.
1.104 Escreva um programa de computador que
transforme o valor da pressão, tanto em 1.107 O funcionamento dos termômetros é basea­
kPa como em atm ou lbf/in2, em kPa, atm, do em vários fenômenos. A expansão de
bar e lbf/in2. um líquido com o aumento de temperatura
é utilizado em muitas aplicações. As resis-
1.105 Escreva um programa de computador para
tências elétricas, termistores e termopares
a correção da medida de pressão em um

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52 Fundamentos da Termodinâmica

são usualmente utilizados como transdu- um termistor comercial e a compare com


tores, principalmente nas aplicações re- o comportamento do termistor referente a
motas. Investigue os tipos de termômetros este problema.
existentes e faça uma relação de suas fai-
1.110 Pesquise quais são os transdutores ade-
xas de utilização, precisões, vantagens e
quados para medir a temperatura em uma
desvantagem operacionais.
chama que apresenta temperatura próxima
1.108 Deseja-se medir temperaturas na faixa a 1000 K. Existe algum transdutor dispo-
de 0 °C a 200 °C. Escolha um termômetro nível para medir temperaturas próximas a
de resistência, um termistor e um termopar 2000 K?
adequados para essa faixa. Faça uma tabela
1.111 Para determinar a pressão arterial de uma
que contenha as precisões e respostas uni-
pessoa, utiliza-se um aparato com manô-
tárias dos transdutores (variação do sinal
metro (esfigmomanômetro) enquanto a
de saída por alteração unitária da medida).
pulsação é ouvida por meio de um estetos-
É necessário realizar alguma calibração ou
cópio. Investigue como o sistema funcio-
correção na utilização desses transdutores?
na, liste a faixa de pressões normalmente
1.109 Um termistor é utilizado como transdu- medidas (sistólica – ou seja, a máxima – e
tor de temperatura. Sua resistência varia, a diastólica – isto é, a mínima) e apresente
aproximadamente, com a temperatura do essas informações na forma de um breve
seguinte modo: relatório.
R = R0 exp[α(1/T –1/T0)] 1.112 Um micromanômetro utiliza um fluido com
em que R0 é a resistência a T0. massa específica 1 000 kg/m3 e é capaz de
medir uma diferença de altura com uma
Admitindo que R0 = 3 000 Ω e T0 = 298 K,
precisão de ±0,5 mm. Sabendo que a dife-
determine α, de modo que a resistência
rença máxima de altura que pode ser me-
seja igual a 200 Ω quando a temperatura
dida é 0,5 m, pesquise se existe outro me-
for igual a 100 ºC. Escreva um programa de
didor de pressão diferencial disponível que
computador que forneça o valor da tem-
possa substituir esse micromanômetro.
peratura em função da resistência do ter-
mistor. Obtenha a curva característica de

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Propriedades de uma Substância Pura 53

2
Propriedades de uma
Substância Pura

Consideramos, no capítulo anterior, três propriedades bem conhecidas de uma


substância: volume específico, pressão e temperatura. Agora voltaremos nos-
sa atenção para as substâncias puras e consideraremos algumas das fases em
que uma substância pura pode existir, o número de propriedades independen-
tes que pode ter e os métodos utilizados na apresentação das propriedades
termodinâmicas.
O conhecimento do comportamento e das propriedades das substâncias é
essencial na análise de dispositivos e sistemas termodinâmicos. A usina de ge-
ração de energia a vapor mostrada na Figura 1.1 e outras usinas de geração de
energia que usam combustíveis diferentes, como o óleo, o gás natural ou a ener-
gia nuclear, apresentam processos muito similares, que utilizam a água como
fluido de trabalho. O vapor d’água é obtido a partir da ebulição de água a alta
pressão, no gerador de vapor, seguida de expansão para a turbina com pressão
mais baixa, resfriamento no condensador e retorno para o gerador de vapor
através de uma bomba que aumenta sua pressão, como mostrado na Figura 1.2.
É necessário conhecer as propriedades da água para dimensionar corretamente
os equipamentos tais como queimadores, trocadores de calor, turbinas e bom-
bas, e obter a transferência de energia e escoamento da água desejados. Quando
a água passa do estado líquido para vapor, necessitamos conhecer a temperatu-
ra em uma dada pressão, bem como a densidade ou volume específico, para que
a tubulação seja dimensionada corretamente para o escoamento desejado. Caso
as tubulações sejam muito pequenas, a expansão criará velocidades excessi-
vas, causando perda da pressão e aumentando o atrito. Isso demandará bombas
maiores, o que reduzirá a produção de trabalho da turbina.
Outro exemplo é o refrigerador mostrado na Figura 1.3. Nessa aplicação,
precisamos de uma substância que evapore a uma temperatura baixa, digamos
–20 °C. Esse processo absorve energia do ambiente refrigerado, mantendo-o
frio. Na “grade” preta localizada na parte traseira ou na base do refrigerador, o
fluido, agora quente, é resfriado pela passagem de ar ambiente através da grade.
Nesse processo, o fluido é condensado a uma temperatura ligeiramente maior
que a do ambiente. Quando um sistema desses é projetado, precisamos conhe-
cer as pressões em que ocorrem esses processos, e as quantidades de energia
envolvidas – assunto coberto nos Capítulos 3 e 4. Precisamos conhecer também

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54 Fundamentos da Termodinâmica

qual o volume ocupado pela substância, isto é, o Às vezes, uma mistura de gases, tal como o
volume específico, para selecionar os diâmetros ar, é considerada uma substância pura desde que
das tubulações como mencionado na usina de pro- não haja mudança de fase. Rigorosamente falando,
dução de vapor. A substância deve ser seleciona- isso não é verdade. Como veremos mais adiante,
da de modo que a pressão seja razoável durante o pode-se dizer que uma mistura de gases, tal como
processo; não deve ser muito alta para evitar va- o ar, exibe algumas das características de uma
zamentos e também por questões de segurança, e substância pura, contanto que não haja mudança
não deve ser muito baixa para evitar a possibilida- de fase.
de de contaminação da substância pelo ar.
Neste livro, daremos ênfase às substâncias
Um último exemplo de um sistema em que é simples e compressíveis. Este termo designa
necessário o conhecimento das propriedades da substâncias cujos efeitos de superfície, magnéti-
substância é a turbina a gás e sua variação, motor cos e elétricos não são significativos. Por outro
a jato. Nesses sistemas, a substância de trabalho lado, as variações de volume, tais como aquelas
é um gás (muito semelhante ao ar) e não ocorre associadas à expansão de um gás em um cilindro,
mudança de fase. Combustível e ar são queima- são muito importantes. Entretanto, faremos re-
dos, liberando uma grande quantidade de energia, ferência a outras substâncias nas quais os efeitos
provocando o aquecimento e consequente ex- de superfície, magnéticos ou elétricos são impor-
pansão do gás. Precisamos saber o quanto o gás tantes. Chamaremos o sistema que consiste de
é aquecido e expandido para analisar o processo uma substância compressível simples de sistema
de expansão na turbina e no bocal de descarga do compressível simples.
motor a jato. Nesses dispositivos, a velocidade do
fluido de trabalho deve ser alta no interior da tur-
bina e no bocal de descarga do motor a jato. Essa 2.2 AS FRONTEIRAS DAS FASES
alta velocidade “empurra” as palhetas da turbina,
produzindo trabalho de eixo, ou, no caso do motor Consideremos como sistema certa quantidade de
a jato, empurra as palhetas do compressor (dan- água contida no conjunto pistão-cilindro mantido a
do um impulso) para movimentar a aeronave para uma pressão constante, como na Figura 2.1a e cuja
frente. temperatura consigamos monitorar. Assuma que a
água comece o processo nas condições ambientais
Esses são apenas alguns exemplos de sis-
P0 e T0, em que o estado seja líquido. Se a água é
temas termodinâmicos em que uma substância
aquecida gradativamente, a temperatura aumenta,
percorre vários processos, sofrendo mudanças de
o volume aumenta apenas ligeiramente, porém,
estado termodinâmico e, portanto, alterando suas
por definição, a pressão permanece constante.
propriedades. Com a progressão dos seus estudos,
Quando a temperatura atinge 99,6 ºC, uma transfe-
outros exemplos serão apresentados para ilustrar
rência adicional de calor resulta em uma mudança
os diversos temas.
de fase, com a formação de alguma quantidade de
vapor, como indica a Figura 2.1b. Nesse processo, a
temperatura permanece constante, mas o volume
2.1 A SUBSTÂNCIA PURA aumenta consideravelmente. Mais aquecimento
gera mais e mais vapor e um aumento substancial
Uma substância pura é aquela que tem composi-
do volume até a última gota do líquido vaporizar.
ção química invariável e homogênea. Pode existir
Uma transferência adicional de calor resulta em
em mais de uma fase, mas a composição química
um aumento da temperatura e do volume específi-
é a mesma em todas as fases. Assim, água líqui-
co do vapor, como mostra a Figura 2.1c.
da, uma mistura de água líquida e vapor d’água ou
uma mistura de gelo e água líquida são todas subs- O termo temperatura de saturação designa a
tâncias puras, pois cada fase apresenta a mesma temperatura em que ocorre a vaporização a uma
composição química. Por outro lado, uma mistu- dada pressão, também conhecido como tempera-
ra de ar líquido e ar gasoso não é uma substância tura de ebulição. Se o experimento for repetido
pura, porque as composições das fases líquida e para diferentes pressões teremos uma temperatu-
gasosa são diferentes. ra de saturação diferente que pode ser marcado na

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Propriedades de uma Substância Pura 55

Vapor d’água S L V

Água líquida Água líquida

(a) ( b)
T

Figura 2.2
A separação das fases de um diagrama de fases.

vas de saturação se encontram, e uma redução


Vapor d’água
adicional na pressão resulta em uma curva simples
de saturação denominada de a linha de sublima-
ção, separando a fase sólida da fase vapor. O ponto
em que as curvas se encontram é chamado ponto
(c)
triplo e é a única combinação em que as três fases
Figura 2.1 (sólida, líquida e gasosa) podem coexistir; abai-
Mudança da fase líquida para vapor de uma substância xo o ponto triplo, na temperatura ou pressão, ne-
pura a pressão constante. nhuma fase líquida pode existir. As três diferentes
curvas de saturação estão apresentadas na Figura
2.3 denominada diagrama de fases. Este diagrama
Figura 2.2, separando as regiões de líquido (L) e mostra os diferentes conjuntos de propriedades
vapor (V). Se o experimento for feito para resfria- de saturação (Tsat, Psat) em que é possível ter duas
mento, ao invés de para o aquecimento, verificare- fases em equilíbrio. Para uma pressão superior,
mos que quando a temperatura diminui, alcança- 22,09 MPa, no caso da água, a curva de vaporiza-
mos o ponto no qual o gelo (S para estado sólido) ção termina em um ponto chamado ponto crítico.
começa a se formar, com um aumento de volume Acima dessa pressão, não há nenhum fenômeno
associado. Durante o resfriamento, o sistema for- de ebulição, e aquecer o líquido produzirá um va-
ma mais gelo e menos líquido a uma temperatura por sem ebulição em uma transição suave.
constante, que é uma temperatura de saturação As propriedades no ponto triplo podem variar
diferente comumente chamada ponto de congela- significativamente entre as substâncias, como está
mento. Quando todo o líquido se transforma em evidenciado na Tabela 2.1. O mercúrio, como ou-
gelo, um resfriamento adicional reduzirá a tem- tros metais, tem um ponto triplo de pressão baixo,
peratura e o volume será praticamente constante. e o dióxido de carbono tem um ponto triplo alto,
O ponto de congelamento é também marcado na
Figura 2.2 para cada conjunto de pressão, e estes
pontos separam a região de líquido da região de
P
sólido. Cada um destes dois conjuntos de marca- Linha de fusão
dores, caso se formem suficientemente próximos, Ponto crítico
formam a curva e ambos são curvas de saturação. S L
A curva da esquerda é conhecida como a linha b V
de fusão (praticamente uma reta), como se fosse Linha de sublimação a
uma fronteira entre a fase sólida e a fase líquida, Ponto
enquanto a curva da direita é chamada curva de triplo
vaporização. T

Se o experimento é repetido para pressões Figura 2.3


cada vez mais baixas, observa-se que as duas cur- Esboço de um diagrama de fase de água.

termodinamica 02.indd 55 15/10/14 14:42


56 Fundamentos da Termodinâmica

o que é incomum. Lembre-se do uso do mercúrio 104


Gelo VII
como um fluido barométrico no Capítulo 1, no qual
se mostrou útil, em virtude da baixa pressão de 103 Gelo VI
vapor. Uma pequena amostra dos dados do ponto Gelo V

crítico é mostrada na Tabela 2.2, sendo que um Gelo III


102
Gelo II
conjunto maior de dados é dado na Tabela A.2, Ponto crítico
no Apêndice A. O conhecimento sobre os dois 101
Líquido

pontos finais da curva de vaporização fornece al-


guma indicação sobre onde se encontra a inter- 100

P [MPa]
secção entre a fase vapor e a fase líquida, porém

Gelo I
são necessárias informações mais detalhadas para
10–1
conseguir determinar a fase numa dada pressão e
Vapor
temperatura.
10–2

10–3
Tabela 2.1 Ponto triplo

Dados de alguns pontos triplos – sólido–líquido–vapor


10–4
Temperatura, °C Pressão, kPa
10–5
Hidrogênio (normal) –259 7,194 200 300 400 500 600 700 800
T [K]
Oxigênio –219 0,15
Figura 2.4
Nitrogênio –210 12,53 Diagrama de fases da água.
Dióxido de carbono –56,4 520,8

Mercúrio –39 0,00 000 013 diferentes regiões de fase sólida; da mesma for-
Água 0,01 0,6113 ma, esse pode ser o caso para outras substâncias.
Todos os sólidos são formados por gelo, mas cada
Zinco 419 5,066 região apresenta uma estrutura cristalina dife-
Prata 961 0,01 rente e dividem uma quantidade de contornos de
fase com diversos pontos triplos; no entanto, há
Cobre 1 083 0,000 079
apenas um único ponto triplo em que o equilíbrio
sólido-líquido-vapor é possível.
Embora tenhamos feito esses comentários
Tabela 2.2
Alguns dados do ponto crítico com referência específica à água, todas as subs-
tâncias puras exibem o mesmo comportamento
Temperatura Pressão Volume críti- geral. Foi mencionado anteriormente que os da-
crítica, °C crítica, MPa co, m3/kg
dos de ponto triplo varia significativamente entre
Água 374,14 22,09 0,003 155 as substâncias; isto também é verdade para os
dados de ponto crítico. Por exemplo, a tempera-
Dióxido de carbono 31,05 7,39 0,002 143
tura crítica do hélio, de acordo com a Tabela A.2,
Oxigênio –118,35 5,08 0,002 438 é 5,3 K, e a condição de temperatura ambiente é,
portanto, cerca de 50 vezes maior que sua tem-
Hidrogênio –239,85 1,30 0,032 192
peratura crítica. A temperatura crítica da água é
de 647,29 K, o que é mais que o dobro da tempe-
ratura ambiente. A maioria dos metais apresen-
Enquanto a Figura 2.3 é apenas um esboço em
ta temperatura crítica muito mais alta que a da
coordenadas lineares, as curvas reais estão plota-
água.
das em escala na Figura 2.4 para a água e, a esca-
la da pressão é logarítmica, para cobrir uma faixa O diagrama de fases do dióxido de carbono
extensa. Neste diagrama de fase, são mostradas plotado em escala é mostrado na Figura 2.5, e,

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Propriedades de uma Substância Pura 57

2.3 A SUPERFÍCIE P-v-T


105
Vamos considerar o experimento da Figura 2.1,
104
Líquido novamente, mas agora também admitindo que me-
Ponto crítico dimos o volume total de água, que, junto com sua
Sólido massa, fornece a propriedade volume específico.
P [kPa]

103

Ponto triplo Podemos plotar a temperatura em função do vo-


102 lume, seguindo o processo de pressão constante.
Vapor Admitindo que iniciamos nas condições de tempe-
101 ratura ambiente e que aquecemos a água líquida.
A temperatura aumenta e o volume se expande li-
100
150 200 250 300 350
geiramente, como indicado na Figura 2.6, inician-
T [K] do com o estado A e indo na direção do estado B.
Quando chegamos ao estado B, temos água líqui-
Figura 2.5 da a 99,6 °C, que é denominada líquido saturado.
Diagrama de fases do dióxido de carbono.
Um aquecimento adicional aumenta o volume a
temperatura constante (temperatura de ebulição)
novamente, o eixo da pressão está em escala lo- produzindo mais vapor e menos líquido que even-
garítmica para cobrir a larga faixa de valores. Não tualmente alcança em C, denominado vapor satu-
é normal que o ponto triplo de pressão esteja aci- rado, quando todo o líquido se vaporiza. Um aque-
ma da pressão atmosférica (veja também a Tabela cimento adicional produzirá vapor a temperaturas
2.2) nem a inclinação da linha de fusão direciona- superiores, em um estado denominado vapor su-
da para direita, o que é o oposto do comportamen- peraquecido, em que a temperatura é superior da
to da água. Portanto, na pressão atmosférica de temperatura de saturação para uma dada pressão.
100 kPa, o dióxido de carbono sólido fará uma fase A diferença entre uma determinada temperatura
de transição diretamente do vapor, sem se trans- T e a temperatura de saturação na mesma pressão
formar, em princípio, em líquido. Esse processo se é denominada grau de superaquecimento.
denomina sublimação. É usado para transportar Para pressões maiores a temperatura de sa-
carne congelada em embalagens, em que, em vez turação é superior, como 179,9 °C no estado F
de gelo, é adicionado o dióxido de carbono sólido, para uma pressão de 1 MPa, e assim por diante.
de modo que, mesmo com a mudança de fase, as Na pressão crítica de 22,09 MPa, o aquecimento
embalagens permanecem secas. Por isso também
é conhecido como gelo seco. A Figura 2.5 mostra
que essa mudança de fase ocorre a cerca de 200 K Q
Pa
M

e, portanto, é muito frio. °C T O


9
,0

L
22

N Ponto
374 crítico
H
K
QUESTÕES CONCEITUAIS 10 MPa
Pa

311
J
40 M

a. Se a pressão for menor que a menor Psat F 1 MPa G


179,9
em uma T dada, qual será a fase? D
B 0,1 MPa C
b. Uma torneira de água externa tem sua vál- 99,6
vula acionada por um longo eixo, de modo P Linha de líquido saturado
que o mecanismo de fechamento localize- Linha de vapor saturado
MI A
-se na parte de dentro da parede. Por quê? E
Volume
c. Qual é a menor temperatura (aproximada-
mente) em que a água pode ser encontrada Figura 2.6
na fase líquida? Diagrama temperatura-volume para a água mostrando as
fases líquida e vapor.

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58 Fundamentos da Termodinâmica

se dá do estado M para o estado N e para o estado Se a superfície é vista de cima para baixo, pa-
O em uma transição suave do estado líquido para ralelamente ao eixo da pressão, vemos o diagra-
o vapor, sem passar pela vaporização à tempera- ma T-v, um esboço mostrado na Figura 2.6, sem
tura constante (ebulição) do processo. Durante o as complexidades associadas com a fase sólida.
aquecimento, nessas pressões maiores, jamais ha- Cortando a superfície em P, T ou v constante,
verá presença de duas fases ao mesmo tempo, e na vai deixar um registro mostrando uma proprieda­-
região em que a substância passa diretamente da de como função de outra, com a terceira proprie-
fase líquida para a de vapor ela é chamada fluido dade constante. Um exemplo dessa situação é ilus-
denso. Os estados que a temperatura de saturação trado com a curva de g-h-i-j, que mostra P como
é atingida no líquido (B, F, J) são os estados de uma função do v seguindo uma curva T constante.
saturação que formam a linha de líquido saturado. Isso está mais claramente indicado no diagrama
Da mesma forma, os estados ao longo de outras P-v, mostrando a região de duas fases L-V na su-
fronteiras na região de duas fases (N, K, G, C) são perfície P-v-T quando vistos em paralelo com o
estados de vapor saturado, que formam a linha de eixo T, como mostrado na Figura 2.9.
vapor saturado.
Agora podemos mostrar as possí-
veis combinações P-v-T de substâncias o
m
típicas como uma superfície em um dia- j
grama P-v-T, mostrada nas Figuras 2.7 f
e 2.8. A Figura 2.7 mostra uma substân- Líquido
cia como a água, que aumenta o volu- Ponto
e
me durante a refrigeração, portanto, d l crítico
Pressão

a superfície do sólido tem um volume


i Líq
específico maior que da superfície líqui- u
-va ido- Gás
por
da. A Figura 2.8 mostra a superfície de Sólido
c Lin h n
uma substância que diminui de volume h
trip a k
la
com a refrigeração, que é uma condição Va L
Só po g S
mais comum. lid b
r Líquido
o-v P
ap
Vo or a
Quando olhar para as superfícies lum a tur L
e p era Sólido
V
bi ou tridimensionais, observe que o T em
diagrama de fases P-T pode ser visto Vapor
quando se olha para a superfície para-
lela com o eixo de volume; a superfície S
V ura
líquido-vapor é plana nessa direção, por e rat
mp
isso cai para a curva de vaporização. O Te
mesmo acontece com a superfície só- f j mo
lido-vapor, a qual é mostrada como a
linha de sublimação, e a superfície só- L
Líquido

S
lido-líquido torna-se a linha de fusão.
Sólido

Ponto
Para essas três superfícies, não é possí- e d crítico
vel determinar onde, na superfície, um
Sólido-líquido

Líquido
Pressão

Pressão

Ponto
estado se encontra, tendo apenas as G Sólido L
l crítico ás
coordenadas (P-T). As duas proprieda- Ponto V
i Líquido-vapor h
des não são independentes, elas são um triplo Gás
n
S
par: P e T saturadas. É necessária uma c gk Vapor
Linha tripla Vapor
a V
propriedade, como o volume específico, Sólido-vapor b
para indicar onde, na superfície, o es- Volume Temperatura

tado se encontra em uma determinada


Figura 2.7
T ou P. Superfície pressão-volume-temperatura para uma substância que expan-
de na solidifcação.

termodinamica 02.indd 58 15/10/14 14:42


Propriedades de uma Substância Pura 59

Uma vez que a superfície tridimensional é P j


muito complicada, vamos indicar processos e esta-
dos em diagramas P-v, T-v, ou P-T para obter uma
visualização de como ocorrem as mudanças de
estado durante um processo. Desses diagramas, T = constante
o diagrama P-v será particularmente útil quando i h
falarmos sobre o trabalho feito durante um pro- g
cesso, no capítulo seguinte. L L+V
V
Olhando para a superfície da P-v-T de cima,
em paralelo com o eixo de pressão, toda a super-
fície é visível e não sobreposta. Isto é, para cada v
par de coordenadas (T, v) existe é um e somente
Figura 2.9
um estado na superfície, de modo que P é, então, Diagrama P-v para a região de duas fases L-V.
uma função única de T e v. Isto é um princípio

geral que afirma que, para uma subs-


tância pura simples, o estado é definido
f o por duas propriedades independentes.
j m

e
Para entender o significado do ter-
d mo propriedade independente, consi-
dere os estados líquido saturado e vapor
-líquido

Ponto
Sólido
i
saturado de uma substância pura. Es-
Pressão

crítico
Sólido

l Gás ses dois estados têm a mesma pressão


Líq
u h e a mesma temperatura, mas não são
-va ido-
c por
Lin b n definitivamente o mesmo estado. Por-
h Va L
trip a
la po k S
tanto, em um estado de saturação, a
r g
Só pressão e a temperatura não são pro-
lid a Líquido
o-v
ap
P priedades independentes. São necessá-
Vo or
ura L
lum
e e rat Sólido V rias duas propriedades independentes,
mp
Te tais como pressão e volume ou pressão
Vapor e título, para especificar um estado de
saturação de uma substância pura.
S
V ura A razão para mencionar anterior-
e rat
mp mente que uma mistura de gases, como
Te
o ar, tem as mesmas características que
f mo uma substância pura, enquanto apenas
S L uma fase está presente, tem a ver pre-
cisamente com esse ponto. O estado
Sólido do ar, que é uma mistura de gases de
e d
Ponto composição definida, é determinado es-
Sólido

Líquido
Pressão

Sólido-líquido

Pressão

crítico Ponto pecificando-se duas propriedades, con-


Líquido
l Vapor crítico
tanto que permaneçam na fase gasosa.
Líquido-vapor Ponto L
c Gás Em seguida, o ar pode ser tratado como
S triplo V
Linha tripla b n uma substância pura.
k V
Sólido-vapor a Vapor Gás
Volume Temperatura

Figura 2.8
Superfície pressão-volume-temperatura para uma substância que contrai
na solidifcação.

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60 Fundamentos da Termodinâmica

2.4 TABELAS DE PROPRIEDADES T

TERMODINÂMICAS
B.
Existem tabelas de propriedades termodinâmi- B.1.3 : V
1.4
B.1.1
cas para muitas substâncias e, em geral, todas B.1.2 : L + V
L
apresentam o mesmo formato. Nesta seção, va-
mos nos referir às tabelas de vapor d’água. Estas
B.1.5 : S + V
foram selecionadas como veículo para apresenta-
ção das tabelas termodinâmicas porque o vapor v
d’água é largamente empregado em instalações P
geradoras e processos industriais. Uma vez en-
Sem tabela
tendidas as tabelas de vapor, as outras tabelas
termodinâmicas podem ser usadas prontamen- L
te. Várias versões diferentes de tabelas de va- S B.1.4
Sem tabela
por d’água foram publicadas ao longo do tempo. .1
.

2
O conjunto apresentado no Apêndice B (Tabela +B V
B.1.5 B.1.1 B.1.3
B.1) é um resumo baseado em um complexo ajus-
te ao comportamento da água. Os resultados des-
T
sa tabela são similares aos das Tabelas de Vapor
de Keenan, Keyes, Hill e Moore, publicadas em Figura 2.10
1969 e 1978. Nós concentraremos a atenção nas Regiões das tabelas de vapor.
três propriedades já discutidas no Capítulo 1 e na
Seção 2.3, são elas T, P e v, mas note que existem
outras propriedades – u, h e s – relacionadas no a terceira fornece o volume específico do vapor
conjunto de Tabelas B.1, que serão apresentadas saturado, vv, e a segunda coluna fornece a dife-
mais adiante. rença entre as duas, vlv, como definido na Seção
2.5. A Tabela B.1.2 apresenta as mesmas informa-
O conjunto de tabelas de vapor do Apêndi-
ções da Tabela B.1.1, mas os dados estão organi-
ce B é formado por cinco tabelas distintas, como
zados em função da pressão, como já explicado
representado na Figura 2.10. A região de vapor
anteriormente.
superaquecido é descrita na Tabela B.1.3 e a do
líquido comprimido, na Tabela B.1.4. O Apêndice A Tabela B.1.5 das tabelas de vapor forne-
B não contém uma tabela referente à região de só- ce as propriedades do sólido saturado e do va-
lido comprimido. As regiões do líquido saturado por saturado que estão em equilíbrio. A primei-
e do vapor saturado, vistas na Figura 2.6 e 2.9 (e ra coluna apresenta a temperatura, e a segunda
como linha de vaporização na Figura 2.4), estão mostra a correspondente pressão de saturação.
representadas de acordo com os valores de T na Como seria esperado, todas essas pressões são
Tabela B1.1 e de acordo com os valores de P (T e menores que a pressão do ponto triplo. As três
P não são independentes nas regiões de duas fa- colunas seguintes fornecem o volume específico
ses) na Tabela B1.2. Da mesma forma, a região de do sólido saturado, vi, do vapor saturado, vv, e da
sólido saturado e vapor saturado é representada diferença, viv.
de acordo com T na Tabela B1.5, mas a região de O Apêndice B também inclui tabelas termodi-
sólido saturado e líquido saturado, a terceira linha nâmicas para diversas outras substâncias; fluidos
de fronteira entre fases mostrada na Figura 2.4, refrigerantes R-134a e R-140a, amônia e dióxido
não está listada no Apêndice B. de carbono, e os fluidos criogênicos nitrogênio
Na Tabela B.1.1, a primeira coluna ao lado e metano. Em cada caso, são fornecidas apenas
da temperatura fornece a pressão de saturação duas tabelas: uma para a região de saturação lí-
correspondente em quilopascal. As três colunas quido-vapor ordenada pela temperatura (equi-
seguintes fornecem o volume específico em me- valente à Tabela B.1.1 para a água) e uma para
tro cúbico por quilograma. A primeira delas in- a região de vapor superaquecido (equivalente à
dica o volume específico do líquido saturado, vl, Tabela B.1.3).

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Propriedades de uma Substância Pura 61

EXEMPLO 2.1
Determine a fase de cada um dos estados for- Poderíamos também ter consultado a Tabela
necidos, utilizando as tabelas do Apêndice B, B.1.2 que mostra que a temperatura de satura-
e indique a posição desses estados nos diagra- ção para a pressão de 500 kPa é 151,86 °C. Po-
mas P-v, T-v, e P-T. deríamos dizer que é um líquido subresfriado.
Isto é, à esquerda da linha de saturação para
a. 120 °C e 500 kPa
500 kPa do diagrama P-T.
b. 120 °C e 0,5 m3/kg
Consulte a Tabela B.1.1 e veja que
vl = 0,001 06 m3/kg < v < vv = 0,891 86 m3/kg
Solução:
Dessa forma, o estado é uma mistura bifásica
Encontre a temperatura de 120 °C na Tabela
líquido-vapor, representado pelo ponto b na Fi-
B.1.1. A correspondente pressão de saturação
gura 2.11. O estado está localizado à esquerda
é 198,5 kPa, o que indica que temos um líqui-
da condição de vapor saturado e à direita do
do comprimido – ponto a na Figura 2.11. Esse
líquido saturado, ambos mostrados no diagra-
ponto está acima da linha de saturação a 120 °C.
ma T-v.

P P T
P.C.
P.C.
P = 500 kPa
P.C. 500 a P = 198 kPa
152
S L V 198 T = 120
b b
a 120 a
500
b

120 T v v

FIGURA 2.11
Diagramas para o Exemplo 2.1

2.5 OS ESTADOS BIFÁSICOS fases podem ser tratadas exatamente da mesma


maneira.
Os estados de duas fases, bifásicos, já foram mos- Por convenção os subscritos l e v são utiliza-
trados nos diagramas P-v-T e as projeções corres- dos para designar os estados de líquido saturado
pondentes em duas dimensões nos diagramas P-T, e de vapor saturado respectivamente (o subscrito
T-v e P-v. Cada uma dessas superfícies descreve v é usado para designar temperatura e pressão de
a mistura da substância em duas fases, como se saturação). Uma condição de saturação em que
fosse a combinação de certa quantidade de líqui- existe mistura de líquido e vapor saturados, como
do com outra quantidade de vapor, como mostra- a mostrada na Figura 2.1b, pode ser representada
do na Figura 2.1b. Admitimos, para este tipo de em coordenadas T-v como na Figura 2.12. Todo o
misturas, que as duas fases estão em equilíbrio na líquido está no estado l, com volume específico vl,
mesma P e T e cada uma das massas em um estado e todo o vapor no estado v, com volume específico
de líquido saturado, sólido saturado ou vapor satu- vv. O volume total é igual à soma do volume de
rado, de acordo com a mistura. Trataremos a mis- líquido com o volume de vapor, ou seja,
tura líquido-vapor em detalhes, pois é a aplicação
técnica mais comum; as outras misturas de duas V = Vlíq + Vvap = mlíq vl + mvap vv

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62 Fundamentos da Termodinâmica

O volume específico médio do sistema é dado


por EXEMPLO 2.2
Um recipiente fechado contém uma mistura
V m m
v= = líq vl + vap vv = (1 − x)vl + xvv saturada com 0,1 m3 de líquido e 0,9 m3 de
m m m vapor de R-134a a 30 °C. Determine a fração
(2.1) mássica de vapor.
em que foi utilizada a definição de título, ou seja, Solução:
x = mvap/m. Os valores das propriedades do R-134a na
Utilizando a definição região de saturação podem ser encontrados
na Tabela B.5.1. A relação entre massa e vo-
vlv = vv – vl lume nos fornece
pode-se reescrever a Equação 2.1 da seguinte
forma: 0,1
Vlíq = mlíq vl , mlíq = = 118,6 kg
v = vl + xvlv  (2.2) 0,000 843
0,9
O título pode ser interpretado como a fração Vvap = m vap vv , mvap = = 33,7 kg
(v – vl)/vlv da distância entre os estados de líquido 0,026 71
e vapor saturado, como indicado na Figura 2.12. m = mlíq + m vap = 152,3 kg
Para ilustrar o uso do título, encontraremos o m vap 33,7
volume específico global de uma mistura saturada x= = = 0,221
m 152,3
de água a 200 °C e título de 70%. Da Tabela B.1.1
encontramos o volume específico do líquido e vapor
saturado a 200 °C e, então, usar a Equação 2.1. Portanto, o recipiente contém 90% de va-
v = (1 – x)vl + x vv = 0,3 × 0,001156 m /kg + 3 por em volume, e apenas 22,1% de vapor
em massa.
+ 0,7 × 0,12736 m3/kg =
= 0,0895 m3/kg
Não há massa de água com este valor de vo-
lume específico. Ele representa uma média das
2.6 OS ESTADOS LÍQUIDO E SÓLIDO
duas massas, uma com o estado de x = 0 e outra
com o estado de x = 1, ambos mostrados na Figu- Quando um líquido tem a pressão maior que a
ra 2.12 como os pontos da fronteira da região de pressão de saturação (ver Figura 2.3, estado b)
duas fases. para uma dada temperatura, o estado é um es-
tado de líquido compressível. Se olharmos para
o mesmo estado, mas comparando com o estado
de líquido saturado na mesma pressão, noticiamos
T que a temperatura é menor que a temperatura de
Ponto crítico
Vapor
saturação; portanto, chamamos líquido subresfria-
Líq.
sat. saturado do. Para esses estados líquidos, no restante deste
v – vl texto, usamos o termo líquido comprimido. Simi-
x=0 x=1 lar ao estado sólido, a superfície líquida P-v-T para
Vapor temperaturas menores é muito íngreme e plana,
saturado
vlv = vv – vl portanto, essa região também descreve uma subs-
tância incompressível com um volume específico
vf v vg v que é apenas uma função fraca de T, que pode ser
escrita assim:
Figura 2.12
Diagrama T-v para a região bifásica líquido-vapor. v ≈ v(T) = vl(2.3)

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Propriedades de uma Substância Pura 63

onde o volume específico do líquido saturado vl à de um líquido comprimido é igual ao volume es-
T se encontra nas tabelas do Apêndice B como a pecífico do líquido saturado na mesma tempera-
primeira parte das tabelas para cada substância. tura. Em muitas situações é o procedimento mais
Algumas outras entradas são encontradas, como a conveniente, particularmente quando os dados de
densidade (1/v) para alguns líquidos comuns nas líquido comprimido não estão disponíveis. É, no
Tabelas A.3 e F.2. entanto, muito importante notar que o volume es-
pecífico do líquido saturado a uma determinada
Um estado com uma temperatura menor que
pressão, 10 MPa não fornece uma boa aproxima-
a temperatura saturada para uma dada pressão na
ção. Esse valor, da Tabela B.1.2 a uma temperatu-
linha de fusão ou de sublimação fornece um esta-
ra de 311,1 °C é 0,001 452 m3/kg, que é um erro de
do sólido, que pode ser também chamado sólido
cerca de 40%.
subresfriado. Caso, para uma dada temperatura, a
pressão for maior do que a pressão de sublimação
saturada, temos um sólido comprimido, a menos
que a pressão seja tão alta que exceda a pressão 2.7 OS ESTADOS DE VAPOR
de saturação na linha de fusão. Esse limite supe- SUPERAQUECIDO
rior é visto na Figura 2.4 para água, pois a linha Um estado com uma pressão menor que a pressão
de fusão tem uma inclinação negativa. Este não saturada para uma determinada T (ver Figura 2.3,
é o caso para a maioria das outras substâncias, estado a) é um vapor expandido ou, se compa-
como na Figura 2.5, em que a linha de fusão tem rado com o estado saturado na mesma pressão,
uma inclinação positiva. As propriedades de um apresenta uma temperatura maior, que, portanto,
sólido são, principalmente, função da temperatu- se denomina vapor superaquecido. Geralmente
ra. Como o sólido é praticamente incompressível, usamos esta última designação para estes estados
significa que a pressão não pode modificar as dis- e para estados próximos à curva de vapor satu-
tâncias intermoleculares, e o volume não é afetado rado. As tabelas no Apêndice B são usadas para
pela pressão. Isso fica evidente na superfície P-v- encontrar as propriedades.
-T para o sólido, o qual é praticamente vertical nas
Figuras 2.7 e 2.8. As propriedades de vapor de água superaque-
cido estão dispostas na Tabela B.1.3 como subse-
v ≈ v(T ) = vi  (2.4) ção para uma dada pressão listada no cabeçalho.
As propriedades estão mostradas como uma fun-
com o volume específico saturado vi mostrado na ção da temperatura ao longo de curvas como K-L
Tabela B.1.5 para a água. Esse tipo de tabela não na Figura 2.6, iniciando com a temperatura de sa-
é mostrado para nenhuma outra substância, mas turação para uma dada pressão, apresentada en-
algumas entradas para a densidade (1/v) são en- tre parênteses, após a pressão. Como um exemplo,
contradas nas Tabelas A.4 e F.3. considere um estado a 500 kPa e 200 °C, em que
A Tabela B.1.4 fornece as propriedades de lí- a temperatura de ebulição mostrada no cabeçalho
quido comprimido. Para demonstrar o uso dessa é de 151,86 °C. Neste caso, o estado é superaque-
tabela, considere alguma massa de água líquida sa- cido a 48 °C e o volume específico é 0,4249 m3/kg.
turada a 100 °C. As propriedades estão mostradas Se a pressão for maior que a pressão crítica, como
na Tabela B.1.1, e notamos que a pressão é 0,1013 na curva P-Q na Figura 2.6, a temperatura de sa-
MPa e o volume específico é 0,001 044 m3/kg. turação não está listada. A baixa temperatura no
Suponha que a pressão aumente para 10 MPa en- final da curva P-Q está listada na Tabela B.1.4, e
quanto a temperatura permaneça constante a 100 esses estados são de líquido comprimido.
°C pela necessidade de transferir o calor Q. Como Alguns exemplos do uso das tabelas de vapor
a água é levemente compressível, esperamos um superaquecido, incluindo possíveis interpolações,
pequeno decréscimo no volume específico duran- são apresentados a seguir.
te esse processo. A Tabela B.1.4 fornece esse vo-
lume específico de 0,001 039 m3/kg. Isto é apenas
uma leve diminuição e, apenas um pequeno erro
seria cometido se alguém admitisse que o volume

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64 Fundamentos da Termodinâmica

EXEMPLO 2.3
Determine a fase de cada um dos estados se- Solução:
guintes usando as tabelas do Apêndice B e in-
a. Procure na Tabela B.2.1 a temperatura de
dique as posições dos estados nos diagramas
30 °C. A pressão de saturação correspondente
P-v, T-v, e P-T.
é 1 167 kPa. Como nossa P é mais baixa, a amô-
a. Amônia a 30 °C e 1000 kPa nia se encontra como vapor superaquecido. A
mesma tabela indica que a temperatura de sa-
b. R-134a a 200 kPa, e 0,125 m3/kg
turação para a pressão de 1 000 kPa é um pou-
co inferior a 25 °C, de modo que, nesse estado,
o superaquecimento é de cerca de 5 °C.

P P T
P.C.
P.C.

P.C. 1167 kPa


1000
S L V 1167 30 °C 30
1000 25
1167 25 °C
1000

30 T v v

FIGURA 2.13
Diagramas para o Exemplo 2.3a.

b. Procure na Tabela B.2.1 (ou B.5.1) a pressão Do diagrama P-v na Figura 2.14, conclui tra-
de 200 kPa e veja que tar-se de vapor superaquecido. Podemos en-
contrar o estado na Tabela B.5.2 entre 40 °C
v > vv = 0,1000 m³/kg
e 50 °C.

P P T
P.C.
P.C.
200 kPa
P.C. 50
1318 50 °C 40
S L V –10,2 °C –10,2
200
200

T v v

FIGURA 2.14
Diagrama para o Exemplo 2.3b.

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Propriedades de uma Substância Pura 65

EXEMPLO 2.4
Um vaso rígido contém vapor saturado de amô- Com as tabelas de amônia, Tabela B.2.1, temos
nia a 20 °C. Transfere-se calor para o sistema
até que a temperatura atinja 40 °C. Qual é a v1 = v2 = 0,149 22 m3/kg
pressão final? Como vv a 40 °C é menor que 0,149 22 m3/kg, é
evidente que a amônia está na região de vapor
Solução: superaquecido no estado final. Interpolando en-
Como o volume não muda durante esse pro- tre os valores das colunas referentes a 800 kPa
cesso, o volume específico também permanece e 1 000 kPa da Tabela B.2.2, obtemos
constante. P2 = 945 kPa

na região do vapor superaquecido. Uma segunda


QUESTÕES CONCEITUAIS observação é que as linhas se encaminham para a
origem, o que significa não apenas uma relação li-
d. Algumas ferramentas precisam ser limpas near, mas uma relação sem um deslocamento. Isso
com água líquida a 150 °C. Que valor de P pode ser expresso matematicamente como
é necessário?
T = Av para P = constante (2.5)
e. Para a água a 200 kPa e título 50%, a fração
Vv/Vtot é menor ou maior do que 50%? P = BT para v = constante (2.6)
f. Por que grande parte das propriedades nas A observação final é que o multiplicador A au-
regiões de líquido comprimido e sólido não menta com P e o multiplicador B diminui com v,
estão incluídas nas tabelas? seguindo as funções matemáticas simples:
g. Por que não é comum encontrar tabelas
A = AoP e B = Bo /v
como as da Apêndice B para o argônio, o
hélio, o neônio ou o ar? Ambas as relações são satisfeitas pela equa-
h. Qual é a mudança percentual do volume da ção de estado do gás ideal
água quando ela congela? Cite alguns efei-
Pv = RT(2.7)
tos possíveis dessa mudança de volume na
natureza e em nossas casas. Onde a constante R é a constante do gás ideal
e T é a temperatura absoluta em kelvin ou ranki-
ne, denominado escala de gás ideal. Discutiremos
a temperatura absoluta mais adiante, no Capítulo
2.8 OS ESTADOS DE GÁS IDEAL 5, mostrando que ele iguala a escala termodinâ-
Longe da curva do vapor saturado, a uma deter- mica de temperatura. Se compararmos gases di-
minada temperatura, a pressão é menor e o volu- ferentes podemos ter mais simplificações como as
me específico é maior, portanto, as forças entre as escalas R com a massa molecular:
moléculas são menores, resultando em uma corre- R
lação simples entre as propriedades. Se traçarmos R= (2.8)
M
curvas de P, T ou v constantes nas projeções bidi-
mensionais das superfícies tridimensionais, obte- Nesta relação, R é a constante universal dos
remos curvas como as mostradas na Figura 2.17. gases com o valor
A curva de pressão constante no diagrama T-V kJ
e a curva do volume específico constante no dia- R = 8,3145
kmol K
grama P-T movem-se na direção das linhas retas

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66 Fundamentos da Termodinâmica

EXEMPLO 2.5
Determine a pressão da água a 200 °C com P
v = 0,4 m3/kg.
600

Solução:
A Tabela B.1.1 com 200 °C mostra que v > vv 500

= 0,127 36 m3/kg. Portanto, temos vapor supe- 0,35 0,4 0,42 v


raquecido. Proceda à Tabela B.1.3 em qualquer
FIGURA 2.16
valor de pressão a 200 °C. Suponha que parta­mos Interpolação linear para o Exemplo 2.5.
de 200 kPa. Nesse estado, v = 1,080 34 m3/kg,
que é muito alto, de modo que a pressão deve
ser maior. Para 500 kPa, v = 0,424 92 m3/kg A verdadeira curva de T constante é levemente
e para 600 kPa v = 0,352 02 m3/kg. Por isso curvada e não linear, mas para efetuar a inter-
está entre colchetes. Isso é mostrado na Figura polação manual, admitimos a variação linear
2.15.

P T
P.C.

P.C. 1554 600 500


200
1554 200 kPa
200 °C
600
500
200

0,13 0,42 1,08 v 0,13 0,35 0,42 1,08 v


0,35

FIGURA 2.15
Diagramas para o Exemplo 2.5.

P3 > P2
P P T P2 > P1
T1 T2 T3

v1
P1

v2 > v1 T3
0 T2
T1
0
T v v

Figura 2.17
Curvas P, T e v constantes.

e, nas unidades inglesas O comportamento descrito pela lei de gás ide-


al na Equação 2.7 é muito diferente do comporta-
ft-lbf mento descrito por leis semelhantes para estados
R = 1545
lbmol R líquidos ou sólidos, como nas Equações 2.3 e 2.4.

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Propriedades de uma Substância Pura 67

EXEMPLO 2.6
Qual é a massa de ar contida dentro de uma Admita que o ar se comporte como um gás
sala de 6 m × 10 m × 4 m quando a pressão e ideal. Utilizando a Equação 2.9 e o valor de R
a temperatura forem iguais a 100 kPa e 25 °C? da Tabela A.5, temos
Solução:
PV 100 kN/m 2 × 240 m 3
m= = = 280,5 kg
RT 0,287 kN m/kg K × 298,2 K

EXEMPLO 2.7
Um tanque com capacidade de 0,5 m3 contém lecular igual a 24. A temperatura é 25 °C. Qual
10 kg de um gás ideal que apresenta massa mo- é a pressão?

Solução:
Em princípio, determina-se a constante do gás
R 8,3145 kN m/kmol K
R= =
M 24 kg/kmol
= 0,346 44 kN m/kg K

Agora resolvemos para P


mRT 10 kg × 0,346 44 kN m/kg K × 298,2 K
P= =
V 0,5 m 3
= 2066 kPa

Um gás ideal tem um volume específico que é Com base na lei do gás ideal dado na Equação
muito sensível para ambos, P e T, variando line- 2.9, percebe-se que um mol de substância ocupa
armente com a temperatura e inversamente com a o mesmo volume para um determinado estado (P,
pressão, e, a sensibilidade para a pressão é carac- T), independentemente da sua massa molecular.
terística de uma substância altamente compressí- Moléculas pequenas e leves como o H2 ocupam o
vel. Caso a temperatura seja dobrada a uma deter- mesmo volume de moléculas muito mais pesadas
minada pressão, o volume dobrará e, se a pressão e maiores como o R-134a, para a mesma (P, T).
for dobrada para uma dada temperatura, o volume
Nas aplicações posteriores, analisaremos si-
será reduzido para a metade do valor.
tuações com uma vazão mássica (m· em kg/s ou
Multiplicando a Equação 2.7 pela massa, for- lbm/s) entrando ou saindo do volume de controle.
nece a versão escalar da lei do gás ideal como Quando temos um escoamento de gás ideal com
um estado (P, T), podemos diferenciar a Equação
PV = mRT = nRT(2.9) 2.9 com o tempo para obter
Se utilizarmos em base mássica ou base molar,
onde n é o número de moles: PV! = mRT
! !
= nRT  (2.11)

N = m/M  (2.10) A utilização do modelo de gás ideal é mui-


to conveniente nas análises termodinâmicas, em

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68 Fundamentos da Termodinâmica

EXEMPLO 2.8
A Figura 2.18 mostra um reservatório de gás,
com selo de água, cuja massa é contrabalança-
da pelo sistema constituído de cabo e polias.
CO2
A pressão interna é cuidadosamente medida e
m
vale 105 kPa e a temperatura é igual a 21 °C.
Em um intervalo de 185 s foi medido um au-
mento de volume de 0,75 m3. Nessas condi-
m CO2

ções, determine a vazão volumétrica e a vazão


mássica do escoamento que alimenta o reser-
FIGURA 2.18
vatório, admitindo que se trate de dióxido de Esboço para o Exemplo 2.8.
carbono gasoso.

Solução:
A vazão volumétrica é dada por admitir que o CO2 possa ser modelado como
um gás ideal na condição próxima à ambiente.
dV DV 0,75
V! = = = = 0,004 054 m 3 /s Desse modo, PV = mRT ou v = RT/P. A Tabela
dt Dt 185 A.5 indica que o valor da constante de gás ideal
R para o CO2 é 0,1889 kJ/kg K. Utilizando esses
· ·
e a vazão mássica por m· = rV = V/v. Nós vamos dados, a vazão mássica de CO2 é

PV! 105 × 0,004 054 kPa m 3 /s


! =
m = = 0,007 66 kg/s
RT 0,1889(273,15 + 21) kJ/kg

virtude de sua simplicidade. No


500
100% entanto, duas questões são perti-
0,1% nentes para o momento. Sendo a
1%
equação de gás ideal um bom mo-
400 17,6%
270% delo para baixas massas específi-
Gás ideal cas, a primeira pergunta é: O que
10 MPa é uma baixa massa específica?
50% 0,2%
300
Ou, em outras palavras, em qual
T [ °C]

Erro faixa de massa específica a equa-


< 1%
200
ção dos gases ideais fornecerá re-
1 MPa 7,5% sultados com uma boa precisão?
A segunda questão é: Qual é o
100 kPa desvio entre os comportamentos
100 1%
1,5% do gás real e do gás ideal em uma
10 kPa 0,3%
dada temperatura e pressão?
0 Um exemplo específico para
10–3 10–2 10–1 100 101 102
Volume específico v [m3/kg]
responder a essas perguntas é
dado na Figura 2.19, um diagra-
Figura 2.19 ma T-v para a água, que mostra o
Diagrama temperatura-volume específico para a água. erro associado ao modelo de gás

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Propriedades de uma Substância Pura 69

2,0 A Figura 2.20 mostra um dia-


grama de compressibilidade para
1,8
o nitrogênio. Desse diagrama, po-
1,6 demos efetuar algumas observa-
ções. A primeira é que para todas
1,4 as temperaturas Z → 1 quando
Compressibilidade, Pv/RT

1,2
P → 0, ou seja, quando a pressão
300 K tende a zero a relação entre P, v
1,0 e T se aproxima muito daquela
200 K dada pela equação de estado dos
0,8 Vapor sa 110
turado
K 15 gases ideais. Segundo, para tem-
0
0,6 K
peraturas de 300 K e superiores
0,4 130 (isto é, temperatura ambiente e
Ponto K superiores), o fator de compres-
crítico
0,2 sibilidade é próximo da unidade
Líquido saturado até pressões da ordem de 10 MPa.
0
1.0 2 4 10 20 40 Isso significa que a equação de
Pressão, MPa estado dos gases ideais pode ser
usada para o nitrogênio (e, assim
Figura 2.20 sendo, também para o ar), nessa
Compressibilidade do nitrogênio.
faixa, com boa precisão.
Terceiro, para temperaturas mais baixas ou a
ideal para condições de vapor saturado e vapor
pressões muito altas, o fator de compressibilida-
superaquecido. Como era de se esperar, o erro
de se afasta significativamente do valor para gás
é pequeno quando a massa específica da água é
ideal. Forças de atração para massas específicas
pequena (pressões baixas e temperaturas altas),
moderadas tendem a agrupar as moléculas, resul-
mas o erro se torna muito alto com o aumento da
massa específica. A mesma tendência geral se ve- tando em valores de Z < 1, enquanto que forças de
rifica nas Figuras 2.7 ou 2.8. Os resultados do mo- repulsão para massas específicas muito elevadas
delo de gás ideal se aproximam do real quando os tendem a exercer o efeito contrário.
estados considerados são distantes da região de Examinando os diagramas de compressibili-
saturação (T altas ou P baixas). dade para outras substâncias puras, notamos que
são todos semelhantes com relação às caracterís-
ticas descritas anteriormente para o nitrogênio, ao
2.9 O FATOR DE COMPRESSIBILIDADE menos do ponto de vista qualitativo. Quantitativa-
mente, os diagramas são todos diferentes, pois as
Uma análise quantitativa mais abrangente da ade-
temperaturas e pressões críticas das substâncias
quabilidade do modelo de gás ideal pode ser reali-
variam em uma faixa muito extensa, como mos-
zada com a ajuda do fator de compressibilidade, Z,
tram os valores da Tabela A.2. Existe uma manei-
definido pela relação
ra de colocar todas as substâncias em um mesmo
Pv diagrama? Para fazer isso, “reduzimos” as proprie-
Z= dades com respeito aos valores no ponto crítico.
RT
ou As propriedades reduzidas são assim definidas:
Pv = ZRT (2.12) Pressão = P = P , P = pressão
reduzida r
Pc
c crítica
Observe que, para um gás ideal, Z = 1 em que
o afastamento de Z em relação à unidade é uma
medida do desvio de comportamento do gás real Temperatura = T = T , T = temperatura
reduzida r
Tc
c crítica
em relação ao previsto pela equação de estado dos
gases ideais. (2.13)

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70 Fundamentos da Termodinâmica

Essas equações mostram que a proprieda­ - precisão razoável. Precisamos apenas conhecer a
de reduzida em um estado é o valor da propriedade pressão e a temperatura críticas para utilizar esse
nesse estado dividida pelo valor dessa mesma pro- diagrama generalizado.
priedade no ponto crítico.
Em nossos estudos de termodinâmica usare-
Se construirmos linhas de Tr constante em um mos a Figura D.1 primariamente para nos ajudar
diagrama de Z em função de Pr obtemos um gráfi- a decidir se, em uma determinada circunstância,
co como o mostrado na Figura D.1. Um fato inte- será razoável admitir comportamento de gás ideal
ressante é que, se prepararmos diagramas de Z em como modelo. Por exemplo, observamos no dia-
função de Pr para várias substâncias, percebere- grama que o modelo de gás ideal pode ser adotado
mos que todos serão muito parecidos e quase coin- com boa precisão, para qualquer temperatura, se
cidentes se as duas substâncias forem compostas a pressão for muito baixa (ou seja, << Pc). Além
por moléculas simples, essencialmente esféricas. disso, para temperaturas elevadas (isto é, maiores
A correlação para substâncias com moléculas mais que cerca de duas vezes a temperatura crítica),
complexas são razoavelmente próximas, exceto o modelo de gás ideal pode ser adotado, com boa
na região próxima à saturação ou quando a massa precisão, até pressões iguais a quatro ou cinco ve-
específica é alta. Assim, podemos considerar que a zes a pressão crítica. Quando a temperatura for
Figura D.1 é um diagrama generalizado para subs- menor que cerca de duas vezes a temperatura
tâncias compostas por moléculas simples, porque crítica e a pressão não for extremamente baixa,
ele representa o comportamento médio de diver- estaremos em uma região normalmente chamada
sas substâncias simples. Os resultados fornecidos vapor superaquecido, na qual o desvio relativo
pelo diagrama generalizado geralmente incorrem ao comportamento do gás ideal pode ser apreciá­
em certo erro. Por outro lado, se o comportamen- vel. Nessa região é preferível usar as tabelas ou
to P-v-T de uma substância não estiver disponí- diagramas de propriedades termodinâmicas para
vel, o diagrama de compressibilidade generalizado a substância que está sendo analisada, conforme
poderá fornecer resultados que apresentam uma já discutido na Seção 2.4.

EXEMPLO 2.9
É razoável admitir o comportamento de gás b. A temperatura e a pressão crítica do dióxido
ideal em cada um dos seguintes estados? de carbono são iguais a 304,1 K e 7,38 MPa.
A temperatura reduzida e a pressão reduzida
a. Nitrogênio a 20 °C, 1,0 MPa;
do estado fornecido no problema são, respec-
b. Dióxido de carbono a 20 °C, 1,0 MPa e tivamente, iguais a 0,96 e 0,136. O diagrama
c. Amônia a 20 °C, 1,0 MPa. de compressibilidade generalizado, Figura D.1,
indica que o CO2 é um gás (embora T < Tc) e
que Z é aproximadamente igual a 0,95. Nessa
Solução: condição, o erro introduzido com a adoção do
modelo de gás ideal é próximo a 5%.
Para cada caso, é necessário, em princípio, ve-
rificar a fase e as propriedades críticas.
c. As tabelas de propriedades da amônia, Ta-
a. A temperatura e a pressão crítica do nitrogê- bela B.2, fornecem as informações mais preci-
nio são iguais a 126,2 K e 3,39 MPa (Tabela A.2). sas. A Tabela B.2.1 indica que Psat = 858 kPa
A temperatura fornecida no problema, 293,2 K, a 20 °C. A pressão fornecida no problema,
é superior ao dobro da temperatura crítica e a 1,0 MPa, é superior à pressão de saturação para
pressão reduzida é inferior a 0,3. Nessa condi- a mesma temperatura. Deste modo, a amônia
ção, o modelo de gás ideal é adequado. se encontra na fase líquida e não gasosa.

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Propriedades de uma Substância Pura 71

EXEMPLO 2.10
Determine o volume específico do R-134a, a R 8,3145 kJ
100 °C e 3 MPa: R= = = 0,081 49
M 102,03 kg K
a. Por meio das tabelas para o R-134a, Tabela RT 0,081 49 × 373,2
B.5; v= = = 0,010 14 m 3 /kg
P 3000
b. Considerando gás ideal;
que é cerca de 50% maior.
c. Pelo diagrama generalizado, Figura D.1.
c. A utilização do diagrama generalizado, Figu-
ra D.1, resulta em
Solução: 373,2 3
Tr = = 1,0, Pr = = 0,74, Z = 0,67
a. Da Tabela B.5.2 a 100 °C e 374,2 4,06
3 MPa v = 0,006 65 m3/kg (valor mais preciso) RT
v= Z× = 0,67 × 0,010 14 = 0,006 79 m 3 /kg
b. Considerando o modelo de gás ideal, P
que é apenas 2% maior.

EXEMPLO 2.11
Um recipiente de aço com volume interno igual Z
Vapor saturado
a 0,1 m3 contém propano a 15 °C e título 10%. Tr = 2,0
Estime a massa total de propano armazenado e
a pressão, utilizando o diagrama de compressi- Pr sat = 0,2,
bilidade generalizado. Tr = 0,78 Zl = 0,035,
Tr = 0,7
Zv = 0,83
Líquido
saturado
Solução:
0,2 1 ln Pr
Precisamos conhecer a temperatura e a pres-
são reduzidas para que seja possível utilizar FIGURA 2.21
Diagrama para o Exemplo 2.11.
a Figura D.1. A Tabela A.2 indica que, para
o propano, Pc = 4 250 kPa e Tc = 369,8 K. A Para o estado bifásico, a pressão é igual à pres-
temperatura reduzida pode ser calculada com são de saturação:
a Equação 2.13
P = Pr sat × Pc = 0,2 × 4 250 kPa = 850 kPa
O fator de compressibilidade global pode ser
T 273,15 + 15 calculado como na Equação 2.1 para v,
Tr = = = 0,7792 = 0,78
Tc 369,8 Z = (1 – x)Zl + xZv = 0,9 × 0,035 + 0,1 ×
0,83 = 0,1145
A constante dos gases, da Tabela A.5 é R =
A Figura 2.21 mostra um esboço do dia-
0,1886 kJ/kg.K, portanto, a lei dos gases é a
grama da Figura D.1, indicando os estados
Equação 2.12:
saturados.
PV = mZRT
PV 850 × 0,1 kPa m 3
m= = = 13,66 kg
ZRT 0,1145 × 0,1886 × 288,15 kJ/kg

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72 Fundamentos da Termodinâmica

Apêndice B, são empregadas equações modernas


QUESTÕES CONCEITUAIS muito mais complicadas, geralmente contendo 40
ou mais constantes empíricas. Esse assunto é dis-
i. O quão preciso é considerar que o metano cutido em detalhes no Capítulo 12.
seja um gás ideal nas condições ambiente?
j. Eu quero determinar o estado de uma subs-
tância, e sei que P = 200 kPa. Vai adiantar 2.11 TABELAS COMPUTADORIZADAS
de alguma coisa escrever PV = mRT para
Um programa de computador que acompanha
encontrar a segunda propriedade?
este livro, disponível no site da editora, avalia a
k. Uma garrafa a 298 K deveria conter propa- maior parte das propriedades termodinâmicas
no líquido; para isso, qual deve ser a pres- contidas no Apêndice. O programa principal opera
são? (Use a Figura D.1.) no ambiente Windows (computador do tipo PC),
apresenta interface visual e é, geralmente, auto-
explicativo. O programa principal cobre o conjun-
to completo de tabelas para água, refrigerantes e
2.10 EQUAÇÕES DE ESTADO fluidos criogênicos (Tabelas B.1 a B.7). A região
Em vez do modelo de gás ideal ou mesmo do dia- de líquido comprimido só é coberta para a água.
grama de compressibilidade generalizado, que é Para essas substâncias o programa apresenta um
aproximado, é desejável que se tenha uma equa- pequeno diagrama P-v que indica as regiões do lí-
ção de estado que represente, com precisão, o quido comprimido, de saturação líquido-vapor, do
comportamento P-v-T de um dado gás em toda fluido denso e do vapor superaquecido. Quando
a região de vapor superaquecido. Tal equação é um estado é escolhido e as propriedades são cal-
necessariamente mais complexa e, portanto, de culadas, um indicador mostra a posição do estado
utilização mais difícil. Muitas dessas equações escolhido no diagrama, de modo que isto pode ser
têm sido propostas e utilizadas para correlacio- visto por meio de uma impressão visual do local
nar o comportamento observado dos gases. Como do estado.
exemplo, considere a classe de equações relativa- A Tabela A.7 mostra os valores corresponden-
mente simples conhecida como equações de es- tes para o ar e a Tabela A.8 ou A.9 para outros
tado cúbicas em termos dos quatro parâmetros gases ideais. Você pode escolher a substância e
a, b, c e d. o sistema de unidades para todas as seções das
tabelas, o que fornece uma gama de opções mais
RT a (2.14)
P= − 2 ampla do que as tabelas impressas. Podem-se uti-
v − b v + cbv + db2  lizar unidades do sistema métrico (SI) ou unida-
(Observe que se todos os quatro forem des padrão inglesas, assim como se pode escolher
zero, a equação é reduzida para o modelo de gás a base mássica (kg ou lbm) ou a base molar, satis-
ideal.) Vários outros modelos diferentes nessa fazendo as necessidades da maioria das aplicações
classe são dados no Apêndice D. Em alguns des- comuns.
ses modelos, os parâmetros são funções da tem- O diagrama generalizado, Figura D.1, também
peratura. Uma equação de estado mais complexa, foi incluído para que seja possível obter o valor de
a equação de Lee-Kesler, é de interesse especial, Z de modo mais preciso do que no gráfico. Isso é
pois essa equação, expressa em termos de pro- particularmente útil no caso de misturas bifásicas,
priedades reduzidas, é a que se usa para construir quando são necessários os valores relativos às fa-
o diagrama de compressibilidade generalizado, Fi- ses de líquido saturado e de vapor saturado. Além
gura D.1. Essa equação e suas 12 constantes em- do fator de compressibilidade, essa parte do pro-
píricas são também apresentadas no Apêndice D. grama também fornece alguns termos de correção
Quando usamos um computador para determinar para as variações de outras propriedades termodi-
e tabular a pressão, o volume específico e a tempe- nâmicas. A única aplicação incluída no programa
ratura, assim como outras propriedades termodi- envolvendo misturas é o cálculo de propriedades
nâmicas, como se vê nas tabelas apresentadas no termodinâmicas do ar úmido.

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Propriedades de uma Substância Pura 73

EXEMPLO 2.12
Determine os estados pedidos nos Exemplos da calculadora e, então, escolha Caso 5 (P, v).
2.1 e 2.3 com o programa (CATT) e relacione Digite (P, v) = (0,2; 0,125).
as propriedades que não forem fornecidas den-
⇒ Vapor superaquecido T = 44,0 °C
tre P-v-T e x, se aplicável.

Solução:
Estados da água do Exemplo 2.1 podem ser de-
terminados assim: Clique na aba Water, clique
no botão da calculadora e selecione o Caso 1
(entradas T e P). Digite (T, P = 120; 0,5). O
resultado será o indicado na Figura 2.22:
Líquido comprimido v = 0,0106 m3/kg (como
na Tabela B.1.4)
Clique novamente no botão da calculadora, es-
colha o Caso 2 (T e v). Digite (T, v) = (120; 0,5):
⇒ Duas fases x = 0,5601, P = 198,5 kPa
Estado da Amônia do Exemplo 2.3: Clique na
aba Cryogenics; verifique se é amônia. Caso
contrário, selecione Ammonia, clique no bo-
tão da calculadora, e, então, selecione Caso 1
(T, P). Digite (T, P) = (30,1):
Vapor superaquecido v = 0,1321 m3/kg (como
na Tabela B,2,2)
Estado do R-134a do Exemplo 2.3: Clique na
aba Refrigerants, verifique se é o R-134a. Caso FIGURA 2.22
contrário, selecione-o (Alt-R), clique no botão Resultado do CATT para o Exemplo 2.12.

uma estimativa da máxima temperatura a que o


QUESTÕES CONCEITUAIS sistema estará sujeito fornecerá a pressão de pro-
jeto para o recipiente (Figuras 2.23 e 2.24).
l. Uma garrafa a 298 K deveria conter propa-
Em um refrigerador, um compressor “empur-
no líquido; para isso, qual deve ser a pres-
ra” o refrigerante através do sistema, e isso deter-
são? (Use o software CATT)
mina a máxima pressão do fluido. Quanto mais se
comprime, maior a pressão. Quando o refrigeran-
te condensa, a temperatura é determinada pela
2.12 APLICAÇÕES NA ENGENHARIA temperatura de saturação correspondente àquela
pressão, de modo que o sistema deve ser projeta-
Informações sobre as fronteiras entre as fases são do para manter a temperatura e a pressão dentro
importantes para o armazenamento de substân- dos limites desejáveis (Figura 2.25).
cias em estado bifásico, como em um cilindro de
gás. A pressão no recipiente é a pressão de satu- O efeito de expansão e contração dos mate-
ração na temperatura predominante, de modo que riais com a temperatura é importante em muitas

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74 Fundamentos da Termodinâmica

(a) Tanque de aço inoxidável

Figura 2.24
Navio-tanque para transporte de gás natural liquefeito (GNL), que consiste prin-
cipalmente em metano.
NATALIA KOLESNIKOVA/AFP//Getty Images, Inc.

(b) Topo de uma lata de aerosol

Figura 2.23
Tanques de estocagem.

(a) Compressor (b) Condensador

Figura 2.25
Componentes de um refrigerador doméstico.
© David R. Frazier Photolibrary, Inc. /Alamy

© Elementallmaging/iStockphoto
© Victor Maffe/iStockphoto

(a) Trilhos de ferrovias (b) Juntas de expansão de pontes

Figura 2.26 Figura 2.27


Juntas de expansão térmica. Balão de ar quente.

termodinamica 02.indd 74 15/10/14 14:42


Propriedades de uma Substância Pura 75

situações. Duas delas são mostradas na Figura Após estudar o material deste capítulo, você
2.26; os trilhos de uma ferrovia têm pequenos vãos deve ser capaz de:
para permitir a expansão, que produz o som carac-
• Conhecer as diferentes fases e a nomenclatura
terístico das rodas do trem ao passarem por esses
utilizada para descrever as fases e as situações
vãos. Uma ponte pode ter uma junta de expansão
de mudança de fase.
que provê uma superfície de sustentação contínua
para os pneus dos automóveis para que eles não • Identificar a fase a partir de um estado defini-
pulem, como acontece com os trens. do (T, P).
Quando o ar se expande a pressão constan- • Posicionar um estado em relação ao ponto crí-
te, ele ocupa um volume maior, portanto, a massa tico e saber utilizar a Tabela A.2 (F.1) e 2.2.
específica é menor. É assim que um balão de ar • Reconhecer diagramas de fases e as regiões de
quente consegue erguer uma gôndola e pes­soas mudança de fase.
com uma massa total igual à diferença entre a
massa de ar quente no balão e a massa de ar mais • Localizar um estado nas tabelas do Apêndice B
frio ao redor; a esse efeito dá-se o nome empuxo a partir de um conjunto qualquer de dados: (T,
(Figura 2.27). P), (T, v) ou (P, v).
• Reconhecer como as tabelas representam as
regiões dos diagramas (T, P), (T, v) ou (P, v).
RESUMO
• Determinar as propriedades dos estados bifá-
Foram discutidas as propriedades das substâncias sicos e utilizar o título x.
puras e as fronteiras entre as fases sólida, líquida e • Localizar os estados utilizando qualquer com-
vapor. Os equilíbrios entre as fases na vaporização binação de propriedades (T, P, v, x) e fazendo
(ebulição de um líquido para vapor), na conden- uso de interpolação linear, se necessário.
sação (de vapor para líquido), na sublimação (de
vapor para sólido), na solidificação (de vapor para • Saber quando o estado é solido ou líquido e sa­-
sólido), na fusão (de sólido para líquido), na soli- ber utilizar as Tabelas A.3 e A.4 (F.2 e F.3).
dificação (de líquido para sólido), devem ser iden- • Saber quando um vapor se comporta como gás
tificados. A superfície tridimensional P-v-T e suas ideal (e como determinar se o modelo de
representações planas, os diagramas (P-T), (T-v) gás ideal é adequado).
e (P-v ), e as linhas de vaporização, sublimação e
fusão estão relacionadas com as tabelas impres- • Conhecer o modelo de gás ideal e a Tabela A.5
sas no Apêndice B. Foram apresentados tanto (F.4).
os dados das tabelas impressas como os obtidos • Conhecer o fator de compressibilidade Z e o
pelo computador para várias substâncias, incluin- diagrama de compressibilidade generalizado,
do misturas líquido-vapor para as quais usamos a Figura D.1.
fração mássica de vapor (título). O modelo de gás
• Saber que existem equações de estado mais
ideal é adequado para descrever o comportamen-
gerais.
to dos gases quando a massa específica é baixa.
Uma extensão do modelo de gás ideal é apresen- • Saber utilizar o programa de computador para
tada com a inclusão do fator de compressibilidade, obter propriedades.
Z, e outras equações de estado mais complexas
são mencionadas.

CONCEITOS E EQUAÇÕES PRINCIPAIS


Fases: Sólida, líquida e vapor (gás)
Equilíbrio entre fases Tsat, Psat, vl, vv, vi

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76 Fundamentos da Termodinâmica

Fronteiras de mudanças de fase: Linhas de vaporização, sublimação e fusão: geral (Figura 2.3), água
(Figura 2.4) e CO2 (Figura 2.5);
Ponto triplo: Tabela 2.1
Ponto crítico: Tabela 2.2, e Tabela A.2 (F.1)
Estado de equilíbrio: Duas propriedades independentes (#1, #2)
Título: x = mvap/m (fração mássica de vapor)
1 – x = mlíq/m (fração mássica de líquido)
Volume específico médio: v = (1 – x ) vl + xvv (apenas para misturas entre duas fases)
Superfície de equilíbrio: P–v–T (tabelas ou equação de estado)

Equação dos gases ideais: Pv = RT PV = mRT = nR T

Constante universal dos gases: R = 8,3145 kJ/kmol K

Constante dos gases: R = R /M kJ/kg K, Tabela A.5 ou M da Tabela A.2
Fator de compressibilidade Z: Pv = ZRT (Z obtido no Diagrama D.1)
P T
Propriedades reduzidas: Pr = Tr = (entradas para o diagrama de compressibilidade)
Pc Tc

Equações de estado: Cúbica, explícita na pressão, Apêndice D, Tabela D.1;


Lee Kesler: Apêndice D, Tabela D.2 e Figura D.1

PROBLEMAS CONCEITUAIS
2.1 As pressões nas tabelas são absolutas ou que tabelas as propriedades da água são
relativas? encontradas.
2.2 Qual é a pressão mínima do dióxido de car- 2.9 Se temos 1 L de R-410a a 1 MPa e 20 °C,
bono líquido? qual será a massa?
2.3 Um filme de água líquida é formado sob as 2.10 Localize a posição relativa da amônia nos
lâminas dos patins quando você patina no diagramas T-v e P-v, quando a temperatu-
gelo. Por quê? ra e a pressão são iguais a −10 °C e 200 kPa.
Indique nesses diagramas os estados mais
2.4 Em altitudes elevadas, como nas monta-
próximos relacionados na Tabela B.2.
nhas, a pressão do ar é mais baixa; como
isso afeta o cozimento dos alimentos? 2.11 Por que grande parte das regiões de líquido
comprimido e sólido não está relacionada
2.5 A água à temperatura e pressão ambientes nas tabelas?
possui v ≈ 1 × 10n m3/kg; quanto vale n?
2.12 Como um processo v constante sofrido por
2.6 O vapor pode existir abaixo da temperatu- um gás ideal aparece no diagrama P-T?
ra de ponto triplo?
2.13 Se v = RT/P para um gás ideal, qual é a
2.7 No Exemplo 2.1b, existe alguma massa de equação semelhante para os líquidos?
substância com o volume específico indica-
do? Explique. 2.14 Para encontrar v para um dado (P, T)
na Equação 2.14, qual é a dificuldade
2.8 Faça o esquema de duas linhas de pressão matemática?
constante (500 kPa e 30 000 kPa) em um
diagrama T-v e mostre nessas curvas em 2.15 Quando a pressão do gás aumenta, Z se tor-
na maior que 1. O que isso indica?

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Propriedades de uma Substância Pura 77

PROBLEMAS PARA ESTUDO


Diagramas de Fases, Pontos Triplos e Críticos Tabelas Gerais
2.16 O dióxido de carbono a 280 K pode existir 2.25 Determine a fase da água para os seguintes
em três fases diferentes: vapor, líquido e casos:
sólido. Indique a faixa de pressão para cada
a. T = 260 °C, P = 5,0 MPa
fase. b. T = –2 °C, P = 100 kPa
2.17 Uma técnica moderna de extração é basea- 2.26 Determine a fase para as seguintes substân-
da na dissolução do material em um fluido cias utilizando as tabelas do Apêndice B:
supercrítico, como o dióxido de carbono.
Quais são os valores da pressão e da mas- a. Água: 100 °C, 500 kPa
sa específica do dióxido de carbono quan- b. Amônia: –10 °C, 150 kPa
do os valores da temperatura e da pressão c. R-410a: 0 °C, 350 kPa
são próximos dos valores críticos? Refaça o 2.27 Determine as propriedades que faltam em
problema para o álcool etílico. P-v-T e x para água a:
2.18 Determine a pressão e a correspondente a. 10 MPa; 0,003 m3/kg
temperatura de fusão no fundo da calota b. 1 MPa; 190 °C
polar do polo norte, considerando que ela c. 200 °C; 0,1 m3/kg
apresenta 1 000 m de espessura e massa d. 10 kPa; 10 °C
específica igual 920 kg/m3.
2.28 Determine a fração volumétrica do vapor
2.19 Determine a menor temperatura em que de água a 200 kPa e título de 10%.
ainda é possível encontrar a água na fase
líquida. Qual é o valor da pressão nesse 2.29 Verificar se o refrigerante R-410a, em cada
estado? um dos estados seguintes, é um líquido
comprimido, um vapor superaquecido ou
2.20 A água a 27 °C pode existir em diferentes uma mistura de líquido e vapor saturados:
fases, dependendo da pressão. Indique as
faixas aproximadas de pressão (em kPa) a. 50 °C, 0,05 m3/kg
em que a água se encontra nas fases vapor, b. 1 MPa, 20 °C
líquida e sólida. c. 0,1 MPa, 0,1 m3/kg
d. −20 °C, 200 kPa
2.21 Gelo seco é o nome dado ao dióxido de car-
bono na fase sólida. À pressão atmosférica 2.30 Represente os estados do Problema 2.29
(100 kPa), qual deve ser sua temperatura? O em um esboço de diagrama P-v.
que acontece se ele for aquecido a 100 kPa? 2.31 Qual é a mudança no volume específico da
2.22 Quais são as mínimas temperaturas (em K) água a 20 °C quando ela passa do estado i
em que um metal pode existir no estado lí- para o estado j na Figura 2.14, alcançando
quido se o metal for (a) mercúrio ou (b) 15 000 kPa?
zinco? 2.32 Complete a tabela seguinte para a amônia:
2.23 Uma substância está em um tanque rígido a P [kPa] T [°C] v [m3/kg] x
2 MPa e 17 °C. É possível determinar a fase
da substância apenas a partir de suas pro- a. 25 0,1185
priedades críticas, considerando que essa b. –30 0,5
substância seja oxigênio, água ou propano?
2.33 Posicione os dois estados a e b relaciona-
2.24 Determine a fase para os seguintes casos: dos no Problema 2.32 em esboços dos dia-
a. CO2 a T = 40 °C e P = 0,5 MPa gramas P-v e T-v.
b. Ar atmosférico a T = 20 °C e P = 200 kPa 2.34 Encontre a propriedade que falta entre P,
c. NH3 a T = 170 °C e P = 600 kPa T, v e x para o R-410a a:

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78 Fundamentos da Termodinâmica

a. T = –20 °C, P = 450 kPa aquecido. Se uma válvula de segurança for


b. P = 300 kPa, v = 0,092 m³/kg instalada, qual deverá ser a regulagem de
pressão para que a temperatura máxima
2.35 Complete a tabela seguinte para a água:
seja igual a 200 °C?
P [kPa] T [°C] v [m3/kg] x 2.45 Um conjunto cilindro-pistão contém, ini-
a. 500 20 cialmente, vapor d’água saturado a 200 kPa.
Nesse estado, a distância entre o pistão e o
b. 500 0,20
fundo do cilindro é 0,1 m. Determine qual
c. 1 400 200 será essa distância e a temperatura se a
d. 300 0,8
água for resfriada até que o volume ocupa-
do passe a ser a metade do volume original.
2.36 Posicione os quatro estados, de a até d,
2.46 Água líquida saturada a 60 °C é colocada
relacionados no Problema 2.35 em esboços
sob pressão para ter seu volume diminuído
dos diagramas P-v e T-v.
em 1%, enquanto a temperatura permane-
2.37 Determine o volume específico do R-410a ce constante. Até que pressão a água deve
nos seguintes casos: ser comprimida?
a. –15 °C, 400 kPa 2.47 Água a 400 kPa e título 25% tem sua tem-
b. 20 °C, 1 500 kPa peratura aumentada em 20 °C em um pro-
c. 20 °C, título 25% cesso a pressão constante. Determine o vo-
lume e o título finais.
2.38 Encontre a propriedade que falta entre P,
T, v, e x para o CH4 a: 2.48 No seu refrigerador, a substância refrige-
rante muda de fase (evapora) a −20 °C no
a. T = 155 K, v = 0,04 m³/kg
interior de um tubo que envolve a câmara
b. T = 350 K, v = 0,25 m³/kg
fria. Na parte externa (atrás ou abaixo do
2.39 Determine os volumes específicos do dióxido refrigerador) existe uma grade preta, den-
de carbono a –20 °C e 2 000 kPa e a 1 400 kPa. tro da qual a substância condensa, passan-
2.40 Calcule o volume específico para os seguin- do da fase vapor para líquida, a +45 °C. De-
termine a pressão e a variação do volume
tes casos:
específico (v) detectadas no evaporador e
a. Dióxido de carbono: 10 °C, título 80% no condensador dessa geladeira, admitindo
b. Água: 4 MPa, título 90% que o fluido refrigerante seja amônia.
c. Nitrogênio: 120 K, título 60%
2.49 Refaça o problema anterior considerando
2.41 Encontre a propriedade que falta entre P, que o fluido refrigerante seja:
T, v, e x para:
a. R-134a
a) R-140a a 25 °C, v = 0,01 m³/kg b. R-410a.
b) R-410a a 400 kPa, v = 0,075 m³/kg
2.50 Refaça o Problema 2.48 para o CO2, consi-
c) Amônia a 10 °C, v = 0,1 m³/kg
derando o condensador a +20 °C e o evapo-
2.42 Você quer que a água ferva a 105 °C, em rador a −30 °C.
um recipiente de 15 cm de diâmetro. Qual
2.51 Um recipiente de vidro, rígido e fechado,
deve ser a massa da tampa desse recipien-
contém água a 500 kPa e título igual a
te, considerando Patm = 101 kPa?
25%. Qual será a fração mássica de sólido
2.43 Água a 400 kPa e título 25% tem sua pres- encontrada no recipiente se for resfriado
são aumentada em 50 kPa, em um processo até −10 °C?
a volume constante. Determine a tempera- 2.52 Considere os dois tanques, A e B, ambos
tura e o título finais. contendo água, conectados conforme a
2.44 Um vaso de pressão rígido e selado de 1 m3 Figura P2.52. O tanque A está a 200 kPa,
contém 2 kg de água a 100 °C. O vaso é v = 0,5 m3/kg e VA = 1 m3, e o tanque B

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Propriedades de uma Substância Pura 79

contém 3,5 kg a 0,5 MPa e 400 °C. A vál- 2.58 Um tanque armazena metano saturado a
vula é aberta e atinge-se a condição de 120 K e com título igual a 25%. A tempera-
equilíbrio. Determine o volume específico tura do metano contido no tanque aumen-
final. ta a uma taxa de 5 °C por hora em razão
de uma falha no sistema de refrigeração
A B do tanque. Calcule o tempo decorrido en-
tre a falha do sistema de refrigeração e o
momento em que o tanque contém meta-
no monofásico. Qual é a pressão no tanque

nesse instante?
FIGURA P2.52
2.59 Um conjunto cilindro-pistão contém 10 kg
2.53 Vapor saturado de R-410a a 60 °C sofre um
de amônia a 10 °C e volume inicial de 1 m3.
processo isotérmico até que seu volume
Nesse estado, o pistão está apoiado sobre
específico atinja o dobro do valor inicial.
esbarros. A pressão interna necessária
Determine, no estado final, a pressão e o
para erguer o pistão dos esbarros de modo
título, no caso de o estado ser saturado.
que ele flutue é 900 kPa. A amônia é aque-
Refaça o problema considerando que o vo-
cida vagarosamente até que a temperatura
lume específico final do processo seja igual
atinja 50 °C. Determine a pressão e a tem-
à metade do inicial.
peratura finais.
2.54 Um tanque de aço, com volume interno de
2.60 Um tanque, com volume de 400 m3, está
0,015 m3, contém 6 kg de propano (líquido
sendo construído para armazenar gás na-
+ vapor) a 20 °C. O tanque é, então, aque-
tural liquefeito (GNL). Admita, neste pro-
cido lentamente. Determine se o nível do
blema, que o GNL seja constituído por me-
líquido (altura da interface líquido-vapor)
tano puro. Se o tanque deve conter 90%
subirá até o topo do tanque ou descer até
de líquido e 10% de vapor, em volume, a
o fundo. O que aconteceria com o nível do
100 kPa, qual será a massa, em kg, de GNL
líquido se a massa contida no tanque fosse
contida no tanque? Qual será o título nesse
1 kg em vez de 6 kg?
estado?
2.55 Vapor d’água saturado a 60 °C tem sua
2.61 Uma bomba utilizada na alimentação de
pressão reduzida para aumentar o volume
uma caldeira fornece 0,05 m3/s de água a
em 10% enquanto a temperatura é mantida
240 °C e 20 MPa. Qual é a vazão mássica
constante. Até que pressão o vapor deve
(kg/s)? Qual seria o erro percentual se no
ser expandido?
cálculo fossem utilizadas as propriedades
2.56 Uma massa de 2 kg de amônia a 20 °C e da água no estado de líquido saturado a
título de 50% é mantida em um tanque rí- 240 °C? E se fossem utilizadas as proprie-
gido que possui uma válvula para descarga dades da água no estado de líquido satura-
no seu fundo. Qual é a massa de vapor que do a 20 MPa?
pode ser removida por essa válvula até o
2.62 A Figura P2.62 mostra um conjunto cilin-
momento que todo o líquido desapareça,
dro-pistão sobre o qual se exerce a força
admitindo que a temperatura permaneça
decorrente da pressão atmosférica e a for-
constante?
ça proveniente de uma mola linear. Inicial-
2.57 Um reservatório rígido e estanque, com ca- mente, o conjunto contém 0,1 m³ de água a
pacidade de 2 m3, contém uma mistura de 5 MPa e 400 °C. Se o pistão está encostado
líquido e vapor de R-134a saturados a 10 °C. no fundo do cilindro, a mola exerce uma
Se o refrigerante for aquecido, a fase lí- força tal que é necessária uma pressão de
quida desaparecerá quando a temperatura 200 kPa para movimentar o pistão. O sis-
atingir 50 °C. Determine a pressão a 50 °C tema é, então, resfriado até que a pressão
e a massa inicial de líquido. atinja 1 200 kPa. Calcule a massa d’água
contida no conjunto e também a tempera-

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80 Fundamentos da Termodinâmica

tura e o volume específico no estado final contida no tanque se o gás é a) ar; b) neô-
(T2, v2). Mostre o processo em um diagra- nio; ou c) propano?
ma P-v. 2.67 Calcule as constantes de gás ideal do argô-
P0 nio e do hidrogênio utilizando os dados da
Tabela A.2. Verifique seus resultados com
os valores da Tabela A.5.
2.68 Um cilindro pneumático (um pistão–cilindro
com ar) deve fechar uma porta aplicando
H2O uma força de 500 N. A área da seção trans-
versal do cilindro vale 5 cm2 e V = 50 cm3 e
FIGURA P2.62 T = 20 °C. Quais são os valores da massa e
da pressão do ar considerando que o volume
2.63 Uma panela de pressão (recipiente fecha-
é igual a 50 cm3 e a temperatura igual a 20
do) contém água a 100 °C e o volume ocu-
°C?
pado pela fase líquida é 1/20 do ocupado
pela fase vapor. A água é, então, aquecida 2.69 O modelo de gás ideal é adequado para re-
até que a pressão atinja 2,0 MPa. Calcule a presentar o comportamento destas subs-
temperatura final do processo. No estado tâncias nos estados indicados?
final há mais ou menos vapor que no estado a. Oxigênio a 30 °C, 3 MPa
inicial? b. Metano a 30 °C, 3 MPa
2.64 Uma panela de pressão tem a união da tam- c. Água a 30 °C, 3 MPa
pa com o corpo da panela bem rosqueada. d. R-134a a 30 °C, 3 MPa
Uma pequena abertura de A = 5 mm² é co- e. R-134a a 30 °C, 100 kPa
berta com um pino que pode ser levantado 2.70 Gás hélio armazenado em um tanque de
para deixar o vapor escapar. Qual é a mas- aço de 0,1 m3 a 250 kPa e 300 K é utilizado
sa do pino para que a água ferva a 120 °C para encher um balão. Quando a pressão
nessa panela, sendo a pressão atmosférica cai para 125 kPa, o fluxo de hélio é inter-
igual a 101,3 kPa? rompido. Se todo o hélio ainda estiver a
Vapor
300 K, qual terá sido o tamanho do balão
produzido?
2.71 Uma esfera oca de metal, com diâmetro in-
terno igual a 150 mm, é “pesada” em uma
balança de braço precisa, quando está eva-
Vapor
cuada, e é novamente “pesada” quando car-
regada com um gás desconhecido a 875 kPa.
Líquido
A diferença entre as leituras é 0,0025 kg.
FIGURA P2.64
Admitindo que o gás seja uma substância
pura, presente na Tabela A.5, e que a tem-
peratura é uniforme e igual a 25 °C, deter-
Gás Ideal
mine o gás que está armazenado na esfera.
2.65 Determine a mudança percentual relativa
2.72 Um balão esférico com diâmetro de 10 m
na pressão P se dobrarmos a temperatura
contém hélio à pressão e temperatura at-
absoluta de um gás ideal mantendo a massa
mosféricas (100 kPa e 15 °C). Qual é a
e o volume constantes. Repita para o caso
massa de hélio contida no balão? O balão
em que dobramos o valor de V e mantemos é capaz de erguer uma massa igual à massa
m e T constantes. de ar atmosférico deslocada. Determine a
2.66 Um tanque com volume interno de 1 m³ massa total (inclui a massa do material uti-
contém um gás à temperatura e pressão lizado para construir o balão) que pode ser
ambientes: 20 °C e 200 kPa. Qual é a massa erguida por esse balão.

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Propriedades de uma Substância Pura 81

2.73 Um copo é lavado com água a 45 °C e é 2.78 Faça o Problema 2.77 para o R-410a.
colocado de boca para baixo em uma mesa.
2.79 Faça o Problema 2.77 para a amônia.
O ar ambiente a 20 °C que foi aprisionado
no copo é aquecido até 40 °C. No processo 2.80 Um tanque rígido com volume de 1 m3 con-
de aquecimento, ocorrem vazamentos, de tém propano a 100 kPa e 300 K e está conec-
modo que, quando a temperatura do ar no tado, por meio de uma tubulação com vál-
copo atinge o valor fornecido, a pressão do vula, a outro tanque com volume de 0,5 m3,
ar no copo é 2 kPa acima da pressão am- que contém propano a 250 kPa e 400 K. A
biente de 101 kPa. Após algum tempo, a válvula é aberta e espera-se até que a pres-
temperatura do ar aprisionado no copo vol- são se torne uniforme a 325 K. Determine a
ta a ser igual à do ambiente. Determine a pressão no final desse processo.
pressão no interior do copo, sabendo que
a pressão atmosférica é 101 kPa. A

2.74 O ar no interior de um motor de combustão


interna está a 227 °C, 1 000 kPa e ocupa
um volume de 0,1 m3. A combustão o aque-
B
ce até 1 800 K, em um processo a volume
constante. Qual é a massa de ar e qual é o
valor que a pressão atinge nesse processo? FIGURA P2.80

2.75 O ar confinado em um pneu está inicial- 2.81 Uma bomba de vácuo é utilizada para eva­
mente a −10 °C e 190 kPa. Depois de per- cuar uma câmara utilizada na secagem de
correr certo percurso, a temperatura subiu um material que está a 50 °C. Se a vazão vo-
para 10 °C. Calcule a nova pressão. Você lumétrica da bomba é 0,5 m3/s, a tempera-
deve formular uma hipótese para resolver tura e a pressão na seção de alimentação da
este problema. bomba são iguais a 50 °C e 0,1 kPa, determi-
ne a quantidade de vapor d’água removida
da câmara em um período de 30 minutos.
2.82 Um tanque rígido com volume interno de
1 m3 contém ar a 1 MPa e 400 K. O tanque
Ar P está conectado a uma linha de ar compri-
mido do modo mostrado na Figura P2.82.
FIGURA P2.75 A válvula é, então, aberta e o ar escoa para
2.76 Inicialmente, um tanque rígido, com volu- o tanque até que a pressão alcance 5 MPa,
me de 1 m3, contém N2 a 600 kPa e 400 K. quando, então, a válvula é fechada e a tem-
Suponha que ocorra o vazamento acidental peratura do ar no tanque é 450 K.
de 0,5 kg de N2 para a atmosfera. Sabendo a) Qual é a massa de ar antes e depois do
que a temperatura final do N2 no tanque, processo?
após o vazamento é 375 K, determine a b) Quando o tanque for resfriado até a
pressão final. temperatura ambiente de 300 K, qual será
2.77 Considere os seguintes estados do R-134a: a pressão no seu interior?
vapor saturado a + 40 °C, vapor saturado a Linha
de ar
0 °C e vapor saturado a −40 °C. Determine comprimido
o volume específico do R-134a nesses esta-
dos com o modelo de gás ideal, utilizando
Tanque
as correspondentes pressões de saturação.
Determine também o erro percentual re-
lativo originado pela utilização do modelo
de gás ideal = 100(v – vv)/vv, em que vv é
obtido da tabela do R-134a saturado. FIGURA P2.82

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82 Fundamentos da Termodinâmica

2.83 Um cilindro para armazenamento de gás 2.92 Determine o volume de 2 kg de etileno a


apresenta diâmetro e comprimento iguais 270 K e 2 500 kPa, usando Z obtido da Fi-
a 20 cm e 1 m. O cilindro é evacuado e de- gura D.1.
pois carregado com CO2 (gás) a 20 °C. Qual 2.93 Para o caso de Tr = 0,7, determine a relação
deve ser a pressão para que se tenha 1,2 kg vv/vl usando a Figura D.1 e comparado com
de dióxido de carbono no cilindro? a Tabela D.3.
2.84 Um conjunto cilindro-pistão contém amô- 2.94 Um tanque rígido com volume de 5 m³ ar-
nia a 700 kPa e 80 °C. A amônia é resfriada mazena argônio a −30 °C e 3 MPa. Determi-
a pressão constante até que atinja o estado ne a massa de argônio contida no tanque,
de vapor saturado (estado 2). Nesse esta- utilizando o diagrama de compressibilidade
do, o pistão é travado com um pino. O res- generalizado. Qual é o erro percentual na
friamento continua até que a temperatura determinação dessa massa se admitirmos
seja igual a −10 °C (estado 3). Mostre, nos que o argônio se comporta como um gás
diagramas P–v e T–v, os processos do esta- ideal?
do 1 para o 2 e do estado 2 para o 3.
2.95 O refrigerante R-32 está a –10 °C e com tí-
tulo de 15%. Determine a pressão e o volu-
Fator de Compressibilidade me específico.
2.85 Determine o fator de compressibilidade (Z) 2.96 Para o projeto de um sistema comercial de
para o vapor saturado de amônia a 100 kPa refrigeração que utiliza R-123, determine a
e a 2 000 kPa. diferença entre o volume ocupado por kg
de vapor saturado de R-123 a −30 °C em
2.86 Determine o fator de compressibilidade do comparação ao do líquido saturado.
nitrogênio a
2.97 Um recipiente contém 1,5 kg do novo fluido
a. 2 000 kPa, 120 K refrigerante R-125 como líquido saturado a
b. 2 000 kPa, 300 K −20 °C com uma pequena quantidade de
c. 120 K, v = 0,005 m3/kg vapor. Determine o volume e a pressão in-
2.87 Determine o fator de compressibilidade do terna no recipiente.
dióxido de carbono a 60 °C e 10 MPa por
meio da Figura D.1.
Equações de Estado
2.88 Qual é o erro percentual no volume es-
pecífico, se for adotado o modelo de gás Para estes problemas, veja o Apêndice D para con-
ideal para representar o comportamento sultar as equações de estado e o Capítulo 12.
do vapor superaquecido de amônia a 40 °C 2.98 Determine a pressão do nitrogênio a 160 K,
e 500 kPa? Qual será o erro percentual se v = 0,00291 m3/kg, empregando o modelo
for usado o diagrama generalizado de com- de gás ideal, a equação de estado de van
pressibilidade, Figura D.1? der Waals e a tabela de propriedades do
2.89 Um conjunto cilindro-pistão sem atrito nitrogênio.
contém butano a 25 °C e 500 kPa. O mode- 2.99 Determine a pressão do nitrogênio a 160 K,
lo de gás ideal é adequado para descrever o v = 0,00291 m3/kg, empregando a equação
comportamento do butano nesse estado? de estado de Redlich-Kwong e a tabela de
2.90 Estime a pressão de saturação do cloro a propriedades do nitrogênio.
300 K. 2.100 Determine a pressão do nitrogênio a 160 K,
2.91 Uma garrafa rígida, com volume de 0,1 m³, v = 0,00291 m3/kg, empregando a equação
contém butano saturado a 300 K e título de estado de Soave e a tabela de proprieda-
des do nitrogênio.
75%. Estime a massa de butano contida no
tanque, utilizando o diagrama de compres- 2.101 Dióxido de carbono a 60 °C é bombeado
sibilidade generalizado. para dentro de um poço de petróleo a uma

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Propriedades de uma Substância Pura 83

pressão muito alta, 10 MPa. O objetivo é re- a. NH3 em P = 800 kPa com v = 0,2 m³/kg
duzir a viscosidade do petróleo, facilitando b. NH3 em T = 20 ºC com v = 0,1 m³/kg
o escoamento. Encontre o volume especí-
2.111 Determine a fase e as propriedades que
fico nas tabelas de propriedades do dióxi-
faltam entre P, T, v e x para os seguintes
do de carbono, por meio do modelo de gás
casos. A determinação pode ser mais difícil
ideal, pela equação de estado de van der
empregando-se as tabelas de propriedades,
Waals, empregando cálculo iterativo.
em vez do programa de computador:
2.102 Resolva o problema anterior, empregando
a. R-410a, T = 10 °C, v = 0,02 m³/kg
a equação de estado de Redlich-Kwong.
b. H2O, v = 0,2 m³/kg, x = 0,5
Observe que o cálculo deve ser iterativo.
c. H2O, T = 60 °C, v = 0,001 016 m³/kg
2.103 Resolva o Problema 2.101, empregando a d. NH3, T = 30 °C, P = 60 kPa
equação de estado de Soave. Observe que e. R-134a, v = 0,005 m³/kg, x = 0,5
o cálculo deve ser iterativo.
2.112 Um conjunto cilindro-pistão-mola contém
2.104 Um tanque de 0,1 m3 contém 8,35 kg de R-410a inicialmente a 15 °C e título igual
metano a 250 K. Determine a pressão, em- a 1. O fluido é expandido em um processo
pregando o modelo de gás ideal, a equação em que P = Cv−1 até que a pressão se torne
de estado de van der Waals e a tabela de igual a 200 kPa. Determine a temperatura
propriedades do metano. e o volume específico finais.
2.105 Resolva o problema anterior, empregando 2.113 Considere os dois tanques, A e B, conecta-
a equação de estado de Redlich-Kwong. dos com uma tubulação com válvula (veja a
2.106 Resolva o Problema 2.104, empregando a Figura P2.113). A capacidade de cada tan-
equação de estado de Soave. que é 200 L, e o tanque A contém R-410a a
25 °C, sendo 10% de líquido e 90% de va-
por, em volume, enquanto o tanque B está
Problemas para Revisão evacuado.
2.107 Determine o título (se saturado) ou a tem-
peratura (se superaquecido) das seguintes
substâncias, nos dois estados dados: A B

a. Água: 120 °C e 1 m³/kg; 10 MPa e 0,01


m³/kg
b. Nitrogênio: 1 MPa e 0,03 m³/kg; 100 K e
0,03 m³/kg FIGURA P2.113

2.108 Determine a fase e as propriedades que A válvula que liga os tanques é então aber-
faltam entre P, T, v e x para os seguintes ta e vapor saturado sai de A até que a pres-
casos: são em B se torne igual à pressão em A.
a. R-410a em T = 10 °C v = 0,01 m³/kg Nesse instante, a válvula é fechada. Esse
b. Água em T = 350 °C v = 0,2 m³/kg processo ocorre lentamente, de modo que
c. R-410a em T = –5 °C e P = 600 kPa todas as temperaturas permanecem cons-
d. R-134a em P = 294 kPa e v = 0,05 m³/kg tantes e iguais a 25 °C durante o processo.
Determine a variação de título que ocorre
2.109 Determine a fase, o título x (se aplicável) e no tanque A durante este processo.
a propriedade que falta, P ou T.
2.114 Um conjunto cilindro–pistão contém água
a. H2O em T = 120 °C com v = 0,5 m³/kg a 90 °C e 100 kPa. A pressão está relaciona-
b. H2O em P = 100 kPa com v = 1,8 m³/kg da com o volume interno do conjunto por
c. H2O em T = 263 K com v = 200 m³/kg meio da relação P = CV. A água é, então,
2.110 Determine a fase, o título (se aplicável) e a aquecida até que a temperatura se torne
propriedade que falta, P ou T. igual a 200 °C. Determine a pressão e tam-

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84 Fundamentos da Termodinâmica

bém o título caso a água esteja na região de água a 105 °C e com título igual a 85%. O
duas fases. conjunto é aquecido e o pistão se movi-
2.115 Um tanque contém 2 kg de nitrogênio a menta e encontra uma mola linear. Nesse
100 K e título igual a 50%. Retira-se 0,5 kg instante, o volume interno do conjunto é
de fluido do tanque por meio de uma tubu- 1,5 L. O aquecimento continua até que a
lação com válvula e medidor de vazão em pressão atinja 200 kPa. Sabendo que o diâ-
um processo a temperatura constante. De- metro do pistão é 150 mm e que a constan-
termine o estado final dentro do tanque e o te de mola é 100 N/mm, calcule a tempera-
volume de nitrogênio extraído, se a tubula- tura da água no final do processo.
ção estiver localizada
a. no topo do tanque
b. no fundo do tanque
2.116
Um conjunto cilindro-pistão com mola
contém água a 500 °C e 3 MPa. A pressão
H 2O
está relacionada com o volume interno do
conjunto por meio da relação: P = CV. A
água é, então, resfriada até que se atinja o FIGURA P2.119
estado de vapor saturado. Faça um esboço 2.120 Determine a massa de gás metano contida
desse processo em um diagrama P-v, e de- em um tanque de 2 m3 a –30 °C, 2 MPa.
termine a pressão no estado final. Estime o erro percentual na determinação
2.117 Um recipiente contém nitrogênio líquido dessa massa decorrente do emprego do
a 100 K e apresenta área da seção trans- modelo de gás ideal.
versal igual a 0,5 m2 (Figura P2.117). Em 2.121 Um conjunto cilindro-pistão contém amô-
razão da transferência de calor para o ni- nia. A força externa que atua sobre o pistão
trogênio, parte do líquido evapora e, em 1 é proporcional ao volume confinado eleva-
hora, o nível de líquido no recipiente baixa do ao quadrado. Inicialmente, o volume da
30 mm. O vapor que deixa o recipiente pas- câmara é 5 L, a temperatura é 10 °C e o
sa através de um aquecedor e sai a 500 kPa título é igual a 90%. É aberta uma válvu-
e 260 K. Calcule a vazão volumétrica de gás la no cilindro, e a amônia escoa para den-
descarregado do aquecedor. tro da câmara até que a massa contida no
conjunto se torne igual ao dobro da inicial.
Vapor Sabendo-se que a nova pressão na câma-
ra é igual a 1,2 MPa, calcule a temperatura
Líquido N 2
nesse estado.
Aquecedor
2.122 Um cilindro possui um pesado pistão ini-
cialmente contido por um pino, como
FIGURA P2.117 mostra a Figura P.2.122. O cilindro con-
2.118 Para um determinado experimento, vapor tém dióxido de carbono a 200 kPa e à
de R-410a é mantido em um tubo de vi- temperatura ambiente, 290 K. O material
dro selado a 20 °C. Precisamos conhecer a do pistão tem massa específica igual a
pressão nessa condição, mas não há meios 8 000 kg/m3 e a pressão ambiente é igual a
de medi-la, pois o tubo está selado. No en- 101 kPa. O pino é então removido e espe-
tanto, se o tubo é resfriado até –20 °C, gotí- ra-se até que a temperatura no gás atinja a
culas de líquido podem ser observadas nas temperatura do ambiente. O pistão encos-
paredes do vidro. De quanto é a pressão ta nos esbarros?
inicial?
2.119
Inicialmente, o conjunto cilindro-pistão
mostrado na Figura P2.119 contém 1 L de

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Propriedades de uma Substância Pura 85

é resfriado pela transferência de calor para


50 mm
o ambiente.
a. Em que temperatura o pistão começa a
se mover.
100 mm Pino b. Qual será o deslocamento do pistão
quando o ar contido no conjunto apresen-
tar temperatura igual à atmosférica?
c. Represente o processo nos diagramas
100 mm CO2 P-v e T-v.
P0

100 mm
FIGURA P2.122
g
2.123 Qual será o erro percentual na pressão, se
Ar 25 cm
for adotado o modelo de gás ideal para repre-
sentar o comportamento do vapor supera-
quecido de R-410a a 60 °C e 0,03470 m3/kg?
E no caso de usar-se o diagrama de com- FIGURA P2.125
pressibilidade generalizado (Figura D.1)?
(Observe que será necessário um procedi-
mento iterativo de cálculo). Interpolação Linear
2.124 Um balão murcho está conectado, por meio 2.126
Determine a pressão e a temperatura
de uma válvula, a um tanque de 12 m3 que do vapor saturado de R-410a, com v =
contém gás hélio a 2 MPa e temperatura 0,1 m3/kg.
ambiente de 20 °C. A válvula é, então, aber-
2.127 Empregue interpolação linear para estimar
ta e o balão é inflado a pressão constante,
as propriedades da amônia que faltam para
P0 = 100 kPa (pressão ambiente), até que
completar a tabela a seguir
se torna esférico com D1 = 1 m. Acima des-
se tamanho, a elasticidade do material do P [kPa] T [°C] v [m3/kg] x
balão é tal que a pressão interna passa a ser
a. 550 0,75
dada por:
b. 80 20
⎛ D ⎞ D
P = P0 + C ⎜1 − 1 ⎟ 1 c. 10 0,4
⎝ D ⎠ D
Esse balão é inflado até que o diâmetro atin- 2.128 Empregue uma interpolação linear para es-
ja 4 m, condição em que a pressão interna é timar Tsat do nitrogênio a 900 kPa. Esboce
igual a 400 kPa. Admitindo que temperatu- a curva Psat(T) utilizando alguns valores
ra seja constante e igual a 20 °C, determine tabelados em torno de 900 kPa da Tabela
a pressão interna máxima no balão durante B.6.1. O resultado obtido na interpolação
o processo de enchimento. Qual é a pres- linear é superior ou inferior ao valor que
são no tanque quando a pressão interna no pode ser obtido no gráfico construído?
balão atinge o valor máximo? 2.129 Empregue uma dupla interpolação linear
2.125 O conjunto cilindro-pistão mostrado na Fi- para encontrar a pressão do R-134a supe-
gura P2.125 contém ar a 250 kPa e 300 °C. raquecido a 13 °C e v = 0,3 m³/kg.
O pistão de 50 kg apresenta diâmetro igual 2.130 Determine o volume específico do dióxido
a 0,1 m, e inicialmente pressiona os esbar- de carbono a 0 °C e 625 kPa.
ros. A pressão e a temperatura atmosféri-
cas são iguais a 100 kPa e 20 °C. O cilindro

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86 Fundamentos da Termodinâmica

Tabelas Computadorizadas 2.134 Estime a temperatura de saturação a 900 kPa


para o nitrogênio utilizando uma interpola-
2.131 Utilize o programa de computador para de-
ção linear realizada com os dados existen-
terminar as propriedades da água nos qua-
tes na Tabela B.6.1. Compare o valor cal-
tro estados definidos no Problema 2.35.
culado com o fornecido pelo programa de
2.132 Utilize o programa de computador para computador.
determinar as propriedades da amônia nos
2.135 Utilize o programa de computador para
quatro estados definidos no Problema 2.32.
construir um gráfico da pressão em função
2.133 Utilize o programa de comutador para de- da temperatura no processo descrito no
terminar as propriedades da amônia nos Problema 2.44. Faça uma pequena exten-
três estados definidos no Problema 2.127. são da curva para a região monofásica.

PROBLEMAS ABERTOS, PROJETOS E APLICAÇÃO DE COMPUTADORES


2.136 Construa uma planilha com uma tabela e Dica: Inicie com a Equação 1.2 na forma
um gráfico dos valores de pressão de satu- diferencial e use a lei dos gases ideais, ad-
ração em função da temperatura da amô- mitindo que se conheça a relação de varia-
nia, começando em T = –40 °C e terminado ção da temperatura com a elevação.
no ponto crítico, com intervalos de 10 °C.
2.142 Em um refrigerador doméstico, o fluido re-
2.137 Construa uma planilha com uma tabela e frigerante muda da fase líquida para a fase
gráfico dos valores de pressão em função vapor a baixa temperatura, no interior do
da temperatura da água para um volume aparelho. O fluido também muda da fase
específico constante. Considere que a pres- vapor para a fase líquida a uma tempera-
são e o título do estado inicial são iguais a tura mais alta no trocador de calor que
100 kPa e 50% e a pressão final é 800 kPa. fornece energia para o ar ambiente. Meça
ou estime essas temperaturas. Utilize essas
2.138 Empregue o programa de computador dis-
temperaturas para construir uma tabela
ponível no site da editora para representar
que apresente as pressões no condensador
a variação da pressão com a temperatura
e no evaporador para cada um dos refrige-
no Problema 2.58. Estenda um pouco a
rantes presentes no Apêndice B. Discuta os
curva obtida para a região monofásica.
resultados e mostre quais são as caracterís-
2.139 Utilizando o programa de computador dis- ticas necessárias para que uma substância
ponível no site da editora, determine al- possa ser considerada um refrigerante em
guns estados intermediários do processo potencial.
descrito no Problema 2.114 e mostre a va-
2.143 Repita o problema anterior para os refrige-
riação da pressão e da temperatura com o
rantes da Tabela A.2 e utilize o diagrama
volume.
generalizado de compressibilidade (Figura
2.140 Utilize o programa de computador dispo- D.1) para estimar as pressões.
nível no site da editora para reproduzir,
2.144 A pressão de saturação, em função da tem-
estado por estado, o processo descrito no
peratura, pode ser aproximada pela corre-
Problema 2.112.
lação de Wagner:
2.141 Como a temperatura e pressão atmosfé-
ln Pr = [w1τ + w2τ1,5 + w3τ3 + w4τ6]/Tr
rica variam com a elevação, a densidade
de ar também varia, porém, a variação da em que a pressão reduzida, Pr , é dada por
pressão não é linear com a elevação. De- P/Pc, a temperatura reduzida, Tr, é dada
senvolva uma expressão para a variação da por T/Tc e a variável τ é definida por τ =
pressão com a elevação, que contenha uma 1 –Tr. Os parâmetros wi para o refrigerante
integral sobre uma expressão contendo T. R-134a são:

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Propriedades de uma Substância Pura 87

w1 w2 w3 w4 2.146 O volume específico do líquido satura-


do pode ser aproximado pela equação de
R-134a –7,598 84 1,488 86 –3,798 73 1,813 79 Rackett:
Compare os resultados da correlação com RTc n
os fornecidos pelas tabelas de proprieda- vl = Zc ;n = 1 + (1 − Tr ) 2/7
MPc
des do Apêndice B.
2.145 Determine os parâmetros wi da equação em que Tr é a temperatura reduzida (T/Tc)
de Wagner mostrado no exercício anterior e o fator de compressibilidade Zc é dado
para a água e para o metano. Procure ou- por: Zc = Pcvc/RTc. Calcule o volume espe-
tras correlações na literatura e compare cífico do líquido saturado das substâncias
os resultados fornecidos com os obtidos presentes no Apêndice B em vários estados
das tabelas e apresente o desvio máximo. e os compare com os fornecidos pelas tabe-
las. Utilize as constantes críticas indicadas
na Tabela A.2.

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88 Fundamentos da Termodinâmica

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A Primeira Lei da Termodinâmica e Equação da Energia 89

3
A Primeira Lei da
Termodinâmica e
Equação da Energia
Tendo completado a análise das definições básicas e dos conceitos, estamos
prontos para iniciar a discussão da primeira lei da termodinâmica e da equa-
ção da energia. Essas são expressões semelhantes que retratam a mesma lei
fundamental da física. Mais adiante veremos a diferença entre elas e reconhe-
ceremos que são consistentes entre si. O procedimento a ser adotado será es-
tabelecer a equação da energia para um sistema submetido a um processo de
mudança de estado com o tempo. Faremos, então, a aplicação da mesma lei para
o ciclo completo, e identificaremos a primeira lei da termodinâmica, que histo-
ricamente veio a ser a primeira formulação da lei.
Depois da equação da energia ser formulada, a usaremos para relacionar a
mudança de estado no volume de controle com o total de energia que é transfe-
rida no processo na forma de trabalho ou calor. Como o motor de carro transfere
trabalho para o automóvel, aumentando sua velocidade, assim podemos relacio-
nar energia cinética com trabalho; ou, se um fogão fornece certa quantidade de
calor para um recipiente com água, poderemos relacionar a elevação da tem-
peratura da água com o calor transferido. Um processo mais complicado pode
ocorrer, tal como a expansão de gases a alta temperatura em um cilindro-pistão,
como no motor de carro, no qual trabalho é fornecido ao mesmo tempo em que
calor é transferido para a parede fria do cilindro. Em outras aplicações, pode-
mos constatar uma mudança de estado sem fluir trabalho ou calor, tal como um
objeto caindo em que há mudança na energia cinética, ao mesmo tempo em que
há alteração na sua elevação. Em todos os casos, a equação da energia relaciona
as várias formas de energia no sistema com a transferência de energia na forma
de calor ou trabalho.

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90 Fundamentos da Termodinâmica

3.1 A EQUAÇÃO DA ENERGIA dentro ou para fora da massa. Tal fluxo de energia
não está relacionado com qualquer transferência
No Capítulo 1 discutimos a energia associada com de massa (estamos considerando sistema), e sim
uma substância e seu estado termodinâmico, que somente ocorrerá com transferência de calor ou
foi chamada energia interna U e adicionadas algu- trabalho. Escrevendo essa interpretação por uni-
mas formas de energia, tais como energia cinética dade de tempo, obtemos
e energia potencial. A combinação é a energia to-
dEvc
tal E, que escrevemos como = E! vc = Q! − W! = + entrada – saída (3.3)
dt 
E = me = U + EC + EP = m (u + ec + ep)  (3.1)
onde a convenção de sinais segue o procedimento
observamos que todos os termos estão diretamen- usual para um volume de controle, em que o calor
te relacionados com a massa total, sendo assim, u, absorvido é positivo e o trabalho produzido para
ec e ep são energias específicas. o exterior também, como ilustrado na Figura 3.1.
Antes de evoluirmos no desenvolvimento da Observe que a convenção de sinais é uma escolha,
equação da energia com análises e exemplos, va- e em sistemas mais complicados podemos adotar
mos considerar os diversos termos da energia to- um critério diferente; o conceito importante para
tal. A energia total, escrita com a energia cinética, entendermos é que a Equação 3.3 e a Figura 3.1
e a potencial, associada ao campo gravitacional, trabalham juntas, ou seja, se for mudada a dire-
toma a configuração ção da seta que foi adotada na figura, o corres-
pondente sinal na equação deve ser mudado. Esta
1 equação nos diz que a razão com que é alterada
E = mu + mV 2 + mgZ (3.2)
2  a energia armazenada é igual à razão com que
energia é adicionada menos a razão com que ela é
permitindo que, em um processo, seja possível removida. O saldo na energia armazenada é expli-
identificar mudanças em quaisquer das formas de cado pela transferência que ocorre no lado direito
energia. Uma bola subindo uma rampa vai desa- da equação, e não há outra explicação. Observe
celerar com o ganho de altura, consequentemen- que a transferência tem de vir ou ir do entorno do
te reduzindo a energia cinética e aumentando a volume de controle e, dessa forma, afeta o arma-
energia potencial durante o processo, que é um zenado na região externa, de uma maneira oposta
simples caso de conversão de energia. A ener- comparada ao que ocorre no volume de controle.
gia cinética e a potencial são relacionadas com o Um processo pode deslocar energia de um local
estado físico e localização da massa, e generica- para outro, mas não pode alterar a energia total.
mente são rotuladas como energia mecânica para
distingui-las da energia interna, que é caracteriza- Em diversos casos, estamos interessados em
da pelo estado termodinâmico da massa e, assim, alterações finitas que se desenvolvem do início ao
identificada como energia térmica. fim do processo e não focados nas variações ins-
tantâneas que ocorrem. Para esses casos, integra-
Para um volume de controle com massa cons- mos no tempo a equação da energia, Equação 3.3,
tante, ou seja, sistema, expressamos a conserva- do início do processo t1 até o final do processo t2
ção de energia como um princípio físico básico multiplicando por dt e obtendo
em uma equação matemática. Esse princípio esta-
belece que não podemos criar ou destruir energia dEvc = dU + d(EC) + d(EP) = δQ – δW (3.4)
dentro dos limites da física clássica. Essa condicio-
nante significa que efeitos da mecânica quântica,
que poderiam alterar a energia considerando uma Q
W
mudança na massa, são ignorados, assim como a
relatividade, ou seja, admitimos que qualquer ve- Evc
locidade é significativamente menor que a veloci-
dade da luz. Sendo assim, deduzimos que, se o sis-
tema tiver uma mudança em energia, a mudança Figura 3.1
terá de ser em virtude da energia transferida para Convenção de sinais para os termos da energia.

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A Primeira Lei da Termodinâmica e Equação da Energia 91

e integrando tidades, como massa, quantidade de movimento e


entropia.


∫ dE vc = E (t2 ) − E (t1 ) = E2 − E1
Para ilustrar a relação entre um diagrama de
um sistema real e a equação da energia, observe a
E o lado direito da equação integramos da se- Figura 3.2. Para esse volume de controle, a equa-
guinte forma ção da energia por tempo, Equação 3.3 é

E! vc = E! A + E! B + E! C = Q! A + Q! C − W! B  (3.6)

∫ [Q! − W! ] dt = ∫ linha
δQ − ∫ linha
δ W = 1 Q2 − 1W2
e para a conservação de massa temos
Aqui a integral não só depende do estado ini-
cial como final, mas também do caminho que o ! vc = m
m ! A+m
!B+m
!C =0 (3.7)

processo percorreu entre eles; então, δQ é usado,
em vez de dQ para indicar uma diferencial inexa- Cada um dos três termos, que armazenam
ta. Subscritos são usados para distinguir, ou seja, energia, é escrito como na Equação 3.2 incluindo
E1 refere-se à energia total do volume de controle os diferentes tipos de energia que pode haver nos
no estado 1 e tão somente é uma função de pon- componentes A, B e C. A representação das mu-
to. Por outro lado, 1Q2 indica o calor acumulado danças finitas contidas na Equação 3.5 agora tem
(integrado) na realização do processo, que é uma uma expressão não trivial que junta a conservação
função não só dos estados 1 e 2, mas também do de massa com a equação da energia
caminho em que o processo se desenvolveu; o m2 – m1 = ( m2A + m2B + m2C ) –
mesmo aplicamos ao trabalho 1W2. Na Seção 3.4 – (m1A + m1B + m1C) = 0 (3.8)

discutiremos em detalhe a integração do trabalho
e do calor transferido, para futuramente explicar- (E2A + E2B + E2C ) – ( E1A + E1B + E1C ) =
mos esse processo. A equação da energia para mu- = 1Q2A + 1Q2C – 1W2B (3.9)
danças finitas apresenta-se
A massa total não sofre mudanças; entretan-
E 2 – E 1 = 1Q 2 – 1W 2 (3.5) to a distribuição entre elas em A, B e C pode ter
sofrido mudanças durante o processo, assim, se
combinada com
uma tiver um aumento de massa, as outras terão
1 de mostrar um decréscimo de massa. O mesmo se
E2 − E1 = U 2 − U1 + m ( V22 − V12 ) + mg ( Z2 − Z1 ) aplica a energia, com o efeito adicional de que a
2
energia total pode se alterar com a troca de ca-
Em geral, dependendo da análise nos referire- lor e trabalho através da fronteira do volume de
mos a ambas as equações (Equação 3.3 e Equação controle.
3.5) como equação da energia, se queremos uma
F
abordagem no tempo ou em mudanças finitas. Isto WB
se assemelha ao caso de expressarmos o salário Superfície
de controle
de um profissional por hora ou para um período
B
de tempo definido, como mensal ou anual. Ambas
as apresentações da equação da energia pode ser C
resumida como
QC
Alterações no conteúdo = + entrada – saída A

que nada mais é que uma equação básica de balan-


ço de fluxos, tal como em uma conta bancária. Se
você faz um depósito, o saldo cresce (uma parcela QA

entrou); se você faz um saque, o saldo cai (houve


Figura 3.2
uma saída). Equações semelhantes são apresenta- Um volume de controle com diversos subsistemas
das nos capítulos subsequentes para outras quan- distintos.

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92 Fundamentos da Termodinâmica

EXEMPLO 3.1
O fluido contido em um tanque é movimentado 1 500 kJ. Considere o tanque e o fluido dentro
por um agitador. O trabalho fornecido ao agita- de uma superfície de controle e determine a
dor é 5 090 kJ. O calor transferido do tanque é variação da energia interna desse sistema.
A equação da energia é (Equação 3.5)
1
U 2 − U1 + m ( V22 − V12 ) + mg ( Z2 − Z1 ) = 1 Q2 − 1W2
2
Como não há variação de energia cinética ou de U 2 – U 1 = 1Q 2 – 1W 2
energia potencial, essa equação fica reduzida a U2 – U1 = – 1500 – (–5090) = 3590 kJ

3.2 A PRIMEIRA LEI DA Qlíq Wlíq


TERMODINÂMICA
Considere um sistema no qual a substância per-
corra um ciclo. Isso pode ser a água em uma plan- Figura 3.3
ta de potência a vapor como na Figura 1.2 ou uma Uma máquina cíclica.
substância em um cilindro-pistão, mostrado na Fi-
gura 1.6, percorrendo diversos processos que são
repetitivos. Quando a substância retorna ao seu Ciclo: Q! líq entrada = W! líq saída  (3.12)
estado original, não há variação líquida da energia
total do volume de controle e, consequentemen- Essa equação foi originalmente definida para
te, sua variação no tempo é zero. A soma líquida máquinas térmicas, em que o propósito era reti-
das parcelas do lado direito da equação da energia rar trabalho, injetando calor, o que explica a tra-
ficará dicional convenção de sinais para calor e trabalho.
Aplicações modernas incluem bombas de calor


0= !∫ δ Q − !∫ δW  (3.10) e refrigeradores, em que o trabalho é o que in-
jetamos e a transferência de calor é o resultado
líquido de saída. Podemos consequentemente ca-
A notação dQ, que denominamos de integral racterizar todos os ciclos como um dispositivo de
cíclica do calor transferido, representa o calor lí- conversão de energia; a energia é conservada, mas
quido transferido no ciclo, e dW é a integral cícli- sai de uma forma diferente da que entrou. Outras
ca do trabalho, que representa o trabalho líquido discussões sobre tais ciclos são desenvolvidas no
durante o ciclo. Reescrevendo a equação teremos Capítulo 5, e detalhes dos ciclos são apresentados
nos Capítulos 9 e 10.
!∫ δ Q = !∫ δW  (3.11)
Antes de aplicar a equação da energia ou a
primeira lei da termodinâmica, precisamos nos en-
que estabelece a primeira lei da termodinâmica. volver mais com as formas de trabalho e de trans-
Embora essa equação tenha sido apresentada ferência de calor, assim como da energia interna.
como uma consequência da equação da energia,
historicamente foi postulada primeiro e a equa-
ção da energia dela derivou. A equação anterior 3.3 A DEFINIÇÃO DE TRABALHO
pode ser escrita em razão da taxa de variação e
mostrada com na Figura 3.3, em que as integrais A definição clássica de trabalho é o trabalho mecâ-
expressam o somatório ao longo de toda fronteira nico definido como uma força agindo em um des-
do volume de controle como locamento x, assim de forma incremental

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A Primeira Lei da Termodinâmica e Equação da Energia 93

dW = F dx F = ma = mg
e o trabalho finito torna-se δW = –F dZ = – d EP
2


1W2 = ∫ 1
F dx

(3.13) com o sinal negativo, porque o trabalho está ele-
vando o peso. Assim obtemos

Para calcular o trabalho realizado é necessário d EP = F dZ = mg dZ


saber como F varia com x. Nesta seção, mostra-
e na integração teremos
remos exemplos relacionados com arranjos físi-
cos que levem a simples equacionamento da força EP2 Z2

atuante, de tal forma que a integração será direta. ∫ EP1


d EP = m ∫ Z1
g dZ
Sistemas reais podem ser muito complexos, e al-
guns exemplos matemáticos serão mostrados sem Admitindo que g não varia com Z (o que é
uma descrição mecânica. uma premissa razoável para moderadas variações
Trabalho é energia em transferência e, conse- em elevação), obtemos
quentemente, cruzando as fronteiras do volume
EP2 – EP1 = mg(Z2 – Z1)(3.14)
de controle. Em adição ao trabalho mecânico rea­
lizado por uma única força pontual, podemos ter Quando a energia potencial é incluída na
um eixo rodando, como em um sistema de trans- energia total, como na Equação 3.2, a força gravi-
missão automotivo; trabalho elétrico, como o for- tacional não deve ser incluída no trabalho calcula-
necido por uma bateria ou sistema de potência; do pela Equação 3.13. O outro termo na equação
ou o trabalho químico, só mencionando algumas da energia é a energia cinética da sistema, que é
possibilidades. Observe a Figura 3.4, que é um sis- gerada por uma força aplicada à massa. Para esse
tema simples de bateria, motor e polia. Dependen- termo, considere o deslocamento horizontal de
do da escolha do volume de controle, o trabalho uma massa, inicialmente em repouso, sobre a qual
cruzando a superfície, como na fronteira A, B ou aplicamos uma força F na direção x. Considere
C, pode ser elétrico via fios, mecânico, pelo torque que não temos transferência de calor e que não
de saída do motor, ou força, através de um cabo haja alteração na energia interna. A equação da
em uma polia. energia, Equação 3.4, ficará
A energia potencial expressa na Equação δW = –F dx = – d EC
3.2 vem da energia trocada com o campo gravi-
tacional, em razão da mudança de elevação da Mas
massa. Considere o peso da Figura 3.4, inicial-
dV dx dV dV
mente parado e mantido a certa altura de um re- F = ma = m =m = mV
ferencial. Se a polia começa a girar lentamente, dt dt dx dx
eleva o peso, e teremos a força e o deslocamento
Então
expressos como
d EC = F dx = m V dV
B Integrando, obtemos
Polia
EC V
Motor
∫ EC=0
d EC = ∫ V=0
mV dV
(3.15)
+ – 1
Fronteira C
EC = mV 2
2 
Bateria do sistema

A
Peso

Figura 3.4
Exemplos de trabalho cruzando a fronteira de um sistema.

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94 Fundamentos da Termodinâmica

Unidades de Trabalho
EXEMPLO 3.2
Nossa definição de trabalho envolve o produto Um carro com massa de 1 100 kg se des-
de uma unidade de força (um newton) atuando loca com uma velocidade tal que sua ener-
por meio de uma unidade de distância (um me- gia cinética é de 400 kJ (veja a Figura 3.6).
tro). Essa unidade de trabalho no SI é chamada Encontre a velocidade desse veículo. Se o
joule (J). carro fosse içado por um guindaste, a que
1J=1Nm altura ele atingiria – no campo gravitacio-
nal padrão – que chegasse a uma energia
Potência é a variação no tempo da realização
· potencial igual à energia cinética citada
do trabalho e é designada pelo símbolo W: inicialmente?
δW
W! ≡
dt
V
A unidade de potência é o trabalho de um jou-
g H
le por segundo, que é um watt (W):
1W = 1 J/s
FIGURA 3.6
A unidade familiar de potência no sistema In- Esquema para o Exemplo 3.2.
glês é o horsepower (hp), onde Solução:
1 hp = 550 ft lbf/s A energia cinética da massa é
Note que o trabalho que atravessa a fronteira 1
EC = mV 2 = 400 kJ
na Figura 3.4 é aquele relacionado com um eixo 2
em rotação. Para chegarmos a uma expressão para
A partir daí podemos encontrar a velocidade
a potência, partirmos do trabalho diferencial
2 EC 2 × 400 kJ
δW = F dx = Fr dθ = T dθ V= = =
m 1100 kg
isto é, força agindo em uma distância dx ou um
800 × 1000 Nm 8000 kg ms –2 m
torque (T = Fr) atuando em um ângulo de rota- = = = 27 m/s
ção, como mostrado na Figura 3.5. Agora, potên- 1100 kg 11 kg
cia passa a ser A definição de energia potencial é
δW dx dθ EP = mgH
W! = F= = FV = Fr = Tω (3.16)
dt dt dt  Quando condicionamos que este valor seja
igual a energia cinética, temos
Ou seja, força vezes a variação do desloca-
mento no tempo (velocidade) ou torque vezes a EC 400 000 Nm
H= = = 37,1 m
velocidade angular. mg 1100 kg × 9,807 ms−2
F Observe a necessidade de converter kJ em J
dx nos dois cálculos realizados.

r T É frequentemente conveniente falarmos de
trabalho por unidade de massa do sistema, nor-
malmente designado por trabalho específico. Essa
grandeza é designada por w e definida como

Figura 3.5 W
w=
Força atuando em um raio r gera um torque T = Fr. m

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A Primeira Lei da Termodinâmica e Equação da Energia 95

EXEMPLO 3.3
Considere uma pedra tendo massa de 10 kg e água não sofre nenhuma mudança de estado,
um reservatório com 100 kg de água na fase lí- então
quida. Inicialmente a pedra está a 10,2 m acima
ΔU = 0, 1Q 2 = 0, 1W2 = 0
da água, e a pedra e a água estão a mesma tem-
peratura, o que é chamado estado 1. A pedra é Assim, a primeira reduz-se a
solta e cai dentro d’água. ΔEC + ΔEP = 0
Determine ΔU, ΔEC, ΔEP, Q e W para as seguin- ΔEC = – ΔEP = – mg(Z2 – Z1)
tes mudanças de estado, considerando a acele-
ração gravitacional padrão de 9,806 65 m/s2. = – 10 kg × 9,806 65 m/s2 ×
(–10,2 m) = 1 000 J = 1 kJ
a. A pedra está na iminência de entrar na água,
estado 2. Isto é, para o processo do estado 1 para o esta-
do 2 encontramos,
b. A pedra acaba de atingir o repouso no reci-
piente, estado 3. ΔEC = 1 kJ e ΔEP = –1 kJ
c. O calor foi transferido para o ambiente ex- b. Para o processo do estado 2 para o estado 3
terno de tal forma que a pedra e a água estão com zero de energia cinética, temos
na mesma temperatura, T1, estado 4. ΔEP = 0, 2Q3 = 0, 2W3 = 0
Então
Análise e Solução: ΔU + ΔEC = 0
Para qualquer um dos casos questionados, a ΔU = – ΔEC = 1 kJ
equação da energia é
c. No estado final, não há energia cinética ou
ΔU + ΔEC + ΔEP = Q – W
potencial, e a energia interna é a mesma do es-
Onde cada termo pode ser ajustado para a mu- tado 1.
dança de estado solicitada.
ΔU = –1 kJ, ΔEC = 0, ΔEP = 0, 3W 4 =0
a. A pedra cai de Z1 a Z2, assumindo que não haja
3Q 4 = ΔU = –1 kJ
transferência de calor durante essa queda. A

QUESTÕES CONCEITUAIS

a. Em um ciclo completo, qual é a variação líqui- d. Um corpo de massa constante passa por um
da de energia e de volume? processo em que recebe 100 J de calor e li-
bera 100 J de trabalho. Esse corpo muda de
b. Descreva o que ocorreu com as parcelas da
estado?
energia da pedra no Exemplo 3.3. O que acon-
teceria se o objeto fosse uma bola flexível e. A concessionária de energia elétrica cobra
caindo em uma superfície dura? ao consumidor kW·hora. Que unidade é essa
no SI?
c. Faça uma lista de ao menos cinco sistemas
que armazenam energia, explicando quais as f. Torque, energia e trabalho tem a mesma uni-
de energia que estão em jogo. dade (Nm). Explique a diferença.

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96 Fundamentos da Termodinâmica

3.4 TRABALHO REALIZADO NA se conhecermos a relação entre P e V durante o


processo. Essa relação pode ser expressa em uma
FRONTEIRA MÓVEL DE UM
equação ou apresentada em um gráfico.
SISTEMA COMPRESSÍVEL
SIMPLES Consideremos, em princípio, o caminho da so-
lução gráfica e, como exemplo, o processo de com-
Já observamos que existem vários modos nos pressão como o que ocorre ao ser comprimido o ar
quais um sistema pode receber trabalho ou for- em um cilindro, Figura 3.8. No início do processo,
necer. Essas opções incluem trabalho realizado o êmbolo está na posição 1 e a pressão é relati-
por um eixo rotativo, trabalho elétrico ou trabalho vamente baixa. Esse estado está representado no
produzido pelo movimento da fronteira de um sis- diagrama pressão-volume (usualmente referen-
tema, tal como o desenvolvido pelo deslocamento ciado como diagrama P-V). No final do processo,
de um êmbolo em um cilindro. Nesta seção consi- o êmbolo está na posição 2 e o estado correspon-
deraremos, com algum detalhamento, o trabalho dente do gás é representado pelo ponto 2 no dia-
realizado pelo movimento da fronteira de um sis- grama P-V. Consideremos que essa compressão
tema compressível simples em um processo quase seja um processo quase estático e que durante
estático. toda a sua realização o sistema passe pelos esta-
dos representados pela linha que liga os pontos 1
Considere como sistema o gás contido em um
e 2 do diagrama P-V. A premissa de o processo ser
cilindro com êmbolo, como mostrado na Figura
quase estático é essencial nesse contexto porque
3.7. Removendo-se um dos pequenos pesos lo-
cada ponto da linha 1-2 somente representará um
calizados sobre o êmbolo, ocorrerá o movimento
estado definido, e esses estados um retrato dos
do êmbolo para cima de uma distância dL. Esse
estados reais, se a evolução for através de desvios
processo pode ser considerado quase estático, e
infinitesimais de um estado para o seguinte. O tra-
calcular o trabalho realizado pelo sistema durante
balho realizado sobre o ar durante esse processo
esse processo.
de compressão pode ser determinado integrando
A força total no êmbolo é PA, em que P é a Equação 3.17:
pressão do gás e A é a área do êmbolo. Conse-
2 2
quentemente, o trabalho δW é:

1W2 = ∫ 1
δW = ∫ 1
P dV

(3.18)
δW = P A dL
A notação 1W2 deve ser interpretada como o
Mas A dL = dV, que é a variação do volume do
trabalho realizado durante o processo do estado
gás. Assim,
δW = P dV (3.17)
P 2
O trabalho realizado pelo deslocamento da
fronteira durante o processo quase estático pode
ser encontrado integrando a Equação 3.17. En-
tretanto, essa integração somente pode ser feita dV

dL b a V
2 1

Figura 3.8
Figura 3.7 Uso do diagrama P-V para mostrar o trabalho realizado
Exemplo de trabalho efetuado pelo movimento de fronteira pela fronteira móvel de um sistema em um processo quase
de um sistema, em um processo quase estático. estático.

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A Primeira Lei da Termodinâmica e Equação da Energia 97

1 ao estado 2. É evidente, observando o diagrama para designar as diferenciais inexatas (e o sím-


P-V, que o trabalho realizado durante esse proces- bolo d para diferenciais exatas). Assim, para o
so, ou seja, trabalho, escrevemos
2 2
∫ 1
P dV ∫ 1
δ W = 1W2

é representado pela área sob a curva 1-2, ou seja, Seria mais preciso usar a notação 1W2A, que
a área a-1-2-b-a. Nesse exemplo o volume dimi- indicaria o trabalho realizado durante a mudança
nui, e a área a-1-2-b-a representa o trabalho reali- do estado 1 para o 2 pelo caminho A. Entretanto,
zado sobre o sistema. Se o processo tivesse ocorri­- subentende-se na notação 1W2 que o processo en-
do do estado 2 para o estado 1, ao longo do mesmo tre o estado 1 e 2 tenha sido especificado. Atente
caminho, a mesma área passaria a representar o que nunca usaremos a terminologia de trabalho
trabalho realizado pelo sistema. existente no estado 1 ou no estado 2, e por isso
nunca escreveremos W2 – W1.
Outra consideração sobre o diagrama P-V,
da Figura 3.9, conduz a mais uma conclusão im- Até aqui, discutimos o trabalho do movimen-
portante. É possível ir do estado 1 para o estado to de fronteira em um processo quase estático.
2 por diferentes caminhos quase estáticos, tais Temos de estar cientes de que, com muita cer-
como A, B ou C. Como a área sob cada curva re- teza, em um processo de não equilíbrio, defron-
presenta o trabalho de cada processo, é evidente tamos com trabalho de movimento de fronteira .
que o trabalho envolvido em cada caminho não é Então, a força total exercida sobre o êmbolo pelo
somente uma função dos estados inicial e final, gás dentro do cilindro, PA, não iguala a força ex-
mas também depende do caminho que se per- terna, Fext, e o trabalho não é dado pela Equação
corre ao ir de um estado para o outro. Por essa 3.17. O trabalho pode, entretanto, ser avaliado
razão, o trabalho é chamado função de linha, em termos de Fext ou, dividindo-se pela área, em
ou no jargão matemático, δW é uma diferencial termos de uma pressão externa equivalente, Pext.
inexata. Nesse caso, o trabalho realizado na fronteira mó-
vel é
Esse conceito nos leva a uma breve conside-
ração sobre as funções de ponto e as de linha ou, δW = Fext dL = Pext dV  (3.19)
usando outras denominações, sobre as diferen-
ciais exatas e as inexatas. As que, para um dado A avaliação da Equação 3.19, em qualquer si-
ponto no diagrama (tal como na Figura 3.9) ou na tuação particular, requer o conhecimento de como
superfície (tal como na Figura 2.7) o estado está a força ou pressão externa varia durante o proces-
fixado, e assim só existe um valor definido para so. Por essa razão, a integral na Equação 3.18 é
cada propriedade correspondente ao ponto. As chamada frequentemente de trabalho efetivo.
diferenciais de funções de ponto são diferenciais
exatas e a integração é simplesmente
2 P
∫ 1
dV = V2 − V1
2
C
Assim podemos falar de volume no estado 2
e de volume no estado 1 e a variação de volume B
A
depende dos estados inicial e final.
1
O trabalho, entretanto, é uma função de li-
nha, pois, como já foi mostrado, o trabalho rea­
lizado em um processo quase estático, entre dois b a V
estados, depende do caminho percorrido. As di-
Figura 3.9
ferenciais de funções de linha são diferenciais Vários processos quase estáticos entre dois estado dados,
inexatas. Neste texto, será usado o símbolo δ mostrando que trabalho é uma função de linha.

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98 Fundamentos da Termodinâmica

EXEMPLO 3.4
Considere o conjunto cilindro-pistão ligeira- Para visualizar o processo em um diagrama
mente diferente, como mostrado na Figura P-V, a distância x é convertida para volume di-
3.10. Neste exemplo o pistão tem massa mp e vidindo-se e multiplicando-se por A assim
atua sobre ele a pressão atmosférica P0, uma
m p g F1 km
mola linear e uma força F1. O pistão retém o P = P0 + + + (V − V0 ) = C1 + C2V
gás dentro do cilindro com a pressão P. Um ba- A A A2
lanço de forças no pistão, na direção do movi-
mento, fornece Essa relação fornece a pressão como uma fun-
ção linear do volume, com inclinação C2 = km/A2.
A Figura 3.11 mostra possíveis valores de P e
m pa ≅ 0 = ∑F − ∑F
↑ ↓
V para uma expansão. Independentemente de
qual substância está dentro do cilindro, qual-
quer processo terá de percorrer a linha no dia-
grama P-V. O trabalho para um processo quase
estático é dado por
P0
g 2
F1
1W2 = ∫ P dV = área sob a curva
km 1 do processo

mp 1
1W2 = ( P1 + P2 ) (V2 − V1 )
2
x

FIGURA 3.10 km
Esboço do sistema físico –––
A2
para o Exemplo 3.4. 2

Como uma aceleração nula em um processo 1


quase estático. As forças, quando a mola está
1 W2
em contato com o pistão, são:

∑ F = PA,

∑F = m↓ pg + P0 A + km ( x − x0 ) + F1
V

onde km é a constante da mola linear. A posição FIGURA 3.11


Diagrama do processo mostrando uma possí-
do pistão para a força exercida pela mola ser vel combinação P-V para o Exemplo 3.4.
nula é x0, e x0 depende do modo como é insta-
lada a mola. Dividindo-se o balanço de forças
pela área do pistão, A, obtemos a pressão no Se fosse uma compressão, em vez de expansão,
gás, ou seja o processo iniciaria no ponto 1 e deslocaria no
sentido inverso, descrevendo uma linha com a
P = P + [mpg + F1 + km(x – x0)]/A mesma inclinação mostrada na Figura 3.11.

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A Primeira Lei da Termodinâmica e Equação da Energia 99

EXEMPLO 3.5
Considere o conjunto cilindro-pistão mostrado deslocará para cima em uma velocidade finita,
na Figura 3.12, em que a massa do pistão é mp ou seja, em um processo de não equilíbrio, com
e, inicialmente, o pistão está travado com um a pressão no cilindro atingindo, eventualmen-
pino. O gás armazenado no cilindro apresen- te, o equilíbrio com a pressão Pext. Se puder-
ta, inicialmente, a pressão P1 e o volume V1. mos representar a pressão média no cilindro
Quando o pino é removido, a força externa por como função do tempo, o comportamento se-
unidade de área que atua sobre a fronteira do ria tipicamente o da Figura 3.13. Entretanto,
sistema (gás) compreende duas parcelas: o trabalho realizado pelo sistema durante esse
processo é feito contra a força resistente na
Pext = Fext/A = P0 + mp g/A fronteira móvel e, portanto, dado pela Equação
Calcule o trabalho realizado pelo sistema quan- 3.19. Assim, como a força externa é constante
do o pistão atinge a nova posição de equilíbrio. durante o processo, o resultado é
2

P0
1W2 = ∫ 1
Pext dV = Pext (V2 − V1 )

em que V2 é maior que V1 e o trabalho realizado


pelo sistema é positivo. Se a pressão inicial fos-
mp se menor que a pressão imposta pela fronteira
móvel, o pistão teria movido para baixo,
P1

P
FIGURA 3.12 P1
Exemplo de um processo
de não equilíbrio.
P2 = Pext

Após a liberação do pistão, a pressão no siste-


ma passa a ser ditada pela pressão na fronteira
móvel, como discutido na Seção 1.7 em con- Tempo
junto com a Figura 1.10. Observe que nenhu- FIGURA 3.13
ma das duas componentes da força externa se Pressão no cilindro em função do
modifica com o movimento da fronteira, uma tempo.
vez que o cilindro é vertical (sujeito à força
gravitacional) e sua parte superior é aberta à
atmosfera (o movimento do pistão para cima comprimindo o gás, com o sistema finalmente
simplesmente empurra o ar para fora do cilin- atingindo uma pressão de Pext em um volume
dro). Se a pressão inicial P1 é maior que a pres- menor que o inicial, e com trabalho negativo,
são imposta pela fronteira móvel, o pistão se ou seja, a vizinhança empurrando o sistema.

A parcela do trabalho pode ser examina- muito útil se toda a curva representativa do pro-
da medindo-se a pressão e o volume durante o cesso puder ser expressa por uma função ana-
processo, informações que nos permitem ava- lítica. Nesse caso, a integração poderá ser feita
liar a integral da Equação 3.18. E, usando cur- matematicamente, conhecendo-se os valores dos
vas adequadas ou métodos numéricos, podemos parâmetros dessa função. Com esse propósito,
chegar ao trabalho por meio da área sob a curva temos usado uma formulação matemática simples
do processo, no diagrama P-V. Entretanto, será de uma curva chamada processo politrópico, com

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100 Fundamentos da Termodinâmica

somente dois parâmetros, ou seja, um expoen­te e Note que o resultado da Equação 3.21 é válido
uma constante, como para qualquer valor do expoente n, exceto para
n = 1. Para n = 1, temos
PVn = constante (3.20)
PV = constante = P1 V1 = P2 V2
O expoente politrópico n é o referencial do e
tipo de processo com o qual estamos lidando, e 2 dV
2 V2
pode variar entre menos infinito a mais infinito. ∫ 1
P dV = P1V1 ∫ 1 V
= P1V1 ln
V1 (3.22)
Diversos processos se enquadram nessa classe 
de funções. Por exemplo, para n = 0, teremos um
processo a pressão constante, e, para os extremos Observe que nas Equações 3.21 e 3.22 não
n → ± ∞, estaremos em um processo a volume dizemos que o trabalho é igual às expressões indi-
constante. Nessas condições, ou seja, com a equa- cadas nessas equações. Essas expressões nos dão
ção analítica do processo, calculamos a integral na o valor de uma integral, ou seja, um resultado ma-
Equação 3.14 assim temático. Considerar, ou não, que aquela integral
corresponde ao trabalho em um dado processo
PV n = constante = P1V1n = P2V2n depende do resultado de uma análise termodinâ-
mica do processo. É importante manter separado
P1V1n P2V2n o resultado matemático da análise termodinâmica,
P = constante = =
Vn Vn porque haverá muitos casos em que o trabalho não
⎛ V −n+1 ⎞2 é dado pela Equação 3.18.
2 2 dV
∫ 1
P dV = constante ∫ 1 Vn
= constante ⎜ ⎟
⎝ −n + 1 ⎠1 O processo politrópico, como já descrito, de-
monstra uma especial relação funcional entre P
2 constante 1−n
∫ 1
P dV =
1− n
(V2 − V11−n ) = e V durante um processo. Existem muitas outras
relações possíveis, algumas das quais serão exami-
P2V2nV21−n − P1V1nV11−n P2V2 − P1V1 nadas nos problemas apresentados ao final deste
= = capítulo.
1− n 1− n
(3.21)

EXEMPLO 3.6
Considere como um sistema o gás contido em a. Posicione um bico de Bunsen embaixo do
um conjunto cilindro-êmbolo mostrado na Fi- cilindro e deixe o volume do gás aumentar para
gura 3.14.Vários pequenos pesos são colocados 0,1 m3, enquanto a pressão permanece cons-
sobre o êmbolo. A pressão inicial é de 200 kPa, tante. Calcule o trabalho realizado pelo sistema
e o volume inicial do gás é de 0,04 m3. durante esse processo.
2
1W2 = ∫ 1
P dV

Como a pressão é constante, concluímos da


Equação 3.18 e da Equação 3.12 com n = 0 que
2
Gás 1W2 = ∫ 1
dV = P (V2 − V1 )

1W2 = 200 kPa × (0,1 − 0,04) m 3 = 12,0 kJ


FIGURA 3.14
Esboço para o Exemplo 3.6.

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A Primeira Lei da Termodinâmica e Equação da Energia 101

EXEMPLO 3.6 (continuação)


b. Considere o mesmo sistema e as mesmas ⎛ 0,04 ⎞1,3
condições iniciais, porém ao mesmo tempo em P2 = 200 ⎜ ⎟ = 60,77 kPa
⎝ 0,10 ⎠
que o bico de Bunsen está sob o cilindro e o
êmbolo está se elevando, remova os pesos do 2 P2V2 − P1V1
êmbolo, de tal forma que, durante o processo,
1W2 = ∫ 1
P dV =
1 − 1,3
=
a temperatura do gás se mantenha constante. 60,77 × 0,1 − 200 × 0,04
= kPa m 3 = 6,41 kJ
Se admitirmos que o modelo gás ideal é válido, 1 − 1,3
então, da Equação 2.9,
d. Considere o sistema e o estado inicial dados
PV = m RT nos três primeiros exemplos, porém mantenha
Observamos que esse é um processo politró- o êmbolo preso por um pino, de modo que o
pico com o expoente n = 1. Da nossa análise, volume permaneça constante. Adicionalmente,
concluímos que o trabalho pode ser calculado faça com que calor seja transferido do sistema
com a Equação 3.18 e que a integral é dada até que a pressão caia para 100 kPa. Calcule o
pela Equação 3.22. Portanto trabalho nesse processo.
2 V2 Como δW = P dV para um processo quase está-
1W2 = ∫ 1
P dV = P1V1 ln
V1
tico, o trabalho é nulo porque, nesse caso, não
há variação de volume. Isso também pode ser
0,10 interpretado como o limite do processo politró-
= 200 kPa × 0,04 m 3 × ln = 7,33 kJ
0,04 pico quando n → ∞, e assim obtendo trabalho
zero na Equação 3.21.
c. Considere o mesmo sistema, porém, durante
a transferência de calor, remova os pesos de O processo para cada um dos quatro exemplos
tal maneira que a expressão PV 1,3 = constante é mostrado no diagrama P-V da Figura 3.15. O
descreva a relação entre a pressão e o volume processo 1-2a é um processo a pressão cons-
durante o processo. Novamente, o volume final tante e a área 1-2a-f-e-1 representa o traba-
é 0,1 m3. Calcule o trabalho no processo. lho. Analogamente, a linha 1-2b representa o
processo em que PV = constante, a linha 1-2c
Esse processo é politrópico, com n = l,3. Anali- o processo em que PV1,3 é constante e a linha
sando o processo, concluímos novamente que o 1-2d representa o processo a volume constan-
trabalho pode ser calculado com a Equação 3.18 te. O estudante deve comparar as áreas sob
e que a integral é dada pela Equação 3.21. Assim cada curva com os resultados numéricos obti-
dos para as quantidades de trabalho realizado.

P
1 2a

2d
2b

2c
Figura 3.15
Diagrama P-V mostrando o trabalho realizado nos vários
e f V processos do Exemplo 3.6.

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102 Fundamentos da Termodinâmica

fenômeno em trânsito. Se considerarmos o bloco


QUESTÕES CONCEITUAIS quente de cobre como um sistema e a água fria do
béquer como outro sistema, reconhecemos que,
g. Qual é aproximadamente o valor percen- originalmente, nenhum sistema contém calor (na-
tual do trabalho feito no processo 1-2c em turalmente, eles contêm energia). Quando o bloco
comparação ao processo 1-2a mostrados de cobre é colocado na água e os dois sistemas
na Figura 3.15? entram em contato térmico, calor é transferido
h. Gás hélio expande de 125 kPa, 350 K e do cobre para a água até que seja estabelecido
0,25 m3 para 100 kPa em um processo poli- o equilíbrio de temperatura. Nessa situação não
trópico com n = 1,667. O trabalho é positi- mais ocorre transferência de calor porque não há
vo, negativo, ou zero? qualquer diferença de temperatura. No final do
processo nenhum sistema contém calor. Também
i. Um gás ideal é submetido a um processo concluímos que o calor é identificado na fronteira
de expansão no qual o volume dobra. Que do sistema, e é definido como energia transferida
processo levará ao maior trabalho produzi- através dessa fronteira.
do: um processo isotérmico ou um politró-
pico com n = 1,25? O calor, semelhante ao trabalho, é uma forma
de transferência de energia para ou de um siste-
ma. Portanto, as unidades de calor, ou de qualquer
outra forma de energia, são as mesmas das do tra-
3.5 DEFINIÇÃO DE CALOR balho ou, pelo menos, são diretamente proporcio-
nais a elas. Assim, no Sistema Internacional, SI, a
A definição termodinâmica de calor é um tanto di- unidade de calor (energia) é o joule. No Sistema
ferente do entendimento cotidiano que ela tem. Inglês, a libra-pés-força é a unidade usual de calor.
É importante compreender claramente a definição Entretanto, ao longo dos anos, fomos assimilando
de calor dada aqui, porque é aplicável a muitos naturalmente outra unidade, fruto do processo de
problemas da termodinâmica. aquecimento d’água, como o que usamos para de-
Se um bloco de cobre quente for colocado em finir calor na seção anterior. Considere um sistema
um béquer com água fria, sabemos, pela vivência, com 1 lbm de água a 59,7 F. Coloquemos na água
que o bloco de cobre esfria e a água aquece até que um bloco quente de cobre de massa e temperatu-
o cobre e a água atinjam a mesma temperatura. O ra apropriados, tal que, quando for estabelecido o
que provoca essa diminuição de temperatura do equilíbrio térmico, a temperatura da água seja de
cobre e o aumento de temperatura da água? Di- 60,5 F. Esse padrão de quantidade de calor transfe-
zemos que isso é um resultado da transferência rida do cobre para a água nesse processo é chama-
de energia do bloco de cobre para a água. É dessa do Unidade Térmica Britânica (Btu – British ter-
transferência de energia que chegamos a uma de- mal unit). Mais exatamente, é chamado 60-graus
finição de calor. Btu, definido como o total de calor requerido para
elevar 1 lbm de água de 59,5 F para 60,5 F. (O
O calor é definido como sendo a forma de
Btu usado atualmente é, na realidade, definido em
transferência de energia através da fronteira
termos de unidades do SI.) Vale aqui comentar
de um sistema, em uma dada temperatura, para
que a unidade de calor do sistema métrico, a calo-
outro sistema (ou o ambiente), que apresenta
ria, teve uma origem análoga a do Btu no sistema
uma temperatura inferior, em virtude da diferença
Inglês. A caloria é definida com o calor necessá-
entre as temperaturas dos dois sistemas. Isto é,
rio para elevar a temperatura de 1 g de água de
o calor é transferido do sistema com temperatu-
14,5 °C para 15,5 °C.
ra superior ao sistema que apresenta temperatura
inferior e a transferência de calor ocorre unica- Considera-se positivo o calor transferido para
mente em razão da diferença entre as temperatu- um sistema, e negativo o calor transferido de um
ras dos dois sistemas. Outro aspecto dessa defini- sistema. Assim, uma transferência de calor positi-
ção de calor é que um corpo nunca contém calor. va representa um aumento de energia no sistema
Ou melhor, o calor somente pode ser identificado e uma transferência negativa representa uma di-
quando atravessa a fronteira. Assim, o calor é um minuição de energia no sistema. O calor é repre-

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A Primeira Lei da Termodinâmica e Equação da Energia 103

sentado pelo símbolo Q. Um processo em que não dT


haja transferência de calor (Q = 0) são denomina- Q! = −kA (3.23)
dx 
dos processos adiabáticos.
Do ponto de vista matemático, o calor, assim que fornece a taxa de transferência de calor por
como o trabalho, é uma função de linha e, por isso, condução como diretamente proporcional à con-
apresenta diferencial inexata. Isto é, a quantida- dutibilidade térmica, k, a área total, A, e ao gradien-
de de calor transferida para um sistema que passa te de temperatura. O sinal negativo indica que o
do estado 1 para o estado 2 depende do caminho sentido da transferência de calor é da região que
que o sistema percorre durante o processo. Como apresenta temperatura mais alta para a que apre-
o calor tem uma diferencial inexata, a diferencial senta temperatura mais baixa. Muitas vezes, quan-
é escrita δQ. Na integração escrevemos do não temos disponível uma solução analítica ou
numérica do problema, estimamos o gradiente, di-
2 vidindo a diferença de temperatura pela distância,
∫ 1
δ Q = 1 Q2
Os valores típicos das condutibilidades térmi-
cas, k, são da ordem de 100 W/m K para os metais,
Em palavras, 1Q2 é o calor transferido durante de 1 a 10 para os sólidos não metálicos como vidro,
um dado processo entre o estado 1 e o estado 2. gelo, e rocha, 0,1 a 10 para líquidos, no entorno de
Também é conveniente exprimir a transferên- 0,1 para materiais isolantes, e de 0,1 até menos
cia de calor por unidade de massa do sistema, q, de 0,01 para gases.
frequentemente chamada calor específico transfe- Um modo diferente de transferência ocorre
rido, definido como quando o meio está escoando e é chamado trans-
Q ferência de calor por convecção. Nesse modo de
q≡ transferência, o movimento da substância como
m um todo − o escoamento − desloca matéria, que
apresenta certo nível energético, sobre ou próxi-
mo a uma superfície que apresenta uma tempe-
3.6 MODOS DE TRANSFERÊNCIA DE ratura diferente daquela do meio que escoa. Nes-
CALOR se caso, a transferência de calor por condução é
dominada pela maneira como o escoamento leva
A transferência de calor é o transporte de energia as duas substâncias, fluido e superfície, a inte-
em virtude da diferença de temperatura entre quan- ragirem. São exemplos: o vento soprando sobre
tidades de matéria. Sabemos que um cubo de gelo um edifício ou escoando em trocadores de calor,
tirado de um congelador derreterá quando colocado que pode ser ar fluindo sobre ou através de um
em um local mais quente, como, por exemplo, um radiador com água passando na tubulação. Essa
copo de água líquida ou sobre um prato exposto ao troca de calor geralmente é formatada pela lei de
ar ambiente. Da discussão sobre energia na Seção Newton do resfriamento como
1.8, vimos que as moléculas da matéria apresentam
energia translacional (cinética), rotacional e vibra- Q! = Ah DT  (3.24)
cional. A energia nesses modos pode ser transferida
às moléculas vizinhas por meio de interações (co- em que as propriedades de transferência estão
lisões) ou por intercâmbio de moléculas, de modo agrupadas no coeficiente de transferência de calor
que as moléculas com energia, em média, maior por convecção, h, que é função das propriedades
(temperatura mais alta) transferem energia para as físicas médias do fluido que escoa, do escoamento e
moléculas que têm, em média, menos energia (tem- da geometria. É necessário um estudo mais detalha-
peratura mais baixa). Essa transferência de ener- do dos aspectos da mecânica dos fluidos e da trans-
gia entre moléculas é denominada transferência ferência de calor de todo um processo para avaliar
de calor por condução, e aumenta com a diferen- o coeficiente de transferência de calor para uma
ça de temperatura e com a habilidade em realizar dada situação.
transferência de energia, que a substância possua. Os valores típicos do coeficiente de transfe-
Isso é expresso pela lei de Fourier da condução, rência de calor por convecção, em W/m2K, são:

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104 Fundamentos da Termodinâmica

por radiação pode ocorrer no vácuo e não requer


Convecção natural gás a presença de matéria, mas é necessário um meio
h = 5-25 líquido h = 50-1 000 material para que ocorra tanto a emissão (gera-
Convecção forçada gás ção) quanto a absorção de energia. A emissão de
h = 25-250 líquido h = 50-20 000 uma superfície é usualmente escrita como uma
fração, emissividade ε, da emissão de um corpo
Ebulição (mudança de fase) negro perfeito, ou seja,
h = 2 500-100 000
Q! = εσ ATs4  (3.25)

O último modo de transferência de calor é a em que Ts é a temperatura da superfície e σ é a


radiação, que transmite a energia por ondas ele- constante de Stefan-Bolztmann. Valores típicos de
tromagnéticas no espaço. A transferência de calor emissividade variam entre 0,92 para superfícies

EXEMPLO 3.7
Considere a transferência de energia de uma de transferência de calor por convecção na su-
sala a 20 °C para o ambiente externo, que se perfície externa do vidro igual a 100 W/m2 K.
encontra a −10 °C, através da janela simples Admitindo que a temperatura externa do vidro
mostrada na Figura 3.16. é de 12,1 °C, determine a taxa de transferência
de calor no vidro e a taxa de transferência de
A variação de temperatura com a distância,
calor para o ambiente externo por convecção.
medida a partir da superfície de fora do vidro,
é apresentada pela transferência de calor por Para a condução através do vidro temos
convecção na camada externa, mas, por simpli- dT DT W
ficação, não é mostrada a correspondente ca- Q! = −kA = −kA = −1,4 ×
mada na parte interna. A placa de vidro tem a dx Dx mK
espessura de 5 mm (0,005 m) com uma condu- 20 − 12,1 K
× 0,5 m 2 = −1106 W
tibilidade 1,4 W/m K e a área total da superfície 0,005 m
é de 0,5 m2. O vento provoca um coeficiente

T
T
T∞ s Tsala
Ambiente Vidro Ambiente Tsala
externo interno
Ts

qconv qcond
T
0 t x 0 t x

FIGURA 3.16
Transferência de calor por condução e convecção através do vidro da janela.

e o sinal negativo indica que a energia está dei- com o sentido da transferência de calor da re-
xando a sala. Para a transferência de calor por gião de alta para a região de baixa temperatura,
convecção na camada externa temos ou seja, em direção ao ambiente externo1.
W
Q! = hADT = 100 2 ×
m K 1 Considere que houve uma diferença de aproximação porque na verda-
2 de os dois resultados deveriam ser rigorosamente iguais, porque é um
× 0,5 m [12,1 − (−10)] K = 1105 W processo em regime permanente (N.T.).

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A Primeira Lei da Termodinâmica e Equação da Energia 105

não metálicas e 0,6 a 0,9 para superfícies metálicas saturado na temperatura do ponto triplo, 0,01 °C.
não polidas, chegando a menos de 0,1 para super- Todos os valores de energia interna nas tabelas de
fícies metálicas altamente polidas. A radiação se vapor são calculados relativamente a essa referên-
distribui em uma faixa de comprimentos de ondas, cia (note que o estado de referência deixa de ser
sendo emitida e absorvida de maneira diferente por preponderante quando se calcula a diferença de u
diferentes superfícies, mas o detalhamento desses entre dois estados). Valores para a energia inter-
aspectos estão além do escopo deste livro. na são encontrados nas tabelas da mesma maneira
que manipulamos o volume específico. Na região
3.7 ENERGIA INTERNA – UMA de saturação líquido-vapor,
PROPRIEDADE TERMODINÂMICA
U = Ulíq + Uvap
A energia interna é uma propriedade extensiva,
ou
visto que depende da massa do sistema. As ener-
gias cinética e potencial também são propriedades mu = mlíq ul + mvap uv
extensivas.
Dividindo por m e introduzindo o título x,
O símbolo U designa a energia interna de uma temos
dada massa de uma substância. Seguindo a con-
u = (1 – x)ul + xuv
venção usada para as outras propriedades exten-
sivas, o símbolo u designa a energia interna por u = ul + xulv
unidade de massa. Pode-se dizer que u é a energia
Como exemplo, calculamos a energia interna
interna específica, conforme fizemos no caso do
específica do vapor d’água saturado à pressão de
volume específico. Entretanto, como usualmente
0,6 MPa, com título de 95%, do seguinte modo:
o contexto deixará claro, se estamos lidando com
u (energia interna específica) ou a U (energia in- u = ul + xulv = 669,9 + 0,95(1 897,5) =
terna total), adotaremos para ambos os casos sim- = 2 472,5 kJ/kg
plesmente a notação energia interna.
Os valores de u para a região de vapor supe-
No Capítulo 2 observamos que na ausência
raquecido estão tabulados na Tabela B.1.3, para
de movimento, da gravidade, efeitos de superfí-
líquido comprimido na Tabela B.1.4, e para os va-
cie, elétricos e outros, o estado de uma substância
lores referentes aos estados em que o sólido e o
pura é especificado por duas propriedades inde-
vapor coexistem em equilíbrio, na Tabela B.1.5.
pendentes. É muito expressivo que, com essas
restrições, a energia interna possa ser uma das
propriedades independentes de uma substância QUESTÕES CONCEITUAIS
pura. Isso significa, por exemplo, que, se especi-
ficarmos a pressão e a energia interna (com refe- j. A água é aquecida de 100 kPa, 20 °C até
rência a uma base arbitrária) do vapor superaque- 1 000 kPa, 200 °C. Em um caso, a pressão é
cido, a temperatura estará também determinada. aumentada a T constante, e depois T é ele-
Assim, em uma tabela de propriedades termo- vada a P constante. Em um segundo caso,
dinâmicas, como as tabelas de vapor, os valores de a ordem dos processos é invertida. Isso
energia interna podem ser tabelados juntamente acarreta uma diferença para 1Q2 e 1W2?
com as outras propriedades termodinâmicas. As k. Um tanque A, rígido e isolado termicamente,
Tabelas 1 e 2 de vapor (Tabelas B.1.1 e B.1.2) lis- contém água a 400 kPa, 800 °C. Um tubo com
tam a energia interna dos estados saturados. In- uma válvula liga esse tanque a outro tanque
cluem os valores da energia interna do líquido sa- B também rígido, isolado e de igual volume,
turado ul, da energia interna do vapor saturado uv contendo vapor d’água saturado a 100 kPa. A
e a diferença entre as energias internas do líquido válvula é aberta e permanece assim até que a
saturado e do vapor saturado ulv. Os valores são água atinja um estado final uniforme nos dois
fornecidos em relação a um estado de referência tanques. Quais são as duas propriedades que
arbitrário que, para a água nas tabelas de vapor, é definem o estado final?
tomado como zero, para a energia interna do líquido

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106 Fundamentos da Termodinâmica

EXEMPLO 3.8 3.8 ANÁLISE DE PROBLEMAS E


TÉCNICA DE SOLUÇÃO
Determine, para a água e nos estados indi-
cados, as propriedades que faltam (P, T, x Neste ponto do nosso estudo da termodinâmica
ou v): já fomos suficientemente longe (ou seja, acumu-
lamos ferramentas suficientes para trabalhar) e é
a. T = 300 oC, u = 2 780 kJ/kg
muito oportuno desenvolver um procedimento ou
b. P = 2 000 kPa, u = 2 000 kJ/kg uma técnica formal para analisar e solucionar pro-
blemas termodinâmicos. No momento, pode não
parecer extremamente necessário usar um rigoro-
As propriedades fornecidas nos dois estados so procedimento para muitos dos nossos proble-
são independentes e, assim, determinam mas, porém, devemos lembrar que, à medida que
completamente o estado termodinâmico. adquirirmos mais ferramenta analítica, os proble-
Temos que, inicialmente, identificar a fase mas com os quais seremos capazes de lidar tornar-
da água em cada estado comparando-se as -se-ão muito mais complexos. Assim, é convenien-
informações fornecidas com os valores das te começarmos agora a praticar essa técnica para
propriedades nos limites entre as fases. nos prepararmos para os problemas futuros.
A sequência a seguir mostra uma abordagem
sistemática para os problemas de termodinâmica,
a. Para T = 300 oC , na Tabela B.1.1, obte-
para que sejam entendidos e se garanta que ne-
mos uv = 2 563,0 kJ/kg. A água se encon-
nhuma simplificação seja adotada, eliminando as-
tra como vapor superaquecido porque
sim muitos erros que, de outra forma ocorreriam
u > uv a uma pressão menor que Pv, que
em decorrência de premissas simplificadoras que
é 8 581 kPa. Pesquisando na Tabela B.1.3 venhamos a assumir e que não sejam aplicáveis.
em 300 oC, encontramos que o valor de
u = 2 780 kJ/kg está entre o valor de u 1. Faça um esboço do sistema físico com seus
para P = 1 600 kPa (u = 2 776,8 kJ/kg) e componentes e identifique todos os fluxos de
para P = 1 800 kPa (u = 2 781,0 kJ/kg). massa, de calor e trabalho. Evidencie as for-
Fazendo uma interpolação linear, ças decorrentes de pressões externas e as
obte­mos pontuais.

P = 1 648 kPa 2. Defina (ou seja, escolha) a sistema ou o vo-


lume de controle, estabelecendo a superfície
Observe que o título não tem sentido na de controle que contenha a substância que
região de vapor superaquecido. A essa você deseja analisar. Indique todas as trans-
pressão, por interpolação linear, temos ferências que entram ou que saiam do volu-
v = 0,1542 m3/kg. me de controle e rotule as diferentes partes
do sistema, caso não tenham o mesmo estado
termodinâmico.
b. Para P = 2 000 kPa, na Tabela B.1.2, ve-
3. Escreva as leis básicas para cada volume de
mos que u = 2 000 kJ/kg é maior que
controle (até aqui só usamos a equação da
ul = 906,4 kJ/kg, porém menor que uv =
energia, no futuro teremos diversas leis). Se
2 600,3 kJ/kg. Assim, a água se encon-
uma parcela de transferência deixa um volu-
tra em um estado saturado líquido-vapor
me de controle e entra em outro, devemos ex-
com T = Tv = 212,4 oC, e
pressá-la, em cada uma das equações, com o
u = 2 000 = 906,4 + x1 693,8; x = 0,6456 sinal trocado.
E para o volume específico, 4. Relacione as leis auxiliares e específicas para
tudo que estiver em cada um dos volumes de
v = 0,001 177 + 0,6456 × 0,09845 =
controle. A característica de uma substância
0,064 74 m3/kg
ou está explicitada ou referida a valores ta-

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A Primeira Lei da Termodinâmica e Equação da Energia 107

belados. A equação para um dado processo é Como escrevemos na equação da energia


normalmente fácil de ser escrita; e advém da
1
forma como o sistema e componente se inte- U 2 − U1 + m (V22 − V12 ) +
ragem, sendo frequentemente uma aproxima- 2 (3.26)
ção de realidade. Isto é, fazemos um modelo +mg ( Z2 − Z1 ) = 1 Q2 − 1W2

matemático simplificado, que retrate o com-
portamento do mundo real. nós também temos que considerar as várias parce-
5. Conclua a formulação combinando todas as las de armazenamento. Se a massa não se desloca
equações (não use números ainda); e, en- de forma considerável, ou em velocidade ou em
tão, confira os valores que são conhecidos e elevação, consideramos que mudanças da energia
as incógnitas. É importante especificar todos cinética e/ou potencial são pequenas.
os estados, caracterizando-os com duas pro- Não é necessário seguir todos esses passos
priedades independentes. Essa tarefa é mais sempre. Na maioria dos exemplos deste livro não
facilmente elaborada se esboçarmos todos os nos fixaremos a essa abordagem formal. Entre-
processos e estados em um diagrama (P-v), tanto, quando o estudante tiver de enfrentar um
(T-v) ou similar. Esses diagramas também são problema novo e não familiar, deve sempre – ao
úteis para selecionar tabelas e localizar es- menos – pensar nesse conjunto de questões que
tados. permitirão desenvolver a habilidade para resolver
situações mais desafiantes. Resolvendo o proble-
ma a seguir, aplicaremos essa técnica em detalhe.

EXEMPLO 3.9
Um recipiente com volume de 5 m3 contém Estado inicial: Pressão, volume de líqui-
0,05 m3 de água líquida saturada e 4,95 m3 de do, volume de vapor. Assim, o estado 1 está
água no estado de vapor saturado à pressão de determinado.
0,1 MPa. O calor é transferido à água até que Estado final: Algum estado sobre a curva de
o recipiente contenha apenas vapor saturado. vapor saturado. A água é aquecida, portanto,
Determine o calor transferido nesse processo. P 2 > P 1.
Processo: Volume e massa constantes; portan-
Sistema: A água contida no recipiente.
to, o volume específico é constante.
Esboço: Figura 3.17
Diagrama: Figura 3.18.
Modelagem: Tabelas de vapor d’água.

T
Ponto Processo a volume
crítico constante
P1
Vapor
2
saturado
no estado 2
Vapor d’água

Água líquida
1
1Q2

V2 = V1 V
FIGURA 3.17 FIGURA 3.18
Esboço para o Exemplo 3.9. Diagrama para o Exemplo 3.9.

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108 Fundamentos da Termodinâmica

EXEMPLO 3.9 (continuação)


Análise Vlíq 0,05
m1 líq = = = 47,94 kg
Da equação da energia temos: vf 0,001 043
V22 − V12 Vvap 4,95
U 2 − U1 + m + m1 vap = = = 2,92 kg
2 vg 1,6940
+mg ( Z2 − Z1 ) = 1 Q2 − 1W2
Portanto
Pelo exame da superfície de controle, para U1 = m1 líqu1 líq + m1 vapu1 vap
os vários modos de trabalho, concluímos que
o trabalho nesse processo é nulo. Além disso, = 47,94(417,36) + 2,92(2 506,1) = 27 326 kJ
o sistema não está se movendo, assim, não há Para determinar u2 precisamos conhecer duas
variação de energia cinética. Há uma pequena propriedades termodinâmicas independentes
mudança do centro de massa do sistema, po- para o estado 2. A propriedade termodinâmica
rém admitiremos que a variação de energia que conhecemos é o título x2 = 100%, e a que
potencial (em kJ) seja desprezível. Portanto pode ser calculada de imediato é o volume es-
= U2 – U1 pecífico final (v2).
1Q 2
m = m1 líq + m1 vap = 47,94 + 2,92 = 50,86 kg
V 5,0
Solução: v2 = = = 0,098 31 m 3 /kg
m 50,86
O calor transferido será determinado com a
equação da energia. O estado 1 é conhecido, de Na Tabela B.1.2 encontramos, por interpola-
modo que U1 pode ser encontrado. O volume ção, que na pressão de 2,03 MPa vv = 0,098 31
específico do estado 2 é também conhecido (a m3/kg. A pressão final do vapor é, então,
partir do estado 1 e do processo). Como o es- 2,03 MPa. Assim
tado 2 é vapor saturado, ele está determinado,
u2 = 2 600,5 kJ/kg
como podemos ver na Figura 3.18. Portanto,
podemos obter o valor de U2. U2 = mu2 = 50,86(2 600,5) = 132 261 kJ
A solução se processa como segue 1Q 2 = U2 – U1 = 132 261 – 27 326 = 104 935 kJ

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A Primeira Lei da Termodinâmica e Equação da Energia 109

EXEMPLO 3.10
O conjunto cilindro-pistão do Exemplo 3.4 con- P1 = Psat = 190,2 kPa
tém 0,5 kg de amônia a –20 oC e título igual a
v1 = vl + x1 vlv = 0,001 504 + 0,25 × 0,621 84
25%. A amônia é aquecida até +20 oC, nesse
= = 0,156 96 m3/kg
estado o volume ocupado pela amônia é 1,41
vez maior. Determine a pressão final, o traba- u1 = ul + x1 ulv = 88,76 + 0,25 × 1 210,7 =
lho realizado pela amônia e o calor transferido. = 391,44 kJ/kg
Estado 2:
(T2, v2 = 1,41v1 = 1,41 × 0,156 96 =
Solução:
= 0,2213 m3/kg)
As forças que agem sobre o pistão, sob uma
A Tabela B.2.2 indica que a pressão no estado 2
gravidade constante, a atmosfera externa a
é muito próxima de 600 kPa, e u2 ≈ 1 347,9 kJ/kg
pressão constante e a mola linear impondo
uma relação linear entre P e v(V). O trabalho pode ser integrado, conhecendo P
em função de v, e pode ser interpretado como
Processo: P = C1 + C2v, veja Exemplo 3.5, Fi-
a área no diagrama P-v, mostrado na Figura
gura 3.12
3.19.
Estado 1:
Aplicando a definição de trabalho
(T1, x1) da Tabela B.2.1

2 2 1
1W2 = ∫ 1
P dV = ∫ 1
Pm dv = área = m ( P1 + P2 ) ( v2 − v1 )
2
1
= 0,5 kg (190,2 + 600) kPa (0,2213 = 0,156 96) m 3/kg
2
= 12,7 kJ
1 Q2 = m ( u2 − u1 ) + 1W2
kJ
= 0,5 kg (1 347,9 − 391,44) + 12,71 kJ
kg
= 490,94 kJ

P T
P.C. P.C.

2 2
600 20

1 1
190 –20

NH3
v v

FIGURA 3.19
Diagrama para o Exemplo 3.10.

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110 Fundamentos da Termodinâmica

EXEMPLO 3.11
O conjunto cilindro-pistão mostrado na Figura v1 = 0,354 11 m3/kg, u1 = 3 124,34 kJ/kg
3.20 contém 0,1 kg de água a 1 000 kPa e 500 oC.
Processo 1 –1a: P = constante = F/A
A água é, então, resfriada e sob a ação de uma
força sobre o pistão até que seu volume alcan- 1a – 2 : v = constante = v1a = v2 = v1/2
ce metade do inicial. Após essa etapa, a água é Estado 2: (T, v2 = v1/2= 0,177 06 m3/kg)
resfriada até 25 oC enquanto o pistão fica en-
costado no esbarro. Determine a pressão da 0,177 06 − 0,001 003
X 2 = ( v2 − v f ) /vlv =
água no estado final, o trabalho total realiza- 43,3583
do e o calor transferido em todo o processo, e = 0,004 0605
mostre o processo em um diagrama P-v.
u2 = ul + x2 ulv = 104,86 + 0,0040 605 × 2 304,9
= 114,219 kJ/kg
Da Tabela B.1.1, v2 < vv, então, o estado final
Água F está na saturação e P2 = Psat = 3,169 kPa.
2 2
1W2 = ∫ 1
P dV = m ∫ 1
P dv = m P1 ( v1a − v1 ) + 0
FIGURA 3.20
Esboço para o Exemplo 3.11.
= 0,1 kg × 1 000 kPa (0,177 06 – 0,354 11)
m3/kg = −17,7 kJ
Solução:
Observe que de 1ª até 2ª o trabalho realizado é
Reconhecemos que o processo se dá em dois nulo (não há mudança no volume), como mos-
passos, um a P constante e outro a V constan- trado na Figura 3.21.
te. Esse comportamento é determinado pela
construção do dispositivo. = m (u2 – u1) + 1W2
1Q 2
= 0,1 kg (114,219 – 3 124,34) kJ/kg – 17,7 kJ
Estado 1: (P,T) Da Tabela B1.3;
= – 318,71 kJ

P T

1
500
1a 1
1000 1a P1
180
3 2 25 2

0,177 0,354 v v

FIGURA 3.21
Diagramas para o Exemplo 3.11.

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A Primeira Lei da Termodinâmica e Equação da Energia 111

3.9 A PROPRIEDADE TERMODINÂMICA obrigatoriamente, essa mesma característica. Tor-


na-se, portanto, conveniente definir uma nova
ENTALPIA
propriedade extensiva, a entalpia,
Ao se analisar tipos específicos de processos, fre-
H ≡ U + PV (3.27)
quentemente encontramos certas combinações de
propriedades termodinâmicas que são, portanto, ou, por unidade de massa,
também propriedades da substância que sofre a
mudança de estado. Para mostrar uma situação h ≡ u + Pv (3.28)
em que isso ocorre, consideremos um sistema que Como no caso de energia interna, poderíamos
passa por um processo quase estático a pressão nos referir à entalpia específica por h e à ental-
constante, como o mostrado na Figura 3.22. Admi- pia total por H. No entanto, iremos nos referir a
tamos também que não haja variações de energias ambas como entalpia, já que o contexto indicará
cinética e potencial e que o único trabalho reali- claramente de qual se trata.
zado durante o processo seja aquele associado ao
movimento de fronteira. Considerando o gás como Vimos que a transferência de calor em um pro-
sistema e aplicando a equação da energia, Equa- cesso quase estático a pressão constante é igual
ção 3.5, temos, em termos de Q: à variação de entalpia e essa inclui a variação de
energia interna e o trabalho nesse processo. As-
U 2 – U 1 = 1Q 2 – 1W 2 sim, o resultado não é, de modo algum, geral e só
é válido para esse caso especial, em que o trabalho
O trabalho pode ser calculado pela expressão
realizado durante o processo é igual à diferença
2 do produto PV entre os estados final e inicial. Isso
1W2 = ∫ 1
P dV não seria verdadeiro se a pressão não tivesse per-
manecido constante durante o processo.
Como a pressão é constante, A importância e o uso da entalpia não estão
2
restritos ao processo especial descrito anterior-
1W2 =P ∫ 1
dV = P (V2 − V1 ) mente. Outros casos, nos quais a mesma combi-
nação de propriedades u + Pv aparece, serão de-
Portanto, senvolvidos mais tarde, especialmente no Capítulo
4, no qual discutiremos a análise para volumes de
1Q 2 = U2 −U1 + P2V2 − P1V1 controle. A razão para introduzirmos a entalpia,
= (U2 + P2V2 )−(U1 + P1V1 ) nesse ponto, é que, embora as tabelas do Apên-
dice B listem os valores da energia interna, mui-
Verificamos que, para esse caso muito parti- tas outras tabelas e diagramas de propriedades
cular, a transferência de calor durante o processo termodinâmicas fornecem os valores da entalpia
é igual à variação da quantidade U + PV entre os e não os da energia interna. Nesses casos é neces-
estados inicial e final. Como todos os elementos sário calcular a energia interna a partir do valor
dessa expressão são propriedades termodinâmi- tabelado da entalpia e da Equação 3.28:
cas, isso é, funções apenas do estado do sistema,
a combinação desses elementos deve apresentar, u = h – Pv
Os estudantes frequentemente se confundem
2 acerca da validade desse cálculo ao analisar pro-
cessos de sistemas que não ocorrem a pressão
constante, nos quais a entalpia não se apresenta
1
fisicamente no processo. Devemos ter em mente
que a entalpia, sendo uma propriedade, é uma
Q Gás função de ponto e usá-la para o cálculo da ener-
gia interna não está relacionado nem depende de
Figura 3.22 qualquer processo que possa estar ocorrendo.
Processo quase estático a pressão constante.

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112 Fundamentos da Termodinâmica

Os valores tabelados para a entalpia, como pequeno, o produto é desprezível diante dos al-
aqueles incluídos nas Tabelas B.1 a B.7 do Apên- garismos significativos presentes nas tabelas, mas
dice, são todos relativos a uma base arbitrária. O o princípio deve estar na mente, pois em alguns
estado de referência, nas tabelas de vapor d’água, casos aquele produto pode ser significativo.
é o do líquido saturado a 0,01 °C, em que a energia
A entalpia de uma substância, em um estado de
interna recebe o valor zero. Para fluidos refrige-
saturação e apresentando certo título, é determina-
rantes – como R-134a, R-410a e amônia – o esta-
da do mesmo modo que foi utilizado para o volume
do de referência é o do líquido saturado a −40 °C.
específico e para a energia interna. A entalpia do
A entalpia nesse estado de referência recebe o
líquido saturado tem o símbolo hl, a do vapor satu-
valor zero. Fluidos criogênicos, tal como o nitro-
rado hv, e o aumento da entalpia durante a vapori-
gênio, têm outros estados de referência arbitrá-
zação hlv. A entalpia, para um estado de saturação,
rios escolhidos para a entalpia em suas tabelas.
pode ser calculada por uma das relações:
Como cada estado de referência é arbitrariamente
selecionado, é sempre possível termos valores ne- h = (1 – x)hl + xhv
gativos para a entalpia, como para a água sólida h = hl + xhlv
saturada na Tabela B.1.5. Deve ser ressaltado que,
quando a entalpia e a energia interna recebem A entalpia da água líquida comprimida pode
valores relativos ao mesmo estado de referência, ser obtida na Tabela B.1.4. Para substâncias para
como em praticamente todas as tabelas termo- as quais não dispomos de tabelas de líquido com-
dinâmicas, a diferença entre a energia interna e primido, a entalpia do líquido comprimido pode
a entalpia no estado de referência é igual a Pv. ser admitida igual à do líquido saturado à mesma
Mas, como o volume específico do líquido é muito temperatura.

EXEMPLO 3.12
Um cilindro provido de pistão tem volume de 0,1 Processo: Pressão constante, P2 = P1
m3 e contém 0,5 kg de vapor d’água a 0,4 MPa. Estado inicial: P1 , V1, m; portanto, v1 é co-
Calor é transferido até que a temperatura al- nhecido e o estado 1 está determinado (Confira
cance 300 °C, enquanto a pressão permanece nas tabelas de vapor saturado, com P1 e v1).
constante.
Estado final: P2, T2; consequentemente o esta-
Determine o calor transferido e o trabalho rea- do 2 está determinado (superaquecido).
lizado nesse processo. Diagrama: Figura 3.23.
Sistema: Água dentro do cilindro. Modelo: Tabelas de vapor d’água.

T P

P2 = P1
T2
2

2
1 T = T2
1 T = T1

V V
FIGURA 3.23
Diagramas do processo quase estático a pressão constante.

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A Primeira Lei da Termodinâmica e Equação da Energia 113

EXEMPLO 3.12 (continuação)


Análise:
Não há variação de energia cinética ou de o processo seja quase estático. Então, como a
energia potencial. O trabalho está associado pressão é constante, temos
a movimento de fronteira. Vamos admitir que
2 2
1W2 = ∫ 1
P dV = P ∫ 1
dV = P (V2 − V1 ) = m ( P2 v2 − P1v1) )

Assim, a equação da energia é, em função de Q


1Q 2 = m(u2 − u1) + 1W2 = m(u2 − u1) + m(P2v2 − P1v1) = m(h2 − h1)

Solução:
Há vários procedimentos que podem ser utili- dem ser obtidos. Utilizando-se da primeira lei
zados. O estado 1 é conhecido, assim v1 e h1 e da equação do trabalho podemos calcular o
(ou u1) podem ser encontrados. O estado 2 calor transferido e o trabalho. Com os valores
também é conhecido, assim, v2 e h2 (ou u2) po- das entalpias, temos

V1 0,1 m 3 m3
v1 = = = 0,2 = 0,001 084 = x1 0,4614)
m 0,5 kg kg
0,1989
x1 = = 0,4311
0,4614
h1 = hl + x1hev
= 604,74 + 0,4311 × 2 133,8 = 1 524,7 kJ/kg
h2 = 3 066,8 kJ/kg
1 Q2 = 0,5 kg (3 066,8 − 1 524,7) kJ/kg = 771,1 kJ
1W2 = mP ( v2 − v1 ) = 0,5 × 400(0,6548 − 0,2) = 91,0 kJ

Portanto u1 = ul + x1uev
U2 – U1 = 1Q2 – 1W2 = 771,1 – 91,0 = 680,1 kJ = 604,31 + 0,4311 × 1 949,3 = 1 444,7 kJ/kg
O calor transferido também pode ser obtido a u2 = 2 804,8 kJ/kg
partir de u1 e u2
e
1 Q2 = U 2 − U1 + 1W2
= 0,5 kg(2 804,8 − 1 444,7) kJ/kg + 9,10 = 771,1 kJ

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114 Fundamentos da Termodinâmica

3.10 CALORES ESPECÍFICOS quantidade de calor necessária para provocar a va-


riação de uma unidade de temperatura e de ter re-
A VOLUME E A PRESSÃO
alizado um desenvolvimento muito específico, que
CONSTANTES nos levou à Equação 3.29 (ou 3.30), o resultado
Nesta seção consideraremos uma substância de obtido exprime uma relação entre um conjunto de
composição constante e que apresenta uma fase propriedades termodinâmicas e, portanto, consti-
homogênea. Essa fase pode ser sólida, líquida ou tui definições que são independentes dos proces-
gasosa, mas não ocorre mudança de fase. Defini- sos particulares considerados (no mesmo sentido
remos o calor específico como a quantidade de que a definição de entalpia, na seção anterior, é
calor necessária para elevar a temperatura de uma independente do processo utilizado para ilustrar
unidade de massa da substância em um grau. É in- uma situação na qual a propriedade é útil em uma
teressante analisar a relação que existe entre o ca- análise termodinâmica). Como exemplo, conside-
lor específico e outras propriedades termodinâmi- re duas massas de fluidos idênticas mostrados na
cas, notamos inicialmente, que o calor transferido Figura 3.24. No primeiro sistema, 100 kJ de calor
pode ser avaliado com a Equação 3.4. Desprezan- é transferido ao sistema, e, no segundo, 100 kJ de
do as variações de energias cinética e potencial trabalho é realizado sobre o sistema. Assim, a va-
e admitindo que seja uma única substância com- riação de energia interna é a mesma em cada um
pressível e que o processo seja quase estático, o deles, e, portanto, o estado final e a temperatura
trabalho na Equação 3.4 pode ser avaliado pela final são as mesmas em cada um deles. De acordo
Equação 3.16, temos então com a Equação 3.29, devemos obter exatamente o
mesmo valor do calor específico médio a volume
dQ = dU + dW = dU + P dV constante dessa substância para os dois proces-
sos, mesmo que os dois processos sejam muito di-
Essa expressão pode ser avaliada para dois
ferentes no que se refere a transferência de calor.
casos especiais distintos:
1. Se o volume é constante, o termo de trabalho
(P dV) é nulo; de modo que o calor específico Sólidos e Líquidos
(a volume constante) é Como um caso especial, consideremos um sóli-
1 ⎛ δQ ⎞ 1 ⎛ ∂U ⎞ ⎛ ∂u ⎞ do ou líquido. Essas duas fases são praticamente
Cv = ⎜ ⎟ = ⎜ ⎟ = ⎜ ⎟ (3.29) incompressíveis,
m ⎝ δT ⎠v m ⎝ ∂T ⎠v ⎝ ∂T ⎠v 
dh = du + d(Pv) ≈ du + vdP (3.31)
2. Se a pressão é constante, o termo de trabalho
pode ser integrado e os termos PV resultantes, Além disso, o volume específico, para ambas
nos estados inicial e final, podem ser associa- as fases, é muito pequeno, tal que em muitos casos
dos com as energias internas, como na Seção
3.9, assim, concluímos que o calor transferido dh ≈ du ≈ CdT (3.32)
pode ser expresso em termos da variação de em que C é o calor específico a volume constan-
entalpia. O correspondente calor específico (a
pressão constante) é

1 ⎛ δQ ⎞ 1 ⎛ ∂H ⎞ ⎛ ∂h ⎞ –W = 100 kJ
Cp = ⎜ ⎟ = ⎜ ⎟ = ⎜ ⎟ (3.30)
m ⎝ δT ⎠ p m ⎝ ∂T ⎠ p ⎝ ∂T ⎠ p  Fluído Fluído

Observe que em cada um desses casos espe-


ciais, as expressões resultantes, Equação 3.29 ou Q = 100 kJ
3.30, contêm somente propriedades termodinâmi-
cas. Concluímos, assim, que os calores específicos
a volume e a pressão constante também são pro-
Figura 3.24
priedades termodinâmicas. Isso significa que ape- Esboço mostrando dois processos que geram o mesmo
sar de iniciarmos essa discussão considerando a ΔU.

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A Primeira Lei da Termodinâmica e Equação da Energia 115

te ou a pressão constante, pois os valores de am- Tabela 3.1


bos serão muito próximos. Em muitos processos Energia interna específica para o vapor d’água [kJ/kg]
que envolvem um sólido ou um líquido, podemos
P, kPa
adicionalmente admitir que o calor específico
da Equação 3.32 seja constante (a menos que o T, °C 10 100 500 1 000
processo ocorra a baixa temperatura ou com um
grande intervalo de temperatura). Nesse caso, a 200 2 661,3 2 658,1 2 642,9 2 621,9
Equação 3.32 pode ser integrada, 700 3 479,6 3 479,2 3 477,5 3 475,4

1200 44 67,9 4 467,7 4 466,8 4 465,6


h2 – h1  u2 – u1  C(T2 – T1) (3.33)
Os calores específicos para vários sólidos e
líquidos estão apresentados nas Tabelas A.3, A.4 A relação entre a energia interna u e a tempe-
F.2 e F.3. ratura pode ser estabelecida utilizando-se a defini-
Em outros processos, para os quais não é pos- ção de calor específico a volume constante, dado
sível admitir calor específico constante, pode ser pela Equação 3.29:
conhecida uma equação para C em função da tem-
⎛ ∂u ⎞
peratura. Nesse caso, a Equação 3.32 poderia ser Cv = ⎜ ⎟
integrada. ⎝ ∂T ⎠v

Como a energia interna de um gás ideal não


3.11 A ENERGIA INTERNA, ENTALPIA é função do volume específico, podemos escrever
para um gás ideal
E CALOR ESPECÍFICO DE GASES
IDEAIS Cv0 =
du
dT
Em geral, para qualquer substância a energia
interna u depende de duas propriedades inde-
du = Cv0 dT  (3.35)
pendentes que definam o estado termodinâmico.
Entretanto, quando a massa específica dos gases em que o índice 0 indica o calor específico de um
é baixa, u depende basicamente da temperatu- gás ideal. Para uma dada massa m,
ra e muito menos da segunda propriedade, P ou
v. Por exemplo, considere os vários valores de u dU = mCv0 dT (3.36)
para vapor d’água superaquecido obtido da Tabe- Da definição de entalpia e da equação de esta-
la B.1.3 e mostrados na Tabela 3.1. Desses valo- do de um gás ideal, segue que
res, é evidente que u depende fortemente de T,
mas não tanto de P. Também é possível verificar h = u + Pv = u + RT  (3.37)
na tabela que a dependência de u com P é menor
quando a pressão é baixa e é muito menor a alta Como R é uma constante e u é função apenas
temperatura, ou seja, quando a massa específica da temperatura, temos que a entalpia, h, de um
decresce, decresce também a dependência de u gás ideal, também é somente uma função da tem-
em P (ou em v). Podemos extrapolar esses com- peratura. Isto é,
portamentos a estados em que a massa específi- h = f(T)(3.38)
ca seja muito pequena a tal ponto que o modelo
de gás ideal seja aplicável, e em que a energia A relação entre a entalpia e a temperatura é
interna não depende da pressão, mas é função obtida a partir da definição do calor específico a
somente da temperatura. Nessas condições, para pressão constante como definido na Equação 3.30:
um gás ideal,
⎛ ∂h ⎞
C p = ⎜ ⎟
Pv = RT e u = f(T) somente (3.34) ⎝ dT ⎠ p

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116 Fundamentos da Termodinâmica

Como a entalpia de um gás ideal é função ape- gás ideal para uma dada substância é usualmente
nas da temperatura e é independente da pressão, chamada calor específico à pressão zero, e o ca-
segue que lor específico a pressão constante na pressão zero
recebe o símbolo Cp0. O calor específico a volume
dh constante a pressão zero recebe o símbolo Cv0. A
C p0 =
dT Figura 3.26 mostra um gráfico de Cp0 em função
dh = Cp0 dT (3.39) da temperatura para várias substâncias. Esses va-
lores foram determinados com o uso das técnicas
Para uma dada massa m, da termodinâmica estatística que não está no es-
copo deste texto. Entretanto, um breve resumo
dH = mCp0 dT (3.40)
sobre o assunto é dado no Apêndice C. É mostra-
As consequências das Equações 3.35 e 3.39 do lá que o principal fator causador da variação do
podem ser vistas na Figura 3.25, que mostra duas calor específico com a temperatura é a vibração
linhas de temperatura constante. Como a energia molecular. Moléculas mais complexas têm múlti-
interna e a entalpia são funções apenas da tempe- plos modos de vibração e, portanto, apresentam
ratura, essas linhas de temperatura constante são grande dependência da temperatura, como pode
também linhas de energia interna constante e de ser visto na Figura 3.26. Essa observação é impor-
entalpia constante. Do estado 1 podemos atingir a tante para a decisão de quando levar ou não em
linha de temperatura elevada por vários caminhos consideração a variação do calor específico com a
e, em cada caso, o estado final é diferente. No en- temperatura em uma particular aplicação.
tanto, qualquer que seja o caminho, a variação da Uma relação muito importante entre os ca-
energia interna e da entalpia serão as mesmas, lores específicos a pressão constante e a volume
para linhas de temperatura constante, pois são, constante de um gás ideal pode ser desenvolvida a
também, linhas de u constante e de h constante. partir da definição de entalpia.
Como a energia interna e a entalpia de um gás
h = u + Pv = u + RT
ideal são funções apenas da temperatura, segue
que os calores específicos a volume constante e a Diferenciando a equação e utilizando as Equa-
pressão constante são também funções somente ções 3.35 e 3.39, obtemos
da temperatura. Isto é
dh = du + R dT
Cv0 = f(T), Cp0 = f(T)(3.41)
Cp0 dT = Cv0 dT + R dT
Como todos os gases apresentam um com-
portamento próximo daquele de gás ideal quan- Portanto
do a pressão tende a zero, o calor específico de
Cp0 – Cv0 = R (3.42)

P 2

2′

2 ′′
1 Constante T + dT, u + du,
h + dh

Constante T, u, h

Figura 3.25
Diagrama P-v para um gás ideal.

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A Primeira Lei da Termodinâmica e Equação da Energia 117

8 A segunda possibilidade para o calor específi-


C 2H 4 co é a utilização de uma equação analítica para Cp0
7 em função da temperatura. Como os resultados
CO2 dos cálculos do calor específico, a partir da termo-
dinâmica estatística, não conduzem a formas ma-
6
temáticas convenientes, estes normalmente são
H2O
Cp0 ajustados empiricamente. A Tabela A.6 fornece
R 5 equações de Cp0 em função da temperatura para
O2
diversos gases.
4
H2 A terceira possibilidade é integrar os resulta-
Air dos dos cálculos da termodinâmica estatística des-
3
de uma temperatura arbitrária de referência até
Ar, He, Ne, Kr, Xe qualquer outra temperatura T, e definir a função
T
2
0 500 1000 1500
T [K]
2000 2500 3000 3500 hT = ∫ T0
C p0 dT

Figura 3.26 Essa função pode, então, ser listada em uma


Calor específico em função da temperatura para diversos
gases. tabela com uma única entrada (temperatura). As-
sim, entre dois estados quaisquer 1 e 2,
A forma dessa equação na base molar é T2 T1
h2 − h1 = ∫ T0
C p0 dT − ∫ T0
C p0 dT = hT2 − hT1

C p0 − Cv0 = R (3.43)
 (3.45)
Isso nos diz que a diferença entre os calores Observe que a temperatura de referência se
específicos a pressão constante e o volume cons- cancela. Essa função hT (e uma função similar
tante, de um gás ideal, é sempre constante, embo- uT = hT – RT) é apresentada, para o caso do ar, na
ra ambos sejam funções da temperatura. Assim, Tabela A.7 e F.5. Essas funções são apresentadas
precisamos examinar somente a dependência da para outros gases na Tabela A.8 e F.6
temperatura de um deles; o outro será fornecido
Resumindo a discussão das três possibilida-
pela Equação 3.42.
des, observa-se que as tabelas de gases ideais, Ta-
Consideremos o calor específico Cp0. Existem belas A.7 e A.8, são as mais precisas, enquanto as
três casos a examinar. A situação mais simples equações da Tabela A.6 fornecem boas aproxima-
resulta da hipótese de se admitir calor específico ções empíricas. Admitir calor específico constante
constante, ou seja, não dependente da temperatu- seria menos preciso, exceto para os gases monoa-
ra. Nesse caso, é possível integrar diretamente a tômicos e para outros gases a temperaturas infe-
Equação 3.39, chegando a riores à do ambiente. É importante lembrar que
todas essas hipóteses emergem do modelo de gás
h2 – h1 = Cp0(T2 – T1)(3.44) ideal, que em muito outros problemas não é válido
Notamos, analisando a Figura 3.26, que os ca- para modelar o comportamento das substâncias.
sos que estejam sob essas condições alcançarão
uma modelagem precisa. Deve-se acrescentar,
entretanto, que essa situação pode ser uma apro-
ximação razoável para outras condições, especial-
mente se for usado um valor de calor específico
médio, para o intervalo de temperatura da aplica-
ção, na Equação 3.44. Valores do calor específico
na temperatura ambiente e das constantes de ga-
ses estão tabelados na Tabela A.5 e F.4.

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118 Fundamentos da Termodinâmica

EXEMPLO 3.13
Calcule a variação de entalpia para 1 kg de oxi- comparar os resultados.
gênio quando este é aquecido de 300 K a 1 500 K.
A nossa resposta mais precisa para a variação
Admita que o oxigênio se comporte como um
de entalpia de gás ideal para o oxigênio entre
gás ideal.
300 K e 1 500 K será obtida com as tabelas de
gases ideais, Tabela A.8. O resultado, utilizan-
do a Equação 3.45, é
Solução:
h2 – h1 = 1 540,2 – 273,2 = 1 267,0 kJ/kg
Para um gás ideal, a variação de entalpia é dada
pela Equação 3.39. Entretanto, precisamos ad- A equação empírica da Tabela A.6 também
mitir uma hipótese relativa à dependência do fornecerá uma boa aproximação para a varia-
calor específico com a temperatura. Vamos re- ção de entalpia. Integrando a Equação 3.39,
solver esse problema de diversas maneiras e temos
T2 θ2
h2 − h1 = ∫ T0
C p0 dT − ∫θ 1
C p0(θ ) × 1 000 dθ

θ =1,5
⎡ 0,0001 2 0,54 3 0,33 4 ⎤ 2
= 1 000 ⎢0,88θ − θ + θ − θ ⎥
⎣ 2 3 4 ⎦θ1 =0,3
= 1 241,5 kJ/kg

que é 2,0% menor que o resultado anterior. Cp0 = 0,88 – 0,0001(0,9) + 0,54(0,9)2 –
– 0,33(0,9)3= 1,0767 kJ/kg K
Se admitirmos calor específico constante, de-
vemos decidir qual o valor a ser utilizado. Se Substituindo esse valor na Equação 3.44, obte-
utilizarmos o valor referente a 300 K da Tabela mos o resultado
A.5, obtemos da Equação 3.44, que
h2 – h1 = 1,0767 × 1 200 = 1 292,1 kJ/kg
h2 – h1 = Cp0(T2 – T1) = 0,922 × 1200 =
que é cerca de 2% maior que o primeiro resul-
1 106,4 kJ/kg
tado, mais próximo daquele obtido usando o
que é 12,7% menor que o primeiro resultado. calor específico referente à temperatura am-
Por outro lado, se admitirmos que o calor espe- biente. Deve se atentar que parte do modelo
cífico seja constante, mas com o seu valor re- de gás ideal com calor específico constante en-
ferente a 900 K, a temperatura média do inter- volve a escolha adequada do valor a ser usado
valo e substituindo na equação correspondente para a temperatura.
da Tabela A.6, teremos

QUESTÕES CONCEITUAIS

l. Para determinar v ou u para líquidos ou sóli- n. Aquecemos 1 kg de uma substância a pressão


dos, é mais importante que se conheça P ou T? constante (200 kPa) de um grau. Quanto calor
é necessário se a substância é água a 10 °C,
m. Para determinar v ou u para um gás ideal, é
aço a 25 °C, ar a 325 K ou gelo a –10 °C?
mais importante que se conheça P ou T?

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A Primeira Lei da Termodinâmica e Equação da Energia 119

EXEMPLO 3.14
Um cilindro provido de pistão apresenta volume Análise:
inicial de 0,1 m3 e contém nitrogênio a 150 kPa
Da equação da energia, temos
e 25 °C. Comprime-se o nitrogênio, movendo
o pistão, até que a pressão e a temperatura se 1Q 2 = m(u2 – u1) + 1W2
tornem iguais a 1 MPa e 150 °C. Durante esse
processo, o calor é transferido do nitrogênio e
o trabalho realizado sobre o nitrogênio é 20 kJ. Solução:
Determine o calor transferido no processo. A massa de nitrogênio é obtida a partir da
Sistema : Nitrogênio. equação de estado, com o valor de R dado pela
Tabela A.5.
Processo: Trabalho que entra conhecido.
PV 150 kPa × 0,1 m 3
Estado inicial: m= = =
RT 0,2968 kJ × 298,15 K
P1, T1, V1; o estado 1 está determinado. kg K
Estado final: = 0,1695 kg
P2, T2; o estado 2 está determinado.
Modelo: Gás ideal com calor específico cons- Admitindo calor específico constante dado na
tante, referido a 300 K na Tabela A.5. Tabela A.5, temos

1 Q2 = mCv0 (T2 − T1 ) + 1W2


kJ
= 0,1695 kg × 0,745 × (150 − 25) K − 20 kJ
kg K
= 15,8 − 20 = −4,2 kJ

É claro que obteríamos um resultado mais pre- pequeno aumento da precisão não se justifica
ciso se tivéssemos utilizado a Tabela A.8. e não diante das dificuldades adicionais de interpola-
admitido calor específico constante (à tempe- ção dos valores nas tabelas.
ratura ambiente), porém, frequentemente o

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120 Fundamentos da Termodinâmica

EXEMPLO 3.15
O fogão a lenha, feito de ferro fundido, esbo- tempo necessário para que a temperatura do
çado na Figura 3.27, apresenta massa igual conjunto atinja 75 oC.
a 25 kg, e contém 5 kg de lenha de pinho e
1 kg de ar. A temperatura do conjunto é de
20 oC e a pressão é de 101 kPa. O fogão é aceso
e a madeira passa a queimar e transferir 1500 W
aquecendo o conjunto uniformemente. Des-
preze os vazamentos de ar e as mudanças na
massa da madeira e as perdas de calor para
o ambiente. Determine a taxa de variação de
temperatura do conjunto (dT/dt) e estime o FIGURA 3.27
Esboço para o Exemplo 3.15.

Solução:
Sistema: O fogão, a lenha e o ar.
Equação de energia em termos de taxa:
E! = Q! − W!
Não temos variações de energia cinética e potencial e de massa, assim

U = mar uar + mmadeira umadeira + mferro uferro


E! = U! = mar u! ar + mmadeira u! madeira + mferro u! ferro
dT
= ( marCV ar + mmadeira Cmadeira + mferroCferro )
dt
·
A equação da energia tem trabalho nulo e o calor liberado é Q. Aplicando-se a primeira lei temos
dT
= ( marCV ar + mmadeira Cmadeira + mferroCferro ) = Q! − 0
dt
dT Q!
=
dt ( marCV ar + m madeira Cmadeira + m ferroCferro )

1500 W
= = 0,0828 K/s
1 × 0,717 + 5 × 1,38 + 25 × 0,42 kg (kJ/kg)
Admitindo a taxa de aumento da temperatura como constante, podemos calcular o tempo decorrido,
assim

DT = ∫ dT
dt
dt =
dT
dt
Dt

Dt 75 − 20
⇒ Dt = = = 664 s = 11 min
dT 0,0828
dt

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A Primeira Lei da Termodinâmica e Equação da Energia 121

3.12 SISTEMAS GERAIS QUE Também devemos observar que podemos


identificar muitas outras formas de trabalho em
ENVOLVEM TRABALHO
processos que não são quase estáticos. Por exem-
Na seção precedente, discutimos sobre o trabalho, plo, há trabalho realizado pelas forças de cisalha-
olhamos o que foi produzido por uma força pon- mento em um escoamento de fluido viscoso ou o
tual ou por uma pressão decorrente de uma força trabalho realizado por um eixo rotativo que atra-
distribuída em uma área. Há outros tipos de força vessa a fronteira do sistema.
e de deslocamentos que diferem dessa abordagem A identificação do trabalho é um aspecto im-
pela natureza da força e de seu deslocamento. portante em muitos problemas termodinâmicos. Já
Mencionaremos algumas situações mais típicas mencionamos que o trabalho pode ser identificado
que frequentemente aparecem e escreveremos a somente nas fronteiras do sistema. Por exemplo,
equação do trabalho considere a situação indicada na Figura 3.28, que
2 mostra um gás separado do espaço evacuado por


1W2 = ∫ 1
Fgeral dxgeral

(3.46) uma membrana. Deixe a membrana se romper e
o gás encher todo o volume. Desprezando qual-
Nessa equação, temos força e deslocamento quer trabalho associado com a ruptura da mem-
genéricos. Para cada elemento, temos de saber brana, podemos indagar se há trabalho envolvido
sua expressão e, também, como a força varia no no processo. Se tomarmos como sistema o gás e
processo. Na Tabela 3.2, são listados exemplos o espaço evacuado, concluímos prontamente que
simples, e para cada caso a expressão resultante não há trabalho envolvido, pois nenhum trabalho
para o trabalho pode ser alcançada desde que a pode ser identificado na fronteira do sistema. Se
função Fgeral(xgeral) seja conhecida. tomarmos o gás como sistema, temos uma varia-
ção de volume e podemos ser tentados a calcular
Para muitos desses casos, o sinal é positivo o trabalho pela integral
quando o trabalho sai do sistema, com essa defini-
2
ção de sinal teremos a forma geral
∫ 1
P dV
dW = P dV –  dL –  dA –  dZ + …(3.47)
em que outros termos podem ser acrescentados. Entretanto, esse não é um processo quase es-
A taxa de variação do trabalho utilizando essa for- tático e, portanto, o trabalho não pode ser calcu-
matação representa potência, assim lado com essa relação. Como não há resistência na
fronteira do sistema quando o volume aumenta,
dW concluímos que, para esse sistema, não há traba-
W! = = PV! − 7 V − 6 A! − % Z! + " (3.48)
dt  lho envolvido no processo de enchimento do espa-
ço inicialmente em vácuo.

Tabela 3.2
Diversas combinações que produzem trabalho

Caso Força Unidade Deslocamento Unidade

Força única F N dx m

Pressão P Pa dV m3

Mola  = ks(x – x0) N dx m

Arame tensionado F N dx = x0 de m

Tensão superficial  = AEe N/m dA m3

Elétrico  volt dZ* Coulon


* Observe que a derivada no tempo dZ/dt = i, é corrente (em amperes).

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122 Fundamentos da Termodinâmica

Fronteira
Gás Vácuo do Gás
sistema

(a) (b)

Figura 3.28
Exemplo de um processo que apresenta variação de volume e trabalho nulo.

onde c = velocidade da luz e E = energia. Concluí­


EXEMPLO 3.16 mos, a partir dessa equação, que a massa de um
Durante a carga de uma bateria, a corrente sistema varia quando a sua energia varia. Calcule-
i é 20 A e a voltagem  é 12,8 V. A taxa de mos, então, a magnitude dessa variação de massa
transferência de calor pela bateria é 10 W. A para um problema típico e determinemos se essa
que taxa aumenta a energia interna? variação é significativa.
Consideremos 1 kg de uma mistura estequio-
métrica de ar com um hidrocarboneto combustível
Solução:
(gasolina, por exemplo) contido em um recipien-
Como as mudanças na energia cinética e po- te rígido como sistema. Do nosso conhecimento
tencial são insignificantes, a primeira lei da do processo de combustão, sabemos que, após a
termodinâmica pode ser escrita em equação realização desse processo, será necessário trans-
de taxa como na Equação 3.31 ferir cerca de 2 900 kJ do sistema para que seja
dU restabelecida a temperatura inicial. Da equação da
= Q! − W! energia
dt
W! = % i = −12,8 × 20 = −256 W = −256 J/s 1Q 2 = U 2 – U 1 + 1W 2

Assim, com 1W2 = 0 e 1Q2 = –2 900 kJ, concluímos que a


energia interna do sistema decresce de 2900 kJ
dU
= Q! − W! = −10 − (−256) = 246 J/s durante o processo de transferência de calor. Cal-
dt culemos, então, a diminuição de massa durante
esse processo com a Equação 3.49.
A velocidade da luz, c, é 2,9979 × 108 m/s.
Portanto,
3.13 CONSERVAÇÃO DE MASSA 2 900 kJ = 2 900 000 J = m(kg) ×
Na seção anterior, consideramos a primeira lei da × (2,9979 × 108 m/s)2
termodinâmica para um sistema que sofre uma e então:
mudança de estado. Um sistema é definido como
uma quantidade de massa fixa. Surge agora uma m = 3,23 × 10–11 kg
pergunta: A massa do sistema poderá variar quan-
do houver a variação de energia do sistema? Se Assim, quando a energia do sistema diminui
isso acontecer, a nossa definição de sistema não de 2 990 kJ, a redução de massa é igual a 3,23 ×
será mais válida quando a energia do sistema 10−11 kg.
variar. Uma variação da massa com essa ordem de
Da teoria da relatividade, sabemos que a mas- magnitude não pode ser detectada nem com a
sa e a energia estão relacionadas pela equação mais precisa balança. E, certamente, uma varia-
ção relativa de massa, com essa ordem de mag-
E = mc2 (3.49) nitude, está além da precisão necessária para a

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A Primeira Lei da Termodinâmica e Equação da Energia 123

EXEMPLO 3.17
Considere 1 kg de água sobre uma mesa nas Observe quão pequenas são as mudanças na
condições ambientes 20 °C, 100 kPa. Quere- energia cinética e potencial, comparadas com
mos examinar a alteração na energia para cada a alteração da energia interna em razão da
um dos três processos: aceleração do repouso elevação da temperatura. Para que a energia
até 10 m/s, elevação de 10 m e aquecimento de cinética e a potencial sejam significantes, diga-
10 °C. mos 10% de ΔU, a velocidade deverá ser muito
maior, cerca de 100 m/s, e a diferença de altu-
Para esse sistema, a alteração na energia será:
ra também muito maior, algo em torno de 500
1 1 m. Como na maioria das aplicações da enge-
DCE = m ( V22 − V12 ) = × 1 kg ×
2 2 nharia essas diferenças são muito incomuns,
× (10 2 − 0) m 2 /s 2 = 50 kgm 2 /s 2 = 50 J podemos frequentemente desprezar a ener-
gia cinética e potencial em nossos cálculos.
DEP = mg ( Z2 − Z1 ) = 1 kg × 9,81 m/s 2 ×
× (10 − 0) m = 98,1 J
DU = m ( u2 − u1 ) = mCv (T2 − T1 ) =
kJ
= 1 kg × 4,18 × 10 K = 41,8 kJ
kg-K

maioria dos cálculos de engenharia. Portanto, não


introduziremos erros significativos na maioria dos
B A
problemas termodinâmicos se considerarmos a lei
de conservação da massa e a lei de conservação
da energia como independentes, e a definição de Figura 3.29
sistema, como um sistema de massa constante, Dois tanques conectados com diferentes estados iniciais.
poderá ser utilizada mesmo que haja variação de
energia do sistema.
Todas as análises e exemplos anteriores admi- A forma geral da equação da conservação da
nistram uma única massa em um estado uniforme. massa é chamada equação da continuidade,
Isso não é o que sempre ocorre, então vejamos uma um nome usual na mecânica dos fluidos, que será
situação em que temos um reservatório dividido abordado nos capítulos seguintes.
em dois compartimentos conectados por uma vál- Como o sistema não muda em elevação e ob-
vula, como mostrado na Figura 3.29. Admitamos servamos o estado 2 sem que nenhum desloca-
que as duas massas têm estados iniciais diferentes mento tenha ocorrido, a energia cinética é zero
e que, depois de aberta a válvula, as massas se mis- em todos os estados e não há alteração da energia
turam e atingem um único estado final uniforme. potencial, assim o lado esquerdo da equação da
Para uma sistema que é a combinação de A e energia fica
B, temos a conservação de massa escrita na equa- m2e2 – (m1A e1A + m1B e1B)
ção da continuidade
= m2(u2 + 0 + gZ1) – m1A(u1A + 0 + gZ1) –
Conservação de massa: – m1B(u1B + 0 + gZ1)
m2 = m1 = m1A + m1B(3.50) = m2u2 – m1A u1A – m1B u1B +
+ [m2 – (m1A + m1B)]gZ1
Equação da Energia:
= m2u2 – m1A u1A – m1B u1B
m2e2 – (m1Ae1A + m1Be1B) = 1Q2 – 1W2 (3.51)

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124 Fundamentos da Termodinâmica

Observe como a parcela da energia potencial 3.14 APLICAÇÕES NA ENGENHARIA


se torna zero pela conservação da massa, o mem-
bro esquerdo simplifica-se, apresentando somente Armazenamento e Conversão de Energia
a energia interna. Se pegarmos a equação da ener-
A energia pode ser armazenada em diferentes for-
gia e dividirmos pela massa total, obtemos:
mas por várias implantações físicas, que têm dife-
u2 – (m1Au1A + m1Bu1B)/m2 = (1Q2 – 1W2)/m2 rentes características com respeito a eficiência de
armazenagem, a taxa de transferência de energia
ou e tamanho (Figuras 3.30 a 3.33). Esses sistemas
podem também incluir uma possível conversão de
m1 A m
u2 = u1 A + 1B u1B + ( 1 Q2 − 1W2 ) /m2 (3.52) energia que consiste na mudança de uma forma de
m2 m2  energia para outra. A armazenagem é usualmente
temporária, durando por períodos de frações de
segundos até dias ou anos, e pode ser para peque-
Para um recipiente isolado (1Q2 = 0) e rígido nas ou grandes quantidades de energia. O armaze-
(V = C, então 1W2 = 0) o último termo desaparece e namento é também um deslocamento do momen-
a energia interna específica final será a média pon- to da transferência de energia da situação em que
derada das massas com suas respectivas energias não há demanda e, então, a energia tem pouco va-
internas na condição inicial. A parcela ponderada lor, para a ocasião de maior demanda sendo, por-
das massas é um adimensional que corresponde tanto, mais cara. É também muito importante con-
ao percentual de contribuição de cada parte na siderar a máxima taxa de transferência de energia
massa total, consequentemente somam 1, como é no processo de carregamento ou descarregamen-
visto, dividindo-se a equação da continuidade pela to, uma vez que o tamanho e as possíveis perdas
massa total. são sensíveis ao valor da taxa.
Para a condicionante do processo, V = C, se- Da Figura 3.30 nota-se que é difícil se ter ele-
gunda propriedade que determina o estado final é vadas potências e capacidades de armazenagem
o volume específico como no mesmo dispositivo. É também difícil armazenar
de forma mais concentrada do que na gasolina.
m1 A m
v2 = V2/m2 = v1 A + 1B v1B (3.53)
m2 m2
2 
Sistemas Mecânicos
que também é uma média ponderada dos valores Um volante de inércia armazena energia e quanti-
iniciais, agora para os volumes específicos. dade de movimento em sua rotação Iω2/2. É utili-
zado para suavizar as flutuações que ocorrem em
motores de combustão interna com um único (ou
poucos) cilindros que, de outra forma, apresen-
tariam uma velocidade rotacional
Gasolina não uniforme. O armazenamento
10 000
é por curtos períodos. Um volan-
Hidrogênio
1000 te de inércia moderno é utiliza-
Baterias do para amortecer flutuações em
Energia Meta do Departamento
específica 100 Volante de inércia de Energia dos EUA sistemas de produção intermiten-
(Wh/kg) para ultracapacitores te de energia, como nas turbinas
10
Expectativa eólicas. Ele pode armazenar mais
Expectativa para
1 capacitores de
para capacitores energia que o volante mostrado
de óxidos metálicos
carbono na Figura 3.31. Um conjunto de
0,1
100 1000 10 000 100 000 1 000 000 volantes de inércia pode fornecer
Potência específica (W/kg) quantidade substancial de potên-
cia por 5 a 10 minutos.
Figura 3.30
Energia específica versus potência específica.

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A Primeira Lei da Termodinâmica e Equação da Energia 125

Bomba de vácuo Mancal magnético Um arranjo do motor híbrido para carros envol-
molecular superior
ve o acoplamento de um motor/bomba hidráulico
Volante Carcaça ao eixo. Quando o freio é acionado, o eixo bombeia
de fibra de interna
carbono
fluido hidráulico para um tanque de alta pressão
que tem o nitrogênio como amortecedor. Quando
a aceleração é solicitada, o fluido a alta pressão re-
torna acionando o motor hidráulico e adicionando
potência ao eixo no processo de aceleração.

Sistemas Térmicos
A água pode ser aquecida pela incidência solar, ou
por alguma outra fonte, para prover calor em um
momento em que a fonte não estiver mais dispo-
nível. Analogamente, a água pode ser resfriada ou
congelada à noite para ser utilizada no dia seguin-
te para fins de condicionamento de ar. Uma bolsa
térmica pode ser colocada no congelador para ser
Estator
usada no dia seguinte em uma lancheira mantendo
Rotor síncrono o conteúdo frio. Essa bolsa contém um gel com
de relutância
alta capacidade térmica ou uma substância que
Passagem de Carcaça Mancal magnético passe por uma mudança de fase.
líquido refrigerante inferior

Figura 3.31
Volante de inércia moderno. Sistemas Elétricos
Algumas baterias só podem descarregar uma única
Uma fração da energia cinética do ar pode ser vez, porém outras podem ser reutilizadas e passam
capturada e convertida em energia elétrica pelas por vários ciclos de carga e descarga. Um processo
turbinas eólicas, ou a potência pode
ser usada diretamente motorizan-
do bombas hidráulicas ou outros
equipamentos.
Quando um excedente de po-
tência está disponível, pode ser usa-
do para bombear água para o reser-
vatório elevado (veja Figura 3.32)
e mais tarde pode ser liberada para
acionar turbinas hidráulicas, forne-
cendo, em qualquer momento, um
suplemento de potência para a rede
energética.
O ar pode ser comprimido em
grandes tanques e volumes (como
em uma mina de sal abandonada)
usando a potência disponível no pe-
ríodo de baixa demanda. O ar pode Figura 3.32
O maior hidrorreservatório artificial do mundo situado em Ludington, Michigan,
ser usado mais tarde para produzir bombeia água a 100 m acima do Lago Michigan quando há excedente de
energia quando houver um pico de energia. Ele pode fornecer 1 800 MW quando necessário, por meio de um sis-
demanda. tema reversível bomba/turbina.

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126 Fundamentos da Termodinâmica

químico libera elétrons em um ou dois polos que ta geradora. Quando o sol se põe, os tanques de
são separados por um eletrólito. O tipo de polo e o armazenamento suprem a energia para manter a
eletrólito dão o nome para a bateria, tal como ba- instalação gerando por um período mais longo.
teria de carbono-zinco (típica pilha AA) ou bateria As primeiras iniciativas no setor usavam a água
chumbo-ácido (típica bateria de uso veicular). No- e outras substâncias para reter a energia, mas o
vos tipos de baterias como Ni-hidreto ou de lítio elevado calor específico do sal veio permitir um
são mais caras, porém têm maior capacidade de proveitoso sistema pulmão para a energia.
armazenamento de energia e podem prover po-
Quando o trabalho precisa ser transferido de
tência em picos de demanda (Figura 3.33).
um corpo para outro, precisamos de um elemento
móvel que pode ser uma combinação de cilindro-
-pistão. Exemplos são mostrados na Figura 3.34. Se
Sistemas Químicos
a substância motora é um gás, o sistema é pneumá-
Várias reações químicas podem ser utilizadas para tico, se a substância é líquida, o sistema é hidráuli-
operar sob condições tais que energia possa ser co. O gás ou o vapor são tipicamente usados quan-
armazenada em um momento e recuperada em do o movimento deve ser rápido, ou o volume varia
momento posterior. Pequenos pacotes contendo muito, e uma pressão de operação moderada. Para
produtos químicos diferentes podem ser rompidos acionamentos a grande pressão (grande força) um
e, ao se misturarem, reagem e liberam energia na cilindro hidráulico é usado (exemplo incluem tra-
forma de calor; em outros casos, podem ser barras tores, empilhadeiras, carregadeiras e escavadeiras.
luminescentes que geram luz. Uma célula de com- Veja o Exemplo 1.7). Dois desses robustos equipa-
bustível é também um dispositivo que converte mentos são mostrados na Figura 3.35.
um escoamento de hidrogênio e oxigênio em um
Consideramos também, nesse conjunto, as
escoamento de água mais calor e eletricidade. Cé-
substâncias que trabalham no cilindro-pistão por
lulas de combustível de alta temperatura podem
meio de um processo de combustão, como nos mo-
usar gás natural ou metanol como combustível;
tores a gasolina e diesel. O esquema de um motor
nesse caso, dióxido de carbono também é emitido.
acionado a pistão e uma foto de um V6 automotivo
A mais recente tecnologia para uma usina são mostrados na Figura 3.36. Esse assunto é ana-
termo-solar consiste de um grande número de lisado em detalhe no Capítulo 10.
espelhos motorizados que acompanham o sol,
concentrando a luz solar no topo de uma torre.
A luz aquece um fluxo de sal derretido que corre
para tanques de armazenamento e para a plan-

(a) Cilindro hidráulico

( c sciencephotos/Alamy Limited) (b) Cilindro hidráulico ou pneumático

Figura 3.33 Figura 3.34


Exemplos de diferentes tipos de baterias. Cilindros hidráulicos e pneumáticos.

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A Primeira Lei da Termodinâmica e Equação da Energia 127

(a) Empilhadeira

(a) Esquema do cilindro do motor

(b) Pá carregadeira

Figura 3.35
Equipamentos de carga pesada que usam cilindros
hidráulicos.
(b) Motor automotivo V6

Figura 3.36
Muitas outras transferências de trabalho en- Esquema e foto de um motor automotivo.
volvem eixos rotativos, como transmissões e eixo
motor no carro ou correntes e engrenagens em tubulação há um líquido que ferve a aproximada-
uma bicicleta ou motocicleta. Para a transmissão mente 60 °C. O vapor sobe para a parte superior,
de potência em longas distâncias, a eletricidade é nos quais os tubos de cobre são aletados, e um
a forma mais conveniente e eficiente. Linhas e tor- ventilador sopra através das aletas, resfriando e
re de transmissão são mostradas na Figura 3.37. condensando o vapor. O líquido retorna, por gra-
O calor é transferido entre regiões de dife- vidade ou transporte, ao topo da CPU. A tubula-
rentes temperaturas, como em prédios com tem- ção permite a fervura com um elevado coeficiente
peraturas interna distinta da externa. As janelas de transferência de calor agindo em uma pequena
com duplo painel de vidro, como na Figura 3.38, área junto à CPU. Por outro lado, na região em
são usadas para reduzir a transferência de calor que a transferência de calor ocorre de uma forma
pela janela. Nas situações em que priorizamos a menos eficiente, ou seja, do vapor para o ar, está
troca de calor, são usadas aletas para aumentarem longe da região confinada e há espaço que com-
a superfície de troca de calor. Na Figura 3.39 são porte uma grande área de troca de calor. Seme-
apresentados exemplos. lhantes tubulações de aquecimento são usadas em
coletores solar e em pilares de sustentação do ole-
O último exemplo de um trocador aletado é
oduto do Alaska, mantendo a tubulação aquecida
a tubulação de calor ou termossifão usado para
enquanto o terreno se encontra congelado.
aumentar a capacidade de resfriamento de uma
central processamento (central processing unit Na prática, quando desenvolvemos os cálculos
– CPU) em um computador (Figura 3.40). Temos de transferência de calor, é conveniente adotar-
um pequeno bloco de alumínio, com uma tubula- mos a mesma abordagem para todos os modos de
ção de cobre, acoplado no topo da CPU. Dentro da transferência de calor.

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128 Fundamentos da Termodinâmica

( c Sergey Peterman/iStockphoto)

Figura 3.37
Linhas e torres de transmissão elétrica.

( c C. Borgnakke.)

Figura 3.40
Termossifão com ventilador para refrigeração de CPU.

Q! = Cq A DT = DT /R1 (3.54)

A transferência de calor é proporcional à


·
secção reta perpendicular a direção de Q, e a
compatibilização vai contida na constante Cq.
Reescrevendo a equação é também útil usar a
Figura 3.38 noção de resistência térmica, Rt = 1/CqA, assim
Janela com duplo painel de vidro.
evidenciando que, para uma alta resistência, te-
remos uma pequena transferência de calor para
um dado ΔT. Nessa abordagem, para a condução,
temos Equação 3.23 com dT/dx ≈ ΔT/Δx, assim
Cq = k/Δx, para a convecção, Equação 3.24 Cq= h.
Concluindo, para a formulação da radiação,
Equação 3.25, podemos também evidenciar a di-
( c Baloncici/iStockphoto)

ferença de temperatura, mas, nesse caso teremos


uma dependência não linear do fator Cq com a
( c C. Bor gnakke)

temperatura.
Uma aplicação que envolve a transferência
de calor e a da equação da energia em transien-
tes será abordada e seguir, onde vamos querer sa-
(a) Cilindro de motocicleta (b) Interior de um aquecedor
ber o quanto rápido uma dada massa igualar-se-á
(Martin Leigh/Getty Images, Inc.)

com a temperatura externa. Admita que tenhamos


uma massa, m, com uma temperatura uniforme T0
e que a mergulhamos na água a T∞, e que o coefi-
ciente de transferência de calor entre a massa e a
água seja Cq com uma superfície A.
A equação da energia para a massa se torna
(c) Resfriador de óleo para equipamento pesado com resfriamento a ar
dEvc dU vc dT
= = mCv = Q! = −Cq A (T − T∞ )
Figura 3.39 dt dt dt
Exemplos de aletas em trocadores de calor.

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A Primeira Lei da Termodinâmica e Equação da Energia 129

onde a energia cinética e potencial são despreza- Se a massa é a que flexiona em um termopar, tere-
das e não há trabalho envolvido. Também é con- mos uma resposta rápida com uma pequena cons-
siderado que a variação da energia interna pode tante de tempo térmica (pequeno mCv, alto CqA) .
ser expressa pelo calor específico, assim essa ex- Entretanto, se a massa é de uma casa (dado mCv),
pressão não se aplica a processos com mudança queremos a maior constante de tempo possível;
de fase. Essa é uma equação de primeira ordem dessa forma, reduzimos a participação de CqA com
em T, assim faremos um adequada transformação o isolamento térmico.
de variável θ = T – T∞ e obtemos

mCv

= Q = −Cq Aθ ou θ −1dθ = −
Cq A
dt
RESUMO

dt mCv
A conservação da energia é expressa como uma
equação para alterações na energia total de um
Integrando a equação de t = 0 onde T = T0 sistema, e, então, a primeira lei da termodinâmica
(θ = θ0), obtemos é mostrada como a consequência lógica da equa-
⎛ θ ⎞ C A ⎛ t ⎞ ção da energia. A equação da energia é expres-
ln ⎜ ⎟ = − q dt ou θ = θ 0 exp ⎜− ⎟ sa em termos de variação no tempo para cobrir
⎝ θ 0 ⎠ mCv ⎝ τ ⎠
os transientes e, então, integrada no tempo para
encontrar as alterações finitas. É apresentado o
Com a constante de tempo térmica conceito de trabalho, e seu relacionamento com a
mCv energia cinética e potencial é mostrado, pois são
τ = = mCv Rt (3.55) partes da energia total. O trabalho é uma função
mCq
 do caminho percorrido pelo processo assim como
do estado inicial e final. O trabalho de desloca-
Expressando a solução em termos de tem­­­pe­-
mento é igual à área sob a curva do processo de-
ratura
senhada no diagrama P-V em um processo quase
⎛ t ⎞ estático. Uma quantidade de processos rotineiros
T − T∞ = (T0 − T∞ ) exp ⎜ ⎟ (3.56) podem ser expressos como um processo politró-
⎝ τ ⎠ 
pico tendo uma particular simples fórmula mate-
mostra um decaimento exponencial no tempo da mática para a relação P-V. O trabalho envolvendo
diferença de temperatura entre a massa e sua vizi- a atuação de tensão superficial, força pontual, ou
nhança com a constante de tempo τ (Figura 3.41). sistemas elétricos deve ser evidenciado e tratado
separadamente. Qualquer processo de não equilí-
brio (digamos, forças dinâmicas, que são impor-
1,0 tantes em virtude da aceleração) deve ser iden-
tificado para que somente forças em equilíbrio ou
pressão sejam usadas para avaliar a parcela traba-
0,8
lho. A transferência de calor é energia em trânsi-
to em razão da diferença de temperatura, e foram
0,6 τt = 3 discutidos os modos de condução, convecção e
θ
θ0
radiação.
0,4 A energia interna e a entalpia foram apresen-
τt = 1
tadas como propriedades das substâncias e os
0,2 calores específicos foram definidos como as deri-
τ t = 1/3 vadas dessas propriedades em relação à tempera-
tura. Variações de propriedades, em alguns casos,
0,0
0 0,5 1,0 1,5 2,0 2,5 3,0 3,5 4,0 foram apresentadas para estados incompressíveis
Tempo, t de uma substância, tais como sólidos e líquidos, e
Figura 3.41 para substâncias altamente compressíveis, como
O decaimento exponencial no tempo do adimensional de um gás ideal. O calor específico dos sólidos e líqui-
temperatura θ/θo. dos varia pouco com a temperatura, mas o calor

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130 Fundamentos da Termodinâmica

específico dos gases pode variar de modo signifi- • Conhecer os modelos simples de transferência
cativo com a temperatura. de calor por convecção e radiação.
Após estudar o material deste capítulo, você • Encontrar as propriedades u e h para um dado
deve ser capaz de: estado nas tabelas dos Apêndices B ou F.
• Reconhecer as parcelas da energia total arma- • Localizar um estado nas tabelas com entrada
zenada no sistema. do tipo P, h.
• Escrever a equação da energia para um parti- • Encontrar as variações de u e h para estados
cular sistema uniforme. líquidos e sólidos usando as Tabelas A.3-4 ou
• Identificar forças e deslocamentos em um F.2-3.
sistema. • Encontrar as variações de u e h para estados
• Entender que potência é a variação do traba- do gás ideal usando as Tabelas A.5 ou F.4.
lho (força × velocidade, torque × velocidade • Encontrar as variações de u e h para estados
angular). do gás ideal usando as Tabelas A.7-8 ou F.5-6.
• Saber que trabalho é uma função dos estados • Reconhecer que as expressões para Cp na Ta-
limites e do caminho percorrido no processo. bela A.6 são aproximações para as curvas da
• Saber que trabalho é a área sob a curva do pro- Figura 3.26 e que uma listagem mais precisa é
cesso em um diagrama P-V. apresentada nas Tabelas A.7-8 e F.5-6.
• Calcular o trabalho sabendo a relação entre • Formular a conservação da massa e da energia
P-V ou F-x. para sistemas mais complexos, com diferentes
massas em diferentes estados.
• Avaliar o trabalho envolvido em um processo
politrópico entre dois estados. • Reconhecer as diferenças que existem nas leis
gerais, como a lei de conservação da massa
• Diferenciar um processo quase estático de um
(continuidade), conservação da energia (pri-
não equilíbrio.
meira lei), e uma lei específica que descreve
• Reconhecer os três modos de transferência de o comportamento de um dispositivo ou de um
calor: condução, convecção e radiação. processo.
• Estar familiarizado com a Lei de Fourier da
condução e seu uso em aplicações simples.

CONCEITOS E EQUAÇÕES PRINCIPAIS


1
Energia total: E = U + EC + EP = mu + mV 2 + mgZ
2
1
Energia cinética: EC = mV 2
2
Energia potencial: EP = mgZ
1
Energia específica: e = u+ mV 2 + gZ
2
Entalpia: h  u + Pv
Propriedades no estado saturado v – l
Energia interna: u = ul + xulv = (1 – x)ul + xuv

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A Primeira Lei da Termodinâmica e Equação da Energia 131

Entalpia: h = hl + xhlv = (1 – x)hl + xhv


⎛ ∂u ⎞ ⎛ ∂h ⎞
Calores específicos: Cv = ⎜ ⎟ ; C p = ⎜ ⎟
⎝ ∂T ⎠v ⎝ ∂T ⎠ p

Sólidos e líquidos Incompressível, assim v = constante  vl (ou vi) e v pequeno


C = Cv = Cp [Tabela A.3 e A.4 (F.2 e F.3)]
u2 – u1 = C(T2 – T1)
h2 – h1 = u2 – u1 + v(P2 – P1) (frequentemente o segundo termo é pequeno)
h = he + vl(P – Psat); u  ul (saturado à mesma temperatura)
Gás ideal h = u + Pv = u + RT (somente funções da temperatura)
du dh
Cv = ; Cp = = Cv + R
dT dT


u2 − u1 = ∫C v dT ≅ Cv (T2 − T1 )


h2 − h1 = ∫C p dT ≅ C p (T2 − T1 )

Lado esquerdo da Tabela A.7 ou A.8, parte central da Tabela A.6, e lado
direito da Tabela A.6 com Tmédio, ou da Tabela A.5 a 25°
Lado esquerdo da Tabela F.5 ou F.6, lado direito da Tabela F.4 a 77 F.
· · ·
Equação da energia variando no tempo: E = Q – W (variação ocorrida = + entrada – saída)
Equação da energia integrada: E2 – E1 = 1Q2 – 1W2 (mudança ocorrida = + entrada – saída)
1
m ( e2 − e1 ) = m ( u2 − u1 ) = m ( V22 − V12 ) + mg ( Z2 − Z1 )
2
Estados com múltiplas massas: E = mAeA + mBeB + mCeC + …
Trabalho Energia em trânsito: mecânica, elétrica, e química
Calor Energia em trânsito causada por ΔT
2 2 2 2
Trabalho de deslocamento W= ∫ 1
F dx = ∫ 1
P dV = ∫ 1
+ dA = ∫ 1
T dθ

Trabalho específico w = W/m (trabalho por unidade de massa)


· · ·
Potência, variação do trabalho W = FV = PV = Tw (V taxa de variação volumétrica)
com o tempo
Velocidade V = rw, torque T = Fr, velocidade angular = w
Processo politrópico PVn = constante ou Pvn = constante
1
Trabalho no processo politrópico 1W2 = ( P2V2 − P1 P1 ) (se n ≠ 1)
1− n
V
= P1V1 ln 2 (se n = 1) 1W2
V1
dT DT
Transferência de calor por condução Q! = −kA " kA
dx L

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132 Fundamentos da Termodinâmica

Condutividade térmica k(W/m K)


·
Transferência de calor por convecção Q = hA DT
Coeficiente convectivo h(W/m2 K)
·
Transferência de calor por radiação Q = es A (Ts4 – T 4amb) (s = 5,67 × 10–8 W/m2 K4)
(valor líquido para o ambiente)

Integração da variação do fluxo de calor com o tempo 1 Q2 = ∫ Q! dt ≈ Q! médio Dt

PROBLEMAS CONCEITUAIS
3.1 To vale 1 cal nas unidades do SI e qual é o 3.7 Dois motores fornecem o mesmo trabalho
nome dado a 1 N-m? para operar um guindaste. Um pode prover
uma força de 3 F em um cabo e o outro 1 F. O
3.2 A potência de um carro é de 110 kW. Qual
que você pode afirmar sobre o movimento do
é a potência em hp?
ponto em que a força age nos dois motores?
3.3 Por que escrevemos ΔE ou E2 – E1, mas por
3.8 Dois conjuntos cilindro-pistão hidráulicos
outro lado usamos 1Q2 e 1W2?
estão conectados por meio de uma tubu-
3.4 Se um processo em uma sistema há aumen- lação, de modo que as pressões nos con-
to da energia E2 − E1 > 0, podemos dizer juntos podem ser consideradas iguais. Se
alguma coisa sobre o sinal de 1Q2 e 1W2? eles têm diâmetros D1 e D2 = 2 D1, respec-
tivamente, o que você pode dizer sobre as
3.5 Na Figura P3.5, o Volume de Controle (VC)
forças F1 e F2?
A é a massa contida em um cilindro-pis-
tão, e VC B é o sistema formado por A mais 3.9 Considere o arranjo físico da Figura P3.5.
o pistão. Escreva a equação da energia e o Nós agora aquecemos o cilindro. O que
termo de trabalho para os dois VCs, admi- acontece com P, T e v (aumenta, diminui ou
tindo que não seja zero o valor de Q entre fica constante)? Qual o sinal das transferên-
os estados 1 e 2. cias de Q e W (positivo, negativo ou nulo)?

P0 3.10 A força de arrasto que atua em um objeto


que se desloca em um fluido (como um veí­
culo através do ar ou um submarino atra-
mp
vés da água) é dada por Fd = 0,225 A ρV2.
g
Verifique o dimensional dessa equação se
chegamos a N.
mA 3.11 A Figura P3.11 mostra três situações físi-
cas. Ilustre os possíveis processos em um
FIGURA P3.5 diagrama P-v.
3.6 Um aquecedor de ambiente de 500 W tem
um pequeno ventilador interno que sopra o
ar sobre um fio elétrico quente. Para cada P0
um dos volumes de controle: a) fio apenas;
b) todo o ar da sala; e c) todo ar da sala mais m
mpp
o aquecedor; especifique os termos de ener-
gia armazenada, trabalho e transferência de R-410a
calor como +500 W, –500 W ou 0 W (despre-
ze qualquer taxa de transferência de calor (a) (b) (c)
através das paredes ou janelas da sala). FIGURA P3.11

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A Primeira Lei da Termodinâmica e Equação da Energia 133

3.12 Para o arranjo físico dos itens (a), (b) e (c) na de 30 °C, considerando que todas as de-
da Figura P3.11, escreva a equação do pro- mais condições sejam mantidas.
cesso e a expressão para o trabalho.
3.19 Verifique que a tensão superficial  com
3.13 Para a situação física da Figura P3.11b, unidades de N/m também pode ser chama-
qual é o trabalho, a, b, c ou d? da energia superficial com unidade J/m2.
A interpretação em J/m2 é útil para aná-
a. 1w2 = P1(v2 – v1)
lise de gota e líquido em pequenos poros
b. 1w2 = v1(P2 – P1)
(capilaridade).
c. 1w2 = 1/2 [(P1 + P2) (v2 – v1)]/2
d. 1w2 = 1/2 [(P1 – P2) (v2 + v1)]/2 3.20 Certa quantidade de água líquida é aqueci-
da de modo a se tornar vapor superaque-
3.14 A Figura P3.14 mostra três situações físi-
cido. Deve-se usar u ou h na equação da
cas. Mostre os possíveis processos em um
energia? Explique.
diagrama P-v.
3.21 Certa quantidade de água líquida é aqueci-
P0 da de modo a se tornar vapor superaque-
mp cido. Pode-se usar o calor específico para
determinar o calor transferido? Explique.
R-410a 3.22 Procure o valor de ul para o R-410a a –50 °C.
A energia pode ser negativa? Explique.

(a) (b) (c) 3.23 Um tanque rígido, com ar pressurizado, é


FIGURA 3.14 usado para (a) aumentar o volume de um
cilindro-pistão sujeito à ação de uma mola
3.15 O que você pode dizer sobre o estado ini- linear; e (b) encher um balão. Admita, em
cial do R-410a na Figura P3.11c comparado ambos os casos, P = A + BV, com o mesmo
com aquele da Figura P3.14c para um mes- A e o mesmo B. Qual é a expressão para o
mo conjunto cilindro-pistão? trabalho em cada situação?
3.16 Uma peça de aço tem condutividade térmica 3.24 Um gás ideal contido em um cilindro-pistão
de k = 15 W/mK e um tijolo tem k = 1 W/mK. é aquecido com 2 kJ durante um processo
Qual deve ser a espessura de uma parede isotérmico. Qual é o trabalho envolvido?
de aço para oferecer a mesma isolação tér-
mica que 10 cm de espessura de tijolo? 3.25 Um gás ideal contido em um cilindro-pistão
é aquecido com 2 kJ durante um processo
3.17 Uma janela de vidro duplo (veja Figura isobárico. O trabalho é positivo, negativo
3.38) tem um gás entre os dois vidros. Por ou nulo?
que isso é benéfico?
3.26 Um gás é aquecido até 10 K a P = C. Qual gás
3.18 Um dia frio de outono com 10 °C uma casa, da Tabela A.5 requer mais energia? Por quê?
com a temperatura interna de 20 °C, per-
de 6 kW por transferência de calor. Qual 3.27 Você mistura, em uma vasilha, água a 20 °C
a transferência que ocorrerá em um dia com água a 50 °C. O que você precisa saber
quente de verão com a temperatura exter- para determinar a temperatura final?

PROBLEMAS PARA ESTUDO


Energia Cinética e Potencial 50 m/s. Sabendo que o curso do martelo é
igual a 1 m, determine a variação de ener-
3.28 Um conjunto cilindro-pistão aciona verti-
gia total do martelo.
calmente para baixo, a partir do repouso,
o martelo de massa de 25 kg de uma má- 3.29 Um automóvel com massa de 1 200 kg ace-
quina de estampagem, até a velocidade de lera de km/h a 50 km/h em 5 s. Qual é o

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134 Fundamentos da Termodinâmica

trabalho necessário? Se a aceleração conti- Trabalho do Deslocamento de Força


nuar de 50 km/h a 70 km/h em 5 s, o traba-
3.37 Um cilindro hidráulico de seção transver-
lho será o mesmo?
sal de 0,01 m2 deve empurrar um braço
3.30 A resistência de rolagem dos pneus de um de 1 000 kg elevando-o 0,5 m. Qual é a
automóvel é dada por F = 0,006 mcarro g. pressão necessária e quanto de trabalho é
Determine a distância que um veículo de realizado?
massa 1200 kg percorrerá em uma pista
3.38 Um conjunto cilindro-pistão tem área da
plana se, ao atingir 90 km/h, o colocarmos
em ponto morto, sem resistência do ar. seção transversal igual a 10 cm2 e pressão
do fluido de 2 MPa. Se o pistão se desloca
3.31 Um pistão de massa 2 kg é baixado 0,5 m 0,25 m, qual o trabalho realizado?
no campo gravitacional padrão. Determine
a força necessária para tal movimento e o 3.39 Dois conjuntos cilindro-pistão estão co-
trabalho envolvido no processo. nectados por meio de uma tubulação. O
cilindro mestre apresenta área da seção
3.32 Um automóvel com massa de 1 200 kg ace- transversal igual a 5 cm2 e opera em uma
lera de zero a 100 km/h em uma distância pressão de 1 000 kPa. O cilindro acionado
de 400 m. A diferença de elevação entre o apresenta área da seção transversal igual a
ponto final do percurso e o inicial é igual a 3 cm2. Se realizarmos um trabalho de 25 J
10 m. Qual é o aumento da energia cinética sobre o cilindro mestre, qual será a força e
e da energia potencial do automóvel? o deslocamento em cada pistão e o traba-
3.33 O elevador hidráulico de uma oficina me- lho produzido no pistão acionado?
cânica sobe um automóvel de massa igual a
3.40 A força de arrasto aerodinâmico em um au-
1 750 kg a uma altura de 1,8 m. A pressão
tomóvel é dada por 0,225 A ρV2. Admita que
na seção de descarga da bomba hidráulica
o ar se encontre a 290 K e 100 kPa e que a
que aciona o elevador é constante e igual a
área frontal do automóvel seja 4 m2, e a ve-
800 kPa. Determine o aumento de energia
locidade do automóvel seja 90 km/h. Quan-
potencial do automóvel e o volume de óleo
ta energia é utilizada para vencer a resis-
que foi bombeado para o conjunto cilindro-
-pistão desse elevador. tência aerodinâmica em uma viagem de 30
minutos.
3.34 Um porta-aviões utiliza uma catapulta mo-
vida a vapor d’água para ajudar na decola- 3.41 Uma máquina de terraplanagem arrasta
gem de aviões. A catapulta pode ser mode- 800 kg de cascalho por 100 m com uma for-
lada como um conjunto cilindro-pistão que ça de 1 500 N. Em seguida, levanta o cas-
apresenta pressão média de operação igual a calho a 3 m de altura e o joga em um cami-
1 250 kPa. Um avião, com massa de 17 500 kg, nhão. Qual o trabalho associado a cada uma
deve ser acelerado do repouso até 30 m/s. dessas operações?
Determine o volume interno do conjunto 3.42 Dois conjuntos cilindro-pistão hidráulicos
cilindro-pistão necessário, sabendo que mantêm a pressão de 1 200 kPa. As áreas
a catapulta participa com 30% da energia das seções transversais dos cilindros são
necessária para a decolagem. iguais a 0,01 m2 e 0,03 m2. Para o pistão
3.35 Resolva o Problema 3.34, considerando que receber o trabalho de 1 kJ, qual deve ser
a pressão do vapor no conjunto cilindro- o deslocamento H e a variação do volu-
-pistão varia linearmente com o volume de me V em cada pistão? Despreze a pressão
1 000 kPa até 100 kPa ao final do processo. atmosférica.
3.36 Uma bola de aço de 5 kg rola em um pla- 3.43 Uma mola linear, F = km (x – x0), com cons-
no horizontal a 10 m/s. Se a bola começa a tante da mola km = 500 N/m, é distendida
subir um plano inclinado, que altura será até a deformação de 100 mm. Determine a
atingida quando a bola parar? Admita ace- força necessária e o trabalho envolvido no
leração gravitacional padrão. processo.

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A Primeira Lei da Termodinâmica e Equação da Energia 135

3.44 Um pistão de 2 kg acelera do repouso até ge 3 MPa e o volume interno do conjunto


20 m/s. Qual é a pressão constante de gás 0,1 m3.
necessária se a área do pistão é de 10 cm2,
a. Determine a temperatura da água no es-
o deslocamento do pistão é de 10 cm e a
tado final do processo.
pressão externa é 100 kPa?
b. Esboce o diagrama P-v.
c. Calcule o trabalho no processo.
Trabalho do Movimento de Fronteira P0
3.45 Um pistão de 25 kg está sobre um gás em
um cilindro vertical longo. O pistão é libe-
rado do repouso e acelerado para cima até
atingir o final do cilindro, a 5 m de altura,
com velocidade de 25 m/s. A pressão cai H2O
durante o processo, tendo uma média de
600 kPa, com a pressão atmosférica exter- FIGURA P3.48
na de 100 kPa. Despreze as variações da
energia cinética e potencial do gás e deter- 3.49 Em um conjunto cilindro-pistão com uma
mine a variação de volume necessária. mola, similar ao conjunto do Problema
3.48, a pressão do ar contido varia linear-
3.46 O R-410a do Problema 3.14c está a 1 000 kPa, mente com o volume, P = A + BV. Para o
50 °C e sua massa é de 0,1 kg. Ele é res- estado inicial P = 150 kPa, V = 1 L e estado
friado de modo que seu volume é reduzi- final P = 800 kPa e V = 1,5 L, determine o
do à metade do inicial. A massa do pistão trabalho feito pelo ar.
e a aceleração gravitacional são tais que a
pressão de 400 kPa equilibra o pistão. De- 3.50 Calor é transferido para um bloco de 1,5 kg
termine o trabalho no processo. de gelo a –10 °C que derrete em uma cozi-
nha a temperatura é de 10 °C. Quanto de
3.47 Um tanque de 400 L, A (veja Figura P3.47), trabalho a água libera?
contém gás argônio a 250 kPa e 30 °C. O ci-
lindro B, com um pistão que se movimenta 3.51 Um conjunto cilindro-pistão sem atrito
sem atrito e massa tal que flutua com uma contém 5 kg de vapor superaquecido do re-
pressão interna de 150 kPa, está inicialmen- frigerante R-134a a 1 000 kPa e 140 °C. O
te vazio. A válvula que liga os dois recipien- sistema é resfriado a pressão constante até
tes é, então, aberta e o argônio escoa para que o refrigerante apresente título igual a
B e atinge um estado uniforme a 150 kPa 25%. Calcule o trabalho realizado durante
e 30 °C. Qual o trabalho realizado pelo ar- esse processo.
gônio durante esse processo? 3.52 Um conjunto cilindro-pistão apresenta ini-
cialmente volume interno igual a 0,1 m3 e
P0 contém 2 kg de água a 20 oC. Por engano,
alguém trava o pistão impedindo seu mo-
Argônio g vimento, enquanto aquecemos a água até
o estado de vapor saturado. Determine a
A B temperatura e o volume finais e o trabalho
realizado.
3.53 O nitrogênio passa por um processo poli-
trópico com n = 1,3 em um conjunto cilin-
FIGURA P3.47 dro-pistão. O processo se inicia a 600 K e
3.48 O conjunto cilindro-pistão mostrado na 600 kPa e termina a 800 K. O trabalho no
Figura P3.48 contém 2 kg de água a 20 oC processo é positivo, negativo ou zero?
e 300 kPa. A mola é linear, de modo que 3.54 O gás hélio se expande do estado inicial a
quando a água é aquecida, a pressão atin- 125 kPa, 350 K e 0,25 m3, para 100 kPa, em

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136 Fundamentos da Termodinâmica

um processo politrópico, com n = 1,667. 3.61 Uma janela de 2 m2 de área tem uma tem-
Quanto de trabalho é produzido? peratura de 15 °C na face interior e sobre
a face externa sopra um vento de 2 °C com
3.55 O ar a 125 kPa e 325 K passa por um pro-
um coeficiente de transferência de calor
cesso politrópico e atinge 300 kPa e 500 K.
por convecção de h =125 W/m2 K. Qual é a
Encontre o expoente politrópico n e o tra-
perda de calor?
balho específico nesse processo.
3.62 A lâmpada de iluminação interna de uma
3.56 Um balão comportasse de tal forma que a
geladeira (25 W) permanece acesa por
pressão é dada por P = C2V 1/3, em que C2 =
falha no fechamento da porta e a transfe-
100 kPa/m. O balão é enchido com ar de um
rência de calor do ambiente para o espaço
volume inicial de 1 m3 até o volume final de refrigerado é igual a 50 W. Qual deve ser a
4 m3. Determine a massa de ar contida no diferença de temperatura para o ambiente
balão no estado final e o trabalho realizado a 20 °C que o refrigerador deve apresentar,
pelo ar no processo, assumindo a tempera- considerando uma área de troca de calor
tura de 25 °C. com 1 m2 e coeficiente médio de transfe-
3.57 Considere um conjunto cilindro-pistão rência de calor de 15 W/m2 K, para rejeitar
contendo inicialmente R-134a como vapor essa energia que infiltra?
saturado a –10 °C. Ele é comprimido até 3.63 Um condensador de grande porte (troca-
500 kPa em um processo politrópico com dor de calor) de uma central de potência
n = 1,5. Encontre o volume e a tempera- precisa transferir 100 MW da água que es-
tura finais e o trabalho realizado durante o coa no ciclo de potência para a água bom-
processo. beada do mar. Admita que a parede de aço
que separa a água de circulação da água do
mar apresente espessura de 4 mm, que a
Transferência de Calor condutibilidade térmica do aço seja igual
3.58 A lona e a panela do freio de um automó- a 15 W/m K e que a diferença máxima de
vel absorvem continuamente 75 W duran- temperatura permitida entre os dois flui-
te a frenagem. Admita que a área total da dos seja de 5 °C. Determine a área mínima
superfície externa seja de 0,1 m2 e que o desse condensador, desprezando a transfe-
coeficiente de transferência de calor por rência de calor por convecção.
convecção seja 10 W/m2 K. Sabendo que a 3.64 A grade preta atrás de um refrigerador tem
temperatura do ar externo é 20 °C, qual a temperatura superficial de 35 °C e uma
a temperaturas externas da lona e panela área total de 1 m2. A transferência de ca-
nas condições de regime permanente. lor para o ambiente a 20 °C se dá com um
3.59 Um aquecedor de água apresenta área su- coeficiente de transferência de calor médio
perficial igual a 3 m2 e está coberto com por convecção de 15 W/m2 K. Quanto de
uma camada de isolante térmico. A tempe- energia pode ser removida durante 15 min
ratura interna e externa da camada de iso- de operação?
lante são, respectivamente, iguais a 75°C e 3.65 Uma panela de aço com condutibilidade tér-
18 °C, e o material isolante apresenta con- mica igual a 50 W/m K e espessura de 5 mm
dutibilidade térmica igual a 0,08 W/m K. no fundo, contém água líquida a 15 °C. O di-
Qual deve ser a espessura da camada de âmetro da panela é 20 cm. A panela é coloca-
isolante para que a transferência de calor da em um fogão elétrico que transfere 500 W
do aquecedor seja, no máximo, 200 W. de calor. Admitindo que a temperatura da
3.60 Calcule a taxa de transferência de calor superfície interna da panela seja uniforme
através de uma placa de madeira de 1,5 cm e igual a 15 °C, determine a temperatura da
de espessura, k = 0,16 W/m K, com uma di- superfície externa do fundo da panela.
ferença de temperatura entre os dois lados 3.66 A temperatura da superfície da lenha em
de 20 °C. uma lareira é 450 °C. Admitindo que a

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A Primeira Lei da Termodinâmica e Equação da Energia 137

emissividade da superfície da lenha seja a. T = 65 °C, P = 600 kPa


igual a 1,0 (corpo negro perfeito), determi- b. T = 20 °C, P = 100 kPa
ne a energia, por unidade de área, emitida c. T = 50 °C, v = 0,1185 m3/kg
por radiação.
3.74 Determine as propriedades que faltam de
3.67 A temperatura e a emissividade da super- P, T, v, u, h e x, se aplicável, e indique os
fície de uma casa são iguais a 30 °C e e = estados nos diagramas P-v e T-v para:
0,7. A temperatura ambiente que circunda
a. Água a 5000 kPa, u = 1 000 kJ/kg
a casa é igual a 15 °C e a emissividade mé-
b. R-134a a 20 °C, u = 300 kJ/kg
dia é 0,9. Determine a taxa de emissão de
c. Nitrogênio a 250 K, 200 kPa
energia por radiação, por unidade de área
para cada superfície. 3.75 Determine a fase e as propriedades
faltantes.
3.68 Uma lâmpada de aquecimento por radia-
ção é um cilindro que tem comprimento e a. H2O 20 °C, v = 0,001000 m3/kg P = ?, u = ?
diâmetro iguais a 0,5 m e 0,5 cm que dis- b. R-410a 400 kPa, v = 0,075 m3/kg T = ?,
sipa 400 W. Admitindo que a emissividade u=?
da superfície do aquecedor seja igual a 0,9 c. NH3 10°C, v = 0,1 m3/kg P = ?, u = ?
e desprezando a radiação que incide no d. N2 101,3 kPa, h = 60 kJ/kg T = ?, v = ?
aquecedor, determine a temperatura su- 3.76 Determine as propriedades u, h e x (se
perficial desse aquecedor. aplicável) que faltam e a fase da substância:
3.69 Uma lâmpada de aquecimento por radiação a. Água a T = 120 °C, v = 0,5 m3/kg
tem uma temperatura superficial de 1 000 K b. Água a T = 100 °C, P = 10 MPa
e emissividade de 0,8. Qual deve ser a área c. Nitrogênio a T = 100 K, x = 0,75
para prover 250 W de calor transferido por d. Nitrogênio a 200 k, P = 200 kPa
radiação? e. Amônia a 100 °C, v = 0,1 m3/kg
3.77 Determine a fase das substâncias a seguir
Obtenção de Propriedades (u, h) das Tabelas e encontre os valores das propriedades
desconhecidas.
3.70 Determine a fase das substâncias a seguir
e encontre os valores das quantidades a. R-410a: T = –20 °C, u = 220 kJ/kg, P = ?,
ausentes. x=?
b. Amônia: T = –20 °C, v = 0,35 m3/kg, P = ?,
a. Nitrogênio: P = 2 000 kPa, 120 K, v = ?,
u=?
Z=?
c. Água: P = 400 kPa, h = 2 800 kJ/kg, T = ?,
b. Nitrogênio: 120 K, v = 0,0050 m3/kg , Z = ?
v=?
c. Ar: T = 100 °C, v = 0,500 m3/kg, P = ?
d. R-410a: T = 25 °C, v = 0,01 m3/kg, P = ?, 3.78 Determine as propriedades que faltam para
h=? o dióxido de carbono a:
3.71 Determine a fase e as propriedades faltan- a. 20 °C, 2 MPa: v=?eh=?
tes P, T, v, u e x (se aplicável) para a água: b. 10 °C, x = 0,5: T=?eu=?
3
c. 1 MPa, v = 0,05 m /kg: T = ? e h = ?
a. 500 kPa, 100 °C
b. 5 000 kPa, u = 800 kJ/kg 3.79 Determine as propriedades P, T, v, u, h e x
c. 5 000 kPa, v = 0,06 m3/kg (se aplicável) que faltam e indique os esta-
d. –6 °C, v = 1 m3/kg dos nos diagramas P-v e T-v para:
3.72 Indique a localização dos quatro estados do a. R-410a a 500 kPa,h = 300 kJ/kg
Problema 3.71 nos diagramas P-v e T-v. b. R-410a a 10°C u = 200 kJ/kg
3.73 Determine as propriedades P, v, u e x c. R-134a a 40°C, h = 400 kJ/kg
(se aplicável) que faltam e a fase da amô- 3.80 Água se encontra como líquido saturado a
nia, NH3. 20 oC. A água é então comprimida a uma alta

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138 Fundamentos da Termodinâmica

pressão, em processo isotérmico. Determi- estado 2. Se houver uma quina no diagra-


ne as mudanças em u e h entre o estado ini- ma, quais serão as coordenadas desse pon-
cial e o final, quando as pressões são: to? Escreva uma expressão para o trabalho.
a. 500 kPa 3.86 Use o Problema 3.210 e escreva o lado es-
b. 2 MPa querdo (o lado representativo da mudança
no reservatório) das equações de conser-
3.81 Determine a fase das seguintes substâncias
vação de massa e energia. Como você es-
e encontre os valores das propriedades que
creveria m1 e a Equação 3.5?
faltam.
3.87 Dois tanques rígidos e isolados termica-
a. Água: P =500 kPa, u = 2 850 kJ/kg, T = ?,
mente são conectados por uma tubulação
v=?
com uma válvula. Um tanque tem 0,5 kg de
b. R-134a: T = –10 °C, v = 0,08 m3/kg, P = ?,
ar a 200 kPa e 300 K, o outro tem 0,75 kg
u=?
de ar a 100 kPa e 400 K. A válvula é aberta
c. Amônia: T = –20 °C, u = 1 000 kJ/kg, P = ?,
e o estado do ar se uniformiza se ocorrer
x=?
troca de calor. Como você pode determinar
a temperatura e pressão finais.
Análise de Situações 3.88 Observe o Problema 3.183 e trace o diagra-
ma P-v do processo. Somente T2 é dada;
3.82 Considere o Problema 3.101. Leve em conta
como você determina a segunda proprieda-
todo o compartimento como um V.C. e escre-
de do estado final? O que você necessita
va as equações de conservação de massa e
para conferir esse resultado, e isso afetará
energia. Escreva as equações para o processo
de alguma forma o valor do trabalho?
(são necessárias duas) e as use nas equações
de conservação. Agora especifique quatro
propriedades que determine o estado inicial Processos de uma etapa
(duas) e o estado final (duas); você tem to-
das? Conte as incógnitas, identifique-as nas 3.89 Um tanque rígido de 100 L contém nitrogê-
equações e determine-as. nio a 900 K e 3 MPa. O tanque é, então, res-
friado até que a temperatura atinja 100 K.
3.83 Considere uma garrafa de aço como um V.C. Qual é o trabalho realizado e o calor trans-
Ela contém dióxido de carbono a –20 °C, ferido nesse processo?
título 20%. Ela possui uma válvula de segu-
rança que abre a 6 MPa. A garrafa é aciden- 3.90 Um conjunto cilindro-pistão que opera a
talmente aquecida até abrir a válvula de pressão constante, contém 0,2 kg de água
segurança. Escreva a equação do processo como vapor saturado a 400 kPa. O conjunto
que seja válida até a válvula abrir, e trace o é, então, resfriado até que o volume ocu-
diagrama P-v do processo. pado pela água se torne metade do volu-
me inicial. Determine o trabalho e o calor
3.84 Um conjunto cilindro-pistão contém água transferido nesse processo.
com título de 75% a 200 kPa. Uma expan-
são lenta ocorre enquanto há transferência 3.91 Um tanque rígido contém vapor saturado
de calor com a pressão constante. O pro- de R-410a a 0 °C, que é resfriado até –20 °C.
cesso é interrompido quando o volume é o Determine a transferência de calor espe­-
dobro do inicial. Como determinar o estado cífica.
final e o calor trocado? 3.92 Um tanque rígido de 200 L contém amônia
3.85 Considere o Problema 3.173. O estado fi- a 0 °C e com título igual a 60%. O tanque e
nal foi dado, mas não foi dito que o pistão a amônia são aquecidos até que a pressão
bate nos esbarros, somente que Vparada= 2 atinja 1 MPa. Determine o calor transferido
V1. Esboce o possível diagrama P-v para o nesse processo.
processo e determine que valores você pre- 3.93 Um tanque rígido contém 1,5 kg de R-134a
cisará para definir de forma inequívoca o a 40 °C, 500 kPa. O tanque é colocado em

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A Primeira Lei da Termodinâmica e Equação da Energia 139

um refrigerador que leva o conjunto para cido em um processo em que a pressão


–20 °C. Determine a transferência de calor varia linearmente com o volume até o esta-
e represente o processo em um diagrama do de 120 °C e 300 kPa. Encontre o traba-
P-v. lho e o calor transferido para a amônia no
3.94 Um conjunto cilindro-pistão contém ar a processo.
600 kPa, 290 K e volume de 0,01 m3 . O 3.100 Um conjunto cilindro-pistão contém 1 kg
ar realiza um processo a pressão constan- de água a 20 °C e o volume é de 0,1 m3.
te, fornecendo 54 kJ. Determine o volume Por engano, alguém trava o pistão, e calor é
final, a temperatura final do ar e o calor transferido para a água até que o estado de
transferido no processo. vapor saturado. Determine a temperatura
3.95 Dois quilogramas de água a 120 °C e título da água no estado final e o calor transferido
igual a 25% tem sua temperatura aumenta- no processo.
da de 20 °C, a volume constante, como na 3.101 Um reator, com volume de 1 m3, contém água
Figura P3.95. Qual é o trabalho e o calor a 20 MPa e 360 °C, e está localizado em uma
transferido nesse processo? contenção como mostrado na Figura P3.101.
A contenção é bem isolada e, inicialmente,
está no vácuo. Em razão de uma falha ope-
racional, o reator se rompe e a água ocupa
toda a contenção. Determine qual deve ser
o volume mínimo da contenção para que a
pressão final não exceda 200 kPa.


FIGURA P3.95

3.96 Um conjunto cilindro-pistão sem atrito


FIGURA P3.101
contém 2 kg de vapor superaquecido de
refrigerante R-134a a 350 kPa e 100 °C. 3.102 Um tanque rígido contém 0,75 kg de vapor
O conjunto é, então, resfriado a pressão saturado de amônia a 70 °C. O tanque é
constante até que o R-134a apresente títu- resfriado para 20 °C, trocando calor com o
lo igual a 75%. Calcule a transferência de ambiente. Quais são as duas propriedades
calor nesse processo. que definem o estado final? Determine a
3.97 Um conjunto cilindro-pistão contém 1,5 kg quantidade de trabalho e calor transferidos
de água a 200 kPa e 150 °C. O conjunto é durante o processo.
aquecido em um processo em que a pres- 3.103 Considere que 150 L de água estão retidos
são é linearmente relacionada com o volu- em um tanque rígido a 100 °C, com títu-
me até o estado de 600 kPa e 350 °C. En- lo igual a 90%. O tanque é resfriado até
contre o volume final, o calor transferido e –10 °C. Calcule o calor transferido nesse
o trabalho realizado no processo. processo.
3.98 Um dispositivo composto de cilindro-pistão 3.104 Uma massa de 25 kg se move a 25 m/s. Um
contém 50 kg água a 200 kPa ocupando um freio é acionado levando a massa ao repouso
volume de 0,1 m3. No cilindro há esbarro em uma desaceleração constante, durante
que restringe o volume máximo da câmara 5 s. Considere que a massa está sob P e T
em 0,5 m3. A água é aquecida até que o pis- constantes. A energia de frenagem é absorvi-
tão toque o esbarro. Calcule o calor trans- da por 0,5 kg de água a 20 °C e 100 kPa. Cal-
ferido necessário para esse processo. cule a energia que o freio remove da massa e
3.99 Um cilindro-pistão contém 0,5 kg de amô- o aumento de temperatura da água, conside-
nia a 200 kPa e –10 °C. O conjunto é aque- rando que esteja a pressão constante.

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140 Fundamentos da Termodinâmica

3.105 Um conjunto cilindro-pistão no qual atua uma 3.108 Considere as mesmas condições iniciais do
mola linear (constante da mola 15 kN/m) Problema 3.101, mas com uma contenção
contém 0,5 kg de vapor d’água saturado a que tenha 100 m3. Mostre que teremos duas
120 °C, como mostrado na Figura P3.105. O fases no estado final e encontre a pressão
calor é transferido para a água, causando a final por tentativa e erro.
elevação do pistão. Se a área da seção trans-
3.109 Um dispositivo cilindro-pistão contém di­
versal do pistão é igual a 0,05 m2 e a pressão
óxido de carbono a –20 °C e título 75%. O
varia linearmente com o volume até que a
CO2 é comprimido em um processo em que
pressão final de 500 kPa seja atingida, deter-
a pressão varia linearmente com o volume
mine a temperatura final da água no cilindro
até 3 MPa e 20 °C. Determine a transferên-
e o calor transferido nesse processo.
cia de calor específica.
3.110 Um reservatório rígido de aço de 2,5 kg con-
tém 0,5 kg de R410a a 0 °C com volume espe-
cífico de 0,01 m3/kg. Todo o sistema é aqueci-
do até a temperatura ambiente de 25 °C.
a. Determine o volume do tanque.
H 2O
b. Encontre a pressão final P.
FIGURA P3.105
c. Calcule a transferência de calor no
processo.
3.106 Um arranjo cilindro-pistão com uma mola
linear como na Figura P3.105 contém 3.111 O conjunto cilindro-pistão da Figura P3.111
R-134a a 15 °C, x = 0,4 e volume 0,02 m3. contém 0,1 kg de água a 500 °C, 1 000 kPa.
O R-134a é aquecido até 60 °C e nesse es- O cilindro apresenta um esbarro no meio
tado o volume específico é 0,030 02 m3/kg. do volume inicial. A água é resfriada até a
Determine a pressão final, o trabalho e a temperatura ambiente de 25 °C.
transferência de calor no processo. a. Esboce, em um diagrama P-v, os possí-
3.107 Um conjunto cilindro-pistão com 10 m de al- veis estados da água.
tura e área da seção transversal de 0,1 m2, b. Encontre a pressão e o volume final.
contém na parte superior água a 20 °C, e na c. Calcule o calor transferido e o trabalho
parte inferior 2 kg de água a 20 °C, separadas realizado no processo.
por um pistão fino flutuante e isolante com P0
massa de 198,5 kg, veja Figura P3.107. Consi- mp
dere que a gravidade e a pressão atmosférica
têm os valores padrões. Transfere-se calor
para a água sob o pistão, de modo que ela
Água
se expande, empurrando o pistão para cima,
provocando o transbordamento da água da
FIGURA P3.111
parte superior. Esse processo continua até
que o pistão atinja o topo do cilindro. Encon- 3.112 Um dispositivo cilindro-pistão com mola
tre o estado final da água sob o pistão (T, P, contém 1 kg de água a 500 °C e 3 MPa. O
v) e o calor fornecido durante o processo. conjunto é construído de tal forma que a
P0 pressão é proporcional ao volume: P = CV.
O calor é retirado até a água se tornar va-
por saturado. Represente o processo no
H 2O diagrama P-V, e determine o estado final, o
g
trabalho e o calor transferido no processo.
3.113 Um conjunto cilindro-pistão contém 1,5 kg
H 2O de água a 600 kPa, 350 °C. A água é res-
FIGURA P3.107 friada em um processo em que a pressão

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A Primeira Lei da Termodinâmica e Equação da Energia 141

varia linearmente com o volume até atingir junto é aquecido até o ponto de ebulição da
200 kPa, 150 °C. Trace no diagrama P-v água. Desprezando a transferência de calor
o processo e calcule o trabalho e o calor para o ar ambiente, determine a energia
transferido no processo. necessária no processo.
3.114 Um refrigerante R-134a superaquecido a 3.120 Tenho 2 kg de água líquida a 20 °C e
20 °C e 0,5 MPa é resfriado em um conjun- 100 kPa. Adiciono 20 kJ de energia a pres-
to cilindro-pistão a temperatura constante são constante. Se a energia for utilizada
até atingir o estado saturado com título de para o aquecimento, a que temperatura a
50%. A massa do refrigerante é 5 kg e são água vai chegar? Se a energia for transferi-
removidos 500 kJ de calor no processo. De- da na forma de uma força horizontal cons-
termine os volumes inicial e final e o traba- tante, que velocidade será atingida? Que
lho necessário. altura será alcançada se a massa de água
for elevada na vertical com essa energia?
3.115 Dois quilogramas de nitrogênio a 100 K,
x = 0,5 são aquecidos em um processo a 3.121 Uma casa está sendo projetada para usar
pressão constante até 300 K em um con- uma laje grossa de concreto como material
junto cilindro-pistão. Determine os volu- de armazenagem da energia térmica solar.
mes inicial e final e o calor total transferido. A laje tem 30 cm de espessura e a área ex-
posta ao sol é de 4 m × 6 m. Espera-se que a
massa de concreto tenha sua temperatura
Calores Específicos: Sólidos e Líquidos elevada de 3 °C durante o período diurno.
Quanto de energia estará disponível para o
3.116 Em uma pia com 5 L de água a 70 °C são co-
aquecimento no período noturno.
locadas panelas de alumínio com massa de
1 kg, 1 kg de talheres (aço) e 1 kg de copos 3.122 Ao ser ligada a água quente, ela não sai
de vidro, todos a 20 °C. Qual é a temperatu- imediatamente quente, porque parte da
ra final, desprezando-se qualquer troca de massa da tubulação deve ser aquecida pela
calor e trabalho com o ambiente. água antes de chegar ao usuário. Admita
que a água líquida a 70 °C e 100 kPa é res-
3.117 Um “chip” de CPU de um computador con-
friada até 45 °C à medida que aquece 15 kg
siste em 50 g de silício, 20 g de cobre e
de tubo de cobre de 20 °C a 45 °C. Qual é a
50 g de cloreto de polivinila (PVC). O
massa de água necessária em kg?
“chip” é aquecido de 15 °C a 70 °C quando
o computador é ligado. Quanto de energia o 3.123 Um automóvel, com massa de 1275 kg, se
aquecimento requer? desloca a 60 km/h quando os freios são
acionados rapidamente para reduzir a ve-
3.118 Um bloco de cobre com volume de 1 L locidade para 20 km/h. Considere que a
sofre um tratamento térmico aquecido a massa das pastilhas de freio é de 0,5 kg, o
500 °C, e depois é resfriado em um banho de calor específico é de 1,1 kJ/kg K e os dis-
óleo de 200 L que está inicialmente a 20 °C, cos de aço do freio têm massa de 4,0 kg.
como mostrado na Figura P3.118. Admitin- Determine o aumento da temperatura do
do que não haja transferência de calor para conjunto pastilhas-disco de freio. Admita
o ambiente, qual será a temperatura final? que as pastilhas e os discos sejam aqueci-
dos uniformemente.
Óleo
Cobre 3.124 Um arranjo cilindro-pistão (massa de aço
do conjunto é de 0,5 kg) mantém a pres-
são constante sobre 0,2 kg de R-134a como
FIGURA P3.118
vapor saturado a 150 kPa. O conjunto é
3.119 Uma panela de aço com massa de 1 kg aquecido até 40 °C. O aço e o R-134a estão
contém 1 kg de água. A temperatura do sempre à mesma temperatura. Determine
conjunto é igual a 15 °C. A panela é coloca- o trabalho e a transferência de calor no
da sobre uma chama em um fogão e o con- processo.

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142 Fundamentos da Termodinâmica

3.125 Um tanque de aço de 25 kg está inicial- 3.129 Estime o calor específico constantes do
mente a –10 °C. O tanque é carregado com R-134a da Tabela B.5.2 a 100 kPa e 125 °C.
100 kg de leite (considere que tenha as Compare esse valor com aquele da Tabela
mesmas propriedades da água) a 30 °C. No A.5 e explique a diferença.
frigorífico o leite e o aço atingem a tempe- 3.130 Determine a variação em u para o dió-
ratura uniforme de +5 °C. Quanto de calor xido de carbono entre 600 K e 1 200 K,
deve ser transferido para viabilizar esse utilizando:
processo?
a. o valor de Cv0 da Tabela A.5.
3.126 Um motor de combustão interna, mostra- b. o valor de Cv0 avaliado com a equação da
do na Figura P3.126, é composto por um Tabela A.6 e na temperatura média do
bloco de ferro fundido de massa igual a intervalo.
100 kg, cabeçotes de alumínio (massa igual c. os valores de u apresentados na Tabela A.8.
a 20 kg) e partes diversas fabricadas com
aço (massa igual a 20 kg). Além disso, o 3.131 O nitrogênio a 300 K, 3 MPa é aquecido até
motor tem 5 kg de óleo lubrificante e 6 kg 500 K. Determine a variação de entalpia
de glicerina (anticongelante do radiador). usando (a) a Tabela B.6; (b) a Tabela A.8; e
Inicialmente a temperatura de todos os (c) a Tabela A.5.
componentes é de 5 °C. Quando o motor é 3.132 Desejamos achar a variação de u do dióxido
acionado, determine o quanto ele aquece, de carbono entre 50 °C e 200 °C à pressão
se absorver 7 000 kJ antes de alcançar a de 10 MPa. Determine-a usando o gás ideal
temperatura de regime permanente. e a Tabela A.5 e repita o cálculo usando a
tabela do Apêndice B.
3.133 Repita o Problema 3.130 para o oxigênio.
3.134 Para uma aplicação especial, necessitamos
avaliar a variação da entalpia do CO2 de 30 °C
a 1 500 °C a 100 kPa. Faça isso, usando o
valor constante do calor específico da Ta-
bela A.5, e repita, usando a Tabela A.8.
Qual tabela é mais precisa?
3.135 Água a 400 kPa tem sua temperatura ele-
Motor de automóvel FIGURA P3.126 vada de 150 °C a 1200 °C. Avalie a variação
da energia interna específica usando (a) as
tabelas de vapor d’água; (b) a Tabela A.8
Propriedades do Gás Ideal (u, h, Cv, Cp) para gás ideal; e (c) a Tabela A.5 de calor
específico.
3.127 Um gás ideal é aquecido de 500 K para
1 500 K. Determine a variação da entalpia 3.136 Repita o Problema 3.134, mas use o valor
usando o calor específico constante da Ta- do calor específico na temperatura média
bela A.5 com o valor da temperatura am- aplicada à equação da Tabela A.6 e também
biente e discuta a precisão, se o gás for: integre a equação da Tabela A.6 para obter
a variação de entalpia.
a. Argônio
b. Oxigênio 3.137 A água a 20 °C e 100 kPa é levada a 100 kPa
c. Dióxido de carbono e 1 500 °C. Encontre a variação da energia
interna específica usando as tabelas de va-
3.128 Utilize a tabela de gás ideal para o ar, Ta-
por d’água e as tabelas de gás ideal.
bela A.7, para avaliar o calor específico Cp
a 300 K, usando a inclinação da curva h(T) 3.138 Reconsidere o Problema 3.134, e determi-
dada por Δh/ΔT. Qual é o valor para 1 000 K ne se o uso também da Tabela B.3 conduz a
e para 1500 K? resultado mais preciso; explique.

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A Primeira Lei da Termodinâmica e Equação da Energia 143

Calores Específicos: Gás Ideal P0

3.139 O ar é aquecido de 300 K a 350 K, a volume


constante. Determine 1q2. Qual é o valor de H 2O
1q2 se a temperatura aumenta de 1 300 K a g
1350 K?
3.140 Um vaso rígido contém 2 kg de dióxido de
carbono a 100 kPa e 1200 K, e é aquecido Ar
até 1 400 K. Determine a transferência de
FIGURA P3.145
calor no processo utilizando (a) calor espe-
cífico da Tabela A.5; e (b) as propriedades 3.146 Um conjunto cilindro-pistão com uma mola
da Tabela A.8. linear contém 2 kg de dióxido de carbono
à temperatura de 400 °C e à pressão de
3.141 Resolva o problema anterior para o nitro-
500 kPa. O CO2 é resfriado até 40 °C e, nes-
gênio (N2).
sa condição, a pressão é de 300 kPa. Calcu-
3.142 Três quilogramas de ar ocupam o volume le a transferência de calor nesse processo.
de um cilindro-pistão como o da Figura
3.147 A água a 100 kPa e 400 K é aquecida eletri-
P3.5 e estão a 27 °C, 300 kPa. O ar é aque-
camente com a adição de 700 kJ/kg em um
cido até 500 K. Trace o processo no diagra-
processo a pressão constante. Determine a
ma P-v e encontre o trabalho, bem como o temperatura final usando:
calor transferido no processo.
a. A Tabela B.1 para a água.
3.143 Um vaso rígido fechado contém 1,5 kg de b. A Tabela A.8 para o gás ideal.
água a 100 kPa e 55 °C, 1 kg de aço inox c. O calor específico constante da
e 0,5 kg de cloreto de polivinila (PVC), Tabela A.5
ambos a 20 °C, e 0,1 kg de ar a 400 K,
100 kPa. O vaso é isolado sem qualquer 3.148 Um reservatório a pressão constante con-
transferência de calor e a água não se va- tém 1 kg de aço inoxidável e 0,5 kg de clo-
poriza. Determine a temperatura final do ar reto de polivinila (PVC), ambos a 20 °C, e
e a pressão. 0,25 kg de ar quente a 500 K e 100 kPa.
O reservatório é deixado uniformizar suas
3.144 Um tanque rígido com volume interno de condições sem transferência externa de
250 L contém metano a 500 K e 1 500 kPa. calor.
O tanque é resfriado até 300 K. Determi-
ne a massa de metano contida no tanque e a. Encontre a temperatura final.
o calor transferido no processo, utilizando b. Determine o trabalho no processo.
(a) gás ideal; e (b) tabelas do metano. 3.149 Um conjunto cilindro-pistão com mola line-
3.145 Um cilindro com área da seção transver- ar contém 1,5 kg de ar a 27 °C e 160 kPa.
sal igual a 0,1 m2 e altura de 10 m, tem O ar é aquecido, em um processo em que a
um pistão de massa desprezível, que se- relação entre a pressão e o volume é linear,
para a câmara interna em duas regiões. até o estado em que o volume interno da
Inicialmente, a região superior contém câmara se torna igual ao dobro do volume
água a 20 °C, como mostrado na Figura inicial. Faça um gráfico desse processo em
P3.145, e a inferior contém 0,3 m3 de ar a um diagrama P-v e determine o trabalho,
bem como o calor transferido no processo.
300 K. Transfere-se calor à região inferior,
de modo que o pistão inicia o movimento 3.150 Um conjunto cilindro-pistão a pressão
para cima, provocando o transbordamento constante contém 0,5 kg de ar a 300 K e
da água. Esse processo continua até que 400 kPa. Considere que o pistão tem massa
o pistão alcance o topo do cilindro. De- de 1kg de aço e acompanha a temperatura
termine o calor transferido para o ar, no do ar a todo instante. O sistema é aquecido
processo. a 1 600 K, por transferência de calor.

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144 Fundamentos da Termodinâmica

a. Encontre o calor transferido, usando o 3.156 Um motor a gasolina tem em seu cilindro-
calor específico do ar. -pistão 0,1 kg de ar a 4 MPa e 1527 °C, após
b. Calcule o calor transferido, sem usar o a combustão. O ar é expandido em um pro-
calor específico do ar. cesso politrópico com n = 1,5 até um volu-
me 10 vezes maior. Determine o trabalho
3.151 A Figura P3.151 mostra um cilindro fe-
de expansão e o calor trocado, usando a
chado, isolado e dividido em duas re­giões,
capacidade térmica da Tabela A.5.
cada uma com 1 m3, por um pistão que
está inicialmente imobilizado por um pino. 3.157 Resolva o problema anterior usando a Ta-
A região A contém ar a 200 kPa e 300 K e bela A.7.
a B contém ar a 1,0 MPa e 1 000 K. O pino 3.158 Determine o calor específico transferido no
é, então, removido, liberando o pistão. No Problema 3.55.
estado final, em razão da transferência de
calor através do pistão, as regiões apre- 3.159 Um conjunto cilindro-pistão contém nitro-
sentam a mesma temperatura TA = TB. gênio à temperatura de 750 K e pressão de
Determine as massas de ar contidas nas 1 500 kPa, como mostrado na Figura P3.159.
regiões A e B e os valores de T e P ao final O gás é, então, expandido em um proces-
do processo. so politrópico com n = 1,2 até 750 kPa.
Determine a temperatura no estado final,
o trabalho específico e a transferência de
calor específica no processo.
A B
Ar Ar

Gás
FIGURA P3.151


FIGURA P3.159
Processo Politrópico
3.160 Um conjunto cilindro-pistão contém 1 kg
3.152 O ar em um cilindro-pistão está a 1 800 K,
de gás propano a 700 kPa e 40 °C. O pistão
7 Mpa, e expande em um processo politró-
tem área da seção transversal de 0,5 m2
pico com n = 1,5 até alcançar oito vezes o
e a força externa total que age sobre o pis-
seu volume original. Determine o trabalho
tão é proporcional ao quadrado do volume
específico, além do calor específico trans-
interno do conjunto. O calor é transferi-
ferido no processo, e desenhe o diagrama
do para o propano até que a temperatura
P-v. Utilize o calor específico constante
atinja 700 °C. Determine a pressão final no
para resolver o problema.
interior do cilindro, o trabalho realizado
3.153 Resolva o problema anterior, porém não pelo propano e o calor transferido duran-
use calor específico constante. te o processo.
3.154 Gás hélio se expande do estado inicial dado 3.161 Um conjunto cilindro-pistão com volume
por 125 kPa, 350 K e 0,25 m3 para 100 kPa inicial de 0,025 m3 contém vapor d’água sa-
em um processo isotrópico com n = 1,667. turado a 180 °C. O vapor se expande em
Qual é o calor transferido no processo? um processo politrópico, com n = 1, até a
pressão de 200 kPa, enquanto realiza tra-
3.155 Um conjunto cilindro-pistão contém 0,1 kg
balho contra o pistão. Determine a transfe-
de ar a 100 kPa e 300 K. O ar é, então, com-
rência de calor nesse processo.
primido, lenta e isotermicamente, até que a
pressão atinja 250 kPa. Mostre o processo 3.162 Um conjunto cilindro-pistão contém oxi-
em um diagrama P-v e determine o traba- gênio puro nas condições ambiente de
lho realizado, bem como o calor transferido 20 °C e 100 kPa. O pistão se move de modo
nesse processo. que o volume final é 1/7 do volume inicial

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A Primeira Lei da Termodinâmica e Equação da Energia 145

em um processo politrópico com expoente 200 kPa e 300 K e termina na pressão de


n = 1,25. Use o calor específico constante 2 200 kPa. Encontre a taxa de compressão
para calcular a pressão e a temperatura fi- v2/v1, o trabalho específico e o calor espe-
nais, bem como o calor e o trabalho especí- cífico transferido.
ficos no processo. 3.166 O nitrogênio passa por um processo poli-
3.163 Um conjunto cilindro-pistão em um auto- trópico com n = 1,3 em um arranjo cilindro-
móvel contém 0,2 L de ar a 90 kPa e 20 °C, -pistão. O estado inicial apresenta 600 K,
como mostra a Figura P3.163. O ar é com- 600 kPa e termina a 800 K. Determine a
primido em um processo politrópico quase pressão final, o trabalho específico no pro-
estático, com expoente n = 1,25, até que o cesso e o calor específico transferido.
volume se torne igual a 1/6 do inicial. De- 3.167 Um conjunto cilindro-pistão contém oxigê-
termine a pressão e a temperatura finais, nio puro a 500 K, 600 kPa. O pistão se des-
bem como a transferência de calor nesse loca de tal forma que a temperatura final
processo. é 700 K em um processo politrópico com
o expoente n = 1,25. Use o gás ideal como
aproximação e o calor específico constante
Ar
para encontrar a pressão final. Determine
também o trabalho específico e o calor es-
pecífico transferido no processo.
FIGURA P3.163
3.168 Calcule o calor transferido no processo que
3.164 A Figura P3.164 mostra o esquema de uma ocorre no Problema 3.57.
pistola a ar comprimido. Admita que, quan-
do a pistola está carregada, o volume do ar
seja 1 cm3, a temperatura do ar seja 27 °C e Processos de Múltiplas Etapas: Todas as
sua pressão igual a 1 MPa. A massa do projé- Substâncias
til é 15 g e atua como um pistão que, inicial-
3.169 Um cilindro-pistão mostrado na Figura
mente, está travado por um pino (gatilho).
P3.169 contém 0,5 m3 de R-410a a 2 MPa,
Quando a arma é disparada, o ar expande
150 °C. A massa do pistão e a pressão at-
em um processo isotérmico (T = constan- mosférica requerem a pressão interna de
te). Se a pressão do ar, no instante em que 450 kPa para equilibrá-lo. O conjunto é
o projétil deixa o cano, é igual a 0,1 MPa. resfriado em um congelador e mantido a
Determine: –20 °C. Determine o calor transferido e
a. O volume final e a massa de ar contido na mostre o processo, chegando até T2 = –20
pistola. °C, em um diagrama P-v.
b. O trabalho realizado pelo ar contido no
tubo alma e o trabalho realizado contra a
atmosfera.
c. O trabalho realizado sobre o projétil e
sua velocidade na seção de saída do tubo
R-410a
alma.
FIGURA P3.169
Ar P0
3.170 Um cilindro contendo 1 kg de amônia tem
um pistão carregado externamente. Inicial-

mente, a amônia está a 2 MPa e 180 °C. Ela
FIGURA P3.164
é, então, resfriada até alcançar o estado
3.165 Um dispositivo cilindro-pistão que contém saturado a 40 °C e, em seguida, novamen-
ar que passa por um processo politrópi- te resfriada até 20 °C, chegando ao título
co com n = 1,3. O processo começa com de 50%. Calcule o trabalho total e o calor

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146 Fundamentos da Termodinâmica

transferido no processo, assumindo que 3.174 A água em um cilindro-pistão (Figura


em cada trecho P varie linearmente com V. P1.374) está a 101 kPa, 25 °C, e massa de 0,5
3.171 Um conjunto cilindro-pistão contém 10 kg kg. O pistão repousa nos esbarros, e a pres-
de água. Inicialmente, a água apresenta são deve ser de 1 000 kPa para deslocar o
pressão e título iguais a 100 kPa e 50%. A pistão. Agora aquecemos a água, até que o
água é, então, aquecida até que o volume pistão chegue exatamente ao topo do cilin-
interno do conjunto se torne igual ao triplo dro. Determine a transferência total de calor.
do volume inicial. A massa do pistão é tal
que seu movimento começa quando a pres-
são interna atinge 200 kPa, como na Figura 5 h1
P3.171. Determine a temperatura da água H 2O h1
no estado final e a transferência de calor no FIGURA P3.174
processo. 3.175 Um dispositivo, como mostrado na Figura
P0 P3.169, tem 0,1 kg de R-410a, inicialmente
a 1 000 kPa e 50 °C. A pressão que equi-
libra o pistão é de 400 kPa e o conjunto é
g resfriado, de modo que o volume é reduzi-
do à metade do inicial. Determine o calor
transferido no processo.
H 2O
3.176 Um conjunto cilindro-pistão contém 1 kg
FIGURA P3.171 de água a 20 °C e 300 kPa. Inicialmente o
pistão flutua semelhante ao que ocorre na
3.172 O gás hélio é aquecido a volume constante partida do Problema 3.173, com um volume
de 100 kPa e 300 K para 500 K. O processo máximo total de 0,002 m3 se o pistão tocar
seguinte é a expansão, a pressão constan- os esbarros. Agora o conjunto é aquecido
te, até alcançar três vezes o volume inicial. até a pressão chegar a 600 kPa. Determi-
Qual é o trabalho específico e o calor es- ne o volume final e o calor transferido no
pecífico transferido nesse processo de duas processo.
etapas?
3.177 Um arranjo cilindro-pistão contém 5 kg de
3.173 A Figura P3.173 mostra um conjunto ci- água a 100 °C com x = 20% e o pistão de
lindro-pistão vertical que contém 5 kg de mp = 75 kg, repousa nos esbarros, seme-
R-410a a 10 °C. Transferindo-se calor ao sis- lhante ao representado na Figura P3.171.
tema, o pistão sobe até encostar nos esbar- A pressão externa é de 100 kPa, e a área
ros; nessa situação o volume da câmara se da seção transversal do cilindro é A = 24,5
torna o dobro do inicial. Transfere-se uma cm2. O calor é adicionado até que a água
quantidade adicional de calor ao sistema até alcance o estado de vapor saturado. En-
que a temperatura atinja 50 °C. Nesse esta- contre o volume inicial, a pressão final, o
do, a pressão interna é de 1,4 MPa. trabalho, o calor transferido e apresente o
a. Qual é o título no estado inicial? diagrama P-v do processo.
b. Qual a transferência de calor em todo o 3.178 Um arranjo cilindro-pistão semelhante
processo? ao representado na Figura P3.171contém
0,1 kg de água saturada a 100 kPa e títu-
lo de 25%. A massa do pistão é tal que ele
flutua com a pressão de 500 kPa. A água
é aquecida até 300 °C. Determine a pres-
são final, o volume, o trabalho 1W2 e o calor
transferido 1Q2.
R-410a
3.179 O cilindro-pistão da Figura P3.179 contém
FIGURA P3.173 0,1 kg de R-410a a 600 kPa e 60 °C. O con-

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A Primeira Lei da Termodinâmica e Equação da Energia 147

junto é resfriado de tal forma que o volume


se reduz à metade do inicial. O cilindro tem P0
montado esbarros superiores, e a massa do
pistão e a ação da gravidade são tais que a
g
pressão de flutuação é de 400 kPa.
a. Encontre a temperatura final. Ar
b. Quanto de trabalho está envolvido no
processo? FIGURA P3.182
c. Qual é o calor transferido no processo?
3.183 A Figura P3.183 mostra um conjunto cilin-
d. Represente o processo no diagrama P-v.
dro-pistão com esbarros em que o Vmín =
0,03 m3. O conjunto contém 0,5 kg de ar
que, inicialmente, apresenta temperatura e
R-410a pressão iguais a 1 000 K e 2 000 kPa. O ar
transfere calor para o ambiente e atinge a
FIGURA P3.179
temperatura de 400 K. Determine o volu-
3.180 Um conjunto cilindro-pistão contém ar a me ocupado pelo ar, a pressão interna no
1 000 kPa, 800 K com um volume de 0,05 m3. estado final (o pistão toca os esbarros?), o
O pistão está pressionado contra os esbar- trabalho e o calor transferido no processo.
ros superiores (veja Figura P3.14c) e flu- P0
tua a 750 kPa. O ar é, então, resfriado che- mp
gando a 400 K. Qual é o trabalho e o calor
transferido no processo? g
3.181 O arranjo cilindro-pistão da Figura P3.181
contém 10 g de amônia a 20 °C com volume
de 1 L. Há esbarros no cilindro que corres-
FIGURA P3.183
ponde a um volume de 1,4 L. A amônia é
aquecida até 200 °C. O cilindro e o pistão 3.184 O ar está em um tanque rígido de volu-
são feitos com 0,5 kg de alumínio. Conside- me 0,75 m3 a 100 kPa e 300 K. O tanque
re que essa massa tenha sempre a mesma é aquecido até 400 K, estado 2. Agora de
temperatura da amônia. Calcule o volume um lado do tanque age um pistão que per-
final, o total de calor transferido e trace o mite a expansão lenta do ar, a temperatura
diagrama P-V do processo. constante, até o volume de 1,5 m3, estado 3.
P0 Determine a pressão nos estados 2 e 3 e o
trabalho total e calor total trocado.
mp

NH3 Equação da Energia em Forma de Potência


FIGURA P3.181 3.185 Um motor automotivo de 100 hp tem seu
3.182 O conjunto cilindro-pistão mostrado na Fi- eixo girando a 2 000 RPM. Quanto de torque
gura P3.182 contém ar a 200 kPa e 600 K. tem no eixo para 25% da potência total?
O ar é expandido em um processo a pres- 3.186 Um guincho utiliza 2 kW para levantar uma
são constante, até que o volume se torne caixa de 100 kg a 20 m de altura. Quanto
o dobro do inicial, estado 2. Nesse ponto, o tempo ele leva para efetuar esse trabalho?
pistão é travado com um pino e transfere-
3.187 Um guindaste eleva uma caçamba de 100 kg
-se calor do ar até que a temperatura atinja
a 10 m, em 1 minuto. Determine a potência
600 K (estado 3). Determine P, T e h para
necessária nesse processo.
os estados 2 e 3, e calcule o trabalho rea-
lizado e a transferência de calor nos dois 3.188 Um cilindro-pistão de área da seção trans-
processos. versal de 0,01 m2 trabalha a pressão cons-

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148 Fundamentos da Termodinâmica

tante. No seu interior há 1 kg de água com kPa em um dispositivo cilindro–pistão. Se


título de 5% a 150 °C. Se aquecermos a 1,5 kW de potência é fornecida por trans-
água de tal forma que 1 g/s se transforme ferência de calor, qual é a taxa (kg/s) de
de líquido em vapor, qual a potência nesse produção de vapor saturado?
processo?
3.196 Um aquecedor com potência de 500 W é
3.189 Uma panela tem água em ebulição em um utilizado para derreter 2 kg de gelo a −10 °C
fogão que fornece 325 W à água. Qual é a em líquido a +5 °C à pressão constante de
taxa de massa vaporizada (kg/s) admitindo 150 kPa.
que a pressão seja constante no processo?
a. Determine a variação do volume total da
3.190 Os aquecedores de uma nave espacial de água.
repente falham. O calor é perdido por radia- b. Calcule a energia necessária para que o
ção a uma taxa de 100 kJ/h, e a instrumen- processo ocorra.
tação elétrica gera 75 kJ/h. Inicialmente o c. Determine o tempo necessário para rea-
ar está a 100 kPa e 25 °C com um volume lizar o processo, admitindo que a tempe-
total de 10 m3. Quanto tempo demorará até ratura da água seja sempre uniforme.
que a temperatura do ar ambiente chegue
a –20 °C? 3.197 A força de arrasto sobre um automóvel
com área frontal A = 2 m2, deslocando-se
3.191 À medida que o concreto endurece, as rea­ a 80 km/h no ar a 20 °C, é Fd = 0,225 × A ×
ções químicas de cura liberam energia à ρarV2. Qual é a potência necessária e qual é
razão de 2 W/kg. Admita que uma porção a força de tração?
de concreto fresco no centro de uma ca-
mada não sofra perda de calor e que tenha 3.198 Três quilogramas de gás nitrogênio a 2 000 K,
capacidade térmica média de 0,9 kJ/kg K. V = Constante, resfriam com uma retirada
Calcule o aumento de temperatura durante de 500 W. Quanto é dT/dt?
1 h de processo de endurecimento (cura). 3.199 Considere a panela do Problema 3.119.
3.192 Uma panela com 1,2 kg de água a 20 °C é Admita que o fogão fornece 1 kW de calor.
colocada sobre um queimador de fogão que Quanto tempo durará o processo?
fornece 250 W de potência à água. Quan-
to tempo demorará até que a água ferva
(100 °C)? Trabalho Diverso

3.193 Um computador dissipa 10 kW, em uma sala 3.200 Potência elétrica é dada por volts vezes
fechada com volume de 200 m3. Na sala há ampéres (P = Vi). Quando uma bateria de
50 kg de madeira e 25 kg de aço e ar com automóvel de 12 V é carregada com 6 A
todos os materiais a 300 K e 100 kPa. Supo- por 3 h, quanto de energia é fornecida à
nha que todos os materiais se aqueçam uni- bateria?
formemente, quanto tempo será necessário 3.201 Um fio de cobre com diâmetro de 2 mm e
para que a temperatura aumente 10 °C? comprimento de 10 m está esticado entre
3.194 Uma pessoa, em repouso, transfere cerca dois postes. A tensão normal (pressão), σ =
de 400 kJ/h de calor ao meio ambiente. Su- E(L – L0)/L0, depende do comprimento L,
ponha que a operação do sistema de ven- do comprimento do corpo não tracionado
tilação de um auditório com 100 pessoas L0 e do módulo de Young, E = 1,1 × 106 kPa.
venha a falhar. Considere que a energia vá A força, F = Aσ, foi medida e é de 110 N.
para o ar cujo volume é de 1500 m3 inicial- Qual é o comprimento do fio, e qual o tra-
mente a 300 K e 101 kPa. Determine a taxa balho realizado?
de aumento da temperatura do ar no audi- 3.202 O etanol, a 20 °C, apresenta tensão superfi-
tório (graus por minuto). cial igual a 22,3 milinewton/metro em uma
3.195 Um gerador de vapor aquece água líqui- película que é mantida em uma armação de
da saturada à pressão constante de 800 arame em que um dos lados é móvel, como

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A Primeira Lei da Termodinâmica e Equação da Energia 149

mostrado na Figura P3.202. Considerando a o balanço incremental δWHe = δWesticar +


película com duas superfícies como a siste- δWatm para estabelecer uma relação entre
ma, determine o trabalho realizado quando a pressão no hélio, a tensão superficial ,
o arame é movido 10 mm na direção indica- a pressão atmosférica como uma função do
da para formar uma película de 20 × 40 mm. raio do balão.
30 mm 3.207 Um balão é construído com um material
Armação com tensão superficial constante  = 2 N/m.
de arame Determine o trabalho necessário para en-
cher o balão até o raio de 0,5 m. Despreze
Película os efeitos da pressão atmosférica.
20 mm de etanol
3.208 Uma bolha de sabão apresenta tensão su-
perficial de  = 3 × 10−4 N/cm. Inicialmen-
te, o filme de líquido está plano e apoiado
FIGURA P3.202 em um anel rígido com diâmetro de 5 cm.
Soprando-se sobre o filme, obtém-se uma
3.203 Um tanque rígido com 10 L de volume, con- superfície semiesférica com diâmetro igual
tém R-410a a –10 °C com um título de 80%. a 5 cm. Determine o trabalho realizado.
Uma corrente elétrica de 10 A (fornecida
por uma bateria de 6 V) passa por um re- 3.209 Uma barra de aço, com 1,0 cm de diâmetro
sistor dentro do tanque por 10 minutos, de- e 0,50 m de comprimento, é tracionada em
pois disso a temperatura do R-410a atinge uma máquina de ensaio. Qual é o trabalho
40 °C. Qual a transferência de calor para ou necessário para produzir uma deformação
do tanque durante esse processo? de 0,1%? O módulo de elasticidade do aço
é 2,0 × 108 kPa.
3.204 Uma bateria é bem isolada durante a car-
ga aplicada com 12,3 V e corrente de 6 A.
Considere a bateria como uma sistema e
Dispositivos Mais Complexos
calcule a taxa de trabalho e o trabalho total
realizado em 4 h. 3.210 A Figura P3.210 mostra um tanque que está
dividido em duas regiões por uma membra-
3.205 Um filme de borracha é esticado em tor-
na. A região A apresenta VA = 1 m3 e con-
no de um anel que apresenta raio igual a
tém água a 200 kPa e com v = 0,5 m3/kg. A
0,25 m. A configuração mostrada na Figura
região B contém 3,5 kg de água a 400 °C e
P3.205 é obtida colocando-se água líquida
0,5 MPa. A membrana é, então, rompida e
a 20 °C sobre o filme de borracha. Admi-
aguarda-se o estabelecimento do equilíbrio
tindo que a borracha forme uma superfície
que ocorre a 100 °C. Determine a transfe-
semiesférica (cuia) e que a massa do filme
de borracha seja desprezível, determine a rência de calor durante o processo.
tensão superficial na região do filme próxi-
ma ao anel.
A B

H2O


FIGURA P3.210
Película de borracha
FIGURA P3.205
3.211 Um cilindro-pistão contém água em dois
3.206 Considere o processo de enchimento de um volumes separados por uma membrana
balão com gás hélio de um tanque. O hélio rígida, VA = 0,2 m3 e VB = 0,3 m3 (Figura
fornece o trabalho ∫PdV utilizado para es- P3.211). A água em A está inicialmente a
ticar o material do balão ∫dA e, também, 1 000 kPa, x = 0,75 e em B está a 1 600 kPa
para deslocar a atmosfera ∫P0dV. Escreva e 250 °C. A membrana se rompe e a água

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150 Fundamentos da Termodinâmica

atinge um estado uniforme a 200 °C. Qual do a 300 kPa. Os tanques estão conectados
é a pressão final? Determine o trabalho e a por um tubo com uma válvula inicialmente
transferência de calor no processo. fechada. A válvula é, então, aberta e a água
atinge um estado uniforme após uma troca
P0
de calor suficiente para que a pressão fi-
nal seja 300 kPa. Apresente o valor de duas
mp
propriedades que determinem o estado fi-
g
nal e calcule o calor trocado.
A:H2O

B:H2O
B A
FIGURA P3.211

3.212 O dispositivo da Figura P3.212 é formado FIGURA P3.214
por um pistão e abaixo dele dois compar-
timentos A e B que contêm água. A água 3.215 Um tanque tem volume de 1 m3 com oxigê-
em A tem massa de 0,5 kg e está a 200 kPa nio a 15 °C, 300 kPa. Outro tanque contém
e 150 °C e em B, com volume de 0,1 m3, a 4 kg de oxigênio a 60 °C, 500 kPa. Os dois
tanques são conectados por uma tubula-
pressão é de 400 kPa e o título é 50%. A
ção e uma válvula que é aberta, permitin-
válvula é aberta e o calor é transferido, de
do que todo o conjunto alcance um único
modo que a água atinge um estado unifor-
equilíbrio com a temperatura ambiente de
me com volume total de 1,006 m3. Determi-
20 °C. Encontre a pressão final e o calor
ne a massa total de água e o volume total
trocado.
inicial, bem como o trabalho e a transferên-
cia de calor no processo. 3.216 Um tanque rígido e isolado termicamen-
te está dividido em duas regiões por uma
P0
placa reforçada. No compartimento A, de
mp g 0,5 m3, há ar a 250 kPa e 300 K e no com-
A
partimento B, de 1 m3, tem ar a 500 kPa e
1 000 K. A placa é removida e o ar chega
a uma condição uniforme sem troca de ca-
lor. Determine a pressão e a temperatura
B finais.
FIGURA P3.212 3.217 O tanque rígido A tem volume igual a 0,6 m3
e contém 3 kg de água a 120 oC, e o tanque
3.213 A água em um tanque A está a 250 kPa
rígido B tem volume igual a 0,4 m3 e con-
com título de 10% e massa de 0,5 kg. O
tém água a 600 kPa e 200 oC. Os tanques
tanque está conectado a um cilindro-pistão
estão conectados ao conjunto cilindro-pis-
que mantém a pressão a 200 kPa e contém
tão, inicialmente, vazio com as válvulas fe-
0,5 kg de água. Inicialmente a temperatura
chadas como mostrado na Figura P3.217.
é de 400 °C. A válvula é aberta o suficien-
O pistão do conjunto inicia seu movimento
te e o calor é transferido, de modo que, no quando a pressão interna se torna igual a
estado de equilíbrio final, a temperatura 800 kPa. As válvulas são abertas vagarosa-
é uniforme e igual a 150 °C. Determine a mente e o calor é transferido para a água
pressão e o volume finais, o trabalho e a até que se atinja um estado uniforme com
transferência de calor no processo. temperatura igual a 250 oC. Determine a
3.214 Dois tanques rígidos estão cheios de água pressão e o volume do estado final, o tra-
(Figura P3.214). O tanque A tem 0,2 m3 e balho realizado e a transferência de calor
está a 100 kPa e 150 °C, e o tanque B tem no processo.
0,3 m3 e contém água como vapor satura-

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A Primeira Lei da Termodinâmica e Equação da Energia 151

P0

H2O

FIGURA P3.220

A B 3.221 Duas molas com a mesma constante de


mola são instadas em um cilindro-pistão,
no qual podemos considerar o pistão de

massa nula e exposta à pressão do ar ex-
FIGURA P3.217
terno de 100 kPa. As duas molas estão
distendidas quando o pistão se encontra
Problemas de Revisão no fundo do cilindro e a segunda mola
toca o pistão quando o volume confinado
3.218 Um conjunto cilindro-pistão contém 10 kg for igual a V = 2 m3. O cilindro (Figura
de água à pressão constante, na tempera- P3.221) contém amônia que inicialmente
tura de 450 oC e ocupando um volume de está a –2 °C , x = 0,13, V = 1 m3, que é,
0,633 m 3. O sistema é, então, resfriado até então, aquecida até que a pressão interna
20 oC. Apresente o diagrama P-v, e o tra- se torne igual a 1 200 kPa. Determine o va-
balho e o calor transferido no processo. lor da pressão na amônia, no momento em
3.219 Um conjunto cilindro-pistão, como mos- que o pistão toca a segunda mola. Calcule
trado na Figura P3.171, contém 1 kg de também a temperatura final do processo e
água a 20 oC com volume de 0,1 m 3. Ini- o trabalho realizado pela amônia, além do
cialmente, o pistão se apoia nos esbar- calor transferido.
ros com sua superfície superior exposta
à atmosfera, P0, e possui uma massa tal
que para se movimentar será necessária P0
uma pressão na água de 400 kPa. A que
temperatura deve ser aquecida a água
para que desloque o pistão? Se no aque-
cimento atingir o estado saturado, deter- NH3
mine a temperatura final, o volume, e o
FIGURA P3.221
trabalho 1W 2.
3.220 O conjunto cilindro-pistão contém 2 kg 3.222 A amônia (NH3) está confinada em um tan-
de água (Figura P3.220), com um pistão que rígido e selado a 0 °C, x = 50% é, então,
de massa nula e submetido à ação de uma aquecida até 100 °C. Encontre o estado fi-
mola linear e da pressão atmosférica. O vo- nal P2, u2, o trabalho específico e o calor
lume da câmara no estado inicial é 0,2 m3 específico transferido.
e a mola apenas toca o pistão de modo que 3.223 Um conjunto cilindro-pistão contém 50 L
a pressão na água é P1 = P0 = 100 kPa. Se de ar a 300 °C, 110 kPa, com o pistão ini-
o pistão encontrar o batente, o volume da cialmente apoiado em esbarros. Para equi-
câmara é 0,8 m3 e a temperatura na água é librar o total das forças externas que agem
600 °C. A água é agora aquecida até que a no pistão é necessária uma pressão interna
pressão atinja 1,2 MPa. Trace o diagrama de 200 kPa. O cilindro é feito de aço e ini-
P-V, e determine o trabalho, bem como o cialmente está a 1300 °C. O sistema está
calor transferido no processo. isolado de tal forma que só há troca de ca-
lor entre o aço do cilindro e o ar. O conjunto

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152 Fundamentos da Termodinâmica

chega ao equilíbrio. Encontre a temperatu- 3.227 Um cilindro vertical (Figura P3.227) tem
ra final, o trabalho feito pelo ar no proces- um pistão de 61,18 kg travado por um pino
so, e trace o diagrama P-V correspondente. e contém 10 L de R-410a a 10 °C e título
90%. A pressão atmosférica é de 100 kPa e
3.224 Um arranjo cilindro-pistão tem um pistão
a área da seção transversal é de 0,006 m2.
carregado com a pressão atmosférica e sua
O pino é removido e o pistão se move até
massa gerando uma pressão de 150 kPa. O
o R-410a atingir o equilíbrio à temperatura
conjunto contém água a –2 °C, que é aque-
de 10 °C. Determine a pressão final, o tra-
cida até o estado vapor saturado. Encontre
balho realizado, e o calor transferido para o
a temperatura final, o trabalho específico e
R-410a.
o calor específico no processo.
P0
3.225 Um dispositivo cilindro-pistão contém 1 kg
Ar g
de amônia a 20 °C com um volume de 0,1
m3, como mostrado na Figura P3.225. Ini-
cialmente, o pistão repousa sobre os es-
barros com a sua superfície superior su- Pino
jeita à pressão atmosférica, P0, de modo
R-410a
que, para movê-lo, é necessária a pressão
de 1 400 kPa. A que temperatura a amônia FIGURA P3.227
deve ser elevada para mover o pistão? Se 3.228 Um cilindro tendo um volume inicial de 3 m3
o aquecimento leva a amônia ao estado de contém 0,1 kg de água a 40 °C. A água é,
vapor saturado, determine a temperatura então, comprimida em um processo iso-
e o volume finais, bem como o calor troca- térmico quase estático até ter o título de
do, 1Q2. 50%. Calcule o trabalho realizado, dividin-
P0
do o processo em duas etapas. Conside-
re que o vapor d’água se comporta como
g
um gás ideal durante a primeira etapa do
processo.
NH3 3.229 Um arranjo cilindro-pistão com mola con-
FIGURA P3.225 tém R-134a a 20 °C, título de 24% e volu-
me de 50 L. Estabelecida essa condição
3.226 A Figura P3.226 mostra um cilindro isola- inicial o R-134a é aquecido e se expande,
do, que contém 2 kg de água a 100 °C , com
movendo o pistão. É observado que quando
título de 98% e apresenta o pistão travado
a última gota de líquido desaparece, a tem-
por um pino. A área da seção transversal do
peratura é 40 °C. O aquecimento é inter-
cilindro é 100 cm2, o pistão tem uma massa
rompido quando a temperatura é de 130 °C.
de 102 kg e a pressão atmosférica é igual
Confira, por iteração, que a pressão final
a 100 kPa. O pino é, então, removido, per-
está entorno de 1 200 kPa e calcule o tra-
mitindo que o pistão se mova. Admitindo
balho realizado no processo.
que o processo seja adiabático, determine
o estado final da água. 3.230 Um cilindro-pistão, semelhante ao arranjo
da Figura P3.225, contém 1 kg de água a
P0 100 °C com x = 0,5, e o pistão encontra-
-se apoiado nos esbarros. A pressão que
g equilibra o pistão é de 300 kPa. A água é
aquecida até 300 °C por meio de um aque-
H2O cedor elétrico. Em que temperatura toda
a fase líquida terá se dissipado? Encontre
FIGURA P3.226 (P, v) finais, o trabalho, e o calor trocado
no processo.

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A Primeira Lei da Termodinâmica e Equação da Energia 153

3.231
O conjunto cilindro-pistão-mola linear 3.234 Considere o arranjo cilindro-pistão mostra-
mostrado na Figura P3.321, onde na parte do na Figura P3.234. O pistão do arranjo
externa atua a pressão atmosférica, con- pode deslizar livremente e sem atrito entre
tém água, a 3 MPa e 400 °C, e apresenta dois conjuntos de esbarros. Quando o pis-
volume de 0,1 m3. Se o pistão estiver en- tão repousa sobre os esbarros inferiores, o
costado no fundo do cilindro, a mola exer- volume da câmara é 400 L, e quando o pis-
cerá uma força sobre ele tal que a pressão tão atinge os esbarros superiores, o volume
interna necessária para movimentar o pis- é 600 L. O cilindro contém, inicialmente,
tão será de 200 kPa. O sistema é resfriado água a 100 kPa e com título de 20%. Esse
até a pressão atingir 1 MPa. Determine o sistema é, então, aquecido até atingir o
calor transferido no processo. estado de vapor saturado. A massa do pis-
tão requer 300 kPa de pressão para mo-
P0
vê-lo contra a pressão do ambiente exter-
no. Determine a pressão final no cilindro,
o calor transferido e o trabalho para todo o
processo.

P0
H 2O

FIGURA P3.231 g

3.232 O tanque A, mostrado a Figura P3.232, apre- H 2O


senta volume interno igual a 1 m3 e contém
FIGURA P3.234
ar a 25 oC e 500 kPa. Ele está conectado por
um tubo com válvula a outro tanque conten- 3.235 Dois quilogramas de amônia em um cilin-
do 4 kg de ar a 60 oC e 200 kPa. A válvula é dro-pistão estão a 100 kPa, –20 °C, e são
aberta e o ar atinge o equilíbrio térmico com aquecidos em um processo politrópico com
o ambiente a 20 °C. Determine a pressão do n = 1,3 até a pressão atingir 200 kPa. Sem
ar no estado final e a transferência de calor utilizar a aproximação de gás ideal, deter-
nesse processo, admitindo que o calor es- mine T2, o trabalho e o calor trocados no
pecífico do ar seja constante e igual àquele processo.
referente à temperatura de 25 oC.
3.236 Um pequeno balão flexível contém 0,1 kg
de amônia a −10 °C e 300 kPa. O material
A do balão é tal que a pressão interna varia
linearmente com o volume. O balão é dei-
xado ao Sol onde a radiação incidente é de
75 W e a perda de calor é de 25 W para o
B solo e para o ar ambiente. Após certo tem-
po, o balão é aquecido até 30 °C e a pres-
FIGURA P3.232 são atinge 1 000 kPa. Determine o trabalho
rea­lizado, a transferência de calor e o tem-
3.233 Um contêiner rígido tem dois espaços
po decorrido nesse processo.
cheios com água de 1 m3 cada, separados
por uma parede (veja Figura P3.210). O 3.237 Um conjunto cilindro-pistão contém 0,1 kg
espaço A tem pressão P = 200 kPa e título R-134a e título x = 0,2534, a –20 °C. Es-
x = 0,80 e o espaço B tem P = 2 MPa e barros são fixados de tal maneira que
T = 400 °C. A parede divisória é retirada e, Vesbarros = 3 V1, veja Figura P3.237. O siste-
em razão da transferência de calor, a água ma é agora aquecido até a temperatura fi-
atinge um estado uniforme à temperatura nal de 20 °C. Determine o trabalho e o calor
de 200°C. Determine a pressão final e a transferido no processo e desenhe o dia-
transferência de calor no processo grama P-v.

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154 Fundamentos da Termodinâmica

P0 válvula é aberta e a água atinge um estado


uniforme em A e B.
mp a. Determine as massas iniciais em A e B.
NH3 b. Se a temperatura resultar em T2 =
200 °C, calcule a transferência de calor e
FIGURA P3.237
o trabalho realizado.
3.238 A Figura P3.238 mostra um conjunto ci-
lindro-pistão que contém R-410a a –20 °C,
x = 20%. O volume da câmara é 0,2 m3. O
volume da câmara, quando o pistão encos-
ta nos esbarros é 0,4 m3, e ao pistão tocar
o fundo do cilindro a força da mola ape- A B
nas equilibra as outras forças que possam
existir na ausência da pressão interna. O
conjunto é aquecido até que a temperatura
atinja 20 °C. Determine a massa de refrige-
rante, o trabalho realizado e o calor trans-
ferido no processo. Faça, também, um dia- FIGURA P3.240
grama P-v para o processo. 3.241 Considere o arranjo mostrado na Figura
P3.241. O tanque A tem volume de 100
L e contém vapor saturado de R-134a a
30 °C. Quando a válvula é entreaberta, o
refrigerante escoa vagarosamente para o
cilindro B. A pressão necessária para le-
vantar o pistão no cilindro B é 200 kPa.
R-410a
O processo termina quando a pressão no
FIGURA P3.238
tanque A cai para 200 kPa. O calor é troca-
do com o entorno durante o processo, de
3.239 Um balão esférico contém 2 kg de R-410a modo que a temperatura de todo o refrige-
a 0 °C com título de 30%. Esse sistema é rante é mantida constante e igual a 30 °C.
aquecido até a pressão no balão atingir Calcule o calor transferido no processo.
1 MPa. Para esse processo pode-se assumir
que a pressão é diretamente proporcional
ao diâmetro do balão. Como a pressão varia
com o volume e qual é o calor trocado no
processo? g
Tanque Cilindro
A B
3.240 A Figura P3.240 mostra um conjunto cilin-
dro-pistão, onde B está conectado ao tan-
que A, que tem volume de 1 m3, por uma
tubulação com válvula de controle. Inicial-
Pistão
mente, ambos contêm água, sendo que o
tanque A contém vapor d’água saturado a Válvula

100 kPa e o cilindro B apresenta volume de FIGURA P3.241
1 m3 e a água está a 400 °C e 300 kPa. A

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A Primeira Lei da Termodinâmica e Equação da Energia 155

PROBLEMAS ABERTOS, PROJETOS E APLICAÇÃO DE COMPUTADORES


3.242 Um conjunto cilindro-pistão contém água. 3.245 Use o software fornecido no site da editora
Inicialmente, o volume ocupado pela para acompanhar o processo descrito no
água é 0,025 m3 e o vapor está saturado a Problema 3.96 com intervalos de tempera-
200 °C. O vapor, então, se expande até a tura de 10 °C até alcançar a região bifásica
pressão final de 200 kPa em um processo e, então, a partir daí com intervalos de 5%
quase estático e isotérmico. Determine o no título. Em cada fim de intervalo, apre-
trabalho realizado nesse processo pela in- sente os valores de T, x e a transferência
tegração numérica da área abaixo da curva de calor ocorrida desde o estado inicial.
do processo no diagrama P-V. Utilize cerca
3.246 Examine a sensibilidade da pressão final ao
de 10 pontos para construir a curva e adote
volume da contenção descrita no Problema
um programa de computador para calcular
3.10. Resolva para o volume no intervalo de
o volume final a 200 °C e em diversas pres-
pressão final de 100 kPa a 250 kPa e es-
sões. Qual será o erro cometido, se utilizar-
quematize a curva pressão em função do
mos a hipótese de que a água se comporta
como um gás ideal? volume.

3.243 Reconsidere o processo descrito no Proble- 3.247 Usando estados com dados (P, v) e proprie-
ma 3.170 no qual são especificados três es- dades dadas no software fornecido no site
tados. Resolva o problema utilizando uma da editora, desenvolva um procedimento
única curva “suave” (P em função de v) para simular o processo do Problema 3.105.
ajustada aos três pontos. Mostre o proces- Escolha cinco pressões, entre as pressões
so no diagrama (incluindo temperatura e inicial e final do processo, e construa os
título) durante o processo. gráficos da temperatura, do calor transfe-
rido e do trabalho fornecido em função do
3.244 Uma força externa atua no pistão de um volume da câmara.
conjunto cilindro-pistão e comprime o va-
por de amônia contido no conjunto. Inicial- 3.248 Desenvolva um procedimento para simular
mente, a amônia está a 30 °C, 500 kPa, e o processo descrito no Problema 3.115, de
a pressão final do processo de compressão modo a construir os gráficos do calor trans-
é 1 400 kPa. A tabela apresenta um con- ferido e do trabalho realizado em função do
junto de dados obtidos nesse processo de volume.
compressão. 3. 249 Escreva um programa de computador para
resolver o Problema 3.123 para uma faixa
Pressão [kPa] Volume [L]
de velocidade inicial. A massa do automó-
500 1,25 vel e a velocidade final devem ser entradas
653 1,08
do programa.

802 0,96 3.250 Compare, para uma das substâncias relacio-


nadas na Tabela A.6, a diferença de entalpia
945 0,84 entre as temperaturas T1 e T2 obtida pela
1 100 0,72 integração da equação do calor específico
utilizando; o calor específico constante e
1 248 0,60
obtido da temperatura média do intervalo;
1 400 0,50 e o calor específico constante e avaliado
para um T1.
Determine o trabalho realizado pela amô-
nia computando a área sob a curva P-V 3.251 Considere uma versão genérica do Proble-
representativa do processo. A plotagem ma 3.144 com uma das substâncias listadas
mostrará a pressão P com a altura e a alte- na Tabela A.6. Escreva um programa em
ração no volume como a base de inúmeros que a temperatura e a pressão iniciais e a
retângulos. temperatura final são variáveis de entrada.

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156 Fundamentos da Termodinâmica

3.252 Escreva um programa de computador para 3.254 Um tanque cilíndrico, com 2 m de altura
o Problema 3.163, no qual as variáveis de e seção transversal igual a 0,5 m2, contém
entrada do programa sejam o estado inicial, água quente a 80 °C e 125 kPa. O tanque
a relação entre os volumes e o expoente está em um ambiente a T = 20 °C, assim,
politrópico. Admita que o calor específico lentamente, energia é perdida para o am-
seja constante para simplificar o desenvol- biente, proporcionalmente à diferença en-
vimento do programa. tre as temperaturas.
·
3.253 Estude o processo em que ar a 300 K e Qperda = CA(T – T 0 )
100 kPa é comprimido, em um conjunto ci-
em que C é uma constante e A é a área da
lindro-pistão, até a pressão de 600 kPa. Ad-
superfície do tanque. Estime o tempo ne-
mita que o processo seja politrópico com
cessário para que a temperatura da água
expoentes que variam de 1,2 a 1,6. Calcule
atinja 50 °C. Para isso, utilize vários valo-
o trabalho necessário e a transferência de
res de C. Faça hipóteses simplificadoras
calor por unidade de massa de ar. Discuta
suficientes de modo a resolver o problema
os resultados obtidos e indique como esses
analiticamente, obtendo a fórmula T(t).
processos podem ser implantados isolando
o conjunto ou propiciando aquecimento ou
resfriamento.

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Análise Energética para um Volume de Controle 157

4
Análise Energética
para um Volume de
Controle
No capítulo anterior desenvolvemos a análise energética para um sistema que
passa por determinado processo. Muitas aplicações em termodinâmica não são
adequadamente tratadas utilizando-se o conceito de sistema, mas são mais bem
trabalhadas quando adotamos a técnica mais geral que é a do volume de con-
trole, como abordamos no Capítulo 1. Neste capítulo, nos preocupamos com o
desenvolvimento das equações de conservação de massa e energia para volumes
de controle, em situações em que estão presentes fluxos de substâncias.

4.1 CONSERVAÇÃO DE MASSA E O VOLUME DE CONTROLE


O volume de controle, apresentado no Capítulo 1, é útil para definir a parte do
espaço que inclui o volume de interesse para o estudo ou análise de um pro-
cesso. A superfície que envolve esse volume é chamada superfície de controle
que veste completamente o volume. Massa, assim como o calor e trabalho, pode
atravessar a superfície de controle, e a massa junto com suas propriedades po-
dem variar ao longo do tempo. A Figura 4.1 mostra o esquema de um volume de
controle que apresenta transferência de calor, trabalho de eixo, movimento de
fronteira e acúmulo de massa, com diversos fluxos. É importante identificar e
rotular cada fluxo de massa e energia, e as partes do volume de controle em que
a massa possa ser armazenada.
Consideremos, em princípio, a lei de conservação da massa aplicada a um
volume de controle. A lei física pertinente à massa, reportando à Seção 3.13,
nos diz que não podemos criar ou destruir massa. Agora expressaremos mate-
maticamente, essa afirmação, aplicando-a ao volume de controle. Para isso, le-
vemos em conta todos os fluxos de massa que entram, saem e o acúmulo líquido
no interior do volume de controle. Como um exemplo simples de um volume de
controle, consideremos um tanque com um conjunto cilindro-pistão e duas tu-
bulações acopladas, como mostrado na Figura 4.2. A taxa de variação da massa
dentro do volume de controle pode ser diferente de zero se adicionamos ou re-
tiramos massa do volume de controle, ou seja,
Taxa de variação = + entrada – saída

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158 Fundamentos da Termodinâmica

Superfície de controle deve à entrada e/ou à saída de massa.


Vapor à alta pressão Não há outra maneira de a massa no
Vazão mássica interior do volume de controle mu-
= m· e
Eixo ligando a dar. A Equação 4.1 é normalmen-
turbina ao
Turbina te chamada equação da continuida-
Vapor à à vapor · gerador
Acumulador W de. Entretanto, enquanto essa forma
pressão
inicialmente intermediária
em vácuo Vapor à baixa pressão de apresentação é suficiente para a
Vazão mássica maioria das aplicações em termodi-
= (m· s)vapor à baixa pressão
· nâmica, ela é frequentemente rees-
W
crita em termos de propriedades lo-
Vapor em cais do fluido, no estudo da mecânica
expansão
contra um dos fluidos e da transferência de ca-
êmbolo lor. Neste livro, estamos mais interes-
Trocador
de calor
sados em balanços globais de massa
Condensado
vazão mássica e, por isso, consideraremos a Equação
= (m· s)condensado 4.1 como a expressão geral da equa-
ção da continuidade.
·
QV.C. = taxa de transferência de calor A Equação 4.1 leva em considera-
ção a massa total (um bolo só) conti-
Figura 4.1 da no volume de controle. Mas, podem
Diagrama esquemático de um volume de controle mostrando as transferên- ocorrer situações em que seja necessá-
cias e acúmulos de massa e energia.