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EXMA. SRA.

JUÍZA DE DIREITO DA 3ª VARA CÍVEL DA COMARCA DE SANTA


LUZIA

Autos nº 5003244-55.2020.8.13.0245

EDUARDO RODRIGUES DOS SANTOS, brasileiro, casado, mecâ nico,


titular da carteira de identidade nº MG 4.459.518, portador do CPF 714.011.216-91
com residência e domicílio na Rua Iracema, nº 43, Bairro Sã o Cosme, Santa Luzia -
MG, CEP 33.130-030, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência,
assistido pela DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DE MINAS GERAIS, por meio
de seu ó rgã o de execuçã o que ao final subscreve, apresentar CONTESTAÇÃO À
AÇÃO DE DIVÓRCIO LITIGIOSO C/C OUTROS PEDIDOS que lhe move ADRIANA
DE JESUS ALVES, já qualificada, consoante os fatos e fundamentos a seguir
aduzidos.

I. SÍNTESE DOS FATOS

A requerente ajuizou a presente Açã o de divó rcio litigioso com


regulamentaçã o de guarda e alimentos, aduzindo que nã o tem mais condiçõ es de
conviverem, em razã o do modo agressivo do requerido.

Foram fixados alimentos provisó rios no valor de 85% (oitenta e cinco


por cento) do salário mínimo, aos filhos AMANDA ALVES SANTOS, POLIANE
ALVES SANTOS, PAULO HENRIQUE ALVES SANTOS E ANA BEATRIZ ALVES
SANTOS.

Em razã o disso, considerando que passou a fluir o prazo processual,


segue contestaçã o pelos fundamentos a seguir expostos.

Fórum de Santa Luzia – Av. das Industrias, nº 210, Vila Olga. Sala 205.

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I.I - DA TEMPESTIVIDADE.

Destaca-se, inicialmente, que a presente manifestaçã o se mostra


regular e tempestiva, uma vez que o prazo para a apresentaçã o de defesa apenas
começa a fluir a partir da juntada do mandado de citaçã o nos autos.

Como é sabido, é prerrogativa da Defensoria Pú blica a intimaçã o


pessoal e o cô mputo em dobro de todos os prazos processuais, nos termos do art.
186 do CPC c/c art.128, I, da Lei Complementar Federal 80/94 e art.74, I, da Lei
Complementar Estadual 65/03.

Dessa forma, é tempestivo o presente expediente.

II. REALIDADE DOS FATOS E DOS FUNDAMENTOS JURÍDICOS

II.1. DO DIVÓRCIO

De acordo com a norma disposta no art. 1.571, IV, do Código Civil e


Emenda Constitucional nº 66 de 14 de julho de 2010, o casamento civil pode ser
dissolvido pelo divórcio. Registra-se que após a referida EC não há mais exigência da
separação prévia, de lapso temporal, bem como, ficou abolida a discussão de culpa.

Portanto, é direito potestativo do Requerente de nã o mais


permanecer casado, especialmente como no presente caso, tendo em vista que a
sociedade conjugal já sucumbiu há anos.

II.2. DA GUARDA

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O requerido nã o concorda que a guarda judicial dos menores seja da
requerente. Ademais, o requerido exerce melhores condiçõ es de cuidar de seus
filhos.

Desse modo faz-se necessá rio estudo social e a concessã o da guarda


unilateral ao requerido, por ser a demanda de natureza dú plice, ou, caso V.Exª.
assim nã o entenda, em pleito reconvencional, que ora se firma (art. 343 e seguintes
do CPC).

II.3. DA PARTILHA DE BENS

O casal nã o adquiriu bens na constâ ncia do casamento.

II.4. DA PENSÃO ALIMENTÍCIA

O requerido nã o se nega a prestar alimentos a seus filhos. Ao contrá rio,


pretende cumprir com sua obrigaçã o, caso realmente a guarda judicial seja
concedida à requerente. Contudo, o requerido não possui condições para arcar
com o valor estipulado de alimentos provisórios.

O requerido também possui despesas mensais com luz, água,


alimentação e medicamentos.

Assim, analisando-se a atual realidade econô mica do requerido,


depreende-se que a eventual fixaçã o dos alimentos no montante pleiteado e o
fixado provisoriamente em 85% do salá rio mínimo, fatalmente, comprometeria ou
compromete o seu sustento.

A requerente pleiteia uma pensã o teratoló gica e o valor fixado sequer


possibilita ao requerido honrar, pois como poderia o requerido arcar com
alimentos no valor de 85% do salá rio mínimo, quando sequer aufere tal quantia
para o seu sustento?

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Ademais, à s necessidades dos alimentandos sã o presumidas em razã o
da menoridade, no entanto, imperioso ressaltar que os menores sã o crianças
saudá veis, nã o apresentando grandes gastos que justifiquem a fixaçã o da pensã o
no montante pleiteado.

Como cediço, os alimentos – tanto os definitivos quanto os provisó rios


– devem ser fixados tendo em vista o trinô mio possibilidade-necessidade-
proporcionalidade, ainda que fundados no dever de sustento que emerge do
poder familiar, como na hipó tese vertente. A esse respeito, oportuno citar o escó lio
de Cristiano Chaves De Faria e Nelson Rosenvald:

“Para fixação do quantum alimentar, portanto, leva-se em conta a


proporcionalidade entre a necessidade do alimentando e a capacidade
do alimentante, evidenciando um verdadeiro trinômio norteador do
arbitramento da pensão.

Ponderando, com prudência, as múltiplas necessidades do credor para


ter uma vida digna e a possibilidade de contribuição do devedor, deve o
juiz chegar a um quantum baseado na equidade. Por isso, não há – e
nem poderia ser de outro modo – um percentual fixo ou recomendável
para a pensão alimentícia. Em cada caso, se obterá o valor
proporcional, consideradas as condições particulares de cada pessoa”
(Direito das Famílias. 3ª. ed. Rio de Janeiro: Editora Lumen Juris, 2011,
p. 763)

Assim, um dos pilares da obrigaçã o alimentar reside na possibilidade


ou capacidade econô mica do alimentante, tendo em mente os princípios da
razoabilidade e da proporcionalidade (art. 1694, §1º, do Có digo Civil).

Nesse contexto, imprescindível sopesar os interesses dos


alimentandos em confronto com a capacidade econô mica do alimentante. Afinal, “a
lei não quer o perecimento do alimentando, mas também não deseja o
sacrifício do alimentante." (MONTEIRO, Washington de Barros. Curso de Direito

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Civil - Direito de Família, v. 2, 13ª ed., 1975, apud CAHALI, Yussef Said, "Dos
Alimentos", cit. pá g. 479).

Diante do exposto, considerando-se a natureza dúplice da ação ou,


subsidiariamente, em reconvenção, cfe. dispõe o art. 343 do CPC, o Requerido
requer, em razão da concessão da guarda em seu favor, que a Requerente
preste a verba alimentar aos seus filhos no montante de 50% (cinquenta por
cento) do salário mínimo.

III. DA NECESSIDADE DE MODIFICAÇÃO DO VALOR DOS ALIMENTOS


PROVISÓRIOS.

Por intermédio da respeitá vel decisã o foram fixados alimentos


provisó rios em 80% (oitenta por cento) do salá rio mínimo. Como demonstrado, tal
quantia mostra-se consideravelmente superior às atuais possibilidades do
requerido e necessidades dos infantes, e fatalmente comprometerá a
sobrevivência do requerido, caso nã o seja prontamente revista.

Observa-se que o julgador, no instante em que proferiu a referida


decisã o, nã o dispunha de qualquer elemento ou parâ metro seguro quanto aos
atuais ganhos do alimentante e das necessidades do alimentando, razã o pela qual
levou em consideraçã o apenas a narrativa descrita na peça inaugural.

Agora, diante das informaçõ es trazidas pelo requerido e, considerando


que o magistrado pode, a qualquer tempo, modificar a decisã o provisó ria, esta
deve ser revista fixando-se os provisó rios em montante não superior a 50%
(cinquenta por cento) do salário mínimo, em consonância com os princípios
da possibilidade, necessidade e da proporcionalidade.

Para corroborar, colhe-se da jurisprudência o seguinte:

“AGRAVO DE INSTRUMENTO-CV Nº 1.0525.14.000155-9/001 -


COMARCA DE POUSO ALEGRE - DES. ALBERTO VILAS BOAS.
“EMENTA: FAMÍLIA - ALIMENTOS PROVISÓ RIOS - DEVEDOR QUE

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POSSUI OUTRA FILHA E PAGA PENSÃ O MENSAL - REDUÇÃ O DE SUA
CAPACIDADE ECONÔ MICA - MODIFICAÇÃ O DO VALOR DA
PRESTAÇÃ O ALIMENTÍCIA - POSSIBILIDADE - AGRAVO PROVIDO
PARCIALMENTE. - Os alimentos provisó rios devem ser fixados de
forma a nã o sacrificar os interesses das partes envolvidas na demanda.
- Hipó tese na qual é cabível a redução dos alimentos, pois a renda
do devedor é de aproximadamente pouco mais de mil e trezentos
reais, sendo certo que paga pensã o mensal a uma outra filha e a
quantia arbitrada na decisã o recorrida poderá comprometer sua
subsistência. PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO”.

“APELAÇÃ O CÍVEL Nº 1.0701.12.021024-3/002 - COMARCA DE


UBERABA - RELATOR. DES. DÁ RCIO LOPARDI MENDES. “EMENTA:
APELAÇÃ O CÍVEL - DIREITO DE FAMÍLIA - AÇÃ O REVISIONAL DE
ALIMENTOS - ALTERAÇÃ O DA SITUAÇÃ O FINANCEIRA DO
ALIMENTANTE - DEMONSTRADA - REDUÇÃ O DO PENSIONAMENTO -
POSSIBILIDADE - CONFIRMAÇÃ O DA SENTENÇA. - À inteligência do
artigo 1.699 do CC/2002, a possibilidade da alteraçã o jurídica da
pensã o alimentícia está lastreada em uma questã o de fato, consistente
na oscilaçã o financeira daquele que está obrigado a presta-lá ou
daquele que aufere o benefício. - A fixação de pensão alimentícia
não pode impor sacrifício excessivo ao alimentante, devendo
haver, por isso, uma proporcional distribuição dos encargos na
medida de sua disponibilidade e da necessidade do menor. -
Tendo em vista a renda auferida pelo alimentante, a existência de
outros 3 (três) filhos menores e o binô mio possibilidade/necessidade,
entendo ser excessiva a fixaçã o de alimentos provisó rios em 85% do
salá rio mínimo, como foi feito inicialmente, devendo prevalecer o
entendimento adotado na sentença que reduziu o valor dos alimentos,
até porque o apelado também tem suas despesas pessoais”.

IV. DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS

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Por tudo o que restou exposto, requer:

1. Seja designada audiência de conciliaçã o, nos termos do art. 334 do


CPC;

2. Seja julgado totalmente improcedente o pedido de guarda, devendo a


guarda ser concedida ao requerido, considerando-se a natureza dú plice da açã o, ou
subsidiariamente o pedido reconvencional; assim como seja a Requerente
condenada a pagar alimentos em montante não inferior a 50% (cinquenta por
cento) do salário mínimo, considerando-se, novamente, a natureza dú plice da
açã o, ou subsidiariamente o pedido reconvencional,;

3. Seja revista e modificada a decisão provisória, considerando a


incapacidade financeira do réu, fixando-se os provisó rios em montante não
superior a 50% (cinquenta por cento) do salário mínimo.

4. Quanto à partilha, O casal nã o adquiriu bens na constâ ncia do


casamento, por isso nã o há o que falar em partilha.

5. Tendo em vista ser o Requerido hipossuficiente financeiramente e


por estar sob a assistência da Defensoria Pú blica do Estado de Minas Gerais (Lei
Federal 1060/50 e Lei Estadual nº 14.939/03), pede sejam a ele concedidos os
Benefícios da Assistência Judiciá ria Gratuita.

6. A condenaçã o da autora nas despesas processuais e nos honorá rios


de sucumbência destinados ao Fundo de Aparelhamento da Defensoria Pú blica, na
forma do art. 146 da Lei Complementar Estadual 65/03;

7. O cumprimento do disposto no art. 128, inciso I, da Lei


Complementar Federal nº 80/94 e inciso I do art. 74, da Lei Complementar
Estadual nº 65/2003, que estabelecem a intimaçã o pessoal do Defensor Pú blico e a
contagem em dobro de todos os prazos.

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8. Por derradeiro, requerer provar o alegado por todos os meios de
prova em direito admitidos, especialmente: documental suplementar;
testemunhal, cujo rol será apresentado oportunamente; depoimento pessoal da
autora.

Nesses termos, aguarda deferimento.

Santa Luzia, data da assinatura eletrô nica.

FILIPE GOMES BENJAMIM PEREIRA


Defensor Público
Madep 898
MADEP 898

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