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Bioética

Profa Ana Paula de Mattos Arêas Dau

Introdução à Biotecnologia e à Bioética

A Biotecnologia pode ser definida como a área da Ciência


que estuda o uso de seres vivos em processos e obtenção de
produtos. Segundo a Convenção sobre diversidade Biológica da
ONU, a "Biotecnologia define-se pelo uso de conhecimentos
sobre os processos biológicos e sobre as propriedades dos seres
vivos, com o fim de resolver problemas e criar produtos de
utilidade."
Biotecnologia é uma área interdisciplinar que envolve
áreas de conhecimento bem definidas, como a Bioquímica, a
Química, a Engenharia e, ultimamente, direito, administração e
Economia. A interdependência da Biotecnologia com áreas
correlatas pode ser vista na figura 1:

Figura 1: Interdependência da Biotecnologia com outras áreas


do conhecimento. Figura de livre acesso retirada de
http://pt.wikipedia.org/wiki/Biotecnologia.
1
Até a década de 70, Biotecnologia era um termo ainda
pouco usado, mas com a chegada da Tecnologia do DNA
recombinante e os avanços tecnológicos do final do século XX,
a área se desenvolveu e hoje muitos processos podem ser
considerados biotecnológicos.
A História da Biotecnologia se confunde com os avanços
da Genética clássica para a manipulação genética, através da
tecnologia do DNA recombinante. As aplicações da
Biotecnologia também evoluíram com o passar do tempo.
Originalmente, a Biotecnologia se ocupava do melhoramento de
produtos agrícolas e de raças de gado de corte e leiteiro, mas
atualmente, a Biotecnologia também está presente na pesquisa
biomédica, como a pesquisa com células-tronco, engenharia de
tecidos e órgãos humanos entre outras áreas.
O rápido avanço da Biotecnologia também trouxe muitas
preocupações e mitos no meio não científico. Diversos setores
da sociedade, baseados em fatos parciais já se posicionaram de
forma contrária aos avanços da Biotecnologia e uma ampla
discussão tem sido travada no âmbito parlamentar.
Recentemente, a pesquisa com células-tronco embrionárias
provenientes de bancos de embriões em Clínicas de fertilização
in vitro brasileiras foi aprovada.
Com estes avanços ocorrendo de forma tão acelerada,
torna-se essencial a discussão das aplicações destas tecnologias
à luz da Bioética. Um grande passo para a consolidação de
diretrizes para o trabalho biotecnológico foi a publicação da
Declaração Universal sobre Bioética e Direitos Humanos da
Unesco em 1997 [1].
Esta declaração trata das questões de ética suscitadas pela
medicina, inclusive pela relação médico-paciente, pelas ciências
da vida e pelas tecnologias que lhes estão associadas, aplicadas
aos seres humanos, tendo em conta as suas dimensões social,
jurídica e ambiental. Esta declaração também permite, na
medida apropriada e pertinente, orientar as decisões ou práticas
de indivíduos, grupos, comunidades, instituições e empresas,
públicas e privadas à luz dos valores éticos comuns [1].
2
O Programa de Bioética da Unesco foi fundado em 1993,
com o objetivo de envolver as nações na discussão internacional
e transcultural sobre as implicações éticas, sociais, culturais e
legais dos progressos das ciências da vida como clonagem,
testes genéticos, pesquisa com células-tronco, entre outras [1].
A Ética por si só depende do contexto social e cultural
onde está inserida. De modo geral, esta define-se como o
conjunto de valores morais praticados em uma sociedade. Desta
forma, o que é considerado ético em uma sociedade, não o é em
outra. Por isso, Comitês de Ética devem considerar os valores
morais presentes nas sociedades estudadas. Embora subjetivo, o
conceito de Ética e Bioética possui pilares fundamentais,
fixados por diversos documentos. No Brasil, estes conceitos
podem ser encontrados na Resolução 196/96 do Conselho
Nacional de Saúde (CNS) [2]. Estes preceitos envolvem a
autonomia do indivíduo de estudo, a beneficência trazida pelo
estudo, a não-maleficência do mesmo, a justiça e equidade de
todos no estudo.
Para se entender um pouco mais sobre Biotecnologia e
Bioética, nesta aula vamos ler dois artigos sobre estes temas.

Referências
[1] Portal da UNESCO sobre Bioética:
http://portal.unesco.org/shs/en/ev.php-
URL_ID=1372&URL_DO=DO_TOPIC&URL_SECTION=201
.html, acessado em 05/01/2010.
[2] Portal do SUS sobre a resolução 196/96 do CNS:
http://www.datasus.gov.br/conselho/resol96/RES19696.htm