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OAB 140º - 1ª Fase – Extensivo Semanal

Disciplina: Direito do Consumidor


Professor Brunno Giancoli
Data: 12/11/2009

TEMAS ABORDADOS EM AULA

1ª Aula: Direito do Consumidor, Relação Jurídica de Consumo, Sujeitos da Relação de Consumo,


Elementos Objetivos, Princípios e Responsabilidade Civil nas Relações do Consumo.

1. Direito do Consumidor
Lei nº. 8.078/90 – Código de Defesa do Consumidor
Estabelecem as normas de ordem pública e interesse social, com aplicação a todas as relações jurídicas
materiais de consumo.

1.1 Estrutura do CDC

Tutela material:

Definição da relação de consumo;


Definição da política nacional das relações de consumo;
Reparação de danos;
Práticas comerciais;
Proteção contratual.

Tutelas complementares:

Tutela penal;
Tutela administrativa;
Tutela processual.

2. Relação Jurídica de Consumo


Elementos Subjetivos básicos desta relação:
a) subjetivo: esta relacionado com os sujeitos que envolvem a relação de consumo: o consumidor e o
fornecedor;
b) objetivo: esta relacionado com o objeto da relação de consumo: produto ou serviço;
c) finalístico: representa a finalidade que os sujeitos da relação de consumo têm com o objeto da relação de
consumo, o produto ou serviço deve ser adquirido como destinatário final (consumidor final).

3. Sujeitos da Relação de Consumo


a) Consumidor
Art. 2° do CDC: “Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como
destinatário final”.
Consumidor, portanto, pode ser pessoa física ou jurídica, pública ou privada, onde o bem adquirido
necessariamente tem que ser de consumo. Bem de insumo não pode.

* Não pode haver lucro em cima deste bem.

a.1) Consumidor por Equiparação


Parágrafo único do artigo 2ª e artigos 17 e 29 do Código de Defesa do Consumidor. – “Equipara-se a
consumidor a coletividade de pessoas, ainda que indetermináveis, que haja intervindo nas relações de
consumo”.
* Aquele que participa indiretamente da relação de consumo também pode ser considerado consumidor.
a.2) Consumidor Pessoa Jurídica
Os bens adquiridos pela pessoa jurídica devem ser de consumo e não de capital.
3.1) Teorias das Relações de Consumo

a) Teoria “Objetiva ou Maximalista”: identifica como consumidor a pessoa física ou jurídica que adquire o
produto ou serviço como destinatário final, pouco importando qual será o seu uso.

b) Teoria “Finalista, Subjetiva ou Teológica (minimalista)”: identifica como consumidor a pessoa física ou
jurídica que retira definitivamente de circulação o produto ou serviço do mercado, utilizando o serviço para
suprir a necessidade ou satisfação pessoal.

c) Teoria “Híbrida ou Mista”: surgiu através de interpretações jurisprudenciais (posição do STJ),


reconhecendo como consumidor a pessoa física ou jurídica que adquire o produto ou serviço em razão de
suas atividades, econômicas ou não.

b) Fornecedor

Art. 3º do CDC: “Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica, pública ou privada, nacional ou estrangeira, bem
como os entes despersonalizados, que desenvolvem atividade de produção, montagem, criação, construção,
transformação, importação, exportação, distribuição ou comercialização de produtos ou prestação de
serviços”.

Toda pessoa física, jurídica, pública, privada, nacional ou estrangeira, bem como os entes despersonalizados
que desenvolvam atividade de produção, montagem, criação. Construção, transformação, importação,
exportação, distribuição ou comercialização de produtos ou prestação de serviços.

Obs.: Para memorização das iniciais: CIMTEPCDC (C: criação; I: importação; M: montagem; T:
transformação; E: exportação; P: produção; C: construção; D: distribuição; e C: comercialização).

4. Elementos Objetivos

São os objetos da relação de consumo que podem ser produtos ou serviços.

a) Produtos (art. 3º, § 1º do CDC): bem móvel ou imóvel, material ou imaterial (ex.: compra feita pela
internet), corpóreo ou incorpóreo, durável ou não durável, oneroso ou gratuito.

Obs.: a amostra grátis tem que estar sujeito as regras do código de defesa do consumidor.

b) Serviços (art.3 º, § 2º do CDC): é toda atividade colocada no mercado de consumo mediante remuneração
direta ou indireta. Inclusive de natureza bancária, securitária, creditícia e financeira.

* Ler Súmulas 297 e 312 do STJ

Obs.: caráter trabalhista não é considerado prestador de serviço pelo CDC.


5. Princípios

a) Principio Vulnerabilidade: é o reconhecimento da fragilidade econômica do consumidor diante do poder


dos fornecedores, e uma presunção legal absoluta.

b) Principio da Segurança: todo produto e serviço colocado no mercado de serviço não podem causar risco
as pessoas, art. 8º CDC.
A omissão de informações essenciais de produto e serviço caracteriza violação a segurança.
Uma vez violada a segurança da relação de consumo fica caracterizado o defeito do produto e serviço.
Defeito é uma falha que atinge a segurança.
c) Principio da Boa fé Objetiva: O CDC estabelece um padrão de lealdade e confiança que deve ser
observado em todas as relações de consumo.

6. Responsabilidade Civil nas Relações do Consumo


Elementos essenciais
a) Conduta
b) Nexo causal
c) Dano
d) Culpa

* Responsabilidade pelo fato do produto ou de serviço.


* Responsabilidade pelo vicio do produto e do serviço: é uma falha do produto ou do serviço falha de
inadequação ou impropriedade.Vicio é uma falha relacionada ao uso e fruição do serviço.

7. Exercício do Direito de Reclamação:

A -----------------------------------------------------|B
Aquisição do produto garantia legal (cria lapso temporal para o exercício de reclamação)

Prazo: 90 dias (produtos/serviços duráveis)


30 dias (produtos / serviços não duráveis)

A reclamação é um direito potestativo.

7.1 Prazos decadenciais

1. O fornecedor pode oferecer ao consumidor garantia contratual, cujo prazo será somado a garantia legal,
suspendendo sua contagem.
2. O início da contagem do prazo é feito de acordo com a natureza do vício:

A) vício aparente ou de fácil constatação - o prazo flui da entrega do produto ou do término do serviço;
B) vício oculto - o prazo é contado a partir da constatação do vício pelo consumidor.

Apresentar o produto - fornecedor tem prazo de 30 dias para sanar o vício (prazo de saneamento)

Direito de reclamação Direito de saneamento


|---------------------------------|---------------------------------------|
90 dias 30 dias
(consumidor) (fornecedor)

90 dias: este prazo não pode ser alterado; pode ser somado.

30 dias (fornecedor) – o prazo para saneamento pode ser alterado contratualmente, desde que seja feito em
termo contratual específico; este prazo pode ser reduzido para 7 dias e aumentado para 180 dias.

Opções do consumidor, caso o produto não seja sanado:

1. restituição da quantia + perdas e danos;


2. substituição
3. abatimento proporcional.
O Direito de Reclamação possui Tutela Processual Específica, qual seja, Ação de Obrigação de Fazer -
artigos 18, 19 e 20 CDC.

QUESTÕES SOBRE OS TEMAS

1. (OAB/CESPE – 2007.3) No que se refere ao campo de aplicação do Código de Defesa do


Consumidor (CDC), assinale a opção correta.
a) O conceito de consumidor restringe-se às pessoas físicas que adquirem produtos como destinatárias finais
da comercialização de bens no mercado de consumo.
b) O conceito de fornecedor envolve o fabricante, o construtor, o produtor, o importador e o comerciante, os
quais responderão solidariamente sempre que ocorrer dano indenizável ao consumidor.
c) O conceito de produto é definido como o conjunto de bens corpóreos, móveis ou imóveis, que sejam
oferecidos pelos fornecedores para consumo pelos adquirentes.
d) O conceito de serviço engloba qualquer atividade oferecida no mercado de consumo, mediante
remuneração, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista.

2. (OAB/CESPE – 2006.2) Acerca da responsabilidade por vícios do produto e do serviço nas relações
de consumo, assinale a opção correta.
a) A explosão de loja que comercializa, entre outros produtos, fogos de artifício e pólvora, causando lesão
corporal e morte a diversas pessoas, acarreta a responsabilidade civil do comerciante decorrente de fato do
produto, se ficar demonstrada a exclusividade de sua culpa pelo evento danoso. Nesse caso, aos
consumidores equiparam-se todas as pessoas que, embora não tendo participado diretamente da relação de
consumo, venham a sofrer as conseqüências do evento danoso.
b) A reparação por danos materiais decorrentes de vício do produto ou do serviço afasta a possibilidade de
reparação por danos morais, ainda que comprovado o fato e demonstrada a ocorrência de efetivo
constrangimento à esfera moral do consumidor.
c) Quando forem fornecidos produtos potencialmente perigosos ao consumo, mesmo sem haver dano, incide
cumulativamente a responsabilidade pelo fato do produto e a responsabilidade por perdas e danos, além das
sanções administrativas e penais.
d) O fornecedor pode eximir-se da responsabilidade pelos vícios do produto ou do serviço e do dever de
indenizar os danos por eles causados se provar que o acidente de consumo ocorreu por caso fortuito ou força
maior ou que a colocação do produto no mercado se deu por ato de um representante autônomo do
fornecedor.

GABARITO: 1. D, 2. A.