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4 - ATERRAMENTO:

Aterramento é a ligação intencional de um condutor à terra. Esta ligação pode ser feita
de uma forma direta (sem o uso de impedância) ou indireta (através da impedância).
Em termos de segurança, devem ser aterradas todas as partes metálicas que possam
eventualmente ter contato com partes energizadas. Assim, um contato acidental de uma parte
energizada com a massa metálica aterrada estabelecerá um curto-circuito, provocando a
atuação da proteção e interrompendo a ligação do circuito energizado com a massa.
Portanto, a partir do sistema de aterramento, deve-se providenciar uma sólida ligação
às partes metálicas dos equipamentos. Por exemplo, em residências, devem ser aterrados os
seguintes equipamentos: condicionador de ar, chuveiro elétrico, fogão, quadro de medição e
distribuição, lavadora e secadora de roupas, torneira elétrica, lava- louça, refrigerador e
freezer, forno elétrico, tubulação metálica entre outros elementos que possam oferecer um
potencial elétrico diferente ao do solo.
As características e a eficácia dos aterramentos devem satisfazer às prescrições
funcionais da instalação e de segurança das pessoas.
O valor da resistência de aterramento deve satisfazer às condições de proteção e de
funcionamento da instalação elétrica.

Aterrame nto Aterrame nto de


Funcional: consiste na Proteção: consiste na ligação
ligação à terra de um dos à terra das massas e dos
condutores de sistema, Pode ser da elementos condutores
geralmente o neutro, e está forma: estranhos à instalação,
relacionado com o visando a proteção contra
funcionamento correto, choques elétricos por contato
seguro e confiável da indireto.
instalação.

Qualquer que seja sua finalidade (proteção ou funcional) o aterramento deve ser único
em cada local da instalação.
As funções de um sistema de aterramento são:
Segurança pessoal,
Desligamento automático,
Controle de tensões,
Atenuação de efeitos dos transitórios,
Escoamento de cargas estáticas,
Proteção de equipamentos eletrônicos.

O sistema de aterramento único, conforme mostra a figura 1, é necessário para o bom


funcionamento dos sistemas de proteção abaixo indicados:
Proteção de equipamentos de tecnologia de informação,
Proteção contra choques elétricos,
Proteção contra descargas atmosféricas,
Proteção contra sobretensões,
Proteção contra descargas eletrostáticas.

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Proteção contra Proteção contra
choques elétricos sobretensões

Proteção contra
descargas
atmosféricas
Proteção contra
Proteção de descargas
equipamentos de TI eletrostáticas

Figura 1 – Sistema de aterramento único.

4.1 - TERMINOLOGIA:

- Eletrodo de aterramento (individual) ou eletrodos eletricamente distintos (malha)


Condutor ou conjunto de condutores em contato íntimo com o solo a fim de escoar as
correntes de falta. São eles que de fato ligam o circuito “terra” à terra. Ex: hastes, perfis,
barras, cabos nus, fitas, etc.

- Condutores de proteção (PE – Protection Earth)


Condutores destinados a ligar eletricamente as massas de equipamentos elétricos,
elementos condutores estranhos à instalação, etc.;

- Terminal (barra) de aterramento


Terminal (barra) destinado a ligar ao dispositivo de aterramento, os condutores de
proteção, incluindo os condutores de equipotencialidade e, eventualmente, os condutores que
garantam um aterramento funcional;

- Condutor de aterramento
Condutor de proteção que liga o(s) eletrodo(s) ao terminal de aterramento principal;

- Ligação equipotencial
Ligação elétrica destinada a colocar no mesmo potencial ou em potenciais vizinhos as
massas e os elementos condutores estranhos à instalação. Ela pode ser principal, suplementar
e ligada ou não à terra;
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- Condutor de equipotencialidade
Condutor de proteção que garante uma ligação equipotencial;
- Condutor de proteção principal
Condutor de proteção que liga os diversos condutores de proteção da insta lação ao
terminal de aterramento principal.

4.2 COMPONENTES BÁSICOS DE UM SISTEMA DE ATERRAMENTO:

A figura 2 mostra os principais componentes do sistema de aterramento:

T – Eletrodo de aterramento
P – Poço de inspeção
A – Estrutura do prédio
CM – Capa metálica do cabo
de alimentação elétrica
B – Terminal de aterramento
principal
C – Elemento condutor
estranho (à instalação
elétrica)
Ex: tubulação de água, gás,
esgoto e elementos metálicos
da construção.
SPDA – Sistema de proteção
contra descargas elétricas
ACTV – Ligação da antena
coletiva de TV
IT – Instalação de teleco-
Municações.
b – Terminal de aterramento
de QD
QD – Quadro de distribuição
t - Contato de aterramento de
tomada ou terminal de
equipamento classe I
E – Equipamento de
utilização (massa)
ETI – Equ ipamento de
tecnologia da informação
s – Cabo de sinal
Fig.2 – Principais elementos do sistema de M – Malha de p iso
aterramento

1 - Condutor de aterramento (nu) 6 - Condutor de ligação equipotencial


2 - Condutor de aterramento suplementar
3 - Condutor da ligação equipotencial 7 - Barramento de equipotencialidade
principal funcional
4 - Condutor de proteção principal 8 - Condutor de proteção e aterramento
5 - Condutor de proteção (de circuito funcional
terminal) 9 - Condutor de aterramento funcional

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Em toda instalação, deve ser previsto um terminal (ou barra) de aterramento principal.
A localização do terminal de aterramento principal, o número mínimo de eletrodos para malha
de aterramento, tipo de material, disposição dos eletrodos, distância mínima entre os
eletrodos, conexões, dimensões mínimas, etc., bem como o valor limite da resistência da
malha de aterramento, está definido nas normas de fornecimento das concessionárias
fornecedoras de energia elétrica, em função do tipo e padrão de fornecimento.

4.3 - ELETRODOS DE ATERRAMENTO:

Basicamente os eletrodos de aterramento podem ser divididos em alguns tipos:


a) Eletrodos existentes (naturais),
b) Eletrodos fabricados,
c) Eletrodos encapsulados em concreto,
d) Outros eletrodos.

a) Eletrodos existentes (naturais).


Prédios com estruturas metálicas são normalmente fixados por meio de longos
parafusos a seus pés nas fundações de concreto. Esse s parafusos engastados no concreto
servem como eletrodos, enquanto que a estrutura metálica funciona como condutor de
aterramento.
Na utilização desse sistema, deve-se assegurar que haja uma perfeita continuidade
entre todas as partes metálicas (verifica-se a resistência de aterramento).
Também deve ser realizada a ligação equipotencial entre as partes metálicas que,
eventualmente, possam estar desconectadas da estrutura principal.

Figura 3 – Eletrodos existentes.

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b) Eletrodos fabricados,
Normalmente são hastes de aterramento. Quando o solo permite, geralmente, é mais
satisfatório o uso de poucas hastes mais profundas do que muitas hastes curtas.

Figura 4 – Eletrodos fabricados

c) Eletrodos encapsulados em concreto,


O concreto em contato com o solo é um meio semicondutor com resistividade na
ordem de 3.000 ohms. cm a 20 C, muito melhor do que o solo propriamente dito.
Dessa forma, a utilização dos próprios ferros da armadura da edificação, colocados no
interior do concreto das fundações, representa uma solução pronta e de ótimos resultados.
Qualquer que seja o tipo de fundação, deve-se assegurar a interligação entre os ferros
das diversas sapatas, formando assim um anel.
Essa interligação pode ser feita com o próprio ferro da estrutura, embutido em
concreto ou por meio do uso de cabo de cobre.
A resistência de aterramento total obtida com o uso da ferragem da estrutura ligada em
anel é muito baixa, geralmente menor do que 1,0 ohm e, frequentemente, ao redor de 0,25
ohms.
Observa-se que apenas os ferros da periferia da edificação são efetivos, sendo muito
pequena a contribuição da estrutura interna.

Figura 5 – Eletrodos encapsulados em concreto

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d) Outros eletrodos.
Quando o terreno é muito rochoso ou arenoso, o solo tende a ser muito seco e de alta
resistividade.
Caso não seja viável a utilização das fundações como eletrodo de aterramento, fitas
metálicas ou cabos enterrados são soluções adequadas técnica e economicamente.
A profundidade de instalação desses eletrodos, assim como as suas dimensões,
influenciam muito pouco na resistência de aterramento final.

Figura 6 – Outros eletrodos

As conexões dos condutores de aterramento aos eletrodos são realizadas


genericamente por três sistemas:
1- Dispositivos mecânicos,
2- Solda exotérmica,
3- Conexões por compressão.

Segundo a NBR 5410, o eletrodo de aterramento preferencial de uma edificação é o


constituído pelas armaduras de aço embutidas no concreto das fundações da edificação.
A experiência tem demonstrado que as armaduras de aço das estacas, dos blocos de
fundação e das vigas baldrames, constituem um eletrodo de aterramento de excelentes
características elétricas.
No caso de fundações em alvenaria, o eletrodo de aterramento pode ser constituído por
uma fita de aço ou barra de aço de construção, imersa no concreto das fundações, formando
um anel em todo perímetro da estrutura. A fita deve ter no mínimo 100 mm2 de secção e 3
mm de espessura e deve ser disposta na posição vertical. A barra deve ter no mínimo 95 mm2
de secção. A barra ou fita deve ser envolvida por uma camada de concreto com espessura
mínima de 5 cm.
Quando o aterramento das fundações não for possível, podem ser utilizados eletrodos
de aterramento convencionais, onde o material e as dimensões mínimas dos mesmos são
apresentados na tabela 1.

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Fonte: Tabela 51 da NBR 5410

Tabela 1 - Materiais comumente utilizáveis em eletrodos de aterramento. Dimensões


mínimas do ponto de vista da corrosão e da resistência mecânica, quando os eletrodos forem
diretamente enterrados.

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NOTAS:

Tipo e a profundidade de instalação dos eletrodos de aterramento devem ser tais que
as mudanças nas condições do solo (por exemplo, secagem) não aumentem a resistência de
aterramento dos eletrodos acima do valor exigido.
Projeto do aterramento deve levar em consideração o possível aumento da resistência
de aterramento dos eletrodos devido à corrosão.
Preferencialmente, o eletrodo de aterramento deve constituir um anel circundando o
perímetro da edificação.
Não podem ser usadas como eletrodos de aterramento canalizações metálicas de
fornecimento de água, gás, etc.
Condutor de aço que deriva para o exterior do concreto deve ser adequadamente
protegido contra corrosão.
Na execução da ligação de um condutor de aterramento a um eletrodo de aterramento
deve-se garantir a continuidade elétrica e a integridade do conjunto.

O aterramento do Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféricas é


regulamentado pela Norma de Proteção de Estruturas contra Descargas Atmosféricas - NBR
5419.

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4.4 - CONDUTORES DE ATERRAMENTO:

Os condutores de aterramento fazem a interligação da barra de aterramento principal


ao(s) eletrodo(s) de aterramento, garantindo a continuidade elétrica do sistema de
aterramento.
A tabela 2 apresenta as secções mínimas convencionais de condutores de aterramento

Fonte: Tabela 52 da NBR 5410

Tabela 2 - Seções mínimas de condutores de aterramento enterrados no solo

A secção mínima dos condutores de aterramento de quadros de medição de edifícios


de uso coletivo, atendidos em tensão secundária de distribuição é de 16 mm2 , para cabos de
cobre nu.

4.5 – EQUIPOTENCIALIZAÇÃO:

A - Equipotencialização principal

Em cada edificação deve ser realizada uma equipotencialização principal, reunindo os


seguintes elementos:
a) as armaduras de concreto armado e outras estruturas metálicas da edificação;
b) as tubulações metálicas de água, de gás combustível, de esgoto, de sistemas de ar-
condicionado, de gases industriais, de ar comprimido, de vapor etc., bem como os elementos
estruturais metálicos a elas associados;
c) os condutos metálicos das linhas de energia e de sinal que entram e/ou saem da
edificação;
d) as blindagens, armações, coberturas e capas metálicas de cabos das linhas de
energia e de sinal que entram e/ou saem da edificação;
e) os condutores de proteção das linhas de energia e de sinal que entram e/ou saem da
edificação;
f) os condutores de interligação provenientes de outros eletrodos de aterramento
porventura existentes ou previstos no entorno da edificação;
g) os condutores de interligação provenientes de eletrodos de aterramento de
edificações vizinhas, nos casos em que essa interligação for necessária ou recomendável;
h) o condutor neutro da alimentação elétrica, salvo se não existente ou se a edificação
tiver que ser alimentada, por qualquer motivo, em esquema TT ou IT ;
i) o(s) condutor(es) de proteção principal(is) da instalação elétrica (interna) da
edificação.

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B - Equipotencializações suplementares (equipotencializações locais)
A realização de equipotencializações suplementares (equipotencializações locais) pode
ser necessária por razões de proteção contra choques ou por razões funcionais, incluindo
prevenção contra perturbações eletromagnéticas.
B1 - Equipotencialização suple mentar visando proteção contra choques elétricos .
Capítulo 5
B2 - Equipotencialização funcional.
Ver figura 2 deste capítulo

4.6 - CONDUTORES DE PROTEÇÃO:

Os condutores de proteção devem estar presentes em todas as instalações de baixa


tensão, seja qual for o sistema de aterramento adotado. Eles desempenham um papel
fundamental na proteção contra contatos indiretos. São eles que garantem a perfeita
continuidade do circuito de terra para escoamento das correntes de fuga e/ou de falta da
instalação.

- Condutores de proteção dos circuitos terminais e


de distribuição;

O condutor de - Condutores de equipotencialidade;


proteção inclui:
- Condutor de aterramento.

Os condutores de proteção que são identificados através da cor da isolação devem ser
de cor verde-amarelo; caso não seja possível, usa-se a cor verde. Quando os condutores de
proteção são da forma PEN (terra+neutro), estes devem ser da cor azul, a mesma que
identifica o neutro, com indicação verde-amarelo nos pontos visíveis e/ou acessíveis.

A NBR 5410 determina que a seção de qualquer condutor de proteção deve ser capaz
de suportar a corrente de falta presumida.
A seção dos condutores de proteção deve ser calculada conforme por um dos métodos
mostrados a seguir:

a- Cálculo da seção dos condutores de proteção utilizando a corrente e o tempo de


curto circuito.
A seção não deve ser inferior ao valor calculado pela expressão dada abaixo e é
aplicável apenas para tempos de seccionamento inferior a 5 s:

S= I² t / K

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onde:
S - é a seção do condutor, em milímetros quadrados;
I - é o valor eficaz, em amperes, da corrente presumida de falta direta presumida;
t - é o tempo de atuação, em segundos, do dispositivo de proteção;
k - é um fator que depende do condutor (seu material condutor e de proteção) de proteção e
das temperaturas.

As tabelas 3 a 7 indicam valores de k para diferentes tipos de condutores de proteção.

Fonte: Tabela 53 da NBR 5410

Tabela 3 - Fator k para condutor de proteção isolado não incorporado a


cabo multipolar e não enfeixado com outros cabos.

Fonte: Tabela 54 da NBR 5410

Tabela 4 - Fator k para condutor de proteção nu em contato com a


cobertura de cabo, mas não enfeixado com outros cabos.
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Fonte: Tabela 55 da NBR 5410

Tabela 5 - Fator k para condutor de proteção constituído por veia de cabo multipolar
ou enfeixado com outros cabos ou condutores isolados.

Fonte: Tabela 56 da NBR 5410

Tabela 6 - Fator k para condutor de proteção constituído


pela armação, capa metálica ou condutor concêntrico de um cabo.

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Fonte: Tabela 57 da NBR 5410

Tabela 7 - Fator k para condutor de proteção nu onde não houver risco de que as
temperaturas indicadas possam danificar qualquer material adjacente.

b- Cálculo da seção dos condutores de proteção em função da seção dos


condutores fase.

A tabela 8 apresenta a seção mínima do condutor de proteção (terra) em função do


condutor vivo (fase).

Fonte: Tabela 53 da NBR 5410

Tabela 8 – Secção mínima do condutor de proteção (terra) em função do condutor


vivo (fase).

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4.7 – MALHA DE TERRA DE REFERÊNCIA
Atualmente, a melhor técnica de aterramento funcional e aterramento de segurança
para equipamentos sensíveis é a utilização da malha de terra de referência – MTR.
A construção das MTR é baseada nas pesquisas de condução de sinais de alta
freqüência em linhas de transmissão. No desenvolvimento destas pesquisas observou-se que
“se o comprimento do condutor não for maior do que 1/10 a 1/20 do comprimento de onda do
sinal transmitido, então a diferença de potencial estabelecida entre as extremidades do
condutor é praticamente desprezível”. Para um sinal de 60 MHz, 1/20 do seu comprimento de
onda equivale a cerca de 30 cm. Portanto, se for construída uma malha de condutores
espaçados entre si com esta distância e interconectados em seus cruzamentos, será criado um
grande número de circuitos paralelos de baixa impedância, que funcionarão praticamente
como curto circuito para freqüências entre 60 Hz e 60 MHz.
O condutor ideal para altas freqüências é a fita. Daí, as malhas de terra de referência –
MTR, deveriam ser executadas com estes condutores. Entretanto, como a execução física da
MTR com fitas é mais onerosa e difícil de realizar, a construção das mesmas com cabos de
secção circular, mantido o espaçamento anteriormente citado, é satisfatória, com a vantagem
de ser adquirida facilmente no mercado em tela pré fabricada, nas mais diversas bitolas de
condutores.
A função básica da MTR é a equalização dos potenciais (aterramento funcional) e não
a condução de corrente de curtos circuitos. Daí, os condutores de proteção para retornos de
curtos circuitos fase terra devem existir e serem dimensionados pela NBR 5410. A MTR deve
ser obrigatoriamente conectada ao sistema de aterramento de força através de um ou mais
pontos de conexão para equalizar os potenciais, embora ela funcione até suspensa no ar.
Todas as carcaças e barras de terra de referência dos quadros de equipa mentos
eletrônicos sensíveis, partes metálicas e demais equipamentos integrantes do ambiente
(eletrodutos, colunas metálicas, quadros de distribuição e etc.) devem ser ligados a MTR
através de cordoalhas ou fitas de cobre conforme mostra a figura 7.
Se construirmos uma malha de aterramento cuja malha (mesh) seja muito menor que o
comprimento de onda da maior freqüência interferente, não existirão diferenças de potencial
apreciáveis entre dois pontos quaisquer da malha.

Figura 7 – Dimensionamento da MTR

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O critério atual é adotar freqüência igual a 30 MHz, pois esta freqüência a maioria das
interferências presentes nos meios industriais e comerciais, incluindo-se as descargas
atmosféricas.
A MTR deve ser montada sob equipamentos eletrônicos sensíveis a uma distância tal
que o comprimento entre as barras de terra lógicas destes e a MTR, não ultrapasse a distância
do “Mesh”, o que pode ser conseguido através de piso falso.

4.8 - ESQUEMAS DE ATERRAMENTO (TN, TT, IT)

A NBR 5410 apresenta exemplos de sistemas trifásicos mais usados em instalações


elétricas em baixa tensão. Para classificar os esquemas de aterramento usamos a seguinte
simbologia:

1ª letra – indica a situação da alimentação em relação à terra:

T – Um ponto diretamente aterrado;


I – Isolação de todas as partes vivas em relação à terra ou
aterramento de um ponto através de impedância.

2ª letra – Situação das massas em relação à terra:

T- massas diretamente aterradas, independente mente do


aterramento eventual de um ponto de alime ntação;
N – massas ligadas diretamente a ponto de alimentação ate rrado,
geralmente o ponto neutro.

Outras letras – eventuais disposição do condutor neutro e do condutor de proteção:

S - funções de neutro e de proteção asseguradas por condutores


distintos;
C – funções de neutro e de proteção combinadas em um único
condutor (PEN).

Seguem abaixo alguns diagramas exemplificando esquemas de aterramento:

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Símbolos referentes às figuras 2, 3, 4, 5 e 6:

- Condutor Neutro

- Condutor Terra

- Condutor (PEN)

Esquemas TN

Os esquemas TN possuem um ponto de alimentação diretamente aterrado e as massas


ligadas a este ponto através de condutores de proteção. Os esquemas TN subdividem-se em
três tipos, em função da disposição dos condutores neutro e de proteção, conforme a s eguir:

Esquema TN-S

Conforme figura 8, apresenta condutores distintos na função de neutro e de condutor


de proteção. Neste caso, a corrente de falta direta fase-massa é igual a corrente de curto-
circuito.

Fonte: Fig.1 NBR 5410

Fig. 8 – Esquema TN-S (O condutor neutro e o condutor de proteção são separados ao


longo de toda a instalação)

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Esquema TN-C-S

Conforme figura 9, apresenta um único condutor, exercendo as funções de neutro e


condutor de proteção, em parte da instalação.

Fonte: Fig.2 NBR 5410

Fig.9 – Esquema TN-C-S (As funções de neutro e de condutor de proteção são


combinadas em um único condutor em uma parte da instalação).

Esquema TN

Conforme figura 10, apresenta um único condutor exercendo as funções de neutro e


condutor de proteção ao longo de toda a instalação.

Fonte: Fig.3 NBR 5410

Fig.10 – Esquema TN-C (As funções de neutro e de condutor de proteção são


combinadas em um único condutor ao longo de toda a instalação)

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Esquema TT

Conforme figura 11, os esquemas TT possuem um ponto da alimentação diretamente


aterrado e as massas ligadas a eletrodos de aterramento eletricamente distintos do eletrodo de
aterramento da alimentação. Neste caso, a corrente de falta direta fase- massa é menor que a
corrente de curto-circuito, mas mesmo assim podem gerar tensões de contato perigosas.

Fig.11 – Esquema TT

Esquemas IT

Conforme figura 12, os esquemas IT não possuem qualquer ponto da alimentação


diretamente aterrado, mas as massas estão aterradas.
Neste caso, a corrente de falta direta fase- massa é pequena, e não deve gerar tensões
de contato perigosas.
A utilização do esquema IT é restrita a casos específicos, conforme recomenda a NBR
5410.

Fig.12 – Esquema IT

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