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E.O.C.A.

ENTREVISTA OPERATIVA CENTRADA NA APRENDIZAGEM

O processo diagnóstico consta por uma série de passos por cujo meio se realiza o
reconhecimento das dificuldades, o prognóstico e as indicações. Entre estes processos destacamos a
E.O.C.A. – Entrevista Operativa Centrada na Aprendizagem, elaborada pelo professor argentino
Jorge Visca, cujo objetivo é de estudar as manifestações cognitivoafetivas da conduta do
entrevistado em situação de aprendizagem. Permite ainda se obter uma visão conjugada e uma
hipótese diretriz do interjogo dos aspectos cognitivos e afetivos da aprendizagem, bem como os
pontos de alerta que deve ser verificada para constatação ou não das hipóteses levantadas.
A EOCA é utilizada como ponto de partida em todo processo de investigação diagnóstica
das dificuldades de aprendizagem.
Este instrumento consiste em uma entrevista estruturada que põe em evidência o
aprendizado e conta como reativos quaisquer material, dependendo da idade do educando e da
queixa. Na idade escolar podem ser: folhas pautadas, lápis de escrever, borracha, lápis colorido, giz
de cera, papéis variados, revistas, tesoura, cola, livros de acordo com a idade do entrevistado,
apontador, canetas, canetas hidrocor, folhas sulfite, régua, etc.
Os objetos são deixados sobre uma mesa, organizados de tal forma que o entrevistado
precise abrir as caixas de lápis, o estojo, apontar o lápis preto sem ponta, procurar o que deseja
observar todo material para decidir o que vai utilizar.

1. CONSIGNAS E INTERVENÇÕES

As consignas e intervenções possibilitam observar:

 a possibilidade de mudança de conduta;


 a desorganização ou reorganização do sujeito;
 as justificativas verbais ou préverbais;
 a aceitação ou a recusa do outro (assimilação, acomodação, introjeição, projeção).

1.1. Tipos de consignas e intervenções: De abertura:

“Gostaria que você me mostrasse o que sabe fazer, o que lhe ensinaram e o que você
aprendeu. Esse material é para que você utilize como desejar, pode escolher e usar o que quiser”.
Para mudança de atividade:

 Consigna aberta: “Gostaria que você me mostrasse o que quisesse com esses materiais”.
 Consigna Fechada: “Gostaria que você me mostrasse outra coisa que não seja...”, ou
“Gostaria que você me mostrasse algo diferente do que já me mostrou”.
 Consigna Direta: “Gostaria que me mostrasse algo de... (matemática, escrita, leitura)”.
 Consigna Múltipla: “Você pode ler, escrever, pintar, recortar desenhar, etc?”.
 Consignas para Pesquisa: “Para que serve isto, o que você fez que horas são, que cor você
está utilizando?”.
As respostas geralmente após a consigna de abertura são:

a. Sujeito começa a fazer algo (desenha, pinta, recorta, etc)


b. Pede que lhe indique o que precisa fazer, ao que se responde: “o que você quiser”.
c. Fica totalmente paralisado sem poder reagir. Mesmo diante do modelo múltiplo não realiza nada.
Qualquer uma das respostas já são dados significativos para a avaliação.
Quando o entrevistado apresenta alguma produção, é aconselhável que se incida sobre ela,
perguntando, argumentando, investigando, apresentando um problema, pedindo que relate o que
leu, escreveu ou desenhou. Observase o grau de mobilidade e de modificabilidade do entrevistado.

1.2. Fatores de observação durante a EOCA

Através da observação do tema, da dinâmica e do produto, pode se observar o sintoma e as


causas históricas coexistentes (ansiedade, defesa, funções, nível de pensamento utilizado, grau de
exigência, aquisições automáticas, aspectos da lateralidade, organização, ritmo de trabalho,
interesses, etc).

Estes três níveis de observação são indicadores do 1º sistema de hipóteses:

a. Temática
Consiste em tudo que o sujeito diz, o que terá, como toda conduta humana, um aspecto manifesto e
outro latente;

b. Dinâmica
consiste em tudo que o sujeito faz e não é estritamente verbal: gestos, tom de voz, postura
corporal, etc. a forma de sentar ou de pegar o lápis podem ser mais reveladoras que os comentários
e até mesmo que o produto.

c. Produto
é o que o sujeito deixa gravado no papel, na dobradura, na colagem, etc. incluindo a
seqüência em que foram feitos.

Dimensão afetiva

 Alguns indicadores:

 Alterações no campo geográfico e o de consciência (distração, inadequação da postura,


fugas, etc).
 Aparecimento de condutas defensivas (medos, resistência à tarefas, à mudanças, à ordens,
etc).
 Ordem e escolha dos materiais.
 Aparecimento de condutas reativas (choro, ansiedade, etc).
Dimensão cognitiva

Alguns indicadores:

 Leitura dos objetos e situação Utilização adequada dos objetos;


 Estratégias utilizadas na produção de tarefas Organização;
 Planejamento da atividade (antecipação) Nível de pensamento utilizado.

2. POSTURA DO EXAMINADOR

 Deve ser um mero observador da conduta do avaliado;


 Participando com intervenções somente quando achar necessário.
 Utilizarse de vários tipos de consignas para maior riqueza das observações.
 Colocar limites quando achar necessário.
 Quando o avaliado apresenta dificuldades para entrar na tarefa, deverá utilizar consigna
múltipla para facilitar a decisão do avaliado.
 Caso o avaliado permaneça sem iniciativa, devemos lembrar também que esta também é
uma postura a ser analisada, é uma forma de agir frente a situações novas, deve ser avaliada
em seus vários fatores.
 Se necessário, pode ser feitas mais de uma entrevista de EOCA.

3. FORMA DE REGISTRO

Papel pautado dividido em duas colunas, sendo a da esquerda maior, pois servirá para as
anotações do que ocorrerá na entrevista e a coluna da direita para anotações das hipóteses
levantadas. Devese anotar tudo que ocorrer, postura, ações, palavras, frases, etc.

4. LEVANTAMENTO DAS HIPÓTESES

As hipóteses serão levantadas de acordo com as observações feitas durante a entrevista.


Levandose em conta as três linhas de pesquisa que serão realizadas: cognitiva, afetiva e orgânico-
funcionais. Quando as hipóteses nos levarem a uma área específica (ex: psicologia, fonoaudiologia,
neurologia, etc), devese pedir a avaliação de um profissional competente, sempre que possível.

PRINCIPAIS OBSTÁCULOS DAS DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM


1. Obstáculos Funcionais
 Assimilação
 Lentidão
 Domínio especial
 Motor
 Elaboração mental
 Etc

2. Obstáculos Epistemofílicos (emocionais)


 Estado confusional
 Perseveração
 Exigência
 Conduta evitativa
 Mecanismos defensivos
 Etc

3. Obstáculos Epistêmicos (Cognitivos)


 Desempenho
 Antecipação
 Insensibilidade – não percebe determinados conflitos
 Não possui mecanismo de integração. Ex: colocamse vários fósforos de tamanhos iguais
alinhados com outros fósforos de tamanho menor. Juntase até as duas linhas atingirem o
mesmo comprimento e perguntase se os fósforos são iguais. O sujeito não percebe que só o
comprimento final é o mesmo, mas que os fósforos são diferentes.
 Assimilação, acomodação
 Nível cognitivo
 Etc

Observações gerais

1. Cada nível de estrutura cognitiva corresponde a uma leitura da realidade e um nível de evolução
afetiva para estabelecer um vínculo com o objeto.
2. Cognitivo – Operações lógicas que regulam os intercâmbios com o meio externo, com a lógica
correspondente ao estágio cognitivo a que percebe o sujeito.
3. Diante de determinada situação, o sujeito passará pelos momentos de indiscriminação, objetiva
parcial e total, em movimentos de ir e vir. Quando atinge o patamar, pode passar para outro no
mesmo movimento.

Entrevista Operativa Centrada na Aprendizagem – EOCA


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Data: / / Horário
Observador:

Anotações Hipóteses

Observações:

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