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Diplomacia 360 Graus – Módulo Hera – Economia (Aula 1)

Prof. Daniel Sousa– 31-01-18

Princípios Fundamentais
 Escassez – No mundo real, do ponto de vista material, as pessoas/organizações têm
desejos ilimitados e fatores de produção limitados. A lógica do estudo da Economia é
equacionar esta escassez.
 Custo de Oportunidade – É o custo de se abrir mão de todas as outras oportunidades
disponíveis ao se fazer uma escolha.
 Ceteris Paribus / Coeteris Paribus – Tudo o mais constante.
 Fronteira de Possibilidade de Produção (F.P.P.) - É a capacidade produtiva de um país,
considera os fatores produtivos: (i) Mão-de-obra (MDO); (ii) Poupança; (iii) Tecnologia;
(iv) Recursos Naturais e (v) Capital.
*Mão de Obra – Força de Trabalho;
**Poupança – Qualquer renda não consumida;
***Tecnologia – É a maneira de organização dos recursos produtivos;
****Recursos Naturais – Petróleo, Minério, etc.
*****Capital – Máquina, Equipamentos, Infraestrutura, etc.

A FPP passa pela alocação dos recursos de um país, além de seu nível de fatores
produtivos. Para a expansão da FPP de um país é necessária a ampliação dos fatores de
produção. No caso da mão-de-obra, a produtividade é mais importante do que a quantidade de
pessoas. O Brasil tem uma a produtividade é extremamente baixa, mesmo quando comparado
a países de menor desenvolvimento relativo.
O aumento da poupança para financiar a produção é elemento importante. Com uma
melhor tecnologia e maior eficiência no uso dos recursos, aumenta-se também a produtividade.
Recursos naturais são fator importante inclusive para determinação de que tipo de produto o
país pretende desenvolver.
O Brasil tem dificuldade histórica para expandir a sua FPP. Analisando os fatores de
produção, encontramos uma mão-de-obra com baixa produtividade, um dos menores níveis de
poupança do mundo (o Brasil depende de importação de poupança), importação de tecnologia.
O Brasil não desenvolve tecnologia em quase nenhum campo. Também é carente de capital
produtivo (máquinas, infraestruturas, etc.). Apenas em recursos naturais o Brasil se destaca. No
entanto, este é um fator que se pode comerciar com outros países (ex. China compra minério
do país). Abaixo, comparativo Brasil x China:

BRASIL CHINA

É abundante e com
MDO Produtividade Baixísssima
produtividade crescente

Um dos menores níveis de A maior poupança do


POUPANÇA poupança do mundo mundo em termos
(importador de poupança) proporcionais e absolutos

Importador de Tecnologia Forte desenvolvimento


TECNOLOGIA (Não desenvolve tecnológico (ex. é possível
tecnologia) que criem a internet 5G)

Oferta de infraestrutura
Carente de Infraestrutura
CAPITAL superior a sua capacidade
produtiva
produtiva

Importadores de recursos
Abundantes (Minério,
RECURSOS NATURAIS naturais (do Brasil, por
Petróleo, Água, etc.)
exemplo)
Demanda
A quantidade que o consumidor está disposto a consumir de determinado
produto. Via de regra, quanto maior o preço, menor a quantidade demandada. Logo, quanto
menor o preço, via de regra, maior a quantidade demandada.
Quando se muda de ponto dentro da mesma demanda, ocorre deslocamento ao longo
da demanda. Este é o padrão de comportamento.

Bizu: - A afirmativa “Uma redução no preço causa um aumento na demanda” está correta.
- A Afirmativa “Uma redução no preço causa, necessariamente, um aumento na demanda”
está errada.

O caso acima ocorre porque há bens que não respondem a essa tendência (exceções) e na
verdade são o exato oposto deste racional, são eles os bens de luxo e os bens de gífen.
 Bens de Luxo ou Status – São bens que são valorizados pelo seu preço e status que
trazem ao seu consumidor. Quanto mais caros mais vendem. O contrário também
ocorre, ao diminuir o preço do bem, diminui também o seu consumo. Exemplo: carros
(Mercedes-Benz teve queda nas vendas ao lançar o classe A, com preço mais baixo e
acessível);
 Bens de Gífen - O aumento de um determinado bem inviabiliza o consumo de um outro
bem, justamente por causa deste aumento. Exemplo: pegar ônibus quase todos os dias
e um uber de vez em quando. Com o aumento do preço da passagem de ônibus, ao invés
de pegar menos ônibus e mais uber, o contrário acontece. Por ter que fazer uso do ônibus
mais caro, sobra menos dinheiro para o uber, e provoca mais uso de ônibus.

Há fatores que geram o deslocamento da demanda, são eles (i) Renda; (ii) Preços de Bens
Substitutos; (iii) Preços de Bens Complementares; (iv) Gostos e Preferências; (v) Expectativas.

Renda
Renda é fluxo de dinheiro (diferente de riqueza que é acumulo). Com o aumento ou
diminuição da renda do consumidor, a curva de demanda se desloca. Assim não há um
deslocamento na demanda, mas sim um deslocamento da demanda. Via de regra, há uma
contração da demanda com a diminuição da renda e uma expansão da demanda com o
aumento da renda.

Bizu: - A afirmativa “Uma diminuição da renda causa contração da demanda” está correta.
- A Afirmativa “Uma diminuição da renda causa, necessariamente, contração da
demanda” está errada.

O caso acima ocorre porque há exceção: os bens inferiores


 Bens Inferiores - Quando a renda cai a demanda aumenta e quando a renda aumenta
a demanda cai. Exemplos: Ovo, Miojo, etc.

Preço de Bens Substitutos


Quando o preço de um bem substituto se modifica, a demanda do bem substituível
também se modifica. Por exemplo, quando o preço do frango cai, as vendas aumentam em
detrimento da compra de carne bovina. Quando isso ocorre, temos deslocamento da demanda.

Preço de Bens Complementares


Quando o preço de um bem complementar A (Arroz) se modifica, a demanda do bem B
(Feijão) também se modifica. Por exemplo, quando aumenta o preço do arroz diminui a
quantidade de arroz consumido e a de feijão também. O contrário também é verdadeiro. Assim,
temos deslocamento da demanda.
Gostos e Preferências
Fator que é influenciado por fatores como propaganda, hábitos, etc. Ao gostar mais de
um produto a demanda se expande, o contrário também é verdadeiro. Gostando menos do
produto, ocorre contração da demanda.

Expectativas
De forma geral, quanto maior o otimismo (expectativas positivas) mais a demanda
tende a se expandir. Há também a possibilidade de que, com a expectativa de que um produto
venha a ficar mais caro, a demanda por aquele produto aumente pontualmente (ex. gasolina).
Quando há expectativas negativas, a demanda se contrai. Há casos específicos onde a demanda
pode se contrair pontualmente na expectativa da queda do preço de um determinado bem (ex.
Liquidação).

Oferta
A oferta aumenta quando o preço aumenta e diminui quando o preço diminui. O
deslocamento ao longo da oferta ocorre quando há mudança de preço. Os fatores que causam
o deslocamento da oferta são: (i) custos; (ii) tecnologia; (iii) expectativas.

Custos
Os custos de produção são, por exemplo, gasolina, mão-de-obra, etc. O aumento dos
custos de produção acarreta a diminuição de unidades (deslocamento para a esquerda)
oferecidas pelo mesmo preço (contração da oferta). O contrário também é verdade, quando há
diminuição nos custos de produção ocorre deslocamento da oferta para a direita (expansão
da oferta).

Tecnologia
O incremento tecnológico também leva a expansão da oferta. Ou seja, com melhor
organização dos fatores de produção ocorre expansão da oferta (deslocamento para a direita).
O contrário, embora raramente, pode ocorrer, causando contração da oferta (deslocamento
para a esquerda).

Expectativas
A oferta pode ser deslocada para direita com maior otimismo do ofertante em relação
ao futuro. O contrário: mais pessimismo gera deslocamento para a esquerda. (ex. preço do
ingresso com cambista).

Equilíbrio
O equilíbrio é o ponto onde demanda e oferta se harmonizam. Onde não há excesso de
demanda nem de oferta.

Deslocamentos
Quando há expansão da demanda, o produto começa a escassear, seu preço aumenta
e aumenta também a oferta, criando um novo equilíbrio.
Quando há expansão da oferta, o produto começa a abundar, seu preço diminui e a
oferta diminui, criando novo equilíbrio. Os movimentos de equilíbrio e reequilíbrio são
dinâmicos. Na prova é possível ser pedido uma análise gráfica de pontos de equilíbrio ou de em
equações simples.
Diplomacia 360 Graus – Módulo Hera – Economia (Aula 2)
Prof. Daniel Sousa– 07-02-18

Elasticidade

Elasticidade Preço da Demanda


Aqui se avalia se a demanda é ou não sensível à variação do preço. Se divide a variação
percentual da quantidade pela variação percentual do preço. Um produto elástico a preço tem
a variação da quantidade demandada maior que a variação do preço. Ex. aumento de 10% no
preço, queda de 30% da quantidade demandada.
Um produto inelástico a preço tem a variação da quantidade menor que a variação do
preço. Ex. aumento de 10% no preço, queda de 1% da quantidade demandada.
(i) Produtos supérfluos tem demanda elástica. Produtos essenciais tem demanda
inelástica. Produtos leves no orçamento do consumidor tem demanda inelástica. (ii) Produtos
pesados no orçamento do consumidor tem demanda elástica. (iii) se existe substituto próximo,
o produto é elástico, se não, é inelástico.

Elasticidade Preço da Oferta


Aqui se avalia se a oferta é ou não sensível à variação do preço. Se divide o percentual
da quantidade ofertada pela variação do percentual do preço. Quando a variação percentual
da quantidade ofertada for maior que a variação percentual do preço, temos um produto
elástico, do contrário teremos um produto inelástico.
No que diz respeito a oferta os fatores a serem considerados são: (i) existência ou não
de capacidade ociosa no setor. Se o setor não tem, a oferta fica inelástica ao preço. Do contrário
há elasticidade da oferta em relação ao preço. (ii) A complexidade produtiva influencia a
elasticidade da oferta em relação ao preço. Quanto mais complexo mais inelástico, quanto
menos complexo mais elástico. (iii) A oferta é sempre mais elástica no longo prazo do que no
curto prazo.

Elasticidade Renda da Demanda


Aqui se avalia se a demanda é ou não sensível à variação da rendo do consumidor. Se
divide a variação percentual da quantidade demandada pela variação percentual da renda.
Um produto elástico a renda tem a variação da quantidade demandada maior que a variação
da renda. Normalmente produtos supérfluos são mais elásticos a variações da renda.
Um produto inelástico à renda tem a variação da quantidade menor que a variação da
renda. Normalmente produtos essenciais são mais inelásticos a variações na renda.
Detalhe importante: Quando se fala de elasticidade renda da demanda o sinal da
variação é importante. Se a elasticidade for positiva quando a renda aumenta a quantidade
demandada aumenta ou se a renda cai a quantidade demandada cai (produto normal).
Quando a elasticidade for negativa quando a renda aumenta a quantidade demandada cai
(produtos inferiores) ou quando a renda aumentar a demanda cai (produtos inferiores).

Elasticidade Preço Cruzada


Aqui se avalia se a variação de preço de um produto A é ou não relevante para a
variação da quantidade demandada de um produto B. Divide-se a variação percentual de
quantidade do produto B pela variação percentual do preço do produto A. Caso o percentual
de variação da quantidade de B seja maior que o percentual de variação de preço de A, temos
produtos elásticos entre si. Caso seja menor, temos produtos inelásticos entre si.
Se o sinal da elasticidade for positivo significa que a relação entre A e B é de
substituição. Se o sinal é negativo A e B são complementares.
Impacto dos Impostos Sobre o Equilíbrio da Demanda
P= +2q +2 (sem imposto)
P= -2q + 10 (sem imposto)

P= +2q +2 + 1 (com imposto)


P= -2q + 10 + 1 (com imposto)

Com a inserção do imposto, teremos o deslocamento da demanda e por conseguinte


novo ponto de equilíbrio. O produtor só consegue repassar o imposto ao consumir quando a
demanda é perfeitamente inelástica. O valor que o produtor recebe é o valor que o consumidor
paga menos o imposto. Para o mercado a oferta do produtor é sua oferta original mais imposto.
Paga mais imposto aquele que for mais elástico, consumidor ou ofertante.
Com a colocação do imposto ocorre mudança no excedente do consumidor, sendo este
reduzido. O mesmo ocorre como excedente do produtor também é menor (excetuando casos
de demandas perfeitamente inelásticas). Em caso de demandas perfeitamente inelásticas
também não há peso morto.
Diplomacia 360 Graus – Módulo Hera – Economia (Aula 3)
Prof. Daniel Sousa– 21-02-18

Teoria do Consumidor
O modelo da teoria do consumidor tenta entender a lógica de escolha do consumidor.
Ou seja, qual a cesta de produtos escolhida por ele, sendo a cesta um conjunto de bens e
serviços. O consumidor tem objetivos e limitações ao escolher. O objetivo do consumidor é
escolher aquela cesta que lhe proporcione a melhor utilidade. O orçamento é a limitação de
escolha do consumidor.
Algumas premissas do modelo da teoria do consumidor precisam ser respeitadas, são
elas:
• Via de regra, mais unidades de um determinado produto é preferível à menos
unidades do mesmo produto;

• Transitividade: a lógica da transitividade busca construir um ordenamento de


preferências e estabelece que, se uma cesta A é preferível a uma cesta B e, a cesta B é
preferível a uma cesta C, então, necessariamente a cesta A será preferível à cesta C;

• Informações Completas: o consumidor deve ter as informações completas e necessárias


para a tomada de decisão. Essa é uma premissa de autoproteção do modelo que evita
a refutação da teoria com base numa eventual escolha feita pelo consumidor baseada
em informações insuficientes;
• Consumidor Racional: Dizer que o consumidor é racional não significa dizer que ele não
possa consumir por impulso. Irracional aqui seria o consumo aleatório, randômico. A
compra por impulso, que pode ser prevista, explicada e até incentivada, não é, portanto,
irracional. Racionalidade denota padrão de comportamento que pode ser verificado,
compreendido e até explorado.
o Os padrões de consumo dos seres humanos são altamente previsíveis, por
exemplo, somos, via de regra, preguiçosos, sob o ponto de vista de que o nosso
organismo busca formas de economizar energia como forma de
autopreservação. Dado esse padrão de comportamento, por exemplo, não
processamos, via de regra, os últimos números de um algarismo, assim, por
exemplo, 9,99 transforma-se em 9. Outro exemplo, é que nos supermercados,
os produtos mais vendidos são aqueles que ficam na altura dos olhos dos
consumidores, e, portanto, em níveis intermediários das gôndolas. Há diversas
outras situações onde raciocínios análogos são utilizados para explorar os
padrões de consumo. Portanto, o consumidor é racional.
Utilidade
A utilidade é dividida em dois subconceitos: utilidade marginal (Um) e
utilidade total (Ut). A figura abaixo demonstra, por exemplo, uma situação em que o
consumidor compra apenas uma unidade do produto, sendo sua utilidade de 10 (un. 1 = ut. 10).
Ao consumir mais uma unidade, a utilidade total passa a ser 17 (un. 2 = ut. 17), observamos
então que o consumido das unidades adicionais de um mesmo produto, aumentam a utilidade
como um todo (utilidade total), embora, individualmente, tenham menor utilidade do que a
unidade anteriormente consumida (utilidade marginal).

Por exemplo, ao comprar a terceira unidade do mesmo produto, elevamos a


utilidade total para 22 (un. 3 = ut. 22). Perceba que, a primeira unidade teve, individualmente,
valor de utilidade marginal (Umg) 10. Já a segunda teve, individualmente, teve valor de Umg 7,
e a terceira, 5. Com base nessa observação pode-se afirmar que, as unidades consumidas de um
mesmo produto, adicionais à primeira, têm utilidade marginal (valor individual) declinante,
embora aumentem a utilidade total (somatório) para o consumidor.

Utilidade Total

Utilidade Marginal

Isso explica, por exemplo, porque não compramos produtos indefinidamente.


Com a utilidade marginal declinante, embora sejamos maximizadores de utilidade, o raciocínio
de consumo e essencialmente marginal, unidade por unidade. Então, embora a satisfação em
consumir uma unidade adicional de um produto aumente, ela aumentará a taxas decrescentes.
Isso ocorre, via de regra, para todos os produtos.
Caso Expecional (Bens Maus) – São bens que têm uma utilidade marginal negativa, ou seja, são
bens que diminuem sua utilidade total. Por exemplo, produtos aos quais o consumidor é
alérgico, lixo, entulho, etc.

Escolha entre Produtos


No caso em que o consumidor precisa escolher entre dois produtos, por
exemplo (figura abaixo), ele terá de optar entre as cestas possíveis, com uma composição
diferente em quantidades dos produtos disponíveis. Assim, escolher a cesta B em detrimento
da A, por exemplo, significa dizer que o consumidor estará satisfeito em abrir mão de 3 unidades
de vestuário para obter 1 unidade a mais de alimento.
Por conseguinte, optando pela cesta C em detrimento da B, o consumidor
abre mão de 2 unidades de vestuário para obter uma unidade adicional de alimento. O mesmo
raciocínio se aplica caso a cesta D seja escolhida em detrimento da C: abre-se mão de 1 unidade
de vestuário para se obter 1 unidade adicional de alimento. Em todos esses cenários a satisfação
do consumidor permanece igual. A escolha entre as cestas disponíveis, via de regra, levará em
consideração a maximização da utilidade do consumidor.
Note que, no início, como a quantidade de vestuário era abundante e a
quantidade de alimento era escassa, o consumidor se dispunha a abrir mão de uma maior
quantidade de vestuário (-3) para obter alimento (+1). Conforme isso vai mudando, ou seja,
conforme o vestuário vai se tornando cada vez mais escasso, o consumidor fica mais resistente
a abrir mão de unidades de vestuário para obter unidades adicionais de alimento. Isso porque o
alimento está se tornando cada vez mais abundante e o vestuário cada vez mais escasso.
Ao ligar os pontos da figura que ilustram as cestas (combinações) disponíveis,
encontramos a curva de indiferença, ou curva de utilidade, ou curva de preferências. Essa curva
passa pelos pontos que têm mesmo nível de utilidade total para o consumidor, ou seja, qualquer
dos pontos (cestas) provoca o mesmo nível de satisfação no consumidor. Isto é, qualquer que
seja o ponto, a utilidade total será a mesma.

Quando há a troca de um produto pelo outro, existe uma taxa de troca


chamada Taxa Marginal de Substituição (TMS). A TMS mantém o nível de satisfação do
consumidor constante após a troca. No exemplo da figura acima, temos as seguintes TMS:
A TMS também pode ser vista como um instrumento para medir a inclinação
da curva de indiferença. É uma inclinação negativa porque a curva é descendente e o valor dessa
inclinação em módulo vai caindo.
Se surge, por exemplo, uma outra cesta (cesta E) que seja melhor do que todas
as outras cestas anteriormente disponíveis (pontos azuis no figura), amentando assim a utilidade
total para o consumidor, com base na premissa da transitividade, essa cesta será melhor do que
todas as outras (azuis), que se encontravam na mesma curva de indiferença. Teremos assim,
uma nova curva de indiferença com cestas melhores para o consumidor. O mesmo raciocínio se
aplica em situação em que surjam cestas piores (com menor utilidade total) para o consumidor,
representadas pela curva vermelha da figura abaixo.

Assim, as cestas pretas são preferíveis às azuis que são preferíveis às


vermelhas. Note que essas curvas não se cruzam e são paralelas entre si. Curvas de indiferença
não podem se cruzar entre si. Isso seria uma violação a teoria do consumidor. Na figura abaixo
demonstra-se porque isso é impossível.

Se X e Y estão na mesma curva de indiferença, significa que X é indiferente a


Y. Da mesma forma, se Z e Y estão na mesma curva de indiferença, significa que Z é indiferente
a Y. Logo, infere-se que X é indiferente a Z, o que, como demonstra a figura acima, não é verdade.
Z tem maior quantidade de produto A do que X e a mesma quantidade de produto V, sendo,
portanto, uma cesta melhor (com maior utilidade total) e por isso, não podendo ser indiferente
a X.
Orçamento
O orçamento delimita o universo dentro do qual o consumidor pode fazer
suas escolhas. A renda do consumidor e os preços dos produtos influenciam a delimitação desse
universo. Por exemplo, se a renda de um determinado consumidor é de 100 e o preço dos
produtos (Alimento e Vestuário) é 10 (para cada unidade de cada produto), teremos as seguintes
situações possíveis:
1. Investimento de toda a renda em um ou outro produto (pontos azuis marcados no eixo
horizontal e vertical);
2. Investimento em uma cesta de produtos com quantidades diversas de cada produto
disponível;
Ligando os pontos plotados nos eixos temos a restrição orçamentária do
consumidor (área azul da figura), ou seja, o universo dentro do qual ele pode fazer suas escolhas.
Essa restrição será alterada caso haja mudança na renda do consumidor ou no preço dos
produtos consumidos por ele. No caso de uma mudança de renda, não há qualquer mudança
na inclinação. Por exemplo, se de 100 a renda vai para 120 (área preta da figura), não há
mudança na inclinação, o deslocamento é paralelo. No caso da mudança dos preços, ocorre
mudança na inclinação. Assim, se o preço de um dos produtos salta de 10 para 20, ocorre
mudança na inclinação (área vermelha da figura). Logo, a inclinação da restrição orçamentária
é dada pelos preços.

A figura abaixo monstra curvas de indiferença que cruzam a restrição


orçamentária de um consumidor. No exemplo, o consumidor tem de escolher, dentre as cestas
possíveis, aquela que maximiza sua utilidade, tendo em conta uma restrição orçamentária. As
cestas A, B e C atendem à restrição orçamentária do consumidor, enquanto a cesta D está fora
de seu universo de escolhas possíveis. Cabe ao consumidor então, escolher, entre as três cestas
que pode adquirir, aquela que lhe traga maior utilidade total. Como as cestas A e C estão em
uma curva de indiferença mais baixa, a escolha que maximiza a utilidade do consumidor é a B.
Há várias formas de descrever essa solução ao problema do consumidor, são
elas:
1. Solução 1: Tangência da restrição orçamentária com a curva de indiferença de maior
utilidade;
2. Solução 2: No ponto ótimo, e apenas no ponto ótimo, as inclinações são iguais. Logo,
TMS = relação de preços. Ou seja, se a restrição orçamentária é dada pela relação de
preços, três consumidores que se deparem com a mesma relação de preços, mesmo
tendo restrições orçamentárias diferentes entre si, escolherão um ponto ótimo de
mesma angulação / inclinação.

3. Solução 3: A relação benefício-custo dos produtos é igual, ou seja, o consumidor só


estará em uma situação de equilíbrio, se a utilidade marginal de um produto A sobre o
preço de um produto A for igual a utilidade marginal do produto V sobre o preço do
produto V. O que denota uma situação onde o consumidor não tem nenhum incentivo
a se mover para uma outra escolha. Qualquer cenário diferente disso, não é equilíbrio.

Caso o preço do produto A aumente, o consumidor reagirá consumindo menos unidades


do produto A e mais do produto V, dado que, a relação benefício-custo do produto A foi alterada.
Com essa mudança surgirá um novo ponto de equilíbrio, com uma nova igualdade da relação
benefício-custo (vide imagem acima) dos produtos. Essa troca é chamada efeito substituição.

Efeito Renda
Quando o preço relativo de um produto normal aumenta ou a renda do consumidor
diminui, coeteris paribus, a área da restrição orçamentária do consumidor, consequentemente
diminui. Isso faz com que, na prática, ele venha a demandar uma quantidade menor desse
produto, esse é o chamado efeito renda. Esse efeito pode, portanto, ser provocado pela redução
da renda ou aumento dos preços relativos. Isso faz com que, na prática, ocorra a troca de um
determinado produto por outro, em função de uma alteração nos preços relativos, esse é o
chamado efeito substituição.
No caso de bens normais, tanto efeito renda quanto efeito substituição trabalham
juntos reduzindo a quantidade demandada do produto após um aumento no seu preço
relativo. Quando há aumento no preço, a quantidade demandada diminui, e ocorre o chamado
efeito preço. O efeito preço, portanto, pode ser decomposto em efeito renda e efeito
substituição. Vide esquema abaixo.

No caso de bens inferiores é diferente. Quando há diminuição da renda, isso estimula o


consumidor a consumir mais daquele produto. No entanto, caso o preço relativo do produto
aumente, o consumidor é estimulado a consumir menos daquele produto. Assim, o efeito
substituição e o efeito renda tomam direções diferentes, ao contrário do que acontece com os
bens normais. Como não trabalham juntos, um dos efeitos irá prevalecer. Caso prevaleça o
efeito renda, teremos um bem de gíffen (preço aumenta e quantidade consumida aumenta).
Vide esquema abaixo.

Substitutos Perfeitos
São produtos que podem ser trocados sem prejuízo da utilidade para o consumidor, por
exemplo, manteiga e margarina. No caso desse tipo de produto, a curva de indiferença é uma
reta, e não convexa. Assim, a taxa marginal de substituição é constante. A solução do problema
do consumidor nesse caso tem duas possibilidades:
1. Restrição orçamentária coincide com a curva de indiferença: nesse caso há
inúmeras soluções, sendo qualquer ponto da coincidência entre as linhas uma
solução (linha azul tracejada de vermelho);
2. Restrição orçamentária não coincide com a curva de indiferença: Nesse caso, os
pontos de tangência A, B e C (indicados na figura abaixo) são os pontos onde a
restrição orçamentária toca as curvas de indiferença, sendo portanto o ponto A o
de maior utilidade por tangenciar a curva de indiferença mais alta (solução de canto:
tudo de um produto e nada de outro, o que faz total sentido no caso de substitutos
perfeitos).
Complementares Perfeitos
As curvas de indiferença, nesse caso, formam ângulos retos. Por exemplo, no caso de
um par de sapatos, necessariamente, haverá um pé direito e outro esquerdo. Assim, como
mostra a figura abaixo, a cesta A, contendo 1 pé direito e 1 esquerdo, será tão boa quanto a
cesta B, que contém 1 pé direito e 2 pés esquerdos. E ambas as cestas serão tão boas quanto a
C que tem 2 pés direitos e 1 esquerdo. Contudo, a cesta D será melhor que as 3 anteriores por
conter um par de cada pé, mas tão boa quanto a cesta E que contém 3 pés esquerdos e apenas
2 direitos.
A taxa marginal de substituição, no eixo vertical, será infinita, como mostra a imagem
abaixo (linha azul tracejada de vermelho), pois o consumidor está disposto a abrir mão de
infinitas unidades de pé esquerdo (eixo vertical) para ter um pé direito a mais. Já no eixo
horizontal, a taxa marginal de substituição é zero, porque ao abrir mão de um pé direito por
mais um esquerdo, abre-se mão de ter um par, logo o consumidor não está disposto a fazê-lo.
Assim, no caso de complementares perfeitos a TMS varia entre zero e infinito.
Diplomacia 360 Graus – Módulo Hera – Economia (Aula 4)
Prof. Daniel Sousa– 28-02-18

Teoria da Firma

Função de Produção
A função de produção é a forma como a firma organiza os fatores. A organização desses
fatores dependerá do custo e da produtividade. A análise e o comportamento dos fatores de
produção dependerão do prazo.
• Curtíssimo prazo - período do tempo onde todos os fatores de produção da empresa
estão fixos, por exemplo Trabalho e Capital (imagem abaixo), não sendo possível altera-
los (horizonte de 0-1 mês);

• Curto Prazo – período onde pelo menos um dos fatores é fixo e outro variável (Trabalho
variável, Capital Fixo);

• Longo Prazo – período de tempo em que todos os fatores são variáveis (Trabalho e
Capital variáveis)

Análise do Cenário de Curto Prazo


Com o objetivo de aumentar a produção em cenário de curto prazo e considerando os
fatores Trabalho (L) e Capital (K), sendo L variável e K fixo, não sendo possível modificar a
quantidade de fator fixo, será necessário modificar o fator variável, neste caso em particular
Trabalho (L).

Conforme se vai agregando trabalhadores adicionais à produção, sua contribuição vai


gradualmente sendo reduzida, e eles passam a agregar cada vez menos. Ou seja, o quarto
trabalhador agrega menos à produção total do que os três trabalhadores anteriores haviam
agregado, isso é garantido por uma lei econômica chamada Lei dos Rendimentos Marginais
Decrescentes. Isto é, conforme se adiciona trabalhadores à produção, os trabalhadores
adicionais agregam cada vez menos, marginalmente, em relação aos trabalhadores
anteriormente empregados à produção, embora agreguem à produção total positivamente.
As empresas fazem uma comparação entre o quanto o trabalhador custa e quanto ele
produz. O gráfico abaixo mostra, no eixo vertical, Produtividade Marginal/Salário (Pmgl/W) e,
no eixo horizontal, Quantidade de Trabalho/pessoas (L). Como o gráfico demonstra, ocorre
diminuição gradativa da produtividade marginal do trabalhador, conforme aumenta o número
(quantidade) de trabalhadores (trabalho). Ocorrendo a partir do ponto verde plotado, queda da
produção.

Até a faixa onde o trabalhador agrega mais do que ganha (indicada como a área do
gráfico hachurada em vermelho), faz sentido agregar (contratar) novos trabalhadores (aumentar
a quantidade de trabalho), a partir dessa faixa, porém, agregando menos do que custa, não faz
mais sentido agregar (contratar) novos trabalhadores (aumentar a quantidade de trabalho),
sendo necessário demiti-los (diminuir a quantidade de trabalhadores). O equilíbrio do mercado
de trabalho acontece na igualdade entre produtividade marginal do trabalho (Pmgl) e salário
(W). Qualquer outro cenário não é equilíbrio.

O aumento de salário que não é acompanhando de aumento de produtividade, portanto, enseja


motivo para demissão. Ao considerarmos então dois fatores (Trabalho e Capital), a firma estará
em situação confortável quando a produtividade marginal do trabalho sobre o preço do trabalho
for igual a produtividade marginal do capital sobre o preço do capital, ou seja:

Qualquer situação diferente dessa é uma situação de desigualdade onde


haverá movimentação. Considerando aumento do salário sem aumento de produtividade,
teremos a criação de incentivo para a demissão (redução de trabalho) e troca por máquinas
(aumento de capital), mantendo a relação de equilíbrio (imagem abaixo). Note que, ao aumentar
a quantidade de um fator sua produtividade marginal cai e, ao diminuir a quantidade de um
fator sua produtividade marginal cresce.

Quando ocorre avanço educacional, por exemplo, a produtividade marginal da mão-de-obra


(trabalho) aumenta, o que provoca crescimento econômico e consequente aumento dos níveis
salariais. Em países com alta produtividade como a Noruega, a produtividade marginal
influenciada pela melhor educação faz com que o nível de qualificação seja alto, fazendo com
que os salários dos profissionais qualificados (abundantes por lá) diminua e o salário dos
profissionais não qualificados (escassos) aumente. Isso faz com que a diferença dos salários seja
menor do que no Brasil, por exemplo. Enquanto no Brasil a escassez de profissionais qualificados
faz com que os salários destes seja significativamente maior do que os dos não qualificados.

Mapa de Preferências da Firma


Em uma cesta com 10 unidades de capital (K) e 1 de trabalho (L) (cesta
A), outra com 7 K e 2 L (cesta B), uma terceira com 5K e 3L (cesta C) e uma última com 4K e 4L
(cesta D). Ligando os pontos que definem essas cestas no gráfico temos a isoquanta,
proporcionando o mesmo nível de produção total. Ao sair da cesta A para a cesta B, abre-se mão
de 3 unidades de capital (-3 K) para se adquirir 1 unidade adicional de trabalho (+ 1 L), ao
continuar nessa troca de unidades de capital por unidades adicionais de trabalho, a firma terá
cada vez menos motivo para realizar a troca pois o capital torna-se cada vez mais escasso ao
passo que o trabalho se torna cada vez mais abundante.
A isoquanta pode ter sua inclinação medida pela taxa marginal de
substituição técnica (TMSt) que é a taxa de troca de capital por trabalho de maneira a manter
a quantidade produzida igual, ou seja, de maneira a permanecer na mesma isoquanta.
A exemplo da Teoria do Consumidor, a firma também tem um orçamento
que determina a sua área de possibilidades de alocação, essa área é chamada de isocusto
(gráfico da esquerda). A inclinação da isocusto é dada pela relação de preços dos insumos. Do
ponto de vista de alocativo, as restrições da firma estarão estabelecidas pela sua isocusto. Para
a determinação do ponto ótimo de alocação dos recursos que maximiza a produção, é preciso
traçar as isoquantas possíveis sobre a isocusto da empresa.
Por exemplo, no gráfico da direita, o ponto ótimo é o ponto B que oferece
a melhor relação recursos alocados-produção total. Isso porque, as cestas A, B e C tem o mesmo
custo, entretanto a cesta B tem um nível de produção mais alto. Ou seja, o mesmo custo total e
mais produção que as demais (A e C), o que significa um custo unitário menor. A cesta D está
fora da isocusto (restrição orçamentária da empresa).

• Solução 1 – Ponto de contato ocorre no ponto de tangência da isocusto com a isoquanta


de maior nível de produção
• Solução 2 – Quando a relação benefício-custo dos fatores de produção é igual;

• Solução 3 – Quando a TMSt (TMSt = inclinação da sioquanta) é igual à relação de preços


dos insumos (relação de preços = inclinação da isocusto).
Substitutos Perfeitos
No caso de insumos que sejam substitutos perfeitos, à exemplo do que ocorria na teoria do
consumidor, as isoquantas (curvas de indiferença na teoria do consumidor) serão retas e
não convexas. Assim, a TMSt (Taxa Marginal de substituição Técnica) é constante. Há
possibilidade de duas soluções: (i) a isocusto coincide com a isoquanta: qualquer ponto das
retas que se cruzam pode ser a solução (traçado vermelho); e (ii) isocusto segue um traçado
que corta as isoquantas, nesse caso teremos uma solução de canto (linha sólida vermelha).

Complementares Perfeitos
No caso de complementares perfeitos, as isoquantas formam ângulos retos, nesse caso só se
troca de isoquanta quando se tem pares dos insumos, ou seja, 1 pessoa e 1 computador, 2
pessoas e dois computadores, e assim por diante. Qualquer situação diferente dessa, provoca
deslocamentos ao longo da mesma isoquanta.
No eixo vertical a taxa marginal de substituição técnica é infinita, pois a empresa estará disposta
a abrir mão de inúmeras quantidades de capital para ter um par de insumos. No caso do eixo
horizontal, a taxa marginal de substituição técnica é zero. A empresa não está disposta a abrir
mão de nenhuma unidade de insumos para não deixar de ter um par de insumos.

Resolução de Questão Discursiva do CACD


A questão dizia “De uma perspectiva neoclássica ou marginalista do mercado de trabalho (em
que família e firmas maximizam respectivamente a utilidade e o lucro, sujeitas a restrição
orçamentária e a uma tecnologia de produção com rendimentos marginais decrescentes,
explique como podem ser definidos os seguintes elementos:
a) Demanda por trabalho;
b) Oferta de trabalho;
c) Salários reais e nível de emprego.”

a) Do ponto de vista técnico as empresas estão demandando (comprando) trabalho, logo,


ocorre uma comparação entre a produtividade marginal do trabalho (Pmgl) e o preço
do trabalho (Pl), quando (i) Pmgl > Pl – contratação. (ii) Pmgl < Pl – Demissão e se (iii)
Pmgl = PL, temos situação de equilíbrio

b) Ao falar de oferta de trabalho falamos do trabalhador que oferta sua força de trabalho.
O trabalhador também faz uma análise no momento de optar por aceitar ou não uma
oferta de trabalho. A comparação é entre o salário e a desutilidade marginal do
trabalho (DESmgl), ou seja, trabalhar é um desprazer pelo qual o trabalhador estará
disposto a se sujeitar desde que remunerado de maneira que considere adequada.
Assim, DESmgl x PL, então se (i) DESmgl > PL – trabalhador não aceita a proposta, (ii)
DESmgl < PL – aceita a proposta, e (iii) DESmgl = PL, situação de equilíbrio.

c) O mercado de trabalho é um mercado como outro qualquer, no gráfico abaixo são


traçados os eixos salário (preço do trabalho) e quantidade de trabalho e as retas oferta
de trabalho (trabalhador) e demanda de trabalho (empresa). Assim, analogamente a
teoria do consumidor, se o salário é mais alto (preço mais alto), mais quantidade de
trabalho será ofertada. Note então que, se o salário é mais alto, a desutilidade marginal
é compensada por mais tempo, aumentando assim a oferta de trabalho. O inverso
também é verdadeiro, quanto menor for o preço, menor será a motivação para a oferta
de trabalho.
Sob o ponto de vista da demanda, quando os salários são mais altos, a demanda
por trabalho é menor. Assim, no gráfico abaixo foram plotados os pontos de salário de
equilíbrio e uma situação de pleno emprego para fins explanatórios das dinâmicas de
ajuste.
Dessa forma, no caso de (i) salário maior do que o salário de equilíbrio, será
incentivada a oferta de mão de obra e diminuirá a demanda por mão de obra. Um
cenário como esse configura-se excesso de oferta (desemprego involuntário). Esses
desempregados passam a aceitar salários mais baixos, estimulando a demanda e
retraindo a oferta, levando o mercado ao equilíbrio.
No caso de (ii) uma escassez de oferta de trabalho, ou seja, caso as empresas
tenham dificuldades para contratar (excesso de demanda), elas passarão a oferecer
salários maiores para os profissionais disponíveis, elevando o nível de preços do
trabalho (salário) levando o mercado ao equilíbrio.
Diplomacia 360 Graus – Módulo Hera – Economia (Aula 5)
Prof. Daniel Sousa– 07-03-18

Maximização de Lucros
O objetivo precípuo da firma é buscar o máximo lucro. Logo, qualquer situação onde a
firma não esteja buscando o máximo lucro não será explicada por essa teoria. Lucro é a distância
entre a receita total e o custo total. A firma não é uma maximizadora de receita e nem uma
minimizadora de custos, mas sim uma maximizadora de lucros.

A Receita Total é igual ao Preço x Quantidade do Produto e o Custo Total é igual a soma
do Custo fixo (custo que não varia de acordo com a quantidade produzida) e do Custo Variável
(que varia de acordo com a quantidade produzida).

Outra forma de encontrar o custo total é por meio da multiplicação do custo médio total
pela quantidade. Há ainda outros cálculos de custos médios (custo fixo médio, custo variável
médio, etc.). Todos respeitam o mesmo raciocínio o total daquele tipo de custo dividido pela
quantidade.

A receita total média é a receita total dividida pela quantidade, ou seja, o preço de um
determinado produto.

Outros dois importantes conceitos são o de Receita Marginal e o de Custo marginal. A


receita marginal é o incremento na receita total gerado por uma unidade adicional vendida.
Enquanto o custo marginal é o incremento no custo total provocado pela produção de uma
unidade adicional.

Outros conceitos importantes são os de horizontes temporais: curtíssimo prazo


(período em que a quantidade de todos os fatores produtivos é fixa e não podem ser alteradas),
curto prazo (período de tempo em que a quantidade de pelo menos um dos fatores produtivos
é fixa e pelo menos uma é variável) e o longo prazo (período de tempo em que a quantidade de
todos os fatores produtivos pode ser alterada). Assim:

O conceito de escala apresenta três cenários possiveis: (i) Economias de Escala (cenário
em que acontece um aumento da produção da empresa e o custo médio cai em função deste
aumento. É o que acontece no inicio da produção pois, com as primeiras unidades produzidas,
o custo fixo é muito diluido.); (ii) Deseconomias de Escala (aqui ocorre o contrário do cenário
anterior, conforme aumenta a produção, o custo médio sobe.) e (iii) Escala ótima (onde o custo
é mínimo).

Rendimentos de Escala podem ser crescentes (acontecem quando todos os fatores de


produção são aumentados em igual proporção e há aumento de produção mais do que
proporcional), também podem ser constantes (acontecem quando todos os fatores de produção
são aumentados em igual proporção e há aumento de produção proporcional), e podem ser
ainda decrescentes (acontecem quando todos os fatores de produção são aumentados em igual
proporção e há aumento de produção menor do que o proporcional).

Maximização de Lucro
Imagine uma situação em que uma criança produz limonada ao custo total de 20 reais e
a quantidade de copos de limonada produzidos é de 20. Consequentemente, o custo total médio
por copo será de 1 real. Normalmente, o que pensamos é que, caso o preço de venda do copo
de limonada seja superior a 1 real, então valerá a pena vender. Ao passo que, caso seja inferior,
não fará sentido. Contudo, essa racionalidade é equivocada quando se busca o máximo lucro. A
simples comparação entre o preço de venda e o custo do produto não é correta para a
determinação do máximo lucro.
Existem situações onde o preço é menor do que o custo médio e ainda assim é melhor
vender. Ou seja, o incremento de receita gerada pela venda de uma unidade versus o
incremento de custo gerado pela venda daquela unidade. Isto é, caso não seja possível vender
o copo de limonada a um preço maior do que 80 centavos, é melhor vender a limonada por esse
preço e minimizar o prejuízo de não vender nenhuma unidade do produto. Simplificando, entre
ganhar 80 centavos (perdendo 20 centavos) e perder 1 real, é preferível ganhar os 80 centavos.

Assim a comparação correta é feita considerando receita marginal versus custo


marginal. Ou seja, um incremento na receita total maior do que o incremento no custo total.
Aumentando assim a distância entre receita e custo e, portanto, obtendo lucro. No caso em que
o contrário ocorre, não faz sentido vender. O lucro máximo acontece quando a receita marginal
é igual ao custo marginal. Essa é uma situação de equilíbrio, onde o lucro nem aumenta nem
decresce.

Considere o cenário em que a receita marginal é constante e igual ao preço. Ou seja, o


incremento de receita vai ser sempre o próprio preço, que não muda. Considere ainda um custo
marginal crescente (de acordo com a lei dos rendimentos decrescentes). Enquanto o cenário
for de receita marginal maior do que custo marginal, a diferença entre os dois será a variação
do lucro. No gráfico abaixo pode-se verificar que conforme aumenta a quantidade produzida o
lucro diminui. Até o ponto ótimo, faz sentido aumentar a produção porque os rendimentos estão
aumentando. Passado o ponto ótimo, deixa de fazer sentido a produção pois, embora os
rendimentos aumentem, os lucros começam a diminuir, sendo, portanto, melhor diminuir a
produção. O cenário de maximização de lucros é o ponto de igualdade, onde o lucro é o máximo
possível.

Considere uma situação onde a empresa tem o seguinte cenário: receita marginal
constante, custo marginal crescente e custo médio demonstrado no gráfico (à esquerda) abaixo
pela linha azul. O ponto vermelho indica a quantidade produzida que maximiza o lucro da
empresa e, portanto, será o ponto escolhido por ela. Assim, o custo médio (apontado em
vermelho no eixo vertical) é menor do que o preço (indicado em azul no mesmo eixo vertical),
o que significa que a empresa está tendo lucro positivo. Afinal, receita total maior do que custo
total significa que a empresa está tendo lucro positivo.
Numa segunda situação (gráfico da direita) a receita marginal é mais baixa, a situação
adversa, o custo marginal continua o mesmo e o custo médio também. Assim a quantidade que
maximiza o lucro da empresa é mais baixa do que no caso anteriormente citado. Assim, como
se vê no gráfico, o ponto que maximiza o lucro da empresa tem custo médio maior do que o
preço, o que significa um lucro negativo. Perceba que em ambos os casos a empresa está
maximizando os seus lucros, contudo em um caso obtém lucro negativo e em outro lucro
positivo.

É importante lembrar que o lucro deve ser analisado levando-se em consideração o


custo de oportunidade. Ou seja, quando se fala em lucro econômico zero, isso não significa que
contabilmente o lucro da empresa é zero, mas sim que todos os custos estão sendo
remunerados sem sobras, incluído aí o custo de oportunidade. Por exemplo, hoje no Brasil,
considerando os juros elevados, uma empresa que tenha lucro contábil de 5%,
economicamente, está tendo prejuízo, porque ao fechar a empresa e investir em títulos do
governo, o retorno seria superior a esse. Logo, o custo de oportunidade não está sendo
totalmente remunerado, e por isso, embora contabilmente haja lucro, economicamente há
prejuízo.

Princípios Norteadores da Atuação de uma Firma


Sabendo que a firma é uma maximizadora de lucros, sabemos que ela buscará o nível
de produção que a leva ao cenário de equilíbrio, onde a receita marginal iguala o custo marginal.
Feita essa escolha, a empresa poderá encontrar três cenários diferentes:
a) Cenário em que o preço do produto é maior do que o seu custo médio. Nesse
cenário ocorre lucro econômico positivo, e, mantido o cenário, a empresa
permanecerá no mercado no curto prazo e no longo prazo;
b) Cenário em que o preço do produto é igual ao seu custo médio. Nesse cenário
ocorre lucro econômico igual a zero. A empresa permanecerá no mercado no curto
e no longo prazo. Lembre-se que lucro econômico zero é a remuneração sem sobra
de todos os custos, incluído o custo de oportunidade. Logo a empresa não quebra
com lucro econômico zero.
c) Cenário em que o preço do produto é menor do que seu custo médio. Nesse
cenário ocorre lucro econômico negativo. A empresa deixará o mercado. Resta
saber em que prazo ela saíra, se no curto ou no curtíssimo prazo. Assim, teremos
dois subcenários (C.1 e C.2).
c.1) Custo total médio (20) maior do que o preço (15). E preço (15) maior do que o
custo variável médio (10). Logo, o custo fixo médio também é 10. A empresa precisa
escolher entre produzir ou não produzir. Produzindo, a empresa terá a situação em
que o seu prejuízo será seu custo total médio menos o preço, gerando assim um
prejuízo de 5. Optando por não produzir, a empresa terá que arcar com o seu custo
fixo médio, que é de 10. Logo, é melhor produzir no curto prazo. Assim, a empresa
permanece no curto prazo, mas deixa o mercado no longo prazo.

c.2) Custo total médio (20) maior do que o custo variável médio (10) e maior do
que o preço (5). Logo, o custo fixo médio também é 10. Seguindo o raciocínio do
subcenario anterior, a empresa precisa escolher entre produzir ou não produzir.
Produzindo, a empresa terá a situação em que o seu prejuízo será seu custo total
médio menos o preço, gerando assim um prejuízo de 15. Optando por não produzir,
a empresa terá que arcar com o seu custo fixo médio, que é de 10. Logo, é melhor
não produzir no curto prazo. Assim, a empresa deixa o mercado tanto no curto
prazo, quanto no longo prazo.

O custo fixo médio é decrescente pois é diluído a cada unidade produzida. Assim o
custo total médio cai, no caso de uma economia de escala porque o custo fixo médio cai
fortemente no início da produção. Contudo, conforme a produção cresce, cresce também o
custo variável médio, enquanto o custo fixo médio que vai se aproximando do zero e sua
relevância vai desaparecendo. Assim, o comportamento do custo total médio passa a ser
condicionado ao comportamento do custo variável médio. Logo, conforme o custo variável
médio cresce, crescerá também o custo total médio.
Diplomacia 360 Graus – Módulo Hera – Economia (Aula 6)
Prof. Daniel Sousa– 14-03-18

Estruturas de Mercado – Oligopólio e Concorrência Perfeita

Concorrências Perfeita (Ou Mercado Perfeitamente Competitivo)

São características de uma estrutura de mercado de Concorrência Perfeita:


I. Incontáveis Produtores, ou seja, é impossível dizer quantos são. O mercado é
pulverizado e nenhum produtor comanda a oferta isoladamente;
II. Incontáveis Consumidores, ou seja, é impossível dizer quantos são. O mercado é
pulverizado e nenhum consumidor comanda a demanda isoladamente;
III. Produto Homogêneo, ou seja, os produtos são similares, não apresentam diferenças
relevantes.
IV. Os produtores são tomadores de preço, e não escolhem o preço pelo qual
comercializam a mercadoria que produzem. O preço é definido no âmbito do mercado;
V. Não existem barreiras relevante à entrada ou saída de firmas;
A concorrência perfeita é, usualmente, associada ao mercado agrícola, por exemplo,
mercados de café, trigo, soja. Aqui o preço, que é definido pelo mercado, é um preço que iguala
oferta e demanda. Nesse caso haverá duas visões diferentes a do mercado (conjunto de todos
os produtores) e a do produtor.
O conjunto de produtores terá o preço definido pelo equilíbrio entre oferta e demanda.
Enquanto o produtor, individualmente, perceberá sua demanda como perfeitamente elástica
no preço de equilíbrio definido pelo mercado. Ele poderá vender 10, 100, 1000, ou nenhuma
unidade, tendendo a zero sua influência sobre o preço de equilíbrio.

Na prática, na concorrência perfeita a Receita


Marginal é constante e igual ao preço (Rmg = D). Isso
acontece porque como o produtor não tem influência
sobre o preço em função da quantidade ofertada, se ele
oferecer unidades adicionais do produto, o incremento de
receita provocado pela venda dessas unidades adicionais
é sempre o mesmo (o preço).

Caso haja preços diferentes, P0, P1 e P2. Em P0 a Rmg


é indicada em preto no gráfico à esquerda, o cenário P1 em
vermelho e o P2 em azul. O custo marginal, no caso específico
da concorrência perfeita, funciona como curva de oferta
porque relaciona preço com quantidade oferecida pela
empresa. Ou seja, o custo marginal coincide com a própria
curva de oferta da firma.

Ao buscar maximizar seus lucros, uma empresa pode passar por diferentes cenários:
com lucro econômico maior do que zero, igual a zero ou menor que zero. Em uma estrutura de
concorrência perfeita o lucro econômico tenderá a zero, vide o quadro abaixo. Logo, na
concorrência perfeita há uma tendência ao lucro econômico zero (estado de equilíbrio do
mercado) que é garantido pela inexistência de barreiras a entrada ou saída de produtores. Todas
as outras situações são instáveis como demonstram os fatores de aumento/diminuição de oferta
e/ou de preços, além da entrada ou saída de produtores no mercado. Quando o lucro econômico
chega a zero não há incentivo à saída ou à entrada de produtores.

Resolução de Questões de 3ª Fase

A) 390-3Q = 30+3Q, Q= 60. Logo, preço é igual 390-3(60) = 30+3Q(60), P=210.


B) RT = P x Q = 60 x 210 = 12.600
C) Zero. Como vimos acima, numa estrutura de concorrência perfeita o lucro econômico
tende a zero. Isso é garantido pela inexistência de barreiras relevantes a entrada ou
saída de produtores.
D) Em qualquer situação o equilíbrio é determinado quando se iguala o Custo Marginal
(Cmg) à Receita Marginal (Rmg), Cmg = Rmg. No caso específico da concorrência perfeita
a Rmg será igual ao preço. Logo Rmg = P. Assim, nesse caso específico, se preço é 210,
então Rmg = 210 e Cmg = 210.

A) Cmg = 10+0,5q, logo P=10+0,5q. Contudo, a questão nos pede o preço em função da
quantidade e o que encontramos foi a quantidade em função do preço, por isso é
necessário inverter as ordens, de forma que q = 2P -20.
B) Qof = 20p – 200 (oferta do mercado) e Qd = 160 – 4P (demanda do mercado), ao iguala-
las: 24P = 360, P=15. Assim, o preço de equilíbrio do mercado é 15. Logo, Qof = 20 (15)
– 200 e Qd = 160 – 4(15). Assim Qof = 100 e Qd = 100.
C) Aqui, as empresas são idênticas. Assim, sabendo que são 10 empresas, basta utilizar os
dados das questões anteriores considerando individualmente cada empresa, ou seja: Q
= 10 e Cmg = 15.
D) Menor. Isso ocorre porque no caso de um cenário de concorrência perfeita a Rmg é
constante e igual ao preço. Logo a Rmg para a 11ª unidade vendida seria 15. Assim, ao
considerarmos o custo marginal (Cmg) desta 11ª unidade, teríamos 10 + 0,5 (11) = 15,5.
Desta forma, ao produzir a unidade 11 ocorre incremento de receita total (Rt) de 15 e
incremento do custo total (Ct) de 15,5. Logo, com o custo crescendo mais do que a
receita, o lucro diminui em 0,5.

Oligopólio
São características de uma estrutura de mercado de Oligopólio:
I. Poucos Produtores, ou seja, é possível dizer quantos são. O mercado é concentrado;
II. Produto Homogêneo, ou seja, os produtos são similares, não apresentam diferenças
relevantes.
III. Há Barreiras à Entrada ou Saída;

São exemplos de oligopólio os mercados de petróleo e mineração, onde o produto é


homogêneo, o preço do produto é definido no mercado internacional, e no caso das barreiras à
entrada, estas são a existência dos recursos minerais a serem explorados, tecnologia que
viabilize a exploração dos recursos, entre outras. São outros exemplos os mercados de aviação
civil, telecomunicações, internet a cabo, supermercados.
No Oligopólio Cooperativo o objetivo é
maximizar o lucro do grupo, sendo combinados os
preços e as quantidades dos produtos
comercializados. Note que a combinação de preços,
nesse caso, não significa praticar preços iguais. Por
exemplo, se supermercados decidem seguir esse tipo
de oligopólio, eles podem combinar quais produtos
terão, em cada uma de suas unidades, preços mais
altos, e quais terão preços mais baixos. Assim,
produtos diferentes podem ter seus preços
aumentados ou diminuídos, em função desse arranjo.
Sendo garantida a rentabilidade do negócio.
Nessa situação ocorre aumento do excedente
do produtor (Ep) e diminuição no excedente do
consumidor (Ec). Assim, ocorre redução de excedente
de mercado (Em) e formação de peso morto.
No Oligopólio Não-Cooperativo as empresas podem competir via (i) quantidade; (ii)
preço ou (iii) marca. Aqui, a teoria dos jogos se aplica concretamente, pois a expectativa de ação
de um concorrente influencia na tomada de decisão da empresa.
Diplomacia 360 Graus – Módulo Hera – Economia (Aula 7)
Prof. Daniel Sousa– 21-03-18

Estruturas de Mercado – Monopólio


O monopólio tem as seguintes características:
I. Apenas um produtor;
II. Produtor é formador de preços;
III. Existem barreiras à entrada e saída de firmas;

O monopolista se defronta com a demanda integral do mercado, sua


Rmg é decrescente. Observa-se que o monopolista tem o mesmo coeficiente
linear (o já que ambas as retas saem do mesmo ponto 11) e que o coeficiente
angular é dobrado porque a Rmg intercepta o eixo horizontal no ponto médio
de onde a demanda o havia interceptado (por exemplo, 11 e 5,5). Vide gráfico
a direita.

Demanda Monopolista
A demanda com que o monopolista se defronta é toda a demanda de um mercado. Considerando o os dados
do exemplo anterior e um custo marginal constante, verifica-se o ponto de produção escolhido pelo monopolista,
sendo este ponto o que iguala Rmg = Cmg. Logo, a quantidade produzida que iguala custo e receita marginais será o
ponto escolhido pelo monopolista. Assim, para encontrar a quantidade que maximiza o lucro do produtor temos que
igualar a Rmg ao Cmg, assim 11-2Q = 5. Q = 3!
Para encontrarmos o preço basta aplicar a quantidade escolhida à função preço, ou seja 11 – Q, 11 – 3, P=8!
Note que o monopolista não é capaz de cobrar o preço que quiser. Ele pode apenas cobrar o maior preço que os
demandantes estejam dispostos a pagar por esta quantidade.

ATENÇÃO!! O MONOPOLISTA NÃO TEM CURVA DE OFERTA. Essa afirmativa apareceu no CACD 2017. No caso do
monopólio, não existe relação prévia entre quantidade produzida/ofertada e o preço de venda. O monopolista
cobrará, por cada quantidade, tanto quanto o consumidor estiver disposto a pagar. Logo, não existe uma relação
prévia entre preço e quantidade.

Comparação Monopólio x Concorrência Perfeita


Na concorrência perfeita ocorre o excedente do consumidor (área hachurada em preto) e o excedente do
produtor (área hachurada em vermelho). No caso do monopólio (delineados Cmg e Demanda, o ponto ótimo, onde
Rmg=Cmg), reduzidas as quantidades ofertadas, o monopolista aumenta seus lucros e reduz o excedente do
consumidor (área hachurada em preto), consequentemente, aumenta muito o excedente do produtor (área
hachurada em vermelho) e cria peso morto (triangulo preto no gráfico).
Monopólio Natural
Até aqui consideramos casos de monopólios tradicionais, que são monopólios que podem ser quebrados, por
exemplo, farmacêutico (com quebra de patentes de medicamentos). Nos monopólios naturais, no entanto, não é
possível essa quebra. De tal forma, analisaremos a seguir suas principais características.
O custo médio de uma empresa decresce até o ponto ótimo e posteriormente cresce. O custo marginal segue
a mesma lógica, quedo no início e posterior aumento (lei dos rendimentos decrescentes). Ao analisarmos o monopólio
natural verificamos um custo médio e um custo marginal decrescentes. Isso acontece porque custo médio = Custo
Fixo Médio + Custo Variável Médio, e, no caso do monopólio natural o CFme é tão grande que torna o CVme
irrelevante. Exemplo, no metrô do Rio (linha 4) teve custo de construção de R$ 10 Bi, com um montante tão alto
investido na construção (custo fixo), os salários dos maquinistas (custo variável), se tornam irrelevantes. Assim no
monopólio natural ocorre o atendimento integral da demanda, necessariamente, com rendimento e custo marginais
decrescentes.
Há duas formas de quebra de um monopólio natural: (i) inovação tecnológica que derrube o custo fixo (por
exemplo, mercado de telefonia); (ii) aumento do tamanho do mercado que justifique multiplicar o custo fixo
(exemplo, mercado de aviação).

Correção de Questão CACD

e) P = 390 – 3 (40), P = 270!

f) Cmg = Rmg = 30 + 3 (40) = 150. Rmg = 150! Outa forma de encontrar a Rmg seria, como vimos no início desta aula,
replicar o coeficiente linear (390) e duplicar o coeficiente angular do preço. Assim teríamos: P= 390 – 3Q, logo Rmg=
390 – 6Q. Ou seja, Rmg = 390 – 6 (40), Rmg = 150! Note que isso só funciona no monopólio.
g) O monopolista aproveita sua condição privilegiada e reduz a produção, aumentando assim o preço. Com isso, cresce
o excedente do produtor e diminui o excedente do consumidor. Como a diminuição deste é maior do que o aumento
daquele, forma-se o peso morto, perda líquida de bem-estar, funcionamento imperfeito da economia.

h) Peso morto é a perda líquida de bem-estar, a perda de excedente de mercado, causada pelo funcionamento
imperfeito do mercado. Veja o cálculo do peso morto abaixo (área em amarelo). Pm=1.200!

Correção de Questões CACD


e) Rt = P x Q, assim, tomaremos a demanda em função do preço, ou seja, se Q = 160-4P, então 4P = 160-Q e P = 40-
0,25Q! Continuando a solução para encontrar a Rt, teremos então que Rt = 40-0,25Q x Q, logo Rt = 40 Q -0,25Q²!

f) Rmg=Cmg, assim 40–0,5Q=10+0,5Q, logo Q=30! Preço será então P=40-0,25(30), P= 32,5!

g) Cmg = 10+0,5Q, logo Cmg=10+0,5 (30) = 10+15. Cmg=25! Desta forma, Cmg (25) é menor que o P (32,5), portanto,
Cmg < P

h) Seria menor! Para a unidade 31 teremos que Rmg31= 40-0,5 (31) = 24,5 e Cmg=10+0,5(31)=25,5! Logo, com receita
marginal inferior ao custo marginal não faz sentido a produção e oferta da 31ª unidade do produto, pois o lucro será
menor.

i) Sim, pois as quantidades produzidas em uma estrutura monopolista (30) são menores em comparação às de uma da
concorrência perfeita (100). Isso afeta o crescimento econômico ao diminuir a produção, reduzindo a necessidade de
recursos produtivos e, por conseguinte, geração de emprego, renda e consumo, o que prolonga o estado de depressão.
j) Não. Ao comparar preço e Cmg nas duas estruturas de mercado, encontramos na concorrência perfeita P=Cmg, ou
seja, nenhuma margem para investimento em não-fatores. Já no monopólio P>Cmg, logo, há margem para
investimento em não-fatores.

Concorrência Monopolística
Nesta estrutura de mercado o que ocorre é a concorrência de monopolistas de marca. Ou seja, cada produtor
é monopolista no uso da sua marca e concorre com outras empresas que também o são. Essa é uma estrutura de
mercado bastante evoluída e possui as seguintes características:
• Muitos produtores;
• Produto heterogêneo;
• Não existem barreiras relevantes à entrada ou saída de produtores.
Na concorrência monopolística a tendência é que o lucro econômico tenda a zero. Mesmo que a princípio ele
seja positivo, com a entrada de novos players, esse lucro se aproximará, gradativamente, de zero. Assim, nessa
estrutura de mercado, ocorre uma busca pela diferenciação dos demais produtores, que visa convencer o consumidor
das características superiores de seu produto, seja através de inovações no próprio produto ou de propaganda. É uma
luta permanente contra o lucro econômico zero.
Diplomacia 360 Graus – Módulo Hera – Economia (Aula 8)
Prof. Daniel Sousa– 28-03-18

Economia Brasileira

Império
1822-1840 – (i) Brasil com crescente endividamento externo; (ii) balanço de Pagamentos desequilibrado, (iii) entrada
de libras inferior à saída; (iv) custos de guerras pagos com captações no exterior; (v) ausência de um ciclo exportador
(declínio do ouro e o café não era uma realidade nas exportações).

1840-1865 – (i) queda do endividamento externo; (ii) ciclo de exportação do café como produto de exportação
relevantes; (iii) aumento das tarifas de importação, o que gera importante impacto em termos de balança comercial
e em termos de arrecadação do governo; (iv) crescimento econômico;

1865-1889 – (i) aumento de endividamento externo (efeitos da guerra do Paraguai); (ii) aumento das despesas do
governo; (iii) queda do valor exportado do café ; (iv) queda na arrecadação; (v) queda no crescimento econômico;
detalhe importante: o Brasil não dá calote na sua dívida externa, mesmo em situação periclitante.

Ao final do século XIX, a economia brasileira, pouco monetizada e com escassez de papel moeda, tinha
dificuldades para se desenvolver. Esse entrave era percebido, à época, como o principal para o que o desenvolvimento
nacional. Assim, ao final do império já havia a discussão a respeito do abando do padrão ouro e emissão de moeda
sem lastro.

OBSERVAÇÕES SOBRE O CAFÉ:


O café tem elasticidade-preço da demanda baixa, com isso, caso haja uma queda no preço do café sua
demanda se mantém praticamente inalterada. Assim, com a queda do preço do café, a quantidade exportada pelo
Brasil permaneceu praticamente inalterada. Ou seja, uma menor quantidade de libras entrava e a quantidade de sacas
exportadas permanecia mais ou menos a mesma. Os EUA já eram o principal mercado consumidor do café brasileiro.
Os operários norte-americanos recebiam café gratuitamente uma vez que as propriedades estimulantes; acreditavam
à época; aumentavam a produtividade.
O café também tem uma elasticidade-renda da demanda baixa o que significa que em momentos em que a
renda mundial aumenta o consumo de café não aumenta, permanecendo, basicamente, inalterado. O café está
inserido em um mercado de concorrência perfeita (i) muitos produtores; (ii) muitos consumidores; (iii) homogêneo;
(iv) produtor é tomador de preços; (v) inexistência de barreira à entrada.
Além dos fatores mencionados acima, o café é importante para a criação de infraestrutura e tem papel central
na acumulação de capital. Outro ponto importante a ser mencionado é que o café promove a criação de um mercado
consumidor interno e seu efeito multiplicador fomenta o crescimento econômico brasileiro. Isto é, o café tinha papel
central na economia brasileira do final do século XIX e nos primeiros anos do século XX.

1ª República

1889-1898 – (i) política monetária não-ortodoxa (encilhamento), com emissão de papel moeda sem lastro em metal,
mas com lastro em títulos públicos; (ii) crédito à indústria; (iii) especulação financeira com a abertura de capitais de
empresas na bolsa do RJ; (iv) aumento da inflação; (v) aumento da dívida pública; (vi) crescimento inicial puxado pela
demanda; (vi) desequilíbrio da balança de pagamentos provocado pela queda do preço do café, que culminou em
endividamento externo.
Campos Sales
No governo de Campos Sales, o desafio era sanear as contas do país e reduzir o endividamento externo. Para
isso foram tomadas medidas como (i) aumento do imposto do selo; (ii) aumento do imposto sobre o consumo; (iii)
diminuição das despesas públicas; o que gerou (iv) forte retração do crescimento econômico; (v) queda da inflação;
(vi) valorização cambial.

Rodrigues Alves
Com o saneamento na economia realizado por Campos Sales, o governo de Rodrigues Alves tinha
possibilidades diferentes. Nessa fase ocorre (i) aumento das despesas com obras; (ii) aumento de despesas com
saúde; (iii) o Brasil passa a receber mais investimentos estrangeiros diretos (IED); (iv) crescimento econômico; (v)
criação do convênio de Taubaté; (vi) estabelecimento de câmbio fixo (por meio da Caixa de Conversão); (vii)
crescimento das exportações de borracha;

CONVÊNIO DE TAUBATÉ: Assinado pelos presidentes do RJ, MG, e SP. Ficaria responsável por (i) comprar o excesso
de oferta por meio de empréstimos externos; (ii) venda estoques em momento de entressafra; (iii) criação de imposto
que incidirá sobre as exportações de café. O plano é um sucesso. Em curto prazo o preço do café sobe. No longo prazo,
no entanto, o plano de defesa do café gera um aumento da produção e oferta de café tanto dentro quanto fora do
Brasil.

Afonso Pena / Nilo Peçanha


Esse governo tem prosperidade ainda maior do que a encontrada por Rodrigues Alves. Porque, além dos (i)
IED; (ii) receber as divisas de exportação do café que continuam no auge; (iii) continuar com o pagamento da dívida
externa suspenso, ocorre ainda (iv) o aumento do preço do café em função das ações do Convênio de Taubaté; (v)
aumento da oferta de moeda provocado pela maior entrada de libras e pelo câmbio fixo; (vi) balanço de pagamentos
é superavitário; (vii) exportações de borracha estão no auge. O Brasil aumenta a (viii) importação de máquinas e
equipamentos.

Hermes da Fonseca
Durante o governo Hermes da Fonseca o cenário de bonança do governo anterior muda drasticamente. (i) O
balanço de pagamento fica desequilibrado; (ii) ocorre queda na exportação de café; (iii) queda na exportação de
borracha; (iv) queda nos IED; (v) retomada do pagamento da dívida externa; (vi) novo funding loan (15 milhões de
libras, suspensão do principal da dívida por 13 anos, suspensão dos juros por 3 anos).
Economia – Aula 08

Economia brasileira

Império
(1822-1840)
▪ Época com crescimento forte da dívida externa.
▪ Balança de pagamentos desequilibrada – período em que o Brasil fazia grandes
importações e não havia grande volume de exportação; também havia o declínio do
outro.
▪ Custo com as guerras – que eram pagas com constantes empréstimos.
▪ Ausência de um ciclo exportador (o café ainda não era uma realidade nas
exportações)
Era um ambiente de enorme instabilidade político, o que reflete na economia. O
endividamento começou quando o Brasil pegou empréstimo para pagar a indenização pela
independência de Portugal.

(1840-1865)
Prosperidade:
▪ Redução da dívida externa;
▪ Aumento das tarifas de importação – atraídos pela estabilidade política, gera impacto
na balança comercial e na arrecadação do governo.
▪ Crescimento econômico como consequência.
▪ Café – aumento na produção para adentrar num ciclo de exportação relevante e
honrar compromissos externos.

(1865-1889)
▪ Aumento da dívida externa – um dos fatores foi a Guerra do Paraguai.
▪ Queda do preço do café.
▪ Queda na arrecadação
▪ Queda no crescimento econômico
Durante muito tempo o Império adotou o padrão ouro: toda moeda deveria ser lastreada com
o ouro que possuía. Porém, ao final do século XIX, a economia brasileira tinha dificuldades
para se desenvolver – a quantidade de papel moeda que circulava era muito pequena porque
havia pouca reserva de ouro nos cofres nacionais, ou seja, existia discussão para que o padrão
ouro fosse abandonado e, assim, pudesse ser emitido moedas sem lastros.

Informações sobre o café


Possui elasticidade do preço da demanda baixa – ou seja, caso exista alguma alteração no
preço, o impacto é pequeno. Assim, menos libras entra e a quantidade de saca exportada
continua a mesma.

Os EUA foram os maiores consumidores do café brasileiro. Houve um boom por conta do
processo de industrialização – o café é estimulante e aumenta a produtividade dos
trabalhadores, dessa forma, as pessoas passavam a consumir cada vez mais. Isso estimulava a
produção de café no Brasil e gerava arrecadação de dinheiro. O país passou a ter 90% da
produção mundial – e até hoje é um dos dez principais produtos de exportação.
Elasticidade renda da demanda baixa: mesmo se a renda aumentar, o consumo de café não
aumenta – acontece o contrário também: se a renda diminuir, o consumo de café não se
altera.

Mercado de concorrência perfeita:


▪ Muitos são os produtos
▪ Muitos consumidores
▪ Produto homogêneo
▪ Produtor é tomador de preços – definido pelo mercado pelo conjunto de ofertantes e
demandantes.
▪ Inexistência de barreiras à entrada e saída de firmas

O café tem um papel central na economia brasileira. É importante para a criação de


infraestruturas e o acúmulo de capitais; também é um elemento gerador de mercado
consumidor doméstico, ou seja, ele também atua no mercado interno; e seu efeito é
multiplicador em relação ao crescimento econômico (responsável por alimentar os agregados
macroeconômicos do PIB brasileiro).

I República:

(1889-1898):

Principal característica: política monetária não-ortodoxa (encilhamento).

Nova lei bancária (1890): permissão para a emissão de papel moeda sem lastro em metal –
movimento papelista (opunha-se ao metalista, fiel ao padrão ouro). Agora as notas passam a
ser lastreadas em títulos públicos e são colocados em circulação através de títulos de crédito,
preferencialmente para as indústrias.

Havia uma expectativa favorável do governo: o contexto era o fim da escravidão e muitos
imigrantes estavam chegando no país; significa que existiria demanda por trabalho e surto
industrial e tudo serviria para controlar a inflação.

Porém, as consequências foram outras: havia muito papel moeda em circulação e uma enorme
especulação, que refletia no aumento da inflação de forma significativa e no endividamento
público – inclusive por conta da emissão lastreada em títulos públicos. Os imigrantes e os
antigos escravos não demandavam moeda porque não tinham renda.

Crescimento inicial razoável que era impulsionado pela demanda – menor do que se esperava,
o crescimento era consequência da expansão das indústrias (principalmente de bens não
duráveis para consumo interno) e sua capacidade de produção.

Queda no preço do café (década de 90): menor quantidade de libras entrando no Brasil refletia
na desvalorização do mil reis e aumento da libra (a saída de valores passa a ser maior que a
entrada, que se manifesta diretamente no balanço de pagamentos, causando desequilíbrio).
Além disso, houve excesso de oferta (a produção estava acima da demanda) e restrição de
entrada do café brasileiro nos EUA.
Emissão de dinheiro gera desvalorização de mil-
réis que gera inflação e aumenta as despesas
do governo. Governo financia essas despesas
fabricando mais moeda.

É necessário cobrir déficit no balanço de


pagamentos. Então o governo recorre a outro
empréstimo (1896) com condições
desfavoráveis, visto que a chance de calote era
relativamente alta.

Campos Sales
O novo presidente encontrou-se com banqueiros para negociar as contas (Primeiro Funding
Loan) disse que não havia como pagar e que precisava de outro empréstimo. Ficou acertado
que o Brasil teria uma nova quantidade de dinheiro e que esse valor somente seria liberado
conforme as condições fossem atendidas. O objetivo era sanear a contas públicas e reduzir o
endividamento. Assim, o governo é duro e implanta algumas medidas:
▪ Dois impostos: do selo (para documentos em circulação) e de consumo.
▪ Corte de despesas públicas: auditoria interna para enxugar o quadro de funcionários
públicos.

Que gerou baixo crescimento econômico; queda da inflação; e valorização cambial: o papel
moeda torna-se escasso porque parte é tirado de circulação e, com o acordo de empréstimo,
deixa de pagar a dívida externa (moeda mais abundante em relação a libra).

O café estava caindo em libras e a desvalorização em réis compensava somente quem


comprava, o que era uma péssima notícia para os cafeicultores porque as perdas eram
relativamente significativas. O governo não era sempre favorável ao cafeicultor.

Rodrigues Alves:
Com as melhorias realizadas no governo de Campos Sales, o novo presidente tinha um
contexto mais favorável, então houve:
▪ Aumento das despesas públicas, em particular com obras e saúde.
▪ Aumento de investimento estrangeiro direto (IED) – principalmente por conta da
dívida externa equilibrada;
▪ Aceleração do crescimento econômico;
▪ Assinatura do Convênio de Taubaté
Acordo firmado entre os governadores dos estados de São Paulo, Minas Gerais
e Rio de Janeiro para proteger a produção brasileira de café, que passava por
um momento crítico, de preços baixos e prevendo a colheita de uma safra
recorde. Acordou-se uma intervenção do Governo federal em benefício da
classe dos cafeicultores de determinadas regiões do país.
O convênio estabelecia preços mínimos para a compra do excedente pelos
governos, que a exportação de tipos inferiores de café fosse desencorajada,
que fosse melhorada a propaganda no exterior, que se estimulasse o consumo
interno e restringisse a expansão das lavouras.
Também é estabelecido o regime fixo de câmbio, que até então era flutuante.

▪ Valorização cambial: marcada por investimentos diretos e a exportação de borracha


que decolou entre 1901 e 1910, principalmente por conta dos automóveis.

Afonso Pena / Nilo Peçanha


Momento de prosperidade: o preço do café sobe por conta do Convênio de Taubaté; há
investimentos estrangeiros diretos por conta da estabilidade da moeda e o pagamento da
dívida continua suspenso. O balanço de pagamento é superavitário. As exportações de
borracha estão no auge. Também há valorização da oferta da moeda por conta do regime de
câmbio fixo.

O Brasil tem um aumento significativo na importação de máquinas e equipamentos que


permitirá o país a enfrentar o surto industrial da I Guerra Mundial.

Hermes da Fonseca
Politicamente instável. O cenário muda:
▪ Balanço de pagamentos desequilibro;
▪ Exportação do café volta a cair;
▪ Assim como a exportação de borracha – cai por conta das colônias britânicas na Ásia.
Com mudas no continente asiáticos, os outros países passaram a comprar dos ingleses.
▪ Queda dos investimentos externos diretos.
▪ Retomada do pagamento da dívida externa.
▪ Segundo funding loan: empréstimo de consolidação (15 milhões de libras para se
recompor com as mesmas bases que o primeiro: carência de juros de três anos,
principal valor da dívida suspenso por treze).
Economia – Aula 09

[continuação da aula anterior: formação econômica brasileira]

Hermes da Fonseca (1910-1914)


Politicamente instável. O cenário muda:
▪ Enfrenta diversas dificuldades, principalmente no setor externo (exportações de café)
▪ Retoma o pagamento da dívida externa – fim da carência estabelecida
▪ Declínio do peso do café (por conta do excesso de oferta)
▪ Declínio das exportações de borracha (países passaram a comprar das colônias
inglesas na Ásia)
▪ Desequilíbrio do balanço de pagamentos (saída de divisas/libras maior que a entrada)

Cenário caminha para diminuição de reservas internacionais disponíveis no governo brasileiro.


▪ Segundo funding loan (1914) – com o esgotamento das fontes internas, é necessário
jogar a dívida para a frente. É negociado 15 milhões de libras (anterior de 10 milhões);
pagamento do valor principal é suspenso por mais treze anos e a suspensão dos juros
por três. A garantia é todas as alfândegas do Brasil de forma subsidiaria – o
empréstimo é negociado com ingleses, franceses e alemães.

▪ Fim da caixa de conversão: Brasil volta a ter câmbio flutuante – tendência a


desvalorização em função da escassez de divisas; enfraquecimento do mil-réis em
relação a libra.

Primeira Guerra Mundial:


● Surto industrial – não pode ser considerado como processo:
▪ Capacidade ociosa instalada significativa – a produção industrial é vista como
algo espontâneo;
▪ Escassez de oferta dos principais centros produtores;
▪ Desvalorização cambial – proteção para estímulo de produtos nacionais; o
produto importado sai caro em relação ao nacional;
▪ Demanda reprimida que se forma e pode ser atendida pela expansão
local/doméstica.

● Segundo Plano do Café (1917): plano do governo central com o objetivo de defender
o café (declínio no preço) para enfrentar a crise interna:
▪ Comprar excesso de oferta com emissão de moeda;
▪ Emissionismo de moeda como mecanismo;
▪ Consequência direta: aumento da inflação;
▪ Controlar novas plantações
▪ Venda de estoques reguladores para recuperar o dinheiro.

Assim, há uma melhora no cenário:


· A indústria ia ganhando importância e a cafeicultura perdendo;
· Há recuperação do preço do café, da arrecadação dos impostos;
· A recuperação das exportações de café tem impacto imediato para o crescimento
brasileiro.
Epitácio Pessoa (1919-1922)
Cenário positivo – PIB aumenta por conta das exportações de café (que alimenta os impostos,
gastos do governo e o consumo).

Três fatores fundamentais que impactam positivamente o governo e o exportação do café:


▪ Defesa do café (2º plano);
▪ Geada inédita que leva a quebra da safra;
▪ Fim da Primeira Guerra Mundial.

Entretanto, com a arrecadação de impostos, o governo aumenta os gastos com dois grandes
investimentos:
▪ erradicação da seca no Nordeste;
▪ remodelação do Rio de Janeiro – construção de uma série de obras para comemorar
o centenário de independência.
Além disso, ele é conhecido por contratar familiares.

1920/21: inversão do cenário positivo: preço do café volta a cair.


Oferta se recupera (produção) e a demanda externa cai – governos europeus
implementam medidas contracionistas para conter os gastos e, assim, há uma retração
no crescimento europeu

Os EUA também são afetados – por conta do comércio com a Europa – situações que
atingem o Brasil por tabela, uma vez que ambos eram consumidores do café brasileiro.

Medidas tomadas:
· Novo plano de defesa do café, financiado com empréstimos externos (1921);
· Gastos públicos (obras) são mantidos.

Cenário:
▪ Aumento do déficit público: queda de arrecadação e manutenção de gastos;
▪ Aumento significativo da dívida pública por conta da necessidade de comprar café e
de manter as obras;
▪ Aumento da inflação;
▪ Diminuição do poder de compra das pessoas;
▪ Desaceleração do crescimento econômico: contexto recessivo.

Medida implementada ao final do governo: criação do imposto de renda (1922). Com a


urbanização da sociedade brasileira, fazia sentido criar imposto; diferentemente do contexto
agrário, que as pessoas não tinham renda – antes os tributos vinham do selo, consumo,
exportação e importação. O imposto sobre a renda foi regulamentado somente em 1924 e o
objetivo era aumentar a arrecadação e regular as contas do governo.

Artur Bernardes (1922-1926)


● Ajuste fiscal:
▪ Aumento de impostos (alíquotas)
▪ Corte de gastos: máquina pública e, inclusive, a defesa do café (repassa a
responsabilidade para o Estado de São Paulo).
[É plantado a semente da cisão oligárquica (1930) – política do café com o leite
(ora o presidente deveria ser paulista, ora mineiro, porque “quem defende o
café, defende o Brasil”].

● Ajuste monetário:
▪ Redução do crédito – redução da oferta de moeda para baixar a inflação e
reequilibrar macroeconomicamente o Brasil;
▪ Há tentativa de um novo empréstimo, mas não foi adiante por conta da melhora na
economia e foi sugerido, inclusive, abandonar a defesa do café;
▪ Processo de recuperação na segunda metade do governo:
· Relação com a política de ajuste (reequilíbrio das contas públicas, que
recupera a capacidade do governo de gastar e de fazer empréstimos; e a
queda da inflação, consequência do ajuste monetário-fiscal. Ambos os fatores
ajudam no processo da economia e do crescimento).
· Cenário externo: recuperação da demanda externa essencialmente puxada
pela recuperação dos EUA – superaquecimento da economia americana pré-
crise 29. Conjuntura internacional afeta o Brasil: valorização do mil-réis.

Sinais de melhora:
▪ Recuperação do preço do café – impulsionada pela demanda externa, principalmente
dos EUA;
▪ Queda da inflação: recupera o poder de compra das pessoas.

Washington Luiz (último da República Velha, 1926-1930)


Proposta de defesa permanente do café: ideia de que deve ser política do Estado e não de
governo – defender o café é defender o Brasil, porque há uma grande dependência.

Retomada do regime de câmbio fixo através da caixa de estabilização.


[Aproximação do Brasil ao paradigma do padrão-ouro, que previa câmbio fixo. Uma
forma de atrair investimentos estrangeiros – o alinhamento ao paradigma do padrão
internacional é mais atraente para empréstimos, captação de recursos, investimentos
externos, etc. – lado positivo e benéfico para a economia brasileira, mas atrapalhava
os interesses do café].

Ministro da Fazenda: Getúlio Vargas.

Crise de 1929:
Superaquecimento da economia norte-americana. As pessoas faziam empréstimos para
comprar ações e imóveis, esquecendo que o mercado acionário tem uma renda variável.

A crise afeta violentamente as exportações de café e, consequentemente, há queda do PIB


brasileiro. [PIB= C + I + G + ↓ (X-M)]
A baixa exportação afeta os outros cenários (consumo, investimentos, gastos do
governo). É um quadro recessivo: quanto menos se investe, menos se consume, menos
se arrecada.
Getúlio Vargas:
Dois cenários:

● Não fazer nada: PIB = C + I + G + ↓ (X-M)


Havia uma recessão sem precedentes: queda do investimento, consumo, gastos do
governo. A primeira opção era aceitar a crise e deixar que aconteça uma solução
automática.

● Política anticíclica: ↑PIB= ↑C + ↑I + ↑ G + ↑ (X-M)


▪ Aumentar os gastos do governo comprando café com a impressão de dinheiro;
▪ Queima o café (do ponto de vista macroeconômico é consumido): o preço do café
sobe, assim como as exportações.

Há melhora nos investimentos, transbordamento de renda e tendência que o mercado


consumidor se expanda. O PIB brasileiro se recupera rápido: volta para o patamar pré-crise.
"... a recuperação da economia brasileira, que se
manifesta a partir de 1933, não se deve a nenhum fator
externo, e sim à política de fomento seguida
inconscientemente no país e que era um subproduto
da defesa dos interesses cafeeiros".
Celso Furtado em seu livro Formação Econômica do
Brasil.

Objetivo: industrializar o país.


Agora pode ser considerado como um processo porque é algo sustentável e continuo – não é
um surto. Período de inflexão: antes e depois do Vargas do ponto de vista econômico.

▪ Importar máquinas, equipamentos, insumos e tecnologias.


▪ Estabelecer monopólio cambial do Banco do Brasil: apenas o banco pode vender
divisas.
▪ Autoridade monetária.

Deslocamento do eixo dinâmico: o eixo dinâmico que era (X-M) passa a ser o setor
interno (C+I+G). A tendência global é de fechamento: o crescimento do PIB dos países
é maior que o comércio.
· Exporta e importa pouco (consequência da estratégia do Vargas).
· Relevância no setor externo diminui de forma significativa. A balança
comercial como alavanca ao crescimento econômico deixa de ser importante,
agora é menos representativa no PIB.

Controle cambial:
▪ Aumento de tarifas;
▪ Oferece subsídios ao produtor local;
▪ Créditos baratos ao produto local;
▪ Mercado interno é o grande consumidor (mais de 80% do PIB).
Economia – Aula 10

Formação economia brasileira

Governo Vargas
Política de defesa do café: com a queima dos estoques, há criação de demanda efetiva
(diferente do que acontecia anteriormente). Continua sendo o principal produto de
exportação.
◊ Gastos: emissão de moeda (fora do alinhamento do padrão-ouro).
◊ Consequências: aumento do preço, aumento das exportações liquidas. Aumento dos
setores econômicos, investimentos e maior transbordamento de renda no mercado
consumidor.

Deslocamento do eixo dinâmico:


▪ Tarifas de exportações: reserva de mercado para indústria nacional (proteção para
indústria externa);
▪ Subsídios ao produtor local;
▪ Créditos ao produtor local;
▪ Controle cambial: só o Banco do Brasil determina quem pode e não pode comprar
moedas estrangeiras (com uma taxa de câmbio fixada).

Três momentos (ideia de que as divisas virão das


exportações):
· 1º momento: indústria de base e indústria de
não- duráveis (anos 30 e 40);
· 2º momento (processo evolutivo): foca no setor
duráveis (anos 50 e 60);
· 3º momento: foca em bens de capital e novas
tecnologias (anos 70, interrompido pela crise da
dívida).

Assim, há a suspensão do pagamento da dívida externa de forma unilateral (sem renegociação


da dívida): decreta moratória. O governo precisa de divisas para montar uma indústria
nacional, de bens não duráveis e de base (construção da CSN).

1931: Vargas implementa o terceiro funding loan.

1932: suspende o pagamento da dívida externa (moratória).

1934: esquema Aranha (referência a Osvaldo Aranha): princípio da capacidade de pagamento


(“devo, não nego, pago quando puder”)

1937: moratória unilateral.

1943: acordo permanente da renegociação da dívida externa brasileira.

Por conta das moratórias unilaterais, o Brasil torna-se incapaz de receber crédito privado
internacional a partir dos anos 30 e só volta nos anos 60.
Contexto de muita instabilidade no setor externo. Vargas decretou moratória em 1932 e 1937:
Revolução Constitucionalista e Golpe do Estado Novo, respectivamente. O fato de decretar
moratória é algo extremamente popular, uma forma de ganhar o apoio da população.
Sarney e JK também tomaram essa atitude para ganhar o apoio da população. Sarney após o
fracasso do plano cruzado, e Juscelino no momento de fragilidade política em 1959 junto ao
FMI.

Investimento = poupança = poupança doméstica [privada + do governo (negativa)] + poupança


externa (injeção de recursos externos)

SE (poupança externa) é importantíssimo para o investimento (o investimento depende da


poupança externa). Então, como existe dificuldade de captar recursos no exterior, existe
também a capacidade de viabilizar investimentos.

Contexto externo: dificuldades para atrair investimentos estrangeiros


Por que o Brasil resolve assinar um acordo no ano de 1943?
Uma série de condições e vantagens:
¤ Reservas internacionais acumuladas (superávit comerciais nos anos anteriores por
conta da exportação de produtos manufaturados): torna-se capaz de negociar a dívida
em condições melhores juntos aos credores externos;
¤ Investimentos. Era final da Segunda Guerra Mundial e o governo almejava atrair
investimentos estrangeiros. Torna-se necessário eliminar a situação de litigo para que
fosse possível atrair esse dinheiro.
¤ Bretton Woods: o Brasil queria ter assento nesse arranjo (sistema financeiro
internacional), fazia-se necessário equacionar a equação da dívida externa e
reestabelecer a normalidade.

Contexto interno:

 Postura protecionista: tarifas de exportação, crédito e subsídios oferecidos às indústrias:


Tarifas de exportação; expansão da oferta de moeda na economia brasileira (crédito);
Banco do Brasil controla acesso a moeda estrangeira e pode acoplar crédito
(subsídios).
Consequência: cresce e amplia significativamente a produção industrial em cima de
crédito oferecido.

 Governo não abandona a estrutura, mas adota uma estratégia de coordenação de produção
agrícola (com institutos do café, do álcool).

 Reforma tributária: extinção dos impostos interestaduais (importação do estado). Agora a


arrecadação passa a ser centralizada na União. Ideia de esvaziar o poder dos outros governos,
autoritarismo (característica típica do regime militar)

 Planejamento: para cumprir interesses nacionais. Política econômica passa a ser definida
pelo governo federal (ex.: todos os diretores do banco central são nomeados pelo Presidente).
Os estados passam a obedecer a política definida pelo governo federal. Ex.: estados são
proibidos de fazer empréstimos sem a autorização – algo novo que permanece até os dias
atuais.

 Fortalecimento do Banco do Brasil: é quem empresta recursos para o agronegócio,


indústria; também decide quem pode e não pode comprar moeda estrangeira.
É tão poderoso que começa a criar problemas: o Banco do Brasil também era o Banco
Central e, assim, regulava a si próprio e aos seus concorrentes:
· É criada a SUMOC (Superintendência da Moeda e do Crédito) numa tentativa
de criar um Banco Central dentro do Banco do Brasil, para que fosse separado
as duas políticas. Dessa maneira, a Superintendência passa a regular e fiscalizar
o sistema bancário até os anos 60, período no qual foi criado o Banco Central.
· Conta movimento: o Banco do Brasil era ligado diretamente ao Tesouro
Nacional. Ou seja, continuava a imprimir moeda e a oferecer o quanto quisesse
de crédito. A conta só foi extinta nos anos 80, no governo de Sarney, que se via
obrigado a criar uma autoridade monetária para controlar a inflação.

 Relação capital trabalho: lógica que Vargas consegue estabelecer para trazer os
trabalhadores e os sindicatos para junto do governo. Intervenção capital trabalho (CLT):
legislação trabalhista dentro de uma estratégia de desenvolvimento, dentro de um pacto de
capital e trabalho.
· Logica do keynesianismo: pagar salários para que seu funcionário seja seu
consumidor (“pago salario para você, você compra de mim, eu fico mais rico”). Ou seja,
há aumento de vendas e lucratividade.
· A ideia é implantada pelo governo Vargas e pretendia fazer com que o consumidor
brasileiro comprasse o produto nacional, ampliasse o mercado interno e,
consequentemente, ir ao encontro do projeto industrializante e aceleração do
crescimento. Seguindo o mesmo pensamento, também, o governo oferece reservas de
mercado para indústria nacional.

Herança do Governo Vargas:


¤ Divisas internacionais (embora boa parte não seja em moeda conversível: não são
dólares americanos lastreadas em ouro):
· Balança comercial positiva;
· Superávits em transações correntes;
· Investimento estrangeiro direto.

¤ Expansão industrial formidável.


· Claramente consolidado na indústria de não duráveis
· Encaminhado na indústria de base (siderúrgica e mineração)

¤ Inflação (parte negativa da Era Vargas, elemento de preocupação)


Abole o mil-réis e substitui pelo cruzeiro (1942) com o objetivo de fazer
com que a inflação morresse (moeda nova não tem inflação)

▪ Emissionismo para comprar café, para ampliar o crédito e para financiar o


déficit do governo.
▪ Déficit público expressivo:
· Aumento das receitas é menor que os das despesas;
· Aumento de custos na produção industrial (CLT);
· Fechamento da economia brasileira (menos concorrência, preços
sobem);
· Escassez proporcionada pela 2ª Guerra Mundial (racionamento de
petróleo e outros produtos essenciais).

¤ Estatais: setores que precisam ser desenvolvidos e que devem existir (falhas de
mercado). Porém, a iniciativa privada não tem interesse por conta do risco elevado,
prazo de retorno alto, etc. O governo, então, entra:
· Companhia Vale do Rio Doce
· Companhia Siderúrgica Nacional.

General Enrico Gaspar Dutra


Situação externa mais confortável com a expectativa de que tudo seria diferente. Entretanto, o
Brasil não era prioridade para os EUA: período de guerra-fria (preocupação maior com a URSS)
e o fato dos brasileiros terem ido para a Guerra (contrariando-os).

Política Econômica Externa:


¤ Flexibilização do controle cambial (libera o acesso a moeda estrangeira), motivos:
▪ Necessidade de reequipar a indústria brasileira, que não tinha conseguido
comprar técnicas e equipamentos.
▪ Baixar a inflação através da concorrência com produtos importados (aumento
da concorrência)
▪ Pressão enorme da classe média pela flexibilização do controle cambial, que
facilitaria o acesso a produtos importados.
▪ Atrair investimentos estrangeiros: direito de comprar dólares sem o governo
interferir.

Resultados:
◦ aumento na saída de dólares (importações que se esperavam).
◦ aumento da entrada de dólares (investimento estrangeiro direito)
Ou seja, desequilíbrio nas contas externas: saída de dólares maior que
a entrada.
▫ Ilusão cambial.
▫ Desequilíbrio externo: perda de reservas internacionais.

¤ Estabelecimento de guias de importação associados a licença de importação:


necessário o preenchimento de uma guia, o Banco do Brasil avalia e, se for pertinente
após avaliação, haverá a concessão de uma licença de importação (extinto em 1990).

¤ Preço do café sobe por conta da recuperação da demanda externa (pós 2ª Guerra
Mundial, 1949, recuperação mais lenta). Passou a controlar a importação, a situação é
confortante.

Política Econômica Interna:


¤ Ajuste ortodoxo:
▪ Combater a inflação (o principal problema do Brasil)
▪ Combater a indisciplina fiscal (equilíbrio das contas públicas)
▪ Atrair investimentos estrangeiros indiretamente

¤ Política monetária contracionista


▪ Centrada em diminuir o crédito do Brasil para diminuir a oferta dos meios de
pagamentos

¤ Política fiscal contracionista.


▪ Aumento de impostos
▪ Corte de despesas.

Plano Salte: objetivo de estimular o desenvolvimento de setores da saúde, alimentação,


transporte e energia.

Gastos e obras importantes sendo levados adiante.


▪ Construção a rodovia presidente Dutra (RJ-SP)
▪ Estado do Maracanã para o Campeonato Mundial.

O final do governo é parecido com o início:


▪ Situação externa confortável: guias de importação e o preço do café
▪ Situação interna ruim: há indisciplina fiscal e é necessário controlar a inflação.
Economia – Aula 11

Formação econômica brasileira.

2º Governo Vargas:
Antecedentes:
▪ Inflação: principal problema a ser enfrentado:
▫ Menos importações
▫ Desequilíbrio fiscal
▫ Expansão (aumento) do crédito (via Banco do Brasil)
▪ Situação externa (fazendo referência ao balanço de pagamentos)
▫ Café em situação confortável por conta da demanda externa (1949)
▫ Guia de importação (controles quantitativos às importações: melhora nos resultados
comerciais porque limitava as importações).

Governo feito em duas fases:


◌ Campos Sales: fase de ajustes macroeconômicos (ortodoxos) para reequilibras as
contas públicas e baixar a inflação;
◌ Rodrigues Alves: fase de investimentos e crescimentos (empreendimentos,
realizações e projetos).

Ortodoxia no campo de vista fiscal e monetário: política contracionista para baixar a inflação e
tentar estabilizar macroeconomicamente o país:
Maior arrecadação de impostos e corte de despesas – expansão e contração.

¤ Política monetária contracionista:


Aumento de juros e corte do crédito: tentar desacelerar a economia brasileira e,
consequentemente, a inflação.

¤ Boa relação com os EUA: criação do CMBEUA (Comissão Mista Brasil-EUA): financiamento de
um programa de reaparelhamento dos setores de infraestrutura (energia, transporte, etc.) da
economia brasileira infraestrutura.

¤ Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE). [O S será incluído na sigla apenas


nos anos 80]: formado com o objetivo de financiar projetos na área de infraestrutura dentro
das áreas oferecidas Brasil-EUA. Capta recursos e volta a emprestar.
Tesouro nacional injeta recursos assim como o EXIM (norte-americanos).

1953: instrução nº 70 da SUMOC: sistema de taxas múltiplas de câmbio – acaba com a taxa fixa
e única de Bretton Woods. Brasil passa a ter cinco taxas de câmbio diferentes:
· Resto (qualquer coisa que não fosse café): taxa fixa + sobretaxa fixa. Objetivo de
incentivar a importação.
· Café: taxa fixa (recebiam menos cruzeiros por cada dólar).
Sistema cambial intervencionista. Exportadores e importadores de forma discriminarias
(objetivo de privilegiar os mais estratégicos):
· Resto: taxa fixa + sobretaxa variável (definido em leilões cambiais no Banco do Brasil);
· Petróleo e trigo: taxa fixa + sobretaxa fixa (ocorre subsidio cambial);
· Máquinas/equipamentos/insumos: taxa fixa (importar era mais barato)
¤ Também é o ano da criação da Petrobras: uma tentativa de resolver problemas de carência
da energia brasileira (que na época era movida a petróleo).
O projeto original não previa o monopólio da Petrobras. Mas colocá-la como
monopolista a “destruiria”, uma vez que ela teria que captar fundos sozinha e não ia
ter recursos suficientes para isso.

¤ Criação da Eletrobrás – mas que não foi adiante. Somente nos anos 60 que tem sucesso:
esforço nacionalista para resolver problemas energéticos.

¤ Aumento do salário mínimo: 100%:


Pacto inflacionário violento, porque o aumento foi feito de uma só vez. Aos poucos, a
estratégia é sustentável e a longo prazo gera efeitos formidáveis.

¤ Fábrica nacional de motores: começa a pensar numa nova etapa para substituições, uma
forma de avançar para os produtos de bens-duráveis.

Café Filho.
Destaque: instrução de nº 113 da SUMOC.
▪ Importação de máquinas/equipamentos sem cobertura cambial (não precisa ter
dólares para cobrir a operação cambial, quem se beneficia são as multinacionais). Na
prática, permite investimentos estrangeiros diretos em máquinas e insumos.
▪ Importante para o governo de JK.

Efeitos positivos:
◦ Incentivo a entrada de investimento estrangeiro direto (empresas estrangeiras são as
grandes beneficiadas).
◦ Brasil continua avançando numa determinada direção (processo substitutivo de
importações).

Juscelino Kubistchek.
Plano de metas:
▫ Energia
▫ Transportes
▫ Siderurgia
▫ Alimentação e educação

Tripé econômico: forma de financiamento do plano de metas para que todas sejam
alcançadas.

Infraestrutura Duráveis Não-duráveis


(a cargo do governo) (investimento estrangeiro (a cargo das industrias
direto) nacionais)

Bens duráveis: exemplo a Volkswagen que se instala em SBC e passa a fabricar fuscas.
Em relação a parte governamental (infraestrutura). Há a construção de rodovias, portos e
aeroportos, hidrelétricas e estradas por todo o país.

Entretanto, ocorre:
▪ Deslocamento de recursos (tira de educação básica para a construção de estradas,
hidrelétricas – infraestruturas importantes).
▪ Raspar as caixas de previdência (a pessoa contribui para a aposentadoria, governo
pega o dinheiro e investe na infraestrutura. Quando se aposenta, pega o dinheiro dos
jovens e paga a aposentadoria);
▪ Organismos multilaterais;.
▪ Emissão de moedas para financiar o plano de metas – mais caro do que o previsto.

Resultados:
¤ Positivos:
▫ Aceleração do crescimento
▫ Aumento de empregos
▫ Aumento da infraestrutura.
▫ Melhora na integração
▫ Interiorização do Brasil – elemento de destaque.

¤ Negativos:
▫ Aumento da inflação
▫ Desequilíbrio fiscal sem precedentes; mensuração das contas públicas.
▫ Aumento previdenciário – por conta da utilização dos recursos da previdência.
▫ Desequilíbrio agudo do balanço de pagamentos – nível mais que dobra durante o
plano de metas: importações disparam e as exportações não crescem no mesmo ritmo
(entrada e saída de dólares não mantem as contas equilibradas).
▫ Ou seja, a dívida externa mais que dobra no período.
▫ Concentração de rendas: grande quantidade de pessoas não qualificadas e pouca
qualificadas: descasamento entre ricos e pobres aumenta.

Jânio Quadros
Objetivos:
▪ Combater a inflação.
▪ Equacionar a dívida externa.
Governo se propõe a criar um ajuste econômico.

Política econômica externa:


◌ SUMOC: instrução nº 204: unifica o câmbio.
· Unifica o câmbio (volta a ser único);
· Desvalorização de 100% do câmbio: desestimular as importações para
proporcionar o equilíbrio.

◌ Renegociação: reescalonamento parcial da dívida externa com o apoio do


FMI (jogar a dívida par a frente)


Política econômica interna: tentar renegociação; restabelecer as contas públicas.
◌ Política ortodoxa:
▫ Monetária fortemente contracionista
· Aumento dos juros;
· Aumento do compulsório (bancos obrigados a repassar
recursos para autoridade monetária bb)
· Queda de créditos como consequência.

▫ Política fiscal contracionista.


· Aumento dos impostos.
· Queda de subsídios.
· Quedas de despesas.

Resultados: crescimento desaba, assim como a arrecadação. Há impacto sobre emprego e


renda e o desemprego aumenta. O desequilíbrio fiscal interno era financiado pela impressão
de cruzeiros, ou seja, mais inflação.

Além disso, fazer ajustes fiscais é impopular e fere a imagem de Jânio.


Diplomacia 360 graus – Módulo Hera – Economia – Aula 12
Prof. Daniel Sousa – 25.04.2018

ECONOMIA BRASILEIRA NA DÉCADA DE 1960


*Década muito importante para o desenvolvimento econômico brasileiro. Ocorrem mudanças
significativas que ainda estão em vigor hoje. Os anos 1960 iniciam com algumas heranças
econômicas complicadas, criadas na década anterior.

Antecedentes:
→ Elevação significativa da dívida externa, em consequência do plano de metas de JK
→ Aumento muito significativo da inflação
→ Aumento expressivo do déficit público
→ Desequilíbrio no balanço de pagamentos
* Entrada de divisas é menor do que a saída de divisas → E US$ < S US$

GOVERNO JOÃO GOULART (1961-1964)


* Ascensão do pensamento estruturalista no Brasil → baseia-se na crítica em relação à
ortodoxia tradicional (classicismo). O estruturalismo acredita que o Brasil não apresenta
desenvolvimento pleno e regular devido a suas raízes coloniais, que precisam ser reformadas e
corrigidas.

Ex.:
→ Historicamente, a renda concentrada faz que com o Brasil tenha um reduzido mercado
consumidor – apenas um percentual muito reduzido da população tem acesso ao consumo.
Isso significa que o país terá uma escala produtiva reduzida e preços mais altos devido aos
custos maiores associados a essa escala reduzida do setor produtivo. Segundo o pensamento
estruturalista, ao desconcentrar a renda, haverá aumento do mercado consumidor. Demanda
seria o elemento que impulsiona o crescimento econômico mais significativo e sustentável
(influência do pensamento keynesiano).

→ O Estruturalismo também pretende combater os oligopólios. No Brasil, devido a sua


formação colonial, os oligopólios produtivos (seja na agricultura ou, mais recentemente, na
indústria) restringem a concorrência, fazendo com que menos quantidades sejam oferecidas a
preço maiores.

→ Observa-se também, no Brasil, uma tendência histórica à deterioração dos termos de troca.
Imaginemos que, no ano 1, para comprar um produto manufaturado, seja necessária uma saca
de café. No ano 2, para comprar o próximo produto manufaturado já serão necessárias 1,3
sacas de café. E, no ano 3, para comprar novamente um produto manufaturado, são
necessárias 1,5 sacas de café.
Isso ocorre porque produtos primários perdem valor em relação aos manufaturados. Produtos
manufaturados estão constantemente agregando tecnologia e, assim, estão sempre ganhando
valor. A tendência, portanto, é que haja desequilíbrio comercial, com exportações sendo
ultrapassadas pelas importações e uma desvalorização cambial que pressiona a inflação.

X < M → desvalorização cambial

Acreditar que a inflação no Brasil é causada pelo excesso de demanda, como é diagnosticado
pela ortodoxia, é uma noção equivocada. Há, segundo os estruturalistas, uma série de
pressões estruturais impulsionando a inflação no Brasil, como:

(i) mercado consumidor diminuto, que faz com que os custos de produção sejam elevados e
que a escala produtiva seja reduzida;

(ii) estrutura produtiva oligopolizada que leva à falta de concorrência e, consequentemente, a


preços mais altos;

(iii) desvalorização cambial causada pelo desequilíbrio comercial que se dá devido à


deterioração dos termos de troca. Essa deterioração está diretamente relacionada à forma
como o Brasil se insere no comércio internacional, como exportador de produtos primários e
importador de manufaturados.

O Estruturalismo defendia, portanto, que, somente enfrentando os problemas estruturais do


Brasil, poderemos almejar um desenvolvimento econômico acelerado. Como solução, as
chamadas “Reformas de Base” poderiam credenciar o Brasil a um desenvolvimento econômico
regular. Seriam mecanismos para resolver os problemas estruturais que impedem um
crescimento veloz da Economia, tais como:

(i) Reforma agrária:


Objetivo de desconcentrar a produção de alimentos, implodindo o oligopólio no campo. Essa
reforma fará com que a produção de alimentos aumente, os preços diminuam e a
concentração de renda melhore.

(ii) Reforma urbana:


A reorganização do espaço urbano contribuiria para a desconcentração de renda. Pessoas de
baixa renda tendem a morar longe dos centros urbanos, gastando com isso mais dinheiro e
mais tempo em seus deslocamentos diários, devido à falta de um sistema de transportes
eficiente e barato. Com isso, há menos renda disponível para que o trabalhador consuma bens
e serviços.

(iii) Reforma bancária:


A desconcentração da oferta do crédito, causada pela implosão do oligopólio no setor
bancário, democratizaria o acesso ao crédito no Brasil. Essa reforma geraria mais consumo e
mais produção, impulsionando o desenvolvimento econômico e mais avanços sociais.

(iv) Reforma eleitoral:


Democratização do acesso às urnas.

(v) Política industrial:


Política industrial ativa, que equacione o problema da deterioração dos termos de troca. O
Brasil deve se tornar independente e desenvolvido em relação a setor externo.
* 1961: continuidade da ortodoxia iniciada no governo de Jânio Quadros:
→ Do ponto de vista fiscal: aumento de impostos e corte de despesas a fim de corrigir o
desequilíbrio fiscal deixado pelos governos anteriores.
→ Política monetária contracionista por meio da diminuição do crédito, principalmente pelo
Banco do Brasil, e um aumento do depósito compulsório junto à SUMOC. Bancos passam a ter
menos recursos para emprestar e, assim, há menos multiplicação dos meios de pagamento e
menos criação de moeda através dos empréstimos que os bancos conseguem.
Objetivos: reduzir a inflação e restabelecer o equilíbrio das contas públicas.
Ministro da Fazenda: Moreira Salles (banqueiro).
OBS.: essas medidas austeras refletem a necessidade de se promover a continuidade da
renegociação da dívida externa brasileira.

* 1962/1963: Plano Trienal:


→ Criação do Ministério do Planejamento: Celso Furtado.
→ Recuperar o crescimento.
→ Baixar a inflação.
→ Promover reformas sociais.
→ Inicialmente, deu continuidade à ortodoxia de 1961.
* Por que Celso Furtado estabeleceu ortodoxia tão dura, apesar de ser um de seus críticos
mais ferrenhos?
→ Num primeiro momento, o objetivo era de continuar a ortodoxia para abrir espaço para a
renegociação da dívida e recuperação da capacidade de investimentos, para depois
implementar as reformas sociais necessárias.

* O Plano Trienal não conseguiu alcançar seus objetivos → fracasso.

OBS.: houve certo desconforto em setores da sociedade com o Plano Trienal, pois considerava-
se um plano de viés comunista (nome semelhante ao Plano Quinquenal da URSS, histeria
mundial no contexto da invasão à Baía dos Porcos, em Cuba).

→ Lei de Remessa de Lucros:


- Conter saída de capital (somente até 10% dos lucros podiam ser enviados para fora do Brasil).
- Equívoco: acabava evitando a entrada de capitais. Revogada com Castelo Branco.

* 1963: Estatização Da Cia. Telefônica do Rio Grande do Sul – Governador Leonel Brizola:
- Acionista majoritária era a norte-americana AT&T.
- Reclamações dos EUA, pedindo indenização.
- Prejudicou relações bilaterais com norte-americanos.
- Receio de “cubanização” do Brasil (com mais estatizações).

→ Não ocorre a renegociação da dívida externa junto a mecanismos multilaterais – há


somente um pequeno empréstimo, mas que não é suficiente para ajustar o balanço de
pagamentos do país.
→ Governo de João Goulart não tinha acesso a poupança externa. Desde Vargas, o Brasil não
tinha acesso a capitais privados (devido a moratórias).
→ Ausência de IED (Investimento Estrangeiro Direto), devido à Lei de Remessa de Lucros.

* Brasil não consegue crescer. Situação de João Goulart se agrava:


→ Políticas salariais:
- Aumento significativo do salário mínimo.
- Apoia movimento dos praças do Exército em prol de aumentos salariais.
- Greves fora de controle (mais setores exigindo também aumentos).

* 1964: Lei de Reforma Agrária:


Assinada em meio a comício na Central do Brasil, ao lado do Ministério da Guerra (capital, na
prática, ainda era no Rio, pois ministérios não tinham ainda ido para Brasília).

→ Criou-se um ambiente de desconforto em muitos setores da população brasileira. O Golpe


de 1964 não foi apenas militar. José Murilo de Carvalho desenvolve o conceito do “militar-
cidadão”. Acreditava-se (e se acredita até hoje) que militares seriam capazes de salvar o povo
de governantes incompetentes. Após o Golpe de 1964, no entanto, o regime militar se alonga,
apesar de a proposta ter sido de haver eleições logo depois. Fala-se de um golpe dentro do
golpe.

OBS.: aspectos econômicos negativos influenciaram a ocorrência do Golpe de 1964. Fato é


que, dificilmente, rupturas acontecem em momentos de prosperidade econômica.

GOVERNO CASTELO BRANCO (1964-1967)


* Governo importante economicamente, com mudanças que ocorreram para o bem e para o
mal. Trata-se do primeiro governo da ditadura militar, no qual houve o rompimento com o
pensamento estruturalista e com as Reformas de Base.

→ PAEG (Plano de Ação Econômica do Governo) – objetivos:


- Recuperar o crescimento econômico.
- Reduzir a inflação.
- Reformas que modernizem a Economia.
OBS: Os Ministros da Fazenda são extremamente poderosos durante todo o regime militar.
Durante o governo Castelo Branco, foram Roberto Campos e Otávio Bulhões.

→ Lógica ortodoxa
- Crescimento impulsionado pela oferta, pela produção, e não pela demanda.
- Redução de custos, por meio do realinhamento salarial (achatamento de salários após
aumentos concedidos no governo anterior), abriu espaço para a retomada dos investimentos,
gerando crescimento econômico. Aumentando a demanda por trabalho e as contratações,
finalmente seriam aumentados os salários.

Trata-se da lógica do “fazer o bolo crescer para depois dividi-lo”. Aumento salarial seria a
consequência do crescimento econômico. A lógica ortodoxa é de que, se salários são
aumentados antes da Economia crescer, a Economia irá parar de crescer, pois os
investimentos ficam comprometidos, numa conjuntura em que salários são muito altos.

Sem que haja um aumento de produtividade, aumentos de salários por decreto acabam por
travar o crescimento. O aumento salarial por meio de decreto, sem refletir a produtividade dos
trabalhadores, reduz a capacidade de investimento do empresariado. Os salários então
voltariam a cair, pois pessoas ficam desempregadas.

Recuperação da Economia ocorreria devido à retomada dos investimentos em produção por


meio do achatamento salarial. Governo passará a controlar os reajustes salariais, das
diferentes categorias, considerando expectativas de inflação geralmente muito otimistas,
fazendo com que, na prática, salários fossem ajustados geralmente abaixo da inflação. Assim,
garantir-se-ia um nível reduzido de custos para as empresas, controlando a inflação e
mantendo o crescimento em curso.

* Resultado:
→ Retomada do crescimento econômico:
- Mais investimento.
- Mais produção.
→ Baixa da inflação (de 80% para 20%):
- Contenção de demanda.
- Redução de custos.

* Investimentos precisam de poupança e, portanto, governo realiza importantes reformas


financeiras, criando mecanismos de captação de poupança dentro da Economia brasileira.

→ REFORMA TRIBUTÁRIA:
- Última reforma tributária feita no Brasil. Desde então, houve apenas alguns ajustes.
- Finalidade de restabelecer a disciplina fiscal e o equilíbrio das contas públicas.
- Esse fim será atingido muito mais por meio do aumento da carga tributária do que pela
redução de despesas (incoerente segundo a lógica ortodoxa, que preconiza Estado mínimo).
- Carga tributária salta de 16% para 21% do PIB (carga tributária era de 4% na Primeira
República e hoje já atinge 36%).
- Reforma tinha o objetivo de modernizar o sistema tributário (extinção do efeito cascata ao
longo da cadeia produtiva, por meio da cobrança de impostos sobre o valor agregado).

* Principais medidas:

- Fim do imposto do selo.


- Fim do imposto sobre vendas.
- Fim do imposto sobre o consumo.
- Criação do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados).
- Criação do ICM (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias).
- Criação do ISS (Imposto sobre Serviços).
- Ampliação da base arrecadatória do IRPF (Imposto de Renda da Pessoa Física).
- Arrecadação pelo governo central (União).
- Criação do FPEM (Fundo de Participação dos Estados e Municípios) – repasse controlado pela
União – mecanismo de controle muito forte por parte da União.

→ A reforma tributária de Castelo Branco criou as bases do sistema tributário atual, muito
pesado na regressividade, com muito peso dos impostos indiretos, e muito leve na
progressividade, com pouco peso dos impostos diretos (que incidem sobre propriedade e
renda). Nem mesmo a Constituição Federal de 1988 modificou a reforma de Castelo Branco,
realizando apenas alguns ajustes.

→ Até hoje, em termos de reforma tributária, fala-se em simplificação, mas também é


discutida a proposta de uma menor regressividade e maior progressividade, como ocorre na
maior parte dos países desenvolvidos. Não se pode tributar pesadamente o consumo e os
investimentos, como ocorre no Brasil. A tributação sobre propriedade e renda faz mais
sentido, pois tributação sobre consumo e investimento acabam os desestimulando. Sistema
mais progressivo é mais socialmente justo, pois tributa a consequência e não a causa. O Brasil
tributa pesadamente, por exemplo, a folha de pagamento, o que desestimula contratações.

→ REFORMA FINANCEIRA:
Objetivo: aumentar os níveis de poupança brasileira e, assim, incentivar investimentos,
alavancando o crescimento da Economia.

* Principais medidas:

- Extinção da SUMOC e criação do Banco Central (BC), que tinha controle sobre todos os
bancos, com a exceção do Banco do Brasil, ainda ligado ao governo por meio da chamada
“Conta Movimento”.

- Criação do Conselho Monetário Nacional, que existe até hoje, hierarquicamente acima do BC.

- Criação do SFH (Sistema Financeiro da Habitação), que também existe até hoje. Bancos
fomentam o setor habitacional, que tem grande impacto sobre emprego, déficit habitacional e
crescimento econômico, por meio dos recursos depositados em cadernetas de poupança
(criação do Banco Nacional da Habitação, que não existe mais).

- Criação do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço), como mecanismo de


compensação pelo fim da Lei da Estabilidade (criada por Vargas), que estipulava estabilidade
laboral após 10 anos de trabalho. Demissão só podia ocorrer por justa causa, falência da
empresa ou extinção do cargo. Funcionários públicos não têm, até hoje, o FGTS, pois
continuam com o beneficio da estabilidade. O FGTS é um mecanismo de poupança
compulsória importantíssimo, que pode ser usado para financiar investimentos.
OBS.: Há, atualmente, discussões sobre a portabilidade do FGTS.

- Nova Lei do Mercado de Capitais – criação de sistema com regras e incentivos fiscais para
que empresas possam vender ações, levantar recursos para realizar investimentos.

- Flexibilização da Conta Capital e Financeira do Balanço de Pagamentos (C/K/F) – empresas no


Brasil passam a ter liberdade para obter empréstimos no exterior. Num primeiro momento,
grandes empresas (sobretudo estatais) conseguirão obter esses empréstimos (cenário externo
favorável ao crédito, quando americanos passam a emitir dólares sem lastro).

- Extinção da Lei da Usura (mecanismo medieval) no Brasil – proibia o governo brasileiro de


pagar juros superiores a 12% ao ano. Antes, quando a inflação atingira o índice de 80%,
ninguém emprestava ao governo com juros de 12%. O fim da Lei da Usura permitia, segundo o
governo, o surgimento de um mecanismo não inflacionário de financiamento do déficit público
(antes, quando havia déficit, governo tinha que, necessariamente, recorrer ao Emissionismo).
- Criação das ORTNs (Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional) – títulos públicos que
governo vende para captar recursos, pagando a correção monetária acrescida de juros. Inicia-
se a disseminação na Economia brasileira da indexação, que se torna um enorme problema,
pois inflação passa a se retroalimentar (nos anos 1980, chamava-se inflação inercial). A
dificuldade de se baixar a inflação até hoje está relacionada com a existência de preços ainda
indexados. Preços administrados, atualmente, crescem mais do que preços livres.

OBS.: o PAEB assentou as bases para a aceleração do crescimento econômico. Sem o PAEG, o
milagre econômico nunca teria acontecido:

* Expansão de investimentos / ampliação da capacidade produtiva:


→ SP - Poupança privada – mecanismos como o SFH, FGTS, Lei de Mercado de Capitais.
→ SG - Poupança do governo – aumento da arrecadação tributária.
→ SE - Poupança externa – liberalização da captação de empréstimos externos.

OBS: o grande destaque do milagre econômico foi o aumento da capacidade de investimento.


Ao longo dos anos 1970, Brasil terá a maior taxa de investimentos em proporção do PIB de sua
história.

* Aumento de gastos públicos:


→ Obras faraônicas (Ponte Rio-Niterói, Transamazônica).

* Crescimento expressivo do consumo:


→ Queda expressiva do desemprego.
→ Aumento da massa salarial.
→ Porém, ao mesmo tempo, significativa concentração de renda.

* Cenário externo extremamente favorável:


→ Aumento da liquidez externa.

* Novo modelo de crescimento → Milagre econômico:


→ Período de muita prosperidade no Brasil → ápice da popularidade do regime militar.
Diplomacia 360o – Módulo Hera – Economia – Aula 13
Prof. Daniel Sousa – 02.05.2018

MILAGRE ECONÔMICO BRASILEIRO (1968-1973)

→ Crescimento médio de 11% a.a. (pico de 14% a.a. em 1973)


Obs.: Brasil era o país que mais crescia no mundo.

→ Inflação estável (20% a.a.) – razões:


* Existia, no Brasil, capacidade produtiva ociosa muito significativa (desde o Plano de Metas),
que fazia com que a elasticidade-preço da oferta fosse alta. Aumentava-se a oferta (ou seja, a
produção), mesmo sem estímulos.

* Subsídios oferecidos pelo governo (corte de custos):


- Corte do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados);
- Crédito agrícola subsidiado (via Banco do Brasil);
- Achatamento salarial (contenção da demanda); e
- Controle deliberado de preços (Conselho Interministerial de Preços → tabelamento).

→ Balanço de pagamentos superavitário (durante todos os anos do Milagre):


* Política de minidesvalorizações cambiais (Ministro Delfim Neto – 1968), com o objetivo de
manter a competitividade das exportações brasileiras – regime de câmbio fixo;
* Liquidez do Sistema Financeiro Internacional (EUA emitindo dólar sem lastro em
descumprimento às regras de Bretton Woods – os EUA depois abandonam o acordo, em 1971);
* Industrialização por substituição de importações já surte efeito (exportação de produtos de
maior valor agregado – máquinas e equipamentos – tem efeito positivo na balança de
pagamentos); e
* Prospecção de novos mercados (sobretudo países em desenvolvimento), inclusive para os
produtos industrializados brasileiros (exportações de maior valor agregado).

Obs.: o crescimento econômico e a prosperidade do Milagre Econômico geraram um clima de


euforia no país e aumentaram a popularidade do regime militar, que intensificou a repressão e
as perseguições políticas sem grande oposição da massa. Acreditava-se que o Brasil iria
finalmente decolar e tornar-se o país do futuro.
PIB = Consumo + Investimentos + Gastos Públicos + (Exportações – Importações)
(C) (I) (G) (X) (M)

→ Consumo:
* Momento de explosão do consumo no Brasil.
* Aumento expressivo da massa salarial (soma dos salários):
- Expressiva geração de empregos; e
- Mulheres, jovens e população rural migrante são integrados ao mercado de trabalho.
* Expansão do mercado consumidor.
* Aumento brutal do crédito:
- Imobiliário; e
- Para a aquisição de bens duráveis (automóveis, eletrodomésticos).

→ Investimento:
* Expansão significativa do investimento produtivo no Brasil:
- Estabilidade política (previsibilidade);
- Ampliação do crédito para empresas (PAEG facilitou os créditos externo e interno);
- Subsídios governamentais;
- Explosão do consumo – mercado para os produtos nacionais; e
- Poupança externa – Brasil era o país que mais atraía IED no mundo.
* Período de estatização da Economia – empresas estatais passam a ter centralidade inédita.
Obs.: após o fim do regime militar, Brasil passará por desestatização.

→ Gastos do governo:
* Aumento significativo de gastos estatais:
- Aumento da carga tributária (16% para 21% do PIB) → maior arrecadação;
- Venda de ORTNs (títulos públicos) – expansão do endividamento público; e
- Investimento pesado em infraestrutura (obras faraônicas, como a Transamazônica).

→ Exportações líquidas:
* Brasil passa por abertura comercial – país passará a exportar mais e importar menos;
* Industrialização por substituição de importações;
* Conquista de novos mercados; e
* Desvalorização cambial → mecanismo para manter a competitividade dos produtos
brasileiros e incrementar exportações → mundo em crescimento (fartura de crédito).

CONCLUSÃO: sem PAEG e cenário mundial favorável, Milagre Econômico não teria ocorrido.
Governo atua em todas essas frentes (C, I, G, X), deliberadamente, a fim de acelerar o
crescimento econômico. A prosperidade decorrente desse crescimento formidável servirá para
legitimar o regime militar.
→ Destaques do crescimento econômico no Milagre:
* Maior taxa de investimento em proporção do PIB da história (25%);
* Indústria (exportadora, mas, acima de tudo, abastecendo o mercado interno);
* Concentração industrial em São Paulo; e
* Dependência do Diesel – base da matriz energética (petróleo barato – US$ 2/barril).

→ Brasil passou a depender muito mais da importação de:


* Energia (em particular, de petróleo);
* Tecnologia (indústria mais sofisticada – Brasil não é essencialmente gerador de tecnologia); e
* Máquinas e equipamentos (aquelas produzidas internamente não são suficientes).

1o CHOQUE DO PETRÓLEO (1973):

* Milagre Econômico será interrompido pelo 1o Choque do Petróleo, quebrando seus 3 pilares:
→ Crescimento econômico;
→ Balanço de pagamentos superavitário; e
→ Inflação estável.
* Países produtores e exportadores (membros da OPEP) resolvem, por motivos políticos,
restringir a produção de petróleo, o que provoca um aumento expressivo do preço do barril:
* O petróleo é uma commodity → produto homogêneo cujo preço é definido pelo mercado
internacional e que não necessariamente está inserido num mercado de concorrência.
* Trata-se de commodity inserida em oligopólio com poucos produtores e barreiras à entrada
(entrantes precisam ter acesso a uma jazida de petróleo que seja economicamente viável).
* Um petróleo muito barato acaba sendo uma barreira à entrada ainda mais forte → com
barril a US$ 2, a produção de petróleo torna-se inviável em quase qualquer lugar do mundo,
salvo raras exceções, como a Arábia Saudita.
* Com o Choque do Petróleo, o preço do barril chega a triplicar, algo muito impactante para a
Economia global e, particularmente, para o Brasil. E por quê?
- Porque o petróleo tem uma demanda altamente inelástica a preço (produto essencial sem
substitutos próximos). À época, o petróleo tinha demanda ainda mais inelástica que hoje, pois
há atualmente alternativas aos combustíveis fósseis, que foram estimuladas justamente
devido ao Choque. Sempre que o preço do petróleo fica muito baixo, investimentos em fontes
alternativas de energia são colocados de lado.
- Petróleo tem demanda inelástica no curto prazo. Já no longo prazo, por haver a possibilidade
de desenvolvimento de fontes alternativas, o petróleo apresenta uma demanda mais elástica.
Análise macroeconômica do 1o Choque do Petróleo:

Y0 = PIB antes do Choque (somatório das quantidades – analisando agregadamente, q = y).


Y1 = PIB após o Choque.
P0 = preço do petróleo antes do Choque.
P1 = preço do petróleo após o Choque.
OA / DA = oferta e demanda agregadas (somatório de todas as ofertas e demandas presentes
na Economia em determinado período de tempo).

A disparada de preços do petróleo (representada por P1) acarreta um aumento de custos que
gera uma contração muito potente da oferta agregada (deslocada para a esquerda), por
conta da centralidade que o petróleo representa nos custos das empresas brasileiras.

→ Efeitos imediatos do 1o Choque do Petróleo nos 3 pilares macroeconômicos do Milagre:


* Aumento de custos → aumento do nível de preços → alta da inflação;
* Menos disponibilidade de energia → produção menor → desaceleração do crescimento; e
* Aumento significativo da saída de US$ → balanço de pagamentos deficitário.

→ Prioridades do regime militar:


1) Balanço de pagamentos deficitário: queda das reservas internacionais é sempre a questão
mais urgente. Um ajuste externo será necessário para reequilibrar
2) Crescimento econômico: recuperação dos níveis de crescimento econômico é prioridade
em relação à pressão inflacionária.
3) Controle da inflação: nesse momento, não é a prioridade do regime militar, que irá adotar
estratégia gradualista de combate à inflação.

→ Havia 3 estratégias possíveis de ajuste externo a serem adotadas pelo regime militar:
(i) Ajuste recessivo: atrelar o crescimento econômico à capacidade de gerar dólares.
* País seria colocado propositalmente em recessão:
- Políticas monetária e fiscal violentamente contracionistas;
- Aumento de juros;
- Restrição de crédito;
- Corte de gastos públicos;
- Corte de investimentos das estatais; e
- Aumento de impostos.
* Diminuição da absorção interna (consumo interno de bens e serviços = C + I + G):
- Estímulo às exportações (produtor local não teria para quem vender internamente); e
- Queda das importações (com menos crescimento, menos petróleo seria importado).
(ii) Desvalorização cambial: mudança nos preços relativos.
* Objetivo: estimular as exportações e desestimular as importações a fim de reequilibrar seu
balanço de pagamentos (entrada e saída de US$).
* Problemas:
- Impacto inflacionário muito forte; e
- Encarecimento da importação de máquinas (o que atrapalharia a continuidade do
crescimento econômico e do avanço industrial).

(iii) Endividamento externo: caso o país ainda tenha capacidade de endividamento externo.
* Captação de empréstimos;
* Mais Investimentos Estrangeiros Diretos (IED); e
* Atração de capital especulativo.
→ Objetivo: estratégia de avanço econômico não seria alterada e tudo seguiria como antes.

➢ REGIME MILITAR ADOTARÁ A ESTRATÉGIA DO ENDIVIDAMENTO EXTERNO!


* Governo militar, ao incrementar seu endividamento, “dobra a aposta”, pisando ainda mais
no acelerador do crescimento. Alguns autores chamam esse momento de “marcha forçada”,
adotada mesmo quando o crescimento do país já mostrava sinais de desgaste.
* Alternativa é arriscada. Nos anos 1980, essa opção causará o colapso da Economia brasileira.

RECICLAGEM DOS PETRODÓLARES:

→ Países importadores de petróleo passam a enviar uma maior quantidade de dólares para
países exportadores de petróleo do Oriente Médio.
→ Esses países exportadores passam a depositar mais dólares nos bancos.
→ Bancos internacionais passam a receber depósitos em níveis nunca antes vistos e começam
a buscar clientes para conceder empréstimos.
→ Grande quantidade de capital faz com que bancos internacionais facilitem crédito,
emprestando por juros mais baixos.
→ Brasil recebe de volta dólares gastos com petróleo, na forma de empréstimos (reciclagem).
→ Sistema Financeiro Internacional ainda tem muita liquidez.
→ Países (sobretudo países em desenvolvimento) obterão empréstimos externos, mas
nenhum país do mundo fica tão endividado nessa época quanto o Brasil.
→ Até 1980, o Brasil ainda crescerá com taxas consideráveis (em média 7%), muito acima das
médias de crescimento mundial para o período, mas aumentando sua vulnerabilidade, com
enorme endividamento externo.
Lógica da estratégia a ser implementada terá 2 momentos:

1973/74** 1983/84***
→ Balança comercial pesadamente deficitária → Balança comercial superavitária

* Manutenção do crescimento por meio de: * Pagamento da dívida externa.


- Importação de tecnologia;
- Importação de máquinas e equipamentos; e
- Importação de energia.

* Compensação será oriunda de: * 1979: - 2o Choque do Petróleo; e


- Investimentos Estrangeiros Diretos (IED); e - Ajuste monetário nos EUA.
- Captação de dívida externa pelas estatais. → Pressão adicional de saída de US$

** O regime militar planeja usar os recursos oriundos do endividamento externo a fim de


manter o avanço industrial brasileiro, tornando o Brasil independente do ponto de vista
econômico. O foco será nos pontos de estrangulamento, de fragilidade, do Brasil, que são:
- Importação de tecnologia → investir no desenvolvimento tecnológico nacional;
- Importação de máquinas e equipamentos → foco no desenvolvimento de maquinário local; e
- Importação de energia → investimento no setor energético (eliminar dependência externa).

Avanço industrial ocorreria, a partir de agora, com qualidade, pois seriam corrigidos esses
gargalos e fragilidades que causaram o esgotamento do Milagre Econômico após o 1o Choque
do Petróleo.

Ao desenvolver esses setores até então frágeis, Brasil poderá vir a ser um exportador de
tecnologia, de máquinas e equipamentos e, até mesmo, um dia, de energia. Com isso, haverá
um superávit comercial gigantesco que permitirá ao Brasil pagar a dívida externa.

Até 1978, estratégia estava funcionando, com o país crescendo em média com taxas de 8%,
com empresas estatais e campeões nacionais ajudando no desenvolvimento nacional e novas
tecnologias sendo desenvolvidas.

→ Brasil conseguiu desenvolver, nesse período, algumas áreas tecnológicas:


* Busca de autonomia energética:
- Proálcool;
- Energia nuclear; e
- Hidrelétricas (Ex.: Itaipu).
* Desenvolvimento de máquinas e equipamentos nacionais:
- Brasil torna-se exportador líquido de máquinas e equipamentos pela primeira vez.

Essa estratégia faz sentido, de acordo com os estudos feitos na época. Porém, trata-se de
estratégia arriscada demais, em que o país se coloca em posição vulnerável por um longo
período, enquanto espera o amadurecimento desses investimentos e o desenvolvimento de
suas fragilidades. Se, nesse meio tempo, houver alguma pressão adicional do setor externo, o
país não teria margem para trabalhar.

Porém, em 1979, com 2o Choque do Petróleo e com o aperto monetário feito pelo FED
(Federal Reserve - Banco Central dos EUA), ocorrem pressões adicionais de saída de dólares. A
necessidade de dispor de uma enorme quantidade de dólares para a compra de petróleo, e de
outros produtos importados, irá gerar enormes despesas extras.

→ A partir de 1979: desastre econômico, com o fracasso da estratégia desenhada em 1973!


Diplomacia 360o – Módulo Hera – Economia – Aula 14
Prof. Daniel Sousa – 09.05.2018

O II PLANO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO (1975/1979)

Objetivos do II PND:

→ Realizar ajuste externo por meio de endividamento.

→ Completar parque Industrial


- Atacar três fragilidades: energia, bens de capital e novas tecnologias.

→ Manter o crescimento
- Brasil não consegue manter o ritmo de crescimento do Milagre, mas continuará com um
crescimento robusto durante o II PND.

Assim como ocorreu no Milagre, haverá uma centralidade muito significativa das empresas
estatais, que darão o direcionamento nesse processo e continuarão sendo fortalecidas. As
estatais passam a ter mais recursos, mas também passam a estar mais alavancadas, mais
endividadas. A primazia das Estatais era tão significativa que o próprio Presidente Geisel havia
sido Presidente da Petrobrás antes de tornar-se Presidente da República.

Essa estratégia atacou 3 frentes que eram consideradas fragilidades:

A. FRENTE DA ENERGIA
O Brasil não pode mais ficar dependente da importação de petróleo. Esse foi o elemento
fundamental para o esgotamento do período do Milagre. Brasil buscará alternativas para obter
sua independência energética num prazo um pouco maior que uma década.

→ Petróleo (Oceano):
A prospecção de petróleo no território brasileiro vai receber muitos investimentos. A
Petrobrás dará início à busca por petróleo no oceano, em particular na bacia sedimentar da
região do Rio de Janeiro, que, até hoje, é a principal região produtora de petróleo do Brasil.

Nessa altura o Brasil era um grande importador de petróleo, mas já havia, durante o II PND, a
preocupação de adensamento da cadeia produtiva de petróleo: serão construídas refinarias
para a importação de petróleo bruto que fosse refinado no país, agregando valor ao produto
final.

Isso cria um problema curioso: nossas refinarias mais antigas, que vêm dessa época, não têm
capacidade de refinar o petróleo extraído no Brasil, que é um petróleo mais pesado, com mais
piche. Essas refinarias não têm capacidade de fazer esse refino, justamente porque foram
concebidas para refinar petróleo do Oriente Médio que é mais leve, de melhor qualidade.

Os investimentos mais recentes da Petrobrás em refinarias (Abreu e Lima e Comperj) foram


feitos com o objetivo de possibilitar o refino do petróleo extraído no Brasil, mas esses projetos
não foram adiante da maneira como se esperava.

Houve, portanto, durante o II PND, um adensamento da cadeia produtiva do petróleo, apesar


do Brasil ainda ser essencialmente um importador de petróleo. É por isso que, até hoje, por
conta desse investimento feito na época do II PND, somos um grande exportador de petróleo
e, ao mesmo tempo, um grande importador, pois exportamos o petróleo produzido aqui e
importamos o petróleo que podemos refinar.

→ Energia Elétrica:
A energia elétrica será outra frente para mover a indústria. Para a indústria, teremos a
modificação da matriz energética do diesel para a energia elétrica. O grande destaque aqui
será a usina binacional de Itaipu, a maior usina hidrelétrica do mundo, que começará a ser
construída durante o II PND e finalizada em 1984, com o objetivo de nos tornarmos
independentes industrialmente do diesel, que passaria a ser movida a eletricidade (fonte
energética predominante no setor industrial até hoje).

→ Energia Nuclear:
Durante o II PND, foram concebidos os projetos de Angra I, Angra II e Angra III (as usinas de
Angra I e Angra II foram entregues, mas Angra III não foi entregue até hoje). O objetivo era
gerar eletricidade através de energia nuclear. Escolheu-se Angra dos Reis, pois é uma região
afastada, e, se houvesse algum problema, a região poderia ser isolada com uma certa
facilidade. As usinas foram localizadas entre o Rio de Janeiro e São Paulo a fim de abastecer os
dois mercados consumidores de eletricidade mais importantes do país.

Oficialmente, o programa nuclear brasileiro era para fins pacíficos, mas durante o governo
Collor, foram aterrados alguns buracos no Pará que, aparentemente, seriam usados para
testar armamento nuclear brasileiro. Algum tempo depois, durante o governo FHC, o Brasil
assinaria o Tratado de Não Proliferação (TNP). Fato é que a diferença entre a geração de
eletricidade e um artefato nuclear é apenas o nível de enriquecimento do urânio.

→ Álcool:
Durante o II PND, foi criado o projeto do PROALCOOL, com o objetivo de que todos os carros
de passeio brasileiros passassem a ser movidos a álcool (combustível oriundo da cana-de-
açúcar). O carro a álcool tinha problemas técnicos: problemas para dar ignição em cidades
mais frias, representava gasto maior que a gasolina e pouca potência.

Havia outro problema: o álcool é feito de açúcar, uma commodity que tem o seu preço
definido no mercado internacional. Se há momentos em que o preço do petróleo sobe e causa
a elevação do preço da gasolina, do mesmo modo o aumento do preço do açúcar levará a um
aumento do preço do álcool. O governo brasileiro, em diferentes momentos a partir desse
momento, tentará controlar o preço do álcool, tentando descolá-lo do mercado internacional.
Trata-se de algo impraticável, porque se o produtor não puder vender o açúcar nas usinas de
álcool pelo preço internacional, ele exportará o açúcar. Com isso, houve escassez de cana-de-
açúcar nas usinas de álcool e também nos postos de gasolina.

O governo não autorizava ajustes do preço do açúcar nas usinas alcooleiras e, ao não autorizar
esse ajuste, os produtores exportavam açúcar, que lhes oferecia preços melhores. Era ilusório
achar que, com uma indústria do álcool no Brasil, não estaríamos suscetíveis à flutuação do
mercado internacional, ao passo que tanto o açúcar quanto o petróleo dependem do mercado
internacional.

É claro que o Brasil é um grande produtor de açúcar, tendo capacidade razoável de influenciar
preços, mas, ainda assim, ficaríamos vulneráveis a flutuações do preço internacional do açúcar
– sempre que o açúcar sobe, o preço do álcool sobe também. Até hoje, 25% da nossa gasolina
é composta por álcool.
Com isso, acreditava-se que resolveríamos os problemas de energia do país. Afinal: não
precisaríamos importar petróleo no mesmo ritmo de antes e ficaríamos independentes do
ponto de vista energético, depois que esses investimentos se completassem.

A bem da verdade, o Brasil realmente começou a importar menos petróleo desse momento
em diante. A prospecção de petróleo da Petrobrás cresceu cada vez mais, sendo que, na linha
histórica da produção nacional, percebe-se que as descobertas mais relevantes ocorreram
durante o início do II PND.

B. FRENTE TECNOLÓGICA
Trata-se de uma frente que vai gerar investimento pesado em universidades, inclusive com
cursos de mestrado e doutorado que vão surgir no país, com a concessão de bolsas de
mestrado e doutorado no exterior e com fortalecimento do Conselho Nacional de
Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que existia desde 1950, mas nunca havia
recebido tantos recursos quanto nesse momento.

Isso parece vantajoso, mas tem um lado extremamente negativo: o Brasil avança no processo
que vem desde a década de 1950, de tirar recursos da educação básica e colocar recursos na
educação superior. Até hoje, gastamos muito pouco em educação básica e muito em educação
superior, o que é uma característica brasileira. Dizia-se: ‘precisamos de engenheiros para
amanhã e não crianças lendo daqui a 20 anos’.

O problema é que toda a revolução educacional começa pela massificação do ensino básico;
não existe massificação da educação que comece pelo ensino superior. De baixo para cima:
erradica-se o analfabetismo, investe-se em ensino fundamental e médio e depois se investe
em educação superior. Não faz sentido que sejam usados pedaços enormes do orçamento em
educação superior, sem gastar em educação básica, quando ainda há analfabetismo no país.
Esse processo começou nos anos 1950, durante o governo JK, aprofundou-se nos governos
militares, chegando ao seu ápice no governo Geisel. Em longo prazo é uma estratégia
equivocada.

A ideia é fortalecer as universidades com novos cursos de graduação, mestrado e doutorado. O


CNPq passará a oferecer um volume de bolsas que nunca tinha sido oferecido até então.
Houve um fortíssimo incentivo à pesquisa tanto nas universidades quanto nas empresas
estatais (centro de pesquisa da Petrobras, o centro de pesquisas da Eletrobrás no tecnológico
da aeronáutica, a Embrapa). A ideia é ter um Brasil com uma vanguarda em termos de
desenvolvimento tecnológico e conhecimento científico.

Esses investimentos vão gerar frutos: (i) a geração de tecnologia de ponta no âmbito da
Embrapa, que resolveu o maior problema da agricultura brasileira da época: como plantar no
Centro-Oeste, sobretudo no cerrado, que tem um solo muito ácido que foi agricultável com a
técnica da calagem; (ii) Embraer começa a fabricar aeronaves com qualidade de referência
internacional; e (iii) a Petrobrás começou a produzir tecnologia de ponta para prospectar
petróleo em águas profundas.

Foi possível gerar tecnologia nas áreas em que temos mais talento e isso surtiu efeitos
interessantes (fábrica nacional de aviões, fábrica de automóveis, equipe de Fórmula 1,
prospecção de petróleo, usinas nucleares). Serão muitas frentes e teremos relativo sucesso em
várias delas. É difícil pensar que o Brasil tivesse hoje tanta tecnologia em algumas áreas se não
fosse essa estratégia ousada no II PND. Foram gerados sérios problemas, inclusive
educacionais, mas desenvolveu-se tecnologia.
C. BENS DE CAPITAL
O Brasil precisa ser independente do ponto de vista dos bens de capital. Houve um apoio
significativo à área militar, tendo ocorrido investimentos relevantes na indústria bélica. O
Brasil passará a ser um grande exportador de armas e de blindados, lança-foguetes, fuzis,
tanques. Exportamos armamentos para uma série de países subdesenvolvidos (Ex.: Iraque de
Sadam Hussein).

Devido ao grande apoio ao setor, o Brasil tornou-se importante produtor e exportador de bens
de capital (máquinas e equipamentos), nos anos 1980. A estratégia do II PND é muito clara e
está longe de ser um improviso.

*Durante esse período há características macroeconômicas importantes:

→ Inflação:
Há uma clara tolerância com a inflação. Será um problema a se enfrentar depois, em nome do
desenvolvimento. Ela será combatida adiante, de forma gradual, com a expansão da oferta
agregada.

→ Estatais não objetivavam o lucro:


Não havia problema se uma estatal ficasse endividada. Estatais serviam para impulsionar o
desenvolvimento brasileiro e não para dar lucro.

→ Campeões nacionais irão impulsionar o desenvolvimento brasileiro:


Governo brasileiro escolherá empresas (estatais ou privadas) que receberão muitos
investimentos, no intuito de competir no cenário internacional e alavancar o crescimento.

Em 1979, teremos dois problemas graves que vão atropelar o processo de desenvolvimento
brasileiro:

*2º Choque do Petróleo:


O 2o Choque do Petróleo foi provocado por razoes geopolíticas e, novamente, o petróleo tem
o seu preço quase triplicado. Teremos mais uma vez uma enorme pressão sobre o balanço de
pagamentos brasileiro, em razão da enorme saída de dólares. Isso ocorre num momento em
que o Brasil estava realizando um enorme esforço para atingir a independência energética, o
que ainda iria demorar a surtir efeitos duradouros.

*Choque de juros:
Em 1979, o novo presidente do FED (Banco Central dos EUA) resolve mais do que dobrar a taxa
de juros dos EUA, ficando entre 16 e 17% (uma taxa elevadíssima para padrões norte-
americanos). O FED tinha dois objetivos claramente estabelecidos: baixar a inflação, que era a
maior da sua história, e recuperar a força do dólar que vinha se esfarelando desde o abandono
de Breton Woods, em 1971.

Em 1979, o Brasil era o país mais endividado no mundo. Os juros da dívida externa brasileira
eram pós-fixados; com o aumento de juros, ela ficou impagável. Estávamos posicionados da
pior maneira possível: tínhamos dependência de petróleo importado e dependência de juros.

Tivemos, portanto, pressão para saída de dólares, e, consequentemente, um desequilíbrio no


balanço de pagamentos por duas razões: (i) pelo aumento do preço do petróleo, pois tivemos
que gastar muito mais dólares para importar a mesma quantidade de petróleo; e (ii) pelo
aumento dos juros americanos, que elevarão “por tabela” os juros internacionais pós-fixados
que incidem sobre a dívida externa brasileira, já que, no momento, o Brasil era o país mais
endividado do mundo. Com isso, nossas reservas internacionais foram sendo esvaziadas.

Em 1979, teremos um desequilíbrio na balança comercial muito maior do que o desequilíbrio


dos tempos do 1º Choque do Petróleo, pois agora são dois vetores causando desequilíbrio no
balanço, sendo que o segundo vetor é ainda mais dramático. Estávamos de novo diante de
uma crise externa, mas essa muito mais grave.

Isso gera questionamentos: o modelo de substituição de importações foi implementado pois


não queríamos ficar dependentes do cenário internacional: não queríamos sofrer com a
deterioração dos termos de troca, com o desequilíbrio comercial e com o desequilíbrio do
balanço de pagamentos.

Entretanto, após nossa tentativa de implantação do modelo de substituição, passamos a ter


crises externas ainda mais graves e agudas do que tínhamos antes. O modelo, ao invés de
resolver, estava agravando o problema. Esse modelo tinha o objetivo de deixar o Brasil
independente do ponto de vista econômico, blindado de crises externas. Teríamos que
repensar isso, pois o desequilíbrio do balanço de pagamentos ficava cada vez mais sério.

Novamente, portanto, na virada do governo Geisel para o governo Figueiredo, o Brasil terá
novamente que fazer um ajuste externo. O país terá as três mesmas alternativas do passado:

1. Ajuste recessivo

2. Desvalorização cambial

3. Endividamento externo

A opção do endividamento externo não é mais uma possibilidade, pois estávamos


extremamente endividados e porque não havia mais liquidez disponível no sistema financeiro
internacional como havia no 1º Choque do Petróleo. Nesse momento, os EUA adotavam uma
política violentamente contracionista e puxando todos os dólares disponíveis no sistema
financeiro internacional para dentro dos EUA. O governo aumenta juros vendendo mais títulos
e tirando moeda de circulação. O governo dos EUA tirava dólares de circulação por meio dessa
política monetária contracionista. Com isso, não havia liquidez disponível para ser captada.

Quem tinha liquidez disponível, aplicava em títulos do Tesouro dos EUA, pois é mais seguro,
líquido e agora era rentável. Não fazia sentido financiar o Brasil nessa lógica: endividado “até o
pescoço” e virtualmente quebrado. Na prática, essa opção deixou de ser uma alternativa nesse
momento, segundo posições majoritárias.

O presidente Figueiredo assumiu num contexto em que suas alternativas eram menores do
que as do seu sucessor. Ao Figueiredo restavam: o ajuste recessivo e a desvalorização cambial.

Embate entre Mário Henrique Simonsen x Delfim Neto


Ao assumir, Figueiredo escolhe Mário Henrique Simonsen, ministro de Geisel, como chefe da
sua equipe econômica. Figueiredo escolhe Delfim Neto, o líder da Economia brasileira no
período do Milagre, para o Ministério da Agricultura.

Nos primeiros meses de gestão de Figueiredo, começou um embate no governo: Simonsen


sugeriu o ajuste recessivo. O desequilíbrio era grave demais para apelar apenas para
desvalorização cambial, o que, segundo Simonsen não resolveria o problema. Seria necessário
um ajuste recessivo para equilibrar o balanço de pagamentos, com corte de gastos, aumento
de impostos, cortes de investimentos das empresas estatais, aumento de juros e corte de
crédito.

Simonsen será duramente criticado por Delfim Neto, pois, segundo ele, haveria espaço para
crescer e Simonsen estaria desperdiçando todo um esforço de industrialização substitutiva que
o Brasil fazia há décadas. Delfim Neto havia sido o ministro do Milagre Econômico, momento
em que o Brasil chegou a crescer a 14%. Assim, Figueiredo foi seduzido pelo argumento
tentador de Delfim Neto, pois, além de representar o auge do crescimento brasileiro, ele
defendia uma tentativa de continuar a crescer e não de forçar a recessão.

Assim, Delfim Neto substituiu Simonsen como líder da equipe econômica. Delfim não vai
adotar a estratégia ortodoxa e recessiva proposta por Simonsen e vai tentar fazer a economia
brasileira decolar de alguma forma.

GOVERNO FIGUEIREDO (1979-1985)

É um governo que já começa com a necessidade de se realizar um ajuste externo para


enfrentar esse desequilíbrio no balanço de pagamentos. Figueiredo assume em agosto de 1979
e, em dezembro desse mesmo ano, Delfim Neto já realiza uma maxidesvalorização cambial, já
que o endividamento externo não era uma alternativa e o ajuste recessivo foi descartado.
Assim, tivemos uma maxidesvalorização cambial em dezembro de 30%, com o objetivo de
estimular exportações e desestimular importações.

Paralelamente a isso, ainda em 1979, o governo lança um programa chamado “Plante que o
João Garante”. Era uma política de preços mínimos, de incentivo à produção agrícola ,
particularmente no Centro-Oeste, que permitiria a expansão das exportações, o reequilíbrio do
balanço de pagamentos e, como Delfim dizia, promoveria um eixo virtuoso de crescimento
econômico. Além de fazer uma maxidesvalorização cambial, apostava-se na Agricultura, na
expansão da fronteira agrícola e da produção agrícola. O regime de cambio era fixo e o
governo fazia a maxidesvalorização na canetada.

No biênio 1979/1980, a recessão realmente foi evitada. Alguns importantes investimentos do


II PND foram completados, mas o desequilíbrio persistiu: o Brasil continuou perdendo reservas
internacionais, o que significa um aumento da fragilidade externa. Não houve ajuste externo e
continuamos com desequilíbrio no balanço de pagamentos e a perder reservas internacionais.

É por isso que no biênio posterior 1981/1982, o governo, sem alternativa, teve que recorrer ao
ajuste recessivo. Não era possível recorrer ao crédito internacional, nem recorrer à
desvalorização do câmbio, porque isso já tinha se mostrado insuficiente. Além disso, quando
se desvaloriza o câmbio, gera-se uma pressão inflacionária, então a desvalorização funcionou
num primeiro momento, mas, num segundo momento, ela já perde o efeito, restando apenas
o ajuste recessivo.

Nesse período 1981/1982, foi o fundo do poço, vivemos um colapso: o Brasil terá um balanço
de pagamentos com iminente colapso e esgotamento das reservas internacionais. O Brasil
passou a ter recessão, algo que ele não tinha até o momento e continuava com o problema da
inflação. A inflação incialmente era vista como um problema menor em relação ao problema
do crescimento econômico e, agora, era vista como um problema menor em relação ao
balanço de pagamentos.
A inflação era sempre colocada para trás em termos de prioridade. A inflação estava fora de
controle, vivíamos uma recessão pela primeira vez em anos e nossa balança de pagamentos
estava em iminente colapso, com reservas internacionais baixíssimas e à beira do colapso. Era
nossa maior crise econômica.

Fizemos então nesse biênio 1981/1982 o ajuste recessivo que Simonsen havia proposto dois
anos antes (Simonsen estaria, portanto, correto). Se o ajuste recessivo tivesse sido feito antes,
alguns projetos do II PND não teriam sido completados, mas o problema nas contas externas
ficou muito maior sem ele. Brasil terá agora que fazer um ajuste muito mais duro do que
precisaria ter realizado se o ajuste tivesse ocorrido anteriormente, em 1979.

Será um ajuste recessivo que vai envolver aumento de impostos, corte de gastos, corte
dramático do investimento das estatais, que eram impulsionadores do crescimento
econômico, uma forte contração do crédito e o aumento de juros. O Brasil estava longe de ser
um caso isolado. Em 1982, acontece a moratória do México e, em 1982, o Brasil estava em
moratória técnica, quando é uma questão meramente de tempo para ser decretada a
moratória.

O ajuste recessivo não tem efeitos imediatos: o país estava perdendo muitas reservas
internacionais, e, assim que as medidas são tomadas, o Brasil começará a perder menos
reservas. Perder menos, mas ainda perder, num cenário com poucas reservas é sinal de que a
Economia vai entrar em colapso. Por isso, em 1982, o Brasil pede socorro ao FMI, solicitando
empréstimo de US$ 4,5 bilhões. O empréstimo é concedido sob a condição de que fossem
aprofundadas as medidas de ortodoxia que já vinham sendo implementadas. O ajuste foi
duríssimo, tendo sido um dos momentos mais agudos da história econômica brasileira, mas
nos anos seguintes começamos a ter alguma recuperação.

Em 1983/1984, tivemos recuperação das contas externas e do crescimento econômico, ambos


puxados pela balança comercial. Tivemos superávit na balança comercial, pois os
investimentos do II PND amadureceram, começaram a ficar prontos e começamos a exportar
máquinas e equipamentos. Também passamos a importar menos energia, quando Itaipu fica
pronta. Além disso, acaba o aperto monetário do FED, o que abre espaço para uma
recuperação do crescimento mundial.

Além disso, teremos em 1983 uma nova maxidesvalorização cambial para ganharmos
competitividade, a fim de “turbinar” ainda mais os resultados em balança comercial. O efeito
do ajuste recessivo também pesou favoravelmente e impulsionou o equilíbrio da balança
comercial, sendo que essa recuperação da balança comercial puxou o balanço do crescimento.

O Brasil consegue recuperar o crescimento, tendo superávits comerciais muito positivos, o que
conferiu ao país os meios para voltar a pagar a dívida externa. O pior já havia passado depois
do fundo do poço que havíamos atingido em 1981/1982. O problema que não passou,
entretanto, foi a inflação, pois não havia dado tempo de enfrentá-la, já que não fora prioridade
durante todo o governo do Figueiredo. Seu governo havia se concentrado no ajuste do balanço
de pagamentos, pegando dinheiro emprestado no FMI e tentando tapar os buracos deixados
da estratégia de aceleração do crescimento do governo anterior.

Ao final do Governo Figueiredo, a inflação era o principal problema: chegava a 200% ao ano,
tinha 3 dígitos, sendo a maior inflação da história registrada até aquele momento. Havia a
percepção de que a inflação seria resolvida pela democracia e de que ela resolveria todos os
problemas do Brasil, a desigualdade, a fome etc.
A ANÁLISE DA INFLAÇÃO – DEBATE ACADÊMICO

Há visões acadêmicas diferentes sobre o diagnóstico e método de combate à inflação:

1. Visão do pacto social:


Trata-se de visão marxista que acredita que o problema da inflação tem origem na luta de
classes, na má distribuição de renda e em um conflito distributivo. Diante de um cenário muito
ruim de distribuição de renda, os trabalhadores lutam por salários maiores e, quando
conseguem, as empresas passam o custo para os preços. Isso faria com que os trabalhadores
lutassem por salários ainda mais altos, as empresas passassem novamente o valor para o
preço e isso se retroalimenta gerando inflação. A inflação se retroalimenta e é causada por um
problema distributivo. Para solucionar a inflação, precisaríamos enfrentar o conflito
distributivo e fazer um amplo pacto social, onde preços e salários não fossem constantemente
aumentados, pressionando a inflação.

2. Visão ortodoxa:
Conforme essa visão, o problema da inflação no Brasil é excesso de demanda, que seria
alimentado por um país que emitia moeda para financiar o déficit do governo, um país que
tinha um orçamento monetário, que era literalmente um orçamento para imprimir dinheiro e
pagar as contas do governo, e era alimentado por um déficit público gigante de quase 10% do
PIB. A solução passaria, portanto, por um ajuste fiscal e um ajuste monetário. Um ajuste
monetário que parasse com essa impressão de papel moeda para financiar gastos do governo,
pois não se pode imprimir papel moeda para resolver os problemas do Brasil. Não dá para o
Banco do Brasil ter uma conta ligada ao Tesouro por meio da “conta movimento” podendo
emprestar dinheiro de forma infinita. Enquanto não enfrentarmos as torneiras monetárias do
país, continuaremos a ter inflação. E não dá para enfrentar a inflação com quase 10% de déficit
público. Temos que colocar as contas públicas dentro do orçamento.

3. Visão heterodoxa:
Essa corrente defende que o problema da inflação no Brasil é a inércia inflacionária. Segundo
eles, inflação se moveria por inércia, alimentada pela indexação, que tinha se tornado o
comportamento padrão na economia brasileira. Essa indexação tinha se generalizado e, dentro
de um ambiente de economia indexada, a inflação simplesmente não diminui, pois a
indexação inercializa a inflação – faz com que a inflação passada contamine a inflação
presente. Se todos os índices são corrigidos pela inflação passada, é claro que a inflação
presente carregará a inflação passada. A inflação não será resolvida enquanto não for
resolvida a questão da indexação. Para resolver isso, é sugerido um “choque heterodoxo” – o
congelamento de preços.

Uma metáfora feita para mostrar a inflação inercial era a arquibancada do campo de futebol –
se uma pessoa levanta na arquibancada, a de trás levanta, a de trás desta levanta e por aí vai.
No fim, todos estão de pé para ver o jogo, mas todos estariam mais confortáveis se estivessem
todos sentados. Eu não sento porque o da frente não senta, e se ele não sentar eu não vejo. A
inflação inercial seria a mesma coisa: por que as pessoas não param de reajustar preços, se
elas estariam mais confortáveis numa situação em que ninguém ajustasse? Eu não paro de
reajustar meus preços enquanto meu fornecedor não parar de reajustar os dele. Essa espiral
infinita é alimentada pela indexação. Ela se resolve congelando os preços, pois assim acaba
esse processo contínuo de repasses. Vamos congelar os preços e com isso acabar a inércia: o
meu fornecedor não vai reajustar preços para mim, eu não vou reajustar preços para meu
cliente. É como se todo mundo ficasse sentado na arquibancada. Esse é o congelamento de
preços como solução para o problema da inflação.
A ideia da inércia é de que no ano 1 a inflação foi de 100%. No ano 2, se a inflação foi de 100%,
ela foi ‘zero’, porque você teve apenas a inflação passada sendo repassada para o presente.
Mas você tem outros descasamentos entre oferta e demanda, com alguns preços podendo
subir mais que a inflação, e a inflação no ano 2 subindo mais um degrau: 120%. No ano 3, ela já
parte de 120% e chega a 150%. Isso é uma espiral inflacionária. A inflação subindo em espiral e
não descendo nunca mais.

A expectativa de inflação é um dos elementos que fazem com que a inflação suba, pois a
expectativa de subida dos preços faz os preços serem fixados em patamares mais altos. Dizia-
se que, com o congelamento dos preços, a expectativa seria eliminada, eliminando também o
fator de pressão e evitando que os preços subissem.

4. Visão Larida (Pérsio Arida e Lara Resende)


Acreditava-se que a inflação era uma mistura de inércia e excesso de demanda e, mais tarde,
essa visão será a base do Plano Real. Teremos, inclusive, a moeda indexada como mecanismo
de eliminação da inflação. Essa foi a análise correta: parte da inflação realmente era inercial e
parte da inflação realmente era excesso de demanda.

O Brasil acabou entendendo, nos sucessivos planos econômicos nos quais irá mergulhar a
partir desse momento, que o governo tinha que combater em duas frentes: (i) o problema de
excesso de demanda, pois não dava para estabilizar a inflação com essas torneiras jorrando
moeda na economia sem parar. Tinha que se fechar a torneira da conta movimento e tinha
que se fechar a torneira do orçamento comunitário. O governo deveria ser proibido de
imprimir moeda para gastar e de jogar moeda do sistema naquele ritmo. O déficit público
tinha que ser diminuído, pois ele pressiona a inflação; e (ii) existia sim uma inflação inercial, o
diagnóstico estava correto: a indexação era um problema, a indexação passada trazia
problemas para o presente.

Porém, não se podia resolver a inflação inercial por congelamento; isso é primário. Utilizando
de novo a metáfora, “congelar todo mundo”, não é mandar todo mundo sentar, é “brincar de
estátua” – algumas pessoas serão congeladas sentadas e outras em pé, mantendo as
disparidades e os desconfortos. Não será criada uma visão estável, vai ter gente atrapalhando
a visão de outras pessoas. O Brasil repetirá esse erro sistematicamente a partir de agora – ao
congelar preços, você o faz na situação atual – e as pessoas estarão em momentos diferentes:
pessoas que reajustaram preço no dia anterior, pessoas que reajustariam na semana que vem,
pessoas que reajustariam hoje. E pior: flutuação de preços é elemento que ajusta oferta e
demanda e, se não há flutuação de preços, vamos ter necessariamente desequilíbrio entre
oferta e demanda. E, num ambiente em que a inflação num primeiro momento caía, por conta
do congelamento, esse desequilíbrio tenderá a ser excesso de demanda. Se a inflação está
subindo num ritmo de 200% ao ano, os preços são congelados e a inflação desaparece num
primeiro momento, naturalmente as pessoas compram mais. Com isso, deveria haver um
aumento de preços. Porém, se o preço está congelado, ocorrerá desabastecimento – o ajuste
ente oferta e demanda é dado pela variação de preços.

Mesmo Itamar Franco, quando o Plano Real foi lançado, em 1994, até a ultima hora defendia
que deveria haver congelamento de preços. Itamar tentou convencer a equipe econômica,
pois era algo que as pessoas entendiam. Mas o congelamento tem dois problemas: ele congela
pessoas em momentos diferentes e ele não respeita o permanente desequilíbrio entre oferta e
demanda que a variação de preços permite ajustar.
Além disso, o congelamento só funciona da primeira vez, pois você pega as pessoas de
surpresa. Nas próximas vezes, as pessoas se preparavam para ele e aprendiam a burlá-lo, a
contorná-lo, com mercado negro, com camelôs, etc. Empresas começavam a trocar nomes de
produtos e tipificações para fugir das restrições. A Volkswagen trocou a tipificação do Fusca –
o Fusca básico deixou de ter volante, o Fusca premium passou a ter um acessório novo –
volante. A Nestlé mudou o nome do chocolate Lollo para Milkybar.

Num primeiro momento, a linha heterodoxa foi a escolhida. Isso porque a visão do pacto social
envolvia a distribuição de renda, algo que no governo frágil do Sarney seria um ponto
espinhoso de se tocar. A visão ortodoxa propunha ajustes que gerariam efeitos recessivos, o
que também foi considerado perigoso para um governo frágil como o do Sarney, que assumiu
com a confusão política da morte de Tancredo Neves. Sarney tinha uma fragilidade política
enorme. Assim, a visão heterodoxa foi a mais sedutora, pois ela oferece uma visão rápida:
congelando os preços, o problema está resolvido. Trata-se de visão neutra, do ponto de vista
distributivo – congela todo mundo onde está, e não é recessiva, não cria a necessidade de
ajuste fiscal, ajuste monetário.

O primeiro plano macroeconômico lançado pelo Sarney – o “I Plano Cruzado”, é 100%


heterodoxo. Sua meta-síntese é o congelamento de preços para eliminar a inércia
inflacionária. Isso sem ajuste fiscal e sem ajuste monetário. O congelamento funcionou quando
as pessoas foram surpreendidas, na primeira vez que foi estabelecido, mas, nas seguintes,
começou a falhar.

O Governo Sarney focará todas as suas energias no combate à inflação e falhará gravemente: a
inflação irá dobrar. Isso porque os planos econômicos eram pautados no congelamento e,
sempre que o congelamento era flexibilizado, as pessoas reajustavam muito mais os preços
para se prepararem para um possível congelamento e a inflação acabava subindo ainda mais.
Diplomacia 360o – Módulo Hera – Economia – Aula 15
Prof. Daniel Sousa – 16.05.2018

GOVERNO SARNEY (1985-1990)

VISÃO HETERODOXA:
* Inflação era causada por inércia inflacionária.
* Solução seria um choque heterodoxo.

Atrativos:
→ Solução rápida.
→ Neutra, em tese, do ponto de vista distributivo.
→ Sem recessão.

Na virada de 1985 para 1986, discutia-se o plano que resolveria o problema da inflação de
forma mais definitiva. Esse plano era discutido em segredo, diferentemente do que foi feito no
Plano Real (quando davam publicidade às medidas antecipadamente).

PLANO CRUZADO (28 de fevereiro de 1986)


*100% HETERODOXO

i) Congelamento, por tempo indeterminado, de preços, salários e taxas de câmbio.

ii) Reforma monetária, com substituição da antiga moeda – Cruzeiro → Cruzado (taxa 1000:1).

iii) Política salarial – congelamento pela média do poder de compra dos últimos 6 meses.
→ Gatilho salarial: reajustes autorizados se inflação acumulada atingisse 20%

iv) Zeragem dos índices de preços – impedir que a inflação passada contamine a inflação
presente ou futura.

v) Proibida a indexação por períodos inferiores a 1 ano.

Trata-se de pacote de medidas extremamente audacioso e intervencionista. O governo


acreditava que o plano teria aceitação popular. O sucesso do plano dependia da participação
da população, que fiscalizaria o congelamento de preços.

População passaria a denunciar as remarcações de preços à SUNAB – Superintendência


Nacional do Abastecimento, que podia fechar estabelecimentos ou até mesmo prender quem
remarcasse preços.

No primeiro mês do Plano Cruzado, inflação é 0%, diante desse clima de repressão e
fiscalização. Sucesso retumbante gera euforia na população.
Porém, nos meses subsequentes, problemas começam a acontecer:

→ Periodicidade dos reajustes

Certos setores acabaram sofrendo congelamento em momentos desfavoráveis de preços,


como os de leite, carne e automóveis, que rapidamente apresentarão sinais de
desabastecimento e excesso de demanda. Produtores sentem-se também desestimulados a
continuar oferecendo seus produtos, que começavam a faltar nas prateleiras, beneficiando o
comércio informal.

O governo dará pesados subsídios para produtores de leite, aumentará impostos que incidem
sobre a produção de automóveis (a fim de reprimir a demanda) e, no caso da carne, Polícia
Federal chegará a confiscar o gado no pasto, pois alguns produtores deixarão de abater os
bois.

→ Excesso de demanda

Preços pararam de subir. Fica a impressão de que preços estão mais baixos do que se esperava
que estariam. Esse sentimento de que está tudo muito barato, após constante alta de preços,
expandiu significativamente a demanda.

O congelamento salarial pelo governo com um bom poder de compra também fez com que
demanda se expandisse ainda mais. Quando a demanda se expande nesse cenário de
congelamento, como o preço não pode subir, a oferta não acompanha esse crescimento. Há
assim um cenário de excesso de demanda, em que a quantidade demanda é muito maior do
que a quantidade ofertada.

Mesmo os produtos que não foram congelados num patamar problemático irão, com o passar
dos meses, apresentar sinais de desabastecimento. O governo passará a liberar importações
para suprir o desabastecimento. Devido à enorme queda das exportações (já que produtores
mal conseguiam abastecer o mercado local) e com a disparada das importações, o resultado
da balança comercial irá ladeira abaixo.
O governo passará a autorizar reajustes de preços eventualmente, mas sempre com o cuidado
de que a inflação acumulada não atingisse 20%, momento em que seria disparado o gatilho
salarial, descongelando os salários. Nesse contexto, o governo começará a praticar o expurgo
de preços, retirando dos índices de preços certos produtos que tinham seus reajustes
autorizados, no intuito de manter a inflação artificialmente sob controle e evitar o gatilho.

Bem ou mal, os níveis de inflação continuariam relativamente baixos. O governo tentará


segurar os índices de inflação, pois, em novembro de 1986, haveria eleições para
governadores dos estados. O PMDB vencerá em quase todos os estados. Somente após as
eleições, governo autorizou reajustes. Gatilho salarial será disparado.

Na verdade, o Plano Cruzado será responsável por colocar a inflação num novo patamar.

Para piorar a situação, no início de 1987, Sarney decreta a moratória da dívida externa, pois o
país estava sem reservas internacionais, devido à deterioração da balança comercial. Como a
moratória é uma medida popular, a popularidade do governo Sarney acaba se mantendo.

O Plano seguinte será pensado na base da tentativa e erro. O que deu errado no Plano Cruzado
será consertado nos planos seguintes. Dilson Funaro é demitido e Bresser Pereira torna-se o
novo Ministro da Fazenda.

PLANO BRESSER ou Novo Plano Cruzado (12 de junho de 1987)


*HÍBRIDO: Ortodoxia + Heterodoxia
- Interferência na demanda e combate à inércia inflacionária.

i) Congelamento de preços e salários (por no máximo 90 dias)


→ Defasagem proposital no poder de compra da população, que teve seus salários reajustados
com base no dia 31/5, diferentemente dos preços, que usaram a data 12/6 como base.

ii) Sem reforma monetária


→ Não há nova troca de moeda.

iii) Política fiscal contracionista (conter a demanda)


→ Aumento de tarifas públicas antes do congelamento.
→ Aumento de impostos.
→ Corte de despesas.

iv) Política monetária contracionista


→ Fim da conta movimento (Banco do Brasil).
→ Aumento de juros.
→ Diminuição da oferta de crédito.

Plano Bresser não teve sucesso, tendo vida ainda mais curta do que o Plano Cruzado...

A sociedade já conhecia formas de burlar o congelamento:

→ Comerciantes reterão mercadorias até o fim do congelamento.


→ Desrespeito ao congelamento, com reajustes salariais influenciados por greves.
→ Reajustes preventivos, acima da inflação.

* AUMENTO DA INFLAÇÃO!
*NOVA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988:
- Vinculação de receitas e despesas.
- Problema fiscal grave para administrar.
- União perdendo arrecadação (extinção de impostos) e tendo mais despesas.
- Governo perde espaço de manobra para realizar política fiscal.

*1988: Ministro da Fazenda: Maílson da Nobrega


→ Política do “Feijão com Arroz” – medidas triviais
* Neogradualismo no combate à inflação

→ ORTODOXIA – contenção de demanda, para controlar a inflação a fim de ganhar tempo,


recuperando a credibilidade do governo até o plano seguinte...

* Ortodoxia Fiscal – problema:


Constituição Federal/88 – extinção de impostos e taxas + vinculação de receitas e despesas

* Ortodoxia Monetária – problema:


Houve pesados superávits comerciais (balança comercial positiva), com mais dólares sendo
trocados por cruzados, a quantidade de cruzados em circulação vai aumentar
significativamente.

→ Neogradualismo não dá certo!

PLANO VERÃO (oficialmente: Plano Cruzado Novo) – 15 de janeiro de 1989


*HÍBRIDO: Ortodoxia + Heterodoxia

i) Congelamento de preços e salários:


→ Defasagem proposital no poder de compra da população, que teve seus salários reajustados
com base no dia 31/12, diferentemente dos preços, que usaram a data 15/1 como base.

ii) Reforma monetária: substituição do Cruzado pelo Cruzado Novo (taxa de 1000: 1)
- Governo usou inicialmente cédulas de Cruzado com carimbo (negativo)***

iii) Política Fiscal Contracionista

iv) Política Monetária Contracionista

FRACASSO ABSOLUTO. Não houve êxito em conter a inflação. Descrédito total do governo!

“Overnight” → empresas ganhavam muito dinheiro com a inflação. Muitas empresas


chegaram a quebrar com o fim da inflação. Bancos não cobravam tarifas nessa época. Não
ganhavam com oferta de crédito, mas sim com giro financeiro (“ciranda financeira”).

Ao longo de 1989, cresce a ideia de se estancar essa “ciranda financeira” para acabar com a
inflação. Cada vez mais, acreditava-se em medidas drásticas, o que preparou o terreno para os
futuros confiscos que viriam.

Renegociação da dívida externa (Plano Brady) → Governo dos EUA tinham interesse em
acordo entre Brasil e seus credores privados. Sarney deixará esse acordo para seu sucessor.
Futuramente, somente Itamar Franco conseguirá renegociar a dívida externa brasileira.
FIM DE UM MODELO:
→Industrialização substitutiva prometia o fim do desequilíbrio das contas externas, porém...

*O modelo keynesiano, que no Brasil era representada pelo desenvolvimentismo e pela


industrialização substitutiva, passava por questionamento, após o fracasso econômico do país.

SOLUÇÃO DO CONSENSO RESOLUÇÃO...


PROBLEMAS ERAM... DE WASHINGTON (1989)
Crise da dívida externa LIBERAÇÃO DO FLUXO DE CAPITAIS Iniciada com Sarney
Inflação fora de controle ORTODOXIA Plano Real / Itamar
Endividamento do governo DISCIPLINA FISCAL Lei de Responsabilidade
Fiscal – FHC
Serviços públicos de PRIVATIZAÇÃO Anos 1990 – processo de
baixa qualidade privatizações em alguns
setores
Produtos industriais ABERTURA COMERCIAL Fernando Collor vai
de baixa qualidade * Brasil era fechado a importações promover abertura
(guias de importação no BACEN) razoável.
Desemprego FLEXIBILIZAÇÃO DA CLT Michel Temer

Eleições de 1989...momento de mudanças...

AGENDA DE CAMPANHA DE COLLOR – ELEIÇÕES DE 1989:


- Transformar as “carroças” brasileiras em carros de qualidade.
- Domar o “dragão” da inflação.
- Caçar os “marajás” do serviço público.
Diplomacia 360o – Módulo Hera – Economia – Aula 16
Prof. Daniel Sousa – 23.05.2018

ECONOMIA BRASILEIRA – DÉCADA DE 1990

Ao final da década de 1980, o país passa por uma crise do modelo desenvolvimentista, que já
dava sinais de não ser mais capaz de gerar os mesmos resultados do passado. Há uma série de
problemas macroeconômicos crônicos a serem enfrentados: uma inflação fora de controle (de
200% a 400% no governo Sarney), falta de capacidade de investimento, calote da dívida
externa (declaração da moratória em 1987), desemprego elevado e baixo crescimento.

AGENDA DE CAMPANHA DE COLLOR – VITÓRIA NAS ELEIÇÕES DE 1989:


1) Transformar as “carroças” brasileiras em carros de qualidade.
2) Caçar os “marajás” do serviço público.
3) Domar o “dragão” da inflação.

GOVERNO COLLOR (1990-1992)

1) ABERTURA ECONÔMICA

Trata-se do grande legado do governo Collor, economicamente falando. O Brasil era um país
extremamente fechado e, em consonância com o modelo desenvolvimentista, adotava
reservas de mercado para a indústria nacional (pensava-se que abastecimento interno devia
ser realizado com produção local).

O acesso da população a produtos importados ocorria apenas em viagens ao exterior ou


mediante o pagamento de altas quantias (produtos importados básicos, que tinham qualidade
mais elevada, não conseguiam acessar o mercado brasileiro).

A sensação era de que o país havia protegido a indústria nacional há décadas, mas com
resultados pífios. A abertura passa então a ser necessária, pois a indústria brasileira precisava
sofrer alguma concorrência externa (produtos locais eram caríssimos e de qualidade duvidosa).

A indústria automobilística passa ser usada como exemplo nesse contexto. Os carros
fabricados pelas únicas 4 montadoras localizadas no país (Ford, Volkswagen, Fiat e General
Motors) eram de qualidade muito inferior aos veículos que essas mesmas empresas ofereciam
no exterior. O mercado automobilístico no Brasil era muito pequeno e concentrado, com
pouco espaço para concorrência, e empresas ofereciam carros de baixa qualidade a preços
muito elevados.

Medidas implementadas:

→ Extinção das guias de importação


- Governo não precisa mais conceder licenças para importações.

→ Agressiva redução de tarifas de importação


- Crítica: abertura unilateral e não como mecanismo de barganha para abrir mercados.
- Ex.: tarifas de importação de carros foram de 100% a 35%.

→ Redução de subsídios e de crédito ao produtor local.


Collor promoverá o desmonte da estrutura desenvolvimentista (tarifas de importação
elevadas, subsídios e crédito ao produtor local). Indústria local estava protegida há décadas,
com péssimos resultados, e devia ser exposta à concorrência externa.

Mudou-se, no governo Collor, a crença de que o parque industrial brasileiro devia ser
completo, com a produção de todo e qualquer tipo de produto. A partir dos anos 1990,
prevalecerá o pensamento de que o país devia especializar-se apenas nas áreas em que tivesse
mais eficiência, ainda que isso significasse o desaparecimento de certos setores industriais.

Não fazia mais sentido o tradicional cenário de fechamento da economia brasileira, num
momento em que os ventos do mundo sopravam a favor do livre-comércio, com o comércio
internacional crescendo a taxas mais elevadas do que o PIB dos países.

Expectativa de:

→ Aumento da eficiência na economia nacional.

→ Preços menores.

→ Maior qualidade dos produtos industriais nacionais.

→ Aumento da corrente de comércio (importações e exportações).

Havia nessa época uma tendência internacional de abertura comercial. Localmente, o país
encontrava-se influenciado pelo Consenso de Washington (1989). Ainda não havíamos feito a
renegociação da dívida externa. O chamado Plano Brady (proposto pelos EUA em 1989 para a
renegociação da dívida de países em desenvolvimento) exigia, entre outras coisas, a abertura
comercial.

O governo brasileiro considera essa abertura interessante, num momento em que se


reconhece que o modelo industrial anterior dava sinais de fadiga e colapso. Será o momento
para um choque de competitividade, de gestão e de eficiência, no intuito de que a economia
brasileira volte a funcionar de maneira mais efetiva.

Desde então, apesar de eventuais aumentos de tarifas e de um leve protecionismo adicional, o


Brasil nunca voltou a adotar o protecionismo que havia antes do governo Collor. Por isso,
considera-se a abertura comercial um grande legado de Fernando Collor.

Essas medidas de redução do protecionismo causarão desgaste político para o governo e


diminuirão consideravelmente o apoio ao presidente Collor em segmentos industriais, que não
queriam ser submetidos à concorrência externa.

2) PND – PLANO NACIONAL DE DESESTATIZAÇÃO

Os governos militares, que haviam ascendido ao poder com base em um discurso de evitar a
transformação do Brasil numa sociedade socialista (uma “nova Cuba”), promoveram, na
verdade, uma planificação da economia num grau que jamais havia sido visto. Durante a
ditadura militar, foi criado um número inacreditável de empresas estatais e o nível de
interferência do Estado na economia alcançou níveis sem precedentes.
Esse comportamento interventor foi, no mínimo, contraditório, do ponto de vista econômico,
em relação ao projeto que os militares diziam representar (que era, supostamente, proteger a
economia brasileira de um processo de planificação).

Fernando Collor dará início a um processo de desestatização que continuará, em maior ou


menor grau, ao longo do governo de FHC (privatizações) e de Lula (concessões privadas). Collor
pretenderá diminuir o número de ministérios, de empresas estatais e de autarquias.

No primeiro dia governo, em 1990, Collor decretará a extinção de uma série de empresas
estatais e de autarquias. Diminuirá o número de ministérios de 23 para 12. Fundiu, por
exemplo, os ministérios da Fazenda e do Planejamento, criando o Ministério da Economia.

Collor dará a empresas estatais, como a Vale e a Petrobrás, uma cota de demissões, que vai
variar entre 20% e 25% dos seus quadros (contratos com funcionários de estatais tinham base
na CLT). Empresas estatais tinham déficits muito expressivos, com uma quantidade enorme de
cargos (muitos deles usados para apadrinhamento político) e pesavam significativamente no
Tesouro Nacional.

Collor tinha a meta audaciosa de, em apenas um ano de governo, converter o déficit nominal
de 8% em um superávit de 2% (e, de fato, ele quase conseguiu).

Medidas implementadas no PND:

→ Redução do número de:

- Ministérios.
- Autarquias.
- Empresas estatais.
- Funcionários das empresas estatais
* Foram dispensados os que não tinham ainda estabilidade – Collor dizia que tinha
legitimidade das urnas para realizar esses ajustes sem precedentes.

→ Redução do déficit público.


Obs.: ainda hoje, em nível federal, existem 150 estatais.

Objetivos do PND:

→ Aumentar a eficiência da economia brasileira.

→ Reduzir o efeito deslocamento.


- Quando o Estado aumenta de tamanho, constrange a iniciativa privada.

→ Redução de custos que abriria espaço para redução de preços.

→ Equilíbrio fiscal (pressionando menos a inflação).

→ Juros menores / mais investimentos.

→ Recuperação da economia brasileira.


3) PLANO BRASIL NOVO OU PLANO COLLOR (16/3/1990)
* ORTODOXIA + HETERODOXIA
→ Ministra da Economia, Fazenda e Planejamento: ZÉLIA CARDOSO DE MELLO.

O Plano Collor foi anunciado um dia após a posse de Fernando Collor. Nos dias anteriores, ao
final do governo Sarney, foram decretados feriados bancários a pedido da equipe de transição.
Consequentemente, correntistas não tiveram acesso a suas contas (não havia internet e os
caixas eletrônicos existentes realizava pouquíssimas operações).

Acreditava-se, na época, que o problema da inflação no Brasil só seria equacionado se


acabasse a “ciranda financeira”. Trata-se de processo por meio do qual certos indivíduos e
setores da sociedade emprestavam dinheiro ao governo num dia para receber no dia seguinte
– “overnight” – ou alguns dias depois. O governo precisava financiar-se, mas estava em
descrédito (situação de calote), mas não tinha capacidade de lançar títulos com prazos mais
longos. Com essa “ciranda financeira”, alguns obtinham, assim, ganhos reais diariamente, o
que, na prática, monetizava a economia, aumentava o poder de compra apenas de algumas
camadas e gerava ainda mais inflação.

Medidas implementadas (algumas já tentadas exitosamente em planos anteriores):

i) Congelamento de preços e salários por prazo indeterminado (heterodoxia).


* Defasagem proposital no poder de compra da população, que teria salários congelados no
patamar de 28/2, diferentemente dos preços, que tiveram 16/3 como patamar de
congelamento. Com a hiperinflação, isso faz muita diferença na perda do poder de compra.

ii) Reforma monetária com substituição de moeda (heterodoxia).


* Cruzado Novo → Cruzeiro (taxa de 1:1)

iii) Reforma fiscal agressiva (ortodoxia)


* Ajuste fiscal sem precedentes (meta: déficit de 8% para superávit de 2%)
* Aumento de impostos, combate à sonegação e contenção de despesas.
* Redução do tamanho do Estado (corte de benefícios .

iv) Política monetária contracionista (ortodoxia)


* Aumento de juros
* Redução de crédito.

* SEQUESTRO DE LIQUIDEZ: contas de empresas privadas e de pessoas físicas acima de 50.000


cruzeiros seriam sequestradas e depositadas em conta do Banco Central por 18 meses
(rendendo correção monetária e juros de 6 % ao ano). Contas do governo não foram atingidas
pelo sequestro. Ao final de 18 meses, quando a “ciranda financeira” tivesse parado de
pressionar a inflação, esse dinheiro seria devolvido aos correntistas.

→ Houve dificuldade de compreensão do discurso da Ministra Zélia Cardoso de Mello, que


falava de forma confusa e improvisada. População tinha muitas dúvidas; não entendia o plano.

→ Houve o fechamento de muitos estabelecimentos comerciais no Brasil, após o plano, devido


à incapacidade de endividamento. Não podiam fazer pagamentos e compras essenciais.

→ MEDIDA ILEGAL
- Contestada posteriormente no STF.
→ RIQUEZA x RENDA
- Governo sequestrará a riqueza de empresas e de cidadãos. Porém, o que gera deslocamentos
da demanda é a renda e não a riqueza. Medida tinha o problema técnico de sequestrar o
estoque e não o fluxo.

→ PLANO COLLOR FOI PROFUNDAMENTE RECESSIVO


- Impacto na captação de poupança: perda da confiança da população nos bancos.
- Plano Collor não surtirá o efeito esperado. A inflação real não será contida.
- Inviabilização do setor produtivo, que teve seus recursos sequestrados.
- Recessão: economia retraiu -3 % em 1990.
- Evasão de pessoas do Brasil – emigração.

* Torneirinhas – liberação dos sequestros, antes do prazo de 18 meses, em certos casos:


decisões judiciais, portadores de doenças crônicas, idosos, compradores de imóveis.

→ 1992: sem apoio do Congresso, Collor sofre Impeachment! Seu vice-presidente assume.

GOVERNO ITAMAR FRANCO (1992-1994)

1) RENEGOCIAÇÃO DA DÍVIDA EXTERNA


→ Adesão ao Plano Brady.
→ Ingresso de capitais.
→ Aumento das reservas internacionais.

2) REFORMA MONETÁRIA (1993)


Cruzeiro – Cr$ → Cruzeiro Real – CR$ (taxa 1000:1) – 3 zeros serão cortados.

3) PLANO REAL
Ministro da Fazenda: Fernando Henrique Cardoso.
* ORTODOXIA + HETERODOXIA

* Medidas anunciadas com antecedência, sem as surpresas dos planos anteriores:

1a Fase: AJUSTE FISCAL (ortodoxia)


→ Combate à sonegação.
→ Cortes no orçamento.
→ Desvinculação das receitas da União (DRU) – parcial: em 20%.
- Foi criado um fundo de emergência, para garantir gastos na área social.

2a Fase: MOEDA INDEXADA (heterodoxia)


→ Aumentar a indexação é solução contra a inércia inflacionária, ao invés dos congelamentos.
- Foi necessário indexar ainda mais os preços para tornar a própria moeda indexada.
→ Lançou-se a URV (Unidade Real de Valor), corrigida diariamente com base nos 3 principais
índices de inflação e igualando 1 URV com 1 dólar (não era obrigatória, mas há adesão).
→ Governo apostava na utilização da URV naturalmente, como referência.
- Restabelecer hierarquia de valores – possibilidade de comparar preços.

3a Fase: REFORMA MONETÁRIA


→ 1o de julho de 1994: substituição da moeda – Cruzeiro Real → Real.
- Real foi criado com base na última cotação da URV → 1 URV = 1 Real = CR$ 2.750.
* A escolha da data de 1/7 para o lançamento do Real deu-se pelas seguintes razões:
- Ajuste semestral – 1/7 é o primeiro dia do semestre.
- Em meio à Copa do Mundo – com a população distraída, a transição seria mais suave.

Obs.: num primeiro momento, inflação cai, mas fica ainda em 2 dígitos.

FATORES PARA O SUCESSO DO PLANO REAL:

→ Transparência e antecedência do anúncio das medidas a serem adotadas.

→ Não houve congelamento de preços e de salários. Reajustes eram diários.

→ Brasil já tinha renegociado a dívida externa – bom volume de reservas internacionais


- 1 REAL = 1 US$ – regime cambial fixo, por enquanto, o que representou custos menores para
o setor produtivo e maior concorrência.
- Aumento da demanda é suprido pelo aumento das importações – balança comercial afetada.
- Tínhamos reservas em moeda estrangeira para bancar o desequilíbrio da balança comercial.

→ Nível alto de juros


- Objetivo de atrair dólares em momento de alta liquidez no mundo,
- Dólares que entram compensam a saída de moeda estrangeira devido às importações.
- Juros tinham a finalidade de conter demanda. Demanda subiu mesmo assim, porém menos.

* Existe a necessidade de uma fase pós-Real, pois o problema não estava resolvido. Há uma
estratégia de continuidade fundamental para o sucesso da contenção da inflação:

- Era necessário asfixiar a inflação residual.

- Havia uma memória inflacionária – reajustes persistiam.

- Contenção da expansão da demanda – natural num processo de estabilização.

- Balança comercial negativa e necessidade de juros altos para equilibrar contas externas.
Diplomacia 360o – Módulo Hera – Economia – Aula 16
Prof. Daniel Sousa – 23.05.2018

GOVERNO FERNANDO HENRIQUE CARDOSO (FHC)

Antecedentes:

Fernando Henrique Cardoso, Ministro da Fazenda no governo Itamar, ganhou capital político
devido ao enorme sucesso inicial do Plano Real, que derrubou a inflação a patamares bem
menores. Mesmo assim, o momento pós-Plano Real é bastante problemático, pois havia ainda
um grande trabalho a ser feito para asfixiar a inflação, que continuava na casa dos 2 dígitos.
Existia ainda uma memória inflacionária que fazia com que ajustes de preços acontecessem
com uma frequência significativa (não houve congelamento ou tabelamento de preços).

Como a inflação residual ainda resistia no início do primeiro mandato de FHC, foi mantida uma
política monetária contracionista, associada a uma âncora cambial. Manteve-se o real muito
valorizado em relação ao dólar, com o objetivo de facilitar a entrada de bens importados,
atendendo à expansão de demanda que acontece nesse período de queda de inflação,
estimulando a concorrência e reduzindo custos a fim de conter a inflação.

1o GOVERNO FHC (1995-1998)

*POLÍTICA MONETÁRIA CONTRACIONISTA


→ Depósito compulsório de 100% dos depósitos à vista (iniciado ainda com Itamar Franco).
→ Taxa SELIC de 46% a.a. em 1995.

O objetivo dessa política era a contenção da demanda agregada, que se expande mesmo
assim, sendo, porém, menor. Trata-se de um efeito natural da queda da inflação, que gera a
expansão do poder de compra.

*ÂNCORA CAMBIAL
→ Aumento das importações (para atender a expansão da demanda).
→ Aumento da concorrência.
→ Custos menores para as empresas.

Os resultados fiscais do primeiro governo FHC foram oscilantes. Como as políticas monetária e
cambial não eram flexíveis, usou-se a política fiscal como válvula de escape para eventuais
flutuações macroeconômicas (não é possível segurar as três políticas simultaneamente).

*REFORMAS

→ PRIVATIZAÇÕES
- Vale do Rio Doce.
- Sistema Telebrás.
- Empresas de distribuição de energia elétrica.

→ CRIAÇÃO DE AGÊNCIAS REGULADORAS


- Equilibrando pressões: governo, empresas concessionárias e consumidores.
- Agentes independentes e autônomos (influências políticas seriam blindadas ou mitigadas).
→ REFORMA DO SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL

Até os anos 1990, havia no Brasil dezenas de bancos estaduais (hoje sobrevivem apenas 4
deles). Governos estaduais emprestavam para projetos que não honravam seus pagamentos, o
que criava um descolamento entre o passivo e o ativo desses bancos, que tinham em seus
ativos uma enorme quantidade de crédito podre. A quase totalidade desses bancos estaduais
encontravam-se em situação de insolvência, pois não tinham condições de honrar os seus
passivos com os ativos que possuíam.

Num momento em que o Brasil trabalhava para conter a inflação, não fazia sentido que
governadores usassem os bancos estaduais para oferecer crédito sem o menor controle. Esse
cenário levava a situações de insolvência e de instabilidade para o sistema financeiro nacional.
Chegou-se ao consenso naquele momento de que esses bancos deveriam ser privatizados ou
passar por processo de recuperação.

Além disso, com o fim da inflação, os bancos privados não podiam mais lucrar com a ciranda
financeira (“overnight”) e tiveram que passar a oferecer crédito à população. Muitos bancos
privados não conseguiram adaptar-se a essa nova realidade e passaram por dificuldades.

Foi criado, em 1995, o Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do


Sistema Financeiro Nacional (PROER), que envolveu a injeção de recursos para salvar os
bancos do país. Em contrapartida, foi instituído um novo marco regulatório para o setor
bancário, que estabeleceu um maior controle sobre o volume de crédito concedido.

→ REFORMA DA PREVIDÊNCIA (1997)


- Estabelecimento do fator previdenciário.
- Idade mínima não foi aprovada no Congresso.

*DESGASTE DA ÂNCORA CAMBIAL


→ A estratégia da âncora cambial vai se desgastando durante o primeiro governo FHC. O real
estava muito valorizado, pois, para manter a inflação sob controle, o câmbio era uma âncora.

1995: Crise no México


1997: Crise dos Tigres Asiáticos
1998: Crise da Rússia

Crises em países emergentes levaram à desvalorização das moedas locais, que estavam
artificialmente valorizadas nesses países. No Brasil, indagava-se quando seria a nossa vez, pois
o modelo de âncora cambial não era sustentável. A cada ano, os resultados comerciais
brasileiros são piores e, para compensar esses déficits crescentes da balança comercial, o
Brasil esforçava-se para atrair capital especulativo (com juros altos) e Investimento Estrangeiro
Direto (IED), a fim de aumentar a entrada de moeda estrangeira.

Com as sucessivas crises em países emergentes, o mercado financeiro global tem cada vez
mais aversão em relação aos riscos de investimentos no Brasil, apesar da boa rentabilidade.
Para compensar a entrada de capital especulativo em volume menor do que o necessário, o
Banco Central (BACEN) cobria essa falta de entrada de capital, com as reservas internacionais
do país. A busca por dólares aumenta expressivamente, e a moeda estrangeira torna-se
escassa. Dólar passa a ser comprado com fins especulativos, o que pressiona ainda mais as
reservas brasileiras.
Em 1998, o governo brasileiro entrará em negociações com o FMI, obtendo, ao fim, um
empréstimo de US$ 30 bilhões para recompor suas reservas internacionais. O Brasil terá que
oferecer uma série de contrapartidas estabelecidas pelo FMI.

Esse empréstimo não resolveu o problema, pois havia sido atacada apenas a consequência do
problema e não a causa (crescentes déficits comerciais devido à valorização artificial do real).
Em ano de eleições, governo mantém artificialmente a valorização cambial, pois era medida
muito popular (brasileiros podiam, por exemplo, viajar mais e comprar muito no exterior).

No momento em que o real foi lançado, a taxa de câmbio era fixa (US$ 1 = R$ 1). Pouco tempo
depois, o BACEN resolveu estabelecer um teto para a taxa de câmbio, inicialmente de 1 real.
Taxa poderia flutuar livremente, mas abaixo do teto (dólar chegou a ser vendido por R$ 0,80).
A fim de evitar que a taxa de câmbio fosse baixa demais, estabeleceu-se um piso. Porém, tanto
o teto quanto o piso foram sendo gradualmente alterados ao longo do primeiro governo FHC.

Ao final de 1998, o teto estava em R$ 1,20 e o piso em R$ 1,00. Quando a cotação atingia o
teto, o BACEN vendia dólares (V) para que a cotação caísse. Caso a cotação atingisse o piso, o
BACEN comprava dólares (C). Porém, desde 1997, estava em curso um processo de constante
venda de dólares pelo BACEN, já que a cotação atingia o teto seguidas vezes. Com a
consequente diminuição das reservas internacionais, considerou-se necessária a ajuda do FMI.

Após eleição de FHC em outubro de 1998 (com vitória em 1o turno), passou a crescer cada vez
mais a influência de grupos no governo federal que defendiam a flexibilização cambial. Em
oposição, outros grupos defendiam que ainda seria muito cedo, pois havia o risco de volta da
inflação (principal defensor desse discurso era Gustavo Franco, presidente do BACEN). O FMI
em si não fazia nenhuma pressão em relação a esse tema, meramente recomendando a
manutenção da âncora cambial.

Em dezembro de 1998, FHC demite Gustavo Franco. Em janeiro de 1999, o novo presidente do
BACEN, Francisco Lopes, estabelece o sistema de bandas diagonais, para que taxas de câmbio
subissem aos poucos, sob administração do BACEN. Essa medida foi ineficaz, pois fez com que
cada vez mais dólares passassem a ser comprados especulativamente, já que o governo
estava, na prática, avisando que iria aumentar a taxa de câmbio.

Dias depois, sem conseguir administrar o volume de compras de moeda estrangeira, o BACEN
desiste da âncora cambial, deixando a taxa de câmbio flutuar. Esse abandono do controle
cambial levou a uma desvalorização cambial de 17% já no primeiro dia, que se intensificou nos
dias seguintes.

→ MAXIDESVALORIZAÇÃO!
2O GOVERNO FHC

→ ABANDONO DA ÂNCORA CAMBIAL


- Necessidade de criação de um modelo sustentável de longo prazo.

- BACEN: Armínio Fraga.


- Fazenda: Pedro Malan.

→ TRIPÉ MACROECONÔMICO
- Câmbio flutuante (câmbio passa a ser a variável de ajuste).
- Metas de inflação (contracionismo mais sofisticado).
- Metas de superávit primário (política fiscal amarrada).

*Troca da âncora cambial pela âncora fiscal.

→ CÂMBIO FLUTUANTE
- Sem compromisso com nenhuma taxa de câmbio.
- Taxa de cambio flutuante será a variável de ajuste.

Se a entrada de dólares for maior do que a saída de dólares, a taxa de câmbio diminuirá, o que
desincentivará a entrada e incentivará a saída de dólares, corrigindo o problema.

Se a entrada de dólares for menor do que a saída de dólares, a taxa de câmbio subirá, o que
desincentivará a saída e incentivará a entrada de dólares, corrigindo também o desequilíbrio.

Nos anos seguintes, o Brasil verá uma significativa melhora dos resultados de sua balança
comercial. Argentina será inundada por produtos brasileiros (paridade 1 peso → 1 dólar, por
lei), o que causará uma queda expressiva de sua balança comercial, antecipando sua crise.

→ METAS DE INFLAÇÃO
- Conselho Monetário Nacional - CMN (Fazenda + Planejamento + BACEN).
- CMN escolhe a meta e a repassa ao BACEN.
- BACEN reúne-se mensalmente no COPOM para avaliar o cumprimento das metas de inflação.

Expectativa de inflação MAIOR que a meta:


→ Política contracionista (aumento da SELIC ou compulsório).

Expectativa de inflação igual ou próxima da meta:


→ Nada será feito.

Expectativa de inflação MENOR que a meta:


→ Política expansionista (redução da SELIC ou do compulsório).
Vantagens do sistema de metas de inflação:

→ Compromisso formal com controle da inflação (meta estática, de janeiro a dezembro).


→ Previsibilidade da política monetária.
→ Convergência de expectativas → cumprimento das metas torna-se automático.

→ METAS DE SUPERÁVIT PRIMÁRIO


Trata-se de um resultado preliminar positivo das contas da União, dos estados, dos municípios
e das empresas estatais, excluindo-se os gastos com juros. Não se pode ter constrangimentos
ou limites para gastar com juros, pois isso comprometeria as metas de inflação.

→ 1999: pressão na inflação devido à desvalorização cambial. Inflação de 9%.


- Aumento de juros.
- Diminuição de gastos.
- Menor crescimento do PIB.
- Inflação começa a ceder.

→ 2000: espaço para diminuição de juros


- Recuperação do crescimento do PIB.
- Ano positivo para a economia brasileira.

→ 2001: ano caótico para a economia brasileira, devido a 3 (três) problemas gravíssimos:

1) Apagão elétrico
- Brasil não fazia investimentos relevantes no setor energético desde o 2o PND de Geisel.
- FHC permite sucateamento das empresas de energia elétrica (previsão de privatização).
- Resultados fiscais ruins levaram à falta de investimentos.
- Níveis baixos nos reservatórios das hidrelétricas.
- Racionamento de energia elétrica – consumo maior que ano anterior era penalizado.
- Crescimento econômico é afetado – redução do consumo de energia pelo setor industrial.
- Retração na oferta de energia elétrica similar ao ocorrido no Choque do Petróleo.
- Construção de termelétricas – custo maior sem depender da questão hídrica.
- Tentativa de expansão da oferta de energia nuclear – finalizada a usina de ANGRA II.

2) Atentados de 11 de setembro
- Aumento da cotação do ouro – busca mundial por segurança em momento instável.
- Fuga de capitais que temiam riscos e imprevisibilidade.
- Desvalorização do real – pressão inflacionária.
- Necessidade de poupança externa atrapalha o crescimento econômico.

3) Crise argentina
- Esgotamento das reservas internacionais da Argentina.
- Câmbio fixo de 1 peso para 1 dólar estabelecido por lei.
- Decretação da moratória pelo governo argentina.
- Sem dólares, importações do Brasil despencam, afetando a balança comercial brasileira.
- Argentina é o 3o maior parceiro comercial do Brasil.
- Argentina é o maior importador de produtos manufaturados brasileiros.
- Colapso argentino causa efeito colateral de diminuição de investimentos no Brasil.
- Desconhecimento do mercado financeiro global em relação à diferença entre as economias.
- Similar ao efeito dominó ocorrido na Crise da Ásia em 1997.
No Brasil...

→ Aumento de juros.
→ Redução de gastos.

A popularidade de FHC é afetada, pois havia prometido nas eleições de 1998 que manteria
valorização cambial. O candidato da oposição, Lula da Silva (PT), ganha popularidade.

→ 2002: discurso radical de Lula no período pré-eleitoral. Incerteza eleitoral gera uma
debandada de capital do país e causa aumento excessivo da taxa de câmbio (US$ 1 = 4 reais).

→ Aumento de juros!

CARTA AO POVO BRASILEIRO (LULA-PT)


- PT comprometia-se com metas de inflação e política fiscal.
- Lula consegue conquistar camadas conservadoras da sociedade.
- Lula consegue sair dos 30% de eleitores que sempre tinha.
- FHC e Lula formam equipes de transição que teve interação eficiente e responsável.
- Lula escolhe Henrique Meirelles (PSDB) como presidente do BACEN, com status de ministro.
- Lula escolhe Antônio Palocci (prefeito de Ribeirão Preto), moderado e aceito pelo mercado.
Diplomacia 360o – Módulo Hera – Economia – Aula 18
Prof. Daniel Sousa – 06.06.2018

GOVERNO LULA DA SILVA (2003-2010)

ANTECEDENTES:

Final do segundo governo FHC:

→ 2002: ano turbulento para o Brasil!


- Efeitos do 11 de setembro, do “apagão elétrico” e da Crise Argentina.
- Profunda incerteza político-eleitoral (discurso radical de Lula).
- Escalada da cotação do dólar (US$ 1 = R$ 4) que gera pressão inflacionária.
- Pressão inflacionária é contida pelo governo por meio de aumento de juros.
- Objetivo: convergir inflação ao centro da meta.
- Governo diminuiu gastos para obter mais recursos para o pagamento de juros.

PRIMEIRO GOVERNO LULA DA SILVA (2003-2006):

→ Estratégia: “choque de credibilidade” – superar as desconfianças do período eleitoral.

Ministro da Fazenda: Antonio Palocci.


*Prefeito de Ribeirão Preto, aceito pelo mercado.

- Banco Central: Henrique Meirelles (status de ministro).


*Presidente Mundial do FleetBoston Financial (sucessor do Bank Boston).

→ Redução das metas de inflação


- Transmitir a mensagem de que o governo teria menos tolerância com a inflação.
- Cumprimento da promessa feita na “Carta ao Povo Brasileiro”, em 2002.

→ Aumento da meta de superávit primário


- Gasto maior com juros, a fim de conter a inflação, requer um superávit primário maior.
- Esforço fiscal maior do governo.

Palocci propôs uma “PEC do Teto”, segundo a qual os gastos governamentais cresceriam de
acordo com o crescimento do PIB. Proposta foi atacada, sobretudo por Dilma Rousseff.
→ Resultados macroeconômicos primários serão muito positivos nesse início de governo Lula.

PROCESSO DE DESINFLAÇÃO
→ Crescimento fraco em 2003 (+0,31%).
→ Reforma da Previdência.
- Necessidade de contenção do crescimento insustentável das despesas previdenciárias.
- Proposta agressiva do governo vai sendo “aguada” pelo Congresso progressivamente.
- Reforma que foi aprovada foi apenas parcial.

RISCO BRASIL DESPENCA


- Indicador chegou a 2000 pontos no período eleitoral, em 2002.
- Ao final da gestão de Henrique Meirelles, chega a 200 pontos.
- Resultado de uma maior previsibilidade da economia brasileira.
2004: CRESCIMENTO DO PIB DE 5,76%.
- Queda dos juros.
- Queda da inflação.
- Desabamento do Risco Brasil.
- Queda expressiva da taxa de câmbio em 2003 → US$ 1 = 3,50 em janeiro de 2003
→ US$ 1 = 2,89 em dezembro de 2004

BANCO CENTRAL – decisão de promover acúmulo de reservas internacionais.

→ Reservas internacionais do Brasil: 2004: US$ 18 bi → 2008: US$ 208 bi.

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, enxergou uma janela de oportunidade


para o Brasil. A liquidez internacional encontrava-se no seu maior patamar histórico, devido a
uma política monetária expansionista sem precedentes nos EUA.

Teve início, nesse período, um aumento significativo do fluxo de dólares em direção ao Brasil.
Apesar da queda sucessiva das taxas de juros (que continuavam relativamente altos), o Brasil
tornava-se cada vez mais atraente para o capital estrangeiro, pois o Risco Brasil caía mais
rapidamente do que os juros.

Esse fluxo expressivo de dólares ingressando no país permite que o Banco Central, ao longo de
quatro anos, aproveite essa janela de oportunidade, comprando quantidades ainda maiores de
dólares, a fim de incrementar progressivamente as reservas em moeda estrangeira.

Ao comprar dólares para as reservas internacionais (na forma de títulos do Tesouro


Americano), o Banco Central brasileiro injetou quantia considerável de reais em circulação.
Para que esses reais não gerassem inflação, governo vendia títulos de sua dívida a fim de tirar
reais de circulação → essa operação chama-se “esterilização” do acúmulo de reservas.

O acúmulo de reservas internacionais pelo Brasil aumentava a solidez do país, pois diminuía a
demanda por dólares (acalmando o mercado). Porém, o Brasil escolheu diminuir sua dívida
externa ao custo do aumento de sua dívida interna.

Desvantagem: dívida interna é muito mais cara (com juros muito mais altos).
Vantagem: dívida em reais é mais fácil de administrar.

Obs.: Em 2006, o volume de reservas internacionais supera o valor da dívida externa (pública e
privada). Brasil torna-se credor externo líquido → dessa vez, quando dólar se valorizava era
positivo, pois o governo tinha valores a receber em moeda estrangeira.

2005: ESCÂNDALO DO MENSALÃO!


→ Política x Economia:
- Crise política não gera impactos econômicos relevantes.
- Mesmo que o ministro da Fazenda fosse substituído, política econômica não mudaria.
- Percepção de que a manutenção da estabilidade era política de Estado e não de governo.

2006: LULA É REELEITO.


SEGUNDO GOVERNO LULA DA SILVA (2007-2010)
*2006/2007/2008: momento de promover a aceleração do crescimento.
→ Queda de Antonio Palocci!

Ministro da Fazenda: Guido Mantega (presidente do BNDES).


→ Visão diferente em relação à Macroeconomia.
→ Com Antonio Palocci e Henrique Meirelles, houve um constante processo de redução das
metas de inflação (de 9% a 4,5%).
→ Reuniões do Conselho Monetário Nacional (CMN) com Mantega mantiveram meta de
inflação em 4,5% (suspensão do processo de queda dessas metas).

Obs.: Países em desenvolvimento têm como meta ideal – 3% a 3,5%.

PIB = C + I + G + (x - m)
(C) → Estímulo ao consumo (ascensão da “Nova Classe C”).
(I) → Mais investimentos.
(G) → Expansão dos gastos do governo, pois havia margem fiscal.
(x – m) → Esforço do governo para expandir e diversificar mercados de exportação* do Brasil.
*Lógica Sul-Sul: diminuir dependência brasileira de países desenvolvidos e aumentar venda de
produtos de maior valor agregado para mercados em desenvolvimento.

CONSUMO (C)
→ Transferência de renda – Bolsa Família.
→ Aumento do crédito – boom do crédito consignado.
→ Aumento do salário mínimo (acima da inflação).
→ Aumento do salário do funcionalismo.
→ Aumento dos concursos.

INVESTIMENTO (I)
→ Plano de Aceleração do Crescimento (PAC).
→ Expansão do investimento por empresas estatais.
→ Aumento do crédito para empresas – BNDES.
→ Queda dos juros.
→ Governo esforça-se para aumentar a previsibilidade para o empresariado.

GASTOS DO GOVERNO (G)


→ Aumento do resultado primário.
→ Aumento de arrecadação:
*Combate à sonegação.
*Melhora da atividade econômica.
→ Aumento do salário mínimo.
→ Aumento do salário do funcionalismo.
→ Aumento dos concursos.
→ Aumento de gastos com infraestrutura.

EXPORTAÇÕES LÍQUIDAS (x - m)
→ Aumento do preço das commodities.
→ Aumento do crédito ao exportador.
→ Prospecção de novos mercados para produtos manufaturados brasileiros (lógica Sul-Sul).
2008: CRESCIMENTO DO PIB DE 5,09%!

→ Brasil ganha grau de investimento:


- Acesso expandido a capitais privados internacionalmente.
- Atratividade do Brasil (antes tinha grau especulativo, de maior risco).
- Aplicação de juros menores para o crédito externo.

→ No último trimestre de 2008, Brasil sofrerá com a eclosão da Crise Mundial:


*Brasil é afetado da seguinte maneira:
- Queda da demanda externa (exportações são afetadas).
- Diminuição da poupança externa (investimentos são afetados).
- Queda dos gastos do governo e do consumo.
→ Formação de um “ciclo recessivo”.

→ Vantagens macroeconômicas do Brasil para enfrentar a crise:


- Volume de reservas internacionais permitiu que o Brasil contivesse a fuga de capitais.
- Câmbio flutuante ajuda a conter o desequilíbrio nas contas externas.
- Resultados fiscais positivos (superávit primário enorme)
- Baixo nível de inflação deu margem para a adoção de uma política monetária expansionista.

→ Implementação de política monetária anticíclica:


- Redução da taxa SELIC (janeiro de 2009).
- Desabamento do compulsório (reduzido a ZERO).
- Aumento da concessão de crédito por bancos públicos (BB, Caixa, BNDES).
→ Metas de inflação são mantidas.

→ Implementação de política fiscal anticíclica:


- Redução do IPI.
- Redução do IR.
- Aumento dos gastos do governo (em especial, com a preservação do PAC).
- Aumento do salário mínimo.
- Aumento do seguro-desemprego.
→ Redução da meta de superávit primário!

2009: QUEDA DO PIB DE 0,13%...


→ Houve uma recuperação do crescimento nos trimestres finais.

2010: CRESCIMENTO DO PIB DE 7,53%!


- Porém, a economia dá sinais de superaquecimento.
- Estímulo à expansão da demanda, mas não da oferta.
- Ociosidade produtiva é preenchida, mas não há expansão da oferta de fatores de produção.
- Momento de pleno emprego, mas sem aumento de produtividade.
Diplomacia 360o – Módulo Hera – Economia – Aula 19
Prof. Daniel Sousa – 13.06.2018

GOVERNO DILMA ROUSSEFF (2011-2016)

ANTECEDENTES:

O ano de 2010 apresentava um cenário de bastante euforia e otimismo, com um Brasil que
crescia a taxas muito altas. O crescimento do PIB em 2010 foi acima de 7%, devido, sobretudo,
a uma série de estímulos.

Lula da Silva, em seus últimos anos de governo, havia implementado uma política monetária
expansionista, que promoveu (i) redução da taxa SELIC; (ii) redução do depósito compulsório;
e (ii) considerável aumento do volume de crédito ofertado por bancos públicos.

Houve também uma política fiscal expansionista, com (i) redução das metas de superávit
primário; (ii) aumento dos gastos públicos e dos investimentos; e (iii) significativa redução de
impostos (por meio, por exemplo, da isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI)
para certos setores).

→ Havia, em 2010, uma grande pressão inflacionária.

→ Euforia com a escolha do Brasil como sede da Copa do Mundo e das Olimpíadas.

Dilma assume, em 2011, com uma visão um pouco diferente do que vinha sendo
implementado até então em termos de política econômica. A bem da verdade, Dilma e Serra,
seu oponente nas eleições de 2010, tinham opiniões até certo ponto parecidas, no que se
refere, por exemplo, à política monetária.

Ambos argumentavam que a política monetária estava calcada num Banco Central (BACEN)
com muita autonomia. Essa autonomia excessiva seria um problema, já que o BACEN se
concentrava quase que exclusivamente no controle da inflação, preocupando-se muito pouco
com a questão do crescimento.

Além disso, durante o governo Lula, Dilma Rousseff havia sido a ministra que se opôs à ideia
proposta, em 2005, por Antonio Palocci (então ministro da Fazenda) da criação de um teto de
gastos para o governo. Dilma também se incomodava com a questão do câmbio, pois pensava
que um câmbio muito apreciado atrapalhava a indústria brasileira, as exportações e,
consequentemente, o desenvolvimento.

Trata-se, portanto, de um momento em que importantes mudanças em política monetária irão


acontecer. Na prática, algumas das políticas de estímulo criadas no governo Lula vão ser
mantidas por mais tempo. Ao final do governo Lula, o discurso era de que essas políticas eram
momentâneas e que não seriam mantidas por muito tempo. Lula manteve essas políticas por
mais tempo do que o normal, sobretudo com vistas à vitória do PT nas eleições de 2010.
NOVA MATRIZ MACROECONÔMICA:

POLÍTICA MONETÁRIA:
→ Implementação de uma diretriz de redução de juros como mecanismo de estímulo ao
crescimento, mesmo que viesse acompanhado de um pouco mais de inflação.

Até o início do governo Dilma, o Brasil havia tido dois presidentes do BACEN muito fortes e
autônomos. Ao final do governo FHC, o BACEN foi presidido por Armínio Fraga, que
implementou o regime de metas de inflação e que participou da construção do tripé de
política macroeconômica. Já durante os oito anos de governo Lula, Henrique Meirelles presidiu
o BACEN com muita força e autonomia, focando enormemente no controle da inflação.

Ao início do governo Dilma, Meirelles foi substituído por Alexandre Tombini, um técnico de
carreira do BACEN, muito qualificado, mas sem a mesma força dos presidentes anteriores para
contrapor-se às diretrizes de política monetária a serem determinadas pelo Palácio do
Planalto, que irá, daqui para frente, influenciar diretamente na política monetária.

No início do ano de 2011, haverá um aumento dos juros para combater a inflação. Entretanto,
ainda em 2011, e ao longo de 2012, ocorre uma redução expressiva dos juros (taxa SELIC
alcançou 7,5 % a.a.). Essa redução da SELIC acontece num ambiente em que a inflação estava
subindo e, como consequência, a inflação ficará próxima ao teto da meta.

O centro da meta de inflação era de 4,5% a.a, mas havia uma margem de tolerância de dois
pontos percentuais para cima ou para baixo (entre 2,5% a.a. e 6,5% a.a). Governo decide então
focar no teto, e não mais no centro da meta. Essa estratégia funcionará apenas por um tempo.

A expectativa, por volta de 2013, era de que a inflação ultrapassasse o teto da meta. O
governo passará a adotar uma estratégia de “represamento”:

→ Proibição de aumento do preço dos combustíveis, mesmo com o aumento do preço do


barril de petróleo no mercado internacional → prejuízo suportado pela Petrobrás.

→ Redução das tarifas de energia elétrica → empresas do setor elétrico tiveram perdas e
governo as autoriza a obter empréstimos, dando como garantia o compromisso de que o
governo permitiria, no futuro, o reajuste de tarifas.

No ano de 2014, a estratégia de “represamento” terá continuidade, o que irá “segurar” a


inflação artificialmente. Entretanto, em 2015, é permitida a liberação dos reajustes que
estavam represados. Com isso, a inflação ultrapassará o teto da meta, chegando a 10,67 % a.a.
(IPCA). O governo sinalizará uma mudança na política monetária, com mais autonomia para o
BACEN. Tombini continuará na presidência do BACEN, sendo, entretanto, visto saindo do
Palácio do Planalto em vésperas de reuniões do COPOM.
Disseminou-se a ideia de que a política monetária do Brasil não era autônoma e acreditava-se
que não haveria um compromisso real do BACEN com o combate à inflação. Essa expectativa
fez com que o mercado pensasse que a inflação iria subir, e ela realmente subiu.

Todos passaram a reajustar seus preços acima da inflação para se protegerem de antemão da
inflação que viria. O BACEN viu-se obrigado a aumentar os juros mais do que ele precisaria
aumentar, no intuito de lutar contra as expectativas de inflação. Caso pensassem que o BACEN
estava comprometido com o combate à inflação, bastaria que os juros aumentassem muito
pouco para que o mercado ficasse tranquilo.

Em 2015, inicia-se um processo de aumento de juros, com a finalidade de conter a alta da


inflação. Esse processo de alta dos juros terá continuidade em 2016, dentro de um contexto
em que o BACEN se via obrigado a convencer o país de que estava comprometido com a
contenção da inflação. Esse é o grande drama quando se mexe nas expectativas de inflação: é
criado um mecanismo de profecia autorrealizável que torna tudo ainda mais difícil.

*Nesse contexto, ocorre o impeachment de Dilma Rousseff.

POLÍTICA FISCAL:
→ Expansão dos gastos do governo como mecanismo de estímulo ao crescimento
econômico, mesmo que isso signifique uma piora nos resultados fiscais. Há uma mudança na
metodologia de cálculo do superávit primário.

Dilma Rousseff era pessoalmente favorável à política fiscal como mecanismo de estímulo ao
crescimento. No início do governo Dilma, por exemplo, quando Angela Merkel (Chanceler
alemã) defendia políticas de austeridade na União Europeia, Dilma criticou-as duramente,
afirmando que iriam prejudicar o crescimento europeu, trazendo tensões para o bloco.

A política fiscal do governo Dilma caracterizava-se, portanto, pela expansão dos gastos, com
base na crença de que, com isso, haveria um impacto no crescimento econômico. Ocorre
também uma alteração na metodologia de cálculos do superávit primário (desconsiderando
gastos com o PAC, Minha Casa Minha Vida, etc). Ao se alterar as metas de superávit primário,
cria-se espaço para o governo gastar mais.

A confusão em torno das chamadas “pedaladas” (depois usadas contra Dilma no âmbito do
processo de impeachment) está fundada na ideia de que havia uma manipulação dos
resultados fiscais pelo governo. Progressivamente, ao longo do primeiro governo Dilma, essas
manipulações tornaram-se cada vez mais sofisticadas.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES, por exemplo, obteve,


até 2014, empréstimos do Tesouro Nacional no montante total de R$ 500 bilhões. O Tesouro
realizou, portanto, emissões de títulos, levantou os recursos e emprestou-os ao BNDES. Na
prática, esses recursos ingressaram no BNDES como um aumento de receita, o que melhorou
artificialmente o resultado primário do país.

Já o Banco do Brasil (BB), que subsidia a produção agrícola por meio do Plano Safra, oferece
juros aos produtores rurais abaixo da taxa de mercado. Quando esses créditos subsidiados são
oferecidos pelo BB, quem cobre a diferença é o Tesouro Nacional. O Tesouro passou a não
pagar mais o BB, melhorando artificialmente o resultado das contas públicas.
A Caixa Econômica Federal (CEF) oferece uma série de benefícios sociais, como o seguro-
desemprego, utilizando-se de recursos do Tesouro Nacional (CEF age como agente-pagador).
Enquanto a CEF continuou pagando esses benefícios, o Tesouro parou de depositar esses
recursos, melhorando artificialmente os resultados fiscais do governo.

Essas alterações metodológicas no cálculo dos resultados fiscais deram espaço para que o
governo gastasse mais, sem descumprir, entretanto, a Lei de Diretrizes Orçamentárias ou a Lei
de Responsabilidade Fiscal.

2014: déficit primário de R$ 32 bilhões – primeiro déficit desde que foi implementada a
política de metas de superávit primário.

Em 2015, o déficit foi em torno de R$ 111 bilhões, pois o governo passou a realizar
pagamentos que não estava fazendo (BNDES, BB, CEF). Brasil teve também uma retração no
PIB de 3,77%. Esses dois fatores fizeram com que os resultados fiscais do Brasil chegassem ao
fundo do poço. O governo passou a vender títulos para custear esse déficit de R$ 111 bilhões,
mas mercado pedia juros de 18% a.a. no contexto de uma expectativa de que o país iria
quebrar a qualquer momento.

As agências internacionais de risco começaram a ver o Brasil com desconfiança, devido aos
péssimos resultados fiscais e ao endividamento público, que se encontrava em patamar
razoavelmente insustentável. O governo realizou esforços para manter o grau de investimento
do Brasil perante essas agências, alegando que o equilíbrio das contas públicas seria
reestabelecido. O ministro da Fazenda, Joaquim Levy prometeu a essas agências que não
haveria mais camuflagem nos resultados fiscais, comprometendo-se com o reestabelecimento
da metodologia desses cálculos.

POLÍTICA CAMBIAL:
→ Havia um direcionamento no sentido de que um câmbio mais desvalorizado seria
benéfico para o desenvolvimento, aumentando a competitividade dos produtos brasileiros
no mercado internacional.

Essa estratégia acabou sendo levada adiante em parte, mas foi atropelada pela conjuntura
externa. Commodities estavam em valores muito altos e países como os EUA faziam políticas
monetárias excessivamente expansionistas, fazendo com que dólares inundassem a economia
brasileira (altíssima liquidez no contexto internacional), o que Dilma chamou de “tsunami
monetário”.

O governo brasileiro adotará uma nova estratégia, realizando um aumento das tarifas de
importação em diversos setores, com seus valores máximos acordados com a Organização
Mundial do Comércio (OMC).

A ideia era de proteger a economia brasileira desse “tsunami monetário” e das distorções do
comércio internacional causadas por essa valorização excessiva de moedas de países
emergentes, associadas a commodities valorizadas e à altíssima liquidez do sistema
financeiro internacional, resultado de políticas monetárias fortemente expansionistas.

Houve uma intensificação da atuação do BACEN na política cambial, muitas vezes tomando
prejuízos expressivos devido à sua forte interferência no mercado de câmbio.
→ Fortalecimento de políticas de conteúdo nacional.
→ Oferecimento de reservas de mercado para o produtor nacional.
→ Ganha espaço uma lógica mais protecionista e intervencionista.

Enquanto no governo Lula houve um esforço na conquista de novos mercados, a presidente


Dilma foi descuidada em relação à abertura de canais de comércio para os produtos
brasileiros. A política externa não era prioridade de Dilma, o que levou a um relativo
abandono dos esforços comerciais realizados por Lula.

O crescimento do PIB durante o governo Dilma foi bom até 2013, influenciado pelos estímulos
do governo anterior (continuados e, em alguns casos, intensificados). Dilma chegou a anunciar
que o Brasil se encontrava num estado de “pleno emprego” de sua mão-de-obra. Até 2013,
verificou-se no Brasil um crescimento da demanda agregada num ritmo maior do que o
crescimento da oferta agregada, o que não é sustentável permanentemente.
Isso acaba tendo reflexos, a partir de 2014, como o esgotamento do crescimento e a alta da
inflação. Em 2014, a economia passará por um momento de estagnação (variação do PIB de
+ 0,1 %), pois a oferta agregada havia atingido o seu limite. Num cenário de pleno emprego,
não havia como o país crescer sem que fosse ampliada a sua capacidade produtiva.

ANO DE 2015: CENÁRIO DE ADVERSIDADE!

No ano de 2015, houve uma forte alta da inflação, que causou uma diminuição no consumo,
corroída pelo processo inflacionário e atrapalhada pelo alto endividamento das famílias, que
foi muito estimulado ao longo do governo Lula.

Essa queda do consumo acarretou uma queda dos investimentos, num ambiente de
expectativas deterioradas para se investir e produzir, se o consumo está em declínio. Ao cair o
investimento, cai mais o consumo, aumentando o desemprego (que faz com que caia ainda
mais o consumo). Trata-se, portanto, de um PROCESSO QUE SE RETROALIMENTA.

No que tange aos gastos do governo, ocorre um déficit expressivo do setor público e, ao
captar recursos, o governo tem que pagar juros maiores, por estar muito deficitário. Há
também uma queda de arrecadação porque a atividade econômica desacelera.

→ Setor externo apresenta bom desempenho, mas é pouco representativo para o PIB.

Obs.: os investimentos caíram sobretudo devido à incapacidade de investimento das estatais.


A Petrobrás, por exemplo, sofreu muito com a política de represamento de preços, ainda mais
do que com a corrupção. Estima-se que, com a corrupção, a Petrobrás tenha perdido R$ 14
bilhões, enquanto que, com o represamento de preços, a perda foi de R$ 50 bilhões.

Cenário dramático: PIB retraiu significativamente em 2015 (- 3,77 %) e 2016 (- 3,59 %).
→ ESPIRAL DE RETRAÇÃO AGUDA DO PIB.
GOVERNO MICHEL TEMER (2016-HOJE)
→ Política econômica é bastante dificultada pela fragilidade e impopularidade do Presidente.
→ Investigações e acusações de corrupção.

CONTEXTO:
→ Retração muito aguda do PIB.
→ Perda do grau de investimento.
→ Inflação alta.
→ BACEN com a credibilidade arranhada.
→ Política fiscal com déficits crescentes.

MINISTRO DA FAZENDA: Henrique Meirelles (Presidente do BACEN durante o governo Lula).


BANCO CENTRAL: Ilan Goldfajn (nome forte, comprometido com o controle da inflação).

POLÍTICA MONETÁRIA
→ Ilan Goldfajn - nome forte: recuperar credibilidade do BACEN - promessa de autonomia.
→ Continuidade da alta de juros – política contracionista.
→ Queda progressiva da inflação – 2016: 6,29 % a.a. / 2017: 2,95 % a.a.:
- Influência da recessão.
- Sucesso da política de juros.
- Reversão das expectativas de inflação.
→ A queda dos juros, ao longo do governo Temer, tem sido consistente:
2018: menor nível histórico da SELIC – 6,5% a.a.
→ Ocorreu uma redução da margem de tolerância do regime de metas de inflação:
2017: 1,5% para cima, 1,5% para baixo.
→ Mudanças nas metas de inflação: em 2019, será reduzida de 4,5 % a.a. para 4,25 % a.a.
→ Melhora a credibilidade do BACEN, pois não há sinais de interferência do governo na
política monetária. BACEN estaria efetivamente comprometido com o combate à inflação.

POLÍTICA FISCAL
→ Foco na redução do déficit primário: aos poucos recuperar o grau de investimento do Brasil:

1) PEC DO TETO → APROVADA:


- Congelamento de gastos em termos reais durante 20 anos (corrigidos apenas pela inflação).
- Aumento de receitas conforme a atividade econômica vá se recuperando.
- Receitas aumentarão acima da inflação (em termos reais).
- Se as receitas crescem mais que os gastos, há uma redução do déficit em termos primários.
- Trata-se de redução lenta e gradativa do déficit primário, durante 20 anos.
- Governo demonstra estar efetivamente comprometido com o reequilíbrio de contas públicas.

2) REFORMA DA PREVIDÊNCIA → NÃO APROVADA:


- Gastos com Previdência estão “mordendo” parcelas cada vez maiores dos gastos do governo.
- Plano de Michel Temer previa, inicialmente, uma economia de R$ 800 bilhões em 10 anos.
- Proposta foi gradativamente “aguada”, com economia cada vez menor de gastos públicos.
- Reforma da Previdência foi abandonada.

→ Sem conter os gastos crescentes em Previdência, não se permitirá que sobrem mais
recursos para gastos em políticas sociais, como o combate à fome, a saúde e a educação.
LEVE RECUPERAÇÃO NO CRESCIMENTO ECONÔMICO:

→ Resultado excelente do setor externo:


- US$ 60 bilhões de superávit comercial: RECORDE HISTÓRICO!
- Porém, setor externo tem impacto pequeno sobre o PIB total (pequeno).

→ Recuperação do consumo:
- Cenário de queda da inflação.
- Diminuição do endividamento das famílias.
- PORÉM, desemprego continua muito alto.

→ Investimentos continuam fracos:


- Empresas estatais com dificuldades para realizar investimentos.
- Governo incapaz de determinar diretrizes macroeconômicas consistentes e sustentáveis.
- Expectativas deterioradas devido ao ambiente de profunda incerteza política e eleitoral.
- Não se sabe se o próximo governo dará continuidade às políticas econômicas atuais.
- Empresas privadas em compasso de espera, hesitando muito para realizar investimentos.

→ Gastos do governo com dificuldades:


- Alguma recuperação em termos de arrecadação.
- Governo, na prática, pode gastar um pouco mais.
Diplomacia 360o – Módulo Hera – Economia – Aula 20
Prof. Daniel Sousa – 20.06.2018

ATUAL CONJUNTURA ECONÔMICA DO BRASIL

FUNDAMENTOS MACROECONÔMICOS:

POLÍTICA MONETÁRIA

→ Combate à inflação.
- 2017: ABAIXO da meta.
- 2018: DENTRO da meta.
- 2019: REDUÇÃO da meta.

→ Elementos de incerteza que podem gerar pressão inflacionária significativa sobre o Brasil:

PETRÓLEO: alta de preço gera pressão inflacionária razoável devido a todos efeitos que o petróleo
produz na economia brasileira como um todo, afetando as cadeias produtivas como um insumo
básico importante.

DÓLAR: Brasil está vulnerável em relação a dois aspectos principais:

→ FATORES EXTERNOS:

* Fim da política monetária expansionista dos EUA (aumento da taxa de juros).

* Fim da política monetária expansionista da União Europeia (“quantative easing”).


- Não haverá a abundância de liquidez de antes (preço do dólar ficava “comportado”).
- Num cenário de menos liquidez no mercado internacional, há aumento no preço do dólar.
- Aumento do preço do dólar causa pressão inflacionária no Brasil.

* Preços das commodities vêm caindo recentemente, sobretudo devido à guerra comercial.
- Escalada da guerra comercial entre EUA e China (troca de retaliações ultrapassa a retórica).
- Se 2 maiores economias fizerem menos comércio, haverá impacto no crescimento mundial.
- Com menos consumo de commodities, preços caem. Menos dólares entram no Brasil.

Obs.: esses dois elementos causaram a interrupção da queda da taxa SELIC pelo BACEN, mesmo com
a inflação abaixo do centro da meta. BACEN não se sente mais confiante para continuar diminuição
de juros em ambiente no qual estão presentes esses dois elementos de pressão adicional.

→ FATORES INTERNOS:

* Imprevisibilidade político-eleitoral.
- Indefinição de qual será a política macroeconômica.
- Fuga de capitais.
POLÍTICA FISCAL

→ Principal fragilidade macroeconômica do Brasil.

→ Déficit primário expressivo = $ 150 bilhões!


*Se considerarmos o gasto com juros, esse déficit alcança quase R$ 500 bilhões.

Observa-se, no Brasil, um crescimento acelerado da relação DÍVIDA/PIB, o que tem gerado uma
insustentabilidade considerável. Essa relação DÍVIDA/PIB é mais relevante do que o simples valor
nominal da dívida, pois demonstra a capacidade ou a incapacidade que o país tem de pagá-la ou de
refinanciá-la.

Ocorre que o crescimento do endividamento apresenta ritmo mais acelerado do que o ritmo de
crescimento do PIB. O Brasil corre, portanto, o risco de enfrentar uma crise fiscal, devido à
possibilidade, no futuro, de que o país tenha dificuldade de vender títulos para refinanciar sua dívida
vencida. Esse risco está relacionado à falta de confiança e credibilidade do governo.

→ Reformas previdenciária e tributária pretendem diminuir a pressão nas contas públicas.

POLÍTICA CAMBIAL

→ Teoricamente câmbio é flutuante, mas, na prática, essa flutuação é bastante “suja”.


- Banco Central atua fortemente no mercado cambial para conter a alta do dólar.
- Intervenção cambial em função da pressão inflacionária que decorre da alta do dólar.
- Com a alta do dólar, empresas ficam mais endividadas (mais reais para honrar dívidas).
- Instabilidade gera incertezas, pois o câmbio passa ser uma variável de baixa previsibilidade.
- BACEN tende a atuar de forma a limitar as oscilações.

*BACEN atua das seguintes formas:


1) Swaps cambiais (mais frequente)
- Venda de títulos públicos atrelados à oscilação do dólar.
- Pagamento em reais → não afeta reservas em moeda estrangeira.

2) Venda direta de dólares (menos frequente)


- Compromete as reservas internacionais do país.
- Usada em cenários mais graves em que o governo considera os swaps insuficientes.

Ex.: crise política do grampo de Michel Temer e Joesley Batista (JBS).

RESERVAS INTERNACIONAIS

→ Volume de reservas de aproximadamente US$ 360 BILHÕES (confortável).


- Ajuda a proteger a economia brasileira de oscilações externas.
- Atrair investimento estrangeiro direto (entrada de US$).

Obs.: existe uma opinião de que o Brasil deveria usar as reservas em moeda estrangeira para pagar
sua dívida pública, mas isso seria atacar a consequência e não a causa. Se isso for feito sem que o
déficit seja resolvido, em pouco tempo a dívida terá que ser paga de novo e o país já não terá mais as
reservas. Além disso, o acumulo de reservas é feito por meio de dívidas e, na prática, governo estaria
desfazendo um movimento que já foi feito.
CRESCIMENTO ECONÔMICO

→ PIB = C + I + G + (x – m)

( I ) – Expectativas negativas (não permitem que investimentos sejam mais robustos).


- Apesar da queda de juros, não se vê recuperação de investimentos.
- Elementos de imprevisibilidade: política e economia.
- Empresas estatais estariam prontas para investir, mas não há previsibilidade mínima.

( C ) – Consumo não se recupera devido ao desemprego alto, mas...


- Houve queda no endividamento das famílias.
- Queda na inflação, que aumenta poder de compra.
- Desemprego alto impede essa recuperação do consumo.
- Só haverá mais empregos se investimentos forem retomados.

( G ) – Déficit fiscal crescente.


- Crescimento da dívida pública em relação ao PIB

(x – m) – Setor externo tem peso pequeno em relação ao PIB.


- Dependência dos preços das commodities (tendência de queda pode afetar balança).

→ Para o Brasil deslanchar, é necessário o mínimo de previsibilidade, pois temos bons fundamentos
macroeconômicos, mas cenário eleitoral para 2018 é imprevisível. Nos anos de FHC e Lula, havia
muita previsibilidade, o que nunca foi comum no Brasil. A partir do governo Dilma, tudo começa a
desandar. Estávamos indo bem, mas a falta de previsibilidade da política econômica impede a
retomada do crescimento.
CONJUNTURA ECONÔMICA INTERNACIONAL

WORLD ECONOMIC OUTLOOK (FMI)


→ Abril de 2018 (trimestral)

→ WORLD OUTPUT – crescimento do PIB mundial em 2008 e 2009 = 3,9%

ECONOMIAS AVANÇADAS:

EUA
- Expectativa de crescimento muito boa para 2018 e 2019.
- Impacto da reforma tributária e expansão do consumo.
- Aceleração da alta de juros está relacionada à aceleração do crescimento econômico.
- Nível de desemprego baixíssimo, assim como o nível de ociosidade dos fatores de produção.
- Demanda cresce mais rapidamente do que a capacidade produtiva.
- Com demanda crescendo de forma veloz, oferta não acompanha e gera inflação.
- FED atua para desacelerar excesso de demanda, aumentando os juros e contendo a inflação.

ZONA DO EURO
- Crescimento em desaceleração devido à expectativa de fim próximo do “quantative easing”.
- Bom crescimento desde o início dessa política expansionista, trazendo pressão inflacionária.
- Com o fim do “quantative easing”, Europa pode mergulhar em crise fiscal aguda.
- Entre os 10 países mais endividados em proporção do PIB, 5 estão na Zona do Euro.

JAPÃO
- Explicação parecida com a da Europa.
- Política expansionista (“quantative easing”), também com expectativa de interrupção.
ECONOMIAS EMERGENTES

→ CRESCIMENTO ROBUSTO: 4.8% (2017) – projeção de 4.9% (2018)

RÚSSIA
- Leve recuperação do crescimento depois de recessão
- Recessão devido à queda do preço do petróleo e pelo embargo econômico após a crise da Crimeia.
- Retomada do crescimento tem sido explicada sobretudo pela recuperação do preço do petróleo.
- Petróleo: principal produto de exportação russo (por vezes, Rússia figura como principal produtor).
- Rússia tem incrementado cada vez mais o fornecimento de gás natural para a China.
- Apesar do aumento do preço do petróleo, economia russa não dá sinais de decolar.
- Explicação: continuidade do embargo econômico.

CHINA
- China apresenta tendência de leve desaceleração (PIB cada vez maior, gera crescimento menor).
- Perspectiva de uma "guerra comercial” com os EUA deve afetar a economia chinesa.

ÍNDIA
- Crescimento muito forte, puxado pelo enorme crescimento do mercado interno indiano.
- Antes, crescimento era relacionado com exportação de serviços (talento na área tecnológica).
- Nos últimos anos, houve uma melhora nos fundamentos macroeconômicos (metas de inflação).
- Crescimento expressivo de produtividade (país atraente para investimento estrangeiro).

AMÉRICA LATINA
- Brasil com crescimento de 1% (2017). 2018: projeção de 2,3%. 2019: projeção de 2,5%.
- Brasil tem puxado para baixo os números de crescimento do PIB de países emergentes.
- México: leve processo de aceleração apesar dos problemas com os EUA.

ARÁBIA SAUDITA
- Recessão devido à queda do preço do petróleo.
- Déficits fiscais expressivos – implementação de corte de gastos com funcionalismo.

ÁFRICA SUBSAARIANA
- Bom crescimento devido a investimentos significativos, sobretudo chineses.
- Recuperação dos preços das commodities ajuda a alavancar as economias desses países.
VOLUME DE COMÉRCIO MUNDIAL

→ Crescimento significativo do volume de comércio!


- Comércio mundial cresce mais do que o crescimento do PIB mundial.
- Países que mais crescem no mundo são aqueles que mais fazem comércio.
- Em momentos como este, faz mais sentido promover comércio para crescer mais.
- Países emergentes com crescimento do comércio superior às economias avançadas.

PREÇO DO PETRÓLEO

→ Crescimento expressivo, com posterior acomodação em 2019.


- Projeção de mais investimentos na produção mundial de petróleo, estimulada por preços altos.
- Investimentos inclusive em países fora da OPEP.
- Expansão da oferta acima da demanda explica a queda no preço do petróleo projetada para 2019.

Obs.: o preço do petróleo é cuidadosamente monitorado, pois se trata de insumo essencial para as
economias nacionais. Altas do preço do petróleo tendem a diminuir o crescimento econômico
mundial e aumentar inflação.

INFLAÇÃO MUNDIAL:

→ Inflação em países emergentes tem ficado sempre na casa dos 4%.


JUROS:

EUA
- Altas de juros robustas (expectativa de 4 altas dos juros).
- Aperto monetário do FED tem tudo para continuar a partir de 2019.
- Reversão da política monetária expansionista.

ZONA DO EURO
- Juro negativo (subsídios).
- Interrupção da política expansionista (“quantative easing”) levará juros de -0,3% para 0% em 2019.

JAPÃO
- Aumento muito lento dos juros (de 0% para 0,1%).

CONCLUSÃO:

Mundo cresce a taxas aceleradas, puxado pelo crescimento de mercados emergentes. O crescimento
das economias emergentes explica-se pela expansão do comércio. Há uma tendência de
desaceleração dessas taxas de crescimento devido ao desmonte de políticas de estímulo muito
agressivas que foram implantadas ao longo dos últimos anos, sobretudo as políticas monetárias.

Já há previsão de alta dos juros nos EUA ainda para este ano. Para a Zona do Euro e o Japão já se
prevê alta dos juros para o final deste ano, mas sobretudo ao longo de 2019. Essa interrupção de
políticas expansionistas nos países centrais significará uma redução da liquidez no sistema financeiro
internacional.

Isso não é uma boa notícia para o Brasil, pois serão reduzidas as possibilidades de queda de juros. Há
também uma provável pressão “altista” na cotação do dólar. Brasil perdeu uma excelente janela de
oportunidade, pois havia uma enorme liquidez no sistema financeiro internacional.

Se o Brasil fizesse comércio em volume próximo à sua representatividade no PIB global, a fatia do
setor externo no PIB brasileiro teria mais peso e alavancaria o crescimento econômico do país.
Estima-se que, para atingir esse objetivo, o Brasil precisaria fazer 6 vezes mais comércio do que faz
atualmente. Trata-se de grande potencial para o crescimento do comércio do Brasil com o mundo.
Para que isso possa ser alcançado, o país precisa celebrar acordos comerciais e aumentar sua
competitividade significativamente.

O crescimento do comércio brasileiro tem sido fundamentalmente alavancado pelo setor primário,
por volta de 9% ao ano. O comércio exterior relativo aos setores secundário e terciário, que têm
muito mais peso no PIB do Brasil, não tem apresentado crescimento muito significativo.
Diplomacia 360o – Módulo Hera – Economia – Aula 20
Prof. Daniel Sousa – 20.06.2018

ATUAL CONJUNTURA ECONÔMICA DO BRASIL

FUNDAMENTOS MACROECONÔMICOS:

POLÍTICA MONETÁRIA

→ Combate à inflação.
- 2017: ABAIXO da meta.
- 2018: DENTRO da meta.
- 2019: REDUÇÃO da meta.

→ Elementos de incerteza que podem gerar pressão inflacionária significativa sobre o Brasil:

PETRÓLEO: alta de preço gera pressão inflacionária razoável devido a todos efeitos que o petróleo
produz na economia brasileira como um todo, afetando as cadeias produtivas como um insumo
básico importante.

DÓLAR: Brasil está vulnerável em relação a dois aspectos principais:

→ FATORES EXTERNOS:

* Fim da política monetária expansionista dos EUA (aumento da taxa de juros).

* Fim da política monetária expansionista da União Europeia (“quantative easing”).


- Não haverá a abundância de liquidez de antes (preço do dólar ficava “comportado”).
- Num cenário de menos liquidez no mercado internacional, há aumento no preço do dólar.
- Aumento do preço do dólar causa pressão inflacionária no Brasil.

* Preços das commodities vêm caindo recentemente, sobretudo devido à guerra comercial.
- Escalada da guerra comercial entre EUA e China (troca de retaliações ultrapassa a retórica).
- Se 2 maiores economias fizerem menos comércio, haverá impacto no crescimento mundial.
- Com menos consumo de commodities, preços caem. Menos dólares entram no Brasil.

Obs.: esses dois elementos causaram a interrupção da queda da taxa SELIC pelo BACEN, mesmo com
a inflação abaixo do centro da meta. BACEN não se sente mais confiante para continuar diminuição
de juros em ambiente no qual estão presentes esses dois elementos de pressão adicional.

→ FATORES INTERNOS:

* Imprevisibilidade político-eleitoral.
- Indefinição de qual será a política macroeconômica.
- Fuga de capitais.
POLÍTICA FISCAL

→ Principal fragilidade macroeconômica do Brasil.

→ Déficit primário expressivo = $ 150 bilhões!


*Se considerarmos o gasto com juros, esse déficit alcança quase R$ 500 bilhões.

Observa-se, no Brasil, um crescimento acelerado da relação DÍVIDA/PIB, o que tem gerado uma
insustentabilidade considerável. Essa relação DÍVIDA/PIB é mais relevante do que o simples valor
nominal da dívida, pois demonstra a capacidade ou a incapacidade que o país tem de pagá-la ou de
refinanciá-la.

Ocorre que o crescimento do endividamento apresenta ritmo mais acelerado do que o ritmo de
crescimento do PIB. O Brasil corre, portanto, o risco de enfrentar uma crise fiscal, devido à
possibilidade, no futuro, de que o país tenha dificuldade de vender títulos para refinanciar sua dívida
vencida. Esse risco está relacionado à falta de confiança e credibilidade do governo.

→ Reformas previdenciária e tributária pretendem diminuir a pressão nas contas públicas.

POLÍTICA CAMBIAL

→ Teoricamente câmbio é flutuante, mas, na prática, essa flutuação é bastante “suja”.


- Banco Central atua fortemente no mercado cambial para conter a alta do dólar.
- Intervenção cambial em função da pressão inflacionária que decorre da alta do dólar.
- Com a alta do dólar, empresas ficam mais endividadas (mais reais para honrar dívidas).
- Instabilidade gera incertezas, pois o câmbio passa ser uma variável de baixa previsibilidade.
- BACEN tende a atuar de forma a limitar as oscilações.

*BACEN atua das seguintes formas:


1) Swaps cambiais (mais frequente)
- Venda de títulos públicos atrelados à oscilação do dólar.
- Pagamento em reais → não afeta reservas em moeda estrangeira.

2) Venda direta de dólares (menos frequente)


- Compromete as reservas internacionais do país.
- Usada em cenários mais graves em que o governo considera os swaps insuficientes.

Ex.: crise política do grampo de Michel Temer e Joesley Batista (JBS).

RESERVAS INTERNACIONAIS

→ Volume de reservas de aproximadamente US$ 360 BILHÕES (confortável).


- Ajuda a proteger a economia brasileira de oscilações externas.
- Atrair investimento estrangeiro direto (entrada de US$).

Obs.: existe uma opinião de que o Brasil deveria usar as reservas em moeda estrangeira para pagar
sua dívida pública, mas isso seria atacar a consequência e não a causa. Se isso for feito sem que o
déficit seja resolvido, em pouco tempo a dívida terá que ser paga de novo e o país já não terá mais as
reservas. Além disso, o acumulo de reservas é feito por meio de dívidas e, na prática, governo estaria
desfazendo um movimento que já foi feito.
CRESCIMENTO ECONÔMICO

→ PIB = C + I + G + (x – m)

( I ) – Expectativas negativas (não permitem que investimentos sejam mais robustos).


- Apesar da queda de juros, não se vê recuperação de investimentos.
- Elementos de imprevisibilidade: política e economia.
- Empresas estatais estariam prontas para investir, mas não há previsibilidade mínima.

( C ) – Consumo não se recupera devido ao desemprego alto, mas...


- Houve queda no endividamento das famílias.
- Queda na inflação, que aumenta poder de compra.
- Desemprego alto impede essa recuperação do consumo.
- Só haverá mais empregos se investimentos forem retomados.

( G ) – Déficit fiscal crescente.


- Crescimento da dívida pública em relação ao PIB

(x – m) – Setor externo tem peso pequeno em relação ao PIB.


- Dependência dos preços das commodities (tendência de queda pode afetar balança).

→ Para o Brasil deslanchar, é necessário o mínimo de previsibilidade, pois temos bons fundamentos
macroeconômicos, mas cenário eleitoral para 2018 é imprevisível. Nos anos de FHC e Lula, havia
muita previsibilidade, o que nunca foi comum no Brasil. A partir do governo Dilma, tudo começa a
desandar. Estávamos indo bem, mas a falta de previsibilidade da política econômica impede a
retomada do crescimento.
CONJUNTURA ECONÔMICA INTERNACIONAL

WORLD ECONOMIC OUTLOOK (FMI)


→ Abril de 2018 (trimestral)

→ WORLD OUTPUT – crescimento do PIB mundial em 2008 e 2009 = 3,9%

ECONOMIAS AVANÇADAS:

EUA
- Expectativa de crescimento muito boa para 2018 e 2019.
- Impacto da reforma tributária e expansão do consumo.
- Aceleração da alta de juros está relacionada à aceleração do crescimento econômico.
- Nível de desemprego baixíssimo, assim como o nível de ociosidade dos fatores de produção.
- Demanda cresce mais rapidamente do que a capacidade produtiva.
- Com demanda crescendo de forma veloz, oferta não acompanha e gera inflação.
- FED atua para desacelerar excesso de demanda, aumentando os juros e contendo a inflação.

ZONA DO EURO
- Crescimento em desaceleração devido à expectativa de fim próximo do “quantative easing”.
- Bom crescimento desde o início dessa política expansionista, trazendo pressão inflacionária.
- Com o fim do “quantative easing”, Europa pode mergulhar em crise fiscal aguda.
- Entre os 10 países mais endividados em proporção do PIB, 5 estão na Zona do Euro.

JAPÃO
- Explicação parecida com a da Europa.
- Política expansionista (“quantative easing”), também com expectativa de interrupção.
ECONOMIAS EMERGENTES

→ CRESCIMENTO ROBUSTO: 4.8% (2017) – projeção de 4.9% (2018)

RÚSSIA
- Leve recuperação do crescimento depois de recessão
- Recessão devido à queda do preço do petróleo e pelo embargo econômico após a crise da Crimeia.
- Retomada do crescimento tem sido explicada sobretudo pela recuperação do preço do petróleo.
- Petróleo: principal produto de exportação russo (por vezes, Rússia figura como principal produtor).
- Rússia tem incrementado cada vez mais o fornecimento de gás natural para a China.
- Apesar do aumento do preço do petróleo, economia russa não dá sinais de decolar.
- Explicação: continuidade do embargo econômico.

CHINA
- China apresenta tendência de leve desaceleração (PIB cada vez maior, gera crescimento menor).
- Perspectiva de uma "guerra comercial” com os EUA deve afetar a economia chinesa.

ÍNDIA
- Crescimento muito forte, puxado pelo enorme crescimento do mercado interno indiano.
- Antes, crescimento era relacionado com exportação de serviços (talento na área tecnológica).
- Nos últimos anos, houve uma melhora nos fundamentos macroeconômicos (metas de inflação).
- Crescimento expressivo de produtividade (país atraente para investimento estrangeiro).

AMÉRICA LATINA
- Brasil com crescimento de 1% (2017). 2018: projeção de 2,3%. 2019: projeção de 2,5%.
- Brasil tem puxado para baixo os números de crescimento do PIB de países emergentes.
- México: leve processo de aceleração apesar dos problemas com os EUA.

ARÁBIA SAUDITA
- Recessão devido à queda do preço do petróleo.
- Déficits fiscais expressivos – implementação de corte de gastos com funcionalismo.

ÁFRICA SUBSAARIANA
- Bom crescimento devido a investimentos significativos, sobretudo chineses.
- Recuperação dos preços das commodities ajuda a alavancar as economias desses países.
VOLUME DE COMÉRCIO MUNDIAL

→ Crescimento significativo do volume de comércio!


- Comércio mundial cresce mais do que o crescimento do PIB mundial.
- Países que mais crescem no mundo são aqueles que mais fazem comércio.
- Em momentos como este, faz mais sentido promover comércio para crescer mais.
- Países emergentes com crescimento do comércio superior às economias avançadas.

PREÇO DO PETRÓLEO

→ Crescimento expressivo, com posterior acomodação em 2019.


- Projeção de mais investimentos na produção mundial de petróleo, estimulada por preços altos.
- Investimentos inclusive em países fora da OPEP.
- Expansão da oferta acima da demanda explica a queda no preço do petróleo projetada para 2019.

Obs.: o preço do petróleo é cuidadosamente monitorado, pois se trata de insumo essencial para as
economias nacionais. Altas do preço do petróleo tendem a diminuir o crescimento econômico
mundial e aumentar inflação.

INFLAÇÃO MUNDIAL:

→ Inflação em países emergentes tem ficado sempre na casa dos 4%.


JUROS:

EUA
- Altas de juros robustas (expectativa de 4 altas dos juros).
- Aperto monetário do FED tem tudo para continuar a partir de 2019.
- Reversão da política monetária expansionista.

ZONA DO EURO
- Juro negativo (subsídios).
- Interrupção da política expansionista (“quantative easing”) levará juros de -0,3% para 0% em 2019.

JAPÃO
- Aumento muito lento dos juros (de 0% para 0,1%).

CONCLUSÃO:

Mundo cresce a taxas aceleradas, puxado pelo crescimento de mercados emergentes. O crescimento
das economias emergentes explica-se pela expansão do comércio. Há uma tendência de
desaceleração dessas taxas de crescimento devido ao desmonte de políticas de estímulo muito
agressivas que foram implantadas ao longo dos últimos anos, sobretudo as políticas monetárias.

Já há previsão de alta dos juros nos EUA ainda para este ano. Para a Zona do Euro e o Japão já se
prevê alta dos juros para o final deste ano, mas sobretudo ao longo de 2019. Essa interrupção de
políticas expansionistas nos países centrais significará uma redução da liquidez no sistema financeiro
internacional.

Isso não é uma boa notícia para o Brasil, pois serão reduzidas as possibilidades de queda de juros. Há
também uma provável pressão “altista” na cotação do dólar. Brasil perdeu uma excelente janela de
oportunidade, pois havia uma enorme liquidez no sistema financeiro internacional.

Se o Brasil fizesse comércio em volume próximo à sua representatividade no PIB global, a fatia do
setor externo no PIB brasileiro teria mais peso e alavancaria o crescimento econômico do país.
Estima-se que, para atingir esse objetivo, o Brasil precisaria fazer 6 vezes mais comércio do que faz
atualmente. Trata-se de grande potencial para o crescimento do comércio do Brasil com o mundo.
Para que isso possa ser alcançado, o país precisa celebrar acordos comerciais e aumentar sua
competitividade significativamente.

O crescimento do comércio brasileiro tem sido fundamentalmente alavancado pelo setor primário,
por volta de 9% ao ano. O comércio exterior relativo aos setores secundário e terciário, que têm
muito mais peso no PIB do Brasil, não tem apresentado crescimento muito significativo.
Economia – Aula Complementar 1

Elementos de microeconomia

Bens públicos: não-rivais e não-exclusivos (do ponto de vista econômico):


▪ Não existe rivalidade, ou seja, todos podem utilizar sem qualquer tipo de conflito; o
consumo de uma pessoa não reduz a disponibilidade para as demais. Ex.: iluminação
pública (não impede a utilização dos demais).
▪ Não existe exclusividade: não se pode limitar acesso de algumas pessoas àquele bem;
sem impedir o acesso das pessoas por qualquer ordem (civil, econômica, jurídica). Ex.:
colocação de uma catraca, limita acesso e passa a ser exclusivo.

Prova CACD (3ª fase de 2017): transporte público é um bem público?


Do ponto de vista técnico, não é um bem público. Existe rivalidade (quantidade
limitada de pessoas que podem ter acesso, número limitado de assentos que podem
ser ocupados); e exclusividade: pode impedir o acesso público através de catraca ou de
outras maneiras. Ou seja, transporte público não é um bem público.
Diferentemente da iluminação pública: todos/qualquer pessoa tem acesso, não há
rivalidade; também não há exclusividade: não é algo que se pode taxar do ponto de
vista prático.

Quando limita acesso de pessoas através de uma cancela, a rua, que era bem público, deixou
de ser: a rua é não-rival (todos podem utilizar sem qualquer tipo de conflito), mas agora é
exclusivo (a catraca restringe a entrada).

Externalidades: acontece quando há duas pessoas ou dois grupos se relacionamento


economicamente e pessoas ou grupos de fora são afetados de forma positiva ou negativa.

Dois grupos (A e B) estão se relacionando (compra


e venda, produção...) e há um impacto com outro
grupo (C) – alguém afetado por uma relação da
qual não faz parte.

Exemplos:

¤ Externalidade negativa: poluição. Há uma fábrica numa cidade e seus produtos são voltados
para exportação (não são utilizados pela localidade); entretanto, ela é poluidora, ou seja, afeta
a localidade de forma negativa.

¤ Externalidade positiva: desenvolvimento econômico (melhora na estrutura, acesso a


serviços...). A mesma fábrica que comercializa seus produtos para o exterior, faz melhorarias
na região onde está instalada, mexendo na infraestrutura do local, etc.
Teoria dos Jogos
Desenvolvida originalmente por John Nash, em Princeton em 1948. É uma teoria
revolucionária: propõe a ser contraponto ao Adam Smith e a Teoria da Riqueza das Nações: o
melhor para você é, também, o melhor para o grupo – se a empresa tenta lucrar o máximo
possível, ela apresenta produtos cada vez melhores; se o trabalhador quiser prosperar, vai
trabalhar cada mais.

Assim, haverá produtos melhores e trabalhadores melhores. É bom para o coletivo e para a
produtividade.

Entretanto, Nash surge com a história de duas mulheres: a bonita (A) e a “aceitável” (B). Ele
alega que todos vão, de forma óbvia, na mais bonita, mas a concorrência comprometerá o
coletivo: a mulher bonita ficará com medo e fugirá. Dessa forma, Nash decide ir atrás da B (é
melhor do que ficar de “mãos abandonando”), enquanto a concorrência vai na mais A. Ou seja,
a ideia é pensar no movimento do oponente do ponto de vista concorrencial.

A teoria dos jogos é o embrião de estratégia empresarial.

Dilema do prisioneiro (visualizado na prática com as delações premiadas na Lava-Jato):

Há duas possibilidades: confessar e não confessar.

Se ambos confessam, ambos pegam uma pena de cinco anos: situação de empate; se ambos
não confessam, ambos pegam uma pena de seis meses. Entretanto, se A confessa e B não, A é
solto e B tem pena de dez anos: cenário de derrota.

Assim, a estratégia dominante (melhor decisão) dentro do cenário é confessar (empate ou


vitória).

Equilíbrio de Nash: nenhum jogador é incentivado a mudar sua estratégia, dada a escolha do
outro jogador; acontece quando não há nenhum incentivo para se movimentar; é a melhor
decisão. No caso do prisioneiro, a melhor decisão é ambos confessarem.
Período pré Primeira Guerra Mundial.
Os países precisavam ter lastro em ouro, a moeda deveria ser trocável a qualquer tempo para
o equivalente a ouro. Porém, a Guerra deixava os países desgastados e sem dinheiro. Surgiu,
então, duas possibilidades: abandonar o padrão-ouro ou não abandonar.

Inglaterra, França e Rússia vs. Alemanha, Áustria, Império Otomano (Turquia):

Cenário Ale./Aus./Imp.Ot. Ale./Aus./Imp.Ot.


1ª Guerra Mundial abandona não abandona

Ing./Fra./Rus.
Empate\ Empate Vitória \ Derrota
abandona

Ing./Fra./Rus.
Derrota\ Vitoria Empate \ Empate
não abandona

O jogo permite analisar os cenários e as estratégias. É a teoria econômica moderna no


ambiente econômico corporativo. As decisões são feitas com base no que o oponente pode vir
a fazer. Assim, o Equilíbrio de Nash, a melhor decisão, é abandonar o padrão-ouro. E foi
exatamente o que aconteceu: os dois lados começaram a imprimir papel moeda sem qualquer
tipo de lastro, sem aumentar as suas reservas em ouro. O objetivo era um só: ganhar a guerra
e não ficar em desvantagem.

Pay off: conjunto de resultados apresentados decorrente da interação entre as estratégias


desses jogadores.

Guerra entre EUA e Coreia do Norte.

Haverá guerra entre EUA e


Coreia do Norte ataca Coreia do Norte não ataca
Coreia do Norte?
Empate \ Empate
EUA atacam (ambos com cenário de Derrota \ Vitória
destruição)
Vitoria dos norte-coreanos Empate \ Empate
EUA não atacam \ Derrota dos norte- (nenhum dos dois
americanos destruídos)

Ou seja, o Equilíbrio de Nash (melhor cenário) é ninguém atacar ninguém. Porque é claro que
se alguém ataca outro alguém, haverá respostas ao ataque, ou seja, a destruição será mútua, o
que não interessa nenhum dos dois. A chance de um dos dois não retaliar é zero, ambos
responderiam ao ataque. Assim, a preservação mútua é mais interessante para os dois.

Resumindo:
Equilíbrio de Nash: nenhum jogador é incentivado a mudar sua estratégia, dada a escolha do
outro jogador. Assim, ambos confessarem é um Equilibro de Nash; ambos não confessarem
não é um Equilíbrio de Nash, pois o rival sempre poderá quebrar a promessa e confessar.
Diplomacia 360 Graus – Módulo Hera – Economia (Aula Complementar 2)
Prof. Daniel Sousa– 09-03-18

Elementos de Microeconomia

Modelos de Oligopólios Não-Cooperativos

Oligopólio de Cournot
No modelo de Cournot os oligopolistas competem via quantidade.
Hipóteses:

Resultados Importantes:
Oligopólio de Bertrand
No oligopólio de Bertrand a concorrência é via preço.

Oligopólio de Stackelberg
No oligopólio de Stackelberg a concorrência é via quantidade, mas diferente do modelo de Cournot, essa
competição é sequencial e não estática.
Ótimo de Pareto
Nessa situação é impossível que dois agentes melhorem concomitantemente, ou seja, para que um melhore o outro,
necessariamente, terá que piorar. Cuidado, o ótimo de Pareto não se relaciona com qualquer conceito de justiça
distributiva. Seu foco é na eficiência nas trocas, na produção e no mix de produtos.

Exercícios
No equilíbrio de Cournot cada firma escolhe a quantidade que maximiza o seu próprio lucro assumindo que a firma
rival vai continuar a vender ao mesmo preço de antes.
ERRADO. Em estruturas oligopolistas, todas as empresas têm representatividade no mercado, consequentemente,
ao escolher a quantidade ofertada o preço será impactado. No modelo de Cournot, estabelecidas as quantidades as
duas firmas também estabelecerão preços diversos. Assim não é possível afirmar que o preço será o mesmo de
antes.

Na competição de Bertrand entre duas firmas, cada firma acredita que, se ela muda sua produção, a firma rival, vai
mudar a sua produção pelo mesmo valor.
ERRADO. O modelo de Bertrand é estático e a competição se dá por via de preço e não por meio da quantidade.

Suponha que a curva de demanda para a produção de uma indústria é uma linha inclinada para baixo em linha reta e
o custo marginal é constante. Em seguida, quanto maior for o número de firmas idênticas produzindo no equilíbrio de
Counot, menor será o preço.
CERTO. Quanto mais empresas produzindo, menor será o preço, se aproximando de um mercado de concorrência
perfeita.

CERTO. O modelo de Stackelberg é dinâmico e o líder sabe que o rival está ciente de suas ações e que irá reagir a
elas.

ERRADO. Se não há variação não é possível haver variação Conjuntural, a questão é inconsistente em si mesma.

CERTO. Não há distorção dos níveis competitivos.

CERTO. O fato de o produtor ser o líder no modelo de Stackelberg, escolhendo primeiro, portanto, ele tem vantagem
em relação aos seguidores. O que provoca um maior lucro do que ocorreria num oligopólio de Cournot.

ERRADO. No modelo de Cournot não há alteração, pois trata-se de um modo de interação estático.
Economia – Aula Complementar 2

Oligopólios:
Estrutura de mercado:
¤ Poucos produtores;
¤ Produto homogêneo;
¤ Barreiras a entrada (estão protegidos da concorrência por constrangimento a
entrada).
Competem via preço ou quantidade, depende da situação.

Modelo de Cournot
Hipóteses:
▪ O produto das empresas é homogêneo;
▪ O preço do mercado é o único que resulta da oferta agregada das empresas (definido
no âmbito do mercado);
▪ As empresas determinam simultaneamente a quantidade oferecida;
▪ As empresas não cooperam, ou seja, não há conluio (há, verdadeiramente,
concorrência);
▪ As empresas têm poder de mercado, ou seja, a decisão de cada empresa afeta o
preço de saída do produto;
▪ O número de empresas é fixo (por conta das barreiras à entrada);
▪ As empresas procuram maximizar seu lucro dado decisões dos seus concorrentes.

Resultados importantes:
◊ O lucro de cada empresa é a função da quantidade de produtos produzida por essa
empresa e do preço do mercado, uma vez que é a função da quantidade de produtos
por parte da empresa (empresas competem via quantidade, não via preço; preço que é
definido pelo mercado).
◊ A quantidade total no equilíbrio de Cournot é superior à de monopólio, mas inferior
à de concorrência perfeita.
◊ O preço de equilíbrio em Cournot é inferior ao de monopólio, mas superior ao de
concorrência perfeita; no entanto, tende para este à medida que o número de
empresas aumenta (mais empresas tem-se preço mais próximo da concorrência
perfeita).
◊ O equilíbrio de Cournot tem, associada, uma perda de eficiência (não é o ideal de
mercado) que é inferior à da situação de monopólio, e tende para zero à medida que o
número de empresas aumenta.

Modelo de Bertrand: concorrência via preço


▫ Há, pelo menos, duas empresas produzindo produtos homogêneos (não
diferenciados) – oligopólio em sua plenitude;
▫ Economias constantes de escala
Capacidade ilimitada
▫ Jogo estático;
▫ Empresas não cooperam (não há conluio);
▫ Empresas concorrem através de preços simultaneamente;
▫ Todos os consumidores compram da empresa que oferta o menor preço. Se todas as
empresas cobram o mesmo preço, os consumidores escolhem aleatoriamente (porque
o produto é homogêneo) entre elas.

Modelo de Stackelberg (dinâmico, concorrência via quantidade, sequencial e não simultâneo)


Hipóteses:
◦ O produto das empresas é homogêneo
◦ O preço de mercado é único e resulta da oferta agregada das empresas
◦ As empresas determinam sequencialmente a quantidade oferecida.
◦ Até agora foram apresentados dois modelos onde ambas firmas tomavam suas
decisões simultaneamente (estático): Cournot e Bertrand. No modelo de Stackelberg
uma firma, chamada de firma líder, realiza primeiro a escolha de quanto produzir, ou
seja, dinâmico.

No segundo momento do jogo, a segunda firma (seguidora) observa a ação da firma líder e
toma a decisão de quanto produzir. Os movimentos ocorrem em sequência.
· Todos os movimentos prévios são observados antes do próximo movimento ser
escolhido;
· Os ganhos dos jogadores provenientes de cada combinação factível de movimentos
são de conhecimento comum.
É o modelo mais evoluído, está mais próximo da realidade.

Competição em Stackelberg
Na competição, uma firma fixa o seu nível de produção (concorrência em quantidades) num
primeiro momento. As outras firmas, dada a escolha da primeira, escolhem seus níveis de
produção. Isso faz com que o jogo entre as firmas deixe de ser estático e passe a ser dinâmico.

Relativamente ao modelo de Cournot, a empresa líder produz uma quantidade que é superior,
ao passo que a seguidora produz uma quantidade inferior. Ou seja, o fato de decidir em
primeiro lugar permite à empresa líder ganhar uma vantagem relativamente à seguidora
[quem escolhe primeiro ganha, porque toma um pedaço do mercado para si; há uma
vantagem de movimentação em relação ao seu seguidor].

Ótimo de Pareto [não confundir com cenário de justiça]:


Ótimo de sentido de Pareto: não é possível melhorar a situação, ou, mais genericamente, a
utilidade de um agente, sem degradar a situação ou utilidade de qualquer outro agente
econômico. Ou seja, para melhorar um, o outro necessariamente tem que piorar; não dá para
melhorar os dois.

Três condições para ser considerada Pareto Eficiente:


Eficiência nas trocas: o que é produzido, na economia, é distribuído de forma
eficiente, possibilitando que não sejam necessárias mais trocas entre indivíduos. Ou
seja, taxa marginal de substituição é a mesma para todos (todos se defrontam com o
mesmo preço, a inclinação é a mesma);

Eficiência na produção: a economia se encontra na borda da curva de


possibilidade de produção (produção eficiente produzindo o máximo possível);
Eficiência no mix de produtos: quando os bens produzidos na economia refletem
as preferências dos agentes econômicos.

Exercícios (afirmativas):

● No equilíbrio de Cournot cada firma escolhe a quantidade que maximiza o seu próprio lucro
assumindo que a firma rival vai continuar a vender ao mesmo preço de antes.
Trata-se de oligopólio: as duas firmas competem via quantidade, mas se a rival começa a
oferecer o produto também, o preço muda.

● Na competição de Bertrand, entre duas firmas, cada firma acredita que se ela mudar a sua
produção, a firma rival vai mudar a sua produção pelo mesmo valor.
Não tem mudança; é estático; oligopólio via preço.

● Suponha que a curva de demanda para a produção de uma indústria é uma linha inclinada
para baixo em linha reta e a curva marginal é constante. Em seguida, quanto maior for o
número de firmas idênticas produzindo no equilíbrio de Cournot, menor será o preço.
Se mais empresas estão produzindo, o preço é menor, porque aproxima-se da concorrência
perfeita.

● Um Stackelberg líder escolhe suas ações no pressuposto de que o seu rival vai se ajustar às
ações do líder de tal forma a maximizar o lucro do rival.
Via quantidade dinâmica, o líder sabe que o seu rival vai se ajustar.

● Variação Conjuntural refere-se ao fato de que em um mercado único não há variação entre
as empresas em suas estimativas da função de demanda em períodos futuros.
Variação Conjuntura tem, necessariamente, variação.

● Um duopólio em que duas firmas idênticas estão em concorrência de Bertrand não irá
distorcer preços a partir de seus níveis competitivos.
Níveis competitivos realmente não têm distorções. Oligopólio de competição via preço tem
característica de ser estático.

● Um líder Stackelberg necessariamente precisa fazer pelo menos o seu lucro ser maior como
se ele agisse sendo um oligopolista Cournot.
Competição dinâmica: escolher primeiro é algo benéfico à empresa líder, é vantajoso.

● No modelo de Cournot, cada firma escolhe suas ações no pressuposto de que seus rivais
reagirão, alterando as suas quantidades, de tal forma a maximizar o seu próprio lucro.
Jogo estático não tem alteração. Se tivesse alteração não seria estático, seria dinâmico.
Resumo:

Cournot Bertrand Stackelberg

Estático, os dois escolhem Estático, os dois escolhem Dinâmico, um escolhe


ao mesmo tempo. ao mesmo tempo. após o outro.

O líder escolhe, seguidor


Competição via escolhe; líder escolhe de
Competição via preço.
quantidade. novo e assim por diante...
Líder em vantagem.

Oligopólio é a situação intermediária entre a concorrência perfeita e o monopólio. É um pouco


melhor que monopólio, mas pior que a concorrência perfeita. Quanto maior o nível de
produção, mais próximo está da concorrência perfeita e mais se distancia do monopólio.
Diplomacia 360o – Módulo Hera – Economia – Aula Complementar 04
Prof. Daniel Sousa – 02.05.2018

A RESILIÊNCIA DO PROCESSO INFLACIONÁRIO

3 (três) tipos de inflação:

* Inflação de demanda → expansão da demanda é maior do que a expansão da oferta.

* Inflação de custos → aumento dos custos de produção leva a aumento da oferta agregada.

* Inflação inercial → índices de preços reajustam automaticamente certos valores.


- Inflação passada influencia na inflação presente e, eventualmente, na futura.

No Brasil, combater a inflação é um grande desafio, pois são verificadas as inflações de todas
as origens. A inflação de demanda é muito frequente no Brasil, pois verifica-se comumente no
país uma expansão da demanda acima da oferta. Há uma propensão muito grande ao
consumo no Brasil. Trata-se de algo estrutural em nossa Economia. No Brasil, poupa-se pouco
e consome-se muito. Outros aspectos culturais, políticos e sociais também contribuem para a
expansão da demanda de forma intensa.

Historicamente, há também uma irregularidade na expansão da oferta agregada. Essa


expansão acaba ocorrendo de forma muito lenta, devido a nossas dificuldades de expandir os
fatos de produção.

Verifica-se também, no Brasil, a inflação de custos. Há, historicamente no Brasil, uma pressão
de custos muito forte, que vem do câmbio, dos salários, da energia, dos transportes, da
infraestrutura em geral que é muito precária, mas também de outras fontes das mais variadas.

A inflação inercial é também muito presente no Brasil, pois há uma série de produtos que são
chamados preços administrados, que possuem um componente inercial bastante claro e
evidente. Trata-se de preços que não são livres, possuindo uma precificação controlada pelo
governo, o que gera, na prática, reajustes automáticos e estabelecidos em contratos com o
governo. Esses reajustes estão afetando a inflação do presente com base na inflação passada,
ajudando a perpetuá-la no presente.

Nos últimos 20 anos, observa-se que os preços administrados sobem bem mais do que os
preços livres. Historicamente, no Brasil, existe um esforço contínuo em diminuir a inflação.
Nesse processo, quando a inflação (que é uma média entre preços livres e administrados)
sofre uma redução em relação ao ano anterior, os preços livres são corrigidos abaixo dos
preços administrados, puxando a média da inflação para baixo.
O combate à inflação no Brasil é, tradicionalmente, um enorme desafio pois ele é feito
essencialmente por meio da política monetária, que é basicamente um mecanismo de
contenção de demanda, para que os preços subam menos. Trata-se de processo difícil e
demorado, pois não se trata apenas de inflação causada pela expansão da demanda. A política
monetária não tem efeito imediato sobre a inflação no Brasil, pois também há o fator custo e o
fator inercial influenciando.

Outro grande desafio para o combate à inflação é o fato de que o Banco Central não é
independente. Argumenta-se que, com independência, o Banco Central estaria menos sujeito
a pressões políticas e mais comprometido ao combate à inflação. Assim, a convergência de
expectativas para a meta de inflação acabaria sendo mais fácil, permitindo que o Banco
Central pratique juros menores do que praticaria caso não fosse independente.

OS DESAFIOS DA IMPLEMENTAÇÃO DE REFORMAS ESTRUTURAIS

REFORMA DA PREVIDÊNCIA SOCIAL:

* Reformas já ocorridas:
→ 1o governo FHC – 1997 – reforma mais pesada.
→ 1o governo Lula – 2003 – reforma menos completa.

Durante o 2o governo Dilma (2015/2016) houve discussão sobre a proposição de uma nova
reforma, com a argumentação de que os gastos com a Previdência estariam crescendo seu
percentual nos gastos totais do governo e também de que idade média de aposentadoria no
Brasil (54 anos aproximadamente) seria muito baixa e, portanto, problemática para a
sustentabilidade da Previdência. Durante o governo Temer, nenhuma proposta foi adiante.

As reformas que ocorreram nos governos FHC e Lula foram incompletas, o que significa que
persiste a necessidade de uma reforma nos dias de hoje. A principal proposta do atual
governo refere-se à estipulação de idade mínima para a aposentadoria (que não existe na
legislação previdenciária brasileira, mas é algo praticado no mundo inteiro). Fala-se que seria
uma forma de atingir os trabalhadores de renda mais alta, já que a maioria da população, de
renda mais baixa, está na informalidade e não poderá beneficiar-se de aposentadoria por
tempo de serviço (maioria não tem carteira assinada).

Inicialmente havia sido proposto que a idade mínima para mulheres deveria ser a mesma que
a de homens, mas atualmente a proposta prevê a idade mínima menor para mulheres,
sobretudo para compensar o trabalho doméstico que as mulheres também realizam. Essa
diferenciação tem sofrido críticas, já que o governo não deveria arcar com ônus que se refere à
vida íntima das famílias (governo estaria também legitimando a questão de o trabalho
doméstico ser exclusivamente feminino). Outro argumento a favor da mesma idade mínima
para homens e mulheres é que as mulheres têm expectativa de vida mais alta e
representariam um impacto maior sobre a Previdência.

Outra discussão é sobre o fim das aposentadorias especiais, presentes no serviço público.
Porém, nas discussões da proposta, o governo excluiu algumas categorias, como os militares,
os procuradores e os policiais militares, civis e legislativos. O déficit da Previdência do serviço
público (cujos benefícios são os mais altos) tem valor igual àquele do regime geral de
Previdência, mas representa 1/30 das pessoas que estão sob o regime geral (ganhando, em
média, R$ 1.700).
REFORMA TRIBUTÁRIA

Não se discute que é necessário haver uma reforma tributária no país. A discussão é sobre qual
tipo de reforma seria adequada para o Brasil.

Propostas mais frequentes:


* Tributação mais simples → com a criação do I.V.A. (imposto sobre o valor agregado),
passaríamos a ter um imposto único, e não os muitos impostos do atual sistema tributário, que
acabam gerando efeito cascata. Deveríamos ter um sistema tributário mais simples, menos
complexo e sofisticado e menos incompreensível, que faria o cidadão gastar menos horas para
calcular os impostos.

* Mais progressividade e menos regressividade → o sistema atual é muito injusto, com


alíquotas pesadas sobre o consumo e baixas alíquotas para impostos sobre a propriedade e
sobre a renda. No Brasil, há poucas faixas de imposto de renda, imposto muito baixo sobre a
propriedade, não há impostos sobre lucros e dividendos, mas, sobre o consumo, incidem altos
impostos (sobre gasolina, telecomunicações, eletricidade).

Brasil tem, portanto, sistema tributário CARO, COMPLEXO, INCOMPREENSÍVEL e


profundamente REGRESSIVO, fazendo quem tem renda mais baixa pagar mais impostos e
quem tem renda mais alta pagar menos impostos.

Obs.: Em se falando de União, estados e municípios, desde 1988, o Brasil teve mais de 3
milhões de alterações nas regras tributárias.

REFORMA TRABALHISTA

Há 2 (duas) grandes justificativas:

1) Legislação trabalhista (CLT) é muito antiga, tem mais de 80 anos, criada originalmente para
o emprego industrial e não para emprego no setor terciário. É muito dura e repleta de
amarras.

2) Há mais trabalhadores no mercado informal do que no mercado formal (característica


estrutural brasileira). Legislação trabalhista mais moderna, previsível, compreensível e menos
onerosa garantiria direitos para mais gente.

PROPOSTAS:
→ Simplificação
- Regras mais previsíveis e transparentes; não necessariamente menos direitos.
→ Menor custo
- Há um descolamento entre o que o empregador paga e o que o trabalhador recebe.

* Houve reforma trabalhista recente, mas bem menor do que originalmente previsto:
→ Demissão consensual – situação intermediária entre demissão voluntária e involuntária.
- Multa de 20% e saque de 85% do FGTS.
→ Terceirização regulamentada, inclusive para a atividade-fim.
→ Maior flexibilização em relação à jornada de trabalho.
MECANISMOS DE FINANCIAMENTO PRIVADO DE INVESTIMENTOS EM INFRAESTRUTURA

Historicamente, o financiamento de investimentos em infraestrutura ficou a cargo do governo,


que tem enfrentado problemas fiscais graves e uma incapacidade de investimento aguda. Cada
vez mais, urge a necessidade de se convidar a iniciativa privada para participar desses
investimentos, de diversas formas:

1) Concessão de serviços públicos


2) Capitalização (ideia pretendida para a Eletrobrás)
3) Comercialização de debêntures.
4) Dinamização do mercado de ações
5) Parcerias Público-Privadas (PPPs)
6) Investimento diretos (Chineses, por exemplo).

Não se trata de questão ideológica. Existe uma enorme carência de infraestrutura no Brasil e o
governo, sem capacidade para financiar esses investimentos, que são estratégicos, precisa ser
pragmático e convidar a iniciativa privada para participar. Em certos casos, falta também
capacidade tecnológica do governo e a iniciativa privada entra para suprir essa carência.

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