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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO - UFRJ

FACULDADE NACIONAL DE DIREITO

Aluno: Direito Internacional Privado II – Turma A


Professora: Carolina Araujo de Azevedo Pizoeiro

Qual a diferença entre o art. 23 do CPC/2015 e o artigo 89 do CPC/1973 com relação à


aplicação desses dispositivos para inventário e partilha de bens causa mortis e inter
vivos?

Na competência exclusiva (artigo 23) inova-se trazendo a hipótese de


atuação do juiz brasileiro em divórcio, separação judicial ou dissolução de união estável,
para proceder à partilha de bens situados no Brasil, ainda que o titular seja de
nacionalidade estrangeira ou tenha domicílio fora do território nacional.
Da mesma forma em que se criou acordo para prorrogar a jurisdição
brasileira (art. 22, III, CPC), criou-se hipótese de derrogação da jurisdição nacional.

Art. 25. Não compete à autoridade judiciária brasileira o processamento e o


julgamento da ação quando houver cláusula de eleição de foro exclusivo
estrangeiro em contrato internacional, arguida pelo réu na contestação.

§ 1º Não se aplica o disposto no caput às hipóteses de competência


internacional exclusiva previstas neste Capítulo.

§ 2º Aplicam-se à hipótese do caput o art. 63, §§ 1º a 4º. (regulamentação


da cláusula eletiva de foro, permitindo ao juiz declará-la abusiva antes da
citação, remetendo os autos ao juízo competente).

Com tais artigos, poderemos, ao menos, verificar se a justiça brasileira é


competente para julgar a causa (arts. 21-23, CPC).
O art. 89 do antigo Código aduzia duas hipóteses de competência exclusiva
do judiciário brasileiro:
Art. 89. Compete à autoridade judiciária brasileira, com exclusão de
qualquer outra:

I - conhecer de ações relativas a imóveis situados no Brasil;

II - proceder a inventário e partilha de bens, situados no Brasil, ainda que o


autor da herança seja estrangeiro e tenha residido fora do território
nacional.

A primeira hipótese foi integralmente reproduzida pelo primeiro inciso do art.


23 do CPC 2015: “compete à autoridade judiciária brasileira, com exclusão de qualquer
outra: I. conhecer de ações relativas a imóveis situados no Brasil”.
A segunda, por sua vez, foi alterada para que constasse expressamente que
a competência do judiciário brasileiro seria exclusiva tanto para conhecer de inventário e
partilha de bens no Brasil causa mortis, quanto intervivos, como a que ocorre quando da
separação ou divórcio de um casal.
Assim, pôs-se um fim à antiga discussão quanto à obrigatoriedade de
submissão à jurisdição nacional de inventários e partilhas intervivos, questionada em razão
da menção expressa à palavra “herança” no dispositivo do código anterior.
Há de se ressaltar que neste ponto havia divergência no STF, mas o novo
código consolidou o entendimento tanto para os inventários e partilha causa mortis como
intervivos, sendo ambos considerados de competência exclusiva do judiciário brasileiro.
Conforme estes julgados: STF, DJ 17.12.1979, SE nº 2446-Paraguai, Rel.
Min. Antonio Neder. STF, DJ 08.02.1980, Sentença Estrangeira 2544-EUA, Rel. Min.
Antonio Neder, STF, DJ 22.08.1980, Sentença Estrangeira 2709-EUA, Rel. Min. Antonio
Neder. STF, DJ 17.08.1981, Sentença Estrangeira 2920-República Dominicana, Rel. Min.
Xavier de Albuquerque. STF, DJ 04.08.1980, Sentença Estrangeira 2619-Portugal. STF, DJ
30.03.1984, Sentença Estrangeira 3228-EUA, Rel. Min. Cordeiro Guerra. STF, DJ 02.10.
1989, Sentença Estrangeira 4182-EUA, Rel. Min. Neri da Silveira

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