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Importância de David Ricardo para a Economia

O momento econômico mundial na atualidade é dos mais conturbados em toda


a História da humanidade, e com isso, fica cada vez mais importante e
essencial tentar entender um pouco mais sobre a Economia.

Portanto, para quem deseja entender um pouco mais sobre a Economia, o


mais indicado é iniciar seus estudos conhecendo uma das figuras mais
proeminentes de todos os tempos para os estudos econômicos. Essa figura é
David Ricardo.

Nascimento e morte de David Ricardo

O economista David Ricardo nasceu no Reino Unido, na cidade de Londres,


em 18 de abril de 1772, sendo que suas origens judaicas o colocam como uma
das figuras mais importantes da comunidade judaica.

Depois de uma carreira realmente importante e repleta de contribuições


importantes para o pensamento econômico mundial, David Ricardo veio a
falecer no dia 11 de setembro de 1823, na cidade de Gatcombe Park.
Ao lado de nomes de vulto como Adam Smith e Thomas Malthus, David
Ricardo é considerado um dos fundadores do que se chama como escola
clássica inglesa da economia política.

Dentre suas principais obras sobre a economia mundial, as mais destacadas


são as seguintes: “O alto preço do ouro, uma prova da depreciação das notas
bancárias”, que foi publicado no ano de 1810, “Ensaio sobre a influência de um
baixo preço do cereal sobre os lucros do capital”, que foi publicado em 1815 e
“Princípios da economia política e tributação”, que foi publicado em 1817.

Pensamento de David Ricardo

David Ricardo é muito lembrado por causa de sua forte influência sobre os
principais nomes da economia neoclássica, mas também exerceu grande
influência sobre economistas de orientação marxista.

Com isso, é natural que para quem deseja conhecer e estudar um pouco mais
sobre a Economia, que o nome de David Ricardo conste dos principais alvos
do início dos estudos, já que ele ajudou a desenvolver a chamada ciência
econômica.

As principais teorias presentes nos estudos desenvolvidos por David Ricardo


são: a teoria do valor-trabalho, a teoria do comércio internacional, a teoria dos
temas monetários e a teoria da distribuição, que divaga sobre as fortes
relações entre o lucro dos patrões e os salários dos empregados.

O economista David Ricardo, que é um dos maiores nomes da Economia em


todos os tempos, também apresentou uma nova forma de enxergar a Teoria da
Renda da Terra, totalmente diferenciada das formas como Adam Smith e
Thomas Malthus a enxergavam.

• pesquisas > conceitos

Economia Clássica - Parte II

David Ricardo
David Ricardo nasceu em Londres, em 18 ou 19 de abril de 1772. Terceiro
filho de um judeu holandês que fez fortuna na bolsa de valores, entrou aos
14 anos para o negócio do pai, para o qual demonstrou grande aptidão.
Aos 21 anos rompeu com a família, converteu-se ao protestantismo
unitarista e se casou com uma quacre. Prosseguiu suas atividades na bolsa
e em poucos anos ficou rico o bastante para se dedicar à literatura e à
ciência, especialmente matemática, química e geologia.
A leitura das obras do compatriota Adam Smith, principal teórico da
escola clássica com The Wealth of Nations (1776; A riqueza das nações),
levou-o a interessar-se por economia. Seu primeiro trabalho, The High
Price of Bullion, a Proof of the Depreciation of Bank Notes (1810; O alto
preço do lingote de ouro, uma prova da depreciação das notas de banco),
mostrou que a inflação que então ocorria se devia à política do Banco da
Inglaterra, de não restringir a emissão de moeda. Um comitê indicado pela
Câmara dos Comuns concordou com os pontos de vista de Ricardo, o que
lhe deu grande prestígio

Ricardo fazia distinção entre a noção de valor e a noção de riqueza.


O Valor era considerado como a quantidade de trabalho necessária à
produção do bem, contudo não dependia da abundância, mas sim do maior
ou menor grau de dificuldade na sua produção.

Já a riqueza era entendida como os bens que as pessoas possuem, bens


que eram necessários, úteis e agradáveis.

O preço de um bem era o resultado de uma relação entre o bem e outro


bem

Esse preço era representado por uma determinada quantidade de moeda,


obviamente que variações no valor da moeda implicam variações no preço
do bem.

Ricardo definia o Valor da Moeda como a quantidade de trabalho necessária


à produção do metal que servia para fabricar o numerário. Analiticamente

Se o Valor da Moeda variasse, o preço do bem variava mas o seu Valor


Não.

A teoria de David Ricardo é válida para bens reproduzíveis (Por exemplo


um objecto de arte tem valor pela sua escassez e não pela quantidade de
trabalho que lhe está inerente).
Tal Como Adam Smith, Ricardo admitia que a qualidade do trabalho
contribuía para o valor de um bem.

Princípio Rendimentos Decrescentes


Sua principal contribuição foi o princípio dos rendimentos decrescentes,
devido a renda das terras. Tentou deduzir um teoria do valor a partir da
aplicação do trabalho.
Outra contribuição foi a Lei do Custo Comparativo, que demonstrava os
benefícios advindos de uma especialização internacional na composição dos
commodities do comércio internacional. Este foi o principal argumento do
Livre Comércio, aplicado pela Inglaterra, durante o século XIX, exportando
manufaturas e importando matérias primas.

A Renda
A Renda deveria ser tal de forma a que permitisse ao rendeiro a
conservação do seu lucro à taxa de remuneração normal dos seus capitais.

O seu peso no Rendimento depende das condições de produção. Quem


trabalha em melhores condições paga mais renda, contudo, quem acabava
por pagar essa renda, era na realidade o consumidor final.

Eis uma grande diferença relativamente a Adam Smith, pois Smith


acreditava que a Renda era a diferença entre o Rendimento e o Somatório
dos Salários e dos Lucros.

O Salário
O trabalho era visto como uma mercadoria.

Há a distinguir duas noções de preços, a saber:

• Preço Corrente à Salário determinado pelo jogo de mercado e pelas


forças da procura e da Oferta
• Preço Natural à O Salário que permitia subsistir e reproduzir sem
crescimento nem diminuição.

O Preço Natural não é constante. Varia de acordo com o caso específico


dos países, das épocas, ou seja, depende do ambiente em que se esteja
inserido.

Este Preço tende a elevar-se (tomemos em consideração por exemplo, o


facto, de o bem estar passar a incluir objectos que antes eram
considerados de luxo e que com o progresso tecnológico e principalmente
social, se tornam mais baratos e essenciais).

Duas situações podem ocorrer:

• Se o Preço de Mercado for maior que o Preço Natural , existirá a


tendência a viver melhor, e com mais condições de vida. Este facto
levará a uma tendência para uma maior reprodução. Com a
reprodução subirá a população. Essa subida da População levará a
um aumento do número de trabalhadores (um aumento da procura
de trabalho) e consequentemente os Salário praticado abarão por
descer para o nível do Preço Natural
• Se O Preço Natural for superior ao Preço de Mercado, a qualidade de
vida das populações será menor, estabelecendo-se um raciocínio
antagónico ao anterior, isto é, tendência para a menor reprodução,
o que baixará a Procura de Trabalho. Essa diminuição da Procura de
Trabalho levará a uma subida dos salários

Começa-se aqui a desenhar um dos ciclos viciosos que iremos explorar


com maior detalhe na Sétima Parte da História do Pensamento Económico,
que será também dedicada ao Pensamento de David Ricardo.

Os Lucros
Smith considerava que as Rendas era a diferença entre o Rendimento e os
Salários+Lucros. (Rendas=Rendimento-Salários-Lucros)

Ricardo por outro lado, estabelece que os Lucros são a diferença entre o
Rendimento e os Salários+Rendas (Lucros=Rendimentos-Salários-Rendas).

Um Agricultor que é detentor do Capital, guarda um lucro que é o que


sobra depois de pagos as rendas e os salários.

Caso o Agricultor seja detentor das Terras, ganha o Lucro e a Renda.

Sendo as Rendas Fixas, os lucros tornam-se cada vez mais importantes,


quanto mais baixos sejam os salários. Começa aqui a surgir a noção do
Lucro ser um fenómeno inerente à Luta de Classes.

A teoria do Crescimento

Para Ricardo o crescimento depende da acumulação de capital, logo,


depende da sua taxa de crescimento, isto é do Lucro.

Para Ricardo a existência de uma taxa de lucro elevada, implica um maior


crescimento económico. Esse maior crescimento Económico levará a
existência de uma poupança mais abundante, que permitirá a sua
canalização para o Investimento.

Desenvolvimento Económico é assegurado pelo aumento do emprego e


também pela melhoria das técnicas de produção.

Já o Comércio tem pouca importância no Crescimento Económico, sem


contudo deixar de ser necessário. A sua importância releva da teoria das
vantagens comparativas, pois permite que com a maior exportação,
possamos importar mais e mais barato. Por isso o Comércio é muito
importante, sem contudo representar um papel muito relevante para o
Crescimento Económico.

Portanto, Ricardo defende que enquanto existir evolução da taxa de lucro,


o crescimento estará assegurado. Contudo o Lucro, como vimos na Teoria
da Repartição do Rendimento na Sexta Parte da História do Pensamento
Económico, depende de outras variáveis, mais concretamente dos Salários
e das Rendas, e aqui se começará a desenhar uma das contradições do
sistema capitalista, que Marx irá explorar, mais concretamente a tendência
para a baixa da taxa de lucro.

Raciocínio de Ricardo é muito simples. De fato, o Mundo apresenta uma


tendência para a expansão. Essa expansão tem consequência ao nível da
subida da população. A Subida da População levará a que novas terras (as
menos férteis) tenham que ser cultivadas.

Como mais terras são cultivas, irá se verificar uma diferenciação no


pagamento das rendas para as terras mais ou menos férteis.

Como as rendas aumentam, fruto da subida do preço das rendas das terras
mais férteis, obviamente que o lucro diminuirá.

Ricardo explica esta tendência para a baixa da taxa de lucro de uma outra
forma.

A acumulação de capital leva a uma subida da população (por exemplo


com a existência de uma melhoria das condições de vida, haverá uma
maior tendência para a procriação). Isso levará a um aumento da procura
de trabalho, que levará a uma subida do nível de salário
(consequentemente das condições de vida), existindo a necessidade de se
aumentar a produção. Esse aumento da produção é obtido com a utilização
de terras menos férteis, o que, como vimos anteriormente, levará a uma
subida das rendas. O Lucro irá obviamente descer, e se o preço dos
produtos agrícolas sobe, isso irá se repercutir no salário que também ira
crescer, em conclusão, mais um factor que corrobora a ideia da tendência
para a baixa da taxa de lucro.

Por causa desta lei, o crescimento fica ameaçada. Quanto maior for a taxa
de lucro, menor será a apetência para o investimento.

Mais cedo ou mais tarde, o Rendimento Nacional parará de crescer,


atingindo-se uma fase estacionária.

Ricardo encontrou duas formas de retardar isto:

1. Pela Importação de Produtos Agrícolas Com a importação de produtos


agrícolas, consegue-se impedir que o preço suba e consequentemente os
salários e as rendas aumentem.

2. Aumento da Produtividade Agrícola, via mecanização e novas


descobertas à Esta mecanização poderá Ter um efeito perverso,
obviamente que me refiro ao problema do desemprego. Contudo, Ricardo
considerava que o seu desenvolvimento irá ser lento.

Tópicos relacionados:
• História do Pensamento Econômico
• Mercantilismo
• Fisiocracia
• Utilitarismo
• Economia Clássica
• Teoria Marxista
• Teoria Keynesiana
Grandes Economistas

A extraordinária contribuição de David


Ricardo
“O trabalho, como todas as outras coisas que

são compradas e vendidas e cuja quantidade

pode ser aumentada ou diminuída, tem seu

preço natural e seu preço de mercado. O preço

natural do trabalho é aquele necessário para

permitir que os trabalhadores, em geral,

subsistam e perpetuem sua descendência,

sem aumento ou diminuição.”

David Ricardo

David Ricardo nasceu em Londres, no dia 18 de abril de 1772. Foi o terceiro de 17 filhos
de uma família holandesa de classe média, descendentes de judeus expulsos de Portugal
(sefarditas). Seguindo os passos do pai, tornou-se operador da Bolsa de Valores de
Londres, onde acumulou fortuna. Rompeu com a família (e com a religião judaica) aos 21
anos e se casou com uma jovem “quaker”. Morreu, prematuramente, em 11 de setembro
de 1823, aos 51 anos de idade.

Abro este meu artigo com uma convicção plena: é muito difícil condensar a extraordinária
contribuição de David Ricardo para a teoria econômica (ou economia política, como
certamente preferem alguns) num texto com as características que devem prevalecer
nestas Iscas Intelectuais.

Um contra argumento a essa afirmação seria de que o mesmo pode ser dito a respeito de
qualquer outro grande economista. De certa forma, isso é verdade. Porém, com Ricardo a
dificuldade assume um nível mais elevado graças à abrangência de sua análise. Como bem
observou o Prof. Paul Singer, na apresentação dos Princípios de economia política e
tributação para a coleção Os Economistas, publicada pela Editora Abril:

Quase não há problema teórico atualmente debatido pelos economistas, como o da teoria
do valor, da repartição da renda, do comércio internacional, do sistema monetário, que não
tenha como ponto de partida as formulações expostas, no começo do século XIX, por David
Ricardo.

Apontado como o mais legítimo sucessor de Adam Smith, Ricardo não foi um acadêmico
como a maior parte dos outros grandes economistas. Descrito por Galbraith como “o único
rival sério de Smith quanto ao título de fundador da teoria econômica, Ricardo era judeu, era
um corretor da bolsa de valores, membro do Parlamento, dono de soberba inteligência e de
péssima oratória”. Ao contrário de Adam Smith e de seu grande intérprete francês Jean
Baptiste Say, que tinham uma visão geralmente otimista quanto às perspectivas da
humanidade, Ricardo e Malthus jamais foram considerados otimistas. “Foi graças a [Thomas
Robert] Malthus e Ricardo que a economia se transformou numa ciência sombria”, sentencia
Galbraith em sua célebre A era da incerteza.

Diante da completa impossibilidade de cobrir pelo menos parte da extensa contribuição de


Ricardo, abordo, a seguir, alguns dos aspectos que considero mais relevantes, relacionados
às teorias do valor, da renda e do comércio internacional, para, no final, me estender um
pouco mais detalhadamente em sua obra magna, tecendo uma série de considerações
baseadas num texto, até onde eu saiba inédito, do professor a amigo Élsior Moreira Alves.

Teoria da renda

É na elaboração da teoria da renda que se nota a forte influência de Malthus sobre o


pensamento ricardiano, uma vez que suas conclusões refletem claramente a preocupação
de Malthus decorrente da desproporção entre o crescimento da população e o da produção
de alimentos. Paulo Sandroni, no Dicionário de economia do século XXI, descreve assim
a abordagem de Ricardo:

Em sua análise dos problemas econômicos, construiu um modelo teórico fundamentado


numa economia predominantemente agrícola, procurando determinar as leis que regulam a
distribuição do produto entre as diferentes classes da sociedade e localizando no trabalho o
valor de troca das mercadorias. Apesar disso, acreditava que os custos do capital podem
influenciar os preços e que o aumento dos salários sobre os preços relativos depende da
proporção desses dois fatores de produção. Para Ricardo, a renda relaciona-se com o
aumento da população. Acreditava que a maior demanda acarretada por esse aumento da
população exige o cultivo de terras menos férteis, nas quais o custo de produção é mais
elevado do que em terras mais férteis. Mas custos e lucros deveriam ser mantidos no mesmo
nível dos dois casos, pois, de outro modo, as terras de pior qualidade deixariam de ser
cultivadas. Mesmo com essas medidas, no entanto, os arrendatários das melhores terras
acabariam tendo uma maior receita, independente do trabalho e do capital aplicados na
produção. Essa diferença em seu favor (ou o excedente sobre o custo da produção)
constituiria a renda da terra apropriada pelo proprietário. Assim, a renda de determinada
terra seria a diferença entre o valor da colheita dessa área fértil e da colheita de outras
menos férteis. Com o inevitável crescimento da renda diferencial da terra, os proprietários
rurais iriam se apossando de maior percentual do excedente econômico, em detrimento dos
capitalistas.

O estado estacionário

Dando continuidade à sua análise, observa o Prof. Paulo Sandroni, enfatizando o caráter
liberal do pensamento ricardiano:

Ricardo previa a ocorrência de um “estado estacionário”, resultante do crescimento


populacional e responsável pelo cultivo de terras cada vez menos férteis. Ao chegar a
determinado limite, o lucro seria tão baixo que a acumulação de capital simplesmente
cessaria, prejudicando o desenvolvimento econômico. Para adiar esse “estado
estacionário”, seria necessária a aplicação de um programa econômico liberal.

A lei de ferro dos salários

O mesmo pessimismo subjacente à concepção do “estado estacionário” pode ser observado


na forma como Ricardo – novamente influenciado por Malthus – enxerga a tendência
permanente de queda nos salários. Reproduzindo Galbraith:
Da mesma forma que seu amigo [Malthus], David Ricardo previa um contínuo aumento da
população, e a população de Malthus tornou-se o operariado de Ricardo. Entre os operários
haveria tamanha concorrência na procura de emprego ou trabalho, de um lado, e de comida,
de outro lado, que tudo ficaria reduzido a um simples processo de subsistência. Era o destino
da humanidade.

Numa “sociedade em evolução”, tal fato poderia ser adiado e, como um momento de reflexão
sugerirá, na Inglaterra do século XIX, essa era uma restrição importante. Mas as restrições
de Ricardo nunca alcançaram as suas generalizações majestosas. No mundo ricardiano, os
trabalhadores receberiam o mínimo necessário à subsistência, nada mais do que isso. Era
a chamada lei de ferro e fogo dos salários.

Essa tendência, de acordo com Marx, será mantida e até agravada em razão do contínuo
progresso tecnológico e do contingente de trabalhadores desempregados por ele gerado.
Denominado exército industrial de reserva, constitui-se num fenômeno inerente e
absolutamente necessário à própria produção capitalista.

Teoria do valor

Mesmo os mais ferrenhos defensores das idéias de Adam Smith admitem que, na análise
do valor, o grande economista escocês apresentou uma teoria caracterizada por
ambigüidades. A teoria do valor-trabalho, resgatada mais tarde por Marx, quando se torna
o ponto de partida da teoria da exploração (mais-valia), supõe que em toda e qualquer troca
de mercadorias tende a haver uma troca de quantidades iguais de trabalho, utilizado na sua
produção. Sendo assim, como explica Paul Singer, “um maço de cigarros vale vinte caixas
de fósforos, porque o tempo de trabalho necessário à produção do primeiro seria vinte vezes
maior do que aquele utilizado para produzir a segunda”.

Foi essa teoria do valor (e não a ambígua teoria de Adam Smith) que se consagrou como a
teoria clássica do valor, cuja influência na teoria econômica foi absoluta até a segunda
metade do século XIX, quando ocorre a chamada revolução marginalista defendendo a tese
de que o valor de uma mercadoria não depende das horas de trabalho necessárias à sua
produção – uma medida objetiva –, mas sim do grau de satisfação que essa mercadoria é
capaz de proporcionar para o consumidor – uma medida subjetiva. Desde então, essas duas
concepções teóricas têm ocupado espaço destacado na arena do debate teórico da
economia.

A teoria das vantagens comparativas

Adam Smith havia desenvolvido a teoria das vantagens absolutas para explicar o
funcionamento do comércio internacional. Em contraposição, Ricardo formulou a teoria das
vantagens comparativas (ou dos custos comparativos), segundo a qual cada país tende a
se especializar nos ramos em que tem maiores vantagens, isto é, em que seus custos de
produção são menores do que os de seus concorrentes. Com isso, procurou demonstrar,
como bem observa Paulo Sandroni, “a vantagem de um país importar determinados
produtos, mesmo que pudesse produzi-los por preço inferior, desde que sua vantagem, em
comparação com outros produtos, fosse ainda maior”.

Encerro essa breve análise da teoria das vantagens comparativas transcrevendo um


interessante comentário de Todd Buchholz, no delicioso Novas idéias de economistas
mortos:

Embora as teorias de Ricardo sejam ensinadas pelo mundo todo, são as nações européias
da década de 1990 que melhor testarão o legado de Ricardo. Se elas cumprirem o seu
compromisso de 1992 de derrubar todas as barreiras comerciais remanescentes entre elas,
Ricardo conseguirá uma vitória parcial. Para uma vitória completa, os países do Mercado
Comum devem também manter o seu segundo compromisso – não erguer fortalezas no seu
litoral que impediriam países tais como os Estados Unidos e o Japão [e os países da América
Latina] de participar do seu dinâmico programa de prosperidade. Até aqui os resultados
estão misturados. Durante a última metade da década de 1980, enquanto o comércio dentro
do Mercado Comum deu um salto de 15%, o comércio com os países não-membros caiu
em cerca de 10%. Ricardo ficaria desapontado, mas esperançoso.

Princípios de economia política e tributação

Escrevendo seu livro mais importante já no primeiro quartel do século XIX, Ricardo não vive
mais o clima cultural da ordem natural, pregado pelos fisiocratas, por Smith e por Say.

Não é fácil entender o pensamento econômico de Ricardo. Seu livro Princípios de


Economia política e tributação, de 1817, apresenta uma série de dificuldades: 1o) Por se
tratar de um livro cujo conteúdo faz uma crítica à Riqueza das nações, de Smith; 2o) Porque
diversos capítulos aparecem sem conexão uns com os outros, o que faz pressupor tratar-se
de um livro feito “à prestação”, ou seja, à medida que Ricardo vai sentindo necessidade de
aprofundar determinados assuntos, vai acrescentando capítulos novos. Em função dessa
dificuldade, a leitura de seu livro conduz muitas vezes os leitores a duas conclusões de
prismas diferentes. Uns pensam que a linha básica da obra consiste em mostrar que a teoria
do valor-trabalho explica todos os fatos econômicos, já que esse fator é o mais elementar,
do qual os outros parecem derivar e, assim, o sistema de Ricardo seria a explicação de
como o fator trabalho subentende todos os outros fatores como seu princípio organizador.
Para outros, a linha básica da obra consiste em mostrar quais as leis que determinam a
distribuição da renda entre as classes sociais e sua relação com as circunstâncias gerais da
sociedade. As duas problemáticas acima se encontram presentes, a bem da verdade, do
princípio ao fim do pensamento ricardiano. Ocorre, porém, que para percebê-lo parece
necessário que se confronte sua obra com A riqueza das nações de Adam Smith. Isto
porque, contendo seu livro uma série de críticas à Riqueza, é preciso ter em mente a
estrutura do livro criticado para perceber o alcance do pensamento de Ricardo. Por esse
ponto de vista – ainda que isto não esteja especificado em seu livro – o seu pensamento
deve obedecer ao seguinte plano:

A. Enfoque sobre o capital em vez do trabalho como causa principal da riqueza das nações;

B. Obstáculos ao crescimento das nações: a renda diferenciada e o trabalho;

C. Medidas para superar os obstáculos;

D. O papel do Estado no direcionamento do capital e desobstrução dos obstáculos.

Nessa seqüência fica mais fácil entender como Ricardo, através de sua teoria econômica,
põe à prova a harmonia do racionalismo.

De fato, ao se aceitar a teoria da renda de Ricardo, tornam-se discutíveis tanto a ordem


natural dos fisiocratas, como a harmonia entre os interesses privados e o geral. Assim, não
haveria harmonia, mas conflito. Aliás, na época em que seu grande livro foi publicado, o
problema preponderante era o conflito entre os interesses da indústria e da agricultura, razão
pela qual em sua obra Ricardo ia em auxílio à tese industrialista, em prejuízo daquela
defendida pelos proprietários rurais.

Com base nisso, pode-se afirmar que Ricardo concordava com Smith quanto ao conceito de
riqueza nacional: “o montante de bens e serviços à disposição dos consumidores” (quanto
maior esse montante, maior a riqueza).

Ricardo, no entanto, não vê o crescimento dessa riqueza como algo retilíneo e sem conflitos
como imaginava Smith. Para ele, esse crescimento não era retilíneo, mas sim passível de
obstrução. Ricardo procura mostrar que a causa principal do crescimento da riqueza das
nações é a acumulação de capital. Essa acumulação, por sua vez, vai depender da taxa de
juros, pois, segundo Ricardo, tanto os agricultores como os industriais são, antes de tudo,
investidores, e, como tal, não podem viver sem lucros, da mesma forma que os
trabalhadores não vivem sem salários. O motivo que os leva a acumular diminui com a
redução do lucro e cessará por completo quando seus lucros forem tão pequenos a ponto
de não lhes garantir uma compensação adequada pelo esforço e risco que devem
necessariamente correr pelo emprego do seu capital numa atividade produtiva. O
empresário estará, por conseguinte, desviando-se constantemente de uma para outra
atividade, procurando sempre melhor rentabilidade pelo emprego do capital.

Referências e indicações bibliográficas

BUCHHOLZ, Todd G. David Ricardo e o apelo pelo livre comércio. Em Novas idéias de
economistas mortos. Tradução de Luiz Guilherme Chaves e Regina Bhering. Rio de
Janeiro: Record, 2000, pp. 83 – 109.

CANAVAN, Bernard. Economistas para principiantes. Tradução de Cardigos dos Reis.


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RICARDO, David. Princípios de economia política e tributação, com a introdução de


Piero Sraffa. Apresentação de Paul Singer. Tradução de Paulo Henrique Ribeiro Sandroni.
São Paulo: Abril Cultural, 1982. (Os Economistas).

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de Ernane Galvêas. Tradução de Regis de Castro Andrade, Dinah de Abreu Azevedo e
Antonio Alves Cury. São Paulo: Abril Cultural, 1983. (Os Economistas).

SANDRONI, Paulo. Dicionário de economia do século XXI. Rio de Janeiro: Record, 2005.

Livros texto de História do Pensamento Econômico

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FUSFELD, Daniel R. A era do economista. Tradução de Fábio D. Waltenberg. São Paulo:


Saraiva, 2001, pp. 57 – 62.

GALBRAITH, John Kenneth. A era da incerteza.Tradução de F. R. Nickelsen Pellegrini. 6ª


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______________ O pensamento econômico em perspectiva: uma história


crítica. Tradução de Carlos Afonso Malferrari. São Paulo: Pioneira/ Editora da Universidade
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HEILBRONER, Robert. A história do pensamento econômico. Tradução de Therezinha


M. Deutsch e Sylvio Deutsch. Consultoria de Paulo Sandroni. São Paulo: Nova Cultural,
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HUNT, E. K. História do pensamento econômico: uma perspectiva crítica. Tradução de


José Ricardo Brandão Azevedo e Maria José Cyhlar Monteiro. Revisão técnica de André
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NAPOLEONI, Claudio. Smith, Ricardo, Marx: considerações sobre a história do


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ROLL, Eric. História das doutrinas econômicas.Tradução de Cid Silveira. 2ª ed. São
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SCHUMPETER, Joseph A. Historia del análisis económico I. Tradución de Lucas


Mantilla. México: Fondo de Cultura Económica, 1984.

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Economico. Roma: La Nuova Italia Scientifica, 1991, pp. 87 – 102.

Referências e indicações webgráficas

http://www.eumed.net/cursecon/economistas/ricardo.htm.

http://cepa.newschool.edu/het/.

http://pt.wikipedia.org/wiki/David_Ricardo.

David Ricardo (1772 – 1823)


David Ricardo é considerado um dos principais representantes da economia política
clássica, exerceu uma grande influência tanto nos economistas neoclássicos como nos
economistas marxistas, o que revela sua importância para o desenvolvimento da
ciência económica. Os temas presentes nas suas obras incluem a teoria do valor-
trabalho na qual traça uma relação entre o trabalho e o seu respectivo valor
monetário; a teoria da distribuição, que relaciona os lucro e os salários; o comércio
internacional e temas monetários.Ricardo fazia distinção entre a noção de valor e a
noção de riqueza. O Valor era considerado como a quantidade de trabalho necessária
à produção do bem, contudo não dependia da abundância, mas sim do maior ou
menor grau de dificuldade na sua produção.
Já a riqueza era entendida como os bens que as pessoas possuem, bens que eram
necessários, úteis e agradáveis.Esse preço era representado por uma determinada
quantidade de moeda, obviamente que variações no valor da moeda implicam
variações no preço do bem.
Ricardo definia o Valor da Moeda como a quantidade de trabalho necessária à
produção do metal que servia para fabricar o numerário. Analiticamente se o Valor
da Moeda variasse, o preço do bem variava mas o seu Valor Não.
A teoria de David Ricardo é válida para bens reproduzíveis (Por exemplo um objecto
de arte tem valor pela sua escassez e não pela quantidade de trabalho que lhe está
inerente).Tal Como Adam Smith, Ricardo admitia que a qualidade do trabalho
contribuía para o valor de um bem. Sua principal contribuição foi o princípio dos
rendimentos decrescentes, devido a renda das terras. Tentou deduzir um teoria do
valor a partir da aplicação do trabalho.
Outra contribuição foi a Lei do Custo Comparativo, que demonstrava os benefícios
advindos de uma especialização internacional na composição dos commodities do
comércio internacional. Este foi o principal argumento do Livre Comércio, aplicado
pela Inglaterra, durante o século XIX, exportando manufaturas e importando matérias
primas.
A Renda deveria ser tal de forma a que permitisse ao rendeiro a conservação do seu
lucro à taxa de remuneração normal dos seus capitais.
Ricardo faz análises rigorosamente capitalistas, o qual divide a sociedade em três
classes que chama de agentes relevantes; sociedade trabalhadora, proprietários do
capital, proprietários de terras, e confirma que cada umas das partes do produto
social,possui uma determinada relação com os recursos pertencentes à classe social.
A principal questão levantada por Ricardo nessa obra se trata da distribuição do
produto gerado pelo trabalho na sociedade. Isto é, segundo Ricardo, a aplicação
conjunta de trabalho, maquinaria e capital no processo produtivo gera um produto, o
qual se divide entre as três classes da sociedade: proprietários de terra (sob a forma
de renda da terra), trabalhadores assalariados (sob a forma de salários) e os
arrendatários capitalistas (sob a forma de lucros do capital). O papel da ciência
econômica seria, então, determinar as leis naturais que orientam essa distribuição,
como modo de análise das perspectivas atuais da situação econômica, sem perder a
preocupação com o crescimento em longo prazo.
A sua teoria das vantagens comparativasconstitui a base essencial da teoria
do comércio internacional. Demonstrou que duas nações podem beneficiar-se do
comércio livre, mesmo que uma nação seja menos eficiente na produção de todos os
tipos de bens do que o seu parceiro comercial. Pois, Ricardo defendia que nem a
quantidade de dinheiro em um país nem o valor monetário desse dinheiro era o maior
determinante para a riqueza de uma nação. Segundo o autor, uma nação é rica em
razão da abundância de mercadorias que contribuam para a comodidade e o bem-
estarde seus habitantes. Ao apresentar esta teoria, usou o comércio
entre Portugal e Inglaterracomo exemplo demonstrativo.
A equivalência ricardiana, uma outra teoria, é um argumento que sugere que em
certas circunstâncias, a escolha entre financiar as despesas através de impostos ou
através do déficit não terá efeito na economia. Analisou também a natureza da renda
da terra.

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