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Universidade Católica de Moçambique

Faculdade de Ciências de Saúde

Curso: Administração Hospitalar

2º Ano

Cadeira: Direito administrativo

Tema: Contratos administrativos

Discente:

Luísa Manuel Baptista

Beira, Maio de 2020


Universidade Católica de Moçambique

Faculdade de Ciências de Saúde

Curso: Administração Hospitalar

2º Ano

Cadeira: Direito administrativo

Tema: Contratos administrativos

Discente:

Luísa Manuel Baptista

Trabalho a ser apresentado ao docente da cadeira de Direito


Administrativo, 2º ano do curso de Gestão Hospitalar da
universidade Católica de Moçambique, para efeitos de
avaliação.

Docente:

Beira, Maio de 2020

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Índice
Introdução........................................................................................................................................1

1.Contrato Administrativo...............................................................................................................2

1.1 Conceito.....................................................................................................................................2

1.2 Regime jurídico.........................................................................................................................2

1.3 Modalidades de contratação......................................................................................................3

1.4 Principais Espécies de Contratos Administrativos....................................................................3

1.5 A Formação do Contrato Administrativo..................................................................................4

1.6 Prerrogativas do Contratante.....................................................................................................5

1.7 A Execução do Contrato Administrativo...................................................................................5

1.8 Exigências de Garantia..............................................................................................................6

1.9 A nulidade dos contratos administrativos..................................................................................6

2. A Extinção do Contrato Administrativo......................................................................................7

Conclusão........................................................................................................................................9

Bibliografia....................................................................................................................................10

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Introdução
O presente trabalho de pesquisa da cadeira e Direito administrativo, aborda o tema inerente a
contratos administrativos, que se enquadram no conceito geral de um acordo de vontade que gera
direitos e obrigações para ambas as partes. Normalmente, a Administração Pública actua por via
de autoridade e toma decisões unilaterais, isto é, prática actos administrativos: o acto
administrativo é o modo mais característico do exercício do pode administrativo, é a forma típica
da actividade administrativa.
 
Muitas vezes, porém, a Administração Pública actua de outra forma, desta feita em colaboração
com os particulares, usando a via do contrato, que é uma via bilateral, para prosseguir os fins de
interesse público que a lei põe a seu cargo. Isso significa que, estes casos, a Administração
Pública, em vez de impor a sua vontade aos particulares, necessidade chegar a acordo com eles
para obter a sua colaboração na realização dos fins administrativos.
 
Temos a referir que no trabalho só citamos artigos do Decreto nº 15/2010 de 24 de Maio, que
aprova o Regulamento de Contratação de Empreitada de Obras Públicas, Fornecimento de Bens
e Prestação de Serviços ao Estado.

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1.Contrato Administrativo
Constitui um processo próprio de agir da Administração Pública que cria, modifica ou extingue
relações jurídicas, disciplinadas em termos específicos do sujeito administrativo, entre pessoas
colectivas da Administração ou entre a Administração e os particulares.
Contrato administrativo  ou contrato público  É o instrumento dado à administração pública para
dirigir-se e actuar perante seus administrados sempre que necessite adquirir bens ou serviços dos
particulares.
 

1.1 Conceito
O contrato administrativo há-de definir-se em função da sua subordinação a um regime jurídico
de Direito Administrativo: serão administrativos os contratos cujo o regime jurídico seja traçado
pelo Direito Administrativo; serão civis ou comerciais os contratos cujo regime jurídico seja
traçado pelo Direito Civil ou Comercial.
 
O contrato administrativo é o acordo de vontades pelo qual é constituída, modificada ou extinta uma
relação jurídico-administrativa.
Resta saber o que se deve entender por “relação jurídica de Direito Administrativo”
É aquela que confere poderes de autoridade ou impõe restrições de interesse público à
Administração perante os particulares, ou que atribui direitos ou impõe deveres públicos aos
particulares perante a Administração.
 

1.2 Regime jurídico


 O regime jurídico dos contratos administrativos é constituído quer por normas que conferem
prerrogativas especiais de autoridade à Administração Pública, quer por normas que impõe à
Administração Pública especiais deveres ou sujeições que não têm paralelo no regime dos
contratos de Direito Privado.
Legalmente o contrato administrativo em Moçambique é regulado pelo Decreto nº 15/2010 de 24
de Maio (Regulamento de Contratação de Empreitada de Obras Públicas, Fornecimento de Bens

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e Prestação de Serviços ao Estado), onde encontramos todos os aspectos referentes a estes, desde
o lançamento do concurso até a cessação dos contratos. No artigo 40 nos diz que Os contratos
regulados pelo presente Regulamento têm natureza administrativa.

1.3 Modalidades de contratação


A contratação é feita através de concurso público Artigo 61, que é a modalidade de contratação
na qual pode intervir todo e qualquer participante interessado, desde que reúna os requisitos
estabelecidos nos Documentos de Concurso.
 O Concurso Público observa, pela ordem indicada, as seguintes fases: a) De preparação e
lançamento; b) De apresentação e abertura das propostas e documento de qualificação; c) De
avaliação e saneamento; d) De classificação e recomendação do júri; e) De adjudicação; e f) De
reclamação e recurso.

1.4 Principais Espécies de Contratos Administrativos


De tantas espécies de contratos administrativos que encontramos na nossa pesquisa achamos que
são as principais as seguintes:
 
a)  Empreitada de obras públicas:
É o contrato administrativo pelo qual um particular se encarrega de executar uma obra pública,
mediante retribuição a pagar pela Administração;
 b)Concessão de obras públicas:
 É o contrato administrativo pelo qual um particular se encarrega de executar e explorar uma
obra pública, mediante retribuição a obter directamente dos utentes, através do pagamento por
estes de taxas de utilização;
 c) Concessão de serviços públicos:
 É o contrato administrativo pelo qual um particular se encarrega de montar e explorar um
serviço público, sendo retribuído pelo pagamento de taxas de utilização a cobrar directamente
dos utentes.
d) Concessão de uso privativo do domínio público:

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É o contrato administrativo pelo qual a Administração Pública faculta a um sujeito de Direito
Privado a utilização económica exclusiva de uma parcela do domínio público para fins de
utilidade pública;
e)Concessão de exploração de jogos de fortuna e azar:
É o contrato administrativo qual um particular se encarrega de montar e explorar um casino de
jogo, sendo retribuído pelo lucro auferido das receitas dos jogos;
f)Fornecimento contínuo:
É o contrato administrativo pelo qual um particular se encarrega, durante um certo período, de
entregar regulamente à Administração certos bens necessários ao funcionamento regular de um
serviço público;
g) Prestação de serviços:
Abrange dois tipos completamente diferentes um do outro:
 Contrato  de transporte
É o contrato administrativo pelo qual um particular se encarrega de assegurar a deslocação entre
lugares determinados de pessoas ou coisas a cargo da Administração; e o
 Contrato de provimento,
 É o contrato administrativo pelo qual um particular ingressa nos quadros permanente da
Administração Pública e se obriga a prestar-lhe a sua actividade profissional de acordo com o
estatuto da função pública.

 1.5 A Formação do Contrato Administrativo


 Na formação de contratos administrativos encontramos as regras que versam sobre os elementos
essenciais do contrato administrativo  –   a competência para contratar, a obtenção do mútuo
consenso em que o contrato administrativo se traduz, a autorização das despesas públicas a
realizar através do contrato, e a forma e formalidades de celebração do contrato administrativo.
 
A escolha dos particulares está sujeita a normas muito restritivas. Pode ser feita através de ajuste
directo, concurso limitado ou concurso público.
A regra geral é que todo o contrato administrativo tem de ser celebrado precedendo concurso
público, salvo se a lei autorizar outro processo. (art. 61)

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A liberdade contratual da Administração Púbica não é limitada somente pelas regras legais
relativas à escolha do contraente privado: também a liberdade de conformação do conteúdo da
relação contratual está condicionada pela proibição da exigência de prestações
desproporcionadas ou que não tenham uma relação directa com o objecto do contrato.
Os contratos administrativos estão sujeitos à forma escrita ( art. 44 do Decreto 15/2010 de 24 de
Maio).
Acontece muitas vezes que as leis administrativas prevêem a figura da  adjudicação.
 Esta é um acto administrativo: trata-se do acto pelo qual o órgão competente escolhe a proposta
preferida e, portanto, selecciona o particular com quem pretende contratar. A adjudicação é
assim, um acto administrativo, ou seja, um acto jurídico unilateral, ao passo que o conteúdo é um
acto  jurídico bilateral, um acordo de vontades.
 
O art. 45 do Decreto 15/2010 de 24 de Maio aponta alguns aspectos que devem compor as
cláusulas essenciais: a) Identificação das partes contratantes; b) Objecto do contrato,
devidamente individualizado; c) Prazo de execução da obra, fornecimento de bens ou prestação
de serviços, com indicação das datas dos respectivos início e termo; d) Garantias relativas à
execução do contrato, quando exigidas; e) Forma, prazos e demais cláusulas sobre o regime de
pagamento; f) Encargo total estimado resultante do contrato; g) Sanções aplicáveis em caso de
falta de cumprimento; h) O foro judicial ou outro, para a solução de qualquer litígio emergente
do contrato, seja na sua interpretação, ou na sua execução; i) A inclusão obrigatória de uma
cláusula anti-corrupção; e  j) Outras condições que as partes considerem também essenciais à boa
execução do contrato.

1.6 Prerrogativas do Contratante


O Artigo 47 do mesmo Regulamento versa que a Entidade Contratante tem a prerrogativa de:
 a) Rescindir unilateralmente o contrato; b) Fiscalizar a execução do contrato, directamente ou
por fiscal por si contratado; c) Suspender a execução do contrato; d) Aplicar as sanções pela
inexecução total ou parcial do contrato;
e) Cancelar o concurso; e f) Invalidar o concurso.

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1.7 A Execução do Contrato Administrativo
A administração surge sobretudo investida de poderes de autoridade,  de que os particulares não
beneficiam no âmbito dos contratos de Direito Privado que entre si celebraram.
 Os principais poderes de autoridade de que a Administração beneficia na execução do contrato
administrativo são três:
a) O poder de fiscalização:
Consiste no direito que a Administração Pública tem, como parte pública do contrato
administrativo, de controlar a execução do contrato para evitar surpresas prejudiciais ao interesse
público, de que a Administração só viesse, porventura, a aperceber-se demasiado tarde; (art.48)
 
b) O poder de modificação unilateral:
Decorre da variabilidade dos interesses públicos prosseguidos com o contrato e tem
correspondência no dever de manutenção do equilibro financeiro do contrato, dever que dita, em
condições normais, o aumento das contrapartidas financeiras do co-contratante privado;(art. 54)
 
c) O poder de aplicar sanções:
Ao contraente particular, seja pela inexecução do contrato, seja pelo atraso na execução, seja por
qualquer outra forma de execução imperfeita, seja ainda porque o contraente particular tenha
trespassado o contrato para outrem sem a devida autorização da Administração. As duas
modalidades mais típicas são a  aplicação de multas,  e o sequestro,  quando o contraente
abandone o exercício da actividade que foi encarregado pelo contrato administrativo, a
Administração tem o direito de assumir o exercício dessa actividade e as obrigações do particular
relativamente ao contrato, ficando a cargo do contraente particular todas as despesas que a
Administração fizer enquanto essa situação durar.

1.8 Exigências de Garantia


A Administração ou a Entidade Contratante deve exigir que a Contratada preste garantia
definitiva adequada ao bom e pontual cumprimento das suas obrigações que foram previstas na
celebração do contrato (artigo 46 do decreto lei 15/2010). Todavia, não é permitido o pagamento
de adiantamento sem apresentação de garantia no mesmo valor.

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1.9 A nulidade dos contratos administrativos
É comum observarmos os Órgãos Judicantes julgarem casos comprovados de fraudes e
ocorrências da prática de acto de improbidade administrativa onde, muitas vezes, os condenados
juridicamente não devolvem aos cofres públicos os valores recebidos, valores estes considerados
“enriquecimento ilícito” ou mesmo “sem causa” vindo a causar revolta aos cidadãos comuns que
somente assistem de camarote pela mídia os diversos Contratos Administrativos celebrados
diariamente que possuem algum indício de irregularidade.
 
O princípio da vedação ao enriquecimento sem causa, ou seja, enriquecimento ilícito é
amplamente discutido, tanto no âmbito do direito privado, como também no direito
administrativo, sempre com olhar voltado ás partes contratantes, seja o Estado ou mesmo o
particular, para que não haja locupletamento ilícito de uma das partes envolvidas no Contrato
Administrativo, segundo leciona Celso Antônio Bandeira de Mello (2009, p. 319):
“Uma vez que o enriquecimento sem causa é um princípio geral do Direito  –  e, não apenas  princípio
alocado em um de seus braços: público ou privado -, evidentemente também se aplica ao direito
administrativo.”. A atitude de má-fé das partes subjetivas do Contrato Administrativo, seja do
Estado ou terceiro, nos casos comprovados de fraudes e ocorrências da prática de ato de
improbidade administrativa pode ser considerada, no mínimo, imoral, visto que não se pode
aceitar pacatamente tal ação sem que haja uma forte reação por parte dos governados, dos
Órgãos de fiscalização e consequentemente dos Órgãos Judicantes.
 
O princípio da vedação ao enriquecimento sem causa nos Contratos Administrativos, conjugado,
ou seja agregado ao princípio da equidade e ao principio da moralidade, não “acoberta”, ou seja
não dá legalidade, nos  contratos administrativos, a indenização a particular que, usando de
meios comprovadamente ilícitos, der causa à nulidade do contrato. Por outro lado, quando
lembramos que o contrato administrativo é considerado um típico contrato de adesão, posto
diante da parte contratante (particular) confeccionado integralmente pela Administração,
dificilmente a nulidade do contratual será atribuída exclusivamente à culpa do contratado sem
que a Administração não tenha concorrido para a nulidade. E, configurada a culpa concorrente de
ambas as partes, entendemos cabível a indenização proporcional, correspondente apenas ao custo
do serviço ou bem que contratou, sem incluir a parcela remuneratória prevista no contrato.

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2. A Extinção do Contrato Administrativo
 A lei prevê que os contratos cessam: a) Pelo integral cumprimento das obrigações da Entidade
Contratante e da Contratada; b) Por mútuo acordo entre a Entidade Contratante e a Contratada; e
c) Por rescisão unilateral fundamentada em incumprimento de obrigações contratuais. A
cessação do contrato por mútuo acordo ou por rescisão unilateral é obrigatoriamente feita por
escrito. art.55 e o art.56 nos aponta quais são as causas da rescisão contratual unilateral. A
doutrina nos aponta que para além das causas normais de extinção do contrato administrativo,
designadamente por caducidade ou  termo, há duas causas específicas:
  a) A rescisão do contrato a título de sanção:
Que se verifica quando o contraente particular não cumpre, ou não cumpre rigorosamente, as
cláusulas do contrato: aí a Administração tem o direito de rescindir o contrato, a título de
aplicação duma sanção ao contraente faltoso.
  b) O resgate:
Que se verifica sobretudo nas concessões. Consiste no direito que a Administração tem, antes de
findo o prazo do contrato, de retomar o desempenho das atribuições administrativas de que
estava encarregado o contraente particular, não como sanção, mas por conveniência do interesse
público, e mediante justa indemnização.
 
 

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Conclusão
No final deste trabalho o grupo conclui que o contrato administrativo é um ajuste celebrado entre
a Administração Pública e terceiros para consecução de objetivos de interesse público, regido por
normas de Direito público. A principal distinção entre os contratos de direito privado e os
contratos administrativos é que nesses, a Administração Pública tem prerrogativas,
consubstanciadas nas chamadas de cláusulas exorbitantes, que caracterizam a preponderância do
interesse público, a posição de superioridade da Administração em relação ao contratado.
 
O contrato administrativo é exigido na prestação de serviços públicos e na utilização privativa de
bem público, tem como característica a presença da administração como Poder Público, visando
sempre através do instrumento contratual a consecução de uma finalidade pública.
 

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Bibliografia
Livros:
DIAS, Eduardo Rocha. Sanções Administrativas Aplicáveis a Licitantes e Contratados, São
Paulo: Dialéctica, 1997.
DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito administrativo. 13ª ed. São Paulo: Atlas, 2001.
GASPARINI, Diógenes. Direito Administrativo. Ed. Saraiva: São Paulo, 1995.
MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo: Malheiros, 2007.
Legislação:
Decreto nº 15/2010 de 24 de Maio.

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