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Teoria Geral do Direito Civil

Mota Pinto (Resumo)

Os Princípios fundamentais do direito civil


português p.95

 18. A existência de princípios básicos do direito civil. Carater


histórico desses princípios de ordenação sistemática interna.
A autonomia e a igualdade como seus pressupostos atuais.

Há uma ordenação das normas jurídicas civis. É uma ordenação que não é
apenas formal, mas substancial ou material. Para alem da distribuição das
normas jurídicas civis por divisões, pode detetar-se uma série de princípios
fundamentais do atual direito civil português.
Esses princípios formam a ossatura do direito civil, sustentando as normas que
os desenvolvem e dano lhes sentido e uma função. Oferecem nos assim os
traços fundamentais do sistema de dto civil português, na medida em que
modelam o conteúdo do direito vigente, penetrando e cimentando os seus
elementos normativos.
O direito civil vigente, modelado segundo determinados princípios, não está
dotado de uma validade eterna e universal, à semelhança do tão discutido
direito natural. Quer os princípios conformadores do nosso atual “modelo” de
direito civil, quer as normas que os aceitam e desenvolvem, são elementos
válidos numa dada circunstancia especial e temporal.
Estes princípios encontram-se com a guarida da constituição, mas só alguns
estão expressamente consagrados, outros estão nitidamente pressupostos por
algumas normas constitucionais. Constituem o sistema interno do nosso direito
civil, por oposição ao sistema externo.

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Podemos considerar oito ideias, princípios ou instituições que fundamentam o
nosso atual direito civil, o penetrem e são por ele desenvolvidos.
Ei-los:
1) O reconhecimento da pessoa humana e dos direitos de personalidade.
2) A autonomia privada.
3) A responsabilidade civil.
4) A boa fé.
5) A concessão de personalidade jurídica as pessoas coletivas.
6) A propriedade privada.
7) A relevância jurídica da família.
8) O fenómeno sucessório.
Cada um destes princípios ou ideias, que apresentamos numa proposta( não a
única possível, obviamente) de caracterização substancial do nosso direito civil,
exprime uma realidade jurídica especifica. Ao longo de todo o direito civil se
manifestam, porem, duas ideias, já referidas. Caracterizadoras do seu sentido
atual: a autonomia1 e a igualdade.
(1) esta autonomia reconhece o homem como ator capaz de decidir o curso dos
acontecimentos, com liberdade relativa a um quadro de relativo
indeterminismo, e de se manifestar contra a injustiça e os erros, em qualquer
forma de organização social, recusando vê-lo como um acidente de um frio e
inexorável movimento, determinado rigorosamente por uma infra-estrutura-
ligue-se esta à biologia, antropologia, â psicologia, à economia, às chamadas
“relações de produção” ou à religião

1.O reconhecimento da pessoa humana e dos


direitos de personalidade

 19. O reconhecimento de personalidade jurídica de todos os


seres humanos

O direito só pode ser concebido, tendo em conta como destinatários os seres


humanos em convivência. A aplicação do direito civil a essa convivência
humana desencadeia uma teia de relações jurídicas entre os homens, relações
traduzidas em poderes(direitos) e deveres jurídicos latu sensu.
Num sentido puramente técnico, ser pessoa é precisamente ter aptidão para
ser sujeito de direitos e obrigações; é ser um centro de uma esfera jurídica.
Neste sentido técnico-jurídico não há coincidência entre a noção de pessoa ou
sujeito de direito e a noção de ser humano.
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Os seres humanos não são necessariamente, do ponto de vista logico,
pessoas em sentido jurídico: e aí esta a experiencia jurídica e histórica dos
sistemas que aceitavam a escravatura.
As pessoas em sentido jurídico não são necessariamente seres humanos:
e aí estão certas organizações de pessoas (associações, sociedades) e certos
juntos de bens(fundações) a quem o direito objetivo atribui personalidade
jurídica.

Reconhece-se personalidade jurídica a todo o ser humano a partir do


nascimento completo e com vida- art.66º nº1

A personalidade jurídica, a suscetibilidade de direitos e obrigações,


corresponde a uma condição indispensável da realização por cada ser humano
dos seus fins ou interesses na vida com os outros- e o direito existe ao serviço
do homem.

 20. O reconhecimento de um circulo de direitos de personalidade

Toda a pessoa pode ser titular de relações jurídicas; nisto mesmo consiste a
personalidade ou qualidade se sujeito de direito.
Toda a pessoa jurídica não só pode ser, como efetivamente é, titular de alguns
direitos e obrigações.

A pessoa é sempre titular de um certo numero de direitos absolutos, que se


impõe ao respeito de todos os outros, incluindo sobre os vários modos de ser
físicos ou morais da sua personalidade. São chamados direitos de
personalidade (art.70º e ss. CC)

Incidem os direitos de personalidade sobre a vida da pessoa, a sua saúde


física, a sua integridade física, a sua honra, a sua liberdade física e
psicológica, o seu nomex, a sua imagem, ou a reserva sobre a intimidade
da sua vida privada. É este um circulo de direitos necessários; um conteúdo
mínimo e imprescindível da esfera jurídica de cada pessoa.

A violação de alguns destes aspetos da personalidade é ate um facto de ilícito


criminal, que desencadeia uma punição estabelecida no código penal em
correspondência com o respetivo tipo legal de crime.
Nessas hipóteses, bem como naquelas, em que, por não assumir o facto um
especial relevo para a coletividade, a violação não corresponde a um ilícito
criminal, existe um ilícito civil.

Este ilícito civil desencadeia (nº2 do art.70º) a responsabilidade civil do infrator


(obrigação de indemnizar os prejuízos pelos danos causados).(…)

Os direitos de personalidade são irrenunciáveis; podem, todavia, ser objeto de


limitações voluntarias que não sejam contrarias aos princípios da ordem

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publica (art.81º). Ex: é admissível o consentimento livre e informado para uma
intervenção cirúrgica
Por o consentimento ser contra a ordem publica, dado os prejuízos
irremediáveis que resultariam para a pessoa em causa, a mutilação, a
eutanásia, o auxilio ao suicídio, são factos ilícitos, mesmo quando a vitima
neles consentiu.

 2. A autonomia privada
 21. A autonomia privada e a liberdade contratual, aplicação
daquela no domínio dos contratos

Este principio tem a sua dimensão mais visível na liberdade contratual


(art.405º CC). Os seus fundamentos mais explícitos encontram-se nos artigos
26º nº1 e 61º CRP.

A produção de efeitos jurídicos (constituição, modificação ou extinção de


relações jurídicas) resulta principalmente, no tocante à atuação humana
juridicamente relevante, de atos de vontade - maxime declarações de vontade-,
dirigidos precisamente à produção dos referidos efeitos.

Os atos jurídicos, cujos efeitos são produzidos por força da manifestação de


uma intenção e em coincidência com o teor declarado dessa intenção,
designam-se por negócios jurídicos.

O negocio jurídico é uma manifestação do principio da autonomia privada ou


da autonomia da vontade, subjacente a todo o direito privado.
A autonomia privada consiste no poder reconhecido aos particulares de
autorregulamentação dos seus interesses, de autogoverno da sua esfera
jurídica (considera se esfera jurídica o conjunto de relações jurídicas de que
uma pessoa é titular).
Significa tal principio que os particulares podem, no domínio da sua
convivência com os outros sujeitos jurídico-privados, estabelecer a ordenação
das respetivas relações jurídicas.

Esta ordenação das suas relações jurídicas, este autogoverno da sua esfera
jurídica, manifesta-se, desde logo, na realização de negócios jurídicos, de atos
pelos quais os particulares ditam a regulamentação das suas relações,
constituindo-as, modificando-as, extinguindo-as e determinando o seu
conteúdo.

Mas não é só através do negocio jurídico que a autonomia da vontade se


revela e atua, embora seja o negocio jurídico o seu meio principal de atuação.
A autonomia privada também se manifesta no poder de livre exercício dos seus
direitos ou de livre gozo dos seus bens particulares- ou seja, é a autonomia

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privada que se manifesta na “soberania do querer” - no império da vontade-
que caracteriza essencialmente o direito subjetivo.

Diremos que tanto é exercício da autonomia privada a conclusão de uma


compra e venda em certas condições de preços e de entrega de coisa vendida,
isto é, negocio jurídico, como o consumo ou a destruição de um bem que se é
credor, o cultivo de um prédio rustico com esta ou aquela cultura ou a sua
manutenção em pousio, isto é o exercício de um direito subjetivo. A autonomia
privada encontra, pois, os veículos da sua realização nos direitos subjetivos
e na possibilidade de celebração de negócios jurídicos.

A autonomia privada esta presente nos domínios em que o direito civil visa uma
função de modelação e disciplina positiva na vida social.
Estabelecemos uma delimitação para excluirmos o domínio em que cabe ao
direito civil uma função de proteção ou defesa dos direitos constituídos ao
abrigo da sua função modeladora.
Obviamente não depende da vontade do infrator de um direito a sua sujeição à
obrigação de indemnizar ou de restaurar a situação lesada- o surgimento
desses deveres com carater sancionatório é uma implicação do carater jurídico
da relação violada.

O dever de indemnizar, em que se traduz a responsabilidade civil, não se


constitui por força de uma declaração de vontade do autor do dano. Uma vez
constituída, porem, a obrigação de indemnizar, surge de novo a autonomia da
vontade. O credor e devedor da indemnização podem celebrar, relativamente à
obrigação em que se manifesta a responsabilidade civil, as convenções
modificativas ou extintivas que entenderem.

Negócio Jurídico

Agrupa sem em duas classes: os negócios jurídicos unilaterais e negócios


jurídicos bilaterais ou contratos.

O negócio jurídico unilateral perfaz-se com uma só declaração de vontade


(testamento, ato de instituição de uma fundação, denuncia de arrendamento,
declaração de escolha duma obrigação alternativa).
O negocio bilateral é constituído por duas ou mais declarações de vontade
convergentes, tendentes à produção de um resultado jurídico unitário (compra
e venda, sociedade, arrendamento, aluguer, empreitada, etc.).

Só há negocio jurídico bilateral ou contrato, quando uma parte formula e


comunica uma declaração de vontade (proposta) e a outra manifesta a sua
anuência (aceitação).
A autonomia privada tem a sua manifestação mais expressiva nos negócios
jurídicos bilaterais, ou contratos, enquanto liberdade contratual.

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A autonomia da vontade encontra, nesse domínio dos contratos obrigacionais,
a sua mais ampla dimensão.
Quanto aos negócios jurídicos unilaterais, autonomia da vontade não esta
excluída, mas sofre restrições muito acentuadas.

Há um importantíssimo negocio unilateral (o testamento), dirigido à disposição


dos bens para depois da morte, onde o grau de autonomia da vontade do
testador é bastante amplo, embora não ilimitado (2156º, 2186º, 2192º e 2198º
CC)

Nos negócios unilaterais dirigidos à produção de efeitos em vida da parte


respetiva, a autonomia privada esta sujeita a muito maiores restrições do que
nos contratos:
Ver mais: contratos unilaterais- testamento- pag105 e 106

 22.Aspetos contidos na liberdade contratual: a liberdade


contratual ou celebração dos contratos e a liberdade de
modelação do conteúdo contratual. As “clausulas
contratuais gerais” e os contratos por adesão

1- A liberdade contratual é, como referimos, a mais visível manifestação da


autonomia privada. Está aquela liberdade consagrada no artigo 405º do
código civil. Aí se estatui:

 “Dentro dos limites da lei, as partes têm a faculdade de fixar


livremente o conteúdo dos contratos, celebrar contratos diferentes dos
previstos neste código ou incluir nestes as clausulas que lhes aprouver.
 As partes podem ainda reunir no mesmo contrato regras de dois
ou mais negócios, total ou parcialmente regulados na lei”.

II- A liberdade de celebração dos contratos consiste na faculdade de


livremente realizar contratos ou recusar a sua celebração. Segundo tal
principio, a ninguém podem ser impostos contratos contra a sua vontade ou
podem ser aplicadas sanções por força de uma recusa de contratar nem a
ninguém pode ser imposta a abstenção de contratar. Se uma pessoa quiser,
pode celebrar contratos; se não quiser, a sua recusa é legitima.

Pode considerar-se tal principio da liberdade de celebração dos contratos


contido no âmbito dos sentidos implícitos no artigo 405º. Ter a faculdade de
fixar livremente o conteúdo dos contratos implica ser-se livre de os celebrar ou
não.
Excecionalmente estabelece o nosso ordenamento jurídico alguma restrição à
liberdade de celebração dos contratos implica ser-se livre ou limitações podem
consistir:

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A) Na consagração de um dever jurídico de contratar, pelo que a
recusa de contratar de uma das partes não impede a formação do
contrato ou sujeita o obrigado a sanções diversas – celebração
obrigatória do contrato de seguro de responsabilidade civil; dever
de aquisição de valores mobiliários; deveres de prestação de
serviços que impedem sobre os médicos em caso de urgência.

B) Na proibição de celebrar contratos com determinadas pessoas.

C) Na sujeição do contrato a autorização de outrem, eventualmente


de uma autoridade publica.

III- A liberdade de modelação do conteúdo contratual consiste na


faculdade conferida aos contraentes de fixarem livremente o conteúdo dos
contratos, celebrando contratos do tipo previsto no código civil, com ou sem
aditamentos, ou estipulando contratos de conteúdo diverso dos que a lei
disciplina. O principio esta expressamente consagrado no artigo 405º.
Podem, portanto, as partes:

a) Realizar contratos com as características dos contratos previstos e


regulados na lei (contratos típicos ou nominados), bastando, nessa
hipótese, para desencadear a produção dos respetivos efeitos, indicar o
respetivo nomen iuris (venda, arrendamento), sem necessidade de
convencionar a regulamentação correspondente

b) Celebrar contratos típicos ou nominados aos quais acrescentam as


cláusulas que lhes aprouver (aditamento de uma clausula condicional a
uma venda), eventualmente conjugando-se dois ou mais contratos
diferentes (contratos mistos, como por exemplo o arrendamento de um
prédio, mediante uma renda à qual acresce uma prestação de serviços
de arrendatário);

c) Concluir contratos diferentes dos contratos expressamente disciplinados


na lei (contratos atípicos ou inominados

A liberdade de fixação ou modelação do conteúdo dos contratos conhece


também algumas restrições, logo aludidas no artigo 405º (“dentro dos limites
da lei”)

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Impõe-se corrigir ou impedir os desenvolvimentos ilimitados da liberdade
contratual, assegurando uma situação de real liberdade e igualdade dos
contraentes, bem como as exigências da justiça social. Assim o reclama uma
consideração conjunta e permanente da personalidade do homem e da sua
socialidade.

Eis algumas dessas restrições:

a) Submete-se o objeto do contrato aos requisitos do artigo 280º


(designadamente são nulos os contratos contrários à lei, à ordem
publica e aos bons costumes);
b) São anuláveis em geral os chamados negócios usurários(art.282º)
c) A conduta das partes contratuais deve pautar-se pelo principio da boa fé
(art.762º nº2)
d) A lei reconhece e admite certos contratos-tipo que, celebrados a nível de
categorias económicas ou profissionais, contem normas a que os
contratos individuais, celebrados entre pessoas pertencentes às
referidas categorias, tem de obedecer; daí que se fale nestes casos de
contratos normativos (convenções coletivas de trabalho, cujas
disposições nos termos do art.531º cód. Trabalho, só podem ser
afastadas por contrato individual de trabalho “ quando este estabeleça
condições mais favoráveis para o trabalhador e se daquelas disposições
não resultar o contrário”)
e) Alguns contratos em especial estão necessariamente sujeitos a
determinadas normas imperativas art.1025º CC- ver mais pag.113

IV- Uma importante limitação de ordem pratica-não de ordem legal ou


jurídica- é liberdade de modelação do conteúdo contratual é a que se verifica
nos chamados contratos de adesão (ou por adesão).

São hipóteses em que uma das partes, normalmente uma empresa de


apreciável dimensão, formula prévia e unilateralmente as cláusulas negociais
(no comum dos casos, fazendo-as constatar de um impresso ou formulário) e a
outra parte aceita essas condições, mediante a adesão ao modelo ou impresso
que lhe é apresentado, ou rejeita-as, não sendo possível modificar o
ordenamento negocial apresentado(=adesão) de clausulas prévia e
unilateralmente redigidas para todos os (ou para determinada categoria de)
contratos que a empresa venha a celebrar no futuro, falando-se a esse
propósito, e perspetivando o fenómeno num momento anterior ao da efetiva
celebração com contrato, de “cláusulas contratuais gerais” ou (na expressão
empregue em vários países europeus) de “condições negociais gerais”
É o que sucede nos contratos de seguro, de transporte marítimo, aéreo
ou terrestre, de fornecimento de bens importantes para a vida quotidiana (gás
eletricidade, etc.) e frequentemente na venda de certos aparelhos
(eletrodomésticos), na mediação de venda de propriedades, etc.

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 Vantagens

 Vantagens para as empresas e para a vida económica na organização,


racionalização, e normalização da atividade contratual dirigida a um
numero elevado e indeterminado de clientes;
 Intenção do emitente do impresso de contrato de, melhorando a sua
posição, transferir certos riscos para a outra parte;
 Insuficiência dos tipos contratuais legalmente previstos para cobrir
satisfatoriamente formas negociais recentemente surgidos na vida
económica (contratos bancários, instalação de maquinas automáticas,
contratos com empresas imobiliárias, etc.)

Teoricamente não há restrições à liberdade de contratar.


O consumidor do bem ou serviço se não esta de acordo com as condições é
livre de rejeitar o contrato.
Simplesmente, esta liberdade seria a liberdade de… não satisfazer uma
necessidade importante, pois os contratos de adesão surgem normalmente em
zona do comércio onde o fornecedor esta em situação de monopólio ou quase
monopólio.

Rejeitar as condições apresentadas, e que o apresentante não aceita


discutir, significa a impossibilidade de satisfazer com outro parceiro contratual a
respetiva necessidade. Daí que o particular, impelido pela necessidade, aceite
as condições elaboradas pela outra parte- daí a restrição factual à liberdade
de contratar.

Entretanto, como veremos, a legislação hoje existente neste domínio


veio introduzir fortes limitações- também de um ponto de vista legal, portanto-
á liberdade de modelação do conteúdo contratual, a fim de proteger o aderente.

Perigos de abuso dos contratos de adesão-pág.115

A nossa ordem jurídica dispõe, desde 25 de outubro de 1985, de um


diploma muito importante sobre “clausulas contratuais gerais”: o decreto –
lei nº 446/85, de 25 de outubro.

Este diploma define ( no art.1º nº1 ) as clausulas contruais gerais como


as que são “elaboradas sem previa negociação individual, que proponentes ou
destinatários indeterminados se limitem, respetivamente, a subscrever ou
aceitar”.
Mas o legislador de 1999 veio prever que ele se aplica também- no que toca ao
controlo de inclusão das clausulas no contrato e ao controlo do conteúdo
destas- as clausulas inseridas em “contratos individualizados, mas cujo

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conteúdo previamente elaborado o destinatário não pode influenciar (art.º. 1º,
nº2).

 23. Domínio principal de aplicação da liberdade contratual:


os contratos obrigacionais

I- A liberdade contratual vigora em maior medida nos chamados


contratos obrigatórios ou obrigacionais, ou seja, naqueles contratos cuja
eficácia constitutiva, modificativa ou extintiva se situa no domínio das
obrigações em sentido técnico ou direitos de crédito.
Nestas categorias de contratos tem lugar a liberdade de conclusão ou
celebração dos contratos e são reduzidas as limitações à liberdade de
modelação do respeito conteúdo. Salvo essas limitações, as partes podem
produzir os efeitos obrigacionais que lhes aprouver.

II- Nos contratos com eficácia real, isto é, constitutivos,


modificativos ou extintivos de direitos reais, há liberdade de celebração, mas a
liberdade de fixação do conteúdo contratual sofre uma importante restrição.
Os contraentes, podendo embora celebrar contratos inominados, não
podem constituir direitos reais que não se integram nos tipos previstos na lei
(principio da tipicidade ou do “numerus clausus” dos direitos reais). Não é
possível alterar por contrato as características dos direitos reais tipificados pela
lei nem criar ex contractu outros tipos (art.1306º)

III- Nos contratos familiares, há liberdade de concluir ou não o


respetivo contrato- é o pensamento da autonomia que subjaz e enforma o
direito civil.
Quanto à liberdade de fixação do conteúdo contratual, ela esta excluída
no domínio dos contratos familiares pessoais. O casamento, a a perfilhação ou
a adoção são tipos contratuais rígidos, cujos efeitos estão preordenados na lei,
ao podendo ser modificados pelas partes.
No domínio familiar patrimonial (ex. convenções antenupciais) existe
liberdade de modelação do conteúdo contratual, quanto aos contratos
admitidos, embora essa liberdade conheça limitações (art.1714º).

IV- Quanto aos contratos sucessórios, isto é, dirigidos a reger a


sucessão por morte de uma pessoa, importa, desde já , acentuar que a lei só
os admite em medida limitadíssima e com carater excecional. A regra do nosso
direito é a da proibiçao dos pactos sucessórios, só se derrogando esta regra
em casos limitadíssimos ( art. 1700º).
A sucessão voluntária resulta, quase sempre de um negocio unilateral-
testamento. Quanto a este, há liberdade de celebração e liberdade de fixação
de conteúdo, salvo algumas restrições, alias importantes (impossibilidade de
afastar as legitimas, a proibição de substituições fideicomissárias em mais de

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um grau). Identicamente se passam as coisas nos contratos sucessórios nos
casos limitadíssimos em que a lei os admite(1700º).

24. Referencia esquemática às principais figuras e problemas


disciplinados pelo direito das obrigações

Ver se é importante

 25. principio da liberdade contratual, o mercado e o sistema


económico
Ver se é importante!

 3. A boa fé
 26. O principio da boa fé

A boa fé é hoje um principio fundamental da ordem jurídica,


particularmente relevante no campo das relações civis e, mesmo de todo o
direito privado.
Exprime a preocupação da ordem jurídica pelos valores ético-jurídicos
da comunidade, pelas particularidades da situação concreta a regular e por
uma juridicidade social e materialmente fundada.
O principio da boa fé ajusta-se e contribui para uma visão do direito em
conformidade com a que subjaz ao Estado de Direito Social dos nossos dias,
intervencionista e preocupado por corrigir desequilíbrios e injustiças, para lá
das meras justificações formais.
Assume uma importância muito grande no domínio dos contratos, em
permanente dialogo e contraponto com um outro principio fundamental, já
analisado, e que é o da autonomia privada.de todo o modo, ao fazermos estas
afirmações estamos a perspetivar o principio da boa fé como critério
normativo, e, portanto, num sentido objetivo.

II- Importa distinguir a boa fé em sentido objetivo da boa fé em


sentido subjetivo

 Sentido subjetivo:

Reporta se a um estado subjetivista, tem em vista a situação de quem


julga atuar em conformidade com o direito, por desconhecer ou ignorar,

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designadamente, qualquer vício ou circunstância anterior. Neste sentido
tradicional, a lei recorre à boa fé em inúmeras situações.

Assim, por exemplo no artigo 243º nº2, ao dizer que “a boa fé consiste
na ignorância da simulação”;
no artigo 291º nº3, ao considerar a boa fé o terceiro que “desconhecia,
sem culpa, o vício do negócio nulo ou anulável”;
no artigo 612º, ao entender por má fé “ a consciência do prejuízo que o
ato causa ao credor;
no artigo 1260º nº1, ao dizer que a posse é de boa fé “quando o
possuidor ignorava, ao adquiri-la, que lesava o direito de outrem” (relevante
para determinar os prazos para se poder adquirir por usucapião, nos termos
dos arts.1294º e ss); etc

 Sentido objetivo:

Em muitos outros casos a lei recorre à boa fé em sentido objetivo, sendo


este o sentido em que tal principio revela, na atualidade, todo o seu imenso
potencial jurisgénico e traduz a dimensão de justiça social e materialmente
fundada de que falamos atras.
Em sentido objetivo, pois, a boa fé, constitui uma regra jurídica, é um
principio normativo transpositivo e extral egal para que o julgador é remetido a
partir de clausulas gerais. Não contem ele próprio a solução, antes é remetido
a partir de cláusulas gerais. Não contem, ele próprio, a solução, antes consagra
o critério solução, carecendo para o efeito da mediação concretizadora do
aplicador, maxime do juiz.

Aplicado aos contratos, o principio da boa fé em sentido objetivo


constitui uma regra de conduta segundo a qual os contraentes devem agir de
modo honesto, correto e leal, não só impedindo assim comportamentos
desleais como impondo deveres de colaboração entre eles.

 É neste sentido que o artigo 227º nº1 fala das “regras da boa fé”;
 que o artigo 239º apela aos “ditames da boa fé” na integração do
negocio jurídico
 que o artigo 334º menciona os “limites impostos pela boa fé” como
critério do abuso do direito;
 que o artigo 437º nº1 consagra os “princípios da boa fé” como
exigência a ponderar em caso de alteração anormal das circunstancias;
 que o artigo 762º n2º, manda os contraentes proceder “de boa fé” no
cumprimento da obrigação e no exercício do direito correspondente;
etc.

É ainda a boa fé que em certa medida conforma a relação contratual,


pois é ela um dos critérios a que se recorre para determinar o âmbito da
vinculação negocial. Quer dizer que “do contrato fazem parte não só as
obrigações que expressa ou tacitamente decorrem do acordo das partes, mas
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também, designadamente, todos os deveres que se fundam no principio da boa
fé no enriquecimento do conteúdo do contrato, mormente por constituir a matriz
dos denominados deveres laterias, como os deveres de cuidado para com a
pessoa e o património de contraparte, os deveres de informação e
esclarecimento, etc.
Por ultimo, do ponto de vista da responsabilidade em que as partes
podem incorrer, a violação da boa fé é suscetível de geral responsabilidade
pré-contratual, responsabilidade contratual ou mesmo responsabilidade pós
contratual, consoante o momento em que ocorra tal violação.

III- Uma manifestação especialmente relevante do principio da boa fé e


que vem adquirindo já hoje uma particular densidade e identificação é o
principio da confiança. Alias, varias das soluções legislativas que apelam ao
principio da boa fé em sentido objetivo são em grande medida inspiradas pela
necessidade de tutela da confiança.

Trata se no fundo de acolher a ideia de que, em certos casos, deve relevar


juridicamente a confiança justificada de alguém no comportamento de outrem,
quando este tiver contribuído para fundar essa confiança e ela se justifique
igualmente em face das circunstancias do caso concreto. Essa relevância
jurídico pode levar a atribuir efeitos jurídicos a uma situação tão-só aparente,
ou ficar-se, como sucederá normalmente, por criar a obrigação de
indemnização pela frustração das legitimas expectativas2.

2. É o que se passa, como veremos mais à frente, quando existe obrigação de


indemnizar, alem do direito à anulação do negocio, em caso de dolo ou de coação
moral, designadamente (arts.254º,256º), ou por culpa na formação de
contrato(art.277º).

 4. A Responsabilidade civil
 27. Noção. Características gerais

I. Na vida social os comportamentos-ações ou omissões-adotados por uma


pessoa causam muitas vezes prejuízos noutrem. O devedor não executa ou
executa defeituosamente a prestação a que esta adstrito.; o condutor de um
veiculo atropela um transeunte; um individuo destrói uma coisa de outrem.
Em casos deste tipo, cuja variedade é inesgotável, poe o problema de saber
quem deve suportar o dano verificado. Deverá o prejuízo ficar a cargo da
pessoa em cuja esfera jurídica ele foi produzido ou deverá, antes, impor-se a
obrigação do seu ressarcimento à pessoa cujo comportamento provocou uma
lesão na esfera de outrem?

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II. Quando a lei impõe ao autor de certos factos ou benefícios de certa
atividade a obrigação de reparar os danos causados a outrem, por esses factos
ou por essa atividade, depara-se-nos a figura da responsabilidade civil.
A responsabilidade civil atua, portanto, através do surgimento da obrigação
de indemnizar. Esta tem precisamente em vista tornar indemne, isto é, sem
dano o lesado; visa colocar a vitima na situação em que estaria sem a
ocorrência do facto danoso.

A responsabilidade civil consiste, por conseguinte, na necessidade


imposta pela lei a quem causa prejuízos a outrem de colocar o ofendido na
situação em que estaria sem a lesão (arts.483º e 562º). Esta reconstituição da
situação em que o lesado estaria sem a infração deve em principio ter lugar
mediante uma reconstituição natural (restauração natural, restituição ou
execução especifica). É essa a lição do artigo 566º nº1 do CC. Quando a
reconstituição natural for impossível, insuficiente ou excessivamente onerosa, a
reposição do lesado na situação em que estaria sem o facto lesivo terá lugar
mediante uma indemnização em dinheiro (reconstituição ou execução por
equivalente). Das duas formas que pode revestir a reconstituição das coisas a
indemnização em dinheiro ou por equivalente é a hipótese largamente
maioritária, pois raramente o lesado ficará completamente indemnizado com a
reconstituição natural, mesmo quando esta for possível.

III- A indeminização em dinheiro cobre os danos patrimoniais sofridos pelo


lesado, isto é, os prejuízos suscetíveis de avaliação em dinheiro.
No dano patrimonial estão compreendidos o dano emergente, ou seja, o
prejuízo imediato sofrido pelo lesado, e o lucro cessante, quer dizer, as
vantagens que deixaram de entrar no património do lesado em consequência
da lesão (art.564º nº1). O ressarcimento por equivalência dos danos
patrimoniais é uma verdadeira indeminização, dada a identidade de natureza
entre carater patrimonial dos bens lesados e uma dada soma pecuniária.

O direito civil português manda, contudo, atender também na fixação da


indemnização aos danos não patrimoniais que, pela sua gravidade,
mereçam a tutela do direito (art.496º nº1). Estes danos não patrimoniais
-tradicionalmente designados por danos morais- resultam da lesão de bens
estranhos ao património do lesado (a integridade física, a saúde, a
tranquilidade, o bem-estar físico e psíquico, a liberdade, a honra, a reputação).
A sua verificação tem lugar quando são causados sofrimentos físicos ou
morais, perdas de consideração social, inibições ou complexos de ordem
psicológica, vexames (vergonha, opressão), etc., em consequência de uma
lesão de direitos avaliáveis em dinheiro, a atribuição de uma soma pecuniária
correspondente legitima-se, não pela indeminização ou reconstituição, mas
pela de compensação.

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Os interesses cuja lesão desencadeia um dano patrimonial são infungíveis,
não podem ser reintegrados mesmo por equivalente. Mas é possível, em certa
medida, contrabalançar o dano, compensá-lo mediante satisfações derivadas
da utilização do dinheiro. Não se trata, portanto, de atribuir ao lesado um “preço
de dor” ou um “preço do sangue”, mas lhe proporcionar uma satisfação, em
virtude da aptidão do dinheiro para propiciar a realização de uma ampla gama
de interesses, na qual se podem incluir mesmo interesses de ordem
refinadamente ideal.

IV- Além da existência de um dano e de uma ligação causal entre o facto


gerador de responsabilidade e o prejuízo, devem verificar-se outros
pressupostos para o surgimento da responsabilidade civil.
Necessário se torna, em principio, que o facto seja ilícito, isto é, violador de
direitos subjetivos ou interesses alheios tutelados por uma disposição legal, e
culposo, ou seja, passível de uma censura ético-jurídica ao sujeito atuante.
Escrevemos, em principio, pois há certos casos expressamente previstos na lei
em que a responsabilidade civil prescinde da culpa e da ilicitude.

A culpa traduzida numa reprovação ou censura de conduta


desrespeitadora dos interesses tutelados pelo direito, pode resultar da
existência de uma intenção de causar um dano violando uma proibição (dolo)
ou da omissão dos deveres de cuidado, diligência ou perícia exigíveis para
evitar o dano (negligencia ou mera culpa).

Aos factos ilícitos praticados com dolo (intencionais) dava-se, por


vezes, a designação de delitos e aos factos ilícitos meramente culposos a
de quase-delitos. Embora a responsabilidade civil deva conduzir à
reconstituição da situação que existira se não se tivesse produzido o evento
que obriga à reparação (art.562º), a nossa lei admite uma limitação equitativa
quando a responsabilidade se funde em mera culpa (art.494º). Diversamente,
os factos dolosos implicam a necessidade de reparar todos os danos
causados.

V- Temos estado a considerar exclusivamente a responsabilidade civil.


Ao lado desta deve considerar, porém, a responsabilidade criminal.
Em harmonia com o sentido da distinção entre direito civil e direito
criminal, enquanto a responsabilidade civil se dirige à restauração, específica
ou por equivalente, dos interesses individuais lesados, a responsabilidade
criminal visa satisfazer interesses da comunidade, ofendida pelo facto ilícito
criminal.
A responsabilidade criminal manifesta-se na aplicação de uma pena
ao autor do facto criminoso. A pena, diversamente da responsabilidade civil,
não visa restabelecer os interesses privados da pessoa ofendida. Traduz-se na
produção de um mal a sofrer pelo agente criminoso, com a finalidade de
retribuir o mal causado à sociedade com a infração (retribuição), de intimidar as
outras pessoas, mostrando-lhes como a sociedade rege ao crime (prevenção
geral) e de impedir o próprio infrator de cometer novas infrações, segregando-o
do convívio social ou aproveitando a reclusão para uma atividade regeneradora
(prevenção especial).

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Ao lado da responsabilidade criminal, há também que considerar a
responsabilidade por pratica de ilícitos de mera ordenação social-
responsabilidade contraordenacional. Resulta esta igualmente da violação de
regras de conduta, as quais, todavia, têm um cariz predominantemente
administrativo ou de mera ordenação social, sem a relevância axiológica-social
(violação do mínimo ético) que é característica das violações criminais. É o
caso do estacionamento em local proibido ou condução sob o efeito de álcool,
etc. pág. 131.

A responsabilidade civil e a responsabilidade criminal podem


coexistir e ser desencadeadas pelo mesmo facto (factos ilícitos civis e criminais
simultaneamente). É o caso do homicídio, do furto, das ofensas corporais, da
difamação, da calunia, da injúria. Há nestes casos lugar à aplicação de uma
pena (prisão, multa) ao agente e tem lugar igualmente uma obrigação de
indemnização dos danos patrimoniais ou não patrimoniais causados. Certos
factos ilícitos são, porem, apenas ilícitos civis (v.g. o não cumprimento de uma
divida), enquanto outro são apenas ilícitos criminais (v.g. a mera tentativa ou a
frustração de um crime).

 28.Responsabilidade por atos ilícitos pág. 132-136 em


Fotocopias

 29.Responsabilidade contratual e extracontratual; a chamada


“terceira via”

I- Uma tradicional dicotomia da ciência jurídica é a distinção entre


responsabilidade contratual e responsabilidade extracontratual.

A primeira é originada pela violação de um direito de crédito ou


obrigação em sentido técnico; é a responsabilidade do devedor para
com o credor pelo não cumprimento da obrigação.
A segunda resulta da violação de um dever geral de abstenção
contraposto a um direito absoluto (direito real, direito de personalidade).

Existem entre as duas formas de responsabilidade algumas diferenças


de regime (por exemplo: arts. 500º e 800º; 487º nº1, e 799º; 498º e
309º), embora quanto aos pontos fundamentais de obrigação de
indemnização (arts.562º ss.), haja coincidência da disciplina respetiva.

II- Da definição dada à noção de responsabilidade contratual logo


resultou não ser esta designação muito rigorosa.
Com efeito, as obrigações cujo inadimplemento (incumprimento)
acarreta responsabilidade contratual podem provir de uma fonte diversa
do contrato (v.g. negócio unilateral, gestão de negócios). Por esta razão
propõem alguns autores, em substituição da formula responsabilidade
contratual, as expressões responsabilidade negocial ou responsabilidade
obrigacional.

16
….pag.137

Tem sido defendida um conjunto de hipóteses de responsabilidade civil,


a sua localização entre a responsabilidade aquiliana e a responsabilidade
contratual- uma “terceira via” na responsabilidade civil que seria justificada pelo
fundamento destas hipóteses e pelo regime particular a que estariam sujeitas.
5. A concessão de personalidade jurídica às
pessoas coletivas

 30. A personalidade coletiva e os tipos de pessoas coletiva

I- Ao lado Da personalidade jurídica reconhecida a todas as pessoas


singulares, o nosso direito civil, verificados certos requisitos, atribui
personalidade jurídica às chamadas pessoas coletivas.

As pessoas coletivas são coletividades de pessoas ou complexos


patrimoniais organizados em vista de um fim comum ou coletivo a que o
ordenamento jurídico atribui a qualidade de sujeitos de direitos.
As pessoas coletivas tornam-se centros de uma esfera jurídica própria,
autónoma em relação ao conjunto de direitos e deveres encabeçados
pessoalmente nos seus membros ou serventuários. Possuem um património
próprio, separado das pessoas singulares ligadas à pessoa coletiva. São
titulares de direitos e destinatários de deveres jurídicos; adquirem direitos e
assumem obrigações através da prática de atos jurídicos, realizados em seu
nome pelos seus órgãos.
Ver pág.139

III. Considerando a expressão pessoa coletiva em sentido lato, podemos


distinguir dentro desta noção três modalidades fundamentais em
correspondência com a terminologia e a classificação feita pelo código civil
(art.157º).
Deparem-se-nos as associações (coletividades de pessoas que não tem por
escopo o lucro económico dos associados), as fundações (complexos
patrimoniais ou massas de bens afetados por uma liberdade à prossecução de
uma finalidade estabelecida pelo fundador ou em harmonia com a sua vontade)
e as sociedades (conjunto de pessoas-duas ou mais- que contribuem com
bens ou serviços para o exercício de uma atividade económica dirigida á
obtenção de lucros e à sua distribuição pelos sócios).

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 31. Natureza da personalidade coletiva
A existência de pessoas coletivas resulta da existência de interesses humanos
duradouros e de caráter comum ou coletivo.

O Desenvolvimento deste tema… esperar até dar

 6. A propriedade privada

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