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GOVERNO DO ESTADO DE MATO GROSSO

SECRETARIA DE ESTADO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA


UNIVERSIDADE DO ESTADO DE MATO GROSSO
CAMPUS UNIVERSITÁRIO DE SINOP
CURSO DE ENGENHARIA CIVIL

ÁLGEBRA LINEAR

I – Conteúdo programático nesta Unidade I:


- Matrizes e determinantes
- Sistemas lineares
Estudo das matrizes
Chamamos de matrizes uma tabela de elementos dispostos em linhas e colunas.
Exemplo:
Tomando os dados referentes a altura, peso e idade de um grupo de 4 pessoas, temos:
Altura (m) Peso (kg) Idade (anos)
Pessoa 1 1,70 70 23
Pessoa 2 1,75 60 45
Pessoa 3 1,60 52 25
Pessoa 4 1,81 72 30
Assim obtemos a matriz:
1,70 70 23
1,75 60 45
 
1,60 52 25
 
1,81 72 30 
I) Definição: Sejam m  1 e n  1 dois números inteiros. Uma matriz real m  n é uma dupla
seqüência de números reais, distribuídos em m linhas (horizontal) e n colunas (vertical), formando
uma tabela que se indica por:
 a11 a12  a1n 
 
 a 21 a 22  a2 n 
     
 
 am1 am 2  a mn 
Abreviadamente: Indicamos por A = (aij) m n a matriz A com m linhas e n colunas onde i indica a
linha e j indica a coluna, podemos escrever ainda: (aij)1  i  m ou simplesmente (aij).
1jn

Exemplos:
 2 x  1
2 5 8   
 ,  2 3 , 3 0 1 e 1
 1 4 10  
0 x 
Você pode escrever assim:
2 5 8  2 5 8  2 5 8
 A    ou A    ou A 
 1 4 10  1 4 10 1 4 10
A matriz A tem 2 linhas e 3 colunas, assim podemos indicar: A = (aij) 23
𝑎 : termo geral, é o elemento que ocupa a i-ésima linha e j-ésima coluna
Indicamos por Mm  n(ℝ) o conjunto das matrizes reais m  n.
2

Exemplo: Determinar a matriz A = (aij) 23 sendo aij = 2i + 3j –1


Você não pode escreve assim:
2 5 8
,
1 4 10
pois isso é notação de determinantes e não de matriz.

II) Tipos de matrizes:


1) Matriz quadrada: m = n, ou seja, o número de linhas é igual ao número de colunas.
Indicação: M n (ℝ), dizemos que é uma matriz de ordem n.

1 9
Exemplo: A   
 6 0 
Na matriz quadrada destacamos a diagonal principal e a diagonal secundária, a diagonal principal
é composta pelos elementos aij para os quais i = j, a diagonal secundária é aquela composta dos
elementos aij, para os quais j = n – i + 1.

2) Matriz identidade: matriz quadrada cujos elementos da diagonal principal são todos iguais a
1 e os demais elementos são todos iguais a zero. Indicamos tal matriz por In.

Exemplo:
1 0 0
 
I3   0 1 0
0 0 1
 
3) Matriz Diagonal
É uma matriz quadrada em que todos os elementos fora da diagonal principal são iguais a
zero.
 2 0 0 

D 0 2 0 
 
0 0 3 
 4
4) Matriz linha: m = 1

Exemplo:
B = ( -2 ½ 0 4 )

5) Matriz coluna: n = 1

 6
 
Exemplo: A   5
 3
 
3

Exercícios

1. A temperatura corporal de um paciente foi medida, em graus Celsius, três vezes ao dia, durante
cinco dias. Cada elemento aij da matriz abaixo corresponde à temperatura observada no instante
35,6 36, 4 38, 6 36, 0 38, 0 
i do dia j.  36,1 37, 0 37, 2 40,5 40, 4 
35, 5 35, 7 36,1 37, 0 39, 2 
Determine:
a) o instante e o dia em que o paciente apresentou a maior temperatura;
b) a temperatura média do paciente no terceiro dia de observação.
2. Antônio, Bernardo e Cláudio saíram para tomar chope, de bar em bar, tanto no sábado quanto no
domingo. As matrizes a seguir resumem quantos chopes cada um consumiu e como a despesa foi
dividida:
 4 1 4  5 5 3
S =  0 2 0  e D =  0 3 0 
 
 3 1 5   2 1 3
S refere-se às despesas de sábado e D às de domingo.
Cada elemento aij nos dá o número de chopes que i pagou para j, sendo Antônio o número 1, Ber-
nardo o número 2 e Cláudio o número 3 (aij representa o elemento da linha i, coluna j de cada ma-
triz).
Assim, no sábado Antônio pagou 4 chopes que ele próprio bebeu, 1 chope de Bernardo e 4 de Cláu-
dio (primeira linha da matriz S).
a) Quem bebeu mais chope no fim de semana?
b) Quantos chopes Cláudio ficou devendo para Antônio?

 i 2 2i 
3. Encontre a matriz A = (aij)2x2 tal que A   .
 j 2 j 
4. Calcule a soma dos elementos da segunda coluna da matriz B = (bij)2x3, em que bij = 2i + j – 1.
5. Determine a soma dos elementos da diagonal principal com os elementos da diagonal secundária
da matriz A = (aij) de ordem 4, em que aij = i – j.
6. Construa as matrizes:
a) A = (aij)1x3, tal que aij = 2i – j .
i  j , se i  j
b) B = (bij)4x2, tal que bij   .
i  j , se i  j
(1)i  j , se i  j
c) C = (cij)3x3, tal que cij   .
0, se i  j
7. Uma confecção vai fabricar 3 tipos de roupa utilizando materiais diferentes. Considere a matriz
A = (aij), em que aij representa quantas unidades do material j serão empregados para fabricar
uma roupa do tipo i.
5 0 2
A   0 1 3 
 4 2 1 
a) Quantas unidades de material do tipo 3 serão empregadas na confecção de uma roupa do
tipo 2?
b) Calcule o total de unidades do material 1 que será empregado para fabricar cinco roupas do
tipo 1, quatro roupas do tipo 2 e duas roupas do tipo 3.
4

III) Igualdade de matrizes


Considere as matrizes de mesmo tipo: A = (aij) e B = (bij). Se cada elemento de A for igual ao
elemento correspondente (que ocupa a mesma posição) de B, as matrizes A e B são ditas iguais.
Exemplo: As matrizes
 3 8  4 1 5  3
   
A   0 5  e B   2  2 5 1 
 1 2   1 2 4 : 2 
   
são iguais.

IV) Mais alguns tipos de matrizes


5) Matriz transposta (At )
Se A = (aij) m  n sua transposta será At = (bji) tal que bji = aij
 2 1
 2 1 0  
Exemplo: A     A   1 3 
t

1 3 5  0 5
 
6) Matriz simétrica
É uma matriz quadrada A de ordem n > 0 natural, em que aij = aji, em outras palavras, é quando A
= At.
 4 3  1
 
Exemplo: A 3 2 0 
1 0 5 
 
7) Matriz anti-simétrica
É uma matriz quadrada A de ordem n > 0 natural, em que aij = – aji, em outras palavras, é quando A
= – At.
 0 2  3
 
Exemplo: A   2 0 5 
 3 5 0 
 
Exercícios:

1. Determine o valor de cada incógnita para que as matrizes sejam iguais:


 3 a b  x  2 5 1 
A  e B   4
c  1 4 0   y z  3
2. Determine a, b, x e y, sabendo que:
 x  y 2 a  b   3 1 
  
 2x  y a  b   0 7 
3. Determine a transposta das matrizes:
1 2 3 4
5 6 7 8
a) M    b) A = (aij) quadrada de ordem 2 com aij = ij + 2.
 9 10 11 12 
 
13 14 15 16 
1 2
 
t
 , mostre que A  A .
t
4. Dada a matriz A = 
3 4
5

 1 2 3 1 𝑥 2
 
5. A matriz A   x y z  admite a transposta 𝐴𝑡 = 𝑥 − 2 𝑦 1 . Nessas condições, cal-
2 1 z 3𝑦 6 − 𝑦 𝑧
 
cule x, y e z.
 0 x2 
6. Determine x para que a matriz M    seja simétrica.
 4 1 
V) Operações com Matrizes
1) Adição (A + B)
Sejam A = (aij) e B = (bij) matrizes m  n. A adição de A com B, indicada A + B, será a matriz C cujo
termo geral é dado por: cij = aij + bij.

 3 4 5   5 7 1
Exemplo: Dadas as matrizes A =   eB=   , calcule A + B.
 1 3 0   2 10 9 

Propriedades:
- Comutativa: A + B = B + A
- Associativa: A + (B + C) = (A + B) + C
- Elemento neutro: Existe uma matriz O, chamada de matriz nula, pois é composta por zeros,
tal que:
A+O=O+A=A
- Existência da matriz oposta: Dada uma matriz A Existe uma matriz B = –A, tal que:
A + (–A) = O
2) Subtração:

A – B = A + (–B)
 3 4 5  5 7 1
Exemplo: Dadas as matrizes A =   eB=   , calcule A – B.
 1 3 0    2 10 9 
 3 2    2 0 
Exemplo: Sendo A    e B  , calcule X, tal que X + A – B = 0.
  1 5   4  3 
0, se i  j

Exemplo: Dada a matriz A = (aij)3×3 na qual aij  1, se i  j , calcule A – At + I3.
1, se i  j

Exercícios:

 1 1 0 
1. Dada a matriz A   2 3 4  , obtenha a matriz X tal que X = A + At.
 0 1 2 
2. Considere as seguintes matrizes:
A = (aij)2×3, definida por aij = i + j e B = (bij)2×3, definida por bij = i – j
Determine o elemento c23 da matriz C = A + B.

 1 2 y   y2 1  0 3
3. Sejam as matrizes A   e B  . Se A  B    , determine a transposta de
3 x  0 y  3 3
A.
6

 2 5 1  4 5 0 
4. Dadas as matrizes A   0 3 6  e B   1 3 8  .
 
 2 1 7   6 9 1
a) Calcule At + Bt e (A + B)t.
b) O que você pode observar nos cálculos do item a?
5. Sejam as matrizes A = (aij)2×2, com aij = 2i – j2 e B = (bij)2×2, com bij = aij + 1, encontre a matriz
X de modo que:
a) X – A + B = 0 b) X – At + Bt = 0 c) – A – X = – B

3) Multiplicação de uma matriz por um número

Dados a matriz A = (aij)m n e um número real , o produto de  por A é a matriz real m  n dada por:

  .a11  .a12   .a1n 


 
  .a  .a22   .a2 n 
 . A   21
    
 
 .a m1  .a m 2   .a mn 

 3 -4 5 
Exemplo: Calcule 2.A sendo A =   .
1 3 0 
Propriedades:
- ( . ) A =  ( A)
- ( + ) A =  A +  A
-  (A + B) =  A +  B
- IA=A

 3 2 1  4 2 0 
Exemplo: Sendo A    e B   , Dê a matriz X, tal que 2X + A – B = 0.
 0 5 4   3 1 1

Exercícios:

 1 2 0   3 6 12 
1. Dadas as matrizes A    e B  , determine:
 5 4 3   9 6 15 
a) – 2A 1 1 d) −4𝐴 − 𝐵
b) B c) ( A  B)
3 2

 x 2 5  8 10 
2. Encontre o valor de x para que a igualdade 2    seja verdadeira.
 1 1  2 x 
X Y  A  B  3  1
3. Resolva o sistema  , sendo A    e B    .
X Y  2A  B  2  5
 1 2
 5 1 3
4. Calcule a matriz X sabendo que A   1 0  e B   t
 e (X – A ) = B.
 2 0 2 
 4 3 
7

4) Multiplicação de matrizes.
Sejam A = (aij)m  n e a matriz B = (bij) n  p. O produto A.B (também indicado AB) é matriz C = (cij) m
 p cujo termo geral cij é obtido somando-se a multiplicação ordenada dos elementos da i-ésima linha
pela j-ésima coluna.
Observação (IMPORTANTE): Só definimos (ou só existe) o produto de duas matrizes A e B,
quando o número de colunas da 1a for igual ao número de linhas da 2a .
Am  n . Bn  p = Cm  p

Exemplo: Calcular A.B e A.C sendo


 1  2
 3 -4 5    - 2 5 7 
A =   B =  5 0 e C =  
1 3 0  1 3  0 2 6
 
Propriedades:
- A (BC) = (AB) C (associativa)
- A ( B + C ) = AB + AC (distributiva à esquerda)
- (A + B ) C = AC + BC (distributiva à direita)
Obs. No geral AB  BA, mas se AB = BA dizemos que as matrizes são comutáveis.
Exemplo: A.B ≠ B.A no exemplo anterior.

 2 3 14 
Exemplo: Resolva a equação matricial AX = B, em que A    e B   .
 5 1 9
Exercícios:

1. Efetue, quando possível:


 2 3  3   2  3
a)       
 5 1   2  c) 1 3 5  0  e)  2   0 3 2 
 1 1   3 1
   
1 4 0 
b)   2 5  3 1 5 1 2 
 2 3 5   3 3  d)   
   4 2 2   4 5 
2. Sejam A = (aij)4  3 B = (bij) 3  4 duas matrizes definidas por aij = i + j e bij = 2i + j, respectivamente.
Se AB = C , então qual é o elemento c32 da matriz C ?

3. Seja A = (aij) de ordem 2 real definida por aij = 1 se i ≤ j e aij = – 1 se i > j . Calcule A2.

3 2 0 1
4. Dados A    e B   , calcule AB e BA. As matrizes A e B comutam?
5 1 3 0

a 1 3 2 
5. Considere a matriz A    . Determine a e b reais, tais que: A  2 A  
2
.
 0 b   0  1 

Definição: Uma matriz A de ordem n se diz inversível se, e somente se, existe uma matriz B, tam-
bém de ordem n, tal que:

A.B = B. A = In
8

Esta matriz B, caso exista, é única e chama-se inversa de A e indica-se por A–1.

Então: A.A –1 = A –1.A = In


 2 0 1 0 
Exemplo: A matriz A =   é inversa de B =  2
 0 1  , verifique isso.
0 1  

Obs: 1) Se uma linha (ou coluna) de uma matriz A é nula, então a não é invertível.
Prove isto.

2) Se A e B são matrizes de ordem n, ambas invertíveis, então AB também é invertível e temos:


(A B) –1 = B –1. A –1.

Exemplo: Encontre duas matrizes invertíveis A e B de ordem 2 por 2 e demonstre a afirmação acima
para esse caso particular.

Determinação da Inversa.

Para determinarmos a inversa de uma matriz utilizaremos um algoritmo. Para tanto definimos:

Definição: dada uma matriz A entendemos por operações elementares com as linhas de A, qualquer
uma das seguintes alternativas:
a) permutar duas linhas de A
b) multiplicar uma linha de A por um número diferente de zero
c) somar a uma linha de A uma outra linha de A multiplicada por um número.

Se uma matriz B é obtida de A através de um número finito dessas operações, dizemos que B é equi-
valente a A, isto é, B  A
Teorema: Uma matriz é invertível se e só se I  A.
Neste caso, a mesma sucessão de operações elementares que transforma A em In, transformam In em
A –1.

O algoritmo que utilizaremos para determinar a inversa de uma matriz consiste em:
1) colocar a matriz An e a matriz In lado a lado, separadas por uma reta
2) utilizaremos as operações elementares visando transformar a matriz An na In. Essas opera-
ções serão aplicadas simultaneamente em An e em In.
3) Quando transformamos An em In teremos transformado In em A –1.
Exemplo: Verificar se as matrizes dadas são inversíveis e determinar sua inversa, caso exista.

1 1 0 1 2 6
   2 0  
a) A   0 1 1  b) B    c) C   0 1 5 
1 0 2  0 1 2 3 7
   

Exercícios.

1) Escrever a matriz A 22 e a matriz B22 sendo:


(aij) = – 2i + 3j e (bij) = i + j
9

2) Utilizando as matrizes do exercício 1, calcule:


a) X – 2 I = 3X –3 ( A – 2 B)
b) –3 A + 2 B c) At – Bt d) A.B

3) a) Dada a matriz A = (aij)3x2, tal que aij = 2i + j, obtenha as matrizes A e B, sendo B a transposta
de A.
b) Determine as matrizes C = 3A e D = AB.

 1 0 2
 
4) Verifique se a matriz A   2  1 3  é invertível. Em caso afirmativo, determine A-1.
4 1 8
 

4) Considere as matrizes de M3(ℝ):

1 0 0  4 0 0
   
A  0 2 0 e B  0 2 0
0 0 4  0 0 4
   
determine B.A

5) Sendo A e B do exercício anterior, determine X e Y de M3(ℝ) tal que:

2 X  Y  A  B

 X Y  A B

Determinantes
A cada matriz quadrada de ordem n, A = (aij) está associado um número real chamado determi-
nante de A, denotado por Det (A), ou A ou

a11 a12 ... a1n


a21 a 22 ... a 2 n

an1 a n 2 ... a nn
A função determinante é um instrumento indispensável para investigar e obter propriedades de ma-
trizes quadradas.

1) Determinantes de ordem um e dois

Define-se como segue os determinantes de ordem um e dois:


a11 = a11 a11 a12
= a11 a22 – a12 a21
a21 a22
Assim, o determinante de uma matriz quadrada de ordem 1, isto é, sendo A = (aij )1  1 temos que
det (A) = a11
10

Exemplos: Calcule o determinante das matrizes abaixo:

a)  24  5 4
b)  
 2 -3 
2) Determinante de matriz de ordem 3 (Regra de Sarrus)

a11 a12 a13


a21 a22 a23
a31 a32 a33

A regra de Sarrus pode ser utilizada seguindo-se os passos:

1o passo: Repetimos as duas primeiras colunas ao lado da terceira

2o passo: Fazemos a soma do produto dos elementos da diagonal principal com os dois produtos
obtidos pela multiplicação dos elementos das paralelas a essa diagonal.
Obs: o sinal dessa soma será multiplicado por +1, isto é, conserva-se o sinal da soma

3o passo: Fazemos a soma do produto dos elementos da diagonal secundária com os dois produtos
obtidos pela multiplicação dos elementos das paralelas a essa diagonal
Obs: está soma será multiplicada por –1, isto é o sinal da soma será trocado.

Assim teremos que:

a11 a12 a13


a 21 a 22 a 23 = + (a11a 22 a33 + a 12a23a 31 + a13a 21 a 32) – (a 13 a 22 a 31 + a 11 a 23 a 32 + a 12 a 21 a 33)
a31 a32 a33

Exemplo: Calcule o determinante das matrizes:

 2 3 -1  0 1 1
A =  4 1 2  B = 1 3 -3
- 3 2 1  0 4 5

3) Propriedades dos determinantes:

P1) Quando uma matriz tem uma fila (linha ou coluna) nula, o determinante dessa matriz será nulo
Exemplo:

 3 0 15 
 2 0 -3 
 
 - 1 0 7 

P2) Se duas filas de uma matriz são iguais, então seu determinante é nulo
Exemplo:
11

2 1 3 
4 2 9
 
 2 1 3 

P3) Se duas filas de uma matriz são proporcionais, então seu determinante é nulo
Exemplo:
1 4 2 
2 1 4 
 
 3 2 6 

P4) O determinante de uma matriz e o de sua transposta são iguais


Exemplo:

 2 3 -1 
 4 1 2
 
- 3 2 1 

P5) Multiplicando por um número real todos os elementos de uma fila em uma matriz, o determi-
nante dessa matriz fica multiplicado por esse número
Exemplo:

 2 3 -1 
 4 1 2
 
- 3 2 1 

P6) Quando trocamos as posições de duas filas paralelas, o determinante de uma matriz muda de si-
nal.
Exemplo:

 2 3 -1 
 4 1 2
 
- 3 2 1 

P7) Quando, em uma matriz, os elementos acima ou abaixo da diagonal principal são todos nulos, o
determinante é igual ao produto dessa diagonal
Exemplo:

2 3 - 1 
0 1 2 
 
0 0 1 

P8) Quando, em uma matriz, os elementos acima ou abaixo da diagonal secundária são todos nu-
los, o determinante é igual ao produto dessa diagonal multiplicado por (-1)
12

Exemplo:
 2 3 -1
 4 1 0
 
- 3 0 0 

P 9) Para A e B matrizes quadradas de mesma ordem n, temos que

Det ( A . B) = Det (A) . Det (B)

Exemplo:

 2 3 -1  0 1 1
A =  4 1 2  B= 1 3 -3
- 3 2 1  0 4 5

1
P10) Como A . A –1 = I temos que det(A –1) = .
det A

P11) Se k ℝ, então det (k . A ) = k n . det A


Exemplo:
 2 3 -1 
5 4
A=   e B =  4 1 2 
 2 -3  - 3 2 1 

Exercícios

1) Calcule o determinante das matrizes abaixo:

1 1  1 3 1 
a) A = 2 3
  b)  2 1 0 
 0 1 1 

k k
2) Ache os valores de k para os quais =0
4 2k

1 / 2  1 - 1/3 
3) Ache o determinante de A = 3/4 1/2 - 1 
 
1 -4 1 

4) Calcule o determinante da matriz A de ordem 2 × 2, cujos elementos são:


𝑎 = 𝑖 + 2𝑗, se 𝑖 ≥ 𝑗
𝑎 = 𝑖 − 𝑗, se 𝑖 < 𝑗
13

2 5 x 1
5) Resolva a equação  .
x 5 4 x
x 3x
6) Resolva a inequação  14
4 2x
2 1 1
   1 
7) Dada a matriz A   3 1 2  e a função f (x) = –x2 – x – 1, calcule f   .
 1 1 0   DA 
 

Determinantes e Matriz Inversa


I) Inversa de uma matriz quadrada de ordem 2

Já vimos que uma matriz quadrada A é invertível, isto é, admite inversa, (ou A é não singular) se
A . B = B . A = I, sendo B = A –1

 a b
Considere a matriz de ordem 2 A =   . Se det A  0, a inversa de A se obtém:
c d
1) permutando os elementos da diagonal principal
2) tomando os negativos dos outros elementos
3) multiplicando a matriz por 1/  A 

1  d  b
Ou seja, A –1 =  
| A |   c a 

2 5
Exemplo: Determine a inversa da matriz A =  
 1 3 

Exercício

1. Calcule os determinantes e a matriz inversa caso exista;


 1 3  2 5  1 1 
a) A    b) A    c) A   
 5 4   2 0 2 2 

III) Teorema de Laplace


a) Menor complementar
Considere uma matriz quadrada de ordem n. A = (aij) e denotaremos por Mij a sub-matriz quadrada de
ordem (n – 1) de A obtida eliminando-se a linha i e a coluna j.
O determinante de Mij (  Mij  ) é chamado menor relativo ao elemento aij de A.

Exemplos:
 a11 a12  2 3 4
A =  
a 22  B =  5 6 7 
 a 21
 8 9 1 
14

b) Cofator

Chamamos de cofator ou complemento algébrico relativo a um elemento aij de uma matriz quadrada
de ordem n o número Aij tal que:

Aij = (– 1 ) i+j .  Mij 

Exemplos: Determine os cofatores das matrizes anteriores.

c) Teorema de Laplace

O determinante de uma matriz quadrada A = aij de ordem n  2 é igual à soma dos produtos obtidos
pela multiplicação dos elementos de qualquer fila (linha ou coluna) por seus respectivos cofatores,
m
ou seja, Det A = a
i 1
ij
Aij
Exemplos: Utilizando o teorema de Laplace, calcule o determinante das matrizes:

2 3 4 -1 
 2 3 - 4  
  0 0 2 0
A = - 2 1 2 B= 
3 -1 1 1 
 0 5 6 
 -1

   0 2 3 

Exercícios

1 2 3
 
2. Dada a matriz M   0 1 4  , calcule det M pela regra de laplace.
 3 0 1 

0 1 0 0
5 8 0 0
3. Calcule .
1 3 7 0
4 4 2 2
1 1 5 1 0 4 0 0
x x2 0 1 x2 x 3x 3
4. Resolva as equações 0 e 0
1 2 0 1 x 6 3 4
1 1 0 1 0 7 0 5

Regra de Chió e Regra de Cramer


1) Regra de Chió
Esta regra permite, sob certas condições, abaixar de uma unidade a ordem de um determinante, faci-
litando seu cálculo. Para poder aplicar a regra de Chió precisamos ter uma matriz quadrada de or-
dem n  2, com aij = 1

Procedimento:
15

1) Eliminar a linha e coluna correspondente ao elemento aij = 1, dessa forma abaixamos a or-
dem da matriz A, obtendo assim uma nova matriz B de ordem n – 1
2) De cada elemento da nova matriz B, subtraímos o produto dos elementos da linha e coluna reti-
rada, que estão na mesma direção do elemento considerado. Obtemos assim uma matriz C.
3) Det A = (-1)i+j det C

Exemplo:

1) Calcule o determinante das matrizes abaixo pela regra de Chió

 1 2 4  1 -1 2 0 
 2 -2 1 -1 
A = - 3 2 5 
B=  
 0 - 1 6   0 3 -2 1 
 
-1 2 -3 -2 
Exercício

1) Calcule o determinante das matrizes abaixo:


 3 -3 -4 0 
 2 3 - 1  2 5
  4 3
A =  3 2 2 B= 
 5 1 - 4 -4 0 2 -2 
   
-5 3 0 -4 

2) Calcule pela regra de Chio:


1 1 1 1
1 2 5 1 0 3
1 2 3 5
a) 3 7 14 b) c) 2 5 7
1 1 2  2
2 7 13 0 1 2
1 3 3 0
a ij  1, se i  j
3) Dadas as matrizes A = (aij)3x2 tal que  e B =(bij)2x3 tal que
a
 ij  0 , se i  j
bij  2, se i  4  j
 . Quanto vale det(AB) ?
b
 ij  0, se i  4  j

1 x 1
4) O valor de x tal que 1 0 0  1 é:
2 1 1
16

Sistemas Lineares e Matrizes


1) Equação linear

Uma equação linear nas incógnitas x1, x2, x3, ..., xn, é uma equação que pode ser posta na forma
padrão:

a1x1 + a2x2 + ...+ anxn = b

Onde a1, a2, ..., an, b são constantes, ak é coeficiente de xk e b é a constante da equação.

Uma solução dessa equação é um conjunto de valores das incógnitas x1 = k1 , x2 = k2 , x3 = k3 , ...,


xn = kn , ou simplesmente uma ênupla u = ( k1, k2, ..., kn) de constantes que levadas na equação a tornam
uma identidade. Isto é,

a1 k1 + a2 k2 + ... + an kn = b, este conjunto satisfaz a equação.

Exemplo: Resolver a equação 2x – 5y + 4z – 3t = 3

2) Sistemas de equações lineares


Estudaremos um sistema de m equações com n incógnitas que pode ser colocado na forma padrão:

 a11 x1  a12 x2    a1n xn  b1


 a x  a x  a x b
 21 1 22 2 2n n 2
 onde aij e bi são constantes
 ...........................................
 a m1 x1  a m 2 x2    a mn xn  bm

Uma solução do sistema é um conjunto de valores da incógnitas, x1 = k1 , x2 = k2 , x3 = k3 , ..., xn =


kn , ou simplesmente uma ê-nupla u = ( k1, k2, ..., kn) de constantes que é uma solução de cada uma
das equações do sistema. O conjunto de todas as soluções é chamado conjunto solução ou solução
geral do sistema.

3) Sistema de Cramer

 a11 x1  a12 x2    a1n xn  b1


 a x  a x  a x b
 21 1 22 2 2n n 2
Seja, 
 ...........................................
 a m1 x1  a m 2 x2    a mn xn  bm
um sistema linear S de m equações com n incógnitas sobre ℝ. Se formarmos as matrizes:

 a11 a12  a1n   x1   b1 


     
a a 22  a2 n   x2   b2 
A   21 , X  e B 
        
     
 a m1 am 2  a mn  x
 n  bm 
17

de tipos m  n, n  1 e m  1, respectivamente, então S poderá ser escrito sob a forma matricial:


AX = B, onde A recebe o nome de matriz dos coeficientes de S.

Um sistema de Cramer é um sistema linear de n equações com n incógnitas cuja matriz dos coe-
ficientes é invertível.

Se AX= B é um sistema de Cramer, como AX = B  X = A–1B , então esse sistema é compatível


determinado e sua única solução é dada por A-1B.

Exemplo: Verificar se o sistema é um sistema de Cramer, caso afirmativo resolver o sistema.

x  y 1

 y  z 1
x  2 z  0

Classificação de um sistema linear:

1) Sistema Compatível (ou possível): é aquele para o qual existe alguma solução.

Os sistemas possíveis podem ser de dois tipos:


a) possível determinado: é o que admite apenas uma solução.
b) possível indeterminado: é aquele que admite infinitas soluções.

2) Sistema incompatível (ou impossível): é o sistema que não possui solução. Seu conjunto
solução é vazio.

3) Sistema homogêneo: é aquele no qual todos os bi são iguais a zero. Neste caso, a ênupla (0,
0, ..., 0) é a solução desse sistema. Esta solução chama-se solução trivial.

2) Regra de Cramer

Vimos no estudo de Sistemas Lineares (SL), que m sistema pode ser escrito na forma matricial. Va-
mos considerar um sistema com n equações lineares com n incógnitas, tal sistema pode ser escrito
na forma AX = B sendo:
A: n  n a matriz dos coeficientes
B: n  1 a matriz dos termos independentes (vetor coluna)
X: n  1 a matriz das variáveis (vetor coluna)

Teorema: (Regra de Cramer)


O sistema acima tem solução única se e somente se det A  0. E a solução única é dada por:

Dx1 Dx 2 Dx n
x1 = x2 = ...................xn =
D D D
Onde:
D: é o determinante da matriz A
Dxi = é o determinante da matriz A’, sendo A’ obtida substituindo-se a coluna dos coeficientes da
variável xi, pelos termos constantes.
18

Exemplo:
2x  y - z  3
2x - 3y  7 
1)  2)  x  y  z  1
3x  5y  1  x - 2y - 3z  4

Exercícios

1. Resolva os sistemas abaixo usando a regra de Cramer.

3 y  2 x  z  1 2 x  y  5 z  t  5 3)
  x  y  3z  4t  1 𝑎+𝑏+𝑐+𝑑=0
1) 3x  2 z  8  5 y  2𝑎 + 5𝑑 = 4
3z  1  x  2 y 2) 
 3x  6 y  2 z  t  8 −2𝑎 − 2𝑑 = −1
2 x  2 y  2 z  3t  2 4𝑏 + 3𝑑 = 5
S = {(3, -1, 2)}  1 1 
S = {(2, 1/5, 0, 4/5)} S    , , 1,1 
 2 2 
3) Resolva as equações matriciais.
1 4 7  x   2
 2 1  x   9      
       2 3 6  y    2
 1 3  y   13   5 1 1  z   8 
    

4) Resolva os seguintes sistemas lineares, utilizando o método de Cramer:

x  2 y  z  1  x  2 y  z  3
 
a)  y  2 z  4 b) 2 x  y  3 z  5
x  y  z  2 3 x  4 y  3 z  13
 

5) Uma matriz quadrada A se diz ortogonal se A é invertível e A– 1 = At


Verifique se a matriz a é ortogonal.
1 2
A   
 2 2
6) Determinar o valor de a  ℝ a fim se que a matriz real A abaixo seja invertível em M3(ℝ).
1 1 1
 
A  2 1 2
1 2 a
 

7) Resolva o seguinte sistema linear, verificando primeiro se o sistema é um sistema de Cramer :

 x  2y  z 1
 x  y  4
a)  y  2 z  4 b) 
 x yz2 x  y  0

19

Resolução de Sistemas Lineares por Escalonamento:


Sistemas de equações lineares nas mesmas incógnitas são equivalentes se admitem o mesmo
conjunto solução. Uma forma de se obter um sistema equivalente a um sistema dado, com equações
L1, L2, ...Ln é aplicar uma seqüência das operações elementares, como fizemos com matrizes.

Teorema: Seja um sistema (B) de equações lineares, obtido de outro sistema (A) de equações linea-
res por uma seqüência finita de operações elementares. Então A e B tem o mesmo conjunto solução.

Nosso método de resolução do sistema consiste de dois passos:

1o) Use as operações elementares para reduzir o sistema a um sistema equivalente mais simples (em
forma triangular ou escalonada)

2o) Use a retro-substituição para obter a solução do mais simples

 x  2 y  4 z  4

Exemplo: 5 x  11 y  21z  22
 3 x  2 y  3 z  11

Observação: considerando o sistema na forma escalonada, podemos ter uma das situações:

a) o número de equações é igual a número de incógnitas, então o sistema tem uma única solu-
ção

b) o número de equações é menor que o número de incógnitas, então o sistema é compatível,


mas indeterminado. Neste caso, atribuímos valores arbitrários para as variáveis livres, ob-
tendo assim uma solução geral em termos dessas variáveis.

 x  4 y  3z  3t  5
Exemplo: 
 z  4t  2
Exercícios
1) Resolver utilizando o escalonamento os seguintes sistemas:

5 x  2 y  2 z  2  x  y  z 1
  x  y  z  3t  1 
a) 3 x  y  4 z  1 b)  c)  x  y  z  2
4 x  3 y  z  3  x  y  z  2t  0 2 x  y  z  3
 

2) Resolva os SL utilizando escalonamento.


2 x  3 y  z  4

 x  2y  z  3 S = { ( 2, -1, 3)}
3 x  y  2 z  1

20

x  2 y  z  3

2 x  y  z  1 S=
3 x  y  2 z  2

x  y  z  t  6
  1  t 5t  
2 x  y  2 z  t  1 S =  , t  3, ,t  | t   
 x  2 y  z  2t  3  2 2  

 3x  y  z  0

 x  y  2z  1 S=
2 x  2 y  z  2

 x y z2

2 x  3 y  2 z  4 S = {(2 – 5z, 4z, z) | z  }
3 x  4 y  z  6

Sistemas Homogêneos.

São sistemas nos quais as constantes (b) são iguais a zero.


Em um sistema homogêneo temos duas possibilidades para a solução:

1) o número de equações ( r ) é igual ao número de incógnitas (n), no sistema dado ou no esca-


lonado. Neste caso o sistema tem apenas a solução zero
2) r < n. Neste caso o sistema tem uma solução não zero.

Exemplos:

 x  2 y  3z  w  0

 x  3 y  z  2w  0
2 x  y  3 z  5 w  0

Matriz aumentada

Um SL pode ser resolvido por escalonamento utilizando-se a matriz aumentada do sistema.

Matriz aumentada: é a matriz cujas linhas correspondem a uma equação do sistema e cada coluna
corresponde ao coeficiente de uma incógnita, com exceção da última coluna que corresponde às
constantes do sistema.

Exemplos:
21

 x  y  2 z  4t  5

2 x  2 y  3z  t  3 S = {( – 9 – y + 10t, y, – 7 + 7t, t )}
3x  3 y  4 z  2t  1

 x1  x 2  2 x 3  3 x 4  4

2 x1  3 x 2  3 x 3  x 4  3 S=
5 x  7 x  4 x  x  5
 1 2 3 4

 x  2y  z  3

 2 x  5 y  z  4
3 x  2 y  z  5

Exercícios:

1) Considere a equação linear x + 2y – 3z = 4. Verifique se u = (8, 1, 2) é solução da equação.

2) Determine os valores de k de modo que o sistema abaixo nas incógnitas x, y e z tenha:

i) solução única
ii) nenhuma solução
iii) uma infinidade de soluções

 x  y  z 1

2 x  3 y  kz  3 S = i) k  2, k  3 ii) k = – 3 iii) k = 2
 x  ky  3 z  2

3) Resolva o SL utilizando a matriz aumentada

 x  2 y  4z  2

2 x  3 y  5 z  3 S=
3 x  4 y  6 z  7

4) Resolva o sistema:

 x  2 y  3z  0  x y z0
 
2 x  5 y  2 z  0 S = {(0, 0, 0)} 2 x  4 y  z  0 S = {(0, 0, 0)}
3 x  y  4 z  0 3 x  2 y  2 z  0
 
22

Forma escada de uma matriz

Definição: Uma matriz m  n é linha reduzida à forma escada se:


1. O primeiro elemento não nulo de uma linha não nula é 1;
2. Cada coluna que contém o primeiro elemento não nulo de alguma linha tem todos os seus
outros elementos iguais a zero.
3. Toda linha nula ocorre abaixo de todas as linhas não nulas.
4. Se as linhas 1, 2, ..., r são as linhas não nulas, se o primeiro elemento não nulo da linha i
ocorre na coluna ki, então k1 < k2 < ... < kr .
Exemplos:
1. A matriz
1 0 0 0
A  0 1  1 0 
 
0 0 1 0
não está na forma escada, pois não satisfaz 2.

2. A matriz
0 2 1 
B  1 0  3
 
0 0 0 
não está na forma escada pois não satisfaz 1 e 4.
3. A matriz
0 1  3 0 1 
C  0 0 0 0 0
 
0 0 0  1 2
não satisfaz 1. e 3. por isso não está na forma escada.

4. A matriz
0 1  3 0 2 
D  0 0 0 1 2 
 
0 0 0 0 0
Está na forma escada, pois satisfaz todas as propriedades acima.

Teorema: Toda matriz Am  n é linha equivalente a uma única matriz-linha reduzida à forma es-
cada.

Definição: Dada uma matriz Am  n , seja Bm  n a matriz linha reduzida à forma escada linha
equivalente a A. O posto de A denotado por p é o número de linhas não nulas de B. A nulidade
de A é o número n – p.
Exemplos:

1. Encontrar o posto e a nulidade de A.


23

1 2 1 0
A   1 0 3 5

 1  2 1 1
Solução: Vamos escalonar a matriz:
5
1 2 1 0 1 2 1 0 1 0 −3 −5 ⎡1 0 0 2 ⎤
𝐴≈ 0 2 4 5 ≈ 0 1 2 5 2 ≈ 0 1 2 5 2 ≈ ⎢0 1 0 − 5 2⎥
0 −4 0 1 ⎢ ⎥
0 −4 0 1 0 0 8 20 0 1 52 ⎦
⎣0
Assim, p = 3 e n – p = 4 – 3 = 1.

2. Encontrar o posto e a nulidade de B, onde

2  1 3
1 4 2
B 
1  5 1
 
4 16 8
Solução: Vamos escalonar novamente:
1 4 2 1 0 14⁄9
0 −9 −1 1⁄9 ⇒ 𝑝 = 2 e 𝑛 − 𝑝 = 3 − 2 = 1
𝐵≈ ≈ 0 1
0 −9 −1 0 0 0
0 0 0 0 0 0

Resolução de Sistemas Lineares usando matriz na forma escada:


Caso geral: Considere um sistema com m equações e n incógnitas x1, x2, ... , xn .

a11 x1  a12 x2    a1n xn  b1


a x  a x    a x  b
 21 1 22 2 2n n 2

 
am1 x1  am 2 x2    amn xn  bn

cujos coeficientes aij e termos constantes bi são números reais ou complexos.


Teorema:
i) Um sistema de m equações e n incógnitas admite solução se, e somente se, o
posto da matriz ampliada ou aumentada é igual ao posto da matriz dos coeficien-
tes.
ii) Se as duas matrizes tem o mesmo posto p e p = n, a solução será única.
iii) Se as duas matrizes tem o mesmo posto p e p < n, podemos escolher n – p incóg-
nitas, e as outras p incógnitas serão dadas em função destas.
Vamos usar a notação:
Pc posto da matriz dos coeficientes;
Pa posto da matriz ampliada ou aumentada;
Se Pc = Pa denotamos simplesmente por P.
24

Exemplos:

1. Considere a matriz aumentada


1 0 0 3 
A  0 1 0  2 
 
0 0 1 2 

veja que Pc = Pa = 3 e que m = 3, n = 3 e p = 3.


Então o sistema tem solução única e x1 = 3, x2 = –2 e x3 = 2.

2. Considere agora a matriz aumentada


1 0 7  10
B 
0 1 5  6 
veja que Pc = Pa = 2 e que m = 2, n = 3 e p = 2. Temos um grau de liberdade x1 = – 10 – 7x3 e
x2 = – 6 – 5x3. Assim o sistema possui infinitas soluções.

3. Considere a matriz aumentada


1 0 7  10
C  0 1 5  6 
 
0 0 0 2 
veja que Pc = 2 e Pa = 3 e que m = 3, n = 3. O sistema é impossível, não existe solução.

4. Considere a matriz aumentada,


1 0  10  2  10
D  0 1 7 1 4 
 
0 0 0 0 0 
veja que Pc = Pa = 2 e que m = 3, n = 4 e p = 2. Temos dois graus de liberdade
x1 = – 10 + 10x3 + 2x4 e x2 = 4 – 7x3 – x4. Assim o sistema possui infinitas soluções.

5. Resolva o sistema,
x  2 y  z  t  0

 x  3 y  z  2t  0
Solução: Matriz associada aumentada,

1 2 1 1 0 1 2 1 1 0 𝑙 → 𝑙 − 2𝑙 1 0 5 −1 0
⇒ ⇒
1 3 −1 2 0 𝑙 → 𝑙 − 𝑙 0 1 −2 1 0 0 1 −2 1 0

𝑥 + 5𝑧 − 𝑡 = 0 𝑥 = 𝑡 − 5𝑧

𝑦 − 2𝑧 + 𝑡 = 0 𝑦 = 2𝑧 − 𝑡

Observe que [–5 2 1 0 ] e [ 1 –1 0 1 ], são soluções do sistema obtidas da seguinte forma:


25

i) A primeira fazendo z = 1 e t = 0;
ii) A segunda fazendo t = 1 e z = 0
são as soluções básicas pois geram todas as outras, aqui temos grau de liberdade 2.
O conjunto solução é:
S = {(x , y , z , t ) | x = t – 5z e y = 2z – t }.
Ou S = {( t – 5z , 2z – t , z , t ) | t   e z  }
6. Resolver o sistema,
x  3 y  z  0

2 x  6 y  2 z  0
 x  3 y  z  0

Solução:

7. Resolver o sistema,
x  2 y  z  t  1

 x  3 y  z  2t  3
Solução: Matriz associada,

1 2 1 1 1 1 2 1 1 1 𝑙 → 𝑙 − 2𝑙

1 3 −1 2 3 𝑙 →𝑙 −𝑙 0 1 −2 1 2
1 0 5 −1 −3

0 1 −2 1 2
𝑥 + 5𝑦 − 𝑡 = −3 𝑥 = −5𝑧 + 𝑡 − 3

𝑦 − 2𝑧 + 𝑡 = 2 𝑦 = 2𝑧 − 𝑡 + 2

Compare com o exemplo 5 e note que esta solução é a soma da solução daquele sistema que é
homogêneo com uma solução particular (–3, 2, 0, 0) deste sistema.

𝑥 −5 + 𝑡 − 3 −5 1 −3
𝑦 2𝑧 − 𝑡 + 2 2 −1 2
= =𝑧⋅ +𝑡⋅ +
𝑧 𝑧 1 0 0
𝑡 𝑡 0 1 0

Exercícios:

1. Resolva o sistema de equações, escrevendo as matrizes ampliadas, associadas aos novos siste-
mas.
2 x  y  3z  11
4 x  3 y  2 z  0


 x y z 6
3 x  y  z  4
2. Descreva todas as possíveis matrizes 2 × 2, que estão na forma escada reduzida por linhas.

3. Reduza as matrizes á forma escada reduzida por linhas.


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1 2 3 1 0 1 3 2  0 2 2
1 1 3 
a)  2 1 2 3  b)  2 1 4 3 
c) 
 3 1 2 3   2 3 2 1  3 4 2
 
 2 3 1
4. Calcule o posto e a nulidade das matrizes da questão 3.

5. Dado o sistema
3x  5 y 0

2 x z 3
5 x  y  z  0

escreva a matriz ampliada, associada ao sistema e reduza-a forma escada reduzida por linhas, para
resolver o sistema original.

6. Determine k, para que o sistema admita solução.


4 x  3 y  2

 5x  4 y  0
 2x  y  k

7. Encontre todas as soluções do sistema
 x  3 y  2 z  3t  7 w  14

2 x  6 y  z  2t  5w  2
 x  3y  z  2w  1

8. Explique por que a nulidade de uma matriz nunca é negativa.

9. Resolva os sistemas a seguir achando as matrizes ampliadas linha reduzidas à forma escada e
dando também seus postos, os postos das matrizes dos coeficientes e, se o sistema for possível, o
seu grau de liberdade.
 x y z 4 3x  2 y  4 z  1
a)   x y z 3
2 x  5 y  2 z  3 
b)  x  y  3z  3
3x  3 y  5 z  0

 x  y  z  1

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