Você está na página 1de 166

A Pista do Labirinto

Considerações Profundas
para vencer a Dúvida
PREFÁCIO
As dúvidas escurecem e esfriam o dia. A névoa paira
sobre todas as coisas e os homens se movem como
os antigos egípcios quando presenciaram a
escuridão. Oh, que esta névoa vá embora! O melhor
que podemos esperar é que a presente melancolia
passe bem depressa, e que a nuvem deixe o seu
orvalho nutrindo uma fé mais sólida e inteligente.
O lamacento ceticismo não deixa ninguém correr,
mas o fraco ainda pode ser alimentado. Os homens
que são muito bons nascem nas colinas e amam o ar
fresco das montanhas da verdade.
Os parágrafos deste pequeno livro não pretendem
ser um exaustivo tratado de defesa da fé, pois meu
objetivo não é o de destruir todos os argumentos do
adversário, mas apenas o de ajudar um amigo.
Assim como eu estive por algum tempo perdido no
labirinto da vida, quem sabe não seria a hora de
instruir alguém que se acha na mesma situação.
Espero que através destas páginas algum coração
verdadeiro possa receber o auxílio necessário para
obter forças e lutar contra suas dúvidas. Não permita
que o coração de ninguém caia, pois o prevalecente
ceticismo é apena um “fantasma da mente”.
Enfrente-o e ele fugirá.
Um grande poeta forjou a expressão “dúvida
honesta”. E quão avidamente ela foi tomada! A
descrença moderna é tão medíocre de qualidade que
ainda aproveitou esse rótulo para suprir para todas
as épocas a necessidade que tinham de um
personagem. É assim que na debilidade de nossas
vozes, nos levantamos em nome da “Fé Honesta”.
SE MEXA!

A parte mais importante da vida humana não é o seu


fim, mas o seu começo. O dia da nossa morte é a
criança do passado; mas os nossos anos de
nascimento são os senhores do futuro. Na última
hora os homens geralmente trazem à sua cabeceira
os pensamentos solenes que, infelizmente, chegaram
tarde demais para algum efeito prático. O olhar
silencioso, reverente e profundo, tão freqüente nos
momentos de partida, deveria ter vindo mais cedo.
Recomendo o exemplo do rei hebreu que jejuava e
vestia trajes de luto enquanto a criança ainda estava
viva. Sabiamente ele compreendeu a inutilidade do
seu lamento após a morte da criança. “Poderei eu
fazê-la voltar?” (2 Samuel 12:16-24) Essa foi uma
das mais sóbrias perguntas. Porém, se consideramos
que é algo desapontador tomar o ferro frio da
bigorna, muito pior é ficar parado olhando a barra
quente esfriar. Por isso, meu irmão, quem quer que
seja, se mexa!
COMO DEVEMOS VIVER?

Qual martelo devemos usar? Sim, esta é a questão!


Não é um tipo de pergunta que faço apenas para
mim mesmo, mas por desejar ser um verdadeiro
irmão e ter comunhão com você, meu leitor, eu a
faço por sua causa trazendo uma reflexão a partir de
uma oficina de trabalho. Aqui estão martelos, luz,
claridade, muitas coisas! Veja a marca e a garantia,
são novinhos! O velho ferreiro dali diz que não sabe
nada sobre essas ferramentas. Elas foram deixadas
por uma nova empresa que costuma criar bons
produtos. “Pelo menos”, diz ele, “eles chamam a si
próprios de uma nova empresa, mas acredito que
seria melhor se fossem chamados de ‘a velha
empresa com novo nome’. Eles entraram no
mercado com um novo nome, mas são os mesmos
picaretas de antigamente”. Com seu braço forte e o
martelo em mãos, o velho ferreiro golpeia seu
instrumento de trabalho, fazendo sair faíscas para
todos os lados – “Lá”, diz ele, “o velho martelo me
serve melhor”. Você vê, meu bom amigo, ele é
apenas um ferreiro, e não conhece nada melhor.
Algumas pessoas gostam demais das coisas antigas.
Pergunto: Este conservador é mais tolo do que os
aficionados pelas novidades? Pensamos que não!
O velho martelo forja a fé em Deus.
A FÉ OPEROU
MARAVILHAS.

A fé trabalha pesado, pois os homens de firmes


convicções moldam o mundo sobre suas bigornas. A
confiança cinge os lombos de um homem,
incitando-o a por nela todas as suas forças. Em
Hebreus 11, Paulo nos apresenta a lista dos heróis
da fé e erige um Arco do Triunfo à suas memórias.
Os nomes são destacados com fulgor: Abel,
Enoque, Noé, Abraão, e as cenas esculpidas são
como estas: “reinos subjugados,” “fecharam a boca
de leões,” “extinguiram a violência do fogo”. Se os
elogios fazem uma pausa não é porque o assunto
acabou, como ele exclama: “E que mais direi?
Faltaria tempo para falar de Gideão, Baraque,
Sansão, Jefté, Davi, Samuel e os profetas” (Hebreus
11:32).
O QUE A DÚVIDA
ALCANÇOU?

Como se explica o fato de nunca terem erguido


algum troféu em honra à incredulidade? Será que o
poeta da infidelidade e o historiador do ceticismo
ainda aparecerão? Em caso afirmativo, qual será o
seu legado? “Trabalho justo” e “conquista de
promessas” estão um pouco além do seu alcance, e
não parecem estar muito susceptíveis a suportar
tanto sofrimento para “alcançarem uma melhor
ressurreição”, pois zombam disso. Os que se ufanam
da dúvida teriam que se contentar com conquistas
menores. Mas quais seriam elas? Pois a
incredulidade já construiu algum hospital ou
orfanato? Quais missões para as tribos canibais ela
está sustentando? Quais mulheres caídas ou homens
devassos foram regenerados e feitos novas criaturas
pelo ceticismo?
“Cante, musa! Se for um tema, tão escuro, tão
errado,
Pode encontrar uma musa que o agraciará com
uma canção”.
O Milton desse trecho pode muito bem vir a ser
como aquele a quem Gray descreve em sua elégia[1]
como “mudo inglório”. “Pelos seus frutos os
conhecereis”. Quais são as escapatórias do precioso
“pensamento moderno”, que é, aliás, a nova moda
para a incredulidade? Ouvimos os gritos dos
artesãos, que repetem: “Grande é a Diana dos
efésios!” Mas onde estão os resultados santos e
felizes da “crítica avançada” que é tão solícita a
minar os fundamentos da fé?
DÚVIDA É ESTÉRIL.

O fato é que a dúvida é negativa, destrutiva e estéril.


Ela não leva ninguém às coisas mais nobres, e ainda
produz na mente humana a falta de esperanças e
aspirações. Ela não é, de modo algum, um princípio
sobre o qual devemos basear a essência da vida, pois
sua força é subversiva, e não construtiva. Um
princípio que não leva a nada além da destruição
universal, da qual o homem comum não encontra
satisfação sob seu governo. E se algumas das noções
religiosas forem apenas mera fantasia, impraticáveis
e imaginárias, então seria bom quebrar esses bibelos
caseiros . No entanto, enquanto o apático sábio se
alegra ao livrar-se do que chamam lixo, não será
fácil varrer todos os minúsculos componentes desses
objeto; seria necessário ter o gênio de um macaco
ou de um touro selvagem pra dar conta disso. A
nossa ambição busca um terreno mais elevado na
qual poderíamos construir, em vez de destruir.
Desde que aspiramos à vida digna e útil, ansiamos
por uma força que nos lance para frente e para
cima. Aqueles que preferem fazer isso por conta
própria podem duvidar, duvidar e duvidar até a
última gota, mas a nossa escolha é encontrar a
verdade e crer nela, porque isso será a nossa força
vital. Alguns não partidários ainda tiveram a audácia
de pregar um evangelho de “dúvida e vida”, porém a
dúvida que se apresentou foi semelhante à morte.
Nós, porém, preferimos a mensagem do céu: “crer e
viver”.
A AUTOCONFIANÇA E
UMA CONFIANÇA
MELHOR.

Em certo sentido, a autoconfiança pode ser


compreendida como uma virtude moral devidamente
estabelecida. A observação e a experiência mostram
que ela é uma força considerável no mundo. Aquele
que a si mesmo se questiona e não conhece sua
própria mente, hesita, treme, falha e fracassa, pois
sua desconfiança ocasiona a sua própria decepção.
Por outro lado, a autoconfiança do indivíduo o leva
a esperar, considerar, planejar, resolver, empreender,
perseverar e ter êxito: sua segurança da vitória é
uma das principais causas do seu triunfo. Um
homem que confia em sua própria capacidade
gradualmente convence outros de que sua estimativa
está correta, a menos que seja alguém
completamente fútil. Embora o auto-conceito e a
falta de modestia muitas vezes agem forçadamente,
tal como uma bebida que pode ser um instrumento
de coragem, todavia, eles certamente possuem o seu
valor. A essência da questão é que um certo tipo de
confiança é extremamente necessária para a
realização de nossos desígnios; e, em toda e
qualquer situação, desconfiança ou dúvida são
fontes de fraqueza. A fé que temos, portanto, ao
invés de nos levar à dúvida, é a mola propulsora de
nossa vida.
CONFIANÇA EM DEUS –
NOSSO PRINCÍPIO DE
VIDA.

Agora, se a autosuficiência pode transformar um


homem, quanto mais a confiança em Deus! Ela
ainda mais justa, humilde, nobre e segura. Nossas
próprias forças alcançam apenas certa distância, e
não mais. Todos nós temos restrições, e não
podemos ir além dos nossos limites. O poder de
Deus, porém, é ilimitado, imutável e, portanto,
aquele que põe Nele a sua confiança tem sobre si
uma força incomparavelmente superior a qualquer
outra. Em todos os sábios propósitos em que se
empenhar, não precisará medir a suas forças, pois
toda a Suficiência lhe estará disponível. A
sublimidade do Poder de Deus, o qual o
acompanhará por toda a eternidade, provará ser
suficientemente grande para todas as suas
necessidades. Não é pouco o benefício de confiar
em alguém que pode dia-a-dia aumentar a sua
confiança e não expô-lo ao perigo de tê-la em
excesso.
A DEPENDÊNCIA SEMPRE
CONTRIBUI PARA O BEM.

Os resultados morais de uma vida de confiança em


Deus são notáveis. Por estabelecer uma vida de
firme e sincera confiança em Deus, o homem de
sucesso não anda em vão, pois toda honra a dá
Aquele em quem confiou. E ainda que sofra uma
terrível derrota enquanto está sob a dependência do
Braço Divino, ele não é esmagado pela catástrofe,
pois seu fracasso implicaria em mais desonra a Deus
do que a si mesmo. Por outro lado, morrer por
causa de sua grande fé em Deus seria algo muito
sublime. Entretanto, qualquer que seja o caso, tanto
no sucesso quanto no fracasso, a influência da fé no
Deus vivo será sempre benéfica.
Independentemente do que a fé em Deus nos
proporcione, o fato é que ela sempre nos conduzirá
ao caminho de vida mais digno; no entanto, cada um
deve provar isso por si mesmo. É razoável que o
homem que confia no seu Criador se beneficie
muito disso. Por tantos momentos de regozijo já
desfrutados, alguns de nós se encontram tão seguros
da excelência de sua fé que chegam até mesmo a
esperar com prazer os altos riscos que advirão das
próximas experiências. Nós deliberadamente
dizemos: “Minha alma, espera somente em Deus,
porque dele vem a minha esperança” (Salmos
62:5).
CETICISMO – UMA
CONQUISTA NÃO MUITO
GRANDE.

Foi dito corretamente: “Nada é mais fácil do que


duvidar. Um homem de capacidade ou
aprendizagem mediana pode duvidar mais do que o
mais sábio dos homens acreditar”. A fé exige
conhecimento porque é uma graça inteligente, capaz
e ansiosa para se justificar; mas da infidelidade não é
requerida uma razão para a sua dúvida, pois a
atitude arredia e a rudeza de palavras atendem a esse
propósito tão bem quanto um argumento. Na
verdade, o ápice da atual descrença é o não saber
nada, e o que é isso senão a apoteose da ignorância?
Grande é a glória do não saber nada!
Um homem pode deslizar na insensibilidade do
Agnosticismo e mesmo abatido permanecer ali.
Acreditar, porém, é estar vivo tanto para o conflito
quanto para a vigilância. Aqueles que pensam que a
fé é um negócio meramente infantil terão de fazer
progressos consideráveis para o amadurecimento
antes de serem capazes de testar sua própria teoria.
Devemos preferir a dúvida porque ela está à mão ou
vamos buscar a verdade ainda que tenhamos de
mergulhar como os pescadores de pérolas? Isso
dependerá da mentalidade de cada um, pois
escolhemos as regras de nossa vida de acordo com o
espírito que está em nós. Uma alma corajosa não vai
seguir comodamente o desprezível caminho de
muitos, mas aspirará aos caminhos mais elevados,
ainda que sejam os mais difíceis.
FÉ NO INVISÍVEL.

É um absurdo supor que devemos limitar a nossa


confiança apenas às regiões alcançadas pelos nossos
sentidos. Ninguém viu, ouviu ou provou a maioria
das forças conhecidas. Vapor, eletricidade, gravidade
e o resto dos gigantes são invisíveis. A Terra é
preservada em sua órbita por forças que não
podemos compreender. “Ele suspende a terra sobre
o nada” (Jó 26:7). Os poderes visíveis são os de
menor categoria ou os mais insignificantes, pois
podem ser medidos pela capacidade humana.
Tomemos uma ilustração da vida cotidiana: o velho
provérbio latino diz que a marca do homem pobre é
que ele pode contar o seu rebanho. As poucas libras
que tem guardadas, o artesão pode manuseá-las a
hora que quiser, mas o grande banqueiro nunca viu
os seus milhões, e as provas de que os possui estão
em certos extratos e contas nas quais deposita
inquestionável confiança. Ele é rico pela fé! E
dificilmente poderia ser muito rico se sua riqueza
estivesse restrita apenas as coisas que lhe fossem
visíveis.
Para ter uma vida de excelência, o homem deve
confiar em uma grande força, a qual deve ser
extensa, invisível e além de sua compreensão. Isso
certamente seria muito difícil para um homem
puramente racional. Se em algumas circunstâncias
devemos depender exclusivamente de forças que
ultrapassam a nossa visão, por que também não
repousamos no Deus Eterno com relação as demais
circunstâncias? A prática de confiar em um poder
superior provará ser elevada e ajudará a nos elevar
acima do maçante nível do materialismo. Essa
prática, se buscado na vida, não poderia ser a
melhor preparação possível para a morte, que,
segundo o julgamento de tantas pessoas, é uma
peregrinação a uma terra escura e desconhecida? O
cego é tão bom na escuridão como aqueles que têm
seus olhos, ou melhor, seu hábito de encontrar seu
caminho no escuro faz dele o melhor dos dois. Se,
portanto, a fé nos ensina a ir onde a visão não pode
ir, seremos os mais preparados para ver essa esfera
que o olho mortal não consegue vislumbrar.
O certo é que, se nós seguirmos a Deus pela fé, não
ficaremos afligidos por causa de sua aparente
ausência e invisibilidade real, pois, como o cão que
caça pelo faro não precisa ver o seu brinquedo,
assim o que segue o caminho de obediência, pela fé,
não terá necessidade de procurar sinais e símbolos,
pois sua fé lhe fornece segurança.
DEUS PODE SER
CONHECIDO.

Tem-se dito por aí que Deus não pode ser


conhecido. Ora, aqueles que fazem tais alegações
afirmam que não conhecem nada além de alguns
fenômenos, e por isso, em sua sinceridade, são
obrigados a admitir que não sabem se Deus pode ou
não ser conhecido. Logo, já que esses tais
confessam que não sabem nada do assunto, não
deverão ficar ofendidos se os deixarmos de fora de
nossa consideração.
Aquele que fez o mundo é certamente um Ser
inteligente, na verdade, a maior inteligência, pois as
suas obras manifestam de inúmeras formas a
presença de pensamento e conhecimento profundo.
Lord Bacon disse: “Prefiro acreditar em todas as
fábulas do Talmude e do Corão, do que acreditar
que a composição do universo veio a existir sem
Uma Mente”. Sendo assim, e tendo isso em mente,
compete a nós conhecermos a Deus da seguinte
maneira: Dispondo-nos a confiar Nele! Aquele que
fez todas as coisas é indubitavelmente muito mais
confiável do que todas as coisas por Ele feitas.
Seria por demais estranho uma mente que não se
permite conhecer: tão estranho quanto o fogo que
não queima ou a luz que não brilha. Seria muito
difícil acreditar no eterno e solitário confinamento
do Ser que fez o mundo.
FÉ EM DEUS É
PERMITIDA.

Um homem pode confiar em Deus? Há uma outra


pergunta que responde essa questão. Por que uma
criatura não confiaria em seu Criador? O que a
impediria disso? Essa confiança deve ser honrosa
tanto para o homem quanto para o seu Criador,
segundo a necessidade de um e a natureza do outro.
Quem, através de uma pesquisa detalhada, poderia
encontrar o menor traço de razão para não confiar
no Deus vivo?
A EXISTÊNCIA DE DEUS
NÃO É EVIDENTE?

A existência de Deus é algo incerto? Claro que não!


Nós a temos como um fato comprovado e acima de
qualquer suspeita. Para a mente sincera, não
infectada por objeções banais, mas que raciocina
com honestidade, a existência de um trabalho
confirma a existência de um trabalhador, tanto
quanto um projeto necessita de um projetista e o
pensamento exige que alguém o tenha pensado.
Agora, se estivéssemos num deserto com Mungo
Park[2], um pouco de musgo seria argumento
suficiente para provar que Deus estava lá; ou mesmo
o fato da areia estar sob os nossos pés e o sol sobre
nossas cabeças seriam suficientes para evidenciar
isso. Todavia, morando numa ilha, repleta de todas
as formas de vida, podemos apenas contar com
provas da Divindade à medida que haja a
diversidade dos objetos da visão, audição, paladar e
olfato. Isto, naturalmente, é chamado de “um mero
chavão”, mas, com a permissão dos cavalheiros, seu
Latim não faz a menor diferença para a absoluta
veracidade do argumento.
Se mais provas fossem oferecidas, eles, sem dúvida,
as recusariam do mesmo jeito, porém epítetos
desdenhosos não são respostas para o raciocínio
justo. Entendemos que uma simples evidência
sonora é melhor do que vinte evidências defeituosas;
e se isso não os convencer, nem mesmo uma legião
o faria. Os sábios franceses, em rota para o Egito,
perturbaram Napoleão requerendo-o que negasse a
existência de Deus, mas seu intelecto astuto não se
deixou levar. Conduziu-os até uma plataforma, e,
apontando para as estrelas, perguntou: “Quem fez
tudo isso?”
DÚVIDAS EXECUTADAS
LOGICAMENTE.
A dúvida quanto à existência de um Deus, para
terminar a sua carreira legítima, só possui um
caminho curto a percorrer. Nenhum homem que
acredita que tem uma alma pode dar melhor prova
de seu estado mental do que a que podemos dar da
existência de Deus. Deixe-o experimentar! Ele
afirma que sua própria consciência é uma prova de
que está vivo. Nós respondemos que pode ser uma
prova muito boa para si mesmo, mas que pode não
significar nada para nós, e que nenhum homem
racional tentaria usá-la dessa forma. O nosso amigo
responde: “eu trabalho, e meu trabalho demonstra
que eu estou vivo”. Precisamente, e as obras de
Deus também demonstram que ele está.
Rapidamente responde: “Mas você me vê trabalhar,
e você não vê Deus”. Ao que respondemos: “Nós
de maneira alguma o vimos trabalhar: o seu corpo
não é você mesmo e nunca vimos o seu verdadeiro
“eu”. Sua mente executa seus objetivos por meio
de seu quadro externo e vemos seus membros em
movimento, mas a alma que os move está além da
visão, ela é um mistério dos mistérios e, como uma
subsistência espiritual, assim como a mente, deve
ser capaz de operar sobre a matéria”. A impressão
inicial da mente sobre a matéria é um segredo que
nenhum mortal revelou. Você não pode provar para
outro homem a existência de sua alma, exceto pelos
mesmos argumentos que provam a existência de
Deus.
Se você abrir suas asas para um vôo de dúvida, deve
ser corajoso o suficiente para voar até à Última
Thule[3]. Dúvidas sobre a sua própria existência;
dúvidas sobre a dúvida; dúvida sobre a existência de
alguma coisa que você duvida; dúvida sobre se há
alguma coisa para ser posta em dúvida. Um
Agnóstico ferrenho não deve ter a certeza de que é
um agnóstico, de fato, nem deve ter muita certeza
sobre quem ele mesmo seja, ou de que ele seja
alguma coisa.

SEM ALMA.
Certo pregador fez o melhor que pode para o bem
do seu auditório, mas um dos seus ouvintes se
aproximou dele e disse de um modo áspero: “Sua
pregação é inútil para mim. Eu não acredito que
tenho uma alma e não quero perder tempo
conversando sobre coisas imaginárias do além:
vou morrer como um cão.” O ministro respondeu
calmamente: “Senhor, eu, realmente, falhei devido
a uma má compreensão. Dei o meu melhor para o
bem de todos, mas eu não imaginava que
encontraria pessoas sem alma. Se eu soubesse que
estariam presente criaturas que não tinham alma e
que iriam morrer como cães, eu teria
providenciado uma boa porção de ossos para
eles”. “Brincadeira”, diz um. “Senso-comum”,
dizemos nós. Quando lidamos com o ludibriante
sarcasmo, que tipo de gentileza podemos esperar de
pessoas que manifestam uma compreensão tão
degradante de si mesmas? Certamente ninguém
precisa se preocupar com eles. Eles confessam sua
própria incapacidade de nos ajudar, e implicitamente
admitem que não somos obrigados a aceitar suas
colocações. “A luz não existe,” alguém assevera,
“pois não tenho olhos para vê-la”. Existe algum
argumento para isso? Não, pois apesar de nos
compadecermos de alguém que está cego, não
podemos conceder algum peso as suas opiniões
sobre ótica e cores. Seres sem alma podem asseverar
quantas filosofias desejarem e suas opiniões podem
ser tão interessantes quanto curiosas, mas não
podem de forma alguma influenciar os homens com
alma.
DEUS EM NOSSA ESFERA
DE VIDA.

Quando confiamos em Deus, nós não estamos


exercitando uma dependência ilusória sobre um
poder distante e inativo. É perguntado se Deus
sempre opera em nome daqueles que confiam Nele,
e é sugerido que Ele está ocupado demais e não
pode dar muita atenção aos pequenos cuidados das
pessoas. Obviamente isto é um erro! A obra de Deus
está em nossas portas e em nossos quartos, sim, em
nossos corpos e mentes. O pai da criança está muito
ocupado, mas está ocupado no quarto em que se
encontra seu filho necessitado, e por isso ele está
onde se deseja que ele esteja.
O discurso comum é sobre “As operações da
Natureza”. Mas, senhor, o que é Natureza? O
cavalheiro que havia usado o termo olha em volta
com surpresa. Ele deu uma gaguejada e balbuciou,
dizendo o que todos já sabiam. “Ora”, diz ele, “é
muito fácil, a Natureza é… a Natureza”. Na
verdade, quem, de fato, trabalha é o próprio Deus, e
outra força com o Seu poder está longe de ser
encontrada. Os movimentos em torno de nós não
são produzidos por leis, como os simplistas dizem.
As leis não fazem nada, elas não passam de
métodos, os quais são observações do trabalho do
grande Criador, pois Ele mesmo foi quem fez todo o
trabalho. Assim, podemos confiar nEle para
trabalhar para nós, pois é Ele quem está trabalhando
em tudo ao nosso redor.
RESPOSTAS DO GRANDE
DEUS À FÉ.

No mais, do chão da nossa insignificância, não


podemos nos recusar a pôr a nossa confiança em
Deus, pois não é concebível que alguma coisa seja
pouca demais para Ele. As maravilhas que nos
fornecem o microscópio são tão marcantes quanto
as do telescópio. Logo, nós não podemos definir
para o Senhor limites maiores em uma direção do
que em outras, pois Ele pode e há de manifestar a
Sua habilidade na vida de um homem da mesma
forma como o faz através da orbita de um planeta.
Testemunhas estão vivas para testificar das obras do
Senhor, o qual tem revelado o Seu braço em nome
daqueles que nEle confiam. Qualquer um pode
testar esse princípio por si mesmo, e é notável que
ninguém tem feito isso em vão. Não existem razões
em Sua natureza pelas quais Deus não deva
responder à confiança de Suas criaturas; pelo
contrário, há muitas razões para que Ele responda.
Em qualquer caso, na medida em que somos
afligidos, estamos prontos para colocar as nossas
preocupações à prova e deixar que essa experiência
dure por toda a vida.
POR QUE DEUS NÃO É
INVOCADO?

Não parece estranho que são poucos os que anseiam


por amorosamente ligarem suas vidas a Deus pela
fé? Por que será? O moralista severo prontamente
responderia: “Porque eles não têm nenhum desejo
de levarem uma vida com a qual poderiam ter
alguma relação com Deus.” De fato, esses são os
que não buscam a pureza, a verdade, a justiça e a
santidade, tanto quanto o poder de Deus que neles
trabalha. Sem dúvida este é o caso, mas que isto não
se aplique a nós! A virtude é tão admirável que nós
não podemos esgotá-la. E o fato do poder divino
nos conduzir em direção à bondade é um dos
principais atrativos aos olhos dos homens sensatos.
NÃO DEVEMOS
DESANIMAR!
Eventualmente pode haver alguns que não são tão
contrários à bondade quanto desânimados em
conquistá-la. Isso pode ser útil para esses refletirem
que, quando Deus está interessado em um assunto,
o desânimo fica fora do tribunal. Neste caso, sem
dúvida, devem se engajar, pois Deus pode tornar
puro os mais imundos, uma vez que Ele é capaz de
fazer todas as coisas. É chocante recusar-se a confiar
em Deus pelo simples fato de que não desejamos ser
puros. É uma desonra para a Sua glória quando
fraquejamos em confiar no poder que Ele tem de
nos levantar porque ainda nos achamos
demasiadamente injustos. Deus é bom, e por essa
ser uma virtude de um ser bom é que Ele deseja
ajudá-los a serem bons. Deus é onipotente, e seu
poder governa o mundo da mente e da matéria. Está
claro que tanto a vontade quanto a habilidade se
unem em Deus a favor do objeto de nosso desejo,
ou seja, a pureza e o propósito de nossas vidas.
Portanto, podemos com muita espontaneidade
voarmos para Ele e descansarmos em Sua
esperança.
OUTRAS CAUSAS DA
DESCRENÇA.

No seu íntimo, todos os homens depositam sua


confiança em alguma coisa, ainda que recusem
confiar em Deus. Eles fazem a si mesmos deuses,
repousando em sua autosuficiência. Aquele que
nunca viu seu próprio rosto pode facilmente
acreditar na sua inigualável beleza, ainda mais se for
auxiliado por bajuladores. Então, um homem que
não conhece seu próprio coração pode facilmente
formar uma opinião muito elevada de sua própria
excelência e encontrar demasiada confiança em sua
sabedoria, a qual irá se expandir como uma planta
de rápido crescimento. Este é um dos piores
inimigos da fé, pois aquele que sempre confia em si
mesmo não tem paciência quando o assunto é a
própria fé em Deus. Por ser muito refinado, ele
relega aquilo que é humilde aos subalternos. Seu
domínio próprio é perfeito, seu julgamento é
infalível, sua apreciação do moralmente belo é
completamente sofisticada. Ele é um homem auto-
criado, sendo, ao mesmo tempo, a sua própria
Providência e Recompensa.
“O homem é um tolo!” Mentes rápidas e sensatas
falam impacientemente e suas gélidas observações
do amor confirmam, com tristeza, o seu veredito.
Nós, com quem o leitor agora compartilha, não
somos grandes e infalíveis em nosso auto-governo.
Tememos que nossos apetites e paixões carnais
possam nos trair; que nossa razão venha a nos
desencaminhar; que nossos preconceitos nos
aplaquem; que nosso ambiente nos faça tropeçar. É
dessa forma que deliberadamente desejamos fixar os
nossos olhos naquele que é Forte a fim de
encontrarmos força e podermos lançar nossa loucura
sobre a sabedoria do Eterno. É claro que não se
deve esperar imitadores entre os vãos dos gloriosos,
dos fúteis e dos iludidamente perfeitos.
O DESPREZO
A zombaria não passa de miséria e insignificância.
Ela não nasce no peito dos bons homens e os mais
sábios a desprezam quando essa os importuna. Ela
não quebra nenhum osso e os homens de coragem
dão risadas dela. No entanto, quando atinge os mais
fracos é uma terrível arma de guerra, e o pavor dela
tem feito mais covardes do que o rugido do canhão.
Quando as pessoas desprezam a fé em Deus
tornam-se miseráveis, beirando o mais alto grau de
imbecilidade. Ao confiarmos em um charlatão
somos perdoados, mas ao confiarmos no Todo-
Poderoso somos insultados. Pessoas que nunca
questionaram sua própria sabedoria riem com
desdém daqueles que descansam na sabedoria do
Senhor. Em tais casos, porém, deveria ser fácil para
um homem de bom senso se postar com bravura.
Rir de uma criatura por crer em seu Criador é
desprezar o argumento mais simples da razão. É
como contestar uma hipótese óbvia ou atacar uma
evidência. É como ridicularizar um homem de
precisão matemática pela honestidade; ou desprezar
um engenheiro por confiar nas leis da gravidade; ou
escarnecer de um agricultor por esperar o retorno de
sua colheita. É claro que se os homens gostam de
serem escravos, eles darão ouvidos à zombaria dos
tolos, porém nós escrevemos para homens que
podem dizer de coração:
Direi que preferira não viver, a viver sempre com
medo de um ser tal como sou[4].

UM MAIOR
CONHECIMENTO DE DEUS
É DESEJÁVEL.

Um homem deve estar disposto a depositar sua


confiança em Deus, porém, para isso, a sua fé deve
estar muito bem alicerçada sobre o conhecimento do
SENHOR. É quase impossível ter confiança num
Grande Desconhecido. A variedade e a amplitude de
nosso conhecimento de Deus ajudará a fé a se
sustentar diante de situações em que um
conhecimento restrito excluiria sua praticidade. O
que percebemos pela Criação pode muito bem nos
levar a confiar no poder de Deus, se pudéssemos ter
a certeza de que isso seria exercido em nosso favor.
No entanto, qual a dúvida quanto a esse ponto? O
que observamos pela Providência pode
razoavelmente nos levar a uma dependência da
bondade divina, a menos que por algum motivo se
torne necessário que ela seja retida. Isto um homem
de consciência não pode considerar como algo
totalmente improvável. Se o nosso conhecimento de
Deus se limita a sua grandeza, bondade e sabedoria,
já estamos em uma condição incômoda, pois ainda
não alcançamos de modo pleno essa qualidade
divina, a qual poderia satisfazer uma certa
inquietação entre os que começam a ser feridos pela
consciência. Tendo em nosso coração a suspeita de
que não somos tudo o que devemos ser, precisamos
conhecer muito mais a Deus se quisermos desfrutar
de uma confortável confiança Nele.
QUANTO MAIS HÁ PARA
SER CONHECIDO?
É certo afirmar que quanto mais conhecemos a
Deus mais fácil será confiar nEle. O caráter daquilo
que pode ser conhecido excede em muito o prazer
por tatear o desconhecido. Mas de que forma
podemos obter mais conhecimento? Nós podemos a
partir da natureza tocarmos na natureza divina?
Talvez! Mas seria muito mais eficaz se a natureza
divina viesse até nós, e Ele mesmo se revelasse.
Nenhum homem pode ser completamente conhecido
através de suas obras, muito menos Deus. O
universo de Deus é tão vasto que se pudesse ser
verificado para se obter uma compreensão total de si
mesmo, isso ficaria muito além de nossa capacidade.
Como nós podemos conhecer tudo o que o universo
ensina? As obras de Deus são extensas demais para
um conhecimento completo. Então, como podemos
aprender a multiforme sabedoria revelada? Se elas
fossem réplicas nós poderíamos aprender tudo em
sua singularidade, mas como são infinitamente
variadas, nossa capacidade torna-se limitada,
exigindo a necessidade de condescendência divina
que mediante síntese se comunique de forma
adequada à nossa natureza.

DEUS SE REVELA.
Deveria ser a coisa mais natural para uma criatura
inteligente confiar em seu Criador, e se fosse o caso
de obter um conhecimento de Deus que vá além das
vias naturais, não seria razoável supor que o sábio e
benevolente Criador capacite suas criaturas
inteligentes a conhecê-Lo, pelo menos no que se
refere aos propósitos da fé? Se fosse essencial para
o bem-estar de seus subordinados que o rei lhes
fosse pessoalmente conhecido, nós não poderiamos
conceber que um bom rei se prive completamente
do seu povo ou que se feche inteiramente de sua
vista, recusando dirigir-se a eles. De fato, a glória de
Deus não necessita da observação humana, nem
podemos supor que seus motivos sejam egoístas na
busca por ser conhecido, mas desde que a débil
condição humana exija a revelação divina, não é
irracional esperar que o Único que é supremamente
bom permita fazer-se conhecido. Pelas rochas,
árvores e animais, a manifestação de Deus em suas
obras de Providência, ao sustentá-las, dá-las
fecundidade ou alimento é abundantemente
suficiente, ou melhor, mais do que suficiente, mas
para as mentes inteligentes deve haver uma
manifestação de Deus na alma, no espírito, pois, do
contrário, a fé em muitos aspectos seria impossível e
à alma restaria apenas o desamparo. Pois se
fossemos rejeitados pelo trabalho de suas mãos
jamais poderíamos esperar a infinita bondade.
UMA PALAVRA –
REVELAÇÃO.

A linguagem é o melhor meio de comunicação entre


duas pessoas, por isso, é normal que Deus use o
melhor meio para se comunicar, e que,
especialmente, faça isso através de palavras. Apesar
de restrita, a linguagem escrita é o meio mais preciso
e o que melhor resiste ao tempo; é assim que em
todos os sentidos e entre todos os meios discursivos
disponíveis seria esse o mais provável para que o
Deus Infinito utilize para se comunicar com homens
finitos a fim de preservar o conteúdo de Sua
mensagem. Sobre isso, devemos esperar que os
escritos divinos cheguem até nós a partir de uma
ordem processada completamente de acordo com a
vontade de Deus, os quais jamais imporiam sobre
nós qualquer inquietação proveniente de elementos
de confusão ou anormalidade.
Dificilmente poderia pertencer a um vigoroso
trabalhador uma mente completamente trancafiada
em si mesma, pois o que ele faz deve ser bem claro
em termos de propósitos comunicativos. Da mesma
forma devemos esperar isso de um Deus tão criativo
e excelso como o nosso, o qual anela por estabelecer
diálogo com nossas mentes, mesmo que sejamos
inferiores e a Ele subordinados, especialmente no
que se refere a um tema tão necessário como o da
Natureza Divina e Suas ordenanças. Ninguém
espera ouvir de um grande artista que ele é um
eremita; no entanto, tais são as qualidades do
Grande Trabalhador que Ele é Aquele que produz
um amigo, um irmão, um pai, e é assim que
podemos esperar que o Criador seja comunicativo.
De fato, um sábio trabalhador pode até mesmo não
falar, pois poderá ser que ele tenha alguma
deficiência auditiva ou visual, mas esse não seria o
caso daquele que criou todos os ouvidos e línguas de
todos os homens.
O LIVRO DEVERIA SER
EXAMINADO.

Se não fosse nada mais do que um rumor pairando


sobre uma sociedade respeitável de que um livro que
fora inspirado por Deus como revelação de Seu
próprio caráter, pensamentos e vontade estivesse
disponível, certamente um homem honesto e
desejoso de viver dignamente examinaria o quanto
antes e com muito cuidado esse tão crucial escrito.
O venerado livro que nossos pais reconhecem como
a Palavra de Deus tem sido aceito como tal por um
vasto número de sábios, homens justos que não
podem tratá-lo como algo qualquer. Este livro trata
de assuntos anteriores ao surgimento do mundo e
com muita reverência tem sido recebido por muitos
dos mais nobres homens de todas as épocas.
OS EFEITOS DO LIVRO.

Os efeitos que a Bíblia tem produzido entre as


nações que se submetem a sua autoridade são
notáveis, mesmo entre aquelas que lhe rendem uma
obediência parcial: elas estão muito à frente daquelas
que lhe dão um lugar apenas secundário, e nem
mesmo podem ser comparadas com aquelas que
nem sequer estão familiarizadas com ela. O benéfico
resultado desse livro em nossos dias de brutais
desafios está fora de cogitação. Ninguém pode
duvidar de que as ilhas dos mares do sul foram
resgatadas da pior selvageria pelo ensino deste
volume. De fato, não temos ouvido ainda de que
algum outro livro tenha produzido tal efeito, e assim
somos atraídos pelos inegáveis resultados de sua
influência, tanto nas eras antigas como em nossos
dias. É muito comum nos depararmos com pessoas
que tiveram seu caráter completamente
transformado pela leitura desse livro; e mais fácil
ainda é encontrarmos aqueles que reinvindicam que
têm nesse livro o seu conforto para todas as
circunstâncias, o seu norte para todas as dificuldades
e o seu inestimável alimento para a alma.
Muitos outros livros foram calorosamente elogiados
por seus leitores, mas nós jamais encontramos algum
que tenha impulsionado a um tão frequente
entusiasmo e a um tão devoto zelo como a Bíblia;
nem temos ouvido de qualquer outro que responda a
tantas e tão profundas questões da vida humana.
VENDO POR SI MESMO.

Nós não estamos exigindo demais quando


requeremos que cada um leia a Bíblia por si mesmo.
Ao experimentar um livro que professa ser a
revelação da mente de Deus, agiríamos
indignamente se confiássemos a outros aquilo que
poderíamos fazer. Informações de segunda mão
carecem de segurança e vivacidade, o que torna uma
investigação pessoal muito mais proveitosa. Alguém
que é considerado superior intelectualmente que
descarte de vez um debate com um veredito final ou
que interrompe precocemente uma argumentação
não é assim tão culturado como se poderia imaginar.
Por acaso nossa sabedoria decide algum assunto
antes de ouví-lo?
A natureza exige árdua e perseverante atenção
daqueles que são verdadeiros cientistas; assim
também a Palavra de Deus merece que seu conteúdo
seja investigado com reverência. Por que não
deveriam as Escrituras serem estudadas com
profundidade? Mesmo como mera literatura ela já
recompensaria o cuidado de um estudioso. É parte
da vida de um sábio procurar com calma e
sinceridade os mais importantes escritos, os que são
apreciados pelas principais mentes. A voz que gritou
para Agostinho, “Tolle: lege” (“Pega e lê”), não
ressoou nenhum som de loucura. Tomar e ler um
bom livro jamais seria de prejuízo para alguém.
A LEITURA QUE O LIVRO
MERECE.

Seria algo vergonhoso utilizar críticas de segunda


mão para distanciar as pessoas de conhecerem a
Bíblia. Logo, esse Livro não deve ser lido
apressadamente, pois isso não seria justo para um
autor que cuidadosamente delineia assuntos tão
sérios. Somente os tolos fariam isso, desprezando
um livro que tem sido reverenciado pelas mentes
mais brilhantes.
Ler o Livro é sentir que ele é repleto de poder.
Somente alguém deliberadamente pervertido
recusaria tal veredito, ainda que odiando-o. Isto tem
sido mais considerado do que seus oponentes
poderiam imaginar. Sua contraposição é apenas a
verdade bíblica de ponta-cabeça e, portanto, deve
sua origem ao próprio livro atacado.
Um ponto importante que ainda pode ser
mencionado é sobre o fato de que aqueles que mais
amam este livro são os que mais o lêem e, como
sempre acontece, aqueles que mais se empenham a
estudá-lo, o conhecem apenas superficialmente.
ALGO MAIS DO QUE UMA
LEITURA
CONVENCIONAL.

Muito da instrução contida no universo material


pode ser discernida pelos olhos atentos de um
observador, mas uma outra parte de seus segredos
nenhum homem pode discernir, além de que muito
experimento científico autêntico seria necessário
para se chegar a uma descoberta. Um químico, por
exemplo, adquirirá pouco conhecimento se não
estiver envolvido em testes e pesquisas. Por isso, na
busca pela verdade não devemos nos limitar a uma
mera leitura: se as Escrituras pedem que a testemos
ou a experimentemos, sempre que for razoável,
devemos estar preparados para realizar isso, nos
submetendo aos processos por ela requeridos.
Professores cristãos por toda parte nos dizem que a
religião da Bíblia não pode ser conhecida exceto
pela experiência, e essa afirmação não é tão
diferente do que diz o químico quando nos leva ao
laboratório e aos testes que comprovam seus
experimentos. Não obstante, para sermos capazes de
confiar em Deus nós devemos conhecê-lo; e para
obter tal conhecimento devemos ansiar por uma
revelação. Dada a revelação, isto exige que a
deixemos transformar a nossa mente: Haveremos de
retroagir? Não! Se há uma verdade para ser
conhecida, nós buscaremos conhecê-la; se há uma
vida para ser recebida, nós a receberíamos; se há um
caminho perfeito para ser percorrido, nos
seguiríamos por ele.
ESTILO DO LIVRO.

Aquele que inicia a leitura da Bíblia pelo Evangelho


de João se depara com as seguintes palavras: “No
príncipio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus,
e o Verbo era Deus”. Alguém culturado
intelectualmete e de espírito sincero ficaria pasmo
com essa linguagem de significativa simplicidade e
insondável profundidade. Pouco importa de onde a
leitura começa, basta deixar o Livro como que por
acaso cair aberto e a sua majestade singular poderá
ser descoberta. Ele é único! Embora os muitos livros
que compõem essa biblioteca chamada Bíblia
tenham sido escritos por uns quarenta ou mais
autores, e cada um deles tenham sua própria
expressão idiossincrática, ainda assim o estilo de sua
obra como um todo permanece único. De fato, é
algo singular que a unidade e harmônia da obra
sejam tão eminentemente preservadas em meio à
pluralidade de vozes.
Eu me aventuro a dizer que o estilo da Bíblia é, per
si, completamente inimitável. Seria impossível
alguém compor um complemento para o
Pentateuco, ou ditar outro Evangelho, ou mesmo
escrever outra Epístola. Houveram tentativas disso
antes, mas não foi possível ludibriar os leitores das
Escrituras, apesar de que falsificações de seus
grandes autores foram comuns e alguns deles
chegaram até a incomodar. Não obstante, a igreja
rejeitou todas as tentativas de forçar a inserção de
livros apócrifos com muito menos dificuldade do
que o mundo literário foi capaz de combater as
falsificações de Shakespeare. Nem a honestidade e
nem a religiosidade dos homens impediram o crime
de adicionar invenções perversas aos livros sagrados
do Velho e do Novo Testamento, mas as tentativas
sempre fracassaram devido à impossibilidade de
uma imitação que tenha o mesmo estilo da verdade
perfeita, que é a peculiaridade da Palavra de Deus.
Não temos como imaginar um mero homem falando
à maneira de Deus e, de fato, nenhuma pessoa não
inspirada seria capaz de falar harmoniosamente com
o estilo do Espírito Santo. Poderíamos encarregar
um estudante do trabalho de detectar a grande
diferença entre um livro apócrifo ou um
pretensamente sagrado e os escritos inspirados de
um salmista, um profeta ou um apóstolo. É ridícula
a noção de que os Vedas dos brâmanes, o Avesta de
Zoroastro e o Corão de Maomé são comparáveis em
estilo com a Palavra de Deus. Max Muller nos diz
que “aqueles que acreditam que estes são livros de
sabedoria primitiva e entusiasmo religioso ou, pelo
menos, que soam como simples ensinos de
moralidade, ficarão desapontados ao consultá-
los”. Assim como a rima rude de um palhaço
poderia ser confundida com os versos majestosos de
Milton , uma mente instruída tenha imaginado que a
mais nobre linguagem humana poderia passar como
o pronunciamento de Deus.
O estilo das Escrituras não é nem empolado e nem
bombástico, ainda que tão suave, é realeza sem
ostentação; e isso caracteriza a Bíblia como
completamente distinta dos demais escritos e a
assinala como o rei dos livros. Longe de estar presa
a meras convenções, ela é livre como o ar, estando
sua música sempre sintonizada a uma harmonia
uniforme. É variada, alegre, denunciativa, plangente,
descritiva, simples, complexa, e ainda permanece em
todas as fases fiel à sua própria peculiaridade:
sempre humana e ainda, ao mesmo tempo, sempre
divina.
A PLENITUDE DO LIVRO.

Uma das coisas mais maravilhosas da Bíblia é a sua


completude singular. Ela não é um livro com folhas
de ouro, mas suas sentenças são pepitas da pura
verdade. O livro de Deus é claramente o deus dos
livros, pois é infinito. Como bem disse um autor
alemão, “Neste pequeno livro está contido toda a
sabedoria do mundo”.
“Corremos o mundo atrás da verdade;
Coletamos o bem, o puro, o belo
Do rolo escrito e da escultura de pedra,
De todas as antigas flores da alma;
Caçadores exaustos buscando o melhor,
Voltamos cansados de tal trabalho,
Encontrando o que os sábios disseram
Que está no livro que nossas mães zelam”.
Dois literatos discutiram brevemente sobre qual de
todos os seus livros preferidos levariam para uma
prisão caso fossem lá encerrados e tivessem que
escolher apenas um, o qual não poderia ser
substituído por doze meses. O primeiro fez uma
cuidadosa seleção e indicou Shakespeare como sua
companhia, pois suas obras estão tomadas de
pensamentos suaves e expressões magistrais. Porém,
achamos que o segundo homem deu uma
incontestável razão ao preferir a Bíblia. “Por quê?”
Questionou o amigo: “Você não acredita nela!” Ao
que ele respondeu: “Não, mas quer eu acredite ou
não, este é um livro inesgotável!”
Nós somos gratos por essa palavra: De fato ela é
“um livro inesgotável”. A sua gama de assuntos é
ilimitada e sua variedade de gêneros é indescritível.
Sua profundidade de pensamento e a altura de suas
expressões são imensuráveis. É totalmente
inesgotável! Um milhão de vezes mais magnífica e
completa do que a Bodleian, a famosa biblioteca da
Universidade de Oxford. As linhas desse livro e sua
essência são da mais sublime e concentrada espécie.
Ele, aliás, tem sugerido uma vasta gama de literatura
humana, possuindo, inequivocamente, uma extensão
inacreditável, sem contar que contém uma
avassaladora quantidade daquilo que poderia ser
chamado de pensamento-fundante ou pensamento-
mãe.
Depois de ter sido rotulado, criticado, caricaturizado
e crucificado em todos esses séculos, ainda
permanece um livro novo, proliferando a sua
circulação ao invés de esgotar-se. Quanto mais o
mundo envelhecer e multiplicar a sua sabedoria,
mais o livro sagrado será o clássico-mor. Assim
como foi no começo quando a recém-nascida nação
hebraica soletrava a primeira parte recebida desse
livro, tendo nele os rudimentos da verdade e da
justiça, assim também será ao longo de toda a
história da humanidade.
DEIXE A BIBLIA SER
TESTADA.

Deixe a Bíblia ser testada por suas próprias


evidências internas e cuidadosamente estude as suas
coincidências. Ela é rica delas, as quais são
profundamente interessantes a ponto de alguns
leitores as terem como o padrão de referência para
julgar as obras mais recentes.
Deixe a Bíblia ser testada pelos antigos registros e
memoriais. Se ela fosse um produto de elaboração
meramente humana, não estaria, certamente, sujeita
a erros em suas indicações históricas? Cada
evidência tem estado continuamente sob
investigação. Recentemente[5] tem sido encontradas
inscrições e fragmentos escavados ao longo das
antigas civilizações do Egito, Palestina, Moabe, Basã
e Nínive, não obstante, em todas elas, o testemunho
histórico das Escrituras tem sido confirmado. Com
que prazer não teriam trazido alguma laje de algum
monte ou catacumba que contradissesse Moisés ou
os profetas? Não obstante isso, o registro sagrado
tem sido até agora vindicado.
Nos últimos anos alguns dos seus mais ferrenhos
adversários têm sido ridicularizados por suas
desastrosas suposições. Eles trabalham com o mais
empunhado ódio, apropriando-se inclusive de lupas
de grande precisão, porém seu esforço é inútil. A
partir de uma leitura honesta qualquer mente ficaria
incomodada com a incoerência das objeções, com a
arrogância dos oponentes e com a ignorância com
que incitam seu público. Seria fácil refutar as suas
acusações contra a exatidão histórica das Escrituras,
mas isto é uma tarefa sem fim que não valeria a
pena quando não se deseja conhecer os fatos, mas
apenas se entreter com fúteis especulações.
INFLUÊNCIA: UM
EXCELENTE TESTE.

O melhor teste é aquele que apenas os crentes


poderiam descrever. Qual é a influência das
Escrituras na vida deles? Tem lisonjeado a sua
vaidade, reduzido seu padrão moral, nutrido seu
egoísmo ou desestimulado suas esperanças por dias
melhores? Não! Nela encontram Deus que pelo
Livro se revela como Pai e amigo, e apresenta seus
métodos de justiça como os mais elevados e puros a
ponto de mantê-los plenamente justificados pela fé,
habilitando-os a confiarem na bondade e nobreza de
Deus até mesmo em meio as maiores adversidades.
Dia-a-dia eles provam da fidedignidade das
declarações das Escrituras, as quais lhes são
confirmadas com poder.
As palavras de Deus despertam ecos em nossos
corações. O livro é onisciente e onipresente como o
Espírito que a inspirou. Ele sabe tudo sobre nós,
revelando nossos segredos mais profundos. Isto é
algo divino, pois desvenda os pontos nevrálgicos da
alma que apenas poderiam ser conhecidos por
Aquele que formou o coração. Ele observa as falhas
das engrenagens de suas máquinas tão de perto que
torna-se impossível ludibriá-lo, e é dessa forma que
Ele age, como somente um grande Observador
agiria. A revelação das Escrituras supre com
precisão cada uma de nossas necessidades, aliviando
nossos medos; não me refiro tão somente aos
superficiais pavores da frivolidade humana, mas as
profundas e terríveis necessidades de uma mente
esmagada pelo passado. Este Livro é a salvação para
os homens que fazem negócios em águas profundas,
onde as pechinchas estão fora de cogitação. É uma
estrela-guia para as mentes em torno da qual a meia-
noite do desespero está se aproximando. Ó
incomparável revelação da verdade! Se tu não vens
de Deus, de onde fizeste vir? Se tudo não passasse
de um sonho, quisera nós sonhássemos novamente
ou morrêssemos em nosso sono! Até agora temos
encontrado todos os seus fiéis ensinos para nossa
vida interior, e disso não podemos deixar de
testemunhar!
UM HOMEM SEM
PECADO.

Uma prova clara da origem divina das Escrituras nos


é oferecida pelo seu retrato de homem perfeito.
Jesus não apresenta pecados nem por palavras, nem
por pensamentos e nem por atos; seja por excesso
ou carência, seus inimigos são incapazes de
encontrar qualquer falha Nele. Em nenhum outro
lugar do mundo encontramos tal retrato de um
homem! Seria quase que redundante dizer que não
existe outro homem como esse. Jesus é único! Ele é
original em todas suas características peculiares,
porém sem jamais se afastar do reto padrão da
justiça. Ele não é alguém que vive isoladamente e
tem poucos amigos, e, consequentemente, poucos
testes; pelo contrário, sua vida e reino se manifestam
de modo intenso entre os homens, dando-se a
conhecer de inúmeras maneiras em todos os seus
relacionamentos. Ele é um grande Professor de ética
que inculcou um sistema moral muito superior a
qualquer outro, o qual, incorporado em sua própria
vida, coroou, sublimemente, o edifício de uma vida
perfeita quando consumou sua missão através da
rendição de si mesmo até a morte por seus inimigos.
De onde veio este retrato se esse homem nunca
existiu? Nenhum pintor vai além de seu próprio
ideal. Nenhuma mente imperfeita poderia ter
inventado a perfeita mente de Cristo. O registro é
divino!
O LIVRO E A CIÊNCIA EM
HARMONIA.

Entre a revelação de Deus escrita na Palavra e a


revelação manifesta por suas obras na criação, não
pode haver qualquer discrepância. Uma, porém,
pode ir mais longe do que a outra e apresentarem,
assim, grandes diferenças em certos aspectos, porém
ambas devem estar em perfeita harmonia. Deve ser
admitido com franqueza que algumas vezes homens
do Livro tem perdido a essência de sua mensagem,
principalmente quando não sustentam a doutrina da
infalibilidade das Escrituras. Em alguns casos,
porém, no afã por defender a Bíblia, muitos
tentando conciliar as verdades bíblicas com as
descobertas científicas agem imprudentemente,
torcendo suas palavras ou expondo-as a uma luz
arficial. Nisso reside sua deficiência, pois se tivessem
sempre buscado compreender o que Deus tem dito
através do Livro, mantendo seu significado original,
eles teriam sido sábios em meio a qualquer que fosse
o avanço científico; e como a ciência professa que
esse avanço científico busca um conhecimento real,
as novas evidências encontradas apenas
confirmariam mais e mais as verdades do Velho
Livro.
AS AFIRMAÇÕES
CIENTÍFICAS NÃO SÃO
INFALÍVEIS.

Aqueles que se dedicam ao estudo da Natureza e


desprezam a Palavra de Deus, certamente não
podem reivindicar imunidade ao erro tanto quanto
exigem uma nova revisão da interpretação das
Escrituras sempre que surge uma nova hipótese.
Desde os seus primórdios até os nossos dias, a
história da filosofia mais parece uma comédia de
erros. Cada geração de eruditos que surge tem sido
mais eminentemente bem sucedida em refutar todos
os seus predecessores, e há uma grande
probabilidade de que muito do que agora é aceito
como ciência ortodoxa será completamente rejeitada
em poucos anos. Quando lembramos que um
círculo de sábios veio a provar que não existe nada
como a mente, enquanto outro grupo tão bem
sucedido provou que não há nada como a matéria,
então somos forçados a levantar a questão:
“Quando os médicos se contradizem, quem traz a
palavra final?”
CIÊNCIA, UM LUGAR
INSEGURO.

Há muitas vozes no mundo, umas mais poderosas e


outras nem tanto, mas mesmo entre os mais sérios
pesquisadores não há ainda nenhuma posição
suficientemente forte que demonstre que alguma
abordagem científica seja absolutamente verdadeira.
Sem dúvida, o processo indutivo de Bacon produziu
uma abordagem mais próxima da certeza, mas
mesmo essa não foi capaz de apresentar uma
dedução absoluta, pois nenhum cientista conhece
todos os fatos que podem incidir numa pesquisa, e
ainda, sua dedução que se estabelece a partir do que
lhe é conhecido pode ser igualmente prejudicada por
certas inferências que lhe são desconhecidas. E
mesmo que perdure por séculos, o tempo pelo qual
as observações científicas poderiam se estender são
como a vigília da noite em comparação com a
eternidade de Deus; e o período de suas observações
científicas seriam como a queda de um balde em
comparação com o círculo dos céus; e ainda que
apresentem mais de mil elementos que incidam
numa pesquisa, todavia, no céu e na terra há mais
coisas do que jamais a mais acurada filosofia dos
cientistas poderia sequer sonhar. Desde Aristóteles
essas boas pessoas tem feito o seu melhor, mas o
que provaram até agora foi a nossa burrice e que um
mero figo é melhor do que todos nós juntos
O QUE SERIA MAIS FÁCIL
PARA APERFEIÇOAR?

Em vez de querer corrigir a Bíblia ou afirmar que


ela esteja errada em assuntos de ordem natural, seria
muito mais seguro aceitar que a ciência trilha um
caminho inacabado de aperfeiçoamento, pois ela é
feita de uma substância tão plástica que nenhum
grande esforço é requerido para reverter os modos
de sua presente forma. Do primeiro ao último
doutor formado nas escolas de ciência, nenhum
deles tem escapado dos erros, os quais se levantam
não apenas como meras possibilidades, mas
inevitavelmente surgem sempre que a limitação das
faculdades humanas se depara com o mistério do
fenômeno. Acrescenta-se a isso o fato que muitas
vezes são grosseiros os erros cometidos por tais
intérpretes da Natureza, e que embora muitos dos
intérpretes das Escrituras também tenham falhado
em suas conclusões, todavia não chegaram a ir tão
longe quanto aqueles. Sobretudo, porém, o Livro
mantém uma posição inexpugnável ainda que nunca
tenha dicotomizado os campos do conhecimento,
arbitrando entre confiar numa ou noutra, ou na
revelação de Deus ou na ciência humana, o que não
nos impede de afirmar sem exitação: “Seja Deus
verdadeiro e todo homem mentiroso”.
ATÉ AGORA, NENHUMA
GRANDE DIFICULDADE!

Não vemos nenhuma grande dificuldade até o


presente momento. As Escrituras podem não se
ajustar com algumas das hipóteses propostas, mas
concordam com os fatos conhecidos. Interpretadas
de forma correta, elas exibem de forma clara a sua
harmonia entre a Natureza e a Providencia de tal
modo que as Palavras podem ser observadas pelas
Obras. Um artigo do Illustrated London News
descreve por palavras uma cena que na página ao
lado também fora pintada por um virtuoso artista: as
duas formas de comunicação coincidiram
completamente, apesar de que a impressão que
causou sobre o leitor, que não conseguiu ver a
gravura, não foi a mesma que produziu sobre o
observador que considerou apenas a gravura e
negligenciou a impressão tipográfica. O homem que
se preocupava apenas com a tipografia poderia
brigar com o devoto do bloco de madeira, enquanto
que o observador da gravura poderia igualmente
replicar contra o leitor; se fosse possível combiná-
los, porém, a intenção do autor, certamente, seria
melhor compreendida. Quem lê a Palavra considera
a Obra, e quem lê a observação natural atenta para a
Revelação, e o aumento da sabedoria será a
recompensa de ambos.
ANCORADOURO E PÉ DE
APOIO DA FÉ.

Quando a Bíblia é completamente aceita como a


própria revelação de Deus, a mente encontra um
ancoradouro seguro, e isso não é pouco ganho. Um
lugar tranquilo de descanso é uma necessidade
urgente da alma. Assim, para encontrar um firme pé
de apoio os homens investem suas expectativas
numa igreja infalível ou mesmo em suas próprias
suposições de uma razão infalível. De dois irmãos
um tornou-se papista e outro infiel. Não nos
sentimos atraídos por nenhum deles, ainda que
ambos venham a reivindicar terem encontrado um
lugar de refúgio. Nós preferimos por conta própria e
de uma vez por todas lançar âncora numa revelação
infalível. À deriva diante daquilo que pode ser de
prejuízo ao caráter e de influência fatal, um pé de
apoio é essencial. Quando pela primeira vez a
âncora desce e a sua base se firma, nesse momento
pouco se é conhecido em comparação com o que
será descoberto pelo teste da experiência. Milhares
estão calmamente atracados no Justo Refúgio das
Escrituras; miríades estão crescendo e dando frutos
no jardim do Senhor. Seu testemunho é garantido,
mas a nossa própria experiência vai trazer a mais
satisfatória convicção. Abaixo vai a âncora: a raiz
abraça o solo.
O PECADO PERTURBA A
FÉ.
Aceitando as Santas Escrituras como a Revelação do
próprio Deus, podemos, assim, conhecê-lo mais por
fins práticos do que poderíamos por qualquer outro
meio, principalmente no que se refere a um assunto
ainda não mencionado. Nossa consciência (pela qual
somos muito gratos, e sem a qual nossa batalha teria
sido sem esperança, se é que, de fato, fosse possível
imaginar alguma batalha.) nos lembra que não
estamos no começo da vida, pois já percorremos
alguma distância, e que não a trilhamos de um modo
tão perfeito como desejávamos. Com um suspiro
nossa memória sinaliza muitos registros, os quais
nos causam desconforto. Podemos não ter sido o
pior dos homens, mas lamentamos que haja alguém
pior do que nós. É possível que tenhamos evitado as
rochas do vício, porém, até agora, temos sido
puxados pelo turbilhão da indiferença. Não fizemos
o nosso melhor e começamos a suspeitar que o
nosso melhor não esteja à altura do mal que
fizemos. Felizmente este livro divinamente inspirado
trata em grande medida do tema do pecado e do
método eficaz pelo qual o culpado pode ser expiado
de sua vileza, sendo equipado para uma vida pura.
Aprendemos assim como o imperfeito pode se
atrever a confiar no Perfeito, ou como o infrator
pode se aventurar a confiar naquele a quem tem
ofendido. Feliz é o homem que nasceu para tal
conhecimento e para o caminho que já lhe pode ser
trilhado!

ORAÇÃO SUGERIDA.
Quando surge uma nova descoberta, qualquer que
seja, tanto para o bem quanto para o mal, o crente é
conduzido a Deus. Ele é levado quase que
instintivamente a orar, especialmente quando está
sabiamente arraigado sobre uma verdadeira fé no
coração. Desde que vemos que Deus tem
aumentado nosso conhecimento por revelar a Si
mesmo através do Livro, e desde que ouvimos que
Ele tem esclarecido elementos escuros e difíceis que
poderiam prejudicar nossa fé, somos inclinados a
adorá-Lo. Feito isto, devemos estar empenhados a
ler com fervorosa oração o inestimável Escrito, para
que ele ajude o nosso entendimento a perceber o seu
significado, habilitando-nos a obedecer os seus
preceitos.
O Livro é para nosso uso, não para nossa diversão.
Compete a nós lidarmos com esse presente de forma
digna. Ele não deve ser tratado com displicência,
mas de modo sério, imediato e contínuo a fim de
que se imponha como um guia tanto para esta vida
quanto para o porvir. Ele não deve ser posto de lado
como um mero travesseiro para um distante dia da
morte, mas devemos pedir a Deus para que ele se
torne o nosso presente instrumento para uma vida de
dignidade, como um tutor diário na arte de se afastar
do mal e buscar o bem.
O MÉTODO DA
MISERICÓRDIA DE DEUS.
Perdão de pecados através de um sacrifício satisfaz
um enigmático mas verdadeiro anelo da humanidade
por justiça, e esse fator é quase que unânime em
todos os povos e culturas. Mesmo a não iluminada
consciência dos povos selvagens não descansa até
que a espada seja empunhada e uma vítima caia.
Como que por um estatuto, o homem não se atreve
a se aproximar de Deus sem oferecer-lhe sacrifício.
Não obstante, as mentes mais esclarecidas não se
contentam em ficar sem respostas sobre a questão
da necessidade e finalidade do sacrifício: tal
explicação é encontrada com grande amplitude nas
inspiradas Escrituras.
Quando bem compreendida e aceita, a morte vicária
do Filho de Deus fornece paz ao crente a ponto de
fazê-lo sentir-se tão à vontade como se nunca tivesse
quebrado a lei. Pela morte da divina Vítima a lei é
tão vindicada que o crente se põe mais sob o
reconhecimento do universo do que se sua completa
punição tivesse sido exigida. O coração é assim
aquietado de uma vez por todas mediante o
favorável parecer de uma consciência plenamente
satisfeita. Por ter Jesus lançado fora todo o pecado
por meio da expiação, que é a grande maravilha da
eternidade, o crente tem agora tantos motivos para
temer quanto tinha Sansão ao ver que o leão morto
a seus pés estava cheio de mel.

PRIMEIROS TRABALHOS
DA FÉ.
O pavor da culpa que foi removida pela fé em Deus,
tal como revelado em Cristo Jesus, faz com que a
mente seja tomada por gratidão diante do grande
amor demonstrado pela dádiva da propiciação,
provocando também um intenso ódio pelo mal que
requereu tal sacrifício. Isto imediatamente inicia uma
purificação que o coração nunca havia visto antes.
No resplendor da divina bondade, o prazer uma vez
sentido pelo pecado é secado, e posteriormente
evaporado; e ainda do meio daquele fogo
consumidor surgem saltos de júbilo provenientes do
novo nascimento para a justiça oriunda das chamas
imortais do infinito amor. Isto se torna uma força
motriz para uma vida altaneira, surpreendente para
aquele que o recebe, o qual fica maravilhado com a
alegria e a esperança que transbordam dentro dele.
Quanto mais forte é a fé na propiciação revelada,
mais completo é o descanso e mais intenso o
poderoso desejo por uma completa santidade.
Assim, a confiança em Deus e em seu filho Jesus
Cristo se torna um instinto e uma alegria, como
pode ser lido pelas entusiásticas palavras: “Vós
credes em Deus, crede também em mim.”
A FÉ SE DELEITA NUM
EVANGELHO SIMPLES.

É um motivo de profunda gratidão que o evangelho


é tão simples quanto uma vara de bambu. Ele
poderia ter sido destinado a ser um remédio secreto
para uma seleta elite que o usufruiria de modo
oculto e filosófico, mas foi feito para gente pobre,
iletrada e não dotada da sociedade, sendo, por isso,
necessário que seja o que é – a própria simplicidade.
Graças a Deus, o evangelho não se presta ao
charlatanismo, apesar de muitos de nossos elegantes
pensadores o rebaixarem ao invés de o exporem, o
que faz com que o evangelho se pareça com um
sistema exclusivo e aristocrático destinado a entretê-
los. Temos, todavia, o prazer de encontrá-lo exposto
de forma simples pelas Escrituras, não é a toa que,
enquanto seus mais ferrenhos críticos estão
tombando em seus túmulos, a sua perfeita doutrina
já salvou milhões, está a salvar outros tantos e ainda
salvará miríades. Às vezes, a fé exige grande
paciência, principalmente quando é atormentada por
acusações, as quais ignoram seu incrível alcance e
sua grande operosidade confirmada por seus
resultados. Por que seus opositores não fazem
objeções contra o sol? Por que não negam que ele
dá luz ou calor?
A DESCOBERTA DA FÉ.

Quando a fé recém-nascida balbuciava suas


primeiras palavras de surpresa, ela indagou: “De
onde eu sou? Como vim ao coração?” A resposta
recebida do Livro e também da própria consciência
foi a seguinte: Esta é a operação de Deus! Foi o
Espírito Santo quem a produziu de forma tão nova,
viva, poderosa e superior a qualquer outra
experiência ordinária da vida. Se isto é assim, uma
nova fonte de confiança é aberta, levando o crente a
dizer: “De fato, Deus tem começado a operar em
minha natureza, e como ele é imutável, ainda
continuará esse trabalho até completá-lo.” Dessa
forma, Deus entra numa terra fértil que mana leite e
mel. O sagrado pacto torna-se um fato real
projetado pelo Pai, pois se assim não fosse, ninguém
jamais teria vindo a Cristo, e nisso está o amor!
Cristo fez a expiação completa do pecado, e nisso
está o amor! O Espírito Santo operou fé nos
corações e concebeu suas bençãos espirituais, e
nisso está o amor! O coração do crente é
introduzido a uma nova relação com Deus, obtendo
íntima comunhão e recebendo os primeiros frutos
que lhe foram poderosamente confiados. O mesmo
Espírito que está, evidentemente, no coração, é
declarado ser seu Consolador permanente, seu
Santificador, seu eficaz Professor da alma, o que
torna o futuro algo bem diferente do que
anteriormente se podia esperar. Assim, a revelação
do Livro aplicada ao coração leva o homem a crer
que depois de uma obra tão sublime, ele ainda será
conduzido a um grau de forças que suas esperanças
mais otimistas sequer poderiam ter sonhado.
UMA NOVA CATEGORIA
DE FÉ.

Confiando no Senhor Jesus Cristo para a sua


completa salvação e estando certo de que por esse
meio é salvo, o crente se submete a um novo
princípio-mestre. Antes ele imaginava que para ser
redimido deveria trabalhar incansavelmente para
isso, a ponto de cada fragmento de suas virtudes
buscarem esse fim. Ele agia ou abstinha-se de agir,
era justo ou generoso, louvava ou orava a Deus com
o propósito de se auto-beneficiar. Quão pouco da
essência da virtude poderia ser assim encontrada!
Ainda que os motivos do trabalhador não estejam
imunes a isso, pelo menos, salvando-lhe, o Senhor
poderia conduzí-los para muito além do anseio de
produzir sua propria salvação, e então poderia levá-
los a seguir as coisas nobres e benevolentes do puro
amor de Deus. É natural que quando um homem
está em perigo ele procure principalmente pela sua
própria segurança, é por isso que, primariamente, a
própria natureza é o inimigo do altruísmo. Quando,
porém, os melhores interesses do homem estão
graciosamente seguros e lhe estão postos acima de
todo o perigo, ele olha além de si mesmo para seu
Doador e regula sua vida não pelo egoísmo, mas
pela gratidão. Este é um grande passo para a
maioridade, quando o medo servil é substituído pelo
amor filial, pois quando somos levados a agir
instintivamente não conseguimos entender uma
paixão, como a de Xavier: “Meu Deus, eu te amo,
Não porque por isso chegarei ao céu,
E nem porque sem isso queimarei eternamente.
Tu, ó meu Jesus, que abraças-te-me na cruz,
Suportando pregos, lança, desgraças,
Mágoa, tormentos, agonia e suor;
Sim, a morte mesma, e tudo mais por mim, o teu
inimigo.
Então, por quê, ó Bendito Cristo,
Não devia eu amar-te assim?
Mais que a esperança do céu,
Mais que o escape do inferno.”
No amor grato temos o impulso que alavanca a
moral, o princípio nobre, elevado e poderoso que
produz obras infinitamente mais valiosas do que
qualquer outra que pudesse sobrevir do medo de um
escravo ou da esperança por recompensa.
FÉ E A NATUREZA DE
CRISTO.

Não considero nenhuma abordagem do Senhor


Jesus Cristo que desconsidere as suas naturezas
divina e humana unidas numa única pessoa. Nele,
em quem tais naturezas se misturam, porém não se
confundem, ambas, Divina e Humana,
proporcionam juntas o mais completo socorro para
o mapeamento de uma fé prática. Jesus se solidariza
com a condição de um lutador que busca a
excelência, pois ele também foi tentado em todas as
coisas como nós. Ele conhece todas as dificuldades
que brotam das limitações da carne e sangue, pois
também sentiu fome, dor, pobreza, doença,
depressão e fraqueza. De notável valor e grande
auxílio para a carreira é usufruir de um poder
ilimitado que se compadece de nossa fraqueza.
Não há qualquer desvantagem em declarar que Ele é
um homem, o qual se liga a nós pelo mais afetivo
laço e relacionamento. Ele não é apenas terno para
com os nossos mais terríveis sofrimentos, mas
também é tão sábio quanto fraterno, tão poderoso
para subjugar nossas faltas quanto gentil para
suportar nossas fragilidades. Sua humanidade traz
Jesus até nós, enquanto que sua divindade nos leva a
Deus. Dessa forma, o Senhor Jesus não apenas
ministra para o nosso conforto, mas também para o
nosso progresso, o qual, dos dois, seria o mais
importante.
Poderia a fé crer num Ser mais hábil para lidar com
todas as nossas necessidades e mais útil para suprir
todos os nossos mais nobres anseios? Unidos a
Jesus, nós aspiramos confiantemente nos
assemelharmos ao nosso Criador, tanto quanto seja
possível uma criatura suportar.
ENTUSIASMO PELA
PESSOA DE JESUS.

O amor do crente pelo Senhor Jesus é intensamente


pessoal e apaixonado, estando acima de qualquer
outra afeição. Seu amor, sofrimento, perfeições e
glórias enchem e incendeiam o coração. Ora, há
mais força no amor de uma pessoa viva e real do
que no registro inscrito de um conjunto de doutrinas
importantes, da mesma forma que a coragem de um
líder instiga ações mais audaciosas do que qualquer
filosofia. Assim, Cristo Jesus, nosso glorioso líder,
inspira seus seguidores com uma paixão ardente, um
zelo que a tudo consome e um indomável
entusiasmo que fornece todo o poder que os mais
nobres necessitam. Para aqueles que desejam ter o
coração capturado pela santidade, isso não é
nenhuma ajudinha qualquer.
FÉ NA VIDA QUE CRISTO
VIVEU NA TERRA.

Quanto mais examinamos o caráter do Senhor Jesus


Cristo, mais tomados de admiração ficamos. Por
diferentes ângulos temos nos Evangelhos uma
quádrupla fotografia do seu rosto, os quais, quando
agrupados ou mesmo observados particularmente,
nos deixam encantados com a sua beleza especial. E
essa afirmação não é tão notável, pois quase todos
os homens do mundo, mesmo os não-cristãos,
reconhecem a singular excelência da vida de Cristo.
É tão original, transcendente e perfeita que quase
todos assim a apreciam, exceto alguns partidários
cegos que banalizam as coisas sagradas e se curvam
diante de sua própria glória, os quais se consideram
o beau-ideal da perfeita maioridade. No entanto, o
que as Escrituras nos apresentam como um exemplo
deve ser também o modelo a ser imitado, ou seja, o
padrão ordenado pelo qual o crente como obra de
Deus deve ser conformado. Para um tão alto
padrão, e para que possamos ter a certeza da
possibilidade de alcançá-lo, temos um Auxiliador
apto o suficiente para nos conduzir a esse alvo, em
quem podemos ter a certeza de uma grande
assistência à vida virtuosa. Fé naquele que é o nosso
exemplo e Salvador nos fortalecerá para as batalhas
da vida. Todavia, para que possamos aspirar a esse
caráter perfeito, tal como a glória eterna que
desejamos mais que tudo, é preciso que a obra da
salvação tenha sido já aplicada anteriormente em
nossas vidas. É um grande conforto ser consumido
por um ardente desejo de ser como Jesus, pois a
salvação do inferno para o céu qualquer miserável
egoísta pode desejar, mas a salvação do egoísmo
para ser transformado à imagem de Cristo é anelada
somente por aqueles que possuem um coração
renovado, pelo que isso também confirma que esses
têm a sua salvação assegurada.
FÉ NOS PRINCÍPIOS DA
VIDA DE CRISTO.

Deve ser notado que a completa abnegação de nosso


Senhor Jesus está acima de qualquer suspeita, a qual
também tornou-se o caminho para a gloriosa
preeminência que agora desfruta. Ele está acima de
todas as coisas porque se voltou para a pior e mais
vil condição. A sua honra está em ter aberto mão de
sua glória e se inclinado para o que havia de mais vil
e vergonhoso. Da mesma forma, a sua glória no
coração de seus redimidos está em que a si mesmo
se esvaziou, tomando sobre si a forma de servo e
chegando até a morte, o Justo pelos injustos, para
nos conduzir a Deus. Nenhum motivo secundário
deteriorou o compassivo auto-sacrifício de Jesus ou
o obstruiu da entrega de si mesmo que o levou a sua
triunfante exaltação. A fé verdadeira percebe isso e
sabe que a regra é válida não apenas para o líder
mas também para o seus discípulos, os quais se
submetem a todos os tipos de serviço inferior,
consentindo com entusiasmo a um completo auto-
esvaziamento. Perder a vida por causa do amor e da
graça está em completo acordo com o caminho
bíblico da salvação. Não é a toa que o aniquilamento
completo de si mesmo é a mais segura das rodovias
para a glória e a imortalidade, nela a alma está
preparada para rejeitar qualquer paixão que entre
todas as coisas é o que mais enfraquece a força da
virtude.
JESUS NUNCA TEVE
DÚVIDAS.

As dúvidas na vida de um líder são motivos de


fracasso para seus seguidores! Nesse sentido, seguir
Jesus é uma grande vantagem para a vida de fé, pois
Ele nunca duvidou. Em toda a história de Sua vida,
desde a infância até Sua morte, não há traços de
dúvida. Todos os demais homens, o melhor, mais
firme, mais instruído e mais piedoso tiveram seus
momentos de questionamento, suas horas negras de
incredulidade, porém isso jamais aconteceu com
Jesus que nunca foi tomado por incertezas e nunca
sequer hesitou. Ele conhece o Pai, sendo totalmente
conformado a Ele, procurando apenas a sua glória e
confiando plenamente no poder eterno. Ele nunca
tateou na escuridão, pelo contrário, sempre seguiu
adiante com serenidade, calma e clareza. Na hora do
triunfo de seus inimigos e de sua própria paixão, ele
está “profundamente triste até a morte”, mas nunca
desconfiado ou duvidoso. Sua mente nunca hesitou
ou temeu o fracasso de seu grande empreendimento,
apesar de todos os seus discípulos o terem
abandonado e fugido.
Para o soldado na batalha, a confiança em seu
capitão vale mais do que muitas fileiras. O olhar
calmo e resoluto do comandante e a sua face segura
fazem com que até o vacilante cresça firme e os
mais ansiosos sejam tranquilizados. Se Cristo tivesse
titubeado, o cristão comum teria razões para entrar
em desespero, mas como Aquele que suportou o
peso da batalha nunca vacilou, não há o que temer.
Fosse a dúvida algo meritório e útil, Jesus não teria
ficado sem isso. Assim, quando observamos que
Jesus jamais foi tomado por dúvidas, não temos que
dedicar nenhuma reverência ao Ceticismo. Julgamos
que isso não é nenhum pouco necessário para uma
humanidade perfeita e quanto menos nos
envolvemos com isso, melhor.
FÉ E AS SUAS PRIMEIRAS
DÚVIDAS.

Nossa condição crônica de incredulidade se finda


com uma plena confiança em Deus do modo como
Ele se revelou, porém os abruptos anseios por fazer
uma adaptação da Revelação podem resultar numa
inesperada emboscada. Não seria isso uma espécie
de epilepsia da mente? Pois crer no Grande e
Invisível Deus não faz parte de nossa disposição
natural, que ainda anseia por sinais que levem os
olhos a contemplar admirados. Ora, é comum que
crentes imaturos apresentem fraquezas por
desejarem se manter sobre os seus próprios pés,
inclusive a própria grandeza e estranheza de suas
descobertas espirituais podem levá-los a isso. E a sua
memória dos pecados anteriormente cometidos e a
sensação de fraqueza no presente também podem
aterrorizá-los. No entanto, no dia em que eles
empenharem com firmeza mortal a sua fé em Deus,
as trevas passarão sobre as suas almas. Nessas horas,
a experiência virá em seu auxílio e eles acharão mais
fácil confiar quando a fé já lhe tem sido habitual.
Assim, um dia eles poderão até mesmo alcançar
uma fé triunfante como a do aflito Jó, que disse:
“Ainda que Ele me mate, eu Nele confiarei.”
A FÉ DEVE PERMANECER
LIVRE DE QUALQUER
MISTURA.

Muitos que procuram viver dignamente tendem a


misturar a sua fé em Deus com outras coisas. No
ímpeto por desfrutarem de todas as ajudas possíveis
à fé, chegam ao ponto de dar uma ajudinha a Rocha
dos Séculos, fornecendo madeira de suas próprias
florestas, o que obviamente provará ser uma grande
fonte de confusão. Se nós, de fato, confiamos em
Deus, devemos nos entregar a ele sem reservas, pois
se ele é aquele que tem todo o poder sobre tudo e
todos, então, quem supõe que pode dar um auxílio a
Deus faz algo tão absurdo que chega a ser um
insulto. Será que realmente cremos que o meio de
salvação definido por Deus pode nos salvar dos
pecados? Devemos, então, crer que ele cumprirá a
sua promessa independentemente de nos sentirmos
melhores ou piores. Se é em Deus que cremos, não
há como imaginar a possibilidade de qualquer
fracasso ou mudança de planos. É verdade também
que podemos fraquejar, porém a ênfase deve sempre
descansar sobre a fidelidade de Deus, e até que
possa ser levantada alguma convincente oposição a
isso, por que razão deveríamos duvidar? Imaginar
que os propósitos eternos devem ser alcançados por
meio de duas forças pode fazer com que a nossa
confiança oscile entre uma e outra. Porém, se tudo
está nas mãos de um só, então a falta de confiança
sempre será injustificável, a menos que o Único
Poder manifeste sinais de fraqueza. Dessa forma, a
fé em Deus não deve ser adulterada, e nem mesmo a
santa ansiedade ou a vigilância estão autorizadas a
deslocar o terreno de nossa confiança. Devemos,
assim, com todas as nossas forças depender daquele
que é exaltado como Príncipe e Salvador.
O CRENTE É UM
MISSIONÁRIO.

Aquele que realmente crê em Jesus trará muita


esperança para os seus companheiros. Sem dúvida,
esta esperança é uma grande ajuda na prática do
bem. É verdade que muitos falharam em sua tarefa
de evangelização por que não creram que
determinados indivíduos poderiam ser salvos,
entretanto, um cristão genuíno jamais descartaria
essa possibilidade, pois se a graça foi capaz de
alcançá-lo, certamente ela poderia fazer o mesmo
com qualquer um. A Palavra que atuou
profundamente em seu próprio ser poderia muito
bem efetuar o mesmo em outros. Por isso, caso
tivesse uma chance, o crente tentaria converter até
mesmo o papa. Na falta desse, porém, ele começa a
empenhar as suas forças com o primeiro que tiver a
oportunidade. De fato, a fé viva se propaga! Logo,
se não tens nenhuma preocupação com a alma do
teu vizinho, já está mais do que na hora de começar
a se preocupar com a tua própria.
A FÉ NÃO É UMA
FANTASIA!

Devemos crer em Deus por aquilo que ele é, e não


por aquilo que ele não é. Precisamos esperar
confiantemente que ele aja de acordo com a sua
natureza, mas nunca o contrário. Imaginar que Deus
faça isso ou aquilo apenas por que nós desejamos
que faça, isto não é fé, mas fanatismo. A fé só
poderá se manter se estiver firmada sobre a verdade!
Nesse sentido, nós podemos ter a certeza de que
Deus sempre agirá para honrar a sua própria justiça,
misericórdia, sabedoria e poder, em uma palavra, de
modo a ser quem ele é. Sem qualquer sombra de
dúvida, ele cumprirá as suas promessas; e quando a
fé se prende a elas, encontra-se em terreno seguro.
Esperar que Deus nos dê o que ele nunca prometeu,
é pura fantasia, pois fé sem uma promessa implícita
ou revelada é tolice. Dessa forma, mesmo que a
nossa confiança se derrame em profundo clamor e
oração, ela seria como um velho caduco, caso não
houvesse Palavra de Deus para justificá-la.
Felizmente, as promessas e revelações das Escrituras
abrangem cada emergência real da vida, porém,
quando aplicados desenfreadamente, visando seu
cumprimento, tendem a capturar os mais desastrosos
caprichos da mais louca imaginação; a decepção
deles não deveria nos causar surpresa. De fato, é
nosso dever crer nas coisas certas da Revelação de
Deus, mas não devemos desperdiçar um grão de
preciosa confiança com qualquer coisa fora disso.
POSTURA PROGRESSISTA?

Nenhum de nós já aprendeu todas as coisas que


Deus tem a ensinar pela sua Palavra. Nós apenas
temos caminhado pela superfície do grande mar,
mas Oh profundidade! Estamos a crescer na
sabedoria celestial! Ora, possivelmente uma geração
ultrapassa a outra em termos de conhecimento,
porém, alguns crescimentos são suspeitos,
especialmente esses provenientes de uma fé
enfraquecida. É certo que do período apostólico à
Idade das Trevas, se a igreja avançou foi para trás.
O pensamento religioso fez mediocres progressos
estando por vários séculos longe da verdade. É mais
do que possível que o pensamento moderno esteja
iniciando mais um desses períodos progressistas.
Aqueles que são aficionados pelas novidades podem
fazer doutrina de qualquer declaração divina como
“Ainda mais luz está para romper da Palavra”,
nós, porém, sem negar isso, pedimos licença para
levantarmos algumas questões sobre a interpretação
primária das profecias. Se isto quiz dizer que os
apóstolos, confessores e mártires não conheciam o
significado da Revelação de Deus; que os homens
santos do passado eram ignorantes quando
comparados com os mestres de nossos dias; e que os
puritanos e outros afins devem ser descartados
porque novas lâmpadas têm eclipsado a velha luz,
então nós temos que asseverar que tal afirmação não
passa de uma grande, óbvia e pestilenta mentira.
Deus não deixou estes dezenove séculos sem a sua
graça. Ele não tem atormentado as eras com uma
Bíblia que só pode ser aberta por uma sucessão de
alemães com grandes tubos de ensaio. Nós medimos
os presunçosos apóstolos do “pensamento moderno”
e somos lentos em admitir que a verdade do
evangelho foi propositadamente envolvida na
obscuridade que seus vastos intelectos
desenvolveram nesses dias. Sob sua liderança nossas
igrejas estão famintas, a religião está caindo no
desprezo e ainda querem que esperemos todos os
dias por seus textos, os quais invertendo
continuamente os oráculos apenas revelam a sua
teologia progressista.
Xô! Continuaremos alimentando os homens com o
Pão do céu, enquanto estes pretendentes estão
provando que serragem é o verdadeiro recheio para
os bonecos humanos.
FÉ PARA TODAS AS
OCASIÕES.

Deus é um! Suas obras e Seus caminhos são um!


Tanto as Suas leis para a terra quanto as para o céu
estão registradas no mesmo Livro. Diante de Deus,
o natural e o espiritual não entram em conflito.
Perniciosa e imaginária é a distinção que se faz entre
o secular e o sagrado. Cremos em Deus tanto para o
presente quanto para a eternidade, tanto para a terra
quanto para o céu, tanto para o corpo quanto para a
alma. Longe de qualquer homem honesto está o
confinar a sua fé em Deus apenas aos assuntos
misteriosos e impalpáveis, excluindo-a dos interesses
imediatos e das provações diárias da vida. Somos
ensinados pelo nosso Grande Mestre a orar ao Pai
celestial: “Venha o teu reino;” sendo que na mesma
oração está inclusa a petição: “Dá-nos hoje o pão
nosso de cada dia.” Confiar ao céu os grandes
cuidados e deixar os menores na descrença seria tão
insensato quanto se comprometer a cuidar da casa
de um vigia e esquecer uma janela aberta. O que é
pouco? O que é insignificante? Não existe isso na
vida de um homem sábio que anseia por fazer o que
é correto. Não mesmo! Nós devemos manter a fé
sempre presente e disponível para todos os
momentos como uma casa limpa, cujos móveis estão
lustrados e as compras estão feitas, pois se o nosso
sustentáculo está disponível apenas para as grandes
ocasiões, poderemos estar completamente
despreparados para os males que vêm de surpresa.
Ora, “O justo viverá da fé!” A fé não é um casaco
que só usamos quando vamos para alguma reunião,
mas uma vestimenta diária. A fé deve ser
compreensiva, presente em todas as horas e sempre
em operação. Ela é fundamental para todos os
momentos, necessidades e contínuos perigos da
vida. Da forma como a espada do querubim impede
todos os caminhos de entrada para o Éden, assim
também a fé guarda a alma do avanço dos inimigos,
não importando de que ponto da bússola eles
venham.
A FÉ TRABALHA.

A fé sincera não pertence à tribo dos que levam a


vida de qualquer jeito e não se esforçam em nada.
Esse é sim o acompanhamento do desespero, e não
da confiança. Convencido da fertilidade do solo, o
agricultor semeia; certo da vitória, o soldado luta;
seguro do seu bom navio, o marinheiro se põe ao
mar. Não podemos crer que Deus, que trabalha cada
vez mais, pare de trabalhar. A fé nunca acredita ter
alguma vantagem na ferrugem do inglorioso ócio.
Não! A fé do dia-a-dia atinge os Alpes, une os
mares, invade o desconhecido, desbrava os perigos;
e quando se exercita na força do Senhor, ela
afugenta os maus hábitos, aniquila as cobiças,
reveste-se de abnegação e faz do homem um herói.
Quanto mais fé maiores são as conquistas! Como a
válvula que regula a quantidade de vapor que pode
ser liberada, assim também a fé pelo seu declínio ou
avanço diminui ou aumenta a força espiritual que é
exercida em direção ao coração de Deus. Sem
dúvida, este é um assunto do mais alto valor, pois
não apenas temos que ter fé, mas temos que tê-la
mais e mais abundantemente. A regra do Reino é
“Seja segundo a tua fé.”
A FÉ ESPERA.

O coração incrédulo precisa ver imediatamente o


efeito de todas as causas, pois do contrário corre o
risco de duvidar até mesmo da própria causa. A fé,
porém, não tem pressa! Na natureza os mais
preciosos processos são lentos. É verdade que o
aparecimento de cogumelos em apenas uma noite é
algo admirável, no entanto, há processos mais
nobres do que o dos fungos, os quais não acontecem
assim tão rapidamente.
Em termos de produzir uma certa condição, o
fenômeno dos fungos não seria o exemplo mais
apropriado, ao invés dele, pensemos, então, num
belo jardim nos meses de Junho[6], tudo muito
florido e bem colorido. Para que haja esse cenário,
porém, é necessário que ele seja precedido pelo
choroso céu nublado de Abril e as instabilidades de
Maio. O que decorre daí? Do mesmo modo, a fé
aceita a imutabilidade da natureza de Deus e se
compromete com o seu consolo e segurança diante
das mais diversas circunstâncias externas, pois
olhando por detrás do visível cenário de constantes
mudanças, ela não está perplexa diante das
aparências adversas. Deus trabalha como lhe agrada.
Ele não explica seus métodos, mas dá a
oportunidade de crer nas suas promessas. Os mais
nocivos elementos podem parecer desfavoráveis
para o alambique, e a fumaça do forno pode surgir
no processo, mas o maior bem é destilado no devido
tempo. Em nenhum momento durante o processo
deve-se estar descontente ou duvidoso do seu
desfeixo, nem mesmo desferindo as críticas da
ignorância, pois o homem de fé se abstém de julgar
o trabalho inacabado. Seus olhos são proféticos, ele
é capaz de ver o bem que está por vir e, portanto,
jamais arranca a maçã enquanto não está madura.
Pressa, preocupação, irritação e ansiedade são coisas
para os de paixão míope, mas descanso, calma,
força e prudência resultam de grande confiança.
A FÉ CANTA.

A vida de fé é música! Ela marcha para as batalhas


com os salmos. Ela sofre com hinos nos seus lábios.
Ela glorifica a Deus no fogo. Ela transcende a esfera
natural exultando com louvores, tais como o Te
Deum[7], e não com as dolorosas notas dos hinos
fúnebres. Ela se afasta das lamentações dos
“carpideiros de plantão” e entra sozinha na sala,
tendo em sua companhia apenas o Senhor, que é a
Ressurreição e a Vida. A dúvida faz sonetos ou
canta Hosanas? Ela escreve um réquiem? Dela são
todas as coisas que o poeta chama de “notas
amargas”. Deixe ela ir embora e uivar pelo Mar
Morto sobre Sodoma e Gomorra!
A FÉ ORA MUITO.

O crente se refugia em Deus todas as vezes que tem


a oportunidade de aquecer a sua comunhão com a
mente divina. A oração não é um monólogo, mas
um diálogo; não é uma introspecção, mas um olhar
para os montes, de onde lhe vem o socorro. Há um
alívio em desafogar o coração para um amigo de
alma, e fé sente isso abundantemente; mas há mais
do que isso na oração. Quando mediante obediência
o dever da oração é completado, e o pedido
apresentado não é respondido, então a mão de Deus
é confiável para nos apresentar propósitos maiores,
tal como em outras ocasiões. A fé não tem o desejo
de seguir o seu próprio caminho quando esse não
está de acordo com a vontade de Deus, pois isso
seria o impulso de uma descrença que não se
submete ao juízo divino como o melhor guia.
Todavia, a fé sabe que a vontade de Deus é o mais
sublime bem, e caso sejam ouvidas as nossas
petições, o serão para o nosso próprio benefício.
Todas as coisas já são nossas por dádiva de amor,
porém pela oração é como se tudo isso fosse outra
vez endossado em nossa própria conta bancária com
Deus, o que leva o crente a ter um senso das Suas
riquezas ilimitadas.
A FÉ GOZA DA HARMONIA
ETERNA.

Confiar no Grande Pai estimula a nos satisfazermos


em todas as suas obras. O certo é que estamos fora
da engrenagem do universo até que estejamos em
paz com Deus; quando isso ocorre, todas as
criaturas entram num elo de amizade conosco e
vice-versa, pois na casa do Pai todas as coisas se
congregam para a Sua glória. Muitas igrejas são
construídas sem necessidade, pois esquecem-se de
que toda a criação é templo do Senhor e que, por
isso, nada mais é tão simples ou impuro. É assim
que montanhas e colinas rompem com cantos diante
de nós e todas as árvores do campo exultam com
palmas. Não é de admirar que um grande santo
chamou os pássaros de suas “irmãs”, pois se
assemelhavam a tudo o que vinha das mãos do
nosso Criador. Em vez de descartarmos as pedras
soltas como inúteis, meditemos sobre o fato de
termos sido edificados na fábrica do divino
Arquiteto, o qual faz todas as coisas conforme a sua
vontade. Logo, ninguém tem mais prazer na
natureza do que o inteligente amigo de Deus. Ele
conhece os segredos mais íntimos, pois lhe foram
expostos por aquele que é a Voz e o Intérprete do
mundo. A natureza para ele é apenas um nome para
um efeito cuja causa é Deus. Ele percebe Deus em
toda parte, especialmente no Getsêmani e na cruz.
Um Espírito, o Seu, o qual o vestiu de espinhos
trançados sobre a fronte ensanguentada. Regras
Universais da Natureza.
O cientista fala de “Leis da Natureza” e o teólogo
discorre sobre o Decálogo, mas para o crente todas
as leis estão no Livro-Estatuto, e ele honra todas as
coisas por causa do Rei. Ele não vê a santidade
enclausurada por detrás de muros olhando para o
lado de fora, pois, se Deus estiver lá, cada lugar lhe
é sagrado. Assim, a chuva é água benta; a montanha
um batistério; o vôo dos pássaros uma sagrada
procissão; a colheita um sacramento; o trovão um
hino e o relâmpago um sermão. A fé inunda o
universo com a Deidade quando revela a ilimitada
Presença daquele que é cada vez mais a sua vida e
felicidade.
SOB ALERTA!

Em tempos de conflito espiritual, quando a verdade


do evangelho é confrontada, eu costumo lembrar de
um crente que se levantava de madrugada e olhando
para a estrelada abóbada do céu dizia: “Meu Deus,
eu sinto tanto amor por ti, por teus caminhos, tuas
leis e tuas obras! Porque tu és infinitamente bom e
glorioso.” Desse modo, é confirmado o evangelho
que lhe trouxe um estado de grande afeição por
Deus, e isso nos leva a observar a sua veracidade.
De modo inconsciente, a mente é levada a identificar
juízos do tipo: verdadeiro e correto. Tal instinto é
verídico, pois a verdade purifica o homem; a
mentira, porém, não faz isso, ela apenas perverte.
AINDA MAIS AJUDA.

Um homem sob tentação entrou no seu quarto,


dobrou o seu joelho e orou de todo o coração em
favor da humanidade, desejando-a sinceramente o
bem e pedindo a Deus que a concedesse a graça
necessária. De modo especial, ele também pediu a
Deus o perdão dos pecados de todos aqueles que
sem motivo lhe haviam feito o mal. E, além disso,
ainda expressou o quanto reprovava o egoísmo e os
pensamentos desprovidos de amor. Ao levantar-se,
ele já possuía na mão uma arma contra a dúvida,
pois a fé que o levou a esta condição de puro e
sincero amor não deve ser outra coisa se não a
própria verdade. Embora não seja interessante
trabalhar com silogismos como esse, e essa lógica
talvez não seja assim tão aceitável para alguns,
porém, mesmo assim, nós afirmamos que o próprio
homem é em si mesmo uma apropriada evidência da
verdade, e em muitos casos ainda uma evidência
melhor do que um argumento verbal. De fato, amor
e verdade estão em comum acordo, pois um trabalha
com as mãos do outro. A verdade gera amor e o
ódio brota da falsidade.
VERDADE, E TÃO
GRANDE QUANTO A
VERDADE.

Se aquilo que a nossa fé recebe são realmente fatos,


eles são tremendamente verdadeiros, exigindo-nos
uma vida de alto padrão. Revelação não lida com
ninharias. Que os homens cuidem por manterem
uma conduta compatível com as verdades eternas! E
que também se regozijem com essa glória, pois sua é
uma herança de inconcebível magnificência cujas
verdades que abrangem a vida de fé são dignas dos
imortais, sim, dignas do próprio Deus. Andemos,
assim, de acordo com nossa elevada vocação. Oh,
que neste dia haja um fervor compatível com o
templo do Infinito ministrado por nós!
FÉ E O FIM.

O Senhor Jesus prometeu voltar, e a fé se apega a


esta promessa. Às vezes, ela anseia que o seu
cumprimento ocorra o quanto antes para que não
precise passar pela morte. Porém, os tempos e as
épocas são de pouca importância, uma vez que
todas as bênçãos da Segunda Vinda serão dela de
um modo ou de outro.
Por que se o Senhor vier rapidamente, de modo que
não víssemos a morte, nós seremos transformados; e
se Ele demorar, de modo que viessemos a morrer,
então ressuscitaremos incorruptíveis. De qualquer
jeito, estaremos com Ele eternamente. Portanto,
quer durmamos ou não, este assunto não nos aflige
com suas terríveis dores no coração, pois dizemos:
“Se eu viver, Cristo estará comigo; se eu morrer,
vou estar com Cristo.” Que diferença isso faz?
FINALMENTE
Nós nunca vimos um caso de alguém que à beira da
morte se arrependeu de sua fé em Deus. São
milhares os casos de pessoas que entediaram o seu
leito de morte com arrependimento, mas ninguém
jamais lamentou ter tido uma confiança em Deus
muito precoce, ou completa, ou prolongada. O que
seria isso que nenhum homem lamentou e que todos
perseguem? Nossos pais e antepassados passaram
por este caminho antes de nós, e eles nos
imploraram a seguí-los. Eles nos amaram muito para
que tivéssemos imaginado que confiar em Jesus lhes
tivesse sido algo inútil. Seus testemunhos na hora da
morte clamam pela nossa reverente obediência.
Assim, então, que o tempo e a eternidade tragam o
que lhes é devido, nós, porém, estamos
comprometidos com Deus, o Fiel Criador.

A QUEM SEJA A GLÓRIA


PARA TODO O SEMPRE
AMÉM.

ORE PARA QUE O ESPÍRITO SANTO


USE ESSE SERMÃO PARA EDIFICAÇÃO DE
MUITOS E SALVAÇÃO DE PECADORES.

FONTE: “The Clue of the Maze“, escrito


originalmente por C.H. Spurgeon em Merton, Sul
da França, em 1883
Tradução: Wesley Carvalho Revisão: Capa:
Armando Marcos 2° edição revista Outubro de 2017
Publicação Projeto Castelo Forte
www.projetocasteloforte.com.br
https://www.facebook.com/ProjetoCasteloForte

Você tem permissão de livre uso desse material, e é incentivado


a distribuí-lo, desde que sem alteração do conteúdo, em parte
ou em todo, em qualquer formato: em blogs e sites, ou
distribuidores, pede-se somente que cite o site “Projeto Castelo
Forte” como fonte, bem como o link do site
www.projetocasteloforte.com.br. Caso você tenha encontrado
esse arquivo em sites de downloads de livros, não se preocupe
se é legal ou ilegal, nosso material é para livre uso para
divulgação de Cristo e do Evangelho, por qualquer meio
adquirido, exceto por venda. É vedada a venda desse material

[1]
John Milton e Thomas Gray foram escritores da literatura
inglesa, tendo destaque na composição de elegias. Tal Gênero
poético se caracteriza, sobretudo pela temática baseada na tristeza
dos amores interrompidos. Surgiu na Grécia no século VII a.C. Em
Roma, influenciou fortemente os poetas da Renascença, um
período caracterizado pela valorização da razão e da experiência
em detrimento da religiosidade medieval.
[2]
Explorador escocês na África (1771-1806).
[3]
Nas fontes clássicas, Thule é um lugar, geralmente uma ilha. Na
geografia medieval, “Última Thule” pode também denotar
qualquer lugar distante localizado além das “fronteiras do mundo
conhecido”.
[4]
Julio César – William Shakespeare – Ato 1, Cena 2.
[5]
Metade do século XIX (N.d.R)
[6]
Spurgeon tem em mente os períodos do ano no Hemisfério
Norte, especialmente em Londres, onde as estações são bem
marcadas por traços bem característicos que distinguem uma das
outras.
[7]
Te Deum é um hino litúrgico que começa com as palavras “Te
Deum Laudamus” (A Vós, ó Deus, louvamos). Ele foi composto
por Ambrósio e Agostinho num momento de profunda inspiração
espiritual.
Table of Contents
A Pista do Labirinto
PREFÁCIO
SE MEXA!
COMO DEVEMOS VIVER?
O QUE A DÚVIDA ALCANÇOU?
DÚVIDA É ESTÉRIL.
CONFIANÇA EM DEUS – NOSSO
PRINCÍPIO DE VIDA.
A DEPENDÊNCIA SEMPRE CONTRIBUI
PARA O BEM.
CETICISMO – UMA CONQUISTA NÃO
MUITO GRANDE.
FÉ NO INVISÍVEL.
DEUS PODE SER CONHECIDO.
FÉ EM DEUS É PERMITIDA.
A EXISTÊNCIA DE DEUS NÃO É
EVIDENTE?
DÚVIDAS EXECUTADAS LOGICAMENTE.
SEM ALMA.
DEUS EM NOSSA ESFERA DE VIDA.
RESPOSTAS DO GRANDE DEUS À FÉ.
POR QUE DEUS NÃO É INVOCADO?
NÃO DEVEMOS DESANIMAR!
OUTRAS CAUSAS DA DESCRENÇA.
O DESPREZO
UM MAIOR CONHECIMENTO DE DEUS É
DESEJÁVEL.
QUANTO MAIS HÁ PARA SER
CONHECIDO?
DEUS SE REVELA.
UMA PALAVRA – REVELAÇÃO.
O LIVRO DEVERIA SER EXAMINADO.
OS EFEITOS DO LIVRO.
VENDO POR SI MESMO.
A LEITURA QUE O LIVRO MERECE.
ALGO MAIS DO QUE UMA LEITURA
CONVENCIONAL.
ESTILO DO LIVRO.
A PLENITUDE DO LIVRO.
DEIXE A BIBLIA SER TESTADA.
INFLUÊNCIA: UM EXCELENTE TESTE.
UM HOMEM SEM PECADO.
O LIVRO E A CIÊNCIA EM HARMONIA.
AS AFIRMAÇÕES CIENTÍFICAS NÃO SÃO
INFALÍVEIS.
CIÊNCIA, UM LUGAR INSEGURO.
O QUE SERIA MAIS FÁCIL PARA
APERFEIÇOAR?
ATÉ AGORA, NENHUMA GRANDE
DIFICULDADE!
ANCORADOURO E PÉ DE APOIO DA FÉ.
O PECADO PERTURBA A FÉ.
ORAÇÃO SUGERIDA.
O MÉTODO DA MISERICÓRDIA DE DEUS.
PRIMEIROS TRABALHOS DA FÉ.
A FÉ SE DELEITA NUM EVANGELHO
SIMPLES.
A DESCOBERTA DA FÉ.
UMA NOVA CATEGORIA DE FÉ.
FÉ E A NATUREZA DE CRISTO.
ENTUSIASMO PELA PESSOA DE JESUS.
FÉ NA VIDA QUE CRISTO VIVEU NA
TERRA.
FÉ NOS PRINCÍPIOS DA VIDA DE CRISTO.
JESUS NUNCA TEVE DÚVIDAS.
FÉ E AS SUAS PRIMEIRAS DÚVIDAS.
A FÉ DEVE PERMANECER LIVRE DE
QUALQUER MISTURA.
O CRENTE É UM MISSIONÁRIO.
A FÉ NÃO É UMA FANTASIA!
POSTURA PROGRESSISTA?
FÉ PARA TODAS AS OCASIÕES.
A FÉ TRABALHA.
A FÉ ESPERA.
A FÉ CANTA.
A FÉ ORA MUITO.
A FÉ GOZA DA HARMONIA ETERNA.
SOB ALERTA!
AINDA MAIS AJUDA.
VERDADE, E TÃO GRANDE QUANTO A
VERDADE.
FÉ E O FIM.
FINALMENTE

Você também pode gostar