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Almeida et al. Rev Bras Cardiol.

2014;27(6):423-429
Perfis Epidemiológicos entre os Sexos na SCA novembro/dezembro
Artigo Original

Comparação do Perfil Clínico-Epidemiológico entre Homens e Mulheres na Artigo


Síndrome Coronariana Aguda Original

Comparison of Clinical and Epidemiological Profiles Among Men and Women with Acute Coronary Syndrome

Maria Celita de Almeida1,2,3, Carlos Eduardo Lucena Montenegro1,2,4, Camila Sarteschi2, Gabriela Lucena Montenegro1,5,
Patricia Bezerra Rocha Montenegro1,2,4, Jesus Reyes Livera1,2, Silvia Maria Lucena Montenegro3,
Sergio Tavares Montenegro1,2,4, Odwaldo Barbosa e Silva6, Eduardo Maia Freese de Carvalho3
1
Procardio Urgências Cardiológicas - Recife, PE - Brasil
2
Real Hospital Português de Beneficência em Pernambuco - Recife, PE - Brasil
3
Instituto Aggeu Magalhães/ Fiocruz - Recife, PE - Brasil
4
Pronto Socorro Cardiológico de Pernambuco - Recife, PE - Brasil
5
Instituto Materno-Infantil de Pernambuco - Recife, PE - Brasil
6
Universidade Federal de Pernambuco - Hospital das Clínicas - Recife, PE - Brasil

Resumo Abstract

Fundamentos: A doença isquêmica do coração é a Background: Ischemic heart disease is the leading
principal causa de morte entre homens e mulheres no cause of death among men and women in Brazil and
Brasil e em vários países de diferentes continentes. in several countries on different continents. A sharp
Verifica-se um crescimento acelerado da mortalidade
upsurge in mortality rates has been noted in the
nos países em desenvolvimento, sendo esta considerada
developing countries, today constituting a major
uma das questões mais relevantes em saúde pública
atualmente. public health issue.
Objetivo: Analisar e comparar o perfil clínico- Objective: To analyze and compare the clinical and
epidemiológico de homens e mulheres na síndrome epidemiological profiles of men and women with
coronariana aguda. acute coronary syndrome.
Métodos: Avaliado o perfil clínico-epidemiológico de Methods: We studied 927 patients (60.0% men) with
927 pacientes (60,0% homens), com média de idade an average age of 67.0±12.0 years diagnosed with acute
67,0±12,0 anos com diagnóstico de síndrome coronary syndrome (ACS) and admitted to the
coronariana aguda (SCA), internados na unidade
coronary unit of a cardiology reference hospital in the
coronariana de um hospital da rede suplementar de
saúde, de referência em cardiologia, na cidade de supplementary healthcare network between
Recife, PE, Brasil, no período de setembro de 2009 a September 2009 and December 2012 in the city of
dezembro de 2012. Recife, Pernambuco State, Brazil.
Resultados: Dentre os fatores de risco, a hipertensão Results: Among the risk factors, hypertension and
arterial sistêmica e o sedentarismo foram mais sedentary lifestyles were more frequent among
frequentes nas mulheres (p=0,001), enquanto o women (p=0.001), while smoking and alcoholism were
tabagismo e o alcoolismo foram mais frequentes nos more frequent among men (p=0.01). Men also had
homens (p=0,01). Ainda nos homens foram mais
more frequent acute myocardial infarctions with
frequentes: o infarto agudo do miocárdio com
elevation of the ST segment or previous coronary
supradesnivelamento do segmento do ST ou cirurgia
de revascularização do miocárdio prévios (p=0,011) e artery bypass grafting (p=0.011) and higher troponin
também os níveis de troponina (p=0,006). Durante a levels (p=0.006). During hospitalization, adverse
hospitalização, os desfechos adversos e óbito foram outcomes and deaths were more frequent among
mais frequentes nas mulheres (p=0,177). women (p=0.177).

Correspondência: Carlos Eduardo Lucena Montenegro


Rua Epaminondas de Melo, 139 - Paissandu - 52010-050 - Recife, PE - Brasil
E-mail: ce_montenegro@yahoo.com.br
Recebido em: 01/10/2014 | Aceito em: 09/12/2014

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Conclusão: As mulheres com SCA apresentaram Conclusion: Women with ACS present higher rates
maior prevalência de hipertensão arterial sistêmica e for hypertension and sedentary lifestyles, with more
sedentarismo e a maior ocorrência de desfechos adverse outcomes among women underscoring the
adversos, indicando a necessidade de intervir mais need for earlier intervention and encouragement for
precocemente e estimular o controle nos fatores de controlling risk factors, in order to lower in-hospital
risco, visando a reduzir as complicações e a mortalidade mortality rates with fewer complications.
hospitalar.

Palavras-chave: Epidemiologia; Doença da artéria Keywords: Epidemiology; Coronary artery disease;


coronariana; Síndrome coronariana aguda Acute coronary syndrome.

Introdução Métodos

A síndrome coronariana aguda (SCA) é a principal Estudo observacional, tipo série de casos, descritivo,
causa de morte entre homens e mulheres no Brasil e com pacientes de ambos os sexos e idade acima de
no mundo1. Em 2011, foi responsável por mais de 35 anos, internados em unidade coronariana com
104 mil óbitos no Brasil em decorrência de comorbidades diagnóstico de SCA, no período de outubro de 2009 a
relacionadas ao aparelho circulatório, o que equivale dezembro de 2012 após demanda espontânea à
a 31,2% do total das mortes naquele ano2. Inúmeras urgência/emergência de um hospital privado de
são as diferenças existentes entre homens e mulheres referência em cardiologia na cidade do Recife, PE.
Os dados referentes às características clínico-
na fisiopatologia, na prevalência, na apresentação
epidemiológicas, fatores de risco, antecedentes
clínica, no diagnóstico e no prognóstico da SCA3.
pessoais e desfechos clínicos foram coletados durante
a hospitalização, tendo como base o prontuário
As doenças cardiovasculares geram o maior custo médico.
referente a internações hospitalares no sistema de
saúde nacional. Em 2012, um total de 12,5% das O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em
hospitalizações e 27,4% das internações de Pesquisa da instituição sob o nº 0020/2009. Todos os
indivíduos ≥60 anos foram causadas por doenças pacientes participantes assinaram o Termo de
cardiovasculares2. Consentimento Livre e Esclarecido.

O Brasil necessita de registros para conhecer o perfil Foram incluídos no estudo somente os pacientes
dos indivíduos com síndrome coronariana aguda. internados na unidade coronariana com diagnóstico
Informações de hospitais públicos são acessíveis a confirmado de síndrome coronariana aguda, neste
partir dos dados disponibilizados pelo Datasus, mas período. A SCA foi caracterizada como infarto agudo
quando se trata da rede suplementar de saúde, do miocárdio (IAM) com supradesnivelamento do
responsável pela assistência a 40 milhões de brasileiros, segmento ST, IAM sem supradesnivelamento de ST e
não são encontrados dados 4 . Sabe-se que são angina instável (AI), sendo esses critérios definidos
populações diferentes e não se deve fazer uma simples pelas diretrizes vigentes5,6. A morte foi atribuída à
extrapolação de dados, pois a prevalência dos fatores origem cardíaca quando arritmias significantes,
insuficiência cardíaca congestiva ou infarto agudo do
de risco e o impacto de cada fator diferem nas
miocárdio foram documentados 7. Pacientes com
diferentes populações. A identificação dos fatores de
outros diagnósticos foram excluídos.
risco peculiares a cada população e o seu adequado
controle são importantes na redução da mortalidade O escore TIMI foi utilizado como referência na
das doenças cardiovasculares. estratificação de risco dos pacientes, e consiste na
análise de sete variáveis dicotômicas, relacionadas à
O objetivo deste estudo foi avaliar e comparar o perfil apresentação clínica da síndrome coronariana aguda
cínico-epidemiológico entre homens e mulheres em (presença de infradesnivelamento do segmento ST,
um hospital de referência em cardiologia, da rede elevação de marcador de necrose miocárdica, mais de
suplementar de assistência à saúde, na cidade do um episódio de angina em 24 horas) ou a características
Recife, PE, Brasil. prévias dos pacientes (idade ≥65 anos, uso de aspirina,

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obstrução coronariana ≥50%, presença de três ou mais apresentados os antecedentes pessoais e/ou fatores
fatores de risco para doença aterosclerótica). A de risco para DAC de acordo com o sexo.
presença de cada variável adiciona um ponto ao escore
total, que varia de zero a sete8. Não houve diferença estatisticamente significativa
entre os sexos em relação à presença de DAC prévia
A classificação de Killip é bastante utilizada na e à intervenção coronariana percutânea; porém
avaliação prognóstica pós-IAM, baseada em dados quando considerado IAM ou CRM prévios, estes
clínicos que permitem avaliar a gravidade da
foram mais frequentes nos homens (p=0,011). Os
disfunção ventricular, quando presente, nos pacientes
parâmetros clínicos na admissão, pressão arterial
com IAM9.
sistólica e diastólica foram semelhantes nos dois
Os dados foram analisados visando a comparar as grupos e a frequência cardíaca foi mais elevada
características dessa população, de acordo com o sexo: entre as mulheres (p=0,006). Em relação ao tipo
idade, fatores de risco: tabagismo, dislipidemia (DLP), de dor precordial, os homens apresentaram mais
hipertensão arterial sistêmica (HAS), diabetes mellitus dor típica (p<0,001). No diagnóstico inicial os
(DM), sedentarismo e obesidade; antecedentes grupos apresentaram as seguintes características:
pessoais para DAC (IAM, intervenção coronariana os homens apresentavam mais IAM com
percutânea (ICP) e cirurgia de revascularização supradesnivelamento do segmento ST (p=0,016) e
miocárdica (CRM) prévia; e desfechos clínicos: IAM, as mulheres mais angina (p=0,016). Quanto ao
AI, ICC e morte de origem cardíaca. escore TIMI e avaliação da classe funcional por
Killip não houve diferença estatística entre os
O teste do qui-quadrado foi utilizado nas comparações grupos (p=0,405 e p=0,240, respectivamente). Os
de proporção e a comparação das amostras em relação níveis de troponina foram mais elevados nos
às variáveis contínuas foi realizada pelo teste t de
homens, com significado estatístico (p=0,006). Na
Student. As diferenças entre os grupos foram
Tabela 3 são apresentados os dados da estratificação
consideradas estatisticamente significativas quando
de risco após o evento coronariano.
p<0,05.

Durante a internação hospitalar, a frequência do uso


Resultados de medicações é semelhante nos dois grupos, com
exceção para antiplaquetário inibidor da glicoproteína
Foram avaliados 927 pacientes, dos quais 556 (60,0%) IIbIIIa, que foi mais frequente nos homens (p=0,012).
eram homens. A distribuição por sexo, idade e cor da Na Tabela 4 são apresentadas as complicações durante
pele está apresentada na Tabela 1. Na Tabela 2 são a hospitalização.

Tabela 1
Características da população estudada de acordo com o sexo

Características Feminino (n=371) Masculino (n=556) p


n (%) n (%)

Cor da pele

Branca 214 (58,3) 281 (51,1)

Parda 89 (24,3) 167 (30,4)


0,023*
Negra 52 (14,2) 94 (17,1)

Amarela 12 (3,3) 8 (1,5)

Idade (anos) média±DP 68,6 ± 13,6 63,9 ± 13,9 0,001*

*p<0,05); DP - desvio-padrão

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Tabela 2
Antecedentes pessoais e fatores de risco da população estudada, de acordo com o sexo

Feminino (n = 371) Masculino (n = 556)


Características p
n (%) n (%)
Sedentarismo 278 (86,3) 320 (66,8) 0,001*

Hipertensão arterial sistêmica 275 (74,1) 404 (72,7) 0,622

Dislipidemia 217 (58,5) 327 (58,8) 0,922

Diabetis mellitus 138 (37,2) 212 (38,1) 0,774

Alcoolismo 45 (21,2) 136 (24,8) 0,001*

Tabagismo 60 (16,2) 134 (24,1) 0,002*

Doença renal 36 (9,7) 63 (11,3) 0,432

Doença cerebrovascular 34 (9,1) 63 (11,3) 0,291


Doença pulmonar obstrutiva crônica 31 (8,4) 45 (8,1) 0,887

Arritmia 20 (7,6) 33 (8,3) 0,764

*p<0,05

Tabela3
Estratificação de risco pós-evento coronariano da população estudada, de acordo com o sexo

Feminino (n=371) Masculino (n=556)


Estratificação de risco pós-evento coronariano p
n (%) n (%)

Fração de ejeção pelo ecocardiograma (n=227)

≤ 45% 17 (17,5) 26 (20,0)


0,638
> 45% 80 (82,5) 104 (80,0)
Cintilografia (n=113)
Negativo 31 (63,3) 32 (50,0)
0,159
Positivo 18 (36,7) 32 (50,0)
Cateterismo cardíaco (n=54)
Sem lesões 20 (12,3) 28 (9,6)
Lesão de tronco 16 (9,8) 22 (7,6)
Uniarterial 52 (31,9) 78 (26,8) 0,258
Biarterial 40 (24,5) 75 (25,8)
Triarterial 35 (21,5) 88 (30,2)
Tempo de hospitalização (dias)
Mediana (P25 – P75) 6 (4–10) 6 (4–9) 0,386
Tipo de tratamento (n=355)
Clínico 266 (72,0) 392 (70,0)

Intervenção coronariana percutânea 76 (20,0) 123 (22,0) 0,702

Cirúrgico 29 (8,0) 41 (8,0)

*p<0,05

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Tabela 4
Complicações durante a hospitalização da população estudada, de acordo com o sexo

Feminino (n=371) Masculino (n=556)


Complicações p
n (%) n (%)

Infecções 44 (12,0) 44 (7,9) 0,041*

Choque cardiogênico 24 (6,5) 17 (3,1) 0,012*

Insuficiência renal aguda 22 (6,0) 25 (4,5) 0,317

Insuficiência cardíaca congestiva 21 (5,7) 19 (3,4) 0,095

Óbito 21 (5,7) 21 (3,8) 0,177

Arritmia ventricular 10 (2,7) 12 (2,2) 0,582

Hemorragia 6 (1,6) 2 (0,4) 0,065

Acidente vascular encefálico 3 (0,9) 9 (1,7) 0,382

*p<0,05

Discussão anormalidades metabólicas diferentes das usualmente


encontradas nos homens17.
Os principais fatores de risco para SCA são: diabetes
mellitus, dislipidemia, tabagismo, hipertensão arterial Passado de IAM e CRM foi mais frequente nos
sistêmica, sedentarismo e estresse emocional. O estudo homens. Quando foram analisadas as medicações
INTERHEART10 demonstrou que os fatores de risco utilizadas durante a internação, não houve diferença
são semelhantes entre as populações mundiais. estatística significativa, com exceção do antiplaquetário
inibidor da glicoproteína IIbIIIa que foi mais utilizado
Neste estudo, as mulheres se apresentaram mais entre os homens. Alguns trabalhos mostram que o
idosas, concordando com trabalhos que indicam que tratamento clínico é menos otimizado nas mulheres18.
o início dos sintomas de DAC é mais tardio (5 a
10 anos) nas mulheres em relação aos homens11,12. Em relação à intervenção coronariana, tanto percutânea
quanto cirúrgica, não houve diferença estatisticamente
Quanto aos fatores de risco para DAC, o sedentarismo significativa, diferente de alguns trabalhos na
foi mais frequente nas mulheres, enquanto o tabagismo literatura que mostram as mulheres como menos
e o alcoolismo foram mais frequentes nos homens. tratadas invasivamente que os homens19.
DLP, HAS e DM não diferiram estatisticamente nos
dois grupos, contrariamente a alguns estudos que Nos resultados apresentados neste artigo, as diferenças
mostram HAS e DLP como mais prevalentes nas nas taxas de mortalidade após IAM não existiram.
mulheres13,14. Entretanto complicações como IC, infecção, hematoma
e choque cardiogênico após SCA foram mais
Neste estudo, os homens apresentaram mais IAMCSST frequentes nas mulheres em relação aos homens.
enquanto as mulheres apresentaram mais AI e
IAMSSST, assim como sintomatologia mais atípica. A Vários estudos em pacientes com infarto agudo do
angina é comumente encontrada em mulheres, como miocárdio têm relatado que as mulheres têm maior
primeira manifestação clínica, enquanto o IAM é mais mortalidade intra-hospitalar20,21. No entanto, após
comum em homens 15 e a sintomatologia atípica ajuste para idade e diferenças em várias condições
dificulta o reconhecimento da SCA, causando por coexistentes, muitos estudos concluem que o sexo não
vezes retardo na procura de atendimento médico16. é um fator independente para mortalidade após
Em relação ao estudo angiográfico, as mulheres SCA22,23.
apresentaram mais coronárias isentas de lesão ou
padrão de lesão coronariana uniarterial, o que se pode Limitação do estudo: Este estudo foi observacional,
justificar pelo fato de as mulheres apresentarem maior tendo sido selecionados pacientes com síndrome
envolvimento microvascular, com mais inflamação e coronariana aguda em hospital da rede privada, que

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atende a uma população de maior acesso às medidas 6. Nicolau JC, Timerman A, Marin-Neto JA, Piegas LS,
de prevenção primária e secundária, consequentemente Barbosa CJDG, Franci A, et al; Sociedade Brasileira de
com mortalidade hospitalar menor. Talvez, este Cardiologia. Diretrizes da Sociedade Brasileira de
motivo tenha contribuído para uma diferença mais Cardiologia sobre angina instável e infarto agudo do
discreta quando se comparou o perfil clínico entre miocárdio sem supradesnível do segmento ST (II Edição,
homens e mulheres. Por fim, este trabalho não traz 2007) – Atualização 2013/2014. Arq Bras Cardiol.
resultados quanto a desfechos em longo prazo, quando 2014; 102(3 supl.1):1-61.
se sabe que a história natural da doença se modifica 7. Dittrich H, Gilpin E, Nicod P, Cali G, Henning H, Ross
após um evento coronariano. J Jr. Acute myocardial infarction in women: influence
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Cardiol. 1988;62(1):1-7.
Conclusão 8. Antman EM, Cohen M, Bernink PJ, McCabe CH,
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A maior prevalência de hipertensão arterial sistêmica unstable angina/non-ST elevation MI: A method for
e sedentarismo e a maior ocorrência de desfechos prognostication and therapeutic decision-making.
adversos nas mulheres indicam que um melhor
JAMA. 2000;284(7):835-42.
conhecimento do perfil clínico-epidemiológico dos
9. Lemos KF, Davis R, Moraes MA, Azzolin K. Prevalência
pacientes possibilita intervir mais precocemente e
de fatores de risco para síndrome coronariana aguda
estimular o controle dos fatores de risco, visando a
em pacientes atendidos em uma emergência. Rev
reduzir as complicações e a mortalidade hospitalar.
Gaúcha Enferm. 2010;31(1):129-35.
10. Yusuf S, Hawken S, Ounpuu S, Dans T, Avezum A,
Potencial Conflito de Interesses Lanas F, et al; INTERHEART Study Investigators.
Declaro não haver conflitos de interesses pertinentes. Effect of potentially modifiable risk factors associated
with myocardial infarction in 52 countries (the
Fontes de Financiamento INTERHEART study): case-control study. Lancet.
O presente estudo não teve fontes de financiamento externas. 2004;364(9438):937-52.
11. Canto JG, Goldberg RJ, Hand MM, Bonow RO, Sopko
Vinculação Acadêmica G, Pepine CJ, et al. Symptom presentation of women
Este artigo representa parte da tese de Doutorado de Maria with acute coronary syndromes: myth vs reality. Arch
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