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NR 10 - Básico

Apostila

Curso: NR 10 – Básico Realização:

Carga Horária: 40h


Sumário

1. Introdução à Segurança com Eletricidade .................................................................................. 6

2. Riscos em instalações e serviços com eletricidade .................................................................... 7

3. Técnicas de análise de risco ......................................................................................................18

4. Medidas de Controle do Risco Elétrico ......................................................................................22

5. Normas Técnicas Brasileiras .....................................................................................................39

6. Regulamentações do MTE .........................................................................................................44

7. Equipamentos de Proteção Coletiva – EPC...............................................................................49

8. Equipamentos de Proteção Individual – EPI ..............................................................................69

9. Rotinas de trabalho – Procedimentos ........................................................................................79

10. Documentação de instalações elétricas .....................................................................................88

11. Riscos adicionais .......................................................................................................................90

12. Proteção e combate a incêndios ................................................................................................99

13. Acidentes de origem elétrica ....................................................................................................122

14. Primeiros socorros ...................................................................................................................124

15. Responsabilidades ...................................................................................................................147


1. Introdução à Segurança com Eletricidade

As medidas de segurança adotadas em serviços de eletricidade têm o objetivo de evitar e/ou


mitigar os efeitos dos acidentes provenientes de fatores relacionados a eletricidade. Dentre tais fatores
destacam-se:
a) Choque elétrico;
b) Morte;
c) Explosão / incêndio;
d) Danos ao meio ambiente
e) Dano à propriedade;
f) Queda de altura;
g) Ataque por animal;
h) Perda de produção
i) Demandas judiciais

Medida de controle é uma atitude ou ação adotada para evitar ou reduzir a condição de risco,
com probabilidade de causar dano a saúde das pessoas, ao meio ambiente e as instalações.
As medidas de segurança adotadas devem interagir com as demais medidas de segurança
adotadas na instalação. A ação em segurança pressupõe integração de todas as esferas envolvidas
objetivando obtenção de resultados para todas as esferas da organização.
Basicamente, a segurança em eletricidade deve garantir o isolamento elétrico entre as partes
energizadas entre si e entre as pessoas. Os meios para a garantia deste objetivo são:
- Utilização de materiais adequados a cada tipo de instalação;
- Treinar pessoal envolvido nas atividades que envolvam eletricidade;
- Conceber o projeto considerando as implicações relativas a segurança para todas as fazes da
instalação (montagem, manutenção e operação);
- Prever dispositivos de segurança;
- Obedecer às normas técnicas e de segurança vigentes no país e quando não existirem adotar
normas internacionais.

De acordo com a NR 10, as medidas de controle de risco previstas são:


- Desenergização.
- Aterramento funcional (TN / TT / IT), de proteção e/ou temporário;
- Equipotencialização;
- Seccionamento automático da alimentação;
- Dispositivos a corrente de fuga;
- Extra baixa tensão;
- Barreiras e invólucros;
- Bloqueios e impedimentos;
- Obstáculos e anteparos;
- Isolamento das partes vivas;
- Isolação dupla ou reforçada;
- Colocação fora de alcance;
- Separação elétrica.

Cada uma destas medidas será comentada ao longo deste treinamento.


2. Riscos em instalações e serviços com eletricidade

2.1. Riscos elétricos

Segundo a Norma Regulamentar, risco é a capacidade de uma grandeza com potencial para
causar lesões ou danos à saúde das pessoas.
Pode-se dizer que se corre risco em vários ambientes, mas o que se vai analisar é o risco em
Eletricidade.
Existem diferentes tipos de riscos devidos aos efeitos da eletricidade no ser humano e no meio
ambiente. Os principais riscos são o choque elétrico, o arco elétrico, a exposição aos campos
eletromagnéticos, incêndio e os riscos adicionais.
Todos os demais grupos ou fatores de risco, além dos elétricos específicos de cada ambiente
ou processos de trabalho que, direta ou indiretamente, possam afetar a segurança e a saúde no
trabalho são riscos adicionais.
Exemplo de Risco Adicional: Altura, Espaço Confinado, Condições Atmosféricas e Áreas
Classificadas.

2.2. O Choque Elétrico, Mecanismos e Efeitos

O choque elétrico é a passagem de uma corrente elétrica através do corpo, utilizando-o como
um condutor. O choque elétrico pode provocar desde um leve formigamento, podendo chegar à
fibrilação, Parada Cardiorespiratória - PCR, queimaduras graves ou até a morte.
De acordo com estudos, de cada cinco choques, um é fatal, enquanto que, em outros tipos de
acidentes, ocorre uma morte para cada duzentas ocorrências, em média.
O corpo humano, não só pela natureza de seus tecidos como pela grande quantidade de água
que contém, tem comportamento semelhante a um condutor elétrico, ou seja, conduz corrente elétrica.

O que o choque elétrico pode causar ? Em quais situações


Interromper o funcionamento do coração e órgãos Quando a corrente elétrica age diretamente
respiratórios nestas áreas do corpo
Queimaduras Quando a energia elétrica é transformada em
energia calorífica, podendo a temperatura chegar
a mais de mil graus centígrados
Asfixia mecânica ou outras ações indiretas Sob o efeito da corrente elétrica, a língua se
enrola, fechando a passagem de ar. Outra ação
indireta é quando a vítima cai de uma escada ou
do alto de um poste.

Assim como todo elemento condutor, o corpo humano também apresenta valores de
resistência elétrica.

Os efeitos do choque elétrico podem variar dependendo das variantes do choque que são:
Intensidade da corrente Quanto maior a intensidade da corrente, pior o efeito no corpo. As de
baixa intensidade provocam contração muscular, fazendo com que a
pessoa não consiga soltar o objeto energizado.
Frequência As correntes elétricas de alta frequência são menos perigosas ao
organismo do que as de baixa frequência.
Tempo de duração Quanto maior o tempo de exposição à corrente, maior será seu
efeito no organismo.
Natureza da corrente O corpo humano é mais sensível à corrente alternada de frequência
industrial (50/60 Hz) do que à corrente contínua. O limiar de
sensação da corrente contínua é da ordem de 5 miliampéres,
enquanto que na corrente alternada é de 1 miliampère. A corrente
elétrica passa a ser perigosa para o homem a partir de 9
miliampéres, em se tratando de corrente alternada e, 45 miliampéres
para corrente contínua.
Condições orgânicas Pessoas com problemas cardíacos, respiratórios, mentais,
deficiência alimentar, entre outros, estão mais propensas a sofrer,
com maior intensidade, os efeitos do choque elétrico. Até
intensidade de corrente relativamente fraca pode causar
consequências graves em idosos.
Percurso da corrente Dependendo do percurso que realizar no corpo humano, a corrente
pode atingir centros e órgãos de importância vital, como o coração e
os pulmões.
Resistência do corpo A pele molhada permite maior intensidade de corrente elétrica do
que a pele seca.
R pele seca = 1,5 Mῼ
R pele úmida = 200 ῼ
V=RxI
(V) Voltagem = (R) Resistência x "(I) Amperagem"
Para saber a intensidade da corrente elétrica se utiliza a 1ª lei de
Ohm:
I = V÷R
I (Intensidade)= V Tensão Elétrica (d.d.p) ÷ R (Resistência)
Características da Corrente Em geral, a corrente contínua (CC) é menos perigosa que a corrente
Elétrica alternada (CA). Os efeitos da corrente alternada no organismo
dependem em grande parte da velocidade com que ela alterna (isto
é, sua frequência), que é medida em ciclos por segundo (hertz).

A tabela a seguir mostra alguns possíveis efeitos que a corrente elétrica pode provocar no
corpo humano.
É importante lembrar que o tempo de exposição ao choque elétrico agrava, consideravelmente
os efeitos descritos na tabela.
2.3. Tipos de Choque Elétrico

Existem três formas distintas de ocorrer o choque elétrico.


- Choque Estático;
- Choque Dinâmico;
- Choque por meio do Raio ou Descarga Atmosférica.

Choque Estático
A eletricidade estática é a carga elétrica em um corpo, cujos átomos apresentam um
desequilíbrio em sua neutralidade. O fenômeno da eletricidade estática ocorre, quando a quantidade de
elétrons gera cargas positivas ou negativas em relação à carga elétrica dos núcleos dos átomos.
Acontece quando há contato com equipamentos que possuem eletricidade estática, como por
exemplo, um capacitor carregado. Outro exemplo típico de geração casual de eletricidade estática
ocorre no corpo humano, quando se veste roupas de lã.
Um fator importante na geração de eletricidade estática é a umidade, pois quanto mais seco
estiver o ar, mais facilmente a carga se desenvolve.
Para evitar a eletrostática, recomenda-se utilizar pulseiras contra descargas eletrostáticas,
utilizadas primordialmente para que não sejam acumuladas cargas elétricas no corpo humano.
A eletricidade estática, apesar de aparentar ser inofensiva, pode levar a acidentes terríveis
como incêndios e explosões, além de poder danificar vários equipamentos elétricos.

Choque Dinâmico
O choque dinâmico surge por meio do contato ou excessiva aproximação do fio fase de uma
rede ou circuito de alimentação elétrico descoberto.
Este é o choque elétrico mais comum e conhecido, tendo um contato direto com o circuito
elétrico.

Choque por meio do Raio ou Descarga Atmosférica


Descarga atmosférica, popularmente conhecida como raio, faísca ou corisco é um fenômeno
natural, que ocorre em todas as regiões da Terra. Raios são gigantescas descargas elétricas, que
podem produzir choques elétricos como se fossem produzidos por enormes capacitores, portanto com
altíssima corrente.
As descargas atmosféricas são as maiores causadores de acidentes em sistemas elétricos,
causando prejuízos tanto materiais, quanto para a segurança pessoal.
Existem três tipos de raios classificados pela sua origem, também menos comumente
chamados descargas iônicas ou atmosféricas:
- Da nuvem para o solo.
- Do solo para a nuvem.
- Entre nuvens (Relâmpagos).

Um raio ao cair na Terra pode provocar grande destruição devido ao alto valor de sua corrente
elétrica, que gera intensos campos eletromagnéticos, calor, etc. Além dos danos causados diretamente
pela corrente elétrica e pelo intenso calor, o raio pode provocar sobretensões em redes de energia
elétrica, em redes de telecomunicações, de TV a cabo, antenas parabólicas, redes de transmissão de
dados, etc.
Essa sobretensão é denominada Sobretensão Transitória.
Por sua vez, as sobretensões transitórias podem chegar até as instalações elétricas internas
ou de telefonia, de TV a cabo ou de qualquer unidade consumidora. Os seus efeitos, além de poderem
causar danos a pessoas e animais, também podem:
- Provocar a queima total ou parcial de equipamentos elétricos ou danos à própria
instalação elétrica interna e telefônica, entre outras;
- Reduzir a vida útil dos equipamentos;
- Provocar enormes perdas, com a parada de equipamentos, etc.

As sobrecorrentes transitórias originadas de descargas atmosféricas podem ocorrer de dois


modos:
- Descarga Direta - o raio atinge diretamente uma rede elétrica ou telefônica. Nesse
caso, o raio tem um efeito devastador, gerando elevados valores de sobretensões
sobre os diversos circuitos.
- Descarga Indireta - o raio cai a uma distância de até um quilômetro de uma rede
elétrica. A sobretensão gerada apresenta menor intensidade do que a provocada pela
descarga direta, mas pode causar sérios danos. Essa sobretensão induzida acontece,
quando uma parte da energia do raio é transferida por meio de um acoplamento
eletromagnético com uma rede elétrica.

A grande maioria das sobretensões transitórias de origem atmosférica causam danos a


equipamentos, sendo ocasionadas pelas descargas indireta, por meio de tensões induzidas
eletromagnéticas ou tensões estáticas.

Algumas medidas preventivas contra sobretensões transitórias podem ser adotadas:


Evitar a execução de serviços em equipamentos e instalações elétricas internas e externas.
Nunca se deve procurar abrigo sob árvores ou construções isoladas sem sistemas de proteção
atmosféricos adequados.
Não se deve entrar no mar, em rios, em lagos ou piscinas, imprescindível se resguardar a uma
distância segura destes.
Procurar abrigo em instalações seguras, jamais ficando ao relento.
Caso não encontre abrigo, é importante procurar não se movimentar e, se possível, ficar
agachado, evitando assim o efeito das pontas.
Evite o uso de telefones, a não ser que seja sem fio.
Evite ficar próximo de tomadas e canos, janelas e portas metálicas.
Evite tocar em qualquer equipamento elétrico ligado à rede elétrica.
Evite locais extremamente perigosos, como topos de morros, topos de prédios, proximidade de
cercas de arame, torres, linhas telefônicas, linhas aéreas.

2.4. Condições de Tensão

Existem algumas condições de tensão que favorecem os acidentes por choque elétrico, que
são:
- Tensão de Toque: Tensão que pode aparecer acidentalmente por falha de isolação
entre duas partes simultaneamente acessíveis. É a tensão elétrica existente entre os
membros superiores e inferiores de um indivíduo, quando o mesmo toca em
equipamento com defeito na isolação ou na parte nua de um condutor energizado.
- Tensão de Passo: Tensão elétrica entre os dois pés de um indivíduo quando o mesmo
está no solo próximo de um local com vazamento de corrente elétrica para a terra,
provocado por queda de condutores energizados no solo, ou descargas atmosféricas
em corpos aterrados.

2.5. Tipos de contato

Contato direto - é o contato de pessoas ou animais com partes, normalmente, energizadas


(partes vivas da instalação, condutores, conexões).
Contato indireto - o contato de pessoas ou animais com partes metálicas das estruturas, mas
que não pertencem ao circuito elétrico e que se encontram energizadas acidentalmente.

2.6. Situações de risco

Pode-se perceber que os acidentes por eletricidade são causados por várias situações;
instalações defeituosas, cabos arrebentados, fios desencapados, equipamentos não aterrados,
descargas atmosféricas entre outros. Para se evitar ou minimizar a situação de risco se deve analisar o
ambiente e as atitudes dos indivíduos antes de iniciar qualquer trabalho ou serviço com eletricidade.

2.7. Efeitos dos choques elétricos

A vítima pode ser projetada ou agarrada ao condutor, podendo provocar vários distúrbios, entre
eles: mal-estar passageiro, ligeiros transtornos da consciência, estado de agitação e, às vezes, delírio,
ligeiro distúrbio da respiração, angústia, isso nos casos simples.
Já nos casos graves: perda súbita de consciência, pulso rápido e quase imperceptível,
respiração difícil, lábios, orelhas e unhas azuladas, parada respiratória e consequente parada cardíaca
ou até morte.
Em geral, os choques deixam marcas no ponto de contato, tipo queimadura
Nas tabelas abaixo pode-se notar a relação de tempo, que uma pessoa é capaz de suportar
sem sofrer consequências graves com o nível de tensão CA - Corrente Alternada e CC - Corrente
Contínua.
Duração Máxima da Tensão de contrato CA Duração Máxima da Tensão de contrato CA
Tensão de Contato Duração Máxima Tensão de Contato Duração Máxima
Menor que 50 v Infinito Menor que 120 v Infinito
50 v 5 segundos 120 v 5 segundos
75 v 0,6 segundo 140 v 1 segundo
90 v 0,45 segundo 160 v 0,5 segundo
110 v 0,36 segundo 175 v 0,2 segundo
150 v 0,27 segundo 200 v 0,1 segundo
220 v 0,17 segundo 250 v 0,05 segundo
280 v 0,12 segundo 310 v 0,03 segundo

2.8. Sintomas do choque no indivíduo

Sintomas do Choque no Indivíduo


Parada respiratória Inibição dos centros nervosos, inclusive dos que
comandam a respiração.
Parada cardíaca Alteração no ritmo cardíaco, podendo produzir
fibrilação e uma consequente parada.
Necrose Resultado de queimaduras profundas produzidas
no tecido.
Alteração no sangue Provocada por efeitos térmicos e eletrolíticos da
corrente elétrica.
Perturbação do sistema nervoso
Sequelas em vários órgãos do corpo humano
Morte

2.9. Sintomas da queimadura devido ao choque elétrico

Quando uma corrente elétrica passa por meio de uma resistência elétrica é liberada uma
energia térmica. Este fenômeno é denominado Efeito Joule.

Q = i² .r . t
Em que:
Q = Térmica - Energia em joules liberada
i = Intensidade da corrente
r = Resistência do condutor, do corpo humano ou se for o caso, só a resistência de parte do
corpo, do músculo ou órgão afetado.
t = Tempo de duração

O calor liberado aumenta a temperatura da parte atingida do corpo humano, podendo produzir
vários efeitos e sintomas, que podem ser:
- Queimaduras de 1º, 2º ou 3º graus nos músculos do corpo;
- Aquecimento do sangue, com a consequente dilatação;
- Aquecimento, podendo provocar o derretimento dos ossos e cartilagens;
- Queima das terminações nervosas e sensoriais da região atingida;
- Queima das camadas adiposas ao longo da derme, tornando-as gelatinosas.

As condições citadas não acontecem isoladamente, mas sim associadas, advindo, em


consequência, oytros efeitos nos órgãos humanos.
O choque de alta-tensão queima, danifica, fazendo buracos na pele nos pontos de entrada e
saída da corrente pelo corpo humano. As vítimas do choque de alta-tensão morrem, principalmente,
devido a queimaduras. E as que sobrevivem ficam com sequelas, geralmente com:
- Perda de massa muscular;
- Perda parcial de ossos;
- Diminuição e atrofia muscular;
- Perda da coordenação motora;
- Cicatrizes, entre outras.

Choques elétricos em baixa tensão têm pouco poder térmico. O problema maior é o tempo de
duração que, se persistir, pode levar à morte, geralmente, por fibrilação ventricular do coração.
A queimadura também é provocada, de modo indireto, isto é, devido ao mau contato ou a
falhas internas no aparelho elétrico. Neste caso, a corrente provoca aquecimentos internos, elevando a
temperatura em níveis perigosos.

2.10. Proteção contra choques elétricos

Conforme a NBR 5410, as pessoas e os animais devem ser protegidos contra choques
elétricos, seja o risco associado a contato acidental com parte viva perigosa, seja a falhas que possam
colocar uma massa acidentalmente sob tensão.

Proteção total contra choques elétricos


A Proteção total contra choques elétricos é destinada a impedir todo contato com as partes
vivas da instalação elétrica.
O princípio que fundamenta as medidas de proteção contra choques especificadas nesta
Norma podem ser resumidos da seguinte forma:
- partes vivas perigosas, não devem ser acessíveis; e
- massas ou partes condutivas acessíveis, não devem oferecer perigo, seja em
condições normais, seja em caso de alguma falha que as tornem acidentalmente vivas.
Deste modo, a proteção contra choques elétricos compreende, em caráter geral, dois tipos de
proteção: Proteção Básica e Proteção Supletiva

1. Proteção Básica: é o meio destinado a impedir contato com partes vivas perigosas em
condições normais.
As medidas a serem tomadas nas proteções básicas são:
- isolação básica ou separação básica;
- uso de barreira ou invólucro
- limitação da tensão

2. Proteção Supletiva: é o Meio destinado a suprir a proteção contra choques elétricos quando
massas ou partes condutivas acessíveis tornam-se acidentalmente vivas.
Medidas a serem tomadas:
- equipotencialização e seccionamento automático da alimentação
- isolação suplementar
- separação elétrica

Proteção parcial contra choques elétricos


São considerados meios de proteção parcial contra choques elétricos o uso de obstáculos e a
colocação fora de alcance.
O uso de obstáculos e a colocação fora do alcance destinam-se a evitar contato com partes
vivas e são classificáveis, portanto, como meios de proteção básica. Além disso, a proteção básica que
proporcionam é considerada apenas parcial.
Admite-se uma proteção parcial contra choques elétricos, mediante o uso de obstáculos e/ou
colocação fora de alcance, respectivamente, em locais acessíveis somente a pessoas advertidas ou
qualificadas e desde que:
a) a tensão nominal dos circuitos existentes nestes locais não seja superior aos limites da
faixa de tensões conforme apresentada na tabela em seu material:

Faixa de Tensão (NBR 5410)


Sistemas diretamente aterrados Sistemas não diretamente
aterrados
Corrente alternada Corrente contínua Corrente Corrente
Faixa

alternada contínua
Entre fase e Entre fases Entre fase e Entre fases Entre fase e Entre fases
terra terra terra
I V≤50 V≤50 V≤120 V≤120 V≤50 V≤120
II 50<V≤600 50<V≤1000 120<V≤900 120<V≤1500 50<V≤1000 120<V≤1500
Faixa de tensão (anexo A, NBR 5410, tabela 57)

b) os locais sejam sinalizados de forma clara e visível por meio de indicações apropriadas.
Os obstáculos e colocação fora de alcance também oferecem proteção contra choques
elétricos visto que:
1. Obstáculos: são destinados a impedir o contato involuntário com partes vivas, mas não o
contato que pode resultar de uma ação deliberada de ignorar ou contornar o obstáculo.
Os obstáculos devem impedir:
a) uma aproximação física não intencional das partes vivas; ou
b) contatos não intencionais com partes vivas durante atuações sobre o equipamento, estando
o equipamento em serviço normal.

2. Colocação fora de alcance: são partes simultaneamente acessíveis que apresentem


potenciais diferentes, devendo se situar fora da zona de alcance normal.

2.11. Arcos Elétricos

ARCO ELÉTRICO é diferente de CHOQUE ELÉTRICO.


O arco elétrico é a passagem de corrente elétrica por meio do ar ionizado. Ele possui natureza
explosiva, tem alto poder destrutivo e pode liberar energias térmicas de até 30.000ºC (Celsius) em uma
fração de segundos. É resultante de uma ruptura dielétrica de um gás a qual produz uma descarga de
plasma, similar a uma fagulha instantânea, resultante de um fluxo de corrente em meio, normalmente,
isolante tal como o ar.
Sempre que um equipamento elétrico energizado está sendo examinado, mantido ou ajustado,
havendo condições propícias, existe o risco potencial da ocorrência de um arco elétrico, podendo
resultar em ferimentos para o trabalhador eletricista e danos para o equipamento.
Considerando que o arco elétrico pode causar ferimentos severos ao ser humano ou mesmo
morte, é importante definir o arco elétrico e as suas consequências para a segurança dos seres
humanos com base nos métodos de cálculo normalizados existentes.

Características dos Arcos Elétricos

Vamos conhecer agora as características do ARCO ELÉTRICO:


- A Temperatura é tão alta que destrói os tecidos do corpo;
- Pode desprender partículas incandescentes, que queimam ao atingir os olhos;
- Pode ser causado por fatores relacionados aos equipamentos, ao ambiente ou a
pessoas;
- Uma falha pode ocorrer em equipamentos elétricos, quando há um fluxo de corrente
não intencional entre fase e terra, ou entre múltiplas fases;
- Ambiente com contaminação por sujeira ou água ou pela presença de insetos ou
outros animais;
- A quantidade de energia liberada durante um arco, depende da corrente de curto-
circuito e do tempo de atuação dos dispositivos de proteção contra sobrecorrentes;
- Altas correntes de curto-circuito e tempos longos de atuação dos dispositivos de
proteção aumentam o risco do arco elétrico.

Como podemos observar, todo cuidado é pouco para evitar a abertura de arco por meio do
operador.

Lesões de Arco Elétrico

Você conhece quais as lesões que podem ser causadas?

A severidade da lesão depende:


- Da energia liberada durante a falha;
- Da distância que separa as pessoas do local;
- Do tipo de roupa utilizada pelas pessoas expostas ao arco.

Queimaduras por Arco Elétrico

As queimaduras são uma das consequências causadas pelo ARCO ELÉTRICO.


As mais sérias queimaduras envolvem a combustão da roupa da vítima pelo calor do arco
elétrico.
Tempos relativamente longos, de queima contínua de uma roupa comum aumentam tanto o
grau da queimadura, quanto a área total atingida no corpo. Isso afeta, diretamente, a gravidade da
lesão e a própria sobrevivência da vítima.
A proteção contra o arco elétrico depende do cálculo da energia, que pode ser liberada no caso
de um curto-circuito.
As vestimentas de proteção adequadas devem cobrir todas as áreas que possam estar
expostas à ação das energias oriundas do arco elétrico. Portanto, muitas vezes, além da cobertura
completa do corpo, elas devem incluir capuzes.
Determinadas situações indicam a necessidade de uma vestimenta de proteção contra o arco
elétrico, essa vestimenta deve incluir proteção para:
- o rosto;
- o pescoço;
- os cabelos.
Enfim, as partes da cabeça, que também possam sofrer danos se expostas a uma energia
térmica muito intensa.

Ferimentos e Quedas
Além dos riscos de exposição aos efeitos térmicos do arco elétrico, também está presente o
risco de ferimentos e quedas, decorrentes das ondas de pressão, que podem se formar pela expansão
do ar.
Na ocorrência de um arco elétrico, uma onda de pressão consegue empurrar e derrubar o
trabalhador, que está próximo da origem do acidente.
Essa queda é capaz de resultar em lesões mais graves se o trabalho estiver sendo realizado
em uma altura superior a dois metros, o que é muito comum em diversos tipos de instalações.

2.12. Campos eletromagnéticos

Um campo eletromagnético é um campo composto de dois vetores: o campo elétrico e o


campo magnético.
Campos eletromagnéticos são uma espécie de linhas de força invisíveis, onde existe corrente
elétrica.
Os trabalhadores do setor elétrico, operadores de radar, rádio, ondas curtas, micro-ondas e
telefonia celular estão expostos a seus efeitos.
Um campo elétrico é uma grandeza vetorial (função da posição e do tempo) que é descrita por
sua intensidade. Normalmente, campos elétricos são medidos em volts por metro (V/m).
Denomina-se campo magnético toda região do espaço na qual uma agulha imantada fica sob
ação de uma força magnética.
O fato de um pedaço de ferro ser atraído por um ímã é conhecido por todos nós. A agulha da
bússola é um ímã. Colocando-se uma bússola nas proximidades de um corpo imantado ou nas
proximidades da Terra, a agulha da bússola sofre desvio.

Efeitos dos campos eletromagnéticos


Os campos eletromagnéticos produzidos por correntes elétricas de linhas de transmissão e de
distribuição são mais perigosos e mais extensos.
A exposição aos campos eletromagnéticos podem causar danos, especialmente, quando da
execução de serviços na transmissão e distribuição de energia elétrica, nos quais se empregam
elevados níveis de tensão.
A maioria da comunidade científica acredita que a energia com baixos níveis de frequência,
dos campos eletromagnéticos, são biologicamente ativas, ou seja, podem provocar danos à saúde.
Embora não haja comprovação científica, há suspeitas de que, a radiação eletromagnética
possa provocar o desenvolvimento de tumores.
Entretanto, é certo afirmar que essa exposição promove efeitos térmicos e endócrinos no
organismo humano.
Os efeitos sobre a saúde podem se manifestar de forma sutil ou ao longo do tempo. O
eletromagnetismo consegue alterar o ritmo normal do corpo (ritmo circadiano), em homens e animais.
As consequências são depressão e alteração da sensibilidade a medicamentos e toxinas.
Uma especial atenção deve ser dada aos trabalhadores expostos a essas condições, que
possuam próteses metálicas (pinos, encaixes, hastes), pois a radiação promove aquecimento intenso
nos elementos metálicos, podendo provocar lesões.
Outra preocupação é com a indução elétrica. Esse fenômeno vem a ser particularmente
importante, quando há diferentes circuitos próximos uns dos outros.
Exposições a radiações não-ionizantes acima do limite de 4,35 watts/m² comprovadamente
produzem (dependendo da potência e da frequência do campo, assim como do tempo de exposição):
catarata, queimaduras, alterações em válvulas cardíacas e marca-passos, derrame, parada cardíaca e
má formação fetal e interferência em aparelhos eletroeletrônicos.
Estão em estudo a possibilidade de também produzirem: cansaço, mudanças de
comportamento, perda de memória, mal de Parkinson, mal de Alzheimer, alterações genéticas, câncer
e redução de fertilidade.

Como se proteger dos campos eletromagnéticos?


A passagem da corrente elétrica em condutores gera um campo eletromagnético que, por sua
vez, induz uma corrente elétrica em condutores próximos.
Assim, pode ocorrer a passagem de corrente elétrica em um circuito desenergizado se ele
estiver próximo a outro circuito energizado.
Por isso é fundamental que a pessoa, além de desligar o circuito no qual vai trabalhar, confira,
com equipamentos apropriados (voltímetros ou detectores de tensão), se o circuito está efetivamente
sem tensão.
3. Técnicas de análise de risco

A análise de risco é a avaliação qualitativa e/ou quantitativa dos riscos apresentados por uma
instalação ou atividade.
O entendimento dos conceitos de risco e perigo são necessário para o prosseguimento do
estudo das técnicas de análise de risco, onde:
 Perigo - Propriedade ou condição inerente de uma substancia ou atividade capaz de
causar danos a pessoas, a propriedades e ao meio-ambiente.
 Risco - O Risco devido a uma determinada atividade pode ser entendido como o potencial
de ocorrência de consequências indesejadas decorrentes da realização da atividade
considerada;
probabilid ade  consequênc ia
Risco 
Medida de controle
As técnicas de análise de risco visam identificar aspectos de risco a segurança, saúde e meio
ambiente, relativos às suas atividades, estabelecendo ações sistemáticas de controle, monitoramento e
prevenção de seus efeitos.
O risco deve ser entendido como demonstrado na figura abaixo, ou seja, avaliar o que pode
ocorrer de errado, quando isso pode ocorrer e quais são os impactos desta ocorrência.

Entendendo o
risco

Quais são os
Quando é provável? Medidas de controle
impactos

A seguir são apresentadas algumas ferramentas utilizadas para análise de risco. As ferramentas
consideradas mais importantes foram apresentadas as suas principais características, variações, e
dicas básicas de como implementá-las. O conhecimento da sua aplicabilidade por parte do profissional
de elétrica almeja fornecer subsídios necessários ao correto levantamento de riscos e perigos da
atividade quotidiana de trabalho.

3.1. Análise Preliminar de Riscos - APR ou APP

Busca identificar os eventos perigosos em uma instalação de forma estruturada para identificar
a priori os riscos potenciais. Esta metodologia procura examinar as maneiras pelas quais as energias
podem ser liberadas de forma descontrolada; levantando para cada um dos perigos identificados, as
suas causas, os métodos de detecção disponíveis, e seus efeitos nos trabalhadores, a população
vizinha e ao meio ambiente. As etapas básicas de uma APR são:
a) Rever problemas conhecidos – Revisar experiências passadas (eventos similares) na busca
de identificação riscos no sistema estudado;
b) Revisar missão – Revisar objetivos, funções, procedimentos, e o ambiente onde será
realizada a operação;
c) Determinação dos riscos principais – Quais são os riscos potenciais para causar perdas
direta ou indiretamente a função, lesões, danos a equipamentos, etc;
d) Determinar os riscos iniciais e contribuintes – Cada risco principal será esmiuçado para
determinar sua origem;
e) Meios de controle e eliminação do risco – Procurar os meios mais eficientes disponíveis
para segurança da operação;
f) Método de restrição de danos – Avaliar os métodos para restrição dos danos;
g) Indicar os agentes executantes – Indicar claramente que é o responsável pelas ações
corretivas

Modelo: Formulário de APP


Perigo Causa Detecção Efeito Frequência Severidade Valor de Recomendações
e controle Risco

3.2. Hazard and Operability studies- HAZOP

O HAZOP é o estudo que identifica os problemas de perigo e operabilidade, por meio do


exame dos possíveis desvios das condições normais de operação, suas causas e consequências. No
processo de identificação dos problemas a solução for aparente esta pode ser considerada como parte
do produto do HAZOP, contudo não se devem buscar soluções que não são aparentes, pois esta não é
a finalidade do HAZOP. Esta metodologia tem maior aplicabilidade em atividades de processo
contínuo, podendo ser adaptada para processos de bateladas.
O HAZOP é baseado na experiência de diversos especialistas, com diferentes focos e tem
natureza qualitativa. Os fatores de sucesso do HAZOP são:
a) Confiabilidade dos dados reunidos para sua elaboração;
b) Visão e interação do grupo com o sistema em análise;
c) Habilidade do grupo em visualizar os desvios;
d) Habilidade do grupo em selecionar os casos mais graves;
As etapas básicas de execução do HAZOP são:
a) Definição dos propósitos, objetivos e escopo;
b) Seleção do grupo;
c) Preparo do estudo;
d) Execução;
e) Revisão;
f) Registro dos resultados finais.
3.3. Análise de modos e efeitos de falhas - FMEA OU AMFE

A FMEA (Failure Modes and Effect Analysis) é uma ferramenta de análise de para prognóstico de
problemas, podendo ser aplicada em projetos, processos ou serviços.
São dois os tipos básicos de FMEA existentes: A FMEA de projeto DFMEA (Design Failure Modes and
Effect Analysis) e a FMEA de processo (Process Failure Modes and Effect Analysis). Derivados destes
dois tipos de FMEA surgiram diversas versões, entretanto, para que o método de análise de falhas
possa ser chamado de FMEA e garantir a sua eficácia ou sucesso é necessário que este apresente os
cinco elementos básicos:
a) Selecionar o projeto de com maior potencial de retorno de qualidade e confiabilidade para
organização e para o cliente;
b) Perguntas essenciais a responder:
 Como pode falhar?
 Porque falha?
 O que acontece quando falha?
c) Implementar um sistema para identificar os modos de falha mais importantes, afim de melhorá-
los.
d) Priorizar os modos de falha potenciais que serão tratados em primeiro lugar.
e) Acompanhamento, com ferramentas de suporte a qualidade e a confiabilidade.
A figura 12 apresenta o modelo de um formulário básico de FMEA.
Formulário de FMEA

FMEA – Análise de Efeitos e Modos de Falha

1. Cabeçalho
10. Ações recomendadas
5. Severidade

7. Ocorrência

8. Controles

9. Detecção

2. 3. Modos
4. Efeitos 6. Causas 11. Status
Funções de falha

 Item 1 do formulário trará as informações gerais do processo, tais como: integrantes da


FMEA, documentos afetados, data de revisão etc;
 Item 2 identifica a função do projeto ou serviços que satisfaz o cliente;
 Item 3 identifica como o processo o serviço deixa de desempenhar a função que satisfaz o
cliente;
 Item 4 identifica qual o impacto que cada modo de falha gera no cliente;
 Item 5 identifica qual a gravidade das consequências originadas causam no cliente.
Normalmente esta avaliação é graduada em uma escala de 0 a 10. A graduação da escala
de severidade deve refletir o produto de cada organização.
 Item 6 identifica quais as razões que possibilitaram a ocorrência da falha.
 Item 7 identifica qual a chance, a probabilidade desta causa está realmente acontecendo.
Normalmente esta avaliação é graduada em uma escala de 0 a 10.
 Item 8 identifica os tipos de controle que foram planejados ou estão em vigor para garantir
que todos os modos de falha sejam identificados e eliminados.
 O item 9 identifica qual a chance, a probabilidade de detectar o modo de falha antes de
serem entregues ao cliente. Normalmente esta avaliação é graduada em uma escala de 0
a 10.
 O item 10 identifica as ações recomendadas para prevenir os problemas potenciais. O que
pode ser feito para: prevenir o modo de falha, reduzir sua severidade, melhorar a detecção
interna e melhorar a detecção do cliente.
 O item 11 avalia a eficácias das ações executas para abordar os problemas potenciais.

3.4. Árvore de falhas

A árvore de falhas é uma ferramenta gráfica utilizada para avaliação profunda de uma única
falha ou modo de falha. O modo de falha escolhido para aplicação deste recurso deve ter alta
severidade e/ou alta probabilidade de ocorrência.
Escolhido este modo de falha ele passará a ser chamado de “Evento Principal”, e este terá
abaixo dele as causas que o geraram, chamadas “Causas Básicas”, a figura abaixo ilustra a aparência
de uma típica árvore de falhas.
Esta lógica pode ser usada para estimar a probabilidade de ocorrência de modo de falha ou de
uma causa no FMEA.
Evento Principal
(Modo de Falha)
FMEA

Causa Causa Causa

Causa Causa Causa

Causa

Causa Causa Causa Causa


4. Medidas de Controle do Risco Elétrico

4.1. Desenergização.

Em todos os serviços em instalações elétricas devem ser previstas de adotadas medidas de


proteção coletiva; mediante procedimentos das atividades a serem desenvolvidas. Prioritariamente a
desenergização dos circuitos conforme os critérios e sequência abaixo:
a) Seccionamento dos circuitos;
b) Impedimento de reenergização;
c) Constatação da ausência de tensão no circuito desenergizado;
d) Instalação de aterramento temporário e dispositivos de equipotencialização;
e) Proteção dos elementos energizados existentes na área controlada, conforme anexo 1 da NR
10;
f) Instalação de sinalização para impedimento de energização;
A instalação deve ser mantida desenergizada enquanto não for autorizada a reenergização.
Para que seja efetuada a reenergização é necessário que se disponha das seguintes condições e que
esta seja executadas nesta sequência:
a) Remoção do ferramental e equipamento utilizados nos serviços e que não sejam integrantes
da instalação;
b) Retirada de todos os trabalhadores não envolvidos no serviço da área controlada durante o
processo de energização;
c) Remoção do aterramento temporário, dos dispositivos de equipotencialização e das proteções
adicionais;
d) Remoção de toda a sinalização de impedimento de reenergização;
e) Destravamento dos dispositivos e religação dos dispositivos de seccionamento;
As medidas citadas para desernegização e reenergização podem ser aumentadas ou reduzidas
em função das características das instalações.

4.2. Aterramento Funcional.

O aterramento das partes metálicas que possam eventualmente ter contato com partes
energizadas; evita que o contato acidental com estas partes estabeleçam um curto circuito.
Prumo(Cav 80)/peak
tank
Elemento primário

Sicordas
Longarina de fundo

No mar não existe a possibilidade de utilizar haste de aterramento na terra, a solução adotada
é como mostrado na figura 14. O potencial de terra é referido ao casco da embarcação. A partir do
dispositivo chamado longarina de fundo (ver figura 13) percorre toda a embarcação, de proa a popa e a
partir desta são distribuídos os pontos de terra, que recebem nomes específicos dependendo de sua
posição e localização na embarcação, conforme descrito abaixo:
 Longarina de fundo – Elemento metálico que percorre a embarcação de proa a popa que é
a referencia de potencial.
 Sincordas – Elemento no potencial de terra abaixo do convés e paralelo a longarina de
fundo.
 Elemento primário – Elemento no potencial de terra acima do convés e paralelo a longarina
de fundo.
 Prumo ou peak tank – Elemento no potencial de terra transversal a longarina de fundo, que
parte da longarina de fundo até o convés.
A classificação do aterramento para em baixa tensão é feita em relação à alimentação e das
massas em relação a terra. A classificação é identificada por letras, como segue:
Primeira Letra: Especifica a situação da alimentação (fonte) em relação a terra.
T – Alimentação (lado da fonte) tem um ponto diretamente aterrado.
I – Isolação de todas as partes vivas da fonte de alimentação em relação à terra ou
aterramento de um ponto através de uma impedância.
Segunda Letra: Especifica a situação das massas (carcaças) das cargas ou equipamentos em relação
a terra.
T – Massa aterrada com terra próprio, isto é, independente da fonte.
N – Massas ligadas ao ponto aterrado da fonte.
I – Massa isolada, isto é, não aterrada.
Outras Letras: Forma de ligação do aterramento da massa do equipamento, usando o sistema de
aterramento da fonte.
S – Separado, isto é, o aterramento da massa é feito com um fio (PE) separado distinto
do neutro;
C – Comum, isto é, o aterramento da massa do equipamento é feito usando o fio
neutro (PEN).
A seguir mostraremos os possíveis arranjos de aterramento.

4.2.1. Sistema IT

O esquema IT não possui qualquer ponto da alimentação diretamente aterrado, estando


aterradas as massas da instalação. Nesse esquema, a corrente resultante de uma única falta fase-
massa não deve ter intensidade suficiente para provocar o surgimento de tensões de contato
perigosas.
A utilização do esquema IT deve ser restrita a casos específicos, como os relacionados a
seguir:
a) Instalações industriais de processo contínuo, com tensão de alimentação igual ou superior a
380 V, desde que verificadas as seguintes condições:
 a continuidade de operação é essencial;
 a manutenção e a supervisão estão a cargo de pessoal habilitado (tabela 2);
 Existe detecção permanente de falta a terra;
 O neutro não é distribuído;
b) instalações alimentadas por transformador de separação com tensão primária inferior a 1.000 V,
desde que verificadas as seguintes condições:
 A instalação é utilizada apenas para circuitos de comando;
 A continuidade da alimentação de comando é essencial;
 A manutenção e a supervisão estão a cargo de pessoal habilitado (tabela 2);
 existe detecção permanente de falta à terra;
c) circuitos com alimentação separada, de reduzida extensão, em instalações hospitalares, onde a
continuidade de alimentação e a segurança dos pacientes são essenciais (conforme a NBR 13.534);
d) instalações exclusivamente para alimentação de fornos industriais;
e) instalações para retificação destinada exclusivamente a acionamentos de velocidade controlada.
No sistema de aterramento IT, a resistência de aterramento das massas tem ordem de
grandeza em dezenas de ohms e a impedância de isolamento (bobina de Pertesen) tem ordem de
grandeza de milhares de ohms.
L1

L2

L3

Carga

Esquema de aterramento IT (partes vivas da fonte isoladas ou aterrada por meio de uma elevada
impedância e massa aterrada com terra próprio).

4.2.2. Sistema TN

Os esquemas TN possuem um ponto da alimentação diretamente aterrado, sendo as massas


ligadas a este ponto através de condutores de proteção. Nesse esquema, toda corrente de falta direta
fase-massa é uma corrente de curto-circuito. São considerados três tipos de esquemas TN, de acordo
com a disposição do condutor neutro e do condutor de proteção.
A tensão de falta depende da relação a impedância do condutor de proteção e a impedância
total do percurso da corrente de falta.

4.2.2.1. TN-C

Esquema TN-C, no qual as funções de neutro e de proteção são combinadas em um único


condutor ao longo de toda a instalação.
L1

L2

L3

PEN

Carga

Esquema de aterramento TN-C (partes vivas da fonte aterradas diretamente com a massa ligada ao
ponto de aterramento da fonte usando um fio neutro).

4.2.2.2. TN-C-S

Esquema TN-C-S, no qual as funções de neutro e de proteção são combinadas em um único


condutor em uma parte da instalação;

L1

L2

L3

N
PEN PE

Carga

Esquema de aterramento TN-C-S (partes vivas da fonte aterradas diretamente com a massa ligada ao
ponto de aterramento da fonte usando um fio diferente do neutro).

4.2.2.3. TN-S

Esquema TN-S , no qual o condutor neutro e o condutor de proteção são distintos.


L1

L2

L3

N
PE

Carga

Esquema de aterramento TN-S (partes vivas da fonte aterradas diretamente com a massa ligada ao
ponto de aterramento da fonte usando um fio diferente do neutro).

4.2.3. Sistema TT

O esquema TT possui um ponto da alimentação diretamente aterrado, estando as massas da


instalação ligadas a eletrodos de aterramento eletricamente distintos do eletrodo de aterramento da
alimentação.
Nesse esquema, as correntes de falta direta fase-massa devem ser inferiores a uma corrente
de curto-circuito, sendo, porém suficientes para provocar o surgimento de tensões de contato
perigosas.
A tensão de falta depende do valor da resistência de aterramento das massas, da resistência
de aterramento da alimentação e da resistência de falta.

L1

L2

L3

Carga

Esquema de aterramento TT (partes vivas da fonte aterradas e massa aterradas com terra próprio)
4.2.4. Aterramento de Proteção

Quando forem utilizados dispositivos de proteção a sobrecorrentes para a proteção contra


contatos indiretos, o condutor de proteção deve estar contido na mesma linha elétrica dos condutores
vivos ou em sua proximidade imediata.

4.2.5. Aterramento Temporário

O aterramento temporário é dimensionado em função da corrente de curto circuito (ICC) do


sistema a ser aterrado. A figura abaixo ilustra um cabo destinado a execução do aterramento provisório
em equipamentos, na figura verifica-se que em uma das extremidades do cabo é colocado um sargento
de forma a proporcionar fixação eficiente entre o cabo e o item a ser aterrado.

Cabo para aterramento provisório


O aterramento temporário é um dos requisitos necessário a garantia de segurança de um
circuito desenergizado.
A seguir são exemplificadas algumas situações de uso inadequado de equipamentos em
relação ao sistema de aterramento que acarreta a redução da eficiência ou a total inoperância do
aterramento. Os problemas com aterramento não estão restritos a estes casos, eles servem apenas
como ilustração.
Situação 01: A remoção do pino de terra da uma tomada de equipamento para adequação as
instalações existentes.

Tomada com pino de terra removido


O procedimento correto é a utilização do equipamento em tomada com três pinos e não a
remoção definitiva do pino de terra.
Situação 02: Terminal de aterramento do painel desconectado, provavelmente em serviços de
manutenção.

Painel com o conector de terra desconectado.

Perda da proteção contra choque elétrico do equipamento e, dependendo do ambiente pode


causar explosões pela abertura de arco elétrico devido a eletricidade estática acumulada em sua
carcaça.
Situação 03: Perda de continuidade entre o sistema de aterramento e o Sistema de Proteção
contra Descargas Atmosféricas (SPDA), devido a falta de inspeção e manutenção nas conexões.

Perda de conexão entre o sistema de aterramento e o SPDA

Redução da eficiência do SPDA e redução do nível de segurança da instalação. Esta condição


pode causar perdas humanas e materiais.

4.3. Equipotencialização

São equipotencializados todas as massas e elementos condutores, simultaneamente


acessíveis, sendo interligados por condutores de equipotencialização.
A ligação equipotencial local não deve ter qualquer ligação com a terra, seja diretamente, seja
por intermédio de massas ou de elementos condutores. Caso esta condição não possa ser satisfeita
deve aplicada a medida de proteção por seccionamento automático da alimentação.
Devem ser tomadas precauções para garantir o acesso de pessoas ao local considerado sem
que elas possam ser submetidas a uma diferença de potencial perigosa. Isto se aplica principalmente
no caso em que um piso condutor isolado do solo é ligado à ligação equipotencial local.
Os condutores de eqüipotencialidade da ligação equipotencial principal devem possuir seções
que não sejam inferiores à metade da seção do condutor de proteção de maior seção da instalação,
com um mínimo de 6 mm².
4.4. Seccionamento Automático da Alimentação

O seccionamento automático da alimentação destina-se a evitar que uma tensão de contato se


mantenha por um tempo que possa resultar em risco de efeito fisiológico perigoso para as pessoas.
Esta medida de proteção requer a coordenação entre o esquema de aterramento adotado e as
características dos condutores de proteção e dos dispositivos de proteção. Os meios convencionais
para satisfazer a estes princípios é o esquema de aterramento.

Dispositivos a Corrente de Fuga

As condições gerais de instalação de um dispositivo de corrente de fuga devem obedecer às


prescrições descritas a seguir:
1. Os dispositivos DR devem garantir o seccionamento de todos os condutores vivos do circuito
protegido. Nos esquema TN-S, o condutor neutro não precisa ser desconectado se as
condições de alimentação forem tais que o neutro possa ser considerado como seguramente
ao potencial de terra;
2. O circuito magnético dos dispositivos DR deve envolver todos os condutores vivos do circuito,
inclusive o neutro; por outro lado, o condutor de proteção correspondente deve passar
exteriormente ao circuito magnético;
3. os dispositivos DR devem ser selecionados e os circuitos elétricos divididos de forma tal que as
correntes de fuga à terra, susceptíveis de circular durante o funcionamento normal das cargas
alimentadas não possam provocar a atuação desnecessária do dispositivo;

Exemplo de um dispositivo DR
NOTA - Os dispositivos DR podem operar para qualquer valor de corrente diferencial superior a 50%
da corrente de disparo nominal.

Extra Baixa Tensão (SELV e PELV)

Nos limites da extra baixa tensão a proteção contra choques elétricos é considerada como
assegurada, tanto contra contatos diretos quanto contra contatos indiretos, quando a tensão nominal
não puder ser superior aos limites da faixa I.
Uma exceção no conceito de extrabaixa tensão é quando o circuito for alimentado a partir de
um circuito de tensão mais elevada por intermédio de outros equipamentos, tais como:
 Autotransformadores;
 Potenciômetros;
Dispositivos a semicondutores, etc.O secundário assim formado é considerado como fazendo
parte do circuito primário e deve ser incluído na medida de proteção do circuito primário.
A NBR 5410 adota a sigla SELV foi introduzida ao invés de “Proteção por extrabaixa tensão de
segurança” (do inglês, Safety Extra-Low Voltage). A versão por extenso deste termo não é utilizada, por
isso, é importante conhecer as siglas e as suas características, no caso do SELV, ele não é aterrado.

Faixa de Tensão (NBR 5410)


Sistemas diretamente aterrados Sistemas não diretamente
aterrados
Corrente alternada Corrente contínua Corrente Corrente
Faixa

alternada contínua
Entre fase e Entre fases Entre fase e Entre fases Entre fase e Entre fases
terra terra terra
I V≤50 V≤50 V≤120 V≤120 V≤50 V≤120
II 50<V≤600 50<V≤1000 120<V≤900 120<V≤1500 50<V≤1000 120<V≤1500
Faixa de tensão (anexo A, NBR 5410, tabela 57)

O sistema PELV (do inglês, Protective Extra-Low Voltage) foi escolhida para a variante
aterrada do SELV, e como no caso anterior este também não é utilizado o termo por extenso.
Por analogia com essas notações, “Extrabaixa tensão funcional” foi abreviada para FELV (do
inglês, Functional Extra-Low Voltage). São admitidas como fontes para SELV e PELV:
1. Transformador de segurança conforme a IEC 742;
2. Fonte de corrente que garanta um grau de segurança equivalente ao do transformador de
segurança especificado em (a) (por exemplo, um grupo motogerador com enrolamentos
apresentando uma separação equivalente);
3. Fonte eletroquímica (pilhas ou acumuladores) ou outra fonte que não dependa de circuitos de
tensão mais elevada (por exemplo, grupo motor térmico e gerador);
4. Certos dispositivos eletrônicos, conforme as normas aplicáveis, nos quais tenham sido
tomadas medidas para assegurar que, mesmo em caso de falta
5. Interna, a tensão nos terminais de saída não possa ser superior aos limites indicados para as
tensões extra baixa (faixa I). Valores mais elevados podem ser admitidos se, em caso
6. Contato direto ou indireto, a tensão nos terminais de saída for imediatamente reduzida a um
valor igual ou inferior a esses limites (faixa I).

Barreiras e Invólucros

As barreiras ou invólucros são dispositivos destinados a impedir o contato com as partes vivas
da instalação elétrica.
O código IP é apresentado na NBR 6146 (norma baseada na IEC 60529). IP significa
International Protection. Este código permite descrever os graus de proteção proporcionados pelos
invólucros contra a aproximação das partes energizadas, a penetração de corpos sólidos estranhos e
contra os efeitos nocivos da água, por meio dos códigos descritos a seguir.
É importante ressaltar que este código normalizado está destinado ao uso nas normas dos produtos e,
no caso dos quadros e caixas, não especifica as características de montagens internas, como por
exemplo, as distâncias mínimas entre as partes vivas e o invólucro.
Para leitura do tipo de proteção de um invólucro é necessário ter conhecimento da figura e das tabelas
abaixo. A primeira tabela indica o primeiro numeral e a segunda tabela o segundo numeral.

IP 4 4

Letras características

Primeiro numeral

Segundo numeral

Identificação do IP

Primeiro
Grau de proteção
numeral
Descrição sucinta Corpos que não devem penetrar
0 Não protegido Sem proteção especial
Uma grande superfície do corpo humano, como a mão
Protegido contra
(mas
objetos
1 nenhuma proteção contra uma penetração deliberada).
sólidos maiores que 50
Objetos sólidos cuja menor dimensão é maior que 50
mm
mm
Protegido contra Os dedos ou objetos similares, de comprimento não
objetos superior a
2
sólidos maiores que 12 80 mm. Objetos sólidos cuja menor dimensão maior que
mm 12 mm
Protegido contra Ferramentas, fios, etc., de diâmetro ou espessura
objetos superior a
3
sólidos maiores que 2,5 2,5 mm. Objetos sólidos cuja menor dimensão é maior
mm que 2,5mm
Protegido contra
objetos Fios ou fitas de largura superior a 1,0 mm. Objetos
4
sólidos maiores que 1,0 sólidos cuja menor dimensão é maior que 1,0 mm
mm
Não é totalmente vedado contra a penetração de poeira,
5 Protegido contra poeira porém a poeira não deve penetrar em quantidade
suficiente
que prejudique a operação do equipamento
Totalmente protegido
6 Nenhuma penetração de poeira
contra poeira
Primeiro numeral característico

Segundo
Grau de proteção
numeral
Descrição sucinta Corpos que não devem penetrar
0 Não protegido Sem proteção especial
Protegido contra
quedas As gotas d’água (caindo na vertical) não devem ter
1
verticais de gotas efeitos prejudiciais
d’água
Protegido contra
queda de gotas A queda de gotas d’água vertical não deve ter efeitos
2 d’água para uma prejudiciais quando o invólucro estiver inclinado em 15º
inclinação máxima de para qualquer lado de sua posição normal
15º
Protegido contra água Água aspergida de um ângulo de 60º da vertical não
3
Aspergida deve ter efeitos prejudiciais
Água projetada de qualquer direção contra o invólucro
Protegido contra não
4
projeções d’água
deve ter efeitos prejudiciais
Protegido contra jatos Água projetada de qualquer direção por um bico contra o
5
d’água invólucro não deve ter efeitos prejudiciais
Água proveniente de ondas ou projetada em jatos
Protegido contra potentes
6
ondas do Mar não deve penetrar no invólucro em quantidades
prejudiciais
Não deve ser possível a penetração de água, em
Protegido contra quantidades
7
imersão prejudiciais, no interior do invólucro imerso em água, sob
condições definidas de tempo e pressão
O equipamento é adequado para submersão contínua
em
água, nas condições especificadas pelo fabricante.
Protegido contra
8 Nota: Normalmente, isto significa que o equipamento é
submersão
hermeticamente selado, mas para certos tipos d
equipamento, pode significar que a água pode penetrar
em quantidade que não provoque efeitos prejudiciais.
Segundo numeral característico

As partes vivas devem estar no interior de invólucros ou atrás de barreiras que confiram pelo
menos o grau de proteção IP2X. Entretanto, se aberturas maiores do que as admitidas para IP2X
(diâmetro inferior a 12 mm) se produzirem durante a manipulação ou substituição de componentes tais
como lâmpadas, tomadas de corrente ou dispositivos fusíveis, ou forem necessárias para permitir o
funcionamento adequado dos componentes, de acordo com as prescrições aplicáveis a esses
componentes, devem ser tomadas precauções para:
1. impedir que pessoas ou animais domésticos toquem acidentalmente as partes vivas; e
2. garantir, na medida do possível, que as pessoas sejam advertidas de que as partes acessíveis
através da abertura são vivas e não devem ser tocadas intencionalmente.
O interior do invólucro do equipamento também deve apresentar condições de adequadas de
conservação e manutenção para assegurar a segurança dos operadores e do pessoal de manutenção.
A figura abaixo apresenta dois painéis elétricos de acionamento de pórtico rolante onde são constatas
diversas falhas e alterações na sua montagem original.
Constata-se que o fundo do painel está fixado ao chassi do painel por meio de estacas de
madeira o que não é adequado, por dois motivos; 1 a madeira é um material de fácil combustão e 2
estas estacas não garantem que o fundo do painel fique seguro a carcaça, este se soltando pode
ocasionar curtos circuitos ou causar choque elétrico no pessoal de manutenção ou operação. A
situação em que se encontre este painel descaracteriza totalmente o grau de proteção (IP) do painel.

Painéis de acionamento dos pórticos rolantes

4.5. Bloqueios e Impedimentos

O bloqueio/etiquetagem objetiva o controle de fontes de energia durante o serviço e manutenção


e instalação de maquinaria e equipamento no qual a energização inesperada, partida ou liberação de
energia poderia resultar em lesões.
Dispositivos de bloqueio a ser usado a não devem resultar na necessidade de desmontar,
remontar, repor o dispositivo de isolamento de energia ou permanentemente alterar sua capacidade de
controle de energia.
O dispositivo de etiquetagem deverá ser fixado no mesmo local que o bloqueio foi colocado.
Os dispositivos de bloqueio/etiquetagem deverão ser identificados de maneira singular e
deverão ser os únicos dispositivos usados para controlar energia e não deverão ser usados para outras
finalidades.

Dispositivo de bloqueio e etiquetagem

O uso de cadeados e etiquetas antes de trabalhar em circuitos e equipamentos provou ser uma
maneira segura e efetiva de reduzir os acidentes elétricos

4.6. Obstáculos e Anteparos

São elementos que impede o contato direto acidental, mas que não impede o contato direto por
ação deliberada. Devem ser fixados de forma a impedir sua remoção involuntária. A remoção de uma
barreira é caracterizada pela necessidade de utilização de ferramenta (chave, por exemplo), sem que
as partes energizadas sejam previamente desligadas. As barreiras não devem permitir que corpos
sólidos com diâmetro superior a 12 mm sejam introduzidos, ver figura abaixo.

Exemplo de obstáculo

4.7. Isolamento das Partes Vivas


O processo de isolação das partes vivas consiste na interposição ou separação das partes
vivas mediante aplicação de materiais eletricamente isolantes.
A separação elétrica entre o circuito protegido e outros circuitos e a terra devem ser verificadas
pela medição da resistência de isolamento. Os valores obtidos devem estar de acordo com a tabela
abaixo.

Tensão Nominal do Circuito (V) Tensão de ensaio (V em Resistência de isolamento


corrente contínua) (MΩ)
Extrabaixa tensão de segurança,
quando o circuito é alimentado por

250 ≥ 0,25
de segurança
Até 500 V, 500 ≥ 0,5
Acima de 500 V 1000 ≥ 1,0
Valores mínimos de resistência de isolamento

Além disto, um ensaio de tensão aplicada deve ser realizado, utilizando-se os valores da quarta
coluna (isolação reforçada) da tabela abaixo.

U(1) (V eficaz) Isolação Básica Isolação Isolação


Suplementar Reforçada
50 500 500 750
133 1000 1000 1750
230 1500 1500 2750
400 2000 2000 3750
690 2750 2750 4500
1000 3500 3500 5500
Tensão entre fase e neutro em esquemas TN e TT; tensão entre fases em
(1)

esquemas IT
Tensões de ensaio

Isolação Dupla ou Reforçada

A proteção pelo emprego de equipamentos da classe II ou por isolação equivalente devendo


ser garantida pela utilização de qualquer das soluções expostas a seguir:
a) equipamentos que tenham sido submetidos aos ensaios de tipo e marcados conforme as normas
aplicáveis, a saber:
- Equipamentos com isolação dupla (Isolação composta por isolação básica e isolação
suplementar) ou reforçada (Isolação única, mas não necessariamente homogênea,
aplicada sobre partes vivas, que tem propriedades elétricas equivalentes às de uma
isolação dupla) (equipamentos da classe II);
- Conjuntos pré-fabricados de equipamentos com isolação total

NOTA - Esses equipamentos são identificados pelo símbolo da figura abaixo.

Símbolo de identificação de equipamento com dupla isolação (de classe II)

b) Uma isolação suplementar, aplicada (aos equipamentos elétricos que possuam apenas uma isolação
básica) durante a execução da instalação elétrica.
Essa isolação deve assegurar proteção contra choques elétricos no caso de falha da isolação
básica e atender às condições:
 Quando pronto para entrar em funcionamento, todas as massas separadas das partes vivas apenas por
uma isolação básica devem estar contidas em um isolante que possua pelo menos o grau de proteção
IP2X (protegido contra objetos sólidos de dimensão maior que 12 mm).
 Não prejudicar o funcionamento do equipamento por ele protegido.
 O símbolo da figura abaixo deve ser fixado em posição visível no exterior e no interior do invólucro.

FSímbolo de identificação de equipamentos de isolação suplementar e reforçada


c) Isolação reforçada, (símbolo na figura 30) aplicada às partes vivas não isoladas e montadas durante a
execução da instalação, garantindo uma segurança equivalente aos equipamentos de isolação dupla.
 Quando pronto para entrar em funcionamento, todas as massas separadas das partes vivas apenas por
uma isolação básica devem estar contidas em um isolante que possua pelo menos o grau de proteção
IP2X (protegido contra objetos sólidos de dimensão maior que 12 mm).
 Esta isolação deste tipo só é admitida quando características construtivas impedirem a aplicação da
isolação dupla.

Os invólucros isolantes destes equipamentos devem possuir as seguintes características:


 O invólucro isolante deve ser capaz de resistir às solicitações mecânicas, elétricas ou térmicas às quais
possa ser submetido em uso normal.
 As tampas ou portas que possam ser abertas sem o auxílio de ferramentas ou chaves, todas as massas
que sejam acessíveis quando a tampa ou a porta estiver aberta devem ser protegidas por uma barreira
isolante que apresente pelo menos grau de proteção IP2X (protegido contra objetos sólidos de
dimensão maior que 12 mm), de modo a impedir que as pessoas toquem acidentalmente nas referidas
massas. Essa barreira só pode ser removida através do uso de chave ou ferramenta.
4.8. Colocação Fora de Alcance

A zona de alcance normal se entende como qualquer ponto de uma superfície que uma pessoa
pode permanecer ou se movimentar habitualmente, até os limites que uma pessoa pode alcançar com
a mão, em qualquer direção, sem recurso auxiliar.
A colocação fora de alcance consiste em medidas que impeçam a pessoa de alcançar as
partes vivas da instalação.

4.9. Separação Elétrica.

A proteção por separação elétrica deve ser assegurada através da obediência à prescrição:
1. O circuito separado alimentar apenas um aparelho;
2. O circuito separado alimentar vários aparelhos
3. O circuito deve ser alimentado por intermédio de uma fonte de separação, isto é: transformador
de separação; ou uma fonte de corrente que assegure um grau de
4. Segurança equivalente ao do transformador de separação especificado acima, por exemplo um
grupo motor-gerador com enrolamentos que forneçam uma separação equivalente;
5. As fontes de separação fixas devem ser: de classe II ou possuir isolação equivalente ou o
circuito secundário esteja separado do circuito primário e do invólucro por uma isolação de
classe II; se uma fonte desse tipo alimentar vários aparelhos, não devem estar ligadas ao
invólucro metálico da fonte;
6. A tensão nominal do circuito separado não deve ser superior a 500 V;
7. As partes vivas do circuito separado não devem ter qualquer ponto comum com outro circuito
nem qualquer ponto aterrado. A fim de evitar riscos de faltas para terra, deve ser dada especial
atenção à isolação destas partes em relação à terra, principalmente no que toca aos cabos
flexíveis;
8. Os cabos flexíveis devem ser visíveis em toda sua extensão e ser de um tipo capaz de
suportar solicitações mecânicas;
9. Todos os condutores do circuito separado devem estar fisicamente separados dos de outros
circuitos.
5. Normas Técnicas Brasileiras

No Brasil, as normas técnicas oficiais são aquelas desenvolvidas pela Associação Brasileira de
Normas Técnicas (ABNT) e registradas no Instituto Nacional de Metrologia e Qualidade Industrial
(INMETRO).
Essas normas são o resultado de uma ampla discussão de profissionais e instituições,
organizados em grupos de estudos, comissões e comitês. A sigla NBR que antecede o número de
muitas normas significa Norma Brasileira Registrada.
A ABNT é o órgão responsável pela normalização técnica no Brasil, fornecendo a base
necessária ao desenvolvimento tecnológico brasileiro, sendo a representante brasileira no sistema
internacional de normalização, composto de entidades nacionais, regionais e internacionais.
Para atividades com eletricidade, há diversas normas, abrangendo quase todos os tipos de
instalações e produtos.

NBR 5410 – Instalações Elétricas de Baixa Tensão


Esta Norma estabelece as condições que as instalações elétricas de baixa tensão devem
satisfazer, a fim de garantir a segurança de pessoas e de animais, o funcionamento adequado da
instalação e a conservação dos bens.
A NBR 5410 é uma referência obrigatória quando se fala em segurança com eletricidade. Ela
apresenta todos os cálculos de dimensionamento de condutores e dispositivos de proteção. Nela estão
as diferentes formas de instalação e as influências externas a serem consideradas em um projeto.
Esta Norma se aplica, principalmente, às instalações elétricas de edificação, residencial,
comercial, público, industrial, de serviços, agropecuário, hortigranjeiro, etc.
Os aspectos de segurança são apresentados, de forma detalhada, incluindo o aterramento, a
proteção por dispositivos de corrente de fuga, de sobretensões e sobrecorrentes.
Os procedimentos para aceitação da instalação nova e para a manutenção, também, são
apresentados na norma, incluindo etapas de inspeção visual e de ensaios específicos.
Esta Norma se aplica às instalações elétricas:
- em áreas descobertas das propriedades, externas às edificações;
- em reboques de acampamento (trailers), locais de acampamento (campings), marinas e
instalações análogas;
- em canteiros de obras, feiras, exposições e outras instalações temporárias;
- aos circuitos elétricos alimentados sob tensão nominal igual ou inferior a 1.000 V em corrente
alternada, com frequências inferiores a 400 Hz, ou a 1.500 V em corrente continua;
- aos circuitos elétricos, que não os internos aos equipamentos, funcionando sob uma tensão
superior a 1.000 V e alimentados por meio de uma instalação de tensão igual ou inferior a
1.000 V em corrente alternada (por exemplo, circuitos de lâmpadas a descarga, precípitadores
eletrostáticos etc.);
- a toda fiação e a toda linha elétrica, que não seja coberta pelas normas relativas aos
equipamentos de utilização;
- às linhas elétricas fixas de sinal (com exceção dos circuitos internos dos equipamentos).
A aplicação às linhas de sinal se concentra na prevenção dos riscos decorrentes das
influências mútuas entre essas linhas e as demais linhas elétricas da instalação, sobretudo sob o ponto
de vista da segurança contra choques elétricos, da segurança contra incêndios e efeitos térmicos
prejudiciais e da compatibilidade eletromagnética.
A aplicação desta Norma não dispensa o respeito aos regulamentos de órgãos públicos aos
quais a instalação deva satisfazer.
As instalações elétricas cobertas por esta Norma estão sujeitas, também, naquilo que for
pertinente, às normas para fornecimento de energia estabelecida pelas autoridades reguladoras e
pelas empresas distribuidoras de eletricidade.

NBR 14039 – Instalações Elétricas de Média Tensão de 1,0 kV a 36,2 kV


Esta Norma estabelece um sistema para o projeto e execução de instalações elétricas de
média tensão, com tensão nominal de 1,0 kV a 36,2 kV, à frequência industrial, de modo a garantir
segurança e continuidade de serviço.
Esta Norma se aplica a partir de instalações alimentadas pelo concessionário, o que
corresponde ao ponto de entrega definido por meio da legislação vigente emanada da Agência
Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). Aplica-se também esta Norma às instalações alimentadas por
fonte própria de energia em média tensão.
A NBR 14039 abrange as instalações de geração, distribuição e utilização de energia elétrica,
sem prejuízo das disposições particulares relativas aos locais e condições especiais de utilização
constantes nas respectivas normas. As instalações especiais tais como marítimas, de tração elétrica,
de usinas, pedreiras, luminosas com gases (neônio e semelhantes) devem obedecer, além desta
Norma, às normas específicas aplicáveis em cada caso.
As prescrições desta Norma constituem as exigências mínimas a que devem obedecer as
instalações elétricas às quais se refere, para que não venha, por deficiências, prejudicar e perturbar as
instalações vizinhas ou causar danos a pessoas e animais e à conservação dos bens e do meio
ambiente
Esta Norma se aplica às instalações novas, às reformas em instalações existentes e às
instalações de caráter permanente ou temporário.
Observação: modificações destinadas a, por exemplo, acomodar
novos equipamentos ou substituir os existentes não implicam,
necessariamente, reforma total da instalação.
Os componentes da instalação são considerados apenas no que concerne à seleção e às
condições de instalação, isto é, igualmente válido para conjuntos pré-fabricados de componentes, que
tenham sido submetidos aos ensaios de tipo aplicáveis.
A aplicação desta Norma não dispensa o respeito aos regulamentos de órgãos públicos, aos
quais a instalação deva satisfazer. Em particular, no trecho entre o ponto de entrega e a origem da
instalação pode ser necessário, além das prescrições desta Norma, o atendimento das normas e/ou
padrões do concessionário quanto à conformidade dos valores de graduação (sobrecorrentes
temporizadas e instantâneas de fase/neutro) e capacidade de interrupção da potência de curto-circuito.
Observação: a Resolução 456:2000 da ANEEL define que ponto de
entrega é ponto de conexão do sistema elétrico da concessionária com
as instalações elétricas da unidade consumidora, caracterizando-se
como o limite de responsabilidade do fornecimento.
Além de todas as prescrições técnicas para dimensionamento dos componentes dessas
instalações, a norma estabelece critérios específicos de segurança para as subestações consumidoras,
incluindo acesso, parâmetros físicos e de infraestrutura.
A NBR 14039 não se aplica:
a) às instalações elétricas de concessionários dos serviços de geração, transmissão e
distribuição de energia elétrica, no exercício de funções em serviço de utilidade
pública;
b) às instalações de cercas eletrificadas;
c) aos trabalhos com circuitos energizados.
Procedimentos de trabalho também são objeto de atenção da referida norma que, a exemplo
da NBR 5410, também específica as características de aceitação e manutenção dessas instalações.

Outras Normas
Existem muitas outras normas técnicas direcionadas às instalações elétricas, cabendo aos
profissionais conhecer as prescrições que elas estabelecem, de acordo com o tipo de instalação em
que estão trabalhando.
As normas a seguir relacionadas são boas referências para consultas e títulos são
autoexplicativos a respeito do seu escopo. Muitas delas são complementos das prescrições gerais
estabelecidas nas normas técnicas de baixa e média tensão anteriormente citadas.

 NBR IEC 60079-14 – Instalações elétricas em atmosferas explosivas


Esta Norma fixa as condições exigíveis para a seleção e aplicação de equipamentos, projeto e
montagem de instalações elétricas em atmosferas explosivas por gás ou vapores inflamáveis.
As instalações elétricas em indústrias, particularmente, as químicas e petroquímicas, em que
existe a possibilidade de formação de ambientes com misturas explosivas, devem receber atenção
especial.
No sentido de minimizar os riscos de danos pessoais e materiais, que possam ocorrer em
consequência destas instalações, existem diferentes técnicas e procedimentos relacionados nas
normas citadas na NBR IEC 60079.

 NBR 5419 – Proteção de estruturas contra descargas atmosféricas


Fixa as condições exigíveis ao projeto, instalação e manutenção de sistemas de proteção
contra descargas atmosféricas (SPDA) de estruturas, bem como de pessoas e instalações no seu
aspecto físico dentro do volume protegido.
Esta Norma se aplica às estruturas comuns, utilizadas para fins comerciais, industriais,
agrícolas, administrativos ou residenciais e às estruturas especiais como chaminés de grande porte,
estruturas contendo líquidos ou gases inflamáveis, antenas externas e aterramento de
guindastes/gruas.

 NBR 6533 – Estabelecimento de segurança aos efeitos da corrente elétrica percorrendo


o corpo humano
A NBR 6533 fixa condições exigíveis para o estabelecimento de prescrições de segurança, do
ponto de vista da engenharia, quanto aos efeitos da corrente elétrica percorrendo o corpo humano.
Para evitar erros fundamentais na interpretação desta norma, enfatiza-se o fato de que os
dados fornecidos mostram o aspecto puramente médico dos efeitos de correntes percorrendo o corpo
humano, sendo, no entanto, apenas um dos aspectos a considerar.
Podem ser considerados, ainda, outros fatores como:
a) a probabilidade de falhas;
b) a probabilidade de contatos com partes vivas ou defeituosas;
c) a tensão de contato presumida;
d) a experiência adquirida;
e) as possibilidades técnicas e econômicas.
Estes parâmetros devem ser, cuidadosamente, considerados e avaliados ao se determinarem
as prescrições de segurança, por exemplo, as características de funcionamento dos dispositivos de
proteção nas instalações elétricas.

 NBR 13534 – Instalações elétricas em ambientes assistenciais de saúde – requisitos para


a segurança
Classifica condições exigíveis às instalações elétricas de estabelecimentos assistenciais de
saúde, a fim de garantir a segurança de pessoas (em particular de pacientes) e, onde for o caso, de
animais.

 NBR 13570 – Instalações Elétricas em locais de afluência de público – requisitos


específicos
Fixa requisitos específicos exigíveis às instalações elétricas em locais de afluência de público,
a fim de garantir o funcionamento adequado, à segurança de pessoas e de animais domésticos e a
conservação dos bens.
Esta Norma se aplica às instalações elétricas nos locais indicados abaixo e com capacidade
mínima de pessoas:
- Auditórios, salas e conferências/reuniões para duzentas pessoas
- Cinemas para cinquenta pessoas
- Hotéis, motéis e similares - cinquenta pessoas
- Locais de culto para trezentas pessoas
- Estabelecimentos de atendimento ao público para cem pessoas
- Bibliotecas, arquivos públicos, museus e salas de arte para cem pessoas
- Teatros, arenas, casas de espetáculos e locais análogos para cinquenta pessoas
- Salas polivalentes ou modulares, galpões de usos diversos e usos sazonais para cem pessoas
- Lojas de departamentos para cem pessoas
- Restaurantes, lanchonetes, cafés e locais análogos para cem pessoas
- Boates e danceterias - cinquenta pessoas
- Supermercados e locais análogos - cem pessoas
- Circulações e áreas comuns em centros comerciais, shopping centers – independe da
quantidade de pessoas
- Salões de bailes, salões de festas, salões de jogos – cento e vinte pessoas
- Boliches, diversões eletrônicas e locais análogos para sessenta pessoas
- Estabelecimentos de ensino para cem pessoas
- Estabelecimentos esportivos e de lazer cobertos para duzentas pessoas
- Estabelecimentos esportivos e de lazer ao ar livre, estádios para trezentas pessoas
- Locais de feiras e exposições ao ar livre para trezentas pessoas
- Parques de diversões - independe da quantidade de pessoas
- Circos para duzentas pessoas
- Locais de feiras e exposições cobertos, mercados cobertos com boxes para duzentas pessoas
- Estruturas infláveis para cinquenta pessoas
- Estações e terminais de sistemas de transporte - independe da quantidade de pessoas
Observação: o cálculo da capacidade dos locais deve ser
regulamentado pelas autoridades competentes, normalmente, o Poder
Público Municipal.

Quando a utilização de um produto pode comprometer a segurança ou a saúde do consumidor,


o INMETRO ou outro órgão regulamentador pode tornar obrigatória a avaliação de conformidade desse
produto. Isso aumenta a confiança de que o produto está de acordo com as Normas e com os
Regulamentos Técnicos aplicáveis.
Existem vários produtos, cuja certificação é obrigatória, alguns deles apenas aguardando o
prazo limite para proibição de comercialização.
Entre os produtos de certificação compulsória, por exemplo, estão os plugues, tomadas,
interruptores, disjuntores, equipamentos para atmosferas explosivas, estabilizadores de tensão, entre
outros.
6. Regulamentações do MTE

6.1. Normas Regulamentadoras (NR)

Uma Norma Regulamentadora (NR) objetiva explicitar a implantação das determinações


contidas nos artigos 154 a 201 da CLT, para que sirvam de balizamento, de parâmetro técnico, às
pessoas/empresas que devem atender aos ditames legais e que, também, devem observar o pactuado
nas Convenções/Acordos Coletivo de Trabalho de cada categoria e nas Convenções Coletivas sobre
Prevenção de Acidentes.
Considerando-se que as normas existentes têm uma inter-relação entre si, o propósito é o de
indicar efetivamente essa ocorrência, demonstrando na prática prevencionista, que muito pouco
adianta atender uma Norma Regulamentadora sem levar em consideração as outras.
As questões de saúde e segurança no trabalho são objeto de atenção contínua nos diversos
segmentos industriais, pois as consequências apresentadas pelos acidentes e doenças afetam aos
trabalhos as empresas, o governo e a sociedade como um todo.
Ações imediatistas, emocionais, devem ser desconsideradas e sugestões empíricas devem ser
descartadas, pois todas as propostas devem ser analisadas sob diversos ângulos e alternativas.
Identificados os riscos, estes devem ser debelados.
Estudos e experiências práticas obtidas comprovam que não haverá qualidade de vida se essa
não começar pelo trabalho. Esse fato é tão profundo que extrapola a ação do comportamento humano,
interferindo no processo industrial, na qualidade daquilo que é fabricado, na produtividade e no lucro.
Desta forma, entendemos que o empresário deve estar à frente na gestão empresarial, dentro
do cenário mercadológico globalizado; ter visão do conjunto de atos e ações a serem empreendidas na
empresa; buscar profissionais especializados; conhecer e aplicar a legislação vigente; aplicar em
prevenção, em educação representa benefícios, em relação aos custos, além da credibilidade de seus
produtos, reconhecidamente pela sua responsabilidade social.
Os órgãos governamentais estão preocupados com os altos índices de acidentes do trabalho.
Estabeleceram metas para a diminuição dos acidentes de trabalho; estão abertos à negociação, ao
diálogo. O importante é resolver os problemas existentes. Para tanto têm desenvolvido ações públicas
e buscam parceiros para se chegar a um bom termo. Querem debater e contar com o apoio dos
segmentos da sociedade.
Os trabalhadores devem ter consciência de seus direitos e deveres, contando com o apoio de
sindicatos atuantes. A própria Carta Magna valorizou os direitos sociais. As cláusulas pétreas dizem
respeito à segurança e medicina do trabalho. Segurança e medicina no trabalho é uma questão
cultural, de formação e informação, de entendimento e valorização por parte dos envolvidos.

6.2. NR-10 (Segurança em Instalações e Serviços com Eletricidade)

A NR 10 trata em seus 14 itens (99 subitens), 3 anexos e 1 glossário das condições mínimas
para garantir a segurança daqueles que trabalham em instalações elétricas, em suas diversas etapas,
incluindo projeto, execução, operação, manutenção, reforma e ampliação, incluindo terceiros e
usuários.
A NR 10 foi aprovada através da Portaria MTb 3.214/78 e modificada pela Portaria MTE nº 598,
de 07/12/2004 e publicada no Diário Oficial da União de 08/12/2004. Esta portaria também instituiu a
Comissão Nacional Permanente sobre Segurança e Energia Elétrica (CPNSEE), tripartite e paritária
com representantes do governo, das empresas e dos trabalhadores, no âmbito do Ministério do
Trabalho e Emprego com a interveniência (com a intervenção) da Comissão Tripartite Paritária
Permanente (CTPP), com o objetivo de acompanhar a implementação da NR 10, de forma a assumir
as demandas impostas pela sociedade e de propor as adequações necessárias ao seu contínuo
aperfeiçoamento.

6.3. Pré Requisitos para o Trabalhador nos Serviços com Eletricidade

6.3.1. Qualificação.

A NR 10 considera como trabalhador qualificado aquele que comprovar conclusão de curso


específico na área elétrica reconhecido pelo Sistema Oficial de Ensino.

6.3.2. Habilitação.

A NR 10 considera como profissional legalmente habilitado o trabalhador previamente


qualificado e com registro no competente conselho de classe. No caso do o CREA (Conselho Regional
de Engenharia e Arquitetura) de sua região.

6.3.3. Capacitação

A NR 10 considera como trabalhador capacitado aquele que atenda às seguintes condições,


simultaneamente:
a) receba capacitação sob orientação e responsabilidade de profissional habilitado e
autorizado;
b) trabalhe sob a responsabilidade de profissional habilitado e autorizado.
A capacitação só terá validade para a empresa que o capacitou e nas condições estabelecidas
pelo profissional habilitado e autorizado responsável pela capacitação.
Na ocasião da mudança de empresa este profissional terá que ser novamente treinado, devido
à mudança das características e condições do trabalho a ser exercido. Esta situação também é
caracterizada por alteração da tecnologia usada no trabalho.

6.3.4. Autorização.

A NR 10 considera como profissionais autorizados os trabalhadores qualificados ou


capacitados e os profissionais habilitados, com anuência (com aprovação) formal da empresa.
A NR 10 exige que o profissional autorizado seja identificado de forma, que a qualquer tempo
seja conhecida a abrangência da sua autorização. Evitando desta assim que ele trabalhe em alguma
atividade não atendida pelo treinamento que lhe foi ministrado.
Os trabalhadores autorizados a trabalhar em instalações elétricas devem ter essa condição
consignada (declarada) no sistema de registro de empregado da empresa. Visando a comprovação da
aplicação do treinamento.
Os trabalhadores autorizados a intervir em instalações elétricas devem ser submetidos a
exame de saúde compatível com as atividades a serem desenvolvidas, realizado em conformidade com
a NR 07 (Programas de Controle Médico de Saúde Ocupacional) e registrado em seu prontuário
médico.
A concessão da autorização na forma desta NR aos trabalhadores será fornecida pela
empresa, a aqueles que sejam capacitados ou qualificados e aos profissionais habilitados que tenham
participado com avaliação e aproveitamento satisfatórios nos curso Básico ou SEP.
Estes treinamentos terão os itens mínimos conforme preconiza o anexo III da NR 10. A NR 10
apenas forma quais são os itens mínimos para implementar o treinamento; permitindo a implementação
de outros itens que sejam necessários para garantir as condições de segurança na atividade.
A NR 10 impõe que deve ser realizado um treinamento de reciclagem bienal e sempre que ou
quando ocorrer alguma das situações a seguir:
a) troca de função ou mudança de empresa;
b) retorno de afastamento ao trabalho ou inatividade, por período superior a três meses;
c) modificações significativas nas instalações elétricas ou troca de métodos,
d) processos e organização do trabalho.
Os trabalhos em áreas classificadas devem ser precedidos de treinamento especifico de
acordo com risco envolvido.
Os trabalhadores com atividades não relacionadas às instalações elétricas desenvolvidas em
zona livre e na vizinhança da zona controlada, conforme define a NR 10, devem ser instruídos
formalmente com conhecimentos que permitam identificar e avaliar seus possíveis riscos e adotar as
precauções cabíveis.

ZC – Zona Controlada

Rc
ZC – Zona Restrita

Rr PE – Ponto da
Instalação energizado

ZL – Zona Livre

Distância no ar que delimitam radialmente as zonas de risco, controlada e livre


Distância no ar que delimitam radialmente as zonas de risco, controlada e livre, com interposição de
superfície de separação adequada.

A tabela abaixo, adaptada da NR 10 define a extensão de cada zona em função da tensão nominal do
equipamento ou sistema.
Faixa de tensão Nominal da Rr - Raio de delimitação entre Rc - Raio de delimitação entre
instalação elétrica (kV) zona de risco e controlada (m) zona controlada e livre (m)
Tensão < 1 0,20 0,70
1 ≤ Tensão < 3 0,22 1,22
3 ≤ Tensão < 6 0,25 1,25
6 ≤ Tensão < 10 0,35 1,35
10 ≤ Tensão < 15 0,38 1,38
15 ≤ Tensão < 20 0,40 1,40
20 ≤ Tensão < 30 0,56 1,56
30 ≤ Tensão < 36 0,58 1,58
36 ≤ Tensão < 45 0,63 1,63
45 ≤ Tensão < 60 0,83 1,83
60 ≤ Tensão < 70 0,90 1,90
70 ≤ Tensão < 110 1,00 2,00
110 ≤ Tensão < 132 1,10 3,10
132 ≤ Tensão < 150 1,20 3,20
150 ≤ Tensão < 220 1,60 3,60
220 ≤ Tensão < 275 1,80 3,80
275 ≤ Tensão < 380 2,50 4,50
380 ≤ Tensão < 480 3,20 5,20
480 ≤ Tensão < 700 5,20 7,20
Delimitação das zonas segundo a NR 10.
7. Equipamentos de Proteção Coletiva – EPC

Equipamento de Proteção Coletiva (EPC) - é todo dispositivo, sistema, meio fixo ou móvel de
abrangência coletiva, destinado a preservar a integridade física e a saúde dos trabalhadores usuários e
terceiros. São utilizados para proteção de segurança, enquanto uma ou mais pessoas realiza
determinada tarefa ou atividade.
Entre os principais objetivos do uso dos equipamentos de proteção coletiva, estão:
- Evitar acidentes que envolvam tanto os trabalhadores, como também outras pessoas
que venham a estar presentes naquele local de trabalho;
- Minimizar perdas e aumentar a produtividade da empresa através de uma melhora nas
condições de trabalho;
- Neutralizar ou ao menos reduzir os riscos que anteriormente eram comuns em um
determinado local de trabalho.
Sendo assim, essas medidas visam à proteção não só de trabalhadores envolvidos com a
atividade principal, que será executada e que gerou o risco, como também a proteção de outros
funcionários, que possam executar atividades paralelas nas redondezas ou até de passantes, cujo
percurso pode levá-los à exposição ao risco existente.

7.1. Normatização do uso do EPC


As Normas regulamentares do Ministério do Trabalho que fazem referência ao uso do
equipamento de proteção coletiva são a NR-04 e a NR-09. Segundo a NR-04, quando houver o SESMT
(Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho) na empresa, este
ficará responsável por, aplicar o seu conhecimento em saúde e segurança do trabalho (SST) para
reduzir ou, se possível, eliminar os riscos existentes em todos os ambientes de uma determinada
empresa.
Já a NR-09, por sua vez, discorre sobre o PPRA (Programa de Prevenção de Riscos
Ambientais). De acordo com essa norma, durante o processo de identificação dos riscos, é necessário
que sejam descritas todas as medidas de controle já existentes, incluindo, por exemplo, o uso do EPC
e do EPI (Equipamento de Proteção Individual).
Ainda de acordo com a NR-09, no item 9.3.5.2, a utilização do EPC e de outras medidas de
segurança coletiva, devem ser vistas como prioritárias pelas empresas, enquanto o uso do EPI, este
deve ser adotado apenas em último caso.
Desta forma os Equipamentos de Proteção Coletiva deve ser adotado ANTES dos
Equipamento de Proteção Individual. Em geral os EPC são mais eficientes do que o EPI e ainda tem a
vantagem de não fornecer incômodo ao trabalhador.
A empresa sempre que puder optar entre EPI e EPC deve optar pelo EPC, a longo prazo sai
bem mais em conta. Além disso, pode-se evitar os desgastes na relação que ocorrem entre direção e
funcionários da empresa por causa da imposição pelo uso do EPI.
As empresas que não cumprem o previsto pelas normas regulamentadoras podem ser
multadas e penalizadas – no mínimo, por descumprirem com a hierarquia obrigatória das medidas de
proteção, estabelecida pela NR-09. Em caso de acidentes, elas ainda pode responsabilizadas por nexo
de causalidade.

7.2. Importância do uso do EPC


O uso do equipamento de proteção coletiva possui um papel fundamental para que ocorra uma
diminuição no número de acidentes de trabalho e de doenças ocupacionais.
A Organização Internacional do Trabalho (OIT) alertou para a situação preocupante
envolvendo acidentes de trabalho. São cerca de 2,3 milhões de mortes por ano por acidentes e
doenças de trabalho em todo o mundo.
Outro dado alarmante é de que cerca de 860 mil pessoas sofrem algum tipo de ferimento
diariamente ao redor do mundo no ambiente de trabalho. O especialista afirmou que os custos globais,
diretos e indiretos, chegam a 2,8 trilhões de dólares.
Como podemos perceber, infelizmente ainda ocorre um grande número de acidentes em todo
mundo, sendo que o Brasil está entre os países com mais registros de acidentes. Porém, nos últimos
anos este quadro vem apresentando uma ligeira melhora, que pode ser creditada, em parte, a
crescente importância dada ao uso do EPC e do EPI.
Com a queda no número de acidentes de trabalho e dos casos de doenças ocupacionais, as
empresas passam a ganhar vantagens através do aumento da produtividade em resultado de uma
acentuada diminuição de funcionários afastados.
Além disso, o equipamento de proteção coletiva possui a vantagem de não precisar ser trocado
com frequência, exigindo apenas o investimento inicial para adquiri-lo e sua manutenção periódica.
Segundo, uma série de debates levantados nos últimos anos pelo Centro de Excelência em
EPC (CE-EPC), o uso contínuo do equipamento de proteção coletiva pode auxiliar na melhora do
desempenho profissional. De acordo com a instituição, ao utilizarem o EPC, os trabalhadores se
sentem mais seguros dentro do ambiente de trabalho, o que também contribui para aumentar a
motivação e, consequentemente, a produtividade desses profissionais.
Portanto, fica evidente a importância do EPC, quanto à Saúde e Segurança do Trabalho (SST)
no Brasil, sendo essa uma das formas mais eficazes de se prevenir os acidentes e as doenças
ocupacionais.

7.3. Tipos de EPC

Existem diversos tipos de equipamentos de proteção coletiva, que são usados de acordo com o
tipo de serviço que será executado, bem como quanto ao grau de risco que é oferecido às equipes e
aos terceiros envolvidos. Entre os principais podemos citar:
- Sinalização de Segurança (cones, placas, fitas, correntes, avisos, etc)
- Isolantes Elétricos (banquetas, tapetes, fitas, mantas)
- Sistemas contra Incêndios
- Redes de proteção
- Linha de vida - para trabalhos em altura.
- Cavaletes
- Ventilação dos locais de trabalho
- Proteção de partes móveis de máquinas;
- Exaustores para gases e vapores;
- Ar-condicionado ou aquecedor para locais frios;
- Sensores de máquinas;
- Corrimão;
- Antiderrapantes;
- Ventiladores;
- Iluminação;
- Barreiras de proteção
- Guarda-corpos;
- Protetores de máquinas;
- Cabines para pintura;
- Purificadores de ar e água;
- Chuveiro e lava olhos de emergência;
- Kit para limpeza para produtos químicos.
Como podemos perceber, há uma grande variedade de EPC’s, inclusive podem também ser
considerados EPC’s os equipamentos de uso individual compartilhados pelo grupo, como kits de
primeiros socorros.

Sinalização de Segurança

A sinalização de segurança é considerada um dos principais Equipamentos de Proteção


Coletiva (EPC).
Quando falamos de sinalização de segurança a primeira coisa que vem em nossas cabeças
são as Placas de sinalização, porém, a sinalização é muito mais que isso. Além das placas a
sinalização também é realizada por:
- cones,
- sons,
- fitas e/ou correntes de sinalização

A sinalização também ocorre através das cores, que podem sinalizar grau de riscos, identificar
os equipamentos de segurança e tubulações, bem como delimitar áreas.
Sinalizar significa comunicar de alguma forma. Dispondo de placas, adesivos, cartazes, cones,
faixas, etc. com sinais gráficos, escritos ou com objetos, que visam indicar, mostrar, apontar situações
e/ou informações rápidas sobre o local.
Desta forma, define-se a sinalização de segurança como um conjunto de estímulos, que
informam e orientam um indivíduo sobre algum risco ou a melhor conduta a tomar perante
determinadas circunstâncias relevantes, como por exemplo uma rota de fuga em caso de princípio de
incêndio ou explosões, fornecendo assim uma indicação ou uma prescrição relativa à segurança e/ou à
saúde no trabalho.

 Placas
As placas de sinalização são uns dos mais importantes meios de sinalização para a segurança,
sendo utilizada para manter a comunicação visual e advertir as pessoas sobre possíveis riscos e
procedimentos de segurança.
As placas de Trânsito são um exemplo de sinalização para a segurança, elas orientam,
advertem e informam os condutores e pedestres sobre as ações a serem tomadas, possuindo desta
forma um controle no trânsito, com o objetivo de evitar acidentes e colocar as pessoas em risco.
Em locais de trabalho, a placa de sinalização desempenha um papel importante e tem por
objetivo informar os trabalhadores e visitantes sobre os riscos existentes no local e a necessidade de
uso de EPI's(Equipamentos de Proteção Individual), assim prevenindo-os e reduzindo o risco de
acidentes no trabalho.
As placas de sinalização para a segurança devem possuir características colorimétricas
(relativas à cor) e fotométricas (relativas à intensidade luminosa) que garantam boa visibilidade e a
compreensão do seu significado.

 Sinalização sonora
A sinalização sonora geralmente é realizada por alarme, dando um sinal que algo importante
está ocorrendo. O alarme deve ser interno ou externo. Quando esta localizado dentro da empresa pode
estar sinalizando o início de um procedimento perigoso, incêndio, invasão, roubo e etc. Também pode
estar localizado externamente, como por exemplo em veículos e equipamentos em movimentos que
representam algum perigo.
Sendo assim, em ambos os casos o alarme informa para todos que algo está necessitando de
atenção imediata naquele momento.
Quando a empresa utiliza o alarme para diversas atividades, é importante utilizar sons
diferenciados para cada atividade, assim os trabalhadores saberão o que está acontecendo naquele
instante.
A Sinalização Sonora geralmente interage com as demais sinalizações gerando produtos
acessíveis com carácter universal. Como por exemplo em caso de incêndio dentro da empresa, há o
alarme de incêndio, placas luminosas e iluminação de emergência. Isto ocorre também quando há
equipamentos em movimento, que em manobra de ré, além, da iluminação existe o aviso sonoro.
Em alguns casos, a sonorização além do alarme é realizada por comunicação verbal, com
gravação de áudio falado, onde se passa instruções e avisos referente ao que está acontecendo ou a
procedimentos que devem ser tomados em determinadas situações.
Sendo assim, podemos perceber que a sinalização sonora e um importante Equipamento de
Proteção Coletiva (EPC), contribuindo para a segurança nas operações das empresas.

 Cones de Sinalização
Os cones de sinalização são muito utilizados para demarcação de lugares como
estacionamentos, obras e trabalhos executados em vias públicas. Os cones são equipamentos de
sinalização para a segurança que costumam ter cores bastante chamativas — como preto e amarelo
ou laranja e branco —, assim facilitam a identificação e visualização mesmo em ambientes pouco
iluminados.
São utilizados, para garantir a segurança em diversas situações e ambientes. Os cones de
sinalização devem ser resistentes a intempéries como sol e chuva. Além disso, o ideal é que esses
dispositivos tenham partes refletivas, garantindo boa visualização mesmo à noite e em locais mal
iluminados.
Empresas que transportam produtos perigosos devem, obrigatoriamente, utilizar cones para a
sinalização da pista durante o deslocamento da carga

 Correntes para Sinalização


As correntes para sinalização são utilizadas na delimitação e isolamento de áreas de trabalho
interna e externamente na sinalização, na interdição, no balizamento ou na demarcação em geral. São
excelentes para uso externo, não perdendo a cor ou descascando com a ação de mau tempo, pois
geralmente são confeccionadas em material plástico (polipropileno) de alta durabilidade
As correntes de sinalização, geralmente são operadas juntamente com pedestais zebrados
para sinalização. Esses pedestais são utilizados para direcionar fluxo ou delimitar áreas por um longo
tempo, pois possuem maior durabilidade e alguns modelos podem ser fixados no chão.

 Fita de Sinalização
De modo geral, existem dois tipos de fita de sinalização para segurança. Podemos classificar
como Fitas Fixas e Fitas temporárias.
- Fitas Fixas:
As fitas fixas, são geralmente auto adesivas e apresentadas em diversas cores, sendo
utilizadas para demarcação de solo e paredes em áreas industriais e locais de circulação de pessoas,
possuem uma importância relevante ao auxiliar na necessidade de uma rápida evacuação do lugar,
bem como delimitar o acesso a áreas, como por exemplo aos extintores de incêndios.
- Fitas Temporárias:
As fitas classificadas como temporárias, são as fitas de sinalização zebrada e/ou de barreiras.
São essenciais para demarcar, isolar e indicar áreas consideradas de risco, como locais escorregadios
ou que passam por reformas estruturais. São consideradas temporárias, pois são utilizadas por um
determinado tempo.
Podem ser utilizadas. interna e externamente na sinalização, na interdição, no balizamento ou
na demarcação em geral por indústrias, construtoras, transportadoras, órgãos públicos ou quaisquer
empresas.
Sua principal função é impedir que as pessoas ou veículos se exponham a algum tipo de
perigo temporário, alertando-os de que uma determinada área não está aberta para acesso no
momento.
A fita zebrada apresenta listras intercaladas em duas cores, característica que serve
justamente para chamar a atenção das pessoas e evitar acidentes.
Classificadas como um equipamento de proteção coletiva, as fitas zebradas se destacam em
qualquer tipo de ambiente, e a compreensão de seu significado é universal e fácil de ser interpretada
por pessoas de qualquer idade.
As fitas de sinalização são dobráveis e fornecidas em rolos, com dimensões que podem variar.
Geralmente são fabricadas em polietileno, o que garante leveza, durabilidade e facilidade de manuseio
e instalação em ambientes internos e externos.
Sistemas Contra Incêndios
Um sistema contra incêndio é um conjunto de elementos manuais e/ou automáticos, que tem
por objetivo detectar e/ou combater um incêndio na sua fase inicial, evitando sua propagação.
Entre este conjunto de elementos, os mais utilizados são:
- Iluminação de emergência
- Detectores
- Alarme de incêndio
- Sinalização de emergência
- Extintores
- Hidrantes e mangotinhos
- Chuveiros automáticos
- Outros sistemas de extinção automática de incêndio
O melhor projeto de segurança contra incêndio é realizado pela implantação de um conjunto de
sistemas de proteção ativa (detecção do fogo, combate ao incêndio, etc.) e de proteção passiva
(resistência ao fogo das estruturas, compartimentação, entre outros).
Para se projetar um bom sistema é preciso analisar o ambiente que se deseja proteger,
analisar os riscos, verificar os materiais que estão presentes no ambiente, as interferências
arquitetônicas, a presença e o fluxo de pessoas, entre outros fatores.
No combate a incêndios, vários agentes podem ser utilizados: água, espuma, gás ou pó
químico. Dependendo das classes de incêndio e risco, alguns agentes podem ser combinados.

Antiderrapantes
Os dispositivos antiderrapantes são aplicados com o objetivo de evitarem acidentes
decorrentes a quedas por meio de escorregões.
Infelizmente, escorregões são umas das causas mais frequentes de acidentes nas empresas.
As quedas fatais devido a escorregões e tropeços matam centenas de pessoas anualmente. Porém,
medidas simples podem ser tomadas para reduzir o risco.
Devem ser utilizados materiais antiderrapantes nos pisos, escadas, rampas, corredores e
passagens dos locais de trabalho onde houver perigo de escorregamento.
Ao projetar, construir ou reformar os ambientes de trabalho, os responsáveis devem solicitar e
utilizar os materiais antiderrapantes nos locais necessários.
Existem, muitos tipos de antiderrapantes que são utilizados para evitarem acidentes. Alguns
são aplicados após observar sua necessidade, que não havia sido considerada ao projetar, construir ou
reformar os ambientes.

 Pisos Antiderrapantes
Os pisos ou revestimentos antiderrapantes visam a proteção coletiva dos trabalhadores e
pessoas que passam pelo local.
São fixos, e possuem diversos tipos e modelos, sendo que seu uso dependerá do local e/ou
necessidade onde serão colocados.
Por esse motivo, a escolha do piso certo para cada necessidade e segurança da empresa é
algo muito importante. Há lugares que exigem ainda mais cuidados, como áreas externas, molhadas e
escadas. Nesses casos, o piso antiderrapante torna-se ideal, já que a textura e acabamento deixarão
menos escorregadios, evitando quedas.
Além dos pisos de cerâmica e porcelanato utilizados em nossas casas, que também possuem
modelos antiderrapantes, existem os pisos industriais e de borracha.

 Piso antiderrapante industrial


Os pisos industriais, devem ser, construídos considerando-se a necessidade da empresa, o
que exige que o projeto seja feito por profissionais capacitados, especializados no assunto, definindo a
correta escolha dos materiais, associando uma composição que possa trazer condições de a empresa
manter o seu ritmo produtivo, sem prejuízo de qualquer atividade.
Os pisos antiderrapantes nas indústrias atendem diversos aspectos como segurança, limpeza,
organização, resistência e durabilidade. Há vários modelos e sistemas de aplicação de piso
antiderrapante no mercado. Inibindo a ocorrência de acidentes, facilitando a circulação de pessoas,
máquinas e carregamento de materiais em diversos ambientes industriais.

 Piso de borracha
Os pisos de borracha, são amplamente usados em locais onde há uma intensa circulação de
pessoas. Por serem antiderrapantes quando molhados, podem ser limpos com frequência sem causar
acidentes. Sua durabilidade é outro diferencial, assim como a resistência ao fogo. Estes pisos têm a
vantagem de não deformarem mesmo quando submetidos a grandes cargas, o que é essencial quando
se atua com equipamentos pesados. Em geral, a instalação das placas do assoalho pode ser tanto
apoiada quanto colada sobre o contrapiso.
São indicados, para ambientes internos e externos e podendo ser utilizados para projetos de
segurança e autonomia de pessoas com deficiência física ou visual ou problemas de mobilidade.

 Fitas Antiderrapantes
As fitas antiderrapantes, colaboram muito com a segurança, possuindo a finalidade evitar
acidentes em escadas, rampas e outros pisos escorregadios. Podendo ser utilizadas em residências,
prédios, escolas e indústrias.
São de fácil aplicação, pois além de antiderrapante são auto adesivas, sendo possível ser
colocadas com aplicadores para fitas adesivas.
Há diferentes versões, variando tamanho e formato, em geral, as fitas tem formato de lixa e alta
resistência, podendo ser utilizada em ambientes internos e externos.
Os principais tipos de fitas antiderrapantes são:
- Fotoluminescentes
- Coloridas
- Zebradas
- Transparentes
- Emborrachadas
- À prova d’água.
- Refletiva.
A fita antiderrapante refletiva é capaz de emitir luz ao longo de horas em ambientes escuros.
Desta forma, além da segurança no caminhar, pode servir de guia em caso de queda de energia ou
problemas elétricos.
Para decidir qual a melhor para cada ambiente, deve-se verificar qual a real necessidade e
ficar atento ao fluxo de pessoas, bem como ao risco e visibilidade do local.
O investimento em fitas antiderrapantes pode reduzir consideravelmente os custos de
afastamentos, indenizações, tratamentos gerados por acidentes. Nas residências, esse tipo de material
pode ser utilizado para proteção de crianças e idosos.
Com os diferentes modelos existentes no mercado é possível deixar a casa, o prédio ou local
de trabalho bem sinalizado, seguro e sem prejudicar a aparência.

 Antiderrapante Líquido ou Resina de Epóxi


Quando é realizado um projeto, construção e/ou reforma, podem ocorrer erros na previsão e/ou
execução das obras, sendo colocados pisos comuns em áreas que deveriam ser antiderrapantes.
Nesses casos há possibilidade de utilizar os antiderrapantes líquidos.
Antiderrapante líquidos para pisos são fornecidos em spray, frasco ou bombona.
No entanto, são usados em todos os tipos de piso, como granito, cerâmica esmaltada,
revestimento vítreo, mosaico, porcelanato e mármore. Não altera as características do piso, não
necessita de obras especiais para sua aplicação e ainda permite que a superfície tratada possa ser
utilizada em pouco tempo.
O mercado oferece diversos produtos químicos de fácil aplicação, agindo basicamente da
mesma forma: ao modificar a estrutura molecular do revestimento, criam micro ventosas invisíveis, que
tornam a superfície antiderrapante, semelhante à textura de um cimentício. Saiba que, após esse
procedimento, há mais acúmulo de sujeira, que pode ser retirada com um tipo de esponja feita de fibras
sintéticas e minerais.

Aterramentos
O aterramento é a ligação através de um condutor à terra, podendo ser de um equipamento ou
de um sistema, por motivos de proteção ou por exigência quanto ao funcionamento do mesmo. Desta
forma, o aterramento pode ser considerado um equipamento de proteção coletiva, quando seu objetivo
visa à proteção das pessoas (usuários) e/ou trabalhadores que interagem direta ou indiretamente nas
atividades.
Em geral existem 3 tipos de aterramentos, podendo ser Funcional, de Proteção e Temporário.
a) O Aterramento Funcional consiste na ligação de um dos condutores do sistema (geralmente o
neutro) à terra, e está relacionado com o funcionamento correto, seguro e confiável da
instalação.
b) O Aterramento de Proteção consiste na ligação das massas e dos elementos condutores
estranhos à instalação à terra, visando assim a proteção contra danos que possam ocorrer a
pessoas e animais e/ou a um sistema ou equipamento elétrico.
c) O Aterramento Temporário ou aterramento de trabalho, consiste no aterramento em uma parte
do circuito de uma instalação elétrica, que está normalmente sob tensão, mas é posta
temporariamente sem tensão, para que possam ser executados trabalhos com segurança.
Para realizar este aterramento há um conjunto de dispositivos que visam a proteção dos
trabalhadores.
Esperamos que tenha compreendido a importância do aterramento tanto para o funcionamento
dos equipamentos, quanto para a proteção das pessoas e animais.

 Conjunto de Aterramento Temporário


O aterramento temporário é um procedimento de fundamental importância para a segurança
das equipes que trabalham com manutenção em sistema elétrico de potência.
Este conjunto ou “Kit”, é formado por equipamentos destinados a proteção dos trabalhadores
durante os trabalhos em redes aéreas desenergizadas, visando à equipotencialização e proteção
contra energização indevida do circuito.
O aterramento deve ser feito antes e depois do ponto de intervenção do circuito e derivações,
se houver, a não ser que a intervenção aconteça no final do trecho. Ou seja, o ponto de trabalho deve
ficar ISOLADO. Além disso, o aterramento deve, indispensavelmente, ter a capacidade de conduzir a
máxima potência do sistema.
A manutenção em redes aéreas desligadas aparentemente parece algo seguro para a
execução, visto que o circuito está desenergizado e não apresenta perigo iminente, porém na prática
podem ocorrer um religamento indevido e/ou acidentes por:
- Erros de manobra.
- Contato acidental com outros circuitos energizados
- Tensões induzidas por linhas adjacentes (linhas próximas)
- Descargas atmosféricas, mesmo que distantes do local de trabalho.
- Fontes de alimentação de terceiros.
A proteção do conjunto de aterramento é oferecida através de limitação de tensão no local de
trabalho a valores seguros, pelo escoamento das correntes, em caso de uma energização acidental
que pode ocorrer por diversos fatores, conforme citado anteriormente.
Deste modo, podemos observar a importância da utilização do conjunto de aterramento
temporário, devendo ser considerado, portanto, como um dos principais equipamentos de proteção dos
profissionais que interagem com redes desenergizadas.
Entretanto, para que o conjunto de aterramento temporário possa oferecer a máxima proteção,
devem ser observados criteriosamente os seguintes requisitos:
- Características gerais mínimas.
- Características construtivas e funcionais dos elementos.
- Configuração.
- Especificação adequada.
- Sequência e critérios para sua instalação.
- Posicionamento adequado no local de trabalho.
- Manutenção e conservação dos equipamentos.

 Itens do Conjunto de Aterramento Temporário

Para cada classe ou tipo de tensão há um tipo de aterramento temporário. O mais utilizado em
trabalhos de manutenção ou instalação nas linhas de distribuição é o conjunto ou "kit" padrão,
composto pelos seguintes elementos:
- vara ou bastão de manobra
- grampos de condutores
- grampos de terra
- trapézio de suspensão
- cabos de aterramento
- trado de aterramento
- estojo de acondicionamento

 Vara ou Bastão de Manobra


Destinada a garantir o isolamento necessário as operações de colocação e retirada do conjunto
de aterramento temporário na instalação elétrica ou para restabelecer o fornecimento de eletricidade, a
vara de manobra telescópica é um instrumento que garante precisão no trabalho e mais segurança ao
profissional que está realizando a atividade. Também conhecida como “bastão de manobra”, este
equipamento é normalmente fabricado com fibra de vidro e poliuretano expandido, com revestimento
externo em resina epóxi.
Com a vara de manobra telescópica, o eletricista consegue realizar trabalhos a uma distância
segura. A ferramenta permite, inclusive, que o profissional realize diversos reparos e análises na rede
de distribuição de energia sem precisar sair do solo.
Outro diferencial é o transporte facilitado da ferramenta, já que ela pode ser desmontada e
montada somente na hora do trabalho. Esta característica classifica a vara de manobra telescópica
como seccionável, o que também possibilita o encaixe de outros cabeçotes de manobra sempre que
houver a necessidade.

 Grampos de Condutores

Estabelece a conexão dos demais itens do conjunto com os pontos a serem aterrados. Deve
ser, de material condutor, além de possuir alta resistência mecânica, boa área de contato, boa conexão
ao cabo de aterramento e peso mínimo.

 Trapézio de Suspensão
Permite a elevação simultânea dos grampos à linha a ser aterrada, e estabelece a conexão dos
cabos de interligação das fases. Deve ser, de material leve e bom condutor e ser dotado de conectores
que possibilitem a perfeita conexão mecânica e elétrica dos cabos de interligação das fases e descida
para terra.

 Cabos de Aterramento

É um dos principais elementos que compõem o conjunto de aterramento, possuindo uma


grande importância, pois é através dele que fluem as eventuais correntes que possam surgir
acidentalmente no sistema. Por isso mesmo, ele deve ser dimensionado para conduzir e suportar a
máxima corrente de curto circuito. O limite de sua resistência Ôhmica é por demais importante, pois em
função de seu valor, poderemos ter maior ou menor queda de tensão no local de trabalho. Devendo ser
de cobre eletrolítico, ultra-flexível e possuir isolamento transparente com alta CONDUTIVIDADE e
RESISTIVIDADE.

 Trapézio Tipo Sela


Permite a formação de um ponto intermediário de terra na estrutura, possibilitando o
jumpeamento da área de trabalho e eliminando desta forma, quase que totalmente a diferença de
potencial em que o profissional estaria exposto. Precisa ser, construído com material leve e bom
condutor, ser provido de uma corrente de aço com dispositivo de aperto e travamento que ofereça a
sua perfeita conexão elétrica e mecânica com postes de madeira, concreto, ou duplo “T”.

 Trado de Aterramento

O trado de aterramento é utilizado para estabelecer a ligação dos demais elementos do


Conjunto de Aterramento Temporário com o solo, visando a obtenção de uma baixa resistência de
terra. È fundamental que seja construído com ponta rosqueável e punho desmontável em latão, e ser
dimensionado para oferecer uma boa área de contato com o solo.

 Estojo de Acondicionamento

Para manter o Conjunto de Aterramento Temporário em perfeitas condições, pronto para ser
utilizado com segurança quando for necessário, exige-se um mínimo de cuidado com o seu manuseio e
transporte. Desta forma, é devido ser acondicionado em estojo adequado. O estojo de
acondicionamento pode ser construído em fiberglass, madeira, metal ou lona, a critério do usuário e de
acordo com o tipo de Conjunto de Aterramento que irá acondicionar, devendo entretanto, possuir
divisões internas adequadas, para a perfeita acomodação das peças que compõem o conjunto,
principalmente a vara e bastão de manobra, que não devem ser acondicionados em contato direto com
os demais componentes.
 Conjunto de Aterramento Temporário para Veículo
Os veículos pesados que estiverem em serviço, tanto em rede desenergizada (linha morta)
quanto em rede energizada (linha viva) deverão ser aterrados, pois caso houver energizamento
acidental do veículo, ele escoará pelo aterramento temporário.
Lembramos que todo o aparato de aterramento temporário deve ser removido ao final dos serviços e
antes da liberação para energização do circuito.

Isolantes e condutores elétricos

Cotidianamente estamos em contato com elementos que são condutores elétricos e outros que
são isolantes elétricos.
O que diferencia esses elementos, permitindo que uns possuam maior facilidade de conduzir
eletricidade do que outros, é a estrutura atômica de cada substância.
Todos os materiais são constituídos por átomos e estes são formados por partículas com
pequenas dimensões que são os nêutrons (não possuem carga), os prótons (partículas de carga
positiva) e os elétrons (partículas de carga negativa).
Os nêutrons e prótons ficam no interior do núcleo, e os elétrons ficam na eletrosfera, ou seja,
girando ao redor do núcleo. Para manter esses elétrons sempre em órbita na eletrosfera, existem
forças internas que os seguram, não deixando que os mesmos escapem.
Quanto maior a distância entre a órbita e o núcleo, mais fraca é a força que mantém o elétron
preso ao átomo, pois dessa forma, pode se mover com certa liberdade no interior do material, dando
origem aos chamados elétrons livres.
O que determina se um material é condutor ou isolante é justamente a existência dos elétrons
livres.
Quanto mais elétrons livres melhor condutor o material será.
Como o próprio nome já deixa evidente, os isolantes elétricos isolam a eletricidade ou seja, são
construídos de materiais dielétricos, que possuem poucos elétrons livres, desta forma não permitem
que a eletricidade passe através deles. Alguns exemplos de materiais isolantes elétricos são: Isopor,
borracha, madeira seca, vidro, entre outros.
Ao contrário dos isolantes elétricos, os condutores possuem excesso de elétrons livres. Desta
forma, eles possuem facilidade de se movimentar pelo material, tornando a substância em questão um
bom condutor de eletricidade. De modo geral, os metais são excelentes condutores elétricos.
Os isolantes são muito utilizados na fiação para proteger eletricamente materiais condutores e
as pessoas ao seu redor, porém para os trabalhadores da área elétrica, os isolantes são utilizados para
a confecção de Equipamentos de Proteção Coletiva (EPC) e Individual (EPI).
Assim os isolantes elétricos possuem um papel fundamental para os trabalhadores que
interagem com a eletricidade, evitando o contato direto com os condutores elétricos que provocam
choques e colocam em risco a integridade física das pessoas e animais.

 Equipamentos Isolantes de Proteção Coletiva para Eletricidade


Existem diversos equipamentos que possuem isolantes elétricos para garantir a segurança de
quem trabalha diretamente com eletricidade. Sendo que, estes isolantes elétricos devem ser
compatíveis com os níveis de tensão do serviço, e normalmente são de cor laranja.
Geralmente estes equipamentos de proteção isolantes são temporários, ou seja, são utilizados
em casos de manutenção ou reparo em locais onde os condutores podem ser energizados
acidentalmente.
Também devem ser utilizados em condutores secundários, que não fazem parte do serviço
principal a ser realizado, ou seja, mesmo não fazendo parte do trabalho a ser executado podem
apresentar riscos ao profissional, por estarem próximo, como por exemplo os transformadores.
Esses dispositivos de isolação devem ser bem acondicionados, para evitar sujeiras e umidade
que possam torná-los condutivos acidentalmente, além disso, precisam ser inspecionados e testados
sempre que necessário, ou pelo menos uma vez ao ano, conforme diz a Norma Regulamentadora nº10
do Ministério do Trabalho (NR10)
Segundo a Norma Regulamentadora, os equipamentos, ferramentas e dispositivos isolantes ou
equipados com isolantes elétricos, destinados ao trabalho em alta tensão, têm necessidade de serem
submetidos a testes elétricos ou ensaios de laboratório periódicos, obedecendo-se as especificações
do fabricante, na ausência desses, deve-se fazer anualmente.
Alguns exemplos dos Equipamentos Isolantes de Proteção Coletiva para Eletricidade são:
- Coberturas Isolantes
- Tapetes isolantes
- Ferramentas Compartilhadas com Isolantes elétricos
- E todos os equipamentos de uso coletivo que podem possuir isolação elétrica, como
por exemplo andaimes, cestas aéreas, calhas, escadas, plataformas, entre outros,
sendo construídos com materiais dielétricos, especialmente para os trabalhos com
eletricidade.

 Coberturas Isolantes
As coberturas isolantes são confeccionadas em materiais dielétricos, possuindo diversos
formatos e modelos.
As coberturas possuem características e especificações diferenciadas uma das outras, que
devem ser verificadas antes da utilização dos trabalhos, pois cada qual possui dimensão e proteção
específica para as classes de tensões.
As coberturas isolantes podem ser permanentes ou temporárias, dependendo da realidade e
necessidade de segurança para cada equipamento e serviço.
Podemos dividir as Coberturas Isolantes em dois tipos, sendo Rígidas ou Flexíveis. Ambas
possuem a mesma função, proteger os profissionais contra acidentes por eventuais aproximações ou
contatos com partes energizadas da estrutura e/ou condutores elétricos, durante a execução de
trabalhos próximos ou em redes energizadas.
O que praticamente diferencia as coberturas isolantes rígidas das flexíveis, é o material
utilizado para sua fabricação, sendo que as coberturas rígidas são geralmente fabricadas com
polipropileno ou polietileno de alta rigidez dielétrica e as flexíveis são fabricadas com borracha.

 Coberturas Isolantes Rígidas


Vamos falar agora sobre as coberturas isolantes Rígidas, que são fabricadas por um tipo de
plástico, geralmente o polipropileno ou polietileno de alta rigidez dielétrica.
Alguns exemplos de Coberturas Isolantes Rígidas que podemos encontrar no mercado são as:
- Coberturas isolante para postes
- Coberturas para as Buchas do Transformador
- Coberturas Protetoras para Chave fusível, chave Faca e Carcaças.
- Chave Fusível
- Chave de Faca e carcaças
- Coberturas Protetoras para os Condutores
- Cobertura Protetora para o Conectores Estribo e Grampos de Linha Viva
- Conector de Estribo
- Grampos de Linha viva
- Cobertura Protetora
- Coberturas Protetoras para Derivação Cunha
- Coberturas Protetoras para de Cruzeta com isolador de Pino ou Pilar
- Cobertura para os Isoladores, como por exemplo o Isolador de Disco, Isolador Pilar ou
de Pinos
- Isolador de Disco
- Ktis de Cobertura para Rede de Distribuição Compacta (RDC). Como por exemplos as
coberturas para Espaçador Losangular
- Cobertura para Suporte 'C' e para Condutores de RDC

Em relação às coberturas para postes existem dois tipos no mercado, sendo a lisa e a frisada.
A cobertura lisa é uma cobertura versátil, que pode ser utilizada na proteção da:
- extremidade do poste
- na mão francesa z,
- na cruzeta
- no para raio e etc.
Está cobertura, merece especial cuidado, no sentido de verificar a real proteção para cada
utilização, isto por não ter uma aplicação específica. As alças de corda de polipropileno são para
facilitar a sua colocação e remoção com luvas isolantes.

 Coberturas isolante para postes


São utilizadas para, proteção isolante na instalação ou troca de postes. Possuem alças de
corda de polipropileno para facilitar a sua colocação e remoção com luvas isolantes, possuem nervuras
internas, detalhe importante para evitar abrasões em sua superfície durante a sua manipulação,
contribuindo ainda decisivamente para aumentar a vida útil das mesmas.
São encontrados modelos com comprimentos de 1200 mm e 1800 mm possuem um botão de
nylon que permite acoplar duas ou mais unidades para proteger um comprimento maior do poste.
Quando as coberturas de postes são utilizadas para a Coberturas de Cruzeta seu objetivo
principal é evitar o contato dos laços de amarração com a cruzeta nas tarefas de troca de isolador de
pino ou isolador pilar.
Elas também podem ser usadas para apoio do jumper temporário ou do condutor sobre a
cruzeta.
No caso de isolar somente os condutores, estes deve ser protegido com a cobertura adequada.

 Coberturas para Chave Fusível e Chave Faca


Essas coberturas são utilizadas como proteção nas estruturas onde existem chaves fusíveis ou
faca, podendo ser instaladas com o Método à Distância ou ao Contato.
A Cobertura para Chave Fusível, assim como todo equipamento poderá haver diferenciações
dependendo do modelo e fabricante, por esse motivo, sempre é aconselhável ver as especificações do
fabricante e método de utilização. No mercado geralmente os modelos de cobertura de chave fusível
são presos por um pino que trava por detrás do isolador e apoia sobre o suporte metálico da chave.
A Cobertura para Chave Faca também dependerá do modelo e fabricante, geralmente são
instaladas envolvendo-as as duas saias do isolador, nas quais se mantém presa por pressão.

 A Cobertura para Carcaça de Chave Faca


É utilizada para proteção isolante, entre a carcaça da chave faca e as partes energizadas,
durante a instalação e retirada do jumper ou outros trabalhos na chave. Projetadas para redes de
diferentes potenciais, que necessitam ser verificados dependendo da necessidade e trabalho a ser
realizado. São construída por duas placas planas que após semi abertas, permitem o seu envolvimento
na base dos isoladores e travamento através de porcas isolantes.

 Cobertura para Rede Compacta


Cobertura específica para uso em Rede de Distribuição Compacta – RDC, tem como função
proteger o condutor junto ao espaçador losangular. É usada em conjunto com a cobertura de condutor
RDC nas quais é acoplada através de encaixes em suas extremidades.
 Tapetes de borracha isolantes
Alguns fornecedores denominam os tapetes como sendo uma manta isolante, visto que
possuem as mesmas características isolantes e classes de isolamento, porém, para ser considerados
Tapetes Isolantes, além das características isolantes, devem possuir superfície antiderrapante e
acabamento texturizado para facilitar a ancoragem ao piso.
Este acessório é utilizado principalmente em cabines e subestações elétricas, sendo aplicado
na execução da isolação contra contatos indiretos, minimizando assim as consequências por uma falha
de isolação dos equipamentos.

Observação: Quanto maior for o valor da resistência de


isolação do tapete, menor a resistência do aterramento de
proteção. Pode-se concluir então, que o tapete é um
complemento da proteção por aterramento da carcaça.

 Ferramentas e Equipamentos de Trabalho com Isolantes Elétricos


Existem no mercado várias ferramentas e equipamentos que possuem isolantes elétricos,
esses, visam à proteção dos trabalhadores que interagem com a eletricidade.
Estas ferramentas e equipamentos, embora possuam a isolação elétrica, não são considerados
Equipamentos de Proteção Coletiva (EPC) ou Individual (EPI), visto que, o objetivo principal é auxiliar
nas operações e tarefas a serem realizadas.
O equipamento de proteção nestas ferramentas é a Isolação Elétrica, por este motivo, iremos
falar sobre as ferramentas de trabalho isoladas que são compartilhadas pela equipe. Lembramos que
são ferramentas geralmente de uso individual, porém, são compartilhadas pelos profissionais. Tais
ferramentas proporcionam através da proteção isolante, segurança para a equipe de trabalho.
Entre estas ferramentas e equipamentos de trabalhos podemos citar as:
- Varas de Manobra
- Bastões de Salvamento
- Escadas de fibra de vidro ou Isolantes
- Banqueta Isolantes
- Plataformas e Andaimes Isolantes.
Ou seja, todos os equipamentos e ferramentas de trabalho que possuem Isolantes Elétricos e
que são compartilhadas pela equipe de trabalho.

Barreiras de Segurança
O sistema de barreiras consiste na implantação de proteções físicas que possibilitem eliminar,
prevenir ou delimitar o risco, fluxo ou acesso de pessoas, animais e/ou veículos, que possa causar
danos ou acidentes em áreas de risco ou áreas de trabalho.
Desta forma, as barreiras geralmente são destinadas a proteger acessos acidentais em locais
que apresentam algum tipo de risco, porém, temos que lembrar que não protegem dos acessos
voluntários por uma tentativa deliberada de contorno da barreira, por tanto se a pessoa quiser pular,
contornar ou atravessar a barreira, ela poderá ter acesso voluntário a área delimitada, visto que as
barreiras proporcionam uma sinalização e bloqueio parcial da área.
Existem diversos equipamentos, que são utilizados para barreiras e sinalização de trabalho,
lembrando que há barreiras que podem ser utilizadas externamente ou internamente, dependendo de
suas características e necessidade, sendo que estas precisam ser verificadas junto ao fabricante.
Alguns modelos encontrados no mercado são:
- Grade Metálica Dobrável
- Cavaletes
- Cortina/grade de luz
- Barreiras Metálicas removíveis
- Barreiras Retráteis
- Grade de Perímetro
- Barreira com rede (construção - SPANGUARD/DOK-GUARDIAN
- Defensa Metálica (guard-rails)
- Barreira plástica de sinalização
- Barreira com cinto retrátil.
- Barreira, tela ou cerca plástica de Segurança
- Cancelas.
- Entre outras…etc
Como podemos perceber, existem diversos tipos de barreiras, podendo ser fixas ou
temporárias, dependendo do objetivo e sua utilização. Por isso é importante utilizar o equipamento que
mais se adapta a realidade de cada situação e necessidade.

Proteção de Máquinas e Equipamentos


O ponto em questão a ser abordado será, sobre as proteções de Máquinas e Equipamentos,
que são fundamentais para a segurança dos profissionais que operam máquinas ou transitam próximos
da zona de perigo.
As proteções geralmente fazem parte da máquina especificamente utilizadas para prover
proteção por meio de uma barreira física. Dependendo de sua construção, uma proteção pode ser
chamada de carenagem, cobertura, tela, porta e etc.
Porém existem outras proteções que não fazem parte da estrutura da máquina, sendo uma
proteção distante, esta não cobre completamente a zona de perigo, mas, impede ou reduz o acesso,
em razão de suas dimensões e sua distância, por exemplo, grade de perímetro ou proteção em túnel.
Pode-se dizer que o objetivo das proteções de Máquinas e Equipamentos é eliminar,
neutralizar ou minimizar os riscos que os profissionais podem ser expostos.
Este objetivo é alcançado através de medidas técnicas e operacionais preventivas, que
carecem ser adequadas a cada situação e necessidade. O importante é que nenhum trabalhador
execute suas atividades expondo-se aos riscos.
Para isso as proteções necessitam oferecer uma barreira que impeça os riscos de acidentes
(como por exemplo a entrada das mãos, dedos ou até mesmo entrada acidental de um trabalhador na
zona de perigo).bem como, os riscos físicos (como por exemplo, os ruídos de máquinas que podem
prejudicar a saúde dos trabalhadores).
A norma regulamentadora que trata da proteção de máquinas e equipamentos é a NR12, ela
regulamenta a segurança no trabalho em máquinas e equipamentos, definindo medidas de proteção
para garantir a saúde e a integridade física dos trabalhadores e estabelece requisitos mínimos para a
prevenção de acidentes e doenças do trabalho nas fases de projeto e de utilização de máquinas e
equipamentos de todos os tipos
A proteção de máquina e equipamento é uma barreira mecânica ou eletroeletrônica que
impede o acesso às zonas de perigo, ou seja, protege dos mecanismos que oferecem perigo para as
pessoas. Devendo estas proteções serem preservadas, de forma a impedir que os trabalhadores
burlem os mecanismo de segurança.
Vale lembrar que, Máquinas e Equipamentos em movimento são particularmente perigosos.
Mesmo movendo-se lentamente os eixos podem pegar roupas, cabelos, dedos e mãos dos
trabalhadores vindo a causar sérias lesões, que podem ser evitadas com uma proteção adequada e
sinalizações, para lembrar os funcionários dos perigos existentes.
Portanto, sempre que for projetado e/ou selecionado algum tipo de proteção para uma máquina
em particular, a mesma deve ser adequada, e é importante avaliar o risco proveniente de vários perigos
presentes àquela máquina e as categorias previstas de pessoas em risco, ou seja, deve-se ter em
mente uma visão global de todo o processo, pessoas envolvidas diretamente e indiretamente, bem
como, os riscos potenciais inerentes as atividades, devendo ser adotados diversos sistemas de
segurança interligados para garantir a máxima segurança de todos.

Tipos de Proteções de Máquinas e equipamentos


Sabe-se que as proteções visam eliminar, neutralizar ou minimizar os riscos em geral que os
profissionais podem ser expostos, porém existem diversos tipos de proteções.
Primeiramente, têm que entender que existem, as proteções que foram estudadas no projeto e
construção, ou seja, quando as máquinas ou equipamentos foram projetados, a equipe de segurança
estudou e verificou todas as normas de segurança para construir e implementar as medidas de
segurança possíveis.
Porém, dependendo da máquina ou equipamento até mesmo dependendo de onde será
colocado e a realidade de cada empresa, poderá ser necessário uma proteção distante, ou seja uma
proteção de perímetro. Essa proteção resguarda a área em que possa haver algum risco para as
pessoas, mantendo desta forma uma distância de segurança da zona de perigo.
No entanto, se compreende que mesmo com todas estas proteções podem ocorrer imprevistos
no processo, manutenção, reparo, ajustes ou qualquer atividade inerente ao funcionamento e que são
necessários, para a vida útil das máquinas e equipamentos.
Por esse motivo além das proteções por barreira, deve haver dispositivos de segurança que
possibilitam diversos recursos, entre eles: impedir e neutralizar os acidentes ou pelo menos minimizá-
los quando ocorrerem.
Por consequência, dependendo das características das máquinas e equipamento são
necessárias diversas proteções.
De um modo geral podemos dizer que as proteções são compostas por:
- Proteções Fixas
- Proteções Móveis
- Dispositivos de segurança.

Definições das Proteções de Máquinas e equipamentos


Entende-se, que dependendo das características de cada máquina e equipamento se faz
necessário diversas proteções e que estas são compostas por Proteções Fixas, Proteções Móveis e
Dispositivos de segurança.
Será explanado um pouco mais sobre cada uma dessas proteções.

Proteções de máquinas e equipamentos fixas:


São as proteções de difícil remoção, fixadas normalmente no corpo, na estrutura da máquina
ou perímetro da zona de perigo. Essas proteções devem ser mantidas em sua posição sendo de difícil
remoção, fixadas por meio de solda, parafusos ou dispositivos, tornando sua remoção ou abertura
impossível sem o uso de ferramentas.

Proteções de máquinas e equipamentos móveis:


Estas proteções geralmente estão vinculadas à estrutura da máquina ou elemento de fixação
próximo, que pode ser aberto ou retirados sem o auxílio de ferramentas. As proteções móveis ( que
podem ser portas, tampas, etc) devem ser associadas a dispositivos de intertravamento, que é um tipo
de dispositivos de segurança que possui a finalidade de impedir o funcionamento da máquina caso
ocorra algum procedimento indevido.

Dispositivos de Segurança de máquinas e equipamentos:


Existem no mercado diversos tipos de dispositivos de segurança que visam a proteção dos
trabalhadores. Sendo que, todos dispositivos devem ser apropriados e estarem conforme as normas
técnicas oficiais vigentes.
É considerado dispositivos de segurança os componentes que, por si só, interligados ou
associados a proteções, reduzam os riscos de acidentes e de outros agravos à saúde dos
trabalhadores, entre eles estão os:
- comandos elétricos ou interfaces de segurança: (relés de segurança, controladores
configuráveis de segurança e controlador lógico programável - CLP de segurança)
- dispositivos de intertravamento (chaves de segurança eletromecânicas, magnéticas e
eletrônicas codificadas, optoeletrônicas, sensores indutivos de segurança)
- sensores de segurança (cortinas de luz, detectores de presença optoeletrônicos, laser de
múltiplos feixes, barreiras óticas, monitores de área, ou scanners, batentes, tapetes e sensores
de posição)
- válvulas e blocos de segurança ou sistemas pneumáticos e hidráulicos
- dispositivos mecânicos: (dispositivos de retenção, limitadores, separadores, empurradores,
inibidores/defletores, retráteis, ajustáveis ou com auto fechamento)
- e dispositivos de validação

Se compreende que quando é pensado em proteções, deve-se ter em mente uma visão global
de todo o processo, pessoas envolvidas, bem como os riscos potenciais inerentes às atividades,
devendo ser adotadas diversos sistemas de segurança interligados para garantir a máxima segurança
de todos.
Por esse motivo segundo a NR12 as zonas de perigo das máquinas e equipamentos são
obrigatórios possuir sistemas de segurança, caracterizados por proteções fixas, proteções móveis e
dispositivos de segurança interligados, que garantam proteção à saúde e à integridade física dos
trabalhadores.

Retirada das Proteções de Máquinas e Equipamentos


Quando houver necessidade de remoção das proteções para as: manutenções, inspeções,
reparos, limpezas, ajustes e outras intervenções, devem ser executadas somente por profissionais
capacitados, qualificados e/ou legalmente habilitados, formalmente autorizados pela empresa.
Existem alguns procedimentos mínimos para realizar a retirada das proteções, vale lembrar
que todo procedimento deverá ser realizado com a máquina parada. Os procedimentos são:
- Isolamento e descarga de todas as fontes de energia das máquinas e equipamentos, de
modo visível ou facilmente identificável por meio dos dispositivos de comando;
- Bloqueio mecânico e elétrico na posição “desligado” ou “fechado” de todos os dispositivos
de corte de fontes de energia, a fim de impedir a reenergização e sinalização com cartão
ou etiqueta de bloqueio contendo o horário e a data do bloqueio, o motivo da manutenção
e o nome do responsável;
- Medidas que garantam que à jusante dos pontos de corte de energia já não exista qualquer
possibilidade de gerar risco de acidentes;
- Medidas adicionais de segurança, quando for realizada manutenção, inspeção e reparos
de qualquer equipamento ou máquinas sustentados somente por sistemas hidráulicos e
pneumáticos;
- Sistemas de retenção com trava mecânica, para evitar o movimento de retorno acidental
de partes basculadas ou articuladas abertas das máquinas.
Responsabilidades Gerais dos Trabalhadores quanto às Proteções e Operações de Máquinas
e Equipamentos
Todos de um modo geral são responsáveis pela proteção e saúde no local de trabalho,
devendo respeitar as normas e ajudar a implementar procedimentos que ofereçam maior segurança.
Para isto, os trabalhadores devem cumprir todas as orientações relativas aos procedimentos
seguros de operação, alimentação, abastecimento, limpeza, manutenção, inspeção, transporte,
desativação, desmonte e descarte das máquinas e equipamentos.
Não se deve realizar qualquer tipo de alteração nas proteções mecânicas ou dispositivos de
segurança de máquinas e equipamentos, de maneira que possa colocar em risco a sua saúde e
integridade física, bem como de outras pessoas.
Deve-se sempre comunicar o superior imediato se uma proteção ou dispositivo de segurança
foi removido, danificado ou se perdeu sua função.
Necessário, participar dos treinamentos fornecidos para atender às exigências e requisitos
descritos nas normas de segurança, bem como colaborar com a empresa na implementação das
determinações contidas nas normas de segurança.
Fazendo isso, certamente estará contribuindo para que todos possam trabalhar em um
ambiente seguro e com melhores condições.
8. Equipamentos de Proteção Individual – EPI

Conforme, a NR-6 Equipamento de Proteção Individual – EPI - é todo dispositivo de uso


individual utilizado pelo empregado, destinado à proteção de riscos suscetíveis de ameaçar a
segurança e a saúde no trabalho.
Nos trabalhos em instalações elétricas, quando as medidas de proteção coletiva forem
tecnicamente inviáveis ou insuficientes para controlar os riscos, são adotados EPIs específicos e
adequados às atividades desenvolvidas.
Todo EPI deve possuir um Certificado de Aprovação (CA) emitido pelo Ministério do Trabalho e
Emprego.
A empresa é obrigada a fornecer ao empregado, gratuitamente, EPI adequado ao risco, em
perfeito estado de conservação e funcionamento, nas seguintes circunstâncias:
- Sempre que as medidas de ordem geral não ofereçam completa proteção contra os riscos de
acidentes do trabalho ou de doenças ocupacionais;
- Enquanto as medidas de proteção coletiva estiverem sendo implantadas;
- Para atender situações de emergência.
As vestimentas de trabalho podem ser adequadas às atividades, considerando-se, também, a
condutibilidade, a inflamabilidade e as influências eletromagnéticas. Com advento do novo texto da
NR10 a vestimenta passa a ser, também, considerada como um dispositivo de proteção complementar
para os empregados, incluindo a proibição de adornos mesmo estes não sendo metálicos.

Quanto ao EPI cabe ao empregador:


- Adquirir o EPI adequado ao risco de cada atividade;
- Exigir o seu uso;
- Fornecer ao empregado somente EPI’s aprovados pelo órgão nacional competente em matéria
de segurança e saúde no trabalho;
- Orientar e treinar o trabalhador sobre o uso adequado, a guardar e conservar;
- Substituir imediatamente, quando danificado ou extraviado;
- Responsabilizar-se pela higienização e manutenção periódica;
- Comunicar ao MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) qualquer irregularidade observada.
- Registrar o seu fornecimento ao trabalhador, podendo ser adotadas livros, fichas ou sistema
eletrônico.

Conforme o Art. 157 da CLT


Cabe às empresas:
I. Cumprir e fazer cumprir as normas de segurança e medicina do trabalho;
II. Instruir o empregado, através de ordens de serviço, quanto às precauções a serem
tomadas no sentido de evitar acidentes do trabalho ou doenças profissionais.

Quanto ao EPI cabe ao empregado:


- Utilizar apenas para a finalidade a que se destina;
- Responsabilizar-se pela guarda e conservação;
- Comunicar ao empregador qualquer alteração que o torne impróprio para uso;
- Cumprir as determinações do empregador sobre o uso adequado.

Conforme o Art. 158 da CLT, cabe aos empregados:


I. Observar as normas de segurança e medicina do trabalho, inclusive as ordens de
serviço expedidas pelo empregador.
II. Colaborar com a empresa na aplicação dos dispositivos deste capítulo (V)
Parágrafo único – Constitui ato faltoso do empregado a recusa injustificada:
A observância das instruções expedidas pelo empregador;
O devido uso dos Equipamentos de Proteção Individual – EPI’s fornecidos pela
empresa.

Exemplos de EPIs

 Proteção dos Olhos e Face


 Óculos de segurança
Equipamento destinado à proteção contra elementos que venham a prejudicar a
visão. Proteção dos olhos contra impactos mecânicos, partículas volantes e raios
ultravioletas.
A higienização dos óculos envolve lavar com água e sabão neutro e secar com
papel absorvente. (O papel não poderá ser friccionado na lente para não riscá-la.)

 Proteção da Cabeça
 Capacetes de proteção
Utilizado, para proteção da cabeça do trabalhador contra agentes meteorológicos
(trabalho a céu aberto) e trabalho em local confinado, impactos provenientes de queda ou
projeção de objetos, queimaduras, choque elétrico e irradiação solar.
Para evitar contatos acidentais, com as partes energizadas da instalação, o
capacete para uso em serviços com eletricidade deve ser da classe B (submetido a testes
de rigidez dielétrica a 20 quilovolts (KV)).

 Capacete de proteção tipo aba frontal com viseira


Utilizado para proteção da cabeça e face, em trabalho em que haja risco de
explosões com projeção de partículas e queimaduras provocadas por abertura de arco
voltaico.
 Higienização de Capacetes
- Limpá-lo mergulhando por um minuto em um recipiente contendo água e
detergente ou sabão neutro;
- O casco deve ser limpo com pano ou outro material que não provoque atrito,
evitando assim a retirada da proteção isolante de silicone (brilho), o que
prejudicaria a rigidez dielétrica do mesmo;
- Secar a sombra.
Observação: a limpeza do visor deve ser feita do mesmo modo que os óculos
de segurança.

 Proteção Auditiva
A proteção auditiva é equipamento destinado a minimizar as consequências de ruídos
prejudiciais à audição.
Para trabalhos com eletricidade, devem ser utilizados protetores apropriados, sem elementos
metálicos

 Protetor auditivo tipo concha


Utilizado para proteção dos ouvidos nas atividades e nos locais que apresentem
ruídos excessivos.
Para higienização deve-se lavar com água e sabão neutro, exceto as espumas
internas das conchas.
 Protetor auditivo tipo inserção (plug)
Também é utilizado para proteção dos ouvidos nas atividades e nos locais que
apresentem ruídos excessivos, porém, possui uma baixa durabilidade.
Para higienização deve-se lavar com água e sabão neutro.

 Proteção dos Membros Superiores

 Luva isolante de borracha

A luva isolante de borracha é utilizada para proteção das mãos e braços do


profissional contra choque em trabalhos e atividades com circuitos elétricos energizados.
As luvas precisam ser testadas com inflador de luvas para verificação da existência
de furos, e por injeção de tensão de testes. As luvas isolantes apresentam identificação no
punho, próximo da borda, marcada de forma que não pode ser retirada, que contém
informações importantes, como a tensão de uso, por exemplo, nas cores correspondentes
a cada uma das seis classes existentes.
As luvas isolantes de borrachas são classificadas, conforme a NBR 16295/2014.
Para higienização deve-se lavar com água e detergente neutro, enxaguar com
água, secar ao ar livre e a sombra e polvilhar, externa e internamente, com talco industrial.

 Luva de cobertura
Utilizada exclusivamente como proteção da luva isolante de borracha. As luvas de
cobertura devem ser utilizadas por cima das luvas isolantes.
Para higienização deve-se limpar utilizando pano limpo, umedecido em água e
secar a sombra.
 Luva de proteção em raspa e vaqueta
Utilizada para proteção das mãos e braços do empregado contra agentes
abrasivos e escoriantes.
Para higienização deve-se limpar com pano limpo e umedecido em água, secando
a sombra.

 Luva de proteção em borracha nitrílica


Utilizada para proteção das mãos e punhos do empregado contra agentes
químicos e biológicos.
Para higienização deve-se lavar com água e sabão neutro.
 Luva De Proteção Em Pvc (Hexanol)
Utilizada para proteção das mãos e punhos do empregado contra recipientes
contendo óleo, graxa, solvente e ascarel.
Para higienização deve-se lavar com água.

 Manga de proteção isolante de borracha


Utilizada para proteção do braço e antebraço do trabalhador contra choque
elétrico, durante os trabalhos em circuitos elétricos energizados.
Para higienização deve-se lavar com água e detergente neutro, secar ao ar livre e
a sombra e polvilhar talco industrial, externa e internamente.

 Proteção dos Membros Inferiores

 Calçado de proteção tipo botina de couro


Equipamento utilizado para minimizar as consequências de contatos com partes
energizadas, as botinas são selecionadas conforme o nível de tensão de isolação e
aplicabilidade (trabalhos em linhas energizadas ou não). Esse tipo de botina não pode ter
biqueira de aço, para evitar transtornos com a eletricidade.
Os calçados protegem os pés contra torção, escoriações, derrapagens e umidade.
 Calçado de proteção tipo bota de couro (cano longo)
Além de ser utilizada para minimizar as consequências de contatos com partes
energizadas, a proteção dos pés e pernas contra torção, escoriações, derrapagens e
umidade, o calçado cano longo protege contra ataque de animais peçonhentos.
Para uma melhor conservação e higienização dos calçados de proteção deve-se
armazenar em local limpo, livre de poeira e umidade, se molhado deve secar a sombra e
engraxar com pasta adequada para a conservação de couros.

 Calçado de proteção tipo condutivo


Utilizada para proteção dos pés, quando o empregado realiza trabalhos ao
potencial.
Para uma melhor conservação e higienização deve-se engraxar com pasta
adequada para a conservação de couros, armazenar em local limpo, livre de poeira e
umidade, se molhado deve ser seco à sombra e nunca secar ao sol (pode causar efeito
de ressecamento).
 Perneira de segurança
Utilizada para proteção das pernas contra objetos perfurantes, cortantes e ataque
de animais peçonhentos.

 Proteção Contra Quedas Com Diferença de Nível

 Cinturão de segurança tipo paraquedista


Equipamento destinado à proteção contra queda de pessoas, sendo obrigatória a
utilização em trabalhos acima de dois metros de altura.
Para esse tipo de cinturão, podem ser utilizadas trava-quedas, instalados em
cabos de aço ou flexível fixados em estruturas a serem escaladas.

 Dispositivo trava-quedas
Utilizado para proteção do empregado contra queda em serviços, em que exista
diferença de nível, em conjunto com cinturão de segurança tipo paraquedista.
 Talabarte
O talabarte é um dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) indispensáveis
para quem realiza trabalho em altura superior a 2 metros, uma vez que serve para conectar
o cinto de segurança ao ponto de ancoragem.

 Vestimentas de Segurança
As vestimentas de trabalho devem ser adequadas às atividades, devendo contemplar a
condutibilidade, inflamabilidade e influências eletromagnéticas.

 Vestimenta de proteção tipo condutiva


Utilizada para proteção do empregado, quando este executa trabalhos ao
potencial.

 Vestimenta de proteção antichama


Utilizada para proteção dos trabalhadores contra queimaduras provocadas por
choque ou de arco elétrico.
 Sinalização
 Colete de sinalização refletivo
Utilizado para sinalização do empregado facilitando a visualização de presença deste,
quando em trabalhos nas vias públicas.

 Proteção Respiratória
Destinado à utilização em áreas confinadas e sujeitas a emissão de gases e poeiras.
Porém, deve ser utilizado para proteção respiratória em atividades e locais que apresentem tal
necessidade, em atendimento a Instrução Normativa nº 1 de 11/04/1994 – (Programa de Proteção
Respiratória - Recomendações/ Seleção e Uso de Respiradores).
9. Rotinas de trabalho – Procedimentos

9.1. Instalações Desenergizadas


As instalações desenergizadas têm como objetivo definir procedimentos básicos para
execução de atividades/trabalhos em sistema e instalações elétricas desenergizadas.
São aplicadas em várias áreas envolvidas, direta ou indiretamente, no planejamento,
programação, coordenação e execução das atividades, no sistema ou instalações elétricas
desenergizadas.
Conceitos básicos e procedimentos a serem tomados:
- Impedimento de equipamento - isolamentos elétricos do equipamento ou
instalação, eliminando a possibilidade de energização indesejada, indisponibilizando a
operação, enquanto permanecer a condição de impedimento.
- Responsável pelo serviço - empregado da empresa ou de terceirizada, que
assume a coordenação e supervisão efetiva dos trabalhos. É responsável pela viabilidade, da
execução da atividade e por todas as medidas necessárias à segurança dos envolvidos na
execução das atividades, de terceiros, e das instalações, bem como por todos os contatos, em
tempo real, com a área funcional responsável pelo sistema ou instalação.
- Pedido para Execução de Serviço (PES) - documento emitido para solicitar a
área funcional responsável pelo sistema ou instalação, o impedimento de equipamento,
sistema ou instalação, visando à realização de serviços. O PES deverá ser emitido para cada
serviço, quando houver impedimentos distintos. Quando houver dois ou mais serviços, que
envolvam o mesmo impedimento, sob a coordenação do mesmo responsável, será emitido
apenas um PES. Nos casos em que, para um mesmo impedimento, houver dois ou mais
responsáveis, obrigatoriamente, será emitido um PES para cada responsável, mesmo que
estes pertençam a mesma área. Quando na programação de impedimento, existir alteração de
configuração do sistema ou instalação, deverá ser encaminhado à área funcional responsável
pela atividade o projeto atualizado. Caso não exista a possibilidade de envio do projeto
atualizado, é de responsabilidade do órgão executante elaborar um “croqui”, contendo todos os
detalhes necessários, que garanta a correta visualização dos pontos de serviço e das
alterações de rede a serem executadas.
- Autorização para Execução de Serviço (AES) - documento emitido para
autorizar a área funcional sobre o impedimento de equipamento para a realização de serviços.
Deve conter as informações tais como: descrição do serviço, número do projeto, local, hora,
responsável, observações, previsão da execução do serviço, entre outros.
Este documento, se aplica a todos os serviços realizados na área elétrica por
funcionários ou terceiros.
A área funcional responsável deixará o documento AES anexado ao PES (Pedido de
Execução de Serviço) no sistema para consulta e utilização dos órgãos envolvidos.
Ficará a cargo do gestor da área executante, a entrega da via impressa do PES/AES
aprovado, ao responsável pelo serviço, que deverá estar de posse do documento no local de
trabalho.
Caso o responsável pelo serviço não esteja de posse do PES/AES, a área funcional
responsável não autorizará a execução do desligamento.
O impedimento do equipamento/instalação depende da solicitação direta do
responsável pelo serviço à área funcional responsável, devendo este já se encontrar no local
em que serão executados os serviços.
Havendo necessidade de substituição do responsável pelo serviço, a área executante
deverá informar à área funcional responsável o nome do novo responsável pelo serviço, com
maior antecedência, justificando formalmente a alteração.
- Desligamento Programado - toda interrupção programada do fornecimento
de energia elétrica deve ser comunicada aos clientes afetados, formalmente, com
antecedência, contendo data, horário e duração pré-determinados do desligamento.
- Procedimentos para serviços de emergência - a determinação do regime de
emergência para a realização de serviços corretivos é de responsabilidade do órgão
executante. Todo impedimento de emergência deverá ser solicitado, diretamente, à área
funcional responsável, informando:
 O motivo do impedimento;
 O nome do solicitante e do responsável pelo serviço;
 Descrição sucinta e localização das atividades a serem executadas;
 Tempo necessário para a execução das atividades;
 Elemento a ser impedido.
A área funcional responsável deverá gerar uma OS - Ordem de Serviço ou Pedido de
Turma de Emergência - PTE (ou similar) e comunicar, sempre que possível, os clientes
afetados.
Após a conclusão dos serviços e consequente liberação do sistema ou instalações
elétricas, por parte do responsável pelo serviço, a área funcional responsável coordenará o
retorno à configuração normal de operação, retirando toda a documentação vinculada à
execução do serviço.

9.2. Liberação para Serviços

A liberação para serviços define procedimentos básicos para liberação da execução de


atividades/trabalhos em circuitos e instalações elétricas desenergizadas.
São aplicadas para diversas áreas envolvidas, direta ou indiretamente, no planejamento,
programação, liberação, coordenação e execução de serviços no sistema ou instalações elétricas.
Para darmos prosseguimento, é necessário aprendermos alguns conceitos básicos:
- Falha: Irregularidade total ou parcial em um equipamento, componente da rede ou
instalação, com ou sem atuação de dispositivos de proteção, supervisão ou
sinalização, impedindo que o mesmo cumpra sua finalidade prevista em caráter
permanente ou temporário.
- Defeito: Irregularidade em um equipamento ou componente do circuito elétrico, que
impede o seu correto funcionamento, podendo acarretar sua indisponibilidade.
- Interrupção Programada: Interrupção no fornecimento de energia elétrica por
determinado espaço de tempo, programado e com prévio aviso aos clientes
envolvidos.
- Interrupção Não Programada: Interrupção no fornecimento de energia elétrica sem
prévio aviso aos clientes.

9.2.1. Procedimentos gerais

Constatada a necessidade da liberação de determinado equipamento ou circuito, deverá ser


obtido o maior número possível de informações para subsidiar o planejamento.
No planejamento será estimado o tempo de execução dos serviços, adequação dos materiais,
previsão de ferramentas específicas e diversas, número de empregados, levando-se em consideração
o tempo disponibilizado na liberação.
As equipes serão dimensionadas e alocadas, garantindo a agilidade necessária à obtenção do
restabelecimento dos circuitos com a máxima segurança no menor tempo possível.
Na definição e liberação dos serviços serão considerados os pontos estratégicos dos circuitos,
tipo de defeito, tempo de restabelecimento, importância do circuito, comprimento do trecho a ser
liberado, cruzamento com outros circuitos, sequência das manobras necessárias para liberação dos
circuitos envolvidos.
Antes de iniciar qualquer atividade, o responsável pelo serviço deve reunir os envolvidos na
liberação e execução da atividade e:
- Certificar-se de que os empregados envolvidos na liberação e execução dos serviços estão
munidos de todos os EPI’s necessários;
- Explicar aos envolvidos as etapas da liberação dos serviços a serem executados e os objetivos
a serem alcançados;
- Transmitir, claramente, as normas de segurança aplicáveis, dedicando especial atenção à
execução das atividades fora de rotina;
- Certificar de que os envolvidos estão conscientes do que fazer, onde fazer, como fazer, quando
fazer e por que fazer.

9.2.2. Procedimentos básicos para liberação

O programa de manobra deve ser conferido por um empregado diferente daquele que o
elaborou.
Os procedimentos para localização de falhas dependem, especificamente, da filosofia e
padrões definidos por cada empresa, e devem ser seguidos na íntegra, conforme procedimentos
homologados, impedindo as improvisações do restabelecimento.
Em caso de qualquer dúvida quanto à execução da manobra para liberação ou trabalho, o
executante deverá consultar o responsável pela tarefa ou a área funcional responsável sobre quais os
procedimentos, que devem ser adotados para garantir a segurança de todos.
Havendo a necessidade de impedir a operação ou condicionar as ações de comando de
determinados equipamentos, se faz necessário colocar sinalização específica para está finalidade, de
modo a propiciar um alerta, claramente visível, ao empregado autorizado a comandar ou acionar

9.3. Sinalização

A sinalização de segurança consiste em um procedimento padronizado destinado a orientar,


alertar, avisar e advertir as pessoas, quanto aos riscos ou condições de perigo existentes, proibições
de ingresso ou acesso e cuidados e identificação dos circuitos ou parte dele.
É de fundamental importância a existência de procedimentos de sinalização padronizados,
documentados e que sejam conhecidos por todos os trabalhadores (próprios e prestadores de
serviços).
Os materiais de sinalização se constituem de cone, bandeirola, fita, grade, sinalizador, placa,
entre outros.

9.3.1. Exemplos de placas

As placas têm por objetivo chamar a atenção, de forma rápida e inteligível, para objetos ou
situações, que comprometam o seu bem-estar físico.

Perigo de Morte – Alta Tensão

Destinada a advertir as pessoas, quanto ao perigo de ultrapassar áreas delimitadas, em que


haja a possibilidade de choque elétrico, devendo ser instalada em caráter permanente.
Não Operar Trabalhos

Destinada a advertir, para o fato do equipamento em referência estar incluído na condição de


segurança, devendo a placa ser colocada no comando local dos equipamentos.

Equipamento Energizado

Destinada a advertir, para o fato do equipamento em referência, mesmo estando no interior da


área delimitada para trabalhos, encontra-se energizado.

Equipamento com Partida Automática

Destinada a alertar, quando há possibilidade de exposição a ruído excessivo e partes volantes,


quando de partida automática de grupos auxiliares de emergência.
Perigo – Não Fume, Não Acenda Fogo

Destinada a advertir, quanto ao perigo de explosão, quando do contato de fontes de calor com
os gases presentes em salas de baterias e depósitos de

Uso Obrigatório de EPI’s

Destinada a alertar, quando há obrigatoriedade do uso de determinado equipamento de


proteção individual.

Atenção – Gases

Destinada a alertar, quando há necessidade do acionamento do sistema de exaustão das salas


de baterias, antes de se adentrar, para retirada de possíveis gases no local.
Atenção para Banco de Capacitores e Cabos a Óleo

Destinada a alertar a Operação, Manutenção e Construção quanto à necessidade de espera de


um tempo mínimo para fazer o Aterramento Móvel Temporário, de forma segura e iniciar os serviços.
Ao confeccionar esta placa, o tempo de espera deverá ser adequado de acordo com a especificidade
do local, em que a placa será instalada.

Perigo – Alta Tensão

Advertir terceiros, quanto aos perigos de choque elétrico nas instalações dentro da área
delimitada. Instalada nos muros e cercas externas das subestações.

Perigo – Não Suba

Advertir terceiros para não subir, devido ao perigo da alta tensão. Instaladas em torres, pórticos
e postes de sustentação de condutores energizados.
9.3.2. Situações de sinalização de segurança

A sinalização de segurança deve atender, entre outras, as situações a seguir:


- Identificação de circuitos elétricos.
- Travamentos e bloqueios de dispositivos e sistemas de manobra e comandos.
- Restrições e impedimentos de acesso.
- Delimitações de áreas.
- Sinalização de áreas de circulação, de vias públicas, de veículos e de movimentação de
cargas.
- Sinalização de impedimento de energização.
- Identificação de equipamento ou circuito impedido.

9.4. Inspeções de Áreas, Serviços, Ferramental e Equipamento

As inspeções regulares nas áreas de trabalho, nos serviços a serem executados, no


ferramental e nos equipamentos utilizados consistem em um dos mecanismos mais importantes de
acompanhamento dos padrões desejados, cujo objetivo é a vigilância e controle das condições de
segurança do meio ambiente laboral, visando à identificação de situações “perigosas” e que ofereçam
“riscos” à integridade física dos empregados, contratados, visitantes e terceiros que adentrem a área
de risco, evitando assim, que situações previsíveis possam levar a ocorrência de acidentes.
A inspeção de segurança nada mais é que a procura de riscos comuns, já conhecidos
teoricamente. Esse conhecimento teórico facilita a eliminação ou neutralização do risco, pois as
soluções possíveis já foram estudadas por grande número de técnicos e constam de extensa
bibliografia.
Essas inspeções devem ser realizadas, para que as providências possam ser tomadas com
vistas às correções. Em caso de risco grave e iminente (exemplo: empregado trabalhando sem
utilização de EPI’s.), a atividade deve ser paralisada e, imediatamente, contatado o responsável pelo
serviço, para que as medidas cabíveis sejam tomadas.
Os focos das inspeções devem estar centralizados nos postos de trabalho, nas condições
ambientais, nas proteções contra incêndios, nos métodos de trabalho desenvolvidos, nas ações dos
trabalhadores, nas ferramentas e nos equipamentos.
As inspeções internas podem ser divididas em:
- Inspeções Gerais;
- Inspeções Parciais;
- Inspeções Periódicas;
- Inspeções através de denúncias;
- Inspeções Cíclicas;
- Inspeções Rotineiras;
- Inspeções Oficiais e especiais.

Cada uma delas será definida a seguir.


Inspeções gerais

Realizadas, anualmente, com o apoio dos profissionais do SESMT (Serviço Especializado em


Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho) e Supervisores das áreas envolvidas. Estas
inspeções atingem a empresa como um todo. Algumas empresas já mantêm essa inspeção sob o título
de "auditoria", uma vez que é sistemática, documentada e objetiva.

Inspeções parciais

As inspeções parciais, são realizadas nos setores seguindo um cronograma anual com escolha
pré-determinada ou aleatória. Quando se usam critérios de escolhas, estes estão relacionados com o
grau de risco envolvido e com as características do trabalho desenvolvido na área. São as inspeções
mais comuns, atendem à legislação e podem ser feitas por participantes da Comissão Interna de
Prevenção de Acidentes – CIPA, no seu próprio local de trabalho.

Inspeções periódicas

Estas são realizadas, com o objetivo de manter a regularidade para uma rastreabilidade ou
estudo complementar de possíveis incidentes. Estão ligadas ao acompanhamento das medidas de
controle sugeridas para os riscos da área. São utilizadas nos setores de produção e manutenção.

Inspeções por denúncia

Por meio de denúncia anônima ou não, pode-se solicitar uma inspeção em locais em que há
riscos de acidentes ou agentes agressivos à saúde e ao meio ambiente. Além de realizar a inspeção no
local se deve, ainda, efetuar levantamento detalhado sobre o que de fato está acontecendo, buscando
informações adicionais junto à: fabricantes, fornecedores, SESMT e supervisor da área, em que a
situação ocorreu. Detectado o problema, cabe aos responsáveis a implementação de medida de
controle e acompanhar sua efetiva implantação.

Inspeções cíclicas

As inspeções cíclicas, são aquelas realizadas com intervalos de tempo pré-definidos, uma vez
que existe um parâmetro que norteie esses intervalos. Ex: As inspeções realizadas no verão, em que
se aumentam as atividades nos segmentos operacionais.

Inspeções de rotina

São realizadas em setores em que há a possibilidade de ocorrer incidentes/acidentes. Nesses


casos, o SESMT deve estar alerta aos riscos, bem como, conscientizar os empregados do setor para
que observem as condições de trabalho, de tal modo que o índice de incidentes/acidentes diminua.
Está inspeção não pode ser duradoura, ou seja, à medida que os problemas forem
regularizados, o intervalo entre as inspeções será maior até que se torne periódico. O importante é que
o empregado "não se acostume" com a presença da “supervisão de segurança”, para que não
caracterize que a ocorrência de acidentes/incidentes só é vencida com a presença física.

Inspeções oficiais e especiais

Nas inspeções oficiais, normalmente, não há a preocupação com uma análise posterior,
visando à inibição do risco. O técnico procura observar os pontos conflitantes com a legislação e
notifica a empresa.
Cuidados antes da inspeção

Antes do início da inspeção se deve preparar um check-list por setor, com as principais
condições de risco existentes, em cada local, em que se deverá ter um campo em branco para anotar
as condições de riscos não presentes no check-list.
Não basta reunir o grupo e fazer a inspeção. É necessário que haja um padrão, em que todos
estejam conscientes dos resultados que se deseja alcançar. Nesse sentido, é importante que se faça
uma inspeção piloto para que todos os envolvidos vivenciem a dinâmica e tirem as dúvidas.
As inspeções devem perturbar o mínimo possível às atividades do setor inspecionado. Além
disso, todo encarregado/supervisor deve ser previamente comunicado de que seu setor passará por
uma inspeção de segurança. Chegar de surpresa pode causar constrangimentos e criar um clima
desfavorável.
10. Documentação de instalações elétricas

Pelo novo texto da Norma Regulamentadora NR 10, as empresas estão obrigadas a manter
prontuário com documentos necessários para a prevenção dos riscos, durante a construção, operação
e manutenção do sistema elétrico, tais como: esquemas unifilares atualizados das instalações elétricas
dos seus estabelecimentos, especificações do sistema de aterramento dos equipamentos e
dispositivos de proteção, entre outros que serão listados a seguir.
Os sistemas elétricos podem ser representados graficamente por meio de Diagramas.
Usar símbolos gráfico para representar uma instalação elétrica ou parte de uma instalação é o
que denominamos como diagramas elétricos. A correta leitura e interpretação de diagramas é essencial
para a carreira de um bom eletricista, pois o diagrama elétrico garante uma linguagem comum a
qualquer eletricistas pois o desenho é uma representação visual universal. Desta maneira, se você
sabe ler um diagrama elétrico aqui no Brasil você vai saber ler um diagrama elétrico em qualquer parte
do mundo.
Nem todos os eletricistas sabem ler e interpretar um diagrama elétrico e isso torna um
diferencial entre a categoria de trabalho. Os chamados eletricistas práticos, aqueles que fazem as
instalações mas não tem a teoria da eletricidade são profissionais que muitas vezes não sabem ler e
interpretar diagrama elétricos.
Exemplo de Diagrama Unifilar:

Os diagramas unifilares devem ser mantidos atualizados nas instalações elétricas com as
especificações do sistema de aterramento e demais equipamentos e dispositivos de proteção.
Os estabelecimentos com potência instalada igual ou superior a 75 kW devem constituir e
manter o Prontuário de Instalações Elétricas, de forma a organizar o memorial contendo, no mínimo:
a) os diagramas unifilares, os sistemas de aterramento e as especificações dos dispositivos de
proteção das instalações elétricas;
b) o relatório de auditoria de conformidade à NR-10, com recomendações e cronogramas de
adequação, visando ao controle de riscos elétricos;
c) o conjunto de procedimentos e instruções técnicas e administrativas de segurança e saúde,
implantadas e relacionadas à NR-10 e descrição das medidas de controle existentes;
d) a documentação das inspeções e medições do sistema de proteção contra descargas
atmosféricas;
e) os equipamentos de proteção coletiva e individual e o ferramental que é aplicável, conforme
determina a NR-10;
f) a documentação comprobatória da qualificação, habilitação, capacitação, autorização dos
profissionais e dos treinamentos realizados;
g) as certificações de materiais e equipamentos utilizados em área classificada.

As empresas que operam em instalações ou com equipamentos integrantes do sistema elétrico


de potência ou nas suas proximidades devem acrescentar ao prontuário os documentos relacionados
anteriormente e os seguintes aqui listados:
a) descrição dos procedimentos de ordem geral para contingências não previstas
(emergências); e
b) certificados dos equipamentos de proteção coletiva e individual.

O Prontuário de Instalações Elétricas deve ser organizado e mantido pelo empregador ou por
pessoa, formalmente designada, pela empresa e permanecer à disposição dos trabalhadores
envolvidos nas instalações e serviço em eletricidade.
O Prontuário de Instalações Elétricas deve ser revisado e atualizado sempre que ocorrerem
alterações nos sistemas elétricos.
Os documentos previstos no Prontuário de Instalações Elétricas precisam ser elaborados por
profissionais legalmente habilitados.
No interior das subestações deverá estar disponível, em local acessível, um esquema geral da
instalação.
Toda a documentação deve estar em Língua Portuguesa, sendo permitido o uso de língua
estrangeira adicional.
11. Riscos adicionais
Ao realizar suas atividades, os profissionais acabam expostos a diversos riscos que estão
ligados a sua atividade principal. Os trabalhadores podem ficar expostos caso tenham que realizar
trabalhos em altura, em ambientes confinados, em áreas classificadas e também em regiões de alta
umidade e as condições atmosféricas em trabalhos externos.
Vale salientar que além dos riscos já citados, dependendo de onde será executado os
trabalhos, os profissionais também sofrem exposições a riscos biológicos, químicos e ergonômicos.
Sempre que houver riscos adicionais devem ser adotadas medidas de controle dos riscos.

11.1. Trabalho em Altura

Para a legislação, o trabalho em altura é toda a atividade executada acima de dois metros do
piso de referência.
Para trabalhos em altura é obrigatória a atualização dos Equipamentos de Proteção Individuais
– EPI’s básicos e cintos de segurança tipo paraquedista..
O cinto de segurança tipo abdominal, somente deve ser utilizado em serviços de eletricidade e
em situações, em que funcione como limitador de movimentação, usado de forma conjugada com um
cinto de segurança tipo paraquedista.
Uma das principais causas de mortes de trabalhadores se deve a acidentes envolvendo,
quedas de pessoas e materiais. Esse é um dos motivos por ser obrigatória a instalação de proteção
individual e coletiva, em que houver risco de queda de trabalhadores ou de projeção e materiais.
Para a realização de atividades em altura os trabalhadores devem:
- Estar em perfeitas condições físicas e psicológicas, paralisando a atividade caso sinta
qualquer alteração em suas condições;
- Estar treinado e orientado sobre todos os riscos envolvidos;
- Utilizar todos os EPIs destinados ao serviço executado.
- Possuir os exames específicos da função comprovados no ASO – Atestado de Saúde
Ocupacional (o ASO deve indicar, explicitamente, que a pessoa está apta a executar
trabalho em local elevado);
Os serviços executados em estruturas elevadas eram realizados com o cinturão de segurança
abdominal e toda a movimentação era feita sem um ponto de conexão, isto é, o trabalhador só teria
segurança, quando estivesse amarrado à estrutura, estando suscetível a quedas.
Este tipo de equipamento, devido a sua constituição não permitia que fossem adotados novos
procedimentos quanto à escalada, movimentação e resgate dos trabalhadores.
Com a preocupação constante em relação à segurança dos trabalhadores, a legislação atual
exigiu a aplicação de um novo sistema de segurança para trabalhos em estruturas elevadas, que
possibilita outros métodos de escalada, movimentação e resgate.
A filosofia de trabalho adotada é de que em nenhum momento, nas movimentações durante a
execução das tarefas, o trabalhador não poderá ficar desamarrado da estrutura.
Considerando que este processo é altamente dinâmico, a busca de novas soluções e
tecnologia deve ser uma meta constante a ser atingida para que a técnica e os procedimentos
adotados não fiquem ultrapassados.
Atos que podem levar a acidentes fatais:
• Excesso de confiança;
• Não uso ou uso incorreto dos EPI’s;
• Desconhecimento e/ou descumprimento dos padrões de execução.

Existem vários equipamentos adequados para trabalhos em altura, o que se recomenda é que
se faça uma boa inspeção nos EPIs e estes estejam adequados para a realização do trabalho.
Observação: os profissionais que executam trabalhos em altura
devem obrigatoriamente realizar o curso de NR-35, que trata sobre a
segurança do trabalho em altura.

11.2. Espaço Confinado

A NR-33 que trata da segurança e saúde nos trabalhos em espaços confinados define Espaço
Confinado como qualquer área ou ambiente não projetado para ocupação humana contínua, que
possua meios limitados de entrada e saída, cuja ventilação existente seja insuficiente para remover
contaminantes ou em que possa existir a deficiência ou enriquecimento de oxigênio.
Lembra-se que os profissionais, que trabalham em Espaço Confinado devem fazer o curso de
NR-33 - Trabalhador Autorizado.

As características do espaço confinado são:

- Contém ou possui potencial para conter atmosfera perigosa (contaminada por vapores, gases
e/ou poeiras, inflamáveis, tóxicas e/ou explosivas, ou com deficiência ou excesso de oxigênio);
- Contém material capaz de encobrir totalmente seus ocupantes, causando asfixia;
- Possui configuração interna capaz de aprisionar ou asfixiar seus ocupantes;
- Possui potencial para sérios danos à saúde e à integridade física de seus ocupantes, tais
como: choque elétrico, radiação, movimentação de equipamentos mecânicos internos ou
estresse calórico;
- Possui tamanho e a configuração em que é possível adentrar e executar um trabalho;
- Não foi construído para trabalho contínuo;
- Possui entrada e/ou saída limitados ou restritos.

Cabe ao empregador fornecer e garantir, que todos os trabalhadores, que adentrarem em


espaços confinados disponham de todos os equipamentos para controle de riscos, previstos na
Permissão de Entrada e Trabalho - PET.
Em caso de existência de Atmosfera Imediatamente Perigosa à Vida ou à Saúde - Atmosfera
IPVS –, o espaço confinado somente pode ser adentrado com a utilização de máscara autônoma de
demanda com pressão positiva ou com respirador de linha de ar comprimido com cilindro auxiliar para
escape.

É vedada a designação para trabalhos em espaços confinados sem a prévia capacitação do


trabalhador.
O empregador deve desenvolver e implantar programas de capacitação sempre que ocorrer
qualquer das seguintes situações:
a) mudança nos procedimentos, condições ou operações de trabalho;
b) algum evento que indique a necessidade de novo treinamento; e,
c) quando houver uma razão para acreditar, que existam desvios na utilização ou nos
procedimentos de entrada nos espaços confinados ou que os conhecimentos não sejam adequados.

Todos os trabalhadores autorizados e vigias devem receber capacitação periodicamente, a


cada doze meses.

Medidas devem ser tomadas para a execução de trabalhos em espaço confinado.São elas:
- Todos os espaços confinados devem ser sinalizados, identificados e isolados;
- Deve haver medidas efetivas para que pessoas “não autorizadas” não entrem no espaço
confinado;
- Deve ser desenvolvido e implantado um programa escrito de Espaço Confinado com
Permissão de Entrada;
- Deve ser eliminada qualquer condição insegura no momento anterior à remoção do vedo
(tampa).

Os profissionais envolvidos no trabalho em espaço confinado são:


- Vigia
 Permanecer sempre do lado de fora
 Monitoramento Atmosférico Permanente
 Contagem e Controle
 Comunicação (contato permanente)
 Alertar sobre riscos
 Noções de Primeiros Socorros / Resgate
 Aciona a equipe de resgate
- Trabalhador Autorizado (Entrante)
 Executa o trabalho
 Reconhece os riscos (Treinado)
 Noções Primeiros Socorr
- Supervisor
 Emite a Permissão de Entrada de Trabalho - PET
 Avalia e monitora riscos
 Primeiros Socorros / Resgate
 Encerra a PET
- Resgatista
 A cada vinte trabalhadores, dois devem ser resgatistas
 Conhecimentos em Primeiros Socorros
 Resgate

Com relação a Permissão de Entrada de Trabalho – PET, deve-se:


 Ficar visível no local de realização do trabalho;
 Preencher, assinar e datar três vias, antes do ingresso;
 Numerar e arquivar no sistema de controle da PET por 5 anos;
 Emitir uma cópia para Entrante / Vigia / Empresa;
 Encerrar a PET ao final das operações;
 Disponibilizar os procedimentos da PET aos trabalhadores;
 Assegurar que a PET é válida para cada entrada no espaço confinado;
 Assegurar que o monitoramento atmosférico deva ser constantemente mantido.

Para trabalho em Atmosfera em via Imediatamente Perigosa à Vida e à Saúde – IPVS - ou


acima da metade do Limite de Tolerância, se deve adotar o critério da ventilação do ambiente ou então
optar pelo uso de Equipamento de Proteção Individual – EPI- definido após a análise de risco:
- Se uma atmosfera perigosa for detectada, o espaço deverá ser analisado para que se
determine como surgiu e ser registrado;
- O empregador ou representante legal deve verificar se o Espaço Confinado está seguro para
entrada;
- Proceder as manobras de travas, bloqueios e raqueteamento, quando necessário;
- Proceder a avaliação da atmosfera quanto a: gases e vapores tóxicos e ou inflamáveis e
concentração de oxigênio;
- Proceder a avaliação de poeira, quando reconhecido o risco;
- Purgar, inertizar, lavar ou ventilar o espaço confinado são ações para eliminar ou controlar
riscos;
- Proceder a avaliação de riscos físicos, químicos, biológicos e ou mecânicos;
- Todo trabalho, em espaço confinado, deve ter, no mínimo, duas pessoas, sendo uma delas o
vigia;
- Verificar, se na empresa existe espaço confinado em áreas classificadas de acordo com as
normas do IEC e ABNT.

Os espaços confinados são classificados em três classes: Classe A, Classe B e Classe C

Espaços Classe A – são aqueles espaços, cujas condições apresentam situações em que se
considera a IPVS - Atmosfera Imediatamente Perigosa à Vida e à Saúde. Incluem os espaços que têm
deficiência em O² (oxigênio) ou contêm explosivos, inflamáveis ou atmosferas tóxicas;
Imediatamente perigoso para a vida requer procedimentos de resgate com mais de um
indivíduo completamente equipado com equipamento de ar mandado e manutenção de comunicação
necessária e um vigia adicional fora do espaço confinado
Espaços Classe B – não apresentam perigo para a vida ou para a saúde, mas têm o potencial
para causar lesões ou doenças se medidas de proteção não forem usadas;
Perigoso, mas não imediatamente ameaçador em que se requerem procedimentos de resgate
com um indivíduo completamente equipado com equipamento de ar mandado, visualização indireta ou
comunicação frequente com os trabalhadores.
Espaços Classe C – são aqueles que os riscos existentes são insignificantes, não requerendo
procedimentos ou práticas especiais de trabalho.
Os riscos potenciais não requerem modificações nos procedimentos de trabalho -
procedimentos de resgate padrões - comunicação direta com os trabalhadores, de quem está fora do
espaço confinado

11.3. Área classificada

Área classificada é um local ou ambiente sujeito à probabilidade da formação ou existência de


uma atmosfera explosiva pela presença normal ou eventual de gases/vapores inflamáveis e
poeiras/fibras combustíveis.
De contra partida à Área não classificada são áreas nas quais não é provável a ocorrência de
uma atmosfera explosiva, a ponto de não exigir precauções especiais para a construção, instalação e
utilização de equipamento elétrico.
As Áreas Classificadas provocam explosões ao entrarem em contato com fontes de ignição
que podem ser de origem elétrica, eletrônica, mecânica, eletrostática, entre outros.
Após definidas as áreas classificadas, é primordial estabelecer medidas para que a eletricidade
não provoque ignição da mistura inflamável, que estiver presente no ambiente, seja por meio da
escolha adequada do equipamento, do instrumento ou do método de instalação.
Uma atmosfera é explosiva, quando substâncias inflamáveis na forma de gás, vapor, névoa ou
poeira combustível são misturadas com o oxigênio da atmosfera. Para que aja uma explosão basta
uma fonte de ignição, que pode ser uma centelha ou alta temperatura, os equipamentos elétricos são
considerados como fonte de ignição potencial.

As regulamentações internacionais distinguem as seguintes categorias de zonas perigosas:


zona "0", zona "1", zona "2".
Estas zonas são geográficas, mas os limites entre cada uma delas não são nunca definidos.
Uma zona pode se deslocar por diversos motivos:
- Aquecimento dos produtos,
- Ventilação falha do local,
- Variações climáticas,
- Erro de manipulação
ZONA 0
Zona na qual uma mistura explosiva de gás, vapor ou poeira está permanentemente presente
(a fase gasosa, no interior de um recipiente ou de um reservatório constitui uma zona "0").
ZONA 1
Zona na qual uma mistura explosiva de gás, vapores e poeiras podem eventualmente se
formar em serviço normal de instalação.
ZONA 2
Zona na qual uma mistura explosiva pode aparecer só em caso de funcionamento anormal da
instalação (perdas ou uso negligente).

11.4. Umidade

Os princípios que fundamentam as medidas de proteção contra choque elétrico em áreas que
apresentam umidade esta relacionada a diversos fatores que, em conjunto, devem ser considerados na
concepção e na execução das instalações elétricas.
Cada condição de influência externa designada compreende sempre um grupo de fatores
como: meio ambiente , utilização e a construção das edificações.
Como há uma tendência em se associar à ideia de influências externas a fatores como
temperatura ambiente, condições climáticas, presença de água e solicitações mecânicas, é importante
destacar que a classificação aqui apresentada está sobe uma gama muita mais extensa de variáveis
de influências, todas tendo seu peso em aspectos, como: seleção dos componentes, adequação de
medidas de proteção, etc.
Por exemplo, a qualificação das pessoas (sua consciência e preparo para lidar com os riscos
da eletricidade), situações que reforçam (pele seca) ou prejudicam a resistência elétrica do corpo
humano (pele molhada, imersão).
O contato das pessoas com o potencial da terra está definido na tabela 20 (NBR 5410-2004).

Código Classificação Características Aplicações e


exemplos
BC1 Nulo Locais não condutivos. Locais cujo piso e
paredes sejam
isolantes e que não
possuam nenhum
elemento condutivo.
BC2 Raro Em condições Locais cujo piso e
habituais, as pessoas paredes sejam
não estão em isolantes, com
contato com elementos elementos condutivos
condutivos ou postadas em pequena
sobre superfícies quantidade ou de
condutivas. pequenas dimensões e
de tal forma a
probabilidade de
contato possa ser
desprezada.
BC3 Frequente Pessoas em contato Locais cujo piso e
com elementos paredes sejam
condutivos ou condutivos ou que
postadas sobre possuam elementos
superfícies condutivas. condutivos em
quantidade ou de
dimensões
consideráveis.
BC4 Contínuo Pessoas em contato Locais como caldeiras
permanente com ou vasos metálicos,
paredes metálicas e cujas dimensões sejam
com pequena tais que as pessoas,
possibilidade de poder que neles penetrem,
interromper o contato. estejam continuamente
em contato com as
paredes. A redução da
liberdade de
movimentos das
pessoas pode, por um
lado, impedi-las de
romper voluntariamente
o contato e, por outro,
aumentar os riscos de
contato involuntário.

Por exemplo, a tabela 04 (NBR 5410-2004) apresenta condições climáticas do ambiente.

Código Classificação Características Aplicações e


exemplos
AD1 Desprezível A probabilidade de Locais em que as
presença de água é paredes, geralmente,
remota. não apresentam
umidade, mas podem
apresentá-la durante
curtos períodos, e
secam rapidamente
com uma boa aeração.
AD2 Gotejamento Possibilidade de Locais em que a
gotejamento de água umidade se condensa
na vertical. ocasionalmente, sob
forma de gotas de
água, ou em que há
presença ocasional de
vapor de água.
AD3 Precipitação Possibilidade de chuva Locais em que a água
caindo em ângulo forma uma película
máximo de 60º com a contínua nas paredes
vertical. e/ou pisos.
AD4 Aspersão Possibilidade de A aspersão
“chuva” de qualquer corresponde ao efeito
direção. de uma “chuva” vinda
de qualquer direção.
São exemplos de
componentes sujeitos a
aspersão certas
luminárias de uso
externo e painéis
elétricos de canteiros
de obras ao tempo.
AD5 Jatos Possibilidade de jatos Locais em que ocorrem
de água sob pressão, lavagens com água sob
em qualquer direção. pressão, como
passeios públicos,
áreas de lavagem de
veículos, etc.
AD6 Ondas Possibilidade de ondas Locais situados à beira-
de água. mar, como praias,
piers, ancoradouros,
etc.
AD7 Imersão Possibilidade de Locais sujeitos a
imersão em água, inundação e/ou onde a
parcial ou total, água possa se elevar
de modo intermitente. pelo menos a 15 cm
acima do ponto mais
alto do componente da
instalação elétrica,
estando sua parte mais
baixa a no máximo 1 m
abaixo da superfície da
água.
AD8 Submersão Submersão total em Locais onde os
água, de modo componentes da
permanente. instalação elétrica
sejam totalmente
submersos, sob uma
pressão superior a 10
kPa (0,1 bar, ou 1
mca).

São níveis classificados pela norma, mas só isto não configura o risco, se deve também
analisar a tabela 19 (NBR 5410-2004), que estabelece uma resistência média do corpo humano sob
condições controladas e também conhecer a tabela 20 (NBR 5410-2004), na qual se expõe o contato
das pessoas com o potencial para terra.

Código Classificação Características Aplicações e


exemplos
BB1 Alta Condições secas Circunstâncias nas
quais a pele está seca
(nenhuma umidade,
inclusive suor).
BB2 Normal Condições úmidas Passagem da corrente
elétrica de uma mão à
outra ou de uma mão a
um pé, com a pele
úmida de suor, sendo a
superfície de contato
significativa.
BB3 Baixa Condições molhadas Passagem da corrente
elétrica entre as duas
mãos e os dois pés,
estando as pessoas
com os pés molhados
ao ponto de se poder
desprezar a resistência
da pele e dos pés.
BB4 Muito baixa Condições imersas Pessoas imersas na
água, por exemplo, em
banheiras e piscinas.

Para ocorrer o choque elétrico é necessário o contato com parte energizada (entrada) e contato
simultâneo com outra parte energizada ou com a terra (saída), denotando-se uma diferença de
potencial, propiciando a passagem de corrente elétrica no corpo humano.
Não podem ser admitidos esquemas TT e IT, sendo necessário nestes casos o uso dos
dispositivos de diferença residual e concomitante com as tensões de segurança.

11.5. Condições atmosféricas

Durante a formação das nuvens, ocorre uma separação de cargas elétricas, de modo que,
geralmente, as partes das nuvens mais próximas da terra ficam eletrizadas negativamente ou
positivamente, enquanto que as partes mais altas adquirem cargas contrárias.
Quando a resistência dielétrica é rompida, ou melhor, as cargas são suficientes para ionizar o
ar entre o ponto de partida e o ponto de chegada do raio, ultrapassando o valor da rigidez dielétrica do
ar, uma enorme centelha elétrica salta da superfície da terra para a nuvem ou da nuvem para terra ou
de uma nuvem para outra ou mesmo, entre regiões diferentes da mesma nuvem: é o raio, a natureza
em busca do equilíbrio elétrico.
É a equipotencialização natural entre o solo e a nuvem. O desequilíbrio surge em função da
ionização da nuvem por meio do movimento constante e rápido de cristais de gelo em seu interior.
O processo pode ser ao contrário. Com elétrons sobrando no solo e faltando na nuvem, o raio
se origina do solo em direção à nuvem. O mesmo processo acontece de nuvem para nuvem.
Fenômeno natural, o raio tem sido alvo de folclore e crendices populares e atemoriza até
mesmo o mais intrépido ser humano pelo estrondo que provoca. Os raios matam mais pessoas do que
furacões ou tornados, segundo a Agência Americana para Desastres (Fema). O Brasil tem sido
recordista mundial em incidência por quilômetro quadrado, de acordo com pesquisa realizada pelo
Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) em parceria com a Nasa.
O Brasil sofre uma grande incidência de raios por ser o maior país tropical do mundo. É nos
trópicos em que ocorrem as maiores tempestades do Globo.
De acordo com o Inpe, os raios matam cerca de duzentas pessoas por ano no Brasil. O raio
pode matar, atingindo diretamente as pessoas, iniciando incêndios e ceifando vidas.
Dentre os sistemas de para-raios, que podem ser utilizados para proteção do patrimônio e das
pessoas, os mais comuns são os da gaiola de Faraday e o tradicional Franklin (ambos eram físicos),
que é um mastro com uma haste na ponta. Ambos surgiram na época de Benjamin Franklin. O da
gaiola Faraday faz com que a descarga elétrica percorra a superfície da gaiola e atinja o aterramento.
Já o tradicional para-raios Franklin capta o raio pela ponta e transmite a descarga até o aterramento.
Como as atividades estão inter-relacionadas com o meio ambiente e, geralmente, com tempo
adverso, com descargas atmosféricas, é importante tomar todos os cuidados necessários. As tarefas
estão relacionadas às estruturas metálicas, ficando os empregados expostos.
O aterramento temporário, os EPC´s e EPI´s são de suma importância para os trabalhos de
restabelecimento. Com eles se tem uma proteção contra surtos na rede. No entanto, é importante
saber que contra milhões de volts e amperes, as proteções podem ser falíveis.
12. Proteção e combate a incêndios

12.1. Noções básicas

12.1.1. Teoria básica do fogo

Iniciando o estudo, é de fundamental importância conhecermos os elementos que compõem o


fogo, para que possamos entender as relações existentes quanto a formas de propagação e de
extinção de incêndios.

Conceito de fogo

O fogo nada mais é do que uma reação química que libera luz e calor. Essa reação química
decorre de uma mistura de gases a altas temperaturas, que emite radiação geralmente visível.
Diante disso, pode ser que alguém esteja se perguntando nesse momento: “Gases!!?? Mas
quando eu vou fazer churrasco eu coloco fogo na madeira e eu vejo ela queimando!”
A explicação para isso é simples. Basta entendermos que todo material quando aquecido a
determinada temperatura, libera gases e são esses gases que, de fato, pegam fogo.
O fogo pode se apresentar fisicamente de duas maneiras diferentes, as quais podem aparecer
de forma isolada ou conjuntamente:
- Como chama;
- Como brasas.

Normalmente essas apresentações físicas do fogo são determinadas pelo combustível. Se for
gasoso ou líquido sempre terá a forma de chamas. Se for sólido o fogo poderá se apresentar em
chamas e brasas ou somente em brasa. Os sólidos de origem orgânica quando submetidos ao calor,
destilam gases que queimam como chamas, restando o carbono que queima como brasa, formando o
carvão. Alguns sólidos como a parafina e as gorduras se liquefazem e se transformam em vapores,
queimando unicamente como chamas, outros sólidos queimam diretamente apresentando-se
incandescentes, como os metais pirofóricos.

Conceito de incêndio

É a propagação rápida e violenta do fogo, provocando danos materiais ou perda de vidas


humanas, após fugir o controle do homem.
Elementos do fogo

Sabe-se que a combustão é uma reação química, logo, devem ter no mínimo dois elementos
que reajam entre si, bem como uma circunstância que favoreça tal reação.
Estes elementos, por serem absolutamente necessários ao fenômeno da combustão, serão
chamados de elementos essenciais do fogo: combustível, comburente e calor, os quais, para facilitar
a compreensão do processo da combustão, serão representados, cada um, por um dos lados de um
triângulo equilátero, chamado de “triângulo do fogo”.

Combustível

Combustível é o elemento que serve de campo de propagação do fogo. Na natureza tem-se


materiais orgânicos, que são todos combustíveis, e os inorgânicos, geralmente incombustíveis nas
condições normais de temperatura e pressão (CNTP).
Os combustíveis podem ser sólidos, líquidos e gasosos; porém a combustibilidade (capacidade
de entrar em combustão) dos corpos combustíveis é maior no estado gasoso. A maioria dos corpos
orgânicos (madeira, tecidos, papel, etc.) antes de se combinarem com o oxigênio para originar a
combustão, transformam-se inicialmente em gases ou vapores. Outros sólidos primeiro transformam-se
em líquidos e posteriormente em gases, para então se queimarem.
Todo material combustível que se gaseifica para combinar com o oxigênio, possui em sua
estrutura um ou mais dos seguintes elementos químicos, chamados elementos combustíveis: Carbono,
Hidrogênio e Enxofre. Portanto, um material combustível é aquele que contêm na sua composição uma
maior quantidade de um ou mais elementos combustíveis.

Comburente

É o elemento que proporciona vida às chamas, que ativa e intensifica o fogo. Como
comburente natural existe o oxigênio, que é retirado do ar atmosférico ou oriundo da estrutura
molecular de alguns compostos que são ricos em oxigênio, são eles o óxido de magnésio e a pólvora,
entre outros, que, quando aquecidos, liberam oxigênio alimentando a própria combustão.
O oxigênio em si mesmo não é combustível, porém, sem ele nenhuma combustão é possível. É
um gás inodoro, incolor e insípido, que pode ser obtido do ar (liquefação do ar) ou da água
(decomposição elétrica da água).
Devida a extraordinária capacidade de reação do oxigênio puro, o emprego de lubrificantes
combustíveis, como graxas e óleos, para lubrificação de equipamentos de oxigênio representa grande
risco e deve ser evitado, pois, explodem à temperatura normal, se entrarem em contato com o oxigênio
puro.
Outro comburente que se pode encontrar é o cloro (Cl2). É um gás mais pesado que o ar, de
coloração amarelo-esverdeado, venenoso, corrosivo e largamente usado para tratamento e purificação
da água, branqueamento e outros processos industriais. Não é inflamável, mas pode causar incêndio e
explosões, pois em contato com determinadas substâncias, comporta-se como comburente semelhante
ao oxigênio. Este fenômeno ocorre principalmente em contato com a amônia, terebintina e metais
pulverizados. Onde houver possibilidade de formação deste gás, deve-se ter cuidados especiais.

Calor
O calor é objeto de estudo da Física através da Termologia, que se divide em: termometria e
calorimetria.
a) Termometria - Estuda as diversas leis que regem a aferição da temperatura, bem como as
diversas escalas existentes (Celsius, Kelvin, Fahrenheit e outras).
b) Calorimetria - Estuda os mecanismos das trocas de calor, bem como a sua medição, cujas
principais escalas são: Caloria (Cal), British Thermal Unit (BTU), etc.

Com isso a definição de calor, do ponto de vista físico é a "energia térmica em trânsito, gerado
pela vibração molecular entre os corpos a diferentes temperaturas", porém, faz-se necessário uma
definição prática de calor, voltada ao estudo da Ciência do Fogo.

Calor: é a condição favorável que dá início, mantém e incentiva a propagação do fogo.


Como principais fontes de calor temos:
- O calor ambiental;
- A chama;
- O calor provocado pelo choque, atrito e compressão;
- Energia radiante (raio laser);
- O calor das reações químicas exotérmicas (oxidações por exemplo);
- Energia elétrica (centelha).

Tetraedro do fogo

Também conhecido como pirâmide do fogo ou quadrado do fogo, o tetraedro do fogo é uma
evolução do triângulo do fogo, uma vez que estudos realizados mais recentemente descobriram um
novo elemento essencial ao fogo: a reação em cadeia.

A Combustão é uma reação química de oxidação, autossustentável, com liberação de luz,


calor, fumaça e gases.
A cadeia de reações formada durante a combustão gera produtos intermediários instáveis,
chamados radicais livres, prontos a combinar-se com outros elementos, gerando novos radicais, estes
estáveis.
Aos radicais livres cabe a transmissão da energia química, gerada pela reação, que por sua
vez se transformará em energia calorífica decompondo as moléculas, ainda intactas, e assim
promovendo a sustentação e propagação do fogo.

Combustão

É a reação química entre um corpo combustível e um corpo comburente, provocado por uma
energia de ativação.
Do ponto de vista químico, a combustão é uma reação de oxidação irreversível e exotérmica
processada através de radicais livres.
A combustão pode ser classificada da seguinte forma:

a) Quanto à velocidade da combustão


A velocidade da combustão depende do grau de divisão da matéria, ou seja, quanto mais
fracionado for o corpo combustível, maior será a velocidade da combustão.
De acordo com a velocidade em que se processa a reação química, a combustão pode ser classificada
em: lenta, viva, muito viva ou instantânea.
 Lenta – É a combustão em que o processo da reação se dá muito lentamente, e não há produção de
chama ou qualquer outro fenômeno luminoso. Essa lentidão da reação é decorrente da temperatura ser
baixa, geralmente inferior a 500°C. É o caso das oxidações que tem como produto a ferrugem.
 Viva – É a combustão em que o processo da reação se dá com maior velocidade, havendo neste caso,
além da produção de calor mais acentuado e bastante sensível, com consequente queima, a produção
de chama. Podem-se distinguir dois aspectos na combustão viva: as chamas e a incandescência. As
chamas são uma mistura de gases combustíveis e ar, em combustão viva, devendo as palavras
inflamabilidade e inflamação, serem reservadas aos fenômenos em que se verifica a produção da
chama. A incandescência é produzida pela forma de combustão viva dos corpos sólidos chamada
ignição. Este fenômeno revela-se pelo aparecimento de sinais luminosos nos sólidos. A energia
desenvolvida pela combustão é dissipada sob a forma de radiações não visíveis, são os raios
infravermelhos. Ex: as combustões que ocorrem em madeiras, combustíveis líquidos, tecidos, etc.
 Muito Vivas – São as combustões em que o processo da reação se dá com grande velocidade, (inferior
a 300m/s). Neste tipo de combustão também há a produção do calor e da chama. É o caso, por
exemplo, da combustão da pólvora negra ao ar livre.
 Instantâneas – São as combustões que se processam com uma velocidade superior a 300 m/s e
atingem de forma súbita toda a massa do combustível. Acontecem principalmente com gases e poeiras
(aerodispersóides) e são também chamadas de explosão.

b) Quanto à reação
Quanto à reação, a combustão pode ser incompleta ou completa.
 Reação incompleta – Quando a quantidade de oxigênio que entra na combustão é menor que a
necessária, teoricamente, aparecem nos produtos da combustão, combustíveis, tais como: monóxido
de carbono (CO) e hidrogênio (H2) e em casos de grande escassez de oxigênio até hidrocarbonetos de
carvão em pó como a fuligem e o negro fumo. Neste caso, diz-se que a combustão é incompleta.
 Reação Completa – Quando todos os elementos do combustível, possíveis de se combinarem com o
oxigênio, reagirem com o mesmo, não restando, nos produtos da combustão, combustível algum, ou
seja, quando a quantidade de oxigênio é compatível com a solicitação, diz-se que a combustão é
completa.

c) Quanto à proporção de oxigênio


 Quando a proporção de oxigênio é maior que 13%, nesta faixa o oxigênio alimenta a combustão em sua
plenitude;
 Quando a proporção de oxigênio situar entre 13% a 6%, nesta faixa o oxigênio alimenta apenas uma
incandescência;
 Quando a proporção de oxigênio ficar abaixo de 6%, nesta faixa não há combustão.

Observação: A composição do ar atmosférico é de


78% de nitrogênio, 21% de oxigênio e 1% de outros gases.

O aumento da velocidade das combustões ocorre em decorrência dos seguintes fatores:


a) Da natureza do combustível, ou seja, se o combustível é bom ou mal e se queima
com facilidade ou dificuldade;
b) Da relação superfície/massa do material combustível, ou seja, quanto maior for a
superfície ocupada pela unidade de massa, maior será a velocidade de reação (Um
livro fechado e um livro aberto, ou com as suas páginas soltas e espalhadas, pela
dificuldade e facilidade em que ambos podem comburir, em relação a
superfície/massa);
c) Da concentração ou estagnação de calor: quanto maior a quantidade de calor no
ambiente, ou na massa do combustível, maior será a velocidade da reação;
d) Da presença de substâncias catalisadora, ou seja, presença de bons ou maus
combustíveis, que possam acelerar ou retardar a reação.

Alguns pontos notáveis da combustão são importantes conhecermos:


a) Ponto de fulgor
É a menor temperatura, na qual uma substância libera vapores em quantidade
suficiente para formar uma mistura com o ar, logo acima de sua superfície, que se
incendiará pelo contato com uma fonte externa de calor. Entretanto, retirada a fonte de
calor, a combustão não se manterá devido à insuficiência de vapores liberados a essa
temperatura. É também chamado de Ponto de lampejo ou Flash-point.

b) Ponto de combustão
É a menor temperatura na qual uma substância libera vapores em quantidade
suficiente para formar uma mistura com o ar, logo acima de sua superfície, que se
incendiará pelo contato com uma fonte externa de calor, havendo continuidade da
combustão, mesmo retirando-se a fonte externa de calor. É também chamado de “Fire-
point” ou Ponto de Inflamação. Normalmente este ponto é ligeiramente superior ao
ponto de fulgor.

c) Ponto de ignição
É a temperatura mínima, na qual os vapores emanados de um corpo
combustível, entram em combustão apenas ao contato com o oxigênio do ar,
independente de qualquer fonte de calor externa. Também é conhecido como Ponto de
combustão espontânea ou ponto de autoignição ou “Flashover”.
- Flashover: Na fase de queima livre, o fogo aquece gradualmente todos os
combustíveis do ambiente. Quando determinados combustíveis atingem seu
ponto de ignição, simultaneamente, haverá uma queima instantânea e
concomitante desses produtos, o que poderá provocar uma explosão
ambiental, ficando toda a área envolvida pelas chamas. Esse fenômeno é
conhecido como "Flashover".
- Backdraft: Na fase de queima lenta em um incêndio, em não havendo
renovação de ar, a combustão é incompleta porque não há oxigênio suficiente
para sustentar o fogo. Contudo, o calor da queima livre permanece e as
partículas de carbono não queimadas (bem como outros gases inflamáveis
produtos da combustão) estão prontas para incendiar-se rapidamente, assim
que o oxigênio for suficiente. Na presença de oxigênio, estando os corpos
combustíveis na sua temperatura de ignição, esse ambiente explodirá, ou seja,
todos os corpos combustíveis, inclusive partículas em suspensão no ar,
entrarão subitamente em combustão. A essa explosão chamamos "Backdraft".

Combustíveis em geral

Ao iniciar o estudo dos combustíveis, o primeiro ponto a abordar é quando deve-se chamar
uma determinada substância de Inflamável ou de Combustível.
Quando o processo de combustão em uma substância se desenvolve rapidamente, com alta
velocidade de propagação das chamas, ela é chamada inflamável, entretanto, quando a combustão em
uma substância se processa lentamente, com baixa velocidade de propagação, ela será denominada
combustível.
Não há uma fronteira bem definida entre estas duas definições, pois os vapores de um líquido
inflamável podem queimar em altíssima velocidade, caracterizando uma explosão; igualmente, um
combustível pulverizado ou nebulizado em suspensão no ar, também pode queimar em altíssima
velocidade produzindo uma explosão.
Também pode-se aumentar a velocidade e a intensidade da combustão de qualquer
substância, pelo enriquecimento da atmosfera que a envolve com oxigênio.

Combustíveis sólidos comuns

São aqueles que podem entrar em combustão, ou seja, queimar, sofrendo substancial
modificação química quando sujeito ao calor ou à chama. Os combustíveis sólidos representam a
maioria absoluta dos incêndios, todos eles queimam em superfície e profundidade deixando, com isso,
resíduos.
Poucos são os sólidos que combinam com o oxigênio gerando a combustão,
independentemente de uma fonte externa de calor. Apenas o enxofre e os metais alcalinos, como por
exemplo o potássio, o cálcio, etc, tem essa propriedade.
A maioria dos corpos orgânicos, antes de se combinarem com o oxigênio, isto é, de se
queimarem, transformam-se inicialmente em gases ou vapores, os quais reagem com o oxigênio.
Outros sólidos primeiro transformam-se em líquidos e, posteriormente, em gases, para então
se queimarem, como por exemplo: parafinas, ceras, etc.

Combustíveis sólidos especiais

São várias as substâncias sólidas que apresentam riscos especiais de incêndio, serão
discutidos somente algumas classes e exemplos destas classes.
a) Produtos reativos com a água (pirofóricos)
Perigosos devido à quantidade de calor liberada, quando em contato com a água. Exemplos:
sódio, pó de alumínio, cálcio, hidreto de sódio, soda cáustica, potássio, etc.
b) Produtos reativos com o ar
São perigosos devido à quantidade de calor liberado, quando em contato com o ar. Exemplo:
carvão vegetal, fósforo branco, fósforo vermelho, etc.
c) Halogênios
Como exemplo característico tem-se o iodo, que se apresenta na forma de cristais voláteis, e
que apresenta o risco de explosão, quando misturado a outros produtos.

Combustíveis líquidos

Nos líquidos, quando se avalia seus riscos de incêndio, normalmente faz-se uma divisão entre
líquidos combustíveis e líquidos inflamáveis.
a) Líquidos inflamáveis
São aqueles que produzem vapores que em contato com o ar, em determinadas proporções e
por ação de uma fonte de calor, incendeiam-se com extrema rapidez. Para isso precisam no mínimo
atingir os seus pontos de fulgor. O ponto de fulgor é inferior a 37,8°C
b) Líquidos combustíveis
São líquidos que possuem pontos de fulgor igual ou superior a 37,8°C

Combustíveis gasosos

Gás é o estado físico de uma substância que não tem forma e ocupa o espaço posto a sua
disposição. O aumento de temperatura intensifica a movimentação das moléculas das substâncias
gasosas, e as ligações entre elas praticamente deixam de existir.
a) Gás inflamável: é qualquer material que no estado gasoso, e sob temperatura ambiente e na
pressão atmosférica, queimará quando em contato com uma concentração normal de oxigênio no ar,
sob a ação de uma fonte de calor.
b) Gás inerte: É aquele que não sustenta a combustão, como, por exemplo, o nitrogênio, o gás
carbônico, o argônio, o hélio, etc.
Os gases representam um fator de alta importância pelos riscos de: combustão, explosão
(química e física) e toxidez.
Tendo em vista a sua extensa utilização industrial, domiciliar, comercial e medicinal, seus
riscos não se limitam apenas onde é fabricado, utilizado ou armazenado, mas, pela necessidade do
transporte, eles se estendem a todas as partes.
O perigo dos gases reside, principalmente, nas possibilidades de vazamentos, podendo formar
com o ar atmosférico misturas explosivas. Quando escapam, podem facilmente atingir uma fonte de
ignição onde se incendeiam rapidamente. Quando isto ocorre, o incêndio só deverá ser extinto após a
supressão do fluxo de gás, pois, caso este continue, o gás poderá incendiar-se de novo facilmente ou
então produzir uma mistura explosiva com o ar, estabelecendo condições mais perigosas que o próprio
incêndio.
A densidade de um gás é fator muito importante devido à sua periculosidade, pois os gases
mais pesados (mais densos) têm maior probabilidade de se incendiarem ao contato com uma fonte de
ignição, em geral nas partes baixas, do que os mais leves, que ocupam as partes altas.
Os mais pesados se dissipam vagarosamente, embora as correntes de ar possam acelerar a
difusão de qualquer gás. O gás canalizado rua (gás natural) e inúmeros outros gases utilizados na
indústria são mais leves que o ar e, portanto, dissipam-se mais rapidamente que os vapores dos
líquidos inflamáveis mais pesados que o ar (gás liquefeito do petróleo – GLP).
No caso de gases, pode-se afirmar que, exceto os gases não inflamáveis, os demais sempre
apresentam risco de incêndio. São citados abaixo alguns exemplos de gases que apresentam risco de
incêndio:
a) Gás Liquefeito de Petróleo (GLP): propano e butano;
b) Gás natural (GN): metano;
c) Halogênio: neste caso temos o flúor e o cloro, sendo que ambos se apresentam em forma de
um gás amarelo esverdeado;
d) Gases para sistema de refrigeração: etano, iso-butano, amônia, cloreto de etila, etc.;
e) Gases Inseticidas: gás cianídrico, bissulfeto de carbono, etc.;
f) Gases Anestésicos: etileno, propileno, cloreto de etileno, etc.

Calor
Calor é uma forma de energia. É o elemento que inicia o fogo e permite que ele se propague.
Verifica-se que algumas vezes até mesmo o aquecimento de uma máquina já é suficiente para prover
calor necessário para o início de uma combustão.

Reação em cadeia
Os elementos combustível, comburente e calor, isoladamente, não produzem fogo. Quando
interagem entre si, realizam a reação em cadeia, gerando a combustão e permitindo que ela se auto
mantenha.
Algumas literaturas apontam a reação em cadeia como um quarto elemento, porém, analisando
a função dela na combustão, verifica-se que ela nada mais é do que a interação do combustível, do
comburente e do calor.

12.1.2. Propagação do fogo

É de importância indiscutível nos trabalhos de extinção ou nos trabalhos de prevenção, o


conhecimento das maneiras que o calor poderá ser transmitido. As formas de transmissão de calor de
um corpo para o outro ou para um meio, são: condução, convecção e irradiação.
Cabe ressaltar que, em algumas situações, podemos ter mais de uma forma de propagação envolvida
na transmissão do fogo.

Condução
É a forma pela qual o Calor é transmitido de corpo para corpo ou em um mesmo corpo, de
molécula para molécula.
Um bom exemplo é quando acendemos um fósforo e percebemos que o fogo vem consumindo
a madeira do palito de forma gradual, ou seja, molécula a molécula.
Convecção
Ocorre quando o calor é transmitido através de uma massa de ar aquecida, de um ambiente
para o outro, por meio de compartimentações.
Como exemplo temos algumas situações em que um ambiente de um edifício está em chamas
e, em minutos, outro edifício que não tem ligação direta, nem elemento físico os ligando, também
começa a pegar fogo. Isso geralmente ocorre pela transmissão de calor por massa de ar aquecida.

Irradiação
É a transmissão do calor por meio de ondas caloríficas através do espaço. Um bom exemplo é
a transmissão de calor do sol para a terra, através dos raios solares.

12.1.3. Classes de incêndio

Para se combater um incêndio usando os métodos adequados (extinção rápida e segura), há a


necessidade de entendermos quais são as características que definem os combustíveis.
Existem cinco classes de combustíveis reconhecidas pelos maiores órgãos voltados ao estudo
do tema, sendo elas:

- Classe A – sólidos combustíveis;


- Classe B – líquidos e gases combustíveis;
- Classe C – materiais energizados;
- Classe D – metais pirofóricos;
- Classe K – óleos e gorduras.
- Classe E – que representa os materiais químicos e radioativos. Como essa nova classe ainda não é
reconhecida internacionalmente, não nos aprofundaremos nela.

Classe A

Definição: são os incêndios ocorridos em materiais fibrosos ou combustíveis sólidos.


Características: queimam em razão do seu volume, isto é, em superfície e profundidade. Esse tipo de
combustível deixa resíduos (cinzas ou brasas).
Exemplos: madeira, papel, borracha, cereais, tecidos etc.
Extinção: geralmente o incêndio nesse tipo de material é apagado por resfriamento.

Classe B

Definição: são os incêndios ocorridos em combustíveis líquidos ou gases combustíveis.


Características: a queima é feita através da sua superfície e não deixa resíduos.
Exemplos: GLP, óleos, gasolina, éter, butano etc.
Extinção: por abafamento.

Classe C

Definição: são os incêndios ocorridos em materiais energizados.


Características: oferecem alto risco à vida na ação de combate, pela presença de eletricidade.
Quando desconectamos o equipamento da sua fonte de energia, se não houver nenhuma bateria
interna ou dispositivo que mantenha energia, podemos tratar como incêndio em classe A ou classe B.
Exemplos: transformadores, motores, interruptores etc.
Extinção: agentes extintores que não conduzam eletricidade, ficando vedados a água e o gás
carbônico.

Classe D
Definição: são os incêndios ocorridos em metais pirofóricos.
Características: irradiam uma forte luz e são muito difíceis de serem apagados.
Exemplos: rodas de magnésio, potássio, alumínio em pó, titânio, sódio etc.
Extinção: através do abafamento, não devendo nunca ser usado água ou espuma para a extinção
desse tipo de incêndio.

Classe K

Definição: são os incêndios em banha, gordura e óleos voltados ao cozimento de alimentos.


Características: é uma classe de muita periculosidade, ao passo que o trato de banha, gordura e
óleos é bastante comum nas cozinhas residenciais e industriais.
Exemplos: incêndios em cozinhas quando a banha, a gordura e os óleos são aquecidos.
Extinção: JAMAIS TENTAR COMBATER COM ÁGUA. Essa classe reage perigosamente com água,
gerando explosões e ferindo quem estiver próximo. O método mais indicado de combater o incêndio
nessa classe é através abafamento.

12.2. Medidas Preventivas

A prevenção de incêndio envolve uma série de providências e cuidados, cuja aplicação e


desenvolvimento visam evitar o aparecimento de um princípio de incêndio, ou pelo menos limitar a
propagação do fogo caso ele surja.
Verifica-se que a causa material da maioria absoluta dos incêndios é sempre acidental, isto é,
reflete o resultado de falhas humanas. Daí concluir-se que praticamente os incêndios que destroem
Edificações industriais, comerciais e residenciais, têm origem em condições e atos inseguros
perfeitamente evitáveis numa flagrante demonstração de que a todos cabe uma parcela de
responsabilidade.
A adoção de medidas preventivas visando evitar o incêndio e o pânico, sem dúvida preservará
a segurança e a tranquilidade das pessoas nos seus locais de trabalho e nos lares, além de
converterem-se em benefícios social e econômico para a sociedade em geral. Porém, para que isto se
torne realidade, é preciso que todos tomem consciência da necessidade da participação ativa na
aplicação mais efetiva das medidas de segurança, pois não se trata apenas de proteger o patrimônio,
mas também e, sobretudo, de resguardar a vida humana.

12.2.1. Sistema preventivo fixo

Tubulação de incêndio

Existem dois tipos de tubulação de incêndio, a canalização preventiva e a rede preventiva. São
dutos destinados a condução da água exclusivamente para o combate a incêndios, podendo ser
confeccionados em ferro-fundido, ferro galvanizado ou aço carbono e diâmetro mínimo de 63mm (2
1/2") para a canalização e 75mm (3") para a rede. Tal duto sairá do fundo do reservatório superior
(excepcionalmente sairá do reservatório inferior), abaixo do qual será dotado de uma válvula de
retenção e de um registro, atravessando verticalmente todos os pavimentos da edificação, com
ramificações para todas as caixas de incêndio e terminando no registro de passeio (hidrante de
recalque).
Caixa de incêndio

Terá a forma paralelepipedal com as dimensões mínimas de 70 cm de altura, 50cm de largura e 25cm
de profundidade; porta de vidro com a inscrição "INCÊNDIO" em letras vermelhas e possuirá no seu
interior um registro de 63mm (2 1/2") de diâmetro e redução para junta "Storz" com 38mm (1 1/2") de
diâmetro na qual ficará estabelecida as linhas de mangueira e o esguicho (canalização); e hidrantes
duplos e saídas com adaptação para junta "Storz", podendo esta ser de 38mm (1 1/2") ou 63mm (2
1/2") de diâmetro, de acordo com o risco da edificação. Serão pintadas na cor vermelha, de forma a
serem facilmente identificáveis e poderão ficar no interior do abrigo de mangueiras ou externamente ao
lado destes (rede).

Linhas de mangueiras

Possuirão o diâmetro de 38mm (1 1/2") e 15 (quinze) metros de comprimento, e haverá no


máximo 02 (dois) lances permanentemente unidos (canalização), e diâmetro de 38mm (1 1/2") ou
63mm (2 1/2"), de acordo com o risco da edificação, de 15 (quinze) metros de comprimento e haverá
no máximo 04 (quatro) lances permanentemente unidos (rede).
Esguicho

Serão do tipo tronco cônico com requinte de 13mm (1/2") para a canalização preventiva, e do
tipo regulável e em número de 02 (dois) por hidrante para a rede preventiva.

Hidrante de recalque

O registro de passeio (hidrante de recalque) possuirá diâmetro de 63mm (2 1/2"), dotado de


rosca macho e adaptador para junta "Storz" de mesmo diâmetro e tampão. Ficará acondicionado no
interior de uma caixa com tampo metálico com a inscrição "INCÊNDIO". Tal dispositivo deverá ficar
localizado junto à via de acesso de viaturas, sobre o passeio e afastado dos prédios, de forma a
permitir uma fácil operação.
Seu objetivo principal é abastecer e pressurizar a tubulação de incêndio, através das viaturas
do Corpo de Bombeiros.
Casa de Máquina de Incêndio (CMI)

É um compartimento destinado especialmente ao abrigo de bombas de incêndio (eletrobomba


e/ou moto bomba) e demais apetrechos complementares ao seu funcionamento, não se admitindo o
uso para circulação ou qualquer outro fim. O seu acesso será através da porta corta-fogo e seu objetivo
é pressurizar o sistema.

Reserva técnica de incêndio (RTI)

Quantidade de água existente no reservatório da edificação, destinada exclusivamente à


extinção de incêndio, sendo assegurada através da diferença de nível entre a saída da canalização de
incêndio e da rede de distribuição geral. A quantidade mínima de água da RTI é de 6.000 (seis mil)
litros.

Bombas de incêndio

São responsáveis pela pressurização do sistema preventivo contra incêndio (canalização ou


rede), sendo o seu acionamento automático a partir da abertura do registro de qualquer hidrante da
edificação.
As potências das bombas serão definidas com a observância dos parâmetros técnicos de
pressão e vazão requeridos para o sistema, de acordo com a classificação da edificação quanto ao
risco, sendo isto mencionado no Laudo de Exigências emitido pelo CBMERJ.

Rede de Chuveiros Automáticos do tipo "Sprinkler"


O sistema de proteção contra incêndio por chuveiros automáticos do tipo "Sprinkler" é
constituído de tubulações fixas, onde são dispostos chuveiros regularmente distribuídos sobre a área a
proteger e permanentemente ligado a um sistema de alimentação de água (reservatório) e
pressurizado, de forma a possibilitar, em caso de ocorrência de incêndio, a aplicação de água
diretamente sobre o local sinistrado.
Isto ocorre quando o selo sensor de temperatura (ampola) rompe-se, aproximadamente a uma
temperatura de 68ºC (existem ampolas próprias para outras temperaturas).
Cada chuveiro (bico) tem o seu funcionamento independente, podendo ser acionado um ou
quantos forem necessários para sanar o problema (incêndio) em uma determinada área.

Sistema de proteção contra descarga atmosférica (para-raios)

Dispositivo responsável pela descarga de energia elétrica, proveniente de raios, para o solo.
Este dispositivo é instalado no alto da edificação a proteger, e é constituído de: captor, haste, cabo de
descarga e barras de aterramento.

Escada enclausurada a prova de fumaça

As escadas enclausuradas são construídas em alvenaria e devem ser resistentes ao fogo por
quatro horas, servindo a todos os andares. Devem possuir lances retos e patamares, além de corrimão.
Entre a caixa da escada e o corredor de circulação deve existir uma antecâmara para a exaustão dos
gases, evitando assim que a fumaça chegue à escada propriamente dita. Existe uma porta corta-fogo
ligando a circulação à antecâmara e outra ligando esta à escada.
12.3. Métodos de extinção

Considerando a teórica básica do fogo, concluímos que o fogo só existe quando estão
presentes, em proporções ideais, o combustível, o comburente e o calor, reagindo em cadeia.
Calcado nesses conhecimentos, concluímos que, quebrando a reação em cadeia e isolando
um dos elementos do fogo, teremos interrupção da combustão.
Destes pressupostos, retiramos os métodos de extinção do fogo: extinção por resfriamento,
extinção por abafamento, extinção por isolamento e extinção química.

Extinção por resfriamento

Este método consiste na diminuição da temperatura e, consequentemente, na diminuição do


calor. O objetivo é fazer com que o combustível não gere mais gases e vapores e, finalmente, se
apague.
O agente resfriador mais comum e mais utilizado é a água.

Extinção por abafamento

Este método consiste em impedir que o COMBURENTE (geralmente o oxigênio), permaneça


em contato com o combustível, numa porcentagem ideal para a alimentação da combustão.
Para as combustões alimentadas pelo oxigênio, como já observado, no momento em que a
quantidade deste gás no ar atmosférico se encontrar abaixo da proporção de aproximadamente 16%, a
combustão deixará de existir.
Para combater incêndios por abafamento podem ser usados os mais diversos materiais, desde
que esse material impeça a entrada de oxigênio no fogo e não sirva como combustível por um
determinado tempo.

Extinção por isolamento

O isolamento visa atuar na retirada do COMBUSTÍVEL da reação.


Existem duas técnicas que contemplam esse método:
- Por meio da retirada do material que está queimando;
- Por meio da retirada do material que está próximo ao fogo e que deverá entrar em combustão por
meio de um dos métodos de propagação.

Extinção química

O processo da extinção química visa a combinação de um agente químico específico com a


mistura inflamável (vapores liberados do combustível e comburente), a fim de tornar essa mistura não
inflamável.
Logo, esse, método não atua diretamente num elemento do fogo, e sim na reação em cadeia
como um todo.

12.3.1. Agentes extintores

Existem vários agentes extintores, que atuam de maneira especifica sobre a combustão,
extinguindo o incêndio através de um ou mais métodos de extinção já citados.
Os agentes extintores devem ser utilizados de forma criteriosa, observando a sua correta
utilização e o tipo de classe de incêndio, tentando sempre que possível minimizar os efeitos danosos
do próprio agente extintor sobre materiais e equipamentos não atingidos pelo incêndio.
Dos vários agentes extintores, os mais utilizados são os que possuem baixo custo e um bom
rendimento operacional, os quais passaremos a estudar a seguir:
Água

É o agente extintor "universal". A sua abundância e as suas características de emprego, sob


diversas formas, possibilitam a sua aplicação em diversas classes de incêndio.
Como agente extintor a água age principalmente por resfriamento e por abafamento, podendo
paralelamente a este processo agir por emulsificação e por diluição, segundo a maneira como é
empregada.
Apesar de historicamente, por muitos anos, a água ter sido aplicada no combate a incêndio sob
a forma de jato pleno, hoje sabemos que a água apresenta um resultado melhor quando aplicada sob a
forma de jato chuveiro ou neblinado, pois absorve calor numa velocidade muito maior, diminuindo
consideravelmente a temperatura do incêndio consequentemente extinguindo-o.
Quando se adiciona à água substâncias umectantes na proporção de 1% de Gardinol,
Maprofix, Duponal, Lissapol ou Arestec, ela aumenta sua eficiência nos combates a incêndios da
Classe A. À água assim tratada damos o nome de "água molhada". A sua maior eficiência advém de o
fato do agente umectante reduzir a sua tensão superficial, fazendo com que ela se espalhe mais e
adquira maior poder de penetrabilidade, alcançando o interior dos corpos em combustão. É
extraordinária a eficiência em combate a incêndios em fardos de algodão, juta, lã, etc., fortemente
prensados e outros materiais hidrófobos (materiais compostos por fibras prensados).
O efeito de abafamento é obtido em decorrência da água, quando transformada de líquido para
vapor, ter o seu volume, aumentado cerca de 1700 vezes. Este grande volume de vapor, desloca, ao
se formar, igual volume de ar que envolve o fogo em suas proximidades, portanto reduz o volume de ar
(oxigênio) necessário ao sustento da combustão.
O efeito de emulsificação é obtido por meio de jato chuveiro ou neblinado de alta velocidade.
Pode-se obter, por este método, a extinção de incêndios em líquidos inflamáveis viscosos, pois o efeito
de resfriamento que a água proporcionará na superfície de tais líquidos, impedirá a liberação de seus
vapores inflamáveis.
Normalmente na emulsificação gotas de inflamáveis ficam envolvidas individualmente por gotas
de água, dando no caso dos óleos, aspecto leitoso; com alguns líquidos viscosos a emulsificação
apresenta-se na forma de uma espuma que retarda a liberação dos vapores inflamáveis.
O efeito de diluição é obtido quando usamos no combate a combustíveis solúveis em água,
tomando o cuidado para não derramar o combustível do seu reservatório antes da diluição adequada
do mesmo, o que provocaria uma propagação do incêndio.
A aplicação de vapor, normalmente, é utilizada quando o combate ocorre sobre um
equipamento que já trabalha superaquecido, evitando desta forma choque térmico sobre o
equipamento.
A água apresenta excelente resultado no combate a incêndios da Classe A, podendo ser usada
também na Classe B, não podendo ser utilizada na Classe C, pois conduz corrente elétrica.

Espuma
É uma solução aquosa de baixa densidade e de forma contínua, constituída por um
aglomerado de bolhas de ar ou de um gás inerte. Podemos ter dois tipos clássicos de espuma:
Espuma Química e Espuma Mecânica.
- Espuma Química - é resultante de uma reação química entre uma solução composta por "água, sulfato
de alumínio e alcaçuz" ou composta por "água e bicarbonato de sódio" (está entrando em desuso, por
vários problemas técnicos).
- Espuma Mecânica - é formada por uma mistura de água com uma pequena porcentagem (1% a 6%)
de concentrado gerador de espuma e entrada forçada de ar. Essa mistura, ao ser submetida a uma
turbulência, produz um aumento de volume da solução (de 10 a 100 vezes) formando a Espuma.

Como agente extintor a espuma age principalmente por abafamento, tendo uma ação
secundária de resfriamento, face a existência da água na sua composição. Existem vários tipos de
espuma que atendem a tipos diferentes de combustíveis em chamas. Alguns tipos especiais podem
atender uma grande variedade de combustíveis.
A Espuma apresenta excelente resultado no combate a incêndios das Classes A e B, não
podendo ser utilizado na Classe C, pois conduz corrente elétrica.

Pó químico seco (PQS)

É um grupo de agentes extintores de finíssimas partículas sólidas, e tem como características


não serem abrasivas, não serem tóxicas mas pode provocar asfixia se inalado em excesso, não
conduzir corrente elétrica, mas tem o inconveniente de contaminar o ambiente sujando-o, podendo
danificar inclusive equipamentos eletrônicos, desta forma, deve-se evitar sua utilização em ambiente
que possua estes equipamentos no seu interior e ainda dificultando a visualização do ambiente. Atua
por abafamento e quebra da reação em cadeia (assunto não abordado nesse manual).
Os PQS são classificados conforme a sua correspondência com as classes de incêndios, conforme
as seguintes categorias:
- Pó ABC – composto a base de fosfato de amônio, sendo chamado de polivalente, pois atua nas classes
A, B e C;
- Pó BC – à base de bicarbonato de sódio ou de potássio, indicados para incêndios classes B e C;
- Pó D – usado especificamente na classe D de incêndio, sendo a sua composição variada, pois cada
metal pirofórico terá um agente especifico, tendo por base a grafita misturada com cloretos e
carbonetos.

Dióxido de Carbono (CO2 - Gás Carbônico)


É um gás incombustível, inodoro, incolor, mais pesado que o ar, não é tóxico, mas sua
ingestão provoca asfixia. Atua por abafamento, dissipa-se rapidamente quando aplicado em locais
abertos.
Não conduz corrente elétrica, nem suja o ambiente em que é utilizado.
O Dióxido de Carbono apresenta melhor resultado no combate a incêndios das Classes B e C.
Na Classe A apaga somente na superfície.

12.3.2. Equipamento portátil de combate a incêndio (Extintores de incêndio)

A finalidade do extintor é realizar o combate imediato e rápido em pequenos focos de incêndio.


Sendo assim, o extintor não deve ser considerado como substituto de sistemas de extinção mais
complexos, mais sim, como equipamento adicional.
É fundamental que o brigadista entenda a diferença entre os tipos de extintores e saiba como
deve utilizá-los em situações de incêndio.
Cabe ressaltar que a aplicação dos extintores em princípio de incêndio não deve justificar
qualquer demora no acionamento no sistema de alarme geral e na mobilização de maiores recursos,
mesmo quando perecer que o fogo pode ser dominado rapidamente.
Na sequência serão expostos os tipos mais comuns de extintores, relacionando-os à finalidade
a que se destinam e explicando como devem ser operados.

Extintores de água

Extintor de incêndio do tipo carga de água é aquele cujo agente é a água expelida por meio de
um gás.
Quanto à operação eles podem ser:
- Água Pressurizada – É aquele que possui apenas um cilindro para a água e o gás expelente.
Sua carga é mantida sob pressão permanente.
- Água-gás – É aquele que possui uma câmara, um recipiente de água e um cilindro de alta
pressão, contendo o gás expelente. A pressurização só se dá no momento da operação. Os
extintores de água, são aparelhos destinados a extinguir pequenos focos de incêndio Classe
“A”, como por exemplo em madeiras, papéis e tecidos.

Manejo
- Retirar o extintor do suporte e levá-lo até o local onde será utilizado;
- Retirar o esguicho do suporte, apontando para a direção do fogo;
- Romper o lacre da ampola do gás expelente;
- Abrir totalmente o registro da ampola;
- Dirigir o jato d’água para a base do fogo.

Manutenção
Para que possamos manter o extintor de água em perfeitas condições, devemos:
- Inspecionar frequentemente os extintores;
- Recarregar imediatamente após o uso;
- Anualmente verificar a carga e o cilindro;
- Periodicamente verificar o nível da água, avarias na junta de borracha, selo, entupimento da mangueira
e do orifício de segurança da tampa.
- Verificação do peso da ampola semestralmente.

Observação
Este tipo de extintor não pode e não deve ser usado em eletricidade em hipótese alguma.
Coloca em risco a vida do operador.
O alcance do jato é de aproximadamente 08 (oito) metros.

Extintor de espuma química

Indicado para princípios de incêndio na Classe “B”, também podendo ser utilizado para
combater um incêndio de Classe “A”, porém com menor eficácia.
Neste tipo de aparelho extintor, o cilindro contém uma solução de água com bicarbonato de
sódio mais o agente estabilizador.
A solução de sulfato de alumínio é colocada em um outro recipiente que vai internamente no
cilindro, separando a solução de bicarbonato de sódio e alcaçuz.

Manejo
- Retira-se o aparelho do suporte, conduzindo-o até as proximidades do incêndio, mantendo-o sempre na
posição vertical, procurando evitar movimentos bruscos durante o seu transporte;
- Inverter a sua posição (de cabeça para baixo), agitando-o de modo a facilitar a reação;
- Dirigir o jato sobre a superfície do combustível, procurando, principalmente nos líquidos, espargir a
carga de maneira a formar uma camada em toda a superfície para o abafamento;
- Permanece-se com o aparelho na posição invertida até terminar a carga.
Manutenção
Para que possamos ter um extintor de espuma em perfeitas condições de uso, é importante
saber:
- Deve ser vistoriado mensalmente;
- Sua carga e o poder de reação das soluções devem ser examinados a cada seis meses;
- Sua carga deve ser renovada anualmente, mesmo que ele não seja usado;
- Após o uso, o extintor de espuma deve, tão logo seja possível, ser lavado internamente para que os
resíduos da reação química não afetem as paredes do cilindro pela corrosão;
- Após o seu uso, fazer a recarga o mais breve possível.

Observação
Este tipo de extintor não pode e não deve ser usado em eletricidade em hipótese alguma, pois
coloca em risco a vida do operador.

Extintor de gás carbônico

É um gás inerte, sem cheiro e sem cor. Devido à sua capacidade condutora ser praticamente
nula, o CO2 é muito usado em incêndios de Classe “C”.
A sua forma de agir é por abafamento, podendo também ser utilizado nas classes A (somente
no seu início) e B (em ambientes fechados).

Manejo
Para utilizar o extintor de CO2, o operador deve proceder da seguinte maneira:
- Retire o aparelho do suporte e leve-o até o local onde será utilizado;
- Retire o grampo de segurança;
- Empunhe o difusor com firmeza;
- Aperte o gatilho;
- Dirija a nuvem de gás para a base da chama, fazendo movimentos circulares com o difusor;
- Não encoste o difusor no equipamento.

Manutenção
Os extintores de CO2 devem ser inspecionados e pesados mensalmente.
Se a carga do cilindro apresentar uma perda superior a 10% de sua capacidade, deverá ser
recarregado.
A cada 5 anos devem ser submetidos a testes hidrostáticos. Este teste deve ser feito por firma
especializada, de acordo com normas da ABNT.
Observação
Como atua por abafamento, o CO2 deve ser aplicado de forma homogênea e rápida, pois
dissipa-se com muita facilidade.

Extintor de pó químico

Os extintores com pó químico, utilizam os agentes extintores bicarbonato de sódio (o mais


comum) ou o bicarbonato de potássio.
Especialmente indicado para princípios de incêndio das Classes B e C.
O extintor de pó químico pressurizado utiliza como propelente o nitrogênio, que, sendo um gás
seco e incombustível, pode ser acondicionado com o pó no mesmo cilindro.
O extintor de pó químico a pressurizar, utiliza como propelente o gás carbônico (CO2), que, por
ser um gás úmido, vem armazenado em uma ampola de aço ligada ao extintor.

Manejo
Os dois tipos de aparelhos citados são de fácil manejo:
Pressurizado
- Retira-se o extintor do suporte e o conduz até o local onde será utilizado (observar a direção do vento);
- Rompe-se o lacre;
- Destrava-se o gatilho, comprimindo a trava para a frente, com o dedo polegar;
- Aciona-se o gatinho, dirigindo o jato para a base do fogo.

À Pressurizar
- Retira-se o extintor do suporte e o conduz até o local onde será utilizado (observar a direção do vento);
- Acionar a válvula do cilindro de gás;
- Destrava-se o gatilho, comprimindo a trava para frente, com o dado polegar;
- Empunhar a pistola difusora;
- Aciona-se o gatilho, dirigindo o jato para a base do fogo.

Manutenção
Devem ser inspecionados rotineiramente e sua carga deve ser substituída anualmente.

Extintor de pó multiuso (ABC)

Os extintores com pó químico multiuso são à base de Monofosfato de Amônia siliconizado


como agente extintor.
É indicado para princípios de incêndio das Classes A, B e C.

Manejo
Os dois tipos de aparelhos citados são de fácil manejo:
- Retira-se o extintor do suporte e o conduz até o local onde vai ser usado (observar a direção do vento);
- Rompe-se o lacre;
- Destrava-se o gatilho, comprimindo a trava para frente, com o dedo polegar;
- Aciona-se o gatinho, dirigindo o jato para a base do fogo.

Manutenção
Devem ser inspecionados rotineiramente e sua carga deve ser substituída anualmente.

CLASSES DE INCÊNDIO GÁS CARBÔNICO PÓ QUÍMICO E ÁGUA


(CO2) SECO S
(PQS) P
U
M
A

CLASSE “A” NÃO NÃO RECOMENDADO EXCELENTE

Fogo em materiais RECOMENDADO RECOMENDADO Apaga por Resfria, encharca


combustíveis comuns, tais resfriamento e e apaga
como papel, papelão, tecidos, abafamento totalmente
madeira, onde o efeito de Apaga o fogo Apaga o fogo
resfriamento pela água ou somente na somente na
soluções contendo água é de superfície superfície
primordial importância

CLASSE “B” RECOMENDADO EXCELENTE EXCELENTE NÃO


RECOMENDADO
Fogo em líquidos inflamáveis, Não deixa resíduos Abafa rapidamente Produz um lençol
graxas, óleos e outros e é inofensivo. Age de espuma que
semelhantes onde o efeito por diluição do abafa o fogo
abafante é primordial oxigênio

CLASSE “C” EXCELENTE BOM NÃO NÃO


RECOMENDADO RECOMENDADO
Fogo em equipamentos Não deixa Não conduz
elétricos energizados, onde a resíduos, não energia elétrica É condutora e É condutora
extinção deve ser feita com danifica e não danifica o
material não condutor de conduz eletricidade equipamento
eletricidade

CLASSE “D” NÃO RECOMENDADO NUNCA NUNCA


RECOMENDADO
Fogo em metais como o Compostos
magnésio, titânio, alumínio químicos
em pó e outros onde a especiais, sal
extinção deverá ser feita por gema, grafite,
meios especiais. areia, monofosfato
de amônia

12.3.3. Equipamento fixo de combate a incêndio (Hidrantes)

O sistema de proteção por hidrantes, é composto pelo conjunto de canalizações,


abastecimento de água, válvulas ou registros, colunas ou tomadas d’água, mangueiras de incêndio,
esguichos, chaves de mangueiras e meios de aviso e alarme.
O conjunto compreende:

ABRIGO Compartimento destinado a proteger as mangueiras e


demais pertences do hidrante.
ESGUICHO Dispositivo destinado a formar e orientar o jato de água.

REQUINTE Bocal rosqueado ao esguicho, destinado a dar forma ao jato.


MANGUEIRAS Tubo flexível, constituído internamente de borracha e
protegido externamente com lona
CHAVES DE UNIÃO Peças destinadas à facilitar a conexão das uniões ou
engates.
ENGATES RÁPIDOS Peças localizadas nas tomadas de água e mangueiras,
destinadas a interligar e conectar as mesmas ao sistema de
hidrantes.

Os pontos de captação de água e os encanamentos de alimentação devem ser acionados e


testados frequentemente, a fim de evitar o acúmulo de resíduos.
Existe ainda, uma infinidade de acessórios que utilizamos em conjunto com o sistema hidráulico de
combate a incêndios, tais como derivantes, redutoras, proporcionadores entre outros, que trataremos
com o decorrer do treinamento.
Além destes materiais anteriormente citados, temos ainda os equipamentos de arrombamento e corte,
que servem para a abertura de portas e paredes, para retirarmos materiais combustíveis do trajeto do
fogo, etc., que compreendem os machados, marretas, alicates de corte, corta vergalhões, etc..
Outro equipamento de suma importância para os brigadistas e o EPI, pois estes protegem os
brigadistas permitindo que os trabalhos de extinção, rescaldo, salvamento ou qualquer outro seja
possível.
13. Acidentes de origem elétrica

A segurança no trabalho é essencial para garantir a saúde e evitar acidentes nos locais de
trabalho, sendo um item obrigatório em todos os tipos de trabalho.
Podem ser classificados os acidentes de trabalho relacionando-os com:
- fatores humano (atos inseguros);
- o ambiente (condições inseguras).
Essas causas são apontadas como responsáveis pela maioria dos acidentes.
No entanto, deve-se levar em conta que, às vezes, os acidentes são provocados pela presença
de condições inseguras e atos inseguros ao mesmo tempo

13.1. Causas de acidentes elétricos

13.1.1. Causas diretas

Podem ser classificadas como causas diretas de acidentes elétricos aquelas propiciadas pelo
contato por falha de isolamento.
As causas diretas de acidentes podem, ainda, serem classificadas quanto ao tipo de contato
físico, sendo os contatos diretos e os contatos indiretos. Vamos nos aprofundar sobre esses contatos:
- Contatos diretos – consistem no contato com partes metálicas, normalmente, sob
tensão (partes vivas).
- Contatos indiretos – consistem no contato com partes metálicas, normalmente, não
energizadas (massas), mas que podem ficar energizadas devido a uma falha de
isolamento.
O acidente mais comum a que estão submetidas às pessoas, principalmente, aquelas que
trabalham em processos industriais ou desempenham tarefas de manutenção e operação de sistemas
industriais é o toque acidental em partes metálicas energizadas, ficando o corpo ligado eletricamente
sob tensão entre fase e terra.

13.1.2. Causas indiretas

Podem ser classificadas como causas indiretas de acidentes elétricos, aquelas originadas por
descargas atmosféricas, tensões induzidas eletromagnéticas e tensões estáticas.
É obrigatório considerar que todo trabalho em equipamentos energizados só deve ser iniciado
com boas condições meteorológicas, não sendo assim permitidos trabalhos sob chuva, trovoadas,
neblina densa ou ventos.

Atos Inseguros
Os atos inseguros são, geralmente, definidos como causas de acidentes do trabalho que
residem, exclusivamente, no fator humano, isto é, aqueles que decorrem da execução das tarefas de
forma contrária às normas de segurança.
Os atos considerados inseguros se apresentam na forma como os trabalhadores se expõem
(consciente ou inconscientemente) aos riscos de acidentes.
Agora vamos apresentar os fatores que podem levar os trabalhadores a praticarem atos
inseguros:
- Inadaptação entre homem e função por fatores constitucionais
- Fatores circunstanciais
- Desconhecimento dos riscos da função e/ou da forma de evitá-los
- Desajustamento
- Personalidade
Vamos entender melhor cada fator
- A Inadaptação entre homem e função por fatores constitucionais: são por exemplo o
sexo, idade, tempo de reação aos estímulos, coordenação motora, agressividade,
impulsividade, nível de conhecimento, grau de atenção.
- Fatores circunstanciais: são os fatores que influenciam o desempenho do indivíduo no
momento. Ex.: problemas familiares, abalos emocionais, discussão com colegas,
alcoolismo, estado de fadiga, doença, etc.
- O Desconhecimento dos riscos da função e/ou da forma de evitá-los: estes fatores são,
na maioria das vezes, causados por: seleção ineficaz, falhas de treinamento, falta de
treinamento.
- Desajustamento: este fator é relacionado com certas condições específicas do
trabalho.Ex.: problema com a chefia, problemas com os colegas, políticas salariais
impróprias, política promocional imprópria, clima de insegurança.
- Personalidade: é a forma como cada pessoa age diante das situações.

Condições Inseguras
As denominadas condições inseguras são, as que se apresentam no ambiente de trabalho,
pondo em risco a integridade física e/ou mental do trabalhador, devido à possibilidade deste acidentar-
se. Tais condições se manifestam como deficiências técnicas, podendo apresentar-se:
- Na construção e instalações em que se localiza a empresa: áreas insuficientes, pisos
fracos e irregulares, excesso de ruído e trepidações, falta de ordem e limpeza,
instalações elétricas impróprias ou com defeitos, falta de sinalização.
- Na maquinaria: localização imprópria das máquinas, falta de proteção em partes
móveis, pontos de agarramento e elementos energizados, máquinas apresentando
defeitos.
- Na proteção do trabalhador: proteção insuficiente ou totalmente ausente, roupa e
calçados impróprios, equipamentos de proteção com defeito (EPIs, EPCs), ferramental
defeituoso ou inadequado.
14. Primeiros socorros

O curso da NR-10, por tratar da Segurança em Instalações e Serviços em Eletricidade, tem os


primeiros socorros direcionados para acidentes provocados pela eletricidade, sendo considerados os
riscos diretos e indiretos e as consequências deste tipo de acidente.
Salienta-se que o curso de primeiros socorros é bem amplo e específico, não tendo este
módulo (NR-10), o objetivo de substituir um curso de primeiros socorros, pois somente com um curso
completo e específico de primeiros socorros a pessoa terá o conhecimento profundo das técnicas para
diversas situações que podem ocorrer no dia a dia.
Primeiros Socorros são as primeiras providências tomadas no local do acidente. É o
atendimento inicial e temporário, até a chegada de um socorro profissional. Geralmente, presta-se
atendimento no próprio local.
As providências a serem tomadas, inicialmente, são:
- Uma rápida avaliação da cena e vítima;
- Aliviar as condições que ameacem a vida ou que possam agravar o quadro da vítima,
com a utilização de técnicas simples;
- Acionar, corretamente, um serviço de emergência local.

Apesar das medidas de segurança comumente adotadas no ambiente de trabalho e dos


cuidados que as pessoas têm com suas próprias vidas, nem todos os acidentes podem ser evitados,
porque nem todas as causas podem ser controladas. Assim, os riscos de acidente fazem parte do
cotidiano, o que requer a presença de pessoas treinadas para atuarem de forma rápida.
Cada vez se investe mais na prevenção e no atendimento às vítimas. No entanto, por mais que
se aparelhem hospitais e prontos socorros, ou se criem os Serviços de Resgate e SAMUs – Serviços
de Atendimento Móvel de Urgência – sempre haverá um tempo até a chegada do atendimento
profissional. E, nesses minutos, muita coisa pode acontecer. Nesse tempo, as únicas pessoas
presentes são as que foram envolvidas no acidente e as que estavam ou passaram pelo local.
Somente a equipe especializada é composta por socorristas, ou seja, socorrista é a pessoa
que esta preparada, treinada e habilitada a fazer os primeiros socorros e transporte de acidentados.
A pessoa que presta os primeiros socorros em casos de acidentes ou mal súbitos deve ter
noções de primeiros socorros. Esta função é importante, pois pode manter a vítima viva até a chegada
do socorro adequado, bem como não ocasionar outras lesões ou agravar as já existentes.
A prestação dos Primeiros Socorros depende de conhecimentos básicos, teóricos e práticos
por parte de quem os está aplicando. Por isso, é fundamental que as pessoas tenham um curso
específico de Primeiros Socorros, para assim auxiliar ou até mesmo não agravar mais o estado da
vítima.
A pessoa que presta os primeiros socorros deve agir com bom senso, tolerância, calma e ter
grande capacidade de improvisação.
Prestar os Primeiros Socorros é uma atitude humana, que requer coragem e o conhecimento
das técnicas adequadas e capazes de auxiliar em uma emergência. O socorro imediato evita que um
ferimento se agrave ou que uma simples fratura se complique, ou que um desmaio resulte na morte do
acidentado.
É comum que as pessoas se sintam incomodadas e até não gostem de socorrer uma pessoa
estranha. No entanto, não se esqueça de que você, parentes ou amigos também podem ser vítimas de
acidentes ou de um mal súbito.
Os Primeiros Socorros ou socorro básico de urgência são as medidas iniciais e imediatas
dedicadas à vítima, fora do ambiente hospitalar, executadas por qualquer pessoa treinada, para
garantir a vida, proporcionar bem-estar e evitar agravamento das lesões existentes.
O conhecimento e a aplicação dos Primeiros Socorros têm como objetivo fundamental salvar
vidas. Se a pessoa não tiver condições emocionais de prestar socorro direto à vítima, deve procurar por
alguém que auxilie no atendimento e, em seguida, acionar os serviços especializados: médicos,
ambulâncias, SAMU e bombeiros. Não deixe uma pessoa acidentada sem uma palavra de apoio nem
um gesto de solidariedade, nem deixe de adotar os procedimentos cabíveis.
Existem várias maneiras de ajudar em um acidente, até um simples ato de chamar assistência
especializada, como socorro em ambulância e os bombeiros, se apresenta como de suma importância
para o atendimento adequado.
Ao pedir ajuda, deve-se procurar passar o máximo de informações, como endereço do
acidente, ponto de referência, sexo da vítima, idade aproximada, tipo de acidente e número de vítimas.
Prestar os Primeiros Socorros não significa somente fazer respiração artificial, colocar um
curativo em um ferimento ou levar uma pessoa ferida para o hospital. Significa chamar a equipe
especializada (Bombeiros, SAMU), pegar na mão de alguém que está ferido, tranquilizar os que estão
assustados ou em pânico, dar um pouco de si.

14.1. Procedimentos Gerais

Um atendimento adequado depende, antes de tudo, de uma rápida avaliação da situação, que
indicará as prioridades.
A pessoa que está preparada e treinada deve fazer uma observação detalhada da cena,
certificando-se de que o local em que se encontra a vítima está seguro, analisando a existência de
riscos, como desabamentos, atropelamentos, colisões, afogamento, eletrocussão, agressões entre
outros.
Somente depois de se assegurar da segurança da cena é que a pessoa deve se aproximar da
vítima para prestar assistência. Não adianta tentar ajudar e, em vez disso, se tornar mais uma vítima.
Lembre-se: primeiro você, depois sua equipe e por último a vítima.
Antes de examinar a vítima, a pessoa deve se proteger para evitar riscos de contaminação
através do contato com sangue, secreções ou por produtos tóxicos. Por isso, é importante a utilização
de kits de primeiros socorros como: luvas, óculos, máscaras entre outros. Na ausência desses
dispositivos, vale o improviso com sacos plásticos, panos ou outros utensílios que estejam disponíveis.
Sempre que possível, deve-se interagir com a vítima, procurando acalmá-la e, ao mesmo tempo,
avaliar as condições desta, enquanto conversa com ela.
Uma vez definida e analisada a situação, a ação deve ser dirigida para:
- Pedido de ajuda qualificada e especializada;
- Avaliação das vias áreas;
- Avaliação da respiração e dos batimentos cardíacos;
- Prevenção do estado de choque;
- Aplicação de tratamento adequado para as lesões menos graves;
- Preparação da vítima para remoção segura;
- Providências para transporte e tratamento médico (dependendo das condições).

Os princípios para os Primeiros Socorros:


- Agir com calma e confiança – evitar o pânico.
- Ser rápido, mas não precipitado.
- Usar bom senso, sabendo reconhecer as limitações.
- Usar criatividade para improvisação.
- Demonstrar tranquilidade, dando ao acidentado segurança.
- Se houver condições, solicitar ajuda de alguém do mesmo sexo da vítima.
- Manter a atenção voltada para a vítima, quando estiver interrogando-a.
- Falar de modo claro e objetivo.
- Aguardar a resposta da vítima.
- Não atropelar com muitas perguntas.
- Explicar o procedimento antes de executá-lo.
- Responder honestamente as perguntas que a vítima fizer.
- Usar luvas descartáveis e dispositivos boca-máscara, improvisando se necessário,
para proteção contra doenças de transmissão respiratória e por sangue.
- Atender a vítima em local seguro (removê-la do local se houver risco de explosão,
desabamento ou incêndio).

14.2. Legislação Sobre o Ato de Prestar Socorro

Devido à importância do ato de prestar socorro, há artigos específicos na legislação brasileira


acerca do assunto. Para o Código Penal Brasileiro, por exemplo, todo indivíduo tem o dever de ajudar
um acidentado ou chamar o serviço especializado para atendê-lo e a omissão de socorro constitui
crime previsto no Artigo 135.
Na CLT, o artigo 181 prescreve a necessidade dos que trabalham com eletricidade de
conhecerem os métodos de socorro em acidentados por choque elétrico. Por isso, a NR-10 ao tratar de
situações de emergência, reforça, em seu item 10.12.2, uma exigência, bem como inclui um conteúdo
básico de treinamento para os trabalhadores, que venham a ser autorizados a intervir em instalações
elétricas.
Código Penal - Art. 135 – Deixar de prestar assistência, quando possível fazê-lo sem risco
pessoal, à criança abandonada ou extraviada, ou à pessoa inválida ou ferida, ao desamparo ou em
grave e iminente perigo; ou pedir, nesses casos, o socorro da autoridade pública.
Pena – detenção de 1 (um) a 6 (seis) meses, ou multa.
Parágrafo único – A pena é aumentada de metade, se a omissão resulta de lesão corporal ou
de natureza grave, e triplicada, se resulta a morte.
CLT - Art. 181 – Os que trabalham em serviços de eletricidade ou instalações elétricas devem
estar familiarizados com os métodos de socorro a acidentados por choque elétrico.
Durante uma emergência, as pessoas podem se deparar com questões jurídicas, por tanto se
comentam os principais tópicos penais que podem ser de interesse.

Homicídio simples

Art. 121 - Matar alguém.


Pena - Reclusão de seis a vinte anos.
Parágrafo 3º - Se o homicídio é culposo.
Pena - Detenção de um a três anos.

Nulidade do crime

Art. 19 - Não há crime quando o agente pratica o fato.


I - Em estado de necessidade.
II - Em legítima defesa.
III - Em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular de direito

Estado de necessidade

Art. 20 - Considera-se em estado de necessidade quem prática o fato para salvar de


perigo atual, que não provocou por sua vontade, nem podia de outro modo evitar direito próprio
ou alheio, cujo sacrifício nas circunstâncias, não era razoável exigir-se.
Parágrafo 1º - Não pode alegar estado de necessidade quem tinha o dever
legal de enfrentar o perigo.
Parágrafo 2º - Embora reconheça que era razoável exigir-se o sacrifício do
direito ameaçado, o Juiz pode reduzir a pena de um a dois terços.
Lesões corporais

Art. 129 - Ofender a integridade corporal ou saúde de outrem.


Pena - Detenção de um a três anos.

Omissão de socorro

Art. 135 - deixar de prestar assistência, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, a
criança abandonada ou extraviada, ou a pessoa inválida ou ferida, ao desamparo ou
em grave e iminente perigo; ou não pedir, nesses casos, o socorro da autoridade
pública.

Exposição ao perigo

Art. 132 - Expor a vida ou a saúde de outrem a perigo direto e eminente.

As questões jurídicas em relação aos Primeiros Socorros são bem complexas, visto que deixar
de prestar socorro como no item 18.2 Código Penal art. 135, a omissão de socorro é crime, cujo sujeito
ativo pode ser qualquer pessoa, mesmo que não tenha o dever jurídico de prestar assistência. Esta
assistência vai desde chamar o serviço especializado, até de fato iniciar os Primeiros Socorros. Por
outro lado, o Art. 129 não permite ofender a integridade corporal ou saúde de outrem.
Por este motivo, a pessoa deve estar muito confiante, preparada e treinada para iniciar os
procedimentos de Primeiros Socorros, utilizando de bom senso sempre, para avaliar a melhor forma de
manter a vítima viva.
Uma coisa é certa, sempre se deve chamar o serviço especializado e prestar uma assistência
psicológica para a vítima, quando não se está preparado para iniciar manobras complexas.

14.3. Urgências coletivas

Acidentes em locais em que há aglomeração de pessoas costuma envolver um grande número


de vítimas e nesses casos, geralmente, o atendimento é muito confuso.
Ao se deparar com uma urgência coletiva, devem-se tomar as seguintes medidas:
- Providenciar comunicação imediata com os serviços de saúde, defesa cível, bombeiros e
polícia.
- Isolar o local, para proteger vítimas e demais pessoas.
- Determinar locais diferentes para a chegada dos recursos e saída das vítimas.
- Retirar as vítimas que estejam em local instável.
- Determinar as prioridades de atendimento, fazendo uma triagem rápida das vítimas para
que as mais graves possam ser removidas logo.
- Providenciar o transporte, de forma adequada, para não complicar as lesões.

14.4. Caixa de Primeiros Socorros

É importantíssimo e recomendável ter em casa, no trabalho e no carro uma caixa de Primeiros


Socorros, para que no caso de algum inconveniente se esteja preparado.
Há alguns itens necessários para uma caixa de Primeiros Socorros, como:
- Compressas de gaze (preferencialmente esterilizadas).
- Rolos de atadura de crepe ou de gaze (tamanhos diversos).
- Esparadrapo.
- Tesoura de ponta arredondada.
- Pinça.
- Soro fisiológico ou água bidestilada.
- Luvas de látex.
- Lanterna.

14.5. Choques elétricos

Com o avanço da tecnologia, cada vez mais, a sociedade está circulada por máquinas,
aparelhos e equipamentos eletrônicos. Por isso, as ocorrências de choques elétricos se tornam mais
frequentes. Em casos de alta voltagem, os choques podem ser fortes e provocar queimaduras graves,
às vezes, levando até a morte. Os choques causados por correntes elétricas residenciais, apesar de
apresentarem riscos menores, por serem de baixa voltagem, também merecem atenção e cuidado,
pois em alguns casos também podem levar a morte.
Em um acidente, que envolva eletricidade, a rapidez no atendimento é fundamental. A vítima
de choque elétrico, às vezes, apresenta no corpo queimaduras nos lugares percorridos pela corrente
elétrica, além de poder sofrer arritmias cardíacas se a corrente elétrica passar pelo coração.
Em algumas vezes, dependendo da corrente elétrica, a vítima que leva o choque fica presa no
equipamento ou fios elétricos, isso pode ser fatal. Se a pessoa que irá prestar os Primeiros Socorros
tocar na vítima, a corrente também irá atingi-la, por isso, antes de tudo é necessário desligar o
aparelho, tirando-o da tomada ou até mesmo desligando a chave geral.

Procedimentos para choque elétrico

Como visto anteriormente, antes de tocar a vítima, deve-se desligar a corrente elétrica, caso
não seja possível, separar a vítima do contato utilizando qualquer material, que não seja condutor de
eletricidade como: um pedaço de madeira, cinto de couro, borracha grossa, luvas.
Para atender uma vítima de choque elétrico é importante seguir alguns passos básicos, como:
- Realizar avaliação primária (grau de consciência, respiração e pulsação).
- Deite a vítima e flexione a cabeça dela para trás, de modo a facilitar a respiração.
- Se constatar parada cardiorrespiratória, aja imediatamente, aplicando massagem
cardíaca.
- Caso esteja respirando normalmente e com batimentos cardíacos, verifique se ocorreu
alguma queimadura, cuidando delas de acordo com o grau de extensão que tenha
atingido. Depois de prestar os Primeiros Socorros, providencie assistência médica
imediata.
As correntes de alta tensão se localizam, por exemplo, nos cabos elétricos que se tem nas
ruas, quando ocorre algum choque envolvendo esses cabos, geralmente, há morte instantânea,
somente pessoas autorizadas ou da central elétrica podem desligá-los. Nesse caso, a pessoa deve
entrar em contato com a central, com os bombeiros ou com a polícia, indicando o local exato do
acidente. Procedendo dessa maneira, certamente, se podem evitar novos acidentes.
Lembre-se: não deixe que ninguém se aproxime da vítima, nem tente ajudá-la antes de a
corrente elétrica ser desligada, sendo a distância mínima recomendada de quatro metros, somente
depois de desligada é que se deverá prestar socorro.
Dependendo das condições da vítima e das características da corrente elétrica o acidentado
pode apresentar:
- Sensação de formigamento;
- Contrações musculares fracas que poderão se tornar fortes e dolorosas;
- Inconsciência;
- Dificuldade respiratória ou parada respiratória;
- Alteração do ritmo cardíaco ou parada cardíaca;
- Queimaduras;
- Traumatismos como fraturas e rotura de órgãos internos;

No acidente elétrico, a vítima pode ficar presa ou ser violentamente projetada à distância.

14.6. Parada Cardiorrespiratória – PCR

Como visto no item anterior, os choques elétricos podem levar a uma parada
cardiorrespiratória, sendo essencial se buscar saber do que se trata e como proceder nesses casos.
A parada cardiorrespiratória é a parada dos movimentos cardíacos e respiratórios, ou seja, é a
ausência das funções vitais, movimentos respiratórios e batimentos cardíacos. A ocorrência isolada de
uma delas só existe em curto espaço de tempo, a parada de uma acarreta a parada da outra. A parada
cardiorrespiratória leva à morte no período de três a cinco minutos

14.6.1. Parada respiratória

Como se sabe o ser humano não vive sem o ar (oxigênio), quando ocorre por alguma razão
uma parada respiratória, a pessoa para de respirar ou sofre uma asfixia, essa última pode ocorrer em
ambientes confinados, um dos riscos indiretos em trabalhar com eletricidade.
A parada respiratória pode correr por diversas situações como: afogamento, sufocação,
aspiração excessiva de gases venenosos ou vapores químicos, soterramento, presença de corpos
estranhos na garganta, choque elétrico, entre outros.
Há um modo bem simples para perceber os movimentos respiratórios da vítima, chegando bem
próximo da boca e do nariz da vítima e verificar:
- Se o tórax se expande.
- Se há algum ruído de respiração.
- Sentir na própria face se há saída de ar.

Os Sinais de Parada Respiratória são:


- Inconsciência.
- Tórax imóvel.
- Ausência de saída de ar pelas vias aéreas (nariz e boca).

14.6.2. Parada cardíaca

Ocorrendo uma parada respiratória é importante ficar atento, pois pode ocorrer uma parada
cardíaca simultaneamente, ou seja, podem parar os batimentos do coração.
As pulsações cardíacas indicam a frequência e a força com que o coração está enviando o
sangue para o corpo, estas pulsações seguem sempre o mesmo ritmo e força em situações normais.
Porém, quando isso não ocorre, pode estar havendo um problema com a circulação do sangue, ou
seja, pode estar havendo uma parada cardíaca.
Os Sinais de Parada Cardíaca são:
- Inconsciência.
- Ausência de pulsação (batimentos cardíacos).
- Ausência de som de batimentos cardíacos.

Para verificar as pulsações é necessário senti-las nas artérias principais que passam pelo
corpo, as mais utilizadas são as que passam pelo pescoço, denominadas carótidas. Quando ocorre
ausência de pulsação nessas artérias, fica evidente a ocorrência de uma parada cardíaca.

Quando ficar com dúvida ou não conseguir verificar as pulsações, deve-se observar se a vítima
apresenta algum sinal de circulação como:
- Respiração
- Tosse ou emissão de som
- Movimentação

Em casos em que esses sinais não são evidentes, deve-se considerar que a vítima está sem
circulação e iniciar as compressões torácicas.

14.6.3. Procedimentos para Parada Cardiorrespiratória

Primeiramente, deve-se verificar a segurança do local, em seguida, deve-se falar com a vítima
buscando saber se ela está consciente ou não. Após confirmação do estado de inconsciência, a
prioridade é pedir auxílio qualificado.
Lembre-se antes de avaliar as condições da vítima, usar os dispositivos de proteção possíveis
ou improvisados como: luvas, panos ou sacos plásticos.
A iniciação deve começar com o ABC da vida, que consiste em avaliar:
- A - Vias Aéreas
- B - Boca ( Respiração) ou Boa respiração
- C - Circulação

Caso se confirme uma parada cardiorrespiratória (PCR), ela deverá ser tratada com a
Reanimação cardiopulmonar (RCP).

Obstrução das Vias Aéreas

A obstrução das vias aéreas é uma das principais causas de morte em pessoas inconscientes,
as vias aéreas podem estar obstruídas por várias situações, como: sangue, secreções e corpos
estranhos, mas a principal causa de obstrução é a “queda da língua”. Quando a pessoa está
inconsciente, o relaxamento da musculatura do maxilar faz com que a língua caia para trás, impedindo
a passagem do ar.

No caso de obstrução das vias aéreas, deve-se:


- Remover dentadura, pontes dentárias, excesso de secreção, dentes soltos etc.
- Na obstrução por presença de sangue ou secreção, deve-se limpar a boca e nariz da
vítima com um pano limpo e virar a cabeça da pessoa para o lado, facilitando a saída do
líquido.
- Colocar uma das mãos sobre a testa da vítima e com a outra elevar o queixo, essa
manobra reposicionará corretamente a língua, desobstruindo as vias aéreas.
- Em casos de suspeitas de a vítima ter sofrido algum tipo de traumatismo, por queda
acidente de trânsito, agressão entre outros fatores, é necessário proteger a coluna cervical
(pescoço). A manobra a ser aplicada é a de “elevação modificada da mandíbula”, que
consiste simplesmente no posicionamento dos dedos bilateralmente por detrás dos
ângulos da mandíbula do paciente, seguido do deslocamento destes para frente, ou seja,
mantendo a cabeça e o pescoço em uma posição neutra abrindo somente a boca da
vítima.
- Em caso de presença de secreção com suspeita de traumatismo, para retirar esta
secreção deve-se virar a cabeça junto com o corpo (sendo necessários três socorristas ou
pessoas treinadas), mantendo assim a coluna cervical alinhada.

A pessoa que presta os primeiros socorros deve ver, ouvir e sentir a respiração, caso a vítima
esteja respirando deverá avaliar a pulsação.
Em parada cardiorrespiratória o tempo é fundamental, pois dependendo do tempo se pode ter
consequências para a vítima, como ter lesão cerebral.

Atendimento Lesão cerebral


Até 4 minutos Improvável
De 4 a 6 minutos Provável
Em mais de 6 minutos Muito provável

14.6.4. Reanimação Cardiopulmonar (RCP)

Se os procedimentos já citados anteriormente sobre obstrução das Vias Aéreas não forem
suficientes para a vítima retornar a respirar, ou até mesmo a vítima não apresentar pulsação, será
necessário a reanimação cardiopulmonar (RCP).
Nova regra de ressuscitação dá prioridade à massagem cardíaca, leigos não precisam fazer
respiração boca a boca, essa nova regra começou a valer a partir de 2010.
Pesquisas americanas recentes mostram que a massagem aumenta em três vezes as chances
de vida. Até então, no Brasil 95% dos que sofreram ataque repentino, morreram antes de chegarem ao
hospital.
A mudança se deu com o intuito de facilitar o processo e impedir que pessoas desistam de
fazê-lo pelo receio de encostar a boca na boca de desconhecidos.
Segundo a AHA (American Heart Association), órgão americano que divulgou as novas
normas, as chances de sucesso de uma pessoa, que faz a massagem cardíaca corretamente são
praticamente as mesmas de quem opta pela massagem e respiração artificial, além de contar com a
vantagem de se ganhar tempo – essencial no processo.
Pela nova norma, a respiração artificial deve ainda ser padrão para os profissionais de saúde,
que sabem fazê-la com a qualidade e agilidade adequada, alem de possuir os equipamentos de
proteção necessários.
Se a vítima da parada cardíaca não receber nenhuma ajuda em até oito minutos, a chance de
ela sobreviver não passa de 15%. Já ao receber a massagem, a chance aumenta para quase 50% até
a chegada da equipe de socorro, que assumirá o trabalho.

Modo de fazer a massagem cardíaca:


A massagem cardíaca deve ser realizada no meio do peito (entre os dois mamilos), com o
movimento das mãos entrelaçadas (uma em cima da outra) sob braços retos, que devem fazer ao
menos cem movimentos de compressão por minuto, de forma rápida e forte.

Os movimentos servem para retomar a circulação do sangue e, consequentemente, de


oxigênio, para o coração e o cérebro, interrompida quando o coração para. Não espere mais de dez
segundos para começar a compressão e a faça até o resgate chegar, sem qualquer interrupção.
Como demanda esforço físico, tente revezar com outra pessoa, de forma coordenada, se
puder.
Procedimentos:
- Realizar somente, quando tiver certeza de que o coração da vítima parou.
- Colocar a vítima sobre uma superfície rígida.
- Ajoelhar-se ao lado da vítima.
- Entrelaçar os dedos, estendendo-os de forma que não toquem no meio do peito da vítima
(entre os dois mamilos).
- Posicionar seus ombros diretamente acima de suas mãos sobre o peito da vítima.
- Manter os braços retos e os cotovelos estendidos.
- Pressionar o osso esterno para baixo, aproximadamente cinco centímetros.
- Fazer as compressões uniformemente e com ritmo.
- Faça até o resgate chegar, sem qualquer interrupção.
- Durante as compressões, flexionar o tronco ao invés dos joelhos.
- Evitar que os dedos apertem o peito da vítima durante as compressões.

Apesar de a nova norma mundial, não exigir a respiração artificial em reanimação


cardiopulmonar desde 2010, a NR-10 exige que seja passada o conhecimento, visto que a norma
regulamentar nº10 é de 2004.
Para uma suposta vítima de afogamento ou por asfixia, a prioridade é para fornecer cerca de
cinco ciclos (aproximadamente dois minutos) de RCP - Reanimação Cardiopulmonar convencional
(incluindo resgate de respiração) antes de ativar o sistema de resposta de emergência.
Este ciclo corresponde a trinta massagens cardíacas e dois de respiração boca a boca.

Técnica de respiração boca a boca

- Manter a cabeça da vítima estendida para trás, sustentando o queixo e mantendo as


vias aéreas abertas.
- Fechar as narinas da vítima.
- Cobrir toda a boca da vítima com a sua boca e soprar duas vezes com um intervalo
entre as ventilações.
- Liberar as narinas para que saia o ar que foi insuflado.
- Observar se o tórax da vítima se expande (sobe), enquanto está recebendo ventilação.
- Aplicar uma respiração boca a boca a cada cinco ou seis segundos.
- Continuar até que a vítima volte a respirar ou o atendimento médico chegue ao local.

ATENÇÂO: As manobras de Primeiros Socorros sempre são


reformuladas, sendo necessário o aluno sempre estar buscando se atualizar.

14.7. Estado de choque

As principais causas do estado de choque são: hemorragias e queimaduras graves, choque


elétrico, ataque cardíaco, dor intensa de qualquer origem, infecção grave e envenenamento por
produtos químicos.
O estado de choque é um complexo grupo de síndromes cardiovasculares agudas que não
possui uma definição única, que compreenda todas as diversas causas e origens. Didaticamente, o
estado de choque ocorre, quando há mal funcionamento entre o coração, vasos sanguíneos (artérias
ou veias) e o sangue, instalando-se um desequilíbrio no organismo.
O estado de choque se caracteriza pela falta de circulação e oxigenação dos tecidos do corpo,
provocada pela diminuição do volume de sangue ou pela deficiência do sistema cardiovascular.
O estado de choque põe em risco a vida da vítima, sendo assim uma grave emergência
médica. O correto atendimento exige ação rápida e imediata.

14.7.1. Sinais e sintomas

O estado de choque pode se manifestar de diferentes formas. A vítima pode apresentar


diversos sinais de sintomas ou apenas alguns deles, dependendo da intensidade em cada caso. O
quadro clínico, portanto, é praticamente o mesmo, não importando a causa que desencadeou o estado
de choque.
A vítima de estado de choque ou na iminência de entrar em choque apresenta, geralmente, os
seguintes sintomas:
- Pele pálida, úmida, pegajosa e fria. Cianose (arroxeamento) de extremidades, orelhas,
lábios e pontas dos dedos.
- Suor intenso na testa e palmas das mãos.
- Fraqueza geral.
- Pulso rápido e fraco.
- Sensação de frio, pele fria e calafrios.
- Respiração rápida, curta, irregular ou muito difícil.
- Expressão de ansiedade ou olhar indiferente e profundo, com pupilas dilatadas,
agitação.
- Medo (ansiedade).
- Sede intensa.
- Visão nublada.
- Náuseas e vômitos.
- Respostas insatisfatórias a estímulos externos.
- Perda total ou parcial de consciência.
- Taquicardia.
- Queda de pressão arterial.
- Tonturas e calafrios.
14.7.2. Providências a serem tomadas

Algumas providências podem ser tomadas para evitar o estado de choque. No entanto,
infelizmente, não há muitos procedimentos de Primeiros Socorros a serem tomados para tirar a vítima
do choque.

Deitar a Vítima
- A primeira atitude é tentar acalmar a vítima que esteja consciente.
- Vítima deve ser deitada de costas, com as pernas elevadas (30 cm) e a cabeça virada
para o lado, evitando assim, caso ela vomite, que aspire podendo provocar pneumonia.
(caso não houver suspeita de lesão ou fraturas na coluna)
- No caso de ferimentos no tórax, que dificultem a respiração ou de ferimento na cabeça,
os membros inferiores não devem ser elevados.
- Afrouxar as roupas da vítima no pescoço, peito e cintura, para facilitar a respiração e a
circulação.
- Verificar se há presença de prótese dentária, objetos ou alimento na boca e os retirar.

No caso de a vítima estar inconsciente, ou se estiver consciente, mas sangrando pela boca ou
nariz, deitá-la na posição lateral de segurança (PLS), para evitar asfixia, conforme demonstrado na
Figura.

Observação: se a vítima sofreu alguma lesão grave, que


possa ter causado algum dando na coluna a vítima não deve ser
movimentada.
Respiração
Verificar quase que, simultaneamente, se a vítima respira. Deve-se estar preparado para iniciar
a reanimação cardiopulmonar, caso a vítima pare de respirar.

Pulso
Enquanto as providências já indicadas são executadas, deve-se observar o pulso da vítima. No
choque, o pulso da vítima se apresenta rápido e fraco (taquisfigmia).

Conforto
Dependendo do estado geral e da existência ou não de fratura, a vítima deverá ser deitada da
melhor maneira possível. Isso significa observar se ela não está sentindo frio e perdendo calor. Se for
preciso, a vítima deve ser agasalhada com cobertor ou algo semelhante, como uma lona ou casacos.

Tranquilizar a Vítima
Se o socorro médico estiver demorando, deve-se tranquilizar a vítima, mantendo-a calma sem
demonstrar apreensão quanto ao estado. Permanecer em vigilância junto à vítima para dar-lhe
segurança e para monitorar alterações em seu estado físico e de consciência.
Atenção: Em todos os casos de reconhecimento dos sinais e
sintomas de estado de choque, providenciar imediatamente
assistência especializada. A vítima vai necessitar de tratamento
complexo, que só pode ser feito por profissionais e recursos especiais
para intervir nestes casos. Não se deve dar nada para beber.

14.8. Disturbios causados pela temperatura

A temperatura, calor ou frio, e os contatos com gases, eletricidade, radiação e produtos


químicos, podem causar lesões diferenciadas no corpo humano.
A temperatura do corpo humano, em um determinado momento, é o resultado de vários
agentes, que atuam como fatores internos ou externos, aumentando ou reduzindo a temperatura.
Mecanismos homeostáticos internos atuam para manter a vida com a constância da temperatura
corporal dentro de valores ideais para a atividade celular. Estes valores oscilam entre 34,4 e 40C.
O contato com chamas e substâncias superaquecidas, a exposição excessiva ao sol e até
mesmo à temperatura ambiente muito elevada provocam reações no organismo humano, que podem
se limitar à pele ou afetar funções orgânicas vitais.

14.8.1. Queimaduras

Queimaduras são lesões provocadas pela temperatura, geralmente, o calor, que podem atingir
graves proporções de perigo para a vida ou para a integridade da pessoa, dependendo da localização,
extensão e grau de profundidade.
A tabela a seguir, se refere à extensão da área lesada, ajudando assim a avaliar a gravidade
de uma queimadura.

Área atingida Extensão


Cabeça 7%
Pescoço 2%
Tórax e Abdome 18%
Costas e Região Lomba 18%
Cada Braço 9%
Cada Perna 18%
Genitália 1%

Profundidade ou Grau das Queimaduras

Dependendo da profundidade queimada do corpo, as queimaduras são classificadas em graus


para melhor compreensão e adoção de medidas terapêuticas adequadas.
São consideradas grandes queimaduras aquelas que atingem mais de 15% do corpo, no caso
de adultos, e mais de 10% do corpo, no caso de crianças de até dez anos.
Queimadura de Primeiro Grau

É a mais comum, deixa a pele avermelhada, além de provocar ardor e ressecamento, sendo a
lesão superficial.
Trata-se de um tipo de queimadura causado, quase sempre, por exposição prolongada à luz
solar ou por contato breve com líquidos ferventes.
 Providências - As queimaduras de 1º grau podem ser tratadas sem
recurso ao hospital, a não ser que atinjam uma área muito grande ou ocorram em
bebês e idosos. Este tipo de queimadura melhora em três dias

Queimadura de Segundo Grau

É uma queimadura mais grave do que a de primeiro grau, essa queimadura é aquela que
atinge as camadas um pouco mais profundas da pele.
Caracteriza-se pelo surgimento de bolhas, desprendimento das camadas superficiais da pele,
com formação de feridas avermelhadas e muito dolorosas.

 Providências - Queimaduras de 1º e 2º grau (de baixa gravidade)


podem ser tratadas sem recurso ao hospital. Nos casos mais graves, a vítima deve ser
encaminhada ao hospital.

Deve-se:
- Aplicação de água fria até alivio da dor, pelo menos cinco minutos;
- Secagem da zona afetada com compressa esterilizada;
- Cobrir com um pano limpo;
- Aplicação de gaze vaselinada (não aderente) sobre a queimadura e um penso
absorvente para absorver exsudado (deve ser mudado regularmente);
- Não se devem estourar as bolhas;
- Os cremes/loções calmantes só estão indicados para as queimaduras de 1º grau.
- Não colocar nenhum produto caseiro.

Nota: Não se deve usar algodão, porque pode aderir à ferida.

Queimadura de Terceiro Grau

Queimaduras de terceiro grau são aquelas, em que todas as camadas da pele são atingidas,
podendo ainda alcançar músculos e ossos. Essas queimaduras se apresentam secas, esbranquiçadas
ou de aspecto carbonizado, fazendo com que a pele se assemelhe ao couro, diferentemente do que
acontece nas queimaduras de primeiro e segundo graus.
Esse tipo de queimadura não produz dor intensa, já que provoca a destruição dos nervos que
transmitem a sensação de dor.
Geralmente, a queimadura de terceiro grau é causada por contato direto com chamas, líquidos
inflamáveis ou eletricidade. É grave e representa sérios riscos para a vítima, sobretudo se atingir
grande extensão do corpo.
 Providências - O tratamento de queimaduras, de modo geral, pode ser
feita da seguinte forma, podendo ser de Primeiro, Segundo ou Terceiro grau.

Deve-se:
- Resfriar com água o local atingido, pelo menos cinco minutos.
- Proteger o local com um pano limpo.
- Providenciar atendimento médico.

Esse atendimento médico pode ser dispensado apenas no caso de queimaduras de primeiro e
segundo grau, em que a área lesada não seja muito extensa.

Queimaduras elétricas

As queimaduras elétricas solicitam urgência hospitalar, porque podem afetar áreas não
visíveis, como órgãos internos.

14.8.2. Insolação

A insolação é uma enfermidade provocada pela exposição excessiva aos raios solares,
podendo se manifestar subitamente, quando a pessoa cai desacordada, mantendo presentes, porém, a
pulsação e a respiração.
A insolação acontece, quando o organismo fica incapacitado de controlar a temperatura.
Quando a pessoa tem insolação, a temperatura corporal aumenta rapidamente, o mecanismo de
transpiração falha e o corpo fica incapacitado de se resfriar. A temperatura corporal de uma pessoa
com insolação pode subir até 41 graus, ou mais, em dez a quinze minutos. Insolação pode causar
morte ou incapacitação permanente se o tratamento de emergência não for providenciado.
Os Sinais e Sintomas são:
- Tontura
- Enjoo
- Dor de cabeça
- Pele seca e quente
- Rosto avermelhado
- Febre alta
- Pulso rápido
- Respiração difícil
Não é comum esses sinais aparecerem todos ao mesmo tempo, geralmente, se observam
apenas alguns deles.

Providências:
- Remover a vítima para lugar fresco e arejado;
- Aplicar compressas frias sobre a cabeça;
- Baixar a temperatura do corpo de modo progressivo, envolvendo-a com toalhas
umedecidas;
- Oferecer líquidos em pequenas quantidades e de forma frequente;
- Mantê-la deitada;
- Avaliar nível de consciência, pulso e respiração;
- Providenciar transporte adequado;
- Encaminhar para atendimento hospitalar.

O ideal é deixar que a temperatura siga diminuindo bem lentamente, para não ocorrer um
colapso, devido quedas bruscas de temperatura.

14.8.3. Intermação

Ocorre devido à ação do calor em lugares fechados e não arejados (nas fundições, padarias,
caldeiras etc.) com temperaturas muito altas. A intermação acarreta uma série de alterações no
organismo, com graves consequências para a saúde da vítima.

Os Sinais e Sintomas são:


- Temperatura do corpo elevada;
- Diferentes níveis de consciência;
- Pele úmida e fria;
- Palidez ou tonalidade azulada no rosto;
- Cansaço;
- Calafrios;
- Respiração superficial;
- Diminuição da pressão arterial

Para prevenir a intermação, o trabalhador não deve permanecer por longos períodos de tempo
em ambientes quentes e fechados, é necessário ingerir muito líquido e alimentos que contenham sal.

As Providências a serem tomadas são:


- Remover a vítima para lugar fresco e arejado;
- Mantê-la deitada com o tronco ligeiramente elevado;
- Baixar a temperatura do corpo de modo progressivo, aplicando compressas de pano
umedecido com água;
- Avaliar nível de consciência, pulso e respiração;
- Encaminhar, imediatamente, para atendimento hospitalar

14.9. Intoxicações

A intoxicação resulta da penetração de substância tóxica/nociva no organismo através da pele,


aspiração e ingestão.
Em trabalhos em espaços confinados há a possibilidade de inalação de algumas substâncias,
quando o profissional não utiliza os EPI’s adequadamente.
Os sinais e sintomas de inalação de substancias toxicas são:
- Dor de cabeça
- Sonolência
- Enjoo
- Fraqueza muscular
- Respiração difícil
- Inconsciência (em casos graves)
- Mudança da cor da pele (em casos graves)

Em atendimentos a vítimas de intoxicação, deve-se tomar cuidado para não se transformar em


mais uma vítima, expondo-se a intoxicação.
As providências aserem tomadas são:
- Afastar imediatamente a vítima do ambiente contaminado e levá-la para um local arejado.
- Observar o pulso e respiração, adotando os procedimentos adequados, caso haja
necessidade.
- Manter a vítima quieta e agasalhada.
- Encaminhá-la, imediatamente, para o atendimento médico.

14.10. Ferimentos

Contusão
A contusão é uma lesão sem o rompimento da pele, tratando-se de uma forte compressão dos
tecidos moles, como pele, camada de gordura e músculos, contra os ossos.
Em alguns casos, quando a batida é muito forte, pode ocorrer rompimento de vasos
sanguíneos na região, originando um hematoma.
Procedimentos:
- Manter em repouso a parte contundida.
- Aplicar compressas frias ou saco de gelo até que a dor melhore e a inchação se estabilize.
- Caso utilize o gelo, deve-se proteger a parte afetada com um pano limpo para evitar
queimaduras na pele.

Escoriações
São lesões simples da camada superficial da pele ou mucosas, apresentando solução de
continuidade do tecido, sem perda ou destruição do mesmo, com sangramento discreto, mas
costumam ser extremamente dolorosas. Não representam risco à vítima, quando isoladas. Geralmente,
são causadas por instrumento cortante ou contundente.
As escoriações acontecem, quando o objeto atinge apenas as camadas superficiais da pele.
Esse tipo de ferimento acontece, geralmente, em consequência de quedas, quando a pele de certas
partes do corpo, sofre arranhões em contato com as asperezas do chão, que são as escoriações mais
frequentes.
Procedimentos
- Lavar as mãos com água e sabão e protegê-las para não se contaminar.
- Lavar a ferida com água e sabão para não infeccionar.
- Secar a região machucada com um pano limpo.
- Verificar se existe algum vaso com sangramento. Se houver, comprimir o local até cessar o
sangramento.
- Proteger o ferimento com uma compressa de gaze ou um curativo pronto. Caso não seja
possível, usar um lenço ou pano limpo.
- Prender o curativo ou pano com cuidado, sem apertar nem deixar que algum nó fique
sobre o ferimento.
- Manter o curativo limpo e seco.

As feridas devem ser cobertas para estancar a hemorragia e também evitar contaminação.

Lembre-se: Em casos graves, depois do curativo feito se deve


encaminhar a vítima para atendimento médico.

Amputações

As amputações são definidas como lesões, em que há a separação de um membro ou de uma


estrutura protuberante do corpo. Podem ser causadas por objetos cortantes, por esmagamentos ou por
forças de tração.
O reimplante é a primeira opção para pessoas que perderam um membro (se houver
esmagamento em qualquer parte do membro, as chances de reimplante diminuem). A primeira
providência, ao presenciar esse tipo de acidente, é ligar para 193 (serviço de resgate móvel). Se a
cidade dispuser de Samu (Serviço de Atendimento Municipal ao Usuário), ligar 192.

Procedimentos:
- Chamar ajuda: tempo é crucial nesse tipo de trauma. Quanto mais rápido for feito o
atendimento, maiores as chances de sucesso no reimplante. Primeiro se deve chamar o
socorro e depois cuidar da vítima.
- Assistência à vítima: Se a vítima estiver consciente se deve fazer o possível para acalmá-
la. Providenciar compressas (panos limpos) e fazer compressão no local da amputação,
isso evita grandes perdas sanguíneas, pois com a ruptura de vasos a hemorragia é
constante.
- Compressas: Envolver a parte amputada em panos limpos. Muito importante: não trocar os
panos usados para fazer a compressão. Desse modo, a equipe médica poderá
dimensionar a perda sanguínea.
- Recuperar o membro: Colocar o membro dentro de dois sacos plásticos.
- Isopor e Gelo: Colocar o membro embalado dentro de um isopor com gelo e tampar, caso
haja tampa. Nunca colocar a parte amputada diretamente em contato com o gelo, pois isso
pode causar morte celular e não haverá possibilidade de reimplante.
- Encaminhar para hospital: Enviar o seguimento com a vítima na ambulância. Caso isso não
seja possível, ter o cuidado de enviar a parte amputada para o mesmo hospital em que a
vítima está sendo atendida.

É bom sempre lembrar que a vítima deve ser vista como um todo, mesmo nos casos de
ferimentos que pareçam sem importância. Uma pequena contusão pode indicar a presença de lesões
internas graves, com rompimento de vísceras, hemorragia interna e estado de choque.

Ferimentos no Tórax
Os ferimentos no tórax podem ser muito graves, principalmente, se os pulmões forem
atingidos.
Quando o pulmão é atingindo de forma a ter um orifício de tamanho considerável na parede do
tórax, pode-se ouvir o ar saindo ou ver o sangue, que sai borbulhando por esse mesmo orifício.
Procedimentos:
- Utilizar um pedaço de plástico limpo ou gazes
- Fazer curativo de três pontas (três lados fechados e um lado aberto)
- Encaminhar a vítima imediatamente para atendimento médico.

O curativo impedirá a entrada de ar na inspiração, mas permitirá a saída de ar na expiração.


Caso não consiga fazer o curativo de três pontas, cubra o ferimento todo com uma compressa
ou um pano limpo e leve a vítima imediatamente para o hospital.
Atenção: a ferida só deve ser totalmente coberta no momento
exato em que terminou uma expiração, ou seja, após a saída do ar.

Ferimentos no Abdome
Os ferimentos profundos no abdome costumam ser graves, podendo atingir algum órgão
abdominal. Dependendo do ferimento pode perfurar a parede abdominal, deste modo, partes de algum
órgão (ex: intestino) podem vir para o exterior. Neste caso, não tente de forma alguma colocá-los no
lugar.

Procedimentos:
- Chamar atendimento especializado (Samu 192, Bombeiros 193).
- Cobrir as partes expostas com panos limpos, umedecidos com água e mantidos úmidos.
- Nunca cubra os órgãos expostos com material aderentes (papel, toalha, papel higiênico,
algodão), que deixam resíduos difíceis de serem removidos.
- Caso tenha algum objeto encravado não tente retirá-lo.

Ferimentos nos Olhos


Os olhos são órgãos muitos sensíveis e, quando feridos, somente um especialista dispõe de
recursos para tratá-los. Portanto, deve-se tomar muito cuidado para não ferir, ainda mais, os olhos de
quem estiver sendo tratado.

Procedimentos:
- Nunca retirar dos olhos um objeto, que esteja entranhado ou encravado.
- Cobrir os olhos com gazes ou pano limpo.
- Prenda o curativo com duas tiras de esparadrapos o que evitará mais irritação.

Cubra o olho não acidentado para evitar a movimentação do olho atingido. Essa manobra não
deve ser feita, quando a vítima precisa do olho sadio para se salvar.

14.11. Hemorragia

É a perda de sangue por meio de ferimentos, pelas cavidades naturais como nariz, boca, etc..;
ela pode ser também, interna, resultante de um traumatismo.
As hemorragias podem ser classificadas, inicialmente, em arteriais e venosas e, para fins de
Primeiros Socorros, em internas e externas.
A hemorragia abundante e não controlada pode causar a morte em três a cinco minutos.

Hemorragia Externa
Os Sinais e Sintomas são:
- Sangramento visível;
- Nível de consciência variável decorrente da perda sanguínea;
- Palidez de pele e mucosa.

Procedimentos:
- Comprimir o local usando um pano limpo. (quantidade excessiva de pano pode mascarar o
sangramento);
- Manter a compressão até os cuidados definitivos;
- Se possível, elevar o membro que está sangrando;
- Não utilizar qualquer substância estranha para coibir o sangramento;
- Encaminhar para atendimento hospitalar.

Hemorragia Interna
Os Sinais e Sintomas são:
- Sangramento geralmente não visível;
- Nível de consciência variável dependente da intensidade e local do sangramento.
- Sangramento pela urina;
- Sangramento pelo ouvido;
- Fratura de fêmur;
- Dor com rigidez abdominal;
- Vômitos ou tosse com sangue;
- Traumatismos ou ferimentos penetrantes no crânio, tórax ou abdome.

Procedimentos:
- Manter a vítima aquecida e deitada, acompanhando os sinais vitais e atuando
adequadamente nas intercorrências;
- Chamar urgente o atendimento hospitalar especializado.

Hemorragia Nasal
Os Sinais e Sintomas são:
- Sangramento nasal visível.

Procedimentos:
- Colocar a vítima sentada, com a cabeça ligeiramente voltada para trás, e apertar-lhe a(s)
narina(s) durante cinco minutos;
- Caso a hemorragia não ceda, comprimir externamente o lado da narina que está
sangrando e colocar um pano ou toalha fria sobre o nariz. Se possível, usar um saco com
gelo;
- Encaminhar para atendimento hospitalar.

14.12. Entorses, Luxações e Fraturas

Quedas, pancadas e encontrões podem lesar os ossos e articulações e provocar entorses,


luxações ou fraturas no ser humano.

Entorse
É a separação momentânea das superfícies ósseas articulares, provocando o estiramento ou
rompimento dos ligamentos, quando há um movimento brusco.
Caso no local afetado apareça mancha escura 24 ou 48 horas, após o acidente, pode ter
havido fratura, e se deve procurar atendimento médico de imediato.

Procedimentos:
- Aplicar gelo ou compressas frias durante as primeiras 24 horas.
- Após este tempo aplicar compressas mornas.
- Imobilizar o local (por meio de enfaixamento, usando ataduras ou lenços).
- A imobilização deverá ser feita na posição que for mais cômoda para o acidentado.
- Dependendo do caso, encaminhar para atendimento médico.

Luxações
É a perda de contato permanente entre duas extremidades ósseas em uma articulação.
Na luxação, as superfícies articulares deixam de se tocar de forma permanente. É comum
ocorrer junto com a luxação uma fratura.

Os Sinais e Sintomas são:


- Dor local intensa;
- Dificuldade ou impossibilidade de movimentar a região afetada;
- Hematoma;
- Deformidade da articulação;
- Inchaço.

Procedimentos:
- Manipular o mínimo possível o local afetado;
- Não colocar o osso no lugar;
- Imobilizar a área afetada antes de remover a vítima (caso seja muito necessário);
- Se possível, aplicar bolsa de gelo no local afetado;
- Encaminhar para atendimento hospitalar.

Fraturas
Fratura é o rompimento total ou parcial de qualquer osso.
Como nem sempre é fácil identificar uma fratura, o mais recomendável é que as situações de
entorse ou luxação sejam atendidas como possíveis fraturas.
Existem dois tipos de fratura:
- Fechadas: sem exposição óssea.
- Expostas: o osso está ou esteve exposto.

Procedimentos:
- Manipular o mínimo possível o local afetado;
- Não colocar o osso no lugar;
- Proteger ferimentos com panos limpos e controlar sangramentos nas lesões expostas;
- Imobilizar a área afetada antes de remover a vítima (caso seja muito necessário);
- Se possível, aplicar bolsa de gelo no local afetado (fratura fechada);
- Encaminhar para atendimento hospitalar.

14.13. Técnicas Para Remoção e Transporte de Acidentados

O transporte de acidentados deve ser feito por equipe especializada em resgate (Corpo de
Bombeiros, Samu entre outros).
O transporte realizado, de forma imprópria, poderá agravar as lesões, provocando sequelas
irreversíveis ao acidentado.
A vítima somente deverá ser transportada com técnica e meios próprios, nos casos, em que
não é possível contar com equipes especializadas em resgate ou se o local apresenta um grande
risco de morte.
OBS: É imprescindível a avaliação das condições da vítima
para fazer o transporte seguro.

A melhor forma de transportar uma vítima é por maca. Se por acaso não houver uma
disponível no local, ela pode ser improvisada com duas camisas ou um paletó e dois bastões
resistentes, ou até mesmo se enrolando um cobertor várias vezes em uma tábua larga.
Porém, em alguns casos, na impossibilidade de uso de maca o transporte pode ser feito de
outra maneira, porém se devem tomar todos os cuidados para não agravar o estado da vítima.
A remoção ou transporte, como indicado abaixo, só é possível, quando não há suspeita de
lesões na coluna vertebral e bacia.

Transporte com Uma Pessoa


 Nos braços: Passe um dos braços da vítima ao redor do seu pescoço.
 De apoio: Passe o seu braço em torno da cintura da vítima e o braço da vítima ao redor
de seu pescoço.

 Nas costas: Dê as costas para a vítima, passe os braços dela ao redor de seu
pescoço, incline-a para frente e levante-a.
Transporte com Duas Pessoas
 Cadeirinha: Faça a cadeirinha, conforme abaixo. Passe os braços da vítima o redor do
seu pescoço e levante a vítima.

 Segurando pelas extremidades: uma segura a vítima pelas axilas, enquanto a outra,
segura pelas pernas abertas. Ambas devem erguer a vítima simultaneamente.

Transporte com Três Pessoas


Uma segura a cabeça e costas, a outra, a cintura e a parte superior das coxas.
A terceira segura a parte inferior das coxas e pernas. Os movimentos das três pessoas
devem ser simultâneos, para impedir deslocamentos da cabeça, coluna, coxas e pernas.
Transporte com Quatro Pessoas
Semelhante ao de três pessoas. A quarta pessoa imobiliza a cabeça da vítima impedindo
qualquer tipo de deslocamento.
15. Responsabilidades

As responsabilidades quanto ao cumprimento desta NR são solidárias aos contratantes e


contratados envolvidos.
É de responsabilidade dos contratantes manter os trabalhadores informados sobre os riscos a
que estão expostos, instruindo-os quanto aos procedimentos e medidas de controle contra os riscos
elétricos a serem adotados.
Cabe à empresa, na ocorrência de acidentes de trabalho, envolvendo instalações e serviços
em eletricidade, propor e adotar medidas preventivas e corretivas.

Gerência Imediata
- Instruir e esclarecer os funcionários sobre as normas de segurança do trabalho e sobre
as precauções relativas às peculiaridades dos serviços executados em estações;
- Fazer cumprir as normas de segurança do trabalho a que estão obrigados todos os
empregados, sem exceção;
- Designar somente pessoal devidamente habilitado para a execução de cada tarefa;
- Manter-se a par das alterações introduzidas nas normas de segurança do trabalho,
transmitindo-as a seus funcionários;
- Estudar as causas dos acidentes e incidentes ocorridos e fazer cumprir as medidas
que possam evitar a repetição;
- Proibir a entrada de menores aprendizes em estações ou em áreas de risco.

Supervisores e encarregados
- Instruir, adequadamente, os funcionários com relação às normas de segurança do
trabalho.
- Certificar-se da colocação dos equipamentos de sinalização adequados antes do início
de execução dos serviços.
- Orientar os integrantes da equipe, quanto às características dos serviços a serem
executados e quanto às precauções a serem observadas no desenvolvimento.
- Comunicar à gerência imediata, as irregularidades observadas no cumprimento das
normas de segurança do trabalho, inclusive, quando ocorrerem fora de sua área de
serviço.
- Advertir pronta e adequadamente os funcionários sob sua responsabilidade, quando
deixarem de cumprir as normas de segurança do trabalho.
- Zelar pela conservação das ferramentas e dos equipamentos de segurança, assim
como pela correta utilização destes.
- Proibir que os integrantes da equipe utilizem ferramentas e equipamentos inadequados
ou defeituosos.
- Usar e exigir o uso de roupa adequada ao serviço.
- Manter-se a par das inovações introduzidas nas normas de segurança do trabalho,
transmitindo-as aos integrantes de equipe.
- Providenciar, prontamente, os Primeiros Socorros para os funcionários acidentados e
comunicar o acidente à gerência imediata, logo após a ocorrência.
- Estudar as causas dos acidentes e incidentes ocorridos e fazer cumprir as medidas
que possam evitar a repetição.
- Conservar o local de trabalho organizado e limpo.
- Cooperar com as CIPAs na sugestão de medidas de segurança do trabalho.
- Atribuir serviços somente a funcionários que estejam física e emocionalmente
capacitados a executá-los e distribuir as tarefas de acordo com a capacidade técnica
de cada um.
- Quando houver a interrupção dos serviços em execução, antes de seu reinício devem
ser tomadas precauções para verificação da segurança geral, como foi feita antes do
início do trabalho.

Empregados
- Observar as normas e preceitos relativos à segurança do trabalho e ao uso correto dos
equipamentos de segurança.
- Seguir os procedimentos estabelecidos pela empresa.
- Utilizar os equipamentos de proteção individual e coletiva.
- Alertar os companheiros de trabalho quando estes executarem os serviços de maneira
incorreta ou atos que possam gerar acidentes.
- Comunicar imediatamente ao seu superior e aos companheiros de trabalho qualquer
acidente, por mais insignificante que seja que tenha ocorrido consigo, com colegas ou
terceiros, para que sejam tomadas as providências cabíveis.
- Avisar o superior imediato, quando, por motivo de saúde, não estiver em condições de
executar o serviço para o qual tenha sido designado.
- Observar a proibição da ocorrência de procedimentos que possam gerar riscos de
segurança.
- Não ingerir bebidas alcoólicas ou usar drogas antes do início, nos intervalos ou durante
a jornada de trabalho.
- Evitar brincadeiras em serviço.
- Não portar arma, excluindo-se os casos de empregados autorizados pela
Administração da Empresa, em razão das funções que desempenham.
- Não utilizar objetos metálicos de uso pessoal, tais como: anéis, correntes, relógios,
bota com biqueira de aço, isqueiros a gás, a fim de se evitar o agravamento das lesões
em caso de acidente elétrico.
- Não usar aparelhos sonoros.

Visitantes
O empregado encarregado de conduzir visitantes pelas instalações da empresa deverá:
- Dar-lhes conhecimento das normas de segurança.
- Fazer com que se mantenham juntos.
- Alertar-lhes para que mantenham a distância adequada dos equipamentos, não os
tocando.
- Fornecer-lhes EPIs aplicáveis (capacetes, protetores auriculares, etc.).

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