Você está na página 1de 1

No artigo em que reflete sobre a técnica e a compreensão musical, França (2001) parte

dos referenciais teóricos da educação liberal e da educação vocacional para discutir o que
denomina “uma dicotomia aparentemente irreconciliável entre duas visões opostas de
educação musical: a especialista e a abrangente” (p. 37). Segundo explica, a primeira visão
é direcionada ao desenvolvimento da excelência em uma modalidade do fazer musical, e
“tende a se concentrar no desenvolvimento de habilidades técnicas em detrimento de uma
compreensão mais ampla e de um fazer musical mais expressivo” (id.). A segunda “inclui
as várias modalidades da experiência musical, objetivando o desenvolvimento do ser” (id.)
e tem como ponto crítico “o desenvolvimento de habilidades práticas e perceptivas que
permitam aos indivíduos realizarem atividades musicais progressivamente complexas” (id.).
Entretanto, uma educação musical demasiadamente ampla pode se tornar superficial e,
consequentemente, irrelevante e limitadora (ibid.). Para preencher a lacuna entre a
utilidade da educação vocacional e a busca de valores humanizadores da educação liberal,
a autora destaca a importância do funcionamento crítico, uma noção essencial que permeia
a educação liberal e implica na “capacidade de exercer o julgamento que permite ao
indivíduo reconstruir, questionar e dar sentido à sua experiência” (ibid., p. 36). P. 12

Conforme sumarizam os autores supracitados, a performance de experts resulta de


“esforços prolongados do indivíduo em melhorar a performance enquanto lidam com
restrições motivacionais e externas” (p. 363, tradução nossa). P. 13