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PROFESSOR
MANUAL DO
. . .. . .. . ..
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Componente curricular: FÍSICA


Física
Carlos Magno A. Torres
Nicolau Gilberto Ferraro

.
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Paulo Cesar Martins Penteado

Ciência e Tecnologia

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.. ...
Paulo Antonio de Toledo Soares

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. . .. . .. . .. . .. . . . . .. . .. . .. . .. . . . . .. . .. . .. . .
En . . .. . .. . .. . .. . . .. . .. . .. . .. . .. . . .. . .. . .. . .. . .
1

sin . . . . .. . .. . . . . . . . . .. . .. . . . . . . . . . . .. . .
o M . . . . . . . .. . .. . .. . . . . . . .. . .. . .. . .. . . . . .. . .
éd . . .... . .. . .. . .. . .. . .... . .. . .. . .. . .. . .... . .. . .. . .
Mecânica

io . . . . . . . .. . . . . . . . . . . .. . . . . . . . . . . .
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Carlos Magno A. Torres
Bacharel em Física pelo Instituto de Física da Universidade de São Paulo.
Professor de Física no ensino superior e em cursos pré-vestibulares.
Professor de Física e de Matemática em escolas do ensino médio.

Nicolau Gilberto Ferraro


Licenciado em Física pelo Instituto de Física da Universidade de São Paulo.
Engenheiro metalurgista pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo.
Professor de Física no ensino superior, em escolas do ensino médio e em cursos pré-vestibulares.

Paulo Antonio de Toledo Soares


Médico pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.
Lecionou Física em escolas do ensino médio e em cursos pré-vestibulares.

Paulo Cesar Martins Penteado


Licenciado em Física pela Universidade Federal de Santa Catarina.
Professor de Física em escolas do ensino médio e em cursos pré-vestibulares.

Física
Ciência e Tecnologia

1
Ensino Médio
Mecânica

Componente curricular: FÍSICA

MANUAL DO PROFESSOR
4a edição
São Paulo, 2016
Coordenação editorial: Fabio Martins de Leonardo
Edição de texto: Alexandre da Silva Sanchez, Denise Minematsu,
Fernando Savoia Gonzalez
Gerência de design e produção gráfica: Sandra Botelho de Carvalho Homma
Coordenação de produção: Everson de Paula
Suporte administrativo editorial: Maria de Lourdes Rodrigues (coord.)
Coordenação de design e projetos visuais: Marta Cerqueira Leite
Projeto gráfico: Mariza Souza Porto, Adriano Moreno Barbosa
Capa: Douglas Rodrigues José
Foto: Gêiser com arco-íris no Parque Nacional de Yellowstone, EUA.
© Fred Hirschmann/Superstock/AGB Photo Library
Coordenação de arte: Wilson Gazzoni Agostinho
Edição de arte: Elaine Cristina da Silva
Editoração eletrônica: Setup Bureau Editoração Eletrônica
Edição de infografia: Luiz Iria
Coordenação de revisão: Adriana Bairrada
Revisão: Denise Ceron, Simone Soares Garcia, Thiago Dias, Vânia Bruno,
Viviane Teixeira Mendes
Coordenação de pesquisa iconográfica: Luciano Baneza Gabarron
Pesquisa iconográfica: Carol Böck, Maria Marques
Coordenação de bureau: Américo Jesus
Tratamento de imagens: Denise Feitoza Maciel, Marina M. Buzzinaro,
Rubens M. Rodrigues
Pré-impressão: Alexandre Petreca, Everton L. de Oliveira, Fabio N. Precendo,
Hélio P. de Souza Filho, Marcio H. Kamoto, Vitória Sousa
Coordenação de produção industrial: Viviane Pavani
Impressão e acabamento:

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)


(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Física : ciência e tecnologia / Carlos Magno A .


Torres... [ et al. ] . — 4. ed. — São Paulo :
Moderna, 2016.

Outros autores: Nicolau Gilberto Ferraro, Paulo


Antonio de Toledo Soares, Paulo Cesar Martins
Penteado
“Componente curricular : Física”.
Obra em 3 v .
Conteúdo: v . 1 . Mecânica — v. 2. Termofísica,
Óptica, Ondas — v. 3 . Eletromagnetismo, Física
Moderna.
Bibliografia.

1. Física (Ensino médio) I. Torres, Carlos


Magno A. . II. Ferraro, Nicolau Gilberto.
III. Soares, Paulo Antonio de Toledo. IV. Penteado,
Paulo Cesar Martins.

16-01328 CDD-530.07

Índices para catálogo sistemático:


1. Física: Ensino médio 530.07

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Todos os direitos reservados
EDITORA MODERNA LTDA.
Rua Padre Adelino, 758 - Belenzinho
São Paulo - SP - Brasil - CEP 03303-904
Vendas e Atendimento: Tel. (0_ _11) 2602-5510
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www.moderna.com.br
2016
Impresso no Brasil

1 3 5 7 9 10 8 6 4 2
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Apresentação

A Física é uma Ciência que analisa e responde a muitas questões com as quais
nos deparamos a todo momento. Por isso, você que é curioso a respeito das coisas
de seu convívio encontrará na Física muitas respostas para suas indagações.
Os conceitos e as leis da Física ajudam a explicar muitos fenômenos naturais e
a entender desde o funcionamento das máquinas e das ferramentas que utiliza-
mos diariamente, como uma simples lente de aumento, um abridor de latas, uma
máquina fotográfica ou um telefone celular, até uma complexa usina nuclear, um
tomógrafo computadorizado ou um microscópio eletrônico.
Devo instalar um chuveiro elétrico ou a gás? Usar lâmpadas incandescentes ou
fluorescentes? Comprar um televisor de LCD, plasma ou LED? Os conhecimentos
adquiridos ao estudar Física podem capacitá-lo a tomar decisões mais acertadas
quando diante de diferentes opções.
Nesta coleção, procuramos mostrar os conceitos básicos dessa Ciência a fim de
fazê-lo ver o mundo com olhos críticos. Procuramos também fazer aumentar em
você, estudante, a vontade de adquirir novos conhecimentos e, assim, ajudá-lo a
desenvolver sua habilidade para trabalhar em equipe e sua autonomia para expor
de forma clara suas opiniões e convicções.
Dessa forma, esperamos contribuir para o seu crescimento, tanto intelectual
quanto pessoal, e que você possa influenciar de forma positiva a sociedade em
que vive.
Os autores
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Compreenda a estrutura desta obra

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e
ad

II
id

Unidade

Ueslei Marcelino/reUters/latinstock
Un

Força e energia
O livro está
A estruturado em
Capítulo 3
Descrição dos unidades, que Abertura de capítulo
movimentos, 46
Capítulo 4
Força e movimento, 93
se compõem de No início de cada um dos
capítulos.
Capítulo 5
Hidrostática, 130
Capítulo 6 capítulos há uma foto
Quantidade de movimento
e impulso, 164
Capítulo 7
motivadora e um texto com
informações sobre assuntos
Energia e trabalho, 187
Capítulo 8
Gravitação universal, 220
Capítulo 9
Máquinas simples, 255 relacionados ao seu conteúdo.
..........................................................................................................................................................................
..........................................................................................................................................................................
edwArd KInSmAn/getty ImAgeS

Stephen Chung/AlAmy/glow ImAgeS

B C
..........................................................................................................................................................................

lo
tu
6 Quantidade de movimento


Ca

Graeme murray/red Bull Content Pool


e impulso

A: Para proporcionar ao público uma melhor visualização das manobras executadas, foi acrescentado aos aviões da Esquadrilha
da Fumaça da Força Aérea Brasileira (FAB) um tanque de óleo exclusivo para a produção de fumaça. Na foto, os rastros de fumaça
indicam a trajetória das aeronaves em relação à Terra.
B: Movimento de uma bailarina, em relação ao solo, registrado em instantes sucessivos, por meio de uma técnica chamada de
fotografia estroboscópica.
C: A London Eye é uma roda-gigante situada na cidade de Londres, Inglaterra. Quando em movimento, suas cabines realizam, em
relação ao solo, trajetórias circulares, completando uma volta em 30 minutos.

45

Foto sequencial de um
salto de bicicleta. Napier,
Nova Zelândia, 2015. Quantidade de movimento:
um conceito fundamental na Física
Em nosso cotidiano podemos perceber que é necessário aplicar uma força
de menor intensidade para parar uma bicicleta do que para parar um carro, que
possuem inicialmente a mesma velocidade e em certo intervalo de tempo. Se a
velocidade inicial do carro fosse mais alta, seria necessária uma força de maior
intensidade. A força a ser aplicada, nesse intervalo de tempo, depende da massa
e da velocidade do corpo. Para um maior intervalo de tempo, os mesmos efeitos
podem ser obtidos com forças menos intensas. Esses exemplos sugerem a defini-
ção de duas grandezas, uma que relaciona a massa e a velocidade, denominada
quantidade de movimento, e outra que relaciona a força e o intervalo de tempo
de sua atuação, que recebe o nome de impulso.
Neste capítulo, analisaremos as duas grandezas citadas e as condições em
que há conservação da quantidade de movimento. Apresentaremos o conceito de
centro de massa de um corpo e o motivo por que a trajetória do centro de massa
do ciclista sob ação exclusiva da gravidade, não se altera, independentemente
dos movimentos de seus braços e suas pernas.

164

ica
Aplicação tecnológ s ABS
3 sistema de freio
Sistema de freio
s convencionais
(Anti-lock Braking
System)
de mecanismos que
impedem
Esse sistema é dotado durante a freada. Enquanto o
Aplicação tecnológica
Aplicações de tecnologias associadas ao conteúdo
ante do atri- rodas
gica bastante import o travamento das continuam a
Uma aplicação tecnoló entre o atrito estático e o atrito o no freio, as rodas
ça motorista está pisand sem deslizar.
to diz respeito à diferen . Como constatamos no gráfico girar de modo controlado, da com um
desliza mento - cada roda é equipa
dinâmico de
estudado, acompanhadas de uma questão para análise
o na iminên
4.15, a força de atrito estático, quand dinâmico. Para isso, atualmente, está repentinamente desacele-
da figura de atrito a se ela
é maior que a força sensor que detect ção de freio de cada
cia de movimento, convencionais, localizada na tubula e, cuja função é
sistema de freios rando. Uma válvula
Em um veículo com do automóvel o do cilindro-mestr
e discussão, individual ou em grupo, que ajuda a
ente as rodas roda contro la a pressã de freio vindo do
, geralm
durante uma freada pela superfície de apoio; desse a de freios com fluido
m abastecer o sistem lica. Uma bomba,
travam e se arrasta o entre o pneu e
o uma pressão hidráu
movimento relativ reservatório e gerar de acordo com a
modo, existe um dinâmico entre libera o fluido de freio sistema é moni-
ligada ao sistema,
compreender o tema abordado.
de deslizamento . Todo o
chão. A força de atrito responsável pela desaceleração informação transm
itida pela válvula
computador, que
a força e controladora, um
o pneu e o chão é . torado por uma unidad sensores das rodas e das válvulas.
durante essa freada
que o carro sofre ado pelo aviador ações dos
ABS foi projet recebe as inform têm velocida-
O sistema de freios permitir que os em contato com o chão não trava e o
(1880-1973) para Os pontos do pneu a roda
francês Gabriel Voisin o avião durante a ele. Desse modo,
tivesse m um controle maior sobre instalado de nula em relação a roda rola sem deslizar. Nessa
pilotos ico foi pelo chão; força de
a inteiramente mecân anos 1960, o pneu não se arrasta o pneu e o chão é a
o pouso. Um sistem Até os
situação, a força de atrito entre
de deslizamento
década de 1920. que a força de atrito
em aviões ainda na o a motocicletas e
carros de
atrito estático, maior uma força de atrito maior, a desace-
era limitad
uso dos freios ABS de 2014, por uma dinâmico. Portanto,
com percorrendo
desde 1 de janeiro
o
maior e o carro para
de 1998.

corrida. No Brasil, o (Contran), do carro também é


do Conse lho Nacional de Trânsit dos com leração de aciona dos os freios.
resolução equipa uma distância menor
, depois
já saem da fábrica
de 19 de fevereiro

todos os veículos
freios ABS.
a em seu caderno.
Questão Registre a respost
com freios ABS,
Penal e Lei 9.610

ao frear um carro
uimos fazer curvas convencionais?
parada brusca, conseg um carro com freios
Por que, durante uma linha reta ao frear
os apenas seguir em
enquanto podem
Art. 184 do Código

al , tentando com
Proposta experiment
Reprodução proibida.

extremidade do elástico
Puxe lentamente a o-a deslizar sobre o

Proposta experimental
pode verificar a rela- a e o objeto, fazend
ncia simples você isso deslocar a cartolin que ponto o elástico
Com esta experiê força de atrito. e com a caneta até
superfícies com a papel vegetal. Marqu movim ento tivesse início.
ção da textura das ais: teve de ser esticad
o para que o
os seguintes materi
to

Experimentos com a utilização de materiais simples


Serão necessários um sabonete ou
faBricio nascimen

cerca de 100 g (como


• um objeto com
a);
um bloco de madeir
a de 10 cm 3 20 cm;
• um pedaço de cartolin
• uma folha de sulfite;
• um pedaço de papel
vegetal;
de papel vegetal
pela folha de papel
para a observação de fenômenos expostos na teoria.
camurça; Substitua a folha o mesmo proced
i-
• um pedaço de papel diferentes, uma experiência. Repita pelo pedaço de
lixa com granulações sulfite e repita a
• duas folhas de a folha de sulfite
fina e outra mais áspera; mento substi tuindo folhas de lixa.
mais pelas
para prende r papel; papel camurça e s, qual apresenta maior atrito
• um clipe testado
arredondadas; Dentre os materiais a?
• tesoura de pontas a folha de cartolin :
ao deslizar contra ento no qual conste
• elástico; io sobre o experim
Elabore um relatór
• caneta. adamente 1 cm • o objetivo;
um corte de aproxim
Com a tesoura, faça de cartolina, paralel
o
• o material utilizad
o;
o;
no meio do pedaço experimental adotad
de comprimento nesse corte. Prenda • o procedimento
da folha. Insira o clipe
ao lado mais curto angulo sa do clipe. • os resultados obtido
s;
idade
o elástico à extrem l e coloque
a cartolina sobre a folha de papel vegeta • uma conclusão.
Apoie
a.
o corpo sobre a cartolin
107
.

Ainda usando o gráfico anterior, podemos concluir que entre 0 e 4,0 s o mó-
Atividade em grupo
vel se desloca com velocidade escalar instantânea constante e igual a 4,0 m/s,
isso porque seu espaço varia de modo uniforme com o passar do tempo, isto
Com a expansão das ferrovias

Atividade em grupo
é, para iguais intervalos de tempo temos iguais variações de espaço — a cada
para o oeste dos Estados Unidos,
1,0 s, por exemplo, o móvel percorre 4,0 m. No último segundo registrado no no século XIX, a comunicação e a
gráfico, entre os instantes t 5 4,0 s e t 5 5,0 s, o móvel permanece na posição de circulação de produtos tornaram-

Temas de pesquisa e/ou discussão com


espaço s 5 16,0 m, e sua velocidade escalar instantânea é, portanto, nula (v 5 0). -se mais fáceis em todo o país,
Veja no exemplo seguinte como calcular a velocidade escalar média com trens que se deslocavam a
aproximadamente 50 km/h, então
em uma situação simples.

ênfase nos impactos sociais


considerada alta velocidade. Hoje
em dia, com a evolução dos meios
de transporte, podemos cruzar

e/ou ambientais provocados pelo


Um ciclista parte da cidade A às 9 h 30 min e chega à cidade B, dis- o mundo em algumas horas, em

Exercícios resolvidos tante 72 km de A, às 13 h 30 min. Determine a velocidade escalar média aviões comerciais com velocida-
desse ciclista na viagem de A até B, em km/h e em m/s. des médias de aproximadamente

desenvolvimento tecnológico.
800 km/h. Essa é uma das razões
Resolução:
Exemplos de aplicação
para a expressão “aldeia global”.
Inicialmente, vamos determinar a duração da viagem (Dt). O inter- Discuta com seus colegas de
valo de tempo Dt é dado pela diferença entre o instante de chegada à classe as vantagens e desvantagens

imediata da teoria, cidade B e o instante de partida da cidade A. Então: desse “encurtamento” de distâncias.
Quais são os aspectos positivos des-
Dt 5 13 h 30 min 2 9 h 30 min V Dt 5 4 h se processo para a sociedade como

apresentados em
A variação de espaço Ds do ciclista na viagem de A até B corresponde

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
um todo? E os aspectos negativos?
à distância entre as cidades A e B, Ds 5 72 km. Quais as consequências do encur-
tamento de distâncias para a eco-
Portanto:

quadros azuis.
nomia, o comércio e a tecnologia?
Ds 72 km
vm 5 V vm 5 V vm 5 18 km/h
Dt 4h 1
Sabendo que 1 m/s 5 3,6 km/h ou, ainda, que 1 km/h 5 3,6 m/s,
temos:
1
vm 5 18 km/h 5 18 ? 3,6 m/s V vm 5 5 m/s

É possível que determinado deslocamento escalar seja realizado em etapas, com diferentes trechos
percorridos com diferentes velocidades escalares médias. Nesse caso, como poderíamos calcular a
velocidade escalar média na viagem completa? Observe o exemplo a seguir.

Um atleta, preparando-se para uma competição, realiza um treino correndo em uma trajetó-
ria retilínea ABC. O trecho AB é percorrido com velocidade escalar média igual a 8 m/s, e o trecho
BC é percorrido em 45 s. Sabendo que o trecho AB tem 40 m e o trecho BC tem 180 m, determine:
a) o intervalo de tempo decorrido durante o percurso do trecho AB;
b) a velocidade escalar média no trecho BC;
c) a velocidade escalar média no percurso total, trecho AC.
Resolução:
Ds
A velocidade escalar média é calculada pela relação: vm 5 . Assim:
Dt
a) No trecho AB, temos: DsAB 5 40 m e vm(AB) 5 8 m/s. Então:
Ds 40
vm 5
Dt
V 85
Dt AB
π DtAB 5 5 s

b) No trecho BC, temos: DsBC 5 180 m e DtBC 5 45 s. Então:


Ds 180
vm 5 V vm(BC) 5 45 π vm(BC) 5 4 m/s
Dt
c) Para o trecho AC, temos: DsAC 5 40 m 1 180 m 5 220 m e DtAC 5 5 s 1 45 s 5 50 s. Então:
Ds 220
vm 5 V vm(AC) 5 50 π vm(AC) 5 4,4 m/s
Dt

54

ental Exercício de fixação


Exercício fundam

Exercícios propostos
o.
Resolva em seu cadern
Exercícios kg se 2 desloca em
massa 4,0 ? 10
14 Uma moto de ade de 10 m/s.
velocidade v. ntal com velocid
m desloca-se com linha reta horizo parar. Consi-
percorre 10 m até
Exercícios classificados em fundamentais,
Um corpo de massa a cinética é igual a E.
9 Ao ser freada, ela2
Nesse caso, sua energi corpo de mesma . Determine:
cinética de outro dere g 5 10 m/s
a) Qual é a energia o-se com velocidade
2 ? v? de atrito;
massa m movimentand a) o trabalho da força
b) Qual é a massa
velocidade v e
de outro corpo que
possui
se desloca com
a ?
energia cinética igual 2
E b) a intensidade
da força de atrito;
c) o coeficiente de
atrito entre o pneu
e a pista. indicados em vermelho, para a discussão em
cinética

sala de aula, e de fixação, indicados em azul,


de massa m tiver energia
c) Se um corpo da força
será sua velocidade? mostra a intensidade massa
igual a 2 ? E, qual 15 O gráfico a seguir em um corpo de
atua
corpo pode ser resultante F que função do
a cinética de um em repouso, em
10 O valor da energi
negativo? Expliq
ue.

massa m 5 500
g é lançada, num
10  kg, inicialmente
deslocamento x. para consolidar o conhecimento adquirido.
11 Uma bola de v 5 20 m/s.
, com velocidade
certo instante t1 ade passa F (N)
ior t2, sua velocid
Num instante poster
Determine:
a ser de 30 m/s. es t e t2;
a da bola nos instant
1
a) a energia cinétic
de 1998.

25
que age na bola
força resultante
b) o trabalho da
t et.
de 19 de fevereiro

entre os instantes 1 2
inicialmente em
massa de 3,4 kg,
12 Um corpo com força resul-
tido à ação de uma
repouso, é subme N. Determine
intensidade 42,5
tante constante, de
Penal e Lei 9.610

o sua
por esse corpo quand 10 x (m)
o deslocamento sofridom/s. 0
15
velocidade atinge
a, o
a da energia cinétic
Art. 184 do Código

com o teorem
13 De acordo igual à varia- Determine: no deslocamento
resultante é sempre o trabalho força resultante F
trabalho da força a. É possível que a) o trabalho da
ção da energia cinétic es no sistema seja maior de x 5 0 a x 5 10
m;
atuant 10 m.
de uma das forças a? Caso isso possa corpo quando x 5
energi a cinétic b) a velocidade do
Reprodução proibida.

que a variação da lo justificando sua


resposta.
acontecer, dê um exemp
secco

l gravitacional
Energia potencia
IlustraÇÕes: adIlson

idade de energia
medida da quant
definimos, é uma a.
O trabalho, como corpo ou de um sistem
re ou retira de um Se tal corpo
que uma força transfe P a certa altura do solo.
de peso
Consideremos um
corpo dade aumentará
ele cairá, e sua veloci
partir do repouso, cai, sua energia
for abandonado a palavr as, à medida que o corpo
outras
gradativamente. Em
cinética aumen ta. rido essa A
Que força terá transfe
vindo tal energia?
Mas de onde estará
.

energia para o corpo


? que age no corpo
P
O que diz a mídia
a resistê ncia do ar, a única força h
Note que, desprezada i em determinado
que o corpo possu
a energia cinética corpo realizou
é seu peso P. Logo, Ou seja, o peso do Alimentação segura e com qualidade
instante foi-lhe transfe
um trabalho.
rida pelo peso P.

ar o trabal ho realizado pelo peso.


B O que diz a mídia!
Vamos, então, calcul calculado por
força constante é
Textos publicados em
Um detector de adulterações no leite, um modelo de
Joana Pasquali/aCerVo Prêmio JoVem Cientista

P
o trabalho de uma o do deslocament
o
Como já sabemos,
agricultura urbana sustentável e a descoberta de que
e da força na direçã
F é a component a castanha-do-brasil reduz prejuízos cognitivos em
T 5 Fx ? d, em que x P transfere energia

jornais, revistas ou
o. e, poste- Figura 7.12 O peso idosos foram os trabalhos vencedores do Prêmio Jovem
e d é o deslocament m ? g inicial mente no ponto A para o corpo, ou seja,
trabalho.
realiza
Cientista de [2015].
de peso P 5
Considere o corpo uma altura h (fig.
7.12).
B, depois de cair por Por: Everton Lopes
riormente, no ponto
sites, acompanhados A qualidade da nossa alimentação é uma preocupa-
ção crescente e envolve vários fatores. De um lado,
198
de uma questão
existem alimentos cujo consumo pode trazer bene-
fícios à saúde. De outro, a produção cada vez mais
industrializada dificulta a transparência em relação

que os relaciona ao
ao que se ingere e o ato de comer pode ir do prazer
à tragédia com adulterações que enganam e prejudi-
cam o consumidor em favor dos lucros. Além disso,

conteúdo do capítulo. a sociedade precisa encontrar modelos alternativos


Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

e sustentáveis que permitam melhorar a gestão dos


espaços produtivos, controlar a origem dos alimentos

Uso da calculadora científica


e garantir sua distribuição mais equilibrada. Essas
questões estão na base dos projetos vencedores da
Joana Meneguzzo Pasquali apresenta o protótipo do
28a edição do Prêmio Jovem Cientista, que teve como Detectox, que identifica a presença de substâncias tóxicas no

Exercícios em que se recomenda


tema a segurança alimentar e nutricional. leite. A estudante foi a primeira colocada no Prêmio Jovem
O risco presente nos alimentos industrializados foi o Cientista de 2015 na categoria estudante de ensino médio.
(Foto: divulgação/ Prêmio Jovem Cientista)
que motivou Joana Meneguzzo Pasquali, do Colégio Mu-

o uso de calculadora científica, tirão de São Marcos, no Rio Grande do Sul, a desenvolver
o seu Detectox, um kit capaz de detectar a presença
de substâncias tóxicas no leite UHT. “A divulgação das
“O leite é um dos alimentos básicos, por isso, é im-
portante para a população controlar a sua qualidade”,

indicados com o ícone.


comenta Pasquali. “Sabendo que o consumidor possui
fraudes no leite na minha região foi muito intensa e,
uma forma de detectar as fraudes, as empresas ficarão
assim que os casos foram noticiados, comecei a pensar
desencorajadas de realizar as adulterações”. Criado com
em uma possível solução”, conta a jovem de 17 anos, pri-
o objetivo de ser uma ferramenta para o consumidor fi-
meira colocada na categoria estudante do ensino médio.
nal, o produto, de baixo custo, pode se tornar uma opção
Utilizando como base um pedaço de filtro de café viável para garantir a segurança alimentar do leite. “Se
embebido com reagentes que indicam a presença das o protótipo for aprimorado, pode despertar o interesse
substâncias indesejadas, Pasquali confeccionou – por comercial”, completa.
conta própria e de forma artesanal – as fitas detectoras
de fraude. O protótipo é capaz de identificar a adição de [...]
formol, amido, hidróxido de sódio ou outras substâncias [Em 2015], o Prêmio Jovem Cientista recebeu 1.920 ins-
que alterem o pH do leite. “Procurei um material que crições de todo o país. Os vencedores foram anunciados
transpirasse menos, assim, os reagentes não evaporariam [no dia 21 de maio] em Brasília.
até o momento dos testes”, explica. Para testar o protótipo,
LOPES, Everton. Alimentação segura e com qualidade. Disponível em:
a estudante realizou as contaminações no leite com o au- <http://cienciahoje.com.br/noticias/2015/alimentacao-segura-e-com-quali
xílio da professora de metodologia científica de sua escola. dade>. (Acesso em: 21 out. 2015.)

Questão Registre a resposta em seu caderno.

Até aqui estudamos um pouco como o conhecimento é produzido na Ciência. Esse texto mostra
como pessoas comuns podem fazer Ciência. Você saberia dizer por que isso é importante?

29
Compreenda a estrutura desta obra

Rompendo com as ideias aristotélicas e o senso comum, Galileu concluiu que um movimento
pode existir sem a intervenção permanente de uma força. Em quase dois mil anos de Física, essa foi
a primeira ideia de inércia de movimento com bases experimentais.
Entretanto, coube a Isaac Newton, quase sessenta anos depois, organizar e apresentar com mais
precisão os conceitos de velocidade, aceleração, massa e força. Ele sintetizou tudo isso em algumas
definições e três leis (ou princípios), denominadas leis de Newton dos movimentos.
A Dinâmica, como é denominada a parte da Mecânica que estuda as causas dos movimentos e
das alterações que eles experimentam, se estrutura nas três leis de Newton dos movimentos: princípio
da inércia ou primeira lei de Newton, princípio fundamental da Dinâmica ou segunda lei de Newton
e princípio da ação e reação ou terceira lei de Newton.

Isaac Newton

Biografia
Isaac Newton nasceu em Woolsthorpe, uma pequena aldeia no

Galeria nacional de retratos, londres


condado de Lincolnshire, Inglaterra, no dia 25 de dezembro de
1642, pelo calendário juliano, vigente na época de seu nascimento.
O calendário gregoriano, implantado pelo papa Gregório XIII em

Histórias da vida de cientistas ligados ao 1582 e utilizado atualmente na maioria dos países, só foi adotado
pela Inglaterra em 1752. De acordo com esse calendário, Newton
teria nascido em 4 de janeiro de 1643.

assunto tratado no capítulo em questão Considerado um dos grandes matemáticos de todos os tempos,

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
juntamente com Arquimedes e Gauss, Newton foi também físico,
filósofo, astrônomo, alquimista e teólogo. Muitos historiadores

e suas contribuições ao avanço da Ciência.


da ciência o consideram o maior e mais influente cientista que
já existiu.
Em 1661, aos 18 anos de idade, foi admitido no Trinity College, Retrato de Isaac Newton

No texto, o realce no nome de um cientista


em Cambridge, graduando-se em agosto de 1665, ano em que (1642 -1727).
um surto de peste bubônica, que assolou a Inglaterra de 1664 até
fins de 1666, o obrigou a retornar a sua cidade natal. Durante esse

Kevin r Boyd
indica a existência de uma biografia.
período, a Universidade de Cambridge ficou fechada, reabrindo
somente em 1667.
Do início de 1665 até o final de 1666, Newton trabalhou em Ma-
temática (no desenvolvimento do cálculo infinitesimal), Óptica,
Astronomia e Gravitação. Por isso, o ano de 1666 é denominado
Annus mirabilis (ano maravilhoso) de Newton.
Esses trabalhos, exceto a parte referente à Óptica, foram reunidos e
publicados em julho de 1687 na obra Principia, constituída por três
livros e considerada uma das mais importantes obras científicas de
todos os tempos produzida por uma só mente. Os estudos de Óp-
tica, teoria da luz e cor, foram publicados no livro Opticks, em 1704. Casa onde nasceu Isaac Newton em
Em 1669, Newton foi nomeado professor lucasiano para a cátedra Woolsthorpe, condado de Lincolnshire,
a 150 km de Londres. Inglaterra, 2006.
de Matemática da Universidade de Cambridge, honorável cargo
criado por Henry Lucas, influente membro do Parlamento inglês

ricardo rafael alvarez/alamy/Glow imaGes


ligado a essa instituição. Outros nomes famosos que ocuparam
esse posto foram Charles Babbage (1828), considerado o pai da
Ciência da Computação, Paul Dirac (1932), um importante cientista
para o desenvolvimento da Mecânica Quântica, e Stephen Hawking
(1979), físico teórico que tem feito importantes contribuições para
a Cosmologia.
Entre 1670 e 1672, Newton pesquisou e lecionou Óptica em
Cambridge, período em que aperfeiçoou um tipo de telescópio,

Você sabe por quê?


refletor, hoje conhecido como telescópio newtoniano, contor-
nando assim o problema da aberração cromática presente nos
telescópios refratores.

Perguntas que associam


Em 1687 foi publicada a primeira edição do Principia, pela Royal
Society de Londres. Outras duas edições foram publicadas em
1713 e em 1726, com correções e anotações do próprio Newton.

o tema em estudo a
Isaac Newton morreu em março de 1727, em Londres, aos 84 anos. Túmulo de Isaac Newton na Abadia de
Hoje seu túmulo pode ser visitado na Abadia de Westminster. Westminster, Londres. Inglaterra, 2014.

fatos observados no 97

cotidiano.

Você sabe por quê? u o seguinte experi-


or de Física realizo da
queda livre, um profess mesma altura e sob ação exclusiva
da teoria sobre a da
Após a explanação corpos abandonados altura uma folha de
papel
aula para provar que abandonou de certa que a
mento em sala de tempo. O professor alunos, constatou
ao solo ao mesmo os olhares atentos dos a
gravida de chegam bolinh a, e, sob a, colocou a bolinh
da, formando uma aberta. Em seguid
aberta e outra amassa chegou ao solo antes da folha de papel to paralel amente ao
da um apagador dispos
folha de papel amassa uma das faces de chegaram juntos ao
solo.
da folha aberta sobre constatou que todos
de papel e um pedaço to de certa altura, o professor
o o conjun
solo. Abandonand situações descritas?
r o porquê das duas
Você sabe explica

riais
res e grandezas veto
4 Grandezas escala ica, vamos fazer a
distinção
ensionais e da Dinâm
dos movimentos bidim
Antes de iniciar o estudo ais. s por um valor
res e grandezas vetori te caracterizada apena
entre grandezas escala grandeza perfeitamen
escala r é uma a. A massa de um corpo (por exem-
A grandeza física nte unidade de medid3 a densidade (para
a
de 1998.

o da corresponde m , por exemplo),


numérico acompanhad (por exemplo, 36 °C), o volume (5 lo, 100 J) são grand
ezas
plo, 50 kg), a tempe
ratura energia (por exemp
, por exemplo) e a
de 19 de fevereiro

5 2
3
), a pressão (10 N/m
água, 1.000 kg/m
res. exemp lo, um carro a 80 km/h, cons-
físicas escala móvel qualquer, por segue.
instantânea de um o em que o móvel
Dada a velocidade sabermos a direçã
é insuficiente para
Penal e Lei 9.610

s essa informação al.


tatamos que apena grandeza física vetori apenas seu
e a velocidade é uma amos conhecer não
Isso acontece porqu física vetorial, precis mas
erizar plenam ente uma grandeza é, sua intens idade ou módulo),
Para caract e de medida (isto ada
Art. 184 do Código

correspondente unidad da por uma letra encim


valor numérico e sua costuma ser indica
Navegue na web
grandeza vetorial apenas por v.
o e seu sentido. A indicada por | v | ou
também sua direçã ou módulo, pode ser reta
seta, por exemp lo, v . Sua intensidade, mente por um segmento de
por uma entada grafica seu valor
al pode ser repres o), trazendo ainda
Reprodução proibida.

vetori
Endereços de sites com
Uma grand eza física de seu sentid
seta (indicativa . Tal repre-
o) dotado de uma ção de sua intensidade)
(indicando sua direçã pondente unidad
e de medida (indica
seguid o da corres
numérico citado acima,
sentação é denom
Para caracterizar
inada vetor.
plenamente a grand
que, em determinado
eza física velocidade
instante, ele se movim
no exemplo do carro
enta com velocidade
Essa velocidade vetori
v de módulo
al instantânea
informações adicionais,
poderíamos dizer o de sul para norte.
v = 80
pode
km/h,
ser
na
repres
direçã
entad
o norte-sul e no sentid
a por um vetor, como
mostr a a figura 3.25.
simulações, animações, vídeos.
AdIlSon SeCCo

entação gráfica da velocidade


Figura 3.25 Repres inado instante.
num determ
vetorial v do carro Navegue na web
ezas escalares e,
tratadas como grand
aceleração foram r. Entretanto, • Scistarter
a velocidade e a r e aceleração escala
Nos itens anteriores, sões velocidade escala rico e sua
utilizamos as expres o, além do valor numé nessas <http://scistarter.com/index.html>. (Acesso em: 27 out. 2015.)
por isso, muitas vezes têm direção e sentid r,
e aceleração são grandezas que ezas físicas vetoriais. Vamos indica O site, em inglês, é um repositório de pesquisas em andamento em diversas áreas, nas quais pessoas comuns
velocidade e de grand
nte unidad e de medida. Trata-s nte, por v e a. podem colaborar para a coleta de dados. Você poderá escolher onde coletar os dados (em sua casa, na es-
corres ponde respectivame al v é
ões, a veloci dade e a aceleração, unifor me (MRU) , a velocidade vetori cola, na praia, durante uma caminhada etc.) e a área de interesse (animais, pássaros, insetos, arqueologia,
condiç eo e ( a 5 0 ).
de um móvel em movimento retilín ntes e a aceler ação vetorial é nula astronomia, biologia, química, entre outras).
No caso sentido consta
módulo, direção e • Sistema Urubu
constante, isto é, tem
<http://cbee.ufla.br/portal/sistema_urubu/>. (Acesso em: 27 out. 2015.)
Está viajando e viu/presenciou algum atropelamento de animal na via? Todos os anos, aproximadamente
80 450 milhões de animais são atropelados e mortos nas estradas brasileiras. Para tentar reverter esse quadro,
o Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas (CBEE) desenvolveu um aplicativo chamado "Sistema
Urubu", que funciona como uma rede virtual de colaboradores. Pelo Urubu Mobile você poderá se tornar
um verdadeiro parceiro do Sistema Urubu e fazer parte dessa rede de conservação. O Urubu Mobile é um
aplicativo gratuito para tablets e smartphones com sistema operacional Android ou iOS. Seu aparelho precisa
ter câmera fotográfica e GPS integrados.

• Como tudo funciona


<http://ciencia.hsw.uol.com.br/metodos-cientificos.htm>. (Acesso em: 27 out. 2015.)
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Versão em português do site americano How Stuff Works. Essa página traz um artigo, bastante completo,
que aborda a história da evolução do método científico, suas origens, etapas e aplicações. Mostra, ainda, as
limitações desse método.

• A importância da história da Ciência


<http://cienciahoje.uol.com.br/alo-professor/intervalo/a-importancia-da-historia-da-ciencia/view>. (Acesso
em: 27 out. 2015.)
O vídeo, dividido em sete partes e com duração de aproximadamente uma hora, foi produzido pelo Instituto
de Bioquímica Médica da UFRJ e trata o tema com muitos detalhes. Todo o filme é conduzido por um tom
bastante humanista, com pontuações sobre as benesses e as tragédias — quando mal utilizada — que a
ciência pode trazer.

• O relógio atômico brasileiro


<http://www.cepa.if.usp.br/e-fisica/mecanica/pesquisahoje/cap3/defaultframebaixo.htm>. (Acesso em:
27 out. 2015.)
A página, mantida pelo Instituto de Física de São Carlos da Universidade de São Paulo, explica a evolução nas
medidas de tempo, a precisão necessária no dia a dia e as principais aplicações de um relógio atômico. Além
disso, mostra o funcionamento e a importância do relógio atômico criado em São Carlos, SP.

Sugestões de leitura
• A relatividade do erro, de Isaac Asimov. Rio de Janeiro: Edições 70 – Brasil, 1991.
Sugestões de leitura Qual é a origem da noção de que o “certo” e o “errado” são absolutos? Nesse livro, Asimov mostra que 9 mais
5 pode ser igual a 2! Isso mesmo, 9 1 5 5 2. Sendo 9 h da manhã e tendo se passado 5 horas, não serão
2 h da tarde?

Indicações e breves resenhas de • Cronologia das ciências e das descobertas, de Isaac Asimov. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1993.
Combinando história mundial com descobertas científicas e invenções, Asimov ilustra, em ordem cronoló-
gica, como ciência e eventos políticos, sociais e culturais afetam uns aos outros.

livros e textos que proporcionam • Que é ciência, afinal?, de Alan F. Chalmers. São Paulo: Brasiliense, 2009.
“O que é tão especial em relação à ciência? O que vem a ser esse ‘método científico’ que comprovadamente

o aprofundamento do assunto
leva a resultados especialmente meritórios ou confiáveis?” Essas são algumas das questões abordadas
nessa obra.

estudado e possibilitam a 44

ampliação do conhecimento.
......................................................................................................
......................................................................................................
......................................................................................................
Sumário
Unidade Adição e subtração ..................................................... 36

I
❚ Proposta experimental ........................................... 36
Fundamentos da Ciência Física
❚ Exercícios ................................................................ 37

capítUlo
❚ Aplicação tecnológica •
GPS (Global Positioning System) ........................... 38
1 Natureza da Ciência, 12
7. Representações gráficas ...................................... 40
1. A Ciência Física .....................................................13 ❚ Proposta experimental ........................................... 42
❚ Atividade em grupo ................................................ 13 ❚ Exercícios ................................................................ 42
2. Física e suas relações com outras ciências .............15 Navegue na web ........................................................ 44
❚ Biografia • Leonardo da Vinci ................................ 15 Sugestões de leitura .................................................. 44
❚ Atividade em grupo ................................................ 15
3. O mundo que nos rodeia ........................................16
❚ Atividade em grupo ................................................ 16 Unidade

❚ O que diz a mídia! •


O manifesto eco-modernista: “só com tecnologia II Força e energia
seremos capazes de proteger a natureza” .............. 18
❚ Exercícios ................................................................ 19 capítUlo

Navegue na web ........................................................ 22 3 Descrição dos movimentos, 46


Sugestões de leitura .................................................. 22
1. Introdução ........................................................... 47
❚ Atividade em grupo ................................................48
capítUlo
❚ Biografia • Galileu Galilei ....................................... 49
2 Métodos da Ciência Física, 23 2. Espaço, referencial, velocidade e aceleração ......... 49
Espaço ......................................................................... 49
1. Registro histórico ................................................. 24 Referencial .................................................................. 51
2. Método científico ................................................. 24 Velocidade .................................................................. 52
❚ Atividade em grupo ................................................ 24
❚ Atividade em grupo ................................................ 54
3. Problemas e exercícios –
estratégias de resolução ....................................... 26 ❚ Aplicação tecnológica • Semáforos
sincronizados .......................................................... 55
❚ Biografia • Eratóstenes ........................................... 27 ❚ Exercícios ................................................................ 56
❚ Exercícios ................................................................ 28
Aceleração .................................................................. 57
❚ O que diz a mídia! •
❚ Exercícios ................................................................ 59
Alimentação segura e com qualidade .................... 29
4. Prefixos ............................................................... 30 3. Cinemática dos movimentos
uniforme e uniformemente variado ....................... 59
❚ Exercícios ................................................................ 30
Movimento uniforme (MU) ......................................... 59
5. Sistema Internacional de Unidades (SI) ..................31
❚ Exercícios ................................................................ 63
❚ Atividade em grupo ................................................ 32
Comprimento .............................................................. 32 ❚ Proposta experimental ...........................................64

Massa .......................................................................... 32 Movimento uniformemente variado (MUV) .............. 65


Tempo .......................................................................... 33 ❚ Atividade em grupo ................................................66
❚ Atividade em grupo ................................................ 33 ❚ Exercícios ................................................................68
❚ Exercícios ................................................................ 34 ❚ Proposta experimental ........................................... 70
6. Precisão das medidas ........................................... 34 ❚ Biografia • Evangelista Torricelli ............................71
Algarismos significativos ........................................... 34 ❚ Você sabe por quê? ..................................................71
❚ Atividade em grupo ................................................ 35 ❚ Exercícios ................................................................ 73
❚ Você sabe por quê? ................................................. 35 ❚ Aplicação tecnológica • Como funciona a
Multiplicação e divisão .............................................. 35 lombada eletrônica ................................................ 74
Sumário

❚ O que diz a mídia! • 4. Segunda lei de Newton ou princípio


Punição ou segurança ao motorista? fundamental da Dinâmica ................................... 110
Entenda polêmica sobre a redução ❚ Exercícios ...............................................................113
de velocidade nas marginais................................... 76
5. Terceira lei de Newton ou
Movimento vertical nas proximidades princípio da ação e reação ................................... 115
da superfície terrestre ................................................ 77
❚ Proposta experimental .......................................... 117
❚ Exercícios ................................................................ 79
❚ Exercícios ...............................................................118
❚ Você sabe por quê? ................................................. 80
❚ Exercícios .............................................................. 120
4. Grandezas escalares e grandezas vetoriais ........... 80
6. Aceleração centrípeta ......................................... 121
Adição de vetores ....................................................... 81
❚ Proposta experimental ......................................... 124
Subtração de vetores .................................................. 82
Velocidade angular .................................................. 124
Multiplicação de um número real n por
um vetor v ................................................................... 83 ❚ Você sabe por quê? ............................................... 126
❚ Exercícios ................................................................ 85 ❚ Proposta experimental ..........................................127
5. Movimentos bidimensionais sob ação ❚ Exercícios .............................................................. 128
da gravidade ........................................................ 87 Navegue na web .......................................................129
Lançamento horizontal ..............................................89 Sugestões de leitura .................................................129
❚ Exercícios ................................................................ 90
Lançamento oblíquo .................................................. 91 capítUlo
❚ Exercícios ................................................................ 92
5 Hidrostática, 130
Navegue na web ........................................................ 92
Sugestões de leitura .................................................. 92 1. Conceito de fluido ............................................... 131
2. O que diz a história – Arquimedes ......................... 131
capítUlo
❚ Biografia • Arquimedes .........................................131
4 Força e movimento, 93 3. Conceito de densidade .........................................133
❚ Exercícios .............................................................. 134
1. Conceito de força ................................................. 94
4. Princípio de Arquimedes ......................................135
2. Primeira lei de Newton ou
princípio da inércia .............................................. 96 ❚ Proposta experimental ......................................... 135
O conceito de inércia e o princípio da inércia ............ 96 Relação entre o empuxo e a
densidade do líquido ................................................ 136
❚ Biografia • Isaac Newton ........................................ 97
❚ Exercícios ...............................................................137
❚ O que diz a mídia! •
Peso aparente dos corpos ........................................ 138
A importância do uso do cinto
de segurança no automóvel ................................. 100 ❚ Proposta experimental ......................................... 139
❚ Exercícios .............................................................. 100 ❚ Exercícios .............................................................. 139
3. Forças ................................................................102 5. Flutuação dos corpos ..........................................140
Força de deformação elástica .................................. 102 ❚ Atividade em grupo ...............................................141
❚ Biografia • Robert Hooke ..................................... 103 Flutuação e densidade ..............................................141
Peso e gravidade ....................................................... 103 ❚ Você sabe por quê? ............................................... 142
Tração em um fio ...................................................... 104 ❚ Exercícios .............................................................. 143
❚ Exercícios .............................................................. 104 ❚ Proposta experimental ......................................... 144
Força de reação normal do apoio Empuxo do ar ............................................................ 144
e força de atrito ........................................................ 105
❚ Exercícios .............................................................. 145
❚ Aplicação tecnológica • Sistema de freios
convencionais 3 sistema de freios ABS ❚ Aplicação tecnológica • Balões e dirigíveis ......... 146
(Anti-lock Braking System) ...................................107 ❚ Atividade em grupo .............................................. 148
❚ Proposta experimental ..........................................107 6. Conceito de pressão ............................................148
Força de resistência fluida ....................................... 108 ❚ Você sabe por quê? ............................................... 149
❚ Atividade em grupo .............................................. 108 Unidades de pressão ................................................ 149
❚ Exercícios .............................................................. 109 ❚ Exercícios .............................................................. 150
7. Pressão em um líquido em equilíbrio ....................150 ❚ Exercícios ...............................................................181
Teorema de Stevin .................................................... 150 ❚ Proposta experimental ..........................................181
❚ Biografia • Simon Stevin ....................................... 150 5. Centro de gravidade ............................................182
❚ Exercícios .............................................................. 152 Propriedade do centro de massa ............................. 183
❚ Atividade em grupo .............................................. 152
6. Equilíbrio de corpos apoiados ..............................184
8. Pressão atmosférica ............................................153
Tipos de equilíbrio .................................................... 184
❚ Atividade em grupo .............................................. 154
❚ Exercícios .............................................................. 186
❚ Você sabe por quê? ............................................... 154
Navegue na web .......................................................186
❚ Exercícios .............................................................. 154
Pressão total no interior de um Sugestões de leitura .................................................186
líquido em equilíbrio ................................................ 155
❚ Exercícios .............................................................. 156
❚ O que diz a mídia! • capítUlo

Exposição viaja ao fundo do mar 7 Energia e trabalho, 187


para descobrir o Titanic ........................................ 156
Unidades práticas de pressão ...................................157 1. As várias formas de energia .................................188
❚ Exercícios .............................................................. 158 ❚ Proposta experimental ......................................... 189
❚ Aplicação tecnológica • ❚ Você sabe por quê? ............................................... 189
O esfigmomanômetro ........................................... 159
2. Trabalho de uma força .........................................190
9. Empuxo e pressão ...............................................159
10. Princípio de Pascal ..............................................160 ❚ Biografia • James Watt ......................................... 190
Prensa hidráulica ..................................................... 160 ❚ Atividade em grupo .............................................. 190
❚ Atividade em grupo .............................................. 162 ❚ Exercícios .............................................................. 193

❚ Aplicação tecnológica • Elevador hidráulico ...... 162 3. Trabalho e energia ..............................................194


❚ Exercícios .............................................................. 163 Energia cinética ........................................................ 194
Navegue na web .......................................................163 ❚ Aplicação tecnológica • Aviação a jato ................ 196
Sugestões de leitura .................................................163 ❚ Exercícios .............................................................. 198
Energia potencial gravitacional .............................. 198
Energia potencial elástica ....................................... 200
capítUlo
❚ Você sabe por quê? ............................................... 201
6 Quantidade de movimento e impulso, 164 ❚ Exercícios .............................................................. 202
4. A conservação da energia ................................... 204
1. Um pouco de história ...........................................165
❚ Biografia • James Prescott Joule ......................... 205
❚ Biografia • René Descartes ................................... 165
❚ Você sabe por quê? ............................................... 205
❚ Você sabe por quê? ............................................... 168
2. Princípio da conservação da ❚ Você sabe por quê? ...............................................206
quantidade de movimento ...................................169 ❚ O que diz a mídia! •
❚ Proposta experimental .......................................... 171 Sistemas de recuperação de energia .................... 207
❚ Exercícios ...............................................................172 ❚ Proposta experimental .........................................208
3. Impulso de uma força e variação ❚ Proposta experimental ..........................................211
da quantidade de movimento .............................. 173
❚ Aplicação tecnológica •
Gráfico F 3 t ...............................................................176 A célula de sobrevivência ..................................... 212
❚ Exercícios ...............................................................176 ❚ Exercícios .............................................................. 213
❚ Aplicação tecnológica • Air bag ............................177 5. Potência .............................................................216
❚ O que diz a mídia! • Relação entre potência e velocidade ........................217
Entenda como funciona o air bag
❚ Exercícios .............................................................. 218
e conheça alguns mitos sobre
o item de segurança ...............................................178 Navegue na web .......................................................219
4. Coeficiente de restituição ....................................179 Sugestões de leitura .................................................219
Sumário

capítUlo capítUlo

8 Gravitação universal, 220 9 Máquinas simples, 255

1. Uma breve visão do Universo ...............................221 1. Máquinas simples .............................................. 256


Teoria do Big Bang ................................................... 221 2. Alavancas .......................................................... 256
Formação do Sistema Solar ..................................... 222 Equilíbrio de uma alavanca usando
o conceito de momento ou torque ........................... 257
2. Um recuo no tempo .............................................223
Tipos de alavanca ..................................................... 259
Filósofos da Grécia Antiga ....................................... 224
❚ Atividade em grupo .............................................. 260
Modelo de Ptolomeu ................................................ 225
Alavancas do corpo humano ................................... 261
Modelo de Copérnico ................................................ 226
❚ Exercícios .............................................................. 261
❚ Biografia • Nicolau Copérnico .............................. 227 ❚ Você sabe por quê? ............................................... 263
Contribuições de Galileu Galilei .............................. 228
3. Polias ou roldanas ............................................. 263
Trabalho de Johannes Kepler .................................. 228 Polia fixa ................................................................... 264
❚ Biografia • Tycho Brahe ........................................ 228 Polia móvel ............................................................... 265
❚ Biografia • Johannes Kepler ................................. 229 Associações de polias ............................................... 265
3. Leis de Kepler do movimento planetário ............. 230 Talha exponencial .................................................... 266
Primeira lei de Kepler ou lei das órbitas ................. 230 Conservação do trabalho ......................................... 267
❚ Proposta experimental ......................................... 231 ❚ Exercícios .............................................................. 268
Segunda lei de Kepler ou lei das áreas .................... 232 ❚ Proposta experimental ......................................... 269
Terceira lei de Kepler ou lei dos períodos ................ 234 4. Plano inclinado ................................................. 269
❚ Você sabe por quê? ............................................... 235 Parafuso .................................................................... 270
❚ Atividade em grupo .............................................. 238 ❚ Proposta experimental ..........................................271

❚ O que diz a mídia! • ❚ Aplicação tecnológica • Estação


Plutão, seu lindo! .................................................. 238 de tratamento de esgoto ...................................... 272

❚ Exercícios .............................................................. 240 ❚ Exercícios .............................................................. 273


5. Transmissão de movimentos
4. Lei da Gravitação Universal
circulares. Engrenagens ......................................274
(ou lei da atração das massas) .............................241
As marchas da bicicleta ........................................... 276
Primeiro enunciado – qualitativo ............................ 241
Segundo enunciado – quantitativo .......................... 243
❚ O que diz a mídia! •
Código de Trânsito prevê punições
❚ Biografia • Henry Cavendish ................................ 244 para ciclistas, mas normas não são
❚ Você sabe por quê? ............................................... 244 respeitadas nem fiscalizadas ............................... 277
❚ Exercícios .............................................................. 245 ❚ Exercícios .............................................................. 278
Navegue na web ...................................................... 279
5. Satélites em órbita ............................................. 246
Sugestões de leitura ................................................ 279
Velocidade e período de
um satélite em órbita circular ................................. 246
Tipos de satélite ........................................................ 247 Respostas ............................................................. 280
Imponderabilidade em órbita .................................. 248 Apêndice ............................................................... 286
❚ Exercícios .............................................................. 249 Bibliografia ........................................................... 288
6. Satélites de comunicação ................................... 250
❚ Exercícios .............................................................. 251
7. Aceleração gravitacional ....................................251
Variação da aceleração
gravitacional no interior da Terra ........................... 252
❚ Exercícios .............................................................. 254
Navegue na web ...................................................... 254
Sugestões de leitura ................................................ 254
..........................................................................................
..........................................................................................
..........................................................................................
..........................................................................................
.. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. ..

e
ad
id
I Fundamentos
Un

da Ciência Física
A

Capítulo 1
Natureza da Ciência, 12

Capítulo 2
Métodos da Ciência
Física, 23
nasa
Leonardo da Vinci/Getty imaGes - coLeção particuLar

Franco HoFF/puLsar imaGens


B C

A: Astronauta Bruce McCandless II em "voo


livre" a uma distância de 100 metros da nave
Orbiter, no ano de 2004.
B: Réplica do "parafuso voador" de Leonardo
Da Vinci (1452-1519).
C: Relógio de sol, antigo instrumento para
medição da passagem do tempo, ao longo do
dia, pela sombra projetada por um ponteiro
sobre um mostrador. Santa Catarina, 2013.

11
..........................................................................................
..........................................................................................
..........................................................................................

lo

© 20tH century Fox FiLm corp./courtesy


eVerett coLLection/Keystone BrasiL
tu

1

Ca

Natureza da Ciência

Cena do filme A Guerra


do Fogo (direção de Jean-
-Jacques Annaud, França/ Pequenas descobertas... Grandes avanços...
Canadá, 1981).
Ciência é o nome que podemos dar ao conjunto de conhecimentos, descober-
tas e invenções que têm por objetivo melhorar a condição de vida das pessoas.
A descoberta do fogo, por exemplo, possibilitou uma ampliação da dieta alimentar,
além de um melhor aproveitamento dos alimentos ingeridos. A invenção da roda
tornou mais fácil o transporte de cargas pesadas e permitiu deslocamentos mais
longos, o que aumentou a área que podia ser explorada e colonizada.
A partir do Renascimento, período histórico iniciado na Europa entre os séculos
XIV e XVI, os avanços científicos tornaram-se significativos quando comparados
com os séculos anteriores, ainda dominados pela visão de mundo dos gregos an-
tigos. A Revolução Industrial, iniciada na Inglaterra em meados do século XVIII,
trouxe consigo grandes transformações econômicas e sociais. Mas foi a partir do
final do século XVIII que a Ciência começou a ser mais utilizada, seja nas áreas
da Medicina e dos transportes, seja na manipulação dos recursos naturais, com o
objetivo de dar uma melhor condição de vida às pessoas.
Isso é animador, mas ainda resta um longo caminho a ser percorrido para
que as desigualdades econômicas e sociais entre os povos sejam superadas e os
avanços científicos possam ser compartilhados por todos. Essa é a grande tarefa
a ser cumprida pelas gerações futuras.

12
1 A Ciência Física
Os mais antigos registros históricos já mostravam a preocupação do ser

SPL/LATINSTOCK
humano em entender e explicar o mundo em que vivia. Ao longo do tempo,
organizamos grande parte desse entendimento, tentando construir nosso
mundo com base nele. Ciência significa “conhecimento”. Mas, antes de tudo, é
o conjunto que descreve a organização da natureza, da sociedade e a origem
dessa organização. É ainda uma atividade em constante mudança que repre-
senta as descobertas, os saberes e os esforços coletivos da humanidade na
tentativa de reunir conhecimentos sobre a natureza, sistematizá-los e resumi-
-los em leis e teorias que podem ser testadas. A Ciência, portanto, resulta de
Figura 1.1 Em 2011, o astronauta Greg
um processo de observação, estudo e tentativa de explicar o ambiente em Chamitoff realizou um conserto em órbita
que vivemos; assim, Ciência é criatividade, é aprender e fazer. Já aprendemos fora da Estação Espacial Internacional (ISS).
até a trabalhar no espaço (fig. 1.1), mas ainda resta muito a aprender.
Ao longo deste livro, você irá aprender, explicar e fazer Ciência por meio
de muitas atividades.
O campo de estudo da Física Clássica é geralmente dividido em cinco
grandes áreas: Mecânica, Termofísica (calor e termodinâmica), Óptica (luz e
visão), Ondas (que inclui o estudo do som e da audição) e Eletromagnetis-
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

mo (eletricidade e magnetismo). A Física Moderna, que teve início com as


teorias elaboradas a partir do início do século XX, abrange a Relatividade
e Cosmologia, a Astrofísica, a Física Quântica, a Física Nuclear e a Física da
Matéria Condensada (fig. 1.2).

Ver comentário no Suplemento para o professor.

Óptica Atividade em grupo

Termofísica Ondas A Ciência e a tecnologia têm


provocado grandes impactos em
nossas vidas.
Mecânica Eletromagnetismo Para se certificar da veracidade
dessa afirmação, pergunte a seus
avós, ou a uma pessoa idosa da sua
Física família, como era a vida deles quan-
ADILSON SECCO

Física da
Relatividade do jovens e quais mudanças eles
Matéria
e Cosmologia presenciaram ao longo do tempo;
Condensada
o que pensam sobre os avanços
tecnoló gicos que tiveram maior
Física impacto na sociedade na época de
Astrofísica
Nuclear sua implantação. A entrevista pode
Física
ser substituída pelo depoimento, em
Quântica
sala de aula, de um(a) funcionário(a)
idoso(a) da escola. Os grupos forma-
dos devem preparar previamente as
perguntas. Nessa ocasião, debata
Figura 1.2 Os campos de estudo da Física Clássica (em amarelo) e da Física
Moderna (em verde). com seus colegas como seria nos-
sa vida sem todos esses avanços
tecnológicos e faça considerações
No decorrer de nossos estudos, vamos mostrar que a Física está presente imaginando como será nossa vida
em nosso dia a dia em tudo o que nos cerca e nos serve. no futuro, cercado por toda essa
Num simples passeio pelas ruas de uma cidade, encontramos inúmeras tecnologia que evolui rapidamente.
Elabore painéis, cartazes e vídeos
aplicações da Física. No ambiente em que vivemos, seja em nossa casa, na
que sintetizem o desenvolvimento
escola ou no local de trabalho, estamos constantemente em contato com de elementos tecnológicos citados
fenômenos naturais explicados pela Física e com máquinas e equipamentos na entrevista e no debate.
construídos com base na teoria desenvolvida em seus vários campos.

13
Você acha que estamos exagerando? Então observe, por exemplo, a

ruBens cHaVes/puLsar imaGens


figura 1.3 e tente encontrar aspectos relacionados à Física Clássica.
Os edifícios, pontes e viadutos são construídos com base em teorias
desenvolvidas pela Física, em um ramo da Mecânica denominado Estática.
A iluminação pública é possível por meio do desenvolvimento da Eletricidade
ao longo do tempo. Os automóveis, com todos os seus sistemas, apresen-
tam aplicações em diversas áreas da Física, principalmente a Mecânica, a
Eletricidade e a Termodinâmica. O som, que não pode ser percebido mas
certamente está presente na cena da foto, consiste na propagação de ondas
que são transmitidas pelo ar e são estudadas na Acústica.
Poderíamos analisar outras paisagens, como as apresentadas nas
figuras 1.4 e 1.5 e, com certeza, sempre encontraríamos a presença da
Física nelas. O fato de o céu ser azul, por exemplo, é explicado por fe-
nômenos que ocorrem durante a passagem da luz solar pela atmosfera
terrestre. As nuvens são resultado de processos de mudança de estado
físico que acontecem com a água que cobre grande parte da superfície de
Figura 1.3 Uma cena comum em qualquer
nosso planeta. O ar que nos rodeia tem características e comportamentos grande cidade do mundo: automóveis,
definidos e estudados na Física. edifícios e pouco verde. Será mesmo
Esperamos que, com o avançar de nossos estudos, você perceba e enten- apenas isso? Para o olhar de um físico, esta
foto (Avenida do Contorno, Belo Horizonte,
da a presença da Física em sua vida diária, como chegamos ao estado atual do MG, 2014) mostra incontáveis aspectos do

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
desenvolvimento científico e tecnológico e para onde estamos caminhando. nosso mundo que podem ser estudados
pela Física.
edson sato/puLsar imaGens

Figura 1.4 A foto (Aldeia do Marari da etnia


Yanomami, Barcelos, AM, 2010) evidencia a
presença da Física, que explica, por exemplo,
a formação de nuvens baixas e escuras e as
diversas tonalidades de verde.
Westend61/Getty imaGes

Figura 1.5 A Física explica por que, em pleno


verão, o cume da montanha, mais próximo ao
Sol em relação ao nível do mar, está coberto de
neve. Parque Nacional Tauern, Áustria, 2015.

14
2 Física e suas relações
com outras ciências
Por longo tempo, as ciências formaram uma grande unidade conhecida
como Filosofia Natural. Há apenas dois séculos, a distinção entre a Física, a
Química e as Ciências Biológicas tornou-se mais evidente. Já a divisão que
agora vemos entre as artes e as ciências teve lugar alguns séculos antes.
Não é de surpreender, então, o fato de o desenvolvimento da Física
influenciar outras áreas do conhecimento e ser por elas influenciado. Os
manuscritos de Leonardo da Vinci, por exemplo, trazem a primeira referên-
cia às forças internas atuantes em uma estrutura, assunto que, hoje em dia,
consideramos parte da Física. Da Vinci estava interessado, pelo menos em
parte, na importância dessas forças na Arquitetura e nas edificações.

Leonardo da Vinci

Nasceu em 1452 na comuna italiana de Vinci, pequena

Leonardo da Vinci - BiBLioteca


reaL, turim
localidade perto de Florença, na Toscana. Interessou-se
por vários ramos das ciências e das artes, destacando-se
na Mecânica, na Arquitetura, na Geometria e na Anatomia.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Foi um dos mais brilhantes artistas do Renascimento. Mona


Lisa e A última ceia são duas de suas obras mais conhecidas.

Autorretrato de Leonardo da Vinci (1452-1519).

Os primeiros trabalhos que levaram à descoberta da pilha elétrica e da


corrente elétrica foram desenvolvidos, no século XVIII, pelo fisiologista italiano
Luigi Galvani (1737-1798). Ele descobriu que os músculos da perna de uma rã
dissecada sofriam uma brusca contração quando conectados aos músculos Ver comentário no Suplemento para o professor.
lombares por meio de condutores metálicos. Esse fenômeno foi inicialmente
conhecido como “eletricidade animal”, mas em pouco tempo tornou-se claro Atividade em grupo
que a eletricidade podia existir mesmo na ausência de um animal. Isso foi
demonstrado pelo físico italiano Alessandro Volta (1745-1827), ao inventar Praticamente qualquer atividade
a pilha elétrica em 1800. desenvolvida no mundo atual envol-
ve uma inter-relação entre as várias
Já em meados do século XX, a biofísica britânica Rosalind Franklin (1920- ciências. A produção de alimentos in-
-1958) e o bioquímico austríaco Erwin Chargaff (1905-2002) mostraram-se dustrializados, por exemplo, implica
interessados em aplicar as ideias e técnicas da Física à Microbiologia. Esses conhecimentos de Química, Biologia,
dois pesquisadores utilizaram a difração de raios X para determinar a estrutura Física e Engenharia de Marketing,
da molécula de DNA. O resultado desse trabalho permitiu que o bioquímico entre outros.
estadunidense James Dewey Watson (1928-) e os britânicos Maurice Wilkins Forme um grupo com seus cole-
(1916-2004) e Francis Crick (1916-2004) confirmassem a dupla estrutura gas. Cada grupo deve preparar uma
helicoidal da molécula de DNA. Estava aberto um novo campo de estudos, pesquisa ou uma entrevista com um
profissional de determinada área
hoje conhecido como Biologia Molecular, que tem proporcionado maior
como químicos, biólogos, enge-
entendimento da genética e dos seres vivos. nheiros, médicos, publicitários etc.
Não é necessário ser um cientista pesquisador em, digamos, Medicina ou e relacionar a Física com o trabalho
Biologia Molecular para saber aplicar a Física em seu trabalho. Um zoologista, que eles realizam. A entrevista pode
por exemplo, pode achar útil saber como um tatu consegue viver sob o solo ser gravada em áudio e vídeo ou
transcrita. Depois deve ser apresen-
sem se sufocar. Um fisioterapeuta realizará seu trabalho com mais eficiência
tada aos demais colegas enfatizando
se conhecer os conceitos que relacionam o centro de gravidade e os pontos a relação das profissões pesquisadas
de aplicação de forças no corpo humano. A Biomecânica aplica conceitos da com a Física. Utilize painéis com fotos
Mecânica ao estudo do movimento dos seres vivos, notadamente dos seres e legendas explicativas.
humanos, e tem contribuído para a melhora dos índices de atletas olímpicos.

15
Um arquiteto pode se interessar pela natureza do calor recebido, ou

a. Benoist/Bsip/GLoW imaGes
perdido, pelo corpo das pessoas e como isso pode resultar em conforto
ou desconforto no interior de um edifício. Dificilmente ele terá de calcular as
dimensões dos tubos utilizados em um aquecedor ou as forças que atuam
em dada estrutura para determinar se ela será estável, mas deve conhecer
os princípios dessas análises para elaborar projetos viáveis e comunicar-se
de modo adequado com engenheiros civis ou especialistas de outras áreas.
Alguns profissionais da saúde devem conhecer princípios de Estática,
ramo da Física que estuda as forças atuantes em corpos em equilíbrio, para,
por exemplo, acompanhar a recuperação do paciente após determinados
tipos de cirurgia (fig. 1.6). Figura 1.6 Terapeuta mede o ângulo
de flexão da perna de paciente, após a
A lista das inter-relações da Física com outros campos científicos é bastan- colocação de prótese de joelho. Paris,
te extensa. Ao longo de nosso estudo, vamos discutir muitas delas e verificar França, 2015.
como podemos usar os princípios físicos para entendê-las e explicá-las.

3 O mundo que nos rodeia


A Alquimia é uma “ciência” antiga, que foi muito popular entre 300 a.C. e
1700 d.C. Seus praticantes — os alquimistas — tentavam transformar metais
baratos, como ferro e chumbo, em ouro ou em prata. Eles, como os gregos

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
antigos desde Aristóteles (384-322 a.C.), acreditavam que tudo o que existia no
Universo era constituído por uma simples substância primitiva e sem forma,
que, quando combinada com quente ou frio ou molhado ou seco, se convertia
naquilo que era chamado de “os quatro elementos”: terra (seco e frio), fogo Ver comentário no Suplemento para o professor.
(seco e quente), ar (molhado e quente) e água (molhado e frio) (fig. 1.7).
Atividade em grupo

Ar A Alquimia teve seu início na


Metalurgia, uma das mais antigas
ciências. Os egípcios e os chineses
M
e
nt

ol
ha
ue

antigos trabalhavam o ouro e a prata,


adiLson secco

do
Q

transformando-os em ornamentos.
Água
Fogo

Eles sabiam como separar esses me-


tais de seus minérios. Há 4 mil anos,
Se

os egípcios já conseguiam separar


io

Figura 1.7
Fr
co

Representação o ferro de seu minério, a hematita.


esquemática dos quatro Durante a Idade Média, os alqui-
Terra elementos da natureza, mistas foram os responsáveis por
segundo Aristóteles. grandes avanços na Metalurgia,
contribuindo para lançar as moder-
nas bases dessa ciência.
Assim, de acordo com os alquimistas, seria possível transformar uma
substância em outra apenas mudando a quantidade desses quatro elementos. Forme um grupo com seus cole-
gas e, com o auxílio dos professores
No entanto, eles nunca obtiveram sucesso nessas tentativas.
de História e de Química, façam uma
A Química percorreu um longo caminho desde o tempo dos alquimis- pesquisa bibliográfica e de caráter
tas. Entretanto, o principal objetivo dos químicos de hoje é, de certa forma, histórico sobre os primórdios da Me-
o mesmo daqueles antigos alquimistas: entender a matéria. Eles procuram talurgia, da Alquimia e da indústria
descobrir quais substâncias compõem a matéria, como elas atuam e como metalúrgica atual. Cada grupo pode
ficar responsável pela pesquisa de
podem ser transformadas.
um determinado período. Redijam
Para um cientista, matéria é tudo aquilo que tem massa e ocupa um vo- um texto obedecendo à sequência:
lume no espaço. Essas duas propriedades, massa (m) e volume (V), são carac- apresentação do tema a ser aborda-
terísticas de todos os tipos de matéria e nos permitem definir a densidade (d) do, desenvolvimento do tema, con-
de um material como sendo a razão entre sua massa e o volume ocupado por ela: clusão e bibliografia utilizada. Para a
exposição à sala, preparem painéis
e cartazes destacando aspectos
m importantes da pesquisa realizada.
d5 V

16
A matéria é constituída por aglomerados de diversas partículas, e Núcleo
(prótons + nêutrons)
todos os corpos do Universo, vivos ou inanimados, são grupamentos
dessas partículas. As partículas que constituem a matéria são basicamente –
Eletrosfera
os elétrons (com carga elétrica negativa), os prótons (com carga elétrica (elétrons)
positiva) e os nêutrons (sem carga elétrica). Por não apresentarem estru- – –
tura interna, os elétrons são partículas fundamentais ou elementares. +
Prótons e nêutrons são partículas que apresentam uma estrutura interna, + +
isto é, são formados por partículas menores. Atualmente são conhecidas +
+
centenas de partículas, tanto elementares quanto compostas, que parti- – –
cipam dos fenômenos naturais, e a Ciência prevê a descoberta de outras

iLustrações: adiLson secco


tantas. Por enquanto, vamos adotar um modelo simplificado, considerando
que a matéria é formada basicamente por elétrons, prótons e nêutrons.
Figura 1.8 Modelo simplificado de átomo.
Essas partículas juntam-se em grupamentos bem definidos chamados (Representação sem escala, uso de cores-
átomos. Os prótons e os nêutrons concentram-se numa região central de- -fantasia.)
nominada núcleo, e os elétrons se distribuem em uma “nuvem” ao redor do
núcleo, denominada eletrosfera (fig. 1.8).
Os átomos, por sua vez, agrupam-se, formando as moléculas (fig. 1.9).
Grupos de átomos e moléculas constituem a matéria em geral. A B
H
A matéria pode se apresentar, basicamente, em três estados: sólido, H
líquido e gasoso — que são chamados estados físicos da matéria. Em
O
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

condições adequadas, ela pode assumir qualquer um desses três estados. C


O exemplo mais familiar é o da água.
Quando a temperatura é relativamente baixa, a água pode se apresentar H
H
no estado sólido; nesse caso, recebe o nome de gelo e tem forma e volume H
bem definidos (fig. 1.10-A). H
Em temperaturas mais amenas, a água pode se encontrar no estado Metano (CH4) Água (H2O)
líquido. Da mesma forma que os sólidos, os líquidos têm volume bem de- Figura 1.9 Modelos de moléculas:
finido, mas sempre assumem a forma do recipiente em que estão contidos (A) metano (CH4); (B) água (H2O).
(fig. 1.10-B). (Representação sem escala, uso de
cores-fantasia.)
Quando a temperatura atinge valores elevados, a água passa para o estado
gasoso e torna-se vapor (invisível). Uma substância no estado gasoso não
tem forma e volume definidos. Ela espalha-se de modo que preenche todo o
volume do recipiente no qual está contida (fig. 1.10-C).

A B
iLustrações: ericson GuiLHerme Luciano

Sólido Líquido

Gasoso
Figura 1.10 Representação esquemática dos estados físicos da água. (A) Forma e
volume bem definidos; (B) forma igual à do recipiente e volume bem definido; (C) forma
e volume iguais aos do recipiente. (Representação sem escala, uso de cores-fantasia.)

17
Na foto a seguir, temos um exemplo de como a água é encontrada na natureza, nos três estados
físicos: no estado sólido, sob a forma de gelo no iceberg; no estado líquido, a água do mar; e no estado
gasoso, sob a forma de vapor disperso na atmosfera (fig. 1.11).
axiLy/deposit pHotos/GLoW imaGes

Figura 1.11 A água em seus três


estados físicos: sólido nos icebergs;
líquido no mar; vapor (invisível),
misturado com os gases que constituem
o ar. Expedição na Antártica, 2012.

Ver comentário no Suplemento para o professor.


O que diz a mídia

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
O manifesto eco-modernista: “só com tecnologia
seremos capazes de proteger a natureza”
Muita gente acredita que uma vida sustentável exige Cidades ocupam somente de 1% a 3% da superfície
entrar em harmonia com a natureza – viver entre as da Terra, mas abrigam 4 bilhões de pessoas. As cidades
árvores, construir casas de madeira ou comer alimen- tanto guiam como simbolizam a dissociação da huma-
tos orgânicos. Um grupo de ambientalistas lançou na nidade da natureza, com um desempenho melhor que
semana passada um manifesto com a afirmação oposta: economias rurais ao fornecer de modo eficiente necessi-
a melhor forma de reduzir o impacto humano sobre o dades materiais e ao mesmo tempo reduzindo impactos
meio ambiente é com inovação, tecnologia, agricultura ambientais.
intensiva e cidades com milhões de pessoas.
O crescimento das cidades, junto aos benefícios econô-
Os autores do Eco-modernism Manifest, boa parte micos e ecológicos que as acompanham, são inseparáveis
deles professores em universidades britânicas e america- dos avanços da produtividade da agricultura. Enquanto
nas, se declaram eco-pragmáticos. Deixaram ideologias a agricultura se tornou mais eficiente em aproveitamento
no armário e passaram a pensar no que pode conciliar
de terra e trabalho, populações rurais deixaram o campo
a redução da pobreza com a preservação ambiental.
para as cidades. Mais ou menos metade da população
Concluíram que só a tecnologia é capaz disso. “Inten-
americana trabalhava na terra em 1880. Hoje, menos
sificar diversas atividades humanas – principalmente
de 2% o fazem.
agricultura, extração de energia e reflorestamento – de
modo que usem menos energia e interfiram menos no Como vidas foram liberadas do trabalho no campo,
mundo natural, é a chave para dissociar o desenvolvi- recursos humanos gigantescos foram destinados a outros
mento humano dos impactos ambientais”, dizem eles. desafios. Cidades, como as pessoas as conhecem hoje, não
Outros trechos: existiriam sem mudanças radicais na agricultura. Em
contraste, modernização não é possível numa economia
Neste manifesto, nós reafirmamos um antigo obje-
de subsistência.
tivo ambiental, o de que a humanidade deve reduzir o
impacto sobre o ambiente para preservar a natureza, e *
ao mesmo tempo rejeitamos outro antigo ideal, que as Há muitas histórias a comprovar as afirmações do
sociedades humanas devem entrar em harmonia com manifesto. A agricultura mecanizada utiliza hoje 70%
a natureza para evitar o colapso econômico e ecológico. menos área de cultivo para produzir um [...] [quilogra-
* ma] de alimento que antigos campos de agricultura de
Tecnologias humanas, desde aquelas que possibilita- subsistência. Um carro emite hoje menos de um terço
ram que a agricultura substituísse a caça e a coleta, até da poluição que produziam modelos de 30 anos atrás.
aquelas que hoje guiam a economia globalizada, torna- Uma lâmpada de LED gasta menos de um quarto de
ram os humanos menos dependentes de diversos ecossiste- energia de uma lâmpada tradicional.
mas que uma vez foram sua única forma de subsistência. O meu exemplo preferido da inovação a favor da
* natureza tem a ver com os pinguins. No século 19, um

18
jeito de ganhar dinheiro era arranjar um barco, viajar Por causa da caça industrial, a população de pinguins
até a Antártida e voltar com um carregamento de óleo estava desaparecendo no fim do século 19. Mas de re-
– óleo de baleia ou óleo de pinguim. Esses animais têm pente os barcos de pescadores deixaram de aportar na
uma capa grossa de gordura para protegê-los do frio, Antártida. Ninguém mais se interessava em caçar pin-
então basta caçá-los e ferver a gordura para obter um guins, pois um combustível mais barato e eficiente esta-
bom combustível para lampiões e luminárias de rua. va ganhando mercado na Europa e nos Estados Unidos.
Em 1867, uma expedição de quatro barcos ingleses Foi assim que a invenção do querosene, um combustível
fabricou 200 mil litros de óleo de pinguim. Como cada fóssil, salvou milhões de pinguins na Antártida.
ave rende meio litro de óleo, dá para estimar que só
Disponível em: <http://veja.abril.com.br/blog/cacador-de
aquela expedição, só naquele ano, matou cerca de -mitos/2015/06/25/o-manifesto-eco-modernista-so-com-tecnologia
400 mil pinguins. -conseguiremos-proteger-a-natureza/>. (Acesso em: 7 out. 2015.)

Questão Registre a resposta em seu caderno.

Por que as novas tecnologias são importantes para a preservação do nosso planeta?
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Exercícios Resolva em seu caderno. Exercício fundamental Exercício de fixação

1 Numa matéria publicada por uma revista, há II. A estimulação magnética transcraniana é um pro-
uma explicação sobre como a neuroestimulação cesso no qual o cérebro é estimulado por breves
está mudando a vida de pacientes com epilepsia, períodos de tempo.
depressão e outros transtornos neurológicos ou III. Em ambos os processos, os próprios pacientes
psiquiátricos. Segundo a revista, duas técnicas podem controlar a estimulação do cérebro.
estão em uso: a estimulação elétrica profunda e a IV. Em ambos os processos, os equipamentos que
estimulação magnética transcraniana. promovem a neuroestimulação são implantados
Na estimulação elétrica profunda, por meio de uma no corpo do paciente.
cirurgia, o médico instala eletrodos no ponto do Pode-se afirmar que:
cérebro onde ocorre o problema. Esses eletrodos a) todas as afirmações são corretas.
ficam ligados a uma bateria, implantada no ombro b) apenas as afirmações I e II são corretas.
ou no tórax, que mantém uma corrente elétrica c) apenas as afirmações II e III são corretas.
que estimula e melhora a ligação entre os neurô- d) apenas as afirmações III e IV são corretas.
nios na região em desequilíbrio. Os fios por onde e) nenhuma das afirmações é correta.
a corrente elétrica é conduzida passam por trás
do crânio, por baixo da pele. A bateria precisa ser 2 Muitas profissões novas estão fazendo uso de di-
trocada a cada seis anos. ferentes áreas da Ciência. A Física Médica é uma
Na estimulação magnética transcraniana, exames delas. Procure informações sobre essa nova área
de imagem determinam o ponto do cérebro que da Ciência e, de forma resumida, explique o campo
receberá o pulso magnético. Apenas esse local é de atuação do físico médico.
estimulado. O paciente coloca uma touca de bor- 3 Reescreva as sentenças abaixo no caderno, organi-
racha em que está desenhado o ponto equivalente zando as letras entre parênteses e formando uma
ao local que precisa de tratamento. O aparelho é palavra.
aproximado da cabeça e libera os estímulos magné- a) Os antigos (SALISQUITAM) e os modernos (SOCÍMIQU)
ticos. Eles atravessam o crânio e chegam ao ponto têm um propósito comum: (DENRENTE) a natureza da
em desequilíbrio no cérebro. São necessárias várias (TARAMÉI).
sessões de 15 minutos. b) Os alquimistas buscavam uma (NIEMARA) de fa-
De acordo com as informações do texto, analise bricar (ROUO); os químicos atuais buscam (RACIR)
as afirmações a seguir. novas (CALOLÉSMU).
I. A estimulação elétrica profunda é um processo no c) Os avanços (TONECÍSFICI) mostraram que a matéria é
qual o cérebro é estimulado continuamente por constituída por (TÍRPALACUS) chamadas (SOMÁTO).
corrente elétrica. Os (TOSOMÁ) se agrupam e formam (SOCSOMPTO).

19
4 A Inteligência Artificial é um ramo da ciência da Época – O que é preciso para haver vida?
computação que busca desenvolver métodos ou McKay – Há três condições. A primeira é uma
dispositivos que simulem algumas habilidades fonte de calor. Achava-se que a única fonte de ener-
humanas. Algumas tecnologias têm ajudado pessoas gia da vida na Terra fosse a luz do Sol, com que as
que perderam parte do corpo a se mover mais natu- plantas fazem fotossíntese. Em 1977, descobriram-
ralmente. Pesquisadores do uso da Inteligência Ar- -se no fundo do oceano chaminés hidrotérmicas,
tificial em próteses e ortóteses estão aplicando seus jorrando água a 350 graus Celsius. Essa água hi-
conhecimentos para encontrar soluções que possam peraquecida sustenta bactérias que transformam
reproduzir movimentos humanos mais complexos. energia química em biológica. Elas são a base de
Também estão em andamento pesquisas para o ecossistemas independentes da luz solar. Também
se descobriram bactérias em rochas a 2 quilômetros
desenvolvimento de músculos artificiais feitos com
de profundidade, que vivem da energia geotérmica.
polímeros que mudam sua forma e exercem força
Época – Quais são as outras condições para a
quando estimulados por uma corrente elétrica.
vida?
McKay – É necessário haver carbono, a base
spL/LatinstocK

das moléculas orgânicas, e água em estado líquido.


As condições da água variam muito. Existem mi-
crorganismos chamados extremófilos, que, como
o nome indica, vivem em condições extremas. É o
caso das bactérias das chaminés hidrotérmicas e
dos micróbios que vivem em águas muito salgadas
ou muito alcalinas, onde nenhum outro organismo
sobreviveria.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Com ETs, o universo é mais interessante.
Época. São Paulo: Globo, 21 ago. 2008.
Engenheiro médico avalia paciente com prótese de
perna que usa a tecnologia do joelho Genium. Vários Da leitura do texto pode-se depreender que:
sensores permitem diferentes ações como subir e descer
escada. Viena, Áustria, 2011. a) a existência de vida só é possível se houver água
líquida.
Em sua opinião, quais áreas da Física estão envol- b) para a existência de vida é necessária apenas uma
vidas no desenvolvimento de próteses e ortóteses? fonte de energia.
5 Leia o texto abaixo. c) os cientistas conhecem todas as situações em que
pode existir vida.
d) os cientistas concordam que, com o conhecimento
O cientista britânico Noel Sharkey teme pelo atual, podem estabelecer as condições para a exis-
futuro da humanidade. Pesquisador de robótica da tência de vida.
Universidade de Sheffield, em Londres, Sharkey e) os cientistas estão continuamente descobrindo
acredita que máquinas inteligentes chegarão ao novos fatos que podem alterar nossa noção de
campo de batalha sem estar prontas para o desafio. Ciência.
Época – Isso vai acontecer?
7 Leia o texto a seguir.
Sharkey – Isso não vai desembocar no cenário
de O exterminador do futuro. O exterminador era
um robô altamente inteligente. Os robôs atuais Nos meados do século V a.C., Leucipo de
não são tão espertos. Eles têm a mira infalível, Mileto, e na geração seguinte Demócrito de
mas ainda falta a inteligência para guerrear por Abdera, apresentaram uma visão mecanicista do
conta própria. É aí que reside o problema. Daí Universo. Segundo eles, o mundo era constituído
minha preocupação com a segurança. Nas mãos de uma infinidade de pequenos átomos, invisíveis
de estranhos, eles vão matar inocentes. a olho nu, eternos, imutáveis e indivisíveis, que se
Os robôs vão matar inocentes. Época. moviam aleatoriamente. Os átomos, corpúsculos
São Paulo: Globo, 24 mar. 2008. sólidos, existiam em uma infinidade de formas,
possuíam ganchos e engates que os permitiam
combinar-se entre si, explicando, assim, a varie-
Analisando o texto, responda: qual é a principal
dade das substâncias existentes.
preocupação do cientista Noel Sharkey?
PIRES, A. S. T. Evolução das ideias da Física.
6 Leia o texto a seguir. São Paulo: Editora Livraria da Física, 2008.

O físico Christopher McKay, de 52 anos, é um De acordo com essa visão mecanicista dos gregos
astrobiólogo. Ele estuda como a vida surgiu na Terra antigos, como se explicaria o fato de o ponto de
e quais são as premissas básicas para que possa fusão do ferro (1.538 ºC) ser maior do que o ponto
evoluir em outros mundos. de fusão do chumbo (327 ºC)?

20
8 Leia o texto abaixo. queimados, principalmente no transporte, mas
também em caldeiras industriais. Além disso, nes-
sas cidades concentram-se as maiores áreas com
Quando o gelo derrete, a água muda do estado
solos asfaltados e concretados, o que aumenta a
sólido para o estado líquido e quando a água ferve,
retenção de calor, formando o que se conhece por
ela muda do estado líquido para o estado gasoso.
“ilhas de calor”. Tal fenômeno ocorre porque esses
Nessas transformações, a água apenas mudou
de estado. Nenhuma substância nova foi criada.
materiais absorvem o calor e o devolvem para o ar
sob a forma de radiação térmica.
Quando um pedaço de papel ou a parafina
Em áreas urbanas, devido à atuação conjunta do
de uma vela queimam, o papel e a parafina se
efeito estufa e das “ilhas de calor”, espera-se que
transformam em novas substâncias – gás car-
o consumo de energia elétrica:
bônico e vapor de água. Nesses casos ocorre
a) diminua devido à utilização de caldeiras por indús-
uma transformação química [...] quando novas
trias metalúrgicas.
substâncias são formadas.
b) aumente devido ao bloqueio da luz do Sol pelos
Por sua vez, no caso das mudanças de estado
gases do efeito estufa.
da água, ocorre um fenômeno físico: a água não
c) diminua devido a não necessidade de aquecer a
se transforma numa nova substância. Portanto,
água utilizada em indústrias.
os fenômenos físicos não alteram a natureza das
d) aumente devido à necessidade de maior refrigera-
substâncias.
ção de indústrias e residências.
GEWANDSZNAJDER, F. Ciências,
matéria e energia. São Paulo: Ática, 2005. e) diminua devido à grande quantidade de radiação
térmica reutilizada.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

De acordo com o texto, quando a matéria sofre 12 (Enem)


uma transformação química, ao final teremos
substâncias diferentes das iniciais. Cite outros
exemplos de transformação química. Em 2006, foi realizada uma conferência das
Nações Unidas em que se discutiu o problema
9 Os metais geralmente são mais densos que a água. do lixo eletrônico, também denominado e-waste.
Entretanto, alguns metais têm densidade menor Nessa ocasião, destacou-se a necessidade de os
que a da água. países em desenvolvimento serem protegidos
O quadro a seguir mostra a massa e o correspon- das doações nem sempre bem-intencionadas dos
dente volume ocupado por diferentes quantidades países mais ricos. Uma vez descartados ou doados,
de alguns metais. equipamentos eletrônicos chegam a países em
desenvolvimento com o rótulo de “mercadorias
Metal Massa (g) Volume (cm3) recondicionadas”, mas acabam deteriorando-se
Sódio 100 103,3 em lixões, liberando chumbo, cádmio, mercúrio e
outros materiais tóxicos.
Lítio 200 374,5
Adaptado de: <g1.globo.com>.
Alumínio 300 111,1

Coloque em ordem crescente as densidades desses


A discussão dos problemas associados ao e-waste
metais. Qual(is) dele(s) é(são) menos denso(s) que
leva à conclusão de que:
a água?
a) os países que se encontram em processo de indus-
(Dado: densidade da água 5 1 g/cm3)
trialização necessitam de matérias-primas recicla-
10 De maneira geral, a madeira boia na água; entre- das oriundas dos países mais ricos.
tanto, existem espécies de madeira que são mais b) o objetivo dos países ricos, ao enviarem mercado-
densas que a água; a aroeira e o pau-ferro são rias recondicionadas para os países em desenvolvi-
exemplos. Com base no quadro, calcule as densi- mento, é o de conquistar mercados consumidores
dades dessas espécies de madeira, em g/cm3. para seus produtos.
c) o avanço rápido do desenvolvimento tecnológico,
Madeira Volume (cm3) Massa (g) que torna os produtos obsoletos em pouco tempo,
é um fator que deve ser considerado em políticas
Aroeira 1.500 1.770
ambientais.
Pau-ferro 750 840 d) o excesso de mercadorias recondicionadas envia-
das para os países em desenvolvimento é armaze-
11 (Enem) As cidades industrializadas produzem nado em lixões apropriados.
grandes proporções de gases como o CO2, o prin- e) as mercadorias recondicionadas oriundas de países
cipal gás causador do efeito estufa. Isso ocorre ricos melhoram muito o padrão de vida da popula-
por causa da quantidade de combustíveis fósseis ção dos países em desenvolvimento.

21
13 (Enem) Para compreender o processo de explo- As informações do texto permitem afirmar que:
ração e o consumo dos recursos petrolíferos, é a) o petróleo é um recurso energético renovável a
fundamental conhecer a gênese e o processo de curto prazo, em razão de sua constante formação
formação do petróleo descritos no texto abaixo. geológica.
b) a exploração de petróleo é realizada apenas em
O petróleo é um combustível fóssil, origina- áreas marinhas.
do provavelmente de restos de vida aquática c) a extração e o aproveitamento do petróleo
acumulados no fundo dos oceanos primitivos e são atividades não poluentes dada sua origem
cobertos por sedimentos. O tempo e a pressão natural.
do sedimento sobre o material depositado no
d) o petróleo é um recurso energético distribuído
fundo do mar transformaram esses restos em
massas viscosas de coloração negra denomina- homogeneamente, em todas as regiões, indepen-
das jazidas de petróleo. dentemente da sua origem.
Adaptado de: TUNDISI, Helena. Usos de energia. e) o petróleo é um recurso não renovável a curto
São Paulo: Atual, 1991. prazo, explorado em áreas continentais de origem
marinha ou em áreas submarinas.

Navegue na web
• Ciência: O que é isso?

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
<http://educacao.uol.com.br/disciplinas/ciencias/ciencia-o-que-e-isso.htm>. (Acesso em: 14 out. 2015.)
A página explica, de forma bastante simples, o que é Ciência em um texto preparado por Carlos Roberto de
Lana, professor e engenheiro químico.
• Matéria e suas propriedades
<http://www.profpc.com.br/Mat%C3%A9ria_propriedades.htm>. (Acesso em: 14 out. 2015.)
A página apresenta conceitos básicos de matéria, corpo e objeto e, a seguir, define as propriedades gerais da
matéria. Merecem destaque os exemplos apresentados para cada uma das propriedades.

Sugestões de leitura
• A Ciência através dos tempos, de Attico Chassot. 2. ed. São Paulo: Moderna, 2004. (Coleção Polêmica)
Esse livro faz uma panorâmica da caminhada que começa há muitos milênios, com a transformação de
nossos ancestrais em humanos, graças ao trabalho, estendendo-se até os últimos feitos da Ciência, no
limiar do século XXI. O autor entrelaça a história da Ciência com a história das artes, das religiões, da magia
e da Filosofia.
• A evolução da Física, de Albert Einstein e Leopold Infeld. Rio de Janeiro: Zahar, 2008.
Esse livro, escrito em 1938, destina-se ao leitor desprovido de conhecimentos concretos de Física e Matemá-
tica, mas interessado em ideias físicas e filosóficas. Trata-se mais de uma conversa amena e despretensiosa
com o objetivo de mostrar a eterna luta do ser humano por um conhecimento mais completo das leis que
governam os fenômenos físicos.
• As grandes equações, de Robert P. Crease. Rio de Janeiro: Zahar, 2011.
O autor conta de onde surgiram as grandes equações, como essas formulações matemáticas se desenvolve-
ram, aprimoraram e passaram a determinar grandes momentos de síntese do conhecimento da realidade
que vivemos.
• Lavoisier e a ciência no Iluminismo, de Marco Braga, Andréia Guerra, Jairo Freitas e José Cláudio Reis. São Paulo:
Atual, 2005. (Coleção Ciência no Tempo)
Uma síntese da vida e do trabalho de Lavoisier, tendo como pano de fundo a conturbada época da Revolução
Francesa. Nessa obra, as ideias de Lavoisier e dos homens de seu tempo não permanecem no passado, mas são
trazidas para o nosso panorama cultural, inserindo-se, pela discussão de filmes e obras de arte, em reflexões
sobre questões contemporâneas e possibilitando o desenvolvimento do pensamento crítico.
• O que é Física?, de Ernst W. Hamburger. São Paulo: Brasiliense, 1992. (Coleção Primeiros Passos)
A evolução da Física, dos gregos antigos até o século XX, é apresentada em linguagem simples e agradável. O
autor analisa as evoluções da Física na Mecânica, na Termodinâmica e na Eletricidade. O texto permite ao leitor
iniciante ter uma visão geral dos fenômenos estudados nas Físicas Clássica e Moderna.

22
..........................................................................................
..........................................................................................
..........................................................................................

lo

esa/Hubble & nasa


tu
Ca

2 Métodos da Ciência Física
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Dorling KinDersley/
getty images

Imagem do aglomerado
globular NGC 1783, um Modelo em escala do
dos maiores aglomerados telescópio espacial
globulares de estrelas Hubble.
na Grande Nuvem de
Magalhães, uma galáxia
satélite da Via Láctea,
obtida pelo telescópio Ciência colaborativa
espacial Hubble em
agosto de 2015.
Atualmente, quase toda pesquisa científica exige a manipulação e a análise
de uma imensa quantidade de dados. Com o surgimento do computador, pouco
depois da Segunda Guerra Mundial, o tratamento desses dados passou a ser feito
em um tempo muito menor. Entretanto, algumas pesquisas científicas, como a
análise de fotos do telescópio Hubble, exigem um poder computacional inima-
ginável. A saída? A ciência colaborativa, ou ciência cidadã.
Ciência colaborativa é qualquer investigação científica feita por pessoas co-
muns, não necessariamente cientistas. As pessoas que participam da investigação
podem, em seu tempo livre, usar sua inteligência ou seus recursos tecnológicos
e enviar os dados coletados, que serão reunidos e analisados por especialistas.
Qualquer pessoa pode participar das pesquisas e, pela internet, é possível encon-
trar centenas de projetos em andamento.
Quer participar? Então procure na internet um projeto que desperte seu in-
teresse e mãos à obra!

23
1 Registro histórico
Nos anos 1930, as chamadas radiotelefônicas da América para a

bettmann/Corbis/latinstoCK
Europa apresentavam muito ruído. Karl Jansky (1905-1950) (fig. 2.1), um
engenheiro de Nova Jersey, Estados Unidos, foi incumbido de descobrir
a fonte desses problemas.
Ele construiu um sistema de antenas e montou-o sobre o chassi de um
automóvel antigo, de modo que a antena pudesse se deslocar em uma tra-
jetória circular. Descobriu, então, que a maior parte desse ruído era causada
por tempestades próximas e por outros distúrbios elétricos atmosféricos mais
afastados. Entretanto, mesmo depois de essas fontes terem sido encontradas
e saneadas, um ruído de fundo persistia durante as transmissões.
Após gravar o ruído por um longo período de tempo, Jansky percebeu que
ele apresentava certa regularidade: era mais acentuado à mesma hora todos
os dias. Além disso, observou que a fonte desse ruído de fundo movimentava- Figura 2.1 Karl Jansky ao lado de um
instrumento usado para detectar ondas de
-se atravessando o céu de leste a oeste, o que o levou a acreditar que ela se rádio da Via Láctea. Holden, Nova Jersey,
situava fora da Terra. Em outras palavras, a Terra estava recebendo ondas de EUA, 1933.
rádio transmitidas do espaço. Qual seria sua origem?

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
2 Método científico
Cientista é a pessoa interessada em fazer determinadas perguntas e obter
respostas para elas de maneira organizada.
O trabalho científico pode ser dividido em duas áreas: ciência pura e
ciência aplicada.
A ciência pura envolve o questionamento e a busca de respostas para a
obtenção de novos conhecimentos. Um cientista que se dedique às ciências
puras busca respostas científicas para perguntas como: “Quais partículas Ver comentário no Suplemento para o professor.
constituem a matéria?” ou “Do que é feito o Universo?”.
Atividade em grupo
As ciências aplicadas usam conhecimentos provenientes das ciências
puras para resolver problemas práticos. Um cientista que se dedique às
Os cientistas podem ser encon-
ciências aplicadas pode trabalhar em busca de um novo medicamento ou
trados em praticamente todas as
de um novo material resistente ao calor, por exemplo. áreas do conhecimento humano.
Muitas vezes é difícil separar a ciência pura da ciência aplicada. Como Forme um grupo com seus cole-
vimos, o engenheiro Karl Jansky estava trabalhando em um problema prático, gas e conversem com algum cien-
mas acabou descobrindo novas características das ondas de rádio. tista de sua cidade. Vocês poderão
encontrá-lo em universidades, insti-
Como um cientista resolve problemas por meio da Ciência? Ele se utiliza
tutos de pesquisa, museus ou uma
do chamado método científico. Esse método permite resolver problemas de indústria. Informem-se sobre seu
maneira ordenada, com base em certos processos. Mas nem todos os cien- objetivo de trabalho, sobre como
tistas seguem os mesmos procedimentos e na mesma ordem. ele realiza suas pesquisas e sobre a
Podemos tomar como exemplo de método científico aquele utilizado repercussão que seus estudos têm
ou terão na vida das pessoas. Essas
por Jansky. Seu primeiro passo foi identificar o problema e estabelecer cla-
entrevistas poderão ser gravadas
ramente uma pergunta: “Qual é a fonte do ruído que ocorre nas chamadas em áudio ou vídeo.
telefônicas para a Europa?”. Em data previamente agendada
Em seguida, fez observações. Uma observação é qualquer informação pelo(a) professor(a), os grupos deve-
que chega até nós por meio de nossos sentidos. Tudo o que podemos ver, rão apresentar as entrevistas à classe.
ouvir, sentir, tocar ou cheirar é uma observação. Os cientistas fazem observa- Depois de assistir às entrevistas,
ções cuidadosas, pois querem conhecer o máximo possível sobre o problema a turma deverá, mediada pelo(a)
professor(a), debater e discutir o
em que estão trabalhando. Como os sinais de rádio não são perceptíveis di-
papel desempenhado pelas ciências
retamente por nossos sentidos, Karl Jansky construiu um sistema de antenas em nosso cotidiano.
para captar os ruídos e descobrir a fonte deles.

24
Os instrumentos científicos permitem fazer observações mais precisas do que as obtidas por
nossos sentidos. Podem incluir desde computadores, telescópios, microscópios, lasers, termômetros
e balanças até uma simples régua.
O terceiro passo de Jansky foi formular uma hipótese, ou seja, uma explicação possível e razoável
para aquilo que foi observado. Inicialmente, ele acreditava que o ruído era decorrente de tempestades
próximas e de outros distúrbios elétricos mais afastados.
Como os cientistas determinam se suas hipóteses estão corretas? Eles realizam experimentos para
testá-las. Os registros de Jansky mostravam que a quantidade de ruído aumentava significativamente
durante as tempestades. Com base nessa constatação, ele percebeu que sua hipótese aparentemente
estava correta.
Entretanto, depois de outro experimento com tempo bom, ele continuou a ouvir ruído, o que não
podia ser explicado por sua primeira hipótese. Isso acontece muitas vezes em experimentos científicos:
as informações obtidas podem contradizer a hipótese inicialmente testada. Torna-se, então, necessário
descartá-la ou modificá-la para poder explicar as novas informações obtidas.
Jansky precisou olhar mais longe para descobrir a fonte desse ruído. Seus registros mostravam um
padrão no ruído residual, que, no começo, sugeria que ele tinha origem solar: o ruído movimentava-se
de leste para oeste todos os dias. Após fazer mais observações, ele finalmente concluiu que a fonte
daquele ruído eram estrelas no centro de nossa galáxia, a Via Láctea.
Karl Jansky foi o primeiro cientista a observar ondas de rádio originadas de corpos celestes. Seus
experimentos foram divulgados em publicações científicas e outros pesquisadores puderam apren-
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

der mais sobre essa descoberta. Com base nela desenvolveu-se um campo de pesquisa inteiramente
novo — a Radioastronomia.
O diagrama a seguir resume os passos do método científico (fig. 2.2).

Constituir o problema

Enunciar uma hipótese

Testar a hipótese
Tentar novamente!
com experimentos

Analisar os resultados
e tirar conclusões

Se a hipótese for verdadeira Se a hipótese for falsa ou


parcialmente verdadeira

Divulgar os resultados!

Figura 2.2 As etapas para a aplicação do método científico.

Entretanto, o método científico não é a única forma pela qual a Ciência se desenvolve. O conhecimento
científico pode avançar por tentativas, com erros e acertos, podendo até mesmo se desenvolver a partir
de uma descoberta acidental.
Os raios X, por exemplo, foram descobertos acidentalmente quando, na tarde de 8 de novembro
de 1895, o físico alemão Wilhelm Conrad Roentgen (1845-1923) fazia experimentos com eletricidade.
Em 1962, o físico estadunidense Thomas Samuel Kuhn (1922-1996), cujo trabalho incidiu sobre
a história e a filosofia da ciência, lançou um livro denominado A estrutura das revoluções científicas.
Nesse livro, Kuhn afirma que a “ciência normal” é sustentada por um paradigma, ou seja, um padrão
que serve como modelo a ser imitado ou seguido. Esse modelo é abalado quando uma “anomalia” é
detectada e não se consegue dar uma explicação para ela utilizando o paradigma.

25
Surge, então, uma crise paradigmática que leva a um novo paradigma, que, ao explicar a anomalia
anteriormente detectada, acabará por substituir o paradigma antigo. De acordo com Thomas Kuhn,
esse período no qual um paradigma é substituído por outro constitui uma “revolução científica”.
O modelo geocêntrico, por exemplo, que considerava a Terra como o centro do Universo, passou
por uma mudança de paradigma. Esse modelo foi aceito durante séculos, até que estudos sobre os
movimentos dos planetas o levaram a ser substituído pelo modelo heliocêntrico, no qual o Sol ocupa
o centro do Universo com os planetas girando ao seu redor.
Outra “revolução científica” aconteceu entre o fim do século XIX e o início do século XX, com o
surgimento das teorias de Albert Einstein, Max Planck e muitos outros, dando origem à chamada
Física Moderna.

3 Problemas e exercícios – estratégias de resolução


Todos os dias nos defrontamos com problemas que requerem soluções. Onde devemos colocar
o lixo recolhido diariamente em nossa cidade? O que devemos fazer para acabar com o mosquito da
dengue? O que devemos comer para ter uma dieta equilibrada e manter nossa saúde? Devo comprar
agora uma nova televisão ou guardar minhas economias para o futuro? Devo ir ao cinema, ao teatro,

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
ou ao jogo de futebol?
Essas e muitas outras perguntas que nos fazemos variam de importância, mas nem todas neces-
sitam de alguma estratégia para serem respondidas.
As perguntas anteriores são problemas porque precisamos conhecer as respostas e ainda não
sabemos como obtê-las. Existe uma lacuna entre o conhecimento presente e o conhecimento ne-
cessário para respondê-las.
Se não houvesse essa lacuna e a pessoa pudesse ir diretamente em busca da resposta, o “proble-
ma” seria, na verdade, um exercício.
Algumas pessoas podem resolver facilmente um exercício ou, pelo menos, têm uma boa ideia
de como resolvê-lo. Entretanto, as soluções para os problemas não são claras. O que é um problema
para uma pessoa pode não ser para outra.
Encontrar o resultado da soma de 25 com 52 pode ser um grande problema para um aluno do
primeiro ano do ensino fundamental, mas não o é para você. Talvez prever os produtos obtidos
em determinada reação química possa ser um problema para você, mas não será um problema
para um químico experiente.
Os problemas sempre trazem novas ideias ou situações. Por isso é normal que, ao nos deparar
com um problema, não tenhamos certeza de como ou por onde começar a resolvê-lo.
Os cientistas e inventores têm se defrontado com isso e acabam aprendendo com suas tentativas
e erros.
Normalmente existem diferentes maneiras de resolver um problema, ou seja, a resolução do
problema geralmente não é única. Felizmente, existem estratégias a serem seguidas para a resolução
de problemas.
Para iniciar a resolução de um problema, pense sobre o que você busca, escolha uma estratégia
e vá em frente; desse modo, você tentará partir do que já sabe para o que ainda não sabe.
Parta de uma suposição, verifique-a e, se ela não funcionar, faça outra suposição e assim por diante.
Uma alternativa é buscar um padrão, então tentar prever o que acontecerá e checar sua previ-
são. O químico russo Dmitri Ivanovich Mendeleev (1834-1907) fez exatamente isso ao classificar os
elementos químicos na tabela periódica.
Outra possibilidade é fazer um desenho ou um esquema. A construção de uma tabela ou de um
gráfico também pode ser muito útil.

26
Você também pode eliminar hipóteses se souber de antemão o que não vai funcionar,
ou resolver um problema mais simples relacionado ao problema maior ou ainda tentar
representá-lo na forma de uma expressão matemática.
A melhor estratégia a ser adotada dependerá do problema, de sua atitude e de sua
experiência.
Para ser um bom solucionador de problemas científicos, você precisa entender o proble-
ma. Assim, apresente-o com suas próprias palavras e, então, saia em busca da solução. Depois
de saber o que está procurando, certifique-se de que sabe usar as ferramentas necessárias
à resolução.
Finalmente, se a estratégia escolhida não funcionar, tente outra e continue tentando até
achar uma solução. Quando encontrar uma solução, cheque-a para verificar se é razoável.
Um bom exemplo de estratégia para resolução de problemas foi a determinação do
comprimento da circunferência da Terra pelo grego Eratóstenes.

Eratóstenes

Eratóstenes de Cirene foi matemático, poeta, críti-


co de teatro, geógrafo, astrônomo e bibliotecário.

bi
Atribuindo um formato esférico à Terra, foi o
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

bl
io
primeiro homem a calcular as dimensões de

te
Ca
nosso planeta, utilizando um método matema-

naC
ticamente simples, de notável precisão, porém

ional Da Áustr
de difícil execução para a época.
Ele também calculou as distâncias da Terra à
Lua e da Terra ao Sol, determinou a inclinação

ia,
Vie
do eixo da Terra, foi o criador do atual dia 29 de
a n
fevereiro dos anos bissextos, dos conceitos de
latitude e longitude e concebeu o que é hoje
conhecido como crivo de Eratóstenes, um algo-
ritmo simples e prático para encontrar números Retrato de Eratóstenes
primos até certo valor-limite. (c. 276 a.C.-c. 194 a.C.).

Eratóstenes acreditava na esfericidade da Terra, e observou que,



na cidade de Siena, hoje Assuã, no Egito, sobre o Trópico de Câncer, ao
meio-dia do solstício de verão (o dia mais longo do ano), o Sol aparecia Luz solar
no zênite (Sol a pino), pois iluminava as águas profundas de um poço, sem
formar sombra. Em Alexandria, entretanto, no mesmo dia e no mesmo Alexandria
horário, as colunas verticais formavam uma sombra. No ano seguinte, L
Eratóstenes, em Alexandria, determinou que os raios solares formavam um
ângulo u 5 7,2°, ou 7°12’, com a vertical, isto é, a 50a parte de 360° (fig. 2.3). Siena
aDilson seCCo

Assim, pensou Eratóstenes, a distância L 5 5.000 estádios entre Alexan- 


1 Terra
dria e Siena deveria ser também 50 da medida da circunferência da Terra.
Considerando 1 estádio egípcio igual a 157,5 m ou 0,1575 km, Eratóstenes Figura 2.3 Esquema para a determinação
calculou a medida da circunferência C da Terra: do comprimento da circunferência da
Terra. (Representação sem escala, uso de
C 5 50 ? 5.000 estádios ? 0,1575 km/estádio 5 39.375 km cores-fantasia.)
Com esse resultado, ele conseguiu obter o valor do raio R da Terra:
R 5 6.267 km
Os valores obtidos por Eratóstenes para o comprimento da circunferên-
cia e para o raio da Terra estão apenas 1,8% abaixo dos valores atualmente
considerados corretos.

27
Exercícios Resolva em seu caderno. Exercício fundamental Exercício de fixação

1 Procure em um dicionário os vários significados da Considerando o processo mencionado anteriormen-


palavra "hipótese" e estabeleça qual deles melhor se te, escolha a sequência que poderia representar a
aplica ao significado dessa palavra em textos cientí- evolução do ideograma chinês para a palavra "luta".
ficos.
a)
2 Em dezembro de 1984, um engenheiro estadunidense
que trabalhava em uma usina nuclear na Pensilvânia
tinha um problema. Ao chegar ao trabalho e passar b)
pelo detector de radiação da usina, este apitava
e uma luz vermelha se acendia, indicando que o c)
engenheiro estava contaminado. A cena se repetia
todos os dias. Depois de algumas horas na sala de
descontaminação, ele iniciava sua jornada de traba- d)
lho e percorria todas as dependências da usina. Ao
final do expediente, antes de ir para casa, passava e)
pelo mesmo detector que, desta vez, nada acusava.
Imagine que você tenha sido chamado para identi- 8 Mova apenas um palito de fósforo para criar uma
ficar a fonte de radiação. Que passos você seguiria identidade diferente.
para resolver esse problema?
3 Na busca pela solução de um problema científico,

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
realizamos experimentos. Retomando o enunciado
do exercício anterior, que experimentos você faria
para descobrir a fonte da radiação que contami-
nava o engenheiro? 9 Mova apenas dois palitos de fósforo
4 O que um cientista deve fazer se um experimento da figura ao lado de maneira a tirar
indicar que sua hipótese está correta? E se o expe- o lixo da pá.
rimento indicar que sua hipótese está errada?
10 Na figura abaixo, mova apenas 3 palitos e faça o pei-
5 No seu caderno, determine os três valores subse-
quentes em cada uma das séries numéricas a seguir. xe nadar em sentido oposto.
a) 3, 6, 9, _?_ , _?_ , _?_.
b) 2, 4, 8, _?_ , _?_ , _?_.
c) 7, 8, 10, _?_ , _?_ , _?_.

6 Leonardo Pisano (c. 1170-c. 1250), também conhe-


cido como Leonardo Fibonacci, foi um matemático
italiano importante por seu papel na introdução
dos algarismos arábicos na Europa e pela desco- 11 A figura abaixo representa uma placa de madeira
berta de uma série numérica, que passou a ser com as dimensões devidamente indicadas. Divida
conhecida como série de Fibonacci, aplicada em a placa em quatro partes com o mesmo formato
várias áreas das ciências. e a mesma área.
Observe a relação entre os sete primeiros termos
da série de Fibonacci e determine, no seu caderno, 1m
os três próximos termos.
1, 1, 2, 3, 5, 8, 13, _?_ , _?_ , _?_ 1m

7 (Enem) A linguagem utilizada pelos chineses há 1m


2m
milhares de anos é repleta de símbolos, os ideo-
gramas, que revelam parte da história desse povo. 1m
Os ideogramas primitivos são quase um desenho
dos objetos representados. Naturalmente, esses
desenhos alteraram-se com o tempo, como ilustra 2m
ILUSTRAÇÕES: ADILSON SECCO

a seguinte evolução do ideograma , que significa


cavalo e em que estão representados cabeça, cascos 12 Em uma papelaria, um lápis custa R$ 0,35 e uma
e cauda do animal. caneta custa R$ 0,60. Quantos lápis e quantas canetas
você poderia comprar gastando no total exatamen-
te R$ 5,00? (Sugestão: monte uma tabela em seu
caderno.)

28
Ver comentário no Suplemento para o professor.

O que diz a mídia

Alimentação segura e com qualidade

Um detector de adulterações no leite, um modelo de

Joana Pasquali/aCerVo Prêmio JoVem Cientista


agricultura urbana sustentável e a descoberta de que
a castanha-do-brasil reduz prejuízos cognitivos em
idosos foram os trabalhos vencedores do Prêmio Jovem
Cientista de [2015].
Por: Everton Lopes
A qualidade da nossa alimentação é uma preocupa-
ção crescente e envolve vários fatores. De um lado,
existem alimentos cujo consumo pode trazer bene-
fícios à saúde. De outro, a produção cada vez mais
industrializada dificulta a transparência em relação
ao que se ingere e o ato de comer pode ir do prazer
à tragédia com adulterações que enganam e prejudi-
cam o consumidor em favor dos lucros. Além disso,
a sociedade precisa encontrar modelos alternativos
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

e sustentáveis que permitam melhorar a gestão dos


espaços produtivos, controlar a origem dos alimentos
e garantir sua distribuição mais equilibrada. Essas
questões estão na base dos projetos vencedores da
Joana Meneguzzo Pasquali apresenta o protótipo do
28a edição do Prêmio Jovem Cientista, que teve como Detectox, que identifica a presença de substâncias tóxicas no
tema a segurança alimentar e nutricional. leite. A estudante foi a primeira colocada no Prêmio Jovem
O risco presente nos alimentos industrializados foi o Cientista de 2015 na categoria estudante de ensino médio.
(Foto: divulgação/ Prêmio Jovem Cientista)
que motivou Joana Meneguzzo Pasquali, do Colégio Mu-
tirão de São Marcos, no Rio Grande do Sul, a desenvolver
“O leite é um dos alimentos básicos, por isso, é im-
o seu Detectox, um kit capaz de detectar a presença
portante para a população controlar a sua qualidade”,
de substâncias tóxicas no leite UHT. “A divulgação das
comenta Pasquali. “Sabendo que o consumidor possui
fraudes no leite na minha região foi muito intensa e,
uma forma de detectar as fraudes, as empresas ficarão
assim que os casos foram noticiados, comecei a pensar
desencorajadas de realizar as adulterações”. Criado com
em uma possível solução”, conta a jovem de 17 anos, pri-
o objetivo de ser uma ferramenta para o consumidor fi-
meira colocada na categoria estudante do ensino médio.
nal, o produto, de baixo custo, pode se tornar uma opção
Utilizando como base um pedaço de filtro de café viável para garantir a segurança alimentar do leite. “Se
embebido com reagentes que indicam a presença das o protótipo for aprimorado, pode despertar o interesse
substâncias indesejadas, Pasquali confeccionou – por comercial”, completa.
conta própria e de forma artesanal – as fitas detectoras
de fraude. O protótipo é capaz de identificar a adição de [...]
formol, amido, hidróxido de sódio ou outras substâncias [Em 2015], o Prêmio Jovem Cientista recebeu 1.920 ins-
que alterem o pH do leite. “Procurei um material que crições de todo o país. Os vencedores foram anunciados
transpirasse menos, assim, os reagentes não evaporariam [no dia 21 de maio] em Brasília.
até o momento dos testes”, explica. Para testar o protótipo,
LOPES, Everton. Alimentação segura e com qualidade. Disponível em:
a estudante realizou as contaminações no leite com o au- <http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2015/05/alimentacao-segura-
xílio da professora de metodologia científica de sua escola. e-com-qualidade>. (Acesso em: 8 mar. 2016.)

Questão Registre a resposta em seu caderno.

Até aqui estudamos um pouco como o conhecimento é produzido na Ciência. Esse texto mostra
como pessoas comuns podem fazer Ciência. Você saberia dizer por que isso é importante?

29
4 Prefixos
A linguagem utilizada pela Física e por muitas outras ciências exatas é
Principais prefixos
a linguagem dos números. A diversidade dos números que aparecem no
mundo físico é enorme. Para se ter uma ideia, a massa da Terra, por exemplo, Nome Símbolo Fator multiplicativo
é de cerca de 5.980.000.000.000.000.000.000.000 quilogramas (kg), enquanto
exa E 1018
o diâmetro de um próton é de cerca de 0,000 000 000 000 001 metro (m).
A grande quantidade de zeros torna a representação desses números peta P 1015
bastante inconveniente e, por esse motivo, usamos uma maneira mais prática
tera T 1012
para escrever valores muito grandes ou muito pequenos. Usando potência de
24
dez, podemos escrever a massa da Terra como 5,98 ? 10  kg, e o diâmetro do giga G 109
215
próton como 10  m.
mega M 106
Nesse tipo de notação, denominada notação científica, 103 representa
24 1 1 quilo k 103
10 ? 10 ? 10 5 1.000 e 10 representa 10 ? 10 ? 10 ? 10 5 10.000 5 0,0001.
hecto h 102
Ao usar a notação científica para representar um número N qualquer,
n
devemos escrevê-lo na forma N 5 m ? 10 , em que 1< m , 10 é a mantissa e deca da 101
o expoente n, um número inteiro. Assim, o número 253, por exemplo, deve deci d 1021
2
ser escrito como 2,53 ? 10 .
centi c 1022
A grande vantagem do uso da notação cien- 10a ? 10b 5 10a 1 b

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
tífica é que as operações de multiplicação e de 10 a mili m 1023
divisão podem ser feitas respectivamente por 5 10 a 2 b
10b micro m 1026
adição ou por subtração dos expoentes das po-
tências de dez (veja o quadro ao lado), conforme (10a)b 5 10a ? b nano n 1029
os exemplos a seguir:
pico p 10212
5 3 5 3 513
a) (1,2 ? 10 ) ? (6,0 ? 10 ) 5 (1,2 ? 6,0) ? (10 ? 10 ) 5 (1,2 ? 6,0) ? (10 ) 5
8 femto f 10215
5 7,2 ? 10
4,5 ? 1026 4,5 4,5 atto a 10218
b) 5 1,5 ? 1026 ? 1012 5 1,5 ? (102612) 5 3,0 ? 1024
1,5 ? 1022 Dados obtidos em: Inmetro. Sistema Internacional
Visando facilitar ainda mais a notação das grandezas, é bastante comum de Unidades (SI). 1a edição Brasileira da 8a edição
do BIPM. Inmetro, 2012. Disponível em:
a utilização de prefixos representando as potências de dez. A tabela acima <http://www.inmetro.gov.br/inovacao/
traz a denominação dos principais prefixos de acordo com regulamentação publicacoes/si_versao_final.pdf>.
do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro). (Acesso em: 22 out. 2015.)
Os prefixos mais comuns utilizados na Física foram colocados em negrito.

Exercícios Resolva em seu caderno. Exercício fundamental Exercício de fixação

13 A lista a seguir apresenta valores numéricos que 15 Determine o valor numérico das relações a seguir
podem, ou não, estar representados em notação e dê a resposta em notação científica.
científica. Reproduza os números em seu caderno a) F 5 (3,2 ? 103) ? (4,5 ? 1025)
fazendo as alterações necessárias para que todos os
9,9 ? 103
valores estejam representados na forma de notação b) d 5
3,3 ? 1022
científica.
a) 3,2 ? 105 d) 4,5 ? 102 g) 1.560 ? 1023 c) U 5 (5,0 ? 103) ? (4,0 ? 1023)
b) 23,5 ? 1024 e) 0,067 ? 1022 h) 9,0 ? 109 d) v 5 (1,5 ? 1021) ? (2,0 ? 103)
c) 0,73 ? 103 f) 2,8 ? 108
16 Um recipiente contém exatamente 10.000 balas de
14 Represente em seu caderno os valores abaixo na goma coloridas e 40% delas são vermelhas. Expresse
forma de notação científica. em seu caderno, usando notação científica, o nú-
a) 1.230 d) 0,88 ? 105 g) 540 mero de balas vermelhas. Se for o caso, mantenha
2
b) 0,056 e) 65,4 ? 10 h) 0,75 todos os zeros à direita da vírgula de separação
f) 0,45 ? 108 decimal.
23
c) 14 ? 10

30
5 Sistema Internacional de Unidades (SI)
Em nossa exploração do mundo físico, vamos trabalhar com um grande número de grandezas
que poderão assumir uma enorme variedade de valores.
Na Física, algumas grandezas desempenham um papel fundamental quando falamos em me-
didas. Praticamente todos os fenômenos naturais que percebemos são apresentados no tempo
e no espaço a partir da matéria. Torna-se natural, então, que entre as grandezas consideradas fun-
damentais estejam: o tempo, o comprimento e a massa.
A medida de qualquer quantidade é sempre feita em comparação com uma medida-padrão:
a unidade de medida.
Um comprimento, por exemplo, pode ser medido em várias unidades de medida: polegada, pé, milha,
quilômetro, metro, centímetro, milímetro etc. Dizer que “um comprimento vale 5,3” não significa nada,
pois 5,3 km é muito diferente de 5,3 cm. Por esse motivo, uma quantidade deve sempre vir acompanhada
pela sua unidade de medida, pois, sem ela, a quantidade não tem significado.
Há cerca de 200 anos, as unidades de medida não eram padronizadas e isso dificultava enor-
memente a comunicação científica. Povos diferentes usavam unidades de medidas particulares e a
confusão que isso provocava era inevitável.
Uma primeira tentativa de padronização, com a criação de um sistema de unidades, ocorreu na
França, em 1790, na época da Revolução Francesa. O sistema então criado pela Academia de Ciências
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

de Paris, denominado Sistema Métrico Decimal e que gradativamente passou a ser aceito em quase
todo o mundo, adotava como unidades de medida o metro (m), o quilograma (kg) e o segundo (s).
Os Estados Unidos são o único país industrializado que ainda não adotou integralmente o
sistema métrico, utilizando o sistema inglês de unidades; trata-se de um sistema um pouco mais
confuso por não ter uma base numérica sistemática aparente e suas unidades serem relacionadas
umas às outras de forma arbitrária (12 polegadas 5 1 pé, 1 milha 5 5.280 pés etc.).
O sistema de unidades utilizado hoje em dia no Brasil e na maioria dos países é o denominado Sis-
tema Internacional de Unidades, abreviadamente SI, derivado do antigo Sistema Métrico Decimal.
O SI é composto de sete unidades de base (ou fundamentais) de duas unidades suplementares,
de unidades derivadas e de múltiplos e submúltiplos de todas elas. Qualquer grandeza física pode
ser definida como uma relação entre as sete fundamentais e tais grandezas são chamadas de gran-
dezas derivadas.
O diagrama a seguir mostra as unidades de base e as suplementares, com suas respectivas
grandezas associadas (em negrito), unidades de medidas e os símbolos correspondentes (fig. 2.4).

UnIDaDES DE baSE

comprimento massa tempo


metro quilograma segundo
(m) (kg) (s)

corrente elétrica temperatura termodinâmica quantidade de matéria intensidade luminosa


ampere kelvin mol candela
(A) (K) (mol) (cd)

UnIDaDES SUplEMEntarES
Figura 2.4 O Sistema Internacional
de Unidades é constituído de
ângulo plano ângulo sólido sete unidades fundamentais (ou
de base), de outras unidades que
radiano esterradiano delas derivam e de duas unidades
(rad) (sr) suplementares, de característica
geométrica.
Os tópicos seguintes trazem a definição atual dos padrões de medida para comprimento, massa
e tempo no SI, unidades que serão fundamentais para o estudo da Física.

31
Ver comentário no Suplemento para o professor.
Atividade em grupo

No Sistema Internacional de Unidades, a área equivalente a 100 m2 recebe o


nome de are. Quando nos referimos a áreas de chácaras, sítios e fazendas pode-
mos usar o múltiplo hectare, símbolo ha, equivalente a 100 ares ou 10.000 m2.
Entretanto, no Brasil são usadas outras unidades de medidas de áreas agrárias.
Em Minas Gerais e em Goiás é comum o uso do termo alqueire, equivalente
a 4,84 hectares. Em São Paulo, porém, um alqueire corresponde a 2,42 hectares.
Existe, ainda, o alqueire do Norte, equivalente a 27.225 m2 ou 2,7225 hectares.
Os agricultores, por exemplo, fazem uso de fertilizantes e de agrotóxicos,
seguindo orientação de pessoal técnico. Considerando-se que a quantidade do
produto a ser aplicada num local varia conforme a medida da área, o agricultor
pode vir a ter grandes problemas em sua plantação, caso não esteja acostumado
ao sistema de unidades de medida utilizado em sua região.
Forme um grupo com seus colegas, analisem e discutam as possíveis con-
sequências da falta de padronização do sistema de unidades para a indústria, o
comércio e a sociedade em geral.
A partir dessas análises e discussões, os integrantes do grupo deverão en-
cenar uma situação cotidiana na qual a falta de padronização de medidas gera
uma inconveniência.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Comprimento
A primeira tentativa de padronização internacional foi feita pela Academia

yuangeng ZHang/sHutterstoCK
de Ciências de Paris, em 1790, com a instituição do metro (m) — derivado da
palavra grega métron, que significa “medida”— como unidade de medida-
-padrão para comprimento (fig. 2.5).
Dentro da racionalidade da época, o metro foi definido como a décima
milionésima parte c 10.000.000 m da distância, ao longo da superfície da
1

Terra, entre o equador terrestre e o Polo Norte, reproduzindo-se então esse


comprimento em uma barra de platina.
Essa definição do metro teve de passar por várias alterações ao longo
do tempo em decorrência dos avanços tecnológicos e da consequente ne-
cessidade de estabelecer um padrão de forma mais precisa. Figura 2.5 Ao efetuar uma medição,
estamos verificando quantas vezes a
Em 1983, durante a XVII Conferência Geral de Pesos e Medidas, o metro
quantidade medida é maior que uma
foi definido com maior precisão, tomando-se como base a velocidade da luz unidade-padrão previamente definida. Nesta
no vácuo. O metro é, atualmente, definido como a distância percorrida pela foto, o juiz está medindo a altura do sarrafo
1 do salto em altura, do campeonato de saltos
luz, no vácuo, durante o intervalo de tempo de 299.792.458 s.
na província de Hebei, China, 2015.
Em escala atômica é bastante usada uma unidade de comprimento de-
nominada angström, símbolo Å:

1Å 5 10210 m

Massa
O padrão de medida para massa foi estabelecido inicialmente em função
de um volume de água. Assim, o quilograma (kg) correspondia à massa de
água — sob certas condições de temperatura e pressão — contida em um
1
cubo cujas arestas mediam 10 da unidade de comprimento, ou seja, 0,1 m.
Em 1901, definiu-se o quilograma-padrão como sendo a massa de um cilindro
feito de uma liga de platina e irídio, com 3,9 cm de diâmetro na base e 3,9 cm

32
de altura, mantido no Bureau Internacional de Pesos e Medidas, em Sèvres,
na França. Réplicas idênticas desse cilindro são mantidas em diversos labora-

CHarles D Winters/getty images


tórios no mundo.
Se, por um lado, os padrões de medida de tempo e comprimento podem
ser reproduzidos com altíssima precisão (uma parte em 1012), por outro, o
de massa pode ser reproduzido apenas com uma precisão de uma parte
em 108 ou 109. Por esse motivo, o padrão de massa deixa muito a desejar
e o ideal seria encontrar um padrão atômico ou natural para definir a uni-
dade de massa. Apesar de sabermos que átomos de um mesmo tipo têm
mesma massa, ninguém ainda sabe como contar átomos com a precisão
requerida. Assim, por enquanto temos de nos contentar com o padrão
adotado atualmente.
Em medidas de massa que exigem grande precisão, como em laborató-
rios farmacêuticos, é comum o uso de uma balança de precisão protegida
por um gabinete de vidro, para não sofrer influências externas (fig. 2.6). Figura 2.6 Balança de precisão.

Tempo
A medida de tempo, desde a Antiguidade, sempre se baseou no movi-

Wagner taVares/Pulsar imagens


mento dos corpos celestes e nos movimentos de translação e de rotação da
Terra (fig. 2.7). Assim, o dia solar, no qual nosso dia de 24 horas está baseado,
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

é o intervalo de tempo para o Sol voltar a sua altura máxima entre dois dias
consecutivos. O ano solar é o tempo necessário para a Terra completar uma
volta em seu movimento de translação ao redor do Sol.
1
O segundo (s) foi originalmente definido como 86.400 do dia solar mé-
dio. Mas essa definição é pouco precisa, porque o movimento de rotação da
Terra ao redor de seu eixo é ligeiramente irregular. Por esse motivo, em 1967,
durante a XIII Conferência Geral de Pesos e Medidas, a definição do segundo
foi estabelecida em função de um padrão atômico. O segundo é atualmente Figura 2.7 Conhecido pelos povos da Meso-
definido como o intervalo de tempo correspondente a 9.192.631.770 perío- potâmia Antiga, e aparentemente transmitido
dos de duração da transição de um elétron entre dois níveis específicos de aos gregos, o relógio solar (gnômon)
desempenhou um importante papel nas
energia de um isótopo do átomo de césio-133. observações astronômicas até a Idade Média
Relógios baseados nesse padrão são idênticos, porque todos os átomos e o Renascimento. Era usado para indicar a
desse isótopo de césio são indistinguíveis e a frequência das transições pode passagem do tempo, durante o dia, de acordo
com a variação da posição da sombra. Relógio
ser medida em laboratórios com precisão de quatro partes em 1013. solar – Companhia Hidroelétrica do São
Outras unidades de medida de tempo muito usadas na prática são o Francisco, Piranhas, AL, 2012.
minuto (min) e a hora (h).
É sempre bom relembrar que:

1 min 5 60 s e 1 h 5 60 min 5 3.600 s

Ver comentário no Suplemento para o professor.


Atividade em grupo

Após estudar as unidades de medidas do Sistema Internacional e conhecer


um pouco mais sobre a forma correta de representá-las, procure, com os colegas
de seu grupo, obter fotos e/ou recortes de jornais, revistas e panfletos promo-
cionais mostrando placas, propaganda ou embalagens em que as medidas não
estão grafadas de acordo com o SI.
Com um mínimo de 10 fotos por grupo, colem as fotos e os recortes em um
painel, apontando o erro (ou erros) em cada um deles e mostrando a forma
correta de grafar a unidade de medida correspondente.

33
Exercícios Resolva em seu caderno. Exercício fundamental Exercício de fixação

17 Um homem tem altura de 1,83 m. Expresse o valor 1 h 40 min. Expresse em seu caderno esse inter-
dessa altura em seu caderno: valo de tempo:
a) em centímetro; c) em quilômetro. a) em minuto;
b) em milímetro; b) em segundo.

18 Um recipiente contém 2,5 kg de farinha de trigo. 20 Uma corrida de Fórmula 1 teve sua largada às
Expresse em seu caderno essa massa: 10 h 05 min 30 s. O vencedor recebeu a bandeirada
a) em grama; final às 11 h 50 min 20 s. Expresse em seu caderno
a duração dessa corrida:
b) em tonelada (1 t 5 1.000 kg).
a) em hora;
19 Um jogo de futebol, durante a Copa do Mundo do b) em minuto;
Brasil, realizada em 2014, teve duração total de c) em segundo.

6 Precisão das medidas

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Na busca de maior compreensão sobre o mundo que nos rodeia, os
cientistas procuram obter relações entre quantidades físicas. Podemos per-
guntar, por exemplo, como a pressão de um gás contido em um recipiente
fechado — como um pneu — é afetada quando a temperatura aumenta
ou diminui.
Os cientistas normalmente tentam expressar essas relações quan ti-
tativamente em termos de equações, cujos símbolos representam as quan-
tidades envolvidas. Para determinar ou confirmar a validade de uma relação
entre quantidades físicas, é necessário efetuar medidas cuidadosamente
obtidas em experiências.

Algarismos significativos
Hoje em dia, a obtenção de medidas é uma parte importante da

FotograFos/sHutterstoCK
Física, conhecida como Metrologia. Mas nenhuma medida obtida é ab-
solutamente precisa; sempre existirá uma incerteza associada a cada
medida. A incerteza advém de diferentes fontes. A mais importante delas
é a precisão limitada dos instrumentos de medida e a incapacidade de
leitura de valores fracionários menores que a menor divisão da escala do
instrumento (fig. 2.8).
Entretanto, a leitura em um instrumento de medida muitas vezes permite
a interpolação de um último dígito no valor obtido para a medida. Considere a
figura 2.9, em que uma régua comum, calibrada em milímetro, é usada para
medir o comprimento de um segmento de reta.
Figura 2.8 A metade da menor divisão
da escala de leitura de um instrumento
aDilson seCCo

analógico de medida estabelece a incerteza


existente na medida obtida com esse
0 1 2 3 4 5 6 7 8 instrumento.

Figura 2.9 Régua milimetrada.

De acordo com a figura, a medida exata do comprimento situa-se entre


6,5 cm e 6,6 cm. Mas podemos estimar, com uma pequena margem de erro,
que a medida do comprimento é 6,54 cm.

34
Ver comentário no Suplemento para o professor.
Observe que o último dígito da medida (o algarismo 4) é incerto e foi
Atividade em grupo
estimado com base em uma interpolação — e, portanto, trata-se de um
algarismo duvidoso. Por outro lado, os dois primeiros dígitos da medida
O grau de precisão de uma me-
(os algarismos 6 e 5) são valores que podem ser considerados certos, pois dida depende em grande parte de
deles temos certeza. como ela será utilizada.
Em uma medida, dá-se o nome de algarismos significativos a todos Discuta com seus colegas a preci-
são que se deve ter na obtenção das
os algarismos considerados certos mais o algarismo duvidoso. No exemplo medidas. Por exemplo, do carpete
dado, a medida 6,54 cm possui três algarismos significativos. que será colocado em uma sala, da
dosagem de um medicamento, das
Por outro lado, se tivéssemos usado uma régua graduada em centímetro
dimensões de um armário de cozi-
(fig. 2.10), a medida de comprimento do segmento de reta seria escrita como nha a ser montado por um marce-
6,5 cm. Tal medida possui apenas dois algarismos significativos, sendo 6 o neiro ou do volume de refrigerante
algarismo certo e 5 o duvidoso. contido em uma garrafa.
Depois de conversar com seus
colegas de grupo, elabore um texto
aDilson seCCo

criando uma situação na qual uma


0 1 2 3 4 5 6 7 8 medida, que deveria ter sido feita
com determinada precisão, provo-
cou algum tipo de problema.

Figura 2.10 Régua centimetrada.

O número 24,78, por exemplo, possui quatro algarismos significativos;


Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

o número 0,0034 possui apenas dois algarismos significativos (observe


que os zeros à esquerda indicam apenas um deslocamento da vírgula,
pois esse mesmo número poderia ser escrito como 3,4 ? 1023); e o número
5,34 ? 104 possui apenas três algarismos significativos.
Ao efetuar medidas ou realizar cálculos com os valores dessas medidas,
devemos sempre considerar o número de algarismos significativos apresen-
tados na resposta final.

Ver comentário no Suplemento para o professor.


Você sabe por quê?

Nas Olimpíadas de 1912, em Estocolmo, a precisão na cronometragem


das corridas, efetuada com cronômetros mecânicos manuais, era de 0,2 s. Nas
Olimpíadas de 1932, em Los Angeles, a precisão já chegava a 0,1 s. Em 1964, em
Tóquio, com cronômetros eletrônicos a quartzo, a precisão chegava a 0,01 s.
Hoje em dia, com os sistemas de cronometragem computadorizados, a precisão
chega a 0,001 s, o que é cerca de dez vezes mais preciso que o requerido pelos
regulamentos.
Explique por que a presença do ser humano é, hoje em dia, dispensável no
controle da cronometragem de algumas provas esportivas de corrida.

Multiplicação e divisão
Considere o seguinte problema: determinar a área S de um retângulo cujos
lados têm por medidas os valores 12,3 cm e 6,7 cm.
A área S é obtida pela multiplicação das medidas dos lados e tal operação
nos fornece como resultado o valor: S 5 12,3 cm ? 6,7 cm 5 82,41 cm2
Podemos estabelecer como regra geral que o resultado de uma multiplica-
ção — ou de uma divisão — deve ter um número de algarismos significativos
igual ao do fator com o menor número de algarismos significativos.
Por esse motivo, a resposta final deve sofrer um arredondamento e teremos,
então, para a área do retângulo o valor: S 5 12,3 cm ? 6,7 cm 5 82 cm2. Observe
que o resultado final possui apenas dois algarismos significativos.

35
Adição e subtração
No caso da adição ou da subtração, devemos, inicialmente, verificar qual parcela apresenta o menor
número de casas decimais. Em seguida, arredondamos todas as outras parcelas de modo que fiquem com
o mesmo número de casas decimais que a parcela com o menor número de casas decimais.
Considere, por exemplo, o problema a seguir: obter a soma dos comprimentos 1.545,3 m, 125,346 m,
45,068 m e 3,6592 m.
Observe que a parcela que apresenta o menor número de casas decimais (uma casa decimal apenas)
é a igual a 1.545,3, que permanecerá inalterada. Portanto, todas as outras parcelas deverão ser arredon-
dadas, abandonando-se quantos algarismos forem necessários, de modo que fiquem com apenas uma
casa decimal.
Então, na parcela 125,346 devemos abandonar os dois últimos algarismos (os algarismos 4 e 6). Como
regra geral de arredondamento, o último algarismo mantido deve permanecer invariável se o algarismo
seguinte (o algarismo 4, nesse caso) for menor que 5. Assim, a parcela 125,346 será escrita como 125,3.
Na parcela 45,068 devemos abandonar os algarismos 6 e 8. No arredondamento, o último algarismo
mantido deve ser acrescido de uma unidade se o algarismo seguinte (o algarismo 6, nesse caso) for maior
que 5. Desse modo, a parcela 45,068 será escrita como 45,1.
Finalmente, na última parcela, igual a 3,6592, devemos abandonar os algarismos 5, 9 e 2. Nesse caso,
como o último algarismo abandonado é exatamente igual a 5, é indiferente acrescentar ou não uma unidade
ao último algarismo mantido (o algarismo 6, nesse caso). Ou seja, a última parcela pode ser escrita como

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
3,6 ou 3,7. De qualquer maneira, a soma dessas parcelas será diferente apenas pelo último algarismo, e isso
não tem importância, pois, como sabemos, o último algarismo é um algarismo duvidoso. Temos, então:
1.545,3
125,346
1
1 45,068
3,6592
1.719,3

Portanto, a soma dos comprimentos mencionados é igual a 1.719,3 m.


Nesse ponto, é importante ressaltar que as regras descritas anteriormente não são absolutamente
rigorosas. Elas visam apenas evitar a perda de tempo ao realizar cálculos usando algarismos sem significado.

Ver comentário no Suplemento para o professor.


Proposta experimental

Neste experimento simples, você fará medições de comprimento e, com elas, obterá um valor aproxi-
mado para a constante matemática p (pi).
O número p é dado pela relação entre o comprimento C de uma circunferência (ou perímetro da cir-
C
cunferência) e seu diâmetro D: p 5
D
Você precisará de papel milimetrado, uma tesoura e objetos circulares (pratos, pires, copos, latas, moedas
etc.). Organize em seu caderno um quadro em que devem constar os dados apresentados a seguir.

Comprimento C da
Objeto Diâmetro D Valor de p
circunferência
Prato
Pires
Copo
Lata
Moeda

Usando a tesoura, faça uma “régua” utilizando o papel milimetrado. Para isso, corte uma tira com 1 cm
de largura e comprimento igual ao lado maior da folha de papel milimetrado.

36
Comece pelo prato. Com a "régua" de papel milimetrado, obtenha a medida D do diâmetro. Para medir
o comprimento C da circunferência, ajuste a tira de papel milimetrado ao redor do prato, cobrindo todo seu
perímetro. Se o comprimento da tira for insuficiente para cobrir toda a volta do objeto circular, cole outra
tira na ponta da primeira, formando uma tira maior.
C
Com os valores medidos, e usando a relação p 5 , obtenha um valor aproximado para p. Atente para
D
o uso correto dos algarismos significativos. Repita esse procedimento para os outros objetos selecionados
e obtenha mais valores para a constante p.
Determine p, o valor médio de p, fazendo a média aritmética dos valores obtidos.

Compare com o valor aproximado dado por p 5 3,14159. Qual é a diferença percentual, d
p2p n
? 100%,
p
entre o valor médio e o valor fornecido?

Exercícios Resolva em seu caderno. Exercício fundamental Exercício de fixação

21 Qual é o número de algarismos significativos em Assim:


cada uma das medidas abaixo? a) o valor mais provável da voltagem é de 75 V, e a
a) 33,55 g indicação de A é mais precisa.
b) 23 kg b) o valor mais provável da voltagem é de 750 V, e a
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

c) 1,32 m indicação de B é mais precisa.


d) 24,7 cm c) o valor mais provável da voltagem é de 75 V, e a
e) 0,003000 m3 indicação de B é mais precisa.
f) 0,16 m2 d) o valor mais provável da voltagem é de 750 V, e a
indicação de A é mais precisa.
22 Um estudante mediu os lados de seu quarto retan- e) o valor mais provável da voltagem é de 7,5 V, e a
gular, obtendo os valores 2,95 m e 3,1 m, expressos indicação de A é mais precisa.
corretamente em algarismos significativos. Ao efe-
tuar  o produto dos lados para calcular a área do 24 Um dado corpo tem massa m 5 0,56 kg e ocupa um
quarto, utilizando uma calculadora, ele chegou ao
resultado 9,145 m2. A área do quarto, expressa cor- volume V 5 2,7 L. Determine a densidade volumé-
trica c relação m desse corpo, em kg/L.
m
retamente em algarismos significativos, é igual a: V
a) 9,145 m2
b) 9,14 m2 25 Um corpo prismático possui base com área S 5 2,5 cm2
c) 9,15 m2 3
e altura h 5 3,5 cm. Determine, em cm , o volume V
d) 9,1 m2 do corpo (o volume do prisma é dado por V 5 S ? h).
e) 9 m2 Dê a resposta em notação científica.

23 Toda medida está afetada de erro. O erro que se co- 26 Um sólido com forma prismática tem volume
mete quando se utiliza um instrumento de medição V 5 9,6 m3 e base de área S 5 3,2 m2. Lembrando
é igual à metade da menor divisão da sua escala. que V 5 S ? h, determine sua altura h, em metro,
Em uma experiência de eletricidade, um estudante expressa em notação científica.
mediu a voltagem entre dois pontos de um circuito
elétrico, usando dois voltímetros analógicos diferen- 27 Levando em consideração o número de algarismos
tes: A, cuja escala está multiplicada por um fator 10, significativos das medidas, efetue em seu caderno
e B, cuja escala está multiplicada por 100. as operações a seguir e dê a resposta em notação
As figuras a seguir mostram as indicações dos dois científica.
voltímetros. a) A 5 0,36 ? 8,53
3,60
b) B 5
ilustrações: aDilson seCCo

4 6 4 6
1,2
2 8 2 8 c) C 5 (2,00 ? 1023) ? (2,5 ? 102)
V V
0 10 0 10 d) D 5 21,4 1 0,46 1 2,312
x10 x100 e) E 5 12,58 2 6,3
A B f) F 5 123,875 1 25,7 2 0,67

37
Aplicação tecnológica Ver comentário no Suplemento para o professor.

GPS (Global Positioning System)


Por meio de uma rede de satélites, a tecnologia GPS, sigla em inglês para Sistema de Posicionamento Global,
permite localizar a posição de aparelhos receptores em qualquer ponto da Terra.

Como funciona?
Os receptores calculam sua distância
1 As órbitas dos satélites são fixas em relação
à Terra e os receptores têm memorizada a
a, pelo menos, três dos satélites do localização deles em cada momento do dia.
sistema. E, por meio do método Ao receber o sinal de um dos satélites, o receptor
matemático da trilateração, podem GPS pode calcular sua distância (d).
deduzir sua posição em qualquer
lugar da Terra.

Os lugares sobre a
superfície da Terra
à distância d do
satélite formam uma
circunferência.

no espaço
O sistema GPS
é uma rede
de pelo menos
24 satélites em operação,
posicionados a cerca de
20.200 km de altura, que
levam 12 h para circundar
a Terra. Em qualquer ponto
do planeta, há pelo menos
quatro satélites “visíveis”.

38
ilustrações: ÉriKa onoDera
2 Osuasinal de um segundo satélite é detectado e
distância é calculada, definindo uma nova 3 Com os dados de um terceiro satélite, é possível determinar
as coordenadas do usuário. Se estiver em movimento, os

Representação artística com uso de cores-fantasia e fora de escala.


circunferência imaginária. Os pontos nos quais dados enviados pelos satélites permitem calcular o intervalo
as duas circunferências se interceptam (A e B) de tempo entre duas posições do receptor e, então, a sua
indicam as únicas localizações possíveis para velocidade e direção.
o receptor.

Atualmente, a
b margem de erro
média dos receptores
civis comuns é de
apenas 0,9 metro.

aplicações
O GPS foi criado para uso militar dos Estados Unidos
em 1973. Dez anos depois foi liberado para civis,
e novos usos não pararam de surgir em todos os
setores, da agricultura ao entretenimento, com
receptores equipando de aviões a pulseiras.
Questão
A implantação do GPS possibilitou muitas Fontes: National Air and Space Museum. Disponível em: <airandspace.si.edu/
aplicações práticas. Cite algumas delas. exhibitions/gps>. (Acesso em: 26 out. 2015.)
Global Positioning System. Disponível em: <www.gps.gov>. (Acesso em: 26 out. 2015.)

Cálculo da distância
Cada aparelho e satélite do GPS
Sinal recebido
funciona com a exatidão de um do satélite
relógio atômico, reproduzindo com
precisão de bilionésimos de segundo
o mesmo sinal padrão. A diferença
entre esse sinal padrão e o sinal que Sinal padrão
um aparelho recebe de um satélite do receptor
indica o tempo que a onda demora
para percorrer a distância entre os Diferença de tempo
entre o envio e a
dois, que é usado para determiná-la.
recepção do sinal

39
7 Representações gráficas
Um dos aspectos mais importantes da Física é a busca de relações entre diferentes quantidades,
isto é, a determinação de como o valor de uma quantidade afeta o valor de outra. Essa busca é im-
portante também em outros ramos das ciências.
Considere, por exemplo, o custo de uma corrida de táxi. Geralmente as tarifas de táxi constam
do valor da bandeirada adicionado ao custo dos quilômetros rodados.
Suponha que desejemos encontrar a relação entre o custo de uma corrida de táxi e a distância
percorrida. A relação entre essas quantidades pode ser apresentada de diferentes maneiras.
Inicialmente, podemos pensar em relacionar as grandezas (custo e distância) com base nos da-
dos de uma tabela em que são mostrados o valor de uma das grandezas e o correspondente valor
assumido pela outra. A tabela abaixo apresenta possíveis pares de valores.

Custo (R$) 3,50 5,00 6,50 8,00 9,50 11,00 12,50 14,00

Distância (km) 0 1 2 3 4 5 6 7

De acordo com a tabela, fica claro que o preço da bandeirada é de R$ 3,50, ou seja, o passageiro,

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
ao entrar no táxi, já deve ao motorista R$ 3,50. Observe, também, que o preço da corrida aumenta
R$ 1,50 a cada quilômetro percorrido. Assim, podemos concluir que o passageiro paga R$ 1,50 por
quilômetro rodado. Devemos ressaltar que na tabela, por simplificação, não levamos em conta o
custo da hora parada.
Poderíamos, também, expressar a relação procurada com a lei de uma função matemática,
y 5 f(x), que mostra o valor de uma das grandezas em função do valor da outra.
Nesse caso, se chamarmos de d a distância percorrida em quilômetro e de C o custo em real da
corrida, teremos a função de lei:

C 5 3,50 1 1,50 ? d

Finalmente, podemos expressar a relação entre as grandezas em um gráfico que nos fornece
informações de forma resumida.
Para o caso da corrida de táxi, podemos construir o gráfico do custo C da corrida em função da
distância percorrida d (fig. 2.11).

C (R$)

16,00
aDilson seCCo

12,00

8,00

4,00
Figura 2.11 Gráfico do custo de uma
corrida de táxi em função da distância
0 1 2 3 4 5 6 7 8 d (km)
percorrida por ele.

A grande vantagem da utilização de gráficos é que podemos construí-los relacionando quaisquer


grandezas em diversos campos do conhecimento humano, sejam eles econômicos, sociais, geográficos
ou científicos. Os dados de um gráfico podem ser representados das mais variadas formas.

40
O gráfico a seguir aborda aspectos econômicos e mostra o desempenho real acumulado de dife-
rentes tipos de aplicação financeira no período de 2001 a 2010 (fig. 2.12). Observe que esse gráfico
permite uma rápida visualização da aplicação mais rentável naquele período.

–20,00% –15,00% –10,00% –5,00% 0,00% 5,00% 10,00% 15,00% 20,00%

Dólar 16,10%
Imóveis 6,73%
Títulos públicos 5,86%
CDI 4,89%
CDB 4,83%
Poupança velha 4,09%
Poupança nova 3,48%
–1,46% Ouro
–17,95% Bolsa
Inflação 3,43%

Dados obtidos em: <www.institutoassaf.com.br>. (Acesso em: 26 out. 2015.)

ilustrações: eriCson guilHerme luCiano


Figura 2.12 Gráfico do desempenho real acumulado de diferentes tipos de
aplicação financeira no ano de 2014.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Os gráficos podem ser usados para relacionar, praticamente, quaisquer grandezas.


O exemplo a seguir é de um gráfico de barras que relaciona a mortalidade infantil com a ex-
pectativa de vida de homens e mulheres de 6 países — Japão, Suíça, Grécia, Cingapura, México e
Tanzânia —, utilizando estimativas de 2015 obtidas pela CIA, a agência central de inteligência dos
Estados Unidos. Observe que os países com as maiores expectativas de vida apresentam, também,
as menores taxas de mortalidade infantil (fig. 2.13).
88,26 87,50
84,92 83,20
81,40 80,22 82,06
77,83 78,55
72,88

63,13
60,34

42,43

12,23
3,67 4,70 2,48
2,08

Japão Suíça Grécia Cingapura México Tanzânia

Expectativa de vida masculina (em ano)


Expectativa de vida feminina (em ano)
Mortalidade infantil (por mil nascidos vivos)

Dados obtidos em: <https://www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/>.


(Acesso em: 26 out. 2015.)
Figura 2.13 Gráfico da mortalidade infantil 3 expectativa de vida em 6 países (estimativa de 2015).

Deve-se ressaltar que, seja qual for a forma de representação gráfica utilizada, é importante saber
interpretar as informações fornecidas pelo gráfico.
Como último exemplo do uso desse recurso nas ciências, vamos apresentar o gráfico da altura de
homens adultos, em centímetro, em função da massa, em quilograma. Médicos costumam empregar
gráficos como esses para avaliar a massa corpórea de um homem adulto.

41
Observe na figura 2.14 que, para cada altura há um interva- 192,5
lo de valores no qual a massa é considerada normal e a pessoa, 190,0
saudável. Esse intervalo situa-se na faixa laranja do gráfico e 187,5
185,0
indica os valores de massa desejáveis para diferentes alturas. Massa abaixo
182,5
No gráfico ao lado, um homem de 190 cm (1,90 m) deve ter sua 180,0
do normal

massa no intervalo de 72,5 kg até 90,5 kg para ser considerado 177,5


Massa normal

Altura (cm)
e saudável
saudável. Se a massa do homem estiver acima do normal, ele 175,0
Massa acima
será mais suscetível a doenças coronárias e arteriais, pressão 172,5
do normal
170,0
alta, diabetes e várias outras doenças e será aconselhado a
167,5
emagrecer de forma segura e eficaz. O aumento do percentual 165,0
de pessoas obesas tem preocupado a Organização Mundial da 162,5
Saúde (OMS), órgão da Organização das Nações Unidas (ONU), 160,0
pois maior incidência de doenças comprometeria a população 157,5
como um todo, uma vez que isso elevaria os gastos com saúde 54,5 59,0 63,5 68,0 72,5 77,0 81,5 86,0 90,5

pública. Se a massa estiver muito abaixo do normal também Massa (kg)

serão necessárias providências médicas. Dados obtidos em: Associação Paulista de Medicina.
Figura 2.14 Gráfico de altura 3 massa em homens adultos.
Ver comentário no Suplemento para o professor.
Proposta experimental

Nesta proposta experimental vamos utilizar os dados obtidos na proposta experimental da página
36 deste capítulo e, com eles, construir um gráfico. Para isso, você vai precisar de uma folha de papel

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
milimetrado, lápis e uma régua.
Na folha de papel milimetrado, considere no eixo das abscissas (eixo horizontal) o diâmetro D dos objetos
circulares e no eixo das ordenadas (eixo vertical) o comprimento C da circunferência daqueles objetos.
Você deverá estabelecer uma escala conveniente no eixo vertical para poder marcar o maior compri-
mento C das medidas encontradas.
No gráfico, determine a posição do ponto correspondente ao diâmetro D e o respectivo compri-
mento C para cada objeto utilizado.
Observe que para menores diâmetros teremos menores comprimentos da circunferência e vice-versa.
Como esses pontos se distribuem no gráfico?
Onde deveria estar o ponto correspondente a um objeto de diâmetro nulo (D 5 0)?
Trace a reta que melhor se ajusta aos pontos encontrados e determine a tangente do ângulo de incli-
nação dessa reta em relação ao eixo horizontal. Matematicamente, o que representa o valor encontrado?

Exercícios Resolva em seu caderno. Exercício fundamental Exercício de fixação

28 Uma pesquisa de opinião foi realizada para avaliar 29 O gráfico apresenta a distribuição de frequência
o número de votos aos candidatos de uma eleição das faixas salariais dos funcionários de uma pe-
para prefeito de uma cidade. Os resultados obtidos quena empresa.
estão apresentados no gráfico de barras a seguir.
No de funcionários
10
1.200
Intenção de voto

1.000
800
600 4
400 2
200
0 500 1.000 1.500 2.000 2.500 Salário (R$)
ILUSTRAÇÕES: ADILSON SECCO

A B C D Nenhum
Candidato a) Quantos funcionários trabalham nessa empresa?
a) Qual foi aproximadamente o número de pessoas b) Qual é a média aritmética salarial dos funcionários
consultadas nessa pesquisa? dessa empresa? (Para o cálculo dessa média, use,
b) Qual é aproximadamente a porcentagem de entre- em cada faixa salarial, o valor médio do intervalo.)
vistados que declararam a intenção de votos no c) Qual é a porcentagem de funcionários que têm
candidato C? salário abaixo da média?

42
30 A tabela a seguir mostra as vendas de determinado Com base no texto e no gráfico, responda às per-
produto, em três regiões, durante quatro trimes- guntas a seguir.
tres consecutivos. a) Se uma pessoa consome cerca de 5 xícaras de café
em pó forte por dia, qual é a quantidade de cafeína
o o o o
1 2 3 4 que ingere?
trimestre trimestre trimestre trimestre b) Se a pessoa citada no item a substituir o café em
Leste 20 27 90 20 pó forte por chá forte, quantas xícaras de chá ela
Oeste 30 39 35 32 poderia consumir por dia para ingerir aproximada-
mente a mesma quantidade de cafeína?
Norte 46 47 45 44
33 (Enem) Um estudo sobre o problema do desempre-
a) Com base nos dados da tabela, obtenha o total de go na Grande São Paulo, no período 1985-1996,
vendas de cada trimestre e o total de vendas, no realizado pelo Seade-Dieese, apresentou o gráfico
período de quatro trimestres, em cada região. abaixo sobre a taxa de desemprego.
b) Esboce os resultados obtidos no item a em forma 16,0%
de gráfico de barras.

Taxa de desemprego
c) Qual é a região que apresentou o melhor desempenho 14,0%
de vendas durante os quatro trimestres? Em qual tri-
mestre as vendas totais tiveram o melhor resultado? 12,0%
31 A tabela a seguir mostra a posição de um carro ao
10,0%
longo de uma estrada, durante uma viagem, em
função do tempo. 8,0%
Ano
Tempo Posição 6,0%
10 h km 80 85 86 87 88 89 90 91 92 93 94 95 96
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Fonte: SEP, Convênio Seade-Dieese.


10 h 15 min km 100
10 h 30 min km 110 Pela análise do gráfico, é correto afirmar que, no
10 h 45 min km 125 período considerado:
a) a taxa de desemprego foi crescente no período
11 h km 125
compreendido entre 1986 e 1990.
11 h 15 min km 150 b) a menor taxa de desemprego foi de 6%.
11 h 30 min km 170 c) a partir de 1989 a taxa de desemprego foi crescente.
a) Esboce um gráfico mostrando a posição do veículo d) no período 1985-1996, a maior taxa de desemprego
em função do tempo de viagem. foi de 16%.
b) Explique o que pode ter ocorrido, durante essa e) no período 1992-1995, a taxa de desemprego foi
viagem, entre 10 h 45 min e 11 h. decrescente.
32 Cafeína é uma substância presente no café, no chá 34 (Enem) O gráfico [abaixo] mostra a área desmatada
e em alguns refrigerantes, sobretudo aqueles à base da Amazônia, em km2, a cada ano, no período de
de cola. Estimula o sistema nervoso e também ace- 1988 a 2008.
lera a produção de urina. Pequenas quantidades de
cafeína não são prejudiciais, mas em grandes doses km2
produzem sintomas como palpitações, tremores e 30.000
insônia. O gráfico a seguir mostra a quantidade média
de cafeína no café (em pó e instantâneo), chá e cola.
É aconselhável manter um consumo total de cafeína 20.000
abaixo de 800 mg por dia.
Quantidade média de cafeína
200 10.000
180
Xícara grande/forte
Cafeína (mg por xícara)

160
Xícara pequena/fraco 0
140 88 89 90 91 92 93 94 95 96 97 98 99 00 01 02 03 04 05 06 07 08 Ano
120 Fonte: Ministério do Meio Ambiente (MMA).
100
As informações do gráfico indicam que:
80
60
a) o maior desmatamento ocorreu em 2004.
b) a área desmatada foi menor em 1997 que em 2007.
40
ILUSTRAÇÕES: ADILSON SECCO

c) a área desmatada a cada ano manteve-se constante


20
entre 1998 e 2001.
Café Café Chá Cola d) a área desmatada por ano foi maior entre 1994 e
em pó instantâneo 1995 que entre 1997 e 1998.
Bebida e) o total de área desmatada em 1992, 1993 e 1994 é
2
Dados obtidos em: Associação Paulista de Medicina. maior que 60.000 km .

43
Navegue na web
• Scistarter
<http://scistarter.com/index.html>. (Acesso em: 27 out. 2015.)
O site, em inglês, é um repositório de pesquisas em andamento em diversas áreas, nas quais pessoas comuns
podem colaborar para a coleta de dados. Você poderá escolher onde coletar os dados (em sua casa, na es-
cola, na praia, durante uma caminhada etc.) e a área de interesse (animais, pássaros, insetos, arqueologia,
astronomia, biologia, química, entre outras).

• Sistema Urubu
<http://cbee.ufla.br/portal/sistema_urubu/>. (Acesso em: 27 out. 2015.)
Está viajando e viu/presenciou algum atropelamento de animal na via? Todos os anos, aproximadamente
450 milhões de animais são atropelados e mortos nas estradas brasileiras. Para tentar reverter esse quadro,
o Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas (CBEE) desenvolveu um aplicativo chamado "Sistema
Urubu", que funciona como uma rede virtual de colaboradores. Pelo Urubu Mobile você poderá se tornar
um verdadeiro parceiro do Sistema Urubu e fazer parte dessa rede de conservação. O Urubu Mobile é um
aplicativo gratuito para tablets e smartphones com sistema operacional Android ou iOS. Seu aparelho precisa
ter câmera fotográfica e GPS integrados.

• Como tudo funciona


<http://ciencia.hsw.uol.com.br/metodos-cientificos.htm>. (Acesso em: 27 out. 2015.)

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Versão em português do site americano How Stuff Works. Essa página traz um artigo, bastante completo,
que aborda a história da evolução do método científico, suas origens, etapas e aplicações. Mostra, ainda, as
limitações desse método.

• A importância da história da Ciência


<http://cienciahoje.uol.com.br/alo-professor/intervalo/a-importancia-da-historia-da-ciencia/view>. (Acesso
em: 27 out. 2015.)
O vídeo, dividido em sete partes e com duração de aproximadamente uma hora, foi produzido pelo Instituto
de Bioquímica Médica da UFRJ e trata o tema com muitos detalhes. Todo o filme é conduzido por um tom
bastante humanista, com pontuações sobre as benesses e as tragédias — quando mal utilizada — que a
ciência pode trazer.

• O relógio atômico brasileiro


<http://www.cepa.if.usp.br/e-fisica/mecanica/pesquisahoje/cap3/defaultframebaixo.htm>. (Acesso em:
27 out. 2015.)
A página, mantida pelo Instituto de Física de São Carlos da Universidade de São Paulo, explica a evolução nas
medidas de tempo, a precisão necessária no dia a dia e as principais aplicações de um relógio atômico. Além
disso, mostra o funcionamento e a importância do relógio atômico criado em São Carlos, SP.

Sugestões de leitura
• A relatividade do erro, de Isaac Asimov. Rio de Janeiro: Edições 70 – Brasil, 1991.
Qual é a origem da noção de que o “certo” e o “errado” são absolutos? Nesse livro, Asimov mostra que 9 mais
5 pode ser igual a 2! Isso mesmo, 9 1 5 5 2. Sendo 9 h da manhã e tendo se passado 5 horas, não serão
2 h da tarde?

• Cronologia das ciências e das descobertas, de Isaac Asimov. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1993.
Combinando história mundial com descobertas científicas e invenções, Asimov ilustra, em ordem cronoló-
gica, como ciência e eventos políticos, sociais e culturais afetam uns aos outros.

• Que é ciência, afinal?, de Alan F. Chalmers. São Paulo: Brasiliense, 2009.


“O que é tão especial em relação à ciência? O que vem a ser esse ‘método científico’ que comprovadamente
leva a resultados especialmente meritórios ou confiáveis?” Essas são algumas das questões abordadas
nessa obra.

44
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..........................................................................................
..........................................................................................
..........................................................................................
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e
ad
id
II

Ueslei Marcelino/reUters/latinstock
Un

Força e energia

Capítulo 3
Descrição dos
movimentos, 46
Capítulo 4
Força e movimento, 93
Capítulo 5
Hidrostática, 130
Capítulo 6
Quantidade de movimento
e impulso, 164
Capítulo 7
Energia e trabalho, 187
Capítulo 8
Gravitação universal, 220
Capítulo 9
Máquinas simples, 255
edwArd KInSmAn/getty ImAgeS

Stephen Chung/AlAmy/glow ImAgeS

B C

A: Para proporcionar ao público uma melhor visualização das manobras executadas, foi acrescentado aos aviões da Esquadrilha
da Fumaça da Força Aérea Brasileira (FAB) um tanque de óleo exclusivo para a produção de fumaça. Na foto, os rastros de fumaça
indicam a trajetória das aeronaves em relação à Terra.
B: Movimento de uma bailarina, em relação ao solo, registrado em instantes sucessivos, por meio de uma técnica chamada de
fotografia estroboscópica.
C: A London Eye é uma roda-gigante situada na cidade de Londres, Inglaterra. Quando em movimento, suas cabines realizam, em
relação ao solo, trajetórias circulares, completando uma volta em 30 minutos.

45
..........................................................................................
..........................................................................................
..........................................................................................

lo

Museu NacioNal do castelo de


MalMaisoN, Rueil-MalMaisoN, FRaNça
tu

3 Descrição dos

Ca

movimentos

Obra Leitura da tragédia


L’Orphelin de la Chine
de Voltaire no salão de O Iluminismo
madame Geoffrin, óleo
sobre tela de Anicet
Charles Gabriel Lemonnier,
O século XVIII viu o nascimento do Iluminismo, corrente de pensamento que
datada de 1812. colocava a razão como critério da verdade e do progresso da vida humana.
A ideia medieval de que o conhecimento era fruto de revelação divina en-
fraqueceu durante os séculos XVI e XVII, em parte devido à criação de métodos
empíricos que levaram à revolução científica em áreas como Astronomia, Física,
Medicina e Matemática.
Para os iluministas, as leis naturais regulam as relações sociais, assim como
os fenômenos da natureza. Os seres humanos nascem bons e iguais entre si —
quem os corrompe é a sociedade; por isso, essa sociedade deve ser transformada
e orientada a buscar a felicidade, a fim de garantir a todos liberdade (de culto e
expressão, por exemplo), igualdade (diante da lei) e fraternidade, ideias iluministas
da Revolução Francesa.
Nesse ambiente, um inglês iria mudar a história da Física: Isaac Newton. Ele é
autor de um dos mais importantes livros da história humana: o Principia.
Neste capítulo, vamos iniciar o estudo dos movimentos dos corpos e como
eles podem ser descritos por meio de funções matemáticas. Esse estudo é deno-
minado Cinemática.

46
1 Introdução
Corpos em movimento, bolas, atletas, carros, aviões e mesmo o Sol e

the grAnger ColleCtIon/glow ImAgeS - muSeu


nACIonAl romAno, pAláCIo AltempS, romA
a Lua, fazem parte de nosso cotidiano. Os movimentos foram os primeiros
fenômenos de nosso mundo físico a serem estudados em profundidade,
desde as antigas civilizações.
No século IV a.C., na Grécia antiga, Aristóteles (fig. 3.1) reunia em seus
estudos filosóficos temas hoje discutidos separadamente em diversas áreas do
conhecimento, como ciência, política, ética e poesia. Suas ideias mostraram-se
de grande valia em muitas áreas, mas suas teorias físicas tinham limitações.
Aristóteles fazia um estudo descritivo dos fenômenos naturais, geralmente
sem recorrer a métodos matemáticos.
Acredita-se que Aristóteles foi o primeiro filósofo a fazer um estudo
sistemático do que ele entendia por movimento (kinesis, em grego), na sua
obra denominada Física (Physika, em grego), lançando, assim, as bases para
uma ciência independente que estudava a natureza e o mundo.
Na visão de mundo de Aristóteles, o movimento tem uma explicação: exis- Figura 3.1 Busto de Aristóteles, filósofo
tiriam no Universo duas regiões distintas, a do mundo sublunar e a do mundo grego que viveu de 384 a 322 a.C.
supralunar. Na primeira, ele admitia a existência de quatro elementos que cons-
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

tituiriam todas as coisas: a água, o ar, a terra e o fogo. As diferentes substâncias e


os corpos do mundo terrestre seriam constituídos por diferentes combinações
desses quatro elementos. Um corpo seria mais leve ou mais pesado de acordo
com as quantidades de cada um desses elementos nele misturados.
De acordo com Aristóteles, todos os corpos teriam a tendência de se dirigir
ao seu lugar natural. O lugar natural dos corpos pesados seria o centro da
Terra, e o dos corpos leves estaria acima da Terra, em direção ao céu. Portanto,
o lugar natural do fogo e do ar estaria sempre acima do lugar natural da terra
e da água. Sempre que um agente obrigasse um corpo a abandonar seu lugar
natural, ele tenderia, assim que cessasse a ação, a voltar a seu lugar natural.
Se atirássemos uma pedra para o alto, sua tendência seria cair, voltando ao
seu lugar natural assim que deixasse de existir o efeito do agente que a im-
pulsionou. Um corpo abandonado permaneceria em repouso em seu lugar
natural e somente se moveria se fosse impelido por um agente.
É na região sublunar que se verificariam os movimentos retilíneos e des-
contínuos. Descontínuos no sentido de que, cessada a ação do agente que
impulsiona o corpo, cessaria o movimento.
Na região supralunar, que começaria a partir da Lua, estariam os corpos
celestes, que descreveriam movimentos circulares e contínuos, isto é, eternos.
Esses corpos não seriam formados pelos quatro elementos, mas, sim, por um
quinto elemento, ou a quinta essência: o éter, a substância perfeita. O mundo
supralunar seria constituído por uma sequência de cascas esféricas concêntri-
cas, às quais estariam ligados os corpos celestes. A Terra era concebida como
esférica e estaria imóvel no centro do Universo, um sistema geocêntrico.
O Sol, os planetas e as estrelas descreveriam, em torno da Terra, movimentos
circulares considerados perfeitos.
Isso mostra uma das ideias fundamentais da doutrina aristotélica: a
existência de causas finais no Universo, para as quais todas as coisas tendem.
Após o declínio da Grécia antiga, os escritos de Aristóteles permaneceram
desconhecidos na Europa Ocidental por mais de 1.500 anos. Foram redesco-
bertos apenas no século XIII e exerceram influência dominante durante toda
a Idade Média. Até então se sabia tão pouco no Ocidente sobre a natureza
quanto no século IV a.C.

47
Ver comentário no Suplemento para o professor.

O Renascimento trouxe consigo uma nova arte, uma nova música e


Atividade em grupo
novas ideias acerca do Universo e do papel do ser humano dentro dele.
A curiosidade e as atitudes questionadoras tornaram-se aceitáveis e até
Renascimento é o nome dado ao
mesmo valorizadas. movimento de renovação intelec-
A visão de mundo de Aristóteles passou a ser questionada quando o tual e artística iniciado na Itália, no
astrônomo polonês Nicolau Copérnico (1473-1543) formulou seu modelo século XIV, que atingiu seu apogeu
heliocêntrico, no qual a Terra se movia em torno do Sol. no século XVI, influenciando várias
regiões da Europa. Seus desdobra-
No início do século XVIII, uma nova corrente de pensamento começou a mentos estenderam-se, entre outros
tomar conta da Europa, defendendo novas formas de conceber o mundo, a campos, à Geografia e à Cartografia.
sociedade e as instituições. O Iluminismo, ou Era da razão, como passou a ser Forme um grupo com seus co-
conhecida essa corrente de pensamento, constituiu um desdobramento de con- legas e façam uma pesquisa sobre
cepções desenvolvidas desde o período renascentista, quando os princípios de as consequências do Renascimento
individualidade e razão ganharam espaço nos séculos iniciais da Idade Moderna. para as artes, as ciências e a sociedade
da época. Consultem os professores
Ainda no século XVII, o filósofo, físico e matemático francês René de Física, História, Filosofia e Arte para
Descartes (1596-1650) concebeu um modelo de verdade incontestável. Na enriquecer a pesquisa. Utilizando
obra Discurso sobre o Método, Descartes declarou que a verdade poderia cartazes, painéis ou vídeos, apresen-
ser alcançada através de duas habilidades inerentes ao homem: duvidar e tem os resultados da pesquisa para
refletir. “As matemáticas agradavam-me, sobretudo por causa da certeza e a classe.
da evidência de seus raciocínios”, disse ele.
Nesse mesmo período surgiram proeminentes estudos no campo das

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
ciências da natureza que também influenciariam profundamente o pensa-
mento iluminista.
Alguns cientistas, como Galileu Galilei e Isaac Newton, começaram a reco-
nhecer o uso da Matemática para analisar e descrever os fenômenos naturais.
Galileu mostrou que a natureza é um conjunto de fenômenos mecânicos
e advertiu que é preciso aprender a ler “o grande livro da natureza” escrito
em caracteres matemáticos.
Logo de início, Galileu afastou a teoria aristotélica de corpos “leves” e
“pesados” e do lugar natural. Como explicar, perguntava ele, que um barco
flutua na água se é um “corpo pesado” e, como tal, seu lugar natural é o
centro da Terra e sua tendência natural é cair? Através de experimentos, ele
verificou que, se entregues a si próprios, isto é, não submetidos à ação de
forças, os corpos tendem a permanecer em repouso ou a realizar movimento
retilíneo e uniforme.
Esse enunciado é conhecido como lei da inércia. Dessa lei conclui-se que
pode haver movimento mesmo na ausência de forças. Esse fato contradiz a
teoria aristotélica de que um corpo só estaria em movimento se fosse cons-
tantemente impelido por um agente (uma força).
Galileu mostrou como descrever o movimento de objetos comuns, como
o de uma bola rolando por uma rampa. Seu modo de pensar, o uso que fez
da Matemática e a confiança depositada nos resultados obtidos experimen-
talmente lançaram as bases da ciência moderna.
Se Galileu descreveu como os objetos se moviam, Newton, por sua vez,
estudou por que os objetos se moviam de determinada maneira.
Estendendo suas ideias sobre os movimentos observados na Terra,
Newton pôde explicar o movimento dos corpos celestes. Seu trabalho ajudou
a consolidar a ideia de que qualquer coisa podia ser explicada racionalmente
e forneceu uma contribuição muito importante para o Iluminismo.
Saber descrever e explicar um movimento, ou seja, compreendê-lo, é o
passo inicial para o entendimento das leis da Física. Neste capítulo, vamos
analisar alguns conceitos básicos para o desenvolvimento do estudo da
Mecânica.

48
Galileu Galilei

Filho de uma próspera e bem posicionada família de comerciantes, Galileu


Galilei nasceu em 15 de fevereiro de 1564, em Pisa, então parte do Grande

muSeu mArítImo nACIonAl, greenwICh


Ducado da Toscana, na Itália.
Em 1589, com 25 anos, Galileu ocupou a cátedra de Matemática na Universi-
dade de Pisa, onde havia estudado. Três anos depois, mudou-se para Pádua,
ocupou a cátedra de Matemática na Universidade de Pádua e adquiriu uma
boa reputação como professor e engenheiro.
Galileu ficou muito rico depois de inventar uma máquina de calcular que foi
vendida por toda a Europa. Além disso, construiu bússolas militares e equipa-
mentos para bombear água.
Para entender as leis que regem a natureza, Galileu realizou inúmeros experi-
mentos. Para verificar variações de temperatura, por exemplo, Galileu desen-
volveu um termoscópio, precursor do termômetro, baseado na expansão ou na Retrato de Galileu Galilei
contração do ar e na mudança do nível de água em um tubo. Deixando esferas (1564-1642).
caírem sobre uma superfície maleável e medindo a profundidade dos buracos
deixados por elas, Galileu fez medidas de velocidade, conceito que até então ainda não havia sido bem definido.
A Física Clássica começou com Galileu. Ele foi um dos primeiros a usar um telescópio para estudar o céu. Com a desco-
berta dos quatro satélites de Júpiter, ele deu a evidência visual que comprovava a teoria de Nicolau Copérnico: a Terra
não poderia ser o centro do Universo. Galileu ajudou a provar a falsidade do pensamento medieval no tocante à Ciência.
Todas essas descobertas foram comunicadas ao mundo no livro Sidereus nuncius (Mensageiro das estrelas), em 1610.
As contribuições de Galileu Galilei à área da Mecânica incluem a lei de queda dos corpos, a observação do fato
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de a trajetória de um projétil ser uma parábola, a demonstração das leis de equilíbrio e o princípio de flutuação.
Galileu deu sua contribuição ao pensamento científico ao propor o princípio da inércia. Antes disso, todos acre-
ditavam na teoria de Aristóteles, que estabelecia que algo deveria agir sobre um objeto em movimento para
mantê-lo em movimento. Galileu contrariou essa afirmação com a teoria de que, se um corpo estiver se movendo
livremente, então alguma coisa deverá atuar sobre ele para pará-lo ou fazê-lo mudar de direção. Galileu Galilei
morreu em Florença, em 8 de janeiro de1642. Naquele mesmo ano nasceu Isaac Newton.

2 Espaço, referencial, velocidade e aceleração


No estudo dos movimentos, qualquer corpo — seja ele uma bola, uma pessoa, um carro, um
avião, ou mesmo o Sol ou a Lua — é denominado móvel. Dessa maneira, ao analisar o movimento
descrito por um corpo qualquer, vamos nos referir a esse corpo como móvel.

Espaço
Para poder descrever um movimento, precisamos conhecer a posição do móvel em cada instante.
Nas rodovias, os marcos quilométricos, colocados ao longo do acostamento, permitem-nos loca-
lizar veículos que nelas transitam. Quando dizemos, por exemplo, que um carro está passando pelo
marco km 50 da Rodovia dos Bandeirantes, em São Paulo, não significa que o carro percorreu 50 km,
mas apenas que, no instante considerado, ele se encontra a 50 km do marco zero da estrada (a origem).
De modo geral, vamos chamar de trajetória de um móvel a linha que liga os pontos consecutivos
por onde o móvel passa durante seu movimento (fig. 3.2).
SAm dIephuIS/CorbIS/lAtInStoCK

Figura 3.2 A trajetória corresponde ao


caminho seguido pelo móvel durante seu
movimento.

49
Podemos determinar a posição P de um móvel, em cada instante t, ao longo da trajetória que ele
descreve, adotando um ponto O como origem e orientando a trajetória. Uma ponta de seta indica o
$
sentido em que a trajetória foi orientada.
O espaço s do móvel, no instante t, é a medida algébrica do arco de trajetória OP (fig. 3.3).

s
P(t)
O
Figura 3.3 A cada instante t corresponde um espaço s.

Dizemos medida algébrica porque ela possui um sinal, positivo ou negativo, conforme o móvel
se encontre de um lado ou de outro da origem (fig. 3.4). Observe que, para a origem O, temos s 5 0.

t2 = 2 s
+3
+2 s (m)
t1 = 1 s
+1
–2 0
–1
Figura 3.4 No instante t1 5 1 s, o espaço do móvel é s1 5 22 m, e no instante t2 5 2 s, é s2 5 13 m.

Variação de espaço

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Sejam s1 o espaço de um móvel num instante t1 e s2 seu espaço num instante posterior t2. Vamos
representar por Ds 5 s2 2 s1 a variação de espaço ocorrida no intervalo de tempo Dt 5 t2 2 t1 (fig. 3.5).

P2(t2)

IluStrAçõeS: AdIlSon SeCCo


s
P1(t1)
s1
s2

O
Figura 3.5 Representação da variação de espaço Ds. A letra grega delta maiúscula, D, é
usada para indicar a diferença entre os valores final e inicial de uma determinada grandeza.

A variação de espaço Ds é também denominada deslocamento escalar e pode ser positiva,


negativa ou nula, conforme o espaço s2 seja maior, menor ou igual a s1 (fig. 3.6).

A P2 (t2)
P1 (t1)
3 4
2 s (m)
–2 1
–1 0 Δs = 4 m – 1 m = 3 m

B P1 (t1)
P2 (t2)
3 4
2 s (m)
–2 1
–1 0 Δs = 1 m – 4 m = –3 m

C P1 (t1)
P2 (t2)
Figura 3.6 A variação
3 4 de espaço Ds pode ser
2 s (m)
1 positiva (A), negativa (B)
–2 –1 0 Δs = 1 m – 1 m = 0 m ou nula (C).

Quando um móvel se desloca sempre no mesmo sentido e no sentido de orientação da trajetória,


a variação de espaço é igual à distância que o móvel percorre ao longo da trajetória.

50
Referencial
O corpo em relação ao qual analisamos se um móvel está em repouso ou em movimento recebe
o nome de referencial. O referencial pode ser qualquer corpo: um carro, uma casa, o solo, o planeta
Terra, a Lua, o Sol e assim por diante.
Dizemos que um corpo está em movimento em relação a determinado referencial quando sua
posição, em relação a esse referencial, varia com o passar do tempo.
Dizemos que um corpo está em repouso em relação a determinado referencial quando sua
posição, em relação a esse referencial, não varia com o passar do tempo.
Imagine-se, então, sentado em uma poltrona dentro de um ônibus que trafega por uma rua de
sua cidade.
Em relação a um poste da rua (referencial A) você estará em movimento. Entretanto, em relação
ao motorista do ônibus (referencial B), você estará em repouso (fig. 3.7).
O estado de movimento ou de repouso de um corpo sempre dependerá do referencial adotado.
Um corpo pode estar em repouso em relação a determinado referencial, mas em movimento em
relação a outro referencial.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Poste

AdIlSon SeCCo
Motorista
(referencial B) (referencial A)
Passageiro

Figura 3.7 O estado de repouso ou de movimento do passageiro depende do


referencial adotado.

Note que a forma da trajetória de um móvel durante seu movimento também depende do re-
ferencial adotado.
Ao ser abandonado de um avião que voa horizontalmente, um corpo cai ao mesmo tempo em
que avança também horizontalmente. Para um referencial fixo no chão, a trajetória do corpo será
curvilínea, mas, para o piloto do avião, a trajetória será uma linha reta vertical (fig. 3.8).
Éber evAngelIStA

Figura 3.8 A forma da trajetória de um móvel depende do referencial adotado.

51
Velocidade
Muitas vezes queremos medir a rapidez com que dado fenômeno se realiza. Para isso, dividimos
a variação de determinada grandeza, característica do fenômeno, pelo correspondente intervalo de
tempo em que ocorre essa variação, isto é, calculamos a taxa de variação temporal da grandeza. É o
caso, por exemplo, do cálculo da rapidez com que o calor é cedido por uma fonte térmica, da rapidez
com que uma bateria de um automóvel fornece energia elétrica, da rapidez com que a água escoa por
uma tubulação.
Em Mecânica, é importante conhecer a rapidez com que um móvel sofre uma mudança de
posição. A grandeza física que indica tal rapidez é denominada velocidade escalar média, repre-
sentada por vm.
Para entender melhor esse conceito, suponha que você realize uma viagem de automóvel
entre duas cidades, A e B, distantes 240 km uma da outra. Se nessa viagem você demorar 3 h
para ir de A a B, então terá sofrido uma variação de espaço de 80 km a cada 1 h de viagem, em
média (fig. 3.9).

14 h 00 min 17 h 00 min

AdIlSon SeCCo
Orientação da
trajetória

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
A B

240 km
Figura 3.9 Representação esquemática de uma viagem de 240 km que demorou 3 horas. A velocidade
escalar média na viagem foi de 80 km/h.

Dizemos, então, que sua velocidade escalar média foi de 80 km/h. Isso não significa que o velo-
címetro de seu carro sempre marcou 80 km/h. Essa velocidade escalar média indica, apenas, que a
cada 1 hora de viagem você teve, em média, uma variação de espaço de 80 km. Durante a viagem, o
velocímetro de seu carro pode ter marcado outros valores.
Se você demorasse 6 h para realizar a mesma viagem, sua velocidade escalar média seria de
40 km/h, ou seja, você teria uma variação de espaço de 40 km a cada 1 h de viagem, em média.
Observe que, quanto maior a rapidez com que você se desloca para ir de A até B, maior é sua
velocidade escalar média. Em outras palavras, para uma dada variação de espaço Ds, a velocidade
escalar média vm é inversamente proporcional ao intervalo de tempo Dt correspondente. Isto é, para
um dado deslocamento escalar, quanto menor o intervalo de tempo, tanto maior será a velocidade
escalar média.
Nas considerações feitas acima, admitimos que o automóvel se deslocou sempre no mesmo
sentido. Entretanto, podemos generalizar esses resultados e obter uma expressão para calcular a
velocidade escalar média vm para uma variação de espaço qualquer:

Ds
vm 5
Dt

No SI, a unidade de medida da velocidade escalar média é o metro por segundo (m/s), mas, na
prática, como acabamos de exemplificar, é bastante comum medi-la em quilômetro por hora (km/h).
Note que:
km 1.000 m km 1 m m km
1 5 1? 3.600 s V 1 5 3,6 s V 1 s 5 3,6
h h h

Assim, para converter m/s em km/h, basta multiplicar o valor da velocidade por 3,6.
m km km
Por exemplo: 10 s 5 10 ? 3,6 5 36
h h

52
A conversão inversa, de km/h para m/s, é obtida realizando a operação  3,6
inversa à multiplicação. Portanto, para converter de km/h para m/s, devemos
dividir o valor da velocidade por 3,6 (fig. 3.10).
m/s km/h
km 72 m m
Por exemplo: 72 5 3,6 s 5 20 s
h
Para exemplificar a utilização da grandeza física velocidade, vamos ad-  3,6
mitir que, durante o estudo de determinado movimento, tenhamos obtido Figura 3.10 Conversão entre unidades de
os dados mostrados a seguir: velocidade.

t (s) 0 0,5 1,0 1,5 2,0 2,5 3,0 3,5 4,0 4,5 5,0
s (m) 0 2,0 4,0 6,0 8,0 10,0 12,0 14,0 16,0 16,0 16,0

A tabela acima mostra o espaço s do móvel em cada correspondente ins-


tante de tempo t.
Uma maneira bastante eficiente de se analisar um movimento é por meio
de um gráfico. Como vimos no capítulo anterior, os gráficos apresentam de
maneira concisa um grande número de informações.
Para o movimento em estudo, vamos obter o gráfico do espaço s do móvel
em função do tempo t, utilizando os dados da tabela. Isso é feito colocando,
no eixo das abscissas (eixo x), a variável t e, no eixo das ordenadas (eixo y),

IluStrAçõeS: AdIlSon SeCCo


Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

a variável s. Daí, localizamos cada ponto por meio de suas coordenadas (os
dados obtidos na tabela) e traçamos uma curva que melhor se ajuste a esses
pontos. O resultado é mostrado abaixo (fig. 3.11).

s (m)

20,0
18,0
16,0
14,0
12,0
10,0
8,0
6,0
4,0
2,0

0 1,0 2,0 3,0 4,0 5,0 t (s)


Figura 3.11 Gráfico s 3 t elaborado a partir dos dados da tabela.

Por meio desse gráfico, podemos calcular a velocidade escalar média do


móvel em qualquer intervalo de tempo. No intervalo de 0 a 4,0 s, por exemplo,
a velocidade escalar média é dada por:
FernAndo FAvoretto/CrIAr ImAgem

Ds (16,0 m) 2 0 m
vm 5 V vm 5 V vm 5 4,0 s
Dt (4,0 s) 2 0
Isso significa que o móvel sofreu, em média, uma variação de espaço de
4,0 m a cada 1,0 s.
Observe no gráfico que, a partir do instante t 5 4,0 s, a posição do móvel
não se altera. Em outras palavras, o móvel encontra-se em repouso.
Durante uma viagem de automóvel, o velocímetro pode indicar diferen-
tes velocidades. O velocímetro mostra a velocidade do móvel no instante
em que é observado (fig. 3.12). Essa velocidade é denominada velocidade Figura 3.12 O velocímetro de um
escalar instantânea e é representada por v. automóvel, por exemplo, mostra a
velocidade do veículo no instante em que
A unidade de medida da velocidade escalar instantânea no SI, assim como é feita a leitura do instrumento, ou seja, a
a da velocidade escalar média, é o m/s. velocidade instantânea do automóvel.

53
Ver comentário no Suplemento para o professor.

Ainda usando o gráfico anterior, podemos concluir que entre 0 e 4,0 s o mó-
Atividade em grupo
vel se desloca com velocidade escalar instantânea constante e igual a 4,0 m/s,
isso porque seu espaço varia de modo uniforme com o passar do tempo, isto
Com a expansão das ferrovias
é, para iguais intervalos de tempo temos iguais variações de espaço — a cada
para o oeste dos Estados Unidos,
1,0 s, por exemplo, o móvel percorre 4,0 m. No último segundo registrado no no século XIX, a comunicação e a
gráfico, entre os instantes t 5 4,0 s e t 5 5,0 s, o móvel permanece na posição de circulação de produtos tornaram-
espaço s 5 16,0 m, e sua velocidade escalar instantânea é, portanto, nula (v 5 0). -se mais fáceis em todo o país,
Veja no exemplo seguinte como calcular a velocidade escalar média com trens que se deslocavam a
aproximadamente 50 km/h, então
em uma situação simples.
considerada alta velocidade. Hoje
em dia, com a evolução dos meios
de transporte, podemos cruzar
Um ciclista parte da cidade A às 9 h 30 min e chega à cidade B, dis- o mundo em algumas horas, em
tante 72 km de A, às 13 h 30 min. Determine a velocidade escalar média aviões comerciais com velocida-
desse ciclista na viagem de A até B, em km/h e em m/s. des médias de aproximadamente
800 km/h. Essa é uma das razões
Resolução: para a expressão “aldeia global”.
Inicialmente, vamos determinar a duração da viagem (Dt). O inter- Discuta com seus colegas de
valo de tempo Dt é dado pela diferença entre o instante de chegada à classe as vantagens e desvantagens
cidade B e o instante de partida da cidade A. Então: desse “encurtamento” de distâncias.
Quais são os aspectos positivos des-
Dt 5 13 h 30 min 2 9 h 30 min V Dt 5 4 h se processo para a sociedade como
A variação de espaço Ds do ciclista na viagem de A até B corresponde

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
um todo? E os aspectos negativos?
à distância entre as cidades A e B, Ds 5 72 km. Quais as consequências do encur-
tamento de distâncias para a eco-
Portanto:
nomia, o comércio e a tecnologia?
Ds 72 km
vm 5 V vm 5 V vm 5 18 km/h
Dt 4h 1
Sabendo que 1 m/s 5 3,6 km/h ou, ainda, que 1 km/h 5 3,6 m/s,
temos:
1
vm 5 18 km/h 5 18 ? 3,6 m/s V vm 5 5 m/s

É possível que determinado deslocamento escalar seja realizado em etapas, com diferentes trechos
percorridos com diferentes velocidades escalares médias. Nesse caso, como poderíamos calcular a
velocidade escalar média na viagem completa? Observe o exemplo a seguir.

Um atleta, preparando-se para uma competição, realiza um treino correndo em uma trajetó-
ria retilínea ABC. O trecho AB é percorrido com velocidade escalar média igual a 8 m/s, e o trecho
BC é percorrido em 45 s. Sabendo que o trecho AB tem 40 m e o trecho BC tem 180 m, determine:
a) o intervalo de tempo decorrido durante o percurso do trecho AB;
b) a velocidade escalar média no trecho BC;
c) a velocidade escalar média no percurso total, trecho AC.
Resolução:
Ds
A velocidade escalar média é calculada pela relação: vm 5 . Assim:
Dt
a) No trecho AB, temos: DsAB 5 40 m e vm(AB) 5 8 m/s. Então:
Ds 40
vm 5
Dt
V 85
Dt AB
π DtAB 5 5 s
b) No trecho BC, temos: DsBC 5 180 m e DtBC 5 45 s. Então:
Ds 180
vm 5 V vm(BC) 5 45 π vm(BC) 5 4 m/s
Dt
c) Para o trecho AC, temos: DsAC 5 40 m 1 180 m 5 220 m e DtAC 5 5 s 1 45 s 5 50 s. Então:
Ds 220
vm 5 V vm(AC) 5 50 π vm(AC) 5 4,4 m/s
Dt

54
Observação: A velocidade escalar média não é a média das velocidades.
Para melhor entender o que acabamos de dizer, considere a situação apresentada a seguir.

Um carro percorre a primeira metade de uma viagem com velocidade escalar média de
40 km/h e a segunda metade com velocidade escalar média de 60 km/h. Qual é a velocidade
escalar média do carro na viagem toda?
Resolução:
Vamos chamar de D a variação de espaço do carro em cada uma das metades do percurso.
Dessa maneira, na viagem toda a variação de espaço do carro será igual a 2D.
Para o cálculo da velocidade escalar média (vm) na viagem toda, resta-nos descobrir o tempo
total gasto pelo carro para se deslocar 2D.
Na primeira metade da viagem, temos:
Ds D D
vm 5 V 40 5 V Dt1 5 40
Dt Dt1
Na segunda metade da viagem, temos:
Ds D D
vm 5 V 60 5 V Dt2 5 60
Dt Dt2
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Então, na viagem toda:


Ds total 2D 2D 2D
vm 5
Dt total
V vm 5
D D
V vm 5
6D 1 4D
V vm 5
D
π vm 5 48 km/h
40 1 60 240 24

Ver comentário no Suplemento para o professor.


Aplicação tecnológica

Semáforos sincronizados
É muito provável que você já tenha trafegado por uma no início do trecho e depois mais lentamente, ou se ele(a)
rua ou avenida na qual os semáforos foram ajustados vai manter uma velocidade constante no trecho todo,
para criar a chamada “onda verde” quando os veículos contanto que trafegue com dada velocidade média vm.
trafegarem a certa velocidade média vm.

rICArdo SIwIeC
Para fazer esse ajuste, o engenheiro de tráfego precisa
conhecer apenas a distância entre dois semáforos consecuti-
vos, Ds. De posse desses dados, o engenheiro pode calcular,
Ds
então, o intervalo de tempo Dt 5 entre o instante em
vm
que a luz verde do primeiro semáforo se acende e o instante
em que a luz verde do seguinte deverá se acender. A velo-
cidade média usada no cálculo é a velocidade média com
que qualquer carro que trafegue pela via deverá deslocar-se
para encontrar sempre semáforos abertos.
Para esse sistema de tráfego, não importa como o(a) mo- Esta avenida tem semáforos sincronizados. Um motorista
torista vai trafegar entre dois semáforos, se rapidamente dirigindo a uma velocidade escalar média apropriada vai
encontrar apenas semáforos abertos. São Paulo, SP, 2013.

Questão Registre a resposta em seu caderno.

Os semáforos, quando sincronizados, dão ao trânsito maior fluidez. Cite três situações que decor-
rem da falta de sincronismo dos semáforos de uma via.

55
Exercícios Resolva em seu caderno. Exercício fundamental Exercício de fixação

1 Na Antiguidade, século VI a.C., o filósofo grego Considere que a velocidade média de um navio é
Heráclito de Éfeso (540 a.C.-480 a.C.) acreditava de 10 nós. Em uma noite de 12 horas, esse navio
na perpétua mudança do Universo, num mundo em percorre a distância de:
eterno movimento. A frase “Não poderás banhar-te a) 72 km c) 216 km e) 532 km
duas vezes nas mesmas águas de um rio” é atribuída b) 120 km d) 288 km
a Heráclito. Mesmo que a pessoa permanecesse no
rio, ela e as águas que a banhassem não seriam as 7 Durante o campeonato brasileiro de 2010, os juízes
mesmas, pois tudo muda incessantemente. Para He- de futebol correram, em média, 15 km por jogo.
ráclito tudo é movimento. Mas cuidado! A noção de Determine, em km/h, a velocidade escalar média
movimento não pode ser considerada algo absoluto. dos juízes por jogo.
O conceito de movimento e o de repouso dependem 8 O Parque Ibirapuera é o mais importante parque
do referencial adotado. Cite exemplos de situações urbano da cidade de São Paulo.
em que um corpo está em movimento em relação
Foi inaugurado em 1954, durante as comemorações
a um referencial e em repouso em relação a outro
do quarto centenário da cidade, constituindo uma
referencial.
das mais importantes áreas de cultura e lazer.
2 Suponha que, ao ler esta questão, você está sentado O jornal do Reino Unido, The Guardian, classificou
numa cadeira. Nessa situação, você está em repouso o Ibirapuera como um dos dez melhores parques
ou em movimento? Explique. urbanos do mundo.
Ao dar início ao estudo de Cinemática, um professor
FIlIpe FrAzAo/ShutterStoCK
3

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
afirmou que a forma da trajetória depende do refe-
rencial adotado. Para mostrar esse fato, propôs aos
alunos a seguinte situação:
Um trem desloca-se em linha reta e com velocidade
constante. Uma pessoa que viaja no trem joga uma
bolinha verticalmente para cima. A bolinha sobe,
desce e volta para a mão do passageiro.
Em seguida, o professor pediu aos alunos que descre-
vessem a forma da trajetória da bolinha em relação
ao passageiro e em relação a um observador parado
fora do trem. Como você as descreveria? a) Um frequentador do parque faz três vezes por se-
4 Após a primeira aula de Cinemática, dois alunos mana uma caminhada de 6 km, gastando em cada
discutem a respeito da trajetória descrita por um uma delas 55 min. Qual é, em km/h, a velocidade
ponto do equador terrestre. Um dos alunos afirma escalar média desenvolvida em cada caminhada?
que o ponto descreve uma trajetória circular. O outro b) Dois amigos, Raphael e Pedro, são frequenta-
diz que o ponto está em repouso. O que você pode dores do parque. Eles partem do mesmo local,
dizer a respeito das considerações dos dois alunos? caminham no mesmo sentido e pretendem fazer
5 Considere que, para dadas condições, a velocidade uma caminhada de 3 km. Cada passo de Raphael
de propagação do som no ar é de 340 m/s e que, mede 75 cm e de Pedro, 70 cm. Quando Raphael
devido ao movimento de rotação da Terra, um ponto completa sua caminhada, quantos metros Pedro
do equador tem velocidade de aproximadamente percorreu?
1.700 km/h. Compare essas duas velocidades. Qual
é a maior? 9 A ponte sobre o rio Negro, que liga Manaus ao
6 Em navegação, uma das unidades de velocidade município de Iranduba, tem cerca de 3.600 m de
utilizadas é o nó, que equivale a aproximadamente extensão.
1,8 km/h. A origem do nome dessa unidade, nó,
rogÉrIo reIS/pulSAr ImAgenS

está relacionada à maneira como a velocidade de


um navio era medida. Em uma corda eram feitos nós
igualmente espaçados. A corda era enrolada e um
flutuador, preso a essa corda, era lançado da popa
do navio na água. Para que o flutuador permane-
cesse praticamente parado na água e, portanto, não
fosse arrastado pelo navio, desenrolava-se a corda,
aumentando-se gradativamente o comprimento que
ia do flutuador ao navio. De acordo com o número
de nós que eram lançados durante certo intervalo de
tempo, tinha-se uma medida da velocidade do navio.

56
Um caminhão de 6 m de comprimento e com velo- 12 Injeta-se água em um recipiente, com o formato
cidade escalar média de 54 km/h atravessa a ponte. representado abaixo, por meio de um tubo existente
Calcule o intervalo de tempo decorrido do início ao em sua base. O líquido flui com vazão constante,
fim da travessia nas seguintes condições: ou seja, volumes iguais de água são injetados no
a) considerando o caminhão um ponto material; recipiente em intervalos iguais de tempo.
b) levando em conta o comprimento do caminhão.
Qual é a diferença entre os intervalos de tempo
calculados?
10 Na aula de Educação Física, um aluno percorre
15 m em 2 s e, em seguida, percorre mais 15 m em
3 s. Determine:
a) a velocidade escalar média no primeiro trecho;
b) a velocidade escalar média no segundo trecho;
c) a velocidade escalar média durante o trajeto todo.
11 Um motociclista vai de João Pessoa a Cabedelo para Água
presenciar o pôr do Sol na Lagoa do Jacaré (foto) ao
som do bolero de Ravel. O gráfico que melhor representa a velocidade com
A moto desenvolve velocidade escalar média de que o nível de água sobe dentro do recipiente, em
50 km/h até a metade do percurso e de 75 km/h
função do tempo, é:
na metade seguinte. Qual é a velocidade escalar
média desenvolvida pela moto de João Pessoa
a) v d) v
a Cabedelo?
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

hAnS von mAnteuFFel/opção brASIl ImAgenS

t t

b) v e) v

t
t

IluStrAçõeS: AdIlSon SeCCo


c) v

Aceleração
Outro conceito fundamental para o estudo da Mecânica é o de aceleração.
A aceleração indica a rapidez com que ocorre determinada variação na velocidade instan-
tânea de um móvel. É muito comum dizer que um corpo que se movimenta com velocidade
variável tem aceleração.
Um carro cuja velocidade aumenta de 0 a 80 km/h, em determinado intervalo de tempo,
estará acelerando. Se outro carro puder ter essa mesma variação de velocidade, mas em um
intervalo de tempo menor, então podemos dizer que esse segundo carro tem uma aceleração
maior. Concluímos, portanto, que, para uma mesma variação de velocidade Dv, a aceleração
é inversamente proporcional ao intervalo de tempo Dt.
Assim, a aceleração escalar média, que representaremos por am, é, por definição, dada por:

Dv
am 5
Dt

57
Voltemos ao exemplo do carro que acelera de 0 a 80 km/h. Vamos admitir que essa varia-
ção de velocidade tenha ocorrido em um intervalo de tempo de 10 s. Nesse caso, a aceleração
escalar média desse carro será igual a:
Dv 80 km/h 8 km/h
am 5 V am 5 10 s V am 5 s
Dt

Podemos interpretar essa aceleração escalar dizendo que, em média, a velocidade instantâ-
nea do carro está variando de 8 km/h a cada 1 segundo, durante essa arrancada: v 5 0 (no instante
t 5 0), v 5 8 km/h (para t 5 1 s), v 5 16 km/h (para t 5 2 s), v 5 24 km/h (para t 5 3 s), e assim
por diante.
A indicação do velocímetro de um veículo mostra o módulo da velocidade escalar instantâ-
nea do veículo. Assim, quando o velocímetro indicar valores crescentes de velocidade em dado
intervalo de tempo, como no exemplo anterior, dizemos que o móvel realiza um movimento
acelerado e está se movimentando cada vez mais rapidamente (fig. 3.13).

t=0 t=1s t=2s t=3s


v=0 v = 8 km/h v = 16 km/h v = 24 km/h

Figura 3.13 Automóvel em movimento acelerado.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
AdIlSon SeCCo
Se o velocímetro indicar valores decrescentes em dado intervalo de tempo (por exemplo,
50 km/h, 45 km/h, 40 km/h), dizemos que o veículo realiza um movimento retardado e está
se deslocando cada vez mais lentamente.
Note que a aceleração escalar média, conforme calculada anteriormente, refere-se à va-
riação de velocidade escalar instantânea em dado intervalo de tempo.
A aceleração escalar média calculada para um intervalo de tempo Dt muito pequeno, ou seja,
para Dt tendendo a zero, é denominada aceleração escalar instantânea a; é a aceleração do
móvel em um dado instante.
No SI, a unidade de medida da aceleração escalar média e da aceleração escalar instantânea
é o metro por segundo quadrado d 2 n .
m
s
Para verificar como a definição de aceleração escalar média pode ser usada em um caso
prático, considere o exemplo seguinte.

Suponha que, durante um teste, a velocidade de um carro tenha aumentado de 0 a


108  km/h  em um intervalo de tempo de 10  s. Determine a aceleração escalar média desse
veículo em m/s2.
Resolução:
Os dados fornecidos no enunciado são: v1 5 0; v2 5 108 km/h; Dt 5 10 s.
A velocidade final do carro, em m/s, é:
108
v2 5 108 km/h 5 3,6 m/s V v2 5 30 m/s
Então, a variação de velocidade é:
Dv 5 v2 2 v1 V Dv 5 (30 m/s) 2 0 V Dv 5 30 m/s
A aceleração escalar média é dada por:
Dv 30 m/s
am 5 V am 5 10 s V am 5 3 m/s2
Dt

58
Exercícios Resolva em seu caderno. Exercício fundamental Exercício de fixação

13 Em um teste de desempenho de um automóvel, moto é maior do que a do carro no intervalo de


foram obtidos os seguintes dados: tempo considerado?
• arrancada de 0 a 100 km/h feita em 17,58 s; 16 A velocidade escalar de um ciclista, nos primeiros
• retomada de velocidade de 40 km/h a 60 km/h 50 s de seu movimento, varia com o tempo con-
(em terceira marcha) feita em 4,89 s. forme mostra o gráfico.
Com base nesses dados, determine: v (m/s)
a) a aceleração escalar média do automóvel durante a 10
arrancada;
b) a aceleração escalar média do automóvel durante a
retomada de velocidade em terceira marcha; 8

c) o tempo necessário para a velocidade do automóvel


aumentar de 20 km/h para 80 km/h, supondo uma 6
aceleração igual à determinada no item anterior.
4
14 Uma bola chega às mãos de um goleiro de futebol
com velocidade de 54 km/h. Sabendo que o goleiro
2
consegue imobilizar essa bola em 0,5 s, determine, em
2
m/s , o módulo da aceleração escalar média da bola.
0 10 20 30 40 50 t (s)
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

15 Um carro e uma moto estão parados em um


cruzamento. Assim que a luz verde do semáforo Com base nesse gráfico, determine a aceleração
se acende, os veículos partem. Após 4 s, o carro escalar média do ciclista nos intervalos de:
atinge a velocidade escalar de 30 km/h, e a moto, a) 10 s a 20 s; c) 30 s a 50 s.
45 km/h. Quantas vezes a aceleração escalar da b) 20 s a 30 s;

3 Cinemática dos movimentos uniforme


e uniformemente variado

IluStrAçõeS: AdIlSon SeCCo


A Cinemática é o ramo da Mecânica que descreve os movimentos dos corpos, por meio de fun-
ções, gráficos e tabelas, sem considerar suas causas. Já a Dinâmica estuda como os movimentos são
produzidos ou modificados, ou seja, estuda suas causas, como veremos adiante.
A descrição dos movimentos dos corpos sem levar em conta suas causas, deve-se inicialmente aos filó-
sofos de Merton College, Universidade de Oxford, em meados do século XIV. Foram eles, os mertonianos, que
conceituaram velocidade e aceleração, desenvolveram o estudo dos movimentos uniforme e uniformemente
acelerado e estabeleceram as propriedades decorrentes do gráfico da velocidade em função do tempo.
Os movimentos podem ser descritos por meio de funções horárias que fornecem o espaço s, a veloci-
dade v e a aceleração a em função do tempo t, ou seja: s 5 f(t); v 5 f(t) e a 5 f(t). Assim, conhecendo essas
funções podemos, em cada instante, determinar o espaço, a velocidade escalar e a aceleração escalar.

Movimento uniforme (MU)


O movimento uniforme (MU) é aquele no qual o móvel sofre iguais variações de espaço em
iguais intervalos de tempo (fig. 3.14). Assim, no MU, a velocidade escalar média é a mesma em
qualquer intervalo de tempo e, portanto, é igual à velocidade escalar em qualquer instante.
t t t t

s
s s s s
Figura 3.14 Representação esquemática de um móvel em movimento uniforme.

No movimento uniforme, a velocidade escalar instantânea v é constante (diferente de zero).

59
Naturalmente, se no MU a velocidade escalar instantânea v é constante,
então a aceleração escalar a é constante e igual a zero. Assim, no MU:

a 5 cte 5 0 (função horária da aceleração)

A função horária da aceleração escalar no MU é uma função constante e 


nula; logo, a curva que representa essa função é uma reta que coincide com o
eixo das abscissas (eixo t), no gráfico a 3 t (fig. 3.15).
Sendo, no MU, a velocidade escalar instantânea v constante e, portanto,
igual à velocidade escalar média vm em qualquer intervalo de tempo, pode- 0 t
mos escrever:
Figura 3.15 Gráfico a 3 t do MU.

Ds
v 5 cte V v 5 vm V  v5 5 cte (função horária da
Dt
velocidade)

A função horária da velocidade escalar no MU é uma função constante v


e não nula; logo, a curva que representa essa função é uma reta paralela ao
eixo das abscissas (eixo t), no gráfico v 3 t (fig. 3.16). v

Observe que a área A sob a curva, no gráfico da velocidade escalar em


função do tempo, é numericamente igual `5 j à variação de espaço no cor-
N
A 5 s v

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
N

respondente intervalo de tempo.


Portanto, no gráfico v 3 t é válida a seguinte propriedade: 0
t t
t

Área = altura  base V


N
Ds 5 A V Área = v  t V
N
V Área = s
Apesar de termos mostrado essa propriedade para o caso de um móvel Figura 3.16 Gráfico v 3 t do MU.
em movimento uniforme, ela é válida para qualquer movimento.
Vamos considerar um móvel que realiza um movimento uniforme, em

IluStrAçõeS: AdIlSon SeCCo


que s0 é o espaço no instante t 5 0, denominado espaço inicial, e s é o
espaço num instante posterior t. O instante t 5 0 é denominado origem
dos tempos.
Pela função horária da velocidade no MU, para esse móvel, temos:

Ds s 2 s0
v5 V v 5 t 20 V s 5 s0 1 v ? t (função horária do espaço)
Dt

A função horária do espaço no MU é uma função do 1o grau; logo, a curva s


que representa essa função é uma reta inclinada, em relação aos eixos, no
s
gráfico s 3 t (fig. 3.17).
Ds
A declividade da reta, dada pela relação
, fornece a velocidade escalar s
Dt
do móvel que descreve o movimento uniforme. 
s0
A relação entre Ds, o cateto oposto ao ângulo u no triângulo destacado t
na figura 3.17, e Dt, o cateto adjacente, é numericamente igual à tangente 0 t t
do ângulo u. Podemos, então, escrever:
Figura 3.17 Gráfico s 3 t do MU.
Ds
v5   V  N
v5 tg u
Dt

Para o cálculo da tangente do ângulo u, utilize os valores indicados nos


eixos. Não meça o comprimento dos catetos dos triângulos formados com
uma régua, por exemplo. O comprimento dos catetos, nesse caso, depende
das escalas utilizadas em cada eixo.

60
Veja o exemplo a seguir.

Um móvel realiza um movimento uniforme cuja função horária do espaço é s 5 2 1 2t (SI).


Determine a velocidade escalar v do móvel. Construa o gráfico do espaço s em função do tempo t
para esse movimento.
Resolução:
Comparando a função horária do espaço desse movimento com a expressão s 5 s0 1 v ? t,
concluímos que v 5 2 m/s.
Para a construção do gráfico, vamos utilizar dois pontos. Da função horária do espaço,
s 5 2 1 2t (SI), para t 5 0, temos s 5 2 m, e para t 5 2 s, temos s 5 6 m.
Utilizando esses dois pontos, vamos construir dois gráficos s 3 t com escalas diferentes.
Observe nos gráficos a seguir que, em ambos os casos, a tangente dos ângulos u apresenta
4
o mesmo valor: tg u 5 2 , isto é, v 5 2 m/s. Entretanto, como usamos escalas diferentes, o
ângulo u é diferente em cada caso.

s (m)

6
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

s (m)

4 4
6

θ 4 4
2
θ
2
2
2

0 1 2 3 t (s) 0 1 2 3 t (s)

Os gráficos representam o mesmo movimento, porém suas escalas são diferentes.

Dada a função horária do espaço de um movimento uniforme, podemos determinar o espaço inicial
s0 e a velocidade escalar v de um móvel. Observe o exemplo abaixo.

A função horária do espaço de um móvel em movimento uniforme é dada por s 5 6 1 2t (SI).


Determine o espaço inicial s0 e a velocidade escalar v do móvel.
Resolução:
Para isso, devemos comparar a função s 5 6 1 2t com a função s 5 s0 1 v ? t.
Note que s0 5 6 m e v 5 2 m/s.
Supondo a trajetória retilínea, podemos determinar também a posição do móvel nos instantes
t 5 0, t 5 1 s, t 5 2 s e t 5 3 s, como mostra o esquema abaixo.

t=0 t=1s t=2s t=3s


IluStrAçõeS: AdIlSon SeCCo

–1 0 2 4 6 8 10 12 14 s (m)

O sentido do movimento do móvel é o mesmo sentido de orientação da trajetória, ou seja,


é o sentido positivo do eixo s. Nesse caso, o movimento é chamado de progressivo.

61
Se a função horária fosse, por exemplo, s 5 6 2 2t (SI), teríamos s0 5 6 m e v 5 22 m/s. Note
que, nesse caso, v , 0 significa que o sentido do movimento do móvel é contrário ao sentido
de orientação da trajetória, isto é, contrário ao sentido positivo do eixo s.
t=3s t=2s t=1s t=0

–1 0 2 4 6 8 10 12 14 s (m)

Nesse caso, o movimento é chamado de retrógrado.


Observe que no instante t 5 3 s, o móvel se encontra na posição cujo espaço é s 5 0, isto é,
na origem dos espaços.

Podemos determinar o instante e a posição em que ocorre o encontro entre dois móveis em MU,
numa mesma trajetória. Observe o exemplo.

Dois automóveis, A e B, movem-se em movimento uniforme e no mesmo sentido. Suas velo-


cidades escalares têm módulos, respectivamente, iguais a 15 m/s e 10 m/s. No instante t 5 0, os
automóveis estão nas posições indicadas no esquema abaixo. Considere desprezíveis as dimensões
dos automóveis.
A B
Em t = 0

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
100 m
Determine:
a) o instante em que A alcança B;
b) a que distância da posição inicial de A ocorre o encontro.
Resolução:
a) Para a resolução desse exercício, devemos escrever as funções horárias do espaço de
A e B. Para isso, é necessário adotar arbitrariamente um ponto O como origem dos espaços
e orientar a trajetória.
A origem dos espaços que vamos adotar é a posição inicial do automóvel A, e orientamos
a trajetória de A para B.
A B
Em t = 0

O s (m)
100 m

Para o automóvel A: sA 5 s0A 1 vA ? t


Sendo s0A 5 0 e vA 5 15 m/s, vem: sA 5 15t (SI)
Para o automóvel B: sB 5 s0B 1 vB ? t
Sendo s0B 5 100 m e vB 5 10 m/s, vem: sB 5 100 1 10 t (SI)
No encontro, temos: sA 5 sB V 15t 5 100 1 10t V 5t 5 100  π t 5 20 s
b) O espaço dos móveis no instante do encontro é obtido substituindo-se t 5 20 s em uma
das duas funções horárias: sA 5 15t V sA 5 15 ? 20 π sA 5 300 m
O encontro ocorre a 300 m da origem, isto é, a 300 m da posição inicial de A.
Se os móveis partissem de suas posições iniciais, mas um ao encontro do outro, conforme
o esquema a seguir, a velocidade escalar de B seria vB 5 210 m/s, pois B se movimentaria
em sentido contrário ao do eixo s.
A B
Em t = 0

O s (m)
IluStrAçõeS: AdIlSon SeCCo

100 m

Assim, teríamos: sA 5 15t (SI) e sB 5 100 2 10t (SI)


No encontro, teríamos: sA 5 sB V 15t 5 100 2 10t V 25t 5 100 π t 5 4 s
Para essa situação, o espaço dos móveis no instante do encontro é obtido substituindo-se
t 5 4 s em uma das duas funções horárias: sA 5 15 ? 4 π sA 5 60 m

62
Exercícios Resolva em seu caderno. Exercício fundamental Exercício de fixação

17 Analogamente aos marcos quilométricos, existem 20 Para calcular a velocidade de um ponto sobre a
nas ruas e avenidas os marcos métricos que são os linha do Equador devido à rotação da Terra, quais
números colocados na fachada de casas e edifícios. grandezas você deve conhecer?
Considere uma pessoa caminhando pela rua com
21 O som e a luz se propagam realizando movimentos
movimento uniforme, como mostra a figura.
uniformes. Como você explica o fato de ouvirmos
Cinema Padaria o som do trovão instantes depois de vermos a luz
do relâmpago durante uma tempestade?
75 95 115 135
22 Ao realizar um experimento em uma aula de Ci-
nemática, o professor de Física enche com água
um tubo de vidro de 50 cm de altura e analisa o
movimento de uma pequena bolha de ar que nele
0 20 s 40 s 60 s se forma e se desloca em movimento uniforme.
Com uma régua milimetrada e um cronômetro,
ele obtém dados relacionados a esse movimento,
A tabela a seguir nos dá a posição da pessoa, mostrados a seguir.
indicada pelo marco métrico, em função do tempo.

Tempo (s) 0 20 40 60 t (s) 0 5 10 15 20 25


Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Marco métrico (m) 75 95 115 135 s (cm) 0 10 20 30 40 50

Observe que, a cada 20 s, a pessoa percorre 20 m. A partir dos dados obtidos, o professor pede aos
a) Calcule a velocidade escalar com que a pessoa alunos que determinem:
caminha e seu espaço inicial. a) o espaço inicial;
b) Determine a função horária do espaço para esse
b) a velocidade escalar da bolha;
movimento.
c) a função horária do espaço;
c) Se continuar nesse passo, quanto tempo a pessoa
levará para ir do cinema até sua casa, situada no d) o gráfico s 3 t desse movimento.
número 275 da mesma rua?
23 (Enem) O gráfico abaixo modela a distância per-
18 Um automóvel se desloca numa rodovia com ve- corrida, em km, por uma pessoa em certo período
locidade constante, indicada pelo velocímetro na de tempo. A escala de tempo a ser adotada para o
foto abaixo. eixo das abscissas depende da maneria como essa
pessoa se desloca.
dourleAK/getty ImAgeS

Distância
10 km

0 1 2 Tempo
O celular do motorista toca e, tentando impruden-
temente alcançar o telefone enquanto dirige, sua Qual é a opção que apresenta a melhor associação
atenção se desvia durante 2 s. Qual é a distância entre meio ou forma de locomoção e unidade de
percorrida pelo automóvel desgovernado nesse tempo, quando são percorridos 10 km?
intervalo de tempo? Cite algumas consequências a) carroça – semana
IluStrAçõeS: AdIlSon SeCCo

desse ato imprudente, considerando a distância b) carro – dia


percorrida pelo automóvel durante a distração c) caminhada – hora
do motorista. d) bicicleta – minuto
e) avião – segundo
19 Um movimento uniforme (MU) é aquele no qual um
móvel sofre iguais variações de espaço em iguais 24 Dois carrinhos A e B realizam movimentos uniformes
intervalos de tempo. Dê exemplos de movimentos numa mesma reta. No mesmo instante t 5 0 os car-
uniformes que ocorrem no dia a dia. rinhos partem de pontos diferentes.

63
A seguir, são representados os gráficos s 3 t para a) Quais são as funções horárias do espaço desses

IluStrAçõeS: AdIlSon SeCCo


cada um dos carrinhos. carrinhos?
s (m)
b) Em que instante o espaço do carrinho A é 10 m?
c) Em que instante o carrinho B passa pela origem
25 dos espaços?
d) Qual é a distância entre A e B no instante t 5 20 s?
20 A

15 25 Dois carros, A e B, movem-se, um de encontro ao


outro, em movimento uniforme. Suas velocidades
10 escalares têm módulos 12 m/s e 8 m/s, respec-
tivamente. No instante t 5 0, os carros ocupam
5 as posições indicadas no esquema. Considere
desprezíveis as dimensões dos automóveis.
0 10 20 30 t (s) A B
Em t = 0
s (m)
O s (m)
25 200 m

Vamos orientar a trajetória de A para B e adotar


20
a posição inicial de A como origem dos espaços.
15 a) Escreva as funções horárias do espaço de A e B.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
b) Determine o instante do encontro dos dois carros.
10 c) A que distância da posição inicial de A ocorre o
B
encontro?
5 d) Construa os gráficos do espaço s em função do
tempo t para os dois carros, num mesmo diagra-
ma. Indique no gráfico o instante e o espaço onde
0 10 20 30 t (s)
ocorre o encontro.

Ver comentário no Suplemento para o professor.


Proposta experimental

Para este experimento, você e os componentes de seu grupo perimento. Siga o mesmo procedimento para os pontos E e F.
vão precisar do seguinte material: Construa uma tabela com os valores dos espaços s e os
• um trilho de cortina de aproximadamente 1,5 m, com um correspondentes instantes t.
trecho de aproximadamente 25 cm de uma das extremi- Em seguida, construa o gráfico do espaço s em função
dades levemente recurvado, conforme a figura; do tempo t, colocando s no eixo das ordenadas e t no eixo
• uma pequena esfera de aço ou uma bolinha de gude; das abscissas.
• um cronômetro; • Que tipo de gráfico foi obtido?
• uma trena. • Classifique o movimento da esfera.
Determine os instantes t em que a esfera passa pelos
• Qual é a velocidade escalar média da esfera entre as pas-
pontos C, D, E e F, situados, respectivamente, a 25 cm, 50 cm,
sagens por B e D? E entre as passagens por D e F?
75 cm e 100 cm do ponto B, no final da parte recurvada, con-
siderando a origem dos espaços. • Qual seria a modificação no aspecto do gráfico obtido se o
Para determinar esses diversos instantes, pode-se proce- trecho AB fosse mais recurvado, de modo que a distância
der da seguinte maneira: coloque um obstáculo no ponto C, do ponto A ao plano horizontal fosse maior? Nesse caso,
abandone a esfera do ponto A, a extremidade recurvada do que característica cinemática do movimento, a partir do
trilho, e dispare o cronômetro no instante em que ela atinge ponto B, seria modificada?
o ponto B. Meça o intervalo de tempo decorrido desde a • Faça um relatório sobre o experimento realizado, ex-
passagem da esfera pelo ponto B até colidir com o obstáculo plicando sua finalidade. No relatório devem constar as
em C. A seguir, passe o obstáculo para o ponto D e repita o ex- conclusões do grupo a respeito das questões propostas.
rICArdo SIwIeC

A
B C D E F

64
Movimento uniformemente variado (MUV)
O movimento uniformemente variado (MUV) é aquele no qual o móvel
sofre iguais variações de velocidade em iguais intervalos de tempo (fig. 3.18).

t t t t

s
v v v v

Figura 3.18 Representação esquemática de um móvel em movimento uniformemente


variado.

Assim, no MUV, a aceleração escalar média é a mesma em qualquer inter-


valo de tempo e, portanto, é igual à aceleração escalar em qualquer instante.


No movimento uniformemente variado, a aceleração escalar instantâ-
nea a é constante (diferente de zero).
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Sendo, no MUV, a aceleração escalar instantânea a constante e, por- 5Dv


A
N

tanto, igual à aceleração escalar média am em qualquer intervalo de tempo,
podemos escrever:
0 t
Dv Dt t
a 5 cte V a 5 am V  a 5 5 cte (função horária da aceleração)
Dt Área 5 altura 3 base V
V Área 5 a ? Dt V
A função horária da aceleração escalar no MUV é uma função constante N
V Área 5 Dv
e não nula; logo, a curva que representa essa função é uma reta paralela ao Figura 3.19 Gráfico a 3 t do MUV.
eixo das abscissas (eixo t), no gráfico a 3 t (fig. 3.19).
Observe que a área A sob a curva, no gráfico da aceleração escalar em
função do tempo, é numericamente igual à variação de velocidade no cor-
respondente intervalo de tempo.

IluStrAçõeS: AdIlSon SeCCo


Portanto, no gráfico a 3 t é válida a seguinte propriedade:

N
Dv 5 A

Apesar de termos mostrado essa propriedade para o caso de um móvel em


movimento uniformemente variado, ela é válida para qualquer movimento.
Vamos considerar um móvel que descreve um movimento uniforme-
mente variado, em que v0 é a velocidade escalar instântanea, no instante
t 5 0, denominada velocidade inicial, e v é a velocidade escalar instantânea v
num instante posterior t.
Da função horária da aceleração no MUV, temos: v

v
Dv v 2 v0
a5 V a 5 t 2 0   V  v 5 v0 1 a ? t   (função horária da velocidade)
Dt 
v0
t
A função horária da velocidade escalar no MUV é uma função do 1o grau;
0 t t
logo, a curva que representa essa função é uma reta inclinada, em relação
aos eixos, no gráfico v 3 t (fig. 3.20). Figura 3.20 Gráfico v 3 t do MUV.

65
A declividade da reta, dada pela tangente do ângulo u, é numericamente
igual à aceleração escalar do móvel que descreve o MUV. Podemos, então,
escrever:
Dv N
a5 V a5 tg u
Dt
v
Observação: Para o cálculo de tg u, valem as mesmas considerações
v0 ?t
feitas quando da determinação, por meio do gráfico s 3 t, da velocidade
escalar do movimento uniforme.
Podemos, ainda, a partir do gráfico v 3 t, obter a variação de espaço Ds N
A5 s
do móvel em MUV num determinado intervalo de tempo Dt. v0

Para isso, vamos usar a propriedade vista anteriormente: a área A sob a


curva, no gráfico da velocidade escalar em função do tempo, é numericamen- 0 t t t
te igual à variação de espaço no correspondente intervalo de tempo (fig. 3.21).
Figura 3.21 Gráfico v 3 t do MUV.
No gráfico v 3 t, temos:
N
Ds 5 A

IluStrAçõeS: AdIlSon SeCCo


N
Ds 5 área retângulo 1 área triângulo V
N a?t ?t
V  Ds 5 v0 ? t 1 2 V

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
a
V  s 2 s 0 5 v 0 ? t 1 2 ? t2 V

a
V  s 5 s0 1 v0 ? t 1 2 ? t2 (função horária do espaço)

Note que a função horária do espaço no MUV é uma função do 2o grau;


s
logo, a curva que representa essa função é uma parábola, no gráfico s 3 t
(fig. 3.22). s0
A propriedade vista anteriormente, para o gráfico s 3 t do MU, conti-
nua válida. A declividade da reta tangente à curva, no instante t, dada pela
tangente do ângulo u, corresponde à velocidade escalar instantânea do

móvel que descreve o MUV.
Portanto, no gráfico s 3 t do MUV, temos: 0 t t

Figura 3.22 Gráfico s 3 t do MUV.


N
v5 tg u

Ver comentário no Suplemento para o professor.


Atividade em grupo

Uma das características que as montadoras de automóveis costumam divul-


gar, quando do lançamento de um novo modelo de carro, é o intervalo de tempo
que o veículo demora para, partindo do repouso, alcançar certa velocidade. Por
exemplo, num informe publicitário, uma empresa diz que o carro lançado vai
do repouso até uma velocidade de 100 km/h em 8 s.
Descubra qual a grandeza cinemática envolvida nessas informações. Com
seus colegas, façam uma pesquisa nos meios de comunicação (jornais, revistas
ou internet) e obtenham a informação referida para diferentes veículos lança-
dos no mercado recentemente. Organizem os resultados de suas pesquisas
numa tabela e comparem seus dados com os obtidos pelos outros colegas na
investigação.
A pesquisa pode se estender para algo mais amplo, abordando a aceleração
de carros de corrida, de animais predadores e de aviões, na decolagem e no
pouso, por exemplo.

66
Dada a função horária do espaço de um movimento uniformemente variado, podemos determi-
nar o espaço inicial s0, a velocidade inicial v0, a aceleração escalar a e a função horária da velocidade.
Veja o exemplo a seguir.

A função horária do espaço de um móvel é dada por s 5 2 1 3t 1 5t2 (SI). Vamos deter-
minar o espaço inicial s0, a velocidade inicial v0, a aceleração escalar a e a função horária da
velocidade.
Resolução:
2 a 2
Para isso, devemos comparar s 5 2 1 3t 1 5t com s 5 s0 1 v0 ? t 1 2 ? t . Note que:
a
s0 5 2 m; v0 5 3 m/s e 2 5 5 π a 5 10 m/s
2

De v 5 v0 1 a ? t, vem:
v 5 3 1 10t (SI)

Dada a função horária do espaço de um móvel em MUV, podemos determinar, em cada instante,
sua velocidade escalar v. Observe o exemplo a seguir.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Um móvel realiza um MUV cuja função horária do espaço é s 5 10 1 18t 2 3t2 (SI). Determine
a velocidade do móvel nos instantes t 5 0, t 5 1 s, t 5 2 s, t 5 3 s, t 5 4 s e t 5 5 s.
Resolução:
2 a 2 2
Comparando s 5 10 1 18t 2 3t com s 5 s0 1 v0 ? t 1 2 ? t , vem: v0 5 18 m/s e a 5 26 m/s
Portanto, de v 5 v0 1 a ? t, temos: v 5 18 2 6t (SI). Da função horária da velocidade, para os
valores de t pedidos, obtemos os valores da velocidade v organizados abaixo:

t (s) 0 1 2 3 4 5

v (m/s) 18 12 6 0 26 212

Note que, para 0  t , 3 s, o módulo da velocidade decresce, e o movimento é chamado


de retardado.
Para t . 3 s, o módulo da velocidade cresce, e o movimento é chamado de acelerado.
No instante t 5 3 s, a velocidade do móvel é nula. Nesse instante ocorre a inversão no
sentido do movimento.

Observe o exemplo a seguir em que ocorre o encontro entre dois móveis, um em MU e outro
em MUV.

Um carro A parte do repouso (v0 5 0) com aceleração escalar constante a 5 4 m/s2. No


mesmo instante, um carro B passa por A com velocidade escalar constante v 5 8 m/s. Os carros
descrevem trajetórias paralelas.
a) Depois de quanto tempo o carro A alcança B?
b) Qual é a distância que A percorre desde sua partida até alcançar B?
Resolução:
a) Para a resolução desse exercício, adotamos a origem O dos espaços no ponto de partida
de A, a origem dos tempos no instante em que A parte, e orientamos a trajetória no
sentido dos movimentos, conforme esquema abaixo.

67
t=0

IluStrAçõeS: AdIlSon SeCCo


A A A

s (m)

B B B

s (m)
O Encontro
Para o carro A:
a
sA 5 s0A 1 v0 ? t 1 2 ? t 2

Sendo s0A 5 0, v0 5 0 e a 5 4 m/s2, temos:


sA 5 2t 2 (SI)
Para o carro B:
sB 5 s0B 1 v ? t
Sendo s0B 5 0 e v 5 8 m/s, temos:
sB 5 8t (SI)

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
No encontro:
t1 5 0
sA 5 sB V 2t 2 5 8t V 2t (t 2 4) 5 0
t2 5 4
Portanto, t1 5 0 (instante da partida de A) e t2 5 4 s (instante em que A alcança B).

b) Substituindo t 5 4 s nas funções horárias de A ou de B, temos a distância do ponto de


partida de A até o ponto de encontro: sA 5 2 ? (4) π sA 5 32 m
2

Exercícios Resolva em seu caderno. Exercício fundamental Exercício de fixação

26 Um movimento uniformemente variado (MUV) é 29 Uma moto, partindo do repouso, realiza um


aquele no qual um móvel sofre iguais variações movimento uniformemente variado. No primeiro
de velocidade em iguais intervalos de tempo. Dê segundo do movimento, ela percorre a distância d.
exemplos de movimentos uniformemente variados Qual é, em função de d, a distância percorrida pela
que ocorrem no dia a dia. moto nos dois primeiros segundos do movimento?
27 Uma partícula realiza um movimento uniformemen- 30 Uma partícula parte da origem dos espaços (s0 5 0)
te variado. Num determinado instante, sua veloci- e realiza um MUV cuja função horária da veloci-
dade escalar se anula. Pode-se afirmar que nesse dade é v 5 1 1 2t (SI).
instante sua aceleração escalar também é nula? a) Determine a aceleração escalar a e a velocidade
escalar inicial v0 da partícula;
28 Um professor de Física apresentou aos alunos a b) Determine a função horária do espaço para esse
seguinte proposição, perguntando se estava cor- movimento;
reta ou incorreta: c) Construa os gráficos da aceleração, da velocidade
“Um carro realiza um movimento uniformemente e do espaço em função do tempo.
variado com aceleração escalar negativa. Seu mo-
vimento é necessariamente retardado”. 31 A função horária do espaço de um móvel é dada por:
2
Muitos alunos responderam que a proposição s 5 10 2 5t 1 5t (SI)
estava correta. O professor argumentou que o Determine:
movimento podia ser acelerado ou retardado e que a) a função horária da velocidade desse móvel;
só o sinal da aceleração escalar não permitia che- b) o instante em que o móvel inverte o sentido de seu
gar a uma conclusão. Você sabe explicar por quê? movimento.

68
(Enem) O enunciado a seguir refere-se às questões v (km/h)
32 e 33.
Em uma prova de 100 m rasos, o desempenho 120
típico de um corredor padrão é representado pelo
gráfico a seguir: 100

12
10
Velocidade (m/s)

8
6
0 10 20 30 40 50 t (s)
4
2
a) Calcule a distância que o automóvel percorre nes-
0
0 2 4 6 8 10 12 14 16 ses 50 s.
Tempo (s)
b) Considerando que uma multa é aplicada no caso
de a velocidade escalar média exceder 110 km/h,
32 Baseado no gráfico, em que intervalo de tempo a ve-
nesse intervalo de tempo, o motorista cometeu uma
locidade do corredor é aproximadamente constante?
infração?
a) Entre 0 e 1 segundo.
b) Entre 1 e 5 segundos. 36 (Enem) A obsidiana é uma pedra de origem vul-
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

c) Entre 5 e 8 segundos. cânica que, em contato com a umidade do ar, fixa


d) Entre 8 e 11 segundos. a água em sua superfície formando uma camada
e) Entre 12 e 15 segundos. hidratada. A espessura da camada hidratada au-
menta de acordo com o tempo de permanência no
33 Em que intervalo de tempo o corredor apresenta ar, propriedade que pode ser utilizada para medir
aceleração máxima? sua idade.
a) Entre 0 e 1 segundo. O gráfico abaixo mostra como varia a espessura
b) Entre 1 e 5 segundos. da camada hidratada, em mícrons (1 mícron = 1
c) Entre 5 e 8 segundos. milésimo de milímetro), em função da idade da
obsidiana.
d) Entre 8 e 11 segundos.
Espessura hidratada (em mícrons)

e) Entre 9 e 15 segundos.
15
34 Um caminhão passa, sem parar, pela cabine do
pedágio de uma rodovia com velocidade escalar
constante de 36 km/h. No mesmo instante, um 10
automóvel parte do repouso, de outra cabine,
2
com aceleração escalar constante de 2,0 m/s .
5
Depois de quanto tempo, após a passagem dos
veículos pelo pedágio, o automóvel ultrapassa
o caminhão? A que distância do pedágio isso
acontece? 0
0

0
00

00

00

00

00

00

00
.

0.

0.

0.
20

40

60

80

10

12

14

35 Numa rodovia, o limite de velocidade é de 110 km/h. Idade (em anos)


Um automóvel se desloca com velocidade constante
Com base no gráfico, pode-se concluir que a espes-
de 120 km/h. Ao perceber a existência de um radar,
sura da camada hidratada de uma obsidiana:
o motorista desacelera uniformemente o veículo e
passa pelo radar a 100 km/h. a) é diretamente proporcional à sua idade.
O motorista mantém essa velocidade por 10 s e b) dobra a cada 10.000 anos.
em seguida acelera uniformemente, retomando a
IluStrAçõeS: AdIlSon SeCCo

c) aumenta mais rapidamente quando a pedra é mais


velocidade de 120 km/h. O gráfico v 3 t a seguir
jovem.
mostra o que ocorre durante 50 s do movimento,
dos 10 s que precedem a desaceleração até os d) aumenta mais rapidamente quando a pedra é mais
10 s após o instante da retomada da velocidade velha.
de 120 km/h. e) a partir de 10.000 anos não aumenta mais.

69
Ver comentário no Suplemento para o professor.
Proposta experimental

Para este experimento, você vai precisar do seguinte material:


• aproximadamente cinco metros de barbante bem liso ou linha de pesca;
• um pequeno anel que pode ser confeccionado com um pedacinho de arame;
• uma trena;
• um cronômetro.
Passe o anel pelo fio e prenda uma de suas extremidades na parede, a uma altura de aproximadamen-
te 2 m (ponto A). Fixe a outra extremidade no solo (ponto B). Deixe o fio bem esticado e meça seu compri-
mento. A seguir, solte o anel do ponto A e determine o intervalo de tempo que ele demora para atingir o
ponto B. O movimento do anel pode ser considerado uniformemente acelerado. Determine a aceleração
do anel. Repita a experiência com fios de comprimentos menores, AB1, AB2, AB3, como mostra a figura,
mudando a posição da extremidade B.

AdIlSon SeCCo

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
B3 B2 B1 B

Determine, em cada caso, a nova aceleração do anel. Ela aumenta, diminui ou não varia? A que valor
tende a aceleração do anel?
Faça um relatório sobre o experimento realizado. Explique de que maneira será calculada a aceleração
do anel. Organize os dados das grandezas medidas e da aceleração obtida para cada inclinação do fio em
uma tabela.
Além da aceleração, é possível calcular a velocidade média do anel no percurso de A até B e a velocidade
do anel no instante em que ele atinge o ponto B. No relatório, explique como podem ser feitos esses cálculos.

Equação de Torricelli para o MUV


No MUV, de posse das funções horárias do espaço e da velocidade, podemos:
• para dado valor de t, obter os correspondentes espaço s e velocidade escalar v;
• para dado valor de s, obter o correspondente valor de t e, com ele, o valor de v;
• para dado valor de v, obter o correspondente valor de t e, com ele, o valor de s.
No entanto, no estudo do MUV, muitas vezes é conveniente relacionar diretamente a velocidade
escalar v, em dado instante t, com o correspondente espaço s sem a necessidade de calcular o valor
de t. Essa importante relação é chamada de equação de Torricelli, em homenagem ao cientista
Evangelista Torricelli (1608-1647).
Tal equação pode ser obtida eliminando-se a variável t entre as funções horárias da velocidade
e do espaço.
Para isso, vamos elevar ao quadrado ambos os membros da função horária da velocidade.
v 5 v0 1 a ? t V (v)2 5 (v0 1 a ? t)2 V v2 5 v02 1 2 ? v0 ? a ? t 1 a2 ? t2
No segundo membro da expressão acima, podemos colocar 2 ? a em evidência, assim:

v2 5 v20 1 2 ? a ? bv 0 ? t 1 2 ? t2 l
a

Observe, então, que a expressão colocada entre parênteses corresponde ao deslocamento escalar
Ds 5 s 2 s0 na função horária do espaço no MUV. Assim, a equação de Torricelli é dada por:

v2 5 v20 1 2 ? a ? Ds

70
Evangelista Torricelli

ClAudIo zACCherInI/ShutterStoCK
Físico e matemático italiano, nasceu em 1608 na província de Ravena. Em 1627, foi
para Roma estudar Ciências sob a orientação do monge beneditino Benedetto Castelli
(1577-1644). Interessou-se pela obra Discursos e demonstrações matemáticas acerca de
duas novas ciências, de Galileu Galilei, na qual são desenvolvidas as teorias sobre o
movimento uniforme e sobre o movimento naturalmente acelerado. Em 1641, escre-
veu um tratado sobre movimentos, apresentando notáveis considerações a respeito
da obra de Galileu.
Torricelli tornou-se um dos principais discípulos de Galileu, assistindo-o nos três últimos
meses de sua vida e sucedendo-o como matemático na corte de Florença.
Embora conhecido pela equação que relaciona a velocidade de um corpo com a posição Monumento a Torricelli.
que ele ocupa em dado instante, sem a necessidade de saber o instante em que o corpo Faenza, Itália, 2009.
passa pela citada posição, Torricelli realizou inúmeros estudos em Matemática e Física.
Entre outros, estabeleceu a ideia de pressão atmosférica, inventou o barômetro e observou
que a pressão atmosférica variava com a altitude. h
Torricelli determinou a velocidade horizontal com que um líquido escoa por um orifício v
feito na parede lateral de um recipiente. Essa velocidade obedece à mesma lei da queda
livre, sendo dada por v 5 2 ? g ? h , em que g é a aceleração da gravidade e h é a altura
do orifício em relação à superfície livre do líquido contido no recipiente. Faleceu aos
39 anos em Florença, vítima de febre tifoide.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Velocidade escalar média no MUV


Outra propriedade importante no MUV é a que relaciona a velocidade
escalar média em um determinado deslocamento com as velocidades esca-
lares instantâneas no início e no final do trecho.
Considere que um móvel realiza um MUV e, durante um intervalo de

IluStrAçõeS: AdIlSon SeCCo


tempo Dt, sofre um deslocamento Ds, sendo v1 sua velocidade no início desse
intervalo de tempo e v2 sua velocidade final (fig. 3.23).

Dt
v1 v2

s
Ds

Figura 3.23 Durante o intervalo de tempo Dt, a aceleração a é constante.

A velocidade escalar média nesse movimento, ou em qualquer movi-


Ds
mento, é: vm 5
Dt Ver comentário no Suplemento para o professor.
No caso específico de um MUV, a variação de espaço pode ser obtida a
v2 2 v20 Você sabe por quê?
partir da equação de Torricelli: Ds 5 2 ? a
Então, obtemos: Na banda de rodagem do pneu
v22 2 v12 1 v22 2 v12 (v2 2 v1) ? (v2 1 v1) de um carro faz-se uma marca com
vm 5 2 ? a ? V vm 5 V vm 5 tinta branca. À medida que o carro
Dt 2 ? Dv 2 ? (v2 2 v1)
anda, vai deixando manchas no solo
asfaltado. O espaçamento entre
Ds v1 1 v2 essas manchas é sempre igual, quer
Chegamos, então, a: vm 5 Dt 5 2 (velocidade média no MUV)
o automóvel esteja com velocidade
constante ou em movimento varia-
Devemos ressaltar que tal propriedade é válida apenas quando, no trecho do. Você sabe por quê?
considerado, o móvel apresenta um único valor para sua aceleração escalar a.

71
Veja um exemplo de aplicação da equação de Torricelli.

Uma moto parte do repouso e acelera uniformemente com aceleração de 5 m/s2. Depois
de percorrer 90 m, qual a velocidade adquirida pela moto?
Resolução:
Pela equação de Torricelli, temos: v2 5 v 20 1 2 ? a ? Ds
Sendo v0 5 0, a 5 5 m/s2 e Ds 5 90 m, temos: v2 5 0 1 2 ? 5 ? 90 π v 5 30 m/s

Uma aplicação particular da equação de Torricelli é apresentada no exemplo a seguir.

Um móvel realiza um MUV retilíneo no sentido em que a trajetória foi orientada, partindo
do repouso (v0 5 0) e da origem dos espaços (s0 5 0). No instante em que o espaço é s1 5 d, a
velocidade escalar do móvel é v1 5 v. Determine a velocidade escalar do móvel ao passar pelas
posições cujos espaços são s2 5 2 ? d, s3 5 3 ? d e s4 5 4 ? d, em função de v.

AdIlSon SeCCo
v v2 v3 v4
v0 = 0

0 d 2d 3d 4d s

Resolução:

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Nas condições propostas, a velocidade v em função do espaço s é, de acordo com a equação
de Torricelli, dada por: v2 5 2 ? a ? s
Na posição cujo espaço é s1 5 d, temos: v2 5 2 ? a ? d
2 2
Para s2 5 2 ? d, temos: v 2 5 2 ? a ? 2 ? d = 2 ? v V v2 5 v ? 2
Para s3 = 3 ? d, temos: v 23 5 2 ? a ? 3 ? d = 3 ? v2 V v3 5 v ? 3
Na posição de espaço s4 5 4 ? d, temos: v24 5 2 ? a ? 4 ? d 5 4 ? v2 V v4 5 2 ? v

Ds
Já vimos que a velocidade escalar média, num intervalo de tempo Dt, é dada por vm 5 , em
Dt
que Ds 5 s2 2 s1 e Dt 5 t2 2 t1. Sendo v1 a velocidade escalar instantânea do móvel no instante t1 e
v1 1 v2
v2 no instante t2, a velocidade escalar média no MUV também pode ser calculada por: vm 5 .
2
Vamos aplicar essa propriedade no exemplo abaixo.

Uma bicicleta inicia a travessia de uma ponte, de extensão 120 m, com velocidade escalar
de 3 m/s e termina com velocidade escalar de 7 m/s. Considerando o movimento uniforme-
mente variado, determine o intervalo de tempo que durou a travessia. Despreze as dimensões
da bicicleta.
Resolução:
Ds v1 1 v2 120 3 1 7
De vm 5 5 2 , vem: 5 2 ` Dt 5 24 s
Dt Dt

No exemplo seguinte, apresentamos uma aplicação da propriedade da velocidade escalar


média no MUV.

No instante em que um carro parte do repouso, realizando um movimento retilíneo unifor-


memente variado, passa por ele uma moto em movimento retilíneo e uniforme com velocidade
escalar v. A trajetória do carro e a da moto são paralelas. Num determinado instante, o carro
alcança a moto. Nesse instante, a velocidade do carro é V. Mostre que V 5 2 ? v. Considere des-
prezíveis as dimensões do carro e da moto.

72
Partida Encontro
v0 = 0 V

s
v v v

s
∆s

Resolução:
Desde o instante inicial até o instante da ultrapassagem, o carro e a moto sofrem uma
variação de espaço igual, no mesmo intervalo de tempo. Logo, suas velocidades escalares
médias são iguais: vmcarro 5 vmmoto
V 10
vmcarro 5 2 e vmmoto 5 v, pois o movimento da moto é uniforme.
Portanto:
V 10
2 5v V V52?v
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Exercícios Resolva em seu caderno. Exercício fundamental Exercício de fixação

37 Um trem parte do repouso e atinge a velocidade Considere que a desaceleração é constante e a


de 54 km/h após percorrer 75 m em movimento mesma nas três situações.
uniformemente variado. Qual é a aceleração escalar 41 A partir do gráfico da velocidade escalar em
do trem?
função do tempo, demonstre que a velocidade
38 Um móvel realiza um MUV retilíneo no sentido em escalar média vm no MUV, num dado intervalo de
que a trajetória foi orientada, partindo do repouso tempo Dt 5 t2 2 t1, é a média aritmética entre
(v0 5 0) e da origem dos espaços (s0 5 0). No ins- as velocidades escalares v1 e v2, respectivamen-
tante em que o espaço é s1 5 d, a velocidade escalar v1 1 v2
te, nos instantes t1 e t2, isto é, vm 5 2 .
do móvel é v. Determine o espaço s2 do móvel para
o qual sua velocidade escalar é 2 ? v. v

39 Em algumas avenidas de São Paulo, a velocidade v2


máxima permitida passou de 70 km/h para 60 km/h.
Para ter ideia de como essa redução de velocidade v1
contribuiu para a segurança dos motoristas, consi- v0
dere que um carro a 60 km/h é freado e, depois de
percorrer uma distância d, para quase encostando
em um caminhão estacionado na pista devido a uma 0 t1 t2 t
pane no motor. Se esse carro estivesse a 70 km/h
quando fosse freado, depois de percorrer a mesma 42 Um carro de dimensões desprezíveis, com acele-
distância d, ele colidiria com o caminhão com que ração constante, passa por um ponto A com ve-
velocidade? Considere que a desaceleração é a mesma locidade escalar de 5 m/s e por um ponto B com
e constante nos dois casos. velocidade escalar de 10 m/s.
40 Um carro desloca-se numa via com velocidade de
IluStrAçõeS: AdIlSon SeCCo

70 km/h. O motorista, percebendo um acidente à


sua frente, freia o carro que para após percorrer A B
37,8 m. Que distância o carro percorreria, ao ser Entre suas passagens por A e B, decorre um in-
freado, se sua velocidade fosse: tervalo de tempo de 10 s. Qual a distância entre
a) 60 km/h? b) 50 km/h? os pontos A e B?

73
Aplicação tecnológica Ver comentário no Suplemento para o professor.

Como funciona a lombada eletrônica


Cabos instalados debaixo da rua e ligados a sensores eletrônicos são
usados para detectar a presença de veículos e obter algumas de suas
características usando princípios da Física.

xéo
comprimento
do laço.

x
D é a distância
1 Logo abaixo da superfície entre os
sensores
é instalado o laço indutivo,
um cabo metálico isolado
montado dentro do piso na D
forma de uma bobina.

2 Uma corrente
A detecção elétrica atravessa
As alterações provocadas pelas peças metálicas de um o cabo e gera um
veículo atravessando o campo magnético são medidas campo magnético
por sensores, ativando a lombada e gerando um gráfico em volta do laço
chamado de perfil magnético. indutivo.

Instante em que Instante em que


o primeiro laço é o primeiro laço é
ativado desativado
A velocidade média do veículo é o quociente da divisão da
distância entre dois laços indutivos pelo tempo para percorrê-la.
t1A t2A t1D t2D Para aumentar a precisão, alguns sistemas usam a média dos
Intensidade do campo
magnético resultante

tempos de ativação e desativação de cada laço.

1 D+ x D+ x
vm = +
2 t2A t1A t2D _ t1D
_

Tempo Conhecida a velocidade, o sistema também pode estimar o


comprimento L do veículo, baseado no tempo que ele leva para
Instante em que Instante em que atravessar um laço magnético:
o segundo laço é o segundo laço é
ativado desativado L = ( t _ t ) . vm _ x
1D 1A

74
IluStrAçõeS: heItor yIdA
3 Quando as partes
metálicas do veículo
passam sobre o laço Questão Registre a resposta em seu caderno.
indutivo, ocorrem Como ocorre, essencialmente, a determina-
alterações nas ção da velocidade de um carro ao passar por
características do
uma lombada eletrônica?
campo magnético.

4
Sistemas de lombadas eletrônicas
geralmente têm câmeras
posicionadas para tirar fotos de
veículos em alta velocidade assim
que se afastam do segundo laço
indutivo, registrando a infração e
identificando o infrator.

Fontes: SIMONI, L. Contagem de eixos de veículos com sensores indutivos. Curitiba, 2008.
72f. Dissertação (Mestrado em Ciências) – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica
e Informática Industrial, Universidade Tecnológica Federal do Paraná. ALMEIDA,
F. A. M. de. Classificação automática de veículos pelo perfil magnético através de técnicas de
aprendizagem de máquina. Fortaleza, 2010. 114f. Dissertação (Mestrado em Computação) –
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará, Universidade Estadual do Ceará.

75
Ver comentário no Suplemento para o professor.
O que diz a mídia
Punição ou segurança ao motorista? Entenda polêmica sobre
a redução de velocidade nas marginais
Especialistas favoráveis e contrários falam sobre a É como você pegar um funil e tentar colocar grãos
medida que entra em vigor no dia 20 em SP. de feijão nele. Com uma velocidade controlada, entra
com facilidade, mas se você despejar de uma vez ele

mArlene bergAmo/FolhApreSS
entope. É a mesma coisa. Quanto mais rápido chegar
[nas marginais], mais rápido congestiona. Os veículos
não se locomovem pela velocidade e sim pela fluidez.
Sobre as multas, ninguém é multado sem ter cometi-
do algum erro. O que acontece é que as pessoas fazem o
que querem na cidade e, se for assim, têm que aguentar
as consequências".
Contra: “Carro foi eleito o inimigo e vejo uma in-
dústria de multa instalada”
Velocidade máxima na pista expressa vai cair de 90 km/h para
70 km/h a partir do dia 20 de julho. Sergio Ejzenberg, engenheiro e mestre em transporte
pela Poli (Escola Politécnica) e consultor de trânsito, não
Todas as pistas das marginais Pinheiros e Tietê terão as concorda com a mudança proposta pela prefeitura. Se-
velocidades máximas reduzidas para carros e caminhões. gundo ele, a alteração vai contra o padrão de velocidade
De acordo com a CET (Companhia de Engenharia de estabelecido pelo Código Brasileiro de Trânsito e há chan-
Tráfego), a medida entra em vigor no dia 20 de julho e as ces de o motorista não mudar o comportamento de fato.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
velocidades para veículos de passeio cairão de 90 km/h
"Primeiro temos que entender que a velocidade não pode
para 70 km/h na pista expressa; de 70 km/h para 60 km/h
ser determinada de forma aleatória. Tem que ser levado em
na faixa central; e de 70 km/h para 50 km/h na pista local.
conta o Código de Trânsito como padrão. Isso existe porque
A medida da Prefeitura de São Paulo tem o objetivo ninguém dirige caçando placa. Não dá para olhar em cada
de reduzir acidentes e atropelamentos nas marginais quarteirão para saber com que velocidade você vai andar.
e tem causado polêmica. Veja a seguir opinião de um As pessoas devem andar com velocidade padronizada e o
especialista que concorda com a redução da velocidade código define isso claramente. Nas vias urbanas, em pistas
e de um que argumenta contra a mudança. expressas, o padrão é 80 km/h. Nas vias com semáforos cai
A favor: “Os veículos não se locomovem pela velo- para 60 km/h e assim sucessivamente.
cidade, e sim pela fluidez” Quando você sai desse padrão tem que ser feito um
Luiz Célio Bottura, consultor de engenharia urbana e estudo que justifique a mudança e se vou mudar para
especialista em trânsito, concorda com a medida da Pre- uma velocidade mais baixa, não posso colocar um radar
feitura de São Paulo de reduzir a velocidade máxima nas qualquer, tenho que colocar uma lombada eletrônica
marginais. Para ele, com a redução, a fluidez do trânsito porque pode ser vista a distância e a obediência com
irá melhorar e, consequentemente, o trânsito nas vias. esse dispositivo é muito alta. É uma forma de garantir
"Primeiro é que não podemos comparar as nossas a obediência e, com isso, a segurança. Eu sempre fui a
marginais com vias da Europa ou dos EUA porque as favor da fiscalização eletrônica com radar em todas as
pistas expressas nesses locais são quase que exclusiva- esquinas, inclusive escondidos, mas, nesse caso, não
mente para o tráfego de automóveis e quase não têm en- adianta colocar um dispositivo qualquer.
tradas laterais. Nós temos uma pista usada por todos os Não haverá efeito de congestionamento com a redu-
tipos de veículos. O nosso problema é a mescla de carro. ção de velocidade, mas reduzir aquém do necessário e
Segundo lugar é que nossas pistas são muito mal fora do padrão é algo que vai induzir as pessoas ao erro
construídas e projetadas. Todas têm curvas erradas. Os e vai gerar multa. Existe uma guerra contra o automóvel,
nossos veículos ficam muito a desejar, nossos conduto- como se não fosse uma forma de se locomover pela
res são mal examinados. cidade. Hoje, eu vejo a indústria de multa instalada.
Essa medida só é positiva. Eu luto por isso há mais A decisão de reduzir é equivocada, é de quem não estu-
de 30 anos. A atitude é salvar vidas. Essa medida está dou o que acontece. E, segundo os dados da CET, quem está
correta e não vai reduzir a velocidade, não vai aumentar matando mais na cidade não é o automóvel, é o ônibus".
o tempo de viagem. Só vai piorar o tempo para quem Disponível em: <http://noticias.r7.com/sao-paulo/punicao-ou-seguranca-
viaja no limite, aqueles que usam detectores de radares, ao-motorista-entenda-polemica-sobre-a-reducao-de-velocidade-nas-
o que é uma aberração. marginais-09072015>. (Acesso em: 23 out. 2015.)

Questão Registre a resposta em seu caderno.

“Veículos movendo-se com velocidades mais baixas aumentam a capacidade da via e a fluidez do trânsito”. Que argu-
mentos você poderia utilizar para justificar tal afirmação?

76
Movimento vertical nas proximidades da superfície terrestre
Ao ser abandonado nas proximidades da superfície terrestre, desprezando a resistência do ar, um
corpo é atraído para o solo e cai livremente com velocidade crescente. Em outras palavras, o corpo
acelera. A aceleração do móvel, nesse caso, é denominada aceleração da gravidade, geralmente
representada por g.
Nas proximidades da superfície terrestre, a aceleração da gravidade é aproximadamente igual
a 9,8 m/s2. Neste livro, sempre que necessário e a menos que se diga algo contrário, vamos con-
siderar que, nas proximidades da superfície terrestre, a aceleração da gravidade tem valor igual a
10 m/s2, isto é:

g 5 10 m/s2

O movimento vertical de um móvel nas proximidades da superfície terrestre, quando se despre-


za a resistência do ar, é um MUV, pois ele ocorre com aceleração constante, que é a aceleração da
gravidade (g).
Essa explicação parece simples, mas é resultado do grande empenho de pensadores e cientistas
na formulação de teorias e leis para explicar os movimentos, um processo que se estende de geração
em geração.
No início deste capítulo, vimos que um dos primeiros registros do estudo sistemático do movi-
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

mento aparece em uma das obras de Aristóteles (384 a.C.-322 a.C.). De acordo com Aristóteles, todos
os corpos tenderiam a se dirigir para seu lugar natural. Como o lugar natural dos corpos pesados
seria o centro da Terra, quanto maior o peso de um corpo, mais rapidamente ele cairia, dirigindo-se
ao centro do planeta. O lugar natural dos corpos leves estaria acima da Terra. Assim, a chuva cairia,
pois seu lugar natural seria o centro da Terra, ao passo que a fumaça subiria, pois seu lugar natural
estaria acima da Terra.
Além do movimento natural, Aristóteles

robert hoetInK/AlAmy/glow ImAgeS


reconhecia outro tipo de movimento, o mo-
vimento violento ou forçado, um movimento
imposto por agentes externos que ocorreria se
um corpo fosse afastado de seu lugar natural.
Uma pedra lançada para o alto tenderia a cair,
retornando ao seu lugar natural, assim que
deixasse de existir o efeito do agente que a
impulsionou.
Adotando novas maneiras de analisar os
fenômenos, Galileu Galilei fez descobertas
importantes no campo da Física e da Astro-
nomia. Estabeleceu a lei da queda dos corpos,
dizendo que, quando um corpo cai livremente,
isto é, livre dos efeitos da resistência do ar,
sua aceleração é constante. Essa aceleração
é a mesma para todos os corpos que caem
livremente, leves ou pesados, grandes ou pe-
quenos. Conta-se que, para estudar a queda
dos corpos, Galileu teria deixado cair objetos
da torre de Pisa (fig. 3.24), na Itália. Na verdade,
ele analisou a queda de corpos ao longo de pla-
nos inclinados, o que possibilitava o estudo de
movimentos mais lentos que a queda vertical.
Veja no exemplo seguinte como esta-
belecer o sinal da aceleração escalar em um
movimento vertical nas proximidades da Figura 3.24 Torre de Pisa, Itália, 2011. A cidade de Pisa atingiu
seu apogeu nos séculos XII e XIII e foi um dos mais importantes
superfície terrestre.
centros comerciais e de navegação do Mediterrâneo.

77
Uma pedra é abandonada de certa altura do solo. Após 1 s de queda, a
velocidade da pedra é, em módulo, 9,8 m/s. Despreze a resistência do ar. Calcule v0 = 0
a aceleração a da pedra nos seguintes casos: t=0

a) quando a trajetória é orientada para baixo; O


b) quando a trajetória é orientada para cima.
Resolução: t=1s
v = 9,8 m/s
a) Orientando a trajetória para baixo e adotando o ponto de partida da
pedra como origem dos espaços, temos, para t 5 0, v0 5 0 e, para t 5 1 s,
v 5 19,8 m/s (movimento progressivo).
s
Sendo o movimento da pedra um MUV, temos:
v 5 v0 1 a ? t V 19,8 5 0 1 a ? 1 π a 5 19,8 m/s2 v0 = 0
Assim: a 5 1g t=0
s
b) Orientando a trajetória para cima e adotando o ponto de partida da O
pedra como origem dos espaços, temos, para t 5 0, v0 5 0 e, para t 5 1 s,
v 5 29,8 m/s (movimento retrógrado).
t=1s
Sendo o movimento da pedra um MUV, temos: v = – 9,8 m/s
v 5 v0 1 a ? t V 29,8 5 0 1 a ? 1 π a 5 29,8 m/s2

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Assim: a 5 2g
Podemos, então, concluir que, quando a trajetória é orientada para baixo,
tem-se, para a aceleração, a 5 1g e, quando a trajetória é orientada para
cima, tem-se a 5 2g.

Podemos determinar o tempo de subida de um móvel e a altura máxima atingida por ele em
um lançamento vertical nas proximidades da superfície terrestre. Observe o exemplo.

Uma laranja é lançada verticalmente para cima, a partir do solo, com velo- v50
cidade inicial v0 5 10 m/s. Considere g 5 10 m/s2 e despreze a resistência do ar. a 5 2g
Calcule o tempo de subida, isto é, o intervalo de tempo que a laranja leva para
atingir sua altura máxima. Calcule, a seguir, a altura máxima atingida por ela.
Resolução: v
Orientando a trajetória para cima, temos: a 5 2g. Vamos considerar a origem hmáx
dos espaços no solo e a origem dos tempos no instante de lançamento da
laranja.
v0
O tempo de subida (ts) é obtido por meio da função horária da velocidade
no MUV. t50 O
v 5 v0 1 a ? t V v 5 10 2 10t (SI)
Quando a laranja atinge sua altura máxima v 5 0, assim, temos:
0 5 10 2 10ts π ts 5 1 s
Por meio da função horária do espaço no MUV, obtemos a altura máxima
(hmáx), substituindo t por ts 5 1 s.
a 2 10 2 2
s 5 s0 1 v0 ? t 1 2 ? t V s 5 0 1 10 ? t 2 2 ? t V s 5 10t 2 5t

Para t 5 1 s, s 5 hmáx ; então: hmáx 5 10 ? 1 2 5 ? 12 π hmáx 5 5 m


IluStrAçõeS: AdIlSon SeCCo

O cálculo de hmáx também pode ser feito por meio da equação de Torricelli.
Sendo v 5 0, temos:
v2 5 v 20 1 2 ? a ? Ds V
V  0 5 102 1 2 ? (210) ? hmáx π hmáx 5 5 m

78
Vamos analisar agora o caso em que um móvel é abandonado de certa altura do solo.

Uma bolinha de borracha é abandonada de uma janela situada a 20 m do v0 5 0


solo. Despreze a resistência do ar e considere g 5 10 m/s2. Determine o tempo de t50
queda, isto é, o intervalo de tempo que a bolinha leva para atingir o solo. Calcule, O
a seguir, a velocidade v com que ela atinge o solo.
Resolução:
20 m
Orientando a trajetória para baixo, temos: a 5 1g. Vamos considerar a origem
dos espaços no ponto de partida da bolinha e a origem dos tempos no instante
em que ela foi abandonada.
v
Por meio da função horária do espaço no MUV, determinamos o tempo de a 5 1g

queda (tq).
a 2 2
s 5 s0 1 v0 ? t 1 2 ? t V s 5 5t (SI)
Para s 5 20 m, t 5 tq ; então: 20 5 5tq V tq 5 4 π tq 5 2 s
2 2

Por meio da função horária da velocidade no MUV, obtemos a velocidade v com que a bolinha
atinge o solo, substituindo t por tq 5 2 s.
v 5 v0 1 a ? t V v 5 10 t V v 5 10 ? 2 π v 5 20 m/s
O cálculo de v também pode ser feito por meio da equação de Torricelli.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

v2 5 v20 1 2 ? a ? Ds V v2 5 0 1 2 ? 10 ? 20 π v 5 20 m/s

Exercícios Resolva em seu caderno. Exercício fundamental Exercício de fixação

43 A missão Apollo, cujo comandante era David R. Quanto tempo a bolinha demora para passar
Scott, foi lançada em 26 de julho de 1971. Para pelo 2o andar? Despreze a resistência do ar e
comprovar que Galileu estava certo em suas des- considere g 5 10 m/s2.
cobertas, o astronauta realizou, em solo lunar,
uma experiência, largando da mesma altura e 3º andar
simultaneamente uma pena e um martelo, cons-
tatando que: 1,8 m
a) o martelo chegou ao solo antes do que a pena.
b) a pena chegou ao solo antes do martelo.
c) a pena e o martelo atingiram o solo ao mesmo tempo. 2º andar
d) o martelo desceu, e a pena flutuou na atmosfera lunar. 3,2 m
e) o martelo desceu, e a pena subiu.

44 Uma bolinha de tênis é abandonada da janela de


um edifício, demorando 3 s para atingir o solo. 1º andar
2
Considere g 5 10 m/s e despreze a resistência
do ar. De que altura a bolinha foi abandonada?
45 Um menino larga uma pedra de uma ponte a 80 m
acima da água. Ele ouve o som do choque da pedra
Térreo
na água 4,25 s após ter sido abandonada. Despreze a
resistência do ar e considere o módulo da aceleração
da gravidade igual a 10 m/s2. Qual é o módulo da
velocidade de propagação do som no ar?
IluStrAçõeS: AdIlSon SeCCo

46 Pedrinho mora no terceiro andar de um prédio.


Cada andar, incluindo o térreo, tem 3,2 m de 47 O que tem maior aceleração escalar média, um
altura. Da posição indicada na figura, e com a carro que vai de 0 a 100 km/h em 3,6 s ou uma
devida segurança, Pedrinho abandona uma bo- bolinha que cai verticalmente nas proximidades da
linha de papel de umas das janelas do prédio. superfície da Terra, desprezada a resistência do ar?

79
Ver comentário no Suplemento para o professor.
Você sabe por quê?

Após a explanação da teoria sobre a queda livre, um professor de Física realizou o seguinte experi-
mento em sala de aula para provar que corpos abandonados da mesma altura e sob ação exclusiva da
gravidade chegam ao solo ao mesmo tempo. O professor abandonou de certa altura uma folha de papel
aberta e outra amassada, formando uma bolinha, e, sob os olhares atentos dos alunos, constatou que a
folha de papel amassada chegou ao solo antes da folha de papel aberta. Em seguida, colocou a bolinha
de papel e um pedaço da folha aberta sobre uma das faces de um apagador disposto paralelamente ao
solo. Abandonando o conjunto de certa altura, o professor constatou que todos chegaram juntos ao solo.
Você sabe explicar o porquê das duas situações descritas?

4 Grandezas escalares e grandezas vetoriais


Antes de iniciar o estudo dos movimentos bidimensionais e da Dinâmica, vamos fazer a distinção
entre grandezas escalares e grandezas vetoriais.
A grandeza física escalar é uma grandeza perfeitamente caracterizada apenas por um valor
numérico acompanhado da correspondente unidade de medida. A massa de um corpo (por exem-
plo, 50 kg), a temperatura (por exemplo, 36 °C), o volume (5 m3, por exemplo), a densidade (para a
água, 1.000 kg/m3), a pressão (105 N/m2, por exemplo) e a energia (por exemplo, 100 J) são grandezas

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
físicas escalares.
Dada a velocidade instantânea de um móvel qualquer, por exemplo, um carro a 80 km/h, cons-
tatamos que apenas essa informação é insuficiente para sabermos a direção em que o móvel segue.
Isso acontece porque a velocidade é uma grandeza física vetorial.
Para caracterizar plenamente uma grandeza física vetorial, precisamos conhecer não apenas seu
valor numérico e sua correspondente unidade de medida (isto é, sua intensidade ou módulo), mas
também sua direção e seu sentido. A grandeza vetorial costuma ser indicada por uma letra encimada
por uma seta, por exemplo, v . Sua intensidade, ou módulo, pode ser indicada por | v | ou apenas por v.
Uma grandeza física vetorial pode ser representada graficamente por um segmento de reta
(indicando sua direção) dotado de uma seta (indicativa de seu sentido), trazendo ainda seu valor
numérico seguido da correspondente unidade de medida (indicação de sua intensidade). Tal repre-
sentação é denominada vetor.
Para caracterizar plenamente a grandeza física velocidade no exemplo do carro citado acima,
poderíamos dizer que, em determinado instante, ele se movimenta com velocidade v de módulo
v = 80 km/h, na direção norte-sul e no sentido de sul para norte. Essa velocidade vetorial instantânea
pode ser representada por um vetor, como mostra a figura 3.25.

N
AdIlSon SeCCo

Figura 3.25 Representação gráfica da velocidade


vetorial v do carro num determinado instante.

Nos itens anteriores, a velocidade e a aceleração foram tratadas como grandezas escalares e,
por isso, muitas vezes utilizamos as expressões velocidade escalar e aceleração escalar. Entretanto,
velocidade e aceleração são grandezas que têm direção e sentido, além do valor numérico e sua
correspondente unidade de medida. Trata-se de grandezas físicas vetoriais. Vamos indicar, nessas
condições, a velocidade e a aceleração, respectivamente, por v e a.
No caso de um móvel em movimento retilíneo e uniforme (MRU), a velocidade vetorial v é
constante, isto é, tem módulo, direção e sentido constantes e a aceleração vetorial é nula ( a 5 0 ).

80
Para um móvel em movimento retilíneo uniformemente variado (MRUV), a velocidade vetorial
tem direção constante. A aceleração vetorial a tem o mesmo sentido da velocidade se o movimento
é acelerado (fig. 3.26-A) e sentido oposto ao da velocidade se o movimento é retardado (fig. 3.26-B).

A a
v1 v2 v3 v4

B a

v1 v2 v3 v4

Figura 3.26 (A) Movimento acelerado; (B) movimento retardado.

No caso do MRUV, tem-se a 5 a 5 constante.


É importante, também, fazer a distinção entre deslocamento escalar e deslocamento vetorial.
A figura 3.27 mostra a trajetória de um móvel que se desloca desde um ponto A até um ponto B. A
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

variação de espaço, ou deslocamento escalar Ds, é medida ao longo da trajetória. Por outro lado, o des-
locamento vetorial, representado por D r , é o vetor com origem no ponto A e extremidade no ponto B.
Δs
B
A
Δr

O
Figura 3.27 Representação do deslocamento escalar Ds e do deslocamento vetorial D r .

Neste livro, vamos estudar outras grandezas físicas vetoriais, além das já citadas, como a força, a
quantidade de movimento, o impulso etc.

Adição de vetores
Para obter a soma de dois vetores, v1 e v2 , podemos utilizar a regra do paralelogramo ou o
método da linha poligonal.

Regra do paralelogramo
Os vetores v1 e v2 (fig. 3.28-A) são posicionados de modo que suas origens coincidam (fig. 3.28-B).
Pela extremidade de v1 , traça-se uma reta paralela a v2 , e pela extremidade de v2 , traça-se uma reta
paralela a v1 , obtendo-se, assim, um paralelogramo (fig. 3.28-C).
O vetor vS , cuja origem coincide com a origem comum dos vetores v1 e v2 e com a extremidade
no vértice oposto do paralelogramo (fig. 3.28-D), é denominado vetor soma.
vS 5 v1 1 v2
A B C D

v1
IluStrAçõeS: AdIlSon SeCCo

v1 v1 v1 vS

v2 v2 v2 v2

Figura 3.28 Adição de vetores pela regra do paralelogramo.

81
Método da linha poligonal
Os vetores v1 e v2 (fig. 3.29-A) são posicionados de modo que a origem de um deles coincida com
a extremidade do outro (fig. 3.29-B). A origem do vetor soma vS coincide com a origem do primeiro
vetor da sequência e tem extremidade no último vetor da sequência (fig. 3.29-C). O resultado não
se altera se invertermos a sequência dos vetores (fig. 3.29-D).

A B C D
v2
v1

vS v1
v1 v1 vS

v2 v2 v2

Figura 3.29 Adição de vetores pelo método da linha poligonal.

O método da linha poligonal pode ser aplicado para dois ou mais vetores. Os vetores podem ter
direções diferentes (fig. 3.30) ou a mesma direção (fig. 3.31). Em todos os casos, a sequência em que
os vetores são colocados não importa.
v2

v1

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
v1 v3
v2 v3

vS

Figura 3.30 Adição de vetores de direções diferentes: v S 5 v 1 1 v 2 1 v 3

v1 v2 v1 v2
A + =
vS

v1 v2 v1
B + =
vS v2

Figura 3.31 (A) Adição de vetores de mesma direção e mesmo sentido; (B) adição de vetores
de mesma direção e sentidos opostos.

Vetor oposto de um vetor v


v –v
O vetor que tem a mesma direção de um vetor v , o mesmo módulo e
sentido oposto é denominado vetor oposto de v, dado por 2v (fig. 3.32).

Subtração de vetores Figura 3.32 Vetor oposto de


um vetor v .
Para efetuar a subtração dos vetores v1 e v2 , nesta ordem, temos
de fazer a adição do vetor v1 com o vetor oposto de v2 (fig. 3.33).
O vetor obtido é o vetor diferença v D 5 v1 1 (2 v2 ) 5 v1 2 v2 .

v1
IluStrAçõeS: AdIlSon SeCCo

v1 vD ou vD
v1

v2 – v2 – v2

Figura 3.33 Subtração de vetores.

82
Multiplicação de um número real n por um vetor v
O produto de um número real n por um vetor v é o vetor p 5 n ? v com as seguintes características:
• a direção de p é a mesma de v ;
• o sentido de p é o mesmo de v se n . 0 e oposto ao de v se n < 0;
• o módulo de p é dado por p 5 n ? v.
Na figura 3.34 representamos os vetores v , 2v e 23v . Os vetores 2v e 23v resultam da multi-
plicação dos números reais 2 e 23, respectivamente, pelo vetor v .

2?v

23 ? v

Figura 3.34 Vetores v , 2v e 23v .

Nos exemplos seguintes, vamos aplicar os conceitos de adição e subtração de vetores.


Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Dados os vetores v1 e v2 , represente os vetores v S 5 v1 1 v2 e v D 5 v1 2 v2 .

v1

v2

Em seguida, considerando que cada quadrícula tem lado igual a uma unidade de medida
(1 u), determine os módulos de v S e v D.
Resolução:
Vamos, em cada caso, aplicar a regra do paralelogramo. Lembre que v D é obtido pela adição
do vetor v1 com o vetor oposto de v2 .

vD vS
v1

2 v2 v2
IluStrAçõeS: AdIlSon SeCCo

Os módulos dos vetores v1 e v2 são, respectivamente, v1 5 6 u e v2 5 8 u.


Os módulos de v S e v D são obtidos pela aplicação do teorema de Pitágoras:
vS 5 vD 5 (6 u)2 1 (8 u)2 V vS 5 vD 5 10 u

83
No exemplo a seguir, vamos representar graficamente o vetor diferença usando o método da
linha poligonal.

Num jogo de bilhar, a bola incide na tabela da


mesa com velocidade v1 e é refletida com velocidade
v2 . Os ângulos de incidência e de reflexão são iguais
a 60°. Sabendo que os módulos das velocidades v1 v2
e v2 são iguais a v, represente graficamente o vetor v1

v D 5 v2 2 v1 e calcule seu módulo em função de v. 60° 60°

Resolução:
Utilizando o método da linha poligonal, temos:
v D 5 v2 1 (2 v1 )

– v1 v
60°
vD vD 60°
60°
v2 v

O triângulo formado é equilátero, logo: vD 5 v

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
No exemplo abaixo, vamos representar graficamente um vetor obtido da multiplicação de um
número real por outro vetor.

São dados os vetores v , a e E .

Represente graficamente os vetores M ? v , com M 5 2; m ? a , com m 5 3; q ? E ,


com q 5 22. Considere que cada quadrícula tem lado igual a uma unidade de medida (1 u).
Resolução:
O vetor 2v tem módulo igual a 6 ? u, mesma direção e mesmo sentido do vetor v .
O vetor 3a tem módulo 9 ? u, mesma direção e mesmo sentido do vetor a.
O vetor 22E tem módulo 6 ? u, mesma direção do vetor E , mas sentido oposto.
Assim:

2?v

v
a

E 3?a

22?E
IluStrAçõeS: AdIlSon SeCCo

84
Para entender como o conceito de deslocamento vetorial pode ser aplicado, analise o exemplo
a seguir.

João parte de carro de sua casa e dirige a 80 km/h durante 0,5 h, na direção norte-sul,
indo do sul para o norte. A seguir, muda seu rumo e passa a se deslocar na direção leste-oeste,
dirigindo para o oeste a 60 km/h por 0,5 h. Ao final dessa viagem de 1 h, a que distância João
estará de sua casa? Qual é o módulo de sua velocidade vetorial média?
Resolução:
Devemos, inicialmente, calcular os deslocamentos escalares realizados por João em cada uma
Ds
das duas etapas de sua viagem. Para isso, vamos usar a expressão da velocidade média: vm 5
Dt
Ds D s
V 80 5 0,5 π Ds1 5 40 km
1
No primeiro trecho da viagem: vm 5
Dt
Ds Ds2
No segundo trecho da viagem: vm 5 V 60 5 0,5 π Ds2 5 30 km
Dt
Observe que, em cada etapa da viagem, o módulo do desloca-
mento vetorial coincide com o deslocamento escalar, pois João s2 5 30 km
movimenta-se, em cada etapa, em linha reta.
Vamos agora representar vetorialmente esses dois desloca-
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

mentos e, com eles, o deslocamento total realizado por João. s1 5 40 km


Na figura ao lado, cada quadrícula tem lado correspondente rtotal
a 10 km. O deslocamento total, D r total , tem módulo Drtotal
N
que pode ser calculado aplicando o teorema de Pitágoras ao
triângulo retângulo cujos lados são os vetores deslocamento
em cada uma das duas etapas: 10 km

Dr 2
total
2
5 Ds 1 Ds V Dr
1
2
2
2
total
2
5 40 1 30 2
π Dr total 5 50 km
Portanto, ao final da viagem, João estará a uma distância de 50 km de sua casa.
O módulo da velocidade vetorial média é dado pela relação entre o módulo do deslocamento
vetorial total e o intervalo de tempo correspondente. Então:
Drtotal 50 km
vm 5 V  vm 5 V  vm 5 50 km/h
Dt 1h
É importante ressaltar que o vetor velocidade média tem a mesma direção e o mesmo
sentido do vetor deslocamento total.

Exercícios Resolva em seu caderno. Exercício fundamental Exercício de fixação

48 São dados os vetores v1 e v2 em três situações distintas. Represente graficamente em seu caderno o vetor
vS 5 v1 1 v2 em cada uma das situações, indicadas a seguir.
a) b) c)
IluStrAçõeS: AdIlSon SeCCo

v2
v1 v2
v1
v1
v2

85
49 Retome o exercício anterior. Sabendo que o lado
de cada quadrícula é igual a uma unidade de
medida (1 u), determine o módulo do vetor v S v1 v2 v3
em cada situação.

50 São dados quatro diagramas com os vetores


v1, v2 e v3 :
I. Quatro alunos fizeram as representações indicadas
abaixo.
v2
v2

v1
v1 v1 v3
v3
v3
v2

vS

vS Aluno 2
II.
Aluno 1
v2
vS

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
v1
v1 v3
v3
v1
v2

vS
v2
III. Aluno 3 v3
v2

Aluno 4
v1
v3
Pode-se afirmar que:
a) os quatro alunos estão corretos.
b) somente o aluno 1 está correto.
c) somente o aluno 4 está incorreto.
IV. d) somente os alunos 1 e 4 estão corretos.
v2
52 São dados os vetores v1 e v2 . Sabe-se que o lado de cada
quadrícula é igual a uma unidade de medida (1 u). Re-
presente graficamente em seu caderno os vetores 2 ? v1 ,
v1 23 ? v2 , v1 1 v2 , 2 ? v1 23 ? v2 e determine seus
v3
módulos.

v1
Associe cada diagrama a um dos itens abaixo.
a) v1 1 v2 1 v3 5 0 v2
b) v1 5 v3 1 v2
IluStrAçõeS: AdIlSon SeCCo

c) v1 1 v2 5 v3
d) v1 1 v3 5 v2
53 Muitas vezes, os conceitos de direção e sentido são
51 Em uma aula sobre operações com vetores, o pro- usados como sinônimos na linguagem comum. Por
fessor pediu aos alunos que representassem o vetor exemplo, um jornal veiculou a seguinte notícia
soma de três vetores, v1 , v2 e v3 . que apresenta uma imprecisão no que diz respeito

86
à linguagem uti- Reta vertical 55 Um homem, partindo de um ponto A, desloca-se
lizada em Física: 4 km na direção leste-oeste e no sentido de oeste
AdIlSon SeCCo “Feixes de pró- v1 para leste, chegando a um ponto B. A seguir, partindo
tons, deslocando- de B, desloca-se por mais 3 km na direção norte-sul
-se em direções v2 Reta horizontal e no sentido de sul para norte, chegando ao ponto C.
opostas, irão coli- a) Desenhe uma malha quadriculada em seu caderno,
dir no maior ace- adote uma escala e represente graficamente os
lerador de partí- deslocamentos vetoriais sequenciais de A para B e
culas do mundo”. de B para C sofridos pelo homem.
Reescreva no seu caderno a frase citada, corrigindo-a
b) Determine a distância total percorrida pelo homem
do ponto de vista da Física. A seguir, defina a direção
e o correspondente deslocamento vetorial total.
e o sentido dos vetores v 1 e v 2 representados acima.
c) Determine a velocidade vetorial média do homem,
54 Construa em seu caderno um sistema de eixos sabendo que os deslocamentos de A para B e de B
ortogonais x, y e origem O (0; 0). Considere um para C foram realizados em um intervalo de tempo
móvel que parte do ponto A (22; 24) e se desloca de 0,5 hora.
de A para B (1; 22), de B para C (3; 23) e de C 56 Um motorista dirige para o sul a 20 m/s durante
para D (4; 4). 3 minutos; então, vai para oeste e viaja durante
a) Represente graficamente os deslocamentos do 2 minutos a 25 m/s; finalmente, dirige-se para
móvel de A para B, de B para C e de C para D, se- noroeste a 30 m/s por 1 minuto. Para essa viagem
quencialmente. de 6 min, determine:
b) Represente graficamente o deslocamento total do a) o deslocamento escalar do motorista;
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

móvel de A para D. b) o módulo do vetor deslocamento;


c) Calcule o módulo do deslocamento total de A para c) a velocidade escalar média;
D. Considere as coordenadas medidas em metro. d) o módulo da velocidade média.

5 Movimentos bidimensionais sob ação


da gravidade
Muitas modalidades esportivas de arremesso que fazem parte dos Jogos Olímpicos, em que um
atleta realiza o lançamento de um objeto de modo que este atinja a maior distância possível, como
o lançamento de martelo (fig. 3.35), de dardo (fig. 3.36), de disco (fig. 3.37) e o arremesso de peso
(fig. 3.38), originaram-se nas guerras e na caça de animais.
ChrIStIAn ChArISIuS/dpA/CorbIS/lAtInStoCK

emIlIo morenAttI/Ap photo/glow ImAgeS

Figura 3.35 Lançamento de martelo em uma competição no Figura 3.36 Lançamento de dardo em competição durante
Campeonato Mundial de Atletismo, em Pequim, China, 2015. Com os Jogos Paralímpicos de Londres de 2012. O dardo é
o passar do tempo, o martelo foi substituído por uma bola de metal constituído por uma haste de metal ou madeira com uma
presa a uma alça por um cabo metálico. ponta metálica afiada.

87
mIChAel Steele/getty ImAgeS

mIChAel KAppeler/dpA/CorbIS/lAtInStoCK
Figura 3.37 Lançamento de disco em uma competição Figura 3.38 Arremesso de peso em uma competição
durante o Campeonato Mundial de Atletismo, em durante o Campeonato Mundial de Atletismo, em
Pequim, China, 2015. O disco geralmente é feito de Pequim, China, 2015. Nessa modalidade, o atleta
madeira e tem borda de metal. lança uma bola de metal.

O estudo do lançamento de projéteis faz parte da história do ser humano. No decorrer do tem-
po, as técnicas e máquinas empregadas no lançamento de projéteis foram aperfeiçoadas. Entre os
instrumentos utilizados por diferentes civilizações para o arremesso de objetos a grandes distâncias,
destacam-se os arcos, as fundas, as catapultas (fig. 3.39) e as balestras (fig. 3.40).

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
robert FrIed/AlAmy/glow ImAgeS

Figura 3.39 Réplica de


uma catapulta medieval.
França, 2009.
germAn worK/mondAdorI portFolIo/getty
ImAgeS - muSeu nACIonAl do pAláCIo de
venezA, romA

Figura 3.40 Réplica


de uma balestra
militar. Acionada por
um gatilho, a balestra
disparava flechas.

A teoria do impetus
Para explicar o movimento de um projétil lançado no ar, como uma flecha lançada com um arco,
o filósofo grego Aristóteles considerava o movimento do ar em torno do projétil, que o sustentaria e
manteria seu movimento durante o voo. De acordo com essas considerações, contudo, o projétil não
poderia se mover no vácuo. Para Aristóteles, porém, o vácuo, ou vazio contínuo, não existia, uma vez
que o espaço era sempre preenchido por algum tipo de substância, por um meio material.

88
Essas e outras ideias de Aristóteles influenciaram o pensamento ocidental desde os tempos
do Liceu (335 a.C.), escola por ele fundada para se opor à Academia de Platão (387 a.C.), até fins do
século XIII, início do Renascimento Cultural.
No século II a.C., Hiparco de Niceia apresentou o conceito de força impressa para explicar o
movimento de projéteis. De acordo com esse conceito, um corpo armazena uma força interna que é
transmitida pelo lançador que o arremessa.
Contrariando a teoria aristotélica de que o movimento do projétil seria sustentado pelo ar, o
filósofo grego Filopono de Alexandria (490-570), assim como Hiparco de Niceia, também admitia a
existência de uma força que seria transmitida ao corpo no instante de seu lançamento.
Nos séculos XIII e XIV, inúmeros filósofos apresentaram importantes contribuições ao estudo dos
movimentos, destacando-se o francês Jean Buridan (c.1300-c.1358), reitor da Universidade de Paris
em 1328 e 1340, que desenvolveu e popularizou a teoria do impetus, a força motriz interna ao pro-
jétil, transmitida pelo lançador e responsável por sua permanência em movimento. Ao contrário de
Filopono, Buridan afirmava que o impetus teria natureza permanente, de maneira que o movimento
só poderia se extinguir por influências externas, como a resistência do meio. O conceito de impetus
foi um precursor do conceito de inércia.
As ideias de Jean Buridan difundiram-se pela Europa, abrindo caminho para o desenvol-
vimento da ciência moderna impulsionado nos séculos seguintes por Nicolau Copérnico e
Galileu Galilei.
De acordo com a teoria do impetus, ao ser lançado, um projétil seguiria uma trajetória retilí-
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

nea e, pela ação de influências externas, cairia verticalmente assim que o impetus se extinguisse.
Galileu Galilei mostrou que essa ideia não era correta. Aplicando as leis do movimento uniforme
e do movimento uniformemente acelerado ao estudo do movimento dos projéteis, Galileu de-
monstrou que, desprezada a resistência do ar, a velocidade horizontal permanecia constante, mas
a velocidade vertical variava, segundo a lei da queda dos corpos. Ele provou que, em relação a
um observador no solo, o projétil descreve uma trajetória parabólica e verificou que seu alcance
máximo ocorre em lançamentos com ângulos de 45°.
A figura 3.41 mostra a trajetória de um projétil lançado obliquamente de acordo com a teoria do
impetus e a trajetória real, de acordo com a teoria de Galileu.

AdIlSon SeCCo

v0 Figura 3.41 A trajetória de um projétil de acordo


com a teoria do impetus (em azul) e a trajetória
parabólica descrita por Galileu Galilei (em
vermelho), considerando o mesmo alcance.

Lançamento horizontal
Ao ser lançado horizontalmente, com velocidade v 0, nas proximidades da superfície da Terra, um
móvel descreve uma trajetória parabólica, quando se despreza a resistência do ar. Seu movimento
pode ser decomposto em outros dois movimentos, que ocorrem simultaneamente: um mo-
vimento vertical, que se realiza com aceleração constante igual à da gravidade, sendo, portanto,
um movimento uniformemente variado, e um movimento horizontal, que se realiza com velocidade
constante igual à velocidade de lançamento, sendo, portanto, um movimento uniforme. Vamos
analisar um exemplo numérico desse movimento.

89
Uma bola é lançada horizontalmente com velocida- v0
de v 0 , cujo módulo é v0 5 15 m/s, de um ponto situado a 20 m
2
do solo. Considere g 5 10 m/s e despreze a resistência do ar.
a) Calcule o tempo que a bola demora para atingir o solo
(tempo de queda tq).
b) A que distância da vertical de lançamento a bola
atinge o solo? Solo

Resolução:
a) Na figura representamos a trajetória descrita pela bola (arco de parábola).
Em um lançamento horizontal, a componente vertical da velocidade inicial v 0 é nula e,
devido à ação da gravidade, na vertical temos um MUV.
a 2 2
De svert 5 s0 vert 1 v0vert ? t 1 2 ? t , com s0vert 5 0, v0vert 5 0 e a 5 1g 5 10 m/s , temos:
2
svert 5 5t (SI)

Quando a bola atinge o solo, temos: svert 5 20 m

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Portanto:
2 2
20 5 5t q V t q 5 4 π tq 5 2 s

b) Nesse mesmo tempo, a bola avança na horizontal em movimento uniforme, com velo-
cidade igual a v0.

De shoriz 5 s0horiz 1 vhoriz ? t, sendo s0horiz 5 0, vhoriz 5 v0 5 15 m/s e t 5 tq 5 2 s, temos:

shoriz 5 0 1 15 ? 2 π shoriz 5 30 m

Exercícios Resolva em seu caderno. Exercício fundamental Exercício de fixação

57 Uma pequena bola é lançada horizontalmente com mesmo tempo, lançou horizontalmente outra
velocidade v0 5 5 m/s e após 5 s atinge o solo. Con- bolinha de papel, também da beirada da mesa. Os
2
sidere g 5 10 m/s e despreze a resistência do ar. alunos notaram que as bolinhas chegaram ao solo
a) De que altura, em relação ao solo, a bola foi lançada? praticamente no mesmo instante. O professor
pediu aos alunos que explicassem tal fato. Como
b) A que distância da vertical de lançamento a bola
você explicaria?
atinge o solo?

58 Uma bolinha é lançada horizontalmente de um


v0
ponto situado a 80 m do solo. A bolinha atinge
o solo num ponto situado a 40 m da vertical de
lançamento. Qual a velocidade horizontal v0 com
2
que a bolinha foi lançada? Considere g 5 10 m/s
e despreze a resistência do ar.
IluStrAçõeS: AdIlSon SeCCo

59 Ao apresentar os temas queda livre e lançamento


horizontal aos alunos, um professor de Física fez
um pequeno experimento. Ele abandonou da bei-
rada de uma mesa uma bolinha de papel e, ao

90
Lançamento oblíquo
Vamos analisar uma situação em que um móvel é lançado obliquamente a partir do solo.

Uma bola é lançada do solo com velocidade v 0, cujo


módulo é v0 5 20 m/s, formando um ângulo u 5 30° com a ho-
2
rizontal. Considere g 5 10 m/s e despreze a resistência do ar. A
Determine:
a) o tempo de subida ts, isto é, o intervalo de tempo que v0 hmáx

a bola demora para atingir o vértice A da parábola;
O a
b) o tempo de descida td;
c) a altura máxima hmáx ;
d) o alcance horizontal a;
e) a velocidade da bola ao atingir o vértice A da parábola.
Resolução:
a) Analogamente ao exemplo anterior, na vertical temos um MUV de veloci-
dade inicial v0vert, obtida projetando-se v 0 na vertical:
v0
sen u 5 v V v0vert 5 v0 ? sen u
vert
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

0 v0vert v0

Sendo o ângulo de tiro u 5 30°, sen 30° 5 0,5 e v0 5 20 m/s, temos:
v0vert 5 20 ? 0,5 π v0vert 5 10 m/s
Assim, o movimento vertical corresponde a um lançamento para cima com velocidade
v0vert 5 10 m/s.

IluStrAçõeS: AdIlSon SeCCo


Para o cálculo do tempo de subida, basta observar que, ao atingir o vértice A, a velocidade
vertical da bola é nula:
vvert 5 v0vert 1 a ? t V 0 5 10 2 10 ? ts π ts 5 1 s
b) Em um lançamento oblíquo, o tempo de descida t d é igual ao tempo de subida.
Assim: td 5 ts 5 1 s
O tempo total de movimento é a soma de ts com td e, portanto, é o dobro do tempo de subida:

ttotal 5 2 ts 5 2 s

c) A altura máxima pode ser calculada pela equação de Torricelli aplicada ao movimento
vertical, considerando vvert 5 0. Assim:

v 2vert 5 v 02vert 1 2 ? a ? Dsvert V 0 5 102 1 2 ? (210) ? hmáx π hmáx 5 5 m


d) O alcance horizontal a é calculado considerando o movimento horizontal, que é uniforme.
A velocidade desse movimento é obtida projetando-se v 0 na horizontal:
v0
cos u 5 v V v0horiz 5 v0 ? cos u
horiz

3
Sendo u 5 30°, cos 30° 5 2 e v0 5 20 m/s, temos: v0

3 v0horiz
vhoriz 5 v0horiz 5 20 ? 2 π vhoriz 5 10 3 m/s

Sendo shoriz 5 s0horiz 1 vhoriz ? t, obtemos o alcance a fazendo a 5 shoriz , para t 5 ttotal.
a 5 vhoriz ? ttotal V a 5 10 3 ? 2 ` a 5 20 3 m
e) No vértice A, a componente vertical da velocidade da bola é nula, portanto:
vA 5 vhoriz V v A 5 10 3 m/s

91
Exercícios Resolva em seu caderno. Exercício fundamental Exercício de fixação

60 Os lançamentos horizontal e oblíquo, nas proximida- 62 Um jogador de futebol cobra uma falta frontal a 32 m
des da superfície terrestre e desprezada a resistência da trave. Ele imprime à bola uma velocidade v0
do ar, são considerados como a composição de dois de módulo 20 m/s e que forma com a horizontal
movimentos que ocorrem simultaneamente, um ho- um ângulo u tal que sen u 5 0,6 e cos u 5 0,8.
rizontal e outro vertical. Descreva esses movimentos. O travessão superior está a 2,4 m do gramado, e
a bola passa por cima do travessão. A que altura
61 Um projétil é lançado obliquamente a partir do solo
acima do travessão a bola cruza a linha de fundo?
horizontal com velocidade cujo módulo é v0 5 25 m/s, No instante em que passa por cima do travessão,
segundo um ângulo u tal que sen u 5 0,6 e a bola está subindo ou descendo? Considere
cos u 5 0,8. Considere g 5 10 m/s2 e despreze a 2
g 5 10m/s e despreze a resistência do ar.
resistência do ar.
63 Considerando uma pequena esfera lançada obli-
quamente, para qual ângulo de tiro seu alcance é
máximo?
AdIlSon SeCCo

v0 hmáx 64 Duas bolinhas são lançadas obliquamente com velo-


 cidade inicial de mesmo módulo v0. Uma é lançada
O a com ângulo de 60º, e outra, de 30º. Qual delas
atinge maior altura? Qual delas tem maior alcance?
Determine:
65 Em seus estudos sobre o lançamento de projéteis,

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
a) o tempo de subida; Galileu Galilei concluiu que dois corpos lançados com
b) o tempo de descida; a mesma velocidade inicial, mas ângulos diferentes,
c) o tempo total de movimento; um maior que 45º de um valor x e o outro menor
d) a altura máxima; que 45° de um valor x, têm o mesmo alcance. No
e) o alcance horizontal; exercício anterior, concluímos que o alcance também
f) a velocidade do projétil no ponto mais alto da é o mesmo para ângulos complementares. Essas duas
trajetória. conclusões são equivalentes? Justifique sua resposta.

Navegue na web
• Lançamentos vertical e oblíquo
<http://phet.colorado.edu/sims/projectile-motion/projectile-motion_pt_BR.html>. (Acesso em: 26 out. 2015.)
Nesse endereço eletrônico é possível analisar os lançamentos vertical e oblíquo de um projetil. Você pode
definir o ângulo de lançamento e a velocidade inicial. É possível fazer a análise sem e com a resistência do
ar. Essa simulação permite estabelecer um jogo, tentando acertar um alvo.

• Adição de vetores
<http://www.walter-fendt.de/html5/phpt/resultant_pt.htm>. (Acesso em: 21 jan. 2016.)
Nessa página, você encontrará um aplicativo simples que permite efetuar, graficamente, a adição de até
cinco vetores. Você poderá alterar a orientação e a intensidade de cada vetor e observar como o vetor soma
é obtido pelo método da linha poligonal.

Sugestões de leitura
• Movimento, de Brenda Walpole. São Paulo: Melhoramentos, 1993. (Coleção Ciência Divertida)
O livro mostra de maneira divertida fenômenos relativos ao movimento como a gravidade, o equilíbrio,
a fricção; como funcionam as rodas, as engrenagens, as polias, as alavancas, os pêndulos.
• Os movimentos – Pequena abordagem sobre a Mecânica, de Nicolau Gilberto Ferraro. São Paulo: Moderna,
2015. (Coleção Desafios)
O livro apresenta uma introdução ao estudo dos movimentos dos corpos e descreve o empenho de pensa-
dores e cientistas na formulação de teorias e leis que explicam os movimentos. Mostra que a ciência não é
obra de uma só pessoa, mas resulta de um processo que se estende de geração a geração.

92
..........................................................................................
..........................................................................................
..........................................................................................

lo
tu
Ca

4 Força e movimento

Brian Kersey/aP/Glow imaGes

Paciente testa perna


mecânica ao descer uma Biomecânica
escada. Chicago, EUA, 2012.

Biomecânica, de acordo com os dicionários, é o ramo da Biologia que se ocupa


da aplicação das leis da mecânica às estruturas orgânicas vivas, especialmente
ao sistema locomotor do corpo humano. Tem por objetivo investigar e analisar o
movimento humano em suas estruturas básicas relacionadas às atividades físico-
-esportivas e/ou atividades cotidianas.
Essa área do conhecimento humano consolidou-se, principalmente, devido às de-
mandas do esporte de alto rendimento, ajudando atletas a melhorar seu desempenho.
Iniciamos neste capítulo o estudo da Dinâmica, isto é, das leis que explicam
e regem os movimentos dos corpos, as mesmas leis usadas pela Biomecânica.

93
1 Conceito de força
A noção intuitiva que temos sobre força vem de nossa experiência diária. Carros são acelerados e
freados. Aviões decolam e pousam. Uma bola é chutada, uma pedra é arremessada. Sabemos que um
carrinho de supermercado parado se move se alguém o empurra e, caso ele já esteja em movimento,
para pará-lo em algum lugar, temos de puxá-lo no sentido contrário ao do seu movimento. Em todas
essas situações, algum agente externo é responsável por colocar esses corpos em movimento ou
alterar o movimento já existente, modificando o estado cinemático do corpo. Esse agente externo
é denominado força. Portanto, podemos conceituar força como um agente físico capaz de alterar o
estado de repouso ou de movimento uniforme de um corpo.
Em 1687, Newton exprimiu essa ideia em sua obra Philosophiæ Naturalis Principia Mathematica
(Princípios Matemáticos da Filosofia Natural), ou simplesmente Principia, afirmando que “uma força
imprimida é uma ação exercida sobre um corpo a fim de alterar seu estado, seja de repouso ou de
movimento em uma linha reta”.
Assim, podemos dizer que força e mudança de velocidade são, entre si, causa e efeito, respecti-
vamente.
Força é uma grandeza vetorial e, portanto, para que ela seja plenamente caracterizada precisamos
especificar sua direção de atuação, seu sentido de orientação e sua intensidade. A unidade de intensi-
dade de força no Sistema Internacional de Unidades (SI) é denominada newton e é representada pelo
símbolo N.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
A figura 4.1 mostra um barco se deslocando sob a ação de duas forças, F1 e F2. Essa ação conjunta
resulta na força F, denominada força resultante.

F2

F1

Figura 4.1 Neste esquema a força F é a força resultante, ou seja, a força equivalente à
soma das outras duas forças que agem sobre o corpo: F 5 F1 1 F2

O vetor força resultante F foi obtido pelo processo conhecido como regra do paralelogramo. Como
vimos, podemos recorrer a essa regra para obter a soma de dois vetores, que podem representar não
apenas forças, mas também quaisquer grandezas vetoriais, desde que de mesma natureza.
Se as forças atuarem sobre o corpo na mesma direção e no mesmo sentido, a intensidade da força
resultante será a simples soma algébrica das intensidades dessas forças (fig. 4.2-A). Se as forças atuarem
na mesma direção, mas em sentidos opostos, a intensidade da força resultante será a diferença entre as
intensidades dessas forças (fig. 4.2-B).

A F2 B
F1 F2

F1
ilustrações: adilson secco

Figura 4.2 (A) Forças que atuam no mesmo sentido: Fres 5 F1 + F2; (B) forças que atuam em sentidos
opostos: Fres 5 |F2 2 F1|

Conhecida uma força F, podemos também obter as forças Fx e Fy , ortogonais entre si, que adicio-
nadas vetorialmente resultam em F (fig. 4.3), pelo processo da decomposição de vetores.

94
As forças Fx e Fy são denominadas componentes da força F . A compo- y
nente Fx corresponde ao cateto adjacente ao ângulo u no triângulo da figura
4.3. Assim, aplicando as relações trigonométricas a esse triângulo, temos:
F F
cos u 5 x V Fx 5 F ? cos u Fy
F
A componente Fy corresponde ao cateto oposto ao ângulo u. Desse modo: θ
Fy 0 Fx x
sen u 5 V Fy = F ? sen u
F
Figura 4.3 Fx e Fy são as componentes
A relação entre as intensidades de Fx , Fy e F pode ser obtida por meio
do teorema de Pitágoras. ortogonais de F .
F 2 5 F x2 1 F y2
O exemplo a seguir mostra como a decomposição de vetores pode ser
útil na solução de problemas práticos.

Marcos e João estão tentando desatolar um carro


e, para isso, prendem cordas à parte dianteira do veí-
culo e o puxam. O carro se desloca na direção da linha Corda 1
tracejada, como mostra a figura.
As cordas são feitas do mesmo material, mas têm
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

comprimentos diferentes. Considerando as inten-


sidades das componentes F1 e F2 , qual das cordas
tem maior possibilidade de arrebentar? A corda 1 ou
a corda 2? Ou as possibilidades são iguais?
Resolução: Corda 2
O deslocamento do carro ocorre na mesma direção
da força resultante. Portanto, a força resultante tem
a mesma direção da linha tracejada. A figura A
mostra a força resultante F que movimenta o carro.
Obtemos as componentes F1 e F2 da força F projetando o vetor F sobre as direções das
cordas 1 e 2, como mostra a figura B.

Corda 1 Corda 1
F1

F F
F2

Corda 2 Corda 2

Figura A Figura B
ilustrações: adilson secco

Vemos que a componente F2 tem módulo maior que a componente F1 . Isso mostra que F2
é uma força de maior intensidade que F1 . Portanto, como as cordas são feitas do mesmo
material, é possível que a corda 2 se rompa primeiro, pois está mais tracionada que a corda 1.

95
2 Primeira lei de Newton ou princípio da inércia
O conceito de inércia e o princípio da inércia
A ideia de que um movimento só pode se manter se algum agente externo atuar permanente-
mente sobre o corpo que se move é muito comum e bastante antiga.
As causas dos movimentos e de suas alterações só foram compreendidas plenamente depois dos
trabalhos de Galileu Galilei sobre a queda dos corpos e de Isaac Newton sobre os movimentos dos
corpos terrestres e celestes, entre o final do século XVI e meados do século XVII.
Galileu, considerado um pioneiro da Física Experimental, realizou uma série de experimentos com
planos inclinados, fornecendo importantes contribuições para a formulação do conceito de inércia,
no início do século XVII.
Usando planos inclinados equipados com canaletas e combinados em sequência (fig. 4.4), Galileu
observou que, independentemente da inclinação do plano da direita, uma bola, abandonada de um
ponto qualquer do plano da esquerda, alcançaria uma altura no plano da direita praticamente igual
àquela da qual havia sido abandonada. Ele atribuiu às asperezas na madeira das canaletas as peque-
nas diferenças observadas entre as alturas inicial e final da bola. Isso significa que, se fosse possível
eliminar o atrito entre a bola e a superfície das canaletas, as alturas deveriam ser exatamente iguais
em ambos os planos.
De acordo com Galileu, se o plano da direita fosse praticamente horizontal, ou seja, com uma

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
inclinação bem pequena, e sem atrito, a bola deveria atingir a mesma altura de partida, porém per-
correndo uma distância muito grande, praticamente “infinita” (fig. 4.4-C). Em outras palavras, a bola
teria um movimento retilíneo e uniforme durante um tempo praticamente “infinito”, até atingir a altura
final. Desse modo, Galileu apresentou o conceito de inércia de movimento.

A Posição Posição

ilustrações: adilson secco


inicial final

B Posição Posição
inicial final

h Figura 4.4 Representação esquemática


do experimento de Galileu. (A) Com uma
inclinação maior do plano da direita, a
bola alcança a mesma altura de partida
e percorre uma pequena distância nesse
C Posição
plano; (B) com uma inclinação menor do
inicial
plano da direita, a bola alcança a mesma
altura de partida, mas percorre uma grande
distância nesse plano; (C) como a bola
só para quando atinge uma altura igual
h
à de partida, se o plano da direita fosse
horizontal e não houvesse atrito, ela nunca
pararia de se mover.

Dentre as inúmeras contribuições de Galileu à Física, uma das mais significativas foi apresentar
o conceito de inércia como um princípio básico da natureza.
Em Ciências, princípio é uma proposição elementar e fundamental que serve de base a um con-
junto de conhecimentos que leva ao entendimento do modo de funcionamento de um determinado
fenômeno físico.

96
Rompendo com as ideias aristotélicas e o senso comum, Galileu concluiu que um movimento
pode existir sem a intervenção permanente de uma força. Em quase dois mil anos de Física, essa foi
a primeira ideia de inércia de movimento com bases experimentais.
Entretanto, coube a Isaac Newton, quase sessenta anos depois, organizar e apresentar com mais
precisão os conceitos de velocidade, aceleração, massa e força. Ele sintetizou tudo isso em algumas
definições e três leis (ou princípios), denominadas leis de Newton dos movimentos.
A Dinâmica, como é denominada a parte da Mecânica que estuda as causas dos movimentos e
das alterações que eles experimentam, se estrutura nas três leis de Newton dos movimentos: princípio
da inércia ou primeira lei de Newton, princípio fundamental da Dinâmica ou segunda lei de Newton
e princípio da ação e reação ou terceira lei de Newton.

Isaac Newton

Isaac Newton nasceu em Woolsthorpe, uma pequena aldeia no

Galeria nacional de retratos, londres


condado de Lincolnshire, Inglaterra, no dia 25 de dezembro de
1642, pelo calendário juliano, vigente na época de seu nascimento.
O calendário gregoriano, implantado pelo papa Gregório XIII em
1582 e utilizado atualmente na maioria dos países, só foi adotado
pela Inglaterra em 1752. De acordo com esse calendário, Newton
teria nascido em 4 de janeiro de 1643.
Considerado um dos grandes matemáticos de todos os tempos,
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

juntamente com Arquimedes e Gauss, Newton foi também físico,


filósofo, astrônomo, alquimista e teólogo. Muitos historiadores
da ciência o consideram o maior e mais influente cientista que
já existiu.
Em 1661, aos 18 anos de idade, foi admitido no Trinity College, Retrato de Isaac Newton
em Cambridge, graduando-se em agosto de 1665, ano em que (1642-1727).
um surto de peste bubônica, que assolou a Inglaterra de 1664 até
fins de 1666, o obrigou a retornar a sua cidade natal. Durante esse

Kevin r Boyd
período, a Universidade de Cambridge ficou fechada, reabrindo
somente em 1667.
Do início de 1665 até o final de 1666, Newton trabalhou em Ma-
temática (no desenvolvimento do cálculo infinitesimal), Óptica,
Astronomia e Gravitação. Por isso, o ano de 1666 é denominado
Annus mirabilis (ano maravilhoso) de Newton.
Esses trabalhos, exceto a parte referente à Óptica, foram reunidos e
publicados em julho de 1687 na obra Principia, constituída por três
livros e considerada uma das mais importantes obras científicas de
todos os tempos produzida por uma só mente. Os estudos de Óp-
tica, teoria da luz e cor, foram publicados no livro Opticks, em 1704. Casa onde nasceu Isaac Newton em
Em 1669, Newton foi nomeado professor lucasiano para a cátedra Woolsthorpe, condado de Lincolnshire,
a 150 km de Londres. Inglaterra, 2006.
de Matemática da Universidade de Cambridge, honorável cargo
criado por Henry Lucas, influente membro do Parlamento inglês
ricardo rafael alvarez/alamy/Glow imaGes

ligado a essa instituição. Outros nomes famosos que ocuparam


esse posto foram Charles Babbage (1828), considerado o pai da
Ciência da Computação, Paul Dirac (1932), um importante cientista
para o desenvolvimento da Mecânica Quântica, e Stephen Hawking
(1979), físico teórico que tem feito importantes contribuições para
a Cosmologia.
Entre 1670 e 1672, Newton pesquisou e lecionou Óptica em
Cambridge, período em que aperfeiçoou um tipo de telescópio,
refletor, hoje conhecido como telescópio newtoniano, contor-
nando assim o problema da aberração cromática presente nos
telescópios refratores.
Em 1687 foi publicada a primeira edição do Principia, pela Royal
Society de Londres. Outras duas edições foram publicadas em
1713 e em 1726, com correções e anotações do próprio Newton.
Isaac Newton morreu em março de 1727, em Londres, aos 84 anos. Túmulo de Isaac Newton na Abadia de
Hoje seu túmulo pode ser visitado na Abadia de Westminster. Westminster, Londres. Inglaterra, 2014.

97
Segundo Newton, inércia é a resistência dos corpos às mudanças em seu estado cinemático de
repouso ou de movimento retilíneo e uniforme. De acordo com esse conceito, pode-se interpretar
a inércia como uma propriedade intrínseca dos corpos, que tende a mantê-los em repouso ou em
movimento retilíneo e uniforme, e que pode ser medida pela chamada massa inercial desses corpos.
Portanto, podemos dizer que, quanto maior a massa inercial de um corpo, maior sua inércia ou, quanto
maior a inércia de um corpo, mais difícil é colocá-lo em movimento, caso ele esteja em repouso, ou
alterar sua velocidade, caso ele já esteja em movimento.
Em sua obra Diálogo sobre os dois máximos sistemas do mundo, Galileu afirma que massa é um
conceito primitivo, que não pode ser definido com base em outros conceitos. Desse modo, o mais
próximo que poderíamos chegar de uma definição de massa seria dizer que a massa é a medida da
inércia de um corpo.
O conceito de inércia levou ao enunciado da primeira lei dos movimentos estabelecida por Newton.

Todo corpo permanece em seu estado de repouso ou de movimento uniforme em linha reta,
a menos que uma força nele aplicada o faça mudar esse estado.

Esse é, basicamente, o enunciado de Galileu sobre a inércia de movimento, acrescido da ideia de


inércia de repouso. Portanto, um corpo livre da ação de forças, isto é, sujeito a forças cuja resultante é
nula, somente pode estar em repouso ou em movimento retilíneo com velocidade escalar constante,
movimento retilíneo e uniforme (MRU).
A tendência do corpo de se manter em repouso é chamada inércia de repouso. A tendência do corpo

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
de se manter em movimento retilíneo com velocidade constante é chamada inércia de movimento. Por
esse motivo, a primeira lei de Newton também é conhecida como princípio da inércia.
De acordo com a primeira lei de Newton, para“vencer”a inércia, tanto de repouso como de movimento,
é preciso aplicar uma força ao corpo.
Os referenciais para os quais o princípio da inércia é válido são chamados referenciais inerciais. Como
veremos mais adiante, certas situações parecem violar o princípio da inércia. Essas situações ocorrem em
referenciais acelerados em relação a um referencial inercial, denominados referenciais não inerciais.
A Terra, por exemplo, pode ser considerada um referencial inercial quando tratamos dos movimentos
que ocorrem nas proximidades de sua superfície. Esses movimentos não são afetados significativamente
pelos movimentos de translação e de rotação do planeta, uma vez que as acelerações relacionadas a eles
têm intensidades muitíssimo menores que a intensidade da aceleração da gravidade.
Em 1905, em sua teoria especial da relatividade, Albert Einstein mostrou que, quanto maior a velocidade
de um corpo, mais energia é necessária para aumentar essa velocidade um pouco mais. Assim, quanto
maior a velocidade do corpo, maior sua inércia de movimento.
A preocupação com a segurança dos ocupantes de automóveis levou a indústria automobilística a
desenvolver diversos dispositivos com base no princípio da inércia.
Num choque frontal, por exemplo, os ocupantes de um carro tendem a continuar em movimento,
devido à inércia, e eventualmente podem se chocar contra o para-brisa, o volante ou contra o banco da
frente, caso estejam no banco traseiro. fstoP/Getty imaGes

O cinto de segurança visa parar o ocupante ao mesmo tem-


po que o carro, aplicando em seu corpo uma força de sentido
contrário ao seu movimento e diminuindo assim sua velocidade.
Muitos automóveis dispõem de air bags, bolsas que inflam
rapidamente em caso de colisão, amortecendo o choque do
passageiro contra partes do veículo (fig. 4.5).
O encosto de cabeça, colocado no alto dos bancos dos
automóveis, se destina a proteger o pescoço dos passageiros
no caso de uma colisão traseira. Nessa situação, o carro da
frente, parado, é bruscamente arremessado para a frente e,
devido à inércia de repouso, a cabeça do passageiro vai vio-
lentamente para trás. Na verdade, é o carro que é acelerado
bruscamente para a frente em virtude do impacto, enquanto
os passageiros, inicialmente em repouso, só serão acelerados
para acompanhar o movimento do veículo depois de receber Figura 4.5 Em um teste de colisão, o movimento do boneco
uma força do banco onde estão sentados. simula o movimento do ocupante de um veículo.

98
O Código de Trânsito Brasileiro proíbe o transporte de pessoas em compartimento de carga de
caminhonetes e caminhões. Isso é plenamente justificável, pois, quando o veículo em movimento
inicia uma curva, as pessoas indevidamente alocadas nesse compartimento tendem, por inércia, a
manter a direção da velocidade do veículo, tangente à curva, e prosseguir em linha reta em relação ao
solo (considerado um referencial inercial). Um observador dentro da cabine do veículo (considerada
um referencial não inercial, por ter aceleração) terá a impressão de que algum tipo de força arremessa
as pessoas para fora do compartimento de carga aberto. As forças fictícias que aceleram os corpos
em referenciais não inerciais são denominadas forças de inércia ou forças de d’Alembert (devido
à obra Traité de dynamique [Tratado de Dinâmica], de Jean le Rond d’Alembert, publicada em 1743).
Em Dinâmica, o referencial adotado tem grande influência na maneira como descrevemos e
explicamos as causas e as modificações dos movimentos.
Referenciais que estão em repouso ou em MRU em relação a um referencial inercial também são
referenciais inerciais.
Apesar de em algumas situações a Terra poder ser

imaGe BroKer/alamy/Glow imaGes


considerada um referencial inercial, rigorosamente,
ela não é. A experiência mais significativa que revelou
essa mudança qualitativa no caráter inercial/não iner-
cial do referencial Terra foi a experiência do pêndulo
de Foucault, que o físico francês Jean Bernard Léon
Foucault (1819-1868) realizou no Panthéon de Paris
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

em 1851 (fig. 4.6).


Os referenciais não inerciais também são denomi-
nados referenciais não galileanos ou referenciais
não newtonianos.
O que é um referencial não inercial? Exatamente
em que ele difere do referencial inercial? Vamos Figura 4.6 O experimento de Foucault permitiu provar de maneira
responder a essas perguntas considerando duas simples o movimento de rotação da Terra. Pêndulo de Foucault, Paris,
situações simples. França, 2011.
Na primeira situação, um carro em MRU freia bruscamente e a pessoa em seu interior vai para a
frente, como se fosse lançada. Analisando o movimento em relação ao solo (referencial inercial), o fato
de a pessoa ir para a frente pode ser explicado pela inércia de movimento. A pessoa tende a manter
seu MRU. Entretanto, em relação ao carro (referencial não inercial), essa pessoa parece ter sido tirada
de sua condição de repouso sem que nenhuma força atuasse sobre ela. Parece que o princípio da
inércia não é verificado nesse caso.
Para explicar o que se observa no referencial do carro, é preciso admitir a existência de uma força
fictícia que acelera a pessoa. Essa força não é aplicada por um agente físico; sua existência e atuação
devem-se à inércia do corpo que foi acelerado.
Na segunda situação, o mesmo carro faz agora uma curva fechada para a esquerda e a pessoa vai
para a direita, como se fosse lançada em sentido oposto ao do movimento do carro. No referencial
do solo, a inércia de movimento também pode explicar o que acontece. A pessoa tende a continuar
em MRU, até colidir com a lateral do carro, recebendo, assim, uma força que a obriga a realizar a curva
juntamente com o carro. No referencial do carro, entretanto, a explicação é bem diferente. A pessoa
estava em repouso e, repentinamente, foi acelerada “para fora da curva”, sem que qualquer agente
físico estivesse presente. Mais uma vez, temos de admitir a existência de uma força fictícia que acelera
o corpo. Nesse caso, essa força é denominada força de inércia centrífuga, pois ela tende a acelerar
a pessoa para fora da curva que o carro está realizando.
Em resumo, nos referenciais não inerciais atuam forças que não estão presentes nos referenciais
inerciais. Como não existe um agente físico que explique a ação dessas forças fictícias, não existe
reação a elas.
Assim, podemos dizer que um referencial não inercial é aquele que apresenta algum tipo de
aceleração em relação a um referencial considerado inercial.
Nas duas situações apresentadas acima, o solo (a Terra) pode ser considerado um referencial
inercial.

99
Ver comentário no Suplemento para o professor.

O que diz a mídia

A importância do uso do cinto de segurança no automóvel


Os cintos de segurança são o meio mais eficaz de reduzir o risco de ferimentos graves e mortes
em acidentes de automóvel. Para sua própria proteção e dos demais ocupantes do veículo utilize
sempre os cintos de segurança.
Gestantes e pessoas fisicamente debilitadas também devem utilizar os cintos de segurança; elas
estão mais propensas a ficarem seriamente feridas se não estiverem usando cintos de segurança.
O cinto de segurança é um dispositivo simples que serve para proteger sua vida e diminuir as
consequências dos acidentes. Ele impede, em caso de colisão, que seu corpo se choque contra o
volante, painel e para-brisas, ou que seja projetado para fora do carro.
Os passageiros sentados no banco traseiro, sem os cintos de segurança, não somente se põem
em perigo, como também colocam em perigo os passageiros dos bancos dianteiros. Numa colisão
frontal eles também se moverão para a frente onde podem bater e ferir o motorista ou passageiro
do banco dianteiro.
Em uma colisão de veículos a apenas 40 km/h, o motorista pode ser atirado violentamente contra
o para-brisa ou arremessado para fora do carro. Alguns motoristas pensam que podem amortecer
o choque segurando firmemente no volante. Isto é ilusório, porque a força dos braços só é eficaz a
uma velocidade de até 10 km/h.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Estatísticas sobre acidentes mostram que passageiros que usam corretamente os cintos de segurança
têm um risco menor de se ferirem e uma chance muito maior de sobreviverem num acidente. Por este
motivo, a utilização dos cintos de segurança é exigida legalmente na maioria dos países.
ATENÇÃO: oito em cada dez pessoas que não usavam o cinto de segurança morreram em acidentes
com pelo menos um dos veículos a menos de 20 km/h. Então não esqueça: para um longo percurso
rodoviário ou para percorrer apenas uma quadra dentro da cidade. USE O CINTO DE SEGURANÇA!!!
Reportagem: Odair de Oliveira. JatobaNews – Bela Vista/MS. Disponível em: <http://jatobanews.com.br/portal/bela-vista/bv/19136-
a-importancia-do-uso-do-cinto-de-seguranca-no-automovel.html>. (Acesso em: 6 nov. 2015.)

Questão Registre a resposta em seu caderno.

Em que lei da Física se baseia o funcionamento dos cintos de segurança?

Exercícios Resolva em seu caderno. Exercício fundamental Exercício de fixação

1 Considere as três situações apresentadas a seguir. 2 Nas situações a seguir são apresentados corpos
I. Um ciclista pedalando por uma rua reta, plana sujeitos a diferentes forças. Para cada situação,
e horizontal, com velocidade constante. redesenhe em seu caderno o esquema apresentado
II. Um automóvel que parte do repouso quando e desenhe uma única força adicional que, ao ser
o sinal de trânsito passa de vermelho para aplicada ao corpo, permite que ele se movimente
verde. em linha reta com velocidade constante.
III. Uma gota de água que pinga de uma torneira a 5N 3N
a) d)
1 m do solo e cai na vertical. 5N
Podemos afirmar que a força resultante que atua
ilustrações: adilson secco

no corpo em questão é nula apenas nas situações:


b) 3 N e)
a) I 3N
b) II 4N
c) III
3N 5N
d) I e II c) f) 3 N
e) II e III
2N 6N

100
3 A figura abaixo mostra uma pessoa sentada sobre uma Sobre essa situação são feitas as afirmações a seguir.
prancha extremamente lisa montada sobre um vagão. I. Durante o processo de secagem, com o tambor
A pessoa dispõe de alças, fixas na prancha, nas quais girando uniformemente, não há troca de forças
pode se segurar. O vagão pode se movimentar para a entre as roupas e as paredes laterais do tambor.
frente sobre trilhos em um plano horizontal. II. Durante o processo de secagem, com o tambor
girando uniformemente, as paredes laterais do
tambor exercem forças sobre as roupas, mantendo-
-as em rotação.
III. Sob o ponto de vista do princípio da inércia, fisi-
camente o tambor não retira a água das roupas;
ele retira as roupas da água, isto é, as roupas são
desviadas pela ação do tambor.
Analisando cada uma das afirmações anteriores,
podemos dizer que:
Com relação à situação proposta, julgue as afir- a) todas as afirmações estão corretas.
mações a seguir e dê como resposta a soma dos b) somente a afirmação I está correta.
números que precedem as proposições corretas. c) somente a afirmação II está correta.
(01) Se, a partir do repouso, o vagão começar a se d) estão corretas somente as afirmações I e III.
movimentar e a pessoa não se segurar, ela irá e) estão corretas somente as afirmações II e III.
para trás em relação ao vagão.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

(02) Se o vagão estiver se movimentando em linha reta


5 Suponha que você esteja confortavelmente sentado
e com velocidade constante, a pessoa não preci-
no banco traseiro de um automóvel em movimento
sará se segurar para acompanhar o movimento do e, imprudentemente, não esteja usando o cinto
vagão. de segurança. O carro repentinamente inicia uma
freada brusca, “lançando” você para a frente,
(04) A pessoa deverá se segurar seja qual for o movi- contra o banco dianteiro. Dois observadores, S
mento do vagão. e V, presenciam essa situação. S está parado no
(08) Se o vagão, movimentando-se em linha reta, frear referencial do solo e V está parado no referencial
e a pessoa não se segurar, ela irá para a frente em do próprio veículo.
relação ao vagão. Explique, sob o ponto de vista de cada um dos
(16) Se o vagão entrar em uma curva, a pessoa não observadores citados, por que você é “lançado”
terá de se segurar para acompanhar o movimento para a frente.
do vagão.
(32) Se o vagão entrar em uma curva para a direita e 6 O esquema a seguir mostra um vagão de trem sobre
a pessoa não se segurar, ela se deslocará para a trilhos retos em um trecho de ferrovia, em dado
esquerda em relação ao vagão. instante. Com relação a esse esquema, responda às
perguntas a seguir. Justifique suas respostas.
4 Nas máquinas de lavar roupas, o tambor rotativo
é dotado de furos que permitem o fluxo da água
durante os processos de lavagem e secagem das
roupas. Após o processo de lavagem, o tambor
começa a girar rapidamente para que a água ab-
sorvida pelos tecidos das roupas saia pelos furos
laterais.

A B

a) Nesse instante, o vagão de trem está em repouso


ou em movimento?
b) Se o vagão está em movimento, esse movimento é
ilustrações: adilson secco

de A para B ou de B para A?
c) Se o vagão está em movimento, esse movimento
tem aceleração ou é uniforme?
d) Caso tenha aceleração, essa aceleração é no sentido
de A para B ou de B para A?

101
3 Forças
Vamos analisar algumas forças fundamentais no estudo da Mecânica.

zuma Press/fotoarena
Para caracterizar plenamente essas forças, devemos conhecer a direção na
qual elas atuam, seu sentido e sua intensidade, já que a força é uma grandeza
vetorial. Vamos analisar a seguir as forças observadas com mais frequência
em nosso dia a dia.

Força de deformação elástica


Já sabemos que uma força resultante pode provocar uma variação de ve-
locidade, ou uma aceleração, em um corpo. Esse é o chamado efeito dinâmico
de uma força. Entretanto, uma força também pode provocar a deformação
de um corpo; é o denominado efeito estático. Uma bola de futebol, ao ser
cabeceada, por exemplo, tem suas paredes inicialmente deformadas e só
depois passa a acelerar (fig. 4.7).
Considere uma mola, suspensa em um suporte por uma de suas extremi-
dades, submetida a uma força a partir de sua outra extremidade, como mostra Figura 4.7 Em razão da sua elasticidade,
a figura 4.8. Quanto maior a intensidade da força aplicada à extremidade a bola deforma-se ao receber uma força.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
O jogador quase marca um gol
livre da mola, mais ela vai se deformar, esticando-se. Assim, podemos medir cabeceando a bola durante campeonato
a intensidade da força a partir da deformação da mola. em Londres, Inglaterra, 2015.
adilson secco

alGar/García-Pelayo s.l. servicios fotoGráficos


Figura 4.8 Representação
esquemática de uma mola
F
sendo deformada pela
ação da força F .

A deformação será chamada elástica quando, ao cessar a aplicação da


força, a mola retornar ao seu comprimento inicial.
Experimentalmente podemos concluir que, em regime de deformação
elástica, a intensidade da força que deforma a mola é diretamente propor-
cional à deformação x que ela provoca.
Com base na proporcionalidade entre a intensidade da força e a respectiva
deformação podemos escrever:

F5k?x

A expressão acima é conhecida como lei de Hooke, em homenagem ao


físico inglês Robert Hooke (1635-1703). Nessa expressão, k é uma constante
de proporcionalidade, denominada constante elástica da mola e medida,
no SI, em newton por metro (N/m).
Um instrumento muito utilizado para medir forças é o dinamômetro (fig. 4.9),
constituído basicamente por uma mola previamente calibrada, que, submetida à
aplicação de uma força, sofre uma deformação. Conhecendo a deformação sofri- Figura 4.9
da pela mola, podemos obter a intensidade da força aplicada ao dinamômetro. Dinamômetro.

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Robert Hooke
Último dos quatro filhos de um pastor anglicano, Robert Hooke nasceu em 18 de julho de 1635, em Freshwater,
Ilha de Wight, Inglaterra. Seu pai esperava que ele o sucedesse como pastor da Igreja Anglicana local; entretanto,
desde cedo, Hooke demonstrou suas habilidades mecânicas e observacionais. Ele observava tudo que o cercava, de
plantas a animais, e era fascinado por brinquedos mecânicos e relógios. Chegou a fabricar um relógio de madeira
que funcionava e um modelo de navio de combate totalmente equipado com armas que atiravam.
Frequentou o Wadham College, em Oxford, Inglaterra, e entre 1655 e 1662 foi assistente de Robert Boyle. Nesse
período, aperfeiçoou uma bomba a vácuo usada nos experimentos que levaram Boyle a estabelecer a lei que rege
as transformações gasosas isotérmicas.
Além de construir um dos primeiros telescópios, observar o planeta Marte e inferir a rotação de Júpiter, Hooke também
se dedicou ao estudo dos fósseis, sendo um defensor inicial da evolução biológica. Investigou ainda o fenômeno
da refração da luz e deduziu uma teoria ondulatória da luz; foi o primeiro a sugerir que a matéria se expande ao ser
aquecida e que o ar é constituído por pequenas partículas separadas por distâncias relativamente grandes.
Entre 1663 e 1664, realizou observações microscópicas pu-

museu americano de História


natural, nova yorK
blicadas no ano seguinte na obra Micrographia, o primeiro
livro em que se descreviam observações realizadas com um
microscópio composto.
De caráter irritadiço e orgulhoso, ao menos na vida adulta, teve
desavenças com alguns concorrentes intelectuais, embora
também fosse um amigo fiel e um aliado sempre leal ao círculo
de monarquistas ardentes com quem teve sua formação inicial
no Wadham College.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Foram frequentes os seus desentendimentos com Isaac Newton.


Entre eles destacam-se os motivados pelo crédito da lei do
inverso do quadrado da distância da gravitação e pela teoria Desenho de uma pulga, feito por Hooke e
corpuscular da luz defendida por Newton. apresentado em seu livro Micrographia.
Morreu em Londres 3 de março de 1703, tendo acumulado uma
considerável quantia de dinheiro, encontrado em seu quarto no Gresham College. Foi sepultado na igreja Anglicana
St. Helen’s Bishopsgate, mas a localização precisa de seu túmulo ainda hoje é desconhecida.
Como presidente da Royal Society, entre 1703 e 1727, Newton empenhou-se em obscurecer a figura de Hooke, che-
gando até a destruir, diz-se, (ou deixando de preservar) o único retrato conhecido do cientista. Nada disso, entretanto,
deve desviar a atenção da inventividade de Hooke, de sua notável habilidade experimental e de sua capacidade
para o trabalho árduo. Obteve um grande número de patentes por invenções e aperfeiçoamentos relacionados à
elasticidade, óptica e barometria. Artigos científicos recentemente descobertos, desaparecidos depois que Newton
assumiu a presidência da Royal Society, permitirão uma reavaliação desse cientista inglês que deixou contribuições
em muitos campos do conhecimento, incluindo Matemática, Óptica, Mecânica, Arquitetura e Astronomia.

Peso e gravidade
Entre as forças existentes na natureza há as que atuam durante o contato dos corpos, denominadas
forças de contato, e as que atuam mesmo a distância, chamadas forças de campo.
Ao soltar uma bolinha de uma certa altura do chão, a partir do repouso, notamos que, durante
a queda, a velocidade dela aumenta. Obviamente uma força deve estar agindo sobre a bolinha, pois
sua velocidade está variando, ou seja, a bolinha está acelerando.
Os objetos caem porque a Terra exerce uma força sobre eles, mesmo quando não estão em contato
com ela. Essa força de atração gravitacional que a Terra exerce sobre todos os corpos, denominada
peso, depende da massa do corpo em queda. Assim, quanto maior a massa do corpo, maior também
será o seu peso.
A gravidade é uma propriedade não apenas da Terra, mas de toda matéria. Cada corpo no
Universo exerce uma força de atração sobre todos os outros, que depende não apenas das massas
desses corpos, mas também da distância entre eles.
A atração entre a maioria dos objetos que manipulamos em nosso cotidiano é muito pequena
porque as massas envolvidas são também muito pequenas. Para se ter uma ideia, a força de atração
entre uma rocha de 5 toneladas e uma bola de tênis de mesa é menor que o peso de um fio de cabelo.
Entretanto, quando consideramos a interação de um objeto qualquer com a Terra, a força de atração é
considerável, pois a massa do planeta é muito grande, se comparada à do objeto, cerca de 6 ? 1024 kg.

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O peso P de um corpo é uma força com direção vertical e sentido para
baixo. A intensidade (ou módulo) da força peso de um corpo é dada por:

P5m?g

Na expressão acima, g é a aceleração da gravidade e m a massa do corpo.


Como vimos anteriormente, nas proximidades da superfície da Terra g tem
valor de aproximadamente 10 m/s2.
O peso de um corpo pode ser medido diretamente com o auxílio de uma
balança de molas. É importante notar que o peso de um corpo pode variar
de um lugar para outro, dependendo do valor da aceleração da gravidade,
mas sua massa permanece constante.
Um mesmo corpo, com massa 60 kg, sobre uma balança na Terra (gTerra 5

5 10 m/s2) e na Lua d gLua 5 6 n tem pesos diferentes. Na Terra o corpo tem


g Terra

peso igual a 600 N, e na Lua, 100 N.

daniel aPuy/latincontent/Getty imaGes


Tração em um fio

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Os fios costumam ser muito úteis para transmitir forças.
Considere, por exemplo, um fio preso a um corpo. Quando puxamos
sua extremidade livre, a força por nós exercida se transmite ao longo do fio
e acaba sendo aplicada ao corpo.
A força aplicada por meio de um fio é chamada força de tração e, geralmen-
te, é representada por T . Essa força atua sempre na direção do fio e no sentido de
puxar o corpo, visto que, por falta de rigidez, seria impossível a um fio empurrar
o corpo ao qual está preso (fig. 4.10). No caso de um fio ideal, um fio com massa
desprezível e inextensível, a força aplicada é inte