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DIREITO

AMBIENTAL
Responsabilidade Penal Ambiental

SISTEMA DE ENSINO

Livro Eletrônico
DIREITO AMBIENTAL
Responsabilidade Penal Ambiental

Sumário
Nilton Coutinho

Responsabilidade Penal Ambiental............................................................................................. 3


Aspectos Penais da Proteção Ambiental.................................................................................... 3
1. Sujeito Ativo do Delito. . ............................................................................................................... 4
2. Da Responsabilidade Penal da Pessoa Jurídica.................................................................... 4
3. Teoria da Dupla Imputação........................................................................................................ 5
4. Desconsideração da Personalidade Jurídica......................................................................... 5
1. Dosimetria e Individualização da Pena................................................................................... 6
2. Agravantes e Atenuantes. . ......................................................................................................... 7
3.2. Interdição Temporária de Direitos........................................................................................ 9
3.3. Suspensão Parcial ou Total de Atividades.......................................................................... 9
4. Suspensão Condicional da Pena.. ........................................................................................... 10
5. Da Pena de Multa........................................................................................................................ 11
6. Da Obrigação de Reparar o Dano............................................................................................ 11
7. Penas Aplicáveis às Pessoas Jurídicas. . .................................................................................12
1. Apreensão de Animais................................................................................................................13
2. Apreensão de Produtos Perecíveis ou Madeiras................................................................ 14
3. Apreensão de Produtos e Subprodutos da Fauna Não Perecíveis.................................. 14
4. Apreensão de Instrumentos Utilizados na Prática da Infração...................................... 14
1. Ação penal.................................................................................................................................... 14
2. Crimes Ambientais de Menor Potencial Ofensivo.. ............................................................. 14
3. Transação Penal..........................................................................................................................15
4. Suspensão Condicional do Processo. . ....................................................................................15
5. Revogação do Sursis..................................................................................................................16
6. Prazo para Revogação do Sursis.. ........................................................................................... 17
7. Crimes Ambientais e Princípio da Insignificância................................................................ 17
Classificação de Crimes: Critérios.. ............................................................................................ 18
Questões de Concurso.................................................................................................................. 55
Gabarito............................................................................................................................................ 76

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Responsabilidade Penal Ambiental
Nilton Coutinho

RESPONSABILIDADE PENAL AMBIENTAL


Prezado(a) amigo(a).
Chegamos, agora, em um item muito importante para determinadas carreiras jurídicas: a
responsabilidade penal na área ambiental.
Obviamente, o tema é de suma importância para quem almeja cargos na área da Seguran-
ça Pública, tais como delegado de polícia, entre outros.
Do mesmo modo, é um tema muito importante para quem se prepara para atuar como
membro do Ministério Público, defensor público ou magistrado.
Contudo, enganam-se aqueles que acham que o tema não é importante para os que preten-
dem atuar na área da advocacia pública (procuradores municipais, estaduais etc.).
Isso porque várias são as condutas criminosas que podem ser praticadas por aquele que
pretende explorar recursos ambientais, razão pela qual sua incidência também tem aumenta-
do em concursos que não possuem “tradição” no estudo do direito penal.
De qualquer modo, pretendemos oferecer a você uma preparação completa sobre o tema,
abordando os assuntos mais importantes e, claro, resolvendo algumas das questões que já
caíram em certames realizados em nosso país.
Agora, chega de papo! Passemos ao estudo!!!!

Aspectos Penais da Proteção Ambiental


De início, registre-se que a CRFB tratou, expressamente, da responsabilização penal das
condutas que agridem o meio ambiente. Com efeito, o art. 225, § 3º, estabelece que condutas
e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores, pessoas físicas
ou jurídicas, a sanções penais e administrativas, independentemente da obrigação de reparar
os danos causados.
Na área legislativa, tal proteção se deu por meio de diversas leis, sendo certo que a proteção
na área penal foi consideravelmente ampliada com a entrada em vigor da Lei n. 9.605/1998, a
qual será objeto de análise específica nesta obra.

LEI N. 9.605, DE 12 DE FEVEREIRO DE 1998.

 Obs.: Dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades


lesivas ao meio ambiente, e dá outras providências.

Capítulo I
− Disposições Gerais

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1. Sujeito Ativo do Delito


A Lei n. 9.605/1998 seguiu a regra geral estabelecida no Código Penal.
Assim, nos termos do art. 2º da citada lei, todo aquele que, de qualquer forma, concorre
para a prática dos crimes previstos nesta Lei, incide nas penas a estes cominadas, na medida
da sua culpabilidade1.
A referida lei estabeleceu, ainda, a responsabilização do diretor, do administrador, do mem-
bro de conselho e de órgão técnico, do auditor, do gerente, do preposto ou mandatário de
pessoa jurídica, que, sabendo da conduta criminosa de outrem, deixar de impedir a sua prática,
quando podia agir para evitá-la.
Segundo o referido dispositivo, é fundamental que tais pessoas SAIBAM da conduta crimi-
nosa praticada por outrem e se OMITAM, não impedindo, assim, a ocorrência do delito.
Aliás, a jurisprudência do STJ é pacífica no sentido de que aquele que, na condição de
diretor, administrador, membro do conselho e de órgão técnico, auditor, gerente, preposto ou
mandatário da pessoa jurídica, tenha conhecimento da conduta criminosa e, tendo poder para
impedi-la, não o faz, deve responder pelo delito.2

2. Da Responsabilidade Penal da Pessoa Jurídica


A Lei n. 9.605/1998 inova no ordenamento jurídico ao estabelecer a responsabilidade penal
da pessoa jurídica.
Segundo estabelece o art. 3º da citada lei, as pessoas jurídicas serão responsabilizadas
administrativa, civil e penalmente, conforme o disposto nesta Lei, nos casos em que a infração
seja cometida por decisão de seu representante legal ou contratual, ou de seu órgão colegiado,
no interesse ou benefício da sua entidade.
Parágrafo único. A responsabilidade das pessoas jurídicas não exclui a das pessoas físi-
cas, autoras, coautoras ou partícipes do mesmo fato.
Aliás, a parte final do art. 2º da Lei n. 9.605/1998, que trata da omissão penalmente rele-
vante dos diretores, administradores e gerentes das pessoas jurídicas, é expressa no sentido
de que tal omissão não implica exclusão da responsabilização da pessoa jurídica pela omis-
são imprópria, mas, pelo contrário, estende a possibilidade de imputação pela prática delitiva
a seus gerentes e administradores.

1
Texto similar ao constante no Código Penal: “Art. 29 − Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a
este cominadas, na medida de sua culpabilidade.”
2
Neste sentido, veja-se: HC 92.822/SP, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, Rel. p/ Acórdão Ministro NAPOLEÃO NUNES
MAIA FILHO, QUINTA TURMA, julgado em 17/06/2008, DJe 13/10/2008.

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3. Teoria da Dupla Imputação


Chamada a posicionar-se sobre o tema, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, no
julgamento do RE 548.181/PR, de relatoria da Exma. Ministra Rosa Weber, decidiu que o art.
225, § 3º, da Constituição Federal, não condiciona a responsabilização penal da pessoa jurídi-
ca por crimes ambientais à simultânea persecução penal da pessoa física em tese responsá-
vel no âmbito da empresa.
Em outras palavras, não se adota, no Brasil, a teoria da dupla imputação, sendo possível
responsabilizar-se a pessoa jurídica ainda que não haja a punição das pessoas físicas que te-
nham contribuído para a prática do delito.

4. Desconsideração da Personalidade Jurídica


Segundo a jurisprudência dominante, a desconsideração da pessoa jurídica consiste na
possibilidade de se ignorar a personalidade jurídica autônoma da entidade moral para chamar
à responsabilidade seus sócios ou administradores, quando a utilizam com objetivos fraudu-
lentos ou diversos daqueles para os quais foi constituída.3
Nessa linha, o art. 4º possibilita a desconsideração da pessoa jurídica (aplicação da Dis-
regard Doctrine) sempre que sua personalidade for obstáculo ao ressarcimento de prejuízos
causados à qualidade do meio ambiente. Assim, basta tão somente que a personalidade
da pessoa jurídica seja obstáculo ao ressarcimento dos prejuízos causados à qualidade do
meio ambiente.
Tal possibilidade se assenta no princípio da reparação in integrum e do princípio polui-
dor-pagador.
Nesse sentido, o art. 14, § 1º, da Lei n. 6.938/1981, estabelece que o poluidor é obrigado,
independentemente da existência de culpa, a indenizar ou reparar os danos causados ao meio
ambiente e a terceiros, afetados por sua atividade.
Do mesmo modo, tratando-se de um direito fundamental, a reparação ao meio ambiente
deve ser realizada em sua integralidade, ou seja: sua reparação deve se dar de forma que se
recomponha ao máximo e ao mais próximo possível da situação em que se encontrava (status
quo ante). Aliás, por essa razão, admite-se, no direito ambiental, a cumulação de obrigação de
fazer (reparação da área degradada), de não fazer e de pagar quantia certa (indenização).
Trata-se de medida fundamental para possibilitar a adequada proteção do bem jurídico am-
biental, de tal modo que a indenização pecuniária imposta deve abarcar a responsabilização
por todos os danos individuais, coletivos, intergeracionais, econômicos, ecológicos e morais
decorrentes de conduta lesiva (GURSKI JUNIOR, 2016).

3
REsp 647493/SC. Relator(a). Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA (1123). Órgão Julgador. T2 − SEGUNDA TURMA. Data
do Julgamento. 22/05/2007. Data da Publicação/Fonte. DJ 22/10/2007, p. 233.

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Capítulo II
− Da Aplicação da Pena

1. Dosimetria e Individualização da Pena


Segundo estabelece a CRFB em seu art. 5º, XLVI, a individualização da pena será regulada
por meio de lei, sendo possível, entre outras, as seguintes espécies de pena:
a) privação ou restrição da liberdade;
b) perda de bens;
c) multa;
d) prestação social alternativa;
e) suspensão ou interdição de direitos.
Assim, tem-se que, para cada conduta praticada, deve ser aplicada uma pena específica e
individualizada (AZEVEDO, 2003).
Na área ambiental, não obstante o juiz esteja vinculado a parâmetros abstratamente comi-
nados pelo legislador, é permitido, entretanto, que ele atue discricionariamente na escolha da
sanção penal aplicável ao caso concreto, após o exame percuciente dos elementos do delito, e
em decisão motivada4. Aliás, a sentença proferida pelo juiz é, em última análise, um ato admi-
nistrativo, razão pela qual sua motivação é obrigatória, inclusive para permitir que a parte saiba
a razão da aplicação de determinada pena, tomando as medidas cabíveis para reformá-la, caso
entenda que a mesma é injusta.
Com o objetivo de auxiliar o juiz na individualização da pena, o art. 6º da Lei n. 9.605/1998
estabelece que a autoridade competente deverá observar alguns aspectos, no momento de
imposição e gradação da penalidade.
São eles:
I – − a gravidade do fato, tendo em vista os motivos da infração e suas consequências para
a saúde pública e para o meio ambiente;
II – − os antecedentes do infrator quanto ao cumprimento da legislação de interesse
ambiental;
III – − a situação econômica do infrator, no caso de multa.

Motivos da Infração

Os motivos da infração são extremamente relevantes para a dosimetria da pena, podendo


aumentar ou reduzir a pena a ser aplicada5.
4
AgRg no AREsp 760286/PR. Relator(a): Ministro RIBEIRO DANTAS. Órgão Julgador: QUINTA TURMA. Data do Julgamento:
06/06/2019.

5
Observe-se, por exemplo, que no crime de homicídio o motivo pode aumentar a pena (como ocorre no caso de homicídio
cometido por motivo fútil ou torpe), bem como reduzi-la (como ocorre no caso deste ser cometido por motivo de relevante

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Consequências para a Saúde Pública e para o Meio Ambiente

Com relação às consequências do crime, a jurisprudência entende que estas devem ser en-
tendidas como o resultado da ação do agente, ou seja: o dano (material ou moral) causado ao
bem jurídico tutelado. Nesse aspecto, quando as consequências para a saúde pública e para
o meio ambiente forem superiores ao inerente tipo penal, o aumento da reprimenda é medida
que se impõe.6
Por fim, observe-se que, no que diz respeito ao quantum de aumento da pena-base:

o Superior Tribunal de Justiça entende que o julgador não está adstrito a critérios pura-
mente matemáticos, havendo certa discricionariedade na dosimetria da pena, vinculada
aos elementos concretos constantes dos autos. No entanto, o quantum de aumento,
decorrente da negativação das circunstâncias, deve observar os princípios da proporcio-
nalidade, da razoabilidade, da necessidade e da suficiência à reprovação e à prevenção
do crime, informadores do processo de aplicação da pena.7

2. Agravantes e Atenuantes
2.1. Circunstâncias Atenuantes

Em sede de crimes ambientais, existem determinadas circunstâncias, previstas em lei, que


atenuam a pena do infrator. São elas:
I – baixo grau de instrução ou escolaridade do agente;
II – arrependimento do infrator, manifestado pela espontânea reparação do dano, ou limi-
tação significativa da degradação ambiental causada;
III – comunicação prévia pelo agente do perigo iminente de degradação ambiental;
IV – colaboração com os agentes encarregados da vigilância e do controle ambiental.8

2.2. Circunstâncias Agravantes

Do mesmo modo, existem circunstâncias que agravam a pena, quando não constituem ou
quando não qualificam o crime. Ou seja: somente quando tal circunstância não estiver prevista
na Lei n. 9.605/1998 como “elementar” ou “qualificadora” do tipo penal, ela será considerada
como circunstância agravante. São elas:
I – reincidência nos crimes de natureza ambiental;
valor social ou moral).
6
Nesse sentido, veja-se: AgRg no AREsp 760286/PR. Relator(a): Ministro RIBEIRO DANTAS. Órgão Julgador: QUINTA TURMA.
Data do Julgamento: 06/06/2019.
7
REsp 1.599.138/DF, Rel. Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, SEXTA TURMA, julgado em 24/4/2018, DJe 11/5/2018.
8
Art. 14 da Lei n. 9.605/1998.

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II – ter o agente cometido a infração;


a) para obter vantagem pecuniária;
b) coagindo outrem para a execução material da infração;
c) afetando ou expondo a perigo, de maneira grave, a saúde pública ou o meio ambiente;
d) concorrendo para danos à propriedade alheia;
e) atingindo áreas de unidades de conservação ou áreas sujeitas, por ato do Poder Público,
a regime especial de uso;
f) atingindo áreas urbanas ou quaisquer assentamentos humanos;
g) em período de defeso à fauna;
h) em domingos ou feriados;
i) à noite;
j) em épocas de seca ou inundações;
l) no interior do espaço territorial especialmente protegido;
m) com o emprego de métodos cruéis para abate ou captura de animais;
n) mediante fraude ou abuso de confiança;
o) mediante abuso do direito de licença, permissão ou autorização ambiental;
p) no interesse de pessoa jurídica mantida, total ou parcialmente, por verbas públicas ou
beneficiada por incentivos fiscais;
q) atingindo espécies ameaçadas, listadas em relatórios oficiais das autoridades
competentes;
r) facilitada por funcionário público no exercício de suas funções.
3. Penas Restritivas de Direitos
Conforme estabelece o art. 7º da Lei n. 9.605/1998, as penas restritivas de direitos são
autônomas e substituem as privativas de liberdade, em determinadas situações, as quais pas-
samos a elencar.
Tratando-se de crime culposo ou, caso a pena privativa de liberdade aplicada seja inferior a
quatro anos, a substituição por pena restritiva de direitos será admitida. Exige-se, ainda, que a
culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a personalidade do condenado, bem como
os motivos e as circunstâncias do crime indiquem que a substituição seja suficiente para efei-
tos de reprovação e prevenção do crime.9
Registre-se que, segundo entendimento majoritário no âmbito da doutrina e jurisprudência,
tais requisitos são cumulativos, ou seja: uma vez admitida a possibilidade de substituição da
pena privativa por pena restritiva de direitos (em razão de se tratar de crime culposo, ou crime
doloso com pena privativa de liberdade inferior a quatro anos), será necessário, também, que a
culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a personalidade do condenado, bem como
9
Observe-se que regra similar se encontra prevista no art. 44 do Código Penal, o qual estabelece que “as penas restritivas de
direitos são autônomas e substituem as privativas de liberdade, quando: I − aplicada pena privativa de liberdade inferior a
um ano ou se o crime for culposo; II − o réu não for reincidente; III − a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a
personalidade do condenado, bem como os motivos e as circunstâncias indicarem que essa substituição seja suficiente.”

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os motivos e as circunstâncias do crime indiquem que a substituição seja suficiente para efei-
tos de reprovação e prevenção do crime.

Duração da Pena Restritiva de Direitos

Por expressa disposição legal, tem-se que as penas restritivas de direitos, a que se refere
este artigo, terão a mesma duração da pena privativa de liberdade substituída.

Modalidades de Penas Restritiva de Direitos

A Lei n. 9.605/1998 previu as seguintes espécies de penas restritivas de direito:


I – − prestação de serviços à comunidade;
II – − interdição temporária de direitos;
III – − suspensão parcial ou total de atividades;
IV – − prestação pecuniária;
V – − recolhimento domiciliar.
3.1. Prestação de Serviços à Comunidade
Conceito: a prestação de serviços à comunidade consiste na atribuição, ao condenado, de
tarefas gratuitas junto a parques e jardins públicos e unidades de conservação, e, no caso de
dano da coisa particular, pública ou tombada, na restauração desta, se possível.10

3.2. Interdição Temporária de Direitos


Conceito: as penas de interdição temporária de direito são a proibição de o condenado
contratar com o Poder Público, de receber incentivos fiscais ou quaisquer outros benefícios,
bem como de participar de licitações, pelo prazo de cinco anos, no caso de crimes dolosos, e
de três anos, no caso de crimes culposos.

3.3. Suspensão Parcial ou Total de Atividades


A suspensão de atividades destina-se a uma hipótese específica, qual seja a desobediên-
cia das prescrições legais11.

10
O texto da Lei n. 9.605/1998 (art. 9º) é similar ao previsto no Código Penal: “Art. 46 − A prestação de serviços à comuni-
dade consiste na atribuição ao condenado de tarefas gratuitas junto a entidades assistências, hospitais, escolas, orfanatos
e outros estabelecimentos congêneres, em programas comunitários ou estatais.”
11
Vide art. 11 da Lei n. 9.605/1998.

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3.4. Prestação Pecuniária

Conceito: a prestação pecuniária consiste no pagamento em dinheiro à vítima ou à entida-


de pública ou privada com fim social, de importância fixada pelo juiz, não inferior a um salário
mínimo nem superior a trezentos e sessenta salários mínimos.12
Segundo entendimento do STJ, “a finalidade da prestação pecuniária é reparar o dano cau-
sado pela infração penal, motivo pelo qual não precisa guardar correspondência ou ser propor-
cional à pena privativa de liberdade irrogada ao acusado.”13

 Obs.: O valor pago será deduzido do montante de eventual reparação civil a que for conde-
nado o infrator.

3.5. Recolhimento Domiciliar

Tecnicamente, o recolhimento domiciliar constitui-se como uma modalidade de pena priva-


tiva de liberdade em regime aberto.14
Contudo, o recolhimento domiciliar, no âmbito da Lei n. 9.605/1998, foi classificado como
uma espécie de pena restritiva de direitos, previsto no art. 13 da referida lei.
Segundo estabelece a Lei n. 9.605/1998, o recolhimento domiciliar baseia-se na autodis-
ciplina e senso de responsabilidade do condenado, que deverá, sem vigilância, trabalhar, fre-
quentar curso ou exercer atividade autorizada, permanecendo recolhido nos dias e horários de
folga em residência ou em qualquer local destinado à sua moradia habitual, conforme estabe-
lecido na sentença condenatória.

4. Suspensão Condicional da Pena


A suspensão condicional da pena, prevista originariamente no Código Penal, foi inserida
(com adaptações) na Lei n. 9.605/1998. Desse modo, nos crimes previstos na referida Lei, a
suspensão condicional da pena pode ser aplicada nos casos de condenação à pena privativa
de liberdade não superior a três anos.
A suspensão condicional da pena no âmbito do Código Penal exige o preenchimento cumu-
lativo de três requisitos. São eles:
I – que o condenado não seja reincidente em crime doloso;
II – que a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a personalidade do agente,
bem como os motivos e as circunstâncias autorizem a concessão do benefício; e

12
O texto da Lei n. 9.605/1998 é similar ao previsto no Código Penal: “Art. 46 − A prestação de serviços à comunidade con-
siste na atribuição ao condenado de tarefas gratuitas junto a entidades assistenciais, hospitais, escolas, orfanatos e
outros estabelecimentos congêneres, em programas comunitários ou estatais.”
13
AgRg no REsp 1.707.982/MG, Rel. Ministro JORGE MUSSI, QUINTA TURMA, julgado em 19/4/2018, DJe 27/4/2018.
14
Nesse sentido, veja-se art. 117 da Lei de Execuções Penais (Lei n. 7.210/1984).

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III – que não seja indicada ou cabível a substituição prevista no art. 44 do Código Penal.
Seguindo tal raciocínio, tem-se que, em sede de crimes ambientais, ainda que a pena te-
nha sido fixada em três anos (preenchendo, assim, o requisito objetivo do art. 16 da Lei n.
9.605/1998), é possível que a culpabilidade, a conduta social, as circunstâncias e as conse-
quências do delito sejam desfavoráveis, fazendo com que os agentes não tenham direito ao
sursis, pois não foram preenchidos os requisitos subjetivos previstos no inciso II do art. 77, do
Código Penal.15

5. Da Pena de Multa
Ainda que se trate de multa estabelecida com base na Lei n. 9.605/1998, tem-se que esta
será calculada segundo os critérios do Código Penal (JEUS, 2003).
Segundo o Código Penal, o valor máximo aplicado será de 360 (trezentos e sessenta)
dias-multa16.
Contudo, caso o juiz entenda que – ainda que aplicada no valor máximo − o valor apurado
é ineficaz, poderá aumentar o valor da multa em até três vezes, tendo em vista o valor da van-
tagem econômica auferida.

6. Da Obrigação de Reparar o Dano


No caso de suspensão condicional da pena, a Lei n. 9.605/1998 estabelece que a verifica-
ção da reparação a que se refere o § 2º do art. 78, do Código Penal17, será feita mediante laudo
de reparação do dano ambiental, e as condições a serem impostas pelo juiz deverão relacio-
nar-se com a proteção ao meio ambiente.
A perícia de constatação do dano ambiental, sempre que possível, fixará o montante do
prejuízo causado para efeitos de prestação de fiança e cálculo de multa.18
Do mesmo modo, a Lei n. 9.605/1998 explicitou que a perícia produzida no inquérito civil
ou no juízo cível poderá ser aproveitada no processo penal, instaurando-se o contraditório.19
Sentença Penal Condenatória e Reparação dos Danos Causados.

15
HC 350897 / RS Relator(a) Ministro Ribeiro Dantas. Órgão Julgador T5 − Quinta Turma. Data do Julgamento 18/05/2017.
Data da Publicação/ Fonte DJe 25/05/2017.
16
O valor do dia-multa será fixado pelo juiz, nos termos estabelecidos pelo art. 49, § 1º do CP, não podendo ser inferior a um
trigésimo do maior salário mínimo mensal vigente ao tempo do fato, nem superior a 5 (cinco) vezes esse salário.
17
Art. 78, § 2º do Código Penal: “Se o condenado houver reparado o dano, salvo impossibilidade de fazê-lo, e se as circuns-
tâncias do art. 59 deste Código lhe forem inteiramente favoráveis, o juiz poderá substituir a exigência do parágrafo anterior
pelas seguintes condições, aplicadas cumulativamente: a) proibição de frequentar determinados lugares; b) proibição de
ausentar-se da comarca onde reside, sem autorização do juiz; c) comparecimento pessoal e obrigatório a juízo, mensal-
mente, para informar e justificar suas atividades.”
18
Art. 19 da Lei n. 9.605/1998.
19
Vide art. 19, parágrafo único.

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A sentença penal condenatória, sempre que possível, fixará o valor mínimo para reparação
dos danos causados pela infração, considerando os prejuízos sofridos pelo ofendido ou pelo
meio ambiente.20
Execução da Pena Pecuniária.
Transitada em julgado a sentença condenatória, a execução poderá efetuar-se pelo valor
fixado nos termos do caput, sem prejuízo da liquidação para apuração do dano efetivamen-
te sofrido.

7. Penas Aplicáveis às Pessoas Jurídicas


Conforme visto, a Constituição Federal permitiu a responsabilização penal da pessoa ju-
rídica. Contudo, as pessoas jurídicas, dada sua condição, submetem-se às seguintes penas:
I – − multa;
II – − restritivas de direitos;
III – − prestação de serviços à comunidade.
Tais penas podem ser aplicadas de forma isolada, cumulativa ou alternativa.

7.1. Pena de Multa

A multa é a sanção penal mais aplicada em relação à pessoa jurídica e segue as mesmas
regras estabelecidas no âmbito do Código Penal, já mencionadas nesta obra.

7.2. Penas Restritivas de Direitos da Pessoa Jurídica

Espécies: a Lei n. 9.605/1998 elencou três espécies de penas restritivas de direitos aplicá-
veis à pessoa jurídica. São elas:
I – − suspensão parcial ou total de atividades21;
II – − interdição temporária de estabelecimento, obra ou atividade22; e
III – − proibição de contratar com o Poder Público, bem como dele obter subsídios, subven-
ções ou doações.23

20
Art. 20 da Lei n. 9.605/1998.
21
A suspensão de atividades será aplicada quando estas não estiverem obedecendo às disposições legais ou regulamenta-
res, relativas à proteção do meio ambiente (Art. 22, § 1º da Lei n. 9.605/1998).
22
A interdição será aplicada quando o estabelecimento, obra ou atividade estiver funcionando sem a devida autorização, ou
em desacordo com a concedida, ou com violação de disposição legal ou regulamentar (Art. 22, § 2º da Lei n. 9.605/1998).
23
A proibição de contratar com o Poder Público e dele obter subsídios, subvenções ou doações não poderá exceder o prazo
de dez anos (Art. 22, § 3º da Lei n. 9.605/1998).

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7.3. Prestação de Serviços à Comunidade pela Pessoa Jurídica

A Lei n. 9.605/1998 previu, também, a possibilidade de aplicação de pena “prestação de


serviços à comunidade”, pela pessoa jurídica, a qual poderá ocorrer por meio de custeio de
programas e de projetos ambientais, execução de obras de recuperação de áreas degrada-
das, manutenção de espaços públicos ou contribuições a entidades ambientais ou culturais
públicas.24

7.4. Pena de Liquidação Forçada

Por fim, registre-se que a pessoa jurídica constituída ou utilizada, preponderantemente,


com o fim de permitir, facilitar ou ocultar a prática de crime, definido nesta Lei, terá decretada
sua liquidação forçada, seu patrimônio será considerado instrumento do crime e, como tal,
perdido em favor do Fundo Penitenciário Nacional.

Capítulo III
− Da Apreensão do Produto e do Instrumento de Infração Administrativa ou de Crime

Visando coibir a prática de delitos ambientais, a Lei n. 9.605/1998 previu a possibilidade de


apreensão de produtos e instrumentos da infração ambiental cometida.
Importante observar que tal apreensão pode ocorrer tanto na hipótese de crime quanto de
infração administrativa.
Desse modo, verificada a infração, serão apreendidos seus produtos e instrumentos, la-
vrando-se os respectivos autos25.

1. Apreensão de Animais
Na hipótese da localização de animais em poder dos infratores, estes serão prioritariamen-
te libertados em seu habitat. Porém, caso tal medida seja inviável ou não recomendável por
questões sanitárias, tais animais serão entregues a jardins zoológicos, fundações ou entida-
des assemelhadas, para guarda e cuidados sob a responsabilidade de técnicos habilitados.26
Registre-se, no entanto, que, até que os animais sejam entregues a tais instituições (jardins
zoológicos, fundações ou entidades assemelhadas), o órgão que realiza a atuação deverá ze-
lar para que estes sejam mantidos em condições adequadas de acondicionamento e transpor-
te, que garantam o seu bem-estar físico.

24
Vide art. 23 da Lei n. 9.605/1998.
25
Vide art. 25 da Lei n. 9.605/1998.
26
Nesse sentido, veja-se art. 134, VII, do Decreto n. 6.514, de 22 de julho de 2008.

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2. Apreensão de Produtos Perecíveis ou Madeiras


Tratando-se de produtos perecíveis ou madeiras, serão estes avaliados e doados a institui-
ções científicas, hospitalares, penais e outras, com fins beneficentes.27

3. Apreensão de Produtos e Subprodutos da Fauna Não Perecíveis


Tratando-se de produtos e subprodutos da fauna não perecíveis, estes serão destruídos ou
doados a instituições científicas, culturais ou educacionais.28

4. Apreensão de Instrumentos Utilizados na Prática da Infração


Os instrumentos utilizados na prática da infração serão vendidos, garantida a sua desca-
racterização por meio da reciclagem.29
Por fim, registre-se que o Decreto n. 6.514/1998 determinou que o termo de doação de
bens apreendidos vedará a transferência a terceiros, a qualquer título, dos animais, produtos,
subprodutos, instrumentos, petrechos, equipamentos, veículos e embarcações doados.30

Capítulo IV
− Da Ação e do Processo Penal

1. Ação penal
Em razão da indisponibilidade do bem jurídico ambiental e da obrigatoriedade de atuação
estatal com vistas à sua proteção, estabeleceu-se que a ação penal, em sede de infrações pe-
nais previstas na Lei n. 9.605/1998, é pública incondicionada.
Desse modo, a ação penal será promovida por meio de denúncia do Ministério Público, não
estando sujeita a qualquer condição de procedibilidade.

2. Crimes Ambientais de Menor Potencial Ofensivo


Considera-se crime ambiental de menor potencial ofensivo aquele cuja competência para
julgamento é do Juizado Especial Criminal (BITENCOURT, 1997).

27
Nesse sentido, veja-se art. 134, I e II, do Decreto n. 6.514, de 22 de julho de 2008.
28
Nesse sentido, veja-se art. 134, III, do Decreto n. 6.514, de 22 de julho de 2008.
29
Nesse sentido, veja-se art. 134, IV, do Decreto n. 6.514, de 22 de julho de 2008.
30
Contudo, excepcionalmente admite-se que a autoridade ambiental autorize a transferência dos bens doados quando tal
medida for considerada mais adequada à execução dos fins institucionais dos beneficiários (art. 137, parágrafo único do
Decreto n. 6.514/1998).

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A Lei n. 9.099/1995, por sua vez, estabelece que os Juizados Especiais Criminais possuem
competência para a conciliação, o julgamento e a execução das infrações penais de menor
potencial ofensivo, respeitadas as regras de conexão e continência.31
Por fim, a referida lei considera como “infração penal de menor potencial ofensivo” as
contravenções penais (independentemente da pena cominada) e os crimes a que a lei comine
pena máxima não superior a 2 (dois) anos, cumulada ou não com multa.

3. Transação Penal
A lei de crimes ambientais também previu a possibilidade de transação penal por meio de
proposta de aplicação imediata de pena restritiva de direitos ou multa, prevista no art. 76 da Lei
n. 9.099, de 26 de setembro de 1995.
Trata-se de possibilidade restrita aos crimes ambientais de menor potencial ofensivo, exi-
gindo-se, contudo, que tenha havido a prévia composição do dano ambiental, salvo em caso de
comprovada impossibilidade.

4. Suspensão Condicional do Processo


A suspensão condicional do processo constitui-se como um benefício, previsto no âmbito
da Lei n. 9.099/1995, e que traz como consequência – na hipótese de não haver revogação
do benefício durante o prazo estabelecido − a extinção da punibilidade do agente (TÁVORA e
ALENCAR, 2019).
Segundo estabelece o art. 89 da Lei n. 9.099/1995, o Ministério Público, nos crimes nos
quais a pena mínima cominada seja de até um ano32, poderá, ao oferecer a denúncia, propor
a suspensão do processo, por dois a quatro anos, desde que o acusado não esteja sendo pro-
cessado ou não tenha sido condenado por outro crime, presentes os demais requisitos que
autorizariam a suspensão condicional da pena, constantes no art. 77, do Código Penal.33
Observe-se, ainda, que caso haja incidência de causa especial de aumento, esta deverá
ser levada em conta na fixação da pena mínima em abstrato, de tal forma que, ultrapassado o
limite de um ano, é descabida a aplicação do sursis processual34. Nesse sentido, veja-se Sú-
mula 243/STJ35.
31
Vide art. 60 da Lei 9.099/1995.
32
Não é necessário que o crime seja de menor potencial ofensivo, bastando que a pena mínima não ultrapasse um ano.
33
Art. 77 do Código Penal: “A execução da pena privativa de liberdade, não superior a 2 (dois) anos, poderá ser suspensa, por
2 (dois) a 4 (quatro) anos, desde que: I − o condenado não seja reincidente em crime doloso; II − a culpabilidade, os antece-
dentes, a conduta social e personalidade do agente, bem como os motivos e as circunstâncias autorizem a concessão do
benefício; III − Não seja indicada ou cabível a substituição prevista no art. 44 do Código Penal.”
34
REsp 261371/SP Relator(a) Ministro FERNANDO GONÇALVES. Órgão Julgador T6 − SEXTA TURMA. Data do Julgamento
15/10/2002. Data da Publicação/Fonte DJ 01/09/2003, p. 324.
35
Súmula 243/STJ: “O benefício da suspensão do processo não é aplicável em relação às infrações penais cometidas em
concurso material, concurso formal ou continuidade delitiva, quando a pena mínima cominada, seja pelo somatório, seja

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Do exposto, tem-se que a suspensão condicional do processo é ato bilateral. Logo, exige a
concordância clara e inequívoca do processado, por meio de declaração da vontade persona-
líssima, voluntária, formal, vinculada aos termos propostos, tecnicamente assistida e absoluta
− ou seja, não pode ser condicional, tampouco, parcial.36
A Lei n. 9.605/1998 incluiu o instituto da suspensão condicional do processo em relação
aos crimes ambientais de menor potencial ofensivo, com as seguintes modificações:
• a declaração de extinção de punibilidade (decorrente da expiração do prazo de suspen-
são do processo sem revogação do benefício) dependerá de laudo de constatação de
reparação do dano ambiental, salvo no caso de tal reparação não ser possível;
• na hipótese de o laudo de constatação comprovar não ter sido completa a reparação, o
prazo de suspensão do processo será prorrogado, até o período máximo de cinco anos,
com suspensão do prazo da prescrição;37
• findo o prazo de prorrogação, proceder-se-á à lavratura de novo laudo de constatação de
reparação do dano ambiental, podendo, conforme seu resultado, ser novamente prorro-
gado o período de suspensão, até o máximo de cinco anos, conforme mencionado;
• esgotado o prazo máximo de prorrogação, a declaração de extinção de punibilidade de-
penderá de laudo de constatação que comprove ter o acusado tomado as providências
necessárias à reparação integral do dano.

De todo o exposto, conclui-se que, nos crimes ambientais, a suspensão condicional do pro-
cesso sujeita-se ao disposto no art. 28 da Lei n. 9.605/1998, só se extinguindo a punibilidade
após a emissão de laudo que constate a reparação do dano ambiental, prorrogando-se o sursis
quanto a essa condição, caso a reparação não tenha sido completa.38

5. Revogação do Sursis
As hipóteses de revogação do sursis processual encontram-se previstas nos parágrafos 3º
e 4º do art. 89 da Lei n. 9.099/1995.
O parágrafo terceiro contempla hipótese de revogação obrigatória. Assim, a suspensão
será revogada se, no curso do prazo, o beneficiário vier a ser processado por outro crime ou
não efetuar, sem motivo justificado, a reparação do dano.

pela incidência da majorante, ultrapassar o limite de um (01) ano.”


36
HC 30459/SC Relator(a) Ministra LAURITA VAZ (1120) Órgão Julgador T5 − QUINTA TURMA. Data do Julgamento
28/09/2004.
37
Importante observar que, durante o período de prorrogação, não se aplicarão as condições dos incisos II, III e IV do § 1º do
artigo 89 da Lei n. 9.099/1995.
38
RHC 62119/SP Relator(a) Ministro GURGEL DE FARIA (1160) Órgão Julgador T5 − QUINTA TURMA. Data do Julgamento
10/12/2015. Data da Publicação/Fonte DJe 05/02/2016.

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Já o parágrafo quarto contempla hipótese de revogação facultativa. Desta forma, a sus-


pensão poderá ser revogada se o acusado vier a ser processado, no curso do prazo, por con-
travenção, ou descumprir qualquer outra condição imposta.

6. Prazo para Revogação do Sursis


É importante observar que o benefício da suspensão condicional do processo pode ser re-
vogado mesmo após o transcurso do período de prova, desde que a causa da revogação tenha
ocorrido durante o referido lapso temporal.39

7. Crimes Ambientais e Princípio da Insignificância


A jurisprudência do STJ admite a aplicação do princípio da insignificância aos crimes am-
bientais, desde que, analisadas as circunstâncias específicas do caso concreto, observe-se
que o grau de reprovabilidade, a relevância da periculosidade social, bem como a ofensividade
da conduta não prejudiquem a manutenção do equilíbrio ecológico, o que, na hipótese concre-
ta, não é possível de ser aferido, de plano, no atual momento processual.40
Assim, são requisitos para o reconhecimento da atipicidade da conduta:
• mínima ofensividade da conduta do agente;
• ausência de periculosidade social da ação;
• reduzido grau de reprovabilidade do comportamento;
• inexpressividade da lesão jurídica provocada.

Uma vez preenchidos todos esses requisitos, torna-se possível a aplicação desse princípio,
afastando-se a própria tipicidade penal.41 Frise-se, entretanto, que em razão do status cons-
titucional conferido à tutela jurídica do meio ambiente constitucional tem-se que a aplicação
do princípio da insignificância nos crimes ambientais deve ficar restrita àquelas situações
nas quais, evidentemente, não há que se falar em lesividade ao bem jurídico (DUARTE e DAN-
TAS, 2009).

Capítulo V
− Dos Crimes Contra o Meio Ambiente

39
RHC 42864/SC Relator(a) Ministro JORGE MUSSI (1138). Órgão Julgador T5 − QUINTA TURMA. Data do Julgamento
14/04/2015. Data da Publicação/Fonte DJe 22/04/2015.
40
APn 888/DF Relator(a) Ministra NANCY ANDRIGHI (1118). Órgão Julgador CE − CORTE ESPECIAL. Data do Julgamento
02/05/2018. Data da Publicação/Fonte DJe 10/05/2018.
41
AgInt no AREsp 1269973/GO Relator(a) Ministro ANTONIO SALDANHA PALHEIRO. Órgão Julgador T6 − SEXTA TURMA.
Data do Julgamento 11/12/2018. Data da Publicação/Fonte DJe 01/02/2019.

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Classificação de Crimes: Critérios


Para o melhor estudo dos crimes ambientais, optamos por apresentar, ao leitor, um capítu-
lo específico, analisando os diversos critérios de classificação existentes em relação a esses
delitos. Assim, o leitor encontrará, neste capítulo, a conceituação e o detalhamento de cada
modalidade penal relevante para o tema deste livro.42
Eventuais observações pontuais e específicas em relação a cada crime serão feitas no
momento de análise do respectivo tipo penal.
Primeiro Critério
Com relação à necessidade de ocorrência de um resultado naturalístico para sua consuma-
ção, a doutrina classifica os delitos em:
• crime material: é aquele que prevê um resultado naturalístico para sua consumação,
sendo certo que o crime só se consuma com sua ocorrência. Exemplo: art. 32, 33, 38,
38−A, 39, 40, 41, 45, 46, 47, 48, 49, 50, 54, 62, 65;
• crime formal: é aquele em que o tipo penal descreve um resultado naturalístico, o qual,
entretanto, não é exigido para sua consumação. Em outras palavras: a ocorrência do
resultado é possível, mas é prescindível para a consumação do delito;
• crime de mera conduta: é aquele no qual o tipo penal não descreve um resultado natu-
ralístico, mas, apenas, uma conduta. Assim, a mera prática da conduta descrita já con-
suma o crime.

Segundo Critério

Em relação à necessidade de uma característica específica do autor do crime, a doutrina


classifica os crimes em:
• crime comum: é aquele que pode ser praticado por qualquer pessoa;
• crime próprio: é o que exige uma qualidade especial do agente para a prática do delito;
• crime de mão própria: é aquele que somente o autor pode praticar, não há como pedir
para que outro o faça por ele. Não admite o chamado longa manus. Ex: prevaricação –
art. 319; falso testemunho – art. 342.

Terceiro Critério

Com relação às condutas previstas no tipo penal incriminador, a doutrina classifica os


crimes em:
• crime de ação única: aquele que prevê uma única conduta típica no tipo penal;

42
Dados os objetivos desta obra, serão apresentadas, apenas, aquelas classificações relevantes para o estudo dos crimes
ambientais.

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• crime de ação múltipla ou conteúdo variado ou tipo misto: é aquele em que o tipo pe-
nal é composto por mais de uma conduta típica, sendo certo que a prática de qualquer
das condutas previstas já configura o delito em análise. Nessa modalidade delituosa, a
prática de mais de um dos núcleos verbais, no mesmo contexto, configura crime único.

Quarto Critério

Com relação à quantidade de agentes que praticam a conduta típica, a doutrina costuma
classificar os delitos em:
• crime unissubjetivo ou unilateral ou monossubjetivo: é aquele no qual a conduta típica
pode ser praticada por apenas uma pessoa. Tal crime admite o concurso de pessoas,
o que pode ocorrer eventualmente. Por essa razão, também costuma ser denominado
crime de concurso eventual;
• crime plurissubjetivo ou de concurso necessário: diferentemente dos crimes unissubje-
tivos, esses delitos exigem, obrigatoriamente, uma pluralidade de autores para a prática
do delito.

Quinto Critério

Com relação à necessidade (ou não) de ocorrência de um dano ao bem jurídico tutelado, a
doutrina costuma classificar os delitos em:
• crime de dano: é aquele que exige a efetiva lesão de um bem jurídico;
• crime de perigo: é aquele em que não se exige o dano, consumando-se com a mera
possibilidade de dano, ou seja, com a simples exposição do bem a perigo de dano. Tais
crimes se subdividem em: crimes de perigo real e crimes de perigo presumido;
• crime de perigo concreto: é aquele cuja configuração típica exige a demonstração de
que o bem jurídico foi efetivamente posto em perigo real, ou seja, a ocorrência do risco
de dano ao bem jurídico tutelado deve ser demonstrada;
• crime de perigo abstrato: é aquele no qual o legislador presume a ocorrência do risco
ao bem jurídico tutelado com a prática da conduta descrita no tipo penal. Assim, nesses
crimes não há a necessidade de demonstração de que o bem jurídico foi colocado em
risco.

Sexto Critério

Com relação à forma como o delito será praticado, os crimes podem ser classificados em:
• crime de forma livre: é aquele no qual o tipo penal não estabelece um meio específico
para execução do delito;
• crime de forma vinculada: é aquele no qual a lei estabelece uma forma ou formas espe-
cíficas para a realização do núcleo do tipo penal.
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Sétimo Critério

Com relação ao momento da ocorrência da consumação e sua extensão no tempo, pode-


-se falar em:
• crime instantâneo: é aquele no qual a consumação ocorre em momento exato, ou seja,
a consumação se dá em um momento determinado no tempo;
• crime permanente: é aquele cuja consumação se protrai no tempo, ou seja, a fase da
consumação continua a existir à medida que o tempo passa.

Neste critério, a doutrina observa a existência de outras espécies, a saber:


• crime instantâneo de efeitos permanentes: é aquele que se consuma imediatamente
(ou seja: é uma espécie de crime instantâneo). Porém, os efeitos desse crime se prolon-
gam no tempo. Observe-se que, nessa hipótese, o agente causador do dano estará em
situação de flagrante, ainda que a conduta tenha se iniciado já há algum tempo.
• crime a prazo: é o nome dado ao crime cuja consumação depende da ocorrência de
determinado prazo.

Oitavo Critério

Com relação ao número de atos exigidos para a consumação do delito, a doutrina classi-
fica os crimes em:
• crime unissubsistente: é aquele que se consuma com a prática de um único ato. Por
essa razão, a doutrina majoritária entende que tal crime não admite tentativa;
• crime plurissubsistente: é aquele cuja prática exige mais de uma conduta para sua con-
figuração, ou seja, há a necessidade de uma pluralidade de atos para que haja o crime.

Nono Critério

Quanto à forma da conduta prática (positiva ou negativa), os delitos se classificam em:


• crime comissivo: é aquele que é praticado por um comportamento positivo do agente,
isto é, um fazer;
• crime omissivo: é aquele praticado por meio de um comportamento negativo, uma abs-
tenção, um não fazer.43

Seção I
− Dos Crimes Contra a Fauna

43
Os crimes omissivos se subdividem em crimes omissivos próprios e crimes omissivos impróprios.

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Conceito de fauna
De maneira simplista, tem-se que a fauna é o conjunto de animais específicos de determi-
nado ambiente (habitat). Segundo estabelece a Lei n. 5.197, de 3 de janeiro de 1967, a fauna
silvestre é constituída pelos animais de quaisquer espécies, em qualquer fase do seu desen-
volvimento e que vivam naturalmente fora do cativeiro.
No mesmo sentido, a Lei de Crimes Ambientais conceitua como espécimes da fauna sil-
vestre todos aqueles pertencentes às espécies nativas, migratórias e quaisquer outras, aquáti-
cas ou terrestres, que tenham todo ou parte de seu ciclo de vida ocorrendo dentro dos limites
do território brasileiro ou em águas jurisdicionais brasileiras.
Classificação
A fauna divide-se em três grupos:
• fauna doméstica: compreende os animais que já se adaptaram ao convívio com os se-
res humanos, possuindo características biológicas e comportamentais em estreita de-
pendência do homem. Nessa categoria incluem-se, também, os animais domesticados
e os animais domesticáveis, que são aqueles que estão no meio do caminho, ou seja:
são encontrados naturalmente na natureza e, via de regra, não possuem laços estreitos
com a raça humana, possuindo hábitos selvagens;
• fauna silvestre: a fauna silvestre subdivide-se em fauna silvestre nativa e fauna silvestre
exótica. A primeira abrange o conjunto de espécies existentes naturalmente no território
brasileiro. Já a segunda refere-se às espécies cuja distribuição geográfica original NÃO
inclui o território brasileiro e suas respectivas águas jurisdicionais44.

Tipo penal: art. 29


Conduta típica: matar, perseguir45, caçar, apanhar46, utilizar.
Objeto material: espécimes da fauna silvestre, nativos ou em rota migratória.
Elemento normativo: sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade com-
petente, ou em desacordo com a obtida.
Tais elementos do tipo penal são chamados de “normativos” em razão da necessidade de
uma atividade valorativa, ou seja, um juízo de valor por parte do aplicador da norma (CUNHA
et. al., 2019).
Pena – detenção de seis meses a um ano, e multa.
Sujeito ativo: qualquer pessoa. Trata-se, portanto, de crime comum.
Classificação:
• crime de ação múltipla, também chamado de crime de conteúdo variado ou plurinuclear;
• crime instantâneo (na modalidade matar, apanhar e utilizar);
• crime permanente (na modalidade perseguir e caçar);
44
São exemplos de fauna exótica: ursos-panda, ursos-coala, elefantes etc.
45
Perseguir: seguir de perto, ir ao encalço de.
46
Apanhar: prender, capturar, agarrar.

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• crime comissivo;
• crime de resultado (crime material);
• crime comum;
• crime de ação única.
• crime unissubjetivo;
• crime de dano;
• crime de forma livre.;
• crime plurissubsistente.

Consumação e tentativa: tratando-se de crime de resultado, o mesmo se consuma com a


efetiva lesão do bem jurídico tutelado, ou seja, com a morte, perseguição ou caça de animal,
sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente. A tentativa é ad-
missível, caso a consumação no ocorra por razões alheias à vontade do agente.
Desistência voluntária e arrependimento eficaz: caso o agente venha a desistir de prosse-
guir na execução do delito ou venha a impedir que o resultado se produza, só responderá pelos
atos já praticados (PRADO, 2012).
Figuras equiparadas
Segundo estabelece o art. 29, § 1º, incorre nas mesmas penas:
I – − quem impede47 a procriação da fauna, sem licença, autorização ou em desacordo com
a obtida;48
II – − quem modifica, danifica ou destrói ninho, abrigo ou criadouro natural;
III – − quem vende, expõe à venda, exporta ou adquire, guarda, tem em cativeiro ou depósi-
to, utiliza ou transporta ovos, larvas ou espécimes da fauna silvestre, nativa ou em rota migra-
tória, bem como produtos e objetos dela oriundos, provenientes de criadouros não autorizados
ou sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente.
Perdão judicial
A lei permite que, em determinadas situações, possa o juiz deixar de aplicar a pena. Exige-
-se, no entanto, que se trate de guarda doméstica de espécie silvestre não considerada ame-
açada de extinção. Em tais hipóteses, pode o juiz, considerando as circunstâncias, deixar de
aplicar a pena.
Conceito de espécimes da fauna silvestre
Segundo estabelece a Lei n. 9.605/1998, são espécimes da fauna silvestre todos aqueles
pertencentes às espécies nativas, migratórias e quaisquer outras, aquáticas ou terrestres, que

47
Na modalidade “impedir a procriação da fauna”, tem-se uma hipótese de crime permanente, eis que sua execução se protrai
no tempo.
48
Nota-se, aqui, a presença de um elemento normativo do tipo, consistente na expressão “sem licença, autorização ou em
desacordo com a obtida”.

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tenham todo ou parte de seu ciclo de vida ocorrendo dentro dos limites do território brasileiro
ou em águas jurisdicionais brasileiras.49
Causas de aumento de pena
A pena será aumentada em metade nas seguintes situações:
I – − se o crime é praticado contra espécie rara ou considerada ameaçada de extinção,
ainda que somente no local da infração;
II – − se o crime é praticado em período proibido à caça;
III – − se o crime é praticado durante a noite;
IV – − se o crime é praticado com abuso de licença;
V – − se o crime é praticado em unidade de conservação;
VI – − se o crime é praticado com emprego de métodos ou instrumentos capazes de pro-
vocar destruição em massa.
Figura qualificada
A pena é aumentada até o triplo, se o crime decorre do exercício de caça profissional.50
Tipo penal específico: atos de pesca
Observe-se que a lei criou figuras típicas específicas para os atos de pesca. Assim, quando
as condutas típicas forem praticadas contra espécimes da fauna aquática, NÃO se aplica o
disposto no art. 29, mas, sim, o disposto no art. 34 ou 35, a depender da situação descrita.51
Tipo penal: art. 30
Conduta típica: exportar para o exterior, ou seja, transportar para fora do país.
Objeto material: peles e couros de anfíbios e répteis em bruto.
Elemento normativo do tipo: sem a autorização da autoridade ambiental competente.
Pena – reclusão, de um a três anos, e multa.
Classificação:
• crime formal;
• crime comum;
• crime de ação única;
• crime unissubjetivo;
• crime de forma livre;
• crime instantâneo;
• crime plurissubsistente;
• crime comissivo.

Consumação e Tentativa: momento consumativo − momento da saída, do couro ou pele,


do país. Tentativa: é admissível.
Tipo penal: art. 31
49
Cf. art. 29, § 3º, da Lei n. 9.605/1998.
50
art. 29, § 5º, da Lei n. 9.605/1998.
51
Veja-se art. 29, § 6º, da Lei n. 9.605/1998.

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O tipo penal prevê a punição daquele que introduzir espécime animal no país, sem parecer
técnico oficial favorável e licença expedida por autoridade competente.
Objetividade jurídica: consoante assevera CAPEZ (2018), protege-se o equilíbrio ecológico,
que pode ser prejudicado com a introdução de espécime animal no país, sem parecer favorável
e licença.
Pena – detenção, de três meses a um ano, e multa.
Elemento normativo do tipo: encontra-se contido na expressão “sem parecer técnico oficial
favorável e licença expedida por autoridade competente”.
Classificação:
• crime formal;
• crime comum;
• crime de ação única;
• crime unissubjetivo;
• crime de perigo abstrato;
• crime de forma livre;
• crime instantâneo;
• crime plurissubsistente;
• crime comissivo.

Consumação e tentativa: o momento consumativo se dá no instante em que há a


introdução do espécime animal no país. Tentativa: é admissível.
Tipo penal: art. 32
Conduta típica: praticar ato de abuso, maus-tratos52, ferir ou mutilar53.
Objeto material: animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos.
Consumação e tentativa: o momento consumativo deste delito variará conforme a conduta
praticada. Na conduta de “praticar abuso ou maus-tratos”, o crime consuma-se no instante da
produção do perigo de dano aos animais. Nas condutas de “ferir” e “mutilar”, a consumação
ocorre com a efetiva lesão ou mutilação. Pode, portanto, ser crime de dano ou crime de perigo.
Tentativa: não é admissível.
Classificação:
• crime de perigo/dano;
• crime de forma livre;
• crime de ação múltipla ou de conteúdo variado;
• crime material;
• crime comum;
• crime unissubjetivo;
• crime instantâneo;
52
São exemplos de maus-tratos: bater, espancar, tratar com violência, manter o animal em lugar sujo ou inadequado.
53
Mutilar: extirpar parte do corpo do animal.

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• crime unissubsistente;
• crime comissivo/omissivo.

Pena – detenção, de três meses a um ano, e multa.


Competência para julgamento: JECrim (art. 61 − Lei n. 9.099/1995).
Figuras equiparadas: incorre nas mesmas penas quem realiza experiência dolorosa ou
cruel em animal vivo, ainda que para fins didáticos ou científicos, quando existirem recursos
alternativos.54
Inovação legislativa (art. 32, § 1º−A)
Quando se tratar de cão ou gato, a pena para as condutas descritas no caput deste artigo
será de reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, multa e proibição da guarda (incluído pela Lei n.
14.064, de 2020).
Aumento de pena
A pena é aumentada de um sexto a um terço, se ocorre morte do animal.55
Tipo penal: art. 33
Conduta típica: provocar (produzir, gerar) o perecimento de espécimes da fauna aquática.
Requisitos:
• que tais espécimes habitem em rios, lagos, açudes, lagoas, baías ou águas jurisdicio-
nais brasileiras;
• que o perecimento de tais espécimes decorra da emissão de efluentes ou carreamento
de materiais.

Objetividade jurídica: o tipo penal tem como objetivo a proteção do equilíbrio ecológico.
Pena – detenção, de um a três anos, ou multa, ou ambas cumulativamente.
Classificação:
• crime material;
• crime formal;
• crime comum;
• crime de ação única;
• crime de ação múltipla ou conteúdo variado;
• crime unissubjetivo;
• crime plurissubjetivo.
• crime de dano;
• crime de forma livre;
• crime instantâneo;
• crime unissubsistente;
• crime plurissubsistente;
54
Art. 32, § 1º.
55
Art. 32, § 2º.

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• crime comissivo;
• crime omissivo.

Figuras equiparadas
Incorre nas mesmas penas:
I – − quem causa degradação em viveiros, açudes ou estações de aquicultura de domí-
nio público;
II – − quem explora campos naturais de invertebrados aquáticos e algas, sem licença, per-
missão ou autorização da autoridade competente;56
III – − quem fundeia embarcações ou lança detritos de qualquer natureza sobre bancos de
moluscos ou corais, devidamente demarcados em carta náutica.57
Tipo penal: art. 34
Conduta típica: pescar em período no qual a pesca seja proibida ou pescar em lugares in-
terditados por órgão competente.
Pena – detenção de um ano a três anos ou multa, ou ambas as penas cumulativamente.
Classificação:
• delito comum;
• crime simples;
• crime plurissubsistente;
• crime comissivo;
• crime de ação única;
• crime unissubjetivo;
• crime de forma livre.

Segundo entendimento do STJ, a conduta prevista no art. 34 da Lei n. 9.605/1998 possui


natureza formal, de perigo abstrato, que prescinde de qualquer resultado danoso para sua con-
figuração.58
Consumação e tentativa: o crime se consuma com a efetiva retirada, extração, coleta, apa-
nha, apreensão ou captura dos espécimes da fauna aquática ou dos vegetais hidróbios, no tipo
penal previsto no caput. Aliás, a captura é mero exaurimento da figura típica em questão, que
se consuma com a simples utilização do petrecho não permitido.
Figuras equiparadas
Incorre nas mesmas penas quem:
I – − pesca espécies que devam ser preservadas ou espécimes com tamanhos inferiores
aos permitidos;
56
Observa-se que tal crime só ocorrerá quando houver a presença do elemento normativo, ou seja: o crime só existirá se a
exploração for realizada “sem licença, permissão ou autorização da autoridade competente”.
57
Art. 33, parágrafo único, da Lei n. 9.605/1998.
58
AgRg no AREsp 1441288/SC. Relator(a): Ministro JOEL ILAN PACIORNIK. Órgão Julgador: T5 − QUINTA TURMA. Data do
Julgamento: 23/04/2019. Data da Publicação/Fonte: DJe 30/04/2019.

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II – − pesca quantidades superiores às permitidas, ou mediante a utilização de aparelhos,


petrechos, técnicas e métodos não permitidos;
III – − transporta, comercializa, beneficia ou industrializa espécimes provenientes da cole-
ta, apanha e pesca proibidas.
Tipo penal: art. 35
A Lei n. 9.605/1998 optou por criar um tipo penal específico quando a pesca é realizada
com objetos ou substâncias que podem causar grandes danos ao meio ambiente.
Neste tipo penal, a conduta ilícita não está no ato de pesca, em si, mas nos mecanismos e
instrumentos utilizados para a prática do ato.
Assim, se o agente pescar mediante a utilização de explosivos ou substâncias que, em
contato com a água, produzam efeito semelhante; ou pescar mediante a utilização de substân-
cias tóxicas, ou outro meio proibido pela autoridade competente, sua pena passará para um
novo patamar, qual seja: reclusão de um a cinco anos.
Conceito de pesca
A Lei n. 9.605/1998 traz um conceito legal de pesca. Segundo estabelece o art. 36, consi-
dera-se pesca todo ato tendente a retirar, extrair, coletar, apanhar, apreender ou capturar espé-
cimes dos grupos dos peixes, crustáceos, moluscos e vegetais hidróbios, suscetíveis ou não
de aproveitamento econômico, ressalvadas as espécies ameaçadas de extinção, constantes
nas listas oficiais da fauna e da flora.
Consumação e tentativa: discussão doutrinária
Em razão do conceito legal apresentado, a doutrina classifica o crime de pesca como crime
de atentado59, uma vez que a tentativa é punida da mesma forma que a consumação.
Neste ponto, a doutrina diverge, havendo aqueles que entendem que – diante da tipifica-
ção legal – este crime não admite tentativa, e aqueles que entendem que a tentativa é possí-
vel, mas, em razão do tipo penal descrito, a tentativa é punida com a mesma pena do crime
consumado.
Com relação à tentativa, CAPEZ (2018) entende que esta é possível, pois a pesca poderá
não ocorrer por circunstâncias alheias à vontade do agente (por exemplo: art. 35 da Lei n.
9.605/1998 − o sujeito é obstado pela autoridade florestal no momento em que ia acionar o
dispositivo explosivo).
Causas de exclusão de ilicitude
A Lei n. 9.605/1998 trouxe em seu texto uma série de crimes contra a fauna, criminalizando
condutas que venham a causar a morte de animais.
Contudo, em determinadas situações o abate de animal não será considerado crime (HA-
BIB, 2019). Isso ocorrerá quando o abate for realizado:
I – − em estado de necessidade, para saciar a fome do agente ou de sua família;60
59
Crime de atentado ou de empreendimento é aquele no qual o legislador equipara a forma tentada à forma consumada do
delito.
60
Caça famélica.

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II – − para proteger lavouras, pomares e rebanhos da ação predatória ou destruidora de


animais, desde que legal e expressamente autorizado pela autoridade competente;
III – vetado.
IV – − por ser nocivo o animal, desde que assim caracterizado pelo órgão competente.

Seção II
− Dos Crimes Contra a Flora

Considera-se flora o conjunto das espécies vegetais de determinada região.


Tipo penal: art. 38
Observações preliminares
Observe-se que a agravante do art. 15, II, “d”, da Lei n. 9.605/1998 (“causar danos à pro-
priedade alheia”), não pode incidir nesta hipótese, uma vez que o citado artigo é expresso no
sentido de que tal agravante somente será aplicável quando não constituir o crime, sendo certo
que o delito descrito no art. 38 do mesmo diploma legal se refere, exatamente, à conduta de
causar danos (“Destruir ou danificar floresta considerada de preservação permanente, mesmo
que em formação, ou utilizá-la com infringência das normas de proteção”).
Condutas típicas: DESTRUIR (fazer desaparecer, aniquilar, desfazer) e DANIFICAR (deterio-
rar, produzir dano, inutilizar) ou utilizá-la com infringência das normas de proteção.
Elemento normativo do tipo: observe-se que a última conduta típica mencionada (utilizá-la
com infringência das normas de proteção) precisa de uma terceira norma que regule a prote-
ção de tais florestas. Tem-se, no caso, uma norma penal em branco.
Objeto material: Floresta considerada de preservação permanente, mesmo que
em formação.
Sobre o tema, o Superior Tribunal de Justiça, ao analisar o referido tipo penal, assentou que
“o elemento normativo ‘floresta’, constante do tipo do art. 38 da Lei n. 9.605/1998, corresponde
à “formação arbórea densa, de alto porte, que recobre área de terra mais ou menos extensa. O
elemento central é o fato de ser constituída por árvores de grande porte.”61
Pena – detenção, de um a três anos, ou multa, ou ambas as penas, cumulativamente.
Classificação:
• crime material;
• crime comum;
• crime unissubjetivo;
• crime de dano;
• crime de forma livre;
• crime instantâneo;
• crime plurissubsistente;
• crime comissivo.
61
RHC 63909/CE Relator(a): Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA (1170) Órgão Julgador: T5 − QUINTA TURMA. Data
do Julgamento: 26/03/2019. Data da Publicação/Fonte: DJe 22/04/2019.

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Modalidade culposa: se o crime for culposo, a pena será reduzida à metade.


Tipo penal: art. 38−A
Trata-se de tipo penal incluído pela Lei n. 11.428, de 2006, e especial em relação ao tipo
descrito no art. 38. Isso porque, apesar da conduta típica ser a mesma do referido dispositivo
legal, o objeto material sobre o qual incide a conduta é diferente, sendo restrito à floresta do
Bioma Mata Atlântica. Do mesmo modo, observa-se que o grau de reprovabilidade da conduta
é maior do que o do artigo antecedente.
Condutas típicas: abrange as condutas de destruir ou danificar, ou, ainda, utilizá-la com
infringência das normas de proteção.
Objeto material: no tocante ao objeto material do tipo, tem-se que a conduta deve recair
sobre vegetação primária ou secundária, em estágio avançado ou médio de regeneração, do
Bioma Mata Atlântica.
Pena – detenção, de um a três anos, ou multa, ou ambas as penas, cumulativamente.
Classificação:
• crime material;
• crime comum;
• crime unissubjetivo;
• crime de dano;
• crime de forma livre;
• crime instantâneo;
• crime plurissubsistente;
• crime comissivo.

Observe-se que, no tocante à responsabilidade penal do sócio-administrador e da pessoa


jurídica, o STJ possui entendimento uníssono no sentido de que estará presente quando de-
monstrado que este concorreu para a realização do crime, ordenando a limpeza do terreno ou,
sabendo da prática da conduta típica descrita no artigo 38−A da Lei n. 9.605/1998 pelo seu
preposto, deixou de agir quando podia e devia para evitá-la.
Modalidade culposa: se o crime for culposo, a pena será reduzida à metade.62
Tipo penal: art. 39
Conduta típica: cortar, ou seja, separar, dividir o tronco da árvore.
Objeto material: árvores localizadas em florestas de preservação permanente.
Sobre o tema, o código florestal (Lei n. 12.651/2012) destaca que as florestas existentes
no território nacional e as demais formas de vegetação nativa são bens de interesse comum a
todos os habitantes do país, exercendo-se os direitos de propriedade com as limitações que o
ordenamento jurídico estabelecer.
Consumação e tentativa: apesar do tipo penal referir-se ao corte de “árvores” (no plural), a
consumação do delito se dá com o corte de UMA árvore. Tentativa: é admissível.
62
Art. 38−A, parágrafo único, da Lei n. 9.605/1998.

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Elemento normativo do tipo: para que o delito venha a existir é necessário que o corte ocor-
ra “sem permissão da autoridade competente”.
Pena – o delito é punido com pena de detenção, de um a três anos, ou multa, ou ambas as
penas cumulativamente.
Classificação:
• crime material;
• crime comum;
• crime de ação única;
• crime unissubjetivo;
• crime de dano;
• crime de forma livre;
• crime instantâneo;
• crime plurissubsistente;
• crime comissivo.

Princípio da insignificância
Sedimentou-se a orientação de que a aplicação do princípio da insignificância pressupõe
a concomitância de quatro vetores, a saber: a mínima ofensividade da conduta, nenhuma pe-
riculosidade social da ação, o reduzidíssimo grau de reprovabilidade do comportamento e a
inexpressividade da lesão jurídica provocada.
No entendimento do Superior Tribunal de Justiça, somente haverá lesão ambiental irrele-
vante quando, na ponderação entre os desvalores da ação e do resultado, houver ínfimo grau
de lesividade da conduta praticada.63
Tipo penal: art. 40
Conduta típica: causar dano direto ou indireto.
Objeto material do delito: unidades de Conservação e as áreas de que trata o art. 27 do
Decreto n. 99.274, de 6 de junho de 1990, independentemente de sua localização.
Pena – reclusão, de um a cinco anos.

Conceitos preliminares

Unidade de conservação: entende-se por Unidades de Conservação de Proteção Integral


as Estações Ecológicas, as Reservas Biológicas, os Parques Nacionais, os Monumentos Natu-
rais e os Refúgios de Vida Silvestre.64

63
REsp 1770667/RS. Relator(a): Ministro NEFI CORDEIRO (1159). Órgão Julgador: T6 − SEXTA TURMA. Data do Julgamento:
19/03/2019. Data da Publicação/Fonte: DJe 04/04/201.
64
Vide art. 40, § 1º da Lei n. 9.605/1998, com redação dada pela Lei n. 9.985, de 2000.

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Circunstância agravante: a ocorrência de dano afetando espécies ameaçadas de extinção


no interior das Unidades de Conservação de Proteção Integral será considerada circunstância
agravante para a fixação da pena.65
Modalidade culposa: se o crime for culposo, a pena será reduzida à metade.66
Observe-se que, nos termos estabelecidos pela lei, a redução é obrigatória.
Tipo penal: art. 40−A
Unidades de conservação de uso sustentável: entende-se por Unidades de Conservação
de Uso Sustentável as Áreas de Proteção Ambiental, as Áreas de Relevante Interesse Ecoló-
gico, as Florestas Nacionais, as Reservas Extrativistas, as Reservas de Fauna, as Reservas de
Desenvolvimento Sustentável e as Reservas Particulares do Patrimônio Natural.67
Circunstância agravante: a ocorrência de dano afetando espécies ameaçadas de extinção
no interior das Unidades de Conservação de Uso Sustentável será considerada circunstância
agravante para a fixação da pena.68
Modalidade culposa: se o crime for culposo, a pena será reduzida à metade.69
Observe-se que, conforme expressa disposição legal, a redução é obrigatória.

Abolitio Criminis

Em razão do veto presidencial ao caput do art. 40−A, os atos lesivos às unidades de conser-
vação de uso sustentável acabaram ficando sem a adequada proteção jurídica na esfera penal.
Tipo penal: art. 41
Conduta típica: provocar incêndio em mata ou floresta.
Observe-se que se trata de crime especial, em relação ao crime de incêndio previsto no
Código Penal. Isso porque, no presente caso, o incêndio deve ocorrer em mata ou floresta.
Classificação:
• crime material;
• crime comum;
• crime de ação única;
• crime unissubjetivo;
• crime de forma livre;
• crime instantâneo;
• crime plurissubsistente;
• crime comissivo.

65
Art. 40, § 2º, da Lei n. 9.605/1998.
66
Art. 40, § 3º, da Lei n. 9.605/1998.
67
Veja-se art. 40−A, § 1º, da Lei n. 9.605/1998, incluído pela Lei n. 9.985, de 2000.
68
Veja-se art. 40−A, § 2º, da Lei n. 9.605/1998.
69
Art. 40−A, § 3º, da Lei n. 9.605/1998.

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Pena – reclusão, de dois a quatro anos, e multa.


Modalidade culposa: se o crime é culposo, a pena é de detenção de seis meses a um
ano, e multa.70
Tipo penal: art. 42
Condutas típicas: fabricar, vender, transportar ou soltar.
Objeto material: balões que possam provocar incêndios.
Bem jurídico tutelado: a flora e a saúde das pessoas, tendo em vista a exigência específica
de que o incêndio se dê em florestas e demais formas de vegetação, ou em áreas urbanas ou
em qualquer tipo de assentamento humano (PRADO, 2005).
Classificação:
• crime formal;
• crime comum;
• crime de ação múltipla ou conteúdo variado;
• crime unissubjetivo;
• crime de perigo;
• crime de forma livre;
• crime instantâneo;
• crime plurissubsistente;
• crime comissivo.

Consumação e tentativa: observe-se que, apesar do tipo penal mencionar expressamente


que o balão deve ter potencialidade lesiva para provocar incêndio em florestas ou em áreas
urbanas ou áreas de assentamento humano, tal resultado não é requisito para a consumação
do delito.
Assim, não se trata de crime material, mas, sim, de crime formal, consumando-se com a
fabricação, venda, transporte, ou a soltura do balão que possa causar danos aos bens jurídicos
mencionados no tipo penal.
Tentativa: a tentativa é admissível, lembrando-se, entretanto, que, por se tratar de crime de
conteúdo misto ou variado, a prática de qualquer dos núcleos verbais já faz com que o crime
esteja consumado.
Classificação:
• crime doloso;
• crime comum;
• crime formal;
• crime de perigo;
• crime unissubjetivo.

 Obs.: Por ser um crime de perigo, não é necessário que tenha havido um dano efetivo.
70
Art. 41, parágrafo único, da Lei n. 9.605/1998.

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Pena – detenção, de um a três anos, ou multa, ou ambas as penas cumulativamente.


Tipo penal: art. 44
Conduta típica: extrair pedra, areia, cal ou qualquer espécie de minerais, de determinadas
florestas.
Segundo estabelece o tipo penal, o crime ocorre quando a extração de tais materiais ocor-
rer em florestas de domínio público ou consideradas de preservação permanente.
Exige-se, ainda, que tal extração ocorra sem prévia autorização, ou seja: o tipo penal é com-
posto por um elemento normativo.
Pena – detenção, de seis meses a um ano, e multa.
Classificação:
• crime material;
• crime comum;
• crime de ação única;
• crime unissubjetivo;
• crime de dano;
• crime de forma livre;
• crime permanente, persistindo o momento consumativo durante todo o período em que
esteja sendo realizada a extração dos materiais constantes do tipo penal;
• crime plurissubsistente;
• crime comissivo.

Tipo penal: art. 45


Conduta típica: cortar (separar, dividir) ou transformar (alterar, modificar, converter) madei-
ra de lei em carvão, para determinados fins, em desacordo com as determinações legais.
Madeira de lei: trata-se de um conceito meramente legal, bastando que um ato do poder
público a classifique como tal.
Biologicamente falando, entende-se como madeira de lei aquela que, por sua qualidade e
resistência, possui uma durabilidade maior do que as demais madeiras.
O tipo penal exige, ainda, que tal corte ou transformação ocorra para fins industriais, ener-
géticos ou para qualquer outra exploração. Observe-se que NÃO há a necessidade de que tal
exploração possua fins econômicos.
Pena – reclusão, de um a dois anos, e multa.
Elemento subjetivo: trata-se de crime doloso, havendo a necessidade de dolo específico,
ou seja: é necessário que o corte ou a transformação de madeira em carvão se dê para fins
industriais, energéticos ou para qualquer outra exploração.
Classificação:
• crime material;
• crime comum;

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• crime de ação múltipla ou conteúdo variado;


• crime unissubjetivo;
• crime de dano;
• crime de forma livre;
• crime instantâneo;
• crime plurissubsistente;
• crime comissivo.

Tipo penal: art. 46


Conduta típica: receber ou adquirir. Na conduta de receber, temos a obtenção da posse. Já
na modalidade adquirir, tem-se a obtenção da propriedade.
Elemento subjetivo: dolo, sendo certo que o tipo penal exige, ainda, uma finalidade especí-
fica, consistente em fins comerciais ou industriais.
Objeto material: o tipo penal refere-se ao recebimento ou aquisição de madeira, lenha, car-
vão e outros produtos de origem vegetal.
Elemento normativo do tipo: exige-se que o recebimento ou aquisição seja feito sem que
se exija a exibição de licença do vendedor, outorgada pela autoridade competente, e sem mu-
nir-se da via que deverá acompanhar o produto até final beneficiamento.
Classificação:
• crime doloso;
• crime comum;
• crime material;
• crime de dano;
• crime não transeunte;
• crime unissubjetivo;
• crime plurissubsistente;
• crime de ação múltipla;
• crime instantâneo, mas de efeitos permanentes.

Pena – detenção, de seis meses a um ano, e multa.


Figuras equiparadas: incorre nas mesmas penas quem vende, expõe à venda, tem em de-
pósito, transporta ou guarda madeira, lenha, carvão e outros produtos de origem vegetal, sem
licença válida para todo o tempo da viagem ou do armazenamento, outorgada pela autoridade
competente.71
Momento consumativo: se dá com o recebimento ou aquisição (para fins comerciais ou
industriais), bem como com a venda, exposição à venda, depósito, transporte ou guarda de
matéria de origem vegetal, sem prévia autorização da autoridade competente.
Competência: Justiça Estadual.
71
Parágrafo único.

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Registre-se que eventual interesse do Ibama, na hipótese de transporte de madeira sem


autorização daquela autarquia, será indireto, e não específico72.
Observe-se, entretanto, que, se o transporte for feito com licença falsa supostamente expe-
dida pelo Ibama, a competência passará a ser da Justiça Federal.
Tipo penal: art. 48
Conduta típica: impedir ou dificultar a regeneração natural de determinados bens jurídicos.
Impedir: significa embaraçar, interromper, tornar impraticável; dificultar: significa tornar di-
fícil ou custoso, inserir dificuldade.
Objeto material (bens jurídicos tutelados): florestas e demais formas de vegetação.
Pena – detenção, de seis meses a um ano, e multa.
Classificação:
• crime material;
• crime comum;
• crime de ação única;
• crime unissubjetivo;
• crime de dano.
• crime de forma livre;
• crime permanente;
• crime plurissubsistente;
• crime comissivo;
• crime punido somente na modalidade dolosa.

Tipo penal: art. 49


Conduta típica: destruir73, danificar74, lesar ou maltratar, por qualquer modo ou meio, deter-
minadas espécies da flora que constituem o objeto material deste delito.
Objeto material: plantas de ornamentação de logradouros públicos ou em propriedade pri-
vada alheia75.
Classificação:
• crime material;
• crime comum;
• crime unissubjetivo;
• crime de dano;
• crime de forma livre;
• crime instantâneo;

72
Neste sentido, RE 300.244, HC 81916.
73
Destruir: fazer desaparecer, arruinar, devastar.
74
Prejudicar: prejudicar, causar danos.
75
A expressão propriedade “alheia” constitui-se como elemento normativo do tipo, impedindo que o proprietário da planta
seja sujeito ativo desse delito.

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• crime plurissubsistente;
• crime comissivo.

Consumação e tentativa: tratando-se de crime material e de dano, a consumação ocorre


no momento em que há a efetiva destruição, lesão ou danos aos bens descritos no tipo penal.
A tentativa é admissível.
Pena – detenção, de três meses a um ano, ou multa, ou ambas as penas, cumulativamente.
Modalidade culposa: o parágrafo único da referida lei previu a possibilidade de punição da
modalidade culposa. Nessa hipótese, a pena será de detenção, de um a seis meses, ou multa.
Tipo penal: art. 50
Conduta típica: destruir ou danificar determinados bens jurídicos específicos que consti-
tuem objeto material do presente delito.
Objeto material do delito: o tipo penal se assemelha aos previstos nos artigos 38 e 49 da
Lei n. 9.605/1998, diferenciando-se, entretanto, em razão do bem jurídico tutelado. Assim, no
crime descrito no art. 50, a conduta típica incide sobre florestas, nativas ou plantadas, ou ve-
getação fixadora de dunas, protetora de mangues, que são objeto de especial preservação.
Florestas nativas: são aquelas crescidas naturalmente, sem a intervenção do homem.
Florestas plantadas: são aquelas cultivadas com a intervenção do homem, ou seja: oriun-
das de reflorestamento.
Vegetação fixadora de dunas ou protetoras de mangues: tem-se, aqui, a proteção jurídica
de determinadas espécies da flora, que se constituem como áreas de Preservação Permanen-
te. Assim, neste artigo, protege-se qualquer tipo de vegetação fixadora de dunas ou protetoras
de mangues.
Classificação:
• crime material;
• crime de ação única;
• crime unissubjetivo;
• crime de dano;
• crime de forma livre;
• crime instantâneo;
• crime plurissubsistente;
• crime comissivo.

Consumação e tentativa: tratando-se de crime material, o crime se consuma com a efetiva


lesão do bem jurídico tutelado. Tratando-se de crime plurissubsistente, a tentativa é admissível.
Pena – detenção, de três meses a um ano, e multa.
Tipo penal: art. 50−A
Conduta típica: desmatar, explorar economicamente ou degradar determinados
bens da fauna.

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Objeto jurídico tutelado: florestas (plantadas ou nativas) em terras de domínio público ou


devolutas.
Terras devolutas: são aquelas que nunca entraram legitimamente no domínio particular,
isto é, nunca foram objeto de ocupação. Essas terras pertencem à União.
Elemento normativo do tipo: exige-se que tal conduta seja praticada sem autorização do
órgão competente.
Pena – reclusão, de dois a quatro anos, e multa.
Causa excludente de ilicitude
O tipo penal traz uma excludente de ilicitude que configura, em última análise, uma situa-
ção de estado de necessidade, consistente na prática do tipo penal, a fim de permitir a subsis-
tência imediata do agente ou de sua família.76
Aumento de pena
Com o objetivo de coibir desmatamentos em grandes áreas, criou-se uma regra específica
de aumento de pena. Assim, se a área explorada for superior a 1.000 ha (mil hectares), a pena
será aumentada de um ano por milhar de hectare.77
Tipo penal: art. 51
Condutas típicas: comercializar78 ou utilizar79 motosserra em florestas e nas demais for-
mas de vegetação, sem licença ou registro da autoridade competente.
Pena – detenção, de três meses a um ano, e multa.
Elemento subjetivo: é o dolo, consistente na vontade livre e consciente de comercializar ou
utilizar a motosserra, sem possuir licença ou registro necessários.
O crime não é punido na modalidade culposa, de tal modo que se o agente, por imprudên-
cia, negligência ou imperícia, não percebe que está comercializando ou utilizando o produto
sem as exigências legais necessárias, haverá a atipicidade da conduta.
Elemento normativo do tipo: observe-se, finalmente, que a tipicidade da conduta depende
da inexistência de licença ou de registro da autoridade competente, os quais se constituem
como elementos normativos do tipo.
Classificação:
• crime formal;
• crime de ação única;
• crime unissubjetivo;
• crime de perigo abstrato;
• crime de forma livre;
• crime instantâneo;
• crime plurissubsistente;
• crime comissivo.
76
§ 1º, da Lei n. 9.605/1998.
77
Art. 50, § 2º, da Lei n. 9.605/1998.
78
Comercializar: alugar, negociar, vender.
79
Utilizar: significa usar, fazer uso ou valer-se de algo.

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Tipo penal: art. 52


Conduta típica: penetrar dentro da área de uma unidade de conservação, conduzindo (isto
é, levando, carregando, portando ou transportando) determinados objetos que podem causar
danos à fauna ou à flora local.
Assim, para a existência do delito é necessário que seja encontrada, com o autor, subs-
tância ou instrumento próprio para caça (criando um risco para a fauna daquela unidade de
conservação) ou para exploração de produtos ou subprodutos florestais (criando risco para a
flora daquela unidade de conservação).
Elemento normativo do tipo: para a ocorrência do delito exige-se, ainda, que o autor não
possua licença da autoridade competente para penetrar na unidade de conservação com
tais objetos.
Classificação:
• crime doloso;
• crime comum;
• crime formal − eis que, apesar de a conduta criminosa poder, em tese, causar dano para
a unidade de conservação, tal resultado não é elemento do delito;
• crime de ação única;
• crime unissubjetivo;
• crime de forma livre;
• crime instantâneo;
• crime plurissubsistente;
• crime comissivo.

Pena – detenção, de seis meses a um ano, e multa.


Conflito aparente de normas: porte de arma de fogo − X, art. 52.
A jurisprudência entende que esse crime é especial em relação ao crime de porte de arma
de fogo e, portanto, deverá ser aplicado nesses casos.
Aumento de pena nos crimes contra a flora
Segundo estabelece o art. 53 da Lei n. 9.605/1998, a pena a ser aplicada será aumentada
de um sexto a um terço, em determinadas hipóteses.
Assim, se do fato resultar a diminuição de águas naturais, a erosão do solo ou a modifica-
ção do regime climático, haverá o aumento de pena acima mencionado.
Do mesmo modo, se o crime for cometido: a) no período de queda das sementes; b) no
período de formação de vegetações; c) contra espécies raras ou ameaçadas de extinção, ainda
que a ameaça ocorra somente no local da infração; d) em época de seca ou inundação; ou e)
durante a noite, em domingo ou feriado, também haverá a incidência do aumento de pena.

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Seção III
− Da Poluição e Outros Crimes Ambientais

A Lei de Política Nacional do Meio Ambiente (Lei n. 6.938/1981), em seu artigo 3º, III, con-
ceitua poluição como a degradação da qualidade ambiental, resultante de atividades que di-
reta ou indiretamente: a) prejudiquem a saúde, a segurança e o bem-estar da população; b)
criem condições adversas às atividades sociais e econômicas; c) afetem desfavoravelmente
a biota; d) afetem as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente; e) lancem matérias
ou energia em desacordo com os padrões ambientais estabelecidos.
Tipo penal: art. 54
Pelo conceito apresentado, observa-se que inúmeras são as condutas capazes de cau-
sar poluição. Do mesmo modo, é possível que uma conduta gere poluição em níveis maiores
ou menores.
Pensando assim, o legislador optou por punir a conduta daquele que vier a causar poluição
de qualquer natureza em níveis tais que resultem ou possam resultar em danos à saúde huma-
na, ou que provoquem a mortandade de animais ou a destruição significativa da flora.
Classificação:
• crime material;
• crime comum;
• crime de ação única;
• crime unissubjetivo;
• crime plurissubjetivo;
• crime de dano ou crime de perigo (*);
• crime de forma livre;
• crime instantâneo ou crime permanente (**);
• crime plurissubsistente;
• crime comissivo.

 Obs.: (*) Observe-se que o tipo penal prevê tanto a existência de um crime de perigo (contido
na expressão “resultem ou possam resultar em danos à saúde humana) quanto crime
de dano (na hipótese em que há a “mortandade de animais ou a destruição significati-
va da flora”).
 Assim, de acordo com o entendimento do STJ, a Lei de Crimes Ambientais deve ser
interpretada à luz dos princípios do desenvolvimento sustentável e da prevenção, indi-
cando o acerto da análise que a doutrina e a jurisprudência têm conferido à parte
inicial do art. 54 da Lei n. 9.605/1998, de que a mera possibilidade de causar dano à
saúde humana é idônea a configurar o crime de poluição, evidenciada sua natureza
formal ou, ainda, de perigo abstrato80.
80
Nesse sentido, veja-se: RHC 62.119/SP, Rel. Ministro GURGEL DE FARIA, Quinta Turma, DJe 5/2/2016.

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 Logo, o delito previsto na primeira parte do artigo 54 da Lei n. 9.605/1998 possui natu-
reza formal, sendo suficiente a potencialidade de dano à saúde humana para configu-
ração da conduta delitiva, não se exigindo, portanto, a realização de perícia81. Aliás,
segundo entendeu o STJ, havendo, nos autos, laudo pericial atestando que a conduta
praticada era suficiente para causar ou potencialmente poderia determinar prejuízo à
saúde das pessoas, afigura-se presente a justa causa para a ação penal82.
 (**) no tocante à duração do momento consumativo, tem-se que este dependerá da
forma como o agente causou a poluição, podendo haver tanto a hipótese de crime ins-
tantâneo quanto de crime permanente.

Momento consumativo e tentativa: o crime consuma-se com a efetiva poluição que pro-
voque dano à saúde pública, mortandade de animais ou destruição significativa83 da flora. A
tentativa é admissível.
Pena – reclusão, de um a quatro anos, e multa.
Modalidade culposa
O legislador optou por criminalizar a conduta daquele que, culposamente, causa poluição,
nos termos descritos no art. 54, caput.
Nessa hipótese, será aplicada pena de detenção, de seis meses a um ano, e multa.
Forma qualificada
Em situações específicas, a pena passará para um novo patamar, qual seja: reclusão, de
um a cinco anos. Tal pena será aplicada nas seguintes hipóteses:
I – se o crime tornar uma área, urbana ou rural, imprópria para a ocupação humana;
II – se o crime causar poluição atmosférica que provoque a retirada, ainda que momen-
tânea, dos habitantes das áreas afetadas, ou que cause danos diretos à saúde da população;
III – − se o crime causar poluição hídrica que torne necessária a interrupção do abasteci-
mento público de água de uma comunidade;
IV – − se o crime dificultar ou impedir o uso público das praias;
V – − se o crime ocorrer por lançamento de resíduos sólidos, líquidos ou gasosos, ou detri-
tos, óleos ou substâncias oleosas, em desacordo com as exigências estabelecidas em leis ou
regulamentos.
Posicionamento do STJ
Segundo entendimento do STJ, a emissão de som, quando em desacordo com os padrões
estabelecidos, provocará a degradação da qualidade ambiental, adequando-se à descrição
81
EREsp 1417279/SC, Rel. Ministro JOEL ILAN PACIORNIK, Terceira Seção, DJe 20/04/2018.
82
RMS 50393/PA Relator(a) Ministro FELIX FISCHER (1109). Órgão Julgador T5 − QUINTA TURMA. Data do Julgamento
12/09/2017. Data da Publicação/Fonte DJe 20/09/2017.
83
Observe-se que, em razão da redação dada ao dispositivo, a poluição causada deve ter um grau elevado, ou seja: deve ter
o potencial de causar danos para a saúde humana, ou provocar a mortandade de animais ou a destruição significativa da
flora.

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típica constante no art. 54, caput, e § 2º, I, da Lei n. 9.605/1998, c/c o art. 3º, III, da Lei n.
6.938/1981, pois descreve a emissão, pela pessoa jurídica, de ruídos acima dos padrões legais
estabelecidos, causando prejuízos à saúde humana, consoante preconiza a Resolução do Co-
nama n. 1/1990.
O delito descrito no art. 54, § 2º, V, da Lei n. 9.605/1998 é crime de perigo, não se exigindo
a ocorrência do efetivo dano ao bem jurídico. Assim, não é necessário que a poluição pelo lan-
çamento de resíduos sólidos, líquidos ou gasosos, ou detritos, óleos ou substâncias oleosas
afete a saúde, a fauna ou a flora.
Em resumo, tem-se que, com base nos princípios do desenvolvimento sustentável e da pre-
venção, o STJ firmou posicionamento no sentido de que a mera possibilidade de causar dano
à saúde humana é suficiente para configurar o crime de poluição, dada a sua natureza formal
ou, ainda, de perigo abstrato.84
Figuras equiparadas: poluição por omissão.
Incorre nas mesmas penas previstas no parágrafo anterior quem deixar de adotar, quando
assim o exigir a autoridade competente, medidas de precaução em caso de risco de dano am-
biental grave ou irreversível.85

 Obs.: Enquanto o caput do art. 54 da Lei Ambiental traz crime material (resultado de poluição
com danos à saúde humana, ou que provoquem a mortandade de animais ou a destrui-
ção significativa da flora), seu § 3º trata de crime omissivo próprio (deixar de adotar,
quando assim o exigir a autoridade competente) como perigo concreto (risco de dano
ambiental grave ou irreversível.

Tipo penal: art. 55 (usurpação mineral)


De início, registre-se que a Constituição Federal estabelece, em seu art. 225, § 2º, que
aquele que explorar recursos minerais fica obrigado a recuperar o meio ambiente degradado,
de acordo com solução técnica exigida pelo órgão público competente, na forma da lei.
Trata-se de obrigação decorrente de expressa disposição constitucional, no sentido de que
“o Estado favorecerá a organização da atividade garimpeira em cooperativas, levando em con-
ta a proteção do meio ambiente e a promoção econômico-social dos garimpeiros”86.
Frise-se, ainda, a regra expressa no art. 170 da CRFB, segundo a qual a proteção do meio
ambiente constitui-se como um princípio da atividade econômica.
Desse modo, a Lei n. 9.605/1998 permitiu a pesquisa, lavra ou extração de recursos mine-
rais, desde que o mesmo se comprometa a recuperar o meio ambiente degradado, de acordo
com solução técnica exigida.

84
RHC n. 62.119/SP, Rel. Ministro GURGEL DE FARIA. Órgão julgador: Quinta Turma, DJe 5/2/2016.
85
Art. 54, § 3º, da Lei 9.605/1998.
86
art. 174, § 3º CRFB.

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Assim, tem-se que tal delito se caracteriza como espécie de delito perpetrado contra o
patrimônio público, cujo foco central está no prejuízo resultante da indevida ou irregular extra-
ção mineral.
Conduta típica: executar pesquisa, lavra ou extração de recursos minerais.
Elemento normativo do tipo: encontra-se contido na expressão “sem a competente autori-
zação, permissão, concessão ou licença, ou em desacordo com a obtida”.
Pena – detenção, de seis meses a um ano, e multa.
Momento consumativo e tentativa: o delito se consuma com a mera extração do material
sem a autorização da autoridade competente.
A tentativa é possível.
Classificação: crime comum.
Elemento subjetivo: o crime admite somente a forma dolosa.
Figuras equiparadas: também incidirá nas mesmas penas aquele que deixar de recuperar
a área pesquisada ou explorada, nos termos da autorização, permissão, licença, concessão ou
determinação do órgão competente.87
Trata-se, aqui, de crime omissivo próprio, criado com o objetivo de garantir a efetiva prote-
ção do meio ambiente degradado pela atividade mineradora.
Justiça competente/foro competente
Em conflito de competência referente à justiça competente para o julgamento de crime de
usurpação mineral, decidiu-se no sentido de que compete à Justiça Estadual o julgamento do
crime do art. 55 da Lei n. 9.605/1998, consubstanciado em extração rudimentar de areia em
leito de rio, quando não demonstrada excepcional lesão a interesse da União.88
Observe-se, no entanto, que os recursos minerais são bens da União e somente ela possui
competência para regular a sua exploração, estabelecendo critérios mínimos que impliquem
menos agressão ao meio ambiente. Assim, é de extrema importância que a lavra ocorra em
perfeita consonância com as normas que regulam a matéria, impondo-se interpretar, sob tal
viés, a previsão contida no art. 2º da Lei n. 8.176/1991, que torna obrigatório ao agente a
necessidade de autorização legal ou a observância das obrigações determinadas pelo título
autorizativo.89
Tipo penal: art. 56
Conduta típica: produzir, processar, embalar, importar, exportar, comercializar, fornecer,
transportar, armazenar, guardar, ter em depósito ou usar produto ou substância tóxica, perigo-
sa ou nociva à saúde humana ou ao meio ambiente.
Objeto material: produto ou substância tóxica, perigosa ou nociva à saúde humana ou ao
meio ambiente.
87
Vide art. 55, Parágrafo único, da Lei n. 9.605/1998.
88
AgRg no CC 151896/RJ. Relator(a): Ministro ANTONIO SALDANHA PALHEIRO (1182). Órgão Julgador: S3 − TERCEIRA
SEÇÃO. Data do Julgamento: 12/12/2018.
89
RHC 63031 / PA.

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Elemento normativo do tipo: em desacordo com as exigências estabelecidas em leis ou


nos seus regulamentos.
Pena – reclusão, de um a quatro anos, e multa.
Classificação:
• crime comum;
• crime de conteúdo múltiplo ou variado;
• crime formal;
• crime de perigo abstrato.

Elemento normativo: a conduta ilícita prevista no art. 56, caput, da Lei n. 9.605/1998, é nor-
ma penal em branco, cuja complementação depende da edição de outras normas que definam
o que venha a ser o elemento normativo do tipo90 “produto ou substância tóxica, perigosa ou
nociva à saúde pública ou ao meio ambiente”.
Nos termos do entendimento deste Superior Tribunal de Justiça,

a conduta ilícita prevista no art. 56, caput, da Lei n. 9.605/1998, é de perigo abstrato. Não
é exigível, pois, para o aperfeiçoamento do crime, a ocorrência de lesão ou de perigo de
dano concreto na conduta de quem produz, processa, embala, importa, exporta, comer-
cializa, fornece, transporta, armazena, guarda, tem em depósito ou usa produto ou subs-
tância tóxica, perigosa ou nociva à saúde humana ou ao meio ambiente, em desacordo
com as exigências estabelecidas em leis ou nos seus regulamentos.91

Art. 56 e princípio da insignificância


Conforme já mencionado, predomina no STJ o entendimento de que é possível a aplicação
do princípio da insignificância aos crimes ambientais, devendo-se analisar as circunstâncias
específicas do caso concreto para aferir, com cautela, o grau de reprovabilidade, a relevância
da periculosidade social, bem como a ofensividade da conduta, haja vista a fundamentalidade
do direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado às presentes e futuras gerações, con-
soante princípio da equidade intergeracional.
Porém, no caso do art. 56 da Lei n. 9.605/1998, observa-se que este descreve crime am-
biental formal de perigo abstrato, ante a presunção absoluta do legislador de perigo na reali-
zação da conduta típica e a prescindibilidade de resultado naturalístico, e pluridimensional,
pois, além de proteger o meio ambiente em si, tutela diretamente a saúde pública, haja vista a
periclitância de seus objetos, altamente nocivos e prejudiciais, com alta capacidade ofensiva.
90
No caso específico de transporte de tais produtos ou substâncias, o Regulamento para o Transporte Rodoviário de Produ-
tos Perigosos (Decreto n. 96.044/1988) e a Resolução n. 420/2004 da Agência Nacional de Transportes Terrestres – ANTT
constituem a referida norma integradora, por, inequivocamente, indicar os produtos e substâncias cujo transporte rodoviá-
rio é considerado perigoso.
91
REsp 1.439.150/RS. Sexta Turma, Rel. Min. Rogério Schietti. DJe 16/10/2017.

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Desse modo, não é possível se falar em ausência de periculosidade social da ação, porquanto
esta lhe é inerente. Em outras palavras, não é possível a aplicação do princípio da insignificân-
cia em relação a este tipo penal.92
Figuras equiparadas
A Lei de Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei n. 12.305, de 2010) criou novas figuras
típicas que sujeitarão o sujeito ativo às mesmas penas previstas no art. 56, caput (reclusão, de
um a quatro anos, e multa).
Assim, incorre nessas penas quem:
I – − abandona os produtos ou substâncias referidas no caput ou os utiliza em desacordo
com as normas ambientais ou de segurança;
II – − manipula, acondiciona, armazena, coleta, transporta, reutiliza, recicla ou dá destina-
ção final a resíduos perigosos de forma diversa da estabelecida em lei ou regulamento.
Aumento de pena
Se o produto ou a substância for nuclear ou radioativa, a pena é aumentada de um sexto a
um terço.93
Modalidade culposa
Se o crime é culposo, o agente incidirá em uma pena de detenção, de seis meses a um
ano, e multa.94
Conflito aparente de normas

A Lei n. 7.802/1989 é especial em relação à Lei n. 9.605/1998 no que tange ao transpor-


te de agrotóxico. Entretanto, aquela não veicula o verbo importar como um dos núcleos do tipo
previsto no art. 15, diferentemente do que ocorre com a Lei dos Crimes Ambientais, em seu
art. 56. Este dispositivo é mais amplo, contendo doze núcleos, dentre eles, o de importar e o de
transportar substâncias tóxicas.

Princípio da consunção
O princípio da consunção resolve o conflito aparente de normas penais quando um delito
menos grave é meio necessário ou normal, fase de preparação ou execução de outro mais da-
noso. Nessas situações, o agente apenas será responsabilizado pelo último crime. Para tanto,
porém, imprescindível a constatação do nexo de dependência entre as condutas, a fim de que
ocorra a absorção da menos lesiva pela mais nociva ao meio social (HC n. 377.519/RJ, Sexta
Turma, Rel. Min. Antônio Saldanha Palheiro, DJe de 9/2/2017).
Crimes contra a fauna: figuras preterdolosas
O art. 58 previu algumas hipóteses para o aumento de pena em relação aos crimes dolo-
sos, previstos nesta Seção.

92
Neste sentido, veja-se: RHC 64039/RS. DJe 03/06/2016.
93
Art. 56, § 2º, da Lei 9.605/1998.
94
Art. 56, § 3º, da Lei 9.605/1998.

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Assim, as penas serão aumentadas:


I – − de um sexto a um terço, se resulta dano irreversível à flora ou ao meio ambiente em geral;
II – − de um terço até a metade, se resulta lesão corporal de natureza grave em outrem;
III – − até o dobro, se resultar a morte de outrem.
Por fim, é importante salientar que as penalidades acima mencionadas somente serão
aplicadas se do fato não resultar crime mais grave.
Tipo penal: art. 60
Como sabemos, a CRFB atribuiu ao Poder Público o dever de proteger o meio ambiente.
Assim, a CRFB condicionou a instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de
significativa degradação do meio ambiente à realização de estudo prévio de impacto ambien-
tal. Tal exigência tem o objetivo de evitar danos ambientais desarrazoados, em descompasso
com o princípio do desenvolvimento sustentável.
Assim, com base nos princípios da precaução e prevenção, a realização de estudo de im-
pacto ambiental é obrigatória nas situações definidas em lei.
Conduta típica
Caso haja a construção, reforma, ampliação, instalação ou início das atividades de algum
empreendimento que possa causar significativa degradação ambiental sem a observância das
normas legais, o autor incorrerá nas penas previstas neste delito.
Elemento subjetivo
Dolo, consistente na vontade livre e consciente de construir, reformar, ampliar, instalar ou
fazer funcionar estabelecimentos, obras ou serviços potencialmente poluidores, sem licença
ou autorização dos órgãos ambientais competentes, ou contrariando as normas legais e regu-
lamentares pertinentes.
Elemento normativo do tipo
Importante salientar que, para a configuração do delito, tais condutas devem ser realizadas
sem licença ou autorização dos órgãos ambientais competentes, ou contrariando as normas
legais e regulamentares pertinentes.
Resolução Conama n. 237/1997
Com relação aos elementos normativos do tipo penal, faz-se necessária a observância da
resolução n. 237, de 19 de dezembro de 1997, do CONAMA.
Tal resolução esclarece que o Licenciamento Ambiental é um procedimento administrati-
vo pelo qual o órgão ambiental competente licencia a localização, instalação, ampliação e a
operação de empreendimentos e atividades utilizadoras de recursos ambientais, consideradas
efetiva ou potencialmente poluidoras, ou daquelas que, sob qualquer forma, possam causar
degradação ambiental, considerando as disposições legais e regulamentares, bem como as
normas técnicas aplicáveis ao caso.95

95
Vide art. 1º, I da resolução CONAMA n. 237/1997.

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Tal procedimento administrativo compõe-se de vários atos administrativos, que são as li-
cenças ambientais respectivas: licença prévia, licença de instalação e licença de operação.
Dessa forma, tem-se que a Licença Ambiental é o ato administrativo pelo qual o órgão am-
biental competente estabelece as condições, restrições e medidas de controle ambiental que
deverão ser obedecidas pelo empreendedor, pessoa física ou jurídica, para localizar (licença
prévia), instalar (licença de instalação), ampliar e operar (licença de operação) empreendimen-
tos ou atividades utilizadoras dos recursos ambientais consideradas efetiva ou potencialmen-
te poluidoras, ou aquelas que, sob qualquer forma, possam causar degradação ambiental.
A referida resolução ainda esclarece que a localização, construção, instalação, ampliação,
modificação e operação de empreendimentos e atividades utilizadoras de recursos ambientais,
consideradas efetiva ou potencialmente poluidoras, bem como os empreendimentos capazes,
sob qualquer forma, de causar degradação ambiental, dependerão de prévio licenciamento do
órgão ambiental competente, sem prejuízo de outras licenças legalmente exigíveis.
Assim, caso tais condutas sejam praticadas sem o aval do ente público responsável pelo
licenciamento ambiental, ficarão os autores sujeitos às sanções administrativas e penais96
correspondentes.
Classificação:
• crime formal;
• crime de ação múltipla ou conteúdo variado;
• crime unissubjetivo;
• crime de perigo;
• crime de forma livre;
• crime instantâneo;
• crime plurissubsistente;
• crime comissivo.

Ainda com relação à classificação do delito, tem-se que o crime previsto no art. 60 da Lei
n. 9.605/1998 é de perigo abstrato, uma vez que não se exige prova do dano ambiental, sendo
certo que a conduta ilícita se configura com a mera inobservância ou descumprimento da nor-
ma, pois o dispositivo em questão pune a conduta do agente que pratica atividades potencial-
mente poluidoras, sem licença ambiental97.
Tipo penal: art. 61
Conduta típica: disseminar, ou seja: espalhar algo, alastrar, dissipar, propagar.
Objeto material: exige-se que a disseminação se refira à doença, praga ou espécies que
possam causar dano à agricultura, à pecuária, à fauna, à flora ou aos ecossistemas.
Pena – reclusão, de um a quatro anos, e multa.
96
Pena: detenção, de um a seis meses, ou multa, ou ambas as penas cumulativamente.
97
RHC 89461/AM. Relator(a): Ministro FELIX FISCHER. Órgão Julgador: QUINTA TURMA. Data do Julgamento: 17/05/2018.
Data da Publicação/Fonte: DJe 25/05/2018.

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Seção IV
− Dos Crimes contra o Ordenamento Urbano e o Patrimônio Cultural

A política de desenvolvimento urbano encontra-se diretamente relacionada à proteção do


meio ambiente e tem por objetivo ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da
cidade e garantir o bem-estar de seus habitantes.
Com relação ao patrimônio cultural brasileiro, registre-se que a Constituição Federal, em
seu art. 216, § 3º, estabeleceu a necessidade de o legislador infraconstitucional elaborar o
Plano Nacional de Cultura, o qual terá como objetivo o desenvolvimento cultural do País e a
integração das ações do Poder Público que conduzam, por exemplo, à defesa e à valorização
do patrimônio cultural brasileiro.
Do mesmo modo, o art. 216 incluiu os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisa-
gístico, artístico, arqueológico, paleontológico, ecológico e científico como parte do patrimônio
cultural brasileiro.
Ainda, atribuiu ao Poder Público, com a colaboração da comunidade, o dever de promover
e proteger o patrimônio cultural brasileiro, por meio de inventários, registros, vigilância, tomba-
mento e desapropriação, e de outras formas de acautelamento e preservação.
Por fim, a CRFB (art. 216, § 4º) explicitou que os danos e ameaças ao patrimônio cultural
serão punidos, na forma da lei, sendo certo que, na esfera penal e administrativa, tal punição
será feita com base na Lei n. 9.605/1998.
Tipo penal: art. 62
Condutas típicas: destruir (arruinar, demolir, assolar) inutilizar (tornar inútil, imprestável) ou
deteriorar (estragar, corromper, desfigurar, reduzir a utilização de) determinados objetos.
Objetos materiais: bens especialmente protegidos por lei, ato administrativo ou decisão
judicial; e arquivo, registro, museu, biblioteca, pinacoteca, instalação científica ou similar prote-
gido por lei, ato administrativo ou decisão judicial.
Pena – reclusão, de um a três anos, e multa.
Modalidade culposa: se o crime for culposo, a pena é de seis meses a um ano de detenção,
sem prejuízo da multa.98
Classificação:
• crime material;
• crime unissubjetivo;
• crime de dano;
• crime de forma livre;
• crime instantâneo;
• crime plurissubsistente;
• crime comissivo.

98
Art. 62, parágrafo único, da Lei n. 9.605/1998.

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Tipo penal: art. 63


Conduta típica: alterar o aspecto ou a estrutura de determinados bens.
Segundo ensina FREITAS (2006), alteração consiste na modificação ou desfiguração da
aparência, do aspecto ou da estrutura, consistente na sua composição, de edifício ou local
protegido por lei, ato administrativo ou decisão judicial, sem autorização da autoridade compe-
tente ou em desacordo com a concedida.
Objeto material: a alteração deve incidir sobre o aspecto ou estrutura de edificação ou local
especialmente protegido por lei, ato administrativo ou decisão judicial.
Tratando-se de crime contra o Ordenamento Urbano e o Patrimônio Cultural, tem-se que
a proteção da edificação ou do local deve ter sido realizada em razão de seu valor paisagís-
tico, ecológico, turístico, artístico, histórico, cultural, religioso, arqueológico, etnográfico ou
monumental.
Classificação:
• crime comum, podendo ser praticado por qualquer pessoa99;
• crime formal;
• crime unissubjetivo;
• crime de ação única;
• crime de dano;
• crime de forma livre;
• crime instantâneo;
• crime plurissubsistente;
• crime comissivo.

Elemento normativo do tipo: exige-se que a alteração seja realizada sem autorização da
autoridade competente ou em desacordo com a concedida.
Pena – reclusão, de um a três anos, e multa.
Tipo penal: art. 64
Conduta típica: promover construção em solo não edificável, ou no seu entorno.
Exige-se, ainda, que tal proibição se dê em razão do valor paisagístico, ecológico, artístico,
turístico, histórico, cultural, religioso, arqueológico, etnográfico ou monumental, inerente a tal
local ou seu entorno.
Classificação:
• crime formal;
• crime unissubjetivo;
• crime de ação única;
• crime de dano;
• crime de forma livre;

99
Registre-se que o proprietário da edificação ou local especialmente protegido também pode ser sujeito ativo desse crime.

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• crime plurissubsistente;
• crime comissivo.

Elemento normativo do tipo: para que ocorra o crime é essencial que tal construção seja
realizada sem autorização da autoridade competente ou em desacordo com autorização even-
tualmente concedida.
Consumação e tentativa: em razão do tipo penal apresentado (promover construção), tem-
-se consumação do crime com o simples início da edificação.
Tentativa: é admissível.
Pena – detenção, de seis meses a um ano, e multa.
Tipo penal: art. 65
Conduta típica: pichar ou, por outro meio, conspurcar edificação ou monumento urbano.
Conspurcar significa manchar, sujar, macular, danificar. Pode ser realizada de várias for-
mas, inclusive por meio de pichação. Esta, por sua vez, refere-se ao ato de escrever ou rabiscar
sobre muros, fachadas de edificações ou monumentos, usando tinta em spray, aerossol, ou
produto similar.
Objeto jurídico tutelado: o meio ambiente artificial (na hipótese do caput) e o meio ambien-
te cultural (na hipótese do parágrafo primeiro).
Pena – detenção, de três meses a um ano, e multa.
Forma qualificada: se a edificação ou monumento urbano constituir-se em coisa tombada
em virtude do seu valor artístico, arqueológico ou histórico, a pena passará para um novo pa-
tamar, qual seja: de seis meses a um ano de detenção, e multa.
Classificação:
• crime material;
• crime unissubjetivo;
• crime de ação única;
• crime de dano;
• crime de forma livre;
• crime instantâneo;
• crime plurissubsistente;
• crime comissivo.

Sujeito Passivo: tratando-se de crime contra o patrimônio cultural e o ordenamento urba-


no, temos: como sujeito passivo imediato, a coletividade; como sujeito passivo secundário, o
Estado e o proprietário da edificação.
Grafite: o grafite constitui-se como forma de expressão artística, não se confundindo com
a pichação, que é um ato de vandalismo. Pensando nisso, o legislador entendeu que não cons-
titui crime a prática de grafite realizada com o objetivo de valorizar o patrimônio público ou
privado, mediante manifestação artística.

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Requisitos para a atipicidade da conduta


No entanto, para que a conduta seja atípica é necessário que:
• no caso de bem privado, exige-se que a realização do grafite seja consentida pelo pro-
prietário e, quando couber, pelo locatário ou arrendatário do bem privado;
• no caso de bem público, é necessário que haja autorização do órgão competente e a
observância das posturas municipais e das normas editadas pelos órgãos governamen-
tais responsáveis pela preservação e conservação do patrimônio histórico e artístico
nacional.100

Seção V
− Dos Crimes contra a Administração Ambiental

Para que o Poder Público possa atuar de forma eficaz na proteção ambiental é fundamen-
tal que os agentes públicos atuantes na área ambiental desempenhem suas atribuições de
forma honesta, proba e eficiente, obedecendo às leis e normas ambientais.
Assim, não obstante a existência das figuras típicas descritas no Código Penal, no capítulo
atinente aos crimes contra a Administração, a Lei n. 9.605/1998 inseriu, em seu texto, algumas
condutas típicas específicas para a Administração Ambiental, prevendo a punição de servi-
dores públicos, com atuação na área ambiental, que prestem informações falsas, bem como
particulares que, com sua conduta, possam vir a prejudicar a atuação dos agentes públicos, na
fiscalização ambiental.
Passemos a elas:
Tipo penal: art. 66
Conduta típica: fazer o funcionário público afirmação falsa ou enganosa, omitir a verdade,
sonegar informações ou dados técnico-científicos em procedimentos de autorização ou de
licenciamento ambiental.
Pena – reclusão, de um a três anos, e multa.
Trata-se, como se vê, de crime especial em relação ao crime de falso testemunho ou falsa
perícia101, previsto no Código Penal.
Classificação: é um crime próprio, pois só pode ser praticado por funcionário público.
Conceito de funcionário público: segundo estabelece o art. 327 do Código Penal, consi-
dera-se funcionário público, para os efeitos penais, quem, embora transitoriamente ou sem
remuneração, exerce cargo, emprego ou função pública.
Funcionário público por equiparação: o Código Penal também estabeleceu que aquele
que exerce cargo, emprego ou função em entidade paraestatal, e aquele que trabalha para
empresa prestadora de serviço, contratada ou conveniada para a execução de atividade típica
100
Art. 65, § 2º, da Lei n. 9.605/1998.
101
Art. 342 do Código Penal: “Fazer afirmação falsa, ou negar ou calar a verdade como testemunha, perito, contador, tradutor
ou intérprete em processo judicial, ou administrativo, inquérito policial, ou em juízo arbitral.”

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da Administração Pública, será equiparado a funcionário público e, portanto, poderá ser autor
de delitos privativos de funcionários públicos (BITENCOURT, 2015).
É um crime formal, consumando-se no momento em que o funcionário faz a afirmação fal-
sa, omite a verdade ou sonega a informação, não sendo necessário o resultado naturalístico.
A doutrina o conceitua como crime de mão própria (também chamado de crime de ação
pessoal ou de conduta infungível). Isso porque, dado o caráter personalíssimo da conduta, não
admite coautoria. Contudo, admitem participação102.
É, também, classificado como crime instantâneo, consumando-se no momento em que o
funcionário público faz afirmação falsa ou enganosa, omite a verdade, sonega informações ou
dados técnico-científicos em procedimentos de autorização ou de licenciamento ambiental.
O tipo penal admite que o crime seja cometido por meio de conduta positiva ou negativa
(crime comissivo ou omissivo). Assim, o funcionário público que FAZ afirmação falsa ou en-
ganosa pratica o delito de forma comissiva. Já o funcionário público que omite a verdade ou
sonega informações responde pelo crime na modalidade omissiva.
Por fim, registre-se que se trata de um tipo especial, eis que a conduta deve ocorrer em proce-
dimentos de autorização ou de licenciamento ambiental (FERREIRA e PORTOCARRERO, 2019).
Tipo penal: art. 67
Sujeito ativo: trata-se de crime próprio, sendo praticado por funcionário público, nos ter-
mos do art. 327 do Código Penal, ou por pessoa a ele equiparado, nos termos do parágrafo
único do mesmo artigo.
Conduta típica: conceder licença, autorização ou permissão em desacordo com as normas
ambientais.
Requisito específico: além do ato ter sido praticado em desacordo com as normas ambien-
tais, é essencial que a referida licença, autorização ou permissão seja concedia em relação a
atividades, obras ou serviços que dependam de ato autorizativo do Poder Público.
Pena – detenção, de um a três anos, e multa.
Bem jurídico tutelado: Administração Pública Ambiental.
Modalidade culposa: se o crime é culposo, a pena é de três meses a um ano de detenção,
sem prejuízo da multa.103
Classificação:
• crime próprio;

102
Considera-se partícipe aquele que, sem praticar atos de execução, induz, instiga ou presta auxílio material à execução de
crime cometido por outrem.
103
Parágrafo único, da Lei n. 9.605/1998.

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• crime formal, não sendo exigida a ocorrência de resultado finalístico. Aliás, segundo 104

jurisprudência dominante no STJ, trata-se de crime formal de perigo abstrato, consu-


mando-se com a simples emissão do ato administrativo, independentemente de o mes-
mo vir (ou não) a ser executado, ou da sua concessão causar danos ambientais.105
• crime unissubjetivo;
• crime de ação única;
• crime de dano;
• crime de forma livre;
• crime instantâneo;
• crime plurissubsistente;
• crime comissivo.

Tipo penal: art. 68


Conduta típica: deixar, aquele que tiver o dever legal ou contratual de fazê-lo, de cumprir
obrigação de relevante interesse ambiental.
Pena – detenção, de um a três anos, e multa.
Classificação:
• crime formal;
• crime unissubjetivo;
• crime de ação única;
• crime de perigo abstrato;
• crime de forma livre;
• crime instantâneo;
• crime plurissubsistente;
• Trata-se de crime próprio, mas não restrito apenas a funcionários públicos, podendo ser
praticado por aquele que, embora não sendo funcionário público, tenha o dever legal ou
contratual de cumprir obrigação de relevante interesse ambiental.
• Trata-se de crime omissivo impróprio, no qual o apontado agente, contrariando o dever
legal ou contratual de fazê-lo, deixa de cumprir obrigação de relevante interesse ambien-
tal para evitar resultado danoso ao meio ambiente.106

Aliás, consoante assevera BARROS (2006), nos crimes omissivos impróprios (impuros, es-
púrios ou comissivos por omissão), o núcleo do tipo é uma ação, mas a tipicidade compreende

104
AgRg no REsp 1675032/RJ. Relator(a): Ministro JORGE MUSSI (1138). Órgão Julgador T5 − QUINTA TURMA. Data do Jul-
gamento 25/09/2018. Data da Publicação/Fonte DJe 03/10/2018.
105
AgRg no REsp 1730114/SC Relator(a): Ministro RIBEIRO DANTAS (1181). Órgão Julgador T5 − QUINTA TURMA. Data do
Julgamento 04/09/2018. Data da Publicação/Fonte DJe 14/09/2018.
106
Tais delitos também são chamados comissivos por omissão, em razão do fato de o agente ter o dever de evitar o resultado
naturalístico.

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também a conduta daquele que não evitou o resultado, por atuação ativa. Assim, a tipicidade
em tais delitos deriva da violação do dever jurídico de impedir o resultado.
Em outras palavras: o crime omissivo impróprio é aquele em que uma omissão inicial do
agente dá causa a um resultado posterior, o qual o agente tinha o dever jurídico de evitar.
Modalidade culposa: se o crime é culposo, a pena é de três meses a um ano, sem prejuí-
zo da multa.
Tipo penal: art. 69
Conduta típica: obstar ou dificultar a ação fiscalizadora do Poder Público no trato de ques-
tões ambientais.
Obstar: significa impedir a ação fiscalizadora. Já na conduta de dificultar, a ação fiscaliza-
dora é, apenas, retardada ou atrasada em razão da conduta do autor.
Pena – detenção, de um a três anos, e multa.
Classificação:
• crime comum, podendo ser praticado por qualquer pessoa;
• crime formal, consumando-se com o mero ato de obstar ou dificultar a fiscalização;
• crime unissubjetivo;
• crime de forma livre;
• crime instantâneo;
• crime plurissubsistente.

Tipo penal: art. 69−A


Trata-se de tipo penal incluído por força da Lei n. 11.284, de 2006 (a qual dispõe sobre a
gestão de florestas públicas para a produção sustentável, e dá outras providências).
Conduta típica: elaborar ou apresentar estudo, laudo ou relatório ambiental total ou parcial-
mente falso ou enganoso, inclusive por omissão.
Observe-se que tais condutas devem ser praticadas no âmbito de um procedimento admi-
nistrativo de licenciamento, concessão florestal ou qualquer outro desta natureza.
Pena – reclusão, de três a seis anos, e multa.
Classificação:
• crime próprio;
• crime de mão própria;
• crime formal;
• crime unissubjetivo;
• crime de ação única;
• crime de forma livre;
• crime instantâneo;
• crime plurissubsistente;
• crime comissivo ou omissivo, a depender da conduta praticada.

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Modalidade culposa: visando garantir que os procedimentos administrativos realizados


pelos agentes públicos serão realizados com a atenção, eficiência, seriedade e diligência
que se espera de um servidor público, achou-se por bem tipificar a conduta praticada de for-
ma culposa.
Assim, se o agente público, por imprudência, negligência ou imperícia, apresenta um estu-
do, laudo ou relatório falso, será punido, também, na esfera penal.
Pena – se o crime é culposo, o agente incidirá em uma pena de detenção, de um a três anos.
Aumento de pena: a pena é aumentada de um terço a dois terços, se há dano significativo
ao meio ambiente, em decorrência do uso da informação falsa, incompleta ou enganosa.107
Crimes contra administração e princípio da insignificância

O Superior Tribunal de Justiça entende ser possível a aplicação do princípio da insignifi-


cância a determinados casos de crimes praticados contra o meio ambiente. Contudo, o art. 68
da Lei n. 9.605/1998 encontra-se dentro da Seção V do citado diploma legal, sendo, portanto,
classificado como crime contra a Administração Ambiental, o que torna inaplicável o citado
brocardo, por ter como finalidade resguardar, também, a moral administrativa.108

107
Art. 69−A, § 2º, da Lei n. 9.605/1998.
108
AgRg no AREsp 962776/RS. Relator(a): Ministro NEFI CORDEIRO (1159). Órgão Julgador T6 − SEXTA TURMA. Data do Jul-
gamento 17/10/2017. Data da Publicação/Fonte DJe 23/10/2017.

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QUESTÕES DE CONCURSO
001. (FCC/TCE−RR/PROCURADOR DE CONTAS/2008) As sanções de interdição de direi-
tos aplicáveis às pessoas jurídicas, pela prática de crimes previstos na Lei n. 9.605/19998,
incluem a:
a) prestação pecuniária.
b) multa.
c) proibição de contratar com o Poder Público, por prazo não inferior a 15 (quinze) anos.
d) proibição de contratar operação de empréstimo com instituição financeira.
e) interdição temporária de estabelecimento.

Base legal (grifos nosso):

Art. 22. As penas restritivas de direitos da pessoa jurídica são:


I – − suspensão parcial ou total de atividades;
II – − interdição temporária de estabelecimento, obra ou atividade;
III – − proibição de contratar com o Poder Público, bem como dele obter subsídios, subvenções ou
doações.
§ 1º A suspensão de atividades será aplicada quando estas não estiverem obedecendo às disposi-
ções legais ou regulamentares, relativas à proteção do meio ambiente.
§ 2º A interdição será aplicada quando o estabelecimento, obra ou atividade estiver funcionando
sem a devida autorização, ou em desacordo com a concedida, ou com violação de disposição legal
ou regulamentar.
§ 3º A proibição de contratar com o Poder Público e dele obter subsídios, subvenções ou doações
não poderá exceder o prazo de dez anos.
Letra e.

002. (VUNESP/CÂMARA DE VÁRZEA PAULISTA – SP/2016) O art. 37 da Lei n. 9.605/1998


estabelece que, independentemente de autorização ou prévia manifestação da autoridade com-
petente, é conduta autorizada legalmente (não há crime) o abate de animal quando realizado:
a) por ser nocivo (o animal).
b) para fins científicos e didáticos.
c) para controlar reprodução excessiva da espécie.
d) em estado de necessidade, para saciar a fome do agente ou de sua família.
e) para proteger lavouras, pomares e rebanhos da ação predatória ou destruidora de animais.

VIDE Lei n. 9.605/1998 (grifos nossos):

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Art. 37. Não é crime o abate de animal, quando realizado:
I – − em estado de necessidade, para saciar a fome do agente ou de sua família;
II – − para proteger lavouras, pomares e rebanhos da ação predatória ou destruidora de animais,
desde que legal e expressamente autorizado pela autoridade competente;
III – (VETADO)
IV – − por ser nocivo o animal, desde que assim caracterizado pelo órgão competente.
Letra d.

003. (FCC/2018/DPE-MA/DEFENSOR PÚBLICO) Sobre a aplicação da pena na Lei de Crimes


Ambientais (Lei n. 9.605/1998), é correto afirmar que:
a) a pena privativa de liberdade de até quatro anos pode ser substituída por pena restritiva
de direitos.
b) são circunstâncias atenuantes a prática do crime em período noturno e a colaboração com
os agentes encarregados da vigilância e do controle ambiental.
c) são circunstâncias agravantes a prática do crime em domingos e o baixo grau de instrução
do agente.
d) o recolhimento domiciliar é espécie de pena restritiva de direitos e não se confunde com a
prisão domiciliar aplicável em caso de regime aberto.
e) a suspensão condicional da pena pode ser aplicada nos casos de condenação à pena priva-
tiva de liberdade não superior a quatro anos.

a) Errada.

Art. 7º As penas restritivas de direitos são autônomas e substituem as privativas de liberdade quan-
do:
I – tratar-se de crime culposo ou for aplicada a pena privativa de liberdade inferior a quatro anos
(grifos nossos).
b) Errada. As circunstâncias agravantes estão no art.15, incisos I e II e suas alíneas. A prática
do crime em período noturno (alínea I) é circunstância agravante, mas a colaboração com os
agentes encarregados da vigilância e do controle ambiental é ATENUANTE, conforme inciso
IV do art.14 da Lei n. 9.605/1998.
c) Errada. As circunstâncias agravantes estão no art.15, incisos I e II e suas alíneas. A prática
de crime em domingos (alínea h) é circunstância agravante, mas o baixo grau de instrução do
agente é ATENUANTE, conforme inciso I do art. 14 da Lei n. 9.605/1998.
d) Certa. Art. 8º, inciso V e art.13 da Lei n. 9.605/1998.
e) Errada. Art.16: “(...) a suspensão condicional da pena pode ser aplicada nos casos de con-
denação à pena privativa de liberdade não superior a 3 (três) anos.”
Letra d.

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004. (CESPE/2019/PREFEITURA DE BOA VISTA – RR/PROCURADOR MUNICIPAL) Rafae-


la capturou, para sua criação doméstica de pássaros, duas jandaias amarelas, espécie que
consta na lista federal de fauna ameaçada de extinção. João, fiscal do órgão ambiental com-
petente, assistiu a captura dos animais, mas, por amizade a Rafaela, omitiu-se. Tempo depois,
Rafaela, residente em Boa Vista – RR, decidiu pedir autorização para a guarda dos pássaros à
Secretaria de Serviços Públicos e Meio Ambiente do Município de Boa Vista. No momento da
solicitação, ela relatou ter tido a permissão de João para levar para casa as duas aves.
Acerca dessa situação hipotética, julgue os itens a seguir, à luz da lei que regulamenta crimes
ambientais, do Decreto n. 6.514/2008 e do entendimento dos tribunais superiores.
De acordo com o referido decreto, Rafaela responderá por infração administrativa contra a
fauna e deverá ser condenada ao pagamento de multa, com valor a ser fixado em dobro por ter
capturado duas jandaias amarelas.

Rafaela responderá por CRIME contra a fauna (Art. 29 − 9.605).


Errado.

005. (CESPE/2019/PREFEITURA DE BOA VISTA – RR/PROCURADOR MUNICIPAL) Rafae-


la capturou, para sua criação doméstica de pássaros, duas jandaias amarelas, espécie que
consta na lista federal de fauna ameaçada de extinção. João, fiscal do órgão ambiental com-
petente, assistiu a captura dos animais, mas, por amizade a Rafaela, omitiu-se. Tempo depois,
Rafaela, residente em Boa Vista – RR, decidiu pedir autorização para a guarda dos pássaros à
Secretaria de Serviços Públicos e Meio Ambiente do Município de Boa Vista. No momento da
solicitação, ela relatou ter tido a permissão de João para levar para casa as duas aves.
Acerca dessa situação hipotética, julgue os itens a seguir, à luz da lei que regulamenta crimes
ambientais, do Decreto n. 6.514/2008 e do entendimento dos tribunais superiores.
Por se tratar de hipótese de guarda doméstica de espécie silvestre, o juiz poderá, considerando
as circunstâncias, deixar de aplicar a pena em desfavor de Rafaela.

Errado, pois as espécies em questão estão ameaçadas de extinção.


Veja a Lei n. 9.605/1998 (grifos nossos): “Art. 29, § 2º No caso de guarda doméstica de espé-
cie silvestre não considerada ameaçada de extinção, pode o juiz, considerando as circunstân-
cias, deixar de aplicar a pena.”
Errado.

006. (CONSULPAM/PREFEITURA DE VIANA – ES/PROCURADOR/2019) Acerca dos crimes


ambientais, conforme a Lei n. 9.605/1998 (Lei De Crimes Ambientais), assinale a alternati-
va CORRETA:

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a) Exportar, para o exterior, peles e couros de anfíbios e répteis em bruto, sem a autorização da
autoridade ambiental competente, constitui crime ambiental contra a fauna.
b) Pescar em período no qual a pesca seja proibida ou em lugares interditados por órgão com-
petente constitui crime ambiental contra a flora.
c) Fabricar, vender, transportar ou soltar balões que possam provocar incêndios nas florestas e
demais formas de vegetação, em áreas urbanas ou em qualquer tipo de assentamento huma-
no, constitui crime ambiental de poluição.
d) Executar pesquisa, lavra ou extração de recursos minerais sem a competente autorização,
permissão, concessão ou licença, ou em desacordo com a obtida, constitui crime ambiental
contra a flora.

Vide Lei n. 9.605/1998.


a) Certa. Art. 30, fauna.
b) Errada. Art. 34, é crime contra a Fauna.
c) Errada. Art. 42, é crime contra a Flora.
d) Errada. Art. 55, é crime previsto na seção III, “Da Poluição e outros Crimes Ambientais”.
Letra a.

007. (CESPE/PREFEITURA DE CAMPO GRANDE – MS/ PROCURADOR MUNICIPAL/2019)


Acerca de tutela processual do meio ambiente, de crimes ambientais e de espaços territoriais
especialmente protegidos, julgue o item que se segue.
O ato de grafitar é considerado um crime ambiental e pode ser punido com multa e detenção
de três meses a um ano.

§ 2º Não constitui crime a prática de grafite realizada com o objetivo de valorizar o patrimônio pú-
blico ou privado mediante manifestação artística, desde que consentida pelo proprietário e, quando
couber, pelo locatário ou arrendatário do bem privado e, no caso de bem público, com a autorização
do órgão competente e a observância das posturas municipais e das normas editadas pelos órgãos
governamentais responsáveis pela preservação e conservação do patrimônio histórico e artístico
nacional.
Errado.

008. (CESPE/PREFEITURA DE CAMPO GRANDE – MS/PROCURADOR MUNICIPAL/2019)


Acerca de tutela processual do meio ambiente, de crimes ambientais e de espaços territoriais
especialmente protegidos, julgue o item que se segue.
Situação hipotética: portando uma arma de fogo, mas sem licença de autoridade ambiental
competente, João penetrou em uma unidade de conservação.

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Assertiva: Ainda que não abata nenhum animal, nem mesmo tente fazê-lo na referida unidade
de conservação, João cometeu um crime ambiental.

Art. 52. Penetrar em Unidade de Conservação conduzindo substâncias ou instrumentos próprios


para caça ou para exploração de produtos ou subprodutos florestais, sem licença da autoridade
competente:
Pena – detenção, de seis meses a um ano, e multa (grifos nossos).
Certo.

009. (VUNESP/PREFEITURA DE FRANCISCO MORATO – SP/PROCURADOR/2019) Nos ter-


mos da Lei n. 9.605/1998, é circunstância que agrava a pena, quando não constitui ou qualifica
o crime ambiental, ter o agente cometido a infração:
a) possuindo baixo grau de instrução ou escolaridade.
b) para obter vantagem pecuniária.
c) e, após arrependimento, manifestar-se pela espontânea reparação do dano, ou limitação
significativa da degradação ambiental causado.
d) aos sábados, domingos ou feriados.
e) no interesse de pessoa jurídica somente mantida parcialmente, por verbas públicas ou be-
neficiada por incentivos fiscais.

VIDE LEI n 9.605/1998:

Art. 15. São circunstâncias que agravam a pena, quando não constituem ou qualificam o crime:
II – − ter o agente cometido a infração:
a) para obter vantagem pecuniária.
Letra b.

010. (FCC/SANASA CAMPINAS/PROCURADOR JURÍDICO/2019) Sobre a competência para


julgar crimes ambientais, é correto afirmar que:
a) é da Justiça Federal a competência para julgar crime praticado contra áreas ambientais
classificadas como patrimônio nacional.
b) a competência será da Justiça Federal em crimes contra a flora cujo auto de infração tiver
sido lavrado pelo IBAMA.
c) quando houver dano decorrente de pesca proibida em rio interestadual a competência será
sempre da Justiça Federal.
d) como regra geral, a competência será da Justiça Estadual, no caso de crimes contra a fauna.
e) no caso de extração ilegal de recursos minerais em propriedade particular a competência
será da Justiça Estadual.

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Em regra, a competência é da Justiça Estadual.


A competência será da Justiça Federal se o crime ambiental:
a) atentar contra bens, serviços ou interesses diretos e específicos da União ou de suas enti-
dades autárquicas;
b) for previsto tanto no direito interno quanto em tratado ou convenção internacional, tiver a
execução iniciada no país, mas o resultado tenha ou devesse ter ocorrido no estrangeiro, ou na
hipótese inversa;
c) tiver sido cometido a bordo de navios ou aeronaves;
d) houver sido praticado com grave violação de direitos humanos;
e) guardar conexão ou continência com outro crime de competência federal, ressalvada a com-
petência da Justiça Militar e da Justiça Eleitoral.
Letra d.

011. (VUNESP/PREFEITURA DE POÁ – SP/PROCURADOR JURÍDICO/2019) Juarez mora


num município paupérrimo, sendo que sua família vive em estado de miserabilidade. Para sa-
ciar a fome de sua família, andou por mais de 30 quilômetros até a beira de um rio e, no limite
de suas forças, conseguiu caçar um jacaré que está ameaçado de extinção. Ao levar o animal
para sua casa, foi abordado pela polícia local.
Nesse contexto, e de acordo com a interpretação gramatical da legislação federal sobre o
tema, é correto afirmar que:
a) Juarez não cometeu crime, pois, para saciar a fome de sua família, podem ser abatidos
inclusive animais silvestres ameaçados de extinção, por se tratar de estado de necessidade.
b) o fato de o animal caçado ser ameaçado de extinção torna qualificado o crime cometido
por Juarez.
c) o crime cometido por Juarez deve ser apurado mediante ação penal pública condicionada à
representação.
d) apesar de a conduta ser qualificada como crime, o fato de Juarez ter caçado para sobrevi-
vência de sua família reduzirá a pena pela metade.
e) o crime praticado por Juarez deverá ter sua pena aumentada em 2/3 por ter sido a caça
praticada contra espécie ameaçada de extinção.

a) Certa. Juarez não cometeu crime, pois, para saciar a fome de sua família, podem ser abati-
dos inclusive animais silvestres ameaçados de extinção, por se tratar de estado de necessida-
de – art. 37, I.
b) Errada. O fato de o animal caçado ser ameaçado de extinção NÃO torna qualificado o crime
cometido por Juarez. Trata-se de causa de aumento de pena.

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c) Errada. O crime cometido por Juarez é de ação penal pública incondicionada – art. 26.
d) Errada. O fato de Juarez ter caçado para sobrevivência de sua família exclui a responsabili-
dade penal.
e) Errada. O crime praticado por Juarez terá a pena aumentada de metade (art. 29, § 4º).
Letra a.

012. (CESPE/CEBRASPE/PC−RR/DELEGADO DE POLÍCIA CIVIL/2003) Julgue o item se-


guinte, acerca do Poder Judiciário e do Ministério Público.
Considere a seguinte situação hipotética.
João foi preso em flagrante pela prática de crime contra a fauna, previsto na Lei n. 9.605/1998,
consistente em matar espécime da fauna silvestre, sem a devida permissão.
Nessa situação, João será processado perante a Justiça Federal, conforme entendimento já
sumulado pelo STJ.

O STJ entende que, em regra, a competência é da Justiça Estadual.


Somente será de competência da Justiça Federal comum se a situação se enquadrar em uma
das hipóteses previstas nos incisos dos arts. 108 e 109 da CF/88.
Os crimes contra o meio ambiente, em princípio, não se amoldam em nenhum dos incisos do
art. 109, razão pela qual a competência é da Justiça Estadual, que possui competência residual.
Errado.

013. (NCE−UFRJ/PC−DF/2004) Para construir, reformar, ampliar, instalar ou fazer funcionar,


em qualquer parte do território nacional, estabelecimentos, obras ou serviços potencialmente
poluidores, sem que se incorra em fato tipicamente penal, é exigência legal:
a) processo administrativo para apuração de infração ambiental;
b) licença ou autorização dos órgãos ambientais competentes;
c) registro no Cadastro Técnico de Atividades Potencialmente Poluidoras ou Utilizadoras de
Recursos Ambientais;
d) inspeção e diligência investigatória da Polícia Estadual;
e) elaboração de relatório circunstanciado da Delegacia Especial do Meio Ambiente.

Art. 60. Construir, reformar, ampliar, instalar ou fazer funcionar, em qualquer parte do território na-
cional, estabelecimentos, obras ou serviços potencialmente poluidores, sem licença ou autorização
dos órgãos ambientais competentes, ou contrariando as normas legais e regulamentares pertinen-
tes:
Pena – − detenção, de um a seis meses, ou multa, ou ambas as penas cumulativamente.
Fonte: Lei n. 9.605/1998.

Letra b.

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014. (INSTITUTO ACESSO/PC−ES/DELEGADO DE POLÍCIA/2019) O meio ambiente é pro-


tegido pela legislação brasileira através das diferentes responsabilidades atribuídas a cada
agente ou instituição voltada para tal fim. Dentre as garantias do cumprimento da Lei estão
as sanções penais e administrativas dispostas na Lei n. 9.605/1998. Seguindo a sistemática
legal, que encontra na Constituição Federal/CF 88 seu norteador hermenêutico, e nos outros
diplomas legais, ferramentas para a garantia de Direitos, determinadas infrações ambientais,
observadas suas cominações legais, permitem a aplicação imediata da pena restritiva de di-
reitos ou multa.
Segundo a Lei n. 9.605/1998, a aplicação imediata da pena restritiva de direitos ou multa:
a) é possível com a prévia composição do dano.
b) não é possível.
c) não é aplicável porque não existe transação penal ambiental.
d) é possível com a prévia recomposição do dano.
e) é possível com a prévia reparação do dano.

Art. 27. Nos crimes ambientais de menor potencial ofensivo, a proposta de aplicação imediata de
pena restritiva de direitos ou multa, prevista no art. 76 da Lei n. 9.099, de 26 de setembro de 1995,
somente poderá ser formulada desde que tenha havido a prévia composição do dano ambiental, de
que trata o art. 74 da mesma lei, salvo em caso de comprovada impossibilidade
Letra a.

015. (CESPE/PC−MA/DELEGADO DE POLÍCIA CIVIL/2018) No que tange à tutela penal do


meio ambiente e às disposições da Lei n. 9.605/1998, que trata das sanções penais e adminis-
trativas aplicáveis a condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, assinale a opção correta.
a) Em regra, em se tratando de crimes ambientais de menor potencial ofensivo, é possível a
transação penal sem a prévia composição do dano ambiental.
b) É circunstância agravante, quando não constitui ou qualifica o crime, a prática de crimes
ambientais em domingos, feriados ou à noite.
c) Caracteriza crime ambiental a conduta daquele que produz sons e ruídos em quaisquer ati-
vidades, desrespeitando as normas de silêncio.
d) É cabível o perdão judicial em caso de guarda doméstica de animal silvestre, mesmo tratan-
do-se de espécie ameaçada de extinção.
e) Conforme a referida lei, a tipificação da prática de maus-tratos contra animais restringe-se
aos animais silvestres.

a) Errada. Só pode haver a transação penal se tiver a prévia composição do dano ambiental,
mesmo nos crimes ambientais de menor potencial ofensivo, art. 27.

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b) Certa. Art. 15.


c) Errada. É uma Contravenção Penal, art. 42, LCP.
d) Errada. Não pode ser ameaçada de extinção, art. 29, §2º.
e) Errada. Podem ser: silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos, art. 32.
Letra b.

016. (FCC/PC−AP/DELEGADO DE POLÍCIA/2017) De acordo com a Lei n. 9.605/1998,


considere:
I – Poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre que sua personalidade for obstá-
culo ao ressarcimento de prejuízos causados à qualidade do meio ambiente.
II – É circunstância que agrava a pena o fato de o agente ter cometido crime ambiental em
domingos ou feriados.
III – O crime de introduzir espécime animal no país, sem parecer técnico oficial favorável e
licença expedida por autoridade competente, deve ser apurado e julgado pela justiça
comum estadual, já que não há ofensa de bem, serviço ou interesse da União, de suas
entidades autárquicas ou empresas públicas.
IV – Para os efeitos da lei ambiental, considera-se pesca todo ato tendente a retirar, extrair,
coletar, apanhar, apreender ou capturar espécimes dos grupos dos peixes, crustáceos,
moluscos e vegetais hidróbios, suscetíveis ou não de aproveitamento econômico, res-
salvadas as espécies ameaçadas de extinção, constantes nas listas oficiais da fauna e
da flora.

Está correto o que se afirma em:


a) I e III, apenas.
b) I e IV, apenas.
c) I, III e IV, apenas.
d) II, III e IV, apenas.
e) I, II, III e IV.

I – Certa. Aplicação do art. 4º da Lei de Crimes Ambientais. A propósito, deve haver a aplica-
ção da teoria menor da desconsideração da personalidade jurídica quando restar constatado
que a existência da pessoa jurídica é obstáculo ao adimplemento da obrigação em razão de
sua insolvência, bem como quando vislumbrar-se que o sócio possui bens suficientes para
saldar o débito exequendo.
II – Certa. Literal interpretação do art. 15, II, “h”, da Lei de Crimes Ambientais.
III – Certa. A competência é da justiça comum estadual, até mesmo diante da inexistência de
dispositivo constitucional ou legal expresso que determine a competência da Justiça Federal
para tanto. Ademais, não há qualquer deslealdade aos parâmetros constitucionais, visto ser a

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proteção da fauna competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e do Muni-
cípio, conforme o disposto nos arts. 23, VII, e 24, VI, da CF.
IV – Certa. Aplicação do art. 36 da Lei de Crimes Ambientais.
Todas as assertivas estão corretas.
Letra e.

017. (IBADE/PC−AC/DELEGADO DE POLÍCIA CIVIL/2017) Acerca da Lei dos Crimes Am-


bientais e da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, pode-se afirmar que:
a) a Constituição Federal condiciona a responsabilização penal da pessoa jurídica por crimes
ambientais à simultânea persecução penal da pessoa física em tese responsável no âmbito
da empresa.
b) compete à Justiça Federal o julgamento dos crimes ambientais.
c) em crimes ambientais, o cumprimento do Termo de Ajustamento de Conduta, com con-
sequente extinção de punibilidade, não pode servir de salvo-conduto para que o agente vol-
te a poluir.
d) o crime de impedir o nascimento de nova vegetação (art. 48 da Lei n. 9.605/1998) se con-
suma instantaneamente.
e) não se aplica o princípio da insignificância quanto aos crimes previstos na Lei de Crimes
Ambientais, considerando que o bem jurídico tutelado é o meio ambiente, indispensável à so-
brevivência da sociedade.

a) Errada. Esse entendimento já foi superado, não é necessária a dupla imputação. Art. 225, §
3º da CF/88 e Informativo 714 do STF.
b) Errada. Não necessariamente. Vide art. 109, inc. IV da CF/88.
c) Certa. HC 92921.
d) Errada. Recurso extraordinário em HC 83437. É considerado um crime permanente.
e) Errada. Aplica-se o princípio da insignificância, HC 112563/DF.
Letra c.

018. (CESPE/PC−GO/DELEGADO DE POLÍCIA SUBSTITUTO/2017) Foi constatado que um


fazendeiro estava impedindo a regeneração natural de florestas em área de preservação per-
manente na sua propriedade rural, por pretender manter a área como pasto. Nessa situação
hipotética, conforme a legislação pertinente:
a) a autoridade ambiental que constatou a infração deve promover sua apuração imediata, sob
pena de corresponsabilização.
b) a conduta configura infração administrativa, mas não configura crime.
c) a responsabilização será objetiva em todas as esferas cabíveis.

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d) caberá à autoridade policial que constatou a conduta lavrar o auto de infração ambiental e
instaurar processo administrativo.
e) inexiste hipótese de reparação civil, haja vista que a terra da propriedade rural pertence ao
próprio infrator.

a) Certa. Art. 70, § 3º da Lei n. 9.605/1998: “§ 3º A autoridade ambiental que tiver conhecimento
de infração ambiental é obrigada a promover a sua apuração imediata, mediante processo admi-
nistrativo próprio, sob pena de corresponsabilidade.”
b) Errada. Configura infração administrativa (Art. 48 do Decreto n. 6.514/2008) e também con-
figura crime (Art. 48 da Lei n. 9.605/1998) − “Art. 48. Impedir ou dificultar a regeneração natural
de florestas e demais formas de vegetação: Pena − detenção, de seis meses a um ano, e multa.”
c) Errada. Na esfera criminal, é necessário apurar dolo e culpa, responsabilidade subjetiva do
agente. Na esfera cível (responsabilidade civil), a responsabilidade é objetiva, por dano am-
biental, Teoria do Risco Integral, não admite excludente de responsabilidade.

 Obs.: A jurisprudência do STJ entende que a responsabilidade administrativa ambiental apre-


senta caráter subjetivo, exige dolo e culpa para a sua configuração. RESPONSABILIDA-
DE SUBJETIVA ADMINISTRATIVA Resp. 1640243/SC.
d) Errada. Art. 70, § 1º:

§ 1º São autoridades competentes para lavrar auto de infração ambiental e instaurar processo admi-
nistrativo os funcionários de órgãos ambientais integrantes do Sistema Nacional de Meio Ambiente
− SISNAMA, designados para as atividades de fiscalização, bem como os agentes das Capitanias dos
Portos, do Ministério da Marinha.
Letra a.

019. (FUNCAB/PC−PA/DELEGADO DE POLICIA CIVIL−REAPLICAÇÃO/2016) Sobre os cri-


mes previstos na Lei n. 9.605, de 1998, é correto afirmar que:
a) o simples transporte de balões que tenham a potencialidade para provocar incêndios é con-
duta incriminada na lei especial.
b) no crime de maus-tratos contra animais domésticos, o bem jurídico-penal tutelado é indis-
cutivelmente a conservação da natureza.
c) as condutas de destruir ou danificar floresta considerada de preservação permanente, mes-
mo que em formação, e destruir ou danificar vegetação primária ou secundária, em estágio
avançado ou médio de regeneração, do Bioma Mata Atlântica, são condutas previstas no mes-
mo tipo penal, ao passo em que o corte de árvores em floresta considerada de preservação per-
manente, sem autorização da autoridade competente, está inculcado em dispositivo diverso.
d) condutas incriminando a extração irregular de minérios não integram o âmbito da Lei n.
9.605/1998, mas são atinentes à lei especial diversa.

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e) o delito de causar poluição não admite a modalidade culposa.

De acordo com a Lei de Crimes Ambientais n. 9.605/1998:

Art. 42. Fabricar, vender, transportar ou soltar balões que possam provocar incêndios nas florestas
e demais formas de vegetação, em áreas urbanas ou qualquer tipo de assentamento humano:
Pena – − detenção de 1 a 3 anos ou multa, ou ambas as penas cumulativamente.
Perigo Abstrato: não exige a comprovação do risco ao bem protegido. Há uma presunção legal
do perigo que, por isso, não precisa ser provado.
Letra a.

020. (FUNCAB/PC−PA/DELEGADO DE POLÍCIA CIVIL/2016) Acerca dos crimes ambientais,


é correto afirmar que:
a) comete crime aquele que provoca dano ambiental ínfimo, pois é vedada a aplicação do prin-
cípio da insignificância.
b) a Lei de Crimes Ambientais prevê como hipótese de estado de necessidade o abate de ani-
mal feroz que esteja atacando terceiros.
c) o art. 54 da Lei n. 9.605, de 1998, contempla apenas a poluição hídrica, existindo outros dis-
positivos incriminando as demais espécies de poluição.
d) a Lei n. 9.605, de 1998, contém exemplos daquilo que se convencionou chamar “administra-
tivização do direito penal”.
e) a extração de recursos minerais sem autorização, permissão, concessão, licença ou con-
cessão do órgão competente restou alijada da Lei n. 9.605, de 1998, pois já é prevista no Có-
digo Penal.

a) Errada. O STF e o STJ admitem a aplicação do princípio da insignificância aos crimes am-
bientais, desde que preenchidos os requisitos exigidos por aquela corte (M.A.R.I).
b) Errada.

Art. 37. Não é crime o abate de animal, quando realizado:


I – − em estado de necessidade, para saciar a fome do agente ou de sua família;
II – − para proteger lavouras, pomares e rebanhos da ação predatória ou destruidora de animais,
desde que legal e expressamente autorizado pela autoridade competente;
III – (VETADO)
IV – − por ser nocivo o animal, desde que assim caracterizado pelo órgão competente.
c) Errada. O próprio § 2º do dispositivo tipifica na forma qualificada outras espécies de polui-
ção: “II − causar poluição atmosférica (...), III − causar poluição hídrica (...)”;

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d) Certa. A administrativização do direito penal consiste em atribuir a esse ramo do direito a
tutela de bens jurídicos transindividuais que poderiam ser tutelados pelo direito administrativo.
Evidencia-se uma violação ao princípio da ultima ratio.
e) Errada. Art. 55, Lei n. 9.605/1999: “executar pesquisa, lavra ou extração de recursos mine-
rais sem a competente autorização, permissão, concessão ou licença, ou em desacordo com
a obtida.”
Letra d.

021. (FUNCAB/PC−PA/DELEGADO DE POLÍCIA CIVIL/ 2016) Considerando os entendimen-


tos do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça, assim como a disciplina
constitucional e legal, assinale a alternativa correta quanto à responsabilização criminal da
pessoa jurídica por crimes ambientais.
a) O Supremo Tribunal Federal, por meio de julgado da 1ª Turma, entendeu que a Constituição
Federal de 1988 não condiciona a responsabilização penal da pessoa jurídica por crimes am-
bientais à simultânea persecução penal da pessoa física em tese responsável no âmbito da
empresa. Em outras palavras, a norma constitucional não impõe a necessária dupla imputação.
b) A Lei n. 9.605/1998 veda, expressamente, a liquidação forçada de pessoa jurídica consti-
tuída ou utilizada, preponderantemente, com o fim de permitir, facilitar ou ocultar a prática de
crime ambiental.
c) É pacífico, no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, que a responsabilização penal da pes-
soa jurídica por delitos ambientais não dispensa a imputação concomitante da pessoa física
que age em seu nome ou em seu benefício. Em outras palavras, a teoria da dupla imputação
necessária prevalece, atualmente, no Superior Tribunal de Justiça.
d) Para que as pessoas jurídicas sejam responsabilizadas penalmente nos termos da Lei n.
9.605/1998, exige-se apenas que a infração seja cometida por decisão de seu representante
legal ou contratual, ou de seu órgão colegiado.
e) O Superior Tribunal Federal e o Superior Tribunal de Justiça, com fulcro em vedação consti-
tucional, não admitem a responsabilização criminal da pessoa jurídica por crimes ambientais.

Sobre o tema:
O STF alterou seu posicionamento, passando admitir a responsabilização criminal da PJ de-
sassociada da responsabilidade das pessoas naturais. Dessa forma, ainda que não seja possí-
vel identificar ou responsabilizar as pessoas naturais que agiram em nome da PJ, ela pode ser
responsabilizada criminalmente por CRIME AMBIENTAL. O STJ acompanhou. Agora o que vale
é a TEORIA DA RESPONSABILIZAÇÃO INDIVIDUALIZADA OU APARTADA: a responsabilização
da PJ NÃO está condicionada à responsabilização concomitante das pessoas naturais, e vice-
-versa, em sede de crimes ambientais.

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EMENTA − AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. DIREITO PENAL.


CRIME AMBIENTAL. RESPONSABILIDADE PENAL DA PESSOA JURÍDICA. CONDICIONA-
MENTO À IDENTIFICAÇÃO E À PERSECUÇÃO DA PESSOA FÍSICA. Tese do condiciona-
mento da responsabilização penal da pessoa jurídica à simultânea identificação e perse-
cução penal da pessoa física responsável, que envolve, à luz do art. 225, § 3º, da Carta
Política, questão constitucional merecedora de exame por esta Suprema Corte. Agravo
regimental conhecido e provido (a questão versava sobre um vazamento de óleo que oca-
sionou danos ambientais em razão da poluição) − Precedente: STF, RE 548.181/PR − 1ª
Turma Agdo.: Petróleo Brasileiro S/A − Petrobras.

Com relação à alternativa “b”, registre-se que a Lei n. 9.605, no art. 24, estabelece que a pessoa
jurídica constituída ou utilizada, preponderantemente, com o fim de permitir, facilitar ou ocultar
a prática de crime definido nesta Lei, terá decretada sua liquidação forçada, seu patrimônio
será considerado instrumento do crime e, como tal, perdido em favor do Fundo Penitenciá-
rio Nacional.
Acrescente-se, ainda, que, nos termos do art. 3º, as pessoas jurídicas serão responsabilizadas
administrativa, civil e penalmente, conforme o disposto nesta Lei, nos casos em que a infração
seja cometida por decisão de seu representante legal ou contratual, ou de seu órgão colegiado,
no interesse ou benefício da sua entidade:

Parágrafo único. A responsabilidade das pessoas jurídicas não exclui a das pessoas físicas, autoras,
coautoras ou partícipes do mesmo fato.
Art. 4º Poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre que sua personalidade for obstáculo ao
ressarcimento de prejuízos causados à qualidade do meio ambiente.
Letra a.

022. (MS CONCURSOS/PC−PA/DELEGADO DE POLÍCIA/2012) A Lei n. 9.605/1998 estabe-


lece sanções para condutas e atividades lesivas ao meio ambiente. De acordo com a referida
lei, não é circunstância que atenua a pena:
a) arrependimento do infrator, manifestado pela espontânea reparação do dano, ou limitação
significativa da degradação ambiental causada.
b) baixo grau de instrução ou escolaridade do agente.
c) comunicação prévia pelo agente do perigo iminente de degradação ambiental.
d) erro de pessoa ou circunstância fática não previsível.
e) colaboração com os agentes encarregados da vigilância e do controle ambiental.

Vide Art. 14. São circunstâncias que atenuam a pena:

I – baixo grau de instrução ou escolaridade do agente;

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II – arrependimento do infrator, manifestado pela espontânea reparação do dano, ou limitação signi-
ficativa da degradação ambiental causada;
III – comunicação prévia pelo agente do perigo iminente de degradação ambiental;
IV – colaboração com os agentes encarregados da vigilância e do controle ambiental. (grifos nos-
sos)
Letra d.

023. (FUNCAB/PC−RO/DELEGADO DE POLÍCIA CIVIL/2014) Nos termos da Lei n. 9.605/1998,


a pena de multa será calculada com base:
a) na situação econômica do infrator e no montante do prejuízo causado, podendo ser aumen-
tada em até três vezes, de acordo com o valor da vantagem econômica auferida e a eficácia
da medida punitiva.
b) na vantagem econômica auferida, podendo ser aumentada em até duas vezes, de acordo
com o montante do prejuízo causado e a situação econômica do infrator.
c) na situação econômica do infrator, podendo ser aumentada em até três vezes, de acordo
com o montante do prejuízo causado e a eficácia da medida punitiva.
d) no montante do prejuízo causado e na vantagem econômica auferida, podendo ser aumen-
tada em até duas vezes, de acordo com a situação econômica do infrator e a eficácia da me-
dida punitiva.
e) no montante do prejuízo causado, podendo ser aumentada em até duas vezes, de acordo
com o valor da vantagem econômica auferida e a situação econômica do infrator.

Lei n. 9.605/1998 (Lei dos Crimes Ambientais − LCA).

Art. 6º. Para imposição e gradação da penalidade, a autoridade competente observará:


[...]
III – a situação econômica do infrator, no caso de multa.
[...]
Art. 18. Se revelar-se ineficaz, ainda que aplicada no valor máximo, poderá ser aumentada até três
vezes, tendo em vista o valor da vantagem econômica auferida.
Art. 19. Montante do prejuízo causado.
Letra a.

024. (FUNCAB/PC−RO/DELEGADO DE POLÍCIA/2009) Segundo o Artigo 8º da Lei n.


9.605/1998, as penas restritivas de direito são:
a) I − interdição temporária ou permanente de direitos; II − suspensão total de atividades; III −
prestação pecuniária; IV − recolhimento domiciliar.
b) I − prestação de serviços à comunidade; II − interdição permanente de direitos; III − suspen-
são total de atividades; IV − multa simples; V − multa composta; VI − suspensão de venda e
fabricação do produto; VII − embargo de obra ou atividade; VIII − demolição de obra.

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c) I − interdição temporária de direitos; II − suspensão parcial de atividades; III − prestação pe-


cuniária; IV − recolhimento domiciliar; V − multa.
d) I − prestação de serviços ao Estado; II − interdição temporária ou permanente de direitos;
III − suspensão parcial ou total de atividades; IV − prestação pecuniária; V − recolhimento do-
miciliar; VI −multa.
e) I − prestação de serviços à comunidade; II − interdição temporária de direitos; III − suspen-
são parcial ou total de atividades; IV − prestação pecuniária; V − recolhimento domiciliar.

Lei n. 9.605/1998 (Lei de Crimes Ambientais − LCA).

Art. 8º. As penas restritivas de direito são:


I – prestação de serviços à comunidade;
II – interdição temporária de direitos;
III – suspensão parcial ou total de atividades;
IV – prestação pecuniária;
V – recolhimento domiciliar.
Letra e.

025. (FUNIVERSA/PC−DF/DELEGADO DE POLÍCIA/2009) Acerca dos crimes contra a fauna


e a flora, assinale a alternativa incorreta.
a) Pune-se criminalmente a pesca praticada em período no qual esta seja proibida ou praticada
em lugares interditados por órgão competente.
b) Para o exercício da caça, é obrigatória a devida licença ou autorização, expedida pela autori-
dade competente, além do que, quando efetuada com arma de fogo, necessário se faz o porte
de arma emitido pela Polícia Federal.
c) Proíbem-se as práticas que impedem a procriação da fauna sem licença.
d) Destruir ou danificar floresta considerada de preservação permanente em formação não
infringe norma de proteção contra a flora.
e) Configura crime contra o meio ambiente introduzir espécie animal no país, sem parecer téc-
nico oficial favorável e licença expedida por autoridade competente.

Lei n. 9.605/1998 (Lei de Crimes Ambientais − LCA).


Dos Crimes contra a Flora:

Art. 38. Destruir ou danificar floresta considerada de preservação permanente, mesmo que em
formação, ou utilizá-la com infringência das normas de proteção:
Pena – detenção, de um a três anos, ou multa, ou ambas as penas cumulativamente.
Parágrafo único. Se o crime for culposo, a pena será reduzida à metade.
a) Certa. Art. 34.

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b) Certa. Lei n. 5.197/1967. Art. 13. Para exercício da caça, é obrigatória a licença anual, de ca-
ráter específico e de âmbito regional, expedida pela autoridade competente.
c) Certa. Art. 29.
d) Errada. Art. 38.
e) Certa. Art. 31.
Letra d.

026. (CESPE/POLÍCIA FEDERAL/DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL/2018) Acerca de tráfico


ilícito de entorpecentes, crimes contra o meio ambiente, crime de discriminação e preconceito,
e crime contra o consumidor, julgue o próximo item.
Pessoa jurídica que praticar crime contra o meio ambiente por decisão do seu órgão colegiado
e no interesse da entidade poderá ser responsabilizada penalmente, embora não fique neces-
sariamente sujeita às mesmas sanções aplicadas às pessoas físicas.

Os tribunais superiores não deixaram de adotar a teoria da dupla imputação, eles apenas afir-
mam que sua adoção é facultativa.

Este Superior Tribunal, na linha do entendimento externado pelo Supremo Tribunal Fede-
ral, passou a entender que, nos crimes societários, não é indispensável a aplicação da
teoria da dupla imputação ou imputação simultânea, podendo subsistir a ação penal pro-
posta contra a pessoa jurídica, mesmo se afastando a pessoa física do polo passivo da
ação. Precedentes. (AgRg no RMS 48.851/PA, 6ª T.STJ, DJe 26/02/2018)

Certo.

027. (UEG/PC−GO/DELEGADO DE POLÍCIA/2018) Diante de comunicação apresentada pe-


rante a Delegacia de Polícia Civil, denunciando a realização de rinha de galos em propriedade
rural do município de Cromínia, tem-se um fato:
a) típico e antijurídico, estando o Estado, entretanto, impedido de exercer o jus puniendi, em ra-
zão de a rinha de galos ser reconhecida, no meio rural brasileiro, como uma prática costumeira.
b) típico, porém juridicamente válido, desde que haja norma municipal que reconheça a rinha
de galos como patrimônio cultural imaterial.
c) atípico, pois a Constituição Federal de 1988 protege expressamente as manifestações cul-
turais que portem referência à identidade dos diferentes grupos formadores da sociedade
brasileira.
d) atípico, tendo em vista que tanto a Constituição Federal quanto a Lei de Crimes Ambientais
protegem apenas os animais integrantes da fauna silvestre brasileira.
e) típico e antijurídico, segundo os ditames da Lei de Crimes Ambientais.

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Art. 32. Praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou do-
mesticados, nativos ou exóticos:
Pena – − detenção, de três meses a um ano, e multa.
Letra e.

028. (VUNESP/PC−BA/DELEGADO DE POLÍCIA/2018) Beltrano Benedito estava andando


por uma estrada rural e encontrou um filhote de Jaguatirica ferido. Levou-o para casa e, após
cuidar dos ferimentos, passou a criá-lo como se fosse seu animal doméstico. Em conformida-
de com o disposto na Lei n. 9.605/1998, é correta a seguinte afirmação:
a) como o animal iria morrer se não fosse socorrido, Beltrano pode ficar com ele, sem necessi-
dade de licença ou autorização da autoridade ambiental.
b) se Beltrano mantiver o animal sem licença ou autorização da autoridade ambiental, estará
praticando crime contra o meio ambiente, considerado inafiançável.
c) por se tratar de filhote de espécime da fauna silvestre, se Beltrano ficar com o animal sem
licença ou autorização, terá a pena por crime ambiental aumentada de um sexto a um terço.
d) Beltrano deverá entregar o animal a uma autoridade ambiental, pois não é possível obter
permissão, licença ou autorização para ficar com o animal.
e) a ação de Beltrano se tipifica como crime contra a fauna, que o sujeita à pena de detenção e
multa, mas o juiz, considerando as circunstâncias, poderá deixar de aplicar a pena.

a) Errada. A conduta inicial do agente (apanhar o filhote para cuidar dos ferimentos) é típica,
porém incide a causa geral de exclusão da ilicitude, prevista no art. 29 do Código Penal (estado
de necessidade).
b) Errada. A Lei n. 9.605/1998 não previu qualquer regra de inafiançabilidade dos crimes am-
bientais.
c) Errada. “Espécimes da fauna silvestre” é elementar do tipo, ou seja, apanhar espécimes da
fauna silvestre configura o tipo penal básico, do caput do art. 29, sem nenhuma causa de au-
mento.
d) Errada. O crime é apanhar espécimes da fauna silvestre, sem a devida autorização, permis-
são ou licença. Não há qualquer problema na conduta se ela se der com a permissão, licença
ou autorização.
e) Certa. Art. 29, § 2º: “No caso de guarda doméstica de espécie silvestre não considerada
ameaçada de extinção, pode o juiz, considerando as circunstâncias, deixar de aplicar a pena.”
Letra e.

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029. (VUNESP/PC−BA/DELEGADO DE POLÍCIA/2018) No que concerne à aplicação da Lei


n. 9.099/1995 quanto às infrações penais ambientais, previstas na Lei n. 9.605/1998, é correto
afirmar que:
a) a legislação contempla crimes ambientais de ação penal pública condicionada e incondi-
cionada, aplicando-se, a todos os tipos penais, a suspensão condicional do processo e a tran-
sação penal.
b) nos crimes ambientais de menor potencial ofensivo e de ação penal pública condicionada,
a transação penal poderá ser formulada independentemente de prévia composição do dano
ambiental.
c) a legislação contempla apenas crimes ambientais de ação penal pública incondicionada,
aplicando-se integralmente as disposições da Lei n. 9.099/1995 no tocante à suspensão con-
dicional do processo e à transação penal.
d) nos crimes ambientais de menor potencial ofensivo e de ação penal pública incondicionada,
a suspensão condicional do processo poderá ser aplicada sem qualquer modificação.
e) nos crimes ambientais de menor potencial ofensivo, a transação penal somente poderá ser
formulada desde que tenha havido a prévia composição do dano ambiental, salvo em caso de
comprovada impossibilidade.

Art. 27. Nos crimes ambientais de menor potencial ofensivo, a proposta de aplicação imediata de
pena restritiva de direitos ou multa, prevista no art. 76 da Lei n. 9.099, de 26 de setembro de 1995,
somente poderá ser formulada desde que tenha havido a prévia composição do dano ambiental, de
que trata o art. 74, da mesma lei, salvo em caso de comprovada impossibilidade.
Letra e.

030. (FUNCAB/PA/DELEGADO DE POLICIA CIVIL/2016) Sobre os crimes previstos na Lei n.


9.605, de 1998, é correto afirmar que:
a) o simples transporte de balões que tenham a potencialidade para provocar incêndios é con-
duta incriminada na lei especial.
b) no crime de maus-tratos contra animais domésticos, o bem jurídico-penal tutelado é indis-
cutivelmente a conservação da natureza.
c) as condutas de destruir ou danificar floresta considerada de preservação permanente, mes-
mo que em formação, e destruir ou danificar vegetação primária ou secundária, em estágio
avançado ou médio de regeneração, do Bioma Mata Atlântica, são condutas previstas no mes-
mo tipo penal, ao passo que o corte de árvores em floresta considerada de preservação per-
manente, sem autorização da autoridade competente, está inculcado em dispositivo diverso.
d) condutas incriminando a extração irregular de minérios não integram o âmbito da Lei n.
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Trata-se de crime de ação múltipla ou conteúdo variado. Logo, a prática de qualquer dos núcle-
os verbais já caracteriza o delito. Vide art. 42 da Lei n. 9.605/1998.
Letra a.

031. (VUNESP/PC−BA/DELEGADO DE POLÍCIA/2018) A empresa ZZZ, produtora de fertili-


zantes, tendo sido autuada administrativamente pela emissão irregular de partículas poluentes
no ar, teve contra si instaurado inquérito policial, sob a imputação do crime de causar polui-
ção, art. 54, da Lei n. 9.605/1998. No curso da investigação, constatou-se que a poluição do
ar decorreu da falta de manutenção nos filtros da fábrica, verificando-se que as manutenções
periódicas nos equipamentos passaram de três para seis meses. Contudo, dada a complexa
estrutura da empresa, não se logrou êxito em identificar o responsável pela redução das manu-
tenções. Encerrada a investigação policial, o Ministério Público denunciou a empresa ZZZ, bem
como Mévio, o presidente, afirmando que, na qualidade de representante máximo, competia a
ele impedir a poluição do ar. A denúncia formulada pelo Ministério Público é recebida apenas
com relação à empresa ZZZ. Quanto a Mévio, o Juiz rejeitou a exordial, por inépcia, destacando
que a simples condição de presidente da empresa não basta para fundamentar imputação.
Considerando o caso hipotético, a Lei n. 9.605/1998 e o entendimento dos Tribunais Superio-
res, assinale a alternativa correta.
a) A autuação administrativa da empresa ZZZ inviabiliza a instauração de procedimento penal
para apurar a prática de crime de causar poluição, já que as responsabilidades administrativa
e penal são excludentes.
b) Rejeitada a denúncia quanto à pessoa física de Mévio, haja vista a exigência legal da dupla
imputação, a empresa ZZZ não poderá ser criminalmente processada.
c) Há previsão de causa de aumento, quanto ao crime de poluição (art. 54 da Lei n. 9.605/1998),
se da poluição hídrica resultar interrupção do abastecimento público de água em comunidade.
d) A pena de interdição temporária de direito, consistente na proibição de contratar com o Po-
der Público, não poderá ter prazo superior a três anos, no caso de crimes dolosos.
e) A pena de multa, calculada segundo os critérios do Código Penal, poderá ser aumentada em
até três vezes, se se revelar ineficaz.

a) Errada.

Art. 3º As pessoas jurídicas serão responsabilizadas administrativa, civil e penalmente, conforme


o disposto nesta Lei, nos casos em que a infração seja cometida por decisão de seu representante
legal ou contratual, ou de seu órgão colegiado, no interesse ou benefício da sua entidade.

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b) Errada. Art. 3º: “Parágrafo único. A responsabilidade das pessoas jurídicas não exclui a das
pessoas físicas, autoras, coautoras ou partícipes do mesmo fato.”
c) Errada. Art. 54. § 2º: “Se o crime: III − causar poluição hídrica que torne necessária a inter-
rupção do abastecimento público de água de uma comunidade; Pena − reclusão, de um a cinco
anos” (figura qualificada).
d) Errada. Art. 10:

As penas de interdição temporária de direito são a proibição de o condenado contratar com o Poder
Público, de receber incentivos fiscais ou quaisquer outros benefícios, bem como de participar de lici-
tações, pelo prazo de cinco anos, no caso de crimes dolosos, e de três anos, no de crimes culposos.
e) Certa. Art. 18:

A multa será calculada segundo os critérios do Código Penal; se revelar-se ineficaz, ainda que apli-
cada no valor máximo, poderá ser aumentada até três vezes, tendo em vista o valor da vantagem
econômica auferida.
Letra e.

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GABARITO
1. e 31. e
2. d
3. d
4. E
5. E
6. a
7. E
8. C
9. b
10. d
11. a
12. E
13. b
14. a
15. b
16. e
17. c
18. a
19. a
20. d
21. a
22. d
23. a
24. e
25. d
26. C
27. e
28. e
29. e
30. a
Nilton Coutinho
Doutor em Direito Político e Econômico. Procurador do Estado de São Paulo. Aprovado em diversos
concursos públicos: Correios, Unesp, Ministério Público, Procuradoria do Estado de São Paulo. Autor de
diversos livros jurídicos.

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