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Escola Sagarana - 1

ESCOLA SAGARANA

Educação
para a vida
com dignidade
e esperança

Escola Sagarana - 2
julho de 2001
Edição revista e ampliada

Governo de Minas Gerais


Secretaria da Educação

Governador: Itamar Franco


Vice-Governador: Newton Cardoso
Secretário da Educação: Murílio Hingel
Secretário-Adjunto da Educação: Agamenon José Siqueira
Subsecretária de Desenvolvimento Educacional: Maria Stela Nascimento
Subsecretário de Administração do Sistema de Ensino: Gilberto José Rezende
dos Santos
Chefe de Gabinete: Lucy Maria Brandão

Coleção Lições de Minas


Volume II – 2ª edição – julho de 2001
Escola Sagarana: Educação para a vida com dignidade e esperança
Edição revista e ampliada
Coordenação editorial: José Eustáquio de Freitas
Organização: José Eustáquio de Freitas
Capa: Paulo Valério
Ilustração de capa: “Bem-te-vi”, de Arlindo Daibert
Revisão da 2ª edição: Maria Helena Gonçalves de Toledo
Editoração: Marcos Aurélio Maia
Fotolitos, impressão e acabamento: Imprensa Oficial de Minas Gerais
Edição: Assessoria de Comunicação Social - SEE-MG

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Apresentação

Educação para a vida


com dignidade e esperança

Murílio de Avellar Hingel


Secretário da Educação de Minas Gerais

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Este é um documento aberto e que tomará forma
mais elaborada depois de praticados os
procedimentos que permitam a construção coletiva
do Plano Mineiro de Educação, de caráter decenal,
privilegiando o conceito da Educação para todos
durante toda a vida.

A construção do Sistema Mineiro de Educação supõe consulta às bases


envolvidas com as demandas por mais e melhores serviços educativos,
exigência inarredável da sociedade brasileira neste limiar do século XXI.
Essa consulta, com amplo espaço ao debate construtivo, será
instrumentalizada pela transformação do Fórum Mineiro de Educação em ação
permanente de governo, tal como aprovado na Carta dos Educadores Mineiros
(2.9.1998), subscrita pelo Governador Itamar Franco, então candidato às
eleições que o conduziram ao cargo máximo do Estado de Minas Gerais
(quadriênio 1999-2002).
Completado o primeiro semestre à frente da Secretaria de Estado da
Educação, penso ter chegado o momento de apresentar aos educadores, aos
pais e à sociedade em geral uma primeira proposta de diretrizes e prioridades
elaborada a partir da carta supramencionada, enriquecida pela contribuição de
comissões especiais e grupos de trabalho que foram constituídos e elaboraram
relatórios ricos em sugestões, e ampliada pelo exercício do dia-a-dia
pedagógico e administrativo.
O primeiro semestre foi destinado ao levantamento da real situação do
Estado na área educacional, em parte conhecida como decorrência do Fórum
Mineiro de Educação, mas detalhada pelo diagnóstico realizado. Também
permitiu, em termos de políticas públicas para Minas Gerais, o
estabelecimento de parâmetros básicos, a fixação de objetivos gerais e de
diretrizes operacionais que asseguraram o desenvolvimento de ações voltadas
à correção de rumos e a adoção de medidas indispensáveis ao reajustamento
da Secretaria e da rede escolar estadual, à vista do quadro administrativo,
financeiro e pedagógico encontrado em 1º de janeiro de 1999. Os resultados

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alcançados são expressivos, como se pode constatar nos diversos setores das
Subsecretarias de Desenvolvimento Educacional e de Administração do
Sistema de Ensino.
Portanto, a base deste documento foi elaborada em 1999, e integra a
primeira edição deste livro e constitui o passo inicial do governo Itamar
Franco na área da Educação, em consonância com o Plano Mineiro de
Desenvolvimento Integrado – PMDI – preparado pela Secretaria de
Planejamento e Coordenação-Geral.
Esta edição, revista e ampliada quase dois anos após a primeira publicação,
contém avaliações dos programas e projetos inspirados pela nova política
educacional de Minas Gerais, a Escola Sagarana, apresenta evoluções e
alterações trazidas pela crítica e pela prática, resultando em aperfeiçoamentos
e avanços muito significativos para a educação em Minas Gerais.
Permanece como documento aberto e que, dentro dos princípios que regem
o planejamento aplicado à Educação de curto, médio e longo prazo, tomará
forma mais elaborada depois de praticados os procedimentos que permitam a
construção coletiva do Plano Estadual de Educação, de caráter decenal,
privilegiando o conceito da Educação para todos durante toda a vida.
O sentido dinâmico do planejamento a partir da realidade, mas em
contínuo processo de acompanhamento, controle e avaliação, que conduz
necessariamente ao replanejamento, reforça a idéia de que este documento é
ponto de partida e, assim, deve ser conhecido, estudado e debatido. É evidente
que os programas e projetos que o constituem estão e estarão sendo
executados, sofrendo alterações, redefinições, retificações e aprofundamentos
em função da metodologia adotada.
Este documento é uma referência do trabalho desenvolvido pela Secretaria
da Educação em sua dimensão de reflexão para debates a serem promovidos
desde a escola até os encontros regionais e estaduais, com a forma de fórum e
de base ao Plano Decenal de Educação, cumprindo-se assim o ciclo processual
do planejamento da Educação, cujo norte será a Educação para a vida com
dignidade e esperança, isto é: a educação a serviço da coesão social e da
participação democrática, preocupada com o desenvolvimento humano e com
a cidadania.

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1. Introdução

“Um Sistema que promova a nucleação da ação


pedagógica a partir da identidade regional, sempre
assentada no Humanismo e voltada para o
desenvolvimento harmônico do Estado.”

A educação é um processo que requer planejamento estratégico, atuação


integrada e ações permanentes envolvendo todo o escalão dirigente, os
professores, os especialistas, os profissionais da educação em geral e
organismos oficiais e forças comunitárias. Sendo prioridade absoluta, deve
estar voltada para a formação integral do ser humano – sujeito de direitos – e
não se confunde com a noção de mero serviço, devendo ser desenvolvida a
partir de conceitos amplos – a exemplo da educação integral, comunitária,
popular – e abranger a escola, a família e a comunidade.
O Governo de Minas Gerais, fiel aos compromissos assumidos pelo Brasil
em 1990, durante a Conferência Mundial de Educação para Todos, realizada
em Jomtien, na Tailândia, tem como objetivo primordial a universalização da
educação e crê que o processo educacional deve contemplar a democratização,
somente alcançada pelo tratamento diferenciado aos desiguais. Identificada
com as necessidades essenciais do ser humano, a educação verdadeiramente
comprometida com a cidadania responderá aos desafios contemporâneos,
atuando nas mais diversas áreas, tais como saúde, trabalho, ação comunitária,
segurança, consumo, meio ambiente, corporalidade, segurança alimentar,
sexualidade, entre outras.
Tais características e vocações estão identificadas com a cultura e o
comportamento do povo mineiro e foram referendadas pelos educadores de
Minas Gerais que se reuniram, em agosto/setembro de 1998, para realizar o
Fórum Mineiro de Educação e formular, ao final, a Carta dos Educadores
Mineiros, que consubstancia os compromissos do governo Itamar Franco para
esse setor. Ali, como em outros documentos posteriormente produzidos, fica
definida a estratégia de construção de um Sistema Mineiro de Educação
identificado com os interesses do Estado, com a cultura e com as exigências
do mercado de trabalho, da mundialização da economia, das novas e
complexas tecnologias, da cidadania e da formação integral do ser humano.
“Um Sistema que promova a nucleação da ação pedagógica a partir da
identidade regional, sempre assentada no humanismo e voltada para o
desenvolvimento harmônico do Estado. Que dê atenção à diversidade criadora

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de modo que, opondo-se à padronização técnica de viés autoritário, estimule
as diferenças e as contribuições do rico universo cultural mineiro; que articule
as atividades educacionais com o setor produtivo, envolvendo a participação
das famílias, de instituições sociais e comunitárias, das empresas e de
organizações não governamentais; que seja capaz de organizar conteúdos
curriculares inteligentes e atraentes, voltados para
“aprender a aprender,
aprender a fazer,
aprender a viver e a conviver,
aprender a ser” .

2. Metas e Objetivos Gerais

“A bem montada estrutura de educação


superior existente no Estado deverá ser
incentivada a envolver-se com o Sistema
Mineiro de Educação, especialmente na
formação e capacitação dos profissionais da
educação...”

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Como indica a Carta dos Educadores Mineiros, no âmbito da educação
básica, o Sistema Mineiro de Educação deverá:
 ampliar o conceito e a escolarização obrigatória até o ensino
médio;
 reconhecer a importância das parcerias, estimulando-as;
 ampliar e democratizar a oferta de educação infantil, caminhando
progressivamente para sua universalização e contemplando,
prioritariamente, as populações mais carentes;
 no ensino fundamental, garantir a matrícula a todas as crianças
em idade escolar, com especial atenção às áreas urbanas periféricas e
ao meio rural, oferecendo tratamento diferenciado aos que dele
necessitam – especialmente aos que se encontram em situação social
de risco - e fazendo da educação um dos meios facilitadores da
cidadania e da superação das desigualdades sociais;
 incentivar os programas de educação de jovens e adultos e
 garantir às populações rurais serviços educacionais identificados
com suas necessidades e expectativas.

O Sistema Mineiro de Educação deverá, ainda, estar atento à realidade do


mundo contemporâneo de modo que, no que se refere ao ensino médio, os
esforços deverão estar voltados para sua progressiva universalização e
democratização, para sua necessária articulação com a denominada educação
técnica/tecnológica que, por sua vez, deverá contar com a estrita participação
do setor produtivo, entendido em suas vertentes empresarial e trabalhista.
A bem montada estrutura de educação superior existente no Estado deverá
ser incentivada a envolver-se com o Sistema Mineiro de Educação,
especialmente na formação e capacitação dos profissionais da educação, na
expansão da pesquisa e dos trabalhos de extensão, na produção e divulgação
de livros e outros meios indispensáveis ao trabalho na escola, no apoio ao
desenvolvimento do subsistema de educação a distância e na definição das
políticas públicas vinculadas à educação.
O Sistema Mineiro de Educação deve ter como pressuposto filosófico o
pluralismo humanista; estar comprometido com os princípios democráticos e a
melhoria dos padrões da educação – atuando sobre as causas dos problemas e
não sobre os efeitos - defender a integração estado-município sem imposições
autoritárias, em que a negociação seja o caminho natural que leva à fixação de
responsabilidades recíprocas; adotar a filosofia da atenção integral, na
perspectiva de que a democratização da oferta educacional requer tratamento
diferenciado às populações carentes, com prestação de serviços escolares de

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qualidade e atendimento a suas necessidades de saúde, alimentação,
segurança, habitação, cultura, desporto, lazer.
Para a consecução de seus objetivos, o Sistema Mineiro de Educação
haverá de, necessariamente, valorizar os profissionais que nele atuam. Essa
valorização supõe, entre outras ações, a instituição de nova carreira, com a
correspondente formulação de planos de cargos e salários e outros
instrumentos, sempre mediante ampla participação de todos os setores
envolvidos; a dignificação da atividade profissional pelo respeito e diálogo
permanentes; implementação de sistemáticos programas de treinamento e
aperfeiçoamento continuado dos profissionais da educação.
EM RESUMO, a Educação é vital, considerando-se suas correlações com
diversos setores e áreas, nas relações de emprego, de produtividade, de
competitividade, geração e uso de tecnologias modernas. A educação está
intimamente ligada às questões do ambiente, à formação e preservação dos
valores, prevenção contra a violência, as drogas, as doenças sexualmente
transmissíveis, etc. Sobretudo, é vital na busca da felicidade, do bem comum,
nas relações humanas, na promoção do Humanismo.
Propõe-se o governo de Minas Gerais a construir um Sistema Mineiro de
Educação que tenha identidade própria, que democratize as oportunidades,
atendendo todos os mineiros. Que respeite as diversidades regionais, dentro da
unidade de princípios e de objetivos da educação, socialmente justo e que seja
discutido com a base do sistema educacional, que são os professores, os
diretores, os especialistas da educação, alunos e pais de alunos, enfim, a
comunidade em geral.
3. Diagnóstico

“A educação limitadamente humanística


dada na velha escola de elite não só não se
presta a toda essa população escolar, como
lhe pode ser prejudicial.” (Anísio Teixeira, in
A Educação e a Crise Brasileira, 1956, Cia.
Editora Nacional)

O estado de Minas Gerais, com área de 587.172 km2 e cerca 18 milhões


de habitantes distribuídos em 853 municípios, é definido como um estado-
mosaico: em sua diversidade regional, contém um pouco de cada rincão
nacional, seja nos aspectos culturais, seja na realidade socioeconômica ou de
desenvolvimento humano.

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Contém zonas de alta concentração urbana, como a região metropolitana de
Belo Horizonte, e extensos vazios populacionais, como os vales dos rios
Jequitinhonha e Mucuri. Tem regiões altamente desenvolvidas no setor
industrial e de serviços, imensas áreas de expansão agrícola e zonas onde a
exploração mineral se destaca por seus aspectos positivos e seus impactos
sobre o meio ambiente, reservas indígenas e territórios onde afloram
problemas e conflitos agrários. Todo esse contexto e a complexidade dessa
síntese tem que ser considerada nos planos de ação educacional.
Minas tem mais de 5,4 milhões de alunos (5.440.794, conforme o Censo
Educacional/2000) matriculados em mais de 18.500 escolas. Só a rede
estadual tem perto de 2,9 milhões de alunos na educação infantil, ensino
fundamental e ensino médio, atendidos em mais de 3.900 escolas.
A evolução das matrículas no ensino fundamental vem indicando uma
redução da demanda, determinada pela queda das taxas de natalidade no
Brasil, na última década. Esse movimento contribuiu, de certa forma, para o
sucesso da política de universalização do ensino. Em Minas, 98% das crianças
em idade escolar estão estudando, índice superior à média nacional (97%),
mas esse indicador altamente positivo não pode esconder outra realidade:
segundo dados da Fundação João Pinheiro, cerca de 400 mil crianças em todo
o Estado continuam fora da escola, premidas, principalmente, pelas condições
sociais e econômicas adversas e pela necessidade de ingressarem cedo no
mercado de trabalho.
A matrícula efetiva na rede estadual foi influenciada também pela
municipalização do ensino fundamental, praticada com intensidade entre os
anos 1992 e 1998. Assim, a redução das matrículas na rede estadual foi
acompanhada do aumento de matrículas nas escolas municipais. Essa linha de
ação, que não obedeceu, na época, a um planejamento rigoroso e provocava
distorções e prejuízos ao Estado, foi alterada a partir de 1999 com a suspensão
das municipalizações.
O quadro de atribuições da união, dos estados e municípios em relação à
educação é definido pela Lei 9.394, de 23 de dezembro de 1996, que
estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB). Assim, cabe
aos estados assegurar o ensino fundamental e oferecer, com prioridade, o
ensino médio.
Aos municípios, compete oferecer a educação infantil em creches e pré-
escolas e, com prioridade, o ensino fundamental, permitida a atuação em
outros níveis de ensino somente quando estiverem atendidas plenamente as
necessidades de sua área de competência. União, estados e municípios, por
determinação das constituições federal e estaduais, devem investir em
educação, no mínimo, 25% de suas receitas.

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A criação do FUNDEF (Fundo de Desenvolvimento e Manutenção do
Ensino Fundamental e Valorização do Magistério), em 1996, intensificou
processo de municipalização. O ponto de partida para isso é uma distorção
grave do mecanismo proposto pelo FUNDEF: como os recursos do Fundo são
distribuídos com base no número de matrículas registradas nas redes estadual
e municipais, o aluno foi “transformado” em unidade monetária: quanto mais
alunos na rede de ensino, maior o volume de recursos recebidos.
O resultado é que, mesmo representando um razoável avanço, ao criar um
sistema eficiente de financiamento da educação, a engenharia financeira do
FUNDEF contém distorções graves, como a utilização do número de
matrículas do ano anterior para definição dos índices de cada estado e
município, além de permanecer atrelado a uma política econômica que
promove o achatamento do custo-aluno calculado pelo MEC e, com isto,
impede o aporte de recursos novos para a Educação nos estados e municípios.
Esses fatores estão na origem da política de nucleação, que levou ao
fechamento de inúmeras escolas rurais e à quase extinção de importantes e
produtivas experiências pedagógicas.
De outro lado, a mesma legislação determina à administração pública um
patamar mínimo de investimento no ensino fundamental. O estado e os
municípios devem aplicar, no mínimo, 60% dos recursos do FUNDEF em
pagamento do pessoal de magistério e o restante em manutenção e
investimento, sempre em favor do ensino fundamental.
Em várias oportunidades, dirigentes municipais e estaduais e de entidades
representativas da educação no país têm manifestado restrições ao
regulamento do FUNDEF e sugerido alterações de forma a ampliar as
possibilidades de investimento no setor.
O ensino médio foi excluído dessa fonte de financiamento, embora a
demanda de vagas, escolas e professores venha registrando crescimento
elevado e permanente – em Minas a quantidade de alunos nesse nível duplicou
nos últimos cinco anos. Também foi excluída a educação infantil, essencial
para a preparação das crianças para o processo de ensino e aprendizagem,
provocando o fechamento de inúmeras escolas e criando grandes dificuldades
para estados e municípios retomarem essa modalidade de ensino.
As municipalizações realizadas de 1992 a 1998 não seguiram qualquer
projeto racional, levando a Secretaria de Estado da Educação a firmar uma
série de convênios inadequados do ponto de vista pedagógico, inexeqüíveis no
aspecto econômico-financeiro e legalmente insustentáveis, quanto à sua
formalização.
A par de transferir escolas, séries e turmas para a responsabilidade dos
municípios, o Estado assumira, naquela ocasião, compromissos de obras, de

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manutenção, custeio e pessoal que não teve condições de cumprir. Como
conseqüência, além das perdas de caráter pedagógico, houve prejuízos
financeiros para o Estado, elevação de custos e criou-se um paradoxo: muitos
municípios recebiam recursos do FUNDEF para pagamento de pessoal e não
conseguiam aplicá-los integralmente, pois uma boa parte de seus professores
era mantida pelo Estado, com servidores efetivos colocados em adjunção ao
município.
A partir de 1999, foi preciso suspender o processo de municipalização no
ensino fundamental, reduzir as adjunções, reavaliar a política e definir novos
critérios de parceria entre o Estado e os municípios, de forma a preservar o
patrimônio público, promover o melhor aproveitamento do pessoal de
magistério e resguardar as condições necessárias à manutenção da qualidade
da educação.
N a E d u c a ç ã o I n f a n t i l , o Estado reduziu drasticamente sua
participação, a ponto de manter apenas 11 mil crianças matriculadas no final
de 1998, situação que se pretende corrigir ao longo do tempo e conforme a
disponibilidade de recursos, de pessoal e a possibilidade de estabelecer
parcerias com os municípios.
Essa modalidade de educação não é beneficiada por mecanismos oficiais de
financiamento, o que desestimulou os municípios a assumirem
responsabilidades nesse campo e tornou muito difícil ao Estado retomar, como
seria recomendável, a antiga atribuição. A Secretaria da Educação vem
estudando programas alternativos e buscando formas para seu financiamento,
parcerias com as prefeituras, empresas, entidades e organizações da
comunidade. O Censo Escolar 2000 registrou nessa modalidade de ensino
12.207 alunos na rede estadual e 324 mil na municipal.
N o E n s i n o F u n d a m e n t a l , com 1.916.245 milhões de alunos
matriculados (dados do Censo Escolar 2000), a adoção apressada do sistema
de ciclos nas quatro séries iniciais criou uma espécie de promoção automática
que comprometia a qualidade e criava dificuldades para o sucesso no processo
de ensino e de aprendizagem. Foi preciso interromper essa política e abrir uma
ampla discussão sobre a forma mais adequada de organização do tempo
escolar e formulação da proposta pedagógica de cada escola, que teve sua
autonomia reconhecida e afirmada a partir de 1999.
O instrumento para isso foram os fóruns regionais, coordenados pelas
superintendências regionais de ensino, realizados em todo o estado e
destinados a subsidiar as discussões para que cada escola decidisse sobre o
sistema de organização do tempo escolar mais adequado às suas condições,
considerando as peculiaridades locais, os recursos humanos disponíveis, o
interesse da comunidade escolar.

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Após um longo processo de debates, no início de 2000, 69% das escolas da
rede estadual optaram por adotar o regime de ciclos. E para essas, a Secretaria
de Estado da Educação instituiu uma nova organização do tempo escolar em
três ciclos – o inicial, intermediário e avançado, sendo os dois primeiros de
três anos e o último de dois anos de duração. Essas escolas foram autorizadas
a criar os Núcleos de Aprendizagem Interativa (NAIs) destinados a
proporcionar atendimento específico aos alunos com dificuldades. Para as que
optaram pelo regime seriado, foi elaborado um programa de apoio visando o
aperfeiçoamento dos métodos de ensino, de avaliação de desempenho,
recuperação e promoção.
N o E n s i n o M é d i o , a pressão do mercado de trabalho e os
programas de aceleração de estudos levaram a uma forte expansão da
demanda. Em 1999, havia 736 mil alunos matriculados, número que, segundo
o Censo Escolar 2000, subiu para 843.018 no ano seguinte. No início de 2001,
foram abertas 3 mil novas turmas de alunos e o total de matriculados
aproximava-se de 1 milhão.
Para os próximos anos, a demanda continuará elevada, estimando-se que
haja uma estabilização a partir de 2005, o que exigirá um grande esforço na
organização do atendimento escolar. Inúmeras escolas de ensino médio foram
reabertas, evitando-se os erros registrados em 1998, quando o governo anterior
adotou uma política de nucleação nas zonas urbanas e rurais, deslocando os
alunos para longe de suas comunidades e deixando às prefeituras graves e
insolúveis problemas de transporte de estudantes.
O ponto crucial do ensino médio é a questão da escassez de recursos, já que
esse nível não dispõe de fontes de financiamento específicas e é mantido,
principalmente, com recursos do Tesouro Estadual. Ao mesmo tempo, o
Ministério da Educação vem promovendo uma ampla reforma do ensino
médio, com novos parâmetros curriculares, nova regulamentação visando a
preparação de alunos tanto para a continuidade dos estudos em nível superior,
como para o ingresso no mercado de trabalho por meio da profissionalização
de nível técnico e tecnológico.
N a E d u c a ç ã o P r o f i s s i o n a l , o governo anterior também
impôs a política de desativação dos cursos técnicos - inclusive de Magistério –
vários deles reabertos pela atual gestão para atender à reivindicação e ao
esforço demonstrado pelas comunidades, agora parceiras do Estado nessa
modalidade. Gradativamente, alguns desses cursos foram reativados e 184
deles já funcionam em todo o Estado. Também foram retomados os programas
de implantação de dez centros de Educação Profissional, sendo os cinco
primeiros em Brazópolis (em funcionamento desde o início de 2001),
Caxambu, Itajubá, Teófilo Otoni e Unaí.

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N a E d u c a ç ã o E s p e c i a l, Minas Gerais atende pouco mais de 10
mil alunos em 90 escolas e classes especiais. A linha de ação adotada na atual
gestão é pela inclusão, ou seja, a integração de alunos portadores de
necessidades especiais às turmas de ensino regular, dotando-se as escolas de
profissionais habilitados para lidar com eles. A outra linha de ação é de apoio
às instituições especializadas, principalmente as Associações de Pais e
Amigos dos Excepcionais (APAEs), que têm até 60% de seus professores
mantidos pelo Estado.
E v a s ã o e r e p e t ê n c i a continuam como grandes desafios da
educação em Minas. Em todos os níveis de ensino há índices negativos que
precisam ser combatidos, apesar do relativo sucesso dos estudantes mineiros
nos programas nacionais de avaliação de desempenho, alcançando pouco mais
da metade dos pontos e colocando-se nos primeiros lugares no cenário
nacional. As taxas de evasão continuam elevadas: de acordo com o Censo
Escolar 2000, em Minas Gerais 6,3% dos alunos do ensino fundamental
deixaram a escola. Esse índice é maior que em 1999 (4,3%), provavelmente
devido às pressões de ordem econômica e social e devido ao aprendizado
ineficaz dos jovens que freqüentaram os projetos de aceleração de estudos e
não continuaram na escola. Tal situação justifica uma ampla política de
envolvimento dos pais, do Ministério Público e especialmente dos professores
e dirigentes escolares para trazerem de volta à escola os alunos evadidos. Da
mesma forma, programas de combate ao trabalho infantil e à promoção de
renda mínima vinculada às necessidades educativas podem contribuir muito
para que famílias carentes mantenham seus filhos na escola (Bolsa-Escola).
Quanto à repetência, as taxas estão caindo, principalmente devido à adoção
crescente do regime de cliclos no ensino fundamental e à crescente
capacitação e treinamento dos professores da rede pública.
A e d u c a ç ã o d e j o v e n s e a d u l t o s mereceu avaliações
específicas, levando-se em conta o interesse social e a eficácia desses projetos,
incluindo a suplência no ensino fundamental e no ensino médio e os projetos
de aceleração de estudos. Trata-se de ferramentas úteis no processo de
aceleração de estudos e correção da defasagem idade/ciclo ou série,
importantes para a inclusão social de jovens e adultos que interromperam os
estudos e para aqueles que, por vários motivos, viram-se forçados a abandonar
os estudos.
Programas como o “Acertando o Passo” – destinado a alunos em
defasagem no ensino fundamental – e “A Caminho da Cidadania”, que atende
à demanda semelhante no ensino médio, cumpriram sua finalidade estatística,
mas há grande insegurança quanto à sua eficácia. O Programa de Avaliação da
Educação Básica (Proeb) constatou, em 2000, que os alunos desses projetos

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não apresentam rendimento suficiente para retornarem ao ensino regular nem
adquirem as competências básicas para prosseguirem nos estudos. Por tais
razões, muitos que concluíram estudos dentro de tais projetos encontraram
dificuldades no mercado de trabalho, chegando a ter certificados rejeitados;
outros não tinham desempenho adequado que lhes permitisse prosseguir
estudos no ensino regular.
Estudos feitos pela Secretaria da Educação indicam que a melhor
alternativa é encaminhar as demandas remanescentes para a educação
supletiva e continuada, garantindo-se o retorno e a continuidade dos estudos
para adolescentes e jovens que abandonaram a escola e querem voltar a
estudar. Essa alternativa vem sendo viabilizada com a instalação de novos
Centros de Educação Supletiva e Continuada (CESECs), na capital e no
interior do estado. A criação do Sistema de Ação Pedagógica (Siape) é um
poderoso mecanismo de apoio e de atuação direta nas escolas para permitir
uma evolução adequada na avaliação, desempenho e aproveitamento de
estudos para que se mantenha movimentação e fluxo adequados.
A f o r m a ç ã o e c a p a c i t a ç ã o de recursos humanos para a
Educação contou com financiamentos do Banco Mundial, através do programa
Pró-Qualidade, com base em convênio firmado em 1995 prevendo empréstimo
de US$ 150 milhões e igual contrapartida do Estado. Desse programa, restava
para execução, em 1999, uma última etapa que prevê investimento de US$
20,5 milhões. Esses recursos estão sendo utilizados nos programas de
capacitação de professores e dirigentes, agora revistos e com nova orientação
baseada nos princípios da Escola Sagarana.
A capacitação de professores e de dirigentes é tarefa essencial da Secretaria
de Educação e será permanente, assim como a formação continuada e o
incentivo à inovação educacional, visando a melhoria da qualidade do ensino e
a valorização dos profissionais do magistério, objetivos que serão perseguidos
por meio de parcerias com as universidades e instituições de ensino superior
instaladas em Minas Gerais.
Assim, o Programa de Capacitação de Professores - PROCAP e o
Programa de Capacitação de Dirigentes – PROCAD tiveram continuidade na
gestão 1999-2002, após uma avaliação de conteúdos, filosofia e métodos,
sendo adaptados à linha de ação estabelecida pela Escola Sagarana. Mais de
105 mil professores e 6 mil dirigentes foram integrados à nova fase.
Visando habilitar professores das redes municipais e estadual que não têm
curso superior e atuam da primeira à quarta série do ensino fundamental, a
Secretaria lançou o Veredas – programa de formação superior de professores,
que beneficiará 15 mil profissionais, utilizando metodologias de educação a
distância.

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A q u e s t ã o d o f i n a n c i a m e n t o da Educação é crucial, e por
esta razão, a Secretaria da Educação está integrada aos movimentos
organizados pelo Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Educação
(CONSED) pela reformulação do FUNDEF, de forma a atender às reais
necessidades de investimento no setor, e pela preservação do salário-educação
como uma das principais fontes de financiamento à Educação nos estados e
municípios.
O comportamento dessas duas fontes vinha sendo errático, com oscilações
no valor dos repasses, provocadas pela recessão econômica, e devido à
atuação organizada de empresas e entidades empresariais na proposição de
ações judiciais contra o pagamento do salário-educação.
A relativa estabilidade da economia, contudo, refletiu-se no volume de
impostos arrecadados, resultando numa lenta evolução positiva da receita
proveniente do FUNDEF. Nos primeiros seis meses de 1999, as receitas
representadas pela Quota Estadual do Salário-Educação em Minas Gerais
tiveram uma queda da ordem de 5%, reagindo lentamente devido à retomada
da contribuição por centenas de empresas derrotadas nas ações judiciais que
propuseram. Além disso, as quotas depositadas em juízo reverteram para o
Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). Quanto ao
FUNDEF, a totalidade dos recursos repassados ao Estado é utilizada no
pagamento de pessoal – rubrica que ainda depende de complementação
financeira proveniente do Tesouro Estadual para que seja mantido em dia,
conforme é compromisso do atual governo.
A Secretaria da Educação participa da comissão nacional que estuda, em
nome do CONSED (Conselho Nacional dos Secretários de Educação), os
mecanismos de financiamento da educação nacional. Além de apresentar seus
pleitos com relação à reformulação do FUNDEF, a secretaria apresentou
estudos sobre a reformulação desse fundo que proporcionaria ao Estado e aos
municípios um reforço orçamentário significativo, com dotação de novos
recursos para investimento. E apóia todos os movimentos que visam à
inclusão do ensino médio e da educação infantil como beneficiários dos
recursos do FUNDEF.
Q u a n t o à d e m a n d a d e v a g a s, acentua-se o aumento do
atendimento ao ensino fundamental nas redes municipais (até 1999 foram
transferidos para as redes municipais 562.768 matrículas), e pequeno
decréscimo na rede estadual. Em relação ao ensino fundamental, o
atendimento encontra-se, praticamente, universalizado, atingindo 98,04%. O
ensino médio, apesar do grande incremento no atendimento, está bem longe da
universalização, encontrando-se matriculada menos da metade da população
escolarizável na faixa de 15 a 19 anos. A grande maioria dos alunos do ensino

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médio está sob a responsabilidade do Estado – as redes municipais, conforme
o Censo Escolar 2000, têm apenas 393 unidades escolares atendendo nesse
nível de ensino, enquanto a rede estadual tem 1.444 escolas.
A mobilidade de alunos no ensino fundamental em Minas Gerais, medida
pelo Ministério da Educação através do Censo Escolar 2000, indica que a taxa
de repetência está em declínio, enquanto as de evasão e de promoção subiram
em relação ao ano de 1999.

Escola Sagarana - 19
4 - Políticas Públicas para a Educação

“Definir o aluno como centro das


atenções educacionais e fortalecer o
compromisso da política estadual de
educação com a obtenção do sucesso do
aluno no processo de ensino e de
aprendizagem e de sua formação como
cidadão.”

A atuação do governo de Minas pautar-se-á pelos princípios, pressupostos


e diretrizes definidas pelo Fórum Mineiro de Educação, conforme
compromisso assumido pelo então candidato a governador, Itamar Franco, na
solenidade de encerramento daquele encontro, em 2 de setembro de 1998, em
Belo Horizonte.
O Fórum Mineiro de Educação constituir-se-á em ação permanente do
governo, realimentando e atualizando o planejamento da educação em Minas
Gerais.
Conforme estabelece a Carta dos Educadores Mineiros, são os seguintes
os

Parâmetros básicos da
Política Estadual de Educação

 “A educação mineira resguarda, na herança histórica e cultural do


Estado, uma filosofia humanista, comprometida com o
desenvolvimento integral do educando e a serviço da cidadania e da
competitividade que contempla simultaneamente a eficiência
tecnológica e a equidade social.”
 “O processo educativo respeitará as diferenças, a heterogeneidade e
a diversidade, numa pedagogia de qualidade sintetizada no conceito
segundo o qual “a melhor educação para os melhores é a melhor
educação para todos”.
 “A participação da sociedade será valorizada, como parte de uma
estratégia democrática de educação de qualidade para todos.”
 “Na condução da política educacional, a transparência e a ética são
requisitos fundamentais e insubstituíveis.”

Escola Sagarana - 20
 “Educação e cultura são termos indissociáveis de uma mesma
equação cuja solução aproveitará, necessariamente, à cidadania, à
eficiência profissional e à equidade social.”
 “As políticas e diretrizes setoriais terão como pressuposto a
participação social e a democratização de oportunidades, opondo-se
decisivamente à elitização e à exclusão.”

4.1. Objetivos

São objetivos da política educacional do governo de Minas Gerais:


 Desenvolver planos, programas e ações com vistas a garantir
educação de qualidade para todos os mineiros.
 Definir o aluno como centro das atenções educacionais e
fortalecer o compromisso da política estadual de educação com a
obtenção do sucesso do aluno no processo de ensino e de aprendizagem
e de sua formação como cidadão.
 Capacitar, desenvolver e valorizar os profissionais do magistério
em todos os níveis e modalidades do ensino.
 Desenvolver metodologias e estabelecer normas para garantir a
participação de toda a comunidade escolar na gestão das escolas da rede
pública.
 Avaliar a qualidade do ensino em todos os níveis e modalidades,
mediante exames do rendimento dos alunos, metodologias de controle e
acompanhamento, estudos e pesquisas.
 Universalizar progressivamente a educação infantil por meio de
parcerias com os municípios e organizações não-governamentais.
 Garantir o ingresso e permanência do aluno na escola,
especialmente no Ensino fundamental, desenvolvendo ações amplas de
combate à evasão escolar e à exclusão social, e promovendo o retorno à
escola daqueles que dela se afastarem sem justificativa.
 Ampliar progressivamente o atendimento à demanda do ensino
médio tendo em vista a sua universalização no prazo mais curto
possível.
 Ampliar a possibilidade de acesso ao ensino aos que não tiveram
oportunidade em idade própria.
 Assegurar educação de qualidade para alunos portadores de
necessidades especiais.

Escola Sagarana - 21
 Desenvolver ações articuladas entre os diversos setores para
favorecer o pleno desenvolvimento da criança e do adolescente.
 Incentivar a defesa e prática dos direitos humanos, em especial da
criança e do adolescente, e a observância dos princípios da convivência
harmônica e solidária.

4.2 Diretrizes Operacionais

4.2.1 - Administração e financiamento

 Estruturação do Sistema Mineiro de Educação, voltado para o


humanismo, a ação plural e a diversidade criadora, nele inserindo o
Fórum Mineiro de Educação e seus fóruns regionais como instâncias
públicas de debates e promoção de políticas e ações de governo
compatíveis com a visão democrática e solidária do setor educacional.
 Criação, no âmbito do Sistema Mineiro de Educação, de
mecanismos definidores do regime de cooperação entre estado e
municípios, contemplando necessariamente atividades de avaliação, de
acompanhamento das interrelações dos componentes do Sistema.
 Realização de estudos sobre as alternativas de financiamento,
visando garantir investimento por aluno compatível com a qualidade do
processo educativo, a eqüidade e o equilíbrio inter-regional.
 Elaboração de plano decenal para a educação em Minas Gerais,
decorrente do Plano Nacional de Educação e definido por fórum
permanente.
 Promoção da cooperação técnica estado-municípios, visando a
profissionalização de todas as instâncias de formulação e execução da
política educacional.
 Definição de política de supervisão pedagógica, orientação
educacional e inspeção escolar no âmbito do Sistema Mineiro de
Educação.
 Repasse direto de recursos às escolas, para que definam e
implementem seus próprios projetos político-pedagógicos.
 Valorização da escola, ampliando seu espaço de decisão,
fortalecendo sua autonomia pedagógica, administrativa e financeira,
para que implemente proposta pedagógica comprometida com o sucesso
do aluno, dentro do princípio da democratização da gestão do sistema
educacional.

Escola Sagarana - 22
 Garantia de critérios democráticos para escolha de diretores de
escolas estaduais, com participação da comunidade escolar.
 Garantia da prática da gestão democrática das escolas, com
valorização do colegiado e respeito ao interesse da comunidade escolar
e dos que vivem em torno da escola.

4.2.2 - Magistério e Recursos Humanos

 Reconhecimento do papel social do educador, mediante adoção de políticas


voltadas para sua efetiva valorização.
 Realização de concursos públicos periódicos, adotando-se mecanismos que
reduzam ou eliminem as categorias do “designado” e do “convocado”.
 Estabelecimento de plano de carreira, cargos e salários, com ampla
participação social, especialmente dos profissionais da educação. O eixo
norteador será o de abrir à carreira perspectivas profissionais que
incentivem a permanência no magistério e motivem o educador a
aperfeiçoar-se, continuadamente.
 Definição e implementação, em parceria com sistema
universitário sediado em Minas, de política de formação e
aperfeiçoamento do magistério, articulada com as realidades regionais
de Minas Gerais. Essa política enfatizará, entre outros itens, o
desenvolvimento de competências nas áreas de informática e novas
tecnologias aplicadas à Educação.

4.2.3 - Educação infantil

 Universalização progressiva da pré-escola, prevendo cooperação


entre o Estado e seus municípios e a participação de iniciativas
comunitárias e particulares.
 Retomada da proposta da atenção integral à criança, com
prioridade para os segmentos mais pobres da população.
 Ampliação da oferta de creches nas regiões e áreas carentes, em
ação integrada com os municípios e a comunidade.

4.2.4 - Ensino fundamental

Escola Sagarana - 23
 Reexame dos procedimentos de avaliação vigentes no Estado,
buscando conformar modelos centrados na avaliação qualitativa cuja
ênfase recaia no desenvolvimento progressivo do processo ensino-
aprendizagem.
 Reformulação da sistemática de correção do fluxo escolar e
atendimento à população com defasagem idade-série, visando convertê-
las em mecanismo pedagógico que privilegie a formação integral do
aluno.
 Substituição da cultura da reprovação e da repetência, bem como
da promoção automática, pela cultura do sucesso escolar.
 Implantação do Programa Familiar para a Educação – Bolsa-
Escola

4.2.5 - Atenção integral à criança e ao adolescente

 Mobilização das universidades visando fórmulas de cooperação


para o resgate da filosofia e da programação de atenção integral à
criança e ao adolescente.
 Apoio aos municípios que implementam ou já implementaram
programas de atenção integral.
 Ação conjunta das secretarias e entidades da área social do
governo, visando ações comuns que permitam disseminar em todo o
Estado a estratégia da atenção integral à criança e ao adolescente,
especialmente junto às populações mais necessitadas.

4.2.6 - Ensino Médio

 Garantia de matrícula no ensino médio, até 2003, a pelo menos


80% dos egressos do ensino fundamental, predominantemente em
escolas públicas.
 Elaboração e implementação do Plano Estadual de Ensino Médio.
 Estímulo à criação de escolas comunitárias e fomento ao
cooperativismo no ensino médio, de forma a atender ao aumento da
demanda por vagas e ao interesse maior da juventude mineira.
 Provimento das carências de professores qualificados, em
especial na área de ciências, mediante programas emergenciais e não

Escola Sagarana - 24
convencionais de qualificação, com apoio das instituições de ensino
superior.
 Reforma e diversificação do ensino médio, de maneira
compatível com as realidades regionais, com ênfase na educação básica
geral.
 Desenvolvimento e estímulo a metodologias para serem utilizadas
no ensino noturno de forma a aproveitar e certificar, para fins
curriculares, estudos e conhecimentos apropriados pelo aluno no mundo
do trabalho.
 Promoção de entrosamento do ensino médio com a educação
profissional, inclusive no que se refere ao denominado “Pós-Médio”.

4.2.7 - Educação de jovens e adultos

 Elaboração e execução de plano de educação de jovens e adultos,


na forma dos princípios sintetizados na Declaração de Hamburgo, que
definiu as metas do “Decênio Paulo Freire da Alfabetização”.
 Instituição de processo permanente de educação para todos,
mediante aproveitamento da capacidade ociosa de agências educativas
públicas e privadas e formação de parcerias com a sociedade civil
(empresários, sindicatos, igrejas, clubes de serviços, organizações não-
governamentais, universidades).
 Redução do analfabetismo em Minas, dos atuais 14,5% para não
mais que 7% da população com 15 anos ou mais, no prazo máximo de
cinco anos, perseguindo-se a meta de sua gradativa eliminação.
 Concessão de créditos curriculares aos estudantes do subsistema
universitário estadual que participarem de programas de alfabetização.

4.2.8 - Educação do campo

 Estabelecimento de novo desenho conceitual para a educação no


meio rural, educação do campo, com base nos conhecimentos e
experiências do passado e em curso, tendo sempre em consideração sua
especificidade e relevância.
 Retomada das concepções pedagógicas originais da educação
rural formuladas pela professora Helena Antipoff.

Escola Sagarana - 25
4.2.9 - Educação indígena

 Garantia aos povos indígenas de Minas (Xacriabá, Maxacali,


Krenak e Pataxó) de educação de qualidade compatível com suas
características e valores culturais, atendendo aos princípios contidos na
“Carta de Cuiabá” (resultante da Conferência Ameríndia de Educação e
Encontro dos Professores Indígenas do Brasil), adotando-se o
bilingüismo na alfabetização, para preservação da cultura nativa.

4.2.10 - Educação a Distância

 Instituição do Subsistema Mineiro de Educação a Distância,


compatibilizando os esforços das agências que trabalham com essa
modalidade.
 Estímulo ao subsistema universitário estadual para que produza,
veicule e avalie programas de educação a distância, destinados ao
ensino formal e não-formal.
 Utilização pela rede escolar do acervo de recursos audiovisuais
produzidos ou custeados com recursos públicos.
 Estímulo à utilização de recursos e técnicas informacionais, de
televisão e rádio nos programas de formação de recursos humanos,
aceleração de estudos e alfabetização de jovens e adultos
 Estímulo ao uso de metodologias de monitoramento a distância
nos programas de formação e capacitação de recursos humanos.

4.2.11 - Educação profissional

 Estabelecimento de nova política de educação profissional


integrada aos objetivos do desenvolvimento regional de Minas Gerais
 Implantação de centros de educação profissional, em convênio
com o Ministério da Educação e parcerias com prefeituras e instituições
da comunidade, dentro do Programa Estadual de Educação Profissional.
 Definição, juntamente com as Secretarias de Estado ligadas a
políticas de formação profissional do trabalhador, articulada com a
política de emprego, visando assegurar amplas possibilidades de
inserção social e no mercado de trabalho.
 Criação de mecanismos de certificação de competência e
definição de formas de aproveitamento desses conhecimentos no

Escola Sagarana - 26
subsistema regular e supletivo de educação, permitindo agregar
conhecimentos originados de diversos setores da sociedade.
 Implementação de rede regionalizada de centros públicos de
educação profissional.

4.2.12 - Escola, cultura e currículo

 Redefinição, em articulação com as sSecretarias de Estado e


outras entidades ligadas à educação e à cultura, do papel da escola como
agência de promoção cultural.
 Revisão dos currículos e projetos pedagógicos, à luz das tradições
histórico-culturais de Minas, atentando para as especificidades
regionais.
 Incentivo às universidades para que produzam materiais didáticos
baseados na cultura mineira.
 Estabelecimento de parcerias entre a escola e os museus,
bibliotecas, arquivos e outras instâncias de referências, visando à
promoção conjunta de projetos educativos e culturais.

4.2.13 - Inovação e criatividade

 Respeito à heterogeneidade e à diversidade criadora.


 Incentivo permanente à inovação e à criatividade, tendo o
educador como o principal agente dessa política.

4.2.14 - Ensino superior

 Fortalecimento da Universidade do Estado de Minas Gerais


(UEMG) e da Universidade de Montes Claros (UNIMONTES) em sua
função de apoio às políticas de desenvolvimento do Estado, sobretudo
nas regiões menos desenvolvidas.
 Definição de políticas para o ensino superior em Minas, em
articulação com as instituições federais, comunitárias e privadas.
 Definição do compromisso das instituições de ensino superior
com a educação básica.

Escola Sagarana - 27
4.2.15 - Estudos e pesquisas em educação

 Desenvolvimento, em articulação com as universidades e


instituições de pesquisa em geral, de programação sistemática de
estudos e pesquisas em apoio à educação mineira.
 Implantação, em cooperação com as universidades instaladas em
Minas Gerais, de programas de avaliação do desempenho de alunos da
rede estadual.
 Incentivo à realização de estudos e pesquisas acadêmicas para
avaliação de programas implementados pela Secretaria da Educação,
bem como da qualidade do ensino e o desempenho dos profissionais do
Magistério.

4.2.16 - Segurança e violência

 Atenção especial à segurança nas escolas, ao combate à violência


e à disseminação e uso de drogas.
 Em articulação com as secretarias de estado e demais entidades
que atuam na área, definição de programas educativos que busquem
abrir perspectivas de vida digna para os meninos de rua.
 Incentivo, em todas as escolas, à defesa e prática dos direitos humanos,
em especial da criança e do adolescente, e à observância dos princípios
da convivência harmônica e solidária.

Escola Sagarana - 28
5 – Tendências da Educação para o século XXI

Murílio de Avellar Hingel

“Não esperemos nada do século XXI.


É o século XXI que espera tudo de nós”.
(Gabriel Garcia Marquez)

A Divisão de Análise e Previsão da Unesco, a partir de 1997, promoveu


sessões com cientistas, intelectuais, criadores ou decisores de renome
internacional, com vistas a todos os horizontes em um espírito prospectivo e
interdisciplinar.
O resultado foi a edição de antologia contendo reflexões apresentadas em
encontros prospectivos até 29 de junho de 1999. A antologia foi publicada sob
o título “Les Clés du XXIe Siècle” (edição Seuil/Unesco-maio 2000).
A leitura da antologia é atual e fascinante. Reportando-me ao capítulo III,
detenho-me nos textos que tratam da Educação para o século XXI – as novas
fronteiras da Educação.
O sociólogo Edgar Morin fala da reforma do pensamento e da educação.
Refere-se à necessidade de se pensar o mundo globalmente e nas suas partes, à
vista da complexidade do mundo atual. Os pensamentos etnocêntricos
dificultam o entendimento das identidades particulares, nacionais ou
religiosas.
Lembra que, embora tenhamos uma ciência econômica altamente
sofisticada, o sistema econômico foi incapaz de prever perturbações como as
que ocorreram no sudeste asiático. Os próprios movimentos das bolsas de
valores assumem, por vezes, aspectos irracionais que a ciência econômica, por
si só, é incapaz de explicar.
Assim, é indispensável que haja uma reforma no modo de pensar e,
portanto, na educação, incluindo as universidades. A partir dessas premissas,
Morin trata dos quatro objetivos fundamentais do ensino:
- “Mais vale uma cabeça bem feita que uma cabeça bem cheia”
(Montaigne).
- “Eu quero ensinar-lhe a condição humana” (Rousseau).
- “Eu quero que ele aprenda a viver” (Rousseau).
- O cidadão do mundo deve estar consciente de sua dupla relação:
nacional e planetária.
Em conclusão, Morin afirma que a reforma do pensamento não é um luxo
intelectual, mas responde a uma necessidade vital para que a humanidade
consiga regular as forças desagregadoras que ela mesma ensejou.

Escola Sagarana - 29
O físico Goéry Delacôte afirma que, embora a educação seja, hoje, um
sucesso em termos de amplitude, é urgente a evolução do sistema educacional,
particularmente quanto ao papel dos professores, o reconhecimento da
importância crescente da educação a distância e das novas tecnologias e o
desenvolvimento dos sistemas de avaliação, compreendendo a que se aplica ao
final de cada ciclo de estudos e a que contribui à formação do educando no
curso da aprendizagem – isto é, a avaliação continuada.
Delacôte afirma, ainda, que ao saber puramente formal devem suceder os
saberes de aplicação e os meta-saberes. Enfim, enquanto o sistema financeiro
funciona na ordem de alguns microssegundos e o sistema produtivo trabalha
com algumas semanas, o tempo de aprendizagem será continuamente mais
longo. Os espaços da aprendizagem serão também mais variados e a própria
cultura da aprendizagem será afetada pela interatividade.
O terceiro intelectual que contribui para as novas fronteiras da educação é
o português Roberto Carneiro que, de certa forma, sintetiza algumas das
colocações anteriores ao falar da “educação para todos durante toda a vida”.
Carneiro também coloca o seu pensamento quanto às grandes perspectivas
da dimensão social da aprendizagem, a saber:
- a compatibilização entre as exigências da mundialização e a busca das
raízes nacionais e locais será resolvida pela busca de uma coesão social
fundada no fortalecimento da democracia e em crescimento econômico mais
equânime;
- os quatro pilares da aprendizagem são retomados do relatório da
Comissão Delors (Educação, um tesouro a descobrir/Unesco) voltados para o
futuro:
• aprender a aprender (ou aprender a conhecer),
• aprender a fazer,
• aprender a viver e a conviver e
• aprender a ser.
O autor diz que essas missões parecem extremamente simples em sua
formulação, mas são de aplicação delicada em um mundo fragmentado em que
diferenças culturais, lingüísticas e étnicas alimentam conflitos. Por isso,
precisam ser combinadas com os pilares do desenvolvimento em que uma
nova sociedade do conhecimento deverá conciliar, harmoniosamente, direitos
e obrigações;
- a educação, marcada fortemente por um estatuto social, que conduz à
exclusão, deverá preocupar-se com nova forma de conhecimento de natureza
inclusiva que favoreça o desenvolvimento pessoal e cultural, a formação da
cidadania vinculada a uma comunidade, porém identificada com a

Escola Sagarana - 30
humanidade e o exercício da educação continuada ao longo da existência de
cada ser humano, mesmo fora do sistema escolar.

5.1 – Os novos tempos da educação em Minas

Todo planejamento de ações educativas é feito com foco na criança e no


adolescente e visa, em última análise, a sucesso do aluno. Mas , no mundo
atual, com as mudanças econômicas, sociais e culturais por que passa a
sociedade há que ser considerado um conjunto de fatores de grande
complexidade, articulados entre si e com as circunstâncias impostas pelos
novos tempos. Pois a tarefa de educar envolve compromisso e
responsabilidade com a construção do futuro.
Assim, só é possível definir uma política educacional se for mantida
perfeita sintonia com os anseios da sociedade, atendendo aos novos
paradigmas criados por esta mesma sociedade em nível local, regional,
nacional e universal, e sem abrir mão de apontar caminhos e alternativas para
alimentar um processo permanente de transformação que, em síntese, visa um
ideal, a busca da felicidade e do bem comum.
A partir dessas convicções e conceitos, o dilema principal do planejador é,
consideradas as diversidades de toda ordem, encontrar o perfil do cidadão que
se pretende formar. Em outros termos: o que os estudantes de hoje precisam
aprender para se tornarem cidadãos bem sucedidos no século XXI? E o que os
professores devem ensinar para tornar possível essa missão? Não deveriam os
professores, primeiro, aprender e assim se qualificar para construir os
conhecimentos necessários à próxima geração?
Aí estão três grandes desafios para a educação dos tempos atuais, na
verdade grandes desafios a serem explorados. Decifrar essas dúvidas constitui
outra grande tarefa, pois não há consenso entre historiadores, sociólogos,
pesquisadores ou futurólogos acerca dos paradigmas do novo século.
É possível pensar, por exemplo, que o ritmo da mundialização da economia
continue tão frenético a ponto de suplantar os nacionalismos recorrentes? Que
mundo e que condições sociais e culturais existirão nas próximas décadas?
Que habilidades e que capacidades serão exigidas ao trabalhador do futuro?
Que profissões de hoje continuarão existindo e que novas profissões o
mercado exigirá? Como compatibilizar os ideais e harmonizar os interesses
de forma a construir essa nova cidadania comprometida com a ética, com a

Escola Sagarana - 31
cultura, com a comunidade e, ao mesmo tempo, com a nação e a própria
humanidade?
Na falta de definições mais objetivas, o melhor critério é o comedimento,
ferramenta primordial da sensatez. E o bom senso recomenda refletir sobre
que características gerais seriam importantes para sustentar o desenvolvimento
humano e a sociedade moderna, para criar condições de prosperidade em
nosso país, em nosso estado, em nossas comunidades, para que todos tenham a
oportunidade e os instrumentos necessários à busca da felicidade.
Esta é a porta para a qual só existe uma chave: é pela educação que se pode
abrir o caminho para que cada um busque a felicidade a seu modo, conforme
suas habilidades e o seu contexto social e cultural. A educação, por si só, não
opera milagres nem muda realidades. É, sim, um processo contínuo, efetivo,
de resultados duradouros, mas lentos. Educar é alimentar sonhos, é torná-los
consistentes, é construir esperanças, transformar realidades.
Mas é preciso estar atento a tudo o tempo todo. A rapidez do mundo
moderno, a versatilidade das comunicações, a volatilidade dos conceitos éticos
e morais são circunstâncias que nos exigem uma capacidade extrema de
observação, de assimilação e de adaptação. Exigem de todos, em qualquer
atividade, uma velocidade quase meteórica de reagir, de agir e de interagir, de
responder aos estímulos do meio em que se vive, entender e superar
obstáculos, intervir na realidade e torná-la melhor a cada dia.
Cada uma dessas enormes tarefas envolve conceitos sobre os quais há
consenso quanto à importância de serem praticados a cada momento,
disseminados por todos os segmentos e comunidades, mesmo estando em
permanente processo de mutação e diretamente influenciados pelo grau de
contextualização política, social e cultural. É o caso da cidadania, fundamento
da vida política moderna, da ética, que fornece as bases da vida social, da
solidariedade e da fraternidade, fundamentais para a preservação da vida, da
espécie humana, do meio em que vivemos.
Por tal ordem de razões, a primeira opção de qualquer sistema educacional
deve ser pela consistência ética, com grandeza de propósitos e cercada de
humanismo por todos os lados. É desprovido de ética, por exemplo, qualquer
plano que se limite a propor o adestramento de operadores de máquinas, que
pense o ser humano apenas por uma de suas facetas, a de agente econômico a
serviço de modelos que, mais dia menos dia, se descobre, têm horizonte
limitado no tempo e na história.
É por tais circunstâncias que é inconcebível a instituição de sistemas
educacionais que tendam a reproduzir a perversidade inata dos modelos de

Escola Sagarana - 32
desenvolvimento que privilegiam conceitos como competitividade, mercado,
individualismo, supremacia da produção sobre a inventividade. É preciso
romper com as propostas que se atêm apenas ao mundo do trabalho, à
formação de meros operadores de máquinas, autômatos habilitados para
entender manuais de instruções e códigos e atalhos dos sistemas operacionais.
Para contrapor esses modelos é preciso propor a construção de mentalidades
novas, versáteis, repletas de informações e caracteres típicos da diversidade
humana. Qualquer proposta educacional tem que levar em conta a pluralidade,
o respeito à multiplicidade de feitios e interesses humanos, a mobilidade das
estruturas sociais, das transformações econômicas, das culturas local, regional
e nacional. E que leve em conta que somos todos cidadãos do mundo.
A longo prazo, portanto, só a educação geral é capaz de dar à maioria dos
cidadãos os instrumentos para enfrentar as realidades do próximo milênio. E
ela deve estar voltada para a construção do conhecimento, a formação do
homem na sua integralidade e o aperfeiçoamento da vida social. Esse é o
melhor e o mais permanente dos antídotos contra os desajustamentos
provocados pela excessiva especialização, que pulveriza métodos e
tecnologias e tolhe a articulação de conjuntos e de ações sistêmicas.
A formação geral deve tomar por base o desenvolvimento de habilidades
elementares, como a leitura, a escrita e a interpretação; desenvolver a
capacidade de raciocínio matemático, lógico e funcional, e sobre ela construir
os fundamentos da ciência, da tecnologia, do progresso, da democracia, da
ascensão social, da organização da comunidade. Essa formação perpassa a
vida toda do estudante, da pré-escola até a vida universitária e pós-
universitária, mas suas bases se erguem diretamente sobre os alicerces do
ensino fundamental e do ensino médio, obrigações do Estado, deveres da
sociedade.
Articular as ações educativas de forma a aumentar a oferta de serviços
educacionais, buscar fórmulas criativas e aperfeiçoar mecanismos de captação
e distribuição de recursos para financiamento da educação, capacitar recursos
humanos e elevar a qualidade do ensino têm sido metas permanentes em nossa
gestão na Secretaria da Educação de Minas Gerais. E essas tarefas passam por
um esforço especial, que hoje é do governo e que deve ser de toda a
comunidade: a defesa e a valorização da escola pública.
É claro que há escolas de baixo rendimento, mas há também ilhas de
excelência – na média, as escolas mineiras são de boa qualidade. Foram
vítimas, sim, da indústria do vestibular, que procurou desqualificá-las além do
limite, mas é somente por meio da rede pública que o país terá a possibilidade

Escola Sagarana - 33
de realizar o ideal de democratizar e universalizar o direito e o acesso à
educação de qualidade.
Cabe à universidade dedicar esforço especial à valorização do ensino
fundamental e do ensino médio, a começar por uma redefinição do perfil dos
professores que forma a cada ano, adequando-se à realidade do país e aos
desejos da sociedade. Esse novo professor há de ser, acima de tudo, um
cidadão comprometido com a ética, com cidadania, com a responsabilidade
social, sintonizado com as realidades do novo mundo que se abre neste
terceiro milênio. Isso implica, certamente, mudanças curriculares, introdução
de novas metodologias, desenvolvimento de novas experiências, pesquisa e
extensão.
Cabe ao Estado coordenar essas ações de forma a encontrar espaços para a
necessária integração, mas nada se produzirá nesse campo se não houver, de
ambas as partes, vontade política, arrojo e disposição para a cooperação. Um
dos caminhos mais promissores é a adoção de mecanismo de
compartilhamento de responsabilidades com as instituições de ensino superior,
que têm contribuição importante a dar nas áreas de planejamento, gestão,
acompanhamento pedagógico, avaliação, formação inicial, capacitação e
educação continuada.

5.2 – Escola Sagarana: o compromisso de Minas

“Nós não podemos prever o futuro,


mas nós podemos prepará-lo” (Ilya Prigogine)

O movimento histórico preponderante na economia, na política e no


campo social ainda tem sido a internacionalização, tendência muitas vezes
apresentada de forma determinística, verdade única e absoluta, como se não
houvesse outros caminhos que não os de globalizar mercados, uniformizar
preferências, neutralizar governos, superar fronteiras em nome de uma
convivência pretensamente global.
Genericamente definido como neo-liberal, esse movimento vive de
vender a ilusão de que a liberdade ampla de ir e vir, comprar e vender, pensar
e agir criaria ambiente propício à competição, que levaria à eficiência, à
evolução permanente, disponibilidade total de bens, tecnologias e serviços
para todos. Tais princípios têm sido válidos para indivíduos, grupos, empresas,

Escola Sagarana - 34
partidos e, especialmente, capitais, trazendo consigo a cultura ao
individualismo, ao privatismo, ao Estado mínimo.
A evolução é cada vez mais rápida e encontra a grande maioria dos
países despreparados, incapazes de acompanhar a marcha para o futuro. A
conseqüência é dramática. Alarga-se a cada dia o fosso entre os países que
criam e dominam as tecnologias e aqueles que se utilizam delas ou as
adquirem em produtos ou materiais acabados. Os blocos e zonas de livre
comércio formam-se conforme a vontade dos países poderosos, sufocando as
possibilidades das alianças políticas e econômicas regionais.
Nesse ambiente e a longo prazo, só a Educação pode reconstruir valores
permanentes e bases sólidas para o desenvolvimento sustentado nas
potencialidades do País, sem perder de vista a inserção na comunidade
internacional. O professor tem um papel fundamental nesse processo, podendo
tornar-se agente transformador na medida em que contribuir para a formação
de uma nova consciência. A educação será peça de resistência, base para a
reconstrução dos valores locais e regionais, revitalização do sentimento
nativista, fortalecimento de laços culturais e comunitários.
Cabe à educação disseminar e ampliar essa capacidade de resistência – e
esta é a proposta da Escola Sagarana – fortalecer as convicções e construir a
adesão das novas gerações a um projeto de vida e de desenvolvimento
econômico e social que leve em conta o interesse dos mineiros, em primeiro
plano, e dos brasileiros, por conseqüência. Porque soberania nacional não se
constrói com discursos nem com decretos, mas pela conscientização, pelo
exercício pleno e amplo da liberdade, da democracia, com dignidade e com
responsabilidade cidadã.
A opção feita por Minas Gerais – exposta no slogan “Educação para a
vida com dignidade e esperança” – é pela construção de mentalidades novas e
versáteis, repletas de informações, capazes de assimilar a realidade e agir
sobre ela com espírito transformador. Significa ir muito além do papel de
formar pessoas habilitadas para disputar espaço no mercado de trabalho
(capazes de ler manuais de operação de sistemas e repetir operações), pois o
mundo do trabalho é apenas uma das faces da inserção das gerações no plano
dos desafios do novo milênio.
Essas definições de ordem estratégica são ainda baseadas em estudos e
pesquisas recentes acerca do perfil do estudante e da escola no próximo
século. Nesses levantamentos, fica evidente que a sociedade atual espera que
os futuros cidadãos sejam capazes de analisar situações, encontrar alternativas
e resolver problemas; que sejam participativos, adaptados para o trabalho em

Escola Sagarana - 35
equipe e com espírito de liderança; que tenham formação multidisciplinar,
estejam prontos para o exercício da cidadania, sintonizados com os problemas
do mundo e sejam membros participantes da vida comunitária.
Fora do plano das individualidades, o Sistema Mineiro de Educação deve
contemplar a diversidade cultural e respeitar a identidade de cada região,
valorizando e preservando suas manifestações e as relações comunitárias. E
apontar a perspectiva do bem estar e da esperança como ingredientes para a
busca da felicidade. É essa utopia que impulsiona a mobilidade social, que faz
com que cada geração seja melhor, mais digna e mais feliz do que a anterior,
estimulando e desenvolvendo valores sociais e humanos que contribuam para
a harmonia e a paz social, como fraternidade, generosidade, solidariedade,
ética, justiça social, dignidade do trabalho, preservação da vida e do ambiente.
O desenvolvimento dessa política educacional de fundo humanista e
democrático exige uma postura nova, também, da parte dos educadores. Não
há mais a escola detentora e transmissora de conhecimento, ensimesmada,
autoritária, impositiva. O educador precisa entender o ritmo de seus alunos,
conhecer suas habilidades e suas circunstâncias para ter condições de
proporcionar uma educação de qualidade. E precisa preparar-se para essa
missão, mantendo-se em permanente aprendizado, atento a todas as mudanças,
em constante aperfeiçoamento, comprometendo-se com os objetivos sociais da
educação.
Cabe ao Estado proporcionar aos profissionais da educação os
instrumentos necessários ao desempenho de missões tão ambiciosas. E isso se
fará pela valorização do pessoal do magistério, criando-se condições para o
seu permanente aperfeiçoamento, desenvolvimento pessoal e profissional,
assegurando-se a manutenção de suas conquistas e criando-lhes novas
perspectivas. Da mesma forma, cabe ao Estado criar os estímulos e
mecanismos de controle social para que a gestão democrática da escola abra
caminhos para a participação da comunidade na definição dos objetivos, dos
meios e das propostas pedagógicas a serem aplicadas. É esta integração que
garantirá a sintonia entre a escola, a comunidade e a cidadania, numa
perspectiva duradoura e capaz de transformar a realidade.
Como se vê, não é tarefa para um governo só nem é exclusiva dos
poderes públicos. O regime de cooperação que a Secretaria de Educação de
Minas Gerais vem desenvolvendo coloca em destaque o estabelecimento de
alianças com organizações comunitárias, órgãos de classe dos trabalhadores e
dos empresários, universidades, organismos nacionais e internacionais. E
dessa troca virão, a cada dia, os procedimentos de planejamento, coordenação,
acompanhamento e controle, num círculo virtuoso de cooperação capaz de

Escola Sagarana - 36
avaliar, controlar e realimentar o sistema, confirmando ou reorientando
políticas, planos e ações.
A Escola Sagarana, como conjunto de princípios, estratégias, planos,
define o compromisso de Minas Gerais com a Educação. É proposta aberta e
democrática, como sempre, permeável à participação e à contribuição de toda
a sociedade, num processo permanente e dinâmico. Essa é a verdadeira
construção da nossa soberania e o caminho para plantá-la, definitivamente, no
coração e na consciência dos mineiros de hoje e do futuro.

5.3 – Por que Escola Sagarana?

“Minas principia de dentro para fora e


do céu para o chão”. (João Guimarães Rosa)

A escolha do termo Sagarana para denominar a política educacional que se


pretende implantar em Minas Gerais a partir deste ano teve várias motivações,
sendo a principal delas a busca de uma expressão que representasse o
regionalismo típico das montanhas mineiras, definisse a identidade e as raízes
do povo mineiro, sem perder os vínculos com a universalidade do ser humano,
o humanismo enquanto conjunto filosófico, de pensamentos, atos e
convicções.

O criador do termo é João Guimarães Rosa, que nasceu em Cordisburgo,


em 27 de junho de 1908, e morreu no Rio de Janeiro, em 19 de novembro de
1967, três dias após ter assumido sua cadeira na Academia Brasileira de Letras
(para a qual foi eleito por unanimidade em 1963).
Reconhecido no mundo inteiro como das maiores expressões da literatura
universal, Rosa formou-se pela Faculdade de Medicina de Belo Horizonte, em
1930, e ingressou, em 1934, na carreira diplomática. Serviu na Alemanha,
Colômbia e França e estava em serviço na Alemanha quando eclodiu a
Segunda Guerra Mundial, e tornou-se então, prisioneiro do nazismo.
Adorava estudar línguas, “mas só por divertimento, gosto e distração”,
embora tenha se dedicado a várias, passando pelo grego, sânscrito, árabe,
finlandês e alguns dialetos. A esse interesse é creditada parte de seu
virtuosismo como experimentador lingüístico. É citado por inúmeros
especialistas como o mais universal dos escritores regionalistas. “No sertão-
mundo criado por Rosa, o sertanejo não é apenas o homem de uma região ou

Escola Sagarana - 37
de uma época específicas, mas o homem universal, defrontando-se com
problemas eternos.”
A palavra Sagarana, hibridismo cunhado pelo mais mineiro e
universalista dos escritores brasileiros para denominar seu primeiro livro,
lançado em 1946, resulta da união do radical germânico SAGA – que significa
narrativa épica em prosa, ou história rica em acontecimentos marcantes ou
heróicos – com o elemento RANA, que é de origem tupi e representa a idéia
de “à maneira de, típico ou próprio de”. Ou seja, além de uma inovação
lingüística, com o neologismo Sagarana, Rosa também quis deixar “a
sugestão de histórias em que o elemento local, regionalista, se associa a uma
dimensão maior de interesse universal”, como diz o crítico literário Sami
Sirihal.
E esta seria a síntese radical para o sentido da Escola Sagarana e os objetivos
que se pretende atingir com ela: uma educação que, perseguindo sempre a
qualidade, tome por base os sentimentos e a cultura dos mineiros, tão voltados
para o sentimento nativista, a mineiridade que nos faz singulares na medida
em que sintetiza características de vários rincões brasileiros, e os valores
universais que, a um só tempo, ressaltam a preservação da vida, da dignidade
humana e da esperança sempre renovada.
A Escola Sagarana é isto: Educação a serviço da construção de uma vida com
dignidade e esperança, para todos os mineiros. É mais que uma logomarca
para o Plano Mineiro de Educação, define-se pelo conjunto de planos,
programas, projetos e atitudes baseadas no compromisso social com as futuras
gerações, e pressupõe a justiça social e a criação de oportunidades iguais para
todos, a promoção da liberdade e o respeito à diversidade social, cultural,
humana.
Sob a denominação de Escola Sagarana reúnem-se todos os princípios,
estratégias e objetivos da política educacional de Minas Gerais e sua
identidade com a cultura e o povo mineiro. É definida ainda pelo
compromisso de atuar na busca, construção e transmissão de conhecimentos
que contribuam para a preparação dos jovens para a vida, em toda a sua
complexidade. É um plano de educação para a vida.

É objetivo da Escola Sagarana:

Promover a estruturação e a articulação entre programas e projetos setoriais


da Secretaria da Educação e de outros órgãos do governo estadual, visando
ações que possam refletir e viabilizar as estratégias, diretrizes e metas da
política educacional de Minas Gerais.

Escola Sagarana - 38
São metas da Escola Sagarana:

Implantar e desenvolver a política de educação de qualidade para todos os


mineiros, contribuir para a formação do cidadão do próximo milênio com
educação integral voltada para o exercício da cidadania e o desenvolvimento
pessoal, profissional do cidadão, da comunidade, do estado e da nação.

Para atingir seus objetivos e


metas a Escola Sagarana vai:

Desenvolver, implementar e divulgar, por todos os meios possíveis, idéias,


propostas e ações que visam o fortalecimento da escola pública em Minas
Gerais, a valorização da cultura mineira, com fortalecimento da mineiridade a
partir da atuação das escolas nos campos pedagógico, científico, cultural,
social e econômico.

No plano estratégico,
são prioridades da Escola Sagarana:

Implantar o Sistema Mineiro de Educação


Implantar o Sistema Mineiro de Avaliação da Educação Pública
Implantar o Sistema de Formação Inicial e Continuada de Pessoal da
Educação
Implantar o Instituto Superior de Educação
Implantar a Bolsa Familiar para Educação – Bolsa-escola.

5.3 – A Escola Sagarana e a proposta educacional de Minas Gerais

Maria José Vieira Féres*

“Educar é um ato de coragem,


de esperança e de amor” (Paulo
Freire)

Escola Sagarana - 39
O SIGNIFICADO DO TERMO “SAGARANA”

Minas Gerais é um estado com muitas diferenças econômicas, sociais e


culturais. Uma política educacional comprometida com a democracia e a
justiça social, precisa levar em conta a diversidade regional, sem perder a
perspectiva dos inúmeros laços comuns que unem todos os mineiros e o
sentimento de brasilidade e universalidade. Por esta razão, a Secretaria da
Educação de Minas Gerais buscou em Guimarães Rosa a inspiração do termo
Sagarana para a denominar a política educacional adotada no Estado, a partir
de 1999.
Rosa é reconhecido como um grande escritor da literatura universal, ao
mesmo tempo em que sua obra expressa, brilhantemente, a riqueza da cultura
regional.
A palavra Sagarana é um hibridismo cunhado por Guimarães para
denominar o seu primeiro livro. É a união do radical germânico SAGA - que
significa narrativa épica em prosa, ou história rica em acontecimentos
marcantes ou heróicos - com o elemento RANA, de origem tupi e representa a
idéia de “à maneira de”, “típico ou próprio de”. Com o neologismo Sagarana,
Rosa quis deixar a sugestão “de histórias em que o elemento local,
regionalista, se associa a uma dimensão maior de interesse universal”.
A inspiração em Guimarães Rosa e, particularmente, a busca da palavra
“Sagarana” para denominar a política de educação em Minas, contém uma
simbologia muito forte. Não se trata de apenas um nome novo, ocasionado
pela mudança de governo. Não se trata simplesmente de uma nova marca.
Trata-se de uma concepção de Escola e processo educativo que se está
discutindo em Minas Gerais.
A proposta da Escola Sagarana parte do princípio da participação e da
construção coletiva. Por isso não é uma proposta terminada, ditada de cima
para baixo por meio de resoluções ou portarias. Permanece em discussão um
conjunto de pressupostos, que só se consolidarão pela prática diuturna, com
participação efetiva dos profissionais da educação, dos estudantes e dos pais.

A ESCOLA SAGARANA NO MUNDO ATUAL

O mundo em que vivemos passa por profundas transformações.


O processo de internacionalização da economia e as políticas de cunho
neoliberal alteram de forma substantiva as relações sociais e a vida das
pessoas.

Escola Sagarana - 40
Cresce a exclusão social. Cada vez um número maior de seres humanos
não tem acesso aos recursos básicos para a sobrevivência. Ao mesmo tempo,
alguns valores se estabelecem como se fossem verdades absolutas e acabam
por ditar as normas de convivência entre as pessoas.
Sob o rótulo do respeito à individualidade, cresce o individualismo
egoísta. Sob a capa da pretensa liberdade para a concorrência, cresce a
competição inescrupulosa. Perde-se a perspectiva da importância do coletivo e
a prática da solidariedade é cada vez mais restrita. E, na educação, as políticas
adotadas até aqui simplesmente reproduzem o quadro perverso das
desigualdades sociais, realimentando o modelo e criando o círculo vicioso da
pobreza criando pobreza, concentração de renda, exclusão, desigualdade.
Vivemos, de fato, numa sociedade profundamente injusta que, orientada
pela lógica do mercado, transforma todos em mercadoria. Os padrões de
consumo acabam por desenvolver na consciência das pessoas a convicção de
que ter é mais importante do que ser.
Este é um tempo difícil, e viver talvez, nunca tenha sido tão arriscado,
mas, por outro lado, nunca foi tão desafiante.

A EDUCAÇÃO E A ESCOLA NO MUNDO EM


TRANSFORMAÇÃO

Se, por um lado, as transformações em curso no mundo e no Brasil são


incontestes, por outro, a escola de hoje também passa por grandes mudanças.
A escola pública trabalha com milhares de crianças e adolescentes que
convivem cotidianamente com as contradições da sociedade. Os meios de
comunicação de massa divulgam valores e influenciam na formação de
mentalidades.
A escola convive com situações novas que, há algum tempo atrás, eram
impensáveis no cotidiano do trabalho pedagógico. A questão do uso de
drogas, o combate à violência, a discussão sobre a gravidez na adolescência, a
desestruturação familiar são alguns dos vários temas que, obrigatoriamente,
estão na agenda da escola pública hoje. De fato, as conseqüências de uma
sociedade injusta, competitiva e individualista estão presentes no universo
escolar, porque fazem parte da vida das crianças e dos adolescentes.
Entretanto, em tempos tão conturbados, a escola pode e deve ser
também um espaço de transformações. A educação no mundo de hoje assume
um papel fundamental, não apenas como uma opção técnica voltada para as
mudanças radicais que se processam no mundo do trabalho, mas como
alternativa para a construção de uma modernidade que seja ética e humanista.
Como “lócus” privilegiado do processo educativo, a escola deve trabalhar na

Escola Sagarana - 41
formação do ser humano, afirmando e ou reafirmando valores como:
solidariedade, justiça, liberdade, compromisso com o coletivo e outros.
É fundamental recuperar a utopia, não como uma ilusão, mas como a
possibilidade concreta do vir a ser, resgatando a esperança e o potencial de
cada ser humano para revolucionar a sua existência e a vida social.
A escola, por meio do processo educativo, pode apontar para a
construção de uma sociedade justa, democrática e solidária. É nesta
perspectiva que está desenhada a proposta da Escola Sagarana.

A ESCOLA SAGARANA É A ESCOLA DEMOCRÁTICA

A proposta da Escola Sagarana tem um compromisso


explícito com a necessidade de mudanças sociais profundas.
Para assumir este desafio, a Escola deve ser essencialmente
democrática.

Para alguns, o processo de democratização da Escola é identificado,


exclusivamente, com a eleição de seus dirigentes pela comunidade escolar.
Isto é fundamental, mas não é suficiente para garantir o caráter democrático da
ação educativa. Não existe democracia sem eleição, mas, por outro lado, não
existe democracia só com eleição.
A cultura democrática no Brasil, particularmente em Minas Gerais,
ainda é muito frágil. A nossa História sempre foi marcada pelo autoritarismo
político e cultural. Ao se consolidar pela via do Estado, de cima para baixo, o
capitalismo brasileiro impôs à sociedade, as concepções políticas, econômicas
e culturais produzidas pelas elites.
O autoritarismo, além de ser uma marca política, é também cultural.
Isto pode ser constatado no nosso comportamento cotidiano: nos
relacionamentos familiares, profissionais e de amizade. É importante lembrar
que as práticas clientelistas e fisiológicas têm profundas raízes na nossa
cultura e influenciam o nosso cotidiano. Ainda parece “natural” a
predominância do “favor” e do “jeitinho” sobre o mérito e o direito.
A construção da cultura democrática no Brasil e em Minas Gerais é
muito recente e, por isso mesmo, é perpassada por uma série de contradições e
incoerências. Trata-se de um desafio: o desafio de se apropriar da democracia
em toda a sua radicalidade, entendendo que ser radical “é tomar as coisas pela
sua própria raiz”.
Democracia supõe liberdade, participação, equidade, pluralismo,
inclusão, divisão do poder.

Escola Sagarana - 42
A proposta da Escola Sagarana supõe uma escola essencialmente
democrática e, por isso mesmo, inclusiva. Nesta perspectiva, pode-se dizer
que a Escola Sagarana tem a sua proposta político-pedagógica alicerçada nos
seguintes eixos:

Garantia de acesso e permanência dos estudantes na escola.

A escola democrática tem que ser, necessariamente, inclusiva. Todas as


crianças têm direito ao acesso à escola e têm direito de nela permanecer.
Hoje, a Constituição brasileira garante a todas as crianças e
adolescentes este direito. Entretanto, embora esta seja uma conquista muito
importante, a lei pode se tornar inócua, caso não sejam oferecidas às crianças
condições objetivas, que garantam a sua permanência na escola, bem como a
conclusão com sucesso do tempo de escolaridade necessário.
Muitos fatores contribuem para incentivar a evasão escolar. Em uma
sociedade socialmente injusta, como a que vivemos, as condições
socioeconômicas a que as famílias estão submetidas, constituem um obstáculo
real ao processo de escolarização da criança. Todos sabemos da realidade
perversa do trabalho infantil, que não só ocasiona o abandono da escola, mas
também impede a criança de ser criança.
Como a Escola democrática é um espaço privilegiado para a busca da
liberdade e da equidade, ela é também um instrumento de combate à injustiça
social. É com esta perspectiva, que o Programa Bolsa Escola é parte integrante
da proposta da Escola Sagarana.

O que é Bolsa-escola?
A Bolsa-escola tem o objetivo de garantir a permanência da criança na
escola, combatendo o trabalho e a prostituição infantil. As famílias carentes
recebem um benefício para que possam manter na escola, todos os seus filhos
na faixa etária de sete a quatorze anos.
O Programa se estrutura de acordo com uma série de critérios rígidos,
que são fundamentais para garantir a sua credibilidade e a sua eficácia. Para se
cadastrar no Programa, exigem-se das famílias os seguintes requisitos: ter
filhos na faixa etária de sete a quatorze anos matriculados na escola pública;
ter renda per capita familiar igual ou inferior a meio salário mínimo e ter
residência comprovada no município por pelo menos três anos. Feito o
cadastramento, as famílias são selecionadas conforme as condições
socioeconômicas devidamente apuradas pelos cadastradores.
Considerando a complexidade e as dimensões do Estado de Minas de
Gerais, o Programa está sendo implantado gradualmente, começando pelos

Escola Sagarana - 43
municípios do Vale do Jequitinhonha e tendo como critério de prioridade os
indicadores socioeconômicos de cada cidade da região. O valor do benefício
também pode variar, de acordo com os mesmos critérios. No ano de 2000, o
programa beneficiou 10.500 famílias em 19 municípios do Vale e, no ano
seguinte, foi estendido para mais 11 municípios e 6.500 famílias. A meta é
atingir toda a região, a partir de 2002.
É importante destacar que cada família selecionada recebe um
benefício, ou seja, uma Bolsa-escola, independente do número de filhos. A
manutenção do benefício exige que todas as crianças tenham uma freqüência
mínima de 90% às atividades escolares. O Programa prevê também o
acompanhamento sistemático das famílias, com o desenvolvimento de um
conjunto de ações sociais integradas visando melhorar as condições de vida,
para que a concessão do benefício possa vir a ser desnecessária.

O Programa Bolsa-escola enquanto proposta político-pedagógica


O Bolsa-escola não é uma ação assistencialista ou uma política
compensatória. Trata-se de uma política de educação: combate a evasão,
incentiva o sucesso escolar e resgata a cidadania. Em vários locais do Brasil
onde o Programa foi implantado, os processos de monitoramento e avaliação
realizados apontam resultados altamente positivos, em relação ao
aproveitamento escolar dos alunos, à integração das famílias às escolas, ao
aumento da freqüência escolar, à melhoria das condições de vida das famílias,
além dos reflexos sobre a economia local e a auto-estima dos beneficiados.
Por ser uma política garantidora da inclusão, qualquer proposta político-
pedagógica, que tenha este objetivo deve investir na Bolsa-escola como
programa prioritário. Afinal, pensando na exclusão motivada pela miséria
social e econômica, ela é, sem nenhuma dúvida, um antídoto poderoso.
Entretanto, é importante refletir também sobre as inúmeras crianças que
são excluídas da escola por razões essencialmente pedagógicas. Por isso, uma
escola democrática e inclusiva deve elaborar e executar um projeto político-
pedagógico de qualidade para TODOS.

O projeto político-pedagógico de qualidade para todos

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional diz que “as escolas


deverão elaborar e executar a sua proposta pedagógica” e que “os professores
deverão participar desta elaboração”. Na concepção da Escola Sagarana, o
projeto político-pedagógico deve ser construído coletivamente, isto é com a
participação democrática da comunidade escolar.

Escola Sagarana - 44
Há uma grande discussão sobre a pertinência ou não de se incluir a
palavra política, quando se trata de proposta ou projeto pedagógico.
A concepção da Escola Sagarana, visando uma escola democrática e
inclusiva, sustenta a necessidade de se trabalhar na perspectiva do projeto
político-pedagógico, por várias razões, dentre as quais é importante destacar:
- a construção do projeto político-pedagógico não se restringe a
uma questão de técnica de planejamento. O conhecimento das
técnicas de planejamento é muito importante, mas para contribuir
com o projeto político;
- a construção coletiva de um projeto político-pedagógico passa,
necessariamente, pelo planejamento participativo. Isto significa que
a participação dos profissionais da educação e de outros segmentos
da comunidade deve se efetivar em todas as etapas de elaboração e
execução do projeto, sem perder de vista as especificidades do
trabalho escolar. Os professores, especialistas e servidores não
devem se preocupar apenas sobre o “como fazer” ou o “com que
fazer”, mas também sobre “o que fazer” e “para que fazer”;
- o planejamento participativo numa escola democrática tem como
ponto de partida o marco referencial, onde está incluída a dimensão
política da opção e da ação coletiva;
- a necessidade de se partir de um marco referencial, bem, como o
caráter participativo do planejamento significa que o projeto
pedagógico tem o compromisso de contribuir com a transformação
da sociedade, na perspectiva da justiça social.

A concepção de educação presente na proposta da Escola Sagarana


entende que a escola pode e deve contribuir para a construção de uma
sociedade justa, democrática e solidária.
É preciso, portanto, romper com os preconceitos e não ter medo de se
discutir a dimensão política do projeto pedagógico. Há os que argumentam
que a diferença que se estabelece entre projeto pedagógico ou projeto político-
pedagógico, é apenas uma questão de nomenclatura. Não é verdade. São
concepções diferentes de escola e de processo educativo.
Cabe ainda discutir o significado do processo de participação para a
proposta da Escola Sagarana. Hoje, praticamente, todas as correntes de
pensamento presentes na área da educação defendem a importância da
participação. Entretanto, do ponto de vista da teoria como da prática, existem
formas variadas de se entender o significado da participação.
Há, por exemplo, os que defendem a participação desprovida de
conflitos, em “harmonia”. Neste caso, participar significa apoiar, trabalhar,

Escola Sagarana - 45
colaborar, fazer o que está previsto que se faça; o autoritarismo presente em
nossa formação cultural e política sempre valorizou o “culto” à obediência,
transformando o direito de divergir em insubordinação.
É claro que nenhum educador será contrário à paz e à harmonia.
Entretanto, a construção dos consensos que são fundamentais para que a paz
se participação que escamoteia as divergências é o mesmo que descarta
qualquer possibilidade de divisão do poder. As pessoas participam, desde que
não decidam.
A participação efetiva supõe a convivência com a pluralidade das
idéias, com a discordância, com o conflito e a garantia do poder de decisão. É
assim que a proposta da Escola Sagarana entende que deve se dar a
participação, para que o discurso da construção coletiva se transforme em
prática permanente.
A construção coletiva de um projeto político-pedagógico de qualidade
tem como um de seus eixos fundamentais a equidade. Isto significa que as
oportunidades educacionais devem ser garantidas a todos.
A escola pública, atualmente, passa por profundas mudanças e convive
no seu dia-a-dia com inúmeras situações novas. Para responder a todos os
desafios que lhe são impostos, é fundamental fazer uma revisão da teoria e da
prática pedagógica. Nesta perspectiva, algumas questões devem ser
destacadas, quando se discute o projeto político-pedagógico da escola:

1 - A função da escola
Tradicionalmente, a escola incorporou a concepção de que o ato de
educar estava relacionado, quase que exclusivamente, com o processo de
ensino. Ensinar é um componente importante do processo educativo, mas não
é a sua única dimensão.
A escola de hoje tem como função formar o ser humano. Além dos
processos cognitivos, é essencial trabalhar com as crianças e adolescentes os
aspectos relacionados com a afetividade, com a formação da cidadania, com a
ética, com a sexualidade, com todas as dimensões do ser humano.
Ao assumir esta função, a escola se coloca diante da sociedade, como
agente de mudanças, capaz de interferir no processo histórico de forma
positiva.

2 - O desafio de fazer aprender


A Escola Sagarana, democrática e inclusiva, trabalha com o pressuposto
de que todos podem aprender. O processo de ensino e aprendizagem assume,
assim, uma outra perspectiva: mais importante do que ensinar é fazer
aprender.

Escola Sagarana - 46
3 - Os seres humanos são diferentes
O compromisso com a formação do ser humano e com o desafio de
fazer aprender tem que levar em conta as diferenças individuais dos alunos,
respeitando os ritmos e as características de cada um.

4 - O conhecimento é uma construção histórica e social


A produção do conhecimento é um processo social e, portanto,
influenciada pelos diversos contextos históricos. Isto significa que o
conhecimento não é algo pronto e acabado e os livros didáticos não são
portadores de verdades imutáveis. É fundamental considerar sempre a
importância da pesquisa, bem como os conhecimentos e experiências que os
alunos possuem.

5 - Os alunos são sujeitos do processo do conhecimento


As crianças e os adolescentes não são meros depositários do
conhecimento acumulado pela humanidade ao longo dos anos. São sujeitos
ativos do processo educacional, com interação permanente para necessária
aquisição de competências e habilidades e para a formação de valores e
procedimentos.

6 - A definição de competências, habilidades e procedimentos


interferem de forma decisiva na estruturação dos currículos.
A ruptura com a visão estanque do conhecimento como algo pronto e
acabado exige uma nova visão sobre a estrutura e dinâmica dos currículos na
escola. Neste sentido, é essencial que se compreenda a importância de se
trabalhar a interdisciplinaridade. A aquisição de competências e habilidades
passa pelo processo de interação entre as diversas disciplinas o que favorece,
além de uma visão integrada do conhecimento, a sua aplicação prática na
realidade vivida pelos alunos.

7 - A contextualização dos currículos: a relação da Escola com a


vida
Para formar seres humanos, o currículo implementado pela escola deve
estar em permanente sintonia com a vida. Temas como cidadania, ética,
ecologia, sexualidade e outros devem estar presentes em todo o currículo. A
definição de eixos temáticos, integradores do projeto político-pedagógico,
pode ser o mecanismo operacional para garantir a discussão desses temas em
todas as atividades curriculares.

Escola Sagarana - 47
8 - O trabalho pedagógico é coletivo
Na escola democrática e inclusiva, o trabalho dos profissionais da
educação deve ser coletivo. Não se trata mais da ação individual de cada
professor ou de cada especialista, mas do trabalho integrado de todos os
profissionais da escola. Isto implica mudanças radicais, que passam pela
concepção do trabalho pedagógico e transformam substantivamente a rotina
da escola. É preciso garantir o espaço e o tempo necessários para que os
profissionais possam realizar reuniões periódicas de planejamento e
acompanhamento do processo educativo.

9 - A avaliação e o compromisso com o sucesso escolar


A avaliação deve ser compreendida como uma estratégia para realizar
diagnósticos, identificar problemas e redirecionar os rumos do processo
educativo. Nesta perspectiva, a avaliação não é acumulativa, nem
classificatória, nem punitiva. O seu objetivo é detectar os avanços e as
necessidades de correção no processo pedagógico de formação dos alunos, o
que, evidentemente, inclui também a aprendizagem.
A escola de qualidade para todos, que tem como meta fazer aprender,
faz da avaliação um processo formativo e, portanto, qualitativo, permanente e
contínuo.
O desafio é formar uma outra cultura de avaliação, construindo junto às
crianças e aos adolescentes, a noção de que este é um processo importante e
estará presente em todos os momentos de suas vidas. Longe de ser um
instrumento de coerção e angústia, deve ser visto como uma forma
permanente de aprimoramento.
A avaliação deve investir no sucesso escolar e, por isso, é importante
garantir o mecanismo da progressão continuada. Cabe destacar que progressão
continuada não é promoção automática. A escola tradicional e excludente faz,
muitas vezes, esta falsa relação. A promoção automática, da forma como é
tratada, se identifica com a ausência de aprendizagem. A progressão
continuada supõe a aprendizagem concebida na referência de que todos podem
aprender, de forma progressiva e em ritmos diferentes.
O compromisso da escola democrática e inclusiva é com o sucesso e,
por isso mesmo, com outra concepção de avaliação.

10 - A organização dos tempos e espaços escolares


O projeto político-pedagógico, que tem compromisso com a educação
de qualidade para todos, exige que a escola redimensione a organização de
seus tempos e espaços. Esta reorganização deverá levar em conta a necessária

Escola Sagarana - 48
flexibilidade para se ajustar à concepção da escola formadora de seres
humanos, democrática e inclusiva.
No ensino fundamental, a organização em ciclos garante aos
profissionais da educação a liberdade pedagógica e a flexibilidade
indispensável para implementar o processo educativo, de acordo com as
referências já citadas. Este tipo de organização favorece o acompanhamento
das diferenças individuais dos alunos, o trabalho coletivo do professor, a
execução do currículo interdisciplinar e a avaliação com progressão
continuada.

A Autonomia e a gestão democrática da Escola

A proposta político-pedagógica da Escola Sagarana investe na


autonomia e na gestão democrática da unidade escolar.
O tema da autonomia da escola pública, entretanto, merece uma
profunda reflexão por parte dos dirigentes escolares, bem como por toda a
comunidade. Por um lado, é verdade que não existe escola democrática e
inclusiva sem autonomia. Por outro lado, é preciso ter clareza da
complexidade e das dimensões possíveis da autonomia, quando se trata de um
Sistema Público de Educação.
A autonomia deve garantir à Escola a construção de uma identidade
própria, levando em consideração as suas especificidades e as diferenças
regionais. É preciso, entretanto, manter a articulação sistêmica entre as várias
e diferentes escolas de Minas Gerais, preservando a sua identidade coletiva,
ou seja, o seu caráter público. A capacidade de inter-relacionar as
particularidades próprias de cada unidade escolar com os aspectos gerais do
sistema é o que pode assegurar uma política educacional fundamentada no
coletivo e com a necessária visão de organicidade do todo.
É importante destacar que a autonomia não se restringe apenas ao
aspecto financeiro ou administrativo da escola. Ela passa, necessariamente,
pela construção do projeto político-pedagógico.

A gestão democrática da escola


A escola democrática e inclusiva tem que ter uma gestão democrática.
A escolha dos dirigentes pela comunidade escolar é fundamental nesse
processo, mas não é suficiente para se consolidar uma gestão democrática. A
estrutura de poder tem que ser democratizada e, neste caso, os colegiados
escolares desempenham um papel fundamental, enquanto instâncias de
flexibilização e divisão efetiva do poder. A concentração do poder seja na
figura do dirigente ou até no controle de um determinado segmento da

Escola Sagarana - 49
comunidade escolar, acaba por favorecer a reprodução de vícios típicos de
uma cultura autoritária: fisiologismo, clientelismo, manipulação, etc.
O nosso desafio é construir uma cultura democrática. No caso
específico da gestão da escola, essa tarefa é ainda mais desafiante, porque
afeta diretamente o núcleo do poder.

D - A valorização dos profissionais da educação.

A Escola Sagarana tem nos seus profissionais os grandes agentes da


mudança no processo educacional, por conseqüência qualquer projeto
político-pedagógico só será viabilizado com a valorização permanente de
professores, especialistas e servidores.
A escola democrática, ao refletir sobre um projeto político-pedagógico
compromissado com a valorização de seus profissionais, deve considerar que
este processo tem várias dimensões e diversos atores envolvidos. É
fundamental compreender que valorizar os profissionais da educação exige
um conjunto articulado de políticas, que envolvem o poder público, a escola e
os próprios educadores. Nesta perspectiva, cabe destacar os seguintes pontos:

1 - A implantação de um novo plano de carreira é essencial para o


processo de valorização dos profissionais e para consolidar a escola
democrática. Ao longo dos anos, em Minas Gerais, acumularam-se distorções,
resultantes da política de pessoal implementada pelo Estado na área da
educação. Generalizou-se de forma acentuada a figura do profissional
designado, o que dificulta o trabalho pedagógico e o avanço de projetos
consistentes. O investimento em carreira, concurso público e nomeações de
profissionais efetivos é imprescindível para o êxito da Escola Sagarana. O
poder público responsável por tais iniciativas já tem consenso sobre esta
necessidade e tem implementado as providências pertinentes.

2 - A valorização dos profissionais da educação não se restringe apenas


ao desenvolvimento das políticas abordadas anteriormente e não pode ser
atribuído exclusivamente às ações de responsabilidade do poder público.
A educação continuada, bem como outros processos de capacitação
fazem parte do esforço para valorizar o trabalho de professores e especialistas.
Neste sentido, é importante compreender que, além da ação do poder público
para viabilizar tais projetos, o trabalho que se desenvolve no interior da escola
é fundamental. Trata-se, de fato, do desafio de investir em novos
comportamentos diante da importância do conhecimento, como processo
social e permanentemente construído.

Escola Sagarana - 50
Durante muito tempo, os processos de capacitação foram
compreendidos pelos professores e especialistas como instrumentos para
corrigir defasagens de formação, como também para garantir "acesso” a
melhores níveis salariais. Sem desconhecer a pertinência desse tipo de
incentivo, é importante deixar claro que esta é uma visão pragmática e
reducionista dos processos de capacitação.
A escola democrática investe na educação continuada como processo
permanente de construção do conhecimento. A mesma concepção do
conhecimento e de desenvolvimento curricular prevista no projeto político-
pedagógico da escola, deve permear a formação permanente de professores e
especialistas. Por isso, neste caso, além da ação do poder público, é preciso
trabalhar junto aos profissionais da educação, em cada unidade escolar, uma
outra cultura sobre a importância do conhecimento. Esta é uma tarefa
complexa, porque interfere de forma direta em comportamentos já
cristalizados no cotidiano de professores e especialistas. O investimento em
educação continuada deve ser uma exigência dos profissionais não só pelos
benefícios salariais que dela possam decorrer, mas como uma necessidade
para a realização do trabalho pedagógico coletivo.

3 - Uma nova compreensão sobre o significado da educação continuada


está diretamente relacionada com o processo de auto-valorização.
Como foi dito anteriormente, a valorização dos profissionais da
educação é um processo que envolve a participação de diferentes atores. Alem
das ações do poder público, das diferentes estratégias que podem ser utilizadas
pela escola, enquanto instituição, o ator decisivo para consolidar este
processo, é o próprio educador. Talvez, este seja o maior desafio da escola
democrática. Incentivar o resgate da auto-estima dos profissionais da
educação, ampliando cada vez mais a sua participação no projeto político-
pedagógico da escola. A compreensão da função da Escola, dos seus desafios
no mundo de hoje e seu compromisso com as mudanças sociais leva o
educador a valorizar o seu trabalho.

E - A relação da escola com a comunidade

A proposta da Escola Sagarana , por todas as suas características já


apontadas neste texto, exige que a Unidade Escolar esteja compromissada
com a sociedade e inserida concretamente em sua comunidade. A escola
democrática e inclusiva deve ser contemporânea de seu próprio tempo e a sua
relação com a sociedade e com a vida está presente em seu projeto político-
pedagógico.

Escola Sagarana - 51
É preciso ir além das relações artificiais, que tradicionalmente, a Escola
manteve com a comunidade: relacionamentos esporádicos, caracterizados por
comemorações festivas de determinadas datas ou acontecimentos. A
comunidade precisa identificar na Unidade Escolar e no processo educativo,
agentes permanentes de integração com os seus problemas e suas
necessidades, bem como um espaço privilegiado de luta pelos ideais de
justiça, humanismo e solidariedade.

A Escola Sagarana e a integração com as políticas sociais públicas


As grandes mudanças que ocorrem no mundo, da mesma forma que
exigem uma redefinição do papel da Escola , exigem também por parte do
setor público, o esforço de integração das diversas políticas sociais. É preciso
construir um relacionamento sólido, envolvendo as áreas de educação, saúde,
cultura, trabalho e promoção social. O êxito de grande parte dos projetos
educacionais depende dessa integração. Este é um processo de grande
complexidade, envolvendo os mais variados atores e, por isso mesmo, deve
ser construído com a compreensão necessária sobre a grandeza de seu
significado. Trata-se de formar uma nova cultura política na administração
pública.
Na área educacional, vários projetos que exigem esta integração
poderiam ser citados. Neste aspecto, cabe destaque para os Centros de
Atenção Integral à Criança e ao Adolescente, que exigem, para o seu pleno
funcionamento, uma integração sólida das várias políticas sociais. Outros
vários exemplos poderiam ser citados, mas não é o caso. Hoje, esta
necessidade está presente no dia a dia da Escola ,permeando toda a proposta
da Escola Sagarana.. Da mesma forma, é possível dizer que todas as políticas
sociais ficam comprometidas em sua essência , sem um entrosamento
permanente com a educação.

- A proposta da Escola Sagarana e seu relacionamento


com as Instituições de Ensino Superior
Partindo-se do pressuposto de que a educação é um processo global,
qualquer dicotomia que se estabeleça entre educação básica e educação
superior é artificial. Resguardadas as especificidades dos objetivos
institucionais e de cada nível de ensino, é fundamental que se estabeleça um
relacionamento com as Instituições de Ensino Superior, capaz de garantir a
sua integração com as políticas educacionais em geral. É nesta perspectiva que
se coloca a proposta de Gestão Consorciada.
Tradicionalmente, a relação do ensino superior com as políticas de
educação básica assumiu a perspectiva da prestação de serviços. Mesmo

Escola Sagarana - 52
reconhecendo a validade dessa dimensão, hoje ela é insuficiente. A proposta
de gestão consorciada transcende a prestação de serviços e identifica nas
Instituições de Ensino Superior, parceiras efetivas e, portanto, indispensáveis,
para o êxito da proposta da Escola Sagarana e a consolidação das diretrizes de
seu projeto político- pedagógico.
Trata-se de uma nova perspectiva, que , evidentemente, apresenta uma
série de dificuldades para a sua operacionalização. Por esta razão , este
também é um processo a ser construído.
O Sistema Mineiro de Avaliação da Educação Pública (Simave),
iniciado no ano 2000, já trabalha com uma rede de Instituições de Ensino
Superior, com a concepção de gestão consorciada.

7 - Conclusão
Embora já tenha sido enfatizado, é importante destacar novamente que a
proposta da Escola Sagarana não é um projeto terminado. Trata-se de uma
construção coletiva que depende da participação da comunidade escolar e de
todos os atores sociais compromissados com a educação.
A concepção da “Escola Sagarana” não é apenas uma nova marca para
caracterizar uma mudança de governo. É muito mais que isso. É uma outra
concepção de sociedade, que implica outra concepção de Escola e processo
educacional.
_______
* Professora de História, ex-secretária-adjunta da Educação de Minas
Gerais

Escola Sagarana - 53
6 – A Educação em Minas no século XXI

O plano de ação da Secretaria da Educação de Minas Gerais obedece a


diretrizes contidas em três eixos estratégicos, sempre tomando por base os
princípios da Escola Sagarana. O objetivo geral dessas diretrizes e planos é
definir políticas permanentes para a Educação em Minas Gerais, convertendo
as ações estratégicas de governo em políticas de Estado, de forma a reduzir os
efeitos da descontinuidade administrativa.
No plano administrativo e financeiro, buscou-se a definição de um perfil de
atuação baseado em critérios de qualidade e eficiência, dentro das condições
gerais e do momento histórico do Estado, com estruturas adequadas e
ajustadas às metas e objetivos. Foram adotadas ainda ações destinadas a
promover a desoneração do Estado e a cooperação com os municípios.
Permanece, contudo, em discussão a questão do financiamento da educação, já
que todos os especialistas concordam com a necessidade de identificar novas
fontes de recursos e criação de mecanismos para a manutenção e
desenvolvimento do ensino médio e da educação infantil.
No campo pedagógico, após a avaliação inicial, os programas foram
definidos com o objetivo geral de promover uma correção de rumos e ajustes,
ao mesmo tempo em que eram aprofundadas as discussões para a formulação
de uma política educacional consistente e coerente com os objetivos maiores
do estado de Minas Gerais e do desenvolvimento da comunidade mineira.
Uma das principais ações foi a implantação do Sistema Mineiro de Avaliação
da Educação Pública (Simave).
No âmbito social, o destaque é para ações e políticas públicas integradas
que perseguem a equidade como critério e a justiça social como meta da
política educacional. Com esse objetivo, as principais ações desenvolvidos
foram o programa Bolsa Familiar para Educação – Bolsa-escola e o Programa
Mineiro de Atenção Integral à Criança e ao Adolescente (EducAção), além do
Programa de Alimentação Escolar.
A seguir, uma descrição sintética dos principais programas e projetos
propostos ou em desenvolvimento na Secretaria da Educação de Minas Gerais.

6.1 – Fórum Mineiro de Educação

A construção coletiva de um sistema de educação é uma tarefa complexa,


de longo prazo, que supõe persistência e participação, deve ser permanente e
transformadora. Em Minas Gerais, particularmente, é um desafio, tendo em
vista as dimensões do estado e as profundas diferenças regionais existentes.

Escola Sagarana - 54
O debate para a construção do Sistema Mineiro de Educação precisa, então,
levar em consideração os instrumentos legais já existentes, especialmente os
contidos nas legislações federal, estadual e municipais, bem como os
documentos e declarações produzidos nos fóruns internacionais e reafirmados
pelo Brasil. Sobretudo, esse debate deve alimentar-se de um ideal de inovação
e de transformação, que busca a todo tempo avançar e conquistar novos
espaços para o desenvolvimento da sociedade e da comunidade mineira.
Com tais pressupostos, a Secretaria da Educação de Minas Gerais vem
propondo aos educadores mineiros, conforme o desejo expresso no documento
final do 1º Fórum Mineiro de Educação, realizado em agosto e setembro de
1998, a instituição de uma instância permanente de avaliação, negociação,
construção e renovação do Sistema Mineiro de Educação. Por isso a Secretaria
da Educação convocou a Segunda edição evento – iniciada em junho de 2001
e com encerramento programado para outubro de 2001 – com a tarefa
primordial de fornecer subsídios para a formulação de proposta de uma Lei de
diretrizes e bases da educação mineira.
O objetivo é, primordialmente, instituir na forma de lei uma política de
estado para a educação em Minas Gerais, necessária para o sucesso do
processo educacional, capaz de suplantar os entraves da descontinuidade
administrativa provocada pela sucessão e alternância de governos mais ou
menos comprometidos com os princípios da educação de qualidade para
todos.
Na convocação do 2º Fórum Mineiro de Educação também pretendeu-se
gerar subsídios para a formulação de um Plano Decenal para educação no
estado, contendo princípios e objetivos gerais compostos a partir da consulta à
sociedade e aos agentes da educação, capaz de gerar e alimentar uma espécie
de compromisso em torno questões cruciais para as próximas gerações e para
o futuro do estado e do país.

Escola Sagarana - 55
7 – Programas estratégicos

7.1 – Programa de Modernização Tecnológica

Para manter-se sintonizada como o futuro, a educação de Minas no XXI


terá na informática um de seus mais fortes aliados, seja no campo
administrativo e financeiro, seja no campo pedagógico ou da democratização
das ações. Esta é uma definição de caráter estratégico, uma vez que todas as
atividades previstas pela política pública de educação, para serem exeqüíveis,
terão que contar com o suporte da computação - do planejamento à didática
nas salas de aula.
Para alcançar esse patamar e, cada vez mais, colocar-se ao alcance do
cidadão em todas as suas demandas, a Secretaria da Educação elaborou o seu
Plano Setorial de Informática. O plano tem duas vertentes - uma de integração
das ações governamentais, participando da rede informacional do governo de
Minas Gerais e outra, própria da Educação, destinada a integrar as ações
setoriais e a ser um banco de dados aberto ao público, para dar visibilidade e
transparência aos atos do governo.
OBJETIVO: Promover a modernização administrativa do órgão central e
sua interligação por infovias com as superintendências regionais de ensino e
as escolas, democratizar a ação governamental no campo da educação, criar
canais de comunicação direta entre o governo e o cidadão.
METAS: facilitar o acesso do cidadão, das entidades públicas e particulares
e dos órgãos de comunicação social às informações; atender, via rede de
informática, às solicitações do cidadão e dos servidores públicos da área de
educação; automatizar os processos administrativos internos no órgão central
da Secretaria da Educação; dinamizar o andamento de projetos e ações;
modernizar a administração escolar e o Sistema Mineiro de Educação;
informatizar o sistema de registro, reserva de vagas e matrículas nas escolas
mineiras.
ESTRATÉGIA: o programa é dividido em projetos tecnológicos que
contemplam as fases de diagnóstico, análise, desenvolvimento, implantação e
atualização de sistemas e equipamentos, adaptação de normas e procedimentos
e reestruturação setorial, levando em conta a proposição de nova estrutura
administrativa para a Secretaria da Educação. O programa conta com a
consultoria da Prodemge.

Escola Sagarana - 56
SITUAÇÃO: Iniciado em 1999, o programa está em andamento e com
várias etapas executadas. Foram implantadas redes de comunicação no
campus da Secretaria, integrando toda a administração local e regionais via
internet; foram implantados sistemas de controle para as áreas administrativa e
financeira, de gerenciamento de recursos humanos(EDAB), custo
aluno(SICA), cadastro de escolas e prédios escolares, gestão de projetos e
orçamentos, gestão de pessoal, controle de transferência de recursos para as
escolas, de controle de despesas com viagens, despesas com energia elétrica e
água, convênios com prefeituras, inscrições para exames supletivos, sítio na
Internet.

7.2 – Programa de Modernização Administrativa


e Valorização do Pessoal da Educação

A missão da Secretaria da Educação consiste em desenvolver, coordenar e


implementar a política educacional; garantir a descentralização das ações;
promover a gestão participativa e democrática; promover a autonomia da
escola; assegurar o princípio da equidade, ofertar educação de qualidade para
todos e valorizar o profissional da educação.
Para cumprir esses pressupostos com eficácia e eficiência, a estrutura
organazional deve ter sintonia com as mudanças de ordem econômica, política
e social, bem como com as peculiaridades regionais do Estado. As avaliações
internas sobre o desempenho geral dos diversos órgãos e entidades apontaram
para a necessidade de implantação de novas formas de gestão, com a redução
dos trâmites internos, a racionalização administrativa e a reorganização
estrutural da Secretaria. Com isso, pretendeu-se substituir formas antigas e
burocratizadas por estilos modernos e recursos técnicos e gerenciais
inovadores.
Verificou-se, ainda, a necessidade de promover ajustes estruturais e
redirecionamento orgânico e funcional. Foram estudadas novas formas de
agrupamento das atividades e distribuição dos recursos humanos, bem como a
criação de mecanismos atualizados de assessoramento, de planejamento e de
execução com base nos critérios e princípios da política educacional definida
pelo governo mineiro. Tais mudanças devem atingir não só o órgão central e
as entidades vinculadas, como também as Superintendências Regionais de
Ensino.

OBJETIVO: Tornar mais dinâmica e transparente a estrutura


organizacional da Secretaria da Educação de Minas Gerais, valorizar os

Escola Sagarana - 57
profissionais da educação, democratizar as ações da Secretaria pelo acesso
público às informações, garantir eficácia e eficiência às ações do governo no
campo da educação, melhorar a qualidade da educação.
METAS: reorganizar as superintendências regionais de ensino quanto às
suas jurisdições, competências e mecanismos de atuação; profissionalizar o
servidores; criar e aperfeiçoar instâncias, sistemas e procedimentos de forma a
dar mais eficiência à administração.
ESTRATÉGIA: fortalecer a adoção de critérios técnicos na administração
da Secretaria; fortalecer os concursos públicos como forma de ingresso de
servidores; estabelecer um plano de carreira, cargos e salários compatível com
a missão de educar e com as funções exercidas; estabelecer programas de
treinamento e formação continuada para todos os profissionais da educação,
valorizando sua formação e aperfeiçoamento.
AÇÕES: Desde o início de 1999, várias medidas foram adotadas para
ajustar a administração da Secretaria às condições atuais, planos de ações e
metas de governo. A nova estrutura da Secretaria da Educação foi objeto de
estudos e propostas encaminhadas à Secretaria de Estado do Planejamento e
Coordenação Geral. Como resultado, o poder executivo enviou projeto de lei à
Assembléia Legislativa propondo a reestruturação da Secretaria. O projeto foi
aprovado e encaminhada à sanção do governador Itamar Franco.
O Plano de Carreira do Pessoal do Magistério foi debatido e elaborado por
uma comissão paritária formada por técnicos da Secretaria e representantes do
Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE). A proposta foi
encaminhada ao governo para avaliação de impacto funcional e financeiro.
Em abril de 2001, o governador Itamar Franco determinou, por meio de
decreto, a realização de concursos públicos para preenchimento de mais de 53
mil vagas nas escolas, superintendências regionais e administração central da
Educação.

Escola Sagarana - 58
7.3 Sistema de Avaliação da Educação Pública (Simave)

O Simave é um mecanismo estratégico de diagnóstico e planejamento da


política educacional de Minas Gerais. Ele é um dos resultados mais
importantes da política de gestão consorciada do Sistema Mineiro de
Educação, proposta pela Secretaria da Educação no “Seminário Travessia para
o Futuro”, realizado em 1999 para discutir estratégias, parcerias e cooperação
entre e a sociedade, o governo e as instituições de ensino instaladas em Minas
Gerais. Seu objetivo final é a valorização da escola pública e a melhoria da
qualidade da educação.
Um acordo assinado com o Ministério da Educação Nacional, Ciência e
Tecnologia, da França vem possibilitando o intercâmbio técnico e científico, a
formação de pessoal especializado em nível de pós-graduação e o
aperfeiçoamento do sistema no Brasil, aproveitando a experiência francesa de
avaliação educacional praticada naquele país há 25 anos.
O Simave foi implantado no ano 2000, é coordenado pela Faculdade de
Educação da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), através do Centro
de Políticas Públicas e Avaliação da Educação. O Simave é o executor do
Programa de Avaliação da Educação Básica (Proeb), do qual participam
outras 27 instituições regionais de ensino superior e todas as superintendências
regionais de ensino. Alguns municípios já aderiram ao sistema para terem suas
redes de ensino também avaliadas.
A primeira etapa da avaliação ocorreu em outubro/novembro de 2000,
quando cerca de 650 mil alunos da rede pública em todo o estado foram
avaliados quanto ao nível de proficiência em Língua Portuguesa e
Matemática. Como resultado da avaliação, foi instituído o Sistema de Apoio
Pedagógico (SIAPE) destinado a orientar as escolas e desenvolver em cada
uma ações de apoio aos professores e aos alunos, metodologias de avaliação
qualitativa e formativa e de progressão continuada.

Uma construção coletiva


Os princípios gerais, a gestão, a estrutura organizacional e as características
de execução do Sistema Mineiro de Avaliação da Educação Pública
evidenciam que todos os atores sociais envolvidos no processo educativo têm
participação decisiva no SIMAVE. Afinal, por mais bem intencionadas e bem
formuladas que sejam, as políticas educacionais, para obterem sucesso,
dependem do trabalho pedagógico cotidiano de cada professor.
A formação de uma rede de instituições de ensino superior, públicas e
privadas, trabalhando em conjunto com as Superintendências Regionais de

Escola Sagarana - 59
Ensino, com representantes dos municípios, dos professores e dos alunos,
evidencia que a avaliação passa a ser compreendida na sua dimensão social.
Não se trata apenas de aplicar testes, mas de formular democraticamente, em
conjunto com a comunidade educacional, as políticas do setor.
Construir uma nova cultura de avaliação implica ruptura com as práticas
tradicionais ainda em vigor no cotidiano da escola. E o SIMAVE é um
instrumento fundamental para se repensar, mais que o sistema educacional
como um todo, o trabalho pedagógico na escola. É claro que transformações
deste porte não acontecem de uma hora para outra.
A rede de ensino, em Minas Gerais, há algum tempo, vem discutindo a sua
prática e implementando transformações de forma competente. Apesar das
dificuldades, os profissionais da educação são comprometidos com o sucesso
do processo educacional. Os diretores das escolas são escolhidos por suas
comunidades e têm a consciência da importância da gestão democrática e
eficiente.
Enfim, as escolas de Minas Gerais têm uma história reconhecida, de
trabalho permanente e de luta pela qualidade do ensino. Tudo isto confere à
escola de Minas as credenciais necessárias para continuar avançando na busca
da Escola em que todos acreditam: autônoma, democrática e de qualidade.
Investir no Sistema de Avaliação da Educação Pública, mais que apostar, é
acreditar que o melhor instrumento para se atingir a eqüidade e a justiça social
é a oferta de uma escola de qualidade para todos.

Exclusão X Inclusão
Ao longo de seus quase cinco séculos, a história da educação brasileira tem
sido marcada pela exclusão. Primeiro, pela exclusão direta, explícita, já que o
acesso à educação era restringido por lei aos "homens livres"; posteriormente,
quando o acesso à educação já era garantido a todos do ponto de vista
jurídico-formal, a exclusão ocorria pela insuficiência de vagas na rede de
ensino público, que privilegiava as regiões mais desenvolvidas e as
populações abastadas. Isso explica, em parte, o fato de que, apesar do
crescimento experimentado, o dramático perfil de escolaridade da população
brasileira pouco tenha mudado. Nos últimos 40 anos, esta situação vem se
modificando, registrando-se extraordinária expansão da rede de ensino
público, que já nos anos 80 garantia vagas suficientes para o atendimento a
cerca de 90% da população urbana de 7 a 14 anos.
Entretanto, apesar da ampliação da rede física, as estatísticas confirmavam a
permanência do caráter excludente. Sobretudo, a garantia do acesso à escola
não estava resultando numa melhoria do perfil de escolaridade da população
brasileira. Existem inúmeros fatores que contribuem para o fracasso escolar,

Escola Sagarana - 60
entre eles alguns que são externos à escola, e outros que dizem respeito à
situação socioeconômica do país. Mas, também é verdade que alguns aspectos
do trabalho pedagógico concorrem efetivamente para aqueles maus resultados,
tais como, é bom destacar, a própria estratégia de avaliação costumeiramente
adotada.
Com efeito, a questão da avaliação educacional e, mais especificamente, da
avaliação do desempenho escolar, foi mantida em segundo plano, mesmo
durante os anos 70, quando a maioria dos profissionais da educação
denunciava incessantemente o uso da educação, no Brasil, como um
instrumento de legitimação das desigualdades sociais.
Por muito tempo a avaliação foi utilizada como instrumento de seleção
daqueles que passariam a integrar o seleto grupo dos "incluídos", social,
política e economicamente. Esse instrumento apontava os "competentes" e os
"incompetentes", os "capazes" e os "incapazes", aqueles que seriam premiados
e aqueles que seriam punidos, criando ainda uma imagem de que o bom
professor seria aquele que identificasse melhor esses dois segmentos, ou seria
aquele que reprovasse a maioria – esse era tido como um professor sério,
exigente, intransigente.
No contexto dos esforços pela democratização da escola pública no Brasil, é
indispensável repensar as práticas de avaliação tendo em vista fazer com que
elas percam o histórico caráter de certificação da desigualdade, de
predestinação ao fracasso escolar quando se trata das crianças que vêm dos
segmentos de menor renda. Para tanto, é preciso que se transforme a avaliação
em instrumento de identificação dos problemas do sistema educacional e do
processo ensino e aprendizagem.
Ou seja, a avaliação deve diagnosticar e apontar os fatores técnico-
pedagógicos que dificultam à maioria das crianças brasileiras o domínio dos
conhecimentos e habilidades considerados necessários ao êxito nas suas
trajetórias escolares e em suas vidas. Ao invés de premiar ou punir, a
avaliação pode e deve ser um instrumento que favoreça os objetivos
democráticos da eqüidade e da igualdade na área da educação. Não basta
garantir para todos o acesso à escola, é preciso garantir que todos,
independente de sua origem ou condição social, econômica, cultural, racial ou
étnica, tenham a oportunidade de acesso e permanência na escola. A educação
de qualidade, portanto, deve desenvolver-se numa perspectiva inclusiva, que
habilite seus alunos a uma participação efetiva na vida política, social e
econômica do país.

O sistema de avaliação

Escola Sagarana - 61
Os mecanismos para se fazer avaliações do sistema educacional são muitas
vezes vistos com desconfiança pela comunidade escolar, provocando
insegurança, angústia e tensão. O grande desafio que se coloca para a
educação é construir essa nova cultura de avaliação.
Os processos avaliativos, em todas as instâncias e momentos da vida
escolar, devem ser compreendidos como uma estratégia de realização de
diagnósticos, identificação de problemas e, quando for o caso, de
redimensionamento dos rumos do processo educativo. Isto significa que
avaliar não tem como objetivo punir ou classificar, mas fornecer as
informações básicas para a tomada de decisões na área da política
educacional.
Várias avaliações já foram realizadas na rede escolar do estado de Minas
Gerais, mas as unidades escolares, em sua maior parte, não tomaram
conhecimento dos resultados e não conseguiram perceber com clareza nem os
objetivos nem os desdobramentos dessas avaliações. A criação de um
verdadeiro sistema de avaliação, portanto, é um avanço qualitativo, no sentido
de se garantir a permanência do processo e fazer da avaliação parte integrante
do cotidiano escolar, numa perspectiva positiva, sem medos e sem angústias.
A ênfase na criação de um Sistema Mineiro de Avaliação significa, de
acordo com os princípios da Escola Sagarana, levar em conta as diferenças
regionais, a complexidade cultural que caracteriza o estado de Minas Gerais,
sem perder de vista, entretanto, as perspectivas global e universal.

A Escola Sagarana e o SIMAVE


Em fevereiro de 2000, a Secretaria de Estado de Educação instituiu o
Sistema Mineiro de Avaliação da Educação Pública - SIMAVE, com a
principal atribuição de implementar, a cada dois anos, o Programa de
Avaliação da Rede Pública de Educação Básica - PROEB.
Fundamentado nos princípios da Escola Sagarana, o SIMAVE é
descentralizado, participativo, independente e centrado na escola. Um de seus
pressupostos é a gestão consorciada com as instituições de ensino superior,
que participarão do sistema como parceiras efetivas na implementação das
políticas públicas de educação e, não mais, como mera prestadoras de
serviços.
A gestão do Sistema Mineiro de Avaliação da Educação Pública será
participativa e democrática. Em nível central, foi constituído o Conselho
Deliberativo, integrado por representantes da Secretaria de Estado da
Educação, dos Municípios, do Conselho Estadual de Educação, das
instituições públicas de ensino superior e dos profissionais da educação.

Escola Sagarana - 62
Em cada Superintendência Regional de Ensino foi constituída a Comissão
Regional de Avaliação da Educação Pública que, além da Superintendência
Regional, será integrada também pelo representante da Instituição Regional de
Ensino Superior responsável pelo PROEB, por representantes dos municípios,
dos profissionais da educação e dos alunos. Essa comissão é responsável pelo
programa de avaliação na jurisdição da Superintendência Regional de Ensino
e pelo processo de avaliação continuada.

Democracia, participação e equidade


São princípios fundamentais do Simave:
Descentralização: os programas de avaliação serão implementados de
forma descentralizada. Isto significa que cada Superintendência Regional de
Ensino, em sua área de jurisdição, deverá estar associada a instituições locais
de ensino superior, à rede de escolas de educação básica e às Secretarias
Municipais de Educação. As Comissões Regionais de Avaliação da Educação
Pública visam ainda garantir o caráter permanente ou continuado do processo
avaliativo. Além disso, possibilitam o entrosamento com as instituições locais
de ensino superior, normalmente responsáveis pela formação de professores
para a rede de educação básica. A descentralização resulta da convicção de
que as políticas educacionais não devem ser formuladas sem que se leve em
conta a diversidade das situações vividas nas diferentes regiões do Estado.
Participação: os programas de avaliação serão implementados com a
participação dos profissionais que atuam na Educação Básica. É claro que um
Sistema de Avaliação exige a contribuição técnica indispensável dos
especialistas, mas a sua legitimidade passa necessariamente pela participação
dos profissionais que desenvolvem o trabalho pedagógico nas escolas.
Gestão consorciada: a participação de instituições de ensino superior,
além de viabilizar a descentralização e a regionalização, permite desenvolver
um padrão consorciado e inovador de gestão da educação pública. É
fundamental para a rede de educação básica, porque permite vivenciar o
trabalho pedagógico básico em todas as suas dimensões – da universidade às
salas de aulas do ensino fundamental. Por outro lado, esta associação favorece
e estimula a discussão de possíveis mudanças nos cursos de formação de
professores, no sentido de torná-los cada vez mais identificados com as reais
necessidades do magistério da rede de ensino público.
Formação do professor: os programas de avaliação deverão se traduzir,
dentre outras iniciativas, em políticas de formação inicial e continuada de
professores para a rede pública de educação básica. Este princípio está
diretamente relacionado à gestão consorciada, uma vez que conduz à
formulação de políticas que contribuem para a valorização do profissional da

Escola Sagarana - 63
educação, discutindo a qualidade e a pertinência dos cursos de formação
inicial e de formação continuada atualmente oferecidos aos professores.
Eqüidade: O Estado verdadeiramente democrático deve garantir a oferta
de uma educação de qualidade para todas as crianças e jovens em idade
escolar, independentemente de fatores tais como raça, sexo, etnia, nível
socioeconômico ou região de moradia. O processo também contribui para a
definição de políticas que garantam que todas as escolas tenham condições de
oferecer uma educação de qualidade.
Publicidade: os resultados do programa de avaliação serão públicos. Isto
não significa expor indevidamente a escola. Pelo contrário! É fundamental
garantir a todo e qualquer cidadão o acesso à informação, principalmente
quando essa informação diz respeito às ações de órgãos públicos e quando a
maior ou menor possibilidade de melhoria da qualidade de vida do cidadão
depende da qualidade dessas ações. Esconder resultados ou sonegar
informações faz parte de uma cultura autoritária e clientelista que os
profissionais da educação combatem e que só tem contribuído para o
retrocesso e o atraso do processo educacional.

Perfil do Simave
OBJETIVOS: Promover a avaliação sistemática da rede pública de educação
básica; criar instrumentos de participação da sociedade e dos profissionais da
educação na gestão da escola pública; democratizar o acesso à informação
sobre a educação pública, desenvolver procedimentos de gestão de avaliação
das políticas públicas educacionais com base em princípios de equidade;
fortalecer a escola como instituição de promoção de igualdade de
oportunidades para todos os mineiros.

Escola Sagarana - 64
METAS: Desenvolver parâmetros e métodos de aferição do desempenho e
da qualidade nas redes estadual e municipais de educação básica; criar
parâmetros diferenciados de avaliação da rede pública de educação básica,
compatíveis com a realidade, a cultura e o desenvolvimento de Minas Gerais,
observadas as peculiaridades regionais; criar instrumentos de avaliação,
controle e acompanhamento para a permanente busca da elevação da
qualidade da educação básica; estabelecer mecanismos e sistemáticas de
gestão consorciada da rede pública de educação com base na cooperação e na
parceria entre o governo, sociedade, universidades e instituições de ensino
superior instaladas em Minas Gerais; promover a formação, adequação e
aperfeiçoamento de recursos humanos para atender às necessidades da rede
pública de educação básica e os objetivos da política educacional de Minas
Gerais.
ESTRATÉGIA: o SIMAVE está estruturado em programas setoriais
destinados à avaliação da educação básica em Minas Gerais, de caráter
universal e execução em parceria com instituições de ensino superior.

7.4 - Programa de Avaliação da Educação Básica

O Programa de Avaliação da Educação Básica (Proeb) é parte do Simave e


se situa no conjunto de ações do Sistema Mineiro de Avaliação da Educação
Pública. O programa avalia as escolas da rede estadual de ensino e das redes
municipais que aderirem ao Simave, por meio de testes respondidos por todos
os alunos do primeiro ano do ciclo intermediário e o último ano do ciclo
avançado (4ª e 8ª séries) do ensino fundamental e por todos os alunos da 3ª
série do ensino médio.
Os testes avaliam as competências desenvolvidas pelos alunos em Língua
Portuguesa, Matemática, Ciências Humanas e Ciências da Natureza, num ciclo
que se complementa a cada dois anos: assim, no ano de 2000, foram aplicados
testes de Língua Portuguesa e Matemática; em 2001, os testes abrangem
História, Geografia e Ciências.
O Proeb inclui, ainda, questionários destinados aos alunos, diretores de
unidades escolares, professores e especialistas, com o objetivo de levantar
dados sobre o processo de gestão das unidades escolares, o perfil dos
profissionais da educação e dos estudantes, recursos e serviços disponíveis nas
unidades escolares.
Esse conjunto de testes permite a avaliação e análise do sistema educacional
mineiro como um todo, produzindo-se indicadores necessários à formulação e
redefinição das políticas educacionais do Estado.

Escola Sagarana - 65
A organização do PROEB no Estado
Para viabilizar sua realização, o Proeb conta com uma Instituição
Coordenadora, que é a Universidade Federal de Juiz de Fora - UFJF, por meio
do Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação - CAEd, da
Faculdade de Educação. A UFJF é responsável pela elaboração, impressão e
distribuição dos testes; planejamento e acompanhamento da implantação do
programa; supervisão e acompanhamento do trabalho das instituições
regionais junto às 41 superintendências regionais de ensino; organização,
processamento e análise dos resultados dos testes; divulgação dos resultados e
apoio pedagógico às unidades escolares.
Também participam da implementação do programa 27 instituições de
ensino superior que, indicadas pela Secretaria de Estado da Educação de
Minas Gerais, após seleção, atuam no âmbito regional apoiando as atividades
programadas pela instituição coordenadora e as ações das superintendências
de ensino.
Este tipo de organização confirma um dos princípios básicos do Simave,
que é a gestão consorciada da educação básica, com a formação de uma rede
de instituições de ensino superior, devidamente articulada com a rede de
educação básica. Além disso, esta forma de organização garante ainda o
princípio da descentralização e da regionalização, sem que se percam de vista
as características comuns à população e à educação do estado de Minas
Gerais.
Os primeiros resultados do Proeb surgiram em 2001 com a implantação do
Sistema de Ação Pedagógica (Siape), das comissões regionais de apoio
pedagógico e do sistema de avaliação continuada. São mecanismos propostos
pelo Proeb, com atuação direta e permanente nas escolas. Deles resulta a
formação de equipes e estudos para análise dos boletins de avaliação da escola
e adoção das medidas necessárias à correção de rumos e superação de
eventuais deficiências, com apoio das instituições regionais de ensino superior
integradas ao programa.

O PROEB e o Sistema de Avaliação da Educação Básica do INEP -


SAEB
O Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica - SAEB é um
sistema implementado pelo Ministério da Educação, por intermédio do
Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais - INEP, para avaliar a
educação básica em todo o Brasil, com base em amostragens e apresentando
os seus resultados por unidade da Federação.

Escola Sagarana - 66
A institucionalização do Sistema Mineiro de Avaliação da Educação
Pública é um salto qualitativo importante, entre outras razões, porque trabalha
com a perspectiva de resguardar a especificidade de Minas Gerais, tendo em
vista a formulação de políticas educacionais próprias, além de ser universal –
para toda a rede pública de ensino e para todos os alunos das séries escolhidas
– e apresentar resultado individualizado por escola.
Entretanto, cuidar do que é específico de Minas significa distanciamento da
perspectiva nacional. Por esta razão, é imprescindível a utilização de
instrumentos de análise que permitam a necessária comparação entre o Proeb
e o Saeb. Assim, os indicadores de proficiência - uma medida referente às
habilidades e competências desenvolvidas pelos alunos em cada área do
conhecimento – são os mesmos produzidos na escala nacional pelo Inep e
utilizada pelo Saeb.

7.5 - Veredas – Formação Superior de Professores

Toda política de valorização do pessoal da educação e que tenha por


objetivo final o sucesso do aluno em seu processo de formação pessoal,
profissional e humana, necessariamente, terá que passar pela habilitação e
qualificação do professor. Deve-se levar em conta o tipo e perfil de
profissional que a escola exige nos tempos atuais, já que são imensas as
tarefas e compromissos exigidos à educação.
O professor, além de sua qualificação técnica, deve ter ampliados seus
horizontes quanto ao uso de tecnologias modernas a serviço da educação, aos
direitos sociais e ao exercício da cidadania: deve comprometer-se com a
transformação social e ser um agente do desenvolvimento nacional, regional e
comunitário.
Esse é o perfil do professor que o Projeto Veredas procurará desenvolver e,
para isso, a Secretaria da Educação de Minas Gerais utilizará uma
metodologia que abrange a sistemática de formação e de implantação do
curso normal superior, na modalidade de educação a distância, com
participação das instituições de ensino superior em âmbito regional,
respeitando as peculiaridades locais e os objetivos de Minas Gerais.
O Projeto Veredas de Formação Superior de Professores, executado no
contexto do Programa Anchieta de Cooperação Interuniversitária, destina-se a
habilitar os professores que, mesmo sem a formação superior necessária, ainda
hoje, atuam nas salas do ensino fundamental, nos anos iniciais. O curso vai
terá módulos semestrais e poderá ser concluído em três anos e meio

Escola Sagarana - 67
combinando métodos de educação a distância e presenciais, com apoio de
material impresso, vídeos e internet.
São quase 60 mil profissionais que atuam nas redes de ensino estadual e
municipais de Minas Gerais sem a necessária habilitação, e, conforme previsto
na LDB, todos devem ter curso superior até 2005. Na primeira etapa, com
início previsto para fevereiro de 2002, o Veredas vai atender 12 mil
professores estaduais e 3 mil municipais, com material didático (textos e
vídeos) preparados por especialistas e distribuídos gratuitamente.
Essa habilitação será gratuita e obtida em serviço, de forma que a prática do
professor sirva como parte de suas atividades de curso, com acompanhamento
e orientação dos tutores. O projeto prevê a realização de provas para seleção
dos candidatos, organizadas pelas universidades consorciadas, e registro dos
diplomas no Ministério da Educação.
OBJETIVO: melhorar a qualidade do ensino nas redes estadual e
municipais, desenvolver metodologias de educação a distância, estimular o
uso de tecnologias avançadas de informática e comunicação, contribuir para a
redefinição o perfil dos cursos de formação de pessoal para área de educação.
METAS: habilitar em serviço 12 mil professores da redes estadual e 3 mil
das redes municipais na primeira etapa e, a médio prazo, habilitar 55 mil
profissionais que atuam nas escolas mineiras sem habilitação superior, integrar
as universidades ao processo formativo e promover adequação curricular.
ESTRATÉGIA: articular com as universidades e instituições de ensino
superior sistemáticas de gestão consorciada e de cooperação na formação de
recursos humanos para a educação, buscar novas definições quanto ao perfil e
currículo das faculdades de educação, promover a cooperação entre estado e
municípios no campo da formação de educadores, atrair profissionais de alto
nível para o estudo , preparação e elaboração de material didático adequado às
novas metodologias educacionais, obter o apoio e reconhecimento do curso
pelo Ministério da Educação.
BENEFICIÁRIOS: professores que atuam da primeira a quarta série do
ensino fundamental, sem formação superior, das redes municipais e estadual.
SITUAÇÃO: o projeto está finalizado e aprovado, com recursos definidos.
Foram divulgados os editais para seleção dos profissionais responsáveis pela
elaboração dos textos didáticos – a grande maioria deles é formada por
doutores em educação e mestres com doutorado em andamento.
INÌCIO: os cursos devem começar em fevereiro de 2202.

7.6 Programa Bolsa Familiar para Educação – Bolsa-escola

Escola Sagarana - 68
As desigualdades sociais vêm se acumulando no Brasil ao longo de sua
história. O capitalismo brasileiro se consolidou pela via do Estado (de cima
para baixo), impondo à sociedade sucessivas políticas econômicas
concentradas de renda e, por conseqüência, geradoras de uma desigualdade
perversa, condenando à miséria milhões de brasileiros.
A partir da década de 1990, as transformações que afetaram o mundo
alteram substancialmente as relações entre os seres humanos e exacerbam o
quadro de exclusão social.
Nos últimos anos, o discurso da prioridade para a educação passou a fazer
parte da agenda nacional. Entretanto, a política tem revelado que há uma
enorme distância entre “intenção e gesto”. Pois além de dar condições a que
toda criança tenha ingresso garantido na escola, é preciso garantir as
condições objetivas para que ela permaneça e tenha bom desempenho na
escola.
Ao lado do princípio de “universalização” tem de ser colocado o da
“eqüidade”, isto é, a democratização das oportunidades educacionais. É nesta
perspectiva que se coloca o Programa Bolsa Familiar para a Educação –
Bolsa-escola.

A importância do Bolsa-escola.
A preocupação com a renda mínima é histórica entre filósofos e
economistas e em vários países do mundo já estão em vigor programas dessa
natureza: Estados Unidos, Grã-Bretanha, Alemanha, Bélgica, Suécia, França,
Espanha e Portugal. No Brasil, estudiosos trabalham esta proposta desde a
década de 1970.
Entretanto, o Programa Bolsa Familiar para a Educação – Bolsa-escola
adotado em Minas Gerais é mais do que um programa de renda mínima, pois o
seu enfoque principal não é apenas a distribuição de renda, mas a educação
como questão de direito e de cidadania.

Minas Gerais e o Programa Bolsa-escola


Em Minas Gerais, a evasão escolar média é da ordem de 6,3%, no ensino
fundamental, segundo o Censo Escolar 2000. Em algumas regiões, é superior
a 20% (da 5ª à 8ª série), o que é inaceitável. Segundo a Fundação João
Pinheiro, 400 mil crianças estão fora da escola, convivem com a vergonha do
trabalho infantil e com a tragédia de meninos e meninas, que vivem em
situação de rua.
O Programa Bolsa Familiar para a Educação – Bolsa-escola, proposta pelo
Governador Itamar Franco em sua campanha eleitoral, busca garantir às

Escola Sagarana - 69
crianças mineiras, em especial das regiões mais carentes, o direito de acesso à
educação de boa qualidade e permanência na escola.

Organização e operacionalização da Bolsa-Escola


Em um estado com a dimensão, complexidade e diferenças socioculturais
de Minas Gerais, o Programa deverá ser implantado de forma articulada com
os municípios e gradualmente, tendo como prioridade as regiões que
apresentam condições socioeconômicas mais desfavoráveis. Daí a escolha do
Vale do Jequitinhonha, região considerada como das mais pobres do mundo,
com baixos índices de desenvolvimento humano e de desenvolvimento
infantil.
Uma iniciativa deste porte, coordenada e gerida pela Secretaria de Estado
da Educação, deve, necessariamente, desenvolver-se em processo de
integração com outras políticas públicas, como: segurança, justiça e direitos
humanos, saúde, assistência social, trabalho e cultura, além da participação de
entidades não-governamentais compromissadas com a criança e o adolescente.
Tal integração se justifica pelo fato de que, tão ou mais importante do que a
concessão do benefício, é o trabalho sistemático com as famílias para que
possam ter acesso à profissionalização e outras formas geradoras de emprego
e renda.

Critérios para cadastro no Programa


a – ter filhos na faixa etária de 7 a 14 anos matriculados na escola pública;
b – ter renda per capita familiar igual ou inferior a meio salário mínimo;
c – ter residência comprovada no município por pelo menos 3 anos;
d – passar pelo processo de avaliação familiar e seleção de beneficiários.

O Bolsa-escola e a política educacional


É importante destacar que o Bolsa-escola é um programa de educação,
regulamentado com critérios rígidos de seleção e acompanhamento das
famílias selecionadas. A manutenção do benefício exige a comprovação
pessoal de freqüência do estudante em pelo menos 90% das atividades
escolares.
As famílias são acompanhadas do ponto de vista social para que alcancem
melhores condições de vida, não sendo mais necessária a concessão do
benefício. Anualmente, será feita a avaliação pertinente para verificar aqueles
que, de fato, precisam ser mantidos no programa.
Cabe ressaltar que, além de contribuir com a queda da evasão escolar, o
programa incentiva a participação das famílias na vida escolar da criança e do
adolescente.

Escola Sagarana - 70
Longe de ser uma ação paternalista, o Bolsa-escola incentivará o
desenvolvimento da cidadania e a consciência necessária dos direitos e
deveres das pessoas em relação à sociedade e ao Estado.
Nesta perspectiva, trata-se de um Programa formador de consciências,
combatendo todas as possibilidades de fisiologismo ou clientelismo,
estabelecendo a necessária ruptura com a cultura “do favor” e resgatando a
dignidade e a esperança.

OBJETIVO: combater a evasão escolar, o trabalho infantil e a exclusão


social através de projetos e ações de promoção social, orientação familiar e
encaminhamento profissional; proporcionar formas de complementação de
renda para famílias carentes com filhos matriculados nas escolas da rede
pública.
META: implantar o Programa em todo o Vale do Jequitinhonha durante o
atual governo, começando por projeto piloto para atendimento inicial a 6 mil
famílias na região do Vale do Jequitinhonha, a de mais baixo Índice de
Desenvolvimento Humano, segundo levantamento da Fundação João Pinheiro,
com ampliação gradativa da região abrangida e do número de famílias
atendidas.
ESTRATÉGIA: destinar às famílias carentes renda mínima da ordem de R$
70,00 (setenta reais), de meio a um salário mínimo mensal para manutenção
de seus filhos na escola; desenvolver ações integradas de saúde, assistência e
promoção social junto às famílias beneficiadas.
BENEFICIÁRIOS: famílias carentes, com renda inferior a meio salário
mínimo per capita, com filhos entre 7 e 14 anos matriculados no ensino
fundamental regular.
SITUAÇÃO: implantado no final de 1999, o Bolsa-escola chegou a 2001
atendendo a 17 mil famílias em 30 cidades do Vale do Jequitinhonha,
beneficiando cerca de cem mil pessoas. Para 2002, está programada a
extensão do Bolsa-escola a todas as 51 cidades que compõem o médio Vale
do Jequitinhonha, atendendo cerca de 30 mil famílias.
RECURSOS: o Programa começou com investimento de R$ 7 milhões em
2000, subiu para 14 milhões em 2001 e deverá atingir R$ 21 milhões em 2002.
AÇÕES: cadastramento de famílias; acompanhamento da freqüência
escolar das crianças beneficiadas e da atuação dos pais; assistência e
promoção social e encaminhamento para cursos profissionalizantes e
atividades de complementação de renda familiar.

Escola Sagarana - 71
8 – Programa permanentes

8.1 – Programa Agenda da Paz

O início dos períodos letivos costumam ser marcados por persistentes


notícias da imprensa nacional sobre a violência entre crianças e adolescentes
nas escolas públicas. A escola tem sido citada como cenário de medo e de
falta de segurança. Questiona-se a autoridade dos professores, dirigentes e da
própria família. Em algumas declarações, pais e até dirigentes escolares
clamam por ação policial nas proximidades das escolas. Em alguns lugares do
Brasil, governos chegaram a lançar mão de detetor de metais na porta das
escolas, na tentativa de impedir a entrada de armas.
Em Minas Gerais, a Secretaria da Educação crê que a violência não está na
escola, mas na sociedade e, conseqüentemente, tem reflexos na vida escolar.
Logo, a escola também é vítima do processo de disseminação e até
banalização da violência.
As crianças e adolescentes são atingidos cotidianamente pelas contradições
impostas pela própria sociedade. Ao mesmo tempo em que se incentiva o
consumo, cresce o desemprego; desenvolve-se o sentimento de competição,
mas não há garantia de igualdade de oportunidades; apresenta-se o
individualismo exacerbado como indicador para sucesso na vida, mas cada
vez mais é reduzido o número dos “bem-sucedidos”. Acrescente-se a tudo isto
a violência permanente da fome a que muitos estão submetidos.
A escola recebe todas as influências e deve tratar o problema de forma
pedagógica, investindo na dignidade e na esperança, enfrentando a crise ética
com a formação de valores como: solidariedade, justiça, cidadania, paz,
consciência moral, senso de coletivo.
A Secretaria da Educação em Minas Gerais optou por discutir e enfrentar a
chamada “violência” na escola por meio do reforço do processo educativo.
Com esta concepção foi criado o “Programa Agenda da Paz”.
Trata-se de um Programa coordenado pela Secretaria de Educação, mas que
conta com a participação de outros órgãos do governo, de representantes do
poder legislativo e judiciário, Polícia Militar, representantes de pais e de
alunos e organizações não-governamentais.

OBJETIVO: Promover nas escolas mineiras a cultura da paz e a construção


de valores culturais, éticos e morais voltados para o respeito à vida,
solidariedade, convivência fraterna, cidadania e senso do coletivo.
META: Tornar a escola um espaço crítico em relação aos valores impostos
pela sociedade e de formação do ser humano, desenvolvendo a solidariedade,

Escola Sagarana - 72
a cidadania e o sentimento de justiça social. Para tal, a escola deve se
concretizar como um espaço de harmonia, de alegria e de prazer, de forma a
fazer da PAZ e da FRATERNIDADE, um sentimento e uma ação
permanentes, enquanto valores próprios da humanidade.
ABRANGÊNCIA: todas as escolas das redes públicas e particulares.
ESTRATÉGIA: atuação pedagógica através da discussão de temas
relacionados à forma de valores, palestras, reuniões, articulação com a
comunidade, concursos e incentivo à formação da cidadania.
PARTICIPANTES: professores, alunos, escolas, lideranças comunitárias,
secretarias estaduais que atuam no campo social, Polícia Militar, Polícia Civil,
Ministério Público, Curadoria da Infância e da Juventude, organizações não-
governamentais.
BENEFICIÁRIOS: alunos e escolas da rede pública.
AÇÕES: atividades pedagógicas, realização de concurso de frases,
desenhos e textos sobre temas relacionados à paz. Os melhores trabalhos
foram reunidos em uma agenda para o ano 2000 – A AGENDA DA PAZ,
publicada pela Secretaria da Educação. Incentivar a formação de grêmios
estudantis que fortalecem o sentimento de grupo e desenvolvem a noção de
cidadania e participação política.

8.2Programa de Democratização da Gestão Escolar

OBJETIVO: democratizar a gestão das escolas públicas; dar transparência


aos atos dos dirigentes; incentivar a participação da comunidade nas decisões
da escola; criar mecanismos de controle social da atividade pública no setor
educacional.
METAS: fortalecer a atuação do colegiado da escola; garantir a autonomia
administrativa, financeira e pedagógica das escolas; resguardar direitos e
conquistas da comunidade escolar e preservar o caráter democrático do
processo de escolha de dirigentes escolares
ESTRATÉGIA: incentivar a participação da comunidade em todas as
decisões; aperfeiçoar os processos de escolha de dirigentes; incentivar práticas
de acompanhamento e controle de contas e das Caixas Escolares e definição
participativa dos orçamentos e programação de investimentos.
PARTICIPANTES: comunidade escolar e especialistas.

Escola Sagarana - 73
AÇÕES: consulta à comunidade para escolha dos diretores das escolas
estaduais, realizada em 1999, com a nomeação pelo governador Itamar Franco
de todos os diretores e vice-diretores escolhidos. Esses dirigentes passaram
ainda pelos cursos de capacitação. O regulamento do processo de escolha foi
aperfeiçoado para contemplar maior participação da comunidade. No ano
2000, foram eleitos os novos componentes dos colegiados escolares na grande
maioria das escolas estaduais, intensificados os trabalhos de orientação às
escolas sobre as atribuições e funcionamento dos colegiados. Também foi
intensificada a integração com a Rede Nacional de Referência em Gestão
Educacional (Renageste) e aperfeiçoados os critérios de organização,
participação e avaliação dos trabalhos inscritos para o Prêmio Nacional de
Referência em Gestão Escolar, com fortalecimento da rede estadual do
Renageste.

8.3 Programa Travessia para o Futuro

OBJETIVO: Valorização da escola pública, especialmente a de ensino


médio, visando a melhoria da qualidade da educação; fortalecer a política de
inclusão social pela ampliação das oportunidades de ingresso de alunos da
rede pública nos cursos superiores.
METAS: implantar os Institutos Superiores de Educação, estabelecer
mecanismos de cooperação com as universidades instaladas em Minas Gerais,
visando a formação e capacitação de pessoal docente e criar novas alternativas
de seleção de candidatos ao ingresso nos cursos superiores.
ESTRATÉGIA: organizar seminários para apresentação de estudos,
projetos e alternativas de formação e aperfeiçoamento de recursos humanos;
promover estudos sobre a reformulação de currículos nos cursos superiores de
licenciatura; promover avaliações de desempenho dos alunos do ensino médio
e incluí-las nos critérios de seleção de candidatos aos cursos superiores.
AÇÕES: realização do Seminário de Valorização da Escola Pública –
Travessia para o Futuro e programação de atividades visando a interação com
as instituições de ensino superior de Minas Gerais.
PARTICIPANTES: Fórum das Instituições Federais de Ensino Superior de
Minas Gerais, escolas públicas e particulares de ensino superior, Universidade
do Estado de Minas Gerais (UEMG), Universidade Estadual de Montes Claros
(Unimontes), Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, profissionais
do magistério, estudantes, entidades representativas.

Escola Sagarana - 74
8.4 Programa de Educação Infantil

OBJETIVO: Resgatar a educação infantil como uma das prioridades do poder


público em Minas Gerais; ampliar o atendimento e as taxas de escolarização;
promover a melhoria da qualidade do ensino e do processo de ensino e de
aprendizagem; combater a exclusão social.
METAS: Aumentar o atendimento às crianças com menos de seis anos de
idade visando a gradativa universalização; promover a integração de cheches e
pré-escolas ao Sistema Mineiro de Educação.
ESTRATÉGIA: Desenvolvimento de estudos e projetos que levem em conta o
caráter indissociável da educação infantil em relação ao ensino fundamental;
estabelecimento de mecanismos que permitam a cooperação entre o Estado,
prefeituras e organizações comunitárias para o desenvolvimento do Programa.
AÇÕES: Identificar espaços disponíveis em escolas estaduais, federais ou
municipais disponíveis e adequados à educação infantil, visando o
estabelecimento de parcerias; promover a capacitação de profissionais da
educação e habilitá-los para a educação infantil, disponibilizar professores
excedentes para atuarem em escolas municipais ou comunitárias.

8.5 Programa de Fortalecimento do Ensino Fundamental

OBJETIVO: garantir a universalização do ensino fundamental, assegurar


melhoria constante da qualidade e a busca permanente do sucesso do aluno,
promover a atualização das metodologias de ensino adequando-as aos padrões
de qualidade necessários à educação em Minas Gerais
METAS: incentivar a discussão e definição de propostas pedagógicas e
sistemas de organização do tempo escolar por escolas; adequar os recursos
pedagógicos às necessidades do ensino e da aprendizagem, respeitados a
diversidade regional e o interesse da comunidade local; aquisição de material
didático e livros para atualização do acervo das bibliotecas das escolas
estaduais.
ABRANGÊNCIA: todas as escolas do estado, sob coordenação das
superintendências regionais de ensino.
ESTRATÉGIA: realização de etapas locais, regionais e estadual com
seminários para discussão de propostas, a partir de experiências, relatórios,
avaliações e textos conceituais fornecidos pela Secretaria da Educação como
subsídio; implementação dos Planos de Desenvolvimento da Escola.
PARTICIPANTES: comunidade escolar e especialistas convidados.

Escola Sagarana - 75
AÇÕES: Após vários meses de discussão, a Secretaria da Educação abriu a
possibilidade de cada escola escolher o regime de organização do
tempo escolar melhor adequado às suas condições e ao perfil de seus
profissionais. Como resultado, 68% das escolas estaduais já optaram
pelo regime de ciclos. Minas adotou três ciclos no ensino
fundamental: ciclo básico (nos três primeiros anos), ciclo
intermediário (do 4º ao 6º ano) e ciclo avançado (7º e 8º ano). Nas
escolas que optaram pelo ciclo, foi adotada a avaliação continuada do
desempenho escolar, com ênfase na avaliação formativa. Minas
também participa dos estudos visando a preparação de material
didático adequado ao regime de ciclos.

8.6 - Programa Estadual do Ensino Médio

OBJETIVO: Valorizar o ensino médio na rede pública estadual; elevar a


qualidade do ensino; ampliar as oportunidades educacionais; garantir vagas
para todos os alunos egressos da rede pública do ensino fundamental;
combater a exclusão e contribuir para a mobilidade social; fortalecer os
mecanismos de financiamento à educação nesse nível de ensino.
METAS: melhorar o rendimento dos alunos da rede pública e prepará-los
para a vida universitária, inserção no mercado de trabalho e exercício da
cidadania; manter o nível e a prática de ensino atualizada em relação à
demanda com currículos modernos e práticas pedagógicas inovadoras; superar
os entraves representados pela ausência de fontes de financiamento público
para esse nível de ensino.
ESTRATÉGIA: Estabelecer parcerias com as universidades para avaliação
permanente do desempenho de professores, alunos e escolas; articular ações
junto aos fóruns nacionais para a criação de mecanismos formais de
financiamento público do ensino médio.
AÇÕES: buscar e propor novas fontes de financiamento; promover a
integração entre as escolas de ensino médio e a universidades e instituições de
ensino superior em Minas Gerais; instituir o novo Plano do Ensino Médio com
base nos padrões curriculares nacionais; promover a adequação do ensino à
nova realidade; realizar simpósios e debates; organizar cursos de formação e
capacitação de recursos humanos; avaliar os programas de aceleração de
estudos e de integração dos alunos egressos dessa modalidade de ensino.
FASE ATUAL: Firmado convênio com o Ministério da Educação visando
a obtenção de recursos necessários à implantação da reforma do ensino médio,

Escola Sagarana - 76
reforma ou construção e equipamento de escolas, desenvolvimento e
elaboração de material didático.

8.7 Programa de Educação Profissional

OBJETIVO: Implantar em Minas Gerais dez Centros de Educação


Profissional em parceria com prefeituras e o Ministério da Educação,
destinados à formação de jovens com habilidades técnicas adequadas às
exigências do mercado de trabalho local e regional, levando em conta critérios
de eqüidade com vistas à inclusão social e ao desenvolvimento regional;
implementar novos padrões e currículos da educação profissional.
METAS: democratizar o atendimento à demanda; ampliar as oportunidades
e os investimentos no desenvolvimento de recursos humanos adequados à
demanda dos setores primário, secundário e terciário; desenvolver
metodologias técnico-pedagógicas de gestão compartilhada e integração com a
comunidade.
ESTRATÉGIA: desenvolver metodologias técnico-pedagógicas de gestão
compartilhada; criar sistemas de supervisão, avaliação, controle e
acompanhamento dos cursos e da gestão administrativa e pedagógica;
desenvolver parcerias com prefeituras e instituições comunitárias; implantar
centros de educação profissional definidos conforme o perfil socioeconômico
das regiões e interesse do desenvolvimento estadual.
AÇÕES: implantação imediata de cinco centros de educação profissional no
estado a partir de convênios já firmados com o MEC, reforma e construção de
prédios, aquisição de equipamentos e composição dos quadros de pessoal.
UNIDADES CONVENIADAS:
- Centro de Educação Profissional de Brazópolis – com atuação em
eletrônica industrial.
- Centro de Educação Profissional de Caxambu – com atuação em
hotelaria e turismo.
- Centro de Educação Profissional de Itajubá – com atuação em eletrônica
e telecomunicações.
- Centro de Educação Profissional de Teófilo Otoni – com atuação em
gemologia e jóias.
- Centro de Educação Profissional de Unaí - com atuação em técnicas agro-
industriais.

8.8 Programa de Educação Especial

Escola Sagarana - 77
OBJETIVO: ampliar as oportunidades educacionais, intensificar as políticas
de inclusão e integração social, de atenção integral às crianças e adolescentes,
melhorar a qualidade do ensino.
METAS: atender, diretamente, ou através de parcerias com instituições
comunitárias as crianças e adolescentes portadores de necessidades educativas
especiais, preparar e treinar recursos humanos, promover a gradativa
integração das crianças e adolescentes especiais no ensino regular.
ESTRATÉGIA: estabelecer parcerias com prefeituras, instituições
especializadas e comunitárias para ampliar a capacidade de atendimento,
promover a formação e aperfeiçoamento de recursos humanos, desenvolver
parcerias com outras secretarias de estado e municípios para o atendimento
especializado.
AÇÃO: divulgação dos princípios, recomendações e critérios para a adoção
da política de integração, orientação às escolas e profissionais,
desenvolvimento de projetos e experiências nas escolas para facilitar a
integração, manutenção dos convênios com instituições especializadas no
atendimento a portadores de necessidades educativas especiais e acordos
operacionais para cessão de professores, técnicos e especialistas.

8.9 - Programa de Educação de Jovens e Adultos

OBJETIVO: Promover a inclusão social e a inserção no mercado de


trabalho de jovens e adultos que não tiveram acesso à educação na idade
própria; proporcionar condições para que essa parte da população construa sua
cidadania e possa ter acesso à qualificação profissional; aumentar as taxas de
escolarização.
META: Promover a gradativa erradicação do analfabetismo em Minas
Gerais; criar oportunidade para jovens e adultos retornarem aos estudos
preparando-os para o encaminhamento à educação supletiva continuada.
ESTRATÉGIA: Aperfeiçoar e ampliar as possibilidades de uso de técnicas
de educação a distância; buscar parcerias com prefeituras, universidades,
entidades estudantis, organizações não-governamentais e representativas de
classes produtoras e de trabalhadoras para organização de mutirões de
alfabetização; implantar novos Centros de Educação Supletiva (CESECs) na
capital e no interior do Estado visando ampliar a oferta de oportunidades;
adotar de novas metodologias visando a preparação de jovens e adultos para
os exames supletivos de massa promovidos pela Secretaria da Educação.

Escola Sagarana - 78
AÇÕES: qualificar grupos de voluntários; criar mecanismos de avaliação
de desempenho dos professores, voluntários e alunos; avaliar cursos existentes
e programar ampliação do atendimento; utilizar a rede de telessalas.
BENEFICIÁRIOS: jovens e adultos com mais de 15 anos de idade com
baixa escolarização ou analfabetos.

8.10 Programa de Educação Indígena

OBJETIVO: implantar escolas interculturais e bilíngües nas áreas


indígenas de Minas Gerais visando proporcionar educação para todos e
melhoria da qualidade de vida.
METAS: dotar de escolas de ensino fundamental as comunidades
residentes em reservas indígenas das nações Krenak, Pataxó, Maxakali e
Xacriabá, beneficiando uma população total de 7.200 habitantes; construir
escolas nas comunidades indígenas respeitando as características locais e a
cultura desses povos.
ESTRATÉGIA: Capacitar equipes para a formação de professores
indígenas habilitados para o ensino bilíngüe, em cooperação com
universidades, Instituto Estadual de Florestas e Funai, respeitando as
diferenças culturais de cada comunidade.
AÇÕES: construção de prédios escolares nas aldeias; realização de vários
cursos de capacitação de formadores de professores indígenas; avaliação
contínua do desempenho de professores e alunos; incentiva estudos e
promoção de intercâmbio com entidades afins.

8.11 Programa de Atenção Integral


à Criança e ao Adolescente – EducAção

OBJETIVO: Atender crianças e adolescentes dos estratos sociais de baixa


renda, garantindo-lhes acesso aos serviços sociais indispensáveis a seu pleno
desenvolvimento.
METAS: Ampliar a cobertura e melhorar os serviços de educação (1º grau e
pré-escolar), saúde, assistência social, cultura, esportes e todos os demais
necessários ao desenvolvimento da criança e do adolescente, mediante
coordenação e aperfeiçoamento da prestação desses serviços pelas entidades
públicas, privadas, comunitárias e outras envolvidas.
ESTRATÉGIA: Apoiar os Centros de Atenção Integral à Criança e ao
Adolescente (CAICs) existentes no Estado, auxiliando-os no que for necessário

Escola Sagarana - 79
para que aperfeiçoem e intensifiquem a aplicação dos princípios e estratégias
da atenção integral. A partir dessas unidades, disseminar esses princípios e
estratégias a outros municípios, bairros e localidades não atendidos
diretamente pelos CAICs. Promover a cooperação e integração entre os órgãos
e entidades responsáveis pela prestação dos serviços sociais. Retomar ou
intensificar a cooperação com as universidades e outras instituições
interessadas na implementação da atenção integral.
AÇÕES: Instituição de grupo de trabalho, no âmbito da Secretaria da
Educação, encarregado de coordenar as atividades. Cooperação com a
Associação dos Dirigentes dos CAICs do Estado. Estabelecimento de formas
permanentes de cooperação entre os órgãos, entidades e instituições públicas e
privadas envolvidas. Realizado em 2001, no marco do 2º Fórum Mineiro de
Educação, o Seminário sobre
Educação Integral, com reuniões nas cidades de Belo Horizonte, Ituiutaba,
Januária, Muriaé e Poços de Caldas visando debates e coleta de subsídios para
explorar e ampliar as possibilidades de cooperação entre o Estado e as
prefeituras na retomada da política de atenção integral à criança e ao
adolescente.
PARTICIPANTES: Grupo de Trabalho constituído pela Secretaria da
Educação, secretarias da área social, demais entidades do Governo do Estado
interessadas, Associação dos Dirigentes dos CAICs, outras instituições públicas
e privadas com as quais se estabeleçam parcerias.

8.12 - Programa de Educação a Distância

OBJETIVO: Incentivar e desenvolver metodologias para uso de técnicas e


recursos de monitoramento a distância e ensino semi-presencial aplicáveis nos
vários programas educacionais de Minas Gerais.
META: formar recursos humanos, desenvolver técnicas de uso dos
recursos da televisão e da informática para a educação com monitoramento a
distância, avaliação de desempenho e nivelamento de conhecimentos.
ESTRATÉGIA: Aplicar metodologias de educação a distância para
aceleração de aprendizagem, alfabetização de jovens e adultos, formação
continuada de professores, capacitação de recursos humanos em geral,
desenvolvimento de novas metodologias pedagógicas. Articular regimes de
cooperação com o Ministério da Educação (TV Escola, Salto para o futuro) e
com as universidades e outras instituições que adotam ou desenvolvem a
modalidade da educação a distância.

Escola Sagarana - 80
AÇÕES: Estabelecer convênios e parcerias com universidades e
organizações nacionais e internacionais para programas de cooperação e
formação de recursos humanos, formação de grupos de facilitadores e
atualização de equipamentos.
BENEFICIÁRIOS: professores das redes públicas estadual e municipal.

8.13 Programa de Avaliação de Desempenho

OBJETIVO: Promover a constante melhoria da qualidade do ensino,


aperfeiçoamento das técnicas e métodos pedagógicos, a qualificação crescente
dos profissionais da educação e a obtenção de padrões elevados de sucesso no
processo de ensino e aprendizagem.
METAS: Introduzir no Sistema Mineiro de Educação mecanismos
permanentes e modernos de avaliação do desempenho de escolas,
profissionais e alunos para apuração da qualidade e dos resultados
educacionais.
ESTRATÉGIA: Estabelecer regimes de cooperação e convênios com
universidades, preferencialmente as instaladas em Minas Gerais para
realização de pesquisas, estudos e projetos, bem como para capacitação de
pessoal.
AÇÕES: Implantado o Sistema Mineiro de Avaliação da Educação Pública
(Simave) e dos programas que o integram.
PARCERIAS: Universidade Federal de Juiz de Fora e mais 27 instituições
de ensino superior de Minas Gerais.

8.14 Programa de Capacitação de Recursos Humanos

OBJETIVO: Ampliar oportunidades de avanço e desenvolvimento pessoal e


profissional dos trabalhadores em educação; permitir aumento constante da
eficiência profissional e tecnológica no desempenho das tarefas na Secretaria
da Educação; permitir a continuidade e o aprofundamento das ações da
secretaria e prestação de serviços educacionais em Minas Gerais.
METAS: dotar a Secretaria da Educação de pessoal habilitado, treinado e
atualizado com as mais modernas técnicas de administração e prestação de
serviços educacionais.
ESTRATÉGIA: Desenvolvimento de projetos e parcerias com instituições
especializadas, nacionais e estrangeiras, principalmente universidades para
cursos e treinamentos em nível de graduação, extensão, pós-graduação e

Escola Sagarana - 81
especialização; adoção de políticas de reconhecimento do papel social do
profissional da educação e sua efetiva valorização.
AÇÕES: Firmados protocolos de cooperação com a França e com Cuba;
ampliados os projetos de formação e capacitação de recursos humanos em
serviço; implantação de um banco de recursos humanos com pessoal
habilitado; atualização de profissionais e conscientização para a qualidade na
prestação de serviços públicos; implantação de cursos de integração e
reintegração de pessoal, cursos de capacitação de técnicos, treinamento de
pessoal de apoio e desenvolvimento das relações interpessoais e
interinstitucionais.

8.15 Programa de Valorização do Magistério

OBJETIVOS: valorizar a carreira e os profissionais do magistério,


especialistas e pessoal administrativo em serviço na Secretaria da Educação
visando a melhoria da qualidade do ensino.
METAS: Estabelecer novo plano de carreira, cargos e salários para garantir
direitos e meios dignos de trabalho para os profissionais da educação.
ESTRATÉGIA: elaboração de estudos da legislação pertinente e estudos
conjuntos com as entidades representativas dos profissionais da educação,
visando a elaboração de projeto de lei a ser proposto ao governo estadual e
submetido à Assembléia Legislativa.
AÇÕES: comissão composta por técnicos da Secretaria e do Sindicato
Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE) elaborou proposta de
Plano de Carreira do Pessoal da Educação, que foi encaminhada ao
governador Itamar Franco e é objeto de estudos de impacto financeiro visando
futura adoção. Também determinada pelo governador a convocação de
concursos públicos para preenchimento de vagas na Educação. Edital
publicado em junho de 2001 estabeleceu a realização de concursos para
contratação de mais de 53 mil servidores a serem nomeados no início de 2002.
Também foi convocado o 2º Fórum Mineiro de Educação, realizado entre os
meses de junho e outubro de 2002.
PARTICIPANTES: técnicos da Secretaria da Educação, Sindicato
Unificado dos Trabalhadores em Educação, Associação dos Professores
Públicos de Minas Gerais, Secretaria de Estado dos Recursos Humanos e
Administração, especialistas.

8.16 Programa de Capacitação de Dirigentes

Escola Sagarana - 82
OBJETIVO: Melhoria da qualidade da gestão administrativa, financeira e
pedagógica do Sistema Mineiro de Educação e das escolas públicas,
aperfeiçoamento da gestão democrática, melhoria da qualidade do ensino.
METAS: Aumentar a eficiência da administração pública na prestação de
serviços educacionais; tornar transparente a administração; racionalizar a
aplicação dos recursos públicos e qualificar dirigentes de unidades e sistemas
educacionais.
ESTRATÉGIA: Intensificar a formação de agentes facilitadores;
intensificar as atividades de capacitação e treinamento em serviço de
dirigentes da Secretaria da Educação por meio de convênios e acordos de
cooperação com instituições nacionais e estrangeiras para obter
financiamento, capacitação e treinamento de dirigentes educacionais.
AÇÕES: ampliar a capacitação de administradores, diretores, vice-
diretores, pedagogos, inspetores e supervisores escolares através de cursos
seqüenciais, presenciais ou semi-presenciais, utilizando metodologias e
recursos técnicos da educação a distância , aperfeiçoar o processo de escolha
de dirigentes escolares, criar cursos para treinamento em práticas
administrativas e contábeis.

8.17 Programa de Capacitação de Professores

OBJETIVO: Melhorar a qualidade do ensino, mediante aperfeiçoamento de


professores e pedagogos, e a valorização dos profissionais da educação;
melhorar os padrões de sucesso escolar; combater a repetência e a evasão.
METAS: capacitar e habilitar professores para atuação em educação
infantil, educação especial, ensino fundamental e ensino médio; aperfeiçoar
professores em conteúdos específicos e conteúdos transversais; introduzir e
intensificar o uso de tecnologias e práticas pedagógicas modernas e
inovadoras; aperfeiçoar os sistemas e métodos de inspeção escolar.
ESTRATÉGIA: Estabelecer acordos de cooperação com organizações
nacionais e estrangeiras para intercâmbio permanente, financiamento,
capacitação e treinamento de profissionais; obter parceria, consultoria ou
assessoria de universidades e outras instituições afins; implantar a cultura da
educação continuada; explorar a metodologia de formação de agentes
multiplicadores e facilitadores.
AÇÕES: Realizados estudos para adaptação do Programa à política
educacional definida pela Escola Sagarana; desenvolvimento e elaboração de
material didático impresso em fitas de vídeo; contratação de instituições de

Escola Sagarana - 83
ensino superior para a coordenação e a execução do Programa visando o
treinamento de facilitadores estaduais e municipais. O Procap – Fase Escola
Sagarana começou suas atividades de capacitação em junho de 2001,
beneficiando 105 mil professores das redes de ensino estadual e municipais.

8.18 Programa de Formação Continuada de Professores

OBJETIVO: Estimular e promover a formação continuada de professores


visando a melhoria da qualidade do ensino, valorização e progressão dos
profissionais do Magistério.
META: Atender às demandas regionais de cursos e atividades de
capacitação e aperfeiçoamento de docentes; promover o intercâmbio cultural e
científico com universidades, escolas da rede pública municipal e particular e
instituições nacionais e internacionais voltadas para o desenvolvimento e
aperfeiçoamento de recursos humanos em educação.
ESTRATÉGIA: Fortalecer as ações do Centro de Referência do Professor;
instalar no interior agências ou laboratórios do Centro de Referência do
Professor junto às superintendências regionais de ensino, com apoio e
cooperação das universidades, descentralizando as ações.
AÇÕES: identificação e cadastramento de formadores, organização de
cursos, seminários, palestras, debates, divulgação de teses e experiências
pedagógicas, preservação da memória da educação em Minas Gerais.
PARTICIPANTES: profissionais do magistério estadual e municipal.

8.19 Programa de Educação Inclusiva

OBJETIVO: promover a equidade na oferta de educação pública e gratuita;


promover a inclusão de crianças e jovens no ensino regular e supletivo;
reduzir e combater em caráter permanente a evasão escolar e a repetência;
regularizar a oferta de vagas em todos os níveis de ensino; capacitar
profissionais da Educação para tais modalidades de ensino; melhorar a
qualidade do ensino.
METAS: promover a correção do fluxo escolar e reduzir a incidência de
defasagem idade-série dos alunos do ensino fundamental e do ensino médio;
aumentar as taxas de escolarização; desenvolver novas metodologias
educacionais; ampliar as oportunidades educacionais.
ESTRATÉGIA: Reavaliar os programas de aceleração de estudos e
educação supletiva em andamento; criar mecanismos de acompanhamento

Escola Sagarana - 84
educacional e equipes de professores recuperadores para reintegração de
alunos em defasem idade-série; criar mecanismos de atendimento à demanda
residual; estudar a viabilidade de expansão do ensino supletivo em suas várias
modalidades, incluindo a de educação a distância; promover formação
continuada e aperfeiçoamento de docentes; estabelecer parcerias com o
Ministério Público e organizações não-governamentais para atuação conjunta
no combate à evasão escolar.
AÇÕES: Utilização permanente do programa Canal Educativo, com edição
semanal, transmitido via satélite e captado nas escolas por antena parabólica;
utilização da rede de telessalas e recursos da TV Interativa para formação de
recursos humanos e atendimento à demanda educacional; publicação de livros
da coleção Lições de Minas tratando dos temas ligados à inclusão social e
temas transversais a serem explorados nas salas de aulas.

8.20 Programa de Apoio às Inovações Educacionais

OBJETIVO: estimular os professores e as escolas a adotarem técnicas,


metodologias e recursos destinados a desenvolver e enriquecer os currículos;
contribuir para a formação da cidadania; melhorar a qualidade da educação.
METAS: incentivar a adoção de projetos inovadores que facilitem a
aprendizagem, a integração e a participação dos alunos
ESTRATÉGIA: selecionar por concurso os projetos a serem financiados e
as escolas beneficiárias, estimulando a criatividade e o aperfeiçoamento dos
professores, bem como a descentralização de recursos pedagógicos.
PARTICIPANTES: escolas, professores, alunos, pais de alunos e
comunidades.
AÇÕES: capacitar docentes para a escolha e julgamento dos projetos
apresentados; formar facilitadores; abrir espaço para a participação de alunos
como monitores e estimuladores; divulgar amplamente os resultados, edição
de livros da coleção Lições de Minas relatando as melhores experiências.

8.21 Programa de Informática na Educação

OBJETIVO: introduzir e desenvolver o uso de tecnologias informacionais


nas escolas da rede pública, estimular a implantação de novas metodologias de
ensino e a formação técnica e tecnológica de alunos e professores com uso de
recursos informacionais.

Escola Sagarana - 85
METAS: Implantar 2 mil novas centrais de informática e laboratórios de
informática nas escolas estaduais e municipais; capacitar professores para uso
da informática na educação; informatizar as escolas propiciando sua
modernização administrativa e proporcionar a formação técnica de estudantes
e membros da comunidade para uso, programação, manutenção e montagem
de sistemas operacionais e equipamentos.
ESTRATÉGIA: parceria com o Ministério da Educação, prefeituras
municipais e entidades comunitárias para o equipamento das escolas e a
qualificação de professores-mutiplicadores.
PARTICIPANTES: escolas estaduais e municipais.
AÇÕES: ampliar e dinamizar a atuação dos Núcleos de Tecnologia
Educacional, ampliar a abrangência do Programa, priorizando o atendimento
àquelas escolas localizadas em regiões periféricas e que atendam populações
mais pobres.

8.22 Programa de Equipamento e Expansão da Rede Escolar

OBJETIVO: ampliar a oferta de vagas na rede escolar de Minas Gerais,


priorizando as regiões mais carentes do estado; ampliar as oportunidades
educacionais; melhorar a qualidade do ensino; aumentar as taxas de
escolarização; dar condições de conforto de forma a facilitar o processo de
ensino e de aprendizagem.
METAS: reduzir o custo das obras públicas; obter maior rendimento e
baixa relação custo/benefício; aumentar a oferta de vaga visando universalizar
o ensino fundamental e o ensino médio; proporcionar melhores condições de
conforto aos alunos, profissionais da educação e membros da comunidade.
ESTRATÉGIA: promover a racionalização do uso de recursos públicos na
construção, reforma e ampliação de escolas estaduais e municipais; buscar
tecnologias novas e alternativas de construção e equipamento de escolas;
estabelecer novos padrões arquitetônicos para as instalações escolares no
Estado, visando torná-las confortáveis, funcionais e econômicas
AÇÕES: promover estudos e avaliações sobre técnicas construtivas;
elaborar projetos de ampliação, reforma e construção de escolas; estabelecer
parcerias com entidades comunitárias e órgãos governamentais para produção,
fornecimento e recuperação de equipamentos e mobiliários escolares.

8.23 - Programa do Livro Didático

Escola Sagarana - 86
OBJETIVO: universalizar o direito ao livro didático no ensino
fundamental; distribuir anualmente livros com conteúdos de todas as
disciplinas; fornecer aos professores manuais atualizados e orientações sobre
sua utilização.
META: monitorar e apoiar o sistema de escolha e distribuição de livros
didáticos a todas as escolas públicas de ensino fundamental no estado; adquirir
e fornecer material didático para escolas da rede estadual; promover a
avaliação permanente da qualidade dos livros utilizados pelas escolas públicas
para mantê-los compatíveis com a qualidade do ensino e a política
educacional de Minas Gerais.
ESTRATÉGIA: Apoiar o programa desenvolvido pelo Ministério da
Educação fiscalizando sua execução; desenvolver estudos visando o
desenvolvimento e elaboração de livros, manuais e outras publicações de
orientação aos professores, com apoio das universidades.
AÇÕES: estimular através de campanhas a conservação dos livro didático e
para-didáticos; promover a renovação dos acervos; estimular o hábito da
leitura e da pesquisa.
BENEFICIÁRIOS: 3,7 milhões de alunos das redes públicas

8.24 Programa de Alimentação e Nutrição Escolar

OBJETIVO: elevar os padrões de alimentação e nutrição dos alunos da


rede pública visando melhorar suas condições de saúde e o seu desempenho
escolar; melhorar os padrões alimentares pelo processo educativo.
META: atendimento a todas as crianças matriculadas no ensino
fundamental e na educação infantil, nas redes municipais e estadual,
garantindo a cada um pelo menos uma refeição diária com o mínimo de 9
gramas de proteínas e 350 kilocalorias.
ESTRATÉGIA: Aperfeiçoar o sistema de aquisição de alimentos e a
elaboração de cardápios, respeitando a cultura e os costumes regionais, e
obtendo ganhos e redução de custos. Introduzir práticas e conceitos da
segurança alimentar como base para ações do Programa; disseminar
conhecimentos sobre a segurança alimentar e suas conexões com política
estadual de desenvolvimento econômico e social.
AÇÕES: Repasse de recursos próprios e federais diretamente às escolas
para aquisição de alimentos; estimular o controle social através dos colegiados
da escolas, desde a escolha dos alimentos e cardápios até a utilização dos
recursos financeiros; assessorar tecnicamente as SREs e escolas no
gerenciamento dos recursos, planejamento alimentar, formulação de

Escola Sagarana - 87
cardápios, controle de qualidade, saúde, higiene, conservação, estocagem e
manipulação de alimentos, cardápios alternativos e organização de hortas.
Implantado em cem escolas da capital o projeto piloto de aquisição de gêneros
da merenda escolar não perecíveis por meio do registro de preços, para
aumentar a eficiência do processo. Firmado convênio com o Centro
Tecnológico de Minas Gerais (CETEC) para realização de restes de qualidade
e de aceitabilidade de produtos selecionados para a merenda escolar.
RECURSOS: Secretaria da Educação e MEC
BENEFICIÁRIOS: 2,1 milhões de alunos das redes estadual e municipais
de todo o Estado.

8.25 Programa Dinheiro na Caixa da Escola

OBJETIVO: disponibilizar recursos financeiros para fazer face a despesas


de manutenção das escolas, aquisição de materiais de consumo, equipamentos
e outros bens no mercado local.
META: descentralizar o processo de compra de bens e serviços, visando
favorecer o mercado local, a redução dos custos de manutenção das escolas e a
redução de custos e agilização da administração pública; dotar as escolas de
infra-estrutura básica para seu funcionamento.
ESTRATÉGIA: repassar recursos diretamente às Caixas Escolares, duas
vezes por ano e criar mecanismos de controle através da prestação de contas
anual como condição para renovação dos repasses.
AÇÕES: capacitar administradores escolares para a o controle das finanças,
realização de tomadas de preços, cotações de mercado e prestação de contas;
estimular o controle social das Caixas Escolares e o método participativo de
definição do orçamento da escola e planos de investimento.
ABRANGÊNCIA: todas as escolas estaduais.
RECURSOS: do Tesouro Estadual e Ministério da Educação.

8.26 Projeto de Educação Afetivo-Sexual

OBJETIVO: Desenvolver metodologias e abordagens ligadas à educação


sexual visando a formação integral dos jovens e adolescentes
METAS: formação de valores e padrões comportamentais que levem em
conta a preservação da vida, da saúde e da integridade física, moral e
intelectual.

Escola Sagarana - 88
AÇÕES: estimular o uso de novas metodologias e dinâmicas de grupo para
abordagem de temas da sexualidade e da afetividade nas escolas, com
capacitação de docentes e de agentes facilitadores entre os alunos.
ABRANGÊNCIA: 300 escolas da rede estadual da capital e do interior
PARCERIA: Fundação Odebrecht

8.27 - Projeto Lições de Minas

Como, em que bases e com que resultados está


sendo construído o Sistema Mineiro de Educação

O Projeto Lições de Minas se destina a criar novos canais de comunicação


entre a Secretaria de Estado da Educação, as escolas, a comunidade atendida
por elas e os setores que produzem o conhecimento pedagógico em Minas
Gerais.
Seu objetivo geral é difundir idéias, avaliações de projetos, ensaios, teses,
orientações, legislações, experiências e inovações no campo da Educação em
geral e, em especial, nas esferas de competência do Estado.
É coordenado pela Assessoria de Comunicação Social da Secretaria da
Educação, com execução descentralizada, conforme o conteúdo, pelas
diretorias competentes.
Público alvo: professores das escolas da rede estadual, professores das
escolas das redes municipais, pesquisadores da área de educação,
universidades, centros pedagógicos, associações profissionais ligadas à
educação, comunidade escolar, imprensa, interessados em geral na área
educacional.
Modalidades: para atingir seus objetivos e todo o público alvo, o Projeto
Lições de Minas contemplará três subprojetos, conforme a modalidade em que
será produzido: versão impressa, versão eletrônica (via Internet), versão em
vídeo.
1. Coleção Lições de Minas (versão impressa) – livros com até 200
páginas, editados em parceria com organizações privadas e não-
governamentais, identificados como produção culturais e não como livro
didático (o que permite a utilização de mecanismos fiscais de incentivo
através de desconto no imposto de renda de pessoas jurídicas).
Características da coleção
- Identificação: Lições de Minas

Escola Sagarana - 89
- Elaboração: Secretaria da Educação, com a coordenação editorial da
Assessoria de Comunicação Social e, em alguns casos, executados em
parceria com organizações governamentais e não governamentais.
- Distribuição: para todas as escolas, órgãos públicos estaduais, prefeituras,
universidades, instituições e entidades ligadas à educação.
- Edição: em séries temáticas identificadas por inscrição na capa e cor
específica, a saber:
A) Idéias & Debates: artigos, ensaios, experiências e pesquisas sobre temas
culturais, históricos, e outros de interesse da Educação.
B) Inovações & Tendências: divulgação de experiências, novas
tecnologias, teses, ensaios, reportagens, artigos com temas pedagógicos.
C) Ações & Projetos: propostas institucionais, programas e projetos da
Secretaria da Educação, bem como suas avaliações e resultados.
- Formato: livro (15cm x 21,5cm) com lombada quadrada
- 100 a 200 páginas em papel apergaminhado 90g
- Capa: 4 cores, papel cartão 250g, verniz ou plastificada
- Fotos e ilustrações ou gráficos: capa (cor) e páginas internas (P/B)

Livros
 Publicados:
I – Tiradentes, O herói que inventou a Pátria – diversos autores
II – Escola Sagarana; Educação para a vida com dignidade e esperança – 1ª
edição
III – Tempo escolar: hora de refletir, planejar e construir a Escola Sagarana
– diversos autores
IV - Merenda: Alimentação também se aprende na escola – diversos
autores
V – Dignidade, harmonia e paz: novo milênio sem exclusões – Campanha
da Fraternidade 2000.
VI – Escola Indígena: Índios de Minas Gerais recriam a sua educação –
diversos autores
VII – Lições de Minas – 70 anos da Secretaria da Educação – diversos
autores
VIII – Português: Língua Pátria, fator de identidade e resistência – diversos
autores
IX – Inovação Educacional: Escolas de Minas estão aprendendo a aprender
X – Prevenção às drogas: um desafio à comunidade escolar – diversos
autores

2 - Versão eletrônica, via Internet (http\www.educação.mg.gov.br)

Escola Sagarana - 90
- Formato: Portal da Secretaria de Estado da Educação, independente mas
integrada àquelas mantidas pelo governo estadual no portal oficial, utilizando
o provedor e a consultoria da Prodemge.
- Objetivo: disseminar informações; dar transparência aos atos da
Secretaria, seus investimentos e sua atuação; permitir a interatividade e
ampliar as possibilidade de participação da comunidade na condução da
política educacional em Minas Gerais, democratizar as informações e o acesso
público à Secretaria da Educação.
- Conteúdo: conceitos, idéias, projetos e ações da Secretaria da Educação
de Minas Gerais, quadros, estatísticas, gráficos, artigos sobre a Educação em
Minas Gerais, perfis, informações, hipertextos e links relacionados aos
parceiros e seus projetos voltados para o campo da educação.
- Público alvo: público em geral, escolas, comunidade, universidades,
imprensa, prefeituras, governos, empresas interessadas no setor educacional.

3 - Versão para a TV – Canal Educativo


- Formato: programa produzido pela Assessoria de Comunicação Social, com
uma hora de duração, ao vivo, apresentado diretamente dos estúdios da Rede
Minas de Televisão. É transmitido todas as quintas-feiras, via satélite em canal
alugado da Embratel para esta única finalidade e captado nas escolas e
superintendências regionais de ensino por antena parabólica. É recebido em
mais de 2.500 telessalas, sendo parte na forma exposições e entrevistas e parte
com interatvidade – o público participa enviando perguntas pelo telefone, fax
ou correio eletrônico.
- Conteúdo: debates, projetos e políticas educacionais desenvolvidos em
Minas Gerais, bem como experiências bem sucedidas e inovações pedagógicas
em uso ou propostas por especialistas, exploração de temas transversais.
- Parceiros: ONGs, escolas, universidades.
- Reprodução: fitas de vídeo, em VHS, com a gravação de cada programa são
distribuídas semanalmente para todas as superintendências regionais de ensino
e escolas núcleo.

Escola Sagarana - 91
9. ANEXOS

9.1 A questão do financiamento da Educação

Gilberto José Rezende dos Santos


Subsecretário de Administração do Sistema de Ensino

A execução orçamentária da Secretaria de Estado da Educação, nos últimos


quatro anos, vem apresentando uma performance que evidencia o aumento da
aplicação de recursos na área educacional.
Os recursos de que a Secretaria da Educação dispôs para financiamento de
suas ações, foram provenientes das seguintes fontes:
 Recursos Ordinários do Tesouro do Estado
 Recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino
Fundamental e de Valorização do Magistério – FUNDEF
 Quota Estadual do Salário Educação – QESE
 Convênios com o FNDE
 Operação de Crédito Banco Mundial
Nesses últimos anos, a base de receita e suas fontes são as mesmas a financiar
a manutenção e o desenvolvimento do ensino, sofrendo, apenas, pequenas
alterações na participação de cada uma na arrecadação.
A partir do exercício de 2000, a Secretaria da Educação vem repassando aos
municípios 50% da cota recebida mensalmente do Salário-Educação,
proporcionalmente ao número de alunos matriculados no ensino fundamental
de cada município e do Estado. Tal procedimento foi deflagrado através da lei
Estadual nº 13.458, de 12 de janeiro de 2000. Para que Estado e Municípios
façam jus ao repasse é necessário que, no exercício anterior, tenham sido
aplicados corretamente todos os percentuais constitucionais na área da
educação: 25% das receitas do município em educação; destes, 60% no ensino
fundamental e o mínimo de 60% do FUNDEF no pagamento de pessoal. Os
recursos são creditados mensalmente em contas específicas e aplicados em
ações voltadas ao ensino fundamental, excluindo-se as despesas com pessoal e
alimentação escolar.
As fontes de financiamento da Educação em Minas Gerais são as seguintes:
1. Recursos Ordinários do Tesouro do Estado – São recursos que o
Governo do estado arrecada ou lhe são transferidos por determinação
constitucional e são utilizados para o financiamento de toda a atividade
estatal: educação, segurança, saúde, transporte, justiça, etc. O montante
destes recursos vai depender, basicamente, da atividade econômica, pois a
sua maioria é proveniente de impostos, em especial o Imposto Sobre

Escola Sagarana - 92
Circulação de Mercadorias e Serviços - ICMS, de competência estadual, e
os impostos de competência federal, os quais irão compor a transferência
federal no tocante ao Fundo de Participação do estado. Basicamente estes
recursos estão direcionados para o pagamento do pessoal e custeio
operacional da Secretaria da Educação, e seu montante está vinculado à
necessidade de recursos para fazer face a estas despesas.
2. Recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino
Fundamental e de Valorização do Magistério – FUNDEF - Estes
recursos são obtidos através de transferências da União e do Estado, sendo
recolhidos 15% das Receitas de FPM, FPE, ICMS, IPI – Exportação, Lei
87/96, e distribuídos entre os Estado e seus Municípios, de acordo com o
número de matrículas do ensino fundamental constante nas redes. Esta
receita depende basicamente de dois componentes: o primeiro, base do
montante de recursos que compõem o FUNDEF, ou seja, 15% das receitas,
cuja arrecadação vai depender da atividade econômica; o segundo, do
número de matrículas existentes no ensino fundamental regular, pois os
recursos são repassados com base no número de alunos.
3. Quota Estadual do Salário Educação – Estes recursos são obtidos
através de contribuição social de empresas que recolhem um percentual de
2,5% sobre a folha de pagamento de seus funcionários, destinados ao
financiamento de programas, projetos e ações voltadas para o ensino
fundamental, sendo sua utilização assim definida: 1/3 para a União, na
função redistributiva, 2/3 distribuídos aos Estados, de acordo com índices
de arrecadação. Como esta receita tem como base de cálculo o volume de
salários que são pagos pelas empresas, ela vai depender diretamente da
atividade econômica, pois, na medida em que há retração, há menos postos
de trabalho, e, portanto, menor arrecadação do Salário-Educação.
4. Convênios com o FNDE – São recursos obtidos por meio de acordos
realizados com o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação
(FNDE), e estão financiando, basicamente, os programas de : Livro
Didático; Merenda Escolar; Construção, Reforma e Ampliação de prédios
escolares. Estes recursos dependem também da Contribuição Social do
Salário-Educação. Portanto, quanto maior a captação do Salário-Educação,
maior a capacidade do FNDE de financiar as citadas ações.
5. Operações de Crédito do Banco Mundial – Estes recursos foram obtidos
através de um contrato de financiamento com o Banco Mundial, que tem
sua previsão de término em 2002. O contrato, inicialmente, previa um
montante de $150.000.000,00 (cento e cinqüenta milhões de dólares) do
Banco Mundial e o mesmo valor como contrapartida do Estado, sendo
direcionado para ações de desenvolvimento do ensino fundamental. A sua

Escola Sagarana - 93
programação na vigência do contrato depende do cronograma e andamento
dos projetos por ele financiados.
6. Outros Recursos Vinculados – referem-se à arrecadação do percentual de
3,5% dos servidores públicos estaduais, como contribuição para
aposentadoria e são integralmente utilizados no pagamento de proventos
dos aposentados da Educação.

Conclusão
Como se pode verificar, as receitas que financiam a área educacional do
Estado são basicamente as mesmas de ano para ano. As reformas fiscais e
tributárias podem representar, eventualmente, alterações nos investimentos
educacionais.
Veja, a seguir, quadro e gráficos explicativos da composição de recursos de
1998 a 2000, bem como a projeção para o exercício de 2001.

9.2 - A situação da infância no mundo e no Brasil, na Visão do Unicef

Murílio de Avellar Hingel


Secretário da Educação de Minas Gerais

Recebi duas importantes publicações do Fundo das Nações Unidas para a


Infância (UNICEF). A primeira trata da situação mundial da infância e contém
textos e indicadores sobre 191 países. A segunda focaliza a situação da
infância brasileira. Contém textos sobre experiências bem-sucedidas, tabelas
sobre demografia, renda e saneamento básico, saúde, educação e trabalho
infantil, além do Índice de Desenvolvimento Infantil (IDI), ordenando as
unidades federadas e os municípios por unidade federada.
A classificação por mortalidade de menores de 5 anos deixa o Brasil em
posição incômoda, pois, na ordem decrescente de taxa de mortalidade
(TMM5) estimada para 1999, o Brasil encontra-se ao lado do Vietnã, no 89º
lugar. Isso não significa dizer que o Brasil não tenha melhorado alguns de seus
indicadores – entre 1960 e 1999, a TMM5 evoluiu de 177 para 40 por mil
crianças até 5 anos de idade.
Por outro lado, a taxa de crescimento anual da população do Brasil passou de
2,2% entre 1970/90 para 1,4% entre 1990/99. Essa redução no ritmo e
crescimento da população refletiu-se nos dados preliminares do Censo
Nacional de 2000, que aponta para um total de 169.544.443 habitantes, ou
seja, um crescimento anual, a partir de 1991, de 1,63%. Esses elementos são

Escola Sagarana - 94
fundamentais para o planejamento da educação a longo e médio prazos, pois
significam uma demanda menor para o ensino fundamental com os reflexos
daí resultantes. Por exemplo: calcula-se que a matrícula nas redes municipais
de Minas Gerais sofrerá de 2000 para 2001 um decréscimo de 1.508.467 para
1.438.602 alunos.
Em contraposição, os dados disponíveis apontam para o crescimento da
matrícula na rede estadual de ensino médio, de 2000 para 2001, de 843.018
para 953.644 alunos.
O Estado de Minas Gerais classifica-se em 12º lugar entre as unidades
federadas com o IDI 0,568 (escala de 0 a 1). Não é uma situação confortável,
especialmente porque existem grandes disparidades regionais. Haja vista que,
entre os 853 municípios de Minas Gerais, encontramos:
Melhores Índices Piores Índices
Poços de Caldas Pai Pedro
IDI 0,740 IDI 0,182
Itanhandu Serranópolis de Minas
IDI 0,718 IDI 0,185
Itaú de Minas Ninheira
IDI 0,708 IDI 0,197
Bicas Santo Antônio do Retiro
IDI 0,705 IDI 0,202
Timóteo Montezuma
IDI 0,705 IDI 0,214
Como o desenvolvimento infantil é essencial à melhoria do quadro social do
Estado de Minas Gerais, e de todo o Brasil, notamos que, hoje, no que se
refere à educação básica, o ponto crítico no atendimento está na educação
infantil, de 0 a 6 anos.
Basta apresentar os índices de desenvolvimento quanto aos serviços de
educação nessa faixa etária: no Brasil, 3,44% de crianças estão matriculadas
em creche e 21,02% em pré-escola; enquanto em Minas Gerais, 5,01% de
crianças estão matriculadas em creche e 44,60% de crianças estão
matriculadas em pré-escola.
Se acrescentarmos o fato de que a maior parte das crianças com acesso à pré-
escola pertence às classes sociais melhor situadas, temos condições de
enfatizar a gravidade do problema. Significa dizer que as crianças mais
carentes chegam à escola – ensino fundamental – sem o necessário
desenvolvimento de suas atividades físicas, psíquicas e motoras.

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A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (art.11 item 5) atribui aos
municípios a oferta da educação infantil. Um dos efeitos mais dramáticos
desse dispositivo encontra-se no fato de que o Estado de Minas Gerais, que
chegou a ter 242.684 alunos em sua rede de pré-escolar, reduziu esse
atendimento para, apenas, 11.722 alunos em 1998; no mesmo período, os
municípios mineiros passaram de 120.937 para 316.569 alunos.
A educação infantil, além de ser considerada a mais dispendiosa, não tem
nenhuma fonte segura de financiamento. É claro que, diante dos números e da
realidade do IDI do Brasil e de Minas Gerais, estamos frente a um desafio
difícil de ser superado, devido às aperturas financeiras por que passam os
estados e os municípios. Ao mesmo tempo, a União amplia sua participação
na receita nacional por intermédio de contribuições, como a Contribuição
Provisória sobre Movimentação Financeira – CPMF, que não entram na
composição do Fundo de Participação do Estado – FPE e do Fundo de
Participação dos Municípios – FPM.
Vemo-nos diante de um quadro em que avultam transferências de
responsabilidades para estados e municípios sem os correspondentes recursos
financeiros.
E a responsabilidade social torna-se mais aguda na medida em que faltam
meios indispensáveis ao desenvolvimento da infância brasileira.
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FONTES:
Situação Mundial da Infância 2001 – UNICEF
Situação da Infância do Brasil 2001 – UNICEF
Lei nº 9.394/96 – LDBEN
Evolução da Matrícula Efetiva em Minas Gerais – 1991 a 2000 – SEE/MG

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9.3 – Educação em números

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