Escola Sagarana

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ESCOLA SAGARANA

Educação para a vida com dignidade e esperança

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julho de 2001 Edição revista e ampliada Governo de Minas Gerais Secretaria da Educação Governador: Itamar Franco Vice-Governador: Newton Cardoso Secretário da Educação: Murílio Hingel Secretário-Adjunto da Educação: Agamenon José Siqueira Subsecretária de Desenvolvimento Educacional: Maria Stela Nascimento Subsecretário de Administração do Sistema de Ensino: Gilberto José Rezende dos Santos Chefe de Gabinete: Lucy Maria Brandão Coleção Lições de Minas Volume II – 2ª edição – julho de 2001 Escola Sagarana: Educação para a vida com dignidade e esperança Edição revista e ampliada Coordenação editorial: José Eustáquio de Freitas Organização: José Eustáquio de Freitas Capa: Paulo Valério Ilustração de capa: “Bem-te-vi”, de Arlindo Daibert Revisão da 2ª edição: Maria Helena Gonçalves de Toledo Editoração: Marcos Aurélio Maia Fotolitos, impressão e acabamento: Imprensa Oficial de Minas Gerais Edição: Assessoria de Comunicação Social - SEE-MG

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Apresentação Educação para a vida com dignidade e esperança Murílio de Avellar Hingel Secretário da Educação de Minas Gerais Escola Sagarana - 4 .

em termos de políticas públicas para Minas Gerais.9. enriquecida pela contribuição de comissões especiais e grupos de trabalho que foram constituídos e elaboraram relatórios ricos em sugestões. aos pais e à sociedade em geral uma primeira proposta de diretrizes e prioridades elaborada a partir da carta supramencionada.1998). exigência inarredável da sociedade brasileira neste limiar do século XXI. com amplo espaço ao debate construtivo. A construção do Sistema Mineiro de Educação supõe consulta às bases envolvidas com as demandas por mais e melhores serviços educativos. o estabelecimento de parâmetros básicos. então candidato às eleições que o conduziram ao cargo máximo do Estado de Minas Gerais (quadriênio 1999-2002).Este é um documento aberto e que tomará forma mais elaborada depois de praticados os procedimentos que permitam a construção coletiva do Plano Mineiro de Educação. será instrumentalizada pela transformação do Fórum Mineiro de Educação em ação permanente de governo. Os resultados Escola Sagarana - 5 . mas detalhada pelo diagnóstico realizado. de caráter decenal. à vista do quadro administrativo. Essa consulta. Também permitiu. penso ter chegado o momento de apresentar aos educadores. privilegiando o conceito da Educação para todos durante toda a vida. subscrita pelo Governador Itamar Franco. tal como aprovado na Carta dos Educadores Mineiros (2. Completado o primeiro semestre à frente da Secretaria de Estado da Educação. e ampliada pelo exercício do dia-a-dia pedagógico e administrativo. O primeiro semestre foi destinado ao levantamento da real situação do Estado na área educacional. a fixação de objetivos gerais e de diretrizes operacionais que asseguraram o desenvolvimento de ações voltadas à correção de rumos e a adoção de medidas indispensáveis ao reajustamento da Secretaria e da rede escolar estadual. financeiro e pedagógico encontrado em 1º de janeiro de 1999. em parte conhecida como decorrência do Fórum Mineiro de Educação.

É evidente que os programas e projetos que o constituem estão e estarão sendo executados. reforça a idéia de que este documento é ponto de partida e. sofrendo alterações. apresenta evoluções e alterações trazidas pela crítica e pela prática. a Escola Sagarana. e integra a primeira edição deste livro e constitui o passo inicial do governo Itamar Franco na área da Educação. estudado e debatido. tomará forma mais elaborada depois de praticados os procedimentos que permitam a construção coletiva do Plano Estadual de Educação. Este documento é uma referência do trabalho desenvolvido pela Secretaria da Educação em sua dimensão de reflexão para debates a serem promovidos desde a escola até os encontros regionais e estaduais. mas em contínuo processo de acompanhamento. contém avaliações dos programas e projetos inspirados pela nova política educacional de Minas Gerais.alcançados são expressivos. como se pode constatar nos diversos setores das Subsecretarias de Desenvolvimento Educacional e de Administração do Sistema de Ensino. assim. de caráter decenal. a base deste documento foi elaborada em 1999. isto é: a educação a serviço da coesão social e da participação democrática. em consonância com o Plano Mineiro de Desenvolvimento Integrado – PMDI – preparado pela Secretaria de Planejamento e Coordenação-Geral. cumprindo-se assim o ciclo processual do planejamento da Educação. privilegiando o conceito da Educação para todos durante toda a vida. Escola Sagarana - 6 . Permanece como documento aberto e que. preocupada com o desenvolvimento humano e com a cidadania. controle e avaliação. com a forma de fórum e de base ao Plano Decenal de Educação. que conduz necessariamente ao replanejamento. redefinições. médio e longo prazo. Esta edição. O sentido dinâmico do planejamento a partir da realidade. Portanto. dentro dos princípios que regem o planejamento aplicado à Educação de curto. retificações e aprofundamentos em função da metodologia adotada. resultando em aperfeiçoamentos e avanços muito significativos para a educação em Minas Gerais. deve ser conhecido. cujo norte será a Educação para a vida com dignidade e esperança. revista e ampliada quase dois anos após a primeira publicação.

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segurança alimentar. Introdução “Um Sistema que promova a nucleação da ação pedagógica a partir da identidade regional. atuação integrada e ações permanentes envolvendo todo o escalão dirigente. para realizar o Fórum Mineiro de Educação e formular. deve estar voltada para a formação integral do ser humano – sujeito de direitos – e não se confunde com a noção de mero serviço. segurança. que consubstancia os compromissos do governo Itamar Franco para esse setor. da mundialização da economia. meio ambiente. os professores. como em outros documentos posteriormente produzidos. sexualidade. da cidadania e da formação integral do ser humano. consumo. popular – e abranger a escola. na Tailândia. com a cultura e com as exigências do mercado de trabalho. trabalho. ao final. sempre assentada no humanismo e voltada para o desenvolvimento harmônico do Estado. entre outras. Identificada com as necessidades essenciais do ser humano. os profissionais da educação em geral e organismos oficiais e forças comunitárias. devendo ser desenvolvida a partir de conceitos amplos – a exemplo da educação integral. corporalidade. durante a Conferência Mundial de Educação para Todos. somente alcançada pelo tratamento diferenciado aos desiguais. a família e a comunidade. “Um Sistema que promova a nucleação da ação pedagógica a partir da identidade regional. das novas e complexas tecnologias. os especialistas. fiel aos compromissos assumidos pelo Brasil em 1990. Tais características e vocações estão identificadas com a cultura e o comportamento do povo mineiro e foram referendadas pelos educadores de Minas Gerais que se reuniram. Sendo prioridade absoluta. realizada em Jomtien. sempre assentada no Humanismo e voltada para o desenvolvimento harmônico do Estado.1. fica definida a estratégia de construção de um Sistema Mineiro de Educação identificado com os interesses do Estado. em agosto/setembro de 1998. a educação verdadeiramente comprometida com a cidadania responderá aos desafios contemporâneos. atuando nas mais diversas áreas. tem como objetivo primordial a universalização da educação e crê que o processo educacional deve contemplar a democratização. Ali. O Governo de Minas Gerais. tais como saúde. Que dê atenção à diversidade criadora Escola Sagarana - 8 . ação comunitária. a Carta dos Educadores Mineiros. comunitária.” A educação é um processo que requer planejamento estratégico.

2.” Escola Sagarana - 9 . de instituições sociais e comunitárias.. aprender a ser” . Metas e Objetivos Gerais “A bem montada estrutura de educação superior existente no Estado deverá ser incentivada a envolver-se com o Sistema Mineiro de Educação. voltados para “aprender a aprender. estimule as diferenças e as contribuições do rico universo cultural mineiro. que seja capaz de organizar conteúdos curriculares inteligentes e atraentes.de modo que.. especialmente na formação e capacitação dos profissionais da educação. aprender a viver e a conviver. que articule as atividades educacionais com o setor produtivo. das empresas e de organizações não governamentais. opondo-se à padronização técnica de viés autoritário. envolvendo a participação das famílias. aprender a fazer.

 no ensino fundamental. em que a negociação seja o caminho natural que leva à fixação de responsabilidades recíprocas. o Sistema Mineiro de Educação deverá:  ampliar o conceito e a escolarização obrigatória até o ensino médio. por sua vez. os esforços deverão estar voltados para sua progressiva universalização e democratização. A bem montada estrutura de educação superior existente no Estado deverá ser incentivada a envolver-se com o Sistema Mineiro de Educação.  incentivar os programas de educação de jovens e adultos e  garantir às populações rurais serviços educacionais identificados com suas necessidades e expectativas. O Sistema Mineiro de Educação deve ter como pressuposto filosófico o pluralismo humanista. estar comprometido com os princípios democráticos e a melhoria dos padrões da educação – atuando sobre as causas dos problemas e não sobre os efeitos . especialmente na formação e capacitação dos profissionais da educação. com especial atenção às áreas urbanas periféricas e ao meio rural. com prestação de serviços escolares de Escola Sagarana - 10 . entendido em suas vertentes empresarial e trabalhista. deverá contar com a estrita participação do setor produtivo.defender a integração estado-município sem imposições autoritárias. para sua necessária articulação com a denominada educação técnica/tecnológica que. prioritariamente. no âmbito da educação básica. oferecendo tratamento diferenciado aos que dele necessitam – especialmente aos que se encontram em situação social de risco . garantir a matrícula a todas as crianças em idade escolar.Como indica a Carta dos Educadores Mineiros.  ampliar e democratizar a oferta de educação infantil. no que se refere ao ensino médio. O Sistema Mineiro de Educação deverá.e fazendo da educação um dos meios facilitadores da cidadania e da superação das desigualdades sociais. caminhando progressivamente para sua universalização e contemplando. na expansão da pesquisa e dos trabalhos de extensão. as populações mais carentes. estar atento à realidade do mundo contemporâneo de modo que. na produção e divulgação de livros e outros meios indispensáveis ao trabalho na escola. ainda. adotar a filosofia da atenção integral.  reconhecer a importância das parcerias. na perspectiva de que a democratização da oferta educacional requer tratamento diferenciado às populações carentes. no apoio ao desenvolvimento do subsistema de educação a distância e na definição das políticas públicas vinculadas à educação. estimulando-as.

nas relações humanas. considerando-se suas correlações com diversos setores e áreas. Escola Sagarana - 11 . atendendo todos os mineiros.qualidade e atendimento a suas necessidades de saúde. alunos e pais de alunos. as doenças sexualmente transmissíveis. 1956. geração e uso de tecnologias modernas. é definido como um estadomosaico: em sua diversidade regional. implementação de sistemáticos programas de treinamento e aperfeiçoamento continuado dos profissionais da educação. o Sistema Mineiro de Educação haverá de. as drogas. habitação. os especialistas da educação. a dignificação da atividade profissional pelo respeito e diálogo permanentes. do bem comum. na promoção do Humanismo. necessariamente. sempre mediante ampla participação de todos os setores envolvidos. lazer. com a correspondente formulação de planos de cargos e salários e outros instrumentos. A educação está intimamente ligada às questões do ambiente. segurança. Cia. cultura. Propõe-se o governo de Minas Gerais a construir um Sistema Mineiro de Educação que tenha identidade própria.172 km2 e cerca 18 milhões de habitantes distribuídos em 853 municípios. Sobretudo. alimentação. como lhe pode ser prejudicial. que são os professores. desporto. dentro da unidade de princípios e de objetivos da educação. in A Educação e a Crise Brasileira. entre outras ações. prevenção contra a violência. a instituição de nova carreira. Para a consecução de seus objetivos. Que respeite as diversidades regionais. Essa valorização supõe. etc. com área de 587. os diretores. é vital na busca da felicidade. a comunidade em geral. Editora Nacional) O estado de Minas Gerais. seja na realidade socioeconômica ou de desenvolvimento humano. Diagnóstico “A educação limitadamente humanística dada na velha escola de elite não só não se presta a toda essa população escolar. enfim. que democratize as oportunidades. nas relações de emprego. seja nos aspectos culturais. valorizar os profissionais que nele atuam.” (Anísio Teixeira. a Educação é vital. contém um pouco de cada rincão nacional. à formação e preservação dos valores. EM RESUMO. socialmente justo e que seja discutido com a base do sistema educacional. de competitividade. 3. de produtividade.

Todo esse contexto e a complexidade dessa síntese tem que ser considerada nos planos de ação educacional. Minas tem mais de 5. de 23 de dezembro de 1996. pelas condições sociais e econômicas adversas e pela necessidade de ingressarem cedo no mercado de trabalho. Esse movimento contribuiu. Aos municípios.794.Contém zonas de alta concentração urbana. União. como os vales dos rios Jequitinhonha e Mucuri. de certa forma. e extensos vazios populacionais. por determinação das constituições federal e estaduais. ensino fundamental e ensino médio.4 milhões de alunos (5.500 escolas. Essa linha de ação. A evolução das matrículas no ensino fundamental vem indicando uma redução da demanda. Em Minas. que não obedeceu. premidas. Tem regiões altamente desenvolvidas no setor industrial e de serviços.900 escolas. Escola Sagarana - 12 . a um planejamento rigoroso e provocava distorções e prejuízos ao Estado. cabe aos estados assegurar o ensino fundamental e oferecer.440. o ensino fundamental. o ensino médio. com prioridade. O quadro de atribuições da união. dos estados e municípios em relação à educação é definido pela Lei 9. com prioridade. 25% de suas receitas. imensas áreas de expansão agrícola e zonas onde a exploração mineral se destaca por seus aspectos positivos e seus impactos sobre o meio ambiente. que estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB). no mínimo. compete oferecer a educação infantil em creches e préescolas e. Assim. estados e municípios. na última década. determinada pela queda das taxas de natalidade no Brasil. atendidos em mais de 3. permitida a atuação em outros níveis de ensino somente quando estiverem atendidas plenamente as necessidades de sua área de competência. praticada com intensidade entre os anos 1992 e 1998. mas esse indicador altamente positivo não pode esconder outra realidade: segundo dados da Fundação João Pinheiro. índice superior à média nacional (97%). na época. reservas indígenas e territórios onde afloram problemas e conflitos agrários.9 milhões de alunos na educação infantil. 98% das crianças em idade escolar estão estudando.394. para o sucesso da política de universalização do ensino. a redução das matrículas na rede estadual foi acompanhada do aumento de matrículas nas escolas municipais. devem investir em educação. A matrícula efetiva na rede estadual foi influenciada também pela municipalização do ensino fundamental. cerca de 400 mil crianças em todo o Estado continuam fora da escola. como a região metropolitana de Belo Horizonte. principalmente. foi alterada a partir de 1999 com a suspensão das municipalizações. conforme o Censo Educacional/2000) matriculados em mais de 18. Assim. Só a rede estadual tem perto de 2.

O resultado é que. quanto à sua formalização. a engenharia financeira do FUNDEF contém distorções graves.A criação do FUNDEF (Fundo de Desenvolvimento e Manutenção do Ensino Fundamental e Valorização do Magistério). que levou ao fechamento de inúmeras escolas rurais e à quase extinção de importantes e produtivas experiências pedagógicas. ao criar um sistema eficiente de financiamento da educação. O ensino médio foi excluído dessa fonte de financiamento. intensificou processo de municipalização. O estado e os municípios devem aplicar. dirigentes municipais e estaduais e de entidades representativas da educação no país têm manifestado restrições ao regulamento do FUNDEF e sugerido alterações de forma a ampliar as possibilidades de investimento no setor. provocando o fechamento de inúmeras escolas e criando grandes dificuldades para estados e municípios retomarem essa modalidade de ensino. mesmo representando um razoável avanço. naquela ocasião. As municipalizações realizadas de 1992 a 1998 não seguiram qualquer projeto racional. em 1996. sempre em favor do ensino fundamental. Também foi excluída a educação infantil. no mínimo. séries e turmas para a responsabilidade dos municípios. com isto. De outro lado. 60% dos recursos do FUNDEF em pagamento do pessoal de magistério e o restante em manutenção e investimento. além de permanecer atrelado a uma política econômica que promove o achatamento do custo-aluno calculado pelo MEC e. embora a demanda de vagas. essencial para a preparação das crianças para o processo de ensino e aprendizagem. escolas e professores venha registrando crescimento elevado e permanente – em Minas a quantidade de alunos nesse nível duplicou nos últimos cinco anos. Esses fatores estão na origem da política de nucleação. maior o volume de recursos recebidos. de Escola Sagarana - 13 . A par de transferir escolas. Em várias oportunidades. o aluno foi “transformado” em unidade monetária: quanto mais alunos na rede de ensino. impede o aporte de recursos novos para a Educação nos estados e municípios. compromissos de obras. como a utilização do número de matrículas do ano anterior para definição dos índices de cada estado e município. levando a Secretaria de Estado da Educação a firmar uma série de convênios inadequados do ponto de vista pedagógico. o Estado assumira. O ponto de partida para isso é uma distorção grave do mecanismo proposto pelo FUNDEF: como os recursos do Fundo são distribuídos com base no número de matrículas registradas nas redes estadual e municipais. a mesma legislação determina à administração pública um patamar mínimo de investimento no ensino fundamental. inexeqüíveis no aspecto econômico-financeiro e legalmente insustentáveis.

além das perdas de caráter pedagógico. O Censo Escolar 2000 registrou nessa modalidade de ensino 12. como seria recomendável.245 milhões de alunos matriculados (dados do Censo Escolar 2000). os recursos humanos disponíveis. de pessoal e a possibilidade de estabelecer parcerias com os municípios. com servidores efetivos colocados em adjunção ao município. pois uma boa parte de seus professores era mantida pelo Estado. A partir de 1999. Escola Sagarana - 14 . Como conseqüência. A Secretaria da Educação vem estudando programas alternativos e buscando formas para seu financiamento. situação que se pretende corrigir ao longo do tempo e conforme a disponibilidade de recursos. houve prejuízos financeiros para o Estado. com 1. que teve sua autonomia reconhecida e afirmada a partir de 1999. o que desestimulou os municípios a assumirem responsabilidades nesse campo e tornou muito difícil ao Estado retomar.916. custeio e pessoal que não teve condições de cumprir. o Estado reduziu drasticamente sua participação.manutenção. Foi preciso interromper essa política e abrir uma ampla discussão sobre a forma mais adequada de organização do tempo escolar e formulação da proposta pedagógica de cada escola. reduzir as adjunções. N o E n s i n o F u n d a m e n t a l . foi preciso suspender o processo de municipalização no ensino fundamental. coordenados pelas superintendências regionais de ensino. reavaliar a política e definir novos critérios de parceria entre o Estado e os municípios. a antiga atribuição. realizados em todo o estado e destinados a subsidiar as discussões para que cada escola decidisse sobre o sistema de organização do tempo escolar mais adequado às suas condições. a ponto de manter apenas 11 mil crianças matriculadas no final de 1998. a adoção apressada do sistema de ciclos nas quatro séries iniciais criou uma espécie de promoção automática que comprometia a qualidade e criava dificuldades para o sucesso no processo de ensino e de aprendizagem. empresas. o interesse da comunidade escolar. considerando as peculiaridades locais. de forma a preservar o patrimônio público. Essa modalidade de educação não é beneficiada por mecanismos oficiais de financiamento. entidades e organizações da comunidade. promover o melhor aproveitamento do pessoal de magistério e resguardar as condições necessárias à manutenção da qualidade da educação. N a E d u c a ç ã o I n f a n t i l . O instrumento para isso foram os fóruns regionais. elevação de custos e criou-se um paradoxo: muitos municípios recebiam recursos do FUNDEF para pagamento de pessoal e não conseguiam aplicá-los integralmente. parcerias com as prefeituras.207 alunos na rede estadual e 324 mil na municipal.

estimando-se que haja uma estabilização a partir de 2005. com novos parâmetros curriculares. número que. já que esse nível não dispõe de fontes de financiamento específicas e é mantido. Gradativamente. a Secretaria de Estado da Educação instituiu uma nova organização do tempo escolar em três ciclos – o inicial.inclusive de Magistério – vários deles reabertos pela atual gestão para atender à reivindicação e ao esforço demonstrado pelas comunidades. foi elaborado um programa de apoio visando o aperfeiçoamento dos métodos de ensino. Caxambu. nova regulamentação visando a preparação de alunos tanto para a continuidade dos estudos em nível superior. Escola Sagarana - 15 . o Ministério da Educação vem promovendo uma ampla reforma do ensino médio. Inúmeras escolas de ensino médio foram reabertas. o que exigirá um grande esforço na organização do atendimento escolar. Itajubá. O ponto crucial do ensino médio é a questão da escassez de recursos. Em 1999. a demanda continuará elevada. evitando-se os erros registrados em 1998. de avaliação de desempenho. Também foram retomados os programas de implantação de dez centros de Educação Profissional. recuperação e promoção. Teófilo Otoni e Unaí. Para as que optaram pelo regime seriado. Essas escolas foram autorizadas a criar os Núcleos de Aprendizagem Interativa (NAIs) destinados a proporcionar atendimento específico aos alunos com dificuldades. Para os próximos anos. N o E n s i n o M é d i o . No início de 2001. sendo os cinco primeiros em Brazópolis (em funcionamento desde o início de 2001). principalmente. como para o ingresso no mercado de trabalho por meio da profissionalização de nível técnico e tecnológico. com recursos do Tesouro Estadual. o governo anterior também impôs a política de desativação dos cursos técnicos . 69% das escolas da rede estadual optaram por adotar o regime de ciclos.018 no ano seguinte. intermediário e avançado. segundo o Censo Escolar 2000. subiu para 843. Ao mesmo tempo. quando o governo anterior adotou uma política de nucleação nas zonas urbanas e rurais.Após um longo processo de debates. E para essas. sendo os dois primeiros de três anos e o último de dois anos de duração. havia 736 mil alunos matriculados. foram abertas 3 mil novas turmas de alunos e o total de matriculados aproximava-se de 1 milhão. N a E d u c a ç ã o P r o f i s s i o n a l . alguns desses cursos foram reativados e 184 deles já funcionam em todo o Estado. deslocando os alunos para longe de suas comunidades e deixando às prefeituras graves e insolúveis problemas de transporte de estudantes. no início de 2000. agora parceiras do Estado nessa modalidade. a pressão do mercado de trabalho e os programas de aceleração de estudos levaram a uma forte expansão da demanda.

principalmente devido à adoção crescente do regime de cliclos no ensino fundamental e à crescente capacitação e treinamento dos professores da rede pública. A outra linha de ação é de apoio às instituições especializadas. importantes para a inclusão social de jovens e adultos que interromperam os estudos e para aqueles que. Quanto à repetência. incluindo a suplência no ensino fundamental e no ensino médio e os projetos de aceleração de estudos. dotando-se as escolas de profissionais habilitados para lidar com eles. viram-se forçados a abandonar os estudos. A e d u c a ç ã o d e j o v e n s e a d u l t o s mereceu avaliações específicas. que os alunos desses projetos Escola Sagarana - 16 . Trata-se de ferramentas úteis no processo de aceleração de estudos e correção da defasagem idade/ciclo ou série. Tal situação justifica uma ampla política de envolvimento dos pais. E v a s ã o e r e p e t ê n c i a continuam como grandes desafios da educação em Minas. Em todos os níveis de ensino há índices negativos que precisam ser combatidos.3% dos alunos do ensino fundamental deixaram a escola. cumpriram sua finalidade estatística. Esse índice é maior que em 1999 (4. que atende à demanda semelhante no ensino médio. as taxas estão caindo. levando-se em conta o interesse social e a eficácia desses projetos. Minas Gerais atende pouco mais de 10 mil alunos em 90 escolas e classes especiais. A linha de ação adotada na atual gestão é pela inclusão. em Minas Gerais 6. provavelmente devido às pressões de ordem econômica e social e devido ao aprendizado ineficaz dos jovens que freqüentaram os projetos de aceleração de estudos e não continuaram na escola. principalmente as Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAEs).3%). mas há grande insegurança quanto à sua eficácia. alcançando pouco mais da metade dos pontos e colocando-se nos primeiros lugares no cenário nacional. O Programa de Avaliação da Educação Básica (Proeb) constatou. Da mesma forma. apesar do relativo sucesso dos estudantes mineiros nos programas nacionais de avaliação de desempenho. ou seja. por vários motivos. que têm até 60% de seus professores mantidos pelo Estado. Programas como o “Acertando o Passo” – destinado a alunos em defasagem no ensino fundamental – e “A Caminho da Cidadania”. em 2000. a integração de alunos portadores de necessidades especiais às turmas de ensino regular. do Ministério Público e especialmente dos professores e dirigentes escolares para trazerem de volta à escola os alunos evadidos.N a E d u c a ç ã o E s p e c i a l. programas de combate ao trabalho infantil e à promoção de renda mínima vinculada às necessidades educativas podem contribuir muito para que famílias carentes mantenham seus filhos na escola (Bolsa-Escola). As taxas de evasão continuam elevadas: de acordo com o Censo Escolar 2000.

Desse programa.PROCAP e o Programa de Capacitação de Dirigentes – PROCAD tiveram continuidade na gestão 1999-2002.5 milhões. Estudos feitos pela Secretaria da Educação indicam que a melhor alternativa é encaminhar as demandas remanescentes para a educação supletiva e continuada. Por tais razões. assim como a formação continuada e o incentivo à inovação educacional. A criação do Sistema de Ação Pedagógica (Siape) é um poderoso mecanismo de apoio e de atuação direta nas escolas para permitir uma evolução adequada na avaliação. Escola Sagarana - 17 . A capacitação de professores e de dirigentes é tarefa essencial da Secretaria de Educação e será permanente. chegando a ter certificados rejeitados. através do programa Pró-Qualidade.não apresentam rendimento suficiente para retornarem ao ensino regular nem adquirem as competências básicas para prosseguirem nos estudos. A f o r m a ç ã o e c a p a c i t a ç ã o de recursos humanos para a Educação contou com financiamentos do Banco Mundial. o Programa de Capacitação de Professores . sendo adaptados à linha de ação estabelecida pela Escola Sagarana. em 1999. muitos que concluíram estudos dentro de tais projetos encontraram dificuldades no mercado de trabalho. restava para execução. Visando habilitar professores das redes municipais e estadual que não têm curso superior e atuam da primeira à quarta série do ensino fundamental. Essa alternativa vem sendo viabilizada com a instalação de novos Centros de Educação Supletiva e Continuada (CESECs). Esses recursos estão sendo utilizados nos programas de capacitação de professores e dirigentes. outros não tinham desempenho adequado que lhes permitisse prosseguir estudos no ensino regular. com base em convênio firmado em 1995 prevendo empréstimo de US$ 150 milhões e igual contrapartida do Estado. visando a melhoria da qualidade do ensino e a valorização dos profissionais do magistério. Assim. que beneficiará 15 mil profissionais. objetivos que serão perseguidos por meio de parcerias com as universidades e instituições de ensino superior instaladas em Minas Gerais. desempenho e aproveitamento de estudos para que se mantenha movimentação e fluxo adequados. na capital e no interior do estado. garantindo-se o retorno e a continuidade dos estudos para adolescentes e jovens que abandonaram a escola e querem voltar a estudar. a Secretaria lançou o Veredas – programa de formação superior de professores. utilizando metodologias de educação a distância. filosofia e métodos. Mais de 105 mil professores e 6 mil dirigentes foram integrados à nova fase. após uma avaliação de conteúdos. agora revistos e com nova orientação baseada nos princípios da Escola Sagarana. uma última etapa que prevê investimento de US$ 20.

O comportamento dessas duas fontes vinha sendo errático. A relativa estabilidade da economia. o atendimento encontra-se. universalizado. e pela preservação do salário-educação como uma das principais fontes de financiamento à Educação nos estados e municípios. e por esta razão. acentua-se o aumento do atendimento ao ensino fundamental nas redes municipais (até 1999 foram transferidos para as redes municipais 562. os mecanismos de financiamento da educação nacional. está bem longe da universalização. E apóia todos os movimentos que visam à inclusão do ensino médio e da educação infantil como beneficiários dos recursos do FUNDEF. atingindo 98. praticamente. A grande maioria dos alunos do ensino Escola Sagarana - 18 . A Secretaria da Educação participa da comissão nacional que estuda. as receitas representadas pela Quota Estadual do Salário-Educação em Minas Gerais tiveram uma queda da ordem de 5%. Q u a n t o à d e m a n d a d e v a g a s. provocadas pela recessão econômica. conforme é compromisso do atual governo. contudo. refletiu-se no volume de impostos arrecadados.04%. Quanto ao FUNDEF. as quotas depositadas em juízo reverteram para o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). a secretaria apresentou estudos sobre a reformulação desse fundo que proporcionaria ao Estado e aos municípios um reforço orçamentário significativo. Além disso. de forma a atender às reais necessidades de investimento no setor. O ensino médio. com dotação de novos recursos para investimento. e pequeno decréscimo na rede estadual.768 matrículas). Em relação ao ensino fundamental. a Secretaria da Educação está integrada aos movimentos organizados pelo Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Educação (CONSED) pela reformulação do FUNDEF. encontrando-se matriculada menos da metade da população escolarizável na faixa de 15 a 19 anos. reagindo lentamente devido à retomada da contribuição por centenas de empresas derrotadas nas ações judiciais que propuseram. apesar do grande incremento no atendimento. a totalidade dos recursos repassados ao Estado é utilizada no pagamento de pessoal – rubrica que ainda depende de complementação financeira proveniente do Tesouro Estadual para que seja mantido em dia. resultando numa lenta evolução positiva da receita proveniente do FUNDEF. em nome do CONSED (Conselho Nacional dos Secretários de Educação).A q u e s t ã o d o f i n a n c i a m e n t o da Educação é crucial. e devido à atuação organizada de empresas e entidades empresariais na proposição de ações judiciais contra o pagamento do salário-educação. com oscilações no valor dos repasses. Além de apresentar seus pleitos com relação à reformulação do FUNDEF. Nos primeiros seis meses de 1999.

enquanto a rede estadual tem 1.444 escolas. enquanto as de evasão e de promoção subiram em relação ao ano de 1999. medida pelo Ministério da Educação através do Censo Escolar 2000. A mobilidade de alunos no ensino fundamental em Minas Gerais. indica que a taxa de repetência está em declínio. Escola Sagarana - 19 . conforme o Censo Escolar 2000.médio está sob a responsabilidade do Estado – as redes municipais. têm apenas 393 unidades escolares atendendo nesse nível de ensino.

em 2 de setembro de 1998.Políticas Públicas para a Educação “Definir o aluno como centro das atenções educacionais e fortalecer o compromisso da política estadual de educação com a obtenção do sucesso do aluno no processo de ensino e de aprendizagem e de sua formação como cidadão.”  “Na condução da política educacional. a heterogeneidade e a diversidade.” A atuação do governo de Minas pautar-se-á pelos princípios. Conforme estabelece a Carta dos Educadores Mineiros.” Escola Sagarana - 20 . comprometida com o desenvolvimento integral do educando e a serviço da cidadania e da competitividade que contempla simultaneamente a eficiência tecnológica e a equidade social. em Belo Horizonte. pressupostos e diretrizes definidas pelo Fórum Mineiro de Educação.  “A participação da sociedade será valorizada.4 . são os seguintes os Parâmetros básicos da Política Estadual de Educação  “A educação mineira resguarda. na solenidade de encerramento daquele encontro. realimentando e atualizando o planejamento da educação em Minas Gerais. conforme compromisso assumido pelo então candidato a governador. O Fórum Mineiro de Educação constituir-se-á em ação permanente do governo. Itamar Franco. na herança histórica e cultural do Estado. a transparência e a ética são requisitos fundamentais e insubstituíveis.”  “O processo educativo respeitará as diferenças. numa pedagogia de qualidade sintetizada no conceito segundo o qual “a melhor educação para os melhores é a melhor educação para todos”. uma filosofia humanista. como parte de uma estratégia democrática de educação de qualidade para todos.

 Desenvolver metodologias e estabelecer normas para garantir a participação de toda a comunidade escolar na gestão das escolas da rede pública. desenvolver e valorizar os profissionais do magistério em todos os níveis e modalidades do ensino.  Ampliar a possibilidade de acesso ao ensino aos que não tiveram oportunidade em idade própria. Escola Sagarana - 21 .”  “As políticas e diretrizes setoriais terão como pressuposto a participação social e a democratização de oportunidades. mediante exames do rendimento dos alunos.  Ampliar progressivamente o atendimento à demanda do ensino médio tendo em vista a sua universalização no prazo mais curto possível. à eficiência profissional e à equidade social. programas e ações com vistas a garantir educação de qualidade para todos os mineiros. desenvolvendo ações amplas de combate à evasão escolar e à exclusão social. “Educação e cultura são termos indissociáveis de uma mesma equação cuja solução aproveitará.  Universalizar progressivamente a educação infantil por meio de parcerias com os municípios e organizações não-governamentais.  Assegurar educação de qualidade para alunos portadores de necessidades especiais.” 4.1.  Avaliar a qualidade do ensino em todos os níveis e modalidades.  Definir o aluno como centro das atenções educacionais e fortalecer o compromisso da política estadual de educação com a obtenção do sucesso do aluno no processo de ensino e de aprendizagem e de sua formação como cidadão. especialmente no Ensino fundamental.  Garantir o ingresso e permanência do aluno na escola. necessariamente. estudos e pesquisas. Objetivos São objetivos da política educacional do governo de Minas Gerais:  Desenvolver planos.  Capacitar. à cidadania. e promovendo o retorno à escola daqueles que dela se afastarem sem justificativa. metodologias de controle e acompanhamento. opondo-se decisivamente à elitização e à exclusão.

decorrente do Plano Nacional de Educação e definido por fórum permanente. de acompanhamento das interrelações dos componentes do Sistema. voltado para o humanismo. contemplando necessariamente atividades de avaliação. em especial da criança e do adolescente. no âmbito do Sistema Mineiro de Educação.  Definição de política de supervisão pedagógica. Escola Sagarana - 22 . visando garantir investimento por aluno compatível com a qualidade do processo educativo.  Valorização da escola. de mecanismos definidores do regime de cooperação entre estado e municípios.  Promoção da cooperação técnica estado-municípios. Desenvolver ações articuladas entre os diversos setores para favorecer o pleno desenvolvimento da criança e do adolescente. ampliando seu espaço de decisão. para que definam e implementem seus próprios projetos político-pedagógicos. a ação plural e a diversidade criadora. 4. e a observância dos princípios da convivência harmônica e solidária.  Elaboração de plano decenal para a educação em Minas Gerais. dentro do princípio da democratização da gestão do sistema educacional.  Criação. para que implemente proposta pedagógica comprometida com o sucesso do aluno. visando a profissionalização de todas as instâncias de formulação e execução da política educacional.  Realização de estudos sobre as alternativas de financiamento. nele inserindo o Fórum Mineiro de Educação e seus fóruns regionais como instâncias públicas de debates e promoção de políticas e ações de governo compatíveis com a visão democrática e solidária do setor educacional. administrativa e financeira. a eqüidade e o equilíbrio inter-regional.Administração e financiamento  Estruturação do Sistema Mineiro de Educação.  Repasse direto de recursos às escolas.2. fortalecendo sua autonomia pedagógica.  Incentivar a defesa e prática dos direitos humanos. orientação educacional e inspeção escolar no âmbito do Sistema Mineiro de Educação.2 Diretrizes Operacionais 4.1 .

4. continuadamente.4 . Essa política enfatizará.  Estabelecimento de plano de carreira. em ação integrada com os municípios e a comunidade. em parceria com sistema universitário sediado em Minas. cargos e salários. com prioridade para os segmentos mais pobres da população.  Ampliação da oferta de creches nas regiões e áreas carentes. 4. 4. especialmente dos profissionais da educação.2. articulada com as realidades regionais de Minas Gerais.3 . com participação da comunidade escolar.  Realização de concursos públicos periódicos.2.Educação infantil  Universalização progressiva da pré-escola.2 . com valorização do colegiado e respeito ao interesse da comunidade escolar e dos que vivem em torno da escola.  Definição e implementação.  Retomada da proposta da atenção integral à criança.Ensino fundamental Escola Sagarana - 23 . de política de formação e aperfeiçoamento do magistério. adotando-se mecanismos que reduzam ou eliminem as categorias do “designado” e do “convocado”.2. o desenvolvimento de competências nas áreas de informática e novas tecnologias aplicadas à Educação. com ampla participação social. O eixo norteador será o de abrir à carreira perspectivas profissionais que incentivem a permanência no magistério e motivem o educador a aperfeiçoar-se. prevendo cooperação entre o Estado e seus municípios e a participação de iniciativas comunitárias e particulares. entre outros itens. Garantia de critérios democráticos para escolha de diretores de escolas estaduais.  Garantia da prática da gestão democrática das escolas. mediante adoção de políticas voltadas para sua efetiva valorização.Magistério e Recursos Humanos  Reconhecimento do papel social do educador.

buscando conformar modelos centrados na avaliação qualitativa cuja ênfase recaia no desenvolvimento progressivo do processo ensinoaprendizagem. predominantemente em escolas públicas.2. até 2003. visando ações comuns que permitam disseminar em todo o Estado a estratégia da atenção integral à criança e ao adolescente.  Estímulo à criação de escolas comunitárias e fomento ao cooperativismo no ensino médio. a pelo menos 80% dos egressos do ensino fundamental.  Ação conjunta das secretarias e entidades da área social do governo. mediante programas emergenciais e não Escola Sagarana - 24 .2. pela cultura do sucesso escolar.  Reformulação da sistemática de correção do fluxo escolar e atendimento à população com defasagem idade-série. bem como da promoção automática. Reexame dos procedimentos de avaliação vigentes no Estado. em especial na área de ciências.Ensino Médio  Garantia de matrícula no ensino médio.  Substituição da cultura da reprovação e da repetência. visando convertêlas em mecanismo pedagógico que privilegie a formação integral do aluno.5 . de forma a atender ao aumento da demanda por vagas e ao interesse maior da juventude mineira.  Implantação do Programa Familiar para a Educação – BolsaEscola  4.  Provimento das carências de professores qualificados. especialmente junto às populações mais necessitadas.  Apoio aos municípios que implementam ou já implementaram programas de atenção integral.6 .Atenção integral à criança e ao adolescente  Mobilização das universidades visando fórmulas de cooperação para o resgate da filosofia e da programação de atenção integral à criança e ao adolescente.  Elaboração e implementação do Plano Estadual de Ensino Médio. 4.

sindicatos. tendo sempre em consideração sua especificidade e relevância. que definiu as metas do “Decênio Paulo Freire da Alfabetização”.Educação de jovens e adultos  Elaboração e execução de plano de educação de jovens e adultos. organizações nãogovernamentais.2.2. universidades). perseguindo-se a meta de sua gradativa eliminação.  Redução do analfabetismo em Minas.  Promoção de entrosamento do ensino médio com a educação profissional. com ênfase na educação básica geral.  Desenvolvimento e estímulo a metodologias para serem utilizadas no ensino noturno de forma a aproveitar e certificar.Educação do campo  Estabelecimento de novo desenho conceitual para a educação no meio rural. inclusive no que se refere ao denominado “Pós-Médio”. dos atuais 14.  Instituição de processo permanente de educação para todos.7 .  Retomada das concepções pedagógicas originais da educação rural formuladas pela professora Helena Antipoff. educação do campo. com apoio das instituições de ensino superior. de maneira compatível com as realidades regionais. Escola Sagarana - 25 . igrejas. clubes de serviços.5% para não mais que 7% da população com 15 anos ou mais. para fins curriculares. 4. na forma dos princípios sintetizados na Declaração de Hamburgo.  Concessão de créditos curriculares aos estudantes do subsistema universitário estadual que participarem de programas de alfabetização.convencionais de qualificação. no prazo máximo de cinco anos.  Reforma e diversificação do ensino médio. com base nos conhecimentos e experiências do passado e em curso. estudos e conhecimentos apropriados pelo aluno no mundo do trabalho. 4.8 . mediante aproveitamento da capacidade ociosa de agências educativas públicas e privadas e formação de parcerias com a sociedade civil (empresários.

destinados ao ensino formal e não-formal. compatibilizando os esforços das agências que trabalham com essa modalidade. adotando-se o bilingüismo na alfabetização. visando assegurar amplas possibilidades de inserção social e no mercado de trabalho. 4.  Estímulo à utilização de recursos e técnicas informacionais.Educação indígena  Garantia aos povos indígenas de Minas (Xacriabá. em convênio com o Ministério da Educação e parcerias com prefeituras e instituições da comunidade.11 .2.Educação a Distância  Instituição do Subsistema Mineiro de Educação a Distância.9 .4. aceleração de estudos e alfabetização de jovens e adultos  Estímulo ao uso de metodologias de monitoramento a distância nos programas de formação e capacitação de recursos humanos. Maxacali. 4. Krenak e Pataxó) de educação de qualidade compatível com suas características e valores culturais. articulada com a política de emprego. dentro do Programa Estadual de Educação Profissional.10 .  Criação de mecanismos de certificação de competência e definição de formas de aproveitamento desses conhecimentos no Escola Sagarana - 26 . juntamente com as Secretarias de Estado ligadas a políticas de formação profissional do trabalhador. veicule e avalie programas de educação a distância.Educação profissional  Estabelecimento de nova política de educação profissional integrada aos objetivos do desenvolvimento regional de Minas Gerais  Implantação de centros de educação profissional.  Utilização pela rede escolar do acervo de recursos audiovisuais produzidos ou custeados com recursos públicos.  Estímulo ao subsistema universitário estadual para que produza.2. atendendo aos princípios contidos na “Carta de Cuiabá” (resultante da Conferência Ameríndia de Educação e Encontro dos Professores Indígenas do Brasil).  Definição. para preservação da cultura nativa.2. de televisão e rádio nos programas de formação de recursos humanos.

 Implementação de rede regionalizada de centros públicos de educação profissional.  Definição de políticas para o ensino superior em Minas.Escola.14 . 4. visando à promoção conjunta de projetos educativos e culturais. permitindo agregar conhecimentos originados de diversos setores da sociedade. em articulação com as instituições federais.  Estabelecimento de parcerias entre a escola e os museus. 4.2.Ensino superior  Fortalecimento da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) e da Universidade de Montes Claros (UNIMONTES) em sua função de apoio às políticas de desenvolvimento do Estado.Inovação e criatividade  Respeito à heterogeneidade e à diversidade criadora. sobretudo nas regiões menos desenvolvidas. à luz das tradições histórico-culturais de Minas.  Incentivo às universidades para que produzam materiais didáticos baseados na cultura mineira.13 .subsistema regular e supletivo de educação.  Incentivo permanente à inovação e à criatividade.12 . bibliotecas. do papel da escola como agência de promoção cultural. comunitárias e privadas.2. 4. tendo o educador como o principal agente dessa política. em articulação com as sSecretarias de Estado e outras entidades ligadas à educação e à cultura.2. atentando para as especificidades regionais.  Revisão dos currículos e projetos pedagógicos.  Definição do compromisso das instituições de ensino superior com a educação básica. cultura e currículo  Redefinição. arquivos e outras instâncias de referências. Escola Sagarana - 27 .

4. ao combate à violência e à disseminação e uso de drogas. e à observância dos princípios da convivência harmônica e solidária. Escola Sagarana - 28 .  Incentivo à realização de estudos e pesquisas acadêmicas para avaliação de programas implementados pela Secretaria da Educação.16 . em especial da criança e do adolescente.Estudos e pesquisas em educação  Desenvolvimento.  Implantação. de programas de avaliação do desempenho de alunos da rede estadual. definição de programas educativos que busquem abrir perspectivas de vida digna para os meninos de rua. em todas as escolas.4.  Incentivo. de programação sistemática de estudos e pesquisas em apoio à educação mineira. à defesa e prática dos direitos humanos. bem como da qualidade do ensino e o desempenho dos profissionais do Magistério.  Em articulação com as secretarias de estado e demais entidades que atuam na área.15 .Segurança e violência  Atenção especial à segurança nas escolas. em cooperação com as universidades instaladas em Minas Gerais.2. em articulação com as universidades e instituições de pesquisa em geral.2.

É o século XXI que espera tudo de nós”. o sistema econômico foi incapaz de prever perturbações como as que ocorreram no sudeste asiático.“Mais vale uma cabeça bem feita que uma cabeça bem cheia” (Montaigne). nacionais ou religiosas. incluindo as universidades. . A leitura da antologia é atual e fascinante. Lembra que. Os pensamentos etnocêntricos dificultam o entendimento das identidades particulares. O resultado foi a edição de antologia contendo reflexões apresentadas em encontros prospectivos até 29 de junho de 1999. é indispensável que haja uma reforma no modo de pensar e. Morin afirma que a reforma do pensamento não é um luxo intelectual. Morin trata dos quatro objetivos fundamentais do ensino: . por si só. promoveu sessões com cientistas. A antologia foi publicada sob o título “Les Clés du XXIe Siècle” (edição Seuil/Unesco-maio 2000). na educação. Refere-se à necessidade de se pensar o mundo globalmente e nas suas partes. mas responde a uma necessidade vital para que a humanidade consiga regular as forças desagregadoras que ela mesma ensejou. Escola Sagarana - 29 . . Assim. Em conclusão. O sociólogo Edgar Morin fala da reforma do pensamento e da educação. à vista da complexidade do mundo atual.O cidadão do mundo deve estar consciente de sua dupla relação: nacional e planetária. portanto. . (Gabriel Garcia Marquez) A Divisão de Análise e Previsão da Unesco. Reportando-me ao capítulo III.5 – Tendências da Educação para o século XXI Murílio de Avellar Hingel “Não esperemos nada do século XXI.“Eu quero ensinar-lhe a condição humana” (Rousseau). com vistas a todos os horizontes em um espírito prospectivo e interdisciplinar. aspectos irracionais que a ciência econômica.“Eu quero que ele aprenda a viver” (Rousseau). criadores ou decisores de renome internacional. Os próprios movimentos das bolsas de valores assumem. A partir dessas premissas. é incapaz de explicar. detenho-me nos textos que tratam da Educação para o século XXI – as novas fronteiras da Educação. intelectuais. por vezes. embora tenhamos uma ciência econômica altamente sofisticada. a partir de 1997.

hoje. deverá preocupar-se com nova forma de conhecimento de natureza inclusiva que favoreça o desenvolvimento pessoal e cultural. lingüísticas e étnicas alimentam conflitos. . mas são de aplicação delicada em um mundo fragmentado em que diferenças culturais.a compatibilização entre as exigências da mundialização e a busca das raízes nacionais e locais será resolvida pela busca de uma coesão social fundada no fortalecimento da democracia e em crescimento econômico mais equânime. Carneiro também coloca o seu pensamento quanto às grandes perspectivas da dimensão social da aprendizagem. é urgente a evolução do sistema educacional. enquanto o sistema financeiro funciona na ordem de alguns microssegundos e o sistema produtivo trabalha com algumas semanas. Por isso. a saber: . de certa forma. que conduz à exclusão. ainda. um sucesso em termos de amplitude.os quatro pilares da aprendizagem são retomados do relatório da Comissão Delors (Educação. O terceiro intelectual que contribui para as novas fronteiras da educação é o português Roberto Carneiro que. marcada fortemente por um estatuto social. direitos e obrigações. o reconhecimento da importância crescente da educação a distância e das novas tecnologias e o desenvolvimento dos sistemas de avaliação. harmoniosamente. • aprender a viver e a conviver e • aprender a ser. O autor diz que essas missões parecem extremamente simples em sua formulação. • aprender a fazer. precisam ser combinadas com os pilares do desenvolvimento em que uma nova sociedade do conhecimento deverá conciliar. a formação da cidadania vinculada a uma comunidade. embora a educação seja. o tempo de aprendizagem será continuamente mais longo. Enfim. porém identificada com a Escola Sagarana - 30 . a avaliação continuada. compreendendo a que se aplica ao final de cada ciclo de estudos e a que contribui à formação do educando no curso da aprendizagem – isto é. Os espaços da aprendizagem serão também mais variados e a própria cultura da aprendizagem será afetada pela interatividade. Delacôte afirma.O físico Goéry Delacôte afirma que. que ao saber puramente formal devem suceder os saberes de aplicação e os meta-saberes. particularmente quanto ao papel dos professores. sintetiza algumas das colocações anteriores ao falar da “educação para todos durante toda a vida”. um tesouro a descobrir/Unesco) voltados para o futuro: • aprender a aprender (ou aprender a conhecer). a educação.

Em outros termos: o que os estudantes de hoje precisam aprender para se tornarem cidadãos bem sucedidos no século XXI? E o que os professores devem ensinar para tornar possível essa missão? Não deveriam os professores. visa um ideal. e sem abrir mão de apontar caminhos e alternativas para alimentar um processo permanente de transformação que. a busca da felicidade e do bem comum. articulados entre si e com as circunstâncias impostas pelos novos tempos. aprender e assim se qualificar para construir os conhecimentos necessários à próxima geração? Aí estão três grandes desafios para a educação dos tempos atuais.humanidade e o exercício da educação continuada ao longo da existência de cada ser humano. pois não há consenso entre historiadores. que o ritmo da mundialização da economia continue tão frenético a ponto de suplantar os nacionalismos recorrentes? Que mundo e que condições sociais e culturais existirão nas próximas décadas? Que habilidades e que capacidades serão exigidas ao trabalhador do futuro? Que profissões de hoje continuarão existindo e que novas profissões o mercado exigirá? Como compatibilizar os ideais e harmonizar os interesses de forma a construir essa nova cidadania comprometida com a ética. com as mudanças econômicas. a sucesso do aluno. 5. primeiro. por exemplo. mesmo fora do sistema escolar. atendendo aos novos paradigmas criados por esta mesma sociedade em nível local. Mas . nacional e universal. o dilema principal do planejador é. no mundo atual. consideradas as diversidades de toda ordem. Assim. pesquisadores ou futurólogos acerca dos paradigmas do novo século. com a Escola Sagarana - 31 . É possível pensar. encontrar o perfil do cidadão que se pretende formar. só é possível definir uma política educacional se for mantida perfeita sintonia com os anseios da sociedade. sociólogos. A partir dessas convicções e conceitos. regional. Pois a tarefa de educar envolve compromisso e responsabilidade com a construção do futuro. em última análise. Decifrar essas dúvidas constitui outra grande tarefa. na verdade grandes desafios a serem explorados. em síntese.1 – Os novos tempos da educação em Minas Todo planejamento de ações educativas é feito com foco na criança e no adolescente e visa. sociais e culturais por que passa a sociedade há que ser considerado um conjunto de fatores de grande complexidade.

ferramenta primordial da sensatez. em qualquer atividade. mesmo estando em permanente processo de mutação e diretamente influenciados pelo grau de contextualização política. por si só. têm horizonte limitado no tempo e na história. disseminados por todos os segmentos e comunidades. social e cultural. de assimilação e de adaptação. fundamento da vida política moderna. A rapidez do mundo moderno. não opera milagres nem muda realidades. um processo contínuo. em nosso estado. A educação. do meio em que vivemos. que pense o ser humano apenas por uma de suas facetas. é torná-los consistentes. fundamentais para a preservação da vida. ao mesmo tempo. de resultados duradouros. o melhor critério é o comedimento. qualquer plano que se limite a propor o adestramento de operadores de máquinas. que fornece as bases da vida social. da espécie humana. com a comunidade e. É por tais circunstâncias que é inconcebível a instituição de sistemas educacionais que tendam a reproduzir a perversidade inata dos modelos de Escola Sagarana - 32 . efetivo. Esta é a porta para a qual só existe uma chave: é pela educação que se pode abrir o caminho para que cada um busque a felicidade a seu modo. mais dia menos dia. sim. a de agente econômico a serviço de modelos que. É o caso da cidadania. Educar é alimentar sonhos. de agir e de interagir. é construir esperanças. a primeira opção de qualquer sistema educacional deve ser pela consistência ética.cultura. para criar condições de prosperidade em nosso país. Cada uma dessas enormes tarefas envolve conceitos sobre os quais há consenso quanto à importância de serem praticados a cada momento. a versatilidade das comunicações. conforme suas habilidades e o seu contexto social e cultural. mas lentos. em nossas comunidades. com grandeza de propósitos e cercada de humanismo por todos os lados. Exigem de todos. É desprovido de ética. da solidariedade e da fraternidade. para que todos tenham a oportunidade e os instrumentos necessários à busca da felicidade. a volatilidade dos conceitos éticos e morais são circunstâncias que nos exigem uma capacidade extrema de observação. se descobre. entender e superar obstáculos. É. uma velocidade quase meteórica de reagir. Mas é preciso estar atento a tudo o tempo todo. intervir na realidade e torná-la melhor a cada dia. com a nação e a própria humanidade? Na falta de definições mais objetivas. de responder aos estímulos do meio em que se vive. transformar realidades. da ética. E o bom senso recomenda refletir sobre que características gerais seriam importantes para sustentar o desenvolvimento humano e a sociedade moderna. por exemplo. Por tal ordem de razões.

da democracia. do progresso. como a leitura. Foram vítimas. da ascensão social.desenvolvimento que privilegiam conceitos como competitividade. Esse é o melhor e o mais permanente dos antídotos contra os desajustamentos provocados pela excessiva especialização. A longo prazo. buscar fórmulas criativas e aperfeiçoar mecanismos de captação e distribuição de recursos para financiamento da educação. a formação do homem na sua integralidade e o aperfeiçoamento da vida social. a mobilidade das estruturas sociais. da organização da comunidade. Qualquer proposta educacional tem que levar em conta a pluralidade. supremacia da produção sobre a inventividade. mas há também ilhas de excelência – na média. mercado. versáteis. e sobre ela construir os fundamentos da ciência. sim. à formação de meros operadores de máquinas. deveres da sociedade. É preciso romper com as propostas que se atêm apenas ao mundo do trabalho. da indústria do vestibular. regional e nacional. E que leve em conta que somos todos cidadãos do mundo. da tecnologia. que pulveriza métodos e tecnologias e tolhe a articulação de conjuntos e de ações sistêmicas. lógico e funcional. a escrita e a interpretação. Articular as ações educativas de forma a aumentar a oferta de serviços educacionais. E essas tarefas passam por um esforço especial. só a educação geral é capaz de dar à maioria dos cidadãos os instrumentos para enfrentar as realidades do próximo milênio. mas é somente por meio da rede pública que o país terá a possibilidade Escola Sagarana - 33 . autômatos habilitados para entender manuais de instruções e códigos e atalhos dos sistemas operacionais. obrigações do Estado. mas suas bases se erguem diretamente sobre os alicerces do ensino fundamental e do ensino médio. o respeito à multiplicidade de feitios e interesses humanos. capacitar recursos humanos e elevar a qualidade do ensino têm sido metas permanentes em nossa gestão na Secretaria da Educação de Minas Gerais. portanto. individualismo. Para contrapor esses modelos é preciso propor a construção de mentalidades novas. É claro que há escolas de baixo rendimento. que procurou desqualificá-las além do limite. das culturas local. desenvolver a capacidade de raciocínio matemático. das transformações econômicas. A formação geral deve tomar por base o desenvolvimento de habilidades elementares. E ela deve estar voltada para a construção do conhecimento. da pré-escola até a vida universitária e pósuniversitária. que hoje é do governo e que deve ser de toda a comunidade: a defesa e a valorização da escola pública. repletas de informações e caracteres típicos da diversidade humana. Essa formação perpassa a vida toda do estudante. as escolas mineiras são de boa qualidade.

mas nós podemos prepará-lo” (Ilya Prigogine) O movimento histórico preponderante na economia. como se não houvesse outros caminhos que não os de globalizar mercados. um cidadão comprometido com a ética. Tais princípios têm sido válidos para indivíduos. formação inicial. pensar e agir criaria ambiente propício à competição. acompanhamento pedagógico. na política e no campo social ainda tem sido a internacionalização. esse movimento vive de vender a ilusão de que a liberdade ampla de ir e vir. avaliação. com cidadania. a começar por uma redefinição do perfil dos professores que forma a cada ano. Genericamente definido como neo-liberal. comprar e vender. Escola Sagarana - 34 . Isso implica. 5. Cabe à universidade dedicar esforço especial à valorização do ensino fundamental e do ensino médio. Esse novo professor há de ser. à evolução permanente. pesquisa e extensão. tendência muitas vezes apresentada de forma determinística. desenvolvimento de novas experiências. Um dos caminhos mais promissores é a adoção de mecanismo de compartilhamento de responsabilidades com as instituições de ensino superior. uniformizar preferências. arrojo e disposição para a cooperação. mudanças curriculares. mas nada se produzirá nesse campo se não houver. que levaria à eficiência. Cabe ao Estado coordenar essas ações de forma a encontrar espaços para a necessária integração. empresas. introdução de novas metodologias. verdade única e absoluta. vontade política.2 – Escola Sagarana: o compromisso de Minas “Nós não podemos prever o futuro. certamente. de ambas as partes. disponibilidade total de bens. superar fronteiras em nome de uma convivência pretensamente global. gestão. com a responsabilidade social. sintonizado com as realidades do novo mundo que se abre neste terceiro milênio. adequando-se à realidade do país e aos desejos da sociedade. neutralizar governos. grupos. tecnologias e serviços para todos.de realizar o ideal de democratizar e universalizar o direito e o acesso à educação de qualidade. acima de tudo. que têm contribuição importante a dar nas áreas de planejamento. capacitação e educação continuada.

Essas definições de ordem estratégica são ainda baseadas em estudos e pesquisas recentes acerca do perfil do estudante e da escola no próximo século. podendo tornar-se agente transformador na medida em que contribuir para a formação de uma nova consciência. A evolução é cada vez mais rápida e encontra a grande maioria dos países despreparados.partidos e. capitais. e dos brasileiros. que sejam participativos. A conseqüência é dramática. especialmente. pelo exercício pleno e amplo da liberdade. Cabe à educação disseminar e ampliar essa capacidade de resistência – e esta é a proposta da Escola Sagarana – fortalecer as convicções e construir a adesão das novas gerações a um projeto de vida e de desenvolvimento econômico e social que leve em conta o interesse dos mineiros. em primeiro plano. capazes de assimilar a realidade e agir sobre ela com espírito transformador. ao Estado mínimo. Nesses levantamentos. revitalização do sentimento nativista. A educação será peça de resistência. Porque soberania nacional não se constrói com discursos nem com decretos. pois o mundo do trabalho é apenas uma das faces da inserção das gerações no plano dos desafios do novo milênio. por conseqüência. encontrar alternativas e resolver problemas. mas pela conscientização. O professor tem um papel fundamental nesse processo. adaptados para o trabalho em Escola Sagarana - 35 . Os blocos e zonas de livre comércio formam-se conforme a vontade dos países poderosos. trazendo consigo a cultura ao individualismo. fica evidente que a sociedade atual espera que os futuros cidadãos sejam capazes de analisar situações. sem perder de vista a inserção na comunidade internacional. Nesse ambiente e a longo prazo. repletas de informações. da democracia. Alarga-se a cada dia o fosso entre os países que criam e dominam as tecnologias e aqueles que se utilizam delas ou as adquirem em produtos ou materiais acabados. fortalecimento de laços culturais e comunitários. incapazes de acompanhar a marcha para o futuro. base para a reconstrução dos valores locais e regionais. só a Educação pode reconstruir valores permanentes e bases sólidas para o desenvolvimento sustentado nas potencialidades do País. com dignidade e com responsabilidade cidadã. ao privatismo. A opção feita por Minas Gerais – exposta no slogan “Educação para a vida com dignidade e esperança” – é pela construção de mentalidades novas e versáteis. Significa ir muito além do papel de formar pessoas habilitadas para disputar espaço no mercado de trabalho (capazes de ler manuais de operação de sistemas e repetir operações). sufocando as possibilidades das alianças políticas e econômicas regionais.

o Sistema Mineiro de Educação deve contemplar a diversidade cultural e respeitar a identidade de cada região. dignidade do trabalho. E isso se fará pela valorização do pessoal do magistério. O educador precisa entender o ritmo de seus alunos. estejam prontos para o exercício da cidadania. em constante aperfeiçoamento. ética. justiça social. criando-se condições para o seu permanente aperfeiçoamento. como fraternidade. da parte dos educadores. a cada dia. mais digna e mais feliz do que a anterior. E apontar a perspectiva do bem estar e da esperança como ingredientes para a busca da felicidade. cabe ao Estado criar os estímulos e mecanismos de controle social para que a gestão democrática da escola abra caminhos para a participação da comunidade na definição dos objetivos. assegurando-se a manutenção de suas conquistas e criando-lhes novas perspectivas. comprometendo-se com os objetivos sociais da educação. acompanhamento e controle. É essa utopia que impulsiona a mobilidade social. conhecer suas habilidades e suas circunstâncias para ter condições de proporcionar uma educação de qualidade. Cabe ao Estado proporcionar aos profissionais da educação os instrumentos necessários ao desempenho de missões tão ambiciosas. autoritária. numa perspectiva duradoura e capaz de transformar a realidade. desenvolvimento pessoal e profissional. num círculo virtuoso de cooperação capaz de Escola Sagarana - 36 . dos meios e das propostas pedagógicas a serem aplicadas. O desenvolvimento dessa política educacional de fundo humanista e democrático exige uma postura nova. E dessa troca virão. órgãos de classe dos trabalhadores e dos empresários. Não há mais a escola detentora e transmissora de conhecimento. E precisa preparar-se para essa missão. ensimesmada. É esta integração que garantirá a sintonia entre a escola. sintonizados com os problemas do mundo e sejam membros participantes da vida comunitária. que faz com que cada geração seja melhor. os procedimentos de planejamento. valorizando e preservando suas manifestações e as relações comunitárias. mantendo-se em permanente aprendizado. a comunidade e a cidadania. também. preservação da vida e do ambiente. Como se vê. que tenham formação multidisciplinar. impositiva.equipe e com espírito de liderança. generosidade. estimulando e desenvolvendo valores sociais e humanos que contribuam para a harmonia e a paz social. O regime de cooperação que a Secretaria de Educação de Minas Gerais vem desenvolvendo coloca em destaque o estabelecimento de alianças com organizações comunitárias. não é tarefa para um governo só nem é exclusiva dos poderes públicos. Da mesma forma. Fora do plano das individualidades. atento a todas as mudanças. organismos nacionais e internacionais. solidariedade. coordenação. universidades.

permeável à participação e à contribuição de toda a sociedade. definisse a identidade e as raízes do povo mineiro. Colômbia e França e estava em serviço na Alemanha quando eclodiu a Segunda Guerra Mundial. como sempre. controlar e realimentar o sistema. no coração e na consciência dos mineiros de hoje e do futuro. É citado por inúmeros especialistas como o mais universal dos escritores regionalistas. na carreira diplomática. sem perder os vínculos com a universalidade do ser humano. O criador do termo é João Guimarães Rosa. planos. e morreu no Rio de Janeiro. em 1930. Rosa formou-se pela Faculdade de Medicina de Belo Horizonte. em 27 de junho de 1908. “No sertãomundo criado por Rosa. gosto e distração”. atos e convicções. Serviu na Alemanha. “mas só por divertimento. o sertanejo não é apenas o homem de uma região ou Escola Sagarana - 37 . passando pelo grego. prisioneiro do nazismo. Essa é a verdadeira construção da nossa soberania e o caminho para plantá-la. que nasceu em Cordisburgo. A Escola Sagarana. em 19 de novembro de 1967. confirmando ou reorientando políticas.avaliar. embora tenha se dedicado a várias. árabe. o humanismo enquanto conjunto filosófico. de pensamentos. 5. em 1934. três dias após ter assumido sua cadeira na Academia Brasileira de Letras (para a qual foi eleito por unanimidade em 1963). planos e ações. sânscrito.3 – Por que Escola Sagarana? “Minas principia de dentro para fora e do céu para o chão”. definitivamente. estratégias. sendo a principal delas a busca de uma expressão que representasse o regionalismo típico das montanhas mineiras. A esse interesse é creditada parte de seu virtuosismo como experimentador lingüístico. num processo permanente e dinâmico. define o compromisso de Minas Gerais com a Educação. e tornou-se então. (João Guimarães Rosa) A escolha do termo Sagarana para denominar a política educacional que se pretende implantar em Minas Gerais a partir deste ano teve várias motivações. Reconhecido no mundo inteiro como das maiores expressões da literatura universal. e ingressou. Adorava estudar línguas. É proposta aberta e democrática. como conjunto de princípios. finlandês e alguns dialetos.

em toda a sua complexidade. e os valores universais que. regionalista. projetos e atitudes baseadas no compromisso social com as futuras gerações. É objetivo da Escola Sagarana: Promover a estruturação e a articulação entre programas e projetos setoriais da Secretaria da Educação e de outros órgãos do governo estadual. programas. típico ou próprio de”. construção e transmissão de conhecimentos que contribuam para a preparação dos jovens para a vida. humana. ressaltam a preservação da vida. tome por base os sentimentos e a cultura dos mineiros. que é de origem tupi e representa a idéia de “à maneira de. além de uma inovação lingüística. É definida ainda pelo compromisso de atuar na busca. se associa a uma dimensão maior de interesse universal”. hibridismo cunhado pelo mais mineiro e universalista dos escritores brasileiros para denominar seu primeiro livro. E esta seria a síntese radical para o sentido da Escola Sagarana e os objetivos que se pretende atingir com ela: uma educação que. e pressupõe a justiça social e a criação de oportunidades iguais para todos. a promoção da liberdade e o respeito à diversidade social. a um só tempo. diretrizes e metas da política educacional de Minas Gerais. Escola Sagarana - 38 . como diz o crítico literário Sami Sirihal. visando ações que possam refletir e viabilizar as estratégias. com o neologismo Sagarana. A Escola Sagarana é isto: Educação a serviço da construção de uma vida com dignidade e esperança. É mais que uma logomarca para o Plano Mineiro de Educação. mas o homem universal. define-se pelo conjunto de planos. tão voltados para o sentimento nativista.” A palavra Sagarana. perseguindo sempre a qualidade. cultural. da dignidade humana e da esperança sempre renovada. defrontando-se com problemas eternos. É um plano de educação para a vida. Sob a denominação de Escola Sagarana reúnem-se todos os princípios. para todos os mineiros.de uma época específicas. lançado em 1946. a mineiridade que nos faz singulares na medida em que sintetiza características de vários rincões brasileiros. Ou seja. Rosa também quis deixar “a sugestão de histórias em que o elemento local. resulta da união do radical germânico SAGA – que significa narrativa épica em prosa. ou história rica em acontecimentos marcantes ou heróicos – com o elemento RANA. estratégias e objetivos da política educacional de Minas Gerais e sua identidade com a cultura e o povo mineiro.

social e econômico. Para atingir seus objetivos e metas a Escola Sagarana vai: Desenvolver.3 – A Escola Sagarana e a proposta educacional de Minas Gerais Maria José Vieira Féres* “Educar é um ato de coragem. propostas e ações que visam o fortalecimento da escola pública em Minas Gerais. da comunidade. por todos os meios possíveis. idéias. com fortalecimento da mineiridade a partir da atuação das escolas nos campos pedagógico. de esperança e de amor” (Paulo Freire) Escola Sagarana - 39 . científico. do estado e da nação. No plano estratégico. a valorização da cultura mineira.São metas da Escola Sagarana: Implantar e desenvolver a política de educação de qualidade para todos os mineiros. 5. contribuir para a formação do cidadão do próximo milênio com educação integral voltada para o exercício da cidadania e o desenvolvimento pessoal. cultural. profissional do cidadão. são prioridades da Escola Sagarana: Implantar o Sistema Mineiro de Educação Implantar o Sistema Mineiro de Avaliação da Educação Pública Implantar o Sistema de Formação Inicial e Continuada de Pessoal da Educação Implantar o Instituto Superior de Educação Implantar a Bolsa Familiar para Educação – Bolsa-escola. implementar e divulgar.

Não se trata simplesmente de uma nova marca. a Secretaria da Educação de Minas Gerais buscou em Guimarães Rosa a inspiração do termo Sagarana para a denominar a política educacional adotada no Estado. a riqueza da cultura regional. A inspiração em Guimarães Rosa e. Permanece em discussão um conjunto de pressupostos. ditada de cima para baixo por meio de resoluções ou portarias. ou história rica em acontecimentos marcantes ou heróicos . Não se trata de apenas um nome novo. ao mesmo tempo em que sua obra expressa. sociais e culturais. a busca da palavra “Sagarana” para denominar a política de educação em Minas. Por isso não é uma proposta terminada. particularmente. precisa levar em conta a diversidade regional. Trata-se de uma concepção de Escola e processo educativo que se está discutindo em Minas Gerais. com participação efetiva dos profissionais da educação. Uma política educacional comprometida com a democracia e a justiça social. Por esta razão. É a união do radical germânico SAGA . Rosa é reconhecido como um grande escritor da literatura universal. sem perder a perspectiva dos inúmeros laços comuns que unem todos os mineiros e o sentimento de brasilidade e universalidade. de origem tupi e representa a idéia de “à maneira de”. regionalista. A ESCOLA SAGARANA NO MUNDO ATUAL O mundo em que vivemos passa por profundas transformações. que só se consolidarão pela prática diuturna.que significa narrativa épica em prosa. brilhantemente. Escola Sagarana - 40 .O SIGNIFICADO DO TERMO “SAGARANA” Minas Gerais é um estado com muitas diferenças econômicas. a partir de 1999. se associa a uma dimensão maior de interesse universal”. “típico ou próprio de”. O processo de internacionalização da economia e as políticas de cunho neoliberal alteram de forma substantiva as relações sociais e a vida das pessoas. Rosa quis deixar a sugestão “de histórias em que o elemento local. Com o neologismo Sagarana. dos estudantes e dos pais. ocasionado pela mudança de governo. A proposta da Escola Sagarana parte do princípio da participação e da construção coletiva. A palavra Sagarana é um hibridismo cunhado por Guimarães para denominar o seu primeiro livro.com o elemento RANA. contém uma simbologia muito forte.

cresce a competição inescrupulosa. A escola convive com situações novas que. transforma todos em mercadoria. a escola de hoje também passa por grandes mudanças. na educação. há algum tempo atrás. numa sociedade profundamente injusta que. as políticas adotadas até aqui simplesmente reproduzem o quadro perverso das desigualdades sociais. cresce o individualismo egoísta. competitiva e individualista estão presentes no universo escolar. exclusão. porque fazem parte da vida das crianças e dos adolescentes. alguns valores se estabelecem como se fossem verdades absolutas e acabam por ditar as normas de convivência entre as pessoas. estão na agenda da escola pública hoje. obrigatoriamente. concentração de renda. Sob a capa da pretensa liberdade para a concorrência. a desestruturação familiar são alguns dos vários temas que.Cresce a exclusão social. as transformações em curso no mundo e no Brasil são incontestes. Como “lócus” privilegiado do processo educativo. realimentando o modelo e criando o círculo vicioso da pobreza criando pobreza. e viver talvez. Entretanto. por outro lado. Os meios de comunicação de massa divulgam valores e influenciam na formação de mentalidades. A escola pública trabalha com milhares de crianças e adolescentes que convivem cotidianamente com as contradições da sociedade. orientada pela lógica do mercado. A EDUCAÇÃO TRANSFORMAÇÃO E A ESCOLA NO MUNDO EM Se. eram impensáveis no cotidiano do trabalho pedagógico. nunca foi tão desafiante. Este é um tempo difícil. Os padrões de consumo acabam por desenvolver na consciência das pessoas a convicção de que ter é mais importante do que ser. Vivemos. a escola deve trabalhar na Escola Sagarana - 41 . mas como alternativa para a construção de uma modernidade que seja ética e humanista. não apenas como uma opção técnica voltada para as mudanças radicais que se processam no mundo do trabalho. E. nunca tenha sido tão arriscado. a discussão sobre a gravidez na adolescência. de fato. mas. as conseqüências de uma sociedade injusta. desigualdade. Sob o rótulo do respeito à individualidade. A questão do uso de drogas. por outro. Ao mesmo tempo. A educação no mundo de hoje assume um papel fundamental. por um lado. Cada vez um número maior de seres humanos não tem acesso aos recursos básicos para a sobrevivência. a escola pode e deve ser também um espaço de transformações. em tempos tão conturbados. Perde-se a perspectiva da importância do coletivo e a prática da solidariedade é cada vez mais restrita. o combate à violência. De fato.

Trata-se de um desafio: o desafio de se apropriar da democracia em toda a sua radicalidade. participação. não existe democracia só com eleição. o capitalismo brasileiro impôs à sociedade. A construção da cultura democrática no Brasil e em Minas Gerais é muito recente e. Isto é fundamental. não como uma ilusão. particularmente em Minas Gerais. É importante lembrar que as práticas clientelistas e fisiológicas têm profundas raízes na nossa cultura e influenciam o nosso cotidiano. justiça. Não existe democracia sem eleição. profissionais e de amizade. pode apontar para a construção de uma sociedade justa. compromisso com o coletivo e outros. A escola. afirmando e ou reafirmando valores como: solidariedade. Escola Sagarana - 42 . equidade. com a eleição de seus dirigentes pela comunidade escolar. de cima para baixo. resgatando a esperança e o potencial de cada ser humano para revolucionar a sua existência e a vida social. ainda é muito frágil. exclusivamente. além de ser uma marca política. mas não é suficiente para garantir o caráter democrático da ação educativa. é perpassada por uma série de contradições e incoerências. mas como a possibilidade concreta do vir a ser. A cultura democrática no Brasil. Ao se consolidar pela via do Estado. Ainda parece “natural” a predominância do “favor” e do “jeitinho” sobre o mérito e o direito. mas. inclusão. pluralismo. Democracia supõe liberdade. Para assumir este desafio. por outro lado. econômicas e culturais produzidas pelas elites. A nossa História sempre foi marcada pelo autoritarismo político e cultural. É fundamental recuperar a utopia. divisão do poder. Isto pode ser constatado no nosso comportamento cotidiano: nos relacionamentos familiares. por meio do processo educativo. as concepções políticas.formação do ser humano. a Escola deve ser essencialmente democrática. entendendo que ser radical “é tomar as coisas pela sua própria raiz”. é também cultural. Para alguns. por isso mesmo. É nesta perspectiva que está desenhada a proposta da Escola Sagarana. liberdade. A ESCOLA SAGARANA É A ESCOLA DEMOCRÁTICA A proposta da Escola Sagarana tem um compromisso explícito com a necessidade de mudanças sociais profundas. o processo de democratização da Escola é identificado. democrática e solidária. O autoritarismo.

todos os seus filhos na faixa etária de sete a quatorze anos. mas também impede a criança de ser criança. Feito o cadastramento. por isso mesmo. As famílias carentes recebem um benefício para que possam manter na escola. que não só ocasiona o abandono da escola. caso não sejam oferecidas às crianças condições objetivas. Para se cadastrar no Programa. Como a Escola democrática é um espaço privilegiado para a busca da liberdade e da equidade. Considerando a complexidade e as dimensões do Estado de Minas de Gerais. que garantam a sua permanência na escola. ter renda per capita familiar igual ou inferior a meio salário mínimo e ter residência comprovada no município por pelo menos três anos. O que é Bolsa-escola? A Bolsa-escola tem o objetivo de garantir a permanência da criança na escola. exigem-se das famílias os seguintes requisitos: ter filhos na faixa etária de sete a quatorze anos matriculados na escola pública. inclusiva. Todos sabemos da realidade perversa do trabalho infantil. a lei pode se tornar inócua. que são fundamentais para garantir a sua credibilidade e a sua eficácia. as famílias são selecionadas conforme as condições socioeconômicas devidamente apuradas pelos cadastradores. o Programa está sendo implantado gradualmente. Em uma sociedade socialmente injusta. pode-se dizer que a Escola Sagarana tem a sua proposta político-pedagógica alicerçada nos seguintes eixos: Garantia de acesso e permanência dos estudantes na escola. inclusiva. Hoje. como a que vivemos. ela é também um instrumento de combate à injustiça social. embora esta seja uma conquista muito importante. as condições socioeconômicas a que as famílias estão submetidas. começando pelos Escola Sagarana - 43 . a Constituição brasileira garante a todas as crianças e adolescentes este direito. É com esta perspectiva. bem como a conclusão com sucesso do tempo de escolaridade necessário. Entretanto. combatendo o trabalho e a prostituição infantil. necessariamente. Todas as crianças têm direito ao acesso à escola e têm direito de nela permanecer. Muitos fatores contribuem para incentivar a evasão escolar. Nesta perspectiva. constituem um obstáculo real ao processo de escolarização da criança. A escola democrática tem que ser.A proposta da Escola Sagarana supõe uma escola essencialmente democrática e. que o Programa Bolsa Escola é parte integrante da proposta da Escola Sagarana. O Programa se estrutura de acordo com uma série de critérios rígidos.

de acordo com os mesmos critérios. um antídoto poderoso. uma Bolsa-escola. no ano seguinte. que tenha este objetivo deve investir na Bolsa-escola como programa prioritário. a partir de 2002. é importante refletir também sobre as inúmeras crianças que são excluídas da escola por razões essencialmente pedagógicas. com o desenvolvimento de um conjunto de ações sociais integradas visando melhorar as condições de vida. qualquer proposta políticopedagógica. além dos reflexos sobre a economia local e a auto-estima dos beneficiados.municípios do Vale do Jequitinhonha e tendo como critério de prioridade os indicadores socioeconômicos de cada cidade da região. isto é com a participação democrática da comunidade escolar. A meta é atingir toda a região. Entretanto. Por ser uma política garantidora da inclusão. O Programa Bolsa-escola enquanto proposta político-pedagógica O Bolsa-escola não é uma ação assistencialista ou uma política compensatória. Trata-se de uma política de educação: combate a evasão. A manutenção do benefício exige que todas as crianças tenham uma freqüência mínima de 90% às atividades escolares. O Programa prevê também o acompanhamento sistemático das famílias. ela é. os processos de monitoramento e avaliação realizados apontam resultados altamente positivos. o projeto político-pedagógico deve ser construído coletivamente. à melhoria das condições de vida das famílias. O valor do benefício também pode variar. O projeto político-pedagógico de qualidade para todos A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional diz que “as escolas deverão elaborar e executar a sua proposta pedagógica” e que “os professores deverão participar desta elaboração”. o programa beneficiou 10. foi estendido para mais 11 municípios e 6. Na concepção da Escola Sagarana. ao aumento da freqüência escolar. No ano de 2000.500 famílias. incentiva o sucesso escolar e resgata a cidadania. Afinal. Por isso. É importante destacar que cada família selecionada recebe um benefício. pensando na exclusão motivada pela miséria social e econômica. à integração das famílias às escolas. Em vários locais do Brasil onde o Programa foi implantado. independente do número de filhos. para que a concessão do benefício possa vir a ser desnecessária. uma escola democrática e inclusiva deve elaborar e executar um projeto políticopedagógico de qualidade para TODOS. Escola Sagarana - 44 . em relação ao aproveitamento escolar dos alunos. sem nenhuma dúvida.500 famílias em 19 municípios do Vale e. ou seja.

A concepção da Escola Sagarana. Isto significa que a participação dos profissionais da educação e de outros segmentos da comunidade deve se efetivar em todas as etapas de elaboração e execução do projeto. Neste caso. sem perder de vista as especificidades do trabalho escolar. . mas para contribuir com o projeto político.o planejamento participativo numa escola democrática tem como ponto de partida o marco referencial. democrática e solidária. Cabe ainda discutir o significado do processo de participação para a proposta da Escola Sagarana. por várias razões. Escola Sagarana - 45 . dentre as quais é importante destacar: . em “harmonia”. Não é verdade. especialistas e servidores não devem se preocupar apenas sobre o “como fazer” ou o “com que fazer”. Há. necessariamente. pelo planejamento participativo. mas também sobre “o que fazer” e “para que fazer”. na perspectiva da justiça social. é apenas uma questão de nomenclatura. Hoje. visando uma escola democrática e inclusiva. romper com os preconceitos e não ter medo de se discutir a dimensão política do projeto pedagógico.Há uma grande discussão sobre a pertinência ou não de se incluir a palavra política. . A concepção de educação presente na proposta da Escola Sagarana entende que a escola pode e deve contribuir para a construção de uma sociedade justa.a necessidade de se partir de um marco referencial. trabalhar. Há os que argumentam que a diferença que se estabelece entre projeto pedagógico ou projeto políticopedagógico. onde está incluída a dimensão política da opção e da ação coletiva. O conhecimento das técnicas de planejamento é muito importante. do ponto de vista da teoria como da prática. todas as correntes de pensamento presentes na área da educação defendem a importância da participação. como o caráter participativo do planejamento significa que o projeto pedagógico tem o compromisso de contribuir com a transformação da sociedade. É preciso. os que defendem a participação desprovida de conflitos. São concepções diferentes de escola e de processo educativo.a construção coletiva de um projeto político-pedagógico passa. portanto. participar significa apoiar. Entretanto. Os professores. bem. quando se trata de proposta ou projeto pedagógico.a construção do projeto político-pedagógico não se restringe a uma questão de técnica de planejamento. por exemplo. sustenta a necessidade de se trabalhar na perspectiva do projeto político-pedagógico. . existem formas variadas de se entender o significado da participação. praticamente.

A participação efetiva supõe a convivência com a pluralidade das idéias. trabalha com o pressuposto de que todos podem aprender. A construção coletiva de um projeto político-pedagógico de qualidade tem como um de seus eixos fundamentais a equidade. É assim que a proposta da Escola Sagarana entende que deve se dar a participação. com a ética. como agente de mudanças. desde que não decidam. Nesta perspectiva. com a formação da cidadania. democrática e inclusiva. o autoritarismo presente em nossa formação cultural e política sempre valorizou o “culto” à obediência. Isto significa que as oportunidades educacionais devem ser garantidas a todos. com todas as dimensões do ser humano. com a sexualidade. é fundamental fazer uma revisão da teoria e da prática pedagógica. a escola incorporou a concepção de que o ato de educar estava relacionado. algumas questões devem ser destacadas. com o processo de ensino.O desafio de fazer aprender A Escola Sagarana. capaz de interferir no processo histórico de forma positiva.A função da escola Tradicionalmente. transformando o direito de divergir em insubordinação. Além dos processos cognitivos. quase que exclusivamente. fazer o que está previsto que se faça. As pessoas participam. A escola pública. Entretanto. Ao assumir esta função. É claro que nenhum educador será contrário à paz e à harmonia. atualmente. com o conflito e a garantia do poder de decisão. com a discordância. Para responder a todos os desafios que lhe são impostos. Escola Sagarana - 46 . a escola se coloca diante da sociedade. O processo de ensino e aprendizagem assume. é essencial trabalhar com as crianças e adolescentes os aspectos relacionados com a afetividade. 2 . A escola de hoje tem como função formar o ser humano.colaborar. para que o discurso da construção coletiva se transforme em prática permanente. mas não é a sua única dimensão. Ensinar é um componente importante do processo educativo. uma outra perspectiva: mais importante do que ensinar é fazer aprender. quando se discute o projeto político-pedagógico da escola: 1 . a construção dos consensos que são fundamentais para que a paz se participação que escamoteia as divergências é o mesmo que descarta qualquer possibilidade de divisão do poder. assim. passa por profundas mudanças e convive no seu dia-a-dia com inúmeras situações novas.

Isto significa que o conhecimento não é algo pronto e acabado e os livros didáticos não são portadores de verdades imutáveis.A contextualização dos currículos: a relação da Escola com a vida Para formar seres humanos. ética. 7 . Escola Sagarana - 47 . influenciada pelos diversos contextos históricos. São sujeitos ativos do processo educacional. é essencial que se compreenda a importância de se trabalhar a interdisciplinaridade. ecologia. A aquisição de competências e habilidades passa pelo processo de interação entre as diversas disciplinas o que favorece. portanto. integradores do projeto político-pedagógico. habilidades e procedimentos interferem de forma decisiva na estruturação dos currículos.3 . o currículo implementado pela escola deve estar em permanente sintonia com a vida.Os seres humanos são diferentes O compromisso com a formação do ser humano e com o desafio de fazer aprender tem que levar em conta as diferenças individuais dos alunos. 5 . 4 . a sua aplicação prática na realidade vivida pelos alunos. com interação permanente para necessária aquisição de competências e habilidades e para a formação de valores e procedimentos.Os alunos são sujeitos do processo do conhecimento As crianças e os adolescentes não são meros depositários do conhecimento acumulado pela humanidade ao longo dos anos. bem como os conhecimentos e experiências que os alunos possuem. A definição de eixos temáticos. 6 . além de uma visão integrada do conhecimento. A ruptura com a visão estanque do conhecimento como algo pronto e acabado exige uma nova visão sobre a estrutura e dinâmica dos currículos na escola. Temas como cidadania. Neste sentido.A definição de competências. É fundamental considerar sempre a importância da pesquisa.O conhecimento é uma construção histórica e social A produção do conhecimento é um processo social e. pode ser o mecanismo operacional para garantir a discussão desses temas em todas as atividades curriculares. sexualidade e outros devem estar presentes em todo o currículo. respeitando os ritmos e as características de cada um.

portanto. por isso mesmo. identificar problemas e redirecionar os rumos do processo educativo. permanente e contínuo. que passam pela concepção do trabalho pedagógico e transformam substantivamente a rotina da escola. se identifica com a ausência de aprendizagem. qualitativo. Cabe destacar que progressão continuada não é promoção automática.8 . deve ser visto como uma forma permanente de aprimoramento. muitas vezes.A avaliação e o compromisso com o sucesso escolar A avaliação deve ser compreendida como uma estratégia para realizar diagnósticos. a avaliação não é acumulativa. A progressão continuada supõe a aprendizagem concebida na referência de que todos podem aprender. construindo junto às crianças e aos adolescentes. nem classificatória.A organização dos tempos e espaços escolares O projeto político-pedagógico. O desafio é formar uma outra cultura de avaliação. inclui também a aprendizagem. A escola tradicional e excludente faz. A escola de qualidade para todos. que tem como meta fazer aprender. O seu objetivo é detectar os avanços e as necessidades de correção no processo pedagógico de formação dos alunos. de forma progressiva e em ritmos diferentes. o trabalho dos profissionais da educação deve ser coletivo. Esta reorganização deverá levar em conta a necessária Escola Sagarana - 48 . Nesta perspectiva. mas do trabalho integrado de todos os profissionais da escola. Longe de ser um instrumento de coerção e angústia. Isto implica mudanças radicais. 9 . por isso. o que. O compromisso da escola democrática e inclusiva é com o sucesso e. com outra concepção de avaliação. exige que a escola redimensione a organização de seus tempos e espaços. evidentemente. que tem compromisso com a educação de qualidade para todos. esta falsa relação. A avaliação deve investir no sucesso escolar e. 10 . é importante garantir o mecanismo da progressão continuada. a noção de que este é um processo importante e estará presente em todos os momentos de suas vidas.O trabalho pedagógico é coletivo Na escola democrática e inclusiva. A promoção automática. Não se trata mais da ação individual de cada professor ou de cada especialista. faz da avaliação um processo formativo e. da forma como é tratada. É preciso garantir o espaço e o tempo necessários para que os profissionais possam realizar reuniões periódicas de planejamento e acompanhamento do processo educativo. nem punitiva.

o trabalho coletivo do professor. entretanto. É preciso. Este tipo de organização favorece o acompanhamento das diferenças individuais dos alunos. é preciso ter clareza da complexidade e das dimensões possíveis da autonomia. A gestão democrática da escola A escola democrática e inclusiva tem que ter uma gestão democrática. neste caso. pela construção do projeto político-pedagógico. A autonomia deve garantir à Escola a construção de uma identidade própria. Por um lado. A Autonomia e a gestão democrática da Escola A proposta político-pedagógica da Escola Sagarana investe na autonomia e na gestão democrática da unidade escolar. ou seja. manter a articulação sistêmica entre as várias e diferentes escolas de Minas Gerais. democrática e inclusiva. quando se trata de um Sistema Público de Educação. merece uma profunda reflexão por parte dos dirigentes escolares. levando em consideração as suas especificidades e as diferenças regionais. O tema da autonomia da escola pública. é verdade que não existe escola democrática e inclusiva sem autonomia. necessariamente. Por outro lado. de acordo com as referências já citadas. a organização em ciclos garante aos profissionais da educação a liberdade pedagógica e a flexibilidade indispensável para implementar o processo educativo.flexibilidade para se ajustar à concepção da escola formadora de seres humanos. A capacidade de inter-relacionar as particularidades próprias de cada unidade escolar com os aspectos gerais do sistema é o que pode assegurar uma política educacional fundamentada no coletivo e com a necessária visão de organicidade do todo. A escolha dos dirigentes pela comunidade escolar é fundamental nesse processo. os colegiados escolares desempenham um papel fundamental. A concentração do poder seja na figura do dirigente ou até no controle de um determinado segmento da Escola Sagarana - 49 . mas não é suficiente para se consolidar uma gestão democrática. Ela passa. entretanto. A estrutura de poder tem que ser democratizada e. enquanto instâncias de flexibilização e divisão efetiva do poder. a execução do currículo interdisciplinar e a avaliação com progressão continuada. preservando a sua identidade coletiva. o seu caráter público. É importante destacar que a autonomia não se restringe apenas ao aspecto financeiro ou administrativo da escola. bem como por toda a comunidade. No ensino fundamental.

A educação continuada. deve considerar que este processo tem várias dimensões e diversos atores envolvidos. o trabalho que se desenvolve no interior da escola é fundamental. acumularam-se distorções. acaba por favorecer a reprodução de vícios típicos de uma cultura autoritária: fisiologismo. 2 . ao refletir sobre um projeto político-pedagógico compromissado com a valorização de seus profissionais. do desafio de investir em novos comportamentos diante da importância do conhecimento. É fundamental compreender que valorizar os profissionais da educação exige um conjunto articulado de políticas. é importante compreender que. manipulação. etc. cabe destacar os seguintes pontos: 1 . como processo social e permanentemente construído. bem como outros processos de capacitação fazem parte do esforço para valorizar o trabalho de professores e especialistas. O investimento em carreira. especialistas e servidores. A Escola Sagarana tem nos seus profissionais os grandes agentes da mudança no processo educacional. Escola Sagarana - 50 . de fato. por conseqüência qualquer projeto político-pedagógico só será viabilizado com a valorização permanente de professores. porque afeta diretamente o núcleo do poder. clientelismo. resultantes da política de pessoal implementada pelo Estado na área da educação. Ao longo dos anos. O poder público responsável por tais iniciativas já tem consenso sobre esta necessidade e tem implementado as providências pertinentes.comunidade escolar. que envolvem o poder público. A escola democrática.A implantação de um novo plano de carreira é essencial para o processo de valorização dos profissionais e para consolidar a escola democrática. Nesta perspectiva. Generalizou-se de forma acentuada a figura do profissional designado.A valorização dos profissionais da educação. No caso específico da gestão da escola. O nosso desafio é construir uma cultura democrática. além da ação do poder público para viabilizar tais projetos. Trata-se. o que dificulta o trabalho pedagógico e o avanço de projetos consistentes. D . Neste sentido. concurso público e nomeações de profissionais efetivos é imprescindível para o êxito da Escola Sagarana.A valorização dos profissionais da educação não se restringe apenas ao desenvolvimento das políticas abordadas anteriormente e não pode ser atribuído exclusivamente às ações de responsabilidade do poder público. em Minas Gerais. a escola e os próprios educadores. essa tarefa é ainda mais desafiante.

a valorização dos profissionais da educação é um processo que envolve a participação de diferentes atores. mas como uma necessidade para a realização do trabalho pedagógico coletivo. além da ação do poder público. Alem das ações do poder público. é o próprio educador. é importante deixar claro que esta é uma visão pragmática e reducionista dos processos de capacitação. E . o ator decisivo para consolidar este processo. das diferentes estratégias que podem ser utilizadas pela escola. exige que a Unidade Escolar esteja compromissada com a sociedade e inserida concretamente em sua comunidade. é preciso trabalhar junto aos profissionais da educação. Incentivar o resgate da auto-estima dos profissionais da educação. os processos de capacitação foram compreendidos pelos professores e especialistas como instrumentos para corrigir defasagens de formação. A escola democrática investe na educação continuada como processo permanente de construção do conhecimento. Como foi dito anteriormente. ampliando cada vez mais a sua participação no projeto políticopedagógico da escola. 3 . A mesma concepção do conhecimento e de desenvolvimento curricular prevista no projeto políticopedagógico da escola. Escola Sagarana - 51 . enquanto instituição.A relação da escola com a comunidade A proposta da Escola Sagarana . por todas as suas características já apontadas neste texto. deve permear a formação permanente de professores e especialistas. como também para garantir "acesso” a melhores níveis salariais. Sem desconhecer a pertinência desse tipo de incentivo.Durante muito tempo. dos seus desafios no mundo de hoje e seu compromisso com as mudanças sociais leva o educador a valorizar o seu trabalho. O investimento em educação continuada deve ser uma exigência dos profissionais não só pelos benefícios salariais que dela possam decorrer. neste caso. A compreensão da função da Escola. A escola democrática e inclusiva deve ser contemporânea de seu próprio tempo e a sua relação com a sociedade e com a vida está presente em seu projeto políticopedagógico. Esta é uma tarefa complexa. Por isso. uma outra cultura sobre a importância do conhecimento. em cada unidade escolar. porque interfere de forma direta em comportamentos já cristalizados no cotidiano de professores e especialistas.Uma nova compreensão sobre o significado da educação continuada está diretamente relacionada com o processo de auto-valorização. Talvez. este seja o maior desafio da escola democrática.

Na área educacional. envolvendo as áreas de educação. Mesmo Escola Sagarana - 52 .É preciso ir além das relações artificiais. sem um entrosamento permanente com a educação. a Escola manteve com a comunidade: relacionamentos esporádicos. é possível dizer que todas as políticas sociais ficam comprometidas em sua essência .. É preciso construir um relacionamento sólido. Este é um processo de grande complexidade. exigem também por parte do setor público. que tradicionalmente. saúde. . humanismo e solidariedade. mas não é o caso. uma integração sólida das várias políticas sociais.permeando toda a proposta da Escola Sagarana. para o seu pleno funcionamento. que exigem. esta necessidade está presente no dia a dia da Escola . capaz de garantir a sua integração com as políticas educacionais em geral. Resguardadas as especificidades dos objetivos institucionais e de cada nível de ensino. A Escola Sagarana e a integração com as políticas sociais públicas As grandes mudanças que ocorrem no mundo. Da mesma forma. bem como um espaço privilegiado de luta pelos ideais de justiça. Neste aspecto. a relação do ensino superior com as políticas de educação básica assumiu a perspectiva da prestação de serviços. Trata-se de formar uma nova cultura política na administração pública. Hoje. agentes permanentes de integração com os seus problemas e suas necessidades. cabe destaque para os Centros de Atenção Integral à Criança e ao Adolescente.A proposta da Escola Sagarana e seu relacionamento com as Instituições de Ensino Superior Partindo-se do pressuposto de que a educação é um processo global. da mesma forma que exigem uma redefinição do papel da Escola . por isso mesmo. Outros vários exemplos poderiam ser citados. caracterizados por comemorações festivas de determinadas datas ou acontecimentos. É nesta perspectiva que se coloca a proposta de Gestão Consorciada. vários projetos que exigem esta integração poderiam ser citados. o esforço de integração das diversas políticas sociais. envolvendo os mais variados atores e. é fundamental que se estabeleça um relacionamento com as Instituições de Ensino Superior. deve ser construído com a compreensão necessária sobre a grandeza de seu significado. Tradicionalmente. cultura. trabalho e promoção social. A comunidade precisa identificar na Unidade Escolar e no processo educativo. O êxito de grande parte dos projetos educacionais depende dessa integração. qualquer dicotomia que se estabeleça entre educação básica e educação superior é artificial.

que implica outra concepção de Escola e processo educacional. Por esta razão .Conclusão Embora já tenha sido enfatizado. O Sistema Mineiro de Avaliação da Educação Pública (Simave). parceiras efetivas e. A proposta de gestão consorciada transcende a prestação de serviços e identifica nas Instituições de Ensino Superior. 7 . para o êxito da proposta da Escola Sagarana e a consolidação das diretrizes de seu projeto político. apresenta uma série de dificuldades para a sua operacionalização. ex-secretária-adjunta da Educação de Minas Gerais Escola Sagarana - 53 . A concepção da “Escola Sagarana” não é apenas uma nova marca para caracterizar uma mudança de governo. É muito mais que isso. que . hoje ela é insuficiente. É uma outra concepção de sociedade. indispensáveis. portanto. evidentemente.reconhecendo a validade dessa dimensão. Trata-se de uma nova perspectiva. Trata-se de uma construção coletiva que depende da participação da comunidade escolar e de todos os atores sociais compromissados com a educação.pedagógico. com a concepção de gestão consorciada. já trabalha com uma rede de Instituições de Ensino Superior. _______ * Professora de História. é importante destacar novamente que a proposta da Escola Sagarana não é um projeto terminado. este também é um processo a ser construído. iniciado no ano 2000.

já que todos os especialistas concordam com a necessidade de identificar novas fontes de recursos e criação de mecanismos para a manutenção e desenvolvimento do ensino médio e da educação infantil. de forma a reduzir os efeitos da descontinuidade administrativa. as principais ações desenvolvidos foram o programa Bolsa Familiar para Educação – Bolsa-escola e o Programa Mineiro de Atenção Integral à Criança e ao Adolescente (EducAção). além do Programa de Alimentação Escolar. deve ser permanente e transformadora. O objetivo geral dessas diretrizes e planos é definir políticas permanentes para a Educação em Minas Gerais. tendo em vista as dimensões do estado e as profundas diferenças regionais existentes. Escola Sagarana - 54 .1 – Fórum Mineiro de Educação A construção coletiva de um sistema de educação é uma tarefa complexa. com estruturas adequadas e ajustadas às metas e objetivos. o destaque é para ações e políticas públicas integradas que perseguem a equidade como critério e a justiça social como meta da política educacional. Com esse objetivo.6 – A Educação em Minas no século XXI O plano de ação da Secretaria da Educação de Minas Gerais obedece a diretrizes contidas em três eixos estratégicos. Foram adotadas ainda ações destinadas a promover a desoneração do Estado e a cooperação com os municípios. em discussão a questão do financiamento da educação. No campo pedagógico. convertendo as ações estratégicas de governo em políticas de Estado. de longo prazo. Em Minas Gerais. uma descrição sintética dos principais programas e projetos propostos ou em desenvolvimento na Secretaria da Educação de Minas Gerais. após a avaliação inicial. contudo. No plano administrativo e financeiro. Uma das principais ações foi a implantação do Sistema Mineiro de Avaliação da Educação Pública (Simave). A seguir. Permanece. No âmbito social. buscou-se a definição de um perfil de atuação baseado em critérios de qualidade e eficiência. os programas foram definidos com o objetivo geral de promover uma correção de rumos e ajustes. é um desafio. sempre tomando por base os princípios da Escola Sagarana. dentro das condições gerais e do momento histórico do Estado. particularmente. ao mesmo tempo em que eram aprofundadas as discussões para a formulação de uma política educacional consistente e coerente com os objetivos maiores do estado de Minas Gerais e do desenvolvimento da comunidade mineira. que supõe persistência e participação. 6.

conforme o desejo expresso no documento final do 1º Fórum Mineiro de Educação.O debate para a construção do Sistema Mineiro de Educação precisa. Com tais pressupostos. O objetivo é. Por isso a Secretaria da Educação convocou a Segunda edição evento – iniciada em junho de 2001 e com encerramento programado para outubro de 2001 – com a tarefa primordial de fornecer subsídios para a formulação de proposta de uma Lei de diretrizes e bases da educação mineira. necessária para o sucesso do processo educacional. capaz de suplantar os entraves da descontinuidade administrativa provocada pela sucessão e alternância de governos mais ou menos comprometidos com os princípios da educação de qualidade para todos. a instituição de uma instância permanente de avaliação. primordialmente. Na convocação do 2º Fórum Mineiro de Educação também pretendeu-se gerar subsídios para a formulação de um Plano Decenal para educação no estado. especialmente os contidos nas legislações federal. então. Sobretudo. levar em consideração os instrumentos legais já existentes. estadual e municipais. que busca a todo tempo avançar e conquistar novos espaços para o desenvolvimento da sociedade e da comunidade mineira. esse debate deve alimentar-se de um ideal de inovação e de transformação. contendo princípios e objetivos gerais compostos a partir da consulta à sociedade e aos agentes da educação. Escola Sagarana - 55 . negociação. capaz de gerar e alimentar uma espécie de compromisso em torno questões cruciais para as próximas gerações e para o futuro do estado e do país. a Secretaria da Educação de Minas Gerais vem propondo aos educadores mineiros. bem como os documentos e declarações produzidos nos fóruns internacionais e reafirmados pelo Brasil. realizado em agosto e setembro de 1998. instituir na forma de lei uma política de estado para a educação em Minas Gerais. construção e renovação do Sistema Mineiro de Educação.

seja no campo administrativo e financeiro. O plano tem duas vertentes .7 – Programas estratégicos 7. criar canais de comunicação direta entre o governo e o cidadão. destinada a integrar as ações setoriais e a ser um banco de dados aberto ao público. METAS: facilitar o acesso do cidadão. reserva de vagas e matrículas nas escolas mineiras. OBJETIVO: Promover a modernização administrativa do órgão central e sua interligação por infovias com as superintendências regionais de ensino e as escolas.do planejamento à didática nas salas de aula. automatizar os processos administrativos internos no órgão central da Secretaria da Educação. O programa conta com a consultoria da Prodemge. adaptação de normas e procedimentos e reestruturação setorial. ESTRATÉGIA: o programa é dividido em projetos tecnológicos que contemplam as fases de diagnóstico. própria da Educação. cada vez mais.uma de integração das ações governamentais. Escola Sagarana - 56 . informatizar o sistema de registro. análise. Para alcançar esse patamar e. a Secretaria da Educação elaborou o seu Plano Setorial de Informática. modernizar a administração escolar e o Sistema Mineiro de Educação. dinamizar o andamento de projetos e ações. desenvolvimento. atender. terão que contar com o suporte da computação . levando em conta a proposição de nova estrutura administrativa para a Secretaria da Educação. colocar-se ao alcance do cidadão em todas as suas demandas.1 – Programa de Modernização Tecnológica Para manter-se sintonizada como o futuro. a educação de Minas no XXI terá na informática um de seus mais fortes aliados. participando da rede informacional do governo de Minas Gerais e outra. seja no campo pedagógico ou da democratização das ações. às solicitações do cidadão e dos servidores públicos da área de educação. para dar visibilidade e transparência aos atos do governo. Esta é uma definição de caráter estratégico. para serem exeqüíveis. uma vez que todas as atividades previstas pela política pública de educação. via rede de informática. democratizar a ação governamental no campo da educação. das entidades públicas e particulares e dos órgãos de comunicação social às informações. implantação e atualização de sistemas e equipamentos.

coordenar e implementar a política educacional. integrando toda a administração local e regionais via internet. gestão de projetos e orçamentos. como também as Superintendências Regionais de Ensino. 7. As avaliações internas sobre o desempenho geral dos diversos órgãos e entidades apontaram para a necessidade de implantação de novas formas de gestão. custo aluno(SICA). com a redução dos trâmites internos. promover a gestão participativa e democrática. a racionalização administrativa e a reorganização estrutural da Secretaria. OBJETIVO: Tornar mais dinâmica e transparente a estrutura organizacional da Secretaria da Educação de Minas Gerais. ainda. gestão de pessoal. Verificou-se. Foram estudadas novas formas de agrupamento das atividades e distribuição dos recursos humanos. a necessidade de promover ajustes estruturais e redirecionamento orgânico e funcional.SITUAÇÃO: Iniciado em 1999. valorizar os Escola Sagarana - 57 . convênios com prefeituras. política e social. Tais mudanças devem atingir não só o órgão central e as entidades vinculadas. Para cumprir esses pressupostos com eficácia e eficiência. sítio na Internet. controle de transferência de recursos para as escolas. Com isso. de controle de despesas com viagens. garantir a descentralização das ações. bem como com as peculiaridades regionais do Estado. promover a autonomia da escola. cadastro de escolas e prédios escolares. de gerenciamento de recursos humanos(EDAB). de planejamento e de execução com base nos critérios e princípios da política educacional definida pelo governo mineiro.2 – Programa de Modernização Administrativa e Valorização do Pessoal da Educação A missão da Secretaria da Educação consiste em desenvolver. Foram implantadas redes de comunicação no campus da Secretaria. ofertar educação de qualidade para todos e valorizar o profissional da educação. foram implantados sistemas de controle para as áreas administrativa e financeira. despesas com energia elétrica e água. bem como a criação de mecanismos atualizados de assessoramento. pretendeu-se substituir formas antigas e burocratizadas por estilos modernos e recursos técnicos e gerenciais inovadores. inscrições para exames supletivos. a estrutura organazional deve ter sintonia com as mudanças de ordem econômica. o programa está em andamento e com várias etapas executadas. assegurar o princípio da equidade.

Escola Sagarana - 58 . sistemas e procedimentos de forma a dar mais eficiência à administração. Em abril de 2001. estabelecer um plano de carreira. O Plano de Carreira do Pessoal do Magistério foi debatido e elaborado por uma comissão paritária formada por técnicos da Secretaria e representantes do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE). profissionalizar o servidores. várias medidas foram adotadas para ajustar a administração da Secretaria às condições atuais. garantir eficácia e eficiência às ações do governo no campo da educação. O projeto foi aprovado e encaminhada à sanção do governador Itamar Franco. A nova estrutura da Secretaria da Educação foi objeto de estudos e propostas encaminhadas à Secretaria de Estado do Planejamento e Coordenação Geral. METAS: reorganizar as superintendências regionais de ensino quanto às suas jurisdições. Como resultado. melhorar a qualidade da educação. planos de ações e metas de governo. ESTRATÉGIA: fortalecer a adoção de critérios técnicos na administração da Secretaria. criar e aperfeiçoar instâncias. a realização de concursos públicos para preenchimento de mais de 53 mil vagas nas escolas. AÇÕES: Desde o início de 1999. democratizar as ações da Secretaria pelo acesso público às informações.profissionais da educação. o poder executivo enviou projeto de lei à Assembléia Legislativa propondo a reestruturação da Secretaria. competências e mecanismos de atuação. por meio de decreto. o governador Itamar Franco determinou. estabelecer programas de treinamento e formação continuada para todos os profissionais da educação. superintendências regionais e administração central da Educação. cargos e salários compatível com a missão de educar e com as funções exercidas. fortalecer os concursos públicos como forma de ingresso de servidores. A proposta foi encaminhada ao governo para avaliação de impacto funcional e financeiro. valorizando sua formação e aperfeiçoamento.

é coordenado pela Faculdade de Educação da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Um acordo assinado com o Ministério da Educação Nacional. do qual participam outras 27 instituições regionais de ensino superior e todas as superintendências regionais de ensino. parcerias e cooperação entre e a sociedade. Uma construção coletiva Os princípios gerais. realizado em 1999 para discutir estratégias. Como resultado da avaliação. A formação de uma rede de instituições de ensino superior. proposta pela Secretaria da Educação no “Seminário Travessia para o Futuro”. da França vem possibilitando o intercâmbio técnico e científico. através do Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação. O Simave foi implantado no ano 2000. Ciência e Tecnologia. aproveitando a experiência francesa de avaliação educacional praticada naquele país há 25 anos. a gestão. dependem do trabalho pedagógico cotidiano de cada professor. Seu objetivo final é a valorização da escola pública e a melhoria da qualidade da educação. metodologias de avaliação qualitativa e formativa e de progressão continuada. O Simave é o executor do Programa de Avaliação da Educação Básica (Proeb). Alguns municípios já aderiram ao sistema para terem suas redes de ensino também avaliadas. Ele é um dos resultados mais importantes da política de gestão consorciada do Sistema Mineiro de Educação. o governo e as instituições de ensino instaladas em Minas Gerais.7. Afinal. trabalhando em conjunto com as Superintendências Regionais de Escola Sagarana - 59 . foi instituído o Sistema de Apoio Pedagógico (SIAPE) destinado a orientar as escolas e desenvolver em cada uma ações de apoio aos professores e aos alunos. a estrutura organizacional e as características de execução do Sistema Mineiro de Avaliação da Educação Pública evidenciam que todos os atores sociais envolvidos no processo educativo têm participação decisiva no SIMAVE. por mais bem intencionadas e bem formuladas que sejam.3 Sistema de Avaliação da Educação Pública (Simave) O Simave é um mecanismo estratégico de diagnóstico e planejamento da política educacional de Minas Gerais. para obterem sucesso. as políticas educacionais. A primeira etapa da avaliação ocorreu em outubro/novembro de 2000. públicas e privadas. quando cerca de 650 mil alunos da rede pública em todo o estado foram avaliados quanto ao nível de proficiência em Língua Portuguesa e Matemática. a formação de pessoal especializado em nível de pós-graduação e o aperfeiçoamento do sistema no Brasil.

Primeiro. explícita. E o SIMAVE é um instrumento fundamental para se repensar. registrando-se extraordinária expansão da rede de ensino público. o fato de que. com representantes dos municípios. que já nos anos 80 garantia vagas suficientes para o atendimento a cerca de 90% da população urbana de 7 a 14 anos. Entretanto. posteriormente. é acreditar que o melhor instrumento para se atingir a eqüidade e a justiça social é a oferta de uma escola de qualidade para todos.Ensino. A rede de ensino. Apesar das dificuldades. as escolas de Minas Gerais têm uma história reconhecida. Escola Sagarana - 60 . que privilegiava as regiões mais desenvolvidas e as populações abastadas. já que o acesso à educação era restringido por lei aos "homens livres". apesar da ampliação da rede física. a exclusão ocorria pela insuficiência de vagas na rede de ensino público. vem discutindo a sua prática e implementando transformações de forma competente. Isso explica. Construir uma nova cultura de avaliação implica ruptura com as práticas tradicionais ainda em vigor no cotidiano da escola. Não se trata apenas de aplicar testes. há algum tempo. a garantia do acesso à escola não estava resultando numa melhoria do perfil de escolaridade da população brasileira. em Minas Gerais. Exclusão X Inclusão Ao longo de seus quase cinco séculos. as políticas do setor. os profissionais da educação são comprometidos com o sucesso do processo educacional. Investir no Sistema de Avaliação da Educação Pública. democrática e de qualidade. Tudo isto confere à escola de Minas as credenciais necessárias para continuar avançando na busca da Escola em que todos acreditam: autônoma. É claro que transformações deste porte não acontecem de uma hora para outra. pela exclusão direta. Existem inúmeros fatores que contribuem para o fracasso escolar. evidencia que a avaliação passa a ser compreendida na sua dimensão social. esta situação vem se modificando. Sobretudo. apesar do crescimento experimentado. mais que o sistema educacional como um todo. a história da educação brasileira tem sido marcada pela exclusão. Os diretores das escolas são escolhidos por suas comunidades e têm a consciência da importância da gestão democrática e eficiente. as estatísticas confirmavam a permanência do caráter excludente. Enfim. mas de formular democraticamente. Nos últimos 40 anos. em parte. quando o acesso à educação já era garantido a todos do ponto de vista jurídico-formal. mais que apostar. em conjunto com a comunidade educacional. o dramático perfil de escolaridade da população brasileira pouco tenha mudado. o trabalho pedagógico na escola. dos professores e dos alunos. de trabalho permanente e de luta pela qualidade do ensino.

econômica. criando ainda uma imagem de que o bom professor seria aquele que identificasse melhor esses dois segmentos. a própria estratégia de avaliação costumeiramente adotada. que habilite seus alunos a uma participação efetiva na vida política. Não basta garantir para todos o acesso à escola. também é verdade que alguns aspectos do trabalho pedagógico concorrem efetivamente para aqueles maus resultados. foi mantida em segundo plano. da avaliação do desempenho escolar. tenham a oportunidade de acesso e permanência na escola. os "capazes" e os "incapazes". O sistema de avaliação Escola Sagarana - 61 . No contexto dos esforços pela democratização da escola pública no Brasil. Ou seja. racial ou étnica. Esse instrumento apontava os "competentes" e os "incompetentes". mesmo durante os anos 70. social. e outros que dizem respeito à situação socioeconômica do país. independente de sua origem ou condição social. é bom destacar. aqueles que seriam premiados e aqueles que seriam punidos. de predestinação ao fracasso escolar quando se trata das crianças que vêm dos segmentos de menor renda. Com efeito. a questão da avaliação educacional e. quando a maioria dos profissionais da educação denunciava incessantemente o uso da educação. Ao invés de premiar ou punir. como um instrumento de legitimação das desigualdades sociais. a avaliação deve diagnosticar e apontar os fatores técnicopedagógicos que dificultam à maioria das crianças brasileiras o domínio dos conhecimentos e habilidades considerados necessários ao êxito nas suas trajetórias escolares e em suas vidas. cultural. intransigente. ou seria aquele que reprovasse a maioria – esse era tido como um professor sério. é preciso que se transforme a avaliação em instrumento de identificação dos problemas do sistema educacional e do processo ensino e aprendizagem. tais como.entre eles alguns que são externos à escola. social e econômica do país. Mas. exigente. mais especificamente. Para tanto. deve desenvolver-se numa perspectiva inclusiva. no Brasil. Por muito tempo a avaliação foi utilizada como instrumento de seleção daqueles que passariam a integrar o seleto grupo dos "incluídos". a avaliação pode e deve ser um instrumento que favoreça os objetivos democráticos da eqüidade e da igualdade na área da educação. portanto. é indispensável repensar as práticas de avaliação tendo em vista fazer com que elas percam o histórico caráter de certificação da desigualdade. é preciso garantir que todos. A educação de qualidade. política e economicamente.

Os mecanismos para se fazer avaliações do sistema educacional são muitas vezes vistos com desconfiança pela comunidade escolar. foi constituído o Conselho Deliberativo. é um avanço qualitativo. o SIMAVE é descentralizado. identificação de problemas e. integrado por representantes da Secretaria de Estado da Educação. quando for o caso. Os processos avaliativos. como mera prestadoras de serviços. entretanto. portanto. as perspectivas global e universal. a Secretaria de Estado de Educação instituiu o Sistema Mineiro de Avaliação da Educação Pública . Fundamentado nos princípios da Escola Sagarana. participativo.PROEB. O grande desafio que se coloca para a educação é construir essa nova cultura de avaliação. com a principal atribuição de implementar. angústia e tensão. independente e centrado na escola. a cada dois anos. mas fornecer as informações básicas para a tomada de decisões na área da política educacional. o Programa de Avaliação da Rede Pública de Educação Básica . de acordo com os princípios da Escola Sagarana. sem medos e sem angústias. Isto significa que avaliar não tem como objetivo punir ou classificar.SIMAVE. numa perspectiva positiva. sem perder de vista. A gestão do Sistema Mineiro de Avaliação da Educação Pública será participativa e democrática. provocando insegurança. Em nível central. dos Municípios. das instituições públicas de ensino superior e dos profissionais da educação. em sua maior parte. no sentido de se garantir a permanência do processo e fazer da avaliação parte integrante do cotidiano escolar. não tomaram conhecimento dos resultados e não conseguiram perceber com clareza nem os objetivos nem os desdobramentos dessas avaliações. Um de seus pressupostos é a gestão consorciada com as instituições de ensino superior. do Conselho Estadual de Educação. A ênfase na criação de um Sistema Mineiro de Avaliação significa. Várias avaliações já foram realizadas na rede escolar do estado de Minas Gerais. devem ser compreendidos como uma estratégia de realização de diagnósticos. a complexidade cultural que caracteriza o estado de Minas Gerais. de redimensionamento dos rumos do processo educativo. não mais. que participarão do sistema como parceiras efetivas na implementação das políticas públicas de educação e. A Escola Sagarana e o SIMAVE Em fevereiro de 2000. mas as unidades escolares. levar em conta as diferenças regionais. A criação de um verdadeiro sistema de avaliação. em todas as instâncias e momentos da vida escolar. Escola Sagarana - 62 .

porque permite vivenciar o trabalho pedagógico básico em todas as suas dimensões – da universidade às salas de aulas do ensino fundamental. Formação do professor: os programas de avaliação deverão se traduzir. Este princípio está diretamente relacionado à gestão consorciada. além da Superintendência Regional. É fundamental para a rede de educação básica. É claro que um Sistema de Avaliação exige a contribuição técnica indispensável dos especialistas.Em cada Superintendência Regional de Ensino foi constituída a Comissão Regional de Avaliação da Educação Pública que. no sentido de torná-los cada vez mais identificados com as reais necessidades do magistério da rede de ensino público. mas a sua legitimidade passa necessariamente pela participação dos profissionais que desenvolvem o trabalho pedagógico nas escolas. em sua área de jurisdição. possibilitam o entrosamento com as instituições locais de ensino superior. participação e equidade São princípios fundamentais do Simave: Descentralização: os programas de avaliação serão implementados de forma descentralizada. por representantes dos municípios. esta associação favorece e estimula a discussão de possíveis mudanças nos cursos de formação de professores. Isto significa que cada Superintendência Regional de Ensino. uma vez que conduz à formulação de políticas que contribuem para a valorização do profissional da Escola Sagarana - 63 . em políticas de formação inicial e continuada de professores para a rede pública de educação básica. Democracia. Essa comissão é responsável pelo programa de avaliação na jurisdição da Superintendência Regional de Ensino e pelo processo de avaliação continuada. A descentralização resulta da convicção de que as políticas educacionais não devem ser formuladas sem que se leve em conta a diversidade das situações vividas nas diferentes regiões do Estado. Gestão consorciada: a participação de instituições de ensino superior. Por outro lado. Além disso. deverá estar associada a instituições locais de ensino superior. dentre outras iniciativas. será integrada também pelo representante da Instituição Regional de Ensino Superior responsável pelo PROEB. Participação: os programas de avaliação serão implementados com a participação dos profissionais que atuam na Educação Básica. à rede de escolas de educação básica e às Secretarias Municipais de Educação. permite desenvolver um padrão consorciado e inovador de gestão da educação pública. As Comissões Regionais de Avaliação da Educação Pública visam ainda garantir o caráter permanente ou continuado do processo avaliativo. normalmente responsáveis pela formação de professores para a rede de educação básica. além de viabilizar a descentralização e a regionalização. dos profissionais da educação e dos alunos.

fortalecer a escola como instituição de promoção de igualdade de oportunidades para todos os mineiros. Perfil do Simave OBJETIVOS: Promover a avaliação sistemática da rede pública de educação básica. Isto não significa expor indevidamente a escola. Eqüidade: O Estado verdadeiramente democrático deve garantir a oferta de uma educação de qualidade para todas as crianças e jovens em idade escolar. criar instrumentos de participação da sociedade e dos profissionais da educação na gestão da escola pública. nível socioeconômico ou região de moradia. principalmente quando essa informação diz respeito às ações de órgãos públicos e quando a maior ou menor possibilidade de melhoria da qualidade de vida do cidadão depende da qualidade dessas ações.educação. sexo. Escola Sagarana - 64 . O processo também contribui para a definição de políticas que garantam que todas as escolas tenham condições de oferecer uma educação de qualidade. discutindo a qualidade e a pertinência dos cursos de formação inicial e de formação continuada atualmente oferecidos aos professores. Publicidade: os resultados do programa de avaliação serão públicos. etnia. Pelo contrário! É fundamental garantir a todo e qualquer cidadão o acesso à informação. Esconder resultados ou sonegar informações faz parte de uma cultura autoritária e clientelista que os profissionais da educação combatem e que só tem contribuído para o retrocesso e o atraso do processo educacional. democratizar o acesso à informação sobre a educação pública. desenvolver procedimentos de gestão de avaliação das políticas públicas educacionais com base em princípios de equidade. independentemente de fatores tais como raça.

Escola Sagarana - 65 . Esse conjunto de testes permite a avaliação e análise do sistema educacional mineiro como um todo. diretores de unidades escolares. foram aplicados testes de Língua Portuguesa e Matemática. num ciclo que se complementa a cada dois anos: assim. os testes abrangem História. a cultura e o desenvolvimento de Minas Gerais. criar instrumentos de avaliação. Os testes avaliam as competências desenvolvidas pelos alunos em Língua Portuguesa. compatíveis com a realidade. em 2001. Geografia e Ciências. de caráter universal e execução em parceria com instituições de ensino superior. promover a formação. estabelecer mecanismos e sistemáticas de gestão consorciada da rede pública de educação com base na cooperação e na parceria entre o governo.Programa de Avaliação da Educação Básica O Programa de Avaliação da Educação Básica (Proeb) é parte do Simave e se situa no conjunto de ações do Sistema Mineiro de Avaliação da Educação Pública. controle e acompanhamento para a permanente busca da elevação da qualidade da educação básica. questionários destinados aos alunos. ainda. universidades e instituições de ensino superior instaladas em Minas Gerais.4 . Ciências Humanas e Ciências da Natureza. criar parâmetros diferenciados de avaliação da rede pública de educação básica. observadas as peculiaridades regionais. recursos e serviços disponíveis nas unidades escolares. com o objetivo de levantar dados sobre o processo de gestão das unidades escolares. adequação e aperfeiçoamento de recursos humanos para atender às necessidades da rede pública de educação básica e os objetivos da política educacional de Minas Gerais. no ano de 2000. professores e especialistas. ESTRATÉGIA: o SIMAVE está estruturado em programas setoriais destinados à avaliação da educação básica em Minas Gerais. sociedade. O programa avalia as escolas da rede estadual de ensino e das redes municipais que aderirem ao Simave. Matemática.METAS: Desenvolver parâmetros e métodos de aferição do desempenho e da qualidade nas redes estadual e municipais de educação básica. produzindo-se indicadores necessários à formulação e redefinição das políticas educacionais do Estado. o perfil dos profissionais da educação e dos estudantes. 7. por meio de testes respondidos por todos os alunos do primeiro ano do ciclo intermediário e o último ano do ciclo avançado (4ª e 8ª séries) do ensino fundamental e por todos os alunos da 3ª série do ensino médio. O Proeb inclui.

Também participam da implementação do programa 27 instituições de ensino superior que. por intermédio do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais .INEP. impressão e distribuição dos testes. que é a Universidade Federal de Juiz de Fora . o Proeb conta com uma Instituição Coordenadora. sem que se percam de vista as características comuns à população e à educação do estado de Minas Gerais. O PROEB e o Sistema de Avaliação da Educação Básica do INEP SAEB O Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica . devidamente articulada com a rede de educação básica. após seleção. indicadas pela Secretaria de Estado da Educação de Minas Gerais. com a formação de uma rede de instituições de ensino superior. com apoio das instituições regionais de ensino superior integradas ao programa. por meio do Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação . Os primeiros resultados do Proeb surgiram em 2001 com a implantação do Sistema de Ação Pedagógica (Siape). das comissões regionais de apoio pedagógico e do sistema de avaliação continuada. divulgação dos resultados e apoio pedagógico às unidades escolares.A organização do PROEB no Estado Para viabilizar sua realização. Além disso. processamento e análise dos resultados dos testes. esta forma de organização garante ainda o princípio da descentralização e da regionalização. que é a gestão consorciada da educação básica. com atuação direta e permanente nas escolas. para avaliar a educação básica em todo o Brasil. organização. da Faculdade de Educação. Este tipo de organização confirma um dos princípios básicos do Simave.UFJF.SAEB é um sistema implementado pelo Ministério da Educação. com base em amostragens e apresentando os seus resultados por unidade da Federação. planejamento e acompanhamento da implantação do programa. São mecanismos propostos pelo Proeb. A UFJF é responsável pela elaboração.CAEd. atuam no âmbito regional apoiando as atividades programadas pela instituição coordenadora e as ações das superintendências de ensino. supervisão e acompanhamento do trabalho das instituições regionais junto às 41 superintendências regionais de ensino. Escola Sagarana - 66 . Deles resulta a formação de equipes e estudos para análise dos boletins de avaliação da escola e adoção das medidas necessárias à correção de rumos e superação de eventuais deficiências.

Entretanto. tendo em vista a formulação de políticas educacionais próprias. O Projeto Veredas de Formação Superior de Professores.Veredas – Formação Superior de Professores Toda política de valorização do pessoal da educação e que tenha por objetivo final o sucesso do aluno em seu processo de formação pessoal. atuam nas salas do ensino fundamental. a Secretaria da Educação de Minas Gerais utilizará uma metodologia que abrange a sistemática de formação e de implantação do curso normal superior. nos anos iniciais. na modalidade de educação a distância.5 . com participação das instituições de ensino superior em âmbito regional. respeitando as peculiaridades locais e os objetivos de Minas Gerais. executado no contexto do Programa Anchieta de Cooperação Interuniversitária. já que são imensas as tarefas e compromissos exigidos à educação. profissional e humana. O curso vai terá módulos semestrais e poderá ser concluído em três anos e meio Escola Sagarana - 67 . entre outras razões. Assim. mesmo sem a formação superior necessária. Por esta razão. ainda hoje. deve ter ampliados seus horizontes quanto ao uso de tecnologias modernas a serviço da educação. além de ser universal – para toda a rede pública de ensino e para todos os alunos das séries escolhidas – e apresentar resultado individualizado por escola. para isso. é imprescindível a utilização de instrumentos de análise que permitam a necessária comparação entre o Proeb e o Saeb. os indicadores de proficiência . Deve-se levar em conta o tipo e perfil de profissional que a escola exige nos tempos atuais. cuidar do que é específico de Minas significa distanciamento da perspectiva nacional.uma medida referente às habilidades e competências desenvolvidas pelos alunos em cada área do conhecimento – são os mesmos produzidos na escala nacional pelo Inep e utilizada pelo Saeb.A institucionalização do Sistema Mineiro de Avaliação da Educação Pública é um salto qualitativo importante. 7. aos direitos sociais e ao exercício da cidadania: deve comprometer-se com a transformação social e ser um agente do desenvolvimento nacional. necessariamente. porque trabalha com a perspectiva de resguardar a especificidade de Minas Gerais. terá que passar pela habilitação e qualificação do professor. regional e comunitário. destina-se a habilitar os professores que. além de sua qualificação técnica. Esse é o perfil do professor que o Projeto Veredas procurará desenvolver e. O professor.

sem formação superior. Foram divulgados os editais para seleção dos profissionais responsáveis pela elaboração dos textos didáticos – a grande maioria deles é formada por doutores em educação e mestres com doutorado em andamento. a médio prazo. habilitar 55 mil profissionais que atuam nas escolas mineiras sem habilitação superior. contribuir para a redefinição o perfil dos cursos de formação de pessoal para área de educação. Essa habilitação será gratuita e obtida em serviço. com material didático (textos e vídeos) preparados por especialistas e distribuídos gratuitamente. Na primeira etapa. O projeto prevê a realização de provas para seleção dos candidatos. das redes municipais e estadual. OBJETIVO: melhorar a qualidade do ensino nas redes estadual e municipais. 7. atrair profissionais de alto nível para o estudo . São quase 60 mil profissionais que atuam nas redes de ensino estadual e municipais de Minas Gerais sem a necessária habilitação. ESTRATÉGIA: articular com as universidades e instituições de ensino superior sistemáticas de gestão consorciada e de cooperação na formação de recursos humanos para a educação.6 Programa Bolsa Familiar para Educação – Bolsa-escola Escola Sagarana - 68 . todos devem ter curso superior até 2005. estimular o uso de tecnologias avançadas de informática e comunicação. SITUAÇÃO: o projeto está finalizado e aprovado. INÌCIO: os cursos devem começar em fevereiro de 2202. com apoio de material impresso. com recursos definidos. com início previsto para fevereiro de 2002. organizadas pelas universidades consorciadas. BENEFICIÁRIOS: professores que atuam da primeira a quarta série do ensino fundamental. conforme previsto na LDB. integrar as universidades ao processo formativo e promover adequação curricular. e registro dos diplomas no Ministério da Educação. preparação e elaboração de material didático adequado às novas metodologias educacionais. desenvolver metodologias de educação a distância. METAS: habilitar em serviço 12 mil professores da redes estadual e 3 mil das redes municipais na primeira etapa e. e. o Veredas vai atender 12 mil professores estaduais e 3 mil municipais.combinando métodos de educação a distância e presenciais. vídeos e internet. promover a cooperação entre estado e municípios no campo da formação de educadores. obter o apoio e reconhecimento do curso pelo Ministério da Educação. de forma que a prática do professor sirva como parte de suas atividades de curso. buscar novas definições quanto ao perfil e currículo das faculdades de educação. com acompanhamento e orientação dos tutores.

A preocupação com a renda mínima é histórica entre filósofos e economistas e em vários países do mundo já estão em vigor programas dessa natureza: Estados Unidos. impondo à sociedade sucessivas políticas econômicas concentradas de renda e. Espanha e Portugal. Suécia. É nesta perspectiva que se coloca o Programa Bolsa Familiar para a Educação – Bolsa-escola. a política tem revelado que há uma enorme distância entre “intenção e gesto”. Alemanha. Pois além de dar condições a que toda criança tenha ingresso garantido na escola. isto é. o Programa Bolsa Familiar para a Educação – Bolsa-escola adotado em Minas Gerais é mais do que um programa de renda mínima. pois o seu enfoque principal não é apenas a distribuição de renda. convivem com a vergonha do trabalho infantil e com a tragédia de meninos e meninas. condenando à miséria milhões de brasileiros. proposta pelo Governador Itamar Franco em sua campanha eleitoral. é superior a 20% (da 5ª à 8ª série). O Programa Bolsa Familiar para a Educação – Bolsa-escola. Entretanto. busca garantir às Escola Sagarana - 69 . segundo o Censo Escolar 2000. estudiosos trabalham esta proposta desde a década de 1970. Grã-Bretanha. A importância do Bolsa-escola. que vivem em situação de rua. é preciso garantir as condições objetivas para que ela permaneça e tenha bom desempenho na escola. Minas Gerais e o Programa Bolsa-escola Em Minas Gerais. A partir da década de 1990. a democratização das oportunidades educacionais.3%. Segundo a Fundação João Pinheiro. Ao lado do princípio de “universalização” tem de ser colocado o da “eqüidade”. O capitalismo brasileiro se consolidou pela via do Estado (de cima para baixo). Em algumas regiões. 400 mil crianças estão fora da escola. Entretanto. as transformações que afetaram o mundo alteram substancialmente as relações entre os seres humanos e exacerbam o quadro de exclusão social. no ensino fundamental. a evasão escolar média é da ordem de 6. geradoras de uma desigualdade perversa. França. No Brasil. mas a educação como questão de direito e de cidadania. o que é inaceitável. por conseqüência. o discurso da prioridade para a educação passou a fazer parte da agenda nacional.As desigualdades sociais vêm se acumulando no Brasil ao longo de sua história. Nos últimos anos. Bélgica.

Tal integração se justifica pelo fato de que. com baixos índices de desenvolvimento humano e de desenvolvimento infantil. além de contribuir com a queda da evasão escolar. tão ou mais importante do que a concessão do benefício. necessariamente. como: segurança. justiça e direitos humanos. c – ter residência comprovada no município por pelo menos 3 anos. em especial das regiões mais carentes. d – passar pelo processo de avaliação familiar e seleção de beneficiários. Daí a escolha do Vale do Jequitinhonha. tendo como prioridade as regiões que apresentam condições socioeconômicas mais desfavoráveis. Cabe ressaltar que. b – ter renda per capita familiar igual ou inferior a meio salário mínimo. desenvolver-se em processo de integração com outras políticas públicas. região considerada como das mais pobres do mundo. As famílias são acompanhadas do ponto de vista social para que alcancem melhores condições de vida. é o trabalho sistemático com as famílias para que possam ter acesso à profissionalização e outras formas geradoras de emprego e renda. trabalho e cultura. além da participação de entidades não-governamentais compromissadas com a criança e o adolescente. será feita a avaliação pertinente para verificar aqueles que. Escola Sagarana - 70 . não sendo mais necessária a concessão do benefício. deve. saúde. regulamentado com critérios rígidos de seleção e acompanhamento das famílias selecionadas. precisam ser mantidos no programa. assistência social. O Bolsa-escola e a política educacional É importante destacar que o Bolsa-escola é um programa de educação. Uma iniciativa deste porte.crianças mineiras. complexidade e diferenças socioculturais de Minas Gerais. Anualmente. de fato. o programa incentiva a participação das famílias na vida escolar da criança e do adolescente. coordenada e gerida pela Secretaria de Estado da Educação. o Programa deverá ser implantado de forma articulada com os municípios e gradualmente. Critérios para cadastro no Programa a – ter filhos na faixa etária de 7 a 14 anos matriculados na escola pública. A manutenção do benefício exige a comprovação pessoal de freqüência do estudante em pelo menos 90% das atividades escolares. o direito de acesso à educação de boa qualidade e permanência na escola. Organização e operacionalização da Bolsa-Escola Em um estado com a dimensão.

RECURSOS: o Programa começou com investimento de R$ 7 milhões em 2000. com renda inferior a meio salário mínimo per capita. beneficiando cerca de cem mil pessoas. o trabalho infantil e a exclusão social através de projetos e ações de promoção social. OBJETIVO: combater a evasão escolar. subiu para 14 milhões em 2001 e deverá atingir R$ 21 milhões em 2002. META: implantar o Programa em todo o Vale do Jequitinhonha durante o atual governo. o Bolsa-escola incentivará o desenvolvimento da cidadania e a consciência necessária dos direitos e deveres das pessoas em relação à sociedade e ao Estado. acompanhamento da freqüência escolar das crianças beneficiadas e da atuação dos pais.Longe de ser uma ação paternalista. Para 2002. com ampliação gradativa da região abrangida e do número de famílias atendidas. combatendo todas as possibilidades de fisiologismo ou clientelismo. começando por projeto piloto para atendimento inicial a 6 mil famílias na região do Vale do Jequitinhonha. estabelecendo a necessária ruptura com a cultura “do favor” e resgatando a dignidade e a esperança. AÇÕES: cadastramento de famílias. ESTRATÉGIA: destinar às famílias carentes renda mínima da ordem de R$ 70. SITUAÇÃO: implantado no final de 1999. segundo levantamento da Fundação João Pinheiro. atendendo cerca de 30 mil famílias. proporcionar formas de complementação de renda para famílias carentes com filhos matriculados nas escolas da rede pública. assistência e promoção social junto às famílias beneficiadas. de meio a um salário mínimo mensal para manutenção de seus filhos na escola. com filhos entre 7 e 14 anos matriculados no ensino fundamental regular. trata-se de um Programa formador de consciências. orientação familiar e encaminhamento profissional. a de mais baixo Índice de Desenvolvimento Humano. Escola Sagarana - 71 . BENEFICIÁRIOS: famílias carentes. está programada a extensão do Bolsa-escola a todas as 51 cidades que compõem o médio Vale do Jequitinhonha. assistência e promoção social e encaminhamento para cursos profissionalizantes e atividades de complementação de renda familiar. Nesta perspectiva. o Bolsa-escola chegou a 2001 atendendo a 17 mil famílias em 30 cidades do Vale do Jequitinhonha.00 (setenta reais). desenvolver ações integradas de saúde.

Em Minas Gerais. Em alguns lugares do Brasil. META: Tornar a escola um espaço crítico em relação aos valores impostos pela sociedade e de formação do ser humano. Logo. Ao mesmo tempo em que se incentiva o consumo. na tentativa de impedir a entrada de armas. Polícia Militar. pais e até dirigentes escolares clamam por ação policial nas proximidades das escolas. Em algumas declarações. cresce o desemprego. mas não há garantia de igualdade de oportunidades. investindo na dignidade e na esperança. convivência fraterna. consciência moral. mas cada vez mais é reduzido o número dos “bem-sucedidos”.8 – Programa permanentes 8. solidariedade. conseqüentemente. Acrescente-se a tudo isto a violência permanente da fome a que muitos estão submetidos. A escola tem sido citada como cenário de medo e de falta de segurança. éticos e morais voltados para o respeito à vida. desenvolvendo a solidariedade. tem reflexos na vida escolar. a escola também é vítima do processo de disseminação e até banalização da violência.1 – Programa Agenda da Paz O início dos períodos letivos costumam ser marcados por persistentes notícias da imprensa nacional sobre a violência entre crianças e adolescentes nas escolas públicas. paz. cidadania e senso do coletivo. a Secretaria da Educação crê que a violência não está na escola. Trata-se de um Programa coordenado pela Secretaria de Educação. governos chegaram a lançar mão de detetor de metais na porta das escolas. A escola recebe todas as influências e deve tratar o problema de forma pedagógica. As crianças e adolescentes são atingidos cotidianamente pelas contradições impostas pela própria sociedade. enfrentando a crise ética com a formação de valores como: solidariedade. Questiona-se a autoridade dos professores. mas que conta com a participação de outros órgãos do governo. Escola Sagarana - 72 . dirigentes e da própria família. apresenta-se o individualismo exacerbado como indicador para sucesso na vida. justiça. senso de coletivo. A Secretaria da Educação em Minas Gerais optou por discutir e enfrentar a chamada “violência” na escola por meio do reforço do processo educativo. cidadania. Com esta concepção foi criado o “Programa Agenda da Paz”. de representantes do poder legislativo e judiciário. mas na sociedade e. desenvolve-se o sentimento de competição. OBJETIVO: Promover nas escolas mineiras a cultura da paz e a construção de valores culturais. representantes de pais e de alunos e organizações não-governamentais.

2Programa de Democratização da Gestão Escolar OBJETIVO: democratizar a gestão das escolas públicas. AÇÕES: atividades pedagógicas. garantir a autonomia administrativa. Escola Sagarana - 73 . dar transparência aos atos dos dirigentes. escolas. PARTICIPANTES: comunidade escolar e especialistas. Incentivar a formação de grêmios estudantis que fortalecem o sentimento de grupo e desenvolvem a noção de cidadania e participação política. incentivar práticas de acompanhamento e controle de contas e das Caixas Escolares e definição participativa dos orçamentos e programação de investimentos. criar mecanismos de controle social da atividade pública no setor educacional. METAS: fortalecer a atuação do colegiado da escola. reuniões. PARTICIPANTES: professores. lideranças comunitárias. um sentimento e uma ação permanentes. publicada pela Secretaria da Educação. Curadoria da Infância e da Juventude. ESTRATÉGIA: atuação pedagógica através da discussão de temas relacionados à forma de valores. 8. articulação com a comunidade. ABRANGÊNCIA: todas as escolas das redes públicas e particulares. Polícia Civil. palestras. desenhos e textos sobre temas relacionados à paz. alunos. Polícia Militar. realização de concurso de frases. a escola deve se concretizar como um espaço de harmonia. de alegria e de prazer. concursos e incentivo à formação da cidadania. Para tal. organizações nãogovernamentais. incentivar a participação da comunidade nas decisões da escola. financeira e pedagógica das escolas. de forma a fazer da PAZ e da FRATERNIDADE. Ministério Público. BENEFICIÁRIOS: alunos e escolas da rede pública. enquanto valores próprios da humanidade.a cidadania e o sentimento de justiça social. resguardar direitos e conquistas da comunidade escolar e preservar o caráter democrático do processo de escolha de dirigentes escolares ESTRATÉGIA: incentivar a participação da comunidade em todas as decisões. secretarias estaduais que atuam no campo social. aperfeiçoar os processos de escolha de dirigentes. Os melhores trabalhos foram reunidos em uma agenda para o ano 2000 – A AGENDA DA PAZ.

participação e avaliação dos trabalhos inscritos para o Prêmio Nacional de Referência em Gestão Escolar. Escola Sagarana - 74 . projetos e alternativas de formação e aperfeiçoamento de recursos humanos. Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes). foram eleitos os novos componentes dos colegiados escolares na grande maioria das escolas estaduais. No ano 2000. fortalecer a política de inclusão social pela ampliação das oportunidades de ingresso de alunos da rede pública nos cursos superiores. ESTRATÉGIA: organizar seminários para apresentação de estudos.3 Programa Travessia para o Futuro OBJETIVO: Valorização da escola pública. estudantes. profissionais do magistério. com a nomeação pelo governador Itamar Franco de todos os diretores e vice-diretores escolhidos. PARTICIPANTES: Fórum das Instituições Federais de Ensino Superior de Minas Gerais. especialmente a de ensino médio. promover avaliações de desempenho dos alunos do ensino médio e incluí-las nos critérios de seleção de candidatos aos cursos superiores.AÇÕES: consulta à comunidade para escolha dos diretores das escolas estaduais. O regulamento do processo de escolha foi aperfeiçoado para contemplar maior participação da comunidade. estabelecer mecanismos de cooperação com as universidades instaladas em Minas Gerais. escolas públicas e particulares de ensino superior. intensificados os trabalhos de orientação às escolas sobre as atribuições e funcionamento dos colegiados. Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Também foi intensificada a integração com a Rede Nacional de Referência em Gestão Educacional (Renageste) e aperfeiçoados os critérios de organização. visando a formação e capacitação de pessoal docente e criar novas alternativas de seleção de candidatos ao ingresso nos cursos superiores. Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG). realizada em 1999. entidades representativas. 8. promover estudos sobre a reformulação de currículos nos cursos superiores de licenciatura. Esses dirigentes passaram ainda pelos cursos de capacitação. AÇÕES: realização do Seminário de Valorização da Escola Pública – Travessia para o Futuro e programação de atividades visando a interação com as instituições de ensino superior de Minas Gerais. com fortalecimento da rede estadual do Renageste. visando a melhoria da qualidade da educação. METAS: implantar os Institutos Superiores de Educação.

promover a atualização das metodologias de ensino adequando-as aos padrões de qualidade necessários à educação em Minas Gerais METAS: incentivar a discussão e definição de propostas pedagógicas e sistemas de organização do tempo escolar por escolas. assegurar melhoria constante da qualidade e a busca permanente do sucesso do aluno. combater a exclusão social. a partir de experiências. disponibilizar professores excedentes para atuarem em escolas municipais ou comunitárias.4 Programa de Educação Infantil OBJETIVO: Resgatar a educação infantil como uma das prioridades do poder público em Minas Gerais. relatórios. adequar os recursos pedagógicos às necessidades do ensino e da aprendizagem.8. prefeituras e organizações comunitárias para o desenvolvimento do Programa. ESTRATÉGIA: realização de etapas locais. respeitados a diversidade regional e o interesse da comunidade local. ABRANGÊNCIA: todas as escolas do estado.5 Programa de Fortalecimento do Ensino Fundamental OBJETIVO: garantir a universalização do ensino fundamental. aquisição de material didático e livros para atualização do acervo das bibliotecas das escolas estaduais. ampliar o atendimento e as taxas de escolarização. PARTICIPANTES: comunidade escolar e especialistas convidados. implementação dos Planos de Desenvolvimento da Escola. ESTRATÉGIA: Desenvolvimento de estudos e projetos que levem em conta o caráter indissociável da educação infantil em relação ao ensino fundamental. federais ou municipais disponíveis e adequados à educação infantil. Escola Sagarana - 75 . regionais e estadual com seminários para discussão de propostas. 8. promover a integração de cheches e pré-escolas ao Sistema Mineiro de Educação. visando o estabelecimento de parcerias. estabelecimento de mecanismos que permitam a cooperação entre o Estado. METAS: Aumentar o atendimento às crianças com menos de seis anos de idade visando a gradativa universalização. AÇÕES: Identificar espaços disponíveis em escolas estaduais. promover a melhoria da qualidade do ensino e do processo de ensino e de aprendizagem. avaliações e textos conceituais fornecidos pela Secretaria da Educação como subsídio. sob coordenação das superintendências regionais de ensino. promover a capacitação de profissionais da educação e habilitá-los para a educação infantil.

8. Minas também participa dos estudos visando a preparação de material didático adequado ao regime de ciclos. avaliar os programas de aceleração de estudos e de integração dos alunos egressos dessa modalidade de ensino. fortalecer os mecanismos de financiamento à educação nesse nível de ensino. manter o nível e a prática de ensino atualizada em relação à demanda com currículos modernos e práticas pedagógicas inovadoras. AÇÕES: buscar e propor novas fontes de financiamento. ESTRATÉGIA: Estabelecer parcerias com as universidades para avaliação permanente do desempenho de professores. Minas adotou três ciclos no ensino fundamental: ciclo básico (nos três primeiros anos). 68% das escolas estaduais já optaram pelo regime de ciclos. Como resultado. promover a integração entre as escolas de ensino médio e a universidades e instituições de ensino superior em Minas Gerais. alunos e escolas. foi adotada a avaliação continuada do desempenho escolar. superar os entraves representados pela ausência de fontes de financiamento público para esse nível de ensino. combater a exclusão e contribuir para a mobilidade social. realizar simpósios e debates. Nas escolas que optaram pelo ciclo. organizar cursos de formação e capacitação de recursos humanos. elevar a qualidade do ensino. garantir vagas para todos os alunos egressos da rede pública do ensino fundamental. ciclo intermediário (do 4º ao 6º ano) e ciclo avançado (7º e 8º ano). com ênfase na avaliação formativa. a Secretaria da Educação abriu a possibilidade de cada escola escolher o regime de organização do tempo escolar melhor adequado às suas condições e ao perfil de seus profissionais. inserção no mercado de trabalho e exercício da cidadania. METAS: melhorar o rendimento dos alunos da rede pública e prepará-los para a vida universitária. instituir o novo Plano do Ensino Médio com base nos padrões curriculares nacionais. promover a adequação do ensino à nova realidade. Escola Sagarana - 76 . FASE ATUAL: Firmado convênio com o Ministério da Educação visando a obtenção de recursos necessários à implantação da reforma do ensino médio.AÇÕES: Após vários meses de discussão. articular ações junto aos fóruns nacionais para a criação de mecanismos formais de financiamento público do ensino médio. ampliar as oportunidades educacionais.6 .Programa Estadual do Ensino Médio OBJETIVO: Valorizar o ensino médio na rede pública estadual.

ampliar as oportunidades e os investimentos no desenvolvimento de recursos humanos adequados à demanda dos setores primário.Centro de Educação Profissional de Brazópolis – com atuação em eletrônica industrial. .reforma ou construção e equipamento de escolas.Centro de Educação Profissional de Teófilo Otoni – com atuação em gemologia e jóias.8 Programa de Educação Especial Escola Sagarana - 77 .com atuação em técnicas agroindustriais. desenvolver metodologias técnico-pedagógicas de gestão compartilhada e integração com a comunidade. levando em conta critérios de eqüidade com vistas à inclusão social e ao desenvolvimento regional. desenvolver parcerias com prefeituras e instituições comunitárias. avaliação. ESTRATÉGIA: desenvolver metodologias técnico-pedagógicas de gestão compartilhada. . criar sistemas de supervisão. implantar centros de educação profissional definidos conforme o perfil socioeconômico das regiões e interesse do desenvolvimento estadual. aquisição de equipamentos e composição dos quadros de pessoal. . METAS: democratizar o atendimento à demanda.Centro de Educação Profissional de Itajubá – com atuação em eletrônica e telecomunicações.7 Programa de Educação Profissional OBJETIVO: Implantar em Minas Gerais dez Centros de Educação Profissional em parceria com prefeituras e o Ministério da Educação.Centro de Educação Profissional de Caxambu – com atuação em hotelaria e turismo. UNIDADES CONVENIADAS: . secundário e terciário. destinados à formação de jovens com habilidades técnicas adequadas às exigências do mercado de trabalho local e regional. 8. . desenvolvimento e elaboração de material didático. reforma e construção de prédios.Centro de Educação Profissional de Unaí . AÇÕES: implantação imediata de cinco centros de educação profissional no estado a partir de convênios já firmados com o MEC. controle e acompanhamento dos cursos e da gestão administrativa e pedagógica. 8. implementar novos padrões e currículos da educação profissional.

diretamente. Escola Sagarana - 78 . criar oportunidade para jovens e adultos retornarem aos estudos preparando-os para o encaminhamento à educação supletiva continuada. buscar parcerias com prefeituras. METAS: atender. recomendações e critérios para a adoção da política de integração. de atenção integral às crianças e adolescentes. 8.9 . preparar e treinar recursos humanos. técnicos e especialistas. implantar novos Centros de Educação Supletiva (CESECs) na capital e no interior do Estado visando ampliar a oferta de oportunidades. AÇÃO: divulgação dos princípios. entidades estudantis. desenvolver parcerias com outras secretarias de estado e municípios para o atendimento especializado.OBJETIVO: ampliar as oportunidades educacionais. universidades. ESTRATÉGIA: Aperfeiçoar e ampliar as possibilidades de uso de técnicas de educação a distância. ESTRATÉGIA: estabelecer parcerias com prefeituras. proporcionar condições para que essa parte da população construa sua cidadania e possa ter acesso à qualificação profissional. promover a formação e aperfeiçoamento de recursos humanos. desenvolvimento de projetos e experiências nas escolas para facilitar a integração. manutenção dos convênios com instituições especializadas no atendimento a portadores de necessidades educativas especiais e acordos operacionais para cessão de professores. instituições especializadas e comunitárias para ampliar a capacidade de atendimento. META: Promover a gradativa erradicação do analfabetismo em Minas Gerais. orientação às escolas e profissionais. melhorar a qualidade do ensino. organizações não-governamentais e representativas de classes produtoras e de trabalhadoras para organização de mutirões de alfabetização. ou através de parcerias com instituições comunitárias as crianças e adolescentes portadores de necessidades educativas especiais. intensificar as políticas de inclusão e integração social. aumentar as taxas de escolarização. promover a gradativa integração das crianças e adolescentes especiais no ensino regular.Programa de Educação de Jovens e Adultos OBJETIVO: Promover a inclusão social e a inserção no mercado de trabalho de jovens e adultos que não tiveram acesso à educação na idade própria. adotar de novas metodologias visando a preparação de jovens e adultos para os exames supletivos de massa promovidos pela Secretaria da Educação.

incentiva estudos e promoção de intercâmbio com entidades afins.200 habitantes. respeitando as diferenças culturais de cada comunidade. Pataxó. BENEFICIÁRIOS: jovens e adultos com mais de 15 anos de idade com baixa escolarização ou analfabetos.11 Programa de Atenção Integral à Criança e ao Adolescente – EducAção OBJETIVO: Atender crianças e adolescentes dos estratos sociais de baixa renda. Maxakali e Xacriabá. METAS: Ampliar a cobertura e melhorar os serviços de educação (1º grau e pré-escolar). avaliação contínua do desempenho de professores e alunos. auxiliando-os no que for necessário Escola Sagarana - 79 . saúde. comunitárias e outras envolvidas. 8. METAS: dotar de escolas de ensino fundamental as comunidades residentes em reservas indígenas das nações Krenak. mediante coordenação e aperfeiçoamento da prestação desses serviços pelas entidades públicas. avaliar cursos existentes e programar ampliação do atendimento. beneficiando uma população total de 7. criar mecanismos de avaliação de desempenho dos professores. cultura. construir escolas nas comunidades indígenas respeitando as características locais e a cultura desses povos. assistência social. em cooperação com universidades. ESTRATÉGIA: Capacitar equipes para a formação de professores indígenas habilitados para o ensino bilíngüe.10 Programa de Educação Indígena OBJETIVO: implantar escolas interculturais e bilíngües nas áreas indígenas de Minas Gerais visando proporcionar educação para todos e melhoria da qualidade de vida.AÇÕES: qualificar grupos de voluntários. AÇÕES: construção de prédios escolares nas aldeias. realização de vários cursos de capacitação de formadores de professores indígenas. esportes e todos os demais necessários ao desenvolvimento da criança e do adolescente. utilizar a rede de telessalas. Instituto Estadual de Florestas e Funai. privadas. ESTRATÉGIA: Apoiar os Centros de Atenção Integral à Criança e ao Adolescente (CAICs) existentes no Estado. garantindo-lhes acesso aos serviços sociais indispensáveis a seu pleno desenvolvimento. 8. voluntários e alunos.

formação continuada de professores. Muriaé e Poços de Caldas visando debates e coleta de subsídios para explorar e ampliar as possibilidades de cooperação entre o Estado e as prefeituras na retomada da política de atenção integral à criança e ao adolescente. disseminar esses princípios e estratégias a outros municípios. Januária. ESTRATÉGIA: Aplicar metodologias de educação a distância para aceleração de aprendizagem. secretarias da área social. Salto para o futuro) e com as universidades e outras instituições que adotam ou desenvolvem a modalidade da educação a distância. 8. Cooperação com a Associação dos Dirigentes dos CAICs do Estado. no âmbito da Secretaria da Educação. AÇÕES: Instituição de grupo de trabalho. Retomar ou intensificar a cooperação com as universidades e outras instituições interessadas na implementação da atenção integral. Estabelecimento de formas permanentes de cooperação entre os órgãos. Promover a cooperação e integração entre os órgãos e entidades responsáveis pela prestação dos serviços sociais. capacitação de recursos humanos em geral. o Seminário sobre Educação Integral. desenvolver técnicas de uso dos recursos da televisão e da informática para a educação com monitoramento a distância.12 . META: formar recursos humanos. encarregado de coordenar as atividades. outras instituições públicas e privadas com as quais se estabeleçam parcerias. bairros e localidades não atendidos diretamente pelos CAICs.Programa de Educação a Distância OBJETIVO: Incentivar e desenvolver metodologias para uso de técnicas e recursos de monitoramento a distância e ensino semi-presencial aplicáveis nos vários programas educacionais de Minas Gerais. Realizado em 2001. entidades e instituições públicas e privadas envolvidas. Articular regimes de cooperação com o Ministério da Educação (TV Escola. no marco do 2º Fórum Mineiro de Educação.para que aperfeiçoem e intensifiquem a aplicação dos princípios e estratégias da atenção integral. A partir dessas unidades. alfabetização de jovens e adultos. avaliação de desempenho e nivelamento de conhecimentos. desenvolvimento de novas metodologias pedagógicas. demais entidades do Governo do Estado interessadas. Associação dos Dirigentes dos CAICs. Escola Sagarana - 80 . Ituiutaba. com reuniões nas cidades de Belo Horizonte. PARTICIPANTES: Grupo de Trabalho constituído pela Secretaria da Educação.

treinado e atualizado com as mais modernas técnicas de administração e prestação de serviços educacionais. a qualificação crescente dos profissionais da educação e a obtenção de padrões elevados de sucesso no processo de ensino e aprendizagem. profissionais e alunos para apuração da qualidade e dos resultados educacionais. METAS: Introduzir no Sistema Mineiro de Educação mecanismos permanentes e modernos de avaliação do desempenho de escolas. permitir aumento constante da eficiência profissional e tecnológica no desempenho das tarefas na Secretaria da Educação. permitir a continuidade e o aprofundamento das ações da secretaria e prestação de serviços educacionais em Minas Gerais.AÇÕES: Estabelecer convênios e parcerias com universidades e organizações nacionais e internacionais para programas de cooperação e formação de recursos humanos. ESTRATÉGIA: Estabelecer regimes de cooperação e convênios com universidades. aperfeiçoamento das técnicas e métodos pedagógicos.13 Programa de Avaliação de Desempenho OBJETIVO: Promover a constante melhoria da qualidade do ensino. extensão. formação de grupos de facilitadores e atualização de equipamentos. bem como para capacitação de pessoal. 8. nacionais e estrangeiras. AÇÕES: Implantado o Sistema Mineiro de Avaliação da Educação Pública (Simave) e dos programas que o integram. principalmente universidades para cursos e treinamentos em nível de graduação. pós-graduação e Escola Sagarana - 81 . 8. METAS: dotar a Secretaria da Educação de pessoal habilitado. ESTRATÉGIA: Desenvolvimento de projetos e parcerias com instituições especializadas.14 Programa de Capacitação de Recursos Humanos OBJETIVO: Ampliar oportunidades de avanço e desenvolvimento pessoal e profissional dos trabalhadores em educação. BENEFICIÁRIOS: professores das redes públicas estadual e municipal. PARCERIAS: Universidade Federal de Juiz de Fora e mais 27 instituições de ensino superior de Minas Gerais. preferencialmente as instaladas em Minas Gerais para realização de pesquisas. estudos e projetos.

ampliados os projetos de formação e capacitação de recursos humanos em serviço. METAS: Estabelecer novo plano de carreira. Edital publicado em junho de 2001 estabeleceu a realização de concursos para contratação de mais de 53 mil servidores a serem nomeados no início de 2002.especialização.16 Programa de Capacitação de Dirigentes Escola Sagarana - 82 .15 Programa de Valorização do Magistério OBJETIVOS: valorizar a carreira e os profissionais do magistério. treinamento de pessoal de apoio e desenvolvimento das relações interpessoais e interinstitucionais. AÇÕES: comissão composta por técnicos da Secretaria e do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE) elaborou proposta de Plano de Carreira do Pessoal da Educação. AÇÕES: Firmados protocolos de cooperação com a França e com Cuba. Secretaria de Estado dos Recursos Humanos e Administração. Também foi convocado o 2º Fórum Mineiro de Educação. cursos de capacitação de técnicos. realizado entre os meses de junho e outubro de 2002. adoção de políticas de reconhecimento do papel social do profissional da educação e sua efetiva valorização. que foi encaminhada ao governador Itamar Franco e é objeto de estudos de impacto financeiro visando futura adoção. visando a elaboração de projeto de lei a ser proposto ao governo estadual e submetido à Assembléia Legislativa. PARTICIPANTES: técnicos da Secretaria da Educação. especialistas e pessoal administrativo em serviço na Secretaria da Educação visando a melhoria da qualidade do ensino. 8. implantação de cursos de integração e reintegração de pessoal. Associação dos Professores Públicos de Minas Gerais. implantação de um banco de recursos humanos com pessoal habilitado. 8. Também determinada pelo governador a convocação de concursos públicos para preenchimento de vagas na Educação. ESTRATÉGIA: elaboração de estudos da legislação pertinente e estudos conjuntos com as entidades representativas dos profissionais da educação. cargos e salários para garantir direitos e meios dignos de trabalho para os profissionais da educação. atualização de profissionais e conscientização para a qualidade na prestação de serviços públicos. especialistas. Sindicato Unificado dos Trabalhadores em Educação.

criar cursos para treinamento em práticas administrativas e contábeis. aperfeiçoar os sistemas e métodos de inspeção escolar. capacitação e treinamento de profissionais. pedagogos. intensificar as atividades de capacitação e treinamento em serviço de dirigentes da Secretaria da Educação por meio de convênios e acordos de cooperação com instituições nacionais e estrangeiras para obter financiamento. obter parceria. introduzir e intensificar o uso de tecnologias e práticas pedagógicas modernas e inovadoras. contratação de instituições de Escola Sagarana - 83 . utilizando metodologias e recursos técnicos da educação a distância . consultoria ou assessoria de universidades e outras instituições afins. capacitação e treinamento de dirigentes educacionais.OBJETIVO: Melhoria da qualidade da gestão administrativa. mediante aperfeiçoamento de professores e pedagogos. melhorar os padrões de sucesso escolar. inspetores e supervisores escolares através de cursos seqüenciais. explorar a metodologia de formação de agentes multiplicadores e facilitadores. AÇÕES: Realizados estudos para adaptação do Programa à política educacional definida pela Escola Sagarana. implantar a cultura da educação continuada. combater a repetência e a evasão. aperfeiçoar professores em conteúdos específicos e conteúdos transversais. melhoria da qualidade do ensino. educação especial. diretores.17 Programa de Capacitação de Professores OBJETIVO: Melhorar a qualidade do ensino. aperfeiçoamento da gestão democrática. vicediretores. ensino fundamental e ensino médio. desenvolvimento e elaboração de material didático impresso em fitas de vídeo. financeira e pedagógica do Sistema Mineiro de Educação e das escolas públicas. aperfeiçoar o processo de escolha de dirigentes escolares. AÇÕES: ampliar a capacitação de administradores. tornar transparente a administração. presenciais ou semi-presenciais. METAS: Aumentar a eficiência da administração pública na prestação de serviços educacionais. financiamento. METAS: capacitar e habilitar professores para atuação em educação infantil. e a valorização dos profissionais da educação. ESTRATÉGIA: Estabelecer acordos de cooperação com organizações nacionais e estrangeiras para intercâmbio permanente. 8. ESTRATÉGIA: Intensificar a formação de agentes facilitadores. racionalizar a aplicação dos recursos públicos e qualificar dirigentes de unidades e sistemas educacionais.

valorização e progressão dos profissionais do Magistério. AÇÕES: identificação e cadastramento de formadores. divulgação de teses e experiências pedagógicas. com apoio e cooperação das universidades. promover a inclusão de crianças e jovens no ensino regular e supletivo. ESTRATÉGIA: Reavaliar os programas de aceleração de estudos e educação supletiva em andamento. reduzir e combater em caráter permanente a evasão escolar e a repetência. palestras. regularizar a oferta de vagas em todos os níveis de ensino. desenvolver novas metodologias educacionais. PARTICIPANTES: profissionais do magistério estadual e municipal. melhorar a qualidade do ensino. ampliar as oportunidades educacionais.18 Programa de Formação Continuada de Professores OBJETIVO: Estimular e promover a formação continuada de professores visando a melhoria da qualidade do ensino. METAS: promover a correção do fluxo escolar e reduzir a incidência de defasagem idade-série dos alunos do ensino fundamental e do ensino médio. ESTRATÉGIA: Fortalecer as ações do Centro de Referência do Professor. criar mecanismos de acompanhamento Escola Sagarana - 84 . preservação da memória da educação em Minas Gerais. promover o intercâmbio cultural e científico com universidades. aumentar as taxas de escolarização. instalar no interior agências ou laboratórios do Centro de Referência do Professor junto às superintendências regionais de ensino. descentralizando as ações. beneficiando 105 mil professores das redes de ensino estadual e municipais. organização de cursos. O Procap – Fase Escola Sagarana começou suas atividades de capacitação em junho de 2001.19 Programa de Educação Inclusiva OBJETIVO: promover a equidade na oferta de educação pública e gratuita. escolas da rede pública municipal e particular e instituições nacionais e internacionais voltadas para o desenvolvimento e aperfeiçoamento de recursos humanos em educação. 8. 8.ensino superior para a coordenação e a execução do Programa visando o treinamento de facilitadores estaduais e municipais. META: Atender às demandas regionais de cursos e atividades de capacitação e aperfeiçoamento de docentes. capacitar profissionais da Educação para tais modalidades de ensino. debates. seminários.

professores. bem como a descentralização de recursos pedagógicos. criar mecanismos de atendimento à demanda residual. metodologias e recursos destinados a desenvolver e enriquecer os currículos. com edição semanal. incluindo a de educação a distância. estudar a viabilidade de expansão do ensino supletivo em suas várias modalidades. edição de livros da coleção Lições de Minas relatando as melhores experiências. utilização da rede de telessalas e recursos da TV Interativa para formação de recursos humanos e atendimento à demanda educacional. transmitido via satélite e captado nas escolas por antena parabólica. estimulando a criatividade e o aperfeiçoamento dos professores. contribuir para a formação da cidadania. 8. abrir espaço para a participação de alunos como monitores e estimuladores. METAS: incentivar a adoção de projetos inovadores que facilitem a aprendizagem. alunos. PARTICIPANTES: escolas. promover formação continuada e aperfeiçoamento de docentes. 8. a integração e a participação dos alunos ESTRATÉGIA: selecionar por concurso os projetos a serem financiados e as escolas beneficiárias. publicação de livros da coleção Lições de Minas tratando dos temas ligados à inclusão social e temas transversais a serem explorados nas salas de aulas. pais de alunos e comunidades. melhorar a qualidade da educação. Escola Sagarana - 85 . estimular a implantação de novas metodologias de ensino e a formação técnica e tecnológica de alunos e professores com uso de recursos informacionais.educacional e equipes de professores recuperadores para reintegração de alunos em defasem idade-série. estabelecer parcerias com o Ministério Público e organizações não-governamentais para atuação conjunta no combate à evasão escolar. divulgar amplamente os resultados. AÇÕES: capacitar docentes para a escolha e julgamento dos projetos apresentados. AÇÕES: Utilização permanente do programa Canal Educativo.20 Programa de Apoio às Inovações Educacionais OBJETIVO: estimular os professores e as escolas a adotarem técnicas. formar facilitadores.21 Programa de Informática na Educação OBJETIVO: introduzir e desenvolver o uso de tecnologias informacionais nas escolas da rede pública.

priorizando o atendimento àquelas escolas localizadas em regiões periféricas e que atendam populações mais pobres. 8. obter maior rendimento e baixa relação custo/benefício. ampliar a abrangência do Programa.23 . priorizando as regiões mais carentes do estado. elaborar projetos de ampliação.Programa do Livro Didático Escola Sagarana - 86 . ampliar as oportunidades educacionais.METAS: Implantar 2 mil novas centrais de informática e laboratórios de informática nas escolas estaduais e municipais. aumentar a oferta de vaga visando universalizar o ensino fundamental e o ensino médio. estabelecer parcerias com entidades comunitárias e órgãos governamentais para produção. ESTRATÉGIA: promover a racionalização do uso de recursos públicos na construção. buscar tecnologias novas e alternativas de construção e equipamento de escolas. prefeituras municipais e entidades comunitárias para o equipamento das escolas e a qualificação de professores-mutiplicadores. visando torná-las confortáveis. proporcionar melhores condições de conforto aos alunos. informatizar as escolas propiciando sua modernização administrativa e proporcionar a formação técnica de estudantes e membros da comunidade para uso. aumentar as taxas de escolarização. dar condições de conforto de forma a facilitar o processo de ensino e de aprendizagem. manutenção e montagem de sistemas operacionais e equipamentos. reforma e ampliação de escolas estaduais e municipais. fornecimento e recuperação de equipamentos e mobiliários escolares. melhorar a qualidade do ensino. capacitar professores para uso da informática na educação. AÇÕES: ampliar e dinamizar a atuação dos Núcleos de Tecnologia Educacional. reforma e construção de escolas. METAS: reduzir o custo das obras públicas. estabelecer novos padrões arquitetônicos para as instalações escolares no Estado. ESTRATÉGIA: parceria com o Ministério da Educação. profissionais da educação e membros da comunidade. 8. programação. PARTICIPANTES: escolas estaduais e municipais. funcionais e econômicas AÇÕES: promover estudos e avaliações sobre técnicas construtivas.22 Programa de Equipamento e Expansão da Rede Escolar OBJETIVO: ampliar a oferta de vagas na rede escolar de Minas Gerais.

respeitando a cultura e os costumes regionais. promover a renovação dos acervos. ESTRATÉGIA: Aperfeiçoar o sistema de aquisição de alimentos e a elaboração de cardápios. com apoio das universidades.24 Programa de Alimentação e Nutrição Escolar OBJETIVO: elevar os padrões de alimentação e nutrição dos alunos da rede pública visando melhorar suas condições de saúde e o seu desempenho escolar. BENEFICIÁRIOS: 3. fornecer aos professores manuais atualizados e orientações sobre sua utilização. META: atendimento a todas as crianças matriculadas no ensino fundamental e na educação infantil. adquirir e fornecer material didático para escolas da rede estadual. manuais e outras publicações de orientação aos professores. ESTRATÉGIA: Apoiar o programa desenvolvido pelo Ministério da Educação fiscalizando sua execução.7 milhões de alunos das redes públicas 8. META: monitorar e apoiar o sistema de escolha e distribuição de livros didáticos a todas as escolas públicas de ensino fundamental no estado. estimular o controle social através dos colegiados da escolas. promover a avaliação permanente da qualidade dos livros utilizados pelas escolas públicas para mantê-los compatíveis com a qualidade do ensino e a política educacional de Minas Gerais. melhorar os padrões alimentares pelo processo educativo. disseminar conhecimentos sobre a segurança alimentar e suas conexões com política estadual de desenvolvimento econômico e social. formulação de Escola Sagarana - 87 . e obtendo ganhos e redução de custos. planejamento alimentar. AÇÕES: Repasse de recursos próprios e federais diretamente às escolas para aquisição de alimentos. garantindo a cada um pelo menos uma refeição diária com o mínimo de 9 gramas de proteínas e 350 kilocalorias. assessorar tecnicamente as SREs e escolas no gerenciamento dos recursos. nas redes municipais e estadual. desenvolver estudos visando o desenvolvimento e elaboração de livros. desde a escolha dos alimentos e cardápios até a utilização dos recursos financeiros. AÇÕES: estimular através de campanhas a conservação dos livro didático e para-didáticos. Introduzir práticas e conceitos da segurança alimentar como base para ações do Programa. distribuir anualmente livros com conteúdos de todas as disciplinas. estimular o hábito da leitura e da pesquisa.OBJETIVO: universalizar o direito ao livro didático no ensino fundamental.

cardápios, controle de qualidade, saúde, higiene, conservação, estocagem e manipulação de alimentos, cardápios alternativos e organização de hortas. Implantado em cem escolas da capital o projeto piloto de aquisição de gêneros da merenda escolar não perecíveis por meio do registro de preços, para aumentar a eficiência do processo. Firmado convênio com o Centro Tecnológico de Minas Gerais (CETEC) para realização de restes de qualidade e de aceitabilidade de produtos selecionados para a merenda escolar. RECURSOS: Secretaria da Educação e MEC BENEFICIÁRIOS: 2,1 milhões de alunos das redes estadual e municipais de todo o Estado. 8.25 Programa Dinheiro na Caixa da Escola OBJETIVO: disponibilizar recursos financeiros para fazer face a despesas de manutenção das escolas, aquisição de materiais de consumo, equipamentos e outros bens no mercado local. META: descentralizar o processo de compra de bens e serviços, visando favorecer o mercado local, a redução dos custos de manutenção das escolas e a redução de custos e agilização da administração pública; dotar as escolas de infra-estrutura básica para seu funcionamento. ESTRATÉGIA: repassar recursos diretamente às Caixas Escolares, duas vezes por ano e criar mecanismos de controle através da prestação de contas anual como condição para renovação dos repasses. AÇÕES: capacitar administradores escolares para a o controle das finanças, realização de tomadas de preços, cotações de mercado e prestação de contas; estimular o controle social das Caixas Escolares e o método participativo de definição do orçamento da escola e planos de investimento. ABRANGÊNCIA: todas as escolas estaduais. RECURSOS: do Tesouro Estadual e Ministério da Educação. 8.26 Projeto de Educação Afetivo-Sexual OBJETIVO: Desenvolver metodologias e abordagens ligadas à educação sexual visando a formação integral dos jovens e adolescentes METAS: formação de valores e padrões comportamentais que levem em conta a preservação da vida, da saúde e da integridade física, moral e intelectual.

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AÇÕES: estimular o uso de novas metodologias e dinâmicas de grupo para abordagem de temas da sexualidade e da afetividade nas escolas, com capacitação de docentes e de agentes facilitadores entre os alunos. ABRANGÊNCIA: 300 escolas da rede estadual da capital e do interior PARCERIA: Fundação Odebrecht 8.27 - Projeto Lições de Minas Como, em que bases e com que resultados está sendo construído o Sistema Mineiro de Educação O Projeto Lições de Minas se destina a criar novos canais de comunicação entre a Secretaria de Estado da Educação, as escolas, a comunidade atendida por elas e os setores que produzem o conhecimento pedagógico em Minas Gerais. Seu objetivo geral é difundir idéias, avaliações de projetos, ensaios, teses, orientações, legislações, experiências e inovações no campo da Educação em geral e, em especial, nas esferas de competência do Estado. É coordenado pela Assessoria de Comunicação Social da Secretaria da Educação, com execução descentralizada, conforme o conteúdo, pelas diretorias competentes. Público alvo: professores das escolas da rede estadual, professores das escolas das redes municipais, pesquisadores da área de educação, universidades, centros pedagógicos, associações profissionais ligadas à educação, comunidade escolar, imprensa, interessados em geral na área educacional. Modalidades: para atingir seus objetivos e todo o público alvo, o Projeto Lições de Minas contemplará três subprojetos, conforme a modalidade em que será produzido: versão impressa, versão eletrônica (via Internet), versão em vídeo. 1. Coleção Lições de Minas (versão impressa) – livros com até 200 páginas, editados em parceria com organizações privadas e nãogovernamentais, identificados como produção culturais e não como livro didático (o que permite a utilização de mecanismos fiscais de incentivo através de desconto no imposto de renda de pessoas jurídicas). Características da coleção - Identificação: Lições de Minas

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- Elaboração: Secretaria da Educação, com a coordenação editorial da Assessoria de Comunicação Social e, em alguns casos, executados em parceria com organizações governamentais e não governamentais. - Distribuição: para todas as escolas, órgãos públicos estaduais, prefeituras, universidades, instituições e entidades ligadas à educação. - Edição: em séries temáticas identificadas por inscrição na capa e cor específica, a saber: A) Idéias & Debates: artigos, ensaios, experiências e pesquisas sobre temas culturais, históricos, e outros de interesse da Educação. B) Inovações & Tendências: divulgação de experiências, novas tecnologias, teses, ensaios, reportagens, artigos com temas pedagógicos. C) Ações & Projetos: propostas institucionais, programas e projetos da Secretaria da Educação, bem como suas avaliações e resultados. - Formato: livro (15cm x 21,5cm) com lombada quadrada - 100 a 200 páginas em papel apergaminhado 90g - Capa: 4 cores, papel cartão 250g, verniz ou plastificada - Fotos e ilustrações ou gráficos: capa (cor) e páginas internas (P/B) Livros Publicados:  I – Tiradentes, O herói que inventou a Pátria – diversos autores II – Escola Sagarana; Educação para a vida com dignidade e esperança – 1ª edição III – Tempo escolar: hora de refletir, planejar e construir a Escola Sagarana – diversos autores IV - Merenda: Alimentação também se aprende na escola – diversos autores V – Dignidade, harmonia e paz: novo milênio sem exclusões – Campanha da Fraternidade 2000. VI – Escola Indígena: Índios de Minas Gerais recriam a sua educação – diversos autores VII – Lições de Minas – 70 anos da Secretaria da Educação – diversos autores VIII – Português: Língua Pátria, fator de identidade e resistência – diversos autores IX – Inovação Educacional: Escolas de Minas estão aprendendo a aprender X – Prevenção às drogas: um desafio à comunidade escolar – diversos autores 2 - Versão eletrônica, via Internet (http\www.educação.mg.gov.br)

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comunidade. exploração de temas transversais.Formato: Portal da Secretaria de Estado da Educação. . Escola Sagarana - 91 . prefeituras. . escolas. universidades. artigos sobre a Educação em Minas Gerais.Parceiros: ONGs. . permitir a interatividade e ampliar as possibilidade de participação da comunidade na condução da política educacional em Minas Gerais. via satélite em canal alugado da Embratel para esta única finalidade e captado nas escolas e superintendências regionais de ensino por antena parabólica. . informações. independente mas integrada àquelas mantidas pelo governo estadual no portal oficial. universidades. . com uma hora de duração. apresentado diretamente dos estúdios da Rede Minas de Televisão. idéias. . projetos e políticas educacionais desenvolvidos em Minas Gerais. fax ou correio eletrônico. governos. democratizar as informações e o acesso público à Secretaria da Educação.Formato: programa produzido pela Assessoria de Comunicação Social. imprensa. estatísticas. projetos e ações da Secretaria da Educação de Minas Gerais. com a gravação de cada programa são distribuídas semanalmente para todas as superintendências regionais de ensino e escolas núcleo.Versão para a TV – Canal Educativo .. utilizando o provedor e a consultoria da Prodemge. seus investimentos e sua atuação. em VHS. empresas interessadas no setor educacional.Público alvo: público em geral. ao vivo. escolas. gráficos. 3 . hipertextos e links relacionados aos parceiros e seus projetos voltados para o campo da educação. sendo parte na forma exposições e entrevistas e parte com interatvidade – o público participa enviando perguntas pelo telefone.Conteúdo: conceitos.Conteúdo: debates.Objetivo: disseminar informações.Reprodução: fitas de vídeo. perfis. quadros. É transmitido todas as quintas-feiras. bem como experiências bem sucedidas e inovações pedagógicas em uso ou propostas por especialistas. dar transparência aos atos da Secretaria.500 telessalas. É recebido em mais de 2.

transporte. O montante destes recursos vai depender. tenham sido aplicados corretamente todos os percentuais constitucionais na área da educação: 25% das receitas do município em educação. ANEXOS 9. Os recursos são creditados mensalmente em contas específicas e aplicados em ações voltadas ao ensino fundamental. a base de receita e suas fontes são as mesmas a financiar a manutenção e o desenvolvimento do ensino. de 12 de janeiro de 2000. Tal procedimento foi deflagrado através da lei Estadual nº 13.1 A questão do financiamento da Educação Gilberto José Rezende dos Santos Subsecretário de Administração do Sistema de Ensino A execução orçamentária da Secretaria de Estado da Educação. justiça. no exercício anterior. destes. pequenas alterações na participação de cada uma na arrecadação. apenas. em especial o Imposto Sobre Escola Sagarana - 92 .9. Recursos Ordinários do Tesouro do Estado – São recursos que o Governo do estado arrecada ou lhe são transferidos por determinação constitucional e são utilizados para o financiamento de toda a atividade estatal: educação. nos últimos quatro anos. Para que Estado e Municípios façam jus ao repasse é necessário que. sofrendo. Os recursos de que a Secretaria da Educação dispôs para financiamento de suas ações.458. As fontes de financiamento da Educação em Minas Gerais são as seguintes: 1. foram provenientes das seguintes fontes:  Recursos Ordinários do Tesouro do Estado  Recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério – FUNDEF  Quota Estadual do Salário Educação – QESE  Convênios com o FNDE  Operação de Crédito Banco Mundial Nesses últimos anos. saúde. etc. segurança. proporcionalmente ao número de alunos matriculados no ensino fundamental de cada município e do Estado. basicamente. 60% no ensino fundamental e o mínimo de 60% do FUNDEF no pagamento de pessoal. A partir do exercício de 2000. excluindo-se as despesas com pessoal e alimentação escolar. vem apresentando uma performance que evidencia o aumento da aplicação de recursos na área educacional. pois a sua maioria é proveniente de impostos. da atividade econômica. a Secretaria da Educação vem repassando aos municípios 50% da cota recebida mensalmente do Salário-Educação.

Merenda Escolar. menor arrecadação do Salário-Educação. Portanto. e. Reforma e Ampliação de prédios escolares. de acordo com o número de matrículas do ensino fundamental constante nas redes. há menos postos de trabalho.000. ICMS. maior a capacidade do FNDE de financiar as citadas ações. e estão financiando. Como esta receita tem como base de cálculo o volume de salários que são pagos pelas empresas. 4.5% sobre a folha de pagamento de seus funcionários. e os impostos de competência federal. e seu montante está vinculado à necessidade de recursos para fazer face a estas despesas.2. sendo direcionado para ações de desenvolvimento do ensino fundamental. 5. ela vai depender diretamente da atividade econômica. 15% das receitas. os programas de : Livro Didático. que tem sua previsão de término em 2002. sendo recolhidos 15% das Receitas de FPM. Quota Estadual do Salário Educação – Estes recursos são obtidos através de contribuição social de empresas que recolhem um percentual de 2. Basicamente estes recursos estão direcionados para o pagamento do pessoal e custeio operacional da Secretaria da Educação. projetos e ações voltadas para o ensino fundamental. Recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério – FUNDEF . pois os recursos são repassados com base no número de alunos.Estes recursos são obtidos através de transferências da União e do Estado. inicialmente. Construção. do número de matrículas existentes no ensino fundamental regular. Circulação de Mercadorias e Serviços . Esta receita depende basicamente de dois componentes: o primeiro. FPE. 2/3 distribuídos aos Estados. IPI – Exportação.00 (cento e cinqüenta milhões de dólares) do Banco Mundial e o mesmo valor como contrapartida do Estado.ICMS. Operações de Crédito do Banco Mundial – Estes recursos foram obtidos através de um contrato de financiamento com o Banco Mundial. portanto. de competência estadual. destinados ao financiamento de programas. base do montante de recursos que compõem o FUNDEF. os quais irão compor a transferência federal no tocante ao Fundo de Participação do estado. o segundo. sendo sua utilização assim definida: 1/3 para a União. pois. Lei 87/96. basicamente. quanto maior a captação do Salário-Educação. e distribuídos entre os Estado e seus Municípios. A sua Escola Sagarana - 93 . na medida em que há retração. Estes recursos dependem também da Contribuição Social do Salário-Educação. ou seja. Convênios com o FNDE – São recursos obtidos por meio de acordos realizados com o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). na função redistributiva. 3. previa um montante de $150.000. cuja arrecadação vai depender da atividade econômica. O contrato. de acordo com índices de arrecadação.

que aponta para um total de 169. no 89º lugar. Outros Recursos Vinculados – referem-se à arrecadação do percentual de 3. eventualmente. a seguir.A situação da infância no mundo e no Brasil. a partir de 1991. saúde. a TMM5 evoluiu de 177 para 40 por mil crianças até 5 anos de idade. as receitas que financiam a área educacional do Estado são basicamente as mesmas de ano para ano. o Brasil encontra-se ao lado do Vietnã. alterações nos investimentos educacionais. educação e trabalho infantil. pois. 9. a taxa de crescimento anual da população do Brasil passou de 2.63%. As reformas fiscais e tributárias podem representar. como contribuição para aposentadoria e são integralmente utilizados no pagamento de proventos dos aposentados da Educação. A segunda focaliza a situação da infância brasileira. de 1.2% entre 1970/90 para 1.4% entre 1990/99. Por outro lado. 6. na ordem decrescente de taxa de mortalidade (TMM5) estimada para 1999. A primeira trata da situação mundial da infância e contém textos e indicadores sobre 191 países. na Visão do Unicef Murílio de Avellar Hingel Secretário da Educação de Minas Gerais Recebi duas importantes publicações do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). além do Índice de Desenvolvimento Infantil (IDI).443 habitantes. renda e saneamento básico. Veja. Conclusão Como se pode verificar. quadro e gráficos explicativos da composição de recursos de 1998 a 2000. um crescimento anual. Essa redução no ritmo e crescimento da população refletiu-se nos dados preliminares do Censo Nacional de 2000.544. Esses elementos são Escola Sagarana - 94 . Isso não significa dizer que o Brasil não tenha melhorado alguns de seus indicadores – entre 1960 e 1999.2 . ou seja. Contém textos sobre experiências bem-sucedidas.5% dos servidores públicos estaduais. bem como a projeção para o exercício de 2001.programação na vigência do contrato depende do cronograma e andamento dos projetos por ele financiados. A classificação por mortalidade de menores de 5 anos deixa o Brasil em posição incômoda. ordenando as unidades federadas e os municípios por unidade federada. tabelas sobre demografia.

705 Piores Índices Pai Pedro IDI 0. Não é uma situação confortável.44% de crianças estão matriculadas em creche e 21.02% em pré-escola. notamos que.182 Serranópolis de Minas IDI 0. hoje.718 Itaú de Minas IDI 0. Se acrescentarmos o fato de que a maior parte das crianças com acesso à préescola pertence às classes sociais melhor situadas.508. enquanto em Minas Gerais. Basta apresentar os índices de desenvolvimento quanto aos serviços de educação nessa faixa etária: no Brasil. Em contraposição. o ponto crítico no atendimento está na educação infantil.644 alunos. Por exemplo: calcula-se que a matrícula nas redes municipais de Minas Gerais sofrerá de 2000 para 2001 um decréscimo de 1. temos condições de enfatizar a gravidade do problema.740 Itanhandu IDI 0.568 (escala de 0 a 1).467 para 1. Haja vista que. encontramos: Melhores Índices Poços de Caldas IDI 0.602 alunos. os dados disponíveis apontam para o crescimento da matrícula na rede estadual de ensino médio. 3.01% de crianças estão matriculadas em creche e 44. e de todo o Brasil.197 Santo Antônio do Retiro IDI 0.214 Como o desenvolvimento infantil é essencial à melhoria do quadro social do Estado de Minas Gerais. Escola Sagarana - 95 . no que se refere à educação básica.708 Bicas IDI 0.202 Montezuma IDI 0.705 Timóteo IDI 0. O Estado de Minas Gerais classifica-se em 12º lugar entre as unidades federadas com o IDI 0. 5.018 para 953.fundamentais para o planejamento da educação a longo e médio prazos.438. de 0 a 6 anos. de 2000 para 2001. pois significam uma demanda menor para o ensino fundamental com os reflexos daí resultantes.185 Ninheira IDI 0. de 843. entre os 853 municípios de Minas Gerais.60% de crianças estão matriculadas em pré-escola. Significa dizer que as crianças mais carentes chegam à escola – ensino fundamental – sem o necessário desenvolvimento de suas atividades físicas. psíquicas e motoras. especialmente porque existem grandes disparidades regionais.

Bloco A – Ed. A educação infantil. que chegou a ter 242. devido às aperturas financeiras por que passam os estados e os municípios. Ao mesmo tempo.br UNICEF . 11. no mesmo período. _______________________________________________________________ _____ FONTES: Situação Mundial da Infância 2001 – UNICEF Situação da Infância do Brasil 2001 – UNICEF Lei nº 9. como a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira – CPMF. apenas. a União amplia sua participação na receita nacional por intermédio de contribuições. É claro que.394/96 – LDBEN Evolução da Matrícula Efetiva em Minas Gerais – 1991 a 2000 – SEE/MG UNICEF – Escritório da Representação no Brasil SEPN 510.br Escola Sagarana - 96 .569 alunos.684 alunos em sua rede de pré-escolar.Brasília . que não entram na composição do Fundo de Participação do Estado – FPE e do Fundo de Participação dos Municípios – FPM. INAN – 2º andar 70750-530 . reduziu esse atendimento para. não tem nenhuma fonte segura de financiamento. os municípios mineiros passaram de 120. Um dos efeitos mais dramáticos desse dispositivo encontra-se no fato de que o Estado de Minas Gerais. Vemo-nos diante de um quadro em que avultam transferências de responsabilidades para estados e municípios sem os correspondentes recursos financeiros. E a responsabilidade social torna-se mais aguda na medida em que faltam meios indispensáveis ao desenvolvimento da infância brasileira.org. além de ser considerada a mais dispendiosa.unicef.937 para 316.Brasil na Internet: www.DF Endereço eletrônico: brasilia@unicef.org. estamos frente a um desafio difícil de ser superado.722 alunos em 1998.A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (art.11 item 5) atribui aos municípios a oferta da educação infantil. diante dos números e da realidade do IDI do Brasil e de Minas Gerais.

9.3 – Educação em números Escola Sagarana - 97 .

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