Escola Sagarana

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ESCOLA SAGARANA

Educação para a vida com dignidade e esperança

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julho de 2001 Edição revista e ampliada Governo de Minas Gerais Secretaria da Educação Governador: Itamar Franco Vice-Governador: Newton Cardoso Secretário da Educação: Murílio Hingel Secretário-Adjunto da Educação: Agamenon José Siqueira Subsecretária de Desenvolvimento Educacional: Maria Stela Nascimento Subsecretário de Administração do Sistema de Ensino: Gilberto José Rezende dos Santos Chefe de Gabinete: Lucy Maria Brandão Coleção Lições de Minas Volume II – 2ª edição – julho de 2001 Escola Sagarana: Educação para a vida com dignidade e esperança Edição revista e ampliada Coordenação editorial: José Eustáquio de Freitas Organização: José Eustáquio de Freitas Capa: Paulo Valério Ilustração de capa: “Bem-te-vi”, de Arlindo Daibert Revisão da 2ª edição: Maria Helena Gonçalves de Toledo Editoração: Marcos Aurélio Maia Fotolitos, impressão e acabamento: Imprensa Oficial de Minas Gerais Edição: Assessoria de Comunicação Social - SEE-MG

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Apresentação Educação para a vida com dignidade e esperança Murílio de Avellar Hingel Secretário da Educação de Minas Gerais Escola Sagarana - 4 .

com amplo espaço ao debate construtivo. em parte conhecida como decorrência do Fórum Mineiro de Educação. e ampliada pelo exercício do dia-a-dia pedagógico e administrativo. Completado o primeiro semestre à frente da Secretaria de Estado da Educação. financeiro e pedagógico encontrado em 1º de janeiro de 1999.1998). mas detalhada pelo diagnóstico realizado. exigência inarredável da sociedade brasileira neste limiar do século XXI. enriquecida pela contribuição de comissões especiais e grupos de trabalho que foram constituídos e elaboraram relatórios ricos em sugestões. Os resultados Escola Sagarana - 5 .Este é um documento aberto e que tomará forma mais elaborada depois de praticados os procedimentos que permitam a construção coletiva do Plano Mineiro de Educação. tal como aprovado na Carta dos Educadores Mineiros (2. O primeiro semestre foi destinado ao levantamento da real situação do Estado na área educacional. penso ter chegado o momento de apresentar aos educadores. privilegiando o conceito da Educação para todos durante toda a vida. subscrita pelo Governador Itamar Franco. o estabelecimento de parâmetros básicos. Também permitiu. a fixação de objetivos gerais e de diretrizes operacionais que asseguraram o desenvolvimento de ações voltadas à correção de rumos e a adoção de medidas indispensáveis ao reajustamento da Secretaria e da rede escolar estadual. então candidato às eleições que o conduziram ao cargo máximo do Estado de Minas Gerais (quadriênio 1999-2002). Essa consulta.9. à vista do quadro administrativo. em termos de políticas públicas para Minas Gerais. aos pais e à sociedade em geral uma primeira proposta de diretrizes e prioridades elaborada a partir da carta supramencionada. será instrumentalizada pela transformação do Fórum Mineiro de Educação em ação permanente de governo. A construção do Sistema Mineiro de Educação supõe consulta às bases envolvidas com as demandas por mais e melhores serviços educativos. de caráter decenal.

a base deste documento foi elaborada em 1999. de caráter decenal. como se pode constatar nos diversos setores das Subsecretarias de Desenvolvimento Educacional e de Administração do Sistema de Ensino. a Escola Sagarana. Portanto. revista e ampliada quase dois anos após a primeira publicação.alcançados são expressivos. apresenta evoluções e alterações trazidas pela crítica e pela prática. controle e avaliação. dentro dos princípios que regem o planejamento aplicado à Educação de curto. cumprindo-se assim o ciclo processual do planejamento da Educação. redefinições. Permanece como documento aberto e que. estudado e debatido. reforça a idéia de que este documento é ponto de partida e. com a forma de fórum e de base ao Plano Decenal de Educação. deve ser conhecido. que conduz necessariamente ao replanejamento. mas em contínuo processo de acompanhamento. preocupada com o desenvolvimento humano e com a cidadania. Este documento é uma referência do trabalho desenvolvido pela Secretaria da Educação em sua dimensão de reflexão para debates a serem promovidos desde a escola até os encontros regionais e estaduais. É evidente que os programas e projetos que o constituem estão e estarão sendo executados. contém avaliações dos programas e projetos inspirados pela nova política educacional de Minas Gerais. retificações e aprofundamentos em função da metodologia adotada. em consonância com o Plano Mineiro de Desenvolvimento Integrado – PMDI – preparado pela Secretaria de Planejamento e Coordenação-Geral. isto é: a educação a serviço da coesão social e da participação democrática. cujo norte será a Educação para a vida com dignidade e esperança. tomará forma mais elaborada depois de praticados os procedimentos que permitam a construção coletiva do Plano Estadual de Educação. Esta edição. e integra a primeira edição deste livro e constitui o passo inicial do governo Itamar Franco na área da Educação. assim. privilegiando o conceito da Educação para todos durante toda a vida. sofrendo alterações. Escola Sagarana - 6 . resultando em aperfeiçoamentos e avanços muito significativos para a educação em Minas Gerais. O sentido dinâmico do planejamento a partir da realidade. médio e longo prazo.

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sempre assentada no humanismo e voltada para o desenvolvimento harmônico do Estado. realizada em Jomtien. atuação integrada e ações permanentes envolvendo todo o escalão dirigente. em agosto/setembro de 1998. popular – e abranger a escola. que consubstancia os compromissos do governo Itamar Franco para esse setor. tem como objetivo primordial a universalização da educação e crê que o processo educacional deve contemplar a democratização. tais como saúde. Que dê atenção à diversidade criadora Escola Sagarana - 8 . somente alcançada pelo tratamento diferenciado aos desiguais. segurança. meio ambiente. O Governo de Minas Gerais. fiel aos compromissos assumidos pelo Brasil em 1990. Sendo prioridade absoluta.” A educação é um processo que requer planejamento estratégico. a educação verdadeiramente comprometida com a cidadania responderá aos desafios contemporâneos. sexualidade. Identificada com as necessidades essenciais do ser humano. sempre assentada no Humanismo e voltada para o desenvolvimento harmônico do Estado. na Tailândia. para realizar o Fórum Mineiro de Educação e formular. da cidadania e da formação integral do ser humano. durante a Conferência Mundial de Educação para Todos. Introdução “Um Sistema que promova a nucleação da ação pedagógica a partir da identidade regional. Tais características e vocações estão identificadas com a cultura e o comportamento do povo mineiro e foram referendadas pelos educadores de Minas Gerais que se reuniram. os profissionais da educação em geral e organismos oficiais e forças comunitárias. Ali. ação comunitária. com a cultura e com as exigências do mercado de trabalho. os especialistas. entre outras. como em outros documentos posteriormente produzidos. ao final. segurança alimentar. fica definida a estratégia de construção de um Sistema Mineiro de Educação identificado com os interesses do Estado.1. atuando nas mais diversas áreas. trabalho. comunitária. consumo. da mundialização da economia. os professores. “Um Sistema que promova a nucleação da ação pedagógica a partir da identidade regional. deve estar voltada para a formação integral do ser humano – sujeito de direitos – e não se confunde com a noção de mero serviço. corporalidade. das novas e complexas tecnologias. a família e a comunidade. devendo ser desenvolvida a partir de conceitos amplos – a exemplo da educação integral. a Carta dos Educadores Mineiros.

de instituições sociais e comunitárias. opondo-se à padronização técnica de viés autoritário.. aprender a viver e a conviver. voltados para “aprender a aprender. que articule as atividades educacionais com o setor produtivo. estimule as diferenças e as contribuições do rico universo cultural mineiro. envolvendo a participação das famílias. das empresas e de organizações não governamentais. Metas e Objetivos Gerais “A bem montada estrutura de educação superior existente no Estado deverá ser incentivada a envolver-se com o Sistema Mineiro de Educação. aprender a ser” .” Escola Sagarana - 9 . 2. aprender a fazer.. que seja capaz de organizar conteúdos curriculares inteligentes e atraentes. especialmente na formação e capacitação dos profissionais da educação.de modo que.

O Sistema Mineiro de Educação deverá. adotar a filosofia da atenção integral. no que se refere ao ensino médio. estar comprometido com os princípios democráticos e a melhoria dos padrões da educação – atuando sobre as causas dos problemas e não sobre os efeitos . caminhando progressivamente para sua universalização e contemplando. as populações mais carentes. prioritariamente. deverá contar com a estrita participação do setor produtivo. oferecendo tratamento diferenciado aos que dele necessitam – especialmente aos que se encontram em situação social de risco .  no ensino fundamental. no âmbito da educação básica. ainda. para sua necessária articulação com a denominada educação técnica/tecnológica que. especialmente na formação e capacitação dos profissionais da educação. o Sistema Mineiro de Educação deverá:  ampliar o conceito e a escolarização obrigatória até o ensino médio. com especial atenção às áreas urbanas periféricas e ao meio rural. em que a negociação seja o caminho natural que leva à fixação de responsabilidades recíprocas. garantir a matrícula a todas as crianças em idade escolar.  reconhecer a importância das parcerias. entendido em suas vertentes empresarial e trabalhista. estar atento à realidade do mundo contemporâneo de modo que. A bem montada estrutura de educação superior existente no Estado deverá ser incentivada a envolver-se com o Sistema Mineiro de Educação.Como indica a Carta dos Educadores Mineiros. na produção e divulgação de livros e outros meios indispensáveis ao trabalho na escola.defender a integração estado-município sem imposições autoritárias. por sua vez.  ampliar e democratizar a oferta de educação infantil. O Sistema Mineiro de Educação deve ter como pressuposto filosófico o pluralismo humanista. na expansão da pesquisa e dos trabalhos de extensão. na perspectiva de que a democratização da oferta educacional requer tratamento diferenciado às populações carentes.  incentivar os programas de educação de jovens e adultos e  garantir às populações rurais serviços educacionais identificados com suas necessidades e expectativas.e fazendo da educação um dos meios facilitadores da cidadania e da superação das desigualdades sociais. estimulando-as. com prestação de serviços escolares de Escola Sagarana - 10 . os esforços deverão estar voltados para sua progressiva universalização e democratização. no apoio ao desenvolvimento do subsistema de educação a distância e na definição das políticas públicas vinculadas à educação.

Cia. nas relações de emprego. o Sistema Mineiro de Educação haverá de. A educação está intimamente ligada às questões do ambiente.qualidade e atendimento a suas necessidades de saúde. cultura. os especialistas da educação. atendendo todos os mineiros. lazer. Editora Nacional) O estado de Minas Gerais. que são os professores. sempre mediante ampla participação de todos os setores envolvidos. necessariamente. enfim. alimentação. entre outras ações.172 km2 e cerca 18 milhões de habitantes distribuídos em 853 municípios. seja na realidade socioeconômica ou de desenvolvimento humano. na promoção do Humanismo. é definido como um estadomosaico: em sua diversidade regional. as doenças sexualmente transmissíveis. etc. dentro da unidade de princípios e de objetivos da educação. desporto. Diagnóstico “A educação limitadamente humanística dada na velha escola de elite não só não se presta a toda essa população escolar. Escola Sagarana - 11 . EM RESUMO. geração e uso de tecnologias modernas. Essa valorização supõe.” (Anísio Teixeira. a dignificação da atividade profissional pelo respeito e diálogo permanentes. Que respeite as diversidades regionais. 3. Para a consecução de seus objetivos. a instituição de nova carreira. alunos e pais de alunos. as drogas. com a correspondente formulação de planos de cargos e salários e outros instrumentos. Sobretudo. à formação e preservação dos valores. contém um pouco de cada rincão nacional. considerando-se suas correlações com diversos setores e áreas. in A Educação e a Crise Brasileira. a Educação é vital. prevenção contra a violência. os diretores. habitação. com área de 587. segurança. é vital na busca da felicidade. de competitividade. valorizar os profissionais que nele atuam. implementação de sistemáticos programas de treinamento e aperfeiçoamento continuado dos profissionais da educação. a comunidade em geral. do bem comum. como lhe pode ser prejudicial. de produtividade. que democratize as oportunidades. seja nos aspectos culturais. socialmente justo e que seja discutido com a base do sistema educacional. nas relações humanas. Propõe-se o governo de Minas Gerais a construir um Sistema Mineiro de Educação que tenha identidade própria. 1956.

a um planejamento rigoroso e provocava distorções e prejuízos ao Estado. Aos municípios. como os vales dos rios Jequitinhonha e Mucuri. para o sucesso da política de universalização do ensino. que estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB). premidas. Assim.9 milhões de alunos na educação infantil.500 escolas. ensino fundamental e ensino médio. o ensino fundamental. com prioridade. de certa forma. Essa linha de ação. reservas indígenas e territórios onde afloram problemas e conflitos agrários. na época. atendidos em mais de 3. e extensos vazios populacionais. praticada com intensidade entre os anos 1992 e 1998. determinada pela queda das taxas de natalidade no Brasil. com prioridade.900 escolas. A matrícula efetiva na rede estadual foi influenciada também pela municipalização do ensino fundamental. Assim.440. mas esse indicador altamente positivo não pode esconder outra realidade: segundo dados da Fundação João Pinheiro. cabe aos estados assegurar o ensino fundamental e oferecer.4 milhões de alunos (5. Esse movimento contribuiu. cerca de 400 mil crianças em todo o Estado continuam fora da escola. que não obedeceu.794.Contém zonas de alta concentração urbana. A evolução das matrículas no ensino fundamental vem indicando uma redução da demanda. imensas áreas de expansão agrícola e zonas onde a exploração mineral se destaca por seus aspectos positivos e seus impactos sobre o meio ambiente. União. compete oferecer a educação infantil em creches e préescolas e. 25% de suas receitas. na última década. Só a rede estadual tem perto de 2. como a região metropolitana de Belo Horizonte. a redução das matrículas na rede estadual foi acompanhada do aumento de matrículas nas escolas municipais. devem investir em educação. dos estados e municípios em relação à educação é definido pela Lei 9. principalmente. no mínimo. Minas tem mais de 5. 98% das crianças em idade escolar estão estudando. por determinação das constituições federal e estaduais. Tem regiões altamente desenvolvidas no setor industrial e de serviços. conforme o Censo Educacional/2000) matriculados em mais de 18. O quadro de atribuições da união. pelas condições sociais e econômicas adversas e pela necessidade de ingressarem cedo no mercado de trabalho. de 23 de dezembro de 1996.394. estados e municípios. o ensino médio. Em Minas. Escola Sagarana - 12 . permitida a atuação em outros níveis de ensino somente quando estiverem atendidas plenamente as necessidades de sua área de competência. Todo esse contexto e a complexidade dessa síntese tem que ser considerada nos planos de ação educacional. foi alterada a partir de 1999 com a suspensão das municipalizações. índice superior à média nacional (97%).

em 1996. intensificou processo de municipalização. maior o volume de recursos recebidos. Esses fatores estão na origem da política de nucleação. embora a demanda de vagas. levando a Secretaria de Estado da Educação a firmar uma série de convênios inadequados do ponto de vista pedagógico. O ponto de partida para isso é uma distorção grave do mecanismo proposto pelo FUNDEF: como os recursos do Fundo são distribuídos com base no número de matrículas registradas nas redes estadual e municipais. quanto à sua formalização. escolas e professores venha registrando crescimento elevado e permanente – em Minas a quantidade de alunos nesse nível duplicou nos últimos cinco anos. com isto. ao criar um sistema eficiente de financiamento da educação. inexeqüíveis no aspecto econômico-financeiro e legalmente insustentáveis. como a utilização do número de matrículas do ano anterior para definição dos índices de cada estado e município. provocando o fechamento de inúmeras escolas e criando grandes dificuldades para estados e municípios retomarem essa modalidade de ensino. Em várias oportunidades. compromissos de obras. A par de transferir escolas. de Escola Sagarana - 13 . séries e turmas para a responsabilidade dos municípios. Também foi excluída a educação infantil. a engenharia financeira do FUNDEF contém distorções graves. o Estado assumira. As municipalizações realizadas de 1992 a 1998 não seguiram qualquer projeto racional. naquela ocasião. além de permanecer atrelado a uma política econômica que promove o achatamento do custo-aluno calculado pelo MEC e. impede o aporte de recursos novos para a Educação nos estados e municípios. o aluno foi “transformado” em unidade monetária: quanto mais alunos na rede de ensino. 60% dos recursos do FUNDEF em pagamento do pessoal de magistério e o restante em manutenção e investimento. De outro lado. a mesma legislação determina à administração pública um patamar mínimo de investimento no ensino fundamental. que levou ao fechamento de inúmeras escolas rurais e à quase extinção de importantes e produtivas experiências pedagógicas.A criação do FUNDEF (Fundo de Desenvolvimento e Manutenção do Ensino Fundamental e Valorização do Magistério). mesmo representando um razoável avanço. O estado e os municípios devem aplicar. O ensino médio foi excluído dessa fonte de financiamento. no mínimo. O resultado é que. essencial para a preparação das crianças para o processo de ensino e aprendizagem. dirigentes municipais e estaduais e de entidades representativas da educação no país têm manifestado restrições ao regulamento do FUNDEF e sugerido alterações de forma a ampliar as possibilidades de investimento no setor. sempre em favor do ensino fundamental.

considerando as peculiaridades locais. como seria recomendável. coordenados pelas superintendências regionais de ensino. houve prejuízos financeiros para o Estado.916.245 milhões de alunos matriculados (dados do Censo Escolar 2000). com servidores efetivos colocados em adjunção ao município. reavaliar a política e definir novos critérios de parceria entre o Estado e os municípios. entidades e organizações da comunidade.207 alunos na rede estadual e 324 mil na municipal. O instrumento para isso foram os fóruns regionais. os recursos humanos disponíveis. empresas. custeio e pessoal que não teve condições de cumprir. com 1. realizados em todo o estado e destinados a subsidiar as discussões para que cada escola decidisse sobre o sistema de organização do tempo escolar mais adequado às suas condições. de forma a preservar o patrimônio público. foi preciso suspender o processo de municipalização no ensino fundamental. O Censo Escolar 2000 registrou nessa modalidade de ensino 12. de pessoal e a possibilidade de estabelecer parcerias com os municípios. a adoção apressada do sistema de ciclos nas quatro séries iniciais criou uma espécie de promoção automática que comprometia a qualidade e criava dificuldades para o sucesso no processo de ensino e de aprendizagem. o interesse da comunidade escolar. Foi preciso interromper essa política e abrir uma ampla discussão sobre a forma mais adequada de organização do tempo escolar e formulação da proposta pedagógica de cada escola. o Estado reduziu drasticamente sua participação. a ponto de manter apenas 11 mil crianças matriculadas no final de 1998. A partir de 1999. parcerias com as prefeituras. Essa modalidade de educação não é beneficiada por mecanismos oficiais de financiamento. N a E d u c a ç ã o I n f a n t i l . Como conseqüência. a antiga atribuição. além das perdas de caráter pedagógico. N o E n s i n o F u n d a m e n t a l . pois uma boa parte de seus professores era mantida pelo Estado. o que desestimulou os municípios a assumirem responsabilidades nesse campo e tornou muito difícil ao Estado retomar. Escola Sagarana - 14 . promover o melhor aproveitamento do pessoal de magistério e resguardar as condições necessárias à manutenção da qualidade da educação. situação que se pretende corrigir ao longo do tempo e conforme a disponibilidade de recursos. A Secretaria da Educação vem estudando programas alternativos e buscando formas para seu financiamento. elevação de custos e criou-se um paradoxo: muitos municípios recebiam recursos do FUNDEF para pagamento de pessoal e não conseguiam aplicá-los integralmente. reduzir as adjunções. que teve sua autonomia reconhecida e afirmada a partir de 1999.manutenção.

o Ministério da Educação vem promovendo uma ampla reforma do ensino médio. a pressão do mercado de trabalho e os programas de aceleração de estudos levaram a uma forte expansão da demanda.inclusive de Magistério – vários deles reabertos pela atual gestão para atender à reivindicação e ao esforço demonstrado pelas comunidades. 69% das escolas da rede estadual optaram por adotar o regime de ciclos. N o E n s i n o M é d i o .018 no ano seguinte. sendo os cinco primeiros em Brazópolis (em funcionamento desde o início de 2001). N a E d u c a ç ã o P r o f i s s i o n a l . no início de 2000. de avaliação de desempenho. Para as que optaram pelo regime seriado. O ponto crucial do ensino médio é a questão da escassez de recursos. havia 736 mil alunos matriculados. intermediário e avançado. Inúmeras escolas de ensino médio foram reabertas. Para os próximos anos. a demanda continuará elevada. Em 1999. sendo os dois primeiros de três anos e o último de dois anos de duração. segundo o Censo Escolar 2000. Gradativamente. deslocando os alunos para longe de suas comunidades e deixando às prefeituras graves e insolúveis problemas de transporte de estudantes. o que exigirá um grande esforço na organização do atendimento escolar. Essas escolas foram autorizadas a criar os Núcleos de Aprendizagem Interativa (NAIs) destinados a proporcionar atendimento específico aos alunos com dificuldades. Escola Sagarana - 15 . nova regulamentação visando a preparação de alunos tanto para a continuidade dos estudos em nível superior. Ao mesmo tempo. a Secretaria de Estado da Educação instituiu uma nova organização do tempo escolar em três ciclos – o inicial. foi elaborado um programa de apoio visando o aperfeiçoamento dos métodos de ensino. estimando-se que haja uma estabilização a partir de 2005. Também foram retomados os programas de implantação de dez centros de Educação Profissional. com novos parâmetros curriculares. quando o governo anterior adotou uma política de nucleação nas zonas urbanas e rurais.Após um longo processo de debates. Itajubá. recuperação e promoção. No início de 2001. E para essas. subiu para 843. alguns desses cursos foram reativados e 184 deles já funcionam em todo o Estado. principalmente. foram abertas 3 mil novas turmas de alunos e o total de matriculados aproximava-se de 1 milhão. Teófilo Otoni e Unaí. agora parceiras do Estado nessa modalidade. número que. o governo anterior também impôs a política de desativação dos cursos técnicos . Caxambu. já que esse nível não dispõe de fontes de financiamento específicas e é mantido. evitando-se os erros registrados em 1998. como para o ingresso no mercado de trabalho por meio da profissionalização de nível técnico e tecnológico. com recursos do Tesouro Estadual.

que têm até 60% de seus professores mantidos pelo Estado. cumpriram sua finalidade estatística. Esse índice é maior que em 1999 (4. principalmente devido à adoção crescente do regime de cliclos no ensino fundamental e à crescente capacitação e treinamento dos professores da rede pública. Programas como o “Acertando o Passo” – destinado a alunos em defasagem no ensino fundamental – e “A Caminho da Cidadania”. apesar do relativo sucesso dos estudantes mineiros nos programas nacionais de avaliação de desempenho. principalmente as Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAEs). em Minas Gerais 6. As taxas de evasão continuam elevadas: de acordo com o Censo Escolar 2000. Em todos os níveis de ensino há índices negativos que precisam ser combatidos. em 2000. A linha de ação adotada na atual gestão é pela inclusão. Minas Gerais atende pouco mais de 10 mil alunos em 90 escolas e classes especiais. a integração de alunos portadores de necessidades especiais às turmas de ensino regular. dotando-se as escolas de profissionais habilitados para lidar com eles. Quanto à repetência. ou seja. do Ministério Público e especialmente dos professores e dirigentes escolares para trazerem de volta à escola os alunos evadidos. E v a s ã o e r e p e t ê n c i a continuam como grandes desafios da educação em Minas. provavelmente devido às pressões de ordem econômica e social e devido ao aprendizado ineficaz dos jovens que freqüentaram os projetos de aceleração de estudos e não continuaram na escola. A e d u c a ç ã o d e j o v e n s e a d u l t o s mereceu avaliações específicas.3% dos alunos do ensino fundamental deixaram a escola. viram-se forçados a abandonar os estudos. Tal situação justifica uma ampla política de envolvimento dos pais. mas há grande insegurança quanto à sua eficácia. por vários motivos. alcançando pouco mais da metade dos pontos e colocando-se nos primeiros lugares no cenário nacional. importantes para a inclusão social de jovens e adultos que interromperam os estudos e para aqueles que. O Programa de Avaliação da Educação Básica (Proeb) constatou. Trata-se de ferramentas úteis no processo de aceleração de estudos e correção da defasagem idade/ciclo ou série. Da mesma forma.N a E d u c a ç ã o E s p e c i a l. levando-se em conta o interesse social e a eficácia desses projetos. que os alunos desses projetos Escola Sagarana - 16 . A outra linha de ação é de apoio às instituições especializadas. as taxas estão caindo. programas de combate ao trabalho infantil e à promoção de renda mínima vinculada às necessidades educativas podem contribuir muito para que famílias carentes mantenham seus filhos na escola (Bolsa-Escola).3%). que atende à demanda semelhante no ensino médio. incluindo a suplência no ensino fundamental e no ensino médio e os projetos de aceleração de estudos.

na capital e no interior do estado. outros não tinham desempenho adequado que lhes permitisse prosseguir estudos no ensino regular. Esses recursos estão sendo utilizados nos programas de capacitação de professores e dirigentes. o Programa de Capacitação de Professores . A capacitação de professores e de dirigentes é tarefa essencial da Secretaria de Educação e será permanente. restava para execução. utilizando metodologias de educação a distância. após uma avaliação de conteúdos. a Secretaria lançou o Veredas – programa de formação superior de professores. A f o r m a ç ã o e c a p a c i t a ç ã o de recursos humanos para a Educação contou com financiamentos do Banco Mundial. garantindo-se o retorno e a continuidade dos estudos para adolescentes e jovens que abandonaram a escola e querem voltar a estudar. Assim. visando a melhoria da qualidade do ensino e a valorização dos profissionais do magistério. Mais de 105 mil professores e 6 mil dirigentes foram integrados à nova fase. chegando a ter certificados rejeitados. objetivos que serão perseguidos por meio de parcerias com as universidades e instituições de ensino superior instaladas em Minas Gerais. Por tais razões. Estudos feitos pela Secretaria da Educação indicam que a melhor alternativa é encaminhar as demandas remanescentes para a educação supletiva e continuada. Visando habilitar professores das redes municipais e estadual que não têm curso superior e atuam da primeira à quarta série do ensino fundamental. A criação do Sistema de Ação Pedagógica (Siape) é um poderoso mecanismo de apoio e de atuação direta nas escolas para permitir uma evolução adequada na avaliação. Essa alternativa vem sendo viabilizada com a instalação de novos Centros de Educação Supletiva e Continuada (CESECs). Escola Sagarana - 17 . Desse programa. em 1999.PROCAP e o Programa de Capacitação de Dirigentes – PROCAD tiveram continuidade na gestão 1999-2002.5 milhões. que beneficiará 15 mil profissionais. uma última etapa que prevê investimento de US$ 20. muitos que concluíram estudos dentro de tais projetos encontraram dificuldades no mercado de trabalho.não apresentam rendimento suficiente para retornarem ao ensino regular nem adquirem as competências básicas para prosseguirem nos estudos. assim como a formação continuada e o incentivo à inovação educacional. filosofia e métodos. com base em convênio firmado em 1995 prevendo empréstimo de US$ 150 milhões e igual contrapartida do Estado. desempenho e aproveitamento de estudos para que se mantenha movimentação e fluxo adequados. através do programa Pró-Qualidade. agora revistos e com nova orientação baseada nos princípios da Escola Sagarana. sendo adaptados à linha de ação estabelecida pela Escola Sagarana.

O ensino médio. A relativa estabilidade da economia. apesar do grande incremento no atendimento. em nome do CONSED (Conselho Nacional dos Secretários de Educação). A Secretaria da Educação participa da comissão nacional que estuda. as quotas depositadas em juízo reverteram para o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). praticamente. provocadas pela recessão econômica. Q u a n t o à d e m a n d a d e v a g a s. Além de apresentar seus pleitos com relação à reformulação do FUNDEF. com oscilações no valor dos repasses. a Secretaria da Educação está integrada aos movimentos organizados pelo Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Educação (CONSED) pela reformulação do FUNDEF. e por esta razão. de forma a atender às reais necessidades de investimento no setor. e pela preservação do salário-educação como uma das principais fontes de financiamento à Educação nos estados e municípios. Além disso. acentua-se o aumento do atendimento ao ensino fundamental nas redes municipais (até 1999 foram transferidos para as redes municipais 562. universalizado. O comportamento dessas duas fontes vinha sendo errático.A q u e s t ã o d o f i n a n c i a m e n t o da Educação é crucial. encontrando-se matriculada menos da metade da população escolarizável na faixa de 15 a 19 anos. e pequeno decréscimo na rede estadual. as receitas representadas pela Quota Estadual do Salário-Educação em Minas Gerais tiveram uma queda da ordem de 5%. Em relação ao ensino fundamental. a totalidade dos recursos repassados ao Estado é utilizada no pagamento de pessoal – rubrica que ainda depende de complementação financeira proveniente do Tesouro Estadual para que seja mantido em dia. a secretaria apresentou estudos sobre a reformulação desse fundo que proporcionaria ao Estado e aos municípios um reforço orçamentário significativo. contudo. Quanto ao FUNDEF. resultando numa lenta evolução positiva da receita proveniente do FUNDEF. Nos primeiros seis meses de 1999. A grande maioria dos alunos do ensino Escola Sagarana - 18 . os mecanismos de financiamento da educação nacional.04%. conforme é compromisso do atual governo. e devido à atuação organizada de empresas e entidades empresariais na proposição de ações judiciais contra o pagamento do salário-educação. E apóia todos os movimentos que visam à inclusão do ensino médio e da educação infantil como beneficiários dos recursos do FUNDEF. reagindo lentamente devido à retomada da contribuição por centenas de empresas derrotadas nas ações judiciais que propuseram. refletiu-se no volume de impostos arrecadados. atingindo 98. com dotação de novos recursos para investimento. está bem longe da universalização.768 matrículas). o atendimento encontra-se.

A mobilidade de alunos no ensino fundamental em Minas Gerais. enquanto a rede estadual tem 1. têm apenas 393 unidades escolares atendendo nesse nível de ensino.444 escolas.médio está sob a responsabilidade do Estado – as redes municipais. enquanto as de evasão e de promoção subiram em relação ao ano de 1999. medida pelo Ministério da Educação através do Censo Escolar 2000. conforme o Censo Escolar 2000. indica que a taxa de repetência está em declínio. Escola Sagarana - 19 .

O Fórum Mineiro de Educação constituir-se-á em ação permanente do governo. na solenidade de encerramento daquele encontro. conforme compromisso assumido pelo então candidato a governador.” A atuação do governo de Minas pautar-se-á pelos princípios.”  “Na condução da política educacional. numa pedagogia de qualidade sintetizada no conceito segundo o qual “a melhor educação para os melhores é a melhor educação para todos”. realimentando e atualizando o planejamento da educação em Minas Gerais. em Belo Horizonte. a heterogeneidade e a diversidade. são os seguintes os Parâmetros básicos da Política Estadual de Educação  “A educação mineira resguarda. a transparência e a ética são requisitos fundamentais e insubstituíveis.”  “O processo educativo respeitará as diferenças. Conforme estabelece a Carta dos Educadores Mineiros. na herança histórica e cultural do Estado.” Escola Sagarana - 20 . pressupostos e diretrizes definidas pelo Fórum Mineiro de Educação. como parte de uma estratégia democrática de educação de qualidade para todos. comprometida com o desenvolvimento integral do educando e a serviço da cidadania e da competitividade que contempla simultaneamente a eficiência tecnológica e a equidade social.4 . uma filosofia humanista.Políticas Públicas para a Educação “Definir o aluno como centro das atenções educacionais e fortalecer o compromisso da política estadual de educação com a obtenção do sucesso do aluno no processo de ensino e de aprendizagem e de sua formação como cidadão.  “A participação da sociedade será valorizada. Itamar Franco. em 2 de setembro de 1998.

mediante exames do rendimento dos alunos. programas e ações com vistas a garantir educação de qualidade para todos os mineiros.  Ampliar progressivamente o atendimento à demanda do ensino médio tendo em vista a sua universalização no prazo mais curto possível.  Definir o aluno como centro das atenções educacionais e fortalecer o compromisso da política estadual de educação com a obtenção do sucesso do aluno no processo de ensino e de aprendizagem e de sua formação como cidadão. especialmente no Ensino fundamental.  Assegurar educação de qualidade para alunos portadores de necessidades especiais.”  “As políticas e diretrizes setoriais terão como pressuposto a participação social e a democratização de oportunidades. “Educação e cultura são termos indissociáveis de uma mesma equação cuja solução aproveitará. opondo-se decisivamente à elitização e à exclusão. Objetivos São objetivos da política educacional do governo de Minas Gerais:  Desenvolver planos. Escola Sagarana - 21 .” 4. desenvolvendo ações amplas de combate à evasão escolar e à exclusão social. desenvolver e valorizar os profissionais do magistério em todos os níveis e modalidades do ensino. e promovendo o retorno à escola daqueles que dela se afastarem sem justificativa. estudos e pesquisas. metodologias de controle e acompanhamento.  Garantir o ingresso e permanência do aluno na escola.  Ampliar a possibilidade de acesso ao ensino aos que não tiveram oportunidade em idade própria. à cidadania. à eficiência profissional e à equidade social.  Desenvolver metodologias e estabelecer normas para garantir a participação de toda a comunidade escolar na gestão das escolas da rede pública.  Universalizar progressivamente a educação infantil por meio de parcerias com os municípios e organizações não-governamentais. necessariamente.  Capacitar.  Avaliar a qualidade do ensino em todos os níveis e modalidades.1.

4. a eqüidade e o equilíbrio inter-regional.  Incentivar a defesa e prática dos direitos humanos. para que definam e implementem seus próprios projetos político-pedagógicos. no âmbito do Sistema Mineiro de Educação. e a observância dos princípios da convivência harmônica e solidária. contemplando necessariamente atividades de avaliação. fortalecendo sua autonomia pedagógica.  Definição de política de supervisão pedagógica. decorrente do Plano Nacional de Educação e definido por fórum permanente.1 . a ação plural e a diversidade criadora. orientação educacional e inspeção escolar no âmbito do Sistema Mineiro de Educação.2. de mecanismos definidores do regime de cooperação entre estado e municípios.  Promoção da cooperação técnica estado-municípios. Escola Sagarana - 22 . de acompanhamento das interrelações dos componentes do Sistema.  Elaboração de plano decenal para a educação em Minas Gerais.  Repasse direto de recursos às escolas. em especial da criança e do adolescente. nele inserindo o Fórum Mineiro de Educação e seus fóruns regionais como instâncias públicas de debates e promoção de políticas e ações de governo compatíveis com a visão democrática e solidária do setor educacional. visando garantir investimento por aluno compatível com a qualidade do processo educativo. voltado para o humanismo. dentro do princípio da democratização da gestão do sistema educacional.  Realização de estudos sobre as alternativas de financiamento. administrativa e financeira.  Criação. ampliando seu espaço de decisão. visando a profissionalização de todas as instâncias de formulação e execução da política educacional. para que implemente proposta pedagógica comprometida com o sucesso do aluno.2 Diretrizes Operacionais 4.Administração e financiamento  Estruturação do Sistema Mineiro de Educação. Desenvolver ações articuladas entre os diversos setores para favorecer o pleno desenvolvimento da criança e do adolescente.  Valorização da escola.

 Estabelecimento de plano de carreira. adotando-se mecanismos que reduzam ou eliminem as categorias do “designado” e do “convocado”. com participação da comunidade escolar. articulada com as realidades regionais de Minas Gerais. prevendo cooperação entre o Estado e seus municípios e a participação de iniciativas comunitárias e particulares.Ensino fundamental Escola Sagarana - 23 .Magistério e Recursos Humanos  Reconhecimento do papel social do educador. de política de formação e aperfeiçoamento do magistério. 4. 4. com ampla participação social.3 . em ação integrada com os municípios e a comunidade. cargos e salários. com valorização do colegiado e respeito ao interesse da comunidade escolar e dos que vivem em torno da escola.4 . O eixo norteador será o de abrir à carreira perspectivas profissionais que incentivem a permanência no magistério e motivem o educador a aperfeiçoar-se.2 . mediante adoção de políticas voltadas para sua efetiva valorização. o desenvolvimento de competências nas áreas de informática e novas tecnologias aplicadas à Educação.  Garantia da prática da gestão democrática das escolas. em parceria com sistema universitário sediado em Minas. especialmente dos profissionais da educação. entre outros itens.  Ampliação da oferta de creches nas regiões e áreas carentes. com prioridade para os segmentos mais pobres da população. 4.2.  Retomada da proposta da atenção integral à criança.2. continuadamente.Educação infantil  Universalização progressiva da pré-escola.  Definição e implementação.2. Garantia de critérios democráticos para escolha de diretores de escolas estaduais. Essa política enfatizará.  Realização de concursos públicos periódicos.

em especial na área de ciências.  Estímulo à criação de escolas comunitárias e fomento ao cooperativismo no ensino médio.  Ação conjunta das secretarias e entidades da área social do governo. visando ações comuns que permitam disseminar em todo o Estado a estratégia da atenção integral à criança e ao adolescente. Reexame dos procedimentos de avaliação vigentes no Estado. até 2003.Ensino Médio  Garantia de matrícula no ensino médio.2. de forma a atender ao aumento da demanda por vagas e ao interesse maior da juventude mineira.2.6 .  Reformulação da sistemática de correção do fluxo escolar e atendimento à população com defasagem idade-série. 4. buscando conformar modelos centrados na avaliação qualitativa cuja ênfase recaia no desenvolvimento progressivo do processo ensinoaprendizagem. especialmente junto às populações mais necessitadas.  Implantação do Programa Familiar para a Educação – BolsaEscola  4. visando convertêlas em mecanismo pedagógico que privilegie a formação integral do aluno.  Substituição da cultura da reprovação e da repetência. a pelo menos 80% dos egressos do ensino fundamental. bem como da promoção automática.  Elaboração e implementação do Plano Estadual de Ensino Médio. mediante programas emergenciais e não Escola Sagarana - 24 .  Apoio aos municípios que implementam ou já implementaram programas de atenção integral. pela cultura do sucesso escolar.5 .Atenção integral à criança e ao adolescente  Mobilização das universidades visando fórmulas de cooperação para o resgate da filosofia e da programação de atenção integral à criança e ao adolescente. predominantemente em escolas públicas.  Provimento das carências de professores qualificados.

inclusive no que se refere ao denominado “Pós-Médio”. de maneira compatível com as realidades regionais. na forma dos princípios sintetizados na Declaração de Hamburgo.5% para não mais que 7% da população com 15 anos ou mais. no prazo máximo de cinco anos.  Desenvolvimento e estímulo a metodologias para serem utilizadas no ensino noturno de forma a aproveitar e certificar. sindicatos.convencionais de qualificação.2. Escola Sagarana - 25 . 4.  Retomada das concepções pedagógicas originais da educação rural formuladas pela professora Helena Antipoff.  Reforma e diversificação do ensino médio.2. estudos e conhecimentos apropriados pelo aluno no mundo do trabalho. clubes de serviços. 4. com apoio das instituições de ensino superior.  Promoção de entrosamento do ensino médio com a educação profissional. perseguindo-se a meta de sua gradativa eliminação. tendo sempre em consideração sua especificidade e relevância.Educação do campo  Estabelecimento de novo desenho conceitual para a educação no meio rural. educação do campo. mediante aproveitamento da capacidade ociosa de agências educativas públicas e privadas e formação de parcerias com a sociedade civil (empresários. universidades).7 . com ênfase na educação básica geral.  Instituição de processo permanente de educação para todos. igrejas.Educação de jovens e adultos  Elaboração e execução de plano de educação de jovens e adultos.  Redução do analfabetismo em Minas.  Concessão de créditos curriculares aos estudantes do subsistema universitário estadual que participarem de programas de alfabetização. dos atuais 14.8 . para fins curriculares. que definiu as metas do “Decênio Paulo Freire da Alfabetização”. organizações nãogovernamentais. com base nos conhecimentos e experiências do passado e em curso.

 Criação de mecanismos de certificação de competência e definição de formas de aproveitamento desses conhecimentos no Escola Sagarana - 26 . para preservação da cultura nativa. juntamente com as Secretarias de Estado ligadas a políticas de formação profissional do trabalhador. veicule e avalie programas de educação a distância. 4.  Definição.  Utilização pela rede escolar do acervo de recursos audiovisuais produzidos ou custeados com recursos públicos.10 .2. destinados ao ensino formal e não-formal.Educação indígena  Garantia aos povos indígenas de Minas (Xacriabá. Maxacali. Krenak e Pataxó) de educação de qualidade compatível com suas características e valores culturais.11 .Educação a Distância  Instituição do Subsistema Mineiro de Educação a Distância. dentro do Programa Estadual de Educação Profissional. articulada com a política de emprego.4.Educação profissional  Estabelecimento de nova política de educação profissional integrada aos objetivos do desenvolvimento regional de Minas Gerais  Implantação de centros de educação profissional.  Estímulo à utilização de recursos e técnicas informacionais. aceleração de estudos e alfabetização de jovens e adultos  Estímulo ao uso de metodologias de monitoramento a distância nos programas de formação e capacitação de recursos humanos. atendendo aos princípios contidos na “Carta de Cuiabá” (resultante da Conferência Ameríndia de Educação e Encontro dos Professores Indígenas do Brasil). de televisão e rádio nos programas de formação de recursos humanos.2. em convênio com o Ministério da Educação e parcerias com prefeituras e instituições da comunidade.2. adotando-se o bilingüismo na alfabetização. 4.9 .  Estímulo ao subsistema universitário estadual para que produza. visando assegurar amplas possibilidades de inserção social e no mercado de trabalho. compatibilizando os esforços das agências que trabalham com essa modalidade.

Escola Sagarana - 27 . à luz das tradições histórico-culturais de Minas. em articulação com as sSecretarias de Estado e outras entidades ligadas à educação e à cultura.2. bibliotecas.  Incentivo às universidades para que produzam materiais didáticos baseados na cultura mineira. visando à promoção conjunta de projetos educativos e culturais. permitindo agregar conhecimentos originados de diversos setores da sociedade.2.Inovação e criatividade  Respeito à heterogeneidade e à diversidade criadora.Ensino superior  Fortalecimento da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) e da Universidade de Montes Claros (UNIMONTES) em sua função de apoio às políticas de desenvolvimento do Estado.Escola.  Implementação de rede regionalizada de centros públicos de educação profissional. cultura e currículo  Redefinição. em articulação com as instituições federais. tendo o educador como o principal agente dessa política.  Definição de políticas para o ensino superior em Minas. atentando para as especificidades regionais. arquivos e outras instâncias de referências.14 . sobretudo nas regiões menos desenvolvidas.  Estabelecimento de parcerias entre a escola e os museus.  Incentivo permanente à inovação e à criatividade. comunitárias e privadas.2. 4.  Definição do compromisso das instituições de ensino superior com a educação básica.13 . 4. do papel da escola como agência de promoção cultural.  Revisão dos currículos e projetos pedagógicos.12 .subsistema regular e supletivo de educação. 4.

Escola Sagarana - 28 . em todas as escolas.  Implantação. e à observância dos princípios da convivência harmônica e solidária. de programação sistemática de estudos e pesquisas em apoio à educação mineira.  Incentivo.2.Estudos e pesquisas em educação  Desenvolvimento. de programas de avaliação do desempenho de alunos da rede estadual.4.  Em articulação com as secretarias de estado e demais entidades que atuam na área.  Incentivo à realização de estudos e pesquisas acadêmicas para avaliação de programas implementados pela Secretaria da Educação. definição de programas educativos que busquem abrir perspectivas de vida digna para os meninos de rua. ao combate à violência e à disseminação e uso de drogas.Segurança e violência  Atenção especial à segurança nas escolas. em cooperação com as universidades instaladas em Minas Gerais. bem como da qualidade do ensino e o desempenho dos profissionais do Magistério.2. à defesa e prática dos direitos humanos.16 . 4. em especial da criança e do adolescente. em articulação com as universidades e instituições de pesquisa em geral.15 .

“Eu quero que ele aprenda a viver” (Rousseau). (Gabriel Garcia Marquez) A Divisão de Análise e Previsão da Unesco. criadores ou decisores de renome internacional. incluindo as universidades. é indispensável que haja uma reforma no modo de pensar e. à vista da complexidade do mundo atual. Lembra que. Reportando-me ao capítulo III. Refere-se à necessidade de se pensar o mundo globalmente e nas suas partes.5 – Tendências da Educação para o século XXI Murílio de Avellar Hingel “Não esperemos nada do século XXI. Escola Sagarana - 29 . aspectos irracionais que a ciência econômica. é incapaz de explicar. intelectuais. com vistas a todos os horizontes em um espírito prospectivo e interdisciplinar. nacionais ou religiosas. . portanto. O sociólogo Edgar Morin fala da reforma do pensamento e da educação. mas responde a uma necessidade vital para que a humanidade consiga regular as forças desagregadoras que ela mesma ensejou. Os pensamentos etnocêntricos dificultam o entendimento das identidades particulares. É o século XXI que espera tudo de nós”. na educação. por vezes. promoveu sessões com cientistas. A partir dessas premissas. o sistema econômico foi incapaz de prever perturbações como as que ocorreram no sudeste asiático.“Eu quero ensinar-lhe a condição humana” (Rousseau). por si só. Em conclusão. Assim. Morin afirma que a reforma do pensamento não é um luxo intelectual. .“Mais vale uma cabeça bem feita que uma cabeça bem cheia” (Montaigne). . Os próprios movimentos das bolsas de valores assumem.O cidadão do mundo deve estar consciente de sua dupla relação: nacional e planetária. a partir de 1997. detenho-me nos textos que tratam da Educação para o século XXI – as novas fronteiras da Educação. Morin trata dos quatro objetivos fundamentais do ensino: . O resultado foi a edição de antologia contendo reflexões apresentadas em encontros prospectivos até 29 de junho de 1999. A antologia foi publicada sob o título “Les Clés du XXIe Siècle” (edição Seuil/Unesco-maio 2000). A leitura da antologia é atual e fascinante. embora tenhamos uma ciência econômica altamente sofisticada.

marcada fortemente por um estatuto social. de certa forma. direitos e obrigações. particularmente quanto ao papel dos professores. que ao saber puramente formal devem suceder os saberes de aplicação e os meta-saberes. sintetiza algumas das colocações anteriores ao falar da “educação para todos durante toda a vida”. precisam ser combinadas com os pilares do desenvolvimento em que uma nova sociedade do conhecimento deverá conciliar. Enfim. lingüísticas e étnicas alimentam conflitos. que conduz à exclusão.a compatibilização entre as exigências da mundialização e a busca das raízes nacionais e locais será resolvida pela busca de uma coesão social fundada no fortalecimento da democracia e em crescimento econômico mais equânime. o reconhecimento da importância crescente da educação a distância e das novas tecnologias e o desenvolvimento dos sistemas de avaliação. hoje. a educação. enquanto o sistema financeiro funciona na ordem de alguns microssegundos e o sistema produtivo trabalha com algumas semanas. um sucesso em termos de amplitude. Por isso. é urgente a evolução do sistema educacional. embora a educação seja.O físico Goéry Delacôte afirma que. harmoniosamente. Carneiro também coloca o seu pensamento quanto às grandes perspectivas da dimensão social da aprendizagem. a formação da cidadania vinculada a uma comunidade. deverá preocupar-se com nova forma de conhecimento de natureza inclusiva que favoreça o desenvolvimento pessoal e cultural. um tesouro a descobrir/Unesco) voltados para o futuro: • aprender a aprender (ou aprender a conhecer). o tempo de aprendizagem será continuamente mais longo. compreendendo a que se aplica ao final de cada ciclo de estudos e a que contribui à formação do educando no curso da aprendizagem – isto é.os quatro pilares da aprendizagem são retomados do relatório da Comissão Delors (Educação. ainda. mas são de aplicação delicada em um mundo fragmentado em que diferenças culturais. porém identificada com a Escola Sagarana - 30 . • aprender a fazer. a saber: . O terceiro intelectual que contribui para as novas fronteiras da educação é o português Roberto Carneiro que. . a avaliação continuada. Delacôte afirma. O autor diz que essas missões parecem extremamente simples em sua formulação. • aprender a viver e a conviver e • aprender a ser. Os espaços da aprendizagem serão também mais variados e a própria cultura da aprendizagem será afetada pela interatividade.

mesmo fora do sistema escolar. Mas . visa um ideal. articulados entre si e com as circunstâncias impostas pelos novos tempos. e sem abrir mão de apontar caminhos e alternativas para alimentar um processo permanente de transformação que. É possível pensar. pesquisadores ou futurólogos acerca dos paradigmas do novo século. em última análise. por exemplo. em síntese. com a Escola Sagarana - 31 . encontrar o perfil do cidadão que se pretende formar. no mundo atual. aprender e assim se qualificar para construir os conhecimentos necessários à próxima geração? Aí estão três grandes desafios para a educação dos tempos atuais. a busca da felicidade e do bem comum. sociais e culturais por que passa a sociedade há que ser considerado um conjunto de fatores de grande complexidade. com as mudanças econômicas. na verdade grandes desafios a serem explorados. pois não há consenso entre historiadores. Assim. consideradas as diversidades de toda ordem. regional. o dilema principal do planejador é. primeiro. a sucesso do aluno.humanidade e o exercício da educação continuada ao longo da existência de cada ser humano. nacional e universal. que o ritmo da mundialização da economia continue tão frenético a ponto de suplantar os nacionalismos recorrentes? Que mundo e que condições sociais e culturais existirão nas próximas décadas? Que habilidades e que capacidades serão exigidas ao trabalhador do futuro? Que profissões de hoje continuarão existindo e que novas profissões o mercado exigirá? Como compatibilizar os ideais e harmonizar os interesses de forma a construir essa nova cidadania comprometida com a ética. só é possível definir uma política educacional se for mantida perfeita sintonia com os anseios da sociedade. Pois a tarefa de educar envolve compromisso e responsabilidade com a construção do futuro. atendendo aos novos paradigmas criados por esta mesma sociedade em nível local. A partir dessas convicções e conceitos. sociólogos. 5. Em outros termos: o que os estudantes de hoje precisam aprender para se tornarem cidadãos bem sucedidos no século XXI? E o que os professores devem ensinar para tornar possível essa missão? Não deveriam os professores. Decifrar essas dúvidas constitui outra grande tarefa.1 – Os novos tempos da educação em Minas Todo planejamento de ações educativas é feito com foco na criança e no adolescente e visa.

a de agente econômico a serviço de modelos que. um processo contínuo. com a comunidade e. Esta é a porta para a qual só existe uma chave: é pela educação que se pode abrir o caminho para que cada um busque a felicidade a seu modo. É. sim. uma velocidade quase meteórica de reagir. É por tais circunstâncias que é inconcebível a instituição de sistemas educacionais que tendam a reproduzir a perversidade inata dos modelos de Escola Sagarana - 32 . de assimilação e de adaptação. de resultados duradouros. da ética. É desprovido de ética. é construir esperanças. para que todos tenham a oportunidade e os instrumentos necessários à busca da felicidade. com a nação e a própria humanidade? Na falta de definições mais objetivas. a primeira opção de qualquer sistema educacional deve ser pela consistência ética. a volatilidade dos conceitos éticos e morais são circunstâncias que nos exigem uma capacidade extrema de observação. social e cultural. fundamento da vida política moderna. conforme suas habilidades e o seu contexto social e cultural. fundamentais para a preservação da vida. É o caso da cidadania. por si só.cultura. de agir e de interagir. Mas é preciso estar atento a tudo o tempo todo. o melhor critério é o comedimento. entender e superar obstáculos. A rapidez do mundo moderno. ferramenta primordial da sensatez. Exigem de todos. que pense o ser humano apenas por uma de suas facetas. de responder aos estímulos do meio em que se vive. ao mesmo tempo. não opera milagres nem muda realidades. da solidariedade e da fraternidade. disseminados por todos os segmentos e comunidades. em nosso estado. efetivo. Cada uma dessas enormes tarefas envolve conceitos sobre os quais há consenso quanto à importância de serem praticados a cada momento. é torná-los consistentes. E o bom senso recomenda refletir sobre que características gerais seriam importantes para sustentar o desenvolvimento humano e a sociedade moderna. têm horizonte limitado no tempo e na história. A educação. com grandeza de propósitos e cercada de humanismo por todos os lados. qualquer plano que se limite a propor o adestramento de operadores de máquinas. do meio em que vivemos. mas lentos. Educar é alimentar sonhos. a versatilidade das comunicações. se descobre. que fornece as bases da vida social. por exemplo. mais dia menos dia. mesmo estando em permanente processo de mutação e diretamente influenciados pelo grau de contextualização política. transformar realidades. para criar condições de prosperidade em nosso país. intervir na realidade e torná-la melhor a cada dia. em nossas comunidades. em qualquer atividade. da espécie humana. Por tal ordem de razões.

Para contrapor esses modelos é preciso propor a construção de mentalidades novas. as escolas mineiras são de boa qualidade. sim. das culturas local. E ela deve estar voltada para a construção do conhecimento. mas é somente por meio da rede pública que o país terá a possibilidade Escola Sagarana - 33 . que pulveriza métodos e tecnologias e tolhe a articulação de conjuntos e de ações sistêmicas. como a leitura. da tecnologia. da indústria do vestibular. e sobre ela construir os fundamentos da ciência. da ascensão social. mercado. É preciso romper com as propostas que se atêm apenas ao mundo do trabalho. obrigações do Estado. mas há também ilhas de excelência – na média. que procurou desqualificá-las além do limite. versáteis. Essa formação perpassa a vida toda do estudante. a mobilidade das estruturas sociais. portanto. buscar fórmulas criativas e aperfeiçoar mecanismos de captação e distribuição de recursos para financiamento da educação. a escrita e a interpretação. da democracia. das transformações econômicas. Foram vítimas. autômatos habilitados para entender manuais de instruções e códigos e atalhos dos sistemas operacionais. individualismo. A formação geral deve tomar por base o desenvolvimento de habilidades elementares. da organização da comunidade. E que leve em conta que somos todos cidadãos do mundo. capacitar recursos humanos e elevar a qualidade do ensino têm sido metas permanentes em nossa gestão na Secretaria da Educação de Minas Gerais. o respeito à multiplicidade de feitios e interesses humanos. que hoje é do governo e que deve ser de toda a comunidade: a defesa e a valorização da escola pública. regional e nacional. repletas de informações e caracteres típicos da diversidade humana. supremacia da produção sobre a inventividade. mas suas bases se erguem diretamente sobre os alicerces do ensino fundamental e do ensino médio. só a educação geral é capaz de dar à maioria dos cidadãos os instrumentos para enfrentar as realidades do próximo milênio. do progresso. lógico e funcional. A longo prazo. à formação de meros operadores de máquinas. Articular as ações educativas de forma a aumentar a oferta de serviços educacionais. E essas tarefas passam por um esforço especial. Esse é o melhor e o mais permanente dos antídotos contra os desajustamentos provocados pela excessiva especialização. Qualquer proposta educacional tem que levar em conta a pluralidade. a formação do homem na sua integralidade e o aperfeiçoamento da vida social. deveres da sociedade.desenvolvimento que privilegiam conceitos como competitividade. É claro que há escolas de baixo rendimento. da pré-escola até a vida universitária e pósuniversitária. desenvolver a capacidade de raciocínio matemático.

que têm contribuição importante a dar nas áreas de planejamento. como se não houvesse outros caminhos que não os de globalizar mercados.de realizar o ideal de democratizar e universalizar o direito e o acesso à educação de qualidade. 5. adequando-se à realidade do país e aos desejos da sociedade. gestão. Escola Sagarana - 34 . Esse novo professor há de ser. pesquisa e extensão. sintonizado com as realidades do novo mundo que se abre neste terceiro milênio. grupos. disponibilidade total de bens. verdade única e absoluta. vontade política. uniformizar preferências. esse movimento vive de vender a ilusão de que a liberdade ampla de ir e vir. que levaria à eficiência. desenvolvimento de novas experiências. Tais princípios têm sido válidos para indivíduos. pensar e agir criaria ambiente propício à competição. acima de tudo.2 – Escola Sagarana: o compromisso de Minas “Nós não podemos prever o futuro. empresas. um cidadão comprometido com a ética. certamente. com cidadania. mudanças curriculares. à evolução permanente. Isso implica. mas nós podemos prepará-lo” (Ilya Prigogine) O movimento histórico preponderante na economia. na política e no campo social ainda tem sido a internacionalização. Cabe à universidade dedicar esforço especial à valorização do ensino fundamental e do ensino médio. Cabe ao Estado coordenar essas ações de forma a encontrar espaços para a necessária integração. Genericamente definido como neo-liberal. tecnologias e serviços para todos. arrojo e disposição para a cooperação. de ambas as partes. capacitação e educação continuada. avaliação. neutralizar governos. tendência muitas vezes apresentada de forma determinística. Um dos caminhos mais promissores é a adoção de mecanismo de compartilhamento de responsabilidades com as instituições de ensino superior. a começar por uma redefinição do perfil dos professores que forma a cada ano. acompanhamento pedagógico. superar fronteiras em nome de uma convivência pretensamente global. com a responsabilidade social. comprar e vender. mas nada se produzirá nesse campo se não houver. introdução de novas metodologias. formação inicial.

revitalização do sentimento nativista. incapazes de acompanhar a marcha para o futuro. Nesses levantamentos. mas pela conscientização. sufocando as possibilidades das alianças políticas e econômicas regionais. capazes de assimilar a realidade e agir sobre ela com espírito transformador. repletas de informações. fica evidente que a sociedade atual espera que os futuros cidadãos sejam capazes de analisar situações. base para a reconstrução dos valores locais e regionais. Alarga-se a cada dia o fosso entre os países que criam e dominam as tecnologias e aqueles que se utilizam delas ou as adquirem em produtos ou materiais acabados. encontrar alternativas e resolver problemas. fortalecimento de laços culturais e comunitários. e dos brasileiros.partidos e. adaptados para o trabalho em Escola Sagarana - 35 . Nesse ambiente e a longo prazo. A opção feita por Minas Gerais – exposta no slogan “Educação para a vida com dignidade e esperança” – é pela construção de mentalidades novas e versáteis. por conseqüência. Os blocos e zonas de livre comércio formam-se conforme a vontade dos países poderosos. da democracia. só a Educação pode reconstruir valores permanentes e bases sólidas para o desenvolvimento sustentado nas potencialidades do País. trazendo consigo a cultura ao individualismo. Significa ir muito além do papel de formar pessoas habilitadas para disputar espaço no mercado de trabalho (capazes de ler manuais de operação de sistemas e repetir operações). em primeiro plano. pois o mundo do trabalho é apenas uma das faces da inserção das gerações no plano dos desafios do novo milênio. com dignidade e com responsabilidade cidadã. podendo tornar-se agente transformador na medida em que contribuir para a formação de uma nova consciência. especialmente. A evolução é cada vez mais rápida e encontra a grande maioria dos países despreparados. O professor tem um papel fundamental nesse processo. Cabe à educação disseminar e ampliar essa capacidade de resistência – e esta é a proposta da Escola Sagarana – fortalecer as convicções e construir a adesão das novas gerações a um projeto de vida e de desenvolvimento econômico e social que leve em conta o interesse dos mineiros. ao privatismo. pelo exercício pleno e amplo da liberdade. ao Estado mínimo. sem perder de vista a inserção na comunidade internacional. capitais. A conseqüência é dramática. que sejam participativos. Essas definições de ordem estratégica são ainda baseadas em estudos e pesquisas recentes acerca do perfil do estudante e da escola no próximo século. Porque soberania nacional não se constrói com discursos nem com decretos. A educação será peça de resistência.

ensimesmada. organismos nacionais e internacionais. E apontar a perspectiva do bem estar e da esperança como ingredientes para a busca da felicidade. ética. comprometendo-se com os objetivos sociais da educação. acompanhamento e controle. justiça social. Da mesma forma. não é tarefa para um governo só nem é exclusiva dos poderes públicos. assegurando-se a manutenção de suas conquistas e criando-lhes novas perspectivas. cabe ao Estado criar os estímulos e mecanismos de controle social para que a gestão democrática da escola abra caminhos para a participação da comunidade na definição dos objetivos. numa perspectiva duradoura e capaz de transformar a realidade. E precisa preparar-se para essa missão. Cabe ao Estado proporcionar aos profissionais da educação os instrumentos necessários ao desempenho de missões tão ambiciosas. Como se vê. o Sistema Mineiro de Educação deve contemplar a diversidade cultural e respeitar a identidade de cada região. dignidade do trabalho. valorizando e preservando suas manifestações e as relações comunitárias. como fraternidade. em constante aperfeiçoamento. O educador precisa entender o ritmo de seus alunos. a cada dia. a comunidade e a cidadania. também. que faz com que cada geração seja melhor. órgãos de classe dos trabalhadores e dos empresários. O regime de cooperação que a Secretaria de Educação de Minas Gerais vem desenvolvendo coloca em destaque o estabelecimento de alianças com organizações comunitárias. criando-se condições para o seu permanente aperfeiçoamento. estimulando e desenvolvendo valores sociais e humanos que contribuam para a harmonia e a paz social.equipe e com espírito de liderança. mantendo-se em permanente aprendizado. O desenvolvimento dessa política educacional de fundo humanista e democrático exige uma postura nova. da parte dos educadores. sintonizados com os problemas do mundo e sejam membros participantes da vida comunitária. os procedimentos de planejamento. Fora do plano das individualidades. É esta integração que garantirá a sintonia entre a escola. mais digna e mais feliz do que a anterior. E dessa troca virão. que tenham formação multidisciplinar. É essa utopia que impulsiona a mobilidade social. atento a todas as mudanças. generosidade. dos meios e das propostas pedagógicas a serem aplicadas. solidariedade. impositiva. Não há mais a escola detentora e transmissora de conhecimento. coordenação. num círculo virtuoso de cooperação capaz de Escola Sagarana - 36 . autoritária. universidades. desenvolvimento pessoal e profissional. preservação da vida e do ambiente. E isso se fará pela valorização do pessoal do magistério. conhecer suas habilidades e suas circunstâncias para ter condições de proporcionar uma educação de qualidade. estejam prontos para o exercício da cidadania.

planos. passando pelo grego. sendo a principal delas a busca de uma expressão que representasse o regionalismo típico das montanhas mineiras. em 1934. confirmando ou reorientando políticas. o humanismo enquanto conjunto filosófico. estratégias. O criador do termo é João Guimarães Rosa. como conjunto de princípios. Essa é a verdadeira construção da nossa soberania e o caminho para plantá-la. É citado por inúmeros especialistas como o mais universal dos escritores regionalistas. finlandês e alguns dialetos. É proposta aberta e democrática.avaliar. atos e convicções. sem perder os vínculos com a universalidade do ser humano. planos e ações. Serviu na Alemanha. A esse interesse é creditada parte de seu virtuosismo como experimentador lingüístico. embora tenha se dedicado a várias. árabe. no coração e na consciência dos mineiros de hoje e do futuro. A Escola Sagarana. em 1930. prisioneiro do nazismo. (João Guimarães Rosa) A escolha do termo Sagarana para denominar a política educacional que se pretende implantar em Minas Gerais a partir deste ano teve várias motivações. Adorava estudar línguas. gosto e distração”. permeável à participação e à contribuição de toda a sociedade. Rosa formou-se pela Faculdade de Medicina de Belo Horizonte.3 – Por que Escola Sagarana? “Minas principia de dentro para fora e do céu para o chão”. controlar e realimentar o sistema. definitivamente. “No sertãomundo criado por Rosa. e tornou-se então. como sempre. Reconhecido no mundo inteiro como das maiores expressões da literatura universal. em 27 de junho de 1908. num processo permanente e dinâmico. 5. o sertanejo não é apenas o homem de uma região ou Escola Sagarana - 37 . define o compromisso de Minas Gerais com a Educação. e ingressou. Colômbia e França e estava em serviço na Alemanha quando eclodiu a Segunda Guerra Mundial. sânscrito. na carreira diplomática. “mas só por divertimento. que nasceu em Cordisburgo. em 19 de novembro de 1967. de pensamentos. e morreu no Rio de Janeiro. definisse a identidade e as raízes do povo mineiro. três dias após ter assumido sua cadeira na Academia Brasileira de Letras (para a qual foi eleito por unanimidade em 1963).

defrontando-se com problemas eternos. hibridismo cunhado pelo mais mineiro e universalista dos escritores brasileiros para denominar seu primeiro livro. tão voltados para o sentimento nativista. estratégias e objetivos da política educacional de Minas Gerais e sua identidade com a cultura e o povo mineiro. cultural. construção e transmissão de conhecimentos que contribuam para a preparação dos jovens para a vida. da dignidade humana e da esperança sempre renovada. programas. visando ações que possam refletir e viabilizar as estratégias.de uma época específicas. com o neologismo Sagarana. regionalista. típico ou próprio de”. a mineiridade que nos faz singulares na medida em que sintetiza características de vários rincões brasileiros. Sob a denominação de Escola Sagarana reúnem-se todos os princípios. Escola Sagarana - 38 . E esta seria a síntese radical para o sentido da Escola Sagarana e os objetivos que se pretende atingir com ela: uma educação que. se associa a uma dimensão maior de interesse universal”. define-se pelo conjunto de planos. É um plano de educação para a vida. humana. a promoção da liberdade e o respeito à diversidade social. ou história rica em acontecimentos marcantes ou heróicos – com o elemento RANA. É mais que uma logomarca para o Plano Mineiro de Educação. A Escola Sagarana é isto: Educação a serviço da construção de uma vida com dignidade e esperança. e os valores universais que. mas o homem universal. É definida ainda pelo compromisso de atuar na busca. projetos e atitudes baseadas no compromisso social com as futuras gerações. além de uma inovação lingüística. É objetivo da Escola Sagarana: Promover a estruturação e a articulação entre programas e projetos setoriais da Secretaria da Educação e de outros órgãos do governo estadual. como diz o crítico literário Sami Sirihal. ressaltam a preservação da vida. resulta da união do radical germânico SAGA – que significa narrativa épica em prosa. Rosa também quis deixar “a sugestão de histórias em que o elemento local. Ou seja. em toda a sua complexidade. a um só tempo. lançado em 1946. perseguindo sempre a qualidade. e pressupõe a justiça social e a criação de oportunidades iguais para todos. que é de origem tupi e representa a idéia de “à maneira de.” A palavra Sagarana. para todos os mineiros. tome por base os sentimentos e a cultura dos mineiros. diretrizes e metas da política educacional de Minas Gerais.

3 – A Escola Sagarana e a proposta educacional de Minas Gerais Maria José Vieira Féres* “Educar é um ato de coragem. de esperança e de amor” (Paulo Freire) Escola Sagarana - 39 . Para atingir seus objetivos e metas a Escola Sagarana vai: Desenvolver. social e econômico. No plano estratégico. são prioridades da Escola Sagarana: Implantar o Sistema Mineiro de Educação Implantar o Sistema Mineiro de Avaliação da Educação Pública Implantar o Sistema de Formação Inicial e Continuada de Pessoal da Educação Implantar o Instituto Superior de Educação Implantar a Bolsa Familiar para Educação – Bolsa-escola. a valorização da cultura mineira.São metas da Escola Sagarana: Implantar e desenvolver a política de educação de qualidade para todos os mineiros. cultural. do estado e da nação. com fortalecimento da mineiridade a partir da atuação das escolas nos campos pedagógico. implementar e divulgar. profissional do cidadão. idéias. contribuir para a formação do cidadão do próximo milênio com educação integral voltada para o exercício da cidadania e o desenvolvimento pessoal. propostas e ações que visam o fortalecimento da escola pública em Minas Gerais. científico. da comunidade. por todos os meios possíveis. 5.

a riqueza da cultura regional. brilhantemente. A ESCOLA SAGARANA NO MUNDO ATUAL O mundo em que vivemos passa por profundas transformações. Uma política educacional comprometida com a democracia e a justiça social.com o elemento RANA. “típico ou próprio de”. particularmente. dos estudantes e dos pais. ou história rica em acontecimentos marcantes ou heróicos . O processo de internacionalização da economia e as políticas de cunho neoliberal alteram de forma substantiva as relações sociais e a vida das pessoas. A palavra Sagarana é um hibridismo cunhado por Guimarães para denominar o seu primeiro livro. se associa a uma dimensão maior de interesse universal”. precisa levar em conta a diversidade regional. Permanece em discussão um conjunto de pressupostos. ocasionado pela mudança de governo. ao mesmo tempo em que sua obra expressa. sem perder a perspectiva dos inúmeros laços comuns que unem todos os mineiros e o sentimento de brasilidade e universalidade. Não se trata simplesmente de uma nova marca.que significa narrativa épica em prosa. a busca da palavra “Sagarana” para denominar a política de educação em Minas. Por isso não é uma proposta terminada. que só se consolidarão pela prática diuturna. Rosa quis deixar a sugestão “de histórias em que o elemento local. a Secretaria da Educação de Minas Gerais buscou em Guimarães Rosa a inspiração do termo Sagarana para a denominar a política educacional adotada no Estado. de origem tupi e representa a idéia de “à maneira de”. Rosa é reconhecido como um grande escritor da literatura universal. A proposta da Escola Sagarana parte do princípio da participação e da construção coletiva. ditada de cima para baixo por meio de resoluções ou portarias. regionalista. Por esta razão. sociais e culturais. a partir de 1999. Trata-se de uma concepção de Escola e processo educativo que se está discutindo em Minas Gerais. É a união do radical germânico SAGA . contém uma simbologia muito forte.O SIGNIFICADO DO TERMO “SAGARANA” Minas Gerais é um estado com muitas diferenças econômicas. Não se trata de apenas um nome novo. A inspiração em Guimarães Rosa e. Escola Sagarana - 40 . com participação efetiva dos profissionais da educação. Com o neologismo Sagarana.

orientada pela lógica do mercado. Os meios de comunicação de massa divulgam valores e influenciam na formação de mentalidades. A escola convive com situações novas que. nunca foi tão desafiante. a escola pode e deve ser também um espaço de transformações. porque fazem parte da vida das crianças e dos adolescentes. A educação no mundo de hoje assume um papel fundamental. por outro lado. há algum tempo atrás. A EDUCAÇÃO TRANSFORMAÇÃO E A ESCOLA NO MUNDO EM Se. Vivemos. realimentando o modelo e criando o círculo vicioso da pobreza criando pobreza. A questão do uso de drogas. De fato. Cada vez um número maior de seres humanos não tem acesso aos recursos básicos para a sobrevivência. as transformações em curso no mundo e no Brasil são incontestes. Sob o rótulo do respeito à individualidade. as conseqüências de uma sociedade injusta. Como “lócus” privilegiado do processo educativo. competitiva e individualista estão presentes no universo escolar. Entretanto. as políticas adotadas até aqui simplesmente reproduzem o quadro perverso das desigualdades sociais. obrigatoriamente. e viver talvez. cresce o individualismo egoísta. de fato. Este é um tempo difícil. mas. concentração de renda. nunca tenha sido tão arriscado. numa sociedade profundamente injusta que. exclusão. a escola de hoje também passa por grandes mudanças. por um lado. cresce a competição inescrupulosa. Sob a capa da pretensa liberdade para a concorrência. em tempos tão conturbados. transforma todos em mercadoria. a desestruturação familiar são alguns dos vários temas que. desigualdade. o combate à violência. Os padrões de consumo acabam por desenvolver na consciência das pessoas a convicção de que ter é mais importante do que ser. eram impensáveis no cotidiano do trabalho pedagógico. E. a discussão sobre a gravidez na adolescência. alguns valores se estabelecem como se fossem verdades absolutas e acabam por ditar as normas de convivência entre as pessoas. não apenas como uma opção técnica voltada para as mudanças radicais que se processam no mundo do trabalho. estão na agenda da escola pública hoje. Ao mesmo tempo. Perde-se a perspectiva da importância do coletivo e a prática da solidariedade é cada vez mais restrita. mas como alternativa para a construção de uma modernidade que seja ética e humanista. a escola deve trabalhar na Escola Sagarana - 41 .Cresce a exclusão social. A escola pública trabalha com milhares de crianças e adolescentes que convivem cotidianamente com as contradições da sociedade. na educação. por outro.

por isso mesmo. por meio do processo educativo. pode apontar para a construção de uma sociedade justa. A cultura democrática no Brasil. Escola Sagarana - 42 . equidade. Isto pode ser constatado no nosso comportamento cotidiano: nos relacionamentos familiares. divisão do poder. resgatando a esperança e o potencial de cada ser humano para revolucionar a sua existência e a vida social. O autoritarismo. não como uma ilusão. A construção da cultura democrática no Brasil e em Minas Gerais é muito recente e. é perpassada por uma série de contradições e incoerências. liberdade. entendendo que ser radical “é tomar as coisas pela sua própria raiz”. além de ser uma marca política. Ainda parece “natural” a predominância do “favor” e do “jeitinho” sobre o mérito e o direito. ainda é muito frágil. Isto é fundamental. econômicas e culturais produzidas pelas elites. não existe democracia só com eleição. Trata-se de um desafio: o desafio de se apropriar da democracia em toda a sua radicalidade. o processo de democratização da Escola é identificado. participação. É fundamental recuperar a utopia. A nossa História sempre foi marcada pelo autoritarismo político e cultural. por outro lado. as concepções políticas. A ESCOLA SAGARANA É A ESCOLA DEMOCRÁTICA A proposta da Escola Sagarana tem um compromisso explícito com a necessidade de mudanças sociais profundas. exclusivamente. inclusão. Para alguns. pluralismo. Democracia supõe liberdade. Ao se consolidar pela via do Estado. democrática e solidária. A escola. justiça. mas não é suficiente para garantir o caráter democrático da ação educativa. a Escola deve ser essencialmente democrática. profissionais e de amizade. mas como a possibilidade concreta do vir a ser. de cima para baixo. é também cultural. com a eleição de seus dirigentes pela comunidade escolar.formação do ser humano. compromisso com o coletivo e outros. Para assumir este desafio. É importante lembrar que as práticas clientelistas e fisiológicas têm profundas raízes na nossa cultura e influenciam o nosso cotidiano. É nesta perspectiva que está desenhada a proposta da Escola Sagarana. mas. Não existe democracia sem eleição. o capitalismo brasileiro impôs à sociedade. particularmente em Minas Gerais. afirmando e ou reafirmando valores como: solidariedade.

Feito o cadastramento. Nesta perspectiva. a lei pode se tornar inócua. todos os seus filhos na faixa etária de sete a quatorze anos. as condições socioeconômicas a que as famílias estão submetidas. Como a Escola democrática é um espaço privilegiado para a busca da liberdade e da equidade. exigem-se das famílias os seguintes requisitos: ter filhos na faixa etária de sete a quatorze anos matriculados na escola pública. bem como a conclusão com sucesso do tempo de escolaridade necessário.A proposta da Escola Sagarana supõe uma escola essencialmente democrática e. Hoje. Para se cadastrar no Programa. as famílias são selecionadas conforme as condições socioeconômicas devidamente apuradas pelos cadastradores. que não só ocasiona o abandono da escola. Todas as crianças têm direito ao acesso à escola e têm direito de nela permanecer. As famílias carentes recebem um benefício para que possam manter na escola. ela é também um instrumento de combate à injustiça social. que são fundamentais para garantir a sua credibilidade e a sua eficácia. A escola democrática tem que ser. É com esta perspectiva. Todos sabemos da realidade perversa do trabalho infantil. Considerando a complexidade e as dimensões do Estado de Minas de Gerais. O Programa se estrutura de acordo com uma série de critérios rígidos. caso não sejam oferecidas às crianças condições objetivas. Em uma sociedade socialmente injusta. embora esta seja uma conquista muito importante. inclusiva. por isso mesmo. que garantam a sua permanência na escola. constituem um obstáculo real ao processo de escolarização da criança. a Constituição brasileira garante a todas as crianças e adolescentes este direito. Entretanto. necessariamente. o Programa está sendo implantado gradualmente. começando pelos Escola Sagarana - 43 . Muitos fatores contribuem para incentivar a evasão escolar. que o Programa Bolsa Escola é parte integrante da proposta da Escola Sagarana. mas também impede a criança de ser criança. inclusiva. combatendo o trabalho e a prostituição infantil. como a que vivemos. pode-se dizer que a Escola Sagarana tem a sua proposta político-pedagógica alicerçada nos seguintes eixos: Garantia de acesso e permanência dos estudantes na escola. ter renda per capita familiar igual ou inferior a meio salário mínimo e ter residência comprovada no município por pelo menos três anos. O que é Bolsa-escola? A Bolsa-escola tem o objetivo de garantir a permanência da criança na escola.

sem nenhuma dúvida. O Programa prevê também o acompanhamento sistemático das famílias. Afinal. Trata-se de uma política de educação: combate a evasão. o projeto político-pedagógico deve ser construído coletivamente. Por ser uma política garantidora da inclusão. O valor do benefício também pode variar. os processos de monitoramento e avaliação realizados apontam resultados altamente positivos. uma Bolsa-escola. O Programa Bolsa-escola enquanto proposta político-pedagógica O Bolsa-escola não é uma ação assistencialista ou uma política compensatória. A meta é atingir toda a região. à integração das famílias às escolas. Escola Sagarana - 44 . O projeto político-pedagógico de qualidade para todos A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional diz que “as escolas deverão elaborar e executar a sua proposta pedagógica” e que “os professores deverão participar desta elaboração”. pensando na exclusão motivada pela miséria social e econômica. A manutenção do benefício exige que todas as crianças tenham uma freqüência mínima de 90% às atividades escolares. É importante destacar que cada família selecionada recebe um benefício. ao aumento da freqüência escolar. uma escola democrática e inclusiva deve elaborar e executar um projeto políticopedagógico de qualidade para TODOS. Em vários locais do Brasil onde o Programa foi implantado. Na concepção da Escola Sagarana.500 famílias em 19 municípios do Vale e. incentiva o sucesso escolar e resgata a cidadania. Por isso. No ano de 2000. qualquer proposta políticopedagógica.municípios do Vale do Jequitinhonha e tendo como critério de prioridade os indicadores socioeconômicos de cada cidade da região. Entretanto. é importante refletir também sobre as inúmeras crianças que são excluídas da escola por razões essencialmente pedagógicas. um antídoto poderoso. para que a concessão do benefício possa vir a ser desnecessária.500 famílias. à melhoria das condições de vida das famílias. em relação ao aproveitamento escolar dos alunos. de acordo com os mesmos critérios. foi estendido para mais 11 municípios e 6. independente do número de filhos. isto é com a participação democrática da comunidade escolar. o programa beneficiou 10. a partir de 2002. além dos reflexos sobre a economia local e a auto-estima dos beneficiados. no ano seguinte. que tenha este objetivo deve investir na Bolsa-escola como programa prioritário. ou seja. ela é. com o desenvolvimento de um conjunto de ações sociais integradas visando melhorar as condições de vida.

sustenta a necessidade de se trabalhar na perspectiva do projeto político-pedagógico. Entretanto. sem perder de vista as especificidades do trabalho escolar. Neste caso. participar significa apoiar.a construção do projeto político-pedagógico não se restringe a uma questão de técnica de planejamento.a construção coletiva de um projeto político-pedagógico passa. . necessariamente. Há os que argumentam que a diferença que se estabelece entre projeto pedagógico ou projeto políticopedagógico. O conhecimento das técnicas de planejamento é muito importante. Isto significa que a participação dos profissionais da educação e de outros segmentos da comunidade deve se efetivar em todas as etapas de elaboração e execução do projeto.a necessidade de se partir de um marco referencial. São concepções diferentes de escola e de processo educativo. A concepção da Escola Sagarana. trabalhar. mas também sobre “o que fazer” e “para que fazer”. Os professores. . visando uma escola democrática e inclusiva. dentre as quais é importante destacar: . os que defendem a participação desprovida de conflitos. é apenas uma questão de nomenclatura. pelo planejamento participativo. mas para contribuir com o projeto político. todas as correntes de pensamento presentes na área da educação defendem a importância da participação. A concepção de educação presente na proposta da Escola Sagarana entende que a escola pode e deve contribuir para a construção de uma sociedade justa. Não é verdade. como o caráter participativo do planejamento significa que o projeto pedagógico tem o compromisso de contribuir com a transformação da sociedade.Há uma grande discussão sobre a pertinência ou não de se incluir a palavra política. portanto. por exemplo. democrática e solidária. por várias razões. bem.o planejamento participativo numa escola democrática tem como ponto de partida o marco referencial. romper com os preconceitos e não ter medo de se discutir a dimensão política do projeto pedagógico. praticamente. Cabe ainda discutir o significado do processo de participação para a proposta da Escola Sagarana. Escola Sagarana - 45 . É preciso. Há. Hoje. em “harmonia”. especialistas e servidores não devem se preocupar apenas sobre o “como fazer” ou o “com que fazer”. na perspectiva da justiça social. quando se trata de proposta ou projeto pedagógico. . onde está incluída a dimensão política da opção e da ação coletiva. existem formas variadas de se entender o significado da participação. do ponto de vista da teoria como da prática.

desde que não decidam. Ensinar é um componente importante do processo educativo. com a sexualidade. A construção coletiva de um projeto político-pedagógico de qualidade tem como um de seus eixos fundamentais a equidade. É claro que nenhum educador será contrário à paz e à harmonia. como agente de mudanças.colaborar. transformando o direito de divergir em insubordinação. com todas as dimensões do ser humano. com o processo de ensino. o autoritarismo presente em nossa formação cultural e política sempre valorizou o “culto” à obediência. mas não é a sua única dimensão. trabalha com o pressuposto de que todos podem aprender. É assim que a proposta da Escola Sagarana entende que deve se dar a participação. é fundamental fazer uma revisão da teoria e da prática pedagógica. Ao assumir esta função. com a formação da cidadania. A escola de hoje tem como função formar o ser humano. O processo de ensino e aprendizagem assume. democrática e inclusiva. 2 . A escola pública. a escola incorporou a concepção de que o ato de educar estava relacionado. com a ética. uma outra perspectiva: mais importante do que ensinar é fazer aprender. fazer o que está previsto que se faça. atualmente. assim. com a discordância. Nesta perspectiva. com o conflito e a garantia do poder de decisão. a escola se coloca diante da sociedade. Isto significa que as oportunidades educacionais devem ser garantidas a todos. para que o discurso da construção coletiva se transforme em prática permanente. a construção dos consensos que são fundamentais para que a paz se participação que escamoteia as divergências é o mesmo que descarta qualquer possibilidade de divisão do poder. quando se discute o projeto político-pedagógico da escola: 1 . As pessoas participam. quase que exclusivamente. Entretanto. algumas questões devem ser destacadas. Para responder a todos os desafios que lhe são impostos. Escola Sagarana - 46 .O desafio de fazer aprender A Escola Sagarana. passa por profundas mudanças e convive no seu dia-a-dia com inúmeras situações novas. Além dos processos cognitivos. A participação efetiva supõe a convivência com a pluralidade das idéias. é essencial trabalhar com as crianças e adolescentes os aspectos relacionados com a afetividade.A função da escola Tradicionalmente. capaz de interferir no processo histórico de forma positiva.

A contextualização dos currículos: a relação da Escola com a vida Para formar seres humanos. 4 . A aquisição de competências e habilidades passa pelo processo de interação entre as diversas disciplinas o que favorece. a sua aplicação prática na realidade vivida pelos alunos. o currículo implementado pela escola deve estar em permanente sintonia com a vida. 7 . integradores do projeto político-pedagógico. habilidades e procedimentos interferem de forma decisiva na estruturação dos currículos. influenciada pelos diversos contextos históricos. Neste sentido. 5 . respeitando os ritmos e as características de cada um. portanto.Os alunos são sujeitos do processo do conhecimento As crianças e os adolescentes não são meros depositários do conhecimento acumulado pela humanidade ao longo dos anos. 6 . é essencial que se compreenda a importância de se trabalhar a interdisciplinaridade. ética. É fundamental considerar sempre a importância da pesquisa.O conhecimento é uma construção histórica e social A produção do conhecimento é um processo social e. sexualidade e outros devem estar presentes em todo o currículo. A definição de eixos temáticos. Escola Sagarana - 47 . pode ser o mecanismo operacional para garantir a discussão desses temas em todas as atividades curriculares. além de uma visão integrada do conhecimento. ecologia. A ruptura com a visão estanque do conhecimento como algo pronto e acabado exige uma nova visão sobre a estrutura e dinâmica dos currículos na escola. Isto significa que o conhecimento não é algo pronto e acabado e os livros didáticos não são portadores de verdades imutáveis. com interação permanente para necessária aquisição de competências e habilidades e para a formação de valores e procedimentos.Os seres humanos são diferentes O compromisso com a formação do ser humano e com o desafio de fazer aprender tem que levar em conta as diferenças individuais dos alunos. bem como os conhecimentos e experiências que os alunos possuem.A definição de competências. São sujeitos ativos do processo educacional.3 . Temas como cidadania.

com outra concepção de avaliação. inclui também a aprendizagem. O compromisso da escola democrática e inclusiva é com o sucesso e. o trabalho dos profissionais da educação deve ser coletivo. exige que a escola redimensione a organização de seus tempos e espaços. muitas vezes. O desafio é formar uma outra cultura de avaliação.O trabalho pedagógico é coletivo Na escola democrática e inclusiva. Isto implica mudanças radicais. 9 . portanto. A promoção automática. Não se trata mais da ação individual de cada professor ou de cada especialista. que tem como meta fazer aprender. Esta reorganização deverá levar em conta a necessária Escola Sagarana - 48 . a noção de que este é um processo importante e estará presente em todos os momentos de suas vidas. permanente e contínuo. o que.A organização dos tempos e espaços escolares O projeto político-pedagógico. que tem compromisso com a educação de qualidade para todos. que passam pela concepção do trabalho pedagógico e transformam substantivamente a rotina da escola. A escola de qualidade para todos. 10 . A progressão continuada supõe a aprendizagem concebida na referência de que todos podem aprender. Nesta perspectiva. nem classificatória. Longe de ser um instrumento de coerção e angústia. evidentemente. É preciso garantir o espaço e o tempo necessários para que os profissionais possam realizar reuniões periódicas de planejamento e acompanhamento do processo educativo. deve ser visto como uma forma permanente de aprimoramento. construindo junto às crianças e aos adolescentes. faz da avaliação um processo formativo e. Cabe destacar que progressão continuada não é promoção automática. de forma progressiva e em ritmos diferentes.8 . qualitativo. nem punitiva. identificar problemas e redirecionar os rumos do processo educativo.A avaliação e o compromisso com o sucesso escolar A avaliação deve ser compreendida como uma estratégia para realizar diagnósticos. por isso mesmo. é importante garantir o mecanismo da progressão continuada. esta falsa relação. a avaliação não é acumulativa. O seu objetivo é detectar os avanços e as necessidades de correção no processo pedagógico de formação dos alunos. da forma como é tratada. A avaliação deve investir no sucesso escolar e. A escola tradicional e excludente faz. mas do trabalho integrado de todos os profissionais da escola. se identifica com a ausência de aprendizagem. por isso.

é verdade que não existe escola democrática e inclusiva sem autonomia. A capacidade de inter-relacionar as particularidades próprias de cada unidade escolar com os aspectos gerais do sistema é o que pode assegurar uma política educacional fundamentada no coletivo e com a necessária visão de organicidade do todo. A gestão democrática da escola A escola democrática e inclusiva tem que ter uma gestão democrática. é preciso ter clareza da complexidade e das dimensões possíveis da autonomia. Por outro lado. É preciso. A escolha dos dirigentes pela comunidade escolar é fundamental nesse processo. o seu caráter público. manter a articulação sistêmica entre as várias e diferentes escolas de Minas Gerais. os colegiados escolares desempenham um papel fundamental. bem como por toda a comunidade. A Autonomia e a gestão democrática da Escola A proposta político-pedagógica da Escola Sagarana investe na autonomia e na gestão democrática da unidade escolar. ou seja. entretanto. enquanto instâncias de flexibilização e divisão efetiva do poder. O tema da autonomia da escola pública. a organização em ciclos garante aos profissionais da educação a liberdade pedagógica e a flexibilidade indispensável para implementar o processo educativo. o trabalho coletivo do professor. A estrutura de poder tem que ser democratizada e. A autonomia deve garantir à Escola a construção de uma identidade própria. de acordo com as referências já citadas. Por um lado. A concentração do poder seja na figura do dirigente ou até no controle de um determinado segmento da Escola Sagarana - 49 . necessariamente. levando em consideração as suas especificidades e as diferenças regionais. neste caso. merece uma profunda reflexão por parte dos dirigentes escolares. mas não é suficiente para se consolidar uma gestão democrática. entretanto. No ensino fundamental. quando se trata de um Sistema Público de Educação. preservando a sua identidade coletiva.flexibilidade para se ajustar à concepção da escola formadora de seres humanos. pela construção do projeto político-pedagógico. democrática e inclusiva. É importante destacar que a autonomia não se restringe apenas ao aspecto financeiro ou administrativo da escola. Este tipo de organização favorece o acompanhamento das diferenças individuais dos alunos. Ela passa. a execução do currículo interdisciplinar e a avaliação com progressão continuada.

acaba por favorecer a reprodução de vícios típicos de uma cultura autoritária: fisiologismo. concurso público e nomeações de profissionais efetivos é imprescindível para o êxito da Escola Sagarana. No caso específico da gestão da escola. bem como outros processos de capacitação fazem parte do esforço para valorizar o trabalho de professores e especialistas.A valorização dos profissionais da educação. cabe destacar os seguintes pontos: 1 . D . além da ação do poder público para viabilizar tais projetos. O nosso desafio é construir uma cultura democrática. em Minas Gerais. manipulação. clientelismo. o trabalho que se desenvolve no interior da escola é fundamental. que envolvem o poder público. Ao longo dos anos. do desafio de investir em novos comportamentos diante da importância do conhecimento. A educação continuada. Trata-se. resultantes da política de pessoal implementada pelo Estado na área da educação. porque afeta diretamente o núcleo do poder. Escola Sagarana - 50 .comunidade escolar. como processo social e permanentemente construído. deve considerar que este processo tem várias dimensões e diversos atores envolvidos.A valorização dos profissionais da educação não se restringe apenas ao desenvolvimento das políticas abordadas anteriormente e não pode ser atribuído exclusivamente às ações de responsabilidade do poder público.A implantação de um novo plano de carreira é essencial para o processo de valorização dos profissionais e para consolidar a escola democrática. 2 . especialistas e servidores. ao refletir sobre um projeto político-pedagógico compromissado com a valorização de seus profissionais. acumularam-se distorções. O poder público responsável por tais iniciativas já tem consenso sobre esta necessidade e tem implementado as providências pertinentes. Generalizou-se de forma acentuada a figura do profissional designado. É fundamental compreender que valorizar os profissionais da educação exige um conjunto articulado de políticas. é importante compreender que. a escola e os próprios educadores. O investimento em carreira. essa tarefa é ainda mais desafiante. A Escola Sagarana tem nos seus profissionais os grandes agentes da mudança no processo educacional. Neste sentido. A escola democrática. por conseqüência qualquer projeto político-pedagógico só será viabilizado com a valorização permanente de professores. de fato. Nesta perspectiva. etc. o que dificulta o trabalho pedagógico e o avanço de projetos consistentes.

Por isso. A mesma concepção do conhecimento e de desenvolvimento curricular prevista no projeto políticopedagógico da escola. dos seus desafios no mundo de hoje e seu compromisso com as mudanças sociais leva o educador a valorizar o seu trabalho. porque interfere de forma direta em comportamentos já cristalizados no cotidiano de professores e especialistas. o ator decisivo para consolidar este processo. Escola Sagarana - 51 . mas como uma necessidade para a realização do trabalho pedagógico coletivo.Uma nova compreensão sobre o significado da educação continuada está diretamente relacionada com o processo de auto-valorização. além da ação do poder público. Esta é uma tarefa complexa. das diferentes estratégias que podem ser utilizadas pela escola. ampliando cada vez mais a sua participação no projeto políticopedagógico da escola. Alem das ações do poder público. a valorização dos profissionais da educação é um processo que envolve a participação de diferentes atores. como também para garantir "acesso” a melhores níveis salariais. A escola democrática e inclusiva deve ser contemporânea de seu próprio tempo e a sua relação com a sociedade e com a vida está presente em seu projeto políticopedagógico. O investimento em educação continuada deve ser uma exigência dos profissionais não só pelos benefícios salariais que dela possam decorrer. Como foi dito anteriormente. Sem desconhecer a pertinência desse tipo de incentivo. A escola democrática investe na educação continuada como processo permanente de construção do conhecimento. é o próprio educador. 3 . por todas as suas características já apontadas neste texto.A relação da escola com a comunidade A proposta da Escola Sagarana . E . deve permear a formação permanente de professores e especialistas. exige que a Unidade Escolar esteja compromissada com a sociedade e inserida concretamente em sua comunidade. em cada unidade escolar. é importante deixar claro que esta é uma visão pragmática e reducionista dos processos de capacitação. uma outra cultura sobre a importância do conhecimento. enquanto instituição. este seja o maior desafio da escola democrática. A compreensão da função da Escola. Talvez. é preciso trabalhar junto aos profissionais da educação. neste caso. os processos de capacitação foram compreendidos pelos professores e especialistas como instrumentos para corrigir defasagens de formação.Durante muito tempo. Incentivar o resgate da auto-estima dos profissionais da educação.

humanismo e solidariedade. trabalho e promoção social. saúde. É nesta perspectiva que se coloca a proposta de Gestão Consorciada. Outros vários exemplos poderiam ser citados. Da mesma forma. é fundamental que se estabeleça um relacionamento com as Instituições de Ensino Superior. cabe destaque para os Centros de Atenção Integral à Criança e ao Adolescente. É preciso construir um relacionamento sólido. Resguardadas as especificidades dos objetivos institucionais e de cada nível de ensino. capaz de garantir a sua integração com as políticas educacionais em geral. agentes permanentes de integração com os seus problemas e suas necessidades. mas não é o caso. Hoje. o esforço de integração das diversas políticas sociais. cultura. bem como um espaço privilegiado de luta pelos ideais de justiça.É preciso ir além das relações artificiais. sem um entrosamento permanente com a educação. Tradicionalmente. da mesma forma que exigem uma redefinição do papel da Escola .A proposta da Escola Sagarana e seu relacionamento com as Instituições de Ensino Superior Partindo-se do pressuposto de que a educação é um processo global. O êxito de grande parte dos projetos educacionais depende dessa integração. Neste aspecto. Este é um processo de grande complexidade. exigem também por parte do setor público. envolvendo os mais variados atores e. a relação do ensino superior com as políticas de educação básica assumiu a perspectiva da prestação de serviços. . vários projetos que exigem esta integração poderiam ser citados. é possível dizer que todas as políticas sociais ficam comprometidas em sua essência . que exigem.permeando toda a proposta da Escola Sagarana. uma integração sólida das várias políticas sociais. A Escola Sagarana e a integração com as políticas sociais públicas As grandes mudanças que ocorrem no mundo. Mesmo Escola Sagarana - 52 . envolvendo as áreas de educação. qualquer dicotomia que se estabeleça entre educação básica e educação superior é artificial.. Na área educacional. para o seu pleno funcionamento. Trata-se de formar uma nova cultura política na administração pública. A comunidade precisa identificar na Unidade Escolar e no processo educativo. esta necessidade está presente no dia a dia da Escola . que tradicionalmente. caracterizados por comemorações festivas de determinadas datas ou acontecimentos. deve ser construído com a compreensão necessária sobre a grandeza de seu significado. por isso mesmo. a Escola manteve com a comunidade: relacionamentos esporádicos.

para o êxito da proposta da Escola Sagarana e a consolidação das diretrizes de seu projeto político. indispensáveis. Trata-se de uma nova perspectiva. portanto. A concepção da “Escola Sagarana” não é apenas uma nova marca para caracterizar uma mudança de governo. hoje ela é insuficiente. é importante destacar novamente que a proposta da Escola Sagarana não é um projeto terminado. É uma outra concepção de sociedade. A proposta de gestão consorciada transcende a prestação de serviços e identifica nas Instituições de Ensino Superior. apresenta uma série de dificuldades para a sua operacionalização. iniciado no ano 2000.Conclusão Embora já tenha sido enfatizado. ex-secretária-adjunta da Educação de Minas Gerais Escola Sagarana - 53 .pedagógico. já trabalha com uma rede de Instituições de Ensino Superior. com a concepção de gestão consorciada. O Sistema Mineiro de Avaliação da Educação Pública (Simave). É muito mais que isso. este também é um processo a ser construído. Trata-se de uma construção coletiva que depende da participação da comunidade escolar e de todos os atores sociais compromissados com a educação. que . _______ * Professora de História. Por esta razão . parceiras efetivas e. evidentemente.reconhecendo a validade dessa dimensão. que implica outra concepção de Escola e processo educacional. 7 .

O objetivo geral dessas diretrizes e planos é definir políticas permanentes para a Educação em Minas Gerais. os programas foram definidos com o objetivo geral de promover uma correção de rumos e ajustes. de forma a reduzir os efeitos da descontinuidade administrativa. dentro das condições gerais e do momento histórico do Estado. além do Programa de Alimentação Escolar. Foram adotadas ainda ações destinadas a promover a desoneração do Estado e a cooperação com os municípios. já que todos os especialistas concordam com a necessidade de identificar novas fontes de recursos e criação de mecanismos para a manutenção e desenvolvimento do ensino médio e da educação infantil. 6. com estruturas adequadas e ajustadas às metas e objetivos. de longo prazo. deve ser permanente e transformadora. Em Minas Gerais. A seguir. tendo em vista as dimensões do estado e as profundas diferenças regionais existentes. ao mesmo tempo em que eram aprofundadas as discussões para a formulação de uma política educacional consistente e coerente com os objetivos maiores do estado de Minas Gerais e do desenvolvimento da comunidade mineira. buscou-se a definição de um perfil de atuação baseado em critérios de qualidade e eficiência.6 – A Educação em Minas no século XXI O plano de ação da Secretaria da Educação de Minas Gerais obedece a diretrizes contidas em três eixos estratégicos. após a avaliação inicial. Escola Sagarana - 54 . o destaque é para ações e políticas públicas integradas que perseguem a equidade como critério e a justiça social como meta da política educacional. que supõe persistência e participação. convertendo as ações estratégicas de governo em políticas de Estado. sempre tomando por base os princípios da Escola Sagarana. particularmente. No campo pedagógico. as principais ações desenvolvidos foram o programa Bolsa Familiar para Educação – Bolsa-escola e o Programa Mineiro de Atenção Integral à Criança e ao Adolescente (EducAção). uma descrição sintética dos principais programas e projetos propostos ou em desenvolvimento na Secretaria da Educação de Minas Gerais. é um desafio. Com esse objetivo.1 – Fórum Mineiro de Educação A construção coletiva de um sistema de educação é uma tarefa complexa. No âmbito social. em discussão a questão do financiamento da educação. No plano administrativo e financeiro. Uma das principais ações foi a implantação do Sistema Mineiro de Avaliação da Educação Pública (Simave). contudo. Permanece.

então. O objetivo é. a Secretaria da Educação de Minas Gerais vem propondo aos educadores mineiros. esse debate deve alimentar-se de um ideal de inovação e de transformação. especialmente os contidos nas legislações federal. contendo princípios e objetivos gerais compostos a partir da consulta à sociedade e aos agentes da educação. negociação. conforme o desejo expresso no documento final do 1º Fórum Mineiro de Educação. Escola Sagarana - 55 . instituir na forma de lei uma política de estado para a educação em Minas Gerais. a instituição de uma instância permanente de avaliação. capaz de suplantar os entraves da descontinuidade administrativa provocada pela sucessão e alternância de governos mais ou menos comprometidos com os princípios da educação de qualidade para todos. levar em consideração os instrumentos legais já existentes. bem como os documentos e declarações produzidos nos fóruns internacionais e reafirmados pelo Brasil. capaz de gerar e alimentar uma espécie de compromisso em torno questões cruciais para as próximas gerações e para o futuro do estado e do país. que busca a todo tempo avançar e conquistar novos espaços para o desenvolvimento da sociedade e da comunidade mineira. realizado em agosto e setembro de 1998. construção e renovação do Sistema Mineiro de Educação. necessária para o sucesso do processo educacional.O debate para a construção do Sistema Mineiro de Educação precisa. estadual e municipais. Com tais pressupostos. Sobretudo. primordialmente. Por isso a Secretaria da Educação convocou a Segunda edição evento – iniciada em junho de 2001 e com encerramento programado para outubro de 2001 – com a tarefa primordial de fornecer subsídios para a formulação de proposta de uma Lei de diretrizes e bases da educação mineira. Na convocação do 2º Fórum Mineiro de Educação também pretendeu-se gerar subsídios para a formulação de um Plano Decenal para educação no estado.

automatizar os processos administrativos internos no órgão central da Secretaria da Educação. análise. terão que contar com o suporte da computação . seja no campo administrativo e financeiro. METAS: facilitar o acesso do cidadão. para dar visibilidade e transparência aos atos do governo. ESTRATÉGIA: o programa é dividido em projetos tecnológicos que contemplam as fases de diagnóstico. via rede de informática. colocar-se ao alcance do cidadão em todas as suas demandas. implantação e atualização de sistemas e equipamentos. Escola Sagarana - 56 . uma vez que todas as atividades previstas pela política pública de educação. para serem exeqüíveis. criar canais de comunicação direta entre o governo e o cidadão. O plano tem duas vertentes . Para alcançar esse patamar e. própria da Educação. a Secretaria da Educação elaborou o seu Plano Setorial de Informática. dinamizar o andamento de projetos e ações. democratizar a ação governamental no campo da educação.7 – Programas estratégicos 7. cada vez mais. Esta é uma definição de caráter estratégico. O programa conta com a consultoria da Prodemge.do planejamento à didática nas salas de aula. a educação de Minas no XXI terá na informática um de seus mais fortes aliados. adaptação de normas e procedimentos e reestruturação setorial. desenvolvimento. seja no campo pedagógico ou da democratização das ações.uma de integração das ações governamentais. levando em conta a proposição de nova estrutura administrativa para a Secretaria da Educação. às solicitações do cidadão e dos servidores públicos da área de educação. participando da rede informacional do governo de Minas Gerais e outra. OBJETIVO: Promover a modernização administrativa do órgão central e sua interligação por infovias com as superintendências regionais de ensino e as escolas.1 – Programa de Modernização Tecnológica Para manter-se sintonizada como o futuro. atender. informatizar o sistema de registro. destinada a integrar as ações setoriais e a ser um banco de dados aberto ao público. das entidades públicas e particulares e dos órgãos de comunicação social às informações. reserva de vagas e matrículas nas escolas mineiras. modernizar a administração escolar e o Sistema Mineiro de Educação.

a necessidade de promover ajustes estruturais e redirecionamento orgânico e funcional. 7. cadastro de escolas e prédios escolares. promover a autonomia da escola. Verificou-se. valorizar os Escola Sagarana - 57 . política e social. Foram estudadas novas formas de agrupamento das atividades e distribuição dos recursos humanos. controle de transferência de recursos para as escolas. de planejamento e de execução com base nos critérios e princípios da política educacional definida pelo governo mineiro. Foram implantadas redes de comunicação no campus da Secretaria. pretendeu-se substituir formas antigas e burocratizadas por estilos modernos e recursos técnicos e gerenciais inovadores. inscrições para exames supletivos. As avaliações internas sobre o desempenho geral dos diversos órgãos e entidades apontaram para a necessidade de implantação de novas formas de gestão. Com isso. OBJETIVO: Tornar mais dinâmica e transparente a estrutura organizacional da Secretaria da Educação de Minas Gerais. garantir a descentralização das ações. a estrutura organazional deve ter sintonia com as mudanças de ordem econômica. assegurar o princípio da equidade.SITUAÇÃO: Iniciado em 1999. ainda. o programa está em andamento e com várias etapas executadas. bem como com as peculiaridades regionais do Estado. como também as Superintendências Regionais de Ensino. convênios com prefeituras. sítio na Internet. a racionalização administrativa e a reorganização estrutural da Secretaria. de gerenciamento de recursos humanos(EDAB). custo aluno(SICA). gestão de pessoal.2 – Programa de Modernização Administrativa e Valorização do Pessoal da Educação A missão da Secretaria da Educação consiste em desenvolver. Para cumprir esses pressupostos com eficácia e eficiência. bem como a criação de mecanismos atualizados de assessoramento. gestão de projetos e orçamentos. integrando toda a administração local e regionais via internet. com a redução dos trâmites internos. despesas com energia elétrica e água. ofertar educação de qualidade para todos e valorizar o profissional da educação. foram implantados sistemas de controle para as áreas administrativa e financeira. promover a gestão participativa e democrática. coordenar e implementar a política educacional. Tais mudanças devem atingir não só o órgão central e as entidades vinculadas. de controle de despesas com viagens.

valorizando sua formação e aperfeiçoamento.profissionais da educação. estabelecer programas de treinamento e formação continuada para todos os profissionais da educação. garantir eficácia e eficiência às ações do governo no campo da educação. Escola Sagarana - 58 . várias medidas foram adotadas para ajustar a administração da Secretaria às condições atuais. fortalecer os concursos públicos como forma de ingresso de servidores. A proposta foi encaminhada ao governo para avaliação de impacto funcional e financeiro. estabelecer um plano de carreira. planos de ações e metas de governo. O Plano de Carreira do Pessoal do Magistério foi debatido e elaborado por uma comissão paritária formada por técnicos da Secretaria e representantes do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE). ESTRATÉGIA: fortalecer a adoção de critérios técnicos na administração da Secretaria. o governador Itamar Franco determinou. democratizar as ações da Secretaria pelo acesso público às informações. profissionalizar o servidores. cargos e salários compatível com a missão de educar e com as funções exercidas. A nova estrutura da Secretaria da Educação foi objeto de estudos e propostas encaminhadas à Secretaria de Estado do Planejamento e Coordenação Geral. METAS: reorganizar as superintendências regionais de ensino quanto às suas jurisdições. competências e mecanismos de atuação. superintendências regionais e administração central da Educação. a realização de concursos públicos para preenchimento de mais de 53 mil vagas nas escolas. Como resultado. O projeto foi aprovado e encaminhada à sanção do governador Itamar Franco. o poder executivo enviou projeto de lei à Assembléia Legislativa propondo a reestruturação da Secretaria. AÇÕES: Desde o início de 1999. Em abril de 2001. sistemas e procedimentos de forma a dar mais eficiência à administração. melhorar a qualidade da educação. criar e aperfeiçoar instâncias. por meio de decreto.

O Simave foi implantado no ano 2000. as políticas educacionais. Um acordo assinado com o Ministério da Educação Nacional. para obterem sucesso. através do Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação. parcerias e cooperação entre e a sociedade. públicas e privadas. metodologias de avaliação qualitativa e formativa e de progressão continuada. do qual participam outras 27 instituições regionais de ensino superior e todas as superintendências regionais de ensino. aproveitando a experiência francesa de avaliação educacional praticada naquele país há 25 anos. é coordenado pela Faculdade de Educação da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). dependem do trabalho pedagógico cotidiano de cada professor. realizado em 1999 para discutir estratégias. A primeira etapa da avaliação ocorreu em outubro/novembro de 2000.7. Seu objetivo final é a valorização da escola pública e a melhoria da qualidade da educação. o governo e as instituições de ensino instaladas em Minas Gerais. Afinal. proposta pela Secretaria da Educação no “Seminário Travessia para o Futuro”. a formação de pessoal especializado em nível de pós-graduação e o aperfeiçoamento do sistema no Brasil.3 Sistema de Avaliação da Educação Pública (Simave) O Simave é um mecanismo estratégico de diagnóstico e planejamento da política educacional de Minas Gerais. Ele é um dos resultados mais importantes da política de gestão consorciada do Sistema Mineiro de Educação. foi instituído o Sistema de Apoio Pedagógico (SIAPE) destinado a orientar as escolas e desenvolver em cada uma ações de apoio aos professores e aos alunos. quando cerca de 650 mil alunos da rede pública em todo o estado foram avaliados quanto ao nível de proficiência em Língua Portuguesa e Matemática. por mais bem intencionadas e bem formuladas que sejam. Ciência e Tecnologia. Como resultado da avaliação. O Simave é o executor do Programa de Avaliação da Educação Básica (Proeb). da França vem possibilitando o intercâmbio técnico e científico. Uma construção coletiva Os princípios gerais. a estrutura organizacional e as características de execução do Sistema Mineiro de Avaliação da Educação Pública evidenciam que todos os atores sociais envolvidos no processo educativo têm participação decisiva no SIMAVE. trabalhando em conjunto com as Superintendências Regionais de Escola Sagarana - 59 . A formação de uma rede de instituições de ensino superior. a gestão. Alguns municípios já aderiram ao sistema para terem suas redes de ensino também avaliadas.

Apesar das dificuldades. Entretanto. mas de formular democraticamente. há algum tempo. E o SIMAVE é um instrumento fundamental para se repensar. Isso explica. é acreditar que o melhor instrumento para se atingir a eqüidade e a justiça social é a oferta de uma escola de qualidade para todos. dos professores e dos alunos. explícita. com representantes dos municípios. posteriormente. o trabalho pedagógico na escola. Construir uma nova cultura de avaliação implica ruptura com as práticas tradicionais ainda em vigor no cotidiano da escola. Investir no Sistema de Avaliação da Educação Pública. a exclusão ocorria pela insuficiência de vagas na rede de ensino público. em conjunto com a comunidade educacional. que privilegiava as regiões mais desenvolvidas e as populações abastadas. o fato de que. mais que apostar. apesar da ampliação da rede física. Exclusão X Inclusão Ao longo de seus quase cinco séculos. esta situação vem se modificando. de trabalho permanente e de luta pela qualidade do ensino. em parte. A rede de ensino. mais que o sistema educacional como um todo. Escola Sagarana - 60 . a garantia do acesso à escola não estava resultando numa melhoria do perfil de escolaridade da população brasileira. a história da educação brasileira tem sido marcada pela exclusão. Nos últimos 40 anos. registrando-se extraordinária expansão da rede de ensino público. as políticas do setor. Não se trata apenas de aplicar testes. Existem inúmeros fatores que contribuem para o fracasso escolar. o dramático perfil de escolaridade da população brasileira pouco tenha mudado. quando o acesso à educação já era garantido a todos do ponto de vista jurídico-formal. as estatísticas confirmavam a permanência do caráter excludente. pela exclusão direta. em Minas Gerais. É claro que transformações deste porte não acontecem de uma hora para outra. Primeiro. Enfim. as escolas de Minas Gerais têm uma história reconhecida. Sobretudo. apesar do crescimento experimentado. vem discutindo a sua prática e implementando transformações de forma competente. que já nos anos 80 garantia vagas suficientes para o atendimento a cerca de 90% da população urbana de 7 a 14 anos. evidencia que a avaliação passa a ser compreendida na sua dimensão social. Tudo isto confere à escola de Minas as credenciais necessárias para continuar avançando na busca da Escola em que todos acreditam: autônoma. já que o acesso à educação era restringido por lei aos "homens livres".Ensino. democrática e de qualidade. Os diretores das escolas são escolhidos por suas comunidades e têm a consciência da importância da gestão democrática e eficiente. os profissionais da educação são comprometidos com o sucesso do processo educacional.

é bom destacar. mesmo durante os anos 70. política e economicamente. quando a maioria dos profissionais da educação denunciava incessantemente o uso da educação. Ao invés de premiar ou punir. tenham a oportunidade de acesso e permanência na escola. independente de sua origem ou condição social. social e econômica do país. O sistema de avaliação Escola Sagarana - 61 . Esse instrumento apontava os "competentes" e os "incompetentes". portanto. a avaliação deve diagnosticar e apontar os fatores técnicopedagógicos que dificultam à maioria das crianças brasileiras o domínio dos conhecimentos e habilidades considerados necessários ao êxito nas suas trajetórias escolares e em suas vidas. criando ainda uma imagem de que o bom professor seria aquele que identificasse melhor esses dois segmentos. a própria estratégia de avaliação costumeiramente adotada. Mas. é indispensável repensar as práticas de avaliação tendo em vista fazer com que elas percam o histórico caráter de certificação da desigualdade. aqueles que seriam premiados e aqueles que seriam punidos. como um instrumento de legitimação das desigualdades sociais. que habilite seus alunos a uma participação efetiva na vida política. a questão da avaliação educacional e. tais como. e outros que dizem respeito à situação socioeconômica do país. Com efeito. Para tanto. Não basta garantir para todos o acesso à escola. Ou seja. deve desenvolver-se numa perspectiva inclusiva. de predestinação ao fracasso escolar quando se trata das crianças que vêm dos segmentos de menor renda. econômica. foi mantida em segundo plano. da avaliação do desempenho escolar. a avaliação pode e deve ser um instrumento que favoreça os objetivos democráticos da eqüidade e da igualdade na área da educação. ou seria aquele que reprovasse a maioria – esse era tido como um professor sério. também é verdade que alguns aspectos do trabalho pedagógico concorrem efetivamente para aqueles maus resultados. racial ou étnica. cultural. é preciso garantir que todos. Por muito tempo a avaliação foi utilizada como instrumento de seleção daqueles que passariam a integrar o seleto grupo dos "incluídos". A educação de qualidade. os "capazes" e os "incapazes". no Brasil. social. No contexto dos esforços pela democratização da escola pública no Brasil. é preciso que se transforme a avaliação em instrumento de identificação dos problemas do sistema educacional e do processo ensino e aprendizagem. mais especificamente. intransigente.entre eles alguns que são externos à escola. exigente.

de acordo com os princípios da Escola Sagarana. portanto. independente e centrado na escola. das instituições públicas de ensino superior e dos profissionais da educação. em todas as instâncias e momentos da vida escolar. mas fornecer as informações básicas para a tomada de decisões na área da política educacional. as perspectivas global e universal. identificação de problemas e. sem medos e sem angústias. Em nível central. integrado por representantes da Secretaria de Estado da Educação. dos Municípios.PROEB. do Conselho Estadual de Educação. no sentido de se garantir a permanência do processo e fazer da avaliação parte integrante do cotidiano escolar. a cada dois anos. quando for o caso. que participarão do sistema como parceiras efetivas na implementação das políticas públicas de educação e. Várias avaliações já foram realizadas na rede escolar do estado de Minas Gerais. numa perspectiva positiva. A ênfase na criação de um Sistema Mineiro de Avaliação significa. participativo. não tomaram conhecimento dos resultados e não conseguiram perceber com clareza nem os objetivos nem os desdobramentos dessas avaliações. Um de seus pressupostos é a gestão consorciada com as instituições de ensino superior. com a principal atribuição de implementar. não mais. entretanto. o SIMAVE é descentralizado. devem ser compreendidos como uma estratégia de realização de diagnósticos. de redimensionamento dos rumos do processo educativo. O grande desafio que se coloca para a educação é construir essa nova cultura de avaliação. angústia e tensão. levar em conta as diferenças regionais. é um avanço qualitativo. provocando insegurança.SIMAVE. A Escola Sagarana e o SIMAVE Em fevereiro de 2000. Fundamentado nos princípios da Escola Sagarana. foi constituído o Conselho Deliberativo. A criação de um verdadeiro sistema de avaliação. Os processos avaliativos. sem perder de vista. mas as unidades escolares. Escola Sagarana - 62 .Os mecanismos para se fazer avaliações do sistema educacional são muitas vezes vistos com desconfiança pela comunidade escolar. Isto significa que avaliar não tem como objetivo punir ou classificar. como mera prestadoras de serviços. em sua maior parte. A gestão do Sistema Mineiro de Avaliação da Educação Pública será participativa e democrática. a complexidade cultural que caracteriza o estado de Minas Gerais. a Secretaria de Estado de Educação instituiu o Sistema Mineiro de Avaliação da Educação Pública . o Programa de Avaliação da Rede Pública de Educação Básica .

dos profissionais da educação e dos alunos. A descentralização resulta da convicção de que as políticas educacionais não devem ser formuladas sem que se leve em conta a diversidade das situações vividas nas diferentes regiões do Estado. mas a sua legitimidade passa necessariamente pela participação dos profissionais que desenvolvem o trabalho pedagógico nas escolas. por representantes dos municípios. esta associação favorece e estimula a discussão de possíveis mudanças nos cursos de formação de professores. permite desenvolver um padrão consorciado e inovador de gestão da educação pública. em sua área de jurisdição. Este princípio está diretamente relacionado à gestão consorciada.Em cada Superintendência Regional de Ensino foi constituída a Comissão Regional de Avaliação da Educação Pública que. É claro que um Sistema de Avaliação exige a contribuição técnica indispensável dos especialistas. Gestão consorciada: a participação de instituições de ensino superior. será integrada também pelo representante da Instituição Regional de Ensino Superior responsável pelo PROEB. normalmente responsáveis pela formação de professores para a rede de educação básica. no sentido de torná-los cada vez mais identificados com as reais necessidades do magistério da rede de ensino público. Isto significa que cada Superintendência Regional de Ensino. possibilitam o entrosamento com as instituições locais de ensino superior. além de viabilizar a descentralização e a regionalização. deverá estar associada a instituições locais de ensino superior. Participação: os programas de avaliação serão implementados com a participação dos profissionais que atuam na Educação Básica. em políticas de formação inicial e continuada de professores para a rede pública de educação básica. Formação do professor: os programas de avaliação deverão se traduzir. porque permite vivenciar o trabalho pedagógico básico em todas as suas dimensões – da universidade às salas de aulas do ensino fundamental. Além disso. participação e equidade São princípios fundamentais do Simave: Descentralização: os programas de avaliação serão implementados de forma descentralizada. Por outro lado. além da Superintendência Regional. Essa comissão é responsável pelo programa de avaliação na jurisdição da Superintendência Regional de Ensino e pelo processo de avaliação continuada. Democracia. à rede de escolas de educação básica e às Secretarias Municipais de Educação. É fundamental para a rede de educação básica. As Comissões Regionais de Avaliação da Educação Pública visam ainda garantir o caráter permanente ou continuado do processo avaliativo. uma vez que conduz à formulação de políticas que contribuem para a valorização do profissional da Escola Sagarana - 63 . dentre outras iniciativas.

criar instrumentos de participação da sociedade e dos profissionais da educação na gestão da escola pública. sexo. Eqüidade: O Estado verdadeiramente democrático deve garantir a oferta de uma educação de qualidade para todas as crianças e jovens em idade escolar. Esconder resultados ou sonegar informações faz parte de uma cultura autoritária e clientelista que os profissionais da educação combatem e que só tem contribuído para o retrocesso e o atraso do processo educacional. fortalecer a escola como instituição de promoção de igualdade de oportunidades para todos os mineiros. Escola Sagarana - 64 . principalmente quando essa informação diz respeito às ações de órgãos públicos e quando a maior ou menor possibilidade de melhoria da qualidade de vida do cidadão depende da qualidade dessas ações. Isto não significa expor indevidamente a escola. democratizar o acesso à informação sobre a educação pública. Perfil do Simave OBJETIVOS: Promover a avaliação sistemática da rede pública de educação básica. nível socioeconômico ou região de moradia. O processo também contribui para a definição de políticas que garantam que todas as escolas tenham condições de oferecer uma educação de qualidade. discutindo a qualidade e a pertinência dos cursos de formação inicial e de formação continuada atualmente oferecidos aos professores. independentemente de fatores tais como raça. Pelo contrário! É fundamental garantir a todo e qualquer cidadão o acesso à informação. desenvolver procedimentos de gestão de avaliação das políticas públicas educacionais com base em princípios de equidade. Publicidade: os resultados do programa de avaliação serão públicos. etnia.educação.

criar instrumentos de avaliação. Esse conjunto de testes permite a avaliação e análise do sistema educacional mineiro como um todo. em 2001. produzindo-se indicadores necessários à formulação e redefinição das políticas educacionais do Estado.4 . questionários destinados aos alunos. por meio de testes respondidos por todos os alunos do primeiro ano do ciclo intermediário e o último ano do ciclo avançado (4ª e 8ª séries) do ensino fundamental e por todos os alunos da 3ª série do ensino médio. observadas as peculiaridades regionais. a cultura e o desenvolvimento de Minas Gerais. num ciclo que se complementa a cada dois anos: assim. ainda. os testes abrangem História. Geografia e Ciências. controle e acompanhamento para a permanente busca da elevação da qualidade da educação básica. diretores de unidades escolares. o perfil dos profissionais da educação e dos estudantes. adequação e aperfeiçoamento de recursos humanos para atender às necessidades da rede pública de educação básica e os objetivos da política educacional de Minas Gerais. 7. Matemática.Programa de Avaliação da Educação Básica O Programa de Avaliação da Educação Básica (Proeb) é parte do Simave e se situa no conjunto de ações do Sistema Mineiro de Avaliação da Educação Pública. compatíveis com a realidade.METAS: Desenvolver parâmetros e métodos de aferição do desempenho e da qualidade nas redes estadual e municipais de educação básica. promover a formação. foram aplicados testes de Língua Portuguesa e Matemática. com o objetivo de levantar dados sobre o processo de gestão das unidades escolares. de caráter universal e execução em parceria com instituições de ensino superior. Ciências Humanas e Ciências da Natureza. ESTRATÉGIA: o SIMAVE está estruturado em programas setoriais destinados à avaliação da educação básica em Minas Gerais. recursos e serviços disponíveis nas unidades escolares. no ano de 2000. universidades e instituições de ensino superior instaladas em Minas Gerais. O programa avalia as escolas da rede estadual de ensino e das redes municipais que aderirem ao Simave. sociedade. criar parâmetros diferenciados de avaliação da rede pública de educação básica. Os testes avaliam as competências desenvolvidas pelos alunos em Língua Portuguesa. O Proeb inclui. professores e especialistas. Escola Sagarana - 65 . estabelecer mecanismos e sistemáticas de gestão consorciada da rede pública de educação com base na cooperação e na parceria entre o governo.

A organização do PROEB no Estado Para viabilizar sua realização. organização.UFJF. Também participam da implementação do programa 27 instituições de ensino superior que. A UFJF é responsável pela elaboração.SAEB é um sistema implementado pelo Ministério da Educação.CAEd. devidamente articulada com a rede de educação básica. Deles resulta a formação de equipes e estudos para análise dos boletins de avaliação da escola e adoção das medidas necessárias à correção de rumos e superação de eventuais deficiências. Além disso. que é a gestão consorciada da educação básica. com a formação de uma rede de instituições de ensino superior. planejamento e acompanhamento da implantação do programa. sem que se percam de vista as características comuns à população e à educação do estado de Minas Gerais. indicadas pela Secretaria de Estado da Educação de Minas Gerais.INEP. da Faculdade de Educação. divulgação dos resultados e apoio pedagógico às unidades escolares. por meio do Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação . Os primeiros resultados do Proeb surgiram em 2001 com a implantação do Sistema de Ação Pedagógica (Siape). impressão e distribuição dos testes. esta forma de organização garante ainda o princípio da descentralização e da regionalização. com apoio das instituições regionais de ensino superior integradas ao programa. o Proeb conta com uma Instituição Coordenadora. com atuação direta e permanente nas escolas. com base em amostragens e apresentando os seus resultados por unidade da Federação. das comissões regionais de apoio pedagógico e do sistema de avaliação continuada. O PROEB e o Sistema de Avaliação da Educação Básica do INEP SAEB O Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica . Este tipo de organização confirma um dos princípios básicos do Simave. atuam no âmbito regional apoiando as atividades programadas pela instituição coordenadora e as ações das superintendências de ensino. Escola Sagarana - 66 . após seleção. que é a Universidade Federal de Juiz de Fora . São mecanismos propostos pelo Proeb. por intermédio do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais . para avaliar a educação básica em todo o Brasil. processamento e análise dos resultados dos testes. supervisão e acompanhamento do trabalho das instituições regionais junto às 41 superintendências regionais de ensino.

Por esta razão. com participação das instituições de ensino superior em âmbito regional. profissional e humana.5 . tendo em vista a formulação de políticas educacionais próprias. O curso vai terá módulos semestrais e poderá ser concluído em três anos e meio Escola Sagarana - 67 . nos anos iniciais. destina-se a habilitar os professores que. Deve-se levar em conta o tipo e perfil de profissional que a escola exige nos tempos atuais.Veredas – Formação Superior de Professores Toda política de valorização do pessoal da educação e que tenha por objetivo final o sucesso do aluno em seu processo de formação pessoal. O professor. cuidar do que é específico de Minas significa distanciamento da perspectiva nacional.uma medida referente às habilidades e competências desenvolvidas pelos alunos em cada área do conhecimento – são os mesmos produzidos na escala nacional pelo Inep e utilizada pelo Saeb.A institucionalização do Sistema Mineiro de Avaliação da Educação Pública é um salto qualitativo importante. atuam nas salas do ensino fundamental. executado no contexto do Programa Anchieta de Cooperação Interuniversitária. Esse é o perfil do professor que o Projeto Veredas procurará desenvolver e. entre outras razões. respeitando as peculiaridades locais e os objetivos de Minas Gerais. além de ser universal – para toda a rede pública de ensino e para todos os alunos das séries escolhidas – e apresentar resultado individualizado por escola. Assim. além de sua qualificação técnica. necessariamente. a Secretaria da Educação de Minas Gerais utilizará uma metodologia que abrange a sistemática de formação e de implantação do curso normal superior. 7. para isso. O Projeto Veredas de Formação Superior de Professores. já que são imensas as tarefas e compromissos exigidos à educação. os indicadores de proficiência . mesmo sem a formação superior necessária. deve ter ampliados seus horizontes quanto ao uso de tecnologias modernas a serviço da educação. é imprescindível a utilização de instrumentos de análise que permitam a necessária comparação entre o Proeb e o Saeb. regional e comunitário. aos direitos sociais e ao exercício da cidadania: deve comprometer-se com a transformação social e ser um agente do desenvolvimento nacional. na modalidade de educação a distância. terá que passar pela habilitação e qualificação do professor. Entretanto. porque trabalha com a perspectiva de resguardar a especificidade de Minas Gerais. ainda hoje.

sem formação superior. o Veredas vai atender 12 mil professores estaduais e 3 mil municipais. com acompanhamento e orientação dos tutores. OBJETIVO: melhorar a qualidade do ensino nas redes estadual e municipais. Essa habilitação será gratuita e obtida em serviço. estimular o uso de tecnologias avançadas de informática e comunicação. com início previsto para fevereiro de 2002. habilitar 55 mil profissionais que atuam nas escolas mineiras sem habilitação superior. vídeos e internet. Na primeira etapa. O projeto prevê a realização de provas para seleção dos candidatos. conforme previsto na LDB. buscar novas definições quanto ao perfil e currículo das faculdades de educação. com material didático (textos e vídeos) preparados por especialistas e distribuídos gratuitamente. preparação e elaboração de material didático adequado às novas metodologias educacionais. INÌCIO: os cursos devem começar em fevereiro de 2202. integrar as universidades ao processo formativo e promover adequação curricular. obter o apoio e reconhecimento do curso pelo Ministério da Educação. e. e registro dos diplomas no Ministério da Educação. Foram divulgados os editais para seleção dos profissionais responsáveis pela elaboração dos textos didáticos – a grande maioria deles é formada por doutores em educação e mestres com doutorado em andamento. com recursos definidos. organizadas pelas universidades consorciadas. atrair profissionais de alto nível para o estudo . das redes municipais e estadual. SITUAÇÃO: o projeto está finalizado e aprovado. de forma que a prática do professor sirva como parte de suas atividades de curso. METAS: habilitar em serviço 12 mil professores da redes estadual e 3 mil das redes municipais na primeira etapa e. ESTRATÉGIA: articular com as universidades e instituições de ensino superior sistemáticas de gestão consorciada e de cooperação na formação de recursos humanos para a educação. desenvolver metodologias de educação a distância. promover a cooperação entre estado e municípios no campo da formação de educadores. todos devem ter curso superior até 2005. São quase 60 mil profissionais que atuam nas redes de ensino estadual e municipais de Minas Gerais sem a necessária habilitação. 7. BENEFICIÁRIOS: professores que atuam da primeira a quarta série do ensino fundamental. com apoio de material impresso.6 Programa Bolsa Familiar para Educação – Bolsa-escola Escola Sagarana - 68 . a médio prazo.combinando métodos de educação a distância e presenciais. contribuir para a redefinição o perfil dos cursos de formação de pessoal para área de educação.

é preciso garantir as condições objetivas para que ela permaneça e tenha bom desempenho na escola. que vivem em situação de rua. estudiosos trabalham esta proposta desde a década de 1970. pois o seu enfoque principal não é apenas a distribuição de renda. a política tem revelado que há uma enorme distância entre “intenção e gesto”. segundo o Censo Escolar 2000. o que é inaceitável. Nos últimos anos. Grã-Bretanha. geradoras de uma desigualdade perversa. no ensino fundamental.3%. o Programa Bolsa Familiar para a Educação – Bolsa-escola adotado em Minas Gerais é mais do que um programa de renda mínima. proposta pelo Governador Itamar Franco em sua campanha eleitoral. condenando à miséria milhões de brasileiros. A importância do Bolsa-escola. convivem com a vergonha do trabalho infantil e com a tragédia de meninos e meninas. busca garantir às Escola Sagarana - 69 . a evasão escolar média é da ordem de 6. O capitalismo brasileiro se consolidou pela via do Estado (de cima para baixo). impondo à sociedade sucessivas políticas econômicas concentradas de renda e. Espanha e Portugal. Entretanto. O Programa Bolsa Familiar para a Educação – Bolsa-escola. mas a educação como questão de direito e de cidadania. É nesta perspectiva que se coloca o Programa Bolsa Familiar para a Educação – Bolsa-escola. Em algumas regiões. No Brasil. por conseqüência. A preocupação com a renda mínima é histórica entre filósofos e economistas e em vários países do mundo já estão em vigor programas dessa natureza: Estados Unidos. Ao lado do princípio de “universalização” tem de ser colocado o da “eqüidade”. A partir da década de 1990. o discurso da prioridade para a educação passou a fazer parte da agenda nacional. Alemanha.As desigualdades sociais vêm se acumulando no Brasil ao longo de sua história. a democratização das oportunidades educacionais. Minas Gerais e o Programa Bolsa-escola Em Minas Gerais. Suécia. Segundo a Fundação João Pinheiro. é superior a 20% (da 5ª à 8ª série). Bélgica. 400 mil crianças estão fora da escola. as transformações que afetaram o mundo alteram substancialmente as relações entre os seres humanos e exacerbam o quadro de exclusão social. isto é. França. Pois além de dar condições a que toda criança tenha ingresso garantido na escola. Entretanto.

de fato. precisam ser mantidos no programa. saúde. região considerada como das mais pobres do mundo. com baixos índices de desenvolvimento humano e de desenvolvimento infantil. Uma iniciativa deste porte. Tal integração se justifica pelo fato de que. regulamentado com critérios rígidos de seleção e acompanhamento das famílias selecionadas. coordenada e gerida pela Secretaria de Estado da Educação. tão ou mais importante do que a concessão do benefício. trabalho e cultura. o Programa deverá ser implantado de forma articulada com os municípios e gradualmente. O Bolsa-escola e a política educacional É importante destacar que o Bolsa-escola é um programa de educação. como: segurança. justiça e direitos humanos.crianças mineiras. Organização e operacionalização da Bolsa-Escola Em um estado com a dimensão. assistência social. será feita a avaliação pertinente para verificar aqueles que. desenvolver-se em processo de integração com outras políticas públicas. Anualmente. c – ter residência comprovada no município por pelo menos 3 anos. além da participação de entidades não-governamentais compromissadas com a criança e o adolescente. Critérios para cadastro no Programa a – ter filhos na faixa etária de 7 a 14 anos matriculados na escola pública. Escola Sagarana - 70 . b – ter renda per capita familiar igual ou inferior a meio salário mínimo. deve. Cabe ressaltar que. o direito de acesso à educação de boa qualidade e permanência na escola. tendo como prioridade as regiões que apresentam condições socioeconômicas mais desfavoráveis. d – passar pelo processo de avaliação familiar e seleção de beneficiários. necessariamente. Daí a escolha do Vale do Jequitinhonha. complexidade e diferenças socioculturais de Minas Gerais. em especial das regiões mais carentes. A manutenção do benefício exige a comprovação pessoal de freqüência do estudante em pelo menos 90% das atividades escolares. é o trabalho sistemático com as famílias para que possam ter acesso à profissionalização e outras formas geradoras de emprego e renda. As famílias são acompanhadas do ponto de vista social para que alcancem melhores condições de vida. o programa incentiva a participação das famílias na vida escolar da criança e do adolescente. não sendo mais necessária a concessão do benefício. além de contribuir com a queda da evasão escolar.

o trabalho infantil e a exclusão social através de projetos e ações de promoção social. segundo levantamento da Fundação João Pinheiro. assistência e promoção social junto às famílias beneficiadas. beneficiando cerca de cem mil pessoas.Longe de ser uma ação paternalista. está programada a extensão do Bolsa-escola a todas as 51 cidades que compõem o médio Vale do Jequitinhonha. BENEFICIÁRIOS: famílias carentes. o Bolsa-escola chegou a 2001 atendendo a 17 mil famílias em 30 cidades do Vale do Jequitinhonha. de meio a um salário mínimo mensal para manutenção de seus filhos na escola. desenvolver ações integradas de saúde. RECURSOS: o Programa começou com investimento de R$ 7 milhões em 2000. OBJETIVO: combater a evasão escolar. META: implantar o Programa em todo o Vale do Jequitinhonha durante o atual governo. trata-se de um Programa formador de consciências. com renda inferior a meio salário mínimo per capita. acompanhamento da freqüência escolar das crianças beneficiadas e da atuação dos pais. começando por projeto piloto para atendimento inicial a 6 mil famílias na região do Vale do Jequitinhonha. atendendo cerca de 30 mil famílias. assistência e promoção social e encaminhamento para cursos profissionalizantes e atividades de complementação de renda familiar. combatendo todas as possibilidades de fisiologismo ou clientelismo. com filhos entre 7 e 14 anos matriculados no ensino fundamental regular. orientação familiar e encaminhamento profissional. Para 2002. proporcionar formas de complementação de renda para famílias carentes com filhos matriculados nas escolas da rede pública. SITUAÇÃO: implantado no final de 1999. ESTRATÉGIA: destinar às famílias carentes renda mínima da ordem de R$ 70. com ampliação gradativa da região abrangida e do número de famílias atendidas. Nesta perspectiva. Escola Sagarana - 71 . o Bolsa-escola incentivará o desenvolvimento da cidadania e a consciência necessária dos direitos e deveres das pessoas em relação à sociedade e ao Estado. estabelecendo a necessária ruptura com a cultura “do favor” e resgatando a dignidade e a esperança. subiu para 14 milhões em 2001 e deverá atingir R$ 21 milhões em 2002. a de mais baixo Índice de Desenvolvimento Humano.00 (setenta reais). AÇÕES: cadastramento de famílias.

dirigentes e da própria família. mas cada vez mais é reduzido o número dos “bem-sucedidos”. na tentativa de impedir a entrada de armas. justiça. Logo. cidadania. Acrescente-se a tudo isto a violência permanente da fome a que muitos estão submetidos. desenvolve-se o sentimento de competição. Escola Sagarana - 72 . desenvolvendo a solidariedade. representantes de pais e de alunos e organizações não-governamentais. Ao mesmo tempo em que se incentiva o consumo. conseqüentemente. A escola tem sido citada como cenário de medo e de falta de segurança.8 – Programa permanentes 8. Em algumas declarações. governos chegaram a lançar mão de detetor de metais na porta das escolas. cidadania e senso do coletivo. mas na sociedade e. mas não há garantia de igualdade de oportunidades. paz. cresce o desemprego. META: Tornar a escola um espaço crítico em relação aos valores impostos pela sociedade e de formação do ser humano. consciência moral. pais e até dirigentes escolares clamam por ação policial nas proximidades das escolas. convivência fraterna. Em Minas Gerais. OBJETIVO: Promover nas escolas mineiras a cultura da paz e a construção de valores culturais. solidariedade. Com esta concepção foi criado o “Programa Agenda da Paz”. enfrentando a crise ética com a formação de valores como: solidariedade. a escola também é vítima do processo de disseminação e até banalização da violência. A escola recebe todas as influências e deve tratar o problema de forma pedagógica. investindo na dignidade e na esperança. a Secretaria da Educação crê que a violência não está na escola. Em alguns lugares do Brasil. Trata-se de um Programa coordenado pela Secretaria de Educação. mas que conta com a participação de outros órgãos do governo. senso de coletivo. éticos e morais voltados para o respeito à vida. Questiona-se a autoridade dos professores. tem reflexos na vida escolar. de representantes do poder legislativo e judiciário. A Secretaria da Educação em Minas Gerais optou por discutir e enfrentar a chamada “violência” na escola por meio do reforço do processo educativo. apresenta-se o individualismo exacerbado como indicador para sucesso na vida. Polícia Militar.1 – Programa Agenda da Paz O início dos períodos letivos costumam ser marcados por persistentes notícias da imprensa nacional sobre a violência entre crianças e adolescentes nas escolas públicas. As crianças e adolescentes são atingidos cotidianamente pelas contradições impostas pela própria sociedade.

AÇÕES: atividades pedagógicas. realização de concurso de frases. Para tal. organizações nãogovernamentais. Escola Sagarana - 73 . secretarias estaduais que atuam no campo social. ESTRATÉGIA: atuação pedagógica através da discussão de temas relacionados à forma de valores. concursos e incentivo à formação da cidadania. aperfeiçoar os processos de escolha de dirigentes. Polícia Militar. Polícia Civil. Incentivar a formação de grêmios estudantis que fortalecem o sentimento de grupo e desenvolvem a noção de cidadania e participação política. PARTICIPANTES: comunidade escolar e especialistas. a escola deve se concretizar como um espaço de harmonia. articulação com a comunidade. dar transparência aos atos dos dirigentes. desenhos e textos sobre temas relacionados à paz. Os melhores trabalhos foram reunidos em uma agenda para o ano 2000 – A AGENDA DA PAZ. incentivar práticas de acompanhamento e controle de contas e das Caixas Escolares e definição participativa dos orçamentos e programação de investimentos. BENEFICIÁRIOS: alunos e escolas da rede pública. ABRANGÊNCIA: todas as escolas das redes públicas e particulares. Curadoria da Infância e da Juventude. criar mecanismos de controle social da atividade pública no setor educacional. de alegria e de prazer. incentivar a participação da comunidade nas decisões da escola. escolas. 8. Ministério Público. enquanto valores próprios da humanidade. publicada pela Secretaria da Educação. alunos. um sentimento e uma ação permanentes. lideranças comunitárias. METAS: fortalecer a atuação do colegiado da escola. palestras. reuniões. de forma a fazer da PAZ e da FRATERNIDADE.a cidadania e o sentimento de justiça social. PARTICIPANTES: professores. resguardar direitos e conquistas da comunidade escolar e preservar o caráter democrático do processo de escolha de dirigentes escolares ESTRATÉGIA: incentivar a participação da comunidade em todas as decisões.2Programa de Democratização da Gestão Escolar OBJETIVO: democratizar a gestão das escolas públicas. financeira e pedagógica das escolas. garantir a autonomia administrativa.

8.3 Programa Travessia para o Futuro OBJETIVO: Valorização da escola pública. O regulamento do processo de escolha foi aperfeiçoado para contemplar maior participação da comunidade. ESTRATÉGIA: organizar seminários para apresentação de estudos. projetos e alternativas de formação e aperfeiçoamento de recursos humanos. estudantes. profissionais do magistério. Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes). especialmente a de ensino médio. Escola Sagarana - 74 . entidades representativas. Também foi intensificada a integração com a Rede Nacional de Referência em Gestão Educacional (Renageste) e aperfeiçoados os critérios de organização. intensificados os trabalhos de orientação às escolas sobre as atribuições e funcionamento dos colegiados. METAS: implantar os Institutos Superiores de Educação. promover estudos sobre a reformulação de currículos nos cursos superiores de licenciatura. Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. AÇÕES: realização do Seminário de Valorização da Escola Pública – Travessia para o Futuro e programação de atividades visando a interação com as instituições de ensino superior de Minas Gerais. No ano 2000. realizada em 1999. estabelecer mecanismos de cooperação com as universidades instaladas em Minas Gerais. PARTICIPANTES: Fórum das Instituições Federais de Ensino Superior de Minas Gerais. visando a formação e capacitação de pessoal docente e criar novas alternativas de seleção de candidatos ao ingresso nos cursos superiores. com fortalecimento da rede estadual do Renageste. escolas públicas e particulares de ensino superior. promover avaliações de desempenho dos alunos do ensino médio e incluí-las nos critérios de seleção de candidatos aos cursos superiores. Esses dirigentes passaram ainda pelos cursos de capacitação. participação e avaliação dos trabalhos inscritos para o Prêmio Nacional de Referência em Gestão Escolar. fortalecer a política de inclusão social pela ampliação das oportunidades de ingresso de alunos da rede pública nos cursos superiores. Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG). com a nomeação pelo governador Itamar Franco de todos os diretores e vice-diretores escolhidos. foram eleitos os novos componentes dos colegiados escolares na grande maioria das escolas estaduais.AÇÕES: consulta à comunidade para escolha dos diretores das escolas estaduais. visando a melhoria da qualidade da educação.

relatórios. AÇÕES: Identificar espaços disponíveis em escolas estaduais. federais ou municipais disponíveis e adequados à educação infantil. adequar os recursos pedagógicos às necessidades do ensino e da aprendizagem. combater a exclusão social. promover a melhoria da qualidade do ensino e do processo de ensino e de aprendizagem. estabelecimento de mecanismos que permitam a cooperação entre o Estado. 8. aquisição de material didático e livros para atualização do acervo das bibliotecas das escolas estaduais. ESTRATÉGIA: Desenvolvimento de estudos e projetos que levem em conta o caráter indissociável da educação infantil em relação ao ensino fundamental. implementação dos Planos de Desenvolvimento da Escola. avaliações e textos conceituais fornecidos pela Secretaria da Educação como subsídio. regionais e estadual com seminários para discussão de propostas. METAS: Aumentar o atendimento às crianças com menos de seis anos de idade visando a gradativa universalização. promover a atualização das metodologias de ensino adequando-as aos padrões de qualidade necessários à educação em Minas Gerais METAS: incentivar a discussão e definição de propostas pedagógicas e sistemas de organização do tempo escolar por escolas. assegurar melhoria constante da qualidade e a busca permanente do sucesso do aluno. PARTICIPANTES: comunidade escolar e especialistas convidados.5 Programa de Fortalecimento do Ensino Fundamental OBJETIVO: garantir a universalização do ensino fundamental.8. a partir de experiências. ABRANGÊNCIA: todas as escolas do estado. respeitados a diversidade regional e o interesse da comunidade local. prefeituras e organizações comunitárias para o desenvolvimento do Programa. ampliar o atendimento e as taxas de escolarização. disponibilizar professores excedentes para atuarem em escolas municipais ou comunitárias. promover a integração de cheches e pré-escolas ao Sistema Mineiro de Educação.4 Programa de Educação Infantil OBJETIVO: Resgatar a educação infantil como uma das prioridades do poder público em Minas Gerais. ESTRATÉGIA: realização de etapas locais. visando o estabelecimento de parcerias. sob coordenação das superintendências regionais de ensino. Escola Sagarana - 75 . promover a capacitação de profissionais da educação e habilitá-los para a educação infantil.

Minas também participa dos estudos visando a preparação de material didático adequado ao regime de ciclos. alunos e escolas. articular ações junto aos fóruns nacionais para a criação de mecanismos formais de financiamento público do ensino médio. ESTRATÉGIA: Estabelecer parcerias com as universidades para avaliação permanente do desempenho de professores.AÇÕES: Após vários meses de discussão.6 . ciclo intermediário (do 4º ao 6º ano) e ciclo avançado (7º e 8º ano). promover a integração entre as escolas de ensino médio e a universidades e instituições de ensino superior em Minas Gerais. combater a exclusão e contribuir para a mobilidade social. FASE ATUAL: Firmado convênio com o Ministério da Educação visando a obtenção de recursos necessários à implantação da reforma do ensino médio. superar os entraves representados pela ausência de fontes de financiamento público para esse nível de ensino. manter o nível e a prática de ensino atualizada em relação à demanda com currículos modernos e práticas pedagógicas inovadoras. ampliar as oportunidades educacionais. Escola Sagarana - 76 . realizar simpósios e debates. METAS: melhorar o rendimento dos alunos da rede pública e prepará-los para a vida universitária. 8. foi adotada a avaliação continuada do desempenho escolar. a Secretaria da Educação abriu a possibilidade de cada escola escolher o regime de organização do tempo escolar melhor adequado às suas condições e ao perfil de seus profissionais. organizar cursos de formação e capacitação de recursos humanos. com ênfase na avaliação formativa. avaliar os programas de aceleração de estudos e de integração dos alunos egressos dessa modalidade de ensino. Minas adotou três ciclos no ensino fundamental: ciclo básico (nos três primeiros anos). elevar a qualidade do ensino.Programa Estadual do Ensino Médio OBJETIVO: Valorizar o ensino médio na rede pública estadual. AÇÕES: buscar e propor novas fontes de financiamento. instituir o novo Plano do Ensino Médio com base nos padrões curriculares nacionais. 68% das escolas estaduais já optaram pelo regime de ciclos. fortalecer os mecanismos de financiamento à educação nesse nível de ensino. promover a adequação do ensino à nova realidade. Como resultado. inserção no mercado de trabalho e exercício da cidadania. Nas escolas que optaram pelo ciclo. garantir vagas para todos os alunos egressos da rede pública do ensino fundamental.

ESTRATÉGIA: desenvolver metodologias técnico-pedagógicas de gestão compartilhada. 8. desenvolver metodologias técnico-pedagógicas de gestão compartilhada e integração com a comunidade.Centro de Educação Profissional de Unaí .Centro de Educação Profissional de Brazópolis – com atuação em eletrônica industrial.Centro de Educação Profissional de Teófilo Otoni – com atuação em gemologia e jóias. METAS: democratizar o atendimento à demanda. secundário e terciário.com atuação em técnicas agroindustriais. aquisição de equipamentos e composição dos quadros de pessoal.reforma ou construção e equipamento de escolas. destinados à formação de jovens com habilidades técnicas adequadas às exigências do mercado de trabalho local e regional.7 Programa de Educação Profissional OBJETIVO: Implantar em Minas Gerais dez Centros de Educação Profissional em parceria com prefeituras e o Ministério da Educação. implantar centros de educação profissional definidos conforme o perfil socioeconômico das regiões e interesse do desenvolvimento estadual. avaliação. . . . criar sistemas de supervisão. desenvolvimento e elaboração de material didático. 8.Centro de Educação Profissional de Caxambu – com atuação em hotelaria e turismo. implementar novos padrões e currículos da educação profissional. ampliar as oportunidades e os investimentos no desenvolvimento de recursos humanos adequados à demanda dos setores primário. UNIDADES CONVENIADAS: . controle e acompanhamento dos cursos e da gestão administrativa e pedagógica. . desenvolver parcerias com prefeituras e instituições comunitárias. levando em conta critérios de eqüidade com vistas à inclusão social e ao desenvolvimento regional.8 Programa de Educação Especial Escola Sagarana - 77 . reforma e construção de prédios. AÇÕES: implantação imediata de cinco centros de educação profissional no estado a partir de convênios já firmados com o MEC.Centro de Educação Profissional de Itajubá – com atuação em eletrônica e telecomunicações.

buscar parcerias com prefeituras.OBJETIVO: ampliar as oportunidades educacionais. orientação às escolas e profissionais.Programa de Educação de Jovens e Adultos OBJETIVO: Promover a inclusão social e a inserção no mercado de trabalho de jovens e adultos que não tiveram acesso à educação na idade própria. intensificar as políticas de inclusão e integração social. ou através de parcerias com instituições comunitárias as crianças e adolescentes portadores de necessidades educativas especiais. preparar e treinar recursos humanos.9 . recomendações e critérios para a adoção da política de integração. Escola Sagarana - 78 . 8. META: Promover a gradativa erradicação do analfabetismo em Minas Gerais. ESTRATÉGIA: Aperfeiçoar e ampliar as possibilidades de uso de técnicas de educação a distância. desenvolver parcerias com outras secretarias de estado e municípios para o atendimento especializado. manutenção dos convênios com instituições especializadas no atendimento a portadores de necessidades educativas especiais e acordos operacionais para cessão de professores. METAS: atender. ESTRATÉGIA: estabelecer parcerias com prefeituras. organizações não-governamentais e representativas de classes produtoras e de trabalhadoras para organização de mutirões de alfabetização. implantar novos Centros de Educação Supletiva (CESECs) na capital e no interior do Estado visando ampliar a oferta de oportunidades. AÇÃO: divulgação dos princípios. de atenção integral às crianças e adolescentes. promover a gradativa integração das crianças e adolescentes especiais no ensino regular. adotar de novas metodologias visando a preparação de jovens e adultos para os exames supletivos de massa promovidos pela Secretaria da Educação. entidades estudantis. aumentar as taxas de escolarização. universidades. melhorar a qualidade do ensino. instituições especializadas e comunitárias para ampliar a capacidade de atendimento. promover a formação e aperfeiçoamento de recursos humanos. desenvolvimento de projetos e experiências nas escolas para facilitar a integração. técnicos e especialistas. proporcionar condições para que essa parte da população construa sua cidadania e possa ter acesso à qualificação profissional. criar oportunidade para jovens e adultos retornarem aos estudos preparando-os para o encaminhamento à educação supletiva continuada. diretamente.

criar mecanismos de avaliação de desempenho dos professores. ESTRATÉGIA: Apoiar os Centros de Atenção Integral à Criança e ao Adolescente (CAICs) existentes no Estado. construir escolas nas comunidades indígenas respeitando as características locais e a cultura desses povos. Maxakali e Xacriabá.11 Programa de Atenção Integral à Criança e ao Adolescente – EducAção OBJETIVO: Atender crianças e adolescentes dos estratos sociais de baixa renda. 8. voluntários e alunos. ESTRATÉGIA: Capacitar equipes para a formação de professores indígenas habilitados para o ensino bilíngüe. mediante coordenação e aperfeiçoamento da prestação desses serviços pelas entidades públicas. Pataxó. comunitárias e outras envolvidas. garantindo-lhes acesso aos serviços sociais indispensáveis a seu pleno desenvolvimento. em cooperação com universidades. METAS: dotar de escolas de ensino fundamental as comunidades residentes em reservas indígenas das nações Krenak. avaliar cursos existentes e programar ampliação do atendimento. cultura. assistência social. respeitando as diferenças culturais de cada comunidade. esportes e todos os demais necessários ao desenvolvimento da criança e do adolescente. METAS: Ampliar a cobertura e melhorar os serviços de educação (1º grau e pré-escolar). AÇÕES: construção de prédios escolares nas aldeias. avaliação contínua do desempenho de professores e alunos.AÇÕES: qualificar grupos de voluntários. 8. auxiliando-os no que for necessário Escola Sagarana - 79 .200 habitantes. incentiva estudos e promoção de intercâmbio com entidades afins. saúde. realização de vários cursos de capacitação de formadores de professores indígenas. Instituto Estadual de Florestas e Funai. BENEFICIÁRIOS: jovens e adultos com mais de 15 anos de idade com baixa escolarização ou analfabetos.10 Programa de Educação Indígena OBJETIVO: implantar escolas interculturais e bilíngües nas áreas indígenas de Minas Gerais visando proporcionar educação para todos e melhoria da qualidade de vida. beneficiando uma população total de 7. utilizar a rede de telessalas. privadas.

desenvolver técnicas de uso dos recursos da televisão e da informática para a educação com monitoramento a distância. bairros e localidades não atendidos diretamente pelos CAICs. Muriaé e Poços de Caldas visando debates e coleta de subsídios para explorar e ampliar as possibilidades de cooperação entre o Estado e as prefeituras na retomada da política de atenção integral à criança e ao adolescente. AÇÕES: Instituição de grupo de trabalho. Ituiutaba. PARTICIPANTES: Grupo de Trabalho constituído pela Secretaria da Educação. no marco do 2º Fórum Mineiro de Educação. capacitação de recursos humanos em geral. Salto para o futuro) e com as universidades e outras instituições que adotam ou desenvolvem a modalidade da educação a distância. o Seminário sobre Educação Integral.12 .Programa de Educação a Distância OBJETIVO: Incentivar e desenvolver metodologias para uso de técnicas e recursos de monitoramento a distância e ensino semi-presencial aplicáveis nos vários programas educacionais de Minas Gerais. ESTRATÉGIA: Aplicar metodologias de educação a distância para aceleração de aprendizagem. disseminar esses princípios e estratégias a outros municípios. no âmbito da Secretaria da Educação. demais entidades do Governo do Estado interessadas. Realizado em 2001. Cooperação com a Associação dos Dirigentes dos CAICs do Estado. Promover a cooperação e integração entre os órgãos e entidades responsáveis pela prestação dos serviços sociais.para que aperfeiçoem e intensifiquem a aplicação dos princípios e estratégias da atenção integral. Escola Sagarana - 80 . Associação dos Dirigentes dos CAICs. 8. META: formar recursos humanos. Articular regimes de cooperação com o Ministério da Educação (TV Escola. A partir dessas unidades. Estabelecimento de formas permanentes de cooperação entre os órgãos. encarregado de coordenar as atividades. desenvolvimento de novas metodologias pedagógicas. entidades e instituições públicas e privadas envolvidas. com reuniões nas cidades de Belo Horizonte. outras instituições públicas e privadas com as quais se estabeleçam parcerias. Januária. avaliação de desempenho e nivelamento de conhecimentos. Retomar ou intensificar a cooperação com as universidades e outras instituições interessadas na implementação da atenção integral. alfabetização de jovens e adultos. formação continuada de professores. secretarias da área social.

BENEFICIÁRIOS: professores das redes públicas estadual e municipal. permitir aumento constante da eficiência profissional e tecnológica no desempenho das tarefas na Secretaria da Educação. ESTRATÉGIA: Estabelecer regimes de cooperação e convênios com universidades. METAS: Introduzir no Sistema Mineiro de Educação mecanismos permanentes e modernos de avaliação do desempenho de escolas. METAS: dotar a Secretaria da Educação de pessoal habilitado. 8. bem como para capacitação de pessoal. preferencialmente as instaladas em Minas Gerais para realização de pesquisas. pós-graduação e Escola Sagarana - 81 . extensão. aperfeiçoamento das técnicas e métodos pedagógicos. treinado e atualizado com as mais modernas técnicas de administração e prestação de serviços educacionais. estudos e projetos. 8. profissionais e alunos para apuração da qualidade e dos resultados educacionais. AÇÕES: Implantado o Sistema Mineiro de Avaliação da Educação Pública (Simave) e dos programas que o integram. formação de grupos de facilitadores e atualização de equipamentos.13 Programa de Avaliação de Desempenho OBJETIVO: Promover a constante melhoria da qualidade do ensino.14 Programa de Capacitação de Recursos Humanos OBJETIVO: Ampliar oportunidades de avanço e desenvolvimento pessoal e profissional dos trabalhadores em educação. ESTRATÉGIA: Desenvolvimento de projetos e parcerias com instituições especializadas. principalmente universidades para cursos e treinamentos em nível de graduação. PARCERIAS: Universidade Federal de Juiz de Fora e mais 27 instituições de ensino superior de Minas Gerais. permitir a continuidade e o aprofundamento das ações da secretaria e prestação de serviços educacionais em Minas Gerais. nacionais e estrangeiras.AÇÕES: Estabelecer convênios e parcerias com universidades e organizações nacionais e internacionais para programas de cooperação e formação de recursos humanos. a qualificação crescente dos profissionais da educação e a obtenção de padrões elevados de sucesso no processo de ensino e aprendizagem.

16 Programa de Capacitação de Dirigentes Escola Sagarana - 82 . Sindicato Unificado dos Trabalhadores em Educação. PARTICIPANTES: técnicos da Secretaria da Educação.especialização. Também foi convocado o 2º Fórum Mineiro de Educação. Associação dos Professores Públicos de Minas Gerais. METAS: Estabelecer novo plano de carreira. cursos de capacitação de técnicos. treinamento de pessoal de apoio e desenvolvimento das relações interpessoais e interinstitucionais.15 Programa de Valorização do Magistério OBJETIVOS: valorizar a carreira e os profissionais do magistério. ESTRATÉGIA: elaboração de estudos da legislação pertinente e estudos conjuntos com as entidades representativas dos profissionais da educação. AÇÕES: Firmados protocolos de cooperação com a França e com Cuba. AÇÕES: comissão composta por técnicos da Secretaria e do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE) elaborou proposta de Plano de Carreira do Pessoal da Educação. cargos e salários para garantir direitos e meios dignos de trabalho para os profissionais da educação. especialistas e pessoal administrativo em serviço na Secretaria da Educação visando a melhoria da qualidade do ensino. especialistas. Também determinada pelo governador a convocação de concursos públicos para preenchimento de vagas na Educação. implantação de um banco de recursos humanos com pessoal habilitado. Edital publicado em junho de 2001 estabeleceu a realização de concursos para contratação de mais de 53 mil servidores a serem nomeados no início de 2002. realizado entre os meses de junho e outubro de 2002. 8. atualização de profissionais e conscientização para a qualidade na prestação de serviços públicos. que foi encaminhada ao governador Itamar Franco e é objeto de estudos de impacto financeiro visando futura adoção. 8. implantação de cursos de integração e reintegração de pessoal. Secretaria de Estado dos Recursos Humanos e Administração. visando a elaboração de projeto de lei a ser proposto ao governo estadual e submetido à Assembléia Legislativa. adoção de políticas de reconhecimento do papel social do profissional da educação e sua efetiva valorização. ampliados os projetos de formação e capacitação de recursos humanos em serviço.

METAS: Aumentar a eficiência da administração pública na prestação de serviços educacionais. racionalizar a aplicação dos recursos públicos e qualificar dirigentes de unidades e sistemas educacionais. aperfeiçoar o processo de escolha de dirigentes escolares. capacitação e treinamento de dirigentes educacionais. pedagogos. implantar a cultura da educação continuada. vicediretores. financeira e pedagógica do Sistema Mineiro de Educação e das escolas públicas. ESTRATÉGIA: Estabelecer acordos de cooperação com organizações nacionais e estrangeiras para intercâmbio permanente. inspetores e supervisores escolares através de cursos seqüenciais. ESTRATÉGIA: Intensificar a formação de agentes facilitadores. ensino fundamental e ensino médio. METAS: capacitar e habilitar professores para atuação em educação infantil. mediante aperfeiçoamento de professores e pedagogos. criar cursos para treinamento em práticas administrativas e contábeis. contratação de instituições de Escola Sagarana - 83 . AÇÕES: Realizados estudos para adaptação do Programa à política educacional definida pela Escola Sagarana. explorar a metodologia de formação de agentes multiplicadores e facilitadores. aperfeiçoar os sistemas e métodos de inspeção escolar.17 Programa de Capacitação de Professores OBJETIVO: Melhorar a qualidade do ensino. diretores. AÇÕES: ampliar a capacitação de administradores. aperfeiçoar professores em conteúdos específicos e conteúdos transversais. e a valorização dos profissionais da educação. tornar transparente a administração. utilizando metodologias e recursos técnicos da educação a distância . introduzir e intensificar o uso de tecnologias e práticas pedagógicas modernas e inovadoras. combater a repetência e a evasão. desenvolvimento e elaboração de material didático impresso em fitas de vídeo. melhoria da qualidade do ensino. aperfeiçoamento da gestão democrática. 8. financiamento.OBJETIVO: Melhoria da qualidade da gestão administrativa. consultoria ou assessoria de universidades e outras instituições afins. capacitação e treinamento de profissionais. obter parceria. intensificar as atividades de capacitação e treinamento em serviço de dirigentes da Secretaria da Educação por meio de convênios e acordos de cooperação com instituições nacionais e estrangeiras para obter financiamento. educação especial. melhorar os padrões de sucesso escolar. presenciais ou semi-presenciais.

palestras. PARTICIPANTES: profissionais do magistério estadual e municipal. regularizar a oferta de vagas em todos os níveis de ensino. O Procap – Fase Escola Sagarana começou suas atividades de capacitação em junho de 2001.18 Programa de Formação Continuada de Professores OBJETIVO: Estimular e promover a formação continuada de professores visando a melhoria da qualidade do ensino. 8. com apoio e cooperação das universidades. promover a inclusão de crianças e jovens no ensino regular e supletivo. organização de cursos. METAS: promover a correção do fluxo escolar e reduzir a incidência de defasagem idade-série dos alunos do ensino fundamental e do ensino médio.19 Programa de Educação Inclusiva OBJETIVO: promover a equidade na oferta de educação pública e gratuita. promover o intercâmbio cultural e científico com universidades. META: Atender às demandas regionais de cursos e atividades de capacitação e aperfeiçoamento de docentes. aumentar as taxas de escolarização. ampliar as oportunidades educacionais. ESTRATÉGIA: Fortalecer as ações do Centro de Referência do Professor. 8. divulgação de teses e experiências pedagógicas. melhorar a qualidade do ensino. desenvolver novas metodologias educacionais. criar mecanismos de acompanhamento Escola Sagarana - 84 . valorização e progressão dos profissionais do Magistério. ESTRATÉGIA: Reavaliar os programas de aceleração de estudos e educação supletiva em andamento.ensino superior para a coordenação e a execução do Programa visando o treinamento de facilitadores estaduais e municipais. debates. descentralizando as ações. AÇÕES: identificação e cadastramento de formadores. preservação da memória da educação em Minas Gerais. escolas da rede pública municipal e particular e instituições nacionais e internacionais voltadas para o desenvolvimento e aperfeiçoamento de recursos humanos em educação. reduzir e combater em caráter permanente a evasão escolar e a repetência. beneficiando 105 mil professores das redes de ensino estadual e municipais. seminários. capacitar profissionais da Educação para tais modalidades de ensino. instalar no interior agências ou laboratórios do Centro de Referência do Professor junto às superintendências regionais de ensino.

21 Programa de Informática na Educação OBJETIVO: introduzir e desenvolver o uso de tecnologias informacionais nas escolas da rede pública. estimular a implantação de novas metodologias de ensino e a formação técnica e tecnológica de alunos e professores com uso de recursos informacionais. contribuir para a formação da cidadania. 8. PARTICIPANTES: escolas. Escola Sagarana - 85 . criar mecanismos de atendimento à demanda residual. AÇÕES: Utilização permanente do programa Canal Educativo. publicação de livros da coleção Lições de Minas tratando dos temas ligados à inclusão social e temas transversais a serem explorados nas salas de aulas. divulgar amplamente os resultados. metodologias e recursos destinados a desenvolver e enriquecer os currículos. incluindo a de educação a distância.educacional e equipes de professores recuperadores para reintegração de alunos em defasem idade-série. METAS: incentivar a adoção de projetos inovadores que facilitem a aprendizagem. abrir espaço para a participação de alunos como monitores e estimuladores. promover formação continuada e aperfeiçoamento de docentes. pais de alunos e comunidades. estabelecer parcerias com o Ministério Público e organizações não-governamentais para atuação conjunta no combate à evasão escolar. professores.20 Programa de Apoio às Inovações Educacionais OBJETIVO: estimular os professores e as escolas a adotarem técnicas. edição de livros da coleção Lições de Minas relatando as melhores experiências. 8. estudar a viabilidade de expansão do ensino supletivo em suas várias modalidades. alunos. transmitido via satélite e captado nas escolas por antena parabólica. AÇÕES: capacitar docentes para a escolha e julgamento dos projetos apresentados. a integração e a participação dos alunos ESTRATÉGIA: selecionar por concurso os projetos a serem financiados e as escolas beneficiárias. utilização da rede de telessalas e recursos da TV Interativa para formação de recursos humanos e atendimento à demanda educacional. estimulando a criatividade e o aperfeiçoamento dos professores. melhorar a qualidade da educação. bem como a descentralização de recursos pedagógicos. com edição semanal. formar facilitadores.

manutenção e montagem de sistemas operacionais e equipamentos. 8. informatizar as escolas propiciando sua modernização administrativa e proporcionar a formação técnica de estudantes e membros da comunidade para uso. prefeituras municipais e entidades comunitárias para o equipamento das escolas e a qualificação de professores-mutiplicadores. METAS: reduzir o custo das obras públicas. buscar tecnologias novas e alternativas de construção e equipamento de escolas.METAS: Implantar 2 mil novas centrais de informática e laboratórios de informática nas escolas estaduais e municipais. dar condições de conforto de forma a facilitar o processo de ensino e de aprendizagem. aumentar a oferta de vaga visando universalizar o ensino fundamental e o ensino médio.Programa do Livro Didático Escola Sagarana - 86 . programação. estabelecer novos padrões arquitetônicos para as instalações escolares no Estado. reforma e ampliação de escolas estaduais e municipais. reforma e construção de escolas. funcionais e econômicas AÇÕES: promover estudos e avaliações sobre técnicas construtivas. ampliar a abrangência do Programa. 8. AÇÕES: ampliar e dinamizar a atuação dos Núcleos de Tecnologia Educacional. ESTRATÉGIA: parceria com o Ministério da Educação. priorizando as regiões mais carentes do estado.23 . capacitar professores para uso da informática na educação.22 Programa de Equipamento e Expansão da Rede Escolar OBJETIVO: ampliar a oferta de vagas na rede escolar de Minas Gerais. melhorar a qualidade do ensino. elaborar projetos de ampliação. ampliar as oportunidades educacionais. visando torná-las confortáveis. profissionais da educação e membros da comunidade. PARTICIPANTES: escolas estaduais e municipais. fornecimento e recuperação de equipamentos e mobiliários escolares. proporcionar melhores condições de conforto aos alunos. estabelecer parcerias com entidades comunitárias e órgãos governamentais para produção. aumentar as taxas de escolarização. obter maior rendimento e baixa relação custo/benefício. ESTRATÉGIA: promover a racionalização do uso de recursos públicos na construção. priorizando o atendimento àquelas escolas localizadas em regiões periféricas e que atendam populações mais pobres.

fornecer aos professores manuais atualizados e orientações sobre sua utilização. melhorar os padrões alimentares pelo processo educativo. ESTRATÉGIA: Apoiar o programa desenvolvido pelo Ministério da Educação fiscalizando sua execução.7 milhões de alunos das redes públicas 8. META: atendimento a todas as crianças matriculadas no ensino fundamental e na educação infantil. estimular o hábito da leitura e da pesquisa. garantindo a cada um pelo menos uma refeição diária com o mínimo de 9 gramas de proteínas e 350 kilocalorias. promover a renovação dos acervos. Introduzir práticas e conceitos da segurança alimentar como base para ações do Programa. promover a avaliação permanente da qualidade dos livros utilizados pelas escolas públicas para mantê-los compatíveis com a qualidade do ensino e a política educacional de Minas Gerais. assessorar tecnicamente as SREs e escolas no gerenciamento dos recursos. desenvolver estudos visando o desenvolvimento e elaboração de livros. nas redes municipais e estadual. distribuir anualmente livros com conteúdos de todas as disciplinas. formulação de Escola Sagarana - 87 . manuais e outras publicações de orientação aos professores. disseminar conhecimentos sobre a segurança alimentar e suas conexões com política estadual de desenvolvimento econômico e social. desde a escolha dos alimentos e cardápios até a utilização dos recursos financeiros.24 Programa de Alimentação e Nutrição Escolar OBJETIVO: elevar os padrões de alimentação e nutrição dos alunos da rede pública visando melhorar suas condições de saúde e o seu desempenho escolar. ESTRATÉGIA: Aperfeiçoar o sistema de aquisição de alimentos e a elaboração de cardápios. e obtendo ganhos e redução de custos. com apoio das universidades. AÇÕES: estimular através de campanhas a conservação dos livro didático e para-didáticos. AÇÕES: Repasse de recursos próprios e federais diretamente às escolas para aquisição de alimentos. adquirir e fornecer material didático para escolas da rede estadual. BENEFICIÁRIOS: 3. respeitando a cultura e os costumes regionais.OBJETIVO: universalizar o direito ao livro didático no ensino fundamental. planejamento alimentar. META: monitorar e apoiar o sistema de escolha e distribuição de livros didáticos a todas as escolas públicas de ensino fundamental no estado. estimular o controle social através dos colegiados da escolas.

cardápios, controle de qualidade, saúde, higiene, conservação, estocagem e manipulação de alimentos, cardápios alternativos e organização de hortas. Implantado em cem escolas da capital o projeto piloto de aquisição de gêneros da merenda escolar não perecíveis por meio do registro de preços, para aumentar a eficiência do processo. Firmado convênio com o Centro Tecnológico de Minas Gerais (CETEC) para realização de restes de qualidade e de aceitabilidade de produtos selecionados para a merenda escolar. RECURSOS: Secretaria da Educação e MEC BENEFICIÁRIOS: 2,1 milhões de alunos das redes estadual e municipais de todo o Estado. 8.25 Programa Dinheiro na Caixa da Escola OBJETIVO: disponibilizar recursos financeiros para fazer face a despesas de manutenção das escolas, aquisição de materiais de consumo, equipamentos e outros bens no mercado local. META: descentralizar o processo de compra de bens e serviços, visando favorecer o mercado local, a redução dos custos de manutenção das escolas e a redução de custos e agilização da administração pública; dotar as escolas de infra-estrutura básica para seu funcionamento. ESTRATÉGIA: repassar recursos diretamente às Caixas Escolares, duas vezes por ano e criar mecanismos de controle através da prestação de contas anual como condição para renovação dos repasses. AÇÕES: capacitar administradores escolares para a o controle das finanças, realização de tomadas de preços, cotações de mercado e prestação de contas; estimular o controle social das Caixas Escolares e o método participativo de definição do orçamento da escola e planos de investimento. ABRANGÊNCIA: todas as escolas estaduais. RECURSOS: do Tesouro Estadual e Ministério da Educação. 8.26 Projeto de Educação Afetivo-Sexual OBJETIVO: Desenvolver metodologias e abordagens ligadas à educação sexual visando a formação integral dos jovens e adolescentes METAS: formação de valores e padrões comportamentais que levem em conta a preservação da vida, da saúde e da integridade física, moral e intelectual.

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AÇÕES: estimular o uso de novas metodologias e dinâmicas de grupo para abordagem de temas da sexualidade e da afetividade nas escolas, com capacitação de docentes e de agentes facilitadores entre os alunos. ABRANGÊNCIA: 300 escolas da rede estadual da capital e do interior PARCERIA: Fundação Odebrecht 8.27 - Projeto Lições de Minas Como, em que bases e com que resultados está sendo construído o Sistema Mineiro de Educação O Projeto Lições de Minas se destina a criar novos canais de comunicação entre a Secretaria de Estado da Educação, as escolas, a comunidade atendida por elas e os setores que produzem o conhecimento pedagógico em Minas Gerais. Seu objetivo geral é difundir idéias, avaliações de projetos, ensaios, teses, orientações, legislações, experiências e inovações no campo da Educação em geral e, em especial, nas esferas de competência do Estado. É coordenado pela Assessoria de Comunicação Social da Secretaria da Educação, com execução descentralizada, conforme o conteúdo, pelas diretorias competentes. Público alvo: professores das escolas da rede estadual, professores das escolas das redes municipais, pesquisadores da área de educação, universidades, centros pedagógicos, associações profissionais ligadas à educação, comunidade escolar, imprensa, interessados em geral na área educacional. Modalidades: para atingir seus objetivos e todo o público alvo, o Projeto Lições de Minas contemplará três subprojetos, conforme a modalidade em que será produzido: versão impressa, versão eletrônica (via Internet), versão em vídeo. 1. Coleção Lições de Minas (versão impressa) – livros com até 200 páginas, editados em parceria com organizações privadas e nãogovernamentais, identificados como produção culturais e não como livro didático (o que permite a utilização de mecanismos fiscais de incentivo através de desconto no imposto de renda de pessoas jurídicas). Características da coleção - Identificação: Lições de Minas

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- Elaboração: Secretaria da Educação, com a coordenação editorial da Assessoria de Comunicação Social e, em alguns casos, executados em parceria com organizações governamentais e não governamentais. - Distribuição: para todas as escolas, órgãos públicos estaduais, prefeituras, universidades, instituições e entidades ligadas à educação. - Edição: em séries temáticas identificadas por inscrição na capa e cor específica, a saber: A) Idéias & Debates: artigos, ensaios, experiências e pesquisas sobre temas culturais, históricos, e outros de interesse da Educação. B) Inovações & Tendências: divulgação de experiências, novas tecnologias, teses, ensaios, reportagens, artigos com temas pedagógicos. C) Ações & Projetos: propostas institucionais, programas e projetos da Secretaria da Educação, bem como suas avaliações e resultados. - Formato: livro (15cm x 21,5cm) com lombada quadrada - 100 a 200 páginas em papel apergaminhado 90g - Capa: 4 cores, papel cartão 250g, verniz ou plastificada - Fotos e ilustrações ou gráficos: capa (cor) e páginas internas (P/B) Livros Publicados:  I – Tiradentes, O herói que inventou a Pátria – diversos autores II – Escola Sagarana; Educação para a vida com dignidade e esperança – 1ª edição III – Tempo escolar: hora de refletir, planejar e construir a Escola Sagarana – diversos autores IV - Merenda: Alimentação também se aprende na escola – diversos autores V – Dignidade, harmonia e paz: novo milênio sem exclusões – Campanha da Fraternidade 2000. VI – Escola Indígena: Índios de Minas Gerais recriam a sua educação – diversos autores VII – Lições de Minas – 70 anos da Secretaria da Educação – diversos autores VIII – Português: Língua Pátria, fator de identidade e resistência – diversos autores IX – Inovação Educacional: Escolas de Minas estão aprendendo a aprender X – Prevenção às drogas: um desafio à comunidade escolar – diversos autores 2 - Versão eletrônica, via Internet (http\www.educação.mg.gov.br)

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empresas interessadas no setor educacional. . hipertextos e links relacionados aos parceiros e seus projetos voltados para o campo da educação..Formato: programa produzido pela Assessoria de Comunicação Social. Escola Sagarana - 91 .Formato: Portal da Secretaria de Estado da Educação. apresentado diretamente dos estúdios da Rede Minas de Televisão. .Objetivo: disseminar informações. . sendo parte na forma exposições e entrevistas e parte com interatvidade – o público participa enviando perguntas pelo telefone. ao vivo. perfis. bem como experiências bem sucedidas e inovações pedagógicas em uso ou propostas por especialistas. universidades. escolas. escolas. prefeituras. em VHS. exploração de temas transversais. governos. independente mas integrada àquelas mantidas pelo governo estadual no portal oficial. artigos sobre a Educação em Minas Gerais. com a gravação de cada programa são distribuídas semanalmente para todas as superintendências regionais de ensino e escolas núcleo. quadros. democratizar as informações e o acesso público à Secretaria da Educação.Público alvo: público em geral. utilizando o provedor e a consultoria da Prodemge. com uma hora de duração. É recebido em mais de 2. imprensa. estatísticas.Reprodução: fitas de vídeo. via satélite em canal alugado da Embratel para esta única finalidade e captado nas escolas e superintendências regionais de ensino por antena parabólica.500 telessalas. .Versão para a TV – Canal Educativo . . idéias. permitir a interatividade e ampliar as possibilidade de participação da comunidade na condução da política educacional em Minas Gerais. seus investimentos e sua atuação.Parceiros: ONGs. fax ou correio eletrônico.Conteúdo: debates. projetos e ações da Secretaria da Educação de Minas Gerais. universidades. informações. dar transparência aos atos da Secretaria. comunidade. gráficos. . projetos e políticas educacionais desenvolvidos em Minas Gerais.Conteúdo: conceitos. É transmitido todas as quintas-feiras. 3 .

Os recursos de que a Secretaria da Educação dispôs para financiamento de suas ações. nos últimos quatro anos. destes. apenas. excluindo-se as despesas com pessoal e alimentação escolar. tenham sido aplicados corretamente todos os percentuais constitucionais na área da educação: 25% das receitas do município em educação. basicamente. justiça. segurança. Para que Estado e Municípios façam jus ao repasse é necessário que. a Secretaria da Educação vem repassando aos municípios 50% da cota recebida mensalmente do Salário-Educação. A partir do exercício de 2000. Recursos Ordinários do Tesouro do Estado – São recursos que o Governo do estado arrecada ou lhe são transferidos por determinação constitucional e são utilizados para o financiamento de toda a atividade estatal: educação. vem apresentando uma performance que evidencia o aumento da aplicação de recursos na área educacional. de 12 de janeiro de 2000. foram provenientes das seguintes fontes:  Recursos Ordinários do Tesouro do Estado  Recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério – FUNDEF  Quota Estadual do Salário Educação – QESE  Convênios com o FNDE  Operação de Crédito Banco Mundial Nesses últimos anos. proporcionalmente ao número de alunos matriculados no ensino fundamental de cada município e do Estado.1 A questão do financiamento da Educação Gilberto José Rezende dos Santos Subsecretário de Administração do Sistema de Ensino A execução orçamentária da Secretaria de Estado da Educação. da atividade econômica. Os recursos são creditados mensalmente em contas específicas e aplicados em ações voltadas ao ensino fundamental. 60% no ensino fundamental e o mínimo de 60% do FUNDEF no pagamento de pessoal. sofrendo. O montante destes recursos vai depender. saúde. pequenas alterações na participação de cada uma na arrecadação. a base de receita e suas fontes são as mesmas a financiar a manutenção e o desenvolvimento do ensino. em especial o Imposto Sobre Escola Sagarana - 92 . pois a sua maioria é proveniente de impostos.9. etc. Tal procedimento foi deflagrado através da lei Estadual nº 13. transporte. no exercício anterior. As fontes de financiamento da Educação em Minas Gerais são as seguintes: 1.458. ANEXOS 9.

pois. projetos e ações voltadas para o ensino fundamental. e distribuídos entre os Estado e seus Municípios. sendo recolhidos 15% das Receitas de FPM. pois os recursos são repassados com base no número de alunos. FPE. na função redistributiva. Convênios com o FNDE – São recursos obtidos por meio de acordos realizados com o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). Merenda Escolar. 2/3 distribuídos aos Estados. ICMS. sendo sua utilização assim definida: 1/3 para a União. de acordo com índices de arrecadação. Construção. Recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério – FUNDEF . O contrato. sendo direcionado para ações de desenvolvimento do ensino fundamental. e estão financiando. previa um montante de $150. Circulação de Mercadorias e Serviços . Esta receita depende basicamente de dois componentes: o primeiro. ela vai depender diretamente da atividade econômica.Estes recursos são obtidos através de transferências da União e do Estado. na medida em que há retração. menor arrecadação do Salário-Educação. A sua Escola Sagarana - 93 .000. os quais irão compor a transferência federal no tocante ao Fundo de Participação do estado. base do montante de recursos que compõem o FUNDEF. Lei 87/96. basicamente. Portanto. Como esta receita tem como base de cálculo o volume de salários que são pagos pelas empresas. inicialmente. maior a capacidade do FNDE de financiar as citadas ações. 5. destinados ao financiamento de programas.ICMS. cuja arrecadação vai depender da atividade econômica.00 (cento e cinqüenta milhões de dólares) do Banco Mundial e o mesmo valor como contrapartida do Estado.5% sobre a folha de pagamento de seus funcionários. do número de matrículas existentes no ensino fundamental regular. Reforma e Ampliação de prédios escolares. os programas de : Livro Didático. 4. que tem sua previsão de término em 2002. de acordo com o número de matrículas do ensino fundamental constante nas redes. e seu montante está vinculado à necessidade de recursos para fazer face a estas despesas. 3. ou seja. quanto maior a captação do Salário-Educação.2. Quota Estadual do Salário Educação – Estes recursos são obtidos através de contribuição social de empresas que recolhem um percentual de 2. IPI – Exportação. Basicamente estes recursos estão direcionados para o pagamento do pessoal e custeio operacional da Secretaria da Educação. e os impostos de competência federal. há menos postos de trabalho. portanto. Operações de Crédito do Banco Mundial – Estes recursos foram obtidos através de um contrato de financiamento com o Banco Mundial. 15% das receitas. e.000. o segundo. de competência estadual. Estes recursos dependem também da Contribuição Social do Salário-Educação.

5% dos servidores públicos estaduais. Conclusão Como se pode verificar. 9. 6. Por outro lado. Essa redução no ritmo e crescimento da população refletiu-se nos dados preliminares do Censo Nacional de 2000. no 89º lugar. eventualmente. educação e trabalho infantil. além do Índice de Desenvolvimento Infantil (IDI). de 1. A segunda focaliza a situação da infância brasileira. a partir de 1991. bem como a projeção para o exercício de 2001.2 .programação na vigência do contrato depende do cronograma e andamento dos projetos por ele financiados.63%. que aponta para um total de 169. ou seja. o Brasil encontra-se ao lado do Vietnã. a taxa de crescimento anual da população do Brasil passou de 2. quadro e gráficos explicativos da composição de recursos de 1998 a 2000. Contém textos sobre experiências bem-sucedidas. um crescimento anual.4% entre 1990/99. pois. Esses elementos são Escola Sagarana - 94 . alterações nos investimentos educacionais.A situação da infância no mundo e no Brasil. Outros Recursos Vinculados – referem-se à arrecadação do percentual de 3. A primeira trata da situação mundial da infância e contém textos e indicadores sobre 191 países. na Visão do Unicef Murílio de Avellar Hingel Secretário da Educação de Minas Gerais Recebi duas importantes publicações do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). como contribuição para aposentadoria e são integralmente utilizados no pagamento de proventos dos aposentados da Educação.544. renda e saneamento básico. ordenando as unidades federadas e os municípios por unidade federada. Veja. As reformas fiscais e tributárias podem representar. a TMM5 evoluiu de 177 para 40 por mil crianças até 5 anos de idade. na ordem decrescente de taxa de mortalidade (TMM5) estimada para 1999. A classificação por mortalidade de menores de 5 anos deixa o Brasil em posição incômoda. a seguir.2% entre 1970/90 para 1. Isso não significa dizer que o Brasil não tenha melhorado alguns de seus indicadores – entre 1960 e 1999. tabelas sobre demografia. as receitas que financiam a área educacional do Estado são basicamente as mesmas de ano para ano.443 habitantes. saúde.

Se acrescentarmos o fato de que a maior parte das crianças com acesso à préescola pertence às classes sociais melhor situadas. encontramos: Melhores Índices Poços de Caldas IDI 0. de 2000 para 2001.185 Ninheira IDI 0. Em contraposição.214 Como o desenvolvimento infantil é essencial à melhoria do quadro social do Estado de Minas Gerais. pois significam uma demanda menor para o ensino fundamental com os reflexos daí resultantes. de 0 a 6 anos. Basta apresentar os índices de desenvolvimento quanto aos serviços de educação nessa faixa etária: no Brasil.01% de crianças estão matriculadas em creche e 44.568 (escala de 0 a 1). hoje.644 alunos.438. o ponto crítico no atendimento está na educação infantil. especialmente porque existem grandes disparidades regionais.60% de crianças estão matriculadas em pré-escola.602 alunos. enquanto em Minas Gerais.705 Piores Índices Pai Pedro IDI 0.fundamentais para o planejamento da educação a longo e médio prazos. os dados disponíveis apontam para o crescimento da matrícula na rede estadual de ensino médio. psíquicas e motoras. de 843.467 para 1.44% de crianças estão matriculadas em creche e 21. no que se refere à educação básica.197 Santo Antônio do Retiro IDI 0.740 Itanhandu IDI 0. Significa dizer que as crianças mais carentes chegam à escola – ensino fundamental – sem o necessário desenvolvimento de suas atividades físicas. Haja vista que.018 para 953.508.705 Timóteo IDI 0. entre os 853 municípios de Minas Gerais. O Estado de Minas Gerais classifica-se em 12º lugar entre as unidades federadas com o IDI 0.202 Montezuma IDI 0. Escola Sagarana - 95 . e de todo o Brasil.02% em pré-escola. 5. Não é uma situação confortável.708 Bicas IDI 0. temos condições de enfatizar a gravidade do problema.718 Itaú de Minas IDI 0. Por exemplo: calcula-se que a matrícula nas redes municipais de Minas Gerais sofrerá de 2000 para 2001 um decréscimo de 1. 3.182 Serranópolis de Minas IDI 0. notamos que.

É claro que. além de ser considerada a mais dispendiosa.722 alunos em 1998.Brasil na Internet: www. Vemo-nos diante de um quadro em que avultam transferências de responsabilidades para estados e municípios sem os correspondentes recursos financeiros.11 item 5) atribui aos municípios a oferta da educação infantil.unicef.br UNICEF .org. _______________________________________________________________ _____ FONTES: Situação Mundial da Infância 2001 – UNICEF Situação da Infância do Brasil 2001 – UNICEF Lei nº 9. estamos frente a um desafio difícil de ser superado.DF Endereço eletrônico: brasilia@unicef. a União amplia sua participação na receita nacional por intermédio de contribuições.br Escola Sagarana - 96 .394/96 – LDBEN Evolução da Matrícula Efetiva em Minas Gerais – 1991 a 2000 – SEE/MG UNICEF – Escritório da Representação no Brasil SEPN 510. que não entram na composição do Fundo de Participação do Estado – FPE e do Fundo de Participação dos Municípios – FPM. que chegou a ter 242. 11. diante dos números e da realidade do IDI do Brasil e de Minas Gerais. INAN – 2º andar 70750-530 . devido às aperturas financeiras por que passam os estados e os municípios. Ao mesmo tempo. os municípios mineiros passaram de 120. E a responsabilidade social torna-se mais aguda na medida em que faltam meios indispensáveis ao desenvolvimento da infância brasileira.937 para 316. no mesmo período. reduziu esse atendimento para.org. apenas. Um dos efeitos mais dramáticos desse dispositivo encontra-se no fato de que o Estado de Minas Gerais.684 alunos em sua rede de pré-escolar. não tem nenhuma fonte segura de financiamento.Brasília .569 alunos. Bloco A – Ed.A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (art. A educação infantil. como a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira – CPMF.

3 – Educação em números Escola Sagarana - 97 .9.

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