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E. K. Hunt & Howard J.

Sherman

Capítulo 1

A Ideologia da Europa pré-capitalista

Antes de chegar de fato às abordagens, o texto faz uma breve apresentação do ser
humano, aquele que nos períodos longínquos da história, se encontrava inapto de
sobreviver por si só. E para que houvesse a garantia da sobrevivência, era necessário se
agrupar com outros indivíduos, resultando assim, a sociedade, que consistia na divisão
de tarefas, como por exemplo a caça e também, a utilização de instrumentos que
viabilizassem a obtenção de recursos, sendo que este último, se houvesse um acúmulo, a
possibilidade da acumulação do até então não conhecido, o capital.
A partir do momento que se existe a aprimoração do uso dos instrumentos, junto com a
diversificação e aperfeiçoamento das atividades cotidianas, tornou possível que alguns
indivíduos se sobressaíssem em relação aos outros. Esses pequenos indivíduos, dão
início a uma característica que presenciamos até os dias atuais, que é a hierarquização
das classes sociais.

A Escravidão em Roma e na Grécia Antiga

O texto, situando-se em Roma e Grécia, demonstra estágios avançados do que fora


escrito anteriormente. Com sua quase maioria constituída por escravos, os trabalhos
pesados eram feitos por estes, que em troca, apenas recebiam alimentação e roupas. Já,
os que se encontravam nas classes mais altas da hierarquização, eram considerados
senhores de escravos, apropriando de todo o excedente que era produzido, vivendo uma
vida de luxo em uma região onde a economia se baseava na agricultura.
Por conta da estagnação econômica, esse sistema veio a falência, e, com os avanços de
outras tribos, surge-se então, o feudalismo, onde os reis eram os chefes das tribos que
invadiram a Europa.

O Feudalismo

Por conta da falência do antigo sistema, um novo modelo socioeconômico surge, sendo
ela conhecida como uma hierarquia feudal. Apesar da nova forma de se apresentar, ela
era similar com o sistema anterior, nela, o servo, que pode ser contracenado com o
escravo, conhecido como camponês, era designado a usar a terra que era dado pelos
senhores feudais, e aqui, fazendo um paralelo com os senhores de escravos, estes, eram
obrigados assegurar a proteção, entretanto, em troca de dinheiro, alimentos e trabalho.
Além dessa conjuntura, existiam outras cidades, essas que eram consideradas centros
manufatureiros. Os produtos advindos destes eram vendidos aos feudos. E, uma outra
característica importante, era as guildas, já que deveriam ser afiliados a elas aqueles que
queriam vender ou produzir algum bem ou serviço. As guildas influenciavam a vida
pessoal dos filiados, mas além disso, alastrava uma ideia de viver a vida baseada nos
costumes da Igreja, objetivando a preservação do status quo.

A Ética Paternalista Cristã

A legitimação do status quo se deu através, inicialmente, pelo código moral judeu-
cristão, que se assimilaria com o paternalismo, ou seja, os homens que detinham o poder
eram considerados pais, possuindo obrigações paternalistas com seus filhos, sendo
estes, os homens comuns, sendo assim, os pobres, estes devia se submeter e respeitar os
poderosos, similar a uma família.
Entretanto, esse modo veio a mudar, pois com o Novo Testamento, surgiu a ideia de que
aqueles dotados de muita riqueza deveriam ajudar os mais necessitados, seus irmãos,
condenando todo o pegado relacionado ao dinheiro, como a avareza, egoísmo, ganância,
e todos aqueles que caminhassem por esse caminho pecaminoso, nunca conseguiria a
vida eterna.

O Caráter Anticapitalista da Ideologia Feudal

O modo de como o homem vivia era respaldado na ética paternalista cristã, tendo o seu
cerne conservador. Tomás de Aquino, um dos personagens mais importantes da Idade
Média, asseverava que a propriedade privada deveria ser uma auxílio aos pobres e os
ricos deveriam dar assistência a estes necessitados, pois, aquele que não usar as riquezas
em prol de Deus, sua fortuna passa a ser imoral e ele se torna um pecador.
A estrutura já bem estabelecida nesse período, já tinha toda a sua ordenação
predestinada. Pois, as formas de como as relações se davam eram emanadas pela
vontade de Deus; as atividades, os trabalhos, a posição na hierarquia, eram
predestinadas pela Providência. Utilizando desse “axioma”, os poderosos aproveitavam
para obter mais benefícios, estratificando ainda mais a ordem social.
Portanto, com o acúmulo de riqueza sendo pecado, as formas de comércio eram
diretamente influenciadas por essa lógica. Os comerciantes e mercadores deveriam
vender seus produtos e serviços pelo preço justo, ou seja, o preço era equivalente aos
esforços do vendedor até chegar em fim na venda, isso evitaria o pecado da acumulação
de riquezas.
Capítulo 2

Mudanças Tecnológicas

A economia girava em torno da agricultura. E com a mudança na forma da utilização


dos campos, fez com que a produção aumentasse abruptamente. Com isso, possibilitou a
utilização de cavalos na produção, deixando mais fácil a colheita e o transporte das
mercadorias e pessoas.
Esse novo método resultou em duas grandes mudanças, sendo a primeira o aumento da
população e segundo, paralelo a esse aumento, a expansão da população e junto a ela, o
aumento de centros urbanos. Com a imigração dos campos para as cidades, a produção
de bens manufaturados cresceu consideravelmente.

O Desenvolvimento do Comércio de Longa Distância

Por conta das mudanças que ocorreram, deu-se um passo para frente no dinamismo
naquele período. Com o aumento da produtividade agrícola gerou muitas mudanças,
entre elas estão os excedentes em abundância, e mão-de-obra para os mais diversos
lugares. Houve uma concentração de indústrias, que consequentemente expandiu as
trocas e os comércios de longa distância, resultando o desenvolvimento e fortalecendo
as cidades e indústrias.
É nesse período que um dos fatores mais importantes da história econômica acontece.
Com o crescimento urbano, provocou mudanças na estrutura econômica e como na
mudança na forma de plantação, aqui, a agricultura foi afetada pelas mudanças que
vinham ocorrendo, enfraquecendo e por final, dissolvendo a estrutura social e
econômica vigente nas sociedades feudais.

O Sistema Manufatureiro Doméstico e o Nascimento da Indústria Capitalista

Com a mudança da indústria de tipo artesanal para o sistema manufatureiro doméstico,


deu-se início à uma complexidade no processo de produção, que abarcaria tanto os
produtos e serviços, como também os agentes que faziam parte do processo. E dois
pontos surgiram no que tange os aspectos do capitalismo, sendo elas a força de trabalho
e a possibilidade da venda de suas forças de trabalho. Dos costumes e tradições, o
mercado agora buscará lucros monetários, determinando como seriam divididas e
executadas as tarefas produtivas bem como as oportunidades de trabalho. Quando isso
ocorreu, o sistema capitalista estava criado.
O Declínio do Sistema Senhorial

Com o aumento populacional nas cidades, dependia-se mais da zona rural para a
distribuição e obtenção de alimentos, isso gerou o que se chamou de rural-urbana, onde
o intercâmbio de mercadorias entre o feudo e as cidades aumentassem
significativamente. Os senhores feudais passaram a depender mais das cidades para o
consumo de bens luxuosos, ficando assim, dependentes dos mercadores.
Os camponeses perceberam que podiam trocar os excedentes provindos da agricultura
por dinheiro nos mercados, assim, pagavam os senhores feudais e conseguiam ter um
lucro a mais, com isso, camponeses se aproximavam da classe empresarial,
puncionando cada vez mais a produção. E com isso, a tradição feudal foi se
desmoronando, sendo substituída pelo modelo capitalista, onde as relações de mercado
e a busca de lucros eram mais privilegiadas.

Outras Forças Participantes da Transição para o Capitalismo

O século XIV foi o divisor de águas, visto que neste período ocorreram mudanças que
mudaram completamente o sistema econômico e social mundial.
Nesse período ocorreu o regime de enclosure, que fez com que aumentasse a população
nas cidades, aumentando assim, uma maior disponibilidade de mão de obra, mais
homens para o exército e forças navais, como também, mais homens para colonizar
terras e muitos consumidores em potencial.
Para além, as conquistas científicas, especificamente para a navegação, impulsionaram a
economia. Com a navegação aprimorada, as descobertas e desenhos de novas rotas
marítimas foram essências para impulsionar o comércio, com os novos mercados à
disposição e novas possibilidades de enrijecer ainda mais a economia. Vale salientar
que com as novas descobertas, tiveram duas importâncias, sendo elas o intenso fluxo de
metais preciosos com destino à Europa; e em segundo, e não menos importante, iniciou-
se o chamado período colonial.
Os grandes beneficiários desta nova conjuntura foram os capitalistas, aqueles que
detinham o capital, que são os meios utilizados para obtenção de lucro. Os pilares do
capitalismo a busca de lucros e a acumulação de capital. As principais fontes de
acumulação iniciais deste capital foram: 1) o rápido crescimento do volume do
intercâmbio e do comércio de mercadorias; 2) o sistema de produção manufatureiros; 3)
o regime de enclosure dos campos, e 4) a grande inflação de preços.
Essas práticas consolidaram a força dos capitalistas, que emergiram dado o contexto, ao
ponto de monarcas, buscarem apoio deles para derrotar os senhores feudais rivais, já
que objetivavam a unificação do Estado.

Mercantilismo: Paternalismo Feudal nos Primórdios do Capitalismo


Antes de abordar sobre o mercantilismo, vale a pena ressaltar que, o mercantilismo está
dentro do capitalismo, ou seja, é uma de suas vertentes. A primeira fase do
mercantilismo ou como também pode ser chamado, bulionismo, refere-se ao período
durante o qual a Europa se ressentiu da escassez de outro e prata em lingotes. As
políticas bulionistas foram projetadas com a finalidade de atrair para outros países que
as colocaram em prática um fluxo constante de ouro e prata e, ao mesmo tempo, de
preservar o estoque de metais preciosos mediante a proibição de sua exportação.
Superada a fase bulionista, a política mercantilista adotada pelos governos europeus
passou a privilegiar a manutenção de uma balança comercial favorável. Sua finalidade
continuava sendo a de maximizar as reservas de ouro e de prata existentes no país. E
para isso, foram colocados em prática uma política que visava uma maior entrada de
dinheiro ao país e um menor fluxo de saída, ou seja, um déficit na balança comercial.
Uma dessas políticas remetia à criação dos monopólios comerciais.

Capítulo 3

O Conflito Latente no Pensamento Mercantilista

Durante esse período surge um grande conflito entre pensamentos, sendo um deles já
mencionado e o outro surgindo cada vez mais nesse período. Primeiro, era o
pensamento paternalista cristão, que condenava a aquisição dos bens materiais e o outro,
eram os interesses dos comerciantes, que buscavam a maximização do lucro e
acumulação de capital.

A Secularização das Funções da Igreja

Os mercantilistas davam maior importância às medidas destinadas a estimular o


comércio exterior, relegando o comércio interno a um segundo plano, “pois acreditavam
que sua contribuição para o emprego, a riqueza e o poderio da nação eram mais
significativa”.

O Surgimento do Individualismo

Em 1776, com a publicação da obra de Adam Smith, a Riqueza das Nações, uma nova
filosofia individualista – o liberalismo clássico – conquistou definitivamente a
ascendência na Inglaterra. Enquanto vigorou o mercantilismo, a filosofia individualista
travou uma luta surda contra a supremacia da antiga visão paternalista do mundo. O
liberalismo clássico sairia vitorioso dessa luta ele refletia as necessidades da novar
ordem capitalista.
Excetuando-se os pequenos grupos de interesse que se beneficiavam com as restrições e
regulamentações impostas, nesse período, ao comércio e à manufatura, os capitalistas
sentiam-se de um modo geral, coagidos e tolhidos pela intervenção estatal, o que os
levou a abraçar entusiasticamente as novas doutrinas individualistas.

O Protestantismo e a Ética Individualista

Uma das manifestações mais importantes da filosofia individualista foi a teologia


protestante, fruto da Reforma Protestante. A nova classe média capitalista desejava
liberta-se não apenas das restrições econômicas, que obstruíram o desenvolvimento da
manufatura do comércio, como também o opróbrio moral que a Igreja católica lançara
sobre as suas motivações e atividades. O protestantismo, além de libertá-los da
condenação religiosa, converteu em virtudes, as motivações interesseiras e egoístas,
estigmatizadas pela Igreja medieval.

As Políticas Econômicas de Caráter Individualista

Ao longo do período mercantilista, as concepções individualistas inspiraram protestos


contra a subordinação das questões econômicas às decisões do Estado. A partir de
meados de século XVII, a maioria dos escritores mercantilistas eram contra as políticas
de monopólio e protecionismo pelo Estado, eles afirmavam que seria mais proveitoso
para a economia, se todos os agentes do processo comercial estivessem em contato no
mercado competitivo, sendo mais proveitoso para a sociedade, deixar que os preços
flutuasse livremente e encontrassem no mercado seu próprio nível de equilíbrio.
O modo de pensar – as restrições impostas à produção e ao comércio, no âmbito de uma
nação, são nocivas ao interesse da coletividade – difundiu-se, amplamente, no final do
século XVII e princípio de século XVIII.
De acordo com a literatura que antecedia o liberalismo clássico, os homens eram
motivados, antes de tudo, pelo interesse próprio; a maximização dos bens, os homens
deveriam competir entre eles em um mercado livre.
Durante todo o período mercantilista, os capitalistas lutaram contra as restrições que
dificultavam a obtenção de lucros. Essas restrições impostas por leis paternalistas eram
vestígios da versão medieval da ética paternalista cristã. Tornou-se impossível conciliá-
la com as necessidades do novo sistema econômico, cujo funcionamento se baseava não
mais em vínculos tradicionais.
O princípio do lucro só seria viável em uma sociedade que protegesse os direitos de
propriedade e zelasse pelo cumprimento dos compromissos contratuais, de caráter
impessoal, estabelecidos entre indivíduos.

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