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SEMINÁRIO MAIOR ARQUIDIOCESANO DE BRASÍLIA

NOSSA SENHORA DE FÁTIMA (SMAB)


CURSO DE TEOLOGIA

Bruno Silas Silva Gaudencio

PROJETO DE AÇÃO SOCIAL

BRASÍLIA (DF)
2019
SANTO DOMINGO

A IV Conferência geral do episcopado latino-americano ocorreu em Santo


Domingo, na República Dominicana, em 12 de outubro de 1992. Convocado por São
João Paulo II, teve como tema: “Nova Evangelização, Promoção humana, Cultura
Cristã” e lema: “Jesus Cristo ontem, hoje e sempre” (Hb 13,8).
Esse encontro foi realizado no contexto de celebração dos 500 anos do início
da evangelização no Novo Mundo. Na intenção de dar continuidade às precedentes do
Rio de Janeiro, Medellín e Puebla.
O espírito motivador desse evento eclesial é o de impulsionar, com novo ardor
uma Nova Evangelização que se projete num maior compromisso com a promoção
integral do homem e também de impregnar as culturas dos povos latino-americanos, da
luz do Evangelho.
O Papa João Paulo II em seu discurso inaugural de abertura da IV Conferência,
rememorou o fato de que a Cruz de Cristo foi implantada nesse Continente, há cinco
séculos, ele estendeu a salvação a todo mundo. Deus escolheu um povo entre os
habitantes da terra, bem conhecidos por Deus desde toda a eternidade.
O mistério pascal de Cristo e a sua pessoa divina, são o centro de todo processo
evangelizador. Em meio às dificuldades e cruzes, é preciso, na perspectiva do Santo
Domingo, ser testemunhas do amor de Deus e profetas da esperança, nesse continente.

Profissão de fé

Jesus, é a imagem visível do Deus invisível, Ele que em sua plenitude, se fez
um nós (Hb 2,17). Ungido pelo Espírito Santo, proclama nos tempos a Boa Nova
dizendo: “Cumpriu-se o tempo e o Reino de Deus está próximo. Arrependei-vos e crede
no Evangelho” (Mc 1,15). Este Reino inaugurado por Jesus nos revela o próprio Deus
como “um Pai amoroso e cheio de compaixão” (Redemptoris missio 13), que chama a
todos, homens e mulheres a nele ingressar. Para deixar claro esse aspecto, Jesus se
aproximou sobretudo, dos marginalizados, miseráveis e pecadores, anunciando-lhes a
Boa Nova. Assim, pois, os necessitados e pecadores podem sentir-se amados por Deus,
e objeto de sua imensa ternura (cf. Lc 15, 1-32).
A entrada no Reino de Deus exige conversão e uma ruptura com toda forma de
egoísmo num mundo marcado pelo pecado, ou seja, uma adesão ao anúncio das bem-
aventuranças.
O mistério do Reino é dom do Pai, e consiste na comunhão do ser humano com
Deus, com início nesta vida e alcançando plena realização na eternidade. É possível
darmos testemunho do amor de Deus no amor fraterno do qual não pode separa-se.
“Portanto, a natureza do Reino é a comunhão de todos os seres entre si e com Deus”.
Para a realização do Reino, Jesus institui doze, continuadores da sua missão
recebida por seu Pai e estabelecendo Pedro como fundamento da nova comunidade. O
Senhor permanece no meio do seu povo, através de seu sacramento de Amor: a
Eucaristia, memorial do seu sacrifício. Jesus é o sacerdote que tira o pecado com uma
única oferenda (Hb 10, 14). Nele fomos reconciliados com Deus e por Ele nos foi
confiado o “Ministério da reconciliação” (2 Cor 5,19). Ele derruba todo o muro que
separa os homens e os povos (cf. Et 2,14). Por isso hoje, nesse tempo de Nova
Evangelização, queremos repetir com o apóstolo São Paulo: “Reconciliai-vos com
Deus” (2Cor 5,20). Além disso, “A ressurreição confere um alcance universal à
mensagem de Cristo, a sua ação e a toda a sua missão” (Redemptoris missio,16). Cristo
ressuscitou para nos comunicar a sua vida. De sua plenitude todos recebemos a graça
(cf. Jo 1,16). Jesus Cristo, que morreu para nos libertar do pecado e da morte,
ressuscitou para, em Si, fazermos filhos de Deus.
Ele é a nossa esperança, Conforme a promessa de Jesus, o Espírito Santo foi
derramado sobre os apóstolos reunidos com Maria no cenáculo (cf. At 1,12-14; 2,1).
Com a doação do Espírito em Pentecostes, a Igreja foi enviada para anunciar o
Evangelho. A Igreja, desde então e até os nossos dias, gera, pela pregação e pelo
batismo, novos filhos de Deus, concebidos pelo Espírito Santo e nascidos de Deus
(Lumen gentium 64).
Confessamos que Jesus Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro homem.
Reconhecemos a dramática situação a que o pecado leva o homem. Pois, o homem
criado para ser bom, caiu na inimizade com Ele. Dividido em si mesmo, rompeu a
solidariedade com o próximo e destruiu a harmonia da natureza. Essa é, segundo a IV
Conferência, a origem dos males individuais e coletivos existentes na América Latina:
as guerras, o terrorismo, a droga, a miséria, as opressões e injustiças, a mentira
institucionalizada, a marginalizado de grupos étnicos, a corrupção, os ataques à família,
o abandono de crianças e idosos, as campanhas contra a vida, o aborto, a
instrumentalização da mulher, a depredação do meio ambiente, enfim, tudo o que
caracteriza uma cultura de morte.
O único capaz de nos livrar dessas forças do mal, é o próprio Jesus Cristo, que
oferece a sua graça aos homens e mulheres da América Latina, como chamado à
conversão do coração. A Nova Evangelização deve ser, sobretudo, um convite a
conversão, ao mesmo tempo a consciência pessoal e coletiva dos homens, para que, nós,
cristãos, sejamos a alma em todos os ambientes da vida social.
A Igreja quer realizar um papel singular de Evangelização que transmita,
consolide e amadureça, em nossos povos, a fé em Deus, a anunciado o Cristo
encarnado, morto e ressuscitado. A salvação é oferecida a todos os homens, como dom
da graça e da misericórdia de Deus.
A Evangelização precisa promover integralmente o ser humano, a fim de criar
uma sociedade mais justa e solidária, a caminho de sua plenitude no Reino definitivo.
Na América Latina, continente religioso e sofrido, urge uma Nova Evangelização que
proclame inequivocamente o Evangelho da justiça, do amor e da misericórdia.
Jesus Cristo convida a todos os povos, de todas as culturas para serem elevadas
a sua plenitude, purificando nelas o que se encontra marcado pelo pecado. Jesus Cristo é
a medida de toda cultura e de toda a obra humana. A inculturação do Evangelho é
necessária para restaurar o rosto desfigurado do mundo. Trabalho que se realiza no
projeto de cada povo, fortalecendo sua identidade e libertando-o dos poderes da morte
Cremos que Cristo, o Senhor, há de voltar para levar à plenitude o Reino de
Deus e entregá-lo ao Pai, transformada então a criação inteira em “novos céus e nova
terra onde habita a justiça” (2Pd 3,13).
Maria é a mais perfeita evangelizada, é a mais perfeita discípula e
evangelizadora. É o modelo de todos os discípulos e evangelizadores, por seu
testemunho de escuta da Palavra de Deus e de pronta e fiel disponibilidade ao serviço
do Reino até a Cruz.

Nos 500 anos da Primeira evangelização

O ano 1492 foi um ano-chave na evangelização da América latina. A igreja


celebra nessa comemoração a chegada da fé, a proclamação e difusão da mensagem
evangélica no continente (americano). E o celebra no sentido mais profundo e teológico
do termo: como se celebra Jesus Cristo, Senhor da história, e dos destinos da
humanidade.
As “sementes do Verbo”, presente no sentido religioso das cultuas pré-
colombianas, esperavam o movimento fecundante do Espírito. Tais cultuas ofereciam
em sua base, aspectos necessitados de purificação, aspectos positivos como a abertura à
ação de Deus, o sentido da gratidão pelos frutos da terra, caráter sagrado da vida
humana e valorização da família, o sentido da solidariedade e a co-responsabilidade no
trabalho comum, entre outros. Esta religiosidade natural predispunha os indígenas
americanos a uma mais pronta recepção do Evangelho, mesmo que tenha havido
evangelizadores nem
sempre em condições de reconhecer esses valores.
Como consequência, o encontro do catolicismo ibérico com as culturas
americanas deu lugar a um processo peculiar de mestiçagem que, embora tenha tido
aspectos conflituosos, pôs em relevo as raízes católicas, assim como a singular
identidade do continente. Tal processo de mestiçagem, também perceptível nas
múltiplas formas de religiosidade popular e da arte mestiça, é conjunção do elemento
perene cristão com o próprio da América, e desde a primeira hora se estendeu de um
lado a outro do continente.
Face aos abusos, inclusive de muitos colonizadores, a obra evangelizadora
contou com o auxílio de muitas ordens religiosas, padres, bispos, religiosos e fiéis
leigos. Além disso, é importante destacar a colaboração dos próprios indígenas
batizados, que, mais tarde, contaram com os catequistas latino-americanos.
A evangelização teve como instrumentos eficazes a presença de homens e
mulheres de vida santa. Os meios pastorais utilizados foram a pregação da Palavra, a
celebração dos sacramentos, a catequese, o culto mariano, a prática das obras de
misericórdia, a denúncia das injustiças, a defesa dos pobres e a especial solicitude pela
educação e promoção humana.
Os grandes evangelizadores defenderam os direitos e a dignidade dos
aborígenes, e censuraram os ataques cometidos aos índios na época da conquista. Os
bispos, mediante os concílios e outras reuniões, em cartas aos Reis da Espanha e
Portugual e nos decretos da vida pastoral, revelam também essa atitude profética de
denúncia , unida ao anúncio do Evangelho. A Igreja sempre esteve do lado dos
indígenas.
Infelizmente, algumas pessoas não reconheceram e não reconhecem os
indígenas como irmãos e filhos do mesmo Deus Pai. Lamentavelmente essas dores se
prolongam até os dias de hoje. Um dos episódios mais lamentáveis da história
americana e caribenha foi o translado forçado, como escravos, de um número enorme de
africanos. Do tráfico de negros participaram entidades governamentais e particulares de
quase todos os países da Europa Atlântica e da Américas. Queremos com João Paulo II,
pedir perdão a Deus por esses holocaustos desconhecidos do qual participaram
batizados que não viveram a sua fé.
Olhando a época histórica mais recente continuamos a nos encontrar com
pegadas vivas de uma cultura de séculos, em cujo núcleo está presente o Evangelho.
Esta vida é testemunhada particularmente pela vida dos santos americanos, os quais, ao
viver em plenitude o Evangelho, têm sido as testemunhas mais autênticas, fidedignas e
qualificadas de Jesus Cristo. A Igreja proclamou as virtudes heróicas de muitos deles,
desde o beato índio Juan Diego, Santa Rosa de Lima e São Martim de Porres até Santo
Ezequiel Moreno em nossos dias.

Segunda parte – Jesus Cristo Evangelizador vivo em sua Igreja

Trata-se agora de apresentar alguns elementos de base para concretizar as


orientações do plano da Nova Evangelização nas Igrejas locais do Continente:
1) A promoção Humana, resposta delicada a situação em que se encontram os
países latino-americanos
2) O desafio do diálogo entre as diversas culturas e o Evangelho afim de
alcançarmos uma cultura cristã.

A Nova Evangelização

A nova Evangelização tem como fundamento o envio missionário de Jesus


Cristo. O ponto de partida está na Igreja, na força do Espírito, providenciando o acesso a
conversão, que busca testemunhar a unidade dentro da diversidade de ministérios e
carismas. Só uma Igreja evangelizada é capaz de evangelizar.
As trágicas situações de injustiça e sofrimento de nossa América, que se
tornaram mais agudas depois de Puebla, pedem respostas que só uma Igreja sinal de
reconciliação e portadora de vida e de esperança que brotam do Evangelho poderá dar.
A Nova Evangelização tem, como ponto de partida, a certeza de que em Cristo
há uma riqueza insondável (Ef 3,8) que nenhuma cultura, de qualquer época, extingue, e
à qual nós homens sempre poderemos recorrer para enriquecer-nos. Falar de Nova
Evangelização implica em reconhecer que houve uma primeira
Evangelização nos últimos 500 anos, sem desprezá-la ou ignorar a sua existência.
Tratar de Nova Evangelização significa identificar que existem novos desafios,
novas interpelações urgentes de respostas cristãs. Todavia, não se significa apresentar
um novo Evangelho diferente do primeiro, pois há um só e único Evangelho do qual se
podem tirar luzes novas para problemas novos.
Não queremos apresentar um plano de re-envagelização, mas aprofundar os
valores já semeados e complementá-los, corrigindo as deficiências anteriores. A Nova
Evangelização surge como uma resposta aos problemas apresentados pela realidade de
um Continente no qual se dá um divórcio entre fé e vida que resultam em clamorosas
injustiças, desigualdade sociais e violência.
João Paulo II compreende esse processo como algo atuante, dinâmico. É, antes
de tudo, um chamado à conversão e à esperança que se apoia nas promessas de Deus e
que tem como certeza inquebrantável a Ressureição de Cristo, primeiro anúncio e raiz
de toda a evangelização, fundamento de toda promoção humana, princípio de toda
autêntica cultura cristã. É também um novo, âmbito vital, um novo Pentecostes. É o
conjunto de meios, ações e atitudes aptos para pôr o Evangelho em diálogo ativo com a
modernidade e o pós-moderno, seja para interpretá-los, seja para deixar-se interpretar
por eles. Também é o esforço para inculturar o Evangelho na situação atual das culturas
de nosso Continente.
O sujeito de toda a Nova Evangelização é toda a comunidade eclesial segundo
sua própria natureza: nós, os Bispos, em comunhão com o Papa, nossos presbíteros e
diáconos, os religiosos e religiosas, e todos os homens e mulheres que constituímos o
Povo de Deus.
A Nova Evangelização tem como finalidade formar pessoas maduras na fé e
dar respostas à nova situação que vivemos, provocada pelas mudanças sociais e
culturais da modernidade. Levando em consideração a urbanização, a pobreza e a
marginalização. Nossa situação está marcada pelo materialismo, a cultura da morte, a
invasão das seitas e propostas religiosas de diversas origens.
As classes médias, os grupos, as populações, os ambientes de vida e de
trabalho, marcados pela ciência, pela técnica e pelos meios de comunicação social são
também destinatários da Nova Evangelização.
A Nova Evangelização tem a tarefa de suscitar a adesão pessoal a Jesus Cristo
e à Igreja de tantos homens e mulheres batizados que vivem o cristianismo sem energia.
O conteúdo da Nova Evangelização é o próprio /jesus Cristo, Evangelho do Pai. Em
Cristo, tudo adquire um novo sentido.
Nas palavras de Paulo VI, evangelizar é anunciar “o nome, a doutrina, a vida,
as promessas, o Reino, o mistério de Jesus de Nazaré, Filho de Deus” (Evangelii
nuntiandi 22).
Conforme a orientação do Papa, a Nova Evangelização deve ser nova em seu
ardor, em seus métodos e em sua expressão. Nova em seu ardor, pois Jesus Cristo nos
chama a renovar nosso ardor apostólico. Para isso envia o seu Espírito que inflama hoje
o coração da Igreja. O ardor apostólico brota de uma radical conformação com Jesus
Cristo, o primeiro evangelizador.
Nova em seus métodos, uma vez que, novas situações exigem novos caminhos
para a evangelização. O testemunho e encontro pessoal, a presença do cristão em todo o
humano, assim como a confiança no anúncio salvado de Jesus (querigma) e na atividade
do Espírito Santo, não podem faltar. É necessário, impulsionados pelo Espírito Santo,
utilizarmos a imaginação e a criatividade para que, de maneira pedagógica e
convincente, o Evangelho chegue a todos. Já que vivemos numa cultura da imagem,
devemos ser audazes para utilizar os meios que a técnica e a ciência nos proporcionam,
sem jamais depositar neles toda a nossa confiança.
Nova em sua expressão. No sentido de que existe uma necessidade de
proclamarmos o Evangelho de sempre de formar mais próxima das novas realidades
culturais de hoje. A Nova Evangelização precisa inculturar-se nas novas culturas,
levando em conta as particularidades das diversas cultuas, especialmente as indígenas e
afro-americanas. Além disso, a conversão pastoral é indispensável nesse processo, ela
diz respeito a tudo e a todos. Pois, assim, a Igreja será cada vez mais sinal eficaz da
graça.

A Igreja convocada à santidade


A Igreja é convocada a santidade, a América Latina e o Caribe necessitam de
homens e mulheres novos que escutam com o coração bom e reto, chamados à
conversão e renascidos pelo Espírito Santo segundo a imagem perfeita de Deus. A
santidade é a chave do ardo renovado da Nova Evangelização.
O anúncio da Palavra é peça fundamental, o querigma e a catequese. Muitos
ainda na América Latina, não deram sua adesão pessoal a Jesus Cristo. Por isso, urge,
no ministério profético da Igreja, de modo prioritário e fundamental, a proclamação
vigorosa do anúncio de Jesus morto e ressuscitado, raiz de toda a Evangelização.
Nesse sentido, o ministério profético da Igreja compreende também a
catequese, alimentada pela Palavra de Deus, lida e interpretada na Igreja e celebrada na
comunidade, e apresentada como chave de leitura para as situações históricas de nossos
povos. Além disso, o serviço que os teólogos prestam a Igreja impulsiona a pastoral,
que promova a vida cristã integral, até a busca da santidade.
A celebração litúrgica se encontra no sentido último da convocação à
santidade. A liturgia é o cume ao qual tende toda a atividade da Igreja e, ao mesmo
tempo, é a fonte de onde emana a sua força (SC 10). É a ação do Cristo total, deve ser
expressar o sentido mais próximo de sua oblação ao Pai pelos homens, assim como a
celebração da última Ceia está unida ao sacrifício de Cristo na Cruz, os que louvam a
Deus reunidos em torno do Cordeiro, são os que mostram em suas vidas os sinais
testemunhais da entrega de Jesus.
A celebração não pode ser algo separado ou paralelo à vida (cf. 1Pd 1,15). por
último, é especialmente pela liturgia que o Evangelho penetra no coração mesmo das
culturas. Por isto as formas da celebração litúrgica devem ser aptas para expressar o
mistério que se celebra e, por sua vez, ser claras e inteligíveis para os homens e
mulheres ( João Paulo II, Discurso à UNESCO, 02-06-80,6).A religiosidade é uma
expressão privilegiada da enculturação da fé.
Sobre os desafios pastorais, na Igreja se multiplica nos grupos de orações, nos
movimentos e nas demandas de formação apresentadas pelos próprios leigos. A falta de
conhecimento da Verdade sobre Jesus Cristo e das questões fundamentais da fé é um
fato muito frequente, e em alguns momentos, está ligada a uma perda do sentido do
pecado. A pregação sobre a ação do Espírito Santo e do seu poder transformador é
muito falha.
Tudo isto nos obriga a insistir na importância do primeiro anúncio (querigma) e
na catequese. Ainda há muito a se fazer. A ignorância religiosa é um fato e a dificuldade
de acesso a fé e ao conhecimento dela são realidades urgentes.
A perca da prática da “direção espiritual” é notória, peça fundamental para a
formação de leigos comprometidos, além de se condição para que amadureçam
vocações sacerdotais e religiosas.
Além disso, as orientações litúrgicas do Concílio Vaticano II estão muito
distantes de serem colocadas em prática. O “dia do Senhor” é esquecido e
desvalorizado, e consequentemente a devoção eucarística também. Ainda não se dá
atenção ao processo de uma sã enculturação da liturgia. A consequência de todos esses
fatores é uma falta de coerência entre a fé e a vida em muitos católicos.
A Nova Evangelização exige uma renovada espiritualidade, pondo em
evidência a formação doutrinal e espiritual dos católicos, em primeiro lugar, do clero,
religiosos e religiosas, e depois dos leigos. Fato é que muitos cristãos, buscam respostas
às suas necessidades em lugares e práticas alheias ao cristianismo.
Os elementos fundamentais para a enculturação do Evangelho são a Palavra
deDeus, sua própria realidade pessoal, comunitária e social. Parte essencial de toda
pregação e catequese é também a Doutrina Social da Igreja, base e estímulo da autêntica
opção preferencial pelos pobres.
Na busca por obedecer as normas e orientações do Concílio Vaticano II, é
preciso adotar os sinais e ações próprias das culturas da América Latina e Caribe. Em
especial na valorização da piedade popular, expressa na devoção à Santíssima
Virgem, nas peregrinações aos santuários e nas festas religiosas, iluminadas pela
Palavra de Deus.

Comunidades Eclesiais vivas e dinâmicas

O espírito motivador da IV Conferência foi o de estabelecer uma Igreja em


unidade interna e também dinâmica para apresenta o rosto de Cristo nas Igrejas
particulares.
As igrejas particulares são chamadas a viver na comunhão e no dinamismo da
missão, elementos profundamente unidos entre si. Essa relação, se expressa na
diversidade e na complementariedade das vocações e condições de vida, dos mistérios,
dos carismas e das responsabilidades.
Na Igreja local, unida pela Eucaristia, se encontra todo o Colégio episcopal
com o Sucesso de Pedro à frente. As paróquias devem florescer em perfeita comunhão
com o bispo e as comunidades cristãs como células vivas e pujantes da vida eclesial.
De modo geral, as dioceses carecem se suficientes e qualificados agentes de
pastoral. Além disso, a falta do espírito missionário gera grandes males.
É preciso promover o aumento da formação dos agentes de pastoral, conforme
o Vaticano II e o Magistério posterior. Engendrar processos de integração de todos os
membros do povo de Deus, das comunidades e dos diversos carismas, e os oriente a
Nova Envangelização, inclusive a missão “ad gentes”.
As paróquias precisam trabalhar para irem ao encontro das angústias e tristezas
humanas diante do contexto difícil em que nos encontramos. É preciso por em prática as
seguintes linhas: Renovar as paróquias através das comunidades eclesiais nas quais
aparece a responsabilidade dos fiéis leigos; qualificar a formação dos leigos; privilegiar
planos de conjunto em zonas homogêneas e renovar a capacidade de acolhida dentro do
dinamismo missionário.
As comunidades eclesiais de bases são ferramentas fundamentais nesse
processo quando estão em comunhão com os padres e bispos. Porém, se não estão
embasadas a uma clara fundamentação eclesiológica e numa busca sincera de
comunhão, essas comunidades deixam de ser eclesiais e passam a ser vítimas de
manipulação ideológica e política. Por isso, é preciso ratificar a validade das CEBS e
elaborar planos de ação pastoras que assegurem a formação de animadores leigos que
assistem a estas comunidades, em íntima comunhão com o pároco e o bispo.
A família cristã, a Igreja doméstica deve ser a prioridade básica, sentida, real e
atuante. Básica, como fronteira da Nova Evangelização. Sentida, isto é, acolhida e
assumida por toda a comunidade diocesana.

Na Unidade do Espírito e com Diversidade de Ministérios e Carismas

O batismo nos faz membros vivos da Igreja, somos portadores da mensagem


salvadora. O mistério salvífico de Cristo se atualiza através do serviço próprio de cada
vocação.
Os ministros ordenados em comunhão com o bispo. O Concílio nos recordou a
dimensão comunitária de nosso ministério: colegialidade episcopal, comunhão
presbiteral, unidade entre os diáconos. Porém, as altas responsabilidades dos ministros
ordenados fazem com que muitos permaneçam isolados. Por isso, é necessário viver o
caminho da unidade e da comunhão.
Nesse sentido, Santo Domingo propõe: manter as estruturas a serviço da
comunhão entre os ministros ordenados e na formação inicial do futuros padres, bem
como na formação permanente dos bispos impulsionar muito, o espírito de unidade e de
comunhão. Além disso, é indispensável a busca por uma vida espiritual profunda
mediante a oração litúrgica e particular, e no crescimento do testemunho de santidade de
vida.
Todavia, é urgente a existência da formação permanente mediante a elaboração
de projetos formativos para os ministros ordenados, assim como também é preciso
motivar esses homens do Sagrado para uma formação permanente estruturada em base
ao Magistério Pontifício.
Além disso, é indispensável a proximidades com as comunidades, a atenção
aos diáconos permanentes, as vocações ao ministério presbiteral e os seminários. Nesse
sentido, a pastoral vocacional é uma prioridade, com bases na oração e no dinamismo
diocesano. Além disso, é preciso estar atento para as comunidades indígenas, nas quais,
existem vocações.
Os seminários precisam ser sinal de alegria e de esperança para as futuras e
vocações e para o continente. Valorizando a direção espiritual, a equipe de formadores,
assumindo as diretrizes da exortação pós-sinodal Pastores Dabo Vobis, selecionar bem
os formadores, aproveitando os cursos oferecidos pelo CELAM. Rever a orientação da
formação oferecida em cada um dos nossos seminários e procurar uma formação
integral que perdure em uma formação permanente.
A vida consagrada é um dom para a Igreja e precisa ser valorizada. Virgem
Maria, que pertence tão profundamente à identidade cristã de nossos povos latino-
americanos (cf. Puebla 283), é modelo de vida para os consagrados e apoio seguro de
sua fidelidade.
A respeito das linhas pastorais e a vida consagrada, é preciso reconhecer a vida
consagrada como um dom para as Igrejas particulares; fomentar essas vocações;
dialogar nas comissões mistas e em outros organismos; apoiar as iniciativas dos
Superiores Maiores em favor de uma formação inicial e permanente. Apoiar e assumi o
ser e a presença missionário dos religiosos na Igreja.
Os fiéis leigos são chamados a exercer no mundo uma tarefa indispensável: Ser
testemunha viva do Evangelho. Vivendo tríplice ministério: o sacerdotal, profético e
real. Esses homens e mulheres manifestam, muitas vezes, uma sentida necessidade de
formação e de espiritualidade. Mas, infelizmente, nem sempre são acompanhados pelos
Pastores como deveriam.
Diante desses desafios, todos os leigos precisam ser protagonistas da
Evangelização, buscando a santidade e comunhão eclesial. Por isso, é preciso incentivar
uma formação integral, gradual e permanente dos leigos mediante organismos que
facilitem a “formação de formadores” e programem cursos e escolas diocesanas. Com
atenção particular à formação dos mais pobres. Além disso, convém fomentar a
preparação de leigos que se sobressaiam no campo da educação, da política, dos meios
de comunicação social, da cultura e do trabalho. Estarão incluindo também, os militares
que estão a serviço da liberdade, da democracia e da paz dos povos.
Os ministérios confiados aos leigos são de suma importância para o
Evangelização como atestam os documentos da Igreja. São expressões da missão
evangelizadora.
Em face ao secularismo, ateísmo e indiferença religiosa têm surgido
movimentos e associações de leigos frutíferos para a Igreja. Essas associações de
apostolado são legítimas e necessárias, mas precisam estar em profunda comunhão com
às Igrejas particulares. É preciso acompanhar esses movimentos na tarefa de
enculturação mais definidas diante do perfil latino-americano.
Com o passar do tempo, a sociedade e Igreja tem crescido na consciência da
dignidade do homem e da mulher. Principalmente, da mulher, que encontra sua
referência primordial em Maria, cooperadora da Salvação. A Nova Evangelização dever
ser promotora decidida e ativa da dignidade da mulher. Isso exige um aprofundamento
maior sobre o papel da mulher na Igreja.
As mulheres não podem ser vistas como meros objetos de prazer ou como
responsáveis por trabalhos domésticos. Grande parte das nossas comunidades paroquiais
são formadas por mulheres. Elas têm sido durante séculos “o anjo da guarda da alma
cristã do continente”. À Igreja se sente chamada a estar do lado da vida e da defesa da
mulher.
Por isso, é preciso, e também compete a Igreja, denunciar às violações às mulheres
latino-americanas e caribenhas; desenvolver uma consciência eclesial de valorização da
mulher; criar recursos, símbolos e linguagens que identifiquem a mulher, como ela é,
sem reducionismos; denunciar tudo aquilo que atentando contra a vida afete a dignidade
da mulher como o aborto, a esterilização, as violências sexuais, entre outros.
No que diz respeito a jovens e adolescentes, é preciso ter uma atenção especial,
muitos são vítimas do empobrecimento e da marginalização social, do desemprego e do
subemprego, de uma educação que não corresponde às exigências de suas vidas, as
drogas, a prostituição, entre outros. Muitos vivem adormecidos pelos males dos meios
de comunicação social e alienados pelas imposições culturais.
Por outro lado, existem aqueles que se posicionam contra a corrente e se
compadecem os as debilidades do próximo. Em ambos os casos, encontramos a
necessidade de acompanhamento. Na Igreja da América Latina, os jovens católicos
organizados em grupos pedem acompanhamento espiritual e apoio em suas atividades.
Por isso, são válidas as seguintes ações pastorais: reafirmar a “opção
preferencial” pelos jovens proclamada em Puebla mediante o amadurecimento afetivo e
à necessidade de acompanhar os adolescentes e jovens em todo o processo de formação
humana e crescimento da fé; dinamize uma espiritualidade que trate do encontro entre
fé e vida, promotora da justiça e da solidariedade; que assuma as novas formas
celebrativas da fé; que anuncie nos compromissos assumidos o amor de Deus pelos
jovens.; abrir o espaço para que estes participem da Igreja; apresentar Jesus Cristo de
modo atrativo e motivador; a pastoral juvenil precisa ser cuidada e deve favorecer a
criação e animação de grupos;

Para anunciar o reino a todos os povos

A Nova Evangelização tem que ser capaz de despertar um novo fervor


missionário em uma Igreja cada vez mais arraigada “na força e no poder perene de
Pentecostes” ( cf. Evangelii nuntiandi, 41).
Em se tratando dos modos de realizamos essa missão, João Paulo II nos levou a
discernir três modos: a atenção pastoral em situações de fé viva, a Nova Evangelização
e a ação missionária ad gentes.
O desafio da missão ad gentes foi assumido. Porém, a consciência missionária
“ad gentes” ainda é insuficiente. Os Congressos Missionários Latino-americanos
(COMTAS), os Congressos missionários nacionais, os grupos e movimentos
missionários
e a ajuda de Igrejas irmãs, têm sido um incentivo para tomar consciência desta
exigência evangélica.
Os desafios pastorais que se apresentam são os seguintes:
1. Não se tem insistido o suficiente em que sejamos melhores
2. evangelizadores.
3. Nós nos fechamos em nossos próprios problemas locais, esquecendo
4. nosso compromisso apostólico com o mundo não cristão.
5. Descarregamos nosso compromisso missionário em alguns de
6. nossos irmãos e irmãs, que os cumprem por nós.

A principal causa desse quadro é a ausência de um programa explicito de


formação missionária na maioria dos seminários e casas de formação.
Cada Igreja particular do Continente latino-americano é chamada a introduzir
em sua pastoral ordinária a animação missionária; estabelecer uma relação positiva com
as Obras Missionárias Pontifícias; promover a cooperação missionária de todo o Povo
de Deus; Integre na formação sacerdotal e religiosa cursos específico de missiologia;
forme agentes de pastoral; assuma com valentia o envio missionário.
No ambiente latino-americano, encontramos muitas pessoas alheias e críticas a
ação da Igreja. Também existem aqueles que estão afastados, e outros que vieram de
outros países e estão sem referências religiosas sólidas. Por isso, é preciso promover um
novo impulso missionário, pregar-lhes o querigma; organizar campanhas missionárias;
aproveitar os momentos de contato que os batizados tem com a Igreja; buscar através de
meios de comunicação proximidade com os afastados; motivar e animar as
comunidades e movimentos eclesiais.
Além disso existe muita divisão entre os cristãos, com fundamentalismo
proselitista de grupos cristãos sectários que dificultam o são caminho do ecumenismo.
“O ecumenismo é uma prioridade na pastoral da Igreja do nosso tempo”. Meios:
consolidar o verdadeiro trabalho ecumênico, aprofundar o diálogo entre as Igrejas que
professam o Credo Niceno-Constantinopolitano, partilham dos mesmo sacramentos e
veneram a Santa Mãe Maria; intensificar o diálogo teológico ecumênico; avivar a
oração comum pela unidade dos cristãos; promover a formação ecumênica; estimular o
estudo da bíblia entre teólogos e estudiosos da Igreja; manter e reforçar programas e
iniciativas de cooperação conjunta no campo social e valorizar a seção de Ecumenismo
do CELAM (SECUM).

CAPÍTULO 2 – A PROMOÇÃO HUMANA


O ensino do pensamento social da Igreja faz parte da sua missão
evangelizadora. A promoção humana, expressa na Doutrina Social da Igreja, deve levar
o homem e a mulher a passar de condições menos humanas para condições cada vez
mais humanas, até chegar o pleno conhecimento de Jesus Cristo.
Cristo, Deus e homem, é a fonte mais profunda que garante a dignidade da
pessoa e seus direitos. Toda violação dos diretos humanos contradiz o Plano de Deus e é
pecado.
Com o passar do tempo, a Igreja cresceu na consciência dos direitos humanos,
mas o problema da violação dos direitos humanos também aumentou. Principalmente,
por interpretações ideologizadas e a por manipulações de grupos. Os direitos humanos
são violados não só pelo terrorismo, repreensão e assassinatos, mas também pela
existência de condições de extrema pobreza e de estruturas economias injustas que
originam desigualdades.
Merecem uma denúncia especial as violências contra os direitos das crianças,
da mulher e dos grupos mais pobres da sociedade: camponeses, indígenas e afro-
americanos. É necessário também denunciar o narcotráfico.
Nesse sentido, as linhas pastorais devem ser as que giram em torno da
promoção dos direitos humanos, de acordo com o Evangelho e a Doutrina Social da
Igreja com a palavra, a ação e a colaboração, com o comprometimento com a vida desde
a sua concepção, com a participação dos organismo de diálogo e mediação, na
superação da injustiça e dos preconceitos.
Além disso, merece uma atenção especial o cuidado com a criação, o meio
ambiente. Vivemos em uma crise ecológica, os cristãos não estão isentos da
responsabilidade ambiental. Pelo contrário, é preciso empreender uma reeducação de
todos em relação ao cuidado com os ecossistemas. A criação é obra de Deus.
O continente latino-americano é composto por grandes tesouros naturais, é
preciso recordar aos fiéis leigos, a necessidade de influir nas políticas agrárias dos
governos e nas organizações de camponeses e indígenas, visando formas justas, mais
comunitária e participativas no uso da terra. Favorecer uma reflexão teológica sobre a
importância da terra, principalmente em um contexto marcado pelo mercantilismo e
pelo capitalismo, é fundamental.
O cuidado com os mais pobres é um problema urgente, descobrir nos rostos
dos sofredores o rosto do Senhor (Mt 25, 31-46). Por isso, é preciso assumir com
decisão renovada a evangélica opção preferencial pelos pobres, seguindo o exemplo e as
palavras de Jesus. Privilegiar o serviço fraterno aos mais pobres entre os pobres é
fundamental. Além disso, é necessária a promoção da participação social junto ao
Estado, pleiteando leis que defendam os direitos dos pobres. Fazer de nossas paróquias
um espaço para a solidariedade.
O tema do trabalho também merece uma especial atenção, a realidade atual
impede uma compreensão do trabalho em harmonia com a solidariedade, existe uma
deterioração em relação as condições de vida e no respeito aos direitos dos
trabalhadores. Os direitos dos trabalhadores são um patrimônio moral da sociedade. É
preciso impulsionar e sustentar uma pastoral do trabalho em todas as dioceses e
favorecer a formação dos trabalhadores em seus direitos e deveres.
Ainda persistem muitos desafios relacionados a migração, aos problemas
econômicos e sociais. Todavia, o caminho apontado pela Igreja não é outro senão
aquele que garante os direitos e valores da pessoa humana, criada por Deus para a
liberdade e comunhão.
A experiência tem evidenciado que nenhuma nação pode viver e se
desenvolver de maneira isolada. Os cristãos, pelo próprio movimento da fé, encontram
sua razão de ser na busca por essa unidade entre as nações.
As nações mais fortes devem oferecer às mais débeis oportunidades de
inserção na vida internacional. Experimentam um isolamento e uma fragmentação de
nossas nações, e isso deve ser superado. É preciso fomentar e acompanhar esforços em
prol da integração latino-americana como “grande pátria”.

CAPITÚLO 3 – A CULTURA CRISTÃ

A vinda do Espírito Santo em Pentecoste (cf. At 2, 1-11) coloca em evidência a


universalidade do mandato evangelizador: pretende chegar a toda cultura. É uma
urgência do nosso tempo uma evangelização da cultura, que invada até seu núcleo
dinâmico, esse é o verdadeiro processo de enculturação.
Diante do fato, de que nos encontramos hoje diante de uma crise cultural de
grandes proporções, na qual os valores evangélicos e ainda humanos fundamentais, se
apresentam à Igreja como um desafio gigantesco para uma nova evangelização, ao qual
se pretende responder com o esforço da enculturação do Evangelho.
É necessário inculturar o Evangelho à luz dos três grandes mistérios da
salvação: a Natividade, que mostra o caminho da Encarnação e move o evangelizador a
partilhar sua vida com o evangelizado; a Páscoa, que conduz através do sofrimento à
purificação dos pecados, para que sejam redimidos; e Pentecostes, que pela força do
Espírito possibilita a todos entender, na sua própria língua, as maravilhas de Deus.
A fé ao adentrar nas culturas, deve corrigir seus erros e evitar sincretismos. A
tarefa da enculturação é própria das Igreja particulares. Os critérios fundamentais neste
processo são a sintonia com as exigências objetivas da fé e a abertura à comunhão com
a Igreja universal.
A cultura cristã precisa lidar com diversos problemas complexos com o
controle de natalidade, a manipulação genética, o aborto, entre outros. O caminho a ser
traçado para a superação dessas realidades é o de trabalhar na formação cristã das
consciências e regatar os valores perdidos da moral cristã. Zelar para que os meios de
comunicação não manipulem as consicências; apresentar a vida moral como um
seguimento de Cristo; impletar ações de combate as drogas e a prostituição. E orientar e
acompanhar pastoralmente os construtores da sociedade.
Conscientes do problema da marginalização e do racismo, a Igreja na América
Latina e no Caribe quer apoiar os povos afro-americanos na defesa de sua identidade e
no reconhecimento de seus próprios valores.
Como um gesto concreto de solidariedade em favor dos camponeses, indígenas
e afro-americanos, apoiar a Fundação Populorum Progressio, instituída pelo Santo
Padre. Rever completamente nossos sistemas educacionais, para eliminar
definitivamente todo aspecto discriminatório no que diz respeito a métodos educativos,
volume e investimento de recursos. Fazer o possível para que se garanta aos indígenas e
afro-americanos uma educação adequada a suas respectivas culturas, começando
inclusive com a alfabetização bilíngue.
Um outro grande desafio é no campo da educação, as Universidades católicas e
as Universidade de inspiração cristã têm de apresentar um diálogo vivo, contínuo e
progressivo com o Humanismo e com a cultua técnica. Nas escolas e universidades,
encontramos também a ignorância religiosa de muitos jovens. É um desafio adequada
às diferentes culturas, em especial às culturas indígenas e afro-americana.
Para superação desses e outros problemas correlatos ao campo da educação, a
IV Conferência propõe a linha pastoral da enculturação: a educação é a mediação
metodológica para a evangelização da cultura. Os pais de família têm a grande
responsabilidade de decidir qual será a educação dos filhos, precisam pensar a formação
religiosa nesse processo.
É imprescindível que os nossos ambientes de educação ofereçam a melhor
nível humana, acadêmico e profissional em comunicação social. Inclusive nos
seminários e casas de formação. Hoje torna-se fundamental utilizarmos esses meios
técnicos para evangelizar.

JESUS CRISTO, VIDA E ESPERANÇA DA AMÉRICA LATINA


LINHAS PASTORAIS PRIORITÁRIAS

Diante dessas orientações tão importantes, resta -nos anunciar o Evangelho da


vida. Jesus Cristo é o nosso maior modelo. Confiamos na proteção da Padroeira da
América Latina: Nossa Senhora de Guadalupe.
Reforçamos a necessidades de levar adiante os ensinamentos e determinações
do Concílio Vaticano II. Sejamos fiéis a proposta do Papa para esta conferência: um
comprometimento com a nova evangelização dos povos, uma promoção integral dos
povos latino-americanos e caribenhos e uma Evangelização incultrada.
O compromisso é de todos a partir de comunidades vivas. Com um especial
protagonismo dos leigos. Somos chamados a santidade. É a hora missionária da
América.
Queremos aproximar os povos indígenas e afro-amercianos. Buscaremos também
impulsionar uma eficaz ação evangelizadora.

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