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UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ

PÓS GRADUAÇÃO EM DIREITO CIVIL E PROCESSO CIVIL

RESENHA: A RESPONSABILIDADE CIVIL PELA PERDA DE UMA CHANCE


NO DIREITO BRASILEIRO

Esse artigo é o resultado de uma discussão que vem tomando conta dos
tribunais brasileiros, alguns juízes tem se manifestado de forma favorável a existência
da responsabilidade pela perda de uma chance, enquanto outros vêm proferindo
decisões que referido dano não encontra respaldo em nosso ordenamento. Conceitua-se
e trata do surgimento da responsabilidade da perda de uma chance e as divergências
jurisprudenciais, em razão de não haver base legal para a responsabilidade alhures.

A modalidade de responsabilidade civil conhecida como a perda de uma


chance surgiu na jurisprudência francesas intitulada de “a chance de uma cura”, devido
a responsabilização medica. O que se discutiu nesta demanda fora o vítima deixou de
ganhar em razão do ilícito praticado.

A teoria da perda de uma chance consiste na possiblidade de indenização


nos casos em que a vítima se vê privada da oportunidade de auferir lucro futuro e certo,
todavia, apesar de aceito, em nosso ordenamento jurídico, não há uma legislação
especifica sobre o tema, mesmo em sede doutrinaria, ainda não existe um debate
extenso e profundo.

No Brasil, a jurisprudência vem aceitando a utilização desta teoria,


sendo, inclusive, ela quem vem ditando os limites das indenizações e seus requisitos, ou
seja, os tribunais é quem vem estabelecendo critérios para sua aplicabilidade, bem como
o valor das indenizações, utilizando como base, parâmetros próximos aos adotados nos
casos de danos morais.

Nesse panorama, para que seja reconhecida a perda de uma chance, a


jurisprudência vem exigindo que esta seja algo certo, concreto, ou seja, que em razão do
ato ilícito praticado pelo causador do dano, a vítima deixou de auferir valores que
efetivamente receberia.
O entendimento jurisprudencial, nasceu diante dos Tribunais do Rio
Grande do Sul e do Rio de Janeiro, mas vem em constante crescimento no país,
especialmente no TJPR.

O STJ, por sua vez, não vem aplicando com muita frequência teoria da
perda de uma chance, todavia, com a chegada de casos concreto vindo de instâncias
inferiores, vê-se obrigado a julgar.

Como exemplo temo o que ocorreu com o célebre julgado relatado pelo
Min. Ilmar Galvão, onde fora proferiu decisão a respeito do assunto, ficando o teor do
acórdão bastante conhecido em função do envolvimento da emissora SBT.

No caso em questão, foi aforada demanda por uma participante do


programa Show do Milhão, a qual teve sua chance de ganho reduzida no momento em
que a pergunta final estava sem qualquer uma das quatro respostas corretas. O Ministro
relator Fernando Gonçalves decidiu que realmente houve a perda de uma chance,
concedendo apenas 25% do que a participante poderia ter adquirido, pois esta era sua
efetiva chance no momento da pergunta.

O presente estudo teve o escopo de demonstrar a relevância da


responsabilidade civil para as pessoas bem como sua evolução e destacou uma
tendência que vem surgindo no direito contemporâneo, qual seja, a responsabilidade
civil em razão da perda de uma chance.

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