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Ludwig Wittgenstein Ludwig Wittgenstein

Bemerkungen über die Grundlagen Observações sobre os Fundamentos


der Mathematik da Matemática

VORLÄUFIGER ENTWURF PRELIMINARY DRAFT


Work in progress: Ihre kritischen Beiträge sind willkommen. Obra em progresso: suas contribuições críticas são bem-vindas.

Übersetzung und Anmerkungen von Tradução e Notas de


João José R. L. de Almeida João José R. L. de Almeida
Abreviaturas das obras utilizadas de Wittgenstein*

AC Anotações sobre as cores (2009b) OC On Certainty (1969b)


AWL Wittgenstein’s Lectures. Cambridge, 1932-1935 (1979) ORD Observações sobre “O Ramo Dourado” de Frazer (2011)
BB The Blue and Brown Books (1965) PG Philosophical Grammar (2005b)
BLF Briefe an Ludwig von Ficker (1969c) PPF Philosophy of Psychology: A Fragment (2009a)
BT The Big Typescript (2005a) PR Philosophical Remarks (1975b)
CV Culture and Value (1998) RPP I Remarks on the Philosophy of Psychology I (1980a)
CLD Wittgenstein in Cambridge: Letters and Documents RPP II Remarks on the Philosophy of Psychology II (1980b)
(2008) TLP Tractatus Logico-Philosophicus (2001b)
D Ditados do Nachlass (2000) TS Datiloscritos do Nachlass (2000)
DB Denkbewegungen. Tagebücher 1930-1932, 1936-1937 VW The Voices of Wittgenstein. The Vienna Circle (2003b)
(1997) WWK Wittgenstein und der Wiener Kreis (1967b)
DFM Wittgenstein’s Lectures on the Foundations of Z Zettel (1975a)
Mathematics (1989)
IF Investigações Filosóficas (Wittgenstein 2009
LC Lectures and Conversations on Aesthetics, Psychology
and Religious Belief (1967a)
LE A Lecture on Ethics (1993a) ____________
LO Letters to C. K. Ogden (1973) * As abreviaturas das obras de Wittgenstein seguem as letras iniciais dos títulos
LFM Wittgenstein’s Lectures on the Foundations of dos livros publicados tal como constam na bibliografia. Exceções apenas para
Mathematics (1975) as Investigações Filosóficas, abreviado como IF, as Observações sobre os
LWL Wittgenstein’s Lectures, 1930-1932 (1980c) Fundamentos da Matemática, OFM, e as Observações sobre o Ramo Dourado
LWPP I Last Writings on the Philosophy of Psychology I (1982) de Frazer, ORD, porque são textos por mim traduzidos. Os textos não
LWPP II Last Writings on the Philosophy of Psychology II (1992) publicados na forma de livro que fazem parte do espólio literário (Nachlass)
M Wittgenstein’s Lectures in 1930-1933 (Moore, 2004a) aparecem abreviados aqui pelos nomes como são mais tradicionalmente
MS Manuscritos do Nachlass (2000) conhecidos: MS para Manuscripts, TS para Typescripts, e D para Dictates. As
partes, anexos e seções de que são compostas as OFM foram abreviadas como
NB Notebooks 1914-1916 (1969a)
PI, PII, PIII, PIV, PV, PVI e PVII; AI, AII e AIII, de modo que a seção §10 da
NLPD Notes for Lectures on Private Experience and Sense Data Parte I, por exemplo, abrevia-se como PI§10.
(1993b)
Apresentação

O conjunto de textos que compõe atualmente as sete partes e três anexos das Observações Sobre os Fundamentos da Matemática (OFM)
foi publicado em sua primeira edição, em 1956, com apenas cinco partes e dois anexos. Os editores foram os herdeiros do espólio literário de
Wittgenstein, três dos seus antigos alunos, Elizabeth Anscombe, Rush Rhees, e George von Wright. Eles somente revisaram o texto depois de
decorridos 22 anos da sua publicação, já em 1978. Considerando o texto atual, todos os escritos do conjunto foram redigidos por Wittgenstein
em quatro datiloscritos (TS 221, depois recortado e recomposto no TS 222, adicionando-se ainda os TSS 223 e 224), e oito manuscritos (MSS
117, 121, 122, 124, 125, 126, 127, e 164). O período total de composição se estendeu por sete anos, de setembro de 1937 até abril de 1944.
Entretanto, desde este ponto até a sua morte, em abril de 1951, Wittgenstein não mais retomou o trabalho sobre fundamentos da lógica e da
matemática, que, por sinal, foram ocupação constante em todos os seus manuscritos, datiloscritos e ditados pregressos, de 1913 até aquela data.
Levando-se em conta que as edições de Anscombe, Rhees, e von Wright não entram em detalhes sobre: (1) a distribuição dos variados
datiloscritos e manuscritos utilizados entre as sete partes e três anexos em que eles subdividiram as OFM; (2) nem tornam explícito exatamente
por que selecionaram algumas partes desses manuscritos e outras não; ademais de (3) não dizerem por que às vezes intercalaram partes de um
manuscrito com partes de outro; nem (4) esclarecem por que às vezes depois retornaram ao manuscrito anterior; então, (5) vamos dispor em
visão panorâmica a correlação entre o texto publicado e o material de onde se originou, para que (6) depois, nas notas comentadas, haja uma
compreensão mais clara das observações sobre as omissões, adicionando-se uma tradução daquelas mais interessantes, pelo menos segundo o
critério do tradutor. Quanto, por sua vez, às possíveis omissões deste próprio tradutor, a leitora ou o leitor já podem contar, hoje em dia, com a
publicação on-line da integralidade desses manuscritos e datiloscritos nos Wittgenstein Source (www.wittgensteinsource.org), trabalho oriundo
dos Wittgenstein Archives da Universidade de Bergen, e podem por ali aprofundar sua investigação crítica. Para facilitar esse tipo de pesquisa,
esta edição indica também a página do texto-fonte original da tradução.
A tabela a seguir apresenta, então, a correlação entre as sete partes e três anexos do texto e os manuscritos e datiloscritos utilizados na
sua edição:

Edição das OFM Texto-fonte Seções Correspondentes


Parte I TS 222 (1937-1938) Todas as seções
Anexo I TS 222 (1938) Todas as seções
OFM - Apresentação

Anexo II TS 224 (1938) Todas as seções


Anexo III TS 223 (1938) Todas as seções
Parte II MS 117 (1938) §§ 1-22
MS 121 (1938) §§ 23-62
Parte III MS 122 (1939-1940) §§ 1-58
MS 117 (1940) §§ 59-90
Parte IV MS 121 (1939) § 60
MS 125 (1942) §§ 1-50; 51-54; 59
MS 126 (1943) § 50 (menos o 1º parágrafo)
MS 127 (1944) §§ 55-58
Parte V MS 126 (1942) §§ 1-26; 28-34
MS 127 (1944) §§ 27; 35-53
Parte VI MS 164 (1943-1944) Todas as seções
Parte VII MS 124 (1941 e 1944) Todas as seções

Está também incluído, logo no início desta edição, a própria apresentação original dos editores, não somente pelo seu grande valor
histórico, já por si mesmo justificável, mas também porque contém uma preciosa resenha do conteúdo de cada uma das partes e subdivisões da
obra. No entanto, o testemunho mais relevante dessa apresentação talvez seja, na minha opinião, a explanação da ligação do texto das OFM com
as IF. Os TSS 220 (§§ 1-189a das atuais IF) , 221 (fonte do TS 222, que dá forma à atual Parte I das OFM) e 225 (prefácio da versão inicial das
IF), deveriam ter ser sido entregues por Wittgenstein, em 1938, para a Cambridge University Press, com o propósito de divulgar ao público a sua
nova visão da filosofia. O autor pretendia que o livro trouxesse uma versão bilíngue do conteúdo, cujo título seria “Observações Filosóficas”.
Logo, porém, desistiu dessa intenção. Talvez porque estivesse insatisfeito com a segunda parte do seu trabalho, a filosofia da matemática, já que
nos seis anos seguintes continuou dando um pouco mais de discussão e aprofundamento à matéria, ou talvez porque estivesse preocupado com
os resultados da tradução do TS 220 para o inglês, realizada justamente por Rhees (cf. Monk, 1991, p. 414). Não obstante as hesitações, o fato é
que o consórcio entre as IF e as OFM é bem mais profundo do que a ligação mais tarde proposta por esses mesmos editores, em 1953, entre uma
suposta “Parte I” e uma “Parte II” das IF. Esse fato, que permaneceu obscurecido por muitas décadas, hoje é bastante mais visível pelo menos
por duas razões. A primeira, pela própria disponibilidade integral do Nachlass, a partir do ano 2000, mediante publicação em mídia eletrônica
por CD’s pela Oxford University Press, e depois pela publicação on-line dos textos, o que permitiu acesso universal e a formação de uma

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OFM - Apresentação

comunidade bem mais ampliada de pesquisadores independentes dedicados ao tema (Cf., por exemplo, os resultados de Venturinha, 2010 e 2013;
ou Erbacher, 2015 e 2016). A segunda razão, foram os próprios depoimentos de von Wright, publicados em três ocasiões (1982, 1992 e 2001),
que desanuviaram a turbulenta história da edição das IF, reforçando a suspeita de inadequação entre as supostas “Partes I e II” das IF.
Paralelamente a essas razões, pode-se indicar evidências da relação orgânica entre as OFM e as IF na própria menção corriqueira e
despreocupada, por seis vezes, aos “jogos de linguagem (2) e (8)”. Essas referências pressupõem, naturalmente, que ambos os textos sejam partes
do mesmo corpus: cf. em PIII§80; PVI§§38,40; PVII§§30, 31, 71. Ainda na nota comentada 238, em PVII§61, publico mais uma alusão ao “jogo
de linguagem (2)”, esta omitida pelos editores. Vale dizer que a relação orgânica entre as IF e os escritos posteriores a 1945 evidencia-se também
pelas referências ao “jogo de linguagem (2)” e ao “jogo de linguagem (8)”. Isto ocorre nos MSS 132, p. 203; 136, p. 53a; 137, p. 112a (LWPP I
§ 340); 175, p. 67v (OC § 396); e 176, p. 62v (OC § 566). O que, como sustenta Venturinha (2010, pp. 149-150), serve como corroboração de
que até mesmo os derradeiros escritos, de 1951, ainda estão no mesmo corpus das IF. De fato, isto é o que nos faz abraçar a hipótese de que as
IF são, na prática, inseparáveis do Nachlass, e que as OFM são, por isso, um pedaço importante desse inacabado e bem mais amplo projeto de
publicação de um novo livro que pudesse divulgar, em forma bilíngue, a sua nova visão da filosofia. Todo esse enraizamento nos inacabados,
prolíficos e entrelaçados escritos do autor está exposto nesta tradução das OFM.
Outra particularidade desta tradução é a de que o texto-fonte em alemão segue a mesma paginação da edição de bolso da Suhrkamp,
Werkausgabe Band 6, não só para fins de comparação como também de localização dos termos elencados no índice analítico. Este procedimento
parece-me ser o mais apropriado, dado o fato de que a alternativa da referência, no índice analítico, ao número das seções, enfrentaria desorientada
o encontro massivo com várias páginas seguidas de texto corrido. Assim, os seus termos referem-se a numeração com muito menos texto.
Por outro lado, não se descuidou nesta versão do fato de que há algumas diferenças entre a edição dos herdeiros literários e os seus textos
de origem. Essas discrepâncias, de vários tipos, são imediatamente apontadas nas notas comentadas ao final da obra. O texto-fonte, por isso, é
certamente parte integral e constituinte de um trabalho propositivo de pesquisa realizado em conjunto com o trabalho no texto-alvo. O resultado
desse esforço manisfesta-se na diferença mais crucial com relação às outras edições: o tradicional espaçamento que o autor reservava para cada
uma das suas observações foi restaurado. Isso é importante porque a unidade narrativa de um texto de Wittgenstein é certamente, como veremos
a seguir, a observação. Não é o livro como um todo, nem um certo conjunto de observações dedicadas ao mesmo assunto. Assim, quando o autor
redigia uma observação com mais de um parágrafo, o espaçamento entre estes era simples. Por outro lado, quando a observação continha apenas
um parágrafo, ou então se restringia apenas a uma só frase, o espaçamento em relação à próxima observação era duplo.
Assim como há necessidade de restaurar a diagramação pela unidade narrativa, há também, por razões similares, inevitabilidade de excluir
o índice regularmente apresentado nas edições pregressas das OFM. Normalmente, o índice de um livro propõe-se a ser um localizador
acompanhado de uma lista de assuntos relacionada aos capítulos e subtópicos. Isso serve para que uma leitora ou um leitor possam rapidamente
orientar-se em relação ao referencial. Obviamente, uma autora poderia, por exemplo, inventar uma ficção em que o índice fosse o livro, e o livro,
o índice. Quando, entretanto, este não é o caso, um índice que não funciona bem como um localizador pode trazer, a meu ver, mais confusão que

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OFM - Apresentação

orientação. Esta espécie de índice produzido pelos primeiros editores, que aparece também nos casos das edições das PR e da PG, afigura-se
como um verdadeiro mapa de Borges. O antigo índice das OFM continha vinte e quatro páginas de descrição de cada uma das seções, de cada
uma das sete partes. Todavia, a sua inclusão, mais do que causar embaraços, sugere até mesmo um certo desentendimento da natureza da escrita
de Wittgenstein. O autor, ao considerar o seu próprio estilo literário no atual prefácio das IF, esclareceu que o máximo que ele conseguiria fazer
em seus textos são observações filosóficas que não podem ser forçadas, contra a sua inclinação natural, na direção de uma totalidade narrativa
como a de um livro. Por isso, o seu livro é, na realidade, como ele mesmo admite, só um álbum. Elaborar um índice para pensamentos que não
foram subdivididos em capítulos, que não se materializaram em grandes porções narrativas sistematizadas, e que são observações que, na
realidade, se atravessam em todas as direções, cujos pontos são sempre tocados novamente a partir de diferentes faces, é, sem dúvida, contribuir
para a desconsideração acerca do estilo literário em pauta, em vez de, ao contrário, organizar uma compreensão clara da totalidade do texto. Essa
totalidade é, por natureza, assistemática e não-linear. Obviamente o estilo das OFM corresponde ao das IF, e difere-se marcadamente do estilo
do BT (TS 213), para o qual Wittgenstein propôs, com boa razão, um índice. Levar seriamente em consideração o estilo literário de uma obra é
também uma das ações propositivas desta tradução. Por essas razões, o índice analítico bem detalhado em alemão e português é o meio mais
conveniente para localizar qualquer assunto no interior do corpus textual wittgensteiniano.
Outra espécie de intervenção, não menos importante em se tratando de um texto de Wittgenstein, foi o de recriar suas ilustrações e
diagramas da maneira a mais próxima possível do original. Ao longo do Nachlass é recorrente o uso de desenhos e diagramas que, por isso
mesmo, devem ser considerados como parte relevante do corpus.
Quanto à estratégia de tradução, propriamente, procurei orientar-me por uma maior proximidade ao original, tanto quanto possível, e
apenas permitindo-me um maior descolamento nas ocasiões em que a versão em português daquelas sentenças ou palavras da língua original não
tivessem uma correspondência muito tranquila em nosso idioma. Nesses casos, então, uma nota de tradução imediatamente trata de esclarecer as
opções tomadas. Veja-se, por exemplo, a nota 2 à seção PI§2, com relação ao verbo meinen, que propõe um critério semântico para verbos
psicológicos como parâmetro para algumas escolhas de tradução; ou a nota 203 à seção PVII§19, em que o critério utilizado foi a análise de
outras ocorrências de vorbeireden (falar sem se entender) no Nachlass.
Ainda no tema das estratégias de tradução, vale a pena, neste ponto, prestar um esclarecimento adicional sobre a compreensão aqui suposta
do estilo literário assistemático e da natureza da filosofia de Wittgenstein. Particularmente, sou favorável à hipótese de que o seu pensamento
passou por modificações importantes, por exemplo, da sua fase de juventude, no TLP, para o período de maturidade, à qual a presente expressão
filosófica pertence, e que, mesmo na etapa tardia, houve oscilações significativas entre inclinações sistematizantes e assistematizantes, digamos
assim, nos seus escritos. Todavia, todas essas modificações e oscilações se sustentaram sobre um fundamento constante, consignado em um só
propósito filosófico. Esta continuidade de fundo parece-me ser mais significativa que as descontinuidades. Assim como se pode perceber, na
música, as variações sobre um fragmento melódico que unifica a composição, pode-se enxergar, nas decisões de uma pessoa, as diferentes e, às
vezes, incongruentes tendências que se assume na busca daquilo que melhor expressaria um caráter.

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OFM - Apresentação

Nota-se, no texto de Wittgenstein, o predomínio de uma tendência sistematizante logo nos primeiros anos do seu retorno à atividade
filosófica em 1929, em que não só busca diligentemente um sistema que possa dar conta de problemas incompatíveis com o atomismo lógico
tractariano, mas o faz também acompanhado de uma escrita visivelmente mais sistemática, ao exemplo do BT. Mas isso não quer dizer que a
tendência sistematizante não estivesse presente depois da Segunda Guerra, onde ela é menos visível. Estava presente não apenas na hesitação
entre publicar ou não um livro, conforme já comentamos, que para ele comporta, como se vê no prefácio dos IF, uma pressuposição de totalidade,
mas igualmente quando, por exemplo, tenta sistematizar, como uma árvore genealógica de fenômenos psicológicos, o domínio total do
psicológico como uma vivência (TS 245, p. 277; RPP I § 836). É bem verdade que essa tentativa de sistematização não é mais uma procura por
exatidão, como antes, mas uma descrição de eventos na forma de uma apresentação panorâmica (cf. TSS 229, p. 398; 233b, p. 20; 245, p. 286;
RPP I § 895), uma busca por uma imagem ou figura particularmente memorável ou digna de recordação (cf. PV§39). Este é, particularmente, o
propósito da própria prova matemática: ser memorável (“À prova pertence uma ordenação clara”: PI§154). Assim sendo, longe da forma ideal,
o sistemático na fase posterior do texto wittgensteiniano resume-se sempre à figuração de uma ordenação clara, fácil de ser memorizada, para
fins de aproximação, discussão e esclarecimento de conceitos. Em cima de tudo isso, apresenta-se nesta fase uma escrita assistemática cujo
propósito, inacabado, era o de publicar um novo livro.
Deste ponto de vista, o seu pensamento não se assemelha ao do filósofo tradicional, mas sim ao daqueles para os quais a chegada do
caminho não é o fato mais importante da jornada, senão a própria escolha dos percursos pelos quais se trafegou. Importaria, por conseguinte,
para melhor reconhecê-lo, mais a continuidade do labirinto e dos seus motivos antifilosóficos ao longo de toda a trajetória, do que suas próprias
soluções e saídas, mais ocasionais e adequadas ao problema particular que enfrenta. Poderíamos levar essa dualidade até um pouco mais a fundo,
a meu ver, pois estas duas características já aparecem no próprio TLP que, como assevera McGuinness, é uma obra repleta de ironias, um texto
que representa uma “paródia de um tratado matemático” (2006, p. 379). Longe do sistematizante “tratado lógico-filosófico” do título e da
organizada expressão escrita, seu interesse se restringia, na realidade, a que a leitora ou o leitor se apercebesse dos compromissos velados da
filosofia com o contrassenso, e tomasse uma atitude no campo da ética, não no plano propriamente cognitivo ou lógico do tratado, como poderia
parecer à primeira vista. Neste ponto, precisamente, parece-me que Wittgenstein sempre foi o mesmo, alguém que se utiliza de ferramentas
filosóficas para livrar-se da filosofia e chegar a uma solução ética. Pois precisamente este é o caso da sua filosofia da matemática, quando enfatiza
que “o que fornecemos são, na realidade, observações sobre a história natural da humanidade” (PI§142). Não se trata, neste texto, da criação de
uma teoria, nem da defesa de alguma doutrina, mas das “verificações de fatos dos quais ninguém duvida, e que só escapam de ser observados
porque perambulam continuamente diante dos nossos olhos” (PI§142). Seu propósito continua a ser o de favorecer uma tomada de uma atitude,
depois que reconhecemos o que ele nos mostra e passamos a ver de outra maneira: “A insatisfação filosófica desaparece porque vemos mais”
(PIII§85).
Assim, não é implausível cogitar que a sua filosofia da matemática deva ser vista nessa chave, e não pela via do interesse cognitivo
mediante o qual se alinha a maior parte da filosofia contemporânea, seja ela a continental ou a analítica. Do contrário corre-se o risco de

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OFM - Apresentação

desentender-se todo o seu esforço filosófico, classificando-o de ingênuo, superficial, diletante ou até mesmo de ignorante, a exemplo de críticas
já célebres como as de Kreisel (1958), Bernays (1959), Dummett (1978), ou Gödel (cf. Wang, 1987, p. 49), apenas para ficar nos exemplos mais
dramáticos. Tal desentendimento coloca a perder a mais rica contribuição dos seus textos: os métodos filosóficos.
Podemos flagrá-los em ação no TLP, em 1922 (cf. McManus, 2006), nas discussões presenciais e epistolares com Ramsey, que perduraram
de 1923 a 1929, nas conversações mantidas com dois membros do Círculo de Viena, Schlick e Waismann, cujas anotações, publicadas atualmente
em WWK e VW, podem cobrir um período de, pelo menos, seis anos, entre 1929 e 1934. Trata-se sempre, invariavelmente, da procura da
maneira mais eficaz de persuadir o seu interlocutor (leitora ou leitor) a enxergar os mesmos fatos de outra maneira. Sem que, para isso, nada lhe
seja sugerido; sem que nada do que ela ou ele acreditam seja realmente tocado. A imagem dessa filosofia da matemática está muito bem descrita
numa passagem em que ele declara, por exemplo: “A claridade filosófica tem, sobre o crescimento da matemática, a mesma influência que a luz
do sol sobre o desabrochar dos rebentos da batata. (No escuro da despensa eles crescem muitos metros)” (TS 213, p. 643). Isso mostra que a luta
de Wittgenstein é sempre no sentido de extirpar, pela filosofia, a filosofia do pensamento da matemática. Não permitir que ela prolifere
descontroladamente e redunde em outra coisa que não seja mais reconhecida como matemática. É por esse motivo que ele espera que o matemático
fique simplesmente horrorizado pelas suas explanações (TS 213, p. 644). Por exemplo, quando numa discussão sobre provas de consistência de
Hilbert, provoca Schlick e Waismann, com ironia, ao dizer: “Eu já posso até prever: vão surgir investigações matemáticas sobre cálculos que
contêm uma contradição, e eles vão fazer alguma coisa de bom para se livrarem da consistência” (WWW, p. 139). Suas manobras retóricas,
muito variadas ao longo de toda a produção escrita, têm sempre o fito de persuadir o interlocutor sem que seja preciso lançar mão do
convencimento argumentativo direto. Tal como esclarece já nas OFM: “Podemos, assim, não reparar na justificação de uma expressão, por causa
do seu emprego, um emprego que se observa por uma faceta; talvez uma imagem que se vincula à expressão” (PII§62). À diferença do argumento,
em Wittgenstein premissas e conclusão vão ser tomados pragmaticamente, como expressão de interesse. Uma prova matemática, como um ato
de convencimento, como manifestação de uma imagem que se impõe como um modelo a ser seguido (cf. PI§79; PIII§22). O papel da sua filosofia,
entretanto, e nisto devemos ser cuidadosos, não é desconsiderar o argumento em favor de algum outro que lhe possa ocupar o lugar, como
habitualmente se faz num mundo em que teorias conspiratórias e as pseudociências se multiplicam, umas sobre as outras. Trata-se simplesmente
de desconstruir por dentro alegadas boas razões, derruir as bases de pressupostas verdades, a fim de que o sujeito possa tomar uma decisão
independente da força pragmática imposta pelo uso especializado de certas palavras. Por esse crivo passam, no presente texto, o logicismo,
quando coloca em causa o sentido da fundamentação da matemática; o formalismo, quando considera de maneiras inesperadas o papel dos
axiomas e das contradições na prova matemática; o intuicionismo, quando reflete sobre a relação entre o mental e o empírico na formulação dos
conceitos matemáticos; o platonismo, quando aborda a matemática como uma mineralogia ou uma zoologia. Mas o argumento não é desprezado,
por isso mesmo, já que ninguém parece estar obrigado a abandonar suas convicções depois de observá-las à luz do sol.
Neste sentido, a notável diferença de estilo literário entre o BT (TS 213) e as OFM não deve ser também descuidada. Lembremos que
Wittgenstein fazia extensas revisões no TS 213 ainda no outono de 1937, anotadas entre as páginas 1 a 135 do MS 116, sobre as quais von Wright

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OFM - Apresentação

observa que se moviam marcadamente na direção das IF (1993, p.494). Um ano antes, no outono de 1936, em Skjolden, nosso filósofo já havia
produzido o MS 142 que, datilografado, se tornaria, em 1938, o TS 220 (§§ 1-189a das atuais IF). Lembremos também que a parte final do BT
(5 das 18 seções que compõem o livro) é dedicada à matemática, começando pela seção intitulada “Fundamentos da Matemática”. Os TSS 221,
222, 223 e 224, que atualmente compõem a Parte I e anexos das OFM, são também “observações sobre fundamentos da matemática”. Por esse
motivo, a conjunção, em 1938, do TS 220 com o TS 221, para fins de publicação de um novo livro, deve ser também considerada, a meu ver,
como um forte indicativo da rendição, até mesmo nos textos sobre a matemática, da inclinação sistematizante da sua escrita ao estilo literário
dialógico, polifônico e assistemático que encontramos nas IF, bem mais propício aos métodos antifilosóficos do autor.
Se a leitora ou o leitor estiverem predispostos a aceitar a diferença de estilo literário de Wittgenstein, poderão descortinar diante de si
uma variedade muito grande de situações em que a matemática está furtivamente comprometida com a filosofia, em que ela se torna mais filosofia
do que propriamente matemática. O que, no caso de uma ciência que se baseia no rigor e na consistência, parece inacreditável. Com que tão
sólidas razões poderíamos dizer, assim, que uma proposição matemática corresponderia a uma construção mental, e não, antes, à influência sobre
a nossa comunidade de um certo palavrório (PIV§27), ou de um certo tipo de relação com o mundo empírico (PIV§29)? O fato é que os textos
de Wittgenstein nos confrontam com a nossa própria fisiognomia (cf. Almeida, 2015), com as atitudes a ela correlacionadas, e nos interpelam a
perquirir sobre compromissos tácitos que assumimos em nossos afazeres científicos.
Esta é a primeira vez que este texto é apresentado em língua portuguesa. O tradutor espera que, com isso, também novos desafios se
abram em nossa comunidade para uma compreensão do pensamento deste filósofo que tão peculiarmente se situa no movimento da filosofia
analítica do século XX, e que tanto ainda teria para ser debatido no escopo da filosofia que se apresenta agora, no século XXI. Uma exploração
mais clara do seu texto, realizada em perspectiva com a totalidade do Nachlass, é a nossa contribuição particular para fomentar esse debate.
Quanto à qualidade desta tradução, ela certamente deve ser julgada como é investigado um “jogo de linguagem” (cf. IF § 23). Pode ser
boa ou ruim, pode ter sido bem ou mal-sucedida: “(Quem disse que somos capazes de traduzir satisfatoriamente este poema inglês em alemão?!)
(Mesmo que esteja claro que existe, em um certo sentido, para cada sentença do inglês, uma tradução em alemão)” (PIII§85). O fato é que o
retorno crítico da leitora e do leitor é imprescindível para o melhoramento da qualidade do resultado apresentado até agora. Por outro lado,
esperamos ter entregue o melhor do nosso esforço.

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Vorwort der Herausgeber Prefácio dos Editores

Die unter dem Titel »Bemerkungen über die Grundlagen Os apontamentos de Wittgenstein intitulados
der Mathematik« erstmals 1956 posthum veröffentlichten “Observações Sobre os Fundamentos da Matemática”, e
Aufzeichnungen Wittgensteins stammen fast alle aus der Zeit publicados postumamente pela primeira vez em 1956, provêm,
von September 1937 bis April 1944. In seinen letzten quase todos, do período compreendido entre setembro de 1937
Lebensjahren ist Wittgenstein nicht mehr auf diese Themen até abril de 1944. Em seus últimos anos de vida, Wittgenstein não
zurückgekommen. Dagegen hat er von 1929 bis etwa 1934 vieles mais voltou a falar desses temas. Em contraposição, de 1929 até
zur Philosophie der Mathematik und der Logik verfaßt. Ein 1934 ele redigiu muita coisa sobre filosofia da matemática e
beträchtlicher Teil davon ist – zusammen mit anderem Material lógica. Uma parte considerável disso foi publicada – junto com
aus jenen Jahren – unter den Titeln »Philosophische outro material desses anos – sob os títulos de “Observações
Bemerkungen « (1964) und »Philosophische Grammatik« Filosóficas” (1964) e “Gramática Filosófica” (1969).
(1969) veröffentlicht worden. A presente nova edição revisada das “Observações Sobre
Die vorliegende revidierte Neuausgabe der os Fundamentos da Matemática” contém todo o texto da primeira
»Bemerkungen über die Grundlagen der Mathernatik« enthält edição (1956). Os editores, portanto, nada suprimimos do que já
den ganzen Text der ersten (1956) Ausgabe. Als Herausgeber existia impresso. Pelo contrário, até incluímos material adicional.
haben wir also nichts weggelassen, was schon im Druck vorlag. Somente as Partes II e III da primeira edição foram aqui
Dagegen haben wir Zusätzliches mit einbezogen. Nur die Teile publicadas como Partes III e IV, praticamente sem modificações.
II und III der Erstausgabe werden hier als Teile III und IV Da Parte I da primeira edição, separamos o Anexo II como
praktisch genommen unverändert abgedruckt. Parte II, complementando-o com algumas poucas adições dos
Von Teil I der Erstausgabe haben wir hier den Anhang manuscritos.
II, ergänzt durch einige wenige Zusätze aus den Handschriften, Totalmente inédita é a Parte VI desta nova edição. O
als selbständigen Teil II abgesondert. manuscrito contém, entre outras coisas, talvez a apresentação
Gänzlich neu ist Teil VI der Neuausgabe. Das mais satisfatória do pensamento de Wittgenstein a respeito do
Manuskript enthält u. a. die vielleicht am meisten befriedigende problema do seguimento de regras – uma das suas temáticas de
Darstellung von Wittgensteins Gedanken zum Problem des pensamento mais frequentes. O manuscrito (MS 164) foi redigido
Regelfolgens – eines seiner am häufigsten wiederkehrenden no período compreendido entre 1941-1944; uma datação mais
Gedankenthemata. Das Manuskript (164) ist in der Zeit 1941- exata não nos foi possível até agora.1 Com exceção de algumas
OFM – Prefácio

1944 geschrieben worden; eine genauere Datierung war uns observações ao fim, que não se deixam inserir totalmente nos
bisher nicht möglich.1 Mit Ausnahme von einigen Bemerkungen diversos âmbitos de problemas, o manuscrito foi publicado por
am Ende, die sich nicht ganz in den sonstigen Problemkreis extenso.
einfügen lassen, wird das Manuskript hier in extenso abgedruckt. A Parte I é a mais antiga da coleção e ocupa, digamos
Teil I ist der früheste dieser Sammlung und nimmt assim,
gewisser-
_______ _______
1. Die Numerierung von Wittgensteins Manuskripten und Maschinenskripten 1. A numeração dos manuscritos e datiloscritos de Wittgenstein segue o
erfolgt hier nach dem Verzeichnis im Aufsatz von G. H. von Wright, »The catálogo publicado por G. H. von Wright, “The Wittgenstein Papers”, in: The
Wittgenstein Papers«, in: The Philosophical Review, VoI. LXXVIII, 1969. Philosophical Review, v. LXXVIII, 1969.

29 29

maßen eine Sonderstellung ein. Er ist der einzige in uma posição especial. Ela é a única Parte realmente escrita à
Maschinenschrift vorliegende Teil und von allen der am meisten máquina e a melhor trabalhada de todas. O datiloscrito, por sua
durchgearbeitete. Die Maschinenschrift geht ihrerseits auf vez, remete-se aos manuscritos talvez compostos, em sua maior
Manuskripte zurück, die zum größten Teil in der Zeit von parte, durante o período de setembro de 1937 até ao fim desse ano
September 1937 bis etwa zum Ende des Jahres verfaßt wurden (MSS 117, 118, 119). Uma exceção talvez sejam as observações
(117, 118, 119). Eine Ausnahme sind jedoch die Bemerkungen sobre o conceito de negação, que provêm de um manuscrito
zum Begriff der Negation; sie stammen aus einem um die produzido na virada dos anos 1933-1934 (MS 115).
Jahreswende 1933-1934 entstandenen Manuskript (115). Na sua forma original, o datiloscrito em que se baseia a
In ihrer ursprünglichen Form bildete die Parte I constituiu a segunda metade da versão mais antiga das
Maschinenschrift, die dem Teil I zugrunde liegt, die zweite “Investigações Filosóficas”. Essa metade foi então recortada por
Hälfte einer früheren Fassung der »Philosophischen Wittgenstein em “fichas”, abastecida por inúmeras modificações
Untersuchungen«. Diese Hälfte der Fassung hat Wittgenstein e acréscimos, para produzir, em seguida, as observações
dann in »Zettel« aufgespaltet, sie mit zahlreichen Änderungen particulares na ordem aqui reproduzida. No ano de 1944, ele
und Zusätzen versehen, und dann erst die hier wiedergegebene ainda sugeriu algumas modificações para esse datiloscrito em um
Ordnung der einzelnen Bemerkungen hergestellt. Noch im Jahre livro manuscrito (MS 124). (Veja-se a nota da p. 80.)
1944 hat er in einem Manuskriptbuch (124) einige wenige A última seção da coleção de fichas reordenadas consiste
Änderungen zu dieser Maschinenschrift vorgeschlagen. (Siehe em páginas não recortadas, entretanto com muitos acréscimos

11
OFM – Prefácio

unten S. 80.) manuscritos; mas não é muito claro se Wittgenstein a considerou


Der letzte Abschnitt der umgeordneten Zettelsammlung como parte do texto precedente. Essa seção trata do conceito de
bestand aus unbeschnittenen Seiten, allerdings mit vielen negação e foi redigida, como dissemos, 3 a 4 anos antes do resto
handschrifllichen Zusätzen, und es ist nicht ganz klar, ob da Parte I. Seu conteúdo pode ser reencontrado, em grande parte,
Wittgenstein ihn als mit dem vorhergehenden Text nas seções §§ 547-568 das “Investigações”. Os editores a
zusammengehörend angesehen hat. Dieser Abschnitt handelt omitimos na primeira edição, mas ela foi incluída agora como
vom Begriff der Negation und wurde, wie schon erwähnt, 3-4 Anexo I da Parte I.
Jahre früher aIs der Rest von Teil I geschrieben. Sein lnhalt A coleção de fichas acrescentou, além disso, dois anexos
findet sich zum großen Teil in den »Untersuchungen«, §§ 547- provenientes do mesmo datiloscrito da segunda metade das
568, wieder. Die Herausgeber hatten ihn in der Erstausgabe “Investigações” (primeira versão); no entanto, eles estavam
weggelassen, hier aber als Anhang I des Teils I mit separados do resto da coleção de fichas. O primeiro anexo trata
aufgenommen. de “surpresas em matemática”. O segundo debate, entre outras
Der Zettelsammlung waren ferner zwei Anhänge coisas, o teorema de Gödel sobre a existência de proposições não
beigefügt. Sie stammen aus demselben Maschinenskript der provadas, porém verdadeiras, do sistema do “Principia
zweiten Hälfte der (frühen) »Untersuchungen«, doch waren sie Mathematica”. A primeira edição incluiu somente o segundo
von dem Rest der Zettelsammlung gesondert. Der erste Anhang anexo; aqui, contudo, publicamos ambos os anexos (Anexos II e
handelt vom »Überraschenden in der Mathematik«. Der zweite III).
bespricht u. a. Gödels Satz über die Existenz von unbeweisbaren, Com a exceção de algumas poucas observações que o
aber wahren Sätzen im System der »Principia Mathematica«. In próprio Wittgenstein
die Erstausgabe war nur der zweite Anhang aufgenommen
worden; hier werden jedoch beide Anhange veröffentlicht.
(Anhang II und III.)
Mit Ausnahme einiger weniger Bemerkungen, die
Wittgenstein
30 30

bei der Zusammenstellung der Zettel selbst fortgelassen hat, abandonou com a compilação das fichas, a Parte I aqui publicada
umfaßt somit der hier veröffentlichte Teil I den ganzen Inhalt der compreende, assim, o conteúdo total da segunda metade da
zweiten Hälfte der frühen Fassung der »Philosophischen primeira versão das “Investigações Filosóficas”.

12
OFM – Prefácio

Untersuchungen«. A intenção de Wittgenstein pode ter sido a de incluir – ao


Es dürfte die Absicht Wittgensteins gewesen sein, seinen lado do anexo sobre o teorema de Gödel – também os anexos
für die »Philosophischen Untersuchungen« geplanten Beiträgen sobre a teoria do infinito de Cantor e a lógica de Russell como
zum Grundlagenproblem der Mathematik – neben dem Anhang contribuições planejadas como problemas fundamentais da
über Gödels Satz – auch Anhänge über Cantors Lehre von der matemática para as suas “Investigações Filosóficas”. Sob o título
Unendlichkeit und Russells Logik beizufügen. Unter dem Titel de “Anexos”, ele escreveu, provavelmente no começo de 1938,
»Ansatze« hat er, wahrscheinlich zu Anfang des Jahres 1938, algumas coisas no âmbito de problemas da teoria dos conjuntos:
einiges zum Problemkreis der Mengenlehre niedergeschrieben: a prova da diagonal e os diferentes tipos de conceito de número.
über das Diagonalverfahren und die verschiedenen Arten der No período compreendido entre abril de 1938 e janeiro de 1939,
Zahlbegriffe. In der Zeit von April 1938 bis Januar 1939 hat er escreveu um livro manuscrito (MS 121) no qual, ao lado de outras
ein Manuskriptbuch (121) geschrieben, in das er, neben anderen observações sobre a filosofia de conceitos psicológicos, registrou
Bemerkungen zur Philosophie der psychologischen Begriffe, muita coisa sobre prova e verdade (Gödel), bem como sobre o
vieles über Beweisbarkeit und Wahrheit (Gödel) sowie über infinito e tipos de número (Cantor). Em seguida, deu continuidade
Unendlichkeit und Zahlenarten (Cantor) eingetragen hat. Diese imediata a esses apontamentos em um caderno (MS 162a e
Aufzeichnungen hat er unmittelbar in einem Notizbuch (162a começo do MS 162b). Wittgenstein retornou ocasionalmente a
und Anfang von 162b) fortgesetzt. Auch spater in den esses temas mais tarde, nos anos de guerra. A discussão com
Kriegsjahren kommt er gelegentlich auf diese Themen zurück. Cantor, no entanto, nunca chegou a um fim.
Die Auseinandersetzung mit Cantor ist jedoch nie zu Ende O que aqui foi publicado como Parte II compreende o que
geführt worden. foi denominado acima como “Anexos” no MS 117, além de uma
Was hier als Teil II veröffentlicht wird, besteht aus den seleção de observações do MS 121. A totalidade representa uma
obengenannten »Ansatzen« in 117 und aus einer Auswahl von dilatação insignificante do Anexo II da Parte I da primeira edição
Bemerkungen aus 121. Das Ganze stellt eine unbeträchtliche (1956) das “Observações”. O arranjo de parágrafos e porções em
Erweiterung des Anhangs II von Teil I der früheren Ausgabe observações numeradas corresponde ao texto original (nunca
(1956) der »Grundlagen« dar. Die Zusammenführung von complementada na edição de 1956). As seções foram numeradas
Sätzen und Stücken zu numerierten Bemerkungen entspricht pelos editores.
dem Originaltext (was nicht durchwegs in der Ausgabe von 1956 O confronto de Wittgenstein com Russell, isto é, com o
der Fall war). Die Abschnitte sind von den Herausgebern pensamento da derivabilidade da matemática (aritmética) a partir
numeriert worden. do cálculo lógico, encontra-se na Parte III dessa coleção (Parte II
Wittgensteins Auseinandersetzung mit Russell, d. h. mit na edição de 1956). Esses apontamentos provêm do período entre
dem Gedanken von der Herleitbarkeit der Mathematik outubro de 1939 até abril de 1940. O manuscrito (MS 122, com

13
OFM – Prefácio

(Arithmetik) aus dem Logikkalkül, findet sich in Teil III dieser continuação na segunda metade do MS 117) é o mais volumoso
Sammlung (Teil II der Ausgabe von 1956). Diese dos que formam a base da coleção.
Aufzeichnungen stammen aus der Zeit von Oktober 1939 bis
April 1940. Das Manuskript (122, mit Fortsetzung in der zweiten
Hälfte von 111) war von allen dieser Sammlung zugrunde
liegenden Manuskripten das
31 31

umfangreichste. Stilistisch und wohl auch sachlich ist es wenig Ele é bem pouco acabado, estilistica e materialmente. Sempre
vollendet. Immer von neuem wiederholt der Verfasser den com novas reiterações, o autor do ensaio tenta elucidar seus
Versuch, seine Gedanken über die Natur des mathematischen pensamentos sobre a natureza da prova matemática: o que quer
Beweises zu erläutern: Was heißt, z. B., der Beweis soll dizer, por exemplo, que a prova deve ser clara; ela nos demonstra
übersichtlich sein; er führe uns ein Bild vor; er schafft einen uma imagem, ela cria um novo conceito, e assim por diante. Ele
neuen Begriff; und dgl. Er ist bestrebt, »die Buntheit der se empenha para explicar “a policromia da matemática” e deixar
Mathematik« zu erklären und den Zusammenhang der clara a conexão das diversas técnicas de cálculo. Nesse esforço,
verschiedenen Rechentechniken klarzulegen. Mit diesem ele se opõe ao mesmo tempo à ideia de um “fundamento” da
Streben widersetzt er sich zugleich der Idee einer »Grundlage« matemática, seja ele na forma do cálculo lógico de Russell ou na
der Mathematik, sei es in der Form des Russellschen forma da concepção hilbertiana de uma metamatemática. A ideia
Logikkalküls oder in der der Hilbertschen Konzeption einer da contradição e de uma prova consistente é extensamente
Metamathematik. Die Idee des Widerspruchs und des discutida.
Widerspruchsfreiheitsbeweises wird ausführlich besprochen. Os editores tínhamos a opinião de que esse manuscrito
Die Herausgeber waren der Ansicht, daß dieses continha pensamentos muito valiosos, já que não se encontram
Manuskript eine Fülle wertvoller Gedanken enthält, wie sie em mais nenhum outro lugar entre os apontamentos de
sonst nirgendwo in Wittgensteins Aufzeichnungen anzutreffen Wittgenstein. Por outro lado, pareceu-nos também claro que o
sind. Andererseits schien es ihnen auch klar, daß das Manuskript manuscrito não poderia ser publicado integralmente. Era
nicht ungekürzt veröffentlicht werden konnte. Deshalb war eine inevitável uma seleção. A tarefa foi difícil e os editores não
Auswahl unumgänglich. Die Aufgabe war schwer, und die ficamos plenamente satisfeitos com o resultado.
Herausgeber sind rnit dem Resultat nicht ganz zufrieden. No outono de 1940, Wittgenstein ocupou-se de novo com
Im Herbst 1940 hat sich Wittgenstein von neuem mit der a filosofia da matemática, e assentou por escrito algumas coisas

14
OFM – Prefácio

Philosophie der Mathematik befaßt und einiges zur Frage des sobre a questão do seguimento de regras. Esses apontamentos
Regelfolgens niedergeschrieben. Diese Aufzeichnungen (MS 123) não são publicados aqui. O trabalho foi retomado em
(Manuskript 123) sind hier nicht veröffentlicht. Im Mai 1941 maio de 1941 e levado imediatamente para as Investigações, do
wurde die Arbeit wieder aufgenommen und führte bald zu qual aqui uma considerável seleção foi publicada como a Parte
Untersuchungen, von denen hier – als Teil VII – eine VII.
beträchtliche Auswahl veröffentlicht wird. A primeira metade da Parte VII (§§ 1-23) foi redigida, na
Die erste Hälfte von Teil VII (§§ 1-23) wurde sua maior quantidade, em junho de 1941. Ela versa sobre a
größtenteils im Juni 1941 geschrieben. Sie bespricht das relação entre proposição matemática e empírica, entre cálculo e
Verhältnis zwischen mathematischem Satz und Erfahrungssatz, experimento, trata novamente do conceito de contradição e de
zwischen Rechnung und Experiment, behandelt von neuem den consistência, e finaliza na vizinhança do problema de Gödel. A
Begriff des Widerspruchs und der Widerspruchsfreiheit und segunda metade surge no começo de 1944. Trata principalmente
endet in der Nähe des Gödelschen Problems. Die zweite Hälfte do conceito de seguimento de regras, de prova matemática e
entstand im Frühjahr 1944. Sie handelt hauptsächlich vom inferência lógica, e da conexão entre prova e formação de
Begriff des Regelfolgens, des mathematischen Beweises und des conceito em matemática. Encontram-se aqui, por um lado,
logischen Schließens, und vom Zusammenhang zwischen inúmeros pontos de apoio com os manuscritos
Beweis und Begriffsbildung in der Mathematik. Es finden sich
hier zahlreiche Berührungspunkte mit den in der Zwischenzeit
entstandenen
32 32

Manuskripten einerseits (Teile IV und V) und mit Gedanken der surgidos no período intermediário (Partes IV e V), e, por outro
»Philosophischen Untersuchungen« andererseits. §§ 47-60 lado, com os pensamentos das “Investigações Filosóficas”. As
bilden im wesentlichen eine frühere Fassung dessen, was jetzt in seções §§ 47-60 formam, no essencial, uma primeira versão do
den »Untersuchungen« §§ 209 bis 237 zu finden ist. Hier ist die que atualmente pode ser encontrado entre as seções §§ 209 até
Reihenfolge der Bemerkungen verschieden; und einige sind in 237 das “Investigações”. A ordem das observações é diferente
die spätere Fassung nicht aufgenommen worden. – Die beiden aqui, e algumas sequer foram retomadas na versão mais tardia. –
Hälften dieses Teils VII waren in demselben Manuskriptbuch Ambas as metades desta Parte VII estavam registradas no mesmo
(124) eingetragen, was unter anderem ein Anzeichen dafür sein livro manuscrito (MS 124), o que poderia ser, entre outros, um
dürfte, daß der Verfasser sie als zusammengehörig betrachtet sinal de que o autor as considerava como correspondentes.

15
OFM – Prefácio

hat. A Parte V foi retirada de dois manuscritos (MSS 126 e


Teil V ist zwei Manuskripten (126 und 127) aus den 127) dos anos 1942 e 1943 – enquanto a Parte IV, principalmente
Jahren 1942 und 1943 entnommen – Teil IV wieder de um manuscrito (MS 125) do ano de 1942, com alguns
hauptsächlich einem Manuskript (125) aus dem Jahre 1942, mit acréscimos dos dois manuscritos nos quais se baseia a Parte V.
einigen Zusätzen aus den beiden Manuskripten die Teil V Muita coisa nessas duas peças tem o caráter de “estudo
zugrunde liegen. Manches in diesen beiden Teilen trägt den preparatório” para a segunda metade da Parte VII; mas elas
Charakter von »Vorstudien« zur zweiten Hälfte des Teiles VII; contêm uma riqueza de material que o autor não reutilizou nesta.
sie enthalten aber auch eine Fülle von Material, das der Verfasser Na Parte V Wittgenstein discute objetos que aludem a
dort nicht benutzt hat. Brouwer e ao chamado intuicionismo: a lei do terceiro excluído e
Im Teil V bespricht Wittgenstein Gegenstände, die sich a existência matemática; o corte de Dedekind e o modo de
mit Brouwer und dem sog. Intuitionismus berühren: das Gesetz consideração extensional e intensional na matemática. Na
vom ausgeschlossenen Dritten und mathematische Existenz; den segunda metade dessa Parte, encontram-se observações sobre o
Dedekind-Schnitt und die extensionale und die intensionale conceito de universalidade na matemática, e, em especial, sobre
Betrachtungsweise in der Mathematik. In der zweiten Hälfte um tema de pensamento que, mais tarde, na Parte VII, virão a
dieses Teils finden sich Bemerkungen zum Begriff der lume mais fortemente: o papel da formação de conceitos e a
Allgemeinheit in der Mathematik und ganz besonders zu einem relação entre verdade e conceito em matemática.
Gedankenthema, das später, in Teil VII, noch stärker zum A disposição cronológica do material ocasionou a
Vorschein kommt: die Rolle der Begriffsbildung und das consequência de que o mesmo tema fosse muitas vezes tratado
Verhältnis von Wahrheit und Begriff in der Mathematik. em diferentes lugares. Se Wittgenstein tivesse colocado seus
Die chronologische Anordnung des Stoffes hatte zur apontamentos num livro teria talvez evitado muitas dessas
Folge, daß ein und dasselbe Thema manchmal an verschiedenen repetições.
Stellen behandelt wird. Hätte Wittgenstein seine Deve-se mais uma vez enfatizar: a Parte I, e praticamente
Aufzeichnungen zu einem Buche zusammengestellt, so hätte er toda a Parte VI, porém só elas, são reproduções completas do
wohl manche dieser Wiederholungen vermieden. texto de Wittgenstein. O que, portanto, aqui se publica como
Es muß noch einmal betont werden: Teil I und praktisch Partes II, III, IV, V e VII, são seleções de manuscritos mais
genommen auch Teil VI, aber nur sie, sind vollständige volumosos. No prefácio da primeira edição,
Wiedergaben von Texten Wittgensteins. Was also als Teile II,
III, IV, V und VII hier veröffentlicht wird, ist eine Auswahl aus
umfangreicheren Manuskripten. Im Vorwort zur Erstausgabe
haben

16
OFM – Prefácio

33 33

die Herausgeber die Vermutung geäußert, daß es später os editores expressamos a suposição de que seria desejável
vielleicht wünschenswert ware, auch das Weggelassene zu imprimir talvez mais tarde o material omitido. Temos ainda a
drucken. Sie sind noch derselben Meinung – aber auch der, daß mesma opinião – mas também a de que ainda não chegou o tempo
für den Druck samtlicher Manuskripte Wittgensteins über diese de imprimir todos os manuscritos de Wittgenstein acerca deste e
und andere Gegenstande die Zeit noch nicht gekommen ist. de outros temas.
Für die Numerierung der ausgewählten Stücke sind wir Somente os editores somos responsáveis pela numeração
als Herausgeber allein verantwortlich. (Auch in Teil I.) Die das porções selecionadas. (Também na Parte I.) Mas, em
Gliederung der Aufzeichnungen in ›Bernerkungen‹ – hier durch contraposição, a articulação em ‘observações’ – aqui separadas
weitere Abstände voneinander getrennt – ist dagegen umas das outras mediante distâncias maiores – é do próprio
Wittgensteins eigene. Die Ordnung der Abschnitte haben wir mit Wittgenstein. Com poucas exceções, não quisemos mexer na
wenigen Ausnahmen nicht antasten wollen. Doch haben wir ordem das seções. Mas algumas vezes, particularmente nas
manchmal, besonders am Schluß des vierten und fünften Teils, conclusões das Partes IV e V, reunimos temas semelhantes que
zum selben Thema Gehörendes aus verschiedenen Stellen der pertenciam a diferentes lugares dos apontamentos.
Aufzeichnungen zusammengetragen. O conteúdo e o índice analítico devem ajudar o leitor a
Die Inhaltsverzeichnisse und das Register sollen dem reencontrar mais facilmente, e com uma só olhada, os lugares da
Leser zu einem Überblick verhelfen und zu leichterem sua busca. Somos os únicos responsáveis pela articulação dos
Wiederfinden der Stellen beim Nachsuchen dienen. Für die in temas e pelo material sugerido no conteúdo.
den Inhaltsverzeichnissen angedeutete thematische Gliederung
des Stoffes sind wir allein verantwortlich.

34 34

17
Teil I Parte I
1937-1938 1937-1938

1. Wir verwenden den Ausdruck: »die Übergänge sind 1. Nós empregamos a expressão: “as transições são
durch die Formel ... bestimmt«. Wie wird er verwendet? – Wir determinadas pela fórmula …”. Como ela se emprega? – Nós
können etwa davon reden, daß Menschen durch Erziehung poderíamos talvez dizer que as pessoas foram levadas a empregar
(Abrichtung) dahingebracht werden, die Formel y = x2 so zu a fórmula y = x2 pelo ensino (treinamento) de que todas elas, se
verwenden, daß Alle, wenn sie die gleiche Zahl für x einsetzen, inserimos o mesmo número para x, calculam para y sempre o
immer die gleiche Zahl für y herausrechnen. Oder wir können mesmo resultado. Ou poderíamos dizer: “Essas pessoas são
sagen: »Diese Menschen sind so abgerichtet, daß sie alle auf den treinadas para que, sob a ordem ‘+ 3’, dada no mesmo estágio,
Befehl ›+ 3‹ auf der gleichen Stufe den gleichen Übergang executem sempre o mesmo passo.” Poderíamos expressar isso
machen.« Wir könnten dies so ausdrücken: »Der Befehl ›+ 3‹· assim: “A ordem ‘+ 3’ determina completamente, para essas
bestimmt für diese Menschen jeden Übergang von einer Zahl zur pessoas, cada passo de um número ao próximo.” (Em
nächsten völlig.« (Im Gegensatz zu andern Menschen, die auf contraposição a outras pessoas que, sob essa ordem, não sabem o
diesen Befehl nicht wissen, was sie zu tun haben, oder die zwar que se tem que fazer, ou que, na verdade, reagem a ela com
mit Sicherheit, aber ein jeder in anderer Weise, auf ihn reagieren.) segurança, mas cada um de um jeito diferente.)
Wir können anderseits verschiedene Arten von Formeln Por outro lado, nós poderíamos contrapor diferentes tipos
und zu ihnen gehörige verschiedene Arten der Verwendung de fórmula e diferentes tipos de emprego (diferentes tipos de
(verschiedene Arten der Abrichtung) einander entgegensetzen. treinamento) a eles pertencentes. Nós denominaríamos as
Wir nennen dann Formeln einer bestimmten Art (und der fórmulas de um determinado tipo (e modos de emprego
dazugehörigen Verwendungsweise) »Formeln, welche eine Zahl correspondentes) como “fórmulas que determinam um número y
y für ein gegebenes x bestimmen«, und Formeln anderer Art, para um número x dado”, e as fórmulas de outro tipo como as que
solche, »die die Zahl y für ein gegebenes x nicht bestimmen«. (y “não determinam um número y para um dado número x”. (y = x2
= x2 + 1 wäre von der ersten Art, y > x2 + 1, y = x2 ± 1, y = x2 + + 1 seriam do primeiro tipo, e y > x2 + 1, y = x2 ± 1, y = x2 + z,
z von der zweiten.) Der Satz: »die Formel ... bestimmt eine do segundo.) A proposição: “a fórmula … determina
OFM – Parte I

[TS 222, p. 1] [TS 222, p. 1]


Zahl y« ist dann eine Aussage über die Form der Formeln – und um número y” seria, então, uma sentença sobre a forma das
es ist nun ein Satz »Die Formel, die ich hingeschrieben habe, fórmulas – e agora uma proposição como “A fórmula que anotei
bestimmt y«, oder »Hier steht eine Formel, die y bestimmt«, zu aqui determina y”, ou como “Aqui está uma fórmula que
unterscheiden von einem Satz wie: »Die Formel y = x2 bestimmt determina y”, deveria ser diferenciada de uma proposição como:
die Zahl y für ein gegebenes x«. Die Frage »Steht dort eine “A fórmula y = x2 determina o número y para um dado número
Formel, die y bestimmt?« heißt dann dasselbe wie: »Steht dort x”. A pergunta “Ali está uma fórmula que determina y?” quer
eine Formel dieser Art, oder jener Art?«; was wir aber mit der dizer o mesmo que “Ali está uma fórmula deste ou daquele tipo?”
Frage anfangen sollen: »Ist y = x2 eine Formel, die y für ein – ela não é imediatamente clara. Essa pergunta poderia ser
gegebenes x bestimmt?« –. ist nicht ohne weiteres klar. Diese proposta para um estudante, para conferir se ele compreende o
Frage könnte man etwa an einen Schüler stellen, um zu prüfen, emprego da expressão “determinar”;
ob er die Verwendung des Ausdrucks »bestimmen« ver-
35 35

steht; oder es könnte eine mathematische Aufgabe sein, zu ou poderia ser um tarefa de matemática, para calcular se
berechnen, ob auf der rechten Seite der Formel nur eine Variable permanece apenas uma variável no lado direito da fórmula, como,
steht, wie z. B. im Fall: y = (x2 + z)2 - z(2x2 + z). por exemplo, no caso: y = (x2 + z)2 - z(2x2 + z).

2. »Wie die Formel gemeint wird, das bestimmt, welche 2. “O modo1 como a fórmula quer dizer2 é o que determina
Übergänge zu machen sind«. Was ist das Kriterium dafür, wie que transições devem ser feitas”. Qual é o critério para o modo
die Formel gemeint ist? Doch wohl die Art und Weise, wie wir como a fórmula quer dizer? Bem, é a maneira como ela foi
sie ständig gebrauchen, wie uns gelehrt wurde, sie zu gebrauchen. constantemente usada, como nos foi ensinado a usá-la.
Wir sagen z. B. Einem, der ein uns unbekanntes Zeichen Nós dizemos, por exemplo, para alguém que usa um sinal
gebraucht: »Wenn du mit ›x~2‹ meinst x2, so erhältst du diesen desconhecido por nós: “Se você, com ‘x~2’, quer dizer x2, então
Wert für y, wenn du damit √𝑥 meinst, jenen.« – Frage dich nun: admite este valor para y; mas se você quer dizer √𝑥 , então
Wie macht man es, mit ›x~2‹ das eine, oder das andere meinen? aquele.” Agora, pergunte-se a si mesmo: como se faz com ‘x~2’
So kann also das Meinen die Übergänge zum voraus para se querer dizer um ou outro?
bestimmen.

19
OFM – Parte I

[TS 222, p. 2] Assim, portanto, o querer dizer pode determinar


previamente as transições.
[TS 222, p. 2]

3. Wie weiß ich, daß ich im Verfolg der Reihe + 2 schreiben


muß 3. Como sei que no decurso da sequência + 2 tenho que
»20004, 20006« escrever
und nicht “20004, 20006”
»20004, 20008«? e não
– (Ähnlich ist die Frage: »Wie weiß ich, daß diese Farbe ›rot‹ “20004, 20008”?
ist?«) – (Semelhante à pergunta: “Como sei que esta cor é ‘vermelha’?”)
»Aber du weißt doch Z. B., daß du immer die gleiche “Mas você sabe, por exemplo, que sempre tem que
Zahlenfolge in den Einern schreiben mußt: 2, 4, 6, 8, 0, 2, 4, escrever a mesma sequência numérica nas unidades: 2, 4, 6, 8, 0,
usw.« – Ganz richtig! das Problem muß auch schon in dieser 2, 4, e assim por diante.” – Certíssimo! o problema tem que já
Zahlenfolge, ja auch schon in der: 2, 2, 2, 2, usw. auftreten. – estar também nessa sequência numérica, já também que ocorrer
Denn wie weiß ich, daß ich nach der 500sten »2« »2« schreiben em: 2, 2, 2, 2, e assim por diante. – Pois como saberia então que
soll? daß nämlich an dieser Stelle »2« ›die gleiche Ziffer‹ ist? depois do 500o “2” devo escrever um “2”? ou seja, que nesse lugar
Und o “2” é ‘o mesmo algarismo’? E
[TS 222, p. 3] [TS 222, p. 3]
wenn ich es zuvor weiß, was hilft mir dies Wissen für später? Ich se já sei disso antes, em que me ajuda posteriormente esse saber?
meine: wie weiß ich dann, wenn der Schritt wirklich zu machen Quero dizer: como sei o que fazer com aquele saber anterior,
ist, was ich mit jenem früheren Wissen anzufangen habe? quando o passo é para ser dado realmente?
(Wenn zur Fortsetzung der Reihe + 1 eine Intuition nötig (Se para a continuação da sequência + 1 é preciso uma
ist, dann auch zur Fortsetzung der Reihe + 0.) intuição, então é também preciso para a continuação da sequência
[TS 222, p. 4] + 0.)
[TS 222, p. 4]
36
36

20
OFM – Parte I

»Aber willst du sagen, daß der Ausdruck ›+ 2‹ es für dich “Mas você quer dizer que a expressão ‘+ 2’ deixa dúvidas
zweifelhaft läßt, was du, nach 2004 z. B., schreiben sollst?« – sobre o que você deveria escrever depois de 2004, por exemplo?”
Nein; ich antworte ohne Bedenken: »2006«. Aber darum ist es ja – Não; eu repondo sem pensar: “2006”. Consequentemente é
überflüssig, daß dies schon früher festgelegt wurde. Daß ich supérfluo que isso já se tenha estabelecido anteriormente. Que
keinen Zweifel habe, wenn die Frage an mich herantritt, heißt não tivesse nenhuma dúvida quando me foi feita a pergunta,
eben nicht, daß sie früher schon beantwortet worden war. simplesmente não quer dizer que ela já havia sido respondida
»Aber ich weiß doch auch, daß, welche Zahl immer man antes.3
mir geben wird, ich die folgende gleich mit Sicherheit werde “Mas sei também que, para qualquer número que me seja
angeben können.” – Ausgenommen ist doch gewiß der Fall, daß dado, poderei declarar o seguinte imediatamente com segurança.”
ich sterbe, ehe ich dazu komme, und viele andere Fälle. Daß ich – Certamente exclui-se o caso de que morra antes de chegar lá,
aber so sicher bin, daß ich werde fortsetzen können, ist natürlich assim como muitos outros casos. Que esteja tão seguro de que
sehr wichtig. – poderia continuar é, naturalmente, muito importante. –
[TS 222, p. 5] [TS 222, p. 5]

4. »Worin liegt dann aber die eigentümliche 4. “Em que consiste então a peculiar inexorabilidade da
Unerbittlichkeit der Mathematik?« – Ware für sie nicht ein gutes matemática?” – Não seria para ela um bom exemplo a
Beispiel die Unerbittlichkeit, mit der auf eins zwei Folgt, auf inexorabilidade com a qual o dois se segue do um, e o três do dois
zwei drei, usw.? – Das heißt doch wohl: in der etc.? – Isso quer dizer, é claro: segue-se na sequência dos
Kardinalzahlenreihe folgt; denn in einer andern Reihe folgt ja números cardinais; já que em outra sequência talvez se siga outra
etwas anderes. Und ist denn diese Reihe nicht eben durch diese coisa. E então esta sequência não se define justamente por essa
Folge definiert? – »Soll das also heißen, daß es gleich richtig ist, sequência? – “Deve isso querer dizer, portanto, que são
auf welche Weise immer Einer zählt, und daß jeder zählen kann, igualmente corretas a maneira como alguém sempre conta e a
wie er will?« – Wir würden es wohl nicht »zahlen« nennen, wenn maneira como qualquer um conta a seu bel-prazer?” – Não
jeder irgendwie Ziffern nacheinander ausspräche; aber es ist chamaríamos isso realmente de “contar”, se todos proferissem
freilich nicht einfach eine Frage der Benennung. Denn das, was sucessivamente algarismos de qualquer jeito; mas isso não é
wir »zählen« nennen, ist ja ein wichtiger Teil der Tätigkeiten simplesmente uma pergunta sobre denominação. Pois o que
unseres Lebens. Das Zählen, und Rechnen, ist doch – z. B. – nicht chamamos de “contar” é uma parte importante das atividades da
einfach ein Zeitvertreib. Zahlen (und das heißt: so zählen) ist eine nossa vida. O contar e o calcular não são simplesmente – por
Technik, die täglich in den mannigfachsten Verrichtungen exemplo – um passatempo. O contar (e isso quer dizer: contar

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OFM – Parte I

unseres Lebens verwendet wird. Und darum lernen wir zählen, assim) é uma técnica empregada diariamente nos múltiplos
wie wir es lernen: mit endlosem Üben, mit erbarmungsloser afazeres da nossa vida. E por isso aprendemos a contar como
Genauigkeit; darum wird unerbittlich darauf gedrungen, daß wir aprendemos: com infindáveis exercícios de exatidão implacável;
Alle auf »eins« »zwei«, auf »zwei« »drei« sagen, usf. – »Aber ist por isso somos impelidos inexoravelmente a dizer depois de todo
dieses Zählen also nur ein Gebrauch; entspricht dieser Folge “um”, “dois”, depois de todo “dois”, “três”, e assim por diante. –
nicht auch eine Wahrheit?« Die Wahrheit ist, daß das Zählen sich “Mas esse contar é, portanto, só um uso; não corresponde a essa
bewährt hat. – »Willst du also sagen, daß ›wahr-sein‹ heißt: sequência também uma verdade?” A verdade é que o contar se
brauchbar (oder nützlich) sein?« – Nein; sondern, daß man von verifica.4 – “Desse modo, você quer dizer que ‘ser-verdadeiro’
significa: ser utilizável (ou útil)?” – Não; mas que
37 37

der natürlichen Zahlenreihe – ebenso wie von unserer Sprache não se pode dizer da sequência dos números naturais – do mesmo
nicht sagen kann, sie sei wahr, sondern: modo que da nossa linguagem – que ela é verdadeira, mas:
[TS 222, p. 6] [TS 222, p. 6]
sie sei brauchbar und, vor allem, sie werde verwendet. que ela é utilizável e, sobretudo, que é empregada.

5. »Aber folgt es nicht mit logischer Notwendigkeit, daß du 5. “Mas não se segue com necessidade lógica que você
zwei erhältst, wenn du zu eins eins zählst, und drei, wenn du zu obtém dois quando efetua um sobre um, e três quando efetua um
zwei eins zählst, usf.; und ist diese Unerbittlichkeit nicht sobre dois etc.; e essa inexorabilidade não é a mesma da
dieselbe, wie die des logischen Schlusses?« – Doch! sie ist inferência lógica?” – Claro! É a mesma. – “Mas não corresponde
dieselbe. – »Aber entspricht denn der logische Schluß nicht einer à conclusão lógica uma verdade? Não é verdadeiro que esta se
Wahrheit? Ist es nicht wahr, daß das aus diesem folgt?« – Der segue daquela?” – A proposição: “é verdadeiro que esta se segue
Satz: »es ist wahr, daß das aus diesem Folgt«, heißt einfach: das daquela”, significa simplesmente: esta se segue daquela. E como
folgt aus diesem. Und wie verwenden wir diesen Satz? – Was empregamos essa proposição? – Que ocorreria se concluíssemos
würde denn geschehen, wenn wir anders schlössen – wie würden outra coisa – como entraríamos em conflito com a verdade?
wir mit der Wahrheit in Konflikt geraten? [TS 222, p. 7]
[TS 222, p. 7] Como entraríamos em conflito com a verdade se os nossos
Wie würden wir mit der Wahrheit in Konflikt geraten, metros fossem feitos de uma borracha bem mole, em vez de

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OFM – Parte I

wenn unsere Zollstäbe aus sehr weichem Gummi wären, statt aus madeira ou metal? – “Não saberíamos mais qual a medida correta
Holz und Stahl? – »Nun, wir würden nicht das richtige Maß des da mesa.” – Você quer dizer que não obteríamos a medida que
Tisches kennen lernen.« – Du meinst, wir würden nicht, oder teríamos com as nossas réguas rígidas, ou que ela não seria
nicht zuverlässig, die Maßzahl erhalten, die wir mit unsern harten confiável. Não seria justo alguém medir a mesa com uma régua
Maßstäben erhalten. Der wäre also im Unrecht, der den Tisch mit elástica e afirmar que ela mede 1,80 m segundo os nossos padrões
dem dehnbaren Maßstab gemessen hätte und behauptete, er mäße usuais de medida; mas se ele dissesse que a mesa mede 1,80
1.80 m nach unserer gewöhnlichen Meßart; sagt er aber, der segundo os seus padrões, então seria correto. – “Mas isso não é
Tisch mißt 1.80 m nach der seinen, so ist das richtig. – »Aber das de nenhum modo uma medida!”– Ela é semelhante à nossa
ist dann doch überhaupt kein Messen!« – Es ist unsern Messen medida e pode,5 sob certas circunstâncias, servir a ‘finalidades
ähnlich und kann unter Umständen ›praktische Zwecke‹ erfüllen. práticas’. (Um comerciante poderia, desse modo, atender
(Ein Kaufmann könnte auf diese Weise verschiedene Kunden diferentemente a diferentes clientes.)6
verschieden behandeln.) Uma régua que por um diminuto aquecimento sofresse
Einen Maßstab, der sich bei geringer Erwärmung uma expansão extraordinariamente forte, chamaríamos – sob as
außerordentlich stark ausdehnte, würden wir – unter circunstâncias usuais – de inútil, por causa disso. Poderíamos,
gewöhnlichen Umständen – deshalb unbrauchbar nennen. Wir porém, pensar em situações nas quais isso seria justamente
könnten uns aber Verhältnisse denken, in denen gerade dies das desejável. Imagino que percebemos a expansão a olho nu; e
Erwünschte wäre. Ich stelle mir vor, wir nehmen die Ausdehnung atribuimos a corpos em espaços com temperaturas desiguais a
mit freiem Auge wahr; und wir legen Körpern in Räumen von mesma medida de comprimento quando eles têm a mesma
ungleicher Temperatur die gleiche Maßzahl der Länge bei, wenn extensão pela régua que, para os olhos, ora é mais comprida ora
sie auf den Maßstab, der fürs Auge bald länger bald kürzer ist, mais curta.
gleich weit reichen.

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Man kann dann sagen: Was hier »messen« und »Länge« Pode-se então dizer: O que aqui queremos dizer com
und »längengleich« heißt, ist etwas Anderes, als was wir so “medida”, “extensão” e “mesma extensão” é algo diferente do
nennen. Der Gebrauch dieser Wörter ist hier ein anderer als der que assim chamamos. O uso dessas palavras aqui é outro,
unsere; aber er ist mit ihm verwandt, und auch wir gebrauchen diferente do nosso; mas ele é aparentado com este, e também
diese Wörter auf vielerlei Weise. usamos essas palavras de modo diverso.
[TS 222, p. 8] [TS 222, p. 8]

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OFM – Parte I

6. Man muß sich klar machen, worin Schließen eigentlich 6. Deve-se deixar claro em que consiste realmente a
besteht. Man wird etwa sagen, es besteht im Übergang von einer inferência. Pode-se talvez dizer que ela consiste na transição de
Behauptung zu einer andern. Aber heißt das, daß Schließen etwas uma asserção a outra. Mas isso significa que inferir algo é o que
ist, was stattfindet beim übergang von der einen zur andern se efetua pela transição de uma asserção a outra, portanto antes
Behauptung, also ehe die andere ausgesprochen ist – oder, daß que a outra seja proferida – ou que inferir consiste em permitir
Schließen darin besteht, die eine Behauptung auf die andere que uma asserção se siga da outra, isto é, segundo o seu
folgen zu lassen, d. h., z. B. nach ihr auszusprechen? Wir stellen proferimento, por exemplo? Nós imaginamos prontamente,
uns, verleitet durch die besondere Verwendung des Verbums seduzidos pelo emprego singular do verbo “inferir”,7 que a
»schließen«, gern vor, das Schließen sei eine eigentümliche Tä- inferência é uma atividade peculiar,
[TS 222, p. 9] [TS 222, p. 9]
tigkeit, ein Vorgang im Medium des Verstandes, gleichsam ein um processo no âmago da compreensão, uma infusão da bruma,
Brauen der Nebel, aus welchem dann die Folgerung auftaucht. digamos assim, da qual emerge o corolário.8 Vejamos, porém, o
Sehen wir aber doch zu, was dabei geschieht! – Da gibt es einen que acontece aqui! – Existe uma transição de uma proposição a
Übergang von einem Satz zum andem auf dem Weg über andere outra pelo caminho de outras proposições, portanto mediante uma
Sätze, also durch eine Schlußkette; aber von diesem brauchen wir cadeia inferencial; mas não precisamos falar disso, pois ela já
nicht zu reden, da er ja eine andere Art von Übergang voraussetzt, pressupõe um outro tipo de transição, a saber, a que passa de um
nämlich den von einem Glied der Kette zum nächsten. Es kann elo da cadeia ao próximo. Pode-se efetuar então entre os elos um
nun zwischen den Gliedern ein Vorgang der Überleitung processo de transição. Não há nada oculto nesse processo; trata-
stattfinden. An diesem Vorgang ist nun nichts Okkultes; er ist ein se de uma derivação de um sinal proposicional a outro segundo
Ableiten des einen Satzzeichens aus dem andern nach einer uma regra; uma comparação de ambos com algum paradigma que
Regel; ein Vergleichen der beiden mit irgendeinem Paradigma, nos apresenta o esquema da transição; ou outras coisas parecidas.
das uns das Schema des übergangs darstellt; oder dergleichen. Pode-se fazê-lo sobre o papel, oralmente ou ‘de cabeça’. – A
Das kann auf dem Papier, mündlich, oder ›im Kopf‹ vor sich conclusão pode ser tirada, no entanto, de tal maneira que uma
gehen. – Der Schluß kann aber auch so gezogen werden, daß der proposição pode ser proferida após a outra sem a transição; ou a
eine Satz, ohne Überleitung, nach dem andern ausgesprochen transição consiste somente em que dizemos “portanto” ou “disso
wird; oder die Überleitung besteht nur darin, daß wir »Also«, se segue que”, ou coisas semelhantes. Chama-se de “conclusão”
oder »Daraus folgt« sagen, oder dergl.. Man nennt es dann se a proposição que se segue pode realmente ser derivada da
»Schluß«, wenn der gefolgerte Satz sich tatsächlich aus der premissa.

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OFM – Parte I

Prämisse ableiten läßt.

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7. Was heißt es nun, daß sich ein Satz aus einem andern, 7. Que quer dizer, então, que se permita derivar uma
vermittels einer Regel, ableiten läßt? Läßt sich nicht alles aus proposição de outra mediante uma regra? Não se permite derivar
allem vermittels irgend einer Regel – ja nach jeder Regel mit tudo de tudo mediante alguma regra – até mesmo segundo
entsprechender Deutung – ableiten? Was heißt es, wenn ich z. B. qualquer regra com interpretação adequada? Que significa se
sage: diese Zahl laßt sich durch die Multiplikation jener beiden digo, por exemplo: pode-se obter este número pela multiplicação
erhalten? Dies ist eine daqueles dois? Isso é uma
[TS 222, p.10] [TS 222, p.10]
Regel, die sagt, daß wir diese Zahl erhalten müssen, wenn anders regra que diz que temos que obter este número se multiplicamos
wir richtig multiplizieren; und diese Regel können wir dadurch corretamente; e podemos obter essa regra se multiplicamos os
erhalten, daß wir die beiden Zahlen multiplizieren, oder auch auf dois números, ou também de outra forma (conquanto se possa
andere Weise (obwohl man auch jeden Vorgang, der zu diesem chamar de ‘multiplicação’ todo processo que leve a tal resultado).
Ergebnis führt, eine ›Multiplikation‹ nennen könnte), Man sagt Pode-se dizer então que multipliquei quando efetuei a
nun, ich habe multipliziert, wenn ich die Multiplikation 265 X multiplicação 265 x 463, mas também quando digo: “4 vezes 2 é
463 ausgeführt habe, aber auch, wenn ich sage: »4 mal 2 ist 8«, 8”, mesmo que aqui nenhum processo de cálculo tenha levado ao
obwohl hier kein Rechnungsvorgang zum Produkt geführt hat produto (ainda que eu também tivesse podido calcular). E assim
(das ich aber auch hätte ausrechnen können). Und so sagen wir dizemos também que se tira uma conclusão mesmo quando não
auch, es werde ein Schluß gezogen, wo er nicht errechnet wird. se chega a calcular.

8. Ich darf aber doch nur folgern, was wirklich folgt! – Soll 8. Mas só posso concluir o que realmente se segue! – Isso
das heißen: nur das, was den Schlußregeln gemäß folgt; oder soll deve querer dizer: só o que se segue em conformidade com as
es heißen: nur das, was solchen Schlußregeln gemäß folgt, die regras de inferência; ou deve querer dizer: só o que se segue em
irgendwie mit einer Realität übereinstimmen? conformidade com tais regras de inferência que, de algum modo,
[TS 222, p.11] concordam com uma realidade?
Hier schwebt uns in vager Weise vor, daß diese Realität etwas [TS 222, p.11]
sehr abstraktes, sehr allgemeines und sehr hartes ist. Die Logik

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OFM – Parte I

ist eine Art von Ultra-Physik, die Beschreibung des ›logischen Imaginamos aqui de maneira vaga que essa realidade é algo muito
Baus‹ der Welt, den wir durch eine Art von Ultra-Erfahrung abstrato, muito generalizado e muito rígido. A lógica é uma
wahrnehmen (mit dem Verstande etwa). Es schweben uns hier espécie de ultrafísica, a descrição da ‘estrutura lógica’ do mundo
vielleicht Schlüsse vor wie dieser: »Der Ofen raucht, also ist das que percebemos por uma espécie de ultra-experiência (porventura
Ofenrohr wieder verlegt.« (Und so wird dieser Schluß gezogen! com o entendimento). Imaginamos talvez aqui inferências como
Nicht so: »Der Ofen raucht, und wenn immer der Ofen raucht, ist esta: “O fogão esfumeia, logo a sua chaminé está deslocada
das Ofenrohr verlegt; also ..... «.) novamente.” (E assim se tira essa conclusão! Não assim: “O
fogão esfumeia, e sempre que o fogão esfumeia a sua chaminé
está deslocada; logo .....”.)

9. Was wir ›logischer Schluß‹ nennen, ist eine 9. O que chamamos aqui de ‘inferência lógica’ é uma
Transformation des Ausdrucks. Z. B. die Umrechnung von einem transformação da expressão. Por exemplo, a conversão de uma
Maß auf ein anderes. Auf der einen Kante eines Maßstabes sind medida em outra. Uma das bordas de uma régua é marcada em
Zol1 auf- polegadas,

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getragen, auf der andern cm. Ich messe den Tisch in Zoll und a outra, em centímetros. Messo a mesa em polegadas e depois
gehe dann auf dem Maßstab zu cm über. – Und freilich gibt es passo, com a régua, para centímetros. – E claro que há também,
auch beim Übergang von einern Maß zum andern richtig und na transição de uma medida para outra, o correto e o errado; mas
falsch; aber mit welcher Realität stimmt hier das Richtige com qual realidade aqui o correto concorda? Ou é com um
überein? Wohl mit einer Abmachung, oder einem Gebrauch, und acordo, ou com um uso, e talvez com as necessidades práticas.9
etwa mit den praktischen Bedürfnissen. [TS 222, p.12]
[TS 222, p.12]

10. »Aber muß denn nicht – z. B. – aus ›(x).fx‹ ›fa‹ folgen, 10. “Mas ‘fa’ – por exemplo – não tem que seguir-se de
wenn ›(x).fx‹ so gemeint ist, wie wir es meinen?« – Und wie ‘(x).fx’, se ‘(x).fx’ é significado do modo como queremos dizer?”

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OFM – Parte I

äußert es sich, wie wir es meinen? Nicht durch die ständige Praxis – E como isso se expressaria do modo como queremos dizer? Não
seines Gebrauchs? und etwa noch durch gewisse Gesten – und seria pela prática constante do seu uso? e talvez ainda por certos
was dem ähnlich ist. — Es ist aber, als hinge dem Wort »alle«, gestos – e coisas similares. — Isso é como se à palavra “todo” se
wenn wir es sagen, noch etwas an, womit ein anderer Gebrauch juntasse, quando nós a pronunciamos, alguma coisa com a qual
unvereinbar wäre; nämlich die Bedeutung. »›A11e‹ heißt doch: um outro uso seria incompatível; a saber, o significado. “Mas
'alle!« möchten wir sagen, wenn wir sie erklären sollen; und ‘todo’ quer dizer: todo!”, poderíamos dizer quando temos que
dabei machen wir eine gewisse Geste und Miene. explicá-lo; e aí fazemos um certo gesto e uma cara.
Hacke alle diese Bäume um! —– Ja, verstehst du nicht, Corte todas estas árvores! — Bem, você não entende o que
was ›alle‹ heißt? (Er hatte einen stehen lassen.) Wie hat er quer dizer ‘todas’? (Ele tinha deixado uma para trás.) Como ele
gelernt, was ›alle‹ heißt? Doch wohl durch Übung. – Und freilich aprendeu o que quer dizer ‘todas’? Talvez pelo exercício. – E
diese Übung hat nun nicht nur bewirkt, daß er auf den Befehl das certamente esse exercício não só ocasionou que ele fizesse isso
tut, – sondern sie hat das Wort mit einer Menge von Bildern sob uma ordem, – mas também circundou a palavra com um
(visuellen und andern) umgeben, von denen das eine oder das conjunto de imagens (visuais e outras) do qual uma ou outra
andere auftaucht, wenn wir das Wort hören und aussprechen. aflora quando escutamos ou proferimos a palavra. (E quando
(Und wenn wir Rechenschaft darüber geben sollen, was die devemos prestar contas do que seria o ‘significado’ da palavra,
›Bedeutung‹ des Wortes ist, greifen wir zuerst ein Bild aus dieser separamos primeiro uma imagem dessa massa – e então a
Masse heraus – und verwerfen es dann wieder als unwesentlich, descartamos novamente como não essencial quando vemos que
wenn wir sehen, daß einmal dies, einmal jenes auftritt, und surge ora esta, ora aquela, ou, às vezes, nenhuma sequer.)
manchmal keines.) Aprende-se o significado de “todo” quando se aprende
Man lernt die Bedeutung von »alle«, indem man lernt, que ‘fa’ se segue de ‘(x).fx’. – Os exercícios que ensaiam o uso
daß aus ›(x).fx‹ ›fa‹ folgt. – Die Übungen, die den Gebrauch dessa palavra, que ensinam o seu significado, indicam sempre que
dieses Wortes einüben, seine Bedeutung lehren, zielen immer não se pode dar nenhuma exceção.
dahin, daß eine Ausnahme nicht gemacht werden darf. [TS 222, p.13]
[TS 222, p.13]

11. Wie lernen wir denn schließen? Oder lernen wir es nicht 11. Como aprendemos então a inferir? Ou não aprendemos
–? – ?10

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OFM – Parte I

Weiß das Kind, daß aus der doppelten Verneinung die A criança sabe que uma afirmação se segue de uma dupla
Bejahung folgt? – Und wie überzeugt man es davon? Wohl negação? – E como a convencemos disso? Pode-se lhe mostrar
dadurch, daß man ihm einen Vorgang zeigt (eine doppelte um processo (uma dupla inversão, rodar 180o duas vezes, e coisas
Umkehrung, zweimalige Drehung um 180, u. dergl.) den es nun similares) que ela passa a assumir como imagem da negação.
als Bild der Verneinung annimmt. E o sentido de ‘(x).fx’ torna-se claro quando se insiste que
Und man macht den Sinn von ›(x).fx‹ klar, indem man dele se segue ‘fa’.
darauf dringt, daß aus ihm ›fa‹ folgt. [TS 222, p.14]
[TS 222, p.14]

12. »Aus ›alle‹, wenn es so gemeint ist, muß doch das 12. “Do ‘todo’, quando é subentendido assim, isso tem que se
folgen.« – Wenn es wie gemeint ist? Überlege es dir, wie meinst seguir.” – Quando é subentendido como? Considere como você
du es? Da schwebt dir etwa noch ein Bild vor – und mehr hast du o subentendeu? Talvez esteja ainda na sua mente uma imagem –
nicht. – Nein, es muß nicht – aber es folgt: Wir vollziehen diesen e nada mais que isso. – Não, isso não deve ser assim – mas segue-
Übergang. se: nós levamos a cabo esse processo.
Und wir sagen: Wenn das nicht folgt, dann waren es eben E dizemos: se isto não se segue, então simplesmente não
nicht alle! — und das zeigt nur, wie wir mit Worten in so einer era o todo!11 — e isso só mostra como reagimos com palavras a
Situation reagieren. – uma situação como essa. –

13. Es kommt uns vor, daß außer dem Gebrauch des Wortes 13. Parece-nos que fora do uso da palavra “todo” ainda uma
»alle« noch etwas anderes sich geändert haben muß, wenn aus outra coisa deve ter se modificado, para que ‘fa’ não mais se siga
›(x).fx‹ nicht mehr ›fa‹ folgen soll; etwas, was dem Wort selbst de ‘(x).fx’; alguma coisa que se junta à própria palavra.
anhängt. Isso não é semelhante a quando se diz: “Para esta pessoa
Ist das nicht ähnlich, wie wenn man sagt: »Wenn dieser se comportar de outra maneira, seu caráter deveria também ser
Mensch anders handelte, dann müßte auch sein Charakter ein outro.” Mas isso pode significar alguma coisa em alguns casos e
anderer sein.« Nun das kann in manchen Fällen etwas heißen und em outros, nada. Nós dizemos: “a conduta flui do caráter”, e assim
in manchen nicht. Wir sagen: »aus dem Charakter fließt die flui o uso do significado.
Handlungsweise«, und so fließt aus der Bedeutung der Gebrauch.

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OFM – Parte I

14. Das zeigt dir – könnte man sagen – wie fest 14. Isso lhe mostra – poder-se-ia dizer – como estão
[TS 222, p.15] [TS 222, p.15]
verbunden gewisse Gesten, Bilder, Reaktionen, mit einem ligados fortemente certos gestos, imagens e reações com um uso
ständig geübten Gebrauch sind. constantemente exercitado.
›Es drängt sich uns das Bild auf …..‹. Es ist sehr ‘Se nos impõe a imagem de …..’. É muito interessante que
interessant, daß Bilder sich uns aufdrängen. Und wäre das nicht, imagens nos sejam impostas. E não seria assim que
wie könnte

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ein Satz wie der »What’s done cannot be undone« uns etwas uma sentença como “What’s done cannot be undone” pode nos
sagen? dizer alguma coisa?12

15. Wichtig ist, daß in unserer Sprache – in unserer 15. É importante que na nossa linguagem – na nossa
natürlichen Sprache – ›alle‹ ein Grundbegriff ist und ›alle außer linguagem natural – ‘todo’ é um conceito fundamental, e ‘todo
einem‹ weniger fundamental; d. h., es gibt dafür nicht ein Wort, menos um’ é menos fundamental; isto é, não há para isso uma
auch nicht eine charakteristische Geste. palavra, nem tampouco um gesto característico.

16. Der Witz des Wortes »alle« ist ja, daß es keine Ausnahme 16. O âmago da palavra “todo” é o de que ela não comporta
zuläßt. – Ja, das ist der Witz seiner Verwendung in unserer nenhuma exceção. – Pois este é o âmago do seu emprego na nossa
Sprache; aber welche Verwendungsarten wir als ›Witz‹ linguagem; mas que tipos de emprego que sentimos como
empfinden, das hängt damit zusammen, welche Rolle diese ‘âmago’ está relacionado com o papel que esse emprego joga no
Verwendung in unserm ganzen Leben spielt. conjunto da nossa vida.
[TS 222, p.16] [TS 222, p.16]

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17. Auf die Frage, worin denn das Schließen besteht, hören 17. Na pergunta sobre em que consiste a inferência, às vezes
wir etwa: »Wenn ich die Wahrheit der Sätze …… erkannt habe, ouvimos: “Se reconheço a verdade da proposição ......, então
so bin ich nun berechtigt, …… hinzuschreiben.« – Inwiefern estou justificado em anotar que .......” – Em que medida estou
berechtigt? Hatte ich früher kein Recht, es hinzuschreiben? — justificado? Não tinha nenhum direito antes de anotar a
»Jene Sätze überzeugen mich von der Wahrheit dieses Satzes.« proposição? — “Aquelas proposições me convencem da verdade
Aber darum handelt sich's natürlich auch nicht. — »Nach diesen desta proposição.” Mas não se trata disso tampouco. — “O
Gesetzen vollführt der Geist die besondere Tätigkeit des espírito executa, segundo estas leis, a atividade específica da
logischen Schließens.« Das ist gewiß interessant und wichtig; inferência lógica.” Isto é certamente interessante e importante;
aber ist es denn auch wahr? schließt er immer nach diesen mas então é também verdadeiro? ele infere sempre de acordo com
Gesetzen? Und worin besteht die besondere Tätigkeit des essas leis? E em que consiste a atividade específica da inferência?
Schließens? — Darum ist es notwendig, zu schauen, wie wir denn — Por isso é preciso ver como executamos inferências na práxis
in der Praxis der Sprache Schlüsse vollziehen; was das Schließen da linguagem; que espécie de processo é a inferência no jogo de
im Sprachspiel für ein Vorgang ist. linguagem.
Z. B.: In einer Vorschrift steht: »Alle, die über 1.80 m Por exemplo: um regulamento prescreve: “Todos os que
hoch sind, sind in die ….. Abteilung aufzunehmen.« Ein Kanzlist são maiores do que 1,80 m devem se acomodar na divisão ......”.
verliest die Namen der Leute, dazu ihre Höhe. Ein anderer teilt Um funcionário lê os nomes das pessoas e as suas alturas. Um
sie den und den Abteilungen zu. – »N.N. 1.90 m.« – »Also N.N. outro os reparte entre esta e aquela divisão. – “N.N., 1,90 m.” –
in die ….. Abteilung.« Das ist Schließen. Portanto, N.N. na divisão ......” Isto é inferir.
[TS 222, p.17] [TS 222, p.17]

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18. Was nennen wir, nun, ›Schlüsse‹ bei Russell, oder bei 18. Ora, o que chamamos de ‘inferências’ em Russell ou em
Euklid? Soll ich sagen: die Übergange von einem Satz zum Euclides? Devo dizer: a transição de uma proposição para a
nächsten im Beweis? Aber wo steht der Übergang? – Ich sage, próxima numa prova? Mas onde está a transição? – Digo que em
bei Russell folge ein Satz aus einem andern, wenn jener aus Russell uma proposição segue-se de outra quando uma é derivada
diesem gemäß der Stellung der beiden in einem Beweise, und den da outra de acordo com a posição de ambas numa prova e dos
ihnen beigefügten Zeichen, abzuleiten ist, – wenn wir das Buch seus sinais correspondentes – quando lemos o livro. Então, ler
lesen. Denn, dieses Buch zu lesen ist ein Spiel, welches gelernt esse livro é um jogo que deve ser aprendido.
sein will.

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OFM – Parte I

19. Man ist sich oft im Unklaren, worin das Folgen und 19. Com frequência não se sabe muito bem em que consiste
Folgern eigentlich besteht; was für ein Sachverhalt, und Vorgang, propriamente a consequência e a inferência; que espécie de estado
es ist. Die eigentümliche Verwendung dieser Verben legt uns de coisas e de processo é este. O emprego peculiar dessas palavras
nahe, daß Folgen das Bestehen einer Verbindung zwischen sugere que a consequência indica a existência de uma ligação
Sätzen ist, der wir beim Folgern nachgehen. Dies zeigt sich sehr entre proposições que nós seguimos pela inferência. Isso se
lehrreich in Russell's Darstellung (»Principia Mathematica«). mostra de maneira muito instrutiva na apresentação de Russell
Daß ein Satz ⊢ q aus einem Satz ⊢ p  q . p folgt, ist hier ein (“Principia Mathematica”). Que uma proposição ⊢ q se siga de
logisches Grundgesetz: uma proposição ⊢ p  q . p é ali uma lei fundamental da lógica:
⊢pq.p..⊢q ⊢ p  q . p .  . ⊢ q13
Dieses berechtige uns nun, heißt es, ⊢ q aus ⊢ p  q . p zu Quer dizer, isso nos justifica agora a inferir ⊢ q de ⊢ p  q . p.
schließen. Aber worin besteht denn ›schließen‹, die Prozedur, zu Mas em que consiste então a ‘inferência’, o procedimento pelo
der wir berechtigt werden? Doch darin, den einen Satz – in qual nos justificamos? Em que proferimos, anotamos etc. como
irgendeinem Sprachspiel – nach dem andern als Behauptung afirmação – em algum jogo de linguagem – uma proposição
auszusprechen, anzuschreiben, und dergl.; und wie kann mich segundo outra proposição; e como aquela lei fundamental pode
jenes Grundgesetz dazu berechtigen? me justificar para isso?
[TS 222, p.18] [TS 222, p.18]

20. Russell will doch sagen: »So werde ich schließen und so 20. Russell irá dizer: “Vou inferir assim, e assim está
ist es richtig.« Er will uns also einmal mitteilen, wie er schließen correto.” Ele quer, portanto, nos comunicar de uma vez por todas
will: das geschieht durch eine Regel des Schließens. Wie lautet como quer inferir: isso ocorre mediante uma regra de inferência.
sie? Daß dieser Satz jenen impliziert? — Doch wohl, daß in den O que ela diz? Que esta proposição implica aquela? —
Beweisen dieses Buchs ein solcher Satz nach einem solchen Provavelmente que nas provas desse livro uma proposição como
stehen soll. – Aber es soll ja ein logisches Grundgesetz sein, daß aquela deve ficar como aquela outra. – Mas tem que ser uma lei
fundamental da lógica que
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OFM – Parte I

es richtig ist, so zu schließen! – Dann müßte das Grundgesetz é correto inferir assim! – Então a lei fundamental teria que estar
lauten: »Es ist richtig von ..... auf ..... zu schließen«; und dieses formulada assim: “É correto inferir ..... de .....”; e esta lei
Grundgesetz sollte nun wohl einleuchten — aber dann wird uns fundamental deveria estar bem evidente — caso em que
eben die Regel selbst als richtig, oder berechtigt, einleuchten. simplesmente nos seria evidente a própria regra como correta ou
»Aber diese Regel handelt doch von Sätzen in einem Buch, und justificada. “Mas essa regra trata de proposições em um livro, e
das gehört doch nicht in die Logik!« – Ganz richtig; die Regel ist isso não pertence à lógica!” – Certíssimo; a regra é realmente só
wirklich nur eine Mitteilung, daß in diesem Buche nur dieser uma informação de que nesse livro só essa transição de uma
Übergang von einem Satz zum andern gebraucht wird (gleichsam proposição a outra é usada (como se fosse uma informação do
eine Mitteilung aus dem Index): denn die Richtigkeit des índice):14 pois a correção da transição tem que ser evidente em
Übergangs muß an Ort und Stelle einleuchten; und der Ausdruck um lugar e numa posição; e a expressão da ‘lei fundamental da
des ›logischen Grundgesetzes‹ ist dann die Folge der Sätze selbst. lógica’ é então a própria sequência de proposições.

21. Russell scheint mit jenem Grundgesetz von einem Satz zu 21. Com aquela lei fundamental da proposição, Russell
sagen: »Er folgt schon – ich brauche ihn nur noch zu folgern.« So parece dizer: “Ela já se segue – eu só preciso dela ainda para a
heißt es einmal bei Frege, die Gerade, welche je zwei Punkte inferência.” Isso já é assim em Frege, em que a linha que conecta
verbindet, sei eigentlich schon da, ehe wir sie zögen und so ist es dois pontos já está realmente ali, antes que a tracemos, e assim é
auch, wenn wir sagen, die Übergänge, der Reihe + 2 etwa, wären também quando dizemos que as transições da sequência + 2, por
eigentlich bereits gemacht, ehe wir sie exemplo, já teriam sido realmente feitas, antes que nós
[TS 222, p.19] [TS 222, p.19]
mündlich oder schriftlich machen, – gleichsam nachzögen. a realizássemos oralmente ou por escrito, – como se fosse um
retracejamento.

22. Einem, der dies sagt, könnte man antworten: Du 22. Pode-se responder para alguém que diga isso: aqui você
verwendest hier ein Bild. Man kann die Übergänge, die Einer in emprega uma imagem. Pode-se simular as transições que uma
einer Reihe machen soll, dadurch bestimmen, daß man sie ihm pessoa deve fazer em uma sequência, determinando-as desse
vormacht. Indem man z. B. die Reihe, die er schreiben soll, in modo. Pela qual, por exemplo, a sequência que ela deve escrever
einer anderen Notation hinschreibt, daß er sie nur noch zu esteja lançada em outra notação, e ela só tem que fazer uma
übertragen hat, oder indem man sie wirklich ganz dünn transcrição, ou então esteja levemente modelada e a pessoa só tem

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OFM – Parte I

vorschreibt und er hat sie nachzuziehen. Im ersten Fall können que retracejá-la. No primeiro caso poderíamos também dizer que
wir auch sagen, wir schreiben nicht die Reihe an, die er zu não anotamos a sequência que ela tem que escrever, não fazemos,
schreiben hat, machen also die Übergänge dieser Reihe selbst portanto, as transições da própria sequência; no segundo caso, no
nicht; im zweiten Falle aber werden wir gewiß sagen, die Reihe, entanto, dizemos certamente que a sequência que ela tem que
die er schreiben soll, sei schon vorhanden. Wir würden dies auch escrever já estava à disposição. Diríamos também, diante disso,
sagen, wenn wir ihm, was er hinzuschreiben hat, diktieren, que ditamos o que ela tem que escrever, na medida em que
obwohl wir dann eine Reihe von Lauten hervorbringen und er produzimos uma sequência de sons e ela uma sequência de sinais
eine Reihe von Schrift-

45 45

zeichen. Es ist jedenfalls eine sichere Art, die Übergänge, die escritos. Em todo caso, é um modo seguro de determinar as
Einer zu machen hat, zu bestimmen, sie ihm, in irgendeinem transições que uma pessoa tem que fazer, quando, em algum
Sinne, schon vorzumachen. – Wenn wir daher diese Übergänge sentido, já as simulamos para ela. – Se nós, em vista disso,
in einem ganz andern Sinne bestimmen, indem wir nämlich determinamos essas transições em um sentido completamente
unserm Schüler einer Abrichtung unterziehen, wie z. B. Kinder diferente, possivelmente submetendo nosso estudante a um
sie im Einmaleins und im Multiplizieren erhalten, so nämlich, treinamento, como crianças recebendo-as, por exemplo, em
daß Alle, die so abgerichtet sind, nun beliebige Multiplikationen, tabuadas e multiplicações, de modo que todos que são assim
die sie nicht in ihrer Lehrzeit gemacht haben, auf die gleiche treinados podem multiplicar de improviso coisas que não viram
Weise und mit übereinstimmenden Resultaten ausführen – wenn no seu tempo de aprendizado, chegando da mesma forma e com
also die Übergänge, die Einer auf den Befehl ›+ 2‹ zu machen resultados consensuais – se, portanto, as transições que uma
hat, pessoa tem que fazer segundo a ordem ‘+ 2’
[TS 222, p.20] [TS 222, p.20]
durch Abrichtung so bestimmt sind, daß wir mit Sicherheit são tão determinadas pelo treinamento que podemos predizer com
voraussagen können, wie er gehen wird, auch wenn er diesen certeza como se seguirá, mesmo que ela ainda não tenha feito essa
Übergang bis jetzt noch nie gemacht hat, – dann kann es uns transição até agora, – então pode ser para nós natural usá-las como
natürlich sein, als Bild dieses Sachverhalts den zu gebrauchen: imagem desse estado de coisas: as transições já estariam todas
die Übergänge seien bereits alle gemacht, er schreibe sie nur noch feitas, ela só as anota até aqui.15
hin. [TS 222, p.21]
[TS 222, p.21]

33
OFM – Parte I

23. »Aber wir folgern doch diesen Satz aus jenem, weil er 23. “Mas nós inferimos esta proposição daquela porque ela de
tatsächlich folgt! Wir überzeugen uns doch, daß er folgt.« – Wir fato dela se segue! Nós nos convencemos de que ela se segue.”
überzeugen uns, daß, was hier steht, aus dem folgt, was dort steht. Nós nos convencemos de que o que aqui está segue-se do que está
Und dieser Satz ist zeitlich gebraucht. ali. E essa proposição é usada temporalmente.
[TS 222, p.23] [TS 222, p.23]16

24. Trenne die Gefühle (Gebärden) der Übereinstimmung, 24. Separam-se os sentimentos (gestos) de concordância
von dem, was du mit dem Beweise machst! daquilo que você faz com a prova!
[TS 222, p. 24] [TS 222, p. 24]

25. Wie ist es aber, wenn ich mich davon überzeuge, daß das 25. Mas como me convenço de que o esquema destes traços:
Schema dieser Striche:

(a)
(a)

gleichzahlig ist mit dem Schema dieser Eckpunkte: é equinumérico ao esquema destes vértices:

46 46

34
OFM – Parte I

(b) (b)
(ich habe die Schemata absichtlich einprägsam gemacht), indem (fiz os esquemas propositalmente sugestivos), que correlaciono
ich zuordne: assim:

(c) (c)

Nun, wovon überzeuge ich mich denn, wenn ich diese Figur Ora, de que me convenço então quando observo esta figura? Vejo
ansehe? Ich sehe einen Stern mit fadenförmigen Fortsätzen. – uma estrela com extensões em forma de linha. –

26. Aber ich kann von der Figur so Gebrauch machen: Fünf 26. Mas posso fazer um uso assim da figura: cinco pessoas
Leute stehen im Fünfeck aufgestellt; an der Wand stehen Stäbe, são colocadas num pentágono; na parede estão bastões como os
wie die Striche in (a); ich sehe auf die Figur (c) und sage: »ich traços em (a); olho para a figura (c) e digo: “posso dar para cada
kann jedem der Leute einen Stab geben.« pessoa um bastão.”
Ich könnte die Figur (c) als schematisches Bild davon Poderia conceber a figura (c) como uma imagem
auffassen, daß ich den fünf Leuten je einen Stab gebe. esquemática das cinco pessoas para as quais dei um bastão.

35
OFM – Parte I

27. Wenn ich nämlich erst ein beliebiges Vieleck zeichne 27. Se primeiro eu desenho um polígono arbitrário,

[TS 222, p. 25] [TS 222, p. 25]

47 47

und dann eine beliebige Reihe von Strichen e depois uma sequência arbitrária de traços

so kann ich nun durch Zuordnung herausfinden, ob ich oben posso assim descobrir, pela correlação, se tenho a mesma
soviele Ecken habe, wie unten Striche. (Ich weiß nicht, was quantidade de pontas acima que traços abaixo. (Não sei qual é o
herauskommen würde.) Und so kann ich auch sagen, ich habe resultado.) E posso assim também dizer que me convenci, pelo
mich durch das Ziehen der Projektionslinien davon überzeugt, tracejado das linhas de projeção, de que há a mesma quantidade
daß am oberen Ende der Figur (c) soviele Striche stehen, wie der de traços nas bordas da figura (c) acima que pontas na estrela
Stern unten Ecken hat. (Zeitlich!) In dieser Auffassung gleicht abaixo. (Temporalmente!) Essa concepção não iguala a figura a
die Figur nicht einem mathematischen Beweise (so wenig wie es uma prova matemática (assim como tampouco seria uma prova
ein mathematischer Beweis ist, wenn ich einer Gruppe von matemática se repartisse um saco de maçãs com um grupo de
Leuten einen Sack Äpfel austeile und finde, daß Jeder gerade pessoas e descobrisse que cada um pode ganhar exatamente uma
einen Apfel kriegen kann). maçã).
Ich kann die Figur (c) aber als mathematischen Beweis Posso, contudo, conceber a figura (c) como prova
auffassen. Geben wir den Gestalten der Schemata (a) und (b) matemática. Vamos dar nomes às configurações dos esquemas (a)
Namen! Die Gestalt (a) heiße »Hand«, H, die Gestalt (b) e (b)! A configuração (a) vai se chamar “mão”, M, a configuração
»Drudenfuß«, D. Ich habe bewiesen, daß H soviel Striche hat, (b) vai se chamar “pentagrama”, P. Provei que M tem tantos
wie D Ecken. Und dieser Satz ist wieder unzeitlich.

36
OFM – Parte I

traços quantas pontas em P. E essa proposição é novamente


atemporal.

28. Der Beweis – könnte ich sagen – ist eine Figur, an deren 28. A17 prova – poderia dizer – é uma figura na qual em uma
einem Ende gewisse Sätze stehen und an derem andern Ende ein das pontas estão determinadas proposições, e na outra ponta está
Satz steht (den wir den ›bewiesenen‹ nennen). uma proposição (que chamamos de ‘comprovada’).
Man kann als Beschreibung so einer Figur sagen: in ihr Na descrição de uma figura assim pode-se dizer: nela a
folge der Satz ...... aus ...... . Das ist eine Form der Beschreibung proposição ..... segue-se de ..... . Isto é uma forma de descrição de
eines Musters, das z. B. auch ein Ornament (Tapetenmuster) sein um padrão, que poderia ser também um ornamento (um padrão
könnte. Ich kann also sagen: »In de um papel de parede). Poderia, portanto, dizer: “Na
[TS 222, p. 26] [TS 222, p. 26]
dem Beweise, welcher auf jener Tafel steht, folgt der Satz p aus prova que está naquela lousa, a proposição p segue-se de q e r”, e
q und r«, und das ist einfach eine Beschreibung dessen, was dort isso é simplesmente uma descrição do que ali se vê. Isso não é,
zu sehen ist. Es ist aber nicht der mathematische Satz, daß p aus porém, a proposição matemática de que p se segue de q e r. Esta
q und r folgt. Dieser hat eine andere Anwendung. Er sagt – so tem uma outra aplicação. Ela diz – poder-se-ia expressá-la assim
könnte man es ausdrücken – daß es Sinn hat, von einem Beweise – que tem sentido falar de uma prova (padrão) em que p segue-se
(Muster) zu reden, in welchem p aus q und r folgt. Wie man sagen de q e r. Tal como se pode dizer que a proposição “o branco é
kann, der Satz »weiß ist heller als schwarz« sage aus, es habe mais claro que o preto” declara que tem sentido falar de dois
Sinn, von zwei Gegenständen zu reden, von denen der hellere objetos em que o branco é o mais claro que o preto, mas não de
weiß, der andere schwarz sei, aber nicht von zwei Gegenständen, dois objetos em que o preto é mais claro que o branco.
von denen der hellere schwarz, der andere weiß sei.

48 48

29. Denken wir uns, wir hätten das Paradigma für »heller« 29. Imaginemos que nos tivesse sido dado o paradigma para
und »dunkler« in Form eines weißen und schwarzen Flecks “mais claro” e “mais escuro” na forma de uma mancha branca e
gegeben, und nun leiten wir mit seiner Hilfe sozusagen ab: daß de uma mancha preta, e derivamos, por assim dizer, com a sua
Rot dunkler ist als Weiß. ajuda: que o vermelho é mais escuro que o branco.

37
OFM – Parte I

30. Der durch (c) bewiesene Satz dient nun als neue 30. A proposição provada por (c) nos serve agora como nova
Vorschrift zum Konstatieren der Gleichzahligkeit: Hat man eine prescrição para constatar a equinumericidade: se correlacionamos
Menge von Gegenständen in Form der Hand angeordnet und eine um conjunto de objetos na forma de uma mão e outro como as
andere als die Ecken eines Drudenfußes, so sagen wir, die beiden pontas de um pentagrama, então podemos dizer que os dois
Mengen seien gleichzahlig. conjuntos são equinuméricos.

31. »Aber ist das nicht bloß, weil wir H und D schon einmal 31. “Mas isso não é só porque já tínhamos correlacionado M
zugeordnet haben und gesehen, daß sie gleichzahlig e P, e visto que eles
[TS 222, p. 27] [TS 222, p. 27]
sind?« – Ja aber, wenn sie es in einem Fall waren – wie weiß ich, são equinuméricos?” – Sim, mas se eles estavam assim num caso
daß sie es jetzt wieder sein werden? – »Weil es eben im Wesen – como sei que eles estarão novamente assim agora? – “Porque
der H und des D liegt, daß sie gleichzahlig sind.« – Aber wie está justamente na essência de M e de P ser equinuméricos.” –
konntest du das durch die Zuordnung herausbringen? (Ich dachte, Mas como você pode desvendar isso mediante a correlação? (Eu
die Zählung, oder Zuordnung, ergibt nur, daß diese beiden achava que a contagem, ou a correlação, só dá como resultado que
Gruppen, die ich jetzt vor mir habe, gleichzahlig – oder ambos os grupos que tenho agora diante de mim são
ungleichzahlig – sind.) equinuméricos – ou não são equinuméricos.)
– »Aber wenn er nun eine H von Dingen hat und einen D – “Mas se ele só tem um M de coisas e um P de coisas, e
von Dingen, und er ordnet sie nun tatsächlich einander zu, so ist as correlaciona entre si realmente, então não é possível que ele
es doch nicht möglich, daß er etwas anders erhält, als daß sie obtenha outra coisa senão a de que eles são equinuméricos. – E
gleichzahlig sind. – Und, daß es nicht möglich ist, das sehe ich não é possível que eu veja isso a partir de uma prova.” – Mas isso
doch aus dem Beweis.« – Aber ist es denn nicht möglich? Wenn não é possível? Se ele, por exemplo – como um outro poderia
er z. B. – wie ein Anderer sagen könnte – eine der dizer – se omite em traçar uma das linhas da correlação. Mas eu
Zuordnungslinien zu ziehen übersicht. Aber ich gebe zu, daß er assumo que ele vai obter, na enorme maioria dos casos, sempre o
in der ungeheuern Mehrzahl der Fälle immer das gleiche Resultat mesmo resultado, e não obteria se fosse impedido por alguma
erhalten wird und, erhielte er es nicht, sich für irgendwie gestört perturbação. Se não fosse assim, toda a prova perderia o chão.
halten würde. Und wäre es nicht so, so würde dem ganzen Beweis Decidimos, para ser específico, por usar uma imagem da prova
der Boden entzogen. Wir entscheiden uns nämlich, das em vez de uma correlação entre os grupos; não os
Beweisbild statt einer Zuordnung der Gruppen zu gebrauchen; correlacionamos, mas, em vez disso, comparamos os grupos com

38
OFM – Parte I

wir ordnen sie nicht zu, sondern vergleichen statt dessen die os da prova (na qual certamente dois grupos são mutuamente
Gruppen mit denen des Beweises (in welchem allerdings zwei correlacionados.)18
Gruppen einander zugeordnet sind.)

49 49

32. Ich könnte als Resultat des Beweises auch 32. Poderia também dizer, como resultado da prova,
[TS 222, p. 28] [TS 222, p. 28]
sagen: »Eine H und ein D heißen von nun an ›gleichzahlig‹.« que: “Um M e um P significam de agora em diante
Oder: Der Beweis erforscht nicht das Wesen der beiden ‘equinumericidade’.”
Figuren, aber er spricht aus, was ich von nun an zum Wesen der Ou: a prova não examina a essência das duas figuras, mas
Figuren rechnen werde. — Was zum Wesen gehört, lege ich unter ela profere o que vou contar de agora em diante como a essência
den Paradigmen der Sprache nieder. das figuras. — O que pertence à essência, registro sob os
Der Mathematiker erzeugt Wesen. paradigmas da linguagem.19
O matemático produz essências.20

33. Wenn ich sage: »Dieser Satz folgt aus jenem«, so ist das 33. Quando digo: “Esta proposição segue-se daquela”, isto é
die Anerkennung einer Regel. Sie geschieht auf Grund des o reconhecimento de uma regra. Ele ocorre em razão da prova.
Beweises. D. h., ich lasse mir diese Kette (diese Figur) als Beweis Isto é, tomo essa cadeia (essa figura) como prova. — “Mas
gefallen. — »Aber könnte ich denn anders? Muß ich mir sie nicht poderia ser de outro modo? Deveria não tomá-la?” – Por que você
gefallen lassen?« – Warum sagst du, du müssest? Doch darum, me diz que não deveria? Porque você diz porventura, na
weil du am Schlusse des Beweises etwa sagst: »Ja – ich muß conclusão da prova, que: “Sim – tenho que reconhecer esta
diesen Schluß anerkennen.« Aber das ist doch nur der Ausdruck conclusão.” Mas isso é só a expressão do seu reconhecimento
deiner unbedingten Anerkennung. incondicional.
D. h., glaube ich: die Worte »Das muß ich zugeben« Ou seja, acredito: a frase “Tenho que reconhecer isto” é
werden in zweierlei Fallen gebraucht: wenn wir einen Beweis usada em duas espécies de casos: quando obtemos uma prova –
erhalten haben – aber auch in Bezug auf den einzelnen Schritt mas também com relação ao próprio passo individual da prova.
selber des Beweises.

39
OFM – Parte I

34. Und worin äußert es sich denn, daß der Beweis mich 34. Mas então onde se mostra que a prova nos obriga?
zwingt? Doch darin, daß ich so und so darauf vorgehe, daß ich Quando procedo de tal e tal modo que me recuso a ir por outro
mich weigere, einen anderen Weg zu gehen. Als letztes caminho. Como último argumento contra alguém que não quer ir
Argument, gegen Einen, der so nicht gehen wollte, würde ich nur por este, só poderia ainda dizer: “Você não está vendo
noch sagen: »Ja siehst du denn nicht [TS 222, p. 29]
[TS 222, p. 29] que ......!” – mas isso não é nenhum argumento.
...... !« – und das ist doch kein Argument.

35. »Aber, wenn du recht hast, wie kommt es dann, daß sich 35. “Mas se você tem razão, como ocorre que todas as pessoas
alle Menschen (oder doch alle normale Menschen) diese Figuren (ou pelo menos todas as pessoas normais) tomam essas figuras
als Beweise dieser Satze gefallen lassen?« – Ja, hier besteht eine como prova dessas proposições?” – Existe aqui uma grande – e
große – und interessante – Übereinstimmung. interessante – concordância.

50 50

36. Denk’ dir, du hättest eine Reihe von Kugeln vor dir; du 36. Imagine que você tenha diante de si uma sequência de
numerierst sie mit arabischen Ziffern und es geht von 1 bis 100; bolinhas de gude; você as numera com algarismos arábicos que
dann machst du nach je 10 einen größern Abstand; in jedem vão de 1 até 100; então você abre, depois de 10, um grande
Reihenstück von je 10 einen etwas kleineren Abstand in der espaço; em cada pedaço de sequência de 10, abre um espaço um
Mitte, zwischen 5 und 5 – so werden die 10 übersichtlich; nun pouco menor no meio, entre 5 e 5 – então as 10 se tornam mais
nimmst du die Zehnerstücke und legst sie unter einander, und manifestas;21 agora você pega os pedaços de dez e os coloca um
machst in der Mitte der Kolonne einen größeren Abstand, also debaixo do outro, e abre no meio da coluna um espaço maior,
zwischen fünf Reihen und fünf Reihen; nun numerierst du die portanto entre sequências de cinco e sequências de cinco; agora
Reihen von 1 bis 10. – Es wurde, sozusagen, mit den Kugeln você numera as sequências de 1 até 10. – Isso foi exercitado, por
exerziert. Ich kann sagen, wir haben Eigenschaften der hundert assim dizer, com as bolinhas de gude.22 Posso dizer que
Kugeln entfaltet. – Nun aber denk’ dir, daß dieser ganze Vorgang, estendemos propriedades das cem bolinhas de gude. – Imagine
dies Experiment mit den hundert Kugeln, gefilmt wurde. Ich sehe agora que todo esse processo, esse experimento com as cem

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OFM – Parte I

nun auf der Leinwand doch nicht ein Experiment, denn das Bild bolinhas de gude, tenha sido filmado. Não vejo agora na tela um
eines Experiments ist doch nicht selbst ein Experiment. – Aber experimento, pois a imagem de um experimento não é ela mesma
das ›mathematisch Wesentliche‹ am Vorgang sehe ich nun auch um experimento. – Mas o ‘matematicamente essencial’ do
in der Projektion! Denn es erscheinen da zuerst 100 Flecke, dann processo eu vejo agora na projeção também! Pois ali apareceu
werden sie in Zehnerstücke eingeteilt, usw., usw. primeiro 100 manchas, depois elas foram repartidas em pedaços
[TS 222, p. 30] de 10, e etc., etc.
Ich könnte also sagen: der Beweis dient mir nicht als [TS 222, p. 30]
Experiment, wohl aber als Bild eines Experiments. Poderia, portanto, dizer: a prova não me serve como
experimento, mas antes como imagem de um experimento.

37. Lege 2 Äpfel auf die leere Tischplatte, schau daß niemand 37. Coloque 2 maçãs em cima da tábua de uma mesa vazia,
in ihre Nähe kommt und der Tisch nicht erschüttert wird; nun lege não deixe que ninguém chegue perto da mesa e nem que ela seja
noch 2 Äpfel auf die Tischplatte; nun zähle die Äpfel, die da sacudida; agora coloque mais 2 maçãs em cima da tábua da mesa;
liegen. Du hast ein Experiment gemacht; das Ergebnis der conte as maçãs que estão ali. Você fez um experimento; o
Zählung ist wahrscheinlich 4. (Wir würden das Ergebnis so resultado da contagem é provavelmente 4. (Nós apresentaríamos
darstellen: wenn man unter den und den Umständen erst 2, dann o resultado assim: quando se coloca, sob tais e tais circunstâncias,
noch 2 Äpfel auf einen Tisch legt, verschwindet zumeist keiner, primeiro 2 e depois mais 2 maçãs sobre a mesa, geralmente não
noch kommt einer dazu.) Und analoge Experimente kann man, se perde nenhuma, nem se agrega nenhuma.) E pode-se conduzir
mit dem gleichen Ergebnis, mit allerlei festen Körpern ausführen. experimentos análogos com resultados iguais com todos os tipos
– So lernen ja die Kinder bei uns rechnen, denn man läßt sie 3 de corpos sólidos. – E assim as crianças aprendem conosco a
Bohnen hinlegen und noch 3 Bohnen und dann zählen, was da calcular quando se coloca para elas 3 feijões, depois 3 feijões, e
liegt. Käme dabei einmal 5, einmal 7 heraus, (etwa darum weil, então se conta o que ali está. Se numa vez resulta 5, e na outra 7
wie wir jetzt sagen würden, einmal von selbst eine dazu-, einmal (talvez porque, tal como poderíamos dizer, uma vez se
eine wegkäme), so würden wir zunächst Bohnen als für den acrescentou por si mesmo, e na outra se perdeu), então
Rechenunterricht ungeeignet erklären. Geschähe das explicaríamos inicialmente que feijões não são apropriados para
lições de cálculo. Mas se ocorresse

51 51

41
OFM – Parte I

Gleich aber mit Stäben, Fingern, Strichen und den meisten o mesmo com bastões, dedos, traços e com a maioria das outras
andern Dingen, so hätte das Rechnen damit ein Ende. coisas, então teríamos, com isso, o fim do cálculo.
»Aber wäre dann nicht doch noch 2 + 2 = 4?« – Dieses “Mas então não teríamos mais 2 + 2 = 4?” – Essas
Sätzchen wäre damit unbrauchbar geworden. – tabuadas se tornariam desnecessárias. –
[TS 222, p. 31] [TS 222, p. 31]

38. »Du brauchst ja nur auf die Figur 38. “Você só precisa olhar para a figura

zu sehen, um zu sehen, daß 2 + 2 = 4 ist.« – Dann brauche ich nur para ver que 2 + 2 = 4.” – Então eu só preciso enxergar a figura
auf die Figur

para ver que 2 + 2 = 4.


zu schauen, um zu sehen, daß 2 + 2 + 2 = 4 ist. [TS 222, p. 32]
[TS 222, p. 32]

39. Wovon überzeuge ich Einen, der jene Abbildung im Film 39. Do que convenço alguém que seguiu aquela reprodução
des Versuchs mit den hundert Kugeln verfolgt? em filme da experiência com as cem bolinhas de gude?
Man könnte sagen: davon, daß sich dies so zugetragen

42
OFM – Parte I

hat. – Aber das wäre keine mathematische Überzeugung. — Aber Poder-se-ia dizer: de que aquilo aconteceu assim. – Mas
kann ich denn nicht sagen: ich präge ihm einen Vorgang ein? isso não seria um convencimento matemático. — Mas não
Dieser Vorgang ist die Umgruppierung einer Reihe von 100 poderia dizer então: eu gravo nele um processo? Esse processo é
Dingen in 10 Reihen zu 10. Und dieser Vorgang ist tatsächlich o reagrupamento de uma sequência de 100 coisas em sequências
immer wieder durchzuführen. Und davon kann er mit Recht de 10 em 10. E esse processo pode ser de fato sempre executado
überzeugt sein. novamente. E ele pode ser convencido disso com razão.
[TS 222, p. 33] [TS 222, p. 33]

52 52

40. Und so prägt der Beweis (25) durch Ziehen der 40. A prova (25) grava um processo assim quando realiza o
Projektionslinien einen Vorgang ein, den der eins-zu-eins tracejado de linhas de projeção nas quais há uma correlação um-
Zuordnung der H und des D. – »Aber überzeugt er mich nicht a-um entre M e P. – “Mas isso não me convence de que essa23
auch davon, daß diese Zuordnung möglich ist?« – Wenn das correlação é possível?” – Quando isso deve querer dizer: que você
heißen soll: daß du sie immer ausführen kannst –, so muß das pode conduzi-las sempre –, de modo que ela não deva ser
durchaus nicht wahr sein. Aber das Ziehen der Projektionslinien infalivelmente verdadeira. Mas a extração de linhas de projeção
überzeugt uns davon, daß oben soviele Striche sind, wie unten nos convence de que há a mesma quantidade de traços acima que
Ecken; und es liefert eine Vorlage, um danach solche Figuren pontas abaixo; ela fornece um modelo mediante o qual aquelas
einander zuzuordnen. – »Aber zeigt die Vorlage dadurch nicht, figuras são correlacionadas entre si. – “Mas o modelo não mostra
daß es geht? nicht, daß es diesmal ging! In dem Sinne, in desse modo que ele funciona? e não que ele funcionou dessa vez!
welchem es nicht ginge, wenn oben statt die Figur No sentido de que ele não funcionaria se em cima estivesse a
stünde.« – Wieso? geht es denn da nicht? so z. B.: figura em vez de .” – Como assim? Ele então não
funcionaria? Por exemplo, quando:

43
OFM – Parte I

Diese Figur könnte doch auch als Beweis für etwas angewandt Essa figura poderia ser também empregada como prova de
werden! Und zwar um zu zeigen, daß man Gruppen dieser alguma coisa! Para mostrar, na realidade, que grupos dessas
Formen nicht 1-1 zuordnen kann. ›Eine 1-1 Zuordnung ist hier formas não podem entrar em uma correlação 1-1.24 ‘Uma
unmöglich‹ – heißt etwa: die Figuren und 1-1 Zuordnung passen correlação 1-1 é impossível aqui’ – quer dizer talvez: as figuras e
nicht zusammen. uma correlação 1-1 não se combinam.
»So hab’ ich’s nicht gemeint!« – Dann zeig’ mir, wie du’s “Eu não quis dizer isso desse jeito!” – Então me mostre
meinst, und ich werde es machen. de que jeito você quis dizer e eu o farei.
Aber kann ich denn nicht sagen, die Figur zeige, wie eine Mas eu não posso dizer então que a figura mostra como
solche Zuordnung möglich ist – und muß sie darum nicht auch uma correlação assim é possível – e ela também não tem que
zeigen, daß sie möglich ist?– mostrar que ela é possível? –

53 53

41. Was war denn damals der Sinn davon, daß wir 41. Qual foi então naquele momento o sentido de que
[TS 222, p. 34] [TS 222, p. 34]
vorschlugen, den Formen der 5 parallelen Striche und des tenhamos sugerido dar nomes às formas dos 5 traços paralelos e
Fünfecksterns Namen beizulegen? Was ist damit geschehen, daß da estrela de cinco pontas? O que aconteceu ali para que elas
sie Namen erhalten haben? Es wird dadurch etwas über die Art tenham recebido nomes? Indica-se por meio disso alguma coisa
des Gebrauchs dieser Figuren angedeutet. Nämlich – daß man sie sobre o modo de uso dessas figuras. A saber – que se as reconhece
auf einen Blick als die und die erkennt. Man zählt dazu nicht ihre com uma só olhada como tal e tal. Para isso não se contam os seus
Striche oder Ecken; sie sind für uns Gestalttypen, wie Messer und traços ou pontas; eles são para nós configurações típicas, como
Gabel, wie Buchstaben und Ziffern. faca e garfo, como letras e algarismos.
Ich kann also auf den Befehl: »Zeichne eine H!« (z. B.) –

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OFM – Parte I

diese Form unmittelbar wiedergeben. – Nun lehrt mich der Posso, portanto, com a ordem: “Desenhe um M! (por
Beweis eine Zuordnung der beiden Formen. (Ich möchte sagen, exemplo) – reproduzir imediatamente essa forma. – Ora, a prova
es seien in dem Beweis nicht bloß diese individuellen Figuren me ensina uma correlação entre as duas formas. (Poderia dizer
zugeordnet, sondern die Formen selbst. Aber das heißt doch nur, que na prova não seria somente essas figuras individuais que são
daß ich mir jene Formen gut einpräge; als Paradigmen einpräge.) correlacionadas, mas as próprias formas. Mas isso só significa
Kann ich nun, wenn ich die Formen H und D einander so que gravo bem aquelas formas; as gravo como paradigmas.)
zuordnen will, nicht in Schwierigkeiten geraten – indem etwa Posso agora, quando quero correlacionar entre si as formas M e
eine Ecke unten zuviel, oder oben ein Strich zuviel ist? – »Aber P, não incorrer em dificuldades – pelas quais talvez haja abaixo
doch nicht, wenn du wirklich wieder H und D gezeichnet hast! – uma ponta a mais, ou acima um traço a mais também? – “Mas não
Und das läßt sich ja beweisen; sieh diese Figur an!« quando você na verdade desenhou novamente M e P! – E isso
pode ser comprovado; olhe para a figura!”

– Diese Figur lehrt mich eine neue Art der Kontrolle dafür, daß
[TS 222, p. 35] – Esta figura me ensina um novo tipo de controle para ela, se
ich wirklich die gleichen Figuren hingezeichnet habe; aber kann [TS 222, p. 35]
ich, wenn ich mich nun nach dieser Vorlage richten will, nicht eu realmente desenhei as mesmas figuras; mas não posso, se
dennoch in Schwierigkeiten geraten? Ich sage aber, ich bin quero me guiar agora por esse modelo, incorrer ainda em
dificuldades? Digo, no entanto, que estou

54 54

sicher, daß ich normalerweise in keine Schwierigkeiten kommen seguro de que normalmente não vou cair em nenhuma
werde. dificuldade.

45
OFM – Parte I

42. Es gibt ein Geduldspiel, das darin besteht, eine bestimmte 42. Existe um quebra-cabeça que consiste em montar uma
Figur, z. B. ein Rechteck, aus gegebenen Stücken determinada figura, por exemplo um retângulo, a partir de peças
zusammenzusetzen. Die Teilung der Figur ist eine solche, daß es dadas. O recorte da figura é feito de modo a nos tornar difícil de
uns schwer wird, die richtige Zusammenstellung der Teile zu encontrar a correta composição das partes. Ela seria talvez esta
finden. Sie sei etwa diese

Was findet der, dem die Zusammenstellung gelingt? – Er findet: O que descobre aquele que consegue fazer a composição? – Ele
eine Lage – an welche er früher nicht gedacht hat. – Gut; aber descobre: uma disposição – que ele nunca tinha imaginado antes.
kann man also nicht sagen: er überzeugt sich davon, daß man – Bom; mas não se pode também dizer: ele se convence de que
diese Dreiecke so zusammensetzen kann? – Aber ›diese esses triângulos podem ser montados assim? – Mas ‘esses
Dreiecke‹: sind es die, welche oben im Rechteck liegen, oder sind triângulos’: são o que estão acima no retângulo, ou são triângulos
es Dreiecke, die erst so zusammengesetzt werden sollen? que antes devem ser montados assim?

43. Wer sagt: »Ich hätte nicht geglaubt, daß man 43. Para quem diz: “Não acreditava que se
[TS 222, p. 36] [TS 222, p. 36]
diese Figuren so zusammensetzen kann«, dem kann man doch pudesse montar essas figuras assim”, não se pode apontar para o
nicht, auf das zusammengesetzte Geduldspiel zeigend, sagen: quebra-cabeça montado e dizer: “Nossa, você não acreditava que
»So, du hast nicht geglaubt, daß man die Stücke so se pudesse montar as peças assim?” – Ele responderia: “Quis
zusammensetzen kann?« – Er würde antworten: »Ich meine, ich dizer que jamais pensei nesse tipo de montagem.”
habe an diese Art der Zusammensetzung garnicht gedacht.«

46
OFM – Parte I

44. Denken wir uns die physikalischen Eigenschaften der 44. Imaginemos as propriedades físicas das partes do quebra-
Teile des Geduldspiels so, daß sie in die gesuchte Lage nicht cabeça de tal modo que não se pudesse chegar na disposição
kommen können. Aber nicht, daß man einen Widerstand buscada, mas não que se sentisse uma resistência
empfindet,

55 55

wenn man sie in diese Lage bringen will; sondern man macht se elas fossem colocadas nessa disposição; mas que se faz
einfach alle andern Versuche, nur den nicht und die Stücke simplesmente todas as outras tentativas menos essa, e por isso as
kommen auch durch Zufall nicht in diese Lage. Es ist gleichsam peças não podem chegar por acaso nessa disposição. É como se
diese Lage aus dem Raum ausgeschlossen. Als wäre hier ein essa disposição estivesse excluída do espaço. Como se houvesse
›blinder Fleck‹, etwa in unserm Gehirn. – Und ist es denn nicht aqui um ‘ponto cego’, talvez no nosso cérebro. – E não é assim
so, wenn ich glaube, alle möglichen Stellungen versucht zu haben que acontece quando acredito que tentei todas as posições
und an dieser, wie durch Verhexung, immer vorbeigegangen bin? possíveis, e passei sempre ao largo dessa, como se estivesse
Kann man nicht sagen: die Figur, die dir die Lösung zeigt, enfeitiçado?
beseitigt eine Blindheit; oder auch, sie ändert deine Geometrie? Não se poderia dizer: a figura que lhe mostra uma solução
Sie zeigt dir gleichsam eine neue Dimension des Raumes. (Wie elimina uma cegueira; ou também que ela modifica a sua
wenn man einer Fliege den Weg aus dem Fliegenglas zeigte.) geometria? É como se ela lhe mostrasse uma nova dimensão do
espaço. (Como se mostrássemos à mosca a saída da garrafa pega-
moscas.)25

45. Ein Dämon hat diese Lage mit einem Bann 45. Um demônio cercou este lugar com
[TS 222, p. 37] [TS 222, p. 37]
umzogen und aus unserm Raum ausgeschlossen. um feitiço e o excluiu do nosso espaço.

46. Die neue Lage ist wie aus dem Nichts entstanden. Dort, 46. É como se o novo lugar passasse a existir do nada. Onde
wo früher nichts war, dort ist jetzt auf einmal etwas. antes nada existia, agora, de pronto, há algo.

47
OFM – Parte I

47. Inwiefern hat dich denn die Lösung davon überzeugt, daß 47. Em que medida a solução lhe convenceu de que se pode
man dies und dies kann? – Du konntest es ja früher nicht – und fazer isso e aquilo? – Antes você não podia – e agora você pode
jetzt kannst du es etwa. – talvez fazer isso. –
[TS 222, p. 38] [TS 222, p. 38]

48. Ich sagte, »ich lasse mir das und das als Beweis eines 48. Disse que “aceito isto e isto como prova de uma
Satzes gefallen« – aber kann ich mir die Figur, die die Stücke des proposição” – mas eu posso não aceitar a figura que mostra as
Geduldspiels zusammengefügt zeigt, nicht als Beweis dafür peças do quebra-cabeça reunidas como prova de que aquelas
gefallen lassen, das man jene Stücke zu diesem Umriß peças podem ser montadas naquele contorno?
zusammensetzen kann?

56 56

49. Aber denk nun, eines der Stücke liege so, daß es das 49. Então imagine agora que uma das peças fica posta de
Spiegelbild des entsprechenden Teils der Vorlage ist. Er will nun modo a servir de imagem especular da sua parte correspondente
die Figur nach der Vorlage zusammensetzen, sieht, es muß do modelo. Ele quer agora montar a figura segundo o modelo, e
gehen, kommt aber nicht auf den Einfall, das Stück umzuwenden vê que isso tem que funcionar, mas não tem a ideia de virar a peça
und findet, daß ihm das Zusammensetzen nicht gelingt. e descobrir que ela não consegue se encaixar na montagem.

50. Man kann ein Rechteck aus zwei Parallelogrammen und 50. Pode-se montar um retângulo a partir de dois
zwei Dreiecken zusammensetzen. Beweis: paralelogramos e dois triângulos. Prova:

48
OFM – Parte I

Ein Kind würde die Zusammensetzung eines Rechtecks aus Uma criança poderia achar difícil montar um retângulo a partir
diesen Bestandteilen schwer treffen und davon überrascht sein, desses componentes e ficar surpresa de que os dois lados dos
daß zwei Seiten der Parallelogramme in eine gerade Linie fallen, paralelogramos fazem uma linha reta onde os paralelogramos são,
wo doch die Parallelogramme schief sind. – Es könnte ihm porém, inclinados. – Poderia ocorrer-lhe que o retângulo surge
vorkommen, daß das Rechteck gleichsam durch Zauberei aus dessas figuras como se fosse por mágica. Claro que se tem que
diesen Figuren wird. Ja, es muß zugeben, daß sie nun ein assumir que elas só formam um retângulo
Rechteck [TS 222, p. 39]
[TS 222, p. 39] mediante um truque, mediante uma posição complicada, de
bilden, aber durch einen Trick, durch eine vertrackte Stellung, auf maneira não natural.
unnatürliche Weise. Posso imaginar que a criança não confia em seus olhos
Ich kann mir denken, daß das Kind, wenn es die beiden quando os dois paralelogramos são juntados dessa forma, quando
Parallelogramme in der Weise zusammengelegt hat, seinen ela vê que eles se encaixam assim. ‘Não parece que eles se
Augen nicht traut, wenn es sieht, daß sie so zusammenpassen. encaixam assim.’ E eu poderia imaginar alguém dizendo: Só nos
›Sie sehen nicht aus, als ob sie so zusammenpaßten.‹ Und ich aparece assim por uma ilusão de ótica, como se fossem um
könnte mir denken, daß man sagte: Es erscheint uns nur durch ein retângulo – na realidade, eles mudaram sua natureza, não são
Blendwerk, als gaben sie das Rechteck – in Wirklichkeit haben mais paralelogramos.
sie ihre Natur verändert, sie sind nicht mehr die Parallelogramme. [TS 222, p. 40]
[TS 222, p. 40]

49
OFM – Parte I

51. »Du gibst das zu – dann mußt du das zugeben.« – Er muß 51. “Você assume isso – então você tem que assumir aquilo.”
es zugeben – und dabei ist es möglich, daß er es nicht zugibt! Du – Ele tem que assumir isso – é possível, por conseguinte, que ele
willst sagen: »wenn er denkt, muß er es zugeben.« não assuma! Você quer dizer: “se ele pensa, então tem que
assumir.”

57 57

»Ich werde dir zeigen, warum du es zugeben mußt.« – Ich “Vou lhe mostrar por que você tem que assumir isso.” –
werde dir einen Fall vor Augen führen, welcher, wenn du ihn Vou trazer um caso diante dos seus olhos que irá determiná-lo a
bedenkst, dich bestimmen wird, so zu urteilen. julgar assim, se você pensar nele.

52. Wie können ihn denn die Manipulationen des Beweises 52. Como se pode fazer manipulações na prova para
dazu bringen, etwas zuzugeben? conseguir que ele assuma alguma coisa?

53. »Du wirst doch zugeben, daß 5 aus 3 und 2 besteht!« 53. “Você terá que assumir que 5 consiste em 3 e 2!”26

Ich will es nur zugeben, wenn ich damit nichts zugebe. Außer – Só vou assumir se com isso nada se assume. A não ser – que
daß ich dieses Bild verwenden will. queira empregar essa imagem.

54. Man könnte z. B. die Figur 54. Poder-se-ia tomar, por exemplo, a figura

50
OFM – Parte I

als Beweis dafür nehmen, das 100 Parallelogramme, so como prova de que 100 paralelogramos montados desse jeito têm
zusammengesetzt, einen geraden Streifen geben müssen. Wenn que dar uma faixa reta. Quando se junta realmente 100, talvez se
man dann wirklich 100 zusammenfügt, erhält man nun etwa consiga uma faixa
einen schwach [TS 222, p. 41]
[TS 222, p. 41] levemente arqueada. – A prova, no entanto, nos determina a usar
gebogenen Streifen. – Der Beweis aber hat uns bestimmt, das a imagem e o modo de expressão: Se eles não dão nenhuma faixa
Bild und die Ausdrucksweise zu gebrauchen: Wenn sie keinen reta, produziram uma inexata.
geraden Streifen geben, waren sie ungenau hergestellt.

58 58

55. Denke nur, wie kann mich das Bild, das du mir zeigst 55. Apenas imagine como a imagem que você me mostra (ou
(oder der Vorgang) dazu verpflichten, nun so und so immer zu o processo) pode me comprometer a sempre julgar desse e
urteilen! daquele modo!
Ja, liegt hier ein Experiment vor, so ist eines ja doch zu Mas se o que existe aqui é um experimento, então um é
wenig, mich zu irgendeinem Urteil zu verbinden. muito pouco para me vincular a um julgamento qualquer.

56. Der Beweisende sagt: »Schau diese Figur an! Was wollen 56. Quem faz a prova, diz: “Olhe para esta figura! Que
wir dazu sagen? Nicht, daß ein Rechteck aus ..... besteht? –« queremos dizer a respeito dela? Não é que um retângulo consiste
Oder auch: »Das nennst du doch ›Parallelogramme‹ und em .....? –”
das ›Dreiecke‹ und so sieht es doch aus, wenn eine Figur aus Ou também: “Isto você chama de ‘paralelogramo’ e isto
andern besteht. –« de ‘triângulo’, e assim é o que parece quando uma figura consiste
de outras. –”

57. »Ja, du hast mich überzeugt: ein Rechteck besteht immer 57. “Sim, você me convenceu de que um retângulo sempre
aus .....« – Würde ich auch sagen: »Ja du hast mich überzeugt: consiste em .....” – Diria também: “Sim, você me convenceu: este
dieses Rechteck (das des Beweises) besteht aus ..... «? Und dies retângulo (o da prova) consiste em .....”? E esta seria, de fato, a
wäre ja doch der bescheidenere Satz; den auch der zugeben sollte, proposição mais modesta; que também deveria assumir o que

51
OFM – Parte I

der etwa den allgemeinen Satz noch nicht zugibt. Seltsamerweise talvez a proposição universal ainda não assume. Estranhamente,
aber porém,
[TS 222, p. 42] [TS 222, p. 42]
scheint der, der das zugibt, nicht den bescheideneren aquele que assume isso parece não assumir a proposição
geometrischen Satz zuzugeben, sondern gar keinen Satz der geométrica mais modesta, pois não assume nenhuma proposição
Geometrie. Freilich, – denn bezüglich des Rechtecks des da geometria em geral. Certamente – em relação ao retângulo da
Beweises hat er mich ja von nichts überzeugt. (Über diese Figur, prova ele não me convenceu de nada. (Se tivesse visto essa figura
wenn ich sie früher gesehen hätte, wäre ich ja in keinem Zweifel antes, não teria formado nenhuma dúvida sobre ela.) No que
gewesen.) Ich habe aus freien Stücken, was diese Figur concerne a essa figura, confirmei tudo espontaneamente. Ele só
anbelangt, alles zugestanden. Und er hat mich nur mittels ihrer me convenceu dos seus meios. – Mas, por outro lado, se ele não
überzeugt. – Aber anderseits, wenn er mich nicht einmal me convenceu de nada a respeito desse retângulo, como então me
bezüglich dieses Rechtecks von etwas überzeugt hat, wie dann convenceria sobre uma propriedade de outros retângulos?
erst von einer Eigenschaft andrer Rechtecke? [TS 222, p. 43]
[TS 222, p. 43]

58. »Ja, die Form sieht nicht so aus, als könnte sie aus zwei 58. Pois é, a forma não parece ser assim, como se pudesse
windschiefen Teilen bestehen.« consistir em duas partes retorcidas.”
Was überrascht dich? Doch nicht, daß du jetzt diese Figur O que o surpreende? Não é que você veja agora esta figura
vor dir siehst! Mich überrascht etwas in dieser Figur. – Aber in diante de si! O que me surpreende é alguma coisa na figura. –
dieser Figur geht ja nichts vor! Mas na figura não acontece nada!

59 59

Mich überrascht die Zusammenstellung des Schiefen mit Surpreende-me a combinação das inclinações com os
dem Graden. Mir wird, gleichsam, schwindlich. graus. É como se me desse tonturas.
[TS 222, p. 44] [TS 222, p. 44]

52
OFM – Parte I

59. Ich sage aber doch wirklich: »Ich habe mich überzeugt, 59. Porém, o que digo realmente é: “Estou convencido de que
daß man die Figur aus diesen Teilen legen kann«, wenn ich se pode construir a figura com essas partes”, se talvez tenha visto
nämlich etwa die Abbildung der Lösung des Geduldspiels de fato a cópia da solução do quebra-cabeça.
gesehen habe. Se digo isso para alguém, então isso deve querer dizer:
Wenn ich nun Einem das sage, so soll es doch heißen: “Tente um pouco mais! estas peças, colocadas corretamente, dão
»Versuch nur! diese Stücke, richtig gelegt, geben wirklich die realmente na figura.” Quero animá-lo a fazer alguma coisa e
Figur.« Ich will ihn aufmuntern etwas zu tun und sage ihm einen predigo para ele um resultado. A previsão se apoia sobre a
Erfolg voraus. Und die Vorhersage beruht auf der Leichtigkeit, facilidade com a qual se pode montar a figura com as peças,
mit der man die Figur aus den Stücken zusammensetzen kann, contanto que se saiba como.
sobald man weiß wie.

60. Du sagst, du bist erstaunt über das, was dir der Beweis 60. Você diz que está assombrado com o que a prova lhe
zeigt. Aber bist du erstaunt darüber, daß sich diese Striche haben mostra. Mas você está assombrado porque se desenharam estes
ziehen lassen? Nein. Du bist erstaunt nur, wenn du dir sagst, daß traços? Não. Você só está admirado, quando diz para si mesmo
zwei solche Stücke diese Form geben. Wenn du dich also in die que duas peças como essas resultam naquela forma. Quando você
Situation hineindenkst, du habest dir etwas anderes erwartet und se imagina, portanto, naquela situação em que esperava por outra
nun sahest du das Ergebnis. coisa e depois vê o resultado.

61. »Aus dem folgt unerbittlich das.« – Ja, in dieser 61. “A partir disso segue-se inexoravelmente isto.” – Sim,
Demonstration geht es aus ihm hervor. nesta demonstração este emerge daquele.
Und eine Demonstration ist dies für den, der sie als E uma demonstração é feita para aquele que a reconhece
Demonstration anerkennt. Wer sie nicht anerkennt, wer ihr nicht como tal. Quem não a reconhece, quem não a segue como
als Demonstration folgt, der trennt demonstração, separa-se
[TS 222, p. 45] [TS 222, p. 45]
sich von uns, noch ehe es zur Sprache kommt. de nós ainda antes que isto chegue à linguagem.

60 60

53
OFM – Parte I

62. 62.

Hier haben wir etwas, was unerbittlich ausschaut. Und Aqui temos algo que parece inexorável. E claro: o
doch: ›unerbittlich‹ kann es nur in seinen Folgen sein! Denn sonst ‘inexorável’ só pode estar na sua consequência! Pois do contrário
ist es nur ein Bild. isso é só uma imagem.
Worin besteht denn die Fernwirkung – wie man's nennen Em que consiste a ação à distância – como se poderia
könnte – dieses Schemas? chamá-la – desse esquema?

63. Ich habe einen Beweis gelesen – nun bin ich überzeugt. – 63. Li uma prova – e agora estou convencido. – Como, se já
Wie, wenn ich diese überzeugtheit sofort vergäße! Denn es ist ein me esqueci desse convencimento! Então é um procedimento
eigentümliches Vorgehen: daß ich den Beweis durchlaufe und peculiar: que eu percorra a prova e depois suponha o seu
dann sein Ergebnis annehme. — Ich meine: so machen wir es resultado. — Quero dizer: nós simplesmente fazemos isso. Isto é
eben. Das ist so bei uns der Brauch, oder eine Tatsache unserer então para nós o costume ou um fato da nossa história natural.
Naturgeschichte.

64. ›Wenn ich fünf habe, so habe ich drei, und zwei.‹ — Aber 64. ‘Se tenho cinco, então tenho três e dois.’ — Mas de onde
woher weiß ich, daß ich fünf habe? – Nun, wenn es so sei que tenho cinco? – Bem, quando se parece com algo assim
ausschaut. – Und ist es auch gewiß, daß, wenn es so ausschaut, . – E é também certo que se isso se parece com algo assim,
ich es immer in solche Gruppen zerlegen kann? então pode ser sempre decomposto em grupos como aqueles?
Es ist eine Tatsache, daß wir das folgende Spiel spielen É um fato que nós podemos jogar o seguinte jogo: Ensino
können: Ich lehre Einen, wie eine Zweier-, Dreier-, para alguém como se parece um grupo de dois, de três.
[TS 222, p. 46] [TS 222, p. 46]
Vierer-, Fünfergruppe aussieht, und ich lehre ihn, Striche de quatro, de cinco, e o ensino a colocar traços em
einander eins-zu-eins zuzuordnen; dann lasse ich ihn immer je correspondência um-a-um; e então deixo que ele execute duas
zweimal den Befehl ausführen: »Zeichne eine Fünfergruppe« – vezes a ordem: “Desenhe um grupo de cinco” – Depois, dou a
und dann den Befehl: »Ordne die beiden Gruppen einander zu«; ordem: “Faça uma correspondência entre os dois grupos”; isso

54
OFM – Parte I

da zeigt es sich, daß er, so gut wie immer, die Striche restlos mostra que ele quase sempre faz a correspondência completa
einander zuordnet. entre os traços.
Oder auch: es ist Tatsache, daß ich bei der eins-zu-eins Ou também: é um fato que eu quase nunca tenho
Zuordnung dessen, was ich als Fünfergruppen hinzeichne, so gut dificuldades em colocar em correspondência um-a-um o que
wie nie in Schwierigkeiten komme. desenho como grupos de cinco.

61 61

65. Ich soll das Geduldspiel zusammenlegen, ich versuche 65. Tenho que juntar o quebra-cabeça, tento aqui e ali, estou
hin und her, bin zweifelhaft, ob ich es zusammenbringen werde. em dúvida se posso reuni-lo. Então alguém me mostra uma
Nun zeigt mir jemand das Bild der Lösung: Nun sage ich – ohne imagem da solução: Então digo – sem nenhuma dúvida – “agora
irgendeinen Zweifel – »jetzt kann ich's!« – Ist es denn sicher, daß eu consigo!” – É seguro então que agora vou reuni-lo? – Mas o
ich es nun zusammenbringen werde? – Aber die Tatsache ist: ich fato é: não tenho nenhuma dúvida.
zweifle nicht daran. Se alguém agora perguntasse: “Em que consiste a ação à
Wenn nun jemand fragte: »Worin besteht die distância daquela imagem? – Em que eu a aplico.27
Fernwirkung jenes Bildes?« – Darin, daß ich es anwende. [TS 222, p. 47]
[TS 222, p. 47]

66. In einer Demonstration einigen wir uns mit jemand. 66. Numa demonstração nos unimos com alguém. Se não nos
Einigen wir uns in ihr nicht, so trennen sich unsere Wege, ehe es unimos nela, então nossos caminhos se separam antes que
zu einem Verkehr mittels dieser Sprache kommt. cheguemos a trafegar pelos meios dessa linguagem.
Es ist ja nicht wesentlich, daß der Eine den Andem mit Não é essencial que um fale com o outro na demonstração.
der Demonstration überrede. Es können ja beide sie sehen Ambos podem vê-la (lê-la) e aceitá-la.
(lesen), und anerkennen.

67. »Du siehst doch – es kann doch keinem Zweifel 67. “Você vê logo – não há como subsistir nenhuma dúvida
unterliegen, daß eine Gruppe wie A wesentlich aus einer de que um grupo como A consiste essencialmente

55
OFM – Parte I

wie B und einer wie C besteht.« – Auch ich sage – d. h., auch ich em um como B e em um como C.” – Também digo – isto é,
drücke mich so aus – daß die Gruppe, die du hingezeichnet hast, também me expresso assim – que o grupo que você desenhou
aus den beiden kleineren besteht; aber ich weiß nicht, ob jede consiste nos dois menores; mas não sei se todo grupo que
Gruppe, die ich eine von der Art (oder Gestalt) der ersten nennen chamaria do tipo (ou da configuração) do primeiro, seria montado
würde, unbedingt aus zwei Gruppen von der Art jener kleineren incondicionalmente a partir de dois grupos do tipo daqueles
zusammengesetzt sein wird. — Ich glaube aber, es wird wohl menores. — Acredito, porém, que isso é desse jeito (minha
immer so sein (meine Erfahrung hat mich dies vielleicht gelehrt) experiência provavelmente me ensinou assim), e portanto a
und darum will ich als Regel annehmen: Ich will eine Gruppe admitirei como regra: só chamarei a um grupo da configuração A
dann, und nur dann, eine von der Gestalt A nennen, wenn sie in se, e somente se, ele puder ser decomposto em dois grupos como
zwei Gruppen wie B und C zerlegt werden kann. B e C.

62 62

68. Und so wirkt auch die Zeichnung 50 als Beweis. 68. E assim opera também o desenho 50 como prova.
[TS 222, p. 48] [TS 222, p. 48]
»Ja wahrhaftig! zwei Parallelogramme stellen sich zu dieser “Sim, deveras! Dois paralelogramos são compostos com essa
Form zusammen!« (Das ist sehr ähnlich, wie wenn ich sagte: »Ja forma!” (Seria muito semelhante se dissesse: “É verdade! uma
wirklich! eine Kurve kann aus graden Stücken bestehen.«) – Ich curva pode consistir em segmentos graduados.”) – Não havia
hätte es nicht gedacht. Ja – nicht, daß die Teile dieser Figur diese pensado nisso. Sim – não que as partes dessa figura resultassem
Figur ergeben. Das heißt ja nichts. – Sondern ich staune nur, nessa figura. Isso não quer dizer nada. – Senão que só me admiro
wenn ich denke, ich hätte das obere Parallelogramm ahnungslos quando imagino que não tinha ideia de que o paralelogramo de
auf das untere gestellt und sähe nun dieses Ergebnis. cima foi montado com o debaixo, e vejo agora esse resultado.

69. Und man könnte sagen: Der Beweis hat mich von dem 69. Poder-se-ia dizer: A prova me convenceu disso – do que
überzeugt – was mich auch überraschen kann. também pode me surpreender.

56
OFM – Parte I

70. Denn warum sage ich, jene Figur 50 überzeugt mich von 70. Então por que disse que a figura 50 me convenceu de algo
etwas, und nicht geradeso auch diese: e esta não fez também o mesmo:

Sie zeigt doch auch, daß zwei solche Stücke ein Rechteck geben. Ela também mostra que dois desses pedaços dão num retângulo.
»Aber das ist uninteressant«, will man sagen. Und warum ist es “Mas isso não é interessante”, alguém dirá. E por que não é
uninteressant? interessante?

71. Wenn man sagt: »Diese Form besteht aus diesen Formen« 71. Quando se diz: “Esta forma consiste nestas formas” –
– so denkt man sich die Form als eine feine imagina-se a forma como um
[TS 222, p. 49] [TS 222, p. 49]
Zeichnung, ein feines Gestell von dieser Form, auf das gleichsam desenho fino, uma armação fina dessa forma, sobre a qual coisas
die Dinge gespannt sind, die diese Form haben. (Vergleiche: que têm essa forma estariam como que distendidas (Compare: a
Platos Auffassung der Eigenschaften als Ingredientien eines concepção de Platão das propriedades como ingredientes de uma
Dings.) coisa.)28

63 63

72. »Diese Form besteht aus diesen Formen. Du hast mir eine 72. “Essa forma consiste nestas formas. Você me mostrou
wesentliche Eigenschaft dieser Form gezeigt.« – Du hast mir ein uma propriedade essencial dessa forma.” – Você me mostrou uma
neues Bild gezeigt. nova imagem.
Es ist, als hätte Gott sie so zusammengesetzt. — Wir É como se Deus a tivesse montado assim. — Nos
bedienen uns also eines Gleichnisses. Die Form wird zum servimos, portanto, de uma comparação. A forma se torna um
ätherischen ente

57
OFM – Parte I

[TS 222, p. 50] [TS 222, p. 50]


Wesen, welches diese Form hat; es ist, als wäre sie ein für allemal etéreo que tem essa forma; é como se ela tivesse sido montada
so zusammengesetzt worden (von dem, der die wesentlichen assim de uma vez por todas (por aquele que colocou as
Eigenschaften in die Dinge gelegt hat). Denn, wird die Form zum propriedades essenciais nas coisas). Por conseguinte, se a forma
Ding, das aus Teilen besteht, so ist der Werkmeister der Form vem a ser coisa que consiste em partes, então o Artífice da forma
der, der auch Licht und Dunkelheit, Farbe und Härte, etc., é o mesmo que fez luz e escuridão, cor e solidez etc. (Imagine
gemacht hat. (Denke, jemand fragte: »Die Form ..... ist aus diesen alguém que dissesse: “A forma ..... é montada com essas partes;
Teilen zusammengesetzt; wer hat sie zusammengesetzt? Du?«) quem a montou? Você?”)
Man hat das Wort »Sein« für eine sublimierte, ätherische Usou-se a palavra “ser” para um modo de existência
Art des Existierens gebraucht. Betrachte nun den Satz: »Rot ist« sublimado, etéreo. Considere a proposição: “O vermelho é” (por
(z. B.). Freilich, niemand gebraucht ihn je; wenn ich mir aber exemplo). Ninguém nunca a usou realmente; mas se eu tiver que
doch einen Gebrauch für ihn erfinden sollte, so wäre es: als inventar um uso para ela, então seria este: como fórmula
einleitende Formel zu Aussagen, die dann vom Wort »rot« introdutória para sentenças que devem fazer uso da palavra
Gebrauch machen sollen. Beim Aussprechen der Formel blicke “vermelho”. Ao proferir a fórmula olho para uma amostra de cor
ich auf ein Muster der Farbe Rot. vermelha.
Einen Satz, wie »Rot ist« ist man versucht auszusprechen, Busca-se proferir uma proposição como “vermelho é”
wenn man die Farbe mit Aufmerksamkeit betrachtet: also in der quando se observa a cor com atenção: portanto na mesma
gleichen Situation in welcher man die Existenz eines Ding's situação em que se constata a existência de uma coisa (um inseto
feststellt (eines blattähnlichen Insekts z. B.). semelhante a uma folha, por exemplo).
Und ich will sagen: wenn man den Ausdruck gebraucht, E quero dizer: quando se usa a expressão “a prova me
»der Beweis hat mich gelehrt – hat mich davon überzeugt – daß ensinou – me convenceu – que isso se procede assim”, ainda se
es sich so verhalt«, ist man noch immer in jenem Gleichnis. está naquela mesma comparação.
[TS 222, p. 51] [TS 222, p. 51]

73. Ich hätte auch sagen können: ›Wesentlich‹ ist nie die 73. Poderia também ter dito: o ‘essencial’ nunca é a
Eigenschaft des Gegenstandes, sondern das Merkmal des propriedade do objeto, mas a marca do conceito.29
Begriffes.

58
OFM – Parte I

74. »War die Gestalt der Gruppe dieselbe, so muß sie 74. “Fosse a configuração do grupo a mesma, então ele teria
dieselben Aspekte, Möglichkeiten der Teilung, haben. Hat sie os mesmos aspectos, as mesmas possibilidades de partição. Se
andere, so ist es nicht die gleiche Gestalt; sie hat dir dann fossem diferentes, então não haveria a mesma configuração; por
vielleicht irgend- conseguinte, ele provavelmente produziu em você,

64 64

wie den gleichen Eindruck gemacht; aber dieselbe Gestalt ist sie de algum modo, a mesma impressão; mas ele só tem a mesma
nur, wenn du sie auf gleiche Weise zerteilen kannst.« configuração se você puder dividi-lo do mesmo modo.”
Es ist doch, als würde dies das Wesen der Gestalt É como se fosse proferida a essência da configuração. –
aussprechen. – Aber ich sage doch: Wer über das Wesen spricht Digo, porém, que: Quem fala da essência –, meramente constata
–, konstatiert bloß eine Übereinkunft. Und da möchte man doch uma concordância. A isto pode-se replicar: não há nada mais
entgegnen: es gibt nichts Verschiedeneres, als ein Satz über die diferente do que uma proposição sobre a profundidade da
Tiefe des Wesens und einer – über eine bloße Übereinkunft. Wie essência e uma – sobre uma mera concordância. Mas, e se
aber, wenn ich antworte: der Tiefe des Wesens entspricht das tiefe respondo: a profundidade da essência corresponde à profunda
Bedürfnis nach der Übereinkunft. necessidade da concordância.
Wenn ich also sage: »es ist, als spräche dieser Satz das Portanto, se digo: “é como se essa proposição proferisse a
Wesen der Gestalt aus« – so meine ich: es ist doch, als spräche essência da configuração” – então quero dizer: é como se essa
dieser Satz eine Eigenschaft des Wesens Gestalt aus! – Und man proposição proferisse uma propriedade da essência configuração!
kann sagen: Das Wesen, von dem er eine Eigenschaft aussagt, – Pode-se dizer: A essência, da qual ela afirma uma propriedade,
und das ich hier das Wesen ›Gestalt‹ nenne, ist das Bild, das ich e que aqui chamo de essência ‘configuração’, é a imagem que não
nicht umhin posso me abster
[TS 222, p. 52] [TS 222, p. 52]
kann, mir beim Wort »Gestalt« zu machen. de formar com a palavra “configuração”.
[TS 222, p. 53] [TS 222, p. 53]

75. Aber was für Eigenschaften der 100 Kugeln hast du 75. Mas que propriedades das 100 bolinhas de gude você
entfaltet, oder vorgeführt? — Nun, daß man diese Dinge mit estendeu ou demonstrou? — Ora, que se pode fazer essas coisas
ihnen tun kann. — Aber welche Dinge? Meinst du: daß du sie com elas. — Mas que coisas? Você quer dizer: que você pôde

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OFM – Parte I

hast so bewegen können, daß sie nicht an der Tischfläche movimentá-las assim, que elas não estavam grudadas à superfície
festgeleimt waren? — Nicht so sehr dies, als daß diese da mesa? — Não tanto isso, mas que essas formações surgiram
Formationen aus ihnen entstanden und dabei keine von ihnen delas e que, por isso, nenhuma se perde ou se acrescenta a elas.
weg- oder dazukam. — Du hast also physikalische Eigenschaften — Você, então, mostrou propriedades físicas da sequência. Mas
der Reihe gezeigt. Aber warum hast du den Ausdruck »entfalten« por que usou a expressão “estender”? Você não diria que estendeu
gebraucht? Du hättest doch nicht gesagt, du entfaltest die as propriedades de uma barra de ferro na qual mostra que ela
Eigenschaften einer Eisenstange, indem du zeigst, daß sie bei so derrete com tantos graus.
und soviel Grad schmilzt. [TS 222, p. 54]
[TS 222, p. 54] Do mesmo modo que você não poderia garantir que estendeu as
Und könntest du nicht ebenso gut sagen, du habest die propriedades da nossa memória numérica, nem as propriedades
Eigenschaften unseres Zahlengedächtnisses entfaltet wie die de uma sequência (por exemplo)? O que você realmente estendeu
Eigenschaften der Reihe (z. B.)? Was du eigentlich entfaltest, ist é a sequência de bolinhas de gude. – Você mostra, por exemplo,
ja wohl die Reihe der Kugeln. – Und du zeigst z. B., daß eine que quando uma sequência parece ser assim ou assado, ou quando
Reihe, wenn sie so und so ausschaut, oder so römisch numeriert ganha algarismos romanos de uma certa maneira, pode ser
ist, auf einfache Weise, und ohne daß eine Kugel dazu- oder colocada de modo simples numa outra forma lembrável, sem
wegkommt, in jene andere einprägsame Form gebracht werden acrescentar nem perder nenhuma bolinha de gude. Mas isso
kann. Aber ebenso gut konnte das doch ein psychologisches poderia ser, do mesmo modo, um experimento psicológico que
Experiment sein, das zeigt, daß du jetzt gewisse mostra que você agora acha certas

65 65

Formen einprägsam findest, in die 100 Flecke durch bloßes formas dignas de recordação, que são colocadas nas 100 marcas
Verschieben gebracht werden. por mero deslocamento.
»Ich habe gezeigt, was sich mit 100 Kugeln machen läßt.« “Eu mostrei o que se pode fazer com 100 bolinhas de
– Du hast gezeigt, daß sich diese 100 Kugeln (oder diese Kugeln gude.” – Você mostrou que essas 100 bolinhas de gude (ou
dort) so entfalten ließen. Das Experiment war eines des aquelas bolinhas de gude de lá) podem se estender daquele jeito.
Entfaltens (im Gegensatz etwa zu einem des Verbrennens). O experimento foi o de uma extensão (em contraposição, talvez,
Und das psychologische Experiment konnte z. B. zeigen, a um de combustão).
wie leicht man dich betrügen kann: Daß du es nämlich nicht E o experimento psicológico poderia ser, por exemplo, o
merkst, wenn man Kugeln in die Reihe, oder aus ihr de mostrar com que facilidade se pode trapaceá-lo: que você,

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OFM – Parte I

herausschmuggelt. Man könnte ja auch so sagen: Ich habe literalmente, não nota quando se colocam 100 bolinhas de gude
gezeigt, was sich mit einer Reihe von 100 Flecken durch numa sequência ou se lhes contrabandeiam para fora. Poder-se-ia
scheinbares Verschieben machen läßt, – welche Figuren sich também dizer assim: Mostrei o que se pode fazer com uma
durch scheinbares Verschieben machen läßt, – welche Figuren sequência de 100 marcas mediante deslocamentos aparentes, –
sich durch scheinbares Verschieben aus ihr erzeugen lassen. – que figuras neles se pode produzir mediante deslocamentos
Was aber habe ich in diesem Fall entfaltet? aparentes. – Mas o que estendi nesse caso?
[TS 222, p. 55] [TS 222, p. 55]

76. Denk dir, man sagte: wir entfalten die Eigenschaften 76. Imagine que se dissesse: estendemos as propriedades de
eines Vielecks, indem wir je 3 Seiten durch eine Diagonale um polígono quando juntamos 3 lados em uma diagonal. Mostra-
zusammennehmen. Es zeigt sich dann als 24-Eck. Will ich sagen: se, então, um polígono de 24 lados. Vou dizer: estendi uma
ich habe eine Eigenschaft des 24-Ecks entfaltet? Nein. Ich will propriedade do polígono de 24 lados? Não. Vou dizer que estendi
sagen, ich habe eine Eigenschaft dieses (hier gezeichneten) uma propriedade desse polígono (aqui desenhado). Agora sei que
Vielecks entfaltet. Ich weiß jetzt, daß hier ein 24-Eck steht. aqui está um polígono de 24 lados.
Ist dies ein Experiment? Es zeigt mir etwa, was für ein Isto é um experimento? Mostra-me talvez que espécie de
Polygon jetzt da steht. Man kann, was ich getan habe, ein polígono ali está. Pode-se chamar o que fiz de um experimento de
Experiment des Zahlens nennen. contagem.
Ja, wie aber, wenn ich so einen Versuch an einem Fünfeck E se fizer uma pesquisa num pentágono que já posso
anstelle, das ich ja schon übersehen kann? — Nun, nehmen wir vislumbrar? — Bem, admitamos por um momento que não posso
einen Augenblick an, ich könnte es nicht übersehen, – was (z. B.) vislumbrá-lo – o que poderia ser o caso (por exemplo) se ele fosse
der Fall sein kann, wenn es sehr groß ist. Dann wäre das Ziehen muito grande. Então o tracejado das diagonais seria um meio de
der Diagonalen ein Mittel, um mich davon zu überzeugen, daß me convencer de que aquilo é um pentágono. Eu poderia
das ein Fünfeck ist. Ich könnte wieder sagen, ich habe die novamente dizer que estendi as propriedades do polígono ali
Eigenschaften des Polygons, das da gezeichnet ist, entfaltet. — desenhado. — Posso agora vislumbrá-lo, pois ali em cima nada
Kann ich es nun übersehen, dann kann sich doch daran nichts pode mudar. Seria talvez inútil estender essa propriedade, tal
ändern. Es war etwa überflüssig, diese Eigenschaft zu entfalten, como seria inútil contar duas maçãs que estão diante de mim.
wie es überflüssig ist, zwei Äpfel, die vor mir liegen, zu zählen.

66 66

61
OFM – Parte I

Soll ich nun sagen: »es war wieder ein Experiment, aber Agora tenho que dizer: “isso era novamente um
ich war des Ausgangs sicher«? Aber bin ich des Ausgangs in der experimento, mas estava seguro do resultado"? Mas estou seguro
Weise sicher, wie des Ausgangs der Elektrolyse einer do resultado do mesmo modo que do resultado de uma eletrólise
Wassermenge? Nein; sondern anders! Ergäbe die Elektrolyse numa quantidade de água? Não; totalmente diferente! Se a
[TS 222, p. 56] eletrólise
der Flüssigkeit nicht ....., so würde ich mich für närrisch halten, [TS 222, p. 56]
oder sagen, ich wisse jetzt überhaupt nicht mehr, was ich sagen do líquido não resultasse em ....., teria feito papel de tolo, ou diria
soll. que agora não sei mais em absoluto o que dizer.
Denk dir, ich sagte: »Ja, hier steht ein Viereck, – aber Imagine que eu dissesse: “Bem, aqui está um quadrado, –
schauen wir doch nach, ob es durch eine Diagonale in zwei mas vamos observar se com uma diagonal ele se decompõe em
Dreiecke zerlegt wird!« Ich ziehe dann die Diagonale und sage: dois triângulos!” Tracejo, então, uma diagonal e digo: “Aí está,
»Ja, hier haben wir zwei Dreiecke.« Da würde man mich fragen: temos aqui dois triângulos.” Logo, alguém me perguntaria: você
Hast du denn nicht: gesehen, daß es in zwei Dreiecke zerlegt não tinha visto que ele pode ser decomposto em dois triângulos?
werden kann? Bist du erst jetzt überzeugt, daß hier ein Viereck Você só está convencido agora de que aqui há um quadrado; e
steht; und warum traust du jetzt deinen Augen mehr als früher? por que você confia mais nos seus olhos agora do que antes?
[TS 222, p. 57] [TS 222, p. 57]

77. Aufgaben: Zahl der Töne – die innere Eigenschaft einer 77. Tarefas: número de tons – a propriedade interna de uma
Melodie; Zahl der Blätter – äußere Eigenschaft eines Baumes. melodia; número de folhas – a propriedade externa de uma árvore.
Wie hängt das mit der Identität des Begriffes zusammen? Como isso se conecta com a identidade do conceito? (Ramsey)30
(Ramsey.) [TS 222, p. 58]
[TS 222, p. 58]

78. Was zeigt uns der, der 4 Kugeln in 2 und 2 trennt, sie 78. O que nos mostra aquele que separa 4 bolinhas de gude de
wieder zusammenschiebt, wieder trennt, etc.? Er prägt uns ein 2 em 2, as agrupa de novo, as separa de novo etc.? Ele grava em
Gesicht ein und eine typische Veränderung dieses Gesichts. nós um semblante, e uma modificação típica desse semblante.31
[TS 222, p. 59] [TS 222, p. 59]

62
OFM – Parte I

79. Denke an die möglichen Stellungen einer Gliederpuppe. 79. Imagine as possíveis posições de uma marionete. Ou
Oder denk, du hättest eine Kette mit, sagen wir, 10 Gliedern und imagine que você tivesse uma cadeia com, digamos, 10
du zeigst, was für charakteristische (d. h. einprägsame) Figuren articulações, e mostrasse que tipos de figuras características (isto
man mit ihr legen kann. Die Glieder seien numeriert; dadurch é, lembráveis) se pode fazer com ela. As articulações seriam
werden sie zu einer leicht einprägbaren Struktur, auch wenn sie numeradas; com isso elas se tornariam uma estrutura facilmente
in gerader Reihe liegen. notável, mesmo que estivessem colocadas em linha reta.
Ich präge dir also charakteristische Lagen und Portanto, marco em você disposições características e
Bewegungen dieser Kette ein. movimentos dessa cadeia.
Wenn ich nun sage: »Sieh', man kann auch das aus ihr Se digo agora: “Veja, pode-se fazer isso também nela”, e
machen« und es vorführe, zeige ich dir da ein Experiment? – Es o atesto, mostro para você, assim, um experimento? –

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kann sein; ich zeige z. B., daß man sie in diese Form bringen Pode ser; mostro, por exemplo, que elas podem ser colocadas
kann; aber daran hast du nicht gezweifelt. Und was dich dessa forma; mas você não duvida disso. E o que lhe interessa não
interessiert, ist nicht etwas, was diese individuelle Kette betrifft. é algo que afeta a essa cadeia individual. – O que atesto, porém,
– Zeigt aber, was ich vorführe, nicht doch eine Eigenschaft dieser não mostra uma propriedade dessa cadeia? Certamente; mas eu
Kette? Gewiß; aber ich führe nur solche Bewegungen, solche só atesto aqueles movimentos, aquelas conversões, que são de
Umformungen, vor, die einprägsamer Art sind; und dich tipos lembráveis; e lhe interessa aprender essas conversões. Mas
interessiert, diese Umformungen zu lernen. Es interessiert dich isso lhe interessa porque é bem fácil, e podem ser feitas sempre
aber darum, weil es so leicht ist, sie immer wieder, an novamente em diferentes objetos.
verschiedenen Gegenstanden vorzunehmen.

80. Die Worte »Sieh, was ich aus ihr machen kann –« sind 80. A frase “Veja o que posso fazer disso –” é, com efeito, a
allerdings dieselben, die ich auch verwenden würde, wenn ich dir mesma que poderia também empregar se lhe mostrasse tudo o que
zeigte, was ich alles aus einem Klumpen Ton z. B. formen kann. poderia criar a partir de uma massa de argila, por exemplo. Talvez
Etwa daß ich geschickt genug bin, solche Dinge aus diesem que32 eu seja bastante habilidoso para criar tais coisas dessa
Klumpen zu formen. In einem andern Fall: massa. Em outro caso:

63
OFM – Parte I

[TS 222, p. 60] [TS 222, p. 60]


daß dies Material sich so behandeln läßt. Hier würde man kaum que se pode lidar com esse material assim. Aqui dificilmente se
sagen: ›ich mache dich darauf aufmerksam‹, daß ich dies machen diria: ‘chamo a sua atenção’ de que posso fazer isso, ou de que o
kann, oder daß das Material dies aushält, – während man im Fall material suporta isso, – enquanto que no caso da corrente se diria:
der Kette sagen würde: ich mache dich darauf aufmerksam, daß chamo a sua atenção de que se pode fazer isso com ela. – Então
sich dies mit ihr machen läßt. – Denn du hättest es dir auch você poderia também ter imaginado isso. Mas naturalmente você
vorstellen können. Aber du kannst natürlich keine Eigenschaft não pode reconhecer nenhuma propriedade do material pela
des Materials durch Vorstellen erkennen. imaginação.
Das Experimenthafte verschwindet, indem man den O âmbito do experimento desaparece quando se considera
Vorgang bloß als einprägsames Bild ansieht. o processo simplesmente como imagem digna de recordação.

81. Was ich entfalte, kann man sagen, ist die Rolle, die ›100‹ 81. O que estendo, pode-se dizer, é o papel que as ‘100’
in unserm Rechensystem spielt. jogam no nosso sistema de cálculo.

82. (Ich schrieb einmal: »In der Mathematik sind Prozeß und 82. (Uma vez escrevi:33 “Na matemática, processo e resultado
Resultat einander äquivalent.«) são equivalentes entre si.”)34

68 68

83. Und doch fühle ich, daß es eine Eigenschaft von ›100‹ sei, 83. No entanto, sinto que é uma propriedade do ‘100’ ser
daß es so erzeugt wird, oder werden kann. Aber wie kann es denn produzido desse modo, ou poder vir a sê-lo. Mas então como
eine Eigenschaft der Struktur ›100‹ sein, daß sie so erzeugt wird, poderia ser uma propriedade da estrutura ‘100’35 ser produzida
wenn sie z. B. garnicht so erzeugt würde? Wenn niemand so desse modo, se ela, por exemplo, não pudesse ser, em absoluto,
multiplizierte? Doch nur, wenn man sagen könnte, produzida assim? Se ninguém multiplicasse assim? Somente
[TS 222, p. 61] quando se pudesse dizer
es ist eine Eigenschaft dieses Zeichens, Gegenstand dieser Regel [TS 222, p. 61]
zu sein. Z. B., es ist Eigenschaft der ›5‹, Gegenstand der Regel ›3 que é uma propriedade desse sinal ser o objeto dessa regra. Por
+ 2 = 5‹ zu sein. Denn nur als Gegenstand der Regel ist die Zahl exemplo, é uma propriedade do ‘5’ ser o objeto da regra ‘3 + 2 =

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OFM – Parte I

das Resultat der Addition jener andern Zahlen. 5’. Então, somente como objeto da regra o número é o resultado
Wenn ich aber nun sage: es ist Eigenschaft der Zahl ... , da adição daqueles outros números.
das Resultat der Addition von ... nach der Regel ..... zu sein? – Es Se digo, porém, agora: é uma propriedade do número …
ist also eine Eigenschaft der Zahl, daß sie bei der Anwendung ser o resultado da adição de … de acordo com a regra …..? – É,
dieser Regel auf diese Zahlen entsteht. Die Frage ist: würden wir portanto, uma propriedade do número que ele surge daqueles
es ›Anwendung der Regel‹ nennen, wenn diese Zahl nicht das números pelo emprego dessa regra. A pergunta é: chamaríamos
Resultat wäre? Und das ist dieselbe Frage wie: »Was verstehst du de ‘emprego da regra’ se esse número não fosse o resultado? Essa
unter der ›Anwendung dieser Regel‹: das, was du etwa mit ihr é a mesma pergunta que: “O que você compreende por ‘emprego
machst (und du magst sie einmal so, einmal so anwenden), oder da regra’: o que você porventura faz com ela (e que prefere aplicar
ist ›ihre Anwendung‹ anders erklärt?« ora assim, ora assado), ou o ‘seu emprego’ se explica de outra
maneira?”

84. »Es ist eine Eigenschaft dieser Zahl, daß dieser Prozeß zu 84. “É uma propriedade desse número que esse processo leva
ihr führt.« – Aber, mathematisch gesprochen, führt kein Prozeß a ele.” – Matematicamente falando, porém, nenhum processo leva
zu ihr, sondern sie ist das Ende eines Prozesses (gehört noch zum a ele, mas é ele que é o fim de um processo (não pertence ainda
Prozeß). ao processo).
[TS 222, p. 62] [TS 222, p. 62]

85. Aber warum fühle ich, es werde eine Eigenschaft der 85. Mas por que sinto que se expande uma propriedade da
Reihe entfaltet, gezeigt? – Weil ich abwechselnd, was gezeigt sequência, que ela se mostra? – Porque observei alternadamente
wird, als der Reihe wesentlich, und nicht wesentlich, ansehe. o que se mostrou como essencial e como não essencial na
Oder: weil ich an diese Eigenschaften abwechselnd als externe sequência. Ou: porque pensei nessas propriedades
[TS 222, p. 63] alternadamente como externas
und interne denke. Weil ich abwechselnd etwas als [TS 222, p. 63]
selbstverständlich hinnehme und es bemerkenswert finde. e internas. Porque alternadamente acolho algo como evidente e o
acho apreciável.

65
OFM – Parte I

86. »Du entfaltest doch die Eigenschaften der 100 Kugeln, in- 86. “Você expande as propriedades das 100 bolinhas de gude

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dem du zeigst, was aus ihnen gemacht werden kann.« – Wie quando mostra o que pode ser feito com elas.” – Como pode ser
gemacht werden kann? Denn, daß das aus ihnen gemacht werden feito? Pois, isso que pode ser feito com elas, do que ninguém
kann, daran hat ja niemand gezweifelt, es muß also um die Art duvida, tem que envolver o modo como isso se produz a partir
und Weise gehen, wie dies aus ihnen erzeugt wird. Aber sieh' delas. Mas observe-as! se elas talvez já não pressupõem o
diese an! ob sie nicht etwa das Resultat schon voraussetzt. – resultado. –
Denn denke dir, es entsteht auf diese Weise einmal dies, Imagine que dessa maneira isso dê ora este, ora aquele
einmal ein anderes Resultat; würdest du das nun hinnehmen? resultado; você o aceitaria? Você não diria: devo estar
Würdest du nicht sagen: »Ich muß mich geirrt haben; auf dieselbe equivocado; dessa maneira tem que dar sempre o mesmo.” Isso
Art und Weise mußte immer das Gleiche entstehen.« Das zeigt, mostra que você inclui o resultado da conversão na maneira de
daß du das Resultat der Umformung einbeziehst in die Art und converter.
Weise der Umformung. [TS 222, p. 64]
[TS 222, p. 64]

87. Aufgabe: Soll ich es Erfahrungstatsache nennen, daß 87. Tarefa: devo chamar de fato empírico que esse semblante
dieses Gesicht durch diese Veränderung zu jenem wird? (Wie se torna aquele mediante essa modificação? (Como tem que ser
muß ›dieses Gesicht‹ , ›diese Veränderung‹ erklärt sein, damit explicado ‘esse semblante’, ‘essa modificação’, com isso …?)36
…?)

88. Man sagt: diese Einteilung macht klar, was 88. Alguém diz: essa repartição torna claro que
[TS 222, p. 65] [TS 222, p. 65]
da für eine Reihe von Kugeln steht. Macht sie klar, was für eine tipo de sequência de bolinhas de gude está ali. Ela torna claro que
Reihe vor der Einteilung da stand, oder macht sie klar, was für tipo de sequência estava ali antes da repartição, ou ela torna claro
eine Reihe jetzt da steht? que tipo de sequência está ali agora?

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OFM – Parte I

89. »Ich sehe auf den ersten Blick, wieviele es sind.« Nun, 89. “Vejo quantas são com um lance de vista.” Então, quantas
wieviele sind es? Ist die Antwort »So viele«? – (wobei man auf são? A resposta é “umas quantas”? – (enquanto se mostra o grupo
die Gruppe der Gegenstände zeigt). Wie lautet sie aber? Es sind dos objetos). Mas como se as declara? Elas são ‘50’, ou ‘100’ etc.
›50‹, oder ›100‹, etc.

90. »Die Einteilung macht mir klar, was da für eine Reihe 90. “A repartição me torna claro que tipo de sequência ali
steht.« Nun, was für eine steht da? Ist die Antwort »Diese«? Wie está.” Então, que tipo está ali? A resposta é “esta”? Como se
lautet eine sinnvolle Antwort? declara uma resposta plausível?

70 70

91. Ich entfalte doch die geometrischen Eigenschaften 91. Eu também estendo as propriedades geométricas
[TS 222, p. 66] [TS 222, p. 66]
dieser Kette auch, indem ich die Umformungen einer andern, dessa cadeia ao exibir as conversões de uma outra cadeia,
gleich gebauten Kette vorführe. Aber dadurch zeige ich doch construída da mesma forma. Mas desse modo não mostro o que,
nicht, was ich tatsächlich mit der ersten tun kann, wenn diese sich efetivamente, posso fazer com a primeira, quando essa se
tatsächlich als unbiegbar, oder sonstwie physikalisch ungeeignet comprova efetivamente como inflexível, ou, de outro modo,
erweist. como fisicamente inadequada.
Also kann ich doch nicht sagen: ich entfalte die Portanto, não posso, de fato, dizer: estendo as
Eigenschafien dieser Kette. propriedades dessa cadeia.

92. Kann man Eigenschaften der Kette entfalten, die sie 92. Pode-se estender propriedades da cadeia que ela, de fato,
garnicht besitzt? não possui?

93. Ich messe einen Tisch, und er ist 1 m lang. – Nun lege ich 93. Meço uma mesa, e ela tem 1 metro. – Agora ponho uma
einen Meterstab an einen andern Meterstab. Messe ich ihn trena em cima de outra trena. Eu a meço desse jeito? Descubro

67
OFM – Parte I

dadurch? Finde ich, daß jener zweite Meterstab I m lang ist? que aquela segunda trena tem 1 metro? Faço o mesmo
Mache ich das gleiche Experiment der Messung, nur mit dem experimento de medição, somente com a diferença de que fico
Unterschied, daß ich des Ausgangs sicher bin? mais seguro do resultado?

94. Ja, wenn ich den Maßstab an den Tisch anlege, messe 94. Sim, quando coloco a régua em cima da mesa, meço
[TS 222, p. 67] [TS 222, p. 67]
ich immer den Tisch; kontrolliere ich nicht manchmal den sempre a mesa; mas não controlo às vezes a régua? E onde está a
Maßstab? Und worin liegt der Unterschied zwischen dem einen diferença entre um e outro procedimento?
Vorgehen und dem andern?

95. O experimento de extensão de uma sequência pode, entre


95. Das Experiment des Entfaltens einer Reihe kann uns, outras coisas, nos mostrar em quantas bolinhas de gude consiste
unter anderem, zeigen, aus wievielen Kugeln die Reihe besteht, uma sequência, ou então que podemos mover essas (digamos)
oder aber, daß wir diese (sagen wir) 100 Kugeln so und so 100 bolinhas de gude desse e daquele jeito.
bewegen können. Mas o cálculo da extensão nos mostra o que chamamos de
Die Rechnung aber des Entfaltens zeigt uns, was wir eine ‘conversão pela mera extensão’.
›Umformung durch bloßes Entfalten‹ nennen. [TS 222, p. 68]
[TS 222, p. 68]

71 71

96. Prüfe den Satz: es sei keine Erfahrungstatsache: daß die 96. Prove a proposição: isso não seria um fato empírico: que
Tangente einer visuellen Kurve ein Stück mit dieser gemeinsam passa visualmente pela tangente de uma curva um segmento em
läuft; und wenn dies eine Figur zeige, so nicht als das Resultat comum com ela; e se uma figura mostra isso, então não é como
eines Experiments. resultado de um experimento.
[TS 222, p. 70] [TS 222, p. 70]

68
OFM – Parte I

Poder-se-ia também dizer: você vê aqui que segmentos de uma


Man könnte auch sagen: Du siehst hier, daß Stücke einer curva visualmente contínua são retos. — Mas não deveria dizer:
kontinuierlichen visuellen Kurve gerade sind. — Aber sollte ich – “Isso você chama de uma ‘curva’. – E agora você chama esse
nicht sagen: – »Das nennst du doch eine ›Kurve‹. – Und nennst segmento menor de ‘sinuoso’ou ‘reto’? Isso você chama de uma
du dieses Stückchen nun ›krumm‹ oder ›gerade‹? – Das nennst ‘reta’, e a curva contém esse segmento.”
du doch eine ›Gerade‹, und sie enthalt dieses Stück.« Mas por que não se deve usar para segmentos visualmente
Aber warum sollte man nicht für visuelle Strecken einer retos de uma curva, que não mostram eles mesmos nenhuma
Kurve, die selbst keine Krümmung zeigen, einen neuen Namen sinuosidade, um novo nome?
gebrauchen? “Mas o experimento do tracejar dessas linhas mostrou que
. »Das Experiment des Ziehens dieser Linien hat doch elas não se tocam em nenhum ponto.” — Que elas não se tocam
gezeigt, daß sie sich nicht in einem Punkt berühren.« — Daß sie em nenhum ponto? Como o ‘elas’ é definido? Ou: você pode me
sich nicht in einem Punkt berühren? Wie sind ›sie‹ definiert? mostrar uma imagem de como é quando elas ‘se tocam em um
Oder: Kannst du mir ein Bild davon zeigen, wie es ist, wenn sie ponto’? Então por que não posso simplesmente dizer: o
sich ›in einem Punkt berühren‹? Denn warum soll ich nicht experimento demonstrou que elas – a saber, uma linha sinuosa e
einfach sagen: das Experiment hat ergeben, daß sie – nämlich uma linha reta – se tocaram mutuamente? Pois não é isso o que
eine krumme und eine gerade Linie – einander berühren? Denn chamo de “tangência” dessas linhas?
ist dies nicht, was ich »Berührung« solcher Linien nenne?

97. Zeichnen wir einen Kreis aus schwarzen und 97. Desenhamos um círculo com segmentos pretos e
[TS 222, p. 71] [TS 222, p. 71]
weißen Stücken, die kleiner und kleiner werden. brancos que vão ficando cada vez mais finos.

»Welches dieser Stücke – von links nach rechts – erscheint dir

69
OFM – Parte I

schon als gerade?« Hier mache ich ein Experiment. “Qual desses segmentos – da esquerda para a direita – é o que já
lhe parece ser reto?” Aqui faço um experimento.

72 72

98. Wie, wenn jemand sagte: »Die Erfahrung lehrt dich, daß 98. E se alguém dissesse: “A experiência lhe ensina que esta
diese Linie linha

krumm ist«? – Da wäre zu sagen, daß hier die Worte »diese é sinuosa”? – Ali deveria ter sido dito que a expressão “esta linha”
Linie«, den auf dem Papier gezogenen Strich bedeutet. Man kann significa o traço desenhado no papel. Pode-se, efetivamente,
ja tatsächlich den Versuch anstellen und diesen Strich fazer a tentativa de mostrar essa linha para diferentes pessoas e
verschiedenen Menschen zeigen, und fragen: »was siehst du; eine perguntar: “o que você está vendo; uma linha reta ou sinuosa?” –
gerade, oder eine krumme Linie?« – Mas se alguém dissesse: “Agora eu penso que é uma linha
Wenn aber jemand sagte: »Ich stelle mir jetzt eine sinuosa”, e nós lhe respondêssemos: “Você vê ali, portanto, que
krumme Linie vor«, und wir ihm darauf sagen: »Da siehst du essa linha é sinuosa – que tipo de sentido teria isso?
also, daß diese Linie eine krumme ist – was für einen Sinn hätte Ora, mas se pode também dizer: “Eu penso que é um
das? círculo com traços pretos e brancos, alguns são grossos e
Nun kann man aber auch sagen: »Ich stelle mir einen sinuosos, e os seguintes vão se tornando cada vez mais finos, e o
Kreis vor aus schwarzen und weißen Stücken, eines ist groß, sexto já é reto.” Onde está aqui o experimento?
gekrümmt, die folgenden werden immer kleiner, das sechste ist No pensamento posso calcular, mas não experimentar.
schon gerade.« Wo liegt hier das Experiment? [TS 222, p. 72]
In der Vorstellung kann ich rechnen, aber nicht
experimentieren.
[TS 222, p. 72]

70
OFM – Parte I

99. Was ist die charakteristische Verwendung des Vorgangs 99. Qual é o emprego característico do processo de derivação
der Ableitung als Rechnung – im Gegensatz zur Verwendung des como contagem – em contraposição ao emprego do processo
Vorgangs als Experiment? como experimento?
Wir betrachten die Berechnung als Demonstration einer Nós observamos o cálculo como demonstração de uma
internen Eigenschaft (eine Eigenschaft des Wesens) der propriedade interna (uma propriedade da essência) das
Strukturen. Aber was heißt das? estruturas. Mas o que isso significa?
Als Urbild der ›intemen Eigenschaft‹ könnte dieses Isto poderia servir como protótipo da ‘propriedade
dienen: interna’:

10 = 3 x 3 + 1 10 = 3 x 3 + 1
Wenn ich nun sage: 10 Striche bestehen notwendig aus 3 mal 3 Quando digo agora: 10 traços consistem necessariamente em 3
Strichen und einem Strich – das heißt doch nicht: wenn 10 vezes 3 traços e um traço – isso não significa: se 10

73 73

Striche dastehen, so stehen immer die Ziffern und Bogen rund traços estão ali, então ao redor sempre estão os algarismos e os
herum. – arcos aproximados. –
[TS 222, p. 73] [TS 222, p. 73]
Setze ich sie aber zu den Strichen hinzu, so sage ich, ich Mas se os acrescento aos traços, então digo que demonstrei
demonstrierte nur das Wesen jener Gruppe von Strichen. – Aber somente a natureza daquele grupo de traços. – Mas você está
bist du sicher, daß sich die Gruppe beim Dazuschreiben jener seguro de que o grupo não se modificou ao serem inscritos
Zeichen nicht verändert hat? – »Ich weiß nicht; aber eine aqueles sinais? – “Eu não sei; mas um número determinado de
bestimmte Zahl von Strichen stand da; und wenn nicht 10, so eine traços estava ali; e se não eram 10, então era outro número que,
andre und dann hatte die eben andre Eigenschaften. –« por conseguinte, teria simplesmente outras propriedades. –”

100. Man sagt: die Rechnung ›entfaltet‹ die Eigenschaft der 100. Alguém diz: a contagem ‘estende’ a propriedade do cem.
Hundert. – Was heißt es eigentlich: 100 bestehe aus 50 und 50? – O que significa isso realmente: 100 consiste em 50 e 50? Diz-

71
OFM – Parte I

Man sagt: der Inhalt der Kiste besteht aus 50 Äpfeln und 50 se: o conteúdo da caixa consiste em 50 maçãs e 50 peras. Mas se
Birnen. Aber wenn Einer sagte: »der Inhalt der Kiste besteht aus alguém dissesse: “o conteúdo da caixa consiste em 50 maçãs e 50
50 Äpfeln und 50 Äpfeln« –, wir wüßten zunächst nicht, was er maçãs”–, não saberíamos em seguida o que ele quis dizer. –
meint. – Wenn man sagt: »Der Inhalt der Kiste besteht aus 2 mal Quando se diz: “O conteúdo da caixa consiste em 2 vezes 50
50 Äpfeln«, so heißt das entweder, es seien da zwei Abteilungen maçãs”, então isso significa que ali estão dois compartimentos de
zu 50 Äpfeln; oder es handelt sich etwa um eine Verteilung, in 50 maçãs; ou então de que se trata, talvez, de uma distribuição em
der Jeder 50 Äpfel erhalten soll, und ich höre nun, daß man aus que todos devem receber 50 maçãs, e agora escuto que duas
dieser Kiste zwei Leute beteilen kann. pessoas podem repartir essa caixa.

101. »Die 100 Äpfel in der Kiste bestehen aus 50 und 50« – 101. “As 100 maçãs na caixa consistem em 50 e 50” – é
hier ist wichtig der unzeitliche Charakter von ›bestehen‹. Denn importante aqui o caráter atemporal do ‘consistir’. Pois isso não
es heißt nicht, sie bestünden jetzt, oder für einige Zeit aus 50 und significa que elas consistiram agora, ou por algum tempo, de 50
50. e 50.
[TS 222, p. 74] [TS 222, p. 74]

102. Was ist denn das Charakteristikum der ›internen 102. Qual é, então, o caracteristico das ‘propriedades internas’?
Eigenschaften‹? Daß sie immer, unveränderlich, in dem Ganzen Que elas consistem sempre, imutavelmente, na totalidade do que
bestehen, das sie ausmachen; gleichsam unabhängig von allen elas constituem; como se fossem independentes de todos os
äußeren Geschehnissen. Wie die Konstruktion einer Maschine acontencimentos externos. Como a construção de uma máquina
auf dem Papier nicht bricht, wenn die Maschine selbst äußeren no papel não quebra quando a própria máquina sucumbe a forças
Kräften erliegt. – Oder ich möchte sagen: daß sie nicht Wind und externas. – Ou, como gostaria de dizer: que elas não se
Wetter unterworfen sind, wie das Physikalische der Dinge; subordinam ao vento e ao tempo, como as coisas físicas; mas são
sondern unangreifbar wie Schemen. intangíveis como espectros.
[TS 222, p. 75] [TS 222, p. 75]

74 74

72
OFM – Parte I

103. Wenn wir sagen: »dieser Satz folgt aus jenem«, so ist hier 103. Quando dizemos: “esta proposição segue-se daquela”, o
»folgen« wieder unzeitlich gebraucht. (Und das zeigt, daß dieser “seguir-se” é novamente usado de maneira atemporal aqui. (E
Satz nicht das Resultat eines Experiments ausspricht.) isso mostra que essa proposição não expressa o resultado de um
experimento.)

104. Vergleiche damit: "Weiß ist heller als Schwarz.« Auch 104. Compare com isto: “O branco é mais claro que o preto.”
dieser Ausdruck ist unzeitlich und auch er spricht das Bestehen Esta expressão também é atemporal e também profere a
einer internen Relation aus. existência de uma relação interna.
[TS 222, p. 76] [TS 222, p. 76]

105. »Diese Relation besteht aber eben« – möchte man sagen. 105. “Mas essa relação simplesmente existe” – alguém poderia
Aber die Frage ist: Hat dieser Satz einen Gebrauch – und dizer. Mas a pergunta é: Essa proposição tem um uso – e qual?
welchen? Denn einstweilen weiß ich nur, daß mir dabei ein Bild Pois, enquanto isso, só sei que articulo com isso uma imagem
vorschwebt (aber dies garantiert mir die Verwendung nicht) und (mas isso não me garante o seu emprego), e que as palavras são
daß die Worte einen deutschen Satz geben. Aber es fallt dir auf, de uma proposição em português. Mas isso chama a sua atenção
daß die Worte hier anders gebraucht werden, als im alltäglichen para o fato de que essas palavras têm um uso diferente aqui do
Fall einer nützlichen Aussage. (Wie etwa der Radmacher que no caso cotidiano de uma declaração útil. (Como talvez pode
bemerken kann, daß die Aussagen, die er gewöhnlich über o fabricante de rodas observar que as declarações que ele
Kreisförmiges und Gerades macht, anderer Art sind, als die, die usualmente faz sobre formas circulares e retas são de outro tipo
im Euklid stehen.) Denn wir sagen: dieser Gegenstand ist heller do que as que estão em Euclides.) Com efeito, dizemos: este
als jener, oder, die Farbe dieses Dings ist heller als die Farbe objeto é mais claro do que aquele, ou a cor desta coisa é mais
jenes, und dann ist etwas jetzt heller und kann später dunkler sein. clara do que a daquela, então alguma coisa agora é mais clara,
Woher die Empfindung, "Weiß ist heller als Schwarz« mas pode ficar depois mais escura.
sage etwas über das Wesen der beiden Farben aus? – De onde vem a sensação de que “o branco é mais claro do
Aber ist die Frage überhaupt richtig gestellt? Was meinen que o preto” declara alguma coisa sobre a essência das duas
wir denn mit dem ›Wesen‹ von Weiß oder Schwarz? Wir denken cores? –
etwa an ›das Innere‹, ›die Konstitution‹, aber das ergibt hier doch Mas a pergunta está, de fato, bem colocada? O que
keinen Sinn. Wir sagen etwa auch: »Es liegt im Weiß, daß es queremos, pois, dizer com a ‘essência’ do branco ou do preto?

73
OFM – Parte I

heller ist ....«. Pensamos talvez no ‘interno’, na ‘constituição’, mas isso aqui não
Ist es nicht so: das Bild eines schwarzen und eines weißen tem nenhum sentido. Talvez também digamos: “Faz parte do
Flecks branco ser mais claro do que ….”.
Não seria o caso de que: a imagem de uma mancha preta
e de uma branca
dient uns zugleich als Paradigma dessen, was wir unter »heller«

nos serve ao mesmo tempo como paradigma daquilo que


compreendemos

75 75

und »dunkler« verstehen und als Paradigma für »weiß« und für por “mais claro” e “mais escuro”, e como paradigma de “branco”
»schwarz«. In so fern ›liegt‹ nun die Dunkelheit e de “preto”. É desse modo distante que o escuro
[TS 222, p. 77] [TS 222, p. 77]
›im‹ Schwarz, als sie beide von diesem Fleck dargestellt werden. ‘faz parte’ do preto, na medida em que ambos são apresentados
Er ist dunkel, dadurch daß er schwarz ist. – Aber richtiger gesagt: por essa mancha. Ela é escura mediante o fato de ser preta. –
er heißt »schwarz« und damit, in unserer Sprache, auch »dunkel«. Dizendo, porém, mais corretamente: ela se chama “preta” e,
Jene Verbindung, eine Verbindung der Paradigmen und Namen assim, na nossa linguagem, também “escura”. Essa ligação é uma
ist in unsrer Sprache hergestellt. Und unser Satz ist unzeitich, ligação entre paradigmas e nomes estabelecida na nossa
weil er nur die Verbindung der Worte »weiß«, »schwarz« und linguagem. E a nossa proposição é atemporal porque ela só
»heller« mit einem Paradigma ausspricht. exprime a ligação entre palavras como “branco”, “preto” e “mais
Man kann Mißverständnisse vermeiden, dadurch daß man claro” com um paradigma.
erklärt, es sei Unsinn, zu sagen: »die Farbe dieses Körpers ist Pode-se prevenir mal-entendidos quando se explica que
heller, als die Farbe jenes«, es müsse heißen: »dieser Körper ist não haveria sentido em dizer: “a cor deste corpo é mais clara do
heller als jener«. D. h., man schließt jene Ausdrucksform aus que a cor daquele” teria que significar: “este corpo é mais claro
unserer Sprache aus. do que aquele”. Ou seja, exclui-se aquela forma de expressão da
Wem sagen wir »Weiß ist heller als Schwarz«? Was teilt nossa linguagem.
ihm das mit? A quem dizemos “o branco é mais claro do que o preto”?
[TS 222, p. 78] O que lhe comunicamos com isso?37

74
OFM – Parte I

[TS 222, p. 78]

106. Aber kann ich den Satz der Geometrie nicht auch ohne 106. Mas eu não posso acreditar numa proposição da geometria
Beweis glauben, z. B. auf die Versicherung eines Andern hin? – mesmo sem prova, só pela garantia de outra pessoa, por exemplo?
Und was verliert der Satz, wenn er seinen Beweis verliert? – Ich – O que perde a proposição se ela perde a sua prova? – Aqui devo
soll hier wohl fragen: »Was kann ich mit ihm anfangen?«, denn realmente perguntar: “O que posso fazer com ela”, porque isto é
darauf kommt es an. Den Satz auf die Versicherung des Andern o que interessa. Admitir a proposição pela garantia de outra
annehmen – wie zeigt sich das? Ich kann ihn z. B. in weiteren pessoa – o que isto mostra? Posso empregá-la, por exemplo, numa
Rechenoperationen verwenden, oder ich verwende ihn bei der operação de cálculo ulterior, ou empregá-la na avaliação de um
Beurteilung eines physikalischen Sachverhalts. Versichert mich estado de coisas físico. Se alguém me garante, por exemplo, que
jemand z. B., 13 mal 13 sei 396, und ich glaube ihm, so werde 13 vezes 13 é 396,38 e eu acredito nele, então vou ficar surpreso
ich mich nun wundern, daß ich 396 Nüsse nicht in 13 Reihen zu se 396 nozes não puderem ser colocadas em 13 sequências de 13
je 13 Nüssen legen kann und vielleicht annehmen, die Nüsse lugares cada, e talvez admita que as nozes aumentaram por conta
hätten sich von selbst vermehrt. própria.
Aber ich fühle mich versucht zu sagen: Sinto-me, porém, tentado a dizer:
[TS 222, p. 79] [TS 222, p. 79]
man könne nicht glauben, daß 13 x 13 = 396 ist, man könne diese não se poderia acreditar que 13 x 13 = 396, só se poderia admitir
Zahl nur mechanisch vom Andern annehmen. Aber warum soll mecanicamente esse número de outra pessoa. Mas por que não
ich nicht sagen, ich glaube es? Ist denn, es glauben, ein devo dizer que acreditei nisso? Acreditar é então um ato
geheimnisvoller Akt, der sozusagen unterirdisch mit der richtigen misterioso, do assim chamado subterrâneo, que está em ligação
Rechnung in Verbindung steht? Ich kann doch jedenfalls sagen: com o cálculo correto? Posso, no entanto, em todo caso dizer: “eu
»ich glaube es«, und nun danach handeln. acredito”, e ajo de acordo com isso.

76 76

Man möchte fragen: »Was tut der, der glaubt, daß 13 x 13 Poder-se-ia perguntar: “O que faz aquele que acredita que
= 396 ist?« Und die Antwort kann sein: Nun, das wird davon 13 x 13 = 396?” E a resposta pode ser: Bem, isso dependeria de
abhängen, ob er z. B. die Rechnung selber gemacht und sich saber, por exemplo, se foi ele mesmo que fez a conta e se enganou
dabei verschrieben hat, – oder ob sie zwar ein Andrer gemacht com ela, – ou se foi outro que a fez, na realidade, mas ele mesmo

75
OFM – Parte I

hat, er aber doch weiß, wie man so eine Rechnung macht, – oder sabe como se faz uma conta assim, – ou se ele não pode
ob er nicht multiplizieren kann, aber weiß, daß das Produkt die multiplicar, mas sabe que o produto é o número de pessoas que
Zahl der Leute ist, die in 13 Reihen zu je 13 stehen, – kurz davon, estão em 13 sequências de 13 lugares cada uma, – em síntese,
was er denn mit der Gleichung 13 x 13 = 396 anfangen kann. depende do que ele pode fazer com a equação 13 x 13 = 369. Pois
Denn, sie prüfen, ist etwas mit ihr anfangen. prová-la é fazer alguma coisa com ela.

107. Denkt man nämlich an die arithmetische Gleichung als 107. Se pensamos efetivamente na equação aritmética como
den Ausdruck einer internen Relation, so möchte man sagen: »Er expressão de uma relação interna, então poderíamos dizer: “Ele
kann ja garnicht glauben, daß 13 x 13 dies ergibt, weil das ja não pode de jeito nenhum acreditar que 13 x 13 dá esse produto,
keine Multiplikation von 13 mit 13, oder kein Ergeben ist, wenn porque isso não é uma multiplicação de 13 por 13, ou não é um
396 am Ende steht.« Das heißt aber, daß man das Wort »glauben« produto se 396 está no fim.” Mas isso significa que não se quer
für den Fall einer Rechnung und ihres Resultats nicht anwenden aplicar a palavra “acreditar” para o caso de uma conta e o seu
will, – oder nur dann, wenn man die richtige Rechnung vor sich resultado, – ou então só quando se tem a conta certa.
hat. [TS 222, p. 80]
[TS 222, p. 80]

108. »Was glaubt der, der glaubt 13 x 13 ist 396?« – Wie tief 108. “Em que acredita aquele que acredita que 13 x 13 é 396?”
dringt er – könnte man sagen, mit seinem Glauben in das – Até que ponto ele persiste – poder-se-ia dizer, na sua crença na
Verhältnis dieser Zahlen ein? Denn bis zum Ende – will man razão entre esses números? Com efeito, ele não pode ir – alguém
sagen – kann er nicht dringen; oder er könnte es nicht glauben. vai dizer – até o fim; ou ele não poderia acreditar nisso.
Aber wann dringt er in die Verhältnisse der Zahlen ein? Mas quando ele persiste na razão entre os números?
Gerade während er sagt, daß er glaubt ......? Darauf wirst du nicht Precisamente enquanto diz que acredita que …..? Você não
bestehen – denn es ist leicht zu sehen, daß dieser Schein nur durch precisa insistir nisso – pois é fácil ver que essa aparência só se
die Oberflächenform unsrer Grammatik (wie man es nennen produz pela forma superficial da nossa gramática (se podemos
könnte) erzeugt wird. dizer assim).

76
OFM – Parte I

109. Denn ich will sagen: »Man kann nur sehen, daß 13 x 13 109. Pois quero dizer: “Só se pode ver que 13 x 13 = 369, não
= 369 ist, und man kann auch das nicht glauben. Und man kann se pode também acreditar nisso. Pode-se admitir – mais ou menos
– mehr oder weniger blind – eine Regel annehmen.« Und cegamente – uma regra.” E

77 77

was tue ich, wenn ich dies sage? Ich mache einen Schnitt; o que faço quando digo isso? Faço um corte; entre a conta e o seu
zwischen der Rechnung mit ihrem Resultat (d. i. einem resultado (isto é, uma imagem determinada de um modelo
bestimmten Bild, einer bestimmten Vorlage), und einem Versuch determinado), e uma tentativa com o seu desfecho.
mit seinem Ausgang.

110. Ich möchte sagen: »Wenn ich glaube, daß a x b = c ist – 110. Gostaria de dizer: “Se acredito que a x b = c – e ocorre
und es kommt ja vor, daß ich so etwas glaube – sage, daß ich es que acredito em alguma coisa desse modo – digo que acredito
glaube – so glaube ich nicht den mathematischen Satz, denn er nisso –, então não acredito na proposição matemática, pois ela
steht am Ende eines Beweises, ist das Ende eines Beweises; está no final da prova, ela é o final de uma prova;
[TS 222, p. 81] [TS 222, p. 81]
sondern ich glaube: daß dies die Formel ist, die dort und dort senão que acredito: que isso é a fórmula que está aqui e ali, que
steht, die ich so und so erhalten werde u. dergl.« – Und dies klingt vou obtê-la assim e assado etc.” – E isso soa, de fato, como se
ja, als dränge ich in den Vorgang des Glaubens eines solchen persistisse no processo de acreditar em tais proposições.
Satzes ein. Während ich nur – in ungeschickter Weise – auf den Enquanto que somente aponto – de uma maneira desajeitada –
fundamentalen Unterschied, bei scheinbarer Ähnlichkeit, der para a diferença fundamental, mediante uma semelhança
Rollen deute eines arithmetischen Satzes und eines aparente, dos papéis de uma proposição aritmética e de uma
Erfahrungssatzes. proposição empírica.
Denn ich sage eben unter gewissen Umständen: »ich Pois digo simplesmente, sob certas circunstâncias:
glaube, daß a x b = c ist.« Was meine ich damit? – Was ich sage! “acredito que a x b = c.” O que pretendo dizer com isso? – O que
— Wohl aber ist die Frage interessant: unter was für Umständen digo! — Mas essa é mesmo a pergunta interessante: sob que
sage ich dies, und wie sind sie charakterisiert, im Gegensatz zu circunstâncias digo isso, e como elas se caracterizam, em
denen einer Aussage: »ich glaube, es wird regnen«? Denn was contraposição às de uma asserção como: “acredito que vá
uns beschäftigt, ist ja dieser Gegensatz. Wir verlangen danach, chover”? Pois o que nos ocupa é essa contraposição. Exigimos

77
OFM – Parte I

ein Bild zu erhalten von der Verwendung der mathematischen logo em seguida ter uma imagem do emprego de proposições
Sätze und der Sätze »ich glaube, daß ....«, wo ein mathematischer matemáticas e de proposições como “acredito que ….”, nas quais
Satz der Gegenstand des Glaubens ist. uma proposição matemática é o objeto da crença.

111. »Du glaubst doch nicht den mathematischen Satz.« – Daß 111. “Você então não acredita na proposição matemática.” –
heißt: »mathematischer Satz« bezeichnet mir eine Rolle für den Isso significa: a “proposição matemática” me indica um papel
Satz, eine Funktion, in der ein Glauben nicht vorkommt. para a proposição, uma função na qual não ocorre uma crença.
Vergleiche: »Wenn du sagst: ›ich glaube, daß das Compare: “Se você diz: ‘acredito que o roque acontece
Rochieren so und so geschieht‹, so glaubst du nicht die assim e assim’, então você não acredita nas regras do xadrez, mas
Schachregel, sondern du glaubst etwa, daß so eine talvez acredite que uma
[TS 222, p. 82] [TS 222, p. 82]
Regel des Schachs lautet.« regra do xadrez assim prescreva.

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112. »Man kann nicht glauben, die Multiplikation 13 x 13 112. “Não se pode acreditar que a multiplicação 13 x 13 dê em
liefere 369, weil das Resultat zur Rechnung gehört.« – Was nenne 369, porque o resultado pertence à conta.” – O que chamo de “a
ich »die Multiplikation 13 x 13«? Nur das richtige multiplicação 13 x 13”? Apenas a imagem correta da
Multiplikationsbild, an dessen unterem Ende 369 steht? oder multiplicação, em cuja extremidade inferior está o 369? ou
auch eine ›Falsche Multiplikation‹? também uma ‘multiplicação errada’?
Wie ist festgelegt, welches Bild Multiplikation 13 x 13 Como se estabelece qual é a imagem da multiplicação 13
ist? – Ist es nicht durch die Multiplikationsregeln bestimmt? – x 13? – Ela não seria determinada pelas regras da multiplicação?
Aber wie, wenn dir mit Hilfe dieser Regeln heute etwas anderes – Mas como, se hoje você extraiu outra coisa com a ajuda dessas
herauskommt, als was in a11en Rechenbüchern steht? Ist das regras do que aquilo que está em todos os livros de cálculo? Isso
nicht möglich? – »Nicht, wenn du die Regeln anwendest, wie não é possível? – “Não se você aplica as regras como eles!” –
sie!« – Freilich nicht! aber das ist ja ein Pleonasmus. Und wo Sem dúvida que não! mas isso é só um pleonasmo. E onde se diz
steht, wie sie anzuwenden sind – und wenn es wo steht: wo steht, como elas são aplicadas – e se isso está lá: como isso é aplicado?
wie dies anzuwenden ist? Und das heißt nicht nur: in welchem E isso não somente significa: em que livro está isso, mas também
Buch steht es, sondern auch, in welchem Kopf? – Was ist also die na cabeça de quem? – O que é, portanto, a multiplicação 13 x 13

78
OFM – Parte I

Multiplikation 13 x 13 – oder, wonach soll ich mich beim – ou, conforme o quê devo me guiar na multiplicação: segundo as
Multiplizieren richten: nach den Regeln, oder nach der regras, ou segundo as multiplicações que estão nos livros de
Multiplikation, die in den Rechenbüchern steht — wenn diese cálculo — digamos, quando ambos não estão de acordo? – Ora,
beiden nämlich nicht übereinstimmen? – Nun, es kommt nunca ocorre que alguém que aprendeu a calcular, conclua
tatsächlich nie vor, daß der, welcher rechnen gelernt hat, bei obstinadamente outra coisa com essa multiplicação do que aquilo
dieser Multiplikation hartnäckig etwas anderes herausbringt, als que está nos livros de cálculo. Mas se isso acontecesse, então
was in den Rechenbüchern steht. Sollte es aber geschehen; so explicaríamos que a pessoa não é normal, e não levaríamos mais
würden wir ihn für abnorm erklären, und von seiner Rechnung em conta o seu cálculo.
weiter keine Notiz nehmen. [TS 222, p. 83]
[TS 222, p. 83]

113. »Aber bin ich also in einer Schlußkette nicht gezwungen, 113. “Mas então não sou obrigado a seguir uma cadeia de
zu gehen, wie ich gehe?« – Gezwungen? Ich kann doch wohl inferências da maneira como sigo?” – Obrigado? Eu posso seguir
gehen, wie ich will! – »Aber wenn du im Einklang mit den da maneira que quiser! – “Mas se você quiser ficar em sintonia
Regeln bleiben willst, mußt du so gehen.« – Durchaus nicht; ich com as regras, você tem que seguir assim.” – De modo nenhum
nenne das ›Einklang‹. – »Dann hast du den Sinn des Wortes chamo isso de ‘sintonia’ – “Então você modificou o sentido da
›Einklang‹ verändert, oder den Sinn der Regel.« – Nein; – wer palavra ‘sintonia’ ou o sentido da regra.” – Não; – quem diz o que
sagt, was hier ›verändern‹ und was ›gleichbleiben‹ heißt? significa aqui ‘modificar’ e ‘permanecer o mesmo’?
Wieviele Regeln immer du mir angibst – ich gebe dir eine Não importa quantas regras você me especifique – eu lhe
Regel, die meine Verwendung deiner Regeln rechtfertigt. especifico uma regra que justifica o meu emprego da sua regra.39
[TS 222, p. 84] [TS 222, p. 84]

79
79

114. Wir könnten auch sagen: Wenn wir den Schlußgesetzen 114. Nós poderíamos também dizer: se seguimos as leis da
(Schlußregeln) folgen, so liegt in einem Folgen immer auch ein inferência (regras de inferência), então já está de qualquer modo,
Deuten. no seguimento, uma interpretação.
[TS 222, p. 85] [TS 222, p. 85]

79
OFM – Parte I

115. »Du darfst doch das Gesetz jetzt nicht auf einmal 115. “Você não pode fazer agora uma nova aplicação da lei
[TS 222, p. 86] [TS 222, p. 86]
anders anwenden!« – Wenn ich darauf antworte: »Ach ja, ich de outro modo!” – Se respondo a isso: “Ah! mas eu já a apliquei
hatte es ja so angewandt!« oder: »Ach, so sollte ich es anwenden assim!” ou: “Ah, mas eu tinha que aplicá-la assim –!”; então
–!«; dann spiele ich mit. Antworte ich aber einfach: »Anders? – participo do jogo. Mas se eu simplesmente respondo: “De outro
Das ist doch nicht anders!« – was willst du tun? D. h. er kann modo? – Mas isso não é de outro modo!” – o que você quer fazer?
antworten, wie ein verständiger Mensch und doch das Spiel mit Isto é, ele pode responder como uma pessoa compreensiva e não
uns nicht spielen. jogar o jogo conosco.
[TS 222, p. 87] [TS 222, p. 87]40

116. »Nach dir könnte also jeder die Reihe fortsetzen, wie er 116. “Segundo você diz, então, qualquer um poderia continuar
will; und also auch auf irgend eine Weise schließen.« Wir werden a sequência como quisesse; e portanto, também, inferir de
es dann nicht »die Reihe fortsetzen« nennen und auch wohl nicht qualquer jeito.” Não chamaremos a isso então de “continuar a
»schließen«. sequência”, como tampouco de “inferência”.
[TS 222, p. 88] [TS 222, p. 88]
Und Denken und Schließen (sowie das Zahlen) ist für uns E pensar e inferir (bem como o contar) não nos foi
natürlich nicht durch eine willkürliche Definition umschrieben, naturalmente circunscrito mediante uma definição arbitrária, mas
sondern durch natürliche Grenzen, dem Körper dessen por limites naturais, correspondentes ao corpo do que podemos
entsprechend, was wir die Rolle des Denkens und Schließens in chamar de o papel do pensar e do inferir na nossa vida.
unsern Leben nennen können. [MS 127, p. 93]41
[MS 127, p. 93] Então estamos de acordo em que as leis da inferência não
Denn, daß ihn Schlußgesetze nicht wie die Gleise den Zug o compelem, como os trilhos ao trem, a dizer ou a escrever isso e
zwingen, das und das zu reden, oder zu schreiben, darüber sind aquilo. E se você diz que ele poderia, na verdade, dizer isso, mas
wir einig. Und wenn du sagst, er könne es zwar reden, aber er não pode pensar isso, então só digo que isso não significava: que
kann es nicht denken, so sage ich nur, das heiße nicht: er könne ele poderia, apesar de todo esforço, não pensar, senão que isso
es, quasi trotz aller Anstrengung, nicht denken, sondern es heißt: significa: que ao ‘pensar’ pertence essencialmente para nós, que
zum ›Denken‹ gehört für uns wesentlich, daß er – beim Reden, ele faça – ao dizer, escrever etc. – tais transições. E digo, ainda
Schreiben, etc. – solche Übergänge macht. Und ferner sage ich, mais, que os limites entre o que ainda chamamos de “pensar” e o

80
OFM – Parte I

daß die Grenze zwischen dem, was wir noch »denken« und dem, que não mais chamamos assim é um traçado tão pouco nítido
was wir nicht mehr so nennen, so wenig scharf gezogen ist, wie quanto os limites entre o que ainda chamamos de “legalidade” e
die Grenze zwischen dem, was noch »Gesetzmäßigkeit« genannt o que não mais chamamos assim.
wird und dem, was wir nicht mehr so nennen. Ainda assim, pode-se dizer que as leis da inferência nos
Man kann aber dennoch sagen, daß die Schlußgesetze uns

80 80

zwingen; in dem compelem; vale dizer,


[TS 222, p. 88] [TS 222, p. 88]
Sinne nämlich, wie andere Gesetze in der menschlichen no sentido de outras leis da sociedade humana. O funcionário que
Gesellschaft. Der Kanzlist, der so schließt, wie in (17), muß es so infere como em (17), tem que fazer assim; ele seria punido se
tun; er wäre bestraft worden, wenn er anders schlösse. Wer inferisse outra coisa. Quem infere outra coisa, entra certamente
anders schließt, kommt allerdings in Konflikt: z. B. mit der em conflito: com a sociedade, por exemplo; mas também com
Gesellschaft; aber auch mit andern praktischen Folgen. outras consequências práticas.
Und auch daran ist etwas, wenn man sagt: er kann es Também quanto a isso, existe alguma coisa quando se diz:
nicht denken. Man will etwa sagen: Er kann es nicht mir ele não pode pensar nisso. Provavelmente o que se quer dizer é:
persönlichem Inhalt erfüllen: er kann nicht wirklich mitgehen – Ele não pode complementar isso com conteúdo pessoal: ele
mit seinem Verstand, mit seiner Person. Es ist ähnlich, wie man realmente não pode acompanhar – com a sua compreensão, com
sagt: Diese Tonfolgen geben keinen Sinn, ich kann sie nicht mit a sua pessoa. Isso é similar a quando se diz: Essa sequência de
Ausdruck singen. Ich kann nicht mitschwingen. Oder, was hier notas não tem nenhum sentido, não posso cantá-la com nenhuma
auf dasselbe hinauskommt: ich schwinge nicht mit. expressão. Não posso entoá-la. Ou o que aqui dá no mesmo: não
»Wenn er es redet – könnte man sagen – kann er es nur entoo.
gedankenlos reden.« Und hierzu muß nur bemerkt werden, daß “Quando ele fala isso – poder-se-ia dizer –, só pode estar
das ›gedankenlose‹ Reden sich von einem anderen wohl auch falando sem pensar.” E nesse caso tem-se que observar somente
manchmal durch das unterscheidet, was beim Reden im que o falar ‘sem pensar’ também se diferencia às vezes de um
Redenden an Vorstellungen, Empfindungen, und anderem, vor outro falar, pelo que em um deles existe de ideias, sentimentos, e
sich geht, daß aber diese Begleitung nicht das ›Denken‹ ausmacht no outro, no entanto, ocorre que esse acompanhamento não
und ihr Fehlen noch nicht die ›Gedankenlosigkeit‹. conforma um ‘pensar’, e tampouco a sua falta conforma ainda
[TS 222, p. 89] uma ‘falta de pensamento’.42

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OFM – Parte I

[TS 222, p. 89]

117. Inwiefern ist das logische Argument ein Zwang? – »Du 117. Em que medida é o argumento lógico uma compulsão? –
gibst doch das zu, – und das zu; dann mußt du auch das “Claro que você assume isso, – e então isso; logo, você tem que
zugeben!« Das ist die Art, jemanden zu zwingen. D. h., man kann assumir também isso!” Essa é a maneira de compelir alguém. Isto
so tatsächlich Menschen zwingen, etwas zuzugeben. –Nicht é, de fato pode-se compelir assim pessoas a assumirem alguma
anders, als wie man Einen etwa dazu zwingen kann, dorthin zu coisa. – Não diferente talvez do modo como se pode compelir
gehen, indem man gebietend mit dem Finger dorthin zeigt. alguém a ir daqui para lá, quando se aponta para lá, comandando
Denke, ich zeige in so einem Fall mit zwei Fingern com o dedo.
zugleich in zwei verschiedenen Richtungen und stelle es damit Imagine que eu aponte, num caso como esse, com dois
dem Andern frei, in welcher der beiden Richtungen er gehen will dedos ao mesmo tempo em duas direções diferentes, e deixe,
– ein andermal zeige ich nur in einer Richtung; so kann man das assim, o outro livre para escolher em qual das duas direções ele
auch so ausdrücken: mein erster Befehl habe ihn nicht quer ir – numa outra vez, aponto só para uma direção; de modo
gezwungen, in einer Richtung zu gehen, wohl aber der zweite. que se pode exprimir isso também assim: minha primeira ordem
Das ist aber eine Aussage, die angeben soll, welcher Art meine não o obrigou a ir em uma direção, mas a segunda sim. Isso,
Befehle waren; aber nicht, in welcher Art sie wirken, ob sie den porém, é uma asserção que deve especificar de que tipo eram as
und den tatsächlich zwingen, d. h., ob er ihnen gehorcht. minhas ordens; mas não de que modo elas se efetuam, se elas
[TS 222, p. 90] obrigam, de fato, a isso e a aquilo, isto é, se ele as ouve.
[TS 222, p. 90]

81 81

118. Es schien zuerst, als sollten diese Überlegungen zeigen, 118. À primeira vista parecia que essas considerações
daß, ›was ein logischer Zwang zu sein scheint, in Wirklichkeit deveriam mostrar que ‘o que parecia ser uma compulsão lógica
nur ein psychologischer ist‹ – und da fragte es sich doch: kenne era, na realidade, só psicológica’ – e ali, claro, se perguntava:
ich also beide Arten des Zwanges?! – conheço, então, dois tipos de compulsão?! –43
Denke dir, es würde der Ausdruck gebraucht: »Das Imagine que se usasse a expressão: “A lei § .... pune o
Gesetz § .... bestraft den Mörder mit dem Tode.« Das könnte doch assassino com a morte.” Isso só poderia significar: esta lei
nur heißen: dieses Gesetz laute: so und so. Jene Form des prescreve: isso e aquilo. Aquela forma de expressão, porém,

82
OFM – Parte I

Ausdrucks aber könnte sich uns aufdrängen, weil das Gesetz poderia nos obrigar porque a lei é o meio pelo qual o culpado é
Mittel ist, wenn der Schuldige der Bestrafung zugeführt wird. – conduzido à punição. – Por conseguinte, falamos da
Nun reden wir von ›Unerbittlichkeit‹ bei denen, die jemand ‘inexorabilidade’ de alguém punir. Neste caso, poderia acontecer
bestrafen. Da könnte es uns einfallen, zu sagen: »das Gesetz ist de dizermos: “a lei é inexorável – as pessoas poderiam soltar
unerbittlich – die Menschen können den Schuldigen [TS 222, p. 91]
[TS 222, p. 91] o culpado, a lei o executaria.” (E também: “a lei sempre o
laufen lassen, das Gesetz richtet ihn hin.« (Ja auch: »das Gesetz executa.”) – Para que se usa uma forma de expressão como essa?
richtet ihn immer hin.«) – Wozu ist so eine Ausdrucksform zu – Em primeiro lugar, essa proposição diz somente que na lei está
gebrauchen? – Zunächst sagt dieser Satz ja nur, im Gesetz stehe assim e assado, e que as pessoas às vezes não julgam segundo ela.
das und das, und die Menschen richten sich manchmal nicht Logo, ela mostra a imagem de um juiz inexorável – e de juizes
danach. Dann aber zeigt er doch das Bild des einen unerbittlichen muito mais condescendentes. Ela serve, portanto, como expressão
– und vieler laxer Richter. Er dient darum als Ausdruck des de respeito pela lei. Finalmente, porém, pode-se usar essa forma
Respekts vor dem Gesetz. Endlich aber kann man die de expressão assim, quando se chama uma lei de ‘inexorável’, se
Ausdrucksform auch so gebrauchen, daß man ein Gesetz ela não prevê a possibilidade de indulto e o caso oposto seja talvez
›unerbittlich‹ nennt, wenn es eine Möglichkeit der Begnadigung mais ‘sensato’.44
nicht vorsieht, und im entgegengesetzten Fall etwa ›einsichtig‹. Pois bem, nós falamos da ‘inexorabilidade’ da lógica; e
Wir reden nun von der ›Unerbittlichkeit‹ der Logik; und imaginamos as leis da lógica como inexoráveis, mais inexoráveis
denken uns die logischen Gesetze unerbittlich, unerbittlicher até que as leis da natureza. Chamamos agora a atenção sobre
noch, als die Naturgesetze. Wir machen nun darauf aufmerksam, como a palavra “inexorável” é usada de várias maneiras.
wie das Wort »unerbittlich« auf mehrerlei Weise angewendet Corresponde às nossas leis lógicas fatos muito gerais da
wird. Es entsprechen unsern logischen Gesetzen sehr allgemeine experiência cotidiana. Isso é o que nos torna possível demonstrar
Tatsachen der täglichen Erfahrung. Es sind die, die es uns aquelas leis novamente, sempre de maneira simples (com tinta e
möglich machen, jene Gesetze immer wieder auf einfache Weise papel, por exemplo). Elas são comparáveis com aqueles fatos que
(mit Tinte auf Papier z. B.) zu demonstrieren. Sie sind zu tornam a medida com o metro facilmente executável e útil. Isso
vergleichen mit jenen Tatsachen, welche die Messung mit dem sugere diretamente o uso dessas leis de inferência, e agora somos
Metermaß leicht ausführbar und nützlich machen. Das legt den nós que aplicamos inexoravelmente essas leis. Porque nós
Gebrauch gerade dieser Schlußgesetze nahe, und nun sind wir ‘medimos’; e faz parte do medir que tudo tenha a mesma medida.
unerbittlich in der Anwendung dieser Gesetze. Weil wir Além disso, contudo, pode-se diferenciar entre regras de
›messen‹; und es gehört zum Messen, daß Alle das gleiche Maß inferência inexoráveis, isto é, inequívocas, e não inequívocas,
haben. Außerdem aber kann man unerbittliche, d. h. eindeutige, quero dizer, daquelas que nos eximam de uma alternativa.

83
OFM – Parte I

von nichteindeutigen Schlußregeln unterscheiden, ich meine von [TS 222, p. 92]
solchen, die uns eine Alternative freistellen.
[TS 222, p. 92]

82 82

119. »Ich kann doch nur folgern, was wirklich folgt!« – D. h.: 119. “Eu só posso inferir o que realmente se infere!”45 – Ou
was die logische Maschine wirklich hervorbringt. Die logische seja: o que a máquina lógica realmente produz. A máquina lógica,
Maschine, das wäre ein alles durchdringender ätherischer ela seria um mecanismo etéreo totalmente penetrante. –
Mechanismus. – Vor diesem Bild ist zu warnen. Devemos46 nos prevenir diante dessa imagem.
[TS 222, p. 93] [TS 222, p. 93]
Denk dir ein Material härter und fester als irgend ein Imagine um material mais duro e compacto do que
anderes. Aber wenn man einen Stab aus diesem Stoff aus der qualquer outro. Mas se alguém coloca uma barra dessa substância
horizontalen in die vertikale Lage bringt, so zieht er sich da posição horizontal para a vertical, ela se contrai; ou ela se
zusammen; oder er biege sich, wenn man ihn aufrichtet und ist curva se alguém a levanta, mas desse modo fica tão dura que não
dabei so hart, daß man ihn auf keine andre Weise biegen kann. – se pode mais curvá-la de jeito nenhum. – (Fabricar um
(Ein Mechanismus aus diesem Stoff hergestellt, etwa eine mecanismo dessa substância, talvez uma manivela, uma biela,
Kurbel, Pleuelstange und Kreuzkopf. Andere Bewegungsweise uma cruzeta. Outras formas de movimento da cruzeta.)
des Kreuzkopfs.) Ou: uma haste se curva se a aproximamos de uma
Oder: eine Stange biegt sich, wenn man ihr eine gewisse determinada massa; mas apesar de todas as forças que possamos
Masse nähert; gegen alle Kräfte aber, die wir auf sie wirken exercer sobre ela, ela está completamente rígida. Imagine que os
lassen, ist sie vollkommen starr. Denk dir, die Führungsschienen trilhos de guia se curvam e se esticam novamente quando a
des Kreuzkopfs biegen sich und strecken sich wieder, wenn die manivela se aproxima e se afasta delas, respectivamente. Mas
Kurbel sich ihnen nähert und sich wieder entfernt. Ich nähme aber suponho que nenhuma força externa particular é necessária para
an, daß keinerlei besondere äußere Kraft dazu nötig ist, dies ocasionar isso. Esse comportamento dos trilhos causa a impressão
hervorzurufen. Dieses Benehmen der Schienen würde wie das de que eles seriam como um ser vivo.
eines lebenden Wesens anmuten. Quando dizemos: “Se os elos do mecanismo fossem
Wenn wir sagen: »Wenn die Glieder des Mechanismus totalmente rígidos, eles se movimentariam assim e assim”, qual é
ganz starr wären, würden sie sich so und so bewegen«, was ist o critério para que eles sejam totalmente rígidos? É o de que eles
das Kriterium dafür, daß sie ganz starr sind? Ist es, daß sie resistam a certas forças? ou de que eles se

84
OFM – Parte I

gewissen Kräften widerstehen? oder, daß sie sich so [TS 222, p. 94]
[TS 222, p. 94] movimentem assim e assim?
und so bewegen? Imagine que eu diga: “esta é a lei do movimento da
Denke, ich sage: »das ist das Bewegungsgesetz des cruzeta (a correlação da sua posição em relação à posição da
Kreuzkopfes (die Zuordnung seiner Lage zur Lage der Kurbel manivela, talvez), se ela não modifica o comprimento da
etwa), wenn sich die Länge der Kurbel und der Pleuelstange nicht manivela e da biela.” Isso pode significar: Se as posições relativas
ändern.« Das heißt wohl: Wenn sich die Lagen der Kurbel und da manivela e da cruzeta permanecerem assim, então digo que o
des Kreuzkopfes so zueinander verhalten, dann sage ich, daß die comprimento da biela fica igual.
Länge der Pleuelstange gleich bleibt.

120. »Wenn die Teile ganz starr wären, würden sie sich so 120. “Se as partes estivessem totalmente rígidas, elas se
bewegen«: ist das eine Hypothese? Es scheint, nein. Denn wenn movimentariam assim”: isso é uma hipótese? Não parece que é.
wir sagen: »die Kinematik beschreibt die Bewegungen des Pois, se dizemos: “a cinemática descreve os movimentos do
Mechanismus unter der Voraussetzung, daß seine Teile mecanismo sob a pressuposição de que suas partes são
vollkommen starr .sind«, so geben wir einerseits zu, daß diese completamente rígidas”, então por um lado aceitamos que essa
Vor- pres-

83 83

aussetzung in der Wirklichkeit nie zutrifft, anderseits soll es suposição nunca acontece na realidade, e por outro lado não
keinem Zweifel unterliegen, daß vollkommen starre Teile sich so admitimos qualquer dúvida de que as partes completamente
bewegen würden. Aber woher diese Sicherheit? Es handelt sich rígidas se movimentam assim. Mas de onde vem essa certeza?
hier wohl nicht um Sicherheit, sondern um eine Bestimmung, die Não se trata tanto aqui de uma certeza, mas de retratar uma
wir getroffen haben. Wir wissen nicht, daß Körper, wenn sie determinação. Nós não sabemos se os corpos, quando são rígidos
(nach den und den Kriterien) starr wären, sich so bewegen (segundo tal e tal critério), se movimentam assim; mas que
würden; wohl aber würden wir (unter Umständen) Teile ›starr‹ denominamos (sob certas circunstâncias) como partes ‘rígidas’
nennen, die sich so bewegen – denke in so einem Fall immer aquilo que se movimenta assim – imagine sempre num caso como
daran, daß ja die Geometrie (oder Kinematik) keine Meßmethode esse que a geometria (ou a cinemática) nunca especifica um
spezifiziert, wenn sie von gleichen Längen oder vom

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OFM – Parte I

Gleichbleiben einer Länge spricht. método de medida se ela fala de comprimentos iguais ou de uma
Wenn wir also die Kinematik etwa die Lehre von der extensão constante.
Bewegung vollkommen starrer Maschinenteile nennen, so Se, portanto, chamamos talvez a cinemática de estudo do
[TS 222, p. 95] movimento de partes da máquina completamente rígidas, então
liegt hierin einerseits eine Andeutung über die (mathematische) [TS 222, p. 95]
Methode: wir bestimmen gewisse Distanzen als die Längen der aqui existe, por um lado, uma indicação sobre o método
Maschinenteile, die sich nicht ändern; anderseits eine Andeutung (matemático): determinamos certas distâncias como extensão das
über die Anwendung des Kalküls. partes da máquina que não se alteram; por outro lado, damos uma
[TS 222, p. 96] indicação sobre a aplicação do cálculo.
[TS 222, p. 96]

121. Die Härte des logischen Muß. Wie, wenn man sagte: das 121. A dureza do exigir lógico.47 Tal como quando se diz: o
Muß der Kinematik ist viel härter, als das kausale Muß, das einen necessário da cinemática é muito mais duro do que o necessário
Maschinenteil zwingt, sich so zu bewegen, causal que obriga uma parte da máquina a se movimentar assim
[TS 222, p. 97] [TS 222, p. 97]
wenn der andere sich so bewegt? – quando uma outra se movimenta assado? –
Denk dir, wir würden die Bewegungsweise des Imagine que apresentássemos as características do
›vollkommen Starren‹ Mechanismus durch ein movimento do mecanismo ‘completamente rígido’ por imagens
kinematographisches Bild, einen Zeichenfilm, darstellen. Wie, cinematográficas ou em um desenho animado. Se alguém dissesse
wenn man sagen würde, dies Bild sei vollkommen hart, und damit que essas imagens são completamente duras, e, com isso,
meinte, wir hatten dieses Bild als Darstellungsweise genommen, pretendesse dizer que as tínhamos tomado como modo de
– was immer die Tatsachen seien, wie immer sich die Teile des apresentação, – qualquer que fosse o caso, as partes do
wirklichen Mechanismus biegen, oder dehnen mögen. mecanismo real sempre poderiam dobrar ou esticar.

122. Die Maschine (ihr Bau) als Symbol für ihre 122. A máquina (a sua construção) como símbolo do seu modo
Wirkungsweise: Die Maschine – könnte ich zuerst sagen – de operação: A máquina – poderia dizer antes de tudo – ‘parece
›scheint ihre Wirkungsweise schon in sich zu haben‹. Was heißt já ter em si seu modo de operação’.48 O que isso quer dizer?
das?

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OFM – Parte I

Indem wir die Maschine kennen, scheint alles Übrige, Na medida em que conhecemos a máquina, ela parece já
nämlich ter

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die Bewegungen, die sie machen wird, schon ganz bestimmt zu determinado totalmente todo o resto, a saber, os movimentos que
sein. ela vai fazer.
»Wir reden so, als könnten sich diese Teile nur so “Nós falamos como se essas partes só pudessem se
bewegen, als könnten sie nichts andres tun.« movimentar assim, como se elas não pudessem fazer diferente.”
Wie ist es –: vergessen wir also die Möglichkeit, daß sie Como é que é isso–: esquecemos, então, a possibilidade
sich biegen, abbrechen, schmelzen können, etc.? Ja; wir denken de que ela pode se retorcer, quebrar, fundir etc.? Sim; nós não
in vielen Fällen garnicht daran. Wir gebrauchen eine Maschine, pensamos absolutamente nisso em muitos casos. Nós usamos uma
oder das Bild einer Maschine, als Symbol für eine bestimmte máquina, ou a imagem de uma maquina, como símbolo de um
Wirkungsweise. Wir teilen z. B. Einem determinado modo de operação. Nós compartilhamos, por
[TS 222, p. 98] exemplo, uma
dieses Bild mit und setzen voraus, daß er die Erscheinungen der [TS 222, p. 98]
Bewegungen der Teile aus ihm ableitet. (So wie wir jemand eine dessas imagens e pressupomos que dela se derivam os fenômenos
Zahl mitteilen können, indem wir sagen, sie sei die dos movimentos das partes. (Assim como nós podemos
fünfundzwanzigste der Reihe, 1, 4, 9, 16, .... ) compartilhar com alguém um número que dizemos ser o vigésimo
»Die Maschine scheint ihre Wirkungsweise schon in sich quinto da sequência 1, 4, 9, 16, ....)
zu haben« heißt: Du bist geneigt, die künftigen Bewegungen der “A máquina parece já ter em si seu modo de operação”
Maschine in ihrer Bestimmtheit Gegenständen zu vergleichen, significa: você está inclinado a comparar os movimentos futuros
die schon in einer Lade liegen und von uns nun herausgeholt da máquina, em sua determinabilidade, com objetos que já estão
werden. numa gaveta e podem agora ser retirados por nós.
So aber reden wir nicht, wenn es sich darum handelt, das Mas não falamos assim se se trata de predizer o
wirkliche Verhalten einer Maschine vorauszusagen; da vergessen comportamento real de uma maquina; geralmente não
wir, im allgemeinen, nicht die Möglichkeiten der Deformation esquecemos as possibilidades de deformação das partes etc.
der Teile etc. Mas sim quando nos maravilhamos de que podemos
Wohl aber, wenn wir uns darüber wundern, wie wir denn empregar a máquina como símbolo do seu modo de movimento –
die Maschine als Symbol einer Bewegungsweise verwenden

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OFM – Parte I

können – da sie sich doch auch ganz anders bewegen kann. já que ela pode se movimentar também de modo totalmente
Nun, wir könnten sagen, die Maschine, oder ihr Bild, diferente.
stehe als Anfang einer Bilderreihe, die wir aus diesem Bild Podemos dizer, então, que a máquina, ou a sua imagem,
abzuleiten gelernt haben . se coloca como início de uma sequência de imagens que
Wenn wir aber bedenken, daß sich die Maschine auch aprendemos a derivar daquela primeira.
anders hätte bewegen können, so erscheint es uns leicht, als Mas se consideramos que a máquina poderia também ter
müßte in der Maschine als Symbol ihre Bewegungsart noch viel se movimentado de outra maneira, então aparece facilmente que
bestimmter enthalten sein, als in der wirklichen Maschine. Es na máquina como símbolo tem que estar contido, de modo ainda
genüge da nicht, daß dies die erfahrungsmäßig vorausbestimmten mais determinado, os seus tipos de movimento, do que na
Bewegungen seien, sondern sie müßten eigentlich – in einem máquina real. Não é suficiente que os movimentos sejam
mysteriösen Sinne – bereits gegenwärtig sein. Und predeterminados em conformidade com a experiência, senão que,
[TS 222, p. 99] na realidade, eles têm que – em um sentido misterioso – já estar
es ist ja wahr: die Bewegung des Maschinensymbols ist in presentes. E
anderer Weise vorausbestimmt, als die einer gegebenen [TS 222, p. 99]
wirklichen Maschine. isso é bem verdadeiro: o movimento da máquina como símbolo é
predeterminado de maneira diferente do que o de uma máquina
real qualquer.

85 85

123. »Es ist, als könnten wir die ganze Verwendung des 123. “É como se pudéssemos apreender todo o emprego da
Wortes mit einem Schlag erfassen.« – Wie was z. B.? – Kann palavra de um só golpe.” – Como o quê, por exemplo? – Não se
man sie nicht – in gewissem Sinne – mit einem Schlag erfassen? pode – em certo sentido – apreendê-la de um só golpe? E em que
Und in welchem Sinne kannst du dies nicht? Es ist eben, als sentido você não pode fazer isso? Isso é justamente como se
könnten wir sie in einem noch viel direkteren Sinne mit einem pudéssemos apreendê-la de um só golpe em um sentido ainda
Schlag erfassen. Aber hast du dafür ein Vorbild? Nein. Es bietet muito mais direto. Mas você tem um modelo para isso? Não.
sich uns nur diese Ausdrucksweise an. Als das Resultat sich Somente se nos oferece esse modo de expressão. Como o
kreuzender Gleichnisse. resultado de comparações que se entrecruzam.49

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OFM – Parte I

124. Du hast kein Vorbild dieser übermäßigen Tatsache, aber 124. Você não tem nenhum modelo desse fato sobejo, mas é
du wirst dazu verführt, einen Über-Ausdruck zu gebrauchen. seduzido a usar uma super-expressão.50

125. Wann denkt man denn: die Maschine habe ihre möglichen 125. Quando51 se pensa, então: a máquina já tem em si os seus
Bewegungen schon in irgendeiner mysteriösen Weise in sich? – possíveis movimentos de alguma maneira misteriosa? – Bem,
Nun, wenn man philosophiert. Und was verleitet uns, das zu quando se faz filosofia. E o que nos induz a pensar isso? A
denken? Die Art und Weise, wie wir von der Maschine reden. maneira como falamos da máquina. Nós dizemos, por exemplo,
Wir sagen z. B., die Maschine habe (besäße) diese que a máquina tem (possui) essas possibilidades de movimento,
Bewegungsmöglichkeiten, wir sprechen von der ideal starren nós falamos da máquina rígida ideal que só pode se movimentar
Maschine, die sich nur so und so bewegen könne. — Die assim e assim. — A possibilidade do movimento, o que é ela? Ela
Bewegungsmöglichkeit, was ist sie? Sie ist nicht die Bewegung; não é o movimento; mas ela parece não ser também a mera
aber sie scheint auch nicht die bloße physikalische condição
[TS 222, p.100] [TS 222, p. 100]
Bedingung der Bewegung zu sein, etwa, daß zwischen Lager und física do movimento, digamos que, entre mancal e pivô, ela é um
Zapfen ein gewisser Zwischenraum ist, der Zapfen nicht zu espaço intermédio para que o pivô não se ajuste tão firmemente
streng ins Lager paßt. Denn dies ist zwar erfahrungsmäßig die ao mancal. Pois, na verdade, essa é a conformidade à experiência
Bedingung der Bewegung, aber man könnte sich die Sache auch da condição do movimento, mas se poderia também imaginar a
anders vorstellen. Die Bewegungsmöglichkeit soll eher ein coisa diferentemente. A possibilidade do movimento deve ser
Schatten der Bewegung selber sein. Aber kennst du so einen antes uma sombra do próprio movimento. Mas você conhece uma
Schatten? Und unter Schatten verstehe ich nicht irgendein Bild sombra assim? E por sombra não entendo qualquer imagem do
der Bewegung; denn dies Bild müßte ja nicht das Bild gerade movimento; posto que essa imagem teria que não ser a imagem
dieser Bewegung sein. Aber die Möglichkeit dieser Bewegung exata desse movimento. Mas a possibilidade desse movimento
muß die Möglichkeit gerade dieser Bewegung sein. (Sieh', wie tem que ser a possibilidade exata desse movimento. (Veja como
hoch die Wellen der Sprache hier gehen.) vão altas aqui as ondas da linguagem.)52
Die Wellen legen sich, sowie wir uns fragen: wie As ondas se acalmam tão logo nos perguntamos: como
gebrauchen wir denn, wenn wir von einer Maschine reden, das usamos então, quando falamos de uma máquina, a expressão
Wort »Mög- “pos-

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OFM – Parte I

lichkeit der Bewegung«? – Woher kamen aber dann die sibilidade do movimento”? – De onde vieram, então, as ideias
seltsamen Ideen? Nun, ich zeige dir die Möglichkeit der estranhas? Ora, eu lhe mostro a possibilidade do movimento
Bewegung etwa durch ein Bild der Bewegung: ›also ist die mediante, digamos, uma imagem do movimento: ‘é, portanto, a
Möglichkeit etwas der Wirklichkeit Ähnliches.‹ Wir sagen: »es possibilidade alguma coisa semelhante à realidade.’ Nós
bewegt sich noch nicht, aber es hat schon die Möglichkeit sich zu dizemos: “isso ainda não se movimenta, mas já tem a
bewegen«, – ›also ist die Möglichkeit etwas der Wirklichkeit sehr possibilidade de se movimentar”, – ‘portanto, a possibilidade é
Nahes‹. Wir mögen zwar bezweifeln, ob die und die alguma coisa muito próxima da realidade’. Na realidade, nós
physikalische Bedingung diese Bewegung möglich macht, aber poderíamos duvidar se esta e aquela condição física torna possível
wir diskutieren nie, ob dies die Möglichkeit dieser oder jener esse movimento, mas nunca discutiremos se essa seria a
Bewegung sei: ›also steht die Möglichkeit der Bewegung zur possibilidade desse ou daquele movimento: ‘portanto a
Bewegung selbst in einer einzigartigen Relation, enger, als die possibilidade do movimento está para o próprio movimento numa
des Bildes zu seinem Gegenstand‹, denn es kann bezweifelt relação singular, mais estreita do que a da imagem com o seu
[TS 222, p. 101] objeto’, pois pode-se duvidar
werden, ob dies das Bild dieses oder jenes Gegenstandes ist. Wir [TS 222, p. 101]
sagen: »die Erfahrung wird lehren, ob dies dem Zapfen diese se esta é a imagem desse ou daquele objeto. Nós dizemos: “a
Bewegungsmöglichkeit gibt«, aber wir sagen nicht: »die experiência ensina se isso dá ao pivô essa possibilidade de
Erfahrung wird lehren, ob dies die Möglichkeit dieser Bewegung movimento”, mas não dizemos: “a experiência ensina se isso é a
ist«: ›also ist es nicht Erfahrungstatsache, daß diese Möglichkeit possibilidade desse movimento”: ‘portanto, não é um fato
die Möglichkeit gerade dieser Bewegung ist.‹ empírico que essa possibilidade seja a possibilidade exata desse
Wir achten auf unsere eigene Ausdrucksweise, diese movimento.’
Dinge betreffend, verstehen sie aber nicht, sondern mißdeuten Nós prestamos atenção ao nosso próprio modo de
sie. Wir sind, wenn wir philosophieren, wie Wilde, wie primitive expressão a respeito dessas coisas, mas não o compreendemos,
Menschen, die die Ausdrucksweise zivilisierter Menschen hören, senão que o interpretamos mal. Nós somos, quando filosofamos,
sie mißdeuten und nun seltsame Schlüsse aus dieser Deutung como selvagens, como seres humanos primitivos que ouvem o
ziehen. modo de expressão das pessoas civilizadas, o interpretamos mal,
Denke dir, es verstünde Einer unsre Vergangenheitsform e agora tiramos conclusões bizarras dessa interpretação.
nicht: »er ist hier gewesen.« — Er sagt: »›er ist‹, das ist die Imagine alguém que não compreendesse nosso tempo
Gegenwart, also sagt der Satz, daß die Vergangenheit in einem passado: “ele esteve aqui.” — Ele diz: “‘ele está’ é o presente,
gewissen Sinne gegenwärtig ist.«

90
OFM – Parte I

portanto a proposição diz que o passado está presente em um certo


sentido.”

126. »Aber ich meine nicht, daß, was ich jetzt (beim Erfassen) 126. “Mas53 eu não quis dizer que o que faço aqui agora (pela
tue, die künftige Verwendung kausal und erfahrungsmäßig apreensão) determina o emprego causal e experimental futuro,
bestimmt, sondern daß, in einer seltsamen Weise, diese mas que, de uma maneira estranha, esse mesmo emprego está
Verwendung selbst in irgend einem Sinne, gegenwärtig ist.« – presente em algum sentido.” – Mas ‘em algum sentido’ ele está
Aber ›in irgend einem Sinne‹ ist sie es ja! (Wir sagen ja auch: mesmo! (Nós também dizemos: “os acontecimentos do ano
»die Ereignisse der vergangenen Jahre sind mir gegenwärtig.«) passado me estão presentes.”) Na realidade, no que você
Eigentlich ist an dem, was du [TS 222, p. 102]
[TS 222, p. 102] diz, só é falsa a expressão:
sagst, falsch nur der Ausdruck:

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»in seltsamer Weise.« Das Übrige ist richtig; und seltsam “de uma maneira estranha.” O resto está correto; e a proposição
erscheint der Satz nur, wenn man sich zu ihm ein anderes só parece estranha se concebemos um jogo de linguagem
Sprachspiel vorstellt, als das, worin wir ihn tatsächlich diferente do que aquele que aplicamos de fato nela. (Alguém me
verwenden. (Jemand sagte mir, er habe sich als Kind darüber disse que quando era criança se surpreendia com o fato de que o
gewundert, wie denn der Schneider »ein Kleid nähe« – er dachte, alfaiate “costura um vestido” – ele pensava que isso significa que
dies heiße, es werde durch bloßes Nähen ein Kleid erzeugt, indem o vestido se produz pelo mero costurar, na medida em que se
nämlich Faden an Faden genäht würde.) costurou literalmente fio por fio.)

127. Die unverstandene Verwendung des Wortes wird als 127. O54 emprego não compreendido da palavra é interpretado
Ausdruck eines seltsamen Vorgangs gedeutet. (Wie man sich die como expressão de um processo estranho. (Como se imagina o
Zeit als seltsames Medium, die Seele als seltsames Wesen denkt.) tempo como um meio estranho, a mente como uma natureza
Die Schwierigkeit aber entsteht hier in allen Fällen durch estranha.)
die Vermischung von »ist« und »heißt«.

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OFM – Parte I

A dificuldade, entretanto, reside aqui na mistura, em todos


os casos, do “é” com o “significa”.

128. Die Verbindung, die keine kausale, erfahrungsmäßige, 128. A ligação que não é causal nem se dá na experiência, mas
sondern eine viel strengere und härtere sein soll, ja so fest, daß deve ser mais severa e mais dura, e até tão firme que ela, de algum
das Eine irgendwie schon das Andere ist, ist immer eine modo, já é outra, é sempre uma ligação na gramática.
Verbindung in der Grammatik.

129. Woher weiß ich, daß dies Bild meine Vorstellung von der 129. Como sei que essa imagem é a minha representação do
Sonne ist? – Ich nenne es Vorstellung von der Sonne. Ich sol? – Eu a chamo de representação do sol. Eu a emprego como
verwende es als Bild der Sonne. imagem do sol.
[TS 222, p. 103]

130. »Es ist, als könnten wir die ganze Verwendung des 130. “É55 como se pudéssemos apreender toda o emprego de
Wortes mit einem Schlag erfassen.« – Wir sagen ja, daß wir es um só golpe.” – Nós dizemos realmente o que fazemos. Quer
tun. D. h., wir beschreiben ja, manchmal, was wir tun, mit diesen dizer, às vezes descrevemos o que fazemos com essas palavras.
Worten. Aber es ist an dem, was geschieht, nichts Erstaunliches, Mas não há nisso que acontece nada de espantoso, nada de
nichts Seltsames. Seltsam wird es, wenn wir dazu geführt estranho. Estranho é quando somos levados a pensar que o
werden, zu denken, daß die künftige Entwickelung auf irgendeine desenvolvimento futuro, de alguma

88 88

Weise schon im Akt des Erfassens gegenwärtig sein muß und forma, já tem que já estar presente no ato de apreensão, mas, de
doch nicht gegenwärtig ist. – Denn wir sagen, es sei kein Zweifel, fato, não está. Então dizemos que não há dúvida de que
daß wir das Wort ..... verstehen und anderseits liegt seine compreendemos a palavra ....., e, por outro lado, que o seu
Bedeutung in seiner Verwendung. Es ist kein Zweifel, daß ich significado está no seu emprego. Não há dúvida de que quero
jetzt Schach spielen will; aber das Schachspiel ist dies Spiel agora jogar xadrez; mas o jogo de xadrez é esse jogo por meio de

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OFM – Parte I

durch alle seine Regeln (usf.). Weiß ich also nicht, was ich todas as suas regras (e assim por diante). Não sei, portanto, o que
spielen wollte, ehe ich gespielt habe? Oder aber, sind alle Regeln quero jogar antes de ter jogado? Ou então todas as regras estão
in meinem Akt der Intention enthalten? Ist es nun Erfahrung, die contidas no meu ato de intenção? Seria a experiência que me
mich lehrt, daß auf diesen Akt der Intention für gewöhnlich diese ensina que com esse ato de intenção normalmente se segue essa
Art des Spielens folgt? Kann ich also doch nicht sicher sein, was espécie de jogo? Posso, então, não estar seguro do que pretendia
ich zu tun beabsichtigte? Und wenn dies Unsinn ist, welcherlei fazer? E se isso é absurdo, que tipo de ligação super-rígida existe
über-starre Verbindung besteht zwischen dem Akt der Absicht entre o ato de pretender e o pretendido? — Onde é feita a ligação
und dem Beabsichtigten? — Wo ist die Verbindung gemacht entre o sentido da frase “vamos jogar uma partida de xadrez!” e
zwischen dem Sinn der Worte »Spielen wir eine Partie Schach!« todas as regras do jogo? – Na lista de regras do jogo, na lição de
und allen Regeln des Spiels? – Im Regelverzeichnis des Spiels, xadrez, na práxis cotidiana do jogo.
im Schachunterricht, in der täglichen Praxis des Spielens. [TS 222, p. 104]
[TS 222, p. 104]

131. Die logischen Gesetze sind allerdings 131. As leis da lógica são, com certeza,
[TS 222, p. 105] [TS 222, p. 105]
der Ausdruck von ›Denkgewohnheiten‹, aber auch von der a expressão dos ‘hábitos do pensamento’, mas também do hábito
Gewohnheit zu denken. D. h., man kann sagen, sie zeigten: wie de pensar. Ou seja, pode-se dizer que elas indicam: como as
Menschen denken und auch, was Menschen »denken« nennen. pessoas pensam e também o que as pessoas chamam de “pensar”.

132. Frege nennt ›ein Gesetz des menschlichen 132. Frege chama ‘uma lei do que os seres humanos tomam por
Fürwahrhaltens‹: »Den Menschen ist es .... unmöglich, einen verdadeiro’: “Para os seres humanos é .... impossível reconhecer
Gegenstand als von ihm selbst verschieden anzuerkennen.«1 – um objeto como diferente de si mesmo.”56 – Se penso que para
Wenn ich denke, daß mir das unmöglich ist, so denke ich, daß ich mim isso é impossível, então penso em tentar fazer isso. Olho,
versuche, es zu tun. Ich schaue also auf meine Lampe und sage: então, para o meu abajur e digo: “este abajur é diferente de si
»diese Lampe ist verschieden von ihr selbst.« (Aber es rührt sich mesmo.” (Mas ele nem sequer se mexe.) Não é que
nichts.) Ich sehe nicht etwa, daß es falsch ist, sondern ich kann provavelmente veja que isso é falso, mas que não posso fazer
damit gar nichts anfangen. (Außer, wenn die Lampe im absolutamente nada com isso. (Exceto quando o abajur cintila à
Sonnenlicht flimmert, dann kann ich das ganz gut durch diesen luz do dia, pois posso me expressar muito bem por meio dessa

93
OFM – Parte I

Satz

89 89
.
ausdrücken.) Man kann sich auch in eine Art Denkkrampf proposição.) Pode-se também pegar uma espécie de câimbra
versetzen, in welchem man tut: als versuchte man, das mental que faz isto: tenta-se pensar o impossível e não se
Unmögliche zu denken und es gelänge nicht. Ähnlich, wie man consegue. Similar ao que se pode também fazer quando se tenta
auch tun kann, als versuchte man (vergeblich) einen Gegenstand (inutilmente) trazer um objeto distante para perto de si pelo puro
aus der Ferne durch bloßes Wollen an sich heran zu ziehen. querer. (Nesse caso faz-se, talvez, certas caretas, como se a
(Dabei schneidet man etwa gewisse Gesichter, so, als wollte man pessoa quisesse dar a entender à coisa, pelas expressões
dem Ding durch Mienen zu verstehen geben, es solle fisionômicas, que ela deveria ir para lá.)
herkommen.) [TS 222, p. 106]
[TS 222, p. 106]

133. Die Sätze der Logik sind ›Denkgesetze‹, ›weil sie das 133. As proposições da lógica são ‘leis do pensamento’, ‘pois
Wesen des menschlichen Denkens zum Ausdruck bringen‹ – elas dão expressão à essência do pensamento humano’ – mais
richtiger aber: weil sie das Wesen, die Technik des Denkens zum corretamente, porém: porque elas dão expressão, ou mostram, a
Ausdruck bringen, oder zeigen. Sie zeigen, was das Denken ist, essência, a técnica57 do pensar. Elas mostram o que é o pensar, e
und auch Arten des Denkens. também as espécies do pensar.
[TS 222, p. 107] [TS 222, p. 107]

134. Die Logik – kann man sagen – zeigt, was wir unter »Satz« 134. A lógica – pode-se dizer – mostra o que compreendemos
und unter »Sprache« verstehen. por “proposição” e por “linguagem”.
[TS 222, p. 108] [TS 222, p. 108]

135. Denk dir diese seltsame Möglichkeit: Wir hätten uns 135. Imagine esta estranha possibilidade: nós sempre erramos,
bisher immer in der Multiplikation 12 x 12 verrechnet. Ja, es ist até hoje, a multiplicação de 12 x 12. Claro, seria incompreensível

94
OFM – Parte I

unbegreiflich, wie das geschehen konnte, aber es ist geschehen. como isso pôde acontecer, mas aconteceu. Portanto, é falso tudo
Also ist alles falsch, was man so ausgerechnet hat! — Aber was o que se calculou assim! — Mas o que signica isso? Isso não
macht es? Es macht ja gar nichts! – Dann muß also etwas falsch significa absolutamente nada! – Por conseguinte, alguma coisa
sein in unsrer Idee von Wahrheit und Falschheit der tem que ser, portanto, falsa na nossa ideia de verdade e de
arithmetischen Sätze. falsidade das proposições aritméticas.
[TS 222, p. 109] [TS 222, p. 109]

136. Aber ist es denn unmöglich, daß ich mich in der 136. Mas então é impossível que tenha me equivocado no
Rechnung geirrt habe? Und wie, wenn mich ein Teufel irrt, so cálculo? E se um demônio me engana, de modo que sempre
daß ich irgend etwas immer wieder übersehe, so oft ich auch, negligencio, de certo modo, alguma coisa, mesmo que
Schritt für Schritt nachrechne. So daß, wenn ich aus der frequentemente recalcule passo a passo. De modo que quando
Verhexung erwachte, ich sagen würde: »Ja, war ich denn blind!« acordo do feitiço, passo a dizer: “Puxa, como estava cego!” –
– Aber welchen Unterschied macht es, wenn ich dies ›annehme‹? Que diferença faz se ‘pressuponho’ isso? Eu
Ich

90 90

könnte dann sagen: »Ja ja, die Rechnung ist gewiß falsch – aber poderia, então dizer: “Claro, claro, o cálculo está errado, com
so rechne ich. Und das nenne ich nun addieren, und diese Zahl certeza – mas eu calculo assim. E isso é o que chamo de somar, e
›die Summe dieser beiden‹.« esse número, ‘a soma desses dois’.”

137. Denke, jemand würde so behext, daß er rechnete: 137. Imagine que alguém foi enfeitiçado e calcula assim:

also 4 x 3 + 2 = 10. , portanto 4 x 3 + 2 = 10.


Nun soll er seine Rechnung anwenden. Er nimmt viermal 3 Nüsse Agora, ele deve aplicar seu cálculo. Ele pega 4 vezes 3 nozes e
und noch 2, und verteilt sie unter 10 Leute; und jeder erhält eine mais 2, e as reparte entre 10 pessoas; e cada um ganha uma noz:

95
OFM – Parte I

Nuß: denn er teilt sie, den Bögen der Rechnung entsprechend, aus então ele as reparte de modo correspondente aos arcos do cálculo,
und so oft er Einem eine zweite Nuß gibt, ist sie verschwunden. e toda vez que ele dá para alguém uma segunda noz, ela
desaparece.

138. Man könnte auch sagen: Du schreitest in dem Beweis von 138. Poder-se-ia também dizer: você transita na prova de
Satz zu Satz; aber läßt du dir auch eine proposição a proposição; mas você aceita ter também um
[TS 222, p. 110] [TS 222, p. 110]
Kontrolle dafür gefallen, daß du richtig gegangen bist? – Oder controle de que andou corretamente? – Ou você só diz “Isso já
sagst du bloß, »Es muß stimmen« und mißt alles andere mit dem tem que concordar”, e mede todas as outras coisas pela proposição
Satz, den du erhältst? que você já tem?

139. Denn, wenn es so ist, dann schreitest du nur von Bild zu 139. Então, se for assim, você só transita de imagem a imagem.
Bild.

140. Es könnte praktisch sein, mit einem Maßstab zu messen, 140. Pode ser prático medir com uma escala que tem a
der die Eigenschaft hat, sich auf etwa die Hälfte seiner Länge propriedade de se contrair à metade da sua extensão quando ela é
zusammen zu ziehen, wenn er aus diesem Raum in jenen gebracht levada desse lugar para aquele. Uma propriedade que a tornaria
wird. Eine Eigenschaft, die ihn unter andern Verhältnissen zum incompetente como escala em outras relações.
Maßstab untauglich machen würde.

91 91

Es könnte praktisch sein, beim Abzählen einer Menge, Pode ser prático, na enumeração de um conjunto em certas
unter gewissen Umständen, Ziffern auszulassen; sie abzuzählen: circunstâncias, suprimir algarismos; enumerá-los: 1, 2, 4, 5, 7, 8,
1, 2, 4, 5, 7, 8, 10. 10.
[TS 222, p. 111] [TS 222, p. 111]

96
OFM – Parte I

141. Was geht da vor, wenn Einer versucht, eine Figur mit 141. O que acontece quando alguém tenta fazer coincidir uma
ihrem Spiegelbild durch Verschieben in der Ebene zur Deckung figura com a sua imagem especular pelo deslocamento no plano,
zu bringen und es ihm nicht gelingt? Er legt sie in verschiedener e não consegue? Ele as coloca uma em cima da outra de diferentes
Weise aufeinander; blickt auf die Teile, die sich nicht decken, ist modos; observa as partes não coincidentes, fica insatisfeito, e
unbefriedigt, sagt etwa: »es muß doch gehen«, und legt die provavelmente diz: “isso tem que funcionar”, e coloca as figuras
Figuren wieder anders zusammen. juntas novamente de outro modo.
Was geht vor, wenn Einer versucht, ein Gewicht O que acontece quando alguém tenta levantar um peso, e
aufzuheben und es ihm nicht gelingt, weil das Gewicht zu schwer não consegue porque o peso é muito grande? Ele toma uma
ist? Er nimmt die und die Stellung ein, faßt das Gewicht an und posição, depois outra, pega o peso e tensiona esse e aquele
spannt die und die Muskeln an, dann läßt er es los und gibt etwa músculo, então desiste e dá talvez sinais de insatisfação.
Zeichen der Unbefriedigung. Em que se mostra a impossibilidade geométrica, lógica,
Worin zeigt sich die geometrische, logische da primeira tarefa?58
Unmöglichkeit der ersten Aufgabe? “Bem, ele teria podido mostrar em uma imagem, ou de
»Nun, er hätte doch an einem Bild oder in andrer Weise outro modo, como parece ser o que ele aspira na segunda
zeigen können, wie das aussieht, was er im zweiten Versuch tentativa.” – Mas ele afirma que pode fazer isso também no
anstrebt.« – Aber er behauptet, das auch im ersten Fall zu können, primeiro caso, quando ele faz coincidir entre si duas figuras
indem er zwei gleiche, kongruente, Figuren miteinander zur iguais, congruentes.
[TS 222, p. 112] [TS 222, p. 112]
Deckung bringt. – Was sollen wir nun sagen? Daß diese beiden – O que devemos dizer agora? Que esses dois casos são
Fälle eben verschieden sind? Aber das sind ja auch Bild und justamente diferentes? Mas já é também assim com imagem e
Wirklichkeit im zweiten Fall. realidade no segundo caso.
[TS 222, p. 113] [TS 222, p. 113]

142. Was wir liefern, sind eigentlich Bemerkungen zur 142. O que fornecemos são, na realidade, observações sobre a
Naturgeschichte des Menschen; aber nicht kuriose Beiträge, história natural da humanidade; porém não contribuições
sondern Feststellungen von Fakten, an denen niemand gezweifelt curiosas, mas verificações de fatos dos quais ninguém duvida, e
hat, und die dem Bemerktwerden nur entgehen, weil sie sich que só escapam de ser observados porque perambulam
ständig vor unsern Augen herumtreiben. continuamente diante dos nossos olhos.

97
OFM – Parte I

[TS 222, p. 114] [TS 222, p. 114]

143. Wir lehren jemand eine Methode, Nüsse unter Leute zu 143. Ensinamos para alguém um método, repartir nozes entre

92 92

verteilen; ein Teil dieser Methode ist das Multiplizieren zweier pessoas; uma parte desse método é a multiplicação de dois
Zahlen im Dezimalsystem. números no sistema decimal.
Wir lehren jemand ein Haus errichten; dabei auch, wie er Ensinamos alguém a erguer uma casa; e também como ele
sich die genügenden Mengen von Material, etwa Brettern, deve comprar a quantidade suficiente de material, talvez tábuas,
anschaffen soll, hiezu eine Technik des Rechnens. Die Technik e, por isso, uma técnica de cálculo. A técnica de cálculo é uma
des Rechnens ist ein Teil der Technik des Hausbaues. parte da técnica de construção de casas.
Leute verkaufen und kaufen Scheitholz; die Stöße werden As pessoas vendem e compram lenha; as porções são
mit einem Maßstab gemessen, die Maßzahlen der Länge, Breite, medidas com uma escala, as medidas de comprimento, largura e
Höhe multipliziert, und was dabei herauskommt, altura, multiplicadas, e o resultado disso
[TS 222, p. 115] [TS 222, p. 115]
ist die Zahl der Groschen, die sie zu fordern und zu geben haben. são quantos tostões se pede e quanto se tem que dar. Eles não
Sie wissen nicht, ›warum‹ dies so geschieht, sondern sie machen sabem ‘por que’ isso acontece assim, eles fazem simplesmente
es einfach so: so wird es gemacht. – Rechnen diese Leute nicht? assim: e assim isso é feito. – Essas pessoas não calculam?

144. Wer so rechnet, muß er einen ›arithmetischen Satz‹ 144. Quem calcula assim tem que proferir uma ‘proposição
aussprechen? Wir lehren freilich die Kinder das Einmaleins in aritmética’? Na verdade, ensinamos a tabuada às crianças na
Form von Sätzchen, aber ist das wesentlich? Warum sollten sie forma de pequenas proposições, mas isso é essencial? Por que
nicht einfach: rechnen lernen? Und wenn sie es können, haben elas não devem simplesmente: aprender a calcular? E se elas
sie nicht Arithmetik gelernt? puderem, não aprender aritmética?

98
OFM – Parte I

145. Aber in welchem Verhältnis steht dann die Begründung 145. Mas, então, qual é a relação entre o fundamento de um
eines Rechenvorgangs zu der Rechnung selbst? processo de cálculo e o próprio cálculo?

146. »Ja, ich verstehe, daß dieser Satz aus diesem folgt.« – 146. “Sim, eu entendo que essa proposição se segue daquela.”
Verstehe ich, warum er folgt, oder verstehe ich nur, daß er folgt? – Entendo por que ela se segue, ou só entendo que ela se segue?

147. Wie, wenn ich gesagt hätte: Jene Leute zahlen für's Holz 147. E se eu tivesse dito: aquelas pessoas pagam pela madeira
auf Grund der Rechnung; sie lassen sich die Rechnung als com base no cálculo; elas tomam o cálculo como prova de quanto
Beweis dafür gefallen, daß sie soviel zu zahlen haben. – Nun, es elas têm que pagar. – Ora, isso é simplesmente uma descrição do
ist einfach eine Beschreibung ihres Vorgehens (Benehmens). seu procedimento (comportamento).
[TS 222, p. 116] [TS 222, p. 116]

93 93

148. Jene Leute – würden wir sagen – verkaufen das Holz nach 148. Aquelas pessoas – diríamos – vendem madeira por
dem Kubikmaß — aber haben sie darin recht? Wäre es nicht medidas cúbicas — mas eles têm razão? Não seria mais correto
richtiger, es nach dem Gewicht zu verkaufen – oder nach der vendê-la pelo peso – ou segundo o tempo de trabalho do corte –
Arbeitszeit des Fällens – oder nach der Mühe des Fällens, ou pelo esforço do corte, medido pela idade e força do
gemessen am Alter und an der Stärke des Holzfällers? Und madeireiro? E por que eles não deveriam passar adiante por um
warum sollten sie es nicht für einen Preis hergeben, der von preço o que for independente de tudo isso: todo comprador paga
alledem unabhängig ist: jeder Käufer zahlt ein und dasselbe, a mesma coisa, não importa quanto pegue (descrobre-se, talvez,
wieviel immer er nimmt (man hat etwa gefunden, daß man so que se pode viver assim). E há alguma coisa contra o dizer
leben kann). Und ist etwas dagegen zu sagen, daß man das Holz simplesmente que se dá a madeira de presente?
einfach verschenkt?

149. Gut; aber wie, wenn sie das Holz in Stöße von 149. Bom; mas e se eles venderem a madeira em porções
[TS 222, p. 117] aleatórias

99
OFM – Parte I

beliebigen, verschiedenen Höhen schichteten und es dann zu [TS 222, p. 117]


einem Preis proportional der Grundfläche der Stöße verkauften? empilhadas em diferentes alturas, e por um preço proporcional à
Und wie, wenn sie dies sogar mit den Worten área das porções?
begründeten: »Ja, wer mehr Holz kauft, muß auch mehr zahlen.« E se eles fundamentassem isso até mesmo com as
palavras: “Olha, quem compra mais madeira, tem que pagar mais
também.”59

150. Wie könnte ich ihnen nun zeigen, daß – wie ich sagen 150. Como poderia mostrar para eles agora que – como poderia
würde – der nicht wirklich mehr Holz kauft, der einen Stoß von dizer – realmente não compra mais madeira quem compra uma
größerer Grundfläche kauft? – Ich würde z. B. einen, nach ihren porção com área maior? Eu poderia, por exemplo, pegar uma
Begriffen, kleinen Stoß nehmen und ihn durch Umlegen der porção menor, segundo o conceito deles, e transformar numa
Scheiter in einen ›großen‹ verwandeln. Das könnte sie ‘maior’ deitando as lascas de lado. Isso poderia convencê-los –
überzeugen – vielleicht aber würden sie sagen: »ja, jetzt ist es viel mas talvez eles dissessem: “Sim, agora é muita madeira e custa
Holz und kostet mehr« – und damit wäre es Schluß. – Wir würden mais” – e se concluiria desse jeito. – Nós poderíamos até dizer
in diesem Falle wohl sagen: sie meinen mit »viel Holz« und nesses casos: o que eles querem dizer com “muita madeira” e
»wenig Holz« einfach nicht das Gleiche, wie wir; und sie haben “pouca madeira” simplesmente não é o mesmo que nós; e eles
ein ganz anderes System der Bezahlung, als wir. têm um sistema de pagamento totalmente diferente do nosso.

151. (Eine Gesellschaft, die so handelt, würde uns vielleicht an 151. (Uma sociedade que age assim talvez nos recordasse os
die »Klugen Leute« in dem Märchen erinnern.) “Espertalhões” da fábula.)60

94 94

152. Frege sagt im Vorwort der »Grundgesetze der 152. Frege diz no prefácio das “Leis Básicas da Aritmética”:
Arithmetik«: »..... hier haben wir eine bisher unbekannte Art der “..... aqui nós temos um tipo até agora desconhecido de loucura”
Verrücktheit« – aber er hat nie angegeben, wie diese – mas ele nunca especificou que aspecto teria realmente essa
›Verrücktheit‹ wirklich aussehen würde. ‘loucura’.61
[TS 222, p. 118] [TS 222, p. 118]

100
OFM – Parte I

153. Worin besteht die Übereinstimmung der Menschen 153. Em que consiste a concordância das pessoas com relação
bezüglich der Anerkennung einer Struktur als Beweis? Darin, ao reconhecimento de uma estrutura como prova? Em que elas
daß sie Worte als Sprache gebrauchen? Als das, was wir usam palavras como linguagem? Como o que nós chamamos de
»Sprache« nennen. “linguagem”.
Denke dir Menschen, die Geld im Verkehr gebrauchten, Imagine pessoas que usam dinheiro nas transações,
nämlich Münzen, die so aussehen wie unsere Münzen, aus Gold digamos, moedas que se parecem com as nossas, feitas de ouro
oder Silber sind und geprägt: und sie geben sie auch für Waren ou prata e impressas: e elas também as dão em troca de
her — aber jeder gibt für die Waren, was ihm gerade gefällt und mercadorias — mas cada um dá pelas mercadorias o que lhe
der Kaufmann gibt dem Kunden nicht mehr, oder weniger, je parece bem, e o vendedor dá ao cliente nem mais nem menos do
nachdem er bezahlt; kurz, dies Geld, oder was so aussieht, spielt que corresponde ao que este paga; em síntese, esse dinheiro, ou o
bei ihnen eine ganz andere Rolle als bei uns. Wir würden uns que quer que isso seja, tem para eles um papel totalmente
diesen Leuten viel weniger verwandt fühlen, als solchen, die diferente do que tem para nós. Nós nos sentiríamos muito menos
noch gar kein Geld kennen und eine primitive Art des aparentados a esse povo do que àqueles que ainda não conhecem
Tauschhandels treiben. – »Aber die Münzen dieser Leute werden nenhum dinheiro e estimulam uma espécie primitiva de escambo.
doch auch einen Zweck haben!« – Hat denn alles, was man tut, – “Mas as moedas desse povo terão também, é claro, uma
einen Zweck? Etwa religiöse Handlungen –. finalidade!” – Então tudo o que se faz tem uma finalidade? Talvez
Es ist schon möglich, daß wir geneigt wären, Menschen, ações religiosas –.
die sich so benehmen, Verrückte zu nennen. Aber doch nennen É bem possível que estejamos inclinados a chamar
wir nicht alle die Verrückte, die in den Formen unserer Kultur pessoas que se comportam assim de loucas. Porém não chamamos
ähnlich handeln, Worte ›zwecklos‹ verwenden. (Denke an die todos de loucos os que agem parecido nas formas da nossa
Krönung eines Königs!) cultura, empregam palavras ‘sem finalidade’. (Pense na coroação
[TS 222, p. 119] de um rei!)
[TS 222, p. 119]

154. Zum Beweis gehört Übersichtlichkeit. Wäre der Prozeß, 154. À prova pertence uma ordenação clara. Se não estivesse
durch den ich das Resultat erhalte, unübersehbar, so könnte ich claro o processo pelo qual obtenho o resultado, poderia, na
zwar das Ergebnis, daß diese Zahl herauskommt, ver- realidade, reparar o resultado que se extrai desse número

101
OFM – Parte I

[TS 222, p. 120] [TS 222, p. 120]


merken – welche Tatsache aber soll es mir bestätigen? ich weiß – que fato, porém, isso deve me confirmar? Eu não sei: ‘o que se
nicht: ›was herauskommen soll‹. deve extrair’.
[TS 222, p. 121] [TS 222, p. 121]

95 95

155. Wäre es möglich, daß Leute heute eine unsrer 155. Seria possível que um povo hoje tivesse revisado um dos
Berechnungen durchgingen und von den Schlüssen befriedigt nossos cálculos e estivesse satisfeito com as conclusões, mas
wären, morgen aber ganz andre Schlüsse ziehen wollen, und amanhã quisesse tirar conclusões totalmente diferentes, e, num
einen andern Tag wieder andere? outro dia, conclusões novamente diferentes?
Ja, kann man sich nicht denken, daß dies mit einer Ora, não se pode imaginar que isso tivesse acontecido em
Gesetzmäßigkeit so geschehe; daß, wenn er einmal diesen conformidade com uma lei; que se alguém faz essa passagem uma
Übergang macht, er ›eben darum‹ das nächste Mal einen andern vez, ‘justamente por isso’ faz, da próxima vez, uma outra, e por
macht, und darum (etwa) das nächste Mal wieder den ersten? isso (talvez), da próxima vez, faz novamente a primeira?
(Ähnlich, wie wenn in einer Sprache die Farbe, die einmal »rot« (Semelhante a se numa língua uma cor fosse chamada de
genannt wird, darum beim nächsten Male anders genannt würde “vermelho” na primeira vez, e, por isso, na próxima vez, fosse
und beim übernächsten wieder »rot«, usf.; dies könnte Menschen chamada de modo diferente, e, na vez seguinte, fosse chamada de
so natürlich sein. Man könnte es ein Bedürfnis nach “vermelho” de novo, e assim por diante; isso poderia ser natural
Abwechslung nennen.) para as pessoas. Poderia ser chamado de necessidade de
[Randbemerkung. Sind unsre Schlußgesetze ewig und variação.)
unveränderlich?] [Observação à margem. São as nossas leis de inferência eternas
[TS 222, p. 122] e imutáveis?]
[TS 222, p. 122]

156. Ist es nicht so: Solange man denkt, es kann nicht anders 156. Não é assim: enquanto se pensa não pode ser diferente,
sein, zieht man logische Schlüsse. tiram-se conclusões lógicas.
Das heißt wohl: solange das und das gar nicht in Frage Isso talvez signifique: enquanto isso e aquilo não foi
gezogen wird. colocado realmente em questão.

102
OFM – Parte I

Die Schritte, welche man nicht in Frage zieht, sind Os passos que não se colocam em questão são inferências
logische Schlüsse. Aber man zieht sie nicht darum nicht lógicas. Mas não se as coloca em questão não
[TS 222, p. 124] [TS 222, p. 124]62
in Frage, weil sie ›sicher der Wahrheit entsprechen‹ – oder dergl. porque ‘correspondem com certeza à verdade’ – ou coisa parecida
– sondern, dies ist es eben, was man ›Denken‹, ›Sprechen‹, –, senão que isso é justamente o que se chama de ‘pensar’, ‘falar’,
›Schließen‹, ›Argumentieren‹, nennt. Es handelt sich hier ‘inferir’, ‘argumentar’. Não se trata aqui, em absoluto, de alguma
garnicht um irgendeine Entsprechung des Gesagten mit der correspondência do dito com a realidade; pelo contrário, a lógica
Realität; vielmehr ist die Logik vor einer solchen Entsprechung; é anterior a essa correspondência; a saber, no sentido em que o
nämlich in dem Sinne, in welchem die Festlegung der estabelecimento do método de medida é anterior à correção ou
Meßmethode vor der Richtigkeit oder Falschheit einer incorreção de uma indicação de comprimento.
Längenangabe. [TS 222, p. 125]
[TS 222, p. 125]

157. Wird es nun experimentell festgestellt, ob sich ein Satz 157. É experimentalmente que se estabelece se uma proposição
aus dem andern ableiten läßt? – Es scheint, ja! Denn ich schreibe se deriva de outra? – Ao que parece, sim! Pois anoto certas
gewisse Zeichenfolgen hin, richte mich dabei nach gewissen sequências de sinais, e, assim, julgo segundo certos paradigmas –
Paradigmen – dabei ist -es allerdings wesentlich, daß ich kein nesse caso, é essencial, certamente, que eu não negligencie

96 96

Zeichen übersehe, oder daß es sonstwie abhanden kommt – und nenhum sinal, ou que, caso contrário, me perca – e do que resulta
was bei diesem Vorgang entsteht, davon sage ich, es folge. — desse processo, digo que é o que se segue. — Um argumento
Dagegen ist ein Argument dies: Wenn 2 und 2 Apfel nur 3 Apfel contra isso é este: se 2 mais 2 maçãs só dão 3 maçãs, ou seja, se
geben, d. h., wenn 3 Apfel daliegen, nachdem ich zwei und ali estão 3 maçãs, depois que eu coloquei duas e novamente duas
wieder zwei hingelegt habe, sage ich nun nicht: »2 + 2 ist also maçãs, então não digo: “2 + 2 nem sempre é igual a 4”; mas que:
doch nicht immer 4«; sondern: »Einer muß irgendwie “uma delas deve ter desaparecido de alguma forma”.
weggekommen sein«.

103
OFM – Parte I

158. Aber inwiefern mache ich ein Experiment, wenn ich dem 158. Mas em que medida faço um experimento se só sigo a
schon hingeschriebenen Beweis nur folge? Man könnte sagen: prova já ali anotada? Poder-se-ia dizer: “quando você olha para
»Wenn du diese Kette von Umformungen ansiehst, – kommt es essa cadeia de conversões, – você também não sente como se ela
dir nicht auch so vor, als stimmten sie mit den Paradigmen?« estivesse sintonizada com os paradigmas?”
[TS 222, p. 126] [TS 222, p. 126]

159. Wenn das also ein Experiment genannt werden soll, dann 159. Se isso, por conseguinte, deve ser chamado de um
wohl ein psychologisches. – Der Anschein des Stimmens kann ja experimento, então ele seria psicológico. A aparência de sintonia
auf einer Sinnestäuschung beruhen. Und so ist es ja auch pode estar baseada numa alucinação. E é assim às vezes quando
manchmal, wenn wir uns verrechnen. nos enganamos no cálculo.
Man sagt auch: »Das kommt mir heraus.« Und es ist doch Diz-se também: “essa é a minha resolução.” E que isso é
wohl ein Experiment, das zeigt, daß dies mir herauskommt. um experimento se mostra em que essa é a minha resolução.

160. Man könnte sagen: Das Resultat des Experiments ist dies, 160. Poder-se-ia dizer: o resultado do experimento é isso que
daß ich, am Ende, beim Resultat des Beweises angelangt, mit eu, no fim, havendo chegado ao resultado da prova, convencido,
Überzeugung sage: »Ja, es stimmt.« digo: “Sim, isso está de acordo.”
[TS 222, p. 127] [TS 222, p. 127]

161. Ist eine Berechnung ein Experiment? – Ist es ein 161. Um cálculo é um experimento? – É um experimento sobre
Experiment, wenn ich morgens aus dem Bett steige? Aber könnte se saio da cama de manhã? Mas isso não poderia ser um
dies nicht ein Experiment sein, – welches zeigen soll, ob ich nach experimento, – que deve mostrar se tenho força para levantar
so und soviel Stunden Schlafes die Kraft habe, mich zu erheben? depois de tantas horas assim de sono?
[TS 222, p. 128] [TS 222, p. 128]
Und was fehlt dieser Handlung dazu, dies Experiment zu sein? – E63 o que falta a essa ação para ser um experimento disso? –
Bloß, daß sie nicht zu diesem Zwecke, d. h., in der Ver- Meramente porque ela não tinha essa finalidade, isto é, ter sido

97 97

104
OFM – Parte I

bindung mit einer solchen Untersuchung ausgeführt wird. conduzida em conexão com uma investigação desse tipo. O
Experiment ist etwas durch den Gebrauch, der davon gemacht experimento consiste no uso feito de alguma coisa.64
wird. [TS 222, p. 129]
[TS 222, p. 129] O experimento em que observamos a aceleração de uma
Ist ein Experiment, in welchem wir die Beschleunigung queda livre é físico, ou ele é psicológico porque mostra o que as
beim freien Fall beobachten, ein physikalisches Experiment, oder pessoas veem nessas circunstâncias? — Ele não pode ser os dois?
ist es ein psychologisches, das zeigt, was Menschen, unter Isso não depende do seu contexto: do que fazemos com isso, e
solchen Umständen, sehen? — Kann es nicht beides sein? Hängt dizemos sobre isso?
das nicht von seiner Umgebung ab: von dem, was wir damit [TS 222, p. 130]
machen, darüber sagen?
[TS 222, p. 130]

162. Wenn man einen Beweis als Experiment auffaßt, so ist 162. Se concebemos uma prova como experimento, então, em
das Resultat des Experiments jedenfalls nicht das, was man das todo o caso, o resultado do experimento não é o que chamamos
Resultat des Beweises nennt. Das Resultat der Rechnung ist der de resultado da prova. O resultado do cálculo é a proposição com
Satz, mit welchem sie abschließt; das Resultat des a qual o concluímos; o resultado do
[TS 222, p. 131] [TS 222, p. 131]
Experiments ist: daß ich von diesen Sätzen durch diese Regeln experimento é: que eu, com essas proposições, mediante essas
zu diesem Satz geführt wurde. regras, fui levado a essa proposição.

163. Aber nicht daran haftet unser Interesse, daß die und die 163. Mas não atrai nosso interesse que esta e aquela pessoa (ou
(oder alle) Menschen von diesen Regeln so geleitet worden sind todas as pessoas) sejam guiadas assim por essas regras (ou vão
(oder so gegangen sind); es gilt uns als selbstverständlich, daß die desse jeito); o que conta para nós como evidente é que as pessoas
Menschen – ›wenn sie richtig denken können‹ – so gehen. Wir – ‘quando podem pensar corretamente’ – vão desse jeito. Agora,
haben jetzt aber einen Weg erhalten, sozusagen durch die no entanto, resguardamos um caminho pelos rastros, por assim
Fußtapfen derer, die so gegangen sind. Und auf diesem Weg geht dizer, daqueles que foram desse jeito. E por esse caminho passa
nun der Verkehr vor sich – zu verschiedenen Zwecken. agora o tráfego –65 para diferentes finalidades.

105
OFM – Parte I

[TS 222, p. 132] [TS 222, p. 132]

164. Erfahrung lehrt mich freilich, wie die Rechnung ausgeht; 164. A experiência me ensina realmente como acaba o cálculo;
aber damit erkenne ich sie noch nicht an. mas, com isso, ainda não o reconheço.

165. Die Erfahrung hat mich gelehrt, daß das diesmal 165. A experiência me ensinou que o que se extraiu dessa vez
herausgekommen ist, daß es für gewöhnlich herauskommt; aber é o que usualmente se extrai; mas diz
sagt

98 98

das der Satz der Mathematik? Die Erfahrung hat mich gelehrt, isso a proposição matemática? A experiência me ensinou que fui
daß ich diesen Weg gegangen bin. Aber ist das die por esse caminho. Mas é essa a asserção matemática? – O que ela
mathematische Aussage? – Was sagt er aber? In welchem diz, então? Em que relação ela se coloca com essas proposições
Verhältnis steht er zu diesen Erfahrungssätzen? Der da experiência? A proposição matemática tem a dignidade de uma
mathematische Satz hat die Würde einer Regel. regra.
Das ist wahr daran, daß Mathematik Logik ist: sie bewegt Isto é verdadeiro a respeito de que matemática é lógica:
sich in den Regeln unserer Sprache. Und das gibt ihr ihre ela se movimenta nas regras da nossa linguagem. E isso lhe dá a
besondere Festigkeit, ihre abgesonderte und unangreifbare sua firmeza particular, a sua posição peculiar e invulnerável.
Stellung. Matemática assentada entre medidas originárias.66
Mathematik unter den Urmaßen niedergelegt.

166. Aber wie –, dreht sie sich in diesen Regeln hin und her? 166. Mas como – ela se vira para lá e para cá nessas regras? –
– Sie schafft immer neue und neue Regeln: Ela cria sempre67 novas e novas regras:
[TS 222, p. 133] [TS 222, p. 133]
baut immer neue Straßen des Verkehrs; indem sie das Netz der constrói sempre novas rotas de tráfego; nas quais continua a
alten weiterbaut. construir a rede das mais antigas.

106
OFM – Parte I

167. Aber bedarf sie denn dazu nicht einer Sanktion? Kann sie 167. Mas então ela não precisa para isso de uma sanção? Ela
das Netz denn beliebig weiterführen? Nun, ich könnte ja sagen: pode dar continuidade à rede arbitrariamente? Ora, sobre isso
der Mathematiker erfindet immer neue Darstellungsformen. Die poderia dizer: o matemático inventa sempre novas formas de
einen, angeregt durch praktische Bedürfnisse, andre aus apresentação. Algumas são provocadas por necessidades práticas,
ästhetischen Bedürfnissen, – und noch mancherlei anderen. Und outras por necessidades estéticas, – e ainda por outras
denke dir hier einen Gartenarchitekten, der Wege für eine necessidades diversas. Imagine aqui um paisagista que projeta
Gartenanlage entwirft; es kann wohl sein, daß er sie bloß als caminhos no esboço de um jardim; pode bem ser que ele os
ornamentale Bänder auf dem Reißbrett zieht und garnicht daran desenhe na prancheta meramente como faixas ornamentais, e
denkt, daß jemand einmal auf ihnen gehen wird. nunca imagine que alguém algum dia caminhará sobre eles.

168. Der Mathematiker ist ein Erfinder, kein Entdecker. 168. O matemático é um inventor, não um descobridor.68

169. Erfahrung lehrt, daß beim Auszählen, wenn wir die 169. A experiência ensina que na contagem, se nós precisamos
Finger einer Hand brauchen, oder irgend eine Gruppe von dos dedos de uma mão, ou de algum outro grupo de coisas que se
Dingen, die so | | | | | ausschaut, und an ihnen abzählen: Ich, Du, pareça com isto | | | | | para que os contemos: eu, você, eu, você
Ich, Du,

99 99

etc., das erste Wort auch das letzte ist. »Aber muß es denn nicht etc., então a primeira palavra será também a última. “Mas isso
so sein?« — Ist es denn so unvorstellbar, daß Einer die Gruppe | não tem que ser assim, então?” — É assim tão inimaginável que
| | | | (z. B.) als Gruppe | | | | | | alguém veja o grupo | | | | | (por exemplo) como o grupo | | | | | |,
[TS 222, p. 134] [TS 222, p. 134]
sieht, in der die beiden Mittelstriche verschmolzen sind und no qual duas barras centrais estão aglutinadas e, de modo
dementsprechend den Mittelstrich zweimal zählt? (Ja, das correspondente, a barra central se conta duas vezes? (Bem,
Gewöhnliche ist es nicht. –) normalmente isso não acontece. –)

107
OFM – Parte I

170. Wie aber ist es, wenn ich Einen erst darauf aufmerksam 170. Como seria então se faço para alguém desde o princípio a
mache, daß das Ergebnis des Auszählens durch den Anfang observação de que o resultado da contagem está predeterminado
vorausbestimmt ist, und er es nun versteht und sagt: »Ja freilich, pelo começo, e que ele agora compreende isso e diz: “Sim,
– es muß ja so sein!« Was ist das für eine Erkenntnis? – Er hat certamente, – isso tem que ser assim!”69 Que tipo de
sich etwa das Schema aufgezeichnet: conhecimento é esse? – Ele talvez tenha registrado o esquema:70
I DI D I EVEVE
| | | | | | | | | |
Und sein Raisonnement ist etwa: »Es ist doch so, wenn ich E o seu raciocínio talvez seja: “Isso é assim quando eu conto. –
auszähle. – Also muß ...... « Portanto, tem que ......”
[TS 222, p. 135] [TS 222, p. 135]

171. (Damit hängt zusammen: Wir möchten manchmal sagen, 171. (Conecta-se com isso: muitas vezes gostaríamos de dizer
»es muß doch einen Grund haben, warum auf dieses Thema – in “Tem que haver uma razão pela qual após esse tema – talvez no
einem Sonatensatz etwa – gerade das Thema folgt«. Als Grund movimento de uma sonata – segue-se imediatamente o tema”.
würden wir eine gewisse Beziehung der beiden Themen, eine Como razão, reconheceríamos uma certa relação entre dois temas,
Verwandtschaft, einen Gegensatz, oder dergleichen, anerkennen. um parentesco, uma oposição, ou coisa parecida. – Mas podemos
– Aber wir können ja eine solche Beziehung konstruieren: também reconstruir uma relação como essa: uma operação, por
sozusagen eine Operation, die das eine Thema aus dem andern assim dizer, que produz um tema a partir do outro; mas ele só nos
erzeugt; aber damit ist uns nur gedient, wenn diese Beziehung serve se essa relação é bem familiar para nós. É como se a
eine uns wohlvertraute ist. Es ist also, als müßte die Folge dieser sequência desses temas tivesse que corresponder a um
Themen einem in uns [TS 222, p. 148]
[TS 222, p. 148] paradigma já existente em nós.
schon vorhandenen Paradigma entsprechen. De uma pintura que mostra duas formas humanas, pode-
Von einem Gemälde, das zwei menschliche Gestalten se dizer de maneira semelhante: “Tem que haver uma razão pela
zeigt, könnte man ähnlich sagen: »Es muß einen Grund haben, qual essas duas fisionomias nos provocam uma impressão como
warum gerade diese zwei Gesichter uns einen solchen Eindruck essa.” Nós gostaríamos – isto é – de encontrar novamente essa
machen.« Wir möchten – heißt das – diesen Eindruck der beiden impressão das duas fisionomias em outro lugar – em um outro

108
OFM – Parte I

Gesichter wo anders wieder finden – in einem anderen Gebiet. – campo. – Mas ela pode ser encontrada?
Aber ob er wieder zu finden ist?

100 100

Man könnte auch fragen: Welche Zusammenstellung von Poder-se-ia também perguntar: qual composição de temas
Themen hat eine Pointe, welche keine? Oder: Warum hat diese tem um ponto, e qual nenhum? Ou: por que essa composição tem
Zusammenstellung eine Pointe und die keine? Das mag nicht um ponto e aquela nenhum? Isso não deve ser fácil de dizer!
leicht zu sagen sein! Oft können wir sagen: »Diese entspricht Frequentemente podemos dizer: “Isso corresponde a um gesto,
einer Geste, diese nicht.«)1 isso não.”)
[TS 222, p. 149] [TS 222, p. 149]71

101 101

109
Anhang I Anexo I
(1933-1934) (1933-1934)

1. Könnte ich nicht sagen: zwei Wörter – schreiben wir sie 1. Não poderia dizer: as duas palavras – que escrevemos
»non« und »ne« – hätten dieselbe Bedeutung, sie seien beide como “não” e “nem” – têm o mesmo significado, ambas são sinais
Verneinungszeichen – aber de negação –, mas
non non p = p não não p = p
und e
ne ne p = ne p? nem nem p = nem p?
(In den Wortsprachen bedeutet eine doppelte Verneinung sehr (Na língua falada uma dupla negação significa muitas vezes uma
oft eine Verneinung.) Warum nenne ich dann aber beide negação.) Então por que as denomino como “negações”? O que
»Verneinungen«? Was haben sie miteinander gemein? Nun, es ambas têm em comum? Ora, é claro que uma grande parte do seu
ist klar, ein großer Teil ihrer Verwendung ist ihnen gemeinsam. emprego é, entre elas, comum. Mas isso ainda não resolve o nosso
Das löst aber unser Problem noch nicht. Denn wir möchten doch problema. Por isso, gostaríamos de dizer: para que a dupla negação
sagen: Auch, daß die doppelte Verneinung eine Bejahung ist, seja uma afirmação, deve-se regular para ambas que nós só
muß für beide stimmen, wenn wir nur die Verdoppelung concebemos a duplicação de maneira correspondente. Mas como?
entsprechend auffassen. Aber wie? – Nun so, wie es z. B. durch Bem, como se, por exemplo, pudéssemos expressar entre
Klammern ausgedrückt werden kann: parênteses assim:

(ne ne) p = ne p , ne (ne p) = p. (nem nem) p = nem p, nem (nem p) = p.

Wir denken gleich an einen analogen Fall der Geometrie: »Zwei Imaginamos aqui um caso análogo da geometria:72 “duas meias
halbe Drehungen addiert heben einander auf«, »Zwei halbe voltas somadas anulam uma delas”, “duas meias voltas somadas
Drehungen addiert sind eine halbe Drehung«. são uma meia volta”.
OFM – Parte I, Anexo I

Es kommt eben darauf an, wie wir sie addieren. (Ob wir sie Isso depende, é claro, de como nós as somamos. (Se nós as
nebeneinander schalten, oder hintereinander.) comutamos uma ao lado da outra, ou uma atrás da outra.)
[TS 222, p. 136] [TS 222, p. 136]

2. (Wir stoßen hier auf eine merkwürdige und 2. (Aqui topamos com um fenômeno singular e característico
charakteristische Erscheinung in philosophischen das investigações filosóficas: a dificul-
Untersuchungen: Die Schwie-

102 102

rigkeit – könnte ich sagen – ist nicht, die Lösung zu finden, dade – poderia dizer – não está em encontrar a solução, mas talvez
sondern, etwas als die Lösung anerkennen: Wir haben schon em reconhecê-la: nós já dissemos tudo. – Não algo que se segue
alles gesagt. – Nicht etwas, was daraus folgt, sondern eben das disso, mas justamente essa é a solução!
ist die Lösung! Isso se relaciona, acredito, com o fato de que esperamos
Das hängt, glaube ich, damit zusammen, daß wir erroneamente uma explicação; ao passo que uma descrição é a
fälschlich eine Erklärung erwarten; während eine Beschreibung solução da dificuldade, se nós a dispusermos corretamente em
die Lösung der Schwierigkeit ist, wenn wir sie richtig in unsere nossa consideração. Se permanecemos com ela, e não tentamos ir
Betrachtung einordnen. Wenn wir bei ihr verweilen und nicht além dela.)

111
OFM – Parte I, Anexo I

versuchen, über sie hinauszukommen.)

3. »Das ist bereits alles, was sich darüber sagen läßt.« – 3. “Isso já é tudo o que se pode dizer sobre aquilo.” –73
»non non p« als Verneinung des verneinten Satzes auffassen, das conceber “não não p” como negação da proposição negada talvez
ist im besondern Fall etwa: eine Erklärung der Art »non non p = seja no caso particular: dar uma explicação do tipo “não não p =
non (non p)« geben. não (não p)”.

4. »Wenn ›ne‹ eine Verneinung ist, so muß ›ne ne p‹, wenn 4. “Se ‘nem’ é uma negação, então ‘nem nem p’ tem que ser
es nur entsprechend aufgefaßt wird, gleich p sein.« igual a p só se ele for concebido de maneira correspondente.”
»Wenn man ›ne ne p‹ als Negation von p nimmt, muß “Se tomamos ‘nem nem p’ como negação de p, temos que
man die. Verdoppelung anders auffassen.« conceber a duplicação de maneira diferente.”
Man möchte sagen: »›Verdoppelung‹ heißt dann etwas Poder-se-ia dizer: “A ‘duplicação’ significa nessa hora
anderes, darum ergibt sie jetzt eine Verneinung«; also: daß sie outra coisa, por isso ela produz agora uma negação”; portanto: que
jetzt eine Verneinung ergibt ist die Folge ihres anderen Wesens. ela produza agora uma negação é a consequência da sua outra
»Ich meine sie jetzt als Verstärkung«, würde man sagen. Wir natureza. “Quero referi-la agora como reforço”, poder-se-ia dizer.
prüfen die Meinung durch den Ausdruck der Meinung.1 Nós provamos o que referimos pela expressão do que foi
[TS 222, p. 137] referido.74
[TS 222, p. 137]

5. Worin mag es gelegen haben, als ich die doppelte 5. O que pode ter acontecido quando proferi a dupla negação
Verneinung
103 103

sagte, daß ich sie als Verstärkung meinte? In den Umständen, que referi como reforço? Nas circunstâncias sob as quais usei a
unter denen ich den Ausdruck gebrauche, vielleicht in der expressão, talvez na representação que me ocorreu na mente, ou
Vorstellung die mir dabei vorschwebt, oder im Bild das ich na imagem que empreguei, no tom da minha voz (tom que também

112
OFM – Parte I, Anexo I

anwendete, im Ton meiner Rede (wie ich auch im Ton die posso reproduzir entre parênteses em “nem (nem p)”). Referir a
Klammern in »ne (ne p)« wiedergeben kann). Die Verdoppelung duplicação como reforço corresponde, então, a: proferi-la como
als Verstärkung meinen, entspricht dann dem: sie als reforço. A atividade de referir a duplicação como cancelamento,
Verstärkung aussprechen. Die Tätigkeit die Verdoppelung als seria, por exemplo, colocar parênteses. – “Sim, mas esses mesmos
Aufhebung meinen, war z. B. die Klammern zu setzen. – »Ja, parênteses podem desempenhar papéis diferentes; pois quem disse
aber diese Klammern selbst können doch verschiedene Rollen que eles são concebidos como parênteses no sentido usual em ‘não
spielen; denn wer sagt, daß sie in ›non (non p)‹ im gewöhnlichen (não p)’, e não, por exemplo, o primeiro como travessão entre os
Sinn als Klammern aufzufassen seien und nicht z. B. die erste als dois ‘nãos’, e o segundo como ponto final da sentença?” –
Trennungsstrich zwischen den beiden ›non‹, die zweite als Ninguém disse isso. E você já trocou novamente a sua concepção
Schlußpunkt des Satzes?« – Niemand sagt es. Und du hast ja por palavras. O que significam os parênteses se mostra em seu uso,
deine Auffassung jetzt wieder durch Worte ersetzt. Was die e em outro sentido, talvez, consiste no ritmo75 da impressão visual
Klammern bedeuten, wird sich in ihrem Gebrauch zeigen und, in do ‘não (não p)’.
anderm Sinn, liegt es etwa im Rhythmus des Gesichtseindrucks
von ›non (non p)‹.

6. Soll ich nun sagen: die Bedeutungen von »non« und »ne« 6. Não deveria então dizer: que os significados de “não” e
seien etwas verschieden? Sie seien verschiedene Abarten der “nem” seriam de algum modo diferentes? Seriam gêneros
Verneinung? – Das würde niemand sagen. Denn, würde man diferentes de negação? – Ninguém poderia dizer. Pois não se
einwenden, heißt dann »geh nicht in dieses Zimmer!« vielleicht poderia redarguir que “não vá para este quarto!” não quer dizer
nicht genau dasselbe wie gewöhnlich, wenn wir die Regel talvez o mesmo que o usual se nós dispusermos que a regra “não
aufstellen »nicht nicht« solle als não” deve
[TS 222, p. 138] TS 222, p. 138]

Verneinung gebraucht werden? – Dagegen aber möchte man ser usada como negação? – Contra isso, porém, se poderia
einwenden: »Wenn die beiden Satze ›ne p‹ und ›non p‹ ganz redarguir: “Se as proposições ‘nem p’ e ‘não p’ dizem
dasselbe sagen, wie kann dann ›ne ne‹ nicht dasselbe bedeuten absolutamente o mesmo, como poderia então ‘nem nem’ não
wie ›non non‹?« Aber hier setzen wir eben einen Symbolismus significar o mesmo que ‘não não’?” Mas aqui, na realidade,
voraus – d. h., nehmen einen zum Vorbild – in welchem aus »ne pressupomos um simbolismo – isto é, assumimos um modelo – no
p = non p« folgt, daß »ne« und »non« in allen Fällen gleich

113
OFM – Parte I, Anexo I

verwendet werden. qual de “nem p = não p” segue-se que “nem” e “não” empregam-
Die Drehung um 1800 und die Verneinung sind im se igualmente em todos os casos.
besonderen Fall tatsächlich dasselbe, und die Anwendung des A volta de 1800 e a negação são de fato, no caso particular,
Satzes ›non non p = p‹ von der Art der Anwendung einer a mesma coisa, e o emprego da proposição ‘não não p = p’ é do
bestimmten Geometrie. mesmo tipo que o emprego de uma determinada geometria.

104 104

7. Was meint man damit: ›ne ne p‹, auch wenn es nach dem 7. O que se quer dizer com: ‘nem nem p’, mesmo que
übereinkommen ›ne p‹ bedeutet, könnte auch als aufgehobene concordemos que isso signifique ‘nem p’, poderia ser também
Verneinung gebraucht werden? – Man möchte sagen: »›ne‹, mit usado como negação cancelada? – Gostaríamos de dizer: “‘nem’,
der Bedeutung, die wir ihm gegeben haben, könnte sich com o significado que lhe demos, só poderia se
[TS 222, p. 139] [TS 222, p. 139]

selbst aufheben, wenn wir es nur richtig applizieren«. Was meint cancelar se o aplicássemos corretamente”. O que se quer dizer com
man damit? (Die beiden halben Drehungen in der gleichen isso? (Duas meias voltas na mesma direção podem se cancelar
Richtung könnten einander aufheben, wenn sie entsprechend mutuamente se forem juntadas de maneira correspondente.) “O
zusammengesetzt würden.) »Die Bewegung der Verneinung ›ne‹ movimento da negação ‘nem’ é capaz de se cancelar por si
ist imstande, sich selbst aufzuheben.« Aber wo ist diese mesmo.” Mas onde está esse movimento? Estaríamos falando
Bewegung? Man möchte natürlich von einer geistigen naturalmente de um movimento mental da negação, para a
Bewegung der Verneinung reden, zu deren Ausführung das execução do qual o sinal ‘nem’ fornece a sinalização.
Zeichen ›ne‹ nur das Signal gibt.

8. Wir können uns Menschen mit einer ›primitiveren‹ Logik 8. Nós podemos imaginar pessoas com uma lógica
denken, in der es etwas unserer Verneinung entsprechendes nur ‘primitiva’ para as quais existe algo que corresponde à nossa
für gewisse Sätze gibt; für solche etwa, die keine Verneinung negação apenas para determinadas proposições; talvez para
enthalten. In der Sprache dieser Menschen könnte man dann aquelas que não contenham nenhuma negação. Na língua dessas
einen Satz wie »Er geht in dieses Haus« verneinen; sie würden pessoas uma frase como “Ele vai naquela casa” poderia ser
aber eine Verdoppelung der Verneinung als bloße

114
OFM – Parte I, Anexo I

Wiederholung, nie als Aufhebung der Verneinung, verstehen. negada; mas uma duplicação da negação seria compreendida como
pura repetição, nunca como cancelamento da negação.

9. Die Frage, ob für diese Menschen die Verneinung 9. A pergunta se para essas pessoas a negação tem o mesmo
dieselbe Bedeutung hat, wie für uns, wäre dann analog der, ob significado que para nós, seria análoga a se o algarismo ‘2’, para
die Ziffer ›2‹ für Menschen, deren Zahlenreihe mit 5 endigt, pessoas cuja sequência numérica termina em 5, significa o mesmo
dasselbe bedeutet wie für uns. que para nós.
[TS 222, p. 140] [TS 222, p. 140]

10. Denke, ich fragte: Zeigt es sich uns klar, wenn wir die 10. Imagine que eu perguntasse: fica claro para nós, quando
Sätze aussprechen »dieser Stab ist 1 m lang« und »hier steht 1 proferimos as proposições “Esta vara tem 1 m de comprimento” e
Soldat«, daß wir mit »1« verschiedenes meinen, da »1« “Aqui tem 1 soldado”, que com “1” queremos dizer coisas
verschiedene Bedeutung hat? – Es zeigt sich uns gar nicht. diferentes, que “1” tem um significado diferente? – Isso não fica
Besonders, wenn wir einen Satz sagen wie: »Auf je 1 m steht 1 nada claro. Principalmente quando dizemos uma proposição
Soldat, auf 2 m 2 Soldaten, usw.«. Gefragt, »Meinst du dasselbe como: “A cada 1 metro tem 1 soldado, a cada 2 m, 2 soldados
etc.”. Perguntado se “Você quer dizer o mesmo

105 105

mit den beiden Einsern«, würde man etwa antworten: »freilich com os dois uns”, talvez se respondesse: “Sem dúvida que eu quis
meine ich dasselbe: – eins!« (wobei man etwa einen Finger in die dizer o mesmo: – um!” (e talvez até se levantasse um dedo para
Höhe hebt). cima).
[TS 222, p. 139] [TS 222, p. 139]76

11. Wer »~~p = p« (oder auch »~~p ≡ p«) einen 11. Quem chama “~~p = p” (ou também “~~p ≡ p”) de uma
»notwendigen Satz der Logik« nennt (nicht, eine Bestimmung “proposição necessária da lógica” (e não de uma prescrição sobre

115
OFM – Parte I, Anexo I

über die von uns angenommene Darstellungsart) der hat auch die o que assumimos como um tipo de apresentação) tem também a
Tendenz zu sagen, tendência de dizer
[TS 222, p. 140] [TS 222, p. 140]
dieser Satz gehe aus der Bedeutung der Verneinung hervor. que essa proposição provém do significado da negação. Se, numa
Wenn in einer dialektischen Redeweise die verdoppelte maneira dialética de falar, a dupla negação é usada como negação,
Verneinung als Verneinung gebraucht wird, wie in »er hat tal como em “Ele não achou nada em nenhum lugar”, seríamos
nirgends nichts gefunden«, so sind wir geneigt, zu sagen: inclinados então a dizer: na realidade, isso significa que ele
eigentlich heiße das, er habe überall etwas gefunden. Überlegen encontrou algo em algum lugar. Pensemos no que significa esse
wir, was dieses »eigentlich« heißt! – “na realidade”! –

12. Angenommen, wir hätten zwei Systeme der 12. Vamos supor que a gente tivesse dois sistemas de medida
Längenmessung; eine Länge wird in beiden durch ein de comprimento; um comprimento seria expresso em ambos os
Zahlzeichen ausgedrückt, diesem folgt ein Wort, welches das sistemas por um numeral seguido por uma palavra que dá o
Maßsystem angibt. Das eine System bezeichnet eine Länge als sistema de medida. Um sistema designa um comprimento como
»n Fuß« und Fuß ist eine Längeneinheit im gewöhnlichen Sinne; “n pés”, e pé é uma unidade de medida no sentido usual; no outro
im andern System wird eine Länge mit »n W« bezeichnet und sistema, uma unidade de medida é designada como “n W”, e
1 Fuß = 1 W. 1 pé = 1 W
Aber: 2 W = 4 Fuß, 3 W = 9 Fuß, usw. – Also sagt der Satz Mas: 2 W = 4 pés, 3 W = 9 pés, e assim por diante. – Portanto, a
»dieser Stock ist 1 W lang« dasselbe wie, »dieser Stock ist 1 Fuß proposição “Este bastão tem 1 W de comprimento” diz o mesmo
lang«. Frage: Hat in diesen beiden Sätzen »W« und »Fuß« que a proposição “Este bastão tem 1 pé de comprimento”.
dieselbe Bedeutung? Pergunta: “W” e “pé” têm o mesmo significado nas duas
proposições?

13. Die Frage ist falsch gestellt. Das sieht man, wenn wir 13. A pergunta é colocada erroneamente. Isso se pode ver
Bedeutungsgleichheit durch eine Gleichung ausdrücken. Die quando expressamos a igualdade de significado por uma equação.
Frage kann dann nur lauten: »Ist W = Fuß, oder nicht?« – Die A pergunta só poderia então ser formulada: “Seria W = pé ou
Sätze, in denen diese Zeichen stehen, verschwinden in dieser não?” – As proposições em que esses sinais ocorrem desaparecem
Betrachtung. – Ebenso wenig kann man natürlich in dieser

116
OFM – Parte I, Anexo I

Terrninologie mediante essa consideração. – E, de fato, muito menos se poderia


[TS 222, p. 141] perguntar nessa terminologia
fragen, ob »ist« das gleiche bedeutet wie »ist«; wohl aber, [TS 222, p. 141]
se “é” significa o mesmo que “é”; mas sim que

106 106

ob »ɛ« das gleiche bedeutet wie »=«. Nun, wir sagten ja: 1 Fuß se “ɛ” significa o mesmo que “=”. O que nós dissemos foi: 1 pé =
= 1 W, aber: Fuß ≠ W. 1 W, mas: pé ≠ W.

14. Hat »ne« dieselbe Bedeutung wie »non«? – Kann ich 14. Teria “nem” o mesmo significado que “não”? – Posso
»ne« statt »non« setzen? – »Nun, an gewissen Stellen wohl, an colocar “nem” no lugar de “não”? – “Bem, em certos lugares sim,
andern nicht«. – Aber danach fragte ich nicht. Meine Frage war: em outros não. – Mas eu não perguntei sobre isso. Minha pergunta
kann man, ohne weitere Qualifikation, »ne« statt »non« era: pode-se, sem qualificação adicional, usar “nem” no lugar de
gebrauchen? – Nein. “não”? – Não.

15. »›ne‹ und ›non‹ heißen in diesem Fall genau dasselbe.« – 15. “‘nem’ e ‘não’ significam nesse caso exatamente o
Und zwar was? – »Nun, man solle das und das nicht tun.« – Aber mesmo.” – E o que, então? – “Bem, que não se deveria fazer isso
damit hast du nur gesagt, daß in diesem Fall ne p = non p ist und e isso.” – Mas com isso você só disse que nesse caso nem p = não
das leugnen wir nicht. p, e isso nós não negamos.
Wenn du erklärst: ne ne p = ne p, non non p = p, so Se você explica: nem nem p = nem, não não p = p, então
gebrauchst du die beiden Worter eben in verschiedener Weise; está usando as duas palavras de forma bem diferente; e se você
und hält man dann an der Auffassung fest, daß, was sie in sustenta a concepção de que o que elas produzem em certas
gewissen Kombinationen ergeben, von ihrer Bedeutung combinações são ‘dependentes’ do seu significado, do significado
›abhängt‹, der Bedeutung, die sie mit sich herumtragen, dann que elas transportam consigo, então se teria que dizer também que
muß man also sagen, sie müssen verschiedene Bedeutungen elas teriam que conter significados diferentes quando elas, depois
haben, wenn sie, auf gleiche Weise zusammengesetzt, de compostas do mesmo modo, puderem produzir resultados
verschiedene Resultate ergeben können. diferentes.

117
OFM – Parte I, Anexo I

16. Man möchte etwa von der Funktion, der Wirkungsweise, 16. Gostaríamos talvez de falar da função, do modo de
des Wortes in diesem Satz reden. Wie von der Funktion eines efetuação da palavra nessa proposição. Como se fosse da função
Hebels in einer Maschine. Aber worin besteht diese Funktion? de uma alavanca em uma máquina. Mas em que consiste essa
Wie função? Como
[TS 222, p. 142] [TS 222, p. 142]
tritt sie zutage? Denn es ist ja nichts verborgen! Wir sehen ja den ela se apresenta? Pois não há nada escondido! Nós conseguimos
ganzen Satz. Die Funktion muß sich im Laufe des Kalküls ver a totalidade da proposição. A função77 tem que se mostrar no
zeigen. decurso do cálculo.
Man will aber sagen: »›non‹ tut dasselbe mit dem Satz Mas alguém dirá: “‘não’ faz o mesmo que ‘nem’ com a
›p‹, was ›ne‹ tut: es kehrt ihn um«. Aber das sind nur andere proposição p: eles a revertem”. Mas essas são apenas outras
Worte für: »non p = ne p«. Immer wieder der Gedanke, das Bild, palavras para: “não p = nem p”.78 Sempre de novo o pensamento,
daß, a imagem, do que

107 107

was wir vom Zeichen sehen, nur eine Außenseite zu einem vemos do sinal é só o lado de fora do interior onde se passam as
Innern ist, worin sich die eigentlichen Operationen des Meinens operações reais do querer dizer.
abspielen.

17. Wenn aber der Gebrauch des Zeichens seine Bedeutung 17. Mas se o uso do sinal é o seu significado, então não é
ist, ist es nun nicht merkwürdig, daß ich sage, das Wort »ist« estranho que eu diga que a palavra “é” seja usada em dois
werde in zwei verschiedenen Bedeutungen (als ›ɛ‹ und ›=‹) significados (como ‘ɛ’ e ‘=’), e não tenha querido dizer que o seu
gebraucht, und nicht sagen möchte, seine Bedeutung sei sein significado é o seu uso como cópula e sinal de igualdade?
Gebrauch als Kopula und Gleichheitszeichen? Poder-se-ia dizer que os dois tipos de uso não dão um
Man möchte sagen, diese beiden Arten des Gebrauchs significado; a união pessoal pela mesma palavra não é essencial, é
geben nicht eine Bedeutung; die Personalunion durch das gleiche puro acaso.

118
OFM – Parte I, Anexo I

Wort sei unwesentlich, sei bloßer Zufall.

18. Aber wie kann ich entscheiden, welches ein wesentlicher 18. Mas então como posso decidir qual traço da notação é
und welches ein unwesentlicher, zufälliger, Zug der Notation ist? essencial e qual não é essencial ou casual? Existe uma realidade
Liegt denn eine Realität hinter der Notation, nach der sich ihre por detrás da notação pela qual se orienta a gramática?
Grammatik richtet? Imaginemos um caso similar num jogo:
Denken wir an einen ähnlichen Fall im Spiel: [TS 222, p. 143]
[TS 222, p. 143] no jogo de damas, se distingue uma dama porque se coloca uma
Im Damespiel wird eine Dame dadurch gekennzeichnet, daß man pedra em cima da outra. Não se poderia dizer que não é essencial
zwei Spielsteine aufeinanderlegt. Wird man nicht sagen, es sei para o jogo de damas que se distinga a dama assim?79
für das Damespiel unwesentlich, daß eine Dame so
gekennzeichnet wird?

19. Sagen wir: die Bedeutung eines Steines (einer Figur) ist 19. Digamos: o significado de uma pedra (de uma peça) é o
ihre Rolle im Spiel. – Nun werde vor Beginn jeder Schachpartie seu papel no jogo. – Então vamos decidir pela sorte, antes do
durch das Los entschieden, welcher der Spieler Weiß erhält. começo da partida de xadrez, qual dos jogadores fica com as
Dazu hält ein Spieler in jeder geschlossenen Hand einen brancas. Para isso, um dos jogadores segura um rei em uma das
Schachkönig und der andere wählt auf gut Glück eine der Hände. suas mãos fechadas, e o outro escolhe, ao azar, uma das mãos. Se
Wird man es nun zur Rolle des Königs im Schachspiel rechnen, contaria, assim, para o papel do rei no jogo de xadrez, que nós o
daß er beim Auslosen verwendet wird? empregamos em um sorteio?80

108 108

20. Ich bin also geneigt auch im Spiel zwischen wesentlichen 20. Estou, portanto, também inclinado no jogo a diferenciar
und unwesentlichen Regeln zu unterscheiden. Das Spiel, möchte entre regras essenciais e não essenciais. O jogo, gostaria de dizer,
ich sagen, hat nicht nur Regeln, sondern auch einen Witz. não tem somente regras, mas também uma sutileza.81

119
OFM – Parte I, Anexo I

21. Wozu das gleiche Wort? Wir machen ja im Kalkül keinen 21. Para que a mesma palavra? Não fazemos no cálculo
Gebrauch von dieser Gleichheit! Wozu für Beides die gleichen nenhum uso dessa igualdade! Para que a mesma peça para os dois?
Steine? – Aber was heißt es hier »von der Gleichheit Gebrauch – Mas o que significa aqui “fazer uso da igualdade”? Então não é
machen«? Ist es denn nicht ein Gebrauch, wenn wir eben das um uso quando usamos justamente a mesma palavra?82
gleiche Wort gebrauchen?

22. Hier scheint es nun, als hätte der Gebrauch des gleichen 22. Aqui tudo parece como se o uso da mesma palavra, da
Worts, des gleichen Steines, einen Zweck – wenn die Gleichheit mesma peça, tivesse uma finalidade – quando a igualdade não é
nicht zufällig, unwesentlich, ist. Und als sei der casual, não essencial. E como se a
[TS 222, p. 144] [TS 222, p. 144]
Zweck, daß man den Stein wiedererkennen, und wissen könne, finalidade fosse a de se reconhecer a peça e se pudesse saber como
wie man zu spielen hat. Ist da von einer physikalischen oder einer se deve jogar. Essa fala é de uma possibilidade física ou lógica?
logischen Möglichkeit die Rede? Wenn das Letztere, so gehört Se for da última, então a igualdade da peça pertence ao jogo.83
eben die Gleichheit der Steine zum Spiel.

23. Das Spiel soll doch durch die Regeln bestimmt sein! 23. O jogo deve ser determinado, sem dúvida, pelas regras!
Wenn also eine Spielregel vorschreibt, daß zum Auslosen vor der Por isso, se uma regra do jogo prescreve que o rei deve ser
Schachpartie die Könige zu nehmen sind, so gehört das, escolhido por sorteio antes do começo da partida de xadrez, então
wesentlich, zum Spiel. Was könnte man dagegen einwenden? – isso pertence essencialmente ao jogo. O que se poderia objetar
Daß man den Witz dieser Regel nicht einsehe. Etwa, wie man contra isso? – Que não se enxergue a sutileza dessa regra. Mais ou
auch den Witz einer Vorschrift nicht einsähe, jeden Stein dreimal menos como se não se enxergasse também a sutileza de uma
umzudrehen, ehe man mit ihm zieht. Fänden wir diese Regel in prescrição de dar três voltas em cada peça antes de se jogar com
einem Brettspiel, so würden wir uns wundern, und Vermutungen ela. Se encontrássemos essa regra num jogo de tabuleiro,
über den Ursprung, Zweck so einer Regel anstellen. (»Sollte ficaríamos surpresos e proporíamos hipóteses sobre a origem e a
diese Vorschrift verhindern, daß man ohne Überlegung zieht?«) finalidade de uma regra dessas. (“Deveria essa prescrição impedir
que se jogue sem ponderação?”)84

109 109

120
OFM – Parte I, Anexo I

24. »Wenn ich den Charakter des Spiels richtig verstehe«, 24. “Se compreendo corretamente o caráter do jogo”, poderia
könnte ich sagen, »so gehört das nicht wesentlich dazu«. dizer, “então, além disso, ele não tem nada de essencial”.85

25. Denken wir uns aber die beiden Ämter in einer Person 25. Imaginemos, no entanto, dois encargos reunidos em uma
vereinigt wie ein altes Herkommen. só pessoa como uma velha tradição.

26. Man sagt: der Gebrauch des gleichen Wortes ist hier 26. Dizemos: o uso da mesma palavra não é essencial aqui
unwesentlich, weil die Gleichheit der Wortgestalt hier nicht dazu porque a igualdade da forma da palavra não serve para mediar uma
dient, einen Übergang zu vermitteln. Aber damit beschreibt man transição. Mas para que só se descreva o caráter
nur den Charakter des [TS 222, p. 145]
[TS 222, p. 145] do jogo que se vai jogar.
Spiels, welches man spielen will. [TS 222, p. 146]
[TS 222, p. 146]

27. »Was bedeutet das Wort ›a‹ im Satz ›F(a)‹«? 27. “O que significa a palavra ‘a’ na proposição ‘F(a)’”?
»Was bedeutet das Wort a im Satze Fa den du soeben “O que significa a palavra a na proposição Fa que você
ausgesprochen hast?« pronunciou neste instante?”
»Was bedeutet das Wort ... in diesem Satz?« “O que significa a palavra ... nesta proposição?”86
[TS 222, p. 147] [TS 222, p. 147]

110 110

121
Anhang II Anexo II

1. Das Überraschende kann in der Mathematik zweierlei 1. O surpreendente pode cumprir na matemática dois
völlig verschiedene Rollen spielen. papéis completamente diferentes.
Man kann den Wert einer mathematischen Pode-se vislumbrar o valor de uma linha de
Gedankenreihe darin erblicken, daß sie etwas uns pensamento em matemática porque ela permite pôr a
überraschendes zutage fördert: – weil es von großem Interesse, descoberto algo surpreendente para nós: – porque é de grande
von großer Wichtigkeit ist, zu sehen, wie ein Sachverhalt durch interesse, de grande importância, ver como um estado de
die und die Art seiner Darstellung überraschend, oder coisas se torna, mediante este ou aquele tipo de apresentação,
erstaunlich, ja paradox wird. supreendente, ou assombroso, e até paradoxal.
[TS 224, p. 1] [TS 224, p. 1]
Hievon aber verschieden ist eine heute herrschende Diferente disso, porém, é uma concepção hoje
Auffassung, der das Überraschende, das Erstaunliche, darum als dominante de que o surpreendente, o assombroso, só vale
Wert gilt, weil es zeige, in welche Tiefe die mathematische quando se mostra a que profundidade penetra a investigação
Untersuchung dringt – wie wir den Wert eines Teleskops daran matemática – como se pudéssemos medir o valor de um
ermessen könnten, daß es uns Dinge zeigt, die wir ohne dieses telescópio quando ele nos mostra coisas das quais, sem esse
Instrument nicht hätten ahnen können. Der Mathematiker sagt instrumento, não teríamos o menor pressentimento. É como
gleichsam: »Siehst du, das ist doch wichtig, das hattest du ohne se o matemático dissesse: “Está vendo como isso é
mich nicht gewußt.« So als waren durch diese Überlegungen, als importante, você não saberia nada disso sem mim.” Como se
durch eine Art höheren Experiments, erstaunliche, ja die mediante tais considerações, como que por um tipo de
erstaunlichsten Tatsachen ans Licht gefördert worden. experiência mais alta, assombrosa, até mesmo os fatos mais
assombrosos pudessem ser trazidos à luz.
OFM – Parte I, Anexo II

2. Der Mathematiker aber ist kein Entdecker, sondern ein 2. O matemático não é um descobridor, mas um inventor.
Erfinder. [TS 224, p. 2]
[TS 224, p. 2] “A demonstração tem um resultado supreendente!” –
»Die Demonstration hat ein überraschendes Resultat!« – Se isso te surpreende, então você ainda não entendeu. Pois
Wenn es dich überrascht, dann hast du es noch nicht verstanden. essa surpresa não é legítima, como a do
Denn die Überraschung ist hier nicht legitim, wie beim [TS 224, p. 3]
[TS 224, p. 3] resultado final de um experimento. Aqui – gostaria de dizer –
Ausgang eines Experiments. Da - möchte ich sagen - darfst du você se permite se entregar à sua vibração; mas não quando
dich ihrem Reiz hingeben; aber nicht, wenn sie dir am Ende einer ela calha de chegar ao fim de uma cadeia de inferências. Pois
Schlußkette zuteil wird. Denn da ist sie nur ein Zeichen dafür, neste caso ela é só um sinal de que ainda domina a falta de
daß noch Unklarheit, oder ein Mißverständnis herrscht. clareza ou de entendimento.
»Aber warum soll ich nicht überrascht sein, daß ich dahin “Mas por que não devo me surpreender de ter sido
geleitet worden bin?« – Denk dir du hättest einen langen conduzido para lá?” – Imagine que você tenha uma expressão
algebraischen Ausdruck vor dir; es sieht zuerst aus, als ließe er algébrica longa diante de si; à primeira vista poderia parecer
sich nicht wesentlich kürzen; dann aber siehst du eine que não é essencialmente possível reduzi-la; mas então você
Möglichkeit der Kürzung und nun geht sie weiter, bis der vê uma possibilidade de redução, e vai tentando até que ela se
Ausdruck zu einer encolha até a expressão

111 111

kompakten Form zusammenschrumpft. Können wir nicht über de uma forma compacta. Não poderíamos ficar surpresos com
dieses Resultat überrascht sein? (Beim Patience-Legen geschieht esse resultado? (No jogo de paciência ocorre algo
ähnliches.) Gewiß, und es ist eine angenehme Überraschung; semelhante.) Certamente, e essa é uma surpresa agradável; e
und sie ist von psychologischem Interesse, denn sie zeigt ein ela tem interesse psicológico, já que mostra o fenômeno da
Phänomen des Nicht-Überblickens und der Änderung des falta de um olhar panorâmico e da mudança de aspecto da
Aspekts eines gesehenen Komplexes. Es ist interessant, daß man visão de um complexo.87 É interessante que nem sempre se vê
es diesem Komplex nicht immer ansieht, daß er sich so kürzen que esse complexo pode ser reduzido assim; mas se o caminho
läßt; ist aber der Weg der Kürzung übersichtlich vor unsern da redução é posto panoramicamente diante dos nossos olhos,
Augen, so verschwindet die Überraschung. então a surpresa desaparece.

123
OFM – Parte I, Anexo II

Wenn man sagt, man sei eben überrascht, daß man dahin Se dizemos que só estamos surpresos de termos sido
geführt worden sei, so ist dies keine ganz richtige Darstellung guiados até ali, então essa não é uma apresentação totalmente
des Sachverhalts. Denn diese Überraschung hat man doch nur correta de um estado de coisas. Porque essa surpresa só pode
dann, wenn man den Weg noch nicht kennt. Nicht, wenn man ocorrer se não se conhece ainda o caminho. Não quando se o
ihn ganz vor sich sieht. Daß dieser Weg, den ich ganz vor mir tem totalmente diante dos olhos. Pois esse caminho, do qual
habe, da anfängt, wo er anfängt, und da aufhört, wo er aufhört, tenho uma visão completa, começa onde começa e termina
das ist keine Überraschung. Die Überraschung und das onde termina, sem nenhuma surpresa. A surpresa e o
[TS 224, p. 4] [TS 224, p. 4]
Interesse kommen dann sozusagen von außen. Ich meine: man interesse então chegam, por assim dizer, de fora. Em outras
kann sagen, »Diese mathematische Untersuchung hat großes palavras: pode-se dizer “Esta investigação matemática tem
psychologisches Interesse«, oder »großes physikalisches grande interesse psicológico” ou “grande interesse físico”.
Interesse«.

3. Ich staune immer wieder bei dieser Wendung des 3. Constantemente me espanto com essa mudança de
Themas; obwohl ich es unzählige Male gehört habe und es tema; mesmo que já a tenha ouvido por vezes incontáveis e a
auswendig weiß. Es ist vielleicht sein Sinn, Staunen zu saiba de cor. Talvez seja o seu sentido a despertar o espanto.
erwecken. Então o que deve significar quando digo: ‘Você não
Was soll es dann heißen, wenn ich sage: ›Du darfst nicht pode se espantar!’?
staunen!‹? Pense nos enigmas matemáticos. Eles são formulados
Denke an mathematische Rätselfragen. Sie werden para surpreender; esse é todo o seu sentido.
gestellt, weil sie überraschen; das ist ihr ganzer Sinn. Gostaria de dizer: você não deve acreditar que haveria
Ich will sagen: Du sollst nicht glauben, es sei hier etwas aqui algo oculto sobre o qual não se pode ter nenhum
verborgen, in das man nicht Einsicht nehmen kann — als seien discernimento — como se tivéssemos caminhado para uma
wir durch einen unterirdischen Gang gegangen und kamen nun passagem subterrânea e depois chegado a algum lugar com
irgendwo ans Licht, ohne aber wissen zu können, wie wir dahin luz, sem no entanto poder saber como chegamos ali e qual
gekommen sind, oder welches die Lage des Eingangs zum seria o lugar da entrada em relação à saída do túnel.
Ausgang des Tunnels sei. Mas como se poderia estar numa fantasia como essa?
Wie aber konnte man denn überhaupt in dieser A que se compara no cálculo uma caminhada por debaixo da
Einbildung sein? Was gleicht in der Rechnung einer Bewegung

124
OFM – Parte I, Anexo II

unter der Erde? Was konnte uns denn dieses Bild nahelegen? Ich terra? O que nos poderia então sugerir essa imagem?
glaube: daß Acredito: que

112 112

kein Tageslicht auf diese Schritte fällt, daß wir den Anfangs- und nenhuma luz natural chama a atenção para esses passos; que
Endpunkt der Rechnung in einem Sinne verstehen, in dem wir compreendemos o começo e o ponto final do cálculo em um
den übrigen Gang der Rechnung nicht verstehen. sentido em que não compreendemos o resto do seu caminho.
[TS 224, p. 5] [TS 224, p. 5]

4. »Hier ist kein Geheimnis!« – aber wie konnten wir denn 4. “Não existe aqui nenhum mistério!” – mas como é que
glauben, daß eines sei? – Nun, ich bin immer wieder den Weg pudemos acreditar que houvesse? – Bem, eu percorri várias e
gegangen und war immer wieder überrascht; und auf den várias vezes o caminho e fui supreendido várias e várias
Gedanken, daß man hier etwas verstehen kann, bin ich nicht vezes; mas nunca cheguei a pensar que se pode compreender
gekommen. – »Hier ist kein Geheimnis«, heißt also: Schau dich alguma coisa aqui. – “Não existe aqui nenhum mistério”
doch um! significa portanto: olhe à sua volta!

5. Ist es nicht, als sähe man in einer Rechnung eine Art 5. Não seria como se víssemos no cálculo uma espécie
Kartenaufschlagen? Man hat die Karten gemischt; man weiß de cartomancia? Misturam-se as cartas; não se sabe o que
nicht, was dabei vor sich ging: aber am Ende lag diese Karte estava acontecendo: mas no fim essa carta foi virada para
obenauf, und dies bedeutet es komme Regen. cima e isso significa que vai chover.

6. Unterschied zwischen dem Werfen des Loses und dem 6. Diferença entre o lançamento de sorte e a contagem
Auszählen vor einem Spiel. Könnten aber nicht naive Menschen antes de um jogo. Mas pessoas ingênuas não poderiam
auch im Ernstfalle statt einen Mann auszulosen sich des também usar seriamente a contagem em vez de escolher um
Auszählens bedienen? jogador na sorte?

125
OFM – Parte I, Anexo II

7. Was tut der, der uns darauf aufmerksam macht, daß beim 7. O que faz aquele que nos chama a atenção de que pela
Auszählen das Ergebnis abgekartet ist? contagem o resultado já está decidido?

8. Ich will sagen: »Wir haben keinen Überblick über das, 8. Gostaria de dizer: “não temos nenhuma visão
was wir gemacht haben, und deshalb kommt es uns panorâmica sobre o que fazemos, e, por isso, tudo nos parece
geheimnisvoll vor«. Denn nun steht ein Resultat vor uns, und wir misterioso”. Pois agora temos diante de nós um resultado, e já
wissen nicht mehr, es ist uns nicht durchsichtig, wie wir dazu não sabemos mais, não nos é transparente, como chegamos
gekommen até ali,

113 113

sind, aber wir sagen (wir haben mas nós dizemos (nós aprendemos
[TS 224, p. 6] [TS 224, p. 6]
gelernt zu sagen): »so muß es sein«; und wir nehmen es hin – a dizer): “tem que ser assim”; nós assumimos isso – e nos
und staunen darüber. Könnten wir uns nicht diesen Fall denken: maravilhamos com isso. Não poderíamos pensar nesse caso:
Jemand hat eine Reihe von Befehlen, von der Form »Du mußt alguém tem uma sequência de ordens da forma “Você agora
jetzt das und das tun« einzeln auf Karten geschrieben. Er mischt tem que fazer isso e isso”, escritas individualmente em cartas.
diese Karten, liest die, welche obenauf zu liegen kommt – und Ele embaralha essas cartas, e lê aquela que ficou no topo – e
sagt: Also, ich muß das tun? – Denn das Lesen eines diz: Então eu tenho que fazer isso? – Pois a leitura de uma
geschriebenen Befehls macht nun einmal einen bestimmten ordem escrita causa imediatamente uma certa impressão, tem
Eindruck, hat eine bestimmte Wirkung. Und ebenso auch das um certo efeito. E da mesma forma também o que diz respeito
Anlangen bei einer Schlußfolgerung. – Man könnte aber à inferência de uma conclusão. – Mas se poderia também
vielleicht den Bann eines solchen Befehls brechen, indem man quebrar o encantamento dessa ordem, deixando novamente
diesem Menschen noch einmal klar vor Augen führt, wie er zu claro diante dos olhos dessa pessoa como ela chegou a essas
diesen Worten gekommen ist, und, was da geschehen ist, mit palavras, e o que ocorreu se comparado a outros casos –
anderen Fallen vergleicht – indem man z. B. sagt: »Es hat dir dizendo, por exemplo: “Ninguém te deu, afinal de contas, essa
doch niemand den Befehl gegeben!«. ordem!”.

126
OFM – Parte I, Anexo II

Und ist es nicht auch so, wenn ich sage: »Hier ist kein E não é também assim quando digo: “Não existe aqui
Geheimnis«? – Er hatte ja, in gewissem Sinne, nicht geglaubt, nenhum mistério”? – Ele já não acreditava, em certo sentido,
daß ein Geheimnis vorliegt. Aber er war unter dem Eindruck des que houvesse um mistério. Mas estava sob a impressão do
Geheimnisses (wie der Andere unter dem Eindruck eines mistério (como o outro estava sob a impressão de uma
Befehles). In einem Sinne kannte er ja die Situation, aber er ordem). Em um certo sentido ele conhecia a situação, mas se
verhielt sich zu ihr (im Gefühl und im Handeln) ›als läge ein comportava em relação a ela (em sentimento e em ação)
andrer Sachverhalt vor‹ – wie wir sagen würden. ‘como se existisse um outro estado de coisas’ – como
[TS 224, p. 7] poderíamos dizer.
[TS 224, p. 7]

9. »Eine Definition führt dich doch nur wieder einen Schritt 9. “Uma definição só te conduz novamente a um passo
zurück, zu etwas anderem nicht Definiertern.« Was sagt uns das? atrás para outra coisa não definida.” O que nos diz isso?
Wußte das irgend jemand nicht? – Nein; aber Ninguém ainda sabia disso? – Não; mas
[TS 224, p. 8] [TS 224, p. 8]
konnte er es nicht aus dem Auge verlieren? ele não poderia ter perdido isso de vista?

10. Oder: »Wenn du schreibst 10. Ou: “Se você escreve


›1, 4, 9, 16, .... ‹, so hast du nur vier Zahlen ‘1, 4, 9, 16, ....’, você só escreveu quatro
angeschrieben, und vier Pünktchen« – worauf machst du da números e quatro pontinhos” – sobre o que você está
aufmerksam? Konnte jemand etwas anderes glauben? Man sagt chamando a atenção aqui? Alguém poderia acreditar de outro
Einem in so einem Falle auch: »Damit hast du weiter nichts jeito? Nesses casos diz-se também para alguém: “Com isso
hingeschrieben als vier Zahlzeichen und ein fünftes Zeichen – você não escreveu nada mais do que quatro numerais e um
die Pünktchen«. Ja, wußte quinto sinal – os pontinhos”. Bem, ele
114 114

er das nicht? Aber kann er nicht doch sagen: Ja wirklich, ich habe não sabia disso? Mas ele não poderia então dizer: Eu não
die Pünktchen nie als ein weiteres Zeichen in dieser compreendi realmente os pontinhos como um sinal a mais

127
OFM – Parte I, Anexo II

Zeichenreihe aufgefaßt, – sondern als eine Art Andeutung nessa sequência de sinais, – mas os compreendi como uma
weiterer Zahlzeichen aufgefaßt. espécie de alusão de numerais adicionais.88

11. Oder wie ist es, wenn man darauf aufmerksam macht, 11. Ou como seria se alguém nos chamasse a atenção de
daß eine Linie im Sinne Euklids eine Farbengrenze ist und nicht que uma linha, no sentido de Euclides, é um limite entre cores
ein Strich; und ein Punkt der Schnitt solcher Farbengrenzen und e não um risco; e um ponto uma intersecção nesse limite de
kein Tupfen? (Wie oft ist gesagt worden, daß man sich einen cores, e não uma pinta? (Quantas vezes não se disse que não
Punkt nicht vorstellen kann.) se pode representar um ponto.)89

12. Man kann in der Einbildung leben, denken – daß es sich 12. Pode-se viver na ilusão, pensar – que isso acontece
so und so verhalt, ohne es zu glauben; d. h.: wenn man gefragt assim e assim, sem acreditar nisso; isto é, quando se pergunta,
wird, so weiß man es, hat man aber nicht auf die Frage zu então se sabe, mas quando não se tem que responder a
antworten, so weiß man es nicht, perguntas, então não se sabe,
[TS 224, p. 9] [TS 224, p. 9]
sondern man handelt und denkt nach einer andern Ansicht. mas se age e se pensa de acordo com a opinião do outro.

13. Denn eine Ausdrucksform läßt uns so und so handeln. 13. Pois uma forma de expressão nos permite agir assim e
Wenn sie unser Denken beherrscht, so möchten wir trotz aller assim. Se ela domina o nosso pensamento, então, apesar de
Einwendungen sagen: »in gewissem Sinne verhält es sich doch todas as objeções, nós diríamos: “em certo sentido claro que
so«. Obwohl es gerade auf den ›gewissen Sinn‹ ankommt. isso aconteceria assim”. Conquanto que o que interesse seja
(Ähnlich beinahe, wie es uns die Unehrlichkeit eines Menschen exatamente o ‘em certo sentido’. (Quase do mesmo jeito que
bedeutet, wenn wir sagen: er sei kein Dieb.) se significa a desonestidade de uma pessoa quando se diz: ele
[TS 224, p. 10] disse que não é ladrão.90
[TS 224, p. 10]

115 115

128
Anhang III Anexo III

1. Man kann sich leicht eine Sprache denken, in der es keine 1. Podemos facilmente imaginar uma língua em que não
Frage- und keine Befehlsform gibt, sondern in der Frage und existe uma forma para pergunta ou para ordem, e a pergunta
Befehl in der Form der Behauptung ausgedrückt wird, in Formen e a ordem são expressas na forma da afirmação. Na forma, por
z. B., entsprechend unserem: »Ich möchte wissen, ob ....« und exemplo, que corresponde ao nosso: “Gostaria de saber se ....”
»Ich wünsche, daß ....«. e “Desejaria que ....”.
Niemand würde doch von einer Frage (etwa, ob es Mas ninguém diria de uma pergunta (talvez se está
draußen regnet) sagen, sie sei wahr oder falsch. Es ist freilich chovendo lá fora) que ela é verdadeira ou falsa. É claro que é
deutsch, dies von einem Satz, »ich wünsche zu wissen, ob ....«, português dizer isso de uma sentença como “queria saber se
zu sagen. Wenn nun aber diese Form immer statt der Frage ....”. Mas e se essa forma for empregada sempre em vez da
verwendet wird? – pergunta? –91

2. Die große Mehrzahl der Sätze, die wir aussprechen, 2. A grande maioria das sentenças que proferimos,
schreiben und lesen, sind Behauptungssätze. escrevemos e lemos são sentenças de afirmação.
Und – sagst du – diese Sätze sind wahr oder falsch. Oder, E – você diria – essas sentenças são verdadeiras ou
wie ich auch sagen könnte, mit ihnen wird das Spiel der falsas. Ou, como eu poderia também dizer, o jogo das funções
Wahrheitsfunktionen gespielt. Denn die Behauptung ist nicht de verdade é jogado com elas. Já que a afirmação não é algo
etwas, was zu dem Satz hinzutritt, sondern ein wesentlicher Zug que se insere na sentença, mas um traço essencial do jogo que
des Spiels, das wir mit ihm spielen. Etwa vergleichbar dem com ela jogamos. Talvez comparável à caraterística do jogo
Characteristikum des Schachspiels, daß es ein Gewinnen und de xadrez, que tem um ganhador e um perdedor, e o ganhador
Verlieren dabei gibt, und daß der gewinnt, der dem Andern den é aquele que toma o rei do outro. É claro que poderia haver
König nimmt. Freilich, es könnte ein dem Schach in gewissem um jogo muito aparentado ao xadrez em certo sentido, que
Sinne sehr verwandtes Spiel geben, das darin besteht, daß man consistisse em fazer jogadas de xadrez, mas sem que houvesse
OFM – Parte I, Anexo III

die Schachzüge macht, aber ohne daß es dabei ein Gewinnen und um ganhador e um perdedor, ou em que as condições para
Verlieren gibt, oder die Bedingungen des Gewinnens sind vencer fossem outras.
andere. [TS 223, p. 1]
[TS 223, p. 1]

3. Imagine que se dissesse: uma ordem consiste em uma


3. Denke, man sagte: Ein Befehl besteht aus einem proposta (‘admissão’) e no ordenar do proposto.
Vorschlag (›Annahme‹) und dem Befehlen des
Vorgeschlagenen.
116
116

4. Könnte man nicht Arithmetik treiben, ohne auf den 4. Não se poderia praticar a aritmética sem ter o
Gedanken zu kommen, arithmetische Sätze auszusprechen, und pensamento de proferir proposições aritméticas, e sem se dar
ohne daß uns die Ähnlichkeit einer Multiplikation mit einem conta da semelhança entre a multiplicação e a proposição?
Satz je auffiele? Mas não sacudiríamos a cabeça se alguém nos
Aber würden wir nicht den Kopf schütteln, wenn Einer mostrasse uma multiplicação erroneamente calculada, tal
uns eine falsch gerechnete Multiplikation zeigte, wie wir es tun, como fazemos quando alguém nos diz que está chovendo
wenn er uns sagt, es regne, wenn es nicht regnet? – Doch; und quando não está chovendo? – Claro; e aqui está um ponto de
hier liegt ein Punkt der Anknüpfung. Wir machen aber auch vinculação. Nós também fazemos gestos de reprovação
abwehrende Gesten, wenn unser Hund z. B. sich nicht so quando o nosso cão, por exemplo, não se comporta do modo
benimmt, wie wir es wünschen. como queremos.
Wir sind gewohnt, zu sagen »2 mal 2 ist 4« und das Estamos acostumados a dizer “2 vezes 2 é quatro” e o
Verbum »ist« macht dies zum Satz und stellt scheinbar eine nahe verbo “é” faz disso uma proposição, e estabelece
Verwandtschaft her mit allem, was wir ›Satz‹ nennen. Während aparentemente um parentesco próximo com tudo aquilo que
es sich nur um eine sehr oberflächliche Beziehung handelt. chamamos de ‘proposição’. Embora se trate apenas de uma
[TS 223, p. 2] relação muito superficial.
[TS 223, p. 2]

130
OFM – Parte I, Anexo III

5. Gibt es wahre Sätze in Russells System, die nicht in 5. Há proposições verdadeiras no sistema de Russell que
seinem System zu beweisen sind? – Was nennt man denn einen não podem ser provadas no seu sistema? – O que se chama
wahren Satz in Russells System? então de proposição verdadeira no sistema de Russell?

6. Was heißt denn, ein Satz ›ist wahr‹? ›p‹ ist wahr = p. 6. O que quer dizer então que uma proposição ‘é
(Dies ist die Antwort.) verdadeira’? ‘p’ é verdadeiro = p. (Esta é a resposta.)
Man will also etwa fragen: unter welchen Umständen Por isso, então, poder-se-ia talvez perguntar: sob que
behauptet man einen Satz? Oder: wie wird die Behauptung des circunstâncias se assere uma proposição? Ou: como se aplica
Satzes im Sprachspiel gebraucht? Und die ›Behauptung des a asserção da proposição no jogo de linguagem? E a ‘asserção
Satzes‹ ist hier entgegengesetzt dem Aussprechen des Satzes da proposição’ é aqui contraposta ao proferimento da
etwa als Sprachübung, – oder als Teil eines andern Satzes, u. proposição talvez como exercício de fala, – ou como parte de
dergl. uma outra proposição, ou coisas semelhantes.
Fragt man also in diesem Sinne: »Unter welchen Pergunta-se, portanto, nesse sentido: “Sob que
Umständen behauptet man in Russells Spiel einen Satz?«, so ist circunstâncias se assere no jogo de Russell uma proposição?”,
die Antwort: Am Ende eines seiner Beweise, oder als e assim é a resposta: ao final de uma das suas provas, ou como
›Grundgesetz‹ (Pp.). Anders werden in diesem System ‘lei fundamental’ (Pp.). Não se emprega nada diferente disso
Behauptungssätze in den Russellschen Symbolen nicht nesse sistema de asserção de proposições no simbolismo de
verwendet. Russell.

117 117

7. »Kann es aber nicht wahre Sätze geben, die in diesem 7. “Mas não pode haver proposições verdadeiras escritas
Symbolismus angeschrieben sind, aber in dem System Russells nesse simbolismo, mas que não são comprováveis no sistema
nicht beweisbar?« – ›Wahre Sätze‹, das sind also Sätze, die in de Russell?” – ‘Proposições verdadeiras’, portanto
einem andern System wahr sind, d. h. in einem andern Spiel mit proposições que são verdadeiras em outro sistema, isto é, que
Recht behauptet werden können. Gewiß: warum soll es keine podem ser asseridas corretamente em outro jogo. Certamente:
solchen Sätze geben; oder vielmehr: warum soll man nicht Sätze por que não deveria haver tais proposições; ou melhor: por

131
OFM – Parte I, Anexo III

– der Physik, z. B. – in Russells Symbolen anschreiben? Die que não se escreveriam proposições – da física, por exemplo
Frage ist ganz analog der: Kann es wahre – no simbolismo de Russell? A pergunta é totalmente análoga
[TS 223, p. 3] a: pode haver
Sätze in Euklids Sprache geben, die in seinem System nicht [TS 223, p. 3]
beweisbar, aber wahr sind? – Aber es gibt ja sogar Sätze, die in proposições verdadeiras na linguagem de Euclides que não
Euklids System beweisbar, aber in einem andern System falsch são comprováveis no seu sistema, mas são verdadeiras? Mas
sind. Können nicht Dreiecke – in einem andern System – ähnlich há mesmo proposições que são comprováveis no sistema de
(sehr ähnlich) sein, die nicht gleiche Winkel haben? – »Aber das Euclides, e são falsas em outro sistema. Não pode haver
ist doch ein Witz! Sie sind ja dann nicht im selben Sinne einander triângulos similares (muito similares) – em outro sistema –
›ähnlich‹!« – Freilich nicht; und ein Satz, der nicht in Russells que não têm ângulos iguais? – “Mas isso é uma piada! Eles
System zu beweisen ist, ist in anderm Sinne ›wahr‹ oder não são nesse caso ‘similares’ entre si no mesmo sentido!” –
›falsch‹, als ein Satz der »Principia Mathematica«. É claro que não; e uma proposição que não é comprovável no
sistema de Russell, é ‘verdadeira’ ou ‘falsa’ em sentido
diferente do que o de uma proposição do “Principia
Mathematica”.

8. Ich stelle mir vor, es fragte mich Einer um Rat; er sagt: 8. Imagino92 que alguém me pede um conselho; ele diz:
»Ich habe einen Satz (ich will ihn mit ›P‹ bezeichnen) in Russells “Construí uma proposição (vou designá-la como ‘P’) com os
Symbolen konstruiert, und den kann man durch gewisse símbolos de Russell, e mediante certas definições e
Definitionen und Transformationen so deuten, daß er sagt: ›P ist transformações pode-se interpretá-la como dizendo: ‘P não é
nicht in Russells System beweisbar‹. Muß ich nun von diesem comprovável no sistema de Russell’. Não teria que dizer então
Satz nicht sagen: einerseits er sei wahr, anderseits er sei dessa proposição: por um lado ela é verdadeira, por outro lado
unbeweisbar? Denn angenommen, er wäre falsch, so ist es also ela não é comprovável? Por conseguinte, se assumimos que
wahr, daß er beweisbar ist! Und das kann doch nicht sein. Und ela é falsa, então é verdadeiro que ela é comprovável! E é
ist er bewiesen, so ist bewiesen, daß er nicht beweisbar ist. So claro que isso não é possível. E se ela é comprovável, então é
kann er also nur wahr, aber unbeweisbar sein.« comprovável que ela não é comprovável. Portanto, ela só
So wie wir fragen: »in welchem System ›beweisbar‹?«, pode ser verdadeira, mas não comprovável.”
so müssen wir auch fragen: »in welchem System ›wahr‹?«. ›In Assim, quando perguntamos: “‘comprovável’ em que
Russells System wahr‹ heißt, wie gesagt: in Russells sistema?”, temos também que perguntar: “‘verdadeiro’ em

132
OFM – Parte I, Anexo III

[TS 223, p. 4] que sistema?”. ‘Verdadeiro no sistema de Russell’ significa,


System bewiesen; und ›in Russells System falsch‹ heißt: das como dissemos: comprovado
Gegenteil sei in Russells System bewiesen. – Was heißt nun [TS 223, p. 4]
dein: »angenommen, er sei falsch«? In Russells Sinne heißt es: no sistema de Russell; e ‘falso no sistema de Russell’
›angenommen das Gegenteil sei in Russells System bewiesen‹; significa: comprovado o oposto no sistema de Russell. – O
ist das deine Annahme, so wirst du jetzt die Deutung, er sei que significa então o seu: “se supomos que ela é falsa”? No
unbeweis- sentido de Russell isso significa: ‘se assumimos o oposto do
comprovado no sistema de Russell’; se essa é a sua
suposição, então você abandonaria agora a interpretação de

118 118

bar, wohl aufgeben. Und unter dieser Deutung verstehe ich die que ela não é comprovável. E com essa interpretação eu
Übersetzung in diesem deutschen Satz. – Nimmst du an, der Satz compreendo a tradução nessa proposição em português. – Se
sei in Russells System beweisbar, so ist er damit in Russells você assume que a proposição é comprovável no sistema de
Sinne wahr und die Deutung »P ist nicht beweisbar« ist wieder Russell, então ela é, por conseguinte, verdadeira no sentido de
aufzugeben. Nimmst du an, der Satz sei in Russells Sinne wahr, Russell, e a interpretação “P não é comprovável” tem que ser
so folgt das Gleiche. Ferner: soll der Satz in einem andern als abandonada novamente. Se você assume que a proposição é
Russells Sinne falsch sein: so widerspricht dem nicht, daß er in verdadeira no sentido de Russell, então segue-se o mesmo.
Russells System bewiesen ist. (Was im Schach »verlieren« heißt, Além disso: se a proposição deve ser falsa em um sentido
kann doch in einem andern Spiel das Gewinnen ausmachen.) diferente do que o de Russell: então ela não o contradiz por
ser comprovada no sistema de Russell. (O que significa
“perder” no xadrez pode constituir a vitória em outro jogo.)

9. Was heißt es denn: P und »P ist unbeweisbar« seien der 9. O que significa então: que P e “P não é comprovável”
gleiche Satz? Es heißt, daß diese zwei deutschen Sätze in der und sejam a mesma proposição? Significa que essas duas
der Notation einen Ausdruck haben. proposições em português têm, em tal e tal notação, uma
expressão.

133
OFM – Parte I, Anexo III

10. »Aber P kann doch nicht beweisbar sein, denn, 10. “Mas P não pode mesmo ser comprovável, pois se
angenommen es wäre bewiesen, so wäre der Satz bewiesen, assumimos que ela tivesse sido comprovada, então a
[TS 223, p. 5] proposição comprovaria que
er sei nicht beweisbar.« Aber wenn dies nun bewiesen wäre, oder [TS 223, p. 5]
wenn ich glaubte – vielleicht durch Irrtum – ich hätte es ela não é comprovável.” Mas se comprovássemos isso, ou se
bewiesen, warum sollte ich den Beweis nicht gelten lassen und eu acreditasse – talvez erroneamente – que o tivesse feito, por
sagen, ich müsse meine Deutung »unbeweisbar« wieder que não deixaria a prova valer e dizer que eu teria que retirar
zurückziehen? novamente minha interpretação “não comprovável”?

11. Nehmen wir an, ich beweise die Unbeweisbarkeit (in 11. Vamos assumir que eu comprovei a não
Russells System) von P; so habe ich mit diesem Beweis P comprobabilidade de P (no sistema de Russell); então eu
bewiesen. Wenn nun dieser Beweis einer in Russells System comprovei P com essa prova. E se essa prova fosse do sistema
wäre, – dann hätte ich also zu gleicher Zeit seine Zugehörigkeit de Russell, – então teria comprovado ao mesmo tempo,
und Unzugehörigkeit zum Russellschen System bewiesen. – Das portanto, a sua pertinência e a sua não pertinência ao sistema
kommt davon, wenn man solche Sätze bildet. – Aber hier ist ja Russelliano. – Isso acontece quando se compõe tais sentenças.
ein Widerspruch! – Nun so ist hier ein Widerspruch. Schadet er – Mas aqui tem uma contradição! – Então agora tem uma
hier etwas? contradição. Ela prejudica alguma coisa aqui?

119 119

12. Schadet der Widerspruch, der entsteht wenn Einer sagt: 12. Prejudica a contradição que se produz quando alguém
»Ich lüge. – Also lüge ich nicht. – Also lüge ich. – etc.«? Ich diz: “Eu minto. – Portanto, eu não minto. – Portanto, eu
meine: ist unsere Sprache dadurch weniger brauchbar, daß man minto. – etc.”? Quero dizer: a nossa língua fica menos usável
in diesem Fall aus einem Satz nach den gewöhnlichen Regeln pelo fato de que nesse caso se pode, pelas regras usuais,
sein Gegenteil und daraus wider ihn folgern kann? – der Satz derivar de uma proposição o seu contrário, e a partir dali outro
selbst ist unbrauchbar, und ebenso dieses Schlüsseziehen; aber contrário? – a própria proposição não é usável, assim como
warum soll man es nicht tun? – Es ist eine brotlose Kunst! – Es aquelas conclusões; mas por que não se deve fazê-lo? – Não
ist ein Sprachspiel, das Ähnlichkeit mit dem Spiel des

134
OFM – Parte I, Anexo III

Daumenfangens hat. se ganha nada com isso! – É um jogo de linguagem que guarda
[TS 223, p. 6] semelhança com o jogo de pega-dedos.93
[TS 223, p. 6]

13. Interesse erhält so ein Widerspruch nur dadurch, daß er 13. Uma contradição como essa só conserva o seu
Menschen gequält hat und dadurch zeigt, wie aus der Sprache interesse porque atormentou as pessoas, e porque mostra
quälende Probleme wachsen können; und was für Dinge uns como problemas tormentosos podem crescer na linguagem; e
quälen können. que tipo de coisas podem nos atormentar.

14. Ein Beweis der Unbeweisbarkeit ist quasi ein 14. Uma comprovação da não comprobabilidade é como
geometrischer Beweis; ein Beweis, die Geometrie der Beweise se fosse uma prova geométrica; uma prova a respeito da
betreffend. Ganz analog einem Beweise etwa, daß die und die geometria da prova. Talvez completamente análoga a uma
Konstruktion nicht mit Zirkel und Lineal ausführbar ist. Nun prova de que tal e tal construção não é exequível com
enthält so ein Beweis ein Element der Vorhersage, ein compasso e régua. No entanto, uma prova como essa contém
physikalisches Element. Denn als Folge dieses Beweises sagen um elemento de previsão, um elemento físico. Pois como
wir ja einem Menschen: »Bemüh’ dich nicht, eine Konstruktion consequência dessa prova nós dizemos para uma pessoa: “não
(der Dreiteilungdes Winkels, etwa) zu finden, – man kann se esforce para tentar essa construção (da trissecção de um
beweisen, daß es nicht geht.« Das heißt: es ist wesentlich, daß ângulo, talvez), – pode-se provar que isso não funciona.” Isso
sich der Beweis der Unbeweisbarkeit in dieser Weise soll significa: é essencial que a comprovação da não
anwenden lassen. Er muß – könnte man sagen – für uns ein comprobabilidade deva ser aplicável dessa forma. Ela tem que
triftiger Grund sein, die Suche nach einem Beweis (also einer ter para nós – poder-se-ia dizer – uma razão convincente para
Konstruktion der und der Art) aufzugeben. abandonar a busca por uma prova (portanto, de uma
Ein Widerspruch ist als eine solche Vorhersage construção de tal e tal tipo).
unbrauchbar. Uma contradição é inútil como uma previsão assim.

135
OFM – Parte I, Anexo III

15. Ob etwas mit Recht der Satz genannt wird »X ist 15. Se algo corretamente denominou a proposição “X não
unbeweisbar«, hängt davon ab, wie wir diesen Satz beweisen. é comprovável”, isso depende de como comprovamos essa
Nur der proposição. Só a

120 120

Beweis zeigt, was als das Kriterium der Unbeweisbarkeit gilt. prova mostra o que vale como critério de não
Der Beweis ist ein Teil des Systems von Operationen, des Spiels, comprobabilidade. A prova é uma parte do sistema de
worin der Satz gebraucht wird, und zeigt uns seinen ›Sinn‹. operações, do jogo no qual a proposição é usada, e nos mostra
Es ist also die Frage ob der ›Beweis der Unbeweisbarkeit o seu ‘sentido’.
von P‹ hier ein triftiger Grund ist zur Annahme daß ein Beweis A pergunta é, portanto, se a ‘prova da não
von P nicht gefunden werden wird. comprobabilidade de P’ é aqui uma razão convincente para a
[TS 223, p. 7] suposição de que não será achada uma prova de P.
[TS 223, p. 7]

16. Der Satz »P ist unbeweisbar« hat einen andern Sinn, 16. A proposição “P não é comprovável” tem um sentido
nachdem – als ehe er bewiesen ist. diferente depois – de antes dela ser comprovada.
Ist er bewiesen, so ist er die Schlußfigur des Se ela é comprovada, então ela é o termo médio da
Unbeweisbarkeitsbeweises. – Ist er unbewiesen, so ist ja noch prova da não comprobabilidade. – Se ela não é comprovada,
nicht klar, was als Kriteriurn seiner Wahrheit zu gelten hat, und então ainda não está claro o que deve valer como o seu critério
sein Sinn ist – kann man sagen – noch verschleiert. de verdade, e o seu sentido – pode-se dizer – ainda está
velado.

17. Wie, soll ich nun annehmen, ist P bewiesen? Durch einen 17. Como devo assumir que P foi comprovado? Mediante
Unbeweisbarkeitsbeweis? Oder auf eine andere Weise? Nimm uma comprovação de não comprobabilidade? Ou de um outro
an, durch einen Unbeweisbarkeitsbeweis. Nun, um zu sehen, was jeito? Assuma mediante uma comprovação de não
bewiesen ist, schau an den Beweis! Vielleicht ist hier bewiesen, comprobabilidade. Bem, para ver o que foi provado, olhe para
daß die und die Form des Beweises nicht zu P führt. – Oder, es a prova! Talvez tenha sido ali provado que esta e esta forma

136
OFM – Parte I, Anexo III

sei P auf eine direkte Art bewiesen – wie ich einmal sagen will – de comprovação não leva a P. – Ou P teria sido provado de
, dann folgt also der Satz »P ist unbeweisbar«, und es muß sich um modo direto – como gostaria de dizer –, e então se segue
nun zeigen, wie diese Deutung der Symbole von P mit der a proposição de que “P não é comprovável”, e isso tem que
Tatsache des Beweises kollidiert und warum sie hier aufzugeben mostrar agora como essa interpretação dos símbolos de P
sei. colide com o fato da prova, e por que ela deve ser aqui
Angenommen aber, nicht-P sei bewiesen. – Wie abandonada.
bewiesen? Etwa dadurch, daß P direkt bewiesen ist – denn daraus Assumamos, porém, que não-P foi provada. – Como
folgt, daß es beweisbar ist, also nicht-P. Was soll ich nun ela foi provada? Talvez mediante a prova direta de P – pois
aussagen: »P«, oder »nicht-P«? Warum nicht beides? Wenn dali se segue que se ela é comprovável, então não-P. Que devo
mich jemand fragt: »Was ist der Fall – P, oder nicht-P?«, so afirmar agora: “P” ou “não-P”? Por que não as duas? Se
antworte ich: P steht am Ende eines Russellschen Beweises, du alguém me pergunta: “Qual é o caso – P ou não-P?”, então
schreibst also im Russellschen System: P; anderseits ist es aber respondo: P está ao final de uma prova Russelliana, você
eben beweisbar und dies drückt man durch »nicht-P« portanto escreve no sistema Russelliano: P; mas se, por outro
[TS 223, p. 8] lado, isso é bem comprovado e se expressa mediante “não-P”,
aus, dieser Satz aber steht nicht am Ende eines Russellschen [TS 223, p. 8]
Beweises, gehört also nicht então essa proposição não está ao final de uma prova
Russelliana, não pertence, portanto,
121 121

zum Russellschen System. – Als die Deutung »P ist ao sistema Russelliano. – Quando a interpretação “P não é
unbeweisbar« für P gegeben wurde, da kannte man ja diesen comprovável” foi dada para P, não se conhecia essa prova de
Beweis für P nicht und man kann also nicht sagen, P sage: dieser P e não se podia, por isso, dizer que P dizia: essa prova não
Beweis existierte nicht. – Ist der Beweis hergestellt, so ist damit existe. – Se a prova foi produzida, então foi criada uma nova
eine neue Lage geschaffen: Und wir haben nun zu entscheiden, situação: e agora temos que decidir se nós queremos chamar
ob wir dies einen Beweis (noch einen Beweis), oder ob wir dies isso de uma prova (mais uma prova), ou se nós ainda
noch die Aussage der Unbeweisbarkeit nennen wollen. chamamos isso de afirmação de não comprobabilidade.
Angenommen nicht-P sei direkt bewiesen; es ist also Assumamos que não-P foi provada diretamente; então
bewiesen, daß sich P direkt beweisen läßt! Das ist also wieder está comprovado que se pode provar P diretamente! Portanto,
eine Frage der Deutung – es sei denn, daß wir nun auch einen isso é de novo uma questão de interpretação – a não ser que

137
OFM – Parte I, Anexo III

direkten Beweis von P haben. Wäre es nun so, nun, so wäre es nós tenhamos agora também uma prova direta de P. Se assim
so. – fosse agora, então assim é que seria. –
(Die abergläubische Angst und Verehrung der (O supersticioso medo e a veneração do matemático
Mathematiker vor dem Widerspruch.) diante da contradição.)

18. »Aber angenommen, der Satz wäre nun falsch – und 18. “Suponha, porém, que a proposição seja falsa agora –
daher beweisbar!« – Warum nennst du ihn ›falsch‹? Weil du e, em vista disso, comprovável!” – Por que você a chama de
einen Beweis siehst? – Oder aus andern Gründen? Dann macht falsa? Porque você está vendo uma prova? – Ou por uma
es ja nichts. Man kann ja den Satz des Widerspruchs sehr wohl razão diferente? Porque isso não importa. Pode-se chamar
falsch nennen, mit der Begründung z. B., daß wir sehr oft mit muito bem o princípio de contradição de falso, com a
gutem Sinn auf eine Frage antworten: »Ja, und nein«. Und fundamentação, por exemplo, de que muitas vezes tem todo o
desgleichen den Satz ›~~ p = p‹: weil wir die Verdoppelung der sentido responder a uma pergunta: “Sim e não”. E do mesmo
Verneinung als eine Verstärkung der Verneinung verwenden und modo quanto à proposição ‘~~ p = p’: porque empregamos a
nicht bloß als ihre Aufhebung. duplicação da negação como um reforço da negação, e não
[TS 223, p. 9] meramente como o seu cancelamento.
[TS 223, p. 9]

19. Du sagst: »......, also ist P wahr und unbeweisbar.« Das 19. Você diz: “......, logo P é verdadeiro e não
heißt wohl: »Also P«. Von mir aus – aber zu welchem Zweck comprovável.” Isso pode significar: “portanto, P”. Por mim,
schreibst du diese ›Behauptung‹ hin? (Das ist, als hätte jemand tudo bem – mas qual a finalidade pela qual você escreve essa
aus gewissen Prinzipien über Naturformen und Baustil ‘asserção’? (Isso é como se alguém tivesse derivado de certos
abgeleitet, auf den Mount Everest, wo niemand wohnen kann, princípios sobre formas naturais e arquitetura que do Monte
gehöre ein Schlößchen im Barockstile.) Und wie könntest du mir Evereste, onde ninguém pode morar, faz parte um palacete em
die Wahrheit der Behauptung plausibel machen, da du sie ja zu estilo barroco.) E como você pôde tornar plausível para mim
nichts weiter brauchen kannst als zu jenen Kunststückchen? a verdade da asserção, dado que você não pode fazer nenhum
uso adicional disso senão essas pequenas manobras de
prestidigitação?

138
OFM – Parte I, Anexo III

122 122

20. Man muß sich hier daran erinnern, daß die Sätze der 20. Temos que nos lembrar aqui que as proposições da
Logik so konstruiert sind, daß sie als Information keine lógica são construídas como informação que não tem
Anwendung in der Praxis haben. Man könnte also sehr wohl nenhuma aplicação na prática. Poderíamos, portanto, muito
sagen, sie seien garnicht Sätze; und daß man sie überhaupt bem dizer que elas não são mesmo proposições; e que se as
hinschreibt, bedarf einer Rechtfertigung. Fügt man diesen escreva em geral requer uma justificação. Mas se
›Sätzen‹ nun ein weiteres satzartiges Gebilde andrer Art hinzu, adicionamos a essas ‘proposições’ agora uma estrutura
so sind wir hier schon erst recht im Dunkeln darüber, was dieses proposicional a mais de outro tipo, nós passamos a estar mais
System von Zeichenkombinationen nun für eine Anwendung, für do que nunca na obscuridade sobre que espécie de aplicação
einen Sinn haben soll, denn der bloße Satzklang dieser esse sistema de combinações de sinais deve ter para fazer
Zeichenverbindungen gibt ihnen ja eine Bedeutung noch nicht. sentido, já que o mero soar das proposições não dá ainda
[TS 223, p. 10] nenhum significado a essa ligação de sinais.
[TS 223, p. 10]
123 123

139
Teil II Parte II
1938 1938

1. 1.

In wiefern beweist die Diagonalmethode, daß es eine Até94 onde o método da diagonal comprova que existe
Zahl gibt, die – sagen wir – keine Quadratwurzel ist? – Es ist um número que – digamos – não é uma raiz quadrada? – É claro
natürlich äußerst leicht zu zeigen, daß es Zahlen gibt, die keine que é extremamente fácil mostrar que existem números que não
Quadratwurzeln sind – aber wie zeigt es diese Methode? são raízes quadradas – mas como este método mostra isso?
Haben wir denn einen allge Teríamos, então, um conceito
[MS 117, p. 97] [MS 117, p. 97]
meinen Begriff davon, was es heißt: zeigen, daß es eine Zahl geral para o que quer dizer: mostrar que existe um número que
gibt, die keine dieser unendlichen Menge ist? não é parte desse conjunto infinito?
Denken wir, jemand hätte diese Aufgabe erhalten, eine Imaginemos que alguém tivesse que cumprir a tarefa de
2 2
Zahl zu nennen, die von allen √𝑛 verschieden ist; er hätte aber nomear um número que fosse diferente de qualquer √𝑛; mas
3
vom Diagonalverfahren nichts gewußt und hätte die Zahl √2 ele nada saberia do procedimento da diagonal e teria nomeado
OFM – Parte II

2 3
als Lösung genannt; und gezeigt, daß sie keine √𝑛 ist. Oder er o número √2 como solução, e mostrado que ele não era uma
2
hätte gesagt: nimm die √2 = 1,4142... und subtrahiere 1 von √𝑛. Ou ele teria dito: assuma que √2 = 1,4142... e subtraia 1
der ersten Dezimale, im übrigen aber sollen die Stellen mit √2 do primeiro decimal, mas o resto das casas deve concordar com
übereinstimmen. 1,3142... kann keine √𝑛 sein. a √2. 1,3142... não é uma √𝑛.

2. »Nenne mir eine Zahl, die mit √2 an jeder zweiten 2. “Nomeie um número que concorde com a √2 em cada
Dezimalstelle übereinstimmt!« Was fordert diese Aufgabe? – segunda casa decimal!” O que demanda esta tarefa? – A
Die Frage ist: ist sie befriedigt durch die Antwort: Es ist die pergunta é: ela é satisfeita pela resposta: é o número que se
Zahl, die man nach der Regel erhält: entwickle √2 und addiere obtém pela regra: desenvolva a √2 e some 1 ou -1 a cada
1 oder -1 zu jeder zweiten Dezimalstelle? segunda casa decimal?
Es ist ebenso wie die Aufgabe: Teile einen Winkel in 3 Ela é feita do mesmo modo que a tarefa: divida um
Teile, ângulo em 3 partes,

125 125

dadurch als gelöst betrachtet werden kann, daß man 3 gleiche que pode ser considerada como resolvida quando se colocam
Winkel aneinander legt. juntos 3 ângulos iguais.
[MS 117, p. 98] [MS 117, p. 98]

3. Wenn einem auf die Aufforderung: »Zeige mir eine 3. Se alguém diante do desafio: “Mostre-me um número
Zahl, die von allen diesen verschieden ist«, die Diagonalregel que seja diferente de todos esses”, tiver como resposta a regra
zur Antwort gegeben wird, warum soll er nicht sagen: »Aber so da diagonal, por que ele não deveria dizer: “Mas eu não quis
hab ich's ja nicht gemeint!«? Was du mir gegeben hast, ist eine dizer isso desse jeito!”? O que você me deu é uma regra para
Regel, Zahlen successive herzustellen, die von jeder von diesen produzir sucessivamente números que são diferentes de cada
nach der Reihe verschieden sind. um desses da sequência.
»Aber warum willst du das nicht auch eine Methode “Mas por que você não quer chamar isso também de um
nennen, eine Zahl zu kalkulieren?« – Aber was ist hier die método para calcular um número?” – Mas o que é aqui o

141
OFM – Parte II

Methode des Kalkulierens und was das Resultat? Du wirst método de cálculo e o que é o resultado? Você quer dizer que
sagen, sie seien eins, denn es hat nun Sinn zu sagen: die Zahl D eles são um só, porque tem sentido dizer: o número D é maior
ist größer als .... und kleiner als .... ; man kann sie quadrieren do que .... e menor do que ....; eles podem ser elevados ao
etc. etc. quadrado etc., etc.
Ist die Frage nicht eigentlich: Wozu kann man diese Mas a pergunta não é de fato: para que precisamos desse
Zahl brauchen? Ja, das klingt sonderbar. – Aber es heißt eben número? Sim, isso soa esquisito. – Mas isso só significa em que
in welcher mathematischen Umgebung steht sie. ambiente matemático ele se situa.

4. Ich vergleiche also Methoden des Kalkulierens – aber 4. Eu comparo, portanto, métodos de cálculo – mas
da gibt es ja sehr verschiedene Arten und Weisen des existem aqui formas muito diferentes de comparação. Mas eu
Vergleichens. Ich soll aber in irgend einem Sinne devo, em algum sentido,
[MS 117, p. 99] [MS 117, p. 99]
die Resultate der Methoden mit einander vergleichen. Aber da comparar entre si os resultados dos métodos. Mas tudo isso já
wird schon alles unklar, denn in einem Sinne haben sie nicht é obcuro, pois em um sentido cada um deles não tem um
jede ein Resultat, oder es ist nicht von vornherein klar, was hier resultado, ou não é previamente claro o que aqui, em cada caso,
in jedem Falle als das Resultat zu betrachten ist. Ich will sagen, é considerado como o resultado. Quero dizer que aqui é dado
es ist hier jede Gelegenheit gegeben, die Bedeutungen zu todo o ensejo de virar do direito e do avesso os significados. —
drehen und zu wenden. —

5. Sagen wir einmal – nicht: »Die Methode gibt ein 5. Digamos de uma vez – não: “O método dá um
Resultat«, sondern: »sie gibt eine unendliche Reihe von resultado”, senão: “eles dão uma sequência infinita de
Resultaten«. Wie vergleiche ich unendliche Reihen von resultados”. Como comparo sequências infinitas de resultados?
Resultaten? Ja, da gibt es sehr Verschiedenes, was ich so Sim, há muitas coisas diferentes que posso chamar assim.
nennen kann.

126 126

6. Es heißt hier immer: Blicke weiter um dich! 6. Isto aqui significa sempre: olhe para além de si!

142
OFM – Parte II

7. Das Resultat einer Kalkulation in der Wortsprache 7. O resultado de um cálculo expresso na língua falada
ausgedrückt, ist mit Mißtrauen zu betrachten. Die Rechnung deve ser considerado com desconfiança. O cálculo ilumina o
beleuchtet die Bedeutung des Wortausdrucks. Sie significado da expressão falada. Ele
[MS 117, p. 100] [MS 117, p. 100]
ist das feinere Instrument zur Bestimmung der Bedeutung. é o intrumento mais refinado para a determinação do
Willst du wissen, was der Wortausdruck bedeutet, so schau auf significado. Se você quiser saber o que significa a expressão
die Rechnung; nicht umgekehrt. Der Wortausdruck wirft nur verbal, olhe para o cálculo; não o contrário. A expressão verbal
einen matten allgemeinen Schein auf die Rechnung: die só lança um fosco brilho geral sobre o cálculo: o cálculo, no
Rechnung aber ein grelles Licht auf den Wortausdruck. (Als entanto, uma luz penetrante sobre a expressão verbal. (Como se
wolltest du die Höhen zweier Berge nicht durch Höhenmessung você quisesse comparar a altura de duas montanhas não com
vergleichen, sondern durch ihr scheinbares Verhältnis, wenn um instrumento de medida, mas pelas suas relações aparentes
man sie von unten anschaut.) quando vistas pelo lado de baixo.)

8. ›Ich will dich eine Methode lehren, wie du in einer 8. ‘Quero lhe ensinar um método em que você pode, em
Entwicklung allen diesen Entwicklungen nach der Reihe uma expansão da sequência, se desviar de todas essas
ausweichen kannst.‹ So eine Methode ist das expansões.’ Um método assim é o procedimento da diagonal. –
Diagonalverfahren. – »Also erzeugt sie eine Reihe, die von “Ele então produz uma sequência diferente de todas essas.”
allen diesen verschieden ist.« Ist das richtig? – Ja; wenn du Correto? – Sim; ou seja, se você quiser aplicar essas palavras
nämlich diese Worte auf diesen oben beschriebenen Fall ao caso descrito acima.
anwenden willst.

9. Wie wäre es mit dieser Konstruktionsmethode: Die 9. Como seria isso com este método de construção: o
Diagonalzahl wird durch Addition oder Subtraktion von 1 número da diagonal seria produzido pela adição ou subtração
erzeugt, aber de 1, mas
[MS 117, p. 101] [MS 117, p. 101]
ob zu addieren oder zu subtrahieren ist, erfährt man erst, wenn

143
OFM – Parte II

man die ursprüngliche Reihe um mehrere Stellen fortgesetzt se vamos adicionar ou subtrair só se descobre depois que
hat. Wie wenn man nun sagte: die Entwicklung der prosseguimos na sequência original para vários lugares. Mas e
Diagonalreihe holt die Entwicklung der andern Reihen nie ein; se agora disséssemos: a expansão da sequência diagonal nunca
– gewiß die Diagonalreihe weicht jeder der Reihen aus, wenn alcança a expansão da outra sequência; – certamente a
sie sie trifft, aber das nützt ihr nichts, da die Entwicklung der sequência da diagonal se afasta de todas as outras quando as
andern Reihen ihr wieder voraus ist. Ich kann hier doch sagen: encontra, o que não adianta nada para ela, pois a expansão das
es gibt immer eine der Reihen, für die nicht bestimmt ist, ob sie outras sequências está de novo à sua frente. Posso, então, dizer
von der Diagonalreihe verschieden ist oder nicht. Man kann aqui: sempre há uma das sequências para a qual nunca se
sagen: sie laufen einander ins Unendliche nach, aber immer die determina se ela é ou não diferente da sequência da diagonal.
ursprüngliche Reihe voran. Pode-se dizer: elas seguem, uma depois da outra, para o
infinito, mas a sequência original está sempre à frente.

127 127

»Aber deine Regel reicht doch schon ins Unendliche, also weißt “Mas se a sua regra já chega no infinito, você já sabe
du doch schon genau, daß die Diagonalreihe von jeder andern exatamente que a sequência da diagonal será diferente de
verschieden sein wird!« – – – qualquer outra!” – – –

10. Es heißt nichts zu sagen: »Also sind die X-Zahlen nicht 10. Não significa nada dizer: “Portanto, os números-X não
abzählbar«. Man könnte são enumeráveis”. Poder-se-ia,
[MS 117, p. 102] [MS 117, p. 102]
etwa sagen: Den Zahlbegriff X nenne ich unabzählbar, wenn talvez, dizer: o conceito de número X denomina-se como não-
festgesetzt ist, daß, welche der unter ihn fallenden Zahlen denumerável quando se determina que quaisquer que sejam os
immer du in eine Reihe bringst, die Diagonalzahl dieser Reihe números que caiam sob ele sempre que se forma uma
auch unter ihn fallen solle. sequência, o número da diagonal dessa sequência também deve
cair sob ele.

144
OFM – Parte II

11. Da meine Zeichnung ja doch nur die Andeutung der 11. Já que a minha ilustração é só a alusão do infinito, por
Unendlichkeit ist, warum muß ich so zeichnen: que tenho que desenhá-la assim:

und nicht so: e não assim:

Hier haben wir eben verschiedene Bilder; und ihnen Nós temos aqui imagens diferentes; e a elas correspondem a
entsprechen verschiedene Redeweisen. Aber kommt denn diferentes modos de falar. Mas surge daí alguma coisa
dabei etwas Nützliches heraus, wenn wir über ihre proveitosa se disputamos sobre a sua

145
OFM – Parte II

[MS 117, p. 103] [MS 117, p. 103]


Berechtigung streiten? Das justificação? O que

128 128

Wichtige muß doch wo anders liegen; wenn auch diese Bilder é importante tem que estar em outro lugar; mesmo que essas
unsre Phantasie am stärksten erhitzen. imagens aqueçam nossa fantasia da maneira mais intensa.

12. Wozu läßt sich der Begriff ›unabzählbar‹ verwenden? 12. Em que se pode empregar o conceito de ‘não-
denumerável’?

13. Man könnte doch sagen ‒ wenn Einer tagaus tagein 13. Poder-se-ia dizer ‒ se alguém tentasse, dia sim, dia não,
versuchte ›alle Irrationalzahlen in eine Reihe zu bringen‹: »Laß ‘colocar todos os números irracionais numa sequência’: “Deixa
das! es heißt nichts; siehst du nicht; wenn du eine Reihe pra lá! Não quer dizer nada; se você tivesse formulado uma
aufgestellt hättest, so käme ich dir mit der Diagonalreihe!« Das sequência, eu te traria então uma sequência diagonal!” Isso
könnte ihn von seinem Unternehmen abbringen. Nun, das wäre poderia dissuadi-lo do seu esforço. Bem, isso seria uma
ein Nutzen. Und mir kommt vor, das wäre auch der ganze und vantagem. Eu sentiria como se essa fosse também a totalidade
eigentliche Zweck dieser Methode. Sie bedient sich des vagen e o próprio propósito desse método. Ele se serve do vago
Begriffes dieses Menschen, der gleichsam idiotisch drauflos conceito dessa pessoa, que trabalha à toa, como se fosse uma
arbeitet und bringt ihn durch ein Bild zur Ruhe. (Man könnte idiota, e lhe devolve a tranquilidade mediante uma imagem.
ihn aber durch ein andres Bild auch wieder zur Weiterführung (Poder-se-ia, porém, mediante uma outra imagem, induzi-la
seines Unternehmens bringen.) novamente a prosseguir com o seu esforço.)
[MS 117, p. 104] [MS 117, p. 104]

14. Das Verfahren führt etwas vor, ‒ was man auf sehr vage 14. O procedimento apresenta algo ‒ que se pode chamar,
Weise die Demonstration davon nennen kann, daß sich diese de maneira muito vaga, de demonstração de que esses métodos
de cálculo não se deixam organizar numa sequência. E o

146
OFM – Parte II

Rechnungsmethoden nicht in eine Reihe ordnen lassen. Und die significado do “esses” é aqui considerado justamente de modo
Bedeutung des »diese« ist hier eben vag gehalten. vago.

15. Ein gescheiter Mann hat sich in diesem Sprachnetz 15. Uma pessoa sagaz que fica presa nessa rede de
gefangen! Also muß es ein interessantes Sprachnetz sein. linguagem! Tem que ser, por isso, uma rede de linguagem
interessante.

16. Der Fehler beginnt damit, daß man sagt, die 16. O equívoco começa quando se diz que os números
Kardinalzahlen ließen sich in eine Reihe ordnen. Welchen cardinais podem ser organizados numa sequência. Que conceito
Begriff hat man denn von diesem Ordnen? Ja man hat natürlich se tem dessa ordenação? Tem-se, naturalmente, o de uma
einen von

129 129

einer unendlichen Reihe, aber. das gibt uns ja hier höchstens sequência infinita, mas isso nos dá no máximo uma vaga ideia,
eine vage Idee, einen Leitstern für die Bildung eines Begriffs. um guia para a formação de um conceito. O próprio conceito já
Der Begriff selbst ist ja von dieser und einigen anderen Reihen se abstrai dessa e de qualquer outra sequência; ou: a expressão
abstrahiert; oder: der Ausdruck bezeichnet eine gewisse Ana- designa uma certa analogia entre casos, e pode-se, talvez,
logie von Fällen, und man kann ihn etwa dazu benützen, um utilizá-la com delimitação provisória para o que se quer falar
ein Gebiet, von dem man reden will, vorläufig abzugrenzen. dentro de um âmbito.
[MS 117, p. 105] [MS 117, p. 105]95

Damit ist aber nicht gesagt, daß die Frage einen Com isso não se quer dizer que a pergunta
klaren Sinn hat: »Ist die Menge ℝ in eine Reihe zu ordnen?« “Pode-se ordenar o conjunto ℝ em uma sequência?” não tenha
Denn diese Frage bedeutet nun etwa: Kann man mit diesen um sentido claro. Pois essa pergunta só significa: é possível
Gebilden etwas tun, was dem Ordnen der Kardinalzahlen in fazer algo com essas estruturas que corresponda à ordem dos
eine Reihe entspricht? Wenn man also fragt: »Kann man die números cardinais em uma sequência? Quando se pergunta,
reellen Zahlen in eine Reihe ordnen?« so konnte die portanto: “Pode-se ordenar os números reais numa sequência”,
gewissenhafte Antwort sein: »Ich kann mir vorläufig gar a resposta meticulosa poderia ser: “Eu não posso, por ora, fazer

147
OFM – Parte II

nichts Genaues darunter vorstellen«. ‒ »Aber du kannst a menor ideia de nada que seja acurado”. ‒ “Mas você pode,
doch zum Beispiel die Wurzeln und die algebraischen por exemplo, ordenar as raízes e os números algébricos numa
Zahlen in eine Reihe ordnen; also verstehst du doch den sequência; e, por isso, você compreende a expressão!” ‒ Para
Ausdruck!« ‒ Richtiger gesagt, ich habe hier gewisse ser mais exato, o que tenho aqui é uma certa estrutura análoga
analoge Gebilde, die ich mit dem gemeinsamen Namen que denomino pelo nome comum de ‘sequência’. Mas não
›Reihen‹ benenne. Aber ich habe noch keine sichere Brücke tenho nenhuma ponte segura que vá desses casos até ‘todos os
von diesen Fällen zu dem ›aller reellen Zahlen‹. Ich habe auch números reais’. Não tenho tampouco nenhum método geral
keine allgemeine Methode um zu versuchen, ob sich die und para examinar se este ou aquele conjunto ‘pode ser ordenado
die Menge ›in eine Reihe ordnen läßt‹. numa sequência’.
Nun zeigt man hier das Diagonalverfahren und sagt: Pois bem, mostra-se aqui o método da diagonal e se diz:
»hier hast du nun den Beweis, daß dieses Ordnen hier nicht “Agora você tem a prova de que esta ordem não é possível”.
geht«. Aber ich kann antworten: »Ich weiß ‒ wie gesagt ‒ Mas eu posso responder: “Eu não sei ‒ como disse ‒ o que é
nicht, was es ist, was isto
[MS 117, p. 106] [MS 117, p. 106]
hier nicht geht. Wohl aber sehe ich: Du willst einen que não é possível aqui. O que, sim, vejo é que: você quer
Unterschied zeigen in der Verwendung von »Wurzel«, mostrar uma diferença, por um lado, no emprego de “raiz”,
»algebraische Zahl«, etc. einerseits und »reelle Zahl« “número algébrico” etc, e, por outro lado, no de “número real”.
anderseits. Und zwar etwa so: Die Wurzeln nennen wir Uma que, de fato, talvez seja assim: nós chamamos as raízes de
»reelle Zahlen« und die Diagonalzahl, die aus den Wurzeln “números reais”, e o número da diagonal, que se obtém das
gebildet ist auch. Und ähnlich mit allen Reihen reeller raízes, também. E analogamente para todas as sequências de
Zahlen. Daher hat es keinen Sinn, von einer »Reihe aller números reais. Por isso é que não há sentido em falar de uma
reellen Zahlen« zu reden, weil man ja auch die Diagonalzahl “sequência de todos os números reais”, porque se chama
der Reihe eine »reelle Zahl« nennt. — Wäre das nicht etwas também o número da diagonal da sequência de um “número
ähnlich, wie wenn man gewöhnlich jede Reihe von Büchern real”. — Isso não seria algo similar a se chamar normalmente
selbst ein Buch nennte und nun sagte: »Es hat keinen Sinn, von toda sequência de livros de livro mesmo, e então dizer: “Não há
›der Reihe aller Bücher‹ zu reden, da diese Reihe selbst ein sentido em falar da ‘sequência de todos os livros’, pois essa
Buch wäre.« sequência é, ela mesma, um livro.”

130 130

148
OFM – Parte II

17. Es ist hier sehr nützlich, sich vorzustellen, daß das 17. É muito útil imaginar aqui o procedimento da diagonal,
Diagonalverfahren zur Erzeugung einer reellen Zahl längst vor para produzir um número real, como tendo sido conhecido
der Erfindung der Mengenlehre bekannt und auch den desde muito antes da invenção da teoria dos conjuntos, e
Schulkindern geläufig gewesen wäre, wie es ja sehr wohl hätte também tornado familiar às crianças da escola, como muito
sein können. So wird nämlich der Aspekt der Entdeckung bem poderia ter sido o caso. Assim, o aspecto da descoberta de
Cantors geändert. Diese Entdeckung hätte sehr wohl bloß in der Cantor se modificaria. Essa descoberta poderia muito bem ter
neuen Auffassung consistido meramente em uma nova concepção
[MS 117, p. 107] [MS 117, p. 107]
dieser altbekannten, elementaren Rechnung liegen können. desse cálculo elementar há muito conhecido.

18. Die Rechnungsart selbst ist ja nützlich. Die Aufgabe 18. O próprio tipo de cálculo já é útil. A tarefa seria, talvez:
wäre etwa: Schreibe eine Dezimalzahl an, die verschieden ist escreva um número decimal que seja diferente dos números:
von den Zahlen:
0.1246798
0.1246798 0.3469876
0.3469876 0.0127649 (Imagina-se uma
0.0127649 (Man denke sich eine 0.3426794 sequência longa.)
0.3426794 lange Reihe.) -------
------- A criança imagina: como devo fazer isso, se eu tenho que
Das Kind denkt sich: Wie soll ich das machen, ich müßte ja olhar para todos os números ao mesmo tempo para evitar
auf alle die Zahlen zugleich schauen, um zu vermeiden, daß que eu anote algum deles. Mas o método diz agora: de jeito
ich nicht doch eine von ihnen anschriebe. Die Methode sagt nenhum; modifique a primeira casa do primeiro número, a
nun: Durchaus nicht; ändere die erste Stelle der ersten Zahl, segunda do segundo etc., etc., e você estará seguro de haver
die zweite der zweiten, etc. etc. und du bist sicher, eine Zahl escrito um número que não coincide com nenhum daqueles
hingeschrieben zu haben, die mit keiner der gegebenen dados. O número assim obtido poderia ser sempre chamado
übereinstimmt. Die Zahl, die man so erhält, könnte immer de número da diagonal.
die Diagonalzahl genannt werden.

149
OFM – Parte II

19. Das Gefährliche, Täuschende der Fassung: »Man kann 19. O perigoso, o enganoso desta versão: “Não se pode
die reellen Zahlen nicht in eine Reihe ordnen« oder gar »Die ordenar os números reais numa sequência”, ou mesmo “O
Menge . . . ist nicht abzählbar« liegt darin, daß conjunto . . . é não-denumerável”, consiste em que
[MS 117, p. 108] MS 117, p. 108]
sie das, was eine Begriffsbestimmung, Begriffsbildung ist, als ela, que é uma determinação de um conceito, uma formação
eine Naturtatsache erscheinen lassen. de um conceito, aparece como um fato natural.

20. Bescheiden lautet der Satz: »Wenn man etwas eine 20. Discretamente reza a proposição: “Quando se
Reihe reeller Zahlen nennt, so heißt die Entwicklung des denomina algo como uma sequência de números reais, então
Diagonal- a expansão do procedimento da

131 131

verfahrens auch eine ›reelle Zahl‹, und zwar sagt man, sie sei diagonal nomeia também um ‘número real’, e, com efeito, diz-
von allen Gliedern der Reihe verschieden.« se que ele é diferente de todos os termos da sequência.”

21. Unser Verdacht sollte immer rege sein, wenn ein 21. Nossa suspeita deve ser sempre forte se uma prova
Beweis mehr beweist, als seine Mittel ihm erlauben. Man prova mais do que os seus meios lhe permitem. Pode-se chamar
könnte so etwas ›einen prahlerischen Beweis‹ nennen. algo assim de ‘uma prova fanfarrona’.

22. Der gebräuchliche Ausdruck fingiert einen Vorgang, 22. A expressão usual finge ser um processo, um método de
eine Methode des Ordnens, die hier zwar anwendbar ist, aber ordenação aplicável nesta situação, mas que não se segue até o
nicht zum Ziele führt wegen der Zahl der Gegenstände, die seu alvo, porque o número de objetos é maior do que o de todos
großer ist als selbst die aller Kardinalzahlen. os números cardinais.
Wenn gesagt würde: »Die überlegung über das Se alguém dissesse: “A reflexão sobre o procedimento
Diagonalverfahren zeigt Euch, daß der Begriff ›reelle da diagonal lhes mostra que o conceito de ‘número

150
OFM – Parte II

[MS 117, p. 109] [MS 117, p. 109]


Zahl‹ viel weniger Analogie mit dem Begriff Kardinalzahl real’ tem muito menos analogia com o conceito de número
hat, als man, durch gewisse Analogien verführt, zu glauben cardinal do que, seduzidos por certas analogias, somos
geneigt ist«, so hätte das einen guten und ehrlichen Sinn. Es inclinados a acreditar”, isso teria um sentido bom e honesto.
geschieht aber gerade das Gegenteil: indem die ›Menge‹ der Ocorre, porém, exatamente o contrário: supõe-se a comparação
reellen Zahlen angeblich der Größe nach mit der der do tamanho do ‘conjunto’ dos números reais com o dos
Kardinalzahlen verglichen wird. Die Artverschiedenheit der números cardinais. A diferença de tipo entre as duas
beiden Konzeptionen wird durch eine schiefe concepções é apresentada, mediante uma forma de expressão
Ausdrucksweise als Verschiedenheit der Ausdehnung enviesada, como diferença de extensão. Eu acredito, e espero,
dargestellt. Ich glaube und hoffe, eine künftige Generation que uma geração futura vá rir desses truques baratos.
wird über diesen Hokus Pokus lachen. [MS 117, p. 110]96
[MS 117, p. 110]

23. Die Krankheit einer Zeit heilt sich durch eine 23. A doença de uma época se cura pela modificação do
Veränderung in der Lebensweise der Menschen und die modo de vida das pessoas, e a doença dos problemas filosóficos
Krankheit der philo- sophischen Probleme konnte nur durch só poderia ser curada por uma maneira de pensar e de viver
eine veränderte Denkweise und Lebensweise geheilt werden, modificada, não por
nicht durch [MS 121, p. 27r]
[MS 121, p. 27r] um remédio inventado por um indivíduo.
eine Medizin die ein einzelner erfand. Imagine que o uso de automóveis provocou e favoreceu
Denke, daß der Gebrauch des Wagens gewisse certas doenças, e a humanidade ficou afligida por essa doença
Krankheiten hervorruft und begünstigt und die Menschheit von até que ela, por causa de alguma coisa qualquer, ou como
dieser Krankheit geplagt wird, bis sie sich, aus irgendwelchen resultado de alguma evolução, deixou novamente de dirigir.
Ursachen, als Resultat irgendeiner Entwickelung, das Fahren [MS 121, p. 27v]
wieder abgewöhnt.
[MS 121, p. 27v]

132 132

151
OFM – Parte II

24. Wie macht man denn von dem Satz Verwendung: »Es 24. Como então fazemos para empregar a proposição: “Não
gibt keine größte Kardinalzahl«? Wann und bei welcher há um número cardinal maior”? Quando e em que oportunidade
Gelegenheit würde man ihn sagen? Diese Verwendung ist alguém a proferiria? Esse emprego é, em todo caso, totalmente
jedenfalls eine ganz andere, als die des mathematischen Satzes distinto do que o da proposição matemática “25 x 25 = 625”.
»25 x 25 = 625«.

25. Vor allem ist zu bemerken, daß wir das überhaupt 25. Antes de mais nada, deve-se notar sobretudo que o que
fragen, was darauf deutet, daß die Antwort nicht auf der perguntamos é o que indica que a resposta não é trivial.
Hand liegt. E, além disso, se alguém quiser responder
Und ferner, wenn man die Frage rasch beantworten will, apressadamente, escorrega facilmente. Ela é similar à pergunta
gleitet man leicht aus. Es ist hier ähnlich wie mit der Frage, pela experiência que nos mostra que o nosso
welche Erfahrung uns zeigt, daß un- [MS 121, p. 28v]
[MS 121, p. 28v] espaço é tridimensional.
ser Raum dreidimensional ist.

26. Von einer Erlaubnis sagen wir, sie habe kein Ende. 26. De uma permissão, dizemos que ela não tem fim.

27. Und man kann sagen, die Erlaubnis Sprachspiele mit 27. E pode-se dizer que a permissão para jogar um jogo de
Kardinalzahlen zu spielen habe kein Ende. Dies würde man linguagem com números cardinais não tem fim. Isso deveria ser
etwa Einem sagen, den wir unsere Sprache und Sprachspiele dito para alguém a quem ensinamos nossa linguagem e jogos
lehrten. Es wäre also wieder ein grammatischer Satz, aber von de linguagem. Isso seria de novo uma proposição grammatical,
ganz anderer Art als »25 x 25 = 625«. Er wäre aber von großer mas de um tipo totalmente diferente de “25 x 25= 625”. Ela
Bedeutung, wenn der Schüler etwa geneigt wäre (vielleicht weil seria de grande importância se o estudante estivesse, talvez,
er in einer ganz anderen Kultur erzogen worden wäre), ein inclinado (provavelmente por ter sido educado numa cultura
definitives Ende dieser Reihe von Sprachspielen zu erwarten. inteiramente diferente), a esperar um final definitivo para essa
[MS 121, p. 29r] sequência de jogos de linguagem.

152
OFM – Parte II

[MS 121, p. 29r]

28. Warum sollen wir sagen: Die Irrationalzahlen 28. Por que devemos dizer: os números irracionais não
können nicht geordnet werden? ‒ Wir haben eine Methode, podem ser ordenados? ‒ Nós temos um método para atrapalhar
jede Ordnung zu stören. toda ordenação.
[MS 121, p. 35v] [MS 121, p. 35v]

29. Das Cantorsche Diagonalverfahren zeigt uns nicht 29. O procedimento da diagonal de Cantor não nos mostra
eine um

133 133

Irrationalzahl, die von allen im System verschieden ist, aber es número irracional diferente de todos no sistema, mas ele dá
gibt dem mathematischen Satz Sinn, die Zahl so und so sei von sentido à proposição matemática de que o número tal e tal é
allen des Systems verschieden. Cantor könnte sagen: Du kannst diferente de todos do sistema. Cantor poderia dizer: você pode
dadurch beweisen, daß eine Zahl von allen des Systems provar assim que um número é diferente de todos do sistema,
verschieden ist, daß du beweist, daß sie in der ersten Stelle von provando que ele é diferente na primeira casa do primeiro
der ersten Zahl, in der zweiten Stelle von der zweiten Zahl usf. número, na segunda casa do segundo número, e assim por
verschieden ist. diante.
Cantor sagt etwas über Cantor diz algo sobre
[MS 121, p. 36r] [MS 121, p. 36r]
die Multiplizität des Begriffs »reelle Zahl, verschieden von a multiplicidade do conceito de “número real diferente de todos
allen eines Systems«. em um sistema”.

30. Cantor zeigt, wenn wir ein System von Extensionen 30. Cantor mostra, quando temos um sistema de extensões,
haben, daß es dann Sinn hat, von einer Extension zu reden, die que há sentido, então, em falar de uma extensão da qual todas

153
OFM – Parte II

von ihnen allen verschieden ist. ‒ Aber damit ist die Grammatik as demais são diferentes. Mas dessa maneira a gramática da
des Wortes »Extension« noch nicht bestimmt. palavra “extensão” ainda não está determinada.

31. Cantor gibt dem Ausdruck »Extension die von allen 31. Cantor dá um sentido à expressão “Extensão que é
Extensionen eines Systems verschieden ist« einen Sinn, indem diferente de todas as extensões de um sistema”, no qual sugere
er vorschlägt, eine Extension solle so genannt werden, wenn que devemos denominar como extensão aquilo que pudermos
von ihr bewiesen werden kann, daß sie von den Extensionen provar que é diferente
[MS 121, p. 36v] [MS 121, p. 36v]
eines Systems diagonal verschieden ist. na diagonal das extensões de um sistema.

32. Es gibt also eine Aufgabe: Finde eine Zahl deren 32. Existe, portanto, uma tarefa: encontre um número cuja
Entwicklung von denen dieses Systems diagonal verschieden expansão é diferente daquelas na diagonal desse sistema.
ist. [MS 121, p. 37r]
[MS 121, p. 37r]

33. Man könnte sagen: Außer den rationalen Punkten 33. Poder-se-ia dizer: além dos pontos racionais, encontre
befinden sich auf der Zahlenlinie diverse Systeme irrationaler na linha dos números diversos sistemas de números irracionais.
Punkte. Não há um sistema de números irracionais – como
Es gibt kein System der Irrationalzahlen ‒ aber auch também nenhum supersistema, nenhum ‘conjunto de números
kein Über-System, keine ›Menge der irrationalen Zahlen‹ von irracionais’ de uma ordem superior infinita.
einer Unendlichkeit höherer Ordnung.

134 134

34. Cantor definiert eine Verschiedenheit höherer 34. Cantor define uma diferenciação de ordem superior, a
Ordnung, nämlich eine Verschiedenheit einer Entwicklung von saber, uma diferenciação de uma expansão de um sistema de

154
OFM – Parte II

einem System von Entwicklungen. Man kann diese Erklärung expansões. Pode-se utilizar essa explicação de modo a mostrar
so benützen, daß man zeigt, daß eine Zahl in diesem Sinne von que um número, nesse sentido, é
[MS 121, p. 38v] [MS 121, p. 38v]
einem System von Zahlen verschieden ist: sagen wir π von dem diferente de um sistema de números: vale dizer, π dos números
System der algebraischen Zahlen. Aber wir können nicht gut do sistema algébrico. Mas não podemos falar bem de que a
sagen, die Regel, die Stellen in der Diagonale so und so zu regra, que muda as casas assim e assim na diagonal, se
verändern, sei dadurch als von den Regeln des Systems comprove, mediante tal procedimento, como diferente de todas
verschieden bewiesen, weil diese Regel selbst ›höherer as regras do sistema, porque essa regra, por si mesma, é de
Ordnung‹ ist, denn sie handelt von der Veränderung eines ‘ordem superior’, já que ela cuida da mudança de um sistema
Systems von Regeln und daher ist es von vornherein nicht klar, de regras, e, por isso, não é claro, desde o início, em que caso
in welchem Fall wir die Entwickelung so einer Regel von allen queremos explicar uma tal regra como uma expansão diferente
Entwicklungen des Systems verschieden erklären wollen. de todas as expansões do sistema.
[MS 121, p. 39r] [MS 121, p. 39r]

35. ›Diese Überlegungen können uns dahin führen,. zu 35. ‘Essas considerações podem, assim, nos levar a dizer
sagen, daß 2ℵ0 > ℵ0‹. que 2ℵ0 > ℵ0’.
D. h.: wir können die Überlegungen uns dahin führen Ou seja: nós podemos deixar que as considerações,
lassen. assim, nos levem.
Oder: wir können dies sagen, und dies als Grund dafür Ou: nós podemos dizer isso, e fornecer isso como uma
angeben. razão.
Aber wenn wir es nun sagen – was ist weiter damit Mas se nós dizemos isso agora – o que mais iniciamos
[MS 121, p. 41v] [MS 121, p. 41v]
anzufangen? In welcher Praxis ist dieser Satz verankert? Er ist com isso? Em que práxis está essa proposição ancorada? Ela é
vorläufig ein Stück mathematischer Architektur, die in der Luft por ora um pedaço da arquitetura matemática que se pendura
hängt, so aussieht als wäre es, sagen wir, ein Architrav, aber no ar, e que aparenta ser, digamos assim, uma arquitrave, mas
von nichts getragen wird und nichts trägt. que não está suportada por nada e não suporta nada.

155
OFM – Parte II

36. Gewisse Überlegungen können uns dahin führen zu 36. Certas considerações podem nos levar a dizer que 1010
sagen, daß 1010 Seelen in einem cm3 Platz haben. Warum almas cabem numa área de um cm3. Mas por que, a despeito
sagen wir es aber trotzdem nicht? Weil es zu nichts nütze ist. disso, não o dizemos? Porque não serve para nada. Porque, na
Weil es zwar ein Bild herauf ruft, aber eins, womit wir realidade, é uma imagem que se pode evocar, mas que com ela
weiter nichts machen können. não se pode fazer mais nada.

37. Der Satz gilt soviel, als seine Gründe gelten. 37. Uma proposição vale tanto quanto as suas razões.
Er trägt soviel, wie seine Gründe tragen, die ihn Ela aguenta tanto quanto as suas razões, que a
stützen. sustentam, aguentam.
[MS 121, p. 42r] [MS 121, p. 42r]

135 135

38. Eine interessante Frage ist: Welchen Zusammenhang 38. Uma pergunta interessante é: que conexão ‫א‬0 tem com
hat ‫א‬0 mit den Kardinalzahlen, deren Zahl es sein soll? ‫א‬0 os números cardinais, aos quais ele tem que pertencer? ‫א‬0 seria
wäre offenbar das Prädikat »endlose Reihe«, in seiner evidentemente o predicado “sequência infindável”, na sua
Anwendung auf die Reihe der Kardinalzahlen und ähnliche aplicação sobre a sequência dos números cardinais e formações
mathematische Bildungen. Es ist hier wichtig, das Verhältnis matemáticas semelhantes. Aqui é importante apreender a
zwischen einer Reihe im nicht-mathematischen Sinn und einer relação entre uma sequência em sentido não-matemático e uma
im mathematischen Sinn zu erfassen. Es ist natürlich klar, daß em sentido matemático. É claro, naturalmente, que não usamos
wir in der Mathematik das Wort »Zahlenreihe« nicht im Sinne em matemática a expressão “sequência de números” no sentido
von »Reihe von Zahlzeichen« gebrauchen, wenn, natürlich, de “sequência de numerais”, mesmo que, evidentemente, haja
auch ein Zusammenhang zwischen dem Gebrauch des einen uma conexão entre o uso de uma expressão e o
Ausdrucks und des andern [MS 121, p. 43r]
[MS 121, p. 43r] da outra. Uma ferrovia não é um trem; ela não é nem sequer
besteht. Eine Eisenbahn ist nicht ein Eisenbahnzug; sie ist similar a alguma coisa como um trem. ‘Sequência’ em sentido
auch nicht etwas einem Eisenbahnzug ähnliches. ›Reihe‹ im matemático é um modo de construção para sequências de
mathematischen Sinn ist eine Konstruktionsart für Reihen expressões linguísticas.
sprachlicher Ausdrücke.

156
OFM – Parte II

Wir haben also eine grammatische Klasse »endlose O que temos, portanto, é uma classe gramatical
Folge« und äquivalent mit diesem Ausdruck ein Wort, dessen “sequência infindável”, e, em equivalência com essa expressão,
Grammatik (eine gewisse) Ähnlichkeit mit der eines Zahlworts uma palavra cuja gramática tem (uma certa) similaridade com
hat: »Endlos« oder »‫ א‬0«. Dies hängt damit zusammen, daß wir a de um numeral: “infindável” ou “‫א‬0”. Isso se relaciona com o
unter den Kalkülen der Mathematik eine Technik haben, die wir fato de que temos, entre os cálculos da matemática, uma técnica
mit einem gewissen Recht 1-1 Zuordnung der ›Glieder zweier que, com certa razão, podemos chamar de correlação 1-1 dos
endlosen Folgen‹ nennen können, da sie mit einem solchen ‘termos de duas sequências infinitas’, já que ela tem
gegenseitigen Zuordnen der Glieder sogenannter ›endlicher‹ similaridade com certas correlações recíprocas de termos das
[MS 121, p. 43v] assim chamadas classes
Klassen Ähnlichkeit hat. [MS 121, p. 43v]
Daraus aber, daß wir Verwendung für eine Art von ‘finitas’.
Zahlwort haben, welches, gleichsam, die Anzahl der Glieder Partindo do fato, entretanto, de que temos emprego para
einer endlosen Reihe angibt, folgt nicht daß es auch irgend um tipo de numeral que fornece o número de membros de uma
einen Sinn hat von der Anzahl des Begriffes »endlose Folge« sequência infinita, não se segue daí que haja algum sentido em
zu reden, daß wir hier irgend welche Verwendung für etwas se falar do número do conceito “sequência infinita”, de que aqui
zahlwort-ähnliches haben. Es gibt eben keine grammatische tenhamos alguma aplicação para algo similar a um numeral.
Technik, die die Verwendung so eines Ausdrucks nahelegte. Não há sequer nenhuma técnica gramatical que sugira o
Denn ich kann freilich den Ausdruck bilden: »Klasse aller emprego de uma tal expressão. Pois eu posso, de fato, formar a
Klassen, die mit der Klasse ›endlose Folge‹ zahlengleich sind« expressão: “Classe de todas as classes que seja equinumérica
wie auch den: »Klasse aller Engel, com a classe ‘sequência infinita’, assim como também: “Classe
[MS 121, p. 44r] de todos os anjos
die auf einer Nadelspitze Platz haben« aber dieser Ausdruck ist [MS 121, p. 44r]
leer, solang es keine Verwendung für ihn gibt. Eine solche ist que estão na ponta de uma agulha”, mas essa expressão é vazia
nicht: noch zu entdecken, sondern: erst zu erfinden. na medida em que não há para ela nenhum emprego. Esta não
seria: ainda a ser descoberta, senão: em princípio, a ser
inventada.

136 136

157
OFM – Parte II

39. Denke, ich legte ein in Felder geteiltes Spielbrett vor 39. Imagine que eu ponha diante de você um tabuleiro
dich, setzte Schachfiguren-ähnliche Stücke darauf, – erklärte: dividido em campos, e coloque nele objetos semelhantes a
»Diese Figur ist der ›Konig‹, das sind die ›Ritter‹, das die peças do xadrez, – e explique: “Esta peça é o ‘rei’, estas são os
›Bürger‹. – Mehr wissen wir von dem Spiel noch nicht; aber ‘cavalos’, estes os ‘peões’. – Não sabemos ainda muito mais
das ist immerhin etwas. – Und mehr wird vielleicht noch sobre o jogo; mas mesmo assim isso já é alguma coisa. – E
entdeckt werden.« ainda mais pode vir talvez a ser descoberto.”
[MS 121, p. 44v] [MS 121, p. 44v]

40. »Man kann die Brüche nicht ihrer Größe nach ordnen.« 40. “Não se pode ordenar frações segundo a sua grandeza.”
– Dies klingt vor allem höchst interessant und merkwürdig. – Isto parece para qualquer um algo extremamente interessante
Es klingt interessant im ganz anderen Sinne, als, etwa, e notável.
ein Satz aus der Differentialrechnung . Der Urterschied liegt, Isso parece interessante em um sentido totalmente
glaube ich, darin, daß ein solcher sich leicht mit einer diferente do que, talvez, uma proposição do cálculo diferencial.
Anwendung auf Physikalisches assoziiert, während jener A diferença, acredito, consiste em que esta pode ser facilmente
[MS 121, p. 60r] associada com alguma aplicação em física, enquanto que
Satz einzig und allein der Mathematik anzugehören, gleichsam aquela
die Naturgeschichte der mathematischen Gegenstände selbst zu [MS 121, p. 60r]
betreffen scheint. proposição pertence, pura e simplesmente, à matemática, como
Man möchte von ihm etwa sagen: er führe uns in die se parecesse dizer respeito à própria história natural dos objetos
Geheimnisse der mathematischen Welt ein. Es ist dieser Aspekt da matemática.
vor dem ich warnen will. Poder-se-ia, talvez, dela dizer: ela nos introduz aos
mistérios do mundo matemático. É esse o aspecto sobre o qual
quero alertar.

41. Wenn es den Anschein hat, ..., dann ist Vorsicht 41. Se isso tem a aparência de que ....,97 então a precaução
geboten. é imprescindível.
[MS 121, p. 60v] [MS 121, p. 60v]

158
OFM – Parte II

42. Wenn ich mir bei dem Satz, die Brüche konnen nicht 42. Se eu, por causa da proposição de que as frações não
ihrer Größe nach in eine Reihe geordnet werden, das Bild einer podem ser ordenadas pela sua grandeza numa sequência, faço a
unendlichen Reihe von Dingen mache, und zwischen jedem imagem de uma sequência infinita de coisas, e, entre cada coisa
Ding und seinem Nachbar werden neue Dinge sichtbar, und e o seu vizinho, torno manifesta uma nova coisa, e, novamente,
wieder zwischen jedem Ding und seinem Nachbar neue, und so entre ela e o seu vizinho, outra coisa, e assim por diante,
fort ohne Ende, so haben wir hier sicher interminavelmente, então certamente temos aqui
[MS 121, p. 61v] [MS 121, p. 61v]
etwas, wovor Einem schwindlich werden kann. algo diante do qual alguém pode sentir vertigens.
[MS 121, p. 62r] [MS 121, p. 62r]
Sehen wir aber, daß dieses Bild, wenn auch sehr Se vemos, no entanto, que essa imagem, conquanto
aufregend, doch aber kein treffendes ist, daß wir uns nicht von muito fascinante, não é, por outro lado, apropriada, que não
den Worten »Reihe«, »ordnen«, »existieren«, und andern, podemos nos deixar capturar pelas palavras “sequência”,
fangen lassen dürfen, so werden wir auf die Technik des Bruch- “ordenar”, “existir”, e outras, então remontamos a técnica do
[MS 121, p. 62v] cálculo
rechnens zurückgreifen, an der nun nichts seltsames mehr ist. [MS 121, p. 62v]
de frações, na qual agora não há mais nada de estranho.
137 137

43. Daß in einer Technik der Berechnung von Brüchen der 43. Que a expressão “A próxima fração de maior grandeza”
Aus- druck »der nächst größere Bruch« keinen Sinn hat, daß wir não tenha nenhum sentido numa técnica de cálculo de frações,
ihm keinen Sinn gegeben haben, ist nichts erstaunliches. que não lhe possamos dar nenhum sentido, não é nenhuma
surpresa.

44. Wenn wir eine Technik des fortgesetzten Interpolierens 44. Se aplicamos uma técnica de interpolação continuada
von Brüchen anwenden, so werden wir keinen Bruch den de frações, não vamos querer chamar nenhuma fração de “a
»nachst größeren« nennen wollen. próxima de maior grandeza”.

159
OFM – Parte II

45. Von einer Technik zu sagen, sie sei unbegrenzt, heißt 45. Dizer de uma técnica que ela é ilimitada não significa
nicht, sie laufe ohne aufzuhören weiter – wachse ins que ela prossegue sem cessar – aumenta desmesuradamente;
ungemessene; sondern, es fehle senão que lhe falta
[MS 121, p. 63r] [MS 121, p. 63r]
ihr die Institution des Endes, sie sei nicht abgeschlossen. Wie a instituição do fim, ela não acabaria. Como se pode dizer de
man von einem Satz sagen kann, es mangle ihm der Abschluß, uma proposição que lhe falta a conclusão quando não há um
wenn der Schlußpunkt fehlt. Oder von einem Spielfeld es sei ponto final. Ou de um campo, que ele seria ilimitado se as
unbegrenzt, wenn die Spielregeln keine Begrenzung – etwa regras do jogo não prescrevem nenhuma demarcação – talvez
durch einen Strich – vorschreiben. mediante linhas.

46. Eine neue Rechentechnik soll uns ja eben ein neues 46. Uma nova técnica de cálculo deve nos fornecer
Bild liefern, eine neue Ausdrucksweise; und wir können justamente uma nova imagem, um novo modo de expressão; e
nichts Absurderes tun, als dieses neue Schema, diese neue não estaríamos cometendo nenhum absurdo ao querer
Art von Gerüst, vermittels der descrever esse novo esquema, esse novo tipo de armação, por
[MS 121, p. 63v] meio de
alten Ausdrücke beschreiben zu wollen. [MS 121, p. 63v]
velhas expressões.

47. Was ist die Funktion eines solchen Satzes wie: »Es gibt 47. Qual é a função de uma proposição como: “Não existe
zu einem Bruch nicht einen nächst größern Bruch, aber zu einer para uma fração uma próxima fração de maior grandeza, mas
Kardinalzahl eine nachst größere«? Es ist doch gleichsam ein existe para um número cardinal um próximo de maior
Satz, der zwei Spiele vergleicht. (Wie: im Damespiel gibt es ein grandeza”? Isso seria como se a proposição comparasse dois
Überspringen eines Steines, aber nicht im Schachspiel.) jogos. (Como: no jogo de damas se pode pular uma pedra, mas
não no jogo de xadrez.)

138 138

160
OFM – Parte II

48. Wir nennen etwas »die nachst größere Kardinalzahl 48. Nós chamamos algo de “construir o número cardinal de
konstruieren« aber nichts »den nachst größeren Bruch maior grandeza”, mas não chamamos nada de “construir a
konstruieren«. próxima fração de maior grandeza”.
[MS 121, p. 64r] [MS 121, p. 64r]

49. Wie vergleicht man Spiele? Indem man sie beschreibt – 49. Como se comparam jogos? Quando se os descreve –
indem man das eine als Variation des andern beschreibt – quando se descreve um deles como variação do outro –
indem man sie beschreibt und die Unterschiede und Analogien quando se os descreve e se realça as diferenças e analogias.
hervorhebt.

50. »Im Damespiel gibt es keinen König« – was sagt das? 50. “No jogo de damas não há nenhum rei” – o que diz
(Es klingt kindisch.) Heißt es nur, daß man keinen Damestein isso? (Parece uma infantilidade.) Só significa que não há
»Konig« nennt; und wenn man nun einen so nennte, gabe es uma pedra de dama chamada “rei”; e se alguém, agora,
nun im Damespiel einen Konig? Wie ist chamar uma delas assim, haveria então no jogo de damas um
[MS 121, p. 64v] rei? O que acontece
es aber mit dem Satz: »Im Damespiel sind alle Steine [MS 121, p. 64v]
gleichberechtigt, aber nicht im Schach«? Wem teile ich dies com a proposição: “No jogo de damas todas as pedras valem o
mit? Dem, der die beiden Spiele schon kennt, oder einem der mesmo, mas não no xadrez”? A quem informo isso? A quem já
sie noch nicht kennt. Da scheint es, daß der erste unsere conhece os dois jogos, ou àquele que ainda não os conhece.
Mitteilung nicht bedarf und der zweite mit ihr nichts anfangen Parece-me que o primeiro não precisa da nossa informação, e
kann. Aber wie wenn ich sagte: »Schau! im Damespiel sind alle que o segundo não pode fazer nada com ela. Mas e se eu
Steine gleichberechtigt, ...« oder noch besser: »Schau! in diesen dissesse: “Olhe! No jogo de damas todas as pedras valem o
Spielen sind alle Steine gleichberechtigt, in jenen nicht«. Aber mesmo…”, ou, melhor ainda: “Olhe! Neste jogo todas as pedras
was tut so ein Satz? Er führt einen neuen Begriff ein, einen valem o mesmo, mas naquele, não”. Mas o que faz então essa
neuen Einteilungsgrund. Ich lehre dich, die Aufgabe proposição? Ela introduz um novo conceito, uma nova razão
beantworten: »Nenne para a classificação. Eu te ensino a responder à lição: “Diga-me
[MS 121, p. 65r] qual
[MS 121, p. 65r]

161
OFM – Parte II

mir Spiele der ersten Art!« etc. Ähnlich aber könnte man é o jogo do primeiro tipo!” etc. De modo similar, poder-se-ia
Aufgaben stellen: »Erfinde ein Spiel, in dem es einen König pedir a tarefa: “Invente um jogo em que haja um rei”.
gibt«. [MS 121, p. 65v]
[MS 121, p. 65v]

51. ›Wir können die Brüche nicht ihrer Größe nach in eine 51. ‘Não podemos colocar as frações em uma sequência
Reihe, aber wir können sie in eine unendliche Reihe ordnen.‹ segundo a sua grandeza, mas podemos ordená-las numa
Was hat der gelernt, der das nicht wußte? Er hat sequência infinita’.
[MS 121, p. 67r] O que aprendeu aquele que não sabia disso? Ele
eine neue Art der Rechnung gelernt, z. B.: »Bestimme die aprendeu
Nummer des Bruches ... «. [MS 121, p. 67r]
um novo tipo de cálculo, por exemplo: “Determine o número
da fração ...”
139 139

52. Er lernt diese Technik – aber lernt er nicht auch, daß es 52. Ele aprende essa técnica – mas ele não aprende que
so eine Technik gibt? existe uma técnica assim?
Ich habe allerdings in einem wichtigen Sinne gelernt, Eu aprendi, certamente, em um importante sentido, que
daß es so eine Technik gibt; ich habe nämlich eine Technik há uma técnica assim; eu fiquei conhecendo, particularmente,
kennen gelernt, die sich jetzt auf alles mögliche Andre uma técnica que se pode aplicar agora sobre qualquer outra.
anwenden läßt.

53. ›Wie würdest du nun das nennen?‹ 53. ‘Como você chamaria isto?’

162
OFM – Parte II

Nicht, »eine Methode die Zahlenpaare Não de “um método contínuo de


[MS 121, p. 67v] [MS 121, p. 67v]
fortlaufend zu numerieren«? numeração de pares de números”?
Und könnte ich nicht auch sagen: »die Zahlenpaare in E eu não poderia dizer também: “de ordenar os pares
eine Reihe zu ordnen«? de números em uma sequência”?

54. Lehrt mich nun die Mathematik, daß ich die 54. A matemática agora me ensina que posso ordenar os
Zahlenpaare in eine Reihe ordnen kann? Kann ich denn sagen: pares de números em uma sequência? Então eu posso dizer:
sie lehrt mich, daß ich das machen kann? Hat es denn Sinn zu ela me ensina que posso fazer isso? Então há sentido em
sagen, ich lehre ein Kind, daß man multiplizieren kann – indem dizer que ensino a uma criança que se pode multiplicar –
ich es lehre zu multiplizieren? Eher könnte man natürlich enquanto eu a ensino a multiplicar? Poder-se-ia, antes, dizer,
sagen, ich lehre ihn daß man Brüche multiplizieren kann, naturalmente, que eu a ensino que se pode multiplicar
nachdem er Kardinalzahlen miteinander zu multiplizieren frações, depois que ela aprendeu que números cardinais se
gelernt hat. Denn nun, könnte man sagen, weiß er schon was multiplicam entre si. Pois então se poderia dizer que ela já
»multiplizieren« heißt. Aber wäre nicht auch das irreführend? sabe o que significa “multiplicar”. Mas isso não seria
[MS 121, p. 68r] também ilusório?

55. Wenn Einer sagt, ich habe den Satz bewiesen, daß man 55. Se alguém diz eu provei a proposição de que se pode
Zahlenpaare in eine Reihe ordnen könne; so ist zu antworten, ordenar os pares de números em uma sequência; deve-se
daß dies ja kein mathematischer Satz ist, da man mit den responder que essa não é uma proposição matemática, pois não

163
OFM – Parte II

Worten »man«, »kann«, »die«, »Zahlenpaare« etc. nicht se faz cálculo com as palavras “se”, “pode”, “os”, “pares de
rechnet. Der números” etc. A

140 140

Satz »man kann die ... « ist vielmehr nur eine beilaufige proposição “pode-se ordenar os...” é não mais do que uma
Beschreibung der Technik die man lehrt, etwa ein nicht descrição fortuita de uma técnica que se ensina, talvez um título
unpassender Titel, eine Überschrift zu diesem Kapitel. Aber ein não inconveniente, um cabeçalho para esse capítulo. Mas um
Titel mit dem man, vorderhand, nicht rechnen kann. título com o qual não se pode, por enquanto, calcular.

56. Aber, sagst du, das ist es eben, was der logische 56. Mas, você diz, isso é justamente o que faz o
[MS 121, p. 68v] [MS 121, p. 68v]
Kalkül Freges und Russells tut: in ihm hat jedes Wort, was cálculo lógico de Frege e o de Russell: neles cada palavra que
in der Mathematik gesprochen wird, exakte Bedeutung, ist ein se fala em matemática tem um significado exato, é um elemento
Element des Kalküls. In diesem Kalkül kann man also wirklich do cálculo. Nesses cálculos, portanto, pode-se realmente
beweisen: »man kann multiplizieren«. Wohl, nun ist er ein provar: “pode-se multiplicar”. Muito bem, então agora ela é
mathematischer Satz; aber wer sagt, daß man mit diesem uma proposição matemática; mas quem disse que se pode fazer
Satz etwas anfangen kann? Wer sagt, wozu er nütze sein kann? alguma coisa com essa proposição? Quem disse para que ela
Denn, daß er interessant klingt, ist nicht genug. pode ser utilizada? Pois parecer interessante ainda não é o
Weil wir im Unterricht vielleicht den Satz gebrauchen: suficiente.
»Du siehst also, man kann die Brüche in eine Reihe ordnen«, Só porque talvez usemos nas aulas a proposição:
sagt nicht, daß wir für diesen Satz andere Verwendung haben, “Portanto, vocês podem ver que se pode ordenar as frações
als die, ein einprägsames Bild mit dieser Rechnungsart zu numa sequência”, não se pode dizer que temos outro emprego
verknüpfen. para ela, senão a de vincular uma imagem lembrável com esse
[MS 121, p. 69r] tipo de cálculo.
Wenn hier das Interesse an dem Satz haftet, der [MS 121, p. 69r]
bewiesen wurde, so haftet es an einem Bild, das eine äußerst Se o interesse se adere à proposição que foi provada,
schwächliche Berechtigung hat, uns aber durch seine então ele se adere a uma imagem que tem uma justificação
extremamente fraca, mas que nos incita pela sua estranheza, tal

164
OFM – Parte II

Seltsamkeit reizt, wie etwa das Bild von der ›Richtung‹ des como a imagem da ‘direção’ do decorrer do tempo. Ela produz
Zeitverlaufs. Es bewirkt einen leisen Taumel der Gedanken. um calmo desvario do pensamento.

57. Ich kann hier nur sagen: Trenne dich so bald wie 57. Aqui só posso dizer: separe-se dessa imagem o mais
möglich von diesem Bild, und sieh das Interesse der Rechnung rápido possível, e veja o interesse do cálculo na sua aplicação.
in ihrer Anwendung. (Es ist als wären wir auf einem (É como se estivéssemos em um baile de máscaras em que
Maskenball, auf dem jede Rechnung in seltsamer Verkleidung todos os cálculos aparecessem com uma roupa estranha.)
erscheint.) [MS 121, p. 69v]
[MS 121, p. 69v]

58. »Soll man das Wort ›unendlich‹ in der Mathematik 58. “Deve-se evitar a palavra ‘infinito’ em matemática?”
vermeiden?« Ja; dort, wo es dem Kalkül eine Bedeutung Sim; ali onde ela parece conferir ao cálculo
[MS 121, p. 87v] [MS 121, p. 87v]
zu verleihen scheint; statt sie erst von ihm zu erhalten. um significado; em vez de obter um dele antes.

141 141

59. Die Redeweise: »Wenn man aber in den Kalkül sieht, 59. O modo de falar: “Mas quando se olha para o cálculo
ist gar nichts Unendliches da« – natürlich eine ungeschickte não se vê absolutamente nada infinito” – é, naturalmente, um
Redeweise – aber sie bedeutet: Ist es wirklich nötig das Bild des modo de falar desajeitado –, mas ele significa: é realmente
Unendlichen (der ungeheuern Größe) hier preciso evocar aqui a imagem do infinito (da grandeza
heraufzubeschwören? Und wie ist dieses Bild mit dem Kalkül imensurável)? E como se conecta essa imagem com o cálculo?
in Verbindung? denn seine Verbindung ist nicht die des Bildes Pois a sua conexão não é a da imagem | | | | com o 4.
| | | | mit 4. [MS 121, p. 88r]
[MS 121, p. 88r]

165
OFM – Parte II

60. So zu tun, als sei man enttäuscht, nichts Unendliches im 60. Agir como se a gente estivesse decepcionado por não
Kalkül gefunden zu haben, ist freilich komisch; nicht aber zu encontrar nada infinito no cálculo é certamente cômico; mas
fragen: welches ist denn die alltägliche Verwendung des não perguntar: qual é o emprego cotidiano da palavra “infinito”
Wortes »unendlich«, [MS 121, p. 88v]
[MS 121, p. 88v] que dá para nós o seu significado, e qual é, então, a sua conexão
die ihm seine Bedeutung für uns gibt, und was ist nun seine com esses cálculos matemáticos?
Verbindung mit diesen mathematischen Kalkülen?

61. Finitismus und Behaviourismus sind ganz ähnliche 61. Finitismo e behaviorismo são tendências totalmente
Richtungen. Beide sagen: hier ist doch nur ... . Beide leugnen similares. Ambas dizem: aqui temos somente … . Ambas
die Exi- stenz von etwas, beide zu dem Zweck, um aus einer negam a existência de alguma coisa, e ambas com a finalidade
Verwirrung zu entkommen. de fazer-nos escapar de uma confusão.

62. Was ich tue ist nicht Rechnungen als falsch zu erweisen; 62. O que faço aqui não é atestar cálculos como falsos; mas
sondern das Interesse von Rechnungen einer Prüfung zu submeter o interesse por cálculos a uma checagem. Eu verifico
unterziehen. Ich prüfe etwa die Berechtigung, hier noch das aqui, talvez, a justificativa para ainda se usar a palavra … . Na
Wort ... zu gebrauchen. Eigentlich aber: ich fordere immer verdade, porém: exorto sempre novamente a se fazer uma tal
wieder zu so einer Untersuchung auf. investigação.
[MS 121, p. 89r] [MS 121, p. 89r]
Zeige, daß es sie gibt, und was da etwa zu untersuchen ist. Ich Mostro que ela tem cabimento e o que há, talvez, a investigar.
darf also nicht sagen: »So darf man sich nicht ausdrücken«, Por isso, não posso dizer: “Não podemos nos expressar assim”,
oder »Das ist absurd«, oder »Das ist uninteressant«, sondern: ou “Isso é absurdo”, ou “Isso não é interessante”, senão:
»Prüfe diesen Ausdruck in dieser Weise auf seine “Cheque a justificação dessa expressão deste modo”.
Berechtigung«. [MS 121, p. 89v]
[MS 121, p. 89v] Podemos, assim, não reparar na justificação de uma expressão,
Man kann die Berechtigung eines Ausdrucks, weil seine por causa do seu emprego, um emprego que se observa por uma
Verwendung, damit nicht übersehen, daß man eine Facette faceta; talvez uma imagem que se vincula à expressão.
[MS 121, p. 92r]

166
OFM – Parte II

seiner Verwendung ansieht; etwa ein Bild, das sich mit ihm
verbindet.
[MS 121, p. 92r]

142 142

167
Teil III Parte III
1939-1940 1939-1940

1. ›Ein mathematischer Beweis muß übersichtlich sein.‹ 1. ‘Uma prova matemática tem que ter uma ordenação clara.’
»Beweis« nennen wir nur eine Struktur, deren Reproduktion Nós só chamamos de “prova” a uma estrutura cuja reprodução
eine leicht lösbare Aufgabe ist. Es muß sich mit Sicherheit seja uma tarefa facilmente resolvível. Deve ser decidível com
entscheiden lassen, ob wir hier wirklich zweimal den gleichen segurança se temos diante de nós a mesma prova duas vezes ou
Beweis vor uns haben, oder [MS 122, p. 5r]
[MS 122, p. 5r] não. A prova tem que ser uma imagem que se pode com segurança
nicht. Der Beweis muß ein Bild sein, welches sich mit reproduzir exatamente. Ou também: o que é essencial na prova
Sicherheit genau reproduzieren laßt. Oder auch: was dem deve ser possível de ser reproduzido exatamente com segurança.
Beweise wesentlich ist, muß sich mit Sicherheit genau Ela pode ser escrita, por exemplo, em duas anotações ou cores
reproduzieren lassen. Er kann z. B. in zwei verschiedenen diferentes. Não deve fazer parte da reprodução de uma prova nada
Handschriften oder Farben niedergeschrieben sein. Zur do que é do tipo de uma reprodução exata de um tom de cor ou de
Reproduktion eines Beweises soll nichts gehören, was von der uma anotação.
Art einer genauen Reproduktion eines Farbtones oder einer
Handschrift ist. É preciso que seja fácil anotar exatamente essa prova
novamente. Nisso consiste a vantagem da prova escrita
Es muß leicht sein, genau diesen Beweis wieder [MS 122, p. 5v]
anzuschreiben. Hierin liegt der Vorteil des geschriebenen
OFM – Parte III

[MS 122, p. 5v] em comparação com a desenhada. Esta é com frequência mal-
im Vergleich zum gezeichneten Beweis. Dieser ist oft seinem entendida em sua natureza. O desenho de uma prova euclidiana
Wesen nach mißverstanden worden. Die Zeichnung eines pode ser inexato no sentido de que as retas não são retas, os arcos
Euklidischen Beweises kann ungenau sein, in dem Sinne, daß die não são exatamente circulares etc., etc., e, no entanto, o desenho
Geraden nicht gerade sind, die Kreisbögen nicht genau é uma prova exata; mas, desse modo, parece que o desenho não
kreisförmig etc. etc. und dabei ist die Zeichnung doch ein exakter demonstra – por exemplo – que é capaz de produzir a construção
Beweis und daraus sieht man, daß diese Zeichnung nicht – z. B. de um polígono de 5 lados iguais, que ela prova uma proposição
– demonstriert, daß eine solche Konstruktion ein Vieleck mit 5 da geometria, e não sobre as propriedades do papel, do compasso,
gleich langen Seiten ergibt, daß sie einen Satz der Geometrie, nicht da régua e do lápis.
einen über die Eigenschaften von Papier, Zirkel, Lineal und [Relaciona-se com: prova, uma imagem de um
Bleistift beweist. experimento.]
[Hängt zusammen mit: Beweis ein Bild eines [MS 122, p. 6r]
Experiments.]
[MS 122, p. 6r]

2. Ich will sagen: Wenn man eine nicht übersehbare Beweis 2. Gostaria de dizer: quando tornamos clara, pela mudança
figur durch Veränderung der Notation übersehbar macht, dann de notação, uma figura de uma prova não clara, então em
schafft man erst einen Beweis, wo früher princípio criamos uma prova onde antes
[MS 122, p. 6v] [MS 122, p. 6v]
keiner war. não havia nenhuma.

143 143

Denken wir uns nun einen Beweis für einen Russellschen Vamos imaginar uma prova para uma proposição de
Additionssatz der Art ›a + b = c‹ der aus ein paar tausend Zeichen adição de Russell, do tipo ‘a + b = c’, que consiste em alguns
bestünde. Du wirst sagen: Zu sehen, ob dieser Beweis stimmt oder milhares de sinais. Você vai dizer: ver se essa prova está certa ou
nicht, ist eine rein äußerliche Schwierigkeit, die von keinem não é uma dificuldade puramente externa, que não tem nenhum
mathematischen Interesse ist. (»Ein Mensch übersieht leicht, was interesse matemático. (“Uma pessoa se dá conta facilmente
ein anderer schwer oder gar nicht übersieht« etc. etc.) daquilo que outra dificilmente ou nunca se dá conta” etc., etc.)

169
OFM – Parte III

[MS 122, p. 7r] [MS 122, p. 7r]

Die Annahme ist, daß die Definitionen nur zur Abkürzung A suposição é a de que as definições só servem para
des Ausdrucks dienen, zur Bequemlichkeit des Rechnenden; abreviar a expressão para a conveniência daquele que calcula; na
während sie doch ein Teil der Rechnung sind. Mit ihrer Hilfe medida em que elas são uma parte do cálculo. Com a sua ajuda
werden Ausdrücke erzeugt, die ohne ihre Hilfe nicht erzeugt vão se produzir expressões que não se produziriam sem a sua
werden könnten. ajuda.
[MS 122, p. 7v] [MS 122, p. 7v]

3. Wie ist es aber damit: »Man kann zwar im Russellschen 3. Mas como seria deste modo: “Na verdade, não se pode
Kalkül nicht 234 mit 537 multiplizieren – im gewöhnlichen Sinn multiplicar 234 por 537 no cálculo de Russell – no sentido
– aber es gibt eine Russellsche Rechnung, die dieser habitual –, mas há um cálculo de Russell que corresponde a essa
Multiplikation entspricht.« – Welcher Art ist diese Entsprechung? multiplicação.” – De que tipo é essa correspondência? Isso
Es könnte so sein: Man kann auch im Russellschen Kalkül diese poderia ser assim: pode-se também efetuar essa multiplicação no
Multiplikation ausführen, nur in einem andern Symbolismus – wie cálculo de Russell, só que em outro simbolismo – tal como
wir ja auch sagen würden, wir könnten sie auch in einem andern diríamos também que poderíamos efetuá-la em outro sistema
Zahlensystem ausführen. Wir könnten dann also z. B. die numérico. Portanto, poderíamos resolver a conta também pelo
praktischen Aufgaben, zu deren cálculo de Russell, as questões práticas
[MS 122, p. 8r] [MS 122, p. 8r]
Lösung man jene Multiplikation benützt, auch durch die para as quais se utiliza a multiplicação, por exemplo, só que de
Rechnung im Russellschen Kalkül lösen, nur umständlicher. forma mais complicada.

Denken wir uns nun die Kardinalzahlen erklärt als 1, 1 + Vamos imaginar, então, que os números cardinais se
1, (1 + 1) + 1, ((1 + 1) + 1) + 1, und so fort. Du sagst, die expliquem como 1, 1 + 1, (1 + 1) + 1, ((1 + 1) + 1) + 1, e assim
Definitionen, welche die Ziffern des Dezimalsystems einführen, por diante. Você diz que as definições que introduzem os
dienen bloß zur Bequemlichkeit; man könnte die Rechnung algarismos do sistema decimal seriam meramente uma questão de
703.000 x 40.000.101 auch in jener langwierigen Schreibweise conveniência; poder-se-ia também efetuar a conta 703.000 x
ausführen. Aber stimmt das? – »Freilich stimmt es! Ich kann doch 40.000.101 em alguma notação enfadonha. Mas isso está certo? –
eine Rechnung in jener Notation anschreiben, konstruieren, die “É claro que está certo! Posso escrever, construir, uma conta

170
OFM – Parte III

der Rechnung in der Dezimalnotation entspricht.« – Aber wie naquela notação, que corresponda à conta com a notação decimal”
weiß ich, daß sie ihr entspricht? – Nun, weil ich sie nach einer – Mas como vou saber se ela lhe é correspondente? – Ora, porque
gewissen Methode eu a derivei da outra
[MS 122, p. 8v] [MS 122, p. 8v]
aus der andern abgeleitet habe. – Aber mediante um certo método. – Mas

144 144

wenn ich sie nun nach einer halben Stunde wieder anschaue, kann e se eu a olhar de novo, depois de meia hora, ela não pode ter
sie sich da nicht verandert haben? Sie ist ja nicht übersehbar. mudado? Já que ela não tem uma visão clara.

Ich frage nun: Könnten wir uns von der Wahrheit des Então, agora, eu pergunto: poderíamos também nos
Satzes 7.034.174 + 6.594.321 = 13.628.495 auch durch einen convencer da verdade da proposição 7.034.174 + 6.594.321 =
Beweis überzeugen, der in der ersten Notation geführt wäre? – 13.628.495 mediante uma prova que foi conduzida conforme à
Gibt es so einen Beweis dieses Satzes? – Die Antwort ist: nein. primeira notação? – Existe uma prova assim dessa proposição? –
[MS 122, p. 9r] A resposta é: não.
[MS 122, p. 9r]

4. Aber lehrt uns Russell nicht doch eine Art des Addierens? 4. Mas Russell não nos ensina um tipo de adição?

Angenommen wir bewiesen auf Russells Methode, daß Suponhamos que provamos pelo método de Russell que
(Ǝa ..... g) …. (Ǝa ..... i) ⸧ (Ǝa ..... s) eine Tautologie ist; könnten (Ǝa ..... g) …. (Ǝa ..... i) ⸧ (Ǝa ..... s) é uma tautologia; poderíamos
wir nun unser Resultat dahin ausdrücken, g + 1 sei s? Das setzt então expressar o resultado de que g + i seria s? Isso pressupõe,
doch voraus, daß ich todavia, que
[MS 122, p. 11r] [MS 122, p. 11r]
die drei Stücke des Alphabets als Repräsentanten des Beweises posso tomar as três partes do alfabeto como representantes da
nehmen kann. Aber zeigt denn das Russells Beweis? Den prova. Mas a prova de Russell então mostra isso? É evidente que
Russellschen Beweis hätte ich doch offenbar mit solchen Gruppen eu teria podido conduzir a prova de Russell com aqueles grupos
von Zeichen in den Klammem führen können, deren Reihenfolge de sinais entre parênteses, cuja sequência nada teria de

171
OFM – Parte III

für mich nichts Charakteristisches gehabt hätten, so daß es nicht característico para mim, de modo que não teria sido possível
möglich gewesen wäre, die Zeichengruppe in einer Klammer representar o grupo de sinais entre parênteses pelo seu último
durch ihr letztes Glied zu repräsentieren. membro.

Angenommen sogar, der Russellsche Beweis werde mit Até mesmo pressupondo que a prova de Russell fosse
einer Notation der Art x1x2 … x10x11 … x100 … als in der conduzida com uma notação do tipo x1x2 … x10x11 … x100 …, tal
Dezimalnotation geführt, und es seien 100 Glieder in der ersten, como na notação decimal, e que houvesse 100 elementos no
300 Glieder in der zweiten und 400 Glieder in der dritten primeiro, 300 elementos no segundo, e 400 elementos no terceiro
Klammer, zeigt parênteses, a própria prova
[MS 122, p. 11v] [MS 122, p. 11v]
der Beweis selbst dann, daß 100 + 300 = 400 ist? – Wie, wenn mostraria então que 100 + 300 = 400? – E o que aconteceria se
dieser Beweis einmal zu diesem, einmal zu einem andern Resultat essa prova levasse ora para esse resultado, ora para aquele outro,
führte, zum Beispiel 100 + 300 = 420? Was bedarf por exemplo que 100 + 300 = 420? O que seria preciso

145 145

es, um zu sehen, daß das Resultat des Beweises, wenn er richtig para ver que o resultado da prova, se for conduzida corretamente,
geführt ist, immer nur von den letzten Ziffern der ersten zwei sempre só depende dos últimos algarismos dos primeiros pares de
Klammern abhängt? parênteses?

Aber für kleine Zahlen lehrt uns doch Russell addieren; Contudo, Russell nos ensina a somar com números
denn dann übersehen wir eben die Zeichengruppen in den pequenos; já que justamente vemos em conjunto os grupos de
Klammern und können sie als Zahlzeichen nehmen; zum Beispiel sinais nos parênteses e podemos tomá-los como numerais; por
›xy‹, ›xyz‹, ›xyzuv‹. exemplo, ‘xy’, ‘xyz’, ‘xyzuv’.
Russell lehrt uns also einen anderen Kalkül, um von 2 und Russell nos ensina, portanto, um outro cálculo, para se
3 zu 5 zu gelangen; und das stimmt auch dann, wenn wir chegar de 2 e 3 a 5; e isso está de acordo até mesmo quando
[MS 122, p. 12r] [MS 122, p. 12r]
sagen, der logische Kalkül sei nur – Fransen, die dem dizemos que o cálculo lógico são apenas – franjas penduradas no
arithmetischen Kalkül angehängt seien. cálculo aritmético.

172
OFM – Parte III

Die Anwendung der Rechnung muß für sich selber sorgen. A aplicação do cálculo deve cuidar de si mesma. E isso é
Und das ist, was am ›Formalismus‹, richtig ist. o que está correto no ‘formalismo’.
Die Zurückführung der Arithmetik auf symbolische Logik A redução da aritmética à lógica simbólica deve mostrar a
soll die Applikation der Arithmetik zeigen; gleichsam das aplicação da aritmética; como se fossem os acessórios com os
Ansatzstück, mit welchem sie an ihrer Anwendung angebracht ist. quais ela é instalada em sua aplicação. Tal como se mostrasse
So als zeigte man Einem erst eine Trompete ohne das Mundstück primeiro a alguém um trompete sem o bocal – e depois o bocal
– und nun das Mundstück, welches uns lehrt, wie eine Trompete que nos ensina como se emprega o trompete quando se o coloca
verwendet, mit dem menschlichen Körper in Kontakt gebracht em contato com o corpo humano. Mas os acessórios que Russell
wird. Das Ansatzstück aber, das uns Russell gibt, ist einerseits zu nos fornece, são, por um lado, muito curtos, e, por outro lado,
eng, anderseits [MS 122, p. 12v]
[MS 122, p. 12v] muito longos – muito gerais e muito específicos. O cálculo cuida
zu weit – zu allgemein und zu speziell. Die Rechnung sorgt für da sua própria aplicação.
ihre eigene Anwendung.
Estendemos nossas ideias dos cálculos com números
Wir dehnen unsre Ideen von den Rechnungen mit kleinen pequenos para os números grandes de maneira similar a quando
Zahlen auf die mit großen Zahlen aus, ähnlich wie wir uns imaginamos que, se a distância daqui ao sol pudesse ser medida
vorstellen, daß, wenn die Distanz von hier zur Sonne mit dem com um metro, teríamos o mesmo resultado que hoje poderíamos
Zollstock gemessen werden könnte, dann eben das herauskame, extrair de uma maneira totalmente diferente. Ou seja, somos
was wir heute auf ganz andere Art herausbringen. D. h., wir sind inclinados a tomar a medida da extensão com a régua como
geneigt, die Längenmessung mit dem Zollstab zum Modell zu modelo até mesmo para medir a separação de duas estrelas.
nehmen auch für die Messung des Abstands zweier Sterne.

146 146

Und man sagt, etwa in der Schule: »Wenn wir uns E na escola, talvez, se diga: “Se imaginamos que podemos
Zollstäbe [MS 122, p. 13r]
[MS 122, p. 13r] colocar réguas daqui até o sol, ……”, e assim parece que se
von hier bis zur Sonne gelegt denken, ......« und scheint damit zu explica o que se compreende pela separação entre o sol e a terra.
erklären, was wir unter dem Abstand zwischen Sonne und Erde O emprego de uma imagem como essa estaria totalmente correto
verstehen. Und die Verwendung eines solchen Bildes ist ganz in na medida em que estivesse claro que poderíamos medir a

173
OFM – Parte III

Ordnung, so lange es uns klar ist, daß wir den Abstand von uns zur separação entre nós e o sol, e que não poderíamos medi-la com
Sonne messen können, und daß wir ihn nicht mit Zollstäben réguas.
messen können.

5. Wie, wenn jemand sagen würde: »Der eigentliche Beweis 5. Como seria se alguém dissesse: “A prova real de que 1000
von 1000 + 1000 = 2000 ist doch erst der Russellsche, der zeigt, + 1000 = 2000 é, em primeiro lugar, a de Russell, porque mostra
daß der Ausdruck ....... eine Tautologie ist«? Kann ich denn nicht que a expressão ...... é uma tautologia”? Pois não posso provar que
beweisen, daß eine Tautologie herauskommt, wenn ich in den se extrai uma tautologia se eu tiver nos primeiros dois parênteses
beiden ersten Klammern [MS 122, p. 13v]
[MS 122, p. 13v] mil elementos, e no terceiro 2000? E se eu tiver provado isso,
je 1000 Glieder und in der dritten 2000 habe? Und wenn ich dies então posso olhar para ela como uma prova de proposições
beweisen kann, so kann ich das als Beweis des arithmetischen aritméticas.
Satzes ansehen.
Em filosofia é sempre melhor colocar uma pergunta do
In der Philosophie ist es immer gut, statt einer que a resposta de uma pergunta.
Beantwortung einer Frage eine Frage zu setzen. Pois a resposta de uma questão filosófica pode facilmente
Denn eine Beantwortung der philosophischen Frage kann ser injusta; a sua execução mediante outra pergunta, não.
leicht ungerecht sein; ihre Erledigung mittels einer andern Frage
ist es nicht. Devo, portanto, colocar uma pergunta aqui, por exemplo,
em vez da resposta acerca de não se poder provar aquela
Soll ich also zum Beispiel hier eine Frage setzen statt der proposição aritmética com o método de Russell?
Antwort, man könne jenen arithmetischen Satz mit Russells [MS 122, p. 14r]
Methode nicht beweisen?
[MS 122, p. 14r]

6. Der Beweis, daß ( 1 ) ( 2 ) ⸧ ( 3 ) eine Tautologie ist, besteht 6. A prova de que ( 1 ) ( 2 ) ⸧ ( 3 ) é uma tautologia consiste
darin, daß man immer ein Glied der dritten Klammer für ein Glied em que sempre se deduz um membro dos terceiros parênteses por
von (1) oder (2) abstreicht. Und es gibt ja viele Arten und um membro do (1) ou do (2). E há muitas formas

174
OFM – Parte III

147 147

Weisen dieses Kollationierens. Oder man könnte auch sagen: Es de se fazer essa compilação. Ou poder-se-ia também dizer: há
gibt viele Arten und Weisen, das Gelingen der 1-1 Zuordnung muitas formas de se conseguir estabelecer uma correlação 1-1.
festzustellen. Eine Art wäre z. B. sternförmige Muster, eines für Um dos tipos, por exemplo, seria construir um padrão em forma
die linke, eines für die rechte Seite der Implikation zu konstruieren de estrela para o lado esquerdo da implicação, e outro para o lado
und diese wieder dadurch zu vergleichen, daß man ein Ornament direito, e passar a compará-los, formando um ornamento
[MS 122, p. 14v] [MS 122, p. 14v]
aus beiden bildet. a partir de ambos.
Man könnte also die Regel geben: »Wenn du wissen willst, Poderíamos, portanto, dar a regra: “Se você quiser saber
ob die Zahlen A und B zusammen wirklich C ergeben, schreib se os números A e B realmente geram juntos o C, escreva uma
einen Ausdruck der Form ….. an und ordne die Variablen in den expressão da forma ....., e correlacione as variáveis nos parênteses
Klammern einander zu, indem du den Beweis dafür anschreibst ao mesmo tempo em que você escreve (ou tenta escrever) a prova
(oder anzuschreiben trachtest), daß der Ausdruck eine Tautologie de que a expressão é uma tautologia.”
ist.« Minha objeção contra isso não é a de que seria arbitrário
Mein Einwand dagegen ist nun nicht, daß es willkürlich prescrever justamente esse tipo de compilação, mas de que desse
ist, gerade diese Art des Kollationierens vorzuschreiben, sondern, modo não se pode estabelecer que 1000 + 1000 = 2000.
daß man auf diese Weise nicht feststellen kann, daß 1000 + 1000 [MS 122, p. 15r]
= 2000 ist .
[MS 122, p. 15r]

7. Denke, du hättest eine meilenlange 7. Imagine que você tivesse escrito


[MS 122, p. 16r] [MS 122, p. 16r]
›Formel‹ angeschrieben, und zeigtest durch Transformation, daß uma ‘fórmula’ de uma milha de comprimento, e tivesse mostrado,
sie tautologisch ist (›wenn sie sich inzwischen nicht verändert hat‹ pelas transformações, que ela é uma tautologia (‘se ela não tivesse
müßte man sagen). Nun zählen wir die Glieder in den Klammern se modificado nesse ínterim’, teríamos que dizer). Agora, então,
oder teilen sie ab und machen den Ausdruck übersichtlich, und es contamos os elementos dentro dos parênteses, ou os dividimos, e
zeigt sich, daß in der ersten Klammer 7566, in der zweiten fazemos com que a expressão tenha uma ordenação clara, e se

175
OFM – Parte III

2434, in de dritten 10000 Glieder stehen. Habe ich nun gezeigt, mostra que nos primeiros parênteses têm 7566 elementos, nos
daß 2434 + 7566 = 10000 ist? – Das kommt drauf an – segundos, 2434, e, nos terceiros, 10000. Teria demonstrado agora
könnte man sagen – ob du sicher bist, daß das Zählen wirklich que 2434 + 7566 = 10000? – Isso depende – poderíamos dizer –
die Zahlen der Glieder ergeben hat, die während des Beweises in de você estar seguro de que a contagem realmente efetuou o
den Klammern standen. número de membros que estavam entre os parênteses durante a
prova.
Könnte man so sagen: »Russell lehrt
[MS 122, p. 16v] Poderíamos dizer assim: “Russell nos ensina
uns in die dritte Klammer so viele Variablen schreiben als in den [MS 122, p. 16v]
beiden ersten zusammen stehen«? Aber eigentlich: er lehrt uns für a escrever nos terceiros parênteses tantas varíaveis quantas as que
je eine Variable in (1) und in (2) eine Variable in (3) schreiben. estão juntas nos primeiros dois pares de parênteses”? Mas, na
Aber lernen wir dadurch, welche Zahl die Summe zweier realidade: ele nos ensina a escrever, para cada variável em (1) e
gege- em (2), uma variável em (3).
Mas aprendemos, desse modo, qual é o número que é a
soma

148 148

bener Zahlen ist? Vielleicht sagt man: »Freilich, denn in der de dois números dados? Talvez se diga: “Certamente, visto que
dritten Klammer steht nun das Paradigma, Urbild der neuen Zahl«. nos terceiros parênteses está o paradigma, o arquétipo do novo
Aber inwiefern ist | | | | | | | | | | | | | | | | das Paradigma einer Zahl? número”. Mas até que ponto | | | | | | | | | | | | | | | | é o paradigma de
Bedenke, wie man es als solches verwenden kann. um número? Considere como se pode empregá-lo como tal.
[MS 122, p. 17r] [MS 122, p. 17r]

8. Die Russellsche Tautologie, die dem Satz a + b = c 8. Antes de tudo, a tautologia de Russell que corresponde à
entspricht, zeigt uns vor allem nicht in welcher Notation die Zahl proposição a + b = c não nos mostra em que notação se deve
c zu schreiben ist, und es ist kein Grund, warum sie nicht in der escrever o número c, e não há nenhuma razão pela qual ele não
Form a + b geschrieben werden soll – Denn Russell lehrt uns ja deveria ser escrito na forma a + b – pois Russell não nos ensina,
nicht die Technik des possivelmente, a técnica da

176
OFM – Parte III

[MS 122, p. 21v] [MS 122, p. 21v]


Addierens, etwa, im Dezimalsystem. – Aber könnten wir sie adição no sistema decimal. – Mas não podemos derivá-la, talvez,
vielleicht aus seiner Technik ableiten? da sua técnica?
Fragen wir einmal so: Kann man die Technik des Perguntemo-nos de uma vez: pode-se derivar a técnica do
Dezimalsystems aus der des Systems 1 , 1 + 1, (1 + 1) + 1, etc. ab- sistema decimal a partir do sistema 1 , 1 + 1, (1 + 1) + 1, etc.?
leiten? Não poderíamos formular essa pergunta também assim:
Könnte man diese Frage nicht auch so stellen: Wenn man quando se tem uma técnica de cálculo em um sistema, e outra em
eine Rechentechnik in dem einen System und eine im andern outro sistema, – como se mostra que ambas são equivalentes?
System hat, – wie zeigt man, daß die beiden äquivalent sind? [MS 122, p. 22r]
[MS 122, p. 22r]

9. »Ein Beweis soll nicht nur zeigen, daß es so ist, sondern 9. “Uma prova deve não só mostrar que ela é assim, mas
daß es so sein muß.« também que ela tem que ser assim.”

Unter welchen Umständen zeigt dies das Zählen? Em que circuntâncias a contagem mostra isso?

Man möchte sagen: »Wenn die Ziffern und das Gezählte Gostaríamos de dizer: “Quando os algarismos e o que se
ein einprägsames Bild ergeben. Wenn dieses Bild nun statt jedes conta fornecem uma imagem lembrável. Quando essa imagem
neuen Zählens dieser Menge gebraucht wird.« – Aber hier passa a ser usada em vez de cada nova contagem daquela
scheinen wir nur von räumlichen Bildern zu reden: wenn wir aber quantidade.” – Mas aqui parece que falamos somente de imagens
eine Reihe von Wörtern auswendig wissen und nun zwei solche espaciais: mas quando nós conhecemos de cor uma sequência de
Reihen einander eins zu eins zuordnen, palavras e passamos a ordenar uma a uma duas sequências assim,
[MS 122, p. 26v] [MS 122, p. 26v]
indem wir zum Beispiel sagen: »der erste – Montag; der zweite – de modo que, por exemplo, podemos dizer: “primeiro – segunda-
Dienstag; der feira; segundo – terça-feira;

149 149

177
OFM – Parte III

dritte – Mittwoch; etc.« – konnen wir so nicht beweisen, daß von terceiro – quarta-feira; etc.” – não poderíamos provar assim que
Montag zum Donnerstag vier Tage sind? são quatro dias de segunda a quinta-feira?
Es fragt sich eben: Was nennen wir ein »einpragsämes O que precisamente se pergunta: o que chamamos aqui de
Bild«? Was ist das Kriterium davon, daß wir es uns eingeprägt uma “imagem lembrável”? Qual é o critério para que isso se grave
haben? Oder ist die Antwort hierauf: »Daß wir es als Paradigma em nós? Ou a resposta seria nessa ocasião: “Que nós a utilizamos
der Identität benützen!« como paradigma de identidade!”?

10. Wir machen nicht Versuche an einem Satz oder Beweis, 10. Nós não fazemos tentativas em uma proposição ou prova
um seine Eigenschaften feszustellen. para atestar suas propriedades.

Wie reproduzieren wir, kopieren Como reproduzimos, copiamos,


[MS 122, p. 27r] [MS 122, p. 27r]
wir einen Beweis? – Nicht, zum Beispiel, indem wir Messungen uma prova? – Não, por exemplo, quando fazemos a sua medida.
an ihm anstellen.
O que ocorreria se uma prova fosse tão incrivelmente
Wie, wenn ein Beweis so ungeheuer lang wäre, daß man longa que seria impossível vê-la em conjunto? Ou, vejamos um
ihn unmöglich übersehen könnte? Oder sehen wir einen andern outro caso: tomemos como paradigma do número que chamamos
Fall an: Man habe als Paradigma der Zahl, die wir 1000 nennen, de 1.000 uma longa sequência de traços escavados numa rocha
eine lange Reihe von Strichen in einen harten Fels gegraben. Diese dura. A essa sequência denominamos como o mil originário, e
Reihe nennen wir die Urtausend und um zu erfahren, ob tausend para confirmar se há mil pessoas em um determinado lugar,
Menschen auf einem Platz sind, ziehen wir Striche oder spannen desenhamos linhas ou esticamos barbantes (correlação 1-1).
Schnüre (1-1 Zuordnung). Aqui o numeral que corresponde ao mil não tem a
Hier hat nun das Zahlzeichen für 1000 nicht die Identität identidade de uma forma, mas de um objeto físico. Nós
einer Gestalt, sondern eines physikalischen Gegenstandes. Wir poderíamos imaginar, de maneira
könnten uns ähnlich [MS 122, p. 27v]
[MS 122, p. 27v] similar, um cem originário, e uma prova de que 10 x 100 = 1.000,
eine Ur-Hundert etc. denken und einen Beweis, daß 10 x 100 = da qual não poderíamos ter uma visão de conjunto.
1000 ist, den wir nicht übersehen könnten.

178
OFM – Parte III

Die Ziffer für 1000 im 1 + 1 + 1 + 1 . . . System kann nicht O algarismo para mil no sistema 1 + 1 + 1 + 1 . . . não
durch ihre Gestalt erkannt werden. pode ser reconhecido pela sua forma.

11. 11.

Ist diese Figur ein Beweis für 27 + 16 = 43, weil man zu Seria essa figura uma prova de que 27 + 16 = 43, porque
›27‹ kommt, wenn man die Striche der linken Seite zäht, zu ›16‹ chegamos a ‘27’ se contamos os traços do lado esquerdo, a ‘16’

150 150

auf der do
[MS 122, p. 28r] [MS 122, p. 28r]
rechten Seite, und zu ›43‹, wenn man die ganze Reihe zählt? lado direito, e a ‘43’ se contamos toda a fileira?
Worin liegt hier das Seltsame – wenn man die Figur den O que é estranho – se chamamos a figura de prova dessa
Beweis dieses Satzes nennt? Doch in der Art, wie dieser Beweis proposição? Claro que na maneira como essa prova é reproduzida
zu reproduzieren oder wiederzuerkennen ist; darin, daß er keine ou reconhecida; em que ela não tem nenhuma forma visual
charakteristische visuelle Gestalt hat. característica.

Wenn nun jener Beweis auch keine visuelle Gestalt hat, so Mas ainda que essa prova não tenha nenhuma forma
kann ich ihn dennoch genau kopieren (reproduzieren) – ist die visual, posso assim mesmo copiá-la (reproduzi-la) exatamente –
Figur also nicht doch ein Beweis? Ich aquela figura não é então uma prova? Eu
[MS 122, p. 28v] [MS 122, p. 28v]
könnte ihn etwa in ein Stahlstück einritzen und von Hand zu Hand poderia gravá-la numa peça de metal e passá-la de mão em mão.
geben lassen. Ich würde also Einem sagen: »Hier hast du den Desse modo, diria para alguém: “Aqui está a prova de que 27 +
Beweis, daß 27 + 16 = 43 ist.« – Nun, kann man nicht doch sagen: 16 = 43”. – Não podemos agora dizer de fato: ele comprova a
er beweise den Satz mit Hilfe der Figur? Doch; aber die Figur ist proposição com o auxílio da figura? Claro; mas a figura não é a
nicht der Beweis. prova.

179
OFM – Parte III

Das aber würde man doch einen Beweis von 250 + 3.220 Isto, no entanto, chamaríamos de uma prova de que 250 +
= 3.470 nennen: Man zählt über 250 hinaus und fängt zugleich 3.220 = 3.470: deixamos 250 de fora, e começamos a contar
auch bei 1 zu zählen an und ordnet die beiden Zählungen einander então, ao mesmo tempo, a partir de 1, e então correlacionamos as
zu: duas contagens assim:
251 …. 1 251 …. 1
252 …. 2 252 …. 2
253 …. 3 253 …. 3
etc. etc.
3.470 .... 3.220 3.470 .... 3.220
[MS 122, p. 29r] [MS 122, p. 29r]
Man könnte das einen Beweis nennen, der durch 3.220 Poderíamos chamá-la de uma prova contínua em 3.220
Stufen fortschreitet. Das ist doch ein Beweis – und kann man ihn passos. Essa é evidentemente uma prova – e podemos chamá-la
übersichtlich nennen?? de apresentação clara??
[MS 122, p. 29v] [MS 122, p. 29v]

12. Was ist die Erfindung des Dezimalsystems eigentlich? Die 12. Qual é propriamente a invenção do sistema decimal? A
Erfindung eines Systems von Abkürzungen – aber was ist das invenção de um sistema de abreviaturas – mas o que é o sistema
System der Abkürzungen? Ist es bloß das System der neuen de abreviaturas? Ele é meramente o sistema de novos números ou
Zahlen oder auch ein System ihrer Anwendungen zur Abkür- ele é também um sistema para a sua aplicação a abreviaturas?

151 151

zung? Und ist es das Zweite, dann ist es ja eine neue Se for o segundo, então ele já é um novo modo de visão do velho
Anschauungsart des alten Zeichensystems. sistema.

Können wir, vom 1 + 1 + 1 . . . System kommend, durch Poderíamos, a partir do sistema de 1 + 1 + 1 ... , aprender
bloße a fazer contas no sistema decimal pelas meras abreviaturas da
notação?

180
OFM – Parte III

Abkürzungen der Schreibweise im Dezimalsystem rechnen [MS 122, p. 30v]


lernen?
[MS 122, p. 30v]

13. Angenommen ich habe nach Russell einen Satz der Form 13. Suponhamos que eu tenha provado, segundo Russell, uma
(Ǝ xyz ... ) (Ǝ uvw ... ) ⸧ (Ǝ abc ... ) bewiesen – und nun ›mache proposição da forma (Ǝ xyz ... ) (Ǝ uvw ... ) ⸧ (Ǝ abc ... ) – e agora
ich ihn übersichtlich‹, indem ‘eu a torno nítida’ quando
[MS 122, p. 31v] [MS 122, p. 31v]
ich über die Variablen Zeichen x1, x2, x3 . . . . schreibe – soll ich anoto sobre as variáveis os sinais x1, x2, x3 . . . . – devo dizer agora
nun sagen, ich habe nach Russell einen arithmetischen Satz im que comprovei segundo Russell uma proposição aritmética no
Dezimalsystem bewiesen? sistema decimal?

Aber jedem Beweis im Dezimalsystem entspricht doch Mas cada prova no sistema decimal corresponde a uma do
einer im Russellschen System! – Woher wissen wir, daß es so ist? sistema de Russell! – Como saberíamos que isso é assim?
Lassen wir die Intuition beiseite. – Aber man kann es beweisen. – Deixemos de lado a intuição. – Mas isso se pode provar. –

Wenn man eine Zahl im Dezimalsystem aus 1, 2, 3, ... 9, 0 Se definimos um número no sistema decimal a partir de
definiert und die Zeichen 0, 1 ..., 9 aus 1, 1 + 1, (1 + 1) + l, ..., kann 1, 2, 3, ... 9, 0, e os números 0, 1, 2, 3, ... 9 a partir de 1, 1 + 1, (1
man dann durch die rekursive Erklärung des Dezimalsystems + 1) + l, ..., poderíamos então, pela explicação recursiva do
hindurch von irgend einer Zahl zu einem Zeichen der Form 1 + 1 sistema decimal, chegar, a partir de qualquer número, a um sinal
+ 1 . . . . gelangen? da forma 1 + 1 + 1 . . .. ?
[MS 122, p. 32r] [MS 122, p. 32r]

Wie, wenn Einer sagte: Die Russellsche Arithmetik stimmt E se alguém dissesse: a aritmética de Russell concorda
mit der gewöhnlichen bis zu Zahlen unter 1010 überein; dann aber com a usual até números abaixo de 1010; mas a partir daí ela difere
weicht sie von ihr ab. Und nun führt er uns einen R-Beweis dafür dela. E então ele demonstra por uma prova-R98 que 1010 + 1 =
vor, daß 1010 + 1 = 1010 ist. Warum soll ich nun einem solchen 1010. Por que não deveria confiar numa prova dessas? Como

181
OFM – Parte III

Beweis nicht trauen? Wie wird man mich davon überzeugen, daß alguém me convenceria de que eu teria que ter errado no cálculo
ich mich im R-Beweis verrechnet haben muß? na prova-R?
Brauche ich denn aber einen Beweis aus einem andern Precisaria então de uma prova em outro sistema para que
System, um mich zu überzeugen, ob ich mich in dem ersten me convencesse de que teria calculado errado na primeira
Beweis ver-

152 152

rechnet habe? Genügt es nicht, daß ich diesen Beweis übersehbar prova? Não seria o suficiente se anotasse essa prova de maneira
anschreibe? clara?

14. Liegt denn nicht meine 14. Toda a minha dificuldade


[MS 122, p. 32v] [MS 122, p. 32v]
ganze Schwierigkeit darin, einzusehen, wie man, ohne aus não estaria então em perceber como podemos chegar ao conceito
Russells logischen Kalkül herauszutreten, zum Begriff der Menge de conjunto de variáveis na expressão ‘(Ǝ xyz ... )’, sem sair do
der Variablen im Ausdruck ›(Ǝ xyz ... )‹ kommen kann dort, wo cálculo lógico de Russell, quando essa expressão não é vista
dieser Ausdruck nicht übersehbar ist? – claramente? –
Nun kann man ihn aber doch übersehbar machen, indem Mas, de fato, podemos torná-la nítida na medida em que
man schreibt: (Ǝx1, x2, x3, etc). Und dennoch verstehe ich etwas escrevemos: (Ǝx1, x2, x3 etc). E ainda assim existe algo que não
nicht: man hat doch nun das Kriterium für die Identität so eines compreendo: agora, de fato, modificamos o critério de identidade
Ausdrucks geändert! Ich sehe jetzt auf andere Weise, daß die dessa expressão! Agora vejo de outra forma que o conjunto de
Menge der Zeichen in zwei solchen Ausdrücken dieselbe ist. sinais dessas duas expressões é o mesmo.
[MS 122, p. 33r] [MS 122, p. 33r]

Ich bin eben versucht zu sagen: Russells Beweis kann wohl O que, precisamente, estou tentado a dizer: a prova de
Stufe für Stufe weitergehen, aber am Schluß wisse man nicht Russell pode ser seguida passo a passo, mas ao final não se sabe
recht, was man bewiesen habe – wenigstens nicht nach den alten direito o que foi provado – pelo menos não pelos velhos critérios.

182
OFM – Parte III

Kriterien. Indem ich den Russellschen Beweis übersichtlich Na medida em que torno clara a prova de Russell, provo alguma
mache, beweise ich etwas über diesen Beweis. coisa sobre essa prova.

Ich will sagen: man brauche die Russellsche Rechen- Quero dizer: não precisamos de nenhum modo
[MS 122, p. 33v] [MS 122, p. 33v]
technik gar nicht anzuerkennen – und könne mit einer andern aceitar a técnica de cálculo de Russell – e podemos provar com
Rechentechnik beweisen, daß es einen Russellschen Beweis des uma outra técnica de cálculo que teria que haver uma prova
Satzes geben müsse. Dann aber ruht der Satz freilich nicht mehr Russelliana da proposição. Mas já então a proposição
auf dem R-Beweis. efetivamente não mais repousa sobre a prova-R.
Oder: Daß man sich zu jedem bewiesenen Satz der Form Ou: que se possa imaginar uma prova Russelliana para
m + n = 1 einen Russellschen Beweis vorstellen kann, zeigt nicht, cada proposição provada da forma m + n = 1, não mostra que a
daß der Satz auf diesem Beweis ruht. Denn der Fall ist denkbar, proposição repousa sobre essa prova. Pois é concebível o caso de
daß man den R-Beweis eines Satzes vom R-Beweis eines andern que não se possa em absoluto diferenciar a prova-R de uma
Satzes gar nicht unterscheiden kann und nur darum sagt, sie seien proposição da prova-R de outra proposição, e só se diga que elas
verschieden, weil sie die übersetzungen zweier erkennbar são diferentes porque são traduções de duas provas reconhecíveis
verschiedener [MS 122, p. 34r]
[MS 122, p. 34r] como diferentes.
Beweise sind.

153 153

Oder: Etwas hört auf, Beweis zu sein, wenn es aufhört, Ou: alguma coisa deixa de ser uma prova se ela deixa de
Paradigma zu sein, z. B. Russells logischer Kalkül; und anderseits ser um paradigma, por exemplo o cálculo lógico de Russell; e, por
ist jeder andere Kalkül annehmbar, der uns als Paradigma dient. outro lado, é aceitável qualquer outro cálculo que nos sirva de
[MS 122, p. 34v] paradigma.
[MS 122, p. 34v]

15. Es ist eine Tatsache, daß verschiedene Methoden der 15. É um fato que diferentes métodos de contagem quase
Zählung so gut wie immer übereinstimmen. sempre concordam entre si.

183
OFM – Parte III

Wenn ich die Felder eines Schachbretts zähle, komme Quando conto os quadrados de um tabuleiro de xadrez,
[MS 122, p. 36v] virtualmente
ich so gut wie immer zu ›64‹. [MS 122, p. 36v]
chego sempre a ‘64’.
Wenn ich zwei Reihen von Wörtern auswendig weiß, z. B.
Zahlwörter und das Alphabet, und ich ordne sie nun einander 1-1 Quando sei de cor duas sequências de palavras, por
zu exemplo, numerais e o alfabeto, e os correlaciono 1-1, assim:
a 1 a 1
b 2 b 2
c 3 c 3
etc. etc.,
so komme ich bei ›z‹ so gut wie immer zu ›26‹. então com ‘z’ virtualmente chego sempre a ‘26’.

Es gibt so etwas wie: eine Reihe von Wörtern auswendig Existe alguma coisa como: poder saber de cor uma
können. Wann sagt man, ich wisse das Gedicht . . . auswendig? sequência de palavras. Quando se diz que eu sei o poema . . . de
Die Kriterien sind ziemlich kompliziert. Übereinstimmung mit cor? Os critérios são bastante complicados. Concordância com o
dem gedruckten Texte ist eines. Was müßte geschehen, das mich texto impresso é um deles. O que teria que ocorrer para que
zweifeln machte, daß ich wirklich das ABC auswen- pudesse duvidar que sei de cor realmente
[MS 122, p. 37r] [MS 122, p. 37r]
dig weiß? Es ist schwer vorzustellen. o abecedário? É difícil imaginar.
Aber ich verwende nun das Aufsagen oder Anschreiben Mas eu emprego, de fato, o recitar ou o escrever de
aus dem Gedachtnis einer Wortfolge als Kriterium der memória uma sequência de palavras como critério de igualdade
Zahlengleichheit, de números,
[MS 122, p. 37v] [MS 122, p. 37v]
Mengengleichheit. igualdade de conjuntos.

154 154

184
OFM – Parte III

Soll ich nun sagen: Das macht ja alles nichts – die Logik Devo dizer agora: nada disso importa tanto – a lógica
bleibt doch der Grundkalkül, nur wird freilich, ob ich zweimal permanece ainda como o cálculo fundamental somente se tenho
dieselbe Formel vor mir habe, von Fall zu Fall verschieden duas vezes diante de mim a mesma fórmula estabelecida, com
festgestellt? efeito, de maneira diferente de caso para caso?
[MS 122, p. 38r] [MS 122, p. 38r]

16. Es ist nicht die Logik, die mich zwingt – möchte ich sagen 16. Não é a lógica que me obriga – gostaria de dizer – a
– einen Satz von der Form (Ǝ ) (Ǝ ) ⸧ (Ǝ ) anzuerkennen, wenn reconhecer uma proposição da forma (Ǝ ) (Ǝ ) ⸧ (Ǝ ), se nos
in den ersten beiden Klammern je eine Million Variablen ist und dois primeiros pares de parênteses houver um milhão de variáveis,
in der dritten zwei Millionen. Ich will sagen: die Logik zwänge e, no terceiro, dois milhões. Quero dizer: a lógica não me
mich in diesem Falle gar nicht, irgend einen Satz anzuerkennen. obrigaria de nenhum modo a reconhecer nesse caso qualquer
Etwas anderes zwingt mich, so einen Satz als der Logik gemäß proposição. Alguma outra coisa me obriga a reconhecer uma
anzuerkennen. proposição como essa segundo a lógica.

Die Logik zwingt mich nur, sofern mich der logische A lógica só me obriga contanto que me obrigue o cálculo
Kalkül [MS 122, p. 38v]
[MS 122, p. 38v] lógico.
zwingt.
No entanto, é essencial, naturalmente, para o cálculo com
Aber es ist doch dem Kalkül mit 1.000.000 wesentlich, daß 1.000.000, que esse número tenha que ter uma solução possível
sich diese Zahl muß in eine Summe 1 + 1 + 1 ... auflösen lassen! em uma soma 1 + 1 + 1 ...! E para que estejamos seguros de que
Und um sicher zu sein, daß wir die richtige Anzahl von Einsern temos diante de nós o número correto de unidades, poderíamos
vor uns haben, können wir die Einser numerieren: numerá-las:
1 + 1 + 1 + 1 + ... + 1 1 + 1 + 1 + 1 + ... + 1
1 2 3 4 1000000. 1 2 3 4 1.000.000.
Diese Notation wäre ähnlich der: ›100,000.000,000‹ die ja auch Essa notação seria semelhante a: ‘100.000.000.000’, que também
das Zahlzeichen übersehbar macht. Und ich kann mir doch torna o numeral claramente visível. Posso imaginar que alguém
denken, jemand hätte große Summen Geldes in Pfennigen in tivesse uma grande soma de dinheiro registrada em centavos em
ein Buch eingetragen, wo sie etwa als 100stellige Zahlen um livro, no qual eles aparecessem como números de cem dígitos

185
OFM – Parte III

erschienen, mit denen ich nun zu rechnen hätte. Ich finge nun que teria agora que calcular. Começaria, então, a traduzi-los numa
damit an, sie mir in eine übersehbare Notation zu übersetzen, notação claramente visível, mas ainda os chamaria de ‘numerais’,
würde sie aber doch, ›Zahlzeichen‹ nennen, sie als Dokumente os trataria como escriturações
von [MS 122, p. 39r]
[MS 122, p. 39r] de números. Pois eu consideraria isso até mesmo como
Zahlen behandeln. Ja ich würde es sogar als Dokument einer escrituração de um número, se alguém me dissesse que N tem
Zahl ansehen, wenn mir einer sagte, N hat soviele Schillinge, als tantos reais quantas ervilhas cabem dentro desse tonel. Outra
Erbsen in dieses Faß gehen. Anders wieder: »Er hat soviele alternativa: “Ele tem tantos reais quantas letras existem nos
Schillinge als das Hohe Lied Buchstaben hat.« Cânticos de Salomão.”

155 155

17. Die Notation ›x1, x2, x3, . . .‹ macht den Ausdruck ›(Ǝ 17. A notação ‘x1, x2, x3, . . .’ dá uma forma à expressão ‘(Ǝ
....)‹, zur Gestalt und damit die R-bewiesene Tautologie. ....)’, e, assim, para a tautologia provada em R.

Laß mich so fragen: Ist Deixe-me perguntar: não seria


[MS 122, p. 39v] [MS 122, p. 39v]
es nicht denkbar, daß die 1-1 Zuordnung im Russellschen Beweis de se imaginar que a correlação 1-1 na prova de Russell não pode
nicht verläßlich vollzogen werden kann, daß z. B., wenn wir sie ser efetuada com confiabilidade, que, por exemplo, se a queremos
zum Addieren benutzen wollen, regelmäßig sich ein dem usar para a adição, regularmente obtemos um resultado em
gewöhnlichen Resultate widersprechendes ergibt, und daß wir das contradição com o usual, e que isso atribuímos ao cansaço que,
auf eine Ermüdung schieben, die, ohne daß wir’s merken, uns sem que nos apercebamos, nos deixa saltar certos passos? E não
gewisse Schritte überspringen laßt? Und könnten wir dann nicht poderíamos, então, dizer: – só se não nos cansássemos é que
sagen: – wenn wir nur nicht ermüdeten, würde sich das gleiche obteríamos o mesmo resultado –? Isso porque é o que a lógica
Resultat ergeben –? Darum, weil es die Logik fordert? Fordert sie exige? Ela exige isso, então? Não estamos aqui corrigindo a
es denn? Berichtigen wir hier nicht die Logik mit einem anderen lógica com um outro cálculo?
Kalkül? [MS 122, p. 40r]
[MS 122, p. 40r]
Suponhamos que juntássemos sempre 100 passos do
cálculo lógico e obtivéssemos agora resultados confiáveis,

186
OFM – Parte III

Nehmen wir an, wir nähmen immer 100 Schritte des enquanto que não os obteríamos se tentássemos efetuar todos os
logischen Kalküls zusammen und erhielten nun verläßliche passos individualmente – gostaríamos de dizer: o cálculo se
Resultate, während wir sie nicht erhalten, wenn wir alle Schritte baseia, de fato, em passos unitários, pois o passo de uma centena
einzeln auszuführen versuchen – man möchte sagen: die se define pelo passo unitário. – Já que a definição diz: tomar o
Rechnung basiert ja doch auf Einerschritten, da ein Hundertschritt passo de uma centena é o mesmo que . . . . ., e, de fato, tomamos
durch Einerschritte definiert ist. – Die Definition sagt doch: einen o passo de uma centena e não o centésimo passo unitário.
Hundertschritt machen, sei dasselbe wie . . . . ., und doch machen Pelo cálculo abreviado ainda sigo uma regra – e como se
wir den Hundertschritt und nicht die hundert Einerschritte. fundamentaria essa regra? – Como, se a prova abreviada e a não
Beim abgekürzten Rechnen folge ich doch einer Regel – abreviada produzem diferentes resultados?
und wie wurde diese Regel begründet? – Wie, wenn der gekürzte [MS 122, p. 40v]
und der ungekürzte Beweis verschiedene Resultate ergeben?
[MS 122, p. 40v]

18. Was ich sage, kommt doch darauf hinaus: daß ich z. B. 18. O que digo certamente resulta em: que eu, por exemplo,
›10‹ als ›1 + 1 + 1 + 1 . . .‹ definieren kann und ›100 x 2‹ als ›2 posso definir ‘10’ como ‘1 + 1 + 1 + 1 . . .’, e ‘100 x 2’ como ‘2
+ 2 + 2 . . .‹, aber darum nicht notwendig ›100 x 10‹ als ›10 + 10 + 2 + 2 ….’, mas, por isso, não necessariamente ‘100 x 10’ como
+ 10 …‹ oder gar als ›1 + 1 + 1 + 1 . . .‹. ‘10 + 10 + 10 …’, ou sequer como ‘1 + 1 + 1 + 1 . . .’.

156 156

Ich kann mich davon , daß 100 x 100 = 10.000 ist, durch Posso me convencer de que 100 x 100 = 10.000 por um
ein ›abgekürztes‹ Verfahren überzeugen. Warum soll ich dann procedimento ‘abreviado’. Por que não devo então considerar que
nicht dieses als das ursprüngliche Beweisverfahren betrachten? esse seria o procedimento de prova originário?

Ein abgekürztes Verfahren lehrt mich, was bei dem Um procedimento abreviado me ensina o que deve resultar
unabgekürten herauskommen soll. (Statt daß es umgekehrt wäre.) do não-abreviado. (Em vez do contrário.)
[MS 122, p. 41r] [MS 122, p. 41r]

187
OFM – Parte III

19. »Die Rechnung basiert ja doch auf den Einerschritten . . .«. 19. “É claro que o cálculo se baseia, efetivamente, em passos
Ja; aber auf andre Weise. Der Beweisvorgang ist eben ein anderer. individuais...”. Sim; mas de outra maneira. Justamente, o processo
de prova é outro.
Ich könnte zum Beispiel sagen: 10 = 1 + 1 + 1 + 1 + 1 + 1
+ 1 + 1 + 1 + l und gleichermaßen 100 = 10 + 10 + 10 + 10 + 10 Eu poderia, por exemplo, dizer: que 10 = 1 + 1 + 1 + 1 +
+ 10 + 10 + 10 + 10 + 10. Habe ich nicht die Erklärung von 100 1 + 1 + 1 + 1 + 1 + l, e, igualmente, que 100 = 10 + 10 + 10 + 10
auf die successive Addition von 1 basiert? Aber in derselben + 10 + 10 + 10 + 10 + 10 + 10. Não dei como base para a
Weise, als hätte ich 100 Einser addiert? Braucht es in meiner explicação de 100 a adição sucessiva de 1? Mas da mesma
Notation überhaupt ein Zeichen der Form – ›1 + 1 + 1 . . .‹ mit 100 maneira como se tivesse adicionado 100 unidades? Seria preciso
Summanden geben? dar enfim à minha notação um sinal da forma – ‘1 + 1 + 1 . . .’
com 100 termos?
Die Gefahr scheint hier zu sein, das gekürzte Verfahren als
einen blassen Schatten des O perigo aqui parece ser o de olhar o procedimento
[MS 122, p. 41v] abreviado como uma pálida sombra
ungekürzten anzusehen. Die Regel des Zählens ist nicht das [MS 122, p. 41v]
Zählen. do não-abreviado. A regra da contagem não é a contagem.

20. Worin besteht es, 100 Schritte des Kalküls, 20. Em que consiste ‘juntar’ 100 passos do cálculo?
›zusammenzunehmen‹? Doch darin, daß man nicht die Certamente em que se veja como decisivo não o passo unitário,
Einerschritte, sondern einen andern Schritt als maßgebend ansieht. mas um outro passo.
[MS 122, p. 42r] [MS 122, p. 42r]

157 157

Beim gewöhnlichen Addieren von ganzen Zahlen im Na adição ordinária de números inteiros no sistema
Dezimalsystem machen wir Einerschritte, Zehnerschritte, etc. decimal fazemos passos unitários, passos decimais etc. Podemos
Kann man sagen, das Verfahren basiere auf dem, nur dizer que o procedimento se baseia em fazer somente passos
Einerschritte zu machen? Und man könnte es so begründen: unitários? E poderíamos fundamentá-lo assim: o resultado da
Das Resultat der Addition schaut allerdings so aus – ›7.583‹, adição aparenta ser certamente – ‘7.583’, mas a explicação desse

188
OFM – Parte III

aber die Erklärung dieses Zeichens, seine Bedeutung, die sinal, o seu significado, que tem que ser finalmente também
endlich auch in seiner Anwendung zum Ausdruck kommen expresso em seu emprego, é, com efeito, desse modo: 1 + 1 + 1 +
muß, ist doch dieser Art: 1 + 1, e assim por diante. Mas
1 + 1 + 1 + 1 + 1 usf. Aber [MS 122, p. 42v]
[MS 122, p. 42v] ela é assim? O numeral tem que ser explicado desse modo, ou essa
ist dem so? Muß das Zahlzeichen so erklärt werden oder diese explicação ganha a expressão implícita em seu emprego?
Erklärung implizite in seiner Anwendung zum Ausdruck Acredito que se refletimos mais um pouco, mostra-se que isso não
kommen? Ich glaube, wenn wir nachdenken, zeigt sich's, es ist é o caso.
nicht der Fall.
O cálculo com gráficos ou com réguas de cálculo.
Das Rechnen mit Kurven oder mit dem Rechenschieber. Evidentemente, se controlamos um tipo de cálculo com o
Freilich wenn wir die eine Art des Rechnens mit der outro, normalmente obtemos o mesmo resultado. Se há, porém,
anderen kontrollieren, kommt normalerweise dasselbe heraus. vários tipos – quem diz, se eles não concordam entre si, qual é o
Wenn es nun aber mehrere Arten gibt – wer sagt, wenn sie nicht verdadeiro modo de calcular assentado na fonte da matemática?
übereinstimmen, welches die eigentliche, an der Quelle der [MS 122, p. 43r]
Mathematik sitzende Rechnungsweise ist?
[MS 122, p. 43r]

21. Wo ein Zweifel darüber auftauchen kann, ob dies wirklich 21. Onde se pode assomar uma dúvida acerca de se essa é
das Bild dieses Beweises ist, wo wir bereit sind, die Identität eines realmente a imagem dessa prova, onde estivermos dispostos a
Beweises anzuzweifeln, dort hat die Ableitung ihre Beweiskraft colocar dúvidas sobre a identidade de uma prova, ali a derivação
verloren. Denn der Beweis dient uns ja als Maß. perdeu o seu poder probatório. Pois a prova nos serve de medida.

Könnte man sagen: Zu einem Beweise gehört ein von uns Poderíamos dizer: pertence à prova um critério
anerkanntes Kriterium der richtigen Reproduktion des Beweises? reconhecido de reprodução correta da prova?

Das heißt z. B.: wir müssen sicher sein können, es muß uns Isso quer dizer, por exemplo: temos que estar certos de
als sicher feststehen, daß wir beim Beweisen kein Zeichen que ela tem que estabelecer para nós como certo que não

189
OFM – Parte III

übersehen haben. Daß uns kein Teufelchen betrogen haben kann, neglicenciamos na prova nenhum sinal. Que nenhum diabinho
in- possa nos ter enganado, ao

158 158

dem es Zeichen ohne fazer desaparecer um sinal


[MS 122, p. 44r] [MS 122, p. 44r]
unser Wissen verschwinden ließ, hinzusetzte, etc. sem que soubéssemos, ou ter colocado etc.

Man könnte sich so ausdrücken: Wo man sagen kann: Poderíamos expressá-lo assim: se podemos dizer “Mesmo
»auch wenn uns ein Dämon betrogen hätte, so wäre doch alles in que um demônio houvesse nos enganado, tudo ainda estaria em
Ordnung«, dort hat der Schabernack, den er uns antun wollte, eben ordem”, então o embuste que ele queria nos impingir teve a sua
seinen Zweck verfehlt. finalidade fracassada.
[MS 122, p. 44v] [MS 122, p. 44v]

22. Der Beweis, könnte man sagen, zeigt nicht bloß, daß es so 22. A prova, poderíamos dizer, mostra não meramente que ela
ist, sondern: wie es so ist. Er zeigt, wie 13 + 14 27 ergeben. é assim, mas: como ela é assim. Ela mostra como 13 + 14 resulta
em 27.
»Der Beweis muß übersehbar sein« – heißt: wir müssen
bereit sein, ihn als Richtschnur unseres Urteilens zu gebrauchen. “A prova tem que ser uma visão clara” – significa: nós
temos que estar prontos a usá-la como orientação para os nossos
Wenn ich sage »der Beweis ist ein Bild« – so kann man juízos.
sich ihn als kinematographisches Bild denken.
[MS 122, p. 45r] Se digo “A prova é uma imagem”, – então ela pode ser
pensada como uma imagem cinematográfica.
Den Beweis macht man ein für alle Mal. [MS 122, p. 45r]
[MS 122, p. 45v]
Fazemos uma prova de uma vez por todas.
Der Beweis muß natürlich vorbildlich sein. [MS 122, p. 45v]

190
OFM – Parte III

Der Beweis (das Beweisbild) zeigt uns das Resultat eines A prova, naturalmente, tem que ser modelar.
Vorgangs (der Konstruktion); und wir sind überzeugt, daß ein so
geregeltes Vorgehen immer zu diesem Bild führt. A prova (a imagem da prova) nos mostra o resultado de
[MS 122, p. 46v] um processo (de construção); e ficamos convencidos de que um
(Der Beweis führt uns ein synthetisches Faktum vor.) procedimento regulado assim, sempre nos conduz a essa imagem.
[MS 122, p. 46v]
(A prova nos demonstra um fato sintético.)99
159
159

23. Mit dem Satz, der Beweis sei ein Vorbild, – dürfen wir 23. Com a sentença de que a prova é um modelo – não
natürlich nichts Neues sagen. podemos dizer, naturalmente, nada de novo.

Der Beweis muß ein Vorgang sein, von dem ich sage: Ja, A prova tem que ser um processo do qual diga: sim, tem
so muß es sein; das muß herauskommen, wenn ich nach dieser que ser assim; tem que resultar nisso se procedo segundo essa
Regel vorgehe. regra.

Der Beweis, könnte man sagen, muß ursprünglich eine Art A prova, poderíamos dizer, tem que ser originalmente uma
Experiment sein – wird aber espécie de experimento – mas então
[MS 122, p. 47r] [MS 122, p. 47r]
dann einfach als Bild genommen. tomada simplesmente como uma imagem.

Wenn ich 200 Äpfel und 200 Äpfel zusammenschütte und Se despejo de uma vez 200 maçãs e 200 maçãs e as conto,
zähle, und es kommt 400 heraus, so ist das kein Beweis für 200 + e o resultado é de 400, isso não é uma prova de que 200 + 200 =
200 = 400. Das heißt, wir würden dieses Faktum nicht als 400. Isso quer dizer que nós não queremos empregar esse fato
Paradigma zur Beurteilung aller ähnlicher Situationen verwenden como paradigma para julgar todas as situações similares.
wollen.

191
OFM – Parte III

Zu sagen: »diese 200 Äpfel und diese 200 Äpfel geben Dizer: “Estas 200 maçãs e estas 200 maçãs dão 400” – é
400« – sagt: Wenn man sie zusammenschüttet, kommt keiner weg falar: se as despejamos de uma vez, nada mais sai dali, elas se
noch dazu, sie verhalten sich normal. comportam normalmente. 100
[MS 122, p. 47v] [MS 122, p. 47v]

24. »Das ist das Vorbild der Addition von 200 und 200« – 24. “Esse é o modelo da adição de 200 e 200” – não: “Esse é
nicht: »Das ist das Vorbild davon, daß 200 und 200 addiert 400 o modelo de que 200 e 200 adicionados dão 400”. O processo da
ergeben«. Der Vorgang des Addierens ergab allerdings 400, aber adição dá certamente em 400, mas tomamos agora esse resultado
dies Resultat nehmen wir nun zum Kriterium der richtigen como critério para a adição correta – ou simplesmente: da adição
Addition – oder einfach: der Addition – dieser Zahlen. – desses números.
[MS 122, p.48r] [MS 122, p.48r]

160 160

Der Beweis muß unser Vorbild, unser Bild, davon sein, A prova tem que ser nosso modelo, nossa imagem, de
wie diese Operationen ein Ergebnis haben. como essas operações dão um resultado.
[MS 122, p. 48v] [MS 122, p. 48v]101

Der ›bewiesene Satz‹ drückt aus, was aus dem Beweisbild A ‘proposição provada’ expressa o que é lido na imagem
abzulesen ist. da prova.
[MS 122, p. 48r] [MS 122, p. 48r]

Der Beweis ist unser Vorbild des richtigen A prova é o nosso modelo da soma de 200 maçãs com 200
Zusammenzählens von 200 Äpfeln und 200 Äpfeln. Das heißt, er maçãs. Isso quer dizer, ela determina um novo conceito: ‘a soma
bestimmt einen neuen Begriff: ›das Zusammenzählen von 200 und de 200 objetos com 200 objetos’. Ou poderíamos também dizer:
200 Gegenständen‹. Oder man könnte auch sagen: »ein neues “um novo critério para que nada escape ou se acrescente.”
Kriterium dafür, daß nichts weggekommen oder dazugekommen
ist«. A prova define a ‘soma correta’.

192
OFM – Parte III

Der Beweis definiert das ›richtige Zusammenzählen‹. A prova é o nosso modelo de um resultado determinado,
que serve como objeto de comparação
Der Beweis ist unser Vorbild eines bestimmten Ergebens, [MS 122, p. 48v]
wel- ches als Vergleichsobjekt (medida) para mudanças reais.102
[MS 122, p. 48v] [MS 122, p. 49r]103
(Maßstab) für wirkliche Veränderungen dient.
[MS 122, p. 49r]

25. Der Beweis überzeugt uns von etwas – aber nicht der 25. A prova nos convence de algo – mas não nos interessa o
Gemütszustand des Überzeugtseins interessiert uns – sondern die estado de ânimo daquele que é convencido – senão as aplicações
Anwendungen, die diese Überzeugung belegen. que revestem esse convencimento.

Daher läßt uns die Aussage kalt: der Beweis überzeuge uns Portanto, a afirmação nos deixa gelados: a prova nos
von der Wahrheit dieses Satzes, – da dieser Ausdruck der convence da verdade dessa proposição, – pois essa expressão é
verschiedensten Auslegungen fähig ist. capaz das mais diferentes exegeses.

161 161

Wenn ich sage: »der Beweis Quando digo: “A prova


[MS 122, p. 50r] [MS 122, p. 50r]
überzeugt mich von etwas«, so muß aber der Satz, der dieser me convenceu de algo”, a proposição que dá expressão a esse
Überzeugung Ausdruck gibt, nicht im Beweise konstruiert convencimento não tem que ter sido ainda construída na prova.
werden. Wie wir z. B. multiplizieren, aber nicht notwendigerweise Como, por exemplo, multiplicamos, mas não necessariamente
das Ergebnis in Form des Satzes ›…. x …. = ….‹ hinschreiben. anotamos o resultado na forma da proposição ‘…. x …. = ….’.
Man wird also wohl sagen: die Multiplikation gebe uns diese Poderíamos, portanto, possivelmente dizer: a multiplicação nos
überzeugung, ohne daß der Satz, der sie ausdrückt, je dá esse convencimento sem que a proposição que ela expressa
ausgesprochen wird. seja sequer proferida.
[MS 122, p. 50v] [MS 122, p. 50v]

193
OFM – Parte III

Ein psychologischer Nachteil der Beweise, die Sätze Uma desvantagem psicológica da prova que constrói
konstruieren, ist, daß sie uns leichter vergessen lassen, daß der proposições é que ela nos deixa esquecer facilmente que o sentido
Sinn des Resultats nicht aus diesem allein abzulesen ist, sondern do resultado não é para ser lido só nele, mas na prova. A esse
aus dem Beweis. In dieser Hinsicht hat das Eindringen des respeito, a invasão do simbolismo de Russell na prova causou
Russellschen Symbolismus in die Beweise viel Schaden getan. muito dano.

Die Russellschen Zeichen hüllen die wichtigen Formen Os sinais Russellianos acobertam as formas importantes
des Beweises da prova
[MS 122, p. 51r] [MS 122, p. 51r]
gleichsam bis zur Unkenntlichkeit ein, wie wenn eine menschliche até, por assim dizer, o ponto do desconhecimento, assim como a
Gestalt in viele Tücher gewickelt ist. forma humana está empacotada por um monte de panos.

26. Bedenken wir, wir werden in der Mathematik von 26. Levemos em consideração que somos convencidos em
grammatischen Sätzen überzeugt; der Ausdruck, das Ergebnis, matemática por proposições gramaticais; a expressão, o
dieser überzeugtheit resultado, desse convencimento
[MS 122, p. 52r] [MS 122, p. 52r]
ist also, daß wir eine Regel annehmen. é, portanto, o de que aceitamos uma regra.

Nichts ist wahrscheinlicher, als daß der Wortausdruck des Nada é mais provável do que ter sido posta em prática a
Resultats eines mathematischen Beweises dazu angetan ist, uns expressão verbal do resultado de uma prova matemática para nos
einen Mythus vorzuspiegeln. iludir com um mito.
[MS 122, p. 52v] [MS 122, p. 52v]

27. Ich will etwa sagen: Wenn auch der bewiesene 27. Quero, talvez, dizer: mesmo que a proposição de uma
mathematische Satz auf eine Realität außerhalb seiner selbst zu prova matemática pareça interpretar uma realidade externa a ela,
deuten

162 162

194
OFM – Parte III

scheint, so ist er doch nur der Ausdruck der Anerkennung eines ela é ainda só a expressão do reconhecimento de uma nova
neuen Maßes (der Realität). medida (da realidade).

Wir nehmen also die Konstruierbarkeit (Beweisbarkeit) Nós tomamos, portanto, a construtibilidade
dieses Symbols (nämlich des mathematischen Satzes) zum (provabilidade) desse símbolo (digamos, da proposição
Zeichen dafür, daß wir Symbole so und so transformieren sollen. matemática) como um sinal de que devemos transformar símbolos
assim e assim.
Wir haben uns im Beweis zu einer Erkenntnis
durchgerungen? Und der letzte Satz spricht diese Erkenntnis aus? Nós batalhamos na prova por um conhecimento? E a
Ist diese Erkenntnis nun frei vom Beweis (ist die Nabelschnur ab- proposição final expressa esse conhecimento? Esse conhecimento
[MS 122, p. 53r] está agora livre da prova (foi cortado o cordão
geschnitten)? – Nun, der Satz wird jetzt allein und ohne das [MS 122, p. 53r]
Anhängsel des Beweises verwendet. umbilical)? – Bem, a proposição é empregada sozinha agora sem
ser um anexo da prova.
Warum soll ich nicht sagen: ich habe mich im Beweis zu
einer Por que não devo dizer: eu batalhei na prova por uma
Entscheidung durchgerungen? decisão?

Der Beweis stellt diese Entscheidung in ein System von A prova coloca essa decisão em um sistema de decisões.
Entscheidungen.
(Naturalmente, eu poderia também dizer: “A prova me
(Ich könnte natürlich auch sagen: »der Beweis überzeugt convence da conveniência dessa regra”. Mas dizer isso pode
mich von der Zweckmäßigkeit dieser Regel«. Aber das zu sagen facilmente se tornar enganoso.)
könnte leicht irreführen.)

28. Der durch den Beweis bewiesene Satz dient als Regel, also 28. A proposição provada pela prova serve como regra,
als Paradigma. Denn nach der Regel richten wir uns. portanto como paradigma. Pois nos orientamos pela regra.
[MS 122, p. 53v] [MS 122, p. 53v]

195
OFM – Parte III

Aber bringt uns der Beweis nur dazu, daß wir uns nach Mas a prova só nos traz aquilo para o que nos orientamos
dieser
163 163

Regel richten (sie anerkennen), oder zeigt er uns auch, wie wir uns segundo a regra (reconhecê-la), ou a prova nos mostra também
nach ihr richten sollen? como devemos nos orientar pela regra?

Der mathematische Satz soll uns ja zeigen, was zu sagen A proposição matemática deve, sem dúvida, nos mostrar
SINN hat. o que tem SENTIDO dizer.

Der Beweis konstruiert einen Satz; aber es kommt eben A prova constrói uma proposição; mas isso depende de
drauf an, wie er ihn konstruiert. Manchmal z. B. konstruiert er como ela a constrói. Algumas vezes, por exemplo, ela constrói
zuerst eine Zahl und dann folgt der Satz, daß es eine solche Zahl primeiro um número, e depois segue-se a proposição de que esse
gibt. Wenn wir sagen, die Konstruktion müsse uns von dem Satz número existe. Quando dizemos que a construção tem que nos
überzeugen, so heißt das, daß sie uns dazu bringen muß, diesen convencer acerca da proposição, isso quer dizer que ela tem que
Satz so und so anzuwenden. Daß sie uns be- nos levar a empregar essa proposição assim e assim. Que ela tem
[MS 122, p. 54r] que nos
stimmen muß, das als Sinn, das nicht als Sinn anzuerkennen. [MS 122, p. 54r]
determinar a aceitar isso como tendo sentido e isso como não
tendo sentido.

29. Was hat der Zweck einer euklidischen Konstruktion, etwa 29. O que há de comum entre a finalidade de uma construção
der Halbierung der Strecke, mit dem Zweck der Ableitung einer euclidiana, digamos a bissecção de um segmento, com a
Regel aus Regeln mittels logischer Schlüsse gemein? finalidade da derivação de uma regra de outras regras mediante
inferências lógicas?
Das Gemeinsame scheint zu sein, daß ich durch die
Konstruktion eines Zeichens die Anerkennung eines Zeichens O comum parece ser o fato de que sou compelido a aceitar
erzwinge. um sinal pela construção de um sinal.

196
OFM – Parte III

Könnte man sagen: »Die Mathematik schafft neue Poderíamos dizer: “A matemática cria novas expressões,
Ausdrücke, nicht neue Sätze«?? não novas proposições”??
Insofern nämlich, als die mathematischen Sätze Contanto que, digamos, as proposições matemáticas
[MS 122, p. 54v] [MS 122, p. 54v]
ein für allemal in die Sprache aufgenommene Instrumente sind – sejam instrumentos definitivamente tomados na linguagem – e a
und ihr Beweis die Stelle zeigt, an der sie stehen. sua prova mostre o lugar em que elas estão.

164 164

Inwiefern sind aber zum Beispiel Russells Tautologien Mas em que medida são, por exemplo, as tautologias de
›Instrumente der Sprache‹? Russell ‘instrumentos da linguagem’?
Russell hätte sie jedenfalls nicht für solche gehalten. Sein Em todo o caso, Russell não as tomaria como tais. Seu
Irrtum, wenn ein solcher vorlag, konnte aber nur darin bestehen, erro, se existiu tal coisa, pode, entretanto, ter consistido em que
daß er auf die Anwendung nicht acht hatte. ele não prestou atenção à sua aplicação.

Der Beweis läßt ein Gebilde aus einem anderen entstehen. A prova permite que uma estrutura se gere da outra.
Er führt uns die Entstehung von einem aus anderen vor. Ela nos exibe a geração de uma a partir da outra.
Das ist alles recht gut – aber er leistet doch damit Tudo isso está muito bem – mas ela, não obstante, o
[MS 122, p. 55r] cumpre
in verschiedenen Fällen ganz Verschiedenes! Was ist das Interesse [MS 122, p. 55r]
dieser überleitung?! em casos diferentes de modo totalmente diferente! Qual é o
interesse dessa transição?!
Wenn ich auch den Beweis in einem Archiv der Sprache
niedergelegt denke – wer sagt, wie dies Instrument zu verwenden Mesmo que imagine que a prova esteja depositada em um
ist, wozu er dient! arquivo da linguagem – quem irá dizer como esse instrumento
deve ser empregado e para que serve!

197
OFM – Parte III

30. Der Beweis bringt mich dazu zu sagen: das müsse sich so 30. A prova me leva a dizer: isso tem que ser assim. — Bem,
verhalten. — Nun, das verstehe ich im Fall eines euklidischen entendo isso no caso de uma prova euclidiana ou de uma prova de
Beweises oder eines Beweises von ›25 x 25 = 625‹, aber ist es auch que ‘25 x 25 = 625’, mas é também assim no caso de uma prova
so im Fall eines Russellschen Beweises etwa von ›⊢ p ⸧ q . p . ⸧ Russelliana, talvez, de que ‘⊢ p ⸧ q . p . ⸧ . q’?104 O que quer
. q‹? Was heißt hier ›es müsse sich so verhälten‹, im Gegensatz zu dizer aqui ‘isso tem que ser assim’, em contraposição a ‘isso
›es verhält sich so‹ ? Soll ich sagen: »Nun, ich ocorre assim’? Devo dizer: “Agora admito
[MS 122, p. 55v] [MS 122, p. 55v]
nehme diesen Ausdruck als Paradigma für alle nichtssagenden essa expressão como paradigma para todas as proposições não-
Sätze dieser Forrm an«? significativas dessa forma”?

Ich gehe den Beweis durch und sage: »Ja, so muß es sein; Eu percorro toda a prova e digo: “Sim, assim é que tem
ich que ser; tenho que estabelecer assim o uso da minha linguagem”.
muß den Gebrauch meiner Sprache so festlegen«.

165 165

Ich will sagen, daß das Muß einem Gleise entspricht, das Quero dizer que o exigir corresponde a um trilho que
ich in der Sprache lege. coloco na linguagem.
[MS 122, p. 56r] [MS 122, p. 56r]

31. Wenn ich sagte, ein Beweis führe einen neuen Begriff ein, 31. Quando disse que uma prova introduz um novo conceito,
so meinte ich so etwas wie: der Beweis setze ein neues Paradigma quis dizer alguma coisa como: a prova coloca um novo paradigma
zu den Paradigmen der Sprache; ähnlich wie wenn man ein para os paradigmas da linguagem; assim como quando
besonderes rötlich- misturamos um azul
[MS 122, p. 56v] [MS 122, p. 56v]
blau mischte, die besondere Farbmischung irgendwie festlegte avermelhado, de algum modo estabelecemos uma particular
und ihr einen Namen gäbe. mistura de cores e lhe damos um nome.

198
OFM – Parte III

Aber, wenn wir auch geneigt sind, einen Beweis ein Mas mesmo quando estamos inclinados a denominar uma
solches neues Paradigma zu nennen – was ist die genaue prova como um desses novos paradigmas – qual é a exata
Ähnlichkeit eines Beweises zu so einem Begriffsvorbild? similaridade de uma prova com um modelo de conceito assim?
Man möchte sagen: der Beweis ändert die Grammatik Gostaríamos de dizer: a prova modifica a gramática da
unserer Sprache, ändert unsere Begriffe. Er macht neue nossa linguagem, muda os nossos conceitos. Ela faz novas
Zusammenhänge, und er schafft den Begriff dieser conexões, e cria o conceito dessas conexões. (Ela não estabelece
Zusammenhänge. (Er stellt nicht fest, daß sie da sind, sondern sie que elas estão lá, mas elas não estão lá antes que a prova as faça.)
sind nicht da, ehe er sie nicht macht.) [MS 122, p. 57r]
[MS 122, p. 57r]

32. Welchen Begriff schafft ›p ⸧ p‹? Und doch ist es mir als 32. Qual é o conceito criado por ‘p ⸧ p’? E, no entanto, para
könnte man sagen ›p ⸧ p‹ diene uns als Begriffszeichen. mim é como se pudéssemos dizer que ‘p ⸧ p’ nos serve como
›p ⸧ p‹ ist eine Formel. Legt eine Formel einen Begriff sinal de um conceito.
fest? Man kann sagen: »daraus folgt nach der Formel .... das und ‘p ⸧ p’ é uma formula. Uma fórmula estabelece um
das«. Oder auch: »daraus folgt auf die Art .... das und das«. Aber conceito? Podemos dizer: “Segundo a formula ...., a partir daqui
ist das ein Satz, wie ich ihn wünsche? Wie ist es aber damit: »Zieh' segue-se que isso e isso”. Ou também: “A partir daqui, segue-se
daraus die Konsequenz auf die Art .... «? que isso e isso deste modo ….”. Mas essa é a proposição que
[MS 122, p. 57v] desejei? O que acontece, então, com: “Tire a partir daqui as
consequências deste modo ….”?
[MS 122, p. 57v]

33. Wenn ich vom Beweis sage, er sei ein Vorbild (ein Bild), 33. Quando digo que a prova é um modelo (uma imagem),
so muß ich es auch von einem Russellschen Pp. sagen können (als então tenho que poder dizer o mesmo de uma Pp.105 de Russell
der Eizelle eines Beweises). (como o óvulo de uma prova).
Man kann fragen:"Wie ist man darauf gekommen, den Satz Podemos perguntar: como chegamos a proferir a
proposição
166 166

199
OFM – Parte III

›p ⸧ p‹ als eine wahre Behauptung auszusprechen? Nun, man hat ‘p ⸧ p’ como uma afirmação verdadeira? Bem, não a usamos na
ihn nicht im praktischen Sprachverkehr gebraucht, – aber dennoch intercomunicação linguística prática, – mas, apesar disso,
war man geneigt, ihn unter besonderen Umständen (wenn man estávamos inclinados a proferi-la sob circunstâncias particulares
zum Beispiel Logik betrieb) mit Überzeugung auszusprechen. (quando, por exemplo, operamos em lógica) com convicção.
[MS 122, p. 58v] [MS 122, p. 58v]

Wie ist es aber mit ›p ⸧ p‹? Ich Mas como isso acontece com ‘p ⸧ p’? Vejo
[MS 122, p. 59r] [MS 122, p. 59r]
sehe in ihm einen degenerierten Satz, der auf der Seite der nela uma proposição degenerada que está do lado da verdade.
Wahrheit ist. Eu a estabeleço como um ponto de intersecção importante
Ich lege ihn als wichtigen Schnittpunkt von sinnvollen de proposições significativas. Um pivô do modo de apresentação.
Sätzen fest. Ein Angelpunkt der Darstellungsweise. [MS 122, p.59v]
[MS 122, p.59v]

34. Die Konstruktion des Beweises beginnt mit irgend 34. A construção da prova começa com quaisquer sinais, e,
welchen Zeichen, und unter diesen müssen einige, die entre esses, alguns, as ‘constantes’, já têm significado na
›Konstanten‹, in der Sprache schon Bedeutung haben. So ist es linguagem. Assim, é essencial que ‘˅’ e ‘~’ já possuam para nós
wesentlich, daß ›˅‹ und ›~‹ schon eine uns geläufige Anwendung uma aplicação habitual, e a construção de uma
besitzen, und die Konstruktion eines [MS 122, p. 61r]
[MS 122, p. 61r] prova no “Principia Mathematica” toma a sua importância, o seu
Beweises in der »Principia Mathematica« nimmt ihre Wichtigkeit, sentido, dali. Mas os sinais da prova não permitem reconhecer
ihren Sinn, daher. Die Zeichen aber des Beweises lassen diese esse significado.
Bedeutung nicht erkennen.
O ‘emprego’ da prova, naturalmente, tem a ver com esse
Die ›Verwendung‹ des Beweises hat natürlich mit jener emprego dos sinais.
Verwendung seiner Zeichen zu tun.

200
OFM – Parte III

35. Wie gesagt, ich bin ja auch schon von den Pp. Russells in 35. Como disse, já estou convencido, em certo sentido, até
gewissem Sinne überzeugt. mesmo pelas Pp. de Russell.
Die überzeugung also, die der Beweis hervorbringt, O convencimento, portanto, trazido pela prova
[MS 122, p. 61v] [MS 122, p. 61v]
kann nicht nur von der Beweiskonstruktion herrühren. não pode provir somente da sua construção.

36. Wenn ich das Urmeter in Paris sähe, aber die Institution 36. Se visse o metro originário em Paris, mas não conhecesse

167 167

des Messens und ihren Zusammenhang mit jenem Stab nicht a instituição da medida e a sua conexão com aquele padrão, –
kennte – könnte ich sagen, ich kenne den Begriff des Urmeters? poderia dizer que conheço o conceito de metro originário?

Ist nicht auch so der Beweis ein Teil einer Institution? A prova também não é, assim, uma parte de uma
instituição?
Der Beweis ist ein Instrument – aber warum sage ich: »ein
Instrument der Sprache«? A prova é um instrumento – mas por que digo: “Um
Ist denn die Rechnung notwendigerweise ein Instrument instrumento da linguagem”?
[MS 122, p. 64v] Então o cálculo é necessariamente um instrumento
der Sprache? [MS 122, p. 64v]
da linguagem?

37. Was ich immer tue, scheint zu sein – zwischen 37. O que faço sempre, parece ser – realçar uma diferença
Sinnbestimmung und Sinnverwendung einen Unterschied entre determinação do sentido e emprego do sentido.
hervorzuheben. [MS 122, p. 66r]
[MS 122, p. 66r]

201
OFM – Parte III

38. Den Beweis anerkennen: Man kann ihn anerkennen als 38. Reconhecer a prova: podemos reconhecê-la como
Paradigma der Figur, die entsteht, wenn diese Regeln richtig auf paradigma da figura que surge quando essas regras são aplicadas
gewisse Figuren angewandt werden. Man kann ihn anerkennen als corretamente sobre certas figuras. Podemos reconhecê-la como a
die richtige Ableitung einer Schlußregel. Oder als eine richtige derivação correta de uma regra de inferência. Ou como uma
Ablei- derivação correta
[MS 122, p. 68r] [MS 122, p. 68r]
tung aus einem richtigen Erfahrungssatz; oder als die richtige feita a partir de uma proposição da experiência correta; ou como
Ableitung aus einem falschen Erfahrungssatz; oder einfach als die a derivação correta feita a partir de uma falsa proposição da
richtige Ableitung aus einem Erfahrungssatz, von dem wir nicht experiência; ou simplesmente como a derivação correta feita a
wissen, ob er wahr oder falsch ist. partir de uma proposição da experiência que não sabemos se é
[MS 122, p. 68v] verdadeira ou falsa.
[MS 122, p. 68v]
Kann ich nun aber sagen, daß die Auffassung des Beweises
als Posso, no entanto, dizer agora que a concepção de prova
›Beweises der Konstruierbarkeit‹ des bewiesenen Satzes in como ‘prova da construtibilidade’ da proposição provada é em
irgendeinem Sinn eine einfachere, primärere, als jede andre algum sentido uma concepção mais simples, mais primária que
Auffassung ist? qualquer outra?

168 168

Kann ich also sagen: »Ein jeder Beweis beweist vor allem, Posso, portanto, dizer: “Cada prova prova, antes de tudo,
daß diese Zeichenform herauskommen muß, wenn ich diese Regel que esta forma dos sinais tem que aparecer se aplico essas regras
auf diese Zeichenformen anwende«? sobre essas formas de sinais”?
Oder: »Der Beweis beweist vor allem, daß diese Ou: “A prova prova antes de tudo que esta forma dos
Zeichenform entstehen kann, wenn man nach die- sinais pode surgir se operamos essas
[MS122, p. 69r] [MS122, p. 69r]
sen Transformationsregeln mit diesen Zeichen operiert.« – regras de transformação com esses sinais.” –
Das würde auf eine geometrische Anwendung deuten. Isso indicaria um emprego geométrico. Pois a proposição
Denn der Satz, dessen Wahrheit, wie ich sage, hier bewiesen ist, cuja verdade, como disse, é aqui provada, é uma proposição

202
OFM – Parte III

ist ein geometrischer Satz – ein Satz Grammatik die geométrica – uma proposição da gramática que diz respeito à
Transformierungen von Zeichen betreffend. Man könnte zum transformação de sinais. Poderíamos, por exemplo, dizer: está
Beispiel sagen: es sei bewiesen, daß es Sinn habe zu sagen, jemand provado que há sentido em dizer que alguém obteve o sinal ....,
habe das Zeichen .... nach diesen Regeln aus .... und .... erhalten; segundo essas regras, de .... e de ....; mas não há sentido etc., etc.
aber keinen Sinn etc. etc. [MS 122, p. 69v]
[MS 122, p. 69v]

Ou: se desnudamos a matemática daquele conteúdo, só


Oder: Wenn man die Mathematik jedes Inhalts entkleide, resta que certos sinais podem ser construídos de outros segundo
so bleibe, daß gewisse Zeichen aus andern nach gewissen Regeln certas regras. –
sich konstruieren lassen. –
O mínimo que teríamos que reconhecer é: que esses sinais
Das Mindeste, was wir anerkennen müssen, sei: daß dies etc., etc., – e que essa admissão assenta o fundamento para todos
Zei- chen etc. etc. – und diese Anerkennung lege jeder anderen zu os outros. –
Grunde. – [MS 122, p. 70r]
[MS 122, p. 70r]
Gostaria de dizer agora: a sequência de sinais da prova não
Ich möchte nun sagen: Die Zeichenfolge des Beweises acarreta necessariamente, por si mesma, qualquer admissão. Mas
zieht nicht notwendigerweise irgendein Anerkennen nach sich. uma vez que seja uma questão de admissão, essa não precisa ser
Wenn wir aber einmal mit dem Anerkennen anfangen, dann uma admissão ‘geométrica’.
braucht es nicht das ›geometrische‹ zu sein.
Uma prova, é claro, poderia consistir meramente em dois
Ein Beweis könnte doch aus bloß zwei Stufen bestehen; passos; digamos, em uma proposição ‘(x).fx’, e uma ‘fa’ – a
etwa einem Satz ›(x).fx‹ und einem ›fa‹ – spielt hier das richtige transição correta segundo uma regra tem aqui algum papel
übergehen nach einer Regel eine wichtige Rolle? importante?
[MS 122, p. 70v] [MS 122, p. 70v]

169 169

39. Was ist unerschütterlich gewiß am Bewiesenen? 39. O que é inabalavelmente certo no que é provado?

203
OFM – Parte III

Einen Satz als unerschütterlich gewiß anzuerkennen – will Reconhecer uma proposição como inabalavelmente certa
ich sagen – heißt, ihn als grammatische Regel – quero dizer – significa empregá-la como regra gramatical:
[MS 122, p. 72r] [MS 122, p. 72r]
zu verwenden: dadurch entzieht man ihn der Ungewißheit. por meio disso afastamos dela a incerteza.

»Der Beweis muß übersehbar sein« heißt eigentlich nichts “A prova tem que ter uma visão clara” realmente não
andres als: der Beweis ist kein Experiment. Was sich im Beweis significa outra coisa senão que: a prova não é um experimento.
ergibt, nehmen wir nicht deshalb an, weil es sich einmal ergibt, Aceitamos o que resulta da prova não porque resulta só uma vez,
oder weil es sich oft ergibt. Sondern wir sehen im Beweis den ou porque resulta frequentemente. Senão que vemos na prova a
Grund dafür zu sagen, daß es sich so ergeben muß. razão para dizer que isso tem que resultar dessa maneira.

Nicht, daß dies Zuordnen zu diesem Resultat führt, beweist Não se prova que essa correlação leva a esse resultado –
– sondern daß wir überredet werden, diese Erscheinungen (Bilder) senão que somos persuadidos a tomar esses fenômenos (imagens)
als Vorlagen zu nehmen dafür, wie es aus- como modelo para ver como
[MS 122, p. 72v] [MS 122, p. 72v]
schaut, wenn ... seria se ...

Der Beweis ist unser neues Vorbild dafür wie es ausschaut, A prova é o nosso modelo para ver como seria se nada se
wenn nichts weg- und nichts dazukommt, wenn wir richtig zählen, perde nem nada se acrescenta quando contamos corretamente etc.
etc. Aber diese Worte zeigen, daß ich nicht recht weiß, wovon der Mas essas palavras mostram que não sei ao certo do que a prova
Beweis ein Vorbild ist. é um modelo.

Ich will sagen: mit der Logik der »Principia Mathematica« Quero dizer: com a lógica do “Principia Mathematica”
könnte man eine Arithmetik begründen, in der 1.000 + 1 = 1.000 poderíamos fundamentar uma aritmética na qual 1.000 + 1 =
ist; und alles, was dazu nötig ist, wäre die sinnliche Richtigkeit der 1.000; e tudo o que é preciso para isso seria duvidar da correção
Rechnungen anzuzweifeln. Wenn wir sie aber nicht anzweifeln, so sensível dos cálculos. Mas se não duvidamos deles, então a culpa
hat daran nicht unsre überzeugtheit von der Wahrheit der Logik não é da nossa convicção da verdade da lógica.
die Schuld. [MS 122, p. 73r]
[MS 122, p. 73r]

204
OFM – Parte III

170 170

Wenn wir beim Beweis sagen: »Das muß herauskommen« Quando dizemos numa prova: “Tem que resultar nisso” –
– so nicht aus Gründen, die wir nicht sehen. então isso não vem das razões que não vemos.

Nicht, daß wir dieses Resultat erhalten, sondern, daß es das Não é que obtemos esse resultado, senão que ele é o fim
Ende dieses Weges ist, läßt es uns annehmen. do caminho que nos permite que o aceitemos.

Das ist der Beweis, was uns überzeugt: Das Bild, was uns Esta é a prova que nos convence: a imagem que não nos
nicht überzeugt, ist der Beweis auch dann nicht, wenn von ihm convence não é, tampouco, a prova, mesmo que puder ser
gezeigt werden kann, daß es den bewiesenen Satz exemplifiziert. mostrado que ela exemplifica a proposição comprovada.
[MS 122, p. 73v] [MS 122, p. 73v]

Das heißt: es darf keine physikalische Untersuchung des Isso significa: não é necessária nenhuma investigação
Be- weisbildes nötig sein, um uns zu zeigen, was bewiesen ist. física da imagem da prova para nos mostrar o que foi provado.
[MS 122, p. 74r] [MS 122, p. 74r]

40. Wir sagen von zwei Menschen auf einem Bild nicht vor 40. Nós não dizemos primeiro de duas pessoas numa imagem
allem, der eine erscheint kleiner als der andre und erst dann, er que uma parece menor do que a outra, e só então que ela parece
erscheine weiter hinten zu sein. Es ist, kann man sagen, wohl estar bem atrás. É bem possível, pode-se dizer, que ser menor nem
möglich, daß uns das Kürzersein gar nicht auffällt, sondern bloß nos chame a atenção, senão meramente o estar atrás. (Isso me
das Hintenliegen. (Dies scheint parece
[MS 122, p 75r] [MS 122, p 75r]
mir mit der Frage der ›geometrischen‹ Auffassung des Beweises estar conectado com a questão da concepção ‘geométrica’ da
zusammen zu hängen.) prova.)

41. »Er ist das Vorbild für das, was man so und so nennt.« 41. Ela é o modelo do que chamamos de tal e tal.”

205
OFM – Parte III

Von was soll aber der Übergang von ›(x).fx‹ auf ›fa‹ ein Mas do que deve a transição de ‘(x).fx’ a ‘fa’ ser um
Vorbild sein? Höchstens davon, wie von Zeichen der Art ›(x).fx‹ modelo? No máximo de como podemos derivar de sinais do tipo
geschlossen werden kann. ‘(x).fx’.
Das Vorbild dachte ich mir als eine Rechtfertigung, hier Imaginava o modelo como uma justificação, mas aqui não
aber ist há

171 171

es keine Rechtfertigung. Das Bild (x).fx .·. fa rechtfertigt den nenhuma justificação. A imagem (x).fx não justifica a conclusão.
Schluß nicht. Wenn wir von einer Rechtfertigung des Schlusses Se nós quisermos falar de uma justificação da conclusão, então
reden wollen, so liegt sie außerhalb dieses Zeichenschemas. ela está fora do esquema de sinais.
[MS 122, p. 75v] [MS 122, p. 75v]

Und doch ist etwas daran, daß der mathematische Beweis E, no entanto, há algo em dizer que a prova matemática
einen neuen Begriff schafft . – Jeder Beweis ist gleichsam ein cria um conceito novo. – Toda prova é como se fosse uma
Bekenntnis zu einer bestimmten Zeichenverwendung. profissão de fé em um determinado emprego de sinais.

Aber zu was ist er ein Bekenntnis? Nur zu dieser Mas em que ela é uma profissão de fé? Só nesse emprego
Verwendung der Übergangsregeln von Formel zu Formel? Oder da regra de transição de fórmula a fórmula? Ou também uma
auch ein Bekenntnis zu den ›Axiomen‹ in irgend einem Sinn? profissão de fé, em algum sentido, nos ‘axiomas’?

Könnte ich sagen: ich bekenne mich zu p ⸧ p als einer Poderia dizer: professo minha fé em p ⸧ p como uma
Tautologie? tautologia?
[MS 122, p. 76r] [MS 122, p. 76r]

Ich nehme ›p ⸧ p‹ als Maxime an, etwa des Schließens. Aceito p ⸧ p como máxima, talvez da inferência.

Die Idee, der Beweis schaffe einen neuen Begriff, könnte A ideia de que a prova cria um novo conceito poderia ser
man ungefähr so ausdrücken: Der Beweis ist nicht seine expressa aproximadamente assim: a prova não são os seus

206
OFM – Parte III

Grundlagen plus den Schlußregeln, sondern ein neues Haus – fundamentos mais as regras de inferência, mas uma casa nova –
obgleich ein Beispiel dieses und dieses Stils. Der Beweis ist ein mesmo que seja um exemplo desse e daquele estilo. A prova é um
neues Paradigma. novo paradigma.

Der Begriff, den der Beweis schafft, kann zum Beispiel ein O conceito que a prova cria pode, por exemplo, ser um
neuer Schlußbegriff sein, ein neuer Begriff des richtigen novo conceito de inferência, um novo conceito de inferência
Schließens. correta.
[MS 122, p. 76v] [MS 122, p. 76v]
Warum ich aber das als richtiges Schließen anerkenne, hat seine Mas por que reconheço isso como inferência correta, tem suas
Gründe außerhalb des Beweises. razões fora da prova.

172 172

Der Beweis schafft einen neuen Begriff – indem er ein A prova cria um novo conceito – na medida em que cria
neues Zeichen schafft oder ist. Oder – indem er dem Satz, der sein ou é um novo sinal. Ou – na medida em que dá um novo lugar à
Ergebnis ist, einen neuen Platz gibt. (Denn der Beweis ist nicht proposição que é o seu resultado. (Pois a prova não é um
eine Bewegung, sondern ein Weg.) movimento, mas um caminho.)
[MS 122, p. 77r] [MS 122, p. 77r]

42. Es darf nicht vorstellbar sein, daß diese Substitution in 42. Não pode ser imaginável que essa substituição nessa
diesem Ausdruck etwas anderes ergibt. Oder: ich muß es für nicht expressão resulte em algo diferente. Ou: tenho que explicá-la
vorstellbar erklären. (Das Ergebnis eines Experiments aber kann como não imaginável. (O resultado de um experimento, porém,
so und anders ausfallen.) pode sair assim ou de outro modo.)

Man könnte sich doch aber Podemos, no entanto,


[MS 122, p. 79v] [MS 122, p. 79v]
den Fall vorstellen, daß der Beweis sich dem Ansehen nach ändert imaginar o caso em que a prova se modifica segundo o aspecto –
– er ist in einen Fels gegraben und man sagt, es sei der gleiche, escavada na rocha, dizemos que é a mesma coisa, não importa o
was immer der Anschein sagt. que diga a aparência.

207
OFM – Parte III

Sagst du eigentlich etwas anderes als: der Beweis wird als Você realmente diz alguma coisa diferente do que: a prova
Beweis genommen? é tomada como prova?

Der Beweis muß ein anschaulicher Vorgang sein. Oder A prova tem que ser um processo evidente. Ou então: a
auch: der Beweis ist der anschauliche Vorgang. prova é o processo evidente.

Nicht etwas hinter dem Beweise, sondern der Beweis Não é algo por detrás da prova, mas o que prova a prova.
beweist. [MS 122, p. 80r]
[MS 122, p. 80r]

43. Wenn ich sage: »es muß vor allem offenbar sein, daß diese 43. Quando digo: “Tem que ser antes de tudo manifesto que
Substitution wirklich diesen Ausdruck ergibt« – so könnte ich essa substituição realmente resulta nessa expressão”, – poderia
auch sagen: »ich muß es als unzweifelhaft annehmen« – aber dann também dizer: “Tenho que aceitar isso como algo indubitável” –
müssen dafür gute Gründe vorliegen: z. B., daß die gleiche mas então têm que estar presentes para isso boas razões: por
exemplo, que a mesma

173 173

Substitution so gut wie immer das gleiche Resultat ergibt etc. Und substituição praticamente sempre dá o mesmo resultado etc. E não
besteht darin nicht eben die Übersehbarkeit? consiste justamente nisso a visibilidade clara?
[MS 122, p. 82v] [MS 122, p. 82v]

Ich möchte sagen, daß, wo die Übersehbarkeit nicht Gostaria de dizer que onde a visibilidade clara não está
vorhanden ist, wo also für einen Zweifel Platz ist, ob wirklich das disponível, onde, portanto, há lugar para uma dúvida sobre a real
Resultat dieser Substitution vorliegt, der Beweis zerstört ist. Und existência do resultado dessa substituição, a prova está destruída.
nicht in einer dummen und unwichtigen Weise, die mit dem Wesen E não de um modo tolo e desimportante que nada tem a ver com
des Beweises nichts zu tun hat. a essência da prova.

208
OFM – Parte III

Oder: Die Logik als Grundlage aller Mathematik tut's Ou: a lógica como fundamento de toda a matemática já
schon darum nicht, weil die Beweiskraft der logischen Beweise não funciona, porque a força probatória da prova lógica
mit ihrer geometrischen Beweiskraft steht und fällt. permanece e cai com a sua força probatória geométrica.

Das heißt: Der logische Beweis, etwa von der Russellschen Isso quer dizer: a prova lógica, talvez a do tipo
Art, ist beweis- Russelliano, só tem força
[MS 122, p. 83r] [MS 122, p. 83r]
kräftig nur so lange, als er auch geometrische Überzeugungskraft probatória na medida em que ela possui também força de
besitzt. Und eine Abkürzung eines solchen logischen Beweises convencimento geométrica. E uma abreviação de uma prova
kann diese Überzeugungskraft haben und durch sie ein Beweis lógica assim pode ter essa força de convencimento e, desse modo,
sein, wenn die voll ausgeführte Konstruktion nach Russellscher ser uma prova, mesmo que a construção plenamente executada do
Art es nicht ist. tipo Ruselliano não a tenha.

Wir neigen zu dem Glauben, daß der logische Beweis eine Estamos inclinados à crença de que a prova lógica tem
eigene, absolute Beweiskraft hat, welche von der unbedingten uma força probatória própria, absoluta, que provém da certeza
Sicherheit der logischen Grund- und Schlußgesetze herrührt. incondicional das leis da razão lógica e da inferência. Enquanto
Während doch die so bewiesenen Sätze nicht sicherer sein können, que uma proposição provada dessa maneira não pode ser mais
als es die Richtigkeit der Anwendung jener Schlußgesetze ist. segura, evidentemente, do que a correção do emprego de cada lei
[MS 122, p. 83v] de inferência.
[MS 122, p. 83v]

174 174

Die logische Gewißheit der Beweise – will ich sagen – A certeza lógica das provas – quero dizer – não vai além
reicht nicht weiter, als ihre geometrische Gewißheit. da sua certeza geométrica.

44. Wenn nun der Beweis ein Vorbild ist, so muß es darauf 44. Mas se a prova é um modelo, então isso tem que abranger
ankommen, was als eine richtige Reproduktion des Beweises zu o que vale como reprodução correta da prova.
gelten hat.

209
OFM – Parte III

Se ocorreu na prova, por exemplo, o sinal ‘| | | | | | | | | |’,


Käme zum Beispiel im Beweis das Zeichen ›| | | | | | | | | |‹ então não é claro se só um grupo ‘equinumérico’ de traços
vor, so ist es nicht klar, ob als Repro- [MS 122, p. 84r]
[MS 122, p. 84r] (ou de cruzezinhas) deve valer como reprodução disso, ou se, do
duktion davon nur eine ›gleichzahlige‹ Gruppe von Strichen (oder mesmo modo, também um outro vale, se não tiver um número tão
etwa Kreuzchen) gelten soll, oder ebensowohl auch eine andere, pequeno. Etc.
wenn nicht gar zu kleine Anzahl. Etc.
Trata-se da pergunta sobre o que vale como critério de
Es ist doch die Frage, was als Kriterium der reprodução da prova, – de identidade da prova. Como eles devem
Reproduktion des Beweises zu gelten hat, – der Gleichheit von ser comparados para se estabelecer a identidade? Eles são iguais
Beweisen. Wie sind sie zu vergleichen, um die Gleichheit se parecem iguais?
festzustellen? Sind sie gleich, wenn sie gleich ausschaun?
Eu gostaria de mostrar, por assim dizer, que nós podemos
Ich möchte, sozusagen, zeigen, daß wir den logischen escapar da prova lógica em matemática.
Beweisen in der Mathematik entlaufen können. [MS 122, p. 84v]
[MS 122, p. 84v]

45. »Mittels entsprechender Definitionen können wir ›25 x 45. “Por meio de definições adequadas nós podemos provar
25 = 625‹ in der Russellschen Logik beweisen.« – Und kann que ‘25 x 25 = 625’ na lógica de Russell.” – E eu posso explicar
ich die gewöhnliche Beweistechnik durch die Russellsche a técnica de prova habitual pela Russelliana? Como podemos, no
erklären? Aber wie kann man eine Beweistechnik durch eine entanto, explicar uma técnica de prova mediante outra? Como
andere erklären? Wie kann die eine das Wesen der andern pode uma explicar a natureza da outra? Pois se uma é uma
erklären? Denn ist die eine eine ›Abkürzung‹ der anderen, so ‘abreviação’ da outra, então ela tem que ser uma abreviação
muß sie doch eine systematische Abkürzung sein. Es bedarf sistemática. É preciso de uma
doch eines

175 175

210
OFM – Parte III

Beweises, daß ich die langen Beweise systematisch abkürzen kann prova que ela possa abreviar sistematicamente a prova longa, e,
und also wieder ein System von Beweisen erhalte. portanto, obter novamente um sistema de provas.
Die langen Beweise gehen nun zuerst immer mit den As provas longas sempre acompanham, em primeiro
kurzen einher und bevormunden sie gleichsam. Aber endlich lugar, as curtas, como se as apadrinhassem. Mas, finalmente, elas
können sie den não podem mais seguir as
[MS 122, p. 85r] [MS 122, p. 85r]
kurzen nicht mehr folgen und diese zeigen ihre Selbständigkeit. curtas, e isso mostra a sua independência.

Das Betrachten der langen unübersehbaren logischen A consideração de longas provas lógicas sem uma visão
Beweise ist nur ein Mittel um zu zeigen, wie diese Technik – die clara é só um meio para mostrar como essa técnica – que se
auf der Geometrie des Beweisens ruht – zusammenbrechen kann assenta sobre a geometria da prova – pode sucumbir e tornar
und neue Techniken notwendig werden. necessárias novas técnicas.

46. Ich möchte sagen: Die Mathematik ist ein BUNTES 46. Gostaria de dizer: a matemática é uma mistura
Gemisch von Beweistechniken. – Und darauf beruht ihre MULTICOLORIDA de técnicas de prova. – E sobre isso repousa
mannigfache Anwendbarkeit und ihre Wichtigkeit. a sua múltipla aplicabilidade e sua importância.

Und das kommt doch auf das Gleiche hinaus, wie zu sagen: E isso vem a resultar, é claro, no mesmo que dizer: quem
Wer ein System, wie das Russellsche, besäße und aus diesem possuisse um sistema como o de Russell, e produzisse a partir dele
durch entsprechende Definitionen Systeme, wie den sistemas, mediante definições adequadas, como o cálculo
Differentialkalkül, erzeugte, der erfände ein neues Stück diferencial, estaria inventando uma nova porção da
Mathematik. matemática.106

Nun, man könnte doch einfach sagen: Wenn ein Mensch E, então, poderíamos agora simplesmente dizer: se uma
das Rechnen im Dezimalsystem erfunden hätte – der hätte doch pessoa tivesse inventado o cálculo no sistema decimal – ela teria
eine mathematische Erfindung realizado uma invenção
[MS 122, p. 86r] [MS 122, p. 86r]
gemacht! – Auch wenn ihm Russells »Principia Mathematica« matemática! – Mesmo que ela já tivesse estado com o “Principia
bereits vorgelegen wären. – Mathematica” de Russell. –

211
OFM – Parte III

Wie ist es, wenn man ein Beweissystem einem anderen Como é que alguém coordena um sistema de prova com
koordiniert? Es gibt dann eine Übersetzungsregel mittels derer um outro? Existe, então, uma regra de tradução mediante a qual
man die se pode

176 176

im einen bewiesenen Satze in die im andem bewiesenen traduzir as proposições provadas em um deles para as proposições
übersetzen kann. provadas no outro.
Man kann sich doch aber denken, daß einige – oder alle – Contudo, podemos imaginar que alguns – ou todos – os
Beweissysteme der heutigen Mathematik auf solche Weise einem sistemas de prova da matemática atual estão coordenados desse
System, etwa dem Russellschen zugeordnet wären. Sodaß alle modo em um sistema, talvez o de Russell. De modo que todas as
Beweise, wenn auch umständlich, in diesem System ausgeführt provas, ainda que de modo complicado, poderiam ser efetuadas
werden könnten. So gäbe es dann nur das eine System – und nicht nesse sistema. Assim, só existiria então esse único sistema – e não
mehr die vielen Systeme? – Aber es muß sich mais os vários sistemas? – Mas, então, tem que
[MS 122, p. 86v] [MS 122, p. 86v]
doch also von dem einen System zeigen lassen, daß es sich in die ser possível mostrar nesse único sistema que ele pode ser
vielen auflosen läßt. – Ein Teil des Systems wird die resolvido nos demais. – Uma parte do sistema possuiria as
Eigentümlichkeiten der Trigonometrie besitzen, ein anderes die especificidades da trigonometria, um outro, as da álgebra, e assim
der Algebra, und so weiter. Man kann also sagen, daß in diesen por diante. Podemos, portanto, dizer que nessas partes são
Teilen verschiedene Techniken verwendet werden. empregadas técnicas diferentes.

Ich sagte: der, welcher das Rechnen in der Eu disse: aquele que inventou o cálculo em notação
Dezimalnotation erfunden hat, habe doch eine mathematische decimal, fez, evidentemente, uma descoberta matemática. Mas ele
Entdeckung gemacht. Aber hätte er diese Entdeckung nicht in não teria podido fazer essa descoberta em símbolos Russellianos
lauter Russellschen Symbolen machen können? Er hätte, somente? Ele teria, por assim dizer, descoberto um novo aspecto.
sozusagen einen neuen Aspekt entdeckt. [MS 122, p. 87r]
[MS 122, p. 87r]
“Mas a verdade de proposições matemáticas verdadeiras
pode portanto, apesar disso, ser provada a partir daqueles

212
OFM – Parte III

»Aber die Wahrheit der wahren mathematischen Sätze fundamentos gerais.” – Parece-me que aqui há uma pegadinha.
kann dann dennoch aus jenen allgemeinen Grundlagen bewiesen Quando foi que dissemos que uma proposição matemática era
werden.« – Mir scheint, hier ist ein Haken. Wann sagen wir, ein verdadeira? –
mathematischer Satz sei wahr? –
Parece-me como se tivéssemos introduzido sem saber
Mir scheint, als führten wir, ohne es zu wissen, neue novos conceitos na lógica de Russell. – Por exemplo, quando
Begriffe in die Russellsche Logik ein. – Zum Beispiel, indem wir estabelecemos quais sinais da forma ‘(Ǝx, y, z . . .)’ devem valer
festsetzen, was für Zeichen der Form ›(Ǝx, y, z . . .)‹ als einander como equivalentes entre si, e quais não devem valer como
äquivalent und welche nicht als äquivalent gelten sollen. equivalentes.
Ist es selbstverständlich, daß ›(Ǝx, y, z)‹ nicht das gleiche Seria óbvio que ‘(Ǝx, y, z)’ não é o mesmo sinal que ‘(Ǝx,
Zeichen ist wie ›( Ǝx, y, z, n)‹? y, z, n)’?

177 177

Aber wie ist es –: Wenn ich zuerst ›p ˅ q‹ und ›~p‹ einführe Mas como seria isto –: se primeiro introduzisse ‘p ˅ q’ e
und einige Tautologien mit ihnen konstruiere – und dann zeige ich ‘~p’ e construísse algumas tautologias com elas – e então
etwa die Reihe ~p, ~ ~p, ~ ~ ~p, etc. vor und führe eine Notation apresentasse, talvez, a sequência ~p, ~ ~p, ~ ~ ~p, etc. e
ein wie ~1p, ~2p, . . .~10p ... . Ich möchte sagen: wir hätten introduzisse uma notação como ~1p, ~2p, . . .~10p ... . Gostaria de
vielleicht an die Möglichkeit so einer Reihenordnung ursprünglich dizer: nós não teríamos provavelmente imaginado originalmente
gar nicht gedacht, und wir haben nun einen neuen Begriff in unsre a possibilidade de uma ordenação de sequência tal como essa, e
Rechnung eingeführt. Hier ist ein ›neuer Aspekt‹. nós temos introduzido agora um novo conceito no nosso cálculo.
[MS 122, p. 88r] Aqui está um ‘aspecto novo’.
[MS 122, p. 88r]
Es ist ja klar, daß ich den Zahlbegriff, wenn auch in sehr
primitiver und unzureichender Weise, hätte so einführen können – É claro também que eu teria podido introduzir assim o
aber dieses Beispiel zeigt mir alles, was ich brauche. conceito de número, mesmo que de uma maneira muito primitiva
[MS 122, p. 88v] e inadequada – mas esse exemplo mostra para mim tudo o que
preciso.
Inwiefern kann es richtig sein zu sagen, man hätte mit der [MS 122, p. 88v]
Reihe ~p, ~ ~p, ~ ~ ~p, etc. einen neuen Begriff in die Logik

213
OFM – Parte III

eingeführt? – Nun, vor allem könnte man sagen, man habe es mit Em que medida pode ser certo dizer que teríamos
dem ›etc.‹ getan. Denn dieses ›etc.‹ steht für ein mir neues Gesetz introduzido com a sequência ~p, ~ ~p, ~ ~ ~p, etc. um conceito
der Zeichenbildung. Dafür charakteristisch – die Tatsache, daß novo na lógica? – Bem, antes de tudo poderíamos dizer que isso
eine rekursive Definition zur Erklärung der Dezimalnotation nötig foi feito com o ‘etc.’. Pois esse ‘etc’, está para, a meu ver, uma
ist. nova lei de formação de sinais. Disso é característico – o fato de
que é necessária uma definição recursiva para a explicação da
Eine neue Technik wird eingeführt. notação decimal.

Man kann es auch so sagen: Uma técnica nova é introduzida.


[MS 122, p. 89r]
Wer den Begriff der Russellschen Beweis- und Satzbildung hat, Podemos dizer isso também assim:
hat damit noch nicht den Begriff jeder Reihe Russellscher Zeichen. [MS 122, p. 89r]
quem tem o conceito de prova e de formação de proposição de
Ich möchte sagen: Russells Begründung der Mathematik Russell, ainda não tem, por outra parte, o conceito de toda a
schiebt sequência de sinais Russellianos.

Gostaria de dizer: a fundamentação Russelliana da


matemática posterga

178 178

die Einführung neuer Techniken hinaus, – bis man endlich glaubt, a introdução de novas técnicas – até que finalmente acreditemos
sie sei gar nicht mehr nötig. que elas não são mais necessárias.

(Es wäre vielleicht so, als philosophierte ich über den (Seria talvez como se eu filosofasse sobre o conceito de
Begriff der Längenmessung so lange, bis man vergäße, daß zur medida de comprimento por tanto tempo que chegássemos a
Längenmessung die tätsachliche Festsetzung einer Längeneinheit esquecer que é necessário, para a medida de comprimento, o
nötig ist.) estabelecimento de fato de uma unidade de comprimento.)
[MS 122, p. 89v] [MS 122, p. 89v]

214
OFM – Parte III

47. Kann man nun, was ich sagen will, so ausdrücken: »Wenn 47. Podemos agora expressar o que disse, assim: “Se nós
wir von Anfang an gelernt hätten, alle Mathematik in Russells tivéssemos aprendido a operar desde o começo toda a matemática
System zu betreiben, so wäre natürlich mit dem Russellschen no sistema de Russell, ainda não teríamos inventado, com o
Kalkül die Dif- cálculo Russelliano, naturalmente,
[MS 122, p. 90v] [MS 122, p. 90v]
ferentialrechnung z. B. noch nicht erfunden. Wer also diese o cálculo diferencial, por exemplo. Portanto, quem tivesse
Rechnungsart im Russellschen Kalkül entdeckte – – –.« descoberto esse tipo de cálculo no cálculo Russelliano – – –.”

Angenommen, ich hätte Russellsche Beweise der Sätze Suponhamos que eu tivesse provas Russellianas das
›p ≡ ~ ~p‹ proposições
›~p ≡ ~ ~ ~p‹ ‘p ≡ ~ ~p’
›p ≡ ~ ~ ~ ~p‹ ‘~p ≡ ~ ~ ~p’
vor mir und fande nun einen abgekürzten Weg, den Satz ‘p ≡ ~ ~ ~ ~p’
›p ≡ ~10 p‹ e achasse agora um caminho abreviado de provar a proposição
zu beweisen. Es ist, als habe ich eine neue Rechnungsart innerhalb ‘p ≡ ~10 p’
des alten Kalküls gefunden. Worin besteht es, daß sie gefunden Seria como se eu tivesse descoberto um novo tipo de cálculo por
wurde? dentro do antigo cálculo. Em que consiste isso de ele ter sido
descoberto?
Sage mir: Habe ich eine
[MS 122, p. 91r] Diga-me: teria descoberto um
neue Rechnungsart entdeckt, wenn ich multiplizieren gelernt hatte [MS 122, p. 91r]
und mir nun Multiplikationen mit lauter gleichen Faktoren als ein novo tipo de cálculo se tivesse aprendido a multiplicar, e agora
besonderer Zweig, dieser Rechnungen auffallen und ich daher die me desse conta de que multiplicações com todos os coeficientes
Notation einführe ›an = . . . ‹? iguais é como um ramo particular desses cálculos, e daí
introduzisse a notação ‘an = . . .’?

179 179

Offenbar die bloß ›abgekürz- Evidentemente, a mera ‘abrevia-

215
OFM – Parte III

[MS 122, p. 91v] [MS 122, p. 91v]


te‹, oder andere, Schreibweise – ›162‹ statt ›16 x 16‹ – macht's tura’, ou outra maneira de anotar – ‘162’ em vez de ’16 x 16’– não
nicht. Wichtig ist, daß wir jetzt die Faktoren bloß zählen. faz isso. É importante agora que meramente contemos os
Ist ›1615‹ nur eine andere Schreibweise für ›16 x 16 x 16 x coeficientes.
16 x 16 x 16 x 16 x 16 x 16 x 16 x 16 x 16 x 16 x 16 x 16‹? ‘1615’ é só uma outra forma de anotação para ‘16 x 16 x
Der Beweis, daß 1615 = . . . ist, besteht nicht einfach darin, 16 x 16 x 16 x 16 x 16 x 16 x 16 x 16 x 16 x 16 x 16 x 16 x 16’?
daß ich 16 fünfzehnmal mit sich selbst multipliziere, und daß A prova de que 1615 = . . . não consiste simplesmente em
dabei dies herauskommt – sondern der Beweis muß es zeigen, daß que eu multiplique 16 quinze vezes por si mesmo, e extraia, assim,
ich die Zahl 15-mal zum Faktor setze. esse resultado – senão que a prova tem que mostrar que pus o
número como coeficiente quinze vezes.
Wenn ich frage: »Was ist das Neue an der ›neun
Rechnungsart‹ des Potenzierens« – so ist das schwer zu Se pergunto: “O que é o novo no ‘novo tipo de cálculo’ da
[MS 122, p. 92r] potenciação” – é difícil de
sagen. Das Wort ›neuer Aspekt‹ ist vag. Es heißt, wir sehen die [MS 122, p. 92r]
Sache jetzt anders an – aber die Frage ist: was ist die dizer. A locução ‘aspecto novo’ é vaga. Isso quer dizer que vemos
wesentliche, die wichtige Äußerung dieses ›anders-Ansehens‹? a coisa agora como diferente – mas a pergunta é: o que é o
Zuerst will ich sagen: »Es hätte einem nie auffallen essencial, a expressão relevante desse ‘ver-diferente’?
brauchen, daß in gewissen Produkten alle Faktoren gleich sind« – Em primeiro lugar, quero dizer: “Nunca teria sido
oder: »›Produkt lauter gleicher Faktoren‹ ist ein neuer Begriff« – necessário que alguém se desse conta de que em certos produtos
oder: »Das Neue besteht darin, daß wir die Rechnungen anders todos os coeficientes são iguais” – ou: “O ‘produto de todos os
zusammenfassen«. Beim Potenzieren ist es offenbar das coeficientes iguais’ é um conceito novo” – ou: “O novo consiste
Wesentliche, daß wir auf die Zahl der Faktoren sehen. Es ist doch em que tornamos a efetuar os cálculos de maneira diferente”. Na
nicht gesagt, daß wir auf die Zahl der Faktoren je geachtet haben. potenciação, evidentemente o essencial é que vejamos o número
Es dos coeficientes. Todavia, não se diz que nós prestamos atenção
[MS 122, p. 92v] ao número dos coeficientes. Não se
muß uns nicht aufgefallen sein, daß es Produkte mit 2, 3, 4 etc. [MS 122, p. 92v]
Faktoren gibt, obwohl wir schon oft solche Produkte ausgerechnet tem que se nos fazer notar que há produtos com 2, 3, 4 coeficientes
haben. Ein neuer Aspekt – aber wieder: Was ist seine wichtige etc., mesmo que já tenhamos calculado muitas vezes esses
Seite? Wozu benütze ich, was mir aufgefallen ist? – Nun vor allem produtos. Um aspecto novo – mas novamente: qual é o seu lado
lege ich es vielleicht in einer Notation nieder. Ich schreibe also relevante? Para que utilizo aquilo que me chama a atenção? –

216
OFM – Parte III

zum Beispiel statt ›a x a‹ ›a2‹. Dadurch beziehe ich mich auf die Bem, antes de tudo talvez deixe isso de lado em uma notação. Por
Zahlenreihe (spiele auf sie an), was früher nicht geschehen war. isso, escreveria, por exemplo, em vez de ‘a x a’, ‘a2’. Por causa
Ich stelle also doch eine neue Verbindung her! – Eine Verbindung disso, me referiria à sequência de números (aludiria a ela), o que
– zwischen welchen Dingen? Zwischen der Technik des Zahlens antes não acontecia. Estou estabelecendo, portanto, uma nova
von Faktoren und der Technik des Multiplizierens. conexão! – Uma conexão – entre quais objetos? Entre a técnica
[MS 122, p. 93r] da contagem de coeficientes e a técnica da multiplicação.
[MS 122, p. 93r]

180 180

Aber so macht ja jeder Beweis, jede einzelne Rechnung Mas, assim, toda prova, cada cálculo em particular, faz
neue Verbindungen! novas conexões!

Aber der gleiche Beweis, der zeigt, daß a x a x a x a . . . = Mas a mesma prova que mostra que a x a x a x a . . . = b,
b ist, zeigt doch auch, daß an = b ist; nur, daß wir den Übergang mostra também, é claro, que an = b; só que nós temos que fazer a
nach der Definition von ›an‹ machen müssen. transição segundo a definição de ‘an’.
Aber dieser Übergang ist ja gerade das Neue. Aber wenn Mas essa transição é exatamente o novo. Mas quando ela
er nur ein Übergang zum alten Beweis ist, wie só é uma transição de uma prova antiga, como
[MS 122, p. 93v] [MS 122, p. 93v]
kann er dann wichtig sein? ela poderia ser então relevante?

›Es ist nur eine andere Schreibweise.‹ Wo hört es auf ‘Isso é só uma outra forma de escrever.’ Quando ela deixa
– bloß eine andere Schreibweise zu sein? de ser – somente uma outra forma de escrever?

Nicht dort: wo nur die eine Schreibweise und nicht die Não é ali: quando só uma forma de escrever e não a outra
andre so und so verwendet werden kann? pode ser empregada assim e assim?

Man könnte es »einen neuen Aspekt finden« nennen, wenn Poderíamos chamar de “encontrar um novo aspecto”
Einer statt ›f(a)‹ schreibt ›(a)f‹; man könnte sagen: »Er sieht die quando alguém, em vez de ‘f(a)’, escreve ‘(a)f’; poderíamos
Funktion als Argument ihres Arguments an«. Oder wenn Einer dizer: “Ele olha para a sua função como argumento do seu

217
OFM – Parte III

statt ›a x a‹ schriebe ›x (a)‹ könnte man sagen: »Was man früher argumento”. Ou quando alguém, em vez de ‘a x a’, escreve ‘x (a)’,
als Spezialfall einer Funktion mit zwei Argumentstellen ansah, poderíamos dizer: “O que antes ele olhava como caso especial de
[MS 122, p. 94r] uma função com dois lugares de argumento,
sieht er als Funktion mit einer Argumentstelle an«? [MS 122, p. 94r]
Wer das tut, hat gewiß in einem Sinn den Aspekt verändert, agora vê como função com um lugar de argumento”?
er hat z. B. diesen Ausdruck mit anderen zusammengestellt, Quem faz isso certamente mudou em um sentido o
verglichen, mit denen er früher nicht verglichen wurde. – Aber ist aspecto, ele comparou, por exemplo, essa expressão com outras
das nun eine wichtige Aspektänderung? Nicht, solange sie nicht em conjunto, o que antes ele ainda não havia feito. – Mas essa é
gewisse Konsequenzen hat. uma mudança de aspecto relevante? Não, na medida em que ela
não tem certas consequências.
181 181

Es ist schon wahr, daß ich durch das Hineinbringen des É bem verdade que mudei o aspecto do cálculo lógico pela
Begriffs der Anzahl der Negationen den Aspekt der logischen inserção do conceito de número de negações: “Então ainda não vi
Rechnung geändert hahe: »So habe ich es noch nicht angeschaut« isso” – poderíamos dizer. Mas essa mudança é relevante, em
– könnte man sagen. Aber wichtig wird diese Ände- princípio,
[MS 122, p. 94v] [MS 122, p. 94v]
rung erst, wenn sie in die Anwendung des Zeichens eingreift. se ela interfere no emprego do sinal.

Ein Fuß als 12 Zoll auffassen, hieße allerdings den Aspekt Conceber um pé como 12 polegadas significa certamente
des Fußes ändern, aber wichtig würde diese Änderung erst, wenn modificar o aspecto da medida, mas essa modificação seria
man nun auch Längen in Zoll mäße. relevante se agora medíssemos também o comprimento em
polegadas.
Wer das Zählen der Negations-
[MS 122, p. 95r] Quem introduz a contagem dos
zeichen einführt, führt eine neue Art der Reproduktion der Zeichen [MS 122, p. 95r]
ein. sinais de negação, introduz um novo tipo de reprodução do sinal.

218
OFM – Parte III

Es ist zwar für die Arithmetik, die doch von der Gleichheit É de fato completamente indiferente para a aritmética, que
von Anzahlen spricht, ganz gleichgültig, wie Anzahlengleichheit fala sobre a igualdade dos algarismos, como se estabelece a
zweier Klassen festgestellt wird – aber es ist für ihre Schlüsse equinumericidade de duas classes – mas para as suas inferências
nicht gleichgültig, wie ihre Zeichen mit einander verglichen não é indiferente como os seus sinais se comparam entre si,
werden, nach welcher Methode also z. B. festgestellt wird, ob die portanto segundo que método, por exemplo, se estabelece se o
Anzahl der Ziffern zweier Zahlzeichen die gleiche ist. número de dígitos de dois sinais numéricos é o mesmo.
[MS 122, p. 95v] [MS 122, p. 95v]

Nicht die Einführung der Zahlzeichen als Abkürzungen ist Não é a introdução do sinal numérico como abreviatura
wichtig, sondern die Methode des Zählens. que é relevante, mas o método de contagem.

48. Ich will die Buntheit der Mathematik 48. Quero explicar o multicolorido da
[MS 122, p. 96r] [MS 122, p. 96r]
erklären. Matemática.

49. ›Ich kann auch in Russells System den Beweis führen, daß 49. ‘Eu também posso seguir no sistema de Russell a prova de
127 : 18 = 7.055 ist.‹ Warum nicht. – Aber muß beim Rus- que 127 : 18 = 7,055.’ Por que não. – Mas tem que dar pela

182 182

sellschen Beweis dasselbe herauskommen, wie hei der prova de Russell o mesmo resultado da divisão comum? Ambas
gewöhnlichen Division? Die beiden sind freilich durch eine estão decerto conectadas entre si mediante um cálculo (talvez
Rechnung (durch Übersetzungsregeln etwa) mit einander mediante regras de tradução); mas não é muito pesado efetuar a
verbunden; aber ist es nicht doch gewagt, die Division nach der divisão pela técnica nova, – já que a verdade do resultado é agora
neuen Technik auszuführen, – da doch die Wahrheit des Resultats independente da geometria da transferência?
nun abhängig wird von der Geometrie der Übertragung? [MS 122, p. 96v]
[MS 122, p. 96v]

219
OFM – Parte III

Aber wenn nun Einer sagte: »Unsinn – solche Bedenken Mas e se alguém dissesse: “Bobagem – essas ponderações
spielen in der Mathematik gar keine Rolle«. não têm nenhum papel na matemática”.

– Aber nicht um die Unsicherheit handelt sich's, denn wir – Mas não se trata da incerteza, posto que estamos seguros
sind unsrer Schlüsse sicher, sondern darum, ob wir noch das nossas conclusões, mas se estamos ainda operando com a
(Russellsche) Logik betreiben, wenn wir z. B. dividieren. lógica (Russelliana) quando, por exemplo, dividimos.
[MS 122, p. 97r] [MS 122, p. 97r]

50. Die Trigonometrie hat ihre Wichtigkeit ursprünglich in 50. A trigonometria tem originalmente a sua relevância na
ihrer Verbindung mit Längen- und Winkelmessungen: sie ist ein conexão com a medida de comprimentos e de ângulos: ela é um
Stück Mathematik, das zur Verwendung auf Längen- und Win- pedaço da matemática organizado para o emprego de medidas de
kelmessungen eingerichtet ist. comprimento e de ângulo.
Man könnte die Anwendbarkeit auf dieses Gebiet auch Poderíamos também chamar a aplicabilidade a esse
einen ›Aspekt‹ der Trigonometrie nennen. âmbito de um ‘aspecto’ da trigonometria.

Wenn ich einen Kreis in gleiche Teile teile und den Quando reparto um círculo em partes iguais e determino o
Cosinus eines dieser Teile durch Messung bestimme – ist da eine cosseno de uma dessas partes pela mensuração – isso é um cálculo
Rechnung oder ein Experiment? ou um experimento?
Wenn eine Rechnung – ist sie denn ÜBERSEHBAR? Se for um cálculo – ele é de fato uma VISÃO CLARA?
[MS 122, p. 98v] [MS 122, p. 98v]
Ist das Rechnen mit dem Rechenschieber übersehbar? O cálculo com a régua de cálculo é uma visão clara?

183 183

Wenn man den Cosinus eines Winkels durch Messung Quando temos que determinar o cosseno de um ângulo
bestimmen muß, – ist dann ein Satz der Form ›cos a = n‹ ein pela mensuração, – então uma proposição da forma ‘cos a = n’ é
mathematischer Satz? Was ist das Kriterium dieser Entscheidung? uma proposição matemática? Qual é o critério para essa decisão?
Sagt der Satz etwas Äußeres über unsre Lineale und dergleichen Declara a proposição alguma coisa externa sobre a nossa régua e

220
OFM – Parte III

aus; oder etwas Internes über unsre Begriffe? – Wie ist das zu coisas similares; ou alguma coisa interna sobre o nosso conceito?
entscheiden? Como decidimos sobre isso?

Gehören die Figuren (Zeichnungen) in der Trigonometrie As figuras (desenhos) da trigonometria pertencem à
zur reinen Mathematik, oder sind sie nur Beispiele einer matemática pura, ou elas são apenas exemplos para uma
möglichen aplicação
[MS 122, p. 99r] [MS 122, p. 99r]
Anwendung? possível?

51. Wenn an dem, was ich sagen will, irgend etwas Wahres ist, 51. Se houver alguma coisa verdadeira sobre aquilo que quero
so muß – z. B. – das Rechnen in der Dezimalnotation sein eigenes dizer, então o cálculo na notação decimal – por exemplo – tem
Leben haben. – Man kann natürlich jede Dezimalzahl darstellen in que ter a sua vida própria. – Podemos, naturalmente, apresentar
der Form: qualquer número decimal na forma:

und daher die vier Rechnungsarten in dieser Notation ausführen. e introduzir então os quatro tipos de cálculo dessa notação. Mas a
Aber das Leben der Dezimalnotation müßte unabhängig sein von vida da notação decimal teria que ser independente do cálculo
dem Rechnen mit Einerstrichen. com traços individuais.
[MS 122, p. 99v] [MS 122, p. 99v]

52. In diesem Zusammenhang fällt mir immer wieder dies ein: 52. Nesse contexto sempre me ocorre isto de novo: que
Daß man in Russells Logik zwar einen Satz ›a : b = c‹ beweisen podemos, na realidade, provar na lógica de Russell uma
kann, daß sie uns aber einen richtigen Satz dieser Form nicht proposição ‘a : b = c’, mas que ela não nos ensina a construir uma
konstruieren lehrt, d. h. daß sie uns nicht dividieren lehrt. Der proposição correta dessa forma, quero dizer, que ela não nos
Vorgang des Dividierens entspräche z. B. dem eines ensina a dividir. O processo da divisão corresponde, por exemplo,
systematischen Probierens Russellscher Beweise zu dem Zweck ao de um teste sistemático de uma prova Russelliana, com a

221
OFM – Parte III

etwa, den Beweis eines Satzes von der Form ›37 x 15 = x‹ zu finalidade, talvez, de obter a prova de uma proposição da forma
erhalten. »Aber die Technik eines solchen systematischen ’37 x 15 = x’. “Mas a técnica de um teste sistemático assim está
Probierens gründet sich doch wieder auf Logik. Man kann doch baseado, por sua vez, na lógica. Podemos, é claro, provar
wieder

184 184

logisch beweisen, daß diese Technik zum Ziel führen muß.« Es logicamente outra vez que essa técnica tem que conduzir à
ist also ähnlich, wie wenn wir im Euklid beweisen, daß sich das finalidade.” Isso é, portanto, semelhante ao que provamos em
und das so und so konstruieren läßt. Euclides, que podemos construir isso e aquilo assim e assim.
[MS 122, p. 100r] [MS 122, p. 100r]

53. Was will Einer zeigen, der zeigen will, daß Mathematik 53. O que mostra alguém que quer mostrar que matemática
nicht Logik ist? Er will doch etwas sagen wie: – Wenn man não é lógica? Ele dirá, evidentendemente, alguma coisa como:
Tische, Stühle, Schranke se embrulhamos mesas, cadeiras, armários
[MS 122, p. 100v] [MS 122, p. 100v]
etc. in genug Papier wickelt, werden sie gewiß endlich etc. em papel suficiente, eles certamente terminarão parecendo ter
kugelförmig ausschauen. forma arredondada.

Er will nicht zeigen, daß es unmöglich ist, zu jedem Ele não quer mostrar que é impossível construir para cada
mathematischen Beweis einen Russellschen zu konstruieren, der prova matemática uma Russelliana que lhe ‘corresponda’ (de
ihm (irgendwie) ›entspricht‹, sondern, daß das Anerkennen so alguma maneira), mas que o reconhecimento dessa
einer Entsprechung sich nicht auf Logik stützt. correspondência não se apoia na lógica.

»Aber wir können doch immer auf die primitive “Mas nós sempre podemos retornar ao método lógico
logische Methode zurückgehen!« Nun, angenommen, daß wir primitivo!” Bem, vamos supor que possamos fazer isso – o que
es können – wie kommt es, daß wir es nicht tun müssen? Oder acontece então que nunca temos que fazer isso? Ou somos
sind wir vorschnell, unvorsichtig, wenn wir es nicht tun? precipitados, descuidados, porque não o fazemos?
Aber wie finden wir denn zurück zum primitiven Aus- Mas como encontramos então novamente a expressão

222
OFM – Parte III

[MS 122, p. 101r] [MS 122, p. 101r]


druck? Gehen wir z. B. den Weg durch den sekundären Beweis primitiva? Seguimos, por exemplo, o caminho da prova
und von seinem Ende aus zurück ins primäre System und sehen secundária, e, do seu final, de volta ao sistema primário, e daí
zu, wo wir so hingelangen; oder gehen wir in beiden Systemen vor vemos como conseguimos isso; ou prosseguimos nos dois
und machen dann die Verbindung der Endpunkte? Und wie wissen sistemas e fazemos então a conexão dos pontos finais? E como
wir, daß wir im primären System in beiden Fällen zum gleichen sabemos, no sistema primário, que chegamos ao mesmo resultado
Resultat gelangen? nos dois casos?
Führt das Vorgehen im sekundären System nicht Não carrega consigo o procedimento no sistema
überzeugungskraft mit sich? secundário uma força de convencimento?

»Aber wir können uns doch beim jeden Schritt im “Mas nós podemos imaginar em cada passo do sistema
sekundäre System denken, daß er auch im primären gemacht secundário que isso poderia também ter sido feito
werden

185 185

könnte!« – Das ist es eben: wir können uns no primário!” – Isto é simplesmente: podemos
[MS 122, p. 101v] [MS 122, p. 101v]
denken, daß er gemacht werden könnte – ohne, daß wir ihn imaginar que isso poderia ter sido feito – sem que o façamos.
machen.
E por que aceitamos um no lugar do outro? Por razões da
Und warum nehmen wir den einen an Stelle des andern an? lógica?
Aus Gründen der Logik?
“Mas não podemos provar logicamente que as duas
»Aber kann man nicht logisch beweisen, daß beide transformações têm que chegar no mesmo resultado?” – Mas
Umwandlungen zum gleichen Resultat gelangen müssen?« – Aber trata-se aqui, com efeito, do resultado de transformações de
es handelt sich doch hier um das Ergebnis von Umwandlungen sinais! Como a lógica pode decidir sobre isso?
von Zeichen! Wie kann die Logik dies entscheiden? [MS 122, p. 102r]
[MS 122, p. 102r]

223
OFM – Parte III

54. Wie kann der Beweis im Strichsystem beweisen, daß der 54. Como se pode provar no sistema de traços que a prova no
Beweis im Dezimalsystem ein Beweis ist? sistema decimal é uma prova?

Nun, – ist es hier mit dem Beweis im Dezimalsystem nicht Bem, – não acontece com a prova no sistema decimal tal
so, wie mit einer Konstruktion bei Euklid, von der bewiesen wird, como como ocorre com uma construção em Euclides, em que se
daß sie wirklich eine Konstruktion dieses und dieses Gebildes ist? prova que ela é realmente uma construção desta e desta estrutura?

Darf ich es so sagen: »Die Übertragung des Strichsystems Posso dizer isso deste modo: “A transcrição do sistema de
ins Dezimalsystem setzt eine traços no sistema decimal pressupõe uma
[MS 122, p. 104v] [MS 122, p. 104v]
rekursive Definition voraus. Diese Definition führt aber nicht die definição recursiva. Essa definição não introduz, porém, a
Abkürzung eines Ausdrucks durch einen andern ein. Der induktive abreviação de uma expressão pela outra. Entretanto, a prova
Beweis im Dezimalsystem aber enthält natürlich nicht die Menge indutiva no sistema decimal não contém, naturalmente, o conjunto
jener Zeichen, die durch die rekursive Definition in Strichzeichen daqueles sinais que teriam que ser transcritos pela definição
zu übertragen wären. Dieser allgemeine Beweis kann daher durch recursiva em sinais de traços. Essa prova geral não pode, portanto,
die rekursive Definition nicht in einen Beweis des Strichsystems ser transcrita pela definição recursiva em uma prova do sistema
übertragen werden«? de traços”?

186 186

Der rekursive Beweis führt eine neue Zeichentechnik ein. A prova recursiva introduz uma nova técnica de sinais. –
– Er muß also den Übergang in eine neue ›Geometrie‹ machen. Ela tem, portanto, que fazer a transição para uma nova
[MS 122, p. 105r] ‘geometria’.
Es wird uns eine neue Methode gelehrt, Zeichen [MS 122, p. 105r]
wiederzuerkennen. Es wird ein neues Kriterium für die Gleichheit Somos ensinados sobre um novo método de reconhecimento de
von Zeichen eingeführt. sinais. É introduzido um novo critério de igualdade de sinais.

224
OFM – Parte III

55. Der Beweis zeigt uns, was herauskommen SOLL. – Und 55. A prova nos mostra o que DEVE resultar. – E dado que
da jede Reproduktion des Beweises das Nämliche demonstrieren toda a reprodução da prova tem que demonstrar o mesmo, ela tem
muß, so muß sie einerseits also das Resultat automatisch portanto que, por um lado, reproduzir automaticamente o
reproduzieren, anderseits aber auch den Zwang, es zu erhalten. resultado, mas, por outro lado, também a compulsão para obtê-lo.
[MS 122, p. 105v] [MS 122, p. 105v]

D. h.: wir reproduzieren nicht nur die Bedingungen, unter Quer dizer, nós reproduzimos não somente as condições
welchen sich dies Resultat einmal ergab (wie beim Experiment), sob as quais uma vez deu esse resultado (como num experimento),
sondern das senão o
[MS 122, p. 106r] [MS 122, p. 106r]
Resultat selbst. Und doch ist der Beweis kein abgekartetes Spiel, próprio resultado. E é claro que a prova não é nenhuma armação,
insofern er uns immer wieder muß führen können. na medida em que ela tem sempre que poder nos conduzir.

Wir müssen einerseits den Beweis automatisch ganz Nós temos que poder, por um lado, reproduzir totalmente
reproduzieren können, und anderseits muß diese Reproduktion a prova de maneira automática, e, por outro lado, essa reprodução
wieder ein Beweis des Resultats sein. tem que ser novamente uma prova do resultado.

»Der Beweis muß übersehbar sein« will unsre “A prova tem que ser uma visão clara” quer realmente
Aufmerksamkeit eigentlich auf den Unterschied richten der chamar a nossa atenção sobre a diferença dirigida aos conceitos:
Begriffe: ›einen Beweis wiederholen‹, ›ein Experiment ‘repetir uma prova’, ‘repetir um experimento’. Repetir uma prova
wiederholen‹. Einen Beweis wiederholen, heißt nicht: die não significa: reproduzir as condições sob as quais uma vez
Bedingungen reproduzieren, unter denen einmal ein [MS 122, p. 106v]
[MS 122, p. 106v] um determinado resultado foi obtido, senão que isso significa
bestimmtes Resultat erhalten wurde, sondern es heißt, jede Stufe repetir todas as etapas e o resultado. E ainda que a prova seja,
und das Resultat wiederholen. Und obwohl so der Beweis also portanto, alguma coisa que tem a capacidade de ter que se
etwas ist, was sich ganz automatisch muß reproduzieren lassen, reproduzir totalmente de maneira automática, cada uma dessas
so muß doch jede solche Reproduktion den Beweiszwang reproduções tem que conter a compulsão da prova para a
enthalten, das Resultat anzuerkennen. aceitação do resultado.
[MS 122, p. 107r] [MS 122, p. 107r]

225
OFM – Parte III

187 187

56. Wann sagen wir: ein Kalkül ›entspräche‹ einem andern, sei 56. Quando dizemos: se um cálculo ‘correspondesse’ a outro,
nur eine abgekürzte Form des ersten? – »Nun, wenn man die este seria só a forma abreviada do primeiro? – “Bem, quando se
Resultate dieses durch entsprechende Definitionen in die Resultate pode transportar o resultado deste, mediante definições
jenes überführen kann.« Aber ist schon gesagt, wie man mit diesen adequadas, para o resultado daquele.” Mas já estaria dito como se
Definitionen zu rechnen hat? Was läßt uns diese Übertragung tem que calcular com essas definições? O que nos permite aceitar
anerkennen? Ist sie am Ende ein abgekartetes Spiel? Das ist sie, essa transferência? Ela seria, no fim, uma armação? Ela o seria se
wenn wir entschlossen sind, nur die Übertragung anzuerkennen, nos decidimos a aceitar só a transferência que nos leva ao
die zu dem uns gewohnten Resultat führt. resultado habitual.
[MS 122, p. 109v] [MS 122, p. 109v]

Warum nennen wir einen Por que chamamos uma


[MS 122, p. 110r] [MS 122, p. 110r]
Teil des Russellschen Kalküls den der Differentialrechnung parte do cálculo Russelliano àquela que corresponde ao cálculo
entsprechenden? – Weil in ihm die Sätze der Differentialrechnung diferencial? – Porque nela as proposições do cálculo diferencial
bewiesen werden. – Aber doch nicht am Ende post hoc? – Aber ist são provadas. – Mas, no fim, não de modo post hoc? – Mas isso
das nicht gleichgültig? Genug, daß man Beweise dieser Sätze im não é indiferente? É suficiente que se possa encontrar provas
Russellschen System finden kann! Aber sind es Beweise dieser dessas proposições no sistema de Russell! Mas elas não são prova
Sätze nicht nur dann, wenn ihre Resultate sich nur in diese Sätze dessas proposições somente quando os seus resultados são
übersetzen lassen? Aber stimmt das sogar im Fall des passíveis de serem traduzidos nessas proposições? Mas isso
Multiplizierens im Strichsystem mit numerierten Strichen? concorda até mesmo no caso de multiplicações em sistema de
traços com traços numerados?

57. Nun muß klar gesagt werden, daß die Rechnungen in der 57. Agora tem que ser dito claramente que os cálculos na
Strichnotation normalerweise immer mit denen der notação com traços serão sempre normalmente concordes com os
Dezimalnotation übereinstimmen werden. Vielleicht werden wir, da notação decimal. Para chegar a uma concordância segura,
[MS 122, p.100v] [MS 122, p.100v]

226
OFM – Parte III

um sichere Übereinstimmung zu erzielen, an einem Punkt dazu talvez tenhamos que tomar algum ponto que permita que mais
greifen müssen, die Rechnung mit Strichen von mehreren Leuten pessoas possam retomar o cálculo com traços. E realizaremos o
nachrechnen zu lassen. Und das Gleiche werden wir bei mesmo com cálculos com números ainda mais altos no sistema
Rechnungen mit noch höheren Zahlen im Dezimalsystem decimal.
vornehmen. Mas isso certamente já mostra: que a prova no sistema de
Aber das zeigt freilich schon: daß nicht die Beweise im traços não torna compulsória a prova no sistema decimal.
Strichsystem die Beweise im Dezimalsystem zwingend machen.
“Mas se não tivéssemos esse agora, poderíamos usar
»Hätte man aber nun diese nicht, so könnte man jene aquele para provar o mesmo.” – O mesmo? O que é o
gebrauchen, um das gleiche zu beweisen.« – Das Gleiche? Was ist
das

188 188

Gleiche? - Also, der Strichbeweis wird mich vom Gleichen, wenn mesmo? – Pois, a prova em traços me convenceria do mesmo,
[MS 122, p. 111r] ainda que não do mesmo modo. – Como, se eu dissesse: “O lugar
auch nicht auf die gleiche Weise, überzeugen. – Wie, wenn ich ao que uma prova nos leva não pode ser determinado de maneira
sagte: »Der Platz, an den uns ein Beweis führt, kann nicht independente dessa prova.” Estaria convencido, mediante uma
unabhangig von diesem Beweis bestimmt werden.« – Bin ich prova no sistema de traços, de que a proposição provada possui a
durch einen Beweis im Strichsystem davon überzeugt worden, daß aplicabilidade que lhe dá a prova no sistema decimal – se
der bewiesene Satz die Anwendbarkeit besitzt, die der Beweis im demonstra, por exemplo, no sistema de traços, que a proposição é
Dezimalsystem ihm gibt – ist z. B. im Strichsystem gezeigt também comprovável no sistema decimal?
worden, daß der Satz auch im Dezimalsystem beweisbar ist?

58. Es wäre natürlich Unsinn zu sagen, daß ein Satz 58. Seria, naturalmente, um contrassenso dizer que uma
[MS 122, p.111v] proposição
nicht mehrere Beweise haben kann – denn so sagen wir eben. Aber [MS 122, p.111v]
kann man nicht sagen: Dieser Beweis zeigt, daß . . . herauskommt, não pode ter várias provas – pois dizemos justamente desse modo.
Mas não podemos dizer: esta prova mostra que extraimos . . . se

227
OFM – Parte III

wenn man das tut; der andere Beweis zeigt, daß dieser Ausdruck fazemos isso; a outra prova mostra que extraimos esta expressão
herauskommt, wenn man etwas andres tut? se fazemos algo diferente?
Ist denn z. B. das mathematische Faktum, daß 129 durch 3 Não seria, pois, o fato matemático de que 129 é divisível
teilbar ist, unabhängig davon, daß dies Resultat bei dieser por 3 independente de que extraiamos este resultado por meio
Rechnung herauskommt? Ich meine: besteht das Faktum dieser deste cálculo? Quero dizer: o fato dessa divisibilidade subsiste de
Teilbarkeit unabhängig von dem Kalkül, in dem es sich ergibt; modo independente do cálculo pelo qual se dá nele; ou isso é um
oder ist es ein Faktum dieses Kalküls? fato desse cálculo?
[MS 122, p. 112r] [MS 122, p. 112r]

Denke, man sagte: »Durch das Rechnen lernen wir die Imagine que se dissesse: “Pelo cálculo chegamos a
Eigenschaften der Zahlen kennen.« conhecer as propriedades dos números.”
Aber bestehen die Eigenschaften der Zahlen außerhalb des Mas as propriedades dos números subsistem fora do
Rechnens? cálculo?

»Zwei Beweise beweisen dasselbe, wenn sie mich von “Duas provas provam a mesma coisa quando elas me
dem Gleichen überzeugen.« – Und wann überzeugen sie mich von convencem do mesmo.” – E quando elas me convencem do
dem Gleichen? Wie weiß ich, daß sie mich vom Gleichen mesmo? Evidentemente, não pela introspecção.
überzeugen? Natürlich nicht durch Introspektion.

189 189

Man kann mich auf verschiedenen Wegen dazu bringen, Pode-se me levar a aceitar essa regra por diferentes
diese Regel anzunehmen. caminhos.
[MS 122, p. 112v] [MS 122, p. 112v]

59. »Jeder Beweis zeigt nicht nur die Wahrheit des 59. “Toda107 prova mostra não somente a verdade da
bewiesenen Satzes, sondern auch, daß er sich so beweisen läßt.« – proposição provada, mas também que ela é capaz de ser provada
Aber dies letztere läßt sich ja auch anders beweisen. – »Ja, aber assim.” – Mas esta última é capaz de ser provada também de outra
der Beweis beweist es auf eine bestimmte Weise und beweist maneira. – “Sim, mas a prova prova isso de um determinado

228
OFM – Parte III

dabei, daß es sich auf diese Weise demonstrieren läßt.« – Aber modo, e, com isso, se permite demonstrar que se prova desse
auch das ließ sich durch einen andern Beweis zeigen. – »Ja, aber modo.” – Mas isso também se permite mostrar mediante uma
eben nicht auf diese Weise.« – prova diferente. – “Sim, mas justamente não desse modo.” –
Das heißt doch etwa: Dieser Beweis ist ein Isso talvez signifique, então: essa prova é um ente
mathematisches Wesen, das sich durch kein anderes Wesen matemático que não se deixa substituir por nenhum outro ente;
ersetzen läßt; man kann sagen, er könne uns von etwas pode-se dizer que ela poderia nos convencer de algo que nenhuma
überzeugen, wovon uns nichts Anderes überzeugen kann, und man outra pode convencer, e podemos dar expressão a isso quando lhe
kann dies zum Ausdruck bringen, indem man ihm einen Satz associamos a uma proposição à qual nenhuma outra prova se
zuordnet, den man keinem andern Beweis zuordnet. associa.
[MS 117, p. 154] [MS 117, p. 154]

60. Aber mache ich nicht einen groben Fehler? Den Sätzen der 60. Mas não cometo um erro grosseiro? Para as proposições
Arithmetik und den Sätzen der Russellschen Logik ist es ja da aritmética e para as proposições da lógica de Russell é
geradezu wesentlich, daß verschiedene Beweise zu ihnen führen. categoricamente essencial que diversas provas levem a elas. Sim,
Ja, sogar, daß unendlich viele Beweise zu einem jeden von ihnen e até mesmo que infinitamente muitas provas levem a cada uma
führen. delas.

Ist es richtig zu sagen, daß jeder Beweis uns von etwas É correto dizer que toda prova nos convence de algo que
überzeugt, wovon nur er uns überzeugen kann? Wäre dann nicht – só ela pode nos convencer? Não seria, então, a proposição
sozusagen – der bewiesene Satz überflüssig, und der Beweis selbst provada – por assim dizer – supérflua, e também ser a própria
auch das Bewiesene? prova o que é provado?

Überzeugt mich der Beweis nur vom bewiesenen Satz? A prova só me convence da proposição provada?

190 190

Was heißt: »ein Beweis ist ein mathematisches Wesen, das O que quer dizer: “Uma prova é um ente matemático que
sich durch kein anderes ersetzen läßt«? Es heißt doch, daß jeder não se deixa substituir por nenhum outro”? Isso significa,

229
OFM – Parte III

besondere Beweis einen Nutzen hat, den kein anderer hat. Man evidentemente, que toda prova em particular tem uma utilidade
könnte sagen: que nenhuma outra tem. Poderíamos dizer:
[MS 117, p. 155] [MS 117, p. 155]
» – daß jeder Beweis, auch eines schon bewiesenen Satzes, eine “ – que toda prova, mesmo de uma proposição já comprovada, é
Kontribution zur Mathematik ist«. Warum aber ist er eine uma contribuição para a matemática”. Mas por que ela seria uma
Kontribution, wenn es bloß darauf ankam, den Satz zu beweisen? contribuição se isso não é mais do que a comprovação da
Nun, man kann sagen: »der neue Beweis zeigt (oder macht) einen proposição? Bem, podemos dizer: “A nova prova mostra (ou faz)
neuen Zusammenhang«. (Aber gibt es dann nicht einen uma nova conexão”. (Mas então não há uma proposição
mathematischen Satz, welcher sagt, daß dieser Zusammenhang matemática que diga que existe essa conexão?)
besteht?)
O que aprendemos quando vemos a nova prova – fora a
Was lernen wir, wenn wir den neuen Beweis sehen, – proposição que já conhecemos de qualquer modo? Aprendemos
außer den Satz, den wir ohnehin schon kennen? Lernen wir etwas, algo que não somos capazes de expressar numa proposição
was sich nicht in einem mathematischen Satz ausdrücken läßt? matemática?
[MS 117, p. 156] [MS 117, p. 156]

61. Inwiefern hängt die Anwendung eines mathematischen 61. Em que medida a aplicação de uma proposição
Satzes davon ab, was man als seinen Beweis gelten läßt und was matemática depende do que se admite como sua prova, e do que
nicht? não?

Ich kann doch sagen: Wenn der Satz ›137 x 373 = 46.792‹ Posso dizer, evidentemente: se a proposição ‘137 x 373 =
im gewöhnlichen Sinne wahr ist, dann muß es eine 46.792’ é verdadeira no sentido habitual, então tem que existir
Multiplikationsfigur geben, an deren Enden die Seiten dieser uma figura de multiplicação em cujas extremidades estão os lados
Gleichung stehen. Und eine Multiplikationsfigur ist ein Muster, dessa equação. E uma figura de multiplicação é uma amostra que
das gewissen Regeln genügt. satisfaz certas regras.
Ich will sagen: Erkennte ich die Multiplikationsfigur nicht Quero dizer: se não reconhecesse a figura da multiplicação
als einen Beweis des Satzes an, so fiele como uma prova da proposição, desapareceria
[MS 117, p. 158] [MS 117, p. 158]
também a aplicação da proposição às figuras da multiplicação.

230
OFM – Parte III

damit auch die Anwendung des Satzes auf Multiplikationsfiguren [MS 117, p. 159]
fort.
[MS 117, p. 159]

62. Bedenken wir, daß es nicht genug ist, daß sich zwei 62. Consideremos que não é suficiente que se reúnam duas
Beweise im selben Satzzeichen treffen! Denn wie wissen wir, daß provas no mesmo sinal proposicional! Pois como saberemos que
dies esse

191 191

Zeichen beidemale dasselbe sagt? Dies muß aus anderen sinal diz duas vezes a mesma coisa? Isso tem que provir de outras
Zusammenhängen hervorgehen. conexões.
[MS 117, p. 161] [MS 117, p. 161]

63. Die genaue Entsprechung eines richtigen (überzeugenden) 63. A correspondência exata de uma transição correta
Übergangs in der Musik und in der Mathematik. (convincente) na música e na matemática.
[MS 117, p. 160] [MS 117, p. 160]108

64. Denke, ich gabe jemandem die Aufgabe: »Finde einen 64. Imagine que eu dê para alguém a tarefa: “Ache uma prova
Beweis des Satzes ... « – die Lösung wäre doch, daß er mir gewisse para a proposição . . .” – A solução seria, é claro, que ela me
Zeichen vorlegt. Nun gut: welcher Bedingung müssen diese oferecesse certos sinais. Muito bem: que condição esses sinais
Zeichen genügen? Sie müssen ein Beweis jenes Satzes sein – aber teriam que satisfazer? Eles teriam que ser uma prova daquela
ist das etwa eine geometrische Bedingung? Oder eine proposição – mas essa é porventura uma condição geométrica?
psychologische? Manchmal könnte man es eine geometrische Ou seria psicológica? Às vezes poderíamos chamá-la de condição
Bedingung nennen; dort, wo die Beweismittel schon geométrica; justamente onde os meios de prova já estão prescritos
vorgeschrieben sind und nur noch eine bestimmte e só estamos buscando ainda uma determinada composição.
Zusammenstellung gesucht wird. [MS 117, p. 164]

231
OFM – Parte III

[MS 117, p. 164]

65. Sind die Sätze der Mathematik anthropologische Sätze, die 65. São as proposições da matemática proposições
sagen, wie wir Menschen schließen und kalkulieren? – Ist ein antropológicas que dizem como nós, humanos, inferimos e
Gesetzbuch ein Werk über Anthropologie, das uns sagt, wie die calculamos? Um código penal é uma obra de antropologia que nos
Leute dieses Volkes einen Dieb etc. behandeln? — Könnte man diz como as pessoas daquele povo tratam um ladrão etc.? —
sagen: »Der Richter schlägt in einem Buch über Anthropologie Poderíamos dizer: “O juiz consulta um livro de antropologia e
nach und verurteilt hierauf den Dieb zu einer Gefangnisstrafe«? sentencia, por conseguinte, o ladrão a uma pena de prisão”? Bem,
Nun, der Richter GEBRAUCHT das Gesetzbuch nicht als o juiz não USA o código penal como um tratado de
Handbuch der Anthropologie. antropologia.109
[MS 117, p. 172] [MS 117, p. 172]

66. Die Prophezeiung lautet nicht, daß der Mensch, wenn er 66. A profecia não anuncia que a pessoa que seguir essa regra
bei der Transformation dieser Regel folgt, das herausbringen wird numa transformação vai extrair esse resultado – senão que ela, se
– sondern, daß er, wenn wir sagen, er folge der Regel, das lhe dizemos para seguir a regra, vai extrair esse resultado.
herausbringen werde.

192 192

Wie, wenn wir sagten, daß mathematische Sätze in diesem Como seria se disséssemos que proposições matemáticas
Sinne Prophezeiungen sind: indem sie vorhersagen, was Glieder são profecias neste sentido: na medida em que elas predizem o
einer Gesellschaft, die diese Technik gelernt haben, in que se extrai do fato de que um membro de uma sociedade que
Übereinstimmung mit den übrigen Gliedern der Gesellschaft aprendeu essa técnica estará de acordo com os demais membros
herausbringen werden? ›25 x 25 = 625‹ hieße also, daß Menschen, da sociedade? ‘25 x 25 = 625’ significaria, portanto, que pessoas
wenn sie unsrer Meinung nach die Regeln des Multiplizierens que seguem nossa opinião sobre regras de multiplicação chegarão
befolgen, bei der Multiplikation 25 x 25 zum Resultat 625 ao resultado de 625 pela multiplicação de 25 x 25. – Que isso seja
kommen werden. – Daß dies eine richtige Vorhersage ist, ist uma predição correta é indubitável; e também que a natureza do
zweifellos; und auch, daß das Wesen des Rechnens auf solche cálculo está fundamentada sobre tal predição. Quer dizer, que nós

232
OFM – Parte III

Vorhersagen gegründet ist. D. h., daß wir etwas nicht ›rechnen‹ não poderíamos chamar alguma coisa de ‘calcular’ se não
nennen würden, wenn wir so eine Prophezeiung nicht mit pudéssemos fazer com certeza uma profecia
Sicherheit [MS 117, p. 173]
[MS 117, p. 173] assim. Isso significa realmente: o cálculo é uma técnica. E o que
machen könnten. Das heißt eigentlich: das Rechnen ist eine dissemos pertence à natureza de uma técnica.
Technik. Und was wir gesagt haben, gehört zum Wesen einer [MS 117, p. 174]
Technik.
[MS 117, p. 174]

67. Zum Rechnen gehört wesentlich dieser Consensus, das ist 67. Ao cálculo pertence essencialmente esse consenso, isso é
sicher. D. h.: zum Phänomen unseres Rechnens gehört dieser certo. Quer dizer: ao fenômeno do nosso cálculo pertence esse
Consensus. consenso.

In einer Rechentechnik müssen Prophezeiungen möglich Em uma técnica de cálculo teria que ser possível
sein. Und das macht die Rechentechnik der Technik eines Spieles profetizar. E isso faz a técnica de cálculo, à técnica de um jogo
wie des Schachs, ähnlich. como o de xadrez, semelhante.110
[MS 117, p. 175] [MS 117, p. 175]

Aber wie ist das mit dem Consensus – heißt das nicht, daß Mas o que acontece então com o consenso – isso não
ein Mensch allein nicht rechnen könnte? significa que uma pessoa só não poderia calcular?
Nun, ein Mensch könnte jedenfalls nicht nur einmal in Bem, uma pessoa, em todo caso, não poderia só uma vez
seinem Leben rechnen. na sua vida calcular.

Man könnte sagen: alle möglichen Spielstellungen in Poderíamos dizer: todas as posições de jogo possíveis em
Schach können als Sätze aufgefaßt werden, die sagen, sie (selbst) xadrez poderiam ser concebidas como proposições que dizem que
seien mögliche Spielstellungen; oder auch als Prophezeiungen: die elas são (em si mesmas) posições de jogo possíveis; ou também
como profecias: as

193 193

233
OFM – Parte III

Menschen werden diese Stellungen durch Züge erreichen können, pessoas poderiam alcançar alcançar essas posições mediante
welche sie übereinstimmend den Regeln gemäß erklären. Eine so lances que elas explicam unanimemente em conformidade a
erhaltene Spielstellung ist dann ein bewiesener Satz dieser Art. regras. Uma posição de jogo obtida assim é então uma proposição
provada dessa forma.
»Eine Rechnung ist ein Experiment.« – Eine Rechnung
kann ein Experiment sein. Der Lehrer läßt den Schüler eine “Um cálculo é um experimento.” – Um cálculo pode ser
Rechnung machen, um zu sehen, ob er rechnen kann; das ist ein um experimento. O professor deixa o aluno fazer um cálculo para
Experiment. ver se ele pode calcular; isso é um experimento.
[MS 117, p. 176] [MS 117, p. 176]

Wenn in der Früh im Ofen Feuer gemacht wird, ist das ein Quando de manhã acendemos o fogo no forno, isso é um
Experiment? Aber es könnte eins sein. experimento? Mas poderia ser.
Und so sind auch Schachzüge nicht Beweise und E assim também lances do xadrez não são provas, e
Schachstellungen nicht Sätze. Und mathematische Sätze nicht posições do xadrez não são proposições. E proposições
Spielstellungen. Und so sind sie auch nicht Prophezeiungen. matemáticas não são posições de jogo. E assim elas não são,
[MS 117, p. 177] tampouco, profecias.
[MS 117, p. 177]

68. Wenn eine Rechnung ein Experiment ist; was ist dann ein 68. Se um cálculo é um experimento; o que é então um erro
Fehler in der Rechnung? Ein Fehler im Experiment? nicht doch; no cálculo? Um erro no experimento? é claro que não; teria sido
ein Fehler im Experiment wäre es gewesen, wenn ich die um erro no experimento se não tivesse observado as suas
Bedingungen des Experiments nicht eingehalten hätte, wenn ich condições, se tivesse permitido, talvez, que alguém tivesse
also jemanden etwa bei furchtbarem Lärm hätte rechnen lassen. calculado com um barulho terrível.

Aber warum soll ich nicht sagen: Ein Rechenfehler ist Mas por que não devo dizer: um erro de cálculo não é, na
zwar kein Fehler im Experiment, aber ein – manchmal verdade, um erro no experimento, mas uma – às vezes explicável,
erklärliches, manchmal nicht erklärliches – Fehlgehen des às vezes não explicável – falha de consecução do experimento?
Experiments? [MS 117, p. 178]

234
OFM – Parte III

[MS 117, p. 178]

69. »Eine Rechnung, z. B. eine Multiplikation, ist ein 69. “Um cálculo, por exemplo uma multiplicação, é um
Experiment: wir wissen nicht, was herauskommen wird und experimento: não sabemos como vai sair, e experienciamos
erfahren

194 194

es nun, wenn die Multiplikation fertig ist.« – Gewiß; wir wissen isso agora, quando a multiplicação está pronta.” – Com certeza;
auch nicht, wenn wir spazieren gehen, an welchem Punkt wir uns nós também não sabemos, quando saímos a passeio, em que ponto
in 5 Minuten befinden werden – aber ist Spazierengehen deshalb nos encontraremos daqui a 5 minutos – mas sair a passeio seria,
ein Experiment? – Gut; aber in der Rechnung wollte ich doch von por causa disso, um experimento? – Muito bem; mas no cálculo é
vornherein wissen, was herauskommen werde; das war es doch, claro que quis saber desde o começo o que sairia; e é claro que
was mich interessierte. Ich bin doch neugierig auf das Resultat. isso era o que me interessava. Sou inquisitivo sobre o resultado.
Aber nicht, als auf das, was ich sagen werde, sondern, was ich Mas não sobre o que vou dizer, senão sobre o que devo dizer.
sagen soll. [MS 117, p. 180]
[MS 117, p. 180]
Mas não te interessa justamente nessa multiplicação como
Aber interessiert dich nicht eben an dieser Multiplikation, a generalidade das pessoas vêm a calcular? Não – pelo menos não
wie die Allgemeinheit der Menschen rechnen wird? Nein – habitualmente –, mesmo que me apresse para um ponto de
wenigstens für gewöhnlich nicht – wenn ich auch zu einem encontro comum com todos.
gemeinsamen Treffpunkt mit Allen eile. Mas o cálculo me mostra, justamente de maneira
Aber die Rechnung zeigt mir doch eben experimentell, wo experimental, onde está esse ponto de encontro. Eu me permito,
dieser Treffpunkt liegt. Ich lasse mich gleichsam ablaufen und por assim dizer, a evolução, e vejo até onde chego. E a correta
sehe, wo ich hingelange. Und die richtige Multiplikation ist das multiplicação é a imagem de como todos nos levamos se
Bild davon, wie wir alle ablaufen, wenn wir so aufgezogen esticamos a corda assim.
werden.
A experiência ensina que nós todos achamos esse cálculo
correto.

235
OFM – Parte III

Die Erfahrung lehrt, daß wir Alle diese Rechnung richtig


finden. Nós nos deixamos levar e obter
[MS 117, p. 181]
Wir lassen uns ablaufen und er- o resultado do cálculo. Mas agora – quero dizer – não nos
[MS 117, p. 181] interessa – talvez sob tais e tais condições – que tenhamos
halten das Resultat der Rechnung. Aber nun – will ich sagen – produzido esse resultado –, interessamo-nos pela imagem da
interessiert uns nicht, daß wir – etwa unter diesen und diesen expansão, – certamente como algo convincente, bem-sonante, por
Bedingungen – dies Resultat erzeugt haben – uns interessiert das assim dizer, – mas não como o resultado de um experimento,
Bild des Ablaufs, – allerdings als ein überzeugendes, sozusagen senão como um caminho.
wohlklingendes, – aber nicht als das Resultat eines Experiments,
sondern als ein Weg. Nós não dizemos: “Portanto, foi assim que chegamos!”,
mas: “Portanto, é assim que se chega!
Wir sagen nicht: »also so gehen wir!«, sondern: »also so [MS 117, p. 182]
geht es!«
[MS 117, p. 182]

195 195

70. Unsre Zustimmung läuft gleich ab, – aber wir bedienen uns 70. Nosso assentimento evolui do mesmo modo, – mas nos
dieser Gleichheit des Ablaufs nicht bloß, um Zustimmungsabläufe servimos dessa igualdade da evolução não meramente para
vorauszusagen. Wie wir uns des Satzes »dies Heft ist rot« nicht predizer como evolui o assentimento. Como não nos servimos da
nur dazu bedienen um vorherzusagen, daß die meisten Menschen proposição “Este caderno é vermelho” para prognosticar que a
das Heft ›rot‹ nennen werden. maioria das pessoas vai chamar o caderno de ‘vermelho’.

»Und das nennen wir doch ›dasselbe‹.« Bestünde keine “E isto nós chamamos ‘do mesmo jeito’.” Se não existisse
Übereinstimmung in dem, was wir ›rot‹ nennen, etc., etc., so nenhuma concordância sobre o que chamamos de ‘vermelho’ etc.,
würde die Sprache aufhören. Wie ist es aber bezüglich der etc., a linguagem acabava. Mas como é que é isso em relação à
Übereinstimmung in dem, was wir ›Übereinstimmung‹ nennen? concordância sobre o que chamamos de ‘concordância’? Nós
podemos descrever o fenômeno da confusão na linguagem; – mas

236
OFM – Parte III

Wir können das Phänomen einer Sprachverwirrung quais são para nós os indícios de uma confusão na linguagem?
beschreiben; – aber welches sind für uns die Anzeichen einer Não necessariamente tumulto e bagunça
Sprachverwirrung? Nicht notwendigerweise Tumult und Wirrwarr [MS 117, p. 184a]111
[MS 117, p. 184a] no agir. Então, portanto: que não sei onde estou112 quando as
im Handeln. Dann also: daß ich mich, wenn die Leute sprechen, pessoas falam; não posso reagir em concordância com elas.
nicht auskenne; nicht übereinstimmend mit ihnen reagieren kann.
“Isso, para mim, não é um jogo de linguagem.” Mas eu
»Das ist für mich kein Sprachspiel.« Ich könnte dann aber poderia, então, também dizer: de fato, eles acompanham as suas
auch sagen: Sie begleiten zwar ihre Handlungen mit Sprachlauten, ações com sons de fala, e não posso chamar as suas ações de
und ihre Handlungen kann ich nicht ›verwirrt‹ nennen, aber doch ‘confusas’, mas eles não têm, evidentemente, nenhuma
haben sie keine Sprache. – Vielleicht aber würden ihre linguagem. – Mas talvez as suas ações ficassem confusas se
Handlungen verwirrt, wenn man sie daran hinderte, jene Laute von alguém os impedisse de fazer aqueles sons.113
sich zu geben.

71. Man könnte sagen: Ein Beweis dient der Verständigung. 71. Poderíamos dizer: uma prova serve ao entendimento. Um
Ein Experiment setzt sie voraus. experimento a pressupõe.
Oder auch: Ein mathematischer Beweis formt unsre Ou também: uma prova matemática molda a nossa
Sprache. linguagem.
[MS 117, p. 184b] [MS 117, p. 184b]

Aber es bleibt doch bestehen, daß man mittels eines Mas permanece subsistente o fato de que se pode, por
mathematischen Beweises wissenschaftliche Voraussagen über meio de uma prova matemática, fazer previsões científicas sobre
das Beweisen anderer Menschen machen kann. – a prova de outras pessoas. –

196 196

Wenn mich Einer fragt: »Was für eine Farbe hat dieses Se alguém me perguntasse: “Qual é a cor deste livro?”, e
Buch?« und ich antworte : »Es ist grün« – hätte ich ebensowohl eu respondesse: “Ele é verde” – poderia ter dado uma resposta tão

237
OFM – Parte III

die Antwort geben können: »Die Allgemeinheit der boa quanto: “A generalidade dos falantes de português a chamam
Deutschsprechenden nennt das ›grün‹«? de ‘verde’”?
Könnte er darauf nicht fragen: »Und wie nennst du es?« Ele não poderia ter perguntado: “E como você a chama?”,
Denn er wollte meine Reaktion hören. pois queria ouvir minha reação.

›Die Grenzen des Empirismus.‹ ‘Os limites do empirismo.’114

72. Es gibt doch eine Wissenschaft von den konditionierten 72. Existe uma ciência dos reflexos condicionados do cálculo;
Rechenreflexen; – ist das die Mathematik? Jene Wissenschaft ela é a matemática? Essa ciência se baseia em experimentos: e
wird sich auf Experimente stützen: und diese Experimente werden esses experimentos seriam cálculos. Mas o que ocorreria se essa
Rechnungen sein. Aber wie, wenn diese Wissenschaft recht exakt ciência calculasse de maneira exata e no fim fosse realmente uma
und am Ende gar eine ›mathematische‹ Wissenschaft würde? ciência ‘matemática’?
Ist das Resultat dieser Bem, o resultado desse
[MS 117, p. 185] [MS 117, p. 185]
Experimente nun, daß Menschen in ihren Rechnungen experimento é que as pessoas concordam em seus cálculos, ou que
übereinstimmen, oder, daß sie darin übereinstimmen, was sie elas concordam no que chamam de ‘concordar’? E isso vai mais
›übereinstimmen‹ nennen? Und das geht so weiter. longe assim.

Man könnte sagen: jene Wissenschaft würde nicht Poderíamos dizer: essa ciência poderia não funcionar se
funktionieren, wenn wir in Bezug auf die Idee der não concordássemos em relação à ideia de concordância.
Übereinstimmung nicht übereinstimmten.
E é claro que poderíamos empregar uma obra matemática
Es ist doch klar, daß wir ein mathematisches Werk zum em um estudo de antropologia. Mas uma coisa então
Studium der Anthropologie verwenden können. Aber eines ist

197 197

238
OFM – Parte III

dann nicht klar: – ob wir sagen sollen: »diese Schrift zeigt uns, wie não é clara: – se devemos dizer: “Esse escrito nos mostra como se
bei diesem Volk mit Zeichen operiert wurde«, oder oh wir sagen opera com sinais nesse povo”, ou se devemos dizer: “Esse escrito
sollen: »diese Schrift zeigt uns, welche Teile der Mathematik nos mostra que partes da matemática esse povo domina”.
dieses Volk heherrscht hat«. [MS 117, p. 186]
[MS 117, p. 186]

73. Kann ich, am Ende einer Multiplikation 73. Posso, ao chegar ao fim de uma multiplicação,
[MS 117, p. 187] [MS 117, p. 187]
angelangt, sagen: »Also damit stimm' ich überein! – «? – Aber dizer: “Portanto, concordo com isto! – ”? – Mas posso dizer isso
kann ich es bei einem Schritt der Multiplikation sagen? Etwa bei em relação a um passo da multiplicação? Talvez com relação ao
dem Schritt ›2 x 3 = 6‹? Nicht ebensowenig, wie ich, auf dies passo ‘2 x 3 = 6’? Não tão bem como posso dizer, olhando para
Papier sehend, sagen kann: »Also das nenne ich ›weiß‹«? este papel: “Portanto, chamo isso de ‘branco’”?

Ähnlich scheint mir der Fall zu sein, wenn jemand sagte: Parece-me ser semelhante ao caso de alguém que dissesse:
»Wenn ich mir ins Gedächtnis rufe, was ich heute getan habe, “Se puxo pela memória o que fiz hoje, faço um experimento (eu
mache ich ein Experiment (ich lasse mich ablaufen) und die me deixo levar), e a lembrança que então chega serve para me
Erinnerung, die dann kommt, dient dazu, mir zu zeigen, was mostrar o que os outros, que me viram, vão responder à pergunta
Andere, die mich gesehen haben, auf die Frage, was ich getan que fiz.”
habe, antworten werden.«
O que aconteceria se nos fosse mais frequente que, ao
Was geschähe, wenn es uns öfter so ginge, daß wir eine fazer um cálculo, o achássemos correto; então o fazemos depois e
Rechnung machen und sie als richtig finden; dann rechnen wir sie achamos que ele não bate: acreditaríamos que teríamos deixado
nach und finden, sie stimmt nicht: wir glauben, wir hätten früher algo de lado antes – quando novamente o recalculamos, parece-
etwas übersehen – wenn wir sie wieder nachrechnen, scheint uns nos que o nosso segundo cálculo não vai concordar, e assim por
unsre zweite Rechnung nicht zu stimmen, usf.? diante?
Sollte ich das nun ein Rechnen Deveria chamar isso agora de
[MS 117, p. 188] [MS 117, p. 188]
nennen oder nicht? – Er kann jedenfalls nicht die Voraussage auf um cálculo ou não? – Em todo caso, ele não pode construir a
seine Rechnung bauen, daß er das nächste Mal wieder dort landen predição sobre o seu cálculo, que ele vai chegar de novo ali da

239
OFM – Parte III

wird. – Könnte ich aber sagen, er habe diesmal falsch gerechnet, próxima vez. – Mas eu não posso dizer que ele calculou errado
weil er das nächste Mal nicht wieder so gerechnet hat? Ich könnte dessa vez porque na outra vez ele não calculou de novo assim? Eu
sagen: wo diese Unsicherheit bestünde, gäbe es kein Rechnen. poderia dizer: onde subsiste essa incerteza, não há nenhum
cálculo.

198 198

Aber ich sage doch anderseits wieder: »Wie man rechnet – Mas então, por outro lado, eu digo de novo: “Como se
so ist es richtig.« Es kann kein Rechenfehler in ›12 x 12 = 144‹ calcula – assim é o correto.” Não pode existir nenhum erro de
bestehen. Warum? Dieser Satz ist unter die Regeln aufgenommen. cálculo em ’12 x 12 = 144’. Por quê? Essa proposição é aceita
Ist aber ›12 x 12 = 144‹ die Aussage, es sei allen Menschen pelas regras.
natürlich, 12 x 12 so zu rechnen, daß 144 herauskommt? Mas ‘12 x 12 = 144’ é a asserção de que seria natural, para
todas as pessoas que calculassem 12 x 12 assim, que se extraia
144?

74. Wenn ich eine Rechnung mehrmals nachrechne, um sicher 74. Quando refaço um cálculo muitas vezes para me certificar
zu sein, daß ich richtig gerechnet habe, und wenn ich sie dann als de que calculei certo, e se então o reconheço como correto, – não
richtig anerkenne, – habe ich da nicht ein Experiment wiederholt, repeti assim um experimento para me certificar de que da próxima
um sicher zu sein, daß ich das nächste Mal wieder gleich ablaufen vez vou fazer a evolução do mesmo modo? – Mas por que
werde? – Aber warum [MS 117, p. 189]
[MS 117, p. 189] deveria recalcular três vezes para me convencer de que da quarta
sollte mich dreimaliges Nachrechnen davon überzeugen, daß ich vez vou evoluir daquele modo? – Eu diria: refiz o cálculo para me
das vierte Mal ebenso ablaufen werde? – Ich würde sagen: ich certificar ‘de que não deixei nada de lado’.
habe nachgerechnet, um sicher zu sein, ›daß ich nichts übersehen O perigo aqui, acredito, é o de dar uma justificativa para o
habe‹. nosso procedimento onde não há nenhuma justificativa, e onde
Die Gefähr ist hier, glaube ich, eine Rechtfertigung unsres nós deveríamos simplesmente dizer: nós fazemos isso assim.
Vor- gehens zu geben, wo es eine Rechtfertigung nicht gibt und
wir einfach sagen sollten: so machen wir's. Se alguém repete experimento já feito, ‘sempre e de novo
com o mesmo resultado’, então ele fez, ao mesmo tempo, um

240
OFM – Parte III

Wenn Einer wiederholt ein Experiment anstellt, ›immer experimento que lhe ensina o que ele chama de ‘o mesmo
wieder mit dem gleichen Resultat‹, hat er dann zugleich ein resultado’, como ele usa, por conseguinte, a palavra “mesmo”?
Experiment gemacht, das ihn lehrt, was er ›das gleiche Resultat‹ Mede aquele que mede a mesa com um metro, também o metro?
nennt, wie er also das Wort »gleich« gebraucht? Mißt der, der den Se ele mede o metro, então não pode medir a mesa ao mesmo
Tisch mit dem Zollstock mißt, auch den Zollstock? Mißt er den tempo.
Zollstock, so kann er dabei den Tisch nicht messen.
Seria como se alguém dissesse: “Se alguém mede a mesa
Wie, wenn ich sagte: »Wenn Einer den Tisch mit dem com um metro, então ele faz ao mesmo tempo um experimento
Zollstock mißt, so macht er dabei ein Experiment, welches que
[MS 117, p. 190] [MS 117, p. 190]
ihn lehrt, was bei der Messung dieses Tisches mit allen andern ensina, pela medição dessa mesa, o resultaria com todos os outros
Zollstäben herauskäme«? Es ist doch gar kein Zweifel, daß man metros articulados”? Não há nenhuma dúvida de que se pode
aus der Messung mit einem Zollstab voraussagen kann, was die predizer, pela medição com um metro articulado, o que produz a
Messung mit andern Zollstäben ergeben wird. Und ferner, könnte medição com outros metros articulados. E mais do que isso não

199 199

man es nicht tun – daß dann unser ganzes System des Messens se pode fazer – para que se desmoronasse todo o nosso sistema de
zusammenfiele. medidas.
Kein Zollstab, könnte man sagen, wäre richtig, wenn sie Nenhum metro articulado, poderíamos dizer, seria correto
nicht allgemein übereinstimmten . – Aber wenn ich das sage, so se eles não concordassem em geral. – Mas se eu digo isso, não
meine ich nicht, daß sie dann alle falsch wären. quero dizer que eles seriam todos errados.
[MS 117, p. 191] [MS 117, p. 191]

75. Das Rechnen verlöre seinen Witz, wenn Verwirrung 75. O cálculo perderia o seu espírito se surgisse uma confusão.
einträte. Wie der Gebrauch der Worte »grün« und »blau« seinen Assim como o uso das palavras “verde” e “azul” também perderia
Witz verlöre. Und doch scheint es Unsinn zu sein zu sagen – daß o seu espírito. E, no entanto, parece ser um contrassenso dizer –
ein Rechensatz sage: es werde keine Verwirrung eintreten. – Ist que uma proposição aritmética dissesse: não vai surgir nenhuma

241
OFM – Parte III

die Lösung einfach die, daß der Rechensatz nicht falsch werde confusão. – Seria a solução a de que a proposição aritmética não
sondern nutzlos, wenn Verwirrung einträte? viria a ser falsa, mas inútil, se surgisse uma confusão?
So wie der Satz, dies Zimmer ist 16 Fuß lang, dadurch Assim como a proposição de que este quarto tem 16 pés
nicht falsch würde, daß Verwirrung in den Maßstäben und im não viria a ser, por causa disso, falsa, se surgisse uma confusão
Messen einträte. Sein Sinn, nicht seine Wahrheit, basiert auf dem nas escalas e nas medidas. Seu sentido, não sua verdade, se baseia
ordnungsgemäßen Ablauf der Messungen. (Sei aber hier nicht na extensão regular das medições. (Mas não seja dogmático aqui.
dogmatisch. Es gibt Übergänge, die die Betrachtung erschweren.) Há transições que complicam a reflexão.)

Wie, wenn ich sagte: der Rechensatz Como seria se eu dissesse: a proposição aritmética
[MS 117, p. 192] [MS 117, p. 192]
drückt die Zuversicht aus, es werde keine Verwirrung eintreten. – expressa a confiança de que não vai surgir nenhuma confusão. –
Dann drückt der Gebrauch aller Worte die Zuversicht aus, Então o uso de todas as palavras expressa a confiança de
es werde keine Verwirrung eintreten. que não vai surgir nenhuma confusão.

Man kann aber dennoch nicht sagen, der Gebrauch des Mas não se pode, apesar disso, dizer que o uso da palavra
Wortes “verde” exprimiria que não vai surgir nenhuma confusão – pois
»grün« besage, es werde keine Verwirrung eintreten – weil dann então o uso da palavra “confusão” teria que asserir outra vez
der Gebrauch des Wortes »Verwirrung« wieder eben dasselbe justamente a mesma coisa sobre essa palavra.
über dieses Wort aussagen müßte.
Se ‘25 x 25 = 625’ exprime a confiança de que sempre
Wenn ›25 x 25 = 625‹ die Zuversicht ausspricht, wir poderemos facilmente nos unificar na retomada do caminho
werden uns immer wieder leicht dahin einigen können, daß der
Weg,

200 200

der mit diesem Satz endet, zu nehmen sei – wie drückt dann dieser que termina com essa proposição – como então essa proposição
Satz nicht die andere Zuversicht aus, wir würden uns immer não expressa uma outra confiança, a de que sempre poderíamos
wieder über seinen Gebrauch einigen können? nos unificar sobre o seu uso?

242
OFM – Parte III

Wir spielen mit den beiden Satzen nicht das gleiche Nós não jogamos com as duas proposições o mesmo jogo
Sprach- spiel. de linguagem.

Oder kann man sowohl zuversichtlich sein, man werde Ou podemos ser confiantes de que veremos a mesma cor
dort die gleiche Farbe sehen, wie hier – und auch: man werde die tanto ali como aqui – e também: estaremos inclinados a nomear a
Farbe, wenn sie die gleiche ist, gleich zu benennen geneigt sein? mesma cor, se ela for a mesma?

Ich will doch sagen: Die Mathematik ist als solche immer O que quero dizer é: a matemática é, como tal, sempre
Maß und nicht Gemessenes. medida, e não o medido.
[MS 117, p. 194] [MS 117, p. 194]

76. Der Begriff des Rechnens schließt Verwirrung aus. – Wie, 76. O conceito de cálculo exclui a confusão. – Como seria se
wenn Einer beim Rechnen einer Multiplikation zu verschiedenen alguém, ao calcular uma multiplicação em tempos diferentes,
Zeiten Verschiedenes herausbrächte und dies sähe, aber in der extraísse resultados diferentes, e visse isso, mas achasse que
Ordnung fände? – Aber dann könnte er doch das Multiplizieren estava tudo em ordem? Mas então ele não poderia empregar a
nicht zu den Zwecken verwenden, wie wir es tun! – Warum nicht? multiplicação para as finalidades que nós utilizamos! – Por que
Und es ist auch nicht gesagt, daß er dabei übel fahren müßte. não? E tampouco se disse que desse modo ele teria que conduzir
[MS 117, p. 195] ao mal.
[MS 117, p. 195]
Die Auffassung der Rechnung als Experiment kommt uns
leicht als die einzige realistische vor. A concepção de cálculo como experimento parece-nos
como a única realista.
Alles andere, meinen wir, sei Gefasel. Im Experiment
haben wir Todas as outras, nós queremos dizer, são bobagens. No
experimento nós temos

201 201

243
OFM – Parte III

etwas Greifbares. Es ist beinahe, als sagte man: »Ein Dichter, algo tangível. Isso é quase como se disséssemos: “Um poeta,
wenn er dichtet, stellt ein psychologisches Experiment an. Nur so quando poetiza, põe em marcha um experimento psicológico.
ist es zu erklären, daß ein Gedicht einen Wert haben kann.« Man Somente assim se explica que um poema possa ter um valor.”
verkennt das Wesen des ›Experiments‹, – indem man glaubt, jeder Desconhecemos a natureza do ‘experimento’ – quando
Vorgang, auf dessen Ende wir gespannt sind, sei, was wir acreditamos que todo processo a cujo fim estamos atrelados seria
»Experiment« nennen. o que chamamos de “experimento”.
[MS 117, p. 196] [MS 117, p. 196]

Es scheint wie Obskurantismus, wenn man sagt, eine Pareceria obscurantismo se disséssemos que um cálculo
Rechnung sei kein Experiment. In gleicher Weise auch die não é nenhum experimento. Do mesmo modo que a declaração de
Feststellung, die Mathematik handle nicht von Zeichen, oder que a matemática não lida com sinais ou a dor não é uma forma
Schmerz sei nicht eine Form des Benehmens. Aber nur, weil die de comportamento. Mas só porque as pessoas acreditam que com
Leute glauben, man behaupte damit die Existenz eines isso se afirmaria a existência de algum intangível, isto é, de
ungreifbaren, d. i. schattenhaften, Gegenstands neben dem uns objetos fantasmagóricos ao lado daqueles por todos nós tangíveis.
Allen greifbaren. Während wir nur auf· verschiedene Enquanto que só apontamos para diferentes modos de emprego
Verwendungsweisen der Worte hinweisen. das palavras.
Es ist beinahe als sagte man: ›blau‹ müsse einen blauen Isso é quase como se disséssemos: ‘Azul’ tem que
Gegenstand bezeichnen – der Zweck des Wortes wäre sonst nicht designar um objeto azul – de outro modo a finalidade da palavra
einzusehen. não seria entendida.
[MS 117, p. 197] [MS 117, p. 197]115

77. Ich habe ein Spiel erfunden – komme drauf, daß, wer 77. Eu inventei um jogo – descobrir que quem começa sempre
anfängt, immer gewinnen muß: Es ist also kein Spiel. Ich ändere tem que ganhar: isso não é, por conseguinte, um jogo. Eu o
es ab; nun ist es in Ordnung. modifiquei; agora ele está em ordem.

Habe ich ein Experiment gemacht, und war das Ergebnis, Eu fiz um experimento e o desfecho era o de que quem
daß, wer anfängt, immer gewinnt? Oder: daß wir so zu spielen começa sempre vence? Ou: de que nós estamos tão inclinados a
geneigt sind, daß dies geschieht? Nein. – Aber das Resultat hättest jogar assim que isso acontece? Não. Mas o resultado não foi o que

244
OFM – Parte III

du dir doch nicht erwartet! Freilich nicht; aber das macht das Spiel você esperava! Certamente, não; mas isso não faz do jogo um
nicht zum Experiment. experimento.

Was heißt es aber: Nicht wissen, woran es liegt, daß es Mas o que significa então: não saber qual é a causa de que
immer so ausgehen muß? Nun, es liegt an den Regeln. – Ich will isso tenha que funcionar sempre assim? Bem, isso está nas regras.
wissen, wie ich die Regeln abändern muß, um zu einem richtigen – Eu queria saber como tenho que modificar as regras para
Spiel zu gelangen. – Aber du kannst sie ja z. B. ganz abän- conseguir um jogo correto. – Mas você pode, por exemplo,
modificá-las total-

202 202

dern – also statt deinem ein ganzlich anderes Spiel angeben. – mente – portanto, em vez do seu, ter um jogo totalmente diferente.
Aber das will ich nicht. Ich will die Regeln im großen ganzen – Mas eu não quero isso. Eu quero conservar as regras em quase
beibehalten und nur einen Fehler ausmerzen. – Aber das ist vag. toda a sua totalidade e só eliminar um erro. – Mas isso é vago.
Es ist nun einfach Agora, simplesmente
[MS 117, p. 204] [MS 117, p. 204]
nicht klar, was als dieser Fehler zu betrachten ist. não fica claro qual é o erro de que se trata aqui.

Es ist beinahe, wie wenn man sagt: Was ist der Fehler in Isso é quase como se disséssemos: qual é o erro nessa peça
diesem Musikstück? es klingt nicht gut in den Instrumenten. – de música? não soa bem nos instrumentos. – Bem, não temos que
Nun, den Fehler muß man nicht in der Instrumentation suchen; buscar o erro nos instrumentos; poderíamos buscá-lo no tema.
man könnte ihn in den Themen suchen.
Suponhamos, entretanto, que o jogo fosse de tal modo que
Nehmen wir aber an, das Spiel sei so, daß, wer anfängt, quem começasse sempre poderia ganhar, mediante um
immer durch einen bestimmten einfachen Trick gewinnen kann. determinado truque simples. Mas não se chegou a isso; por
Darauf aber sei man nicht gekommen; – es ist also ein Spiel. Nun conseguinte, isso é um jogo. Agora, alguém nos chama a atenção
macht uns jemand darauf aufmerksam; – und es hört auf, ein Spiel sobre isso; – e isso deixa de ser um jogo.
zu sein.

245
OFM – Parte III

Wie kann ich das wenden, daß es mir klar wird? – Ich will Como posso virar isso para que fique claro para mim? –
nämlich sagen: »und es hört auf ein Spiel zu sein« – nicht: »und Quero dizer, especificamente: “e isso deixa de ser um jogo” – não:
wir sehen nun, daß es kein Spiel war«. “e agora vemos que isso não era um jogo”.

Das heißt doch, ich will sagen, man kann es auch so É claro que isso significa que quero dizer que podemos
auffassen: daß der Andre uns nicht auf etwas aufmerksam gemacht também conceber isso assim: que o outro não nos chamou a
hat; sondern daß er uns statt unseres ein andres Spiel atenção sobre algo; senão que ele nos ensinou, em vez do nosso,
[MS 117, p. 205] [MS 117, p. 205]
gelehrt hat. – Aber wie konnte durch das neue das alte obsolet um outro jogo. – Mas como poderia mediante o novo o velho
werden? – Wir sehen nun etwas anderes und können nicht mehr tornar-se obsoleto? – Agora vemos algo diferente e não podemos
naiv weiterspielen. mais jogar de novo ingenuamente.
Das Spiel bestand einerseits in unsern Handlungen O jogo consiste, por um lado, nas nossas ações (ações do
(Spielhandlungen) auf dem Brett; und diese Spielhandlungen jogo) no tabuleiro; e essas ações do jogo posso executar agora tão
könnte ich jetzt so gut ausführen wie früher. Aber anderseits war bem quanto antes. Mas, por outro lado, era evidentemente
dem Spiel essencial no jogo

203 203

doch wesentlich, daß ich blind versuchte zu gewinnen; und das que eu tentasse ganhar cegamente; e isso agora eu não posso mais.
kann ich jetzt nicht mehr.

78. Nehmen wir an: die Menschen haben ursprünglich die 4 78. Suponhamos: que as pessoas originalmente cultivavam os
Species in gewöhnlicher Weise gepflogen. Dann fingen sie an, mit 4 tipos de cálculo da maneira habitual. Então eles começaram a
Klammerausdrücken zu rechnen und auch mit solchen von der calcular com expressões entre parênteses e também com aquelas
Form (a-a). Sie bemerkten nun, daß z.B. Multiplikationen da forma (a - a). Agora elas observaram que as multiplicações,
vieldeutig wurden. Müßte sie das in Verwirrung stürzen? Müßten por exemplo, se tornaram ambíguas. Eles teriam que lançar isso
sie sagen: »Nun erscheint der Grund der Arithmetik zu wanken«? em confusão? Teriam que dizer: “Agora a base da aritmética
parece ter sacudido”?

246
OFM – Parte III

Und wenn sie nun einen Beweis der Widerspruchsfreiheit E se agora eles passam a exigir uma prova de consistência,
fordern, weil sie sonst bei jedem Schritt in Gefahr wären, in den porque senão estariam correndo o risco, a cada passo, de cair no
Sumpf zu fallen – was fordern sie da? pântano – o que estão eles a exigir?
[MS 117, p. 206] [MS 117, p. 206]
Nun, sie fordern eine Ordnung. Aber war früher keine Ordnung? Bem, eles exigem uma ordem. Mas não havia antes nenhuma
– Nun, sie fordern eine Ordnung, die sie jetzt beruhigt. – Aber sind ordem? – Bem, eles exigem uma ordem que os tranquilize agora.
sie wie Kinder und sollen nur eingelullt werden? – Mas eles são agora como crianças que só devem ser
acalentadas?
Nun, die Multiplikation würde doch durch ihre
Vieldeutigkeit praktisch unbrauchbar – d. h.: für die früheren Bem, a multiplicação se tornaria praticamente inutilizável,
normalen Zwecke. Voraussagen, die wir auf Multiplikationen é claro, por causa da ambiguidade – quer dizer: para as finalidades
basiert hätten, träfen nicht mehr ein. – (Wenn ich voraussagen normais anteriores. As predições que tínhamos baseadas nas
wollte, wie lang eine Reihe von Soldaten ist, die aus einem Carré multiplicações não se cumprirão mais. – (Se eu quisesse predizer
von 50 x 50 gebildet werden kann, käme ich immer wieder zu a extensão de uma linha de soldados que poderia ser formada em
falschen Resultaten.) um quadrado de 50 x 50, chegaria sempre e de novo a resultados
Also ist diese Rechnungsart falsch? – Nun, sie ist für diese errôneos.)
Zwecke unbrauchbar. (Vielleicht für andre brauchbar.) Ist es nicht, Seria, por isso, essa espécie de cálculo errada? – Bem, ela
wie wenn ich einmal statt zu multiplizieren, dividierte? (Wie dies seria inutilizável para essa finalidade. (Talvez fosse útil para
wirklich vorkommen kann.) outra.) Isso não é como se alguma vez eu, em vez de multiplicar,
dividisse? (Como pode acontecer realmente.)

204 204

Was heißt das: »Du mußt hier multiplizieren; nicht O que significa isto: “Aqui você tem que multiplicar, não
dividieren!« – dividir!” –

Ist nun die gewöhnliche Multiplikation ein rechtes Spiel, Ora, a multiplicação habitual é um jogo correto, nele é
ist es unmöglich impossível
[MS 117, p. 207] [MS 117, p. 207]

247
OFM – Parte III

auszugleiten? Und ist die Rechnung mit (a - a) kein rechtes Spiel escorregar? E o cálculo com (a - a) não é um jogo correto – nele
– ist es unmöglich nicht auszugleiten? é impossível não se escorregar?

(Beschreiben, nicht erklären, ist, was wir wollen!) (Descrever, não explicar, é o que queremos!)

Nun, wie ist das, wenn wir uns in unserem Kalkül nicht Pois bem, como é que nos desorientamos nos nossos
auskennen? cálculos?116

Wir gingen schlafwandelnd den Weg zwischen Abgründen Lá nós fomos andando sonâmbulos pelo caminho entre os
dahin. – Aber wenn wir auch jetzt sagen: »Jetzt sind wir wach«, – abismos. – Mas quando dizemos também agora: “Agora estamos
können wir sicher sein, daß wir nicht eines Tages aufwachen acordados”, – podemos estar seguros de que um dia não
werden? (Und dann sagen: wir haben also wieder geschlafen.) acordaremos? (E então dizer: logo, estávamos dormindo
novamente.)
Können wir sicher sein, daß es nicht jetzt Abgründe gibt,
die wir nicht sehen? Poderíamos estar seguros de que não há agora abismos
Wie aber, wenn ich sagte: Die Abgründe in einem Kalkül que não vemos?
sind nicht da, wenn ich sie nicht sehe! Mas e se eu dissesse: os abismos num cálculo estão ali
onde não os vemos!
Irrt uns jetzt kein Teufelchen? Nun wenn es uns irrt, – so
macht's nichts. Was ich nicht weiß, macht mich nicht heiß. Não nos engana agora um demônio? Bem, se ele nos
[MS 117, p. 208] engana, – então não importa. Aquilo que não me esquenta, não
me apoquenta.
[MS 117, p. 208]

205 205

Nehmen wir an: dividierte ich manchmal so durch 3: Suponhamos: que eu dividisse algumas vezes assim por 3:

248
OFM – Parte III

manchmal so: e algumas vezes assim:

und merkte nicht. – Dann macht mich jemand darauf aufmerksam. e não notasse. – E então alguém me chamasse a atenção.
Auf einen Fehler? Ist es unbedingt ein Fehler? Und unter Para um erro? Isso é incondicionalmente um erro? E sob
welchen Umständen nennen wir es so? que circunstâncias o denominamos assim?
[MS 117, p. 209] [MS 117, p. 209]

79. 79.

Die Sätze ›φ (φ)‹ und ›~ φ (φ)‹ scheinen uns einmal das As proposições ‘φ (φ)’ e ‘~ φ (φ)’ ora parecem dizer o
Gleiche und einmal Entgegengesetztes zu sagen. Je nachdem wir mesmo, ora o contrário. Consoante o que nela vejamos, a
ihn ansehen, scheint der Satz ›φ (φ)‹ einmal zu sagen ~ φ (φ), proposição ‘φ (φ)’ parece ora dizer ~ φ (φ), ora o contrário disso.
einmal das Gegenteil davon. Und zwar sehen wir ihn einmal als E, de fato, a vemos uma vez como o produto da substituição
das Substitutionsprodukt

e na outra vez como


ein andermal als

249
OFM – Parte III

Wir möchten sagen: »›heteronom‹ ist nicht heteronom; Gostaríamos de dizer: “‘heteronômico’ não é
also kann man es nach der Definition ›heteronom‹ nennen.« Und heteronômico; por conseguinte, podemos denominá-lo pela
klingt ganz richtig, geht ganz glatt, und es braucht uns der definição de ‘heteronômico’.” E soa tão bem, passa tão fácil, que
Widerspruch gar nicht auffallen. Werden wir auf den Widerspruch nem sequer precisa nos chamar a atenção para a contradição. Se
aufmerksam, so möchten wir zuerst sagen, daß wir mit der nos damos conta da contradição, então vamos preferir dizer
Aussage, ξ ist heteronom, in den beiden Fällen nicht primeiro que, pela asserção ξ é um heterônimo, não estamos
[MS 117, p. 222] querendo dizer o mesmo nos dois casos.
dasselbe [MS 117, p. 222]

206 206

meinen. Einmal sei es die unabgekürzte Aussage, das andre mal Uma vez ele é a asserção não abreviada, na outra vez, a asserção
die nach der Definition abgekürzte. abreviada segundo a definição.
Wir möchten uns dann aus der Sache ziehen, indem wir Nós gostaríamos então de nos retirar da coisa, ao dizer:
sagen: ‘~φ (φ) = φ1 (φ)’. Mas por que devemos nos enganar assim?
›~φ (φ) = φ1 (φ)‹. Aber warum sollen wir uns so belügen? Es führen Seguem-se aqui, realmente, dois caminhos contrários – em
hier wirklich zwei entgegengesetzte Wege – zu dem Gleichen. direção ao mesmo.
Oder auch: – es ist ebenso natürlich, in diesem Falle ›~φ Ou também: – é igualmente natural, nesse caso, tanto
(φ)‹ zu sagen, wie ›φ (φ)‹. dizer ‘~φ (φ)’ quanto dizer ‘φ (φ)’.
Es ist, der Regel gemäß, ein ebenso natürlicher Ausdruck É uma expressão igualmente natural, em conformidade
zu sagen C liege vom Punkte A rechts, wie, es liege links. Dieser com a regra, tanto dizer que C está à direita do ponto A, quanto
Regel gemäß – welche sagt, ein Ort liege in der Richtung des dizer que ele está à esquerda. Essa conformidade com a regra –
que diz que um local está na direção da

250
OFM – Parte III

Pfeils, wenn die Straße, die in diese Richtung beginnt, zu ihm seta, se a rua que começa nessa direção conduz a ele.
führt.
Olhamos para isso do ponto de vista dos jogos de
Sehen wir' s vom Standpunkt der Sprachspiele an. – linguagem. –
Wir haben ursprünglich das Spiel nur mit geraden Straßen Nós jogamos o jogo originalmente só com ruas retas. –
gespielt. – [MS 117, p. 223]
[MS 117, p. 223]

80. Könnte man sich etwa denken, daß, wo ich blau sehe, das 80. Poderíamos, talvez, imaginar que onde vejo azul significa
bedeutet, daß der Gegenstand, den ich sehe, nicht blau ist – daß que o objeto que vejo não é azul – que a cor que aparece para mim
die Farbe, die mir erscheint, immer als die gilt, die ausgeschlossen tem sempre o valor que é excluído? Eu poderia, por exemplo,
ist? Ich könnte z. B. glauben, daß Gott mir immer eine Farbe zeigt, acreditar que Deus sempre me mostra uma cor para dizer: não
um zu sagen: Die nicht. esta.
Oder geht es so: Die Farbe, die ich sehe, sage mir bloß, daß Ou acontece assim: a cor que vejo me diz meramente que
diese Farbe in der Beschreibung des Gegenstands eine Rolle spielt. essa cor joga um papel na descrição do objeto. Ela corresponde
Sie entspricht nicht einem Satz, sondern nur dem Wort não a uma proposição, mas só à palavra

207 207

»blau«. Und die Beschreibung des Gegenstands kann also ebenso “azul”. E a descrição do objeto pode, igualmente, muito bem
gut heißen: »er ist blau«, als auch »er ist nicht blau«. Man sagt significar: “ele é azul” assim como também “ele não é azul”.
dann: das Auge zeigt mir nur Bläue, aber nicht die Rolle dieser Dizemos, então: os olhos só me mostram o azul, mas não o papel
Bläue. – Wir vergleichen das Sehen der Farbe mit dem Hören des desse azul. – Nós comparamos a visão da cor com a audição da
Wortes »blau«, wenn wir das Übrige des Satzes nicht gehört palavra “azul”, se não ouvimos o resto da proposição.
haben. [MS 117, p. 227]
[MS 117, p. 227]
Gostaria de mostrar que poderíamos ser levados a querer
descrever com palavras algo que é azul, como algo que é azul,
mas que também não é azul.

251
OFM – Parte III

Ich möchte zeigen, daß man dahin geführt werden könnte, Que nós podemos deslocar por debaixo do pano o método
daß etwas blau ist, mit den Worten beschreiben zu wollen, es sei de projeção de tal modo que ‘p’ e ‘~ p’ recebam o mesmo sentido.
blau und auch, es sei nicht blau. Pelo que elas, porém, o perdem, se não introduzo alguma coisa
Daß wir also, unter der Hand, die Projektionsmethode so nova como negação.
verschieben könnten, daß ›p‹ und ›~ p‹ den gleichen Sinn erhalten.
Wodurch sie ihn aber verlieren, wenn ich nicht etwas Neues als Um jogo de linguagem pode agora perder o seu sentido
Negation einführe mediante uma contradição, o caráter do jogo de linguagem.
E aqui é importante dizer que esse caráter não é descrito
Ein Sprachspiel kann nun durch einen Widerspruch seinen porque dizemos que os sons têm que ter um certo efeito. Pois o
Sinn verlieren, den Charakter des Sprachspiels. jogo de linguagem (2)117 perderia o caráter de jogo de linguagem
Und hier ist es wichtig zu sagen, daß dieser Charakter se em vez das 4 ordens outros sons fossem emitidos sem parar
nicht dadurch beschrieben ist, daß man sagt, die Laute müssen pelos construtores; mesmo que algo fisio-
eine gewisse Wirkung haben. Denn das Sprachspiel (2) würde [MS 117, p. 228]
den Charakter des Sprachspiels einbüßen, wenn statt der 4 lógico pudesse ser mostrado, que esses sons fossem sempre o que
Befehle immer wieder andere Laute vom Bauenden movia o servente a trazer os blocos de construção que ele trazia.
ausgestoßen würden; auch wenn etwa phy-
[MS 117, p. 228]
siologisch gezeigt werden könnte, daß immer wieder diese Também aqui poderíamos dizer que certamente a
Laute es seien, die den Helfer dazu bewegen, die Bausteine zu consideração dos jogos de linguagem tem a sua importância no
bringen, die er bringt. fato de que eles funcionam sempre. De que, portanto, a sua
importância consiste no fato de que as pessoas são capazes de
Auch hier könnte man sagen, daß freilich die Betrachtung serem treinadas para reações como essas aos sons.
der Sprachspiele ihre Wichtigkeit darin hat, daß Sprachspiele
immer wieder funktionieren. Daß also ihre Wichtigkeit darin liegt,
daß die Menschen sich zu einer solchen Reaktion auf Laute
abrichten lassen.

208 208

252
OFM – Parte III

Damit hängt, scheint mir, die Frage zusammen, ob eine Parece-me que a questão está ligada a saber se um cálculo
Rechnung ein Experiment ist zum Zweck, Rechnungsablaufe é um experimento com a finalidade de predizer a sua extensão.
vorauszusagen. Denn wie, wenn man eine Rechnung ausführte Pois como seria se alguém efetuasse um cálculo e predissesse –
und – richtig – voraussagte, man werde das nächste Mal anders corretamente – que se calcularia diferente da próxima vez, dado
rechnen, da ja die Umstände sich beim nächsten Mal schon que as circunstâncias já teriam mudado na próxima vez, porque já
dadurch geändert haben, daß man die Rechnung nun bereits so und então se teria feito o cálculo assim e assim muitas vezes?
so oftmal gemacht hat?
O cálculo é um fenômeno que conhecemos por calcular.
Das Rechnen ist ein Phänomen, das wir vom Rechnen her Assim como a linguagem é um fenômeno que conhecemos pela
kennen. Wie die Sprache ein Phänomen ist, das wir von unsrer [MS 117, p. 229]
[MS 117, p. 229] nossa linguagem.
Sprache her kennen
Podemos dizer: “A contradição é inofensiva se ela puder
Kann man sagen: »Der Widerspruch ist unschädlich, wenn ser isolada”? O que nos impede de a isolar? Que no cálculo não
er abgekapselt werden kann«? Was aber hindert uns, ihn sabemos onde estamos. Logo, esse é o dano. E isso é o que se tem
abzukapseln? Daß wir uns im Kalkül nicht auskennen. Das also ist em mente quando se diz: a contradição mostra que alguma coisa
der Schaden. Und das ist es, was man meint, wenn man sagt: der não está em ordem no nosso cálculo. Ela é simplesmente o
Widerspruch zeige an, daß etwas in unserem Kalkül nicht in sintoma localizado de uma doença no corpo todo. Mas o corpo só
Ordnung sei. Er sei bloß das lokale Symptom einer Krankheit des está doente se não sabemos onde estamos.
ganzen Körpers. Aber der Körper ist nur krank, wenn wir uns nicht O cálculo tem uma doença secreta, significa: o que temos
auskennen. diante de nós, tal como está, não é nenhum cálculo, e não sabemos
Der Kalkül hat eine heimliche Krankheit, heißt: was wir onde estamos118 – quer dizer, não podemos especificar nenhum
vor uns haben, ist, wie es ist, kein Kalkül, und wir kennen uns nicht cálculo que corresponda ‘em essência’ a esse
aus – d. h., wir können keinen Kalkül angeben, der diesem [MS 117, p. 230]
Kalkül- Ähnlichen simulacro de cálculo e só elimine nele o que está corrompido.
[MS 117, p. 230]
›im Wesentlichen‹ entspricht und nur das Faule in ihm Mas como é possível não saber onde se está num cálculo;
ausschließt. então ele não está como um livro aberto diante de nós?!
Imaginemos que nos ensinaram o cálculo de Frege
juntamente com a contradição nele contida. Mas ela não é

253
OFM – Parte III

Aber wie ist es möglich, sich in einem Kalkül nicht considerada assim, como algo doentio. Ela é reconhecida muito
auszukennen; liegt er denn nicht offen vor uns?! mais como parte do cálculo, e com ele calculado. (Os cálculos não
Denken wir uns den Fregeschen Kalkül mitsamt dem servem
Widerspruch in ihm gelehrt. Nicht aber so, daß man diesen als
etwas Krankhaftes hinstellt. Er ist vielmehr ein anerkannter Teil
des Kalküls, es wird mit ihm gerechnet. (Die Rechnungen dienen

209 209

nicht dem gewöhnlichen Zweck logischer Rechnungen.) – Nun para o propósito habitual dos cálculos lógicos.) – Agora propõe-
wird die Aufgabe gestellt, diesen Kalkül, von dem der se a tarefa de tornar esse cálculo, do qual a contradição é uma
Widerspruch ein durchaus wohlanständiger Teil ist, in einen parte absolutamente considerável, numa outra versão na qual essa
andern umzuwandeln, in dem es diesen Widerspruch nicht geben contradição não deva existir, pois se quer empregar o cálculo
soll, da man den Kalkül nun zu Zwecken verwenden will, die agora com a finalidade de tornar indesejável uma contradição.
einen Widerspruch unerwünscht machen. – Was ist das für eine Que tipo de tarefa é essa? E que tipo de incapacidade é essa se
Aufgabe? Und was ist das für ein Unvermögen, wenn wir sagen: dizemos: “Ainda não achamos um cálculo que satisfaça essa
»Wir haben einen Kalkül, der dieser Bedingung entspricht, noch condição”?
nicht gefunden«?
Com: “Eu não sei onde estou no cálculo” – não quero dar
Mit: »ich kenne mich in dem Kalkül nicht aus« – meine a entender um
ich nicht einen [MS 117, p. 231]
[MS 117, p. 231] estado mental, mas uma incapacidade de fazer algo.
seelischen Zustand, sondern ein Unvermögen, etwas zu tun.
Costuma ser muito útil, para clarificar um problema
Es ist oft zur Klärung eines philosophischen Problems sehr filosófico, que eu imagine o desenvolvimento histórico, o da
nützlich, ich die historische Entwicklung, in der Mathematik, z. matemática, por exemplo, de uma maneira totalmente diferente
B., ganz anders vorzustellen, als sie tatsächlich war. Wäre sie do que de fato o foi. Se ele tivesse sido outro, ninguém teria tido
anders gewesen, so käme niemand auf die Idee zu sagen, was man a ideia de dizer o que de fato se disse.
tätsachlich sagt.

254
OFM – Parte III

Ich möchte etwas fragen, wie: »Gehst du bei deinem Gostaria de perguntar algo como: “Você tem em vista a
Kalkül auf Nützlichkeit aus? – dann erhältst du auch keinen utilidade com o seu cálculo? – então, você também não admite
Widerspruch. Und wenn du nicht auf Nützlichkeit ausgehst – dann nenhuma contradição. E se você não tem em vista a utilidade –
macht es schließlich nichts, wenn du einen erhältst. « então no fim não importa o que você admite.”
[MS 117, p. 232] [MS 117, p. 232]

81. Unsre Aufgabe ist es nicht, Kalküle zu finden, sondern den 81. A nossa tarefa não é a de descobrir cálculos, mas a de
gegenwärtigen Zustand zu beschreiben. descrever a situação presente.

210 210

Die Idee des Prädikats, das von sich selber gilt, etc., stützt A ideia do predicado que vale por si mesmo etc., apoia-se
sich freilich auf Beispiele – aber diese Beispiele waren ja certamente em exemplos – mas esses exemplos são, de fato,
Dummheiten, sie waren ja gar nicht ausgedacht. Aber das sagt idiotices, eles não são realmente elaborados. Mas isso não quer
nicht, daß solche Prädikate nicht verwendet werden könnten, und dizer que esses predicados não possam ser empregados, e que a
daß dann nicht der Widerspruch seine Verwendung hätte! contradição, então, não teria o seu emprego!
Ich meine: wenn man sein Augenmerk wirklich auf die Quero dizer: se realmente dirigirmos nossa atenção para o
Ver- wendung richtet, so kommt man gar nicht auf die Idee ›f (f)‹ emprego, então não chegaremos à ideia de escrever ‘f (f)’. Por
zu schreiben. Anderseits kann man, wenn man die Zeichen im outro lado, se usamos os sinais no cálculo sem pressuposições,
Kalkül, sozusagen, voraussetzungslos gebraucht, auch ›f (f)‹ por assim dizer, também escrevemos ‘f (f)’, e temos então que
schreiben, und muß dann die Konsequenzen ziehen und darf nicht tirar as consequências e não nos permitirmos esquecer que não
vergessen, daß man von einer eventuellen praktischen temos nenhum palpite sobre algum eventual emprego prático
Verwendung dieses Kalküls noch keine Ahnung hat. desse cálculo.119

Ist die Frage die: »Wo haben wir das Gebiet Seria esta a pergunta: “Onde foi que abandonamos
[MS 117, p. 233] [MS 117, p. 233]
der Brauchbarkeit verlassen?« – o âmbito da utilidade?” –

255
OFM – Parte III

Wäre es denn nicht möglich, daß wir einen Widerspruch Não seria então possível que quiséssemos gerar uma
hervorbringen wollten? Daß wir – mit dem Stolz auf eine contradição? Que disséssemos – com o orgulho de uma
mathematische Entdeckung – sagten: »Sieh, so erzeugen wir einen descoberta matemática –: “Veja, assim é que engendramos uma
Widerspruch«. Wäre es nicht möglich, daß z. B. viele Leute contradição”. Não seria possível que, por exemplo, muita gente
versucht hätten, einen Widerspruch im Gebiet der Logik zu tivesse tentado engendrar uma contradição no âmbito da lógica, e
erzeugen, und daß es dann endlich einem gelungen wäre? que assim, finalmente, alguém tivesse conseguido?
Aber warum hätten Leute das versuchen sollen? Nun, ich Mas por que as pessoas deveriam ter tentado isso? Bem,
kann vielleicht jetzt nicht den plausibelsten Zweck angeben. Aber talvez eu não possa indicar agora a finalidade mais plausível. Mas
warum nicht z. B. um zu zeigen, daß alles auf dieser Welt ungewiß por que não para mostrar, por exemplo, que tudo neste mundo é
sei? incerto?

Diese Leute würden dann Ausdrücke von der Form ›f(f)‹ Essa gente realmente nunca empregaria então expressões
zwar nie wirklich verwenden, wären aber doch froh, in der da forma ‘f (f)’, mas elas estariam de fato felizes em viver nas
Nachbarschaft eines Widerspruchs zu leben. vizinhanças de uma contradição.

211 211

»Sehe ich eine Ordnung, die mich verhindert, unversehens “Vejo uma ordenação que me coíbe de chegar
zu einem Widerspruch zu kommen?« Das ist so, wie wenn ich inesperadamente a uma contradição?”. Isso é como se eu
[MS 117, p. 234] [MS 117, p. 234]
sage: Zeige mir eine Ordnung in meinem Kalkül, die mich dissesse: mostre-me uma ordenação no meu cálculo que me
überzeugt, daß ich auf diese Weise nicht einmal zu einer Zahl convença de que eu não possa nunca chegar desse modo a um
kommen kann, die . . . . Ich zeige ihm dann etwa einen número que . . . . Então eu mostro talvez para ele uma prova
Rekursionsbeweis. recursiva.

Ist es aber falsch zu sagen: »Nun, ich gehe meinen Weg Mas seria enganoso dizer: “Bem, prossigo no meu
weiter. Sehe ich einen Widerspruch, so ist es Zeit, etwas zu caminho. Se vejo uma contradição, então haverá tempo de fazer
machen. «? – Heißt das: nicht wirklich Mathematik betreiben? algo.”? – Isso significa: não operar realmente em matemática? Por
Warum soll das nicht Kalkulieren sein?! Ich gehe ruhig diesen que isso não deveria ser calcular?! Prossigo tranquilo nesse

256
OFM – Parte III

Weg weiter; sollte ich an einen Abgrund kommen, so werde ich caminho; se tiver que chegar em um abismo, vou tentar voltar para
versuchen, umzukehren. Ist das nicht ›gehen‹? trás. Isso não é um ‘caminhar’?

Denken wir uns folgenden Fall: Die Leute eines gewissen Imaginemos o seguinte caso: o povo de uma certa tribo só
Stammes können nur mündlich rechnen. Sie kennen die Schrift pode calcular oralmente. Eles ainda não conhecem a escrita. Eles
noch nicht. Sie lehren ihre Kinder im Dezimalsystem zählen. Es ensinam as suas crianças a contar no sistema decimal. Entre eles
kommen bei ihnen sehr häufige Fehler im Zahlen vor, Ziffern ocorre muito frequentemente erros de contagem, os algarismos
werden wiederholt oder ausgelassen, ohne daß sie es bemerken. são repetidos ou omitidos sem que eles se deem conta.
[MS 117, p. 235] [MS 117, p. 235]
Ein Reisender aber nimmt ihr Zählen phonographisch auf. Er lehrt Mas um viajante grava fonograficamente a sua contagem. Ele lhes
sie die Schrift und schriftliches Rechnen und zeigt ihnen dann, wie ensina a escrever e a calcular por escrito, e lhes mostra então o
oft sie sich beim bloß mündlichen Rechnen verrechnen. – Müssen quanto que eles erram na conta ao fazer cálculo meramente por
diese Leute nun zugeben, sie hätten früher eigentlich nicht boca. – Teria esse povo agora que assumir que eles não tinham
gerechnet? Sie wären nur herumgetappt, während sie jetzt gehen? realmente calculado antes? Que eles estavam só engatinhando,
Könnten sie nicht vielleicht sogar sagen: früher seien ihre Sachen mas que agora eles andam? Mas não poderiam eles
besser gegangen, ihre Intuition sei nicht durch die toten provavelmente até mesmo dizer: antes os seus negócios andavam
Schreibmittel belastet gewesen. Man könne den Geist nicht mit melhor, a sua intuição não tinha sido sobrecarregada pela escrita
Maschinen fassen. Sie sagen etwa: »Wenn wir damals, wie deine morta. Não se pode capturar o espírito com máquinas. Eles talvez
Maschine behauptet, eine Ziffer wiederholt haben, so wird es digam: “Se nós repetimos naquela hora um número, como a sua
schon wohl so recht gewesen sein.« máquina afirma, isso já teria sido correto daquele jeito.”

Wir vertrauen etwa ›mechanischen‹ Mitteln des Rechnens Talvez confiemos mais em meios ‘mecânicos’ de calcular
oder Zählens mehr als unserm Gedächtnisse. Warum? – Muß ou de contar do que na nossa memória. Por quê? – Isso teria que

212 212

das so sein? Ich mag mich verzählt haben, die Maschine, von uns ser assim? Eu poderia ter errado nas contas, e a máquina, uma vez
einmal por nós
[MS 117, p. 236] [MS 117, p. 236]

257
OFM – Parte III

so und so konstruiert, kann sich nicht verzählt haben. Muß ich construída assim e assim, não poderia. Eu tenho que assumir esse
diesen Standpunkt einnehmen? – »Nun, Erfahrung hat uns gelehrt, ponto de vista? – “Bem, a experiência tem nos ensinado que o
daß das Rechnen mit der Maschine verläßlicher ist, als das mit cálculo feito pela máquina é mais fidedigno do que aquele que é
dem Gedächtnisse. Sie hat uns gelehrt, daß unser Leben glatter feito com a memória. Ela nos ensina que a nossa vida fica mais
geht, wenn wir mit Maschinen rechnen .« Aber muß das Glatte fácil se calculamos com a máquina.” Mas o fácil tem que ser
unbedingt unser Ideal sein (muß es unser Ideal sein, daß alles in incondicionalmente o nosso ideal (o nosso ideal tem que ser o de
Zellophan gewickelt sei)? que tudo seja embrulhado em celofane)?
Könnte ich nicht auch dem Gedächtnis trauen und der Eu não poderia também confiar na memória e não confiar
Maschine nicht trauen? Und könnte ich nicht der Erfahrung na máquina? E eu não poderia desconfiar da experiência que
mißtrauen, die mir ›vorspiegelt‹, die Maschine sei verläßlicher? ‘simula’ para mim que a máquina é mais fidedigna?
[MS 117, p. 237] [MS 117, p. 237]

82. Vorher war ich nicht sicher, daß unter den Arten des 82. Antes eu não estava seguro de que, sob os tipos de
Multiplizierens, die multiplicação que
[MS 117, p. 239] [MS 117, p. 239]
dieser Beschreibung entsprechen, keine ist, die ein anderes correspondem a essa descrição, não há nenhuma que entregue um
Resultat als das anerkannte liefert. Nehmen wir aber an, meine resultado diferente do que aquele que seja reconhecido. Mas
Unsicherheit sei eine solche, die erst in einer gewissen Entfernung suponhamos que a minha incerteza seja tal que ela só apareça a
von der normalen Art des Rechnens anfing; und nehmen wir an, partir de uma certa distância do tipo normal de cálculo; e
wir sagten: Da schadet sie nichts; denn rechne ich auf sehr suponhamos que nós disséssemos: isso não faz mal nenhum; pois
abnormale Weise, so muß ich mir eben alles noch einmal se eu calculo de um modo muito anormal, vou ter que
überlegen. Wäre das nicht ganz in Ordnung? evidentemente reconsiderar tudo de novo. Isso não estaria
totalmente em ordem?
Ich will doch fragen: Muß ein Beweis der
Widerspruchsfreiheit (oder Eindeutigkeit) mir unbedingt eine Quero então perguntar: uma prova de consistência (ou de
größere Sicherheit geben, als ich ohne ihn habe? Und, wenn ich não-ambiguidade) tem que me dar incondicionalmente uma maior
wirklich auf Abenteuer ausgehe, kann ich dann nicht auch auf certeza do que teria sem ela? E seu eu realmente saio em
solche ausgehen, in denen dieser Beweis mir keine Sicherheit aventuras, não posso então sair para aquelas em que essa prova
mehr bietet? não pode mais me oferecer nenhuma segurança?

258
OFM – Parte III

Mein Ziel ist, die Einstellung zum Widerspruch und zum Meu objetivo é modificar a atitude com relação à
Beweis der Widerspruchsfreiheit contradição e à prova de
[MS 117, p. 240] [MS 117, p. 240]
zu ändern. (Nicht zu zeigen, daß dieser Beweis mir etwas consistência. (Não para mostrar que essa prova mostra para mim
Unwichtiges zeigt. Wie könnte das auch so sein!) algo desimportante. Como isso poderia ser assim!)

213 213

Wäre es mir z. B. daran gelegen, Widersprüche etwa zu Se estivesse ansioso para produzir contradições, por
asthetischen Zwecken zu erzeugen, so würde ich nun den exemplo por finalidades estéticas, então aceitaria sem hesitação a
Induktionsbeweis der Widerspruchsfreiheit unbedenklich prova indutiva de consistência e diria: não há como querer
annehmen und sagen: es ist hoffnungslos, in diesem Kalkül einen produzir neste cálculo uma contradição; a prova te mostra que isso
Widerspruch erzeugen zu wollen; der Beweis zeigt dir, daß es não funciona. (Prova em teoria da harmonia.) –
nicht geht. (Beweis in der Harmonielehre.) – [MS 117, p. 241]
[MS 117, p. 241]

83. Es ist ein guter Ausdruck zu sagen: »dieser Kalkül kennt 83. É uma melhor forma de expressão dizer: “Este cálculo
diese Ordnung (diese desconhece essa ordem (esse
[MS 117, p. 242] [MS 117, p. 242]
Methode) nicht, dieser Kalkül kennt sie.« método), aquele, sim, a conhece.”
Wie, wenn man sagte: »ein Kalkül, der diese Ordnung Tal como se disséssemos: “Um cálculo que desconhece
nicht kennt, ist eigentlich kein Kalkül«? essa ordem não é realmente um cálculo”?
(Ein Kanzleibetrieb, der diese Ordnung nicht kennt, ist (Um serviço de escritório que desconhece essa ordem não
eigentlich kein Kanzleibetrieb.) é realmente um serviço de escritório.)

Die Unordnung – möchte ich sagen – wird zu praktischen, A desordem – gostaria de dizer – é evitada por finalidades
nicht zu theoretischen Zwecken vermieden. práticas, não por teóricas.

259
OFM – Parte III

Eine Ordnung wird eingeführt, weil man ohne sie üble Uma ordem é introduzida porque sem ela tivemos
Erfahrungen gemacht hat – oder auch, sie wird eingeführt wie die experiências ruins – ou então, ela é introduzida assim como a
Stromlinienform bei Kinderwagen und Lampen, weil sie sich etwa racionalização dos carrinhos de bebê e das lâmpadas, porque ela
irgendwo anders bewährt hat und so der Stil oder die Mode talvez tenha sido preservada em algum lugar, e, assim, se tornou
geworden ist. um estilo ou uma moda.

Der Mißbrauch der Idee der mechanischen Sicherung


gegen den Widerspruch. Wie aber, wenn die Teile des O abuso da ideia de segurança mecânica contra a
Mechanismus mit einander verschmelzen, brechen oder sich contradição. Mas o que aconteceria se as partes do mecanismo se
biegen? fundissem, quebrassem ou entortassem?

214 214

84. »Der Beweis der Widerspruchsfreiheit erst zeigt mir, daß 84. “A prova da consistência só me mostra que posso confiar
ich mich dem Kalkül anvertrauen kann.« no cálculo.”
[MS 117, p. 243] [MS 117, p. 243]

Was ist das für ein Satz: Du kannst dich dem Kalkül erst Que tipo de proposição é esta: só então você pode confiar
dann anvertrauen? Wenn du dich ihm aber nun ohne jenen Beweis no cálculo? Mas e se você confia nele sem essa prova!? Que tipo
anvertraust!? Welche Art von Fehler hast du begangen? de erro você cometeu?

Ich mache Ordnung; ich sage: »Es sind nur diese Eu coloco uma ordem; eu digo: “Só existem estas
Möglichkeiten: . . . «. Es ist, wie wenn ich die möglichen possibilidades: . . .”. Isso é como se eu determinasse as
Permutationen der Elemente A, B, C bestimme: ehe die Ordnung possibilidades de permutação dos elementos A, B, C: antes que a
da war, ordem estivesse lá,
[MS 117, p. 244] [MS 117, p. 244]
hatte ich etwa nur einen nebelhaften Begriff von dieser Menge. – talvez eu só tivesse um conceito nebuloso desse conjunto. – Estou
Bin ich jetzt ganz sicher, daß ich nichts übersehen habe? Die agora totalmente seguro de que não deixei nada de lado? A ordem
Ordnung ist ein Mittel, nichts zu übersehen. Aber: keine é um recurso para não deixar nada de lado. Mas: para não deixar
Möglichkeit im Kalkül zu übersehen, oder: keine Möglichkeit in passar nenhuma possibilidade no cálculo, ou: para não deixar

260
OFM – Parte III

der Wirklichkeit zu übersehen? – Ist nun sicher, daß Leute nie passar nenhuma possibilidade na realidade? – É certo agora que
werden anders rechnen wollen? Daß Leute unsern Kalkül nie so as pessoas nunca vão querer calcular diferente? Que as pessoas
ansehen werden, wie wir das Zählen der Wilden, deren Zahlen nur nunca vão olhar para o nosso cálculo assim como nós olhamos
bis fünf reichen? – daß wir die Wirklichkeit nie anders werden para a contagem dos selvagens, cujos números só chegam até
betrachten wollen? Aber das ist gar nicht die Sicherheit, die uns cinco? – que nós nunca vamos querer observar a realidade de
diese Ordnung geben soll. Nicht die ewige Richtigkeit des Kalküls outro jeito? Mas esta não é a certeza que essa ordem deve nos dar.
soll gesichert werden, sondern nur die zeitliche, sozusagen. Não é a eterna correção do cálculo que deve ser assegurada, mas
só a temporária, por assim dizer.
»Diese Möglichkeiten meinst du doch! – Oder meinst du
andre?« “É claro que são estas as possibilidade que você tem em
[MS 117, p. 245] mente! Ou você pensa em outras?”
[MS 117, p. 245]
Die Ordnung überzeugt mich, daß ich mit diesen 6
Möglichkeien keine übersehen habe. Aber überzeugt sie mich A ordem me convence de que com estas 6 possibilidades
auch davon daß nichts meine gegenwärtige Auffassung solcher não deixei nada de lado. Mas ela me convence também de que
Möglichkeiten wird umstoßen können? nada na minha atual concepção dessas possibilidades poderia ser
derrubado?

215 215

85. Könnte ich mir denken, daß man sich vor einer 85. Poderia imaginar que nos amedrontamos diante da
Möglichkeit der Siebenecks-Konstruktion ebenso fürchtete, wie possibilidade de construção de um heptágono do mesmo modo
vor der Konstruktion eines Widerspruchs, und daß der Beweis, que diante de uma contradição, e que a prova de que a construção
daß die Siebenecks-Konstruktion unmöglich ist, eine beruhigende de um heptágono é impossível tem o mesmo efeito tranquilizador
Wirkung hätte, wie der Beweis der Widerspruchsfreiheit? que a prova de consistência?

Wie kommt es denn, daß wir überhaupt versucht sind (oder Como é que então somos tentados em geral (ou então a
doch in der Nähe davon) in (3-3) x 2 = (3-3) x 5 durch (3-3) zu estar perto disso) a reduzir por (3 -3) em (3-3) x 2 = (3-3) x 5?
kürzen? Wie kommt es, daß dieser Schritt nach den Regeln Como é que esse passo parece plausível segundo as regras, e como
é que, não obstante, ele é inutilizável?

261
OFM – Parte III

plausibel erscheint, und wie kommt es, daß er dann dennoch [MS 117, p. 246]
unbrauchbar ist? Se quisermos descrever essa situação fica extremamente
[MS 117, p. 246] fácil cometer um erro na descrição. (Ela é, portanto, muito difícil
Wenn man diese Situation beschreiben will, ist es de descrever.) As descrições que nos chegam de imediato à mente
ungeheuer leicht, in der Beschreibung einen Fehler zu machen. são enganosas – assim é que a nossa linguagem se organiza nesse
(Sie ist also sehr schwer zu beschreiben.) Die Beschreibungen, die âmbito.
uns unmittelbar in den Mund kommen, sind irreleitend – so ist, auf
diesem Gebiet, unsre Sprache eingerichtet. Desse modo, caímos sempre da descrição para a
explicação.
Man wird dabei auch immer vom Beschreiben ins Erklären
fallen. Era ou parece ser mais ou menos assim: nós temos um
cálculo, digamos, feito com as bolinhas de uma máquina de
Es war oder scheint ungefähr so: Wir haben einen Kalkül, calcular; nós o substituímos por um cálculo feito por escrito; este
sagen wir, mit Kugeln einer Rechenmaschine; ersetzen den durch cálculo nos sugere uma extensão do modo de calcular que o
einen Kalkül mit Schriftzeichen; dieser Kalkül legt uns eine primeiro cálculo não nos sugeriu – ou, talvez
Ausdehnung der Rechnungsweise nahe, die der erste Kalkül uns [MS 117, p. 247]
nicht nahegelegt hat – oder viel- melhor: o segundo cálculo apaga uma diferença que no primeiro
[MS 117, p. 247] não foi deixada de lado. Pois bem, se era do espírito do primeiro
leicht besser: der zweite Kalkül verwischt einen Unterschied, der cálculo que essa diferença fosse feita, e ela não foi feita no
im ersten nicht zu übersehen war. Wenn es nun der Witz des ersten segundo, então este perdeu, por conseguinte, a sua utilidade como
Kalküls war, daß dieser Unterschied gemacht werde, und er im uma equivalência do primeiro. E agora o problema poderia
zweiten nicht gemacht wird, so hat dieser damit seine consistir em – tal como parece –: onde nos distanciamos do
Brauchbarkeit als Äquivalent des ersten verloren. Und nun könnte cálculo original, que limites do novo correspondem aos limites
das Problem entstehen – so scheint es –: wo haben wir uns von naturais do antigo?
dem ursprünglichen Kalkül entfernt, welche Grenzen in dem
neuen entsprechen den natürlichen Grenzen des alten?

216 216

262
OFM – Parte III

Ich habe ein System von Rechenregeln, die nach denen Tenho um sistema de regras de cálculo que foi modelado
eines andern Kalküls gemodelt waren. Ich habe mir ihn zum segundo as de um outro cálculo. Eu o tomei como modelo. Mas
Vorbild genommen. Bin aber über ihn hinausgegangen. Dies war eu o ultrapassei. Isso foi até mesmo uma vantagem; mas agora o
sogar ein Vorzug; aber nun wurde der neue Kalkül an gewissen novo cálculo se tornou inutilizável em certos lugares (pelo menos
Stellen (zum mindesten für die alten Zwecke) unbrauchbar. Ich para as antigas finalidades). Por isso,120 procurei modificá-lo:
suche ihn daher abzuändern: [MS 117, p. 248]
[MS 117, p. 248] isto é, substitui-lo por algum em certa medida diferente. Na
d. h., durch einen einigermaßen anderen zu ersetzen. Und zwar verdade por algum que tivesse as vantagens do novo sem as suas
durch einen, der die Vorteile des neuen ohne die Nachteile hat. desvantagens. Mas essa é uma tarefa claramente definida?
Aber ist das eine klar bestimmte Aufgabe? Existe – poderíamos perguntar – o cálculo lógico correto,
Gibt es – könnte man auch fragen – den richtigen logischen só sem as contradições?
Kalkül, nur ohne die Widersprüche? Poderíamos dizer, por exemplo, que a “Theory of Types”
Könnte man z. B. sagen, daß Russells »Theory of Types« de Russell na verdade evita a contradição, mas que o cálculo de
zwar den Widerspruch vermeidet, daß aber Russells Kalkül doch Russell não é O cálculo lógico universal, mas talvez um cálculo
nicht DER allgemeine logische Kalkül ist, sondern etwa ein artificialmente restringido, mutilado? Poderíamos dizer em
künstlich eingeschränkter, verstümmelter? Könnte man sagen, daß princípio que o cálculo lógico universal, puro tem que ser
der reine, allgemeine logische Kalkül erst gefunden werden encontrado??
muß??
Eu joguei um jogo, e, ao fazê-lo, me guiei de acordo com
Ich spielte ein Spiel und richtete mich dabei nach gewissen certas regras: mas como me guiei por elas depende de
Regeln: aber wie ich mich nach ihnen richtete, das hing von circunstâncias, e essa dependência não foi assentada em preto e
Umständen ab und diese Abhängigkeit war nicht schwarz auf weiß branco. (Essa é, em alguma medida, uma apresentação enganosa.)
niedergelegt. (Dies ist eine einigermaßen irreführende Agora eu quis jogar este jogo de tal maneira que eu pudesse me
Darstellung.) Nun wollte ich dies Spiel so spielen, daß ich mich guiar ‘mecanicamente’ segundo as regras, e então ‘formalizei’ o
›mechanisch‹ nach Regeln richtete und ich ›formalisierte‹ das jogo. Mas ao fazê-lo cheguei em lugares onde
Spiel. Dabei aber kam ich an Stellen, wo [MS 117, p. 249]
[MS 117, p. 249] o jogo perdeu todo o espírito; por isso, quis evitá-los
das Spiel jeden Witz verlor; diese wollte ich daher ›mechanisch‹ ‘mecanicamente’. – A formalização da lógica não conseguiu ser
vermeiden. – Die Formalisierung der Logik war nicht zur satisfatória. Mas para que a buscamos afinal? (Para que ela
Zufriedenheit gelungen. Aber wozu hatte man sie überhaupt servia?) Não surge essa necessidade, e a ideia de que ela teria que

263
OFM – Parte III

versucht? (Wozu war sie nütze?) Entsprang dies Bedürfnis und ser capaz de ser satisfatória, de uma falta de clareza em outro
die Idee, es müsse sich befriedigen lassen, nicht einer Unklarheit lugar?
an anderer Stelle?
A pergunta “para que ela servia?” era uma questão
Die Frage »wozu war sie nütze?« war eine durchaus absolutamente essencial. Pois o cálculo não foi inventado para
wesentliche Frage. Denn der Kalkül war nicht für einen alguma finalidade prática, mas para ‘fundamentar a aritmética’.
praktischen Zweck erfunden worden, sondern dazu, ›die Mas quem disse que a aritmética é lógica; ou o que temos que
Arithmetik zu begründen‹. Aber wer sagt, daß die Arithmetik fazer com a lógica para que ela em algum sentido se torne um
Logik ist; oder was man mit der Logik tun muß, um sie in irgend alicerce para a aritmética? Se nós, talvez, tivéssemos
einem Sinne zum Unterbau der Arithmetik zu machen? Wenn wir
etwa von ästhe-

217 217

tischen Überlegungen dazu geführt worden wären, dies zu sido levados a essa tentativa por considerações estéticas, quem
versuchen, wer sagt, disse
[MS 117, p. 250] [MS 117, p. 250]
daß es uns gelingen kann? (Wer sagt, daß sich dieses englische que conseguiríamos ser bem-sucedidos? (Quem disse que somos
Gedicht zu unsrer Zufriedenheit ins Deutsche übersetzen laßt?!) capazes de traduzir satisfatoriamente este poema inglês em
(Wenn es auch klar ist, daß es zu jedem englischen Satz, in alemão?!)
einem Sinne, eine Übersetzung ins Deutsche gibt.) (Mesmo que esteja claro que existe, em um certo sentido,
para cada sentença do inglês, uma tradução em alemão.)
Die philosophische Unbefriedigung verschwindet
dadurch, daß wir mehr sehen. A insatisfação filosófica desaparece porque vemos mais.

Dadurch, daß ich das Kürzen durch (3-3) gestatte, verliert Porque permito a redução por (3 – 3), este tipo de cálculo
die Rechnungsart ihren Witz. Aber wie, wenn ich z. B. ein neues perde o seu espírito. Mas o que aconteceria se eu, por exemplo,
Gleichheitszeichen einführte, das ausdrücken sollte: ›gleich, nach introduzisse um novo sinal de igualdade que devesse expressar:
dieser Operation‹? Hätte es aber einen Sinn zu sagen: »Gewonnen ‘igual segundo esta operação’? Teria, porém, algum sentido dizer:

264
OFM – Parte III

in dem Sinne«, wenn in diesem Sinne jedes Spiel von mir “Venceu neste sentido”, se neste sentido eu vencesse todos os
gewonnen wäre? jogos?

Der Kalkül verleitete mich an O cálculo me deixa tentado


[MS 117, p. 251] [MS 117, p. 251]
gewissen Stellen zur Aufhebung seiner selbst. Ich will nun einen em certos lugares a fazer o seu próprio ab-rogamento. Agora
Kalkül, der dies nicht tut und schließe diese Stellen aus. – Heißt quero um cálculo que não faça isso e que elimine esses lugares. –
das nun aber, daß jeder Kalkül, in dem eine solche Ausschließung Mas isso então significa que todo cálculo em que não ocorre uma
nicht stattfindet, ein unsicherer ist? »Nun, die Entdeckung dieser eliminação assim é inseguro? “Bem, a descoberta desses lugares
Stellen war uns eine Warnung«. – Aber hast du diese ›Warnung‹ foi para nós uma advertência” – Mas será que você não entendeu
nicht mißverstanden? mal essa ‘advertência’?

86. Kann man beweisen, daß man nichts übersehen hat? – 86. Podemos provar que não deixamos nada de lado? –
Gewiß. Und muß man nicht vielleicht später zugeben: »Ja, ich Certamente. E não teremos que provavelmente assumir mais
habe etwas übersehen; aber nicht in dem Feld, wofür mein Beweis tarde: “Sim, eu deixei algo de lado, mas não no campo para o qual
gegolten hat«? a minha prova tem validade”?

Der Beweis der Widerspruchsfreiheit muß uns Gründe für A prova de consistência tem que nos dar razões para uma
eine

218 218

Voraussage geben; und das ist sein praktischer Zweck. Das heißt previsão; e esta é a sua finalidade prática. Isso não significa que
nicht, daß dieser Beweis ein Beweis aus der Physik unsrer essa prova é uma prova da física da nossa técnica de cálculo –
Rechentechnik ist – also ein Beweis aus der angewandten portanto, uma prova da matemática aplicada –, mas significa que
Mathematik – aber es heißt, daß die uns nächstliegende é uma previsão para a aplicação mais próxima de nós e que é por
Anwendung, und die, um derentwillen uns an diesem Beweis liegt, causa dela que nos interessamos por essa prova. A pre-
eine Voraussagung ist. Die Voraus- [MS 117, p. 252]
[MS 117, p. 252]

265
OFM – Parte III

sagung ist nicht: »auf diese Weise wird keine Unordnung visão não é: “Desse modo não vai surgir nenhuma desordem”
entstehen« (denn das wäre keine Voraussagung, sondern das ist (pois isso não é uma previsão, mas a proposição matemática),
der mathematische Satz) sondern: »es wird keine Unordnung mas: “Não vai surgir nenhuma desordem”.
entstehen«.
Queria dizer: a prova de consistência só pode então nos
Ich wollte sagen: Der Beweis der Widerspruchsfreiheit tranquilizar se ela for uma razão mais convincente para essa
kann uns nur dann beruhigen, wenn er ein triftiger Grund für diese previsão.
Voraussage ist.

87. Wo es mir genügt, daß bewiesen wird, daß ein 87. Onde é suficiente para mim que se tenha a prova de uma
Widerspruch oder eine Dreiteilung des Winkels auf diese Weise contradição ou de que não se pode construir uma trissecção do
nicht konstruiert werden kann, dort leistet der induktive Beweis, ângulo desse modo, ali a prova indutiva cumpre o que dela se
was man von ihm verlangt. Wenn ich mich aber fürchten müßte, exige. Mas se eu tiver que ter medo de que alguma coisa alguma
daß irgend etwas irgendwie einmal als Konstruktion eines vez puder ser interpretada como construção de uma contradição,
Widerspruchs gedeutet werden könnte, so kann kein Beweis mir então nenhuma prova pode tirar de mim esse medo
diese unbestimmte Furcht nehmen. indeterminado.
[MS 117, p. 253] [MS 117, p. 253]

Der Zaun, den ich um den Widerspruch ziehe, ist kein A cerca que estendo ao redor da contradição não é
Über-Zaun. nenhuma supercerca.

Wie konnte der Kalkül durch einen Beweis prinzipiell in Como poderia o cálculo em princípio ficar em ordem
Ordnung kommen? mediante uma prova?
Wie konnte es kein rechter Kalkül Como ele não poderia ser um cálculo correto
[MS 117, p. 255] [MS 117, p. 255]
sein, solange man diesen Beweis nicht gefunden hatte? enquanto essa prova ainda não tivesse sido achada?

219 219

266
OFM – Parte III

»Dieser Kalkül ist rein mechanisch; eine Maschine könnte “Este cálculo é puramente mecânico; uma máquina
ihn ausführen.« Was für eine Maschine? Eine, die aus poderia efetuá-lo.” Que tipo de máquina? Alguma construída de
gewöhnlichen Materialien hergestellt ist – oder eine Über- material comum – ou uma supermáquina? Você não está
Maschine? Verwechselst du nicht die Härte einer Regel mit der confundindo a dureza de uma regra com a dureza de um material?
Härte eines Materials?
Nós veremos a contradição sob uma luz completamente
Wir werden den Widerspruch in einem ganz andern Lichte diferente se observamos o seu aparecimento e suas consequências
sehen, wenn wir sein Auftreten und seine Folgen gleichsam como se fossem antropológicos – como se a olhássemos com a
anthropologisch betrachten – als wenn wir ihn mit der Entrüstung indignação do matemático. Isto é, nós a veremos diferente se
des Mathematikers anblicken. D. h., wir werden ihn anders sehen, tentamos apenas descrever como a contradição influencia os
wenn wir nur zu beschreiben versuchen, wie der Widerspruch jogos de linguagem; como se a víssemos pelo ponto de vista do
Sprachspiele beeinflußt; als wenn wir ihn vom Standpunkt des legislador matemático.
mathematischen Gesetzgebers ansehen. [MS 117, p. 256]
[MS 117, p. 256]

88. Aber halt! Ist es nicht klar, daß niemand zu einem 88. Mas, espere aí! Não está claro que ninguém quer chegar a
Widerspruch gelangen will? Daß also der, dem du die Möglichkeit uma contradição? Que, portanto, aquele para quem você coloca
eines Widerspruchs vor Augen stellst, alles tun wird, um einen diante dos olhos a possibilidade de uma contradição, fará de tudo
solchen unmöglich zu machen? (Daß also, wer das nicht tut, eine para tornar tudo isso uma impossibilidade? (Que, portanto, quem
Schlafmütze ist.) não faz isso é um dorminhoco.)

Wie aber, wenn er antwortete: »Ich kann mir einen O que aconteceria se ele respondesse: “Eu não posso
Widerspruch in meinem Kalkül nicht vorstellen. – Du hast mir imaginar uma contradição no meu cálculo. – Na realidade, você
zwar einen Widerspruch in einem andern gezeigt, aber nicht in me mostrou uma contradição em um outro, mas não neste. Neste,
diesem. In diesem ist keiner; und ich sehe auch nicht die não há nenhuma; e eu tampouco vejo a possibilidade.”
Möglichkeit.«
“Se tivesse que mudar alguma vez a minha concepção de
cálculo; se o seu aspecto tivesse que mudar por causa de um

267
OFM – Parte III

»Sollte sich einmal meine Auffassung von dem Kalkül entorno que agora não vejo – então vamos querer continuar essa
ändern; sollte, durch eine Umgebung, die ich jetzt nicht sehe, sich conversa.”
sein Aspekt ändern – dann wollen wir weiter reden.« [MS 117, p. 258]
[MS 117, p. 258]
“Eu não vejo a possibilidade de uma contradição. Muito
»Ich sehe die Möglichkeit eines Widerspruches nicht. So menos
wenig,

220 220

wie du – scheint es – die Möglichkeit, daß in deinem Beweis der do que você vê – aparentemente – a possibilidade de que a sua
Widerspruchsfreiheit einer ist.« prova de consistência tenha alguma.”

Weiß ich denn, ob, wenn ich je einen Widerspruch dort Então eu vou saber, se tivesse que ver uma contradição ali,
sehen sollte, wo ich jetzt die Möglichkeit eines solchen nicht sehe, se alguma coisa vai parecer perigosa para mim, onde eu não vejo
er mir dann gefährlich erscheinen wird? agora a possibilidade de alguma coisa assim?
[MS 117, p. 259] [MS 117, p. 259]121

89. »Was lehrt mich ein Beweis, abgesehen von seinem 89. “O que me ensina uma prova, à parte do seu resultado?” –
Resultat?« – Was lehrt mich eine neue Melodie? Bin ich nicht in O que me ensina uma nova melodia? Não estou tentado a dizer
Versuchung zu sagen, sie lehre mich etwas? – que ela me ensina alguma coisa? –

90. Die Rolle des Verrechnens habe ich noch nicht klar 90. Eu ainda não tornei claro o papel do erro de cálculo. O
gemacht. Die Rolle des Satzes: »Ich muß mich verrechnet haben«. papel da proposição: “Eu tenho que ter errado no cálculo”. Ele é
Sie ist eigentlich der Schlüssel zum Verstandnis der ›Grundlagen‹ propriamente a chave para a compreensão dos ‘fundamentos’ da
der Mathematik. matemática.
[MS 117, p. 267] [MS 117, p. 267]

268
OFM – Parte III

221 221

269
Teil IV Parte IV
1942-1944 1942-1944

1. »Die Axiome eines mathematischen Axiomsystems sollen 1. “Os axiomas de um sistema matemático axiomático devem
einleuchtend sein.« Wie leuchten sie denn ein? ser evidentes.” Como os tornamos evidentes, então?
[MS 125, p. 5v] [MS 125, p. 5v]
Wie wenn ich sagte: So kann ich mir's am leichtesten Como seria se eu dissesse: posso imaginá-lo mais
vorstellen. facilmente assim.
Und hier ist vorstellen nicht ein bestimmter seelischer E aqui o imaginar não é um determinado processo mental,
Vorgang, bei dem man zumeist die Augen schließt, oder mit den no qual na maioria das vezes se fecha os olhos ou se os cobre com
Händen bedeckt. as mãos.

2. Was sagen wir, wenn uns so ein Axiom dargeboten wird, 2. O que dizemos quando somos apresentados a um axioma
z. B. das Parallelenaxiom? Hat Erfahrung uns gezeigt, daß es sich assim, por exemplo o axioma das paralelas? A experiência nos
so verhält? Nun vielleicht; aber welche Erfahrung? Ich meine: mostrou que isso é assim mesmo? Bem, talvez; mas qual
Erfahrung spielt eine Rolle; experiência? Quero dizer: a experiência tem um papel;
[MS 125, p.6r] [MS 125, p.6r]
aber nicht die, die man unmittelbar erwarten würde. Denn man hat mas não aquele que esperaríamos imediatamente. Pois não
ja doch nicht Versuche gemacht und gefunden, daß wirklich durch fizemos o exame e não descobrimos que realmente não é só uma
den Punkt nur eine Gerade die andre Gerade nicht schneidet. Und reta que corta a outra em um ponto. E, contudo, a proposição é
OFM – Parte IV

doch leuchtet der Satz ein. – Wenn ich nun sagte: es ist ganz evidente. – Como se agora eu dissesse: é totalmente indiferente o
gleichgültig, warum er einleuchtet. Genug: wir nehmen ihn an. motivo pelo qual ela é evidente. Suficiente: nós a aceitamos. O
Wichtig ist nur, wie wir ihn gebrauchen. importante é só como nós a usamos.

Der Satz beschreibt ein Bild. Nämlich dieses: A proposição descreve uma imagem. Digamos, esta:

[MS 125, p. 6v] [MS 125, p. 6v]


Dies Bild ist uns annehmbar. Wie es uns annehmbar ist, Essa imagem é aceitável para nós. Assim como é para nós
die beiläufige Kenntnis einer Zahl durch Abrunden auf ein aceitável indicar o conhecimento casual de um número pelo seu
Vielfaches von 10 anzudeuten. arredondamento para um múltiplo de 10.

223 223
›Wir nehmen diesen Satz an.‹ Aber als was nehmen wir ihn ‘Nós aceitamos essa proposição.’ Mas como o quê nós a
an? aceitamos?

3. Ich will sagen: Wenn der Wortlaut des Parallelen-Axioms, 3. Quero dizer: quando, por exemplo, o teor do axioma das
z. B., gegeben ist (und wir die Sprache verstehen) so ist die Art paralelas é dado (e nós compreendemos a língua), então o tipo de
der Verwendung dieses Satzes emprego dessa proposição,
[MS 125, p. 7r] [MS 125, p. 7r]
und also sein Sinn, noch gar nicht bestimmt. Und wenn wir sagen, e, portanto, o seu sentido, ainda não está totalmente determinado.
er leuchtet uns ein, so haben wir damit, ohne es zu wissen, schon E quando nós dizemos que ele é evidente para nós, então já
eine bestimmte Art der Verwendung des Satzes gewählt. Der Satz escolhemos, com isso, sem o saber, um determinado tipo de
ist kein mathematisches Axiom, wenn wir ihn nicht gerade dazu emprego para a proposição. A proposição não é nenhum axioma
verwenden. da matemática se nós não a empregamos justamente para isso.

271
OFM – Parte IV

Daß wir nämlich hier nicht Versuche machen, sondern das Que nós não façamos aqui, particularmente, nenhum
Einleuchten anerkennen, legt schon die Verwendung fest. Denn exame, mas aceitemos a evidência, já estabelece o emprego. Pois,
wir sind de fato, nós
[MS 125, p. 7v] [MS 125, p. 7v]
ja nicht so naïf, das Einleuchten statt des Versuchs gelten zu não somos tão ingênuos a ponto de admitir a evidência em vez do
lassen. exame.

Nicht, daß er uns als wahr einleuchtet, sondern daß wir das Não que ela se nos evidencia como verdadeira, mas que
Einleuchten gelten lassen, macht ihn zum mathematischen Satz. nós admitimos a evidência, nós a tornamos numa proposição
matemática.

4. Lehrt uns die Erfahrung, daß zwischen je 2 Punkten eine 4. A experiência nos ensina que entre 2 pontos é possível uma
Gerade möglich ist? Oder, daß zwei verschiedene Farben nicht an reta? Ou que duas cores diferentes não podem ficar no mesmo
einem Orte sein können? lugar?
Man könnte sagen: die Poderíamos dizer: a
[MS 125, p. 8r] [MS 125, p. 8r]
Vorstellung lehrt es uns. Und darin liegt die Wahrheit; man muß imaginação nos ensina isso. E nisso consiste a verdade; só temos
es nur recht verstehen. que compreendê-la corretamente.

Vor dem Satz ist der Begriff noch geschmeidig. Diante da proposição, o conceito ainda é flexível.

224 224

Aber könnten nicht Erfahrungen uns bestimmen, das Mas a experiência não poderia nos determinar a rejeição
Axiom zu verwerfen?! Ja. Und dennoch spielt es nicht die Rolle do axioma?! Sim. E, no entanto, ela não joga o papel de proposição
des Erfahrungssatzes. da experiência.

272
OFM – Parte IV

Warum sind die Newtonschen Gesetze keine Axiome Por que as leis newtonianas não são axiomas da
der Mathematik? Weil man sich ganz wohl vorstellen könnte, matemática? Porque poderíamos muito bem imaginar tudo isso
daß es sich acontecendo de uma outra
[MS 125, p. 8v] [MS 125, p. 8v]
anders verhielte. Aber – will ich sagen – dies weist jenen maneira. Mas – quero dizer – isso assinala para aquelas
Sätzen nur eine gewisse Rolle im Gegensatz zu einer anderen proposições só um determinado papel em contraposição a outro.
zu. D. h.: von einem Satz zu sagen: ›man könnte sich das auch Ou seja: dizer de uma proposição: ‘poderíamos imaginá-la
anders vorstellen‹ oder ›man kann sich auch das Gegenteil davon também de outra maneira’ ou ‘poderíamos imaginar também o
vorstellen‹, schreibt ihm die Rolle des Erfahrungssatzes zu. contrário dela’, atribui a ela o papel de proposição da experiência.

Der Satz, den man sich nicht anders als wahr soll vorstellen A proposição que não se pode imaginar senão como
können, hat eine andere Funktion als der für den es sich verdadeira tem um outra função do que aquela para a qual isso
[MS 125, p. 9r] [MS 125, p. 9r]
nicht so verhält. não acontece assim.

5. Die mathematischen Axiome funktionieren dergestalt, 5. Os axiomas matemáticos funcionam de tal modo que
daß, wenn Erfahrung uns dazu bewegte, ein Axiom aufzugeben, quando a experiência nos leva a abandonar um axioma, o seu
sein Gegenteil damit nicht zum Axiom würde. contrário não se torna, por isso, um axioma.
›2 x 2 ≠ 5‹ heißt nicht, ‘2 x 2 ≠ 5’ não significa que
›2 x 2 = 5‹ habe sich nicht bewährt. ‘2 x 2 = 5’ não foi confirmado.

Man könnte den Axiomen, sozusagen, ein spezielles Poderíamos antepor aos axiomas, por assim dizer, um sinal
Behauptungszeichen vorsetzen. de afirmação especial.

Axiom ist etwas nicht Um axioma é alguma coisa não


[MS 125, p. 9v] [MS 125, p. 9v]
dadurch, daß wir es als äußerst wahrscheinlich, ja als gewiß, porque o reconhecemos como extremamente provável ou como
anerkennen, sondern dadurch, daß wir certo, mas porque nós122

273
OFM – Parte IV

225 225

ihm eine bestimmte Funktion zuerkennen und eine, die der des adjudicamos a ele uma determinada função, e uma que entra em
Erfahrungssatzes widerstreitet. conflito com a da proposição da experiência.

Wir geben dem Axiom eine andere Art der Anerkennung Nós damos ao axioma um tipo diferente de
als dem Erfahrungssatz. Und damit meine ich nicht, daß der reconhecimento do que à proposição da experiência. E com isso
›seelische Akt des Anerkennens‹ ein andrer ist. não quero dizer que o ‘ato mental de reconhecimento’ seja
[MS 125, p. 10r] diferente.
[MS 125, p. 10r]
Das Axiom ist, möchte ich sagen, ein andrer Redeteil.
O axioma é, gostaria de dizer, uma parte diferente da fala.

6. Man nimmt, wenn man das mathematische Axiom, das 6. Aceitamos sem mais delongas, quando ouvimos o axioma
und das sei möglich, hört, ohne weiters an, man wisse, was hier matemático, de que tal e tal é possível, que sabemos o que ‘ser
›möglich sein‹ bedeutet; weil diese Satzform uns natürlich possível’ aqui significa; já que essa forma proposicional
geläufig ist. naturalmente nos é habitual.

Man wird nicht gewahr, wie verschiedenerlei die Não nos damos conta de como é variado o emprego da
Verwendung der Aussage, »... ist möglich«, ist! und kommt darum asserção “… é possível”!, e por isso não chegamos a ter a ideia de
nicht auf den Gedanken, nach der nos perguntarmos
[MS 125, p. 10v] [MS 125, p. 10v]
besonderen Verwendung in diesem Fall zu fragen. qual é o emprego particular deste caso.

Ohne die Verwendung im Geringsten zu übersehen, Sem ter a mais ínfima visão geral do emprego, não
können wir hier gar nicht zweifeln, daß wir den Satz verstehen. podemos ter aqui nenhuma dúvida de que compreendemos123 a
proposição.

274
OFM – Parte IV

Ist der Satz, daß es keine Wirkung in die Ferne gibt, von A proposição que não tem nenhuma ação à distância é do
dem Geschlecht der mathematischen Sätze? Man möchte da auch gênero das proposições matemáticas? Poderíamos ali também
sagen: der Satz ist nicht dazu bestimmt eine dizer: a proposição não tem o propósito de
[MS 125, p. 11r] [MS 125, p. 11r]
Erfahrung auszudrücken, sondern daß man sich etwas nicht anders expressar uma experiência, senão de não poder representar alguma
vorstellen könne. coisa diferente.

226 226

Zu sagen, zwischen zwei Punkten sei – geometrisch – Dizer que entre dois pontos é sempre possível –
immer eine Gerade möglich, heißt: der Satz »die Punkte ... liegen geometricamente – uma reta, significa: a proposição “Os pontos
auf einer Geraden« ist eine Aussage über die Lage von Punkten … estão sobre uma reta” só é uma asserção sobre a localização dos
nur, wenn er von mehr als 2 Punkten pontos se ela trata de mais do que
[MS 125, p. 11v] [MS 125, p. 11v]
handelt. 2 pontos.

So wie man sich auch nicht fragt, was ein Satz der Form Assim como também não se pergunta o que significa uma
»Es gibt kein ... « (z. B.. »Es gibt keinen Beweis dieses Satzes«) proposição da forma “Não existe …” (por exemplo, “Não existe
im besonderen Fall bedeutet. Auf die Frage was er bedeutet, nenhuma prova para esta proposição”) em um caso particular. À
antwortet man dem Anderen und sich selbst mit einem Beispiel pergunta sobre o que ela significa, responde-se para os outros e
des Nichtexistierens. para si mesmo com um exemplo de não existência.

7. Der mathematische Satz steht auf vier Füßen, nicht auf 7. A proposição matemática se apoia sobre quatro pés, não
[MS 125, p. 12r] sobre
dreien; er ist überbestimmt. [MS 125, p. 12r]
três; ela é sobredeterminada.

275
OFM – Parte IV

8. Wenn wir das Tun eines Menschen, z. B., durch eine Regel 8. Se descrevemos o que faz uma pessoa, por exemplo
beschreiben, so wollen wir, daß der, dem wir die Beschreibung mediante uma regra, então queremos que aquele de quem
geben, durch Anwendung der Regel wisse, was im besonderen realizamos a descrição saiba, pelo emprego da regra, o que ocorre
Fall geschieht. Gebe ich ihm nun durch die Regel eine indirekte em um caso particular. Então, pela regra, eu faço dele uma
Beschreibung? descrição indireta?

Es gibt natürlich einen Satz, der sagt: wenn einer die Existe, é claro, uma proposição que diz: se alguém tentar
Zahlen ... nach multiplicar
[MS 125, p. 12v] [MS 125, p. 12v]
den und den Regeln zu multiplizieren trachtet, so erhalt er ... os números …, segundo tais e tais regras, então vai obter …

Eine Anwendung des mathematischen Satzes muß immer Uma aplicação da proposição matemática tem que ser
das Rechnen selber sein. Das bestimmt das Verhältnis der sempre o próprio cálculo. Isso determina a relação da atividade de
Rechentätigkeit zum Sinn der mathematischen Sätze. calcular com o sentido das proposições matemáticas.

227 227

Wir beurteilen Gleichheit und Übereinstimmung nach den Julgamos igualdade e concordância pelos resultados dos
Resultaten unseres Rechnens, darum können wir nicht das nossos cálculos, por isso não podemos explicar o cálculo
Rechnen mit Hilfe der übereinstimmung erklären. recorrendo à concordância.
[MS 125, p. 13r] [MS 125, p. 13r]

Wir beschreiben mit Hilfe der Regel. Wozu? Warum? das Nós descrevemos recorrendo às regras. Para quê? Por quê?
ist eine andere Frage. Esta é uma outra pergunta.

›Die Regel, auf diese Zahlen angewandt, gibt jene‹ könnte ‘As regras, aplicadas a estes números, geram aqueles’
heißen: der Regelaus- poderia significar: a expressão da
[MS 125, p. 13v] [MS 125, p. 13v]
druck auf den Menschen angewendet läßt ihn aus diesen Zahlen regra, aplicada sobre a pessoa, faz com que ela produza aqueles
jene erzeugen. números a partir destes.

276
OFM – Parte IV

Man fühlt ganz richtig, daß dies kein mathematischer Satz Sente-se, de maneira totalmente correta, que esta não seria
wäre. uma proposição matemática.

Der mathematische Satz bestimmt einen Weg; legt für uns A proposição matemática determina um caminho; assenta
einen Weg fest. para nós um caminho.

Es ist kein Widerspruch, Não é uma contradição


[MS 125, p, 14r] [MS 125, p, 14r]
daß er eine Regel ist und nicht einfach festgesetzt, sondern nach que ela seja uma regra, e não simplesmente estabelecida mas
Regeln erzeugt wird. produzida segundo regras.

Wer mit einer Regel beschreibt, weiß selbst auch nicht Quem descreve com uma regra, também não sabe mais do
mehr als er sagt. D. h., er sieht auch nicht die Anwendung voraus, que diz. Isto é, ele tampouco prevê a aplicação que fará no caso
die er im besonderen Fall von der Regel machen wird. Wer »usw.« particular da regra. Quem diz “e assim por diante”, não sabe mais
sagt, weiß selbst auch nicht mehr als »usw.«. do que o “e assim por diante”.

228 228

9. Wie könnte man 9. Como se poderia


[MS 125, p. 14v] [MS 125, p. 14v]
einem erklären, was der zu tun hat, der einer Regel folgen soll? explicar para alguém o que ele tem que fazer para que deva seguir
uma regra?
Man ist versucht, zu erklären: vor allem tu das Einfachste
(wenn die Regel z. B. ist immer das gleiche zu wiederholen). Und Somos tentados a explicar: antes de tudo, faça o mais
daran ist natürlich etwas. Es ist von Bedeutung, daß wir sagen simples (se a regra, por exemplo, for sempre repetir o mesmo). E
können, es sei einfacher eine Zahlenreihe anzuschreiben, in der nisso há, naturalmente, alguma coisa. É significativo que
jede Zahl gleich der vorhergehenden ist, possamos dizer que é mais fácil anotar uma sequência de números
[MS 125, p. 15r] em que cada número é igual ao precedente,
[MS 125, p. 15r]

277
OFM – Parte IV

als eine Reihe, in der jede Zahl um 1 größer ist als die do que uma sequência em que cada número é cerca de 1 vez maior
vorhergehende, und wieder, daß dies ein einfacheres Gesetz ist als que o precedente, e, de novo, que essa é uma lei mais simples do
das, abwechselnd 1 und 2 zu addieren. que a de adicionar alternadamente 1 e 2.

10. Ist es denn nicht übereilt, einen Satz, den man an Stäbchen 10. Não é precipitado aplicar uma proposição que se testou
und Bohnen erprobt hat, auf Wellenlängen des Lichts com pauzinhos e feijões a comprimentos de onda de luz? Quero
anzuwenden? Ich meine: daß 2 x 5000 = 10000 ist. dizer: que 2 x 5.000 = 10.000?
Rechnet man wirklich damit, daß, was sich in soviel Fällen Conta-se realmente que o que se comprovou
[MS 125, p. 15v] [MS 125, p. 15v]
bewahrheitet hat, auch für diese stimmen muß? Oder ist es nicht em tantos casos também tem que valer para este? Ou não seria
vielmehr, daß wir uns mit der arithmetischen Annahme noch gar muito mais que ainda não nos comprometemos totalmente com o
nicht binden? pressuposto aritmético?

11. Die Arithmetik als die Naturgeschichte (Mineralogie) der 11. A aritmética como a história natural (mineralogia) dos
Zahlen. Wer spricht aber so von ihr? Unser ganzes Denken ist von números. Mas quem fala assim dela? Todo o nosso pensamento é
dieser Idee durchsetzt. permeado por essa ideia.

Die Zahlen sind Gestalten (ich meine nicht die Os números são formas (não quero dizer aqui os numerais),
Zahlzeichen) und die Arithmetik teilt uns die Eigenschaften dieser e a aritmética nos comunica as propriedades dessas formas. Mas a
Gestalten mit. Aber die [MS 125, p. 16r]
[MS 125, p. 16r] dificuldade é a de que essas propriedades das formas são
Schwierigkeit ist da, daß diese Eigenschaften der Gestalten possibilidades; não as propriedades formais da coisa como forma.
Moglichkeiten sind; nicht die gestaltlichen Eigenschaften der E essas possibilidades emergem outra vez como possibilidades
Dinge solcher Gestalt. Und diese Möglichkeiten wieder entpuppen físicas, ou psicológicas (da decomposição, da combinação etc.).
sich als physikalische, oder psychologische, Möglichkeiten (der Mas formas
Zerlegung, Zusammensetzung, etc.). Die Gestalten

229 229

278
OFM – Parte IV

aber spielen nur die Rolle der Bilder, die man so und so verwendet. só jogam o papel de imagens que se empregam assim e assim. O
Nicht Eigenschaflten von Gestalten ist es, was wir geben, que temos não são propriedades,
[MS 125, p. 16v] [MS 125, p. 16v]
sondern Transformationen von Gestalten, als irgendwelche mas transformações de formas estabelecidas como qualquer
Paradigmen aufgestellt. paradigma.

12. Wir beurteilen nicht die Bilder, sondern mittels der Bilder. 12. Não julgamos as imagens, mas julgamos por meio de
Wir erforschen sie nicht, sondern mittels ihrer etwas imagens.
anderes. Nós não as investigamos, mas, por meio delas, alguma
outra coisa.

Du bringst ihn zur Entscheidung dies Bild anzunehmen. Você o leva à decisão de aceitar essa imagem. Na
Und zwar durch Beweis, d. i. durch Vorführung einer Bilderreihe, realidade, mediante a prova, isto é, pela exposição de uma
oder einfach dadurch, daß du ihm das Bild zeigst. Was zu dieser sequência de imagens ou simplesmente pela imagem que você
[MS 125, p. 17r] mostra para ele. O que o leva
Entscheidung bewegt ist hierbei gleichgültig. Die Hauptsache ist, [MS 125, p. 17r]
daß es sich um das Annehmen eines Bildes handelt. a essa decisão não é importante aqui. A questão principal é que se
trata da aceitação de uma imagem.124

Das Bild des Zusammensetzens ist kein Zusammensetzen; A imagem da combinação não é uma combinação; a
das Bild des Zerlegens kein Zerlegen; das Bild eines Passens kein imagem da decomposição não é uma decomposição; a imagem de
Passen. Und doch sind diese Bilder von der größten Bedeutung. um ajustamento não é um ajustamento. E é claro que essas
So sieht es aus, wenn zusammengesetzt wird; wenn zerlegt wird; imagens são da maior relevância. É assim que parece quando são
usw. combinadas, quando são decompostas; e assim por diante.
[MS 125, p. 17v] [MS 125, p. 17v]

279
OFM – Parte IV

13. Wie wäre es, wenn Tiere oder Krystalle so schöne 13. Como seria se animais ou cristais tivessem tão belas
Eigenschaften hätten wie die Zahlen? Es gäbe also z. B. eine Reihe propriedades quanto os números? Haveria então, por exemplo,
von Gestalten, eine immer um eine Einheit größer als die andere. uma sequência de formas, cada uma sempre maior do que a outra
em uma unidade.

Ich möchte darstellen können, wie es kommt, daß die Gostaria de poder demonstrar como é que a matemática
Mathematik jetzt uns als Naturgeschichte des Zahlenreiches, jetzt agora nos parece como uma história natural do domínio dos
wieder als eine Sammlung von Regeln erscheint. números, e numa outra vez como uma coleção de regras.
[MS 125, p. 18r] [MS 125, p. 18r]

230 230

Könnte man aber nicht Transformationen von Mas não poderíamos estudar (por exemplo)
Tiergestalten (z. B.) studieren? Aber wie ›studieren‹? Ich meine: transformações das formas dos animais? Mas ‘estudar’ como?
könnte es nicht nützlich sein, sich Transformationen von Quero dizer: não seria útil demonstrar transformações das formas
Tiergestalten vorzuführen? Und doch wäre dies kein Zweig der dos animais? E isso não seria ainda um ramo da zoologia. –
Zoologie. –
Uma proposição matemática seria então (por exemplo)
Ein mathematischer Satz wäre es dann (z. B.), daß diese uma transformação desta forma convertida na-
Transformation diese Gestalt in diese über- [MS 125, p. 18v]
[MS 125, p. 18v] quela. (As formas e a transformação reconhecíveis.)
leitet. (Die Gestalten und die Transformation wiedererkennbar.)

14. Wir müssen uns aber dessen erinnern, daß der 14. Devemos nos lembrar, porém, que a prova matemática,
mathematische Beweis durch seine Umformungen nicht nur mediante as suas transmutações, prova não só proposições de
zeichengeometrische Sätze, sondern Sätze des sinais geométricos mas também proposições dos mais variados
verschiedenartigsten lnhalts beweist. conteúdos.

280
OFM – Parte IV

So beweist die Umformung eines Russellschen Beweises, É assim que prova a transmutação de uma prova
daß dieser logische Satz mit Hilfe dieser Regeln sich aus den Russelliana em que uma proposição lógica pode ser formada a
Grundgesetzen bilden lasse. partir de leis fundamentais com a ajuda de algumas regras.
[MS 125, p. 19r] [MS 125, p. 19r]
Aber der Beweis wird als Beweis der Wahrheit des Schlußsatzes Mas a prova é vista como prova da verdade da conclusão, ou como
angesehen, oder als Beweis dafür, daß der Schlußsatz nichts sagt. prova de que a conclusão nada diz.
Das ist nun nur durch eine Beziehung des Satzes nach Entretanto, isso só é possível por uma relação da
außen möglich; d. h. durch seine Beziehung zu andern Sätzen, z. proposição com algo externo; isto é, por sua relação com outras
B., und deren Anwendung. proposições, por exemplo, e suas aplicações.

»Die Tautologie (›p ˅ ~p‹, z. B.) sagt nichts« ist ein Satz, “A tautologia (‘p ˅ ~p’, por exemplo) nada diz” é uma
der sich auf das Sprachspiel bezieht, worin der Satz p ange- proposição que se relaciona com o jogo de linguagem em que a
[MS 125, p. 19v] proposição p se
wendet wird. (Z. B.: »Es regnet, oder regnet nicht« ist keine [MS 125, p. 19v]
Mitteilung über das Wetter.) se aplica. (Por exemplo: “Chove ou não chove” não é uma
informação sobre a meteorologia.)
Die Russellsche Logik sagt nichts darüber, welcher Art
und Verwendung Sätze, ich meine nicht logische Sätze, sind: Und A lógica Russelliana nada diz sobre quais são os tipos e
doch enthält die Logik ihren ganzen Sinn nur von der supponierten empregos de proposições, quero dizer, de proposições não
Anwendung auf die Sätze. lógicas: e então a lógica só ganha o seu sentido das aplicações
[MS 125, p. 20r] supostas sobre as proposições.
[MS 125, p. 20r]

231 231

15. Man kann sich denken, daß Leute eine angewandte 15. Podemos imaginar que as pessoas têm uma matemática
Mathematik haben ohne eine reine Mathematik. Sie können z. B. aplicada sem uma matemática pura. Elas, por exemplo, poderiam
– nehmen wir an – die Bahn berechnen, welche gewisse sich – vamos supor – calcular a trajetória que descrevem certos corpos
bewegende Körper beschreiben und deren Ort zu einer gegebenen móveis e predizer o seu lugar num tempo dado. Para isso, elas
Zeit vorhersagen. Dazu benützen sie ein Koordinatensystem, die

281
OFM – Parte IV

Gleichungen von Kurven (eine Form der Beschreibung wirklicher utilizam um sistema de coordenadas, equações de curvas (uma
Bewegung) und die Technik des Rechnens forma de descrição de movimento real) e a técnica de cálculo
[MS 125, p. 28v] [MS 125, p. 28v]
im Dezimalsystem. Die Idee eines Satzes der reinen Mathematik em sistema decimal. A ideia de uma proposição da matemática
kann ihnen ganz fremd sein. pura pode ser totalmente estranha para eles.
Diese Leute haben also Regeln, denen gemäß sie die Essas pessoas têm, portanto, regras consoante as quais
betreffenden Zeichen (insbesondere z. B. Zahlzeichen) transformam os sinais relevantes (em particular, por exemplo,
transformieren zum Zweck der Voraussage des Eintreffens sinais numéricos) com a finalidade de prever a ocorrência de
gewisser Ereignisse. certos acontecimentos.

Aber wenn sie nun z. B. multiplizieren, werden sie da nicht Mas se eles então, por exemplo, multiplicam, não chegarão
einen Satz gewinnen, des Inhalts, daß das Resultat der a uma proposição cujo teor é o próprio resultado da multiplicação
Multiplikation dasselbe [MS 125, p. 29r]
[MS 125, p. 29r] quando se permutam os coeficientes? Isso não será uma regra de
ist, wenn man die Faktoren vertauscht? Das wird keine primäre notação, mas tampouco uma proposição da sua física.
Zeichenregel sein, aber auch kein Satz ihrer Physik. Bem, eles não precisam obter uma proposição assim –
Nun, sie brauchen so einen Satz nicht zu erhalten – selbst mesmo quando transigem com a permuta de coeficientes.
wenn sie das Vertauschen der Faktoren erlauben.
Imagino a questão como se essa matemática fosse operada
Ich denke mir die Sache so, daß diese Mathematik ganz in completamente na forma de ordens. “Você tem que fazer isso e
Form von Geboten betrieben wird. »Du mußt das und das tun« – isso” – para que se obtenha a resposta sobre ‘onde
um nämlich die Antwort darauf zu erhalten, ›wo [MS 125, p. 29v]
[MS 125, p. 29v] se encontrarão estes corpos em tal e tal tempo?’ (Como essas
wird sich dieser Körper zu der und der Zeit befinden?‹ (Wie diese pessoas chegaram a esse método de predição é totalmente
Menschen zu dieser Methode der Vorhersagung gekommen sind, indiferente.)
ist ganz gleichgültig. )
O centro de gravidade da sua matemática consiste
Der Schwerpunkt ihrer Mathematik liegt für diese totalmente, para essas pessoas, no fazer.
Menschen ganz im Tun.

282
OFM – Parte IV

232 232

16. Ist das aber möglich? Ist es möglich, daß sie das 16. Mas isso é possível? É possível que eles não falem sobre a
kommutative Gesetz (z. B.) nicht als Satz ansprechen? lei comutativa (por exemplo) como uma proposição?

Ich will doch sagen: Diese Leute sollen Então, quero dizer: essas pessoas não devem
[MS 125, p. 30r] [MS 125, p. 30r]
nicht zu der Auffassung kommen, daß sie mathematische formar a concepção de que fazem descobertas matemáticas, – mas
Entdeckungen machen, – sondern nur physikalische somente descobertas físicas. 125
Entdeckungen.
Pergunta: eles teriam que fazer descobertas matemáticas
Frage: Müssen sie mathematische Entdeckungen als como descobertas? O que eles deixam para trás quando não fazem
Entdeckungen machen? Was geht ihnen ab, wenn sie keine nenhuma? Eles poderiam (por exemplo) usar a prova da lei
machen? Könnten sie (z. B.) den Beweis des kommutativen comutativa, mas sem
Gesetzes gebrauchen, aber ohne [MS 125, p. 30v]
[MS 125, p. 30v] a concepção de que eles culminaram em uma proposição, de que
die Auffassung, er gipfle in einem Satz, er habe also ein Resultat, eles têm portanto um resultado que seja de alguma forma
das ihren physikalischen Satzen irgendwie vergleichbar sei? comparável a suas proposições físicas?

17. Das bloße Bild 17. A mera imagem


o o o o o o o o o o
o o o o o o o o o o
o o o o o o o o o o
o o o o o o o o o o

einmal als 4 Reihen zu 5 Punkten, einmal als 5 Kolumnen zu 4 considerada ora como 4 fileiras de 5 pontos, ora como 5 colunas
Punkten betrachtet, könnte jemand vom kommutativen Gesetz de 4 pontos, poderia convencer alguém da lei
[MS 125, p. 31r] [MS 125, p. 31r]

283
OFM – Parte IV

überzeugen. Und er könnte daraufhin Multiplikationen einmal in comutativa. E ele poderia em seguida efetuar multiplicações ora
der einen, einmal in der anderen Richtung ausführen. numa, ora noutra direção.

Ein Blick auf die Vorlage und die Steine überzeugt ihn, Uma olhada sobre o modelo e as peças o convencem de
daß er mit ihnen die Figur wird legen können, d. h. er unternimmt que com eles a figura pode ser conformada, isto é, ele em seguida
daraufhin, sie zu legen. põe-se a conformá-la.

233 233

»Ja, aber nur, wenn “Sim, mas só se


[MS 125, p. 31v] [MS 125, p. 31v]
die Steine sich nicht ändern.« – Wenn sie sich nicht ändern und as peças não mudarem.” – Se elas não mudarem e se não
wenn wir keinen unbegreiflichen Fehler machen, oder Steine cometemos nenhum erro incompreensível, ou peças desapareçam
unbemerkt verschwinden oder dazukommen. sem que notemos ou sejam acrescentadas.
»Aber es ist doch wesentlich, daß sich die Figur tatsächlich “Mas é essencial que a figura possa de fato ser sempre
allemal aus den Steinen legen läßt! Was geschähe wenn sie sich conformada pelas peças! O que aconteceria se ela não fosse
nicht legen ließe?« – Vielleicht würden wir uns dann für irgendwie conformada?” Talvez então ficássemos perturbados de alguma
gestört halten. Aber – was weiter? – Vielleicht würden wir die maneira. Mas – o que mais? – Talvez chegássemos a aceitar
Sache auch [MS 125, p. 32r]
[MS 125, p. 32r] as coisas como elas são. E Frege então pudesse dizer: “Temos aqui
hinnehmen, wie sie ist. Und Frege könnte dann sagen: »Hier haben um novo tipo de loucura!”126
wir eine neue Art der Verrücktheit!«

18. Es ist klar, daß die Mathematik als Technik des 18. Está claro que a matemática como técnica de transmutação
Umwandelns von Zeichen zum Zweck des Vorhersagens mit de sinais com a finalidade de predição não tem nada a ver com a
Grammatik nichts zu tun hat. gramática.

284
OFM – Parte IV

19. Jene Leute, deren Mathematik nur eine solche Technik ist, 19. Os povos cuja matemática é somente essa técnica, devem
sollen nun auch Beweise aner- agora reconhecer também as provas
[MS 125, p. 32v] [MS 125, p. 32v]
kennen, die sie von der Ersetzbarkeit einer Zeichentechnik durch que os convencem da substitutibilidade de uma técnica de sinais
eine andere überzeugen. D. h., sie finden Transformationen, por outra. Isto é, eles encontram transformações e sequências de
Bilderreihen, auf welche hin sie es wagen können, statt einer imagens a partir das quais eles podem arriscar-se a empregar uma
Technik eine andere zu verwenden. técnica em vez da outra.

20. Wenn uns das Rechnen als maschinelle Tätigkeit 20. Se o cálculo nos parece uma atividade maquinal, então a
erscheint, so ist der Mensch, der máquina é o ser humano
[MS 125, p. 33r] [MS 125, p. 33r]
die Rechnung ausführt, die Maschine. que efetua o cálculo.

Die Rechnung wäre dann gleichsam ein Diagramm, das ein O cálculo seria então como um diagrama que uma parte da
Teil der Maschine aufzeichnet. máquina desenha.

234 234

21. Und das bringt mich darauf, daß ein Bild uns sehr wohl 21. E isso me leva a pensar que uma imagem pode muito bem
davon überzeugen kann, daß ein bestimmter Teil eines nos convencer de que uma determinada parte de um mecanismo
Mechanismus sich so und so bewegen werde, wenn man den pode se mover assim e assado se colocamos o mecanismo em
Mechanismus in Gang setzt. movimento.
[MS 125, p. 33v] [MS 125, p. 33v]

So ein Bild (oder eine Bilderreihe) wirkt wie ein Beweis. Assim, uma imagem (ou sequência de imagens) atua como
So könnte ich z. B. konstruieren, wie der Punkt x des uma prova. Assim, poderia por exemplo arquitetar como o ponto
Mechanismus x do mecanismo

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OFM – Parte IV

sich bewegen werde. se movimenta.

Ist es nicht seltsam, daß es nicht augenblicklich klar ist, Não é estranho que não seja instantaneamente claro como
wie uns das Bild der Periode beim Dividieren von der Wiederkehr nos convence a imagem do período pela divisão do retorno da
der Ziffernreihe überzeugt? sequência de algarismos?
[MS 125, p. 34r] [MS 125, p. 34r]

(Es ist so schwer für mich, die innere Beziehung von der (É muito difícil para mim separar a relação interna da
äußeren zu scheiden – und das Bild von der Vorhersage.) externa – e a imagem da predição.)
[MS 125, p. 34v] [MS 125, p. 34v]

Der Doppelcharakter des mathematischen Satzes – als O caráter duplo da proposição matemática – como lei e
Gesetz und als Regel. como regra.
[MS 125, p. 35v] [MS 125, p. 34v]

22. Wie, wenn man statt »Intuition« sagen würde »richtiges 22. Como seria se em vez de “intuição” disséssemos
Erraten«? Das würde den Wert einer Intuition in einem ganz “adivinhação correta”? Isso mostraria o valor de uma intuição em
uma luz totalmente
235 235

anderen Lichte zeigen. Denn diferente. Pois


[MS 125, p. 36r] [MS 125, p. 36r]

286
OFM – Parte IV

das Phänomen des Ratens ist ein psychologisches, aber nicht das o fenômeno da adivinhação é psicológico, mas não o da
des richtig Ratens. adivinhação correta.

23. Daß wir die Technik gelernt haben, macht, daß wir sie nun, 23. Que tenhamos aprendido a técnica faz com que, pela visão
auf den Anblick dieses Bildes hin, so und so abändern. dessa imagem, agora a modifiquemos assim e assado.
[MS 125, p. 36v] [MS 125, p. 36v]

›Wir entschließen uns zu einem neuen Sprachspiel.‹ ‘Nós nos decidimos em um jogo de linguagem novo.’
›Wir entschließen uns spontan (möchte ich sagen) zu ‘Nós nos decidimos espontaneamente (gostaria de dizer)
einem neuen Sprachspiel.‹ em um jogo de linguagem novo.’

24. Ja – es scheint: wenn unser Gedächtnis 24. Sim – isto é o que parece: se nossa memória
[MS 125, p. 39v] [MS 125, p. 39v]
anders funktionierte, daß wir dann nicht so wie wir's tun, rechnen funcionasse de outro modo, então não poderíamos calcular, fazer
könnten. Könnten wir aber dann Definitionen geben, wie wir es como atualmente fazemos. Mas poderíamos então dar definições
tun; so reden und schreiben, wie wir es tun? tal como fazemos; falar e escrever tal como