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• CONCEITO DE DIREITO PENAL

“conjunto de normas jurídicas voltado à fixação


dos limites do poder punitivo do Estado,
instituindo infrações penais e sanções
correspondentes, bem como regras atinentes a
sua aplicação.“ (Nucci)
• OBJETIVO DO DIREITO PENAL

O Direito Penal tem por objetivo proteger os


bens jurídicos mais importantes para a própria
sobrevivência da sociedade.
❖Missão mediata: controle social e limitação do
poder de punir do Estado.
❖Missão imediata: proteger bens jurídicos
essenciais para a convivência em sociedade e
assegurar o ordenamento jurídico, a vigência
da norma.
• FONTES DO DIREITO PENAL

✓ FONTE MATERIAL (substancial ou de produção)


É a fonte de produção da norma, o órgão encarregado
de criar o Direito Penal. No Brasil, a Constituição Federal
incumbiu essa função a União, que de acordo com o
artigo 22 da Carta Magna diz:

“Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre:


I - direito civil, comercial, penal, processual, eleitoral,
agrário, marítimo, aeronáutico, espacial e do trabalho;
(...)”
**ATENÇÃO:
Lei Complementar pode autorizar os Estados a legislarem
sobre Direito Penal incriminador sobre matérias
específicas conforme prevê artigo 22 parágrafo único da
Constituição:

“(...)
Parágrafo único. Lei complementar poderá autorizar os
Estados a legislar sobre questões específicas das
matérias relacionadas neste artigo.”
**ATENÇÃO:
Medida provisória é norma jurídica. É lei em sentido material ou
amplo, mas não em sentido formal ou estrito, de modo que não
pode criar lei penal.

Art. 62. Em caso de relevância e urgência, o Presidente da


República poderá adotar medidas provisórias, com força de lei,
devendo submetê-las de imediato ao Congresso Nacional.
§ 1º É vedada a edição de medidas provisórias sobre matéria:
I – relativa a:
a) (...)
b) direito penal, processual penal e processual civil; (...)”
• FONTES DO DIREITO PENAL

✓ FONTE FORMAL (de conhecimento ou cognição)


Por sua vez, a fonte formal é o instrumento de exteriorização
do direito penal, é o modo como as regras são reveladas (fonte
de conhecimento ou cognição).

As fontes formais se subdividem em fontes formais imediatas e


fontes formais mediatas.
• FONTES DO DIREITO PENAL

➢ FONTES FORMAIS IMEDIATAS: LEI.*


➢ FONTES FORMAIS MEDIATAS: costumes e os
princípios gerais de direito.

❖ANALOGIA: método de integração do


ordenamento jurídico. Utilizado para suprir
lacunas. (Vedação da analogia in malam
partem)
• ESPÉCIES DE NORMA PENAL

❖Normas penais incriminadoras: são aquelas


estabelecidas no Código Penal ou leis penais
especiais, que descrevem o crime. Essas
normas possuem dois preceitos: primário
(descreve o crime) e secundário (comina a
pena).
• ESPÉCIES DE NORMA PENAL

❖ Normas penais não incriminadoras: são aquelas que não


descrevem o tipo penal. Podem ser:

a) permissivas justificantes (excludentes de ilicitude/


antijuridicidade, art. 23, CP) e exculpantes (excludentes de
culpabilidade. Ex: art. 26, caput, CP);

b) explicativas (o legislador apenas explica, conceitua. Ex: art.


327, CP); e

c) complementares (uma norma complementa a outra. Ex: o


art. 68 complementa o artigo 59 do CP).
• ESPÉCIES DE NORMA PENAL

❖Norma penal em branco (primariamente


remetidas): precisam da complementação de
outras normas.
-Homogêneas: o complemento provém da mesma
fonte legislativa
-Heterogêneas: o complemento é proveniente de
norma diversa daquela que a editou.
• ESPÉCIES DE NORMA PENAL
❖Normas penais incompletas ou imperfeitas (ou
também secundariamente remetidas ou avesso).
São aquelas que necessitam de outro texto
normativo para saber qual a sanção a ser imposta.
Exemplo:
“Art. 304 - Fazer uso de qualquer dos papéis
falsificados ou alterados, a que se referem os arts.
297 a 302: Pena - a cominada à falsificação ou à
alteração.”
Conflito Aparente de Normas: Solução

➢ Princípio da Especialidade: majoritariamente, para os


doutrinadores é o mais importante dos princípios utilizados
para sanar o conflito aparente de normas penais. Os demais
princípios “somente devem ser lembrados quando o primeiro
não resolver satisfatoriamente os conflitos.

➢ Princípio da Subsidiariedade: A norma subsidiária descreve um


grau menor de violação de um mesmo bem jurídico, ou seja, um
fato menos amplo e menos grave, que definido como delito
autônomo é também compreendido como parte da fase normal
de execução de crimes mais grave.
Conflito Aparente de Normas: Solução

➢ Princípio da Consunção: Princípio segundo o qual o crime fim


absorve crime meio, que funcionam como fase normal de preparação
ou execução ou mero exaurimento.

➢ Princípio da Alternatividade: Princípio aplicado quando a norma


descreve várias formas de realização da figura típica, onde a ação de
uma ou de todas configura crime. São os chamados tipos alternativos,
que descrevem crimes de ação múltipla.
• PRINCÍPIO DA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA

Valor primeiro e absoluto, dentre os Princípios Gerais do


Direito, cuja natureza é inviolável, goza de uma
ordenação superior às constituições, por ser
considerado a mais essencial à ideia do Estado
Democrático de Direito. A dignidade humana impõe o
respeito mútuo entre as pessoas e deve ser observada
tanto na imposição quanto na execução do Direito.
❖Art. 1°, inciso III da CF/88
• PRINCÍPIO DA LEGALIDADE

- Previsão: art. 5º, XXXIX, da CF e art. 1º do CP.

➢ Divide-se em: -princípio da anterioridade

-princípio da reserva legal: art.22,I, CF.


• PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA LEI

▪ Previsão legal: Art. 5.º XL, CF.

➢Irretroatividade da Lei mais severa.


➢Retroatividade da Lei mais benéfica
• PRINCÍPIO DA INDIVIDUALIZAÇÃO DA PENA

- Previsão legal: art. 5º, XLVI da CF.

-O ilícito penal é fruto da conduta humana,


individualmente considerada, devendo, pois, a sanção
penal recair apenas sobre quem seja o autor do
crime, na medida de suas características particulares,
físicas e psíquicas.
• PRINCÍPIO DA HUMANIDADE

▪ Previsão legal: art. 5º, XLIX da CF.

- Respeito à integridade física e moral do preso.


-Ninguém será submetido a tortura nem a tratamento
desumano ou degradante (art. 5º, III da CF).
- Vedação de penas cruéis (art. 5º, XLVII da CF).
• PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA OU BAGATELA

▪ Vetores do STF:

1-Mínima ofensividade da conduta do agente;


2-Ausência de periculosidade da ação;
3-Reduzido grau de reprovabilidade do
comportamento;
4-Inexpressividade da lesão jurídica provocada.
• PRINCÍPIO DO NON BIS IN IDEM/NE BIS IN IDEM

- Ninguém será punido mais de uma vez por uma


mesma infração penal.

- Exemplo: uma circunstância agravante não pode


que funcionar como elemento constitutivo, como
qualificadora ou como majorante (causa de
aumento) do delito.
• PRINCÍPIO DA ADEQUAÇÃO SOCIAL

- Desconsidera crime o comportamento que não


afrontar o sentimento social de Justiça, de modo
que condutas aceitas socialmente não podem ser
consideradas crime, não obstante sua eventual
tipificação.

-Jogo do bicho? Venda de DVD pirata? Bigamia?


LEI PENAL NO TEMPO

VIGÊNCIA DA LEI
- A Lei Penal só começa a vigorar a partir da
determinação em seu conteúdo e, na falta desta,
em 45 dias após a sua publicação (Artigo 1º da Lei
de Introdução às Normas do Direito
Brasileiro”.

- O espaço compreendido entre a publicação da lei e


sua entrada em vigor denomina-se “vacatio legis”
(vacância da lei).
LEI PENAL NO TEMPO

“Art. 2º - Ninguém pode ser punido por fato que lei


posterior deixa de considerar crime, cessando em
virtude dela a execução e os efeitos penais da
sentença condenatória.

Parágrafo único - A lei posterior, que de qualquer


modo favorecer o agente, aplica-se aos fatos
anteriores, ainda que decididos por sentença
condenatória transitada em julgado.”
TEMPUS REGIT ACTUM
A lei a ser aplicável é a lei vigente ao tempo do fato.

➢ Princípios adotados:
- Irretroatividade da lei penal – art. 5º, XL da CF (Regra).
Absoluta impossibilidade de a lei penal retroagir para
prejudicar o agente (irretroatividade in pejus).

- Retroatividade da lei penal benéfica (exceção).


Quando a lei posterior vier e, de qualquer modo,
favorecer o agente (retroatividade in mellius).

Art. 5º, XL, CF. “A lei penal não retroagirá, salvo para
beneficiar o réu;”
CONFLITO INTERTEMPORAL NA APLICAÇÃO DA LEI
PENAL NO TEMPO:

➢ Abolitio criminis
➢ Novatio legis in mellius
➢ Novatio legis incriminadora
➢ Novatio legis in pejus
Aplicação da Lei Penal - Lei Penal no Tempo
Abolitio Criminis
Haverá abolição de crime quando a lei nova deixa de
considerar crime/contravenção penal o fato anteriormente
tipificado como ilícito penal. Nesse caso, o legislador retira a
ilicitude da conduta, descriminalizando o ato que outrora era
considerado como delito.
O instituto da abolitio criminis está descrito no caput do
art. 2º do Código Penal, sendo causa de extinção de punibilidade
(art. 107, inciso III, do CP).
Lex mitior e o trânsito em julgado - Súmula 611, STF: Transitada
em julgado a sentença condenatória, compete ao juízo das
execuções a aplicação de lei mais benigna.
Aplicação da Lei Penal - Lei Penal no Tempo
Novatio legis in mellius: De acordo com o parágrafo único do art. 2º
do CP, ocorre quando a lei posterior traz um benefício, de certa
forma, para o agente do fato (a lei nova beneficia a situação do
acusado).
Ocorrendo, portanto, essa novatio legis in mellius, aplicar-se-
á a lex mitior (lei melhor) ao caso concreto, retroagindo à data dos
fatos.
Em suma, a novatio legis in mellius, assim como a abolitio
criminis, retroage para beneficiar o agente, aplicando-se de forma
imediata aos processos em andamento, sentenciados ou não, e
também à execução penal.
Lei Penal no Tempo

Novatio legis in pejus: Entende-se por novatio legis in pejus,


também chamada de lex gravior, a lei posterior que, de qualquer
modo, agrava a situação do agente.

Aplicando-se o critério supracitado, a lei nova que prejudica o


agente não retroage, isto é, deve ser mantida a lei revogada (ultra-
atividade da lei vigente na época do fato).

Novatio legis incriminadora: Em se tratando de novatio legis


incriminadora, ou seja, uma lei posterior que criminaliza
determinada conduta, aplica-se a regra geral da irretroatividade
penal.
APLICAÇÃO DA LEI NOS CRIMES PERMANENTES

SÚMULA Nº 711, STF


“A lei penal mais grave aplica-se ao crime continuado
ou ao crime permanente, se a sua vigência é anterior
à cessação da continuidade ou da permanência.”
Aplicação da Lei Penal - Lei Penal no Tempo
Lex mitior x Vacatio Legis
Sancionada, promulgada e publicada uma lei penal mais
benéfica, é possível sua aplicação imediata? Isto é, antes
mesmo de encerrar o prazo da sua vacatio, caso existente?
1ª Corrente: seguida por Damásio de Jesus, Guilherme de Souza
Nucci e Frederico Marques, defende que não é possível a lei nova
abranger o fato anterior ou concomitante ao período da vacatio.
2ª corrente: defendida por Rene Dotti, Celso Delmanto e Alberto
Silva Franco, entende que, em se tratando de lex mitior, deve a lei
ser aplicada desde logo, independentemente se se encontra em
vacatio legis ou não. Isso porque “a lei em período de vacatio não
deixa de ser lei posterior, devendo ser aplicada desde logo, se for
mais favorável ao réu” (DOTTI, 2010, p. 344/345).
Lei de vigência temporária e Leis excepcionais

“Art. 3º - A lei excepcional ou temporária, embora


decorrido o período de sua duração ou cessadas as
circunstâncias que a determinaram, aplica-se ao fato
praticado durante sua vigência.”
(Princípio da ultra-atividade)
Lei excepcional ou temporária

Conceito: “É aquela que já traz expresso em seu texto


o seu prazo de validade, ou seja, a data do início, bem
como a do término de sua vigência, razão pela qual é
considerada uma lei autorrevogável, a exemplo do
que ocorreu com a Lei nº 12.663, de 5 de junho de
2012, que dispôs sobre as medidas relativas à Copa
das Confederações, FIFA 2013, à Copa do Mundo FIFA
2014 e aos eventos relacionados que foram realizados
no Brasil.” (Rogério Greco)
Princípio da Ultratividade
Verifica-se quando a lei, mesmo depois de
revogada, continua a regular os fatos ocorridos
durante a sua vigência, porque mais benéfica ao
agente.

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