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CENTRO UNIVERSITÁRIO DO RIO GRANDE DO NORTE

PSICOLOGIA 2020.1

DISCIPLINA: Prática Profissionalizante Integrada em Social

DOCENTE: Maria Fernanda Cardoso Santos

DISCENTE: Gabriel Brasão, Giovanna Melo, Lívia Conrado,


Lucas Barreto e Marianne Gomes

Roteiro da entrevista

Pergunta - Como você entende a atuação do psicólogo em serviços


socioassistenciais?

Resposta - O psicólogo atua visando realizar os objetivos da instituição na qual ele


está vinculado; seu objetivo principal é realizar proteção social, seja na defesa de
direitos e/ou na promoção social do indivíduo que se encontra em situação de
vulnerabilidade social, violação de direitos ou risco social.

Pergunta - Há quantos anos o senhor(a) trabalha no CREAS?

Resposta - Desde 2016, em torno de 5 anos.

O senhor(a) consegue notar alguma diferença no CREAS do governo atual


para o CREAS de governos anteriores? Se sim, quais?

Resposta - Tendo em vista que comecei a atuar na assistência social em 2013


(porém não especificamente no CREAS), pude sim notar mudanças significativas ao
longo dessas três gestões de governo (Dilma, Temer e Bolsonaro,
respectivamente).

No ano de 2013, houve um “boom” nos serviços socioassistenciais, no que se diz a


ofertas de emprego, cursos de capacitação profissional e de qualificação para o
servidor, além de uma crescente no desenvolvimento de serviços socioassistenciais.
No geral, de 2013 a 2014 foi um período muito bom em termos de desenvolvimento
social.
No final de 2014, pudemos observar que houve uma baixa na oferta desses cursos
no financiamento da área socioassistencial. Focando na parte do CREAS, é
perceptível o agravamento da situação de extrema pobreza, famílias em situação de
famílias em situação de insegurança alimentar. Hoje, infelizmente temos pedidos
cesta básica e outros benefícios reiterados, algo que antes não acontecia com
frequência. Ao longo dos anos vimos o agravamento dessa situação.

Pergunta - O que você considera que são as maiores dificuldades/desafios na


sua área de atuação?

Resposta - No cenário atual, dificuldade de lidar com o sofrimento de pessoas que


se encontram em situação de risco social ou violação de direitos e infelizmente se
sentir incapaz de amenizar a situação em que elas se encontram.

Outra dificuldade é o acesso às comunidades em função das facções criminosas


que instauram uma série de regulamentações das quais não podemos ir contra, por
isso temos que nos desdobrar e encontrar meios de nos adaptar àquela realidade.
Todavia, até agora, essas organizações criminosas ainda enxergam o CREAS como
um serviço que trará um bem à população, embora Pedro acredite que essa
concepção pode mudar com o tempo.

Pergunta - Você acha que o número atual de pessoas que trabalham no


CREAS consegue atender às respectivas demandas?

Resposta - Não. O fato de não termos um número mais expressivo acaba nos
sobrecarregando.

Pergunta - Se você pudesse mudar 3 coisas no CREAS quais seriam? e por


que?

Resposta - 1: Reduzir a quantidade de visitas domiciliares, já que é um atendimento


que deve ser feito quando o indivíduo possui algum tipo de dificuldade de se dirigir
ao CREAS; em suma, algo pontual.

2: Aprimorar o trabalho em grupo

3: Atuar de forma mais estratégica.

4: Atingir objetivos.

Pergunta - Quais foram as suas maiores demandas no CREAS desde o início


da pandemia?
Resposta - Solicitação de benefício (cesta básica), além de violência doméstica e
trabalho infantil.

Pergunta - Qual foi o caso mais difícil que você já recebeu no CREAS?

Resposta - Houveram dois casos que logo peguei, com duas famílias. Um de Mãe
Luiza e outro de Passo da Pátria. O primeiro caso foi de uma senhora que morava
com um idoso e mais cinco crianças, havia casos de maus-tratos com as crianças
além da negligência. Além disso, o idoso era negligenciado e a mãe das crianças
era extremamente dependente química. Foram solicitados mais de 10 parceiros
para atuar na equipe de apoio dessa família, junto com muitos outros serviços. O
final infelizmente foi indesejado, a mãe perdeu o poder familiar e as crianças foram
para adoção e isso me marcou bastante, mesmo que não tenha terminado como
queria, nós agimos como pudemos, com mais de 100 intervenções. Outro caso foi
de um idoso que tinha um filho e estava numa unidade de acolhimento porque tinha
perdido a guarda da criança e ficou na minha cabeça pois tem dado certo até então,
mas no início foi extremamente difícil e o idoso não aceitava as propostas do
CREAS, e fomos lá e viramos o jogo. Mas foi muito trabalhoso.

Pergunta - E qual foi o caso que mais te marcou e que te fez ficar realizado(a)
e satisfeito(a) por escolher essa área?

Resposta - Sim, quando trabalhei em Macaíba houve um caso que fui solicitado pelo
CREAS para auxiliar no processo de inclusão produtiva de adolescentes em
cumprimento de medida socioeducativa. No início foi muito difícil, não pelos
adolescentes mas também pela minha equipe, que não queria estar lá e não queria
um adolescente de lá. Mesmo assim, após um trabalho de convencimento,
conseguimos introduzi-lo através de curso de eletricista e de segurança, e eram
EAD também. Ainda com muitas deficiências, o apoiamos muito e conseguimos
ajudá-lo, ele fez os cursos e depois de conversas com empresários, surgiram
empregos para ele e inserimos ele no mercado de trabalho, mesmo sem ter calça
jeans (que depois conseguimos comprar). Nem mesmo a família acreditava muito
em seu potencial, mas conseguimos empregá-lo e isso me deixou muito satisfeito,
porque foi um trabalho realizado e mostrou que se a gente quiser mudar as coisas é
possível, com ajuda ou não.