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Ano 2020, Número 088 Brasília, quinta-feira, 7 de maio de 2020 Página 1

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Ano 2020, Número 088 Divulgação: quarta-feira, 6 de maio de 2020


Publicação: quinta-feira, 7 de maio de 2020

Tribunal Superior Eleitoral

Ministra Rosa Maria Pires Weber


Presidente

Ministro Luís Roberto Barroso


Vice-Presidente

Ministro Og Fernandes
Corregedor-Geral da Justiça Eleitoral

Anderson Vidal Corrêa


Diretor-Geral

Secretaria Judiciária

Assessoria de Comunicação

Fone/Fax: (61) 3030-9325


web@tse.jus.br

Sumário
PRESIDÊNCIA ................................................................................................................................................................................1
SECRETARIA JUDICIÁRIA ................................................................................................................................................................1
Coordenadoria de Processamento - Seção de Processamento III .................................................................................................1
Decisão monocrática ......................................................................................................................................................2
Documentos Eletrônicos Publicados pelo PJE ............................................................................................................................2
Intimação .....................................................................................................................................................................2
CORREGEDORIA ELEITORAL ..........................................................................................................................................................84
SECRETARIA DO TRIBUNAL ...........................................................................................................................................................84
SECRETARIA DE ADMINISTRAÇÃO .................................................................................................................................................84
SECRETARIA DE CONTROLE INTERNO E AUDITORIA .........................................................................................................................84
SECRETARIA DE TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO .............................................................................................................................84
SECRETARIA DE GESTÃO DA INFORMAÇÃO ....................................................................................................................................85
SECRETARIA DE SEGURANÇA E TRANSPORTE ..................................................................................................................................85
COMISSÃO PERMANENTE DE ÉTICA E SINDICÂNCIA DO TSE .............................................................................................................85

PRESIDÊNCIA

(NÃO HÁ PUBLICAÇÕES NESTA DATA)

SECRETARIA JUDICIÁRIA

Coordenadoria de Processamento - Seção de Processamento III

Diário da Justiça Eletrônico do Tribunal Superior Eleitoral. Documento assinado digitalmente conforme MP n. 2.200-2/2001, de 24.8.2001, que institui a Infra
estrutura de Chaves Públicas Brasileira - ICP-Brasil, podendo ser acessado no endereço eletrônico http://www.tse.jus.br
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Decisão monocrática

PUBLICAÇÃO DE DECISÃO Nº 29/2020/SEPROC3/CPRO

29/2020/SEPROC3/CPRO

RECURSO ESPECIAL ELEITORAL Nº 357-73.2016.6.26.0070 MARÍLIA-SP 70ª Zona Eleitoral (MARÍLIA)


RECORRENTES: VINICIUS ALMEIDA CAMARINHA E OUTROS
ADVOGADOS: HÉLIO FREITAS DE CARVALHO DA SILVEIRA - OAB: 154003/SP E OUTROS
RECORRIDOS: DANIEL ALONSO E OUTRA
ADVOGADOS: AMILTON AUGUSTO DA SILVA KUFA - OAB: 351425/SP E OUTROS
Ministro Sergio Silveira Banhos
Protocolo: 563/2020
Prot. Ref: 1.024/2020

DESPACHO
Vinícius Almeida Camarinha, candidato a reeleição ao cargo de prefeito, Élio Eiji Ajeka, candidato a vice-prefeito, e José
Abelardo Guimarães Camarinha interpuseram recurso especial (fls. 3.617-3.704), em face do acórdão do Tribunal Regional
Eleitoral de São Paulo (fls. 3.187-3.242) que rejeitou a matéria preliminar e, no mérito, por maioria, deu provimento a recurso
para julgar procedente a ação de investigação judicial eleitoral, reconhecendo o uso indevido dos meios de comunicação social,
para declarar a inelegibilidade de José Abelardo Guimarães Camarinha, Vinícius Almeida Camarinha, Élio Eiji Ajeka, Wilson
Novaes Mattos, Vicente Girotto, Antonio Alpino Filho e de Sandra Maria Norbiatto.
Por Petição de Protocolo 1.019/2020, Vinícius Almeida Canarinha, Élio Eiji Ajeka e José Abelardo Guimarães Camarinha
requereram a juntada de substabelecimento.
No dia seguinte e por intermédio da petição de Protocolo 1.024/2020, Vinícius de Almeida Camarinha requereu vista dos autos
pelo novo procurador, Dr. Daniane Furtado, para estudo do feito e elaboração de memoriais.
Em face disso, proceda a juntada do substabelecimento, com a atualização da autuação.
Defiro o pedido de vista por três dias. Observo que, diante da atual suspensão dos prazos recursais, o novo patrono constituído
deverá devolver os autos, no prazo de três dias concedidos, tão logo publicado o despacho e efetuada a carga do processo em
Secretaria.
Juntem-se as referidas petições.
Publique-se imediatamente.
Brasília, 22 de abril de 2020.
Ministro Sérgio Silveira Banhos
Relator

Documentos Eletrônicos Publicados pelo PJE

Intimação

Processo 0600075-36.2019.6.03.0000

AGRAVO DE INSTRUMENTO (1320) - 0600075-36.2019.6.03.0000 - MACAPÁ - AMAPÁ RELATOR(A): MINISTRO(A) SERGIO


SILVEIRA BANHOS
AGRAVANTE: Ministério Público Eleitoral AGRAVADO: CARLOS ALBERTO DE OLIVEIRA JUNIOR ADVOGADO: RAFAELA COSTA DE

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SOUZA - OAB/AP4111000A ADVOGADO: LARISSA CRISTINA DA SILVA BARBOSA - OAB/AP4240000A ADVOGADO: FERNANDA
MIRANDA DE SANTANA - OAB/AP3600000A ADVOGADO: EDUARDO DOS SANTOS TAVARES - OAB/DF2742100A ADVOGADO:
KAMILA MAIA NOGUEIRA FERNANDES - OAB/AP2353000A FISCAL DA LEI: Procurador Geral Eleitoral

PUBLICAÇÃO DE INTIMAÇÃO

Ficam as partes intimadas do teor do ato judicial exarado, no processo acima, pela Ministra ROSA WEBER.
Brasília, 6 de maio de 2020.
Enimar Moreira Cunha Coordenadoria de Acórdãos e Resoluções

AGRAVO DE INSTRUMENTO (1320) nº 0600075-36.2019.6.03.0000 (PJe) –MACAPÁ –AMAPÁ


Relatora: Ministra Rosa Weber
Requerente: Carlos Alberto de Oliveira Junior
Advogados: Eduardo dos Santos Tavares e outros
Requerido: Ministério Público Eleitoral

Eleições 2018. Execução de julgado do TSE. Habeas corpus. Concedido. Corrupção eleitoral ativa. Art. 299 do Código Eleitoral.
Atipicidade da conduta. Trancamento da ação penal. Acórdão transitado em julgado. Pedido deferido.

DECISÃO
Vistos etc.
Cuida-se de pedido de execução de julgado apresentado por Carlos Alberto de Oliveira Junior, referente ao acórdão proferido
por este Tribunal Superior nos autos do AI nº 0600075-36.2019, em que negado provimento ao agravo regimental interposto
pelo Ministério Público Eleitoral –aplicadas as Súmulas nos 24 e 27/TSE[1] –, mantido o acórdão do Tribunal Regional Eleitoral
do Amapá (TRE/AP) pelo qual concedida a ordem de habeas corpus para trancamento da ação penal.
O requerente pleiteia, em síntese, “seja determinada a expedição de ofício àautoridade coatora e ao TRE/AP para dar-lhes
ciência da decisão proferida e determinar sua imediata implementação, visando cessar imediatamente o constrangimento
ilegal ao qual o paciente está submetido” (ID 27093638).
Éo relatório.
Decido.
O pedido deve ser deferido.
Este Tribunal Superior negou provimento ao agravo regimental interposto pelo Ministério Público Eleitoral nos autos do AI nº
0600075-36/AP, aplicadas as Súmulas nos 24 e 27/TSE.
Confira-se a ementa do acórdão:
“AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. HABEAS CORPUS. AÇÃO PENAL. TRANCAMENTO. CORRUPÇÃO
ELEITORAL ATIVA. ATIPICIDADE DA CONDUTA. ATOS PREPARATÓRIOS. ÓBICE DO VERBETE SUMULAR 27/TSE.
SÍNTESE DO CASO
1. Trata–se de agravo regimental interposto em face de decisão por meio da qual neguei seguimento a agravo em recurso
especial, por deficiência da argumentação jurídica, invocados pelo recorrente dispositivos –arts. 41 do CPP e 357, §2º, do
Código Eleitoral –cuja afronta, se houvesse, seria reflexa, haja vista que o cerne da controvérsia vincula–se àinterpretação do
art. 14, II, do CP, que delimita o começo de execução do delito, deixando de fora do seu âmbito os atos meramente
preparatórios.
ANÁLISE DO AGRAVO REGIMENTAL
2. Mostra–se deficiente a argumentação do recurso especial, que, deduzindo insurgência concernente ànatureza da conduta
imputada ao recorrido –se reveladora de atos preparatórios ou executórios de crime –, não aponta violação ao art. 14, II, do
Código Penal. Óbice do verbete sumular 27 do TSE.
3. Ainda que assim não fosse, considerada a peculiaridade do caso –relatando o Tribunal de origem que foi imputada ao
agravado a conduta de apenas portar, na véspera das eleições, no interior de um veículo, a quantia de R$ 1.137,20, material de
campanha de diversos candidatos e uma lista com nomes de eleitores –, a fim de se acolher a tese do agravante de que a

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denúncia continha a descrição de atos executórios do crime de corrupção eleitoral ativa, seria necessário o exame de elemento
fático não delineado no acórdão regional, concernente ao local onde ocorreu a conduta.
4. In casu, se écerto que a conduta descrita no acórdão não ingressa no âmbito da tentativa, quando praticada em lugar ermo
ou inacessível a outras pessoas, pode surgir controvérsia sobre se considerar penalmente relevante a mesma conduta quando
praticada, v.g., numa rua com intenso movimento ou aglomeração de eleitores, daí porque se entende que o provimento do
apelo demandaria o exame de um fato não delimitado no acórdão, atinente ao local preciso onde ocorreu a prisão do
denunciado, esbarrando, assim, no óbice do verbete sumular 24 do TSE.
CONCLUSÃO
Agravo regimental a que se nega provimento.”
Diante da negativa de provimento ao agravo regimental pelo TSE, restou mantido o acórdão do TRE/AP em que concedida a
ordem de habeas corpus para trancar a ação penal ajuizada em desfavor de Carlos Alberto de Oliveira Junior, ante a atipicidade
da conduta.
Em consulta ao Processo Judicial Eletrônico (PJe), verifico certificado o trânsito em julgado do acórdão em 02.3.2020 (ID
26388338).
Ante o exposto, defiro o pedido de execução imediata do acórdão proferido nos autos do AI nº 0600075-36.2019.
Oficie-se ao Tribunal Regional Eleitoral do Amapá para que adote as providências pertinentes.
Comunique-se. Publique-se.
Brasília, 23 de abril de 2020.
Ministra ROSA WEBER
Presidente
[1] Súmula nº 24/TSE: Não cabe recurso especial eleitoral para simples reexame do conjunto fático-probatório.
Súmula nº 27/TSE: Éinadmissível recurso cuja deficiência de fundamentação impossibilite a compreensão da controvérsia.
Processo 0600065-08.2019.6.06.0000

index: RECURSO ORDINÁRIO (11550)-0600065-08.2019.6.06.0000-[Cargo - Deputado Estadual, Abuso - De Poder Econômico,


Corrupção ou Fraude, Ação de Impugnação de Mandato Eletivo]-CEARÁ-FORTALEZA
TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL

AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ORDINÁRIO (11550) Nº 0600065-08.2019.6.06.0000 (PJe) - FORTALEZA - CEARÁ RELATOR:
MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO AGRAVANTE: SÉRGIO DE ARAÚJO LIMA AGUIAR ADVOGADA: ISABEL CRISTINA SILVESTRE
DA MOTA - OAB/CE1315900A AGRAVADO: ROMEU ALDIGUERI DE ARRUDA COELHO ADVOGADOS: LEONARDO ROBERTO
OLIVEIRA DE VASCONCELOS - OAB/CE1818500A, JOSÉ ISAIAS RODRIGUES TOMAZ - OAB/CE1721000A, PRISCILA SOUSA DE
OLIVEIRA - OAB/CE3970900A,ANA TALITA FERREIRA ALVES - OAB/CE3541600A,ANGELA CASTELO VIEIRA - OAB/CE2855900A
DESPACHO:

1. Trata-se de agravo interno interposto para impugnar decisão monocrática de minha relatoria que negou seguimento a
recurso ordinário contra acórdão do Tribunal Regional Eleitoral do Ceará –TRE/CE. Na origem, o Regional julgou extinta, com
resolução de mérito, AIME ajuizada em desfavor de Romeu Aldigueri de Arruda Coelho por reconhecer o transcurso do prazo
decadencial.

2. Em 04.10.2019, determinei a conversão do feito em diligência, conforme ID 17057438, para que fosse esclarecido se houve
acesso da parte agravada àpetição de agravo regimental.

3. A Secretaria Judiciária informou que a parte agravante juntou agravo interno com restrição de sigilo, o que impediu que a
parte agravada tivesse acesso ao inteiro teor do recurso para contrarrazões. Ainda, em cumprimento ao despacho proferido, foi
retirado o sigilo (ID 17402988).

4. Diante do exposto, viabilizado o acesso àpetição de agravo interno, intime-se o agravado, para, querendo impugná-lo em 3
(três) dias.

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5. Após, faça-se conclusão para análise do agravo interno.

Publique-se. Brasília, 22 de abril de 2020. Ministro Luís Roberto Barroso Relator


Processo 0600223-31.2019.6.00.0000

index: PRESTAÇÃO DE CONTAS (11531)-0600223-31.2019.6.00.0000-[Prestação de Contas - De Exercício Financeiro]-DISTRITO


FEDERAL-BRASÍLIA
TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL

PRESTAÇÃO DE CONTAS (11531) Nº 0600223-31.2019.6.00.0000 (PJe) - BRASÍLIA - DISTRITO FEDERAL


Relator: Ministro Edson Fachin
Requerente: Movimento Democrático Brasileiro (MDB) –Nacional
Advogados: Fabio Augusto Gonçalves Campos - OAB/DF3448300A, Amanda Leão Carvalho - OAB/DF40487, Renato Oliveira
Ramos - OAB/DF2056200A
Responsável: Romero Jucá Filho
Advogados: Fabio Augusto Gonçalves Campos - OAB/DF3448300A, Amanda Leão Carvalho - OAB/DF40487, Renato Oliveira
Ramos - OAB/DF2056200A
Responsável: Eunício Lopes de Oliveira
Advogados: Fabio Augusto Gonçalves Campos - OAB/DF3448300A, Amanda Leão Carvalho - OAB/DF40487, Renato Oliveira
Ramos - OAB/DF2056200A

DESPACHO

Trata-se de prestação de contas, referente ao exercício financeiro de 2018, apresentada pelo Movimento Democrático
Brasileiro (MDB).
A Assessoria de Exame de Contas Eleitorais e Partidárias do Tribunal Superior Eleitoral (Asepa) apresentou a Informação nº
99/2020 consistente no exame preliminar das contas da agremiação, na qual solicita autorização para aplicação da técnica de
circularização e sugere a intimação do partido e responsáveis para que atendam às diligências propostas (ID 28121988).
Autorizo a Asepa a aplicar a técnica de circularização quanto aos valores declarados pelo partido, nos termos do art. 35, §3º, I a
IV, da Res.-TSE nº 23.546/2017.
Intimem-se o partido e os responsáveis para que providenciem o cumprimento das diligências indicadas no item 5, letras “a” a
“t” da Informação nº 99/2020-Asepa (ID 28121988), no prazo de 20 (vinte) dias, nos termos do art. 34, §3º, da Resolução nº
23.546/2017.
Publique-se. Brasília, 30 de abril de 2020. Ministro EDSON FACHIN Relator
Processo 0000677-15.2016.6.11.0047

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EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL ELEITORAL (11549) - 0000677-15.2016.6.11.0047 - BARRA DO GARÇAS -
MATO GROSSO
RELATOR: MINISTRO Og Fernandes
EMBARGANTES: SILVIO SOUSA FIGUEIREDO, RONALDO SANTOS SALES
ADVOGADOS DOS EMBARGANTES: LENINE POVOAS DE ABREU - MT1712000A, VINICIUS CEPIL COELHO - MT17487/O, PATRICIA
NAVES MAFRA - MT2144700A, DARLA EBERT VARGAS - MT2001000S
EMBARGADO: COLIGAÇÃO COM A FORÇA DO POVO O TRABALHO CONTINUA
ADVOGADOS NO EMBARGADO: ANDERSON ADIEL POSTAL - MT11844/O, ANTONIO NUNES DE SOUSA FILHO - GO27563
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INTIMAÇÃO PARA CONTRARRAZÕES A EMBARGOS DE DECLARAÇÃO


Considerando a oposição de embargos de declaração de ID 28130888, fica(m) a(s) parte(s) embargada(s) intimadas para
apresentar contrarrazões, no prazo de três dias.

Brasília, 5 de maio de 2020.


Eder Augusto Pereira Queiroz Coordenadoria de Acórdãos e Resoluções
Processo 0600207-67.2018.6.16.0000

TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL


ACÓRDÃO

AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL ELEITORAL Nº 0600207-67.2018.6.16.0000 –PARANAGUÁ –PARANÁ

Relator: Ministro Edson Fachin


Agravante: Marcus Antônio Elias Roque
Advogados: Luiz Fernando Zornig Filho –OAB: 27936/PR e outros
Agravado: Movimento Democrático Brasileiro (MDB) –Estadual
Advogado: Rogério Helias Carboni –OAB: 37227/PR
Agravado: Roberto Requião de Melo e Silva
Advogadas: Carla Cristine Karpstein – OAB: 23074/PR e outra
Agravado: João José Arruda
Advogadas: Carla Cristine Karpstein – OAB: 23074/PR e outra

ELEIÇÕES 2016. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL ELEITORAL. AÇÃO DECLARATÓRIA DE JUSTA CAUSA POR
DESFILIAÇÃO PARTIDÁRIA. CARGO. VEREADOR. ART. 22-A, PARÁGRAFO ÚNICO, II, DA LEI N° 9.096/95. GRAVE DISCRIMINAÇÃO
POLÍTICA PESSOAL. NÃO CONFIGURAÇÃO. DESAVENÇAS ENTRE OS ÓRGÃOS PARTIDÁRIOS. AUSÊNCIA DE CARÁTER PESSOAL E
ATUALIDADES DOS FATOS ALEGADOS. REEXAME DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. IMPOSSIBILIDADE.
INCIDÊNCIA DA SÚMULA Nº 24/TSE. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO A QUE SE NEGA PROVIMENTO.
1. A hipótese de discriminação pessoal que caracteriza justa causa para a desfiliação exige a demonstração de fatos certos e
determinados que tenham o condão de afastar o mandatário do convívio da agremiação ou revelem situações claras de
desprestígio ou perseguição. Precedentes.
2. Na linha da jurisprudência desta Corte, “eventual dificuldade ou resistência da agremiação em lançar o ocupante do cargo
como candidato em eleições futuras não éfato suficiente para a aferição de grave discriminação pessoal” (RO n° 263/PR, Rel.
Min. Henrique Neves, DJe de 31.3.2014).
3. Meras desavenças políticas entre órgãos partidários ou entre seus filiados são inábeis àconfiguração de grave discriminação
política pessoal. Tampouco se afigura motivo suficiente para legitimar a desfiliação a insatisfação do trânsfuga em relação
àopção da agremiação em não o lançar como candidato no pleito, visto que essas circunstâncias não desbordam os
acontecimentos afetos àvida política partidária.
4. No caso, o Tribunal de origem, ao se debruçar sobre o conjunto fático-probatório dos autos, concluiu pela inexistência de
grave discriminação política pessoal apta a configurar justa causa para desfiliação do ora agravante, constatando: i) a ocorrência
de intensa disputa entre os diretórios estadual e municipal quanto ao controle das ações políticas em Paranaguá/PR; ii) o
afastamento político entre as instâncias partidárias não se revestiram de pessoalidade em relação ao agravante; iii) fragilidade
das provas testemunhais colhidas, que informaram ciência sobre desavenças envolvendo o agravante àmíngua de indicação de
fontes confiáveis ou de especificação de fatos concretos; iv) a manutenção do agravante na presidência do órgão partidário
local por vários anos, lançando-se candidato e inclusive sendo eleito pela legenda, v) inexistência, nos autos, de qualquer
indicação de que os dirigentes regionais teriam o poder de "barrar" sua postulação a uma das vagas de candidato; vi) falta de
atualidade das circunstâncias apontadas como justa causa.
5. A moldura fático-probatória delineada no acórdão regional não viabiliza conclusão diversa daquela encampada pela Corte de

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origem, de modo que a modificação do julgado, a fim de acolher os argumentos recursais do ora agravante, no sentido da
caracterização da justa causa para desfiliação partidária, resvalaria no reexame dos fatos e provas dos autos, providência que
esbarra no óbice plasmado no enunciado de Súmula nº 24/TSE.
6. Agravo interno desprovido.

Acordam os ministros do Tribunal Superior Eleitoral, por unanimidade, em negar provimento ao agravo regimental, nos termos
do voto do relator.
Brasília, 27 de abril de 2020.

MINISTRO EDSON FACHIN – RELATOR

RELATÓRIO

O SENHOR MINISTRO EDSON FACHIN: Senhora Presidente, trata-se de agravo interno interposto por Marcus Antônio Elias
Roque contra decisão monocrática na qual foi negado seguimento ao recurso especial por ele interposto, mantendo-se o
acórdão regional que julgou improcedente o pedido de declaração de justa causa para desfiliação partidária fundada em grave
discriminação pessoal.
A decisão foi assim ementada (ID 11927738, pág. 1):
“ELEIÇÕES 2016. RECURSO ESPECIAL ELEITORAL. AÇÃO DECLARATÓRIA DE JUSTA CAUSA POR DESFILIAÇÃO PARTIDÁRIA.
CARGO. VEREADOR. ART. 22-A, PARÁGRAFO ÚNICO, II, DA LEI N° 9.096/95. GRAVE DISCRIMINAÇÃO POLÍTICA PESSOAL. NÃO
CONFIGURAÇÃO. REEXAME DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. IMPOSSIBILIDADE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA Nº
24/TSE. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO.”
Nas razões recursais, o agravante sustenta que a pretensão não esbarra na vedação do enunciado da Súmula n° 24/TSE, uma
vez que ”restou devidamente delineado, pelo próprio acórdão regional recorrido, o [...] quadro fático sobre esse amplo conflito
que se desdobrou em várias ações judiciais (ID 14323538, pág. 5).
Afirma que “a gravidade da situação éincontroversa: no mínimo 04 ações judiciais em decorrência de atos do Diretório Estadual
que impediam a candidatura de MARCUS (proibiam convocação de convenção, anulavam a chapa inscrita por MARCUS, depois
anulavam a convenção; depois anulavam a coligação formada; depois decretavam intervenção no diretório municipal) (ID
14323538, pág. 5).
Prossegue alegando que “embora a grave discriminação pessoal possa ser relacionada mais com os aspectos partidários
propriamente considerados, isto é, com o relacionamento partido-filiado, essa c. Corte já a firmou que não se podem excluir
outros aspectos, inclusive mais essencialmente pessoais, como no caso dos autos, do conceito de justa causa para a desfiliação,
o que envolve até mesmo questões de nítida natureza subjetiva (ID 14323538, pág. 9).
Argumenta que “experimentou um quadro de súbito desprestígio na legenda, o qual ultrapassa as alegações contrárias de
eventual resistência de sua parte em verem frustradas as expectativas de se lançar a cargo eletivo ou de divergência interna e
disputas próprias do âmbito partidário e que ”a isso, somam-se seguidos episódios de afastamento do agravado das
deliberações do partido, os quais evidenciam sua perda de espaço e representatividade no âmbito da legenda (ID 14323538,
pág. 10).
Nessa esteira, aduz ausência de democracia interna na agremiação, sustentando que “as ações do Partido do Movimento
Democrático Brasileiro de anulação da Convenção, frustrou, sim, a legítima aspiração do ora agravante ao lançamento de
candidatura futura, não se enquadrando, ante esta peculiaridade, no entendimento do c. TSE de que tal situação não se
subsume àhipótese de justa causa para desfiliação partidária (ID 14323538, pág. 17).
Sintetiza suas alegações referentes àcaracterização da grave discriminação pessoal nos seguintes termos: “(a) grave
perseguição- caracterizada pelas inúmeras condutas praticadas pelo Partido, objeto de ações judiciais perante a Justiça
Estadual que reconheceram a ilegalidade da conduta do Partido. São as seguintes condutas, prequestionadas: Partido proibia
convocação de convenção, anulava a chapa inscrita por MARCUS, depois anulava a convenção; depois anulava a coligação
formada; depois decretava intervenção no diretório municipal; (b) caráter pessoal da perseguição- a disputa pelo poder não
guardava qualquer relação com preceitos partidários, tendo, sim, caráter pessoal; a disputa caracterizou, sim desvio da
finalidade partidária e envolvia interesses PESSOAIS , inclusive do Presidente do Diretório Estadual. Constou expressamente do
v. acórdão que as ações judiciais tinham como parte MARCUS e restou reconhecido pela Justiça Estadual que visam atender,
não aos interesses do Partido, mas sim aos interesses PESSOAIS do seu presidente (ID 14323538, pág. 22).
Acrescenta que “o fato da ação declaratória de justa causa ter sido proposta um mês depois que a Justiça Estadual confirma a
grave perseguição, por decisão do TJPR comprova, sim, a imediatidade, sendo totalmente equivocado o entendimento do v.
acórdão recorrido” (ID 14323538, pág. 24).

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Ao final, requer o provimento do agravo interno para que seja provido o recurso especial.
O prazo para contrarrazões transcorreu sem manifestação dos agravados.
Éo relatório.

VOTO

O SENHOR MINISTRO EDSON FACHIN (relator): Senhora Presidente, o agravo interno não merece provimento.
O agravante pretende reformar a decisão monocrática para que seja reconhecida a alegada grave discriminação pessoal que
caracteriza justa causa para sua desfiliação do Partido MDB, pelo qual foi eleito vereador no pleito de 2016.
Em que pesem os argumentos expendidos no agravo, verifica-se serem eles insuficientes para modificar a decisão objurgada,
que se fundamentou nestes termos (ID 11927738):
"O recurso especial não comporta provimento.
O recorrente, Marcus Antônio Elias Roque, busca a declaração de justa causa, consubstanciada em grave discriminação política
pessoal, para sua desfiliação do partido Movimento Democrático Brasileiro (MDB), pelo qual foi eleito vereador do Município
de Paranaguá/PR no pleito de 2016.
O Tribunal de origem, ao se debruçar sobre o conjunto fático-probatório dos autos, concluiu pela inexistência de grave
discriminação política pessoal apta a configurar justa causa para desfiliação do recorrente, constatando a ocorrência de intensa
disputa entre os diretórios estadual e municipal quanto ao controle das ações políticas em Paranaguá/PR, o que não obstou o
acesso do recorrente àdireção do órgão partidário municipal nem o impediu de se candidatar e se eleger pela agremiação.
Éprecisamente o que se extrai dos seguintes trechos do acórdão regional (ID 7436038):
‘Observa-se que há uma intensa disputa entre os diretórios estadual e municipal quanto ao controle das ações políticas em
Paranaguá. O requerente, na condição de presidente deste último, vivenciou intensamente essa ‘queda-de-braço’, tendo havido
judicialização de toda sorte, com destaque para as decisões estaduais anulando sua eleição como presidente do diretório
municipal e da convenção pela qual foi entabulada coligação com o Partido Verde. Ao longo dos anos, o diretório municipal
resistiu a essas investidas do órgão superior e obteve vitórias nos tribunais, conseguindo preservar a sua autonomia local.
Portanto, não vislumbro das provas carreadas que haja grave discriminação pessoal contra o requerente, mas sim que não havia
alinhamento entre os diretórios estadual e municipal. Mesmo assim, o requerente manteve-se àfrente do diretório municipal
anos a fio, não lhe tendo sido impedido o acesso àlegenda para que se candidatasse e inclusive se elegesse pelo partido.
Além de as rusgas decorrentes desse afastamento político entre as instâncias partidárias não se revestirem da pessoalidade,
visualizo que há um enorme distanciamento temporal entre os fatos arrolados pelo requerente como caracterizadores da justa
causa. Na inicial, são invocados fatos que remontam ao ano de 2008, supostamente ensejadores de um acirramento de ânimos
entre o já falecido Mário Manoel das Dores Roque (seu pai) e Roberto Requião.
Segundo a narrativa constante da peça vestibular, durante cerca de dez anos houve uma animosidade entre dirigentes estaduais
do PMDB e a família Roque. Essa animosidade não impediu, como visto, a permanência de membros dessa família no Diretório
Municipal do partido, o acesso àsua direção municipal e, tampouco, ao registro de candidatos. Não havendo relato de
ingerência na distribuição de recursos para campanhas eleitorais.
A prova oral também não lhe favorece. [...]
Enfim, nenhuma das pessoas ouvidas trouxe qualquer novidade, apenas repetindo que ouviram dizer, que ficaram sabendo,
mas sem a indicação de qualquer fonte confiável e sem a especificação de fatos concretos. Tudo se baseia em rumores, boatos,
suposições.
Some-se a isso que todos os fatos capitulados na inicial como caracterizadores, na ótica do requerente, da grave discriminação
pessoal ocorreram há vários anos, sempre voltados àdisputa pelo poder no diretório municipal de Paranaguá - e não
diretamente contra Marcos Roque - e resta evidente que a sua saída do partido está ligada a interesses pessoais, inexistindo
justa causa para a desfiliação.’
No aresto integrativo, corroborou-se a ausência da alegada atualidade dos fatos apontados pelo ora recorrente como
caracterizadores de justa causa, acrescentando-se os fundamentos a seguir (ID 7437388):
‘Obviamente, a mera publicação de uma matéria jornalística na qual consta que um dirigente do partido teria criticado o
embargante e o ameaçado de expulsão não altera esse quadro, mesmo porque não houve a realização de prova específica
voltada àexistência de um procedimento de expulsão ou mesmo de qualquer outra medida punitiva.
Ainda, essa matéria foi publicada em um blog –Giro no Litoral –, e não foi sequer referida na inicial, tendo sido juntada apenas
em 20/06/2018 (id. 27246 dos autos 0600207-67), não havendo prova de que era do conhecimento do embargante por ocasião
da sua desfiliação.’
Delineada essa moldura fático-probatória, percebe-se que a modificação da conclusão da Corte de origem, no sentido da

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inexistência de grave discriminação política pessoal e, consequentemente, de justa causa para desfiliação partidária do
recorrente, resvalaria no reexame dos fatos e provas dos autos, providência proscrita na Súmula nº 24/TSE: ‘não cabe recurso
especial eleitoral para simples reexame do conjunto fático-probatório’.
Noutros termos, o acolhimento da alegada ofensa ao art. 22-A, parágrafo único, II, da Lei n° 9.096/95 esbarra no óbice
plasmado no aludido enunciado sumular.
Quanto às demais questões levantadas pelo recorrente, quais sejam: (i) impossibilidade de o suplente assumir o cargo por não
atingir o percentual mínimo de votação nominal estabelecido no art. 108 do Código Eleitoral e (ii) intempestividade da ação de
perda de mandato eletivo porque proposta pelo suplente antes do decurso do prazo de 30 (trinta) dias conferido ao partido
político interessado, observa-se que as matérias não são afetas àcontrovérsia do presente feito, referindo-se ao REspe n°
0600462-25, atinente àação de perda do cargo por infidelidade partidária proposta pelo suplente do partido, João Mendes
Filho, que sequer éparte nestes autos.
Ante o exposto, nos termos do art. 36, §6º, do Regimento Interno do Tribunal Superior Eleitoral, nego seguimento ao recurso
especial.”
Conforme consta da decisão agravada, o Tribunal de origem, ao se debruçar sobre o conjunto fático-probatório dos autos,
concluiu pela inexistência de grave discriminação política pessoal apta a configurar justa causa para desfiliação do ora
agravante, constatando: i) a ocorrência de intensa disputa entre os diretórios estadual e municipal quanto ao controle das
ações políticas em Paranaguá/PR; ii) o afastamento político entre as instâncias partidárias não se revestiram de pessoalidade
em relação ao agravante; iii) fragilidade das provas testemunhais colhidas, que informaram ciência sobre desavenças
envolvendo o agravante àmíngua de indicação de fontes confiáveis ou de especificação de fatos concretos; iv) a manutenção do
agravante na presidência do órgão partidário local por vários anos, lançando-se candidato e inclusive sendo eleito pela legenda;
v) inexistência, nos autos, de qualquer indicação de que os dirigentes regionais teriam o poder de "barrar" sua postulação a uma
das vagas de candidato, vi) falta de atualidade das circunstâncias apontadas como justa causa.
Éo que se extrai dos seguintes excertos do aresto regional (ID 7436038):
“O caso específico tratado nos autos revela situação na qual um filiado, eleito em 2016 como Vereador em Paranaguá pelo
MDB, busca a declaração de justa causa para sua desfiliação, alegando a ocorrência de grave discriminação política pessoal.
Segundo alega, a perseguição injusta àsua família teria se iniciado há muitos anos, então voltada contra seu pai, atualmente
dirigida contra a sua pessoa.
Narra que tem sofrido grave discriminação pelo órgão partidário estadual, consubstanciada em procedimentos administrativos
inaugurados em face do Diretório Municipal do PMDB, que presidia ao tempo do ajuizamento, sem observância das disposições
Estatutárias e do devido processo legal, contraditório e ampla defesa, motivados unicamente pelo intuito de prejudicá-lo no
exercício de seus direitos políticos.
O autor apresentou um escorço histórico acerca do início da referida perseguição, cujo estopim seria a falta de apoio de
Roberto Requião ao pai do requerente no pleito de 2008.
Afirmou, outrossim, que assumiu a Presidência do Diretório Municipal do PMDB no ano de 2013 e pontuou, desde o ano de
2015, seis fatos aptos a caracterizar a grave discriminação: a) Proibição imotivada de realizar as Convenções Municipais para
eleição da Executiva Municipal do PMDB; b) Negativa de registrar a chapa eleita presidida pelo requerente no TRE/PR; c)
Anulação, sem fundamento, da Convenção realizada que elegeu o requerente como Presidente do Diretório Municipal; d)
Processo de intervenção sem fundamento e sem observância do contraditório e da ampla defesa; e) Proibição administrativa
ilegal de coligação entre o PMDB e o PV para as eleições majoritárias municipais de 2016; f) Ajuizamento de ação no intuito de
impedir a coligação anteriormente mencionada.
O requerente aparelhou a inicial com cópia de matérias publicadas por diversos veículos de imprensa que seriam, em tese,
aptos a provar os fatos alegados.
Todavia, da análise das provas carreadas aos autos, o quadro que se descortina ébastante distinto.
Observa-se que há uma intensa disputa entre os diretórios estadual e municipal quanto ao controle das ações políticas em
Paranaguá. O requerente, na condição de presidente deste último, vivenciou intensamente essa "queda-de-braço", tendo
havido judicialização de toda sorte, com destaque para as decisões estaduais anulando sua eleição como presidente do
diretório municipal e da convenção pela qual foi entabulada coligação com o Partido Verde. Ao longo dos anos, o diretório
municipal resistiu a essas investidas do órgão superior e obteve vitórias nos tribunais, conseguindo preservar a sua autonomia
local.
Portanto, não vislumbro das provas carreadas que haja grave discriminação pessoal contra o requerente, mas sim que não havia
alinhamento entre os diretórios estadual e municipal. Mesmo assim, o requerente manteve-se àfrente do diretório municipal
anos a fio, não lhe tendo sido impedido o acesso àlegenda para que se candidatasse e inclusive se elegesse pelo partido.
Além de as rusgas decorrentes desse afastamento político entre as instâncias partidárias não se revestirem da pessoalidade,
visualizo que há um enorme distanciamento temporal entre os fatos arrolados pelo requerente como caracterizadores da justa
causa. Na inicial, são invocados fatos que remontam ao ano de 2008, supostamente ensejadores de um acirramento de ânimos
entre o já falecido Mário Manoel das Dores Roque (seu pai) e Roberto Requião.
Segundo a narrativa constante da peça vestibular, durante cerca de dez anos houve uma animosidade entre dirigentes estaduais

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do PMDB e a família Roque. Essa animosidade não impediu, como visto, a permanência de membros dessa família no Diretório
Municipal do partido, o acesso àsua direção municipal e, tampouco, ao registro de candidatos. Não havendo relato de
ingerência na distribuição de recursos para campanhas eleitorais.
A prova oral também não lhe favorece. Neste ponto, mister destacar que foram reunidas as Petições 0600207-67, movida por
Marcus Antonio Elias Roque contra o PMDB/PR e outros, e 0600462-25, ajuizada por João Mendes Filho contra Marcus Antonio
Elias Roque, para produção conjunta de provas. Com isso, e para que não haja julgamentos contraditórios, está sendo
considerada a oitiva de todas as testemunhas e informantes, contida nos id. 206448 e 207832.
A testemunha André Vinícius Henrique da Silva (id. 206456, 206458, 206462, 207816 e 207817), embora declarando ser filiada
ao PMDB desde 2009, não teve contato direto com qualquer das divergências entre o PMDB/PR e o requerente. Disse, em
linhas gerais, que: ficou sabendo pelas mídias (redes sociais e TV) que Marcos Roque seria expulso do partido e que não poderia
ser candidato neste ano; havia problemas com o PMDB/PR desde 2012, ainda na gestão do pai do requerente; houve um
acirramento de ânimos no começo de 2018, com o resultado favorável de três ações movidas pelo requerente contra o
PMDB/PR. Todavia, não soube explicar em detalhe nenhuma dessas informações, baseando integralmente no que ouviu dizer
pelas mídias.
Geovane Rainerte Gonçalves (id. 207818, 207820, 207821 e 207826) étesoureiro do PMDB Paranaguá. Falou genericamente de
desavenças entre o PMDB/PR e Marcos Roque, de tudo sabendo também pelas mídias. Não conseguiu precisar nenhuma das
informações prestadas, não tendo conhecimento algum dos fatos em discussão.
Eduardo Mattar Cecy (id. 207864, 208917, 208919 e 208921) foi contraditado em razão de ser réu em ação movida pelo
requerente, sendo ouvido como informante. Disse que éfiliado ao PMDB desde 2014 e que em 2015 Marcos Roque teria
infringido algum dispositivo do estatuto do partido e que, por isso, houve a dissolução do diretório municipal, sendo instituída
uma Comissão Provisória, da qual fez parte por cerca de um mês, até que Marcos Roque obtivesse uma decisão judicial que o
reconduziu àpresidência. No mais, disse não ter conhecimento de atritos entre o PMDB/PR e o requerente.
Neif Ahmad El Laden (id. 208923, 208924, 208928 e 208930), guarda municipal que presta serviços na Câmara de Vereadores,
disse ter ouvido de vereadores que o PMDB iria expulsar Marcos Roque. Inquirido a indicar qual vereador disse isso, após certa
relutância apontou o nome de "Nilo". Disse que: se interessa por política e que acompanha há anos as disputas entre o
PMDB/PR e o diretório municipal, sabendo pelas mídias (redes sociais e TV) que havia uma perseguição contra Mário Roque e,
posteriormente, contra Marcos Roque; Mário era presidente do diretório em Paranaguá e que, depois de seu falecimento,
Marcos acabou assumindo esse papel; Marcos seria candidato a prefeito em 2016 mas, devido aos problemas com o diretório
estadual, acabou se lançando àvereança, ao passo que seu irmão Marcelo Roque se candidatou e elegeu-se prefeito; as relações
entre as instâncias estadual e municipal do partido pioraram no começo deste ano; inquirido pelo promotor, afirmou que essa
ésua percepção, face ao aumento das notícias da TV local sobre o quadro político no litoral.
Enfim, nenhuma das pessoas ouvidas trouxe qualquer novidade, apenas repetindo que ouviram dizer, que ficaram sabendo,
mas sem a indicação de qualquer fonte confiável e sem a especificação de fatos concretos. Tudo se baseia em rumores, boatos,
suposições.
Some-se a isso que todos os fatos capitulados na inicial como caracterizadores, na ótica do requerente, da grave discriminação
pessoal ocorreram há vários anos, sempre voltados àdisputa pelo poder no diretório municipal de Paranaguá - e não
diretamente contra Marcos Roque - e resta evidente que a sua saída do partido está ligada a interesses pessoais, inexistindo
justa causa para a desfiliação.
Por derradeiro, a tese da imediatidade revigorada pela prestação jurisdicional com a apreciação pelo E. Tribunal de Justiça do
Estado do Paraná capaz de ‘prova robusta em Fev/2018’ lastreando o ajuizamento da ‘ação declaratória de justa causa em
Março/2018’, embora verossímil édemasiadamente frágil.
[...]
De ressaltar que, mesmo em meio a todos os atritos narrados - e não comprovados como de natureza pessoal e, tampouco,
atuais - o requerente manteve-se na presidência do órgão partidário local por vários anos, lançando-se candidato e inclusive
sendo eleito pela legenda. O receio de não ser escolhido como candidato neste ano, a par de não estar fundado em qualquer
elemento objetivo, écontrário ànoção de escolha democrática em convenção partidária, não havendo nos autos qualquer
indicação de que os dirigentes regionais teriam o poder de ‘barrar’ sua postulação a uma das vagas de candidato. [Grifo nosso]
Os resumos das oitivas testemunhais emoldurados no acórdão não viabilizam conclusão diversa da que chegou a Corte de
origem, quanto àausência de comprovação hialina de discriminação pessoal sofrida pelo agravante no âmbito interno do
partido, visto que consubstanciam informações superficiais ou genéricas acerca dos fatos narrados. As testemunhas não
especificaram fatos concretos relativos àsuposta perseguição contra o agravante, e, quando fizeram alguma referência
àpossível desavença entre ele e o partido, disseram ter tomado conhecimento do assunto por meio da imprensa e das mídias
sociais.
As ações ajuizadas na Justiça Comum, mencionadas no acórdão, tampouco se revelam suficientes para comprovar a
discriminação de viés pessoal, evidenciando apenas a existência de intensas disputas intrapartidárias entre os diretórios
estadual e municipal quanto ao controle das ações políticas em Paranaguá/PR.
A propósito, cita-se os seguintes trechos do acórdão regional que sintetiza as matérias apreciadas no âmbito da Justiça Comum
(ID 743038):

Diário da Justiça Eletrônico do Tribunal Superior Eleitoral. Documento assinado digitalmente conforme MP n. 2.200-2/2001, de 24.8.2001, que institui a Infra
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“1. A Ação Anulatória c/c Pedido de Antecipação de Tutela (autos nº 0005189-17.2015.8.16.0129) ajuizada pelo Partido do
Movimento Democrático Brasileiro de Paranaguá em face do Partido do Movimento Democrático Brasileiro do Paraná,
postulando pela antecipação da tutela recursal, para suspender os efeitos da deliberação da Comissão Executiva Estadual do
PMDB, de 11.05.2015, que estabeleceu que ‘o Diretório Municipal de Paranaguá não poderá realizar convenção em
30/05/2015’, comunicada por Ofício nº 005/2015 da Secretaria Geral do PMDB/PR, e ao final, pela declaração de sua nulidade.
A tutela antecipatória foi deferida e determinado o aguardo da decisão nos autos conexos nº 008639-65.2015.8.16.0129.
2. A Ação de Obrigação de Fazer c/c Pedido de Antecipação de Tutela (autos nº 0008639- 65.2015.8.16.0129) ajuizada pelo
Partido do Movimento Democrático Brasileiro de Paranaguá em face do Partido do Movimento Democrático Brasileiro do
Paraná, por meio da qual almeja a antecipação dos efeitos da tutela, inaudita altera pars, e ao final a sua confirmação, para
compelir o Requerido a cadastrar junto ao Tribunal Regional Eleitoral do Paraná, a composição da Mesa Executiva do Diretório
Municipal do PMDB de Paranaguá, definida por convenção realizada no dia 30.05.2015, após o deferimento da liminar nos
autos nº 0005189-17.2015.8.16.0129, sob pena de multa por descumprimento. A tutela antecipada foi deferida. Citado, o
Requerido informou o cumprimento da decisão liminar e ofereceu contestação. Contra a decisão liminar, o Requerido interpôs
o Agravo de Instrumento nº 1.454.965-6, distribuído àrelatoria do Juiz Substituto Fabian Schweitzer. Deferido o efeito
suspensivo, porém, em julgamento colegiado esta 17ª Câmara Cível negou provimento ao recurso. Sobreveio sentença de
procedência dos pedidos.
3. Com base na decisão inicial que concedeu o efeito suspensivo no AI 1.454.965-6, o Diretório Estadual do Partido do
Movimento Democrático Brasileiro do Paraná anulou a Convenção Municipal realizada no dia 30.05.2015, formando comissão
provisória, posteriormente registrada no TRE/PR. Diante disso, o Partido do Movimento Democrático Brasileiro de Paranaguá,
Marcus Antônio Elias Roque, Presidente do Diretório Municipal do Partido do Movimento Democrático Brasileiro de Paranaguá
–PR eleito em 30.05.2015, Guilherme Ubirajara Cordeiro Roque, 1º Vice Presidente do Diretório Municipal do Partido do
Movimento Democrático Brasileiro de Paranaguá –PR eleito em 30.05.2015, Marcela Paula Henrique da Silva, Secretária Geral
do Diretório Municipal do Partido do Movimento Democrático Brasileiro de Paranaguá –PR eleita em 30.05.2015 e Erani
Mendes, Tesoureiro do Diretório Municipal do Partido do Movimento Democrático Brasileiro de Paranaguá –PR eleito em
30.05.2015 ajuizaram a Ação Declaratória de Nulidade de Ato Jurídico c/c Pedido de Antecipação de Tutela (autos nº 0002072-
81.2016.8.16.0129) em face de Partido do Movimento Democrático Brasileiro do Paraná, Ogarito Borgias Linhas, Presidente da
Comissão Executiva Provisória do Partido do Movimento Democrático Brasileiro de Paranaguá –PR, Eduardo Mattar Cecy,
Membro da Comissão Executiva Provisória do Partido do Movimento Democrático Brasileiro de Paranaguá –PR, Mário Luiz
Antonello, Membro da Comissão Executiva Provisória do Partido do Movimento Democrático Brasileiro de Paranaguá –PR,
Waldir Armando Vasco de Campos, Membro da Comissão Executiva Provisória do Partido do Movimento Democrático Brasileiro
de Paranaguá –PR e Izael Modesto Alexandre, Tesoureiro da Comissão Executiva Provisória do Partido do Movimento
Democrático Brasileiro de Paranaguá –PR.”
Deveras, as premissas delineadas não denotam episódios de nítida perseguição pessoal aduzida pelo agravante, mas a
existência de conflitos intestinos entre os órgãos partidários, em cujo contexto ele se fazia presente, dado seu perfil atuante no
âmbito da legenda.
Nessa toada, impende anotar que a hipótese de discriminação pessoal que caracteriza justa causa para a desfiliação exige a
demonstração de fatos certos e determinados que tenham o condão de afastar o mandatário do convívio da agremiação ou
revelem situações claras de desprestígio ou perseguição” (AgR-RO n° 14826/AL, Rel. Min. Tarcisio Vieira de Carvalho Neto, DJe
de 20.11.2017 e PET n° 58184/DF, Rel. Min. Henrique Neves da Silva, DJe de 1º.7.2016), o que não se verificou no caso dos
autos.
Na mesma linha éo escólio de José Jairo Gomes: “há que se encarecer os princípios da tolerância e da convivência harmônica,
de sorte que meras idiossincrasias não poderão ser havidas como grave discriminação política pessoal. Somente fatos objetivos,
sérios, repudiados severamente pela consciência jurídico-moral poderão ser assim considerados (GOMES, José Jairo. Direito
eleitoral. 14. ed. São Paulo: Atlas, 2018, p. 136).
Em vista disso, entende-se que meras desavenças políticas entre os órgãos partidários ou entre seus filiados são inábeis
àconfiguração de grave discriminação política pessoal. Tampouco se afigura motivo suficiente para legitimar a desfiliação a
insatisfação do agravante em relação àopção da agremiação em não o lançar como candidato no último pleito (2018), visto que
essas circunstâncias não desbordam os acontecimentos afetos àvida política partidária.
Essa compreensão ésufragada pela orientação jurisprudencial deste Tribunal Superior, firmada no sentido de que “eventual
dificuldade ou resistência da agremiação em lançar o ocupante do cargo como candidato em eleições futuras não éfato
suficiente para a aferição de grave discriminação pessoal” (RO n° 263/PR, Rel. Min. Henrique Neves, DJe de 31.3.2014).
Reitera-se, ademais, que as premissas fáticas emolduradas no acórdão regional demonstram a falta de atualidade das
circunstâncias apontadas pelo ora agravante como justa causa, uma vez que as divergências entre os diretórios estadual e
municipal são históricas e que os fatos alegados discriminatórios ocorreram, em sua maioria, em 2015 e 2016, conforme as
sínteses das ações judiciais adrede mencionadas, havendo, em 2018, somente rumores na imprensa de que o agravado seria
expulso do partido. A respeito desta última circunstância, constou do aresto integrativo o seguinte (ID 7437388):
‘Obviamente, a mera publicação de uma matéria jornalística na qual consta que um dirigente do partido teria criticado o
embargante e o ameaçado de expulsão não altera esse quadro, mesmo porque não houve a realização de prova específica
voltada àexistência de um procedimento de expulsão ou mesmo de qualquer outra medida punitiva.
Ainda, essa matéria foi publicada em um blog –Giro no Litoral –, e não foi sequer referida na inicial, tendo sido juntada apenas

Diário da Justiça Eletrônico do Tribunal Superior Eleitoral. Documento assinado digitalmente conforme MP n. 2.200-2/2001, de 24.8.2001, que institui a Infra
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em 20/06/2018 (id. 27246 dos autos 0600207-67), não havendo prova de que era do conhecimento do embargante por ocasião
da sua desfiliação.’
Nesse pormenor, convém registrar que “fatos posteriores à desfiliação não podem ser invocados como motivo justificador do
desligamento, pois óbvio que o motivo não pode ser posterior àconsequência (RO n° 263/PR, Rel. Min. Henrique Neves, DJe de
31.3.2014).
Diante dessa conjuntura, reafirma-se, portanto, que a moldura fático-probatória delineada no acórdão regional não viabiliza
conclusão diversa da que chegou a Corte de origem, de modo que a modificação do julgado, a fim de acolher os argumentos
recursais do ora agravante, no sentido da caracterização da justa causa para desfiliação partidária, resvalaria no reexame dos
fatos e provas dos autos, providência que esbarra no óbice plasmado no enunciado de Súmula nº 24/TSE.
Ante o exposto, nego provimento ao agravo regimental.
Écomo voto.

EXTRATO DA ATA

AgR-REspe nº 0600207-67.2018.6.16.0000/PR. Relator: Ministro Edson Fachin. Agravante: Marcus Antônio Elias Roque
(Advogados: Luiz Fernando Zornig Filho –OAB: 27936/PR e outros). Agravado: Movimento Democrático Brasileiro (MDB)
–Estadual (Advogado: Rogério Helias Carboni –OAB: 37227/PR). Agravado: Roberto Requião de Melo e Silva (Advogadas: Carla
Cristine Karpstein – OAB: 23074/PR e outra). Agravado: João José Arruda (Advogadas: Carla Cristine Karpstein – OAB: 23074/PR
e outra).
Decisão: O Tribunal, por unanimidade, negou provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do relator.
Composição: Ministra Rosa Weber (presidente), Ministros Luís Roberto Barroso, Edson Fachin, Og Fernandes, Luis Felipe
Salomão, Tarcisio Vieira de Carvalho Neto e Sérgio Banhos.
Vice-Procurador-Geral Eleitoral: Renato Brill de Góes.
SESSÃO DE 27.4.2020.

Processo 0601611-24.2018.6.10.0000

AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL ELEITORAL (11549) - 0601611-24.2018.6.10.0000 - SÃO LUÍS - MARANHÃO
RELATOR: MINISTRO LUIS FELIPE SALOMÃO AGRAVANTE: MINISTÉRIO PÚBLICO ELEITORAL AGRAVADO: SERGIO RICARDO
OLIVEIRA VIEIRA Advogado do AGRAVADO: IDELMAR MENDES DE SOUSA - MA8057000A
INTIMAÇÃO PARA CONTRARRAZÕES A AGRAVO REGIMENTAL
Considerando a interposição de agravo regimental, fica a parte agravada intimada para apresentar contrarrazões, no prazo de
três dias.
Andréa Luciana Lisboa Borba Coordenadoria de Processamento
Processo 0601466-32.2018.6.22.0000

RECURSO ESPECIAL ELEITORAL (11549) - 0601466-32.2018.6.22.0000 - PORTO VELHO - RONDÔNIA RELATOR(A): MINISTRO(A)
LUIZ EDSON FACHIN RECORRENTE: JEAN CARLOS SCHEFFER OLIVEIRA Advogados do(a) RECORRENTE: THAIS DE OLIVEIRA
CAHULLA BELMONT - RO0035810A, ROOSEVELT ALVES ITO - RO0066780A, GLEYSON BELMONT DUARTE DA COSTA -
RO0057750A RECORRIDO: COLIGAÇÃO RONDÔNIA, ESPERANÇA DE UM NOVO TEMPO Advogados do(a) RECORRIDO:
ROCHILMER MELLO DA ROCHA FILHO - RO6350000A, MARCIO MELO NOGUEIRA - RO2827000A
INTIMAÇÃO PARA CONTRARRAZÕES A EMBARGOS DE DECLARAÇÃO
Considerando a oposição de embargos de declaração, fica(m) a(s) parte(s) embargada(s) intimadas para apresentar
contrarrazões, no prazo de três dias.
KROL JHONATAN CARDOSO NERES DOS SANTOS Coordenadoria de Processamento

Diário da Justiça Eletrônico do Tribunal Superior Eleitoral. Documento assinado digitalmente conforme MP n. 2.200-2/2001, de 24.8.2001, que institui a Infra
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Ano 2020, Número 088 Brasília, quinta-feira, 7 de maio de 2020 Página 1 3

Processo 0600196-48.2019.6.00.0000

RECURSO ESPECIAL ELEITORAL (11549) - 0600196-48.2019.6.00.0000 - SÃO LUÍS - MARANHÃO RELATOR(A): MINISTRO(A) LUIZ
EDSON FACHIN RECORRENTE: MINISTÉRIO PÚBLICO ELEITORAL Advogado do(a) RECORRENTE: RECORRIDO: JOSE FRANCISCO
LIMA NERES Advogado do(a) RECORRIDO: FRANCISCO ANTONIO RIBEIRO ASSUNCAO MACHADO - MA4216-A
INTIMAÇÃO PARA CONTRARRAZÕES A AGRAVO REGIMENTAL
Considerando a interposição de agravo regimental, fica(m) a(s) parte(s) agravada(s) intimadas para apresentar contrarrazões,
no prazo de três dias.
Janine Medeiros Santos Coordenadoria de Processamento
Processo 0600419-64.2020.6.00.0000

index: PRESTAÇÃO DE CONTAS (11531)-0600419-64.2020.6.00.0000-[Prestação de Contas - De Exercício Financeiro]-SÃO


PAULO-ITUVERAVA
TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL

PRESTAÇÃO DE CONTAS (11531) Nº 0600419-64.2020.6.00.0000 (PJe) - ITUVERAVA - SÃO PAULO RELATOR: MINISTRO LUIZ
EDSON FACHIN REQUERENTE: DEMOCRATAS (DEM) - MUNICIPAL RESPONSÁVEL: PAULO ROBERTO DE FREITAS, EUDES LEBRAO
JUNIOR Advogado do(a) REQUERENTE: EUDES LEBRAO JUNIOR - SP89978 Advogado do(a) RESPONSÁVEL: EUDES LEBRAO
JUNIOR - SP89978 Advogado do(a) RESPONSÁVEL: EUDES LEBRAO JUNIOR - SP89978
DECISÃO
PRESTAÇÃO DE CONTAS. EXERCÍCIO FINANCEIRO. ÓRGÃO PARTIDÁRIO MUNICIPAL. APRESENTAÇÃO PERANTE O TRIBUNAL
SUPERIOR ELEITORAL. DECLINAÇÃO DE COMPETÊNCIA. ENCAMINHAMENTO DOS AUTOS.
Trata-se de prestação de contas, referente ao exercício financeiro do ano de 2015, apresentada pelo diretório municipal da
agremiação partidária Democratas (DEM), do município de Ituverava –São Paulo (ID 28144938).
Cumpre ressaltar que compete ao Juízo Eleitoral a análise da prestação de contas de órgão municipal de partido político,
consoante dispõe o art. 28, I, da Resolução-TSE nº 23.546/2017.
Desse modo, verifica-se que o exame da referida prestação de contas do órgão partidário municipal compete ao Juízo Eleitoral
de Ituverava/SP, sede da 60ª Zonal Eleitoral em São Paulo, o qual detém jurisdição.
Visto isso, declino a competência para o Juízo Eleitoral. Encaminhem-se os autos ao Juízo Eleitoral assinalado para as
providências cabíveis.
Publique-se.
Brasília, 29 de abril de 2020. Ministro LUIZ EDSON FACHIN Relator
Processo 0602265-05.2018.6.21.0000

AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL ELEITORAL (11549) - 0602265-05.2018.6.21.0000 - PORTO ALEGRE - RIO
GRANDE DO SUL RELATOR: MINISTRO TARCISIO VIEIRA DE CARVALHO NETO AGRAVANTE: MINISTÉRIO PÚBLICO ELEITORAL
AGRAVADO: EVARISTO PINHEIRO RIGHETTO Advogado do AGRAVADO: LUIZ ANTONIO BRUNORI - RS2497800A
INTIMAÇÃO PARA CONTRARRAZÕES A AGRAVO REGIMENTAL
Considerando a interposição de agravo regimental, fica a parte agravada intimada para apresentar contrarrazões, no prazo de
três dias.
Ana Carolina de Oliveira Quadros Coordenadoria de Processamento
Processo 0600251-62.2020.6.00.0000

AGRAVO REGIMENTAL NA AÇÃO CAUTELAR (12061) - 0600251-62.2020.6.00.0000 - SANTA ISABEL DO PARÁ - PARÁ RELATOR:
MINISTRO LUIS FELIPE SALOMÃO AGRAVANTE: EDIMILSON RIBEIRO DE LIMA, MANOEL FELIX CRUZ DA SILVA, ROGÉRIO NOBRE
DE SOUSA Advogados do AGRAVANTE: GLAUCIA ALVES CORREIA - DF3714900A, MARCIO LUIZ SILVA - DF1241500A, SAVIO
LEONARDO DE MELO RODRIGUES - PA0129850A Advogados do AGRAVANTE: GLAUCIA ALVES CORREIA - DF3714900A, MARCIO
LUIZ SILVA - DF1241500A, SAVIO LEONARDO DE MELO RODRIGUES - PA0129850A Advogados do AGRAVANTE: GLAUCIA ALVES
CORREIA - DF3714900A, MARCIO LUIZ SILVA - DF1241500A, SAVIO LEONARDO DE MELO RODRIGUES - PA0129850A
AGRAVADA: COLIGAÇÃO JUNTOS POR SANTA ISABEL Advogados da AGRAVADA: LUIS FELIPE RAMOS DE LUCA - DF63093, DAVID
PITEL - DF62706, MARCUS VINICIUS BERNARDES GUSMAO - DF34532, MARCELO AUGUSTO CHAVES VIEIRA - DF24166,
ALEXANDRE KRUEL JOBIM - DF14482

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INTIMAÇÃO PARA CONTRARRAZÕES A AGRAVO REGIMENTAL


Considerando a interposição de agravo regimental, fica a parte agravada intimada para apresentar contrarrazões, no prazo de
três dias.
Andréa Luciana Lisboa Borba Coordenadoria de Processamento
Processo 0603559-17.2018.6.13.0000

RECURSO ESPECIAL ELEITORAL (11549) - 0603559-17.2018.6.13.0000 - BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS RELATOR(A):
MINISTRO(A) LUIZ EDSON FACHIN RECORRENTE: ROBERTO CUPOLILLO Advogados do(a) RECORRENTE: ROSANA LILIAN VIEIRA -
MG120214, EDILENE LOBO - MG7455700A, LUCIANO LARA SANTANA - MG1060680A, FLAVIA BOTELHO AVELAR - MG1464140A
INTIMAÇÃO PARA CONTRARRAZÕES A AGRAVO REGIMENTAL
Considerando a interposição de agravo regimental, fica(m) a(s) parte(s) agravada(s) intimadas para apresentar contrarrazões,
no prazo de três dias.
KROL JHONATAN CARDOSO NERES DOS SANTOS Coordenadoria de Processamento
Processo 0600113-20.2019.6.22.0000

RECURSO ESPECIAL ELEITORAL (11549) - 0600113-20.2019.6.22.0000 - URUPÁ - RONDÔNIA RELATOR(A): MINISTRO(A) LUÍS
ROBERTO BARROSO RECORRENTE: MINISTÉRIO PÚBLICO ELEITORAL Advogado do(a) RECORRENTE: RECORRIDO:
PROGRESSISTAS (PP) - ESTADUAL, PROGRESSISTAS (PP) - MUNICIPAL Advogados do(a) RECORRIDO: THIAGO FERNANDES
BECKER - RO0068390A, MANOEL VERISSIMO FERREIRA NETO - RO3766000A Advogado do(a) RECORRIDO:
INTIMAÇÃO PARA CONTRARRAZÕES A EMBARGOS DE DECLARAÇÃO
Considerando a oposição de embargos de declaração, fica(m) a(s) parte(s) embargada(s) intimadas para apresentar
contrarrazões, no prazo de três dias.
KROL JHONATAN CARDOSO NERES DOS SANTOS Coordenadoria de Processamento
Processo 0601181-34.2018.6.15.0000

RECURSO ESPECIAL ELEITORAL (11549) - 0601181-34.2018.6.15.0000 - JOÃO PESSOA - PARAÍBA RELATOR(A): MINISTRO(A) LUÍS
ROBERTO BARROSO RECORRENTE: MINISTÉRIO PÚBLICO ELEITORAL Advogado do(a) RECORRENTE: RECORRIDO: JACO
MOREIRA MACIEL Advogados do(a) RECORRIDO: BRUCE SNIDER CICERO MONTENEGRO CORDEIRO - PB22280, LAZARO
FABRICIO DA COSTA - PB2477700A
INTIMAÇÃO PARA CONTRARRAZÕES A AGRAVO REGIMENTAL
Considerando a interposição de agravo regimental, fica(m) a(s) parte(s) agravada(s) intimadas para apresentar contrarrazões,
no prazo de três dias.
Janine Medeiros Santos Coordenadoria de Processamento
Processo 0603532-12.2018.6.21.0000

AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO (1320) - 0603532-12.2018.6.21.0000 - CANOAS - RIO GRANDE DO SUL
RELATOR(A): MINISTRO(A) SERGIO SILVEIRA BANHOS
AGRAVANTE: HERBERT POERSCH Advogados do(a) AGRAVANTE: CARLOS EDUARDO FRAZÃO DO AMARAL - RJ1623270A,
RAFAEL MORGENTAL SOARES - RS1051820A, GUSTAVO MORGENTAL SOARES - RS7122800A, LUCIA LIEBLING KOPITTKE -
RS1420100A AGRAVADO: PARTIDO DOS TRABALHADORES (PT) - MUNICIPAL Advogados do(a) AGRAVADO: EDSON LUIS
KOSSMANN - RS0047301A, OLDEMAR JOSE MENEGHINI BUENO - RS0030847A, MARITANIA LUCIA DALLAGNOL - RS0025419A
INTIMAÇÃO PARA CONTRARRAZÕES A AGRAVO REGIMENTAL
Considerando a interposição de agravo regimental, fica(m) a(s) parte(s) agravada(s) intimadas para apresentar contrarrazões,
no prazo de três dias.
MARIA ERIKA JUSTINO Coordenadoria de Processamento
Processo 0600647-73.2019.6.00.0000

RECURSO ESPECIAL ELEITORAL (11549) - 0600647-73.2019.6.00.0000 - JOÃO PESSOA - PARAÍBA RELATOR(A): MINISTRO(A) LUÍS
ROBERTO BARROSO RECORRENTE: MINISTÉRIO PÚBLICO ELEITORAL Advogado do(a) RECORRENTE: RECORRIDO: RIVALDO
ALVES DE SOUSA Advogado do(a) RECORRIDO: MARCELO BEZERRA DANTAS - PB21085
INTIMAÇÃO PARA CONTRARRAZÕES A AGRAVO REGIMENTAL

Diário da Justiça Eletrônico do Tribunal Superior Eleitoral. Documento assinado digitalmente conforme MP n. 2.200-2/2001, de 24.8.2001, que institui a Infra
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Considerando a interposição de agravo regimental, fica(m) a(s) parte(s) agravada(s) intimadas para apresentar contrarrazões,
no prazo de três dias.
Paulo Afonso Prado Coordenadoria de Processamento
Processo 0601333-33.2018.6.24.0000

TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL


ACÓRDÃO

EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 0601333-33.2018.6.24.0000


–FLORIANÓPOLIS –SANTA CATARINA
Relator: Ministro Tarcisio Vieira de Carvalho Neto
Embargante: Ministério Público Eleitoral
Embargado: João Antônio Heinzen Amin Helou
Advogados: Luiz Magno Pinto Bastos Junior –OAB: 17935/SC e outros

PRESTAÇÃO DE CONTAS. ELEIÇÕES 2018. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO. DEPUTADO
ESTADUAL. RELATÓRIOS FINANCEIROS. ENTREGA EXTEMPORÂNEA. OMISSÃO NAS CONTAS PARCIAIS. SANEAMENTO NA
PRESTAÇÃO DE CONTAS FINAL. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO ÀCONFIABILIDADE DAS CONTAS. APROVAÇÃO COM RESSALVAS.
PRECEDENTES. SÚMULA Nº 30/TSE. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. VÍCIOS INEXISTENTES. EMBARGOS REJEITADOS.
1. Segundo a novel redação do art. 275 do Código Eleitoral, conferida pelo art. 1.067 da Lei nº 13.105/2015, são admissíveis
embargos de declaração nas hipóteses previstas no art. 1.022 do Código de Processo Civil, quais sejam: I –esclarecer
obscuridade ou eliminar contradição; II –suprir omissão de ponto ou questão sobre o qual devia se pronunciar o juiz de ofício ou
a requerimento; e III –corrigir erro material. No caso dos autos, não se vislumbram os vícios apontados.
2. Para as Eleições 2018, este Tribunal Superior confirmou o entendimento de que o atraso no envio dos relatórios financeiros
(e das parciais) ou sua entrega com inconsistências não necessariamente conduzirá àdesaprovação das contas, porquanto terão
que ser aferidos, caso a caso, a extensão da falha e o comprometimento no controle exercido pela Justiça Eleitoral,
especificamente no exame final das contas. Nesse sentido: relativo às Eleições 2016: AgR-REspe nº 276-54/PE, Rel. Min. Rosa
Weber, DJe de 21.8.2018, e AgR-REspe nº 20-34/PE, Rel. Min. Og Fernandes, DJe de 18.10.2018; relativo às Eleições 2018: PC nº
0601225-70/DF, Rel. Min. Luís Roberto Barroso, PSESS de 4.12.2018.
3. A mesma orientação foi ratificada nos seguintes processos, referentes às Eleições 2018: AgR-AI nº 0600055-29/SC, AgR-AI nº
0601423-41/SC, AgR-REspe nº 0601776-81/SC, AgR-AI nº 0601561-08/SC, AgR-AI nº 0601862-52/SC e AgR-AI nº 0601921-
40/SC, julgados em 12.12.2019, oportunidade em que, assim como no caso dos autos, foram ventiladas premissas para a
interpretação do tema no pleito de 2020.
4. Com efeito, constam do aresto embargado todos os fundamentos suficientes àconclusão deste Tribunal Superior, embora de
forma contrária aos interesses do embargante.
5. Embargos de declaração rejeitados.

Acordam os ministros do Tribunal Superior Eleitoral, por unanimidade, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do
voto do relator.

Brasília, 16 de abril de 2020.

MINISTRO TARCISIO VIEIRA DE CARVALHO NETO – RELATOR

RELATÓRIO

O SENHOR MINISTRO TARCISIO VIEIRA DE CARVALHO NETO: Senhora Presidente, trata-se de embargos de declaração opostos
pelo Ministério Público Eleitoral contra acórdão desta Corte Superior assim ementado:
ELEIÇÕES 2018. AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO. RECURSO ESPECIAL INADMITIDO. PRESTAÇÃO DE CONTAS DE CAMPANHA.
CANDIDATO. DEPUTADO ESTADUAL. RELATÓRIOS FINANCEIROS. ENTREGA EXTEMPORÂNEA. OMISSÃO NAS CONTAS PARCIAIS.

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SANEAMENTO NA PRESTAÇÃO DE CONTAS FINAL. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO ÀCONFIABILIDADE DAS CONTAS. APROVAÇÃO COM
RESSALVAS. PRECEDENTES. SÚMULA Nº 30/TSE. REEXAME DE FATOS E PROVAS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA N° 24/TSE.
DESPROVIMENTO.
1. Nos termos da iterativa jurisprudência deste Tribunal Superior, o atraso no envio dos relatórios financeiros (e das parciais) ou
sua entrega com inconsistências não necessariamente conduzirá àdesaprovação das contas, porquanto terão que ser aferidos,
caso a caso, a extensão da falha e o comprometimento no controle exercido pela Justiça Eleitoral, especificamente no exame
final das contas. Nesse sentido: relativo às eleições de 2016: AgR-REspe nº 276-54/PE, Rel. Min. Rosa Weber, DJe de 21.8.2018
e AgR-REspe nº 20-34/PE, Rel. Min. Og Fernandes, DJe de 18.10.2018, e relativo ao pleito de 2018: PC nº 0601225-70/DF, Rel.
Min. Luís Roberto Barroso, PSESS de 4.12.2018.
2. Na presente lide, o TRE/SC assentou que “não se verifica indícios de má-fé do prestante ou do intuito de embaraçar a
fiscalização ou o controle das contas pela Justiça Eleitoral, pelos órgãos de inteligência e pelo próprio eleitor, não tendo sido
apontada, pelo órgão técnico, a impossibilidade de exame da prestação de contas em julgamento ou indícios de
irregularidades e que “embora tenha havido, em descordo com o disposto no §4° do art. 50 da Resolução TSE n. 23.553/2017,
a omissão, no relatório parcial, de despesas eleitorais realizadas antes da sua entrega, esses dados restaram contabilizados
pelo candidato na prestação de contas final, sem haver, assim, prejuízo irreparável àfiscalização da contabilidade em análise
pela Justiça Eleitoral (ID nº 3713338).
3. Alterar a conclusão da Corte Regional demandaria incursão no acervo fático-probatório, providência inviável nesta seara
extraordinária por força da Súmula nº 24/TSE.
4. A decisão agravada encontra-se em consonância com a jurisprudência desta Corte Superior, o que atrai a incidência da
Súmula nº 30/TSE.
5. Agravo regimental ao qual se nega provimento. (ID nº 15467938).
O embargante alega, em síntese, que há omissão e contradição no acórdão hostilizado, uma vez que:
a) no agravo interno, defendeu que o paradigma PC nº 0601225-70 não se aplica àespécie, tendo em vista que: “(i) a remessa
das informações, embora concluída após o prazo, foi iniciada ainda dentro dele; (ii) o atraso foi de poucas horas, conforme
destacado no próprio parecer conclusivo (item 137); e (iii) o candidato agiu com boa-fé, iniciando o envio das informações
ainda dentro do prazo [...] diferentemente do presente caso, no qual o envio dos relatórios foi iniciado e enviado após o prazo
de 72 h (setenta e duas horas), sendo a boa-fé presumida” (ID nº 25070238 –fls. 4-5), tese que não foi discutida por esta Corte;
e
b) no julgamento da Prestação de Contas nº 0601210-04, este Tribunal “já havia sido firmado entendimento para o pleito de
2018 no sentido de que a omissão na prestação de contas parcial configura irregularidade e a desaprovação ou não do ajuste
contábil decorre da repercussão do valor omitido no contexto global das contas” (ID nº 25070238 –fl. 6), o que demonstra a
contradição com o caso vertente em que se decidiu pela possibilidade de serem regularizadas as omissões em sede de
prestação de contas final.
Assevera que “a necessidade de integração do decisum éevidenciada na redação da ementa que foi lavrada nos termos do voto
do Ministro Relator” (ID nº 25070238 –fl. 10), sem constar as relevantes ponderações sobre o tema constantes do voto-vista no
qual se propôs “a modificação prospectiva do entendimento deste Tribunal Superior Eleitoral para que seus efeitos incidam a
partir das eleições de 2020” (ID nº 25070238 –fl. 9).
Pontua ser “nítido que a conclusão assentada no acórdão que se impugna não condiz com o julgamento proferido e a
manutenção do decisum em seus termos malfere a segurança jurídica na medida em que não épossível aferir, afinal, as razões
do desprovimento do agravo” (ID nº 25069588 –fl. 11).
Rememora que, diante da necessidade de trazer certeza e pacificação da ordem jurídica, “procedeu ao requerimento de
deflagração de Incidente de Julgamento de Recursos Especiais Repetitivos sobre a temática, indicando como representativo da
controvérsia o Recurso Especial de nº 0601339-89.2018.6.15.0000” (ID nº 25063688 –fl. 11), e que “eventual modulação na
vigência da compreensão exarada deve ser fixada no referido representativo da controvérsia” (ID nº 25063688 –fl. 11).
Pugna, ao final, pelo acolhimento dos embargos a fim de que sejam sanadas a omissão, já que não houve o enfrentamento da
divergência do paradigma no tocante ao atraso na entrega dos relatórios financeiros, e a contradição, quanto ao entendimento
desta Corte sobre as omissões nas contas parciais.
Contrarrazões apresentadas (ID nº 25561938).
Éo relatório.

VOTO

O SENHOR MINISTRO TARCISIO VIEIRA DE CARVALHO NETO (relator): Senhora Presidente, os presentes embargos não merecem
acolhimento.
Segundo a novel redação do art. 275 do Código Eleitoral, conferida pelo art. 1.067 da Lei nº 13.105/2015, são admissíveis

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embargos de declaração nas hipóteses previstas no art. 1.022 do Código de Processo Civil, quais sejam: I –esclarecer
obscuridade ou eliminar contradição; II –suprir omissão de ponto ou questão sobre o qual devia se pronunciar o juiz de ofício ou
a requerimento; e III –corrigir erro material.
O embargante objetiva que esta Corte Superior reaprecie, pela via dos aclaratórios, as alegações aduzidas de que o atraso no
envio dos relatórios financeiros (e das parciais) ou sua entrega com inconsistências configura irregularidade grave, e não mera
impropriedade, o que enseja a desaprovação das contas, pois impede a fiscalização e o controle social das contas de campanha
dos candidatos por seus eleitores.
Sustenta que este Tribunal não apresentou fundamentação acerca da divergência do presente caso com o precedente citado
nas razões do agravo interno (PC nº 0601225-70.2018) quanto ao atraso dos relatórios financeiros e que, no julgamento da PC
nº 0601210-04, esta Corte já havia firmado entendimento para o pleito de 2018 de que a omissão na prestação de contas
parcial configura irregularidade apta a ensejar a desaprovação das contas, o que demonstra a contradição do acórdão ora
embargado.
Ocorre que tais insurgências foram enfrentadas no acórdão embargado de maneira clara e exaustiva, conforme se pode extrair
do seguinte trecho do voto condutor do julgado combatido:
As razões postas no agravo regimental são insuficientes para a modificação do decisum impugnado.
Inicialmente, no tocante ao atraso na entrega dos relatórios financeiros, cumpre ressaltar que, ao contrário do que sustenta o
Parquet, não há divergência fática entre o presente feito e o paradigma apresentado no pronunciamento monocrático.
Épossível observar que, em ambos, apesar de o prazo legal de 72 (setenta e duas) horas ter sido extrapolado, não houve
prejuízo para a fiscalização desta Justiça especializada, porquanto os candidatos não deixaram de apresentar tais relatórios.
Ademais, o Tribunal de origem assentou que “não se verifica indícios de má-fé do prestante ou do intuito de embaraçar a
fiscalização ou o controle das contas pela Justiça Eleitoral, pelos órgãos de inteligência e pelo próprio eleitor, não tendo sido
apontada, pelo órgão técnico, a impossibilidade de exame da prestação de contas em julgamento ou indícios de irregularidades
concernentes especificamente às doações eleitorais destacadas neste item. Além disso, em seis dos sete relatórios
extemporâneos, houve atraso de apenas um dia (ID nº 3713338 –grifei).
Não havendo constatação pela Corte Regional de elementos que a afastem, a boa-fé do prestador de contas deve ser
presumida. Portanto, rechaça-se a alegação do MPE de que no paradigma houve a boa-fé do candidato e, no presente feito,
não.
Quanto às omissões na prestação de contas parcial, o TRE/SC assentou que, “embora tenha havido, em descordo com o
disposto no §4° do art. 50 da Resolução TSE n. 23.553/2017, a omissão, no relatório parcial, de despesas eleitorais realizada
antes da sua entrega, esses dados restaram contabilizados pelo candidato na prestação de contas final, sem haver, assim,
prejuízo irreparável àfiscalização da contabilidade em análise pela Justiça Eleitoral (ID nº 3713338 –grifei).
O ora agravante, por sua vez, apresenta precedente deste Tribunal relativo às eleições de 2016 em que “infere-se a necessidade
de nova análise da matéria em pleitos futuros, haja vista a importância do disposto no art. 28, §4º, I e II, da Lei 9.504/97 para
efetiva fiscalização das contas de campanha, uma vez que não se trata, a rigor, de falha meramente formal, e sim de natureza
material (REspe nº 133-43/PE, Rel. Min. Admar Gonzaga, DJe de 6.8.2018).
Em seguida, cita julgado desta Corte, referente ao pleito de 2018, PC n° 0601210-04, Rel. Min. Admar Gonzaga, julgado em
4.12.2018, no qual foi assentado que a ausência de informação de gastos eleitorais na prestação de contas parcial constitui
irregularidade, ainda que demonstrada a boa-fé do prestador.
No tocante a esse precedente, oportuno salientar que, assim como no caso vertente, as contas foram aprovadas com a devida
ressalva.
Com efeito, conforme firmado na decisão agravada, a partir da leitura do art. 50, §6º, da Res.-TSE nº 23.553/2017, este Tribunal
entende que a gravidade de tais condutas deve ser apurada na oportunidade do julgamento final das contas.
Assim, o atraso no envio dos relatórios financeiros (e das parciais) ou sua entrega com inconsistências não necessariamente
conduzirá àdesaprovação das contas, como pretende o ora agravante, porquanto terão que ser aferidos, caso a caso, a
extensão da falha e o comprometimento no controle exercido pela Justiça Eleitoral, especificamente no exame final das contas.
Nesse sentido: relativo às eleições de 2016: AgR-REspe nº 276-54/PE, Rel. Min. Rosa Weber, DJe de 21.8.2018, e AgR-REspe nº
20-34/PE, Rel. Min. Og Fernandes, DJe de 18.10.2018; relativo ao pleito de 2018: PC nº 0601225-70/DF, Rel. Min. Luís Roberto
Barroso, PSESS de 4.12.2018, cuja ementa transcrevo:
DIREITO ELEITORAL. PRESTAÇÃO DE CONTAS. ELEIÇÕES 2018. CANDIDATO AO CARGO DE PRESIDENTE DA REPÚBLICA. PARTIDO
SOCIAL LIBERAL. APROVAÇÃO COM RESSALVAS.
[...]
Descumprimento do prazo para entrega do relatório financeiro (R$ 1.566.812,00)
8. O atraso no envio de relatório financeiro não teve o propósito nem o efeito de prejudicar a transparência ou o controle social
das doações recebidas, de modo que caracteriza impropriedade que não conduz àdesaprovação das contas.
[...]

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15. Prestação de contas aprovada com ressalvas.


(PC nº 0601225-70/DF, Rel. Min. Luís Roberto Barroso, PSESS de 4.12.2018 –grifei)
Conforme ressaltado no decisum vergastado, diante dos parâmetros fixados na referida resolução e dos supracitados
precedentes, inclusive referente ao pleito de 2018, a conclusão pela aprovação das contas também deve ser adotada na
espécie, sob pena de ofensa aos princípios constitucionais da segurança jurídica e da isonomia.
Por outro lado, considerada a moldura fática do acórdão recorrido na linha de que houve saneamento da irregularidade nas
contas finais e de que não houve comprometimento do efetivo controle da presente prestação de contas de campanha por esta
Justiça especializada, a reforma desse posicionamento demandaria nova incursão no acervo fático-probatório dos autos,
providência vedada pela Súmula nº 24/TSE.
Por fim, cumpre ressaltar que a posição trilhada pela Corte Regional está em evidente harmonia com a jurisprudência do TSE, a
atrair a incidência da Súmula nº 30/TSE.
Como as razões postas pelo agravante não afastam os fundamentos lançados na decisão atacada, éde rigor sua integral
manutenção. (ID nº 15424088 –grifei).
A simples leitura do trecho acima colacionado evidencia a insubsistência dos argumentos lançados nos presentes aclaratórios.
Oportuno salientar que o entendimento firmado neste decisum foi ratificado pelo TSE nos seguintes processos, referentes ao
pleito de 2018: AgR-AI nº 0600055-29/SC, AgR-AI nº 0601423-41/SC, AgR-REspe nº 0601776-81/SC, AgR-AI nº 0601561-08/SC,
AgR-AI nº 0601862-52/SC e AgR-AI nº 0601921-40/SC, julgados em 12.12.2019, oportunidade em que, assim como no caso dos
autos, foram ventiladas premissas para a interpretação do tema nas Eleições 2020, nos termos do voto-vista do Ministro Edson
Fachin, conforme se verifica do seguinte trecho do acórdão ora recorrido:
Depreende-se, da leitura do voto condutor, que malgrado o candidato tenha apresentado fora do prazo relatórios financeiros
de campanha –referentes a doações que perfazem o montante de R$ 211.836,42, correspondente a 66,27% do total de receitas
recebidas na campanha –, e tenha deixado de contabilizar na prestação de contas parcial despesas que correspondem a 3,13%
do total dos gastos financeiros efetuados na campanha –, a maioria da Corte Regional entendeu que tais irregularidades
ensejam apenas anotação de ressalva.
Com efeito, das premissas fáticas emolduradas verifica-se que a conclusão a que chegou a Corte Regional desafiaria reforma,
porquanto, conforme defendido em linhas pretéritas, compreendo que as omissões de informações em prestações de contas
parciais e relatórios financeiros (art. 28, §4º, incisos I e II da Lei nº 9.504/97) acarretaram prejuízo ao dever de transparência
devido aos eleitores e, diante do prejuízo irreparável àformação de sua vontade eleitoral, as irregularidades se revestem de
gravidade suficiente para autorizar, de per se, a desaprovação das contas de campanha do candidato João Antônio Heinzen
Amim Helou.
Contudo, esse entendimento somente produzirá efeitos a partir das eleições de 2020, pelos motivos já expostos. Portanto, para
o caso concreto, apesar de detectada a grave e irreparável irregularidade nas contas, deve ser mantida e aplicada a
compreensão atual deste Tribunal Superior Eleitoral que permite a aprovação das contas com ressalvas.
Ante o exposto, proponho a modificação prospectiva do entendimento deste Tribunal Superior Eleitoral quanto ao atraso e as
omissões de informações em relatórios financeiros e prestações de contas parciais, nos termos expostos, para que seus efeitos
incidam a partir das eleições de 2020 e, anotando o descompasso do caso concreto com a tese ora exposta mas sua aderência
àjurisprudência que deve ser aplicada nas eleições 2018, voto por acompanhar o E. Relator, na conclusão, e negar provimento
ao agravo regimental. (ID nº 20409538 –grifei).
Como se vê, a jurisprudência desta Corte Superior foi mantida para o pleito de 2018, não havendo falar em necessidade de
integração do acórdão embargado, uma vez que as ponderações constantes no voto-vista, mencionadas pelo embargante, se
referem apenas às Eleições 2020 e não interferem no julgamento do presente feito.
Desse modo, verifica-se que todos os fundamentos para o desprovimento do agravo interno constam do acórdão, tendo esta
Corte Superior se pronunciado de forma expressa sobre as questões veiculadas, embora de forma contrária aos interesses do
embargante.
Por fim, quanto ao incidente de julgamento de recursos especiais repetitivos sobre o tema, cumpre ressaltar que tal pedido foi
julgado prejudicado pelo relator Ministro Edson Fachin no REspe nº 0601339-89/PB, DJe de 5.3.2020.
Diante do exposto, rejeito os embargos de declaração.
Écomo voto.

EXTRATO DA ATA

ED-AgR-AI nº 0601333-33.2018.6.24.0000/SC. Relator: Ministro Tarcisio Vieira de Carvalho Neto. Embargante: Ministério
Público Eleitoral. Embargado: João Antônio Heinzen Amin Helou (Advogados: Luiz Magno Pinto Bastos Junior –OAB: 17935/SC e
outros).

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Decisão: O Tribunal, por unanimidade, rejeitou os embargos de declaração, nos termos do voto do relator.
Composição: Ministra Rosa Weber (presidente), Ministros Luís Roberto Barroso, Edson Fachin, Og Fernandes, Luis Felipe
Salomão, Tarcisio Vieira de Carvalho Neto e Sérgio Banhos.
Vice-Procurador-Geral Eleitoral: Renato Brill de Góes.

SESSÃO DE 16.4.2020.

Processo 0605505-56.2018.6.19.0000

index: AGRAVO DE INSTRUMENTO (1320)-0605505-56.2018.6.19.0000-[Prestação de Contas - De Candidato, Cargo - Deputado


Estadual, Contas - Desaprovação/Rejeição das Contas]-RIO DE JANEIRO-RIO DE JANEIRO
TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL

AGRAVO DE INSTRUMENTO (1320) Nº 0605505-56.2018.6.19.0000 (PJe) - RIO DE JANEIRO - RIO DE JANEIRO RELATOR:
MINISTRO TARCISIO VIEIRA DE CARVALHO NETO AGRAVANTE: MARIA JOSE ALVES MACHADO ADVOGADO: RAFAEL BARBOSA
DE CASTRO
DECISÃO

ELEIÇÕES 2018. PRESTAÇÃO DE CONTAS. DEPUTADA ESTADUAL. AGRAVO. RECURSO ESPECIAL INADMITIDO. IRREGULARIDADE.
DESPESAS. FUNDO DE CAIXA. VALORES ACIMA DO PERMITIDO. ARTS. 41 E 42 DA RES.-TSE Nº 23.553/2017. PREJUÍZO
ÀCONFIABILIDADE DO AJUSTE CONTÁBIL. DESAPROVAÇÃO. REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA Nº
24/TSE. PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E DA RAZOABILIDADE. PERCENTUAL EXPRESSIVO. INAPLICABILIDADE.
PRECEDENTES. SÚMULA Nº 30/TSE. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. AUSÊNCIA. SÚMULA Nº 28/TSE. NEGATIVA DE SEGUIMENTO.

Trata-se de agravo interposto por Maria José Alves Machado contra decisão de inadmissão de recurso especial que visava
àreforma de acórdão do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE/RJ) em que desaprovadas suas contas relativas às
eleições de 2018, bem como determinado o recolhimento do valor de R$ 2.000,00 (dois mil reais) ao Tesouro Nacional em
virtude da constituição de fundo de caixa irregular mediante saque em cheque da conta do Fundo de Financiamento de
Campanha (FEFC) e posterior pagamento de despesas, em desacordo com os limites dispostos nos arts. 41 e 42 da Res.-TSE nº
23.553/2017.

O acórdão regional foi assim ementado:

PRESTAÇÃO DE CONTAS DE CAMPANHA. CANDIDATO. ELEIÇÕES 2018. EXISTÊNCIA DE IRREGULARIDADES CAPAZES DE


COMPROMETER AS CONTAS APRESENTADAS. DESAPROVAÇÃO. DEVOLUÇÃO AO TESOURO.
I –Constituição de fundo de caixa, mediante saque em cheque da conta relativa ao Fundo Especial de Financiamento de
Campanha (FEFC), representando percentual elevado frente às despesas financeiras contratadas, em desacordo com os arts. 40
a 42 da Resolução TSE nº 23.553/2017.
II –Falha que compromete a confiabilidade e transparência das contas prestadas, sendo apta a macular o controle efetivo desta
Especializada sobre a regularidade da utilização das fontes de financiamento e de aplicação de recursos de campanha eleitoral.
Desaprovação das contas, na forma do artigo 77, inciso III, da Resolução TSE nº 23.553/2017, com devolução de valores ao
Tesouro Nacional. (ID nº 19992988)

No recurso especial (ID nº 19993338), interposto com fundamento no art. 121, §4º, I e II, da Constituição da República, c.c. o
art. 276, I, a e b, do Código Eleitoral, a candidata apontou violação aos arts. 79 e 82 da Res.-TSE nº 23.553/2017 e
àjurisprudência deste Tribunal Superior.

Argumentou que, embora a constituição de fundo de caixa tenha sido em valor superior ao permitido pela legislação, as
despesas pagas com ele foram devidamente comprovadas.

Sustentou que as causas de devolução de recursos ao Erário previstas no art. 82 da Res.-TSE nº 23.553/2017 são taxativas e não

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incluem a utilização lícita efetuada por “modalidade de pagamento equivocada” (fl. 8).

Apontou que este Tribunal Superior já decidiu ser indevida a devolução ao Erário quando não se trata de hipótese de recursos
de origem não identificada, fontes vedadas, ausência de comprovação de despesas e aplicação irregular de recursos oriundos
do Fundo Partidário.

Requereu, assim, conhecimento e provimento do recurso para reformar o acórdão recorrido a fim de que sejam aprovadas,
ainda que com ressalvas, suas contas referentes às Eleições 2018. Subsidiariamente, requereu o afastamento da determinação
de recolhimento ao Tesouro Nacional.

O presidente do TRE/RJ negou seguimento ao recurso especial sob os seguintes fundamentos (ID nº 19993388): (i) a
modificação do julgado demandaria reexame do acervo fático-probatório, o que atrai o óbice da Súmula nº 24/TSE; e (ii) a
incidência da Súmula nº 28/TSE émedida que se impõe, porquanto a divergência jurisprudencial deve ser demonstrada
mediante o uso de acórdãos, e não de decisão monocrática.

No presente agravo (ID nº 19993638), a candidata assevera não incidir o óbice da Súmula nº 24/TSE sob o fundamento de que a
questão controvertida prescinde de incursão no acervo fático-probatório; ao contrário, consiste em questionar se, “diante da
devida comprovação das despesas, por meio de documentos previstos em lei, não caberia a determinação de devolução ao
erário por não enquadramento nas hipóteses taxativas do artigo 82 da Resolução TSE nº 23.553/2017 (fls. 10-11).

Sustenta ser claro o cotejo entre o teor da decisão recorrida e do precedente invocado.

Registra que o precedente invocado serviu como reforço argumentativo, e não como acórdão paradigma para a configuração
de dissídio jurisprudencial.

A título de argumentação, invoca, ainda, a Súmula nº 456/STF, in verbis: o Supremo Tribunal Federal, conhecendo do recurso
extraordinário, julgará a causa, aplicando o direito àespécie.

Requer, ao final, conhecimento e provimento do agravo a fim de que se admita o recurso especial.

A Procuradoria-Geral Eleitoral opina pelo não conhecimento do agravo (ID nº 27333588).

Éo relatório.

Decido.

O agravo não merece êxito ante a inviabilidade do recurso especial.

Na espécie, o TRE/RJ desaprovou as contas de campanha da agravante, candidata ao cargo de deputado estadual nas eleições
de 2018, nos seguintes termos:

Da análise dos autos, em especial da manifestação emitida pela Secretaria de Controle e Auditoria, observa-se que foi
constatada a seguinte irregularidade apta a ensejar a rejeição das contas:

(i) Constituição de fundo de caixa, no valor de R$ 2.000,00, mediante saque em cheque da conta relativa ao Fundo Especial de
Financiamento de Campanha (FEFC), representando 40% das despesas financeiras contratadas, em desacordo com os arts. 40 a
42 da Resolução TSE nº 23.553/2017.

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Instada a se manifestar acerca do primeiro parecer técnico (id 6217459), a candidata peticionou, no id 6386809, aduzindo que:
Neste especial, destaca-se que, devido àinterpretação equivocada da legislação e em completa boa-fé, a candidata constituiu
fundo de caixa equivocamente.

Ato contínuo, o órgão técnico deste Tribunal emite segundo parecer conclusivo, no qual consiga o seguinte:

“a candidata realizou um saque, cheque nº 850001, na conta destinada àmovimentação de recursos do Fundo Especial de
Financiamento de Campanha –FEFC, nº 49871-8, no valor de R$ 2.000,00, em 10/09/2018, para constituir Fundo de Caixa, id
6217609. A referida quantia foi utilizada para o pagamento de diversas despesas discriminadas abaixo, pagas em espécie, no
valor de R$ 2.000,00, contrariando a normativa da Resolução TSE nº 23.553/2017 nos seguintes aspectos:

I) artigo 40, que preceitua que tais gastos só podem ser realizados por meio de cheque nominal, transferência bancária com
identificação do CPF ou CNPJ do beneficiário ou débito em conta;
II) artigo 41, que tais gastos devem observar o saldo máximo de 2% dos gastos contratados, vedada a recomposição; e
III) artigo 42, que determina que as despesas individuais só podem ser consideradas de pequeno vulto se não ultrapassarem o
limite de meio salário mínimo, vedado o fracionamento da despesa.
[...]
Destaca-se que os referidos gastos eleitorais, mediante pagamentos em espécie, representam 40% das despesas financeiras
contratadas em campanha, maculando a regularidade das contas apresentadas”.

Ao final, opina pelo recolhimento do valor utilizado de forma indevida ao Tesouro Nacional.

Pois bem, as despesas referem-se a serviços de panfletagem pagos, em dinheiro, a Wandilza Reis de Carvalho (R$ 750,00); Inês
Maria Gonçalves (R$ 750,00) e Vagner Reis de Carvalho (R$ 500,00) totalizando R$ 2.000,00, valor que vem a integrar o
montante de R$ 5.000,00 de gastos com recursos financeiros do FEFC.

Nesse aspecto, a candidata argumenta, em síntese, que as despesas quitadas com o fundo de caixa foram devidamente
comprovadas e que, por tal razão, não ensejariam a reprovação do feito contábil. Ademais, frisa ser taxativo o rol do art. 82 da
norma de regência no que tange às hipóteses de recolhimento de recursos aos cofres públicos, quais sejam, “recebimento de
recursos de origem não identificada ou fonte vedada, bem como a ausência de comprovação da utilização de recursos do
Fundo Partidário e/ou do Fundo Especial de Financiamento de Campanha ou da sua utilização indevida”.

Outrossim, conclui que “o que verifica no caso em tela éa utilização de forma de pagamento equivocada, erro formal, e não de
ausência de comprovação das despesas ou utilização indevida de recursos”.
De fato, foram apresentados contratos temporários de prestação de serviços e seus respectivos recibos (id 2695359), que
conferem com os valores e beneficiários citados. Todavia, importa destacar que, ao contrário do que alegado pelo recorrente,
há evidente gravidade no caso em análise, haja vista ser o critério de aferição trazido pela lei puramente objetivo, tendo sido
extrapolados, em muito, os limites previstos na legislação de regência. Confira-se os textos normativos em infringência:

Art. 41. Para efetuar pagamento de gastos de pequeno vulto, o órgão partidário e o candidato podem constituir reserva em
dinheiro (Fundo de Caixa), desde que:
I –observem o saldo máximo de 2% (dois por cento) dos gastos contratados, vedada a recomposição;
II –os recursos destinados àrespectiva reserva transitem previamente pela conta bancária específica de campanha;
III –o saque para constituição do Fundo de Caixa seja realizado mediante cartão de débito ou emissão de cheque nominativo em
favor do próprio sacado.
Parágrafo único. O candidato a vice ou a suplente não pode constituir Fundo de Caixa.
Art. 42. Para efeito do disposto no art. 41, consideram-se gastos de pequeno vulto as despesas individuais que não ultrapassem
o limite de meio salário mínimo, vedado o fracionamento de despesa.
Parágrafo único. Os pagamentos de pequeno valor realizados por meio do Fundo de Caixa não dispensam a respectiva
comprovação na forma do art. 63 desta resolução.

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Assim, restou demonstrada a transgressão direta ànorma, em percentual significativo (40% das despesas contratadas), o que
caracteriza a irregularidade apta a ensejar a desaprovação das contas. Nesse sentido, o recente julgado deste Tribunal, in verbis:

“RECURSO ELEITORAL. PRESTAÇÃO DE CONTAS. ELEIÇÕES 2016. EXISTÊNCIA DE IRREGULARIDADES CAPAZES DE


COMPROMETER AS CONTAS APRESENTADAS. DESPROVIMENTO DO RECURSO. [...]
VI –(i) Gastos em momento anterior ao início da campanha, não informados na prestação de contas parcial, no valor total de R$
800,00; (ii) variação de saldos incompatível com as justificativas e documentos apresentados após a apresentação da prestação
de contas retificadora; e (iii) limite de saldo de fundo de caixa, fixado nos artigos 33 e 34 da Resolução TSE nº 23.463/2015,
ultrapassado nos meses de setembro e outubro, em R$ 4.207,92 e R$ 3.307,92, respectivamente.
VII –Como consignado pelo órgão técnico deste Tribunal, os valores ultrapassados correspondem a 10% das despesas totais de
campanha, enquanto o limite estabelecido para a utilização do fundo de caixa éde 2% do total de despesas.
VIII –Vícios insanáveis. Desaprovação das contas. Art. 68, inciso III, da Resolução TSE nº 23.463/2015.DESPROVIMENTO do
recurso, mantendo-se in totum a decisão de 1º grau”. (grifamos) Decisão: POR UNANIMIDADE, DESPROVEU-SE O RECURSO,
NOS TERMOS DO VOTO DO RELATOR. (grifo nosso)
(RE –RECURSO ELEITORAL n 49665 - Maricá/RJ ACÓRDÃO de 14/08/2017 Relator(a) LUIZ ANTONIO SOARES Publicação: DJERJ
–Diário da Justiça Eletrônico do TRE-RJ, Tomo 213, Data 21/08/2017, Página 14/17)

Além disso, de acordo com o setor técnico, a candidata realizou saque desse valor mencionado, irregularmente, em desacordo
com o art. 40 da Resolução TSE nº 23.553/2017, ensejando falha grave que compromete a regularidade das contas. Confira-se o
disposto na referida resolução:

Art. 40. Os gastos eleitorais de natureza financeira, ressalvados os de pequeno vulto previstos no art. 41 e o disposto no §4º do
art. 10 desta resolução, só podem ser efetuados por meio de: I –cheque nominal;
II –transferência bancária que identifique o CPF ou CNPJ do beneficiário; III –débito em conta.

Há precedente desta Corte entendendo pela gravidade de tal irregularidade e cuja intelecção pode ser aplicada ao caso em tela
diante da similitude das normas subsumidas, quais sejam, art. 40 da Resolução TSE nº 23.553/2017, já transcrito e art. 32 da
Resolução TSE nº 23.463/2015 ("Os gastos eleitorais de natureza financeira só podem ser efetuados por meio de cheque
nominal ou transferência bancária que identifique o CPF ou CNPJ do beneficiário, ressalvadas as despesas de pequeno valor
previstas no art. 33 e o disposto no §4º do art. 7º"). Veja-se:

ELEIÇÕES 2016. RECURSO ELEITORAL. PRESTAÇÃO DE CONTAS. VEREADOR.


Doações em valores superiores a R$1.064,10, efetivadas por depósito. Violação ao art.18, §1º, da Resolução 23.463/15, que
prevê que deveriam ter sido efetivados por transferência eletrônica. Utilização dos recursos, em desacordo com o §3º do
mesmo dispositivo. Quantia que representa 36,04% do total arrecadado na campanha. Saques em dinheiro ocorridos na conta
de campanha para pagamento de despesas, em descumprimento ao art. 32 da referida Resolução. Norma de caráter
imperativo, que não pode ser flexibilizada, por constituir forma prescrita em lei. Falha apontada que compromete a
regularidade das contas, por prejudicar o efetivo controle sobre o financiamento e a aplicação dos recursos. Hipótese de
desaprovação. Provimento do recurso. (grifamos)
(RECURSO ELEITORAL n 42322, ACÓRDÃO de 27/11/2017, Relator CARLOS EDUARDO DA ROSA DA FONSECA PASSOS,
Publicação: DJERJ –Diário da Justiça Eletrônico do TRE-RJ, Tomo 290, Data 04/12/2017, Página 45/48)

Soma-se a isso o fato de que a hipótese subsume-se àprescrição do art. 82, §1º do diploma normativo já mencionado, abaixo
transcrito, uma vez que se vislumbra a utilização indevida de recursos públicos, a ensejar o recolhimento do valor de R$
2.000,00 ao Tesouro Nacional, na forma do consignado pela SCA.

Art. 82. [...]


§1º Verificada a ausência de comprovação da utilização dos recursos do Fundo Partidário e/ou do Fundo Especial de
Financiamento de Campanha (FEFC) ou a sua utilização indevida, a decisão que julgar as contas determinará a devolução do
valor correspondente ao Tesouro Nacional no prazo de 5 (cinco) dias após o trânsito em julgado, sob pena de remessa de cópia
digitalizada dos autos àrepresentação estadual ou municipal da Advocacia-Geral da União, para fins de cobrança.

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Pois bem, caracterizada a gravidade da falha pela violação dos arts. 40 a 42 da Resolução TSE nº 23.553/2017, conclui-se pela
desaprovação das contas por ser apta a macular a sua confiabilidade, comprometendo o controle efetivo da análise da
prestação sub examen.
Pelo exposto, acolho o parecer do órgão técnico deste Tribunal para julgar DESAPROVADAS AS CONTAS DE CAMPANHA
apresentadas, referentes ao pleito de 2018, com a determinação de devolução do valor de R$ 2.000,00, relativo a despesas
provenientes do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, pagas de forma irregular, ao Tesouro Nacional, no prazo de 05
dias do trânsito em julgado, sob pena de encaminhamento das informações àAdvocacia-Geral da União para fins de cobrança,
com fulcro no art. 77, III c/c art. 33, §9º e art. 82, §1º, todos da Res. TSE nº 23.553/2017. (ID n° 19992938 –grifei)

Como se vê, a controvérsia dos autos cinge-se a aferir se o pagamento de despesas com recursos públicos, mediante fundo de
caixa irregularmente constituído, éapto a ensejar a desaprovação das contas da candidata e a restituição ao Erário dos valores
despendidos.

Quanto ao ponto, a agravante sustenta violação aos arts. 79 e 82 da Res.-TSE nº 23.553/2017, in verbis:

Res.-TSE nº 23.557/2017:
Art. 79. Erros formais e materiais corrigidos ou tidos como irrelevantes no conjunto da prestação de contas não ensejam sua
desaprovação e aplicação de sanção (Lei nº 9.504/1997, art. 30, §§2º e 2º-A).
[...]
Art. 82. A aprovação com ressalvas da prestação de contas não obsta que seja determinada a devolução dos recursos recebidos
de fonte vedada ou a sua transferência para a conta única do Tesouro Nacional, assim como dos recursos de origem não
identificada, na forma prevista nos arts. 33 e 34 desta resolução.

A despeito do alegado, o TRE/RJ, soberano na análise de fatos e provas, consignou expressamente que a irregularidade na
constituição do fundo de caixa, - no valor de R$ 2.000,00 (dois mil reais), corresponde a 40% do total das despesas financeiras
contratadas, em desacordo com os limites estabelecidos nos arts. 41 a 42 da Res.-TSE nº 23.553/2017 e com o disposto no art.
40 da Res.-TSE nº 23.553/2017-, maculou a confiabilidade das contas.

Diante dessa moldura fática, concluir de forma diversa para acolher a tese da agravante –no sentido de que tal irregularidade
não comprometeu a higidez das contas –demandaria o reexame do conjunto fático-probatório dos autos, inadmissível nesta via
excepcional, a teor da Súmula nº 24/TSE[1].

Adite-se, no tocante àaplicação dos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade para que se aprove, ainda que com
ressalvas, a presente prestação de contas, que este Tribunal tem assentado ser “inaplicáveis os princípios da proporcionalidade
e da razoabilidade quando as irregularidades são graves a ponto de inviabilizar o efetivo controle das contas pela Justiça
Eleitoral (AgR-REspe nº 2378-69/MG, Rel. Min. Rosa Weber, DJe de 30.9.2016 –grifei) e que “somente incidem quando as
falhas não comprometem a confiabilidade das contas e os valores envolvidos nas irregularidades são irrelevantes (AgR-REspe
nº 155-44/MS, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 31.10.2016 –grifei). No mesmo sentido: REspe nº 591-05/SE, Rel. Min. Edson Fachin,
DJe de 19.6.2019.

A esse respeito, o TRE/RJ consignou que: “ao contrário do alegado pelo recorrente, há evidente gravidade no caso em análise,
haja vista ser o critério de aferição trazido pela lei puramente objetivo, tendo sido extrapolados, em muito, os limites previstos
na legislação de regência” (fl. 3 –grifei).

Assentada a impossibilidade de alteração, nesta instância extraordinária, da conclusão a que chegou o Tribunal de origem,
inclusive quanto ànão aplicação dos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade ao caso, constata-se que o acórdão
recorrido se encontra alinhado com a jurisprudência desta Corte Superior no que tange àdesaprovação das contas em virtude
do desrespeito às regras e aos limites estabelecidos para a constituição do fundo de caixa. Nesse sentido, confiram-se os
seguintes precedentes:

ELEIÇÕES 2014. AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO. PRESTAÇÃO DE CONTAS. DESAPROVAÇÃO. AFRONTA A LEI NÃO
DEMONSTRADA. PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E DA PROPORCIONALIDADE. INAPLICABILIDADE.DESPROVIMENTO.
1. A Corte a quo, soberana na análise dos fatos e provas constantes dos autos, desaprovou a prestação de contas por considerar

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graves as irregularidades encontradas, consubstanciadas na omissão de despesas e no desrespeito aos critérios para constituir
fundo de caixa, notadamente o pagamento da totalidade das despesas de campanha em dinheiro, o que impede a efetiva
fiscalização das finanças de campanha por parte da Justiça Eleitoral.
2. A existência de irregularidades insanáveis e não apenas formais compromete a regularidade das contas e afasta, por
consequência, sua aprovação com base nos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Precedentes.
3. Não tendo sido demonstrada, de forma direta e expressa, a afronta àlegislação atinente àmatéria, deve ser mantida a decisão
que negou trânsito ao apelo especial.
4. Agravo regimental desprovido.
(AgR-AI nº 3511-49/MG, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, DJe de 30.6.2016 –grifei)

AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. ELEIÇÕES 2016. VEREADOR. PRESTAÇÃO DE CONTAS. DESPESAS EM ESPÉCIE E EM
VALORES ACIMA DO FUNDO DE CAIXA PERMITIDO. PREJUÍZO ÀCONFIABILIDADE DO AJUSTE CONTÁBIL. DESAPROVAÇÃO.
PERCENTUAL QUE DESAUTORIZA APLICAR OS PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E DA RAZOABILIDADE. DESPROVIMENTO.
1. No decisum monocrático, manteve-se aresto unânime do TRE/PE no sentido da desaprovação das contas do agravante
relativas às Eleições 2016 em virtude de gastos eleitorais em espécie sem observância das modalidades cheque nominal ou
transferência bancária e com valor acima do fixado a título de Fundo de Caixa (arts. 32 e 34 da Res.-TSE 23.463/2015).
2. A contradição que autoriza o manejo de embargos declaratórios éaquela de ordem interna, ou seja, entre elementos do
próprio decisum, não se enquadrando nessa circunstância a suposta contrariedade àjurisprudência ou entre decisões proferidas
em feitos distintos. A falha que ensejou a rejeição das contas deve ser aquilatada de acordo com as circunstâncias fáticas e
jurídicas do caso concreto.
[...]
4. Considerando que, na espécie, a irregularidade correspondeu a 15,15% do total arrecadado, descabe aplicar os princípios da
proporcionalidade e da razoabilidade para se aprovarem com ressalvas as contas.
5. Agravo regimental desprovido.
(AgR-REspe nº 885-57/PE, Rel. Min. Jorge Mussi, DJe de 27.11.2019 –grifei)

Consequentemente, por estar o decisum impugnado em harmonia com a jurisprudência deste Tribunal Superior, éde rigor,
também, a incidência da Súmula nº 30/TSE, igualmente aplicável aos recursos manejados por afronta a lei (AgR-REspe nº 448-
31/PI, Rel. Min. Tarcisio Vieira de Carvalho Neto, DJe de 10.8.2018, e AgR-AI nº 82-18/RS, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho,
DJe 11.10.2018).

Por fim, no que diz respeito àapontada divergência jurisprudencial, por meio da qual a agravante afirma ter este Tribunal
Superior entendimento no sentido de ser devida a devolução ao Erário em hipóteses diversas da destes autos, éde verificar-se
que, consoante orientação desta Corte, a colação como paradigma de julgado decidido monocraticamente não se presta
àdemonstração do dissenso jurisprudencial (REspe nº 678-20, Rel. Min. Maria Thereza Rocha de Assis Moura, DJe de
19.11.2015). Tal circunstância atrai, portanto, o disposto na Súmula nº 28/TSE[2].

Ainda que assim não fosse, cumpre ressaltar que o Fundo Especial de Financiamento de Campanha écomposto por verbas
públicas, de destinação vinculada, sendo sua utilização disciplinada por legislação específica, de modo a garantir o controle dos
gastos e a fiscalização pela Justiça Eleitoral.

Nesse contexto, gastos efetuados com recursos públicos em desconformidade com a legislação de regência são considerados
irregulares, impondo-se a determinação de ressarcimento ao Erário dos valores despendidos, nos termos do art. 82, §1º, da
Res.-TSE nº 23.553/2017.

Logo, nada há a prover quanto às alegações da agravante.

Ante o exposto, nego seguimento ao agravo com base no art. 36, §6º, do Regimento Interno do Tribunal Superior Eleitoral.

Publique-se.

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Brasília, 28 de abril de 2020.

Ministro TARCISIO VIEIRA DE CARVALHO NETO Relator

[1] Súmula nº 24/TSE: Não cabe recurso especial eleitoral para simples reexame do conjunto fático-probatório.
[2] Súmula nº 28/TSE: A divergência jurisprudencial que fundamenta o recurso especial interposto com base na alínea b do
inciso I do art. 276 do Código Eleitoral somente estará demonstrada mediante a realização de cotejo analítico e a existência de
similitude fática entre os acórdãos paradigma e o aresto recorrido.
Processo 0606203-67.2018.6.26.0000

TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL


ACÓRDÃO

AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 0606203-67.2018.6.26.0000 –SÃO PAULO –SÃO PAULO


Relator: Ministro Tarcisio Vieira de Carvalho Neto
Agravante: Helena Aparecida Gomes
Advogados: Alexandre Bissoli –OAB: 2986850-A/SP e outros

ELEIÇÕES 2018. PRESTAÇÃO DE CONTAS. DEPUTADA ESTADUAL. AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO. DESAPROVAÇÃO.
IRREGULARIDADE. DIVERGÊNCIA NA MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA DE CAMPANHA. NÃO COMPROVAÇÃO DE GASTOS COM
RECURSOS DO FUNDO ESPECIAL DE FINANCIAMENTO DE CAMPANHA (FEFC). REEXAME DE FATOS E PROVAS. IMPOSSIBILIDADE.
SÚMULA Nº 24/TSE. ACÓRDÃO REGIONAL EM CONSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DO TSE. SÚMULA Nº 30/TSE. DECISÃO
AGRAVADA. INEXISTÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. REITERAÇÃO DE TESES. SÚMULA Nº 26/TSE. DESPROVIMENTO.
1. Na linha da jurisprudência desta Corte Superior, “a simples reiteração de argumentos já analisados na decisão agravada e o
reforço de alguns pontos, sem que haja no agravo regimental qualquer elemento novo apto a infirmá-la, atraem a incidência
do Enunciado da Súmula nº 26 do TSE (AgR-REspe nº 1669-13/DF, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 27.10.2016).
2. Consoante moldura fática do acórdão regional, constata-se que a candidata não logrou êxito em comprovar gastos com
recursos públicos na importância de R$ 3.000,00 (três mil reais), provenientes do FEFC, dos quais R$ 1.288,00 (um mil, duzentos
e oitenta e oito reais) referem-se a suposta despesa com militantes, declaradas no Sistema de Prestação de Contas Eleitorais,
mas não detectada no extrato bancário, e, quanto ao valor de R$ 1.712,00 (um mil, setecentos e doze reais), correspondente a
14,27% do total arrecadado na campanha, não houve esclarecimento pela agravante.
3. O TRE/SP concluiu que a apontada omissão de despesa éirregularidade grave e suficiente para ensejar a desaprovação das
contas, comprometendo, assim, sua confiabilidade e transparência, além de impedir o controle pela Justiça Eleitoral.
4. Para alterar a conclusão a que chegou o TRE/SP e afastar a irregularidade ou assentar que não houve o comprometimento da
confiabilidade das contas, seria necessário o revolvimento do acervo fático-probatório dos autos, providência inviável nas
instâncias especiais, nos exatos termos da Súmula nº 24/TSE.
5. A orientação deste Tribunal éno sentido de que “a não comprovação de despesas são, em regra, irregularidades de natureza
grave, aptas a ensejar a desaprovação das contas (AgR-AI nº 553-82/MG, Rel. Min. Sérgio Banhos, DJe de 18.11.2019) e a
regular “escrituração contábil –com documentação que comprove a entrada e a saída de recursos recebidos e aplicados
–éimprescindível para que a Justiça Eleitoral exerça a fiscalização sobre as contas” (PC nº 229-97/DF, Rel. Min. Tarcisio Vieira de
Carvalho Neto, DJe de 19.4.2018), sendo “inviável aplicar os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade quando as
irregularidades identificadas na prestação de contas são graves e inviabilizam sua fiscalização pela Justiça Eleitoral (AgR-
REspe nº 476-02/SE, Rel. Min. Og Fernandes, DJe de 17.6.2019, e REspe nº 591-05/SE, Rel. Min. Edson Fachin, DJe de
19.6.2019). Incidência da Súmula nº 30/TSE, “aplicável igualmente aos recursos manejados por afronta a lei (AgR-REspe nº 448-
31/PI, Rel. Min. Tarcisio Vieira de Carvalho Neto, DJe de 10.8.2018). 6. Agravo regimental a que se nega provimento.
Acordam os ministros do Tribunal Superior Eleitoral, por unanimidade, em negar provimento ao agravo regimental, nos termos
do voto do relator.

Brasília, 16 de abril de 2020.

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MINISTRO TARCISIO VIEIRA DE CARVALHO NETO – RELATOR

RELATÓRIO

O SENHOR MINISTRO TARCISIO VIEIRA DE CARVALHO NETO: Senhora Presidente, trata-se de agravo regimental interposto por
Helena Aparecida Gomes contra decisão pela qual negado seguimento a agravo manejado em face da inadmissão de recurso
especial interposto contra acórdão do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE/SP) em que julgadas desaprovadas suas
contas de campanha nas eleições de 2018.
O acórdão regional foi assim ementado:
PRESTAÇÃO DE CONTAS DE CANDIDATO –CONTAS RELATIVAS ÀCAMPANHA ELEITORAL DE 2018 –Deputado Estadual
–Divergência na movimentação financeira –Não comprovação de gastos pagos com recursos do Fundo Especial de
Financiamento de Campanha –Violação ao regramento disciplinado na Resolução TSE nº 23.553/2017 –Impossibilidade de
aplicação dos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade –Contas desaprovadas, com determinação. (ID nº 19747988)
Opostos embargos de declaração (ID nº 19748288), foram rejeitados (ID nº 19748688).
No recurso especial (ID nº 19748938), a candidata apontou violação aos arts. 30, §2º-A, da Lei nº 9.504/97 e 79 da Res.-TSE nº
23.553/2017 e aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade aos seguintes argumentos:
a) não incide na espécie o óbice da Súmula nº 24/TSE, porquanto não énecessário o reexame de provas, mas apenas a
revaloração jurídica das premissas fáticas delineadas no aresto regional;
b) ainda que se considere a possibilidade de ocorrência de falha na forma em que o registro foi feito no Sistema de Prestação de
Contas Eleitorais (SPCE), aludida irregularidade não caracteriza gravidade suficiente para a desaprovação das contas, tendo em
vista que se trata de mero erro formal;
c) os valores sacados foram utilizados para pagamento de prestadores de serviços (atividades de militância e mobilização de
rua) e, dessa forma, declarados como despesas contraídas e efetivamente pagas; e
d) o montante de R$ 1.712,00 (mil, setecentos e doze reais) não compromete a análise, a lisura e a transparência das contas.
O presidente do TRE/SP, ao negar seguimento ao apelo nobre (ID nº 19748988), assentou que, para alterar a conclusão da
Corte Regional, seria necessária nova incursão na seara fático-probatória, providência inadmissível na instância especial
(Súmulas nº 7/STJ, 279/STF e 24/TSE).
No agravo (ID nº 19749238), Helena Aparecida Gomes, além de reiterar os argumentos já expostos no recurso especial, aduziu
não incidir na espécie o óbice das Súmulas nº 7/STJ, 279/STF e 24/TSE, uma vez que não pretende a reanálise das provas, mas o
devido reenquadramento jurídico das premissas fáticas delineadas no acórdão regional.
Pleiteou, por fim, o conhecimento do agravo e o provimento do recurso especial para que fossem as contas aprovadas.
A Procuradoria-Geral Eleitoral opinou pelo não conhecimento do agravo (ID nº 23356938).
Em 3.3.2020 (ID nº 25206938), neguei seguimento ao agravo em virtude dos óbices das Súmulas nº 24 e 30/TSE.
Contra essa decisão, sobreveio o presente agravo regimental (ID nº 25745088), no qual a agravante alega não incidir, in casu, o
óbice da Súmula n° 24/TSE, haja vista que não se trata de reexame de fatos e provas, mas de mero reenquadramento jurídico
dos fatos.
Assevera que houve o necessário prequestionamento da matéria acerca da aplicação dos princípios da proporcionalidade e da
razoabilidade.
Aduz que, no tocante àincidência da Súmula n° 30/TSE, devem ser aplicados os aludidos princípios mitigadores, considerando-se
os esclarecimentos e documentos apresentados nos autos.
Éo relatório.
VOTO

O SENHOR MINISTRO TARCISIO VIEIRA DE CARVALHO NETO (relator): Senhora Presidente, eis o teor da decisão agravada:
O agravo não merece prosperar ante a inviabilidade do recurso especial.
In casu, o TRE/SP, soberano na análise do conjunto fático-probatório, desaprovou as contas de campanha da ora agravante sob
os seguintes fundamentos:
A prestação de contas éprocedimento contábil disciplinado pela lei eleitoral, na qual o candidato, mesmo que renuncie
àcandidatura, dela desista, seja substituído ou tenha indeferido seu pedido de registro, éobrigado a arrolar os valores e a
origem dos recursos arrecadados, bem como os gastos eleitorais registrados durante a campanha eleitoral, com a finalidade de
garantir a transparência e a legitimidade da movimentação financeira correspondente ao período em que participou das

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eleições.
A Secretaria de Controle Interno –SCI, em parecer conclusivo, fez as seguintes constatações (ID 7287751):
“B) IRREGULARIDADES E IMPROPRIEDADES
1. Há divergências na movimentação financeira registrada na prestação de contas e aquela registrada nos extratos eletrônicos,
em desacordo com os arts. 56, I, alínea “g” e II, alínea “a” da Resolução TSE nº 23.553/2017, configurando sobras financeiras de
campanha, nos termos do art. 53,§ 1º e 5º [Item PTE 10.11. (1)]
[...]
Deverão ser recolhidos como sobra financeira de campanha (FEFC) o valor de R$ 1.712,00, que representa 14,27% do total da
Receita.
C) CONCLUSÃO
Em conclusão, considerando que a falha apontada no item 1 compromete a regularidade das contas prestadas, manifesta-se
esta Unidade Técnica pela sua desaprovação.
D) RECOLHIMENTOS
Sobre a sobra de recursos na conta bancária do Fundo Especial de Financiamento de Campanha apontados no item 1 do
presente parecer, caberá àcandidata recolher a quantia de R$ 1.712,00 ao Tesouro Nacional, nos termos do art. 19, §2º da Res.
TSE nº 23.553/2017.”.
Pois bem. Extrai-se do parecer supratranscrito que restou consignada uma divergência na movimentação financeira registrada
na prestação de contas e confronto com aquela registrada nos extratos eletrônicos, no valor total de R$ 3.000,00.
Intimada acerca da divergência apontada pelo órgão técnico, a fim de elucidar a razão da omissão da informação dos valores
sacados e sua consequente destinação, a interessada assentou que: “...Extrai-se do próprio relatório de diligência que houve
saque de valor, e houve registro de pagamentos em espécie dos prestadores supramencionados –todos em atividade de
militância e mobilização de rua. (...) Desta forma, éperceptível que, embora tenha ocorrido o saque dos valores –ainda que haja
apontamento de não lançamento no sistema –estes foram utilizados para pagamento em espécie das despesas especificadas e
registrada na presente prestação de contas. (...) Portanto, ainda que o pagamento em espécie não conste do extrato, cumpre
destacar que os valores sacados foram utilizados para pagamento dos prestadores de serviços. Há assim, especificação das
despesas contraídas e efetivamente pagas na campanha. Em que pese possa se arguir eventual impropriedade na forma em
que o registro em sistema foi realizado, não há qualquer comprometimento àtransparência, higidez e lisura das contas”.
Em que pese a alegação da candidata no sentido de que os valores sacados –embora não informados na prestação de contas,
mas constantes dos extratos bancários –foram utilizados para o pagamento dos prestadores de serviço ora apontados na tabela
de despesa, écerto que referida explanação não éapta a sanar a irregularidade pontuada.
Isso porque, conforme relação apresentada na prestação de contas em comento, se denota que o gasto com referidos
prestadores somou o montante de R$ 1.288,00, fato que deixa sem explicação o destino do restante do dinheiro sacado pela
candidata. Repisa-se, foram sacados R$ 3.000,00 e gasto R$ 1.288,00, não havendo qualquer esclarecimento acerca da
utilização do saldo deste valor, qual seja, R$ 1.712,00.
Trata-se, pois, de afronta ao disposto no artigo 56, inciso I, alínea “g”, e inciso II, alínea “a”, da Resolução TSE nº 23.553/17,
configurando irregularidade de natureza insanável, pois impede a efetiva fiscalização pela Justiça Eleitoral, assim como a
aferição da movimentação econômico-financeira realizada pela candidata Helena Aparecida Gomes, prejudicando o exame das
contas, ainda mais por se tratar de dinheiro público, cuja destinação édesconhecida.
Ademais, nos termos dos artigos 19, §2º, e 53, §5º, da mencionada resolução, os recursos provenientes do Fundo Especial de
Financiamento de Campanha (FEFC) que não forem utilizados nas campanhas eleitorais –no caso, o montante de R$ 1.712,00
–deverão ser devolvidos integralmente ao Tesouro Nacional (vide artigo 82, §§1º e 2º, da Resolução TSE nº 23.553/17).
Por fim, cumpre esclarecer que a natureza e o valor da irregularidade pontuada inviabilizam a aplicação dos princípios da
razoabilidade e da proporcionalidade, sobretudo se se considerar que a falha apurada, que totaliza R$ 1.712,00, equivale a
14,27% do total arrecadado na campanha.
Impende ressaltar, ainda, que o julgamento da prestação de contas pela Justiça Eleitoral, não afasta a possibilidade de apuração
por outros órgãos quanto àprática de eventuais ilícitos antecedentes e/ou vinculados, verificados no curso de investigações em
andamento ou futuras, conforme preceitua o artigo 78, caput, da Resolução TSE nº 23.553/2017.
DECIDO.
Ante do exposto, julgo desaprovadas as contas da candidata ao cargo de Deputado Estadual, Helena Aparecida Gomes, e
determino o recolhimento ao Tesouro Nacional do montante de R$ 1.712,00 (mil, setecentos e doze reais), na forma dos
dispositivos supramencionados. (ID nº 19748038 –grifei)
Por pertinente, cito, ainda, trechos do acórdão complementar:
Denota-se que restou claramente assentado no v. acórdão embargado que a irregularidade apontada não émeramente formal,
como quer fazer crer a embargante, uma vez que possui natureza insanável e impediu a efetiva fiscalização pela Justiça

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Eleitoral.
Também não há que se falar em omissão no que concerne aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, pois, além de se
tratar de irregularidade grave, a falha apontada representou 14,27% todo total arrecadado de receita na campanha, impedindo
por completo a aplicação de tais princípios. (ID nº 19748588 –grifei)
Como se vê, o Tribunal a quo consignou que a candidata não comprovou, em sua prestação de contas referente às Eleições
2018, gastos com recursos públicos no montante de R$ 3.000,00 (três mil reais), provenientes do Fundo Especial de
Financiamento de Campanha, dos quais R$ 1.288,00 (um mil, duzentos e oitenta e oito reais) referem-se a suposta despesa com
militantes, declarada no SPCE, mas não detectada no extrato bancário, e, quanto ao valor de R$ 1.712,00 (um mil, setecentos e
doze reais), correspondente a 14,27% do total arrecadado na referida campanha, não houve esclarecimento pela agravante.
Concluiu que a apontada omissão de despesa éirregularidade grave e suficiente para ensejar a desaprovação das contas,
comprometendo, assim, sua confiabilidade e transparência, além de impedir o controle pela Justiça Eleitoral.
Nesse contexto, rediscutir a conclusão a que chegou a Corte Regional acerca da irregularidade evidenciada e do prejuízo
àconfiabilidade das contas demandaria o reexame do acervo fático-probatório dos autos, providência incabível em sede de
recurso especial, a teor da Súmula nº 24/TSE.
Quanto ànatureza da irregularidade, a orientação deste Tribunal Superior éde que “a não comprovação de despesas são, em
regra, irregularidades de natureza grave, aptas a ensejar a desaprovação das contas (AgR-AI nº 553-82/MG, Rel. Min. Sérgio
Banhos, DJe de 18.11.2019 –grifei), sendo que a regular “escrituração contábil –com documentação que comprove a entrada e
a saída de recursos recebidos e aplicados –éimprescindível para que a Justiça Eleitoral exerça a fiscalização sobre as contas (PC
nº 229-97/DF, Rel. Min. Tarcisio Vieira de Carvalho Neto, DJe de 19.4.2018 –grifei).
Ressalte-se que, na linha da jurisprudência desta Corte, mostra-se “inviável aplicar os princípios da razoabilidade e da
proporcionalidade quando as irregularidades identificadas na prestação de contassão graves e inviabilizam sua fiscalização
pela Justiça Eleitoral (AgR-REspe nº 476-02/SE, Rel. Min. Og Fernandes, DJe de 17.6.2019, e REspe nº 591-05/SE, Rel. Min.
Edson Fachin, DJe de 19.6.2019 –grifei).
Nesse sentido, cito, ainda, os precedentes: AgR-REspe nº 381-08/SE, Rel. Min. Admar Gonzaga, DJe de 3.8.2018, e AgR-AI nº 215-
51/RS, Rel. Min. Og Fernandes, DJe de 30.10.2018.
Por estar o acórdão recorrido em consonância com a jurisprudência desta Corte Superior, éde rigor a incidência da Súmula nº
30/TSE, igualmente aplicável aos recursos manejados por afronta a lei (AgR-REspe nº 448-31/PI, Rel. Min. Tarcisio Vieira de
Carvalho Neto, DJe de 10.8.2018).
Logo, nada há a prover quanto às alegações da agravante.
Ante o exposto, nego seguimento ao presente agravo, com base no art. 36, §6º, do Regimento Interno do Tribunal Superior
Eleitoral. (ID nº 25206938 - grifei)
O cotejo entre a decisão combatida e as razões do agravo interno demonstra tratar a presente insurgência de mera reiteração,
com reforço de alguns pontos, dos argumentos recursais anteriormente submetidos e examinados.
Na linha da jurisprudência desta Corte Superior, “a simples reiteração de argumentos já analisados na decisão agravada e o
reforço de alguns pontos, sem que haja no agravo regimental qualquer elemento novo apto a infirmá-la, atraem a incidência
do Enunciado da Súmula nº 26 do TSE (AgR-REspe nº 1669-13/DF, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 27.10.2016 –grifei).
De toda sorte, ainda que superado referido impedimento, a decisão agravada não merece reparos.
Consoante moldura fática delineada no acórdão regional, constata-se que a candidata não logrou êxito em comprovar gastos
com recursos públicos na importância de R$ 3.000,00 (três mil reais), provenientes do FEFC, dos quais R$ 1.288,00 (um mil,
duzentos e oitenta e oito reais) referem-se a suposta despesa com militantes, declaradas no SPCE, mas não detectada no
extrato bancário, e, quanto ao valor de R$ 1.712,00 (um mil, setecentos e doze reais), correspondente a 14,27% do total
arrecadado na campanha, não houve esclarecimento pela agravante.
Dessa forma, o TRE/SP concluiu que a apontada omissão de despesa éirregularidade grave e suficiente para ensejar a
desaprovação das contas, comprometendo, assim, sua confiabilidade e transparência, além de impedir o controle pela Justiça
Eleitoral.
Ao contrário do que sustenta a agravante, não há como afastar a incidência da Súmula nº 24/TSE, uma vez que, para alterar a
conclusão da Corte Regional e afastar a irregularidade ou assentar que não houve o comprometimento da confiabilidade das
contas, seria necessário o reexame dos fatos e provas.
Quanto ao mais, conforme já assentado no decisum impugnado, observa-se que o acórdão recorrido está em consonância com
a jurisprudência desta Corte Superior.
A respeito da natureza da irregularidade, consignou-se que a orientação deste Tribunal éno sentido de que “a não comprovação
de despesas são, em regra, irregularidades de natureza grave, aptas a ensejar a desaprovação das contas (AgR-AI nº 553-
82/MG, Rel. Min. Sérgio Banhos, DJe de 18.11.2019 –grifei) e a regular “escrituração contábil –com documentação que
comprove a entrada e a saída de recursos recebidos e aplicados –éimprescindível para que a Justiça Eleitoral exerça a
fiscalização sobre as contas” (PC nº 229-97/DF, Rel. Min. Tarcisio Vieira de Carvalho Neto, DJe de 19.4.2018 –grifei).

Diário da Justiça Eletrônico do Tribunal Superior Eleitoral. Documento assinado digitalmente conforme MP n. 2.200-2/2001, de 24.8.2001, que institui a Infra
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Por fim, afastou-se a aplicação dos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, porquanto a jurisprudência deste
Tribunal Superior entende ser “inviável aplicar os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade quando as irregularidades
identificadas na prestação de contassão graves e inviabilizam sua fiscalização pela Justiça Eleitoral (AgR-REspe nº 476-02/SE,
Rel. Min. Og Fernandes, DJe de 17.6.2019, e REspe nº 591-05/SE, Rel. Min. Edson Fachin, DJe de 19.6.2019 –grifei).
Assim, mostrou-se de rigor a incidência da Súmula nº 30/TSE, “aplicável igualmente aos recursos manejados por afronta a lei”
(AgR-REspe nº 448-31/PI, Rel. Min. Tarcisio Vieira de Carvalho Neto, DJe de 10.8.2018).
Logo, nada há a prover quanto às alegações da agravante.
Ante o exposto, nego provimento ao agravo regimental.
Écomo voto.

EXTRATO DA ATA

AgR-AI nº 0606203-67.2018.6.26.0000/SP. Relator: Ministro Tarcisio Vieira de Carvalho Neto. Agravante: Helena Aparecida
Gomes (Advogados: Alexandre Bissoli –OAB: 2986850-A/SP e outros).
Decisão: O Tribunal, por unanimidade, negou provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do relator.
Composição: Ministra Rosa Weber (presidente), Ministros Luís Roberto Barroso, Edson Fachin, Og Fernandes, Luis Felipe
Salomão, Tarcisio Vieira de Carvalho Neto e Sérgio Banhos.
Vice-Procurador-Geral Eleitoral: Renato Brill de Góes.

SESSÃO DE 16.4.2020.

Processo 0601473-67.2018.6.24.0000

TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL


ACÓRDÃO
AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL ELEITORAL No 0601473-67.2018.6.24.0000 –FLORIANÓPOLIS –SANTA CATARINA

Relator: Ministro Edson Fachin


Agravante: Ministério Público Eleitoral
Agravados: Esperidião Amin Helou Filho e outros
Advogados: Alessandro Balbi Abreu –OAB:15740/SC e outros

ELEIÇÕES 2018. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL ELEITORAL. PRESTAÇÃO DE CONTAS DE CAMPANHA.
CANDIDATOS. DESAPROVADAS. DESPESAS COM INSTALAÇÃO DE COMITÊ DE CAMPANHA. COMPROVAÇÃO.
REENQUADRAMENTO JURÍDICO DOS FATOS. POSSIBILIDADE. IRREGULARIDADES REMANESCENTES. PERCENTUAL
INEXPRESSIVO NO CONTEXTO DA PRESTAÇÃO DE CONTAS. APLICAÇÃO DOS PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E DA
RAZOABILIDADE. PRECEDENTES. PROVIMENTO MONOCRÁTICO DO RECURSO ESPECIAL PARA APROVAR, COM RESSALVAS, AS
CONTAS DOS RECORRENTES. MANUTENÇÃO DA DECISÃO. AGRAVO DESPROVIDO.
1. O reenquadramento jurídico dos fatos, quando cabível, érestrito às premissas assentadas pela instância regional e não se
confunde com o reexame e a revaloração do caderno probatório, providência incabível em sede de recurso especial, a teor do
disposto na Súmula nº 24/TSE.
2. A jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral tem admitido a aplicação dos princípios da proporcionalidade e da
razoabilidade para superação de irregularidades que representem valor absoluto diminuto, ainda que o percentual no total da

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arrecadação seja elevado. Precedentes.


3. Adota-se como balizas, para as prestações de contas de candidatos, o valor máximo de R$ 1.064,10 (mil e sessenta e quatro
reais e dez centavos) como espécie de "tarifação do princípio da insignificância" como valor máximo absoluto entendido como
diminuto e, ainda que superado o valor de 1.000 UFIRs, épossível a aplicação dos princípios da proporcionalidade e
razoabilidade para aquilatar se o valor total das irregularidades não superam 10% do total da arrecadação ou da despesa,
permitindo-se, então, a aprovação das contas com ressalvas.
4. Tal balizamento quanto aos aspectos quantitativos das prestações de contas não impede sua análise qualitativa. Dessa forma,
além de sopesar o aspecto quantitativo descrito acima, há que se aferir se houve o comprometimento da confiabilidade das
contas (aspecto qualitativo). Consequentemente, mesmo quando o valor apontado como irregular representar pequeno
montante em termos absolutos ou ínfimo percentual dos recursos, eventual afetação àtransparência da contabilidade pode
ensejar a desaprovação das contas.
5. No caso dos autos, o diminuto percentual das falhas detectadas (0,38%) –em relação ao valor absoluto arrecadado em
campanha –não representa gravidade capaz de macular a regularidade das contas.
6. Agravo interno a que se nega provimento.

Acordam os ministros do Tribunal Superior Eleitoral, por unanimidade, em negar provimento ao agravo regimental, nos termos
do voto do relator.

Brasília, 5 de novembro de 2019.

MINISTRO EDSON FACHIN – RELATOR

RELATÓRIO

O SENHOR MINISTRO EDSON FACHIN: Senhora Presidente, trata-se de agravo interno interposto pelo Parquet Eleitoral contra
decisão monocrática (ID 14406538) que deu provimento ao agravo em recurso especial apresentado por Esperidião Amin Helou
Filho e outros, para aprovar, com ressalvas, as suas contas de campanha, relativas às eleições de 2018.
A decisão foi assim sintetizada (ID 12667038):
“ELEIÇÕES 2018. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL ELEITORAL. PRESTAÇÃO DE CONTAS DE CAMPANHA. CANDIDATOS.
DESAPROVADAS. DESPESAS COM INSTALAÇÃO DE COMITÊ DE CAMPANHA. COMPROVAÇÃO. IRREGULARIDADES
REMANESCENTES. PERCENTUAL INEXPRESSIVO NO CONTEXTO DA PRESTAÇÃO DE CONTAS. APLICAÇÃO DOS PRINCÍPIOS DA
PROPORCIONALIDADE E DA RAZOABILIDADE. AGRAVO PROVIDO. RECURSO ESPECIAL A QUE SE DÁ PROVIMENTO PARA
APROVAR, COM RESSALVAS, AS CONTAS DOS RECORRENTES.”
Nas razões recursais, o agravante sustenta, inicialmente, que o Tribunal a quo entendeu que houve desvio de finalidade nos
gastos apontados como utilizados na reforma do comitê ao qual pertenciam os candidatos, assentando que “’em um imóvel
cujo custo de locação restou fixado em R$ 9.166,66 para todo o período da campanha (45 dias), foram desembolsados, a título
de benfeitorias, outros R$ 23.383,46 provenientes do FEFC, ou seja, quase três vezes aquele valor’ (ID 14406538, p. 5).
Argumenta, quanto ao ponto, que, “para alterar o entendimento a que chegou o Tribunal de origem, quanto àutilização
indevida dos recursos do FEFC na reforma do Comitê de campanha eleitoral, com base no valor desproporcional do gasto seria
necessário adentrar o acervo fático-probatório dos autos, o que évedado na estreita via do especial (ID 14406538, p. 6), em
decorrência do sumulado nº 24 do TSE.
No tocante aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, afirma que, no caso concreto, a mera menção àsua
aplicação seria insuficiente e estaria “na margem de discricionariedade conferida ao Poder Legislativo (ID 14406538, p. 9),
tendo em vista a ausência de motivação a justificar a relativização do preceito contido no art. 17, III, da CF/1988.
Por fim, requer a reconsideração da decisão recorrida, e, subsidiariamente, o julgamento pelo órgão colegiado para que seja
dado provimento ao agravo, julgando desaprovadas as contas dos então candidatos.
Intimados, os agravados apresentaram contrarrazões ao agravo (ID 14766338).
Éo relatório.

VOTO

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O SENHOR MINISTRO EDSON FACHIN (relator): Senhora Presidente, o agravo interno não comporta provimento.
Busca o agravante reformar a decisão monocrática que deu provimento ao agravo em recurso especial apresentado por
Esperidião Amin Helou Filho e outros, para aprovar, com ressalvas, as suas contas de campanha, relativas às eleições de 2018,
nos seguintes termos (ID 12667038):
“Constata-se devidamente impugnados os fundamentos da decisão de inadmissão do apelo, pelo que se dá provimento ao
agravo de instrumento e passa-se, desde logo, ao exame do recurso especial.
Inicialmente, registra-se que a pretensão deduzida pelos recorrentes prescinde do reexame do conteúdo fático-probatório dos
autos, dada a moldura fática delineada no acórdão regional que autoriza a requalificação jurídica dos fatos, considerando a
jurisprudência desta Corte Superior.
No caso, o TRE/SC desaprovou as contas de campanha dos recorrentes, em virtude de inconsistências nas despesas pagas com
recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) no valor de R$ 23.400,15, referentes a gastos não
comprovados com a contratação de serviços do Facebook (R$ 16,69) e despesas registradas como referentes àpré-instalação
física de comitê de campanha (R$ 23.383,46). Confira-se (ID 5949588; grifo nosso):
‘d) Inconsistências ‘nas despesas pagas com recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), contrariando o
que dispõem os arts. 37 e 63 da Resolução TSE n. 23.553/2017’.
[...]
1. Foi apontado, no item 1 do Parecer Técnico Pós-Conclusivo anterior, que permaneciam as seguintes inconsistências nas
despesas pagas com recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), contrariando o que dispõem os arts. 37
e 63 da Resolução TSE nº 23.553/2017:
1.1. R$ 19.340,61 em gastos efetuados junto ao Facebook sem comprovação por meio de nota fiscal, razão pela qual referido
gasto foi considerado irregular.
Foi apresentada (ID 1017905) a NF n. 4579458, no valor de R$ 19.323,92. Assim, restam comprovadas R$ 99.983,31 em
despesas realizadas junto ao Facebook, como demonstrado no quadro abaixo:
[...]
Remanesce o valor de R$ 16,69 não comprovado por meio de notas fiscais, razão pela qual deve ser recolhido ao Tesouro
Nacional.
[...]
1.3. R$ 23.383,46 em despesas registradas como referentes àpré-instalação física de comitê de campanha, apontadas
anteriormente como irregulares:
‘(d) Quanto às despesas consignadas nas NFs de n. 1454-1, 34-U e 12-U (Anexo IV), que totalizam R$ 23.383,46, o candidato não
trouxe elementos suficientes para demonstrar a pertinência e vinculação dos gastos com a campanha eleitoral em relação ao
período de utilização dos bens. O valor dos gastos realizados no imóvel utilizado émesmo desproporcional ao valor do único
recibo de locação trazido aos autos, no valor de R$ 9.166,66 para todo o período da campanha e que, inclusive, não identifica o
imóvel locado. São citados dois endereços diversos com funções distintas, as NFs não discriminam com suficiência os materiais
e em que condições foram prestados os serviços e bens, restando lacunosas as informações prestadas’.
[...]
Na análise, verificou-se que, do ponto de vista técnico, os elementos constantes dos autos não são suficientes para demonstrar
a pertinência e vinculação dos gastos com a campanha eleitoral em relação ao período de utilização dos bens. O valor dos
gastos realizados no imóvel utilizado édesproporcional ao valor da despesa com locação (R$ 9.166,66 para todo o período da
campanha). Além disso, não épossível vincular as despesas das notas fiscais n. 34 e n. 12 àmontagem do comitê de campanha
em razão da citada divergência de endereços.
[...]
A natureza pública dos recursos provenientes de fundos públicos, na espécie, Fundo Especial de Financiamento de Campanha
(FEFC) impõe, do ponto de vista técnico, sejam restituídos ao Tesouro Nacional no montante aplicado irregularmente ou não
comprovado, razão pela qual deve ser restituído ao Tesouro Nacional o valor de R$ 23.400,15, correspondente àsoma dos
valores apontados nos itens 1.1 e 1.3 deste parecer [grifou-se].’
Além disso, a Corte regional também considerou irregular o dispêndio de recursos do FEFC, no montante de R$ 9.094,00, com
manutenção de veículo de propriedade do candidato –valor já recolhido ao Tesouro Nacional, conforme se extrai do seguinte
excerto do acórdão recorrido (ID 5949588):
‘1.2. R$ 9.094,00 em gastos junto ao fornecedor Dimas Comércio de Veículos Importados Ltda (revisão de 80.000 km do veículo
de propriedade do candidato e compra de pneus), apontadas como irregulares. O candidato havia providenciado, por ocasião
do Parecer Técnico Pós-Conclusivo anterior, o recolhimento ao Tesouro Nacional deste valor, satisfazendo antecipadamente a
consequência prevista no art. 82 da Resolução TSE 23.553/2017, de devolução do recurso recebido para a irregularidade

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consumada, consistente na aplicação irregular de recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha.’


Com base no parecer da Secretaria de Controle Interno e Auditoria, o Tribunal de origem concluiu que as irregularidades,
embora inexpressivas no contexto da prestação de contas, comprometeram a confiabilidade das contas o que ensejou a sua
desaprovação. Confira-se (ID 5949588, p. 17-19):
‘Cumpre registrar, por relevante, que a Unidade Técnica deste Tribunal tem agido com cautela ao aquilatar a gravidade de
falhas que tais, recomendando, em alguns casos, a aprovação com ressalvas, com a determinação de recolhimento ao Tesouro
Nacional dos valores não comprovados, quando a irregularidade se revelar inexpressiva frente ao total de recursos dessa
natureza movimentados na campanha.
[...]
Na espécie, ela atinge pouco mais de 1% da verba do Fundo Especial de Financiamento de Campanha colocada àdisposição do
candidato, percentual este que, àprimeira vista, pode afigurar-se irrisório ou pouco relevante.
Entretanto, a análise da gravidade das irregularidades detectadas nas prestações de campanha não pode balizar-se,
exclusivamente, pela sua representatividade financeira, seja ela nominal ou percentual, sob pena de ter-se por indiretamente
outorgada aos partidos políticos e candidatos a faculdade de dispor de maneira livre –e ao arrepio da lei, eventualmente –de
parte dos recursos que lhes são destinados pelo poder público.
[...]
Efetivamente, irregularidades de pequena monta sob o aspecto quantitativo, não raro, acabam por revelar a prática de atos
desidiosos e temerários na gestão dos recursos públicos.
Há, pois, também um aspecto qualitativo a ser sopesado.
O caso vertente, aliás, éum verdadeiro exemplo dessa dualidade.
No que se refere especificamente às despesas com impulsionamento de conteúdo contratadas com o Facebook, constatou-se
ter havido a omissão de documento fiscal quanto a uma pequena fração dos valores desembolsados a esse título (R$ 19,69), a
qual restou a descoberto, devendo, pois, ser recolhida ao Tesouro Nacional.
[...]
Tomem-se, agora, as despesas com a manutenção de veículos retratadas nas notas fiscais NF 13021-01 e no recibo n. 109,
relativas àrevisão de 80.000km do veículo de propriedade do candidato, e na NF n. 13024-1, relativas àaquisição de pneus
novos, onde foram gastos, ao todo, R$ 9.094,00 do Fundo Especial de Financiamento de Campanha.
Ora, aquele que cede um automóvel para uso na campanha, seja próprio ou de terceiros, está ciente de que ficam a seu cargo
os custos dessa natureza, provocados pelo desgaste normal do bem, os quais, inclusive, são levados em consideração para fins
de estimativa da doação.
Para além de decorrerem da simples ‘condição de proprietário’, na expressão utilizada pelo órgão técnico desta Corte, tais
despesas revelam, por si só, o seu despropósito, já que, por menos do que foi gasto, poderia ter havido a locação de um veículo
para uso na campanha, talvez não tão luxuoso quanto o cedido pelo candidato, éverdade, mas que certamente atenderia suas
necessidades.
Idêntico raciocínio aplica-se às despesas consignadas nas notas fiscais NF n. 1454-1, 34-U e 12-U, as quais totalizam R$
23.383,46.
Afirma o candidato, como visto acima, que todos os gastos ‘dizem respeito a despesas de instalação, organização e
funcionamento do comitê de campanha, situado na Rua Patrício Farias, n. 55, Lj. 4, autorizadas pelo inciso VI do art. 37 da Res.
TSE n. 23.551/2017’, mencionando a existência de cláusula específica no contrato de locação prevendo que ‘os ajustes
necessários para a instalação do comitê eleitoral ficariam a cargo do Candidato’.
Em seguida àemissão do segundo Parecer Pós-Conclusivo, o requerente providenciou ainda a apresentação de declaração
firmada pelas empresas Eletro Info (NF n. 34-U) e CMAX Refrigeração (NF n. 12-U), dando conta de que os serviços foram
efetivamente realizados no comitê de campanha (Rua Patrício Farias, n. 55, Lj 4, Itacorubi), e não no endereço constante das
respectivas notas fiscais (Rua Álvaro de Carvalho, Centro).
Pois bem, muito embora o aludido art. 37, inciso VI, da Resolução TSE n. 23.553/2017 preveja, dentre as despesas permitidas,
aquelas relacionadas à‘instalação, organização e funcionamento de comitês de
campanha e serviços necessários às eleições’, penso que agiu com acerto a Unidade Técnica ao glosar as despesas, porquanto
não restou evidenciada a necessária ‘pertinência e vinculação do gasto com a campanha eleitoral no período de utilização dos
bens’.
Afinal, em um imóvel cujo custo de locação restou fixado em R$ 9.166,66 para todo o período da campanha (45 dias), foram
desembolsados, a título de benfeitorias, outros R$ 23.383,46 provenientes do FEFC, ou seja, quase três vezes aquele valor.
Consoante se depara da NF n. 1454, somente com a instalação de ‘Paredes divisórias com portas de passagens’ foram gastos,
da verba pública que édestinada para uso exclusivo na campanha, R$ 14.700,00. Houve o desembolso de mais R$ 5.633,46 com
‘serviços de instalações elétricas em geral, colocação de tomadas, luminárias, spots, canaletas e toda fiação necessária’ (NF n.

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34-U), e R$ 3.050,00 com a manutenção de condicionadores de ar (NF n. 12).


Ora, diversamente do que se verificou em relação àpequena fração dos gastos com impulsionamento de conteúdo que restou a
descoberto, os documentos fiscais comprobatórios exigidos pela lei, aqui, foram apresentados, mas éa própria contratação da
despesa que, na compreensão deste Relator e com a devida vênia dos que pensam em sentido contrário, gera desconforto, por
evidenciar o uso inadequado dos recursos públicos que foram colocados àdisposição dos candidatos com a finalidade única e
exclusiva, cumpre rememorar, de viabilizar a realização dos atos de campanha.
Em tal contexto, penso que o aspecto qualitativo da conduta (gravidade) se sobrepõe ao seu aspecto quantitativo (valor
nominal ou percentual dos recursos públicos cuja destinação não restou devidamente comprovada), ensejando a desaprovação
das contas.
[...]
Nesse contexto, diante da ausência de prova da aplicação regular dessa fração dos recursos do FEFC, tenho por comprometida a
confiabilidade das contas, impondo-se a sua desaprovação, com a
determinação de devolução dos respectivos valores ao Tesouro Nacional na forma da lei, os quais somam R$ 23.400,15 (R$
19,69 + 23.383,46), já descontados os R$ 9.094,00 cujo recolhimento antecipado restou provado nos autos.’
Os recorrentes defendem que a Corte regional violou o disposto no art. 37, VI, da Res.-TSE nº 23.553/17 ao reputar irregulares
as despesas, documentalmente comprovadas, com a instalação e manutenção de comitê de campanha (R$ 23.383,46) em razão
da desproporcionalidade entre os valores correspondentes às referidas despesas e o valor do aluguel do imóvel em que
instalado o aludido comitê.
Com razão os recorrentes.
Exsurge do acórdão recorrido que o pagamento de serviços fornecidos pelo Facebook, correspondente a R$ 16,69, não restou
comprovado, contudo, os gastos com a instalação e manutenção de comitê de campanha, correspondentes a R$ 23.383,46,
foram efetivamente demonstrados pelos recorrentes, uma vez que restou expressamente consignado no acórdão que,
‘diversamente do que se verificou em relação àpequena fração dos gastos com impulsionamento de conteúdo que restou a
descoberto, os documentos fiscais comprobatórios exigidos pela lei, aqui, foram apresentados’ (ID 5949588, p. 19).
A conclusão sobre a irregularidade da referida despesa fundou-se em ilações acerca da desproporcionalidade entre gastos com
a locação de imóvel em que instalado o comitê de campanha e os gastos efetuados com sua instalação e manutenção, uma vez
que não houve referência a parâmetros objetivos para aferir tal incongruência.
Assim, comprovados os gastos previstos no art. 37, VI, da Res.-TSE nº 23.553/2017, no montante de R$ 23.383,46, reputa-se
regular a despesa com instalação e manutenção do comitê de campanha dos recorrentes.
Remanesce, contudo, as inconsistências referentes a gastos não comprovados com a contratação de serviços do Facebook, R$
16,69, e manutenção de veículo de propriedade do candidato, no montante de R$ 9.094,00.
Aferida a presença de irregularidades nos autos, resta perscrutar a questão da sua mensuração sob o prisma do seu diminuto
valor ou, ainda, sob o enfoque dos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade.
A jurisprudência desta Corte Superior admite a superação de irregularidades nas contas ao fundamento de que o seu valor,
aquilatado de forma absoluta, éde pequena monta, ainda que eventualmente represente elevado percentual do total de
arrecadação ou de gastos de uma campanha eleitoral. Nesse sentido:
ELEIÇÕES 2016. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. PARCIAL PROVIMENTO. PRESTAÇÃO DE CONTAS DE CAMPANHA.
VEREADOR. ÚNICA IRREGULARIDADE. VALOR IRRISÓRIO EM TERMOS ABSOLUTOS. MÁ-FÉ NÃO DEMONSTRADA. APLICAÇÃO
DOS PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E DA RAZOABILIDADE. PRECEDENTES. APROVAÇÃO DAS CONTAS COM RESSALVAS.
DESPROVIMENTO.
1. Écediço que ‘a omissão de despesas em sede de ajuste de contas constitui vício que impede efetivo controle pela Justiça
Eleitoral, ensejando sua desaprovação. Precedentes’ (REspe nº 184-15/PE, Rel. Min. Jorge Mussi, DJe de 26.3.2018).
2. No caso vertente, entretanto, a irregularidade apontada não revelou a magnitude necessária para atrair a desaprovação das
contas, considerando que seu valor mostra-se ínfimo em termos absolutos R$ 74,00 (setenta e quatro reais).
3. Conquanto represente 17,45% do total arrecadado em campanha, o entendimento jurisprudencial desta Corte Superior éno
sentido de que, ‘nas hipóteses em que não há má-fé, a insignificância do valor da irregularidade pode ensejar a aprovação da
prestação de contas, devendo ser observado tanto o valor absoluto da irregularidade, como o percentual que ela representa
diante do total dos valores movimentados pelo candidato’ (AgR-Al nº 1856-20/RS, Rel. Min. Maria Thereza Rocha de Assis
Moura, red. para o acórdão Min. Henrique Neves, DJe de 9.2.2017 grifei).
4. Nesse contexto, a jurisprudência deste Tribunal Superior assentou ser possível a aprovação das contas com ressalvas quando
as irregularidades alcançarem montante ínfimo em termos absolutos e desde que não esteja evidenciada má-fé do prestador de
contas. Referido entendimento foi ratificado nas eleições de 2016, conforme se verifica nos seguintes precedentes: AgR-REspe
nº 444-73/SE, Rel. Min. Luís Roberto Barroso, DJe de 29.9.2018, e AgR-REspe nº 206-79/RN, de minha relatoria, DJe de
6.9.2018.5. Agravo regimental desprovido.’
(REspe nº 40822, Rel. Min. Tarcisio Vieira de Carvalho Neto, DJe de 14.2.2019)

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Nada obstante, considerando o conjunto de decisões deste Tribunal, impende balizar definição de valor diminuto que
parametrize a aplicação desse conceito indeterminado, ocasionando a equiparação, sobre o mesmo signo, de valores
expressivamente diferentes em termos absolutos.
Penso que a questão exige desvelar arquétipo normativo que apreende esse desafio.
A inexistência de um parâmetro seguro definindo um valor máximo a ser entendido como diminuto perpetua o tratamento
idêntico a condições fáticas que não guardam, necessariamente, relação de igualdade entre si, subvertendo a própria lógica que
fundamenta o princípio da isonomia.
Outra faceta da questão que reforça essa percepção éque o mesmo valor absoluto reconhecido como diminuto em duas
prestações de contas distintas pode representar valor percentual díspar do total de arrecadação ou de gastos de cada um dos
candidatos, revelando nova ocorrência de tratamento igualitário entre candidatos em situações distintas.
Diante dessa situação, entendo que a adoção de critério para o reconhecimento do que éum valor diminuto favorecerá, por
dois ângulos, o sistema de prestação de contas.
O primeiro consiste, justamente, em impedir a dispensa de tratamento igualitário a casos faticamente distintos em flagrante
ofensa ao princípio constitucional da isonomia.
O segundo, a seu turno, traduz-se em mensurar o rigor com o qual a Justiça Eleitoral julga os processos de prestação de contas,
impedindo que a aplicação da lei revele-se excessivamente rigorosa com aqueles candidatos titulares de menos recursos e,
portanto, menos aptos a influenciarem o processo eleitoral, impondo a análise mais rigorosa aos candidatos com melhor
capacidade de arrecadar recursos e, por consequência, interferir no processo eleitoral.
Em outras palavras, aplica-se aqui o raciocínio de Rui Barbosa, de que há realização de justiça, eleitoral, no caso, no tratamento
dos desiguais na medida de sua desigualdade.
Ressalte-se que o próprio legislador já instituiu o que pode ser chamado de “tarifação do princípio da insignificância” no
microssistema de prestação de contas, como se lê no art. 27 da Lei nº 9.504/97:
‘Art. 27. Qualquer eleitor poderá realizar gastos, em apoio a candidato de sua preferência, até a quantia equivalente a um mil
UFIR, não sujeitos a contabilização, desde que não reembolsados.’ (Destaquei)
Uma vez que o legislador dispensa maior rigor na fiscalização sobre os gastos realizados em favor de candidaturas, desde que
não excedam o total de R$ 1.064,10 (mil, sessenta e quatro reais e dez centavos –1.000 UFIRs), épossível concluir que esse valor
éentendido como diminuto pela legislação eleitoral e, portanto, insuficiente para exigir o pleno rigor da análise da Justiça
Eleitoral sobre as prestações de contas.
Diante desse quadro, entendo que as irregularidades encontradas em prestações de contas de campanhas de candidatos cujos
valores absolutos não excedam a 1.000 UFIRs (R$ 1.064,10) devem ser consideradas irregularidades de valor diminuto e,
portanto, inaptas de per se a causarem a desaprovação das prestações de contas.
Imperiosa a realização de ressalva.
Em relação às fontes vedadas de captação de recursos, realiza-se juízo de reprovabilidade da conduta independentemente do
valor captado, de modo que a irregularidade revela-se imune ao conceito de valor diminuto.
Porque a reprovação da conduta recai sobre a sua própria natureza e indica o ingresso de verbas espúrias no processo eleitoral,
éque se revela inadmissível a aplicação do conceito de valor diminuto a essa espécie de irregularidade.
Estabelecido o critério para a aplicação do conceito de valor diminuto, analisa-se as hipóteses de incidência dos princípios da
proporcionalidade e da razoabilidade.
Sem maior aprofundamento teórico e restringindo-se a análise às prestações de contas, os mencionados princípios permitem a
superação de determinadas irregularidades, que não sejam meramente formais, diante da sua inaptidão em prejudicar, de
modo irremediável, a função de fiscalização exercida pela Justiça Eleitoral nessa espécie de processos.
Logo, cumpre verificar qual seria o alcance dessas irregularidades materiais que poderia ser superado.
A jurisprudência desta Corte Superior entende possível a aplicação dos princípios nominados para a superação de
irregularidades nas prestações de contas que não excedam o limite de até 10% (dez por cento) do total da arrecadação ou das
despesas, conforme a natureza da irregularidade.
Nesse sentido, confira-se o seguinte julgado:
‘ELEIÇÕES 2012. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. PRESTAÇÃO DE CONTAS. PREFEITO E VICE-PREFEITO.
DESAPROVAÇÃO. COMPROMETIMENTO DA CONFIABILIDADE DAS CONTAS. PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E DA
RAZOABILIDADE. INAPLICABILIDADE. IRREGULARIDADES GRAVES.
[...]
5. A jurisprudência do TSE tem admitido a aplicação dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade para aprovar as
contas com ressalvas quando a irregularidade representa percentual ínfimo e a falha não inviabilizou o controle das contas pela
Justiça Eleitoral.

Diário da Justiça Eletrônico do Tribunal Superior Eleitoral. Documento assinado digitalmente conforme MP n. 2.200-2/2001, de 24.8.2001, que institui a Infra
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6. Inaplicabilidade dos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade ante a existência de irregularidades graves, que
representam mais de 10% do montante global arrecadado.
7. Dissídio jurisprudencial. Ausência do indispensável cotejo analítico a demonstrar a similitude fática entre o acórdão
impugnado e o paradigma.
8. Decisão agravada mantida por seus fundamentos. Agravo regimental desprovido.’
(Recurso Especial Eleitoral nº 25641, Acórdão, Relator(a) Min. Gilmar Mendes, Publicação: DJe, Tomo 211, Data 9.11.2015,
páginas 82-83)
Entendo que o limite percentual de 10% (dez por cento) adotado por este Tribunal Superior revela-se adequado e suficiente
para limitar as hipóteses de incidência dos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade.
Éde se harmonizar, contudo, a possibilidade de sobreposição dos critérios do valor diminuto e da aplicação dos princípios já
citados. Em casos tais, deve prevalecer, até o limite aqui indicado, o critério de valor absoluto, aplicando-se o critério
principiológico de forma subsidiária.
Assim, se o valor da irregularidade está dentro do máximo valor entendido como diminuto, édesnecessário aferir se éinferior a
10% (dez por cento) do total da arrecadação ou despesa, devendo-se aplicar o critério do valor diminuto.
Apenas se superado o valor máximo absoluto considerado irrisório, aplicar-se-á o critério da proporcionalidade e da
razoabilidade, devendo ser considerado o valor total da irregularidade analisada, ou seja, não deve ser desconsiderada a
quantia de 1.000 UFIRs alcançada pelo critério do valor diminuto.
Por fim, e em razão da ausência de critério seguro e uniforme a orientar os julgamentos das prestações de contas, mesmo as
relativas a pleitos anteriores a 2018, entendo que a aplicação das balizas ora apresentadas não importa ofensa àsegurança
jurídica.
Fixadas as premissas teóricas, aplico-as ao caso concreto.
Na espécie, conforme consta do acórdão regional, o volume de recursos arrecadados na campanha corresponde a R$
2.395.758,40, e as irregularidades detectadas na prestação de contas dos recorrentes representam o valor de R$ 9.110,69.
Tal valor corresponde a 0,38% dos recursos financeiros arrecadados, percentual que não ostenta gravidade capaz de macular a
análise da regularidade das contas, autorizando, portanto, na linha da jurisprudência sedimentada por este Tribunal Superior, a
incidência dos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade para viabilizar a aprovação das contas dos recorrentes com
ressalva.
Pelo exposto, dou provimento ao agravo e ao recurso especial eleitoral para reformar o acórdão regional e julgar aprovadas,
com ressalva, as contas de Esperidião Amin Helou Filho, Geraldo Cesar Althoff e Denise Antunes dos Santos, mantida a
determinação de devolução ao erário do valor de R$ 9.110,69, correspondente às irregularidades remanescentes, com a
ressalva de que o montante de R$ 9.094,00 já foi recolhido ao Tesouro Nacional –conforme consta do acórdão recorrido.”
Argumenta o agravante que não seria possível entender de forma diferente da Corte regional –para considerar a inexistência de
desvio de finalidade nos gastos com a reforma do comitê ao qual pertenciam os candidatos –sem o reexame dos fatos e provas
dos autos, vedado em sede de recurso especial.
Entretanto, conforme consta da decisão recorrida, tal análise “prescinde do reexame do conteúdo fático-probatório dos autos,
dada a moldura fática delineada no acórdão regional que autoriza a requalificação jurídica dos fatos, considerando a
jurisprudência desta Corte Superior (ID 12667038). Nesse sentido:
“AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL ELEITORAL. ELEIÇÕES 2016. AÇÃO DE INVESTIGAÇÃO JUDICIAL ELEITORAL. ABUSO
DO PODER ECONÔMICO E POLÍTICO E CAPTAÇÃO ILÍCITA DE SUFRÁGIO.
1. O Tribunal Regional Eleitoral, por maioria, deu provimento parcial a recurso eleitoral para reformar a sentença e julgar
parcialmente procedente a AIJE, reconhecendo a prática de captação ilícita de sufrágio, nos termos do art. 41-A da Lei 9.504/97
e, consequentemente, impondo aos ora recorrentes a cassação dos diplomas e a aplicação de multa.
2. Por meio de decisão monocrática, foi dado parcial provimento a recurso especial interposto pelos candidatos eleitos a
Prefeito e Vice-Prefeita, nas Eleições de 2016, reformando-se o acórdão e afastando-se a condenação decorrente da compra de
voto de dois eleitores.
3. Interposto agravo regimental pela coligação adversária no qual se alega que a decisão agravada teria reexaminado fatos e
provas, contrariando a orientação cristalizada no verbete sumular 24 do TSE, além de que estaria comprovada a prática de
captação ilícita de votos, conforme os documentos e depoimentos constantes dos autos.
4. Possibilidade de reenquadramento jurídico do quadro fático retratado no acórdão regional, a partir dos votos nele lançados,
sem que isso importe em reexame da prova produzida no processo. Precedentes.
5. A moldura fática do acórdão regional éigualmente composta pelos votos vencidos, conforme prescreve o §3º do art. 941 do
Código de Processo Civil.
6. As provas acerca da prática dos ilícitos são frágeis e a conclusão de que teria havido anuência dos candidatos baseou-se em
mera presunção.

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7. A condenação por captação ilícita de sufrágio (Lei 9.504/97, art. 41-A) exige a demonstração da participação ou anuência do
candidato, que não pode ser presumida. Precedentes.
Agravo regimental a que se nega provimento.”
(AgR-REspe nº 44944/BA, Rel. Min. Sergio Silveira Banhos, DJe de 12.8.2019 –grifo nosso)
“AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. PRESTAÇÃO DE CONTAS. DOAÇÃO. CONCESSIONÁRIA DE USO DE BEM
PÚBLICO. LICITUDE. PRECEDENTE. REVALORAÇÃO JURÍDICA DAS PREMISSAS FÁTICAS. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL
DEVIDAMENTE COTEJADA. VALOR IRRISÓRIO. MÁ-FÉ NÃO DEMONSTRADA. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA
PROPORCIONALIDADE. APROVAÇÃO DAS CONTAS. RESSALVAS.
1. Élícita a doação efetuada por empresa que detém o direito de exploração, desenvolvimento e produção de petróleo e gás
natural, cuja outorga ocorre mediante concessão de bem público. Precedente.
2. O provimento do recurso especial não envolve reexame de fatos e provas, mas a correta revaloração jurídica das premissas
fáticas postas nos autos.
3. Divergência jurisprudencial devidamente cotejada entre o acórdão recorrido e os arestos dos Tribunais Regionais Eleitorais de
Santa Catarina e de Mato Grosso, quanto àaplicação do princípio da razoabilidade ante a presença de irregularidades que não
comprometem a regularidade das contas.
4. Valor irrisório das falhas apontadas (2,68% do total de recursos arrecadados). Má-fé não demonstrada. Incidência dos
princípios da proporcionalidade e da razoabilidade na espécie. Precedentes.
5. Aprovação das contas com ressalvas.
6. Agravo regimental desprovido.”
(AgR-AI nº 717690/RS, Rel. Min. Dias Toffoli, DJe de 15.8.2013 –grifo nosso)
Na hipótese, os dados necessários ao deslinde da controvérsia foram depreendidos do próprio acórdão regional, constatando-
se que “os gastos com a instalação e manutenção de comitê de campanha, correspondentes a R$ 23.383,46, foram
efetivamente demonstrados pelos recorrentes, uma vez que restou expressamente consignado no acórdão que, ‘diversamente
do que se verificou em relação àpequena fração dos gastos com impulsionamento de conteúdo que restou a descoberto, os
documentos fiscais comprobatórios exigidos pela lei, aqui, foram apresentados’ (ID 5949588, p. 19)” (grifo nosso).
Com base nessas informações, concluiu-se que “a irregularidade da referida despesa fundou-se em ilações acerca da
desproporcionalidade entre gastos com a locação de imóvel em que instalado o comitê de campanha e os gastos efetuados
com sua instalação e manutenção, uma vez que não houve referência a parâmetros objetivos para aferir tal incongruência”
(grifo nosso), remanescendo apenas “as inconsistências referentes a gastos não comprovados com a contratação de serviços do
Facebook, R$ 16,69, e manutenção de veículo de propriedade do candidato, no montante de R$ 9.094,00 (ID 12667038).
Lado outro, em relação àaplicação dos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, conforme abordado de forma
minudente na decisão agravada, este Tribunal Superior tem admitido a sua aplicação para superação de irregularidades que
representem valor absoluto diminuto, ainda que o percentual no total da arrecadação seja elevado. Confira-se:
“ELEIÇÕES 2016. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL ELEITORAL. PRESTAÇÃO DE CONTAS DE CAMPANHA. USO DE
RECURSOS FINANCEIROS PRÓPRIOS EM MONTANTE SUPERIOR AO DECLARADO. DECISÃO REGIONAL. RESPEITO AO LIMITE DE
GASTOS ESTABELECIDO PARA O CARGO. VEREADOR. MÁ-FÉ. AUSÊNCIA. APROVAÇÃO COM RESSALVAS. PRINCÍPIOS DA
PROPORCIONALIDADE E DA RAZOABILIDADE.
1. ‘A jurisprudência deste Tribunal tem admitido a aplicação dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade para
aprovar prestações de contas, com ressalvas, em hipóteses nas quais o valor das irregularidades émódico e ausentes indícios de
má-fé do prestador e de prejuízos àanálise da regularidade das contas pela Justiça Eleitoral. Precedentes’ (AgR-REspe 636-15,
rel. Min. Tarcisio Vieira de Carvalho Neto, DJE de 5.4.2019).
2. O Tribunal Regional considerou que a doação no valor de R$ 800,00 realizada pelo candidato em favor da sua campanha
eleitoral poderia ser proveniente da sua atividade como agricultor, conclusão cuja alteração demandaria o reexame de fatos e
provas, vedado pelo verbete sumular 24 do TSE. Além disso, considerou o valor diminuto da quantia para aplicar os princípios
da razoabilidade e da proporcionalidade, bem como aprovar, com ressalvas, as contas de campanha.
3. No caso, não houve comprometimento do exame da movimentação financeira das contas de campanha pela Justiça Eleitoral,
porquanto o valor impugnado foi devidamente registrado na prestação de contas e mostra-se compatível com a atividade
informal de agricultor, declarada pelo candidato.
Agravo regimental a que se nega provimento.”
(AgR-REspe nº 71239/CE, Rel. Min. Admar Gonzaga, julgado em 25.4.2019 - grifo nosso)
Nessa ordem de ideias, sabendo-se que, de acordo com o acórdão regional, as falhas detectadas nas contas dos agravados
atingem o montante de R$ 9.110,69 (nove mil, cento e dez reais e sessenta e nove centavos), e que tal valor corresponde a
0,38% dos recursos financeiros arrecadados –percentual que não ostenta gravidade capaz de macular a análise da regularidade
das contas –, autoriza-se a incidência dos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade.

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Destarte, verifica-se que os argumentos expostos pelo agravante não são suficientes para afastar a conclusão da decisão
agravada, motivo pelo qual esta deve subsistir.
Ante o exposto, nego provimento ao agravo interno.
Écomo voto.

PEDIDO DE VISTA

O SENHOR MINISTRO TARCISIO VIEIRA DE CARVALHO NETO: Não sei se posso facilitar, Ministro Fachin, a abordagem. Nesse
caso específico, eu tinha feito uma anotação sobre a existência de um precedente do último dia 13 de agosto da lavra do
Ministro Og.
Aqui está em debate justamente o balizamento desse valor de R$ 1.064,00 (um mil e sessenta e quatro reais) como tarifação do
princípio da insignificância. Se não houvesse objeção, evidentemente, logo após o voto do Vossa Excelência, eu pediria vista,
porque tenho no gabinete estudos em gestação.
O SENHOR MINISTRO EDSON FACHIN (relator): Não há objeção alguma. Aqui, a rigor, esse équase um obiter dictum dentro da
prestação do agravo, porque eu estou propondo a negativa de provimento, ou seja, eu estou mantendo a aprovação das contas
com as ressalvas que aqui foram colocadas, tendo em vista o diminuto percentual das falhas, 0,38% em relação ao valor
absoluto arrecadado em campanha, o que, no meu modo de ver, não tem gravidade suficiente para macular a regularidade das
contas.
Por essa razão éque, como o agravo édo Ministério Público Eleitoral, eu entendi que, nada obstante as sempre judiciosas
razões, seria a hipótese de negar provimento ao agravo e éo voto que faço para a análise de Vossa Excelência e do Colegiado.
A SENHORA MINISTRA ROSA WEBER (presidente): Eu aqui recordo que fiquei vencida com Vossa Excelência quando se
estabeleceu a orientação pelo Tribunal. Mas, agora, vejo que Vossa Excelência entende que aqui as irregularidades não têm
maior relevância, independentemente do valor.
Então, pede vista o Ministro Tarcisio?
O SENHOR MINISTRO TARCISIO VIEIRA DE CARVALHO NETO: Sim.

EXTRATO DA ATA

AgR-REspe nº 0601473-67.2018.6.24.0000/SC. Relator: Ministro Edson Fachin. Agravante: Ministério Público Eleitoral.
Agravados: Esperidião Amin Helou Filho e outros (Advogados: Alessandro Balbi Abreu –OAB:15740/SC e outros).
Decisão: O Tribunal, após o voto do relator, negando provimento ao agravo regimental, antecipou pedido de vista o Ministro
Tarcisio Vieira de Carvalho Neto.
Composição: Ministra Rosa Weber (presidente), Ministros Luís Roberto Barroso, Edson Fachin, Jorge Mussi, Og Fernandes,
Tarcisio Vieira de Carvalho Neto e Sérgio Banhos.
Vice-Procurador-Geral Eleitoral: Humberto Jacques de Medeiros.
SESSÃO DE 3.9.2019.

VOTO-VISTA

O SENHOR MINISTRO TARCISIO VIEIRA DE CARVALHO NETO: Senhora Presidente, trata-se, na origem, de prestação de contas
de candidato ao cargo de senador que foi desaprovada pelo Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE/SC) em virtude
de inconsistências nas despesas pagas com recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) no valor de R$
23.400,15 (vinte e três mil, quatrocentos reais e quinze centavos), referente a gastos não comprovados com a contratação de
serviços do Facebook (R$ 16,69 –dezesseis reais e sessenta e nove centavos) e despesas registradas como referentes àpré-
instalação física de comitê de campanha (R$ 23.383,46 –vinte e três mil, trezentos e oitenta e três reais e quarenta e seis
centavos). Além disso, a Corte Regional considerou irregular o dispêndio de recursos do FEFC, no montante de R$ 9.094,00
(nove mil e noventa e quatro reais), com manutenção de veículo de propriedade do candidato.
Interposto recurso especial, foi inadmitido pelo presidente do TRE/SC, com a subsequente interposição de agravo de
instrumento. Distribuído o feito ao Ministro Edson Fachin, Sua Excelência monocraticamente deu provimento ao agravo e ao
recurso especial eleitoral para reformar o acórdão regional e julgar aprovadas, com ressalvas, as contas de Esperidião Amin
Helou Filho, Geraldo Cesar Althoff e Denise Antunes dos Santos, mantida a determinação de devolução ao Erário do valor de R$
9.110,69 (nove mil, cento e dez reais e sessenta e nove centavos), correspondente às irregularidades remanescentes, com a

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ressalva de que o montante de R$ 9.094,00 (nove mil e noventa e quatro reais) já foi recolhido ao Tesouro Nacional –conforme
consta do acórdão recorrido.
Na sequência, o Ministério Público Eleitoral agravou a decisão, com o requerimento de reconsideração do pronunciamento. Em
sessão realizada no dia 3.9.2019, o ministro relator negou provimento ao agravo interno, ocasião em que adiantei o pedido de
vista regimental.
Éo relatório.
Passo ao voto.
Senhora Presidente, formulei pedido de vista dos presentes autos em razão da tarifação do princípio da insignificância levada a
efeito pelo relator no julgamento de prestações de contas de candidatos para fins de aprovação dos numerários com ressalvas,
o que possivelmente encontraria barreira em outros precedentes desta Corte, sob o ponto de vista teórico dos marcos fixados.
Rememoro que o relator adotou, como baliza abstrata, “o valor máximo de R$ 1.064,10 (mil e sessenta e quatro reais e dez
centavos) como espécie de ‘tarifação do princípio da insignificância’ como valor máximo absoluto entendido como diminuto e,
ainda que superado o valor de 1.000 UFIRs,” a possibilidade de “aplicação dos princípios da proporcionalidade e razoabilidade
para aquilatar se o valor total das irregularidades não superam 10% do total da arrecadação ou da despesa, permitindo-se,
então, a aprovação das contas com ressalvas”.
No caso específico dos autos, como o percentual das falhas detectadas foi de 0,38% em relação ao valor absoluto arrecadado
em campanha, compreendeu o Ministro Edson Fachin que a gravidade não seria capaz de macular a regularidade das contas e,
nesse particular, acompanho-o com tranquilidade.
De fato, no caso específico, a conclusão do TRE/SC sobre a irregularidade das despesas com instalação e manutenção do comitê
de campanha, no montante de R$ 23.383,46 (vinte e três mil, trezentos e oitenta e três reais e quarenta e seis centavos),
fundou-se apenas em ilações acerca da desproporcionalidade dos valores quando comparados aos gastos com a locação do
imóvel, fixados em R$ 9.166,66 (nove mil, cento e sessenta e seis reais e sessenta e seis centavos) para todo o período da
campanha (45 dias). Nesse sentido, comprovados os gastos atinentes a essa cifra, nos moldes do art. 37, VI, da Res.-TSE nº
23.553/2017, há de se reputar o dispêndio como regular.
Passo seguinte, como o percentual das falhas remanescentes detectadas mostrou-se ínfimo, ao se exercer um juízo de
proporcionalidade, chega-se àmesma conclusão pela aprovação das contas com ressalvas, solução específica para o caso
concreto com a qual concordo.
Não obstante, peço vênia para não fixar, de maneira abstrata, a tarifação do princípio da insignificância nos moldes em que
realizada pelo relator, em que pese compreender o móvel pelo qual trilhou, com esmero, um conceito objetivo para aferição do
campo possível de aplicação do critério de valor máximo absoluto considerado irrisório e subsidiariamente o critério
principiológico pela análise do percentual do valor total da irregularidade.
Como bem salientado pelo relator, a “inexistência de um parâmetro seguro definindo um valor máximo a ser entendido como
diminuto perpetua o tratamento idêntico a condições fáticas que não guardam, necessariamente, relação de igualdade entre
si, subvertendo a própria lógica que fundamenta o princípio da isonomia”.
Contudo, também pela mesma fonte descrita no voto condutor, atinente àmáxima de Rui Barbosa sobre a realização de justiça,
a necessidade de tratamentos desiguais, na medida da desigualdade de cada um, éfator que me leva a afastar essa
parametrização construída de forma abstrata.
Em estudo jurisprudencial pertinente ao tema, destaco que esta Corte já teve a oportunidade de desaprovar contas nas quais as
falhas quantificáveis atingiram a marca de 7% do valor total arrecadado, tendo em vista que as irregularidades detinham caráter
omissivo, as quais frustraram a fiscalização da regularidade da movimentação financeira do partido, ou seja, o critério
qualitativo do vício preponderou sobre o aspecto quantitativo. Confira-se:
AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. PRESTAÇÃO DE CONTAS. DIRETÓRIO ESTADUAL. EXERCÍCIO FINANCEIRO DE 2011.
DESAPROVAÇÃO. SUSPENSÃO DE QUOTAS POR TRÊS MESES.
Agravo regimental da agremiação partidária
1. O Tribunal de origem desaprovou as contas do partido, relativas ao exercício financeiro de 2011, em razão das seguintes
irregularidades: a) falta de registro contábil da totalidade de recursos recebidos; b) ausência de juntada de extratos bancários
referente a conta corrente; c) ausência de registro contábil da totalidade de recursos recebidos; d) falta de esclarecimentos a
respeito do aparecimento de valor expressivo na conta de Depósitos Judiciais; e) recebimento de recursos a título de
distribuição de quotas do Fundo Partidário, enquanto vigia proibição desse repasse; f) não apresentação da documentação
comprobatória de contribuições de filiados; g) ausência de comprovação de recursos recebidos em conta corrente; e h)
apresentação de notas fiscais insuficientes para a comprovação de uma despesa.
2. Conquanto o percentual das falhas quantificáveis não seja expressivo (7%), foram constatadas irregularidades de caráter
omissivo, as quais frustraram a fiscalização da regularidade da movimentação financeira do partido e, ante a sua gravidade,
impedem a aprovação das contas com ressalvas ou a fixação da sanção em grau mínimo.
Agravo regimental do Ministério Público Eleitoral
1. A fixação do período de suspensão do recebimento de novas quotas do Fundo Partidário deve considerar não apenas a

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gravidade das falhas detectadas, de modo a inibir a reiteração da prática, mas também a necessidade de sobrevivência dos
partidos políticos, os quais são essenciais ao Estado Democrático de Direito.
2. A existência de irregularidades graves de natureza omissiva pode acarretar a desaprovação das contas - tal como sucedeu na
espécie -, mas não impede que o órgão julgador fixe a sanção prevista no art. 37, §3º, da Lei 9.096/95 de acordo com os
princípios da razoabilidade e da proporcionalidade.
3. Mantida a sanção de suspensão de 3 meses do recebimento de novas quotas do Fundo Partidário, além das demais
determinações da Corte de origem.Agravos regimentais aos quais se nega provimento.
(AgR-REspe nº 262-98/SP, Rel. Min. Admar Gonzaga, DJe de 22.9.2017 –grifei)
Em outra oportunidade, apesar de o percentual das falhas ter sido fixado em 9,57%, novamente o TSE desaprovou as contas ao
observar valor absoluto de R$ 190.481,00 (cento e noventa mil, quatrocentos e oitenta e um reais), o que revelou o caráter
expressivo da quantia (AgR-AI nº 61-76/RS, Rel. Min. Admar Gonzaga, DJe de 1.12.2017). Há, ainda, precedentes mais
expressivos pelo ponto de vista do percentual das falhas, por exemplo, o AgR-REspe nº 138-47/SP, de relatoria do Ministro
Jorge Mussi, em que a soma das irregularidades correspondeu a cerca de 1,6% do total de recursos, mas, ainda assim, manteve-
se a desaprovação das contas.
Além de sopesar o valor absoluto e analisar a existência de frustração na análise das contas, esta Corte adota diversos outros
critérios, a depender da situação concreta em julgamento. Menciono, a título de exemplo, para fins de impedir a aplicação dos
princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, os critérios de: a) comprometimento da confiabilidade das contas (AgR-AI nº
215-51/RS, Rel. Min. Og Fernandes, DJe de 30.10.2018); b) reiteração da conduta ilícita (AgR-REspe nº 59-70/RN, Rel. Min. Rosa
Weber, DJe de 23.8.2018); e c) gravidade da conduta (AgR-REspe nº 138-47/SP, Rel. Min. Jorge Mussi, DJe de 28.8.2019).
Como exposto, existem situações nas quais o valor apontado como irregular representa pequeno montante em termos
absolutos ou ínfimo percentual dos recursos, e mesmo assim não será possível aprovar as contas. Por outra ótica, há caso
julgado por esta Corte em que o valor máximo absoluto considerado foi superior a R$ 1.064,10 (um mil, sessenta e quatro reais
e dez centavos) –R$ 3.828,40 (três mil, oitocentos e vinte e oito reais e quarenta centavos) na espécie –e o percentual
igualmente acima de 10% –84% na hipótese –, mas, ainda assim, houve a aprovação das contas. Colaciono o julgado:
ELEIÇÕES 2016. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. PROVIMENTO. PRESTAÇÃO DE CONTAS. CANDIDATO. VEREADOR.
USO DE RECURSOS FINANCEIROS PRÓPRIOS EM CAMPANHA EM MONTANTE SUPERIOR AO PATRIMÔNIO DECLARADO.
HOLERITES APRESENTADOS. RESPEITO AO LIMITE DE GASTOS ESTABELECIDO PARA O CARGO. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS DE MÁ-
FÉ. APROVAÇÃO DAS CONTAS. DEPROVIMENTO.
1. A solução da controvérsia posta nos autos requer a distinção entre os bens próprios do candidato utilizados em campanha,
referidos no art. 19, §1º, da Res.-TSE nº 23.463/2015, e os recursos próprios advindos de seus rendimentos, os quais
correspondem a sua situação financeira e encontram referência no art. 21 da referida resolução.
2. In casu, não há falar em comprometimento do exame da movimentação financeira, porquanto, conforme consta do acórdão
regional, o candidato, ora agravado, empregou R$ 3.828,40 (três mil, oitocentos e vinte e oito reais e quarenta centavos) em
favor de sua própria campanha, mediante vários depósitos na conta específica. O candidato exerce a função de policial militar,
tendo apresentado nos autos os respectivos holerites para comprovar sua renda mensal. Tais documentos foram aptos a
justificar a utilização de recursos financeiros próprios no pleito, não havendo falar em recursos de fonte vedada ou de origem
não identificada
3. Referido entendimento foi confirmado por esta Corte Superior, em situações semelhantes àdos autos, relativas às eleições
de 2016 no AgR-REspe n° 358-85/CE, Rel. Min. Jorge Mussi, DJe de 29.3.2019 e AgR-REspe n° 397-90/SE, de minha relatoria, DJe
de 2.8.2018.
4. A jurisprudência do TSE tem admitido a aplicação dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade para viabilizar a
aprovação das contas, ainda que com ressalvas, em hipóteses nas quais o valor das irregularidades émódico e ausentes indícios
de má-fé do prestador e de prejuízo àcorreta análise da regularidade pela Justiça Eleitoral. Precedentes.
5. Agravo regimental desprovido.
(AgR-REspe nº 180-79/SP, Rel. Min. Tarcisio Vieira de Carvalho Neto, DJe de 30.4.2019)
Como se vê, o juízo de aprovação ou desaprovação das contas não épuramente matemático, o que, seguramente, torna mais
trabalhosa e artesanal a análise dos numerários. Não obstante, apenas assim éque será possível, em cada caso específico,
efetivar a justiça a partir da concepção da reserva legal proporcional inerente aos julgamentos das contas, com a observância
da compatibilidade das restrições estabelecidas com o princípio da proporcionalidade, o que necessariamente afasta a
automatização do exame (AgR-REspe nº 2159-67/GO, Rel. Min. Gilmar Mendes, DJe de 11.3.2016)
Diante, portanto, da impossibilidade apriorística de fixação de balizas objetivas abstratas para fins de aplicação dos princípios da
insignificância, da proporcionalidade e da razoabilidade nas prestações de contas, tendo em vista as diversas nuances
enfrentadas nos variados precedentes supracitados, entendo não ser o caso de estabelecer jurisprudencialmente os critérios
propostos pelo relator.
Ante o exposto, acompanho o relator para negar provimento ao agravo interno, com a ressalva de não tarifar de maneira
abstrata a aplicação dos princípios da insignificância, da proporcionalidade e da razoabilidade para fins de análise de prestação

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de contas.
Écomo voto.

VOTO

O SENHOR MINISTRO EDSON FACHIN (relator): Senhora Presidente, Vossa Excelência me permite? O eminente Ministro Tarcisio
Vieira de Carvalho Neto propõe uma compreensão mitigada desse parâmetro quantitativo, aduzindo, portanto, a possibilidade
de ser levado em conta, por exemplo, aspectos essenciais de uma campanha, como a transparência, ou seja, aduzindo a
possibilidade de consideração de critérios qualitativos.
Eu gostaria de, desde logo, adiantar, Presidente, que, com muito gosto e coerência, acrescentaria, ao voto que proferi, a
ressalva, tornando-a –se Vossa Excelência assim permitir, Ministro Tarcisio –em um elemento a mais, adicional da compreensão
que trouxe àcolação, acolhendo, portanto, a observação feita por Vossa Excelência.
O SENHOR MINISTRO TARCISIO VIEIRA DE CARVALHO NETO: Obrigado, Ministro. Seria uma honra.

EXTRATO DA ATA

AgR-REspe nº 0601473-67.2018.6.24.0000/SC. Relator: Ministro Edson Fachin. Agravante: Ministério Público Eleitoral.
Agravados: Esperidião Amin Helou Filho e outros (Advogados: Alessandro Balbi Abreu –OAB:15740/SC e outros).
Decisão: O Tribunal, por unanimidade, negou provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do relator.
Composição: Ministra Rosa Weber (presidente), Ministros Luís Roberto Barroso, Edson Fachin, Og Fernandes, Luis Felipe
Salomão, Tarcisio Vieira de Carvalho Neto e Sérgio Banhos.
Vice-Procurador-Geral Eleitoral: Humberto Jacques de Medeiros.
SESSÃO DE 5.11.2019.

Processo 0600885-54.2019.6.05.0000

index: RECURSO ESPECIAL ELEITORAL (11549)-0600885-54.2019.6.05.0000-[Propaganda Política - Propaganda Eleitoral -


Extemporânea/Antecipada, Representação]-BAHIA-SÃO SEBASTIÃO DO PASSE
TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL
RECURSO ESPECIAL Nº 0600885-54.2019.6.05.0000 –BAHIA (São Sebastião do Passé)

Relator: Ministro Tarcisio Vieira de Carvalho Neto


Recorrente: Maria Nilza da Mata Santana
Advogados: Gustavo Ferro Guimarães e outro
Recorrido: Ministério Público Eleitoral
DECISÃO

ELEIÇÕES 2020. RECURSO ESPECIAL. REPRESENTAÇÃO. PROPAGANDA ELEITORAL ANTECIPADA E IRREGULAR. MENSAGEM DE
FELICITAÇÃO. DATA COMEMORATIVA. FIXAÇÃO DE FAIXAS EM BENS PÚBLICOS. CONOTAÇÃO ELEITORAL. INEXISTÊNCIA.
PREMISSA FÁTICA DELIENADA NO ACÓRDÃO REGIONAL. REENQUADRAMENTO JURÍDICO. POSSIBILIDADE. ATO DE PRÉ-
CAMPANHA. AUSÊNCIA. PRECEDENTES. REFORMA DO JULGADO RECORRIDO. MULTA AFASTADA. PROVIMENTO.

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Trata-se de recurso especial interposto por Maria Nilza da Mata Santana em face da decisão de inadmissão de recurso especial
manejado contra acórdão do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE/BA) por meio do qual, desprovido o apelo eleitoral, foi
mantida a condenação da recorrente ao pagamento de multa no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) pela prática de
propaganda eleitoral irregular e extemporânea (art. 36, §3º, da Lei nº 9.504/97).

Eis a ementa do acórdão regional:

Representação. Propaganda extemporânea. Veiculação de faixas. Mensagem subliminar. Princípio da isonomia. Violação.
Desprovimento.
Insubsistentes os argumentos tirados pelo recorrente, tendo em vista que as provas coligidas aos autos mostram-se suficientes
a evidenciar a propaganda antecipada, consistente na veiculação, por meio de faixas, de mensagens subliminares aptas a
lançarem o nome da Recorrente junto ao eleitorado de São Sebastião do Passé, em clara ofensa ao princípio da isonomia entre
os concorrentes ao pleito. (ID nº 25680558)

Embargos de declaração rejeitados (ID nº 25681538).

No recurso especial (ID nº 25681788), fundamentado na existência de afronta a disposição legal –art. 36 da Lei nº 9.504/97– e
em dissídio jurisprudencial, a recorrente alega, em suma, que a conduta tida por ilícita –faixa de felicitação pela passagem de
data comemorativa sem conotação política –não configura propaganda eleitoral, uma vez que se trata de mero ato de
promoção pessoal e não faz referência a eleição vindoura, alusão a partido politico, futura candidatura ou pedido expresso de
votos.

Assevera que o posicionamento jurídico adotado pelo TRE/BA se mostra discrepante do entendimento de outros tribunais
regionais eleitorais em situação semelhante àdos autos. Nesse aspecto, aduz que o TRE/RJ já decidiu (RE nº 98-
11.2016.6.19.0123) que a fixação de faixas comemorativas não contraria o artigo supracitado da Lei das Eleições, porquanto a
referida conduta caracteriza apenas ato de promoção pessoal.

Ao final, postula o provimento do recurso para que seja julgado improcedente o pedido formulado pelo representante, com o
consequente afastamento da multa.

O presidente do TRE/BA admitiu o processamento do recurso especial (ID nº 25681838).

Em contrarrazões, o Parquet pugna pela manutenção do acórdão regional, sob o argumento de que a suposta conduta ilícita
ostenta nítido caráter eleitoreiro, uma vez que busca a recorrente, de modo ostensivo e prematuro –por meio de
equipamentos com alto impacto visual, instalados em local de grande circulação, trazendo o nome pela qual e conhecida
politicamente, nas cores utilizadas em campanhas anteriores-, alavancar sua potencial candidatura no pleito que se avizinha,
caracterizando extemporânea publicidade eleitoral”(ID nº 25681938, fl. 3).

Assinala que o entendimento deste Tribunal, exarado no julgamento do AgR-REspe nº 0600337-30, éno sentido de que o uso de
outdoors, independentemente da existência de pedido explícito de voto, caracteriza propaganda eleitoral irregular por se tratar
de meio inidôneo. Sustenta, assim, que o mesmo posicionamento deve ser adotado no caso presente, uma vez que, conforme
destacado, évedada a utilização de faixas em bens públicos.

Em parecer (ID nº 27640388), a Procuradoria-Geral Eleitoral opina pelo desprovimento do recurso especial.

Éo relatório.

Decido.

O recurso especial merece prosperar.

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A Corte Regional, ao firmar que a recorrente, pretensa candidata ao cargo de prefeito do Município de São Sebastião do
Passé/BA nas eleições vindouras de 2020, realizou propaganda eleitoral antecipada e irregular, manteve a sua condenação ao
pagamento de multa no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais).

Por elucidativos, confiram-se fragmentos do acórdão recorrido:

O cotejo dos autos leva-me a firmar convicção de que razão não assiste a recorrente na postulação ora em debate, uma vez que
as circunstâncias e provas revelam tratar-se, efetivamente, de situação caracterizadora de propaganda eleitoral realizada fora
do período por lei estabelecido.

Importante consignar, nesse contexto, que a hipótese em epígrafe não se trata de promoção pessoal ou profissional. Por trás
dessas palavras de caráter de mera saudação, a praxe eleitoreira demonstra que se esconde o desiderato de vincular,
prematuramente, o nome e a imagem da recorrente, candidata derrotada no pleito municipal transato e pretensa candidata no
prélio que se aproxima, o que implica, necessariamente, injusta vantagem frente aos demais concorrentes na corrida eleitoral.

Mais ainda. Não se pode desconsiderar que o meio escolhido pela recorrente para manter a lembrança através da felicitação
foram faixas afixadas em bens públicos, artifício publicitário possuidor de forte apelo visual e de comunicação instantânea. Não
fosse isso suficiente para inferir seu caráter propagandístico, sua aposição em ponto estratégico revela o escopo de abranger o
maior número possível de pessoas pertencentes ao público-alvo. Demais disso, tal fato demonstra seu pleno conhecimento
acerca de toda a propaganda.

Extrai-se dos fólios que o juízo a quo, após criteriosa análise dos elementos coligidos, decidiu pela aplicação de multa em face
da recorrente, ao fundamento de que, a conduta noticiada não se subsome às hipóteses atualmente admitidas pela legislação
de regência, e a divulgação reiterada do seu nome visa atuar no inconsciente do eleitor, com a finalidade de preparar o caminho
para a campanha eleitoral direta, a ocorrer no próximo ano, configurando, destarte, publicidade antecipada.

Em situações como a em foco, o Judiciário, quando suscitado, tem se pronunciado, pacificamente, pela vedação da propaganda
eleitoral intempestiva perpetrada por meios subliminares. Atente-se àdecisão abaixo:
[...]
Cumpre-me deixar aqui firmado, outrossim, que o exercício da propaganda eleitoral não se restringe, unicamente, ao pedido
expresso de voto. Incutir no inconsciente das pessoas ideias de forma sorrateira, na maior parte das vezes, alcança um efeito
mais profícuo. A tal prática costumou-se denominar mensagem subliminar.

Nesse diapasão, cada vez mais rotineiro, no processo político, a utilização dessa metodologia para se angariar eleitores. Na
situação em vitrina, as mensagens constantes nas faixas não abrem espaço a dúvidas acerca do preclaro objetivo eleitoral da
recorrente em lançar, prematuramente, o nome àcandidatura àprefeitura municipal de São Sebastião do Passé. Evidenciado
restou a propaganda antecipada e, portanto, irregular, por haver sido realizada antes da data prevista na legislação de regência:
15 de agosto do ano da eleição. (ID nº 25680488)

Em que pese o entendimento assentado pelo Tribunal a quo, depreende-se, do contexto delineado no acórdão recorrido, a
inexistência de elementos suficientes para comprovar a conotação eleitoral do ato impugnado.

Importante assinalar que “o reenquadramento jurídico, que não se confunde com o reexame do arcabouço fático-probatório,
épossível, em sede extraordinária, por tratar-se de quaestio iuris” (AgR-REspe nº 685-79/SP, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de
25.10.2016).

Na espécie, extrai-se das premissas emolduradas no julgado combatido que a recorrente divulgou seu nome em faixas fixadas
em bens públicos, sem pedido explícito de votos, contendo palavras de mera saudação/felicitação.

Vale consignar que a jurisprudência deste Tribunal Superior há muito se firmou no sentido de que a divulgação de mensagem de
felicitação, agradecimento ou homenagens por meio de outdoor, sem referência, ainda que subliminar, a pleito vindouro, não

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configura propaganda eleitoral extemporânea. Nesse sentido: AgR-Respe nº 3-96/DF, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 20.2.2018; AgR-
REspe nº 388-86/BA, Rel. Min. Laurita Vaz, DJe de 11.2.2014; e AgR-REspe nº 41-79/PI, Rel. Min. Arnaldo Versiani, PSESS de
16.10.2012.

Écerto que, para as eleições de 2018 e seguintes, o TSE passou a entender que a veiculação de atos de pré-campanha em meios
proibidos para o período de campanha eleitoral, independentemente da existência de pedido explícito de voto, configura ilícito
eleitoral.

No julgamento do REspe nº 0600227-31/PE, leading case acerca da matéria, prevaleceu, pela maioria de 4 a 3, a orientação
perfilhada no voto do Ministro Edson Fachin, relator do feito. Eis a ementa do acórdão:

ELEIÇÕES 2018. RECURSO ESPECIAL ELEITORAL. ATOS DE PRÉ-CAMPANHA. DIVULGAÇÃO DE MENSAGEM DE APOIO A
CANDIDATO. AUSÊNCIA DE PEDIDO EXPLÍCITO DE VOTO. UTILIZAÇÃO DE OUTDOORS. MEIO INIDÔNEO. INTERPRETAÇÃO
LÓGICA DO SISTEMA ELEITORAL. APLICABILIDADE DAS RESTRIÇÕES IMPOSTAS ÀPROPAGANDA ELEITORAL AOS ATOS DE PRÉ-
CAMPANHA. CIRCUNSTÂNCIAS FÁTICAS QUE APONTAM PARA A CIÊNCIA DO CANDIDATO SOBRE AS PROPAGANDAS. RECURSO
PROVIDO.
1. A realização de propaganda, quando desacompanhada de pedido explícito e direto de votos, não enseja irregularidade per se.
2. A interpretação do sistema de propaganda eleitoral aponta ser incompatível a realização de atos de pré-campanha que
extrapolem os limites de forma e meio impostos aos atos de campanha eleitoral, sob pena de se permitir desequilíbrio entre os
competidores em razão do início precoce da campanha ou em virtude de majorada exposição em razão do uso desmedido de
meios de comunicação vedados no período crítico.
3. A despeito da licitude da exaltação de qualidades próprias para o exercício de mandato ou a divulgação de plataformas de
campanha ou planos de governo, resta caracterizado o ilícito eleitoral quando o veículo de manifestação se dá pela utilização de
formas proscritas durante o período oficial de propaganda.
4. As circunstâncias fáticas, do caso ora examinado, de maciço uso de outdoors em diversos Municípios e de expressa menção
ao nome do candidato permitem concluir a sua ciência dos atos de pré-campanha, conforme exigência do art. 36, §3º, da Lei
das Eleições.
5. A realização de atos de pré-campanha por meio de outdoors importa em ofensa ao art. 39, §8º, da Lei nº 9.504/97 e desafia a
imposição da multa, independentemente da existência de pedido explícito de voto.
6. Recurso especial eleitoral provido.
(REspe nº 0600227-31/PE, Rel. Min. Edson Fachin, DJe de 1º.7.2019)

Naquela assentada, integrei a corrente vencida formada pelos Ministros Jorge Mussi e Luís Roberto Barroso no sentido de
manter, também para as eleições de 2018, a jurisprudência que havia sido firmada para as eleições de 2016. O Ministro Edson
Fachin foi acompanhado pela Ministra Rosa Weber e pelos Ministros Og Fernandes e Admar Gonzaga.

A compreensão adotada nesse precedente guiou o julgamento do AgR-REspe nº 0603077-80/GO, também de relatoria do
Ministro Edson Fachin, no qual esta Corte analisou caso bem similar àpresente hipótese. Nele, assentou-se que a veiculação de
mensagem de felicitação alusiva a data comemorativa com o nome do pretenso candidato, dissociado de elemento do qual se
depreenda essa condição ou a relação ao pleito, não caracteriza ato de pré-campanha. Confira-se:

ELEICOES 2018. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL ELEITORAL. PROPAGANDA ELEITORAL IRREGULAR. PERIODO DE PRE-
CAMPANHA. DIVULGACAO DE MENSAGEM DE FELICITACAO E DE NOME. UTILIZACAO DE OUTDOOR. VIES ELEITORAL.
INEXISTENCIA. INDIFERENTE ELEITORAL. REVALORACAO JURIDICA. FATOS DELINEADOS NO ACORDAO REGIONAL. INEXISTENCIA
DE CONTRARIEDADE AO ENUNCIADO DE SUMULA Nº 24/TSE. DECISAO MANTIDA. AGRAVO DESPROVIDO.
1. A revaloracao jurídica dos fatos delimitados no acórdão regional e admissível na seara especial, sem que isso contrarie o teor
da Súmula nº 24 do TSE. Precedentes.
2. A compreensão firmada por este Tribunal, para as eleições de 2018, e no sentido de que a realização de atos de pre-
campanha por meio de outdoors importa em ofensa ao art. 39, §8o, da Lei no 9.504/97 e desafia a imposição da multa,
independentemente da existência de pedido explícito de voto. Precedente.
3. Ainda na linha desse entendimento, tem-se que os atos publicitários desprovidos de viés eleitoral consistem em “indiferentes
eleitorais”, que se situam fora da alçada desta Justiça Especializada e, justamente por isso, não se submetem às proscrições da
legislação eleitoral.

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4. No caso, extrai-se das premissas emolduradas no acórdão que o agravado veiculou por meio de outdoor, que ficou exposto
pelo período de dois meses próximos às eleições, mensagem de felicitações relativa ao dia das mães a população, na qual
constava seu nome, mas não havia pedido explícito de votos.
5. As aludidas circunstâncias são insuficientes para denotar o caráter eleitoral da publicidade, visto que a veiculação de
congratulação relativa a data comemorativa e do nome do pretenso candidato, dissociado de elemento do qual se depreenda
essa condição ou a relação ao pleito, não evidencia ato de pre-campanha.
Agravo interno a que se nega provimento.
(AgR-REspe nº 0603077-80/GO, Rel. Min. Edson Fachin, DJe de 3.10.2019 grifei)

Para melhor elucidar a questão, extraio do voto condutor do referido julgado o seguinte fragmento:

A despeito da conclusão da Corte de origem, entende-se que as aludidas circunstâncias são insuficientes para denotar o caráter
eleitoral da publicidade, visto que a veiculação de congratulação relativa a data comemorativa e do nome do pretenso
candidato, dissociado de elemento do qual se depreenda essa condição ou a relação ao pleito, não evidencia ato de pre-
campanha.

Consoante assentado na decisão agravada, os atos publicitários desprovidos de viés eleitoral consistem em “indiferentes
eleitorais”, que se situam fora da alçada desta Justiça Especializada e, justamente por isso, não se submetem às proscrições da
legislação eleitoral.

Sufraga essa compreensão a hodierna jurisprudência firmada por este Tribunal Superior, para os feitos referentes às eleições de
2018, no julgamento do REspe n° 0600227-31.2018.6.17.0000, que recebeu a seguinte ementa:
[…]
A propósito, citam-se alguns trechos do voto condutor do julgado que balizaram o entendimento perfilhado por esta Corte:

“Esse tema foi objeto de profunda análise pelo Tribunal Superior Eleitoral, no julgamento do AgR-AI no 9-24/SP, ocasião em que
foram fixados alguns critérios para identificação de observância dos limites legais para a propaganda no período pre-eleitoral.

Assim, naquele julgado, ficou assentado que:


•‘o pedido explícito de votos, entendido em termos estritos, caracteriza a realização de propaganda antecipada irregular,
independentemente da forma utilizada ou da existência de dispêndio de recursos’;
•‘os atos publicitários não eleitorais, assim entendidos aqueles sem qualquer conteúdo direta ou indiretamente relacionados
com a disputa, consistem em ‘indiferentes eleitorais’, situando-se, portanto, fora da alçada desta Justiça Especializada’;
•‘o uso de elementos classicamente reconhecidos como caracterizadores de propaganda, desacompanhado de pedido explícito
e direto de votos, não enseja irregularidade per se’;
•‘todavia, a opção pela exaltação de qualidades próprias para o exercício de mandato, assim como a divulgação de plataformas
de campanha ou planos de governo acarreta, sobretudo quando a forma de manifestação possua uma expressão econômica
minimamente relevante, os seguintes ônus e exigências: (i) impossibilidade de utilização de formas proscritas durante o período
oficial de propaganda (outdoor, brindes, etc.); e (ii) respeito ao alcance das possibilidades do pre-candidato médio’ (todas as
citações extraídas do voto do Ministro Luiz Fux).

Ordenando, logicamente, os critérios fixados pelo TSE naquele precedente, a primeira tarefa e verificar a natureza do ato
publicitário, definindo eventual pertinência a temática eleitoral. Recusado este caráter pela Justiça Eleitoral –ou seja, tratando-
se de um ‘indiferente eleitoral’ –cessa a competência desta Justiça Especializada.

Nessa acepção, importante citar ainda o recente precedente:

ELEIÇÕES 2018. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL ELEITORAL. PROPAGANDA ELEITORAL IRREGULAR.
PERÍODO DE PRÉ- CAMPANHA. DIVULGAÇÃO DO PROGRAMA DE TELEVISÃO APRESENTADO POR PRÉ-CANDIDATO. UTILIZAÇÃO
DE OUTDOOR. VIÉS ELEITORAL. INEXISTÊNCIA. INDIFERENTE ELEITORAL. REVALORAÇÃO JURÍDICA. FATOS DELINEADOS NO
ACÓRDÃO REGIONAL. INEXISTÊNCIA DE CONTRARIEDADE AO ENUNCIADO DE SÚMULA Nº 24/TSE. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO

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DESPROVIDO.
1. A revaloração jurídica dos fatos delimitados no acórdão regional éadmissível na seara especial, sem que isso contrarie o teor
da Súmula nº 24 do TSE. Precedentes.
2. A compreensão firmada por este Tribunal, para as eleições de 2018, éno sentido de que a realização de atos de pré-
campanha por meio de outdoors importa em ofensa ao art. 39, §8º, da Lei nº 9.504/97 e desafia a imposição da multa,
independentemente da existência de pedido explícito de voto. Precedente.
3. Ainda na linha desse entendimento, tem-se que os atos publicitários desprovidos de viés eleitoral consistem em “indiferentes
eleitorais”, que se situam fora da alçada desta Justiça Especializada e, justamente por isso, não se submetem às proscrições da
legislação eleitoral.
4. No caso, extrai-se das premissas emolduradas no acórdão que o agravado veiculou, por meio de outdoor, propaganda do
programa de televisão gospel apresentado por pré-candidato, com a foto deste, ausente o pedido explícito de votos.
5. As aludidas circunstâncias são insuficientes para denotar o caráter eleitoral da publicidade, visto que a veiculação de
publicidade relativa a programa de TV apresentado por pré-candidato, dissociado de elemento do qual se depreenda essa
condição ou a relação ao pleito, não evidencia ato de pré-campanha.
6. Agravo interno a que se nega provimento. (AgR-AI nº 0600949-06/MS, Rel. Min. Edson Fachin, julgado na sessão por
videoconferência de 28.4.2020, pendente de publicação)

Dessa forma, verifica-se que, na espécie, a mensagem de felicitação, com a menção apenas ao nome da recorrente, sem relação
direta ou indireta com a disputa eleitoral que se aproxima, não configura propaganda eleitoral antecipada, pois se trata, na
linha da jurisprudência mencionada acima, de indiferente eleitoral.

Estando o acórdão regional em desconformidade com o posicionamento deste Tribunal Superior a respeito da matéria, impõe-
se a sua reforma.

Ante o exposto, dou provimento ao recurso especial, com base no art. 36, §7º, do Regimento Interno do Tribunal Superior
Eleitoral, para reformar o acórdão regional a fim de julgar improcedente a representação e, consequentemente, afastar a
sanção imposta.

Publique-se.

Brasília, 30 de abril de 2020.

Ministro Tarcisio Vieira de Carvalho Neto


Relator
Processo 0606758-84.2018.6.26.0000

index: AGRAVO DE INSTRUMENTO (1320)-0606758-84.2018.6.26.0000-[Prestação de Contas - De Candidato, Cargo - Deputado


Federal, Contas - Desaprovação/Rejeição das Contas]-SÃO PAULO-SÃO PAULO
TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL

AGRAVO DE INSTRUMENTO (1320) Nº 0606758-84.2018.6.26.0000 (PJe) - SÃO PAULO - SÃO PAULO RELATOR: MINISTRO
TARCISIO VIEIRA DE CARVALHO NETO AGRAVANTE: PAULA FRANCINETE COSTA LEITE ADVOGADO: CLAUDIO CARDOSO DE
OLIVEIRA
DECISÃO

ELEIÇÕES 2018. AGRAVO. RECURSO ESPECIAL. PRESTAÇÃO DE CONTAS. INTERPOSIÇÃO DO APELO NOBRE APÓS O TRÍDUO
LEGAL. ART. 219 DO CPC. CONTAGEM DO PRAZO EM DIAS ÚTEIS. INAPLICABILIDADE ÀS DEMANDAS ELEITORAIS. ART. 7º DA
RES.-TSE Nº 23.478/2016. PRECEDENTES. INTEMPESTIVIDADE REFLEXA DO AGRAVO. NEGATIVA DE SEGUIMENTO.

Trata-se de agravo interposto por Paula Francinete Costa Leite contra decisão de inadmissão de recurso especial manejado em

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face de acórdão do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE/SP) por meio do qual foram desaprovadas suas contas de
campanha referentes ao pleito eleitoral de 2018, com determinação de recolhimento ao Tesouro Nacional de R$ 2.975,00 (dois
mil, novecentos e setenta e cinco reais) e de R$ 26.754,00 (vinte e seis mil, setecentos e cinquenta e quatro reais).

Eis a ementa do acórdão:

PRESTAÇÃO DE CONTAS. ELEIÇÕES 2018. DEPUTADO FEDERAL. DESAPROVAÇÃO. IRREGULARIDADES:


–Ausência de registro de despesa;
–Recebimento de recursos de origem não identificada;
–Despesas pagas com recursos do FEFC sem a devida comprovação.
IRREGULARIDADES GRAVES QUE CONTRARIAM O DISPOSTO NOS ARTIGOS 34 e 56, II, “g”, 67, §5º e 82, §1º, DA RESOLUÇÃO
TSE Nº 23.553/2017, E COMPROMETEM A REGULARIDADE, A CONFIABILIDADE, A IDONEIDADE E A TRANSPARÊNCIA DA
PRESTAÇÃO DE CONTAS, BEM COMO IMPEDE O EFETIVO CONTROLE DAS CONTAS PELA JUSTIÇA ELEITORAL. DESAPROVAÇÃO
DAS CONTAS, COM DETERMINAÇÃO. (ID nº 26278338)

Opostos embargos de declaração (ID nº 26278638), foram rejeitados (ID nº 26279388).

No recurso especial (ID nº 26279788), fundado no art. 276, I, a, do Código Eleitoral (CE), alegou a recorrente que, embora não
tenha apresentado Registro de Pagamento de Autônomo (RPA), comprovou as despesas de campanha por meio de outros
documentos, tais como cheques e notas fiscais, razão pela qual as contas devem ser aprovadas ante os princípios da legalidade
e da boa-fé.

O presidente do TRE/SP negou seguimento ao apelo especial, porquanto intempestivo (ID nº 26279888).

No presente agravo (ID nº 26280188), Paula Francinete Costa Leite aduz que, por não haver norma regulamentadora na esfera
eleitoral, aplica-se subsidiariamente o art. 219 do Código de Processo Civil (CPC), o qual estabelece a contagem dos prazos em
dias úteis. Além disso, “a regulamentação processual civil éde competência da União, e se dá exclusivamente por meio de lei
complementar (ID nº 26280188, fl. 6), o que afasta a incidência do art. 7º da Res.-TSE nº 23.478/2016.

A Procuradoria-Geral Eleitoral opina pelo não conhecimento do agravo (ID nº 28092438).

Éo relatório.

Decido.

O agravo não merece prosperar.

Consoante assentado na decisão agravada, o acórdão pelo qual foram julgados os embargos de declaração opostos pela ora
agravante foi publicado no DJe de 13.2.2020, quinta-feira, razão por que o tríduo legal para interposição do apelo nobre se
iniciou em 14.2.2020, sexta-feira, e encerrou-se em 16.2.2020, domingo, prorrogando-se para o primeiro dia útil seguinte, dia
17.2.2020, segunda-feira, quando certificado o trânsito em julgado (certidão de ID nº 26279738).

Todavia, o recurso especial (ID nº 26279788) foi interposto somente em 18.2.2020, terça-feira.

Ressalte-se que, ao contrário do alegado nas razões do agravo, o disposto no art. 219 do CPC não se aplica aos feitos eleitorais.
Nesse sentido éa jurisprudência pacífica desta Corte Superior:

DIREITO ELEITORAL E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO NOS PRÓPRIOS AUTOS. RECURSO ESPECIAL ELEITORAL COM AGRAVO.

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ELEIÇÕES 2016. PRESTAÇÃO DE CONTAS. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA FUNGIBILIDADE.


INTEMPESTIVIDADE REFLEXA. NÃO CONHECIMENTO.
1. Agravo nos próprios autos contra decisão monocrática que negou seguimento a agravo nos próprios autos interposto contra
decisão de inadmissão de recurso especial eleitoral.
2. A jurisprudência deste Tribunal admite o recebimento de agravo de instrumento como agravo interno, com base no princípio
da fungibilidade, se, das razões expostas pelo agravante, infere-se que o recurso se dirige ao próprio Tribunal e nele se pretende
a reforma da decisão monocrática proferida. Precedentes.
3. No caso, o agravo contra decisão de inadmissão do recurso especial foi interposto após o prazo de três dias. De acordo com a
jurisprudência deste Tribunal, padece de intempestividade reflexa o recurso subsequente ao recurso interposto
extemporaneamente. Precedentes.
4. O art. 7º da Res.-TSE nº 23.478/2016 prevê que "o disposto no art. 219 do Novo Código de Processo Civil não se aplica aos
feitos eleitorais". A regra, portanto, étaxativa e incondicional, não havendo qualquer ressalva quanto àsua aplicabilidade fora do
período eleitoral.
5. Agravo não conhecido.
(AgR-AI nº 242-58/MS, Rel. Min. Luis Roberto Barroso, DJe de 28.6.2019 –grifei)

ELEIÇÕES 2016. AGRAVO. INTEMPESTIVIDADE. CONTAGEM DO PRAZO EM DIAS ÚTEIS. INAPLICABILIDADE NA JUSTIÇA
ELEITORAL. RES.-TSE 23.478/2016. AGRAVO NÃO CONHECIDO. 1. Nas ações eleitorais, não épossível a contagem de prazo
apenas em dias úteis, conforme disciplina o art. 7º, caput, da Res.-TSE 23.478/2016, in verbis: o disposto no art. 219 do Novo
Código de Processo Civil não se aplica aos feitos eleitorais. Precedentes: AgR-REspe 2-33/RN, DJe de 22.9.2017, e AI 16-43/RJ,
DJe de 20.10.2017, ambos de relatoria do eminente Ministro TARCISIO VIEIRA DE CARVALHO NETO; AgR-REspe 44-61/SP, Rel.
Min. LUIZ FUX, DJe de 26.10.2016; AI 225-19/GO, Rel. Min. NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, DJe de 1º.12.2017.
2. No caso, do decisum que inadmitiu o Recurso Especial, proferido pelo ilustre Presidente do Tribunal a quo, o MPE foi
intimado em 20.4.2016 (quarta-feira), por ocasião da entrada dos autos na Secretaria desse órgão, consoante se verifica às fls.
1.200v., sendo o dia 21.4.2016 (quinta-feira) feriado nacional. Por essa razão, o decurso do prazo recursal se deu em 25.4.2016,
segunda-feira. No entanto, o Agravo somente foi interposto em 26.4.2016 (terça-feira), após, portanto, o tríduo legal.
3. Agravo não conhecido, ficando, assim, inviabilizada a apreciação de suas razões e das razões do Recurso Especial.
(AI nº 1273-24/SE, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 28.11.2018 –grifei)

Ademais, nos termos do entendimento assente neste Tribunal , padece de intempestividade reflexa o recurso subsequente ao
recurso interposto extemporaneamente (AgR-AI nº 37375-51/DF, Rel. Min. Luciana Lóssio, DJe de 12.12.2016) .

Logo, constatada a intempestividade do recurso especial, o presente agravo, recurso subsequente, padece de intempestividade
reflexa.

Ante o exposto, nego seguimento ao agravo, com base no art. 36, §6º, do Regimento Interno do Tribunal Superior Eleitoral.

Publique-se.

Brasília, 27 de abril de 2020.


Ministro TARCISIO VIEIRA DE CARVALHO NETO Relator
Processo 0601247-52.2018.6.10.0000

TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL


RECURSO ESPECIAL ELEITORAL Nº 0601247-52.2018.6.10.0000 –CLASSE 11549 –SÃO LUÍS – MARANHÃO
Relator: Ministro Sérgio Banhos
Recorrente: Ministério Público Eleitoral
Recorrido: Gutemberg Fernandes de Araújo

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Advogado: Thiberio Henrique Lima Cordeiro –OAB: 8738/MA


DECISÃO
O Ministério Público Eleitoral interpôs recurso especial (ID 20879988) em face do acórdão proferido pelo Tribunal Regional
Eleitoral do Maranhão (ID 20879638) que, por unanimidade, aprovou com ressalvas as contas de campanha prestadas por
Gutemberg Fernandes de Araújo, nas Eleições de 2018, quando concorreu ao cargo de Deputado Estadual.
Eis a ementa do acórdão regional (ID 20879788):
ELEIÇÕES 2018. PRESTAÇÃO DE CONTAS DE CAMPANHA. DEPUTADO ESTADUAL. OMISSÃO DE DESPESAS. RECEITA DE ORIGEM
NÃO IDENTIFICADA. NÃO CONFIGURAÇÃO. IRREGULARIDADES QUE NÃO COMPROMETERAM A LISURA DO BALANÇO CONTÁBIL.
VALOR IRRELEVANTE EM RELAÇÃO ÀCONJUNTURA DA CAMPANHA. AUSÊNCIA DE MÁ-FÉ. APLICABILIDADE DOS PRINCÍPIOS DA
PROPORCIONALIDADE E DA RAZOABILIDADE. CONTAS APROVADAS, COM RESSALVAS.
1. Nos termos do art. 56, I, "g", da Resolução TSE nº 23.553/2017, éobrigatória a informação alusiva às despesas, de forma
especificada, de modo que a ausência de tais apontamentos inviabiliza a efetiva fiscalização dos gastos de campanha pela
Justiça Eleitoral, sendo motivo suficiente para a rejeição das contas do então candidato. Precedentes do TSE.
2. Contudo, a falha consistente na omissão de despesas, na espécie, não comprometeu a transparência do ajuste contábil,
envolvendo também percentual pouco relevante em relação àconjuntura da campanha - 4,3% dos recursos arrecadados -,
fatores que, somados àausência de configuração de má-fé do candidato, atraem a aplicação dos princípios da
proporcionalidade e da razoabilidade para fins de aprovação das contas, mesmo que com ressalvas. Precedentes do TSE.
3. Efetivamente, a omissão de despesas não configura o recebimento de recursos de origem não identificada porquanto não
se sabe, com segurança, se os gastos omitidos foram, de fato, pagos pelo candidato, dado que somente uma investigação mais
aprofundada acerca das circunstâncias teria o condão de esclarecer se a situação posta nos autos se refere uma dívida de
campanha, mero equívoco contábil do fornecedor ou o uso de recursos sem identificação da origem, além de hipóteses mais
graves.
4. Dessa forma, os elementos fáticos dos presentes autos não permitem concluir, seguramente, pelo recebimento de recursos
de origem não identificada, uma vez que não se mostra adequada a ilação de que, em razão da omissão de despesas, o
candidato incidiria, necessariamente, no referido vício.
5. Contas aprovadas com ressalvas.
O Ministério Público Eleitoral, em suas razões recursais, sustenta, em suma, que:
não pretende o reexame da matéria fático-probatória dos autos, mas, sim, o reenquadramento jurídico das circunstâncias
delineadas no acórdão regional;
foi constatada na prestação de contas do candidato a omissão de despesas no valor de R$ 2.376,98, em razão de não ser
possível a identificação de sua origem;
a omissão de despesa caracteriza recurso de origem não identificada, razão pela qual os valores referentes a tais despesas
devem ser transferidos ao Tesouro Nacional;
Tribunal a quo violou o art. 34 da Res.-TSE 23.553, ao não determinar a transferência ao Tesouro Nacional dos valores alusivos
às despesas de origem não identificada;
houve dissenso jurisprudencial entre o acórdão de origem e o entendimento do Tribunal Superior Eleitoral e dos Tribunais
Regionais Eleitorais de São Paulo, do Pará e de Minas Gerais;
não podem ser considerados módicos os valores das despesas tidas por irregulares, porquanto perfazem o montante de R$
2.376,98, representando 4,3% dos recursos arrecadados na campanha;
não épossível a aplicação dos princípios da proporcionalidade, da razoabilidade e da insignificância para deixar de determinar a
transferência ao Tesouro Nacional do valor relativo àfalha verificada, visto que restou comprometida a confiabilidade das
contas.
Requer o conhecimento e o provimento do recurso especial, a fim de reformar o acórdão recorrido, para determinar a
transferência ao Tesouro Nacional dos valores relativos aos recursos de origem não identificada, nos termos do art. 34 da Res.
TSE 23.553.
O recorrido apresentou contrarrazões ao recurso especial (ID 20880138).
A douta Procuradoria-Geral Eleitoral (ID 27676338) opinou pelo provimento do recurso especial, a fim de determinar o
recolhimento ao erário do valor de R$ 2.376,98, mantidas as demais disposições do acórdão recorrido.
Éo relatório.

Decido.
O recurso especial étempestivo. A Procuradoria Regional Eleitoral tomou ciência do acórdão recorrido em 18.11.2019, segunda-

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feira, conforme informação prestada pelo TRE/MA (ID 27964838), e o apelo foi interposto no mesmo dia (ID 20879988) em
peça subscrita por Procurador Regional Eleitoral.
Na espécie, o Tribunal Regional Eleitoral maranhense aprovou com ressalvas as contas de campanha prestadas por Gutemberg
Fernandes de Araújo, nas Eleições de 2018, quando concorreu ao cargo de deputado estadual, sob os seguintes fundamentos
(ID 20879838):
[...]
Pela análise dos autos, notadamente das informações prestadas pela Coordenadoria de Controle Interno, por intermédio da
Seção de Análise de Contas Eleitorais e Partidárias - SECEP, observa-se que as contas apresentadas pelo requerente padeceriam
de vício relacionado à omissão de despesas, identificado por meio da circularização e/ou informações voluntárias de campanha
e/ou confronto com notas ficais eletrônicas de gastos eleitorais.
No ponto, o órgão técnico deste Tribunal detectou a existência de duas notas ficais, equivalentes ao montante de R$ 2.376,98
(dois mil, trezentos e setenta seis reais e noventa e oito centavos), emitidas por H S C PEREIRA (R$ 1.600,00) e pelo Facebook
Serviços On line do Brasil (R$ 776,98), que, juntas, representaram cerca de 4,3% (quatro inteiros e três décimos por cento) em
relação total de recursos arrecadados, sem que houvesse o devido registro dessas despesas na prestação de contas sub
examine.
Nessa perspectiva, cumpre observar a prescrição contida no art. 56, I, "g", da Resolução/TSE nº 23.553/2017. Ei-la:
"Art. 56. Ressalvado o disposto no art. 65 desta resolução, a prestação de contas, ainda que não haja movimentação de
recursos financeiros ou estimáveis em dinheiro, deve ser composta, cumulativamente:
I - pelas seguintes informações:
(...)
g) receitas e despesas, especificadas;" (grifei)
O objetivo dessa norma éjustamente permitir a fiscalização por esta Justiça Especializada quanto àcorreta aplicação dos
recursos despendidos na campanha eleitoral, bem como em relação à origem dos recursos recebidos pelo candidato.
Deveras, objetivamente, tal irregularidade se reveste de natureza grave e, segundo diversos precedentes do Tribunal Superior
Eleitoral, por si só, já ensejaria a rejeição das contas.
Contudo, a Corte Superior Eleitoral, diante das peculiaridades do caso concreto, vem aplicando os princípios
da proporcionalidade e da razoabilidade para aprovar as contas, ainda que com ressalvas, na hipótese (i) do valor da
irregularidade ser considerado ínfimo, tanto em termos percentuais, como absolutos, aliada a (ii) ausência de má-fé do
candidato e ao (iii) não comprometimento da análise das contas.
Nesse sentido, transcrevo os seguintes arestos do TSE:
[...]
Na espécie, sem que houvesse o devido registro na presente prestação de contas, foram emitidas notas fiscais em nome do
requerente, que representaram 4,3% (quatro inteiros e três décimos por cento) em relação ao total de recursos arrecadados,
sendo módico, portanto, o valor da irregularidade em relação àconjuntura da campanha eleitoral, que registrou o montante de
R$ 55.260,28 (cinquenta e cinco mil, duzentos e sessenta reais e vinte e oito centavos), como total de receitas arrecadadas (id
1320015).
Ademais, écediço que a má-fé não se presume, exigindo-se prova contundente da sua caracterização, o que, a meu sentir, não
restou demonstrado nos presentes autos, sem embargo de que não houve prejuízo ao acompanhamento e àfiscalização das
contas.
Assim, preenchidos estão, in casu, os requisitos para aplicação dos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade no que
diz respeito àomissão de despesas.
Nesse contexto, com relação ao argumento ministerial no sentido de que, em se tratando de omissão de despesas, os valores
devem ser recolhidos àconta do Tesouro Nacional, haja vista que tais despesas teriam sido custeadas com recursos de origem
não identificada, com a devida vênia, não vislumbro tal fato jurídico.
Efetivamente, a omissão de despesas poderia configurar, em tese, o uso de recursos de origem não identificada, uma vez
que, presumivelmente, para toda despesa deve haver o correspondente pagamento (Método das Partidas Dobradas).
Nada obstante tal pré-compreensão, ésabido que equívocos contábeis ou, até mesmo, emissão de notas fiscais sem que
serviço/produto tenham sido efetivamente utilizados ou custeados, fazem parte do contexto eleitoral. Tanto éverdade que a
legislação expressamente prevê a correção de eventuais erros por meio do cancelamento do faturamento, entre outras
hipóteses (artigo 95, §§5º e 6º, da Resolução TSE nº 23.553/2017).
Na espécie, em que pese o requerente não ter providenciado o cancelamento das notas fiscais - diversamente do que foi por ele
alegado (id 1341315) -, não se têm elementos, na via estreita do processo de prestação de contas, para dirimir a dúvida a
respeito da efetiva utilização de recursos de origem não identificada. Ou seja, não se sabe, com segurança, se as despesas
omitidas foram, de fato, pagas pelo candidato, dado que somente uma investigação mais aprofundada acerca dos fatos teria o

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condão de esclarecer se a situação posta nos autos reflete uma dívida de campanha, mero equívoco contábil do fornecedor ou
o uso de recursos sem identificação da origem, além de hipóteses mais graves.
Nesse diapasão, transcrevo a seguinte passagem do voto proferido pelo Ministro Jorge Mussi, no julgamento do Agravo
Regimental no Recurso Especial Eleitoral nº 541-69.2016.6.26.0283, Acórdão de 09/05/2019, publicado no DJE do dia
27/06/2019, quando discorre sobre a irregularidade relativa àomissão de despesas:
[...]
Eis a ementa da decisão acima citada:
[...]
A propósito, essa foi a linha de raciocínio adotada por esta Egrégia Corte (TRE/MA) no julgamento do Recurso Eleitoral nº 799-
51, da relatoria do Juiz Ricardo Felipe Rodrigues Macieira, cujo decisum, lavrado àunanimidade, restou assim ementado:
[...]
E ainda mais recentemente, na Prestação de Contas nº 0601740-29.2018.6.10.0000, julgada em 19.09.2019, entendeu esta
Corte Eleitoral, por maioria, que a omissão de despesas não configura, automaticamente, o reconhecimento da receita como de
origem não identificada, sendo tal posição reafirmada reiteradamente em seus precedentes, dos quais destaco os seguintes
arestos:
[...]
Destarte, os elementos fáticos dos presentes autos não permitem concluir, seguramente, pelo recebimento de recursos de
origem não identificada, uma vez que não se mostra adequada a ilação de que, em razão da omissão de despesas, o candidato
incidiria, necessariamente, no referido vício.
Assim sendo, a meu sentir, éinapropriada a conclusão genérica, baseada exclusivamente numa presunção contábil (Método das
Partidas Dobradas), de que toda despesa considerada omitida, tenha como resultado uma receita de origem não identificada,
especialmente quando tal fator sequer fora abordado pela unidade técnica do Tribunal (COCIN).
Com efeito, a falha consistente na omissão de despesas, na espécie, não comprometeu a transparência do ajuste contábil, bem
assim envolveu percentual de pouca relevância em relação àconjuntura da campanha, fatores que, somados àausência de
demonstração de má-fé do candidato, atraem a aplicação dos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade para que
sejam as contas aprovasdas, mesmo que com ressalvas.
Diante do exposto, em dissonância com os pareceres da COCIN e da Procuradoria Regional Eleitoral
(PRE), VOTO pela APROVAÇÃO, COM RESSALVAS, das contas de campanha de GUTEMBERG FERNANDES DE ARAUJO, referente
às Eleições de 2018, nos termos do art. 77, inc. II, da Resolução TSE nº 23.553/2017 (art. 30, II, Lei nº 9.504/97), ressalvando-se
que o presente julgamento não afasta a possibilidade de apuração por outros órgãos quanto àprática de eventuais ilícitos
antecedentes e/ou vinculados aos atos tratados no presente processo (art. 78 da Resol.- TSE nº 23.553/2017).
[...]
O Parquet sustenta que o acórdão recorrido violou o art. 34 da Res. TSE 23.553, ao não determinar a transferência ao Tesouro
Nacional dos valores alusivos às despesas de origem não identificada.
Aponta dissenso jurisprudencial entre o acórdão de origem e o entendimento desta Corte Superior e dos Tribunais Regionais
Eleitorais de São Paulo, do Pará e de Minas Gerais.
Defende que a omissão de despesa caracteriza recurso de origem não identificada, razão pela qual os valores referentes a tais
despesas devem ser transferidos ao Tesouro Nacional.
Nota-se que o Tribunal de origem aprovou, com ressalvas, as contas apresentadas pelo recorrido, provimento que não foi
objeto do recurso especial, de sorte que a controvérsia gira unicamente em torno do reconhecimento de que a falha detectada
–omissão de despesas no valor de R$ 2.376,98 –seja considerada recurso de origem não identificada.
Assim, cinge-se o interesse recursal àdestinação a ser dada àinconsistência constatada na prestação de contas, visto que, caso
seja compreendida como recurso de natureza não identificada, deverá receber o tratamento previsto no art. 34 da Res. TSE
23.553.
Feito o registro, passo ao exame do apelo.
Consoante a moldura fática firmada pelo TRE/MA, “pela análise dos autos, notadamente das informações prestadas pela
Coordenadoria de Controle Interno, por intermédio da Seção de Análise de Contas Eleitorais e Partidárias - SECEP, observa-se
que as contas apresentadas pelo requerente padeceriam de vício relacionado àomissão de despesas, identificado por meio da
circularização e/ou informações voluntárias de campanha e/ou confronto com notas ficais eletrônicas de gastos eleitorais” (ID
20879838, grifo nosso).
Assentou ainda a Corte de origem, soberana no exame dos fatos e das provas: “Em que pese o requerente não ter
providenciado o cancelamento das notas fiscais - diversamente do que foi por ele alegado (id 1341315) -, não se têm
elementos, na via estreita do processo de prestação de contas, para dirimir a dúvida a respeito da efetiva utilização de recursos
de origem não identificada. Ou seja, não se sabe, com segurança, se as despesas omitidas foram, de fato, pagas pelo

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candidato, dado que somente uma investigação mais aprofundada acerca dos fatos teria o condão de esclarecer se a situação
posta nos autos reflete uma dívida de campanha, mero equívoco contábil do fornecedor ou o uso de recursos sem identificação
da origem, além de hipóteses mais graves” (ID 20879838, grifo nosso).
E complementou (ID 20879838):
[...]
Destarte, os elementos fáticos dos presentes autos não permitem concluir, seguramente, pelo recebimento de recursos de
origem não identificada, uma vez que não se mostra adequada a ilação de que, em razão da omissão de despesas, o candidato
incidiria, necessariamente, no referido vício.
Assim sendo, a meu sentir, éinapropriada a conclusão genérica, baseada exclusivamente numa presunção contábil (Método das
Partidas Dobradas), de que toda despesa considerada omitida, tenha como resultado uma receita de origem não identificada,
especialmente quando tal fator sequer fora abordado pela unidade técnica do Tribunal (COCIN).
[...]
Écediço que os valores referentes aos recursos de origem não identificada devem ser transferidos ao erário, conforme
determina o art. 34 da Res. TSE 23.553, in verbis:
Art. 34. Os recursos de origem não identificada não podem ser utilizados por partidos políticos e candidatos e devem ser
transferidos ao Tesouro Nacional por meio de Guia de Recolhimento da União (GRU).
No caso vertente, entretanto, o Tribunal a quo concluiu não ter sido possível detectar elementos que corroborassem a assertiva
de utilização de recursos de origem não identificada, rejeitando, para tanto, a utilização de juízo contábil meramente
presuntivo.
Conquanto tenha sido verificada inconsistência na prestação de contas alusiva àomissão de despesas, éconsabido que nem toda
omissão de despesa revela recurso de origem não identificada; há de se verificar no caso concreto para concluir em um ou
outro sentido.
Assim, a confirmação da utilização de recursos de procedência não identificada depende da presença nos autos de elementos
fáticos e probatórios que demonstrem tal assertiva, não sendo possível a sua inferência.
Nesse sentido já decidiu esta Corte Superior:
AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. ELEIÇÕES 2016. VEREADOR. CONTAS DE CAMPANHA. FALTA. COMPROVAÇÃO.
DESPESA. MATERIAL DE PROPAGANDA. GASTO. OMISSÃO. VALOR. INEXPRESSIVIDADE. MÁ-FÉ. INDÍCIOS. AUSÊNCIA. PREJUÍZO.
CONTROLE. CONTAS. INEXISTÊNCIA. PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E DA RAZOABILIDADE. APLICAÇÃO.
DESPROVIMENTO.
[...]
3. No que concerne àomissão de despesas com material de propaganda, o vício envolveu a quantia de R$ 1.000,00. Além do
pequeno valor, não ficou expressa a má-fé do candidato nem se identificaram elementos fáticos dos quais se possa deduzir que
ele utilizou recursos de origem não identificada.
[...]
6. Agravo regimental desprovido.
(AgR-REspe 541-69, rel. Min. Jorge Mussi, DJE de 27.6.2019, grifo nosso.)
Nesse contexto, para concluir de modo diverso do entendimento da Corte Regional Eleitoral, no sentido de que a omissão de
despesas ocorrida na espécie tem elementos que demonstrem a utilização de recursos de origem não identificada, seria
necessário o reexame dos fatos e das provas constantes dos autos, vedado nesta instância especial, nos termos do verbete
sumular 24 do TSE, segundo o qual: “Não cabe recurso especial eleitoral para simples reexame do conjunto fático-probatório”.
Por fim, o recorrente aponta a ocorrência de divergência jurisprudencial entre o acórdão recorrido e o entendimento do
Tribunal Superior Eleitoral e dos Tribunais Regionais Eleitorais de São Paulo, do Pará e de Minas Gerais.
Contudo, tendo sido o recurso especial manejado com fundamento em violação a dispositivo de lei e dissídio jurisprudencial e
estando o entendimento da Corte de origem em consonância com a iterativa jurisprudência deste Tribunal Superior, éde rigor a
incidência na espécie do verbete sumular 30 do TSE, o qual “pode ser fundamento utilizado para afastar ambas as hipóteses de
cabimento do recurso especial –por afronta àlei e dissídio jurisprudencial” (AgR-AI 152-60, rel. Min. Luciana Lóssio, DJE de
27.4.2017).
Além disso, a caracterização do dissídio jurisprudencial na espécie demandaria o revolvimento fático-probatório de acordo com
a perspectiva propugnada pelo recorrente, o que não se admite.
Nessa linha: “Conforme a orientação desta Corte, não se conhece do recurso especial fundamentado no art. 276, I, b, do CE
quando a caracterização do dissídio jurisprudencial depende da revisão do contexto fático-probatório (AgR-AI 2-47, rel. Min.
Og Fernandes, DJE de 19.8.2019) .
Logo, diante das circunstâncias do caso e na linha do entendimento firmado por esta Corte Superior, afigura-se imperiosa a

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manutenção do acórdão recorrido.


Por essas razões e nos termos do art. 36, §6º, do Regimento Interno do Tribunal Superior Eleitoral, nego seguimento ao agravo
interposto pelo Ministério Público Eleitoral.
Publique-se.
Intime-se.
Ministro Sérgio Silveira Banhos
Relator

Processo 0606814-20.2018.6.26.0000

RECURSO ESPECIAL ELEITORAL (11549) - 0606814-20.2018.6.26.0000 - SÃO PAULO - SÃO PAULO RELATOR(A): MINISTRO(A)
LUÍS ROBERTO BARROSO RECORRENTE: MARIA IZABEL AZEVEDO NORONHA Advogados do(a) RECORRENTE: STELLA BRUNA
SANTO - SP0569670A, ANDRE ROTA SENA - SP2612640A, GABRIEL PEREIRA MENDES AZEVEDO BORGES - SP3701330A
RECORRIDO: MINISTÉRIO PÚBLICO ELEITORAL Advogado do(a) RECORRIDO:
INTIMAÇÃO PARA CONTRARRAZÕES A AGRAVO REGIMENTAL
Considerando a interposição de agravo regimental, fica(m) a(s) parte(s) agravada(s) intimadas para apresentar contrarrazões,
no prazo de três dias.
Marcos Paulo da Mota Gonçalves Coordenadoria de Processamento
Processo 0606901-73.2018.6.26.0000

RECURSO ESPECIAL ELEITORAL (11549) - 0606901-73.2018.6.26.0000 - SÃO PAULO - SÃO PAULO RELATOR(A): MINISTRO(A)
LUÍS ROBERTO BARROSO RECORRENTE: LECI BRANDAO DA SILVA Advogado do(a) RECORRENTE: JOAO APARECIDO DA SILVA
BRASIL - SP3250750A
INTIMAÇÃO PARA CONTRARRAZÕES A AGRAVO REGIMENTAL
Considerando a interposição de agravo regimental, fica(m) a(s) parte(s) agravada(s) intimadas para apresentar contrarrazões,
no prazo de três dias.
Marcos Paulo da Mota Gonçalves Coordenadoria de Processamento
Processo 0600437-85.2020.6.00.0000

index: PRESTAÇÃO DE CONTAS (11531)-0600437-85.2020.6.00.0000-[Prestação de Contas - De Exercício Financeiro]-SÃO


PAULO-AGUDOS
TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL

PRESTAÇÃO DE CONTAS (11531) Nº 0600437-85.2020.6.00.0000 (PJe) - AGUDOS - SÃO PAULO RELATOR: MINISTRO TARCISIO
VIEIRA DE CARVALHO NETO REQUERENTE: PARTIDO DEMOCRÁTICO TRABALHISTA (PDT) - MUNICIPAL
Advogado do(a) REQUERENTE: RICARDO JOSE DE OLIVEIRA - SP380132
RESPONSÁVEL: EDUARDO ANTONIO GOMES Advogado do(a) RESPONSÁVEL: RICARDO JOSE DE OLIVEIRA - SP380132
DECISÃO

PRESTAÇÃO DE CONTAS. EXERCÍCIO FINANCEIRO DE 2019. ÓRGÃO PARTIDÁRIO MUNICIPAL. DISTRIBUIÇÃO AO TSE.
INCOMPETÊNCIA. PRESSUPOSTOS. AUSÊNCIA. EXTINÇÃO DO FEITO SEM RESOLUÇÃO DE MÉRITO

Trata-se de prestação de contas anual, referente ao exercício financeiro de 2019, apresentada pelo órgão municipal do Partido
Democrático Trabalhista (PDT) no Município de Agudos/SP.

Éo necessário relatório.

Decido.

Diário da Justiça Eletrônico do Tribunal Superior Eleitoral. Documento assinado digitalmente conforme MP n. 2.200-2/2001, de 24.8.2001, que institui a Infra
estrutura de Chaves Públicas Brasileira - ICP-Brasil, podendo ser acessado no endereço eletrônico http://www.tse.jus.br
Ano 2020, Número 088 Brasília, quinta-feira, 7 de maio de 2020 Página 5 3

Na espécie, há flagrante equívoco por parte da sigla peticionante, porquanto o TSE não écompetente para o exame originário
de contas prestadas por órgãos partidários municipais.

Ante o exposto, julgo extinta, sem resolução de mérito, a presente prestação de contas, nos termos do art. 485, IV, do Código
de Processo Civil e do art. 36, § 6o, do RITSE, permanecendo hígida a obrigação da agremiação de prestar suas contas perante o
juízo competente, que éo de primeiro grau local.

Publique-se.

Intime-se o partido por carta com aviso de recebimento, se ausente advogado constituído.

Arquive-se.

Brasília, 29 de abril de 2020. Ministro TARCISIO VIEIRA DE CARVALHO NETO Relator


Processo 0600169-81.2019.6.03.0000

index: RECURSO ESPECIAL ELEITORAL (11549)-0600169-81.2019.6.03.0000-[Prestação de Contas - De Candidato, Cargo -


Deputado Estadual, Contas - Aprovação das Contas]-AMAPÁ-MACAPÁ
TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL

RECURSO ESPECIAL ELEITORAL Nº 0600169-81.2019.6.03.0000 –AMAPÁ (Macapá)

Relator: Ministro Tarcisio Vieira de Carvalho Neto


Recorrente: Ministério Público Eleitoral
Recorrido: João de Souza Trajano
Advogados: Nicolau Tork Rodrigues e outra

DECISÃO

ELEIÇÕES 2010. RECURSO ESPECIAL. PROCESSO DE REGULARIZAÇÃO NA PRESTAÇÃO DE CONTAS DE CAMPANHA. DEPUTADO
ESTADUAL. NULIDADE. INTIMAÇÃO DO PARQUET. CUSTOS LEGIS. DEMONSTRAÇAO DE EFETIVO PREJUÍZO . PRINCÍPIO PAS DE
NULLITÉ SANS GRIEF. ART. 219 DO CÓDIGO ELEITORAL. SÚMULA Nº 30/TSE. NEGATIVA DE SEGUIMENTO.

Trata-se de recurso especial interposto pelo Ministério Público Eleitoral contra acórdão do Tribunal Regional Eleitoral do Amapá
(TRE/AP) no qual, por unanimidade, negado provimento ao seu agravo regimental ao fundamento de não estar demonstrado
nos autos prejuízo advindo da ausência de intimação do Ministério Público Eleitoral para intervir na qualidade de custos legis.

Eis a ementa do acórdão regional:

AGRAVO INTERNO. PETIÇÃO. REGULARIZAÇÃO DE CONTAS. ELEIÇÕES 2010. DECISÃO MONOCRÁTICA. NULIDADE.
MANIFESTAÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO ELEITORAL. AUSÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO. RECURSO CONHECIDO E NÃO
PROVIDO.
1. Para a decretação de nulidade da sentença énecessário demonstrar o efetivo prejuízo causado pelo ato defeituoso.
2. Agravo não provido. (ID nº 19807988)

No recurso especial de ID nº 19808288, interposto com fundamento no art. 276, I, a, do Código Eleitoral, o Ministério Público

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Ano 2020, Número 088 Brasília, quinta-feira, 7 de maio de 2020 Página 5 4

Eleitoral alega, em apertada síntese, violação aos arts. 37 da Res.-TSE nº 23.217/2010, 279, caput e §1º, do Código de Processo
Civil, 18, II, h, da Lei Complementar nº 75/93 e 127, caput, da Constituição Federal ao argumento de ser nula a decisão
prolatada sem a devida intimação do Parquet para, na condição de custos legis, manifestar-se nos autos.

Assevera estar demonstrado o prejuízo, “pois a própria preterição do órgão ministerial em intervir tempestivamente no feito
representa, em si mesmo, grave prejuízo para o regular andamento do processo, haja vista que subverte a lógica ritualística de
possibilitar que Parquet efetivamente fiscalize a aplicação da lei no processo (ID no 19808288, fl. 5).

O recurso especial foi admitido (ID nº 19808438).

O prazo para contrarrazões transcorreu in albis.

Em parecer de ID nº 27790138, a Procuradoria-Geral Eleitoral opina pelo provimento do recurso especial.

Éo relatório.

Decido.

Consoante a moldura fática delineada no acórdão, o TRE/AP, por unanimidade, negou provimento ao agravo regimental
interposto pelo Parquet Eleitoral em virtude de considerar inexistir, àespécie, nulidade da decisão monocrática proferida sem a
intimação do ora recorrente para se manifestar na condição de custos legis.

Por oportuno, reproduzo fragmentos do voto condutor do acórdão recorrido:

O cerne do agravo reside na alegação de nulidade da decisão monocrática por ausência de intimação do Ministério Público
Eleitoral para intervir na condição de fiscal da ordem jurídica antes da prolação da decisão.

Como bem pontuou o Ministério Público Eleitoral, a Resolução TSE nº 23.217/2010, aplicável às prestações de contas de
campanha das eleições de 2010, não estabelece um rito específico para o pedido de regularização de contas julgadas não
prestadas, diferentemente das disposições contidas na Resolução TSE de nº 23.406/2014 (aplicável às eleições de 2014) e
resoluções posteriores.

A única menção ao pedido de regularização de contas na Resolução TSE nº 23.217/2010, está prevista no parágrafo único do
art. 39, nos seguintes termos:

Art. 39. [...]


Parágrafo único. Julgadas não prestadas, mas posteriormente apresentadas, nos termos dos arts. 29 e 33 desta resolução, as
contas não serão objeto de novo julgamento, sendo considerada a sua apresentação apenas para fins de divulgação e de
regularização no Cadastro Eleitoral ao término da legislatura.

Embora limitada a redação do dispositivo, assiste razão ao Ministério Público no sentido de que o silêncio da norma não deve
ser interpretado no sentido de tornar dispensável a sua intervenção.

Ademais, a previsão expressa da intervenção do a Parquet partir da Resolução que disciplinou a prestação de contas do pleito
de 2014 e nas resoluções seguintes, afasta qualquer dúvida acerca do procedimento a ser adotado para os pedidos de
regularização de contas referentes aos pleitos anteriores a 2014.

Na espécie, reconheço o ato defeituoso decorrente da ausência de intimação do órgão ministerial para manifestar-se antes de

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Ano 2020, Número 088 Brasília, quinta-feira, 7 de maio de 2020 Página 5 5

proferida a decisão monocrática que deferiu o pedido de regularização das contas do agravado.

Verifico, no entanto, que o Ministério Público Eleitoral agravou da decisão sem demonstrar o efetivo prejuízo causado pela
ausência de intimação para intervir no processo.

Sobre o tema, dispõe o art. 219 do Código Eleitoral:

Art. 219. Na aplicação da lei eleitoral o juiz atenderá sempre aos fins e resultados a que ela se dirige, abstendo-se de pronunciar
nulidades sem demonstração de prejuízo.

No mesmo sentido dispõe o §2º do art. 279 do Código de Processo Civil:

Art. 279. Énulo o processo quando o membro do Ministério Público não for intimado a acompanhar o feito em que deva
intervir.
§1º. [...]
§2º. A nulidade só pode ser decretada após a intimação do Ministério Público, que se manifestará sobre a existência ou a
inexistência de prejuízo.

Portanto, com base nos dispositivos referidos, ao magistrado compete apreciar o prejuízo apontado para decidir sobre a
decretação da nulidade do ato defeituoso.
[...]
Pois bem. A decretação de nulidade pela falta de intervenção ministerial deve ser apreciada em conformidade com as regras
processuais, as quais consagram, como visto, o princípio do aproveitamento dos atos processuais defeituosos e o princípio da
instrumentalidade das formas. Nessa linha, pode-se inferir que a nulidade só deve ser decretada na exata medida em que a não
observância do procedimento previsto em lei causar prejuízo ao processo de modo irreversível, sem possibilidade de aproveitar
o ato defeituoso. Se não há demonstração do efetivo prejuízo, ainda que o ato seja defeituoso por não ter sido praticado de
acordo com a forma prescrita em lei, a nulidade não deve ser pronunciada.

Cabe ressaltar, por oportuno, que o pedido de regularização de contas do interessado foi deferido após análise criteriosa da
unidade técnica desta Corte, órgão responsável pelo exame das receitas e despesas declaradas em confronto com dados
obtidos a partir do cruzamento de informações de instituições financeiras, fisco e sistemas eleitorais.

A decisão judicial, e até mesmo o parecer ministerial, ainda que não acolham o parecer técnico, não podem desconsiderar a
referida análise, haja vista que o órgão técnico também éresponsável pela verificação da origem das receitas, devendo apontar
recursos de fonte vedada e/ou de origem não identificada.

Àvista disso, impende esclarecer que antes do deferimento do pedido de regularização foram adotadas todas as cautelas
necessárias para o fim de atestar a regularidade das contas.

Com efeito, não se pretende desvalorizar a atuação do órgão ministerial neste feito, pois a intervenção do éindispensável para a
garantia da ordem Parquet jurídica, contudo, a nulidade deve ser alegada a partir da demonstração do efetivo prejuízo, ônus do
qual o Ministério Público não se desobrigou.

No caso dos autos, embora a decisão não tenha sido precedida de manifestação ministerial, não verifico prejuízo que imponha
a decretação de nulidade. Na verdade, a decretação de nulidade no caso vertente seria medida excessivamente drástica e sem
amparo nas regras que regem o processo.

Por todo o exposto, voto pelo não provimento do recurso.

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Écomo voto (ID nº 19808238, fls. 2-4).

Sustenta o Parquet recorrente, com amparo na alegada violação aos arts. 37 da Res.-TSE nº 23.217/2010, 279, caput e §1º, do
Código de Processo Civil, 18, II, h, da Lei Complementar nº 75/93 e 127, caput, da Constituição Federal, o desacerto do acórdão
regional, pois, a seu sentir, nula a decisão proferida sem a intervenção obrigatória do Ministério Eleitoral como fiscal da ordem
jurídica.

Sem razão, contudo.

Àluz dos princípios da instrumentalidade das formas e da economia processual, nos feitos eleitorais vigora o princípio pas de
nullité sans grief, segundo o qual a declaração de nulidade de um ato processual está condicionada àcomprovação de efetivo e
real prejuízo.

Tal princípio encontra-se consagrado no art. 219 do Código Eleitoral, que dispõe, in verbis: “n a aplicação da lei eleitoral, o juiz
atenderá sempre aos fins e resultados a que ela se dirige, abstendo-se de pronunciar nulidades sem demonstração do prejuízo”.

Com efeito, esta Corte Superior entende que “no processo eleitoral brasileiro –e nos processos em geral –não se declara
nulidade de determinado ato sem a demonstração do efetivo prejuízo para a parte (art. 219 do CE). Não basta a mera
irregularidade formal do ato, necessário se faz demonstrar o dano efetivamente sofrido (AgR-AI nº 8.434/SP, Rel. Min. Carlos
Ayres Britto, julgado em 5.5.2008 –grifei). No mesmo sentido, confiram-se ainda: AIJE nº 1943-58/DF, Rel. Min. Herman
Benjamin, DJe de 12.9.2018, e AI nº 650-41/SC, Rel. Min. Gilmar Mendes, DJe de 13.5.2015.

Na espécie, a Corte Regional, instância exauriente na análise de fatos e provas e em consonância com a jurisprudência pacífica
desse Tribunal Superior, refutou a tese de nulidade da decisão monocrática ao assentar que, in casu, “seria medida
excessivamente drástica e sem amparo nas regras que regem o processo” (ID nº 19808238, fl. 3) ante a ausência de
demonstração de prejuízo.

Tal conclusão não está a merecer reparos, porquanto a anulação da decisão por ausência de intervenção ministerial somente se
justificaria se caracterizado efetivo prejuízo advindo da alegada nulidade, circunstância nem sequer aventada pelo recorrente
nas razões recursais, razão pela qual se aplica o quanto disposto no supracitado art. 219 do Código Eleitoral.

Em vista disso, por estar o acórdão recorrido em consonância com a jurisprudência desta Corte Superior, éde rigor a incidência
da Súmula nº 30/TSE, igualmente aplicável aos recursos manejados por afronta a lei (AgR-REspe nº 448-31/PI, Rel. Min. Tarcisio
Vieira de Carvalho Neto, DJe de 10.8.2018).

Nada há a prover, portanto, quanto àpretensão recursal.

Ante o exposto, nego seguimento ao recurso especial, com base no art. 36, §6º, do Regimento Interno do Tribunal Superior
Eleitoral.

Publique-se.

Brasília, 28 de abril de 2020.

Ministro Tarcisio Vieira de Carvalho Neto


Relator
Processo 0600010-88.2020.6.00.0000

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PETIÇÃO (1338) - 0600010-88.2020.6.00.0000 - BRASÍLIA - DISTRITO FEDERAL RELATOR(A): MINISTRO(A) LUIZ EDSON FACHIN
REQUERENTE: PARTIDO SOCIALISTA BRASILEIRO (PSB) - NACIONAL, RICARDO AUGUSTO MACHADO DA SILVA Advogados do(a)
REQUERENTE: CAIO VINICIUS ARAUJO DE SOUZA - DF59109, FELIPE SANTOS CORREA - DF53078, MARIANA ALBUQUERQUE
RABELO - DF4491800A, RAFAEL DE ALENCAR ARARIPE CARNEIRO - DF2512000A Advogados do(a) REQUERENTE: ANTONIO
ALEIXO DA COSTA - SP2005640A, SHELLY GIULEATTE PANCIERI - DF5918100A, ANTONIO PEDRO MACHADO - DF5290800A,
SERGIO ANTONIO FERREIRA VICTOR - DF1927700A, THIAGO FERNANDES BOVERIO - DF22432 REQUERIDO: LUIZ LAURO
FERREIRA FILHO, PARTIDO DA SOCIAL DEMOCRACIA BRASILEIRA (PSDB) - NACIONAL Advogado do(a) REQUERIDO: BRUNO
AURELIO RODRIGUES DA SILVA PENA - GO3367000A Advogados do(a) REQUERIDO: ANTONIO CESAR BUENO MARRA -
DF1766000S, VIVIAN CRISTINA COLLENGHI CAMELO - DF2499100A, ALESSANDRO PEREIRA LORDELLO - DF2128400A, JOAO
PAULO CHAVES DE ALCKMIN - DF50504, JOSE AUGUSTO RANGEL DE ALCKMIN - DF0711800A, JOSE EDUARDO RANGEL DE
ALCKMIN - DF0297700A, RAQUEL BOTELHO SANTORO CEZAR - DF28868, JOSE ROBERTO FIGUEIREDO SANTORO - DF05008,
EUGESIO PEREIRA MACIEL - DF5332600A, GUSTAVO GUILHERME BEZERRA KANFFER - DF2083900A, FLAVIO HENRIQUE COSTA
PEREIRA - SP1313640A
INTIMAÇÃO PARA CONTRARRAZÕES A AGRAVO REGIMENTAL
Considerando a interposição de agravo regimental, fica(m) a(s) parte(s) agravada(s) intimadas para apresentar contrarrazões,
no prazo de três dias.
Marcos Paulo da Mota Gonçalves Coordenadoria de Processamento
Processo 0601088-92.2018.6.25.0000

TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL


ACÓRDÃO
AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL ELEITORAL No 0601088-92.2018.6.25.0000 –ARACAJU –SERGIPE
Relator: Ministro Luís Roberto Barroso
Agravante: Fábio Henrique Santana de Carvalho
Advogados: Mario Cesar Vasconcelos Freire de Carvalho –OAB: 2725/SE e outros
Direito Eleitoral. Agravo interno no recurso especial eleitoral. Eleições 2018. Prestação de contas. Desaprovação. Súmula nº
24/TSE. Desprovimento. 1. Agravo interno interposto contra decisão monocrática que negou seguimento a recurso especial
eleitoral. 2. O acórdão regional, soberano na análise dos fatos e das provas, concluiu que: (i) houve omissão de despesas no
valor de R$ 7.308,04 (sete mil, trezentos e oito reais e quatro centavos); (ii) foram realizadas despesas no valor de R$
147.416,00 (cento e quarenta e sete mil, quatrocentos e dezesseis reais) antes da abertura de conta bancária específica; e (iii) o
valor total das referidas irregularidades correspondeu a 31,63% (trinta e um vírgula sessenta e três por cento) dos gastos totais
da campanha. 3. Para analisar os argumentos apresentados pelo agravante –no sentido de que (i) não houve qualquer
pagamento antes da abertura da conta bancária de campanha, mas apenas a assinatura de contratos; (ii) não há nos autos
qualquer despesa omitida na prestação de contas, visto que as despesas apontadas foram realizadas pelo partido político, e não
pelo candidato; e (iii) houve um erro da empresa Facebook Serviços Online do Brasil Ltda. ao emitir notas fiscais de serviços
prestados a terceiros em nome do candidato –, éimprescíndivel o reexame de fatos e provas, o que évedado nesta instância
especial. Incide a Súmula nº 24/TSE, segundo a qual “não cabe recurso especial eleitoral para simples reexame do conjunto
fático-probatório”. 4. Agravo interno a que se nega provimento.
Acordam os ministros do Tribunal Superior Eleitoral, por unanimidade, em negar provimento ao agravo regimental, nos termos
do voto do relator.
Brasília, 16 de abril de 2020.

MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO – RELATOR

RELATÓRIO

O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO: Senhora Presidente, trata-se de agravo interno contra decisão monocrática, de
minha relatoria, que negou seguimento a recurso especial eleitoral interposto por Fábio Henrique Santana de Carvalho,
candidato nas Eleições 2018 ao cargo de deputado estadual, que teve suas contas desaprovadas pelo Tribunal Regional Eleitoral
de Sergipe (TRE/SE). A decisão agravada foi assim ementada (ID 16887188):
“Direito eleitoral e Processual Civil. Recurso Especial Eleitoral. Eleições 2018. Prestação de contas. Desaprovação. Incidência da
Súmula nº 24/TSE. Negativa de seguimento. 1. Recurso especial eleitoral interposto contra acórdão que desaprovou as contas
de campanha de candidato a deputado estadual nas Eleições 2018. 2. O Tribunal Regional desaprovou as contas de campanha

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Ano 2020, Número 088 Brasília, quinta-feira, 7 de maio de 2020 Página 5 8

do recorrente em razão das seguintes irregularidades: (i) omissão de despesas e (ii) realização de despesas antes da abertura da
conta bancária. Também consignou que o valor total das falhas correspondeu a 31,63% dos gastos totais da campanha. 3. Para
chegar às conclusões pretendidas pelo recorrente, no sentido de inexistência de parte das irregularidades apontadas, bem
como de ausência de comprometimento da confiabilidade das contas, seria necessário o revolvimento do acervo fático-
probatório dos autos. Referido procedimento évedado nesta instância especial, nos termos da Súmula nº 24/TSE, segundo a
qual “não cabe recurso especial eleitoral para simples reexame do conjunto fático-probatório”. 4. Recurso especial a que se
nega seguimento”.
2. O agravante sustenta, em síntese, que não incide a Súmula nº 24/TSE, porque não pretende o revolvimento de provas, tendo
em vista que as questões debatidas são incontroversas nos autos (ID 17131188). Cita precedentes no sentido de que o Tribunal
Superior Eleitoral pode proceder a revaloração jurídica de fatos incontroversos.
3. Éo relatório.

VOTO

O SENHOR MINISTRO LUÍS ROBERTO BARROSO (relator): Senhora Presidente, o agravo deve ser desprovido, tendo em vista que
a parte recorrente não traz argumentos suficientes para modificar a conclusão exposta na decisão agravada.
2. Na hipótese, a decisão monocrática concluiu que o acolhimento da pretensão do recurso especial demandaria reexame de
fatos e provas, procedimento vedado nos termos da Súmula nº 24/TSE: “Não cabe recurso especial eleitoral para simples
reexame do conjunto fático-probatório”.
3. Em seu agravo interno, o recorrente sustenta que não pretende o reexame de fatos e provas, mas tão somente a revaloração
jurídica, já que a questão debatida éincontroversa nos autos. Não éesta, todavia, a conclusão a que se chega.
4. O Tribunal de origem, soberano na análise dos fatos e das provas, consignou expressamente que, na prestação de contas: (i)
houve omissão de despesas no valor de R$ 7.308,04 (sete mil, trezentos e oito reais e quatro centavos); (ii) foram realizadas
despesas no valor de R$ 147.416,00 (cento e quarenta e sete mil, quatrocentos e dezesseis reais) antes da abertura de conta
bancária específica; e (iii) o valor total das referidas irregularidades correspondeu a 31,63% (trinta e um vírgula sessenta e três
por cento) dos gastos totais da campanha. Confiram-se os seguintes excertos do acórdão recorrido (ID 11030988):
“2.1. Omissões de Despesas na Prestação de Contas Mediante circularização e/ou informações voluntárias de campanha e/ou
confronto com notas fiscais eletrônicas de gastos eleitorais, a SECEP descobriu a existência das despesas abaixo, que não foram
declaradas na prestação de contas do promovente. [...] O promovente, afirmando que as despesas foram realizadas, na
verdade, pelo órgão estadual do PDT, juntou os documentos ID 39668, em que se avistam as notas fiscais 3021, 4055 e 7708
(totalizando R$ 360,50), nas quais consta a referida agremiação partidária (PDT) como destinatária dos produtos fornecidos. Foi
também juntado um ‘pedido de venda’ emitido pela FASOUTO, no valor de R$ 145,00, que não comprova que tenha havido
fornecimento para o partido (PDT). Quanto àNota Fiscal do FACEBOOK, o interessado trouxe uma declaração da empresa
Innuve Comunicação Digital Ltda.’ (ID 397318), informando que o total registrado nas notas fiscais 338536 e 04536435 (R$
7118,41) corresponderia a despesas com impulsionamento de Fábio Henrique e de mais quatro candidatos e que, em razão da
política de emissão de nota fiscal do Facebook, tais documentos teriam sido emitidos somente em nome de Fábio Henrique.
Conquanto o promovente tenha juntado um boleto emitido pelo banco Santander (ID 161718), em benefício de ‘Adyen a
serviço do Facebook_Ads_BR’, no valor de R$ 3.000,00, que se encontra registrado no extrato da prestação de contas (ID
443018) como ‘Despesa com Impulsionamento de Conteúdo’, não épossível relacioná-lo às NF´s 338536 e 4536435 (somando
R$ 7118,41), uma vez que elas não se encontram nos autos. Ademais, o interessado sequer relacionou os outros quatro
candidatos cujos impulsionamentos também estariam contidos nas referidas notas fiscais. Dessa forma, não superadas as
ocorrências relativas às notas fiscais nº 3542, 6403, 338536 e 4536435, permanece a omissão da informação de despesas
prestação de contas, no montante de R$ 7.380,04, que representa cerca de 1,51% dos gastos de campanha (R$ 489.371,66 - ID
443018). 2.2. Realização de despesas antes da abertura da conta bancária A SECEP assinalou violação às normas veiculadas nos
artigos 3º, III, e 38 da Resolução TSE 23.553/2017, haja vista a realização de várias despesas entre os dias 16.08 e 20.08, período
que antecedeu a abertura da conta bancária específica de campanha, ocorrida em 22.08.18. Relacionou a Unidade Técnica, no
item 5.1 do Parecer Técnico Conclusivo (ID 506818), a realização de 75 despesas antes da abertura da conta, no montante de R$
147.416,00, referentes a locação de veículos, confecção de bandeiras, panfletagens, porta bandeira, serviços de motoristas etc.
Por sua vez, o promovente argumentou não ter havido despesa antes da abertura da conta, apenas a contratação dos serviços,
sem a realização de nenhum pagamento. Ocorre que, por expressa disposição legal (art. 38, §1°, da Resolução TSE
23.553/2017), os gastos eleitorais efetivam-se na data de sua contratação, independentemente do dia do seu efetivo
pagamento. Além disso, a abertura da conta bancária específica écondição sine qua non para a efetivação dos gastos. Nesse
sentido éa jurisprudência do TSE (AgR no RESPE nº 060035378/AM, Acórdão de 02/08/2018, Rel. Min. Rosa Weber, DJE de
10/10/2018), cuja ementa foi reproduzida no ponto 2.1 deste voto. Além disso, na tabela elaborada pela unidade técnica (item
5.1 do Parecer Conclusivo ID 506818) constam a data da realização da despesa e a NF/Recibo, o que denota que a ocorrência do
pagamento na data mencionada (de 16 a 20.08.18). Data da abertura da conta bancária: 22.08.2018. De acordo com a SECEP,
tais gastos perfazem o montante de R$ 147.416,00, o que representa 30,12% das despesas da campanha (R$ 489.371,66 - ID
443018). Isto posto, forçoso concluir que se cuida de uma irregularidade grave que vulnera a confiabilidade das contas. Assim, o
montante das irregularidades relativas às despesas, R$ 154.796,04, correspondentes aos valores omitidos na prestação de

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contas (R$ 7.380.04) e às despesas realizadas antes da abertura da conta bancária (R$ 147.416,00), alcança cerca de 31,63% dos
gastos totais da campanha (R$ 489.371,66). [...] Como demonstrado, as irregularidades remanescentes -- omissão de despesas e
gastos antes da abertura da conta bancária -- constituem vícios graves, que afastam a incidência do artigo 30, incisos I e II, da
Lei n.º 9.504/1997, inclusive dos §§2º e 2º-A do dispositivo, não havendo que se falar em aprovação das contas mediante
aplicação dos postulados da proporcionalidade e da razoabilidade. Posto isso, diante do conjunto das irregularidades constantes
dos pontos 2.1 (omissões de despesas) e 2.2 (realização de despesas antes da abertura da conta bancária) acima, que
representa cerca de 31,63% dos gastos totais da campanha, com fundamento no artigo 77, III, da Resolução TSE 23.553/2017,
VOTO pela desaprovação da contas da campanha de Fábio Henrique Santana de Carvalho, para o cargo de deputado federal,
nas eleições de 2018”.
5. Em seu recurso especial eleitoral, o recorrente pleiteia a aprovação de suas contas de campanha sob os seguintes
fundamentos: (i) violação ao art. 30 da Lei nº 9.504/1997 e ao art. 77 da Res.-TSE nº 23.553/2018, na medida em que não
houve qualquer pagamento antes da abertura da conta bancária de campanha, mas apenas a assinatura de contratos; (ii) a
irregularidade, ainda que em percentual relevante, não compromete a confiabilidade dos documentos apresentados; (iii) não há
nos autos qualquer despesa omitida na prestação de contas, visto que as despesas apontadas foram realizadas pelo partido
político, e não pelo candidato; e (iv) houve um erro da empresa Facebook Serviços Online do Brasil Ltda. ao emitir notas fiscais
de serviços prestados a terceiros em nome do candidato (ID 11031988).
6. Ora, diversamente do que alegado no agravo interno, não há premissas incontroversas que autorizem a mera revaloração
jurídica. Isso porque, em relação aos fundamentos acima elencados, o Tribunal Regional concluiu o seguinte: (i) quanto ao
primeiro, considerou que deve ser observada a data da contratação da despesa e não a data do efetivo pagamento e, ainda
assim, houve recibos e notas fiscais demonstrando pagamentos antes da abertura da conta-corrente; (ii) quanto ao segundo,
especialmente por ocasião do julgamento dos Embargos de Declaração, que a situação verificada compromete a regularidade
das contas, elemento suficiente àdesaprovação; (iii) quanto ao terceiro, que não houve comprovação de que todas as despesas
foram realizadas em favor do partido; e, (iv) quanto ao quarto, que não foi demonstrada a fragmentação dos serviços pelo
Facebook a outros candidatos.
7. Portanto, para analisar os argumentos apresentados pelo agravante, éimprescindível o reexame de fatos e provas, o que
évedado nesta instância especial.
8. Diante do exposto, nego provimento ao agravo regimental.
9. Écomo voto.

EXTRATO DA ATA

AgR-REspe nº 0601088-92.2018.6.25.0000/SE. Relator: Ministro Luís Roberto Barroso. Agravante: Fábio Henrique Santana de
Carvalho (Advogados: Mario Cesar Vasconcelos Freire de Carvalho –OAB: 2725/SE e outros).
Decisão: O Tribunal, por unanimidade, negou provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do relator.
Composição: Ministra Rosa Weber (presidente), Ministros Luís Roberto Barroso, Edson Fachin, Og Fernandes, Luis Felipe
Salomão, Tarcisio Vieira de Carvalho Neto e Sérgio Banhos.
Vice-Procurador-Geral Eleitoral: Renato Brill De Góes.

SESSÃO DE 16.4.2020.

Processo 0607576-36.2018.6.26.0000

index: AGRAVO DE INSTRUMENTO (1320)-0607576-36.2018.6.26.0000-[Prestação de Contas - De Candidato, Cargo - Deputado


Estadual, Contas - Desaprovação/Rejeição das Contas]-SÃO PAULO-SÃO PAULO
TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL

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AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 0607576-36.2018.6.26.0000 –CLASSE 1320 –SÃO PAULO –SÃO PAULO


Relator: Ministro Sérgio Banhos
Agravante: Aline Maria de Moura
Advogados: Gustavo Salustiano da Silva —OAB: 381581/SP e outros

DECISÃO

Aline Maria de Moura interpôs agravo de instrumento (ID 20888138) em face da decisão do Presidente do Tribunal Regional
Eleitoral de São Paulo (ID 20887888) que negou seguimento a recurso especial eleitoral (ID 20887738), manejado em oposição
a acórdão (ID 20885688) que, por unanimidade, desaprovou as suas contas de campanha, referentes às Eleições de 2018, nas
quais concorreu ao cargo de deputado estadual do Estado de São Paulo, determinando o recolhimento dos valores de R$
7.253,96 e R$ 22.765,96 ao Tesouro Nacional.
Eis a ementa do acórdão regional (ID 20885738):
PRESTAÇÃO DE CONTAS. ELEIÇÕES 2018. DEPUTADO ESTADUAL. IRREGULARIDADES:
Divergências na movimentação financeira registrada na prestação de contas e aquela constante dos extratos eletrônicos;
Dívida de campanha, no montante de R$ 7.233,92;
Recursos não utilizados do FEFC e não recolhidos ao Tesouro Nacional.
ARTS. 36; 53, §5º; E 56, I, “G”, DA RESOLUÇÃO 23.553/2017. RECOLHIMENTO DE VALORES AO TESOURO NACIONAL. FALHAS
QUE COMPROMETEM A REGULARIDADE, A CONFIABILIDADE E A TRANSPARÊNCIA DAS CONTAS. VÍCIOS SUPERAM 100% DO
TOTAL ACUMULADO DE RECEITA. INAPLICABILIDADE DOS PRINCÍPIOS DA INSIGNIFICÂNCIA, DA PROPORCIONALIDADE E DA
RAZOABILIDADE. DESAPROVAÇÃO DAS CONTAS COM DETERMINAÇÃO.

Opostos os primeiros embargos de declaração (ID 20886088), foram eles rejeitados em acórdão assim ementado (ID
20886688):
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ALEGAÇÃO DE OMISSÃO. TODA A CONTROVÉRSIA TRAZIDA AOS AUTOS FOI ENFRENTADA E
DECIDIDA. AINDA QUE OPOSTOS APENAS COM A FINALIDADE DE PREQUESTIONAMENTO, OS EMBARGOS NÃO DEVEM SER
ADMITIDOS QUANDO O JULGADO NÃO PADECER DE VÍCIO. EMBARGOS REJEITADOS.
Em seguida, opôs-se segundos embargos de declaração (ID 20886938), os quais foram novamente rejeitados, em acórdão assim
ementado (ID 20887388):
SEGUNDOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ALEGAÇÃO DE OMISSÁO. TODA A CONTROVÉRSIA TRAZIDA AOS AUTOS FOI
ENFRENTADA E DECIDIDA. AINDA QUE OPOSTOS APENAS COM A FINALIDADE DE PREQUESTIONAMENTO, OS EMBARGOS NÃO
DEVEM SER ADMITIDOS QUANDO O JULGADO NÃO PADECER DE VÍCIO. INAPLICABILIDADE DA PENALIDADE PREVISTA NO ART.
275, §6º, DO CÓDIGO ELEITORAL. EMBARGOS REJEITADOS.
A agravante alega, em suma, que:
a) não éda competência do Presidente do Tribunal a quo realizar juízo meritório acerca da interposição do recurso especial,
mas, tão somente, analisar o preenchimento dos pressupostos legais de admissibilidade;
b) não há falar em ofensa ao verbete sumular 24 do Tribunal Superior Eleitoral, haja vista que o TRE/SP violou legislação federal
e contrariou decisões proferidas por tribunais eleitorais ao desconsiderar os documentos e esclarecimentos trazidos pela
agravante capazes de modificar a conclusão contida na decisão regional;
c) há afronta ao art. 489, §1, do Código de Processo Civil, bem como ao art. 93, IX, da Constituição Federal, porquanto o
acórdão recorrido deixou de analisar os argumentos e documentos capazes de sanar as falhas tidas por irregulares, mesmo após
a oposição de embargos de declaração;
d) há, também, violação aos arts. 30, §2º e 2º-A da Lei 9.504/97 e art. 435 do Código de Processo Civil, pois os pontos elencados
pelo órgão técnico que desencadearam a desaprovação de suas contas —ausência de registro de gastos com combustíveis e
divergências na movimentação financeira, registradas na prestação de contas e nos extratos bancários —foram esclarecidos
com a juntada de documentos quando da oposição dos primeiros declaratórios;
e) quanto aos gastos com combustível, a falha se refere a gasto pessoal da candidatura e, portanto, nos termos do art. 60, §5º,
da resolução, não permitem a desaprovação das contas e, por equívoco, foi lançada em sua prestação;
f) por sua vez, com relação àdívida de campanha, ainda está em trâmite o procedimento de regularização, nos termos da
legislação eleitoral;
g) com relação àausência de utilização de recursos provenientes do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, foi

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esclarecido que este não foi recolhido ao Tesouro Nacional, haja vista que este foi utilizado nas contas da ora embargante (ID
20888138, p. 11);
h) a jurisprudência do TSE éuníssona no sentido de que meros equívocos formais no processo de prestação de contas não
geram sua automática desaprovação e possibilita a aplicação dos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade para
aprovação com ressalvas. Cita precedentes.
Requer o conhecimento e o provimento do agravo, a fim de que o recurso especial seja processado para integral provimento,
com a consequente reforma do acórdão recorrido.
A douta Procuradoria-Geral Eleitoral emitiu parecer opinando pelo conhecimento do agravo, para conhecer parcialmente o
recurso especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento (ID 28064938).
Éo relatório.

Decido.
O agravo étempestivo. A agravante foi intimada da decisão agravada em 4.12.2019, conforme consulta pública do PJE do
TRE/SP, e o apelo foi interposto em 5.12.2019 (ID 20888088), por advogado habilitado nos autos (ID 20884688).
Na decisão do juízo de admissibilidade, negou-se trânsito ao recurso especial, uma vez que seria necessária a análise do acervo
fático-probatório dos autos, cujo obstáculo está previsto na incidência do verbete sumular 24 do Tribunal Superior Eleitoral.
Preliminarmente, a agravante aduz que o Presidente do Tribunal a quo não seria competente para realizar qualquer juízo
meritório acerca da interposição do recurso especial, mas, tão somente, analisar o preenchimento dos pressupostos legais de
admissibilidade.
Todavia, a jurisprudência épacífica no sentido de que não há usurpação de competência quando o Tribunal a quo “por ocasião
da análise da admissibilidade do recurso especial, adentrar no mérito recursal sem que isso implique usurpação de
competência. Isso porque este Tribunal não está vinculado ao juízo de admissibilidade realizado na instância de origem (AgR-
AI 8-40, rel. Min. Luís Roberto Barroso, DJE de 25.2.2019).
Ademais, observo que, não obstante a agravante ter impugnado os fundamentos da decisão que negou seguimento ao seu
apelo, o agravo não prosperaria, haja vista a inviabilidade do recurso especial.
Na espécie, o TRE/SP desaprovou as contas de campanha da agravante, referentes às Eleições de 2018, nas quais concorreu ao
cargo de deputado estadual do Estado de São Paulo, determinando o recolhimento dos valores de R$ 7.253,96 e R$ 22.765,96
ao Tesouro Nacional, com fundamento nos arts. 36, 53 e 56, I, g, da Res.-TSE 23.553.
Nas razões do recurso especial, a agravante alega, preliminarmente, que o acórdão regional violou os arts. 489, §1º, do Código
de Processo Civil e 93, IX da Constituição Federal, pois, a despeito da oposição de embargos de declaração, o Tribunal de origem
não teria sanado omissão no aresto embargado, persistindo a ausência de enfrentamento de diversos argumentos e
documentos capazes de afastar as irregularidades apontadas pelo órgão técnico.
Todavia, tal alegação foi deduzida de forma genérica, não tendo a agravante se desincumbido do ônus de especificar com
clareza quais teriam sido os argumentos e documentos supostamente não examinados pelo tribunal a quo e de que modo eles
infirmariam a decisão proferida, o que impede a aferição de efetiva afronta aos dispositivos apontados como violados e atrai a
incidência do verbete sumular 27 do Tribunal Superior Eleitoral.
Ademais, observo que o recurso especial édeficiente porque, ao alegar genericamente a ofensa aos arts. 489, §1º, do Código de
Processo Civil e 93, IX, da Constituição Federal, não particulariza pontualmente a questão ou o argumento não enfrentado.
Nesse sentido: “Écristalina a deficiência recursal (Súmula nº 27/TSE) uma vez que, observados o art. 489, §1º, IV, do CPC e a
técnica da fundamentação suficiente, adotada pelo ordenamento brasileiro, para se acolher a tese em exame, seria
imprescindível que os recorrentes demonstrassem de que forma os pontos supostamente omitidos pelo Tribunal Regional
infirmariam a decisão proferida, ônus do qual não se desincumbiram. 4. Inconsistente a tese de afronta aos arts. 93, IX, da
Constituição Federal (CF), 275 do CE, 489, §1º, IV, e 1.022 do CPC, porquanto o TRE/SC, em observância àtécnica de
fundamentação adotada pela legislação pátria, revelou suficientemente os motivos da decisão (ED-REspe 3-19, rel. Min.
Tarcisio Vieira de Carvalho Neto, DJE de 12.3.2020).
Assim, não vislumbro ofensa aos dispositivos acima citados.
No que diz respeito ao mérito, aponta-se malferimento do art. 30, §§2º e 2º-A e do art. 435 do CPC, bem como dissenso
jurisprudencial.
No que diz respeito ao art. 435 do CPC, verifico que não há exposição específica acerca dessa contrariedade legal, a atrair a
incidência do verbete sumular 27 desta Corte Superior. Ademais, verifico que eventual questão específica associada a tal
preceito normativo igualmente não foi debatida e decidida no âmbito da Corte de origem, a evidenciar falta de
prequestionamento no ponto, nos termos do que dispõe o verbete sumular 72 do TSE.
Quanto àmatéria de fundo, destaco o seguinte trecho do acórdão regional (ID 20885688):
De acordo com o órgão técnico deste e. Tribunal, a impropriedade identificada no item 1 do parecer preliminar foi sanada,

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subsistindo as irregularidades dos itens 2, 3 e 4.


Verifica-se que, apesar de devidamente intimada, a candidata não apresentou esclarecimentos quanto aos apontamentos
feitos nos itens 3 e 4.
Item 2.1. Foi identificada despesa com combustíveis, no montante de R$ 20,04, sendo que não há registro desse gasto no
extrato eletrônico, indicando o recebimento de recursos de origem não identificada e ensejando o recolhimento da quantia
correspondente ao Tesouro Nacional.
Item 2.2. Foram constatadas, ainda, divergências na movimentação financeira registrada na prestação de contas e aquela
constante nos extratos bancários [...].
[...]
Nos termos do parecer técnico, “a ausência da prestação de contas retificadora e documentos comprobatórios das despesas
impede o saneamento da irregularidade, na medida em que não épossível verificar a correspondência entre os gastos eleitorais
e as operações bancárias”.
A movimentação financeira indica que foram realizados gastos que não foram registrados na prestação de contas, além de não
terem sido apresentados documentos que se relacionem com a despesa, configurando irregularidade que vai de encontro ao
disposto nos arts. 56, I, “g”, e 63, da Resolução TSE n.º 23.553/2017.
Item 3. Foi constatada dívida de campanha, no valor de R$ 7.233,92, decorrente da insuficiência de recursos para adimplir as
obrigações que foram contraídas até a data do pleito.
De acordo com o art. 36, da Resolução TSE n.º 23.553/2017, “a existência de débitos de campanha não assumidos pelo partido,
na forma prevista no §2º do art. 35 desta resolução, será aferida na oportunidade do julgamento da prestação de contas do
candidato e poderá ser considerada motivo para sua rejeição”.
Écediço que a existência de dívida de campanha éirregularidade que, por si só, tem potencial de acarretar a desaprovação das
contas, uma vez que impede que se conheça a origem dos recursos que serão utilizados para pagar o débito, sendo passível,
inclusive, de recolhimento ao Tesouro Nacional.
Em razão disso, para permitir a fiscalização da origem dos recursos utilizados para pagamento das despesas, o art. 35, §1º, da
Resolução TSE n.º 23.553/2017, estabelece que as dívidas assumidas na campanha devem estar integralmente pagas até o
prazo de entrega da prestação de contas àJustiça Eleitoral.
Cumpre salientar que a existência de dívida de campanha não obsta a aprovação das contas do candidato ou do comitê
financeiro, caso seja assumida a obrigação pelo partido, que deverá indicar na sua prestação de contas anual as rubricas
referentes às despesas de campanha não quitada.
Frise-se, entretanto, que tal benesse pode ser concedida para que não se afaste da Justiça Eleitoral a fiscalização quanto aos
valores utilizados no pagamento do débito, evitando tentativas de burla àlegislação eleitoral de forma indireta, como, por
exemplo, a utilização de valores oriundos de fonte vedada para pagamento de despesas de campanha.
[...]
Nesse contexto, uma vez que a existência de dívida de campanha caracteriza o possível recebimento de recursos de origem não
identificada, deve o mencionado valor ser recolhido ao Tesouro Nacional, nos termos dos arts. 17, 34, §1º, I, e 35, §5º, II, da
Resolução TSE nº 23.553/2017.
Item 4. Verificou-se que não foram utilizados recursos provenientes do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, no
importe de R$ 22.765,96 (vinte e dois mil, setecentos e sessenta e cinco reais e noventa e seis centavos).
A candidata foi instada para comprovar o recolhimento desses valores ao Tesouro Nacional, todavia, permaneceu inerte.
De acordo com o disposto no art. 53, §5º, da Resolução, “os valores do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC)
eventualmente não utilizados não constituem sobras de campanha e devem ser recolhidos ao Tesouro Nacional integralmente
por meio de Guia de Recolhimento da União (GRU) no momento da prestação de contas”.
Trata-se de irregularidade grave, devendo o montante de R$ 22.765,96 que não foi utilizado ser restituído ao Tesouro Nacional.
Destarte, como os vícios contatados comprometem a regularidade, a confiabilidade e a transparência das contas, outra medida
não há, senão a sua desaprovação.
Por fim, insta salientar que as falhas descritas nos itens 2.1, 2.2, 3 e 4 correspondem a mais de 100% do total de receita
acumulada (R$ 27.098,67 - ID n.º 1873251), razão pela são inaplicáveis àespécie os princípios da insignificância, da
proporcionalidade e da razoabilidade.
Diante do exposto, julgo desaprovadas as contas de ALINE MARIA DE MOURA, relativas àcampanha eleitoral de 2018,
conforme o art. 77, inciso III, da Resolução TSE n.º 23.553/2017, ao tempo em que determino o recolhimento de R$ 7.253,96
(itens 2.1 e 3) e R$ 22.765,96 (item 4) ao Tesouro Nacional, nos moldes dos arts. 34, §2º, e 53, §5º, da Resolução TSE n.º
23.553/2017.
Extrai-se, portanto, que as contas de campanha da agravante foram desaprovadas em razão das seguintes irregularidades:

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a) ausência de registro de gastos com despesas de combustível no valor de R$ 20,04, indicando o recebimento de recursos de
origem não identificada;
b) divergências na movimentação financeira registrada na prestação de contas e naquela constante dos extratos bancários;
c) dívida de campanha no montante de R$ 7.233,92, decorrente da insuficiência de recursos para adimplir as obrigações
contraídas até a data do pleito;
d) não utilização de recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha no importe de R$ 22.765,96, e a candidata,
instada a devolver o valor ao Tesouro Nacional, se manteve inerte.
Conforme anotado pela Corte de origem, as irregularidades somam um total de R$ 27.098,67, o que corresponde a mais de
100% do total acumulado de receita.
A agravante argumenta que o acórdão recorrido contrariou os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, bem como
dissentiu de precedentes desta Corte Superior e de outros Tribunais Regionais.
Alegou que os pontos elencados pelo órgão técnico que desencadearam na desaprovação de suas contas —ausência de registro
de gastos com combustíveis e divergências na movimentação financeira registradas na prestação de contas e nos extratos
bancários —foram esclarecidos com a juntada de documentos quando da oposição dos primeiros embargos de declaração,
além do que a dívida de campanha estaria sendo regularizada.
Sustentou que a ausência de utilização de recursos provenientes do Fundo Especial de Financiamento de Campanha foi
esclarecida no sentido de que “este não foi recolhido ao Tesouro Nacional, haja vista que este foi utilizado nas contas da ora
embargante (ID 20888138, p. 11).
Ao fim, aduziu que a jurisprudência do TSE éuníssona no sentido de que meros equívocos formais no processo de prestação de
contas não geram sua automática desaprovação, e possibilita a aplicação dos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade
para aprovação com ressalvas.
Não assiste razão àagravante, pois, no acórdão recorrido, o TRE/SP assinalou que “apesar de devidamente intimada, a
candidata não apresentou esclarecimentos quanto aos apontamentos feitos nos itens 3 e 4 e que “a movimentação financeira
indica que foram realizados gastos que não foram registrados na prestação de contas, além de não terem sido apresentados
documentos que se relacionem com a despesa, configurando irregularidade que vai de encontro ao disposto nos arts. 56, I, ‘g’,
e 63 da Resolução TSE 23.553/2017 (ID 20885688).
E, quando do julgamento dos segundos embargos de declaração, a Corte de origem assentou que (ID 20887338):
Quanto às divergências entre os dados constantes dos extratos e não declarados na prestação de contas (item 2.2 do parecer
do ID 7359001), argumenta que “restou claro dos documentos juntados pela embargante que os valores mencionados no item
2.2 foram utilizados para pagamento das suas despesas de campanha”, e que a decisão desconsiderou tais documentos.
[...]
Outrossim, na ocasião do julgamento dos primeiros embargos de declaração, manifestando-se novamente sobre a questão, o
acórdão esclareceu que (ID 8951851) “a embargante se limitou em afirmar que ‘restou claro dos documentos juntados que os
valores mencionados foram utilizados para pagamento das suas despesas de campanha, sem mencionar quais, não havendo
que se falar em omissão”.
No que toca àdívida de campanha, aduz que ‘ainda está em trâmite de regularização para quitação, nos termos da legislação
eleitoral’.
A alegação de omissão quanto ao referido argumento não prospera, conforme trecho do acórdão que se destaca:
[...]
Por fim, quanto aos recursos não utilizados do Fundo Especial de Financiamento –FEFC, a recorrente alega que o montante
respectivo não foi recolhido ao Tesouro Nacional “haja vista que este foi utilizado nas contas da ora embargante”.
O argumento não corrobora o próprio registro feito na prestação de contas final, já que a candidata declarou uma sobra
financeira de R$ 22.765,96.
Verifico, desse modo, que a Corte de origem se manifestou expressamente sobre todas as falhas que ensejaram a desaprovação
das contas de campanha da agravante, destacando que a candidata foi intimada a apresentar esclarecimentos relacionados às
movimentações financeiras que indicaram gastos que não foram registrados na prestação de contas, além de não terem sido
apresentados documentos comprobatórios que se relacionem com as despesas, impedindo “o saneamento da irregularidade,
na medida em que não épossível verificar a correspondência entre os gastos eleitorais e as operações bancárias (ID 20887338,
p. 59).
Portanto, no caso vertente, não há que falar em ausência de manifestação do tribunal regional a respeito das suscitadas
irregularidades, haja vista que, em pelo menos, duas oportunidades —julgamento da prestação de contas e julgamento dos
segundos embargos de declaração —chegou-se àconclusão de que as falhas não foram sanadas, bem como não foram
comprovados os gastos registrados.
Por outro lado, no que tange àalegação de que há divergência jurisprudencial acerca da possibilidade de se aprovar as contas

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com ressalvas quando os vícios identificados não comprometam a análise de sua regularidade, registro que a simples citação de
ementa não ésuficiente para o atendimento do pressuposto específico de admissibilidade do recurso especial concernente ao
dissenso jurisprudencial, tampouco a transcrição de trechos dos acórdãos tidos como paradigmáticos ao caso, como feito pela
agravante.
Tal insuficiência acarreta a aplicação do verbete sumular 28 do TSE, segundo o qual: “A divergência jurisprudencial que
fundamenta o recurso especial interposto com base na alínea b do inciso I do art. 276 do Código Eleitoral somente estará
demonstrada mediante a realização de cotejo analítico e a existência de similitude fática entre os acórdãos paradigma e o
aresto recorrido”.
Ainda que assim não fosse, observo que, nos precedentes citados, discute-se o eventual saneamento da falha quando da
prestação de contas retificadora e quando essa falha não impossibilita a atividade de fiscalização da Justiça Eleitoral, o que não
ocorreu na presente demanda.
No ponto, não se verifica possível rever a compreensão a que se chegou a corte regional pela impossibilidade de se analisar, em
sede extraordinária, elementos probatórios, a teor do verbete sumular 24 desta Corte Superior.
Ademais, quanto àinvocada aplicação do princípio da proporcionalidade e da razoabilidade por se tratar de meros equívocos
formais no processo de prestação de contas, consta da moldura fática delineada pelo acórdão recorrido que “os vícios
contatados comprometem a regularidade, a confiabilidade e a transparência das contas, outra medida não há, senão a sua
desaprovação. Por fim, insta salientar que as falhas descritas nos itens 2.1, 2.2, 3 e 4 correspondem a mais de 100% do total de
receita acumulada (R$ 27.098,67 - ID n.º 1873251), razão pela são inaplicáveis àespécie os princípios da insignificância, da
proporcionalidade e da razoabilidade (ID 20885688).
Dessa maneira, tendo em vista que as irregularidades apontadas representam montante expressivo em relação ao total
arrecadado em campanha —além do fato de possuírem natureza grave, conforme assinalado pela Corte Regional —, não seria
possível, na espécie, a aplicação dos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, e, por conseguinte, a aprovação das
contas, ainda que com ressalvas.
Ainda quanto ao ponto, anoto que, embora a recorrente alegue que as irregularidades seriam meros erros formais, certo éque
o Tribunal de origem desaprovou as contas de campanha em razão do conjunto das irregularidades constatadas, de modo que
não épossível que tais falhas sejam isoladas uma da outra para então se aplicar os princípios da proporcionalidade e da
razoabilidade, reputando, sobretudo, os diversos vícios assinalados e o percentual relevante apurado.
Por essas razões e nos termos do art. 36, §6º, do Regimento Interno do Tribunal Superior Eleitoral, nego seguimento ao agravo
interposto por Aline Maria de Moura.
Publique-se.
Intime-se.
Ministro Sérgio Silveira Banhos
Relator
Processo 0600447-32.2020.6.00.0000

TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL SECRETARIA JUDICIÁRIA

Brasília, 6 de maio de 2020.


PRESTAÇÃO DE CONTAS (11531) - 0600447-32.2020.6.00.0000 - OURO FINO - MINAS GERAIS RELATOR(A): MINISTRO(A)
TARCISIO VIEIRA DE CARVALHO NETO REQUERENTE: PARTIDO LIBERAL (PL) - MUNICIPAL RESPONSÁVEL: ANTONIO CARLOS
FRANCELI

INTIMAÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO ELEITORAL


Procedo àintimação, por meio eletrônico, do Ministério Público Eleitoral, do ato judicial proferido no processo em referência.
Ana Carolina de Oliveira Quadros Coordenadoria de Processamento
Processo 0602708-64.2018.6.17.0000

index: AGRAVO DE INSTRUMENTO (1320)-0602708-64.2018.6.17.0000-[Prestação de Contas - De Candidato, Cargo - Deputado


Estadual, Contas - Desaprovação/Rejeição das Contas]-PERNAMBUCO-RECIFE
TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL

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AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 0602708-64.2018.6.17.0000 –CLASSE 1320 –RECIFE –PERNAMBUCO


Relator: Ministro Sérgio Banhos
Agravante: Jonathas Miguel Arruda Barbosa
Advogados: Layrton Louyzes Vidal de Lima Alves —OAB: 39596/PE e outros

DECISÃO

Jonathas Miguel Arruda Barbosa interpôs agravo (ID 22951238) em face da decisão denegatória do recurso especial (ID
22950888) manejado contra o acórdão do Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (ID 22949538) que, por unanimidade,
desaprovou suas contas de campanha, referentes às Eleições de 2018, quando concorreu ao cargo de deputado estadual,
determinando o recolhimento de R$ 14.000,00 ao Tesouro Nacional, em razão de inconsistências nas despesas pagas com
recursos do Fundo Partidário, nos termos art. 82, §1º, da Res.-TSE 23.553.
Eis a ementa do acórdão regional (ID 22949688):
ELEIÇÕES 2018. PRESTAÇÃO DE CONTAS. CANDIDATO. DEPUTADO ESTADUAL. AUSÊNCIA DE EXTRATO BANCÁRIO
COMPREENDENDO TODO O PERÍODO ELEITORAL. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DESPESAS PAGAS COM RECURSOS DO
FUNDO PARTIDÁRIO. IRREGULARIDADES GRAVES QUE COMPROMETEM A APROVAÇÃO DAS CONTAS. NECESSIDADE DE
DEVOLUÇÃO AO TESOURO NACIONAL. DESAPROVAÇÃO DAS CONTAS.
1. A ausência da apresentação dos extratos, na forma definitiva, de todo o período de campanha, inviabiliza a aferição da
integralidade da movimentação financeira da campanha, frustrando a atividade de fiscalização desta Corte. Violação ao art.
56, II, “a” da Resolução TSE n° 23.553/2017.
2. Despesas pagas com recursos do Fundo Partidário (FP) e não comprovadas caracterizam ilícito grave, por se tratar de
recursos públicos; o valor delas deve ser devolvido ao erário (arts. 37 e 63 e 82, §§1º e 2º, da Resolução 23.553/2017).
3. Contas desaprovadas com determinação de devolução ao Tesouro Nacional.
O agravante alega, em suma, que:
a) “o defendente juntou aos autos documentação hábil para comprovar e sanar os vícios que culminaram na desaprovação da
sua Prestação de Contas, porém estes não foram sequer analisados, sob a justificativa de que não foram enviados os extratos
da movimentação da campanha (ID 22951188, p. 12);
b) apresentou suas contas de campanha com o acervo probatório dos gastos realizados e dos recursos auferidos, as quais foram
desaprovadas, mesmo não tendo sido demonstrada má-fé;
c) não somente apresentou extratos de todo o período eleitoral como juntou aos autos cheques nominais, a fim de comprovar
a origem das doações;
d) “laborou em error in judicando o TRE/PE ao dar uma interpretação estrita ao texto as razões colacionadas aos autos. Em
suas razões de decidir, o voto condutor vai de encontro aos ditames legais expressamente estatuídos nas jurisprudências acima
transcritas (ID 22951188, p. 15);
e) o art. 5º, LIV, da Constituição Federal foi contrariado, porquanto não houve observância ao devido processo legal, implicando
cerceamento de defesa;
f) houve violação aos princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, pois a documentação,
apresentada pelo ora agravante, não foi analisada;
g) não há falar em falta de prequestionamento, tendo em vista que a jurisprudência constante no recurso especial foi
devidamente explicada, demonstrando se tratar de situações análogas ao caso concreto;
h) não agiu de má-fé, uma vez que comprovou as despesas de sua campanha;
i) “épacífico o entendimento jurisprudencial de que a apresentação das contas de maneira intempestiva constitui falha
meramente formal e deve ensejar apenas ressalva nas contas, quando não prejudicar a efetiva fiscalização da movimentação
financeira da campanha realizada pelo candidato (ID 22951188, p. 17);
j) édesnecessário o reexame de provas para que se conheça das questões ventiladas no recurso especial;
k) éevidente a divergência jurisprudencial entre os julgados do TRE/DF, TRE/ES e do TRE/PE, visto que entendem que a
intempestividade na apresentação da prestação de contas final éfalha meramente formal, ensejando a sua aprovação com
ressalvas.
Requer o conhecimento e o provimento do agravo, a fim de seja dado seguimento ao recurso especial.
A Procuradoria-Geral Eleitoral manifestou-se pelo conhecimento do agravo para não conhecer do recurso especial (ID

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28155338).
Éo relatório.

Decido.
O agravo étempestivo. A decisão foi proferida em 18.12.2019, conforme consulta pública realizada no TRE/PE, e o agravo foi
interposto em 22.1.2020 (ID 22951238), dentro do tríduo legal, nos termos do disposto no art. 220 do Código de Processo Civil,
em peça subscrita por advogado habilitado nos autos (ID 22951288).
O Presidente do Tribunal Regional Eleitoral pernambucano não admitiu o recurso especial por considerar que:
i) não houve o devido prequestionamento da alegada violação ao art. 5º, LV, da Constituição Federal nem a respeito da
obtenção de quitação eleitoral em casos de desaprovação das contas;
ii) o alegado dissídio jurisprudencial de julgados do próprio Tribunal de origem esbarra no teor dos verbetes sumulares 13 do
STJ e 29 do TSE;
iii) não foi realizado o necessário cotejo analítico, a fim de evidenciar a similitude fática, referente àalegada divergência
jurisprudencial relativa a julgados do TSE, do TRE/PA e do TRE/GO.
O agravante não infirmou objetivamente todos os fundamentos da decisão agravada, de sorte que incide na espécie o verbete
sumular 26 do Tribunal Superior Eleitoral.
Nesse sentido, cito os seguintes julgados desta Corte: “O agravo nos próprios autos que deixa de atacar especificamente os
fundamentos da decisão denegatória do recurso especial, limitando-se a repetir, ipsis litteris , as razões do apelo nobre, atrai a
incidência do enunciado da Súmula n° 26/TSE (AI 2815-24, rel. Min. Luiz Fux, DJE de 14.9.2018). Igualmente: “Éônus do
agravante, em suas razões, impugnar todos os fundamentos da decisão agravada, sob pena de subsistirem suas conclusões.
Súmula 26/TSE e precedentes desta Corte (AI 157-41, rel. Min. Jorge Mussi, DJE de 14.9.2018).
Ainda que assim não fosse, o agravo não poderia ser provido, ante a inviabilidade do recurso especial.
Eis os fundamentos do acórdão regional (ID 22949638):
Conforme já relatado, trata-se de processo de prestação de contas proposto por JONATHAS MIGUEL ARRUDA BARBOSA,
candidato ao cargo de Deputado Estadual nas eleições de 2018 pelo Partido PP, referentes àsua campanha, nos termos do que
dispõe a Resolução TSE nº 23.553/2017.
A Comissão de Exame das Contas Eleitorais - COECE, por meio do Parecer Técnico Conclusivo nº 833/2019 (ID 3219111),
recomendou a desaprovação das contas da interessada, por entender que as ocorrências encontradas eram suficientes para
comprometer a sua regularidade, em síntese:
I. O candidato não apresentou os extratos, no formato definitivo e contemplando todo o período de campanha (desde a
abertura da conta até a data da entrega da prestação de contas), das contas bancárias listadas no Parecer Técnico conclusivo nº
704/2019 (ID 2926511), contrariando o art. 56, II, “a” da Resolução TSE nº 23.553/2017;
II. Foram identificadas inconsistências nas despesas pagas com recursos do Fundo Partidário (FP), contrariando o que dispõem
os arts. 37 e 63 da Resolução TSE nº 23.553/2017, totalizando R$ 14.000,00 (quatorze mil reais), o que representa 35,13% em
relação ao total de gastos realizados com recursos desta natureza.
Além dos ilícitos graves destacados acima, também foram verificados os seguintes, de menor gravidade:
III. A prestação de contas parcial foi entregue em 18/09/2018, fora do prazo fixado pelo §4º, do art. 50, da Resolução TSE nº
23.553/2017;
IV. A prestação de contas final foi entregue em 07/11/2018, fora do prazo fixado pelo art. 52, caput e §1º, da Resolução TSE nº
23.553/2017;
V. Foram detectadas doações recebidas em data anterior àdata inicial de entrega da prestação de contas parcial, mas não
informadas àépoca, frustrando a execução tempestiva das medidas de controle concomitante, transparência e fiscalização,
contrariando o que dispõe o art. 50, §6º, da Resolução TSE nº 23.553/2017;
VI. Foram detectados gastos eleitorais realizados em data anterior àdata inicial de entrega da prestação de contas parcial, mas
não informados àépoca (art. 50, §6º, da Resolução TSE nº 23.553/2017;
VII. O candidato declarou que realizou despesa junto ao fornecedor TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL DE PERNAMBUCO, onde o
valor se refere a sobras de campanha de recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) que foram
recolhidas ao Tesouro Nacional, conforme Guia de Recolhimento da União (GRU) anexadas aos autos, e que foram registradas
equivocadamente como despesas na presente prestação. Desta forma, deveria o candidato ter excluído o lançamento em
questão de modo a evidenciar, no Demonstrativo de Receita e Despesas, as sobras financeiras de FEFC.
VIII. Em relação àreceita estimável em dinheiro relacionada no Parecer Técnico conclusivo nº 704/2019 (ID 2926511), não há
documentos comprovando que o bem em questão integrava o patrimônio do doador, o que contraria o art. 27, caput, da
Resolução TSE nº 23.553/2017. Ademais, não foram apresentados o Termo de Cessão, bem como documentos que comprovem

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que o valor registrado na prestação de contas écompatível com os preços habitualmente praticados no mercado, conforme
exigido no art. 61, II e §1º da Resolução TSE nº 23.553/2017.
Verifica-se que as ocorrências, notadamente a I e a II, comprometem a análise das contas e écapaz de maculá-la, de modo a
ensejar a sua desaprovação.
Com efeito, a ausência da apresentação de extratos bancários na forma definitiva de todo o período de campanha caracteriza
irregularidade grave por ferir o disposto no art. 56, II, “a” da Resolução TSE n° 23.553/2018, o qual prevê:
Art. 56. Ressalvado o disposto no art. 65 desta resolução, a prestação de contas, ainda que não haja movimentação de recursos
financeiros ou estimáveis em dinheiro, deve ser composta, cumulativamente:
(…)
II- pelos seguintes documentos, na forma prevista no §1º deste artigo:
a) extratos das contas bancárias abertas em nome do candidato e do partido político, inclusive da conta aberta para
movimentação de recursos do Fundo Partidário e daquela aberta para movimentação de recursos do Fundo Especial de
Financiamento de Campanha (FEFC), quando for o caso, nos termos exigidos pelo inciso III do art. 3º desta resolução,
demonstrando a movimentação financeira ou sua ausência, em sua forma definitiva, contemplando todo o período de
campanha, vedada a apresentação de extratos sem validade legal, adulterados, parciais ou que omitam qualquer
movimentação financeira;
(…).
Os extratos bancários de todo o período de campanha constituem documentação indispensável para a verificação da
confiabilidade e da regularidade das contas. Pontue-se, inclusive, que a legislação eleitoral exige a apresentação dos extratos
bancários, mesmo na hipótese de não haver movimentação na conta bancária.
Certo éque tal falha compromete a credibilidade das contas e prejudica a fiscalização da Justiça Eleitoral sobre os recursos
arrecadados e gastos aplicados durante a campanha.
Nesse sentido, a consolidada jurisprudência do TSE:
ELEIÇÕES 2016. AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. PRESTAÇÃO DE CONTAS DE CAMPANHA. VEREADOR. CONTAS
JULGADAS NÃO PRESTADAS PELAS INSTÂNCIAS ORDINÁRIAS. IRREGULARIDADE. NÃO APRESENTAÇÃO DOS EXTRATOS
BANCÁRIOS RELATIVOS A TODO O PERÍODO DA CAMPANHA ELEITORAL. PEDIDO PARA QUE SEJAM APROVADAS AS CONTAS,
AINDA QUE COM RESSALVAS. ENTENDIMENTO DO TSE DE QUE A AUSÊNCIA DE EXTRATOS BANCÁRIOS CONSUBSTANCIA VÍCIO
QUE TRAZ COMO CONSEQUÊNCIA A REJEIÇÃO DAS CONTAS. PRINCÍPIO DA CONGRUÊNCIA. ART. 492 DO CPC/2015. AGRAVO
REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. Na hipótese, a Corte Regional manteve a sentença que julgou não prestadas as contas de
campanha eleitoral da agravante, em virtude da não apresentação dos extratos bancários relativos a todo o período de
campanha. 2. A jurisprudência desta Corte Superior éde que a falta dos extratos bancários relativos a todo o período de
campanha compromete a regularidade de contas, constituindo falha de natureza grave a ensejar sua desaprovação, sendo
irrelevante o esclarecimento sobre a ausência de movimento financeiro no período em análise. Nessa linha, o AgR-REspe 486-
28/SE, Rel. Min. JORGE MUSSI, DJe 13.6.2018.(...). 6. Agravo Regimental a que se nega provimento. (TSE, Recurso Especial
Eleitoral nº 30129, Acórdão, Relator(a) Min. Napoleão Nunes Maia Filho, Publicação: DJE - Diário de justiça eletrônico, Data
31/08/2018)
Da mesma forma já decidiu esta Corte:
ELEIÇÕES 2016. PRESTAÇÃO DE CONTAS. CAMPANHA. CANDIDATO. VEREADOR. EXTRATOS BANCÁRIOS. AUSÊNCIA.
DOCUMENTOS ESSENCIAIS. NÃO PROVIMENTO DO RECURSO. DESAPROVAÇÃO DAS CONTAS. 1. A base da desaprovação foi a
completa ausência de extratos bancários, relativos a todo o período de campanha eleitoral, em afronta direta ao que se
estabelece no art. 48, II, a, da Resolução/TSE n.º 23.463/2015. 2. Ainda que não haja movimentação financeira, o responsável
pela prestação de contas (candidato ou partido) deve comprovar a ausência de trânsito de valores com a apresentação
tempestiva de extratos bancários zerados, o que não foi feito no caso sob análise, ensejando a desaprovação das contas
apresentadas. 3. Não provimento do recurso. (TRE-PE - RE: 44853 TAMANDARÉ - PE, Relator: DELMIRO DANTAS CAMPOS NETO,
Data de Julgamento: 18/09/2017, Data de Publicação: DJE- Diário de Justiça Eletrônico, Data 22/09/2017)
De outra banda, constatou a Assessoria de Exame de Contas que não foi apresentada a documentação fiscal comprobatória
das despesas listadas no Parecer Conclusivo 0704/2019 (ID 2926511), totalizando R$ 14.000,00 (quatorze mil reais),
contrariando o que o que dispõe o art. 56, II, “c”, da Resolução TSE 23.553/2017, bem como os arts. 37 e 63 da mesma norma.
A não comprovação das referidas despesas, mesmo após concedidas as devidas oportunidades de manifestação, configura
irregularidade com gravidade suficiente para macular as contas apresentadas, em especial por se tratar de verbas públicas,
pois impossibilita a análise e o controle por esta Justiça Especializada.
Desta forma, diante da ausência de comprovação de tais despesas, deve-se aplicar o art. 82, §1º da Resolução TSE nº
23.553/2017, in verbis:
Art. 82, §1º. Verificada a ausência de comprovação da utilização dos recursos do Fundo Partidário e/ou do Fundo Especial de
Financiamento de Campanha (FEFC) ou a sua utilização indevida, a decisão que julgar as contas determinará a devolução do
valor correspondente ao Tesouro Nacional no prazo de 5 (cinco) dias após o trânsito em julgado, sob pena de remessa de cópia

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digitalizada dos autos àrepresentação estadual ou municipal da Advocacia-Geral da União, para fins de cobrança.
Desse modo, como o gasto com o Fundo Partidário não foi devidamente comprovado, há de ser devolvido o valor recebido do
Fundo Partidário ao Tesouro Nacional (R$ 14.000,00 –quatorze mil reais), acrescido de juros moratórios e atualização
monetária, de acordo com o art. 82, §§1º e 2º da supracitada Resolução.
Concluo, portanto, em virtude de terem sido constatadas irregularidades graves e não sanadas oportunamente pelo
interessado, especialmente as apontadas nos itens I e II, que as contas prestadas pelo Requerente estão em dissonância com os
ditames da Resolução TSE n.º 23.553/2017, devendo ser desaprovadas, nos termos do art. 77, III, da citada resolução.
Ex positis, em consonância com o opinativo da Comissão de Exame de Contas Eleitorais –COECE e com o parecer da douta
Procuradoria Regional Eleitoral, voto no sentido de DESAPROVAR as contas do interessado, devendo ser recolhido ao Tesouro
Nacional o valor de R$ 14.000,00 (quatorze mil reais), relativos a inconsistências nas despesas pagas com recursos do Fundo
Partidário, nos moldes do art. 82, §1º, da Resolução TSE n.º 23.553/2017.
O recorrente aduz ofensa ao art. 5º, LV, da Constituição Federal, visto que “foi apresentada Prestação de Contas Retificadora,
na qual o recorrente juntou os extratos e documentos fiscais das despesas realizadas e doações recebidas e retificou as
inconsistências contábeis não devendo persistir qualquer irregularidade que enseje a rejeição das contas eleitorais do
candidato (ID 22949888, p. 6).
Argumenta, ainda, que “éimprescindível que seja delineada esta suposta irregularidade, a fim de que o recorrente traga aos
autos prova documental ou justificativa que o valha, exercendo seu direito àAmpla Defesa (ID 22949888, p. 5).
No entanto, das premissas do acórdão regional, verifica-se que essa questão não foi objeto de debate pelo Tribunal de origem,
o que impossibilita a apreciação do tema por esta Corte, diante da ausência do necessário prequestionamento, a teor do
disposto no verbete sumular 72 do TSE.
Ademais, o recorrente não opôs embargos de declaração a fim de sanar eventual omissão ou obscuridade no tocante àalegação
de que toda a documentação exigida pela legislação de regência foi apresentada nem aduziu ofensa ao art. 93, IX, da
Constituição Federal para viabilizar a anulação do decisum, de sorte que se revela inviável, ante as limitações da instância
extraordinária, contrapor as circunstâncias fáticas e probatórias que levaram o Tribunal a quo a entender pela ausência da
apresentação de extratos bancários na forma definitiva de todo o período de campanha e pela não comprovação do gasto
efetuado com o Fundo Partidário. Incide, quanto ao ponto, o teor do verbete sumular 24 do Tribunal Superior Eleitoral.
Em relação àalegada divergência jurisprudencial, anoto que, para sua demonstração, énecessário identificar, de forma analítica,
que os acórdãos, apontados como dissonantes, examinaram situações fáticas semelhantes e, diante de evento similar,
entenderam de forma diferente sobre a aplicação de uma mesma norma legal, ou demonstrar que duas Cortes interpretam
determinada norma legal em sentidos antagônicos, o que não ocorreu na espécie, atraindo a incidência do verbete sumular 28
do TSE.
No que diz respeito àquestão de fundo, ressalto que a decisão do Tribunal Regional Eleitoral pernambucano está em
consonância com a jurisprudência desta Corte Superior no sentido de que “a não apresentação do extrato bancário de todo o
período de campanha eleitoral constitui motivo para a desaprovação das contas, mas não enseja, por si só, o seu julgamento
como não prestadas. (Nesse sentido: AgR-REspe n° 157-24/AP, de minha relatoria, DJe de 6.6.2018; AgR-REspe nº 3110-61/GO,
Rel. Min. Henrique Neves, DJe de 20.9.2016; AgR-REspe n° 1910-73/DF, Rel. Min. Luciana Lóssio, DJe de 5.8.2016) (AgR-Respe
652-10, rel. Min. Tarcisio Vieira de Carvalho Neto, DJE de 19.12.2018, grifo nosso).
De igual modo: “Verificando-se despesas irregulares com recursos do Fundo Partidário, deve-se recolher a quantia ao erário,
nos termos do art. 82, §1º, da Res.-TSE 23.553/2017, como se determinou in casu” (AgR-REspe 0602383-25, rel. Min. Luis Felipe
Salomão, DJE de 23.4.2020) .
Ainda, vale lembrar que o Tribunal de origem assentou a existência de outras irregularidades de menor gravidade, as quais
conjuntamente “comprometem a análise das contas e écapaz de maculá-la, de modo a ensejar a sua desaprovação (ID
22949638) .
Diante desse contexto, o recurso especial éinviável, em face de o acórdão regional estar em consonância com o entendimento
desta Corte Superior a respeito da questão, no que incide o verbete sumular 30 do TSE.
Por essas razões, nos termos do art. 36, §6º, do Regimento Interno do Tribunal Superior Eleitoral, nego seguimento ao agravo
interposto por Jonathas Miguel Arruda Barbosa.
Publique-se.
Intime-se.
Ministro Sérgio Silveira Banhos
Relator
Processo 0600453-39.2020.6.00.0000

index: PRESTAÇÃO DE CONTAS (11531)-0600453-39.2020.6.00.0000-[Prestação de Contas - De Exercício Financeiro]-SÃO


PAULO-CAIEIRAS

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TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL

PRESTAÇÃO DE CONTAS (11531) Nº 0600453-39.2020.6.00.0000 (PJe) - CAIEIRAS - SÃO PAULO RELATOR: MINISTRO TARCISIO
VIEIRA DE CARVALHO NETO REQUERENTE: CIDADANIA (CIDADANIA) - MUNICIPAL
Advogado do(a) REQUERENTE: JOSE EDUARDO BERGAMIN - SP321437
RESPONSÁVEL: GILMAR SOARES VICENTE Advogado do(a) RESPONSÁVEL: JOSE EDUARDO BERGAMIN - SP321437
DECISÃO
PRESTAÇÃO DE CONTAS. EXERCÍCIO FINANCEIRO DE 2019. ÓRGÃO PARTIDÁRIO MUNICIPAL. DISTRIBUIÇÃO AO TSE.
INCOMPETÊNCIA. PRESSUPOSTOS. AUSÊNCIA. EXTINÇÃO DO FEITO SEM RESOLUÇÃO DE MÉRITO

Trata-se de prestação de contas anual, referente ao exercício financeiro de 2019, apresentada pelo órgão municipal do
Cidadania no Município de Caieiras/SP.

Éo necessário relatório.

Decido.

Na espécie, há flagrante equívoco por parte da sigla peticionante, porquanto o TSE não écompetente para o exame originário
de contas prestadas por órgãos partidários municipais.

Ante o exposto, julgo extinta, sem resolução de mérito, a presente prestação de contas, nos termos do art. 485, IV, do Código
de Processo Civil e do art. 36, § 6o, do RITSE, permanecendo hígida a obrigação da agremiação de prestar suas contas perante o
juízo competente, que éo de primeiro grau local.

Publique-se.

Intime-se o partido por carta com aviso de recebimento, se ausente advogado constituído.

Arquive-se.
Brasília, 4 de maio de 2020. Ministro TARCISIO VIEIRA DE CARVALHO NETO Relator
Processo 0600252-81.2019.6.00.0000

index: PRESTAÇÃO DE CONTAS (11531)-0600252-81.2019.6.00.0000-[Prestação de Contas - De Exercício Financeiro]-DISTRITO


FEDERAL-BRASÍLIA
TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL

PRESTAÇÃO DE CONTAS (11531) Nº 0600252-81.2019.6.00.0000 (PJe) - BRASÍLIA - DISTRITO FEDERAL


Relator: Ministro Edson Fachin
Requerente: Podemos (PODE) –Nacional
Advogados: Juliana Albuquerque Zorzenon - OAB/DF54056, Maira Daniela Goncalves Castaldi - OAB/DF3989400A, Ubiratan
Menezes Da Silveira - OAB/DF2644200A, Sabrina Soares Piau - OAB/DF4197900A, Carla Albuquerque Zorzenon -
OAB/DF5004400A, Camila Carolina Damasceno Santana - OAB/DF35758, Marcelli de Cassia Pereira - OAB/DF3384300A, Pedro
Bannwart Costa - OAB/DF26798, Joelson Costa Dias - OAB/DF1044100A, Andreive Ribeiro De Sousa - OAB/DF3107200A
Responsável: Renata Hellmeister de Abreu
Advogados: Juliana Albuquerque Zorzenon - OAB/DF54056, Maira Daniela Goncalves Castaldi - OAB/DF3989400A, Ubiratan
Menezes Da Silveira - OAB/DF2644200A, Sabrina Soares Piau - OAB/DF4197900A, Carla Albuquerque Zorzenon -
OAB/DF5004400A, Camila Carolina Damasceno Santana - OAB/DF35758, Marcelli de Cassia Pereira - OAB/DF3384300A, Pedro
Bannwart Costa - OAB/DF26798, Joelson Costa Dias - OAB/DF1044100A, Andreive Ribeiro De Sousa - OAB/DF3107200A

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Ano 2020, Número 088 Brasília, quinta-feira, 7 de maio de 2020 Página 7 0

Responsável: Jose Carlos Oliveira Melo


Advogados: Juliana Albuquerque Zorzenon - OAB/DF54056, Maira Daniela Goncalves Castaldi - OAB/DF3989400A, Ubiratan
Menezes Da Silveira - OAB/DF2644200A, Sabrina Soares Piau - OAB/DF4197900A, Carla Albuquerque Zorzenon -
OAB/DF5004400A, Camila Carolina Damasceno Santana - OAB/DF35758, Marcelli de Cassia Pereira - OAB/DF3384300A, Pedro
Bannwart Costa - OAB/DF26798, Joelson Costa Dias - OAB/DF1044100A, Andreive Ribeiro De Sousa - OAB/DF3107200A
DESPACHO

Trata-se de prestação de contas, referente ao exercício financeiro de 2018, apresentada pelo Podemos (PODE).
A Assessoria de Exame de Contas Eleitorais e Partidárias do Tribunal Superior Eleitoral (Asepa) apresentou a Informação nº
91/2020 consistente no exame preliminar das contas da agremiação, na qual informa que a apresentação das contas deu-se em
desacordo com a Portaria-TSE n° 164/2017 c.c. art. 29, §6°, da Res.-TSE n° 23.546/2017, pois os arquivos foram juntados com
títulos que não correspondem ao seu conteúdo, sem respeitar a ordem correta e sem o Reconhecimento Ótico de Caracteres
(OCR), opinando que a documentação seja reapresentada (ID 28220738).
A Asepa solicita, ainda, autorização para aplicação da técnica de circularização e sugere que seja determinada àCaixa Econômica
Federal a apresentação dos extratos da conta bancária da Fundação Trabalhista Nacional e a intimados o partido e responsáveis
para que atendam às diligências propostas (ID 28220738).
Autorizo a Asepa a aplicar a técnica de circularização quanto aos valores declarados pelo partido, nos termos do art. 35, §3º, I a
IV, da Res.-TSE nº 23.546/2017.
Solicite-se àCaixa Econômica Federal que forneça os extratos da conta bancária da Fundação Trabalhista Nacional, conforme
especificado na Informação nº 91/2020-Asepa, por meio do Sistema de Investigação de Movimentações Bancárias (Simba).
Intimem-se o partido e os responsáveis para que reapresentem toda a documentação na ordem determinada, nomeando os
arquivos corretamente e com Reconhecimento Ótico de Caracteres (OCR), nos termos da Portaria-TSE nº 164/2017 e
providenciem o cumprimento das diligências indicadas no item 5, letras “a” a “t” da Informação nº 91/2020-Asepa (ID
28220738), no prazo de 20 (vinte) dias, nos termos do art. 34, §3º, da Resolução nº 23.546/2017.

Publique-se. Brasília, 5 de maio de 2020. Ministro EDSON FACHIN Relator


Processo 0000080-56.2017.6.09.0018

_________________________________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________________________________
________________
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO DE INSTRUMENTO (1320) - 0000080-56.2017.6.09.0018 - JATAÍ - GOIÁS
RELATOR: MINISTRO Og Fernandes
EMBARGANTE: MINISTÉRIO PÚBLICO ELEITORAL
EMBARGADO: VICTOR CEZAR PRIORI
Advogado do(a) AGRAVADO: JOAO PAULO BRZEZINSKI DA CUNHA - GO1720800A
_________________________________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________

INTIMAÇÃO PARA CONTRARRAZÕES A EMBARGOS DE DECLARAÇÃO


Considerando a oposição de embargos de declaração ID 28194788, fica(m) a(s) parte(s) embargada(s) intimadas para
apresentar contrarrazões, no prazo de três dias.

Brasília, 6 de maio de 2020.


William Cruz Vaz Coordenadoria de Acórdãos e Resoluções
Processo 0601686-74.2018.6.06.0000

AGRAVO DE INSTRUMENTO (1320) - 0601686-74.2018.6.06.0000 - FORTALEZA - CEARÁ RELATOR(A): MINISTRO(A) LUÍS


ROBERTO BARROSO AGRAVANTE: JOSÉ FIRMO CAMURÇA NETO Advogado do(a) AGRAVANTE: ADRIANO FERREIRA GOMES
SILVA - CE9694000A AGRAVADO: JULIO CESAR COSTA LIMA JUNIOR Advogado do(a) AGRAVADO: BRUNO QUEIROZ DE FREITAS -

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Ano 2020, Número 088 Brasília, quinta-feira, 7 de maio de 2020 Página 7 1

CE2315100A
INTIMAÇÃO PARA CONTRARRAZÕES A AGRAVO EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO
Considerando a interposição de agravo em recurso extraordinário, fica(m) a(s) parte(s) agravada(s) intimadas para apresentar
contrarrazões, no prazo de três dias.
Paulo Afonso Prado Coordenadoria de Processamento
Processo 0600753-35.2019.6.00.0000

TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL


ACÓRDÃO

AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS Nº 0600753-35.2019.6.00.0000 –ARACRUZ –ESPÍRITO SANTO


Relator: Ministro Edson Fachin
Agravantes: Mirella Gonçalves Auer e outros
Advogados: Kleber Medici da Costa Júnior – OAB: 23485/ES e outra
Agravado: Fernando Cesar Baptista de Mattos

AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. IMPETRAÇÃO CONTRA ATO DE RELATOR EM TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL.
INEXISTÊNCIA DE DECISÃO DO TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL. ART. 121, §4º, INCISO V, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL.
INADMISSIBILIDADE DO WRIT SOB PENA DE INDEVIDA SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. TERATOLOGIA. AUSÊNCIA. AGRAVO A QUE
SE NEGA PROVIMENTO.
1. A natureza monocrática da decisão liminar exige a sua confirmação, ou revogação, pelo órgão colegiado da Corte regional
para que ocorra o necessário esgotamento daquela instância e possa ser inaugurada a jurisdição desta instância especial.
Conhecer habeas corpus sem o encerramento da instância ordinária importa em inadmissível supressão de instância.
Precedentes.
2. Não se identifica teratologia na decisão que reconhece a ausência de competência da Justiça Eleitoral para conhecer de
habeas corpus contra ato da lavra da Justiça Comum.
3. Agravo interno desprovido.

Acordam os ministros do Tribunal Superior Eleitoral, por unanimidade, em negar provimento ao agravo regimental, nos termos
do voto do relator.
Brasília, 23 de abril de 2020.

MINISTRO EDSON FACHIN – RELATOR

RELATÓRIO

O SENHOR MINISTRO EDSON FACHIN: Senhora Presidente, trata-se de agravo interno interposto por Mirella Gonçalves Auer e
Kleber Medici da Costa Júnior contra decisão monocrática que negou seguimento ao habeas corpus por eles impetrado em
favor de Ismael da Ros Auer, e que recebeu a seguinte ementa (ID 20399288):
HABEAS CORPUS. IMPETRAÇÃO CONTRA ATO DE RELATOR EM TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL. INEXISTÊNCIA DE DECISÃO DO
TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL. ART. 121, §4º, INCISO V, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. INADMISSIBILIDADE DO WRIT SOB
PENA DE INDEVIDA SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. NEGATIVA DE SEGUIMENTO.
No agravo interno (ID 21968688), sustentam a existência de previsão no Regimento Interno do Tribunal Regional Eleitoral do
Espírito Santo de competência para a Corte de origem julgar habeas corpus em face de decisão proferida no âmbito da Justiça
Comum.
Defendem a inexistência de supressão de instância, na medida em que o habeas corpus impetrado no TSE visa ao

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reconhecimento da incompetência absoluta da Justiça Comum Estadual para processar e julgar o paciente, matéria de ordem
pública, que pode ser conhecida inclusive de ofício em qualquer fase do processo.
Aduzem a possibilidade de se relativizar, no caso concreto, o entendimento, no sentido de ser vedada a apreciação de habeas
corpus em face de decisão monocrática, ao argumento de que postergar a análise da matéria objeto do writ geraria prestação
jurisdicional deficiente, ao manter o encarceramento preventivo do paciente por tempo prolongado.
Alegam que a decisão impugnada éteratológica, pois, em que pese tenha ficado “subtendido” que ocorreu um crime eleitoral,
este necessita ser apurado.
Ao final, requerem o provimento do recurso especial para que o presente habeas corpus seja apreciado, com a concessão da
ordem, bem como da medida liminar.
Éo relatório.

VOTO

O SENHOR MINISTRO EDSON FACHIN (relator): Senhora Presidente, o agravo interno não comporta provimento.
Os agravantes pretendem reformar a decisão monocrática que negou seguimento ao habeas corpus, de seguinte teor (ID nº
20399288):
“Trata-se de habeas corpus com pedido de liminar impetrado por Mirella Goncalves Auer, Kleber Medici Da Costa Junior em
favor de Ismael Da Ros Auer, contra ato rotulado coator praticado pelo relator do habeas corpus nº 0600263-
88.2019.6.08.0000, originário do Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo, que monocraticamente extinguiu o feito sem
resolução de mérito ao argumento de que ‘a Justiça Eleitoral não possui competência em razão da matéria, estando ausente,
assim, pressuposto processual de validade da relação jurídica processual (...), nos termos do art. 485, IV, do Código de Processo
Civil’ (ID 20240338, p. 96-99).
A petição inicial sustenta a ocorrência de nulidade processual em razão da incompetência da Justiça Estadual para o julgamento
da questão. O paciente foi processado perante a 1ª Vara Criminal de Aracruz/ES e condenado, juntamente com outros dois
corréus, pelo crime de corrupção passiva (art. 317, §1º, do Código Penal) na Ação Penal nº 0002590-16.2012.8.08.0006.
Conforme se expôs, o paciente teria, ‘enquanto presidente da câmara, solicitado vantagem indevida dos servidores com o
objetivo de arrecadar contribuições não contabilizadas para a campanha eleitoral de sua esposa, supostamente condicionando
a liberação de valores devidos a título de URV ao repasse de 6% do valor devido aos outros corréus (ID 20231038, p. 3). Alega
que a conduta descrita caracterizaria, em tese, crime eleitoral e não crime comum, de forma que a condenação do paciente e a
decretação de prisão preventiva proferida pelo Juiz da 1ª Vara de Aracruz/ES configuram ‘flagrante constrangimento ilegal,
principalmente ante a clara incompetência da justiça estadual para julgamento’ (ID 20231038, p. 3).
O Impetrante ressalta, após transcrever trechos da sentença condenatória, que ‘se não existem dúvidas de que a finalidade foi
arrecadar dinheiro não contabilizado para a campanha de sua esposa, claramente existe na espécie um suposto crime eleitoral
do qual o crime debatido nos autos ÉCONEXO!!!!’ (ID 20231038, p. 10).
Ante tal percepção, foi impetrado o habeas corpus nº 0600263-88.2019.6.08.0000 perante o Tribunal Regional Eleitoral do
Espírito Santo, alegando nulidade absoluta por incompetência da Justiça Comum para julgar o caso, com o que se buscou o
reconhecimento da competência da justiça eleitoral e a ilegalidade da prisão. Cita ainda o julgamento proferido pelo Supremo
Tribunal Federal no Agravo Regimental no Inquérito nº 4435 sobre a ‘prevalência de competência da justiça especializada ao
tratar-se da imputação simultânea de crimes eleitorais e comuns (ID 20231038, p. 6).
Como decorrência dessa alegada incompetência, o paciente defende ainda que a prisão preventiva decretada éilegal, ‘ante a
incompetência absoluta, ratione materiae, da tramitação e do julgamento da Ação Penal nº 0002590-16.2012.8.08.0006 nas
instâncias ordinárias’, já que ‘Demonstrou-se que ISMAEL foi condenado, ainda que injusta e ilegalmente, por crime comum
(corrupção passiva) conexo a prática de crimes eleitorais (falsidade ideológica), o que pode ser constado a partir da leitura da
R. Sentença nos autos, prolatada depois de um amplo juízo de certeza, conforme amplamente destacado pelo magistrado em
sua sentença (ID 20231038, p. 14).
Aponta ainda estarem ausentes os requisitos autorizadores da prisão preventiva pela Justiça Comum, já que “o mm. Magistrado
de primeiro grau fez menções a gravidade concreta do crime de corrupção passiva que foi objeto da sentença, citou episódios
não comprovados e elencou processos atinentes a fatos antigos, aos quais o paciente responde, visando atestar a necessária
preservação da ordem pública” (ID 20231038, p. 16).
Sobre a prisão preventiva, acrescentou que a ‘alegada gravidade concreta dos delitos de corrupção e associação criminosa já
era conhecida da acusação e do próprio mm. Juízo desde o início da instrução sem que qualquer medida cautelar fosse
determinada (ID 20231038, p. 17), trazendo àcolação julgados de Tribunais Superiores sobre a inidoneidade do ‘fundamento
de risco de reiteração criminosa para a decretação de prisão preventiva se calcado em fatos antigos’ (ID 20231038, p. 21).

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Requer a concessão de medida liminar para ‘imediata soltura do paciente ISMAEL DA ROS AUER, emitindo-se o competente
ALVARÁ de SOLTURA, para que possa continuar em liberdade, garantindo sua possibilidade de aguardar o julgamento deste
Habeas Corpus até definição da competência, bem como suspender a tramitação dos autos do processo nº 0002590-
16.2012.8.08.0006, até deliberação quanto a competência desta justiça eleitoral especializada’ (ID 20231038, p. 26).
Sustenta a plausibilidade jurídica do pedido no fato de ter respondido ao processo em liberdade, além de ter o decreto prisional
fundamentos que extrapolam razões jurídicas razoáveis ou plausíveis, sendo claramente hipótese teratológica de decretação
de prisão sem fundamento adequado’ (ID 20231038, p. 25) , o que permitiria ao paciente ‘responder em liberdade, enquanto
transita o Recurso de Apelação em 2º grau’ (ID 20231038, p. 25).
Já o perigo na demora estaria fundado na possibilidade de privação da liberdade, eis que ‘já foi expedida a referida guia de
execução provisória e que o requerido já se encontra em estabelecimento prisional’ (ID 20231038, p. 25).
Postula, também, no mérito, a concessão integral da ordem para que ‘seja declarada a usurpação de competência desta Justiça
Especializada, determinando a nulidade de todos os atos praticados pelos órgãos judiciários incompetentes’ (ID 20231038, p.
27) , com a remessa da Ação Penal nº 0002590-16.2012.8.08.0006 àJustiça Eleitoral, bem como determinada a imediata soltura
do paciente.
Pugna, por fim, pelo reconhecimento ‘da ilegalidade da segregação imposta ao recorrente, ante a clara extemporaneidade da
medida e da ausência dos requisitos essenciais, expedindo-se de imediato o competente alvará de soltura’, e, alternativamente,
pede a ‘substituição da pena privativa de liberdade por medidas cautelares nos termos do art. 319 do Código de Processo
Penal (ID 20231038, p. 27).
Éo relatório. Decido.
O habeas corpus não admite seguimento.
Infere-se na petição inicial que o remédio constitucional foi impetrado contra ato isolado de Relator no Tribunal Regional
Eleitoral do Espírito Santo, inexistindo decisão daquela Corte que autorize o conhecimento do habeas corpus por este Tribunal
Superior (art. 121, §4º, inciso V da Constituição Federal).
A natureza monocrática da decisão liminar ora rotulada de coatora exige a sua confirmação, ou revogação, pelo órgão
colegiado da Corte Regional para que ocorra o necessário esgotamento daquela instância e possa ser inaugurada a jurisdição
desta instância especial.
Neste contexto, conhecer do presente habeas corpus sem o encerramento da instância ordinária importaria em inadmissível
supressão de instância como, inclusive, tem se manifestado a jurisprudência desta Casa:
‘AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. LIMINAR INDEFERIDA. ATO COATOR. DECISÃO MONOCRÁTICA DE JUIZ DO TRE.
WRIT JULGADO PREJUDICADO NA ORIGEM. AUSÊNCIA DE INTERPOSIÇÃO DE AGRAVO REGIMENTAL. ALEGAÇÃO DE
INCOMPETÊNCIA ABSOLUTA. OFENSA ÀLIBERDADE DE LOCOMOÇÃO. INOCORRÊNCIA. INADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA. QUESTÃO
SUSCITADA EM PRELIMINAR DA APELAÇÃO INTERPOSTA NA ORIGEM. JULGAMENTO PENDENTE. COMPETÊNCIA. CRIME
ELEITORAL. CONEXÃO. NECESSIDADE DE DILAÇÃO PROBATÓRIA. HABEAS CORPUS NÃO CONHECIDO.
1. In casu, trata-se de habeas corpus no qual se aponta como ato coator decisão proferida por juiz membro do TRE/RJ, que
julgou prejudicado o writ impetrado na origem, o qual, por sua vez, suscitava a incompetência absoluta da Justiça Eleitoral para
julgamento de crimes conexos ao crime eleitoral.
2. Na linha da jurisprudência desta Corte, ‘não compete ao Tribunal Superior Eleitoral processar e julgar habeas corpus relativo
a decisão de juiz relator de Tribunal Regional Eleitoral, ainda não submetida ao colegiado, sob pena de indevida supressão de
instância’ (HC nº 1519-21/SP, rel. Min. Marcelo Ribeiro, DJe de 13.4.2014. No STF: HC nº 122.838/SP, Rel. Min. Dias Toffoli,
Primeira Turma, DJe de 21.11.2014).
3. Ordem de habeas corpus não conhecida, ficando prejudicado o agravo regimental interposto contra a decisão que indeferiu
o pedido de liminar.’
(Habeas Corpus nº 060020459, Acórdão, Relator(a) Min. Tarcisio Vieira De Carvalho Neto, Publicação: DJE - Diário de justiça
eletrônico, Tomo 159, Data 10/08/2018)
Ademais, não se identifica teratologia na decisão apontada como ato coator, já que carece de competência a Justiça Eleitoral
para conhecer de Habeas Corpus contra ato da lavra da Justiça Comum, nos precisos termos do art. 22, I, ‘e’, do Código
Eleitoral.”
O inconformismo dos agravantes não prospera.
Subsiste na hipótese em comento a tentativa, por parte dos agravantes, de suprimir instância, ao interpor habeas corpus em
face de decisão monocrática proferida no âmbito no TRE e não confirmada por órgão colegiado. Conforme apontado na decisão
agravada, a jurisprudência desta Corte éfirme em vedar essa prática. Precedentes: HC nº 0600204-59/RJ, Rel. Min. Tarcisio
Vieira de Carvalho Neto, DJe 10.8.2018; HC nº 1519-21/SP, Rel. Min. Marcelo Ribeiro, DJe de 13.4.2014.
As únicas exceções reconhecidas pelos Tribunais superiores dizem respeito às hipóteses de flagrante ilegalidade ou teratologia,
as quais ensejariam a concessão da ordem de ofício.
Não é, contudo, o caso dos autos.

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Observa-se da decisão apontada como coatora que o relator na origem entendeu ser incompetente para análise do mandamus
impetrado em face de decisão proferida no âmbito da Justiça Comum.
De fato, em regra, compete àJustiça Comum processar e julgar os habeas corpus em face das decisões proferidas pelos seus
membros, assim como compete àJustiça Eleitoral processar e julgar as impetrações em face das decisões desta especializada.
Éessa a lógica estabelecida pela Constituição Federal, a qual prevê a competência do Tribunal Regional Federal para processar e
julgar, originariamente, os habeas corpus, quando a autoridade coatora for juiz federal (art. 108, I, “d”, CF).
Ademais, pelo princípio da Kompetenz-kompetenz, o magistrado dispõe de competência para delimitar a própria competência.
Logo, cabe àJustiça Comum decidir sobre sua própria competência, não sendo cabível a impetração de habeas corpus nesta
especializada para arguir a incompetência ratione materiae da Justiça Comum.
Assim, não há que se falar em flagrante ilegalidade ou teratologia na decisão.
Resta prejudicada a análise do dispositivo constante do Regimento Interno do TRE/ES, para se evitar a antecipação do
julgamento do mérito do presente habeas corpus, visto que, conforme mencionado, o tema deve ser submetido ao órgão
colegiado do tribunal regional.
Os agravantes defendem, ainda, a inexistência de supressão de instância no caso em comento, na medida em que a alegação de
incompetência absoluta pode ser apreciada de ofício e em qualquer momento do processo.
O argumento não prospera, pois o fato de a matéria em questão ser, de fato, cognoscível em qualquer momento durante a
marcha processual significa apenas que o seu conhecimento pelo magistrado prescinde de alegação da parte em um dado
momento específico. Essa hipótese, contudo, não afasta a necessidade de o processo seguir a sucessão de atos prevista
legalmente, com a apreciação das teses defensivas em todas as instâncias.
Assim, os argumentos do agravo regimental não são capazes de infirmar os fundamentos da decisão agravada, motivo pelo qual
a mantenho integralmente.
Ante o exposto, nego provimento ao agravo regimental.
Éo voto.

VOTO

O SENHOR MINISTRO OG FERNANDES: Senhora Presidente, conforme assentado por sua excelência, conhecer do HC
caracterizaria supressão de instância, porquanto o writ foi proposto em face de decisão monocrática proferida no âmbito no
TRE e não confirmada pelo órgão colegiado. Precedentes: HC nº 0600204-59/RJ, Rel. Min. Tarcisio Vieira de Carvalho Neto, DJe
10.8.2018; HC nº 1519-21/SP, Rel. Min. Marcelo Ribeiro, DJe de 13.4.2014.
Não havendo flagrante ilegalidade ou teratologia na decisão proferida pelo relator na origem –relacionada àprópria
competência da Justiça Eleitoral - não se justifica a concessão da ordem de ofício.
Ante o exposto, acompanho o relator.

EXTRATO DA ATA

AgR-HC nº 0600753-35.2019.6.00.0000/ES. Relator: Ministro Edson Fachin. Agravantes: Mirella Gonçalves Auer e outros
(Advogados: Kleber Medici da Costa Júnior – OAB: 23485/ES e outra). Agravado: Fernando Cesar Baptista de Mattos.
Decisão: O Tribunal, por unanimidade, negou provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do relator.
Composição: Ministra Rosa Weber (presidente), Ministros Luís Roberto Barroso, Edson Fachin, Og Fernandes, Luis Felipe
Salomão, Tarcisio Vieira de Carvalho Neto e Sérgio Banhos.
Vice-Procurador-Geral Eleitoral: Renato Brill de Góes.

SESSÃO DE 23.4.2020.

Diário da Justiça Eletrônico do Tribunal Superior Eleitoral. Documento assinado digitalmente conforme MP n. 2.200-2/2001, de 24.8.2001, que institui a Infra
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Processo 0605368-79.2018.6.26.0000

RECURSO ESPECIAL ELEITORAL (11549) - 0605368-79.2018.6.26.0000 - SÃO PAULO - SÃO PAULO


RELATOR: MINISTRO Og Fernandes
AGRAVANTE: MINISTÉRIO PÚBLICO ELEITORAL
AGRAVADO: JORGE WILSON GONCALVES DE MATTOS
ADVOGADOS DO AGRAVADO: MAXIMILIANO OLIVEIRA RIGHI - SP283104, NEUBER MIRANDA PORTO - SP232675, JOAO
FERNANDO LOPES DE CARVALHO - SP9398900A, ALBERTO LUIS MENDONCA ROLLO - SP1142950A, ARTHUR LUIS MENDONCA
ROLLO - SP1537690A, MARIA DO CARMO ALVARES DE ALMEIDA MELLO PASQUALUCCI - SP1389810A, MARIANGELA FERREIRA
CORREA TAMASO - SP2000390A, LETICIA COSTA ROMANO - SP3781900A, THAIS CRUZ MOTTA - SP3885860A
INTIMAÇÃO PARA CONTRARRAZÕES A AGRAVO REGIMENTAL
Considerando a interposição de agravo regimental, fica a parte agravada intimada para apresentar contrarrazões, no prazo de
três dias.
MARIA HELENA RAMIRO DOS SANTOS Coordenadoria de Processamento
Processo 0603066-18.2018.6.21.0000

index: RECURSO ESPECIAL ELEITORAL (11549)-0603066-18.2018.6.21.0000-[Prestação de Contas - De Candidato, Cargo -


Deputado Federal, Contas - Desaprovação/Rejeição das Contas]-RIO GRANDE DO SUL-PORTO ALEGRE
TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL

RECURSO ESPECIAL ELEITORAL (11549) Nº 0603066-18.2018.6.21.0000 (PJe) - PORTO ALEGRE - RIO GRANDE DO SUL RELATOR:
MINISTRO TARCISIO VIEIRA DE CARVALHO NETO RECORRENTE: MINISTÉRIO PÚBLICO ELEITORAL RECORRIDO: PAULO RENATO
JAGUARAO SILVA DA ROSA ADVOGADOS: TASSIA REY SILVA e outro
DECISÃO
ELEIÇÕES 2018. RECURSO ESPECIAL. PRESTAÇÃO DE CONTAS DE CAMPANHA. DESAPROVAÇÃO. DEPUTADO FEDERAL. GASTOS
COM RECURSOS DO FUNDO ESPECIAL DE FINANCIAMENTO DE CAMPANHA (FEFC). MEIO DIVERSO DO PREVISTO NA
LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. ART. 40 DA RES.-TSE Nº 23.553/2017. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS IDÔNEOS.
DESNECESSIDADE DE RECOLHIMENTO DE VALORES AO TESOURO NACIONAL. REEXAME DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO.
SÚMULA Nº 24/TSE. NEGATIVA DE SEGUIMENTO.

Cuida-se de recurso especial interposto pelo Ministério Público Eleitoral contra acórdão do Tribunal Regional Eleitoral do
Rio Grande do Sul (TRE/RS) no qual, por unanimidade, desaprovadas as contas de campanha de Paulo Renato Jaguarão Silva da
Rosa ao cargo de deputado federal do Rio Grande do Sul nas eleições de 2018, com determinação de ressarcimento ao Erário
do montante de R$ 640,00 (seiscentos e quarenta reais).

Eis a ementa do acórdão regional:


PRESTAÇÃO DE CONTAS. CANDIDATO. DEPUTADO FEDERAL. ARRECADAÇÃO E DISPÊNDIO DE RECURSOS RELATIVOS ÀS
ELEIÇÕES GERAIS DE 2018. PARECER TÉCNICO E MANIFESTAÇÃO MINISTERIAL PELA DESAPROVAÇÃO. DOCUMENTOS
INTEMPESTIVOS. IRREGULARIDADES NO EMPREGO DE RECURSOS PÚBLICOS. AUSÊNCIA DE DOCUMENTO COMPROBATÓRIO.
ALTO PERCENTUAL. RECOLHIMENTO AO TESOURO NACIONAL. DESAPROVAÇÃO.
1. O art. 72, §1º, da Resolução TSE n. 23.553/17 prevê a fase de diligência, única ocasião para a apresentação de requerimentos
e explanações, bem como de novos documentos pelo candidato. Após o parecer conclusivo, está preclusa a oportunidade de
juntada de manifestações ou novas provas, conforme diretriz extraída do art. 75 da referida norma. Não conhecidos os
documentos apresentados intempestivamente.
2. Ausência de comprovação de despesas efetuadas com recursos oriundos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha
(FEFC). A
Resolução TSE n. 23.553/17 estabelece que os gastos financeiros somente podem ser feitos por cheque nominal, transferência
bancária ou débito em conta, a fim de possibilitar a identificação da origem das receitas e do destino das despesas.
Caracterizada a irregularidade na aplicação dos recursos públicos, deve o valor correspondente ser recolhido ao Tesouro
Nacional, conforme propugnado pelo art. 82, §1º, da Resolução TSE n. 23.553/17.
3. Em relação ao conjunto de gastos associados àcontratação individual de pessoas físicas para serviços de distribuição de

Diário da Justiça Eletrônico do Tribunal Superior Eleitoral. Documento assinado digitalmente conforme MP n. 2.200-2/2001, de 24.8.2001, que institui a Infra
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material de campanha, em que dispensada a emissão de documento fiscal, são admissíveis como idôneos para comprovação da
despesa os correspondentes recibos de pagamento a trabalhador autônomo (RPA), na forma facultada pelo §2º do art. 63 da
Resolução TSE n. 23.553/17.
3. As despesas irregulares representaram 63,9% das receitas arrecadadas, impondo a reprovação da contabilidade.
4. Desaprovação. (ID nº 23915588)

No recurso especial de ID nº 23915738, interposto com fundamento no art. 276, I, a, do Código Eleitoral, o Ministério
Público Eleitoral apresenta as seguintes alegações:

a) a utilização de recursos do FEFC, consoante dispõe o art. 40 da Res.-TSE nº 23.553/2017, tido por violado, somente
pode ser efetivada por cheque nominal, débito em conta ou transferência bancária com identificação do CPF ou CNPJ do
beneficiário;

b) a apresentação de outros documentos comprobatórios da utilização da supracitada verba não tem o condão de
regularizar o vilipêndio a norma regulamentar, pois “os documentos fiscais idôneos, com o preenchimento de todos os dados
necessários a que alude o art. 63, devem se somar aos meios de pagamento determinados no art. 40, jamais podendo ser
apontados como alternativos ou exclusivos para efeito de comprovação da efetiva e regular utilização dos recursos do Fundo
Partidário ou do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (ID nº 23915738, fl. 14);

c) a utilização dos recursos em meio diverso ao disposto no art. 40 da Res.-TSE nº 23.553/2017 sujeita o prestador
àdevolução dos valores ao Tesouro Nacional, em observância ao art. 82, §1º, da Res.-TSE nº 23.553/2017.

O recurso especial foi admitido (ID nº 23915788).

O prazo para contrarrazões transcorreu in albis.

Em parecer de ID nº 28127388, a Procuradoria-Geral Eleitoral opina pelo conhecimento e provimento do recurso especial.

Éo relatório.

Decido.

Consoante a moldura fática delineada no acórdão regional, o TRE/RS, por unanimidade, desaprovou as contas de
campanha de Paulo Renato Jaguarão Silva da Rosa ao cargo de deputado federal do Rio Grande do Sul nas eleições de 2018 em
virtude da utilização de recursos do FEFC por meio diverso do determinado no art. 40 da Res.-TSE nº 23.553/2017 no montante
de R$ 8.832,93 (oito mil, oitocentos e trinta e dois reais e noventa e três centavos), o que corresponde a 63,09% das despesas
de campanha.

Considerou, todavia, estar devidamente comprovada, por documentos fiscais idôneos, a aplicação dos recursos na ordem
de R$ 8.192,93 (oito mil, cento e noventa e dois reais e noventa e três centavos), situação que afasta a determinação de
recolhimento dos valores ao Tesouro Nacional.

Por oportuno, reproduzo fragmentos do acórdão recorrido:


Tangente ao mérito, o órgão técnico, após exame dos documentos apresentados pelo candidato, concluiu pela desaprovação
das contas, em vista da ausência dos documentos comprobatórios e dos respectivos demonstrativos de pagamento de despesas
realizadas com recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), no total de R$ 8.832,93, conforme a
seguinte tabela:
[...]
Entretanto, em relação a serviços contratados com pessoas jurídicas, tenho que as despesas estão devidamente comprovadas
por meio dos correspondentes documentos fiscais juntados aos autos, emitidos pela empresa Terra Serviços Contábeis e

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Assessoria Ltda., nos totais de R$ 2.250,00 (http://inter03.tse.jus.br/sitdoc/DownloadFile?id=619a61c7-b6eb-4f70-980f-


6f8a37ebe6c5&inline=true>) e de R$ 1.250,00 ( ), bem assim pelo Comércio de Combustíveis Tamer Ltda, no montante de R$
483,10 ( ), na exata forma estipulada pelo art. 63, caput, da Resolução TSE n. 23.553/17.

Em relação ao conjunto de gastos associados àcontratação individual de pessoas físicas para serviços de distribuição de material
de campanha, em que dispensada a emissão de documento fiscal, entendo que os correspondentes recibos de pagamento a
trabalhador autônomo (RPA) são idôneos para a prova da despesa, na forma facultada pelo §2º do aludido art. 63 da Resolução
TSE n. 23.553/17, verbis:

Art. 63. […].


§2º Quando dispensada a emissão de documento fiscal, na forma da legislação aplicável, a comprovação da despesa pode ser
feita por meio de recibo que contenha a data de emissão, a descrição e o valor da operação ou prestação, a identificação do
destinatário e do emitente pelo nome ou razão social, CPF ou CNPJ, endereço e assinatura do prestador de serviços.

Nesse trilhar, os recibos acostados (ID 552983) são suficientes àcomprovação da integralidade das despesas com serviços de
panfletagem prestados por Cíntia Duarte Dias, Moises Rodrigues de Rodrigues, Elizaine Tavares Santuche, Marco Aurelio
Mariano Domingues, Marcos Willian Pacheco Domingues, Marina Cardoso Machado, Laize Cardoso Freitas, Thanize Gomes
Rodrigues, Magda Cristina Baltar Mendonça, Izadora Ferreira Carvalho, Natalia Lima Garcia, Maria Carolina Machado da Silva,
Katerin Lemes Rivero, Neiva Curitiva Chagas da Silva e Eva Juraci Nascente Silveira.

Por outro lado, no tocante aos pagamentos declarados para Camila Silva Cardoso, nos dias 03 e 10.9.2018, nos valores de R$
120,00 e de R$ 400,00, respectivamente, bem como para Cris Dienifer dos Santos Silva e para Fabiano Figueiredo Acosta, ambos
em 13.9.2018 e no montante de R$ 120,00, não houve a juntada de elemento mínimo para a comprovação das despesas.

Dessa forma, quanto aos mencionados dispêndios, tem-se caracterizada a irregularidade na aplicação dos recursos públicos
recebidos para o financiamento de campanha, incidindo, sobre este montante, ou seja, R$ 640,00, o dever de recolhimento ao
Tesouro Nacional, conforme propugnado pelo art. 82, §1º, da Resolução TSE n. 23.553/17.

De outra sorte, o examinador técnico bem destacou que as despesas com recursos do FEFC devem ocorrer necessariamente por
meio de cheque nominal, transferência bancária ou débito em conta ao fornecedor declarado, a teor do art. 40, incs. I a III, da
multicitada resolução.

A medida, porém, não foi demonstrada no tocante àtotalidade dos gastos arrolados, diante do não cumprimento da diligência
determinada no curso da análise para a juntada das cópias dos cheques nominais emitidos.

Por seu turno, não épossível contornar a falha a partir dos extratos bancários apresentados pelo candidato (ID 553083) ou pelos
extratos eletrônicos disponibilizados pelo TSE, uma vez que estes documentos não oferecem informações sobre o beneficiário
do pagamento, constando apenas a anotação “cheque compensado” ou “cheque por caixa”.

Ainda assim, malgrado a inobservância do referido art. 40, as circunstâncias fáticas inviabilizam o recolhimento dos
correspondentes valores ao Tesouro Nacional, tendo em vista que a norma de regência prescreve a determinação sempre que
se verificar o recebimento de recursos de fonte vedada ou de origem não identificada e a ausência de comprovação da
utilização dos recursos do Fundo Partidário e/ou do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) ou a sua utilização
indevida. Veja-se:

Art. 82. A aprovação com ressalvas da prestação de contas não obsta que seja determinada a devolução dos recursos recebidos
de fonte vedada ou a sua transferência para a conta única do Tesouro Nacional, assim como dos recursos de origem não
identificada, na forma prevista nos arts. 33 e 34 desta resolução.
§1º Verificada a ausência de comprovação da utilização dos recursos do Fundo Partidário e/ou do Fundo Especial de
Financiamento de Campanha (FEFC) ou a sua utilização indevida, a decisão que julgar as contas determinará a devolução do
valor correspondente ao Tesouro Nacional no prazo de 5 (cinco) dias após o trânsito em julgado, sob pena de remessa de cópia
digitalizada dos autos àrepresentação estadual ou municipal da Advocacia-Geral da União, para fins de cobrança.

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Portanto, demonstrada a aplicação dos recursos do FEFC com as notas fiscais e com os recibos de trabalho autônomo
acostados, àexceção dos prestadores alhures destacados, éindevida a imposição de recolhimento de valores ao Tesouro
Nacional, por ausência de previsão legal desta consequência em relação àfalta de prova da regularidade do meio de pagamento
utilizado quando as despesas estão comprovadas por meios idôneos de prova.

Ultimada a análise, tem-se que as irregularidades apuradas nestes autos perfazem o somatório de R$ 8.832,93, equivalente a
63,09% do total de receitas declaradas (R$ 13.418,33), o que inviabiliza a aplicação dos princípios da proporcionalidade ou
razoabilidade para atenuar a importância das máculas sobre a regularidade do conjunto das contas.

Por derradeiro, consigno que, embora a presente decisão não reconheça a malversação de recursos públicos, os presentes
autos virtuais encontram-se àdisposição da Procuradoria Regional Eleitoral para, assim desejando, extrair as cópias que
entender pertinentes para encaminhamento ao Ministério Público Eleitoral em primeira instância, a fim de apurar eventual
ilícito criminal, sendo desnecessária a intervenção da Justiça Eleitoral para essa finalidade.

Ante o exposto, VOTO pela desaprovação das contas de PAULO RENATO JAGUARÃO SILVA DA ROSA, com base no art. 77, inc.
III, da Resolução TSE n. 23.553/17, com a determinação de recolhimento da quantia de R$ 640,00 (seiscentos e quarenta reais)
ao Tesouro Nacional, nos termos do art. 82, §1º, da mesma resolução. (ID nº 23915538, fls. 1-5)

Sustenta o Parquet, com amparo na alegada violação aos arts. 40 e 82, §1º, da Res.-TSE nº 23.553/2017, o desacerto do
acórdão regional, pois, uma vez descumpridos os meios previstos –quais sejam: cheque nominal, débito em conta ou
transferência bancária com identificação do CPF ou CNPJ do beneficiário –, o recolhimento ao Erário dos valores gastos
émedida que se impõe.

Sem razão, contudo.

Conforme pontuado, a Corte Regional, soberana na valoração das provas coligidas aos autos, assentou que, a despeito do
descumprimento da forma regulamentar na utilização dos recursos oriundos do FEFC, prevista no art. 40 da Res.-TSE nº
23.553/2017, o prestador recorrido demonstrou, por meio de “documentos fiscais juntados aos autos e “recibos de
pagamento a trabalhador autônomo (RPA) (ID nº 23915538, fls. 2-3), a correta destinação dos valores.

A conclusão regional não merece reparos.

Em que pese o descumprimento da norma regulamentar, o qual, frise-se, ocasionou a desaprovação das contas, tal
vilipêndio não tem o condão de, per se, gerar a devolução ao Erário dos valores utilizados.

Isso porque, da leitura sistêmica da legislação, verifica-se que o recolhimento ao Tesouro Nacional pressupõe, a toda
evidência, a malversação da verba, consoante disposto no art. 82 da Res.-TSE nº 23.553/2017, in verbis:
Art. 82. A aprovação com ressalvas da prestação de contas não obsta que seja determinada a devolução dos recursos recebidos
de fonte vedada ou a sua transferência para a conta única do Tesouro Nacional, assim como dos recursos de origem não
identificada, na forma prevista nos arts. 33 e 34 desta resolução.
§1º Verificada a ausência de comprovação da utilização dos recursos do Fundo Partidário e/ou do Fundo Especial de
Financiamento de Campanha (FEFC) ou a sua utilização indevida, a decisão que julgar as contas determinará a devolução do
valor correspondente ao Tesouro Nacional no prazo de 5 (cinco) dias após o trânsito em julgado, sob pena de remessa de cópia
digitalizada dos autos àrepresentação estadual ou municipal da Advocacia-Geral da União, para fins de cobrança. (Grifei)

Nessa perspectiva, fundamental éperquirir, para além do descumprimento dos meios de pagamento previstos no art. 40,
se as verbas públicas disponibilizadas foram devidamente utilizadas pelo prestador. E, nos termos do art. 63 da Res.-TSE nº
23.553/2017, admite-se, para os fins pretendidos, a apresentação de qualquer documento hábil a comprovar os gastos
eleitorais:
Art. 63. A comprovação dos gastos eleitorais deve ser feita por meio de documento fiscal idôneo emitido em nome dos
candidatos e partidos políticos, sem emendas ou rasuras, devendo conter a data de emissão, a descrição detalhada, o valor da
operação e a identificação do emitente e do destinatário ou dos contraentes pelo nome ou razão social, CPF ou CNPJ e
endereço.

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§1º Além do documento fiscal idôneo a que se refere o caput, a Justiça Eleitoral poderá admitir, para fins de comprovação de
gasto, qualquer meio idôneo de prova, inclusive outros documentos, tais como:
I –contrato;
II –comprovante de entrega de material ou da prestação efetiva do serviço;
III –comprovante bancário de pagamento; ou
IV –Guia de Recolhimento do FGTS e de Informações da Previdência Social (GFIP).

Assim, ao contrário do aventado pelo recorrente, as disposições previstas nos art. 40 da supracitada resolução quanto aos
meios de pagamento não são complementares ao art. 63 do mesmo diploma. Ao revés, somente a utilização indevida ou a não
comprovação dos dispêndios eleitorais sujeita o prestador àconsequência jurídica do art. 82, §1º, da Res.-TSE nº 23.553/2017,
qual seja, a devolução dos valores ao Tesouro Nacional.

Cito precedente:

DIREITO ELEITORAL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL ELEITORAL. ELEIÇÕES 2018. PRESTAÇÃO DE CONTAS.
APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS IDÔNEOS. REGULARIDADE. APROVAÇÃO COM RESSALVAS. DESPROVIMENTO.
1. Agravo interno interposto contra decisão que negou seguimento ao recurso especial eleitoral, mantendo o acórdão regional
que julgou aprovadas com ressalvas as contas de campanha relativas às Eleições 2018.
2. No caso, o TRE/SE consignou que, a despeito da ausência de apresentação de documento fiscal para comprovação da
utilização de recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha –FEFC, o prestador de contas demonstrou, por outros
meios de provas idôneos, a regularidade dos gastos eleitorais realizados.
3. O acórdão recorrido está em consonância com o art. 63, §1º, da Res.–TSE nº 23.553/2017, quanto àadmissibilidade de
qualquer outro meio de prova idôneo, diverso do documento fiscal, para comprovação de gastos de campanha. Precedentes.
4. Além disso, a modificação da conclusão do TRE/SE quanto àidoneidade e suficiência das provas apresentadas, tidas como
aptas a revelar a regularidade das contas prestadas, exigiria o revolvimento do acervo fático-probatório constante dos autos,
vedado nesta instância especial (Súmula nº 24/TSE).
5. Tendo em vista que a decisão recorrida está em conformidade com a jurisprudência deste Tribunal Superior, não se conhece
do recurso especial eleitoral por dissídio jurisprudencial (Súmula nº 30/TSE).
6. Agravo interno a que se nega provimento.
(AgR-Respe nº 0601072-41/SE, Rel. Min. Luís Roberto Barroso, DJe de 8.11.2019 –grifei)

No mesmo sentido, ainda, as decisões monocráticas proferidas pelo e. Ministro Sérgio Banhos: REspe nº 0601199-76/SE,
DJe de 12.6.2019, e REspe nº 0602962-26/RS, DJe de 7.4.2020.

Ademais, afastar os fundamentos do Tribunal a quo a respeito da suficiência e da idoneidade dos documentos fiscais
acostados aos autos, a demonstrar a regular utilização dos recursos públicos, demandaria revolvimento da matéria fático-
probatória, providência inadmissível nesta instância extraordinária, nos termos da Súmula nº 24/TSE.

Nada há a prover, portanto, quanto àpretensão recursal.

Ante o exposto, nego seguimento recurso especial, com base no art. 36, §7º, do Regimento Interno do Tribunal Superior
Eleitoral.

Publique-se.

Brasília, 4 de maio de 2020.


Ministro TARCISIO VIEIRA DE CARVALHO NETO Relator
Processo 0602371-38.2018.6.04.0000

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TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL


ACÓRDÃO

AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL ELEITORAL Nº 0602371-38.2018.6.04.0000 –MANAUS –AMAZONAS


Relator: Ministro Edson Fachin
Agravante: Pablo Oliva Souza
Advogados: Edson Pereira Duarte – OAB: 3702/AM e outros
Agravado: Ministério Público Eleitoral

ELEIÇÕES 2018. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. REPRESENTAÇÃO. PROPAGANDA IRREGULAR. DERRAME DE
SANTINHOS. RESPONSABILIDADE CARACTERIZADA. REEXAME DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE.
SÚMULA Nº 24/TSE. ACÓRDÃO RECORRIDO EM HARMONIA COM A JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE. SÚMULA Nº 30/TSE.
DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. AUSÊNCIA DE COTEJO ANALÍTICO ENTRE OS JULGADOS CONTRAPOSTOS. SÚMULA Nº 28/TSE.
DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTOS. NÃO INFIRMADOS. SÚMULA Nº 26/TSE. AGRAVO DESPROVIDO.
1. A Corte regional, após analisar o conteúdo fático-probatório dos autos, concluiu que restou configurada a propaganda
eleitoral irregular consubstanciada no derrame de santinhos às vésperas e na data do pleito de 2018, o que foi praticado com o
conhecimento do representado. Para afastar essas conclusões, seria necessária nova incursão nas provas acostadas aos autos,
providência inviável em sede especial, por inteligência da Súmula nº 24 do TSE.
2. A teor da jurisprudência iterativa desta Corte, “épossível a responsabilização pelo referido ato de publicidade ‘se as
circunstâncias e as peculiaridades do caso específico revelarem a impossibilidade de o beneficiário não ter tido conhecimento
da propaganda’” (AgR-AI nº 0607851-77/RJ, Rel. Min. Tarcisio Vieira de Carvalho Neto, DJe de 19.11.2019. No mesmo sentido:
AgR-AI nº 0607848-25/RJ, Rel. Min. Jorge Mussi, DJe de 18.9.2019, entre outros).
3. A jurisprudência desta Corte igualmente se firmou pela possibilidade de se mitigar o requisito da notificação prévia, quando o
derrame de santinhos ocorrer às vésperas do pleito. Assim: "na hipótese de propaganda por meio de derramamento de
santinhos na madrugada do dia das eleições, a exigência da prévia notificação inserta no art. 37, §1º, da Lei nº 9.504/97 pode
ser mitigada, para garantir a ratio essendi da referida norma, que écoibir a realização de propaganda eleitoral em bens
públicos, a fim de preservá-los, garantindo a isonomia entre os candidatos na disputa eleitoral e evitando influências no voto do
eleitor" (AgR-REspe nº 3795-68/GO, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 26.8.2016).
4. A compreensão da Corte regional firmou-se em consonância com a jurisprudência desta Corte, o que atrai a incidência da
Súmula nº 30/TSE.
5. O recorrente não se desincumbiu de realizar o devido cotejo analítico a fim de evidenciar a similitude fática entre a decisão
recorrida e os acórdãos paradigmas, o que impede o conhecimento do dissídio jurisprudencial suscitado, a teor da Súmula nº
28/TSE.
6. Inviável o conhecimento de agravo regimental que deixe de apresentar argumentos suficientes para infirmar todos os
fundamentos da decisão vergastada e, assim, permitir a sua reforma, nos termos da Súmula nº 26/TSE.
7. Agravo interno a que se nega provimento.

Acordam os ministros do Tribunal Superior Eleitoral, por unanimidade, em negar provimento ao agravo regimental, nos termos
do voto do relator.

Brasília, 26 de março de 2020.

MINISTRO EDSON FACHIN – RELATOR


RELATÓRIO
O SENHOR MINISTRO EDSON FACHIN: Senhora Presidente, trata-se de agravo interno (ID nº 19522588) interposto por Pablo
Oliva Souza contra decisão de negativa de seguimento ao seu recurso especial, assim ementada:
“ELEIÇÕES 2018. RECURSO ESPECIAL ELEITORAL. REPRESENTAÇÃO. PROPAGANDA ELEITORAL IRREGULAR. DERRAME DE
SANTINHOS. IRREGULARIDADE E RESPONSABILIDADE CARACTERIZADAS. REEXAME DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS
AUTOS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA Nº 24/TSE. ACÓRDÃO RECORRIDO EM HARMONIA COM A JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE.
SÚMULA Nº 30/TSE. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. AUSÊNCIA DE COTEJO ANALÍTICO ENTRE OS JULGADOS CONTRAPOSTOS.

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SÚMULA Nº 28/TSE. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO”. (ID nº 16890488)


O agravante sustenta, em síntese, que o recurso especial não visa ao reexame probatório, mas àreforma do acórdão regional,
que foi proferido contra expressa disposição de lei, qual seja, o art. 37, §1º, da Lei n 9.504/97.
Aduz “a tese de que o requisito da notificação como antecedente para o sancionamento previsto no §1º do art. 37 pode ser
mitigada somente quando o fato ocorrer na madrugada do dia do pleito, conforme RESPE 1391620166130326 Uberaba/MG
97472017, de 05/06/2018, Rel. Min. Jorge Mussi”, concluindo que a compreensão do TRE/AM “não está consolidada perante a
jurisprudência pátria”(ID nº 19522638 –p. 3) .
Aponta omissão na decisão agravada ao argumento de que o TRE/AM “não emitiu juízo de valor sobre o precedente acima
trazido pelo Recorrente e, portanto, foi omissa quanto àquestão importante para o seguimento do recurso especial”(ID nº
19522638 –p. 3) .
Ressalta que “diversos julgados de nossos Tribunais pátrios reconhecem a necessidade de comprovação da autoria e do prévio
conhecimento do candidato acerca da prática da conduta ilícita”(ID nº 19522638 –p. 4).
Afirma que “não existe qualquer disposição de lei que disponha que a confecção e distribuição do material pelo candidato
configure sua total e exclusiva responsabilidade decorrente de seu uso irregular”. Acrescenta que “tampouco existe acervo
probatório que evidencie que o Recorrente tenha efetuado o ‘derrame dos santinhos’”(ID nº 19522638 –p. 6) .
Defende que “na dúvida, deve-se prestigiar os princípios da não culpabilidade, da inocência e do in dubio pro réu , previsto na
Constituição Federal, pois nenhum dos locais onde houve o suposto derrame de santinhos corresponde ao local de votação do
Recorrente, não havendo como se presumir seu conhecimento a respeito dos fatos”(ID nº 19522638 – p. 6).
Por fim, requer a “reforma do acórdão recorrido, excluindo a condenação vergastada, em razão da clara violação àdisposição
expressa de lei e em virtude de existência de divergência de interpretação entre dois ou mais tribunais, nos termos do art. 121,
§4º da Constituição Federal”(ID nº 19522638 –p. 7) .
O Ministério Público Eleitoral apresentou contraminuta (ID 19969138), pugnando pelo não conhecimento do agravo interno.
Éo relatório.
VOTO

O SENHOR MINISTRO EDSON FACHIN (relator): Senhora Presidente, o agravo interno não comporta provimento.
Para melhor compreensão, reproduzo os fundamentos da decisão agravada (ID nº 16890488):
“O recurso especial não merece seguimento.
O recorrente defende, em suma, que não há provas suficientes para comprovação do derrame de santinhos e que não restou
demonstrada sua anuência ou conhecimento a respeito do fato.
Todavia, o TRE/AM, após analisar o conteúdo fático-probatório dos autos, concluiu que restou configurada a propaganda
eleitoral irregular consubstanciada no derrame de santinhos às vésperas e na data do pleito de 2018, nos seguintes termos (ID
16565738, p. 2):
‘tem-se que o acervo probatório dos autos evidencia que o representado veiculou propaganda eleitoral irregular –‘derrame de
santinhos’ -, ao passo que o material anexado àrepresentação constitui apenas uma amostra daquele encontrado no dia do
pleito pelos servidores da Justiça Eleitoral, para fins de documentação, restando demonstrado o descumprimento da lei
eleitoral.’ (Destaquei)
Além disso, a Corte Regional, com base nas circunstâncias do caso concreto, concluiu pelo conhecimento do recorrente acerca
da prática da propaganda irregular, conforme se extrai dos seguintes trechos do acórdão (ID 16565738, p.2/3):
‘No que tange àprova da autoria, cumpre assinalar que o material foi confeccionado e distribuído pelo candidato, que deve
assumir inteira e exclusiva responsabilidade decorrente do seu uso irregular, inclusive patrocinado por seus apoiadores.
Na hipótese, essa conclusão éinafastável, porquanto o que efetivamente se verifica éque o ‘derrame de santinhos’ ocorreu em
frente a 6 (seis) locais de votação, com a clara intenção de mostrar esse material de propaganda ao maior número possível de
eleitores, evidenciando, portanto, a estratégia de promoção da candidatura do representado.
Logo, resta suficientemente demonstrada a impossibilidade do candidato não ter tido conhecimento da prática ilícita, além de
ser o beneficiário do ato ilícito, de modo que o pedido formulado nesta representação deve ser julgado procedente, atraindo a
aplicação da penalidade prevista pelo §1º do art. 37 da Lei nº 9.504/1997.’ (Destaquei)
Para afastar as conclusões assentadas pelo TRE/AM sobre a configuração do derrame de santinhos às vésperas e no dia da
eleição e o conhecimento do recorrente acerca do ilícito, seria necessária nova incursão nas provas acostadas aos autos,
providência inviável em sede especial, por inteligência da Súmula nº 24 do TSE: “não cabe recurso especial eleitoral para
simples reexame do conjunto fático-probatório”.
Ademais, no tocante àaferição da responsabilidade do recorrente pelo derrame de santinhos a partir das circunstâncias e
peculiaridades do caso, a conclusão da Corte Regional está em consonância com a jurisprudência desta Corte. Veja-se:

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‘ELEIÇÕES 2018. AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVOS. RECURSOS ESPECIAIS. REPRESENTAÇÃO. PROPAGANDA ELEITORAL
IRREGULAR. DERRAME DE SANTINHOS. IRREGULARIDADE CARACTERIZADA. RESPONSABILIDADE. REEXAME DE FATOS E
PROVAS. VEDAÇÃO. SÚMULA Nº 24/TSE. ACÓRDÃO REGIONAL EM CONFORMIDADE COM A JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE
SUPERIOR. SÚMULA Nº 30/TSE. DESPROVIMENTO.
[...]
4. Épossível a responsabilização pelo referido ato de publicidade se as circunstâncias e as peculiaridades do caso específico
revelarem a impossibilidade de o beneficiário não ter tido conhecimento da propaganda, nos termos do parágrafo único do art.
40–B da Lei nº 9.504/97. Precedentes.’
[…]
(AgR-AI nº 0607872-53, Rel. Min. Tarcisio Vieira De Carvalho Neto, DJE de 09.08.2019) e
‘AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. ELEIÇÕES 2016. REPRESENTAÇÃO. PROPAGANDA ELEITORAL IRREGULAR.
DERRAMAMENTO DE SANTINHOS. DIA DO PLEITO. CONFIGURAÇÃO. MULTA. RESPONSABILIDADE. ART. 40-B, PARÁGRAFO
ÚNICO, DA LEI 9.504/97. POSSIBILIDADE. DESPROVIMENTO.
[...]
2. Épossível a responsabilização pelo referido ato de publicidade ‘se as circunstâncias e as peculiaridades do caso específico
revelarem a impossibilidade de o beneficiário não ter tido conhecimento da propaganda’, nos termos do parágrafo único do art.
40-B da Lei 9.504/97. Precedentes.
3. Na hipótese, o TRE/MG consignou que ‘a quantidade de santinhos encontrada nas proximidades dos locais de votação
demonstra que, se eles não praticaram a ação, ao menos dela tinham conhecimento e, de alguma maneira, assentiram com o
seu desfecho’. Concluir de modo diverso esbarra no óbice da Súmula 24/TSE.
4. Agravo regimental desprovido.’
(AgR-Respe nº 13916, Rel. Min. Jorge Mussi, DJe de 29.08.2018).
O recorrente sustenta ainda que a ausência de notificação prévia para remoção da propaganda irregular do art. 37, §1º da Lei
nº 9.504/97 afasta a aplicação da multa correspondente.
Contudo, o TRE/AM salientou que ‘a notificação prévia do responsável para remoção do ilícito não se apresenta como requisito
impeditivo para incidência da multa decorrente da propaganda irregular’, entendimento que está alinhado com a compreensão
desta Corte a respeito do tema, conforme se extrai dos seguintes precedentes:
‘AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. ELEIÇÕES 2018. DEPUTADO FEDERAL. REPRESENTAÇÃO. PROPAGANDA
IRREGULAR. DERRAMAMENTO DE SANTINHOS. VÉSPERA DO PLEITO. MULTA. RESPONSABILIDADE. ART. 40–B, PARÁGRAFO
ÚNICO, DA LEI 9.504/97. EMBARGOS PROTELATÓRIOS. DESPROVIMENTO.
[...]
4. O requisito da notificação como antecedente para o sancionamento, previsto no §1º do art. 37 da Lei 9.504/97, pode ser
mitigado quando o fato ocorrer na véspera do dia do pleito, a fim de se resguardar o escopo da norma, que éimpedir influências
no voto do eleitor e desequilíbrio no certame. Precedentes.’
[…]
(AgR-REspe nº 0603357-51, Rel. Min. Jorge Mussi, DJE de 09.08.2019) e
‘ELEIÇÕES 2016. AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO. RECURSO ESPECIAL. REPRESENTAÇÃO. PROPAGANDA ELEITORAL
IRREGULAR. DERRAME DE SANTINHOS. JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE. FUNDAMENTOS. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA.
SÚMULA Nº 26/TSE. IRREGULARIDADE CARACTERIZADA. REEXAME DE FATOS E PROVAS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA Nº
24/TSE. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL NÃO DEMONSTRADO. SÚMULA Nº 28/TSE. REITERAÇÃO DE ARGUMENTOS. SUBSISTÊNCIA
DA SÚMULA Nº 26/TSE. DESPROVIMENTO.
[...]
4. Já decidiu esta Corte que, ‘na hipótese de propaganda por meio de derramamento de santinhos na madrugada do dia das
eleições, a exigência da prévia notificação inserta no art. 37, §1º, da Lei nº 9.504/97 pode ser mitigada, para garantir a ratio
essendi da referida norma, que écoibir a realização de propaganda eleitoral em bens públicos, a fim de preservá-los, garantindo
a isonomia entre os candidatos na disputa eleitoral e evitando influências no voto do eleitor’ (AgR-REspe nº 3795-68/GO, Rel.
Min. Luiz Fux, DJe de 26.8.2016).”
[...]
(AgR-AI nº 280-98, Rel. Min. Tarcisio Vieira De Carvalho Neto, DJE de 05.08.2019).
Conclui-se, portanto, pela incidência da Súmula nº 30 do TSE, a obstar o processamento do recurso, segundo o qual ‘não se
conhece de recurso especial eleitoral por dissídio jurisprudencial, quando a decisão recorrida estiver em conformidade com a
jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral’.

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Ano 2020, Número 088 Brasília, quinta-feira, 7 de maio de 2020 Página 8 3

Por fim, no tocante ao agitado dissenso pretoriano entre o acórdão regional e o REspe nº 13916/2016 de relatoria do Ministro
Jorge Mussi, bem como entre aquele e julgados dos TRE’s de Minas Gerais, Santa Catarina e Paraná, assevera-se que o
recorrente não se desincumbiu de realizar o devido cotejo analítico a fim de evidenciar a similitude fática entre a decisão
recorrida e os acórdãos paradigmas.
Érequisito de demonstração da divergência jurisprudencial autorizadora do manejo de recurso especial eleitoral o cotejo
analítico entre a situação fática dos acórdãos paradigmas e aquele que pretende ver reformado, como preconiza a Súmula nº
28 deste Tribunal, nesses termos: ‘a divergência jurisprudencial que fundamenta o recurso especial interposto com base na
alínea b do inciso I do art. 276 do Código Eleitoral somente estará demonstrada mediante a realização de cotejo analítico e a
existência de similitude fática entre os acórdãos paradigma e o aresto recorrido’.
Desse modo, infere-se que o requisito da divergência jurisprudencial somente se aperfeiçoa quando demonstrada a existência
de similitude fática entre os julgados contrapostos e realizado o cotejo analítico das decisões, por força da mencionada súmula,
condição que não foi preenchida no caso concreto, visto que o recorrente limitou-se a mencionar o julgado do TSE e a
colacionar a ementa de acórdãos dos TRE’s de Minas Gerais, Santa Catarina e Paraná.
Ante o exposto, e com fundamento no art. 36, §6º, do RITSE, nego seguimento ao recurso especial.”
Depreende-se da leitura da decisão vergastada que a negativa de seguimento do agravo de instrumento foi embasada em cinco
fundamentos distintos e autônomos, quais sejam: (a) impossibilidade de reexame do acervo fático-probatório (Súmula nº
24/TSE), o qual levou o TRE/AM a concluir pela ocorrência de propaganda irregular, consubstanciada no derrame de santinhos
no dia do pleito, com o conhecimento do representado, também beneficiário do ilícito em questão; (b) o critério utilizado pelo
TRE/AM para aferir a responsabilidade do candidato está de acordo com a jurisprudência do TSE, que entende pela
possibilidade de responsabilização do beneficiário quando as circunstâncias do caso revelarem a impossibilidade deste não ter
tido conhecimento da propaganda; (c) o entendimento da Corte regional alinhou-se ao desta Corte Superior, pela possibilidade
de mitigação da exigência de notificação prévia constante do art. 37, §1º, da Lei nº 9.504/97 quando o fato ocorrer àvéspera do
pleito; (d) incidência da Súmula nº 30/TSE, visto que a compreensão do regional firmou-se de acordo com a jurisprudência
desta Corte; (e) incidência da Súmula nº 28/TSE, visto que não foi realizado cotejo analítico entre os julgados invocados para o
dissídio jurisprudencial.
Ocorre, contudo, que o agravante não logrou infirmar os fundamentos da decisão agravada, como se demonstrará a seguir.
O agravante aduz que o recurso especial não pretende promover o reexame do contexto fático-probatório delimitado pelo
acórdão regional, o que não se sustenta, na medida em que renova, no recurso especial e no agravo interno, a negativa de
autoria e de conhecimento quanto ao ilícito praticado.
Ainda, aponta omissão na decisão agravada, ao argumento de que não teria sido analisada a tese de que o requisito da
notificação prévia só seria dispensado quando o fato ocorresse na madrugada do dia do pleito.
O argumento igualmente não prospera, uma vez que ficou consignado, na decisão ora combatida, precedente de relatoria do
Ministro Jorge Mussi, no sentido de que há mitigação quando o fato ocorre às vésperas do pleito (AgR-REspe nº 0603357-51).
Ainda, a tese nem sequer socorre o agravante, na medida em que o acórdão regional assentou que o derrame de santinhos
ocorreu às vésperas e no dia do pleito, conforme se depreende do seguinte trecho (ID nº 16565738):
“Como se pode observar do normativo, para fins de configuração da propaganda irregular consistente no derrame de material
publicitário no local de votação ou vias próximas não se exige que os ‘santinhos’ tenham sido distribuídos em grande
quantitativo, pois a legislação não impõe um número mínimo, bastando que ocorra no local de votação ou nas vias próximas e
na véspera ou no dia do pleito.
De outro lado, tem-se que o acervo probatório dos autos evidencia que o representado veiculou propaganda eleitoral irregular
–‘derrame de santinhos’ -, ao passo que o material anexado àrepresentação constitui apenas uma amostra daquele encontrado
no dia do pleito pelos servidores da Justiça Eleitoral, para fins de documentação, restando demonstrado o descumprimento da
lei eleitoral.” (Grifos nossos)
Quanto àafirmação de que inexistiria lei a atribuir responsabilidade ao candidato pelo mau uso dos santinhos por ele
confeccionados e distribuídos, igualmente não merece guarida, pois a decisão recorrida fundamentou-se no acervo fático-
probatório delimitado na origem, que assentou circunstâncias do caso concreto que conduzem àconclusão de impossibilidade
de o candidato não ter tido conhecimento do ilícito em discussão.
Assim, aplica-se àespécie a jurisprudência iterativa desta Corte, no sentido de que “épossível a responsabilização pelo referido
ato de publicidade ‘se as circunstâncias e as peculiaridades do caso específico revelarem a impossibilidade de o beneficiário não
ter tido conhecimento da propaganda’” (AgR-AI nº 0607851-77/RJ, Rel. Min. Tarcisio Vieira de Carvalho Neto, DJe de
19.11.2019. No mesmo sentido: AgR-AI nº 0607848-25/RJ, Rel. Min. Jorge Mussi, DJe de 18.9.2019, entre outros).
Assim, conforme assentado na decisão agravada, incide àespécie o teor da Súmula nº 30/TSE, assim redigida: “não se conhece
de recurso especial eleitoral por dissídio jurisprudencial, quando a decisão recorrida estiver em conformidade com a
jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral”.
Por fim, o agravante deixa de impugnar a incidência da Súmula nº 28/TSE¹ àespécie, limitando-se a renovar o argumento de que
haveria dissídio jurisprudencial, o que, por si só, impede a reforma do julgado agravado nesse ponto.
Inviável, portanto, o conhecimento de recurso que deixe de apresentar argumentos suficientes para infirmar todos os

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fundamentos da decisão vergastada e, assim, permitir a sua reforma, nos termos da Súmula nº 26/TSE².
Ante o exposto, nego provimento ao agravo interno.
Écomo voto.
________________________
¹Súmula nº 28/TSE: A divergência jurisprudencial que fundamenta o recurso especial interposto com base na alínea b do inciso I
do art. 276 do Código Eleitoral somente estará demonstrada mediante a realização de cotejo analítico e a existência de
similitude fática entre os acórdãos paradigma e o aresto recorrido.
²Súmula nº 26/TSE: Éinadmissível o recurso que deixa de impugnar especificamente fundamento da decisão recorrida que é,
por si só, suficiente para a manutenção desta.
EXTRATO DA ATA

AgR-REspe nº 0602371-38.2018.6.04.0000/AM. Relator: Ministro Edson Fachin. Agravante: Pablo Oliva Souza (Advogados:
Edson Pereira Duarte – OAB: 3702/AM e outros). Agravado: Ministério Público Eleitoral.
Decisão: O Tribunal, por unanimidade, negou provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do relator.
Composição: Ministra Rosa Weber (presidente), Ministros Luís Roberto Barroso, Edson Fachin, Og Fernandes, Luis Felipe
Salomão, Tarcisio Vieira de Carvalho Neto e Sérgio Banhos.
Vice-Procurador-Geral Eleitoral: Renato Brill de Góes.
SESSÃO DE 26.3.2020.

CORREGEDORIA ELEITORAL

(NÃO HÁ PUBLICAÇÕES NESTA DATA)

SECRETARIA DO TRIBUNAL

(NÃO HÁ PUBLICAÇÕES NESTA DATA)

SECRETARIA DE ADMINISTRAÇÃO

(NÃO HÁ PUBLICAÇÕES NESTA DATA)

SECRETARIA DE CONTROLE INTERNO E AUDITORIA

(NÃO HÁ PUBLICAÇÕES NESTA DATA)

SECRETARIA DE TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO

(NÃO HÁ PUBLICAÇÕES NESTA DATA)

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SECRETARIA DE GESTÃO DA INFORMAÇÃO

(NÃO HÁ PUBLICAÇÕES NESTA DATA)

SECRETARIA DE SEGURANÇA E TRANSPORTE

(NÃO HÁ PUBLICAÇÕES NESTA DATA)

COMISSÃO PERMANENTE DE ÉTICA E SINDICÂNCIA DO TSE

(NÃO HÁ PUBLICAÇÕES NESTA DATA)

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