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A logística das hortaliças produzidas em Itaquiraí-MS.

Grupo de Pesquisa: Comercialização, mercados e preços


Resumo
O objetivo desse estudo é descrever as atividades de transporte, armazenamento e o processo
de embalagem das hortaliças na cidade de Itaquiraí-MS. Na primeira fase da pesquisa foi feita
uma pesquisa bibliográfica sobre agricutura familiar e logística em artigos, revistas, livros e
página da web. Na segunda etapa foi feita uma pesquisa empírica com numa amostra de 7
produtores de hortaliças da cidade de Itaquiraí-MS. Observou-se que as hortaliças são
transportadas em carroças, demonstrando a carência de meios adequados para realizar essa
atividade. Em todas as propriedades estudadas, as hortaliças não são armazenadas devido à
sua alta perecibilidade, sendo colhidas e vendidas nas feiras livres ou em casa. Com relação à
embalagem, elas são embaladas em sacolas plásticas, mas sem nenhuma identificação da
propriedade, produtor e da cidade, prejudicando a valorização da região e do produtor e a
diferenciação do produto.
Palavras-chave: transporte; armazenamento; embalagem; hortaliças

Abstract
The aim of this study is to describe the transportation, storage and packaging process of
vegetables in the city of Itaquiraí-MS. In the first phase of the research was conduced a
literature search about family agricutural and logistics in articles, magazines, books and web
page. In the second step was conduced an empirical research with a sample of 7 vegetable
growers of Itaquiraí-MS. It was observed that the vegetables are transported in carts,
demonstrating the lack of means to accomplish this activity. In all studied properties, the
vegetables are not stored due to its highly perishable and are harvested and sold in street
markets or at home. With regard to the packaging, they are packed in plastic bags, but without
any identification of the property, the producer and the city, hampering the recovery of the
region and the producer and product differentiation.
Key words: transportation; storage; packaging process;vegetables

1. INTRODUÇÃO
A agricultura familiar corresponde a 4,2 milhões de estabelecimentos e à 70% da
população ativa agrícola, e é administrada pelo Ministério de Desenvolvimento Agrário
(MDA) (INCRA/FAO, 2000). Apesar dos créditos destinados a ela tenham aumentada
significativamente e sejam distribuídos entre diversas modalidades, representam apenas 15%
a 20% daqueles destinados à agricultura patronal (SABOURIN, 2007). Quando analisado o
valor da renda total agropecuária (RT) de todo nosso país, os estabelecimentos familiares
correspodem por 50,9% do total de R$22 bilhões (BUAINAIN; ROMEIRO; GUANZIROLI,
2003).

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A agricultura familiar e camponesa está presente em todas as grandes produções
destinadas ao mercado interno ou à exportação, sendo responsável por dois terços da
produção de tubérculos e leite, um terço da produção de soja, 20% da carne bovina e as frutas
são também produções camponesas do Brasil (INCRA/FAO, 2000). A visão errada de que a
agricultura familiar é um setor pouco produtivo e limitado a abastecer o mercado local,
opõem-se ao fato de que ela produz bem mais do que a agricultura patronal por hectare
cultivado, e que ocupa sete vezes mais mão-de-obra (SABOURIN, 2007).
A logística torna-se importante nesse contexto. Trata-se de um tema de grande
importância para o desempenho da cadeia de suprimentos e é por meio dela que os materiais
fluem ao longo da cadeia e os produtos acabados chegam aos consumidores finais. É difícil
imaginar a realização de qualquer atividade de marketing ou produção sem ela. No setor
alimentar, a eficiência logística é fundamental, dada as características de elevada
perecibilidade dos produtos e as questões de segurança dos alimentos (food security). De
acordo com Guthrie, Guthrie e Lawson (2006), os consumidores estão mais exigentes e
esclarecidos em relação ao tipo de alimento que vão consumir e isso leva à reavaliação de
como esse produto é produzido, distribuído e vendido. Isso se estende para todos os
segmentos de alimentos.
O Brasil é o terceiro maior produtor de frutas e hortaliças do mundo, com produção de
aproximadamente 43 milhões de toneladas, perdendo para a China e Índia (FAO, 2004).
Mesmo que o consumo desses produtos sejam baixos (WHO, 2003), não passando de 86 Kg
de frutas e hortaliças por ano, comparados com países desenvolvidos, observa-se que o
consumidor tem apresentando modificações em seus padrões de consumo e isso reflete na sua
alimentação e no comportamento de compra (SPANHOL; HOKAMA, 2005). Segundo Belik
e Chaim (1999), em 1999, os FLV representavam em média 6,4% do faturamento dos
supermercados, chegando a ter participação de 10% em algumas redes. Em 2006, os
FLV já representam entre 8% e 12% do faturamento dos supermercados (APAS,
2006).
Nesse contexto, o objetivo desse estudo é descrever as atividades de transporte,
armazenamento e o processo de embalagem das hortaliças na cidade de Itaquiraí-MS.

2. REFERENCIAL TEÓRICO
2.1 AGRICULTURA FAMILIAR
Discutir a agricultura familiar não é uma tarefa fácil, existindo uma multiplicidade de
metodologias, critérios e variáveis para construir tipologias de produtores. Segundo
Guanziroli (1998), o produtor familiar é caracterizado segundo a condição do trabalho no seu
estabelecimento: quando ele (o produtor) faz uso de maior número de força de trabalho
familiar do que a contratada. Para Schneider e Nierdele (2008), não se tem uma definição
rigorosa sobre o conceito de agricultura familiar, havendo uma certa generalização em torno
da idéia de que o agricultor familiar é aquele que vive no meio rural e trabalha na agricultura
com sua família. Embora trabalhem em um pequeno lote de terra, utilizando basicamente a
força de trabalho doméstico, os diferentes grupos sociais encontrados no Brasil formados por
diversas categorias podem ser denominados de agricultores familiares. Segundo os mesmos
autores, de norte a sul do Brasil, é possivel que eles sejam denominados de colonos, sitiante,
posseiro, morador, ribeirinho, entre outros.
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A agricultura familiar combina vários tipos de atividades agrícolas, podendo
apresentar atividades tipicamente de autoconsumo que são, ao mesmo tempo, objeto de trocas
entre vizinhos ou de comercialização em feiras locais. Além disso, tem-se culturas de cereais,
leguminosas, a produção de leite e outros produtos que podem ser comercializados em redes
mais formais de comercialização por intermediários (WILKINSON; 2008). A produção para
autoconsumo, em que muitos especialistas afirmam que atrapalha a formação do verdadeiro
agricultor, é uma das principais características dessa forma social (GAZZOLA, 2006).
Segundo o mesmo autor, a pequenez da produção da agricultura familiar é vista,
muitas vezes, como uma vantagem quando ela é associada à tradição, à natureza e ao
artesanato. Esses aspectos geram valores de mercado para a pequina produção. Os orgânicos
são os componentes principais desses novos mercados.
A agricultura familiar é extremamente heterogênea, seja em relação à disponibilidade
de recursos, acesso ao mercado, capacidade de geração de renda e acumulação. A área média
dos estabelecimentos familiares é de 26 ha, e varia de acordo com a região, onde a região
Nordeste tem a menor área média (17ha) e a região Centro-Oeste a maior (84ha)
(BUAINAIN; ROMEIRO; GUANZIROLI, 2003).
A má distribuição da propriedade da terra é característica principal da estrutura
fundiária do Brasil. Um número grande agricultores familiares tem um lote menor que 5 ha, o
que, muitas vezes, inviabiliza a exploração sustentável dos estabelecimentos agropecuários.
Com exceção das atividades de subsistência, a sustentabilidade das pequenas propriedades é
condicionada pela participação em certas cadeias produtivas pela localização econômica e
pelo grau de capitalização (BUAINAIN; ROMEIRO; GUANZIROLI, 2003)
Nota-se que ela tem sofrido através do êxodo rural, dificuldades de comercialização,
desamparo de políticas e descapitalização dos produtores (DEVES, FILIPPI; 2008). Foi
constatado por meio das pesquisas realizadas por Souza Filho, Silva e Bonfim (2003) que
entre os principais entraves à inserção da agricultura familiar (em seu estudo de caso, que foi
situado na cidade de São Carlos), sejam estes direta ou indiretamente relacionados às políticas
públicas voltadas para esse segmento, estão aqueles relacionados à comercialização das frutas
e hortaliças, podendo ser subdivididos nos seguintes itens: a) sazonalidade; b) baixo volume
de produção; c) baixo poder de barganha; d) desconhecimento de técnicas de gerenciamento
(gestão da propriedade rural); e) desconhecimento do mercado em que o produtor está
inserido.

2.2 LOGÍSTICA
Logística é o processo de planejamento, implantação, controle do fluxo rentável,
armazenamento de matérias-primas, estoque de produtos acabados e em processo e
alistamento do fluxo de informações do ponto-de-origem ao ponto-de-consumo, conforme as
exigências dos clientes (COOPER; LAMBERT; PAGH, 1997). Ballou (1993) oferece uma
definição semelhante, apresentando logística como atividade de movimentação e
armazenagem que facilita o fluxo dos produtos desde o local de aquisição da matéria-prima
até o local de consumo final. Para o autor, a este conceito acrescentam-se, ainda, os fluxos de
informação que colocam os produtos em movimento, com o propósito de oferecer aos clientes
níveis de serviço que se adéqüem às suas necessidades, a um baixo custo, de forma a
maximizar a lucratividade da empresa. Bowersox, Closs e Cooper (2007, p.24), definem
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logística como “ a responsabilidade de projetar e administrar sistemas para controlar o
transporte e a localização geográfica dos estoques de materiais, produtos inacabados e
produtos acabados pelo menor custo total”.
Segundo Ballou (2001), a logística envolve todas as operações relacionadas com
planejamento e controle de produção, movimentação de materiais, embalagem, armazenagem
e expedição, distribuição física, transporte e sistemas de comunicação que, realizadas de
modo sincronizado, podem fazer com que as empresas agreguem valor aos serviços
oferecidos aos clientes e também oportunizando um diferencial competitivo perante a
concorrência.
A função dos transportes na logística tem mudado nas últimas três décadas, quando
havia muita pouca diferença entre os transportadores em relação ao produto, serviço ou preço.
Atualmente, isso tem mudado e existem várias alternativas de transporte disponíveis para dar
suporte à logística da cadeia de suprimentos dos produtos. Enquanto o produto está sendo
transportado, ele sendo armazenado também. Isso pode se tornar dispendioso para a empresa,
mas justifica-se sob a perspectiva do custo total ou desempenho quando consideram o custo
de carga e descarga, as restrições nas capacidades e a ampliação dos prazos de entrega
(BOWERSOX; CLOSS; COOPER, 2007).
O armazenamento inclui vários aspectos diferentes das operações logísticas e o ideal é
mantê-lo no nível mínimo. Os produtos devem ser continuamente movimentados até
chegarem ao destino final e em vez de movimentar caixas individuais, movimentam-se caixas
agrupadas. A função da embalagem está ligada no impacto que ela exercer na produtividade e
eficiência logística. Todas as atividades logísticas são afetadas pela embalagem, desde o
carregamento de caminhões e a produtividade de separação de pedidos até o veículo de
transporte e a utilização do espaço (BOWERSOX; CLOSS; COOPER, 2007).
Nesse sentido, logística não consiste apenas em uma tática de minimização de custos,
mas em uma atividade que agrega valor ao produto. Ao atentarmos para o conceito de
logística, podemos perceber que a atividade envolve mais do que transporte de materiais, mas,
também, os pontos-chave de sucesso da cadeia de suprimento.

3. METODOLOGIA
A presente pesquisa é caracterizada como exploratória e qualitativa. A primeira tem
como objetivo possibilitar a compreensão do problema enfrentado pelo pesquisador
(MALHOTRA, 2001). A qualitativa é caracterizada como sendo subjetiva e tende a examinar
e refletir as percepções para gerar um entendimento de atividades sociais e humanas
(COLLIS; HUSSEY, 2005). Nela, o pesquisador coleta dados com objetivo principal de
desenvolver temas a partir deles (CRESWELL, 2007).
As dimensões a serem investigada foram extraídas do Modelo de Gestão Logística de
Bowersox, Closs e Cooper (2007), como mostra a figura 1. Para efeito dessa pesquisa serão
abordadas as dimensões: embalagem, transporte e armazenamento.
Rede de
instalações

Armazenamento/
Manuseio de Gestão Processamento
materiais/ logística de pedidos 4
EmbalagemCampo Grande,integrad
25 a 28a
de julho de 2010,
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Transporte Estoques

Figura 1: Modelo de Gestão de Logística (BOWERSOX; CLOSS; COOPER, 2007, p.29)

Na primeira fase da pesquisa foi feita uma pesquisa bibliográfica sobre agricutura
familiar e logística em artigos, revistas, livros e página da web. Na segunda etapa foi feita
uma pesquisa empírica com numa amostra de 7 produtores de hortaliças da cidade de
Itaquiraí, MS, cujo perfil socio-demográfico é mostrado na tabela 1.

Tabela 1: Perfil sócio-demográfico da amostra


Variável Grupos Frequência Percentual
Sexo Feminino 2 28%
Masculino 5 72%
Idade De 35 a 44 anos 1 14%
De 45 a 54 anos 3 44%
De 55 a 65 anos 1 14%
De 66 a 85 anos 2 28%
Escolaridade Ensino Primário 4 58%
Fundamental 2 28%
Superior 1 14%
Fonte: Elaborado pelos autores com dados da pesquisa.

No Quadro 1 são apresentadas as questões relativas à cada variável e dimensão.

Quadro1: Dimensões e variáveis de análise


Dimensões Variáveis
Transporte Quais os meios de transporte; cuidados no
manuseio dos produtos; quem é o agente
responsável pelo custo.
Armazenamento Onde é feito; tempo de armazenamento;
Embalagem Quais embalagens utilizadas; informações
contidas
Fonte: Elaborado pelo autores a partir de dados de Bowersox; Closs e Cooper (2007).

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
É interessante notar que 44% (3) dos produtores de hortaliças cultivam produtos
orgânicos. Segundo Vilela e Henz (200), as hortaliças orgânicas atingem preços muito
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atraentes, representando, em alguns casos, 30% a mais nos preços obtidos pelos produtos
convencionais. Estudo conduzido por Fashinello (1999) descobriu que o primeiro estímulo à
compra de alimentos é a segurança sanitária, destacando-se o fato da fruta ou hortaliça
apresentar a menor quantidade possível de resíduos de agrotóxicos.
No questionário foi perguntado que tipo de venda era realizada, direta ou indireta, e de
que forma, observando que os entrevistados podiam marcar mais de um alternativa. Os
resultados são mostrados na tabela 2:

Tabela 2: Tipo de venda


Tipo de venda De que forma é feita? Frequência Percentual
De porta em porta 4 54%
Feiras livres 5 72%
Direta
Entrega à domicílio 2 28%
Consumidor vai até o local 5 73%
Sacolão/Quitanda 1 14%
Mercearia 1 14%
Indireta Supermercado 1 14%
Revendedor 2 28%
Poder público 1 14%
Fonte: Elaborado pelos autores com dados da pesquisa.

A venda direta é praticada por todos produtores de hortaliças, e em 73% das


propriedades, o consumidor vai até o local para comprar o produto. Vale ressaltar que 73%
desses produtores vendem seus produtos em feiras-livres. De acordo com Vilela e Henz
(2000), as feiras livres são grandes mercados varejistas em diversas cidades, evidenciando-se
a existência de um grande mercado potencial para esse produto. Segundo Farina (2002), há
uma queda na participação das feiras-livres na comercialização de frutas e hortaliças. Mesmo
sendo a preferido na cidade de São Paulo, ela vem perdendo participação de forma acelerada,
sendo que o total de vendas diminuiu em 22% desde 1987.
Dois entrevistados afirmaram que não vendiam para supermercados porque o preço
pago era muito abaixo e que eles não tinham volume suficiente para atender esse tipo de
estabelecimento. Segundo o Agrianual (1999), para atender as necessidades do varejo, os
produtores têm que alcançar uma escala de produção capaz de atender a demanda com
produtos padronizados e de qualidade. As grandes redes supermercadistas exigem parâmetros
de qualidade do fornecimento e manutenção de seus produtos, implicando na imposição aos
produtores rurais de padrões e contratos restritivos que se não forem obedecidos resultam na
eliminação destes do principal canal de distribuição e consumo do sistema agroalimentar
(SOUZA; ALMEIDA, 2007).
Somente um produtor de hortaliças, caracterizado como grande, vende para sacolões,
mercearia, revendedores, poder público e para supermercados. Numa pesquisa conduzida por
Emongor e Kirsten (2009) em três países (Botswana, Namibia e Zambia) encontrou diferença
notável nos recursos entre os produtores que forneciam produtos para supermercados e os que
ofereciam para o mercado tradicional, evidenciando o impacto positivo do supermercado na
renda dos pequenos produtores.
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4.1 TRANSPORTE
Os principais meios de transporte utilizados para transportar os produtos destinados à
venda são mostrados na tabela 3:

Tabela 3: Meios de transporte para hortaliças e leite


Meios de transporte Frequencia Percentual
Caminhão aberto 1 14%
Carro 2 28%
Carroça 3 44%
Moto 2 28%
Caminhonete 2 28%
Fonte: Elaborado pelos autores com dados da pesquisa.

Grande parte (44%) dos produtores de hortaliças transportam os produtos para


comercialização em carroças. Observa-se que eles são pequenos produtores familiares. Vale
notar que o único produtor que revende para intermediários utiliza caminhão aberto para
transportar. Em relação ao custo do transporte, todos os produtores são responsáveis por ele.
No caso de um produtor, que vende para o varejo, este acaba pagando esse custo. Todos
alegaram terem cuidado no manuseio dos produtos. Segundo Yokoama (2005), os produtos
agrícolas não podem seguir o mesmo modelo de qualidade dos produtos industrializados
devido à sua perecibilidade e sazonalidade, por isso devem ser tratados com muito mais
cuidado. Chitarra e Chitarra (1990) afirmam que a proteção das hortaliças deve iniciar no
campo, especialmente no momento da colheita, utilizando-se métodos adequados que evitem
danos aos produtos. E mais, o uso de não refrigerado pode ser um fator responsável pela
diminuição da qualidade e vida útil dos produtos.
Segundo Machado (2002), o FLV dever estar sempre com um aspecto visual muito
atraente já que consumidor final exerce papel fundamental na seleção dos atributos dos
alimentos, determinando quais devem estar nos produtos. De acordo com Moura (2005), no
que condizem às características físicas do produto, o consumidor tem como principais fatores
de escolha um produto que não possua manchas, nem lesões, que esteja no ponto e com a
coloração certa para o consumo, justificando também o cuidado que se deve ter no momento
da seleção dos itens.

4.2 ARMAZENAMENTO
Todos os produtores de hortaliças não armazenam esses produtos na propriedade. O
produto é colhido e vendido para o consumidor final ou repassado para algum intermediário.
De acordo com Luengo e Calbo (2001), as hortaliças podem ser armazenadas por poucos dias,
pois são de alta perecibilidade por causa de seu elevado percentual de umidade. E também
quanto mais tempo ela é armazenada, maior é a deteriorização em relação à qualidade e
probabilidade de danos e perdas.
O percentual de perdas na produção é mostrado na tabela X:

Tabela: Percentual de perdas


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Percentual de perdas Frequência Percentual
De 1 à 5% 2 28%
De 10-19 2 28%
De 20 à 30 2 28%
Fonte: Elaborado pelos autores com dados da pesquisa.

Percentual de perdas de produtos na produção varia de 1 à 30%. Os motivos citados


foram a chuva, pragas e insetos. De acordo com Nogueira (2000), 40% da produção de
hortaliças no Brasil deixa de ser consumida e que 64% destas perdas ocorrem na fase pós-
colheitam, antes do produto chegar ao local de comercialização. O uso de embalagens
adequadas podem contribuir para a diminuição dessas perdas (LUENGO, 2005).

4.3 EMBALAGEM
As principais embalagens utilizadas são mostradas na tabela x:

Tabela x: Embalagens utilizadas


Tipo de embalagem Frequencia Percentual
Sacola plástica 6 86%
Não embalam 1 14%
Fonte: Elaborado pelos autores com dados da pesquisa.

A maioria dos produtores (86%) de hortaliças embalam esses produtos em sacolas


plásticas, e afirmam que elas são eficientes na conservação dos produtos. Somente um não
realiza nenhum tipo de processo de embalagem. Essas embalagens são de fácil transporte e
resistentes, oferecendo ótimo utilização de espaços para armazenamento, prevervam as
hortaliças de danos físicos, possibilitam a ventilação dos produtos e diminuem os impactos
que danificam os produtos no transporte (LUENGO, 2005). Segundo Yokoyama e Lourenzani
(2006), as embalagens de frutas e hortaliças são desenvolvidas de acordo com as necessidades
do varejista e suas características são repassadas para o produtor. De acordo com Sato et al.
(2005), a rotulagem de frutas e hortaliças é obrigatória e deve conter, também, informações
sobre o produtor, região produtora, variedade e categoria do produto. Isso não ocorre pois a
maioria dos produtores estudados são de pesqueno porte e comercializam em feira-livre.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Esse estudo teve como objetivo descrever as atividades de transporte, armazenamento
e o processo de embalagem das hortaliças e do leite na cidade de Itaquiraí-MS. Para tanto,
foram feitas entrevistas com 7 produtores de hortaliças.
As hortaliças são transportadas em carroças, demonstrando a carência de meios
adequados para realizar essa atividade. Em todas as propriedades estudadas, as hortaliças não
são armazenadas devido à sua alta perecibilidade, sendo colhidas e vendidas nas feiras livres
ou em casa. Com relação à embalagem, elas são embaladas em sacolas plásticas, mas sem
nenhuma identificação da propriedade, produtor e da cidade, prejudicando a valorização da
região e do produtor e a diferenciação do produto.

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Esse estudo poderá contribuir para alguns setores. No setor público, o estado terá mais
subsídios para formular políticas públicas para melhorar a disponibilidade das hortaliças para
a população, contribuindo para a qualidade da alimentação. E a academia terá um arcabouço
maior de conhecimento sobre logística e distribuição de alimentos, contribuindo para futuros
estudos.

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