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PERÍCIA CONTÁBIL

Introdução

Este presente trabalho vida apresentar a Perícia Contábil, sua organização,


planejamento e conclusão (emissão do laudo). Para a elaboração do mesmo foram
consultados vários livros sobre a matéria, além da Revista Brasileira de Contabilidade,
como será descrita na bibliografia anexada ao final. Através deste estudo percebe-se a
importância do perito contábil no mundo contemporâneo, devido principalmente ao seu
saber especializado, complementado na interdiciplinalidade da sua formação
continuada acadêmica e profissional. Segue-se então o trabalho.

A Perícia Contábil

É a especialidade da Contabilidade, que funciona com o objetivo específico de resolver


questões contábeis, ordinariamente originárias de controvérsias, dúvidas e de casos
específicos determinados ou previstos em lei.

Segundo as Normas Brasileiras de Contabilidade (NBC T 13 – Da Perícia Contábil) a


"Perícia Contábil constitui o conjunto de procedimentos técnicos e científicos
destinados a levar à instância decisória elementos de prova necessários a subsidiar à
justa condição solução do litígio, mediante laudo pericial contábil, e/ou parecer pericial
contábil, em conformidade com as normas jurídicas e profissionais, e a legislação
específica no que for pertinente."

O Perito Contábil

Devido ao crescimento e complexidade de nossa sociedade, a função de perito entrou


em evidência e ganhou relevância.

Para se tornar um perito contábil é necessário ser bacharel em Ciência Contábeis,


registrado em um Conselho Regional de Contabilidade, e possuir sólidos
conhecimentos da Teoria da Contabilidade e de outras áreas do conhecimento, como
Direito, Economia, Administração, Sociologia...

Segundo as Normas Brasileiras de Contabilidade (NBC P 2 – Normas Profissionais do


Perito), o perito é "o contador regularmente registrado em Conselho Regional de
Contabilidade, que exerce a atividade pericial de forma pessoal, devendo ser profundo
conhecedor, por suas qualidades e experiências, da matéria periciada.

Organização da Perícia Judicial

Vara e Juiz – Entrega do Curriculum Vitae

Um dos itens importantes para o ingresso do perito no mercado de trabalho é o da


apresentação do Curriculum Vitae.

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Este deve ser entregue de preferência pessoalmente, pois alguns juizes preferem
conhecer o candidato e entrevistá-lo de imediato.

O Curriculum Vitae ficará arquivado nas secretarias dos cartórios da Justiça Federal, do
Tribunal de Justiça e da Justiça do Trabalho. Algumas varas podem solicitá-lo em
disquete.

O perito será cadastrado no Sistema de Informática Judicial, o que poderá ocorrer no


momento da primeira indicação como Perito do Juiz. E, ao retirar o primeiro processo,
receberá a primeira carga de responsabilidade mediante um número para sua
identificação no sistema.

Prova Pericial

O estudo da prova pericial contábil envolve o conhecimento e o domínio de noções


fundamentais quanto ao instituto da prova, qual a função da prova, a quem compete o
ônus da prova, os meios de provas contábeis disponíveis e também sobre os tipos de
provas sobre os quais o perito estará desenvolvendo seu trabalho.

Vários são os fins para os quais se pode requerer uma perícia, mas, como prova que
ela vai ser, é preciso que se baseie em elementos verdadeiros e competentes.

Segundo Milhomens "a prova tem por finalidade demonstrar a verdade ou não verdade
de uma informação."

A busca da verdade formal quanto aos fatos interessa ao perito contábil, já que a ele
será dada a responsabilidade de trazê-la para os autos do processo.

A principal função da prova pericial é a de transformar os fatos relativos à lide em


verdade formal.

Não é permitido ao perito, em seus trabalhos, externar sua opinião pessoal sobre o
que se debate nos autos de um processo. O que se quer de um perito contábil judicial
é o relato doa fatos contábeis de conformidade com os Princípios Fundamentais de
Contabilidade e sua boa técnica.

O ônus da prova é possuído por quem afirma ou nega determinado fato; é o interesse
de oferecer ou produzir as provas necessárias que possam ser corroboradas com as
alegações oferecidas. Logo, o dever de provar compete a quem alega, a quem afirma
ou nega determinado fato da causa.

Na produção da prova pericial contábil é indispensável ao perito debruçar-se sobre a


matéria que é o objeto da causa, estudando-a, o que lhe vai possibilitar traçar os
caminhos técnicos a serem por ele percorridos, porque a sua função é colaborar para o
descobrimento da verdade.

As provas periciais estão divididas em quatro modalidades:

- Exame Pericial – inspeção de pessoas ou coisas;

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- Vistoria Pericial – constatação in loco do local ou da situação de determinada coisa,


geralmente imóveis;

- Arbitramento – estimação do valor das coisas em moeda;

- Avaliação – fixação de valor feita através de inventários, partilhas ou processos


administrativos.

Despacho Saneador / Nomeação do Perito

A decisão do juiz em instalar uma perícia é tomada no momento do despacho


saneador, exarado nos autos do processo, motivado pelo fato do magistrado depender
do conhecimento especializado de um profissional para trazer aos autos provas que
esclareçam os pontos controvertidos existentes no processo. Nele, além da nomeação
do perito contábil, outras decisões são tomadas pelo magistrado, como o prazo para as
partes oferecerem quesitos e indicar, caso queiram, seus assistentes técnicos, além do
que poderá, ele próprio, formular seus quesitos.

O artigo 421 do Código de Processo Civil prevê:

"At. 421 – O juiz nomeará o perito fixando de imediato o prazo para a entrega do
laudo.

Parágrafo 1o – Incumbe às partes, dentro de cinco (5) dias contados da intimação do


despacho de nomeação do perito:

I – indicar o assistente técnico;

II – apresentar quesitos.

Parágrafo 2o - Quando a natureza do fato o permitir, a perícia poderá consistir


apenas na inquirição pelo juiz do perito e dos assistentes, por ocasião da audiência de
instrução e julgamento a respeito das coisas que houverem informalmente examinado
ou avaliado."

A nomeação poderá ser feita no próprio Termo de Audiência de Conciliação, onde, não
havendo conciliação, as partes solicitam a realização de uma Perícia Técnica Contábil.
O Juízo defere o pedido e, entendendo ser necessária a presença de um expert no
tema da controvérsia, objetivando o deslinde, nomeará um perito de sua confiança nos
seguintes termos:

"...Defiro a prova pericial requerida. Nomeio perito deste Juízo o contador Dr. Fulano
de Tal, com endereço na Secretaria, que terá vista dos autos e, aceitando, apresentará
a proposta de honorários. Faculto às partes a indicação de seus assistentes técnicos e
apresentação de quesitos em cinco dias."

As intimações, inclusive da nomeação, dar-se-ão por meio de Mandato de Intimação


por via postal – AR ou, também, por telefone devidamente certificado pela Diretora de
Secretaria, junto aos autos.

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A faculdade de indicação do Perito Assistente é que, não sendo perito do Juízo, é


entendido como mero assessor do litigante. Por isso, cada litisconsorte é livre para
indicar o seu assistente, especialmente no caso de interesses distintos ou antagônicos
( Art. 421:3 Código de Processo Civil).

O Perito Assistente, se contratado previamente pela parte desde o início do processo e


participar dos trabalhos na petição inicial, acompanhando todo o processo, inclusive na
fase de elaboração dos quesitos e sendo indicado pela parte como seu assistente
técnico, fará parte do processo judicial como tal.

Por questão de ética, lealdade e consideração aos profissionais da categoria, o perito


contador nomeado pelo Juízo deverá contatar os assistentes das partes, comunicando-
lhes a retirada do processo para o início da Perícia Contábil, e, havendo interesse dos
mesmos em participar do trabalho em conjunto, deverá aceitar conforme previsto no
item 13.3.1 da NBC T 13.

As partes apresentando os quesitos, pode o juiz analisá-los e excluir aqueles não-


pertinentes ao litígio ou incluir outros, se assim entender, conforme previsto no artigo
426 do Código de Processo Civil, que compete ao juiz : " I – Indeferir quesitos
impertinentes e II – Formular os que entender necessários ao esclarecimento da
causa", mas deve justificar o indeferimento porque a decisão é agradável. "As partes
devem ser intimadas do indeferimento dos quesitos; a efetivação da medida sem tal
intimação prévia constitui cerceamento de direito."

Carga / Retirada dos autos do processo

Dar-se-á após cumprimento do prazo estipulado pelo Juízo para indicação dos
assistentes e apresentação dos quesitos, o perito será notificado via intimação AR ou
por telefone para conhecimento e comparecer à secretaria para retirar o processo ou
manifestar algum impedimento. Este ato é conhecido como carga do perito, ou seja, o
funcionário da vara preenche o livro de carga, com os dados do processo e do perito, e
este assina o referido livro, retirando, assim, formalmente os autos do processo.

Ao final do trabalho pericial, o perito contábil retorna ao cartório para devolver os


autos e, ao mesmo tempo, entregar, mediante protocolo, o laudo contábil por ele
elaborado. Poderá, eventualmente, retornar à vara, se houver sua convocação, para
apresentar esclarecimentos ao laudo, em audiência, ou fora dela.

Verificação de impedimentos para realização da Perícia

Numa leitura rápida dos autos do processo, o perito contábil tem condições de verificar
se não há nenhuma incompatibilidade para o exercício da função pericial judicial.

No caso de impedimento o perito contador, ao ser nomeado, deverá manifestar o seu


impedimento para execução da perícia contábil, e/ou ainda escusar-se dos serviços
sempre que reconhecer não estar capacitado para o encargo confiado.

Fixação dos honorários do perito

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Aceito o encargo confiado, o perito deverá apresentar, por meio de petição, a sua
proposta de honorários dentro estabelecido, geralmente de cinco dias, recomendando-
se a apresentação de um plano de trabalho detalhado, estimando o número de horas
previstas para a execução do trabalho, mediante avaliação dos serviços, considerando,
entre outros, ao fatores da relevância, do vulto, do risco, da complexidade e outros
fatores ou custos de laudos interprofissionais inerentes à elaboração do trabalho.

Pedido de redução/parcelamento ou arbitramento pelo Juízo

Havendo solicitação de redução ou parcelamento da verba honorária pela parte


interessada, o Juízo a submeterá ao perito que dirá, por meio de petição, se aceita a
contraproposta. Não havendo acordo sobre o valor, o Juízo, considerando a
necessidade da perícia, poderá arbitrar o valor, ou, então, poderá nomear outro perito.

Depósito dos honorários e início dos trabalhos

Havendo o acordo, após o depósito total, ou da parcela inicial dos honorários, o perito
será intimado a comparecer à instalação da perícia, ou simplesmente ser intimado a
retirar (com carga de responsabilidade) o processo do cartório para o início dos
trabalhos.

Planejamento da Perícia

Discernimento do objeto delimitado pela prova

Após a retirada dos autos do processo, o perito deve desenvolver uma leitura atenta
do mesmo se detendo a dois aspectos fundamentais: o que está sendo demandado e a
época dos fatos.

Para inteirar-se sobre o que está sendo demandando é necessário um estudo sobre
duas partes importantes do processo, o inicial e a contestação. Da leitura da parte
inicial tira-se quais os fatos alegados e constitutivos do direito reclamado pela parte
proponente da ação e a pretensão, ou seja, o pedido submetido ao magistrado. Já
quando da leitura da contestação deve ser dada atenção no que se refere à existência
ou não de fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito do proponente da
ação.

É importante também um estudo sobre a época dos fatos alegados e relatado pelas
partes, já que isso era permitir ao perito contábil formular o pedido de quais livros e
documentos devem ser exibidos.

Plano de Trabalho

Conhecendo o trabalho que deverá executar e a opinião que deverá emitir em cada
questão formulada, o perito deve traçar, com antecedência, a maneira como irá
executar suas tarefas. Essa "previsão de tarefas" é que irá constituir o seu plano de
trabalho.

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Segundo Lopes de Sá, o plano de trabalho, em perícia contábil, é "a previsão,


racionalmente organizada, para a execução das tarefas, no sentido de garantir a
qualidade dos serviços, pela redução dos riscos sobre a opinião ou resposta."

Para planejar é preciso conhecer os recursos disponíveis, quer humanos, quer


materiais, competentes para produzir um laudo de qualidade. Por isso, antes de
planejar, é necessário levantar o que existe. Esses levantamentos devem estar
centralizados dentro dos objetivos da perícia.

Os locais de execução dos exames e demais trabalhos

Nem sempre os dados necessários se acham no mesmo local onde reside o perito e, às
vezes, se espalham por regiões até longínquas. Outras vezes esse dados acham-se em
mau estado de conservação, demandando esforços grandes para sua leitura.

Tudo isso deve ser previsto no plano de trabalho. Ter um plano de trabalho eficiente
significa conhecer a facilidade ou dificuldade que se pode ter para chegar até os dados
que são objetos de exame, assim como a qualidade para a leitura e manuseio dos
elementos.

Consulta a referências bibliográficas

Após a leitura atenta dos autos, surge a necessidade do perito contábil valer-se de
eventual consulta bibliográfica em função, obviamente, das questões técnicas
formuladas.

Essa consulta bibliográfica, no seu sentido mais amplo, refere-se a pesquisa e leitura
de livros técnicos, revistas, arquivos de repartições ou de outras instituições...

Já no sentido restrito da perícia contábil, refere-se ao uso e leitura de livros contábeis,


fiscais, societários, as demonstrações contábeis, o razão, e todo o arcabouço
documental que dá suporte ao sistema da Contabilidade. Claro que não serão todos os
livros e documentos utilizados pelo perito, mas sim somente aqueles relativos a época
dos fatos da lide.

Termo de Diligência (ID)

Diligência é uma das fases do trabalho pericial, no caso, o trabalho de campo.

O primeiro momento do trabalho de campo situa-se na formalização da própria


diligência que está sendo realizada, que se materializa e documenta através de
elaboração do termo de diligência. É através desse documento que o perito prova que
realizou determinada visita e requereu os livros e documentos que indicou no
processo.

A NBC T 13, da Perícia Contábil, no seu item 13.3.4 fala: "Nas diligências, o perito
contador e o perito contador assistente devem relacionar os livros, os documentos e os
dados de que necessitem, solicitando-os, por escrito, em termo de diligência."

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O termo de diligência elaborado pelo perito contábil, deve conter os dados que
identificam o processo, o local e a hora da diligência, os livros e documentos que o
perito deseja ver exibidos, a identificação do perito e do representante legal, a
assinatura dos dois, o local e a data.

Após formalizada a diligência, deve haver um exame a cerca da certificação de que os


livros e documentos exibidos merecem fé, assim como se os documentos exibidos são
hábeis.

Dos livros examinados, o perito contábil extrairá os dados relativos ao número do livro,
quantidade de folhas ou páginas, o número do registro e respectiva data no órgão
competente e o movimento das operações nele registradas, indicando a que período se
referem. Tais apontamentos, formalizados em papel de trabalho específico, servirão de
suporte para a elaboração de anexo a ser juntado ao laudo contábil.

A perícia contábil não deve se satisfazer somente com o exame de livros. Deve
também verificar os documentos que comprovem os registros lançados nos mesmos.
Esses documentos examinados deverão ser sempre os originais.

Laudo Pericial Contábil

Terminadas as operações de averiguação e coleta das informações, dos documentos


necessários, é chegado a hora da elaboração do laudo pericial contábil.

O Laudo Pericial é o produto final da perícia e tem por objetivo auxiliar as partes no
entendimento e propiciar ao Juízo a possibilidade de fazer justiça.

Este deve ser lavrado na forma escrita e assinado pelo perito contábil, por ser peça
formal que se junta aos autos. Deve também ser completo, claro, circunscrito ao
objeto da perícia e fundamentado.

O seu conteúdo deve possibilitar a apreensão de duas partes: o relatório e o parecer.


No relatório é informado tudo o que ocorreu no trabalho de campo, o objeto da perícia,
o desenvolvimento do trabalho pericial, enquanto que na segunda parte será a das
conclusões a que chegou o perito, ou seja, o seu parecer técnico.

Desenvolvimento do conteúdo

A parte introdutória de um laudo pericial pode ser denominada de "Considerações


Preliminares". É nela onde o perito irá descrever o pedido formulado pelo proponente
da ação constante da Inicial. Em seguida deve oferecer os fatos relatados e sua
contestação, os aspectos fundamentais para a identificação da controvérsia levada a
Juízo e vai trazer à tona os contornos e limites do seu trabalho pericial.

Em outra parte do laudo deverá ser relatada as diligência realizadas. É a ocasião de


informar os principais momentos de como foi desenvolvido o trabalho de campo,
referenciando, inclusive, o termo de diligência. Insere-se aqui eventuais ocorrências
que porventura tenham ocorrido.

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O subtópico seguinte deverá abordar os principais procedimentos técnicos adotados,


bem como os exames efetuados, no sentido de solucionar as questões técnicas
submetidas a sua apreciação.

O próxima item a ser desenvolvido no laudo pericial será a apresentação das respostas
aos quesitos formulados no início da perícia. Essas respostas deverão obedecer uma
ordem hierárquica, sendo portanto respondidas primeiro as perguntas elaboradas pelo
magistrado e em seguida às das partes.

Seguindo na construção do laudo, após a oferta das respostas aos quesitos ou da


abordagem da questão técnica, o trabalho prossegue com as conclusões técnicas, ou
seja, as Considerações Finais.

Nessa parte o perito expõe os fatos contábeis observados, suas conclusões e oferece
comentários técnicos de questões surgidas no decorrer do trabalho pericial
relacionadas com o objeto da perícia e dentro de seus limites que não tenham sido
objetos de quesitos.

Finalmente, encontra-se ao final do trabalho um capítulo denominado "Encerramento",


onde o perito dá por terminado o seu trabalho, inventariando o número de folhas em
que o laudo contábil está composto, a quantidade de anexos e documentos juntados,
datando e assinando o mesmo. As demais folhas, anexos e documentos devem ser
rubricados pelo perito, ficando assim garantida a sua responsabilidade sobre o mesmo.

Estética do Laudo Pericial

O perito deve ter consciência de que o seu trabalho não será apreciado somente pelo
que nele consta, mas também pela forma gráfica que ele adotou. O seu laudo deve
possibilitar uma leitura fácil, afinal ele é a materialização de todo o seu esforço técnico
e deve, portanto, ser valorizado.

Encaminhamento do Laudo e do Parecer

O laudo contábil e o parecer são sempre dirigidos ao magistrado responsável pelo


processo objeto da perícia contábil realizada. Por isso é que estes devem conter uma
primeira página de endereçamento ou de apresentação, na qual é identificado o
magistrado a que se dirige, é especificado o processo e as respectivas bases, bem
como se trata de laudo contábil ou de parecer contábil.

O encaminhamento e a entrega do laudo se dão através da entrega do original no


protocolo central de casa ramo do Poder Judiciário, acompanhado de uma segunda via
que será também protocolada, ficando esta em poder do perito contábil, como prova
do trabalho entregue.

Entregue o laudo contábil, inicia-se uma nova fase processual, que é a da apreciação
do trabalho oferecido. O magistrado, à vista da peça técnica, dará conhecimentos às

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partes sobre a entrega do mesmo, abrindo-se prazo para que estas ofereçam seus
comentários.

Após a conclusão do Laudo dentro do prazo estabelecido pelo Juiz, o perito fará, por
meio de petição, o seu encaminhamento, a restituição do processo e solicitará do
Alvará de Levantamento referente ao depósito de honorários periciais com os
acréscimos legais.

Esclarecimentos em Audiência

Está previsto no Artigo 435 do Código de Processo Civil que o pedido de audiência para
a prestação de esclarecimentos – que deverão ser apresentados sob forma de quesitos
– terá que ser deferida pelo Juízo. A lei não permite que sejam quesitos genéricos. As
perguntas devem ser elucidativas, destinadas a esclarecer as respostas dados no laudo
e não quesitos novos sobre a matéria não-suscitada anteriormente.

Os esclarecimentos não podem ser prestados por meio de precatória, mas se o perito
não residir na sede do Juízo, nada impede que o julgador remeta pedido de
esclarecimento ao mesmo, que os prestará por escrito.

Para o perito e assistentes técnicos, há obrigatoriedade de prestar os esclarecimentos


somente quando forem intimados, pelo menos, com cinco dias de antecedência à
audiência.

Exmo. Sr. Dr. Juiz de Direito da 3a Vara da Justiça Federal da Comarca de Salvador

Processo: 25685/01

Reclamante: Joaquim da Cruz

Reclamada: Paulo Pereira

Vanessa Andrade, contadora legalmente habilitada a realizar perícias judiciais de


natureza contábil, conforme registro de número 356.145/23 do Conselho Regional de
Contabilidade do Estado da Bahia, honrosamente nomeada para a realização da prova
pericial técnica nos autos do processo em referência, vem, em observância aos termos
dos artigos 421 a 430 do Código de Processo Civil e das Normas Brasileiras de Perícia e
do Perito Contábil (Resoluções 731 e 733/92), apresentar o resultado de seu trabalho,
consubstanciado pelo seguinte

LAUDO PERICIAL CONTÁBIL

Considerações Iniciais da Perícia

Iniciando o cumprimento da determinação de perícia contábil exarada à fl. 34, a


perícia, nos termos do item 2.1.1 da NBC.T.13 do Conselho Federal de Contabilidade,

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examinou, do ponto de vista estritamente técnico, o conteúdo das várias peças dos
autos, notadamente quanto à documentação a eles apensada, constatando desse
exame que, para bem cumprir o encargo a si confiado, não há necessidade de obter
outros elementos ou documentos, sendo suficientes os constantes dos autos para
exarar o parecer pericial contábil.

Considerações sobre o desenvolvimento dos trabalhos da prova pericial contábil

Para a necessária clareza e materialização das características que a prova pericial deve
conter, foi-se exposto, de forma concisa, conforme preceitua os itens 4.1 e 4.3 da
NBC.T.13, a síntese do objeto da perícia contábil, as diligência realizadas, as
observações, estudos e critérios utilizados, bem como as conclusões a que se chegou a
prova pericial.

I – OBJETO DA PROVA PERICIAL

A inicialmente citada e respeitável decisão que determinou a realização da prova


pericial contábil fê-lo nos seguintes termos:

"Tendo em vista a grande divergência entre as partes quanto aos cálculos da


distribuição de lucros entre os dois sócios da Empresa Alfa, determina-se a realização
da perícia contábil. Para o mister nomeia-se ..." formulando, o Sr. Paulo Pereira, os
quesitos constantes da fl. 39, todos deferidos pelo R. Juízo. Houveram também
quesitos formulados pelo reclamante, o Sr. Joaquim da Cruz e pelo próprio Juiz da
Comarca. Essas questões delimitaram o objeto da prova pericial a uma verificação
sobre o real quantum capaz de satisfazer o objetivo perseguido, ou seja, efetuar uma
análise para satisfatoriamente verificar se a distribuição de lucros entre os sócios,
realizada no exercício do ano de 2000, foi legal e honesta.

II – DILIGÊNCIAS REALIZADAS

Conforme exposto em nossas considerações iniciais, observando que os documentos e


elementos constantes dos autos se mostram suficientes para a elaboração do parecer
técnico não realizou este profissional outras diligências, por desnecessárias.

III – ANÁLISE DA PERÍCIA

De posse dos elementos, informações e documentos relatados, passamos, a seguir, à


descrição das análises e conclusões desta prova pericial, segundo os critérios, técnicas
e exames levados a feito, na profundidade julgada cabível para o caso.

Após um estudo aprofundado das demonstrações contábeis apuradas pela Empresa


Alfa no ano de 2000, foi-se constatado que a distribuição de lucros, que era de R$

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1.000,00 para cada sócio, na verdade deveria ser de R$ 1.500,00 conforme relatório
em anexo número 01, onde apresentamos os devidos cálculos.

Passamos a seguir às respostas aos quesitos formulados, seguindo a uma ordem


hierárquica (quesito do juiz e quesito do reclamante)

Quesitos do Juiz

I. Houve, por parte do Sr. Perito, ao início dos seus trabalhos, uma constatação
aos assistentes técnicos das partes?

Resposta

A perícia, no cumprimento das Normas Técnicas da Perícia Contábil aprovadas pela


Resolução do Conselho Federal de Contabilidade, realizou a conferência entre peritos
nela prevista, facultando acesso pleno aos autos e aos trabalhos aos senhores
assistentes técnicos.

Quesitos do Reclamante

I. Queira o Sr. Perito demonstrar a veracidade, ou não, da distribuição de lucros


apuradas no exercício de 2000.

Resposta

O solicitado presente quesito encontra-se demonstrado no Relatório em anexo número


01, onde está demonstrado todos os devidos cálculos.

Este profissional reporta-se às considerações finais de seu trabalho, colocando-se à


disposição do Juízo para os esclarecimentos que porventura se tornem necessários.

Nada mais havendo a considerar, damos por encerrado o presente trabalho,


constituído de 04 folhas, sendo 03 de texto e 1 de anexo, ao final assinado

Salvador, 14 de agosto de 2001

Vanessa de Andrade

Contadora – CRC/BA/356.145/23

Perito do Juízo

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Este laudo foi elaborado somente para efeitos didáticos, não apresentando, por esse
motivo, todas as partes necessárias.

Conclusão

Foi posto nesse trabalho o conceito de perícia contábil, sua organização e


planejamento, e todos os passos para a elaboração de uma perícia, desde a nomeação
do perito até a elaboração e entrega do laudo.

Nele também foi elaborado um laudo pericial, onde pode-se perceber as partes
formadoras do mesmo e sua conseqüente importância no esclarecimento de um caso
judicial.

Ao final do trabalho pode-se concluir a importância da Perícia Contábil para a justiça,


pois será através dela que juizes poderão tirar suas dúvidas sobre assuntos
específicos, no caso, sobre a Ciência Contábil.

Bibliografia

• ALBERTO, Valder Luiz Palombo Alberto, Perícia Contábil. São Paulo: Atlas, 1996.
• ORNELAS, Martinho Maurício Gomes de. Perícia Contábil. 2a ed. São Paulo:
Atlas, 1995.
• SÁ, Antônio Lopes de, Perícia Contábil. 3a ed. São Paulo: Atlas, 1997.
• Revista Brasileira de Contabilidade – Ano XXX, número 127 – janeiro/fevereiro
2001

MATERIAL INDICADO AOS USUÁRIOS


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