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UNIVERSIDADE ESTADUAL DO SUDOESTE DA BAHIA – UESB

PROGRAMA DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES - PARFOR


CURSO DE PEDAGOGIA

ALANA CLÁUDIA SANTOS OLIVEIRA

DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM DE LEITURA E ESCRITA NO ESPAÇO


ESCOLAR

VITÓRIA DA CONQUISTA – BAHIA


2016
ALANA CLÁUDIA SANTOS OLIVEIRA

DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM DE LEITURA E ESCRITA NO


ESPAÇO ESCOLAR

Projeto de Intervenção Pedagógica


apresentado por Alana Cláudia Santos
Oliveira, para execução das atividades
desenvolvidas no período de regência na
escola campo de Estágio e Pesquisa II.
Orientadora Edna Furukawa Pimentel.
VITÓRIA DA CONQUISTA – BA
2016

APRESENTAÇÃO

O presente projeto intitulado "Dificuldades de Aprendizagem de


Leitura e Escrita no Espaço Escolar" será realizado na Escola Municipal Paulo
Setúbal, situada no distrito de Inhobim, zona rural de Vitoria da Conquista, no
turno matutino, pela discente Alana Cláudia Santos Oliveira do IV semestre do
curso de Licenciatura em Pedagoga, turno noturno, da Universidade Estadual
do Sudoeste da Bahia do programa de Formação de Professores (PAFOR),
cumprindo as exigências da disciplina de Estagio e Pesquisa II, ministrada pela
professora Edna Furukawa Pimentel.
1. JUSTIFICATIVA

A iniciativa da proposta deste projeto deve-se à experiência como


professora na Educação Básica, onde foi possível observar um número
significativo de crianças nos anos Iniciais da sua escolarização apresentarem
muitas dificuldades de aprendizagem. São crianças desprovidas de
atendimento individual e específico, uma vez que não há acompanhamento
psicopedagógico que atenda suas dificuldades na aquisição da leitura e escrita.
Dificuldades estas que tem preocupado um grande número de educadores
preocupados com o elevado índice de alunos nessa condição.
Neste sentido, este estudo pretende compreender e analisar como o ensino
tem ocorrido no interior da sala de aula, como o processo de alfabetização tem
se constituído, como tem se trabalhado a perspectiva do alfabetizar letrando.
São muitos os problemas vivenciados pelas crianças, o que acaba
gerando o fracasso escolar, pois, por não conseguirem obter êxito nas
demandas escolares, acabam por se sentirem incapazes, gerando sentimento
de frustração e comportamentos inadaptados. Por isso há uma inquietação
com o elevado índice de alunos que têm apresentado dificuldades diversas de
aprendizagem, com rendimento insatisfatório em relação às metas definidas
pelo sistema educacional.
As dificuldades de aprendizagem pode ocorrer devido a situações ou
condições externas ao indivíduo e que indiretamente o afetam. A defasagem
idade/série em relação à aprendizagem leva-nos a questionar os problemas
socioeconômicos e familiares que desestruturam crianças no seu dia-a-dia,
tornando-as indiferentes, agressivas, indisciplinadas, sem interesse em
participar das atividades pedagógicas. Segundo Bossa:

“A constatação de pesquisar a questão do sistema escolar é de


fundamental importância, pois tem nos mostrado o quanto a
escola, o professor e a própria ciência estão despreparados para
a complexidade desse fenômeno”. (BOSSA, p.17, 2002).

A defasagem na aprendizagem dos alunos é uma preocupação


constante dos educadores, por não estarem preparados para trabalhar esta
nova realidade em que incluem todos, mas não capacita os professores, não
investe nas instituições, nem nas famílias que precisam ser resgatadas de uma
vida sub-humana, para que possa haver um elo comum de interesses entre a
família e a comunidade escolar. Em que a escola tem como objetivo integrar
estas crianças à sociedade, mas, muitas vezes exclui, porque sem perceber faz
o jogo da classe dominante.
Os avanços tecnológicos que contribuem para melhorar o nível de
aprendizagem pedagógica, nas unidades de ensino, são insuficientes por falta
de investimentos, ficando restritos aos técnicos, sem ter um retorno
pedagógico. Como também falta a praticidade do corpo docente e
administrativo para enriquecer e dinamizar as atividades pedagógicas entre
educadores e educandos, por não terem acesso às tecnologias, dificultando
assim, a construção de um processo interativo com os novos paradigmas
educacionais da sociedade moderna.
Sabemos que além dos problemas sociais e familiares das crianças, as
escolas não têm a infra-estrutura adequada para recebê-las e integrá-las em
toda sua plenitude. Porque não há compromisso dos governantes com a
educação para reverter esta realidade.
Como também as práticas pedagógicas cristalizadas de um ensino
tradicional e arcaico, onde muitos professores sem perceber fazem o jogo da
classe dominante que oprime, escraviza e exclui. Assim, frente a nossa
realidade, em que se evidencia um alto índice de fracasso escolar, a
implementação do sistema de promoção automática e de novos métodos de
ensino, entre outros, torna-se relevante analisarmos quais os principais
aspectos que influenciam as dificuldades na aquisição da leitura e escrita das
crianças, nos anos iniciais.
Diante do exposto, esse estudo se orienta pela seguinte questão de pesquisa:
As praticas de alfabetizar letrando contribuem efetivamente para a aquisição da
leitura e escrita?
2. OBJETIVO GERAL:

 Analisar se as práticas de alfabetizar letrando contribuem efetivamente


para a aquisição da leitura e escrita.

2.1. OBJETIVOS ESPECÍFICOS:

 Diagnosticar as principais dificuldades na aquisição da leitura e


escrita dos alunos.

 Identificar quais prátias tem sido implementadas para superar as


dificuldades na aquisição da leitura e escrita.

 Verificar se com as praticas de alfabetizar letrando há maior


participação dos alunos nas produções de leitura e escrita.
3. FUNDAMENDAÇÃO TEORICA

Apesar do tema dificuldade de aprendizagem ter sido bastante estudado


e pesquisado ainda não se chegou a um denominador comum que possa
definir o termo dificuldade de aprendizagem, de como e por que ela se
manifesta.
Os problemas de aprendizagem que ocorrem, tanto no início como
durante o período escolar, surgem de situações diferentes para cada aluno.
Portanto, faz-se necessário uma análise mais profunda dos diversos aspectos
que podem influenciar para que isto ocorra, são eles de caráter orgânicos,
neurológicos, cognitivos, psicológicos, sociais, adicionados à problematização
ambiental em que a criança vive e os pedagógicos. As dificuldades de
aprendizagem na escola podem ser causadas por um ou mais destes aspectos,
não sendo eles, necessariamente excludentes. Segundo Paim:

“Podemos considerar o problema de aprendizagem como um sistema,


no sentido de que o não-aprender não configura um quadro
permanente, mas ingressa numa constelação peculiar de
comportamento, nos quais se destacam como sinal de compensação”.
(PAIM, p.28,1985).

Cabe ao educador procurar detectar as dificuldades de aprendizagem


que aparecem em sua sala de aula, investigando as causas e, logo em
seguida, procurando encontrar soluções dentro e fora da unidade de ensino,
buscando parcerias com todo o corpo docente e administrativo da escola, a
família e os setores psicopedagógicos, para que juntos vençam tais
dificuldades.
As dificuldades de aprendizagem foram e são identificadas por
diferentes critérios, sendo as crianças o foco principal de atenção, por estarem
defasados em relação ao ensino/aprendizagem ou idade/série em sala de aula,
em atividades específicas, ou em quase todas as atividades. Os pais por terem
um maior contato com a criança têm mais experiência sobre o desenvolvimento
das mesmas que podem contribuir no diagnóstico dos filhos. O professor na
sua relação diária com os alunos percebe que a criança necessita de maior
tempo para aprender uma atividade que outra, através da sua experiência em
relação à classe, como também na interação com outras crianças. Segundo
Sisto,

Na Inglaterra possui dados que uma em cada seis crianças tem


probabilidade de necessitar de algum tipo de ajuda especial em algum
momento [...] Nos Estados Unidos indicaram que aproximadamente
doze por cento das crianças com idades entre três e vinte e um anos
receberam serviços de educação especial [...] estava relacionados
com alterações da fala, atraso mental, dificuldades de
aprendizagem, perturbações emocionais, incapacidades e outras
dificuldades de saúde [...] No Brasil não há estatísticas
abrangentes sobre esse fato,mas a quantidade de crianças que
não se alfabetizam, estimam-se em torno de sessenta por cento.
(SISTO, 2001, p. 20).

Não há uma resposta exata sobre problema de aprendizagem, pois há


uma heterogeneidade de sintomas, por isso não há uma definição a ser
considerada como “dificuldades de aprendizagem”, dificuldades em que a
grande maioria predomina das camadas empobrecidas da população.
É difícil encontrar uma pessoa que não teve dificuldade em aprender
alguma coisa em algum momento da sua vida. Algumas crianças despertam
atenção por estarem defasadas em tarefas específicas, como leitura ou escrita
em relação aos colegas de classe com a mesma idade ou não, e a
aprendizagem é bem mais lenta se comparada com os colegas em uma série
de tarefas. Outras vezes a criança que não estuda por falta de interesse, de
estímulo, poderá ser classificada também com dificuldade de aprendizagem e
normalmente este atraso se dá de um a três anos ou mais na aprendizagem
em relação às crianças de sua idade.Segundo Soares:

No Brasil, o discurso em favor da educação popular é antigo: precedeu


mesmo a proclamação da República. Rui Barbosa em 1822 denunciava
a precariedade do ensino para o povo e apresentava propostas de
multiplicação de escolas e de melhoria qualitativa do ensino. (1997, p.
5).

Sabemos que estas propostas continuam até nossos dias, através de


discursos políticos democráticos e liberais sobre a igualdade social e a
democratização do ensino, que garanta uma educação inclusiva de qualidade.
Porém observamos que não há investimentos suficientes para infra-estrutura
nas unidades de ensino, formação continuada dos educadores, para que os
mesmos possam reduzir sua jornada de trabalho e assim, terem condições de
se preparar melhor como profissionais comprometidos com a diversidade
sociocultural dos educandos.
A escola tem habilitado seus alunos através do uso da leitura e escrita
para desempenho de um papel critico no ambiente social ou simplesmente tem
repassado os conteúdos de maneira quantitativa e mecanizada?
Boa parte dos alunos se sentem desmotivados em relação a
metodologia aplicada em sala de aula. Por que esses indivíduos se mostram
tão ineficientes quanto à leitura e interpretação de textos?
A situação é recorrente no âmbito escolar, sujeitos que sabem ler e
escrever, porém a sua “leitura de mundo” não se ajusta muito a “leitura da
palavra”, indivíduos que não conseguem ler, interpretar e se colocar diante
dessa leitura como cidadão ativo e crítico.
De acordo com Antunes (2008) o conhecimento escolar repassado como
um aglomerado de informações induz o aluno a memorização e prática
mecânica, sem reflexão. O ensino pode e deve ser contextualizado, fazer a
junção do conteúdo escolar às experiências do cotidiano torna o processo mais
atraente ao aluno.
As expressões “igualdade de oportunidades educativas” e “educação
como direito de todos”, tornaram-se comuns. Diante do quadro educacional que
ao longo dos anos vem sendo apresentado, não seria a escola a única
responsável pelo fracasso escolar, está ligada também a ausência de
condições básicas para que a aprendizagem de fato ocorresse, e assim,
gerando esse afunilamento educacional.
Soares comenta sobre três ideologias que contribuem para legitimar as
desigualdades e diferenças do rendimento escolar: a ideologia do dom; a
ideologia da deficiência cultural e a ideologia das diferenças culturais, portanto:

A ideologia do dom, segundo a qual as causas do sucesso ou do


fracasso na escola devem ser buscadas nas características dos
indivíduos [...] a ideologia da deficiência cultural, ele seria o portador de
déficits socioculturais [...] a diferença se transforma em deficiência, em
privação, em carência. (SOARES, 1997, p. 10, 13 e 15).

Estas ideologias determinam que nem todos os indivíduos têm as


mesmas capacidades intelectuais por pertenceram a culturas e ideologias
diferentes da cultura dominante, gerando existência natural de desigualdades
em que os mais inteligentes, os mais capazes são os que fazem parte das
classes socioeconomicamente favorecidas, numa relação de poder do capital
dominante e os que pertencem às classes socioeconomicamente
desfavorecidas fracassam por não terem a mesma capacidade intelectual, ou
seja, por serem menos inteligentes, sofrendo um processo de marginalização.
Como também, as diferenças sociais são vistas como uma “subcultura”,
transformando essa diferença em deficiência de aprendizagem, de capacidade,
de interação com o mundo em que se vive.
Na maioria dos problemas de aprendizagem relacionados aos alunos
nas unidades de ensino por não estarem devidamente preparadas para recebê-
los, não por deficiência dos mesmos, mas por não saber interagir com esta
diversidade cultural, aponta que o fracasso escolar e a evasão é proveniente
das desigualdades sociais, por ainda estar muito ligada à relação de poder da
cultura dominante do capitalismo neo-liberal, que mantém a divisão de classes
numa educação bancária. Sendo o uso da língua o que mais confronta estas
culturas expressas através da descriminação e do fracasso escolar das
camadas populares.
Após várias leituras de diversos autores percebemos que a grande
responsabilidade é função da escola em atender essas diferenças culturais e
oportunizar os alunos em busca de soluções. Pois do ponto de vista das
ciências sociais e da antropologia, não há culturas superiores e nem inferiores
e sim culturas diferentes, cada uma com o seu valor e sua especificidade.
Nesse sentido, cabe destacar a aprendizagem como um processo
complexo que se realiza no interior do indivíduo e se manifesta em uma
mudança de comportamento. É necessário que as escolas tenham identidade
como instituição de educação e que essa identidade seja diversificada em
função das características do meio social das crianças, diversificação que não
significa fragmentação, mas respeito ao conhecimento dos alunos em relação
às diferenças do ponto de partida em que se encontram. Que a proposta
educativa indique com clareza o perfil do cidadão que deseja preparar,
independentemente da sua história de vida.
A aprendizagem é um processo de adaptação entre o sujeito e o meio
social que o cerca, partindo de um processo interativo de trocas mútuas,
relacionada a um processo de assimilação-acomodação, possibilitando ao
sujeito aquisição de novas mudanças entre o que ele já sabe e a interação com
as novas situações ou descobertas, de forma que os desafios não sejam
obstáculos, mas desafios a serem superados dentro da realidade vivenciada.

O conceito de aprendizagem significativa, central na perspectiva


construtivista, implica, necessariamente, o trabalho simbólico de
significar a parcela da realidade que se conhece. As aprendizagens que
os alunos realizam na escola serão significativas na medida em que os
alunos consigam estabelecer relações substantivas e não arbitrárias
entre conteúdos e os conhecimentos construídos por eles, num
processo de articulação de novos significados. (PCN, p.).

Por outro lado, a dificuldade de aprendizagem, no decorrer da história da


educação, vem sendo marcada por uma crescente preocupação em tentar
explicar o porquê do fracasso escolar. O rendimento escolar insatisfatório de
um grande número de alunos tem sido constantemente um dos grandes
desafios para os educadores.
Na prática escolar, nota-se que um elevado índice de estudantes tem
apresentado dificuldades de diferentes tipos e rendimento insatisfatório, em
relação aos padrões definidos pelo sistema educacional e da própria escola. Ao
não atingir tais padrões muitos alunos são reprovados, contribuindo assim para
o desestímulo e, muitas vezes para a questão da freqüência e da evasão
escolar.
O saber que o aluno traz é desvalorizado, inviabilizando a articulação
necessária entre o que já sabe e o que precisa aprender, impedindo assim que
novos saberes sejam construídos. A forma como o saber e o não saber são
vivenciados no cotidiano escolar é relevante para a compreensão dos
mecanismos que possibilitam a construção do sucesso de alguns e o fracasso
da maioria.Segundo Bossa:

O sistema escolar é uma patologia do nosso tempo [...] a sociedade


moderna, mediante o seu ideal narcísico, inventou a escola para fazer
das crianças, adultos racionais e honrados [...] estabeleceu uma relação
imaginária entre professor e aluno tal que o primeiro deve ensinar
perfeitamente, e o outro aprender por completo. Tal ação não se coloca
no campo do possível, mas no campo do ideal e como tal está fadada
ao fracasso. Nesse sentido, quando a criança fracassar esse ideal de
educação é excluída do cotidiano escolar, torna-se um incômodo que
apontará para o fato de que o conceito de criança escolar, de criança
ideal, está dissolvendo-se no mundo ideal. (2002, p. 158).

O fracasso escolar pode ocorrer devido a várias situações e ou


condições internas e externas ao indivíduo e que indiretamente ou diretamente
o afetam. Dentre as situações externas mais comuns, podemos citar: as
causas de ordem sócio-econômica das famílias dos educandos, que muitas
vezes são obrigados a realizar trabalho infantil para ajudar no sustento de
casa; as causas de ordem sócio-institucional, que vão desde as condições da
estrutura física da escola, quanto às questões administrativas, salariais,
pedagógicas, passando também pela formação do professor.
Desta forma, as pesquisas vêm apontando para o fato de que uma
criança que já vivenciou experiências de fracasso escolar tem uma baixa
expectativa de sucesso, pouca persistência na realização das tarefas
escolares. Muitas vezes, ao se sentir incapaz apresenta baixa auto-estima,
atribuindo sentimentos negativos em relação à escola e se compara com
aqueles que não vivenciaram a experiência do fracasso escolar.
Segundo Gomes e Sena, a cultura escolar em geral hegemônica e
rotulada, se confrontaria diretamente com as outras formas de interação social
e discursivas trazidas pelos alunos (2000, p. 31).
Apesar da influência que exerce na vida do aluno um vocabulário familiar
bastante restrito, as condições sócio-econômicas e culturais, onde não têm um
direcionamento em relação ao valor da leitura e da escrita, como também
regras, princípios dentro da própria família. A escola não pode mais ter uma
visão fechada e unilateral, com práticas pedagógicas mecanicistas, que não há
interação social com o que a criança sabe e o que precisa saber para se
desenvolver proporcionando a construção do conhecimento através das
relações discursivas da intertextualidade, oportunizando interação com as
diferentes culturas.
Sabemos que a culpa não é só dos professores, mas do sistema
educacional que nas unidades de ensino apropria de práticas disciplinares,
legitimando a seleção dos mais capazes e se constituírem veículo de
transmissão de valores morais, atitudes e comportamentos da cultura
hegemônica que tem necessidade de dar continuidade a um padrão de homem
socialmente idealizado.

3.1. O ensino da escrita no espaço escolar

Segundo Oliveira a escrita é um sistema que tem um papel mediador na


relação entre sujeito e objeto de conhecimento, ou seja um instrumento que
possibilita a ampliação da capacidade humana de registro, transmissão e
recuperação de ideias, conceitos e informações. A escrita seria uma espécie de
ferramenta externa, que estende a potencialidade do ser humano para fora do
seu corpo: da mesma forma que ampliamos nossa capacidade de registro, de
memória e de comunicação. (Oliveira, 1995)
No momento que a escola passa a declarar que só existe uma leitura e
escrita, aquele ato mecanizado de decifrar e transcrever as informações
supostamente aprendidas, a forma do aprender para essa escola é avaliada
pelo treinamento excessivo, entretanto sem enaltecer o verdadeiro sentido da
escrita.
No sistema escolar o educando geralmente só transcreve a informação
dada, sem efetivamente emitir sua própria visão sobre o assunto, o cenário
educacional oculta em muitas ocasiões o verdadeiro significado do escrever.
Desta maneira, redigir um texto é apenas uma repetição escolar, mostrar ao
professor que é capaz de traçar um pensamento de acordo com a proposta
exigida a fim de receber um número que indique uma alta nota, neste momento
se constata o fracasso.
Percebe-se assim, que há o menosprezo pelas variadas formas da
escrita, a escola se distancia e se mostra “alienada do processo de construção
da língua”, criar passa não ser prioridade, primeiramente o aluno deve
aprender a escrever na norma padrão. Muitos anos, sem dar oportunidade para
o pensamento do sujeito, calando-o, e deixando toda a produção escrita em
terceira pessoa, espera-se que este mesmo indivíduo se torne um ser crítico e
criativo na redação ou qualquer outra forma de escrita.
A escola deve então fazer necessário à escrita real e contextualizada,
sempre buscando a transformação do sujeito em um ser pensante e que tenha
senso crítico. A leitura realmente precisa ter um objetivo e não ser somente
copista, um ciclo de “codificar e decodificar fonemas”. Esse conceito se mira
nos costumes da escola que liga o desenhar letras e depois decodificá-las. A
linguagem na escola, infelizmente tem criado vícios, formas sem nexos de
escrita, frases artificiais que muitas vezes faz remitência aos desatualizados
modelos escolares como “Vovô viu a uva”!
A criança tem direito a ter acesso a deferentes linguagens, assim amplia
as possibilidades de se apropriar de diversas formas de inserção e atração na
cultura letrada. Para Ferreira isso é seguir o modelo tradicional com os
exercícios de cópia de letras, silabas e palavras.Esse período deve ser iniciado
de forma lúdica, prazerosa sem ser visto como "obrigação' e "preparação".
Para Emilia Ferreiro(2001), a escrita é importante na escola, porque é
importante fora dela e não o contrário.

3.2. Letrando através do ensino contextualizado.

Segundo Antunes (2008), nossa sociedade tem a veiculação de


informações muito rápida, muitas destas são necessárias para o receptor e
outras não, por essa razão são descartadas, Antunes traz esse conceito para
dentro da sala de aula e faz a reflexão sobre informação e conhecimento no
contexto escolar:

(...) o aluno pode transformar a informação em conhecimento e, dessa


forma, contextualizá-la em sua vida e nos desafios que enfrentará para
conviver.[...] o conhecimento em uma visão atual resultada interação
entre o indivíduo, informação que lhe lê exterior e o significado que
atribui. É, pois resultado de um processo de construção que implica o
sujeito que o constrói coo principal protagonista desse processo
(ANTUNES, 2008, p. 26)

O letramento não é só de responsabilidade da disciplina de língua


portuguesa, mas de todos as outras disciplinas que trabalham com leitura e
escrita. É preciso oferecer contexto de letramento para todo mundo. O
professor, além de alfabetizar, precisa dar as condições necessárias para o
letramento. Não adianta as crianças aprenderem o código, a mecânica, mas
depois não saber usar. Há distinção entre alfabetização e letramento, entre
aprender o código e ter a habilidade de usá-lo. Ao mesmo tempo que é
fundamental entender que eles são indissociáveis e têm as suas
especificidades, sem hierarquia ou cronologia: pode-se letrar antes de
alfabetizar ou o contrário. Essa compreensão é o grande problema das salas
de aula e explica o fracasso do sistema de alfabetização na progressão
continuada. “As crianças chegam no segundo ciclo sem saber ler e escrever.
Nós perdemos a especificidade do processo.
Nos professores que trabalhamos com alfabetização, devemos
Alfabetizar letrando sem descuidar da especificidade do processo de
alfabetização, especificidade é ensinar a criança e ela aprender. O aluno
precisa entender a tecnologia da alfabetização. Há convenções que precisam
ser ensinadas e aprendidas, trata-se de um sistema de convenções com
bastante complexidade. O estudante (além de decodificar letras e palavras)
precisa aprender toda uma tecnologia muito complicada: como segurar o lápis,
escrever de cima para baixo e da esquerda para a direita; escrever numa linha
horizontal, sem subir ou descer. São convenções que os adultos letrados
acham óbvias, mas que são difíceis para as crianças.
4. METODOLOGIA

Esta pesquisa será realizada na Escola Municipal Paulo Setúbal,


localizadas no Município de Vitória da Conquista – Bahia, na sala de aula do
XXXXX ano do ensino fundamental, com alunos que foram diagnosticados
com dificuldades na aquisição da leitura e escrita e quais práticas pedagógicas
são implementadas visando a superação das dificuldades identificadas .
Esta pesquisa utilizar-se-á da abordagem qualitativa (Definir o que é
abordagem qualitativa...), na perspectiva da pesquisa ação. Definir o que é
pesquisa-ação....
(1 etapa) Na primeira etapa foram feitos estudos e discussões com a
orientadora de estágio acerca da importância do estagio e pesquisa. Esse
processo de imersão será importante no processo de cotejamento teórico-
prático.

( 2 etapa) Num segundo momento foram estudados as técnicas de


coleta de dados e em seguida elaborados os roteiros.

Foi utilizada inicialmente a observação direta, pois:

A observação direta permite que o observador cheque


mais perto da “perspectiva dos sujeitos”, um importante
alvo nas abordagens qualitativas. Na medida em que o
observador acompanha in loco as experiências diárias dos
sujeitos, pode tentar apreender a sua visão de mundo, isto
é, o significado do que eles atribuem à realidade que os
cerca e às suas próprias ações. (MINAYO, 1990, p.26).
(3 etapa) Foram realizadas idas ao espaço escolar para a realização das
observações in lócus. Trabalhar esse parágrafo..........

(4 etapa) Em seguida, realizou-se as entrevistas semi – estruturada. A


entrevista semi estruturada nos permite fazer questionamentos apoiados ao
tema, onde a partir das respostas dos entrevistados podem surgir outras
hipóteses no qual podemos acrescentar outros questionamentos. O roteiro
estruturado facilita o recebimento das informações de forma livre e com clareza
para uma melhor análise e interpretação das ideias.
As questões orientadoras das entrevistas foram elaboradas
coletivamente em sala de aula sob a supervisão da professora orientadora da
disciplina de Estágio. A entrevista foi composta por um roteiro de perguntas
semi-estruturado e após ocorrer a gravação, foram devidamente transcritas e
analisadas..

Foram duas entrevistas. Uma com o coordenador e a outra com o


diretor. Cada entrevista durou quase duas horas?????.

Quanto aos Sujeitos participantes desta pesquisa: será selecionado


cinco alunos da sala de aula XXXX, preferencialmente, os cinco alunos que
apresentarem maiores dificuldades na leitura e escrita.

5 ª etapa - Período do levantamento do diagnostico de leitura e escrita


na escola ( carga horária, finalidade... será feito uma semana antes do estagio
de regência, com todos os estudantes da sala onde ocorrerá a regência.

O processo de investigação da sala de aula será feito basicamente por


meio da interação direta das situações de ensino-aprendizagem, analisando o
material didático produzido pelo aluno, as interações entre o professor e os
alunos e entre os alunos com seus pares.
6ª etapa- como será analisado os dados. Será através da análise de
conteúdo (Observar como os dados foram analisados no livro de Iza) Já
começa a adiantar /escrever esse item.
Em anexo, será colocado o cronograma das atividades semanais das
regências de sala de aula (plano de aulas, estratégias, atividades...
Também será anexado as fichas que serão aplicadas para acompanhar o
diagnostico quinzenal do processo de aquisição da leitura e escrita dos
estudantes (05) sujeitos desta pesquisa.

Alana, trabalhar neste texto...

REFERÊNCIA

BARROS, Aidil de Jesus Paes de; Neide Aparecida de Souza, Lelifeld. Projeto
de Pesquisa: 3º Ed. Petrópolis – Rio de Janeiro. Ed. Vozes, 1994.

BOSSA, Nádia A. Fracasso escolar: um olhar psicopedagógico, Porto


Alegre, ed. Artmed, 2002.

CAGLIARI, Luiz Carlos. Alfabetização & Linguística, 10 ed, Ed. Scipione, São
Paulo, 1997.

DEMO, Pedro. Pesquisa: princípio científico e educativo. 8. Ed., São Paulo,


Ed. Cortez, 2001.

FERREIRO, Emília; Ana TEBEROSKY. Psicogênese da língua escrita, Porto


Alegre. Artes Médicas, 1995.

GOMES, Maria de Fátima Cardoso; Maria das Graças de Castro Sena.


Dificuldades de aprendizagem, Belo Horizonte, ed. Autêntica, 2000

MINAYO, Maria Cecília de Souza. O desafio do conhecimento: pesquisa


qualitativa em saúde. São Paulo: Hucitec-abrasco, 1992.
PAIN. Sara. Diagnóstico e tratamento dos problemas de aprendizagem 4.
ed. Porto Alegre, Ed.Artes Médicas, 1992.

PATTO, Maria Helena Souza. A produção do fracasso escolar. Ed. T. A.


Queiroz. São Paulo. V.6. 1998.

PCN – Parâmetros Curriculares Nacionais. Brasília. 1998.

SISTO, Fermino Fernandes. Dificuldades de aprendizagem no contexto


psicopedagógico, ed. Vozes, 2001.

SOARES. Magda. Linguagem e escola:uma perspectiva social, 15a ed. Ed.


Atica. 1997

TEBEROSKY, Ana. Psicopedagogia da linguagem escrita, 9a ed, Petrópolis,


Ed Vozes, 2001

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