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TEXTO COMPLEMENTAR

Disciplina: DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL


Professora: LEILA DUTRA RODRIGUES

“Responsabilidade social: como ir além dos lucros

1 de outubro de 2020

Bem sabemos que a finalidade de uma empresa é e sempre será a geração de lucro. E não
há nada de errado nisso. Afinal, através de bons resultados econômicos, empregos são
garantidos, a economia é movimentada e, por fim, riqueza é gerada.

Entretanto, atualmente, vivemos em meio a uma mudança de paradigma onde, cada vez
mais, os consumidores ditam as regras do mercado.

Uma dessas novas regras é que eles preferem consumir de marcas que olhem muito além
da qualidade e preço dos seus produtos e serviços, e se importem em gerar valor social e
ambiental, ou seja, marcas que impactem positivamente a comunidade local e tenham ações
sustentáveis em relação ao meio ambiente.

Para isso, a organização deve ser socialmente responsável.

Mas o que isso significa e como colocar a responsabilidade social em prática na sua
empresa? Neste artigo mostraremos essas questões e muito mais.

O que é responsabilidade social?

Reponsabilidade social é quando empresas realizam ações sociais e adequam sua cultura
organizacional para priorizar o bem-estar de seu público interno e externo.

É importante frisar que esse comportamento não deve ser adotado de maneira a vislumbrar
qualquer tipo de retorno, como incentivos fiscais, ou evitar punições previstas em leis
impostas pelo Estado.

Dessa forma, a responsabilidade social das empresas é uma postura voluntária da


empresa que entende seu papel como um agente promotor de mudanças benéficas à
sociedade.

Para termos uma melhor compreensão sobre sua atuação, em 2001, na cidade de Bruxelas,
Bélgica, a Comissão das Comunidades Europeias desenvolveu o livro verde. Ele
rapidamente se tornou uma referência mundial sobre o assunto.

O livro verde trata sobre duas dimensões em que as empresas podem atuar: dimensão
interna e dimensão externa.
Dimensão interna

Esta dimensão trata de como aplicar a responsabilidade social aos funcionários e acionistas
da empresa. Ela é dividida em quatro tópicos. Em resumo, são eles:

1. Gestão dos recursos humanos para atrair e reter trabalhadores qualificados por
meio de treinamentos e facilitação à qualificação superior, melhor disseminação da
informação dentro da empresa, possibilitar o equilíbrio entre vida profissional, familiar
e tempos livres e, por fim, promover a igualdade.
2. Saúde e segurança do trabalho com foco em ir além das obrigações legais e
fomentar programas que incentivem a saúde e segurança do colaborador.
3. Adaptação à mudança em que, apesar da necessidade de reestruturação das
empresas devido a mudanças globais, a empresa deve buscar para ter equilíbrio dos
interesses de todas as partes que serão atingidas pelo processo.
4. Gestão do impacto ambiental e dos recursos naturais para reduzir o impacto
ambiental e otimizar o uso dos recursos naturais.

Dimensão externa

A dimensão externa trata como a responsabilidade social é aplicada na comunidade local,


envolvendo fornecedores, clientes, autoridades locais e ONGs. Ela também é dividida em
quatro tópicos, podendo ser resumida em:

1. Comunidades locais que visam integrar a empresa com a comunidade em que está
inserida, indo além da geração de empregos e benefícios, podendo, por exemplo,
apoiar causas locais e causas ambientais, realizar recrutamento dos menos
favorecidos, disponibilizar espaço para o cuidado infantil dos filhos dos trabalhadores,
patrocinar eventos culturais e realizar doações para caridade.
2. Parceiros comerciais, fornecedores e consumidores para estabelecer soluções
para o bom relacionamento entre os envolvidos, além de ações para o
desenvolvimento do empreendedorismo local.
3. Direitos humanos com foco em prezar e promover os direitos humanos, de maneira
a ter um compromisso permanente com seu cumprimento.
4. Preocupações ambientais globais que visa analisar globalmente questões
ambientais e encontrar soluções de como reduzir danos à natureza.

Portanto, resumindo todos esses fatores, a responsabilidade social é um conceito que define
a empresa como um ente que olha para os seus funcionários e para a comunidade em geral,
e age para construir um mundo melhor nos aspectos financeiros, sociais e ambientais.

Quais são os tipos de responsabilidade social?

Assim como o cenário global se torna cada vez mais complexo, as questões sociais e
ambientais também ganham novas demandas a serem supridas.

Dessa forma, o conceito de responsabilidade social se dividiu em três tipos:


Responsabilidade Social Corporativa (RSC), Responsabilidade Social Empresarial (RSE) e
Responsabilidade Socioambiental (RSA).

Responsabilidade Social Corporativa (RSC)


A RSC é voltada para o comportamento ético da empresa e preocupações sociais no
ambiente de negócios.

Além disso, busca constantemente por melhorias na qualidade de vida de todas as partes
interessadas que são impactadas pelo negócio.

Responsabilidade Social Empresarial (RSE)

Apesar de muitos verem a RSE como um sinônimo da RSC, ela tem um campo de atuação
mais amplo. Isso quer dizer que esse tipo tende a envolver mais stakeholders, buscando o
bem-estar e qualidade de vida dos seus colaboradores, assim como reduzir os impactos
negativos de sua atividade no âmbito social e ambiental.

É comum que essas medidas, quando são implementadas, haja uma mudança
comportamental na forma de gestão, prezando pela transparência, valores e ética nas
relações com parceiros comerciais.

Responsabilidade socioambiental (RSA)

A RSA é o tipo de responsabilidade social mais atual e abrangente. Ela trata não somente
do compromisso das empresas com os valores humanos e com as pessoas, mas também
com questões realmente importantes sobre o meio ambiente.

Portanto, a organização que desenvolve um plano baseado na RSA, tem ações tangíveis e
específicas sobre como beneficiar a sociedade.

Em resumo, os três tipos podem ser utilizados nas mais diversas situações empresariais,
partindo do gestor a percepção de como, quando e quais utilizar.

Como ser uma empresa socialmente responsável?

Após definirmos o conceito de responsabilidade e seus tipos, precisamos entender como


realmente colocá-la em prática.

Para isso, é importante nos inspirarmos em alguns exemplos práticos e reais de empresas
que abraçaram a responsabilidade social e desenvolveram positivamente suas imagens em
relação ao seu público.

Volkswagen do Brasil

A montadora investiu aproximadamente R$ 150 milhões em uma de suas fábricas em São


Bernardo do Campo, São Paulo, com o intuito de promover ações de saúde e segurança do
trabalho.

Tal ação voluntária refletiu diretamente na qualidade de vida dos funcionários que trabalham
na fábrica e, consequentemente, os níveis de produtividade se mantiveram elevados.

Sicoob
A cooperativa de crédito instalou 120 painéis fotovoltaicos na cobertura do seu prédio,
gerando energia limpa para empresa.

Dessa forma, a empresa conseguiu otimizar o consumo de um recurso tão importante,


reduzindo o impacto ambiental da empresa.

Estrela

A fabricante de brinquedos decidiu investir em projetos de suporte para pessoas com câncer.
Esse tipo de ação não é nova para marca. Uma delas ocorreu em 2001, onde a empresa
lançou uma versão da boneca Susi em parceria com o Instituto Brasileiro de Controle do
Câncer (IBCC).

Parte dos valores da venda da boneca foram revertidos para o IBCC.

Como se pode ver acima, existem diversos exemplos de empresas que buscam fazer o bem
ao próximo.

Essas ações, mesmo que realizadas voluntariamente e sem buscar algo em troca, darão
retornos maiores do que o esperado, pois a construção de uma imagem altruísta frente aos
consumidores frequentemente resulta em consistência nas vendas e até mesmo em
captação de novos clientes.

Além disso, a organização que deseja se engajar nessas causas podem e devem buscar
certificações que mostrem aos seus consumidores que estão de fato comprometidos com
elas.

Para isso, foram desenvolvidas certificações por organizações que, através de auditorias
independentes, corroboram a autenticidade dessas ações.

As principais certificações socioambientais no momento são a ISO 14000, AA1000, SA8000,


ABNT-ISO 26000 e o Selo Empresa Amiga da Criança.

Vale a pena ser socialmente responsável?

Como dissemos no começo do artigo, a finalidade de uma empresa privada sempre será a
geração de lucro. Entretanto, no mundo atual, isso não é suficiente para o sucesso da
organização ao longo prazo.

Mais do que nunca, elas devem estar atentas para tomar uma postura que priorize a
sustentabilidade de forma a ter um panorama completo sobre a situação ambiental e social
dos seus funcionários, comunidades locais, acionistas, fornecedores, clientes e tantos outros
que serão impactados por suas atividades.

Ser uma empresa socialmente responsável pode ser difícil, mas no final das contas, vale a
pena. Essas ações estabelecem uma relação ganha-ganha, onde o empresário tem a
oportunidade de construir um mundo melhor e é retribuído pelo aumento de produtividade,
aumento das vendas e, o mais importante, pelo aumento da admiração do seu consumidor
e da sociedade em geral.”
Fonte: https://institutobhfuturo.com.br/responsabilidade-social-como-ir-alem-dos-lucros/