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Marcello Lopes dos Santos

Finanças: fundamentos e processos


www.iesde.com.br

Fundação Biblioteca Nacional


ISBN 978-85-7638-772-5

Finanças: fundamentos Finanças: fundamentos


e processos
e processos
Finanças: fundamentos
e processos

Autor:
Marcello Lopes dos Santos

2008
Sumário

Demonstrações Contábeis | 9
Introdução | 9
Elaboração e divulgação das Demonstrações Contábeis  | 10
Importância da divulgação das Demonstrações Contábeis para os usuários da Contabilidade | 15

Balanço Patrimonial | 19
Conceito | 19
Estrutura | 19
Ativo | 20
Passivo | 22
Demonstração do Resultado do Exercício | 24
Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados | 25
Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido | 25

Introdução e conceitos de custos fixos e variáveis | 29


Introdução | 29
Conceito de custo direto e indireto, fixos e variáveis | 32
Classificação dos custos: fixos e variáveis | 33

Análise de indicadores de desempenho | 37


Introdução | 37
Análise horizontal (evolução) | 39
Análise vertical (participação) | 39
Análise de índices | 40

Sistemas de custeamento | 55
Introdução | 55
Departamentalização | 56
Classificação dos sistemas de custeios | 58
Sistema de custeamento II | 65
Custeio por absorção | 65
Classificação dos custos em diretos e indiretos | 66
Custos fixos e variáveis | 67
Custeio Baseado em Atividades (abc) | 67
Implantação de um sistema de custos | 69

Orçamento, provisões e reservas financeiras | 73


Introdução | 73
Conceitos e tipos de orçamento | 75
Organização e processo de elaboração | 76
Itens de um orçamento | 77
Estrutura do plano orçamentário | 77
Orçamento por atividades | 78
Elaboração do orçamento | 78

Ponto de Equilíbrio | 83
Conceituação | 83
Conceitos pertinentes ao Ponto de Equilíbrio | 84
Tipos de Ponto de Equilíbrio | 85
Elementos envolvidos na determinação do Ponto de Equilíbrio | 87
Determinação do Ponto de Equilíbrio de Mercado | 88

Administração do capital de giro e análise das fontes de recursos | 91


Introdução | 91
Decisão de investimento | 92
Administração do capital de giro | 93
Fontes de financiamento de curto prazo | 94

Análise do Resultado Operacional | 99


Índices de Lucratividade ou Rentabilidade | 99
Medidas de análise e avaliação de desempenho | 101

Planejamento e controle financeiro | 109


Processo de planejamento financeiro | 109
Orçamento de caixa | 109
Planejamento de resultados | 114
Consideração de tipos de custos e despesas | 116
Considerações sobre o fechamento da Projeção de Balanço | 120
Planejamento de caixa e Projeção do Balanço Patrimonial | 123
Introdução | 123
Projeção da empresa Crocante S/A | 123
Premissas para projeção detalhada da Demonstração de Resultados | 125
Projeção do Fluxo de Caixa Livre | 132
Definição das premissas | 133

Custos e fontes de investimentos | 137


Inflação | 137
Formação da taxa de juros no mercado | 139
Valores nominais e valores reais | 140
Decisões de investimentos | 140
Fluxos de caixa | 141
Custo de capital | 142

Mercado de capitais | 149


Introdução | 149
Mercado de ações | 150
Debêntures | 158

Mercado de ações e financiamento a longo prazo | 165


Mercado Futuro de Ações | 165
Operações com ADR/GDR | 166
Mercado de derivativos | 167
Fundos de investimentos | 169

Gabarito | 175

Referências | 187

Anotações | 191
Ao ser convidado a participar deste projeto, fiquei imaginando como
poderia transmitir a distância conhecimentos específicos sobre finanças,
aliando os conceitos à prática de modo que o aluno pudesse visualizar e
entender todos os procedimentos, ações e acima de tudo o bom senso que
um gestor financeiro deve ter em suas rotinas diárias.

Neste livro, foram abordados os conceitos pertinentes à área financeira e


sua aplicabilidade direcionada ao cotidiano empresarial, por meio de uma
linguagem acessível, com exemplos numéricos e estudos de casos fictícios
que facultam um aprendizado consistente acerca das metodologias de
gestão financeira na busca contínua de melhorias.

Independentemente de quão embasado esteja um gestor financeiro ou de


quantos livros tenha ele estudado minuciosamente, há questões presentes
no cotidiano de uma empresa que lhe exigirão a simples aplicação de seu
bom senso. Este requisito não se aprende em nenhum curso qualquer ao
redor do mundo e por isso, é umas das chaves para o sucesso em qualquer
carreira profissional.

A área financeira, em seu mais complexo âmbito de interpretação e


aprendizado, requer acima de tudo dedicação e isto se trata de uma árdua,
intensa e longa jornada, para a qual não existe um padrão ou uma cartilha
a seguir que garanta o tão famigerado sucesso. Seja na vida pessoal ou na
profissional é primordial ouvirmos, lermos e aprendermos com as pessoas
que, de uma forma ou de outra, passaram ou estão passando por esta
jornada e nos deixam suas experiências para que possamos usufruir de seus
conhecimentos e experiências, traçando, com isso, um caminho próprio.

Para ser um bom profissional é necessário mais que informação: é preciso


suprimir persistência e comprometimento que resultem em credibilidade,
além disso, vale lembrar que não existe uma receita para o sucesso imediato
e definitivo.
Espero que esta disciplina possa contribuir para o conhecimento de todos e
tornar mais agradável a árdua e difícil jornada profissional. Desejo também
que os frutos decorrentes deste trabalho se reflitam em sua ascensão
pessoal, promovendo a cidadania e responsabilidade social, pois nosso
país necessita de cidadãos reais, ou seja, que pratiquem a cidadania.

Este é o caminho para o crescimento de um País!!

Marcello Lopes dos Santos


Demonstrações Contábeis
Marcello Lopes dos Santos*

Introdução
As Demonstrações Contábeis são elaboradas baseadas nas informações obtidas dos registros con-
tábeis e têm por objetivo revelar aos usuários internos (administradores da companhia, funcionários)
e externos (acionistas, bancos, clientes, fornecedores, Governo, outros credores e agentes regulamen-
tadores) informações sobre a posição patrimonial da companhia e o seu resultado, proporcionando o
conhecimento e a análise de sua situação patrimonial em um determinado momento.
Para a administração da companhia, as informações contidas nas Demonstrações Contábeis além
de demonstrar a evolução de vários grupos contábeis, também servem como um elemento de controle
e auxílio na tomada de decisões, assegurando que o planejamento estabelecido está sendo cumprido e
também atuando como auxiliar na definição das diretrizes que a empresa deverá seguir.
A contabilidade na vida das empresas é o meio mais eficiente de fornecer informações precisas
e ajudar o empresário na gestão e melhoria dos controles do seu negócio. Com a utilização de técnicas
contábeis o empresário controla o seu patrimônio e conhece o resultado no período (lucro ou prejuízo),
permitindo a tomada de decisões mais seguras com base nas informações contábeis.
As Demonstrações Contábeis são um sistema de informação, necessário à gestão das empresas e
um de seus objetivos é o de fornecer informações sobre as mutações que ocorrem no seu patrimônio.
No entanto, muitos consideram e até confundem a contabilidade como mero instrumento de informa-
ção, embora todas as áreas do conhecimento gerem informações.
Estas demonstrações, além de gerar informações, permitem explicar os fenômenos patrimoniais,
construir modelos de prosperidade, efetuar análises, controlar e também prever e projetar exercícios
seguintes. Tais demonstrações, além de possibilitar outras tantas tarefas, constituem um importante
componente da gestão, cujo principal objetivo é o de fornecer informações para o processo de tomada
de decisão e de formulação de estratégias.

* Bacharel em Ciências Econômicas e em Ciências Contábeis.


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Elaboração e divulgação das Demonstrações Contábeis 


As Demonstrações Contábeis consistem em um conjunto de demonstrativos previstos em Lei ou
consagrados pela prática contábil, normalmente elaboradas ao final do exercício e de acordo com as
Normas Brasileiras de Contabilidade – NBC e Princípios Fundamentais de Contabilidade, objetivando
uma correta elaboração das peças contábeis, no que diz respeito à sua estrutura ou forma de apresen-
tação, bem como, a uma fiel observância quanto à formalização dos registros.
Podemos segregar as Demonstrações Contábeis em básicas e complementares.
As Demonstrações Contábeis básicas são:
::: Balanço Patrimonial;
::: Demonstração do Resultado do Exercício.
As Demonstrações Contábeis complementares são:
::: Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados;
::: Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido;
::: Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos;
::: Demonstração do Valor Adicionado;
::: Demonstração dos Fluxos de Caixa.

Demonstrações Contábeis exigidas pela lei 6.404/76


A Legislação Societária (Lei 6.404 de 15 de dezembro de 1976) determina que, ao término de cada
exercício social, a administração da empresa elabore, com base na sua escrituração contábil, demons-
trações financeiras, consagradas no Brasil como Demonstrações Contábeis, que deverão exprimir com
clareza a situação do patrimônio da empresa e as mutações ocorridas no exercício.
De acordo com o artigo 176 da Lei 6.404/76, as Demonstrações Contábeis exigidas pela legislação
societária são as seguintes:
a) Balanço Patrimonial;
b) Demonstração do Resultado do Exercício;
c) Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados.
A Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido não é obrigatória, mas se apresentada, a
Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados fica dispensada.
A Comissão de Valores Mobiliários, através da Instrução nº. 59 de 30 de dezembro de 1986 tornou
obrigatória a divulgação da Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido para todas as compa-
nhias abertas.
A Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos só é obrigatória para as companhias aber-
tas e fechadas com Patrimônio Líquido superior a R$ 1 milhão.
Demonstrações Contábeis | 11

As Demonstrações dos Fluxos de Caixa e do Valor Adicionado não são obrigatórias, mas são de
grande importância como ferramenta de análise e gestão da companhia.
Essas demonstrações devem ser publicadas sempre de forma comparativa ao exercício anterior.
Nas empresas de capital aberto, as Demonstrações Contábeis deverão ser examinadas por auditores
independentes registrados na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), sendo o respectivo parecer pu-
blicado junto às referidas Demonstrações Contábeis.

Comparabilidade das Demonstrações Contábeis


A comparabilidade das demonstrações financeiras de um exercício social com as demonstrações
financeiras do exercício social imediatamente anterior é imposta pelo parágrafo 1º do artigo 176:
“§ 1º As demonstrações de cada exercício serão publicadas com a indicação dos valores correspondentes das demons-
trações do exercício anterior.”

Contas semelhantes e de valores não significativos podem ser agrupadas dentro do que dispõe o
parágrafo 2º do artigo 176:
“§ 2º Nas demonstrações, as contas semelhantes poderão ser agrupadas; os pequenos saldos poderão ser agregados,
desde que indicada a sua natureza e não ultrapassem 0,1 (um décimo) do valor do respectivo grupo de contas; mas é
vedada a utilização de designações genéricas, como ‘diversas contas’ ou ‘contas-correntes’.”

Destinação do Lucro do Exercício


A destinação do lucro de cada exercício deve constar das demonstrações financeiras, conforme
dispõe o parágrafo 3º do artigo 176:
“§ 3º As demonstrações financeiras registrarão a destinação dos lucros segundo a proposta dos órgãos da administra-
ção, no pressuposto de sua aprovação pela assembléia geral.”

Notas Explicativas
A elaboração de Notas Explicativas e de outros quadros ou demonstrativos que sirvam para um
melhor esclarecimento das demonstrações é imposta pelo parágrafo 4º do artigo 176:
“§ 4º As demonstrações serão complementadas por notas explicativas e outros quadros analíticos ou Demonstrações
Contábeis necessários para esclarecimento da situação patrimonial e dos resultados do exercício.”

O parágrafo 5º do mesmo artigo determina o conteúdo das notas explicativas.


“§ 5º As notas deverão indicar:
a) Os principais critérios de avaliação dos elementos patrimoniais, especialmente estoques, dos cálculos de deprecia-
ção, amortização e exaustão, de constituição de provisões para encargos ou riscos, e dos ajustes para atender a perdas
prováveis na realização de elementos do Ativo;
b) Os investimentos em outras sociedades, quando relevantes (artigo 247, parágrafo único);
c) O aumento de valor de elementos do Ativo resultante de novas avaliações (artigo 182, parágrafo 3º);
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d) Os ônus reais constituídos sobre elementos do Ativo, as garantias prestadas a terceiros e outras responsabilidades
eventuais ou contingentes;
e) A taxa de juros, as datas de vencimento e as garantias das obrigações a longo prazo;
f ) O número, espécies e classes das ações do capital social;
g) As opções de compra de ações outorgadas e exercidas no exercício;
h) Os ajustes de exercícios anteriores (artigo 186 parágrafo 1º);
i) Os eventos subseqüentes à data de encerramento do exercício que tenham, ou possam vir a ter, efeito relevante
sobre a situação financeira e os resultados futuros da companhia.”

Escrituração
O artigo 177 da Lei 6.404/76 faz referência à escrituração da companhia, que serve de base para
elaboração das Demonstrações Contábeis, o qual reproduzimos a seguir:
“Art. 177 A escrituração da Companhia será mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da le-
gislação comercial e desta Lei e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos, devendo observar métodos ou
critérios contábeis uniformes no tempo e registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de competência.”

O parágrafo 1º do artigo 177 trata da modificação dos métodos ou critérios aplicados pela em-
presa e assim dispõe:
“§ 1º As Demonstrações Contábeis do exercício em que houver modificação de métodos ou critérios contábeis, de
efeitos relevantes, deverão indicá-la em nota e ressaltar esses efeitos.”

Disposições tributárias ou especiais não podem modificar a escrituração mercantil nem as De-
monstrações Contábeis previstas pela Lei nº. 6.404/76, conforme dispõe o parágrafo 2º do artigo 177:
“§ 2º A companhia observará em registros auxiliares, sem modificação da escrituração mercantil e das demonstrações
reguladas nesta Lei, as disposições da Lei tributária, ou de legislação especial sobre a atividade que constitui seu obje-
to, que prescrevam métodos ou critérios contábeis diferentes ou determinem a elaboração de outras demonstrações
financeiras.”

No caso de companhia aberta, as Demonstrações Contábeis estão sujeitas também às normas da


Comissão de Valores Mobiliários e são obrigatoriamente auditadas por auditores independentes regis-
trados naquela comissão (artigo 177 parágrafo 3º).
O parágrafo 4º do artigo 177 determina que as Demonstrações Contábeis devem ser assinadas
pelos administradores e por contabilistas legalmente habilitados.

Balanço Patrimonial
O artigo 178 determina a forma de classificação das contas no Balanço Patrimonial:
“Art. 178 No balanço, as contas serão classificadas segundo os elementos do patrimônio que registrem, e agrupadas de
modo a facilitar o conhecimento e a análise da situação financeira da companhia.”

Os grupos de contas que formam o Ativo e o Passivo são apontados nos parágrafos 1º e 2º do
artigo 178:
“§ 1º No Ativo, as contas serão dispostas em ordem decrescente de grau de liquidez dos elementos nelas registrados,
nos seguintes grupos:
Demonstrações Contábeis | 13

a) Ativo Circulante;
b) Ativo Realizável a Longo Prazo;
c) Ativo Permanente, dividido em Investimentos, Ativo Imobilizado e Ativo Diferido.
§ 2º No Passivo, as contas serão classificadas nos seguintes grupos:
a) Passivo Circulante;
b) Passivo Exigível a Longo Prazo;
c) Resultados de Exercícios Futuros;
d) Patrimônio Líquido, dividido em Capital Social e Reservas de Capital, Reservas de Reavaliação, Reservas de Lucros e
Lucros ou Prejuízos Acumulados.”

O parágrafo 3º do artigo 178 determina que sejam classificados separadamente os saldos deve-
dores e credores que a companhia não tiver direito de compensar.

Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados


O conteúdo da Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados é determinado pelo artigo 186:
“Art. 186. A demonstração de lucros ou prejuízos acumulados discriminará:
I – o saldo do início do período, os ajustes de exercícios anteriores e a correção monetária do saldo inicial;
II – as reversões de reservas e o lucro líquido do exercício;
III – as transferências para reservas, os dividendos, a parcela dos lucros incorporada ao capital e o saldo ao fim do período.

A Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados deve indicar o montante do dividendo por


ação do Capital Social e pode ser incluída na Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (artigo
186, parágrafo 2º).

Demonstração do Resultado do Exercício


A composição da Demonstração do Resultado do Exercício é determinada pelo artigo 187:
“Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará:
I – a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos;
II – a receita líquida das vendas e serviços, o custo das mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto;
III – as despesas com as vendas, as despesas financeiras, deduzidas das receitas, as despesas gerais e administrativas,
e outras despesas operacionais;
IV. o lucro ou prejuízo operacional, as receitas e despesas não operacionais e o saldo da conta de correção monetária
(artigo 185 parágrafo 3º);
V – o resultado do exercício antes do imposto de renda e a provisão para o imposto;
VI – as participações de debêntures, empregados, administradores e partes beneficiárias e as contribuições para insti-
tuições ou fundos de assistência ou previdência de empregados;
VII – o lucro ou prejuízo líquido do exercício e o seu montante por ação do capital social.”

O parágrafo 1º do artigo 187 impõe que sejam observados os princípios da competência e do


confronto entre receitas e despesas na apuração do resultado do exercício:
14 | Finanças: fundamentos e processos

“§ 1º Na determinação do resultado do exercício serão computados:


a) as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente da sua realização em moeda; e
b) os custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes a essas receitas e rendimentos.”

Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos


A Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos, cuja finalidade é indicar as modificações
na posição financeira da empresa, tem seu conteúdo determinado pelo artigo 188:
“Art. 188. A Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos indicará as modificações na posição financeira da
companhia, discriminando”:
I – as origens dos recursos, agrupadas em:
a) lucro do exercício, acrescido de depreciação, amortização ou exaustão e ajustado pela variação nos resultados de
exercícios futuros;
b) realização do capital social e contribuições para reservas de capital;
c) recursos de terceiros, originários do aumento do Passivo exigível a longo prazo, da redução do Ativo realizável a
longo prazo e da alienação de investimentos e direitos do Ativo imobilizado.
II – as aplicações de recursos, agrupadas em:
a) dividendos distribuídos;
b) aquisição de direitos do ativo imobilizado;
c) aumento do ativo realizável a longo prazo, dos investimentos e do ativo diferido;
d) redução do Passivo exigível a longo prazo.
III – o excesso ou insuficiência das origens de recursos em relação às aplicações, representando aumento ou redução
do capital circulante líquido;
IV – os saldos, no início e no fim do exercício; do Ativo e Passivo circulantes, montante do capital circulante líquido e o
seu aumento ou redução durante o exercício.

Publicação
Os meios pelos quais as Demonstrações Contábeis devem ser publicadas constam do artigo 289:
“Art. 289. As publicações ordenadas pela presente Lei serão feitas no órgão oficial da União ou do Estado, conforme o
lugar em que esteja situada a sede da companhia, e em outro jornal de grande circulação editado na localidade em
que está situada a sede da companhia.”

Além das exigências contidas no artigo 289, a CVM pode determinar que as publicações sejam
efetivadas, também, por outros meios, conforme faculta o parágrafo 1º do mesmo artigo:
“§ 1º A Comissão de Valores Mobiliários poderá determinar que as publicações, ordenadas pela presente Lei, sejam
feitas, também, em jornal de grande circulação editado nas localidades em que os valores mobiliários da companhia
sejam negociados em bolsa ou em mercado de balcão.”

De acordo com o artigo 289 parágrafo 2º, no caso de não ser editado jornal no local onde estiver
situada a sede da companhia, as publicações devem ser feitas em órgão de grande circulação local.
Demonstrações Contábeis | 15

Importância da divulgação das Demonstrações Contábeis


para os usuários da Contabilidade
As Demonstrações Contábeis são o principal meio informativo da situação patrimonial e dos re-
sultados da empresa junto àqueles que tenham ou possam vir a ter interesse na avaliação da situação
da empresa em determinado momento ou em seu progresso ao longo do tempo, como por exemplo,
investidores, fornecedores, clientes, empregados, governo, instituições financeiras, etc.
Considerando-se este objetivo (prestar informações ao usuário interno ou externo), faz-se necessá-
rio que, além da aplicação dos princípios fundamentais de contabilidade, cuidados especiais sejam dedi-
cados no que diz respeito à forma, ao conteúdo e ao nível de detalhes das Demonstrações Contábeis.
Os problemas mais significativos relacionados a estas demonstrações dizem respeito à adequa-
ção em termos de relevância, confiabilidade, comparabilidade, utilidade e inteligibilidade da informa-
ção prestada.
Definindo-se os cotistas ou acionistas e outros investidores como sendo o grupo apropriado para
o foco a ser adotado pela Contabilidade, então a divulgação feita na publicação das Demonstrações
Contábeis pode ser definida como sendo a apresentação de informação necessária para o ótimo funcio-
namento de mercados eficientes de capitais.
Todos os investidores têm necessidade de informação para avaliar os riscos relativos de cada em-
presa, tendo em vista a construção de carteiras diversificadas e combinações de investimentos que
satisfaçam preferências individuais em termos de risco. Os credores e os órgãos governamentais geral-
mente contam com poder suficiente para obter informação adicional que atenda suas necessidades.

Texto complementar
O lento avanço da nova lei das sociedades por Ações
Tramita atualmente no Legislativo Federal, junto à Comissão de Finanças e Tributação, o Pro-
jeto de Lei nº 3.741/2000, que tem por objetivo dar um fecho às revisões e atualizações que vêm
sendo efetuadas na Lei nº 6.404/76 (Lei das Sociedades por Ações). Esse projeto trata de alterar
e revogar certos dispositivos da Lei nº 6.404/76, definir e estender às empresas de grande porte
disposições relativas à elaboração e divulgação de Demonstrações Contábeis e procura qualificar
um ente único que trate do estudo e divulgação de princípios, normas e padrões de contabilidade
e auditoria no Brasil. Para tal faz-se  necessária a completa revisão do Capítulo XV da Lei 6.404/76,
que trata das Demonstrações Financeiras (mais corretamente seriam se denominadas de Demons-
trações Contábeis).
Há cerca de oito anos, um grupo de trabalho composto por representantes das diversas enti-
dades que tratam de Demonstrações Contábeis  (preparadores, auditores, analistas, investidores,
16 | Finanças: fundamentos e processos

usuários, fiscalizadores e pesquisadores); esse grupo foi constituído pela CVM – Comissão de Valo-
res Mobiliários como Comissão Consultiva para Assuntos Contábeis, preparou o que conhecemos
como o primeiro esboço da revisão pretendida. Esse trabalho original serviu de base para a evolu-
ção e atual posicionamento contido no atual Projeto nº 3.741/2000.
Dentre os aspectos mais importantes constantes do projeto e que tem sido amplamente discu-
tido, estão aqueles relacionados à crescente importância da Contabilidade, que tem levado, como
uma tendência mundial, a busca de uma pretendida internacionalização das normas contábeis. Isto
requer uma harmonização interna (há no Brasil, por direito, inúmeras entidades com poderes legais
de emitir normas contábeis) e um inevitável alinhamento com o desenvolvimento contábil que
ocorre no mundo, como decorrência em especial da necessidade de se obter  maior credibilidade.
Isso tudo sob o reconhecimento de que a Contabilidade é uma Ciência Social e, portanto, com parâ-
metros de medição e comparabilidade idênticos em qualquer parte do mundo.
O resultado que se busca é a redução dos riscos nos investimentos internacionais (e, porque
não, também nos nacionais), sob a forma de empréstimo financeiro ou de participação societária. A
redução de riscos é a meta principal dos diversos financiadores e investidores e seria mais facilmen-
te obtida se decorresse da obtenção de um melhor entendimento das Demonstrações Contábeis,
que pudesse dar maior facilidade de comunicação local ou internacionalmente, com a redução dos
custos do capital (nacional e internacional) o que é de interesse absolutamente vital para o País. Os
principais mercados financeiros do mundo estão acompanhando e incentivando essa harmoniza-
ção e alinhamento, e há prazos já delineados para mercados importantes como o da Comunidade
Européia.
O Conselho Federal de Contabilidade vem há muito, acompanhando e participando ativamen-
te da evolução desse projeto de Lei que permitirá colocar a Contabilidade Brasileira, unificada, ao
mesmo nível da Contabilidade Internacional.
Os principais aspectos do Projeto pela sua importância em relação às nossas práticas tradicio-
nais, estão voltados, entre outros, para o artigo 3º do projeto e seu parágrafo único. O artigo trata da
obrigatoriedade de adoção, por parte das sociedades de grande porte, ainda que não constituídas
sob a forma de sociedades por ações, de apresentar e divulgar suas Demonstrações Contábeis de
maneira uniforme e em concordância com os Princípios Fundamentais de Contabilidade e as Nor-
mas Brasileiras de Contabilidade.
É entendimento de que todas as empresas de grande porte (que seriam definidas em Lei),
pela sua importância no cenário financeiro, econômico e social, deveriam ter o mesmo nível de
requisitos com relação à prestação de contas para com a sociedade e terem suas Demonstrações
Contábeis examinadas por auditores independentes.
O compromisso de validação das Demonstrações Contábeis por parte dos auditores indepen-
dentes tem sido amplamente utilizado e traz benefícios incontestáveis no sentido de dar maior cre-
dibilidade a essas demonstrações. É sabido que as empresas auditadas são as que melhor cumprem
suas responsabilidades fiscais, previdenciárias, trabalhistas e, finalmente, suas responsabilidades de
cunho social, cada vez mais exigidas do ponto de vista ético.
Está previsto no Projeto, e conta com o apoio do Conselho Federal de Contabilidade, a criação
de um “ente” que responderia pela edição das normas contábeis brasileiras. Muitas das instituições
Demonstrações Contábeis | 17

de natureza regulatória governamental vêm demonstrando interesse em transferir a responsabi-


lidade para o estudo e a emissão de pronunciamentos contábeis, incentivando a criação de um
comitê que unificasse os interesses dos diversos interessados, levando em conta a Contabilidade
como Ciência Social, com seus princípios fundamentais e normas técnicas de obrigatória adoção
por todas as empresas.
Está bem encaminhado o processo de constituição de um Comitê Nacional de Pronunciamen-
tos Contábeis, que contaria neste início com o apoio da ABRASCA (Associação Brasileira das Com-
panhias Abertas), da APIMEC Nacional (Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do
Mercado de Capitais), do Banco Central do Brasil, da BOVESPA (Bolsa de Valores de São Paulo), da
CVM (Comissão de Valores Mobiliários), do Conselho Federal de Contabilidade, do IBRACON Nacio-
nal (Instituto dos Auditores Independentes do Brasil), da  FIPECAFI (Fundação Instituto de Pesquisas
Contábeis, Atuariais e Financeiras) e da SUSEP (Superintendência de Seguros Privados). Seria natural
que outras entidades, de representação ou de regulação, podem e devem ter participação no Co-
mitê de Práticas Contábeis.
Um aspecto que tem tido a mais plena aceitação por parte das entidades de representação
acima referidas é a inclusão no Projeto da obrigatoriedade de segregação e separação efetiva da
escrituração contábil da escrituração fiscal. O Projeto cria um regulamento específico que deve ser
insistentemente buscado, por ser essa a única maneira de podermos manter uma contabilidade
livre de influências não técnicas. No Projeto a responsabilidade fiscal está claramente definida e
protegida e os registros fiscais, também de responsabilidade dos Contadores, podem e devem ser
mantidos de forma a não haver influência das práticas fiscais na apuração dos resultados contábeis;
estes resultados passariam a ter efeitos societários e não fiscais.
Há, ainda, muitos outros aspectos que merecem nossa atenção e discussões; entendemos que
há uma clara consciência de que precisamos e devemos mudar o direcionamento da Contabilidade
Brasileira, em especial nos seus aspectos de unificação de procedimento e acompanhamento das
melhores práticas contábeis por todas as empresas.

José Martonio Alves Coelho – presidente do Conselho Federal de Contabilidade (CFC)

Ampliando conhecimentos
Nos sites indicados podem ser encontrados as normas e pronunciamentos referentes às Demons-
trações Contábeis e as interpretações e comunicados técnicos que auxiliam no entendimento de assun-
tos pertinentes à área contábil.
www.cfc.org.br
www.cvm.gov.br
www.ibracon.com.br
www.crcsp.com.br
18 | Finanças: fundamentos e processos

Atividades
1. As Demonstrações Contábeis são elaboradas baseadas em quais informações?

2. Qual o objetivo das Demonstrações Contábeis?

3. Quais são as Demonstrações Contábeis exigidas pela Lei 6.404/76?

4. As Demonstrações Contábeis são elaboradas de acordo com quais normas e princípios?


Balanço Patrimonial
Conceito
O Balanço Patrimonial é um dos componentes das Demonstrações Contábeis, apresentado na
forma horizontal e destinado a evidenciar, quantitativa e qualitativamente, numa determinada data, o
patrimônio e a composição do Patrimônio Líquido da entidade.
Conforme determina o art. 178 da Lei 6.404/76: “no Balanço Patrimonial, as contas serão classifi-
cadas segundo os elementos do patrimônio que registrem, e agrupadas de modo a facilitar o conheci-
mento e a análise da situação financeira da companhia”.
Essa demonstração deve ser estruturada de acordo com os preceitos da Lei e segundo os Princí-
pios Fundamentais de Contabilidade e as Normas Brasileiras de Contabilidade.

Estrutura
Ativo Passivo

Patrimônio Líquido

O Balanço Patrimonial é composto por três elementos básicos: o Ativo, representando as aplica-
ções em bens e direitos sendo apresentado à esquerda da demonstração; o Passivo, representando as
origens de recursos que possibilitaram as aplicações em bens e direitos, ou seja, no Ativo da companhia
e é demonstrado à direita do Balanço Patrimonial e o Patrimônio Líquido; representando a diferença
entre o Ativo e o Passivo, ou seja, o valor líquido da empresa.
No Ativo são apresentados os valores aplicados em bens e direitos da companhia representados
no Caixa, em Bancos, Estoques, Créditos a receber, Móveis, Veículos, Equipamentos etc.
20 | Finanças: fundamentos e processos

No Passivo é apresentada a origem que possibilitou a aplicação dos recursos representados por
Empréstimos, Fornecedores etc.
No Patrimônio Líquido são apresentados o Capital Integralizado, Resultado do Exercício, Ajustes
de Exercícios Anteriores, Dividendos, Reavaliações etc.
Ao integralizar capital em dinheiro e bens, estes itens serão registrados no Ativo da companhia
por representarem um direito, conseqüentemente uma aplicação de recurso. Já no Patrimônio Líquido
será registrado o capital integralizado fundamentando a origem dos recursos aplicados.
O Ativo representa o Patrimônio Bruto da empresa, ou seja, os bens e direitos com que a compa-
nhia pode produzir e gerar recursos, enquanto o Passivo representa tão somente a origem dos recursos,
representado por obrigações e pelo Patrimônio Líquido que possibilitaram a formação do Ativo.
As contas referentes ao Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido devem ser apresentadas de forma
ordenada e uniforme, permitindo aos usuários uma adequada análise e interpretação da situação patri-
monial e financeira da companhia.
A Lei 6.404/76, através dos artigos 178 e 179, definiu que as contas integrantes do grupo do Ativo
devem ser apresentadas em ordem decrescente de grau de liquidez e, as contas integrantes do grupo
do Passivo, devem ser apresentadas em ordem decrescente de prioridade de pagamento das obriga-
ções.
Em resumo, no Ativo deverão ser apresentadas em primeiro lugar as contas com maior facilidade
de serem convertidas em dinheiro e no Passivo deve-se apresentar as obrigações por ordem crescente
dos prazos de exigibilidade.

Ativo
O Ativo compreende a aplicação de recursos realizada por meio de bens e direitos e deverá ser
representado da seguinte forma, conforme a Lei 6.404/76:

Ativo Passivo
Ativo Circulante

Ativo Realizável a Longo Prazo

Ativo Permanente Patrimônio Líquido

Ativo Circulante
O Ativo Circulante deverá representar os valores disponíveis e realizáveis durante o exercício so-
cial. São todos os valores representados em dinheiro ou que serão convertidos em dinheiro no decurso
do exercício seguinte à data do balanço.
Balanço Patrimonial | 21

Disponibilidades
A intitulação Disponibilidades, dada pela Lei 6.404/76, é usada para designar dinheiro em caixa
e em bancos, bem como valores equivalentes, como cheques em mãos e em trânsito que representam
recursos com livre movimentação para aplicação nas operações da empresa e para os quais não exista
restrição para uso imediato.
O grupo Disponibilidades é composto por:
::: Caixa;
::: Depósitos
Bancários à vista;
::: Numerários
em Trânsito;
::: Aplicações
de Liquidez Imediata.

Contas a receber e outros créditos


São os títulos de crédito, quaisquer valores mobiliários e os outros direitos.
Um dos maiores Ativos das companhias é representado por valores a receber decorrentes de ven-
das de mercadorias e serviços, recebíveis no decurso do exercício seguinte à data do balanço, todavia,
podem ter vencimentos a longo prazo, ou seja, tornam-se recebíveis após o exercício seguinte à data do
balanço e, portanto, devem ser registrados no Realizável a Longo Prazo.
Este grupo é composto por:
::: Duplicatas
a receber (clientes);
::: (–)
Provisão para Créditos de Liquidação Duvidosa;
::: Adiantamentos
a empregados;
::: Adiantamentos
a fornecedores.

Estoques
São os valores referentes às existências de produtos acabados, produtos em elaboração, maté-
rias-primas, mercadorias, materiais de consumo, serviços em andamento e outros valores relacionados
às atividades-fim da entidade.

Despesas antecipadas
São as aplicações em gastos que tenham realização no curso do período subseqüente à data do
Balanço Patrimonial.

Outros valores e bens


São os não relacionados às atividades-fim da entidade.
22 | Finanças: fundamentos e processos

Ativo Realizável a longo prazo


São todos os itens do Ativo Circulante, cujos prazos esperados de realização situem-se após o
término do exercício subseqüente à data do Balanço Patrimonial.

Ativo Permanente
São os bens e direitos não destinados à transformação direta em meios de pagamento e cuja
perspectiva de permanência na entidade ultrapasse um exercício. É constituído pelos seguintes sub-
grupos:
::: Investimentos – são as participações em sociedades além dos bens e direitos que não se des-
tinem à manutenção das atividades-fim da entidade.
::: Imobilizado – são os bens e direitos, tangíveis e intangíveis, utilizados na consecução das ati-
vidades-fim da entidade.
::: Diferido – são as aplicações de recursos em despesas que contribuirão para a formação do
resultado de mais de um exercício social.

Passivo
Conforme o artigo 180 da Lei nº. 6.404/76; “as obrigações da companhia, inclusive financiamentos
para aquisição dos direitos ao Ativo permanente, serão classificados no Passivo Circulante, quando se
vencerem no exercício seguinte, e no Passivo exigível a longo prazo, se tiverem vencimento em prazo
maior, observado o disposto no artigo 179”.
O parágrafo único do artigo 179 da Lei 6.404/76 estabelece que “na companhia em que o ciclo
operacional da empresa tiver duração maior que o exercício social, a classificação no circulante ou lon-
go prazo terá por base o prazo desse ciclo”.
O ciclo operacional em uma empresa industrial ou comercial compreende o período de tempo
que vai desde a aquisição das matérias-primas ou mercadorias até o recebimento do valor das vendas.
A maioria das empresas adota como exercício social o período de um ano, uma vez que seu ciclo
operacional é normalmente inferior a esse prazo. A exceção é feita às empresas de construção civil naval
em que, geralmente suas construções são realizadas em um período maior que um ano.

Ativo Passivo
Passivo Circulante

Passivo Exigível a Longo Prazo

Resultados de Exercícios Futuros

Patrimônio Líquido
Balanço Patrimonial | 23

Passivo Circulante
São as obrigações conhecidas e os encargos estimados, cujos prazos estabelecidos ou esperados,
situem-se no curso do exercício subseqüente à data do Balanço Patrimonial ou de acordo com seu ciclo
operacional, se este for superior a esse prazo.
Estas obrigações podem representar valores fixos ou variáveis, vencidos ou a vencer, em uma
data ou datas futuras.
Compõem este grupo:
::: Empréstimos Bancários;
::: Fornecedores;

::: Impostos
a pagar;
::: Contribuições
a recolher;
::: Provisões de Férias, 13º salário, Imposto de Renda etc;
::: Adiantamentos
de clientes;
::: Outros
Credores.

Passivo Exigível a Longo Prazo


São as obrigações conhecidas e os encargos estimados, cujos prazos estabelecidos ou esperados,
situem-se após o término do exercício subseqüente à data do Balanço Patrimonial ou cuja liquidação
deverá ocorrer em prazo superior ao seu ciclo operacional ou após o exercício seguinte.
Compõem este grupo:
::: Empréstimos e Financiamentos;
::: Provisão para Contingências Fiscais;
::: Provisão para Contingências Trabalhistas.

Resultados de Exercícios Futuros


Conforme o artigo 181 da Lei nº. 6.404/76; “serão classificadas como resultados de exercícios futu-
ros as receitas de exercícios futuros, diminuídas dos custos e despesas a elas correspondentes”.
São receitas recebidas antecipadamente, líquidas dos custos e das despesas incorridas, ou seja,
corresponde ao lucro a ser apropriado, contido no recebimento antecipado e deve ser composto da
seguinte forma:
::: Receita Antecipada Bruta;
::: (–)
Custo Incorrido;
::: Receita
Diferida Líquida;
::: Lucro a apropriar, Lucros do Exercício Seguinte, Lucros Antecipados etc.
24 | Finanças: fundamentos e processos

Patrimônio Líquido
A diferença entre os Ativos e os Passivos e o Resultado dos Exercícios Futuros representa o Patri-
mônio Líquido, que é o valor contábil pertencente aos acionistas ou sócios.
Conforme a lei nº. 6.404/76, o Patrimônio Líquido é dividido em:
::: Capital Social – são os valores aportados pelos acionistas ou sócios, ou por eles gerados, e que
estão formalmente incorporados ao capital;
::: Reservas de Capital – são os valores recebidos que não transitaram por seu resultado como
receitas;
::: Reserva de Reavaliação – representam acréscimo decorrente da diferença entre o valor contá-
bil e o valor de mercado, baseado em laudos técnicos;
::: Reservas de Lucros – representam lucros obtidos pela empresa, retidos com finalidade específica;
::: Lucros ou Prejuízos Acumulados – são resultados obtidos pela empresa, mas retidos sem fina-
lidade específica, no caso de lucros ou, à espera de recuperação futura, no caso de prejuízos.

Demonstração do Resultado do Exercício


A Demonstração do Resultado é uma peça contábil que, de forma resumida, apresenta as opera-
ções realizadas pela empresas, durante o exercício social, demonstradas de forma a evidenciar o Resul-
tado Operacional e o Resultado Líquido do período que está à disposição dos sócios ou acionistas.
O artigo 187 da Lei nº. 6.404/76 estabelece a ordem de apresentação das receitas, custos e despe-
sas para fins de publicação a qual apresentamos a seguir:
::: Receita Bruta de Vendas – corresponde ao valor bruto do faturamento das vendas e/ou serviços;
::: (–) Deduções da Receita Bruta – refere-se aos cancelamentos de vendas, abatimentos e aos
impostos incidentes sobre o faturamento;
::: = Receita Líquida de Vendas e Serviços – corresponde à receita bruta menos as deduções;
::: (–) Custo dos Produtos Vendidos e dos Serviços Prestados – refere-se ao custo da mercadoria
para revenda e ao custo de produção dos bens e serviços vendidos;
::: = Lucro Bruto – refere-se à receita líquida deduzida dos custos dos produtos e/ou serviços;
::: (–) Despesas Operacionais – correspondem a todas as despesas para a manutenção das ativi-
dades da empresa e como não estão diretamente vinculadas à produção, não podem ser regis-
tradas como custo. Compõem este grupo as despesas com vendas, administrativas, encargos
financeiros e outras receitas e despesas operacionais.
::: Resultado (Lucro/Prejuízo) Operacional – corresponde ao resultado das atividades principais
ou acessórias da companhia;
::: (+ ou -) Resultados Não operacionais – referem-se aos ganhos ou perdas decorrentes da venda
de itens do Ativo permanente;
Balanço Patrimonial | 25

::: = Resultado antes do Imposto de Renda e Contribuição Social – refere-se ao Lucro Líquido an-
tes da participação de terceiros no resultado (exemplo: Governo – IR e CS, empregados etc.);
::: (–) Provisão para Imposto de Renda e Contribuição Social – corresponde aos valores apurados
de Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro do Exercício
::: (–) Participações e Contribuições – refere-se a participações de terceiros no resultado da com-
panhia.
::: = Resultado (Lucro/Prejuízo) do Exercício – corresponde à parcela que está à disposição dos
sócios ou acionistas da companhia no caso de lucro, ou parcela a ser absorvida por lucros fu-
turos no caso de prejuízo.

Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados


Esta demonstração tem como objetivo apresentar os elementos que provocaram alguma modifi-
cação no saldo da conta Lucros ou Prejuízos Acumulados.
A companhia poderá optar por fazer a demonstração da conta Lucros/Prejuízos Acumulados iso-
ladamente ou em conjunto com as demais contas do Patrimônio Líquido, porém, escolhendo a segunda
opção, deverá elaborar a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido que contém a Demonstra-
ção dos Lucros ou Prejuízos Acumulados.

Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido


A Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido é a demonstração contábil destinada a
evidenciar, num determinado período, a movimentação das contas que integram o patrimônio da enti-
dade e deverão discriminar:
::: os saldos no início do período;
::: os ajustes de exercícios anteriores;
::: as reversões e transferências de reservas e lucros;
::: os aumentos de capital discriminando sua natureza;
::: a redução de capital;
::: as destinações do Lucro Líquido do período;
::: as reavaliações de Ativos e sua realização, líquida do efeito dos impostos correspondentes;
::: o resultado líquido do período;
::: as compensações de prejuízos;
::: os lucros distribuídos;
::: os saldos no final do período.
26 | Finanças: fundamentos e processos

Texto complementar
Companhias abertas e demais sociedades
A CVM por meio da Deliberação 488, de 03 de outubro de 2005, aprovou e tornou obrigatória
para as companhias abertas o Pronunciamento do IBRACON – NPC 27 – sobre a apresentação e di-
vulgação das Demonstrações Contábeis publicadas a partir de 31 de dezembro de 2006.
Para as demais sociedades, continuarão em vigor, as normas prescritas pela Lei 6.404/76.
Apresentamos, a seguir, um quadro comparativo contendo as alterações decorrentes da Deli-
beração 488, de 03 de outubro de 2005 da CVM.

Ativo
Deliberação CVM Lei 6.404/76

1. Circulante 1. Circulante

2. Não Circulante
Realizável a Longo Prazo
Investimentos
2. Realizável a Longo Prazo
Imobilizado
Intangível
Diferido
3. Permanente
Investimentos
Imobilizado
Diferido

Passivo
Deliberação CVM Lei 6.404/76

1. Circulante 1. Circulante

2. Não Circulante 2. Exigível a Longo Prazo

3. Resultados de Exercícios Futuros 3. Resultados de Exercícios Futuros

4. Patrimônio Líquido 4. Patrimônio Líquido


Capital Realizado Capital Realizado
Reservas de Capital Reservas de Capital
Reservas de Reavaliação Reservas de Reavaliação
Reservas de Lucros Reservas de Lucros
Lucros ou Prejuízos Acumulados Lucros ou Prejuízos Acumulados
(-) Ações em tesouraria (-) Ações em tesouraria

Fonte: REIS, Arnaldo Carlos de Rezende. Demonstrações Contábeis. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2006.
Balanço Patrimonial | 27

Ampliando conhecimentos
Nos sites indicados podem ser encontradas as normas e pronunciamentos referentes às Demons-
trações Contábeis e às interpretações e comunicados técnicos que auxiliam no entendimento de assun-
tos pertinentes à área contábil.
www.cfc.org.br
www.cvm.gov.br
www.ibracon.com.br
www.crcsp.com.br
Outra dica é o livro Contabilidade Introdutória da equipe de professores da FEA da USP – Uni-
versidade de São Paulo da Editora Atlas, que apresenta todos os conceitos contábeis básicos necessá-
rios ao entendimento da contabilidade, além de ter um livro específico de exercícios.

Atividades
1. O que compreende o Ativo de uma companhia?

2. O que dispõe o artigo 180 da Lei 6.404/76 quanto ao Passivo Circulante?


28 | Finanças: fundamentos e processos

3. O que apresenta a Demonstração do Resultado e qual a ordem estabelecida pelo artigo 187 da
Lei 6.404/76?

4. A que se destinam as mutações do Patrimônio Líquido?


Introdução e conceitos
de custos fixos e variáveis
Introdução
Até a Revolução Industrial (Séc. XVIII) só existia Contabilidade Financeira (geral), que foi desenvol-
vida na Era Mercantilista e estava estruturada para atender as empresas comerciais.
Naquele tempo, para apuração do resultado de cada período, bem como para o levantamento do
balanço, bastava efetuar o levantamento físico dos estoques. O contador verificava quanto havia pago
por aqueles estoques e valorizava as mercadorias por aquele valor. Fazendo o cálculo por diferença,
computava quanto possuía de estoques iniciais, acrescia as compras do período e comparando com o
que permanecia em estoque, apurava o valor de aquisição das mercadorias vendidas, o que resultou na
clássica disposição:

Estoques Iniciais + Compras – Estoques Finais = Custo das Mercadorias Vendidas

Com base nessa apuração e no valor auferido com a venda dos produtos (receita) apurava-se o lu-
cro bruto do qual era só deduzir as despesas necessárias à manutenção da entidade durante o período,
à venda dos bens e o financiamento de suas atividades.
Naquela época os produtos eram produzidos por pessoas ou grupo de pessoas que poucas vezes
constituíam empresas jurídicas. As empresas viviam basicamente do comércio e não da fabricação, o
que facilitava o conhecimento e a verificação do valor de compra dos bens existentes, bastando a sim-
ples consulta aos documentos de sua aquisição.
30 | Finanças: fundamentos e processos

Com o surgimento das indústrias, o contador já não dispunha tão facilmente dos dados para po-
der atribuir valor aos estoques. O seu valor de compras na empresa comercial estava agora substituído
por uma série de valores pagos pelos fatores de produção utilizados.
Em uma tentativa de adaptar à empresa industrial os mesmos critérios adotados na comercial, ou
seja, no balanço permaneciam como estoques apenas os valores referentes às compras, nenhum outro
valor atribuído à produção daqueles estoques era ativado (Salários, Energia Elétrica, Depreciação). Tudo
era lançado como despesa.
A partir disso, começou-se a formação dos critérios para avaliação dos estoques.
O valor dos estoques dos produtos existentes na empresa, fabricados por ela, deveriam corres-
ponder ao montante, que seria o equivalente ao valor das compras, passando a compor o custo do pro-
duto os valores dos fatores de produção utilizados para sua obtenção, deixando-se de atribuir aqueles
outros que na empresa comercial já eram considerados como despesas (Despesas Administrativas, de
Vendas e Financeiras).
Ou seja, a contabilidade de custos nasceu da contabilidade financeira por necessidade de se ava-
liar os estoques das indústrias.
Dias atuais

Contabilidade gerencial

Contabilidade financeira Contabilidade de custos

::: Contabilidade gerencial: compreende o ramo da Contabilidade cujo objetivo é o de fornecer


informações fundamentais aos administradores, visando o bom desempenho das atividades
de gerência.
::: Contabilidade financeira: tem como objetivo o controle do patrimônio por meio dos regis-
tros de todos os fatos que estejam relacionados diretamente a este patrimônio. Registrando
e controlando estes fatos, a contabilidade financeira informa aos usuários qual a estrutura de
determinado patrimônio. Essas informações são prestadas através das Demonstrações Contá-
beis, tais como: Balanço Patrimonial, DRE, Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido,
Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos.
::: Contabilidade de custos: é o ramo da contabilidade financeira que utiliza técnicas específicas
para identificar, classificar e registrar os custos ligados diretamente à produção de bens e/ou
serviços. É um componente fundamental da contabilidade gerencial, pois transmite as infor-
mações relacionadas com a estrutura dos custos, facilitando, assim, as tomadas de decisões. É
usada mais especificamente na atividade industrial, bem como na prestação de serviços.
Um dos objetivos da contabilidade de custos é a determinação do CPV (Custo dos Produtos Ven-
didos), já que o mesmo é um elemento fundamental e indispensável na apuração do resultado.
O CPV desempenha na indústria o mesmo papel que o CMV (Custo das Mercadorias Vendidas)
desempenha no comércio. A diferença são as atividades desenvolvidas pelas empresas, pois enquanto
a empresa comercial compra e vende mercadorias, a empresa industrial adquire matéria-prima, trans-
formando-a em outros bens que são vendidos posteriormente.
Introdução e conceitos de custos fixos e variáveis | 31

Terminologia em custos
::: Despesas com matéria-prima ou Custos de matéria-prima.
::: Gastos ou despesas de fabricação.
::: Gastos ou custos de materiais diretos.
::: Despesas ou gastos com imobilização.
::: Custos ou despesas de depreciação.

Gasto
Representa as transações assumidas pela entidade visando à obtenção de um produto ou serviço qual-
quer. Nessas operações a entidade se compromete a entregar ativos (dinheiro) ou assume compromissos.
Exemplo: a aquisição de uma máquina industrial é um gasto classificado como investimento.
O pagamento dos salários é um gasto classificado como despesa.
Só existe gasto no ato da passagem para a propriedade da empresa do bem ou serviço, ou seja,
no momento em que existe o reconhecimento contábil da dívida assumida ou da redução do ativo
dado em pagamento (dinheiro). O gasto implica em desembolso, mas são conceitos distintos.

Desembolso
Pagamento resultante da aquisição do bem ou serviço. Pode ocorrer antes, durante ou após a
entrada do bem adquirido, portanto, defasado ou não do gasto. Representa uma redução das disponi-
bilidades da entidade.

Investimento
Valores aplicados no ativo, visando proporcionar benefícios futuros.
Exemplo: compra de matéria-prima (gasto contabilizado como investimento circulante –esto-
que); compra de máquinas e equipamentos (gasto que se transforma em investimento permanente).
Custo: gasto relativo a bem ou serviço utilizado na produção de outros bens ou serviços.
Exemplo: a compra da matéria-prima para estocagem não é um custo, e sim, um investimento. O
custo só será caracterizado quando a matéria-prima for usada na produção de bens.

Custo
O custo é um gasto, o qual é reconhecido como custo no momento da utilização dos fatores de
produção (bens e serviços), para a fabricação de um produto ou execução de um serviço.
Exemplo: a energia elétrica utilizada na fabricação de um item qualquer é gasto (na hora de seu
consumo) que passa imediatamente para custo, sem transitar pela fase de investimento. A máquina
provocou um gasto na sua entrada, tornado investimento e parceladamente transformado em custo, à
medida que é utilizada no processo de produção.

Despesa
Gasto com bens/serviços com o objetivo de gerar uma receita.
32 | Finanças: fundamentos e processos

A despesa reduz o Patrimônio Líquido, pois representa uma saída de recursos que não retornam
ao patrimônio. Uma despesa será recuperada por uma receita.

Perda
Acontece com o surgimento de um evento anormal, não caracterizando-se como custo ou mesmo
despesa. São itens que vão diretamente à conta de resultado, assim como as despesas, mas não represen-
tam sacrifícios normais ou derivados de forma voluntária das atividades destinadas à obtenção de receita.
É muito comum o uso da expressão “perdas de material” na fabricação de inúmeros bens, entre-
tanto, a quase totalidade dessas perdas é, na realidade, um custo, já que são valores sacrificados de ma-
neira normal no processo de produção, fazendo parte de um sacrifício já conhecido até por antecipação
para a obtenção da receita almejada.
O gasto com mão-de-obra durante um período de greve, por exemplo, é uma perda e não um
custo de produção.
Cabe ressaltar que inúmeras perdas de pequeno valor são, na prática, comumente consideradas dentro
dos custos ou das despesas, sem sua separação. Isto é permitido devido à irrelevância do valor envolvido.

Conceito de custo direto e indireto, fixos e variáveis


::: Custo direto: é aquele que pode ser alocado diretamente a cada produto. Exemplo: Matéria-
prima e Mão-de-obra.
::: Custo indireto: é aquele que não pode ser alocado diretamente a cada produto. É passível de
rateio para que possa integrar a cada produto. Exemplo: Aluguéis, Salário do chefe de produ-
ção, IPTU, etc.
::: Custos fixos: são aqueles que ocorrem independentemente da quantidade produzida.
Mesmo com a possibilidade de classificarmos uma série de gastos como custos fixos é importante
ressaltar que qualquer custo é sujeito a mudanças; os custos que tendem a manter-se constantes nas al-
terações das atividades operacionais são tidos como custos fixos. De modo geral são custos e despesas
necessárias para manter um nível mínimo de atividade operacional, por isso são também denominados
custos de capacidade.
Apesar de serem conceitualmente fixos, tais custos podem aumentar ou diminuir em função da
capacidade ou do intervalo de produção. Assim, os custos são fixos dentro de um intervalo relevante de
produção ou venda, e podem variar se os aumentos ou diminuições de volume forem significativos.
Os custos fixos possuem as seguintes características:
::: são quantias fixas dentro de certos limites de produção, ou até a capacidade máxima;
::: são fixos em seu total, mas diminuem proporcionalmente ao número de unidades à medida
em que a produção aumente;
::: o controle de sua ocorrência depende da alta administração e não dos supervisores dos de-
partamentos.
Introdução e conceitos de custos fixos e variáveis | 33

::: C
ustos variáveis: são aqueles que ocorrem na proporção da quantidade produzida, ou seja,
variam de acordo com o volume de produção.
São assim chamados os custos e despesas cujo montante em unidades monetárias variam na
proporção direta das variações do nível de atividades. É importante salientar que a variabilidade de um
custo existe em relação a um denominador específico. Dessa forma, é importante ressaltar a diferença
entre custo variável e custo direto. Um custo é variável se realmente acompanha a proporção da ativida-
de com que ele é relacionado. Um custo direto é aquele que se pode medir em relação a essa atividade
ou ao produto, assim a mão-de-obra direta, quando contratada para determinado volume de produção,
é fixa em relação àquele volume, mas é direta em relação ao produto, uma vez que podemos medir os
esforços feitos para cada unidade do produto.
Os custos variáveis possuem as seguintes características:
::: variam no total em proporção direta ao volume de atividades;
::: permanecem relativamente constantes do ponto de vista unitário, ainda que varie o volume
de atividades;
::: podem ser facilmente apropriados, com certa precisão, aos departamentos;
::: o controle de possível ocorrência e consumo é de responsabilidade dos supervisores dos de-
partamentos.

Classificação dos custos: fixos e variáveis


Os custos podem ser classificados levando em consideração a relação entre os custos e o volume
de atividade numa unidade de tempo. Dividem-se basicamente em Fixos e Variáveis.
Por exemplo, o valor global de consumo dos materiais diretos por mês depende diretamente do
volume de produção. Quanto maior a quantidade fabricada maior o seu consumo, dentro de uma uni-
dade de tempo, o valor do custo com tais materiais varia de acordo com o volume de produção; logo
materiais diretos são Custos Variáveis.
Por outro lado, o aluguel da fábrica num determinado mês é de um determinado valor, indepen-
dentemente de aumentos ou diminuições naquele mês do volume elaborado de produtos. Por isso, o
aluguel é um Custo Fixo.
É de grande importância notar que a classificação em fixos e variáveis leva em consideração a uni-
dade de tempo, o valor total de custos com um item nessa unidade de tempo e o volume de atividade.
Não se trata, como no caso da classificação de diretos e indiretos, de um relacionamento com a unidade
produzida. Por exemplo, a matéria-prima é um custo variável, já que, por mês, o seu valor total consu-
mido depende da quantidade de bens fabricados. Entretanto, por unidade elaborada a quantidade de
matéria-prima é provavelmente a mesma; mas isso não lhe tira a característica de variável.
A divisão em fixos e variáveis também tem outra característica importante: considerando a rela-
ção entre período e volume de atividade, não se está comparando um período com outro. Esse fato é de
extrema importância na prática para não se confundir custo fixo com custo recorrente (repetitivo).
34 | Finanças: fundamentos e processos

Por exemplo, se a empresa adota um sistema de depreciação com base em cotas decrescentes
e com isso atribui para cada ano um valor diferente desse custo, continua tendo na depreciação um
custo fixo, mesmo que a cada período ele seja de montante diferente. Também se o aluguel é reajusta-
do mensalmente em função de qualquer índice e nunca é igual em dois períodos subseqüentes, não
deixa de ser um custo fixo, já que em cada período o seu valor é definido e independente do volume
produzido.
Outros exemplos dessa natureza: mão-de-obra indireta – normalmente, é um gasto que, apesar
de variar de período para período, é um custo fixo, pois, por mês, tem o seu montante definido não em
função do volume de produção; conta dos telefones da fábrica – pode ter seu valor diferente em cada
mês, mas não é um custo variável, pois seu montante não está variando em função do volume de pro-
dutos feitos.
Alguns tipos de custos têm componentes das duas naturezas. A energia elétrica é um exemplo,
já que possui uma parcela que é fixa e outra variável; a fixa independe de volume de produção, e é de-
finida em função do potencial de consumo instalado, e a variável depende diretamente do consumo
efetivo.

Ampliando conhecimentos
Os livros “Contabilidade de Custos” de Eliseu Martins e “Gestão de Custos e Formação de Preços”
de Adriano Leal Bruni e Rubens Famá, ambos publicados pela Editora Atlas, trazem todos os conceitos
necessários à área de custos, bem como exercícios para colocar à prova o entendimento conceitual.
Inclusive com um CD de aplicações na HP 12C e na planilha eletrônica Excel.

Atividades
1. O que é a contabilidade de custos?
Introdução e conceitos de custos fixos e variáveis | 35

2. Classifique os eventos abaixo, relativos a uma indústria de manufatura, como Investimento (I),
Custo (C), Despesa (D) ou Perda (P), seguindo a terminologia contábil.
1. ( ) Compra de matéria-prima.
2. ( ) Consumo de energia elétrica.
3. ( ) Gastos com mão-de-obra da produção.
4. ( ) Consumo de combustível dos veículos dos vendedores.
5. ( ) Gastos com pessoal de faturamento (salário).
6. ( ) Aquisição de máquinas.
7. ( ) Depreciação de máquinas da produção.
8. ( ) Comissões proporcionais às vendas.
9. ( ) Remuneração do pessoal da contabilidade geral (salários).
10. ( ) Depreciação do prédio da empresa (administração).
11. ( ) Consumo de matéria-prima.
12. ( ) Aquisição de embalagens a serem utilizadas na produção.
13. ( ) Deterioração do estoque de matéria-prima por enchente.
14. ( ) Remuneração do tempo do pessoal em greve.
15. ( ) Geração de sucata no processo produtivo.
16. ( ) Estrago acidental e imprevisível de lote de material.
17. ( ) Gastos com desenvolvimento de novos produtos e processos.
18. ( ) Gastos com seguro contra incêndio.

3. Qual a diferença entre custos fixos e variáveis?


36 | Finanças: fundamentos e processos
Análise de indicadores
de desempenho

Introdução
O produto final de um processo contábil é o conjunto de relatórios denominado demonstrativos
financeiros, que devem oferecer informações:
::: úteis, para apresentar aos potenciais credores e investidores usarem na hora de suas decisões
de investimento ou concessão de crédito;
::: compreensíveis, para aqueles com razoável entendimento das atividades econômicas;
::: a respeito dos recursos da empresa, de suas obrigações e dos efeitos das transações que pos-
sam alterar essas posições;
::: sobre o desempenho econômico e financeiro da empresa;
::: para ajudar os usuários a avaliar os valores, o tempo e a incerteza de possíveis valores a serem
recebidos.

A Lei das Sociedades por Ações (1976), estabeleceu como obrigatória à publicação dos seguintes
demonstrativos financeiros:
::: Balanço Patrimonial;
::: Demonstração do Resultado do Exercício;
::: Demonstração dos Resultados Acumulados;
::: Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido;
::: Demonstração
das Origens e Aplicação de Recursos.
38 | Finanças: fundamentos e processos

Além do Relatório da Administração, das Notas Explicativas e do Parecer dos Auditores Indepen-
dentes e Conselho Fiscal, quando for o caso, a referida lei em alteração também pede a publicação
da Demonstração do Fluxo de Caixa. Algumas empresas estão publicando também o Balanço Social,
apesar de não ser ainda obrigatório. As empresas que publicam a Demonstração das Mutações do Pa-
trimônio Líquido não necessitam publicar a Demonstração dos Resultados Acumulados, uma vez que a
primeira contém a segunda.
Balanço Patrimonial – é a fotografia do patrimônio em determinado momento. Demonstra a
posição do patrimônio (conjunto de bens, direitos e obrigações), de forma estática.
Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) – apresenta de forma dedutiva e dinâmica a
posição econômica da empresa em determinado período, através da composição das receitas, custos e
despesas e conseqüente resultado.
Demonstração dos Resultados Acumulados – apresenta a composição e destinação dos resul-
tados acumulados da empresa, agrupada no Patrimônio Líquido, na conta de Resultados Acumulados.
Demonstração das Origens e Aplicação de Recursos – explica a variação do Capital Circulante
Líquido (Capital de Giro Líquido ou Capital de Giro Próprio), ocorrida de um ano para outro. Ajuda a
compreender como e porque a posição financeira mudou no exercício, através da identificação das
origens dos capitais e de suas aplicações nesse período.
Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido – esta demonstração evidencia a movi-
mentação das contas do Patrimônio Líquido durante o exercício. Sua confecção é indispensável para as
empresas que possuem investimentos avaliados pela equivalência patrimonial, uma vez que essa de-
monstração identifica todas as alterações do Patrimônio Líquido a partir do saldo final do ano anterior,
até atingir o saldo do final do período.

Métodos de análise (técnicas) dos indicadores de desempenho


Os principais métodos de análise são:
::: determinação da porcentagem de cada conta ou grupo de contas em relação ao seu conjunto
– coeficientes;
::: estabelecimento de relação entre componentes do conjunto – quocientes;
::: comparação entre componentes do conjunto em sucessivos períodos – índices;
::: composição entre componentes de diferentes conjuntos para estabelecimento de padrões.

Por que analisar? Basicamente a análise proporciona:


::: Interpretação da situação econômica e financeira das empresas;
::: Identificação de seus pontos fracos e fortes;
::: Avaliação da capacidade de gerar lucros;
::: Identificação da eficiência em gerenciar ativos.
Análise de indicadores de desempenho | 39

Análise horizontal (evolução)


Estabelecido o ano inicial da série a ser analisada, como índice 100, calcula-se a variação (evolu-
ção) dos demais períodos através de uma regra de três simples.
Exemplo:

Ano x1 Ano x2 Ano x3


Valor 358.300 425.000 501.000

Índice 100 119 140

Índice 100 118

Análise vertical (participação)


É realizada extraindo-se relacionamentos percentuais entre itens do mesmo conjunto. Estabele-
cido o índice 100 para o total do conjunto, calcula-se através de uma regra de três simples, quanto cada
componente representa percentualmente em relação ao seu conjunto.
Exemplo:
Balanço Patrimonial

ATIVO Ano x1 AV Ano x2 AV


Circulante 350 39 450 40

Realizável a Longo Prazo 100 11 80 7

Permanente 450 50 600 53

Total do Ativo 900 100 1.130 100

As análises horizontal e vertical devem ser utilizadas sempre em conjunto. O crescimento em va-
lores absolutos nem sempre representa um crescimento, se considerado no conjunto.
Exemplo:

Ano x1 AH AV Ano x2 AH AV
Valor 1 150 100 27 200 133 22

Valor 2 400 100 73 700 175 78

Total 550 100 100 900 164 100

Observamos que o Valor 1 evoluiu do ano x1 para o ano x2, 33%, porém no conjunto sua partici-
pação diminuiu de 27% para 22%.
40 | Finanças: fundamentos e processos

Exemplo de Análise Horizontal e Vertical – Demonstrativo de Resultado – DRE

DRE x1 AH AV x2 AH AV
Rec. Operac. Líquida 8.500 100 100 15.000 176 100

(-) Custo Merc. Vendida 1.500 100 18 5.000 333 33

(=) Lucro Bruto 7.000 100 82 10.000 143 67

(-) Desp. Operacionais 2.500 100 29 6.500 260 43

Administrativas 900 100 11 2.200 244 14

Vendas 1.100 100 13 3.000 273 20

Rec./ Desp. Financeiras (300) 100 (4) 300 – 2

Depreciações 800 100 9 1.000 125 7

(=) Lucro Operacional 4.500 100 53 3.500 78 24

(-) Desp. Não operac. 600 100 7 300 50 2

(+) Rec. Não operac. 400 100 5 200 50 1

(=) Lucro antes I.R. 4.300 100 51 3.400 79 23

(-) Imp. de Renda 1.200 100 14 900 75 6

(-) Participações 1.100 100 13 500 45 3

(=) Lucro Líquido 2.000 100 24 2.000 100 14

Na Análise Vertical da Demonstração do Resultado do Exercício – DRE, devemos considerar como


total do conjunto a Receita Operacional Líquida, mesmo que no demonstrativo analisado estejam infor-
madas a Receita Operacional Bruta e suas eventuais deduções. A diferença básica em relação ao Balanço
Patrimonial, para estabelecimento do índice 100, é que o total deste conjunto está na primeira linha, por
se tratar de uma demonstração em forma dedutível.

Análise de índices
A análise de índices ou quocientes relaciona itens e grupos de itens do Balanço Patrimonial e do
Demonstrativo de Resultados.
O uso desses índices é de utilidade para análise de crédito e de tendências, além de auxiliar a
administração ou gerência, contribui para que os analistas entendam o desempenho da empresa no
passado e examinem sua posição no setor de mercado, através da comparação com padrões.
Esses índices são compostos basicamente de cinco grandes grupos:
::: Índices de Liquidez;
::: Índices de Endividamento;
Análise de indicadores de desempenho | 41

::: Índices de Eficiência ou Rotatividade;


::: Índices de Rentabilidade;
::: Índices de Valorização das Ações.

Liquidez
Os Índices de Liquidez são calculados a partir de relacionamento de contas do Balanço Patrimonial
e medem a capacidade da empresa de pagar seus compromissos, principalmente os de curto prazo.
Cuidados na avaliação dos resultados reais desse quociente:
::: o Ativo Circulante engloba itens de Disponibilidade, Contas a receber, Estoques e Despesas
Pagas antecipadamente, cujo grau de conversão em caixa é variado;
::: Estoques podem levar até 90 dias para serem vendidos;
::: Contas a receber podem demorar 30/60/90 dias, dependendo da política de vendas da
empresa, adicionando-se ainda o risco da inadimplência;
::: normalmente existe um descasamento entre Contas a receber e Contas a pagar.

Liquidez Corrente

Ativo Circulante
LC =
Passivo Circulante

Esse quociente mostra a capacidade de pagamento da empresa em curto prazo, ou seja, sua ca-
pacidade de honrar suas obrigações que vencem dentro do ciclo operacional da empresa ou no próxi-
mo exercício social (12 meses).

Liquidez Seca

Ativo Circulante (-) Estoques (-) Desp. Antec.


LS =
Passivo Circulante

Esse quociente proporciona uma análise mais conservadora e realista da situação de liquidez da
empresa, uma vez que elimina os riscos da incerteza de venda dos estoques e da realização das despe-
sas antecipadas através da apropriação ao resultado.

Liquidez Imediata

Disponível
LI =
Passivo Circulante
42 | Finanças: fundamentos e processos

Esse índice mostra quanto de recursos a empresa dispõe de imediato para honrar todos os seus
compromissos de curto prazo. Geralmente recomenda-se que esse índice seja o menor possível, sempre
evitando o risco de não possuir recursos disponíveis nas datas de vencimento das obrigações.

Liquidez Geral
Ativo Circulante (+) Real. Longo Prazo
LG =
Passivo Circulante (+) Exigível a Longo Prazo

Esse índice mostra a saúde financeira de longo prazo da empresa. Ao analisarmos os resultados do
Índice de Liquidez Geral devemos ter cuidado, uma vez que, os Passivos a Longo Prazo têm, geralmente,
vencimentos muito mais longos do que os Realizáveis. É conveniente examinar esse quociente em
conjunto com o Índice de Liquidez Corrente.

Endividamento
Os índices de endividamento mostram o relacionamento entre as fontes de capital da empresa,
representadas pelo Patrimônio Líquido (capital próprio) e as exigibilidades (capital de terceiros).
Destacamos a seguir os principais quocientes de endividamento:

Participação de Capitais de Terceiros


Esse índice é normalmente expresso em porcentagem e mostra quanto do Ativo Total (denomi-
nador) é financiado com recursos de terceiros (numerador). Quanto maior o quociente, mais endividada
estará a empresa, e maior será o risco de não conseguir pagar seus compromissos.

Exigível Total
Representada pela fórmula =
Ativo Total

Exigível Total = Passivo Circulante + Exigível a Longo Prazo

Grau de Endividamento
Esse índice mostra a participação do capital próprio no total das dívidas da empresa. Um índice
maior que 1 pode revelar uma dependência em relação ao capital de terceiros. Geralmente as indústrias
necessitam de uma maior quantidade de recursos próprios para financiar suas imobilizações em insta-
lações industriais, contudo, uma empresa comercial, com maior participação do capital de giro no Ativo
Total, normalmente opera com uma parcela menor de capital próprio.

Exigível Total
Representada pela fórmula =
Patrimônio Líquido
Análise de indicadores de desempenho | 43

Composição do Endividamento
Esse quociente mostra a participação do endividamento no curto e longo prazo, ou seja, o perfil
da utilização do capital de terceiros. Quanto maior for esse índice, maior será a necessidade de caixa
para saldar os compromissos em curto prazo. Inversamente, quanto menor for esse índice, maior será
a folga de caixa da empresa para pagar seus compromissos de curto prazo. Normalmente, as empresas
procuram concentrar seus pagamentos no longo prazo para melhor usufruir dessa folga.

Passivo Circulante
Representada pela fórmula =
Exigível Total

Índices de Eficiência ou Rotatividade


Os Índices de Eficiência ou Rotatividade revelam a velocidade com que determinados elementos
do patrimônio giram durante o exercício. Esses índices relacionam itens do DRE e do BP e são expressos
em períodos de tempo (dias, meses ou anos). Os principais quocientes de eficiência são:

Giro dos Estoques


Custo das Mercadorias Vendidas
Fórmula =
Estoque Médio

Estoque Inicial + Estoque Final


Estoque Médio =
2

Demonstra o número de vezes que o estoque girou por causa das vendas. É utilizado para compara-
ção com outras empresas da mesma atividade ou para comparação e análise do estoque da empresa.
O ramo de atividade determina diferenças nos índices de giro: um supermercado ou uma in-
dústria de bebidas apresenta giro de estoques muito superiores ao de uma fabricante de aviões, por
exemplo.
Quanto maior for o giro dos estoques, mais eficientemente a empresa estará gerenciando seus
estoques. No entanto, deve-se ter o cuidado para que os estoques não tenham um nível tão pequeno a
ponto de, em algum momento, resultar em falta, comprometendo as vendas.

Prazo Médio de Renovação dos Estoques


É a transformação das quantidades de giros do estoque em número de dias por período.

360
Fórmula =
Giro dos Estoques
44 | Finanças: fundamentos e processos

Esse índice mostra para as indústrias, o número de dias que decorre em média entre a compra
da matéria-prima, sua transformação em produto e sua venda. No caso das empresas comerciais ou
mercantis mostra o tempo médio entre a compra da mercadoria e sua venda, ou seja, quanto tempo o
estoque da empresa leva para se renovar.

Giro do Contas a receber


Vendas Líquidas
Fórmula =
Contas a receber médio

Determina quantas vezes a empresa gira seu “Contas a receber”, em função das vendas. Quanto
maior for o giro, melhor para a empresa.
Uma concessão de crédito mais seletiva resulta em giro maior. Giros muito altos podem indicar
política de crédito deficiente.

Prazo Médio de Recebimentos


360
Fórmula =
Giro Contas a receber

Indica o número de dias que a empresa leva, em média, para receber efetivamente o valor das
vendas. O desconto de duplicatas reduz o volume das aplicações em Contas a receber, porém depende
da necessidade de Liquidez Imediata da empresa, e principalmente, do custo cobrado pelos bancos.

Giro do Contas a Pagar


Esse índice tem sua melhor aplicação às empresas comerciais, já que as indústrias incluem no
valor de seus estoques, além do valor da compra de matérias-primas, o custo da mão-de-obra, a depre-
ciação e os custos indiretos de fabricação.

Compras
Fórmula =
Conta Fornecedor Médio

Fornecedor no Início + Fornecedor no Final


Fornecedor Médio =
2

Compras = CMV (+) Estoque Final (–) Estoque Inicial

Esse quociente indica quantas vezes, em média, a empresa renova seu “Contas a pagar”.

Prazo Médio de Pagamentos


360
Fórmula =
Giro do Contas a pagar
Análise de indicadores de desempenho | 45

Esse quociente indica o tempo de financiamento do capital de giro da empresa através dos forne-
cedores, é o tempo decorrido entre a compra da mercadoria e o pagamento ao fornecedor.
Quanto menos girar o contas a pagar, melhor para a empresa e, conseqüentemente, quanto maior
o número de dias de seu prazo médio de pagamentos, melhor para empresa, desde que não atrase os
pagamentos e não pague encargos por esse atraso.

Posicionamento Relativo
Prazo Médio de Recebimentos
Fórmula =
Prazo Médio de Pagamentos

Esse índice, preferencialmente, deve ser inferior a 1, para não afetar de maneira negativa o fluxo
de caixa.
Há uma forte influência dos índices de eficiência sobre os quocientes de liquidez. Sempre que
diminuímos o Prazo Médio de Estoques, o Prazo Médio de Recebimentos e aumentamos o Prazo Médio
de Pagamentos estamos acelerando a entrada de dinheiro no caixa melhorando, portanto, os índices
de liquidez.

Ciclo Operacional
O Ciclo Operacional ou Ciclo de Caixa é definido como o período de tempo que vai do ponto em
que a empresa faz seu desembolso para adquirir matéria-prima (mercadoria), até o ponto em que é
recebido o dinheiro da venda do produto.
Ciclo Operacional = PME (+) PMR (-) PMP, em que:
PME = Prazo Médio de Estoque
PMR = Prazo Médio de Recebimento
PMP = Prazo Médio de Pagamento
Exemplo de cálculo do Ciclo Operacional

Prazo Médio de Estoque


EI + EF 10.902 (+) 8.667 19.569 9.784
Estoque Médio = = = =
2 2 2 2

CMV 128.375
Giro do Estoque = = = 13,12
Estoque Médio 9.784

360 360
PME = = = 27 dias
Giro 13,12
46 | Finanças: fundamentos e processos

Prazo Médio de Recebimentos


Contas a receber Início (+) Contas a receber no Final
Contas a receber Médio =
2

(21.488 – 1.056) + (45.748 – 1.350) 20.432 + 44.398 64.830


= = = 32.415
2 2 2

Vendas Líquidas 208.954


Giro do Contas a receber = = = 6,45
Contas a receber Médio 32.415

360 360
PMR = = = 56 dias
Giro 6.45

Prazo Médio de Pagamentos


Compras = CMV (+) Estoque Final (-) Estoque Inicial
Compras = 128.375 + 8.667 – 10.902 = 126.140
Forn. Início + Forn. Final 7.221 + 9.913 17.134
Fornec. Médio = = = = 8.567
2 2 2

Compras 126.140
Giro do Contas a pagar = = = 14,75
Fornecedor Médio 8.567

360 360
PMP = = = 24 dias
Giro de Contas a pagar 14,75

Ciclo Operacional = PMR + PME – PMP

Ciclo Operacional 56 + 27 – 24 = 59 Dias

59 dias é o tempo decorrido desde a compra da mercadoria até a cobrança da duplicata.

Índices de Rentabilidade
Os Índices de Rentabilidade mostram o retorno auferido pela empresa na utilização de seus ativos
durante um período. Esses índices relacionam o lucro da empresa com seu tamanho, expresso por meio
de suas vendas ou de seus ativos (investimento).
Os principais Índices de Rentabilidade são:

Margem de Lucro sobre Vendas


Lucro Líquido
Margem Líquida =
Vendas Líquidas
Análise de indicadores de desempenho | 47

Vendas Líquidas = Receita Bruta (menos) Impostos sobre Vendas Deduções e Abatimentos e De-
voluções
Lucro Operacional
Margem Operacional =
Vendas Líquidas

Giro do Ativo
Esse índice expressa quantas vezes o Ativo se transformou em Vendas.

Vendas Líquidas
Giro do Ativo Total =
Ativo Total Médio

Ativo Total Inicial (+) Ativo Total Final


Ativo Total Médio =
2

Vendas Líquidas
Giro do Ativo Operacional =
Ativo Operacional Médio

Ativo Operacional Médio = Capital de Giro Líquido (+) Ativo Realizável a Longo Prazo
(+) Ativo Permanente

Capital de Giro Líquido = Ativo Circulante (-) Passivo Circulante

Retorno sobre o Ativo


O Retorno sobre o Ativo Total (ROA – Return on Assets) estabelece a eficiência dada ao Ativo
Total utilizado nas operações da empresa.
Lucro Líquido
ROA =
Ativo Total Médio

Retorno sobre o Investimento


O Retorno sobre o Investimento (ROI – Return on Investiment) estabelece a eficiência dada pela
administração ao Ativo Operacional utilizado nos negócios da empresa.

Lucro Operacional
ROI =
Ativo Operacional Médio

Os índices ROI e ROA são de grande importância, na medida em que nos permitem comparar em-
presas de qualquer tamanho. Na verdade esses índices mostram que só o tamanho do Ativo não diz nada.
O que vale é o retorno obtido por meio da utilização desses ativos, qualquer que seja seu tamanho.
48 | Finanças: fundamentos e processos

Retorno sobre o Patrimônio Líquido


O Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE – Return on Equity) apura a relação entre o ganho
obtido pelos sócios e o investimento que realizaram na empresa.

Lucro Líquido
ROE =
Patrimônio Líquido Médio

Patrimônio líquido Início (+) Patrimônio Líquido Final


Patrimônio Líquido Médio =
2

Índices de Valorização das Ações


São quocientes importantes, que nos proporcionam avaliar os valores das ações das empresas.

Valor Patrimonial da Ação (VPA)


Patrimônio Líquido
VPA =
Número de Ações

Esse quociente retrata o valor contábil da ação e pode ser útil para o acionista na hora da venda
de suas ações, pois possibilita comparar com o valor da ação cotada em bolsa ou com o valor oferecido
por um eventual comprador. Quanto maior o preço cotado em bolsa em relação ao valor patrimonial da
ação, melhores são as apostas dos analistas quanto ao futuro desempenho da empresa.

Lucro Por Ação (LPA)


Lucro Líquido
LPA =
Número de Ações

Esse índice é usado como uma medida interna de análise de desempenho. Serve como medida
comparativa entre empresas de diferentes tamanhos e ramos de atividade diversos. Os analistas de
mercado costumam recomendar a compra de ações que mostrem LPA crescente ao longo do tempo.

Índice P/L
Preço da Ação
P/L =
Lucro por Ação
Análise de indicadores de desempenho | 49

O mercado interpreta esse índice como sendo o tempo necessário para recuperar o investimento
feito na compra de ações de uma empresa. Um P/L alto pode indicar para o investidor a existência de
expectativa de crescimento dos benefícios gerados pela empresa, já um baixo P/L indica que a expecta-
tiva futura de lucros da empresa é questionável.

Índice de Dividendos por Ação (DPA)


Valor dos Dividendos
DPA =
Preço da Ação

O Índice de Dividendos por Ação, indica o percentual do preço da ação pago sob a forma de
dividendos. Esse quociente revela a política de distribuição de lucros, na forma de dividendos da empresa.
Quanto maior esse índice, maior a possibilidade de atrair novos investidores e como conseqüência maior
liquidez das ações da empresa na Bolsa de Valores.

Texto complementar
As limitações do uso dos coeficientes e índices
Limites e o bom-senso
Uma análise nos conceitos, nas definições e nas propostas dos vários autores da área deixa
claro que não há limites na construção de fórmulas para a elaboração de uma análise de empresas.
Elas podem variar em função do tipo ou da linha do negócio; de acordo com o momento ou com a
finalidade a que se destinam; pelo grau de criatividade e sensibilidade do analista; pelo enfoque que
se quer dar ou investigar etc. Além das fórmulas já consagradas, muitas outras já surgiram e ainda
surgirão. Assemelha-nos, entretanto, que sempre haverá limitações e que jamais o assunto poderá
ser esgotado. Wolfgang (1997 : 34) nos dá uma grande lição.
Vejamos: “O bom senso (common sense) é, sem dúvida, a base mais sólida para sermos lógicos,
práticos e claros. Afinal, o bom-senso é um aliado da lógica, praticidade e clareza. O entusiasmo ou pes-
simismo em excesso e a falta de informações mínimas são inimigos do bom senso. Não devemos con-
fundir arrojo ou medo com bom-senso. O bom-senso fortalece e sustenta mais concretamente idéias e
conclusões.....Contudo, o bom-senso implica a necessidade de certo conhecimento técnico, pesquisa e
questionamento....Por outro lado, o conhecido feeling (percepção, sentimento) muitas vezes pode ser
(e é) invocado para tentar explicar algum fenômeno na análise.... O feeling, mesmo sendo de origem
subjetiva, implica certa sustentação lógica...”
É exatamente isso que se pretende. Primeiramente é preciso deixar claro que o bom senso e
os estudos já provaram que a análise através do coeficiente e índices, já prestou grandes serviços
à gestão e aos negócios. Por outro lado há estudiosos, raros com certeza, que abominam a impor-
tância de tais estudos como instrumentos de gestão, dado exatamente às suas limitações. O que
deve ter faltado é o bom senso. Isto é, certo conhecimento específico e técnico, pesquisas e ques-
50 | Finanças: fundamentos e processos

tionamento. É o que está sendo feito agora. O que se questiona é se os coeficientes e índices são
verdades ou inverdades absolutas. Nem uma coisa nem outra.
Questiona-se também se o conhecimento sobre o ambiente, sobre o mercado e o feeling não
oferecem lógicas suficientes para enriquecer e robustecer um trabalho de análise.

As limitações e o analista
Não há como discutir a limitação do estudo feito através de coeficiente e de índices que se
referem a dados e a informações passadas e, sobretudo, não trabalham com um cenário maior de
informações. Ensaios e opiniões de vários autores quando sinalizam e até mesmo enfatizam as limi-
tações da análise e, conseqüentemente, ao uso de coeficiente e de índices.
O uso dos quocientes oferece grandes limitações mesmo que comparados com: a) a série his-
tórica da própria empresa, b) algum padrão previamente estabelecido, c) quocientes análogos de
empresas pertencentes ao mesmo mercado, d) certos parâmetros de interesse regional, nacional ou
internacional.
A análise em que leva em conta apenas os valores das demonstrações financeiras possui uma
limitação adicional que é não considerar as quantidades físicas expressas naqueles valores.
Mesmo utilizando algumas técnicas previsionais, com as quais alguns autores mais modernos
já estão trabalhando, as limitações não são totalmente eliminadas. Sempre haverá uma margem de
erro, principalmente tratando de previsões.
Sem a presunção de querer eliminar essas margens de erro, é uma análise ambiental consideran-
do o mercado e o seu funcionamento como variável tão ou mais importante do que as potencialida-
des internas da organização. Mais do que isso, amplia na análise dos fatores internos, estudos de infor-
mações que extrapolam as demonstrações financeiras, mas que nela se refletem, pois interferem nas
capacidades e competências da empresa. Finalmente conjuga as informações obtidas pela análise das
várias eficiências da empresa traduzindo isso em ferramenta para gestão ou para tomada de decisão.
Os índices, como medidores das relações entre números integrantes das demonstrações finan-
ceiras de uma empresa, são ferramentas bastante úteis para análise, resumindo grande quantidade
de dados e geralmente de fácil compreensão. Contudo, os índices têm limitações consideráveis que
devem ser lembradas quando avaliamos seu significado em determinado caso.
Leva em conta a rigidez das Demonstrações Contábeis diante dos princípios; ressalta os refle-
xos das mudanças macro-ambientais sobre as demonstrações; considera as mudanças internas etc.
Os índices não esgotam a análise e, isolados, não refletem situações favoráveis ou desfavoráveis na
operação ou administração da empresa. A análise ambiental interna e externa é fundamental para
qualquer avaliação, política de gestão ou tomada de decisão.

Limitações da análise tradicional para efeito de gestão


Dados e informações
As informações geradas pelos dados contábeis são efetivamente limitadas e que para efeito de
gestão, o importante é além de transformar os dados em informações, saber usar convenientemen-
te as informações.
Análise de indicadores de desempenho | 51

Vários são os conceitos e definições sobre as demonstrações financeiras, e quanto às suas fun-
ções. O autor Matarazzo (1991, p. 22) ressalta que as demonstrações fornecem dados sobre a empre-
sa de acordo com as regras contábeis fazendo inclusive, uma separação entre dados e informações.
Assim define: “dados são números ou descrição de objetos ou eventos que, isoladamente, não provo-
cam nenhuma reação no leitor. Informações representam para quem as recebe uma comunicação que
pode produzir reação ou decisão, freqüentemente, acompanhada de um efeito surpresa”.
A definição do autor confirma os limites da contabilidade e da análise como fontes de infor-
mações gerenciais. A contabilidade cuja essência são dados, não passa da descrição, classificação,
cumulação e sistematização de dados.
Pela análise tradicional (vertical/horizontal), mesmo que todos os dados contábeis pudessem
ser transformados em algum tipo de informação, e em muitos casos isso não é possível, várias infor-
mações ficariam incompletas ou inaplicáveis.
Por exemplo: as vendas do período 20x1 aumentaram 7,4% em relação ao período 20x0 e que
no período 20x2 caíram 4,3% em relação ao primeiro período. Pois bem, temos aí duas informações
geradas pela análise tradicional que infelizmente não oferecem respostas para uma série de per-
guntas importantes como, por exemplo:
a) por que as vendas caíram? Através da análise pura e simples dos dados contábeis é
humanamente impossível responder a pergunta com propriedade;
b) se as vendas caíram o que deve ser feito? Não é possível definir o que fazer se não
localizarmos as causas;
c) se alguma coisa deve ser feita, por quem, quando e como ela deve ser feita? Também não
é possível responder, pois não se sabe onde o problema está localizado.
Nesta linha de raciocínio poderíamos citar várias perguntas que ficariam sem respostas se a
análise se limitasse aos dados contábeis.
Ao contrário de tudo isso, quando desenvolvemos a mesma análise horizontal/vertical agre-
gando informações sobre o preço do produto, sobre o mercado potencial, sobre a participação
da empresa no mercado e sobre as estratégicas mercadológicas utilizadas naqueles exercícios,
torna-se possível responder grande parte ou quase todas as perguntas formuladas.

Respostas que não satisfazem ao gestor


Falar de limitações justifica pelo fato de que após a conclusão de uma análise é que começa
efetivamente o trabalho visando os seus objetivos: tomar decisões baseadas no seu resultado.
Geralmente os autores indicam que uma análise das demonstrações levanta as seguintes questões
a serem resolvidas:
::: A situação da empresa no aspecto analisado é anômala ou normal?
::: O resultado da análise revela alguma irregularidade?
::: Quais foram as causas das irregularidades?
::: O resultado revela algum risco ou alguma possibilidade de fracasso na empresa analisada?
::: Quais são as providências por ordem cronológica, a serem tomadas?
52 | Finanças: fundamentos e processos

Verificando este elenco de perguntas fica claro que a análise tradicional termina exatamente
no momento em que deveria se tornar uma ferramenta de decisões. Seu limite não deveria estar
apenas na transformação dos dados contábeis nas informações. Deveria ir além, isto é, orientar uma
ou algumas decisões. Uma análise literal do que sugere as perguntas que a análise tradicional tenta
responder seria:
a) se não há nada de anormal com a empresa quanto ao aspecto analisado, a pergunta sugere
o término dos trabalhos e prejudica todas as perguntas subseqüentes. Existem no mínimo,
duas falhas gritantes neste processo. A primeira é a de tentar sugerir algum parâmetro
de normalidade sem, entretanto, apresentá-lo ou defini-lo. A segunda falha é limitar a
validade da análise apenas quando há um problema localizado.
b) a segunda questão torna-se desnecessária se a resposta dada à primeira for positiva.
c) a terceira questão é pretensiosa. Pela análise tradicional limitada aos dados contábeis
é impossível apurar com profundidade as causas de qualquer evento. Chegaria-se no
máximo, a algumas causas superficiais da questão.
d) a quarta questão é até patética. Primeiro porque se existe uma situação anômala
caracterizada como perniciosa pela segunda questão, só pode oferecer algum tipo de
risco. Em segundo lugar a empresa é colocada num ambiente de desgraça deixando
claro que somente dever-se-á tomar alguma atitude se houver algum perigo. Não ficaria
melhor se fosse feita da seguinte forma: “a situação levantada pela análise revela alguma
ameaça ou alguma oportunidade para a empresa?”. Mesmo inconsistente a pergunta seria
mais lógica. Por se tratar de dados internos, a pergunta correta deveria ser: “onde estão
os pontos fortes e os pontos fracos da empresa em relação à sua estrutura organizacional
comparados com.... ?”
e) a quinta pergunta sugere a “redescoberta da roda”, pela análise. Faça isso, no prazo tal.
Quando um problema é localizado nada mais óbvio do que sugerir caminhos para a sua
solução.

Fonte: Análise Contábil: um enfoque voltado para a gestão de empresas – Wilter Furtado. Disponível em:
<http://www.icone.com.br/downloadlivre/EBook/Antigos/Gestao%20contabil.pdf>

Ampliando conhecimentos
Para complementar os estudos sobre Análise de Indicadores de Desempenho, indico os livros
“Estrutura e Análise de Balanço” de Alexandre Assaf Neto, “Análise Financeira de Balanços” de Dante
Carmine Matarazzo e “Contabilidade Empresarial” de José Carlos Marion, todos publicados pela Editora
Atlas. São livros muito bons, e que não possuem uma leitura “pesada”, aliando o conceito à prática.
Análise de indicadores de desempenho | 53

Atividades
1. Com base no Balanço Patrimonial e na Demonstração de Resultado abaixo, calcule os seguintes
índices para o exercício de 2006:
a) Índice de Liquidez Corrente;
b) Índice de Liquidez Seca;
c) Índice de Liquidez Geral;
d) Giro de Estoques;
e) Giro de Contas a receber;
f) Dias de venda em estoque;
g) Dias de venda em contas a receber;
h) Endividamento Geral.

Ativo 2005 2006 Passivo 2005 2006


Caixa 120 88 Fornecedores 124 144

Contas a receber 224 192 Títulos a pagar 1 412 1 039

Estoques 424 368 Total do Circulante 1 536 1 183

Total do Circulante 768 648 Exigível a Longo Prazo 1 804 2 077

Ativo Imobilizado Líquido 5 228 5 354 Patrimônio Líquido

Total do Ativo 5 996 6 002 Capital Social 300 300

Lucros Acumulados 2 356 2 442

Total do PL 2 656 2 742

Total do Passivo 5 996 6 002

Resultado 2006
Vendas 3.756

Custo (2.453)

Lucro bruto 1.303

Depreciações (490)

Juros pagos (613)

Lucro antes dos Impostos 200

Impostos (68)

Lucro Líquido 132


54 | Finanças: fundamentos e processos

2. Com base na Demonstração de Resultado, apresentada a seguir, calcular a análise vertical


considerando como 100% o valor das vendas.

Resultado 2006
Vendas 3.756

Custo (2.453)

Lucro Bruto 1.303

Depreciações (490)

Juros pagos (613)

Lucro antes dos Impostos 200

Impostos (68)

Lucro Líquido 132


Sistemas de custeamento
Introdução
Apesar de muitos afirmarem que os métodos de cálculo de custos surgiram com o advento da
revolução industrial, encontra-se fatos na história que mostram que estes métodos já eram empregados
há mais tempo.
Pode-se dizer que os sistemas de custeios originaram-se na preocupação do homem em contar e
identificar as suas necessidades de sobrevivência.
Sua origem foi em Florença, cidade que desde o século XII se distinguiu pela fabricação de tecidos. A
ilustre família dos Médicis, por exemplo, que originalmente se dedicava aos bancos, excursionaram logo
na indústria têxtil, comprando lã em estado bruto e vendendo tecidos acabados, que eram produzidos
por confeccionadores individuais em seus próprios domicílios. Como cada fase desta produção era
realizada por diferentes famílias, os Médicis usaram o método de registros de custos separados por
processo individual.

Sistemas de custos ao longo do tempo


::: Século XVIII
Na Renascença o Sistema de Custos era pouco desenvolvido, devido à maior importância que
se dava ao comércio em relação à produção. São identificadas exceções somente em 1577, quando
empresas mineradoras da Áustria mostravam em seus registros contábeis a acumulação de custos de
materiais, mão-de-obra e certos gastos que eram lançados em uma conta chamada “Fundição” e logo
em seguida creditavam-se a “produtos acabados”.
::: Século XIX
Somente neste século a contabilidade de custo evoluiu, devido à necessidade de incorporar os
gastos de fabricação aos custos totais. O que dificultava a contabilidade de custos era a divulgação
de conhecimento do processo de fabricação, muitas vezes considerado como segredo industrial, e era
reduzido o número de contadores que tinham visão geral sobre o tema.
56 | Finanças: fundamentos e processos

::: 1900-1925 – Com o advento da revolução industrial, cada vez mais justificava-se a criação de
técnicas de apuração de custos. Surgiu então a técnica de “Custos Diretos”, pois a indústria já
começava a dominar a técnica de produção em série.
::: 1919 – Fundado nos Estados Unidos, a “National Association of Cost Accountant”, cujos bole-
tins informativos começaram a moldar os profissionais e professores a partir de então.
::: 1925-1950 – Foi criado pelos alemães os Controles Estatísticos – Custos Standard.
::: 1950-1980 – As empresas começaram a se interessar pelos problemas dos custos, ao com-
preender o significativo papel que estes desempenhavam na mensuração da eficiência fabril.
Começam a surgir várias técnicas de apuração de custos.
::: E
ra da informação – Com o desenvolvimento da microinformática as empresas começaram a
ter poder de processamentos para obter respostas mais rápidas para suas análises de custos.
De posse dos conhecimentos necessários, podemos utilizar a Contabilidade de Custos para deci-
dir que tipo de custo ou custeio se aplicará à atividade da empresa.

Departamentalização
É uma forma bastante clara e precisa na distribuição dos custos indiretos. Na departamentaliza-
ção a divisão dos departamentos é feita em centro de custos (um mesmo departamento pode se subdi-
vidir em mais de um centro de custos), como produção e serviços.
Segundo Martins (2000, p. 83), para a apropriação dos custos indiretos aos produtos, é necessário
que todos estes custos estejam, na penúltima fase, nos Departamentos de Produção. Para isso, é neces-
sário que todos os custos dos Departamentos de Serviço sejam rateados para que recaiam, depois da
seqüência de distribuições, sobre os de produção.

O que é departamento e como se classifica?


Departamento é a unidade mínima administrativa para a Contabilidade de Custos, representada
por homens e máquinas (maioria dos casos), que desenvolvem atividades homogêneas.
Quando falamos em unidade mínima administrativa, estamos nos referindo ao fato de existir sem-
pre um responsável para cada departamento. Os departamentos, sob todos os aspectos, são divididos
basicamente em duas espécies: os de produção – que são aqueles que alteram diretamente o produto,
e os de serviços – que não recebem o produto, e sim executam serviços que não são de atuação direta
sobre os mesmos.
Os custos que existem sobre os departamentos de produção compõem o valor do produto, en-
quanto que os de serviços, em sua maioria, não terão seus custos diretamente apropriados sobre os
produtos. Entretanto seus custos não são considerados despesas, e fazem parte do preço dos produtos
que deles se beneficiam.
Sistemas de custeamento | 57

Departamento e centro de custos


É importante saber que departamento e centro de custos são unidades distintas. Embora na
maioria das vezes, um departamento seja um centro de custos, ou seja, nele são agregados os custos
indiretos para uma futura distribuição aos produtos ou até mesmo a outros departamentos.
Entretanto, em situações adversas, podem existir diversos centros de custos dentro de um mes-
mo departamento. Centro de custos são unidades mínimas de acumulação de custos indiretos de fa-
bricação, porém, só poderão existir centros de custos de unidade administrativa quando o mesmo
coincidir com o próprio departamento.

Métodos de rateio
Para que se rateiem os custos indiretos de fabricação gerados nos departamentos de serviços,
vários métodos podem ser adotados:
::: Método direto – por este método, os custos gerados nos departamentos de serviços são rate-
ados diretamente para os departamentos produtivos beneficiados pelos respectivos serviços.
Assim, os departamentos de serviços não recebem custos de outros departamentos de servi-
ços, ainda que tenham sido beneficiados pelos serviços de alguns deles.
::: Método algébrico ou da reciprocidade – reconhece-se a reciprocidade dos serviços presta-
dos entre os departamentos. Recomenda-se evitar o seu uso, uma vez que ele incentiva a distri-
buição reflexiva. Assim, adotando este método, um departamento de serviço poderá receber,
por transferência, parte do custo do próprio departamento que foi transferido para outro.
::: Método da hierarquização ou dos degraus – consiste em fixar uma ordem de prioridade
entre os departamentos de serviços; a partir dessa hierarquização rateiam-se os custos ge-
rados nos departamentos de serviços entre eles. Por este método, o departamento que tiver
seus custos transferidos não receberá custos de outros departamentos, ainda que tenha sido
beneficiado pelos serviços de alguns deles. Assim o departamento que mais recebe custos por
transferência é o que menos transfere.
Os sistemas de custeio são norteados, tomando-se como base custear a produção por absorção
– que considera que os custos e despesas indiretas fixas são integrados ao estoque, como também, ao
Custo dos Produtos Vendidos – ou considerar somente os custos diretos e não os custos indiretos como
custo de produção.
Os dois critérios utilizam metodologias diferentes para agregar os custos indiretos ao produto, ou
seja, enquanto o critério por absorção agrega o custo indireto ao produto através do custo de produção,
o outro debita da receita de vendas estes custos, acarretando resultados diferenciados nos balancetes.
Definições importantes para o entendimento dos sistemas de custeio:
::: custo de produção do período: é a soma dos custos incorridos no período dentro da fábrica.
::: custo de produção acabada: é a soma dos custos contidos na produção acabada no período.
::: custo dos produtos vendidos: é a soma dos custos incorridos na produção dos bens e serviços
que só agora estão sendo vendidos.
58 | Finanças: fundamentos e processos

::: custo primário: é a somatória de matéria-prima com mão-de-obra direta.


::: custo de transformação: é a soma de todos os custos de produção, exceto os relativos a ma-
térias-primas e outros eventuais, adquiridos e empregados sem nenhuma modificação da em-
presa (componentes adquiridos, prontos, embalagens compradas, etc.).

Classificação dos sistemas de custeios


Os sistemas de custeio podem ser classificados em:

Sistema de custeio por ordem de produção


Neste caso poderão ser utilizadas ordens específicas de produção, sendo os custos agregados a
cada produto fabricado, esta é uma característica de empresas que produzem sob encomenda, sejam
unitárias ou em lotes. Os custos acumulados de matérias-primas, mão-de-obra e custos indiretos de
fabricação, são computados a partir da emissão de uma ordem para produção de lotes de um bem
ou serviço.
Os custos com matéria-prima e mão-de-obra direta (custos primários) incidem diretamente sobre
o produto e poderão ser obtidos logo que a ordem esteja completamente concluída. Já os custos indi-
retos, só poderão ser incorporados ao produto quando terminar o período contábil.
No sistema de custeio por ordem de produção, os custos são acumulados previamente em or-
dens de produção, para posteriormente serem apropriados em seus departamentos produtivos.
Este sistema de custeio requer um grande número de pessoas para detectar e apropriar os custos
pertinentes ao produto ou serviço, aumentando consideravelmente o seu custo operacional.
A ordem de produção, neste processo, tem como objetivo principal o registro dos gastos com
material direto, mão-de-obra direta e uma estimativa dos custos indiretos relativos à unidade produzi-
da, porém, informações como modelo e características do produto a ser fabricado, devem constar na
ordem de produção.

Sistema de custeio por processo


O sistema de custeio por processo é pertinente a empresas que possuam um sistema de produ-
ção contínua, com processos consecutivos para produção de produtos padronizados.
Neste sistema de custeio, os custos são apurados por processo ou departamento, para depois se-
rem apropriados aos produtos, sendo agora, importantíssimos os centros de custo e não mais o produto
elaborado através de uma ordem de produção.
As principais características do Sistema de Custeio por Processo são:
::: aplicação: aplicados em empresas que possuam produção contínua e seriada com lotes de
produtos padronizados;
Sistemas de custeamento | 59

::: acumulação: os custos com material de consumo, mão-de-obra direta e custos indiretos de
fabricação são acumulados durante o processo produtivo nos departamentos ou centros de
custo;
::: custo de produção: origina-se na acumulação dos custos dos diversos processos produtivos;
::: transferência de custos: a cada etapa do processo produtivo, é agregada à unidade produzida
uma parcela do custo total dos processos precedentes;
::: freqüência das apurações: devem ser freqüentes para proporcionar um perfil atualizado da
estrutura de custos, permitindo uma tomada de decisão a nível gerencial mais rápida e segura.

Custo padrão
São custos calculados antes da realização da atividade e determinados através da projeção e da
experimentação, ou seja, podem ser pré-determinados ou calculados. Visam quantificar os custos do
processo produtivo, incluindo o estudo do tempo e dos movimentos relativos a cada operação. Deve
levar em consideração as limitações e deficiências existentes com os fatores de produção, ou seja, ma-
teriais, mão-de-obra e demais gastos gerais.
É ele que determina os custos de fabricação possíveis de serem alcançados, tornando assim,
metas gerenciais realistas e desafiadoras e melhorando a eficiência da empresa.
Custo padrão pode ser também definido como o custo possível de ser alcançado, caracterizado
pela determinação preliminar baseada em estudos especializados e análises dos mesmos, imputado a
cada produto ou linha de produção.
Pode ser determinado a uma área da empresa ou a um produto e não necessariamente a toda
empresa pois, como podemos notar, custo padrão tem por finalidade servir de ferramenta de controle
sobre as atividades produtivas.

Tipos de custo padrão


Custo padrão ideal
É a tentativa de se estipular um custo através do estudo de tempos e movimentos, tomando
como base os parâmetros determinados pelo melhor funcionário, conseqüentemente o mais habilitado
para executar a tarefa. Não se deve levar em consideração as variações operacionais que afetam a sua
produtividade e sim aquelas quantificadas durante a experiência. Este custo, hoje em desuso por não
mostrar a realidade, leva em consideração as melhores condições possíveis no processo produtivo, ou
seja, a melhor mão-de-obra, a capacidade máxima da empresa, a inexistência de paradas não previstas
e perdas de materiais mínimas previstas ou admitidas como impossíveis de serem eliminadas.

Custo padrão estimado


É determinado simplesmente através de uma projeção para o futuro, através de uma média dos
custos observados anteriormente sem qualquer preocupação de avaliar se ocorreram ineficiências no
processo produtivo.
60 | Finanças: fundamentos e processos

Custo padrão corrente


São os custos determinados pela empresa através de estudos previamente efetuados, como meta
para um produto ou serviço a serem alcançados no próximo período. Levam em consideração as defici-
ências existentes dentro do processo produtivo. São geralmente difíceis de serem alcançados, mas não
impossíveis.

Objetivo do custo padrão


O principal objetivo do custo padrão é o de servir de ferramenta de controle para os diversos
níveis gerenciais, ou seja, auxiliar no controle das operações efetuadas durante o processo produtivo,
servindo de comparativo entre o custo real e o custo de produção.

Aplicabilidade do custo padrão


Por ser o custo padrão oriundo de estudos detalhados e especializados do processo produtivo, que
levam em conta as deficiências observadas, a sua aplicabilidade proporcionará diversas vantagens, pois
através dele serão determinadas as correções necessárias para o melhoramento de todo o processo.

Eliminação de falhas
De acordo com os levantamentos efetuados, as falhas se evidenciam com as medidas determina-
das como padrão pela empresa, para obtê-las é necessário corrigi-las.

Aprimoramento dos controles


Tomando como base os controles efetuados para determinação do custo padrão, a empresa po-
derá melhorá-los com a identificação rápida dos desvios ocorridos ao compará-los, e determinar novas
observações.

Instrumento de avaliação de desempenho


Conforme for ocorrendo alguma anomalia durante o processo produtivo, os funcionários serão
identificados pela sua responsabilidade e conseqüentemente avaliados quanto ao seu desempenho,
levando-os a justificar-se e esclarecer os motivos do ocorrido.

Contribuição para o aprimoramento dos procedimentos de apuração do custo real


Ao ser analisada a variação entre o custo padrão e o custo real, pode-se encontrar uma falha na
apuração do custo real, sendo necessário um aprimoramento dos levantamentos dos dados que os
compõem.
Sistemas de custeamento | 61

Rapidez na obtenção das informações


Por ter nas mãos informações realistas da composição dos custos determinados como padrão,
estas informações podem ser utilizadas para composição de uma proposta de produção de bens ou
prestação de serviços.

Custo padrão e a melhoria de produtividade


Ao determinar o custo padrão para um determinado produto ou serviço, a empresa, após os es-
tudos necessários, está automaticamente determinando metas a serem cumpridas. Todos os compo-
nentes da organização envolvidos no processo, por saber que as metas foram fixadas com base na
capacidade operacional e produtiva, se esforçarão ao máximo para alcançá-las ou até mesmo superá-las
principalmente se houver um bom sistema que possa avaliá-los e uma remuneração por desempenho.

Componentes do custo padrão e do custo real


Tanto o custo padrão como o custo real, são compostos dos seguintes itens:
::: matérias-primas: quantidade de matérias-primas necessárias para a produção de cada unida-
de do produto acabado, multiplicado pelo custo unitário de cada matéria-prima;
::: mão-de-obra: quantidade de horas de mão-de-obra necessárias para a produção de cada
unidade do produto acabado, multiplicada pela taxa horária da mão-de-obra;
::: custos indiretos de fabricação: total dos custos indiretos do período, dividido pelo volume
de produção.

Variação
É a diferença existente entre o custo que foi e o que devia ser, ou, a diferença entre o custo padrão
e o custo real de produção. Estas variações podem ser classificadas como:
::: favoráveis: quando o custo real é menor do que o custo padrão;
::: desfavoráveis: quando o custo real é maior que o custo padrão;
::: variações de materiais: é a variação encontrada entre os valores alocados, a matéria-prima
no custo padrão e no custo real.

Ao ser encontrada, esta variação deverá ser decomposta, para uma melhor análise. Assim teremos
uma melhor interpretação e conseqüentemente a possibilidade de classificá-la.

As variações de materiais podem ser classificadas em três tipos:


::: variação na quantidade consumida por unidade fabricada: é a diferença entre a quantida-
de real e a quantidade padrão, multiplicada pelo custo padrão;
::: variação no custo de aquisição de cada unidade de matéria-prima: é a diferença entre o
custo real e o custo padrão multiplicado pela quantidade padrão;
62 | Finanças: fundamentos e processos

::: variação mista: é o resíduo das duas variações anteriores. Quando ocorrer variações tanto na
quantidade como nos custos, surge a variação mista, que é a sobra provocada pela existência
destas variações que não podem ser identificadas;
::: variações de mão-de-obra: é a diferença encontrada entre os valores alocados: a mão-de-
obra no custo padrão e no custo real. Quando ocorrer esta variação, da mesma forma que
vimos na variação de materiais, devemos decompô-las de modo que possamos classificá-las.

As variações de mão-de-obra podem ser classificadas em três tipos:


::: variação de eficiência: é a diferença encontrada entre as horas-reais e as horas-padrão, mul-
tiplicada pela taxa padrão;
::: variação de taxa: é a diferença entre a taxa (preço) real e a taxa (preço) padrão multiplicado
pelas horas-padrão;
::: variação mista: do mesmo modo que ocorre na variação de materiais, é quando ocorrem
variações tanto na eficiência como na taxa. O resíduo resultante não pode ser identificado ou
alocado a uma ou outra;
::: variações de custos indiretos de fabricação: são os valores atribuídos às despesas indiretas
de fabricação que não foram absorvidas pela produção, porque esta operou abaixo do pro-
gramado. Ocorre quando a organização se preparou para atender a certa atividade, dispo-
nibilizando recursos e a produção, e por motivos alheios à sua capacidade, ficou ociosa. Esta
capacidade improdutiva é quantificada como “custos indiretos”. As suas principais causas são
a falta de pedidos de clientes, falta de material, problemas de mão-de-obra e problemas de
equipamentos. Essas variações podem ser desmembradas em:
::: variação do volume de produção: é a diferença entre o custo indireto de fabricação do volu-
me de produção esperado e o custo indireto de fabricação do volume de produção real.
::: variação de custos: é a diferença existente entre o custo indireto de fabricação que seria pa-
drão na produção real e o custo indireto de fabricação real;
::: variação de eficiência: é a diferença entre custos indiretos de fabricação que seriam padrão
ao nível real e a ineficiência e o custo indireto de fabricação real. Deriva de um uso diferente
de insumos ou fatores de produção daquele que seria desejável pelo padrão para uma deter-
minada quantidade fabricada.

Ampliando conhecimentos
Os livros de “Contabilidade de Custos” de Eliseu Martins e o “Gestão de Custos e Formação de Preços”
de Adriano Leal Bruni e Rubens Famá, ambos publicados pela Editora Atlas, trazem todos os conceitos
necessários à área de custos, bem como exercícios para colocar à prova o entendimento conceitual.
Inclusive com um CD de aplicações na HP 12C e na planilha eletrônica Excel.
Sistemas de custeamento | 63

Atividades
1. O que é departamentalização?

2. Quais são os métodos de rateio?

3. O que é custo de produção acabada?


64 | Finanças: fundamentos e processos

4. O que é custo padrão?

5. Qual o principal objetivo do custo padrão?

6. O que é variação de eficiência?


Sistema de custeamento II

Custeio por absorção


O sistema de custeamento por absorção consiste na apropriação de todos os custos de produção
aos bens produzidos, ou seja, todos os gastos relativos ao esforço de produção distribuídos para todos
os produtos ou serviços.
A principal falha do custeio por absorção, como instrumento de controle é a utilização de rateios
dos gastos fixos, pois por mais objetivos que sejam os critérios de rateio, sempre possuirão um com-
ponente arbitrário, que distorce os resultados apurados por produto e dificulta decisões gerenciais.
Por exemplo, a determinação de preços de venda ou a descontinuação da fabricação de determinados
produtos.
A legislação brasileira obriga que as empresas adotem o método de custeio por absorção para a
valorização dos estoques e apuração do resultado do exercício (Lei 6.404.76 e Decreto-Lei 1.598/77).
De acordo com o método de custeio por absorção, a apuração dos Custos dos Produtos Vendidos
é efetuada da seguinte maneira:

(=) Estoque Inicial de Materiais Diretos (+) Estoque Inicial de Produtos em Processo
(+) Compras (Líquidas) de Materiais Diretos (–) Estoque Final de Produtos em Processo
(–) Estoque Final de Materiais (=) Custo da Produção Acabada
(=) Custos dos Materiais Diretos Consumidos (+) Estoque Inicial de Produtos Acabados
(+) Custo da Mão-de-obra Direta (–) Estoque Final de Produtos Acabados
(+) Custo Indireto de Fabricação (=) Custo dos Produtos Vendidos
(=) Custo de Produção do Período
66 | Finanças: fundamentos e processos

A Demonstração do Resultado do Exercício, de acordo com o método de custeio por absorção, é


a seguinte:

Vendas Líquidas

(–) Custos dos Produtos Vendidos

(=) Lucro Bruto

(–) Despesas Operacionais

(=) Lucro Operacional

(+) Receitas não Operacionais

(–) Despesas não Operacionais

(=) Lucro Antes do Imposto de Renda

(–) Imposto de Renda

(=) Lucro Líquido do Exercício

Custeio variável ou custeio direto


É um método de custeio em que os produtos fabricados são alocados somente nos gastos variá-
veis, que são aqueles que variam proporcionalmente ao volume de atividades da empresa, sendo que
os gastos fixos não compõem a valorização dos produtos, pois devem ser tratados como despesas.
A Demonstração do Resultado do Exercício, de acordo com o método de custeio variável, é a
seguinte:

Vendas

(–) Custos e Despesas Variáveis

(=) Margem de Contribuição

(–) Custos e Despesas Fixas

(=) Lucro antes do Imposto de Renda

(–) Imposto de Renda

(=) Lucro Líquido do Exercício

A Margem de Contribuição é definida como a diferença entre as vendas e os gastos variáveis (cus-
tos e despesas), a qual será utilizada para cobrir os gastos fixos e gerar lucro.

Classificação dos custos em diretos e indiretos


Alguns custos podem ser diretamente apropriados aos produtos, os quais são denominados de
Custos Diretos com relação aos produtos.
Sistemas de custeamento II | 67

Os Custos Indiretos são aqueles que não podem ser alocados diretamente a cada produto, ou seja,
são passíveis de rateio para que sejam agregados ao produto. Exemplo: Aluguéis, Salário do Chefe de
Produção, IPTU etc.
Importante salientar que a classificação de Custo Direto e Indireto é realizada em relação ao
produto feito ou serviço prestado, e não à produção no sentido geral ou aos departamentos dentro
da empresa.

Custos fixos e variáveis


Custos fixos: ocorrem independentemente do aumento ou diminuição da quantidade produzida.
Custos variáveis: ocorrem na proporção da quantidade produzida, e variam de acordo com o
volume de produção ou seja, quanto maior a quantidade fabricada, maior seu consumo.

Diferenças e semelhanças
entre custeio por absorção e custeio variável

Custeio variável
::: Classifica os custos em fixos e variáveis
::: Não há preocupação em classificar os custos diretos e indiretos
::: Os resultados apresentados sofrem influência direta do volume de vendas
::: É adotado como critério administrativo e gerencial

Custeio por absorção


::: Não há preocupação em classificar os custos fixos e variáveis
::: Classifica os custos diretos e indiretos
::: Os resultados apresentados não sofrem influência direta do volume de vendas
::: É um critério legal e fiscal

Custeio Baseado em Atividades (abc)


O Custeio Baseado em Atividade, o ABC (Activity-Based Costing) é uma metodologia que procu-
ra reduzir as distorções provocadas pela apropriação dos custos indiretos. É baseado na identificação
68 | Finanças: fundamentos e processos

das atividades relevantes dentro de cada departamento, proporcionando uma análise mais consistente
quanto a problemas como retrabalho de produtos defeituosos ou gargalos de produção, permitindo à
empresa quantificar os atrasos e ineficiências do processo produtivo, utilizando-se dos direcionadores
de custos (cost drivers).
Uma atividade descreve o modo como uma empresa emprega seu tempo e recursos para alcan-
çar os objetivos empresariais. A função principal da atividade é converter recursos, tais como materiais,
mão-de-obra e tecnologia, em produção, ou seja, produtos e/ou serviços.
As atividades transcendem todas as etapas dentro da cadeia de valor (projeto do produto, enge-
nharia de produção, produção, distribuição, marketing e pós-venda).
O custo de uma atividade compreende todos os sacrifícios de recursos necessários para desem-
penhá-la. Deve-se incluir os salários com os respectivos Encargos Sociais, Materiais, Depreciação, Ener-
gia Elétrica, Instalações etc. Muitas vezes é possível agrupar vários itens de custos em um só para refletir
a natureza dos gastos pelo uso total, como por exemplo:

Salários + Encargos + Benefícios = Custo de Remuneração


Aluguel + Imposto Predial + Água + Luz = Custo de Uso de Instalações
Telefone + Fax + Correio = Custo de Comunicação

O desmembramento de uma conta em várias subcontas é recomendável para melhor evidenciar


os recursos utilizados por diversas atividades. A conta de Mão-de-obra Indireta, por exemplo, pode ter
que ser aberta para separar as quantias gastas nas diferentes finalidades, tendo como fonte de dados
para custear as atividades a razão geral da empresa.
O grande desafio do Custeio Baseado em Atividades (ABC), está na escolha dos direcionadores
de custos.
Direcionador de custos é o fator que determina a ocorrência de uma atividade, como as
atividades exigem recursos, ou seja, gastos para serem realizadas. Assim, deduz-se que o direcionador é
a verdadeira causa dos custos, portanto deve refletir a causa básica da atividade e conseqüentemente,
da existência de seus custos.
Os direcionadores de custos de atividades identificam como os produtos “consomem” atividades
e servem para custear produtos ou outros, indicando a relação entre as atividades e os produtos.
No caso dos custos variáveis, que estão relacionados ao volume de produção, os direcionadores
de custos também serão relativos ao nível de atividades, como horas de mão-de-obra direta, horas-
máquina e custo de matéria-prima, porém, estes direcionadores não são apropriados para determinar o
comportamento da maioria dos custos fixos.
No conceito de direcionador de custos, estes estão associados a uma atividade específica, tor-
nando-se mais fácil sua determinação, interpretação e utilização do direcionador de custos do que na
tradicional base de rateio.
Pode ocorrer de a empresa já possuir uma estrutura contábil que faça a apropriação de custos por
centro de custos, por centros de trabalho, por centros de atividades etc. Por isto é importante observar
que, para cada atividade, deveremos atribuir o respectivo custo e identificar o direcionador.
Sistemas de custeamento II | 69

Comparado com os métodos tradicionais, o ABC representa uma apropriação mais direta, pois
o método tradicional, geralmente considera como custos e despesas diretos dos produtos fabricados
apenas os materiais diretos e a mão-de-obra direta. Já o ABC reconhece como diretos, os custos e des-
pesas anteriormente tratados como indiretos, não em relação aos produtos fabricados, mas às ativida-
des necessárias para fabricar os produtos.

Atribuição de custos as atividades


A atribuição de custos às atividades deve ser feita da forma mais minuciosa e criteriosa possível,
tendo a seguinte ordem de prioridade:
::: alocação direta: se faz quando existe uma identificação clara, direta e objetiva de certos itens
de custos com as atividades. Pode ocorrer com Salários, Depreciação, Material de Consumo
entre outros.
::: rastreamento: é uma alocação com base na identificação da relação de causa e efeito entre a
ocorrência da atividade e a geração dos custos, expressa através de direcionadores de custos de
recursos (para as atividades). Exemplos: número de empregados, área ocupada, tempo de mão-
de-obra, tempo da máquina, quantidade de kWh, estimativa do responsável pela área etc.
::: rateio: é realizado quando não há a possibilidade de utilização da alocação direta ou
rastreamento. É importante salientar que os critérios de rateio não indicam necessariamente a
verdadeira relação dos custos com o produto ou atividade, podendo acarretar em distorções.
Quanto mais informações detalhadas forem fornecidas à Contabilidade de Custos, melhor
estruturação na distribuição de atividades e separação das contas em várias subcontas, melhor será a
aplicabilidade do Sistema de Custeio Baseado em Atividades (ABC), servindo como base concreta para
a tomada de decisões, por parte dos gestores, sobre os produtos fabricados pela empresa.

Implantação de um sistema de custos


Fator humano
Muito se fala sobre o comportamento humano nas situações de mudanças organizacionais, prin-
cipalmente nos períodos de reformulação de sistemas em vigor e de implantação de novos sistemas. Os
funcionários tendem a apresentar resistências, principalmente quando são solicitados diversos dados.
A reação que surge é a sensação de estar sendo fiscalizado e o medo de perder a confiança da
empresa. Outros temem a demissão, especialmente se forem contratadas pessoas de fora para a im-
plantação.

Burocracia
Pessoas que nunca tiveram preocupação de preencher papéis podem estar às voltas, de uma
hora para outra, com vários relatórios por dia. Inúmeras vezes são chefes que sempre tiveram o máximo
70 | Finanças: fundamentos e processos

de consciência do uso de diversos materiais, de ferramentas, de equipamentos etc., mas que jamais
pensaram ou se prepararam para fazer anotações desse uso. Na maioria das vezes eles se sentem redu-
zidos em seus méritos sendo, às vezes, bons técnicos, porém mal alfabetizados.
Outra forma de reação é a passiva, aquela que aparenta uma concordância. Finge ser um aliado e
na verdade é um adversário do processo.

Controle
O controle é necessário para fornecimento rápido de informações, fins de decisões rotineiras e
intempestivas, decisões que não demandam tanta rapidez de dados, simples avaliações de estoques e
para ajudar a contabilidade financeira em sua tarefa de apuração de estoque e resultados.

Modelo
A decisão de qual modelo usar depende de quem vai receber as informações na ponta da linha e
o que fará com elas, isso definirá o modelo.
Definidos os objetivos, torna-se fácil determinar o tipo de sistema a usar, bem como seu nível de
detalhamento. Escolher entre a importação de sistema e o desenvolvimento de um sistema próprio
também dependerá dos objetivos da empresa. Porém é conveniente falar do perigo da importação de
sistemas de custos, pois os usos indiscriminados de pacotes de sistemas podem provocar estragos.
Nem sempre o que funciona para um, tem o mesmo resultado para o outro. Como já vimos, de-
vem ser observados os objetivos da empresa.

Implementação
Uma vez escolhido o modelo de sistema, é hora de começar a implantação. Esta pode ser feita de
modo gradativo ou de uma só vez. Em respeito ao que já foi mencionado sobre as reações contrárias à
implantação de quaisquer sistemas de custos, verificamos que a implantação de forma gradativa terá
melhores resultados.
Deve-se iniciar pela motivação junto ao pessoal, mostrando o que é o sistema global, o que ele
pretende fazer, como serão juntadas as informações etc. Deve-se transmitir o grau de importância que
um pequeno número seu terá no funcionamento do esquema inteiro, e de como é importante ser dada
a devida atenção. Com isso, se possível, tentar convencer os funcionários de quais benefícios poderão
advir para eles do próprio sistema.

Treinamento
Os funcionários devem ser esclarecidos sobre todos os tipos de dificuldades que venham a
encontrar. Não se deve exigir logo no início todos os dados relativos a materiais consumidos, pessoal
Sistemas de custeamento II | 71

utilizado em cada ordem, horas-máquina trabalhadas etc. É necessário que seja solicitada primeiro uma
dessas informações e tendo certeza de que ela está sendo dada corretamente, pedir a outra e assim
sucessivamente.

Ampliando conhecimentos
Os livros de “Contabilidade de Custos” de Eliseu Martins e o “Gestão de Custos e Formação de Preços”
de Adriano Leal Bruni e Rubens Famá, ambos publicados pela Editora Atlas, trazem todos os conceitos
necessários a área de custos, bem como exercícios para colocar à prova o entendimento conceitual.
Inclusive com um CD de aplicações na HP 12C e na planilha eletrônica Excel.

Atividades
1. Quais as diferenças e semelhanças entre custeio por absorção e custeio variável?

2. O que é custo de produção do período?


72 | Finanças: fundamentos e processos

3. Qual o princípio básico do custo por absorção?

4. Qual o sistema de custeio a ser utilizado pelas empresas de acordo com a legislação vigente?

5. Como é definida a margem de contribuição?


Orçamento, provisões
e reservas financeiras
Introdução
“O orçamento é um valioso instrumento de planejamento e controle das operações da empresa,
qualquer que seja seu ramo de atividade, natureza ou porte. Nas grandes companhias multinacionais e
até nas mais modestas, o orçamento pode ser utilizado, com as devidas adaptações, como ferramenta
para controle e avaliação de desempenho das atividades empresariais visando alcançar seus objetivos”
(PASSARELLI & BONFIM, 2003).
É um instrumento de natureza econômica elaborado com objetivo de prever determinadas quan-
tias que serão utilizadas para determinados fins, tendo como base a noção exata do que realizar e o
quanto esta realização custará, ou seja, quais são as receitas e as despesas previstas para um determi-
nado período.
O orçamento deve ser o mais transparente possível, quantificando-se não somente os recursos
financeiros, mas também, os recursos não financeiros, como por exemplo, os equipamentos que serão
utilizados na execução de determinada atividade. O orçamento sempre deverá ser refletido no plane-
jamento financeiro da empresa.
O processo orçamentário, dentre outros objetivos, tem a função de colaborar com a empresa na
identificação de seus objetivos a longo prazo e na especificação e determinação de metas a curto prazo.
Deve ser um sistema de componentes que interagem, sendo coordenados a antecipar problemas e
resolvê-los proativamente.
O processo de estabelecer os objetivos específicos da empresa deve ser interativo, permitindo
uma gestão participativa e o comprometimento de todos os gestores envolvidos neste processo,
através da transparência de objetivos, da definição de metas, discussão das estratégias, bom senso da
determinação do desejável e do possível e da limitação da utilização de recursos.
74 | Finanças: fundamentos e processos

O orçamento pode ser caracterizado da seguinte forma:


::: projeção para o futuro: especificar o quanto e quando as atividades deverão concretizar-se,
considerando o presente para projetar o futuro;
::: flexibilidade na aplicação: ter mecanismos que permitam a rápida adaptação às mudanças
que ocorrem no mercado;
::: participação direta dos responsáveis: todos os níveis da empresa deverão participar do pro-
cesso e comprometer-se com sua execução;
::: global: todas as unidades e atividades da empresa deverão participar;
::: prático: a elaboração do orçamento deverá ser em tempo hábil, para que sua execução possa
ocorrer no momento certo;
::: critérios uniformes: é necessária a definição de princípios e padrões para ser possível a ava-
liação do orçamento;
::: quantificação: deverá ser expresso em valores físicos e monetários;
::: economicidade: deverá revelar, em termos econômicos, o que se terá de fazer e o que se pre-
tende fazer na empresa no período orçamentário.
Uma estrutura organizacional compatível com os objetivos e as metas propostas em seu plano
geral de operações; uma contabilidade aberta, informatizada, e descentralizada; a fixação dos objeti-
vos e das metas da empresa, analisando-se a situação interna e externa, além de disciplina e seriedade
são algumas condições mínimas e necessárias para a implantação de um processo de orçamento em
uma empresa.
A seguir, mencionamos alguns princípios básicos para a elaboração e estruturação do orçamento:
::: orientação para objetivos: o orçamento deve ser direcionado para que os objetivos da em-
presa e dos setores específicos sejam atingidos de forma eficaz e eficiente;
::: envolvimento dos gestores: todos os gestores responsáveis por um orçamento específico
devem participar ativamente dos processos de planejamento e controle;
::: comunicação integral: compatibilização entre o sistema de informações, o processo de
tomada de decisões e a estrutura organizacional;
::: expectativas realistas: deve apresentar objetivos gerais e específicos que sejam desafiado-
res, dentro da melhor visão da empresa, mas passíveis de serem cumpridos;
::: aplicação flexível: o valor do sistema orçamentário está no processo de produção de planos;
::: reconhecimento dos esforços individuais e de grupos: o sistema orçamentário é um dos
principais instrumentos de avaliação de desempenho etc.
O orçamento, além de unificar diversos objetivos empresariais, na busca da expressão do plano
e controle de resultados, tem a função de estabelecer e coordenar objetivos para todas as áreas da
empresa, tendo, dentre outros, os seguintes objetivos:
::: orçamento como sistema de autorização: o orçamento aprovado não deixa de ser um meio
de liberação de recursos para todos os setores da empresa;
::: meio de projeções e planejamento: o conjunto de peças orçamentárias será utilizado para o
processo de projeções e planejamento;
Orçamento, provisões e reservas financeiras | 75

::: canal de comunicação e coordenação: incorporando os dados do cenário aprovado e das


premissas orçamentárias, é instrumento para comunicar e coordenar os objetivos da empresa;
::: instrumento de motivação: permite um grau de liberdade de atuação dentro das linhas apro-
vadas, sendo instrumento importante para o processo motivacional dos gestores;
::: instrumento de avaliação e controle: a utilização do orçamento deverá servir como instru-
mento de avaliação de desempenho dos gestores e controle dos objetivos empresariais;
::: fonte de informação para tomada de decisões: o orçamento contém provisões e resultados
esperados, bem como os objetivos setoriais e corporativos, sendo uma ferramenta fundamen-
tal para decisões diárias sobre os eventos econômicos de responsabilidade dos gestores.

Conceitos e tipos de orçamento


Basicamente, o orçamento empresarial se divide em dois tipos:
::: orçamento operacional: abrange atividades como vendas, compras, e produção;
::: orçamento financeiro: Balanço Patrimonial, Demonstração de Resultado e Demonstração de
Fluxo de Caixa que identificam as conseqüências financeiras esperadas das atividades resumi-
das no orçamento operacional.
Não existe uma única maneira de se elaborar um orçamento e, conseqüentemente, de como efe-
tuar o processo de avaliação e controle.
A seguir, apresentaremos os principais conceitos existentes e que fundamentarão um processo
de elaboração de um orçamento:

Orçamento de tendências
Consiste na utilização de dados passados para projeções futuras. É importante saber que sempre
existirão eventos passados de conhecimento da empresa que não se repetirão e, portanto, não deverão
ser considerados na elaboração do orçamento.
Da mesma forma que existirão eventos futuros que não terão um passado em que possam se
basear e, portanto, deverão ser estimados de outra forma.

Orçamento base zero


A filosofia do orçamento base zero consiste em romper com o passado, ao contrário do orçamen-
to de tendências. Basicamente o orçamento nunca deve partir da observação de dados anteriores, pois
eles podem conter ineficiências que o orçamento de tendências acaba por perpetuar. A proposta do
orçamento base zero está em rediscutir toda a empresa a cada elaboração orçamentária.
76 | Finanças: fundamentos e processos

Orçamento estático
Consiste na elaboração de todas as peças orçamentárias a partir da fixação de determinado vo-
lume de produção ou vendas. O orçamento é estático quando a administração não permite nenhuma
alteração nas peças orçamentárias.

Orçamento flexível
Para este orçamento, ao invés de utilizar um número determinado de volume de produção ou
vendas, ou volume de atividade setorial, a empresa admite uma faixa de nível de atividades, em que se
situarão estes volumes de produção ou vendas.

Orçamento ajustado
O orçamento ajustado é um orçamento que passa a vigorar quando se modifica o volume ou
nível de atividade inicialmente planejado para um outro nível de volume ou atividade, decorrente de
um ajuste de plano.

Orçamento corrigido
O conceito do orçamento corrigido é o ajuste do orçamento original, de forma automática, sem-
pre que houver alteração de preços em função de inflação.

Organização e processo de elaboração


A elaboração de um orçamento compreende o conjunto de pessoas, tecnologias administrativas,
sistemas de informação, recursos materiais disponibilizados e administração dos sistemas para execu-
ção do orçamento. A criação de um comitê orçamentário, a definição de premissas por este comitê e o
cronograma a ser executado, são elementos essenciais para o sucesso de um orçamento.
Em linhas gerais, podemos elaborar um orçamento baseado nos seguintes aspectos:
::: estabelecer a missão e os objetivos corporativos;
::: determinar o fator limitante das vendas;
::: elaborar o orçamento em função do fator limitante;
::: elaborar o orçamento correlacionando, o fator limitante e os objetivos corporativos;
::: sintetizar os orçamentos de todos os setores da empresa para produção de um orçamento
mestre;
::: rever o orçamento mestre em função dos objetivos corporativos;
Orçamento, provisões e reservas financeiras | 77

::: aprovar o orçamento mestre. Caso este não esteja de acordo com os objetivos corporativos,
voltar ao primeiro item e repetir o processo objetivando sua aprovação;
::: confrontar os resultados reais com os resultados orçados e reportar suas variações;
::: como resultado das variações, tomar ações corretivas ou revisar o orçamento mestre.

Itens de um orçamento
Premissas orçamentárias
As premissas decorrem do cenário escolhido para a elaboração do orçamento e deverão abordar
as diretrizes básicas para a execução do plano orçamentário, tais como comportamento das vendas, pro-
dução, novos negócios e oportunidades, necessidades de investimentos e financiamentos, logística etc.

Estratégia e orçamento
As premissas orçamentárias fazem parte do conjunto de informações do planejamento operacio-
nal e os cenários fazem parte do conjunto de informações do planejamento estratégico.
As premissas fundamentarão a construção do orçamento e depois de concluídas todas as peças
orçamentárias, deverão ser incorporadas ao sistema de informação contábil, evidenciando esse pro-
cesso, unindo o planejamento estratégico, o planejamento operacional e considerando os principais
instrumentos de informação dentro da empresa.

Estrutura do plano orçamentário


O plano orçamentário contempla três grandes segmentos:
::: o orçamento operacional;
::: o orçamento de investimentos e financiamentos;
::: a projeção dos demonstrativos contábeis.

Orçamento operacional
É o que contém a maior parte das peças orçamentárias, pois engloba todos os orçamentos que
atingem a estrutura hierárquica da empresa, incluindo as áreas administrativa, comercial e de produção,
compreendendo as seguintes peças orçamentárias de vendas, produção, compra de materiais, esto-
ques e despesas departamentais.
78 | Finanças: fundamentos e processos

Orçamento de investimentos e financiamentos


Contém o orçamento de investimentos, composto por aquisição de investimentos e imobilizado,
orçamento de financiamentos e de despesas financeiras.
Tem por finalidade fazer o orçamento dos demais componentes do Balanço Patrimonial e da
Demonstração do Resultado, que não foram contemplados no orçamento operacional. O enfoque
básico é elaborar o orçamento dos gastos previstos com investimentos que serão ativados, bem como
dos financiamentos necessários para possibilitar as novas aquisições.
Parte dos investimentos necessários para o próximo exercício é decorrente dos planos opera-
cionais, oriundos do planejamento estratégico da empresa, ou seja, esta peça orçamentária não está
limitada ao curto prazo, mas também atua a médio e longo prazo.
Importante ressaltar que cada investimento ou plano de investimento a ser efetuado deverá ser
objeto de um estudo específico de sua rentabilidade e das alternativas possíveis, utilizando-se conceitos
como VPL (Valor Presente Líquido), TIR (Taxa Interna de Retorno) e Payback (Retorno de Investimento).
Podemos então ter as peças orçamentárias referentes a:
::: orçamento de aquisição de investimentos em outras empresas;
::: orçamento de venda de investimentos em outras empresas;
::: orçamento de aquisição de ativo imobilizado;
::: orçamento de venda de ativo imobilizado;
::: orçamento de despesas financeiras.

Orçamento por atividades


As empresas que adotam o sistema de custeio ABC – Sistemas de Custeamento Baseado por Ati-
vidades devem utilizar a mesma metodologia em seu processo de elaboração do orçamento. Cada ati-
vidade relevante deverá ter seus gastos segregados em peças orçamentárias, que incluirão também a
quantidade esperada de cada direcionador de custos da atividade.
O direcionador de custos, para efeito de custeio de produtos, deve ser o fator que determina, ou
influencia a maneira como os produtos utilizam as atividades.

Elaboração do orçamento
Todos os orçamentos baseiam-se em dados históricos e a Contabilidade é a principal fonte de
informações para este fim, pois registra as operações econômicas e financeiras passadas que são os
principais elementos para a formação das premissas orçamentárias.
O orçamento deverá levar em consideração a hierarquia estabelecida, a departamentalização, o
orçamento para cada área de responsabilidade, os custos controláveis, o quadro de premissas, o levan-
tamento das informações base e a observação do comportamento dos gastos.
Orçamento, provisões e reservas financeiras | 79

O orçamento segue a hierarquia de uma empresa e pode ser visualizado dentro de um organo-
grama, assim facilitará o processo de análise dos gastos, identificação dos setores, bem como o processo
de sintetização dos orçamentos analíticos para os orçamentos setoriais ou divisionais, até o orçamento
geral da empresa.
A seguir, detalharemos como o orçamento deverá ser elaborado, abrangendo alguns questiona-
mentos básicos à sua elaboração.

Previsão de vendas 
Para previsão de vendas, utiliza-se a Contabilidade como indicativo, sendo necessárias indaga-
ções do tipo: 
::: qual o nível histórico de vendas (valores nominais, em R$)?
::: qual a sazonalidade do negócio?
::: qual a representatividade dos novos negócios (ou produtos) já concretizados?

Compras 
Uma vez definido o nível de vendas orçado, estima-se o nível de compras necessário para o vo-
lume de negócios. Assim como as vendas, as compras poderão sofrer algumas influências, tais como
o nível de preços decorrentes dos ajustes de tabela dos fornecedores, variação de volume de vendas
físicas (unidades), ou em função de maior ou menor estocagem.
Em um mercado de livre concorrência, os preços tendem a convergir para os principais índices
de inflação. Assim, um orçamento com base histórica na Contabilidade precisará estimar tais índices e
aplicá-los sobre os valores nominais incorridos no exercício anterior.

Custo dos Produtos e Mercadorias Vendidas 


A fórmula de apuração do CPV (Custo de Produtos Vendidos) ou CMV (Custo de Mercadorias Ven-
didas) é composta da seguinte forma:

CPV ou CMV = Estoque Inicial (EI) + Compras (C) – Estoque Final (EF)

O CPV está relacionado à atividade industrial, ou seja, aos produtos fabricados. E o CMV relaciona-
se à atividade comercial, ou seja, às mercadorias adquiridas para revenda.

Custos e despesas operacionais 


Nesta etapa do orçamento, a contabilidade será de suma importância, pois apresentará os valores
históricos, relacionando o nível de operações com os correspondentes desembolsos, tais como Tributos
sobre Vendas, Folha de Pagamento, Despesas Gerais de Produção, Despesas Administrativas e de Ven-
das, Despesas Financeiras etc.
80 | Finanças: fundamentos e processos

Pode-se prever a dinâmica futura de tais gastos, incluindo os efeitos da variação de preços sobre
produtos e serviços consumidos na atividade operacional, as eventuais variações físicas/quantitativas
do consumo, relacionadas à expansão ou redução de negócios, e os subsídios para despesas novas que
serão exigidas em função de novos produtos ou serviços a serem lançados.

Outras despesas
Algumas “novas” despesas poderão estar relacionadas à obrigatoriedade de atendimento de
legislação, reestruturação operacional, modernização ou outros itens que não implicam, necessaria-
mente, em novos negócios (receitas). Estas despesas deverão ter sua previsibilidade na elaboração do
orçamento corrente.
Neste caso, as informações contidas na contabilidade poderão ser insuficientes para uma correta
projeção. Entretanto, o gestor poderá utilizar-se destas informações para determinar quais despesas já
estão contempladas, e como se correlacionarão com as despesas novas.

Receitas e despesas financeiras


Outra dificuldade é a previsão de quais custos financeiros serão incorridos nas atividades e, no-
vamente as informações contidas na contabilidade terão uma grande contribuição para auxiliar nestas
projeções.
Outra forma de mensuração das receitas e despesas financeiras é através da projeção do fluxo de
caixa, visando identificar necessidades de financiamentos e empréstimos de capital de giro e investi-
mentos fixos, acrescentando-se a estes, os encargos já contratados.

Texto complementar
Lucro, lucratividade e rentabilidade
Lucro – Sendo conceituado de uma forma simplificada, nada mais é do que o resultado posi-
tivo deduzido das vendas os custos e despesas.
Lucratividade – É a relação do valor do lucro com o montante de vendas, ou seja, divide-se o
valor do lucro pelo volume de vendas (lucro líquido/vendas).
Rentabilidade – Refere-se ao resultado que possibilita a análise do retorno sobre o investi-
mento realizado na empresa.
O lucro, portanto, é a base para a análise das decisões de investimentos.
Orçamento, provisões e reservas financeiras | 81

A primeira pergunta que se faz é qual o lucro ideal? É obvio que quanto maior, melhor! En-
tretanto, o retorno de investimento é uma recompensa equivalente a todo o investimento e não
apenas aos lucros gerados nos períodos iniciais, ou de um período específico.
Um investimento pode proporcionar altas taxas de lucros em determinados períodos e até
prejuízos em outros; neste caso deve prevalecer o retorno médio obtido no período considerado.
Para os pequenos negócios é importante que os lucros gerados sejam equivalentes a 3% ao mês em
média do valor dos investimentos próprios.
Com relação à lucratividade (lucros sobre as vendas) para as micros e pequenas empresas
ela varia entre torno de 5% a 10% para indústria e comércio. No caso de prestadoras de serviços
ficam em torno de 15% a 20%. Para análise correta da lucratividade, as considerações são as seguin-
tes: quanto maior, melhor para a empresa; a mesma deverá ser comparada com média do setor em
que a empresa atua; e deverá atender a expectativa do empreendedor.
Normalmente os lucros gerados por uma empresa revelam três situações distintas:
::: podem estar gerando recursos insuficientes para manter a empresa;
::: podem estar gerando recursos mínimos para manter a sua sobrevivência;
::: podem estar gerando recursos para empresa sobreviver e crescer.
Uma empresa que esteja gerando recursos para sobreviver e crescer, deve observar o seguinte:
::: normalmente tem fluxo de caixa positivo;
::: obtém ganho financeiro;
::: investe recursos na atualização do seu imobilizado; procura manter seus funcionários trei-
nados e atualizados;
::: investe recursos constantemente em marketing;
::: gera recursos para manter o capital de giro e proporcionar o retorno desejado pelos inves-
tidores.

Fonte: Sebrae de São Paulo – www.sebraesp.com.br

Ampliando conhecimentos
Para complementar os estudos referentes a esta aula indico os livros Orçamento Empresarial de
Glenn A. Welsch da Editora Atlas; e Orçamento Empresarial: como Elaborar e Analisar de João Passarelli e
Eunir de Amorim Bonfim, da Editora Iob Thomson. Eles apresentam uma parte conceitual bem detalha-
da da importância de um orçamento, bem como de sua elaboração.
82 | Finanças: fundamentos e processos

Atividades
1. O que é orçamento?

2. O que é necessário ter para elaborar um orçamento?

3. Para que se faz e para que serve o orçamento?

4. Quais são os princípios básicos de um orçamento?


Ponto de Equilíbrio
Conceituação
Quanto é necessário faturar para poder quitar todos os compromissos da empresa? Esta dúvida é
muito comum quando se pretende ter uma noção da situação econômica e operacional da empresa, ou
quando se quer iniciar uma determinada atividade empresarial.
A resposta é relativamente simples. Ela é dada através do Ponto de Equilíbrio, que identifica o
volume de operações da empresa onde a receita total se iguala ao custo total.
O Ponto de Equilíbrio ou Break-Even Point é a quantidade mínima que a empresa deve vender
para que não tenha prejuízo, ou seja, é o valor ou a quantidade que a empresa precisa vender para co-
brir o custo das mercadorias vendidas, as despesas variáveis e as despesas fixas. No Ponto de Equilíbrio,
a empresa não tem lucro nem prejuízo.
A utilização desta técnica pode contribuir para o entendimento e a utilidade de estimativas e
procedimentos orçamentários, auxiliando também, a tomada de decisões gerenciais a curto prazo. Os
resultados desta análise devem fazer parte de um conjunto de outras informações e nunca deverão ser
tomadas isoladamente.
Para julgar a importância da análise do Ponto de Equilíbrio como um instrumento de auxilio à
administração, é importante considerar as suposições básicas, denominadas muitas vezes de limitações
à análise ou de hipótese simplificativa. Deve-se considerar ainda o uso da análise do Ponto de Equilíbrio
nas decisões gerenciais, como por exemplo, o aumento ou diminuição do preço de venda e o aumento
ou diminuição dos custos fixos e variáveis.

No Ponto de Equilíbrio as receitas são iguais aos gastos totais, representando o padrão mínimo de
desempenho e mostrando de forma simples e direta qual o objetivo a ser atingido para que a orga-
nização se torne viável.

Ou seja, é o volume de vendas a partir do qual as receitas geradas são suficientes para cobrir os
custos variáveis, que dependem da quantidade fabricada, e os custos fixos, como aluguéis e salários
84 | Finanças: fundamentos e processos

administrativos. Portanto, pode-se afirmar que abaixo do Ponto de Equilíbrio há prejuízo, e acima dele
há lucro.
A análise do Ponto de Equilíbrio é uma ferramenta muito valiosa para estabelecer uma política
de comercialização mais adequada para cada situação de mercado. Porém existem algumas limitações
nesta análise:
::: a existência de vários produtos na linha de comercialização na qual cada produto possui uma
Margem de Contribuição diferenciada, não havendo possibilidade de o cálculo ser efetuado
com base em quantidade como o Ponto de Equilíbrio.
::: as sazonalidades não devem ser consideradas para ajustes da estrutura de custo da empresa,
por representarem momentos específicos do comportamento comercial. Em vez disso, consi-
dere-se um dado histórico real representativo;
::: o Ponto de Equilíbrio representa a atividade mínima da empresa, e não a atividade desejada
pelos sócios.

Conceitos pertinentes ao Ponto de Equilíbrio


A Margem de Contribuição, a Margem de Segurança e o Grau de Alavancagem Operacional são
alguns indicadores que estão diretamente relacionadas ao conceito de Ponto de Equilíbrio.

Margem de Contribuição
A Margem de Contribuição é a diferença entre o preço de venda e as despesas variáveis. É um
valor que contribui para o pagamento do custo fixo e da margem de lucro desejada.
Podemos calcular a Margem de Contribuição Percentual, com a finalidade de sabermos quanto
cada produto contribui para o pagamento das despesas fixas e da margem de lucro. O custeio direto é
que oferece a oportunidade de formação dos preços, com base nos preços praticados pelo mercado.
Para isso, usa-se o preço de venda do produto no mercado (concorrente) e deduzem-se as despesas
variáveis (CMV ou MP + impostos sobre as vendas), encontrando-se a (MC) Margem de Contribuição de
cada produto.
Neste caso, o volume de vendas é fator determinante no estabelecimento de preços, devendo ser
compatível com a necessidade mínima de faturamento para a cobertura das despesas fixas e dos custos
e despesas variáveis.

Margem de Segurança
A Margem de Segurança pode ser definida como o volume de vendas que excede as vendas cal-
culadas no Ponto de Equilíbrio. O volume de vendas excedente para analisar a Margem de Segurança
pode ser tanto o valor das vendas orçadas como o valor real das vendas. Para achar a segurança usa-se
a seguinte equação:
Ponto de Equilíbrio | 85

Margem de Segurança (MS) = Vendas Reais/Orçadas (-) Vendas no PE

Grau de Alavancagem Operacional


A Alavancagem Operacional é a medida da extensão de quantos custos fixos estão sendo usa-
dos dentro da organização, o termo alavancagem vem da possibilidade de apurar Lucros Líquidos em
proporções maiores do que o normalmente esperado, através da alteração correta da proporção dos
custos fixos na estrutura de custos da empresa. O Grau de Alavancagem Operacional pode ser medido
pela seguinte fórmula:

Grau de Alavancagem Operacional (GAO) = Variação % do Lucro/ Variação % do Volume

O Grau de Alavancagem Operacional indica como o nível de vendas e uma mudança percentual
no volume de vendas afetará os lucros.

Tipos de Ponto de Equilíbrio


Conceitualmente, os tipos de Ponto de Equilíbrio são divididos da seguinte forma:

Contábil
Ponto de Equilíbrio Contábil (PEC) é a quantidade que equilibra a receita total com a soma dos
custos e despesas relativos aos produtos vendidos (custo total), ou seja, é obtido quando a soma das
Margens de Contribuição totalizar o montante suficiente para cobrir todos os custos e despesas fixas.
Esse é o ponto em que contabilmente não haveria nem lucro nem prejuízo.
Se tivéssemos uma empresa que apresentasse custo variável de R$ 15.000,00 com um custo fixo
de R$ 10.000,00, de acordo com o PEC o valor das vendas seria de R$ 25.000,00 e a Margem de Contri-
buição seria de R$ 10.000,00, pois:

Se Lucro Líquido + Custo Fixo = MC = R$10.000,00


Se MC + Custo Variável = Vendas = R$25.000,00
Não esqueça que no PEC não haveria lucro nem prejuízo.

Econômico
Ponto de Equilíbrio Econômico (PEE) é a quantidade que equilibra a receita total com a soma dos
custos e despesas, acrescidas de uma remuneração mínima sobre o capital investido pela empresa.
86 | Finanças: fundamentos e processos

Representa a quantidade de vendas necessárias para atingir determinado lucro. Geralmente, o


Lucro Líquido predeterminado é o custo de oportunidade, ou seja, a lucratividade mínima esperada
pelo investidor.
Se tivéssemos uma empresa com um custo variável de R$12.000,00, custo fixo de R$ 9.000,00 e
um lucro de R$ 5.000,00, o valor das vendas seria de R$ 26.000,00, pois:

Se Lucro Líquido + Custo Fixo = MC = R$ 14.000,00


Se MC + Custo Variável = Vendas = R$ 26.000,00

Financeiro
Ponto de Equilíbrio Financeiro (PEF) é a quantidade que equilibra a receita total com a soma dos
custos e despesas que representam desembolso financeiro para a empresa. Neste caso os encargos de
depreciação, por exemplo, são excluídos do cálculo.
Para determinar o Ponto de Equilíbrio Financeiro, é necessário conciliar o saldo contábil com o
resultado contábil, e para isso deve-se elaborar a demonstração de baixo para cima, como exemplifica-
mos a seguir:

Saldo de caixa = ZERO


Depreciações (gastos não desembolsáveis) = R$ 45.000,00
Lucro líquido do exercício = R$ 45.000,00
Gastos não operacionais = R$ 8.000,00
Lucro operacional = R$ 37.000,00
Gastos operacionais não desembolsáveis = (R$ 22.000,00)
Gastos operacionais desembolsáveis = (R$ 38.000,00)
Margem de contribuição esperada = R$ 97.000,00

Industrial
Sob enfoque industrial, sente-se a necessidade da determinação do Ponto de Equilíbrio em razão
da não existência de prejuízos.
As nomenclaturas apresentadas, a seguir, são utilizadas para se definir a equação que determina
o Ponto de Equilíbrio. São elas:
PV => Preço de Venda Q => Quantidade Vendida
RT => Receita Total CF => Custo Fixo
CT => Custo Total CVU => Custo Variável Unitário
PE => Ponto de Equilíbrio MCU => Margem da Contribuição Unitária
Ponto de Equilíbrio | 87

Assim temos que:

RT = PV x Q
CT = CF + (CVU x Q)

No Ponto de Equilíbrio, RT = CT, então:

PV x Q = CF + (CVU x Q)
Q x (PV – CVU) = CF
Q x MCU = CF
Q = CF / MCU

Ponto de Equilíbrio (PE), em unidades, é o resultado da divisão do custo fixo pela Margem de
Contribuição Unitária.
Ponto de Equilíbrio (PE), em unidade monetária, é o resultado da divisão do custo fixo pela por-
centagem que a Margem de Contribuição Unitária representa em relação ao preço de venda, ou seja:
podemos chegar a este resultado multiplicando-se a quantidade correspondente ao Ponto de Equilí-
brio, pelo preço de venda.

Elementos envolvidos
na determinação do Ponto de Equilíbrio

Volume de produção e vendas


Também conhecido por análise das relações custo–volume–lucro, o Ponto de Equilíbrio ignora
aspectos relacionados com a formação dos Estoques, pressupondo que toda a produção seja vendida
instantaneamente.

Custo (ou despesas) variáveis


São aqueles cujo valor total aumenta ou diminui, direta e proporcionalmente, com as flutuações
ocorridas na produção e vendas.
Nas empresas industriais encontramos os seguintes custos variáveis: consumo de Matérias-pri-
mas e de outros Materiais de produção, Energia Industrial, Materiais de embalagem, Fretes, Comissões
sobre vendas, Impostos, Contribuições calculadas sobre o faturamento etc. Nas empresas comerciais,
além das despesas acima citadas, entra ainda o Custo das Mercadorias Vendidas.
88 | Finanças: fundamentos e processos

Custos (ou despesas) fixos


São os que permanecem constantes dentro de certo intervalo de tempo, independentemente
das variações ocorridas no volume de produção e vendas durante esse período, este intervalo de tempo
não costuma ser superior a alguns meses. Configurada uma retração mais prolongada nas atividades ou
um ciclo de expansão dos negócios, o valor total desses custos e despesas será ajustado para um novo
patamar, em decorrência de decisões da administração.

Determinação do Ponto de Equilíbrio de Mercado


Sob o enfoque mercadológico é importante, antes de se definir o Ponto de Equilíbrio de Mercado
(comercialização), conhecer os mecanismos que regulam o livre mercado, ou Lei da Oferta e da Demanda.

Lei da Demanda ou Procura


A demanda ou procura de um indivíduo por um determinado bem ou serviço, refere-se à quanti-
dade desse bem que ele está disposto e capacitado a comprar.
A quantidade demandada por um bem ou serviço depende de vários fatores. Dentre eles temos:
o preço do bem; o gosto do consumidor e os preços dos produtos equivalentes (ou similares).

Lei da Oferta
Entendemos por oferta de um determinado bem, a quantidade desse bem, ou a quantidade que
o produtor deseja vender no mercado. Em geral, a Lei da Oferta é uma função crescente: se o preço au-
menta, a quantidade ofertada também aumenta.

Equilíbrio de Mercado
O Equilíbrio de Mercado é o ponto (preço), no qual a quantidade ofertada é igual à quantidade
demandada do mesmo produto.

Ampliando conhecimentos
Os livros Orçamento Empresarial de Glenn A. Welsch e Contabilidade de Custos de Eliseu Martins,
ambos da Editora Atlas, apresentam uma parte conceitual bem detalhada quanto a importância de um
orçamento, bem como de sua elaboração, além de possuir todos os conceitos necessários a um bom en-
tendimento dos temas e exercícios para colocar à prova os conhecimentos sobre o Ponto de Equilíbrio.
Ponto de Equilíbrio | 89

Atividades
1. O que é Ponto de Equilíbrio?

2. O que é o Ponto de Equilíbrio Contábil?

3. O que é Ponto de Equilíbrio Econômico?


90 | Finanças: fundamentos e processos

4. O que é Ponto de Equilíbrio Financeiro?

5. O que é Margem de Segurança?

6. O que é grau de Alavancagem Operacional?


Administração
do capital de giro e análise
das fontes de recursos
Introdução
Os ativos de uma empresa são valores que representam onde foram aplicados os recursos finan-
ceiros oriundos das fontes de recursos, as quais estão representadas no Passivo.
Os ativos e passivos que serão realizados até o encerramento do Exercício Social são denomi-
nados de circulantes, porém, o Capital Circulante Líquido é representado pela diferença entre o Ativo
Circulante e o Passivo Circulante.
O Capital Circulante representa o valor aplicado pela empresa em seu ciclo operacional, que com-
preende o período de tempo desde a entrada da Matéria-prima no estoque até a venda dos produtos e
seu respectivo recebimento, podendo ser representado pela seguinte equação:

Ciclo Operacional = Idade Média dos Estoques (IME) + Período Médio de Cobrança (PMC)

Para se calcular o IME, primeiramente é necessário se calcular o giro dos estoques, como demons-
trado a seguir:
Custo do Produto Vendido (CPV)
Giro do estoque =
Estoques
Dividindo-se o número de dias do ano pelo giro do estoque encontra-se o IME, conforme de-
monstrado a seguir:
360
IME =
Giro do estoque
92 | Finanças: fundamentos e processos

Já o cálculo do período médio de cobrança da venda é obtido pela divisão do valor do Contas a
receber pela média diária das vendas.

Período médio de cobrança = Contas a receber / (Vendas/360)

O ciclo de caixa representa o período de tempo em que os recursos da empresa foram utilizados
para o pagamento de bens e/ou matérias-primas até o recebimento pela venda do produto acabado.

Ciclo de caixa = Ciclo Operacional (CO) – Prazo Médio de Pagamento (PMP)

Como podemos observar o Ciclo Operacional, nada mais é do que:

Soma da Idade Média dos Estoques (IME) + o Prazo Médio de Cobrança


(PMC) – Prazo Médio de Pagamentos (PMP)

Para obtermos o número de vezes, por ano, em que os ciclos de caixa se realizam, podemos divi-
dir 360 dias pelo ciclo de caixa, ou seja:
360
Giro de caixa =
Ciclo de caixa

Decisão de investimento
O principal balizador em uma decisão de investimento é o retorno que se espera dele, ou seja, o
total de ganhos ou perdas esperado por alguém sobre um investimento realizado. Estes investimentos
podem ser representados por ativos físicos, como por exemplo, aquisição de máquinas e equipamentos
ou em títulos do mercado, como por exemplo, aquisição de ações de outras empresas.
Os retornos dos investimentos efetuados em ativos físicos são expressos através do fluxo de caixa
e que estão sujeitos a incertezas, as quais são relacionadas a situações de risco, que é a possibilidade de
prejuízo.
Incerteza é a situação de dívida ou insegurança de se obter um resultado, sem forma de quantifi-
car as possibilidades de ocorrência das situações positivas ou negativas.
Os riscos em um investimento têm características diferenciadas e podem ser classificados em três
grupos, apresentados a seguir:
::: risco de negócio: são os riscos associados à forma de condução dos negócios, ou seja, relacio-
nados às finanças, produção, recursos humanos etc.
::: risco financeiro: é o risco de que os Lucros antes de Juros e Imposto de Renda não sejam su-
ficientes para cobrir as despesas financeiras.
::: risco país: as decisões políticas e a estabilidade econômica e inflacionária causam grande va-
riação nos retornos esperados de um investimento, pois podem alterar condições de finan-
ciamento do investimento e do Capital Circulante, a carga tributária da empresa ou mesmo
aumentar ou diminuir a renda da população.
Administração do capital de giro e análise das fontes de recursos | 93

Após verificarmos os conceitos relacionados ao risco, fica claro que sempre que realizamos um
investimento assumimos riscos, porém, é importantíssimo estarmos seguros do risco assumido, que é
diretamente relacionado ao retorno esperado de um investimento, sendo natural que quanto maior o
risco, maior é o retorno esperado, representado da seguinte forma:
::: retorno esperado: remuneração que os investidores solicitam para manter suas aplicações
no investimento escolhido.
::: retorno exigido: corresponde ao retorno esperado.
::: retorno real: é o retorno efetivo do investimento ou aplicação.
Importante salientar que o retorno do investimento efetuado em ativos físicos é expresso através
do fluxo de caixa, e do investimento em títulos do mercado financeiro é expresso no valor deste título.

Administração do capital de giro


O capital de giro consiste do Caixa, Títulos Negociáveis, Estoques e Contas a receber e refere-se
a Ativos Circulantes, sendo sua política estritamente relacionada a decisões quanto ao nível e ao finan-
ciamento dos ativos.
O capital de giro, representado pelos Ativos Correntes, é necessário para fazer o negócio funcio-
nar e quanto maior for o nível dos Ativos Circulantes, menor será o risco de faltas e, conseqüentemente,
menor será o risco operacional. Existe, porém, um custo na manutenção deste capital de giro, por exem-
plo, se os estoques são altos e acontecer um caso de deterioração ou um alto custo de armazenagem, a
empresa poderá obter retornos nulos ou até negativos.
Os Ativos Circulantes de maior expressão são Caixa, Aplicações Financeiras, Duplicatas a receber
e os Estoques. Estes ativos devem ser administrados de forma responsável pelo gestor financeiro, pois
através deles, será garantida a Liquidez da empresa.
Igual importância deve ser destacada aos Passivos Circulantes como Empréstimos, Duplicatas a
pagar e outras Despesas Provisionadas no Curto Prazo, garantindo que cada uma das fontes de finan-
ciamento de curto prazo sejam utilizadas de forma adequada.
Por este motivo, o principal objetivo da administração de caixa é a redução deste valor ao mínimo
necessário para atender às operações da empresa. A boa política de capital de giro é elaborada para
minimizar o tempo entre desembolsos de caixa com materiais e o recebimento pelas vendas.
A administração de caixa é efetuada procurando ser eficaz e desta forma, aumentar o valor da em-
presa e conseqüentemente de seus sócios e acionistas e objetivar a determinação de ações do melhor
aproveitamento dos “floats”1 que são representados pela compensação de recebimentos ou pagamen-
tos. Nos procedimentos em relação à agilização das cobranças e no aumento do prazo para pagamen-
tos de compromissos assumidos a curto prazo, pode-se utilizar técnicas visando a redução do tempo de
compensação da cobrança, ampliação do tempo de pagamento, redução dos prazos de processamento
administrativo, agilização na cobrança de valores a receber, utilização de formas adequadas de recebi-
mento e política de ajustamento de vencimentos.

1 Período que o dinheiro fica em poder do banco, situado entre a data do recebimento e o repasse ao beneficiário.
94 | Finanças: fundamentos e processos

Além disso, podemos utilizar também de algumas técnicas que possibilitam a redução do ciclo de
caixa da empresa e, conseqüentemente, auxiliarem na administração do caixa.
::: negociação para pagamentos: O momento da negociação de compra é crucial para atender
a este objetivo, pois pode-se conseguir maior prazo de pagamento, e entende-se que existe
um maior interesse por parte do vendedor em abrir concessões durante a negociação.
::: descontos: Aproveitar os descontos oferecidos pelos credores pode contribuir para a redução
do ciclo de caixa.
::: giro dos estoques: Acelerar o giro dos estoques requer a utilização de técnicas de gestão de
estoques que evitem trazer prejuízos, principalmente à produção.
::: acelerar o recebimento do Contas a receber: Para acelerar o recebimento do Contas a rece-
ber, podem ser adotadas ações como por exemplo, normas rígidas de cobrança, diminuição
dos prazos, oferecer descontos atrativos ou até mesmo efetuar uma parceria com instituições
financeiras.
O capital de giro exige do gestor financeiro um acompanhamento permanente, pois é o primeiro
a ser impactado pelo mercado dinâmico em que uma empresa atua. A maior parte do tempo de um
gestor financeiro é canalizado para a solução de problemas de capital de giro, envolvendo a formação e
financiamento dos Estoques, gerenciamento do Contas a receber e administração da falta de Caixa.
As dificuldades de capital de giro em uma empresa são ocasionadas, em sua grande maioria pelos
seguintes motivos:
::: aumento da inadimplência;
::: redução das vendas;
::: redução de prazo de pagamento por parte dos fornecedores;
::: aumento de custos;
::: descompasso entre recebimentos e pagamentos.

Fontes de financiamento de curto prazo


Toda empresa para movimentar sua atividade operacional necessita aplicar recursos no giro de
suas atividades, ou seja, comprar matéria-prima, vender produtos etc.
O montante a ser aplicado no giro das atividades de uma empresa pode vir de fontes internas
ou externas e de curto e longo prazo. As empresas têm buscado fontes de empréstimos de curto prazo
para financiar os Ativos Circulantes, utilizando-se de recursos de longo prazo e Capitais Próprios para
financiar Ativos Permanentes. Entende-se como curto prazo o período não superior a um ano.
As principais fontes de financiamento de curto prazo são:

Capital próprio
São os recursos investidos na empresa e contabilizados no Patrimônio Líquido, através da subscri-
ção e integralização de Capital Social ou por Lucros gerados na operação e reinvestidos.
Administração do capital de giro e análise das fontes de recursos | 95

A utilização do capital próprio, por meio de aumento do Capital Social, para financiar Ativos Circu-
lantes, não é uma prática comum nas empresas, pois ocorre em situações especiais, quando, por exem-
plo, na implantação de algum grande projeto que além de investimento em Ativo Permanente requer
também investimento em Capital Circulante.
A utilização de recursos gerados pela própria empresa, através dos Lucros Retidos, é mais freqüente.
O capital de giro próprio de uma empresa determina sua capacidade, maior ou menor, de autofi-
nanciamento de seu ciclo operacional. A médio e a longo prazo, o capital de giro próprio demonstrará
as possibilidades de expansão da empresa com a garantia de recursos próprios.
A correlação entre estratégia, crescimento e administração do capital de giro existem na medida
em que a estratégia define se o crescimento é um objetivo a ser perseguido e define como ele poderá
ser conseguido. Por sua vez, a definição do crescimento como objetivo empresarial poderá ser alcan-
çada e acarreta em conseqüências diretas na administração do capital de giro sob todos os aspectos,
particularmente quando for financiado pelo sistema de autofinanciamento.
Entre as opções para aumentar o capital de giro (realização de investimentos, aumento de capital,
aumento do endividamento a curto e longo prazo), o sistema de autofinanciamento deverá ser suficien-
te para financiar as necessidades de recursos da empresa ligadas ao ciclo operacional.
A seguir, apresentamos algumas estratégias financeiras que colaborarão para a adequada gestão
financeira da empresa e, conseqüentemente de seu caixa.
::: Manutenção da Rentabilidade.
::: Distribuição de Lucros/Dividendos a sócios/acionistas.
::: Inovação com responsabilidade (conservadora x agressiva).
::: Gestão financeira centralizada.
::: Manutenção de equipe competente na gestão financeira.
::: Desenvolvimento e utilização de sistemas informatizados na gestão financeira.
::: Adequada política de recebimentos e pagamentos.
::: Manter bom relacionamento com clientes e fornecedores;
::: Adequada gestão de estoques.

Capital de terceiros
O capital de terceiros é representado pelo endividamento da empresa, apresentado no Balanço
Patrimonial, mais especificamente, no Passivo, e são utilizados por períodos de tempo definidos, dos
quais são cobrados encargos financeiros.
As fontes de recursos de curto prazo utilizadas para financiar o capital de giro das empresas estão
divididas em crédito comercial e crédito bancário.

Crédito comercial
O crédito comercial é decorrente da negociação entre a empresa e seus fornecedores de bens e/
ou serviços.
96 | Finanças: fundamentos e processos

O crédito comercial tem origem de fontes como:


::: Crédito de fornecedores: é a fonte mais importante do crédito comercial utilizada para finan-
ciar o capital de giro. O prazo para pagamento tem grande efeito motivador nas vendas, com-
prar a prazo faz parte da negociação entre cliente e fornecedor como um dos componentes
de condição da venda.
::: crédito de impostos e obrigações sociais: as empresas têm normalmente prazos para reco-
lhimento de impostos, contribuições e obrigações sociais devidos à União, Estado e Município,
tais como: ICMS, PIS, COFINS, INSS, FGTS, Imposto de Renda etc.
Esses prazos consistem em créditos sem ônus para a empresa, sendo uma importante fonte de
cobertura de capital de giro. Os bancos comerciais possuem um float junto aos beneficiários desses re-
colhimentos ou até mesmo algum benefício pelo serviço de recebimento, sendo possível negociar com
estes bancos o recolhimento mediante alguma remuneração, porém é necessária e importante uma
análise financeira desta operação por parte da empresa.

Crédito bancário
A captação de recursos de curto prazo através do crédito bancário é denominada operação de
empréstimo e pode ser efetuada em bancos comerciais, sociedades de crédito, financiamento e investi-
mentos, as chamadas financeiras e bancos de investimentos. Existem também as empresas de factoring,
que não são consideradas instituições financeiras, mas instituições financiadoras.
Estas operações são firmadas através de contrato formalizado entre quem está emprestando o
recurso, o tomador do empréstimo (devedor) e os eventuais avalistas. Como exigências prévias à assi-
natura dos contratos, há uma série de providências impostas por quem está disponibilizando o recurso,
em termos de documentação legal, informações cadastrais e financeiras. As condições contratuais das
operações de crédito englobam o valor da operação de crédito, os custos da operação, os encargos
tributários, os prazos desta operação e as respectivas garantias ao emprestador.
O custo do empréstimo, prazo de pagamento, taxa de juros, garantias e reciprocidade da institui-
ção financeira, são fatores que devem ser levados em consideração e muito bem analisados visando a
tomada de decisão para utilização de capital de terceiros.

Modalidades de crédito bancário


A seguir, descreveremos as principais modalidades de crédito bancário existentes no mercado.
Desconto de títulos
São operações realizadas pelas empresas, junto aos bancos comerciais, sendo efetuadas negocia-
ções para antecipação de recebimento de um título, que representa um crédito a favor desta empresa,
através de cessão de direito à instituição financeira. Podem ser um desconto de duplicata, desconto
de nota promissória e empréstimo por contrato de curto prazo. Este último representa modalidade de
desconto de título, pois são efetuados mediante o desconto de nota promissória.
Créditos rotativos
Funcionam como conta corrente, com limite de crédito e prazo preestabelecido, dentro do qual a
empresa poderá utilizar o recurso disponível para atender às suas necessidades de caixa.
Administração do capital de giro e análise das fontes de recursos | 97

Vendor
Esta operação caracteriza-se quando o fornecedor vende à prazo, recebe à vista e assume o risco
do não pagamento pelo cliente junto à instituição financeira, ou seja, o fornecedor vende, transfere o
crédito ao banco, assume o risco pelo não pagamento por parte do comprador e recebe à vista. O com-
prador compra e recebe o financiamento do banco e o banco, por sua vez, financia o comprador e paga
à vista o fornecedor.
Factoring
É uma operação em que a empresa realiza a transferência efetiva de créditos junto a seus clientes,
através das duplicatas para a factoring, que assume o risco pelo não recebimento. Legalmente esta tran-
sação não é considerada uma operação de crédito, mas sim uma operação de cessão de direitos.

Ampliando conhecimentos
O livro Administração financeira: Princípios, fundamentos e práticas brasileiras de Antônio Barbosa
Lemes Júnior, Cláudio Miessa Rigo e Ana Paula Mussi Szabo Cherobim, publicado pela Editora Campus,
apresenta de forma detalhada e clara todos os conceitos relacionados a capital de giro e análise das
fontes de recursos, voltado à realidade brasileira e com exemplos práticos.

Atividades
1. O que representa o Capital Circulante?

2. O que representa o ciclo de caixa?


98 | Finanças: fundamentos e processos

3. Como os investimentos podem ser representados?

4. Qual o principal objetivo da administração de caixa?

5. Quais são as principais fontes de financiamento de curto prazo?


Análise do Resultado
Operacional
Índices de Lucratividade ou Rentabilidade
Os Índices de Rentabilidade mostram o retorno auferido pela empresa na utilização de seus ati-
vos, durante um período. Esses índices relacionam o lucro da empresa com seu tamanho, expresso por
meio de suas vendas ou de seus ativos (investimento). Dentre eles destacamos:
Margem Bruta: representa a lucratividade auferida sobre o produto ou serviço comercializado
pela empresa.

Lucro Bruto
Margem Bruta =
Vendas
Margem Operacional: avalia o ganho operacional da empresa em relação ao seu faturamento.
Esse índice revela a eficiência operacional da empresa, medida exclusivamente em função de suas ope-
rações normais realizadas para manutenção da atividade fim.

Lucro Operacional
Margem Operacional =
Vendas
Margem Líquida: esse índice demonstra o retorno líquido da empresa sobre seu faturamento,
após deduzir-se as Despesas Operacionais e Não operacionais e os impactos do Imposto de Renda e da
Contribuição Social sobre o Lucro.

Lucro Líquido
Margem Líquida =
Vendas

Além das Margens Bruta, Operacional e Líquida, existem outros índices não menos importantes,
que também são aplicados para se elaborar uma análise financeira pertinente à rentabilidade. São eles:
100 | Finanças: fundamentos e processos

Retorno sobre o Ativo


O Retorno sobre o Ativo Total (ROA – Return on Assets) estabelece a eficiência dada ao Ativo
Total utilizado nas operações da empresa.
Lucro Líquido
ROA =
Ativo Total Médio

Retorno sobre o Investimento


O Retorno sobre o Investimento (ROI – Return on Investiment) estabelece a eficiência dada pela
administração ao Ativo Operacional utilizado nos negócios da empresa.

Lucro Líquido
ROI =
Ativo Total

Os índices ROI e ROA são de grande importância, na medida em que nos permitem comparar em-
presas de qualquer tamanho. Na verdade esses índices mostram que só o tamanho do ativo não diz nada.
O que vale é o retorno obtido por meio da utilização desses ativos, qualquer que seja seu tamanho.

Retorno sobre o Patrimônio Líquido


O Retorno sobre o Patrimônio Líquido apura a relação entre o ganho obtido pelos sócios e o in-
vestimento que realizaram na empresa.

Lucro Líquido
RPL =
Patrimônio Líquido

Patrimônio Líquido Início (+) Patrimônio Líquido Final


Patrimônio Líquido Médio =
2

Lucro por Ação


Esse índice é usado como uma medida interna de análise de desempenho. Serve como medida
comparativa entre empresas de diferentes tamanhos e ramos de atividade diversos. Os analistas de
mercado costumam recomendar a compra de ações que mostrem LPA crescente ao longo do tempo.

Lucro Líquido
LPA =
Número de Ações
Análise do Resultado Operacional | 101

Medidas de análise e avaliação de desempenho


Além da análise efetuada através de índices financeiros, outras medidas de análise e avaliação de de-
sempenho são utilizadas, sendo que mencionaremos aqui o Sistema Du Pont, EVA ou VEA (Valor Econômico
Adicionado) e o EBITDA ou LAJIDA (Lucro antes de Juros, Imposto de Renda, Depreciação e Amortização).

Sistema Du Pont
O Sistema Du Pont é uma técnica utilizada na busca das chamadas áreas chaves responsáveis pelo
desempenho financeiro da empresa. Este sistema correlaciona o Balanço Patrimonial e a Demonstração
de Resultado como medidas da lucratividade, através da Taxa de Retorno sobre o Ativo Total (TRAT) e
sobre a Taxa de Retorno sobre o Patrimônio Líquido (TRPL).
O primeiro passo do Sistema Du Pont é a união da Margem Líquida, que mede a lucratividade so-
bre as vendas, com o giro do Ativo Total, que indica a eficiência da empresa na utilização dos seus ativos
para a geração de vendas. No Sistema Du Pont, isto resulta na Taxa de Retorno sobre o Ativo Total (TRAT),
representada através da seguinte fórmula:

TRAT = (Lucro Líquido após IR / Vendas) x (Vendas / Ativo Total) = Lucro Líquido após IR / Ativo Total

Onde: IR = Imposto de Renda.

O segundo passo relaciona a taxa de retorno sobre o Ativo Total com a taxa de retorno sobre o Pa-
trimônio Líquido. Esta última é obtida da multiplicação da taxa de retorno sobre o Ativo Total pelo mul-
tiplicador de Alavancagem Financeira, que representa o Índice de Endividamento Geral da empresa.
A Taxa de Retorno sobre o Ativo Total (TRAT) identifica os resultados do investimento total reali-
zado na empresa. Já a Taxa de Retorno sobre o Patrimônio Líquido (TRPL) demonstra os resultados dos
investimentos do capital investido pelos proprietários da empresa. O cálculo da Taxa de Retorno sobre
o Ativo Total (TRAT) é feito através da multiplicação da Margem Líquida pelo giro do ativo total, repre-
sentada da seguinte forma:

TRAT = Margem Líquida x Giro do Ativo Total

O cálculo para se obter a Taxa de Retorno sobre o Patrimônio Líquido (TRPL) utiliza a relação Pas-
sivo Total / Patrimônio Líquido que é multiplicada pela TRAT.
Para se obter a Taxa de Retorno sobre o Patrimônio Líquido (TRPL), utilizamos a seguinte fórmula:

TRPL = (Lucro Líquido após IR / Ativo Total) x (Passivo Total / Patrimônio Líquido)
= Lucro Líquido após IR / Patrimônio Líquido

Onde: IR = Imposto de Renda.


102 | Finanças: fundamentos e processos

EVA – Economic Value Added


A compreensão e o emprego do conceito de Economic Value Added (EVA) como ferramenta de
análise e medida de desempenho, assiste a empresa no que se refere à promoção da meritocracia1 e da
transparência, à convergência entre os interesses dos executivos e dos acionistas e, principalmente, à
maximização da riqueza dos acionistas, que é o objetivo principal da administração. No Brasil a sigla EVA
é conhecida no meio profissional também como VEA (Valor Econômico Agregado).
O método EVA foi criado por Joel Stern e G. Sterwart III, e patenteado por sua empresa, a Stern &
Stwart Co., no início da década de 90. A grande diferença do EVA em relação aos outros métodos é a sua
facilidade de aplicação, através de relatórios contábeis, já existentes.
O método ganhou notoriedade e aceitação depois de ser adotado e utilizado pela Coca-Cola Co.,
no Brasil o sistema também é usado por grandes empresas.

O eva como instrumento de gestão


O EVA é um conceito que se baseia na idéia de Lucro Econômico (Lucro Residual). Este conceito
afirma que lucro só existe após a remuneração do capital empregado pelo seu custo de oportuni-
dade, é uma medida de desempenho que considera todos os custos de operação, inclusive os de
oportunidade. De uma maneira simples, ele é o resultado operacional depois de impostos da empre-
sa, menos o encargo pelo uso do capital fornecido por terceiros e por acionistas; mede o quanto foi
gerado em excesso ao retorno mínimo requerido pelos fornecedores de capital da empresa (terceiros
e acionistas).
As três principais características que o tornam melhor do que as métricas tradicionais:
::: é uma medida completa: o EVA é superior a medidas tradicionais de lucro (como Lucro Lí-
quido, EBIT, EBITDA etc.), pois contrapõe corretamente o capital investido para gerar lucro,
considerando todos os custos, inclusive o custo do capital de acionistas;
::: é um valor absoluto, e não percentual: investidores estão interessados em ganhos absolutos
e não percentuais: ganha-se mais com um retorno de 10% sobre um capital investido de $1.200
do que um retorno de 100% sobre um capital investido de $100. Neste sentido é superior à
medidas de retorno;
::: o EVA pode ser acompanhado período a período ao longo do tempo: ao contrário do que
ocorre com o fluxo de caixa descontado, o fato de o EVA “casar” os investimentos com os bene-
fícios que eles geram o torna comparável entre períodos; e minimiza distorções contábeis – os
ajustes realizados no seu cálculo corrigem diversas distorções que existem na contabilidade
tradicional: Resultado Não operacional, Amortização de Ágio etc.

Conceitos básicos
Antes de calcular o EVA, precisa-se definir alguns conceitos básicos que são empregados na sua
fórmula.

1 “Denota a força do mérito, daquilo que é meritório. Em outros termos, o que vale é o merecimento próprio, e não a herança.”
Análise do Resultado Operacional | 103

Nopat : Nopat é o Lucro Operacional Líquido da empresa, que é gerado através do capital ope-
racional. É o lucro gerado da receita deduzindo-se os custos e des­pesas operacionais, incluindo os
impostos.
Capital: o capital representa os Ativos Operacionais Líquidos utilizados na opera­ção para gerar
resultados. Ele representa os recursos empregados para a operacionalização da empresa, como Caixa,
Estoques, Diárias a receber, Terrenos, Imóveis, Computadores, Equipamentos etc.
Custo de capital: custo de capital é o custo médio do capital que está sendo empregado na
empresa. É o retorno, em termos percentuais, que os credores e proprietários do capital podem esperar
receber a cada período. Custo de capital é o retorno requerido da empresa a fim de atrair investidores e
evitar que estes procurem outras oportunidades de investimento.
Encargo de capital: encargo de capital é o valor monetário requerido pelos investidores para
atingir suas expectativas. Pode ser visto como os juros ou aluguel cobra­do da empresa pela utilização
do capital.
O encargo de capital no EVA é o que os economistas chamam de custo de oportunidade. É o re-
torno que investidores e proprietários podem obter caso apliquem seu dinheiro em carteira de outras
ações e títulos de risco se­melhante; e do qual abrem mão para aplicar na empresa em questão.
Da mesma forma pela qual credores exigem o pagamento de juros, acionistas e proprietários
devem obter uma taxa de retorno mínima aceitável sobre os recursos aplicados na empresa, levando-se
em consideração o risco do negócio, bem como as taxas que o mercado financeiro poderia lhe propor-
cionar, caso não investissem na empresa.
Conseqüentemente, os acionistas e proprietários esperam um retorno semelhante ao pago aos
credores. Se os acionistas e proprietários esperam uma taxa de retorno mínima de digamos 12% ao ano
sobre seu capital, a empresa somente começa a “ganhar dinheiro” ou agregar valor quando os lucros
ultrapassarem essa marca.

Calculo do EVA
O EVA é uma medida de lucros ver­dadeiros. Aritmeticamente, é o lucro operacional após
pagamento de impos­tos menos os encargos sobre capital, apropriado tanto para endividamento
quanto para capital acionário. Existem inúmeras fórmulas diferentes para o cálculo do EVA, apresenta-se
a seguir a fórmula criada pela empresa Stewart:

EVA = NOPAT – C% (TC)

Em que: Nopat é o Lucro Operacional Líquido após tributação, C% é o custo percentual de capital
e TC é o capital total. Ou:

EVA = NOPAT – (WACC) . (capital)

Em que: Nopat é o Lucro Operacional Líquido após tributação, WACC (Weighted Average Capital
Cost) é o capital de terceiros e o capital próprio; e capital é o capital total, ou seja, Investimento.
104 | Finanças: fundamentos e processos

O cálculo do EVA pode gerar três resultados distintos, conforme de­monstrado a seguir:
EVA < 0 significa que o Lucro Operacional Líquido não cobriu todos os custos de capital, conse-
qüentemente a empresa destruiu riqueza.
EVA = 0 significa que o Lucro Operacional Líquido cobriu os custos de capital, não destruindo
valor, tampouco agregando.
EVA > 0 significa que o Lucro Operacional Líquido superou os custos de capital, agregando
riqueza.
O cálculo do EVA exige o conhe­cimento do custo total de capital da empresa, o qual é obtido pelo
custo de cada fonte de financiamento (próprio e de terceiros) ponderado pela participação do respecti-
vo capital no total do investimento realizado (fixo e giro), confor­me a figura.

Ativo Passivo
Empréstimos CP/LP
Aplicação dos recursos Origem dos recursos terceiros Financiamentos
Debêntures outras

próprios Patrimônio Líquido

Bens e direitos Obrigações

Objetivando os cálculos, definem-se primeiramente as contas do capital de terceiros sobre as quais


incidem encargos financeiros; como, por exemplo, contas de empréstimos e financiamentos de curto e
longo prazo, debêntu­res, entre outras. Para obter o custo deste capital de terceiros basta multipli­car os
saldos pelo respectivo percentual de juros cobrado por cada uma das instituições (bancos, financeiras,
aplicadores, entre outros). Estão excluídos do cálculo os itens que a empresa não paga juros, como
Fornecedores, Impostos, Contribuições, Salários a pagar, Dividendos, entre outros.
No segundo momento, seleciona-se o capital próprio ou capital dos acionistas e proprietários.
Esse capital deve ser remunerado a taxas equivalentes pagas pelo mercado (INPC, IGP-M etc.).

EVA como sistema de gestão


O objetivo da utilização do EVA é que ele seja mais do que um indicador global. A idéia é torná-lo
elemento central do sistema de gestão financeira e remuneração variável.
A gestão por meio do EVA é denominada em inúmeras empresas de GVA (Gestão de Valor Agre-
gado), pois orienta o foco dos objetivos estratégi­cos e das metas e ações operacionais para aquelas que
agregam maior valor ao negócio. A implementação da metodologia de gestão por meio do EVA promo-
ve e estimula ações que venham a diminuir o desperdício de materiais, retrabalho, maior eficiência no
uso da mão-de-obra, melhorias nos procedi­mentos de gestão dos estoques, contas a receber, logística e
investimentos de capital, entre outros.
Quando a empresa utiliza o EVA plenamente, ele estimula mudanças de comportamento, tornan-
do-se referência na tomada de decisões.
Análise do Resultado Operacional | 105

A gestão baseada em medidas financeiras sofre muitas críticas de espe­cialistas, que alegam que
os gestores gerenciam o negócio por meio de medidas que são o resultado das ações. Ainda, segundo
especialistas, o gestor deve primar pelas causas que geram o resultado financeiro.
O sistema de gestão por meio do EVA tem tido grande aceitação entre as empresas brasileiras,
que procuram nessa ferramenta uma forma de me­lhorar seus resultados agregando valor ao negó-
cio. A utilização é extrema­mente importante para melhorar a eficiência na tomada de decisões, princi­
palmente relacionadas a investimentos de capital.
A utilização do EVA guia a empresa para a obtenção de melhores resultados e cria um senso de
responsabilidade na aplicação dos recursos e na obtenção de novas fontes de financiamento.
A utilização do EVA, principalmente como sistema de gestão, exige trei­namento e envolvimento
dos colaboradores e é necessário o desenvolvimento de uma cultura organizacional adaptada à gestão
baseada no EVA. A própria re­muneração variável deve ser negociada com sindicatos ou entidades que
representam os colaboradores da empresa.

Lucros antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização


EBITDA é a sigla em inglês para Earnings Before Interest Rates, Taxes, Depreciation and Amortization,
que traduzido literalmente para o português significa: Lucros antes de Juros, Impostos, Depreciação
e Amortização (LAJIDA), este termo é muito utilizado por analistas financeiros na análise de balanços
contábeis de empresas de capital aberto.
Para se chegar ao EBITDA de uma empresa, é preciso utilizar a seguinte conta: Lucro Bruto (me-
nos) as Despesas Operacionais.
Dessa forma, é possível avaliar o lucro referente apenas ao negócio, descontando qualquer ganho
financeiro (derivativos, aluguéis ou outras rendas que a empresa possa ter gerado no período).
Esclarece-se que a sua adoção repentina decorreu da desvalorização cambial do real em janeiro
de 1998, bem como, a elevação da taxa de juros para mais de 45 % (ao ano), ocasionando perdas
financeiras vultosas, principalmente para as empresas com dívidas em dólar, refletidas no resultado
negativo do exercício ou, no mínimo, muito abaixo do planejado. Bem assim que, com o EBITDA, as
empresas chamam a atenção para o fato de que, apesar da possível ocorrência de eventos desfavoráveis,
melhoraram o rendimento operacional. Portanto, o EBITDA se revela como um indicador capaz de
demonstrar o verdadeiro desempenho da atividade, principalmente a operacional.

Indicador de desempenho
Indicador de desempenho é um número que ajuda no processo de classificação do enten-
dimento da situação da empresa e objetiva detectar situações, verificar a tendência dos aconteci-
mentos e dar subsídios para que a administração da companhia enfatize os esforços nas direções
necessárias.
Basicamente, existem dois tipos de indicadores: os absolutos e os relativos ou índices. Os indica-
dores absolutos compreendem as medidas absolutas, financeiras ou não-financeiras. Assim, o Lucro é
um indicador financeiro absoluto de desempenho da empresa. Já o volume de vendas é um indicador
não-financeiro de desempenho.
106 | Finanças: fundamentos e processos

Indicadores relativos, ou índices são o resultado da comparação de duas medidas. A dinâmica dos
negócios tem motivado a agilização dos gestores na tomada de decisão, o que passou a exigir medidas mo-
dernas de avaliação do desempenho das empresas. Elas permitem a identificação de pontos fracos e preju-
diciais à eficiência e eficácia empresarial, formando o conjunto de indicadores financeiros não-tradicionais,
merecendo destaque o EVA (Economic Value Added), o MVA (Market Value Added) e, mais, o EBITDA.

Vantagens do EBITDA
O uso do EBITDA gera inúmeras vantagens, entre elas:
::: é muito útil para as comparações internacionais, porque elimina os efeitos das diferentes polí-
ticas de tributação e procedimentos contábeis dos países;
::: pode ser usado para detectar possíveis empresas atraentes para aquisição ou compra de
ações;
::: mudanças na política financeira da empresa;
::: visualização do grau de cobertura das despesas financeiras;
::: monitoramento de estratégias financeiras;
::: utilização como benchmark (ponto de referência) financeiro;
::: base para avaliação de empresas, uma vez que evidencia sua viabilidade;
::: base para pagamento de bônus para colaboradores;
::: age como medida globalizada.

Limitações do EBITDA
Enquanto inúmeros agentes de mercado utilizam o EBITDA para diferen­tes objetivos, cabe ressal-
tar que ele apresenta restrições e pode levar a deci­sões equivocadas.
As dez principais limitações do EBITDA:
::: ignora mudanças de capital e exagera no fluxo de caixa em perío­dos de investimento de
capital;
::: pode não ser uma medida apropriada para análise de liquidez (recursos disponíveis para
pagar dívidas);
::: não considera as exigências de reinvestimentos, especialmente para empresas com Ativos
de ciclo curto;
::: não diz nada sobre a qualidade dos lucros;
::: é uma medida inadequada para análise individual; para certas cir­cunstâncias é melhor ana-
lisar um conjunto de indicadores;
::: ignora as diferentes formas de receita da empresa e resultados de políticas de crédito: nem
todas as receitas representam entradas mone­tárias;
::: não é um denominador comum em função dos procedimentos contábeis que podem ser
distintos;
Análise do Resultado Operacional | 107

::: oferece pouca informação, principalmente relacionada ao risco;


::: pode variar em decorrência do ambiente;
::: não é apropriado para a análise de muitas empresas, porque ignora seus atributos e caracte-
rísticas.

Ampliando conhecimentos
Como leitura branda e focada para essa aula, indico um livro que utiliza técnicas corretas para
elaborar e desenvolver uma adequada análise de desempenho de uma empresa. Ferramentas e Técnicas
para Determinação do Valor de Qualquer Ativo de Aswath Damodaran, da Editora Qualitymark.

Atividades
1. O que representa o Índice da Margem Bruta?

2. Qual o objetivo do Índice da Margem Operacional?


108 | Finanças: fundamentos e processos

3. O que demonstra o Índice de Margem Líquida?

4. O que é o Sistema Du Pont?

5. Qual o conceito do EVA?

6. Como se calcula o EBITDA?


Planejamento
e controle financeiro
Processo de planejamento financeiro
O planejamento de caixa e o planejamento de resultado são elementos básicos e necessários ao
processo de planejamento financeiro, sendo o primeiro efetuado através da elaboração do orçamento
de caixa e o segundo pela elaboração da projeção das Demonstrações Contábeis.
Os principais usuários destes trabalhos são os controllers, gestores financeiros, proprietários das
empresas, fornecedores atuais e futuros de recursos financeiros (agentes financeiros).
O processo de um planejamento financeiro consiste, basicamente, em duas etapas. A primeira
refere-se aos planos de longo prazo ou estratégicos e a segunda, aos planos de curto prazo ou operacio-
nais que correspondem, na maioria das vezes, a um período não mais longo do que dois anos.

Orçamento de caixa
É a demonstração onde são contempladas todas as entradas e as saídas de caixa previstas e pla-
nejadas pela empresa, sua utilização é necessária para estimar quais serão as necessidades de caixa no
curto prazo e, geralmente é elaborado em bases mensais.
O orçamento de caixa deve ser elaborado para termos condições de estabelecer uma liquidez
adequada; para minimizar os custos de financiamento ou maximizar o rendimento das aplicações e
para despertar confiança nos fornecedores, que esperam que os devedores tenham cuidado no moni-
toramento dos fluxos de caixa.
110 | Finanças: fundamentos e processos

Previsão de vendas
A previsão de vendas é elemento essencial para o planejamento financeiro e esta previsão é,
normalmente, preparada pela área de vendas e marketing, sendo base para efetuar as seguintes
projeções:
::: projeção dos fluxos mensais de entradas de caixa;
::: projeção dos desembolsos relacionados à produção e à operação da empresa;
::: determinação dos níveis de estoques;
::: determinação da estrutura necessária de Ativos Permanentes e os respectivos montantes de
financiamento.
A previsão de vendas é baseada na análise de fatores externos, internos e na combinação das
duas fontes.

Fatores externos
Deve ser levada em consideração a análise das relações entre as vendas da empresa com indi-
cadores econômicos externos importantes, como por exemplo, o PIB, Indicadores de Renda Pessoal, e
outros relacionados à atividade econômica.

Fatores internos
São elaborados e baseados mediante a construção de um cenário de previsão de vendas decor-
rentes dos próprios canais de distribuição da empresa.

Projeção dos recebimentos


São as projeções das entradas de caixa da empresa (Vendas à vista, Cobranças de contas a receber
e outros recebimentos).
Utilizaremos um exemplo prático para melhor visualização da projeção de recebimentos:
A Indústria XYZ, do setor alimentício, está elaborando um orçamento de caixa para o período de
outubro, novembro e dezembro. Nos meses de agosto e setembro suas vendas foram de R$100 e R$200
mil respectivamente.
Para efeito do orçamento de caixa, sua previsão de vendas é a seguinte: outubro R$400 mil,
novembro R$300 mil e dezembro R$200 mil.
Dados históricos da empresa indicam que a forma de recebimento das vendas tem o seguinte
comportamento: 20% à vista, 50% cobradas depois de um mês, 30% cobradas depois de dois meses.
Observação: na situação empresarial apresentada não há valores incobráveis.
Há também a previsão de recebimento de R$30 mil de dividendos de ações de uma subsidiária
no mês de dezembro.
Planejamento e controle financeiro | 111

Exercício:
Elaborar o quadro de Recebimentos Projetados da Indústria XYZ.

Indústria XYZ $ (000)


Quadro de Recebimentos Projetados
Ago Set Out Nov Dez

Vendas (reais e projetadas) 100 200 400 300 200

Recebimento das vendas:

Vendas à vista 20% 20 40 80 60 40

01 mês mais tarde 50% 50 100 200 150

02 meses mais tarde 30% 30 60 120

Dividendos 30

Total de recebimentos 210 320 340

* Empresa e números fictícios.

Projeção dos pagamentos


São os desembolsos projetados pela empresa num determinado exercício financeiro. Os desem-
bolsos mais comuns são as Compras à vista, Pagamentos de Contas a pagar, Compra de Ativos Perma-
nentes, Aluguel, Pagamento de Juros, Salários e Encargos, Pagamento de Dividendos, Recompra de
Ações, Impostos, Pagamento de Amortização de Empréstimos.
A Depreciação e outras Despesas não desembolsadas não são incluídas no orçamento de caixa,
pois, o impacto da depreciação, por exemplo, tem seu reflexo na apuração do Imposto de Renda, oca-
sionando redução do pagamento deste imposto.
Vejamos agora um exemplo de projeção de pagamentos:
A Indústria XYZ reuniu os seguintes dados necessários para a preparação de um quadro de paga-
mentos para os meses de outubro, novembro e dezembro:
::: Compras: correspondem a 70% das vendas e os dados históricos indicam a seguinte forma de
pagamento: 10% à vista, 70% depois de um mês e 20% depois de dois meses.
::: Aluguel: será pago um aluguel mensal no valor de R$ 5 mil.
::: Salários e Encargos: os vencimentos fixos anuais são de R$ 96 mil, ou seja, R$ 8 mil por mês.
Além disso, temos salários variáveis correspondentes a 10% das vendas do mês.
::: Impostos: Pagamento único no mês de dezembro no valor de R$ 25 mil.
112 | Finanças: fundamentos e processos

::: Ativo Permanente: aquisição de uma nova máquina no mês de novembro no valor de R$ 130
mil. Pagamento efetuado no mesmo mês.
::: Juros: no mês de dezembro pagamento de R$ 10 mil.
::: Dividendos: pagamento de R$ 20 mil no mês de outubro.
::: Amortização de Empréstimo: uma restituição de principal no valor de R$ 20 mil está prevista
para dezembro.

Exercício:

Elaborar o quadro de Pagamentos Projetados da Indústria XYZ.

Indústria XYZ
Quadro de Pagamentos Projetados $ (000)
Ago Set Out Nov Dez

Compras % s/ vendas 70% 70 140 280 210 140

Pagamentos de fornecedores:

Compras à vista 10% 7 14 28 21 14

01 mês mais tarde 70% 49 98 196 147

02 meses mais tarde 20% 14 28 56

Aluguel 5 5 5

Salários e encargos (fixos) 8 8 8

Salários e encargos (variáveis) 40 30 20

Impostos 25

Ativo permanente 130

Juros 10

Dividendos 20

Amortização de empréstimos 20

Total de pagamentos 213 418 305

Baseados nos cenários de Recebimentos e Pagamentos Projetados devem-se unir os resultados


das duas peças de planejamento financeiro para elaborarmos o orçamento de caixa.
Porém, para finalizarmos o orçamento de caixa, vamos considerar as seguintes informações
adicionais:
O saldo de caixa no fechamento do mês de setembro é de R$50 mil. A empresa deseja manter um
saldo mínimo de caixa de R$25 mil como reserva para cobrir necessidades inesperadas.
Planejamento e controle financeiro | 113

Questão:
Quais serão as decisões que deverão ser tomadas pela direção financeira em relação ao orçamen-
to projetado quanto aos recursos disponíveis ou necessários?

Indústria XYZ
Orçamento de Caixa $ (000)
Ago Set Out Nov Dez

Total de recebimentos 210 320 340

(–) Total de pagamentos 213 418 305

= Fluxo líquido de caixa (3) (98) 35

+ Saldo inicial de caixa 50 47 (51)

= Saldo inicial de caixa 50 47 (51) (16)

(–) Saldo mínimo de caixa 25 25 25

= Financiamento total exigido (76) (41)

= Saldo excedente/Aplicações financeiras 22

Certeza / incerteza no orçamento de caixa


Uma das perguntas mais freqüentes efetuadas pelos gestores financeiros ou proprietários de em-
presas é qual o grau de certeza que podemos ter em relação aos números projetados?
Para lidar com esta questão o administrador financeiro geralmente parte do pressuposto que
dois cenários adicionais devem ser criados, sempre em relação ao mais provável.
Essa análise, que se convencionou chamar de “análise de sensibilidade” vai ser útil para que a alta
gestão da empresa tenha oportunidade de incorporar outras perspectivas ao plano financeiro, sejam
elas otimistas ou pessimistas.
A seguir, uma sugestão para apresentação da análise de sensibilidade:

Jan (x1)
pior provável melhor

Total de Recebimentos

(–) Total de Pagamentos

= Fluxo Líquido de Caixa

+ Saldo Inicial de Caixa

= Saldo Inicial de Caixa

(–) Saldo Mínimo de Caixa


114 | Finanças: fundamentos e processos

Planejamento de resultados
Demonstrações Financeiras Projetadas
É elaborada baseada no regime contábil de competência para projetar o lucro e a posição finan-
ceira geral da empresa.
As Demonstrações Financeiras referentes ao ano anterior e a previsão de vendas para o próximo
ano são informações básicas e necessárias para se elaborar a Projeção das Demonstrações Financeiras.
Utilizaremos então o exemplo da Indústria Manufatureira ABC que fabrica e vende um único pro-
duto em dois modelos básicos (X e Y). Os produtos são fabricados pelo mesmo processo, mas exigem
quantidades distintas de matéria-prima e mão-de-obra.
Vejamos a Demonstração de Resultados da Indústria Manufatureira ABC do ano anterior (x0).

Detalhamento da composição da Receita de Vendas e dos custos variáveis:

Receita de Vendas (x0) Qtd. PVu. ($) Total ($)

Modelo X 1.000 20 20.000

Modelo Y 2.000 40 80.000

100.000

Custo dos Produtos Vendidos (x0):

Mão-de-obra 28.500

Matéria-prima A 8.000

Matéria-prima B 5.000

Gastos indiretos de fabricação 38.000

80.000

Demonstração do Resultado do Exercício da Indústria Manufatureira ABC em 31/12/x0


Receita de Vendas 100.000

(–) Custo dos Produtos Vendidos (80.000)

= Lucro Bruto 20.000

(–) Despesas Operacionais (10.000)

= Resultado Operacional 10.000

(–) Despesas Financeiras (1.000)

= Lucro Líquido antes IR 9.000


Planejamento e controle financeiro | 115

(–) I.R (alíquota de 15%) (1.350)

= Lucro Líquido depois IR 7.650

(-) Dividendos de Ações Ordinárias (4.000)

= Lucros Retidos 3.650

Para o início do trabalho de projeções para o período de (x1) vamos considerar a seguinte situação:

Receita de vendas (x1)


Qtd. PVu. ($) Total ($)

Modelo X 1.500 25 37.500

Modelo Y 1.950 50 97.500

135.000

Exercício:
Façamos então a primeira simulação de Projeção de Resultados utilizando o método simplificado
de porcentagem de vendas (os dividendos de ações ordinárias não se alteram).

Demonstração de Resultados Projetada:

Demonstração do Resultado do Exercício da Indústria Manufatureira ABC em 31/12/x1


Receita de Vendas 135.000

(–) Custo dos Produtos Vendidos (108.00)

= Lucro Bruto 27.000

(–) Despesas Operacionais (13.500)

= Resultado Operacional 13.500

(–) Despesas Financeiras (1.350)

= Lucro Líquido antes IR 12.150

(–) I.R (alíquota de 15%) (1.823)

= Lucro Líquido depois do IR 10.328

(–) Dividendos de Ações Ordinárias (4.000)

= Lucros Retidos 6.328

Na estrutura de desembolsos empresariais, custos e despesas apresentam comportamentos dis-


tintos em relação às alterações de volumes de operações e negócios.
116 | Finanças: fundamentos e processos

Vejamos o exemplo abaixo:


Jan Fev Mar Abr Mai Jun Total

Vendas 125.000 90.000 100.000 160.000 130.000 120.000 725.000

Desembolso:

Fixa 1.000 1.000 1.000 1.000 1.000 1.000

Variável 1.250 900 1.000 1.600 1.300 1.200

2.250 1.900 2.000 2.600 2.300 2.200 13.250

O exemplo apresentado demonstra uma parcela fixa de um determinado desembolso e uma par-
cela variável que sofre alterações linearmente ao volume de vendas, sempre se utilizando um patamar
de operações como base. O conhecimento do comportamento de variabilidade dos desembolsos é
fundamental para efeito de Projeção de Resultados.

Consideração de tipos de custos e despesas


A técnica de projeção baseada no método de porcentagem das vendas pressupõe que todos os
custos e despesas são variáveis, porém, os lucros podem ser subestimados ou superestimados quando
as vendas estiverem crescendo ou caindo, respectivamente.
A melhor maneira de evitar as distorções é levar em conta a presença de custos e despesas fixas
na preparação dos dados para projeção de resultados.
Isto é, decompor os custos e despesas históricas da empresa em elementos fixos e variáveis.

Demonstrativo Base de Projeção:

Demonstração do Resultado do Exercício da Indústria Manufatureira ABC em 31/12/x0


Receita de Vendas 100.000

(–) Custo dos Produtos Vendidos (80.00)

= Lucro Bruto 20.000

(–) Despesas Operacionais (10.000)

= Resultado Operacional 10.000

(–) Despesas Financeiras (1.000)

= Lucro Líquido antes IR 9.000

(–) I.R (alíquota de 15%) (1.350)

= Lucro Líquido depois IR 7.650


Planejamento e controle financeiro | 117

Sobre o Demonstrativo Base (x0), façamos uma nova projeção considerando que:
::: custos: 50% dos custos totais são variáveis, a outra parcela de 50% dos custos é fixa.
::: Despesas operacionais: 50% das despesas operacionais são despesas variáveis, as 50% demais
são despesas fixas.
::: Despesas financeiras: são integralmente fixas.
::: Qual é a Projeção de Resultados para x1 partindo desta nova perspectiva?

Demonstração do Resultado do Exercício da Indústria Manufatureira ABC


em 31/12/x0 e 31/12/x1 (projetado)
x0 x1

Receita de Vendas 100.000 135.000

(–) Custo dos Produtos Vendidos (Fixo) (40.000) (40.000)

(–) Custo dos Produtos Vendidos (Variável) (40.000) (54.000)

= Lucro Bruto 20.000 41.000

(–) Despesas Operacionais (Fixas) (5.000) (5.000)

(–) Despesas Operacionais (Variáveis) (5.000) (6.750)

= Resultado Operacional 10.000 29.250

(–) Despesas Financeiras (1.000) (1.000)

= Lucro Líquido antes IR 9.000 28.250

(–) I.R (alíquota de 15%) (1.350) (4.238)

= Lucro Líquido depois IR 7.650 24.012

Ainda sobre o mesmo Demonstrativo Base (x0), e sobre os mesmos padrões de comportamento
de custos e despesas, façamos novas projeções considerando:
::: Aumentos de 20% e 40% nos volumes de negócios.

Demonstração do Resultado do Exercício da Indústria Manufatureira ABC


em 31/12/x0 e 31/12/x1 (projetado)
x0 x1 x0 x1

Receita de Vendas 100.000 120.000 100.000 140.000

(–) Custo dos Produtos Vendidos (Fixo) (40.000) (40.000) (40.000) (40.000)

(–) Custo dos Produtos Vendidos (Variável) (40.000) (48.000) (40.000) (56.000)

= Lucro Bruto 20.000 32.000 20.000 44.000

(–) Despesas Operacionais (Fixas) (5.000) (5.000) (5.000) (5.000)

(–) Despesas Operacionais (Variáveis) (5.000) (6.000) (5.000) (7.000)


118 | Finanças: fundamentos e processos

Demonstração do Resultado do Exercício da Indústria Manufatureira ABC


em 31/12/x0 e 31/12/x1 (projetado)
x0 x1 x0 x1

= Resultado Operacional 10.000 21.000 10.000 32.000

(–) Despesas Financeiras (1.000) (1.000) (1.000) (1.000)

= Lucro Líquido antes IR 9.000 20.000 9.000 31.000

(–) I.R (alíquota de 15%) (1.350) (3.000) (1.350) (4.650)

= Lucro Líquido depois IR 7.650 17.000 7.650 26.350

Ainda sobre o mesmo Demonstrativo Base (x0), e também sobre os mesmos padrões de compor-
tamento de custos e despesas, façamos agora novas projeções considerando:
::: Reduções de 5% e 10% nos volumes de negócios.

Demonstração do Resultado do Exercício da Indústria Manufatureira ABC


em 31/12/x0 e 31/12/x1 (projetado)
x0 x1 x0 x1

Receita de Vendas 100.00 95.000 100.000 90.000

(–) Custo dos Produtos Vendidos (Fixo) (40.000) (40.000) (40.000) (40.000)

(–) Custo dos Produtos Vendidos (Variável) (40.000) (38.000) (40.000) (36.000)

= Lucro Bruto 20.000 17.000 20.000 14.000

(–) Despesas Operacionais (Fixas) (5.000) (5.000) (5.000) (5.000)

(–) Despesas Operacionais (Variáveis) (5.000) (4.750) (5.000) (4.500)

= Resultado Operacional 10.000 7.250 10.000 4.500

(–) Despesas Financeiras (1.000) (1.000) (1.000) (1.000)

= Lucro Líquido antes IR 9.000 6.250 9.000 3.500

(–) I.R (alíquota de 15%) (1.350) (938) (1.350) (525)

= Lucro Líquido depois IR 7.650 5.313 7.650 2.975

Para projeção do Balanço Patrimonial trabalharemos com base no enfoque do julgamento sub-
jetivo.

Segundo esse enfoque, devemos estimar os valores de algumas contas do balanço e o financia-
mento externo necessário para a empresa será usado como variável de “fechamento”.
Planejamento e controle financeiro | 119

Como base de projeção, devemos contemplar o Balanço Patrimonial da Indústria Manufatureira


ABC fechado em 31/12/x0:

Indústria Manufatureira ABC – Balanço Patrimonial em 31/12/x0


Ativos Passivos e Patrimônio Líquido

Ativos Circulantes Passivos Circulantes

Caixa e Bancos 6.000 Fornecedores 7.000

Aplicações Financeiras (CP) 4.000 Impostos a Pagar 300

Contas a Receber Instituições Financeiras a pagar 8.300

Estoques Outros Passivos Circulantes 3.400

Total de Ativos Circulantes 39.000 Total de Passivos Circulantes 19.000

Ativos Permanentes Líquidos 51.000 Exigível de Longo Prazo 18.000

Patrimônio Líquido (PL) 30.000

Capital Social 23.000

Total de Ativos 90.000 Total de Passivos e PL 90.000

Vejamos então um conjunto de hipóteses necessárias à Projeção do Balanço da Indústria Manu-


fatureira ABC para 31/12/x1.
::: O saldo de caixa será mantido.
::: O mesmo deverá ocorrer com as Aplicações Financeiras de Curto Prazo.
::: As Contas a receber, partindo da análise dos números de fechamento de x0, representam
aproximadamente 46,8 dias. Ou seja, a empresa vendeu R$100.000 durante o ano que, numa
base de 360 dias, são iguais a uma média diária de vendas de R$277,8. Para a projeção do
Balanço Patrimonial de 31/12/x1, temos como premissa um saldo de Contas a receber na base
de 45 dias de vendas médias (vendas projetadas para x1 são de R$135.000).
::: O Estoque Final permanece no nível de R$16.000, dos quais 25% serão de matéria-prima e os
75% restantes serão formados por produtos acabados.
::: No Ativo Permanente a movimentação prevista será a compra de uma nova máquina que cus-
ta R$20.000. A Depreciação total prevista para x1 é de R$8.000.
::: As compras da empresa representarão 30% das vendas anuais. A empresa estima que necessi-
tará de um prazo médio de 72 dias para pagar seus fornecedores.
::: Os Impostos a pagar devem totalizar 11% do IR devido sobre o Lucro Projetado para o
exercício
::: O saldo de instituições financeiras a pagar permanecerá no mesmo nível de x0.
::: O mesmo ocorrerá com os outros Passivos Circulantes.
::: O Exigível de Longo Prazo e o Capital Social continuarão inalterados em seus valores. Não há
previsões de emissões, resgates ou recompras de obrigações ou ações.
120 | Finanças: fundamentos e processos

::: Os lucros retidos subirão do nível inicial de R$23.000 pelo acréscimo dos lucros que serão gera-
dos em x1, menos o pagamento dos dividendos de ações ordinárias da ordem de 17.686.
Em vista das hipóteses apresentadas, qual será o financiamento externo exigido e como será o
Balanço Patrimonial projetado para x1?

Balanço Patrimonial da Indústria Manufatureira ABC em 31/12/x1 (projetado)

Indústria Manufatureira ABC – Balanço Patrimonial em 31/12/x1 (projetado)


Ativos Passivos e Patrimônio Líquido

Ativos Circulantes Passivos Circulantes

Caixa e Bancos 6.000 Fornecedores 8.100

Aplicações Financeiras (CP) 4.000 Impostos a pagar 466,13

Contas a receber 16.875 Instituições Financeiras a pagar 8.300

Estoques 16.000 Outros Passivos Circulantes 3.400

Total de Ativos Circulantes 42.875 Total de Passivos Circulantes 20.266,13

Ativos Permanentes Líquidos 63.000 Exigível de Longo Prazo 18.000

Patrimônio Líquido (PL)

Capital Social 30.000

Total de Ativos 105.875 Lucros Retidos 29.326,50

Financiamento Exigido 8.282,37

Considerações sobre o fechamento da Projeção de Balanço


Pelo modelo de Projeção do Balanço Patrimonial utilizado, um valor de fechamento (ao qual esta-
mos atribuindo o nome de financiamento externo necessário) será exigido para que o balanço feche.
Caso o financiamento externo necessário seja positivo, a sustentação do nível de atividade proje-
tado irá requerer uma captação de recursos. Os recursos necessários poderão vir de emissões de ações,
pela redução da distribuição de dividendos aos acionistas ordinários ou através da tomada de recursos
de terceiros.
Caso contrário, com o financiamento externo negativo, a indicação é que o financiamento pre-
visto para a empresa é superior às suas necessidades. Sendo assim, será possível o resgate de dívidas, a
recompra de ações ou o aumento do pagamento de dividendos.
A conta financiamento externo necessário deverá ter seu saldo substituído por decisões de au-
mentos ou reduções dos saldos das contas de exigível e Patrimônio Líquido.
Outras estratégias de gestão financeira poderão também ser pensadas para a promoção do equi-
líbrio das contas empresariais (alterações do ciclo financeiro, por exemplo).
Planejamento e controle financeiro | 121

Ampliando conhecimentos
Este livro apresenta uma linguagem direta, concentrando-se nos conceitos, técnicas e práticas
necessárias para a tomada de decisões em um ambiente empresarial cada vez mais competitivo. Princí-
pios de Administração Financeira de Lawrence J. Gitman, Editora Harbra.

Atividades
1. Quais são os principais usuários de um processo de planejamento financeiro?

2. No que consiste o processo de um planejamento financeiro?


122 | Finanças: fundamentos e processos

3. Para que é necessário um orçamento de caixa?

4. Para que deve ser elaborado o orçamento de caixa?

5. Em que deve ser baseada uma demonstração financeira projetada?


Planejamento de caixa
e Projeção do Balanço
Patrimonial
Introdução
Nesta aula veremos como é feito, na prática, o Planejamento de Caixa e a Projeção do Balanço
Patrimonial. Para tanto, utilizaremos um exemplo fictício, elaborando as projeções da Empresa
Crocante S/A.

Projeção da empresa Crocante S/A


A empresa Crocante é uma S/A de capital fechado que atua no setor alimentício. Ela produz três
produtos, denominados A, B e C que possuem grande potencial de crescimento. Para efeito dessa pro-
jeção, não foi considerado nenhum investimento adicional na organização e será considerado que
todas as contas futuras terão sua variação em função do crescimento normal da empresa, que é inferior
ao crescimento do mercado. Caso os acionistas resolvessem efetuar um aumento de capital, a empre-
sa poderia crescer muito mais.
Considerou-se também que as contas de custos e despesas não apresentarão nenhuma redução,
isto é, o valor obtido será o valor da empresa para seus acionistas, levando em conta a situação atual da
organização. Novamente, se houver um aumento de capital, a empresa poderá reduzir suas despesas
administrativas.
124 | Finanças: fundamentos e processos

As projeções financeiras da Crocante foram apresentadas em moeda de poder aquisitivo cons-


tante, utilizando-se como moeda básica o real, o modelo adotado foi o do Fluxo de Caixa Livre para a
Empresa (FCLE).
A seguir, no Quadro 1, são apresentados o Balanço Patrimonial e a Demonstração de Resultados
do Exercício (DRE) da Crocante em x0.

Quadro 1

Balanço Patrimonial da Crocante em 31/12/x0 – R$ mil


Ativo Circulante 22.000 Passivo Circulante 22.000

Disponibilidade 5.000 Fornecedores 13.000

Realizável a Curto Prazo 25.000 Impostos a recolher 2.000

Duplicatas a receber 17.000 Contribuições a recolher 1.000

Provisões para Devedores Duvidosos (1.000) Salários a pagar 1.000

Despesas de Exercícios Futuros 1.000 PLR Empregados a pagar 500

Estoque 8.000 Outras Obrigações 2.000

Permanente 20.000 Provisões 1.500

Total do Ativo 50.000 Financiamento 1.000

Exigível a Longo Prazo 1.000

Finame 500

Leasing 500

Patrimônio Líquido 27.000

Total Passivo 50.000

DRE x0
Receita Operacional Líquida 95. 000

(–) Custos dos Produtos Vendidos – variáveis (35.000)

(–) Custos dos Produtos Vendidos – fixos (15.000)

Resultado Bruto 45.000

Despesas Operacionais (25.000)

Despesas Administrativas (15.000)

Despesas Comerciais (8.000)

Despesas Tributárias (500)

Despesas Operacionais (2.500)

Receitas Operacionais 500


Planejamento de caixa e Projeção do Balanço Patrimonial | 125

DRE x0
Despesas/Receitas Financeiras (200)

Despesas Financeiras (1.200)

Receitas Financeiras 1.000

Resultado antes de IR e CS 19.800

Provisão para IR e CS (6.732)

Lucro Líquido 13.068

Premissas para projeção detalhada


da Demonstração de Resultados
Apresentamos, a seguir, as premissas adotadas para a Projeção do Fluxo de Caixa, sendo que para
calcular o fluxo de caixa futuro da empresa, projetaremos a Demonstração de Resultados até o ano x10.
As premissas foram estipuladas baseadas nos dados históricos e das perspectivas de crescimento
das variáveis que afetam o resultado e, refletem as expectativas dos gestores financeiros da Crocante
que foram baseados nas informações econômicas do país no momento da projeção, nas perspectivas
setoriais da empresa e, principalmente, em seu histórico.

Premissas de receitas
Na Tabela 1 encontramos o histórico de vendas por produto da empresa em x0.
Tabela 1 – Composição da Receita Líquida de x0

Total 95.000
Produto A 50.000
Produto B 35.000
Produto C 10.000
A seguir, no Quadro 2, são apresentados o crescimento real e a Receita Líquida projetados para
os próximos dez anos.
Quadro 2

Receita Líquida e Crescimento real projetado


Crescimento x1 x2 X3 X4 X5 X6 X7 X8 X9 x10

Receita
19,7% 16% 12,2% 9,6% 7,5% 6,5% 5,6% 4,7% 4,1% 3,5%
Líquida
126 | Finanças: fundamentos e processos

Produto A 25% 20% 15% 12% 9% 8% 7% 6% 5% 4%

Produto B 15% 12% 9% 6,7% 5,7% 4,7% 3,7% 2,7% 2,7% 2,7%

Produto C 10% 8% 6,5% 4,2% 3,2% 2,2% 2,2% 2,2% 2,2% 2,2%

Receitas x1 x2 X3 X4 X5 X6 X7 X8 X9 x10

Receita
113.750 131.960 148.039 162.213 174.317 185.645 196.058 205.296 213.733 221.190
Líquida

Produto A 62.500 75.000 86.250 96.600 105.294 113.718 121.678 128.978 135.427 140.844

Produto B 40.250 45.080 49.137 52.429 55.418 58.023 60.169 61.794 63.462 65.176

Produto C 11.000 11.880 12.652 13.184 13.605 13.905 14.211 14.523 14.843 15.169

Crescimento real e Receita Líquida


O crescimento real da receita dos três produtos foi estimado em função das perspectivas eco-
nômicas, das perspectivas setoriais da empresa e, principalmente, do seu crescimento histórico, e
houve uma discussão com a alta administração da empresa.
O crescimento projetado para a empresa, demonstrado no Quadro 2, foi elaborado em conso-
nância ao planejamento estratégico da empresa, que contempla um crescimento diferenciado por tipo
de produto, levando em conta os crescimentos históricos de seus produtos.
Considerando que os impostos sobre as vendas da empresa são percentuais que incidem so-
bre a receita bruta e que não foram levados em conta aumentos ou diminuições nas respectivas alí-
quotas e nas bases de cálculo, para simplificar, foram projetadas as Receitas Líquidas desses impostos
(PIS, Cofins, ISS, IPI e ICMS).

Custos de produção
Nessa categoria foram classificados os custos diretamente relacionados com a produção. É possível
observar na DRE de x0 da empresa que 70% desses custos (35.000/50.000) variam de acordo com o aumento
do volume produzido.
Para efeito de nosso exemplo, será considerado que esses custos variarão no mesmo percen-
tual que as receitas.
Note que os 30% restantes são os custos fixos de produção e estes custos, variarão 20% da
evolução das receitas a partir de x1, pois não se pode considerar que serão fixos para sempre, devido
ao aumento da produção e das vendas. Essa variação está de acordo com a evolução dos custos fixos em
função das receitas nos últimos anos.
Na Tabela 2, mostramos a evolução desses custos no horizonte projetado.
Planejamento de caixa e Projeção do Balanço Patrimonial | 127

Tabela 2 – Projeção dos Custos dos Produtos Vendidos (CPV) – R$ mil

CPV x1 x2 X3 X4 X5 X6 X7 X8 X9 x10

Custos 57.500 64.708 71.024 76.562 81.272 85.667 89.697 93.265 96.518 99.390

Custos variáveis 41.908 48.617 54.541 59.763 64.222 68.395 72.232 75.635 78.744 81.491

Custos Fixos 15.592 16.091 16.483 16.799 17.050 17.271 17.465 17.630 17.775 17.899

% sobre Receita 58% 49% 48% 47% 47% 46% 46% 45% 45% 45%

Despesas Administrativas
Na Tabela 3, encontra-se a abertura das Despesas Administrativas da empresa em x0.

R$ mil x0
Total 15.000

Salários e Encargos 7.000

Serviços de Terceiros 1.000

Despesas com Manutenção 6.000

Depreciação 800

Outras 200

A depreciação administrativa foi projetada constante, assim como as outras despesas, por ser fixa.
Foi considerado, também, que as demais despesas terão sua variação baseadas em um terço do cresci-
mento projetado, ou seja, se as vendas crescerem 10%, tais despesas crescerão 3,33%. Essa variação está
de acordo com a evolução dessas contas em função das receitas nos últimos anos. Os valores projetados
das Despesas Administrativas são demonstrados na Tabela 4 a seguir:

Despesas
x1 x2 X3 X4 X5 X6 X7 X8 X9 x10
Administrativas

Salários e Encargos 7.461 7.859 8.178 8.439 8.649 8.836 9.001 9.143 9.268 9.376

Serviços de
1.083 1.156 1.213 1.262 1.300 1.334 1.366 1.393 1.416 1.435
Terceiros
Despesas com
6.300 6.552 6.749 6.899 7.030 7.141 7.229 7.294 7.359 7.426
Manutenção

Depreciação 800 800 800 800 800 800 800 800 800 800

Outros 200 200 200 200 200 200 200 200 200 200

Total 15.844 16.566 17.140 17.600 17.979 18.311 18.595 18.829 19.043 19.236

% sem Receita
13,9% 12,6% 11,6% 10,8% 10,8% 10,3% 9,9% 9,5% 8,9% 8,7%
Líquida
128 | Finanças: fundamentos e processos

Despesas comerciais
Na Tabela 5 encontra-se a abertura das despesas comerciais da empresa em x0.

R$ mil x0
Total 8.000

Salários e Encargos 3.500

Comissão 2.000

Despesas com viagens 1.000

Propaganda e Publicidade 500

Serviços de Terceiros 500

Depreciação 100

Outras 400

A depreciação novamente foi projetada constante. As comissões foram calculadas com base no
mesmo percentual de comissão sobre receitas líquidas de x0, pois são despesas totalmente variáveis.
Cons ideramos que as demais despesas terão sua variação em um terço do crescimento projetado, ou
seja, se as vendas crescerem 10%, tais despesas crescerão 3,33%. Essa variação está de acordo com a
evolução dessas contas em função das receitas nos últimos anos.

Os valores projetados das despesas comerciais são demonstrados na Tabela 6, a seguir:

Despesas Comerciais X1 X2 X3 X4 X5 X6 X7 X8 X9 x10


Salários e Encargos 3.730 3.929 4.089 4.219 4.324 4.418 4.501 4.571 4.634 4.688

Comissão 2.395 2.778 3.117 3.415 3.670 3.908 4.128 4.322 4.500 4.657

Despesas com viagens 1.066 1.123 1.168 1.206 1.236 1.262 1.286 1.306 1.324 1.339
Propaganda e
533 561 584 603 618 631 643 653 662 670
Publicidade
Serviços de Terceiros 533 561 584 603 618 631 643 653 662 670

Depreciação 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100

Outras Despesas 426 449 467 482 494 505 514 522 530 536

Total 8.783 9.502 10.109 10.628 11.059 11.456 11.814 12.128 12.411 12.659

% sem Receita Líquida 7,7% 7,2% 6,8% 6,6% 6,3% 6,2% 6,0% 5,9% 5,8% 5,7%
Planejamento de caixa e Projeção do Balanço Patrimonial | 129

Despesas Tributárias
A principal despesa tributária é o IPTU. Tais despesas foram projetadas no mesmo montante de x0,
conforme apresentado na DRE; por isso não serão apresentadas novamente.

Outras Despesas e Receitas Operacionais


As Outras Receitas Operacionais se referem basicamente à recuperação de tributos e à Receita de Venda
de produtos de segunda linha (sucata), e ambas foram projetadas em função da variação da Receita Líquida.
Referem-se principalmente ao PLR (Plano de Participação nos Lucros e Resultados) da empresa. O
PLR foi projetado de acordo com a evolução das despesas com Salários e Encargos.

Despesas Financeiras
Na Tabela 7, encontra-se a abertura das Despesas Financeiras da empresa em x0.

Total 1.200
Juros sobre Capital Próprio 900

CPMF 50

Despesas Bancárias 50

Finames e Leasing 200

A CPMF crescerá na mesma proporção que as Receitas Líquidas e as despesas bancárias perma-
necerão fixas. Os juros sobre capital próprio, não foram considerados como despesas financeiras, mas
redutores da base de cálculo do IR/CS.
Os contratos de Financiamento de Máquinas (Finame) e de Leasing foram projetados em função
dos valores a serem pagos nos anos seguintes. Eles englobam Amortizações e Pagamento de Juros,
conforme detalhamento oferecido pela empresa. Esses contratos somam R$1milhão, que serão pagos
nos próximos cinco anos, totalizando R$200 mil por ano.

Os valores projetados são apresentados a seguir, na Tabela 8.

X1 X2 X3 X4 X5 X6 X7 X8 X9 x10
Juros s/ Capital Próprio 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0

CPMF 60 69 78 85 92 98 103 108 112 116

Despesas Bancárias 50 50 50 50 50 50 50 50 50 50

Finame e Leasing 200 200 200 200 200 0 0 0 0 0

Total 310 319 328 335 342 148 153 158 162 166
130 | Finanças: fundamentos e processos

Receitas Financeiras
As Receitas Financeiras foram projetadas tendo como base o montante de x0 e evoluirão em fun-
ção dos Lucros Projetados. Porém, foi considerado que as receitas financeiras reais constituem apenas
15% do total dessas receitas, conforme o histórico das aplicações de lucros e sobras de caixa da empresa.
Esse ajuste teve a ver com o fato de estarem sendo projetados os fluxos de caixa reais e da inflação estar
sendo considerada neutra.

Resultado Não operacional


Foi considerada a exclusão da totalidade do valor observado no balancete na data-base da avalia-
ção e não foram projetadas tais receitas ou despesas.

Imposto de Renda e Contribuição Social


Foram utilizadas as alíquotas de Imposto de Renda e Contribuição Social vigentes em x0/x1. A
alíquota de Imposto de Renda é de 15% para lucros de até R$240 mil. Lucros acima desse valor têm uma
alíquota adicional de 10%, totalizando 25% e a alíquota de Contribuição Social é de 9%.
As bases de cálculo do IR/CS foram projetadas com a exclusão dos juros sobre capital próprio, que
foram calculados da seguinte maneira: TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo) projetada x PL sem reserva de
reavaliação do ano anterior.
Em x0, a TJLP média foi de 11 %, e a empresa teve reservas de reavaliação de ativos no total de R$
18,8 milhões e Patrimônio Líquido de R$ 8,2 milhões, o que permitiu que ela deduzisse juros sobre o
capital próprio da base de cálculo de IR e CS no montante de R$900 mil (11% x R$ 8,2 milhões).
Nesse mesmo ano, a base de cálculo dos impostos da empresa foi de R$ 18,9 milhões, ou seja,
R$19,8 milhões (Lucro antes dos Impostos) menos R$900 mil de juros sobre capital próprio. A TJLP foi
projetada em 10% para x1, caindo 1% ao ano até chegar a 5% em x10.
Consideraremos que o Lucro Líquido é distribuído no final do ano. Sendo assim, as variações
no Patrimônio Líquido são devidas ao aumento dos investimentos. A empresa não possuía prejuízos
fiscais acumulados, mas, se os possuísse, estes deveriam ser considerados.

A determinação da base de cálculo do IR e da CS é detalhada a seguir, na Tabela 9.

Base de cálculo IR/CS X1 X2 X3 X4 X5 X6 X7 X8 X9 x10


Lucro antes de
29.460 39.022 47.614 55.287 61.887 68.309 74.068 79.208 83.912 88.073
Impostos
Patrimônio Líquido
11.700 15.200 18.700 22.200 25.700 29.200 32.700 36.200 39.700 43.200
Projetado
Juros sobre Capital
1.404 1.672 1.870 1.998 2.056 2.044 1.962 1.810 1.985 2.160
Próprio
Base de cálculo IR/CS 28.056 37.850 45.744 53.289 59.831 66.265 72.109 77.398 81.927 85.913
Planejamento de caixa e Projeção do Balanço Patrimonial | 131

Demonstração de Resultados Projetada


Apresentamos a seguir, no Quadro 3, a DRE projetada para os próximos dez anos, conforme as
premissas adotadas:

DRE Projetada da Crocante para os próximos dez anos


DRE X1 X2 X3 X4 X5 X6 X7 X8 X9 x10

Receita Líquida 113.750 131.960 148.039 162.213 174.317 185.645 196.058 205.296 213.733 221.190

Produto A 62.500 75.000 86.250 96.600 105.294 113.718 121.678 128.978 135.427 140.844

Produto B 40.250 45.080 49.137 52.429 55.418 58.023 60.169 61.794 63.462 65.176

Produto C 11.000 11.880 12.652 13.184 13.605 13.905 14.211 14.523 14.843 15.169

CPV 57.500 64.708 71.024 76.562 81.272 85.667 89.697 93.265 96.518 99.390

Custos Variáveis 41.908 48.617 54.541 59.763 64.222 68.395 72.232 75.635 78.744 81.491

Custos Fixos 15.592 16.091 16.483 16.799 17.050 17.271 17.465 17.630 17.775 17.899

Despesas
25.127 26.566 27.749 28.728 29.538 30.267 30.910 31.457 31.954 32.395
Operacionais

Despesas
15.844 16.566 17.140 17.600 17.979 18.311 18.595 18.829 19.043 19.236
Administrativas

Despesas
8.783 9.502 10.109 10.628 11.059 11.456 11.814 12.128 12.411 12.659
Comerciais

Despesas
500 500 500 500 500 500 500 500 500 500
Tributárias

Outras Receitas
599 695 779 854 917 977 1.032 1.081 1.125 1.164
Operacionais

Outras Despesas
2.132 2.245 2.337 2.411 2.471 2.525 2.572 2.612 2.648 2.679
Operacionais

Despesas
310 319 328 335 342 148 153 158 162 166
Financeiras

Receitas
180 208 234 256 275 293 310 324 337 349
Financeiras

Resultado
29.460 39.022 47.614 56.267 61.887 68.309 74.068 79.208 83.912 88.073
antes de IR/CS

Contribuição
2.525 3.361 4.117 4.796 5.385 5.964 6.490 6.966 7.373 7.732
Social

Imposto de
6.990 9.313 11.412 13.298 14.934 16.542 18.002 19.326 20.458 21.454
Renda

Impostos sobre
9.515 12.675 15.529 18.094 20.139 22.506 24.492 26.291 27.831 29.186
o Lucro

Lucro Líquido 19.945 26.347 32.085 37.193 41.566 45.803 49.576 52.917 56.081 58.887
132 | Finanças: fundamentos e processos

Projeção do Fluxo de Caixa Livre


Alguns ajustes são necessários para se calcular o Fluxo de Caixa Livre para a empresa a partir do
Lucro Líquido. Os que se aplicaram à empresa foram: Depreciação, Investimentos de Capital e Investi-
mentos em Capital de Giro, que serão detalhados a seguir.

Despesas de Depreciação
As despesas totais de depreciação foram projetadas com base na depreciação estimada pela
administração da empresa para os ativos existentes em 31 de dezembro de x0. Para projeção da de-
preciação, foram levados em conta os valores projetados pela empresa em x1 (R$2,5 milhões – 12,5%
do Ativo Permanente) e um crescimento em função dos novos investimentos projetados, que também
tiveram suas depreciações projetadas.
As despesas de depreciação estão contabilizadas em custos, despesas administrativas e comerciais; es-
tas despesas já foram contempladas anteriormente e já estão causando impacto na projeção dos lucros, en-
tretanto precisam ser desconsideradas para Projeção de Fluxo de Caixa. Os valores da depreciação de x0 foram
extraídos do DOAR (Demonstrativo de Origens e Aplicação de Recursos).

Novos investimentos
O valor dos novos investimentos necessários para apoiar o crescimento projetado foi determi-
nado com base nos investimentos previstos pela administração e suporta o crescimento histórico da
empresa.
O valor dos investimentos previstos para x1 é de R$ 3,5 milhões, e para os anos seguintes foi con-
siderado que esse valor se manterá constante. Os investimentos maiores do que a depreciação, durante
parte do período de projeção, estão ligados a dois fatos: o de o crescimento projetado da empresa ser
maior do que o da economia e o dos investimentos nos últimos anos terem superado a depreciação –
tais investimentos garantirão o crescimento projetado da empresa ao longo dos anos. Neste caso, a taxa
de depreciação dos novos investimentos foi de 10%. No médio prazo, em x3, os valores da depreciação e dos
novos investimentos se igualarão, ou seja, a empresa não investirá mais do que a depreciação.

Capital de giro
Para a projeção das contas de capital de giro, foram levados em conta os saldos de x0, com a
identificação dos principais itens que apresentaram variações de acordo com a evolução da operação
da empresa.
A evolução das Contas a receber de clientes e de Impostos a recolher foi projetada de acordo com
a da Receita Líquida. A evolução dos saldos de fornecedores e de estoques foi projetada com base na
dos custos totais de produção; a evolução do saldo da conta despesas de exercícios futuros foi projetada
a partir da evolução dos custos fixos de produção, por serem estes, de acordo com a administração da em-
presa, gastos fixos. As outras Despesas Operacionais foram projetadas com base na evolução do custo de
pessoal da empresa.
Planejamento de caixa e Projeção do Balanço Patrimonial | 133

A diferença entre o Passivo Circulante e o Ativo Circulante é a necessidade de Capital de Giro da em-
presa (NCG), que precisa ser financiada por recursos próprios e/ou de terceiros. A evolução da NCG é um
item muito importante na avaliação de empresas — uma NCG maior implica mais investimento no capital
de giro para suportar o aumento das operações da empresa, ao passo que uma NCG menor implica me-
nos necessidade de investimento nas operações. A NCG da Crocante em x0 foi de R$4 milhões (– Clientes
– Estoques – Despesas Futuras + Fornecedores + Impostos a recolher + Contribuições a recolher + Outras
Obrigações Operacionais).

A projeção da Necessidade de Capital de Giro é apresentada na Tabela 10, a seguir.

NCG X1 X2 X3 X4 X5 X6 X7 X8 X9 x10
Clientes 19.158 22.225 24.933 27.320 29.359 31.266 33.020 34.576 35.977 37.253

Estoque 9.200 10.353 11.364 12.250 13.004 13.707 14.352 14.922 15.443 15.902

Desp. Exerc.
1.039 1.073 1.099 1.120 1.137 1.151 1.164 1.175 1.185 1.193
Futuros

Ativo Circulante 29.397 33.651 37.396 40.690 43.499 46.125 48.536 50.674 52.625 54.349

Fornecedores 14.950 16.824 18.466 19.906 21.131 22.273 23.321 24.249 25.095 25.349

Impostos a
2.395 2.778 3.117 3.415 3.670 3.908 4.128 4.322 4.500 4.657
recolher

Contribuição a
1.066 1.123 1.168 1.206 1.236 1.262 1.286 1.306 1.324 1.339
recolher

Outras Despesas
5.329 5.613 5.841 6.028 6.178 6.311 6.429 6.530 6.620 6.697
Operacionais

Passivo
23.739 26.338 28.593 30.554 32.214 33.755 35.164 36.407 37.538 38.524
Circulante

Necessidade
(5.658) (7.313) (8.803) (10.136) (11.285) (12.369) (13.372) (14.266) (15.087) (15.814)
de CG

Evolução da
(1.658) (1.655) (1.491) (1.332) (1.150) (1.084) (1.003) (894) (820) (728)
NCG

Definição das premissas


A projeção de uma empresa na situação em que ela se encontra no momento (as it is) deve ser
o cenário-base, no entanto, podem ser criados cenários que projetem o potencial de uma empresa
integrada a outra e levem em conta ganhos de sinergia, crescimento maior após um aporte de capital,
complementaridade do mix dos produtos das organizações ou mesmo melhores perspectivas econô-
micas e setoriais. Os cenários criados podem contemplar projeções diferentes dos diversos itens que
fazem parte de uma avaliação (Receitas, Custos, Despesas etc., que podem ser otimistas, pessimistas
ou conservadores) e, nesse caso, apontarão valores também diferentes, que podem ser ponderados de
acordo com sua probabilidade de ocorrência.
134 | Finanças: fundamentos e processos

De maneira geral, os cenários alternativos contemplam diferentes premissas para Receitas,


Custos e Despesas, Novos Investimentos — os principais value drivers1 de uma empresa que devem ser
projetados.

Algumas considerações sobre premissas

Receitas
A projeção do crescimento é um dos principais formadores do valor de uma empresa. A criação de
cenários pode contemplar vendas maiores ou menores para determinadas linhas de produtos/mercados,
aumentos ou reduções reais de preços, lançamentos de produtos etc. A projeção das receitas por si só pode
criar vários cenários que, obviamente, resultarão em diversos valores para a mesma empresa. Os dois prin-
cipais cenários são:
::: crescimento histórico da empresa como principal direcionador das vendas futuras;
::: crescimento do setor projetado por especialistas.
É importante ressaltar que, enquanto muitas empresas estão perdendo mercado, outras estão ga-
nhando. Projetar para a empresa o mesmo crescimento esperado do setor significa assumir que a
organização não está perdendo nem ganhando mercado, o que não é válido em muitos casos. O fato
de a Crocante estar crescendo menos do que o mercado pode significar que, entre uma série de coisas,
seus produtos não são tão competitivos e que ela não possui capacidade de expansão para crescer às
mesmas taxas do mercado.
Portanto, se projetarmos para a Crocante o mesmo crescimento esperado do setor, estaremos
superavaliando a empresa. Uma questão bastante importante, e esquecida por muitos, é que não se
deve jogar o conservadorismo. A análise do crescimento real da empresa, já descontada a inflação, é
fundamental para fazer projeções em moeda real.

Custos e Despesas
Diversas premissas podem nortear a projeção dos custos e das despesas, tais como preço das
matérias-primas, quantidades produzidas, eficiência da produção, maquinários utilizados, custo da
mão-de-obra, energia e serviços prestados etc. Seu crescimento deve ser previsto em função do histó-
rico de sua evolução em relação às receitas.
Em nosso exemplo, foram projetadas as Despesas Administrativas, Comerciais e Operacionais
abertas para os itens que representavam pelo menos 90% de tais despesas, e as demais foram proje-
tadas como outros custos e despesas, sem detalhamento. Obviamente, o grau de precisão será direta-
mente proporcional à quantidade da abertura dos custos e despesas, porém algo em torno de 80% a
90% do total é bastante razoável.

1 Principais premissas que influenciam na formação do valor e do caixa da empresa.


Planejamento de caixa e Projeção do Balanço Patrimonial | 135

Novos investimentos
É preciso analisar os valores e os investimentos realizados no passado e seu impacto em receitas,
Custos e Despesas, e contemplar os investimentos que precisam ser realizados e que podem ou não
ter sido programados pela empresa.
A projeção dos investimentos deve estar de acordo com as necessidades de expansão e moder-
nização da organização, e tais montantes devem ser suficientes para garantir as vendas projetadas.

Ampliando conhecimentos
Os livros Princípios, Fundamentos e Práticas Brasileiras de Antônio Barbosa Lemes Júnior, Cláudio
Miessa Rigo e Ana Paula Mussi Szabo Cherobim e Fundamentos da Moderna Administração Financeira
de Eugene F. Brigham e Joel F. Houston, ambos da editora Campus; e ainda, Princípios de Administração
Financeira de Lawrence J. Gitman, da Editora Harbra, apresentam de forma clara e objetiva todos os
conceitos relacionados a essa aula e, o mais importante, concentrando-se nos conceitos, técnicas e prá-
ticas necessárias para a tomada de decisões em um ambiente empresarial cada vez mais competitivo.

Atividades
1. Como deve ser efetuada uma projeção de empresa?
136 | Finanças: fundamentos e processos

2. A criação de outros cenários utilizados para a projeção de uma empresa pode ser diferenciada em
suas Receitas e Custos?

3. Por que é necessário analisar os investimentos efetuados no passado da empresa?

4. Por que a projeção de investimentos deve estar alinhada à projeção de receitas?


Custos e fontes
de investimentos

Inflação
A inflação é o processo de crescimento contínuo dos preços de bens, produtos e salários. É me-
dida através de índices ou indicadores que tentam refletir o aumento de preços de um setor ou de um
segmento específico, existem diversos tipos de índices, cada um para uma finalidade especifica.
Os índices de preço medem a inflação média de um conjunto de produtos e serviços adquiridos
por consumidores ou empresas, com determinadas características de renda. São calculados pela média
ponderada de índices de preços, como exemplificado a seguir:

Item Cesta M0 Cesta M1


Qt. Un. Preço Sub1 Preço Sub2

Arroz 10 kg 4,00 40,00 4,50 45,00

Feijão 5 kg 3,50 17,50 3,70 18,50

Carne 8 kg 8,00 64,00 10,00 80,00

Leite 10 ℓ 1,00 10,00 1,80 18,00

Transporte 40 VG 1,70 68,00 2,00 80,00

Óleo 2 LA 2,00 4,00 2,20 4,40

Totais 203,50 245,90


Índices 1 1,2084
138 | Finanças: fundamentos e processos

Composição matemática
índice índice índice

Absol. Part. Pond.

12,50% 19,66% 2,46%

5,71% 8,60% 0,49%

10,00% 1,97% 0,20%

25,00% 31,45% 7,86%

80,00% 4,91% 3,93%

17,65% 33,42% 5,90%

100,00% 20,84%

A conclusão do exemplo acima, é que a variação de preços que é relevante para uma pessoa ou
empresa pode não ser para outras pessoas ou empresas, tendo valor relativo.

IGPM / FGV
Mês

Mês Acumul. Anual Semestre

jan-OO 1,24% 1,24% 1,24%

fev-00 0,35% 1,59% 1,59%

mar-00 0,15% 1,75% 1,75%

abr-00 0,23% 1,98% 1,98%

mai-00 0,31% 2,30% 2,30%

jun-00 0,85% 3,17% 3,17% 3,17%

jul-00 1,57% 4,79% 4,79%

ago-00 2,39% 7,29% 7,29%

set-00 1,16% 8,54% 8,54%

out-00 0,38% 8,95% 8,95%

nov-00 0,29% 9,26% 9,26%

dez-00 0,63% 9,95% 9,95% 6,58%

jan-01 0,62% 10,63% 0,62%

fev-01 0,23% 10,89% 0,85%

mar-01 0,56% 11,51% 1,42%


Custos e fontes de investimentos | 139

IGPM / FGV
Mês

Mês Acumul. Anual Semestre

abr-01 1,00% 12,62% 2,43%

mai-01 0,86% 13,59% 3,31%

jun-01 0,98% 14,71% 4,32% 4,32%

jul-01 1,48% 16,40% 5,87%

ago-01 1,38% 18,01% 7,33%

set-01 0,31% 18,38% 7,66%

out-01 1,18% 19,77% 8,93%

nov-01 1,10% 21,09% 10,13%

dez-01 0,22% 21,36% 10,37% 5,80%

Para calcular a coluna de índice acumulado basta acrescentar 1 a cada um dos valores mensais e
multiplicá-los um a um, não esquecendo que os valores percentuais deverão ser convertidos em valores
numéricos, ou seja, deve-se dividir o valor percentual por 100. Ao término da operação subtraímos 1 e
multiplicamos por 100 para chegar novamente ao valor percentual, conforme demonstrado a seguir:

((1,10124 * 1,0035) – 1) x 100 = 1,59%

Para apurar o índice do primeiro semestre, basta agrupar os índices dos seis meses.

1,0124 x 1,0035 x 1,0015 x 1,0023 x 1,0031 x 1,0085 = (1,0317 -1) x 100 = 3,17%

Para calcular o índice do segundo semestre deve-se executar o mesmo processo, ou pode-se tam-
bém, subtrair o efeito do índice acumulado do primeiro semestre do índice acumulado do ano.

1,0995 / 1,0317 = 1,0658 ou (1,0658 -1) x 100 = 6,58%

Formação da taxa de juros no mercado


As taxas de juros são, na sua essência, a remuneração de um capital investido e para isto existem
dois fatores primordiais a este processo que são o poupador e o tomador. Além disso, é um fator que
demonstra a confiabilidade do mercado em relação ao desempenho da economia.
Os governos podem conter a fixação da taxa de juros, através de retenção da livre circulação do
capital financeiro pela economia, ou seja, conter o consumo, assim como colocar títulos no mercado
com taxas de risco reduzidos, administrando, dessa forma, uma taxa de juros base do sistema econômi-
co. Utiliza-se da taxa de juros, ainda, para regular o nível de atividade econômica, controlando a questão
do equilíbrio entre a procura e a oferta. Neste caso a taxa de juros passa a ser um referencial para o mer-
cado, sendo denominada de taxa de juros referencial. Este desequilíbrio provoca a inflação.
140 | Finanças: fundamentos e processos

Valores nominais e valores reais


Em estudos e aplicações práticas que envolvem análise e comparação de valores monetários, em
períodos de tempos distintos é necessário que antes da análise se corrijam estes valores pela inflação.
Este procedimento é conhecido por transformar valores nominais em valores reais. Em um cenário in-
flacionário, geralmente, os valores nominais se diferenciam dos valores reais.

Decisões de investimentos
O principal balizador em uma decisão de investimento é o retorno que se espera deste inves-
timento, definido pelo total de ganhos ou perdas esperado por alguém sobre um investimento reali-
zado. Estes investimentos podem ser representados por ativos físicos, como por exemplo, aquisição
de máquinas e equipamentos ou em títulos do mercado, como por exemplo, aquisição de ações de
outras empresas.
Os retornos dos investimentos efetuados em ativos físicos são expressos através do fluxo
de caixa e estão sujeitos a incertezas, que são relacionadas a situações de risco e possibilidade de
prejuízo. Incerteza é a situação de dívida ou insegurança de se obter um resultado, sem forma de
quantificar as possibilidades de ocorrência das situações positivas ou negativas. Os riscos em um
investimento têm características diferenciadas e podem ser classificados em três grupos, apresen-
tados a seguir:
::: risco de negócio: são os riscos associados à forma de condução dos negócios, ou seja, relacio-
nados às finanças, produção, recursos humanos, etc.
::: risco financeiro: é o risco de que os Lucros antes de Juros e Imposto de Renda não sejam su-
ficientes para cobrir as despesas financeiras.
::: risco país: as decisões políticas e a estabilidade econômica e inflacionária causam grande
variação nos retornos esperados de um investimento, pois podem alterar condições de
financiamento do investimento e do Capital Circulante, a carga tributária da empresa ou
mesmo aumentar ou diminuir a renda da população.
Após verificarmos os conceitos relacionados ao risco, fica claro que sempre que realizamos um
investimento assumimos riscos, porém, é importantíssimo estarmos seguros do risco que estamos
dispostos a assumir, e este está diretamente relacionado ao retorno esperado de um investimento.
Sendo natural que quanto maior o risco, maior é o retorno esperado, podemos representá-lo da
seguinte forma:

::: retorno esperado: remuneração que os investidores solicitam para manter suas aplicações
no investimento escolhido.
::: retorno exigido: corresponde ao retorno esperado.
::: retorno real: é o retorno efetivo do investimento ou aplicação.
Importante salientar que o retorno do investimento efetuado em ativos físicos é expresso por meio
do fluxo de caixa e o do investimento em títulos do mercado financeiro é expresso no valor deste título.
Custos e fontes de investimentos | 141

Podemos considerar que um processo de decisão de investimentos possui as seguintes caracte-


rísticas:
::: as decisões são tomadas com base em um processo de elaboração, avaliação e seleção de
propostas de aplicação de capital;
::: tem normalmente um perfil de médio e longo prazo;
::: nas empresas, o objetivo é principalmente trazer retorno aos proprietários;
::: são tomadas com base em critérios racionais. A base de análise é a mensuração de fluxos de
caixa operacionais;
::: a atratividade econômica das decisões se torna visível na comparação com o custo de oportu-
nidade do capital;
O processo de análise, em geral, é efetuado levando-se em consideração:
::: o dimensionamento do fluxo de caixa gerado;
::: avaliação econômica;
::: definição da taxa de retorno;
::: cálculo do risco.
Algumas situações em que é necessário se efetuar um investimento:
::: Ampliação do volume de atividade
Esta necessidade de investimento existe quando a capacidade de produção e vendas não possi-
bilita atender a demanda que, neste caso, pode ser efetiva ou projetada. Irá envolver investimento em
Instalações, Equipamentos, Capital de Giro e ainda Aquisições ou Incorporações de outras empresas.
::: Reposição e modernização de Ativos Fixos
Este investimento ocorre em empresas que buscam ganho de escala e redução de custos de ma-
nutenção. As empresas, sempre que executam um projeto de investimento, estão na verdade preocupa-
das com a continuidade de suas operações e com a competitividade de seus concorrentes.

Fluxos de caixa
Um dos aspectos mais importantes em uma análise de investimento é o fluxo de caixa, produzido
em decorrência do investimento a ser efetuado em uma determinada atividade, bem ou serviço.
As principais movimentações financeiras apresentadas em um fluxo de caixa são:
::: Desembolso ou Investimento Inicial: são os valores de aquisição acrescidos dos gastos ne-
cessários para colocação dos ativos em operação.
::: Receitas Operacionais: são as receitas que serão computadas no resultado da empresa, de-
correntes de lançamentos de novos produtos e/ou expansão da capacidade física de produ-
ção e vendas.
::: Custos e Despesas Operacionais: redução de custos e despesas devem ser analisadas levan-
do-se em consideração sua redução.
142 | Finanças: fundamentos e processos

::: Despesas Não-desembolsáveis e IR: um exemplo clássico de Despesa Não-desembolsável


é a depreciação e por esta razão não deve ser incorporada ao fluxo de caixa. Já para o cálculo
do IR, esta mesma depreciação deverá ser computada, pois poderá reduzir o pagamento de IR.
Existem ainda, questões relativas a incentivos fiscais que devem ser levadas em consideração
na apuração do IR.
::: Vendas de Ativos: caso ocorra venda de ativo em detrimento de uma nova aquisição, deve-se
considerar o impacto na entrada de caixa pelo valor recebido e o respectivo impacto tributário
gerado na transação de venda.
::: Despesas Financeiras: devemos apurar as Despesas Financeiras envolvidas no projeto e com
relação direta à operação da empresa e considerá-la no fluxo de caixa.
::: Algumas outras técnicas são utilizadas em conjunto com a elaboração de um fluxo de caixa
que auxiliam na tomada de decisão pela realização ou não de um determinado investimento.
São elas:
::: Payback: períodos de payback são usados como critério para a avaliação de um investi-
mento proposto, é o período de tempo exato necessário para a empresa recuperar seu
investimento.
::: Taxa Interna de Retorno (TIR): é a taxa de desconto que iguala, em determinado momen-
to, as entradas com as saídas previstas de caixa.
::: Valor Presente Líquido (VPL): é a diferença entre o valor dos benefícios líquidos de caixa,
previsto para cada período do horizonte de duração do projeto e o valor presente do in-
vestimento.
::: Índice de Lucratividade (IL): é determinado pela divisão do valor presente dos benefícios
líquidos de caixa pelo valor presente dos dispêndios.

Custo de capital
O custo de capital é a taxa de retorno que uma empresa precisa obter sobre seus investimentos
para manter inalterado o valor de mercado de suas ações e é representado pela seguinte equação:

K= (J / Ct) + (D / Cp)
onde:

K – Custo de Capital
J – Juros
D – Dividendos
Ct – Capital de Terceiros
Cp – Capital Próprio

O investidor analisa o custo de capital como uma taxa de retorno exigida em seus projetos de in-
vestimento, tanto para remunerar um custo de oportunidade quanto para premiar um risco percebido.
Custo de capital é um dos pontos de controvérsia em uma decisão de investimento para empre-
sas que se utilizam do método de fluxo de caixa descontado. Na prática, a empresa se baseia em dados
Custos e fontes de investimentos | 143

históricos de projetos passados, em alternativas de investimentos no mercado financeiro e em renta-


bilidade de empresas consagradas. De acordo com especialistas, uma taxa de retorno de 12% ao ano,
em países desenvolvidos, é muito boa. Já para países que possuem um nível de maior risco, as taxas de
retorno são superiores a 15% ao ano.
A teoria do custo de capital tem seu fundamento no conceito de risco e retorno e, para isso, pro-
cura isolar os efeitos da exposição ao risco provocado sobre a taxa de retorno exigida pelos investidores
e pelas instituições financeiras em duas categorias: risco do negócio, que é o risco que a empresa corre
pela não geração de receita para cobrir seus gastos operacionais e, risco financeiro que é o risco que a
empresa corre por utilizar recursos oriundos de terceiros (capital de terceiros).
Em geral, as empresas adotam como custo de capital, em um projeto de investimento, o custo
médio ponderado, pois representa o equilíbrio entre o endividamento e o capital próprio.
O custo médio ponderado de capital é o custo de capital calculado pela ponderação da partici-
pação das fontes específicas de capital de longo prazo da empresa, pelos seus respectivos custos de
capital, e que é tomado como padrão financeiro na avaliação de investimentos.

Custo de fontes específicas de capital a longo prazo


É o custo atual, após o Imposto de Renda, de obter recursos através de emissão e venda de títulos
de dívida.
Para uma melhor análise de custos sobre um investimento, devemos levar em consideração o re-
cebimento líquido, que são os valores recebidos após serem deduzidos os custos de colocação. Vejamos
o exemplo a seguir, no qual utilizaremos como base o cálculo do custo exato obtido através da TIR e o
cálculo do custo aproximado:
Exemplo:
Valor nominal do título (VN): R$ 1.000,00
Prazo (n): 20 anos
Taxa de juros do cupom (J): 9% ao ano
Recebimento líquido (Nd): R$ 960,00
Alíquota do IR (T): 40%

Calculando o custo exato – através da TIR


O fluxo de caixa futuro do título descontado a taxa de juros do cupom – 9%, resultará em seu valor nominal, ou seja, VP
= R$1.000

Para calcular o valor presente deverá ser utilizada como taxa de desconto a taxa de 10%

VP = R$ 90 x FJVPA + R$ 1.000 x FJVP


(10%,20) (10%,20)
VP = R$ 90 x 8,514 + R$ 1.000 x 0,149 → VP = R$ 915,26

Como o recebimento líquido é R$ 960, a TIR está entre 9% e 10%, pois o VPL = R$ -44,74 e o VPL = R$ 40,00.
10%,20 9%,20
144 | Finanças: fundamentos e processos

10% = -44,74
9% 40,00
=
1% -84,74

X = (-44,74 x 1) ÷ -84,74 = 0,53


Portanto, a TIR = Custo Exato do Empréstimo, é 10 – 0,53 = 9,47%
Vamos agora calcular o custo aproximado, utilizando a fórmula:

VN – Nd
J+
n
kd=
Nd + VN
2

1000 – 960
90 +
20
kd= = 9,4%
960 + 1000
2

E como seria o cálculo do custo do empréstimo após IR


ki = kd (1 – T)
ki = 9,4 (1 – 0,40) = 5,64%

Custo da Ação Ordinária – ks


O custo de capital da ação ordinária é o custo a ser pago aos acionistas das ações ordinárias, por
financiarem permanentemente a empresa.
As técnicas para medir o custo da ação ordinária são:
::: modelo de avaliação com crescimento constante: valor presente de todos os dividendos futu-
ros previstos num horizonte infinito de tempo.

D1
ks= +g
P0

P0 = preço corrente da ação ordinária


D1 = dividendo por ação esperado no ano 1
g = taxa anual de crescimento constante dos dividendos
Custos e fontes de investimentos | 145

Custo da Ação Preferencial – kp


Dp
kp =
Np

Custo dos Lucros Retidos – kr


É igual ao custo de uma emissão adicional de ações ordinárias inteiramente subscritas, ou seja,
kr = ks

Custo de Novas Emissões de Ações Ordinárias – Kn


É determinado após considerar o deságio e os custos de colocação/subscrição.

D1
kn= +g
Nn

Onde Nn = recebimento líquido, venda de ação após deságio e custos de colocação.

D1
kn= +g
P0 x (1 – f)

Onde f = percentual de redução do preço corrente de mercado da ação.

Mensuração do custo global ou custo médio ponderado de capital (CMePC) – ka


O custo médio ponderado de capital reflete o futuro custo médio esperado de fundos da em-
presa a longo prazo. É encontrado ponderando-se o custo de cada fonte específica de capital por sua
proporção na estrutura de capital da empresa.
Cálculo do Custo Médio Ponderado de Capital (CMePC)
Custo específico de cada fonte de financiamento vezes sua proporção na estrutura de capital da
empresa.

ka = (wi x ki) + (wp x kp) + (ws x kr / n)


= proporção de Empréstimo a Longo Prazo na estrutura de capital
Wi
= proporção de Ações Preferenciais na estrutura de capital
Wp
= proporção de Ações Ordinárias na estrutura de capital
Ws
146 | Finanças: fundamentos e processos

Custo Marginal Ponderado de Capital (CMaPC)


O Custo Marginal Ponderado de Capital é o Custo Médio Ponderado de Capital da empresa asso-
ciado à próxima unidade monetária do novo financiamento total, utilizado para determinar inicialmen-
te o custo de cada fonte de financiamento em vários níveis de financiamento total.

Etapas
::: Uso de cada fonte de financiamento, determinar todos os vários níveis dessa fonte.
::: Uso de proporções históricas ou metas de estrutura de capital, determinar os níveis do novo
financiamento total nos quais muda o custo dos novos componentes (Ponto de Ruptura).

TFi
PRi=
wi

onde:
PRi = ponto de ruptura para a fonte i
TFi = total de fundos da fonte i (a um dado custo no PRi)
wi = proporção da estrutura de capital p/a fonte i

::: Calcular o CMePC sobre a faixa de financiamento total entre os Pontos de Ruptura (PR).
::: Elaborar quadro demonstrativo do CMePC relativo a cada faixa de novo financiamento total.

Ampliando conhecimentos
O livro Princípios, Fundamentos e Práticas Brasileiras de Antônio Barbosa Lemes Júnio, Cláudio
Miessa Rigo e Ana Paula Mussi Szabo Cherobim, publicado pela Editora Campus, apresenta de forma
detalhada e clara todos os conceitos relacionados a este tema e, o mais importante, voltado a realidade
brasileira e com exemplos práticos.

Atividades
1. A Companhia T.M.P. deseja mensurar seu custo de ações ordinárias. Uma ação está sendo vendida
atualmente por R$ 57,50. A empresa espera pagar um dividendo de R$ 3,40 ao fim do próximo
ano. Os pagamentos de dividendos para os anos de 1995-1999 são dados abaixo:
Custos e fontes de investimentos | 147

Ano Dividendo – R$
1999 3,10
1998 2,92
1997 2,60
1996 2,30
1995 2,12

Após os custos de colocação, a empresa acredita que uma nova ação possa ser vendida por
R$ 52,00 liquido. Pede-se:
a) calcular a taxa de crescimento dos dividendos:

b) calcular a porcentagem do preço de mercado que a empresa recebe de fato:

c) calcular o custo dos lucros retidos usando o modelo de avaliação com crescimento constante:
148 | Finanças: fundamentos e processos

d) calcular o custo de uma nova emissão de ações ordinárias:

2. Para cada uma das seguintes empresas, calcule o custo de lucros retidos e o custo de nova ação
ordinária, usando o modelo de avaliação com crescimento constante:

Empresa A Empresa B Empresa C Empresa D


Preço mercado corrente R$50,00 R$20,00 R$42,50 R$19,00

Taxa crescimento dividendos 8% 4% 6% 2%

Dividendo próximo ano por ação R$2,25 R$1,00 R$2,00 R$2,10

Deságio por ação R$2,00 R$0,50 R$1,00 R$1,30

Custo underwriter por ação R$1,00 R$1,50 R$ 2,00 R$1,70


Mercado de capitais

Introdução
A origem histórica das sociedades anônimas mostra que o mercado de ações nasceu quando o
mercado de crédito deixou de ser suficiente para garantir um fluxo de recursos nas condições adequa-
das, especialmente em termos de prazo e custo.
À medida que a economia cresce, não bastam pequenas unidades produtoras para dar conta da
produção de alguns bens e serviços requeridos pela comunidade. Algumas atividades só são economi-
camente viáveis em grande escala.
Num país socialista, os grandes projetos de investimento são executados pelo estado, que decide
quem poupa, quanto deve ser poupado e a alocação das poupanças.
Num país capitalista, exceto em alguns casos e circunstâncias especificas, os projetos de investi-
mentos são executados pela iniciativa privada. Os empresários que se dedicam a tais atividades, num
primeiro momento complementam seus capitais próprios – e de seus poucos sócios – com capitais de
empréstimos concedidos pelos bancos ou de outros agentes econômicos.
Assim, mesmo que todos os lucros sejam reinvestidos, chega o momento em que a relação entre
os capitais de terceiros e próprios torna-se tão elevada que os credores, inicialmente aumentam a taxa
de juros (porque o seu risco está aumentando) e em seguida não emprestam mais dinheiro àquele
empresário. A solução é aumentar o número de sócios, aumentando assim o volume de capital inves-
tido sem obrigatoriedade de resgate num prazo certo. O empresário que for influente, pode conseguir
novos acionistas em sua comunidade, fortalecendo a estrutura de capital da empresa, e provavelmente
também conseguindo mais empréstimos.
Para entender o mercado de ações e derivativos, é necessário estudar noções básicas de duas
bolsas brasileiras, a Bovespa e a BM&F.
150 | Finanças: fundamentos e processos

A Bovespa
É a bolsa que negocia ações em São Paulo. Maior bolsa de ações da América Latina, negocia ações
de empresas listadas, que necessariamente precisam ser de capital aberto.
Criada em 1890 com o nome de Bolsa Livre de São Paulo, anos mais tarde recebeu o nome que
tem hoje, Bolsa de Valores de São Paulo. Existem mais de 600 companhias que possuem ações nego-
ciadas na Bovespa. O “Índice Bovespa” é um indicador do preço médio dessas ações, e é formado pelas
ações mais negociadas, criado há mais de 30 anos, ele é o principal índice do mercado acionário brasi-
leiro e é encarado como o melhor termômetro dos negócios com valores mobiliários do país.
A maior parte das ações na Bovespa são negociadas à vista e a termo. Os negócios a termo são
“derivativos”, isto é, deriva-se dos negócios de ações transacionadas à vista. Também se negociam uma
modalidade especial de ações, chamada “opção”. As opções são direitos de compra ou venda de ações e
tal como os contratos a termo também são derivativos.

A BM&F
Outra importante bolsa do Brasil é a BM&F, a Bolsa de Mercadorias & Futuros, esta é a mais im-
portante bolsa de derivativos do Hemisfério Sul e uma das mais importantes bolsas de derivativos do
mundo. Nela praticamente não são negociados produtos à vista, apenas os seus “derivados”, ou seja,
derivativos.
Em janeiro de 1986, um grupo de corretores da Bovespa fundou a Bolsa Mercantil e de Futuros
(BM&F), com o objetivo de criar instrumentos de proteção contra a volatilidade dos preços da própria
economia do país, traduzida principalmente na forte oscilação das taxas de juro e de câmbio e também
do preço de outros ativos, como o ouro. Em verdade, a negociação do futuro do ouro gerou uma manei-
ra inteligente de os agentes financeiros e econômicos “enxergarem” como o dólar poderia se comportar
nos próximos meses.
Quando em 1991, os contratos financeiros da Bolsa já estavam consolidados, a instituição partiu
para os contratos agropecuários, houve uma fusão com a Bolsa de Mercadorias de São Paulo, existente
desde 1917 e tradicional na negociação do café, boi gordo e algodão. A partir daí, seu nome passou a
ser Bolsa de Mercadorias & Futuros.

Mercado de ações
É o segmento do mercado de capitais em que ocorre a compra e a venda de participações no
capital das Sociedades Anônimas, e que tem como principal função proporcionar liquidez aos títulos
emitidos pelas companhias abertas. É nesse mercado que as empresas captam recursos a um custo
inferior ao do mercado financeiro.
Mercado de capitais | 151

Segmentos de mercado
::: Mercado primário: neste segmento de mercado ocorre a primeira colocação pública dos títu-
los de uma Sociedade Anônima (S/A). Esta operação, chamada de “Underwriting”, é conduzida
por instituições especializadas, como Bancos de Investimento, Sociedades Corretoras e Socie-
dades Distribuidoras.
::: Mercado secundário: aqui são negociadas as ações das Sociedades Anônimas de capital
aberto adquiridas pelo público no mercado primário. Em geral, essas negociações são inter-
mediadas por Sociedades Corretoras, Distribuidoras e Bancos de Investimento e são realizadas
dentro das Bolsas de Valores ou Mercado de Balcão Organizado.
O acionista também pode negociar suas ações fora das bolsas, mas, neste caso, ele fica exposto a
vários tipos de riscos, como falta de liquidez e transparência, deságio no preço e ausência de legislação
que regulamente as transações.
Outra característica deste segmento que os novos investidores devem ficar atentos é que o au-
mento ou a queda de preço das ações depende basicamente da reação do mercado a fatos que estão
diretamente relacionados aos negócios da empresa ou a mudanças no cenário político e econômico.
Os negócios realizados nas Bolsas de Valores podem ser acordados em diferentes prazos, caracte-
rizando-se, então, três mercados:
::: Mercado à vista: é a compra ou venda, em pregão, de determinada quantidade de ações para
liquidação imediata. Os prazos para liquidação das operações à vista são estabelecidos pela
Bolsa de Valores de São Paulo – BOVESPA, Sociedade Operadora do Mercado de Ativos – SOMA
e pela Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia CBLC.
É neste mercado que ocorrem as operações solicitadas nas agências do Banco do Brasil e por
meio da Internet. O mercado à vista ainda divide-se em mercado de lote padrão e mercado de lote
fracionário.
Mercado de lote padrão é onde as ações são negociadas em lotes padrões de negociação e seus
múltiplos, o lote padrão de negociação é estabelecido pela bolsa de valores e diverge para cada empre-
sa. Mercado de lote fracionário é aquele onde são negociadas quantidades de ações inferiores ao lote
padrão de negociação, os dois mercados possuem liquidez e preços diferenciados.
::: Mercado a termo: nesta modalidade, as partes negociantes firmam um contrato de compra e
venda de ações para liquidação futura a um preço pré-fixado.
::: Mercado de opções: aqui são negociados os direitos de comprar ou vender uma determinada
quantidade de ações por um preço preestabelecido. O exercício desse direito ocorre em data
previamente fixada pela Bolsa de Valores.

Agentes do mercado
Comissão de Valores Mobiliários (CVM) – são autarquias que têm como função normatizar e fisca-
lizar o mercado de ações e debêntures. Possui site com diversas informações importantes para investi-
dores deste mercado.
152 | Finanças: fundamentos e processos

Bolsas de Valores são associações civis sem fins lucrativos, seu principal objetivo é manter
local adequado para a realização dos negócios e fazer ampla divulgação das operações efetuadas
em seu “pregão”. No Brasil existem nove bolsas, das quais apenas a Bovespa possui pregões regu-
lares e com volumes significativos, a Bolsa de Valores do Rio de Janeiro (BVRJ) negocia apenas com
títulos públicos.
Em 1997, a Sociedade Operadora do Mercado de Ativos (SOMA) começou a atuar no mercado,
apenas com o pregão eletrônico, negociando ações não listadas nas Bolsas de Valores. O pregão da
bolsa é um sistema de negociação que pode ser desenvolvido de duas formas:
::: Viva-voz: quando o operador apregoa sua intenção de negociar, especificando o nome da em-
presa, o tipo de ação e a quantidade e preço de compra ou de venda. No pregão de viva-voz são
negociadas apenas as ações de maior liquidez;
::: Meio eletrônico (telepregão): o fechamento dos negócios é realizado automaticamente pe-
los computadores da Bolsa de Valores, sendo as ofertas inseridas por meio de terminais de
computador das corretoras ou, através do Home Broker disponibilizado pela BOVESPA desde
março de 1999, meio pelo qual investidores podem registrar suas ofertas através da Internet.

O pregão
É o recinto onde se reúnem os operadores da Bolsa de Valores para executar fisicamente as or-
dens, de compra e venda, dadas pelos compradores e vendedores de ações às suas corretoras.
O pregão físico pode ser organizado segundo um dos dois tipos de sistema de negociação exis-
tentes: o call system e o trading post ou pregão contínuo.
No call system, o diretor do pregão delimita um pequeno intervalo de tempo para a negociação
de cada título, uma vez esgotado o tempo, o mesmo título só pode ser transacionado novamente no
final do pregão, quando for feita nova rodada, ou no dia seguinte.
Os negócios podem ser realizados, para qualquer título simultaneamente, durante todo o período
do pregão. Para maior facilidade nas transações, os títulos são agrupados em postos de negociação.
Os negócios são realizados segundo três processos: negociação comum; direta; e por oferta.
::: Negociação comum: é a que se realiza entre dois representantes, sua apregoação é feita de
viva-voz, mencionando-se o título, suas características, a quantidade e o preço unitário, além
da intenção de comprar e vender.
::: Negociação direta: é aquela na qual o mesmo operador é, simultaneamente, comprador e
vendedor – comprador para um dos clientes de sua corretora e vendedor para outra.
::: Negociação por oferta: é a realizada entre dois operadores, sendo um deles representado
pelo posto de negociação que recebeu sua oferta. Isso significa que um operador pode, sim-
plesmente, registrar num posto sua oferta de compra ou venda de uma ação qualquer e elas
serão fechadas, mesmo sem sua presença, desde que haja algum interessado.
O sistema Megabolsa compreende as operações de compra e venda à vista de ações realizadas
pelas sociedades corretoras, credenciadas para esse fim, mediante a utilização de terminais de vídeo
conectados ao sistema eletrônico de processamento de dados da bolsa.
Mercado de capitais | 153

Mercado à vista
Uma operação à vista é a compra ou venda, em pregão, de determinada quantidade de ações
para liquidação imediata.

Principais tipos de ordem de compra e venda


::: Ordem a mercado: Quando o investidor especifica a corretora apenas a quantidade e as ca-
racterísticas dos títulos que deseja comprar ou vender e a execução deve ser imediata.
::: Ordem administrada: Quando o investidor especifica a corretora apenas a quantidade e as
características dos títulos que deseja comprar ou vender e o momento de sua execução fica a
critério da corretora.
::: Ordem limitada: Quando o investidor estabelece o preço máximo ou mínimo pelo qual ele
quer comprar ou vender determinada ação.
::: Ordem casada: Quando o investidor determina a ordem de compra de um título e a de venda
de outro, condiciona sua efetivação ao fato de ambas poderem ser executadas.
::: Ordem de financiamento: Quando o investidor determina uma ordem de compra (ou venda)
de um título em um tipo de mercado e uma outra concomitante de venda (ou compra) de
igual título, no mesmo ou em outro mercado, com prazos de vencimentos distintos.

Direitos e proventos de uma ação


::: Dividendos: Distribuição de parte dos lucros de uma empresa, em moeda, aos seus acionistas.
::: Juros sobre o capital próprio: Através deste instrumento, a empresa remunera o capital do
acionista até o valor da TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo).
::: Subscrição: Direito aos acionistas de aquisição de ações por aumento de capital, com preço e
prazo determinado.
::: Bonificação: Distribuição gratuita de novas ações aos acionistas, em função de aumento de
capital por incorporação de reservas.
::: Split ou desdobramento: Distribuição gratuita de novas ações aos acionistas, pela diluição do
capital em um maior número de ações, com o objetivo, em outros, de dar liquidez aos títulos
no mercado.
::: Agrupamento ou Inpli: Condensação do capital em um menor número de ações com conse-
qüente aumento do valor de mercado da ação, com o objetivo, entre outros, de valorizar sua
imagem em mercado.
::: Bônus de subscrição: É adquirido por um preço unitário em determinada data, dando ao seu
portador o direito de subscrever uma nova ação dentro de um prazo determinado, por um
preço complementar, corrigido monetariamente ou não.
::: Partes beneficiárias: São títulos nominativos e endossáveis, negociáveis, sem valor nomi-
nal, estranho ao capital social das sociedades anônimas e que darão aos seus titulares um
direito de crédito eventual contra a companhia, que consiste na participação nos lucros anu-
ais, não superior a 10% deste lucro.
154 | Finanças: fundamentos e processos

RCA – Recibo de Carteira de Ações


É a consolidação de um conjunto de ações na forma de uma carteira de ações, e sua negociação
se dá como se fosse uma ação. O comprador de uma RCA pode, se quiser, retirar as ações correspon-
dentes, que ficam custodiadas na Caixa de Liquidação (sistema adotado pelas bolsas para garantir
o fiel cumprimento de todos os negócios nelas realizados) desmanchando o RCA e ficando com as
ações correspondentes.

Mercado a termo
No mercado a termo, o investidor se compromete a comprar ou vender certa quantidade de uma
ação (chamada ação-objeto) por um preço fixado e dentro de um prazo pré-determinado.
A maior parte das operações é realizada no prazo de 30 dias. O investidor deposita na bolsa uma
margem de garantia em ações ou em dinheiro, composta de dois elementos: a garantia inicial e a ga-
rantia adicional.
A garantia inicial corresponde, no mínimo, a 20% do valor do contrato e, no máximo, a 100% e
depende da ação objeto, em função da volatilidade observada no comportamento de seu preço e de
sua liquidez nos últimos seis meses.
A garantia adicional está relacionada à diferença entre o valor contratado no mercado a termo e
o preço da ação no mercado à vista, bem como a modalidade de liquidação (integral ou pro rata1) e a
situação do investidor (comprador ou vendedor a descoberto).
Se o preço da ação objeto sobe durante a vigência do contrato, no mercado à vista o comprador
pode retirar a garantia adicional, e o vendedor a descoberto tem que adicionar. O inverso acontece se
o preço cai.

Estratégias de aplicação no mercado a termo


::: Expectativa de alta de uma ação: De forma a alavancar seu ganho, o investidor compra a
ação objeto no mercado a termo, ao invés de fazê-lo no mercado à vista, investindo apenas a
margem na forma das garantias inicial e adicional.
::: Expectativa de baixa de uma ação: No mercado a termo, ele venderia a descoberto e, quan-
do o mercado caísse, ele recompraria por preço mais baixo as ações anteriormente vendidas,
cobrindo os valores investidos nas margens de garantia.
::: Operações de financiamento: É uma operação sem risco, caracterizando uma operação de
renda fixa.
::: Operação caixa: O cliente vende no mercado à vista as ações que possui, fazendo caixa e, em
seguida, recompra a mesma quantidade de ações no mercado a termo, de forma a manter sua
posição original, arcando com as margens de garantia e a despesa de corretagem.

1 Locução latina que significa rateio (em proporção), ou proporcionalmente rateado.


Mercado de capitais | 155

::: Operações de arbitragem entre vencimentos: Quando as taxas de juros implícitas nas co-
tações de dois vencimentos se afastam, o investidor pode assumir posições contrárias nesses
vencimentos: compra para o vencimento que implícita a taxa de juros mais baixa e vende para
aquele que reflete a taxa mais alta.
::: Mercado a termo tradicional em dólares: Todas as regras que se aplicam às negociações do
mercado a termo tradicional são válidas neste segmento, sendo a única diferença o fato de o
preço contratado ser convertido de reais para dólares após o registro da operação.

Mercado de opções
Quem compra uma opção tem um direito, se a opção for de compra (call), o direito de comprar e
se a opção for de venda (put), o direito de vender. O comprador de uma opção de compra (venda), ou
titular dessa opção, tem o direito de comprar (vender) certa quantidade de ações, a um preço pré-fixado
até uma data determinada e o vendedor de uma opção de compra (o lançador de opção) fica com a
obrigação de vendê-la.
O titular tem sempre os direitos, e o lançador sempre as obrigações, o mercado de opções nego-
cia esses direitos de compra ou de venda, mas não as ações diretamente e os direitos são negociados
por um preço, o prêmio, que é o valor pago pelo titular e recebido pelo lançador.
Quando se faz uma operação inversa à anteriormente realizada, ou seja, se está comprando, ven-
de, ou se está vendido, compra, envolvendo a mesma quantidade de ações da mesma série, a ação está
encerrada.
As obrigações assumidas pelo lançador podem ser extintas de três formas: pelo exercício da op-
ção pelo titular; pelo seu vencimento sem que tenha havido o exercício; pelo encerramento (reversão)
da posição.
Os lançadores são obrigados a depositar garantias de forma a que se dê o cumprimento das obri-
gações assumidas, o valor da garantia corresponde ao dobro do valor do prêmio médio do mercado ou
do seu valor arbitrado pela bolsa, sendo que essas posições margeadas terão que manter o nível até o
vencimento, com os ajustes sendo calculados diariamente.

Investidores externos nas bolsas de valores


Os investidores institucionais externos são autorizados a operar nas bolsas de acordo com regras
bastante flexíveis, estabelecidas em maio de 1991, quando o governo criou o Anexo IV da CMV, que
permitiu a aplicação direta em bolsa por parte dos investidores institucionais estrangeiros.
O investidor externo, sendo oriundo de um país que tribute a renda em valor igual ou superior a
20%, não paga o IR de 20% sobre os ganhos nominais de capital sobre a renda variável no período.

Soma (Sociedade Operadora do Mercado de Ativos)


É o primeiro mercado de balcão organizado no País, tendo sido criado por iniciativa das Bolsas de
Valores do Rio de Janeiro e do Paraná e com posterior adesão de outras praças e instituições.
156 | Finanças: fundamentos e processos

As operações são eletrônicas, de abrangência nacional, através da rede de serviços da Bolsa do


Rio e seu horário de funcionamento coincide com o do pregão nacional.
O registro da empresa na SOMA pode ser feito por pessoa jurídica, inclusive não financeira, que
tenha interesse na negociação de suas ações. Foi desenvolvida no modelo da NASDAQ (North American
Securities Dealers Automated Quotation System), uma Bolsa de valores eletrônica, constituída por um
conjunto de corretores conectados por um sistema informatizado.
Todas as operações realizadas na SOMA são liquidadas na CLC – Câmara de Liquidação e Custódia
em prazo igual ao das bolsas (D+3, ou seja, no terceiro dia seguinte ao negócio).
A liquidez é dada pelos Market Makers que é representado pelo operador de uma determinada
ação que se compromete a alocar, constantemente, preços de compra e venda e a correr riscos por
conta própria, em troca de algumas regalias. Como a disseminação pelo terminal é somente de suas
cotações, faz com que os mercados e os clientes, em geral, tenham que consultá-lo para as negociações
de compra e venda desta ação.
A SOMA não deve ser confundida com a Meta, que é o sistema da Bovespa para negociação ele-
trônica de ações de pequena liquidez. Além de ações, a SOMA também negocia certificados a termo, de
energia elétrica, cotas de fundos fechados, do tipo Private Equity (investimento em valores mobiliários
de empresas com expressivo potencial de crescimento capaz de gerar retornos superiores a média de
mercado) e outros ativos.

Mercado de balcão (Over the counter market)


É um mercado de títulos sem local físico determinado para a realização das transações, são re-
alizadas por telefone entre as instituições financeiras. Neste mercado, normalmente, são negociadas
ações de empresas não registradas nas Bolsas de Valores, além de outras espécies de títulos. O mercado
de balcão é dito organizado quando se estrutura como um sistema de negociação de títulos e valores
mobiliários administrados por entidade autorizada pela CVM.

NM (Novo Mercado da Bovespa)


O NM é um mercado de ações específico, segmentado do atual mercado de ações da Bovespa
onde, apenas serão negociadas ações de empresas que se comprometam a atender os padrões das
boas práticas de governança corporativa, como veremos adiante.
A motivação para o desenvolvimento deste NM no Brasil tem como bases incentivadoras:
::: a necessidade de crescimento e maior competitividade do mercado de capitais brasileiro a
partir da maior liberalização dos investimentos em fundos de investimento, tanto nos países
desenvolvidos como nos países emergentes.
::: O consenso já internacionalmente reconhecido, por parte das empresas e dos investidores e,
academicamente comprovado, de que a valorização e a liquidez das ações em mercado são
positivamente influenciadas pela consistência e grau de segurança dos direitos concedidos
aos acionistas e, pela qualidade das informações prestadas ao mercado e a seus acionistas.
Mercado de capitais | 157

::: Os termos da Resolução nº 2.82901 do CMN, que estabelecem a ampliação das aplicações dos
fundos de pensão em ações de empresas que cumpram as normas e regras das boas práticas
de governança corporativa.
::: A ampliação do debate internacional sobre a governança corporativa, envolvendo as orga-
nizações multilaterais como a IFC (Internacional Finance Corporation) e a OCDE (Organização
para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), quanto à preocupação em termos de
transparência e segurança das aplicações dos investidores no mercado de ações.
A partir destas e de outras premissas a Bovespa definiu um conjunto de regras, normas e práticas
de conduta para as empresas, seus administradores e seus controladores que, ao atendê-las de forma
voluntária poderão ser listadas no NM. Sendo assim, certamente contribuirão para a melhoria da relação
das empresas com seus investidores, e conseqüêntemente, permitirão a valorização de seus ativos.
Para tanto a Bovespa consolidou o conjunto acima mencionado em um regulamento que ao per-
mitir a negociação das empresas no NM classifica as empresas de acordo com o chamado NDGC (Níveis
Diferenciados de Governança Corporativa).
A Bovespa constituiu uma Câmara Arbitral do Mercado com base nos dispositivos da Lei nº. 9.307/96
com a finalidade de atuar na resolução dos conflitos entre as partes, que possam surgir no NM.

Mercado de ações global


A globalização dos mercados e os recursos tecnológicos existentes permitem que hoje se opere
nos mercados de ações de outros países praticamente durante as 24 horas do dia.

Imposto de Renda sobre ganhos em bolsa


O Imposto de Renda deve ser pago até o último dia útil do mês seguinte ao do ganho. Existe uma
isenção específica para ganhos líquidos no mercado à vista de ações e outro quando o valor das vendas
em um mês vai até cinco mil UFIR, pelas regras, é admitida a compensação de prejuízos. A partir de
01/01/00 a Instituição Normativa nº 161 da SRF (Secretaria da Receita Federal) regularmente parte da
MP 2.005 que isentou os investidores estrangeiros individuais – pessoas físicas e jurídicas do pagamen-
to do IR em suas operações em bolsa.
Os recursos oriundos dos 35 países, considerados como paraísos fiscais, têm tratamento idêntico
ao dos investidores nacionais e pagam IR sobre o ganho de capital com a alíquota de 20% nas opera-
ções diretas em bolsa de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhados e, em operações realizadas
em mercado de liquidação futura, fora da bolsa, inclusive com opções flexíveis e, nas operações de
swap – que são contratos de troca de indexadores, permitindo conseqüentemente aos participantes do
mercado se protegerem dos riscos inerentes aos ativos que operam.
As operações de day trade são tributadas com IR de 1% na fonte, retido mensalmente. O investiga-
dor, pessoa física pode compensar este IR ao final do ano. No caso das pessoas jurídicas a compensação
se dá na declaração anual. A SRF considera como paraíso fiscal os países onde não há tributação sobre
a renda ou sua alíquota é inferior a 20%.
158 | Finanças: fundamentos e processos

Debêntures
Debêntures são valores mobiliários representativos de dívida de médio e longo prazos que asse-
guram a seus detentores (debenturistas) direito de crédito contra a companhia emissora.
A captação de recursos no mercado de capitais, via emissão de debêntures, pode ser feita por So-
ciedade por Ações (S.A.), de capital fechado ou aberto. Entretanto, somente as companhias abertas, com
registro na CVM – Comissão de Valores Mobiliários podem efetuar emissões públicas de debêntures.
A possibilidade de a emissora determinar o fluxo de amortizações e as formas de remuneração
dos títulos é o principal atrativo das debêntures. Essa flexibilidade permite que as parcelas de amortiza-
ção e as condições de a emissora determinar o fluxo de amortizações e as formas de remuneração dos
títulos é o principal atrativo das debêntures. Essa flexibilidade permite que as parcelas de amortização e
as condições de remuneração se ajustem ao fluxo de caixa da companhia, ao projeto que a emissão está
financiando – se for o caso – e às condições de mercado no momento da emissão.

Escritura de emissão
A escritura de emissão de debênture é o documento em que estão descritas as condições sob as
quais a debênture será emitida, tais como direitos conferidos pelos títulos, deveres da emissora, mon-
tante da emissão e quantidade de títulos, datas de emissão e vencimento, condições de amortização e
remuneração, juros, prêmios etc.

Prazo de resgate de uma debênture


As debêntures são papéis de médio e longo prazos. A data de resgate de cada título deve estar
definida na escritura de emissão. A companhia pode, ainda, emitir títulos sem vencimento, também
conhecidos como debêntures perpétuas.

Debêntures conversíveis
As debêntures conversíveis são aquelas que podem ser trocadas por ações da companhia emissora.
As debêntures conversíveis, e também as não-conversíveis, podem contemplar cláusulas de per-
mutabilidade por outros ativos ou por ações de emissão de terceiros que não a emissora. As condições
de conversibilidade, bem como as de permutabilidade, devem estar descritas na escritura de emissão.

Debêntures nominativa e escritural


As debêntures podem ser nominativas e escriturais. A debênture nominativa é aquela cujo re-
gistro e controle das transferências são realizados pela companhia emissora no Livro de Registro de
Debêntures Nominativas, a escritural, por sua vez, é aquela cuja custódia e escrituração são feitas por
instituição financeira autorizada pela CVM para prestar tais serviços.
Mercado de capitais | 159

Espécies de debêntures
As espécies de garantias poderão ser constituídas cumulativamente. Em função do tipo de garan-
tia oferecida ou da ausência de garantia, as debêntures são assim classificadas:
::: com garantia real: garantidas por bens integrantes do ativo da companhia emissora, ou de
terceiros, sob a forma de hipoteca, penhor ou anticrese;
::: com garantia flutuante: asseguram privilégio geral sobre o ativo da emissora, em caso de fa-
lência. Os bens objeto da garantia flutuante não ficam vinculados à emissão, o que possibilita
à emissora dispor desses bens sem a prévia autorização dos debenturistas;
::: quirografária ou sem preferência: não oferecem privilégio algum sobre o ativo da emissora,
concorrendo em igualdade de condições com os demais credores quirografários, em caso de
falência da companhia; e
::: subordinada: na hipótese de liquidação da companhia, oferecem preferência de pagamento
tão-somente sobre o crédito de seus acionistas.

Emissão pública e privada de debêntures


As debêntures podem ter sua emissão de forma pública e privada. A primeira é direcionada ao
público investidor em geral, feita por companhia aberta, sob registro na CVM. Já a emissão privada é
voltada a um grupo restrito de investidores, não sendo necessário o registro na Comissão.
A emissão de debêntures é decidida em assembléia geral de acionistas ou em reunião do conselho
de administração da emissora, ambos com poderes para estabelecer todas as condições da emissão.
A companhia deve escolher uma instituição financeira (banco de investimento ou múltiplo,
corretora ou distribuidora de títulos e valores mobiliários) para estruturar e coordenar todo o processo
de emissão.
Essa instituição, denominada coordenador líder, será responsável pela modelagem da operação;
transformação da empresa em Sociedade por Ações e obtenção de registro de companhia aberta, caso
seja necessário; preparação da documentação e registro da emissão pública na CVM; formação do con-
sórcio de distribuição; apresentações (road shows); apuração de bookbuilding, se for o caso; e colocação
dos títulos aos investidores.
O coordenador é responsável, ainda, pela realização de uma diligência (due diligence process) so-
bre as informações da emissora que serão distribuídas ao público investidor e utilizadas para a elabo-
ração do prospecto de emissão, documento obrigatório nas emissões públicas, que consolida todas as
informações sobre a emissora, permitindo aos potenciais investidores uma correta avaliação da situa-
ção da companhia e das condições gerais da emissão.

Rating de uma emissão de debêntures


O rating é uma classificação efetuada por empresa especializada independente (agência de ra-
ting) que reflete sua avaliação sobre o grau de risco envolvido em determinado instrumento de dívida.
160 | Finanças: fundamentos e processos

No caso de uma emissão de debêntures, avalia a probabilidade de a companhia emissora não honrar os
compromissos financeiros assumidos na escritura de emissão (risco de default).

Bookbuilding
É um mecanismo de consulta prévia ao mercado para definição da remuneração das debêntures
ou do ágio/deságio no preço de subscrição, tendo em vista a quantidade de debêntures, para diferentes
níveis de taxa, que cada investidor tem disposição de adquirir.

Underwriting
É a operação de distribuição primária de debêntures, ou seja, a primeira venda dos títulos após a sua
emissão. Tal processo é conduzido por instituição financeira contratada pela emissora, denominada coor-
denador líder, e pode contar com a participação de outras instituições intermediárias (pool de colocação).

Mercado primário e secundário de debêntures


Entende-se como mercado primário aquele em que os títulos são ofertados pela primeira vez
pela companhia emissora, através do pool de colocação, obtendo assim recursos para suprir suas neces-
sidades financeiras.
O mercado secundário é aquele em que são efetuadas as operações de compra e venda de de-
bêntures pelos investidores.
As debêntures devem ser registradas em sistemas eletrônicos, pois há normas que exigem que as
instituições financeiras ou investidores institucionais – principais investidores em debêntures – somente
possam adquirir títulos devidamente registrados em sistemas de custódia autorizados pelo Banco Cen-
tral e pela CVM.

Repactuação
É um mecanismo utilizado pelas companhias emissoras de debêntures – quando previsto na es-
critura de emissão – para adequar seus títulos, periodicamente, às condições vigentes no mercado. Na
repactuação, a emissora está obrigada a recomprar os títulos dos debenturistas que não aceitarem as
novas condições propostas.

PU (Preço Unitário da Curva) de uma debênture


O PU (Preço Unitário da Curva) é o valor da debênture em determinada data, expresso em moeda
nacional corrente. Seu cálculo é efetuado atualizando-se o preço de emissão do título conforme as con-
dições descritas na escritura de emissão.
Mercado de capitais | 161

Com o objetivo de padronizar a metodologia de cálculo, o Comitê de Valores Mobiliários da


ANDIMA (Associação Nacional das Instituições do Mercado Financeiro) elaborou o Trabalho de
orientação de textos para cálculos de debêntures, definindo critérios para cálculos de atualização e
remuneração dos ativos.

Principais normativos que se aplicam ao mercado de debêntures


A Lei 6.404/76, modificada pelas Leis nos 9.457/97 e 10.303/01, é o principal normativo referente
às emissões de debêntures. Alguns normativos do Banco Central e instruções da CVM complementam
essa regulamentação.
Destaque para a Instrução CVM nº 400 que regulamenta as regras sobre registro das ofertas pú-
blicas de distribuição primária e secundária de valores mobiliários.

Ampliando conhecimentos
Para complementar os estudos dessa aula, indico os livros Introdução aos Mercados Futuros e de
Opções de John Hull, da Cultura Editores Associados; e Introdução ao Mercado de Capitais Brasileiro, de
Jorge Ribeiro de Toledo Filho da Editora Lucre, que apresentam de forma detalhada e clara todos os
conceitos, nomenclaturas e expressões utilizadas diariamente no mercado de ações.

Atividades
1. O que é a Bovespa?
162 | Finanças: fundamentos e processos

2. Quem são os agentes do mercado no Brasil?

3. Quantas bolsas de valores existem no Brasil?

4. O que é o pregão?
Mercado de capitais | 163

5. O que a operação de Mercado à vista?

6. O que é o Mercado a termo?

7. O que são debêntures?


164 | Finanças: fundamentos e processos
Mercado de ações e
financiamento a longo prazo
Mercado Futuro de Ações
É o mercado atual no qual se negociam as datas de liquidação futura, durante o horário de fun-
cionamento da Bovespa, permitindo a ambos os participantes de uma transação reverter de forma au-
tomática sua posição, antes da data de vencimento.
Em um contrato no mercado futuro de ações da Bovespa, cada uma das partes envolvidas se
relaciona com a CBLC (Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia), e não diretamente com a outra
parte do contrato.
O encerramento total ou parcial de um contrato, antes do dia de seu vencimento, também é
conhecido como reversão da posição de um contrato futuro. A fim de propiciar geração de liquidez no
mercado futuro, as datas de vencimento são padronizadas pela bolsa.
Para assegurar o cumprimento dos compromissos pelas partes, são utilizados os depósitos de
margem inicial e são feitos os ajustes de margem pelos detentores de posições de compra ou de venda,
as quais oscilam com uma variação mínima de R$ 0,01 de acordo com os preços no mercado futuro.
Ao final de 2001, a Bovespa estabeleceu novas regras para seu funcionamento, de forma a seguir
a tendência mundial de reativação desse mercado, iniciada em 1995.
O PAD (Preço de Ajuste Diário) de cada ação é calculado como sendo preço médio, no período da
tarde, dos negócios realizados no mercado futuro de ações da Bovespa.
O ajuste das posições, compradoras e vendedoras, é feito diariamente desde o dia do registro do
negócio, inclusive até o dia de seu encerramento.
A liquidação do ajuste é feita exclusivamente em dinheiro em D + 1, o que significa que a liquida-
ção ocorrerá no dia seguinte ao negócio.
166 | Finanças: fundamentos e processos

Em resumo, sobre o Mercado a termo, o Mercado futuro da Bovespa traz a vantagem da maior
liquidez, da liquidação antecipada a qualquer tempo antes da data de vencimento e, a possibilidade de
venda a descoberto.
Da mesma forma que no mercado a termo os ganhos de capital no mercado futuro estão sujeitos
à alíquota de imposto de renda de 20%, a CPMF só é cobrada, pela alíquota de 0,38%, sobre o resultado
líquido dos ajustes diários ocorridos entre as datas de registro e liquidação do contrato. Caso seja nega-
tivo, no momento do encerramento das posições, inclusive as de day trade.
Fazer um day trade significa comprar e vender, no mesmo dia, a mesma quantidade de títulos
de uma empresa, utilizando para isso a mesma Corretora e também o mesmo Agente de Compensa-
ção. Exemplo: você compra ou vende certo número de ações por um preço, acompanha a variação da
cotação daquele papel ao longo do dia e inverte a posição vendendo ou comprando no mesmo dia. A
diferença do preço de compra para o preço de venda, multiplicado pela quantidade das ações, conside-
rando, também, as taxas da operação e os impostos, é o day trade.

Mercado de opções
O mercado de opções negocia os direitos de compra ou de venda, mas não as ações diretamen-
te, os direitos são negociados por um preço, o prêmio, que é o valor pago pelo titular e recebido pelo
lançador.

Operações com ADR/GDR


O Governo, com o intuito de alavancar o Mercado de ações, autorizou as empresas a lançar
os ADR e GDR no exterior. O ADR (American Depositary Receipt) ou GDR (Global Depositary Receipt)
são papéis emitidos e negociados no mercado exterior (ADR só nos EUA), com lastro em ações de
outros países.
Todos os direitos adquiridos pelos acionistas do país de origem como dividendos, direitos de
subscrição e desdobramentos também são oferecidos pelo ADR/GDR. Para lançar ADR ou GDR, a em-
presa deve emitir ações ou comprá-las no mercado secundário, depositando papéis em um banco
local, que atuará como custodiante. O custo de emissão de um GDR é cerca de 1/3 a 1/4 menor do que
do ADR.
O investidor poderá, também, transformar seus ADR/GDR em ações e negociá-las no país de ori-
gem. A essa operação dá-se o nome de inflow. Os ADR/GDR são isentos de tributação sobre os ganhos
de capital e só pagam 15% de Imposto de Renda sobre os dividendos recebidos.
ADR são certificados negociáveis que representam a propriedade de ações emitidas por empresas
não americanas, no nosso caso específico seriam empresas brasileiras. Cada programa de ADR recebe
um Certificado de Registro que é o instrumento em que serão registradas as movimentações cambiais
referentes às operações envolvendo os ADR.
Mercado de ações e financiamento a longo prazo | 167

Mercado de derivativos

Conceituação e funções
Derivativos, numa conceituação mais geral, são títulos cujo valor depende do valor básico sobre
o qual estes títulos são negociados.
Conforme Nascimento Neto (1995), derivativo é o que você quiser. Pode até ser uma garrafa de
água que, vendida para uma pessoa, lança um papel com o suposto valor para esta garrafa. O papel vai
de mão em mão e chega a hora em que ele vale 20% a mais do que valia quando a garrafa foi vendida
pela primeira vez. Trata-se de um jogo no qual cada um entra com a própria imaginação e, em geral,
com o dinheiro de terceiros. Pode-se fazer qualquer tipo de aposta num derivativo. São contratos em
que se ganha ou se perde dinheiro jogando, por exemplo, simultaneamente, na queda da Bolsa de
Valores de Buenos Aires, na alta da Bolsa de Singapura e na estabilização da Bolsa de Chicago.
São contratos que refletem o comportamento futuro da bolsa de valores, da taxa de juros, do va-
lor da moeda. “São simples o bastante para atrair clientes, mas complicados demais para ser explicados
a eles” (ALCÂNTARA, 1995:98).
Em uma definição mais simples, derivativos são instrumentos financeiros que utilizam os merca-
dos futuros e de opções principalmente para gerenciar riscos. Seu valor depende (ou deriva) de outros
ativos aos quais eles se referem.
Um exemplo bem clássico e simples de derivativos pode ser a operação executada por um impor-
tador brasileiro que terá de remeter aos Estados Unidos, num prazo de um mês, a quantia de um milhão
de dólares. Com o risco de uma possível alta do dólar, o importador faz uma operação de proteção contra
a variação cambial. Por exemplo: compra hoje aquele um milhão de dólares para pagar em um mês, acer-
tando no momento a cotação. Se o dólar subir, então ele ganha; se cair, então ele perde a diferença.
Os derivativos podem ser negociados tanto no mercado primário como no secundário.
Um derivativo é um contrato entre duas partes para:
a) troca de fluxos de caixa, ou
b) uma parte assumir o risco de outra partes, por um certo preço.
Eles podem ser utilizados para quatro finalidades básicas: proteção, alavancagem, arbitragem e
especulação.

Finalidades Especificações
Proteção Proteger contra variações de taxas, moedas ou preços.

Alavancagem Aumentar a rentabilidade de uma posição já existente.


Tomar uma posição no mercado futuro ou de opções sem uma posição correspondente no
Especulação
mercado à vista.
Arbitragem Tirar proveito da diferença de preços nos diversos mercados ou ativos.

Fonte: HULL (1991)


168 | Finanças: fundamentos e processos

No mercado, sempre se destacou muito a operação de proteção (hedging). Segundo Rudge e


Cavalcante (1993, p. 237) “Hedging é o ato de tomar posição em futuros oposta à posição assumida no
mercado pronto, para minimizar risco de perdas financeiras numa alteração de preços adversa. Hedging
também é tomar hoje em futuros a mesma posição que, no futuro, se tomará no mercado pronto, a fim
de fixar e monitorar o preço desde já”.
Em operações de mercado futuro, o protetor (hedger) encontra-se entre os produtores e/ou con-
sumidores de mercadorias, bens ou ativos financeiros. Suas operações básicas estão nos mercados físi-
cos desses bens, ativos ou mercadorias, e eles utilizam os mecanismos de mercado futuro para transferir
parte desse risco ao especulador.
Enquanto o protetor (hedger) atua nas relações entre os preços nos mercados físicos e futuros, o
especulador especula nas alterações de níveis de preços, num mesmo mercado.
Segundo Burns (1996), há duas classificações para os participantes do mercado de derivativos:
os usuários finais, que podem ser corporações, agências governamentais, investidores institucio-
nais e intermediários financeiros; e os operadores (dealers) que podem ser os bancos, seguradoras
e corretoras. Sendo que esta classificação não é mutuamente exclusiva, as empresas podem atuar
como operadores (dealers), e como usuários finais simultaneamente, dependendo da natureza da
transação.
Os derivativos são ótimos instrumentos, tanto para as empresas, como para aqueles interessados
em ganhar dinheiro com a especulação. Alguns investidores têm certas precauções em se utilizar
da Bolsa para realizar seus negócios, pois têm a sensação de que elas são lugar de alto risco. Na
verdade, lá se transfere o risco. Logo, há lugar para todo tipo de investidores: os avessos ao risco e os
especuladores.
Para as empresas, a principal aplicação dos derivativos diz respeito à possibilidade de proteção
(hedge) contra possíveis flutuações nos ativos com que a empresa possa estar compromissada. Assim,
empresas que tenham contratos de exportação, importação ou que, de alguma forma, possuam ativos
ou passivos em moedas estrangeiras podem se proteger contra variações na moeda usada.
A mesma situação ocorre com empresas que estejam sujeitas às taxas de juros internacionais e
que queiram se proteger da volatilidade destas taxas.
Estes produtos derivativos, quando assumidos na posição correta, fazem com que haja trans-
ferência do risco das perdas ou ganhos para outros investidores que desejam assumi-los, deixando a
empresa com seu planejamento de fluxo de caixa mais previsível e dominado.
A proteção (hedge) permite que as empresas se garantam contra oscilações que possam com-
prometer seu negócio, mas também limita a oscilação na outra ponta que poderia favorecer e provocar
grandes ganhos. As oscilações, tanto negativas quanto positivas, ficam sob controle. A amplitude que
essa oscilação poderá ocorrer é de escolha do cliente, mas quanto mais estreita necessitar ser esta osci-
lação, mantidas as outras condições de mercado, mais caro será o custo deste derivativo.
Para as instituições financeiras, os derivativos possibilitam a chance de obter grandes lucros, tan-
to no mercado de balcão, quanto através da arbitragem e especulação.
Ele é fundamental também para captação de recursos externos, dando segurança às empresas
emissoras de títulos para que elas possam oferecer alternativas diversas de remuneração aos investido-
res estrangeiros, também preocupados em se proteger da flutuação de juros.
Mercado de ações e financiamento a longo prazo | 169

Os derivativos permitem obter lucro mesmo quando o mercado do ativo do qual se originaram
encontra-se em queda, outra característica é o seu grande poder de alavancagem, já que a negociação
com derivativos exige menos capital do que o necessário para se negociar o ativo à vista.
Os Fundos de Previdência, sejam eles privados ou não, também utilizam operações com deri-
vativos para administrar seus recursos, respeitando os devidos limites de risco. Os Fundos de Pensão
são reservas de indivíduos com a finalidade de garantir a formação dos recursos para complementar a
aposentadoria dos participantes.
A administração destes fundos aplica o capital em diversas modalidades de investimento, porém
com algumas limitações determinadas pelo Conselho Monetário Nacional. Não se pode aplicar conside-
ravelmente em operações arriscadas que comprometam a rentabilidade e a manutenção do Fundo.
A importância dos derivativos pode ser avaliada pelo seu crescimento nos últimos anos. Segundo
Prado (1996), não se conhece a dimensão exata deste mercado, mas em 1995 o BIS (Banco para Com-
pensações Internacionais) divulgou uma pesquisa feita em 26 países indicando que o mercado global
de derivativos, apenas no balcão teria chegado a US$ 40,7 trilhões em março de 1995.

Fundos de investimentos
Um fundo de investimento é um condomínio que reúne recursos de um conjunto de investidores,
com o objetivo de obter ganhos financeiros a partir da aquisição de uma carteira de títulos ou valores
mobiliários.
Existem desde o século XIX, sendo que o primeiro foi criado na Bélgica e logo depois na Holanda,
França e Inglaterra. O primeiro fundo mútuo nos Estados Unidos, que iniciou suas operações em 1924,
existe até hoje. No Brasil, o primeiro fundo iniciou suas atividades em 1957, e já em 1967, nasceu a AN-
BID (Associação Nacional dos Bancos de Investimento).
Através dos fundos, os pequenos investidores têm acesso a melhores condições de mercado, me-
nores custos e contam com administração profissional, colocando-os em igualdade com os grandes
investidores.
Os fundos tornam possível a diversificação dos investimentos, através da aplicação em suas dife-
rentes classes, visando diluir o risco e aumentar o potencial de retorno. É válido também ressaltar que
os recursos dos fundos nunca se misturam aos da instituição administradora.
Atualmente funcionam sobre a autorização da CVM – Comissão de Valores Mobiliários, órgão
responsável por sua regulação e fiscalização, buscando a proteção do investidor.
A Instrução CVM n° 409 dispõe sobre a constituição, a administração, o funcionamento e a divul-
gação de informações dos fundos de investimento, conceituados como: “uma comunhão de recursos
constituída sob a forma de condomínio, destinado à aplicação em títulos e valores mobiliários, bem
como em quaisquer outros ativos disponíveis no mercado financeiro e de capitais”.
Cabe à ANBID auxiliar na construção, modernização e aperfeiçoamento da legislação de fundos
de investimento, influenciar e dar suporte à indústria para explorar adequadamente as oportunidades
de crescimento e melhorar constantemente seus pilares.
170 | Finanças: fundamentos e processos

Estruturas de fundos de investimento


Existem duas diferentes estruturas de fundos de investimento no mercado. A primeira é a dos
fundos que aplicam seu patrimônio diretamente em títulos e valores mobiliários ou em qualquer outro
ativo disponível no mercado, os chamados FIs – Fundos de Investimento.
Esta estrutura exige que o gestor entre no mercado vendendo ou comprando ativos a cada mo-
vimentação de aplicação e resgate dos cotistas. Geralmente, concentram-se neles grandes investidores,
como fundos de pensão, bancos e outros fundos de investimento.
A outra é a dos FICFIs (Fundos de Investimento em Cotas de Fundos de Investimento), que
compram cotas de um ou mais fundos, e é neste tipo de fundo que a maioria dos investidores aplica
seu dinheiro.
Diferentemente do FI, que negocia diretamente ativos no mercado, os FICFI deve ter no mínimo
95% do seu patrimônio alocado em cotas de outros fundos de investimento de uma mesma classe, e
que, portanto, estejam de acordo com sua política de investimento. A exceção fica por conta dos fun-
dos de investimento em cotas da classe “multimercado”, que podem alocar seus recursos em fundos de
classes distintas.
O restante do patrimônio do FICFI, ou seja, apenas 5%, pode ser investido diretamente no merca-
do, em títulos privados ou públicos federais e em operações compromissadas, se o gestor assim julgar
necessário para atingir seus objetivos estratégicos.
O FICFI oferece ao gestor muito mais flexibilidade na hora de movimentar os recursos do fundo,
pois as operações se resumem basicamente em comprar e vender cotas, quando um cliente faz uma
aplicação, ou solicita um resgate.
Há no mercado uma enorme variedade de FICFI para sua escolha, com políticas de investimento,
taxas de administração e valores mínimos de movimentações variadas, que visam atender as diferentes
necessidades de cada investidor.

Decifrando as siglas
Sigla Descrição Objetivo

São fundos regulamentados pela CVM que concentram os fundos


referenciados DI, de renda fixa, de ações, entre outros, em um total de sete
FI Fundo de Investimento
diferentes classes. Para compor sua carteira compram e vendem, diretamente,
títulos e valores mobiliários ou qualquer outro ativo disponível no mercado.

Também são regulamentados pela CVM e sua carteira deve ter no mínimo 95%
de cotas de outros fundos pertencentes a uma determinada classe de fundo de
Fundo de Investimento investimento. Isto proporciona maior flexibilidade ao gestor para a criação de
FICFI em Cotas de Fundos de estratégias de aplicação, resgates e comercialização.
Investimento Além da sigla FICFI, deve constar no nome do fundo a classe a que ele
pertence, como por exemplo: FICFIA (Fundo de Investimento em Cotas de
Fundo de Investimentos em Ações).
Mercado de ações e financiamento a longo prazo | 171

Regulamento
Cada fundo tem um regulamento, registrado em cartório, que contém todas as informações so-
bre o seu funcionamento e é determinado a partir de regras estabelecidas pela CVM – Comissão de
Valores Mobiliários.

Política de investimento
A escolha da relação “risco X retorno” pretendida pela instituição financeira administradora do
fundo, de acordo com sua composição de carteira, é que vai determinar a personalidade de cada fundo
para atender aos vários perfis de investidores.

Patrimônio
Os recursos captados pelo fundo são aplicados de acordo com a política de investimento e a com-
posição básica da sua carteira, conforme definido em seu regulamento. O cálculo do valor diário desse
patrimônio é obtido através da contabilização dos preços de mercado dos ativos financeiros em carteira
(marcação a mercado) e da dedução das despesas previstas em regulamento (taxa de administração,
taxa de performance, provisões para divulgação de balanços, realização de assembléias e outras citadas
no regulamento).

Carteira
No mercado financeiro, dá-se o nome de carteira ou portfólio ao conjunto de títulos e/ou aplica-
ções financeiras pertencentes a uma Pessoa Física, Pessoa Jurídica, Fundos de Investimento, etc.

Cotas
Corresponde a uma fração ideal do fundo. Seu valor é igual ao Patrimônio Líquido do fundo divi-
dido pelo número de cotas.

Valor da cota
É apurado diariamente através da relação entre o Patrimônio Líquido (rentabilidade dos ativos
financeiros – despesas) pelo número de cotas do fundo.

Cotista
Ao aplicar em um Fundo de Investimento, sua empresa torna-se cotista desse fundo, ou seja, é
acionista da carteira de investimento que escolheu para investir seu capital. Seus recursos são transfor-
mados em cotas, dividindo-se o valor da aplicação pelo valor da cota do dia, previsto para conversão em
cotas, segundo o regulamento do fundo.
172 | Finanças: fundamentos e processos

Taxa de administração
É a remuneração do administrador do fundo pela administração de recursos de terceiros, cobrada
sobre o patrimônio do fundo, provisionada diariamente e cobrada em base mensal. As cotas divulgadas
diariamente já se apresentam líquidas da taxa de administração.

Taxa de performance
Alguns fundos podem aplicar a cobrança de uma taxa de performance, situação em que se es-
tabelece um parâmetro como objetivo. Sempre que esse objetivo for ultrapassado, será aplicada a co-
brança de uma taxa sobre o excedente, de acordo com o que for especificado no regulamento.

Ampliando conhecimentos
Para melhor aprofundamento dessa aula, indico o seguinte livro para leitura: Derivativos –
definições, emprego e risco da Editora Atlas. Este livro apresenta de forma detalhada e clara todos os
conceitos, nomenclaturas e expressões utilizadas diariamente no mercado de ações.

Atividades
1. O que é mercado futuro de ações?
Mercado de ações e financiamento a longo prazo | 173

2. O que é mercado de opções?

3. O que são operações com ADR/GDR?


174 | Finanças: fundamentos e processos

4. O que é mercado de derivativos?

5. O que são fundos de investimentos?


Gabarito
Demonstrações Contábeis
1. As Demonstrações Contábeis são elaboradas baseadas nas informações obtidas dos registros
contábeis.

2. Tem por objetivo revelar aos usuários internos (administradores da companhia, funcionários)
e externos (acionistas, bancos, clientes, fornecedores, governo e outros credores e agentes
regulamentadores) informações sobre a posição patrimonial da companhia e o seu resultado,
proporcionando o conhecimento e a análise de sua situação patrimonial em um determinado
momento.

3. As Demonstrações Contábeis exigidas pela legislação societária são Balanço Patrimonial,


Demonstração do Resultado do Exercício e Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados.

4. São elaboradas de acordo com as Normas Brasileiras de Contabilidade (NBC) e os Princípios


Fundamentais de Contabilidade.

Balanço Patrimonial
1. Compreende a aplicação de recursos realizada através de bens e direitos e deverá ser representado
conforme a Lei 6.404/76.

2. Conforme o artigo 180 da Lei 6.404/76, as obrigações da companhia, inclusive financiamentos


para aquisição dos direitos ao Ativo Permanente, serão classificados no Passivo Circulante, quando
vencerem no exercício seguinte.
176 | Finanças: fundamentos e processos

3. A Demonstração do Resultado é uma peça contábil que, de forma resumida, apresenta as


operações realizadas pela empresas, durante o exercício social, demonstradas de forma a
evidenciar o Resultado Operacional e o Resultado Líquido do Período que está à disposição dos
sócios ou acionistas.

4. A Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido é a demonstração contábil destinada a


evidenciar, num determinado período, a movimentação das contas que integram o patrimônio
da Entidade.

Introdução e conceitos de custos fixos e variáveis


1. É o ramo da Contabilidade financeira que utiliza técnicas específicas para identificar, classificar
e registrar os custos ligados diretamente à produção de bens e/ou serviços. Usada mais
especificamente na atividade industrial, bem como na prestação de serviços.

2.
1. ( I )
2. ( D )
3. ( C )
4. ( D )
5. ( D )
6. ( I )
7. ( C )
8. ( D )
9. ( D )
10. ( D )
11. ( C )
12. ( I )
13. ( P )
14. ( P )
15. ( P )
16. ( P )
17. ( I )
18. ( D )

3. Os custos fixos são aqueles que ocorrem independentemente da quantidade produzida, e os


variáveis são aqueles que ocorrem na proporção da quantidade produzida, ou seja, variam de
acordo com o volume de produção.
Gabarito | 177

Análise de indicadores de desempenho


1.
a.
Ativo Circulante 648
LC = = = 0,55
Passivo Circulante 1 183
b.
At.Cir. (-) Estoques (-) Desp. Antec. 648 (-) 368 (-) 0
LS = = = 0,24
Passivo Circulante 1 183
c.
At.Cir. + Real. a Longo Prazo 648 + 0
LG = = = 0,20
Pas. Circ. + Exig. a Longo Prazo 1 183 + 2 077
d.
CMV 2 641
Giro dos Estoques = = = 6,67
Estoque Médio 396

Estoque Inicial + Estoque Final 424 + 368


Estoque Médio = = = 396
Estoque Médio 2
e.
Vendas Líquidas 4 069
Giro de Contas a receber = = = 19,56
Contas a receber Médio 208

Contas a 224 + 192


Contas a receber Inicial + Compras a receber Final
Receber = = = 208
Médio 2 2

f.
360 360
PME = = = 54 dias
Giro dos Estoques 6,67
g.
360 360
PMR = = = 19 dias
Giro do Contas a receber 19,56
h.
Exigível Total 1 183 + 2 077
Endividamento Geral = = = 0,54
Patrimônio Líquido 2 742
178 | Finanças: fundamentos e processos

2.

RESULTADO 2006 %
Vendas 3.756 100

Custo (2.453) 65,3

Lucro Bruto 1.303

Depreciações (490) 13

Juros pagos (613) 16,3

Lucro antes dos Impostos 200 5,3

Impostos (68) 1,8

Lucro Líquido 132 3,5

3.756 100 3.756 100 3.756 100


(2.453) X (490) X (613) X

2.453.100 490.100 613.100


X= X= X=
3.756 3.756 3.756
X = 65,3 X = 13 X = 16,3

3.756 100 3.756 100 3.756 100


200 X (68) X 132 X

200.100 68.100 132.100


X= X= X=
3.756 3.756 3.756
X = 5,3 X = 1,8 X = 3,5

Sistemas de custeamento
1. A departamentalização é uma forma clara e precisa na distribuição dos custos indiretos. A divisão
dos departamentos pode ser feita em centro de custos (um mesmo departamento pode se
subdividir em mais de um centro de custos).

2. Método Direto, Método Algébrico ou da Reciprocidade e Método da Hierarquização ou dos


Degraus.
Gabarito | 179

3. É a soma dos custos contidos na produção acabada no período.

4. É o custo calculado antes da realização da atividade. São determinados através da projeção e a


experimentação, ou seja, podem ser pré-determinados ou calculados.

5. O principal objetivo do custo padrão é servir de ferramenta de controle para os diversos níveis
gerenciais, ou seja, auxiliar no controle das operações efetuadas durante o processo produtivo
servindo de comparativo entre o custo real e o custo de produção.

6. É a diferença entre custo indiretos de fabricação (padrão ao nível real) e a ineficiência e o custo
indireto de fabricação real.

Sistema de custeamento II
1. Custeio variável: classifica os custos em fixos e variáveis; não há preocupação em classificar os
custos diretos e indiretos; os resultados apresentados sofrem influência direta do volume de
vendas; é adotado como critério administrativo e gerencial.

Custeio por absorção: não há preocupação em classificar os custos fixos e variáveis; classifica os
custos diretos e indiretos; os resultados apresentados não sofrem influência direta do volume de
vendas; é um critério legal e fiscal.

2. É a soma dos custos incorridos no período dentro da fábrica.

3. Os custos e as despesas indiretas fixas são adicionadas aos estoques e ao custo do produto
vendido.

4. Custeio por absorção.

5. É definida como a diferença entre as vendas e os gastos variáveis (custos e despesas), o qual será
utilizado para cobrir os gastos fixos e gerar lucro.

Orçamento, provisões e reservas financeiras


1. Orçamento é um instrumento de natureza econômica elaborada com objetivo de prever
determinadas quantias que serão utilizadas para determinados fins, tendo como base a noção
exata do que realizar e o quanto esta realização custará, ou seja, quais são as receitas e despesas
previstas para um determinado período.

2. A noção do que realizar, e quanto custará realizar.


180 | Finanças: fundamentos e processos

3. Elabora-se um orçamento para saber quais serão as receitas e despesas pertinentes à empresa em
um determinado período de tempo.

4. São orientação para objetivos; envolvimento dos gestores; comunicação integral; expectativas
realistas; aplicação flexível; reconhecimento dos esforços individuais e de grupos.

Ponto de Equilíbrio
1. Ponto de Equilíbrio ou Break-Even Point é a quantidade mínima que a empresa deve vender para
que não tenha prejuízo, ou seja, é o valor ou a quantidade que a empresa precisa vender para
cobrir o Custo das Mercadorias Vendidas, as despesas variáveis e as despesas fixas. No Ponto de
Equilíbrio, a empresa não terá lucro nem prejuízo.

2. Ponto de Equilíbrio Contábil (PEC) é a quantidade que equilibra a receita total com a soma dos
custos e despesas relativos aos produtos vendidos (custo total).

3. Ponto de Equilíbrio Econômico (PEE) é a quantidade que equilibra a receita total com a soma
dos custos e despesas, acrescidas de uma remuneração mínima sobre o capital investido pela
empresa.

4. Ponto de Equilíbrio Financeiro (PEF) é a quantidade que equilibra a receita total com a soma dos
custos e despesas que representam desembolso financeiro para a empresa.

5. A Margem de Segurança pode ser definida como o volume de vendas que excede as vendas
calculadas no Ponto de Equilíbrio. O volume de vendas excedente para analisar a Margem de
Segurança pode ser tanto o valor das vendas orçadas como o valor real das vendas.

6. Alavancagem Operacional é a medida da extensão de quantos custos fixos estão sendo usados
dentro da organização. O termo alavancagem vem da possibilidade de apurar Lucros Líquidos em
proporções maiores do que o normalmente esperado, através da alteração correta da proporção
dos custos fixos na estrutura de custos da empresa.

Administração do capital de giro e análise das fontes de recursos


1. O Capital Circulante representa o valor aplicado pela empresa em seu ciclo operacional, que
compreende o período de tempo desde a entrada da matéria-prima no estoque até a venda dos
produtos e seu respectivo recebimento.

2. O ciclo de caixa representa o período de tempo em que os recursos da empresa foram utilizados
para o pagamento de bens e/ou matérias-primas até o recebimento pela venda do produto
acabado.
Gabarito | 181

3. Podem ser representados por ativos físicos, como por exemplo, aquisição de máquinas e
equipamentos ou em títulos do mercado, como por exemplo, aquisição de ações de outras
empresas.

4. O principal objetivo da administração de caixa é a redução deste valor ao mínimo necessário para
atender às operações da empresa. A boa política de capital de giro é elaborada para minimizar
o tempo entre desembolsos de caixa com materiais e o recebimento pelas vendas, efetuada
eficazmente e desta forma, aumentando o valor da empresa e consequentemente de seus sócios
e acionistas.

5. As principais fontes de financiamento de curto prazo são o capital próprio e capital de terceiros.

Análise do Resultado Operacional


1. Representa a Lucratividade auferida sobre o produto ou serviço comercializado pela empresa.

2. Avaliar o ganho operacional da empresa em relação ao seu faturamento.

3. Esse índice demonstra o retorno líquido da empresa sobre seu faturamento, após deduzir-se as
Despesas Operacionais e Não operacionais e os impactos do Imposto de Renda e da Contribuição
Social sobre o lucro.

4. O Sistema Du Pont é uma técnica utilizada na busca das chamadas áreas chaves responsáveis
pelo desempenho financeiro da empresa. Este sistema correlaciona o Balanço Patrimonial e a
Demonstração de Resultado como medidas da Lucratividade, através da Taxa de Retorno sobre o
Ativo Total (TRAT) e sobre a Taxa de Retorno sobre o Patrimônio Líquido (TRPL).

5. O EVA, Economic Value Added (Valor Econômico Agregado), é um conceito que se baseia na idéia
de lucro econômico (lucro residual). Este conceito afirma que o lucro só existe após a remuneração
do capital empregado pelo seu custo de oportunidade. É ainda, uma medida de desempenho
que considera todos os custos de operação, inclusive os de oportunidade.

6. Para se chegar ao EBITDA de uma empresa, é preciso utilizar a seguinte equação: (Lucro Bruto
– Despesas Operacionais). Dessa forma, é possível avaliar o lucro referente apenas ao negócio,
descontando qualquer ganho financeiro.

Planejamento e controle financeiro


1. Os principais usuários destes trabalhos são os controllers, gestores financeiros, proprietários das
empresas, fornecedores atuais e futuros de recursos financeiros (agentes financeiros).
182 | Finanças: fundamentos e processos

2. Consiste, basicamente, em duas etapas. A primeira refere-se a planos de longo prazo ou


estratégicos e a segunda, a planos de curto prazo ou operacionais, correspondentes, na maioria
das vezes, a um período não mais longo do que dois anos.

3. Sua utilização é necessária para estimar quais serão as necessidades de caixa no curto prazo e,
geralmente é elaborada em bases mensais.

4. Deve ser elaborado para termos condições de estabelecer uma liquidez adequada; para minimizar
os custos de financiamento ou maximizar o rendimento das aplicações e para despertar confiança
nos fornecedores que esperam que os devedores tenham cuidado no monitoramento dos fluxos
de caixa.

5. É elaborada baseada no regime contábil de competência para projetar o lucro e a posição


financeira geral da empresa.

Planejamento de caixa e Projeção do Balanço Patrimonial


1. A projeção deve ser feita de acordo com a situação em que ela se encontra no momento (as it is).
No entanto, podem ser criados cenários que projetem o potencial de uma empresa integrada
a outra e levem em conta ganhos de sinergia, crescimento maior após um aporte de capital,
complementaridade do mix dos produtos das organizações ou mesmo melhores perspectivas
econômicas e setoriais.

2. Sim. Os cenários criados podem contemplar projeções diferentes dos diversos itens que fazem
parte de uma avaliação (Receitas, Custos, Despesas etc., que podem ser otimistas, pessimistas ou
conservadores) e, nesse caso, apontarão valores também diferentes, que podem ser ponderados
de acordo com sua probabilidade de ocorrência.

3. É preciso analisar os valores e os investimentos realizados no passado e seu impacto em receitas,


custos e despesas, para contemplar os investimentos que precisam ser realizados e que podem
ou não ter sido programados pela empresa.

4. Porque a projeção dos investimentos deve estar de acordo com as necessidades de expansão e
modernização da organização, e tais montantes devem ser suficientes para garantir as vendas
projetadas.
Gabarito | 183

Custos e fontes de investimentos


1.
a)

Ano Valor Variação %

95 2,12
96 2,30 8,49

97 2,60 13,04
98 2,92 12,31
99 3,10 6,16
40,01 /4 = 10,00

Qtde de variações

b)

Preço de Mercado 57,50 57,5 100

Preço Recebido 52,00 52 X

x = 90,43%

c)

D1= Próximo Dividendo a Distribuir

P0 = Preço de Mercado da Ação

C = Taxa de Variação de Crescimento dos Dividendos

D1 3,40

P0 57,50

C 0,10

D1/P0 +C * 100 = 15,91%


184 | Finanças: fundamentos e processos

d)

D1= Próximo Dividendo a Distribuir


P0 Líquido = Preço da Ação Recebido
C = Taxa de Variação de Crescimento dos Dividendos

D1 3,40
P0 Líquido 52,00
C 0,10

(D1/ P0 Líquido)+C * 100 16,54%

2.
Empresa A

P0 50,00
D1 2,25
C 8%
Deságio + Custo Underwriter 3,00
P0 Líquido 47,00

(D1/ P0 Líquido)+C 12,79%

Empresa B

P0 20,00
D1 1

C 4%

Deságio + Custo Underwriter 2,00


P0 Líquido 18,00

(D1/ P0 Líquido)+C
Gabarito | 185

Empresa C
P0 42,50
D1 2

C 6%

Deságio + Custo Underwriter 3,00


P0 Líquido 39,50

(D1/ P0 Líquido)+C 11,06%

Empresa D

P0 19,00
D1 2,1
C 2%

Deságio + Custo Underwriter 3,00


P0 Líquido 16,00

(D1/ P0 Líquido)+C 15,13%

Mercado de capitais
1. É a maior bolsa de ações da América Latina, negocia ações em São Paulo e ações de empresas
listadas, que necessariamente precisam ser de capital aberto.

2. A Comissão de Valores Mobiliários e a Bolsa de Valores.

3. No Brasil existem nove bolsas, das quais apenas a Bovespa em São Paulo, possui pregões regulares
e com volumes significativos.

4. É o recinto onde se reúnem os operadores da Bolsa de Valores para executar fisicamente as ordens
de compra e venda, dadas pelos compradores e vendedores de ações às suas corretoras.

5. Uma operação à vista é a compra ou venda, em pregão, de determinada quantidade de ações


para liquidação imediata.
186 | Finanças: fundamentos e processos

6. No Mercado a termo, o investidor se compromete a comprar ou vender certa quantidade de uma


ação (chamada ação-objeto) por um preço fixado e dentro de um prazo pré-determinado.

7. Debêntures são valores mobiliários representativos de dívida, de médio e longo prazos que
asseguram a seus detentores (debenturistas) direito de crédito contra a companhia emissora.

Mercado de ações e financiamento a longo prazo


1. É o mercado atual no qual se negociam com datas de liquidação futura, durante o horário de
funcionamento da Bovespa, em lotes padrão nela já negociado, as ações autorizadas para tal;
permitindo a ambos os participantes de uma transação reverter de forma automática sua posição,
antes da data de vencimento. Isto se deve às alterações na sistemática operacional daquele
mercado.

2. O mercado de opções negocia esses direitos de compra ou de venda, mas não as ações dire-
tamente. Os direitos são negociados por um preço, o prêmio, que é o valor pago pelo titular
e recebido pelo lançador.

3. O ADR (American Depositary Receipt) ou GDR (Global Depositary Receipt) são papéis emitidos e
negociados no mercado exterior (ADR só nos EUA), com lastro em ações de outros países.

4. Derivativos, numa conceituação geral, são títulos cujo valor depende do valor de um título básico
sobre o qual estes títulos são negociados.

5. Um fundo de investimento é um condomínio que reúne recursos de um conjunto de investidores,


com o objetivo de obter ganhos financeiros a partir da aquisição de uma carteira de títulos ou
valores mobiliários.
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desenvolvida em parceria entre o Instituto Fonte com o ICE - Instituto de Cidadania Empresarial e Global
Editora, publicado em 2000.
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Referências | 189

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2000.
Anotações
Hino Nacional
Poema de Joaquim Osório Duque Estrada
Música de Francisco Manoel da Silva

Parte I Parte II

Ouviram do Ipiranga as margens plácidas Deitado eternamente em berço esplêndido,


De um povo heróico o brado retumbante, Ao som do mar e à luz do céu profundo,
E o sol da liberdade, em raios fúlgidos, Fulguras, ó Brasil, florão da América,
Brilhou no céu da pátria nesse instante. Iluminado ao sol do Novo Mundo!

Se o penhor dessa igualdade Do que a terra, mais garrida,


Conseguimos conquistar com braço forte, Teus risonhos, lindos campos têm mais flores;
Em teu seio, ó liberdade, “Nossos bosques têm mais vida”,
Desafia o nosso peito a própria morte! “Nossa vida” no teu seio “mais amores.”

Ó Pátria amada, Ó Pátria amada,


Idolatrada, Idolatrada,
Salve! Salve! Salve! Salve!

Brasil, um sonho intenso, um raio vívido Brasil, de amor eterno seja símbolo
De amor e de esperança à terra desce, O lábaro que ostentas estrelado,
Se em teu formoso céu, risonho e límpido, E diga o verde-louro dessa flâmula
A imagem do Cruzeiro resplandece. – “Paz no futuro e glória no passado.”

Gigante pela própria natureza, Mas, se ergues da justiça a clava forte,


És belo, és forte, impávido colosso, Verás que um filho teu não foge à luta,
E o teu futuro espelha essa grandeza. Nem teme, quem te adora, a própria morte.

Terra adorada, Terra adorada,


Entre outras mil, Entre outras mil,
És tu, Brasil, És tu, Brasil,
Ó Pátria amada! Ó Pátria amada!

Dos filhos deste solo és mãe gentil, Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada, Pátria amada,
Brasil! Brasil!

Atualizado ortograficamente em conformidade com a Lei 5.765, de 1971, e com o artigo 3.º da Convenção Ortográfica
celebrada entre Brasil e Portugal em 29/12/1943.

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