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Procedimentos

ENGENHARIA
para
CONSTRUÇÃO CIVIL
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TRANSPORTE
elaboração do projeto básico
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588

para obras públicas 1

CELSO LELIS CARNEIRO BORGES*

Planejar uma obra pública


constitui um dever inafastável de
todo gestor em qualquer esfera
da administração pública. Os
procedimentos para realização
de uma obra pública com
recursos próprios ou através
de convênios com outros entes
públicos são complexos. O
presente artigo, fundamentado
na legislação vigente, mostra os
principais procedimentos para
o planejamento e confecção
do projeto básico de uma obra
pública
FOTO: MARCO MENDES/CASE

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ara o planejamento de uma obra pública é imprescindível
a todo gestor, em qualquer esfera da administração públi-
ca, observar a aplicação da Lei Federal 8666/932. Ressalvados os
casos especificados na legislação; obras, serviços, compras e alie-
nações, serão contratadas mediante processo de licitação pública.
Definir o objeto a ser licitado, indicando as suas características
básicas e gerais, bem como os quantitativos a serem fornecidos
no certame, torna-se indispensável ao regular processamento da
licitação e ao pleno alcance de seus fins. O objeto da licitação é
definido com confecção do projeto básico.
O projeto básico de uma obra pública é a peça mais importan-
te para execução de uma obra de qualidade ao custo de mercado
e que traga benefícios à população. O projeto básico objetiva uma
pré-concepção dos serviços e obras que constituíram o empreen-
dimento. Sem projeto básico não há legalidade para execução de
obras públicas, conforme a Lei Federal 8666/93 Art. 7º.

Art. 7º - As licitações para a execução de obras e para a prestação de serviços


obedecerão ao disposto neste artigo e, em particular, à seguinte seqüência:
I - projeto básico;
II - projeto executivo;
III - execução das obras e serviços.
§ 1º A execução de cada etapa será obrigatoriamente precedida da conclusão e
aprovação, pela autoridade competente, dos trabalhos relativos às etapas ante-
riores, à exceção do projeto executivo, o qual poderá ser desenvolvido concomi-
tantemente com a execução das obras e serviços, desde que também autorizado
pela administração pública.
§ 2º As obras e os serviços somente poderão ser licitados quando:
I - houver projeto básico aprovado pela autoridade competente e disponível para
exame dos interessados em participar do processo licitatório;
II - existir orçamento detalhado em planilhas que expressem a composição de
todos os seus custos unitários;
III - houver previsão de recursos orçamentários que assegurem o pagamento das
obrigações decorrentes de obras ou serviços a serem executadas no exercício
financeiro em curso, de acordo com o respectivo cronograma;
IV - o produto dela esperado estiver contemplado nas metas estabelecidas no Plano
Plurianual de que trata o art. 165 da Constituição Federal, quando for o caso.

CONCEPÇÃO DO PROJETO
Antes da elaboração do projeto básico são necessárias outras
etapas até que se chegue na fundamentação do empreendimen-
to. O empreendimento nasce de uma necessidade do município, da
construção ou reforma de equipamento público (praças, escolas,
ginásio de esportes), ou obras de infra-estrutura básica (pavimen-
tação de ruas e avenidas, saneamento básico, iluminação pública).
São muitos os caminhos para gerar desenvolvimento urbano e rural,
cabendo ao gestor avaliar o custo beneficio das principais necessi-
dades, antes da implantação da obra. A reunião de idéias e debates
irá gerar o Programa de Necessidades. O Programa de Necessida-
des orientará a tomada de decisão do gestor público, com o intui-
to de priorizar o anseio da população, considerando a necessidade

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da obra e os recursos disponíveis, dentro de final do empreendimento. Dependendo da projetos aprovados, incluindo as medidas de controle
uma visão sistêmica do processo de decisão. distância de transporte dos materiais bási- ambiental e demais condicionantes, da qual consti-
O Programa de Necessidades visa aplicação cos, como areia, cimento, seixo, brita, pode- tuem motivo determinante;
dos recursos para proposta mais vantajosa se até inviabilizar uma obra pelo alto custo III - Licença de Operação (LO) - autoriza a operação
para administração, sob os aspectos legais, de transporte. O material que será empre- da atividade ou empreendimento, após a verificação
técnicos, sociais, econômicos e ambientais. gado na obra deve ser preferencialmente do efetivo cumprimento do que consta das licenças
Com a definição do que realmente será da região, para reduzir custos. Outro fator anteriores, com as medidas de controle ambiental e
empreitado, surgem às idéias das caracte- de influência da escolha do terreno é a to- condicionantes determinados para a operação.
rísticas do empreendimento, tais como: pa- pografia. Um perfil suave do terreno é fa- Parágrafo único - As licenças ambientais poderão ser
drão de acabamento, mobiliário, usuários da vorável para grande parte das construções, expedidas isolada ou sucessivamente, de acordo com
obra e a finalidade de uso. diminuindo os custos com terraplenagem. a natureza, características e fase do empreendimento
Na concepção do projeto é recomendável ou atividade.
Orçamento estimativo realizar sondagens no terreno, para a iden-
Em seguida, pode-se ter a ordem de gran- tificação do suporte do solo. A identificação Atendimento a Lei de Responsabilidade
deza do custo da obra, mediante a elaboração do suporte do solo, sendo de baixa sustenta- Fiscal e a Lei Orçamentária
de orçamento estimativo. Multiplica-se o valor bilidade, ou com ocorrência de rochas, pode Vislumbrada a viabilidade do empreendi-
da construção por metro quadrado pela área mudar completamente a concepção do pro- mento, considerando a ordem de grandeza do
construída. Nesta fase de pré-orçamento po- jeto de fundações e até inviabilizá-lo naquele custo da obra, cabe ao gestor público assegurar
de-se ter ainda o anteprojeto, como ajuda no local, devido ao alto custo. Outro fator que os recursos financeiros para o início da emprei-
processo de concepção do empreendimento, e pode influenciar na escolha é a propriedade tada. Cabe agora ao chefe do Poder Executivo
melhor estimativa de valores de obra. O valor do imóvel, que deve está apto para a adminis- a elaboração do projeto de lei para apreciação
da construção por metro quadrado é encon- tração pública adquiri-lo ou já pertencer ao e posterior aprovação do Poder Legislativo.
trado em revistas especializadas do mercado patrimônio do gestor do empreendimento. A Lei Complementar n° 101/00 6 e a Lei
de construções, e também são calculados Sendo uma obra de infra-estrutura básica 4320/647, que definem os parâmetros para
mensalmente pelo Instituto Brasileiro de Ge- não teremos os fatores de escolha de terreno, o planejamento de despesas e receitas, criam
ografia e Estatísca (IBGE), através de convênio teremos dentro do Programa de Necessidades uma metodologia de equilíbrio das contas
com a Caixa Econômica Federal (CEF), a partir os locais mais indicados para intervenção e, públicas de modo a garantir a manutenção
do Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e conseqüentemente, aplicação dos recursos. das atividades da administração pública e
Índices da Construção Civil (Sinapi) 3. Sendo o a execução dos projetos estabelecidos nos
Sinapi referência para delimitação dos custos Licença ambiental planos e metas de governo.
de execução de obras públicas. O presente Todos os empreendimentos devem com- Com a Lei Complementar n° 101/00 os
artigo fará mais menções ao Sinapi, no item provar o atendimento da legislação am- gestores públicos deverão contemplar no
especifico de orçamento. biental mediante manifestação do órgão plano plurianual seus compromissos, com-
ambiental competente. A manifestação do patibilizando-os com a realidade financeira.
A escolha do terreno órgão ambiental é a emissão pelo órgão res- O planejamento estratégico deve abranger a
Considerando a construção de um equi- ponsável de licença ou documento dispen- realidade, segundo a previsão de receitas e
pamento público, cabe à administração pú- sando o empreendimento de licenciamento. despesas, já que este planejamento contem-
blica a escolha do terreno para construção. O licenciamento ambiental4 é obrigatório plará os próximos quatro anos.
A escolha do terreno deve ser orientada pelo para execução do empreendimento. Confor- A previsão da despesa, a implantação da
tipo de equipamento comunitário, e levar em me a Resolução Conama n° 237/975 temos: obra pública, deve atender a Lei de Diretri-
conta as dimensões necessárias para execu- zes Orçamentárias (LDO). Com as normas
ção do empreendimento. A consulta ao có- Art. 8º - O Poder Público, no exercício de sua compe- estabelecidas na LDO devem ser discutidas
digo de obras do município para verificação tência de controle, expedirá as seguintes licenças: e negociadas previamente, com vistas em
dos locais apropriados para construção e I - Licença Prévia (LP) - concedida na fase preliminar possibilitar a orientação da programação
para a previsão de recuos, áreas verdes, áre- do planejamento do empreendimento ou atividade orçamentária, necessária para a elaboração
as para estacionamento são imprescindíveis aprovando sua localização e concepção, atestando a da Lei Orçamentária Anual (LOA).
para esta fase do empreendimento. viabilidade ambiental e estabelecendo os requisitos
Outros fatores de influência da escolha básicos e condicionantes a serem atendidos nas próxi- PROJETO BÁSICO
do terreno é a infra-estrutura do local como mas fases de sua implementação; A Lei nº 8666/93, no inciso IX, do art. 6°
água, energia e vias de acesso. A proximida- II - Licença de Instalação (LI) - autoriza a instalação define na forma que segue:
de de materiais adequados para construção do empreendimento ou atividade de acordo com as
da obra é um facilitador e reduz o custo especificações constantes dos planos, programas e IX - Projeto Básico - conjunto de elementos necessários e

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suficientes, com nível de precisão adequado, para carac- da Anotação de Responsabilidade Técnica de VII - impacto ambiental.
terizar a obra ou serviço, ou complexo de obras ou servi- Projetos (ART), no Conselho Regional de En-
ços objeto da licitação, elaborado com base nas indica- genharia, Arquitetura e Agronomia (Crea). Do projeto arquitetônico nascem os de-
ções dos estudos técnicos preliminares, que assegurem a Para cada tipo de obra – como edificações, mais projetos, denominados projetos com-
viabilidade técnica e o adequado tratamento do impacto estradas, barragens, eletrificação – há uma plementares. São projetos complementares
ambiental do empreendimento, e que possibilite a avalia- peculiaridade no desenvolvimento de projetos para uma obra de edificação, o projeto es-
ção do custo da obra e a definição dos métodos e do pra- e de profissionais envolvidos. No caso de uma trutural, o projeto de terraplenagem, o pro-
zo de execução, devendo conter os seguintes elementos: estrada vicinal ou rodovia teremos como em- jeto hidráulico, o projeto sanitário e o pro-
a) desenvolvimento da solução escolhida de forma a brião do empreendimento o projeto geométri- jeto elétrico. Geralmente a administração
fornecer visão global da obra e identificar todos os co, que seria o traçado da estrada com a loca- pública terceiriza a confecção dos projetos
seus elementos constitutivos com clareza; ção das curvas horizontais e verticais, e como por não possuir em seu quadro próprio, pro-
b) soluções técnicas globais e localizadas, suficiente- responsável técnico um engenheiro civil. fissionais habilitados e os meios necessários
mente detalhadas, de forma a minimizar a necessida- Para obras de edificações, o projeto ar- para elaboração dos projetos (tecnologia). A
de de reformulação ou de variantes durante as fases quitetônico é composto de no mínimo: uma administração pública pode também reali-
de elaboração do projeto executivo e de realização das planta baixa9; dois cortes, sendo um longi- zar concurso público para a elaboração dos
obras e montagem; tudinal e um transversal da planta baixa; projetos, a Lei 8666/93 Art 22 § 4º, define
c) identificação dos tipos de serviços a executar e de duas fachadas, a fachada principal e a fa- nestes termos o concurso.
materiais e equipamentos a incorporar à obra, bem chada secundária. Este é um jogo mínimo de
como suas especificações que assegurem os melhores plantas do projeto arquitetônico, suficientes § 4º Concurso é a modalidade de licitação entre quais-
resultados para o empreendimento, sem frustrar o ca- para o detalhamento de uma edificação. No quer interessados para escolha de trabalho técnico,
ráter competitivo para a sua execução; projeto arquitetônico são previstos a forma científico ou artístico, mediante a instituição de prêmios
d) informações que possibilitem o estudo e a dedu- da edificação, os tamanhos dos ambientes, ou remuneração aos vencedores, conforme critérios
ção de métodos construtivos, instalações provisórias as cores, materiais básicos da edificação constantes de edital publicado na imprensa oficial com
e condições organizacionais para a obra, sem frustrar (como tipo de telha a ser utilizado e o tama- antecedência mínima de 45 (quarenta e cinco) dias.
o caráter competitivo para a sua execução; nho da cerâmica). Um bom projeto arqui-
e) subsídios para montagem do plano de licitação e tetônico visa a economia de energia, com Um erro grave da administração pública é
gestão da obra, compreendendo a sua programação, a refrigeração e iluminação, a praticidade de licitar a obra, apenas com o projeto arquite-
estratégia de suprimentos, as normas de fiscalização e manutenção, a acessibilidade de pessoas tônico, sem os projetos complementares defi-
outros dados necessários em cada caso; com dificuldade de locomoção. Ainda no nidos, ficando a cargo da empresa vencedora
f) orçamento detalhado do custo global da obra, fun- projeto arquitetônico é fundamental a dis- a confecção dos outros projetos. Esta prática
damentado em quantitativos de serviços e forneci- posição dos móveis e equipamentos, para pode originar erros, tais como: vícios de cons-
mentos propriamente avaliados. idéia de espaço e funcionalidade da edifica- trução, dilatação do prazo de obra, aumento
ção. Na fase de estudo do projeto, ele deve do valor da obra e até paralisação da obra pela
O projeto básico de uma obra pública é ser criticado e revisado, quantas vezes se fi- falta de previsão orçamentária. A empreitada
formado pelos seguintes elementos: zerem necessárias, até a melhor concepção de obra envolve riscos e mitigação do risco re-
1) projetos; de implantação. quer em melhoria constante dos projetos.
2) memorial descritivo com as especifica- Segundo a Lei 8666/93 Art.12 devem ser
ções técnicas (caderno de encargos); observados: Memorial descritivo
3) orçamento; O memorial descritivo de procedi-
4) cronograma físico-financeiro. Art. 12. Nos projetos básicos e projetos executivos de mentos estabelece as condições técnicas
obras e serviços serão considerados principalmente os mínimas a serem obedecidas na execução
Projetos seguintes requisitos: das obras e serviços citados, fixando os
A elaboração do projeto arquitetônico é o I - segurança; parâmetros mínimos a serem atendidos
primeiro passo para montagem do conjunto II - funcionalidade e adequação ao interesse público; para materiais, serviços e equipamentos, e
de elementos que formam o projeto básico. III - economia na execução, conservação e operação; constituirá parte integrante dos contratos
A elaboração do projeto é realizada por pro- IV - possibilidade de emprego de mão-de-obra, mate- de obras e serviços.
fissionais habilitados chamados responsáveis riais, tecnologia e matérias-primas existentes no local Todas as obras e serviços deverão ser exe-
técnicos (RT). Todos os empreendimentos para execução, conservação e operação; cutados rigorosamente em consonância com
devem ter profissionais habilitados, confor- V - facilidade na execução, conservação e operação, os projetos arquitetônicos e complementares
me determina a legislação (Lei 5194/648 ), sem prejuízo da durabilidade da obra ou do serviço; fornecidos, outros projetos e ou detalhes a
indicados como responsáveis técnicos em VI - adoção das normas técnicas, de saúde e de segu- serem elaborados e ou modificados pela em-
cada fase da obra. É indispensável o registro rança do trabalho adequadas; presa construtora, com as prescrições conti-
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das no memorial e demais memoriais espe- Memória de cálculo - A elaboração do orça- técnicos oficiais como Sinapi/CEF e Sicro 2/
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cíficos de projetos fornecidos e ou a serem mento, parte do levantamento das quantidades DNIT12;
elaborados, com as técnicas da Associação de materiais e serviços para execução do proje- 2) a pesquisa em publicações de outros ór-
Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). to. O levantamento das quantidades extraídas gãos públicos da região;
do projeto formará um documento. Este do- 3) a coleta de preços, realizada no mercado
Orçamento cumento é a memória de cálculo, a mesma, é local, na região de execução dos serviços;
O orçamento é o assunto mais polêmi- parte integrante do orçamento e prova da boa 4) em função das especificidades do local
co dos elementos que constituem o projeto técnica aplicada na mensuração dos quantita- de execução, do volume e do porte dos ser-
básico. Para elaboração do orçamento exis- tivos e dos serviços do empreendimento. viços, torna-se necessária, a demonstração
tem inúmeras metodologias. No presente Os preços - O preço de um serviço é forma- dos índices do custo unitário básico para a
artigo mostraremos a metodologia aceita do pelos seguintes elementos: custo direto, majoração da taxa de encargos sociais e do
nos órgãos fiscalizadores da administração custo indireto e o lucro. bônus de despesas indiretas (BDI).
pública. Pode não ser o método ideal para O custo direto é oriundo da mão-de-obra Considerando todos os custos em um
iniciativa privada, mas é a metodologia clás- aplicada, dos materiais utilizados e dos equipa- elenco, obteremos a planilha orçamentária.
sica da administração pública. mentos empregados para os serviços da obra Tipos de execução - Na execução indireta,
O orçamento deve ser elaborado com propriamente dita, tais como: cimento, areia, dentre os regimes de contratação autori-
base na seqüência executiva apresentada no horas de pedreiros, carpinteiros e ajudantes. zados por lei, destaca-se a empreitada por
memorial descritivo e considerar as especifi- Poderão incluir, ainda, os custos diretos, em al- preço global. Nesta modalidade, contrata-
cações técnicas. Todos os itens apresentados guns casos: operador, combustível e os custos se a obra por preço certo e total.
devem ser passíveis de verificação de quanti- com sua manutenção. E por fim, a mobilização Na mão-de-obra são inclusos os encar-
tativos e de custos unitários, por isso, não po- e desmobilização de máquinas, equipamentos gos sociais sobre os salários. Os salários são
dem ser usadas unidades genéricas, tais como: e homens, também são agrupados para com- calculados a partir do piso do sindicato da
verba (Vb) e global (Gb). Todavia, devem ser por, quando necessário, os custos diretos. construção civil e da construção pesada da
utilizadas referências de conhecimento públi- O custo indireto é formado pela admi- região onde será executada a obra.
co, quando disponíveis para o objeto proposto, nistração local, administração central, des- Na execução direta, a própria entidade
estando o custo unitário limitado, conforme pesas financeiras e tributos sobre o valor executará o empreendimento. Neste caso,
Lei 11178/200510,art. 112 §§ 1º 2º e 3º: final da obra. Devido à imprecisão e a di- serão contabilizados na elaboração do orça-
ficuldade de mensurar o custo indireto, foi mento, apenas os custos dos insumos, com
Art. 112. Os custos unitários de materiais e serviços criado um artifício para englobá-lo junto ao exceção da mão-de-obra e do BDI. O orça-
de obras executadas com recursos dos orçamentos da lucro, chamado Bônus de Despesas Indiretas mento contemplará, basicamente, o valor da
União não poderão ser superiores à mediana daqueles (BDI). Todas as despesas, diretas e indiretas, compra dos materiais. Neste caso, a mão-
constantes do Sistema Nacional de Pesquisa de Custos serão agrupadas e formarão o Custo Unitá- de-obra e os equipamentos necessários
e Índices da Construção Civil – SINAPI, mantido pela rio Básico (CUB), para cada tipo de serviço. para a realização da obra, serão custeados
Caixa Econômica Federal, que deverá disponibilizar Na elaboração do orçamento detalha- pela administração.
tais informações na internet. do, torna-se necessário a demonstração das
§ 1º Somente em condições especiais, devidamen- composições dos serviços, discriminando os Cronograma
te justificadas em relatório técnico circunstanciado, respectivos preços unitários, quantidades e O objetivo do cronograma físico-finan-
aprovado pela autoridade competente, poderão os preços totais. Para estimar os custos, devem ceiro é apresentar os desembolsos no de-
respectivos custos ultrapassar o limite fixado no caput ser utilizadas fontes técnicas de pesquisa correr do tempo de execução proposto pelo
deste artigo, sem prejuízo da avaliação dos órgãos de com o objetivo de detalhar o BDI e os en- projeto. O cronograma deve prever o tempo
controle interno e externo. cargos sociais11, utilizando-os de forma clara total para execução da obra, inclusive com a
§ 2º A Caixa Econômica Federal promoverá, com base nas e precisa. Atualmente, os percentuais de BDI contagem dos dias sem produção. Portanto
informações prestadas pelos órgãos públicos federais de e de encargos sociais, adotados pelo Sinapi, a experiência do profissional na elaboração
cada setor, a ampliação dos tipos de empreendimentos sobre os preços unitários são: vinte cinco do projeto é muito importante para defini-
atualmente abrangidos pelo Sistema, de modo a contem- centésimos (25%) e cento e vinte e dois cen- ção dos prazos de execução. O cronogra-
plar os principais tipos de obras públicas contratadas, em tésimos e oitenta e dois milésimos (122,82%), ma estabelece a velocidade de execução
especial as obras rodoviárias, ferroviárias, hidroviárias, respectivamente. O orçamento detalhado da obra. Um prazo de obra muito elástico
portuárias, aeroportuárias e de edificações, saneamento, auxilia o controle e a fiscalização dos custos é prejudicial à administração pública, pelo
barragens, irrigação e linhas de transmissão. e os quantitativos de serviços e insumos. aumento dos preços iniciais por reajustes
§ 3º Nos casos ainda não abrangidos pelo Sistema, Os orçamentos sintéticos e analíticos serão contratuais, previstos anualmente e a mo-
poderá ser usado, em substituição ao SINAPI, o custo elaborados com a aplicação sucessiva de: rosidade da entrega da obra. Por outro lado
unitário básico – CUB. 1) a pesquisa em publicações ou sistemas um prazo muito reduzido onera a obra pela

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adoção de turnos ininterruptos de trabalho

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Lopes, abril de 2007. a partir do corte horizontal à altura de 1,5m da base.
da empresa contratada. O custo da mão- 2 Lei Federal 8666 de 21 de junho de 1993, regulamen- Nela devem estar detalhadas em escala as medidas das
de-obra noturna é pelo menos 50% maior ta o art. 37, inciso XXI, da Constituição Federal, institui paredes (comprimento e espessura), portas, janelas, o
que hora normal trabalhada. No julgamento normas para licitações e contratos da administração nome de cada ambiente e seu respectivo nível.
das propostas, a administração pública deve pública e dá outras providências. 10 Lei Federal 11178, de 20 de setembro de 2005, dis-

zelar para que o cronograma esteja sempre 3 O Sinapi, criado em 1969, tem como objetivo a pro- põe sobre as diretrizes para a elaboração da Lei Orça-
compatível com o projeto básico, para evitar dução de informações de custos e índices de forma mentária de 2006 e dá outras providências.
que os proponentes aumentem o valor das sistematizada com abrangência nacional e regiona- 11 Os encargos sociais incidem diretamente sobre a

etapas iniciais da obra, o que configuraria lizada, para elaboração e avaliação de orçamentos folha de pagamento e sobre benefícios e salários. São
antecipação de pagamento, com riscos para do setor público e de obras financiadas para o setor calculados a partir descanso semanal remunerado, aos
administração pública, visto que durante a privado. dias de férias e feriados, ao 13º salário, aos dias de afas-
execução, possivelmente a empresa contra- 4 Licenciamento ambiental: procedimento administra- tamento por motivos de doença pagos pelas empresas,
tada reivindicará aditivos contratuais obje- tivo pelo qual o órgão ambiental competente licen- ao aviso prévio e à despesa por rescisão contratual.
tivando equilíbrio econômico-financeiro13. cia a localização, instalação, ampliação e a operação 12 Sistema de custos rodoviários – Sicro 2, do Depar-

A prorrogação contratual, sem autorização de empreendimentos e atividades utilizadoras de tamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes
é crime, conforme a Lei 8666/93. recursos ambientais, consideradas efetiva ou poten- (DNIT).
cialmente poluidoras ou daquelas que, sob qualquer 13 Para restabelecer a relação que as parte pactuaram

Art. 92 - Admitir, possibilitar ou dar causa a qualquer forma, possam causar degradação ambiental, consi- inicialmente entre os encargos do contratado e a retri-
modificação ou vantagem, inclusive prorrogação con- derando as disposições legais e regulamentares e as buição da administração pública para a justa remune-
tratual, em favor do adjudicatário, durante a execução normas técnicas aplicáveis ao caso. Definição segundo ração da obra, serviço ou fornecimento, objetivando
dos contratos celebrados com o Poder Público, sem au- o art. 1° inciso I da Resolução n° 237 – Conama. a manutenção do equilíbrio econômico-financeiro
torização em lei, no ato convocatório da licitação ou nos 5 Resolução n° 237, de 19 de dezembro de 1997, do inicial do contrato, na hipótese de sobreviverem fatos
respectivos instrumentos contratuais, ou, ainda, pagar Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). imprevisíveis, ou previsíveis porém de conseqüências
fatura com preterição da ordem cronológica de sua exi- 6 Lei Complementar n° 101, de 4 de maio de 2000, Lei incalculáveis, retardadores ou impeditivos da execu-
gibilidade, observado o disposto no art. 121 desta Lei: de Responsabilidade Fiscal. ção do ajustado, ou ainda, em caso de força maior,
Pena - detenção, de dois a quatro anos, e multa. 7 Lei Federal 4320, de 17 de março de 1964, Estatui caso fortuito ou fato do príncipe, configurando álea
Parágrafo único - Incide na mesma pena o contratado Normas Gerais de Direito Financeiro para elaboração econômica extraordinária e extracontratual. Confor-
que, tendo comprovadamente concorrido para a con- e controle dos orçamentos e balanços da União, Esta- me a Lei 8666/93 Art.65, parágrafo II alínea d.
sumação da ilegalidade, obtém vantagem indevida ou dos, dos Municípios e do Distrito Federal.
8 Lei Federal 5194, de 24 de dezembro de 1966, regula * Celso Lelis Carneiro Borges é engenheiro civil pela
se beneficia, injustamente, das modificações ou pror-
Universidade Federal do Ceará (UFC), pós-graduado
rogações contratuais. o exercício das profissões de engenheiro, arquiteto e em Administração Pública pela Universidade Federal de
engenheiro agrônomo, e dá outras providências. Rondônia (UNIR) e é engenheiro da Caixa Econômica
Federal (CEF)
CONCLUSÃO 9 Planta baixa é o desenho de uma construção feito

Uma obra pública mal planejada está


fadada ao desperdício e ao insucesso. E a REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
escassez de recursos financeiros torna cada [1] BRASIL. Constituição (1988). Constituição da Re- [5] BRASIL. Lei nº 4320, de 17 de março de 1964.
vez mais valiosa a técnica para aplicação pública Federativa do Brasil: promulgada em 5 de ou- Regula o exercício das profissões de Engenheiro, Ar-
de recursos. O presente artigo roteirizou tubro 1988: atualizada até a Emenda Constitucional nº quiteto e Engenheiro-Agrônomo. Diário Oficial [da]
os passos básicos do planejamento de uma 48, 10-08-2005. 37. ed. São Paulo: Saraiva, 2005. República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 23 março
obra pública até a finalização do projeto bá- [2] BRASIL. Lei n. 8666, de 21 de junho de 1993. Ins- de 1964. www.planalto.gov.br/ccivil
titui normas para licitações e contratos da Adminis- [6] BRASIL. Lei Complementar nº 101, de 4 de maio
sico. Apesar do rigor das leis sobre o assun-
tração Pública. Diário Oficial [da] República Federativa de 2000. Estabelece normas de finanças públicas vol-
to, muitas obras deixam de ser concluídas do Brasil, Brasília, DF, 22 junho de 1993. www.planalto. tadas para a responsabilidade na gestão fiscal. Diário
pelo afastamento da legislação e pela falha gov.br/ccivil Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF,
técnica na elaboração do projeto básico. [3] BRASIL. Lei nº 11178, de 20 de setembro de 2005. 5 maio de 2000. www.planalto.gov.br/ccivil
Dispõe sobre as diretrizes para a elaboração da Lei Or- [7] MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE (Brasil). Con-
Notas çamentária de 2006. Diário Oficial [da] República Fede- selho Nacional do Meio Ambiente. Resolução nº 237,
1Artigo rativa do Brasil, Brasília, DF, 21 setembro de 2005. www. de 19 de dezembro de 1997. Diário Oficial [da] Repú-
apresentado no Curso de Especialização (Lato
planalto.gov.br/ccivil blica Federativa do Brasil, Brasília, DF, 20 dezembro
Sensu) em Administração Pública – Turma IX – Uni- [4] BRASIL. Lei nº 5194, de 24 de dezembro de 1966. de 1997. www.mma.gov.br/port/conama/res/res97/
versidade Federal de Rondônia (UNIR) como requisito Regula o exercício das profissões de Engenheiro, Ar- res23797
avaliativo nas disciplinas de Metodologia da Pesquisa quiteto e Engenheiro-Agrônomo. Diário Oficial [da] [8] TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO (Brasil). Obras
e Administração Pública sob orientação dos Profes- República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 27 dezem- Públicas: recomendações básicas para contratação e
bro de 1966. www.planalto.gov.br/ccivil fiscalização de obras públicas, 2002, Brasília.
sores Ms. Clarides Henrich de Barba e Edson Bonfim

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