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Documentos e contratos de obras

APRESENTAÇÃO

Uma obra em andamento deve ter diversos documentos regularizados: licenciamento em


prefeituras e órgãos oficiais, desde a fase de projeto da até o término da execução; contratos
entre construtora e cliente; contratos entre a construtora e seus empregados ou prestadores de
serviço; relatórios que permitem o bom acompanhamento da obra; entre outros. O conhecimento
de todos esses documentos são vitais para que o projeto seja bem-sucedido.

Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai conhecer os documentos necessários para regularizar
uma obra, como solicitá-los e quais suas especificações. Ainda, você verá os tipos de contratos
possíveis com clientes, empregados e fornecedores. Por fim, você vai estudar os tipos de
relatórios de obra, sua importância em cada projeto e o que deve constar em cada um deles.
Conhecer as modalidades de contratação é uma maneira de proteger o seu negócio e garantir que
todas as partes estejam satisfeitas.

Bons estudos.

Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:

• Reconhecer os documentos necessários para licenciamentos junto a prefeituras e órgãos


oficiais.
• Identificar as principais modalidades e aspectos que envolvem os contratos com clientes e
fornecedores.
• Produzir diferentes tipos de relatórios de obras.

DESAFIO

Os relatórios de obras são essenciais para manter todos os assuntos do empreendimento


organizados e as informações acessíveis a todos. Existem diversos tipos de relatórios, e o
responsável pela obra deve conhecer os mais importantes para a sua obra.
INFOGRÁFICO

A regularização da obra perante os órgãos oficiais é um ponto essencial para que o


empreendimento possa começar, sendo executado dentro das normas.

Veja, no Infográfico a seguir, a lista dos documentos necessários para regularizar uma obra do
começo ao fim.
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CONTEÚDO DO LIVRO

A gestão de obras não se trata somente de gestão da execução da construção em si. Os processos
burocráticos para colocar o empreendimento em andamento e mantê-lo regularizado são tão
importantes quanto a sua execução. As partes burocrática e contratual são essenciais para que
todos os envolvidos fiquem satisfeitos com o andamento da obra: o cliente feliz e seguro com o
tipo de contrato escolhido; os trabalhadores com seus direitos assegurados; e o construtor
tranquilo com a regularidade da construção e com seu o lucro final.

No capítulo Documentos e contratos de obras, do livro Gestão de obras, você verá os


principais documentos para regularizar e licenciar sua obra na prefeitura da cidade ou nos
órgãos oficiais. Também, verá os tipos de contratos possíveis a serem selados com o cliente,
entendendo como cada um se adequa a cada tipo de obra. Ainda, você vai entender como
contratar seus empregados ou serviços para o seu empreendimento. Por fim, vai conhecer os
diferentes tipos de relatórios de obras, o que deve constar em cada um e sua importância dentro
de cada projeto.

Boa leitura.
GESTÃO DE
OBRAS

Júlia Hein Mazutti


Documentos e
contratos de obras
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:

„„ Reconhecer os documentos necessários para licenciamentos junto a


prefeituras e órgãos oficiais.
„„ Identificar as principais modalidades e os principais aspectos dos
contratos com clientes e fornecedores.
„„ Produzir diferentes tipos de relatórios de obras.

Introdução
A gestão de obras não se resume à execução da obra em si. Os processos
burocráticos para colocá-la em andamento e mantê-la regularizada são
tão importantes quanto a sua execução. Os aspectos burocráticos e con-
tratuais de uma obra são essenciais para que todos os envolvidos fiquem
satisfeitos com seu andamento: o cliente seguro com o tipo de contrato
escolhido, os trabalhadores com seus direitos assegurados e o construtor
tranquilo quanto à regularidade da construção e ao seu o lucro final.
Neste capítulo, você vai aprender quais são os principais documentos
necessários para regularizar e licenciar sua obra na prefeitura da cidade e
outros órgãos oficiais; vai identificar os tipos possíveis de contrato com o
seu cliente e como cada contrato se adequa melhor a cada tipo de obra
e vai entender também como pode contratar, de acordo com as normas
legais, empregados ou serviços para esta atividade. Por fim, você vai
conhecer os diferentes tipos de relatórios de obras, o que deve constar
em cada um deles e sua importância em cada projeto.
2 Documentos e contratos de obras

Documentos para licenciamento de obras


Realizar uma construção requer mais que elaborar os projetos da obra e executá-
-la. Os documentos para regularizá-la frente à prefeitura e aos órgãos oficiais
são imprescindíveis para que possa ser realizada de acordo com as regula-
mentações vigentes. Você já se perguntou quais documentos são necessários
para realizar uma obra?

Uma obra com documentações irregulares ou incompletas pode gerar multas para a
empresa, ser interrompida até que seja regularizada ou até ser demolida! Para evitar
dores de cabeça, o único jeito é ficar atento aos procedimentos burocráticos para
regularizar a obra e providenciar todos os documentos e licenças exigidas.

Infelizmente, não existe um conjunto único de documentos para obter


esse licenciamento. Isso varia de cidade para cidade pois cada uma possui seu
próprio Código de Obras. De qualquer maneira, para realizar uma obra, você
deverá ir até a prefeitura da cidade e verificar os documentos necessários para
autorizá-la. A boa notícia é que existem alguns procedimentos em comum
para todas as obras, em todas as cidades.
Uma maneira de organizar todos os procedimentos burocráticos é pensar
em três momentos: antes da obra; durante a execução e depois da obra estar
finalizada. Você verá, a seguir, os principais procedimentos e documentos
necessários para regularizar uma obra nestes três momentos.

Antes de começar
Antes de tudo, você deve se assegurar de que o terreno em que a obra será
construída está regularizado. Para isso, vá ao cartório de registro de imóveis e
verifique a matrícula do imóvel. Nesse documento, estão todas as informações
do terreno, como nomes dos antigos proprietários, mudanças realizadas no
imóvel, data da primeira matrícula e, entre outros dados, o mais importante:
se o terreno está regularizado para que você possa planejar sua obra nele.
Em seguida, deve obter o alvará de construção para que a obra possa ser
executada. Este documento é emitido pela Secretaria Municipal de Urbanismo
Documentos e contratos de obras 3

ou similar, ou seja, a construção deve seguir o Código de Obras Municipal,


que muda de cidade para cidade. Para obter o alvará de construção, você
deve ir à prefeitura da cidade da obra com alguns documentos. Os mais
comuns são:

„„ Projeto Legal ou Projeto de Licenciamento;


„„ Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV), para obras urbanas;
„„ licenças ambientais;
„„ identificação do profissional autor do projeto, sendo o Registro de
Responsabilidade Técnica (RRT) para arquitetos e a Anotação de Res-
ponsabilidade Técnica (ART) para engenheiros;
„„ documentos de identificação do proprietário do terreno;
„„ escritura ou contrato de compra e venda do terreno;
„„ cópia do Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU);
„„ comprovante do pagamento de taxa necessária para dar entrada ao
processo.

Destacamos que o Projeto Legal ou de Licenciamento é um projeto arqui-


tetônico e deve estar de acordo com o Código de Obras Municipal. Alguns
documentos comuns para todas as cidades, nesse projeto são:

„„ informações do terreno, proprietário e autor do projeto;


„„ plantas baixas de todos os pavimentos;
„„ plantas das fachadas;
„„ plantas de cobertura com caimento dos telhados;
„„ planta de locação da obra e recuos do terreno;
„„ levantamento das cotas do terreno;
„„ cortes longitudinal e transversal da obra;
„„ valores de taxa de ocupação, taxa de aproveitamento, taxa de iluminação,
taxa de ventilação, área de aproveitamento.

Como você pode perceber, a obtenção do alvará de construção envolve


diversos fatores. Assim, é essencial que todos os profissionais envolvidos na
criação dos projetos e documentos necessários estejam atentos às diretrizes
do Código de Obras do município onde a obra será realizada. Com o alvará
de construção em mãos, você garante que o seu projeto será construído con-
forme a legislação local e pode começar sua execução. Deve-se atentar que,
se o projeto apresentado à prefeitura sofrer alterações, o alvará de construção
deverá ser solicitado novamente.
4 Documentos e contratos de obras

Nem todas as obras necessitam de alvará de construção. Alguns exemplos: reformas


de pequeno porte que não alterem a área construída; pequenos consertos; pintura;
instalação de jardins e galerias, entre outros. Por garantia, sempre se informe na pre-
feitura sobre a necessidade ou dispensa do alvará de construção.

Durante a execução da obra


Agora que você já sabe como começar sua obra do ponto de vista legal e buro-
crático, deve cuidar de mantê-la dentro das regras. Os seguintes documentos
devem estar em dia para que a obra possa seguir seu planejamento.

„„ Cadastro Específico do Instituto Nacional do Seguro Social


­(CEI-INSS) — é a matrícula da obra junto ao INSS, conhecida como
CEI. É uma maneira de vincular a obra (construtora e funcionários)
à Receita Federal. O CEI permite o recolhimento da contribuição do
INSS sobre a mão-de-obra;
„„ Atestado da concessionária de água e esgoto — deve ser requisitado
junto à concessionária de água e esgoto da cidade. Após vistoria, se a
obra estiver de acordo com o projeto aprovado pelo alvará de construção,
será autorizada a ligar-se à rede pública de água e esgoto;
„„ Atestado de conformidade da instalação de energia elétrica — deve
ser requisitada de maneira similar aos serviços de água e esgoto. Com
esse documento, assegura-se que as instalações elétricas estão de acordo
com as normas vigentes e com os regulamentos da concessionária,
garantindo o acesso à rede pública de energia;
„„ Placa de obra — durante a obra deve-se garantir que ela esteja sinalizada
com as informações do projeto, mostrando sua regularidade. Para isso,
a Lei Federal nº 5.194/66 e a Resolução Confea nº. 407/96 tornaram
obrigatório o uso de placas fixadas em frente às obras (BRASIL, 1966;
CONSELHO..., 1996). A placa deve conter as seguintes informações, se-
gundo o CREA-SP (CONSELHO..., 2015): nome do profissional técnico
responsável; título profissional; nº de registro no CREA; atividade(s)
pela(s) qual(is) é responsável técnico; nome da empresa que representa
(se houver); número da(s) ART(s) correspondente(s) e dados para contato.
Documentos e contratos de obras 5

Destaca-se que, para obras públicas federais, estaduais e municipais,


as placas de obra devem atender aos modelos elaborados para cada
setor, que geralmente informam dados com o objetivo de promover a
transparência do projeto, indicando o valor do investimento e de qual
ministério vem o recurso; datas de início e previsão de finalização da
obra, conforme estabelecido no Manual da Marca do Governo Federal
— Obras (BRASIL, 2016). Em alguns casos, as informações de datas
de licenças ambientais também são visualizadas.

Com esses documentos em dia, sua obra estará pronta para ser concluída.
Veja agora os documentos necessários após o término da obra.

Depois de finalizar a obra


Após a conclusão total da obra, deve-se obter o Habite-se. Este documento nada
mais é do que um certificado de conclusão da obra, recebido após a vistoria da
prefeitura para verificar se a construção está de acordo com as normas locais
e pode ser ocupada ou habitada. Assim, concluída a construção, deve-se ir à
prefeitura, tipicamente na Secretaria Municipal de Urbanismo, para solicitar a
vistoria e obter o Habite-se. Embora a documentação para solicitar o Habite-se
mude de cidade para cidade, alguns documentos típicos são:

„„ petição que comunique a conclusão da obra;


„„ documentos de identificação do requerente (pessoa física ou jurídica)
e Contrato Social (quando for o caso);
„„ escritura registrada do terreno;
„„ licença de instalações definitivas (de água, esgoto e energia elétrica);
„„ cópia do alvará de licença da obra, que deve estar dentro da validade;
„„ projetos aprovados pela prefeitura para obtenção do alvará de construção;
„„ laudo técnico feito pelo responsável da obra;
„„ autorização do autor do projeto quanto à observância do mesmo;
„„ prova de quitação do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU).

Após o requerimento do Habite-se, é necessário pagar o Imposto Sobre


Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN), que incide sobre os prestadores de
serviço da obra. Conforme a Emenda Constitucional 37/2002 e a Lei Com-
plementar nº. 116/2003 as alíquotas mínimas e máximas do ISS variam de 2%
a 5%, cabendo aos municípios adequar os valores de acordo com a realidade
local (BRASIL, 2002; 2003).
6 Documentos e contratos de obras

Além disso, deve-se solicitar também a Certidão Negativa de Débito


(CND) da obra junto ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Esta
certidão comprova a regularidade do contribuinte ao INSS. Para solicitá-la o
proprietário deve enviar a Declaração e Informações Sobre a Obra (Diso) à
Receita Federal. A CND é emitida pelo INSS e é necessária para a averbação
em cartórios de registro de imóveis, passo final para deixar tudo regularizado.
A averbação deve ser feita quando qualquer alteração no imóvel é realizada,
como a construção de uma obra um terreno, compra e venda da propriedade,
demolição, entre outros. Para isso, deve-se ir ao cartório de registro com os
seguintes documentos: requerimento do interessado solicitando a averbação do
imóvel; Habite-se emitido pela prefeitura; certidão de conclusão de obra e CND.
Com a averbação do imóvel, sua obra estará finalmente concluída e regularizada.

Contratos com clientes e fornecedores


Seu cliente quer contratar sua empresa para realizar uma obra. Você sabe que
tipos de contratos existem, suas características, vantagens e desvantagens?
Além disso, ao iniciar, você deverá contratar trabalhadores e fornecedores.
Sabe quais as possíveis modalidades de contratação? É muito importante
conhecer os tipos de contratos existentes e quais os mais adequados para a sua
construção. Os serviços que envolvem a execução de uma obra são complexos
e devem ser bem especificados, estabelecendo direitos e deveres e garantindo
segurança jurídica às partes envolvidas.
São quatro as principais modalidades de contratos tipicamente estabe-
lecidos entre o cliente e a empresa que executará a obra. Veja a seguir suas
características, conforme Rexperts (2016).

„„ Empreitada por preço global — estabelece um preço fechado para


o serviço. É o mais prático e o contrato que oferece menores riscos. A
empreiteira estabelece um preço fixo para executar a obra do começo
ao fim e o cliente paga esse valor. Neste tipo de contrato é muito im-
portante que o escopo dos serviços esteja bem determinado, rico em
detalhes. A elaboração minuciosa do contrato evitará alterações, pre-
juízos, desencontro de expectativas e o desgaste das partes envolvidas.
A grande desvantagem desse contrato é a alta carga tributária para a
obra, com cobrança de impostos como o PIS (Programas de Integração
Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público), COFINS
(Contribuição para Financiamento da Seguridade Social) e ISS (Imposto
Documentos e contratos de obras 7

Sobre Serviços). Esta tributação gera a cobrança de impostos sobre


impostos, ou seja, quando a construtora emite a nota fiscal ela paga os
mesmos impostos que os fornecedores e empreiteiros já pagaram sobre
suas notas, e repassa esse valor ao cliente, encarecendo bastante a obra.
„„ Construção por administração — nesta modalidade, o cliente tem
uma ideia geral do projeto, mas muitos detalhes ficam em aberto, para
decisão durante sua execução, o que impede a construtora de calcular o
preço final com exatidão. Dessa maneira, a construtora lucrará cobrando
uma taxa de administração sobre seus gastos com custos de materiais
e mão de obra. Essa taxa pode variar tipicamente entre 5% e 25%.
Isso quer dizer que quanto mais a obra encarecer mais a construtora
ganhará. Assim, é importante que o cliente confie na construtora que
irá contratar e que exista uma prestação de contas ampla e transparente.
O maior risco aqui está para o cliente, que não sabe o preço final da
obra e quanto a construtora gastará para executá-la.
„„ Preço Máximo Garantido (PMG) — este tipo de contrato é uma mistura
entre a empreitada por preço global e a construção por administração. A
construtora, nesse caso, faz um orçamento aberto para e obra e propõe
uma taxa de administração para o cliente. Se o cliente concordar eles
assinam o contrato. Esse tem cláusulas principais estabelecendo, que caso
a obra custar mais barato que o preço inicial negociado, a construtora e
o cliente dividem o valor da economia realizada. Se a obra custar mais
caro, a construtora arca com todo o prejuízo. O contrato PMG evita a
alta carga tributária cobrada no contrato de empreitada por preço global.
„„ Empreitada por Preços Unitários — nesse tipo de contrato estipula-se
um valor por unidade de medida. Por exemplo, estipula-se o preço do
metro cúbico de concreto, do metro cúbico de terra, do metro quadrado
de asfalto, do quilo de aço, entre outros. Essa modalidade é comum
em obras que tenham poucos tipos de serviços, mas grandes volumes,
como estradas, obras de manutenção e infraestrutura.

Na esfera pública, o governo pode contratar uma empresa de construção civil


de duas maneiras: através de uma licitação pública, regida pela Lei 8.666/93,
ou através do Regime Diferenciado de Contratações Públicas (RDC), regido
pela Lei 12.462/11.
O principal objetivo da licitação é contratar o serviço mais vantajoso,
garantindo o bom uso do dinheiro público. Todas as empresas que ofereçam
o serviço solicitado podem participar. Existem três modalidades principais
de licitações para obras públicas, descritas a seguir.
8 Documentos e contratos de obras

„„ Concorrência — para valores da obra acima de R$ 1,5 milhões, po-


dendo também ser utilizada para serviços com valores menores, mas
de grande complexidade. Para participar, não é necessário cadastro
prévio, somente atender às exigências do edital.
„„ Tomada de preços — para obras entre R$ 150 mil e R$ 1,5 milhão.
Para participar, as empresas primeiramente são cadastradas, passando
por verificações de regularidade fiscal e jurídica e de qualificações
técnicas e econômicas. Em seguida, fazem suas propostas de preços.
„„ Carta-convite — é uma licitação mais simples, para obras de até R$ 150
mil. O Estado envia uma carta-convite para pelo menos três empresas,
também divulgando a licitação publicamente para dar a chance de outras
empresas participarem de licitação. As empresas não precisam estar
cadastradas para participar.

Veja mais sobre as documentações necessárias para participar das licitações no link
disponível a seguir.

https://goo.gl/2Pg2Lc

O Regime Diferenciado de Contratações Públicas (RDC) tem como obje-


tivos, conforme a Lei nº 12.462: ampliar a eficiência das licitações; tratar os
licitantes com as mesmas regras e aumentar a competitividade entre eles; pro-
mover a troca de experiências e tecnologias visando o melhor custo-benefício
para o setor público e selecionar a proposta mais vantajosa para a administração
pública. Em comparação com a licitação, o RDC encurta o tempo do processo
e diminui o custo das obras. O RDC é direcionado a obras do Programa de
Aceleração do Crescimento (PAC); obras do Sistema Único de Saúde (SUS);
mobilidade urbana; obras de ciência, tecnologia e inovação; penitenciárias e
unidades de atendimento socioeducativo. O RDC trabalha com a contratação
integrada, onde a contratada é responsável pela elaboração do projeto, execução
e entrega da obra. Estabelece ainda a remuneração variável, de acordo com
cumprimento de metas, critérios de qualidade, sustentabilidade ambiental e
prazo de entrega (BRASIL, 2011).
Documentos e contratos de obras 9

Acesse o link a seguir para saber mais sobre o RDC e suas diferenças com o processo
de licitações.

https://goo.gl/KMNXs9

No caso das obras públicas, os contratos estabelecidos entre a administração


pública e a empresa privada são chamados de contratos administrativos. Os
contratos administrativos de obras públicas estão especificados no artigo 6
da Lei nº. 8.666/93, definindo as formas pelas quais será executada a obra.
Esses contratos costumam ser bastante taxativos, detalhando tudo que deve
ser feito na obra (BRASIL, 1993).
E então, você já sabe qual é o melhor contrato? A verdade é que depende
da obra, do cliente, da construtora e dos objetivos de cada um. O ideal é buscar
o contrato que melhor se adapte às expectativas das partes, cumprindo prazos
e obtendo a qualidade desejada. Veja, no Quadro 1, um resumo dos quatro
tipos de contrato, com os prós e contras de cada um.

Quadro 1. Tipos de contratos na construção civil

Tomada de
Preço fechado Preço de custo preços ou
ou empreitada ou construção Preço máximo empreitada
por preço por garantido por preços
global administração ou PMG unitários

Resumo Cliente paga Construtora Orçamento Preço


um preço fixo e cobra uma estabelecido determinado
determinado. taxa de em conjunto, por unidade
administração. com divisão de de medida.
economias.
Prós É o mais prático. Flexibilidade Divisão da Fácil
no projeto e economia entre contratação.
ritmo da obra. construtora Ideal para
e cliente. recorrência
(p. ex.:
manutenção).
(Continua)
10 Documentos e contratos de obras

(Continuação)

Quadro 1. Tipos de contratos na construção civil

Tomada de
Preço fechado Preço de custo preços ou
ou empreitada ou construção Preço máximo empreitada
por preço por garantido por preços
global administração ou PMG unitários

Contras Exige definição Mais oneroso Depende da Necessário


de escopo. se houver reputação da acompanhar
Custo elevado retrabalho construtora. a medição.
por conta ou atrasos. Exige Aumenta a
de impostos conhecimento complexidade
diretos. técnico por para muitos
parte do cliente. itens.

Fonte: Rexperts (2016, documento on-line).

Agora você já conhece as principais modalidades de contrato entre cliente


e construtoras. Falta conhecer os principais tipos de contratação entre a cons-
trutora e seus trabalhadores, fornecedores ou empresas terceirizadas. Assim
como para os contratos com os clientes, você deve avaliar qual tipo de con-
tratação é mais vantajosa para o seu negócio. Veja a seguir os principais tipos
de contratação, apresentados por Sienge (2018).

„„ Contratos regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT)


— são contratos de trabalho estabelecidos diretamente com o trabalha-
dor, exigindo assinatura da carteira de trabalho e previdência social.
Ainda dentro do regime CLT, conforme Lei nº. 5.452/43, existem quatro
tipos de contratação: por tempo indeterminado; por tempo determi-
nado; contrato intermitente e home office ou teletrabalho (BRASIL,
1943). No contrato por tempo indeterminado, o tipo mais utilizado, o
trabalhador sabe a data de início do trabalho, mas não a data de fim.
O contrato por tempo determinado tem um prazo máximo de dois
anos e pode ser prorrogado somente uma vez. O contrato intermitente
não possui jornada de trabalho definida e a empresa entra em contato
com o trabalhador com até três dias de antecedência informando os
horários de trabalho. No home office, ou teletrabalho, o trabalhador
não atua nas dependências do empregador (geralmente trabalha na sua
Documentos e contratos de obras 11

própria casa) e todas suas atividades e condições de trabalho devem


ser especificadas no contrato.
„„ Terceirização — é um contrato civil entre a prestadora de serviços
(empresa terceirizada) e a tomadora (geralmente a construtora ou in-
corporadora). A empresa terceirizada pode ser contratada para executar
qualquer atividade. Conforme a Lei nº. 13.429/17, a empresa terceirizada
deve garantir os direitos trabalhistas dos seus empregados, não havendo
vínculo empregatício entre eles e a empresa tomadora. O detalhe aqui é
que a empresa que contrata a terceirizada é subsidiariamente responsável
pelas obrigações trabalhistas durante o período de prestação, ou seja,
se houver débitos trabalhistas a incorporadora assume a dívida no lugar
da terceirizada (BRASIL, 2017).
„„ Prestação de serviços — é uma prestação continuada de serviços até
que se atinja o resultado combinado. Durante este tempo o empregador
fiscaliza o serviço do prestador, ou seja, há uma relação de subordinação.

Os tipos de contrato e de contratação devem ser escolhidos conforme


a necessidade do empreendimento e das partes envolvidas. É importante
estabelecer um diálogo ativo e regras que contemplem todo o andamento das
atividades. O cumprimento da legislação é a base de todas as negociações,
proporcionando que as atividades se desenvolvam de maneira correta e segura
para todos.

Tipos de relatórios de obras


Você já sabe que a gestão de obras é uma tarefa complexa, cheia de assuntos
de diferentes áreas para resolver. O gestor deve estar atualizado sobre tudo
que acontece na obra, tanto no nível executivo, com assuntos técnicos e de
planejamento da obra, quanto no nível burocrático, com contratos e contabili-
dade. Como o responsável da obra pode dar conta de tantos assuntos, lembrar
de todos eles e manter as partes envolvidas informadas? A resposta é dada
pelos diversos tipos de relatórios de obras que, por vezes, são obrigatórios.
Veja os tipos de relatórios e documentos mais importantes.

Diário de obras
A resolução n°. 1.024 do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (CON-
FEA) determinou a obrigatoriedade do documento chamado Livro de Ordem,
12 Documentos e contratos de obras

em obras e serviços de engenharia. Esse diário deve conter todas as atividades


e informações da atividade (CONSELHO..., 2009). É a memória de tudo que
acontece na obra. Também chamado de Livro de Obra ou Livro de Ocorrências
Diárias, deve ser preenchido pelo responsável técnico, sendo facultado aos
autores dos projetos e ao contratante ou proprietário da obra efetuar anotações
com data e assinatura.
Alguns itens do relatório diário de obra são: dados da obra, data dos relatos,
equipamentos e materiais utilizados no dia, atividades realizadas, informações
climáticas, serviços interrompidos ou situações imprevistas, comentários e as-
sinaturas das partes envolvidas, entre outros. O relatório diário de obras (RDO)
traz diversas vantagens para e empresa, possuindo um registro das atividades
para consulta e para que a empresa possa melhorar a cada empreendimento.

O site do Confea contém as especificações da Resolução n°. 1.024/2009, que torna


obrigatória a elaboração do Livro de Ordem para obras e serviços de engenharia.
Acesse o link para conhecer a norma.

https://goo.gl/HK1Go4

Acompanhamento técnico
O acompanhamento técnico da obra (ATO) é realizado por uma equipe multi-
disciplinar, que se encarrega de verificar se ela está avançando como previsto
no projeto e de elaborar um relatório sobre a evolução das atividades. O ATO
tem muita importância em obras como túneis e barragens, onde o acompa-
nhamento da leitura das instrumentações e deformações, conforme avançam
suas etapas, pode gerar alterações no projeto ou medidas imprevistas.
Assim, por meio de interpretação do andamento da obra, pode-se adequar
o processo construtivo ou até gerar revisões do projeto original. Além disso, o
ATO garante a segurança dos trabalhadores. Por exemplo, em uma escavação
de túnel, se os deslocamentos estão excedendo os deslocamentos possíveis e
previstos, existe a possibilidade de necessidade de evacuação das equipes de
trabalho pelo perigo de desmoronamento.
Documentos e contratos de obras 13

Relatório mensal de obras


Este relatório relata os fatos mais importantes da obra mensalmente, de maneira
similar ao relatório diário. O objetivo é dar uma visão geral do avanço da
construção. Assim, é comumente utilizado para o relato do avanço de obras
de rodovias e estradas. Com ele, podemos verificar os marcos contratuais que
já foram cumpridos, qual o avanço da obra espacialmente e qual o avenço
das obras de arte especiais (OEA), como viadutos, pontes, entre outros. Este
relatório é muito comum em concessões de rodovias para justificar as ativi-
dades realizadas.

Veja um relatório mensal de concessão de um sistema rodoviário de cerca de 850 km.

https://goo.gl/k7wmXq

Medição
Esse relatório verifica se o que já foi executado está de acordo com o plane-
jamento, quantificando tudo que foi gasto em cada etapa. É uma ferramenta
essencial de controle, pois mensura os recursos aplicados ao longo do crono-
grama, o que ajuda nos pagamentos mensais. É muito utilizado para casos de
contratação em que o pagamento é feito por medição, ou seja, é feito conforme a
obra é executada. Um dos critérios mais utilizados para a medição e composição
de preços é a Tabela de Composições de Preços para Orçamentos (TCPO).
Para obras públicas, a empresa ganhadora da licitação deve apresentar
periodicamente relatórios de medição e o Estado deve fiscalizar a veracidade
dos dados.
Vale lembrar que o relatório de medição está diretamente vinculado ao
tipo de contrato assinado pelas partes. Assim, medições e pagamentos devem
ser realizados de acordo com o tipo de medição definido no contrato (preço
unitário ou preço global). Softwares com MsProject e planilhas de Excel
avançado contribuem na elaboração destes relatórios.
14 Documentos e contratos de obras

O relatório de medição tem como base a planilha inicial orçamentária do


projeto executivo da obra, ou seja, todos os serviços, unidades, quantidades e
códigos de serviços devem ser exatamente iguais aos apresentados na planilha
de projeto.

Segurança do trabalho
Esse relatório, tipicamente realizado por um técnico de segurança do trabalho,
visa inspecionar a obra quanto às condições e medidas de segurança do traba-
lho. O técnico relata as atividades que acompanhou, orientando a inclusão de
ações preventivas ou corretivas, quando necessário. O relatório deve conter
a situação observada, qual a desconformidade em relação à segurança do
trabalho e qual a medida aconselhada para a desconformidade.
Deve-se destacar que toda a obra deve ter um Programa de Prevenção de
Riscos Ambientais (PPRA), um relatório que avalia os riscos e as medidas de
prevenção necessárias, conforme Norma Regulamentadora NR 9 (BRASIL,
1978).
Além disso, obras com mais de 20 trabalhadores necessitam do Programa
de Condições e Meio Ambiente de Trabalho (PCMAT), conforme exigido pela
Norma Regulamentadora NR 18, apresentando, mais detalhadamente que no
PPRA, as medidas de segurança de trabalho para a obra em todas suas fases
(BRASIL, 2015). O relatório de segurança do trabalho deve ter como base
o seguimento destes programas, podendo acrescentar medidas de segurança
ao empreendimento.

Contabilidade
Os relatórios contábeis descrevem todos os aspectos relativos ao setor de
contabilidade da empresa. Aqui, avalia-se a documentação fiscal e traba-
lhista da obra, envolvendo todos os custos, despesas e impostos relativos
ao empreendimento. Na maioria das vezes, é o contador da empresa que
elabora os relatórios contábeis obrigatórios mas, para isso, o responsável
pela obra deve organizar seu próprio relatório de contabilidade, com todas
as documentações fiscais e trabalhistas para enviar ao contador. Para tanto,
deve manter o controle de entradas e saídas, emitindo sempre as notas fiscais
dos produtos e serviços, e organizando as finanças da pessoa jurídica. Os
documentos que devem constar no relatório de contabilidade e que devem
ser enviados ao escritório de contabilidade podem ser divididos em quatro
grupos, apresentados no Quadro 2.
Quadro 2. Documentos necessários para relatórios de contabilidade

Trabalhista Fiscal Contábil Estoque

Guias de impostos ou Todas as notas fiscais como: Extratos como: Controle de


contribuições como: „„ entrada e saída de serviços prestados e tomados; „„ bancários; estoque ou livro
„„ INSS; „„ conhecimentos de transporte; „„ aplicações; inventário.
„„ FGTS; „„ compra de bens. „„ cartões de crédito;
„„ contribuição sindical. Notas fiscais de concessionárias como: „„ posição de
Recibos de pagamento como: „„ telefonia; empréstimos;
„„ salários; „„ energia elétrica. „„ desconto de duplicatas.
„„ pró-labore; Arquivos eletrônicos: Recibos e contratos como:
„„ férias; „„ redução Z; „„ locação;
„„ vale-transporte; „„ arquivos do Sped Fiscal; „„ honorários;
„„ atestados médicos de „„ XML das notas fiscais. „„ despesas diversas;
funcionários. Comprovantes de pagamentos dos impostos como: „„ contratos a pagar.
Movimentos e recibos de „„ Documento de Arrecadação do Simples Comprovantes
autônomos e cooperados. Nacional (DAS); diversos como:
„„ Documento de Arrecadação de Receitas „„ despesas;
Federais (DARF); „„ receitas.
„„ Guia de Arrecadação de Receitas Estaduais Arquivos eletrônicos como:
(GARE); „„ extratos em OFX;
„„ Guia Nacional de Recolhimento de Tributos „„ controle de caixa.
Estaduais (GNRE).

Fonte: Fernandes (2018, documento on-line)


Documentos e contratos de obras
15
16 Documentos e contratos de obras

EIA/Rima
O Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e o Relatório de Impacto Ambiental
(Rima), segundo o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), devem
ser elaborados e submetidos ao órgão estadual responsável e ao Ibama, com
objetivo de obter licenciamento para o caso de obras que modifiquem o meio
ambiente. O Conama cita as seguintes obras: estradas de rodagem com duas
ou mais faixas de rolamento; ferrovias; portos e terminais de minério, petróleo
e produtos químicos; aeroportos; oleodutos, gasodutos, minerodutos, troncos
coletores e emissários de esgotos sanitários; linhas de transmissão de energia
elétrica, acima de 230KV; obras hidráulicas para exploração de recursos
hídricos; extração de combustível fóssil (petróleo, xisto, carvão); extração de
minério; aterros sanitários, processamento e destino final de resíduos tóxicos
ou perigosos; usinas de geração de eletricidade, acima de 10MW; complexos
e unidades industriais e agroindustriais; distritos industriais e zonas estrita-
mente industriais; exploração econômica de madeira ou de lenha; projetos
urbanísticos, acima de 100 hectares ou em áreas consideradas de relevante
interesse ambiental; qualquer atividade que utilize carvão vegetal, em quan-
tidade superior a dez toneladas por dia (CONSELHO..., 1986).
O EIA apresenta análise detalhada e técnica de toda a área impactada pelo
projeto e é realizado por especialistas de diversas áreas. Inclui um diagnóstico
ambiental completo, com descrição da situação ambiental antes da realização
do projeto. Também oferece uma análise e previsão dos impactos causados
pela obra, das possíveis medidas mitigadoras para os impactos negativos e
da elaboração de um programa de monitoramento dos impactos causados. O
Rima é uma análise das conclusões do EIA, de maneira direta e com linguagem
acessível, de modo que todos possam compreender o impacto da obra, suas
vantagens e desvantagens e os impactos causados.

Pelo link a seguir, você pode acessar o Relatório de Impacto Ambiental (Rima) de uma
usina termelétrica a gás.

https://goo.gl/sYqSyL
Documentos e contratos de obras 17

Licenças ambientais
Conforme a Resolução Conama nº. 237/97, a licença prévia (LP), a licença
de instalação (LI) e a licença de operação (LO) são necessárias para as obras
civis de rodovias, ferrovias, hidrovias, metrôs, barragens e diques, canais para
drenagem, retificações de cursos de água, aberturas de barras, embocaduras
e canais, transposições de bacias hidrográficas e outras obras de arte. A LP é
concedida na fase preliminar do projeto, aprovando a localização e concepção
do empreendimento, atestando sua viabilidade ambiental e estabelecendo
alguns requisitos para as próximas fases. A LI autoriza a instalação da obra
conforme o projeto, incluindo medidas de controle ambiental. A LO é dada
ao final do empreendimento, autorizando sua operação após verificar o cum-
primento dos requisitos das licenças anteriores (CONSELHO..., 1997).

Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV)


Conforme a Lei n°. 10.257/01 o EIV é obrigatório para todas as obras em região
urbana. Todas as obras impactam, positiva ou negativamente, na vizinhança
e na dinâmica da cidade. Este estudo avalia os impactos e propõe medidas
mitigadoras para os pontos negativos. Além de regularizar o funcionamento da
obra e promover a ocupação consciente do espaço urbano, o EIV proporciona
mais segurança ao empreendimento, evitando problemas com a vizinhança
(BRASIL, 2001).

Inventário de obra inacabada


Deve ser realizado quando se dá continuidade a uma obra que a empresa não
iniciou ou ao retomar uma obra inacabada. Alguns documentos solicitados
para permitir a retomada de uma obra e que devem ser levados em conta no
inventário são: ofício contendo manifestação expressa de interesse em firmar
novo termo de compromisso; declaração de possibilidade de consecução da
obra; convênio ou termo de compromisso anteriormente assinado/validado pelo
gestor; cronograma de trabalho ou plano de ação para o cumprimento do novo
ajuste; laudo técnico atestando o estado atual da obra; planilha orçamentária
do saldo de serviço; cronograma físico-financeiro; ART/RRT.
A avaliação técnica é de grande importância para a empresa que assume
a obra, pois mostra quais são os serviços necessários e qual o investimento
18 Documentos e contratos de obras

total para finalizá-la. A avaliação técnica deve ser feita por profissionais es-
pecializados e deve-se atentar para a necessidade de retrabalhos e demolições
e para a necessidade de reforço das fundações de um prédio, por exemplo.
Além da parte executiva, uma dica importante é verificar os conflitos jurídicos
do projeto, comuns em obras inacabadas, e também se haverá financiamento
para este tipo de trabalho.

Deve-se destacar ainda que as atas de reunião têm grande importância para o
registro das decisões. Nas obras públicas, as atas de reunião com a fiscalização tomam
caráter ainda mais importante, mostrando se a obra está sendo executada conforme
o contrato estabelecido. A ata apresenta as decisões e pontos relevantes discutidos
durante a reunião. Nas atas de reunião com a fiscalização, Trindade (2016) recomenda
os seguintes pontos: identificação da reunião de obra; registro de informações e
assuntos diversos ocorridos durante a reunião; os trabalhos em curso na obra e
o planejamento e controle, onde podem ser registrados atrasos e solicitação de
implementação de medidas.
A elaboração de relatórios e, principalmente, a sua atualização, permite que a
obra se desenvolva de maneira organizada e que todos os interessados possam
estar informados sobre seu andamento. Os relatórios permitem a legalização e
comprovação de serviços, a organização das atividades, o gerenciamento de riscos,
um bom relacionamento com as partes envolvidas, o acompanhamento realístico
do cronograma e planejamento, garantindo a qualidade final da obra. Além disso,
a empresa pode criar um acervo de informações que serão muito úteis para a
realização de obras futuras. Uma obra com seus relatórios organizados e atualizados
é a garantia de um bom resultado!

BRASIL. Decreto-Lei nº 5452, de 1º de maio de 1943. Aprova a Consolidação das Leis do


Trabalho. Rio de Janeiro, 1943. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/
Decreto-Lei/Del5452.htm>. Acesso em: 04 jan. 2019.
BRASIL. Emenda Constitucional nº 37, de 12 de junho 2002. Altera os arts. 100 e 156 da
Constituição Federal e acrescenta os arts. 84, 85, 86, 87 e 88 ao Ato das Disposições
Constitucionais Transitórias. Brasília, DF, 2002. Disponível em: <http://www.planalto.
gov.br/ccivil_03/Constituicao/Emendas/Emc/emc37.htm>. Acesso em: 04 jan. 2019.
Documentos e contratos de obras 19

BRASIL. Lei Complementar nº 116, de 31 de julho de 2003. Dispõe sobre o Imposto Sobre
Serviços de Qualquer Natureza, de competência dos Municípios e do Distrito Federal
e dá outras providências. Brasília, DF, 2003. Disponível em: <http://www.planalto.gov.
br/ccivil_03/LEIS/LCP/Lcp116.htm>. Acesso em: 04 jan. 2019.
BRASIL. Lei nº 5.194, de 24 de dezembro de 1966. Regula o exercício das profissões de
Engenheiro, Arquiteto e Engenheiro-Agrônomo, e dá outras providências. Brasília, DF,
1966. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L5194.htm>. Acesso
em: 04 jan. 2019.
BRASIL. Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. Regulamenta o art. 37, inciso XXI, da Cons-
tituição Federal, institui normas para licitações e contratos da Administração Pública
e dá outras providências. Brasília, DF, 1993. Disponível em: <http://www.planalto.gov.
br/ccivil_03/LEIS/L8666cons.htm>. Acesso em: 04 jan. 2019.
BRASIL. Lei nº 10.257, de 10 de julho de 2001. Regulamenta os arts. 182 e 183 da Constitui-
ção Federal, estabelece diretrizes gerais da política urbana e dá outras providências.
Brasília, DF, 2001. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LEIS_2001/
L10257.htm>. Acesso em: 11 jan. 2019.
BRASIL. Lei nº 12.462, de 4 de agosto de 2011. Institui o Regime Diferenciado de Contra-
tações Públicas - RDC [...]. Brasília, DF, 2011. Disponível em: <http://www.planalto.gov.
br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Lei/L12462.htm>. Acesso em: 11 jan. 2019.
BRASIL. Lei nº 13.429, de 31 de março de 2017. Altera dispositivos da Lei no 6.019, de 3 de
janeiro de 1974, que dispõe sobre o trabalho temporário nas empresas urbanas e dá
outras providências; e dispõe sobre as relações de trabalho na empresa de prestação
de serviços a terceiros. Brasília, DF, 2017. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/
ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13429.htm>. Acesso em: 04 jan. 2019.
BRASIL. NR 9 - Programa de Prevenção de Riscos Ambientais. Brasília, DF, 1978. Disponível
em: <http://trabalho.gov.br/images/Documentos/SST/NR/NR09/NR-09-2016.pdf>.
Acesso em: 04 jan. 2019>. Acesso em: 04 jan. 2019.
BRASIL. Norma Regulamentadora Nº 18: Condições e Meio Ambiente de Trabalho
na Indústria da Construção. 15 dez. 2015. Disponível em: <http://trabalho.gov.br/
seguranca-e-saude-no-trabalho/normatizacao/normas-regulamentadoras/norma-
-regulamentadora-n-18-condicoes-e-meio-ambiente-de-trabalho-na-industria-da-
-construcao>. Acesso em: 04 jan. 2019.
BRASIL. Secretaria Especial de Comunicação Social. Manual de uso da marca do Governo
Federal: obras. 2016. Disponível em: <http://www.secom.gov.br/orientacoes-gerais/
publicidade/manual-de-uso-da-marca-do-governo-federal-obras.pdf>. Acesso em:
04 jan. 2019.
CONSELHO FEDERAL DE ENGENHARIA E AGRONOMIA. Resolução nº 407, de 09 de agosto
de 1996. Regula o tipo e uso de placas de identificação de exercício profissional em
obras, instalações e serviços de Engenharia, Arquitetura e Agronomia. Brasília, DF, 1996.
Disponível em: <http://normativos.confea.org.br/ementas/visualiza.asp?idEmenta=45
5&idTipoEmenta=5&Numero=>. Acesso em: 04 jan. 2019.
20 Documentos e contratos de obras

CONSELHO FEDERAL DE ENGENHARIA E AGRONOMIA. Resolução n° 1.024, de 21 de agosto


de 2009. Dispõe sobre a obrigatoriedade de adoção do Livro de Ordem de obras e
serviços de Engenharia, Arquitetura, Agronomia, Geografia, Geologia, Meteorologia
e demais profissões vinculadas ao Sistema Confea/Crea. Brasília, DF, 2009. Disponível
em: <http://normativos.confea.org.br/ementas/visualiza.asp?idEmenta=43000>. Acesso
em: 04 jan. 2019.
CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE. Resolução CONAMA nº 001, de 23 de janeiro
de 1986. Brasília, DF, 1986. Disponível em: <http://www2.mma.gov.br/port/conama/
res/res86/res0186.html>. Acesso em: 11 jan. 2019.
CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE. Resolução nº 237/97, de 19 de dezembro
de 1997. Disposições sobre licenciamento ambiental. Brasília, DF, 1997. Disponível em:
<http://www2.mma.gov.br/port/conama/res/res97/res23797.html>. Acesso em: 04
jan. 2019.
CONSELHO REGIONAL DE ENGENHARIA E AGRONOMIA DE SÃO PAULO. Placa de obra,
serviços e instalações: valorização profissional e dever legal. 2015. Disponível em: <http://
www.creasp.org.br/biblioteca/wp-content/uploads/2015/05/placa-obras21.pdf>.
Acesso em: 04 jan. 2019.
FERNANDES, R. Contabilidade: documentos que eu tenho que enviar mensalmente para
o contador. 2018. Disponível em: <https://capitalsocial.cnt.br/documentos-mensais-
-contabilidade/>. Acesso em: 04 jan. 2019.
REXPERTS. Tipos de Contratos de Construção: descubra qual o melhor para a sua obra.
2016. Disponível em: <http://rexperts.com.br/tipos-de-contratos-de-construcao/>.
Acesso em: 04 jan. 2019.
SIENGE. Contratação na construção civil: escolhendo a opção ideal. 2018. Disponível
em: <https://www.sienge.com.br/blog/contratacao-na-construcao-civil/>. Acesso
em: 04 jan. 2019.

Leitura recomendada
TRINDADE, R. M. P. Supervisão e fiscalização da construção: caso de obra Forte da Graça,
Elvas. 2016. 110 f. Dissertação (Mestrado em Reabilitação Urbana) — Instituto Poli-
técnico de Porto Alegre, Escola Superior de Tecnologia e Gestão, Porto Alegre, 2016.
Disponível em: <https://comum.rcaap.pt/bitstream/10400.26/18087/3/A0.PROJ%202_
FISCALIZA%C3%87%C3%83O_ESTGP%20-%20Ricardo%20Trindade_170305_vf_
RT.pdf/>. Acesso em: 04 jan. 2019.
Conteúdo:
DICA DO PROFESSOR

Cada obra se encaixa melhor em um tipo de contrato, conforme a necessidade da construtora e


do cliente, dos dados disponíveis de projeto e do seu objetivo.

Nesta Dica do Professor, você vai entender, através de um exemplo, como funcionam os custos
e os lucros envolvidos nos contratos de empreitada por preço global, de construção por
administração e de preço máximo garantido (PMG).

Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!

EXERCÍCIOS

1) Você vai construir um complexo imobiliário com a sua empresa. No início do projeto,
você tomou o cuidado de verificar se a matrícula do imóvel estava regularizada na
prefeitura. Em seguida, juntamente com sua equipe, organizou todos os documentos
necessários para adquirir o alvará de construção da obra. Com o alvará em mãos, e a
placa de obra sinalizando a construção, agora, ela está iniciando. Que outros
documentos você deve possuir para manter o empreendimento regularizado durante
a sua execução?

A) Cadastro Específico do Instituto Nacional do Seguro Social (CEI-INSS), atestado da


concessionária de água e esgoto e atestado de conformidade da instalação de energia
elétrica.

B) Certidão Negativa de Débito (CND), atestado da concessionária de água e esgoto, atestado


de conformidade da instalação de energia elétrica e habite-se.
C) Cadastro Específico do Instituto Nacional do Seguro Social (CEI-INSS), atestado de
conformidade da instalação de energia elétrica, habite-se, Certidão Negativa de Débito
(CND) e averbação da obra.

D) Certidão Negativa de Débito (CND), atestado da concessionária de água e esgoto, atestado


de conformidade da instalação de energia elétrica, habite-se e averbação da obra.

E) Cadastro Específico do Instituto Nacional do Seguro Social (CEI-INSS), atestado da


concessionária de água e esgoto, habite-se e Certidão Negativa de Débito (CND).

2) Você é o dono de uma empresa de Engenharia, e um cliente pede que você realize a
construção de um complexo de silos para estocagem de soja e de uma estrada, de
aproximadamente 50 quilômetros, ligando o complexo à rodovia. O cliente precisa de
dois contratos: um para o complexo de silos, que pagará do próprio bolso, e outro
para a estrada, que será paga pela fundação de fazendeiros, pois ligará diversas
fazendas à rodovia. Não há projeto detalhado, somente um esboço do que o cliente
espera; desse modo, você não consegue fazer nenhum orçamento. Entretanto, o
cliente confia na sua empresa e quer fechar o contrato logo; para tanto, ele precisa
das duas propostas de contrato. Que tipo de contrato se encaixaria melhor nesse caso,
sendo mais seguro para você, para a construção do complexo de silos e da estrada,
respectivamente?

A) Preço máximo garantido e empreitada por preços unitários.

B) Construção por administração e empreitada por preço global.

C) Construção por administração e empreitada por preços unitários.

D) Construção por administração e preço máximo garantido.

E) Preço máximo garantido e empreitada por preços unitários.


3) Você está lendo um relatório sobre a obra que assumirá, que já está em andamento:
um novo metrô na cidade, com túneis e escavações no projeto. Nesse relatório,
diversos engenheiros de diferentes áreas fizeram parte e contribuíram para a análise
da obra. Nele, você lê como a obra está avançando, os dias e horários das leituras de
instrumentações e se elas estão de acordo com o esperado. Pela identificação de
movimentações que passaram um pouco do projetado, você percebe que houve a
necessidade de adaptar o projeto do túnel norte. O documento propôs o aumento da
espessura do revestimento do túnel, que foi acatado pelo projeto. Até agora, a obra
não teve mais eventos inesperados, e o relatório continua a ser feito a cada dia. Qual
relatório você está lendo?

A) Relatório de medição de obras.

B) Relatório diário de obras.

C) Relatório de segurança do trabalho.

D) Relatório de inventário de obra inacabada.

E) Relatório de acompanhamento técnico de obras.

4) Você está assumindo uma obra de um condomínio que está sendo finalizado. Seu
diretor pede que você providencie, na próxima semana, quando a obra estará
completamente finalizada, os documentos necessários para a regularização da
construção na prefeitura e para que os clientes possam ir para suas residências.
Quais documentos você deve providenciar?

A) Habite-se, Cadastro Específico do Instituto Nacional do Seguro Social (CEI-INSS) e


averbação da obra.

B) Habite-se, Certidão Negativa de Débito (CND) e averbação da obra.


C) Habite-se, Cadastro Específico do Instituto Nacional do Seguro Social (CEI-INSS),
atestado de instalações provisórias e averbação da obra.

D) Habite-se, atestado de instalações provisórias, Certidão Negativa de Débito (CND) e


averbação da obra.

E) Habite-se, Cadastro Específico do Instituto Nacional do Seguro Social (CEI-INSS),


Certidão Negativa de Débito (CND), atestado de instalações provisórias e averbação da
obra.

5) Conforme a resolução n.° 1.024 do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia


(Confea), o Diário de Obras, ou Livro de Ordem, é obrigatório em empreendimentos
e serviços de Engenharia. Ele descreve os fatos mais importantes da construção,
servindo como memória da obra. Com que frequência esse livro deve ser preenchido,
e quem pode escrever nele?

A) Todos os dias, pelo responsável técnico do empreendimento, sendo facultado aos mestres
de obra, aos autores dos projetos, ao contratante ou ao proprietário efetuar anotações com
data e assinatura.

B) Todos os dias, pelo projetista do projeto, sendo facultado ao contratante ou proprietário da


obra efetuar anotações com data e assinatura.

C) Todas as semanas, pelo projetista do projeto, sendo facultado ao contratante ou


proprietário da obra efetuar anotações com data e assinatura.

D) Todos os dias, pelo responsável técnico do empreendimento, sendo facultado aos autores
dos projetos, ao contratante ou proprietário da obra efetuar anotações com data e
assinatura.

E) Todas as semanas, pelo responsável técnico do empreendimento, sendo facultado aos


mestres de obra, aos autores dos projetos, ao contratante ou proprietário da obra efetuar
anotações com data e assinatura.

NA PRÁTICA

Na construção civil, alguns tipos de contratos estipulam o pagamento dos serviços conforme o
avanço da obra. Mas como mensurar os gastos e para poder cobrar do financiador da obra?

O relatório de medição permite que todos os gastos sejam estimados conforme o andamento do
empreendimento.

Manuel é um experiente gestor de obras. Ele sabe que o desenvolvimento de uma


construção envolve a elaboração de diversos relatórios, como o relatório diário de obras, o de
segurança do trabalho, o de contabilidade, o de acompanhamento da obra, o de medição, entre
outros. Atualmente, Manuel está gerenciando um empreedimento financiado conforme o seu
avanço. Nesse caso, o relatório de medição se torna ainda mais importante, pois mostrará o
quanto a obra avançou e o quanto foi gasto no mês, definindo o valor a ser pago para
a construtora.

O relatório de medição depende da quantificação dos serviços executados. Para isso, Manuel
estipula critérios de medição, essenciais para a elaboração do orçamento dos serviços. Alguns
critérios utilizados por ele, tipicamente conhecidos no Brasil, são:
- Tabela de Composições e Preços para Orçamentos (TCPO).
- Orçamento de Obras de Sergipe (ORSE).
- Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil (SINAPI).
- Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana de Obras (SIURB).

Veja, Na Prática, mais detalhes sobre os critérios do relatório de medição.


SAIBA MAIS

Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do
professor:

Barragens: grandes projetos, grandes obras e maiores responsabilidades

Veja a importância do Relatório de Acompanhamento Técnico de Obras (ATO) na construção


de barragens.

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Rotinas e obrigações de uma empresa: o que você precisa saber para não se perder e fazer
seu negócio dar certo

Saiba mais sobre as rotinas e obrigações da sua empresa, com a fiscalização e contabilidade,
para estar sempre em dia com a lei.

Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!

Cresce em quase 2 mil o número de obras irregulares no ES em 2015

Veja como é comum encontrar obras irregulares no Brasil por falta de conhecimento e de
atualização das documentações necessárias para legalizar a obra.

Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!

Orientações para Regularização de Obras de Construção Civil

Veja as orientações da Receita Federal para a regularização de obras de construção civil.

Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!

Contrato de prestação de serviços para construção civil

Veja mais sobre o Contrato de Prestação de Serviços na construção civil.

Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!

Contrato de Empreitada

Neste vídeo, você vai entender, de maneira simples, o contrato de empreitada.


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