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Por conta do histórico brasileiro com a população indígena, negra e amarela, desde

a colonização, o império e a república o Brasil se estrutura na opressão dessas três


raças em detrimento dos brancos. Tal construção se deu no Brasil a partir da ciência
europeia que definiu características biológicas para as raças, categorizando assim,
superioridades e inferioridades para elas.
Vale ressaltar, de início, que desde a chegada dos portugueses
colonizadores no território brasileiro, a escravização de povos indígenas e africanos
era uma realidade. A invasão portuguesa devastou sociedades já estabelecidas
tanto no Brasil quantos nos países africanos, sequestrando e violentando a vida de
todos. Indígenas e negros resistiram à escravização desde sempre – teses que
defendem a “benevolência branca” em libertar esses povos são absurdamente
falsas, uma vez que estas nações são protagonistas de suas próprias refregas -,
haja vista que os ameríndios lutaram contra a escravização até que o papa na Itália
decretasse o fim de seu cativeiro. Para justificar tal ato, a ciência europeia
categorizou biologicamente os indígenas enquanto preguiçosos para o trabalho
escravo e por isso eles não seriam úteis para tal labor.
Em contrapartida, a população negra continuou sendo escravizada mesmo com
suas táticas de resistência; durante 300 anos de colonização, até o império, a
população negra foi extremamente violentada pelos portugueses. Porém no
período imperial - século XIX - a ciência europeia entende a instabilidade que a
escravidão trazia para a sociedade, e assim, define que os negros eram muito
violentos, portanto, impróprios ao trabalho. Por conseguinte, essa discussão vai
levar os países a abolirem a escravidão, pregando a ociosidade do negro para o
trabalho. No inicio da república, o Brasil cunha uma política de imigração, querendo
suprir a falta de mão de obra braçal no território. Nesse viés, traz a população
asiática e a população europeia para trabalhar no Brasil, pois era mais barata e
viável. Porém, novamente, a ciência branca ainda ressaltava que a população
branca era a superior a todas as outras, rejeitando qualquer tipo de destaque de
outras populações nos espaços, e em virtude disso o País rejeita a mão de obra
amarela em seu território, dando a eles um péssimo tratamento – recebiam as
piores terras, viviam endividados, eram tratados similarmente a escravos pelos
fazendeiros, fora a rotina já exaustiva provinda da colheita pesada do café, e alguns
tinham as antigas senzalas como abrigo - , dando maior espaço a população
branca.
Portanto, tendo em vista esse histórico no Brasil de uma construção fechada e
desigual entre as raças, temos grandes problemas estruturais que afetam nosso
país hoje, socialmente, economicamente e politicamente. Tal estrutura cerrada,
acarreta, por exemplo, em uma maior taxa de desemprego entre a população negra
e indígena hoje no Brasil, fora os crimes raciais cometidos até mesmo por forças
policiais bem como questões recorrentes de discriminação em ambientes sociais
prejudicando a derrubada de tais injustiças impostas ao longo da história; desse
modo o debate sobre o preconceito racial é tão contundente no presente momento.
A nossa sociedade deveria ser mais igualitária nesse quesito, tendo em vista a
pluralidade racial de nosso território, rejeitando qualquer tipo de desigualdade de
qualquer parte e fazendo jus á diversidade brasileira.