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Sistemas de controlo de fumo

João Carlos Viegas

1
1 INTRODUÇÃO

Os incêndios em edifícios, sejam urbanos, sejam industriais, ocasionam perdas


materiais normalmente avultadas, quer devidas à destruição de bens, quer devidas à
paralisação das actividades económicas que decorram nesses espaços. Na figura 1
apresentam-se dados estatísticos relativamente aos incêndios urbanos e industriais ocorridos
em Portugal entre 1996 e 1998 [fonte: Serviço Nacional de Bombeiros]. Note-se que o
número total de ocorrências anual é de cerca de 8000 para os incêndios urbanos e de cerca de
1500 para os industriais. Nas figuras 2 e 3 são apresentados os valores do número de vítimas
não-mortais e mortais, respectivamente, também para as situações de incêndios urbanos e
industriais nos anos referidos.

9000

8000

7000

6000

5000
Urbanos
Industriais
4000

3000

2000

1000

0
1996 1997 1998
Ano

Fig. 1 – Incêndios urbanos e industriais ocorridos em Portugal (fonte: SNB)

Quando a evolução dos incêndios conduz à morte de alguns ocupantes verifica-se que
em grande parte destas vítimas a causa de morte é a intoxicação por fumo (estima-se que
possa ser essa a causa em cerca de 80% das vítimas). Note-se que, mesmo que a intoxicação
não seja a causa directa de morte, esta contribui para a incapacitação dos ocupantes
dificultando ou impossibilitando a sua evacuação. Dependendo da forma arquitectónica dos
edifícios, o escoamento descontrolado do fumo pode gerar condições incompatíveis com a
sobrevivência dos ocupantes mesmo em espaços consideravelmente afastados do local
sinistrado. A título exemplificativo refira-se que se estima que cerca de 2/3 das mortes

2
ocorrem fora do compartimento de origem do incêndio. Neste sentido, é evidenciado que o
controlo do fumo é imprescindível para aumentar a possibilidade de sobrevivência dos
ocupantes e, em certa medida, contribuir para a redução da possibilidade de propagação do
incêndio a outros espaços. Por outro lado, a redução das situações de enfumagem nas
circulações no interior dos edifícios contribui para facilitar o acesso dos bombeiros e o ataque
ao incêndio, sendo também possível por esta via minorar as consequências do incêndio.
600

500

400

Urbanos
300
Industriais

200

100

0
1996 1997 1998
Ano

Fig. 2 – Vítimas não-mortais em incêndios urbanos e industriais ocorridos em Portugal (fonte:


SNB)

60
57

50

42

40

33

Urbanos
30
Industriais

20

10
6
3
2

0
1996 1997 1998
Ano

Fig. 3 – Vítimas mortais em incêndios urbanos e industriais ocorridos em Portugal (fonte:


SNB)

3
2 ACÇÕES QUE PROMOVEM O MOVIMENTO DO FUMO

As técnicas usadas na desenfumagem estão intimamente relacionadas com as


propriedades dos gases quentes e a sua interacção com as massas a temperaturas mais baixas.
O efeito das acções mecânicas externas pode pôr em causa todo o esforço de desenfumagem
de um edifício. Neste sentido, vão ser referidas as acções que podem promover o movimento
dos gases quentes, nomeadamente:
a) impulsão;
b) efeito de chaminé;
c) aumento da pressão interna;
d) acção do vento;
e) sistemas de ventilação e ar condicionado.

2.1 IMPULSÃO

O fenómeno da impulsão ocorre quando estão em presença fluidos de massa volúmica


diferente. No presente caso, essa diferença de massa volúmica está associada ao aquecimento
do ar ambiente na zona de combustão. Nas zonas de comunicação entre compartimentos
contíguos, verificando-se que a temperatura no interior de um deles é superior à do outro,
estabelece-se um escoamento na zona quente no sentido do mais quente para o mais frio e um
escoamento na zona fria no sentido contrário. Na figura 4 apresenta-se esquematicamente a
evolução da pressão interna de dois compartimentos com a cota. Admitiu-se que a
temperatura é uniforme em cada um deles e que existe um plano (designado por plano neutro)
para o qual a pressão em ambos os compartimentos coincide.

4
3

2.5

2
Cota [m]

1.5
to
t1
1

0.5

0
100960 100965 100970 100975 100980 100985 100990 100995 101000
Pressão [Pa]

Fig. 4 – Comparação da variação genérica da pressão entre dois compartimentos a


temperaturas diferentes (t1>t0)

De acordo com a fórmula de Bernoulli a diferença das pressões ΔP a uma cota acima
do plano neutro é:

ΔP = gZ(ρ 0 − ρ1 ) (1)

sendo g a aceleração da gravidade, ρ0 a massa volúmica do fluido num compartimento e ρ1 a


massa volúmica do fluido no outro compartimento.
Esta expressão pode ser posta em função da temperatura do fluido num dos
compartimentos recorrendo à seguinte igualdade derivada da Lei dos Gases Perfeitos:

ρ1T1 = ρ 0 T0 (2)

Procedendo à substituição de ρ1, dado por 2, em 1 obtém-se a expressão:

⎛ 1 1⎞
ΔP = Z g ρ0 T0 ⎜ − ⎟ (3)
⎝ T0 T1 ⎠

A variação da pressão com a cota é menos acentuada no espaço em que o fluido tem a
massa volúmica menor, gerando diferenças de pressão acima e abaixo do plano neutro. É a
existência desta diferença de pressão entre espaços confinados que induz o escoamento
através das respectivas aberturas de comunicação.

5
2.2 EFEITO DE CHAMINÉ

O efeito de chaminé ocorre em locais cuja temperatura interior seja superior à


temperatura exterior (Drysdale, 1987). No caso de um edifício aquecido, a diferença de
pressão entre o interior e o exterior é expressa por uma fórmula formalmente semelhante à
fórmula 3. Verifica-se que na parte superior do edifício, devido à permeabilidade da fachada
há saída de ar quente para o exterior e na sua parte inferior, então em depressão, dá-se a
entrada de ar exterior. O plano neutro ficará situado próximo da meia altura do edifício,
dependendo a sua localização exacta da permeabilidade ao ar das fachadas.
Nas circulações verticais do edifício estabelece-se um movimento ascendente que
pode transportar os gases tóxicos a qualquer ponto remoto do edifício, sendo por vezes a
causa de intoxicações dos ocupantes nos momentos iniciais do incêndio (figura 5). Por esse
facto, os espaços com desenvolvimento vertical, tais como condutas verticais, caixas de
escadas, caixas de elevadores, ductos, etc., merecem uma atenção maior em termos de
segurança contra incêndio.

Fig. 5 – Escoamento do fumo em circulações e condutas verticais

O efeito de chaminé é particularmente importante em edifícios altos providos de


aquecimento.

2.3 EXPANSÃO TÉRMICA

O aquecimento do ar num espaço confinado também pode conduzir ao incremento da


pressão local relativamente aos espaços contíguos, se houver restrições à expansão do fluido

6
(SFPE/NFPA, 1988). A diferença de pressão entre o interior do espaço e o ambiente exterior
pode ser determinada através do seguinte cálculo simplificado.
O caudal máximo de gás m & escoado através de aberturas com uma área total Ae e
com um coeficiente de vazão Cd é dado pela expressão:

& = A e C d ρv
m (4)

sendo ρ a massa volúmica dos gases quentes e v a velocidade média do escoamento, que, por
aplicação da fórmula de Bernoulli, é dada pela expressão:

2ΔP
v= (5)
ρ

em que ΔP é a diferença de pressão entre o interior e o ambiente exterior.


O caudal mássico é relacionado com o incremento de temperatura através da
derivada em ordem ao tempo de ambos os membros da equação dos gases perfeitos:

PV
− & = RT&
m (6)
m2

sendo P a pressão atmosférica, V o volume interno do espaço considerado (supondo que o


aquecimento é igual para todo o espaço) m é a massa dos gases que ocupam o volume V, R a
constante de gás perfeito da mistura e T& a derivada da temperatura. A substituição do valor
m& na equação anterior conduz à expressão:

2
P2
(A e C d )2 ΔP = R 2 T& 2 (7)
m 2
ρ

Assim, a diferença de pressão é expressa da seguinte forma, sendo T a temperatura absoluta


no interior do compartimento:

ΔP =
1P T& V ( ) 2

(8)
2 R (A e C d )2 T 3

Pelo facto da envolvente dos espaços nos edifícios ser, em geral, muito permeável, o
incremento da pressão por esta via é muito pouco sensível face às outras acções que aqui se
referem, pelo que este efeito pode ser normalmente negligenciado.

7
2.4 ACÇÃO DO VENTO

A acção do vento, dependendo da velocidade deste, da sua direcção e da forma e


exposição da envolvente do edifício, pode ter um efeito determinante no escoamento interno
(figuras 6 e 7). O vento induz nas aberturas exteriores incrementos ou decrementos na pressão
de acordo com a seguinte expressão, sendo Cp um coeficiente de pressão, ρ0 a massa
volúmica do ar exterior e vv a velocidade do vento:

1
ΔP = C p ρ0 v2v (9)
2

O coeficiente de pressão é determinado experimentalmente para cada abertura, ou estimado a


partir de dados experimentais. De uma forma geral na fachada a barlavento o seu valor é
positivo e inferior a 1. Nas restantes fachadas o valor é negativo e pode ser localmente
inferior a - 1 (NFPA, 1991). Este valor deve também reflectir a influência que a
permeabilidade ao ar da fachada tem no estabelecimento da pressão interna face à variação da
pressão externa (LNEC, 1986).

Fig. 6 – Escoamento do fumo numa situação sem vento

Embora a maioria das fachadas de um edifício estejam em depressão, facilitando a


tarefa dos meios de desenfumagem, o projecto do sistema de evacuação do fumo deve ser
realizado com base no cenário mais desfavorável. Assim em muitos casos pode ser necessário
prever os efeitos da sobrepressão provocada pela acção do vento.

8
Fig. 7 – Escoamento do fumo numa situação com vento

2.5 SISTEMAS DE VENTILAÇÃO E DE AR CONDICIONADO

Os sistemas de ventilação e de ar condicionado podem contribuir desfavoravelmente


para o escoamento descontrolado do fumo pelo interior do edifício se não forem tomadas as
precauções necessárias (Cluzel, 1982). As infiltrações indesejáveis de fumo na rede de ar
condicionado ou de ventilação podem ser originadas da forma seguinte:
a) a admissão do ar parcialmente recirculado no sistema é feita a partir de um local
contaminado por fumo;
b) localmente a pressão dos gases quentes junto das grelhas de saída do ar do sistema
é superior à pressão de saída do ar da conduta; esta situação pode ocorrer por
deficiência do ajustamento da grelha de saída de ar e permite a entrada de ar
contaminado no sistema.
Por outro lado o fornecimento do ar fresco através destes sistemas é realizado através
de bocas colocadas próximo do tecto. Numa situação de incêndio, o ar fresco seria
rapidamente integrado na camada de gases quentes acumulada junto do tecto, promovendo o
seu aumento de volume e aumentando a sua turbulência.
Embora os sistemas mecânicos de ventilação e ar condicionado possam dar uma
contribuição preciosa no controlo do fumo durante o incêndio, a manutenção do seu
funcionamento sem ser sob observação dos bombeiros pode ter, por estas razões,
consequências dramáticas. Assim, estes sistemas mecânicos devem ser imediatamente
parados assim que se verifica a ocorrência de um incêndio.

9
3 TÉCNICAS DE CONTROLO DE FUMO

3.1 GENERALIDADES

Qualquer sistema de desenfumagem se baseia nas técnicas fundamentais que serão


detalhadas seguidamente (Cluzel, 1982). Estas técnicas têm em conta as acções que induzem
o movimento dos gases quentes anteriormente descritas.
A primeira técnica consiste na execução de um varrimento do espaço, realizando a
entrada de ar fresco e promovendo a extracção do fumo. A segunda técnica consiste na
imposição de pressões diferentes no local incendiado e nos espaços que o envolvem.
Qualquer destes princípios só é exequível desde que seja aplicado a espaços
limitados, de outra forma os volumes de ar a insuflar e de gases quentes a extrair tornam-se
incomportáveis. Assim a compartimentação do interior de um edifício realizada de uma forma
adequada é indispensável para o sucesso dos meios de desenfumagem.
Os meios de desenfumagem são tanto mais eficazes quanto mais próximo do foco de
incêndio é feita a extracção dos gases, uma vez que aí o seu caudal é menor e a acção
favorável da impulsão é mais importante.
Os meios de desenfumagem só são verdadeiramente eficazes quando postos em
funcionamento atempadamente. O seu arranque tardio pode não conseguir limitar o
movimento dos gases quentes e pode não conseguir restabelecer a estratificação e a
temperatura convenientes ao movimento de pessoas.

3.2 VARRIMENTO

A técnica de varrimento é estabelecida de forma a evitar a existência de zonas de


estagnação. A implementação desta técnica pode ser realizada quer por meios naturais, quer
através de meios mecânicos. Deve ser estabelecida de forma a não contrariar as acções que
promovem o escoamento do fumo, procurando, sempre que possível, usá-las para incrementar
os caudais escoados.
É implementada através do posicionamento de aberturas de exaustão na parte superior
da zona quente dos compartimentos e de aberturas de admissão de ar exterior na base da zona
fria (figura 8). Se for usada insuflação mecânica do ar exterior, a velocidade do escoamento
deve ser suficientemente reduzida para que não perturbe a estratificação no compartimento
enfumado. A perturbação da estratificação aumenta a contaminação da zona fria e incrementa
a espessura da zona quente, aumentando em consequência o caudal do fumo a evacuar.
Admite-se que para velocidades de insuflação inferiores a 5 m/s (Cluzel, 1982) e aberturas de
10
insuflação claramente posicionadas na zona fria e devidamente orientadas, a perturbação que
originam é negligenciável.

Fig. 8 – Técnica de varrimento

Se não forem utilizados sistemas mecânicos, as aberturas de admissão e de exaustão


podem comunicar directamente com o exterior ou comunicar com o exterior através de
condutas. O escoamento é assegurado por via das diferenças de pressão que se estabelecem
com o aquecimento dos compartimentos. A utilização de condutas verticais servindo as
aberturas de exaustão pode ser vantajosa por potenciar o efeito de chaminé. O posicionamento
das aberturas de exaustão, ou das aberturas terminais das condutas que as servem, em zonas
em que a acção do vento ocasione depressões, pode melhorar o desempenho da
desenfumagem quando existir vento.
A disposição das aberturas deve procurar uniformizar a velocidade do escoamento de
forma a evitar as zonas de estagnação e a contrariar o escoamento do fumo para os locais
contíguos que se pretendem proteger, nomeadamente os caminhos de evacuação.

3.3 HIERARQUIA DE PRESSÕES

As técnicas de hierarquia de pressões destinam-se a criar diferenças de pressão


(gradientes de pressão) que contrariem o escoamento do fumo impedindo a contaminação dos
espaços que se pretendem proteger. São normalmente implementadas através de ventilação
mecânica com insuflação de ar exterior em espaços confinados de forma a criar incrementos
de pressão situados entre 20 Pa e 80 Pa. Para pressões inferiores a 20 Pa o escoamento do
fumo para o espaço pressurizado pode não ser inteiramente contrariado. Para pressões

11
superiores a 80 Pa a abertura das portas, contrariando o sentido da diferença de pressão, pode
ser difícil para indivíduos debilitados.
A manutenção destas pressões requer que a envolvente do espaço pressurizado se
caracterize por uma permeabilidade ao ar reduzida, de outra forma os elevados caudais a
insuflar podem tornar a implementação destes sistemas excessivamente onerosa. Estes
espaços devem, assim, ser encerrados por portas providas de dispositivos de fecho
automático. No projecto destes sistemas é necessário considerar a possibilidade de existirem
algumas portas momentaneamente abertas para permitir a passagem dos ocupantes. Nessas
circunstâncias o sistema de ventilação mecânica deve garantir a insuflação de um caudal que
origine a velocidade média do escoamento nessas aberturas temporárias de pelo menos
0,5 m/s.
Conceptualmente o posicionamento das aberturas de insuflação é irrelevante, uma vez
que o sistema deve permitir que seja evitada a contaminação do espaço pressurizado por
fumo. Todavia, por razões de segurança, estes espaços podem ser providos de aberturas de
exaustão do fumo (normalmente funcionando por meios naturais) como recurso, que poderão
ser abertas se o sistema mecânico não funcionar ou se se revelar insuficiente. Nesse sentido,
também as aberturas de insuflação devem ser posicionadas na base desses espaços de forma a
não perturbar com o seu funcionamento a estratificação.
Quando os espaços contíguos também devem ser pressurizados, deve ser criada uma
hierarquia de pressões, sendo as pressões mais elevadas estabelecidas nos espaços cuja
protecção é mais importante e as pressões mais baixas estabelecidas nos espaços mais
próximos dos possíveis pontos de origem de incêndio. Assim, mesmo que algum espaço
pressurizado seja contaminado com fumo, continuam a existir diferenças de pressão adversas
que se opõem à sua progressão.
O conceito de hierarquia de pressões pode também ser implementado através da
exaustão mecânica do fumo nas proximidades da origem do incêndio. Esta técnica induz uma
depressão nesse espaço que contraria o escoamento do fumo para os espaços contíguos.
Mesmo quando não há a intenção de implementar uma hierarquia de pressões, os caudais
insuflado e extraído de um mesmo compartimento são ajustados de forma a não originarem
sobrepressões nesse compartimento nas condições de incêndio previsíveis.

12
4 SISTEMAS DE CONTROLO DE FUMO

4.1 LOCAIS AMPLOS

Nos edifícios, o controlo do fumo é implementado normalmente através da associação


dos princípios de varrimento e de hierarquia de pressões, procurando maximizar os ganhos
que se obtém com a respectiva utilização e prevendo recursos em caso de deficiência de
funcionamento dos sistemas adoptados. A implementação do controlo de fumo tem em conta
as características geométricas e a permeabilidade ao ar da envolvente dos locais. Nesse
sentido, é conveniente distinguir os locais amplos de grande pé-direito, os locais amplos mas
de reduzido pé-direito (parques de estacionamento cobertos, por exemplo), os locais de
dimensões médias e os caminhos de evacuação (nos quais se devem considerar separadamente
os verticais e os horizontais). Esta enumeração não esgota os diferentes tipos de locais que
podem ser considerados em termos de implementação das técnicas de controlo de fumo (por
exemplo as salas de espectáculos têm características próprias que as podem afastar de
qualquer dos tipos referidos) todavia englobam a grande maioria dos locais a proteger do
fumo.

4.1.1 Locais amplos de grande pé-direito

4.1.1.1 Recomendações técnicas

Os locais amplos de grande pé-direito, que se podem encontrar frequentemente em


edifícios de uso público, caracterizam-se geralmente por terem uma envolvente muito
permeável ao ar. Também os pavilhões industriais, que se podem incluir nesta categoria,
dispõem de envolventes que tendem a restringir pouco a entrada de ar. Desta forma, é usual a
utilização nestes locais de sistemas passivos de desenfumagem constituídos sobretudo por
aberturas de exaustão colocadas nas coberturas cuja operação pode ser comandada à
distância. Não havendo restrições à entrada de ar novo impostas pela envolvente, nem sempre
é necessário prever especificamente aberturas de admissão de ar. Dado o grande
desenvolvimento de alguns destes espaços em planta sem compartimentação, é corrente
suspender no tecto painéis de cantonamento (ver figura 9) que definem reservatórios de fumo

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que se destinam a evitar o seu escoamento para zonas contíguas e a evitar o aumento do seu
caudal através da mistura com ar novo.

Fig. 9 - Reservatório de fumo num local amplo

Em Portugal, este tipo de espaços é tratado no Regulamento Técnico de Segurança


contra Incêndio em Edifícios (Portaria 1532/2008), referindo-se ao controlo de fumo nos
locais sinistrados e a pátios interiores cobertos prolongados até ao topo do edifício.
A área e forma destes reservatórios, em planta, está limitada por um valor que varia
de acordo com a regulamentação de referência. No caso do RTSIE (Portaria 1532/2008), o
valor limite é de 1600 m² sendo a distância máxima permitida entre painéis de cantonamento
de 60 m, coincidindo também com as exigências regulamentares francesas (Arrêté du 25 Juin
1980). Noutros países impõe-se o mesmo valor para a área mas não se permite que a distância
entre painéis de cantonamento exceda 40 m (NFPA, 1991).
Quer a extracção quer a insuflação podem ser naturais ou realizadas por meios
mecânicos. Todavia frequentemente se adopta a insuflação natural dada a existência de
numerosas aberturas nestes locais. A extracção deve estar dimensionada para permitir a
evacuação dos gases quentes que possam ser produzidos por um foco de incêndio que ocorra
sob a área do reservatório.
No caso da extracção ser natural a área das aberturas de evacuação está relacionada
com a altura do painel de cantonamento, uma vez que a base da camada dos gases quentes não
deve descer abaixo da base deste. A base dessa camada está à pressão ambiente constituindo
portanto o plano neutro. É possível exprimir o caudal mássico m & de gases evacuados em
função da área Ae e da espessura da camada de gases quentes h da seguinte forma:

T∞ ⎛ T∞ ⎞
& = A e C d ρ ∞ 2gh
m ⎜1 − ⎟ (10)
T ⎝ T ⎠

14
sendo T a temperatura absoluta do fumo, T∞ a temperatura absoluta do ambiente exterior, g a
aceleração da gravidade, ρ∞ a massa volúmica do fluido à temperatura T∞ e Cd o coeficiente
de vazão da abertura.
A utilização de aberturas de evacuação de grande área pode vir a revelar-se pouco
eficiente pois os gases quentes podem não ocupar toda a área da abertura, como se representa
na figura 10.

Fig. 10 - Efeito da utilização de uma abertura de evacuação


de fumo de área demasiado elevada

De acordo com evidências experimentais (SFPE/NFPA, 1988) a ocorrência deste


fenómeno pode ser prevista através do número de Froude, (Fr) que exprime uma relação entre
as forças de inércia e as forças de impulsão no escoamento de um fluido. Assim quando é
excedido o valor de Fr = 1,6 para aberturas circulares, de Fr = 2,0 para aberturas rectangulares
próximas dos limites do reservatório de fumo ou de Fr = 2,5 para aberturas rectangulares
próximas do centro do reservatório de fumo, verifica-se a evacuação de ar frio da camada
inferior. Estes valores de referência são pouco sensíveis em relação à dimensão da abertura.
O número de Froude, está relacionado da seguinte forma com as grandezas
relevantes num escoamento deste tipo:

vA e C d
Fr = (11)
T − T∞
gh 5
T∞

As variáveis v, Ae, g, h, T, T∞ e Cd representam as mesmas grandezas anteriormente


definidas.
Usando a fórmula 10, obtêm-se a seguinte expressão:

1 Fr h 2
Ae = (12)
2 Cd

15
a partir da qual é possível determinar a dimensão máxima da abertura de ventilação em
função do número de Froude crítico e da espessura da camada de gases quentes. Salienta-se
que o valor da área da abertura não depende da temperatura dos gases quentes. Este fenómeno
é evitado pela utilização de várias aberturas cuja soma das áreas seja igual ao valor requerido.
A APSAIRD (Cluzel, 1982) recomenda a utilização de pelo menos quatro aberturas
por 1000 m² e que cada abertura não tenha uma área útil superior a 6 m² (a área útil é o
produto AeCd). A existência de várias aberturas tem ainda a vantagem de aumentar a
probabilidade de haver uma abertura na proximidade de um eventual foco de incêndio.
Para algumas geometrias de edifícios é necessário adoptar a extracção mecânica. O
processo de desenfumagem consiste então num misto de varrimento e de diferença de
pressões (ver figura 11).

Fig. 11 - Desenfumagem com extracção mecânica e


insuflação natural

Se for necessário proceder também à insuflação mecânica, o caudal insuflado deve


ser inferior ao caudal evacuado para que se possa manter esta hierarquia de pressões. A
relação entre os dois caudais deve ser superior a 1,3 (Cluzel, 1982).
Quando se procede ao projecto de um sistema de extracção mecânica deve ter-se em
conta que o caudal mássico extraído se reduz com o aumento da temperatura, uma vez que
estes sistemas mecânicos garantem a extracção de um caudal volúmico (volume escoado por
unidade de tempo) aproximadamente constante. O valor da temperatura, quando não puder ser
calculado por meios mais precisos, pode ser majorado da seguinte forma:

Q&
T − T∞ = (13)
m
& Cp

16
& a potência calorífica libertada e Cp o calor
& o caudal de gases aquecidos, Q
sendo m
específico a pressão constante dos gases quentes. Note-se que nesta expressão não estão
consideradas quaisquer formas de perdas de calor que promovam o arrefecimento da camada
quente. Para evitar a obtenção de temperaturas de cálculo excessivamente elevadas devem ser
consideradas essas perdas de calor.
O sistema de extracção deve ser concebido de forma a, para o caudal de projecto,
vencer a diferença de pressão ΔP dada da seguinte forma:

ΔP = PV + PS + PE − PB (14)

As variáveis têm o seguinte significado:

PV - pressão exercido pelo vento na saída da conduta de extracção


PS - valor da perda de carga nas condutas de extracção expressa em termos de queda
de pressão
PE - valor da perda de carga nas aberturas de insuflação (se a insuflação for realizada
por meios naturais) expressa em termos de queda de pressão
PB - pressão devida ao fenómeno da impulsão

Em locais amplos as limitações à insuflação de ar fresco são negligenciáveis; assim o


termo PE pode ser considerado nulo sem prejuízo para o cálculo.

4.1.1.2 Efeito das aberturas de desenfumagem

No LNEC foi desenvolvido um estudo, compreendendo uma vertente experimental e


uma vertente de simulação em computador, cujos resultados permitem exemplificar o
desempenho das aberturas praticadas na cobertura para efeitos de desenfumagem. Nesse
estudo pretendia-se analisar o desempenho da abertura de desenfumagem regulamentarmente
prevista para o topo da caixa de escada, pelo que foram adoptadas as dimensões
regulamentares. Nesse sentido, o Regulamento Técnico de Segurança contra Incêndio em
Edifícios (Portaria 1532/2008) especifica, no artº 160º, que a ventilação das escadas interiores
pode ser realizada através de uma ou mais aberturas, de área total não inferior a 1 m²,
praticadas no topo da caixa de escada para saída do fumo e de aberturas de entrada de ar
exterior situadas na base da caixa de escada, cujo somatório das áreas livres deve ser no
mínimo igual à da abertura superior. Dado a instalação experimental ser térrea, não é possível
reproduzir com rigor a solução construtiva regulamentar. Contudo admitiu-se que, para

17
efeitos de validação do programa de simulação, a realização de ensaios com uma abertura,
com essas dimensões, praticada na cobertura da sala poderia simular, com alguma
aproximação, essa situação regulamentar. Espera-se assim que o programa de simulação,
sendo capaz de simular satisfatoriamente este caso de estudo, possa também prever
adequadamente as situações reais.
É relevante a análise dos casos de estudo designados pelos números 2, 6 e 7 (ver
quadro I). Nestes casos a fonte de calor foi posicionada num canto do compartimento. No
caso de estudo 7 foi estabelecida a geometria de forma a que a entrada de ar exterior ocorre
pela porta da sala, através do corredor, e a saída do fumo ocorre sobretudo pela abertura
praticada na cobertura da sala, cumprindo com alguma aproximação as exigências
regulamentares. No caso de estudo 6 a porta foi encerrada, obrigando à entrada de ar exterior
pela mesma abertura em que ocorre a saída do fumo. Este caso simula a situação em que a
envolvente da caixa de escada é razoavelmente estanque e em que, por deficiência de
projecto, não existe entrada de ar pela sua base.

Quadro I - Casos de estudo relevantes para as aberturas de desenfumagem na cobertura

Caso de Potência calorífica Posição da fonte de calor e das colunas Aberturas de ventilação e
estudo [kW] de termopares em planta posicionamento dos anemómetros
2 +0,5
220,2 -0,8 em N A B C N

J An
30 min
D E F

G H

6 +1,8
218,4 -1,0 em N A B C N

30 min
D E F

G H

7 +1,0
218,6-0,6 em N A B C N

J An An

30 min
D E F

G H

No conjunto de casos, que compreende o 2, o 6 e o 7, verifica-se um efeito


determinante da localização e dimensões das aberturas de ventilação no campo de
temperatura. A coluna C (representada na figura 12 para os três casos), uma vez que está já
afastada da fonte de calor e que não sofre a influência directa das aberturas de ventilação em
nenhum caso, constitui um bom exemplo desse efeito. No caso 2, em que a ventilação é feita
unicamente pela porta, existe uma zona quente bem diferenciada da zona fria, apresentando
um máximo de temperatura cuja forma pressupõe a existência de um jacto de tecto ainda com
alguma relevância. No caso 7, em que a ventilação é incrementada pela utilização da abertura
do tecto, a diferenciação entre as zonas quente e fria mantém-se, embora com uma diferença
de temperatura menos acentuada, mas a interface está claramente deslocada para cima. A
evolução da temperatura com a cota sugere ainda a presença de um jacto de tecto com alguma
importância mas não se distingue claramente da restante zona quente, devido à pequena

18
espessura desta. A temperatura máxima da zona quente é reduzida de cerca de 275ºC, no caso
2, para cerca de 165ºC, no caso 7. A temperatura da zona fria não sofre alterações sensíveis.

C aso 2 - C oluna C C aso 6 - C oluna C


3.0
3.0

2.5
2.5

2.0 2.0

C ota [m]
C ota [m]

1.5 00:10
1.5
prev 00:10
00:30
prev 00:30
1.0 1.0
30:00

00:10 prev 30:00

00:30
0.5 0.5
30:00

0.0 0.0
0 50 100 150 200 250 300 350 0 50 100 150 200 250 300 350
T em peratura [ ºC ] T emperatura [ºC ]

C aso 7 - C oluna C
3.0

2.5

2.0
C ota [m]

1.5
00:10
prev 00:10
00:30
1.0 prev 00:30
30:00
prev 30:00
0.5

0.0
0 50 100 150 200 250 300 350
T em peratura [ ºC ]

Fig. 12 - Comparação da temperatura na coluna C. Casos 2, 6 e 7.

No caso 6, em que a ventilação é realizada apenas através da abertura no tecto não


existe distinção nítida entre as camadas quente e fria, o que se traduz num grande incremento
da temperatura nas cotas mais baixas da sala. Tomando como referência a cota 1,0 m da
coluna C, no caso 7 a temperatura medida é de 44ºC, no caso 2 é de 60ºC e no caso 6 é de
quase 180ºC. A temperatura máxima no caso 6 também é incrementada (sendo cerca de
310ºC), mas de forma menos notória.
A redução da espessura da zona quente tem como consequência imediata a redução do
caudal de fumo que escoa através da porta. Na figura 13 mostram-se os perfis de temperatura
na porta nos casos 2 e 7, sendo evidente que a exaustão na parte superior da porta no caso 7 é
muito reduzida. Na figura 14 é evidente um incremento da velocidade de admissão de ar e
mostra-se que a velocidade do escoamento é ainda considerável (superior a 0,4 m/s) mesmo
para cotas superiores a 1,5 m. Ainda assim, a previsão indicia que a exaustão de fumo através
da porta, embora reduzida, ainda ocorre.
No caso 6, o ar exterior entra na sala pela abertura que permite a exaustão do fumo
situada no tecto. O ar exterior é assim integrado na zona quente, expandindo-a de forma a
tornar a zona fria quase inexistente.
Foram realizadas simulações apenas para os casos que representam situações extremas
de ventilação, ou seja para os casos 6 e 7.

19
Caso 2 - Coluna J Caso 7 - Coluna J
3.0 3.0

2.5 2.5

2.0 2.0

C ota [m]
C ota [m]

1.5 1.5

00:10
00:10 prev 00:10
1.0 30:00 1.0 30:00
prev 30:00

0.5 0.5

0.0 0.0
0 50 100 150 200 250 300 350 0 50 100 150 200 250
T em peratura [ ºC ] T emperatura [ºC ]

Fig. 13 - Comparação da temperatura na porta. Casos 2 e 7.

Caso 2 Caso 7
2.5 2.5

2 2

1.5 1.5
Cota [m]

Cota [m]

1 1

0.5 0.5

30:00
30:00
Previsão 30m

0 0
-1 -0.5 0 0.5 1 1.5 2 2.5 -1 -0.8 -0.6 -0.4 -0.2 0 0.2 0.4 0.6 0.8 1
Velocidades [m/s] Velocidades [m/s]

Fig. 14 - Comparação da velocidade na porta. Casos 2 e 7.

As simulações evidenciam bem a grande diferença de velocidades de exaustão na


abertura do tecto que se verifica entre os casos 6 e 7 e a previsão da velocidade de admissão
na porta parece adequada.
Na figura 15 a comparação do campo de temperatura nos casos 6 e 7 evidencia a
importância fundamental que a área e o posicionamento das aberturas de ventilação têm na
segurança dos ocupantes de um edifício. No caso 6, em que a ventilação é menos favorável, a
temperatura máxima da zona quente excede sempre 250ºC, impedindo a permanência de
qualquer ocupante no compartimento. No caso 7 a temperatura máxima, excepto junto da
fonte de calor, é sempre inferior a 180ºC, o que não inviabiliza o trânsito ou permanência de
ocupantes no compartimento.
O campo de velocidade, como se pode observar na figura 16, é notavelmente alterado
pela abertura da porta eliminando uma importante zona de estagnação do escoamento no
canto oposto à fonte de calor e promovendo o varrimento da zona inferior da sala.

20
Fig. 15 - Comparação da previsão do campo de temperatura para t = 30 min. Casos 6 e 7.

21
Fig. 16 - Comparação da previsão do campo de velocidade para t = 30 min. Casos 6 e 7.

Extrapolando para a arquitectura de uma caixa de escada, verifica-se que a solução


construtiva que consiste na existência de uma abertura de desenfumagem no topo será muito
vantajosa se estiver complementada com aberturas de entrada de ar a um nível inferior àquele
em que ocorre o escoamento do fumo para esse espaço. A inexistência de tais entradas de ar
22
devidamente dimensionadas, desde que implique que a admissão de ar se faça em simultâneo
pela abertura no topo do espaço, pode proporcionar a mistura entre as zonas quente e fria,
destruindo a estratificação. Admite-se que este fenómeno possa ser menos pronunciado numa
caixa de escada, que tem um desenvolvimento vertical considerável, do que o que se verificou
no ensaio, pois a depressão que previsivelmente se poderá desenvolver na caixa de escada
será mais importante e, tendo em conta que num edifício a envolvente dos espaços só em
condições especiais é estanque, incrementará a admissão de ar novo através de todas as juntas
ou fendas da envolvente.
Os pátios interiores, sendo locais amplos de grande pé-direito, caracterizam-se
geralmente por terem uma envolvente muito permeável ao ar. Desta forma, é usual a
utilização nestes locais de sistemas passivos de desenfumagem constituídos sobretudo por
aberturas de exaustão colocadas nas coberturas (os vãos de fachada são admitidos apenas a
título excepcional) cuja operação pode ser comandada à distância e, frequentemente,
automatizada a partir do sistema de detecção de incêndio. Não havendo restrições à entrada de
ar novo impostas pela envolvente, nem sempre é necessário prever especificamente aberturas
de admissão de ar. Na regulamentação é, ainda assim, especificado que devem existir
aberturas de admissão de ar dispostas na parte inferior do pátio e de área não inferior à área
das aberturas de exaustão (que não deve ser inferior a 5% da maior das secções horizontais do
pátio). Dado o grande desenvolvimento de alguns destes espaços em planta sem
compartimentação, é imposto suspender no tecto painéis de cantonamento que definam
reservatórios de fumo destinados a evitar a sua dispersão por todo o espaço e ao longo dos
corredores e o aumento do caudal através da mistura com ar novo. Embora seja admissível a
utilização de sistemas activos de desenfumagem, a sua implementação não é especificada
regulamentarmente. Note-se que as variadas formas arquitectónicas que podem ser conferidas
a este tipo de espaços pode requerer soluções de desenfumagem activa específicas difíceis de
reduzir ao clausulado regulamentar.

4.1.2 Locais amplos de reduzido pé-direito

Enquanto nos locais de grande pé-direito é possível tirar partido da altura para, através
dos painéis de cantonamento, restringir o escoamento do fumo e manter uma zona fria com as
condições adequadas ao movimento dos ocupantes, nos locais de reduzido pé-direito tal não é
arquitectonicamente possível. Assim, nos locais amplos de reduzido pé-direito é também
prevista compartimentação, mas esta encerra inteiramente os espaços. As aberturas de
admissão de ar novo e de exaustão do fumo são posicionadas de forma a proceder ao
varrimento do espaço considerado. Correntemente são utilizados sistemas activos (mecânicos)
de admissão e de exaustão. Nesse caso o caudal evacuado é, pelo menos, superior em 30% ao

23
caudal insuflado, de forma a criar uma depressão relativamente aos espaços contíguos. Outra
solução corrente consiste na utilização combinada de exaustão mecânica com admissão por
meios passivos através das aberturas de comunicação com os espaços contíguos. Desta forma
a depressão que é gerada no espaço a desenfumar, que coincide com o local de origem do
incêndio, é maximizada. Sistemas destes tipos estão previstos na regulamentação portuguesa
de segurança contra incêndio (Portaria 1532/2008).
Recentemente surgiu no mercado um sistema inovador de controlo do fumo baseado
na utilização de ventiladores axiais suspensos no tecto (à semelhança de uma solução
utilizada nos túneis rodoviários) que impõem o sentido do escoamento do fumo de forma a
facilitar a sua exaustão para o exterior, evitar zonas de estagnação e facilitar a manutenção de
zonas livres de fumo. A vantagem do sistema consiste em não carecer da distribuição de
numerosas aberturas de admissão de ar novo e de exaustão do fumo pelo espaço a
desenfumar, que frequentemente é crítica em termos de gestão do espaço, uma vez que o
varrimento é assegurado por este sistema mecânico.

4.2 LOCAIS DE DIMENSÕES MÉDIAS

4.2.1 Recomendações técnicas

Para os locais de dimensões médias (por exemplo salas de reuniões, salas de leitura de
bibliotecas, etc.) a ventilação pode ser realizada quer por meios activos, quer por meios
passivos. Neste caso é importante posicionar as aberturas de admissão claramente na zona fria
e as aberturas de exaustão claramente na zona quente pois, devido à menor dimensão dos
espaços, qualquer ineficácia neste posicionamento pode conduzir rapidamente à destruição da
estratificação. A implementação da técnica de varrimento permite melhorar o desempenho da
desenfumagem. A regulamentação prevê a utilização de sistemas deste tipo para os locais
sinistrados.
Na maioria dos edifícios o espaço interior encontra-se compartimentado em locais de
dimensões relativamente reduzidas. Esta ordenação do espaço pode ajudar a impedir a
propagação do fumo pelo edifício desde que sejam implementados os sistemas adequados
para promover a desenfumagem.
Nestes locais não é necessário recorrer a painéis de cantonamento suspensos junto do
tecto dada a sua dimensão (normalmente de áreas inferiores ao limite de 1600 m² consagrado
pela regulamentação) e o facto do pé-direito não permitir usualmente a sua utilização. As
técnicas de desenfumagem são, no restante, semelhantes às descritas anteriormente.

24
É possível proceder à insuflação de ar novo e à extracção dos gases quentes, quer por
meios mecânicos, quer por meios naturais, sendo possíveis as várias combinações de acordo
com as conveniências de projecto.
No caso da extracção natural, frequentemente não é possível, por razões
arquitectónicas, praticar aberturas no tecto do compartimento. A alternativa é preparar
aberturas para a desenfumagem nas paredes tão próximas do topo quanto possível. Neste caso
o caudal evacuado é ligeiramente inferior ao que ocorreria para uma abertura praticada no
tecto devido à variação da pressão com a cota. O caudal médio pode então ser estimado a
partir do cálculo da velocidade média para uma abertura vertical de largura constante:

2 1 ⎛ 2
3 3

⎜ b − a 2 ⎟ 2g ⎛⎜1 − ∞ ⎞⎟
T T
vm = ⎜ ⎟ (15)
3 b−a ⎝ ⎠ T∞ ⎝ T ⎠

As variáveis a e b representam respectivamente a cota da base da abertura medida em


relação ao plano neutro e a cota do topo da abertura medida em relação ao mesmo plano. As
restantes variáveis representam as grandezas anteriormente referidas.
O valor do caudal mássico é assim dado, segundo a expressão 4.

⎛ 3 3

& = lC d ρ ∞ ⎜ b 2 − a 2 ⎟ 2g ⎛⎜1 − ∞ ⎞⎟
2 T T
m ⎜ ⎟ (16)
3 ⎝ ⎠ T∞ ⎝ T ⎠

A variável l é a largura da abertura.


Tal como no caso anterior, o número de aberturas deve ser tal que permita evacuar os
gases quentes sem que estes escoem para compartimentos vizinhos. Neste caso, a camada dos
gases quentes não deve descer abaixo da parte superior das portas. Em algumas situações tal
critério pode conduzir à existência de aberturas de extracção em número e área total
incomportáveis para as características do compartimento. Quando tal acontecer devem ser
ponderada a utilização de outras técnicas de controlo de fumo complementares ou
alternativas.
Neste género de locais pode ocorrer uma limitação da entrada de ar fresco se a
insuflação for realizada por meios naturais. Esta restrição pode ter de ser prevista, quer
quando a extracção é realizada por meios mecânicos, quer quando se efectua por meios
naturais. A partir de uma formulação semelhante à anteriormente usada, mas considerando a
massa volúmica do ar à temperatura ambiente (ρ∞), é possível exprimir a queda de pressão ΔP
em função do caudal mássico m &:

m &2
ΔP = (17)
2A e2 C d2 ρ ∞

25
Este valor ΔP pode ser incluído na expressão 14 quando se recorrer a extracção mecânica. A
formulação precedente pressupõe que a temperatura no estrato inferior do compartimento, até
à cota do topo da abertura, é igual à tamperatura exterior.
Este valor da queda de pressão pode ser igualmente considerado nas expressões 10 e
16, sendo introduzido através das cotas de referência h (em 10), b e a (em 16). A queda de
pressão pode ser, do ponto de vista de cálculo, considerada como uma redução nas respectivas
cotas, sendo:

ΔPT
Δh = (18)
ρ ∞ g(T − T∞ )

Nos compartimentos de dimensões médias, o desenvolvimento do foco de incêndio


conduz rapidamente a uma subida generalizada da temperatura. Nessa situação o plano neutro
não coincide necessariamente com a base da camada de gases quentes. A sua cota pode ser
estimada para uma situação limite em que a temperatura interna do compartimento é
uniforme. Nesse caso a pressão absoluta no compartimento varia linearmente com a cota e o
seu declive é menor que o da pressão exterior, como se indica na figura 7.
A posição do plano neutro deve ser tal que seja verificado o balanço de massa. Assim
o caudal mássico evacuado m & e deve ser igual à soma do caudal mássico admitido m & i com o
caudal mássico de combustível m & c:

& e =m
m & i +m
&c (19)

O valor de m
& e pode ser expresso por 10 ou por 16 e o valor m
& i pode ser expresso por:

2 ⎛ 3 3
⎞ ⎛ T ⎞
& = lC d ρ ∞ ⎜ c 2 − d 2 ⎟ 2g⎜1 − ∞ ⎟
m (20)
3 ⎜ ⎟ ⎝ T ⎠
⎝ ⎠

As variáveis c e d são, respectivamente, a cota do plano neutro em relação à base da


abertura e a cota do plano neutro em relação ao topo da abertura.
Como se referiu a implementação de um sistema de desenfumagem num
compartimento de dimensões reduzidas ou médias só por si pode não ser suficiente para evitar
a propagação do fumo a locais contíguos. Tal possibilidade aconselha que o problema da
desenfumagem seja encarado globalmente para uma zona do edifício bem definida e
individualizada e não para cada local "per si".
A desenfumagem de cada compartimento deve ser compatibilizada com o sistema de
desenfumagem das circulações que com ele comunicam no sentido de ser estabelecida a

26
hierarquia de pressões adequada ou os fluxos de ar desejáveis para o varrimento do fumo. Por
vezes as zonas contíguas podem ser utilizadas com vantagem como locais de acumulação e
extracção de fumo. Tal situação pode verificar-se em zonas comerciais com lojas que
comuniquem com galerias cobertas de grandes dimensões, como é corrente em centros
comerciais.
As figuras 18 e 19 exemplificam dois processos de desenfumagem alternativos nessa
situação (FPA, 1991).

Fig. 18 - Extracção mecânica do fumo numa loja de centro comercial

Fig. 19 - Extracção natural do fumo numa galeria de centro comercial

Em lojas de centros comerciais é frequentemente difícil proceder à extracção do


fumo por meios naturais; assim é corrente a adopção de extracção mecânica. A insuflação de
ar novo é realizada a partir das aberturas de comunicação com a galeria. Este processo de
extracção directa junto do foco de incêndio é vantajoso dos seguintes pontos de vista:
a) ao executar a extracção do fumo junto do foco de incêndio o volume de gás
movimentado é menor;
b) o fumo fica confinado à loja não provocando quaisquer danos nas zonas limítrofes;
c) quando ocorrem pequenos focos de incêndio, podem ser controlados de forma a
causarem inconvenientes menores à rotina do centro comercial.
Todavia apresenta, em contrapartida, os seguintes inconvenientes:

27
a) uma vez que o sistema de desenfumagem actua directamente no espaço privado de
cada proprietário podem surgir problemas quanto à atribuição da competência relativa
à manutenção regular do sistema;
b) os elementos de decoração colocados no interior das lojas são mais facilmente
susceptíveis de afectar a eficácia do sistema;
c) deve existir uma abertura que ponha em comunicação a loja com a galeria, que tem de
estar necessariamente aberta durante a operação do sistema;
d) este sistema de desenfumagem pode retardar a entrada em funcionamento dos
sprinklers, quando existam;
e) sistema de desenfumagem e o respectivo controle são complexos e,
consequentemente, caros e pouco fiáveis;
f) o sistema pode revelar-se insuficiente para o controle do fumo originados por focos de
incêndio de grande potência calorífica, obrigando em simultâneo à previsão de
sistemas de desenfumagem da galeria;
g) o sistema é absolutamente ineficaz quando os incêndios ocorrem na galeria.
A alternativa é a utilização da galeria, devidamente compartimentada com painéis de
cantonamento suspensos no tecto, como zona de acumulação do fumo e extracção por
sistemas naturais. Este sistema não tem as desvantagens inerentes ao sistema anterior,
podendo ainda referir-se o seguinte:
a) dada a sua simplicidade, o sistema é muito mais fiável;
b) as aberturas de desenfumagem podem ser usadas para ventilação corrente.
As desvantagens práticas desta opção são, por oposição às vantagens da opção
anterior:
a) pode revelar-se ineficaz na extracção de fumo produzidos em incêndios de fraca
potência calorífica, por diferença de temperatura dos gases não, ser suficientemente
intensa de forma a promover a desenfumagem natural;
b) o volume de fumo extraídos é maior.
A comparação destas duas soluções neste exemplo permite evidenciar que a
desenfumagem dos locais de média dimensão está, obviamente, muito mais interdependente
duma análise de conjunto do edifício do que a desenfumagem de grandes volumes. Não
existem soluções óptimas aplicáveis a todos os casos. Cada caso deve ser estudado
criteriosamente em todos os seus aspectos de forma a ser possível usar o sistema mais fiável e
seguro para o tipo de ocorrências previstas e, simultaneamente, de custos menores, quer do
ponto de vista de implementação, quer do ponto de vista de manutenção.
Para os locais sinistrados a ventilação pode ser realizada quer por meios activos, quer
por meios passivos. É importante posicionar as aberturas de admissão claramente na zona
livre de fumo (e tão baixo quanto possível) e as aberturas de exaustão totalmente na zona
enfumada (e tão alto quanto possível) pois qualquer ineficácia neste posicionamento pode

28
conduzir rapidamente à destruição da estratificação (artos 153º e 154º). A implementação da
técnica de varrimento, embora não referida especificamente na regulamentação, permite
melhorar o desempenho da desenfumagem. Se for adoptada desenfumagem activa deve existir
uma boca de extracção por cada 320 m² de área do local e escoar 1 m³/s por 100 m² de área do
local, sem contudo ser inferior a 1,5 m³/s. Se for adoptada ventilação natural a área total útil
das aberturas de exaustão deve ser objecto de cálculo devidamente fundamentado, o
somatório das áreas livres das aberturas para admissão de ar deve situar-se entre metade e a
totalidade do somatório das áreas livres das aberturas para evacuação de fumo e eventuais
vãos de evacuação de fachada só podem contribuir com um terço para a área total das
aberturas de evacuação.

4.2.2 Ventilação assegurada por uma janela

A este respeito é didáctico analisar os resultados de um ensaio também realizado no


LNEC em circunstâncias exactamente iguais ao referido na secção 4.1.1.2 mas no qual a
ventilação da sala era assegurada por uma janela.

Caso 5 - Coluna J 2.5


3.0

2.5
2

2.0

1.5
C ota [m]

Cota [m]

00:10
1.5
prev 00:10
00:30
prev 00:30 1
1.0 01:00
prev 01:00
30:00
0.5 prev 30:00 0.5

30:00
Previsão 30m
0.0
0 50 100 150 200 250 0
T emperatura [ºC ] -1.5 -1 -0.5 0 0.5 1 1.5
Velocidades [m/s]

Fig. 20 - Temperaturas e velocidades medidas e previstas na janela.


Caso 5 - Coluna G Caso 3 - Coluna I
3.0 3.0

2.5 2.5

2.0 2.0
C ota [m]

C ota [m]

00:10 00:10
1.5 1.5
prev 00:10 prev 00:10
00:30 00:30
prev 00:30 prev 00:30
1.0 01:00 1.0 01:00
prev 01:00 prev 01:00
30:00 30:00
0.5 prev 30:00 0.5 prev 30:00

0.0 0.0
0 50 100 150 200 250 0 50 100 150 200 250
T emperatura [ºC] T em peratura [ºC ]

Fig. 21 – Comparação das temperaturas medidas e previstas na sala com ventilação por uma
janela e ventilação por uma porta.

29
Fig. 22 - Previsão do campo de temperatura para t = 30 min.

Comparando os perfis de temperatura medidos junto das aberturas de ventilação (ver


figura 10 do texto de apoio sobre propagação de incêndio em edifícios – ventilação pela porta
– e figura 20 deste texto de apoio – ventilação por janela) verifica-se que há, no caso da
janela, uma subida do plano neutro. Todavia, observando a figura 21, verifica-se que não há
uma alteração significativa na cota do plano de interface entre as camadas quente e fria,
apesar do diferente desenvolvimento em altura das duas aberturas. O desvio do plano neutro
da abertura para uma cota mais elevada relativamente à cota do interface no caso da janela e
as maiores velocidades de admissão à cota da interface são responsáveis pela maior mistura
entre as zonas quente e fria detectada através do campo de temperatura, que se traduz no
incremento da temperatura da camada fria.

30
Fig. 23 – Previsão do campo de velocidade para t = 30 min.

Na figura 22 é notável o aquecimento generalizado da camada fria e redução da


temperatura na camada quente, quando se compara com a figura 13 do texto de apoio sobre
propagação de incêndio em edifícios. Junto da janela existe uma variação acentuada da cota
do interface, que não se verifica junto da porta. Na figura 23 observa-se uma deflecção mais
acentuada do fluxo de ar exterior em direcção ao pavimento e nota-se um maior envolvimento
de fluido proveniente da zona quente no fluxo de admissão.
Este exemplo mostra a reduzida eficácia da desenfumagem assegurada através de uma
janela quando comparada com uma porta, evidenciando a necessidade de promover a
admissão de ar exterior tão próximo do pavimento quanto possível.

4.3 VIAS DE COMUNICAÇÃO

4.3.1 Recomendações técnicas

Como já foi referido, uma das razões que obriga à utilização de sistemas de
desenfumagem é a necessidade de garantir que as zonas de comunicação se mantêm sem
fumo durante um lapso de tempo tal que permita a evacuação dos ocupantes. As zonas de
comunicação podem ser agrupadas em dois casos de características distintas, a saber:
a) as comunicações verticais, como sejam as caixas de escada;
b) as comunicações horizontais, que incluem os corredores.

31
As comunicações verticais, em especial, são zonas de alto risco uma vez que
permitem o escoamento dos gases quentes de uma forma extremamente rápida, pondo em
perigo ocupantes que podem encontrar-se bastante afastados do local do sinistro. As acções
que promovem o movimento dos gases quentes, neste caso, são a combinação da impulsão
devida à sua temperatura com o movimento geral do ar no interior do edifício que resulta do
efeito de chaminé. O risco aumenta com a altura do edifício pois, por um lado, estas acções
promovem um deslocamento mais rápido e, por outro lado, o lapso de tempo necessário para
proceder à evacuação dos ocupantes do edifício é incrementado. Acresce ainda que os
edifícios de médio e grande porte dispõem frequentemente de sistemas de aquecimento, que
acentuam o efeito de chaminé.
As técnicas de desenfumagem empregues nos edifícios reflectem a variação do risco
com o seu porte.
A regulamentação portuguesa referente à segurança contra incêndio em edifícios de
habitação, secundando com ligeiros ajustamentos a regulamentação francesa sobre o assunto
(Arrêté du 31 Janvier 1986), consagra as seguintes alturas de referência, definidas como a
diferença entre a cota do último piso coberto susceptível de ocupação e a cota da via de
acesso ao edifício no local onde seja possível aos bombeiros desenvolver eficazmente as
operações de socorro e combate ao incêndio:
a) 9 m;
b) 28 m;
c) 50 m.
Para os imóveis multifamiliares de altura de referência não superior a 9 m não é
exigida a protecção das vias verticais de evacuação.
Para os imóveis com alturas de referência compreendidas entre os 9 m e os 28 m
estão estabelecidos os seguintes princípios:
a) separação das comunicações horizontais e verticais através de portas, tornando
independentes os sistemas de desenfumagem;
b) varrimento das comunicações por acção da pressão dinâmica do vento ou por acção da
impulsão.
É aceite o princípio de desenfumagem de varrimento por acção da impulsão dos
gases quentes, para as circulações interiores. Assim deve ser prevista uma abertura, de área
não inferior a 1 m², no topo da caixa de escada e aberturas, de área total não inferior à da
abertura de exaustão, na sua base. Se as escadas dispuserem de janelas para o exterior,
alternativamente podem prever-se unicamente aberturas em cada patamar de área útil não
inferior a 0,25 m².
Nos corredores, quando possuem aberturas que dão para o exterior, estas podem ser
adoptadas para desenfumagem, considerando-se que as suas partes acima de 1,8 m promovem
a exaustão do fumo e as partes abaixo promovem a admissão de ar novo. Devem ainda ser

32
posicionadas de forma a permitir o varrimento da comunicação por acção do vento. Se os
corredores forem interiores devem existir pelo menos uma abertura de extracção, com uma
área mínima de 0,10 m² por unidade de passagem da via, e uma abertura de insuflação, de
área não inferior, a uma distância máxima de 10 m, nos percursos em linha recta, e de 7 m,
nos restantes percursos. Estas aberturas devem ser colocadas respectivamente junto do tecto e
junto do pavimento, sendo a cota mínima, acima do pavimento, da base das aberturas de
exaustão de 1,80 m e a cota máxima do topo das aberturas de admissão de 1,00 m.
A regulamentação portuguesa (nº 2 do artº 135º da Portaria 1532/2008) refere que,
até este limite, a desenfumagem pode ser realizada por processos passivos através de condutas
colectivas com ramais por cada piso servindo no máximo 5 pisos. Na verdade a utilização de
condutas excessivamente prolongadas pode, no início do sinistro, conduzir a um
arrefecimento acentuado do fumo reduzindo drasticamente a acção da impulsão. Mesmo em
condutas com ramais pode verificar-se o refluxo do fumo que podem assim invadir
compartimentos alguns pisos acima do incêndio (Cluzel, 1982; Bodard, 1987).
No caso dos imóveis com alturas de referência superiores a 28 m, se as
comunicações horizontais e verticais forem interiores é imposta a existência de um
compartimento intermédio, designado por câmara corta-fogo, devidamente separado das
zonas de comunicação por portas corta-fogo. Na situação em que as zonas de comunicação e a
câmara corta-fogo são interiores devem ser utilizados meios mecânicos de controlo de fumo
em todos estes locais. No projecto destes sistemas devem ser tidos em conta os elementos
referidos anteriormente e equacionados na expressão 16.
Para esta classe de edifícios, os princípios que orientam a protecção das
comunicações contra a progressão do fumo são as seguintes:
a) utilização de portas que permitam a compartimentação dos locais;
b) existência de uma câmara corta-fogo entre as comunicações horizontais e as
comunicações verticais;
c) pressurização dos espaços evitando a sua invasão pelo fumo;
d) estabelecimento de uma hierarquia de pressões, quando houver locais contíguos
pressurizados, de forma a estabelecer uma direcção preferencial para os fluxos de ar;
e) orientação de fluxos de ar de forma a promover o varrimento das zonas com fumo.
A técnica de pressurização é implementada de forma a que a caixa de escada esteja
sempre a uma pressão superior à verificada em qualquer outro espaço do edifício. A pressão
recomendada varia com os documentos regulamentares e com as situações práticas mas, de
uma forma geral, não pode ser inferior a 20 Pa, porque não evitaria a infiltração de fumo no
espaço pressurizado, nem superior a 80 Pa, porque dificultaria excessivamente a abertura das
portas da comunicação. Quando a caixa de escada comunica com outros locais pressurizados,
a diferença de pressão deverá ser nula ou, desejavelmente, inferior ou igual a 5 Pa (BS 5588:
Part 4: 1978). O sistema deve ser projectado de forma a garantir que, quando se abrem portas

33
de comunicação, a velocidade do ar que escoa através delas não é inferior a 1,0 m/s. Se a
abertura for permanente, a velocidade deste fluxo de ar não pode ser inferior a 3 m/s, mas
neste caso não se trata de um sistema pressurizado propriamente dito.
Do ponto de vista de cálculo da pressurização, devem ser contabilizadas todas as
fugas de ar permanentes dos locais respectivos e; do ponto de vista de cálculo do caudal de ar
máximo necessário, deve ainda supor-se a existência de uma porta aberta ou de duas portas
abertas, conforme o edifício tem ou não menos de 21 pisos (BS 5588: Part 4: 1978).
O caudal de ar escoado através das aberturas está relacionado com a diferença de
pressão entre os dois meios ΔP pela expressão seguinte:

1
& = CA ΔP B
V (21)
e

& o caudal volúmico, Ae a área da secção de escoamento e B e C constantes. A


Sendo V
constante C toma o valor 0,827 para a maioria das fugas que ocorrem num edifício, quer se
trate de fendas que ocorram na junta móvel de portas e janelas, quer se trate de aberturas de
maiores dimensões. A constante B varia entre 1 e 2. O valor 2 é utilizável para uma grande
gama de escoamentos que compreende quer os escoamentos através de aberturas de grandes
dimensões, quer os escoamentos através das juntas móveis de portas.
Para os escoamentos através das juntas móveis de janelas, dada a pequena dimensão
das aberturas, o valor 1,6 concorda melhor com as evidências experimentais (BS 5588: Part 4:
1978).
Em termos práticos poucas vezes é necessário entrar em consideração com o
escoamento do ar através de pequenas fendas devido aos elevados caudais que se escapam
através das juntas móveis das portas, pelo que é vulgar utilizar o valor B = 2,0. Nesse caso a
determinação do valor dos caudais das fugas através de aberturas em série ou através de
aberturas em paralelo pode ser feita com base no cálculo de uma área total equivalente, que
reflecte a ponderação adequada das áreas das aberturas.
Assim quando a zona pressurizada comunica directamente com zonas à pressão
exterior (fugas em paralelo) a expressão da área equivalente Aeq é:

A eq = ∑ A i (22)
i

sendo Ai os valores das áreas de cada uma das aberturas.


Se o espaço pressurizado comunica com as zonas à pressão exterior através de várias
aberturas em série (fugas em série), a expressão da área equivalente Aeq é:

34
∏A i
A eq = i
1
(23)
⎛ ⎞ 2
⎜ ∑ A i2 ⎟
⎝ i ⎠

Os casos reais podem sempre ser encarados como um conjunto de fugas em série e
em paralelo que podem sempre ser reduzidos a um valor de uma única área equivalente pela
utilização sucessiva das expressões anteriores.
Sempre que existam no edifício locais com extracção mecânica permanente, que
possa eventualmente estar em funcionamento no momento do sinistro, como é o caso das
casas de banho com ventilação forçada, deve ser considerado, para efeitos de cálculo, o
caudal extraído por estes sistemas.
De acordo com estes princípios é possível calcular o caudal de ar necessário para
manter a pressão de cálculo na zona pressurizada. Como se referiu, o caudal insuflado deve
ser tal que o fluxo de ar que atravessa os vãos de portas de comunicação da zona pressurizada
com as zonas à pressão exterior, quando estas se abrem, não permita a entrada do fumo. Deve
assim calcular-se também o valor do caudal necessário para manter esse fluxo. Nesse cálculo
deve ter-se em consideração que o caudal de ar é escoado, quer através de portas abertas, quer
através das outras aberturas anteriormente consideradas. Por essa razão, neste cálculo, deve
ser usada a soma do valor total das áreas das portas abertas e da área equivalente de
escoamento anteriormente referido. É referido pela norma britânica, que trata deste assunto
(BS 5588: Part 4: 1978), que para edifícios com menos de 11 pisos se pode considerar, por
simplicidade, unicamente a área da porta aberta.
O valor do caudal de ar a insuflar deve ser igual ou superior aos dois valores
calculados anteriormente e deve ser tal que a pressão máxima nos locais pressurizados não
exceda um valor de referência, que é no máximo 80 Pa.
A implementação de espaços pressurizados pode ser feita de acordo com os métodos
seguintes:
a) pressurização unicamente da caixa de escada;
b) pressurização simultânea da caixa de escada, da câmara corta-fogo e dos corredores,
c) pressurização da câmara corta-fogo e dos corredores;
d) pressurização de todo o edifício.
O método referido na alínea a) é usado quando não há exigências de controle do
fumo nos corredores. A câmara corta-fogo permite diminuir o efeito que a abertura de uma
porta tem no espaço pressurizado. Esta câmara corta-fogo, não sendo ventilada, permanece
com uma pressão interna compreendida entre a pressão de pressurização e a pressão exterior.
Se as áreas das aberturas que põem em comunicação o espaço pressurizado com a câmara e
esta com o exterior forem iguais, a pressão que é estabelecida tem metade do valor da
sobrepressão imposta na caixa de escada. Assim a câmara fica automaticamente pressurizada,
35
respeitando a hierarquia de pressões. Este efeito pode não se verificar para geometrias mais
complexas.
O método referido na alínea b) comporta ainda uma variante em que a pressurização
se limita à caixa de escada e à câmara corta-fogo. Em qualquer dos casos a insuflação do ar
deve ser feita por condutas separadas para cada uma das zonas, estabelecendo uma hierarquia
de pressões. A pressurização das três zonas tem a vantagem de estender o controle de fumo
até às zonas de habitação ou de trabalho onde o foco de incêndio provavelmente terá o seu
início
O método referido na alínea c) é um método de recurso que é usado apenas quando
há dificuldades, sob o ponto de vista construtivo, em estender a rede de condutas de
insuflação à comunicação vertical. A caixa de escada é então pressurizada a partir da câmara
corta-fogo. Tem o inconveniente de inverter a hierarquia de pressões entre a câmara corta-
fogo e a caixa de escada.
O último método referido não é, normalmente, recomendado. É usado quando a
compartimentação interna é excessivamente permeável ao ar não permitindo a criação de
zonas pressurizadas bem individualizadas. Quando é usada deve haver um cuidado especial
na previsão de aberturas de extracção do fumo nos locais incendiados. O desempenho deste
método é bom desde que o posicionamento das aberturas obrigue a que o fluxo de ar circule
sempre do interior do edifício para a zona incendiada e daí para o exterior. Todavia a abertura
de portas noutro local do edifício pode alterar significativamente o equilíbrio de pressões e
alterar o escoamento.
Enquanto a norma BS 5588: Part 4: 1978 prevê o encaminhamento dos fluxos de ar
por meios naturais através das janelas, aberturas de extracção ou condutas, as disposições
legais francesas (Circulaire du 7 Juin 1974) preconizam uma metodologia diferente. São
propostas duas soluções típicas nas quais é sempre prevista extracção mecânica de forma a
colocar o corredor em depressão, reforçando o esquema de hierarquia de pressões. Na
primeira solução é usada insuflação mecânica na caixa de escada, insuflação e extracção
mecânicas nas câmaras corta-fogo e nos corredores. Na segunda solução é usada insuflação
mecânica na caixa de escada e nas câmaras corta-fogo e extracção mecânica nos corredores.
Esta solução é complementada com aberturas, próximas do pavimento, que põem em
comunicação as câmaras corta-fogo e os corredores facilitando o varrimento do corredor.
Os sistemas de controlo de fumo indicados na regulamentação portuguesa são mais
aproximados da concepção francesa.

36
4.3.2 Aberturas de desenfumagem em caminhos de evacuação horizontais

Na investigação desenvolvida no LNEC foi possível avaliar o desempenho das


aberturas de desenfumagem dos caminhos de evacuação horizontais previstos na
regulamentação então aplicável. Essa investigação compreendeu uma vertente experimental e
uma vertente de simulação em computador, cujos resultados permitem ilustrar o desempenho
dessas aberturas. Tendo como referência a regulamentação aplicável à altura do
desenvolvimento desta investigação, o RSIEH (Dec.-Lei 64/90) estabelece, no artº 35º, que,
em edifícios de altura de referência não superior a 28 m, a ventilação das comunicações
horizontais comuns interiores pode ser assegurada por aberturas servidas por condutas. Na
instalação experimental não era possível estabelecer um circuito de condutas similar ao
utilizado nos edifícios de habitação para estes fins; assim, foram dispensadas as condutas, mas
as aberturas de ventilação respeitam dimensionalmente as exigências desse regulamento. O
RSIEH exige, no mesmo artigo, a existência de uma abertura de admissão de ar e outra de
evacuação do fumo por 15 m² de área da comunicação horizontal, sendo posicionadas de
forma a que a circulação de ar entre elas varra todo o espaço a ventilar e fazendo-se a
admissão do ar junto ao piso e a evacuação do fumo junto ao tecto. As áreas mínimas para as
aberturas de entrada de ar exterior e de saída do fumo são, respectivamente, de 0,10 m² e de
0,20 m².
O Regulamento de Segurança contra Incêndio em Edifícios do Tipo Administrativo
(Dec.-Lei 410/98) estabelece, no artº 169º, que o controlo de fumo nas vias horizontais de
evacuação pode ser realizado pelo método da desenfumagem passiva e, no artº 170º, define
que as aberturas para desenfumagem passiva devem ser alternadamente distribuídas, à
distância máxima, medida segundo o eixo da circulação, de 10 m em percursos em linha recta.
Estabelece ainda que as aberturas de entrada de ar não devem ser em número inferior aos das
aberturas destinadas à evacuação do fumo e que qualquer destas aberturas deve ter uma área
livre mínima de 0,1 m² por unidade de passagem, o que no presente caso corresponde a
0,2 m². As aberturas de evacuação do fumo devem situar-se integralmente no terço superior
do pé-direito de referência e a parte inferior deve situar-se acima de 1,80 m do piso. As
aberturas de admissão de ar devem ter sempre a sua parte mais alta a menos de 1 m do piso.
Nos regulamentos aplicáveis a edifícios escolares e a edifícios do tipo hospitalar as exigências
são similares.
Entre os diversos ensaios realizados são relevantes os casos de estudo designados
pelos números 10, 11 e 12. Nestes casos a fonte de calor estava posicionada no centro do
corredor e a ventilação era realizada unicamente pelas aberturas de desenfumagem praticadas
nas paredes laterais (ver quadro II). O dimensionamento da instalação experimental e a
geometria dos casos de estudo procuraram cumprir os limites admissíveis previstos no RSIEH
(Dec.-Lei 64/90), recorrendo, em caso de indefinição, às exigências do RSIETA (Dec.-Lei
37
410/98). Assim a distância entre as aberturas, a área da comunicação horizontal servida por
estas e as respectivas cotas cumprem em simultâneo as exigências de ambos os documentos.
Quanto às áreas das aberturas, sendo as exigências de ambos os documentos diferentes, foi
cumprida no caso de estudo 12 a exigência regulamentar do RSIEH (Dec.-Lei 64/90).
No caso de estudo 11 a área livre das aberturas de ventilação é inferior a essa
exigência regulamentar em 50%. No caso de estudo 10 foram adoptadas as dimensões
máximas dos vãos praticados na alvenaria, correspondendo a um acréscimo de 25% na área
livre da abertura de evacuação do fumo relativamente a essa exigência regulamentar e a um
acréscimo de 125% na abertura de admissão de ar. Esta geometria é a única que satisfaz as
exigências do RSIETA (Dec.-Lei 410/98), sendo as áreas utilizadas superiores apenas em
25% ao limite mínimo.

Quadro II - Casos de estudo relevantes para a desenfumagem de corredores

Caso de Potência calorífica Posição da fonte de calor e das colunas Aberturas de ventilação e
estudo [kW] de termopares em planta posicionamento dos anemómetros
10 +1,8
174,5-2,7 em N N
A E F An

30 min
G H I J K L
N Q R
An

+2,3
220,9 -3,8 em
Caso sobre-ventilado
15 min
11 +0,5
174,3-0,4 em N N
An

30 min
G H I J K L
R An

+0,6
220,7 -0,5 em
Caso sub-ventilado
15 min
12 +0,5
173,8-0,8 em N N
An

30 min
G H I J K L
R An

+0,7
220,0-1,0 em
Ventilação regulamentar
15 min

38
C aso 10 - C oluna H C aso 1 1 - C oluna H
3.0 3.0

2.5 2.5

2.0 2.0

00:10
C ota [m]

C ota [m]
prev 00:10
1.5 1.5
00:30
prev 00:30
01:00
1.0 prev 01:00 1.0
00:10
29:00
00:30
prev 30:00
01:00
0.5 44:00 0.5 29:00
prev 45:00
44:00

0.0 0.0
0 50 100 150 200 250 300 350 400 0 50 100 150 200 250 300 350 400
T em peratura [ ºC ] T emperatura [ºC ]

C aso 12 - C oluna H
3.0

2.5

2.0

00:10
C ota [m]

prev 00:10
1.5 00:30
prev 00:30
01:00
1.0 prev 01:00
29:00
prev 30:00
44:00
0.5
prev 45:00

0.0
0 50 100 150 200 250 300 350 400
T em peratura [ ºC ]

Fig. 24 - Comparação da temperatura na coluna H. Casos 10, 11 e 12.

De entre os diversos valores registados em regime transiente, apresentam-se, a título


de exemplo, as temperaturas medidas pela coluna H (figura 24), situada entre a fonte de calor
e a abertura de admissão (quadro II). As diferenças encontradas entre as temperaturas
máximas atingidas nos casos 10 e 12 são significativas (cerca de 35 K). Com excepção da
zona da fonte de calor, o incremento da temperatura máxima do caso 12 para o caso 11 é
inferior a 20 K. A temperatura máxima da camada fria sofre um acréscimo de cerca de 10 K
do caso 10 para o 12, mas não tem alterações significativas entre os casos 12 e 11. Verifica-se
que, considerando em sucessão os casos 10, 12 e 11, a espessura da zona fria vai sendo
reduzida. Tomando como referência a coluna H, onde a estratificação é mais acentuada, a cota
da parte superior da zona fria é de cerca de 1,2 m no caso 10, 1,0 m no caso 12 e 0,75 m no
caso 11. Esta constatação indicia que a estratificação é perturbada pela alteração das
condições de ventilação.
Este efeito pode ser melhor compreendido através da análise do escoamento previsto
no interior do corredor nos casos 10 e 12 (figura 25). Na previsão do campo de velocidade é
evidente que no caso 12 o escoamento na zona quente do lado da admissão (compreendendo o
jacto de tecto, o escoamento descendente junto das paredes e o escoamento aproximadamente
horizontal em direcção à fonte de calor) tem velocidades um pouco mais elevadas e,
sobretudo, tem menos restrições impostas pela entrada de ar exterior, permitindo que se
desenvolva numa camada horizontal de maior espessura.
Note-se que a redução da área das aberturas de ventilação só influencia a velocidade
do escoamento nessas aberturas na medida em que promove a variação da temperatura interna

39
do corredor, o que por sua vez altera a relação entre a pressão interior e exterior que
determina a velocidade do escoamento. Por esse facto não é estranho que as velocidades de
admissão variem de forma pouco sensível.
Na figura 26 são comparados os campos de temperatura no corredor, sendo clara a
redução da zona fria no caso 12 e o aumento da temperatura da zona quente.
Só no caso 11, em que a ventilação está drasticamente reduzida para metade da área
prevista regulamentarmente (tomando como referência o RSIEH), é que se verifica que existe
uma perda de definição das zonas quente e fria devido a uma atenuação da diferença de
temperatura na interface. As condições de cota da interface e de temperatura máxima da zona
fria estão no limiar da insatisfação. Estes casos mostram a necessidade de adequar a área de
ventilação à previsível potência calorífica que pode ser libertada num cenário de incêndio.
Note-se que a potência de 220 kW não pode ser considerada excessiva para alguns cenários e,
contudo, gera em todos os casos temperaturas insuportáveis na zona quente.

Fig. 25 - Comparação dos campos velocidade no corredor (t = 45 min).


Casos 10 e 12.

40
Fig. 26 - Comparação dos campos de temperatura no corredor (t = 45 min).
Casos 10 e 12.

41
BIBLIOGRAFIA

BS 5588: Part 4: 1978 - Code of practice for fire precautions in the design of buildings.
London: British Standards Institution, 1978.

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CLUZEL, Denis, SARRAT, Pierre e CHARDOT, Paul - Sécurité incendie. Évacuation et


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Désenfumage dans les immeubles de grande hauteur. Circulaire du 7 Juin 1974. Paris: Journal
Officiel, le 31 Juillet 1974.

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ISBN 0 471 90613 1.

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public. Journal Officiel, Paris, le 3 Mars 1982.

LABORATÓRIO NACIONAL DE ENGENHARIA CIVIL (LNEC) – Ensaios de janelas.


Sobre a qualidade da caixilharia de alumínio ensaiada no LNEC. Lisboa: LNEC, 1986.
Relatório 218/86-NCCp.

MINISTÉRIO DA ADMINISTRAÇÃO INTERNA – Decreto-Lei n.º 220/2008. Diário da


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NATIONAL FIRE PROTECTIONASSOCIATION (NFPA) – Guide for smoke and heat


venting. Quincy (USA): NFPA, 1991.

Protection des bâtiments d'habitation contre l'incendie. Arrêté du 31 Janvier 1986, Journal
Officiel, Paris.

42
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recevant du public. Arrêté du 25 Juin 1980, Journal Officiel, Paris.

Regulamento das condições técnicas e de segurança dos recintos de espectáculos e de


divertimentos públicos. Decreto-Lei nº 34/95, Diário da República, I Série (95/12/16).

Regulamento de segurança contra incêndio em edifícios de habitação. Decreto-Lei nº 64/90,


Diário da República, I Série (90/2/21).

Regulamento de segurança contra incêndio em edifícios do tipo hospitalar. Decreto-Lei nº


409/98, Diário da República, I Série-A (98/12/23).

Regulamento de segurança contra incêndio em edifícios do tipo administrativo. Decreto-Lei


nº 410/98, Diário da República, I Série-A (98/12/23).

Regulamento de segurança contra incêndio em edifícios escolares. Decreto-Lei nº 414/98,


Diário da República, I Série-A (98/12/31).

Regulamento de segurança contra incêndio em parques de estacionamento cobertos. Decreto-


Lei nº 66/95, Diário da República, I Série-A (95/4/8).

Regulamento técnico de segurança contra incêndio em edifícios. Portaria 1532/2008, Diário


da República, I Série-A (2008-12-29).

SOCIETY OF FIRE PROTECTION ENGINEERS e NATIONAL FIRE PROTECTION


ASSOCIATION (SFPE/NFPA) – The SFPE handbook of fire protection engineering. Quincy
(USA): SFPE/NFPA, 1988.

TEWARSON, A. – Generation of heat and cgemical compounds in fires. The SFPE


handbook of fire protection engineering. 1988: National Fire Protection Association, Quincy.

VIEGAS, João Carlos – Controlo de fumos em edifícios dos tipos administrativo, hospitalar e
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VIEGAS, João Carlos – Desenfumagem de edifícios por meios passivos. Lisboa: revista O
Instalador, nº 36 (Abril 1999), nº 37 (Maio 1999) e nº 38 (Junho 1999).

43
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fumos. Lisboa: Laboratório Nacional de Engenharia Civil, 1994. (Relatório 12/94-NCCp).

VIEGAS, João Carlos – Segurança contra incêndios em edifícios. Modelação matemática de


incêndios e validação experimental. Lisboa: Instituto Superior Técnico, 1999. Tese de
doutoramento.

44
ÍNDICE GERAL

Pág.
1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................................................. 2

2 ACÇÕES QUE PROMOVEM O MOVIMENTO DO FUMO ................................................................. 4


2.1 IMPULSÃO ................................................................................................................................................ 4
2.2 EFEITO DE CHAMINÉ................................................................................................................................. 6
2.3 EXPANSÃO TÉRMICA ................................................................................................................................ 6
2.4 ACÇÃO DO VENTO .................................................................................................................................... 8
2.5 SISTEMAS DE VENTILAÇÃO E DE AR CONDICIONADO ................................................................................ 9
3 TÉCNICAS DE CONTROLO DE FUMO ............................................................................................... 10
3.1 GENERALIDADES.................................................................................................................................... 10
3.2 VARRIMENTO ......................................................................................................................................... 10
3.3 HIERARQUIA DE PRESSÕES ..................................................................................................................... 11
4 SISTEMAS DE CONTROLO DE FUMO ................................................................................................ 13
4.1 LOCAIS AMPLOS ..................................................................................................................................... 13
4.1.1 Locais amplos de grande pé-direito .............................................................................................. 13
4.1.2 Locais amplos de reduzido pé-direito ........................................................................................... 23
4.2 LOCAIS DE DIMENSÕES MÉDIAS .............................................................................................................. 24
4.2.1 Recomendações técnicas ............................................................................................................... 24
4.2.2 Ventilação assegurada por uma janela......................................................................................... 29
4.3 VIAS DE COMUNICAÇÃO ......................................................................................................................... 31
4.3.1 Recomendações técnicas ............................................................................................................... 31
4.3.2 Aberturas de desenfumagem em caminhos de evacuação horizontais.......................................... 37
BIBLIOGRAFIA................................................................................................................................................. 42

45

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