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Universidade Federal do Paraná

Setor de Tecnologia
Departamento de Hidráulica e Saneamento
Curso: Engenharia Civil
Disciplina: TH030 - Sistemas Prediais Hidráulicos Sanitários – TURMA D

Instalação de Água fria - GABARITO

Uma instalação de água fria deve ser projetada para um edifício residencial de luxo, com 1 apartamento por andar,
do 1º ao 4º pavimento. O projeto deve prever um sistema constituído por reservatório inferior e elevatória para
elevar a água até o reservatório superior e a partir deste distribuir a água em 2 colunas, conforme apresentado no
esquema geral da figura a seguir. A coluna 1 deve ser interligada a 4 banheiros do tipo apresentado no desenho
isométrico (1 chuveiro tipo ducha, 1 ducha higiênica, 1 válvula de descarga e um lavatório), também apresentado a
seguir, conectando o ponto 8 deste aos pontos D, E, F e G do esquema. A coluna 2 deve alimentar as cozinhas e as
áreas de serviço dos apartamentos, com instalação de uma pia (torneira ou misturador), um tanque de lavar roupas e
uma lavadora de roupas. Considerando tubos de PVC, pede-se determinar:

a) As vazões e os diâmetros dos sub-ramais e ramais da instalação de água fria do banheiro mostrado no desenho
isométrico.
b) As vazões, diâmetros e pressões na coluna 1.
c) As vazões, diâmetros e pressões na coluna 2 (a jusante das derivações, sem detalhar internamente a cozinha).
d) A pressão máxima estática na tubulação interligada à coluna 1, com a localização de onde ocorre.
e) A pressão mínima dinâmica na tubulação interligada à coluna 1, com a localização de onde ocorre.
f) Substitua as válvulas de descarga por um sistema de caixa de descarga. Que alterações ocorrem no
dimensionamento?

Adote: peso da ducha higiênica igual a 0,4. Observe que na saída da caixa d’água existe, além de outras conexões,
um joelho de 90º. Pode-se utilizar o registro de pressão (Figura) como sendo um registro de globo aberto.
Considere as conexões por trecho, até a última conexão do trecho (p. ex. um Tê de passagem lateral) para efetuar a
perda de carga (ver explicação na folha em anexo). Na planilha, o somatório da perda de carga referente ao trecho
será calculada de forma a exercer a perda de carga ao trecho seguinte em função de todas as conexões existentes.
SOLUÇÃO:

(a) As vazões e os diâmetros dos sub-ramais e ramais da instalação de água fria do banheiro mostrado no desenho
isométrico

Etapas de solução:

Determinar os pesos de cada peça a partir da Tabela 03, calcular a respectiva vazão com pela equação específica (ou valor
tabela na Tabela 03 do material: diferença mínima) → Determinar o diâmetro de cada sub-ramal pela Tabela 06 em função da
peça que está conectada → Para cada trecho de ramal, verificar quais peças estão ligadas e fazer o respectivo somatório dos
pesos → Calcular a vazão pela equação específica → Determinar o diâmetro pelo Nomograma através do somatório dos
pesos ou das vazões → Verificar se não houve “afunilamento” de tubulação no sentido contrário ao do escoamento.

Resultado dimensionamento dos sub-ramais:


Trecho (isométrico) Peças Pesos Vazão (L/s) → √∑ Diâmetro (mm)
1-3 1 chuveiro tipo ducha 0,4 0,19 20
2-3 1 ducha higiênica 0,4 0,19 20
4-5 1 válvula de descarga 32 1,7 40
6-7 1 lavatório 0,3 0,16 20

Resultado dimensionamento dos ramais:


Trecho Ramal Trechos interligados Pesos Vazão (L/s) → √∑ Diâmetro (mm)
3-5 (1-3) + (2-3) ΣP=0,4+0,4=0,8 0,27 20
5-7 (3-5) + (4-5) ΣP=0,8+ 32=32,8 1,72 40
7-8 (5-7) + (6-7) ΣP=32,8+0,3=33,1 1,73 40

(b) As vazões, diâmetros e pressões na coluna 1

Etapas de solução:

Organizar uma tabela com separação dos respectivos trechos e determinar o somatório do peso que cada trecho deverá
suportar → Determinar a vazão de cada trecho pela equação e o diâmetro da tubulação pelo Nomograma → Calcular a
velocidade de escoamento de cada trecho e comparar com os valores máximos em função do diâmetro (Tabela 05) →
Calcular a soma entre o comprimento real de cada trecho (tubulação) e o comprimento equivalente estimado a partir das
conexões existentes em cada trecho (Utilizar a tabela/figura referente a PVC para encontrar os comprimentos equivalentes das
conexões em função do diâmetro em cada caso) → Determinar a pressão estática disponível (observar que para a situação
crítica em funcionamento, ou seja, com as perdas de carga no sistema, é interessante o nível mínimo do reservatório) →
Calcular a perda de carga unitária (J) pela equação de Fair-Whippe-Hisao para PVC → Calcular a perda de carga em cada
trecho (multiplicação do comprimento total pelo J) → Fazer o somatório da perda de carga nos trechos (sentido de montante
para jusante) → Determinar a pressão disponível pela diferença entre a pressão estática e o Σ da perda de carga.

Resultado dimensionamento para a coluna 1:


Comprimento (m) Pressão Perda de carga Pressão
Σ Q
Trecho D (mm) V (m/s) * estática disponivel
Pesos (L/s) Real Eq. Total J (m/m) hp (mca) Σhp (mca)
(mca) (mca)
AB/BC(a) 132,4 3,45 50 1,76 14 18,5 32,5 6,0 (c) 0,065 (d) 2,10 2,10 3,90
C-D 132,4 3,45 50 1,76 3,5 7,6 11,1 9,5 0,065 0,72 2,82 6,68
D-E 99,3 2,99 50 1,52 3,5 7,6 11,1 13 0,050 0,56 3,38 9,62
E-F 66,2 2,44 40(b) 1,94 3,5 7,3 10,8 16,5 0,102 1,10 4,48 12,02
F-G 33,1 1,73 40 1,37 3,5 3,2 6,7 20 0,055 0,37 4,85 15,15

(a) Considerei para simplificação o trecho do barrilete como sendo de A até C


(b) Não considerei aqui a “margem de segurança”. Se não atender ao limite máximo da velocidade, podemos aumentar o diâmetro. Mas,
inicialmente, é melhor fazer pelo critério econômico da tubulação.
(c) Cálculo para a pior condição possível, que seria o nível mínimo no reservatório. Para a estimativa da pressão estática máxima,

consideraríamos o nível máximo do reservatório (com um acréscimo de 1,5 m pelo isométrico da figura).
(d) Resultou em um valor menor que 0,08 m/m (valor máximo no método de Hunter para o barrilete), assim, o cálculo está OK.

*Resultado dimensionamento para a coluna 1: cálculo dos comprimentos equivalentes nos trechos

Trecho DN (mm) Conexões Comprimento Equivalente


(m)
A-B/B-C 50 1 saída de canalização 3,3
2 registros de gaveta 2 x 0,8
1 Tê saída bilateral 7,6
2 joelhos de 90º (a) 2 x 3,4
Σ = 18,5

C-D 50 1 Tê saída lateral 7,6


D-E 50 1 Tê saída lateral (b) 7,6
E-F 40 1 Tê saída lateral 7,3
F-G 40 1 Joelho 90º 3,2
(a) Tem um joelho de 90º na saída do reservatório (ver figura auxiliar no exercício)
(b) Desconsiderei a redução nesse caso.

(c) As vazões, diâmetros e pressões na coluna 2 (a jusante das derivações, sem detalhar internamente a cozinha)

Etapas de solução:

Mesma sequência de cálculos realizados no item(b), mas levando em consideração o somatório dos pesos das peças de cada
cozinha.

Peso das peças na cozinha (Tabela 3 do material):


Pia de cozinha = 0,70
Tanque de lavar roupas = 0,70
Lavadora de roupas = 1,00
Somatório: ΣP = 2,40

Resultado dimensionamento para a coluna 1:


Comprimento (m) Pressão Perda de carga Pressão
Σ Q
Trecho D (mm) V (m/s) * estática disponivel
Pesos (L/s) Real Eq. Total J (m/m) hp (mca) Σhp (mca)
(mca) (mca)
AB/BC(a) 9.6 0.93 32 1.16 14(c) 10.8 24.8 6 0.054 1.34 1.34 4.66
C-D 9.6 0.93 32 1.16 3,5 4.6 8.1 9.5 0.054 0.44 1.78 7.72
D-E 7.2 0.80 32 1.00 3,5 4.6 8.1 13 0.042 0.34 2.12 10.88
E-F 4.8 0.66 25 1,34 3,5 3.1 6.6 16.5 0.095 0.63 2.75 13.75
F-G 2.4 0.46 25 0.95 3,5 1.5 5 20 0.052 0.26 3.01 16.99
(a) Utilizei, para facilitar, o mesmo código de letras para os respectivos trechos da coluna 2.
(b) Considerei as mesmas distâncias da coluna 1 já que a figura não apresentou valores específicos para a coluna 2.

*Resultado dimensionamento para a coluna 1: cálculo dos comprimentos equivalentes nos trechos

Trecho DN (mm) Conexões Comprimento Equivalente


(m)
A-B/B-C 32 1 saída de canalização 1,4
2 registros de gaveta 2 x 0,4
1 Tê saída bilateral 4,6
2 joelhos de 90º (a) 2 x 2,0
Σ =10.8
C-D 32 1 Tê saída lateral 4,6
D-E 32 1 Tê saída lateral 4,6
E-F 25 1 Tê saída lateral (b) 3,1
F-G 25 1 Joelho 90º 1,5
(a) Tem um joelho de 90º na saída do reservatório (ver figura auxiliar no exercício)
(b) Desconsiderei a redução nesse caso.

(d) A pressão máxima estática na tubulação interligada à coluna 1, com a localização de onde ocorre

A pressão máxima estática (sem o escoamento, ou seja, sem as perdas de carga no sistema), irá ocorrer com o nível de água
máximo no reservatório e no ponto mais baixo da rede predial, ou seja, no banheiro do primeiro pavimento, sendo a ducha
higiênica a conexão com a menor altura relativa ao piso. Assim, a pressão máxima estática será o somatório das alturas
geométricas até esse ponto de abastecimento, considerando o reservatório no seu nível máximo.

Alturas geométricas: 1,5 + 6,0 + 3,5 + 3,5 + 3,5 + 3,5 + (2,0 – 0,2) = 23,3 mca

(e) A pressão mínima dinâmica na tubulação interligada à coluna 1, com a localização de onde ocorre

A pressão mínima dinâmica irá ocorrer com o nível mínimo do reservatório, no ponto mais alto de distribuição da rede, ou
seja, no último pavimento e para a peça de uso mais restritivo (que exige a maior pressão, como no caso o chuveiro), para a
condição em que existe o escoamento, ou seja, considerando as perdas de carga no sistema. No item (b) foram calculadas as
perdas de cargas para as colunas, restando, neste caso, efetuar o mesmo cálculo internamente no banheiro, ou seja, até o ponto
de distribuição do chuveiro. O desenho não é muito explicativo quanto às alturas e distâncias (!), portanto fiz um desenho
esquemático do que eu interpretei (percebam que acaba que o comprimento da tubulação do trecho 7-8 fornecido não é
adequado para essa consideração). A pressão mínima dinâmica no chuveiro, considerando estas etapas de cálculo, de 4,69 m.

Trecho 8-7: 6,0 + 3,5 + 1,1 = 10,6


Trecho 7-5: 6,0 + 3,5 + 1,2 = 10,7
Trecho 5-3: 6,0 + 3,5 + 1,2 = 10,7
Trecho 3-1: 6,0 + 3,5 - 0,2 = 9,3

Resultado:
Comprimento (m) Pressão Perda de carga Pressão
Σ Q
Trecho D (mm) V (m/s) * estática disponivel
Pesos (L/s) Real Eq. Total J (m/m) hp (mca) Σhp (mca)
(mca) (mca)
AB/BC(a) 132,4 3,45 50 1,76 14 18,5 32,5 6,0 0,065 2,10 2,10 3,90
C-D (a) 132,4 3,45 50 1,76 3,5 7,6 11,1 9,5 0,065 0,72 2,82 6,68
8-7 33.1 1.73 40 1.37 0.8 11.2 12 10.6 0.055 0.67 3.48 (b) 7.12
7-5 32.8 1.72 40 1.37 0.1 7.3 7.4 10.7 0.055 0.41 3.89 6.81
5-3 0.8 0.27 20 0.85 0.6 2.4 3 10.7 0.057 0.17 4.06 6.64
3-1 0.4 0.19 20 0.60 2.6 15 17.6 9.3 0.031 0.55 4.61 4.69

(a) Calculado no item b – as perdas de carga nesse trecho impactam a pressão disponível para dentro do banheiro do 4º pavimento
(b) Atenção: aqui somei as perdas de carga entre o reservatório até o ponto D!
* Comprimento equivalente nos trechos internos do banheiro:

Trecho DN (mm) Conexões Comprimento Equivalente


(m)
40 1 registros de gaveta 0,7
1 Tê saída lateral 7,3
joelhos de 90º 3,2
8-7 Σ =11,2
7-5 40 1 Tê saída lateral 7,3
5-3 20 (a) 1 Tê saída lateral 42,4
20 3 joelhos de 90º (b) 3 x 1,2
1 registo de globo aberto 11,4
3-1 Σ =15
(a) Novamente, desconsiderei a redução neste caso.
(b) Considerando o desenho neste caso

(f) Substitua as válvulas de descarga por um sistema de caixa de descarga. Que alterações ocorrem no
dimensionamento?

De uma maneira geral, esta substituição irá diminuir sensivelmente o somatório dos pesos que a tubulação dos ramais e da
própria coluna deverá suportar. Assim, essa substituição irá conduzir a um diâmetro menor de tubulação e a novas perdas de
carga no sistema (função do diâmetro das conexões).
Esquema geral da instalação de água fria:

Isométrico da instalação de água fria do banheiro:

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