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1.

IDENTIFICAÇÃO

Nome do Projeto: “Afuxé Epa Rei”


Tipo de oficina: Danças Afro
Duração das oficinas: 04 horas semanais.
Local de aulas: Ile Axé Adjiebowaba, Núcleo de cultura afro e desenvolvimento de projetos da
Casa do Rei e Afro Bere e, Rua Carvalho Nogueira, n° 2598.
Canindezinho, Fortaleza-Ce,
Período: iniciando em 1° de Agosto a 18 de novembro.

2. FICHA TÉCNICA

Quantidade Função Componentes


01 Coordenador Linconly Jesus Alencar Pereira
02 Instrutor de dança Wellington Calaça
01 Instrutor de dança Lucineide Almeida de Oliveira
Lu Úndè
01 Instrutor em percussão Virgilio Manoel Bonfim

2. APRESENTAÇÃO

A dança para os afro-descendentes tem uma função religiosa e profana, através do canto e da dança
coletiva, os negros mantiveram sua cultura, união e identidade, de expressões esteticamente ricas e
complexas.

A mãe África é o berço de todos os ritmos!

Um dos aspectos mais importantes a ser notado na dança afro-brasileira é que ela é uníssona,
coletiva, portanto (afuxé, rodas de samba, capoeira, escolas de samba, candomblé, etc.). Isto é
uma herança dos quilombos onde a dança/canto tinha a função de unir para formar força, melodias
eram adaptadas para se adequarem a situações adversas e camufladoras, em códigos rítmicos e
estratégia de guerra; o canto coletivo tinha o efeito de fazer com que todos entendessem as mesmas
coisas a partir de uma idéia.

A importância da dança afro é tão grande, que a mesma adquire status nas comunidades,
integrando-se à vida e as atividades diárias, músicas cantantes, instrumentais e dançantes são,
geralmente, inseparáveis do trabalho do afro-descendentes.

Danças, cânticos e ritmos de influência afro-brasileira (expressões urbanas dos grandes centros),
que estão em constantes transformações, diluições e re-transformações através da “indústria
cultural”, interna e externa; internas são: o axé music, forrós, maracatus, trios elétricos de Recife,
etc.

As expressões de influência afro externas, são: o reggae, break, funk e mais uma infinidade de
títulos no idioma inglês que nomeiam os chamados sons das gangues dos agrupamentos afro norte
americanos. Tudo isso é muito importante, porque significa para os afro-descendentes do mundo
inteiro a reflexão em torno das suas origens africanas.

O afuxé tem origem semelhante á do maracatu, com base africana, com traços sagrados, seria o
sagrado participando do profano no carnaval, porque o afuxé é uma obrigação religiosa que os
membros dos candomblés, principalmente os de origem jejos-nagôs, terão que cumprir, cuja saída
no período momístico será feita “nem que seja por perto do terreiro”.

Trajes de cetins e arminhos em profusão, negras de penachos empunhando arco e flecha, de mistura
com as filhinhas de santos na sua indumentária, típicas saias rodadas e brancas, blusas rendadas,
panos de costa, turbantes, colares e contas. Conduzem cinco símbolos sagrados: o estandarte
vermelho onde recebem as espórtulas (notas em cruzeiros) que ali vão sendo pregadas com
alfinetes; Babalotim (boneca negra nagô com um colar de contas brancas, muito bem vistas). Esta
boneca é importante para o afoxé.

A Barbalotim tem a sua e efígie bordada no estandarte.

O Afuxé em conclusão é um candomblé adequado ao carnaval iniciando com um sacrifício, um


despacho para que Exu, pedindo para que ele não interrompa as festividades carnavalescas, quando,
no centro do terreiro está o que ele mais aprecia: farofa com azeite de dendê (padê de Exu). Em
alguns afuxés isolam um bode para Obaluae.

O padê de Exu se encontra entre os principais elementos do afoxé, cantando,tocando o instrumental


sagrado até que vem orixá e tome uma das f ilhas de santo. Canta-se e os participantes respondem
as cantigas de candomblé.

O grupo Afro Bèré, Associação Cultural Casa do Rei, o Ile Axé, Adjebowaba (Casa de Orixá),
Instituições de movimentos sócio-culturais com repercussão em divulgar e desenvolver as culturas
afro-brasileiras, gerando novos comportamentos e formas próprias de expressão.

3.OBJETIVOS

A iniciativa em fundar um bloco de afoxé trazendo uma proposta estética inédita em Fortaleza, com
roupa cabelos e com ritmo inovador, responsável pelo advento de uma nova musicalidade das
nações africanas, para levar as ruas durante o carnaval com temas da historia do Brasil e do povo
negro.

O objetivo é preservar, valorizar e expandir a cultura afro-brasileira e sua ancestralidade africana,


com atuação também durante todo o ano como agente na promoção de atividades fundamentadas
em valores de educação, cultura, civilidade e cidadania, para exaltar a igualdade entre os seres
humanos, visando agregar aos afros descendentes na luta contra o racismo e suas diversas formas de
discriminação, e desenvolvendo projetos carnavalescos, sócio-políticos, culturais e educacionais.
Resgatando a alto-estima e elevando-a em nível de consciência crítica. Associando lazer, arte e
cultura, sempre com o objetivo de valorizar as raízes culturais, estéticas e religiosas de nações e
povos africanos.

4. JUSTIFICATIVA

Os grupos afros refletem o que há de melhor em torno do objetivo de preservar as manifestações


culturais originárias da África. Essas manifestações estão profundamente plantadas na alma
brasileira.
Promovendo e estimulando adolescentes, jovens e mulheres em situação de risco ou jovens com
pretensão profissional para as danças afro.

Vemos que ao longo da história do nosso país sobressaiu um evidente descaso para com a melhoria
de vida e inclusão social do segmento afro descendente. Essa negligência encontrou eco na
propalada democracia racial, no discurso de “aprofundado grau de miscigenação” de nosso povo de
modo a não ser salutar os estudos das desigualdades raciais. Consequentemente tivemos a não
efetivação de medidas econômicas e sociais de combate à exclusão social dos afro-descendentes,
numa situação complicada de tolhimento do processo de mobilidade social.

5. FUNÇÃO: Difusão cultural e formação artística através de oficinas:

O presente projeto da “Afuxé Epa Hei”, têm a proposta de um trabalho sócio-educativo a ser
desenvolvido pelos Grupos Afro Bérè e Casa do Rei na cidade de Fortaleza. Vale ressaltar que
contará com uma equipe técnica formada em produção de dança, no período de 4(Quatro) meses.

No contexto da sociedade cearense, através da preservação das raízes afro-brasileira, incentivando a


formação artística dos membros para atuarem na área de danças afro.

Acrescido a este trabalho sócio-educativo, a formação profissional em dança servirá como parte
significativa no que garante a complementaridade nas apresentações de espetáculos artísticos
culturais. Este trabalho tem como objetivo preservar as raízes africanas, para promover a dignidade
sociocultural dos afro-descendentes.

Os resultados destas técnicas serão apresentados em seminários, feiras, exposições, shows, etc.
Esses eventos são para socializar e divulgar as raízes da cultura afro-brasileira, não só no Estado,
mas a nível nacional e internacional.

Técnicas essas que tem como finalidade gerar renda nas áreas das artes, educação, turismo e lazer.
O trabalho vem no sentido de captar a potencialidade dos afro-descendentes.

6. HISTÓRICO DOS GRUPOS

O Grupo Afro Bérè foi criado em 22 de fevereiro de 2000, em homenagem às mulheres que
defenderam com dignidade e coragem a liberdade no Quilombo de Palmares. O Afro Bérè entende a
premente urgência de transformar a realidade de injustiça social em que se encontra, hoje, o povo
brasileiro, o povo pobre, índio, e negro.
Afro Bérè significa em Ioruba “Título de dignidade entre as mulheres”.

O Afro Bérè, como um grupo étnico, cultural, político social, tem como finalidade preservar as
raízes culturais e educativas, promovendo a valorização, dignidade e auto-estima da mulher que se
identifica com a comunidade afro, preparando-a para enfrentar o complexo problema de uma
sociedade multirracial.

Entende-se como um grupo de mulheres que trabalha para o reencontro de uma nova mulher, sem
medo e com a percepção de seu corpo, como meio de expressão, elo de amor entre os sons e os
movimentos do universo afro, facilitando a reapropriação dos símbolos culturais construtores da
identidade e, restabelecendo assim, o compromisso da negritude com o prazer de existir e ser feliz.
Esse trabalho de construção e resgate acontece através da estética, da música, dos rituais, da dança,
consciência e expressão corporal e principalmente com o conhecimento da história que a classe
dominante ocultou e tentou sepultar.

Desde fevereiro de 2000, quando recebeu a denominação jurídica, iniciou com ênfase na
divulgação da cultura afro brasileira, e vem produzindo trabalhos artísticos que se apresentaram
para Fundação Palmares no SESC de Iparana em Fortaleza, Universidade Federal, UECE, Teatro
José de Alencar, no Centro Cultural Dragão do Mar e Banco do Nordeste, com o show “Beleza
Negra, Ritmos de uma Cultura”, projeto aprovado pela Lei Jereissati, e apoio da COELCE, que vem
se acontecendo até hoje.

A Associação de Cultura Afro-Brasileira Casa do Rei foi fundada no ano 2000 por professores
da rede pública e privada do estado do Ceará preocupados com a situação sócio–econômica de seus
alunos situados na maioria no bairro Bom Sucesso e adjacências. O referido bairro conta com cerca
de 37 mil habitantes e tem sido considerado uma transição entre o Centro de Fortaleza e o bairro
Conjunto Ceará e com uma grande áreas considerada de risco nas extremidades do bairro cortado
por um rio chamado Maranguapinho, que exige atenção por parte do poder publico.

A Associação de Cultura Afro-Brasileira Casa do Rei desenvolve um trabalho sócio-educativo


com atividades que buscam a promoção da igualdade racial, o desenvolvimento de políticas
afirmativas, na conscientizando de seus moradores (adolescentes e mulheres chefes de família) do
seu papel ativo na sociedade, tendo em vista o alto índice de discriminação étnica, social e de
gênero a que essas pessoas são submetidas. Dessa maneira visamos orientá-los, capacitando-os para
o cooperativismo, viabilizando a geração de emprego e renda para a comunidade.

Temos como preocupação promover o desenvolvimento humano sustentável buscando a eliminação


de todas as formas de discriminação e violência. Nossa missão está ligada a princípios éticos da
igualdade, equidade e justiça, na promoção da qualidade de vida e no respeito aos direitos humanos
e reprodutivos, com ênfase ao estudo da cultura de matriz africana.

7.0 METODOLOGIA DE TRABALHO

As oficinas de danças e expressão corporal propõem um estudo que possibilite conhecimento de


danças afro-brasileira e o contato com jogos dramáticos, exercícios de expressão corporal, aliados a
movimentos de dança onde o corpo é a fonte e o meio de expressão corporal possibilita ao
dançarino descobrir novas formas de expressão em que o elemento dramático mais forte é a força e
energia dos movimentos do corpo, minuciosamente estudados, valorizando detalhes pouco
explorados na dança convencional, realista com bases nos movimentos de expressão afro.

No trabalho da oficina procura-se fazer uma aproximação da dinâmica natural dos movimentos, na
expectativa de conscientizar a respeito do próprio corpo. Colocando-se em sintonia com estudos de
dança afro-contemporânea onde qualquer movimento é valorizado.

Procura-se, nos exercícios, acordar a musculatura adormecida para que seja utilizada de forma
expressiva, a critério do dançarino.

Cada técnica de movimentos corporais possibilitam relaxar e sensibilizar o aparelho físico-


sensorial, trabalhando a capacidade de esforço através de auto-percepção, desta forma chegando ao
desenvolvimento consciente dos movimentos.
Em paralelo às atividades de dança trabalharemos com percussão como o intuito de buscar uma
maior aproximação dos trabalhos com ritmos e toques. Abordando na parte de pesquisa um pouco
do histórico das danças e instrumentos, suas origens, técnicas de toques que se faz presente na nossa
vida artística e cultural.

7.1-ETAPAS DE TRABALHO

 Seleção de pessoal

 Aquecimento e prática de exercícios:


-Relaxamento e respiração
-Descondicionamento
-Alongamento
-Equilíbrio e sustentação
-Coordenação e Ritmo

 Dinâmica de Grupo
-Utilização do Espaço
-Jogos de Observação
-Concentração

 Pesquisas de danças afro religiosas (instrutores/alunos)

 Intercâmbio com outros grupos afros

 Coreografia:
-Expressão corporal
-Ritmos
-Criatividade e desinibição
-Estudo e Pesquisa de Estilo Coreográficos
-Pesquisa e construção de frases corporais

7.2 CRONOGRAMA DE ATIVIDADES

ATIVIDADES JULHO AGOSTO SETEMBRO OUTUBRO NOVEMBRO


2006 2006 2006 2006 2006
Seleção de pessoal X
Trabalhos de corpo X X
para dança
Pesquisas de X X X
danças afro
religiosas
(instrutores/alunos)
Intercâmbio com X X
outros grupos afros
Construção de X X X
coreografias
8. ORÇAMENTO RECURSOS MATERIAIS:

Instrumentos Quantidade Unitário Total


Atabaques / peles 3/3 500,00 / 150,00 1.950,00
Surdos 8 250,00 2.000,00
Tampam Africano 4 200,00 800,00
Berimbau 2 35,00 70,00
Triângulo 4 15,00 60,00
Ganza 4 20,00 80,00
Afuxé 4 40,00 160,00
Caxixi 2 10,00 20,00
Agogô 4 25,00 100,00
Sapatilhas 40 20,00 800,00
Camisetas 100 10,00 1.000,00
Caixa 4 150,00 600,00
TOTAL R$ 7.640,00

9. RECURSOS HUMANOS:

Quantidade Discriminação mensal


01 Coordenador 1.000,00
02 Instrutor de dança 600,00
01 Instrutor em percussão 300,00
R$ 1.900,00

10. ORÇAMENTO GERAL

PROGRAMA DE DESPESAS VALOR R$


1. Equipe Técnica (RH) 9.500,00
2. Aquisição de Instrumentos (RM) 7.040,00
3. Lanches 4.800,00
4. Transporte 2.560,00
5. Divulgação e Produção das Oficinas 2.000,00
TOTAL 25.900,00

10. CRONOGRAMA DE DESEMBOLSO:

PROGRA- JULHO AGOSTO SETEMBRO OUTUBRO NOVEMBRO


MA DE 2006 2006 2006 2006 2006
DESPESAS
1. Equipe 1.900,00 1.900,00 1.900,00 1.900,00 1.900,00
(05)
2. Instrumen- 7.040,00
tos
3. Lanches 960,00 960,00 960,00 960,00 960,00
4. Transporte 512,00 512,00 512,00 512,00 512,00
5. 2.000,00
Divulgação e
Produção das
Oficinas
TOTAL 12.412,00 3.372,00 3.372,00 3.372,00 3.372,00

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