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FACULDADE DEHONIANA

Disciplina: Liturgia I
Professor: Pe. João Carlos Almeida
Aluno: Thiago Santos Souza
Data: 18/06/2019

Resenha

Referência Bibliográfica: CNBB. Animação da Vida Litúrgica no Brasil. Documentos


da 43. São Paulo: Paulinas, 1989.

Descrição da estrutura da obra:

O texto do referido documento foi escrito de forma dissertativa e argumentativa,


tendo em sua estrutura metodológica uma Introdução; doze capítulos, divididos em
duas partes, sendo 10 capítulos na primeira e 2 capítulos na segunda; e uma
observação final.

Apresentação da obra:

O texto apresentado neste documento refere-se a continuidade de um trabalho


desenvolvido feito pela Dimensão Litúrgica da CNBB, após a celebração dos vinte anos
de promulgação da Sacrosanctum Concillium, tendo como objetivo geral apresentar os
elementos necessários para o desenvolvimento sólido de uma Pastoral Litúrgica.
Para isso, em seu conteúdo, nos 12 capítulos do livro a CNBB aborda como fio
condutor o tema da animação da vida litúrgica, salientando a importância de uma
adequada formação pastoral para a vivência primaz da Liturgia.

Descrição do conteúdo da obra:

Incialmente o texto apresenta uma análise retrospectiva das décadas entre 60 e


80, destacando os fatos mais importantes que demarcaram um verdadeiro processo de
renovação da Liturgia. Tal processo inicia-se com significativas mudanças no estilo das
celebrações que passam a ter um caráter mais próximo com o povo, não só no que se
refere a comunicação (com o uso só do vernáculo), mas também na postura do
celebrante (agora face a face com o povo). Além disso também são inseridos novos
instrumentos musicais e cantos em língua popular.
A igreja neste tempo se abre para alcançar sua dimensão social e da vida
litúrgica, porém essa abertura acaba permitindo brechas para que se instale certo
popularismo dentro da liturgia em detrimento da liturgia oficial.
Também neste período criam-se cursos e encontros de liturgia, mesmo assim,
através de estudos, avaliações e pesquisas descobre-se que era muito incipente a
formação para liturgia não só no meio clerical, desde o seminário até a formação
permanente; como também dentre o povo, ao qual falta evangelização, catequese
completa e experiência fecunda de vida comunitária.
Fundamentando a necessidade de discorrer sobre os temas dos capítulos
seguintes a serem apresentados, o texto conclui o capitulo inicial trazendo os grandes
desafios identificados nesta época para uma maior animação da vida litúrgica, sendo
eles: a participação da assembleia; importância da criatividade e adaptação; caráter
urbano-industrial da civilização; Importância da palavra de Deus; Melhor uso do ano
litúrgico; vivência mais madura da piedade popular; revisão da aculturação e
inculturação.
A capacidade de celebração é uma atitude humana muito utilizada para a
rememoração de momentos especiais da vida pessoal, familiar e social. No âmbito
religioso essa capacidade ganha sentido ainda maior por causa do objeto princial do
qual se celebra que, na liturgia, refere-se ao Mistério pascal de Cristo. Em cada
celebração, com a ajuda do Espírito Santo, rememoramos o plano salvívico de Deus
concluído com a kenosis e a doxa de Jesus, atualizando no presente este passado
redentor.
O povo de Deus que historicamente se caracteriza pela diversidade, seja no
âmbito individual, familiar ou social, também constituem-se sujeitos da celebração.
Estes são chamados a se somarem aos bispos, presbíteros e diáconos a compor a
celebração, constribuindo sempre que necessários nos ministérios que lhe são
cabíveis, tais como: leitor, acólito, orações litúrgicas, ministério extraordinário da
Eucaristia, etc. Logo, a participação de toda a igreja (em seus diversos membros e
ministérios) torna concreta a igreja Ministerial, assim como a presença e participação
dos fiéis nas celebrações tornam visíveis uma igreja viva em ação.
Na liturgia existe duas dimensões que fundamentam o exercício do sacerdócio
de Cristo, a saber: a glorificação de Deus e a santificação da humanidade. Com base
nisso, a celebração em comunidade deveinspirar uma necessária evangelização do
Mundo. Neste intervalo observa-se alguns aspectos relevantes que precisam ser
evidenciados: Memorial; glorificação da trindadade; ação de graças; suplica e
intercessão; pedido de perdão; compromisso; e escatologia.
Além disso, o documento apresenta alguns elementos e formas do culto cristão.
Dentre os elementos, destaca-se as pessoas que compõe a assembleia litúrgica, sendo
elas muito importantes, porém devendo haver o cuidado para sua participação não
tomar forma de reuniões, congressos e teatros; a importância da palavra de Deus, à
qual deve ser usada e tratada com o devido zelo; a estética litúrgica, na busca por
excelência no cuidado com as características locais da igreja (arquitetura, som e
iluminação) bem como com os objetos e paramentos litúrgicos; gestos, símbolos e
sinais enriquecem e aperfeiçoa a beleza que a priori já existe na celebração do
Mistério Pascal de Cristo.
Já as formas de culto citadas no texto referem-se aos sacramentos (Batismo,
Eucaristia, Crisma, Reconciliação, Ordem, Matrimônio, Unção dos Enfermos; as
celebrações na ausência do presbítero; aos sacramentais e as orações comunitárias
(liturgia das horas, devoções, rosário, novenas, etc)
Ainda, destca-se no presente trabalho a importância da Adaptação e Criatividade
no desenvolvimento de uma pastoral litúrgica, uma vez que foi identificado que faz
parte da animação da vida litúrgica a busca por encarnar as celebrações a vida das
pessoas, tornando-as mais próxima, atraente, espontânea e popular.
Levando-se em conta que o objetivo da Liturgia é também comunicar ao homem
a sua salvação conquistada por Jesus e a necessidade de configurar sua vida a vida de
Cristo, como um verdadeiro louvor e glorificação a Deus.
Sendo assim o documento esclarece que a adaptação que se incentiva refere-se
a renovação das formas litúrgicas conforme os tempos e a cultura do povo. Nesta
adaptação, também é incentivada a criatividade, porém estas duas devem ter caráter
orgânico, evitando o empenho em criar uma nova liturgia, devendo porém preservar e
proteger a essência ontológica da liturgia. Neste desafio de adaptação e criatividade,
podem ser feito o uso ainda de dois processos, o de aculturação (que refere-se a
síntese do encontro entre duas culturas) e o de enculturação (que refere-se a
incorporação de ritos sociais, nos quais são atribuídos sentido religioso-cristão.
Por fim, todo o texto referente a primeira parte do documento apresentado até
aqui, converge para salientar de forma clara e entusiasmada a essencial importância
da Pastoral Liturgica, defendida no conteúdos de cada um dos nove capítulos
anteriores, onde são apresentados o contexto, os desafios, os aspectos, formas e
elementos necessários para o desenvolvimento e promoção de uma pastoral litúrgica
mais sólida e vivaz. Isto é reforçado com a conclusão do capítulo dez que nos lembra
que a Pastoral litúrgica perpassa todas as outras pastorais, devendo ser vista e
cuidada com zelo, pois é fonte e ápice de toda a ação da Igreja.
Uma Pastoral Litúrgica Solida e vivaz resultará no fomento e construção de
comunidades animadas e avivadas, movidas por um ardor missionário dinamizante.

Análise Pessoal da Obra:

Todo o documento permite o vislumbre do movimento da busca e do processo


de desenvolvimento da Pastoral Litúrgica no Brasil, com diversidade de detalhes e
nuances, permitindo uma apropriação de conhecimentos necessários para o alcance
dos objetivos desta disciplina. De fato, ao avançar dos capítulos vamos tomando uma
maior noção e dimensão da profundidade do tema e sobretudo da importância do zelo
deste aspecto tão sagrado da Igreja.
Além disso, o presente texto ainda oferece orientações consistentes a toda a
igreja, e não só, mas também todos os interessados em entender do assunto,
capacitando a um exercício de excelência na condução da Pastoral Litúrgica.
Para minha formação enquanto futuro teólogo, mas sobretudo futuro presbítero,
penso ser de suma importância a leitura desse documento, atribuindo valoroso
conhecimento que sem dúvida me ajudará a compreender melhor o sentido da Liturgia
no seio da Igreja, mas principalmente me inspirando a ser um zeloso guardião,
dedicado animador e promotor da vida litúrgica no exercício do meu futuro ministério
sacerdotal.

Recomendação da obra:

Recomendado a todos os interessados na área de Teologia, sobretudo aos


assuntos da Teologia Litúrgica.

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