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FACULDADE DEHONIANA
Aluno: Thiago Santos Souza
Disciplina: Moral Fundamental I
Data: 29/05/2019

Questões sobre a Carta encíclica "Veritatis splendor” de São João Paulo II

1. Como a Moral Cristã pode ajudar a discernir o que é bem e o que é mal?

Há no homem um lugar de escolhas, lugar esse onde acontece o


discernimento, chamado de consciência. Essa instância da existência humana
age sobre a capacidade atitudinal e comportamental de um indivíduo, dando-lhe
as motivações sobre como fazer (ou não) algo.
Essa consciência é passível de condicionamentos, os quais podem
influenciar suas escolhas. Dentre os possíveis condicionamentos, acredito que
a Moral Cristã, pode auxiliar o homem a nutrir sua consciência, orientando esta
para o que é bom e agradável a Deus, e portanto para si próprio.
Vimos nas aulas que a moral Cristã, construída num indivíduo, ajuda-o a
fazer o bem e evitar o mal. Ela apresenta as referências necessárias para o
discernimento sobre o que é o bem e o que é mal, a qual encontra seu núcleo
na pessoa de Jesus Cristo, seu ser, seu gestos, sua vida.
É aproximando-se de Jesus, no seu seguimento discipular que a consciência
moral pode ser cristificada. “O comportamento de Jesus e a sua palavra, as
suas ações e os seus preceitos constituem a regra moral da vida cristã” (VS,
20), assim, a medida que vou me configurando a Cristo, vou reunindo em mim
os elementos necessários para uma vida direcionada ao belo, ao bom e ao
justo.
Essa aproximação se dá através das Sagradas Escrituras, da Sagrada
Tradição e do Magistério eclesial. Estas fontes, com a “assistência do Espírito
Santo” (VS, 27), oferecem a base fundamental para a Moral Cristã, que por sua
vez deve levar o homem a uma consciência moral cristã capaz de conduzí-lo a
escolhas (Acolher o que é bom e evitar o que é mal) que frutifiquem em
felicidade e plenitude.
Escolher o bem “consiste em pertencer a Deus, obedecer-Lhe, caminhar
humildemente com Ele, praticando a justiça e amando a piedade” (VS, 11). A
estes propósitos servem a Moral cristã, no seu gesto mediador tão essencial
para levar o homem a maturidade de Cristo, maturidade esta que O fez discernir
sempre pelo melhor, ou seja, fazer a santa vontade de Deus.
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2. Comente a frase "Quem, de fato, não ama está privado de motivações para
cumprir os mandamentos” (Santo Agostinho).

R:

Somente é capaz de amar aquele que se percebe amado, quando o homem


compreende e experimenta as iniciativas gratuitas que o amor de Deus multiplica
em seu favor, sente-se compelido a responder esse amor, e a resposta é o
seguimento de uma vida moral de acordo com os preceitos do Amado. Porém
quem não faz a experiência de ser amado e, portanto, amar, pode tornar os
preceitos morais ou mandamentos pesados e encarados como meras proibições. O
amor de Deus dá sentido e ilumina interiormente o homem em sua busca de
sentido, é o fim para os quais os mandamentos apontam, porém sem essa
concepção os mandamentos que dão vida podem comprometê-la. Isto não significa
que o homem quando consciente do amor de Deus por ele não esteja submetido as
vicissitudes próprias do ser humano, como desejos, pulsões, emoções, dores e
sofrimentos os quais podem tornar difícil o cumprimento dos mandamentos, porém
quando temos claro o fim daquilo que é próprio da realidade humana podemos
menos dificultosamente cumprir os mandamentos e aproximar-nos da vida em
abundância a qual Jesus aponta.
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O homem enquanto ser social precisa de mediações para sua construção


existencial e transcendental. Ele tem a potencialidade de ser e transcender, mas
precisa ser conduzido a isso. Essa necessidade humana de mediações é
diversificada, entretanto, a partir do que pude ver neste semestre letivo, intenciono
destacar a necessidade de mediação que a “Moral Cristã”, ensinada pela Igreja,
oportuniza ao homem.

Num mundo onde cada vez mais desvirtua-se o sentido da vida plena, o
homem vê-se cercado por uma cultura líquida e fulgaz, que o leva a buscar a
felicidade fora de si e na superficialidade das relações (consigo e com os outros).
Na contemporaneidade na qual está inserido, o homem nunca precisou tanto de
referências que o salvem do vazio que tem experimentado. Com isso, ressalto a
necessidade mediadora de uma consciência bem formada, preenchida de bons
princípios, retas intenções e valores consistentes, para que conduzam o indivíduo
em suas escolhas, atitudes e ações.

Neste sentido, cumprindo seu papel eclesial de mediação, a igreja, nos


propõe caminhos de retorno a uma vida de sentido e realização plena. Este zelo
eclesial em Moral, constitui-se um verdadeiro serviço prestado ao homem e a
sociedade, agindo como um pai que ensina e que instrui seus filhos.

Através do seu ensino moral a igreja ajuda o homem a se reencontrar


consigo e com Deus, através da pessoa de Jesus Cristo, rosto que nos revela o
pai. Dessa forma, refletir sobre o papel e o lugar ensinamento moral da Igreja é um
movimento importante e necessário, por ser este ensinamento o fundamento do
agir do homem cristão.

A partir da moral cristã, em seu ensino, a proposta do seguimento de Cristo


é apresentada como caminho de realização e salvação para o homem. Através dos
referenciais aprendidos de forma discipular, neste seguimento, o homem
concretizará, no seu cotidiano, a vida de Jesus, a qual lhe trará vida em
abundância (cf Jo 10, 10).

Contextualmente, ressalto a beleza e riqueza da encíclica, Veritatis


Splendor, por oportunizar conteúdos tão iluminadores na construção e formação da
consciência moral cristã, ajudando-nos a entender a profunda necessidade de
conhecer os ensinamentos da moral da igreja, em primeiro lugar para uma
experiência pessoal de revisão de vida e do seguimento de Cristo, e num segundo
momento para repensar a maneira como temos levado a proposta de Cristo aos
outros.
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4) Porque é no comportamento humano que se manifestará o seguimento....., é na


concretude do dia a dia, por isso o comportamento deve ser objeto de estudo,
como suporte e auxílio para otimizar a efetivação da proposta de Jesus..

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