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O agudizar das tensões políticas e sociais a partir dos anos 30

1. Antes de iniciares o estudo das tensões políticas e sociais dos anos 30, reflicta sobre as seguintes
questões:
- O que entendes por Crash bolsista, deflação, inflação, totalitarismo, fascismo, nazismo, anti-
semitismo e genocídio?
- Que alterações ocorrem na vida urbana nas décadas de 20 e 30?
- Que princípios ideológicos e que características definem o fascismo?

Fonte 1 – Uma paz aparente, uma prosperidade efémera?


“Os anos 20 (1924-1929) foram anos de prosperidade. O American way of life invadiu a Europa. Aos
benefícios da sociedade de consumo associou-se a busca de prazer e a evasão e intensificou-se a vida
nocturna. Os teatros, os cinemas, os night-clubs e outras salas de espectáculos e de jogos das grandes cidades
tornaram-se locais habitualmente frequentados. As novas bebidas (cocktail), as novas músicas (jazz) e as
novas danças (charleston, lambeth walk, swing e rumba) passaram a animar a vida nocturna. Rallies de
automóveis, corridas de carros e de cavalos e outros desportos (como o futebol) constituíram outros
divertimentos que envolviam grandes massas. O rápido desenvolvimento dos meios de transporte (comboio,
automóvel, avião) e dos meios de comunicação (rádio, telégrafo, telefone) acelerou o quotidiano das pessoas,
favorecendo uma maior mobilidade espacial e do ritmo de vida. A moda de viajar entrou nos hábitos e
prazeres das classes médias. Às viagens de negócios acrescentaram-se as viagens lúdicas, de turismo, quer no
interior dos próprios países, quer para países estrangeiros, criando-se e desenvolvendo-se novas infra-
estruturas para apoio destes lazeres: agências de viagens, serviços de hotelaria, mapas, guias turísticos,
bilhetes-postais ilustrados, etc. Paralelamente a este novo estilo de vida, o período entre as duas guerras
mundiais caracterizou-se por uma latente inquietação e instabilidade nos comportamentos sociais. A paz
estabelecida pelo Tratado de Versalhes, que pôs fim à Primeira Guerra Mundial (1919), foi uma paz aparente,
já que, na Alemanha e na Itália, o nazismo e o fascismo iniciavam a sua caminhada galopante. A crise de
1929 viria a agravar essa instabilidade gerando mesmo angústias e miséria que iriam ter consequências a
todos os níveis.”
Eric Hobswam, A Era dos Extremos, Editorial Presença

2. Descreve as principais transformações da vida urbana documentada na fonte.

Fonte 2 – A causa do feminismo


“Um dos grandes passos dados ultimamente pela causa do sexo fraco foi o reconhecimento do sufrágio
municipal na Itália e na Grécia, já sendo um facto consumado na Espanha. Em nosso país está em discussão
um projecto de lei que permitirá, dentro em breve, contar mais um triunfo para a Grande Ideia. Por toda a
parte, a pouco e pouco, as mulheres avançam, desassombradamente; aqui fixando os seus salários em diversas
profissões; ali, reformando lei que, durante séculos e séculos, vinham perpetuando injustiças desumanas
contra elas, criadas e mantidas pelos legisladores bárbaros; mais adiante, proclamando (…) o direito da
mulher à igualdade económica; de outro lado, contando como factores de peso na vida política de sua terra,
pelo acréscimo de responsabilidades que lhes aprouve lançar aos próprios ombros.”
Folha da Manhã, 21 de Novembro de 1925

3. Por que causas lutavam as feministas?


4. Consideras que as mulheres no mundo de hoje ainda têm causas por que lutar? Justifica.

Fonte 3 – Da euforia à crise


“A crise torna-se, a partir do crash de Wall Street, uma crise mundial, o que demonstra como A
América se vai transformando, aos poucos, na locomotiva da economia capitalista. As repercussões sociais
desta crise, são, também, mundiais, afectando todos os países, com economias pouco desenvolvidas e
diversificadas, que fornecem matérias-primas aos EUA e à Europa. (…) Por todo o lado falem fábricas por
falta de compradores. Por todo o lado instala-se o desemprego, e as dificuldades económicas das populações
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agudizam-se. A fome, que parecia uma realidade passada, reemerge. Nos EUA, põe-se em questão o
American way of life, instalando-se dúvidas quanto à validade do modelo capitalista tal como é aplicado. Este
modelo incentivou, nos anos da pseudo prosperidade, a um consumo desenfreado, concedendo créditos ao
consumo privado de forma pouco criteriosa e as pessoas que não possuíam capacidade de endividamento.
Quanto mais se consumia, mais os bancos emprestavam, numa espiral que só podia conduzir a um fim – a
ruptura do sistema financeiro e, consequentemente, produtivo, logo que as dificuldades financeiras
começaram a emergir (as pessoas não pagavam aos bancos o que lhes deviam e deixaram de consumir por não
terem meios para tal).
Com a retracção do consumo privado, as empresas vêem-se com uma enorme quantidade de stocks
invendáveis por causa da falta de liquidez financeira dos consumidores. Milhares de empregos desaparecerem
em pouco tempo por já não se justificarem em época de retracção económica. Os bancos, com falta de
confiança na capacidade de pagamento de quem pede empréstimos, encerram as linhas de crédito,
restringindo ainda mais o consumo. A falta de dinheiro no sistema leva-os a retirar os créditos concedidos a
muitos bancos europeus e a não efectuar novos empréstimos. Ora, o sistema bancário baseia-se, em grande
parte, nos empréstimos concedidos pelos bancos com maior capacidade financeira aos de menores
capacidade. Muito bancos europeus, dependentes de créditos americanos entram em ruptura. (…) A
recuperação é lenta e é interrompida pelo eclodir da Segunda Guerra Mundial. Os níveis atingidos por Wall
Street em 1929 só são retomados em 1954.

Helena Veríssimo, Mariana Lagarto, Miguel Barros, Nova Construção da História,


Edições ASA, 2009, pp. 81-83

Fonte 4 – As origens do fascismo


“Se a complexidade do fascismo é patente a todos os níveis, o problema das suas origens não será
menos controverso. Tem sido desde há muito considerado como um produto dos choques consecutivos da
guerra e do pós-guerra. (…)
A guerra é uma etapa perfeitamente decisiva, que assinala o fracasso dos valores humanistas, radicaliza
a ruptura entre as oligarquias dirigentes e as massas, operando simultaneamente uma mistura de categorias
sociais nociva às antigas hierarquias.
A crise do pós-guerra vai seguidamente acelerar o processo de decomposição social e ideológica da
democracia liberal pela conjugação de dois factores essenciais: a inflação, que intensifica a proletarização da
classe média iniciada com a guerra, e a ameaça bolchevista, que leva as classes dirigentes a apostarem no
fascismo como força de substituição ao Estado liberal decadente. A crise económica de 1929, reabrindo as
feridas mal saradas do pós-guerra e suscitando com o desemprego novas categorias de marginalizados, tem
idênticas consequências do ponto de vista político. Nos países vencedores, que encontram precisamente a
vitória uma justificação das suas instituições democráticas, estas crises são ultrapassadas com relativa
facilidade. Inversamente, o fascismo é uma resposta à frustração nacional resultante de uma derrota
(Alemanha), de uma vitória incompleta (Itália) ou mesmo de uma situação de sujeição no seio de um Estado
democrático (Croácia, Eslováquia).”

Bernard Droz e Anthony Rowley, História do Século XX, vol. 1, Publicações D. Quixote

5. Refira os aspectos que, de acordo com os autores da fonte, conduziram à emergência do


fascismo.

Fonte 5 – Totalitarismo ou totalitarismos?


“As referências ao passado são utilizadas pela propaganda fascista para a construção de uma certa ideia
de pátria, que assenta num nacionalismo primário, defende valores como a raça e incentiva a crença na
superioridade cultural de determinados povos relativamente a outros. O fascismo promove o culto do chefe,
que concentra em si todos os poderes, recusando o parlamentarismo e as liberdades individuais.”
Considera os regimes demoliberais decadentes e permissivos e causa última da instabilidade vivida na
Itália e Alemanha nos anos anteriores ao fascismo. Para além disso, acredita que estes regimes, por causa da
sua permissividade, perderão a luta contra a ideologia comunista. (…)
Os apoiantes do fascismo são, essencialmente, as classes médias, a quem o medo da anarquia ou o
espectro da tomada de poder por parte dos comunistas assusta. A propaganda fascista sabe aproveitar-se

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desses medos e convencer uma parte substancial da população de que o regime fascista é o único que a
consegue defender de forma eficaz. A propaganda torna-se um dos instrumentos mais poderosos ao serviço do
fascismo.”

Helena Veríssimo, Mariana Lagarto, Miguel Barros, Nova Construção da História,


Edições ASA, 2009, pp. 85-86

Fonte 6 – O fascismo
“A democracia é um regime sem rei, mas que o substitui por numerosos reis, por vezes mais
exclusivos, mais tirânicos, mais numerosos que um rei-tirano (...). O fascismo rejeita na democracia a mentira
absurda e convencional da igualdade política, o hábito da irresponsabilidade colectiva, o mito da felicidade e
do progresso indefinidos. (...) Anti-individualista, a concepção fascista é feita para o Estado (...). Para o
fascista tudo está no Estado, nada de humano ou espiritual existe fora do Estado. Nesse sentido o fascismo é
totalitário e o Estado fascista, a síntese e unidade de todo o valor, interpreta, desenvolve e dá potência à vida
integral de um povo.
Nem agrupamentos (partidos políticos, associações, sindicatos), nem indivíduos fora do Estado. Por
consequência, o fascismo opõe-se ao socialismo, que retrai o movimento histórico a ponto de o reduzir à luta
de classes e que ignora a unidade do Estado que, por si, funde as classes num único bloco económico e moral.
(...) O Estado fascista, que é a forma mais poderosa e elevada da personalidade, é uma força (...) que resume
todas as formas da vida humana.”

Mussolini, A doutrina do fascismo, 1930

6. Identifique os princípios do fascismo patentes na fonte.

Fonte 7 – A propaganda e o enquadramento das massas


“Uma das armas mais eficazes ao serviço dos Estados fascistas é a propaganda, que exerce sobre as
populações destes países, fartas de instabilidade económica e política, uma enorme atracção. (…) A
propaganda mais não é uma lavagem ao cérebro, pois trata-se de veicular até à exaustão determinadas ideias,
apresentadas com uma roupagem apelativa e jogando a seu favor com os desejos, medos, angústias das
pessoas a quem se destina.
Essa arma é arremessada, mais ou menos subtilmente, às massas pelas elites destes regimes, de forma a
exercer um controlo cada vez mais apertado e enquadrado das mesmas, tidas como volúveis e, como tal,
perigosas. Para contornar essa volubilidade, os regimes totalitários apostam nas camadas populacionais mais
facilmente influenciáveis e moldáveis. (…)
Todos estes regimes, sem excepção, organizam forças infantis e juvenis, femininas e masculinas, com
características paramilitares. Pertencer a estas organizações torna-se uma honra e raros são os que se atrevem
a recusá-la. Exalta-se o sentimento nacionalista, aproveitando a dinâmica dos grupos. Criam-se os futuros
soldados, servidores da Pátria e do Estado. Ou se está com o grupo, com o chefe, com a Pátria, ou se está
contra, aplicando-se uma psicologia de grupo extremamente eficaz. O individualismo é considerado algo de
pernicioso, próprio das decadentes democracias parlamentares.
Nos fascismos, cada um tem o seu lugar na sociedade e cada um cumpre a função para a qual está
destinado, com brio e sentido do dever. A palavra do chefe é sagrada e não se discute. No caso mais extremo,
o nazismo, pretende-se abolir a religião, porque se considera que, com as suas noções de caridade, amor ao
próximo e ajuda aos necessitados, constitui um obstáculo à construção de um Estado Nacional-Socialista, que
se quer impiedoso para com os fracos e para com os que não adequam à sociedade nova.”

Helena Veríssimo, Mariana Lagarto, Miguel Barros, Nova Construção da História,


Edições ASA, 2009, pp. 88-89

7. De que meios se serviam os regimes fascistas para enquadrar as massas? Porquê?


8. Que fins pretendiam os regimes totalitários atingir com o aliciamento da juventude?

Fonte 8 – Os objectivos nazis

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“1.º Exigimos, fundando-nos no direito dos povos a dispor de si próprios, a reunião de todos os
Alemães numa grande Alemanha.
2.º Pedimos (…) a revogação do Tratado de Versalhes e do Tratado de Saint Germain.
3.º Pedimos terra e colónias para alimentar o nosso povo e reabsorver a nossa população.
4.º Apenas os cidadãos beneficiam de direitos cívicos. Para ser cidadão, é preciso ser de sangue alemão,
não importa a religião. Nenhum judeu pode ser alemão. (…)
6.º (…) todas as funções públicas, seja qual for a sua natureza, não possam ser exercidas senão por
cidadãos. (…)
18.º Pedimos uma luta sem tréguas contra todos os que, pelas suas actividades, prejudicam o interesse
nacional. Criminosos de direito comum, traficantes, agiotas, etc., devem ser punidos com a pena de morte.
(…)
20.º (…) O espírito nacional deve ser incutido na escola a partir da idade da razão. (…)
25.º Para levar tudo isso a bom termo, pedimos a criação de um poder central forte, a autoridade
absoluta (…).”

Programa do Partido Nacional Socialista, 1920

Fonte 9 – O culto da força e da violência

“O lado mais negro dos regimes totalitários era a perseguição, tortura e morte dos opositores, a
violência física e/ou psicológica contra todos os que resistem a inserir-se no modelo perfeito e a censura de
todas e quaisquer ideias diferentes, consideradas como perigosas para a unidade que se pretende alcançar.
Estas características enquadram-se numa lógica de construção de um estado forte e autoritário, que acha que
sabe o que é melhor para o grupo (…). O culto da força física e do corpo perfeito decorre desta doutrina – a
um Estado organicamente perfeito, em que a soma de todas as suas partes é harmoniosa, devem corresponder
cidadãos também eles perfeitos física e mentalmente. A agressividade é incentivada porque se acredita na
selecção natural, devendo os mais fortes e aptos eliminar os mais fracos. (…) Estas teorias, extrapoladas para
os povos e para os países, advogam que as raças mais fortes e mais puras criam nações mais aptas, que devem
dominar as mais fracas. (…) O nazismo advoga a pureza total da raça, e isso só se alcança expurgando a
sociedade de todos os elementos que a corrompem.
A limpeza racial inicia-se perseguição aos opositores ideológicos do regime, que o conspurcam com as
suas ideias – comunistas, anarquistas, livres pensadores são presos e torturados. Alguns aderem à nova
ideologia; outros continuam fiéis às suas crenças, acabando por fugir ou morrer em campos de concentração.
Seguem-se os deficientes mentais e portadores de deficiências físicas graves e hereditárias que são
inicialmente alvo de campanhas de esterilização e, mais tarde, eutanasiados. Os ciganos, os homossexuais, os
judeus, todos eles também considerados como inimigos biológicos da raça ariana, começam por ser
perseguidos e a serem alvo de leis cada vez mais restritivas dos seus direitos, culminando na sua deportação e
morte nos campos de concentração nazis. (…) O ódio irracional aos judeus, considerados gente vil e inferior,
sem quaisquer qualidades de carácter, responsáveis por pelos mais variados problemas que afligem a
Alemanha, é uma das pedras basilares do nazismo.
A loucura nazi atinge níveis inacreditáveis de sadismo. A cumplicidade, explícita ou implícita, de
largas camadas da população alemã, na perseguição e posterior genocídio de judeus e ciganos, assenta na
propaganda implementada desde a subida ao poder. (…) O que não era moral passa a sê-lo, numa lavagem ao
cérebro sem precedentes na História. (…) Os judeus deixam de ser vistos como pessoas, tornando assim
legítima a sua eliminação, por constituírem um perigo para a sobrevivência colectiva. Assim se eliminam
seres humanos como se de uma praga se tratasse. A acção de genocídio aplicada a judeus e ciganos é planeada
até ao mais ínfimo pormenor. São enviados para campos de morte, lugares sinistros como Auscwitz-Birkenau,
onde a capacidade organizativa e industrial alemã se une à perversidade nazi para originar uma gigantesca
unidade industrial onde seres humanos são, literalmente, processados e eliminados.”

Helena Veríssimo, Mariana Lagarto, Miguel Barros, Nova Construção da História,


Edições ASA, 2009, pp. 91-92

Fonte 10 – O anti-semitismo

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“Os Judeus é que apresentam um mais acentuado contraste com o Ariano. (...) O povo judeu, apesar das
suas aparentes aptidões intelectuais, permanece sem nenhuma cultura verdadeira e, sobretudo, sem cultura
própria. O que ele hoje apresenta como pseudocivilização é o património de outros povos, já corrompidos
pelas suas mãos. (...) O judeu não possui qualquer força susceptível de construir uma civilização e isso pela
razão de não possuir, nem nuca ter possuído, o menor idealismo, sem o qual o homem não pode evoluir nem
sentido superior. Eis a razão porque a sua inteligência não serve para construir coisa alguma; ao invés, serve
para destruir. (...)
A sua expansão através de países sempre novos só principia quando neles existem condições que lhe
assegurem a existência, sem que tenha de mudar de domicílio como o nómada. É, e será sempre, o parasita
típico, um bicho que, tal qual um micróbio nocivo, se propaga cada vez mais, assim que se encontra em
condições propícias. A sua acção vital assemelha-se igualmente à dos parasitas, onde ele aparece. O povo que
o recebe vai-se exterminando mais ou menos rapidamente.”

Adolf Hitler, "O Povo e a Raça", in Mein Kampf, capítulo XI

Fonte 11 – As leis de Nuremberga


“1935 – As Leis de Nuremberga retiram aos judeus muitos dos direitos civis básicos; Os casamentos
mistos são proibidos, ao abrigo da lei Protecção ao Sangue e à Honra Alemãs; 1938 – Os judeus são excluídos
de cinemas, teatros, concertos, exposições, praias e hotéis; Noite de Cristal (9 de Novembro) – nesta noite,
judeus austríacos e alemãs são assassinados, sinagogas incendiadas e montras de lojas judaicas destruídas.
Milhares de judeus são aprisionados; 1941-42 – Os judeus com mais de 6 anos de idade são obrigados a usar
uma estrela amarela de David, com a palavra judeu escrita; Os judeus não podem possuir cães, gatos ou
pássaros; Toda e qualquer escola passa a estar vedada a judeus.”
http://www.bl.uk/learning/histcitizen

Fonte 12 – Os anos do medo


“ (…) Era domingo, Domingo de Páscoa, e ninguém viria ao escritório antes de terça-feira de manhã.
Não podíamos fazer mesmo nada. Imagina duas noites e um dia a passar com tal angústia! Nós, as mulheres, é
que já não erámos capazes de imaginar coisa alguma. Estávamos sentados às escuras; a sr.ª van Dann resolveu
fechar todas as luzes, e sempre que se ouvia um ruído murmurávamos chu, chut.
Eram dez e meia, onze horas, e de ruídos nada. Depois, às onze e um quarto, ouvimos ruídos lá em
baixo. Agora já se ouvia a respiração de cada um de nós. Não nos mexemos. Passos na casa, no escritório, na
cozinha, depois… na escada que conduz à porta camuflada. Retivemos a respiração; oito corações a martelar.
Passos na escada, sacudidelas nas prateleiras da porta giratória. Estes momentos são impossíveis de descrever.
– Estamos perdidos – pensei –, e já nos via, a todos, arrastados pela Gestapo através da noite. Mais
duas vezes mexeram na porta giratória, depois alguma coisa caiu e os passos afastaram-se. De momento,
estávamos salvos. Então começámos todos a tremer. Ouvia-se o bater dos dentes; ninguém conseguia
pronunciar uma palavra.”

Diário de Anne Frank, Terça-feira, 11 de Abril de 1944

9. Que formas de violência estão expressas nas fontes?


10. Como se explica a imagem que o regime nazi constrói acerca dos judeus?
11. A partir das fontes, explica o processo de desumanização dos judeus levada a cabo pelos nazis.

Fonte 13 – Uma política económica autárcica

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“Este Estado ditatorial vai orientar-se para uma política de autarcia (…). Reagindo contra o liberalismo
deflacionista dos últimos tempos da República, vai orientar a Alemanha para uma política de autarcia,
assegurando o financiamento interno através de uma inflação de crédito moderada e servindo-se do poder que
lhe conferia a importância da procura interna como meio de dominação dos países vizinhos.
A Alemanha de Hitler dá-se como primeiro objectivo acabar com o desemprego, primeiro pela
execução de grandes trabalhos públicos, depois, e em breve, através de um programa de rearmamento (…).”

André e Loic Philip, História dos Factos Económicos e Sociais, Lisboa, Moraes Editores

12. Caracterize o modelo económico seguido pelos regimes totalitários, partindo da análise da fonte.

Fonte 14 – O New Deal


“Quando cheguei a Washington ao fim dos primeiros doze meses da administração Roosevelt, a
impressão que retive foi a de um entusiasmo espantoso, de um profundo empenhamento da acção e de uma
dose considerável de incerteza quanto ao que devia ser feito. (...)
Opúnhamo-nos à já não muito credível de incerteza benignidade do mercado ou, no que respeitava à
despesa pública, aos cânones das finanças saudáveis e do orçamento equilibrado. Ou, em questões monetárias,
ao sacrossanto padrão-ouro. (...)
O choque mais violento entre o receituário ortodoxo e a corrente aparentemente pragmática deu-se
através do NRA – National Recovery Act. (...) O remédio parecia óbvio. Permitir às empresas que cada
indústria que se reunissem de modo a suster a redução dos preços e com ela a diminuição dos salários e o
consequente desemprego. (...) Depois, como concessão à força de trabalho, permitir que os trabalhadores se
associassem em sindicatos (…) para proteger e afirmar os seus interesses colectivos. (…)
O programa agrícola também envolveu um conflito agudo com a corrente ortodoxa. (…) O controlo da
produção e dos preços no sector agrícola despertou uma oposição menor do que a NRA. (…)
A terceira inovação do New Deal envolveu dinheiro. (…) As taxas de juro foram, de facto, obrigadas a
descer (…); os bancos acumularam reservas de fundos de empréstimo em quantidades extraordinárias. (…)
Restava o quarto e de longe o mais importante pilar do New Deal: o emprego directo dos
desempregados através da criação deliberada de postos de trabalho. Isso foi levado a cabo pela Public Works
Administration, e pela Works Progress Administration. (…) Outra iniciativa do New Deal, diferente e de
importância vital: a Segurança Social. A Lei da Segurança Social aprovada em 1935 criou, ainda que a níveis
bastante modestos e mesmo primitivos, pensões de velhice e subsídios de desemprego. (…)
Nem a política económica nem a economia tal como são ensinadas voltariam a ser as mesmas. Quem
assistiu e viveu essa mudança nunca esqueceu o seu fulgor. Estivemos, de facto, presentes no momento da sua
criação.”
J. Kenneth Galbraith, Viagem Através da Economia do Nosso Século, Círculo de Leitores

13. Com base na fonte, caracterize o New Deal.


14. Verifique se atingiu os objectivos de aprendizagem.
Sim Não Aprofundei
- Relacionei os perídos de crise gerados pelo capitalismo liberal
com a expansão de novas ideologias e com a inflexão
intervencionista dos Estados democráticos.
- Caracterizei a ideologia fascista, distinguindo particularismos e
influências mútuas.

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