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Ovídio Saraiva

A Literatura Piauiense em si deve à poesia parnaibana toda a maestria de seus vers


os, a dedicação e o comprometimento de seus poetas para com as suas respectivas esco
las literárias, e o fato consumado de tê-la dado origem, ainda no século XIX, com a pu
blicação do livro Poemas , na cidade de Coimbra em Portugal, no início do ano de 1808, de
autoria do poeta parnaibano Ovídio Saraiva de Carvalho e Silva (nascido, quando d
a época, na vila de São João da Parnaíba). Essa obra encontra-se presa à tradição neoclássi
redominando o espírito alegórico-mitológico dos árcades e o convencionalismo retórico na e
pressão dos estágios da alma . São evidentes os traços do poeta Manuel Du Bocage, excêntric
sonetista, grande influenciador desta geração, equiparado a Camões, o maior nome da L
iteratura Portuguesa. Temas bastante comuns nesta obra poética são a lamentação, tristez
a, solidão e a morte. Há predomínio de sonetos, sendo que das 116 composições, 66 são sonet
s decassílabos; também apresenta como traço estilístico seleções vocabulares e inversões si
cas dos períodos.
Neste mesmo ano, Goethe lançaria a primeira parte do seu famoso livro Fausto, em m
arço D. João VI chegaria ao Brasil e a 10 de setembro seria lançado o primeiro exempla
r da tradicional Gazeta do Rio de Janeiro, adentramos a Época Árcade ou Neoclássica. O
vídio Saraiva vivia pela corte de Portugal, seus poemas e cânticos exaltavam a reale
za, já que cedo deixara o Brasil, assim que completara seis anos de idade. Pertenc
e a ele o título de primeiro letrista do Hino Nacional brasileiro (Hino Sete de Ab
ril), data esta que marca em 1831, a abdicação de D. Pedro I do trono brasileiro, de
vido à queda de sua popularidade, exposto quando é recebido com frieza em Minas Gera
is, sua última tentativa de recuperar prestigio político. Eis o hino na integra:
Hino Sete de Abril
(primeiro hino nacional)

Letra: Ovídio Saraiva de Carvalho e Silva


Música: Francisco Manuel da Silva.

Os bronzes da tirania
Já no Brasil não rouquejam
Os monstros que nos escravizam
Já entre nós não vicejam.
Da pátria o grito
Eis se desata Refrão
Desde o Amazonas
Até o Prata.
Ferros e grilhões e forças
De antemão se preparavam;
Mil planos de proscrição
As mãos dos monstros gisavam.
Refrão
Amanheceu finalmente
A liberdade no Brasil...
Ah! Não desça sepultura
O dia Sete de Abril.
Refrão
Este dia portentoso
Dos dias seja o primeiro.
Chamemos Rio de Abril
O que é Rio de Janeiro.
Refrão
Arranquem-se aos nossos filhos
Nomes e idéias dos lusos
Monstros que sempre em tradições
Nos envolveram, confusos.
Refrão
Ingratos a bizarria,
Invejosos de talentos,
Nossas virtudes, nosso ouro,
Foi seu diário alimento.
Refrão
Alimentos bárbaros, gerados
De sangue judaico e mouro,
Desenganai-vos, a pátria
Já não é vosso tesouro.
Refrão
Neste solo não viceja
O tronco da escravidão
A quarta parte do mundo
As três dão melhor lição
Refrão
Avante honrados patrícios
Não há momento a perder
Se já tendes muito feito
Idem mais resta fazer.
Refrão
Uma prudente regência
Um monarca brasileiro
Nos prometiam venturosos
O porvir mais lisonjeiro.
Refrão
E vós donzelas brasileiras
Chegando de mães ao estado
Daí ao Brasil tão bons filhos
Como vossas mães têm dado.
Refrão
Novas gerações sustentam
Do povo a soberania
Seja isto a divisa deles
Como foi de abril de um dia.

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